Stanford University

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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Qui Nov 24, 2016 12:57 am

As bochechas de Angie estavam quentes e ela tinha certeza que estava corada, mas se esforçou para abrir um sorriso ao perceber que Dominic estava apenas provocando com aquelas insinuações. Com um girar de olhos, ela se aproximou da cama e se acomodou diante dele, levando os dedos até os cabelos ainda molhados.

- Bom, talvez a gente devesse tentar em uma cama, só pra variar.

A entonação usada na voz de Lockwood deixava claro que ela também estava brincando, mas diferente do rapaz, era impossível não corar ao se referir a intimidade dos dois, mesmo que em uma brincadeira.

Em questão de segundos, o olhar de Angeline se tornou mais sério ao retribuir a mesma intensidade das íris claras de Dominic. Era assustador como em poucas semanas tanta coisa havia mudado em sua vida e o responsável estava inocentemente sentado em sua cama.

Não era apenas a mania de organização de Lockwood que havia se transformado com a chegada de Sjogren. Ela havia se tornado mais leve e feliz. O sorriso era muito mais sincero e a cada dia ela tinha certeza que estava mais apaixonada por Dominic.

- Você é mais do que bastante, Nick. Você é muito mais do que o cara irresponsável que não perdia uma única festa, eu sei disso agora. Você foi uma maravilhosa surpresa nos meus dias tão previsíveis. Meu pai só precisa se acostumar com a ideia de que agora existe outro homem na minha vida.

***

O cheiro adocicado invadia toda a casa, se misturando ao aroma dos temperos utilizados nas carnes que o Sr. Lockwood enfileirava na pequena churrasqueira instalada no quintal aos fundos da pequena casa.

O sol já começava a se pôr e Angeline se sentia grata por ter sobrevivido a uma noite e um dia inteiro sob o teto de Patrick sem nenhum homicídio. Ela havia se ocupado durante a maior parte das horas, enfurnada na cozinha com as mãos enfiadas no preparo do bolo de aniversário do pai.

Como resultado, ela exibiu com orgulho o bolo de chocolate com três camadas. O recheio transbordava pelos lados e o açúcar havia sido salpicado na cobertura, junto com algumas frutas. O bolo foi colocado em uma bancada perto da entrada da cozinha e ela se dirigiu até a mesa já ocupada por Dominic e Thomas.

Patrick cutucava algumas carnes na churrasqueira e havia se virado para olhar a filha. A cabeça girou de volta até o jantar apenas para que virasse bruscamente, desta vez encarando Angeline com mais atenção.

- O que você está vestindo???

Angie abaixou a cabeça e encarou a escolha daquela noite, tentando encontrar o que havia de errado. O vestido cor de rosa não era tão delicado quanto o que havia usado na noite em que se estapeara com Monica. O tecido era mais justo do corpo e terminava mais de um palmo acima do joelho. Para não ficar com a aparência vulgar, a menina havia jogado por cima um suéter branco e vazado, o que dava a impressão de que ela vestia uma blusa e saia.

- O nome disso é vestido. – Angie respondeu, soltando um risinho ao se servir com uma fatia de pão da cesta no centro da mesa.

- Você nunca usou um desses antes. O que houve com a sua camisa de flanela?

Patrick tocou a própria camisa xadrez que usava, e uma das peças que costumava estar frequente no guarda-roupa de Angeline. Ela não poderia julgá-lo por se espantar com aquela pequena mudança.

- O que o Pat está tentando dizer é que você está bonita. – Thomas abriu um sorriso gentil, mais uma vez despertando o sentimento de culpa em Angie.

A menina pigarreou, tentando desviar o assunto sobre as suas vestes. Ela deslizou a mão sobre o joelho de Dominic por baixo da mesa, como um pedido de desculpas pelo comentário do outro rapaz.

- Meu pai disse que você também vai começar a faculdade, Tom.

O rapaz encheu os pulmões com ar e estufou o peito, orgulhoso em saber que aquela notícia havia chegado aos ouvidos de Angeline. Para ele, o principal motivo para o fim do namoro dos dois era o fato de não ter um futuro tão bem planejado como a menina e aquele novo detalhe poderia fazer total diferença.

Talvez, se Dominic não tivesse surgido na vida de Angie, ela realmente pudesse considerar aquela mudança positiva para reatar o relacionamento com Thomas. Mas era impossível pensar em qualquer outro rapaz depois de sentir o coração acelerado por Sjogren.

- Sim. As aulas começam apenas depois do natal, mas já estou bastante empolgado. Eu sei que não é nenhuma Stanford... – O rapaz encolheu os ombros em um gesto humilde. – Mas achei o curso de Literatura bastante interessante.

- É claro que você iria fazer Literatura. – Angie girou os olhos, mas exibindo um sorriso para demonstrar que estava orgulhosa da escolha dele. – Você citava Shakespeare aos treze anos. Que tipo de cara faz isso?

- Bom, vocês não podem me julgar por ter ficado tão espantado quando disseram que estavam namorando, hm?

O comentário de Patrick não soou com nenhum pingo de maldade. Era apenas uma lembrança que trouxe como gatilho as palavras inocentemente. Mas ainda assim, Angie se encolheu, ficando nitidamente mais tensa com aquela revelação escrachada.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Qui Nov 24, 2016 1:30 am

- Então vocês namoraram?

A pergunta de Dominic soou numa entonação tranquila, mas a ausência do familiar sorrisinho relaxado do russo indicava que ele não havia ficado feliz com a informação. Sjogren já havia notado o interesse do outro rapaz em Angeline, mas até então pensava que era somente uma paixão platônica e que Angie nunca havia aberto espaço na sua agenda para Thomas.

Por mais que soubesse que o namoro de Angeline e Thomas nunca havia chegado ao ponto no qual ele estava com a loirinha atualmente, Dominic sentiu-se profundamente enciumado com as imagens que a sua mente projetou dos dois juntos.

Aquele era um sentimento inédito para Sjogren. Seus relacionamentos antes de Angeline tinham sido intensos, mas Dominic nunca se envolvera emocionalmente a ponto de sentir ciúmes de uma garota. O russo já havia visto Monica circular nos braços de vários rapazes na tentativa de provocá-lo, mas aquilo nunca chegou perto de incomodá-lo com a mesma intensidade que a simples presença de Thomas naquela noite.

- Por dois anos.

A resposta de Thomas tinha uma inegável dose de desafio, como se o rapaz quisesse deixar bem claro que seu relacionamento com Angeline fora muito mais sério do que o namorico recente com o universitário. Contudo, aquela informação provocou em Dominic uma reação bem diferente daquela que Thomas imaginara.

- DOIS ANOS???

Ao invés de se sentir intimidado com aquela novidade, Sjogren abriu um sorrisinho debochado e precisou apertar os lábios com força para evitar que aquele sorriso se transformasse em uma gargalhada. Thomas tentara se vangloriar de um relacionamento tão duradouro, mas tudo o que Dominic conseguia pensar era que tipo de namoro era aquele que durara dois anos sem sexo.

O russo tinha uma valiosa carta para liquidar aquele jogo de rivalidade com Thomas, mas ele jamais iria expor a intimidade de Angeline jogando na cara do outro rapaz que ele havia dormido com ela em menos de um mês de namoro. Ainda mais porque Patrick continuava na churrasqueira, mas era evidente que estava atento à conversa da mesa.

- Legal. – Sjogren ainda se esforçava para não rir – A Angel não tinha me contado sobre nenhum namoradinho de infância.

- Não éramos crianças. – Thomas estreitou os olhos, visivelmente ofendido e ainda sem compreender o que se passava na cabeça do outro rapaz – Terminamos pouco antes dela ser aprovada em Stanford.

- Entendi. Que bom pra mim, não é?

Thomas era inocente demais para entender as ironias e o sorrisinho maldoso de Dominic, mas Patrick não deixou que aquela informação passasse despercebida. Quando bateu os olhos em Sjogren, o Sr. Lockwood soube que ele não era o tipo de rapaz que prolongaria um namoro comportado por muitos meses e que logo exigia mais do que beijos de Angeline. Mas aquela breve conversa reforçava a terrível hipótese de que o pior já havia acontecido.

Por mais que Angeline já fosse uma moça crescida e estivesse construindo a sua independência em uma grande universidade, Patrick não se sentia pronto para imaginar sua garotinha sendo tratada como uma mulher, muito menos por um rapaz que não combinava em nada com a personalidade doce e responsável da menina.

A forma furiosa como Lockwood espetou o hambúrguer que assava na churrasqueira mostrava que ele estava descontando a raiva na carne ao invés de dirigir sua força para o pescoço de Dominic.

Antes ele desejava o fim do namoro de Angeline e Thomas por achar que a filha merecia um futuro melhor do que aquele que um rapaz tão simples poderia oferecer. Agora, contudo, Patrick daria de boa vontade um dos braços para voltar no tempo e incentivar o relacionamento da filha com seu funcionário.
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Qui Nov 24, 2016 1:46 am

Era impossível ignorar o gritante contraste na aparência de Violet Bryant naquela tarde. A pele sempre maquiada estava oleosa e pálida, os lábios sem cor alguma e poderia ser só impressão de Matthew, mas ele poderia jurar que ela também parecia mais magra na camisola.

Ao contrário do medo da menina de que o rapaz a flagrasse naquela situação pudesse despertar qualquer tipo de nojo, foi apenas a preocupação que fez Avery congelar na entrada do banheiro, arregalando os olhos diante da fragilidade que ele não estava acostumado a ver na amiga.

Era um alívio ver que Violet ainda estava de pé e não ter se deparado em algumas das terríveis cenas que Matt havia imaginado no caminho até ali. Mas ainda não era inteiramente reconfortante ao ver como a menina estava abatida.

- Violet, cuidado!

Quando o joelho de Bryant fraquejou e o corpo magro foi projetado para frente, Matthew se arremessou em sua direção. A mão da menina bateu contra uma escova de cabelo encostada sobre a pia e a mesma voou pelo banheiro, provocando um baque alto no cômodo. Os braços de Matt conseguiram alcançar Violet antes que ela se chocasse contra o chão.

Os olhos verdes estavam mergulhados em profunda preocupação quando ele deslizou um dos braços até apoiar a parte de trás dos joelhos de Violet. O corpo da menina foi erguido em seu colo e Matt a acomodou carinhosamente contra seu peito enquanto a guiava pelo apartamento até chegarem ao quarto. Com delicadeza, Matt apoiou o corpo de Violet sobre o colchão, sem ter tempo para reparar que estava ali pela primeira vez.

- Você conseguiu comer alguma coisa desde que começou a passar mal?

Com apenas um movimento da cabeça, Violet respondeu o que Matt já previa. Ele soltou um suspiro pesado e se apressou em pegar uma água fresca para a loira. Quando até isso foi recusado por uma careta de enjoo, Avery sabia que não haveria muito o que fazer sozinho.

- Eu não entendo muito de medicina, Vi, mas você já deveria estar melhorando a uma hora dessas, e não piorando.

O rapaz se agachou ao lado da cama de Violet e segurou a mão fria entre seus dedos. Para ele, a menina realmente só estava com alguma infecção alimentar, mas não duraria muito mais tempo em pé sem colocar nem mesmo água na boca.

- Nós precisamos ir ao hospital. Você precisa de um pouco de soro para recuperar as forças e fazer alguns exames.

Por já conhecer a vaidade da loira, Matt não deixou que ela recusasse aquela ideia apenas por se sentir envergonhada em descrever seus sintomas para um completo desconhecido.

- Você perdeu a aula mais importante do ano, Violet. Se continuar assim, vai perder a festa do final de semana também. – Ele abriu um sorrisinho carinhoso ao tocar os cabelos loiros despenteados. – E eu sei que você está louca para exibir algum vestido novo para o campus inteiro.

No papel do melhor amigo perfeito, Matthew revirou o closet de Violet e a vestiu, sem nenhum vestígio de segundas intenções. A camisola foi trocada por roupas mais comportadas e ainda assim confortáveis, o que foi um desafio em meio as roupas exuberantes que a menina tinha.

Foi com a ajuda dos braços de Avery que a menina foi transportada até o carro e novamente do carro até a recepção do hospital. Ao subirem a pequena rampa rodeada de ambulâncias, Violet ainda precisou se reclinar sobre alguns arbustos quando seu estômago protestou mais uma vez. Com os dedos ágeis, Matt puxou os fios loiros para cima, livrando-os da área de risco.

Quando uma Violet completamente abatida o procurou com o olhar para se desculpar, Matt apenas abriu um sorrisinho carinhoso, desejando que ao menos por um minuto ela não se preocupasse com a imagem adoecida.
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Qui Nov 24, 2016 2:27 am

- Você poderia pelo menos ter disfarçado, sabia?

As risadas de Angeline ecoavam pelo carro, mostrando que ela não estava realmente chateada pelo pequeno deslize de Dominic durante o jantar. Ela já havia tido tempo suficiente para se torturar com a ideia do pai ter percebido que o namoro com Sjogren não era tão inocente quanto com Thomas. Também já havia se lamentado pela forma com que o ex-namorado estava sendo zombado pelas risadas de Dominic.

