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Mensagem por Melissa Zummach em Sex Dez 09, 2016 1:14 am

Nem mesmo os bruxos mais experientes estavam livres de acidentes. Até um excelente feiticeiro estava sujeito a um momento de descuido ou à perda de controle de uma magia mais elaborada. Pequenos tropeços normalmente aconteciam com todos os bruxos e é claro que o Ministério da Magia tinha preocupações muito maiores do que feitiços que davam errado. A questão é que, daquela vez, tinha sido impossível ignorar o erro.

Trouxas tinham se machucado e várias memórias tiveram que ser apagadas para que o mundo da magia continuasse no anonimato. E o agravante que fez com que o caso terminasse em um dos tribunais do Ministério da Magia inglês era o fato de que o bruxo que realizara o feitiço era menor de idade, e não estava sob os cuidados da Escola da Magia e Bruxaria de Hogwarts.

No começo, Alfred Zummach imaginou que a sua família receberia somente uma advertência do Departamento de Execução das Leis da Magia por aquele acidente lamentável. Por isso, a sua surpresa foi indescritível quando um dos guardas do Ministério o guiou até um dos tribunais localizados no andar subterrâneo do prédio. O elevador transitou em diferentes direções em alta velocidade e o rosto de Alfred já estava pálido pelo enjoo quando o resto de sangue fugiu de sua cabeça quando ele e a filha finalmente chegaram ao destino final.


O salão estava abarrotado de bruxos. O Ministro da Magia em pessoa ocupava o centro da sala, sentado um patamar acima dos demais. Uma pequena cadeira estava localizada no centro do círculo e foi indicada para a jovem Srta. Zummach. Compreensivelmente, a garota arregalou os olhos azuis e dirigiu um olhar aflito para o pai, procurando desesperadamente pelo apoio de Alfred.

- A Suprema Corte do Ministério da Magia foi convocada para tratar de um caso de magia adolescente?

Zummach adiantou-se um passo, colocando-se protetoramente na frente da filha. Era óbvio que nem mesmo todo aquele circo o intimidava. Alfred era um homem ainda jovem, no máximo com seus quarenta anos. Os cabelos escuros estavam ralos e as entradas nas têmporas mostravam que, em breve, ele exibiria uma cabeça calva. O bigode fino não escondia o formato dos seus lábios que, assim como os da filha, eram grossos e formavam um biquinho.

- O senhor sabe que o caso é bem mais complicado que uma simples travessura, Sr. Zummach. – uma das assessoras sentada à direita do ministro ponderou racionalmente – Pessoas se machucaram, nosso segredo foi exposto.

- Ferimentos leves que foram tratados com um toque de varinha! – Alfred novamente se exaltou, dirigindo agora a sua atenção à mulher que falara – Eu não acredito que a minha filha será julgada como uma criminosa! O Ministério da Magia está há um passo de enfrentar uma guerra de proporções planetárias e vai perder tempo com isso??? É por isso que os tais Comensais da Morte estão vencendo todas as batalhas.

- É exatamente por estarmos com problemas muito maiores que não podemos perder tempo com bobagens, Sr. Zummach! – a mulher novamente tomou a frente, deixando o ministro sem palavras – Os aurores estão muito ocupados e não podem deixar de lado as missões da guerra para limpar a sujeira da sua família! A Suprema Corte foi convocada porque isso precisa parar. É o fim do nosso acordo, Sr. Zummach.

Por longos segundos, Alfred ficou petrificado em seu lugar, sem acreditar que aquilo estava acontecendo. Os olhos castanhos buscaram pela imagem da filha antes de se voltarem novamente para o tribunal. Desta vez, a entonação mais respeitosa indicava que o homem estava disposto a ceder em troca de um acordo.

- A minha família nunca causou problemas antes deste acidente. Eu lamento por tudo o que houve e apresento aqui a minha promessa de que isso nunca irá se repetir.

- Aceitamos as suas desculpas, mas isso não muda a nossa decisão. O assunto só será esquecido se a Srta. Zummach foi devidamente matriculada em Hogwarts para que aprenda a controlar a própria magia.

- NUNCA! NÃO ENQUANTO AQUELE CRÁPULA ESTIVER NO CASTELO!

A exaltação de Alfred fez com que alguns membros da Suprema Corte se entreolhassem com surpresa. Albus Dumbledore não era exatamente um herói popular dentro de alguns departamentos do Ministério da Magia, mas nem mesmo as pessoas que não gostavam muito dele teriam coragem de manifestar uma repulsão tão gritante contra o diretor de Hogwarts.

A desaprovação da família Zummach ao velho bruxo já tinha décadas de existência. Não era um segredo para ninguém que, desde que Dumbledore ingressara no castelo de Hogwarts – inicialmente como professor e agora como diretor – nenhum Zummach pisara nos terrenos da escola. O próprio Alfred havia aprendido tudo o que sabia sobre magia com os pais e com tutores que iam até a sua casa. Também foi assim com seus irmãos, seu pai e seus tios.

O início daquela briga já havia completado cinquenta anos, mas nem mesmo o passar das décadas amenizou o ódio contra Dumbledore, passado de geração a geração. Tudo começou com a trágica morte do avô de Alfred. Octavius Zummach e sua esposa foram covardemente assassinados por Grindewald e nunca ficou provado o envolvimento direto de Albus, mas a fofoca que circulou por Londres naquela época dizia que fora Dumbledore que dera ao velho amigo a localização do esconderijo de Octavius.

A situação ficou tão delicada entre eles que os Zummach se retiraram de Hogwarts no instante em que souberam da contratação do novo professor. O ministério tentou interferir, mas por fim foi fechado o acordo de que as crianças Zummach receberiam o seu treinamento em magia fora do castelo. Muitos anos se passaram sem que nenhum problema trouxesse aquela questão à tona novamente, mas o “acidente” causado por Melissa Zummach foi grave o suficiente para que o Ministério da Magia decidisse colocar um fim naquele trato.

- A escola de Hogwarts é reconhecidamente uma das melhores escolas de magia de todo o mundo. Provavelmente a melhor. – o ministro respirou fundo, tentando enxergar a menina parcialmente oculta pelo corpo do pai – Lá a senhorita vai aprender não apenas a controlar a magia, como também a dominar técnicas muito mais apuradas. Vai conviver com jovens da sua idade. Terá uma vida normal.

- Ela não vai.

A voz de Alfred soou baixa, mas firme. Estava claro que aquela era a sua palavra final e que não haveria nenhum acordo que terminasse com Melissa sob o teto de Hogwarts, tão próxima do traidor que quase destruíra a família Zummach.

- Na ausência de um acordo, o senhor terá que enfrentar a punição, Sr. Zummach. Afinal, a sua filha é menor de idade e, como não frequenta Hogwarts, a responsabilidade pelo o que ela faz é toda sua.

- Que seja, Ministro.

Quando ouviu a palavra punição, Alfred imaginou que o Ministro da Magia estava se referindo a uma multa generosa, ou talvez algumas semanas de trabalho forçado em algum setor desgastante do ministério. Por isso, o queixo do homem despencou quando o ministro acertou sua mesa com um martelo, entoando a sentença.

- Condeno o Sr. Alfred Zummach a cinquenta anos de prisão em Azkaban.

- O queeee?

Pela primeira vez, a voz de Melissa Zummach ecoou pelo silêncio que se instalou no tribunal. Alfred estava tão chocado com aquela punição rigorosa que continuou petrificado enquanto a filha se desvencilhava do corpo dele, colocando-se à frente da Suprema Corte dos Bruxos.

Era difícil acreditar que aquela menina fora capaz de causar um estrago tão grande. Além da pouca idade, Melissa era absurdamente delicada. A garota não era exatamente baixinha, mas tinha vários centímetros a menos que o pai paralisado atrás dela. Os cabelos castanhos estavam presos em uma trança lateral e os olhos azuis arregalados não escondiam o pavor que ela sentia com a ideia de ver o pai apodrecer em Azkaban por sua culpa. O lábio superior parecia ainda mais volumoso graças aos incisivos discretamente mais proeminentes, mas aquele era um detalhe que só contribuía positivamente para o seu sorriso de menina.

- Não podem prender o meu pai!!! Eu executei o feitiço, a culpa é minha!

- A senhorita não pode ser responsabilizada porque é menor de idade e não está matriculada em Hogwarts. A sua família assumiu os riscos desta forma incomum de educação, então é justo que a punição seja aplicada ao Sr. Zummach. A sua varinha será tomada e ele será encaminhado a Azkaban. – o ministro se voltou para o mesmo guarda que levara Alfred e Melissa até o tribunal – Convoque os dementadores.

- Não!

Contrariando toda a formalidade daquele julgamento, Melissa deu mais alguns passos a frente até ficar diante do Ministro da Magia. Era gritante a oposição das imagens quando o homem velho e poderoso se via diante de uma garotinha vestida com uma saia preta, uma camisa de botões branca, sapatilhas coloridas e um meião até os joelhos.

- Eu irei para Hogwarts.

- O que? – Alfred finalmente se mexeu, despertando daquele estado de choque – De jeito nenhum! É isso que eles querem! Ninguém aqui tem o direito de me mandar para a prisão, eles estão burlando a lei para te obrigar a fazer isso, Melissa!

A voz do pai não fez com que Melissa tirasse os olhos do Ministro da Magia. Ignorando por completo a opinião do Sr. Zummach, a garota completou com uma entonação derrotada, mas decidida.

- Eu aceito o acordo, irei para Hogwarts desde que meu pai seja inocentado.

- Eu não dou autorização!!! Eu prefiro apodrecer em Azkaban.

Aquele julgamento se transformou em uma briga interna da família Zummach, mas Melissa tinha um argumento contra o qual o pai não poderia lutar. Os olhos azuis buscaram pela assessora do ministro e, quando ponderou, Melissa sabia que poderia contar com o apoio da mulher.

- Eu recebi a carta quando completei onze anos, então existe uma vaga para mim. A carta foi endereçada com o meu nome, então imagino que a decisão final de ir para Hogwarts seja minha.

- Exatamente. – a mulher conteve um sorriso, já notando aonde a menina chegaria.

- Eu irei. Estarei no Expresso Hogwarts na próxima semana.

Na cabeça de Melissa, não havia outra saída. Assim como o resto da família, ela desprezava Dumbledore e preferiria não pisar no castelo de Hogwarts enquanto o assassino de seu avô estivesse na direção da escola. Por outro lado, era inadmissível que Alfred pagasse tão caro por um erro da filha. Seria muito mais justo que Melissa fosse “condenada” a alguns poucos anos em Hogwarts ao invés de ver seu pai apodrecendo em uma cela imunda de Azkaban.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Dez 10, 2016 9:14 pm

O sacolejar do trem era constante, e apesar de ter passado quase todo o dia sentada naquela mesma cabine, Clementine DiLaurentis se sentia cada vez mais confortável. As pálpebras pesavam e as letras a sua frente começavam a embaralhar e seria questão de tempo até que ela se entregasse ao sono.

Com a testa apoiada contra o vidro, a temperatura fria do lado de fora alcançava sua pele e minimizava o calor que começara a fazer depois de se enfiar nas vestes da Corvinal. A chuva caía em gotas grossas e parecia piorar quanto mais se aproximavam do castelo, fazendo-a se sentir grata por não ser uma primeiranista a enfrentar a rota final em um barquinho pelo lago. Já seria ruim o bastante se espremer em uma carruagem.

Um suspiro escapou pelos lábios de Clementine e ela finalmente se rendeu, permitindo que as pálpebras cobrissem os olhos azuis. Aquele descanso pode ter sido por quase uma hora ou apenas alguns segundos, mas ela não soube dizer quando foi bruscamente despertada pela voz ao seu lado.

- Clementine!!! Estou falando com você.

Os olhos claros foram novamente revelados e a menina girou a cabeça para encarar a figura loira ao seu lado. O menininho de onze anos tinha exatamente os mesmos olhos azuis que a irmã mais velha. Algumas pequenas sardas se espalhavam pelo seu nariz e bochecha e os cabelos loiros eram extremamente lisos, cobrindo sua testa.

- Não precisa gritar, Gael. Estou bem ao seu lado.

Como se não tivesse acabado de cochilar em meio a uma conversa, Clementine fechou o semblante em uma expressão emburrada e fechou o livro em seu colo, lançando um breve olhar para o rapaz a sua frente.

Cristopher tinha um sorriso torto em seus lábios, parecendo se divertir com a cena a sua frente. Seus ombros balançavam suavemente, no ritmo do trem, e ele tinha os braços cruzados contra o peito, escondendo parcialmente a cobra verde e prata em seu peito.

- Você estava lendo enquanto eu falava. E depois dormiu! Você sempre me ignora!

A birra do menino poderia ter algum fundo de verdade. Desde que entrara para Hogwarts, Clementine só tinha tempo para ver a família durante as férias. E ainda assim, desperdiçou todo o seu verão na companhia de Cristopher, acompanhando ele e os pais em uma viagem para o Egito.

Aquela era a primeira vez que o caçula dos DiLaurentis entrava no Expresso de Hogwars e contava com o mínimo de apoio da irmã, mas Clementine parecia completamente desinteressada em ser a guia do irmão. Além das suas tarefas que já ocupavam todo o seu tempo, ela precisaria administrar os NOMs com o namoro que havia iniciado no ano anterior.

- Se sou tão chata assim, por que você não foi sentar em outra cabine? – Clementine desafiou, fazendo o bico de Gael aumentar.

- E correr o risco de acabar conversando com algum lufano? Não, obrigado.

O garotinho cuspia aquelas palavras com nojo, mostrando o preconceito que já era ensinado desde o berço para os DiLaurentis. Com uma das sobrancelhas claras erguida, ele lançou um demorado olhar para a irmã antes de completar acidamente.

- Já me basta você de Corvinal. Não preciso piorar minha imagem antes mesmo de pisar em Hogwarts.

Aquele era o tipo de comentário que poderia ter tirado o chão de Clementine em seu primeiro ano. Para os DiLaurentis, havia sido um choque que algum membro de sua família não tivesse caído na Sonserina depois de tantas gerações. Clementine estava tão convicta que cairia na Sonserina que levou semanas para digerir as palavras do Chapéu Seletor.

Para seu imenso alívio, depois da surpresa dos pais, não houve nenhuma crítica ou julgamento pela sua sorte. Afinal, a Corvinal era mesmo uma casa de respeito e que havia gerado grandes e poderosos bruxos. Com o passar do tempo, Clementine aprendeu a se encantar pela própria casa e sua história, e além dos amigos que havia conquistado, se convenceu de que realmente havia parado no lugar certo.

- Hey, Rowena Ravenclaw foi uma poderosa bruxa. Não é vergonha nenhuma termos aliados lá.

A voz arrastada de Cristopher ecoou sem o menor pudor pelo vagão, atraindo o olhar curioso de Gael. O mais novo já parecia nutrir alguma admiração pelo Sonserino a sua frente e apenas acenou com um movimento da cabeça.

- Eu sei do que estou falando, consegui a melhor aluna de lá. – Ele inclinou a cabeça para apontar Clementine com um novo sorrisinho nos lábios.

Aquele gesto fez com que os lábios da menina se curvassem em um delicado sorriso na mesma proporção em que Gael girou os olhos e colocou a língua para fora da boca.

- Arg, nojento. Acho que vou vomitar.

- Deixe para vomitar depois. – Clementine se inclinou para frente e apoiou as mãos no vidro, tentando enxergar a paisagem através da chuva. – Já estamos chegando.

Gael ficou repentinamente tenso e Clementine quase podia ler a sua mente. O caçula gostava de se posar como superior e despreocupado, mas era impossível ignorar aquele frio na barriga quando encarava Hogwarts pela primeira vez.

- Tente não cair no lago, tá legal? – A menina abriu um sorrisinho malicioso ao ver o irmão ficar verde. – Mas se cair, não se preocupe. O monstro do lago vai te devorar antes que você morra congelado.

Foi possível ouvir quando Gael engoliu em seco, com os olhos azuis arregalados. Uma risada nasalada escapou de Cristopher e ele sacudiu a cabeça, se divertindo com a inexperiência do menininho.

