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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qua Dez 28, 2016 7:09 pm

Mais da metade do jantar de Melissa ainda estava no prato quando a menina abandonou os talheres e anunciou que precisava passar na biblioteca para devolver alguns livros antes de ir para o dormitório. Clementine, Lorelai e Sara trocaram olhares preocupados, mas não questionaram a amiga. Nenhuma das três estranhou quando, ao invés de sair pelo corredor que a levaria até a biblioteca, Zummach seguiu na direção do saguão de entrada do castelo. Depois daquela carta, era mais que compreensível que Melissa quisesse um pouco de privacidade e ar fresco.

Somente DiLaurentis tinha informações suficientes para saber que Melissa não queria ficar sozinha e que não havia seguido por coincidência na mesma direção pela qual Landon Vanderwaal saíra do Salão Principal.

Ao chegar aos jardins, Zummach olhou ao redor em busca de qualquer sinal do monitor-chefe da Grifinória, mas Landon foi mais rápido. A surpresa fez com que Melissa prendesse a respiração quando foi puxada por um par de braços fortes, mas seu corpo reconheceu o familiar toque de Vanderwaal em menos de um segundo.

A mochila vermelha escorregou pelo ombro da novata e deslizou até o gramado, onde ficou acomodada junto aos pés dos dois jovens. Melissa deixou que Landon falasse sem nenhuma interrupção, num sinal claro de que ela não sabia o que dizer. Definitivamente, não era uma notícia que Zummach planejava dar ao rapaz logo agora que as coisas estavam tão acertadas entre eles.

Mesmo na penumbra da noite, Melissa enxergava com perfeição a ruguinha de preocupação esculpida entre os olhos verdes. Landon ainda não fazia ideia do conteúdo da carta, mas era impressionante notar que os dois já tinham atingido uma sintonia tão grande que conseguiam se comunicar por olhares.

- Black? Sirius Black?

Propositalmente, Melissa desviou o foco do assunto em uma tentativa desesperada de adiar um pouco mais o momento inevitável que colocaria um fim no relacionamento que os dois estavam construindo nas últimas semanas.

- Sim, eu já ouvi falar dele. Ele é mais famoso que você entre as garotas. – os olhos da garota giraram com uma expressão divertida – A Lori vive dizendo que ele é o cara mais gostoso de toda a história milenar de Hogwarts. Confesso que fiquei curiosa. Um cara que tem uma reputação mais badalada que a sua deve ser mesmo espetacular. Aposto que ele penteava os cabelos.

Zummach se colocou na ponta dos pés para conseguir alcançar os cabelos de Landon. Seus dedos mergulharam nos fios castanhos atrapalhados e tentaram consertar um pouco da bagunça provocada por ela mesma, mas os cabelos de Vanderwaal pareciam ter vida própria e estavam decididos a apontar em todas as direções.

Quando se deu conta de que não fazia mais sentido adiar aquela conversa, Melissa soltou um suspiro pesado e voltou a apoiar os pés inteiros no chão. O sorrisinho de provocação desapareceu dos lábios da novata e ela desviou o olhar do rosto de Vanderwaal enquanto se inclinava para puxar da mochila entreaberta o pergaminho trazido pela coruja.

Já que ela ainda não sabia como explicaria aquela novidade para Landon, Melissa entregou a carta ao grifinório e deixou que as palavras breves do Sr. Zummach falassem em seu lugar. A caligrafia de Alfred não era das melhores, mas a carta estava legível o bastante para que Vanderwaal não tivesse dúvidas sobre o seu conteúdo.

“Melissa,
Arrume as suas malas e esteja pronta para partir de manhã.
Encontrei uma emenda no Estatuto de Magia que torna ilegal a punição imposta pelo Ministério.
Vou te trazer de volta para casa.
Alfred Zummach.”


Só depois que Landon chegou ao final da breve carta escrita pelo Sr. Zummach, Melissa tomou a palavra. Um sorriso forçado surgiu nos lábios da garota em uma tentativa inútil de não parecer abatida com aquela novidade. Há algumas semanas, a novata vibraria com a possibilidade de sair de Hogwarts. Agora, contudo, Melissa estava arrasada por deixar o castelo para trás, as aulas maravilhosas, os excelentes professores, as amigas e, principalmente, o monitor-chefe da Grifinória.

- Imagino que a Grifinória dará uma festa quando souber desta novidade. Sugiro que não exagere nos doces, a sua reputação pode ficar abalada se você ganhar alguns quilos...

A ironia foi deixada de lado quando Zummach soltou um novo suspiro e ergueu um dos ombros, querendo aparentar indiferença diante daquela súbita mudança nos planos.

- Talvez seja melhor assim. Hogwarts nunca esteve nos meus planos, nem nada de tudo isso que eu encontrei aqui. Eu vou voltar para a minha antiga vida e vocês vão continuar a rotina do castelo como se eu nunca tivesse pisado aqui.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qua Dez 28, 2016 7:57 pm

Se Clementine tinha definições muito distintas para os papeis de um bom amigo e de um bom namorado, a corvinal fatalmente teria que rever os seus conceitos depois da entrada de Liam Mellish em sua vida. O lufano conseguia desempenhar aqueles dois papeis de forma perfeita, fazendo com que DiLaurentis fosse uma das raras felizardas que podia dizer que estava apaixonada pelo seu melhor amigo.

Era impressionante como Mellish conseguia ser exatamente o que Clementine precisava. Liam era uma excelente companhia quando a loira estava cansada ou preocupada, sua personalidade dócil era capaz de tranquilizá-la, seus conselhos eram sempre muito racionais. Como estava dois anos na frente da corvinal, o monitor-chefe da Lufa-Lufa também a ajudava nos estudos, fornecia dicas valiosas e, ao contrário de Cristopher, nunca reclamava do tempo que Clementine reservava para os estudos.

Por outro lado, Mellish também sabia ser o namorado apaixonado e ousado que não deixava que o relacionamento caísse na rotina e se tornasse apenas uma amizade com benefícios. Não era raro que Clementine perdesse o fôlego na sala de Adivinhação ou que precisasse conter os sorrisos quando os caminhos dos dois se cruzavam no castelo e Liam lhe lançava piscadelas ou aquele sorrisinho torto desconcertante.

Liam era doce, compreensivo, divertido e apaixonado. Era injusto que os dois estivessem tão encantados um pelo outro e não pudessem assumir aquele namoro, mas ambos sabiam que era muito arriscado.

Cristopher não apresentava nenhum sinal de que estava desconfiado daquela traição da ex-namorada, mas o comportamento do sonserino estava ainda mais sombrio que o normal nos últimos dias. Os olhares dele para o meio-irmão nunca tinham sido amenos ou amigáveis, mas Liam podia jurar que o antigo ar de deboche e superioridade tinham se transformado em um ódio potente.

Do outro lado daquele drama, a situação com Mia Blake também não estava confortável. Depois da briga áspera que pusera um fim no relacionamento amoroso com a lufana, Liam ainda tentou se reaproximar para reatar os laços de amizade, mas Mia não parecia interessada em retornar ao posto de amiga. Blake se distanciou do colega e passou a encará-lo com frieza. Contudo, Mellish sequer pensava na possibilidade de Mia ter descoberto a verdade sobre ele e Clementine.

Na cabeça de Liam, as coisas eram muito simples. Logo Mia arrumaria um namorado de verdade e deixaria aquelas mágoas para trás. Também era óbvio pensar que Cristopher também acabaria se envolvendo com uma menina e se esqueceria da história com DiLaurentis. Era só isso que o casal precisava para que pudessem assumir aquele namoro que, clandestinamente, ficava mais forte a cada dia.

Naquele fim de tarde, como já tinha se tornado uma rotina do casal, Liam e Clementine estavam mais uma vez na sala de Adivinhação. A bola de cristal que geralmente ficava sobre a mesinha tinha sido retirada, abrindo espaço para que a superfície fosse ocupada pelos livros de matérias realmente relevantes para alunos que em breve encarariam os NOMs e os NIEMs.

Depois de encher quase dois metros de pergaminho com suas anotações sobre Runas Antigas, Liam coçou os olhos cansados e ergueu a cabeça para encarar a namorada. Um sorriso inconsciente brotou nos lábios do lufano enquanto ele admirava a beleza de Clementine DiLaurentis.

Mesmo depois de tantas semanas juntos, Mellish ainda não havia se cansado de olhar para a loira. Cada traço de Clementine estava firmemente marcado na memória de Liam, mas ainda assim ele perdia longos minutos admirando os belos olhos azuis, as ondas dos cabelos macios, a delicadeza do narizinho arrebitado, o desenho perfeito dos lábios que ele já beijara tantas vezes.

- Você é linda.

A voz grave do lufano soou num sussurro quando DiLaurentis notou o olhar insistente dele. O velho sorrisinho torto surgiu em seus lábios e as mãos do rapaz foram apoiadas na mesa enquanto ele se inclinava sobre a superfície para roubar mais um beijo da namorada. Antes de interromper o beijo, Liam fechou o livro no qual Clementine estudava, decretando o fim daquelas longas horas de estudo.

- Hoje a ronda é minha, então eu preciso ir mais cedo. Amanhã podemos treinar o feitiço do Patrono, você está indo bem, Clem. Estou curioso para ver o seu patrono tomar forma.

Como de costume, Mellish só conseguiu sair da sala de Adivinhação depois de uma despedida longa e apaixonada. Os dois confirmaram um novo encontro no dia seguinte antes que Liam saísse apressado da sala para cumprir suas funções na monitoria. Tudo parecia tão normal que Clementine não teria motivos para desconfiar que alguma coisa estava errada.

O primeiro sinal de que algo sério havia acontecido surgiu na manhã seguinte. As mesas da Corvinal, da Grifinória e da Sonserina estavam lotadas como sempre e os alunos devoravam o café da manhã antes das primeiras aulas do dia. Contudo, a mesa da Lufa-Lufa estava estranhamente vazia. Exceto por alguns alunos do primeiro e segundo ano, mais nenhum dos lufanos tinha descido para o café da manhã.

Foi Sara quem chegou com as novidades. Vários minutos atrasada, a loira chegou correndo à mesa da Corvinal e se espremeu junto com as amigas. Os olhos arregalados e a pele pálida já indicavam que, daquela vez, a menina era portadora de uma fofoca preocupante.

- Vocês já estão sabendo?

- Estou sabendo de muitas coisas... Hogwarts tem a maior concentração de fofocas por metro quadrado do planeta. – Lorelai brincou, mas calou-se ao notar a expressão preocupada da amiga – O que houve?

- Um aluno da Lufa-Lufa desapareceu do castelo. Os colegas de dormitório chamaram os professores quando ele não apareceu para dormir. Dizem que reviraram o castelo de cima a baixo e nada. Simplesmente sumiu sem deixar rastros.

- Sendo um lufano, não duvido que esteja perdido por aí. Primeiranista?

- Não. Setimanista e monitor, então acho difícil que ele tenha se perdido, Lori. – quando se virou para Clementine, Sara não fazia ideia do quanto aquilo a abalaria – É o tal do Mellish, meio-irmão do Cris.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Dez 28, 2016 11:23 pm

- O Mellish? – Lorelai repetiu com incredulidade, se afastando alguns centímetros da mesa para lançar um olhar na direção onde os lufanos faziam suas refeições. – Você tem certeza disso, Sara?

A forma enfática com que Sara usou para confirmar as suspeitas da amiga foi completamente ignorada por Clementine. Os olhos azuis da menina já estavam presos no ponto habitual em que Liam se sentava e a ausência dele ou de qualquer outro rosto dos lufanos mais velho fez seu estômago afundar.

- Ninguém simplesmente desaparece. – Lorelai sussurrou, já em um completo clima de confidência.

Ela deslizou os olhares pelas colegas e se inclinou para frente para facilitar aquela conversa privada. Em muitos pontos pelo salão principal, as pessoas já pareciam fazer comentários enquanto encaravam a mesa deserta dos lufanos.

Os alunos de Godric Gryffindor exibiam semblantes sinceramente preocupados, os corvinais demonstravam desconfiança enquanto a casa das serpentes continuava o seu café da manhã como se fosse apenas mais um dia. Com um ar astuto de quem estava prestes a desvendar um mistério, Lorelai apoiou as mãos no colo antes de compartilhar sua teoria.

- Vamos ser sinceras, e agora que a Clem finalmente se livrou do capeta em forma de sonho, eu posso falar...

Clementine, que havia prendido a respiração desde a notícia dada por Sara, finalmente desviou seu olhar da mesa da Lufa-Lufa para encarar a amiga. Os olhos azuis estavam ligeiramente arregalados enquanto sua mente repetia o acontecimento das estudas, quando Cristopher ainda era seu namorado.

- Eu não culparia o Mellish de simplesmente meter o pé. O Cristopher fazia questão de transformar a vida dele em um inferno. Vai ver ele só cansou dessa palhaçada toda.

- O QUÊ?!

O ar que DiLaurentis vinha prendendo escapou de seus pulmões com a surpresa das palavras de Lorelai. Não era nenhum segredo o quanto Rookwood estava disposto em atrapalhar a vida de Mellish. Mas Clementine conhecia Liam o suficiente para saber que ele não iria simplesmente desistir de tudo.

- Você acha que ele foi embora? Assim, por vontade própria? – Sara indagou, ainda mais desconfiada com a teoria da amiga.

- O que você acha que pode ter acontecido? – Lorelai ergueu as palmas das mãos para o teto em um gesto prático.

- Eu não sei... – Sara buscou pelo olhar de Clementine, receosa de verbalizar o que realmente achava. – O Mellish estava no último ano e fazia praticamente todas as aulas com o meu irmão. O Cameron sempre disse que ele era um excelente aluno. Não acho que ele teria simplesmente ido embora. Pelo menos não por vontade própria. Sem chance, Lor.

Não sem falar comigo, não de repente. A mente de Clementine acrescentou enquanto ela se lembrava da despedida da noite anterior, sem absolutamente nada de anormal do que vinha acontecendo nos últimos meses. Não, ele definitivamente não iria embora.

- Bom, vocês não acham que um dos seguidores de Você-Sabe-Quem teria coragem de atacar alguém aqui, não é? Não sob as barbas do professor Dumbledore?

Mais uma vez, Sara se conteve para não responder a pergunta de Lorelai com o que realmente pensava. Mas a forma com que ela buscou pela mesa da Sonserina já entregava que a sua teoria estava bem próxima da realidade.

O salão estava girando e o café quase intocado de Clementine não lhe daria a sustância necessária para aguentar aquela notícia. Seu coração estava apertado e ela simplesmente não aguentava mais permanecer sentada, fofocando como se o desaparecimento de Liam fosse mais uma das manchetes do Profeta Diário, distantes demais para tocá-la.

- Muitas coisas acontecem sob as barbas de Dumbledore sem que ele interfira. – DiLaurentis respondeu amargamente, puxando a sua bolsa de couro por cima de um dos ombros antes de se levantar, ignorando a vertigem que lhe atingiu.

- Onde você vai? – As outras duas loiras giraram a cabeça em sintonia para acompanhar os passos de Clementine, que já desaparecia pela saída do salão principal.

Os passos da corvinal estavam decididos a caminho do andar da cozinha, mas antes que chegasse onde acreditava ficar perto da Lufa-Lufa, a grande figura de Pomona Sprout surgiu na sua frente.

A diretora da Lufa-Lufa estava claramente abatida. Sua pele sempre rosada pelo sol estava levemente pegajosa por um suor velho, as olheiras indicavam que não havia pregado os olhos durante toda a noite e ela se arrastava, já sem forças para suas pernas.

- Professora Sprout! – Clementine chamou, fazendo a velha gorducha se sobressaltar.

Confusa com todos os acontecimentos das últimas horas e exausta depois da longa noite atrás do seu aluno perdido, a mulher pareceu verdadeiramente surpresa por ser abordada por um aluno que não vestisse as cores da Lufa-Lufa.

- Srta. DiLaurentis, as aulas de hoje estão suspensas. Creio que o professor Dumbledore já fez o comunicado, sim?

- Não. Não vi o professor Dumbledore no salão. – Clementine sentiu seu peito se espremer ainda mais, mas lutava até o último segundo para se manter firme. – É verdade, então? Sobre o Mellish?

A mulher mediu a loira a sua frente, estudando sua postura séria, mas identificando nos olhos azuis a profunda preocupação e ansiedade. Pomona estava longe de se intrometer nas vidas pessoais de seus alunos, mas era impossível ignorar o drama vivido entre Mellish e Rookwood, o que tornava a presença de Clementine um tanto espantosa.

- Cabe ao diretor passar este tipo de informação, Srta. DiLaurentis.

Sem conseguir se controlar, o rosto de Clementine se contorceu em frustração. Os olhos azuis ficaram ligeiramente mais claros, mas ela trincou os dentes para não chorar. Se aquilo fosse apenas um mal-entendido, uma fofoca de corredor, ou até mesmo uma inédita travessura de Mellish, a professora de herbologia não teria problemas em negar tais rumores. Mas ela apenas se esquivava, tornando aquele evento em proporções ainda mais graves.

A mulher balançou o próprio corpo sobre os pés e tentou abrir um sorriso em seu rosto entristecido, enxergando a dor da menina a sua frente. Não cabia a ela passar informações restritas aos alunos, mas também era impossível ignorar como estava óbvio que a loira a sua frente se preocupava.

- Ainda não encontramos o Sr. Mellish. Mas não perdemos a nossa esperança...

O olhar de Clementine se ergueu para encarar a professora e ela chegou a fungar. Como Liam poderia simplesmente desaparecer?

- Até lá, creio que o professor Dumbledore prefira que os alunos fiquem em seus respectivos salões.

- De fato... – Uma voz rouca soou às costas de Clementine e ela se virou no mesmo instante para encontrar a longa e prateada barba do diretor. – Eu já solicitei que todos os monitores e os diretores de cada casa recolham seus alunos. Creio eu que o professor Flitwick esteja a sua procura neste instante, Sra. DiLaurentis.

Albus vestia longas vestes cor de esmeralda, mas nem a chamativa peça era capaz de ofuscar a presença de dois rostos desconhecidos que o rodeavam. Um homem e uma mulher, ambos de cabelos escuros, vestiam longas capas escuras e Clementine logo identificou o logo do Ministério estampado sobre seus peitos.

- Chamaram os aurores? – Clementine se virou inteiramente para o diretor, dando as costas para a professora de herbologia e ignorando completamente a etiqueta de boa aluna. – Então é verdade? Foi Você-Sabe-Quem?

Ela não se preocupou se receberia uma advertência por sua ousadia, se pareceria uma sem educação diante dos dois funcionários do ministério. Só o que precisava era que alguém desse qualquer informação a respeito de Liam.

- Eu tenho certeza que encontraremos apoio do ministério se este for o caso, Srta. DiLaurentis. Mas o Sr. e a Sra. Vanderwaal não estão aqui a trabalho...

Só quando olhou novamente para o casal, Clementine notou que eles compartilhavam expressões preocupadas e sentimentais demais para dois aurores que estivessem apenas trabalhando. Ela imediatamente se sentiu uma tola por agir daquela forma diante dos tios de Liam, mas nenhum dos dois pareceu interpretar mal o comportamento da menina.

- Na verdade, vamos precisar de toda a ajuda que conseguir. – A Sra. Vanderwaal tentou esboçar um sorriso que não vingava em seu rosto abatido. – Ouvimos alguns amigos do Liam, tentamos descobrir quem o viu por último, para termos pelo menos um ponto de partida...

- Parece que o nosso sobrinho já havia desaparecido muitas horas antes, e ninguém notou a falta dele. – O Sr. Vanderwaal não conseguiu esconder o tom de crítica ao diretor enquanto ajeitava os óculos redondos em seu nariz.

- Eu vi o Liam. – Clementine falou sem pensar, atraindo a atenção dos dois aurores de imediato.

O diretor foi o único a deslizar seus olhinhos lentamente para a loira, com uma nítida curiosidade, mas sem a menor sombra da surpresa do casal. Clementine podia ver a esperança em seus olhares, mas não se importou se aquela informação pudesse prejudicar seu segredo ou sua imagem. Se fosse suficiente para ajudar alguém a encontrar Liam, ela não hesitaria em dizer.

- Liam e eu estávamos estudando ontem, antes da última ronda dele. Estávamos na torre de Adivinhação.

A situação delicada não permitia que nenhum dos adultos tentasse fantasiar com a motivação de dois alunos de casas e anos distintos pudessem estar fazendo na torre de Adivinhação fora do horário das aulas, mas pareceram absorver a informação como se pudesse realmente ser uma pista.

- O Liam saiu para fazer a ronda e eu voltei para a Corvinal. Não o vi depois disso.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Dez 29, 2016 12:24 am

Landon precisou erguer a varinha e sussurrou um “lumus” para que a ponta se tornasse iluminada. A luz poderia ser mínima, mas a escuridão em que os jardins estavam mergulhados era suficiente para que se destacasse. O horário do jantar minimizava o risco de que alguém os flagrasse, mas ainda existia a possibilidade de que Hagrid estivesse atravessando o caminho até sua cabana ou que a professora Sprout fosse dar alguma atenção para suas plantas noturnas.