Depois de sobreviver um final de semana inteiro em Sacramento, ela estava apenas aliviada por estar de volta a Stanford. Era como se apenas agora ela estivesse voltando para a sua verdadeira vida, ao lado de Dominic, mesmo que aquela vida fosse sua há poucas semanas.

- As coisas eram diferentes com o Tom. Você não precisava rir dele por isso.

Angie claramente tentava defender o ex-namorado, mas o sorriso que não deixava seus lábios mostrava que agora que via seu antigo namoro de outra perspectiva, também achava completamente bizarro o fato de estar com um rapaz por tanto tempo sem dar um passo tão importante que havia sido tomado quase prematuramente com Dominic.

- Ele é diferente, Nick. E eu também era uma menina completamente diferente até conhecer você.

O jeep foi estacionado em frente ao dormitório, ao lado de onde a moto de Dominic havia passado nos últimos dias. Angeline puxou o freio de mão e se virou para encará-lo, assumindo um semblante mais sério. Ela se remexeu no banco do motorista até estar de frente para ele.

- Eu queria que tivesse acontecido com alguém especial. Com alguém por quem eu estivesse apaixonada.

Ela mordeu o lábio inferior, sabendo que estava pisando em um terreno ainda mais delicado do que na noite na piscina. Dominic já havia provado inúmeras vezes que também estava mergulhando de cabeça naquele relacionamento, e foi este pensamento que deu coragem para Lockwood seguir adiante com as palavras.

- Eu nunca amei o Tom. Não da forma que deveria ser. Não como é com você.

A voz de Angie soou quase em um sussurro nas últimas palavras, mas ela não ousou piscar, como se temesse perder a reação de Dominic diante daquela confissão. O silêncio se instalou no carro, aumentando a sua ansiedade e expectativa, mas antes que ele pudesse responder, uma batida na janela do carona fez a menina se sobressaltar.

Olhando por cima do ombro de Dominic, ela reconheceu o rosto de Stacey exibindo um largo sorriso e carregando o pequeno Jeremy em seu colo. A decepção por ter tido aquele momento interrompido foi rapidamente anulada ao encontrar o cachorrinho do lado de fora.

Como se não tivesse acabado de se declarar pela primeira vez para Dominic, Angie saltou para fora do jeep e rodeou o carro para pegar o filhotinho em seu colo.

- Heeey, meu bebê! Você se comportou? Senti tanto a sua falta.

As lambidas em sua bochecha vieram como um beijo para responder que o cãozinho também havia sentido sua falta. O rabinho curto balançava rapidamente contra o braço de Angeline.

- E então, como foi a visita ao vovô Lockwood? – Stacey perguntou, cruzando os braços livres contra o peito.

- Bom, em resumo? – Angie arqueou as sobrancelhas. – Dominic tem um vinho inteiro para beber, acompanhado de um pacote de biscoitos.

A ruiva franziu o nariz e procurou pelo olhar do melhor amigo.

- Nada bom, então?

- Sobrevivemos. – Angie sorriu, sem interromper o cafuné atrás da orelha de Jeremy.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Qui Nov 24, 2016 2:28 am

- E você não consegue andar?

A pergunta do médico tinha uma entonação de descrença e o homem encarou Violet como se ela realmente fosse mais uma das garotas histéricas e dramáticas que exagerava os sintomas de um resfriado ou de uma infecção alimentar apenas para chamar a atenção do namorado. Bryant havia acabado de descrever seus sintomas e, a princípio, o médico não parecia tão preocupado com a situação quanto Matt imaginava.

- Minhas pernas estão fracas, mas eu consigo andar.

O questionamento do médico fora feito porque Matt entrara no consultório amparando o corpo da loira como se Violet estivesse prestes a cair. Ela continuava fraca, mas definitivamente não precisava daquele excesso de zelo por parte do amigo.

- Então vá para a maca, eu vou te examinar.

Quando Avery fez menção de ajudá-la, Violet sacudiu a cabeça em negativa. A loira precisou se apoiar na mesa para se colocar de pé e repetiu aquele gesto de arrastar os pés ao invés de erguê-los. Apesar da dificuldade, Bryant conseguiu se deitar na maca e foi submetida a um exame superficial. Era óbvio que o médico enxergava aquilo como uma simples infecção alimentar supervalorizada por uma garota fresca.

Depois de uma hora de observação e duas bolsas de soro, Violet parecia um pouco melhor. O rosto continuava abatido, mas a garota começava a recuperar gradativamente as cores rosadas nas bochechas. Seu apetite ainda não havia retornado, mas ao menos Bryant parara de vomitar e havia conseguido tomar alguns goles do suco trazido por um dos enfermeiros.

- Meu Deus do céu...

A exclamação soou quando Violet analisou o próprio reflexo na colher que o enfermeiro lhe dera para tomar a sopa que acabara de chegar. Ela continuava mais bonita que a média de uma garota comum, mas os cabelos atrapalhados e o rosto suado e abatido era uma imagem que Bryant não estava acostumada a ver. A blusa comum com a calça jeans mais larga e confortável também não combinavam em nada com as roupas sempre exuberantes que a loira desfilava pelo campus.

- Que bom que você está acostumado com zumbis, Matt. Só por isso você ainda não saiu correndo. Eu estou pavorosa!

Sentada numa poltrona reclinável da sala de observação, Violet apoiou o prato de sopa sobre as coxas. Tudo parecia bem durante as primeiras colheradas, mas repentinamente a loira deixou a colher escapar por entre seus dedos. O barulho do metal girando no chão só chegou ao fim quando a colher parou aos pés de Matt.

- Ops...

Aquele acidente mostrava que, embora recuperada do mal estar gástrico, Violet ainda mantinha aquela estranha fraqueza nas extremidades. A loira mencionou aquele detalhe ao médico quando o homem retornou para reavaliá-la, mas, mais uma vez, os sintomas não foram valorizados.

- Só está fraca porque não comeu direito e passou as últimas horas vomitando. Vou te dar um dia de atestado, você volta pra casa e descansa. Só precisa comer bem e dormir por algumas horas e tudo voltará ao normal.

Por mais que quisesse acreditar no médico, Violet estava preocupada quando retornou ao Nissan vermelho. Enquanto Matt dirigia de volta ao apartamento dela, Bryant movia os dedos das mãos repetidas vezes, na esperança que a movimentação colocasse um fim naquela sensação de formigamento. No começo eram apenas os dedos, mas agora Violet tinha a impressão de que alguns choques leves começavam a chegar aos seus cotovelos.

- Você pode ficar mais um tempo comigo, Matt? – o pedido da loira soou quando o carro parou em frente ao seu prédio – Eu estou bem, só não quero ficar sozinha...

Para imenso azar de Violet, ela descobriu que o único elevador do prédio estava em manutenção naquela tarde. O trajeto até o terceiro andar não era tão pesado, mas nos últimos degraus a loira simplesmente não suportou mais o esforço e cedeu à oferta de Avery, permitindo que o amigo a carregasse pelos metros restantes até o seu apartamento.

Tão logo Matthew a colocou sentada no sofá, Violet massageou os joelhos, que agora também formigavam de maneira incômoda. Tudo aquilo era muito estranho, mas Bryant tentava se convencer de que estava tudo bem. Ela havia acabado de sair de um hospital e não teria sido liberada se seus sintomas não fossem normais.

- O médico tem razão, deve ser fome. Você pode me trazer alguma coisa pra comer, Matt? Tem biscoito no armário e suco na geladeira. O enjoo melhorou, eu acho que consigo comer.

Violet levou uma das mãos ao rosto de Avery e o acariciou delicadamente antes que o rapaz tivesse a chance de se afastar.

- Obrigada por tudo isso, Matt. Principalmente por não fugir dessa minha cara monstruosa.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Qui Nov 24, 2016 10:41 pm

A grande maioria dos rapazes concordaria que uma declaração de amor era um passo muito prematuro para um namoro de poucas semanas. Para Dominic, então, que nunca havia se envolvido emocionalmente com nenhuma menina antes de conhecer Angeline, aquelas palavras foram recebidas como um tiro de canhão que desestabilizou seu universo por alguns segundos.

O choque deixou o russo paralisado por um generoso tempo. A sorte dele foi que Stacey chegou a tempo de evitar que aquele silêncio se tornasse ainda mais constrangedor e a presença de Jeremy foi o suficiente para amenizar o clima pesado que nascera entre o casal de namorados.

Por mais que soubesse que uma garota esperava ouvir uma resposta positiva depois de uma declaração de amor, Sjogren ainda estava chocado demais para reagir quando deslizou para fora do carro. Jeremy sacudiu o rabo freneticamente quando o viu, mas tudo o que Dominic conseguiu fazer foi abrir um sorrisinho amarelo para o filhote e afagar sua cabecinha.

Stacey obviamente notou que havia algo errado com o melhor amigo, mas imaginou que Sjogren apenas estava cansado depois de dois dias inteiros enfrentando uma convivência difícil com o pai de Angeline. A ruiva jamais imaginaria que havia interrompido o casal bem no meio de uma conversa tão íntima e que salvara o russo de ter que dar uma resposta para a declaração de Lockwood.

- Não vai subir?

A pergunta de Stacey foi dirigida a Dominic quando a ruiva viu as chaves da moto sendo tiradas de um dos bolsos da mochila que o rapaz carregava.

- Não, hoje não. Estou cansado e deixei o apartamento dois dias sozinho. Tenho que organizar as coisas e preciso dormir cedo, tenho uma aula foda no primeiro horário amanhã.

A explicação de Sjogren parecia bem digna. Era aceitável que depois de dois dias fora de casa o rapaz estivesse ansioso para voltar ao apartamento e organizar a sua vida antes de reiniciar mais uma semana em Stanford. Mas aquela também parecia uma desculpa perfeita para se afastar de Angeline e deixar que o assunto iniciado por ela dentro do carro morresse sem uma resposta dele.

Depois de um breve acordo, ficou combinado que Jeremy passaria mais aquela noite no quarto das meninas e Dominic o buscaria no dia seguinte. O casal de namorados se despediu com um beijo rápido antes que o russo subisse na motocicleta e dirigisse até o pequeno apartamento onde morava sozinho.

Durante todo o trajeto, Sjogren sentiu-se corroído pela culpa. A declaração de Angeline ainda ecoava em sua memória, torturando-o com a certeza de que ele estava sendo um grande canalha com ela. Quando concordara com aquela aposta, Dominic sabia que teria que seduzir e iludir a garota, mas ele não havia parado para pensar que aquela brincadeira poderia machucar tanto a caloura.

A convivência com Angie fizera com que Dominic se encantasse por ela e que aquela aproximação deixasse de ser somente uma simples aposta. Mas, definitivamente, o russo ainda não estava pronto para ouvir uma declaração de amor.

Quando chegou ao prédio, tudo o que Sjogren queria era um banho e algumas horas de descanso para esfriar a cabeça. Mas seus planos foram frustrados quando Dominic destrancou a porta do apartamento e deu de cara com Monica Clark. O queixo dele caiu e suas sobrancelhas se arquearam antes que o rapaz explodisse.

- Mas que merda é essa? Como você conseguiu entrar na minha casa???

- Oi pra você também, xuxuzinho.

Sentada no sofá em frente à televisão ligada em um seriado qualquer, Monica cruzou as pernas, realçando ainda mais o comprimento reduzido do vestidinho vermelho escolhido para aquela tarde.

- Como você entrou, Monica? – Dominic insistiu na pergunta enquanto fechava a porta atrás de si com um olhar profundamente sério.

- O seu antigo colega de quarto deixou as chaves dele comigo antes de ir embora. Eu acabei largando dentro de uma bolsa e esqueci delas lá.

- Esqueceu? – o semblante do russo tornou-se debochado e descrente – É neste momento que eu finjo que acredito?

- Pode ser. Eu também vou usar este momento para fingir que acredito que a viagem para conhecer o papai da virgenzinha faz parte da aposta.

Não valia a pena perder tempo questionando Clark sobre como aquela informação chegara aos ouvidos dela. Dominic também não se desgastaria em uma discussão sobre as chaves até porque estava decidido que trocaria as fechaduras para evitar mais surpresas como aquela. Portanto, Sjogren se limitou a soltar um suspiro prolongado antes de jogar a mochila no assento vazio do sofá.

- Eu não te devo satisfações da minha vida, Monica. Acredite no que quiser. Agora dê o fora, eu estou exausto.

Os olhos da garota cintilavam de fúria quando ela se colocou de pé num salto e caminhou com passos rápidos até Dominic. O indicador de Monica o cutucou no peito, a unha comprida machucando-o mesmo tendo o tecido da camiseta como barreira.

- Você simplesmente some no final de semana todo e eu descubro que foi conhecer o papaizinho daquela sonsa! E agora vai me dispensar assim??? O que está havendo com você, Dominic? – um sorriso maldoso apareceu nos lábios da morena – Não me diga que está apaixonadinho por aquela garota? Que decepcionante, Dom. Eu sempre achei que você curtisse mulheres de verdade.