- É, não corremos o risco de você ir para a Grifinória, moleque.

As sobrancelhas claras de Gael estavam franzidas e por um longo segundo ele encarou Cristopher, sem saber se deveria aceitar aquele comentário como um elogio ou não.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Dez 10, 2016 11:03 pm

- Oi Landon!

Um sorriso fácil brotou nos fartos lábios de Landon Vanderwaal e ele imediatamente ergueu a mão livre para acenar simpaticamente para o trio de meninas que passava no final do corredor, entrando em um dos vagões. Um segundo depois, os olhos verdes estavam novamente rodando pelas cabines a sua volta, sem nem mesmo notar os risinhos que as meninas haviam dado antes de desaparecer pela porta.

A mulher com o carrinho de doces imediatamente entrou em seu campo de visão e Landon pareceu relaxar, tocando as moedas em seu bolso para garantir que seu objetivo não fosse interrompido.

Dois terceiranistas acabavam de receber o seu troco quando Vanderwaal parou diante do carrinho, estudando atentamente os doces a sua frente com os olhos verdes brilhando, como se realmente estivesse diante de uma difícil escolha.

- Feijõeszinhos de todos os sabores, querido? – A velha senhora ofereceu as caixinhas coloridas com um sorriso gentil.

Em resposta, Landon franziu os lábios em um bico enquanto estudava as demais opções. Era sempre uma aventura devorar uma caixa de feijõeszinhos, mas ele não estava com humor para sentir gosto de capim em sua boca quando tudo que precisava era de uma generosa quantidade de açúcar.

- Não, hoje não. Vou querer quatro sapos de chocolate. Cinco varinhas de alcaçuz. E seus seis últimos bolos de caldeirão.

Enquanto Landon contava as moedas entre seus dedos, sentindo o balançar do trem sob seus pés, a cabine ao lado foi aberta e um novo rosto conhecido preencheu o corredor. Os olhos castanhos passearam pelo carrinho apenas alguns segundos antes de pousarem no rapaz, arregalando levemente antes da menina ruiva abrir os lábios em um sorriso.

- Oi Landon, como foi o verão?

Exatamente como havia feito com as três meninas que o cumprimentou minutos antes, Landon abriu um simpático sorriso para a colega de time enquanto estendia suas moedas em direção a moça do carrinho.

- Hey Shayna, beleza?

A ruiva franziu as sobrancelhas ao acompanhar o movimento da mulher mais velha estendendo a sacola volumosa com os pedidos de Landon. Seu sorriso, até então refletindo a admiração pelo rapaz, estava receoso e ela estava nitidamente curiosa quando não conseguiu refrear a língua.

- Está comprando doces para a cabine inteira?

A pergunta poderia ser inocente aos ouvidos de Landon, afinal ele jamais desconfiaria que a sua melhor apanhadora estaria apenas interessada em sabre quem eram as suas companhias daquela viagem.

- Não, é só pra mim. Preciso me garantir até a primeira visita a Hogsmead.

A resposta soou com extrema naturalidade quando Landon ergueu o saquinho e o sacudiu ao lado de sua cabeça, parecendo orgulhoso com as suas compras. O semblante curioso de Shayna imediatamente se transformou em um alívio e o sorriso voltou a reinar em seus lábios rosados ao indicar uma caixa de bombons de caramelo para a velha senhora.

Landon Vanderwaal não era exatamente inocente. O rapaz exibia um belo histórico de notas altas e carregava no peito, junto com o leão da Grifinória, a letra bronzeada com um “M”, que o indicava como monitor-chefe.

Seu excelente desempenho nas aulas, seu destaque como artilheiro nos jogos de Quadribol e o seu característico bom humor contribuíam para a popularidade do setimanista não só dentre os grifinórios. Landon era querido e respeitado por praticamente toda Hogwars, com exceção óbvia dos alunos de Slytherin.

Mas todo o seu desempenho exigia um preço, e há anos Landon havia adestrado a sua mente para focar apenas no que fosse realmente importante. Ele precisava garantir suas melhores notas nos NIEMs se quisesse um cargo no Quartel General de Aurores para seguir os passos dos pais. Aquilo não impedia o rapaz de usufruir da sua vida social em Hogwarts, mas simplesmente havia ofuscado a sua visão para o quanto ele chamava a atenção do público feminino no castelo.

- Por falar em Hogsmead...

Landon poderia jurar que um rubor havia coberto as bochechas da colega, mas aquilo poderia ser apenas reflexo dos seus fios ruivos. Shayna era uma das meninas mais destemidas e divertidas na casa dos leões e não fazia sentido que ela estivesse corando.

Um solavanco do trem, já perfeitamente conhecido para quem havia feito aquele trajeto por seis anos antes, indicava que estavam chegando ao destino. Vanderwaal não queria ser deselegante ao interromper a amiga com o que quer que fosse que ela pretendia falar, mas também não poderia se atrasar.

- Eu preciso ir, Shay. Tenho que pegar um bom lugar na mesa para guiar os primeiranistas. Nos vemos no banquete, está bem?

Com o mesmo sorriso gentil, Landon se afastou, seguindo o caminho oposto pelo corredor do trem, completamente alheio a decepção estampada no rosto da ruiva.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Sab Dez 10, 2016 11:14 pm

- Eu tenho dezessete anos, mulher. Você tem a mais remota noção do quanto isso é vergonhoso?

Apesar das palavras nada carinhosas, o sorrisinho torto do rapaz indicava que ele não estava sinceramente chateado com o bombardeio de beijos de despedida da Sra. Vanderwaal. Sem se importar com o que o resto da plataforma 9 ¾ pensaria ao assistir aquela cena, a mulher ajeitou carinhosamente a capa do sobrinho e lançou um olhar orgulhoso para a insígnia de monitor-chefe que brilhava no peito dele, parcialmente camuflada pelo amarelo da Lufa-Lufa.

- Ainda não sei como não explodi de orgulho. Meus dois meninos, dois monitores-chefes!

Os olhos castanhos giraram e o rapaz fez uma careta de descaso, como se não enxergasse tanta importância naquele cargo. Desde sempre, o sobrinho dos Vanderwaal tinha a mania de não enxergar as próprias qualidades e não valorizar as próprias conquistas. Sem dúvida, isso era um reflexo da sua própria história e da forma como as outras pessoas costumavam apontá-lo.

“Uma mancha podre na imaculada história da nobre família Rookwood.”

Esta foi exatamente a frase que o pequeno Liam Mellish ouviu da boca do próprio pai biológico com apenas cinco anos de idade, quando o Sr. Vanderwaal imaginou que estava agindo certo em levar o sobrinho até o gabinete que Augustus Rookwood ocupava no Ministério da Magia.

O menino havia acabado de perder a mãe depois de uma evolução dramática de um surto de varíola de dragão. Nunca fora segredo para ninguém que Myranda Mellish fora amante de Augustus Rookwood e que o menino que nascera do ventre dela tinha o sangue daquela família nobre. Myranda nunca havia feito cobranças ao antigo amante, mas a morte dela mudava tudo. Vanderwaal imaginou que Rookwood se compadeceria da situação triste daquela criança, mas arrependeu-se amargamente por ter pensado que havia alguma humanidade naquele homem.

Desde então, Liam passou a fazer parte da família Vanderwaal e tinha nos tios as figuras de pai e mãe. Por mais que não faltasse conforto e amor à vida do garoto, ele nunca abandonara a sensação de que era infinitamente inferior aos Rookwood, e esta ideia só se intensificou com a ida dos garotos para Hogwarts.

O filho legítimo de Augustus Rookwood não decepcionou a família. O Chapéu-Seletor mal havia tocado os cabelos claros de Cristopher quando o berro “Sonserina” ecoou pelo Salão Principal. Já Liam foi destinado justamente para a casa que as famílias mais nobres costumavam desprezar.

As diferenças entre Sonserina e Grifinória colocavam as duas casas em pontos opostos de uma guerra de poder. Mas qualquer sonserino concordaria com a afirmação de que até um grifinório merecia mais respeito que um lufano. Aquele preconceito infundado já tinha décadas de existência e vinha do fato da fundadora Helga Hufflupuff aceitar os alunos que não se encaixavam nas outras casas ou tinham dificuldades com magia.

Mesmo que com o passar das décadas dezenas de bruxos talentosos tivessem passado pelo Salão Comunal da Lufa-Lufa, ainda existia o preconceito que dizia que aquela era a casa dos alunos menos inteligentes. E, obviamente, Cristopher Rookwood jamais perderia a oportunidade de reforçar aquele boato apenas para desmerecer a posição do meio-irmão dentro do castelo.

Contrariando todas as expectativas, quando os dois garotos chegaram ao quinto ano, o lufano teve um desempenho louvável nos NOM’s enquanto Cristopher teve que engolir uma média “aceitável”, com algumas notas “deplorável” e um vergonhoso “trasgo” em Transfiguração. Exatamente por isso, Mellish agora exibia o distintivo de monitor-chefe no peito enquanto o filho legítimo dos Rookwood provavelmente só conseguiria um emprego ao fim de seu último ano em Hogwarts se o pai interferisse ao seu favor.

- Eu preciso mesmo ir, tia. – Liam fez uma careta quando a Sra. Vanderwaal novamente o puxou para um abraço, amassando sua bochecha contra a do rapaz – E desta vez tente esperar que eu chegue ao castelo antes de mandar a primeira coruja, certo?

- Vou tentar. Onde está o Landon?

- Provavelmente escondido dentro do trem. Aí está a prova de que ele é infinitamente mais esperto do que eu, ele sempre escapa dessas despedidas.

- Diga a ele que ele é um filho ingrato!

- Com certeza direi, tia.

Depois de mais um beijo da tia, Liam deu um abraço caloroso no tio e carregou seu malão até o Expresso de Hogwarts pela sétima e última vez. Se por um lado ele estava ansioso para concluir os estudos e iniciar uma nova fase na vida, por outro lado era triste pensar que o castelo de Hogwarts deixaria de ser seu segundo lar.

O cargo de monitor-chefe não permitia que Mellish aproveitasse a viagem com a mesma intensidade que os demais alunos. Os monitores se revezaram na ronda dos corredores para garantir que a empolgação da volta a Hogwarts não culminasse em nenhuma travessura perigosa. Também era tarefa dos monitores garantir que todos ocupassem as cabines e que os novatos não ficassem perdidos no trem.

Por isso, quando Liam finalmente se jogou em um dos assentos, já era possível ver a silhueta do castelo surgindo imperiosa no horizonte. Nem mesmo as gotas de chuva respingadas no vidro da janela diminuíam o impacto da visão de Hogwarts. Mellish sentiria falta da forma como o seu coração sempre se acelerava naquele ponto da viagem.

Sem outra opção, o monitor-chefe da Lufa-Lufa respirou fundo e colocou-se novamente de pé para a parte mais difícil do seu trabalho. Também era tarefa dos monitores agrupar os alunos do primeiro ano que seguiriam de barco até o castelo, separando-os da multidão agitada que corria para conseguir uma carruagem.

Em poucos minutos Liam estava na plataforma, em frente à porta principal do trem, e apontava a direção certa para os pequenos primeiranistas assustados. Ainda chovia, mas a capa protegia o uniforme amarelo e preto do monitor, fazendo com que a única vítima dos pingos de chuva fosse os cabelos castanhos do rapaz.

Mellish estava explicando o procedimento padrão para uma garotinha do primeiro ano que queria desesperadamente seguir a irmã mais velha até as carruagens quando um chute potente arremessou o malão do lufano vários metros para frente. O fecho se rompeu e algumas roupas se espalharam pelo caminho, fazendo com que os tecidos se sujassem com a lama criada pela chuva.

- Aff, tinha que ser você! Quem mais seria tão burro de deixar o malão no meio do caminho, hein, Mellish?

As palavras de Cristopher davam a entender que o chute fora acidental, mas o sorrisinho do sonserino dizia o contrário. Liam não tinha a menor dúvida de que Rookwood havia feito aquilo de propósito, até porque não seria a primeira vez que o filho de Augustus tinha uma atitude tola como aquela. Como monitor-chefe, Liam tinha poder para aplicar uma punição no colega ou fazer uma reclamação formal junto aos professores, mas Mellish sabia que aquilo não atingiria o filho de um poderoso funcionário do Ministério da Magia. Além do mais, havia uma forma muito mais eficaz de devolver aquela afronta.

Quando o monitor-chefe sacou a varinha, a primeiranista com quem Liam conversava chegou a se encolher, imaginando que os dois rapazes iniciariam um duelo. Contudo, a varinha de Mellish foi apontada para o malão e bastou um único toque e um feitiço não verbal para que o malão levitasse alguns centímetros do chão. As roupas espalhadas também voaram magicamente e as manchas de lama simplesmente sumiram enquanto as peças se dobravam sozinhas e voltavam para dentro da mala, totalmente secas.

Ao fim daquela magia elaborada, Liam abriu um sorrisinho satisfeito ao se virar para o sonserino e encontrá-lo boquiaberto. Com o polegar, Mellish indicou as carruagens que se enfileiravam às suas costas antes de entoar a ordem com toda a autoridade que o cargo de monitor lhe conferia.

- Circulando, Rookwood, você está bloqueando o caminho. Compreendo que esteja impressionado, mas infelizmente não me sinto apto para te ensinar este truque. Se nem os professores de Hogwarts evitaram a sua tragédia nos NOM’s, não serei eu que conseguirei enfiar alguma coisa na sua cabeça oca.

Sair vitorioso de qualquer embate com o irmão era delicioso, mas a vitória tinha um sabor ainda mais especial quando acontecia diante dos olhos de Clementine DiLaurentis. A loira fazia parte das coisas que Liam sabia que não tinha nem o direito de desejar em sua posição de pouco prestígio no mundo da magia, mas este pensamento racional não o impedia de se derreter pela beleza dela.

Os olhos castanhos tentaram seguir Clementine de forma discreta enquanto ela corria para pegar uma carruagem junto com o namorado, mas aquele olhar não passou despercebido aos olhos astutos de Mia Blake. Quando virou-se novamente para frente e deu de cara com a colega, Mellish já esperava pelo comentário que estava por vir.

- Às vezes eu acho que você é um dos caras mais inteligentes que eu conheço. Aí vejo você babar nessa loira e te rebaixo novamente ao nível de um trasgo.

- Não enche, Mia. Circulando...

- Circulando uma ova, eu também sou monitora! Isso é abuso de poder! – a lufana de grandes olhos verdes apontou o distintivo no próprio peito – Vou acompanhar os pirralhos do primeiro ano nos barquinhos. Te encontro no Salão Principal, oh todo poderoso chefe supremo!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Dez 11, 2016 12:07 am

As poucas fotos que Melissa Zummach viu do castelo de Hogwarts não eram fiéis ao espetáculo que surgiu diante das íris azuis naquela noite. Quando desceu da carruagem e se viu diante de uma imensa escadaria, a novata teve que parar por alguns segundos para recuperar o fôlego. Melissa havia sido criada para desprezar aquela escola comandada pelo pior inimigo da sua família, mas era impossível esconder a admiração diante daquele castelo magnífico.

Normalmente, os alunos novatos chegavam em Hogwarts aos onze anos, trazidos por barquinhos que atravessavam o lago. Como era alta demais para uma novata, a filha dos Zummach se misturou facilmente aos alunos mais velhos e ocupou uma carruagem sem que os monitores percebessem aquele erro. Também foi seguindo os passos dos colegas que Melissa passou por uma infinidade de corredores, experimentou uma louca aventura nas escadas que se moviam sozinhas e, por fim, chegou ao famoso Salão Principal.

Pela segunda vez naquela noite, o queixo da menina desabou de admiração. O salão era enorme e as quatro mesas destinadas para as casas de Hogwarts começavam a se encher com os alunos recém-chegados. Lustres gigantescos lotados de velas iluminavam o ambiente e simplesmente não havia um teto acima deles. Se tivesse lido o famoso livro “Hogwarts, uma História”, Melissa saberia que o teto era enfeitiçado para refletir o céu, mas aquela era uma leitura proibida na casa dos Zummach.