Entretanto, qualquer risco de ter aquele encontro interrompido foi varrido da mente de Vanderwaal quando ele estreitou o olhar para ler as letras curvadas que assinava pelo nome de Alfred Zummach.

Por longos segundos, o rapaz permaneceu com o pergaminho esticado diante dos seus olhos, uma ruguinha entre as sobrancelhas e a varinha presa entre seus dedos. Mesmo depois que Melissa verbalizou o que já estava bastante óbvio no bilhete, Landon não conseguiu compreender.

A preocupação ainda estava refletida em seu olhar, mas o grifinório manteve o sorrisinho nos lábios, da mesma forma que exibia enquanto Melissa o provocava com a lembrança de Sirius Black. Ele franziu as sobrancelhas, seus traços confusos iluminados pela proximidade da varinha.

- Espera aí, como é que é?


Aos poucos, a realidade começava a atingir Liam. Mas era tudo tão irreal que ele não conseguia deixar de sorrir, esperando o instante em que Zummach fosse rir e dizer o quanto ele era patético por acreditar naquilo. Afinal, não parecia ser possível que Alfred tivesse mesmo a capacidade de tirar a filha da escola da noite para o dia.

- Você vai embora? Mas estamos no meio do ano letivo!

Parecia um argumento fraco demais, mas na cabeça centrada do grifinório que havia recebido sua carta aos onze anos, que vestira o chapéu seletor quando ainda era um menino e que vivenciara tudo exatamente como mandava o protocolo, não fazia sentido alguém interromper seus estudos repentinamente.

Mas então ele se lembrou que estava diante de Melissa Zummach. A menina que havia pisado em Hogwarts pela primeira vez aos quinze anos, que mesmo destinada para a Grifinória, trocou o uniforme pela Corvinal, e acima de tudo, que havia feito com que ele se apaixonasse pela primeira vez.

Já sem a sombra do sorriso, Landon permaneceu apenas com a marquinha entre suas sobrancelhas e sacudiu a cabeça, devolvendo o pergaminho para ela como se estivesse segurando algo sujo. No mesmo instante, a varinha apagou e os dois voltaram a mergulhar na escuridão, parecendo repentinamente mais intensa após o fim do feitiço.

- Você não pode ir, Mel! Não assim, como se você não se importasse com nada disso aqui!

O rapaz ergueu os braços para indicar as pedras que formavam o castelo nas costas de Melissa, mas era óbvio que ele também se incluía naquilo tudo. Ele sabia perfeitamente que o relacionamento dos Zummach era delicado, que a menina havia ofendido pessoalmente os pais ao partir para Hogwarts, mesmo que fizesse aquilo como um ato de amor ao pai. Mas também parecia absurdo demais simplesmente enfiar suas coisas em um malão e deixar o castelo depois de tudo que ela vivenciara ali.

- E daí que Hogwarts não estivesse nos seus planos! – Os olhos de Landon estavam arregalados quando ele ergueu as mãos e segurou os ombros de Melissa, como se temesse que ela pudesse desaparecer a qualquer segundo. – Não estava nos meus planos gostar de você, mas cá estamos nós, não é?

Landon era mais de um palmo mais alto que Melissa e precisava se envergar para que encarasse os olhos dela. Mesmo no escuro, seu rosto já começava a mostrar o desespero, já prevendo qual seria a escolha dela.

- Você não quer ir. Precisa dizer isso ao seu pai. Ou ao professor Dumbledore. Eles não podem te obrigar a ir se você disser que vai ficar!

Já com o desespero fazendo sua voz falhar, Vanderwaal prendeu a respiração, engoliu em seco e tentou estudar cada traço do rosto de Melissa. Faltavam apenas alguns meses para que ele deixasse o castelo, o que não seria o fim do mundo se os dois apenas decidissem continuar aquela história quando Hogwarts não fosse mais seu lar. Mas aquilo ia muito além do relacionamento que os dois vinham construindo. Landon sabia que Hogwarts era importante para Melissa, que poderia fazer total diferença em seu futuro, não apenas com os ensinamentos que os professores tinham a oferecer, como na personalidade forte e na descoberta da paixão pelo Quadribol.

- Você quer ficar, não quer, Mel?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qui Dez 29, 2016 1:54 am

Assim como Clementine, os pais de Landon descartavam a possibilidade de Liam ter fugido de Hogwarts por iniciativa própria. Os Vanderwaal sabiam que o sobrinho tinha problemas de convivência com o filho legítimo de Augustus Rookwood, mas Liam nunca havia demonstrado um desconforto grande o bastante para justificar uma fuga, muito menos aquela torturante falta de notícias. Mellish era um excelente aluno, vivia rodeado de amigos e se preparava para os NIEMs. Definitivamente o rapaz não tinha o perfil de um aluno que fugiria da escola na calada da noite.

Hogwarts tinha o rótulo de um dos lugares mais seguros do mundo, ainda mais agora que estava sob a proteção de Albus Dumbledore. É claro que os aurores não descartavam por completo a chance de Comensais da Morte estarem por trás daquele desaparecimento, mas era muito improvável que os seguidores de Voldemort entrassem no castelo de Hogwarts sem serem notados e não fizessem nada além de sequestrar um dos alunos.

A primeira informação realmente relevante para as investigações veio da boca de Clementine DiLaurentis. Até então, Dumbledore e os Vanderwaal imaginavam que Liam havia sumido à tarde já que nenhum dos colegas o vira após a última aula. Agora, porém, eles sabiam que Mellish havia ficado na companhia de Clementine até o começo da noite anterior.

Não havia nenhuma pista na sala de Adivinhação. Os aurores encontraram o local exatamente como costumava ficar durante as aulas. Em uma tentativa de refazer os passos de Liam na noite anterior, o Sr. e a Sra. Vanderwaal saíram da sala e seguiram pelos corredores que os levariam até a sala da monitoria no terceiro andar. Mais uma vez, não parecia haver nada errado naquele trajeto.

- Vocês não o viram ontem à noite, então?

A pergunta de Dumbledore foi dirigida ao quadro que retratava duas jovens camponesas. A imagem ficava exatamente em frente à porta da sala dos monitores e, portanto, as duas tinham uma visão privilegiada de quem entrava e saía da sala.

- Não, professor. – a mulher mais velha respondeu com convicção – O Sr. Mellish esteve aqui ontem de manhã. Depois disso não o vimos mais. Eu fiquei aqui a noite toda, posso lhe garantir que nenhum monitor esteve nesta sala.

Aquele relato praticamente definia o horário em que Liam havia sumido. O lufano saíra da sala de Adivinhação alegando que iria até a monitoria, mas não chegara ao destino final. Era óbvio que alguém ou alguma coisa havia desviado Mellish daquele trajeto. E aquele depoimento confirmava que Clementine DiLaurentis tinha sido a última pessoa a estar com o rapaz antes do misterioso desaparecimento.

- O que estamos esperando para comunicar o Ministério da Magia? – Pomona Sprout soava arrasada quando se virou para Dumbledore – Liam é um bom menino. Eu garanto que isso não é uma travessura! Ele jamais sumiria sem deixar rastros, sem avisar os tios e o primo! Um aluno desapareceu dentro do castelo de Hogwarts! Isso é gravíssimo, precisamos de todo o auxílio possível!

Como aurores, os Vanderwaal só precisavam de uma coruja para que todos os colegas se empenhassem naquela missão. Dumbledore geralmente não aceitava a interferência do Ministério da Magia dentro do seu castelo, mas diante da gravidade da situação até mesmo o diretor pensava em ceder. Antes daquela autorização, contudo, Albus se voltou para a aluna da Corvinal que continuava seguindo o grupo de adultos pelo castelo, visivelmente atormentada com todo aquele drama.

- A senhorita foi a última pessoa que o viu. O Sr. Mellish demonstrou algum comportamento estranho, algo que pudesse explicar este sumiço? Ele parecia confuso, chateado, preocupado ou amedrontado com alguma coisa?

A curiosidade de Dumbledore não era um segredo para ninguém, mas a entonação preocupada do velho diretor de Hogwarts indicava que ele não estava interessado nos detalhes daquele estranho encontro na sala de Adivinhação. Tudo o que Albus desejava era qualquer mísera pista que pudesse explicar o ocorrido.

- Alguém neste castelo tinha motivação para fazer algum mal ao Sr. Mellish, Srta. DiLaurentis?

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O colchão era tão gasto que não impedia que Liam sentisse a madeira sólida da qual era feita a cama. Uma camada de poeira cobria tudo ao redor, desde os móveis até o chão imundo que certamente não via uma vassoura há muitas décadas. Teias de aranha estavam espalhadas nos cantos do quarto, havia marcas de garras selvagens nas paredes e o ruído que vinha de um dos armários não deixava dúvida de que uma família de ratos se escondia ali.

Os olhos castanhos se abriram e fitaram o teto sujo por vários minutos, mas nem mesmo aquele prazo ajudou Mellish a se lembrar de como chegara ali. A última lembrança do lufano era de estar descendo a escadaria da torre norte, rumo à sala da monitoria. Ao passar por um dos corredores mais escuros, Liam teve a impressão de ter escutado passos. O monitor deu meia volta, mas não viu ninguém. Uma voz rouca murmurou a palavra “Imperius” e a mente de Mellish simplesmente desligou.

Quando acordou para a realidade, Liam já estava naquele casarão abandonado. Seu corpo estava dolorido como se Mellish tivesse tomado a pior surra da sua vida, impressão reforçada pelo nariz quebrado e pelos olhos tão inchados que dificultavam a visão do monitor. Mesmo com tantas dores, o rapaz ainda tentou se arrastar para fora da cama. E foi neste momento que Liam percebeu que seus braços e pernas estavam presos por correntes magicamente enfeitiçadas para não cederem tão facilmente.

Um fraco pedido de socorro escapou da garganta de Mellish, mas a sua súplica só serviu para chamar a atenção da única pessoa que o acompanhava na Casa dos Gritos. Quando a imagem imponente de Cristopher Rookwood surgiu diante do lufano, Liam finalmente compreendeu o que havia acontecido. E entendeu também que eram pequenas as suas chances de sair vivo daquele sequestro.

- Grite o quanto quiser, ninguém vai te escutar. Pode se humilhar, eu sei que faz parte da sua natureza imunda de lufano.

- Você não vai se safar disso. Realmente acha que ninguém vai descobrir?

Cada sílaba era pronunciada com dificuldade, como se Liam estivesse gastando as últimas forças para falar. Mellish tinha a impressão de que o meio-irmão havia espancado seu corpo a noite inteira, e parecia ser uma hipótese bem plausível. Cristopher já mostrara que era capaz de coisas abomináveis, e isso antes de saber que fora traído pela ex-namorada.

- Que descubram, eu não me importo. Só o que eu não posso é deixar isso barato. Você realmente achou que ficaria com a minha garota e sairia ileso, seu verme nojento!? Eu estou revoltado em pensar que ela me trocou por sua causa. Ninguém, Mellish, ninguém humilha assim um verdadeiro Rookwood.

A varinha de Cristopher foi apontada para a testa do meio-irmão e Liam esperou pelo Avada Kedavra que desta vez não atingiria outro alvo. Ao invés disso, contudo, o lufano escutou uma risada fria de Rookwood.

- Eu não vou te matar, Mellish. Mas vou fazer você desejar a morte. Lentamente.

O sonserino já havia executado duas maldições imperdoáveis diante do meio-irmão, portanto Liam não ficou nem meramente surpreso quando Cristopher completou a sua demonstração com a terceira maldição que compunha aquele trio proibido.

- Crucio.

A maldição da tortura atingiu Mellish em cheio. O corpo inteiro do lufano tremeu como se sofresse uma potente convulsão. A dor e o desespero eram tão insuportáveis que os gritos escapavam pela garganta de Liam sem que o rapaz tivesse o controle das próprias ações. Sua mente atormentada estava à beira da loucura, mas Mellish encontrava forças para manter a sanidade nas recentes lembranças felizes com Clementine que circulavam na sua memória.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qui Dez 29, 2016 2:58 am

- Melhor do que ninguém, você sabe que as coisas não são tão simples assim, Landon.

A atípica seriedade na entonação de Melissa era um sinal de que a garota havia deixado as provocações de lado por um momento. O assunto era absurdamente sério e triste e nem mesmo o bom humor e as implicâncias divertidas que estavam sempre presentes no relacionamento dos dois encontravam espaço no meio daquela crise.

Por mais que agora gostasse de Hogwarts, dos professores e dos amigos, Zummach sabia que não podia simplesmente dizer ao pai que seu desejo era permanecer no castelo. Alfred chegara perto de romper as relações com a própria filha mesmo sabendo que Melissa só queria poupá-lo da prisão. Se o homem soubesse o quanto a menina havia se apegado a Hogwarts, aquele deslize jamais seria perdoado.

Era isso que Melissa queria que Vanderwaal compreendesse quando buscou pelos olhos verdes. Zummach sentia o peito se comprimir com a angústia refletida em cada traço de Landon. Mas, ainda assim, a novata não podia aliviar aquele desespero dizendo ao rapaz o que o grifinório precisava ouvir para se tranquilizar.

- Eu não quero voltar, mas eu tenho que voltar. Assim como eu não queria vir, mas acabei vindo. Estou virando uma especialista em atropelar os meus desejos em prol da minha família.

As palavras de Zummach eram praticamente a confissão que Landon pedia para ouvir. Entretanto, mesmo assumindo que seu real desejo era permanecer no castelo, Melissa parecia totalmente decidida a ceder às ordens do pai.

Antes que Landon pudesse interrompê-la, Zummach ergueu uma das mãos e pousou os dedos delicadamente sobre os lábios do rapaz. Era uma maneira de calá-lo, mas também era uma oportunidade de tocar naqueles lábios que Melissa se acostumara a beijar, mas que agora provavelmente lhe seriam negados.

O relacionamento ainda era muito recente, sequer ganhara o título de um namoro. A novata sabia que não podia exigir que o grifinório esperasse por ela depois daquela separação. E parecia óbvio pensar que, mais cedo ou mais tarde, Landon acabaria cedendo à pressão do seu “fã clube” e acabaria se envolvendo com outra menina depois que ficasse sem a companhia de Melissa.

- Eu lamento ter envolvido você nesta confusão, Landie. Não estava nos meus planos gostar de Hogwarts, muito menos gostar tanto assim de você.

Por mais que os dois estivessem se entendendo tão bem nas últimas semanas, era a primeira vez que Melissa confessava os seus sentimentos de forma tão séria e direta. Suas declarações costumavam ser carregadas de ironias e provocações, mas naquela noite a novata simplesmente permitiu que seu coração se abrisse sem nenhuma barreira.

- Eu quero ficar. Eu me importo com tudo isso...

Repetindo o gesto anterior do grifinório, Melissa abriu os braços para indicar as pedras do castelo, embora se referisse a tudo o que havia construído durante aqueles poucos meses em Hogwarts.

- E vai ser muito difícil deixar essas lembranças para trás, mas é o certo a ser feito, Landie. Eu tenho que ir, espero que você entenda.

A insegurança não fazia parte dos defeitos de Zummach, mas a menina parecia banhada por uma dose cavalar de incerteza quando buscou mais uma vez pelo olhar de Landon. Por mais que o relacionamento dos dois ainda não fosse sério ou oficial, Melissa tinha uma pequena esperança de que Landon concordaria com a proposta quando sugeriu numa entonação mais contida.

- Podemos trocar cartas, ou talvez marquemos um encontro em Hogsmeade no próximo fim de semana de visitas. Mas eu vou entender se você preferir que as coisas terminem aqui. Só preciso da sua posição para saber como agir de agora em diante, Landie.
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Melissa Zummach

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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Dez 29, 2016 11:10 pm

Clementine repassou em sua cabeça, como um filme em alta velocidade, os últimos momentos ao lado de Liam, na torre de Adivinhação. Não havia nenhum sinal na forma em que ele franzia a testa, concentrado diante do seu livro de DCAT, ou como mexia os lábios em um sorrisinho torto sempre que os olhos castanhos se erguiam da sua leitura para encontrar a namorada ao seu lado. Os beijos apaixonados eram os mesmos, assim como os toques constantes, como a necessidade de estarem sempre unidos, mesmo quando cada um estava com a mente focada nas matérias escolares.

Não havia nenhuma pista que pudesse indicar ou prever o que aconteceria em seguida, o que tornava aquela situação ainda mais angustiante. Mellish deveria ter feito a sua ronda, voltado para os dormitórios da Lufa-Lufa e amanhecido em sua cama, apenas para mais um dia de seu último ano naquele castelo. Agora, ninguém poderia imaginar onde o monitor estava, se ao menos estava vivo.

A mente agitada de DiLaurentis pareceu finalmente travar quando a última pergunta de Albus Dumbledore a atingiu. Os olhos azuis, que estavam mareados, se ergueram para focar no rosto do velho diretor enquanto tentava lidar com a imagem que surgiu em sua cabeça.

- Conte para eles.

A voz de Mia Blake soou como se tivesse vindo do além. A cabeça de Clementine girou com tanta brutalidade que seus cabelos loiros balançaram enquanto ela se surpreendia com a imagem da lufana à sua frente.

A corvinal havia tido uma boa noite de sono, sendo poupada por todo aquele pesadelo até o café da manhã. Ninguém em Hogwarts sabia da sua relação com Mellish para pensar em procura-la. Blake, por outro lado, havia sido uma das alunas a notar a ausência de Liam e alertar aos professores.

Assim como a professora Sprout, Mia exibia olheiras profundas. Os cabelos curtos estavam embaraçados e a ausência do uniforme indicava que ela não havia tido o menor intuito de enfrentar as aulas naquele dia. A vermelhidão ao redor dos olhos também indicava um choro, assim como sua voz embargada.

- Conte para eles, ou eu conto, DiLaurentis.

Clementine ainda estava tão chocada que não conseguia processar tudo o que estava acontecendo. Era tudo rápido e surpreendente demais, como se fossem cenas aleatórias de um bizarro sonho completamente irreal. Quando comparava a loira e a morena, Mia parecia se encaixar muito mais na imagem de uma namorada desesperada, enquanto a loira não conseguia digerir nada.

Para DiLaurentis, Mia não poderia saber da sua relação com Mellish. O lufano nunca havia comentado nada sobre ter compartilhado com a amiga sobre aquele segredo. Entretanto, havia um sério acontecimento de quando Blake e Mellish ainda andavam para cima e para baixo pelos corredores.

Fazia sentido que Liam tivesse contado para a melhor amiga sobre o incidente nas estufas e que fosse sobre aquilo que Mia a pressionava agora para contar aos professores. Era óbvio que se Cristopher tinha a coragem de proferir uma maldição imperdoável em uma sala de aula, seria capaz de coisas tão brutais como o desaparecimento do seu meio-irmão.

Nem por um segundo Clementine pensava em omitir aquela informação. Ela não tivera a intenção de proteger Cristopher na época, e tinha ainda menos agora que Liam significava o seu mundo. O motivo para a loira ter continuado calada sob os olhares curiosos dos adultos era apenas a necessidade de processar toda aquela novidade, da peça de Blake que não se encaixava naquele quebra-cabeça.

Para a Lufana, o silêncio de Clementine tinha um significado completamente diferente. Com o seu ódio já pré-disposto contra a Corvinal, Mia apenas chegou a conclusão de que a loira preferia se omitir para proteger a própria imagem do que ajudar na busca de Liam.

- Você é patética, DiLaurentis. – Ela deu um passo para frente, se colocando diante dos dois professores e o casal de aurores.

Os dentes trincados mostravam que Blake estava furiosa com a atitude de Clementine, mas os olhos rasos de lágrimas e as mãos trêmulas mostrava que ela também se corroía pela culpa de seus próprios atos naquele pesadelo.

- Cristopher Rookwood. – Mia esclareceu diretamente para Albus Dumbledore.

Os adultos trocaram olhares silenciosos, como se estivessem diante de uma criança que não sabia o que falava. Parecia que eles já haviam discutido aquela teoria e que as palavras de Blake não eram nenhuma novidade, mas uma ameaça já descartada.

- Eu entendo as suspeitas pelo jovem Rookwood... – Foi o Sr. Vanderwaal que tentou corrigir a morena de seu erro. – Cristopher nunca soube lidar com a existência do Liam. Mas acreditar que ele teria coragem para algo... Ele também é uma criança.

O queixo de Mia quase despencou e Clementine precisou admitir que compartilhava aquela surpresa. Eles definitivamente não estavam pelos corredores ao longo daqueles sete anos para dizer que Cristopher era apenas uma criança.