A provocação foi finalizada com as mãos de Monica sendo guiadas até a calça jeans do russo. Ela mordeu o lábio inferior antes de sussurrar.

- Talvez você tenha se esquecido de como é bom ter uma mulher na sua cama. Vou resgatar esta memória para você, xuxuzinho.

Há algumas semanas, Sjogren jamais se esquivaria daquela proposta, por mais cansado que estivesse. Naquela tarde, contudo, ele já se sentia atormentado demais pela culpa para somar mais aquela traição a sua consciência. Por isso, as mãos de Monica foram seguradas com firmeza e afastadas do seu corpo antes que a morena tivesse a chance de descer o zíper da calça dele.

- Eu mandei você dar o fora, Monica. E pode levar a chave, tanto faz. Vou trocar as fechaduras amanhã cedo.

O escândalo de Clark foi ouvido em todo o andar, assim como o momento em que a morena bateu a porta com força e saiu pisando duro pelo corredor até sair do prédio. Apesar daquela explosão, Dominic imaginou que Monica não lhe causaria maiores problemas. Por isso, quando foi dormir naquela noite, o russo não fazia ideia de que a namorada estava recebendo uma foto no celular naquele exato momento.

A imagem mostrava Dominic dormindo de bruços em uma cama com lençóis em tons de rosa. A decoração do quarto era feminina e enjoativa, bem diferente das cores sóbrias do quarto de Angeline. As costas do rapaz estavam expostas, assim como as suas pernas. Somente um lençol cobria a parte inferior do tronco dele e não escondia as marcas de arranhões nas costas.

Os arranhões dispensavam maiores explicações visto que, no primeiro plano da foto, Monica segurava a câmera com uma mão enquanto mostrava uma das unhas da outra mão quebrada. Logo após da foto, Clark escreveu uma mensagem para a caloura.

“O final de semana deve ter sido um tédio. Nunca vi o Dom tão selvagem quanto hoje.”

A fotografia obviamente era antiga e havia sido tirada na época em que Dominic ainda dormia com frequência na cama de Clark. Mas Monica contava com a chance daquela imagem provocar uma briga grande o suficiente para colocar um fim naquela brincadeira e fazer Sjogren voltar para os braços dela.

As intenções de Monica eram péssimas, mas nem mesmo a morena podia prever que aquela foto fora mandada no melhor momento possível. Angeline receberia uma prova da traição do namorado justamente no dia em que não tivera uma declaração de amor retribuída.
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Qui Nov 24, 2016 11:28 pm

Mesmo antes de receber o pedido de Violet, Matthew não tinha a menor intenção de deixar a loira sozinha durante aquela noite. O toque das mãos dela ainda era frio, mas ele fechou as pálpebras para absorver a suave carícia com ainda mais intensidade. Quando os olhos verdes foram novamente revelados, brilhavam na companhia de um discreto sorriso.

- Bom, eu não pago o ortopedista por ter esmagado os seus pés naquela festa e você não me paga um psiquiatra pelo trauma de hoje. Estamos quites?

A forma carinhosa com que ele roçou o nariz ao de Violet antes de depositar um suave beijo no topo da cabeça dela mostrava que ele não se importava com a aparência da forma com que ela imaginava. Era chocante ver a saudável Bryant tão fraca, mas aquele choque apenas despertava a preocupação em Avery.

- Você ainda ganharia um concurso de beleza mesmo com essa sua carinha cansada, Vi... – Os dedos longos deslizaram pela lateral do rosto dela, a segurando pelo queixo.

Matt estava perto o bastante para que precisasse apenas sussurrar, mantendo a outra mão para afagar os cabelos loiros atrapalhados. Tudo que ele queria era ver Violet recuperada daquela infecção alimentar, mas precisava admitir que se sentia bem em poder estar ao lado dela, sendo responsável por cuidar e mantê-la segura.

- Mas eu sou só um nerd que mata zumbis meio período do dia, minha opinião pode não valer muito. – Com o nariz franzido em uma risadinha divertida, Matthew se ergueu do sofá.

Com uma intimidade típica de amigos, o rapaz ligou a televisão em um seriado qualquer e quando o som começou a ecoar pelo apartamento, ele se ocupou em revirar os armários em busca de algo que servisse como refeição para a loira.

Em questão de minutos, um copo de suco e os biscoitos de água e sal estavam enfileirados em uma bandeja. Matt havia acabado de deslizar o lanche sobre a mesinha de centro quando a campainha tocou.

Com os acontecimentos daquele dia, ninguém poderia culpar o casal de sequer ter lembrado da existência de Anthony. O namorado de Violet era quem deveria estar ali, mas a simples presença dele do outro lado do corredor fez com que Matt se sentisse desconfortável.

- Eu vou atender, não se preocupe. – Ele garantiu para Violet, se dirigindo até a porta.

Não foi nenhuma surpresa encontrar o rosto do colega de turma parado diante do apartamento de Violet. Anthony já havia insinuado mais cedo naquele dia que pretendia visitar a namorada e a ideia de que os dois poderiam estar juntos naquela hora se não fosse a indisposição de Violet fez o estômago de Matthew se revirar.

A porta foi aberta em apenas uma brecha e Matt rapidamente deslizou para o corredor, mantendo a visão do apartamento protegida. Se fosse qualquer outro rapaz, ele se sentiria envergonhado por estar apaixonado pela namorada de um colega. Aquilo não fazia parte do caráter de Matthew. Mas Anthony era tão absurdamente egocêntrico, preconceituoso e irritante que era impossível Matt se sentir culpado por desejar a namorada dele.

- Mattie? O que está fazendo aqui?

Mesmo diante da ideia de que Avery estava mais interessado nas roupas de Violet do que na loira em si, foi nítido o desagrado de Anthony ao encontrar outro homem na casa da namorada.

Matt podia sentir entalado em sua garganta todas as verdades que queria jogar para Anthony bem ali. Mandá-lo embora e ter Violet apenas para si era tentador demais. Mas mesmo que fosse apenas um problema alimentar que melhoraria em algumas horas de repouso, Violet ainda estava debilitada demais para lidar com um namorado fazendo uma cena em sua porta. Foi apenas pensando em Bryant que ele respirou fundo e abriu um sorrisinho inocente.

- Hey Thony... Foi mal, cara. Eu esqueci completamente de te avisar.

O rapaz franziu as sobrancelhas e tentou espiar por cima do ombro de Matt, mas Avery permaneceu com a mão às suas costas, segurando a maçaneta para manter a porta encostada.

- A Violet não está se sentindo bem. Na verdade, ela está bem, bem mal...

- Bom, então me deixe falar com ela!

Anthony chegou para o lado, tentando alcançar a maçaneta, mas Matthew deslizou junto, continuando a sua barreira entre o corredor e o apartamento de Bryant.

- Você não entendeu... – Ele encarou Anthony com uma expressão de nojo. – Ela tá horrível, Anthony. Você definitivamente não vai querer vê-la assim. Acredite em mim.

Os olhos claros do jogador de basquete se estreitaram, como se ele pudesse sentir que Matthew estava escondendo alguma coisa. Antes que o tiro saísse pela culatra, Matt arqueou os ombros e abriu apenas dois centímetros da porta.

- Se quiser conferir você mesmo, eu não vou impedir. Mas você precisa estar preparado para o que vai ver. É como se fosse uma cena do Exorcista lá dentro.

Anthony, que já estava se inclinando na direção da porta, recuou alguns centímetros ao entender onde Matthew queria chegar e franziu o nariz com uma cópia da expressão de nojo.

- Oh. Entendi.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Sex Nov 25, 2016 12:07 am

A partida de Anthony foi um grande alívio para Violet. A última coisa que ela precisava depois daquele dia sem fim era lidar com seu namoro em crise. Bryant estava decidida a colocar um ponto final naquele erro, mas definitivamente aquele não era o melhor momento para se desgastar em uma conversa tensa, que poderia culminar com um retorno ao hospital, desta vez por causa do estrago que Foster causaria no rosto de Matthew.

Apesar de não desejar a companhia de Anthony, a partida precoce dele fez Violet refletir sobre o quanto aquele relacionamento estava errado. Mesmo sabendo que a namorada estava doente e debilitada, Foster não fizera questão de vê-la ou de se oferecer para ajudar em alguma coisa. O gesto de descaso dele só reforçava o quanto Matt era especial e o quanto Violet fora tola por não ter enxergado aquilo antes.

- Exorcista? Eu prefiro ser um zumbi. Mas muito obrigada, Matt. Eu me sinto muito melhor agora...

O comentário de Violet indicava que ela havia escutado parte da conversa do corredor, mas seu sorriso tranquilo mostrava que a loira não havia se ofendido de verdade com as palavras do amigo. Era óbvio que Avery só havia dito tudo aquilo para se livrar logo da companhia do outro rapaz.

Sentada no sofá da sala, Bryant já havia tomado mais da metade do suco e mordia o terceiro biscoito. Seu apetite havia voltado e agora ela sentia o estômago incomodamente vazio, mas ainda assim não queria cometer exageros que pudessem fazer com que os vômitos voltassem.

- Eu vou falar com ele, ok? – a loira estava mais séria quando puxou a mão de Matthew e o fez sentar no assento ao seu lado – Eu teria falado ontem mesmo, mas você viu que eu não estava em condições de articular mais de duas frases sem ter que correr para o banheiro.

Era evidente que Violet não estava se esforçando para adiar a conversa definitiva com Anthony. A loira havia prometido a Matt que resolveria aquela pendência e realmente já teria feito aquilo se não fosse pelo mal estar.

As horas seguintes serviram para amenizar o pesadelo daquele dia. Os dois jovens dividiram o espaço do sofá e Violet se acomodou junto ao peito de Matt enquanto os dois emendavam filmes e seriados sob um edredom, com o ar condicionado ligado em uma temperatura gostosa.

Os vômitos não voltaram a incomodar Bryant e ela conseguiu comer algumas torradas com geleia antes de se render ao sono acumulado. O sofá reclinável era confortável o suficiente e amparou o sono dos dois naquela noite tranquila.

Quando os primeiros raios de sol atingiram a sala na manhã seguinte, Violet foi a primeira a acordar. Um sorriso preguiçoso surgiu em seus lábios quando ela encontrou o amigo adormecido ao seu lado e sua mão acariciou os cabelos de Matthew por um prolongado tempo, sem nenhuma pressa. Por longos minutos, a loira admirou o semblante tranquilo do rapaz adormecido e sentiu-se grata pela companhia e pelo carinho que Matt demonstrava por ela.

A iniciativa de se levantar para preparar um café para os dois serviria como uma prova de que ela estava recuperada e que Matthew não tinha mais com o que se preocupar. Contudo, a preocupação de Avery aumentaria quando ele foi despertado pelos gritos desesperados de Violet.

A moça estava caída no chão da sala e lançava um olhar horrorizado para as próprias pernas. Violet havia conseguido se arrastar para fora do sofá, mas no instante em que apoiou o peso sobre os próprios pés, seu corpo havia desabado instantaneamente.

- Eu não consigo mexer as pernas! MATT, EU NÃO ESTOU CONSEGUINDO MEXER AS PERNAS!

Apesar de todo o esforço que Bryant fazia, somente seu quadril se erguia alguns centímetros do chão. As pernas compridas continuavam totalmente imóveis, dobradas na mesma posição desde que Violet caíra no chão.

- O QUE ESTÁ ACONTECENDO? – soluços já deixavam a respiração de Violet pesada e entrecortada – ISSO NÃO É NORMAL!
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Sex Nov 25, 2016 1:14 am

- Uau, você está com uma cara péssima. Parece que não dormiu essa noite.

Angie arqueou as sobrancelhas ao erguer os olhos do livro em seu colo. Seu estômago já vazio se contraiu ao reconhecer o rosto de Monica, exibindo uma micro-saia e um largo sorriso nos lábios pintados de vermelho.

A sensação era como se ela tivesse desaprendido a respirar. O peito começou a doer e um nó se formou em sua garganta. Era a mesma sensação desagradável que vinha lhe acompanhando desde que havia recebido a foto da ex-namorada de Dominic na noite anterior.

Era impossível ignorar a voz em sua mente que lhe dizia o quanto ela havia sido inocente em confiar em Sjogren. Mas cada vez que tentava rever os momentos ao lado dele, não conseguia identificar as falhas. Dominic parecia sinceramente feliz ao seu lado, o que só a fazia se sentir ainda mais estúpida por ter deixado a situação ir tão longe.

Ninguém esperaria que, após receber uma gritante prova de traição, Angeline simplesmente saísse da sua cama para enfrentar o dia como qualquer outro. Mas Lockwood prometeu a si mesma que não deixaria Dominic lhe tirar mais aquele detalhe. Ela não iria desmoronar. Ao menos, não permitiria que as outras pessoas percebessem como estava se sentindo traída.