À frente do salão, a mesa dos professores também estava cheia. O coração de Melissa falhou uma batida ao reconhecer a figura de Albus Dumbledore sentado em uma posição central do Salão Principal. A longa barba prateada alcançava as pernas do velho e as vestes lilás eram meio bizarras. Os oclinhos de meia-lua escondiam parcialmente os olhos azuis bondosos, mas nem mesmo aquela expressão amigável fez com que Zummach mudasse a opinião formada sobre ele. Desde muito pequena, Melissa ouvia a história de como aquele homem traíra os seus avós e os entregara a um assassino.

O burburinho no salão era insuportável, com todos aquelas crianças e adolescentes empolgados com o reencontro e com as novidades das férias. Mas não demorou para que os olhares começassem a se voltar para a menina estranha parada junto à porta. Melissa era velha demais para ser uma novata, mas nenhum aluno de nenhuma casa reconhecia o rosto dela. Ao invés de usar as cores típicas das casas de Hogwarts, a garota vestia o uniforme cinza com a capa preta dos primeiranista, ainda sem as cores de uma das casas.

- Oi...?

A menina se sobressaltou quando alguém a cutucou no ombro e virou-se para o rapaz com gravata amarela, usando um distintivo de monitor.

- Eu não lembro de ter te visto no castelo antes. – Mellish franziu a testa, confuso – Por que não se senta na sua mesa? Você pertence a qual casa?

- Nenhuma. – os lábios da menina se curvaram numa careta insatisfeita – É o meu primeiro dia. Como funciona isso, posso escolher qualquer mesa?

Liam ficou parado por vários segundos, encarando a novata sem entender o que estava havendo. A menina não tinha nenhum sotaque que a apontasse como uma estrangeira sendo transferida. E, se ela era inglesa, por que só agora pisava em Hogwarts?

Antes que o lufano pudesse fazer qualquer pergunta para esclarecer a confusão, a familiar voz firme da Professora McGonnagal soou às costas dos dois.

- Imagino que a senhorita seja a Srta. Zummach, não é? Fomos avisados sobre a sua vinda.

Os olhos azuis da garota se voltaram curiosos para a imagem esguia da professora. Apesar da expressão séria, Minerva lhe inspirou confiança e Melissa concordou com um movimento de cabeça antes de tomar a palavra.

- Sim. Eu não sei onde me sentar. Posso escolher qualquer mesa?

A professora teve que conter a expressão de piedade ao notar como Melissa desconhecia a história e as regras de Hogwarts. Era um pecado privar aquela menina da magia do castelo por causa de uma rivalidade de tantas décadas atrás. Com um gesto impaciente, McGonnagal dispensou Liam na direção da mesa da Lufa-Lufa e assumiu o papel de orientadora da novata.

- Geralmente os novos alunos chegam de barco, eu lamento por esta confusão. A nossa escola é dividida em quatro casas... – enquanto falava, Minerva apontava as mesas – Corvinal, Grifinória, Lufa-Lufa e Sonserina. Cada casa abriga os alunos que se encaixavam melhor nas características históricas dos fundadores do castelo. Quem faz esta escolha é o Chapéu Seletor. – o chapéu velho apoiado sobre a mesa dos professores foi apontado – Você passará pela seleção juntamente com os alunos do primeiro ano.

Não havia tempo para descrições mais detalhadas, já que logo o Salão Principal estava lotado de alunos ansiosos e famintos. Se Melissa já se sentia incomodada com os olhares curiosos, a sensação de ser uma aberração se tornou ainda mais intensa quando Minerva a colocou na fila junto com os minúsculos alunos de onze anos. Várias pessoas cochichavam e apontavam na direção de Zummach, quando, ironicamente, a voz de Dumbledore a salvou e atraiu para si todas as atenções.

O diretor colocou-se de pé para o seu tradicional discurso de boas-vindas e era notável o quanto todos o admiravam quando o salão mergulhou no mais completo silêncio para ouvir suas palavras.

- É com imensa alegria que eu recebo todos vocês para mais um ano em Hogwarts. Antes de começarmos o nosso tradicional banquete, eu gostaria de dizer algumas palavrinhas. Prometo não me exceder demais, até porque não conseguirei erguer a minha voz acima do coro de tantos estômagos vazios.

Os primeiranistas pareciam encantados com o diretor, mas Melissa acompanhava aquele discurso com os braços cruzados e um olhar de poucos amigos. A expressão fechada dela não vacilou nem mesmo quando os olhos bondosos de Dumbledore pararam nela.

- Dou as boas-vindas especialmente aos novos alunos. Este ano, além dos primeiranistas, contamos com a companhia da Srta. Zummach.

O ódio de Melissa por aquele homem ganhou uma nova dose de desprezo quando todas as cabeças se voltaram novamente para ela. A menina não era exatamente tímida, mas nem por isso se sentia à vontade em ser a atração do Salão Principal.

- A Srta. Zummach obviamente já iniciou seus estudos em magia antes de ser transferida para Hogwarts e fará um teste de nivelamento para definição da turma que acompanhará este ano. Contudo, como ainda não foi selecionada para nenhuma casa, ela terá que ser avaliada pelo Chapéu Seletor. Por favor, Srta. Melissa Zummach. Acho justo que seja a primeira...

Minerva McGonnagal esperou pelo fim do discurso do diretor, pegou o velho chapéu com uma mão e usou a outra para encorajar a menina a se aproximar com um gesto. Melissa respirou fundo e tentou manter a cabeça erguida enquanto caminhava entre as mesas da Grifinória e da Lufa-Lufa. Foi quase um milagre chegar à frente do salão sem tropeçar, tamanho o peso que tantos olhares somavam nos ombros da garota.

- Sente-se.

O minúsculo banquinho foi indicado para Melissa quando Minerva notou que ela não sabia o que fazer. Zummach não era alta, mas suas pernas pareceram gigantes quando ela se sentou no banquinho feito para alunos pequenos. Os olhos azuis se ergueram de um jeito cômico quando a professora encaixou o Chapéu Seletor na cabeça dela e Melissa se sobressaltou ao ouvir a voz firme que soava acima de seus fios castanhos.

- Um Zummach!!! Há quanto tempo eu não analiso uma cabecinha Zummach!? Será que eu ainda sei como entender vocês...?

- Está tudo bem... – McGonnagal tentou tranquilizar a garota ao notar seus olhos arregalados – Isso é normal.

- Hm... interessante... – o chapéu continuou o seu discurso sem nenhuma pressa – Vejo muita raiva, fico tentado a colocá-la na Sonserina. Por outro lado, vejo também uma inteligência especial, você se daria bem na Corvinal. A sua situação delicada neste castelo fará com que você precise de ajuda e apoio, você encontraria isso na Lufa-Lufa. Mas eu também vejo coragem, muita coragem e nobreza. Você se sacrificou para salvar o seu pai. O que fazer com você, pequena Zummach...?

O coração de Melissa já pulsava na garganta e todos esperavam ansiosos pela decisão do Chapéu Seletor quando a voz forte ecoou por todo o Salão Principal.

- GRIFINÓRIA!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 11, 2016 12:50 am

Clementine tentou dizer a si mesma que era apenas a presença de outras pessoas na carruagem que a impediu de pressionar o namorado sobre a cena que havia acabado de presenciar. Mas aquela não era a primeira vez e provavelmente não seria a última situação que Cristopher criava apenas para humilhar o irmão indesejado.

Não era segredo para nenhum aluno em Hogwarts que o setimanista da Sonserina partilhava o mesmo DNA que o monitor-chefe da Lufa-lufa, assim como era absurdamente evidente como os dois eram completamente diferentes. Mas havia sido apenas no ano anterior que todo aquele drama havia começado a fazer parte da vida de DiLaurentis.

É claro que o namoro iniciado pelos dois jovens havia sido imediatamente aprovado pelas duas famílias. A primogênita dos DiLaurentis parecia ter apagado a discreta mancha em seu histórico por ser escolhida para a Corvinal apenas por ter a companhia de Rookwood, assim como Cristopher havia recuperado o estrago dos seus NOMs ao exibir uma menina a altura, com beleza e boas notas.

Mas não era apenas a aprovação dos pais que Clementine estava procurando ao aceitar um convite de Cristopher para um passeio em Hogsmead. Mesmo com todos os defeitos, era extremamente difícil para qualquer garota em Hogwarts resistir a Rookwood quando ele resolvia investir o seu charme.

Os olhos azuis eram intensos e quase cinzentos, sempre carregando um brilho de maldade que apenas lhe tornava mais interessante. Os lábios fartos viviam curvados em um sorrisinho superior e os cabelos de um tom claro de castanho exibiam fios perfeitamente alinhados.

Além da beleza evidente, Cris sabia ser elegante quando queria. E havia sido pelo charme peculiar de quem tinha o mundo nas mãos que Clementinse se rendeu. A experiência com o drama entre os filhos de Augustus Rookwood só começou depois do início do namoro.

Liam Mellish pertencia a um outro mundo. Os dois eram de casas diferentes, anos diferentes e sem um único amigo em comum. Aquele provavelmente teria sido o mesmo caso de Cristopher, se o Sonserino não tivesse tomado a iniciativa para chama-la para sair.

O monitor-chefe da Lufa-Lufa só se tornou mais evidente aos olhos de Clementine quando ela passou a presenciar de camarote todas as implicâncias de Cristopher. Mas contrariando todo o seu desconforto sempre que o namorado se comportava como um garotinho mimado para chamar a atenção, DiLaurentis apenas se calava, sabendo que repreendê-lo por aquelas atitudes seria o mesmo que cutucar um hipogrifo com uma vara curta.

Mais uma vez, Clementine apenas engoliu os seus protestos e permaneceu calada durante todo o caminho até o castelo. Até mesmo quando os lábios de Cris procuraram os seus, antes que eles se separassem para suas respectivas mesas, a menina apenas retribuiu mecanicamente.

Como havia acontecido no trem, Clementine estava mais uma vez distraída quando assumiu seu lugar sob as bandeiras da Corvinal. O discurso de Dumbledore era sempre longo e cansativo, especialmente depois de passar todo o dia em um trem, então ela não se sentiu culpada quando seus olhos vagaram tediosamente pelo salão até pousar na mesa da Lufa-Lufa.

Sua mente ainda revivia o ocorrido na estação de trem e as botas molhadas eram a prova de que tudo era recente demais, servindo como a desculpa perfeita para aquele pequeno desvio das íris azuladas. Mas nenhuma desculpa foi suficiente para fazê-la se sentir culpada ao encontrar o rosto do monitor-chefe.

Ao contrário do que seria adequado, ela não se sentia culpada por estar encarando o irmão indesejado de Cristopher ou por não estar dando a devida atenção a cerimonia do seu irmãozinho. A culpa era apenas por ter se calado diante do comportamento infantil do namorado.

Os lábios de Clementine se curvaram em um discreto sorriso que apenas completava a sua careta em um mudo pedido de desculpas. No instante seguinte, a expressão de choque da menina ao seu lado obrigou que sua atenção voltasse ao jantar.

- Por Rowena, o que é isso? Um aborto atrasado?

Uma ruga de confusão surgiu entre as sobrancelhas de Clementine e ela procurou pela direção que a sua colega de casa olhava. Em meio aos meninos e meninas de onze anos, uma cabeça se destacava a caminho do chapéu seletor.

- Provavelmente é só uma intercambista. – Clementine ergueu um dos ombros, desta vez se obrigando a manter o olhar no centro do salão, procurando pela cabeleira loira de Gael.

Quando a voz do chapéu encheu o salão direcionando a novata para a Grifinória, Clementine esperou ouvir a casa dos leões aplaudir como sempre acontecia com um primeiranista, mas a surpresa que ainda caía sobre todos permitiu que apenas algumas palmas fracas ecoassem.

- Coitada, parece uma atração no meio de um zoológico.

Uma menina de cabelos volumosos franziu o nariz ao encarar a novata, em um misto de curiosidade e pena. Clementine precisava concordar que não era exatamente agradável estar diante do salão com tantas cabeças criando teorias a respeito de seu paradeiro.

- Eu não queria estar na pele dela. – A loira assumiu, torcendo as mãos ainda geladas e úmidas pela chuva.

- Isso é ainda pior do que quando o Pirraça derramou melado na segundanista da Lufa-lufa. – A menina de cabelos volumosos voltou a falar, um sorrisinho malicioso brincando em seus lábios.

- A menina ficou careca. – Clementine arqueou as sobrancelhas. – Não acho que tenha nada pior do que isso.

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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Dez 11, 2016 1:24 am

- O QUEEEEEEEEEE?

O grito dramático de Mia Blake quebrou o silêncio que se seguiu à seleção da novata e fez com que várias cabeças se voltassem para a mesa da Lufa-Lufa. Sentado ao lado da colega, Liam se arrependeu amargamente por ter contado aquele pequeno segredo à amiga que, definitivamente não sabia ser discreta. O monitor-chefe dos lufanos chegou a se encolher alguns centímetros no banco, mas era impossível sumir na posição de destaque que Mellish ocupava na ponta da mesa.

- Algum problema, Srta. Blake?

Minerva lançou um olhar de poucos amigos à monitora do quinto ano. Mia abriu um sorrisinho sem graça e mexeu a mão como se estivesse espantando um mosquitinho insistente.

- Tudo de boa, professora. Eu só acabei de me lembrar que deixei minhas luvas da sorte em casa, vou pedir que a minha mãe mande pra mim. Prossiga, fique à vontade.

Os olhos de McGonnagal se estreitaram, fazendo com que ela parecesse um felino mesmo não tendo assumido a forma de gato. Alguns segundos se prolongaram até que a professora de Transfigurações puxasse a lista com os nomes dos primeiranistas e começasse a chamar os novatos, agora por ordem alfabética.

- Você é sutil como um gigante dançando balé em uma loja de poções explosivas...

Os olhos castanhos de Mellish fuzilaram a amiga, mas Mia não deu a mínima importância à insatisfação dele. A menina estava muito mais interessada na fofoca que Liam cochichara para ela enquanto Melissa Zummach era encaminhada até a mesa da Grifinória.

- Que papo é este? Ela matou trouxas??? – desta vez a voz de Mia soou sussurrada, mas ainda muito empolgada com a fofoca.

- Não foi isso que eu disse, não comece a aumentar a história, Mia! – o monitor-chefe também falava em sussurros enquanto o Chapéu-Seletor começava a guiar os novatos para as suas respectivas casas – Eu ouvi o meu tio comentar algo sobre essa tal família Zummach, ele estava na equipe que foi limpar a bagunça causada por ela. Parece que ela perdeu o controle de um feitiço, explodiu um gerador e machucou algumas pessoas. Não me pergunte o que é um gerador, eu não faço ideia.

Liam teve que fazer uma pausa no relato quando a mesma garotinha com quem ele falara na plataforma foi selecionada para a Lufa-Lufa. A mesa com decoração amarela explodiu em palmas e o monitor-chefe se colocou de pé para saudar a novata e guiá-la até um lugar vazio da mesa. Quando voltou para junto de Blake, Mellish concluiu a sua versão da história.

- Meu tio comentou algo sobre os Zummach terem feito um acordo para não frequentarem Hogwarts. Mas, depois deste incidente, obrigaram a menina a vir.

- Irado.

- Mas isso é segredo, Mia. Eu nem deveria ter ouvido essa conversa dos meus tios.

- Tô sabendo, chefe. E, como todo segredo absoluto, não dou duas horas para que o castelo inteiro esteja comentando.

Sem se intimidar com a expressão fechada de Liam, Mia soltou uma risada gostosa e finalmente voltou a sua atenção para o Chapéu Seletor. Mellish já tinha assistido a seleção por seis vezes e não via mais graça naquele processo, então deixou que seus olhos vagassem sem rumo pelo Salão Principal.