- Ele teria coragem! – Mia quase gritou, seu rosto ficando ainda mais vermelho entre a fúria e o choro. – Teria coragem por causa dela!

O indicador de Blake cortou o ar para apontar para Clementine e mais uma vez a loira foi recebida com uma imensa surpresa. Ao virar para encarar a loira, os cabelos curtos se chocaram contra o queixo de Mia. Clementine chegou a acreditar que encontraria a mesma fúria destinada aos adultos em sua direção, mas só o que a lufana exibia era súplica e algo que parecia arrependimento.

- O Cristopher sabe sobre vocês dois! – Antes que Clementine a enchesse de perguntas, Mia continuou. – Eu contei para ele. Vi vocês dois na torre de Adivinhação semanas atrás e contei para o Rookwood, porque acreditei que ele daria um jeito de separar vocês.

Quando voltou a encarar os professores, novas lágrimas rolavam pelas bochechas de Blake, já sem a menor sombra de que ela estava mergulhada no arrependimento e culpa.

- Eu não sabia que ele teria coragem de ferir o Liam, não de verdade!

Os adultos pareciam chocados. Clementine estava travada em seu lugar, o coração batendo tão forte que podia sentir as veias em seu pescoço pulsando ferozmente. Se ainda existisse a menor possibilidade de duvidar da culpa de Cristopher naquela história, havia sido completamente descartada depois daquela revelação.

- Eu entendo... – A professora Sprout interviu, espantada diante do comportamento de sua aluna. – Ainda assim, é uma acusação muito grave para se levantar contra alguém.

Todo o choque de Clementine pareceu se dissolver. Eles estavam perdendo tempo naquele corredor, discutindo tolices enquanto Liam estava em real perigo. As pálpebras cobriram os olhos azuis por um instante e DiLaurentis viu um jato de luz verde se iluminar quando a lembrança das estufas voltou para assombrá-la. Em sua mente, a planta atingida caiu com um baque enquanto as folhas apodreciam. Liam poderia não ter tido tanta sorte desta vez. Ao invés da planta, poderia ser o seu corpo agora, já completamente sem vida enquanto eles estavam parados em um corredor.

- Cristopher lançou um Avada contra o Liam uma vez.

Desta vez, não houve nenhuma cabeça que não estivesse voltada para DiLaurentis. Até mesmo Mia interrompeu o seu choro para encarar a loira, que fitava apenas o diretor da escola. Seus punhos estavam cerrados e ela sentia seu corpo gelar com a mera possibilidade de Liam não estar mais vivo.

- Nas estufas. Ele acertou uma planta e disse que queria apenas assustá-lo. Mas ele usou uma maldição imperdoável dentro do castelo. Eu não tenho a menor dúvida de que ele teria coragem de tentar outra vez.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sex Dez 30, 2016 12:23 am

- Foram feitas acusações muito graves contra o senhor. Eu gostaria de saber a sua versão dos fatos, Sr. Rookwood. Pode começar me dizendo onde estava ontem por volta das nove da noite.

No bizarro escritório de Albus Dumbledore, uma pequena multidão estava espremida. Além do diretor e da professora Sprout, os pais de Landon continuavam presentes já que eram os responsáveis legais por Liam Mellish. Mia Blake e Clementine DiLaurentis também ocupavam duas cadeiras, visto que eram as testemunhas de acusação que Dumbledore precisava para pressionar o sonserino. Sentado diante do diretor, Cristopher mantinha os braços cruzados, mas ocupava uma cadeira de forma relaxada, não parecendo nem meramente intimidado com aquele interrogatório.

- No Salão Comunal da Sonserina, rodeado por vários colegas que podem confirmar o meu álibi. – os olhos verdes deslizaram pelos presentes antes de pousarem na imagem de Clementine e Mia, sentadas lado a lado – Do que exatamente eu fui acusado, professor Dumbledore?

A cabeça de Rookwood se virou lentamente na direção do diretor e o rapaz parecia extremamente tranquilo, como se realmente fosse uma pessoa inocente que não tinha nada a temer.

- Execução de uma maldição imperdoável. – foi o Sr. Vanderwaal quem respondeu com os olhos cintilando de ódio – É o suficiente para que o senhor ganhe uma passagem só de ida para Azkaban.

- Eu nego.

Um discreto sorrisinho vitorioso surgiu nos lábios de Cristopher e ele se largou de forma ainda mais desleixada na cadeira, aquela postura displicente provando que o sonserino realmente não tinha medo da possibilidade de perder a juventude e a sanidade em Azkaban.

- Eu nego todas as acusações e reivindico o meu direito de não precisar responder mais nenhuma pergunta antes que o meu pai esteja aqui. Sou menor de idade, estou sendo injustamente pressionado e acusado sem nenhuma prova. Vocês tem alguma prova além do testemunho de uma ex-namorada mentirosa que visivelmente não superou a humilhação de ter sido trocada por outra garota?

- Em nenhum momento foi dito que a acusação veio da Srta. DiLaurentis, Sr. Rookwood. – Albus dirigiu um olhar astuto ao sonserino, não deixando passar em branco aquele deslize – Por que a sua suspeita recaiu justamente na pessoa que diz ter sido testemunha do fato?

- Não respondo mais perguntas sem a companhia do meu pai!

Pela primeira vez desde que entrara na diretoria, Cristopher ergueu a voz e demonstrou alguma exaltação. Albus já havia enviado uma coruja à mansão dos Rookwood, então era questão de tempo até que Augustus chegasse e aquele interrogatório pudesse continuar. Para os Vanderwaal, contudo, cada minuto era valioso demais e não poderia ser desperdiçado.

O pai de Landon encarava o rapaz a sua frente como se estivesse diante de um desprezível Comensal da Morte. A Sra. Vanderwaal, contudo, ainda tinha esperança de que Cristopher fosse apenas uma criança mal criada que havia feito uma travessura mais grave. Por isso, ela tentou apelar para uma compaixão que sonserinos não costumavam demonstrar.

- Escute, querido. Nós sabemos que você e o Liam não se dão bem. É compreensível que tenham brigado e que a discussão tenha tomado proporções maiores que o esperado. Se ele se machucou, a melhor coisa a fazer é nos contar a verdade para que possamos ajudá-lo. Esta confissão vai reduzir a sua culpa e amenizar a punição.

- Eu nego todas as acusações e não respondo mais perguntas sem a companhia do meu pai.

A repetição daquelas palavras era a prova de que Cristopher havia se preparado para tentar escapar do interrogatório. De fato, um aluno de Hogwarts não podia ser acusado de um crime sem provas, muito menos interrogado sem a presença de um responsável legal. O depoimento de Clementine era valioso, mas o fim recente do relacionamento dos dois reduzia um pouco a credibilidade da loira. Rookwood já havia deixado claro que argumentaria que a ex-namorada havia ficado ressentida com o término e agora tentava se vingar dele, primeiro se relacionando com Liam e agora o acusando injustamente daquele crime.

A maior prova que Cristopher precisava para defender a própria inocência veio nos minutos seguintes. O sonserino estava diante de Albus Dumbledore e, portanto, não poderia ter nada a ver com a reviravolta que estava prestes a acontecer naquele caso. Um silêncio pesado se espalhava pelo escritório do diretor quando a porta foi subitamente aberta por uma Minerva McGonnagal ofegante.

A professora de Transfigurações era a personificação da racionalidade e exibia sempre uma postura rígida e impecável pelos corredores do castelo. Naquele dia, porém, Minerva estava ofegante, corada e alguns fios de cabelos grisalhos tinham se soltado do seu imaculável coque. A voz da mulher falhou enquanto ela buscava pelos Vanderwaal para dar aquela notícia.

- Hagrid o encontrou na Floresta Proibida e o trouxe para a enfermaria.

A Sra. Vanderwaal precisou se apoiar nos ombros do marido para que suas pernas não cedessem com o alívio que aquelas palavras lhe provocaram. Por um momento, ela imaginou que ouviria a notícia da morte do sobrinho, mas o fato de Liam ter sido levado para a enfermaria era a prova de que o lufano ainda estava vivo.

Entretanto, aquele otimismo não durou nem cinco segundos. A professora McGonnagal trocou um olhar sugestivo com Dumbledore antes de murmurar o restante da informação.

- Ele não está bem. Talvez seja melhor chamar um curandeiro do St. Mungus. Temo que esta situação esteja acima da complexidade da nossa enfermaria, Professor Dumbledore.

De fato, a enfermeira ficou paralisada e não sabia nem por onde começar quando os braços fortes de Hagrid colocaram Mellish em cima de uma das macas. Madame Pomfrey tocou com cuidado nos ferimentos estampados por todo o corpo do rapaz, mas o que verdadeiramente a preocupava eram os olhos castanhos totalmente sem foco. Liam não parecia ter nenhum tipo de contato com o mundo real quando a mulher segurou o rosto dele, tentando fazer com que o rapaz a encarasse.

- Senhor Mellish? Está me ouvindo, está me entendendo? – a mulher se virou para Hagrid diante do silêncio do rapaz – Ele disse alguma coisa para você, Rubeus?

- Bom, para mim não... – Hagrid explicou para o semblante confuso da enfermeira – Eu o encontrei perdido em uma das clareiras da floresta. Ele estava sentado no chão, movendo o tronco para frente e para trás, e murmurava algo parecido com “Lem”, ou talvez fosse “Blem”, eu não consegui entender. Depois que eu o carreguei, ele não disse mais nada.

Tudo naquela história ainda era muito esquisito, mas qualquer um que visse Liam não teria dúvidas do quanto o rapaz havia sofrido nas últimas horas. O uniforme da Lufa-Lufa, sempre impecável, estava rasgado em vários pontos, imundo e com algumas manchas de sangue. O tecido continuava úmido de suor, assim como os cabelos castanhos grudados na testa do rapaz. Os olhos estavam abertos, mas não se fixavam em nada, como se Mellish não estivesse vivendo naquela realidade.

As mãos trêmulas sofriam espasmos a cada dez segundos, ainda refletindo um pouco do efeito enlouquecedor da Maldição Cruciatus. Contudo, como Madame Pomfrey nunca tivera que lidar com uma maldição imperdoável, a enfermeira não fazia ideia do que significava aquele sintoma.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Dez 30, 2016 8:34 pm

A sombra que cobriu o rosto de Landon Vanderwaal não tinha nenhuma relação com a escuridão dos jardins ou a iluminação prateada do luar. Não era culpa dos arbustos que rodeavam o castelo ou das árvores que se balançavam. Sua expressão apenas foi incapaz de esconder como era difícil lidar com as palavras de Melissa.

O bilhete do Sr. Mellish era completamente inesperado e era ainda mais injusto que a menina fosse obrigada a deixar Hogwarts depois de se adaptar as aulas, aos colegas e iniciar um romance. Para Landon, era uma grande crueldade da família da menina impor que ela voltasse para casa como se aqueles últimos meses jamais tivessem existido.

Landon não conhecia os pais de Melissa para imaginar o que passava em suas cabeças a ponto de colocar uma rixa antiga acima dos acontecimentos do presente. Mas ele chegou a acreditar que conhecia a herdeira dos Zummach o suficiente para achar que, depois daqueles últimos meses, ela ao menos teria coragem de lutar pelo que desejava.

A derrota assumida de Melissa era uma profunda decepção. O grifinório queria ver os belos olhos dela brilharem em fúria, que ela se soltasse daquelas correntes impostas pela família e deixasse clara a sua vontade em permanecer no castelo.

Racionalmente, Vanderwaal sabia que aquela escolha não era apenas covardia de Melissa, que ela queria apenas evitar mais um conflito em família e tomar o caminho mais fácil, porque simplesmente não havia nenhum caminho fácil em suas opções. O gesto dela chegava a ser nobre, pois anulava os próprios desejos em prol dos pais. Mas junto com aquela nobreza, Landon se sentia rejeitado.

O casal ainda começava a construir algo muito novo, mas Landon tinha certeza que nunca havia se apaixonado antes, até conhecer Melissa. E logo agora que tudo estava tão bem entre eles, poderia apostar todas as suas fichas em um futuro promissor. Ver que Melissa estava abrindo mão daqueles dias na primeira dificuldade era frustrante e o deixava com um amargo sabor de fracasso na boca.

- Cartas? Encontros esporádicos?

Ele repetiu, sua voz soando tão sem emoção que quase poderia camuflar o turbilhão de sentimentos que explodiam em seu peito e os pensamentos velozes que se atropelavam em sua mente.

- Você tem certeza que seus pais aprovariam? Quero dizer, eu ainda sou um legado de Hogwarts. Imagino que eles não queiram nenhuma lembrança disso em sua vida.

Aquele definitivamente não era o melhor momento para sarcasmos, egoísmo ou para colocar Melissa em uma situação ainda mais complicada, mas Landon foi incapaz de controlar a própria língua.

Em um gesto derrotado, ele deixou que suas mãos se soltassem dos ombros de Melissa e os braços penderam desanimados nas laterais do seu corpo. O vento fresco da noite balançava os fios do topo da sua cabeça, mas Landon estava completamente alheio a temperatura ou as nuvens que se formavam pesadas sobre o castelo.

Ao perceber que estava levando aquela conversa para um caminho perigoso, Vanderwaal soltou um longo suspiro e deixou que as pálpebras escondessem seus olhos verdes por alguns segundos. A escuridão era tanta que aquele movimento não fez tanta diferença, apenas ocultando o rosto de Melissa temporariamente, como se daquela forma ele pudesse pensar melhor.

Quando voltou a exibir as íris claras, uma ruga havia se formado entre suas sobrancelhas e Landon parecia ainda mais derrotado. Era um semblante que não combinava com o popular monitor-chefe, queridinho dos professores e excelente artilheiro, mas Melissa havia sido capaz de fazer com que ele experimentasse um completo fracasso.

- Eu não posso lidar com isso agora... – Landon recuou um passo, erguendo as mãos no ar para impedir que Melissa se aproximasse. – Você não pode simplesmente jogar essa bomba em cima de mim e esperar que eu resolva. Se quer mesmo a minha posição, então deveria ficar no castelo. Fora isso, eu preciso pensar. Não posso dar o que você quer agora.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Dez 30, 2016 9:47 pm

Por estarem completamente concentrados no crítico estado de saúde do lufano à sua frente, Madame Pomfrey e Hagrid não notaram quando um vulto loiro atravessou as portas da enfermaria. A presença de Clementine DiLaurentis só foi notada quando seus passos apressados e ruidosos começaram a ecoar pelas altas paredes, fazendo com que a cabeça dos dois adultos se virassem espantados.

Como todos os alunos já estavam recolhidos em seus respectivos salões comunais, nenhum dos dois imaginava encontrar alguém além do corpo docente pelos corredores. Mas a surpresa deles foi completamente ignorada quando a visão de Clementine finalmente capturou a imagem de Liam Mellish na maca.

O sangue se espalhava pelo uniforme e já começava a sujar o lençol claro sob seu corpo ferido. Mas definitivamente, o mais impressionante era a falta de foco no olhar de Liam. Por um segundo, Clementine chegou a acreditar que ele estivesse morto ou petrificado, mas então um novo espasmo surgiu, fazendo com que ela soltasse um soluço assustado.

Os pés de Clementine haviam travado quase na metade da enfermaria. Entre ela e Liam ainda existia uma distância de quase dois metros, mas já era suficiente para a menina congelar diante da cena. O pesadelo se tornava ainda mais real, mas a situação era tão delicada que nem mesmo o fato de saber que Liam estava vivo era capaz de fazê-la relaxar.

- Srta. Dilaurentis, a senhorita deveria estar no salão da Corvinal...

Antes que a enfermeira terminasse de repreender a loira, Clementine sentiu algo se chocando contra seu ombro, mas não precisou se virar para encontrar Mia Blake ao seu lado. Assim como ela, a lufana também congelou em seu lugar ao encontrar a imagem de Liam.

- Srta. Blake! – A enfermeira arregalou os olhos, mas não havia mais tempo para continuar repreendendo as alunas.

Um novo espasmo percorreu o corpo de Liam e sua atenção se voltou para seu paciente. O rosto das duas meninas estava contorcido em horror e pânico, e mesmo quando o robusto corpo de Hagrid bloqueou aquela visão, elas já pareciam traumatizadas.

Clementine não soube exatamente quanto tempo ficou ali, poderia ter sido apenas alguns segundos ou longos minutos. Tudo que ela conseguia ver eram as largas costas do guardião das chaves de Hogwarts, revivendo o rosto sem vida de Liam em sua mente. A loira só voltou a realidade quando novos passos ecoaram pelo piso de pedra e a voz da professora McGonnagal acompanhou.

- Nós o encontramos há quase meia hora nas florestas, não sabemos o que houve...

A diretora da Grifinória falava apressadamente com alguém que a acompanhava, mas o familiar uniforme verde do curandeiro só entrou no campo de visão das duas meninas quando ele alcançou a beira da cama de Liam.

Só então a velha mulher notou as duas alunas paradas no meio da enfermaria, pálidas e com os rostos úmidos pelas lágrimas. A professora de Transfiguração nunca aparecera em público com uma aparência tão desleixada e quase desesperada, mas Clementine foi incapaz de processar aquela informação quando o rosto de Liam voltou para o seu campo de visão, desta vez sendo atendido pelo curandeiro.

- Srta. DiLaurentis, Srta. Blake, o que ainda estão fazendo aqui?

Os olhos azuis da loira deslizaram lentamente até pousar na professora e seu coque desmontado. Se Clementine havia ficado em pé até aquele momento, ela tinha certeza que já havia usado todas as suas forças, pois as pernas estavam fracas e prestes a falhar.

A indecisão sobre o paradeiro de Liam ou seu estado de saúde era aterrorizante. Mas vê-lo tão ferido e incapaz de raciocinar era ainda pior, quase como se já o tivesse perdido.

- O que há de errado com ele? – Ela finalmente conseguiu balbuciar, dando os primeiros passos na direção de Liam. – Por que está assim? Por que não responde?

Enquanto falava, o desespero finalmente começava a extravasar. O corpo de Clementine começava a tremer, mas diferente das convulsões do rapaz, em um ritmo constante. Sua voz se tornava mais esganiçada, parecendo uma menininha assustada.

- Ele não pode ficar assim! Vocês precisam fazer alguma coisa! – Com nítido horror, ela encarou cada um dos adultos que cercavam a cama de Liam. – Por que não estão fazendo alguma coisa???

- Clementine... – A voz receosa de Mia soou às suas costas, mas foi o meio-gigante o primeiro a se mexer.

- Vamos lá, menina... Vamos deixar os especialistas cuidarem disso.

Clementine não notou quando a professora McGonnagal trocou um olhar de agradecimento com Hagrid, mas seu ombro tremeu sob o peso da mão dele, a guiando para fora da enfermaria. Por mais que a loira quisesse tentar, já seria difícil lutar contra a força de um adulto normal. Ela era completamente impotente para um meio-gigante.

Do outro lado de Hagrid, Mia também era guiada para fora da enfermaria e foi só quando eles atravessaram as grandes portas de madeira que o homem voltou a falar com sua alta e voz grossa, tentando soar o mais gentil possível.

- Talvez vocês duas precisem de uma grande xícara de chá... Acredito que o professor Dumbledore não vá se importar que fiquem fora do castelo por algumas horas.

A mão de Hagrid já havia se soltado do ombro de Clementine, permitindo que ela apressasse seus passos para se desvencilhar do caminho que ele começava a tomar.

- Eu não quero chá! – Ela rosnou, sem se importar se estava sendo grossa demais com uma pessoa que só tentava ajudar.

Como sabia que seria impossível passar pela barreira humana de Hagrid para voltar para a enfermaria, Clementine seguiu seu caminho até o primeiro lance de escadas, ainda sentindo as mãos tremendo. Ela podia escutar os passos de Mia às suas costas, mas a última coisa que precisava era da companhia da lufana.

- Clementine, espera...

Seu ombro voltou a ser tocado, desta vez pelos dedos frios de Blake. Sem o mesmo peso do meio-gigante, DiLaurentis teve total liberdade para girar o corpo e interromper o contato com a mão de Mia de forma brusca, a fuzilando com os olhos.

- Isso é culpa sua!!!

Ela voltou a rosnar, cerrando os punhos com tanta força que as unhas afundaram na carne de suas mãos. Mas aquela dor era completamente insignificante ao que ela estava sentindo.

Mia não costumava ser uma menina covarde e era consideravelmente boa em duelos. Mas a fúria no rosto sempre tão calmo de Clementine a assustou de tal forma que a morena chegou a se encolher, mas ainda sem recuar.

- Eu nunca imaginei que as coisas fossem tomar essas proporções, eu não pensei que...

- Não me venha com desculpas, Blake! O que quer dizer, que contou para o Cristopher porque queria fazer uma boa ação? Achou mesmo que alguma coisa de bom pudesse vir disso?