O contato com Sjogren foi evitado durante toda a manhã. As aulas serviam como desculpa perfeita para que ela não atendesse suas ligações ou respondesse as mensagens. Jeremy havia sido entregue de volta a Dominic no intervalo do almoço por Stacey, quando a loira repentinamente surgiu com uma grande necessidade de terminar um trabalho na biblioteca.

Ao contrário do namorado, Monica não era uma figura tão fácil de se evitar. Por estudarem no mesmo prédio, Angie precisava contar nos dedos as vezes em que os caminhos das duas não se encontravam. Naquele dia em particular, ela teria aberto mão de uma pequena fortuna para evitar esbarrar com a morena.

- Eu posso te ensinar uns segredinhos, princesinha. Também passei a noite toda acordada e continuo parecendo incrivelmente gostosa. Palavras do Dom.

A sensação de um soco no estômago voltou a atingi-la e Angie girou os olhos com uma careta de nojo. Ela não se rebaixaria ao nível de Monica, mas também não garantiria que as lágrimas continuassem presas por muito tempo.

- Qual é o seu segredo, Monica? Dorme no próprio estrume?

O comentário só fez com que Monica soltasse uma risadinha maliciosa, se acomodando na mesma mesa que antes era ocupada por Angeline.

- Eu poderia tentar te ensinar, princesinha. Mas é o tipo de coisa que só mulheres de verdade sabem fazer.

Um “xiiiu” soou próximo quando um estudante recriminou as duas, como se estivesse impaciente diante de uma conversa de duas amigas. O sangue de Angeline fervia e ela quase desejava voltar para a noite em que havia se estapeado com a morena. A biblioteca não era o local mais adequado, mas era tentador sair dali com alguns fios escuros de Monica agarrados em suas unhas.

O rosto de Lockwood estava vermelho, mas antes que ela cedesse ao desejo de compensar toda a sua frustração em mais uma briga, uma que acabaria manchando o seu perfeito currículo, ela apenas deslizou a alça da bolsa sobre o ombro e girou para deixar a biblioteca, ainda em tempo de ouvir o último comentário de Monica.

- É claro que ela vai fugir... Típico. Você pelo menos tem sangue correndo sob a pele de porcelana, baby?

A porta da biblioteca foi aberta com uma força desnecessária e todo o autocontrole que ela vinha tentando manter durante todo o dia desapareceu. Ela vinha tentando fazer de conta que não estava abalada com a foto, com a imagem de Dominic nos lençóis de Monica, com o fato de que ele havia escutado a sua patética declaração apenas para se deitar com outra em seguida. Mas abafar os seus sentimentos só havia servido para que eles transbordassem.

Angie já esperava encontrar a moto estacionada em frente ao dormitório. Quando entrou no próprio quarto, também não se surpreendeu ao encontrar Dominic e Stacey sentados, em meio a uma conversa. A ruiva abriu um largo sorriso ao reconhecer a colega, mas logo arqueou as sobrancelhas ao notar o brilho homicida nos olhos sempre doces de Lockwood.

- Tá tudo bem, Angie?

- Não sei, Stay. O que você acha?

A pergunta sarcástica de Angeline fez a ruiva franzir a testa e procurar pelo olhar do amigo, tentando encontrar uma explicação para aquele comportamento inédito da sempre delicada menina que ela conhecia.

- Ahn, eu chutaria que não. Alguma coisa que eu possa ajudar?

- Que tal uma máquina do tempo onde eu possa voltar até o dia em que achei que seria uma boa ideia namorar um cara sem escrúpulos como o seu amigo?

- Wooow! – Stacey ergueu as mãos no ar, em um sinal de rendição, e se colocou de pé, olhando de Angie para Dominic, tentando entender o que havia acontecido. – Calma aí, Angel. O que foi que aconteceu?

- Ou então uma edição do Kama Sutra de natal? – Angie continuou, as mãos apoiadas no quadril. – Pelo que parece, o Dominic e a Monica tem bastante a discutir sobre a minha performance na cama, e segundo os dois, eu ainda tenho muito o que melhorar.

Stacey soltou um profundo suspiro e cobriu o rosto para esfregar os olhos.

- Okay, tá legal. Tô fora dessa. – A ruiva puxou a bolsa largada sobre a cama e deslizou por cima do seu ombro. – Vocês dois, se entendam! E você...

Ela estreitou o olhar ao encarar Dominic.

- Vai precisar me explicar depois. Se a Angel não te matar, eu mato.

No instante em que a porta do dormitório foi fechada atrás de si, Angeline espremeu os lábios e se sentou na própria cama, do outro lado do quarto. Ver Dominic era ainda mais doloroso do que ela imaginava, porque mesmo diante daquela prova absurda, ela não conseguia evitar o que sentia por ele.

- Eu não esperava que você dissesse nada ontem, Dominic. – Angie começou, em um tom mais baixo do que antes, mas igualmente furiosa. – Eu não queria te pressionar com nada disso. Foi você quem começou com essa história de conhecer o meu pai. Mas isso foi só uma desculpa para você sair correndo para a cama da Monica? Ou isso vem acontecendo desde o começo? Aquela história de ser apenas eu, foi sempre uma piada, não é?

Ela sacudiu a cabeça, fazendo com que alguns fios loiros se soltassem do coque desajeitado preso em sua nuca.

- Eu devia saber que era tudo uma grande piada. Caras como você? – Ela arqueou as sobrancelhas com desdém. – É tão previsível que estou enjoada com a minha própria estupidez.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Sex Nov 25, 2016 1:51 am

Quando percebeu que Angeline estava evitando-o, Dominic teve certeza de que a namorada estava chateada com o silêncio dele no dia anterior. Embora ainda não estivesse pronto – e nem certo – daquela declaração de amor, o russo entendia a frustração de Lockwood. Ela havia aberto o coração e, em troca, recebera apenas uma expressão congelada de surpresa e choque.

- Você não disse nada??? – Stacey arregalou os olhos depois que o amigo desabafou com ela sobre a cena do carro.

- Eu travei. E logo você chegou com o Jer e mudamos o foco da conversa. Aliás, valeu. Eu acho que estaria petrificado lá até agora se não fosse por você.

Os dois amigos conversavam no dormitório. Dominic havia aparecido ali na esperança de encontrar a namorada e colocar um fim naquele clima estranho entre eles. Mas, na ausência de Angeline, ele aproveitou o tempo de espera para desabafar com a melhor amiga. Por mais que Stacey e Angie já tivessem se tornado boas amigas, a ruiva mostrou que também entendia o lado do russo naquela situação delicada.

- É, eu concordo que seja um pouco cedo para isso. Vocês estão se dando bem e eu estou feliz por isso, mas realmente é cedo para uma declaração assim. Mas dá um desconto pra Angie, Nick. Ela não tem experiência com garotos e não sabe que vocês se tornam maratonistas olímpicos quando escutam um “eu te amo”.

- Eu não pretendo fugir. Eu estou aqui, não estou? Mas acho que ela ficou chateada com a minha reação. Ela me evitou o dia todo.

Em nenhum momento passou pela cabeça de Nick a possibilidade de Monica ter armado uma emboscada para o casal. Portanto, quando Angeline chegou ao dormitório com aquele olhar furioso e começou a fuzilá-lo com acusações, as sobrancelhas de Sjogren se arquearam e ele demorou a entender o que estava havendo ali.

Como se não bastassem as acusações da namorada, Stacey também o encarou como se Dominic já fosse culpado. A ruiva sequer sabia o que estava acontecendo ali, mas já havia comprado a briga a favor de Angeline, como se Dominic não merecesse sequer o benefício da dúvida.

Sjogren ainda não sabia detalhes sobre o que Monica dissera à loira e nem passava pela sua cabeça a ideia de que Angeline tinha uma foto como prova da traição. Mas, mesmo que as coisas ainda não estivessem claras na cabeça dele, Dominic não perdeu o controle. Com os braços cruzados e sentado sobre a cama de Stacey, ele esperou que Lockwood terminasse a sua enxurrada de acusações e só tomou a palavra quando a menina finalmente se calou.

- Pronto? Acabou? Vai me deixar falar agora?

Embora se sentisse culpado naquele relacionamento, Dominic soou firme na própria defesa porque sabia que era inocente naquelas acusações. O russo de fato não estava sendo totalmente honesto com a namorada, mas ele não era culpado do crime de trair Angie com Monica.

- Eu não dormi com a Monica ontem. Não durmo com ela desde que nós dois decidimos levar isto a sério. Ontem eu dormi em casa, sozinho.

Como não sabia da existência da foto, Dominic imaginou que a namorada só havia discutido com Clark, a morena inventara alguma bobagem e Angeline simplesmente acreditara nela.

- Eu sei que as coisas ficaram meio esquisitas ontem, Angel. Você me pegou de surpresa, eu fiquei sem reação. Mas isso não justifica você dar ouvidos às bobagens da Monica, surtar e se voltar contra mim. Se você confia mais numa louca que quer o fim do nosso namoro do que em mim, a gente realmente não está no caminho certo.
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Sex Nov 25, 2016 1:52 am

- Você vai criar um buraco no chão!

Os olhos de Jamie estavam arregalados como se ele realmente estivesse preocupado com o dano que o amigo poderia causar no corredor do hospital, depois de andar em loop pelos últimos quarenta minutos.

Automaticamente, para impedir que Jamie continuasse reclamando sobre o seu percurso, Matt esticou os passos até a máquina de café no final do corredor, mas antes que ele alcançasse os botões, Jamie já estava ao seu lado, o segurando pelos pulsos.

- Sem mais cafeína também!

Os olhos verdes se estreitaram, fuzilando Jamie por limitar as suas opções. Já era suficiente a ansiedade provocada pela espera depois de ter sido barrado por não ser da família de Violet. Ele simplesmente não aguentava ficar sentado, torcendo para que algum médico lhe desse notícias sobre a loira.

A cena ocorrida naquela manhã no apartamento de Bryant ainda atormentava Matthew. Sem pensar duas vezes, ele havia carregado Violet em seu colo e mais uma vez tomado o caminho do hospital. Mas diferente do dia anterior, Matt sabia que não se tratava de nenhum problema estomacal. Ele não precisava de um diploma para saber que as pessoas não perdiam as sensibilidades das pernas só por ter comido um sanduíche com uma maionese passada.

Se Violet parecia fragilizada com os sintomas do dia anterior, Matt simplesmente não tinha palavras para descrever o pesadelo daquela manhã. O pavor refletido nos olhos azuis contaminou cada gota do seu sangue e ele sequer sabia como havia tido forças para levar a amiga até o hospital.

- Me dá o meu celular. – Matt exigiu depois de se acomodar em um dos bancos de espera.

- Não. Você não vai continuar pesquisando os sintomas da Violet no Google. Ela já está com os médicos.

- Médicos incompetentes que deixaram ela ir embora ontem.

Os olhos verdes voltaram a se estreitar, mas o fuzilamento desta vez foi direcionado a um enfermeiro que passava no corredor, completamente alheio ao vaso de Bryant. Ao perceber que Jamie continuava sem se mexer, Matt bufou, ainda mais irritado.

- Eu preciso ligar para o Anthony!

As palavras foram cuspidas com o mesmo desgosto que Matthew sentia em ter que cumprir aquela tarefa. Por ele, o namorado de Violet poderia simplesmente desaparecer. Mas Violet não podia continuar enfurnada em um quarto de hospital sem que seus pais soubessem do seu estado, e como namorado oficial de Bryant, era muito mais provável que Anthony tivesse o contato do Sr. e Sra. Bryant.

Se Jamie não soubesse o quanto aquela tarefa já era consideravelmente difícil para o amigo, ele provavelmente ainda teria mantido o aparelho de Matt como refém. Mas a situação já estava ferrada por si só. Mesmo sem saber que a loira tinha pretensão de deixar o namorado para assumir um relacionamento com o amigo nerd, Jamie sabia que era Anthony que deveria estar ali.

- Hey Mattie!

A voz de Anthony soou esbaforida, como se ele estivesse correndo ou praticando alguma atividade física. O entusiasmo com que ele foi recebido também indicava que o rapaz não fazia a menor ideia de que a namorada estava enfurnada em um hospital outra vez.

- Oi Anthony. Escute, eu preciso falar com você...

Uma risada ecoou no fundo, assim como o barulho de uma bola quicando. Foi impossível para Matt controlar mais uma onda de raiva. Enquanto Violet estava enfrentando um pesadelo, Anthony estava apenas treinando, como se a namorada não tivesse passado tão mal no dia anterior ao ponto de precisar de um médico.

- Pode ser rápido? Estamos quase acabando o intervalo. Se for para pedir o número do Rolland, este realmente não é um bom momento.

A risadinha de Anthony soava ainda mais irritante pelo telefone e Matt teve certeza que Rolland, o colega de time de basquete, estava exatamente ao lado de Thony naquele momento. O iPhone foi segurado com mais força e Matt apertou os olhos para não explodir.

- Anthony, é a Violet. Ela está no hospital outra vez.