Inconscientemente, o olhar do lufano sempre saltava a mesa da Sonserina porque era óbvio que ele jamais veria nada interessante naquela direção. Por um breve momento, a atenção dele se prendeu na mesa da Grifinória e ele cumprimentou o primo com um aceno de cabeça quando os olhares dos dois se cruzaram.

Ainda de maneira vaga, Liam deslizou mais um pouco o olhar até a mesa da Corvinal, mas a sua consciência aterrissou de volta na realidade de forma violenta quando o seu olhar se cruzou com o de Clementine DiLaurentis. Mesmo daquela distância e tendo várias cabeças como obstáculo, a beleza da loira ainda era desconcertante.

Normalmente, Mellish se esforçava para não deixar tão óbvia a sua admiração pela namorada do meio-irmão, mas naquela noite foi difícil desviar o olhar. O lufano não saberia dizer por quanto tempo os dois ficaram se encarando fixamente até que a voz penetrante da professora McGonnagal os arrancou daquele transe.

- DiLaurentis!

Por um momento insano, Liam achou que a professora estava chamando por Clementine. O rapaz só compreendeu o seu equívoco quando uma cabecinha loira atravessou o salão e sentou-se no banquinho, recebendo o Chapéu Seletor sobre os fios claros. Como acontecia com a maior parte dos alunos vindos de famílias ricas e tradicionais, o chapéu só precisou de um segundo para berrar “Sonserina” e arrancar aplausos entusiasmados dos jovens vestidos em verde e prata.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Dez 11, 2016 1:50 am

- Quem é ela?

- Zummach? De onde eu conheço esse sobrenome?

- Deve ser da Austrália. Acho que os Zummach são de lá.

Os sussurros corriam em todas as direções ao redor de Landon. Um zumbido havia se instalado pelo salão e as pessoas se inclinavam umas sobre as outras, debruçando sobre as mesas ainda vazias, enquanto especulavam a respeito da origem da morena que havia sido acabada de ser dirigida para a Grifinória.

Os olhos verdes de Vanderwaal estavam presos naquele rosto novo, e assim como todos, eles refletiam uma sincera curiosidade. Em seus sete anos em Hogwarts, ele nunca havia visto ninguém acima de onze anos desfilar por aquele corredor e usar o chapéu seletor.

Dumbledore havia apenas resumido em dizer que Melissa Zummach havia tido uma preparação da magia antes de chegar ali, mas aquilo não explicava muito sobre a origem da morena. Ela estava longe de parecer uma menininha ingênua, mas ao contrário dos demais alunos que especulavam sobre a história que traria uma menina de quinze anos a pisar em Hogwarts pela primeira vez, Landon sabia qual era o passado da novata.

Como um perfeito monitor-chefe, Landon se colocou de pé no instante em que a menina foi orientada a seguir para a mesa sob as bandeiras de Leão. Não cabia a ele julgar qualquer escolha dos Zummach na educação de seus herdeiros, muito menos os erros que haviam levado Melissa até ali. O seu papel era apenas ajudar os professores a manter a ordem com os estudantes que exibiam o leão no peito.

Por estar sentado na ponta da mesa, Vanderwaal foi o primeiro a esticar sua mão na direção da morena, a recebendo com um largo sorriso, exatamente como faria a um primeiranista.

- Bem-vinda a casa de Godric Gryffindor. Sou Landon Vanderwaal, monitor-chefe.

Era notável como Landon se orgulhava daquele cargo pelo modo como seu peito inflava, tentando realçar o broche bronze em seu uniforme. Com a sua costumeira simpatia, o rapaz voltou a se sentar, mantendo seu olhar para a morena ao seu lado, embora os ouvidos ainda estivessem atentos na cerimônia.

- Dumbledore é um cara engraçado, mas ele sempre exagera nos discursos assim. Por isso eu venho preparado...

O rapaz abriu a palma da mão sob a mesa para mostrar a metade de um bolo de caldeirão que ele vinha devorando discretamente. O sorriso que cortou seus lábios quase o fazia parecer como um pequeno rebelde quebrando rígidas regras de uma política que ele não concordava, contradizendo a sua posição orgulhosa como monitor.

- Eu tenho a impressão de que os discursos estão piorando a cada ano. Sorte sua ter perdido os quatro primeiros.

Enquanto Landon tagarelava, os olhares dos demais colegas ainda estavam presos na morena e foi preciso que o monitor os recriminasse silenciosamente para que tentassem disfarçar. Quando os pares de olhos foram desviados, o rapaz voltou a se inclinar na direção da morena.

- É uma pena você ter perdido a chegada pelo lago. Hoje realmente não é a melhor noite para entrar em um barquinho daqueles, mas ainda assim, é uma visão de Hogwarts de tirar o fôlego.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Dez 11, 2016 2:20 am

Como não estava acostumada a interagir com outros jovens da sua idade, Melissa simplesmente não notou de imediato como o monitor-chefe da Grifinória era atraente. A cabeça da menina ainda estava trabalhando incansavelmente na tarefa de entender o significado daquela seleção. Era muito injusto que todos, menos Zummach, soubessem o que significava ser selecionada para a casa de Godric Gryffindor.

O comentário sobre Dumbledore fez com que os olhos azuis da novata finalmente se fixassem na imagem de Landon. A forma como o semblante dela se fechou mostrava que o rapaz havia cometido um grande erro na escolha das palavras, muito embora fosse difícil compreender o motivo do desgosto de Melissa. Era difícil imaginar um único motivo para que alguém não admirasse Albus Dumbledore.

- Não achei nada engraçado. Ele me parece apenas um velho bizarro com uma fama não merecida e um senso de moda totalmente questionável.

O comentário ácido deixava claro que Zummach não fazia parte do grupo de novatos absolutamente encantados com Hogwarts. Por mais que a menina admitisse que o castelo era espetacular, aquela ainda era a sua prisão particular nos próximos anos. E, definitivamente, Melissa não pretendia se tornar um cãozinho adestrado de Dumbledore, como o rapaz a sua frente.

- Não me importa se entrei aqui de barco ou carruagem, tanto faz. O que realmente me interessa é sair deste lugar. Estou contando os dias.

Melissa não fez a menor questão de ser discreta naquele desabafo. Os alunos mais próximos olharam dela para Vanderwaal boquiabertos, ainda sem entender como alguém podia odiar tanto um lugar tão maravilhoso como Hogwarts. Era a primeira noite dela no castelo e a menina já parecia ansiosa para deixar aquela parte de sua vida para trás.

- Como monitor-chefe, eu acho que você deveria sugerir à professora McGonnagal que repita a seleção desta aluna, Landon.

A voz de Shayna ecoou pela mesa da Grifinória e ela fuzilou a novata antes de concluir o seu raciocínio.

- Pra mim é óbvio que o chapéu errou. Ela deveria ser da Sonserina.

Mesmo não sabendo nada sobre as quatro casas de Hogwarts, Zummach não teve dificuldade para enxergar que aquilo era uma ofensa. Para deixar ainda mais clara a sua crítica, a ruiva apontou as bandeiras penduradas no Salão Principal enquanto explicava.

- Corvinal, a casa dos sábios, seleciona os alunos mais inteligentes e disciplinados. Grifinória, a casa dos corajosos, justos e determinados. Lufa-Lufa, a casa dos leais e companheiros. E, por fim, Sonserina... A casa dos bruxos das trevas e das vacas mal amadas.

Todos os olhos foram da ruiva para a novata, já esperando por um grande espetáculo. Ao contrário do que seria normal, Zummach não se mostrou ofendida ou horrorizada. Seus lábios se curvaram num sorriso sem emoção enquanto a mão pousava delicadamente sobre a varinha escondida na parte interna da capa.

- Então eu estou na casa certa. Coragem certamente não é um problema para mim. Só resta saber se você honra a sua casa e tem coragem o bastante para me enfrentar sem a ajuda dos seus amiguinhos. Só nós duas.

Os alunos mais próximos soltaram exclamações e trocaram sorrisinhos animados. Uma briga de meninas era sempre um espetáculo a parte que ninguém gostaria de perder. O problema era que aquela briga estava sendo acertada bem debaixo do nariz do monitor-chefe.

- Nem vem, Landon! As duas precisam resolver esta treta! – o goleiro do time grifinório se meteu antes que Vanderwaal interferisse – Um duelo hoje no Salão Comunal! Homem contra homem. No caso, mulher contra mulher.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 11, 2016 2:31 am

A chuva do dia anterior havia finalmente cessado durante a madrugada, mas deixado como consequência um enlameado terreno ao redor de todo o lago. Clementine acompanhou com pesar quando viu um grupo de terceiranistas da Corvinal caminhando para uma das aulas externas, arrastando as bordas de suas vestes pela lama fresca.

Grata por ter o período da tarde livre, Clementine caminhou decidida até a biblioteca e já exibia o seu melhor sorriso quando a bibliotecária lhe negou com um movimento da cabeça o pedido do livro.

- Como assim, alguém já pegou? Você está me dizendo que não tem nenhum exemplar? Nadinha?

A mulher que equilibrava os óculos sem aros na ponta do nariz soltou um pesado suspiro, mas não deixou de fazer suas tarefas, anotando freneticamente em um pergaminho. Ela erguia o punho para molhar a pena em um tinteiro, continuava a escrever e parecia não se importar com a menina a sua frente.

- Como eu disse, Srta. DiLaurentis... Os livros para o ano eletivo são de responsabilidade dos alunos. Qualquer leitura complementar...

- Não é “qualquer” leitura. Eu preciso do Poções e Caldeirões, Nível Extraordinário em Magia.

Clementine quase soletrou, como se aquelas simples palavras pudessem fazer com que o livro desejado aparecesse com um passe de mágica em uma das centenas de prateleiras da biblioteca. Para sua decepção, a bibliotecária apenas lhe encarou com tédio, fazendo o queixo da corvinal despencar.

- Esse é praticamente um livro básico para quem quer um “Ótimo” em Poções nos NOMs.

- Se ele é tão básico assim, deveria ter chegado mais cedo. Alguém já levou o último exemplar. Sinto muito, querida.

Com um leve sorriso complacente, a bibliotecária finalmente soltou a pena e ergueu sua mão enrugada para as costas de Clementine, apontando as várias estantes altas, abarrotadas de livros.

- Mas tenho certeza que ainda temos excelentes materiais para que você possa se preparar para seus exames. Hoje é só o primeiro dia, você ainda tem tempo para se recuperar.

Clementine quase soltou um xingamento, mas não fazia sentido continuar culpando a mulher a sua frente pela falta do livro. No melhor dos cenários, ela poderia tentar encomendar um exemplar da Floreios e Borrões, sem precisar competir o tempo com tantos outros quintanistas.

- Obrigada, Madame Pince.

Com uma expressão derrotada, DiLaurentis se arrastou até o fundo da biblioteca, derrubado a sua mochila com pergaminhos, os livros do dia e alguns tinteiros. Livre daquele peso em seus ombros, ela começou a deslizar seus dedos entre os diferentes títulos expostos sob uma etiqueta dourada de “Poções”, em busca de algo que pudesse lhe ajudar na preparação dos estudos daquele ano.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Dom Dez 11, 2016 2:55 am

A chuva do dia anterior havia cedido, mas deixara um rastro enlameado que Liam Mellish ficou muito grato por não precisar enfrentar em seu primeiro dia como aluno do sétimo ano. Seu quadro de horários marcava aulas de Feitiços e Poções pela manhã e um horário de História da Magia no fim da tarde. Somente no dia seguinte o lufano precisaria enfrentar as estufas da Herbologia, mas ele torcia para que, até lá, os gramados que contornavam o castelo já estivessem secos.

As aulas da manhã transcorreram sem maiores problemas. Liam era particularmente bom em Feitiços e Transfigurações. Seu talento não era tão espetacular em Poções, mas o monitor-chefe da Lufa-Lufa compensava isso com muito estudo e disciplina, que lhe garantiram um “Ótimo” nos NOMs e um lugar de destaque no coração de Horace Slughorn.

Ao fim da primeira aula de Poções daquele ano letivo, Mellish se deu conta de que teria que abandonar seu velho companheiro de estudo. O exemplar de “Poções e Caldeirões, Nível Extraordinário em Magia” havia sido suficiente até então, mas o Professor Slug havia aumentado substancialmente o nível de dificuldade da matéria passada aos setimanistas. Se Liam realmente quisesse uma boa nota no NIEM, teria que mergulhar em um livro um pouco mais aprofundado.

Foi este o objetivo que levou Mellish à biblioteca no começo daquela tarde. A ideia do rapaz era folhear os livros das prateleiras destinadas a Poções e selecionar um bom título para encomendar na Floreios e Borrões. Mas aquela determinação saiu um pouco de foco quando, por ironia do destino, Liam deparou-se justamente com Clementine DiLaurentis naquele corredor pouco popular entre os alunos de Hogwarts.

Os dois nunca tinham conversado simplesmente porque não tinham nada em comum. Eles pertenciam a casas diferentes, a turmas diferentes e possuíam histórias de vida totalmente distintas. Liam não frequentava os mesmos lugares que os DiLaurentis e sequer saberia iniciar um assunto com a namorada do meio-irmão sem parecer forçado ou constrangido.

Por isso, o lufano se limitou a cumprimentá-la com um breve sorriso educado que ele destinaria a qualquer colega antes de largar seus livros e sua mochila velha em uma mesinha vazia.

Como o corredor abarrotado de livros de Poções era comprido, Mellish ocupou a ponta oposta àquela onde a loira estava e tentou se concentrar na tarefa de selecionar os exemplares mais avançados da matéria, embora fosse difícil pensar em qualquer outra coisa tendo Clementine tão perto.

A última coisa que Liam imaginava era que Clementine estava ali procurando justamente por um livro que pudesse substituir o exemplar de “Poções e Caldeirões” que ele acabara de largar sobre a mesinha. A capa vermelha não era nada discreta e as enormes letras pretas que formavam o título do livro podiam ser lidas mesmo há vários metros de distância.

A ausência de uma etiqueta lateral mostrava que aquele livro não pertencia à biblioteca, detalhe reforçado pelas iniciais L.M. escritas em um cantinho da capa.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Dez 11, 2016 3:03 am

É claro que todos os presentes naquele salão estavam de alguma forma curiosos a respeito de Melissa Zummach, e mesmo sabendo mais do que a maioria dos colegas sobre o motivo que havia levado a menina tardiamente a Hogwarts, Landon precisava admitir que estava curioso a respeito dela.

Toda sua curiosidade, entretanto, se transformou em choque diante das palavras tão pouco amigáveis da desconhecida. Melissa definitivamente não havia ido para Hogwarts com a intenção de fazer amigos, mas para alguém como Landon, era simplesmente impossível não olhar para aquele castelo e se encantar com toda a magia.

Por um instante, Vanderwaal chegou a concordar com a colega de time de que Zummach não parecia se enquadrar na casa dos leões. É claro que o bom humor não era exatamente uma característica dos grifinórios, mas a entonação cética de Melissa a fazia soar exatamente como alguém que seria bem-vindo na casa de Slytherin.

O queixo de Landon, entretanto, despencou quando um duelo foi marcado bem diante dos seus olhos. Ele não era um professor a ponto de intimidar tanto os colegas e sempre havia sido muito mais próximo de todos, em uma relação de amizade, do que de autoridade, mas se orgulhava em saber que tinha o respeito da sua casa.

- Absolutamente não!

Os olhos verdes estavam arregalados e Landon ergueu as duas mãos sobre a mesa, vasculhando rapidamente ao seu redor para garantir que nenhum professor havia escutado. O chapéu seletor havia acabado de gritar “Grifinória” e um rapaz gordinho e de cabelos cacheados feito molas saltou do banco de três pernas com um largo sorriso. O monitor havia se distraído ao ponto de não escutar o nome do mais novo integrante de sua casa.

- Sem duelos, ou eu chamo a McGonnagal em pessoa! – Ele ameaçou, encarando Shayna diretamente antes de deslizar suas íris claras para a novata. – E se você quer mesmo se livrar logo daqui, sugiro ficar fora de confusão. O tempo costuma passar muito mais devagar para encrenqueiros que perdem pontos para as casas e vivem em detenções.