As palavras de Clementine saíam por entre os dentes trincados e ela se aproximava a cada passo de Mia enquanto rosnava. Blake estava nitidamente abatida com toda a situação, mas parecia murchar ainda mais com a ira da corvinal, quase como se tivesse sido ela a erguer a varinha que causara tantos estragos em Mellish.

- Eu não sabia que o Cristopher tinha tentado lançar uma maldição imperdoável dentro do castelo! – A morena gaguejou, tentando se defender, mas sem realmente achar que merecia aquela defesa. – Se vocês ao menos tivessem entregado o Rookwood antes...

A voz de Blake morreu quando um sonoro tapa ecoou. O braço de Clementine havia erguido tão rápido que, se tivesse erguido a varinha, teria causado um estrago ainda maior. Mas deixando a magia de lado, ela se deixou levar pelo impulso e sentiu os próprios dedos arderem ao acertar o rosto da lufana.

A pele pálida e molhada de Mia começou imediatamente a exibir o formato avermelhado dos dedos de Clementine, mas nem por um segundo ela pensou em revidar. Sua mão foi erguida para tocar a área já dolorida enquanto encarava a loira assustada e derrotada.

- Se algum dia você tentar colocar isso nas minhas costas novamente, eu juro por Merlin, Blake... Vou abraçar Azkaban feliz por lançar eu mesma uma maldição contra você. – O dedo de Clementine tremia enquanto apontava contra o nariz de Mia. – Isso é culpa sua. O que acontecer com o Liam daqui para frente está nas suas mãos. Lide com isso, sua vaca egoísta.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sex Dez 30, 2016 10:00 pm

O estômago de Melissa se afundou com aquela quebra de expectativa. Por mais que ela soubesse que Landon não ficaria feliz com a novidade, a novata esperava por um pouco mais de compreensão. E, principalmente, Melissa tinha a esperança de que aquela partida não colocaria um fim no relacionamento que os dois começavam a construir. É claro que a distância dificultaria as coisas e eles teriam que se contentar com cartas e encontros rápidos durante os feriados e os passeios a Hogsmeade, mas seriam só alguns meses de afastamento até que Vanderwaal completasse o sétimo ano e também ficasse livre de Hogwarts.

A recusa de Landon fora motivada pela tensão do momento e pelo turbilhão de emoções que aquela despedida gerava. Mas Zummach encarou a decisão dele como a prova de que o grifinório nunca estivera tão envolvido quanto ela naquele relacionamento. Enquanto Melissa propunha soluções, Landon se limitou a impor condições que fatalmente levariam ao fim da história que os dois construíram juntos.

Uma garota mais frágil ou emotiva teria insistido ou implorado que Vanderwaal reconsiderasse, mas Melissa honrava a fama de orgulhos dos grifinórios. Zummach também se afastou enquanto observava o rapaz recuar do seu toque e os olhos azuis refletiam um misto de decepção e ironia quando ela tomou a palavra.

- Não há o que pensar. A sua resposta é não. Eu não vou implorar para que você mude de ideia e nem vou esperar que você sinta a minha falta. Aliás, você tem tantas opções de distração ao seu redor que eu não me surpreenderia se você tiver dificuldades para se lembrar do meu nome até o fim da sua espetacular jornada em Hogwarts.

Na mente ferida e enciumada de Melissa a situação era bem simples. Vanderwaal não queria assumir aquele compromisso e oficializar um relacionamento com uma garota fora de Hogwarts simplesmente porque estava rodeado por um fã clube e não precisaria esperar tanto pelos lábios de uma única menina.

Por mais que estivesse destruída por dentro, Zummach se esforçava para demonstrar que aquilo não era uma briga de namorados e que Landon não tinha o poder de arrasar tanto o seu coração. Tudo o que Melissa queria era acreditar nas suas próprias palavras quando seu discurso tentou reduzir o relacionamento dos dois a uma simples atração casual entre dois adolescentes sem nenhum envolvimento emocional.

- Sem dramas, Vanderwaal, isso nunca foi algo sério, afinal... Não precisamos transformar este momento em algo mais importante do que ele realmente é. Nós nos divertimos juntos, você me ensinou a voar, foi ótimo, mas acabou. Temos vidas diferentes, vamos seguir por caminhos opostos. Boa sorte pra você e obrigada pelas dicas.

A noite parecia ainda mais escura quando Melissa girou sobre os calcanhares e marchou de volta para o castelo, colocando um fim precoce naquela crise. A novata se sentia despedaçada por dentro, mas se recusava a se humilhar por um garoto que não parecia nem um pouco disposto a fazer um sacrifício por aquele relacionamento.

O vento frio bagunçou ainda mais os cabelos de Melissa, mas ela não parecia ligar para os fios bagunçados quando subiu as escadas para a torre leste e alcançou a entrada para o Salão Comunal da Corvinal. As três amigas estavam em um clima de velório quando Zummach puxou seu malão de debaixo da cama e começou a enchê-lo com as suas coisas espalhadas pelo quarto.

- Vai escrever pra gente?

Sara arriscou a pergunta, sabendo que não faria diferença insistir para que a colega se recusasse a seguir as ordens do pai. Apesar do pouco tempo de convivência, as meninas tinham se apegado a Zummach e agora tinham receio de que a personalidade forte da novata fosse decretar o fim daquela amizade após a partida do castelo.

- Talvez. – Melissa fez uma longa pausa antes de abrir um sorriso tristonho para as colegas de quarto – Só vou escrever se vocês me mandarem uma coruja normal. Se aquela coruja ruiva e maluca da Cleo me bicar, eu nunca mais escrevo uma linha para nenhuma das três!

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Um suspiro pesado ecoou pelo quarto vazio quando, na manhã seguinte, Melissa guardou a última peça de roupa antes de fechar o malão. O tradicional uniforme de Hogwarts havia ficado para trás, mas Zummach fez questão de guardar na mochila a gravata com as cores da Corvinal. A novata ainda sentia que o seu verdadeiro lar era a Grifinória, mas a Corvinal ocupava um lugar de destaque em seu coração pela forma como ela fora recebida pelos alunos de Ravenclaw.

Zummach foi a última a sair do quarto propositalmente. A última coisa que ela desejava eram despedidas melosas com as amigas. Portanto, só depois que as três meninas já tinham saído para o café da manhã, Melissa fez o malão levitar com um toque da sua varinha e saiu da torre da Corvinal.

A mochila vermelha estava pendurada em um dos ombros da novata, mais pesada que o normal já que carregava todos os seus livros naquela manhã. Contudo, aquele peso foi “magicamente” aliviado quando a mão de Victorio Agostini puxou a alça vermelha. A surpresa de Zummach se dissolveu quando ela se virou e encontrou o corvinal, e uma vozinha na mente dela lamentou que não fosse Vanderwaal, arrependido pela briga da noite anterior e disposto a acertar as coisas antes que Melissa partisse.

- Está perdendo a sua aula, Agostini. Não é a postura que se espera de um monitor-chefe.

- Você ainda não está sabendo? – as sobrancelhas grossas de Victorio se franziram – As aulas de hoje foram canceladas. Um dos alunos desapareceu. A julgar pelo semblante dos professores, o assunto é sério.

- O que? Como assim? – o queixo de Melissa despencou e a preocupação em seu rosto era sincera – Quem?

- Liam Mellish. Os lufanos confirmaram que ele assistiu a última aula de ontem, mas depois disso ninguém mais o viu. A ronda de ontem à noite era dele, mas o Mellish não assinou a presença na sala da monitoria.

Teoricamente, Melissa não tinha nenhum motivo para ficar pessoalmente abalada com o desaparecimento de Liam Mellish. Os dois pertenciam a turmas diferentes, ocupavam casas distintas e Zummach nunca havia trocado nem mesmo meia dúzia de palavras com o monitor-chefe da Lufa-Lufa. Mas não era exatamente por Liam que o mundo de Melissa parou naquele instante. A mente dela só conseguia pensar no quanto Landon e Clementine ficariam arrasados se alguma coisa mais séria tivesse acontecido com o lufano.

Apesar da briga que colocara um fim no relacionamento com Vanderwaal, o coração de Melissa ainda se comprimia com a ideia de que Landon estava sofrendo com o desaparecimento do primo. E Clementine havia se tornado uma grande amiga e confidente, nem mesmo Sara e Lorelai sabiam do envolvimento da loira com Mellish e, portanto, DiLaurentis não teriam com quem desabafar se Melissa fosse embora.

Se deixar Hogwarts para trás já era difícil, aquela notícia só tornava a situação ainda mais sufocante. Melissa não queria declarar uma guerra contra os Zummach, mas sentia-se torturada com a ideia de abandonar Landon e Clementine justamente naquele momento tão delicado.

- O Professor Flitwick pediu que todos fiquem no Salão Comunal esta manhã. Mas eu vou te acompanhar até o portão antes de atender ao pedido dele. – Agostini soltou um suspiro e abriu um sorriso triste enquanto ajeitava a alça da mochila vermelha no próprio ombro – Eu lamento muito que você precise ir, Mel. Vou sentir a sua falta.

- Você pode me fazer um favor, Agostini? – os olhos de Melissa brilhavam com uma nova determinação quando ela encarou o colega – Leve as minhas coisas de volta para o salão. Eu tenho um problema para resolver.

Sem se importar com a expressão confusa de Victorio, Melissa seguiu seu caminho com passos rápidos, deixando para trás o malão e a mochila vermelha. A novata não carregava nada quando alcançou os pesados portões de Hogwarts e a falta do malão fez com que Alfred Zummach arqueasse uma das sobrancelhas. Alfred e a esposa estavam parados do outro lado do portão e se recusavam a pisar em Hogwarts, como se um passo adiante significasse uma perda irrecuperável da dignidade da família.

- Onde estão as suas coisas, Melissa?

O Sr. Zummach soou mais confuso do que propriamente insatisfeito. Era tão grande a certeza dele de que Melissa estava ansiosa para escapar daquela punição que o homem nem pensou na possibilidade da própria filha ter decidido deixar o malão para trás antes de seguir ao encontro dele.

- Pai... me escute. – as mãos da garota seguraram o metal gelado do portão enquanto ela lançava um olhar de piedade para os pais – Eu lamento, mas não posso ir embora.

- O que??? – a voz de Alfred se elevou, mas logo o homem se conteve e olhou a filha com um olhar compreensivo – Querida, eu não serei preso. O estatuto não permite que o Ministério imponha este tipo de penalidade. Eu tive que ler todas as emendas, mas finalmente conseguir redigir uma defesa que foi aceita pelo juiz. Você está livre.

- Papai... – Melissa sabia que estava declarando uma guerra contra a família quando completou numa entonação mais baixa – Eu não quero voltar para casa. Eu gosto de Hogwarts. Os professores são muito bons, eu tenho amigas aqui, eu estou me adaptando muito bem à Corvinal. Estou na Corvinal, mamãe, como você.

A Sra. Zummach perdeu as cores quando a filha ousou tocar naquele delicado assunto. Judith havia se apaixonado por Alfred e, depois de ouvir sobre a trágica história da família Zummach, a mulher passara a repetir o ódio que o marido sentia por Dumbledore. Mas todos evitavam ao máximo mencionar que Judith havia frequentado Hogwarts e fora uma excelente aluna da Corvinal antes de conhecer Alfred.

A surpresa de Alfred foi tão grande que o homem não conseguiu explodir de imediato. A palidez que cobriu o seu rosto foi sendo gradativamente substituída por uma coloração avermelhada que culminou com uma veia pulsando perigosamente na testa dele. Ao invés de gritar, Alfred usou uma voz gelada e contida para se dirigir à filha.

- Eu vou fingir que não escutei este disparate. Você vai voltar para aquele maldito castelo e pegar as suas coisas. Agora, Melissa.

- Não, pai. – a voz firme da menina refletia a sua coragem grifinória – Eu recebi uma carta quando tinha onze anos, eu tenho direito a uma vaga em Hogwarts e não abro mão disso. Eu não mereço ser penalizada por causa de Albus Dumbledore. Ele já fez muito mal a nossa família, é inadmissível que continuemos a abrir mão de tudo o que Hogwarts tenha a oferecer por causa dele.

Embora aquele fosse um argumento que Alfred levaria em consideração, não foi o bastante para que o homem concordasse com a decisão da filha. O Sr. Zummach deu um passo para frente e inclinou o tronco para encarar a filha mais de perto, mas tomou o cuidado de nem encostar nos portões do castelo.

- Se você não voltar para casa conosco hoje, não precisa voltar nunca mais.

- Eu espero que o senhor reconsidere esta decisão quando se acalmar, papai. Mas não vai me intimidar com essas ameaças. Eu já me sacrifiquei por esta família uma vez, acho que chegou o momento de ter o meu esforço retribuído.

- Melissa!!! Melissa, eu estou falando sério!!! Você vai morrer para mim se fizer isso!!! MELISSAAAA!

Como Alfred não atravessou os portões, a voz dele se perdeu no horizonte quando Melissa alcançou os jardins. Embora soubesse que havia tomado a decisão certa, grossas lágrimas escorriam pelo rosto da novata enquanto as ameaças do pai ecoavam em sua memória. Por conhecer a intensidade do ódio que os Zummach nutriam por Albus Dumbledore, Melissa não duvidava que o pai teria coragem de fechar as portas de casa para ela.

Apesar de estar vivenciando aquele drama pessoal, a novata respirou fundo várias vezes, controlou o choro e lavou o rosto no saguão antes de entrar no castelo. Melissa estava arrasada, mas ela sabia que a sua tristeza não tinha espaço naquele momento delicado em que toda a atenção estava voltada para Liam Mellish.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sex Dez 30, 2016 11:13 pm

A Sra. Vanderwaal deixou de ser uma destemida auror do Ministério da Magia quando finalmente avistou o sobrinho. O pai de Landon ainda tentou manter uma postura mais firme enquanto buscava por respostas e exigia que todos os responsáveis fossem punidos, mas tudo o que sua esposa conseguia fazer era chorar e implorar para que o curandeiro revertesse a situação delicada de Liam.

Mellish era praticamente o segundo filho daquele casal. O menino tinha pouco mais de cinco anos quando perdera a mãe e fora parar na casa dos Vanderwaal. O sobrinho foi recebido com um amor incomparável e nunca houve nenhum tipo de distinção entre Liam e Landon. Os dois garotos receberam a mesma educação, tiveram acesso aos mesmos confortos, recebiam broncas depois de travessuras, ganhavam presentes equivalentes e eram recompensados com a mesma dose de carinho e compreensão. Portanto, para os Vanderwaal, Liam era um filho que havia sido covardemente atacado por magia das trevas dentro da escola que tinha a fama de ser um dos locais mais seguros do planeta.

Com o avançar da guerra, era comum que o St. Mungus recebesse vítimas torturadas por Comensais da Morte. Por isso, o curandeiro não teve dúvidas depois que encontrou no lufano todos os efeitos colaterais da Maldição Cruciatus. Os ferimentos, os espasmos, o estado de choque o distúrbio psicológico eram muito característicos nas pessoas que viviam os horrores daquele feitiço.

Como aurores, os Vanderwaal também já tinham presenciado cenas semelhantes e sabiam que, na maioria das vezes, o dano cerebral era intenso e irreversível. Liam era um garoto que tinha toda a vida pela frente, mas agora estava condenado a viver aprisionado à própria mente doente e insana depois daquela tortura.

- O garoto é um moleque. Duvido que a magia dele seja tão poderosa. Nós vamos levá-lo para o Mungus e isso será revertido.

O Sr. Vanderwaal queria desesperadamente acreditar nas próprias palavras quando tentou consolar a esposa. A tia ainda derramava uma cortina de lágrimas enquanto limpava o sangue ressecado no rosto de Liam e tentava, inutilmente, fazer com que o lufano reagisse. Mesmo diante dos apelos daquela mulher que Mellish amava como se fosse a sua mãe, o rapaz continuava apático, com os olhos desfocados voltados para um ponto qualquer da parede a sua frente.

Em poucos minutos, Madame Pomfrey e o curandeiro conseguiram fechar os ferimentos do rapaz. As roupas sujas e rasgadas foram substituídas por uma camisola da enfermaria. Mellish continuava abatido, mas não havia mais nenhum corte em sua pele pálida quando a tia carinhosamente penteou os cabelos úmidos, ainda encarando-o com uma esperança de partir o coração de qualquer um que assistisse a cena.

- Eu tenho saudades da época em que você e o Landon me deixavam cuidar dos seus cabelos. Agora tudo o que vejo são fios arrepiados e cheios de nós. Isso é algum tipo de moda entre os jovens?

Não houve nenhuma resposta, nem mesmo o esboço de um sorriso que denunciasse que Liam havia compreendido as palavras da Sra. Vanderwaal. Depois que os fios castanhos do rapaz estavam impecavelmente penteados, a tia se inclinou para depositar um beijo na testa dele.

- Volte pra gente, querido. – um soluço escapou pelos lábios da mulher – Você ainda tem tanta coisa para viver, tantos sonhos para realizar...

O monitor-chefe da Lufa-Lufa permaneceu imóvel sobre a maca. Os espasmos tinham parado, mas o curandeiro não conseguira reverter nem mesmo um pouco daquela profunda apatia na qual o rapaz estava mergulhado. Por isso, houve uma surpresa e uma comoção geral de todos os presentes quando a voz frágil de Liam ecoou pela enfermaria.

- Clem...

- O que você disse? – as mãos da Sra. Vanderwaal seguraram o rosto do sobrinho e ela tentou buscar algum tipo de contato com o olhar sem foco do rapaz – Liam, você está me ouvindo? Olhe para mim, fale comigo!

- Clem.

Aquela palavra aparentemente sem sentido foi repetida, mas a expressão petrificada de Mellish mostrava que ele não estava tentando se comunicar com a tia. Sua boca simplesmente reproduzia algo que se repetia em sua mente atormentada pela tortura. Como Liam usara a imagem de Clementine na tentativa de amenizar a dor da Cruciatus, a namorada era o único pensamento que restara em sua cabeça danificada.

- O que ele está dizendo? O que isso significa??? – a tia do rapaz soava histérica quando se virou para os demais.

- Provavelmente não significa nada. – o curandeiro não encontrou nenhuma forma sutil de explicar aquela situação delicada – Ele só está delirando.

- Ele disse “Clem”. – Dumbledore tomou a palavra, atraindo para si a atenção da Sra. Vanderwaal – Eu imagino que esteja se referindo a Clementine DiLaurentis. Realmente não sei se isso ajudaria, mas talvez conseguiremos algum progresso se dermos ao Sr. Mellish aquilo que a mente dele deseja.

Por mais que estivesse insatisfeita com toda aquela confusão que culminou no ataque covarde ao seu sobrinho, a Sra. Vanderwaal estava desesperada o suficiente para se agarrar a qualquer esperança. Se a ex-namorada de Cristopher Rookwood ajudasse a resgatar Liam daquela apatia, a tia do rapaz estava pronta para esquecer que fora por causa daquele romance que Mellish terminara numa maca da enfermaria com a mente seriamente danificada por magia negra.

- Busquem a tal menina. Precisamos fazer esta tentativa antes de levá-lo para o Mungus.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Dez 30, 2016 11:56 pm

Quando pediu um tempo para pensar, Landon não estava apenas dispensando Melissa de forma mais gentil. Ele realmente precisava de algumas horas para que seu coração e sua mente se acalmassem e ele refletisse naquela proposta sem se precipitar.

Seu coração, obviamente, implorava para que nada mudasse no bonito relacionamento que ele acreditava estar construindo ao lado de Melissa. Tudo o que precisava era de algum tempo para que a decepção e a tristeza não deixassem que ele tomasse uma decisão errada.

Por isso, quando Zummach lhe respondeu de forma tão fria e informal, o coração de Vanderwaal terminou de se quebrar. Ela não só estava lhe tirando a chance para refletir sobre suas opções como enfatizava o quão sem importância aquele relacionamento realmente significava para ela.

Se Landon já se sentia arrasado por não ter pesado na decisão de Melissa para permanecer em Hogwarts, ele ficou completamente destruído ao ver que estava se entregando por completo para alguém que o via apenas como um relacionamento informal.

Os olhos verdes escureceram diante daquela mágoa, mas a escuridão foi capaz de camuflar seu semblante derrotado, preservando o seu orgulho. E foi por aquele orgulho que ele não demonstrou o quanto estava triste com o fim daquela conversa. Já havia doado demais de si mesmo para alguém que claramente não se importava com ele.

Mesmo depois que a sombra de Melissa desapareceu dos jardins, Landon permaneceu parado. Ele se recostou contra a parede de pedra e enfiou as mãos nos bolsos. A temperatura caía drasticamente e o ar se condensava no instante em que deixava seus lábios. Já havia passado do toque de recolher quando o rapaz finalmente se arrastou para o salão comunal da grifinória.