- Urg... O exorcista outra vez? Qual é, Mattie. Não posso lidar com isso agora. Seja uma boa amiguinha e segure os cabelos da Violet por mim, está bem? Não é por nada, cara... mas só de imaginar a cena eu já fico enjoado.

Anthony já havia se mostrado completamente sem limites. Mas ainda assim, Matt não conseguia entender como ele podia simplesmente não se importar. O rapaz respirou fundo, deduzindo que talvez Thony estivesse apenas subestimando os sintomas de Violet, exatamente como o médico havia feito no dia anterior.

- É mais grave que isso, Anthony. Eu ainda não sei o que é, mas...

O som de um apito ecoou pelo iPhone de Matt e logo a voz de Anthony o cortou, parecendo sequer escutar o que ele estava falando até então.

- Foi mal mesmo, Mattie. Preciso voltar para o treino. Faça o seguinte, vá até a floricultura mais próxima, compre um grande buquê para a Violet. Te mando o dinheiro depois, tá legal?

Antes que Matt pudesse protestar, a ligação ficou muda. Ele afastou o aparelho do seu rosto apenas para confirmar que o telefonema havia sido encerrado. Com o queixo caído, Avery não conseguiu acreditar na conversa que havia acabado de ter, mas a chegada do médico de Violet foi o suficiente para varrer Anthony da sua mente.

- Sr. Avery? – O médico chamou, obrigando Matt a empurrar o iPhone para dentro do seu bolso. – O senhor pode entrar agora. A Srta. Bryant está sendo transportada para o quarto.
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Sex Nov 25, 2016 2:21 am

- Se eu realmente desse ouvidos para a louca psicopata obcecada por você, eu teria destruído aquela biblioteca em cima dela.

A mente de Angie trabalhava em uma grande velocidade e ela sequer se deu ao trabalho de explicar para Dominic que havia esbarrado com Monica há poucos minutos e vencido ao imenso desejo de soca-la mais uma vez.

A calma de Dominic só era interpretada pela menina como a frieza que ele havia administrado durante todo o relacionamento. Se Angie não tivesse a foto como prova, ela provavelmente teria caído na conversa dele. Exatamente como havia se deixado enganar durante todas aquelas semanas.

Ela se sentia ainda mais idiota ao ver Dominic se referir a sua declaração da noite anterior como “esquisita”. Lockwood havia se deixado levar pelo momento e agora mais do que nunca sabia que havia sido um grande erro.

Com movimentos bruscos, Angie abriu a bolsa largada sobre a cama e puxou o próprio celular. Ela precisou apenas desbloquear a tela para que a foto fosse novamente exibida, fazendo seu estômago se contorcer. A prova foi virada para os olhos de Dominic sem que a loira precisasse dizer nada. Como se estivesse se sujando com aquilo, ela largou o aparelho e limpou os dedos na calça.

- Parece que a noite passada foi tão incrível que a sua queridinha quis registrar o momento e compartilhar comigo.

Os olhos azuis estavam mais claros pelas lágrimas que Angie queria segurar. E ela se odiou ainda mais quando uma delas escapou, rolando pela sua bochecha. A mão foi erguida para secar o rosto imediatamente, sem querer que Dominic observasse mais aquela fraqueza.

- A gente nunca esteve no caminho certo, Dominic. Na verdade, a gente sempre esteve em caminhos completamente diferentes.

Angie parecia estar se acalmando a cada passo que dava para aceitar aquela derrota. Com Thomas tudo sempre havia sido mais fácil. Ela sequer se lembrava de um dia já terem brigado e mais uma vez Dominic a fazia experimentar uma nova sensação. O que Lockwood não esperava era que fosse doer tanto.

- Se eu te deixei constrangido na noite passada, está bem. Eu retiro o que disse.

Uma declaração como aquela não poderia simplesmente desaparecer, mas Angeline não queria continuar com a imagem de uma pobre coitada que havia se apaixonado rápido demais pelo cara que não era capaz de retribuir os seus sentimentos.

- Eu não amo você, Dominic. E tudo isso foi um erro. Agora você pode voltar para a sua moto, com a sua postura de bad boy e enganar a próxima idiota, rir o quanto quiser com a Monica ou com quem mais for. Eu não vou mais arrastar você para a minha vidinha previsível e tediosa com pais ciumentos. Você e eu? Acabou.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Sex Nov 25, 2016 2:21 am

Violet não saberia explicar de onde saíam tantas lágrimas. Desde que desabara no chão da sala, a loira chorava sem parar. Dor não fazia parte dos sintomas, mas ela preferia enfrentar a pior dor da sua vida ao invés daquela ausência de força e sensibilidade nas pernas e, para seu desespero, os braços também pareciam gradativamente piores.

Devido à gravidade dos novos sintomas, Bryant havia sido atendida tão logo chegou ao hospital. Um segundo médico mais jovem se responsabilizou pelo atendimento dela e ouviu atentamente sobre os sintomas do dia anterior. Ao exame, Violet estava bem exceto pela fraqueza bizarra nos membros.

- O que está havendo?

A loira estava sentada numa maca e soluçou enquanto assistia as pernas continuarem imóveis mesmo depois que o médico testou seus reflexos com um martelinho. Ali estava a prova de que Violet não estava forjando os sintomas e nem era uma simples garota ansiosa querendo chamar a atenção do namorado.

- Realmente não houve nenhum tipo de trauma? Você não caiu, não levou uma pancada nas costas?

- Não! – Violet soou impaciente por ter que repetir a sua história novamente – Eu só comi um maldito sanduíche, vomitei até as tripas e comecei a sentir fraqueza nas pernas e nos braços! Quando acordei hoje, não conseguia mais andar!

- Precisamos fazer exames para descartar algumas hipóteses. Isso pode demorar, você terá que ficar internada enquanto isso. Sugiro que avise a sua família, Srta. Bryant.

Longos minutos se passaram desde que Violet fora levada para o consultório até o momento em que o médico saiu para dar notícias a Avery. O homem não havia perguntado qual era o papel de Matt na vida da loira, mas parecia óbvio demais que se tratava de um namorado. A aflição dele era sincera quando os olhos verdes se focaram no médico, desesperados por uma boa notícia.

Assim como o médico dissera, Violet já estava acomodada num quarto confortável quando os dois se reencontraram. A camisola de seda fora trocada por uma peça com o emblema do hospital, os cabelos loiros estavam presos num rabo de cavalo e Bryant estava abatida e com o rosto inchado pelo choro. As pernas esticadas sobre o colchão continuavam imóveis quando ela esticou o tronco para abraçar o amigo, com mais uma dose de lágrimas brotando em seus olhos.

- Fiz uma tomografia do corpo inteiro, uma ressonância da coluna, enfiaram uma agulha gigante nas minhas costas e tiraram um líquido para exames. Mas ninguém sabe me explicar o que está havendo, Matt!

Os olhos azuis buscaram pelas pernas tão logo o abraço se desfez e Violet recomeçou a soluçar de desespero. Qualquer pessoa estaria aflita na situação dela, mas uma menina tão vaidosa quanto Bryant certamente enxergava aquele pesadelo como o fim de sua vida. Violet simplesmente não sabia como iria sobreviver com a possibilidade da perda dos movimentos das pernas ser irreversível.

- Eu passei o número do meu pai pra uma enfermeira. Eles devem estar a caminho. Mas eu não quero ficar sozinha enquanto isso... – Violet levou a mão ao punho do rapaz e o aperto fraco mostrava que o problema não estava apenas nas pernas dela – Fica comigo, por favor. Eu sei que você está perdendo as aulas, mas eu não quero ficar sozinha!

O desespero tirava de Violet a capacidade de raciocinar com clareza. E foi isso que motivou o desabafo que a loira deixou escapar entre os soluços.

- E se isso for permanente? Essas lesões na medula costumam ser irreversíveis! Eu prefiro morrer! Eu não quero viver assim, Matt!
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Sex Nov 25, 2016 2:54 am

No instante em que Matt pisou no quarto de Violet e a viu desabar em um novo choro, ele se apressou em se posicionar ao lado da cama dela, rodeando o corpo magro com seus braços em um abraço carinhoso.

Ele não poderia julgar Violet por aquele desespero. Pensar em algo assim acontecendo com o seu próprio corpo era assustador. Imaginar que ele perderia o controle com os próprios membros e dependeria de outras pessoas para as necessidades mais básicas era ruim o bastante para qualquer um. Bryant poderia ser uma menina mimada e vaidosa, mas era surpreendentemente forte e independente. É claro que surtaria em ver a possibilidade de ter sua vida limitada.

- Eu não vou a lugar algum.

Matt sussurrou, com a mais profunda sinceridade. Ele sequer se lembrava das próprias obrigações enquanto Violet estava daquela forma. As aulas eram completamente insignificantes, mesmo que sua ausência pudesse manchar o currículo perfeito e chegar ao conhecimento do reitor. A única coisa que realmente importava estava em seus braços.

Independente da crise em que se encontrava o namoro de Violet e Anthony, Matt ainda esperava que a qualquer momento a menina fosse citar o nome do namorado. E quando isso não aconteceu, decidiu que não seria ele a lembrar da existência de Thony, principalmente quando o rapaz claramente parecia mais interessado em seu desempenho no time de basquete do que com a saúde de Violet.

Quando Violet enumerou os exames, Matthew tentou ignorar o arrepio em sua nuca e desejou realmente não ter pesquisado os sintomas na internet. Se nem os médicos sabiam o que Bryant tinha, ele não queria se agarrar logo a pior hipótese.

Porém, todo o corpo de Avery congelou com as últimas palavras de Violet. Era como se a simples entonação dela já pudesse invocar algum mal agouro. E foi tomado com uma profunda seriedade que Matt segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando os olhos azuis a desviarem das pernas para encará-lo.

- Você nunca, nunca mais vai repetir isso, Violet.

Os olhos verdes estavam em pânico enquanto ele repreendia a loira. Não era apenas o incômodo por ver Violet desistindo antes mesmo de descobrir o que tinha. Não era repreensão porque ela não iria lutar, enquanto tantas pessoas no mundo lidavam com problemas tão complexos quanto. Não era a irritação de quem comparava a vida de uma criancinha com uma doença fatal a um outro paciente que poderia facilmente se adaptar a uma nova vida. Matt não queria ouvir aquelas palavras outra vez porque simplesmente não saberia lidar com a perda de Violet.

- Você vai esperar cada resultado dos exames. Vai consultar quantos médicos forem necessários. E se o pior realmente acontecer, você vai lidar com isso. Eu vou estar ao seu lado o tempo todo.

Os dedos deslizaram carinhosamente para colocar uma mecha loira que havia escapado do rabo-de-cavalo atrás da orelha de Violet. Matt não conseguia nem mesmo exibir um fraco sorriso. Seu semblante permaneceu sério e os olhos verdes presos no rosto de Bryant, estudando a reação nos olhos azuis.

- Você não tem o direito de morrer, Violet Bryant. Não se for me deixar aqui sozinho outra vez. Então seja a garota forte que eu sei que você é. Não me decepcione, linda.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Sex Nov 25, 2016 2:55 am

A imagem que Dominic sequer sabia que existia foi encarada com assombro e ele chegou a pegar o celular de Angie nas mãos para acreditar no que estava vendo. Monica havia tirado aquela foto há vários meses, logo quando os dois começaram a se envolver. Sjogren se lembrava muito bem daquela noite, na qual ele e Monica estavam tão bêbados depois de uma festinha da faculdade que perderam o controle e terminaram a noite na cama da morena.

Dominic já havia dormido na cama de Clark muitas vezes, mas ele se lembrava daquela noite exatamente porque fora algo atípico. A lembrança de como as suas costas ficaram marcadas e doloridas por vários dias era algo difícil de se perder na memória do russo.

Por mais que Angeline tivesse todo o direito de acusá-lo de não ser honesto com ela, Dominic sentiu-se ofendido por aquelas ofensas. O russo havia cometido uma infinidade de erros, mas ele não merecia ser acusado de uma traição como aquela. Sjogren não havia dormido com Monica na noite anterior, mesmo tendo encontrado a morena em seu apartamento, disposta a oferecer a ele uma noite de sexo sem restrições.

- Eu realmente não sei como funcionam essas coisas, mas a Monica ficaria rica e largasse a Administração para abrir um salão de beleza.

O comentário totalmente inadequado e aleatório só surgiu depois que Angeline terminara a sua explosão. O celular da loira foi deixado sobre o criado-mudo de Stacey antes que Dominic se colocasse de pé, ajeitando a calça jeans escura com as mãos.

- Ela deveria passar adiante este valioso segredo que faz os cabelos crescerem vários centímetros em poucas horas.

O choque e a revolta de Angeline provavelmente não permitiram que a loira notasse aquele detalhe, mas se ela parasse para olhar a foto com mais atenção veria que Sjogren tinha razão. A Monica da imagem exibia os fios negros pouco abaixo dos ombros, ao passo que a garota que Lockwood acabara de encontrar na biblioteca tinha os cabelos mais compridos, quase atingindo a sua cintura.