Ainda encarando Melissa, Landon se colocou de pé para receber o gordinho que começava a se juntar na ponta da mesa, completamente alheio a tensão dos mais velhos. Antes de abrir o seu simpático sorriso para o rapazinho, Vanderwaal ainda estudou o rosto da novata com atenção.

Ele não sabia o que Zummach havia passado para criar aquela barreira que a impedia de se abrir para o encanto de Hogwarts, mas tinha certeza que mesmo fora daquelas grossas paredes de pedra, todo o mundo reconhecia o poder de Albus Dumbledore. Parecia ser uma tremenda tolice ofender o diretor da escola por uma simples rebeldia.

- Dumbledore é excêntrico, eu concordo. Mas ele é muito mais do que a aparência de um velho bizarro. Espero que você fique tempo o bastante para enxergar isso.

Já sem a menor sombra dos seus sorrisos gentis, Landon se afastou para saudar o mais novo integrante da grifinória, que ao contrário de Melissa, parecia imensamente feliz em se juntar a mesa enfeitada de vermelho e dourado.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Dom Dez 11, 2016 2:12 pm

Ficou provado que Landon possuía uma grande influência sobre os colegas quando o duelo programado para aquela noite não aconteceu. As duas meninas ainda se encaravam como duas feras enjauladas quando, ao fim do exagerado banquete de boas vindas, elas passaram pelo quadro da Mulher Gorda e chegaram à torre da Grifinória, mas não foi necessário repetir a ordem que proibia o duelo.

Shayna subiu primeiro para o seu dormitório e, depois de dar uma volta pelo Salão Comunal admirando silenciosamente a decoração de sua nova casa, a novata também subiu pelas escadas que levavam aos quartos das meninas. Por sorte, as duas não dividiriam o mesmo cômodo da torre.

É claro que, depois daquele primeiro contato nada amigável, era evidente que as duas meninas não se tornariam grandes e inseparáveis amigas. Mas o que Vanderwaal não imaginava era que, logo na manhã seguinte, Melissa e Shayna encontrariam a oportunidade perfeita para duelarem. E pior, com o aval da diretora da Grifinória.

O Salão Comunal estava lotado e contava com a presença de todos os alunos naquela manhã. Minerva McGonnagal estava de pé no centro da rodinha de alunos, como geralmente fazia quando precisava passar um recado ou alguma orientação importante aos grifinórios. Era evidente que a mulher escolhia as palavras com cuidado quando se dirigiu à novata.

- Bem, Srta. Zummach... a nota do seu teste prévio aplicado pelo Ministério da Magia foi bastante satisfatória. Mas eu não me sinto à vontade em determinar a sua turma tendo como embasamento somente perguntas teóricas. Eu preciso ter certeza de que você está pronta para acompanhar o ritmo dos alunos do quinto ano.

Como não sabia como funcionava a rotina de Hogwarts, Melissa era a única aluna que ainda usava pijamas naquela manhã. O short cheio de babados lhe dava uma aparência delicada que não combinava com a personalidade ácida demonstrada na noite anterior. A blusa branca era larga e confortável para uma boa noite de sono.

- Eu gostaria de vê-la executar alguns feitiços. Se você não se sentir à vontade comigo, talvez um dos seus colegas queira se voluntariar para ajudá-la nesta pequena demonstração.

- A ruiva.

Antes que qualquer pessoa pudesse se manifestar, o indicador de Melissa apontou para Shayna. A outra menina arregalou os olhos diante de tamanha ousadia, mas só precisou de um segundo para aceitar o desafio, sacar a varinha e dar um passo à frente. O goleiro do time de quadribol vibrou silenciosamente com a iminência do duelo que, desta vez, nem mesmo Landon poderia impedir. O monitor-chefe não podia contar que as duas meninas queriam briga sem confessar que havia escondido aquilo de Minerva na noite anterior.

- Relaxa, Landie! – o colega sussurrou, totalmente animado com a cena – A Minerva tá aqui, ela não vai deixar as duas se matarem. Será que pega mal sugerir um duelo lá fora? O jardim tá cheio de lama. Briga de meninas na lama, cara!

Totalmente alheia ao clima de inimizade entre as duas garotas, McGonnagal acreditava que Shayna era apenas uma voluntária que faria aquilo para ajudar a novata. Por isso, a diretora da Grifinória sussurrou para a ruiva quando a menina passou por ela.

- Vamos com calma, certo? Nada de feitiços violentos, eu só preciso ver o desempenho prático dela.

A ordem de Minerva foi lindamente ignorada quando Shayna apontou subitamente a varinha para a adversária e berrou um “Bombarda Maxima”. A professora chegou erguer a varinha para interferir e evitar um desastre, mas sua ação tornou-se desnecessária quando Melissa bloqueou o feitiço com a mesma naturalidade e facilidade com que bloquearia um simples “Expelliarmus”.

Shayna sentiu-se pessoalmente ofendida e disparou um “Estupefaça”, seguido rapidamente por um “Confundus” e um “Rictusempra”. Zummach repetiu o bloqueio com o primeiro feitiço, desviou-se do segundo com um movimento ágil e deixou a plateia boquiaberta quando conjurou um patrono perfeito que a defendeu do terceiro.

Nenhum dos presentes questionaria o fato de que o feitiço do Patrono era extremamente avançado para uma aluna de quinze anos. Geralmente aquela matéria era iniciada ao fim do quinto ano e somente alunos prestes a fazer os NIEMs conseguiam conjurar um patrono com a forma tão perfeita e definida.

Assim como os demais colegas e a professora, Shayna admirava a luz prateada que vinha do Patrono em forma de um adorável esquilinho e não viu quando a varinha de Melissa foi apontada diretamente para o seu peito.

- Engorgio!

O feixe amarelado que atingiu Shayna empurrou a menina somente alguns centímetros para trás e não foi doloroso. A ruiva estava prestes a zombar daquele feitiço aparentemente fraco quando notou que o dedo que ela apontava para a adversária começava a inchar. Em dois segundos, o corpo inteiro de Shayna crescia e, quando Minerva finalmente conseguiu paralisar o efeito da magia, as roupas da menina não comportavam mais o seu tamanho. Shayna certamente pesava mais que cem quilos quando saiu correndo – com bastante dificuldade – até o dormitório, totalmente envergonhada.

- SENHORITA ZUMMACH! – McGonnagal fuzilou a novata com o olhar, interrompendo uma graciosa dancinha da vitória.


- Este tipo de comportamento não é tolerado em Hogwarts, muito menos dentro da Grifinória!

- Ora, dona, vocês não precisavam ver do que eu sou capaz? Aí está. Eu nem precisava estar nesta escola estúpida. Eu não quero ficar aqui, vocês não me querem por perto. A solução é simples... Coloque-me no último ano e fique livre de mim mais rápido.

O queixo do goleiro despencou quando Melissa se referiu à sempre tão séria e formal Professora McGonnagal como “dona”. Ele podia jurar que, pelo brilho homicida no olhar da professora, Minerva estava pensando seriamente em usar tortura como castigo. Mas, por fim, a professora recuperou a sanidade e fez o que era eticamente permitido.

- Quinto ano! E a senhorita já vai começar as suas atividades com uma detenção. Duas semanas lustrando os troféus dos bons alunos devem bastar para que a senhorita fique familiarizada com o tipo de comportamento que é recompensado neste castelo.

A professora estava mortalmente séria quando correu os olhos pelo salão até encontrar a figura de Landon, parado junto aos demais alunos que assistiam ao espetáculo daquela manhã.

- Sr. Vanderwaal, a Srta. Zummach está sob a sua responsabilidade a partir de agora. Reporte a mim qualquer comportamento inadequado e cuide para que ela cumpra a detenção sem truques. Nada de varinha, eu quero os troféus brilhando com o esforço das mãos dela!
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 11, 2016 11:56 pm

É importante que o azevinho esteja extremamente seco e que seja triturado até quase virar pó. Por isso, a melhor época para a colheita deste ingrediente tão versátil...

Os olhos azuis deslizaram até o final da frase apenas para se erguerem, seguindo a extensão da mesa e pousando sua atenção no rapaz sentado na outra ponta. A mente de Clementine já havia se esquecido por completo qual era o assunto tratado naquele capítulo e a leitura se tornava impraticável quando, a cada minuto, ela procurava pelo perfil de Liam Mellish.

É claro que a relação que o lufano tinha com Cristopher havia despertado a curiosidade de DiLaurentis, mas não era exatamente o interesse no monitor com quem dividia a mesa que estava distraindo todo o seu foco daqueles estudos.

A peculiar capa vermelha que exibia as gritantes letras “Poções e Caldeirões” parecia zombar da sua expressão desesperada, simplesmente ignorado sobre a mesa de mogno, abandonado de uma forma imensamente injusta enquanto tudo que ela queria era ter um exemplar em suas mãos.

A boca de Clementine abria e fechava repetidas vezes e por um longo período ela ensaiou um pedido ao lufano. A Corvinal e Lufa-Lufa eram duas casas que se relacionavam consideravelmente bem, Liam era um Monitor e nunca havia lhe destratado de forma alguma. Talvez ele fosse mesmo tão nobre quanto sua casa exigia para não direcionar o ódio que sentia pelo meio-irmão a ela.

Mas DiLaurentis não via como poderia simplesmente abrir a boca e perguntar sobre aquele exemplar. Havia uma pequena chance de Liam ser estúpido e rejeitar qualquer pedido seu, apenas pelo seu víncolo com Cristopher. Mas havia uma outra chance, muito mais provável, que o namorado surtaria se soubesse que ela havia dirigido a palavra ao bastardo que ele tanto desprezava.

A Corvinal não abaixava a cabeça para tudo que Cristopher queria, mas também não pretendia arrumar uma briga logo em um assunto tão delicado. Por outro lado, o livro estava bem ali, ao alcance das suas mãos. Uma tarde de estudos não seria tudo, mas ainda era a melhor opção. Ela poderia folhear as páginas enquanto Liam se dedicava aos estudos em outro livro, pelo menos enquanto ele não estivesse usando.

Um suspiro ruidoso escapou dos seus lábios quando ela sacudiu a cabeça, negando seu próprio desejo e se obrigando a voltar a atenção para a leitura. Um dos fios loiros foi envolvido em seu dedo e ela forçou a enfiar as palavras da leitura em sua cabeça.

Para o melhor efeito da Poção de Envelhecimento, o ideal é que seja mexida em sentido horário por duas horas a cada dia da lua minguante. Depois, a poção deve ser conservada em um recipiente...

Mais uma vez, a mente de Clementine se recusou a continuar estudando quando seus olhos buscaram pelo livro vermelho. Seu coração batia rápido a cada segundo que passava, lhe lembrando que a qualquer momento Mellish poderia encerrar seus estudos e ela perderia aquela oportunidade.

Era apenas um livro e Cristopher não precisava saber. Não era como se ela estivesse de repente se juntando a lufanos ou traindo a confiança dele. Apenas precisava garantir o seu desempenho nos NOMs.

A sua opção de leitura foi fechada bruscamente, fazendo um barulho oco ecoar pelo corredor deserto da biblioteca. Clementine olhou ao redor, se certificando que nem mesmo os atentos olhos da Madame Pince estavam dirigidos para aquele canto e puxou o ar mais uma vez, reunindo a coragem.

- Mellish. – Quando a atenção do rapaz voltou para si, Clementine estava nitidamente ansiosa e apontou para o livro sobre a mesa. – Eu notei que você não está usando o seu “Poções e Caldeirões”. A Madame Pince disse que eles não tem mais nenhum exemplar disponível e eu fui estúpida o bastante para não encomendar o meu na Floreios durante as férias.

Ao perceber que estava se alongando demais, DiLaurentis fez uma pausa e respirou fundo. Ela recolheu as mãos e entrelaçou os dedos sobre a mesa, pronta para ouvir alguma risada ou resposta atravessada do rapaz que já havia aguentado humilhações demais do seu namorado.

- Enfim... É um livro essencial para qualquer um que queira tirar “Ótimo” nos NOMs e se eu puder pelo menos dar uma olhada enquanto você estuda, seria um grande favor.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Dez 12, 2016 1:31 am

As batidas soaram na porta com bastante discrição, mas o dormitório feminino do sétimo ano estava completamente vazio, permitindo que Shayna escutasse sem problemas. Do outro lado da madeira sólida, Landon escutou a menina fungar antes de resmungar com uma voz de quem claramente estava chorando.

- VAI EMBORA!

Os dedos de Landon chegaram a brincar na maçaneta cor de bronze, mas sabia que se tentasse dar mais um paço, seria arremessado escada abaixo, ejetado pelo feitiço que protegia todos os dormitórios femininos da torre da Grifinória. Por isso ele se limitou a apoiar a testa contra a porta, para tornar mais fácil a sua voz de navegar até o interior do quarto.

- Sou eu, Shay... Por que não vem até aqui para conversamos? Posso te acompanhar até a enfermaria.

Um novo silêncio reinou no interior do quarto, interrompido apenas pelo ocasional fungar da menina. Quando a voz de Shayna voltou a ecoar, ela soava trêmula, mas muito menos raivosa.

- Eu quero ficar sozinha, Landon. Não quero que me veja assim outra vez.

Os olhos verdes encararam a porta de madeira com atenção, imaginando como a amiga estaria do outro lado. Shayna estava longe de ser conhecida pela sua vaidade, mas a beleza natural da ruiva era vista com ainda mais empolgação pelos admiradores do Quadribol que enxergavam na menina o grande talento como apanhadora.

Apesar de nunca ter se interessado nela mais do que como uma amiga, Vanderwaal sabia que não era fácil para garota alguma ser vista daquela forma por um rapaz. Apenas por isso ele desistiu de insistir naquele diálogo que apenas deixaria a ruiva ainda mais constrangida.

- Eu vou para as aulas. Me mande uma coruja se mudar de ideia, está bem?

Não houve nenhuma resposta audível, mas Landon quase podia ver o rosto vermelho e molhado de lágrimas confirmando com um menear da cabeça. Com um sorrisinho afetado, ele enfiou as mãos nos bolsos da calça e desceu alguns degraus apenas para parar diante do dormitório do quinto ano.

Desta vez, as batidas foram mais firmes e Vanderwaal não tinha a menor intenção de ir embora espontaneamente. McGonnagal havia deixado claro que aquele problema agora era de sua responsabilidade, e como monitor-chefe, ele não iria decepcionar a sua diretora.

Melissa Zummach parecia trazer na testa que representava problemas. A menina claramente não estava nada satisfeita em estar ali, mas isso não significava que ele simplesmente correria até a professora pedindo para se livrar daquela amarga tarefa.

- Zummach. – A entonação de Landon era firme quando ele se recostou contra a parede de pedra do lado oposto a porta. – Espero que já tenha trocado os pijamas pelo uniforme. Sua primeira aula já começou e se não quiser alongar a detenção, é melhor chegar nas masmorras antes que o professor Snape termine a primeira poção.

O semblante de Landon estava sério enquanto ele encarava a porta. A demonstração de Melissa poderia ter sido impressionante, mas não era o tipo de comportamento que ele simplesmente aplaudiria.

Sua admiração deveria ficar perfeitamente escondida para não afetar o seu trabalho como monitor, e o seu papel se resumia em ajudar Melissa a se manter fora de problemas até que aquela detenção chegasse ao fim.

- Se você se atrasar para as aulas, os professores vão te prender até mais tarde e isso vai fazer com que a detenção comece ainda depois. E eu não pretendo perder o jantar porque você acha que não precisa seguir as regras como todos os outros alunos.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Seg Dez 12, 2016 1:41 am

Ao contrário de Clementine, Mellish concentrava todos os seus esforços na difícil tarefa de não olhar para a colega sentada na outra extremidade do corredor. Desde a troca de olhares no Salão Principal, Liam estava arrependido por ter demonstrado de forma tão escancarada o seu interesse na loira e agora tentava consertar a impressão que deixara na última noite.