Os alunos mais novos já haviam se recolhido em seus dormitórios, mas era comum encontrar os quintanistas ou setimanistas ainda debruçados sobre os livros, aproveitando o calor e a luminosidade da lareira. Sem o menor vestígio de sono ou com cabeça para os estudos, Landon apenas afundou no lugar ao lado de Robbie, fazendo o goleiro erguer os olhos de seu pergaminho para observá-lo com curiosidade.

- Que cara é essa? Parece que você acabou de ver a Sonserina levar a Taça de Quadribol e das Casas.

Os olhos verdes se fixaram em uma madeira que queimava ferozmente na lareira, ainda revivendo o rosto de Melissa em sua mente. Zummach era o oposto do tipo de garota que Landon acreditava um dia se apaixonar. Mas ele tinha certeza que era exatamente aquilo que sentia por ela, ou não teria outro motivo para se sentir tão miserável.

Vanderwaal fez uma longa pausa, ainda sob o olhar do amigo, quando finalmente ergueu o olhar. Robbie parecia sinceramente preocupado ao ver a seriedade no rosto sempre tão simpático de Landon, por isso largou sua pena e soltou o pergaminho para lhe dar toda atenção necessária.

- Você acha que eu tenho um fã clube, Robbie?

A pergunta pegou o rapaz com tanta surpresa que ele franziu as sobrancelhas e abriu e fechou a boca diversas vezes. Ele esperava que Landon fosse confessar algo íntimo e não comentar sobre a óbvia fama que tinha com o público feminino.

- Bom, eu não sei se chega a ser um fã clube... Mas rola um boato que a Matilda Bagosh fez uma tatuagem com o seu nome. E que a Teresa Posey comprou todo o estoque de poção do amor no início do sexto ano, mas o malão foi extraviado antes que chegássemos a Hogwarts. Alguns dizem até que foi a Rita Marin quem roubou as poções, com medo de não ter mais chances com você...

A mágoa provocada pela briga com Melissa ainda estava ali, mas a mente de Landon finalmente encontrou algo para se distrair. Foi a vez do artilheiro franzir as sobrancelhas e sacudir a cabeça, surpreso. Ele sempre acreditou que Melissa exagerava naqueles comentários, mas agora se sentia um tanto estúpido por não ter notado nada antes.

- Qual é o problema, Landie? – Robbie entrelaçou seus dedos e apoiou os cotovelos sobre os joelhos, se inclinando mais para frente. Ele fez uma longa pausa, o rosto contorcido em uma expressão de quem relutava para dizer as palavras seguintes. – Você é gay? É isso?

- O quê? – As sobrancelhas de Landon quase se uniram e ele imediatamente sacudiu a cabeça negando. – Não é isso! Eu só... Como eu nunca notei nada disso antes?

Robbie ergueu os ombros e projetou seu lábio inferior para frente, em uma expressão que dizia claramente que ele próprio se perguntava aquilo diariamente, sem ter encontrado uma resposta.

- Sempre achei que você notasse, mas era apenas educado ou discreto demais para se vangloriar por aí. Ou que você fosse gay. Tem certeza que não é?

- Não! – Landon repetiu enfaticamente, para dois segundos depois voltar a soltar um longo suspiro. – É só que... Eu juro, eu nunca notei.

A mão de Robbie foi apoiada no ombro de Landon e ele inclinou com a cabeça para o lado oposto do salão. Três setimanistas estavam sentadas juntas na mesa em que normalmente jogavam partidas de xadrez. Desde que entrara no salão, Landon havia apenas reparado que as três estavam debruçadas sobre os livros, escrevendo compulsivamente em um pergaminho ao lado.

Agora que Robbie o obrigava a olhar por mais do que um segundo, ele notou como a morena sentada na ponta sempre erguia os olhos de seus estudos para encarar em sua direção. Ao perceber que Vanderwaal finalmente a olhava de volta, a menina abriu um largo sorriso e deslizou alguns fios de cabelos ondulados para atrás da orelha.

Repentinamente constrangido, Landon franziu o queixo e forçou um sorriso tímido, completamente diferente do movimento largo que seus lábios faziam com sua natural simpatia.

Ainda afundado no sofá vermelho, Vanderwaal não notou quando o tempo passou e, pouco a pouco, os alunos se recolhiam. Antes mesmo que restassem apenas cinzas na lareira, Robbie já havia se despedido. Enquanto o frio tomava conta do lugar, só o que a mente de Landon era capaz de reproduzir, ainda era a cena dos jardins. Ele só notou que era um dos últimos ainda acordado no início daquela madrugada quando uma voz doce ecoou, o despertando de seus pensamentos sobre Zummach.

- Boa noite, Landon...

A mesma morena que Robbie havia mostrado já havia empurrado seus livros e pergaminhos para baixo dos braços. Ela tinha uma aparência sonolenta, mas exibia um sorriso gentil que, em algumas horas antes, Landon teria julgado completamente inocente.

Os olhos pesados de Landon piscaram enquanto a observava. Os mesmos cabelos escuros e ondulados que Melissa, o mesmo tom de azul em seus olhos. Mas sem o mesmo biquinho no lábio superior. As bochechas eram mais fofas, mas aquilo apenas lhe trazia um ar mais inocente que estava longe de Zummach depois que trocasse meia dúzia de palavras com ela.

- Hey Felicity... – Landon a chamou quando a menina já alcançava o primeiro degrau das escadas.

Mesmo cansada, Felicity Queen se virou de prontidão, parecendo surpresa e feliz ao mesmo tempo. As sobrancelhas ligeiramente arqueadas a deixava com a aparência de uma menininha prestes a ganhar um prêmio, e Landon odiou aquele detalhe. Melissa jamais agiria tão bobamente. Mas talvez aquela diferença não devesse ser odiada, mas sim abençoada.

- Quer ficar mais um pouco? Se não estiver muito cansada, é claro...

Com um fácil sorriso no rosto, Felicity não demorou mais que um segundo para atravessar a sala comunal e se juntar a Landon.

***

Liam se entregou ao sono apenas no meio da madrugada, mas suas pálpebras não encontraram a menor dificuldade de se erguer quando os primeiros raios de sol começaram a atravessar o vidro da janela, no ângulo perfeito para que a claridade atingisse seu rosto.

Uma ruga se formou entre suas sobrancelhas quando ele fez uma careta diante daquele incômodo, mas as lembranças que invadiram a sua mente foram suficientes para que ele terminasse de despertar. Com um aperto no peito, ele reviveu mais uma vez a cena com Melissa, se sentindo um lixo por saber o quanto era insignificante para ela.

A prova de que Melissa estava lhe tirando a razão chegou quando, só ao sentir seu braço dormente, Landon percebeu que não estava sozinho. O rapaz se remexeu no que ele imediatamente reconheceu como não sendo a sua cama e seus olhos finalmente encontraram a cascata de cabelos escuros em seu peito.

Em nenhum momento daquela noite sua mente havia ficado embriagada por qualquer motivo, de modo que logo, como peças de um ridículo quebra-cabeça, ele se lembrou de como havia ido parar na sala da monitoria com Felicity Queen.

Os dois ocupavam o largo sofá branco da sala, que os monitores normalmente usavam para descansar entre uma atividade e outra. Mesmo com a madeira desconfortável que insistia em cutucar suas costas, a menina ao seu lado parecia dormir tranquilamente, exibindo um sorrisinho em seus lábios.

Landon se ergueu, puxando cuidadosamente o seu braço para não despertá-la, apenas o suficiente para que ele pudesse sustentar o próprio corpo para encarar a menina que, até a noite anterior, era apenas uma colega.


O monitor-chefe estava longe de ser um conquistador barato e agora, sob a claridade do dia, sabia que havia agido errado com Felicity. Aquela estava longe de ser a forma mais inteligente de lidar com suas frustrações em relação a Melissa, mas precisava admitir que, pelo menos durante aquelas horas, ela e toda sua arrogância e indiferença haviam sido deixadas de lado.

Ao sentir o peso do olhar do rapaz, Felicity começou a se remexer, os olhos tremendo sob as pálpebras até que ela exibisse as íris azuis. O mesmo sorriso fácil da noite anterior voltou a brincar em seus lábios ao encontrar Vanderwaal ao seu lado.

- Nós precisamos voltar. – Landon foi direto, não por indelicadeza, mas simplesmente porque não sabia como devia se comportar. – As aulas já devem ter começado e já perdemos o café da manhã.

Timidamente, a menina assentiu e se esticou para depositar um breve beijo nos lábios de Landon. Evitando um novo contato com os olhos de Queen, ele se vestiu apressadamente e apenas deslizou os dedos nos cabelos rebeldes para que os dois deixassem a sala da monitoria.

Landon tinha certeza que estava encrencado. Os corredores vazios indicavam que todos já estavam em suas salas. Ele e Queen perderiam uma generosa quantidade de pontos por aquele atraso.

Para piorar a sensação de ter feito tudo errado, Vanderwaal se lembrou de Zummach. Já era tarde demais para se lamentar e ele deveria ao menos se sentir aliviado agora que a menina não estava mais no castelo. Aquele era um assunto encerrado, que deveria pertencer ao passado, até se tornar tão insignificante quanto Melissa gostava de dizer que era.

O monitor estava tão concentrado naqueles pensamentos, caminhando em silêncio ao lado de Felicity, que foi uma surpresa quando um estrondo ecoou no corredor seguinte. Sem pensar duas vezes, Landon correu até a esquina que unia os dois corredores e seu queixo caiu ao encontrar uma das estátuas de pedra que enfeitavam os corredores, completamente destruída e seus pedaços espalhados pelo chão.

Agachado há alguns metros de distância, Cristopher Rookwood tentava proteger o rosto com as mãos. Sua varinha havia rolado de seus dedos e era completamente ignorada por uma furiosa Clementine, que voltava a erguer o punho para um novo feitiço.

Por desconhecer completamente o relacionamento de DiLaurentis e Mellish, Landon apenas deduziu que aquilo se tratava de uma briga de ex-namorados que estava fugindo o controle.

- Levicorpus!

O raio de luz que saiu da varinha de Clementine atingiu Cristopher e o rapaz foi erguido como se magicamente uma corda tivesse sido amarrada em seu pé, o pendurando de cabeça para baixo.

- DILAURENTIS! – Landon gritou, erguendo a própria varinha para a loira.

A corvinal nunca havia demonstrado um comportamento tão perturbado. Seus olhos azuis quase atingiam um vermelho feroz que combinava com os fios loiros completamente atrapalhados. Felicity chegou a se encolher na parede que separava os dois corredores, mas como um monitor, Landon não podia deixar aquilo acontecer.

- Finite Incantatem! – O grifinório gritou em direção a Rookwood, fazendo com que ele despencasse com um baque de volta ao chão. Em um segundo, sua varinha foi virada para Clementine. – Expeliarmus!

A varinha da corvinal cortou o ar até ir parar na mão de Vanderwaal, mas ao invés de aceitar aquela derrota, a loira saltou para frente, aproveitando a queda de Cristopher para subir em seu peito e começar a lhe estapear.

- DiLaurentis!!! Você surtou???

Os olhos de Landon estavam arregalados enquanto ele tentava lutar para se aproximar daquela briga. Cristopher era mais forte e facilmente capaz de se livrar de uma garota, mas ainda pego pela surpresa, só o que era capaz de fazer era tentar proteger o próprio rosto com os braços.

Sendo acertado vez ou outra pelos cotovelos ou punhos de Clementine, Landon finalmente conseguiu a rodear pela cintura, a afastando do ex-namorado. Como um gato selvagem, ela ainda rosnou, tentando passar pelo monitor para voltar a atacar Cristopher, que tentava se erguer do chão.

- DiLaurentis, se controle!!! Vou precisar chamar um professor??? – Landon a segurava pelos ombros, sempre tentando afastá-la ainda mais de Cristopher.

- Por que você está defendendo este verme??? – Os fios loiros se sacudiam quanto mais ela tentava se debater. – Me deixe acabar com a raça deste infeliz, Vanderwaal!

- Seja lá o que vocês dois andaram aprontando, eu não quero saber! – Landon precisava fazer uma generosa força para conter a menina. – Apenas se controle, eu não quero ser obrigado a leva-la até o diretor!

- O quê?! – Clementine finalmente parou, deslizando seu olhar para o monitor. – Depois de tudo que ele fez com o Liam?!

Completamente afastado de toda a confusão que havia caído sobre o castelo durante aquela manhã, Landon chegou a acreditar que a menina estava se referindo apenas ao longo histórico de implicâncias de Rookwood com o meio-irmão. Ainda não fazia sentido que a corvinal estivesse se metendo em uma briga para defender o lufano, mas nem em um milhão de anos ele imaginou que seu primo estivesse em um estado tão grave na enfermaria.

- O Liam já é bem grandinho para lidar com as próprias batalhas, DiLaurentis.

O assombro que se espalhou pelo rosto da corvinal tornava aquela cena ainda mais confusa, mas as palavras seguintes dela seriam suficientes para que Landon finalmente compreendesse a peça que estava faltando.

- Ele atacou o Liam! Seja lá o que fez, foi grave o bastante para que precisassem trazer um curandeiro do St. Mungus.

O chão desapareceu sob os pés de Landon. Suas mãos que seguravam Clementine com tanta força finalmente se afrouxaram e ele cambaleou para trás. Certo de que aquilo era um pesadelo, de que provavelmente ainda estava dormindo no estreito sofá da monitoria, um novo rosto entrou em foco às costas de Clementine. Afinal, aquela não poderia ser Melissa Zummach, que já havia deixado o castelo há horas.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Sab Dez 31, 2016 12:57 am

- Eu não fiz nada!!! Vocês não tem provas! E eu juro que vou acabar com você se ousar colocar as mãos em mim novamente, sua piranha maluca!!!

A voz furiosa de Cristopher quebrou o silêncio e ele tentou avançar um passo na direção de Clementine, mas seu caminho foi imediatamente ocupado por Melissa Zummach. Ignorando por completo a sua imaginação que tentava compreender o que Landon fazia com uma colega da Grifinória naquele contexto, a novata se adiantou para proteger a amiga da fúria do sonserino.

Sem demonstrar nenhum receio por estar diante de um garoto mais velho da Sonserina, Melissa o cutucou no peito e estreitou os olhos, fuzilando-o com uma expressão homicida que definitivamente não combinava com seus traços delicados.

- Coloque um dedo nela e vamos testar se o dinheiro do seu pai pode comprar tudo, até mesmo um novo braço para você, Rookwood.

- Está me ameaçando? – Cristopher abriu um sorriso debochado para a novata – Você é praticamente uma primeiranista, garota.

- O que só vai tornar a humilhação ainda maior para você, seu merda!

Cristopher mostrou que não se importava com mais nada quando, mesmo estando diante de um monitor, empurrou a colega com brutalidade. Zummach cambaleou para trás e deixou a varinha escapar do seu alcance, já que o bolso da calça jeans que ela usava naquele dia não era tão grande quanto o do uniforme.

Em dois segundos, a confusão novamente estava formada, desta vez com Melissa e Clementine atacando o sonserino ao mesmo tempo com socos e pontapés. Cristopher abandonou qualquer receio e também tentava acertar golpes nas garotas, mas aquela briga generalizada chegou ao fim quando a voz de Dumbledore ecoou como um trovão naquele corredor.

- Já chega! – a varinha apoiada na garganta do diretor aumentava a potência de sua voz grave – Silêncio!!!

Embora fosse uma figura absurdamente respeitada dentro daquele castelo, Albus Dumbledore não costumava usar o medo para intimidar seus alunos. Naquela manhã, contudo, até mesmo Zummach encolheu um pouco os ombros enquanto os olhinhos azuis por trás dos óculos de meia-lua deslizaram por todos os alunos presentes naquela confusão.

Os olhos de Felicity Queen quase saltaram para fora do seu rosto pálido quando ela foi a primeira aluna a ser mencionada pelo diretor anormalmente sério.

- Srta. Queen. Creio que a Professora McGonnagal não deva tê-la avisado de que os alunos devem ficar em seus respectivos salões comunais nesta manhã...

- N-não... eu estava... – a menina ficou vermelha como um tomate e trocou um olhar apreensivo com Landon antes de completar – ...eu não estava no salão hoje, professor. Me desculpe, eu já estou indo.

O olhar de Felicity para o colega já havia incriminado Vanderwaal. Mas, como se aquilo não bastasse, a grifinória ousou se colocar na ponta dos pés para se despedir de Landon com um rápido beijo nos lábios antes de desaparecer com passos rápidos pelo corredor. Não havia nenhuma maldade no gesto de Queen. Ela jamais imaginaria o grau de intimidade entre Landon e Melissa e pensava que, depois da última noite, o monitor-chefe assumiria algum compromisso. Afinal, Landon não tinha o perfil de um garoto que dormia com uma menina e depois a dispensava.

Zummach se sentiu a criatura mais tola de todo o universo quando assistiu aquela cena. Ela havia acabado de enfrentar o pai e possivelmente fora deserdada enquanto Landon se divertia com uma das meninas do seu fã clube. Vanderwaal não fora a única motivação que levara Melissa a enfrentar a família para continuar em Hogwarts, mas agora ela se sentia uma idiota por ter pensado que o seu gesto poderia resgatar o relacionamento com o grifinório.

Nenhum comentário foi feito, mas o olhar gelado que Melissa dirigiu ao rapaz indicava que aquilo era algo que ela jamais perdoaria. Antes mesmo que a novata pudesse digerir aquela novidade desagradável, Albus Dumbledore voltou a sua atenção para ela.

- Srta. Zummach. Fui comunicado que a senhorita partiria nas primeiras horas da manhã. Então eu gostaria de saber o que ainda faz neste castelo, e envolvida nesta confusão?

- Eu não vou embora. – Melissa fixou um olhar firme no diretor, como se esperasse pela discordância de Dumbledore – Acabei de dizer ao meu pai que eu faço questão da minha vaga em Hogwarts.

As sobrancelhas de Albus se arquearam em uma sincera surpresa e, mais uma vez, ele teve que se esforçar para esconder a admiração que sentia pela novata. É óbvio que os Zummach não aceitariam tão pacificamente a decisão da filha e aquilo se tornaria mais um problema para Dumbledore, mas no momento o velho diretor tinha apenas Liam como seu principal foco de preocupação.

- Neste caso, o seu lugar é no Salão Principal da Corvinal. – Albus completou quando Clementine fez questão de seguir a amiga – A senhorita fica, Srta. DiLaurentis. Quero que a senhorita e o Sr. Vanderwaal me acompanhem até a enfermaria.

A atenção de Dumbledore se voltou para Landon e, pela primeira vez em quase sete anos de convivência, o monitor recebeu um olhar de desaprovação do diretor.

- A Professora McGonnagal o procurou por todo o castelo. Seus pais estão aqui, a situação do Sr. Mellish é extremamente delicada. Creio que nada justifica a sua ausência em um momento tão difícil para a sua família, Sr. Vanderwaal. E quanto ao senhor...

Albus ergueu um pouco mais a voz, chamando a atenção de Cristopher que tentava sair disfarçadamente pelo canto do corredor destruído pela varinha de Clementine. O sonserino respirou fundo e tentou sustentar o olhar firme de Dumbledore, mas a sua postura imponente se desfez quando o diretor completou.

- Arrume as suas malas. O senhor está expulso de Hogwarts.

- O QUE??? – Rookwood estreitou o olhar enquanto explodia – VOCÊS NÃO TEM PROVAS, EU NEGUEI TODAS AS ACUSAÇÕES! VAI ME EXPULSAR SOB QUAL ALEGAÇÃO???

- Sob a alegação de que eu sou o diretor de Hogwarts e, como tal, eu faço o que eu quiser.

- O MEU PAI...

- O seu pai pode amenizar a sua punição junto ao Ministério da Magia. – Albus interrompeu o discurso do sonserino – Mas, dentro de Hogwarts, a última palavra ainda é a minha. Eu não o quero mais na minha escola, Sr. Rookwood.

Mesmo sabendo que aquela era uma punição muito amena perto do que Cristopher merecia, Melissa sentiu uma profunda admiração por Dumbledore ao ver que o diretor não camuflaria a culpa do sonserino por causa do sobrenome importante que o rapaz carregava. Depois que Rookwood desceu as escadas que o levariam para as masmorras, Zummach ainda se voltou para a amiga. Clementine recebeu um abraço apertado e um beijo na bochecha antes que Melissa secasse as lágrimas que manchavam o rosto bonito da amiga.

- Vá vê-lo, ele precisa de você. – as palavras soaram sussurradas, mas o silêncio fez com que a voz suave de Zummach ecoasse pelo corredor – Eu estarei te esperando no quarto. Você não vai ficar sozinha nisso, Cleo.

Embora tivesse os próprios dramas pessoais naquele momento, Melissa não negou à amiga o apoio que ela precisava. A briga com os Zummach e aquela mortal decepção com Landon pareciam piada perto do sofrimento refletido nos olhos de DiLaurentis.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Dez 31, 2016 2:07 am

A expulsão de Cristopher parecia pouco. Clementine ainda queria fazê-lo sofrer com as próprias mãos, com ou sem varinha, até que ele estivesse ferido o bastante para ocupar um dos leitos da enfermaria. Era injusto que Liam estivesse destruído enquanto Rookwood podia andar pelos corredores livremente, respirando tranquilamente, sem nem mesmo exibis as sobrancelhas desalinhadas.