Aquela já era uma prova bem convincente de que a foto era antiga, mas Dominic fez questão de deixar ainda mais clara a sua inocência. Sem nenhum constrangimento, o russo segurou a barra da camiseta cinza que usava naquela tarde e a puxou pela cabeça. O peito firme só ficou exposto aos olhos de Angeline por um segundo antes que Sjogren se virasse de costas.

O rapaz da foto exibia arranhões profundos nas costas e nos ombros, mesmo de longe e com a iluminação fraca do quarto de Clark era possível enxergar os vergões avermelhados que certamente marcariam a pele clara de Dominic por vários dias antes de cicatrizarem. Contrariando aquela imagem, as costas do rapaz estavam lisas naquela tarde, sem nem mesmo um dos arranhões exibidos pelo celular de Angeline.

- E eu não estaria me matando de estudar se soubesse deste superpoder de regeneração. Acho que vou largar a faculdade, comprar um uniforme bacana e sair por aí salvando o mundo. Alguma sugestão de nome? Super bad boy, talvez...

Dominic era uma pessoa irônica, mas aquela era a primeira vez que ele dirigia o seu sarcasmo contra Angeline. A entonação dele e o olhar sério indicavam que Sjogren estava ofendido com as acusações injustas e com o fato da namorada não lhe dar nem mesmo uma chance para se defender.

- Eu cumpri a minha parte no acordo e estava me esforçando para que isto desse certo, Angeline. Que fique bem claro que acabou porque você não foi capaz de fazer o mesmo.

A camiseta foi recolocada antes que Dominic se virasse para encarar Lockwood mais uma vez. Ao contrário da expressão sempre leve e divertida, o russo estava com o semblante carregado quando sussurrou as palavras seguintes.

- É claro que você não me ama. Se amasse mesmo, você ao menos me daria o benefício da dúvida. Eu me senti culpado por ter travado ontem, mas agora estou aliviado. Teria sido muito pior retribuir a uma declaração de amor que você fez da boca pra fora.
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Sex Nov 25, 2016 3:26 am

Angeline não havia sido uma adolescente que suspirava pelos rapazes, que sonhava com o príncipe encantado e que passava seus dias fofocando com alguma amiga sobre pequenos detalhes que poderiam indicar que um rapaz estava interessado nela.

A única filha de Patrick Lockwood era prática, centrada e inteligente. E foi por isso que Angeline não reconheceu a si própria naquela tarde. Ela ainda estava em choque depois que Dominic deixou o seu quarto, mas muitas horas haviam se passado e era assustador como ela ainda tinha lágrimas para derramar.

Sua cama estava entulhada com lenços de papel usados e os ombros da loira sacudiam com o seu choro. Stacey, sentada na beirada da cama, tentava inutilmente consolar a amiga lhe dando tapinhas nas costas. Depois de ouvir toda a história narrada entre os soluços de Angie, a ruiva finalmente compreendeu o grande mal-entendido que havia tido como fim o término do namoro entre a loira e Sjogren.

Depois de passar quase todo o dia odiando Dominic por uma traição que nunca existiu, só restava a Angeline se martirizar pelo grande erro de não ter confiado no namorado. Ela não poderia recrimina-lo por tão ter retribuído a declaração de amor do dia anterior, principalmente depois de ter cometido um erro tão grande como duvidar da sua palavra.

Dominic poderia não ser o cara perfeito, mas Angie havia deixado que o namoro chegasse a um fim prematuro apenas por sua insegurança. Desde o começo, a personalidade espontânea e o estilo de vida tão diferente do seu haviam sido intimadores. Ela estava tão apavorada com a ideia de que Dominic fosse se cansar dela que acabou arruinando tudo antes que o pior realmente acontecesse.

Por mais de três dias, Angie precisou conviver com a culpa que a corroía quase em tempo integral. Ela perdeu o apetite por completo e ia para as aulas apenas para estar fisicamente presente. Enquanto os professores falavam, sua mente vagava distante, revivendo repetidas vezes a briga com Dominic.

Stacey já havia aconselhado a loira a procurar por Sjogren, mas aquela ideia só fazia Angeline se sentir ainda mais derrotada e humilhada. Ela sentia falta de Dominic todo o tempo e seu estômago afundava cada vez que abria a agenda e via alguma anotação com a letra dele ou algum compromisso que o envolveria.

O namorado já havia se tornado uma figura presente no seu cotidiano e Lockwood não estava preparada para lidar com os seus dias em Stanford sem a companhia de Sjogren.

Foi ainda sem muita certeza do que deveria dizer ou fazer que Angeline se viu tocando a campainha do apartamento de Dominic. O latidinho familiar soou do outro lado da porta, provocando um novo aperto no coração de Angie para lembra-la que não era apenas de Dominic que ela sentia falta.

Quando a porta finalmente foi aberta, Dominic veria uma Angeline abatida. Os cabelos loiros estavam presos em um coque frouxo e duas mechas caíam nas laterais do seu rosto. Como de costume, Angie não usava maquiagem, o que tornava ainda mais evidente as marcas escuras sob os olhos azuis.

O blusão azul e branco que ela vestia era pelo menos dois números maior do que o necessário e Angie segurava as mangas com as pontas dos dedos.

Por alguns segundos, a loira travou ao encontrar o rosto de Dominic, revivendo a briga de dias atrás. Ela pensou em criar apenas uma desculpa de que estava ali por Jeremy, mas sabia que não poderia fugir dos próprios erros para sempre.

Uma bolinha preta deslizou para fora do corredor e alcançou seus pés. Angie forçou um fraco sorriso diante do latido fraco de quando Jeremy exigiu a sua atenção, mas tudo que o filhotinho recebeu foi uma leve carícia sobre a cabeça peluda.

- Eu devia ter ligado para saber se poderia aparecer aqui, mas a verdade é que eu ainda fiquei quinze minutos no meu carro decidindo se deveria subir ou não.

A loira cruzou os braços diante do peito, em uma postura defensiva. Era difícil encarar os olhos de Dominic outra vez, mas mesmo que aquele namoro não tivesse mais nenhuma chance de se recuperar, Angie sabia que deveria ao menos se desculpar pelas acusações que levantou contra ele.

- Você nem precisa me deixar entrar, Dominic. Eu só precisava dizer que eu sinto muito. Eu sei que agi feito uma louca, eu nunca me comportei daquela forma antes. Eu só... Não soube lidar com a ideia de você com a Monica.

O nó familiar já começava a surgir novamente em sua garganta, mas Angie sabia que não teria mais forças para continuar chorando. Ela não estava ali para tentar convencer Dominic a reatar o namoro ou para reforçar a sua imagem de insegura, principalmente em relação a Monica. Só o que precisava fazer era admitir o seu erro.

- Eu errei e me precipitei e estraguei tudo entre a gente. Eu só queria que você soubesse que eu sinto muito por ter te julgado tão mal. Você não merecia aquelas acusações.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Sex Nov 25, 2016 7:46 pm

- Você deve ser o Anthony. Muito prazer. E obrigado por ter ficado com ela, nós viemos o mais rápido possível.

Só depois de tomar a filha num abraço apertado e de prometer a Violet que tudo ficaria bem, o Sr. Bryant voltou-se para o acompanhante que permanecera no quarto da loira desde a internação, não permitindo que Violet enfrentasse aquele pesadelo sozinha enquanto a família se deslocava de Los Angeles para Stanford.

O engano de Isaac Bryant era muito compreensível. Que outro rapaz teria assumido aquele papel senão o tal novo namorado de quem Violet falara ao telefone? O rapaz a sua frente definitivamente não tinha o físico de um jogador de basquete, mas o pai de Violet estava atormentado demais pela preocupação para dar importância a aquele detalhe.

- Na verdade, pai, este é o Matt. – Violet corrigiu o erro do Sr. Bryant enquanto Isaac apertava com firmeza a mão do rapaz – É um amigo da faculdade.

A situação já era muito confusa e aquele não parecia ser o melhor momento para explicar à família que ela decidira trocar Anthony Foster pelo rapaz que a acompanhava naquele momento. A saúde dela era a prioridade de todos e a vida amorosa conturbada de Violet poderia ser deixada num segundo plano naquele instante.

- Bom, de qualquer forma eu agradeço por não tê-la deixado sozinha.

Se Anthony soubesse que Isaac Bryant estava no hospital de Stanford, muito provavelmente ele teria deixado suas atividades de lado para posar ao lado de Violet como um namorado exemplar com o único intuito de impressionar o sogro. Era irônico que justamente Matthew Avery, que não tinha nenhum gosto por basquete, usufruísse da honra de conhecer pessoalmente um dos maiores jogadores da história esportiva do país.

Embora não fosse mais um rapaz forte e jovem, o Sr. Bryant ainda conservava a boa forma que exibira nas quadras há algumas décadas. Ele ultrapassava facilmente um metro e noventa de altura, o que fazia com que as pessoas ao seu redor parecessem absurdamente pequenas. Os cabelos claros estavam salpicados de fios brancos e a pele marcada por algumas marcas de expressão, mas Isaac continuava sendo uma figura imponente. Os olhos azuis de Violet tinham vindo do pai e possuíam a mesma tonalidade profundamente azul das íris do Sr. Bryant.

Exatamente por Isaac ter aquela postura tão firme e chamativa, a mulher que o acompanhava acabava passando despercebida. A Sra. Bryant tinha traços bonitos e delicados, os cabelos castanhos claros estavam presos em um coque baixo e suas roupas discretas não a destacavam. Mas o que realmente fazia com que ela sumisse ao lado do marido era a estatura. Alexia era baixinha para os padrões femininos normais, o que a tornava minúscula perto de Isaac.

- Como você está, querida? – Alexia se sentou no canto da cama e acariciou o rosto abatido da filha – O que foi que aconteceu, afinal?

- Péssima. – os olhos de Violet novamente se encheram de lágrimas e ela repetiu o gesto de olhar para as pernas imóveis – Eu não sei o que está havendo. Os médicos não me falam nada, acho que nem eles sabem explicar.

- Nós estamos aqui e vamos resolver este problema. Você não precisa mais se preocupar, vai ficar tudo bem. É uma promessa.

Alexia lançou um olhar sério para o marido, desaprovando aquela postura confiante. A Sra. Bryant concordava que Violet precisava de apoio e de otimismo, mas não gostava de ver o marido fazendo promessas que estavam além do alcance dele. Mas antes que a mulher pudesse mudar o tom do discurso, batidas suaves soaram na porta, seguidas por uma vozinha infantil ligeiramente irritada.

- Oiiii! Vocês se esqueceram que eu estou aqui fora??? Eu quero ver a Vivi!

- Vocês trouxeram ela??? – os olhos de Violet quase saltaram para fora do rosto pálido – O que vocês tem na cabeça? Ela não pode me ver assim!

- Até parece que tínhamos escolha. – os olhos de Isaac rolaram com impaciência – Ela teria fugido de casa e entrado em um ônibus clandestino, então decidimos que trazê-la conosco reduziria os danos. Entramos antes porque não sabíamos como você estava, mas não vejo porque razão a Jas não poderia te ver, Violet.

- Realmente, eu estou ótima. – a loira abriu um sorriso amargo e sarcástico – Eu mesma vou abrir a porta para ela. Ah, espere, eu me lembrei de um detalhe... EU ESTOU ALEIJADA!

O choro desesperado de Violet fez com que o casal Bryant trocasse um olhar preocupado. Mas antes que os dois decidissem o que fazer com a caçula que esperava no corredor, a maçaneta girou e uma miniatura de Violet Bryant entrou no quarto.

Jasmine Bryant era a versão perfeita de Violet com oito anos de idade. A menina era alta para a sua idade, magra e tinha os longos cabelos loiros da irmã mais velha. Os olhos eram igualmente azuis e Jasmine tinha até o mesmo formato do narizinho arrebitado da primogênita. Naquela tarde, a caçula usava um vestido azul e sapatilhas da mesma cor. O único acessório era uma pulseirinha dourada idêntica a uma que Matt já vira no punho de Violet.

- Jas! – Alexia tentou puxar a filha de volta para o corredor – Eu disse que iria te buscar quando fosse a hora! É para esperar lá fora, a sua irmã está doente!

Com a habilidade digna de um jogador de basquete, Jasmine se desvencilhou do corpo da mãe e correu até a cama, atirando-se nos braços da primogênita. As duas irmãs se abraçaram e Violet ainda precisou de um minuto inteiro até conseguir parar de chorar. Ela achava totalmente dispensável levar uma criança pequena para aquele pesadelo, mas a presença de Jasmine lhe fazia bem. Apenas a caçula conseguiu lhe arrancar o primeiro sorriso sincero desde o começo daquela tragédia.

- Eu trouxe chocolate. – Jasmine sussurrou de forma cúmplice, como se aquilo pudesse resolver todos os problemas de Violet.

- Antes vamos perguntar ao médico se ela pode comer, Jas.