A gravata amarela da Lufa-Lufa foi afrouxada em uma tentativa de reduzir a sensação de sufocamento, mas Liam sabia que o ar só se tornaria totalmente respirável quando ele se afastasse da namorada do meio-irmão. Estudar era um desafio, mas Liam queria ao menos folhear os livros selecionados para saber quais exemplares encomendaria na Floreios e Borrões.

O monitor-chefe seguia firme na sua determinação de ignorar a presença da colega quando ouviu Clementine chamando por ele. Seu coração se acelerou imediatamente e uma vozinha bem parecida com a de Mia Blake resmungou em sua cabeça que ele era um grande idiota por reagir assim.

As sobrancelhas franzidas em confusão mostraram que Liam não sabia aonde DiLaurentis queria chegar quando a menina começou a falar. Os olhos castanhos acompanhavam os movimentos dos lábios dela e as palavras chegavam com perfeição aos ouvidos do lufano graças ao silêncio mortal da biblioteca. Contudo, Mellish ainda tentava digerir o fato de que, pela primeira vez, Clementine DiLaurentis estava conversando com ele.

Era absurdo que os dois vivessem juntos em Hogwarts há quase cinco anos e nunca tivessem alongado nenhuma conversa. Mas aquela aparente contradição era explicada pelo fato de que havia um abismo entre os dois. Liam e Clementine não pertenciam ao mesmo núcleo social, suas famílias mal se conheciam, eles frequentavam as aulas em turmas distintas e foram selecionados para casas diferentes. Exceto pelos lamentáveis momentos em que DiLaurentis cruzava o caminho de Liam na companhia do namorado, os dois praticamente nem se encontravam pelos corredores do castelo.

Era tão surreal que Clementine estivesse dirigindo a palavra a ele que Mellish demorou a entender o pedido da garota. A loira já tinha se calado há alguns segundos e o silêncio da biblioteca se tornava cada vez mais constrangedor graças a ausência de resposta do lufano. Lentamente, os olhos castanhos deslizaram da imagem de DiLaurentis para o livro abandonado no canto da mesa, finalmente compreendendo o favor que a namorada de Cristopher lhe pedia.

Quando arrastou a cadeira alguns centímetros para trás e se colocou de pé, Liam repetia para si mesmo que faria aquilo por qualquer colega que lhe fizesse o mesmo pedido de Clementine. O exemplar que ele usara para estudar para os NOMs não lhe era mais útil e provavelmente seria jogado de volta no malão, então não fazia nenhum sentido negar aquilo a alguém que precisava tão desesperadamente dele.

Num gesto educado, Liam levou o livro pessoalmente até o alcance das mãos de Clementine, mesmo que pudesse ter jogado o exemplar para ela ou feito o livro levitar com um feitiço simples.

Embora o livro estivesse muito bem cuidado, era possível notar que aquelas páginas tinham sido bastante manuseadas, num sinal claro de que o dono do objeto havia estudado com seriedade a matéria. Quando folheasse o exemplar, a corvinal também encontraria várias anotações pertinentes feitas pelo rapaz, com informações que certamente ajudariam muito em seu estudo.

- Eu não vou usá-lo este ano. Pode ficar com ele.

O lufano apontou a capa vermelha e ergueu um dos ombros antes de explicar o seu desprendimento com o livro.

- Ele é realmente excelente para os NOMs, mas vou precisar de algo um pouco mais aprofundado para os NIEMs. É exatamente isso que estou procurando aqui.

A pilha de livros de Poções equilibrada na extremidade da mesa foi apontada por Mellish antes que ele se voltasse novamente para Clementine.

- Realmente não vou precisar dele, vou acabar jogando de volta no malão até o fim do ano. Então, pode ficar com ele até conseguir comprar o seu exemplar, não precisa ter pressa.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Dez 12, 2016 3:37 am

Quando o silencio reinou na biblioteca, Clementine poderia jurar que conseguia ouvir as batidas do próprio coração enquanto o arrependimento começava a dominá-la. Era questão de tempo até que Liam soltasse alguma grosseria ou simplesmente lhe negasse aquele pedido da forma mais fria possível.

O pior de tudo é que DiLaurentis sequer poderia julgá-lo. Depois de tantos anos sofrendo as humilhações do meio-irmão, era completamente aceitável que o lufano dirigisse a ela também a mágoa que sentia por todos os Rookwood.

Os nós de seus dedos estavam esbranquiçados enquanto ela apertava a borda da mesa e prendeu a respiração quando Liam se aproximou. Seu queixo quase despencou quando, ao invés de lhe emprestar apenas por algumas horas, o monitor da Lufa-Lufa estava lhe entregando o livro pelo tempo que desejasse.

Com os olhos azuis ligeiramente arregalados, Clementine encarou a capa do livro e ergueu uma das mãos para tocar as letras do título. A mão de Liam ainda tocava o livro, mas eles não chegaram a se tocar, embora segurassem aquele exemplar ao mesmo tempo.

Um imenso alivio foi crescendo no peito da Corvinal ao perceber que ela não seria prejudicada nos estudos de Poções para os NOMs, sem precisar ficar dias a espera de uma encomenda da Floreios e Borrões. Aos poucos, seus lábios foram se curvando em um sorriso grato e ela ergueu o rosto para encarar o lufano.

Até então, Liam Mellish era visto como o meio-irmão indesejado de Cristopher. Era a primeira vez que Clementine o enxergava como um merecedor residente da Lufa-Lufa, gentil e justo. Poderia ser apenas um detalhe, mas era impossível não comparar os dois irmãos naquele momento.

- Você acabou de me salvar de receber um Trasgo nos meus NOMs.

O sorriso de Clementine alcançava seus olhos quando ela puxou o livro mais para perto, folheando as primeiras páginas. Poção era uma das suas matérias preferidas, mas aquilo não significava que ela não precisasse se dedicar. Era pouco provável que recebesse um Trasgo, mas também seria extremamente vergonhoso não se dar bem em sua melhor disciplina.

- Não que eu vá ter a mesma sorte com Transfiguração. Posso jurar que escuto a mente da professora McGonnagal estalando cada vez que eu entro na sala dela. Aposto que ela pensa toda vez “O que esse desastre ambulante vai destruir agora?”.

A menina franziu as sobrancelhas para imitar a expressão séria da diretora da Grifinória, mas logo voltou a abrir o sorriso para demonstrar que estava apenas brincando. Seu esforço em Transfiguração precisaria ser muito maior do que em Poções, mas a Corvinal parecia saber lidar com aquela sua “pequena falha”.

DiLaurentis começava a relaxar depois de saber que seus estudos em Poções estavam a salvo e não notou quando uma terceira pessoa se aproximou da mesa. O professor Slughorn não era exatamente discreto em seu caminhar. O relógio em seu bolso se chacoalhava contra os suspensórios que usava, provocando um ruído de metal, e logo sua grande barriga entrou no campo de visão da menina.

- Ah! Vejam só, que sorte a minha!

Os olhinhos miúdos passaram do monitor da lufa-lufa para a menina com as vestes da Corvinal antes de pousar no livro facilmente reconhecível por um professor de poções. A forma com que Horace alisou a própria barriga e balançou a cabeça já denunciava o seu contentamento com aquela cena.

- Poções e Caldeirões, hein? Excelente escolha, Srta. DiLaurentis.

O risinho fácil do professor não deixava seus lábios enquanto ele balançava o próprio corpo sobre os pés. Uma de suas mãos foi erguida e ele apoiou no ombro de Liam.

- Que bom que encontrei os dois juntos, vai poupar a minha velha coruja de algum trabalho extra.

A mão livre vasculhou o bolso interno de sua capa e ele puxou de lá dois pequenos envelopes verde-limão. Como uma quintanista, Clementine nunca havia participado de uma das famosas festinhas de Horace Slughorn, mas era notável aos professores como a corvinal vinha se destacando com suas excelentes notas, o que poderia justificar aquele convite.

- É apenas um pequeno jantar para comemorar a volta das aulas. Espero contar com os dois, é claro.

Os dedinhos de Clementine receberam o envelope chamativo no instante em que o professor entregou o seu e ela não pode conter um sorrisinho de orgulho. Cristopher havia participado de apenas uma festa, também no início do seu quinto ano, mas aquele parecia ser mais um dos assuntos delicados para tratar com o sonserino. Slughorn provavelmente havia se decepcionado com o aluno que carregava o sobrenome Rookwood depois do seu fraco desempenho nos NOMs e nunca mais havia recebido o rapaz de sua casa para as reuniões.

Cristopher costumava julgar aqueles eventos do diretor como um grande fracasso de bajuladores, mas nem mesmo a vozinha arrogante dele ecoando em sua mente era capaz de diminuir o privilégio de receber aquele convite.

- Muito obrigada, professor Slughorn. Estarei lá, sem dúvida.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Ter Dez 13, 2016 9:26 pm

Uma das sobrancelhas da novata se arqueou quando ela se colocou diante do espelho do seu dormitório e analisou o resultado final da sua aparência. Os pijamas tinham sido largados de qualquer maneira sobre a sua nova cama e Melissa Zummach agora usava o uniforme que a sua família tanto desprezava.

A saia preta, a camisa branca de botões e as meias escuras tinham sido compradas no Beco Diagonal alguns dias antes da entrada de Zummach no Expresso de Hogwarts. Mas, depois de passar pelo Chapéu Seletor, o uniforme de Melissa havia ganhado novos detalhes. A menina agora usava uma gravata listrada com o vermelho e dourado da Grifinória. O casaco e a capa, antes lisos, agora exibiam magicamente o escudo de leão de Godric Gryffindor.

A novata ainda tentava digerir aquela nova imagem quando escutou as batidas na porta. Os olhos azuis giraram quando a voz do monitor-chefe chegou aos seus ouvidos e a resposta soou numa entonação carregada de sarcasmo.

- Oh, céus. Se eu soubesse que teria um cão de guarda teria trazido uma coleira e um shampoo anti-pulgas.

A porta se abriu antes que Landon tivesse a chance de responder àquela provocação. Quando surgiu no corredor, Melissa já usava o uniforme da Grifinória perfeitamente liso e havia prendido os cabelos castanhos em uma comportada trança lateral. O único detalhe de sua maquiagem era um brilho rosado nos lábios, que parecia realçar ainda mais o formato bicudo do lábio superior. Os livros novos tinham sido empurrados para uma mochila que, coincidentemente, tinha o mesmo tom de vermelho do escudo da Grifinória.

- Pessoalmente eu preferiria uma coruja. Corujas são muito mais úteis, fofas e limpinhas. Mas imagino que a sua companhia seja só mais uma das escolhas que eu não tenho neste lugar... Então, que assim seja. Não seria uma boa punição se não fosse tão infernal.

Por mais que estivesse impressionada com as dimensões e com a beleza do castelo, ainda era cedo demais para que Zummach se rendesse. Na cabeça da garota, estar em Hogwarts ainda era uma tortura que ela precisaria suportar para que seu pai não apodrecesse em uma cela gelada de Azkaban.

De dentro da mochila, Melissa retirou um pergaminho totalmente amassado, que demonstrava com perfeição o descaso dela com a rotina do castelo. Os olhos azuis estudaram as linhas escritas pela Professora McGonnagal antes que a novata se dirigisse novamente ao monitor chefe.

- Já que está aqui, faça o seu trabalho como um bom menino. Talvez você receba uma estrelinha na testa, ou pontos para o torneio ridículo entre as casas ou um troféu que vai acumular poeira na tal sala dos troféus. É assim que as coisas funcionam por aqui, pelo o que eu entendi. Vocês obedecem às regras em troca de... nada.

O comentário ácido de Zummach refletia a maneira como ela enxergava os alunos de Hogwarts. Desde que pisara naquele castelo, tudo o que Melissa via era todos obedecendo às regras sem questionamentos apenas para não ter problemas com os professores ou para não perder pontos num torneio anual que não oferecia nenhum prêmio além da “satisfação” de ter vencido.

- Preciso chegar na tal sala de Poções. Depois tenho aula de Aritmancia. Como se já não fosse suficientemente difícil me localizar neste castelo enorme, ainda preciso lidar com o fato de que as escadas são sentimentais e se movimentam independente da minha necessidade. Um detalhe formidável, como tudo nesta escola.

Uma das sobrancelhas da garota se ergueu e ela aproximou-se mais de Landon, permitindo que o setimanista sentisse o delicado perfume de maçã verde que vinha dos fios castanhos. A voz sussurrada combinava com a postura de alguém que contava um grande segredo.

- Ops... Sarcasmo também é proibido por aqui? Isso pode ficar entre nós dois. Se você contar sobre todos os meus tropeços para os professores, vou achar que quer alongar a minha detenção só para ficar mais tempo comigo.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Ter Dez 13, 2016 9:58 pm

Um dos motivos pelos quais Cristopher desprezava tanto o famoso Clube do Slug era a presença do meio-irmão no grupo seleto dos alunos preferidos de Horace Slughorn. Os dois rapazes tinham sido convidados no começo do quinto ano, mas o filho legítimo de Augustus Rookwood nunca mais havia recebido o envelope verde limão, ao passo que Liam continuou a ser uma presença constante nas reuniões do diretor da Sonserina.

Muitas pessoas falavam que Slug era um bajulador que gostava de se rodear de alunos ricos com sobrenomes importantes. Mas quem pegasse a lista de convidados para as festinhas particulares do professor notaria com facilidade que não era exatamente aquela a situação.

Slughorn tinha uma visão muito clara dos seus alunos em Hogwarts e sabia selecionar com perfeição aqueles que tinham um futuro grandioso pela frente. É claro que os jovens ricos vindos de famílias tradicionais já começavam a sua jornada no castelo com enormes chances de se destacar, mas Slug também enxergava o brilhantismo de alunos mais simples, que alcançavam boas notas ou demonstravam um bom desempenho no campo de quadribol.

E parecia ser este o caso de Liam Mellish. Um órfão abandonado pelo pai, morando de favor com os tios, selecionado para a Lufa-Lufa... ele tinha tudo para não chamar a atenção do professor de Poções. Mas uma sucessão de notas fantásticas, o distintivo de monitor e depois a posição de monitor-chefe elevaram Mellish a um integrante de prestígio do Clube do Slug.

Embora a prepotência não fosse uma grande característica da personalidade de Liam, o lufano gostava de pensar que, pelo menos naquele detalhe, ele era superior ao filho legítimo de Augustus Rookwood. Era agradável pensar que Horace Slughorn julgava que ele teria um futuro mais promissor do que Cristopher.

- Obrigado, professor.

O envelope nada discreto foi guardado no bolso do uniforme e um sorriso gentil foi dirigido ao diretor da Sonserina. Slughorn era ambicioso e obviamente tinha objetivos bem egoístas com aquele clubinho de alunos brilhantes, mas era difícil não gostar do professor de Poções. Slug era naturalmente engraçado e simpático e, ao contrário dos demais sonserinos, procurava ter uma boa convivência com todas as casas de Hogwarts.

- Eu estarei lá, como sempre. Agradeço pelo convite.

Só depois que o roliço professor já tinha sumido de vista, Liam voltou-se novamente para a colega. Ele indicou o envelope verde-limão ainda nas mãos de Clementine antes de comentar com um sorrisinho bem humorado.

- Prepare-se para algumas horas de bajulação e muito hidromel. Mas, acredite, a torre de sorvete que ele serve na sobremesa faz todo o esforço valer a pena.

A brincadeira leve deixava claro que aquelas reuniões não eram de fato uma tortura para o lufano. Com um semblante mais sério, Mellish ergueu um dos ombros antes de acrescentar.

- Eu realmente não sei se um professor deveria fazer este tipo de seleção, mas me permito ser um pouco egoísta quando o assunto é o Clube do Slug. É bom pensar que ele viu algum potencial em mim, acho que é uma forma positiva de encarar a situação.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Dez 14, 2016 12:56 am

O convite verde limão foi enfiado entre as páginas do livro de Poções e Caldeirão, e durante todo o diálogo, Clementine manteve seus dedos pousados sobre a capa vermelha, como se inconscientemente estivesse tentando proteger aquele pequeno milagre e impedir que Liam mudasse de ideia sobre aquele empréstimo.