DiLaurentis estava longe de ser uma aluna encrenqueira e não exibia nem mesmo uma briga verbal em seu impecável histórico. Mas naquela tarde, ela chegara ao limite ao encontrar Cristopher em seu caminho exibindo um sorrisinho satisfeito, feliz por ter colocado o meio-irmão naquele estado.

Ainda assim, havia uma satisfação em ver que o ex-namorado estava furioso com a decisão de Dumbledore. Cristopher não precisava concluir o último ano e nem exibir uma bela coleção de notas altas nos NIEMs para ter seu futuro garantido, mas ainda assim era uma vergonha para uma família nobre ter uma expulsão como aquelas.

Com o sangue fervendo pela adrenalina, Clementine guardou sua varinha nas vestes da Corvinal e acompanhou em silêncio os passos do diretor. Depois de todos os acontecimentos daquele dia sem fim, não era de se espantar que os professores já tivessem compreendido o tipo de relação que tinha com Mellish. E definitivamente ela não se importava. A única coisa que ocupava sua mente era poder estar ao lado de Liam.

- Eu não sabia...

A voz de Landon soou baixinha ao seu lado. O professor estava há apenas alguns passos de distância e seria perfeitamente capaz de ouvir aquela conversa. Mas o grifinório não pareceu se importar com aquele detalhe.

Ele tinha um semblante arrasado enquanto caminhava encarando os próprios pés e Clementine reconheceu a mesma culpa que havia visto nos olhos de Mia Blake. Vanderwaal provavelmente se odiava por qualquer que tivesse sido o motivo que o deixara ausente de todo o drama familiar. E pelo pouco que a corvinal presenciara naquele corredor, sua situação com Melissa também não seria nada fácil de enfrentar. Mas mais uma vez, a raiva que a consumia pelo estado de Liam não permitia que tivesse qualquer tipo de compaixão.

- Pois deveria saber. – Ela estreitou o olhar para encará-lo, em parte o odiando por não estar ao lado do primo, como também pelo beijo que havia acabado de presenciar, fazendo o coração da sua amiga se partir.

Uma ruga surgiu entre as sobrancelhas de Landon e ele permaneceu mudo. Clementine sabia que no fundo ele estava concordando com ela, mas foi feita uma longa pausa antes que a voz do grifinório voltasse a ecoar.

- O que aconteceu?

O professor Dumbledore era extremamente curioso e não deixaria escapar nenhuma palavra daquela conversa, mas sabia ser discreto quando era necessário. O velho diretor apenas continuou liderando aquele caminho enquanto seus dois alunos conversavam às suas costas.

- Ele desapareceu ontem de noite. Deveria ter ido fazer a ronda, mas nunca chegou na monitoria. Eu só soube durante o café da manhã que passaram a noite toda vasculhando o castelo atrás dele. – Clementine odiava pensar que havia passado uma noite tranquila de sono enquanto Mellish enfrentava o inferno, mas conseguiu engolir o nó em sua garganta para completar. – Hagrid o achou na floresta proibida.

Uma dor ainda mais profunda se espalhou pelos olhos verdes de Vanderwaal. Clementine estava completa alheia ao que passava na cabeça do monitor, por isso não sabia que Landon estava se torturando com a ideia de ter passado a noite na monitoria sem se atentar para a ausência do nome de Liam para indicar sua presença na ronda.

- Ele está mal, Landon. – A loira sussurrou, fitando o perfil do rapaz. – Muito mal.

Clementine acompanhou quando o pomo de adão do rapaz subiu e desceu. Uma nova pausa foi feita enquanto eles desciam as escadarias para o andar da ala hospitalar. Vanderwaal espremeu os lábios como se tentasse conter as próprias palavras, mas por fim sua voz voltou a ecoar.

- Eu não sabia sobre vocês dois.

O olhar da corvinal estava fixo nas portas duplas da enfermaria que tinham sido abertas pelo diretor e ela também espremeu os lábios para tentar se conter antes de responder secamente.

- Ninguém deveria saber.

A mesma cama que ela havia visto naquela manhã ainda era ocupada por Mellish, mas agora mais pessoas estavam ao seu redor. Ainda assim, os olhos azuis ignoraram todos os presentes para focarem apenas no rapaz deitado.

O sangue e as roupas rasgadas não estavam mais lá. A aparência era infinitamente menos assustadora, mas o olhar vago de Liam era suficiente para mostrar que nem tudo era resolvido apenas com roupas limpas.

A enfermeira foi a primeira a se aproximar de Clementine, mas ela podia sentir a atenção dos aurores voltadas para si. Com toques gentis, Madame Pronfrey a abraçou pela cintura para guia-la mais para perto, a incentivando a se aproximar depois de tê-la quase enxotado dali mais cedo.

Às suas costas, Landon ficou pálido ao encontrar o primo, mas não travou como as duas meninas haviam feito naquela manhã. Seus passos o levaram imediatamente até a mãe e a Sra. Vanderwaal o envolveu em um abraço, abafando um soluço contra o peito do filho.

- Liam? Como você está se sentindo?

O grifinório gaguejou, e com a mesma esperança tola de antes, a Sra. Vanderwaal procurou por qualquer sinal de emoção no rosto do sobrinho, deixando escapar um gemidinho ao notar que nada havia mudado em seu quadro.

- O que houve com ele? – Landon ergueu seu olhar confuso para o curandeiro e a enfermeira. – Por que não está respondendo?

- São sequelas de uma longa tortura com a maldição Cruciatus.

Diferente de Clementine que não pareceu surpresa com aquele diagnóstico, os olhos de Landon se arregalaram e o queixo despencou. Ele encarou cada um dos presentes até encarar a loira.

- Rookwood fez isso? Ele lançou uma maldição imperdoável? Como ainda não está a caminho de Azkaban???

- Não há provas concretas contra o Sr. Rookwood... – A professora McGonnagal começou, tentando soar com a voz da razão, embora parecesse mais como uma criança que era cruelmente injustiçada.

- Foi ele. – Clementine trincou os dentes, sentindo novamente o seu corpo corresponder com a raiva. – Eu sei que foi.

A menina finalmente parou ao lado da cama de Liam, e mesmo naquele estado, a simples imagem dele era capaz de minimizar todo o seu ódio, dando espaço apenas para a preocupação e saudade.

Seu rosto imediatamente se suavizou e os olhos ficaram mais claros com as lágrimas. Ela não tinha vergonha em chorar na frente de ninguém, principalmente porque todos aqueles presentes eram completamente insignificantes quando a única coisa que importava era Liam.

- Srta. DiLaurentis... – Madame Pomfrey parou ao seu lado e deslizou os dedos nos fios loiros embolados da menina, como uma mãe preocupada. – Eu preciso fazer uma pergunta que pode soar um pouco estranha...

- Se for ajudar o Liam, pode perguntar o que quiser.

A velha enfermeira assentiu e trocou um breve olhar com o diretor e com a Sra. Vanderwaal antes de apoiar suas mãos nos ombros cobertos pelo uniforme da Corvinal.

- Liam Mellish usava algum apelido para chamar você?

A cabeça de Clementine girou do rapaz acamado para a enfermeira, mas mesmo diante da estranheza daquela pergunta, ela apenas respondeu, sem entender onde queriam chegar.

- Apelido? Eu não sei... Clem, talvez? Acho que todos me chamam assim, mas o Liam também.

Albus Dumbledore quase não conseguia esconder seu sorrisinho de lado, mas foi a afobação da Sra. Vanderwaal que logo trouxe a explicação para a loira.

- Liam tem chamado por você.

Desta vez, a cabeça de Clementine girou com tanta brutalidade que os cabelos se chocaram contra seu rosto. Seu olhar pousou em Liam, mas ele continuava com a mesma expressão desfocada de antes, sem sinal de que pudesse realmente chamar por ela.

- Eu não sei se é exatamente um chamado. – O curandeiro corrigiu a auror delicadamente, tentando manter todos ali com os pés no chão. – Mas sim, ele tem balbuciado algo como “Clem”.

Até aquele momento, Clementine havia sido capaz de ignorar todos os presentes. Mas saber que Liam chamava pelo seu nome, mesmo naquele estado vegetativo, parecia íntimo demais para estar diante de tantos estranhos. Aquele relacionamento era privado demais para se tornar tão público repentinamente.

- Posso ficar a sós com ele? – Ela pediu olhando diretamente para o diretor. – Só por alguns minutos...

O curandeiro pareceu refletir por alguns segundos antes de concordar. Não havia nada que pudesse agravar o estado de Mellish e ele se sentiu confortável o bastante para permitir aquele pedido. A única pessoa a apresentar alguma resistência foi a Sra. Vanderwaal, mas Landon embalou os ombros da mãe para guia-la para fora da enfermaria com delicadeza.

Somente quando não havia mais nenhum par de olhos voltados para eles, o queixo de Clementine tremeu e lágrimas frescas deslizaram pelas suas bochechas. Com os dedinhos trêmulos, ela ousou tocar na pele fria da mão de Liam, acariciando-a com o polegar.

O colchão de Liam afundou levemente quando a menina se sentou na beirada, apenas para alcançar os fios perfeitamente alinhados que em nada parecia com o estado natural de Mellish.

- Liam? Você está me ouvindo?

A loira fungou e se inclinou ainda mais para acariciar o rosto apático dele, desejando trocar todo o seu mundo para ver a mesma paixão da noite anterior nas íris castanhas.

- Eu sinto muito, meu amor. A culpa é toda minha...

Mia Blake havia sofrido com a ira de Clementine. Uma das estátuas de Hogwarts e Cristopher Rookwood haviam sentido na pele a raiva anormal que tomava conta da pacífica corvinal. Mas todo aquele ódio não chegava aos pés da raiva que ela sentia por si mesma.

Se tivesse entregado Rookwood desde o dia das estufas, ele já estaria longe daquele castelo e Liam não seria obrigado a passar por nada daquilo. Tudo seria diferente se ela não fosse uma covarde.

- Você pode passar o resto da vida me culpando, mas precisa voltar pra mim antes disso. Por favor, Liam, volta... Faz esse pesadelo acabar. Eu te amo, por favor...
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sab Dez 31, 2016 2:43 am

Assim como Mellish não reagia mesmo estando rodeado por outras pessoas, o lufano também não teve nenhuma reação específica mesmo depois que foi deixado a sós com Clementine. O rapaz estava sentado sobre a maca, com as costas confortavelmente apoiadas em uma pilha de travesseiros e as pernas compridas esticadas.

O peito dele subia e descia com os movimentos de sua respiração suave, as pálpebras piscavam de tempos em tempos para lubrificar os olhos castanhos, o pomo de adão descia quando Liam engolia o excesso de saliva. Mas, exceto por esses movimentos involuntários, o monitor-chefe da Lufa-Lufa não movia mais nenhum músculo.

Mesmo protegidos em Hogwarts, os alunos mais velhos do castelo já tinham ouvido falar sobre os efeitos da Maldição Cruciatus. O Profeta Diário eventualmente publicava notícias sobre resgate de reféns torturados por Comensais da Morte e os relatos eram muito indigestos. Alguns enlouqueciam de forma agressiva e precisavam ficar contidos na ala psiquiátrica do St. Mungus. Mas também havia aqueles que, como Liam, ficavam num irreversível estado de choque, sem nenhum tipo de contato com o meio externo.

Não havia dúvidas de que Liam receberia todo o apoio que precisava, mas ainda assim a recuperação não era garantida. Eram raras as vítimas da Cruciatus que saíam ilesas da maldição, sem nenhum tipo de sequela mental. A única esperança para o lufano era que Cristopher ainda não dominasse aquela técnica com a mesma eficiência de um verdadeiro Comensal da Morte.

DiLaurentis teve um prolongado tempo de privacidade ao lado do namorado, mas não conseguiu tirá-lo daquele estupor. Nos minutos em que os dois ficaram sozinhos, Liam balbuciou mais algumas vezes o “Clem” que repetia desde que fora encontrado na Floresta Proibida, mas estava claro que aquilo não era uma tentativa de se comunicar com Clementine. Ele não a escutava, não parecia sentir os toques da loira e nem fazia contato visual com ela. O apelido de DiLaurentis era apenas um eco refletido diretamente da mente vegetativa do rapaz.

- Ele será levado para o St. Mungus.

A voz de Madame Pomfrey soou às costas de Clementine mais de meia hora depois de tê-la deixado sozinha com Mellish. Mais uma vez, a enfermeira acolheu a corvinal em um meio abraço, tentando transmitir a ela um pouco da força que a menina precisava naquele momento.

Sem dúvida, o maior culpado por aquela tragédia era Cristopher Rookwood. Mas Mia Blake carregava a culpa por ter atraído o sonserino para aquela história e Landon sentia-se culpado por não ter notado imediatamente o sumiço do primo. Liam e Clementine também podiam ser responsabilizados não pelo romance, mas por terem deixado que Cristopher saísse impune da primeira maldição imperdoável e tivesse a chance de repetir o erro dentro do castelo.

- Infelizmente ele não pode ficar aqui. A ala hospitalar de Hogwarts não tem estrutura para cuidar de um caso tão delicado. Mas talvez você consiga visitá-lo no hospital...

A voz incerta da enfermeira mostrava que Pomfrey duvidava que aquilo seria possível. Qualquer aluno precisava da autorização dos pais para sair do castelo, até mesmo se fosse apenas para um breve passeio em Hogsmeade. Era muito improvável que os DiLaurentis permitissem que a filha saísse para visitar um namorado que eles jamais aprovariam, muito menos agora que Liam estava física e psicologicamente tão abalado.

No tempo que os adultos levaram para ajustar os detalhes burocráticos daquela transferência, as pálpebras de Mellish baixaram e o rapaz caiu num sono agitado. Os espasmos retornaram de forma mais leve, mas era a expressão de dor que comovia a todos. Liam só estava dormindo, mas mantinha o semblante atormentado como se, em seus pesadelos, estivesse sofrendo novamente os mesmos horrores enfrentados na Casa dos Gritos.

Ao fim daquele longo dia, não se comentava outra coisa em todo o castelo. Mesmo que todos os alunos tivessem passado horas confinados nos salões comunais, todos já sabiam sobre a expulsão de Rookwood, sobre o romance de Clementine com o meio irmão do ex-namorado e sobre o estado lamentável no qual Liam Mellish fora levado para o St. Mungus.

Dumbledore liberou os estudantes para o jantar no Salão Principal, mas o silêncio pesado reinava nas quatro mesas. O banquete do castelo estava impecável como de costume, mas eram poucos os alunos que conseguiam apreciar o sabor da comida servida pelos elfos naquela noite.

O lugar que Liam geralmente ocupava na mesa da Lufa-Lufa estava dolorosamente vazio. Em uma homenagem singela que emocionou as outras casas, os lufanos penduraram na cadeira de Mellish o cachecol amarelo que compunha o uniforme da casa, juntamente com o distintivo do monitor-chefe que Liam sempre carregava com orgulho em seu peito.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 01, 2017 9:14 pm

O Sr. e a Sra. Vanderwaal deixaram o castelo no final da tarde daquele trágico dia, quando finalmente terminaram de preencher todas as papeladas burocráticas para a transferência do sobrinho para o St. Mungus.

Durante todo o processo, Landon se manteve ao lado dos pais, sentindo o peso do mundo em seus ombros. Sua cabeça latejava incessante e ele sequer se lembrava de ter feito alguma refeição durante todo o dia.

Tudo que o monitor-chefe da Grifinória esperava quando acordou naquela manhã, na sala de monitoria, era lidar com os sentimentos provocados com a briga e a partida de Melissa Zummach. Até mesmo o erro cometido com Felicity Queen teria ficado em segundo plano se todos os acontecimentos seguintes não tivessem desestruturado seu psicológico por completo.

Melissa ainda estava em Hogwarts. Liam havia sido atacado e não respondia a nenhum estímulo. Felicity, de alguma forma, havia interpretado a noite ao lado do grifinório como um termo de compromisso entre os dois. Era muita coisa para que Liam pudesse processar, por isso, ele sabia que precisava se concentrar em um problema de cada vez.

Por mais que o tempo só pudesse piorar a confusão que ele e Zummach haviam criado, até mesmo aquele grave problema precisaria ser deixado em segundo plano. Landon precisava engolir toda aquela situação e se dedicar exclusivamente à sua família. Foi por este motivo que ele sequer cogitou a possibilidade de enviar uma coruja para Melissa quando decidiu acompanhar os pais até o St. Mungus.

Pelos três dias que se passaram, Landon não retornou a Hogwarts. A situação de Liam continuava a mesma, sem qualquer sinal de melhora, e sua presença no hospital seria completamente inútil.

Era terrível ver o primo em uma cama, aparentemente bem, mas preso em um mundo paralelo, infinitamente mais sofrido e sem esperanças de que um dia pudesse voltar ao normal. Mellish tinha todo o futuro pela frente, mas parecia ter sua vida abreviada pela crueldade de um meio-irmão que ele sequer desejou ter algum dia.

Landon se sentia muito mais o irmão que Liam nunca havia tido, e por isso sentia seu mundo destruído em vê-lo daquela forma. Mesmo sendo obrigado a voltar ao castelo e reassumir suas atividades, Vanderwaal sabia que as coisas não seriam a mesma sem o primo ao seu lado.

Hogwarts parecia estar começando a voltar a sua rotina, embora fosse palpável o ar fúnebre netre os lufanos. Era aquela mesma expressão de velório que Landon carregava em seu rosto quando voltou a pisar no castelo.

Seus olhos verdes estavam rodeados por marcas escuras do sono prejudicado. As roupas estavam limpas e passadas, mas já pareciam um pouco mais folgadas, graças ao seu apetite reduzido. Era apenas a necessidade de reassumir suas responsabilidades que obrigavam Landon a caminhar novamente por aqueles corredores.

A capa da grifinória foi jogada por cima de sua blusa social, sem se importar em vestir cada peça do uniforme. Ele já havia perdido as aulas da manhã, mas não teve dificuldades em aproveitar o pouco tempo do almoço para encontrar a figura que havia habitado seus pensamentos nos últimos dias.

Melissa Zummach estava sentada em um dos bancos do jardim de inverno, um grosso livro aberto a sua frente, e os familiares cachos loiros de Clementine ao seu lado. A luz do dia entrava pela claraboia e banhava uma fonte de pedra localizada ao centro, que jorrava água com um incessante barulho de chuva.

Ao fundo da sala, quatro grandes tubos atraíam a atenção de qualquer um que pisasse ali, com as conhecidas cores das quatro casas de Hogwarts. Minúsculas pedrinhas separadas entre verde, vermelho, amarelo e azul mexiam magicamente conforme cada casa conquistava ou perdia pontos e exibia o andar da competição daquele ano.

As pedrinhas azuis enchiam mais da metade do seu tubo, quase empatando com o que representava a grifinória. O da Sonserina ainda exibia uma diferença de quase um palmo para as outras duas, mas era o da Lufa-Lufa que mostrava a nítida derrota.

Com as mãos unidas em suas costas, Landon se aproximou das duas meninas, olhando de uma a outra. Ele havia se dedicado apenas a Liam naqueles últimos dias, e embora soubesse que não poderia fugir para sempre de Melissa, ainda optou usar o primo como um escudo por mais alguns segundos ao dirigir suas primeiras palavras para a loira.

- Oi... Eu acabei de chegar do Mungus. Estava te procurando.

Embora não fosse exatamente verdade, Landon até se sentia grato por ter aquela desculpa, sem precisar admitir logo nos primeiros segundos que sua verdadeira procura o levaria para a morena ao lado da corvinal.

Clementine imediatamente se endireitou em seu lugar e fechou seu livro, e Landon percebeu quando ela prendeu a respiração para escutar as novidades, pronta para qualquer má notícia.

- Ele ainda está na mesma. Sem respostas, mas também sem pioras...

Os curandeiros costumavam enfatizar aquele detalhe para os Vanderwaal, como se a ausência de qualquer piora fosse realmente um fato a ser comemorado. Mas era impossível para a família de Liam sentir qualquer alívio quando parecia cada vez mais real que ele fosse passar o resto dos seus dias em uma cama, em estado vegetativo.

Os olhos verdes deslizaram receosos até Melissa e foi a vez de Landon prender a respiração. Ele chegou a pensar que talvez, quando finalmente voltasse ao castelo, a menina teria ido embora de vez. Mas Zummach continuava bem ali.

- Eu achei que você estaria em casa a uma hora dessas.

As palavras de Landon finalmente se dirigiram para a morena, sabendo que não poderia continuar fazendo de conta que nada havia acontecido. Era bizarro como tanta coisa havia acontecido e eles sequer tivessem trocado uma palavra. Só estando diante dela, Vanderwaal notou como havia sentido sua falta.