Alexia repreendeu a caçula, mas foi lindamente ignorada por Jasmine, que colocou no colo da irmã a caixa de bombons que ela insistira em comprar numa parada durante a viagem até Stanford.

- Obrigada, são os meus preferidos. – Violet abriu a caixa apenas para espiar o conteúdo, mas surpreendeu-se ao encontrar vários espaços vazios – Heeey!

- Eu comi alguns no caminho, não tinha nada pra fazer no carro, Vivi! E quem é ele? – Jasmine dirigiu um olhar curioso para Matthew – Não parece aquele garoto da foto que você me mandou.

Jasmine inclinou-se para cochichar no ouvido da irmã, mas o dedinho que apontou para Matthew não foi nada discreto.

- Gosto mais dele. O outro parece ser burro.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Sex Nov 25, 2016 8:52 pm

Desde o término do namoro, Dominic tentava se convencer de que fora melhor assim. O relacionamento tinha chegado naturalmente ao fim sem que Angeline descobrisse sobre a aposta e, por mais que ela estivesse sofrendo agora, aquela dor era desprezível perto da decepção que ela sentiria com a verdade.

Embora fosse inocente na acusação de tê-la traído com Monica, Sjogren não conseguia se sentir magoado ou ofendido com a falta de confiança da ex-namorada. Melhor do que ninguém, Dominic sabia que não tinha o direito de exigir a confiança de Lockwood quando ele mesmo construíra aquele namoro sobre uma base de mentiras.

Por mais que as coisas estivessem bem claras na mente do russo, Dominic não conseguia evitar um aperto no peito sempre que a lembrança de Angeline vinha à tona – o que acontecia várias vezes ao dia. Tudo começara com uma brincadeira maldosa, mas Sjogren não conseguia esconder de si mesmo que havia se apegado à caloura.

Angie era diferente de todas as experiências que Nick já vivera. Há alguns meses, ele soltaria uma gargalhada na cara de qualquer um que insinuasse que ele se apaixonaria por uma menina tão certinha e careta. Agora, contudo, era difícil deixar aquele sentimento no passado e seguir com a própria vida sem a companhia de Angeline.

Embora Sjogren tivesse saído daquele relacionamento como uma “vítima”, ele não esperava por um pedido de desculpas, muito menos por uma reaproximação da loira. Por isso, a surpresa estampada em seu rosto foi sincera ao abrir a porta do apartamento naquela tarde e dar de cara com Angeline Lockwood.

As roupas de Nick deixavam claro que ele não esperava por visitas naquele dia. A calça preta de moletom era velha e confortável, mas definitivamente não servia nem para que o garoto fosse até a calçada. A camiseta branca também estava bastante gasta e os pés descalços completavam aquele visual relaxado.

Enquanto Angeline tentava explicar a sua presença ali e formulava um pedido de desculpas, Dominic cruzou os braços e encostou um dos ombros no batente da porta. Ao contrário da loira, ele não teve nenhum problema em encará-la durante aquela conversa delicada e só tomou a palavra quando teve certeza de que Lockwood havia chegado ao fim do desabafo.

- É melhor entrarmos. Na última vez que deixei o Jeremy brincar no corredor, tive que lavar todos os tapetes deste andar. Ele acha super divertido marcar o território.

Um assobio do dono bastou para que o cachorrinho voltasse correndo para o interior do apartamento. Logo após a entrada de Jeremy, Dominic abriu espaço para que Angeline também passasse e fechou a porta atrás da loira.

Não era a primeira vez que Angie entrava no apartamento do russo e as coisas não tinham mudado desde a última visita. Mas continuava sendo surpreendente pensar como Dominic conseguia viver naquela desordem. Os cômodos estavam limpos, mas a imensa quantidade de coisas fora do lugar era quase uma afronta pessoal a uma garota tão organizada quanto Angeline.

O apartamento era muito pequeno. A porta de entrada dava acesso direto à sala e a cozinha ficava logo ao lado, os dois cômodos separados apenas por uma bancada. A mochila de Sjogren largada no meio do caminho servia como uma espécie de obstáculo para entrar no apartamento.

A sala era composta basicamente por uma televisão na parede, um sofá de dois lugares e um rack onde o rapaz deixava seu Xbox e várias pilhas bagunçadas de jogos, livros e DVD’s. Só havia duas portas, uma que dava acesso à suíte e a outra que levava à minúscula varanda onde Dominic improvisara uma área de serviço e o cantinho de Jeremy.

Naquela tarde, os livros e cadernos espalhados na bancada mostravam que o dono do apartamento estava estudando antes da chegada de Angeline. Também havia uma montanha de louça suja na pia, uma toalha jogada no sofá e alguns brinquedinhos de Jeremy largados no tapete da sala, juntamente com um pé de tênis mordido que havia se tornado mais um dos brinquedos do cachorro depois da destruição causada pelos dentinhos travessos.

- Eu sei que é tentadora a sua vontade de surtar e começar a limpar todos os cantos, mas tente se concentrar na conversa. Eu deixo você lavar uma caneca como recompensa se conseguirmos chegar ao final do diálogo.

A escolha de palavras do rapaz indicava que Dominic não estava disposto a brigar, nem exigiria que a ex-namorada se prolongasse mais naquele pedido de desculpas. Era apenas mais uma das provocações bem humoradas que ele fazia durante o namoro para implicar com a obsessão de Angie por organização.

- É claro que eu fiquei chateado por você nem ter pensado na possibilidade de ouvir a minha versão, mas já passou. Eu sei que não sou um cara exemplar, é compreensível que eu não inspire a confiança das outras pessoas.

Com os braços cruzados, Sjogren se encostou na bancada da cozinha e manteve o olhar fixo em Angeline. Era muito óbvio que ela não enfrentaria o próprio orgulho para ir até o apartamento dele com um pedido de desculpas se não tivesse nenhuma esperança de consertar as coisas entre os dois, mas Dominic queria ver até onde Angie teria coragem de ir sozinha naquela iniciativa.

Como num jogo de xadrez, Sjogren fez o seu movimento e analisou se Angeline teria coragem de se arriscar em uma jogada mais ousada.

- Sem ressentimentos. Podemos ser amigos, se é isso que você quer.
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Sex Nov 25, 2016 10:18 pm

Matthew já tinha ouvido falar sobre os membros da família Bryant antes, mas aquilo não significava que ele se sentiria inteiramente à vontade em invadir aquele momento íntimo que Violet deveria ter com seus pais e a irmã caçula.

Deixar Violet sozinha em uma situação tão complicada estava fora de cogitação, mas ele sabia que sua presença era facilmente descartável depois da chegada do Sr. e Sra. Bryant. A loira não estava mais sozinha e aos olhos dos dois adultos no quarto, ele era apenas o amigo que havia lhe ajudado a chegar ao hospital.

Era incômodo pensar que até mesmo Anthony se encaixaria melhor naquela cena. Enquanto Violet não desfizesse os laços com o namorado e assumisse seus sentimentos por ele, era apenas o papel do bom amigo que lhe cabia de direito. E diante da gravidade da situação da amiga, Matt não tinha a menor pretensão de pressioná-la. Mais uma vez, ele aceitava as migalhas que lhe fossem oferecidas, desde que pudesse continuar ao seu lado.

Ninguém no lugar de Violet aceitaria bem o simples fato de suas pernas não responderem mais, sem ao menos ter uma resposta dos médicos. Mas a reação da loira estava preocupando Avery cada vez mais.

Matt se manteve afastado enquanto a amiga conversava com os pais, mas foi impossível se conter quando a miniatura de Violet entrou no quarto. Suas sobrancelhas foram arqueadas e um sorriso fácil brincou em seus lábios ao ver como o humor da loira mudava diante da figura da irmã. Jasmine já teria conquistado o carisma de Matthew apenas em suavizar a expressão no rosto de Violet, mas o rapaz terminou de se derreter pela loirinha diante do comentário que deveria ter soado como um segredo.

- Parece que beleza e inteligência são características marcantes das garotas Bryant, hm?

O elogio da criança poderia ser inocente aos olhos de qualquer um, mas parecia ser exatamente o que Matthew precisava escutar naqueles últimos dias. Antes de toda aquela tragédia, Violet estava disposta a largar o namorado para assumir seus sentimentos pelo melhor amigo. Mas Matt provavelmente jamais se cansaria de ganhar alguma disputa contra Anthony.

- Só que a baixinha aqui parece ter mais bom gosto. Foi mal, Violet.

- Eu não sou baixinha. – Jasmine replicou, quase ofendida com aquele comentário, provavelmente da mesma forma que Violet teria encarado um comentário negativo a respeito de sua aparência. – Meu pai diz que com a minha altura, vou poder entrar em um time profissional de basquete antes dos quinze. Você joga basquete?

Aquele seria o momento em que Anthony estufaria o peito e exibiria todo o seu orgulhoso histórico esportivo, ressaltando cada grande ou pequena vitória para impressionar o sogro em um esforço muito maior do que ele sequer havia gastado para impressionar Violet.

Matthew, que sempre era o último a ser escolhido nos times, que fugia das aulas de educação física e que conseguia ferimentos graves ao jogar Queimada, não tinha absolutamente nada em seu passado para chamar a atenção dos olhos de Isaac Bryant. Mas ao contrário de todos os rapazes que já haviam passado pela vida de Violet, ele não se incomodou com aquilo nem mesmo por um segundo.

Toda sua vida se resumia em frustrações por não atender as expectativas das pessoas, dos pais, dos irmãos. Avery já havia aprendido que ele era diferente da maioria dos rapazes e que nem sempre aquilo era uma coisa ruim.

- É claro que eu jogo basquete. – Ele respondeu, sem deixar o sorriso desaparecer do seu rosto. – E futebol. E corrida. E algumas vezes eu mato zumbis. É a grande magia de se ter um PlayStation.

Os olhos espertos de Jasmine o estudaram por algum segundo, mas Matt não se sentiu intimidado pela pequena cópia de Violet. Ele ergueu um dos ombros e apontou com o polegar para a loira deitada sobre a cama.

- A Violet também mata zumbis o tempo todo. Você ia gostar, baixinha.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Sex Nov 25, 2016 11:10 pm

Já começava a anoitecer quando dois médicos entraram no quarto de Violet com uma prancheta em mãos. Os Bryant já tinham se acomodado no quarto confortável da moça e, mesmo que agora a família estivesse ao seu lado, a loira pediu que Matthew ficasse um pouco mais. Violet sabia que precisaria de todo o apoio do mundo caso os resultados dos exames realizados nas últimas horas não trouxessem boas notícias.

Um dos médicos era aquele que acompanhava o caso da loira desde o momento da internação e o segundo, um pouco mais velho, apresentou-se como neurologista quando trocou apertos de mãos com Isaac Bryant. O pai de Violet tentou controlar a ansiedade, mas sua entonação deixava claro que ele já estava irritado com a falta de respostas.

- Violet disse que fez muitos exames. Não é possível que nenhum deles mostrou qual é o problema! O primeiro médico a liberou para casa com o diagnóstico de uma simples infecção alimentar, como isso é possível? Ela não consegue mexer as pernas e os braços estão fracos também!

- Eu entendo a angústia de vocês, mas peço que mantenham a calma. É um quadro muito incomum, uma doença rara que não aparece nas principais hipóteses diagnósticas de nenhum sintoma. Mas os exames esclareceram a situação, nós já sabemos do que se trata.

As palavras do neurologista foram seguidas por um profundo silêncio. Jasmine se abraçou com mais força ao tronco da irmã enquanto Violet lançava um olhar inseguro para Matthew. É claro que ela queria entender o que estava havendo, mas também era óbvio que tinha medo do que o futuro reservava para ela.

- De fato, foi apenas uma infecção alimentar. Provavelmente a Violet ingeriu um alimento contaminado por uma bactéria.

- Como você pode dizer que é só uma infecção alimentar??? – Isaac se exaltou, boquiaberto com aquele diagnóstico absurdo – A minha filha perdeu os movimentos das pernas porque comeu um sanduíche estragado???

- Sim. É uma doença que chamamos de síndrome de Guillain Barré. Há uma infecção por vírus, bactéria ou um estímulo imunológico gerado por uma vacina... É uma doença rara e portanto há poucos estudos, mas o fato comprovado é que este estímulo teoricamente pequeno gera uma resposta descontrolada do sistema imunológico, que passa a atacar as próprias células. Mais especificamente, as células que formam a bainha dos nervos periféricos. A Violet perdeu os movimentos das pernas porque as células de defesa do organismo dela perderam o controle e estão atacando o próprio corpo.

Tudo aquilo parecia complexo demais para a cabeça atormentada de Violet. No fim das contas, não interessava para a loira o mecanismo que paralisara as suas pernas. O médico ainda não dissera a única coisa que Bryant precisava saber.

- Tem como parar essa coisa? Eu vou me auto-destruir aos poucos por causa de um sanduíche estragado???

- Tem tratamento. – o neurologista abriu um sorriso compreensivo e indicou a prancheta – Eu acabei de solicitar os medicamentos, você vai começar a usá-los ainda hoje para evitar a progressão dos sintomas.