A menina ouviu atentamente os comentários de Mellish a respeito do Clube do Slug, embora não fosse exatamente uma grande novidade. Ela já tinha ouvido a versão de Cristopher dezenas de vezes e reconstruído a imagem em sua mente sem as duras críticas de um rapaz mimado que havia sido rejeitado pelo seleto professor. Mas precisava admitir que era agradável ouvir a versão do lufano.

Quando o monitor-chefe terminou de falar, uma ruguinha de confusão surgiu entre as sobrancelhas loiras e um sorriso de descrença brincou em seus lábios enquanto Clementine balançava a cabeça.

- Você parece surpreso que o professor Slughorn seja capaz de ver o seu potencial. Não é bastante óbvio?

Clementine não carregava o mesmo preconceito enraizado que Gael havia demonstrado antes mesmo de pisar em Hogwarts. Para a primogênita dos DiLaurentis, os lufanos poderiam mesmo ser menos privilegiados e não exibir a perfeita coleção de famílias nobres como as demais casas. Os alunos de Helga Hufflepuff estavam longe de atrair os olhos da loira.

Mas seria uma grande hipocrisia não dar a Mellish seu devido crédito. Os dois viviam em mundos distintos, mas ele não teria conquistado o cargo de Monitor-Chefe gratuitamente. E sempre que ele e o meio-irmão se enfrentavam nos corredores, Liam demonstrava um belo controle da varinha, uma confiança que não era facilmente vista em meros alunos. O rapaz certamente possuía uma bela magia e Slughorn não havia tolo em enxergar seu potencial.

Os olhos azuis ainda estavam presos no rosto do lufano quando uma cabeleira loira chamou sua atenção em meio as estantes. Clementine ficou imediatamente tensa, como se tivesse sido flagrada fazendo algo ilícito, mesmo que estivesse diante dos olhos do irmão caçula.

Gael carregava uma pequena pilha de livros e exibia o seu uniforme verde e prata parecendo alguns centímetros maior do que o ideal para o seu tamanho. Os cabelos loiros estavam levemente bagunçados, provavelmente como consequência de seu primeiro dia agitado. Mas mesmo parecendo apenas um menininho, ele carregava em seu olhar uma grande reprovação em ver a irmã conversando com um lufano.

Os dedos de Clementine apertaram a capa vermelha do livro e ela puxou o exemplar contra o peito, se colocando de pé. Sabendo que Gael não perdia nenhum dos seus movimentos, ela encarou Liam mais uma vez, já sem exibir o mesmo sorriso leve de antes.

- Eu preciso ir. Obrigada mais uma vez pelo livro, prometo devolver o quanto antes.

A bolsa de couro foi deslizada para o seu ombro e o livro vermelho continuou pressionado contra o seu uniforme. Antes de se afastar por completo, Clementine se voltou mais uma vez para Liam, tomando o cuidado de se manter de costas para o irmão caçula. Fora do alcance dos olhos de Gael, ela se permitiu sorrir mais uma vez, se convencendo de que não havia nada de errado em ser gentil com o rapaz que havia acabado de salvar suas notas em Poções.

- Vejo você na festa. Até mais tarde, Mellish.

Quando passou por Gael, Clementine sentia o coração batendo acelerado, mas se esforçou para não demonstrar em seu rosto a culpa que estava sentindo, simplesmente porque não havia motivos para se sentir daquela forma. Muito menos se intimidar diante de um menino de onze anos.

- O que você estava fazendo?

Gael teve a delicadeza de esperar que os dois deixassem a biblioteca para finalmente cobrar a irmã, mas fora do alcance dos demais olhares, Clementine não parecia mais ameaçada. Ela apenas girou sobre os calcanhares e encarou o menino com impaciência.

- Estudando. Você deveria tentar, as matérias do primeiro ano podem não ser tão simples quanto parecem.

- Você estava falando com aquele lufano!

Era assustador como uma criança de apenas onze anos conseguia expressar tanto nojo em uma palavra e Clementine se sentiu enjoada. Gael era novo demais em Hogwarts para saber da complicada relação entre Cristopher e Liam, e provavelmente se sentiria ainda mais traído se soubesse que aquele rapaz que carregava o broche do Monitor-Chefe na verdade era o irmão bastardo do seu querido cunhado. Ele já estava furioso o bastante apenas em ver a irmã conversando com uma casa que ele acreditava ser inferior.

- Aquele lufano é um monitor-chefe, Gael. Você pode não gostar da casa dele, mas não significa que queira criar problemas para a sua casa o desafiando com insultos. Pelo menos eu não quero que a Corvinal perca pontos por tão pouco. É assim que você quer começar na Sonserina?

Gael provavelmente seria idolatrado em sua casa se desafiasse alguém da Lufa-Lufa, mas Clementine torcia para que ele ainda não dominasse a podridão da sociedade de Hogwarts e apenas temesse em manchar sua preciosa imagem que ainda deveria ser construída.

Pelo bico que o rapaz formou, mantendo a expressão carrancuda, Clementine percebeu que havia conseguido driblar a inocência do irmão e quase soltou um suspiro de alívio. Ao invés disso, ela apenas alinhou os ombros e o encarou por cima.

- E se continuar grudado em mim como um Pelúcio atrás de joias, eu mesmo me encarrego de destruir a sua imagem, irmãozinho. Não se esqueça que eu tenho um arsenal e tanto de histórias constrangedoras.

Para concluir sua ameaça, Clementine arqueou as sobrancelhas e só quando viu que havia atingido seu objetivo, se permitiu seguir o caminho pelo corredor, ignorando ainda o coração acelerado e a imagem constante de Liam em sua mente.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Dez 14, 2016 9:34 pm

O caminho até a sala dos troféus foi percorrido em silêncio durante todos os corredores do terceiro andar. Era possível apenas ouvir o som dos sapatos de Landon e Melissa se chocando contra o piso de pedra e o molho de chaves balançando no bolso interno do casaco do monitor chefe.

O primeiro dia de aula havia sido mais exaustivo do que Vanderwaal havia acreditado ser possível. Não havia mais dúvidas de que o seu último ano em Hogwarts seria carregado de desafios e ele precisaria se dedicar além do normal se quisesse obter bons resultados nos NIEMs.

Suas tarefas sequer haviam chegado ao fim, mas o rapaz já sentia o esgotamento forçando seus ombros para baixo e as pálpebras pesadas, exigindo algumas horas de descanso. As aulas foram puxadas, os trabalhos intermináveis e ele ainda precisava concluir a sua obrigação como Monitor-Chefe.

Landon não era um rapaz mal-humorado e raramente descontava nas pessoas as próprias frustrações. E até mesmo Melissa Zummach, que parecia querer testar todos os seus limites, não iria presenciar um chilique só porque ele não poderia seguir para o salão comunal e descansar com os demais colegas.

A novata da Grifinória não estava ali para fazer amigos, mas Landon também não iria se declarar um inimigo e alimentar brigas desnecessárias. Ele cumpriria o seu trabalho como se estivesse apenas diante de um dos irritantes sonserinos, aguentaria até o final do ano e se dedicaria em conseguir uma vaga no quartel de aurores.

- Oi Landon!

Duas meninas com uniforme da Lufa-Lufa passaram pelo corredor, seguindo pelo caminho oposto de Landon e Melissa. O semblante do monitor, até então sério, rapidamente se iluminou em um sorriso ao acenar para as colegas do sétimo ano.

- Bethany, CeCe, como vão?

No instante em que as duas passaram pelos ombros de Landon, saindo do campo de visão dele, trocaram olhares maliciosos. O rapaz, como sempre, não notou a forma quase cantada como as meninas diziam seu nome em uníssono. Para ele, eram apenas duas colegas simpáticas, que ao contrário de Melissa, não pretendiam afastar todo o mundo e tornar sua estadia em Hogwarts um inferno.

Landon precisou de apenas mais alguns passos até parar diante da porta de madeira, quase no final do corredor. As chaves foram puxadas de seu bolso e ele precisou de apenas meio minuto para encontrar a certa, destrancando a sala.

O lugar estava mergulhado em um completo breu onde apenas uma janela ao fundo permitia entrar a luz prateada do luar. Com um movimento rápido da varinha e sem emitir som algum, Landon fez com que fogo surgisse em um lustre feito com um círculo de velas, pendurado ao teto.

Algumas velas laterais e espalhadas em uma mesa também contribuíram para a iluminação e logo toda aquela claridade era refletida nos diversos troféus espalhados nas prateleiras e cristaleiras.

- O Sr. Filch já deixou o seu material de trabalho.

Ele finalmente se dirigiu a Melissa ao apontar para um balde de madeira aos pés da mesa. Sua metade já era ocupada com água e um pano estava pendurado em sua borda. No chão, havia uma escova consideravelmente desgastada e um vidrinho branco que provavelmente era usado pelo zelador em suas limpezas sem magia.

Os olhos esverdeados passaram da menina para os troféus. A camada de poeira seria o menor dos problemas para Melissa. Alguns dos menores troféus e medalhas pareciam encrostados de uma gosma esverdeada, um ou outro completamente coberto por um pó amarronzado que esfarelava em seus dedos.

Landon não era uma pessoa cruel, mas precisava admitir que sentia um pouco de prazer em ver que Melissa enfrentaria uma noite ainda pior do que a sua.

- Só temos mais duas horas se quisermos pegar o fim do jantar, então sugiro que você comece logo. Você pode não gostar das pessoas, do castelo ou das regras. Mas ainda assim precisa comer. Imagino que você não se alimente só do próprio sarcasmo, hm?
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qua Dez 14, 2016 10:42 pm

Durante o resto do dia, o monitor-chefe da Lufa-Lufa tentou convencer a si mesmo de que o jantar daquela noite não seria diferente das reuniões anteriores promovidas por Horace Slughorn. Os mesmos rostos estariam ao redor da grande mesa redonda, os quitutes de sempre seriam servidos com a familiar fartura e o professor arrancaria as novidades de seus alunos prediletos como se eles fossem laranjas que deveriam oferecer até a última gota de um suco doce e saboroso.

Mas seu coração se acelerava tolamente sempre que, ao tentar imaginar as cenas daquela noite, o rosto de Clementine DiLaurentis surgia entre os convidados. Por mais que soubesse que as notas da corvinal eram excelentes e que Slughorn tinha motivos para notá-la, Liam não havia se preparado para aquele instante.

Os momentos dele com a namorada de Cristopher se limitavam a raros e ocasionais cruzamentos pelos corredores de Hogwarts e olhares discretos durante as refeições no Salão Principal. Mellish realmente não sabia se conseguiria ser tão discreto em uma sala menor, somente com os seletos convidados do Clube do Slug.

Apesar da insegurança, não passou pela cabeça de Liam a possibilidade de faltar ao jantar. Pontualmente, Mellish desceu as escadas que levavam às masmorras e, antes mesmo de chegar à sala de Slughorn, já era possível ouvir o burburinho dos convidados ecoando pelas paredes de pedra.

Clementine não era a única novidade daquele jantar. Além da quintanista da Corvinal, novos rostos circulavam pela sala do professor de Poções. Naquele ano, Slug havia convidado também o goleiro da Sonserina que havia sido o herói do último torneio de quadribol, além de duas irmãs da Grifinória. Como o Sr. Vanderwaal trabalhava no Ministério da Magia, Liam sabia que a mãe das meninas tinha sido promovida para ocupar um cargo de confiança dentro do gabinete do ministro. Nenhum dos convites verde-limão do professor Slug era distribuído ao acaso.

- Ui, ui... o que é isso, hein? – a voz de Mia soou às costas de Liam e, quando o rapaz se virou, a colega fingiu estar se abanando – Se eu não te conhecesse, diria que está mal intencionado esta noite, chefe. Mas quem você iria querer impressionar no Clube do Slug? Eu sou de longe a garota mais interessante daqui e você sabe que não precisa de tudo isso para chamar a minha atenção, chefinho.

A longa convivência no Salão Comunal da Lufa-Lufa permitia que Mia Blake fizesse aquela brincadeira com o colega. A monitora lufana também estava no sétimo ano e sempre havia sido uma excelente amiga apesar de não perder nenhuma chance de provocar Liam. Mellish encarava tudo aquilo apenas como parte da personalidade divertida de Mia, mas um observador mais atento certamente notaria que havia alguma verdade por trás daquelas insinuações.

Naquela noite, a implicância de Blake fazia sentido. O monitor-chefe da Lufa-Lufa sempre aparecia bem vestido nas festinhas do professor Slug, mas era evidente que Liam havia selecionado as roupas com ainda mais cuidado para aquele jantar. A calça preta era nova, assim como a camisa de botões branca. A gravata da Lufa-Lufa havia sido deixada no dormitório, mas um blazer cinza chumbo completava o visual com ainda mais elegância.

O comentário de Mia sobre ser a garota mais interessante da festa era obviamente parte da provocação, mas a verdade é que a lufana realmente chamava a atenção. A pele pálida marcada por sardas tinha sido motivo de chacota há alguns anos, mas agora era nítido que os rapazes a olhavam de forma diferente e as sardas tinham se tornado mais discretas e delicadas com o passar dos anos. Os cabelos negros curtinhos mantinham sempre um corte moderno. A vaga de artilheira no time de quadribol da Lufa-Lufa também ajudou a moldar as curvas do corpo de Blake. Mia havia sido uma menina esquisitinha, mas o tempo a transformara em uma moça exótica e atraente.

- Eu devo me vestir muito mal para gerar tamanha surpresa só porque tirei um blazer velho do armário. Mas vou encarar isso como um elogio.

Enquanto respondia à garota com o mesmo bom humor demonstrado por Mia, Liam pegou uma taça de hidromel de uma bandeja que levitava magicamente pelo salão.

- Você também está ótima, Blake. Alguém que não te conheça poderia até acreditar que você é uma garota normal.

O vestido azul escuro bordado com várias pedrinhas no mesmo tom do tecido era bonito e realçava as formas de Mia. A maquiagem forte combinava com sua personalidade incomum, assim como os cabelos curtinhos escovados. A lufana girou os olhos castanhos e estava prestes a responder a provocação quando avistou algo por cima dos ombros de Liam. O sorriso de Blake morreu quase que instantaneamente quando ela ligou a aparência de Mellish à loira que acabava de entrar na festa, parecendo um pouco deslocada no ambiente.

- Inacreditável, Mellish. É sério, você perde uma boa dose do respeito que eu sinto por você quando faz essas coisas.

Liam só entendeu o motivo da crítica da amiga quando virou o rosto e percebeu que Clementine havia acabado de entrar. Seria uma tolice negar para a mente astuta de Mia o óbvio interesse que ele sentia pela loira da corvinal, mas Mellish também se recusava a admitir – até para si mesmo – que se derretia tanto pela namorada do meio-irmão.

- Menos, Mia. Esta veia dramática não combina com você.

- O que você espera? – a lufana soava anormalmente dura naquelas palavras – Que ela se apaixone por você e abandone o namorado rico, de sangue-puro, com um sobrenome influente, o genro dos sonhos dos pais preconceituosos dela? Você é um cara especial, Liam. Mas garotas como ela simplesmente não valorizam as suas qualidades. Tudo o que ela quer está em Cristopher Rookwood. Pare de se iludir, você é inteligente demais para acreditar que vai rolar algo com uma garota como ela.

Por mais que soubesse que Blake tinha razão em cada uma daquelas palavras, Liam sentiu um gosto amargo na garganta. Racionalmente, ele sabia que Clementine DiLaurentis era um sonho inalcançável, mas aquela fantasia se tornava ainda mais distante quando as palavras eram ditas por alguém que observava a cena de fora.

O semblante sério de Mellish indicava que a sinceridade da amiga tinha sido dolorosa, mas a sua voz continuou soando firme quando ele finalmente tomou a palavra.

- A única coisa que eu espero desta noite é poder comer e beber sem ter cada um dos meus gestos julgados de forma tão severa. Os meus sentimentos e a minha vida particular definitivamente não lhe dizem respeito, Mia. Mas eu agradeço pelo seu esforço em me colocar “gentilmente” no meu devido lugar.