- Você vai ficar, então? De vez?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Jan 01, 2017 10:03 pm

A amizade de Clementine foi a única coisa que fez com que Melissa não se arrependesse da decisão de permanecer em Hogwarts. Nos dias que se seguiram à terrível briga com os Zummach, a menina recebeu novamente uma coruja da família. Por um segundo, Melissa teve esperança de que encontraria um razoável pedido de desculpas, mas a formalidade do documento dentro do envelope fez com que o coração dela se quebrasse em mil pedaços.

A coruja havia trazido um documento de emancipação assinado por Alfred Zummach, no qual ele abria mão de todas as suas responsabilidades pela filha. Como Melissa ainda era menor de idade e não tinha para onde ir, o Ministério da Magia impôs que a garota ficasse no castelo de Hogwarts até completar dezessete anos. Com aquela jogada, Alfred fez com que Hogwarts realmente se transformasse em uma prisão na qual Melissa ficaria reclusa por dois anos inteiros.

Além daquele abalo incomparável, Melissa também tinha que lidar com a mais nova fofoca do castelo. Ignorando todo o drama vivido pelos Vanderwaal, Felicity Queen não pensou duas vezes antes de espalhar aos quatro cantos do castelo que ela e Landon agora eram um casal. Zummach obviamente não quis saber os detalhes daquela fofoca, mas o encontro com os dois no dia da expulsão de Cristopher não deixava brecha para nenhum tipo de dúvida. Landon havia dormido com outra menina horas depois de ter rompido com ela.

O mundo de Melissa estava despedaçado, mas a garota não conseguia comparar o seu sofrimento com a dor de Clementine. Pela amiga, Zummach se obrigava a ser forte e a oferecer o próprio ombro mesmo que seu desejo fosse chorar tanto quanto DiLaurentis vinha sofrendo pela situação de Liam.

Lorelai e Sara também tentavam oferecer algum apoio à amiga, mas as duas ainda estavam surpresas com aquela reviravolta na vida amorosa de Clementine e ressentidas por DiLaurentis não ter contado tudo a elas. As duas não entendiam como Clementine poderia estar tão abalada simplesmente porque não acompanharam o nascimento daquela relação e o quanto a amiga amava o lufano.

A falta de notícias era torturante. Não era raro que as duas meninas perseguissem a Professora Sprout nas estufas, mas nem mesmo a diretora da Lufa-Lufa tinha novidades sobre Mellish. Tudo o que Pomona sabia dizer era que Liam continuava internado no Mungus e que os Vanderwaal não tinham comunicado sobre nenhuma mudança positiva no quadro de saúde do rapaz.

Naquela tarde, como de costume, as duas estavam sentadas num dos bancos do jardim de inverno. Melissa folheava um livro de Trato das Criaturas Mágicas, mas a sua atenção estava presa à entrada da estufa mais próxima. Assim que Pomona Sprout abrisse a porta, seria novamente atropelada pelas duas corvinais sedentas por notícias de Liam. O que nenhuma das duas esperava era que, naquele dia, as notícias viriam diretamente do hospital, pelos lábios de Landon Vanderwaal.

A ausência de Landon nos últimos dias foi quase como um consolo para Melissa. A última coisa que a novata precisava era que ter assistir o novo casalzinho de Hogwarts circulando de mãos dadas pelos corredores e trocando beijos apaixonados. Contudo, agora que via Landon novamente diante de si, Zummach precisava admitir que sentia a falta dele. E aquela saudade a fazia se sentir ainda mais tola, já que as atitudes de Vanderwaal provaram que o grifinório não sentia o mesmo por ela.

- Viu? Ele não piorou, Cleo.

Um sorriso forçado surgiu nos lábios de Melissa e ela tentou soar otimista quando acomodou a amiga em um meio abraço. O fato de Liam não ter piorado não significava nada já que a situação do lufano já era absurdamente delicada. Mas se aquela era a única notícia boa que Landon tinha a dizer, Zummach se esforçaria para que ela parecesse mais importante do que realmente era.

- Isso já é ótimo, Cleo. Nós estávamos com medo que o feitiço fosse poderoso o bastante para agravar o quadro dele com o passar dos dias, mas ele estabilizou. É questão de tempo até que comece a melhorar.

Melissa era uma mentirosa bem convincente, mas nem mesmo a própria Zummach acreditava na própria declaração. Faltava a ela coragem para dizer a Clementine que a loira deveria estar preparada para o pior. Parecia uma grande maldade tirar de DiLaurentis aquele fio de esperança que ainda a mantinha de pé.

Só depois que suas palavras de consolo foram dirigidas à amiga, Melissa finalmente se virou para encarar Landon. O semblante doce dirigido à Clementine foi modificado por uma expressão fria, mas Zummach não deixou o monitor-chefe da Grifinória sem uma resposta.

- Hogwarts é a minha casa agora. Literalmente.

Como Landon pareceu não ter compreendido a dimensão da declaração feita por Zummach, a garota completou aquela resposta com uma das fofocas que circulava pelo castelo desde que Vanderwaal se ausentara para ficar com a família.

- Fui deserdada, excluída da família, emancipada... Use o nome que achar mais apropriado. Resumindo, não tenho mais para onde ir, então ficarei em Hogwarts todos os dias até completar dezessete anos. Já estou ansiosa para ter o castelo só para mim nas férias de verão, yuhuu.

A ironia de Melissa era uma tentativa de esconder o quanto ela estava arrasada com aquela situação. A garota amava a família o suficiente para se sacrificar pelos Zummach, então era óbvio que não estava vibrando com a ideia de não ter mais um lar.

- Se não tem mais nenhuma notícia do Liam, pode ir embora. Imagino que seus amigos tenham sentido muito a sua falta. Ontem mesmo a sua namorada estava colhendo assinaturas de um abaixo-assinado para solicitar ao diretor autorização para visitar você no hospital. Estranhamente o nome do Liam nem era citado no documento, embora eu tenha quase certeza que é ele que realmente precisa de apoio neste momento...
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jan 01, 2017 10:38 pm

Clementine sabia que não estava sendo uma boa amiga para Melissa, principalmente naquele delicado momento em que a menina vivia. Se sua vida estivesse nos trilhos, a loira não pouparia um segundo para se dedicar em fazer Zummach se sentir melhor, mesmo diante de todo o drama familiar.

Assim como a situação de Liam havia feito seu mundo desmoronar, a amiga não estava enfrentando nenhum dia fácil ao ser rejeitada pela própria família e ver o rapaz que até então começava a construir um belo relacionamento já com outra menina.

Mas por mais que tivesse consciência de tudo aquilo, Clementine ainda estava presa nos próprios sofrimentos. Ela tentava se concentrar em Melissa e discutir os problemas da amiga para distrair suas próprias lembranças dolorosas, mas de uma forma ou de outra, seus pensamentos logo voltavam para Mellish.

Cristopher Rookwood não era mais do que um nome citado pelos corredores. O rapaz havia deixado o castelo, mas seu único castigo foi ter sido afastado pelos pais para umas “férias forçadas” na Hungria, longe de qualquer ruído que pudesse surgir enquanto o Sr. Rookwood lutava ao máximo para abafar um escândalo.

Se o Sr. Rookwood preferia fazer de conta que nada daquilo estava acontecendo, os DiLaurentis não escondiam a guerra que haviam declarado contra a própria filha. Foi através de Gael que seus pais descobriram sobre a confusão que a filha havia se metido, mas ao invés de se preocuparem com a luta pela vida de um adolescente no St. Mungus, eles estavam mortificados com a vergonha que Clementine os obrigara a passar.

Enfiado em um dos livros em seu malão, ela ainda guardava o pergaminho recebido na manhã seguinte a partida de Liam, em que a Sra. DiLaurentis não se intimidava em chamar a primogênita de promíscua pelo envolvimento com os dois irmãos, colocando Clementine no centro daquela guerra, onde eles enxergavam que a principal vítima havia sido Cristopher.

Clementine sabia que não poderia fugir para sempre, mas dois dias inteiros já tinham se passado sem que ela tivesse reunido coragem suficiente para responder aos pais. Seu silêncio provavelmente era interpretado como um ato de rebeldia, mas a menina simplesmente não tinha forças para lidar com aquilo enquanto ainda não sabia o que esperar da recuperação de Mellish.

Embora Melissa e Landon tentassem soar otimistas, Clementine sabia que não havia motivos para comemorar. Ela já havia escutado uma conversa sussurrada entre a diretora da Lufa-Lufa e o minúsculo diretor da Corvinal a respeito da situação de Liam e ainda tinha arrepios ao se lembrar de como eles haviam comentado sobre todos precisarem se preparar para que Mellish passasse o resto de sua vida naquele estado vegetativo.

Bastou uma tarde em pesquisas na biblioteca e em jornais antigos para que DiLaurentis compreendesse o pessimismo dos professores. A guerra que explodia fora dos terrenos de Hogwarts trazia mais vítimas a cada dia, mas o histórico daqueles que sofriam da maldição Cruciatus era quase sempre o mesmo. Todos aprisionados naquela eterna tortura, com os mesmos sintomas que Liam apresentava.

Por isso, ouvir da boca de Landon que o namorado continuava com o mesmo quadro era o mesmo que uma sentença definitiva de que Liam jamais voltaria ao normal. De que ele pagaria com a própria vida pelos erros dela.

Com um nó queimando a sua garganta, Clementine baixou o olhar para o livro fechado em seu colo e lutou para não voltar a cair no choro. Sem conseguir nem ao menos raciocinar na delicada situação do reencontro de Landon e Melissa, ela se colocou de pé, passando a bolsa de couro pelo seu ombro.

- Você não tem mais nenhuma notícia do Liam porque não há mais nada para acontecer. É isso. O Cristopher venceu, a vida do Liam se resume ao St. Mungus agora.

Clementine quase parecia uma sonserina provocando a dor de Cristopher, se não fosse pela intensa dor que os olhos azuis refletiam. Não havia a menor dúvida de como aquilo era difícil para a Corvinal e como ela estava tentando soar prática.

- Obrigada de qualquer forma, Vanderwaal. Mas a Mel está certa, é melhor você voltar para os seus amigos agora.

A cabeça da loira deslizou para olhar a amiga, ainda sentada. Sua expressão sem vida era de cortar o coração.

- Eu vou voltar para a torre da Corvinal. Nos vemos no jantar, Mel.

Quando a morena fez menção de segui-la, Clementine apenas sacudiu a cabeça e adiantou os seus passos, deixando claro que precisava daquele momento a sós.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Jan 01, 2017 11:03 pm

Landon permaneceu em pé até que os passos de Clementine deixassem de ecoar pelo jardim de inverno e os cabelos loiros desaparecessem. Então, com as mãos enfiadas nos bolsos da capa, ele baixou o olhar para Melissa e ignorando completamente a dispensa dela e da loira, se arrastou até se sentar no lugar antes ocupado pela segunda corvinal.

Passar aqueles últimos dias no St. Mungus havia sido difícil. A família Vanderwaal estava enfrentando um pesadelo com a situação de Liam e no fundo Landon sabia que DiLaurentis não estava sendo só pessimista. Ela estava certa. Eles precisavam aceitar que aquela era a nova realidade de Liam, por mais difícil que fosse.

Todo o corpo do grifinório estava pesado e ele se sentia esgotado, a mente agitada demais com todos aqueles problemas. Mas de alguma forma, voltar para Hogwarts tornava tudo ainda mais difícil. Aquele castelo que sempre significou seu lar estava cheio de lembranças de Liam e era absurdamente estranho estar ali sem a companhia do primo.

Para tornar tudo ainda mais complicado, a presença de Melissa era um profundo conflito. Estar ao lado dela trazia uma calmaria que Landon havia desesperado incessantemente nos últimos dias. Zummach era tudo que ele precisava, mas tudo estava tão diferente entre eles que Landon sequer sabia por onde começar.

Os comentários a respeito de Felicity Queen foram delicadamente ignorados. Embora fossem novidades para Landon, que ficara afastado de todas as fofocas de Hogwarts enquanto se dedicava exclusivamente para a sua família, não era difícil deduzir os comentários que haviam surgido em sua ausência.

Apesar daquele ser um assunto que os dois precisavam tratar, Landon decidiu começar pelo assunto mais óbvio e que havia iniciado toda aquela confusão. Ele retirou as mãos dos bolsos e alisou a calça até apoiar os dedos em seus joelhos. Os olhos verdes se fixaram na água sendo jorrada da fonte de pedra para evitar o contato com Melissa, mas sua entonação mostrava que ele não permitiria que ela se afastasse sem que eles tivessem aquela conversa.

- Podemos dar um passo para trás e conversar, Melissa? Sem joguinhos, sem agir como se não tivesse acontecido nada entre a gente.

Landon se inclinou para frente até apoiar os cotovelos em seus joelhos. O rosto ainda estava erguido para que ele olhasse para frente, sem desviar sua atenção da fonte. Seus dedos formigavam com a vontade de tocá-la e era doloroso pensar que há poucos dias os dois tinham total liberdade para procurar um ao outro, que gargalhavam juntos e agora sentavam lado a lado como dois completos estranhos.

- Eu sinto muito pelos seus pais, eu não fazia ideia.

Um pesado suspiro escapou pelos lábios dele e Landon ergueu uma das mãos para massagear a própria nuca em uma tentativa de diminuir a tensão que todo o seu corpo correspondia diante daquela situação.


- Em minha defesa, a última vez em que conversamos, você estava indo embora do castelo e me colocando no meu devido lugar.

Vanderwaal girou a cabeça, se arriscando para buscar os olhos azuis da menina, mas em uma covardia que não era compatível com o seu perfil grifinório, ele voltou a baixar os olhos imediatamente.


– Por que você decidiu ficar? O que mudou, Mel?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Jan 01, 2017 11:13 pm

O Salão Principal estava lotado naquela noite. As quatro mesas exibiam alunos famintos que devoravam o jantar daquela sexta-feira, exaustos depois de uma semana inteira de estudo. O céu acima deles estava salpicado por estrelas que se misturavam com as velas acesas nos enormes lustres. O banquete era farto como costumava ser nas datas especiais, embora aquela sexta-feira fosse um dia comum.

A mesa dos professores também estava cheia naquela noite, até mesmo Rubeus Hagrid havia espremido o seu enorme corpo em uma das cadeiras e devorava com vontade uma coxa de carneiro que certamente alimentaria dois ou três alunos. A única ausência no salão era a de Pomona Sprout, mas aquele detalhe não chamava muito a atenção porque, desde o desastre com Liam Mellish, a diretora da Lufa-Lufa andava mais tristonha e reclusa no castelo.

Embora as outras casas ainda lamentassem o incidente com o monitor-chefe da Lufa-Lufa, era notável que somente os lufanos permaneciam de luto. Os demais alunos conversavam durante o jantar, riam e se comportavam como adolescentes normais, mas o silêncio reinava na mesa sob a bandeira amarela mesmo depois de três longas semanas desde a partida de Mellish.

O silêncio da Lufa-Lufa foi repetido pelas outras três mesas quando Dumbledore se colocou de pé. O jantar já havia chegado ao fim, mas os jovens ainda esperavam pela sobremesa quando o diretor se posicionou em frente à mesa dos professores para um dos seus típicos discursos.

- Eu não sei se todos notaram, mas hoje tivemos um cardápio especial porque é um dia especial.

A voz serena de Albus ecoou pelo salão silencioso, fazendo com que vários alunos trocassem olhares confusos. Ninguém parecia saber sobre o que o diretor estava se referindo.

- Há exatos mil anos, os quatro fundadores de Hogwarts abriam as suas portas para a primeira turma de alunos deste castelo. É uma data muito singular que não poderíamos deixar que passasse em branco.

Palmas tímidas ecoaram pelo salão, mas Dumbledore continuou o seu discurso sem se abalar por aquela falta de entusiasmo.

- Os senhores são os felizardos que estão em Hogwarts neste aniversário milenar, e acho que concordarão comigo quando eu digo que temos que comemorar. Uma data tão especial merece uma comemoração histórica. Por isso, eu anuncio a todos que, em duas semanas, teremos um baile de gala para brindarmos aos mil anos de Hogwarts.

Desta vez, as palmas foram muito mais intensas. A ideia de uma grande baile agradou a maioria dos jovens e foi notável que várias meninas já começaram a cochichar em seus respectivos grupinhos de amigas sobre os vestidos que pretendiam usar e quais os convites que esperavam receber.

Somente a mesa da Lufa-Lufa permaneceu em silêncio. Mais do que isso, os lufanos encaravam Dumbledore com uma nítida decepção. Como o diretor podia dizer que todos tinham motivos para comemorar? O lugar vazio de Liam Mellish era a prova de que a Lufa-Lufa ainda estava de luto e não tinha nenhuma razão para aprovar uma grande festa que aconteceria enquanto seu monitor-chefe amargava uma internação no St. Mungus graças à falta de segurança do castelo.

Ao notar aquelas expressões pouco amigáveis, Dumbledore se virou justamente para a mesa dos lufanos ao completar.

- Creio eu que esta festa terá um sabor ainda mais especial para a Lufa-Lufa. Aliás, foi pensando nos senhores que eu decidi oferecer este baile.

- Não viremos. – a voz de Mia Blake ecoou pelo salão silencioso, mas a menina não pareceu nem meramente intimidada com todos os olhos se virando na direção dela – Não temos nenhuma razão para comemorar. Este baile ridículo é uma afronta à memória do Liam.

- Liam Mellish não gostaria de ser o motivo pelo qual abrimos mão de uma festa, Srta. Blake. Eu tenho certeza disso porque foi o próprio Mellish quem me falou que este baile é uma excelente ideia.

Alguns olhares confusos foram trocados na mesa da Lufa-Lufa, mas Mia acabou concluindo que aquele baile já estava sendo planejado há mais tempo e que Dumbledore havia pedido a opinião dos monitores-chefes. Aquilo, portanto, não mudava o posicionamento dela sobre a comemoração.

- Ele provavelmente não sabia que estaria no St. Mungus enquanto o resto do castelo se divertia como se nada tivesse acontecido. Se o Liam não pode vir, nenhum lufano virá.

- E quem disse que o Liam não poderá vir ao baile?

A voz da Professora Sprout soou da porta central, que ela havia acabado de abrir. A roliça professora de Herbologia usava uma capa de viagem por cima de seu vestido amarelo que a deixava ainda menos discreta que o normal, mas o detalhe que mais se destacava em sua aparência era o amplo sorriso iluminando o rosto gorducho. Nos últimos dias, Pomona vivia tristonha e chorosa pelo castelo, mas naquela noite ela estava radiante.

Sprout esperou que todas as cabeças se virassem em sua direção para continuar o discurso, desta vez voltada para a mesa da Lufa-Lufa.

- Tentem se controlar, nada de exaltações! Eu sei que todos estão muito felizes, mas o Liam ainda precisa de alguns cuidados.

Incapaz de prolongar aquela surpresa por mais um segundo, Pomona abriu mais as portas do Salão Principal para que todos vissem que ela não estava sozinha. A exclamação foi geral, mas foi da mesa da Lufa-Lufa que vieram os primeiros gritos animados quando Liam Mellish entrou no campo de visão dos colegas. A professora de Herbologia ainda repetiu o pedido para que seus alunos se contivessem, mas ela foi lindamente atropelada por uma manada de lufanos que se agarraram ao colega.

Mesmo no meio de toda aquela confusão, era notável que o monitor-chefe estava bem. Os olhos castanhos voltaram a exibir o típico brilho de vida e ele abriu um sorriso amplo enquanto era abraçado pelos colegas. Liam parecia ligeiramente mais magro e um pouco abatido, mas definitivamente estava muito melhor que o vegetal que deixara Hogwarts há quase um mês.

Por baixo da capa de viagem, Mellish já usava o uniforme da Lufa-Lufa e o seu visual ficou ainda mais completo quando um primeiranista lhe entregou o distintivo de monitor-chefe. As palmas ecoaram fortes pelo Salão Principal quando Liam prendeu o distintivo no peito, e desta vez nenhuma das casas conseguiu uma reação mais animada que a dos lufanos.

Todos ainda tentavam acreditar naquela maravilhosa surpresa quando Mia Blake abriu espaço entre os colegas e se colocou diante do amigo. Lágrimas emocionadas se misturavam a uma expressão de culpa, e tudo que Mia desejava quando abraçou Mellish era que o amigo fosse nobre o suficiente para perdoá-la pelo erro cometido por ela.

- Eu lamento muito. Você não imagina o quanto eu sofri, o quanto eu queria voltar no tempo para mudar as coisas. Eu sei que é pedir demais, mas espero que algum dia você me perdoe, chefe.

- Mia...? – Liam sussurrou enquanto a amiga soluçava em seu ombro – Está tudo bem, fique calma.

Mellish se afastou apenas o suficiente para encarar o rosto de Blake. Todos que assistiam aquela cena esperavam por uma simples reconciliação entre bons amigos, portanto novas exclamações surgiram quando Liam segurou o rosto de Mia delicadamente em suas mãos e uniu seus lábios aos dela.

A surpresa manteve Mia petrificada por dois segundos, mas logo a própria Blake se afastou com os olhos arregalados. Ela lançou um olhar rápido e constrangido para a mesa da Corvinal antes de encarar novamente o amigo e sussurrar, meio desesperada.

- O que está fazendo???

- Te beijando. – Liam abriu um sorriso tranquilo – Você não disse que deveríamos assumir logo que isso é um namoro?

Os olhos de Mia se mantiveram saltados enquanto ela olhava de Mellish para a professora. Pomona Sprout abriu um sorriso tenso e ajeitou os cabelos de Liam com uma carícia enquanto explicava da forma mais gentil possível.

- Os curandeiros disseram que a memória do Liam foi um pouquinho danificada durante o tratamento, mas tenho certeza que logo tudo estará esclarecido. Agora todos de volta para a mesa, parece que chegamos a tempo da sobremesa, querido!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Jan 01, 2017 11:46 pm

Contrariando todas as expectativas, Melissa não tentou fugir daquela delicada conversa. A novata se manteve sentada no banco e fechou o livro que folheava antes da chegada de Landon. Trato das Criaturas Mágicas não parecia ser um dos temas preferidos de Zummach, mas a capa gasta do exemplar era um sinal de que a menina vinha dedicando algum tempo à matéria nos últimos dias.

Naquela tarde, o uniforme da Corvinal já estava um pouco amassado depois de um dia inteiro de aulas, mas Melissa nunca havia demonstrado tanta preocupação com a própria vaidade. Os cabelos castanhos estavam soltos e caíam em ondas perfeitas por seus ombros, minimizando um pouco o impacto das roupas amarrotadas.

Ao contrário de Landon, Melissa manteve os olhos fixos no rapaz, sem nenhum constrangimento. Apesar do semblante sério, Zummach não dava nenhum sinal de que estava prestes a explodir e a transformar aquela conversa em uma continuação da briga de dias atrás.

- Liam Mellish.

A resposta de Melissa foi imediata, embora um tanto sem sentido. É claro que todos os alunos ficaram sensibilizados com a tragédia do lufano, mas Zummach não tinha razões para provocar uma reviravolta na própria vida por causa de um colega com quem ela não tinha a menor proximidade.

A explicação para aquela aparente contradição veio a seguir. Enquanto narrava a sua versão da história, Melissa manteve a atenção fixa em Landon, atenta a todas as reações do monitor-chefe da Grifinória.

- Eu estava empurrando o meu malão para fora do Salão Comunal quando o Victorio apareceu e me contou que o Mellish estava desaparecido. Eu não precisava de mais detalhes para entender que as notícias não eram boas. Hogwarts é um lugar seguro, se alguém sumiu aqui dentro é porque algo muito sério aconteceu.

Ao invés de se sentir constrangida com aquela confissão, Zummach simplesmente deixou que seu coração se abrisse. Era preciso que Landon compreendesse o tamanho do seu sacrifício para que não restassem dúvidas de que a atitude dele fora imperdoável.

- Então eu percebi que eu não podia partir. Eu mal conhecia o Liam, mas eu conhecia a Clementine. E conhecia você. A minha melhor amiga é apaixonada pelo Mellish e vocês dois são como irmãos. Eu não tive coragem de ir embora justamente no momento em que vocês dois mais precisariam de apoio.

Pela primeira vez desde o começo daquela conversa franca, um sorriso irônico surgiu nos lábios de Melissa. Os olhos dela refletiam a decepção que o seu orgulho não permitia que a menina demonstrasse de outra maneira.

- Eu percebi que você já tinha encontrado apoio com outra garota, mesmo antes que a nossa discussão completasse vinte e quatro horas. Mas ainda assim eu não me arrependo por ter ficado. A Cleo realmente precisava de mim e a amizade dela vale muito mais que todo este sacrifício.

Ficou claro que Melissa não estava atrás de um pedido de desculpas ou de explicações quando a novata deslizou para fora do banco. O livro foi apoiado junto ao seu peito enquanto Zummach puxava a alça da mochila vermelha para o ombro. Uma brisa suave atingiu o jardim e levou o perfume de maçã verde até as narinas de Vanderwaal enquanto Melissa colocava um fim naquela conversa.

- Precisávamos ter esta conversa, eu concordo. Mas agora que tudo está esclarecido eu quero você fora do meu caminho, Vanderwaal. Não vou agir como se nunca tivesse acontecido nada entre a gente. A verdade é que houve, mas acabou.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jan 01, 2017 11:55 pm

Assim como a maioria das meninas espalhadas pelo salão, Sara e Lorelai trocaram risinhos e imediatamente se inclinaram para se aproximar enquanto especulavam sobre a novidade de um baile em Hogwarts.

Desde a revelação do envolvimento de Clementine com o irmão de Cristopher, por mais que tentassem compreender o que DiLaurentis passava, foi inevitável que o relacionamento das três ficasse estremecido. Embora a amizade ainda existisse, era notável como as duas loiras estavam muito mais unidas, enquanto a amizade de Clementine crescia com Melissa.

Elas não pareceram nem meramente constrangidas por fazerem planos de um baile que, assim como os lufanos, Clementine enxergava como uma afronta com a situação de Liam. No fundo, a corvinal sabia que não era justo pedir que todo o mundo parasse de viver porque ela estava ferida, mas ainda assim, lá estava a pontada de inveja. Clementine queria poder estar recebendo aquela notícia de forma tão leve quanto as duas colegas, mas se sentia ainda mais infeliz por não ter Liam ao seu lado.

A declaração de Mia sobre a posição dos lufanos diante daquele baile não foi recebida com surpresa por Clementine, e de seu lugar, ela assentiu com a cabeça, concordando com a posição de Blake. Depois de toda a discussão envolvida entre as duas, a dor compartilhada com a situação de Mellish havia, de alguma forma, unido as meninas de personalidades tão distintas.

Clementine e Mia jamais seriam amigas ou confidentes, mas era impossível ignorar aquele sentimento mútuo de que apenas as duas compreendiam o que era aquela dor. Ambas se sentiam culpadas por suas participações no desfecho dos irmãos Rookwood e Mellish, e ambas sentiam uma dolorosa saudade de Liam.

Quando a estranha conversa a respeito do ausente lufano começou a acontecer no salão, DiLaurentis correu seu olhar para a mesa da Grifinória. Sem surpresa alguma, ela encontrou Landon Vanderwaal a encarando fixamente, como se já soubesse onde aquela cena terminaria.

A loira chegou a franzir as sobrancelhas em indagação, exigindo uma explicação do monitor, mesmo com a distância das duas mesas. Landon era sua principal fonte de informações a respeito de Mellish, e se havia algo novo no quadro de saúde de seu primo, ele teria a obrigação de lhe contar.

As portas finalmente se escancararam e o rosto de Liam entrou em seu campo de visão. Clementine sentiu seu estômago afundar como se estivesse despencando de uma alta montanha-russa. O choque fez com que ela congelasse em seu lugar, os olhos azuis arregalados e fixos no rosto que ela jurava que existiria apenas em sua lembrança.

O ruído dos lufanos já enchia todo o salão, para provar a DiLaurentis de que ela não estava delirando ou sonhando. Era real. Liam estava bem ali, com todos os sentidos de volta, sem lembrar em nada o estado vegetativo que deixara o castelo.

Clementine até poderia se sentir traída por Landon não ter compartilhado aquela imensa e feliz novidade, mas sua mente foi incapaz até mesmo de cogitar que o primo de Liam queria apenas lhe fazer uma surpresa.

Não importava se Landon escolhera por vontade própria ou não contar aquela novidade. Até mesmo o sofrimento daquelas últimas semanas não importava mais. Ela vinha tentando se conformar com o fato de que a vida de Liam havia chegado ao fim e agora estava diante de um milagre. Era tolice criar inquéritos diante de um milagre.

Finalmente saindo do seu estado de choque, os lábios de Clementine se curvaram em um sorriso que não iluminava o seu rosto desde a última noite na torre de Adivinhação. Os olhos azuis brilharam com tanta intensidade, mostrando a todos ao seu redor que ela ainda estava viva. O coração de Clementine saltitava contra o seu peito e ela não se importou quando derrubou uma taça de suco de abóbora ao se arrastar para fora da mesa da Corvinal.

- Clementine!!!

A voz de Landon soou as suas costas, abafada pela euforia dos lufanos. Mas Clementine não parou enquanto seus pés se chocavam apressados contra o piso de pedra, correndo na direção de Liam.

- Clementine!!!

Landon chamou, mais perto desta vez. Os dedos dele rodearam seu pulso, obrigando a menina a interromper sua corrida ainda no meio do salão. Eles estavam há poucos metros de distância da algazarra protagonizada pelos lufanos, mas Clementine não estaria satisfeita enquanto não chegasse até Mellish.

- O que foi??? – Ela bufou em frustração, fuzilando o grifinório com o olhar.

Toda a atenção estava voltada para o recém-chegado na entrada do salão e apenas as cabeças mais próximas de Clementine e Landon conseguiam escutar o que os dois falavam. A loira tentou puxar mais uma vez o seu pulso para se soltar e girou a cabeça, tentando encontrar Liam em meio ao mar de lufanos para pedir ajuda.

A felicidade que inundava Clementine foi bloqueada como um balde de água congelante caindo em sua cabeça. O sorriso em seus lábios morreu e ela sentiu seu peito afundar quando protagonizou o beijo de Mellish e Blake. Embora tudo parecesse tão real, a única explicação para aquela cena era que estava acontecendo apenas em sua cabeça, como um terrível pesadelo.

Landon soltou um suspiro pesado ao perceber que já era tarde demais, mas ainda assim sabia que precisava dar à loira as explicações que ela merecia.

- Ele não se lembra de tudo. Os curandeiros precisaram mexer na memória dele...

DiLaurentis voltou seu olhar para Vanderwaal, a boca aberta em horror como se ele tivesse acabado de falar uma obscenidade.

- Sinto muito, Clementine. Mas pelo menos ele está de volta.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Seg Jan 02, 2017 12:42 am

- De que você se lembra?

A pergunta cuidadosa de Mia Blake soou quando somente ela e Liam estavam no Salão Comunal da Lufa-Lufa. Os lufanos fizeram uma grande festinha particular em comemoração ao retorno do monitor-chefe, então já era tarde da madrugada quando Mia finalmente conseguiu ficar a sós com o melhor amigo.

Largado confortavelmente num dos puffs amarelos do salão, Mellish tomou o restinho de suco de abóbora que restava em seu copo. Os olhos castanhos já estavam sonolentos, mas ainda assim Liam não tentou fugir daquela conversa.

- De nada. Meus tios me disseram que eu me meti em uma briga com o Cristopher, que desta vez ele exagerou e me machucou de verdade. Eu devo ter batido a cabeça, sei lá. Não me lembro de nada que aconteceu nesse dia.

A explicação tão superficial de Liam fez com que a menina arqueasse as sobrancelhas. O monitor-chefe da Lufa-Lufa não mencionara sequer a Maldição Cruciatus como a responsável por suas lesões. Era como se Mellish tivesse sido cuidadosamente poupado dos detalhes mais podres da história, e Blake concluiu que não cabia a ela resgatar aquelas lembranças chocantes da mente dele.

- Mas e antes disso? Você se lembra de mais alguma coisa...? Por que você e o Rookwood brigaram?

É claro que Mia estava se referindo ao relacionamento proibido com Clementine DiLaurentis, mas a resposta de Liam deixou claro que a corvinal também fazia parte das lembranças que tinham sido apagadas de sua memória.

- Pelos motivos de sempre, oras. Desde quando o Cristopher precisava de novas razões para me importunar?

- Liam, você não se lembra que nós terminamos? – Mia encarou o melhor amigo com expectativa, mas escolhendo com cuidado cada uma de suas palavras – Alguns dias antes do Rookwood te atacar, você me disse que preferiria que fôssemos só amigos de novo.

O semblante confuso de Mellish indicava que o rapaz não se lembrava daquela cena. Na cabeça dele, Mia Blake ainda era uma excelente amiga de quem ele estava se aproximando mais na esperança que um novo sentimento pudesse surgir. Mas a declaração de Mia explicava a surpresa dela ao receber aquele beijo no Salão Principal.

- Sério? Eu não me lembro. – um sorriso sem graça surgiu nos lábios de Liam, mas ele tentou aliviar o constrangimento com uma piadinha – Isso explica a sua cara quando eu te beijei. Achei que estava arrasando na iniciativa.

O riso suave de Mia ecoou pelo Salão Comunal e ela se inclinou para abraçar o amigo. Embora as coisas estivessem confusas entre os dois, Blake não conseguiria descrever a sua felicidade em tê-lo de volta. A recuperação de Mellish amenizava a culpa sufocante que a menina sentia e, embora Liam ainda parecesse frágil e desmemoriado, ainda era muito melhor vê-lo assim do que imaginá-lo no hospital, em estado vegetativo.

- Independente se somos amigos ou mais que amigos, eu gostaria que você fosse ao tal baile comigo, Mia.

Aquele convite teria feito Blake se derreter há algumas semanas, mas agora a lufana se sentia suja com a sensação de que estava se aproveitando da memória danificada do melhor amigo. Mia sabia que Liam amava Clementine e que a loira da Corvinal seria a sua escolha se a Cruciatus não tivesse arrancado de sua memória aquelas lembranças tão importantes.

- Eu acho que você deveria convidar uma garota de verdade, chefinho. A garota de quem você gosta. – Mia sussurrou diante do olhar confuso do amigo – A DiLaurentis.

Depois de dois segundos sem reação, os lábios de Liam se curvaram num sorriso irônico e amargo. Na mente dele, Clementine DiLaurentis ainda era apenas a namorada de Cristopher que nem sabia de sua existência e que nunca sequer percebera o quanto o lufano gostava dela.

- Com certeza. Ela deve ter se tornado a minha fã número um agora que, por minha culpa, o namoradinho dela foi expulso de Hogwarts. Que ideia, Mia! Logo você me fazendo esta sugestão idiota!

- Apenas pense nisso, chefe. – Mia decidiu ser cuidadosa por medo de que a verdade sobre Clementine trouxesse à tona também as lembranças torturantes que abalaram tanto a mente do amigo – Agora vá dormir, você está com uma cara péssima!

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Nas primeiras horas da manhã seguinte, uma conversa bem semelhante àquela se repetiu, desta vez no escritório de Albus Dumbledore. O velho diretor usava excêntricas vestes lilás quando recebeu Clementine DiLaurentis em sua sala. A corvinal recebeu uma xícara de chá e Dumbledore deixou o seu pote de acidinhas ao alcance da loira antes de iniciar aquela delicada conversa.

- Eu escrevi uma carta ao St. Mungus ontem à noite, narrando o episódio do Salão Principal aos curandeiros. Meu medo era que aquela recaída pudesse significar que o Sr. Mellish ainda precisaria de cuidados especializados, mas a equipe do Mungus me garantiu que não há muito o que fazer.

Era estranho que Albus tivesse chamado por Clementine e não pelos tios ou pelo primo de Liam, mas Dumbledore sabia muito bem que era a loira que precisava de explicações. Os Vanderwaal estavam felizes porque, para eles, Liam Mellish estava de volta em seu perfeito estado mental. Somente DiLaurentis sentia o peso das lembranças ausentes na mente do rapaz.

- O Sr. Mellish teve muita sorte, geralmente os efeitos da Maldição Cruciatus são permanentes. Mas o fato do Sr. Rookwood nunca ter sido um gênio com a varinha em mãos colaborou positivamente para o árduo trabalho dos curandeiros. Segundo eles, tudo o que precisaram fazer foi modificar a memória do Sr. Mellish para que ele se esquecesse das horas de tortura.

O diretor fez uma pequena pausa e observou a reação de Clementine enquanto ajeitava os óculos que tinham escorregado para a ponta do seu nariz afilado. Só depois disso, Albus completou com uma entonação de pesar.

- O problema é que, pelo que me parece, o Sr. Mellish usou as lembranças felizes ao seu lado para suportar a tortura. Como as memórias estavam unidas, a senhorita também foi apagada da mente dele neste procedimento, Srta. DiLaurentis. Ele não se lembra de nada que viveu ao seu lado.

Mais uma vez, Dumbledore deu um tempo para que Clementine digerisse aquela terrível novidade antes de continuar o seu relato.

- Os curandeiros me disseram que é arriscado contar a verdade a ele. Como as lembranças se misturaram, se tentarmos resgatar a senhorita do fundo da memória dele, podemos trazer também as lembranças da tortura que o deixaram naquele estado lamentável. Eu sinto muito, mas terei que pedir à senhorita que não conte a verdade ao Sr. Mellish.

Embora aquele fosse um pedido muito injusto e dolorido, Albus quis deixar muito claro que não estava sugerindo que DiLaurentis abrisse mão do seu amor por Liam. Os dedos compridos do diretor mergulharam no pote de acidinhas e, assim como Melissa, Dumbledore parecia se deliciar enquanto mastigava o doce ácido.

- A boa notícia é que me garantiram que a memória danificada do Sr. Mellish não altera em nada os sentimentos dele. Portanto, o baile é uma excelente oportunidade para que vocês dois comecem a reescrever uma linda história.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Jan 02, 2017 1:07 am

Mesmo depois que Melissa se levantou, Landon permaneceu sentado, estático e incapaz de digerir aquela conversa. Sua perna começou a balançar inquietamente enquanto ele tentava processar tudo que havia acontecido naquele curto período de tempo, desde a última vez que os dois haviam conversado nos jardins de Hogwarts.

Com um nó na garganta, ele se lembrou de como havia ido parar na sala da monitoria com Felicity em seus braços, na desesperada tentativa de não se sentir mais tão humilhado pelas palavras que Zummach havia lhe dirigido.

Ela havia sido a primeira menina por quem ele se apaixonara, e quebrara seu coração ao dizer com todas as letras que o que os dois tinham não era significativo o bastante para que ela pensasse em continuar no castelo. Seu orgulho ferido lhe empurrou na direção das escolhas erradas, mas até então, ele acreditava que Melissa não se importava de verdade com ele.

Ouvir da boca dela que, no final das contas, havia sido por ele que ela enfrentara a família era ao mesmo tempo surpreendente e admirador. Era impossível ignorar a pontinha de felicidade em saber que Melissa não só se importava com ele, como havia enfrentado os pais para estar ao seu lado. Mas aquilo também significava que Landon havia colocado tudo a perder por um impulso tolo.

Saber que os Zummach lhe viraram as costas e que Melissa estava agora sozinha no mundo fazia seu coração se espremer e uma intensa necessidade de cuidar dela surgia em seus instintos. Mas o orgulho dela jamais permitiria que os dois passassem por cima de seus erros para retomarem o que tinha antes.

- Eu ainda preciso de você, Mel...

As palavras escaparam de seus lábios como se tivessem vida própria. O silêncio que se seguiu era cortante. Os olhos claros encaravam os próprios pés inquietos, com uma sombra que cobria todo o seu rosto até que ele tivesse coragem de erguê-los para encarar a corvinal.

Sua testa estava franzida e seu olhar suplicante como de um bichinho perdido pousou nas íris azuladas de Zummach. O lábio inferior de Landon tremeu quando ele se preparou para continuar o discurso, mas desistiu no meio do caminho.

Por mais que assumisse a sua parcela de culpa em toda aquela história, Vanderwaal ainda não estava pronto para baixar a guarda por completo. Melissa era extremamente orgulhosa e tinha uma personalidade difícil, mas Landon começava a ter a sensação de que era sempre ele quem precisava ceder para que as coisas funcionassem.

Melissa havia feito um grande sacrifício em se voltar contra sua família para estar ao seu lado. Mas grandes gestos de nada adiantavam se ela não estivesse disposta a abrir seu coração para ele e também aceitasse seus erros.

- Eu ainda quero continuar ao seu lado, e eu jamais teria ficado com a Felicity se você não tivesse terminado as coisas comigo antes.

As pernas de Landon se esticaram quando ele se colocou de pé, ficando mais de um palmo acima de Melissa. As mãos voltaram a ser guardadas dentro do bolso e desta vez os olhos verdes não ousaram despregar das íris claras da menina.

- Então não tente colocar a culpa só em mim. Não importa quanto tempo eu levei até encontrar outra garota, o que importa é que você já tinha encerrado tudo entre nós dois antes disso.

Vanderwaal ergueu uma das mãos, retirando-a de dentro do bolso para apontar a palma para o teto, diante dos olhos de Melissa para gesticular enquanto concluída.

- Eu só te pedi um tempo, mas nem isso você foi capaz de me dar.
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Remus J. Lupin

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