O assunto foi finalizado no instante em que Mellish deu as costas à amiga e se afastou com passos decididos até o outro lado da sala. A taça de hidromel foi esvaziada em dois goles, mas logo Liam se reabasteceu com outra bandeja de bebida que passou flutuando ao seu lado.

Mesmo sabendo que Mia poderia notar aquele olhar, o monitor-chefe não resistiu à tentação de vasculhar o salão até encontrar a imagem de Clementine. Talvez fosse verdade que a namorada de Cristopher fosse um sonho inalcançável para um lufano como ele, mas ainda assim Liam não conseguia tirá-la de sua cabeça. Clementine era tão perfeita que Mellish se sentia satisfeito apenas por poder admirá-la de longe, como faria com uma obra de arte incomparável.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Melissa Zummach em Qua Dez 14, 2016 11:38 pm

Embora os Zummach tivessem se esforçado para oferecer à filha uma excelente educação em magia, Melissa tinha que admitir que as aulas em Hogwarts eram incomparáveis. Os professores particulares contratados para ajudar no ensino de Mel eram tão bons quanto os mestres de Hogwarts, mas Hogwarts oferecia aos seus alunos todos os recursos necessários para que os jovens se aprimorassem.

A biblioteca gigantesca jamais seria substituída pelos bons livros comprados pelos Zummach. Naqueles infinitos corredores, a garota poderia encontrar dezenas de exemplares de qualquer assunto que lhe viesse à cabeça. As salas de aulas também eram equipadas com todos os instrumentos necessários para as aulas teóricas e práticas. E até mesmo a convivência com tantos colegas era um ponto positivo de Hogwarts, já que os jovens poderiam criar dúvidas e situações que Melissa não enfrentaria estudando sozinha.

A novata ainda não estava pronta para admitir isso, mas a cada minuto parecia ser menos torturante ficar no castelo. Ao fim daquele primeiro dia de aulas, Melissa estava exausta, mas satisfeita com o desafio que enfrentara nas aulas. Tudo o que Zummach queria era tomar um banho, jantar e recuperar as energias com uma boa noite de sono, mas a menina nem pensou em fugir da punição imposta por Minerva McGonnagal.

Como Melissa já imaginava, o monitor-chefe da Grifinória já esperava por ela no corredor quando a garota saiu de sua última aula. Os olhos azuis giraram e Melissa resmungou algo parecido com “cãozinho de guarda” antes de seguir os passos de Landon silenciosamente pelos corredores.

No fim das contas, era uma sorte que Vanderwaal estivesse por perto, visto que Melissa gastaria o triplo do tempo até encontrar a salinha de troféus escondida no meio de tantos andares e corredores confusos. Zummach ainda precisaria de algumas semanas naquele castelo até conseguir se localizar com mais exatidão.

O estado deplorável dos troféus não era nada animador, mas Melissa não reclamou enquanto molhava o pano encardido e tirava o primeiro troféu da prateleira. O metal estava tão empoeirado que a menina só conseguiu compreender o conteúdo da plaquinha depois de esfregar as letras repetidas vezes.

- A Newton Artemis Fido Scamander, notório ex-aluno da Lufa-Lufa e autor do livro mundialmente reconhecido: “Animais Fantásticos e Onde Habitam”. Prêmio de melhor contribuição de ex-aluno à biblioteca de Hogwarts em 1927.

Melissa fez uma pausa como se estivesse refletindo sobre aquele prêmio antes de resmungar, sem tirar a atenção de uma pequena aranha que construíra a sua teia no interior do troféu dourado. Uma garota mais fresca certamente teria dado um chilique, mas Zummach não demonstrava nada além de curiosidade enquanto encarava o bichinho cheio de patas peludas.

- Não sei se esta aranha é fantástica, mas no momento ela habita o troféu do Sr. Scamander. Se ele é mesmo um magizoologista tão bom, não iria gostar que eu destruísse o lar da pobre aranha.

Embora fosse uma conclusão bastante plausível, provavelmente Minerva McGonnagal não aceitaria a desculpa de que Melissa não limpara o troféu para preservar o lar de uma aranha. Contudo, antes que Landon tivesse a chance de obrigar a menina a se concentrar no trabalho, a novata o surpreendeu com uma nova provocação.

- Tenho certeza que você sonha em ganhar um troféu nesta sala empoeirada. É a sua cara se satisfazer com um prêmio tão superficial... Como você imagina a inscrição na plaquinha, hein?

Zummach fez uma pausa dramática antes de apresentar as suas opções ao colega, obviamente com uma entonação de deboche.

- Talvez algo como “Landon Vanderwaal, prêmio de monitor-chefe mais queridinho dos professores da década de 70”. Ou quem sabe um troféu enorme com os dizeres “A Landon Vanderwaal, por sua imensa contribuição ao dedurar os colegas para os seus amados professores”.

A morena se virou para encarar o colega com um sorrisinho travesso nos lábios, que deixava ainda mais evidente seus dentinhos proeminentes.

- Que cara é esta? Acha que essas ideias não fazem jus às suas qualidades neste castelo? Está bem, vou tentar caprichar um pouco mais... O que acha de “Landon Vanderwaal, monitor-chefe exemplar, excelente jogador de quadribol, queridinho dos professores, razão dos suspiros das meninas anencéfalas: prêmio de aluno revelação do século”?

A provocação havia sido feita somente para irritar o colega, mas as palavras de Zummach deixavam claro que a menina só precisara de poucas horas em Hogwarts para notar que Landon recebia muita atenção das meninas. Um garoto tão certinho quanto ele definitivamente não combinava com a personalidade ácida e livre de Melissa, mas até mesmo a novata tinha que admitir que Vanderwaal era um rapaz anormalmente atraente.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Dez 15, 2016 12:18 am

- Isso é ridículo, Clementine! Quantas vezes já te falei que aquele velho ridículo só faz isso com perdedores que precisam de migalhas para se sentirem alguma coisa?

Era impressionante como mesmo em sussurros, Cristopher conseguia demonstrar toda a sua fúria. O eco das masmorras facilitava para que a voz dele chegasse até os ouvidos de Clementine, mas também permitiria que qualquer outra pessoa escutasse se passasse por ali.

O casal de namorados estava protegido por uma das grandes estátuas em uma área próxima ao que deveria ser a entrada para o dormitório da Sonserina e a poucos metros da sala onde aconteceria o jantar do Clube do Slug.

DiLaurentis já sabia que precisaria driblar o temperamento de Rookwood, mas nem isso foi suficiente para desmotiva-la a ir ao encontro do professor. Ela já conhecia Cristopher o suficiente para saber que sua revolta havia apenas começado após a sua rejeição no Clube, e ele apenas se comportava como um rapaz mimado que tivera um brinquedo recusado.

Horace poderia ter todos os piores motivos para reunir seus preferidos em um ciclo “mais íntimo”, mas Clementine também havia crescido em uma família onde sabiam perfeitamente que deveriam valorizar as boas relações. Um bom contato poderia fazer uma diferença incrível na indicação a um cargo do Ministério quando deixasse Hogwarts, e este contato poderia ser não apenas do professor, como das pessoas com quem ele se relacionava.

- É só um jantar, Cris. Eu vou lá, me farto de um pouco de sorvete com caramelo e depois passo o resto da semana fazendo você rir sobre as histórias dos convidados do Prof. Slughorn.

Com um sorriso confiante nos lábios, Clementine deu um passo a frente e rodeou o pescoço de Cristopher com suas mãos, juntando seu corpo ao dele. Os olhos atentos do sonserino rapidamente deslizaram pelo rosto bonito da namorada e ele se rendeu a um sorrisinho malicioso.

Embora não tivesse o objetivo de ir naquele jantar apenas para zombar dos colegas, Clementine sabia que era exatamente aquilo que Rookwood queria ouvir e teve certeza que havia ganhado aquela batalha quando as mãos dele deslizaram pela sua cintura.

- Não me poupe dos detalhes. Estou mesmo precisando rir.

O beijo iniciado foi imediatamente correspondido por Clementine, mas antes que os dois fossem flagrados por algum professor ou monitor, ela interrompeu o contato, afastando-o delicadamente com as mãos apoiadas sobre o uniforme verde e prata.

- Eu preciso ir. Quanto antes chegar, mais histórias terei para contar.

Piscando um dos olhos, Clementine se desvencilhou dos braços de Cristian e esperou que ele seguisse pelo caminho oposto, a caminho da passagem que o levaria até o Salão Comunal, para seguir seus passos até a sala de Horace Slughorn.

O lugar havia sido ampliado magicamente e uma música ambiente tocava agradavelmente, camuflando as vozes que se juntavam em conversas paralelas. As bandejas prateadas passavam diante dos seus olhos e ao ver tantas pessoas bem arrumadas, Clementine se sentiu aliviada por não ter escolhido apenas a capa com o emblema da Corvinal para aquela noite.

O vestido preto não tinha nenhum decote e era justo em seu busto, descendo até marcar a sua cintura antes de abrir em uma saia levemente mais rodada. Em seus ombros, as mangas curtas eram inteiramente rendadas e os detalhes deixavam expostas a pele pálida de seus braços. As pernas estavam cobertas por uma meia-calça quase transparente e terminavam com delicados sapatos também pretos, com estilo meia-pata.

Os cabelos loiros tinham sido puxados para uma trança lateral, deixando escapar diversos fios que emolduravam o rosto coberto com pouca maquiagem. Clementine havia apenas reforçado um delineado escuro que realçava ainda mais os olhos azuis e um discreto tom rosado em seus lábios.

As mãos estavam unidas enquanto ela buscava por algum rosto familiar dentre os queridinhos de Slug, se sentindo cada vez mais como um sereiano fora d’água ao ver que os presentes eram basicamente colegas que ela apenas se esbarrava pelos corredores.

Havia prometido a Cristopher historias constrangedoras dos seus colegas, mas ela parecia ser a única realmente deslocada naquele ambiente. Foi quase um alívio quando Horace finalmente notou sua presença e se aproximou para conversar.

O professor parecia extremamente empolgado e ligeiramente alterado por algumas doses de hidromel, mas em questão de minutos envolveu Clementine em conversas, particularmente interessado em como o Sr. DiLaurentis pretendia aumentar a produção de vassouras de sua empresa com a aproximação da Copa Mundial de Quadribol.


A conversa se alongou por mais tempo do que Clementine poderia imaginar, entrando em assuntos sobre os demais colegas conforme Horace a apresentava. Foi enquanto conversava com o goleiro da Sonserina que a menina notou a presença de Liam Mellish.

Por cima do ombro, se esquecendo por alguns segundos de prestar atenção naquela conversa, Clementine lançou um discreto sorriso de reconhecimento ao lufano, mas foi apenas quando os convidados foram direcionados para a mesa de jantar que ela teve a chance de falar com o colega pela primeira vez.

Alguns alunos já se reuniam ao redor da mesa e foi exatamente em direção ao lugar vago ao lado de Liam que ela se dirigiu. A cadeira alta a sua frente continuou vazia, mas a forma com que DiLaurentis segurou o encosto de madeira mostrava que ela tinha intenções de se sentar ali.

- É impressão minha ou o Prof. Slughorn está um pouco alto? Só enquanto conversava comigo, ele tomou quatro doses de hidromel e emendou uma conversa sobre um primo que perdeu as calças durante uma viagem ao Egito.

Clementine sussurrava para que o professor, que ainda reunia os demais alunos do outro lado do salão, não a escutasse. Mas o sorriso e a entonação leve usadas pela corvinal mostrava que ela achava a ideia de um professor fora dos padrões até divertida.

Um pigarro soou às suas costas, obrigando a menina a se virar para encontrar a figura de Mia Blake. Embora não conhecesse a colega pelo nome, Clementine não precisava ver o uniforme amarelo com o símbolo do texugo para saber que aquela menina de cabelos curtos pertencia a mesma casa de Liam. Ela sempre os via juntos na mesa do Salão Principal.

Com uma ruga entre as sobrancelhas claras, a loira olhou de Liam para Mia até compreender a expressão emburrada da morena. Ela nunca havia visto uma demonstração explícita de carinho entre os dois, mas talvez houvesse um motivo além da amizade para que estivessem sempre juntos.

- Oh, desculpe... – Os dedos de DiLaurentis escorregaram da cadeira e ela afastou um passo. – Eu pensei que o lugar estivesse vago. Você é Lia, não é?

A forma com que a corvinal espremia os olhos mostrava que ela estava fazendo um real esforço para se lembrar do nome da colega e não estava apenas com uma provocação gratuita.
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Re: Back to Hogwarts

Mensagem por Liam Mellish em Qui Dez 15, 2016 12:53 am

Um sorriso amargo e sem emoção surgiu nos lábios da lufana quando Clementine errou o seu nome. Mia não fazia a menor questão de participar do circulo de amizades de DiLaurentis, mas sentiu-se ofendida com aquela confusão. E, claro, ainda mais ofendida em notar o brilho nos olhos castanhos de Liam.

Blake fazia parte do Clube do Slug exatamente porque era uma figura notável em Hogwarts. Além de boa aluna e monitora, Mia era uma das melhores jogadoras de quadribol da história da Lufa-Lufa. O fato de Clementine não saber sequer o nome da colega só provava a pouca importância que DiLaurentis dava aos alunos de Helga Hufflepuff.

- Mia. – a morena a corrigiu com um sorriso falso e deu de ombros antes de completar – Sem estresse, eu também sou péssima com nomes. No seu caso, por exemplo, eu só me lembro que você tem um nome de velha. Perpetua? Dolores? Apolline?

Mesmo sentindo o olhar de Mellish fuzilando-a, Mia não abandonou aquela postura irônica. Como nunca havia conversado com Clementine, a lufana simplesmente concluíra que a loira era fútil e cruel exatamente como as outras meninas vindas de famílias tradicionais e, portanto, merecia aquele tratamento pouco amigável.

- Você não vai querer se sentar ao lado de um lufano, não é? Olha só... – o dedo de Mia indicou uma cadeira vaga do outro lado da mesa – Aquele sim é um lugar que combina com você, um sonserino de cada lado. Você já decepcionou a sua família quando não foi enviada para a casa das serpentes podres, mas pode diminuir o estrago se cercando de podridão. Aliás, parabéns pela escolha do namorado. O Rookwood é a personificação perfeita da imagem da Sonserina, seus pais devem estar orgulhosíssimos.

- Mia, já chega.

A voz de Liam soou baixa, mas em uma entonação tão firme e cortante que nem mesmo Blake se atreveu a contrariá-lo. A língua de Mia era normalmente afiada, mas Mellish nunca havia visto a colega sendo tão cruel antes daquele contato com DiLaurentis. Aos olhos de Liam, Blake estava se excedendo muito naquela tentativa de protegê-lo da mágoa que a loira poderia causar nele.

- O lugar está vago. – os olhos castanhos se voltaram novamente para Clementine, jogando de volta para a corvinal a decisão sobre se sentar ao seu lado – Fique à vontade se quiser se sentar aqui, mas vou entender se preferir se juntar aos seus amigos.

Embora a expectativa do lufano fosse sufocante, ele estava preparado para ver DiLaurentis inventar uma desculpa qualquer para ceder o lugar para Mia e acomodar-se em outra cadeira vaga.

Naquele dia, ele havia conversado com Clementine mais do que nos cinco anos anteriores, mas a parte racional da mente de Liam lhe dizia que isso não mudava nada entre os dois. Ela continuava muito longe do alcance de suas mãos, totalmente presa nos braços de Cristopher Rookwood.

Como filho legítimo de Augustus, Cristopher possuía o sobrenome importante da família, uma herança milionária, dezenas de imóveis, um cofre abarrotado de ouro no Gringotts. Mas o único bem de Cristopher que o irmão bastardo realmente cobiçava estava bem diante dos seus olhos naquele jantar. Ele abriria mão facilmente de toda a fortuna dos Rookwood para ter apenas uma chance com Clementine DiLaurentis.
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Liam Mellish

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