- Evitar a progressão? – foi a vez de Violet soar exaltada e meio histérica – E quanto ao estrago que já aconteceu? Eu nunca mais vou andar???

O mundo de Violet se partiu em mil pedaços quando os dois médicos trocaram um olhar sério. A respiração entrecortada dela anunciava que mais uma crise de choro estava se aproximando.

- Bom, geralmente a doença não danifica os nervos, apenas a bainha que os envolve. Então, na maioria das vezes, a recuperação é muito boa. Mas eu não posso garantir que será este o seu caso, querida. Só o tempo e algumas sessões de fisioterapia vão nos dizer se você vai conseguir andar novamente.

Aquela resposta era muito melhor do que ouvir que a paralisia era definitiva e que não havia nenhuma esperança para as suas pernas. Ainda assim, Violet derramou algumas lágrimas silenciosas e apertou os lábios para conter mais uma crise de choro. Era como estar no pior dos seus pesadelos, com a certeza de que aquela tragédia não acabaria quando ela despertasse na manhã seguinte.

- Não seja boba, Vivi, vai ficar tudo bem. – Jasmine não parecia ter entendido a gravidade da situação quando tagarelou depois que os médicos saíram com os Bryant para continuarem a conversa no corredor – Você vai tomar um remédio, fazer fisioterapia e pronto. Eu posso te ajudar a fazer os exercícios, igual você fez comigo.

A caçula se referia ao episódio em que havia quebrado uma das pernas na aula de Educação Física. Para incentivar a irmãzinha a fazer a fisioterapia, Violet a acompanhava em todas as sessões e repetia os exercícios em casa.

- E o Matt também vai ajudar, não vai, Matt?

Antes que Avery tivesse a chance de responder, a porta do quarto se abriu subitamente. A palidez de Anthony poderia ser apenas pela emoção de ver Isaac Bryant no corredor, mas o rapaz deixou claro que havia ouvido a conversa dos pais de Violet com os médicos quando voltou os olhos para as pernas da loira, naquele momento ocultas por um cobertor.

- Como assim, você nunca mais vai andar??? Que piada ridícula é essa? O idiota do Matt me disse que você só tinha comido um sanduíche estragado!
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Sex Nov 25, 2016 11:10 pm

- Não tem nada de compreensível no que eu fiz, Dominic.

A voz de Angeline soava rouca depois do excesso de choro dos últimos dias, mas a firmeza com que colocava as palavras mostrava que a loira estava decidida em assumir a sua culpa naquele erro fatal.

- Você nunca me deu motivos para duvidar de você e mesmo assim eu surtei. Agi como uma menininha assustada só porque não sabia lidar com tudo isso.

Ainda segurando as mangas do blusão, Angie apontou para o seu redor. A única coisa visível era a bagunça do apartamento de Sjogren, mas estava claro que Lockwood se reveria a muito mais do que aquele pequeno detalhe na gritante diferença entre os dois.

Se Dominic estava apenas testando os seus limites com a proposta de serem amigos, definitivamente não foi assim que a loira enxergou. Ela não havia ido até ali esperando que ele a perdoasse e que tudo voltasse a ser como antes, mas mais uma vez, tomada pela insegurança, aquelas palavras soaram para Angie como a posição de Sjogren naquela situação que ela havia criado.

Para Angie, era como se Dominic estivesse reforçando que ela havia arruinado tudo e que ele não estava disposto a continuar tentando um relacionamento com uma garota que claramente não era adequada para ele.

- Amigos?

Ela quase engasgou. Lockwood estava preparada para se desculpar pelas próximas horas, de tentar minimizar o estrago causado com a sua insegurança. Ela definitivamente não estava preparada para aquela conversa. Era quase como se Dominic não se importasse com o fim do namoro, tão desapegado que sequer tinha energia para continuar alimentando uma briga.

Os lábios sem cor de Angie se curvaram em um sorriso forçado. Ela havia errado, mas também havia se humilhado demais por um rapaz que parecia quase aliviado com o fim daquele namoro.

- E o que nós faríamos como amigos, Dominic? Nós não temos absolutamente nada em comum. No final do dia, você merece estar com uma garota que chama a atenção de toda a festa, sem precisar entrar em uma briga para isso. Uma garota que não precise prender a respiração cada vez que vai andar na sua moto. Eu não sou a garota que invade prédios só para dar um mergulho noturno. O ponto mais radical do meu dia é dizer ao meu pai que bebi apenas uma xícara de café, depois de passar pela sexta dose.

A loira não usava nenhuma entonação acusadora para destacar as diferenças entre os dois com o intuito de ferir Dominic. Ela estava apenas sendo prática e enumerava os detalhes que certamente não dariam certo em uma amizade entre os dois.

As mãos de Angie foram enfiadas nos bolsos traseiros da calça jeans e ela observou Jeremy do outro lado do apartamento, cansado de mastigar o sapato já destruído. O filhotinho estava deitado imóvel, mas sem se afastar daquele brinquedo improvisado.

A lembrança da noite em que os dois haviam adotado o cachorrinho de rua voltava para assombrá-la. Mas cada segundo que pensava mais nas diferenças entre ela e Dominic, mais óbvio ficava para Angie que ela pertencia a um rapaz como Thomas, enquanto Dominic teria quantas Monicas desejasse.

Seu futuro planejado e previsível não estaria prejudicado ao lado de Tom. Ela voltaria a sua rotina organizada e seu coração estaria protegido porque simplesmente era incapaz de sentir pelo funcionário de Patrick a mesma coisa que sentia pelo rapaz a sua frente.

Um longo silêncio se instalou no apartamento de Sjogren e os olhos azuis continuaram presos no cachorrinho adormecido do outro lado do cômodo. Como tudo que envolvia Dominic, Angeline estava saindo do script, deixando a sua zona de segurança para fazer apenas o que seu coração desejava. Ela queria muito mais do que a amizade dele, mas como aquilo era impossível, ela aceitaria aquela amizade torturante, pelo menos até se sentir preparada para deixa-lo de fato para trás.

O suspiro ruidoso escapou pelos seus lábios em um sinal de derrota e Angie voltou a encarar Dominic, desejando por tudo no mundo que seu coração não saltasse tão acelerado sempre que olhasse para ele.

- Amigos, hm? Por que não? Nós dois já provamos que somos aliados do improvável. Além do mais, você prometeu bagunçar a minha vida. E olhando para o seu apartamento, eu vejo que minha vida continua tão imaculada quanto nunca.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Sab Nov 26, 2016 12:06 am

- É sério, eu não entendo vocês dois. A briga já foi esclarecida, o que estão esperando para reatarem o namoro?

As palavras de Stacey não foram sussurradas, mas o parque movimentado impediu que a conversa que acontecia na mesinha chegasse ao gramado onde Dominic brincava com Jeremy. Os três haviam saído juntos para passearem com o filhote e aproveitaram a ocasião para um piquenique no parque. Embora teoricamente Sjogren e Angie agora fossem só amigos, Stacey não conteve o comentário ao notar como a loira encarava o ex-namorado.

Além do olhar de Angeline, a postura de Dominic também motivava Stacey a tentar refazer os laços daquele relacionamento. Ao contrário do que a ruiva imaginaria no passado, Nick não havia voltado para a vida desregrada de festas e garotas após o fim do namoro. E aquela era uma grande prova de que Lockwood realmente mudara alguma coisa no russo incorrigível de antes.

- Vocês não são só amigos, a quem estão tentando enganar?

Como sabia que era praticamente impossível conseguir alguma coisa de Angeline, Stacey voltou as suas armas para Dominic no instante em que ele voltou à mesa, meio ofegante depois de tentar acompanhar o ritmo frenético do filhote que corria pelo gramado do parque.

- Nick, lembra da Carol, aquela minha colega de francês? – Stacey completou como se não estivesse dizendo nada demais – Ela está super interessada em você. Quer sair com ela no sábado?

- Oi? Ficou louca, Stay? – Sjogren quase se engasgou com o suco que bebericava e inconscientemente voltou sua atenção para Angeline.

- A Angie precisa autorizar? Achei que vocês fossem só amigos agora...

- Que jogada suja, Stay. – os olhos do rapaz giraram e ele terminou de tomar o gole do suco – A Carol também não faz o meu tipo.

- E qual o seu tipo? Loira, olhos azuis, baixinha? Não, espere. Não é baixinha. É korotysa.

- Korotyshka. – o russo corrigiu Stacey com uma careta de desagrado – Deveria trocar as aulas de francês por aulas de russo, a sua pronúncia é lamentável.

- Korotyka, korokiska, não importa... Eu só quero entender porque vocês dois estão fingindo que são amigos sendo que ainda se gostam.

Qualquer pessoa estava mortalmente constrangida com a abordagem direta de Stacey, mas Dominic abriu um sorriso relaxado enquanto se recostava no banco. Embora estivesse com a atenção voltada para as meninas, ele também não se descuidava da bolinha preta que saltitava pelo gramado do parque.

- A Angel sabe que só não estamos juntos porque ela não quer. Por mim, nem teríamos terminado.

A presença de Stacey não intimidou o discurso de Dominic e as palavras foram ditas com os olhos dele colados nos de Lockwood.

- Ela sabe que só precisa estalar os dedos e eu volto para ela, mais obediente que o Jer. Aliás, até um poste é mais obediente que o Jer. Ele está impossível.
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Sab Nov 26, 2016 12:33 am

O sorriso doce que havia começado a surgir nos lábios de Matthew direcionado a Jasmine desapareceu no instante em que a figura de Anthony se materializou no quarto do hospital. Depois daquele dia movimentado e sem fim, assim como o restante do mundo, o namorado de Violet havia se tornado uma mera lembrança esquecida no fundo da sua mente ocupada.

Para os pais de Violet, não havia nada mais natural que a chegada do namorado oficial da primogênita. Mas para Matthew era a incômoda lembrança de que o destino ainda não havia permitido que Anthony fosse descartado por completo.

Seu semblante se fechou diante da fúria do colega, mas Matt não iria fazer uma cena aos olhos inocentes de Jasmine ou da enfraquecida Violet. Ele sabia que, na prática, não teria muita chance em uma briga com Anthony, mas a indelicadeza do rapaz despertava uma grande vontade de levar aquela conversa para fora daquele quarto, de preferência envolvendo os seus punhos.

Lentamente, Matt se ergueu da poltrona que havia ocupado pela última hora, esticando as pernas. As mãos deslizaram pela calça jeans e ele caminhou quase com elegância até parar diante do rival. Avery queria poder enxotar Anthony daquele hospital e lhe dizer que ele não tinha direito nenhum de aparecer ali depois de ter abandonado Violet nas piores horas. Mas era apenas pela loira que Matthew se continha.

- Primeiro, o idiota do Matt tentou te avisar o quão séria a situação estava, mas você estava ocupado demais com o seu treino, lembra?

A voz dele era sussurrada e apenas por estar exatamente ao lado de Anthony, suas palavras alcançavam o ouvido do namorado de Violet. O quarto não era grande o bastante para evitar que aquela conversa fosse inteiramente particular, mas Matt não tinha menor intenção de mostrar as falhas de Anthony para Violet naquele momento. A última coisa que a ruiva precisava era lidar com a estupidez do namorado depois do dia infernal que havia enfrentado.

Os olhos verdes estavam presos em Anthony e a palma da mão de Matt foi apoiada contra o peito do outro rapaz, em um gesto para impedir que ele invadisse ainda mais o quarto e incomodasse Violet com a sua falta de senso.

- E se você tivesse vindo na hora que te liguei, saberia que ninguém, nenhum médico, em nenhum momento do dia disse esse absurdo. Então controle a sua língua, Anthony. A Violet não precisa lidar com toda a merda que sai da sua boca.

Os olhinhos de Jasmine estavam presos nos dois rapazes, incentivando Matthew a manter o tom de voz calmo, afim de evitar um desastre desnecessário. Mas Avery não permaneceria no papel secundário na vida de Violet. Principalmente quando ele precisava protege-la do poço de excremento que era a mente de Anthony.

- A Vivi vai fazer fisioterapia. – Jasmine reforçou, debruçada sobre a cama de Violet. – Eu e o Matt vamos ajudar.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Sab Nov 26, 2016 12:56 am

Foi um grande alívio para Violet quando o médico retornou ao quarto e anunciou que o hospital não permitia uma quantidade tão grande de acompanhantes no quarto. A paciente não queria ficar sozinha, mas também não conseguia lidar com toda aquela confusão que se formara ao redor dela.

Se pudesse escolher somente uma pessoa para lhe fazer companhia naquela noite, Violet não hesitaria em apontar Matthew. O consolo do amigo era tudo o que a loira precisava naquele momento. Matt sabia dosar com perfeição o otimismo que Violet precisava para ficar firme, sem iludi-la com falsas promessas que não estavam ao alcance dele.

Mas, racionalmente, Violet sabia que não podia fazer aquele pedido. Matt já estava há horas naquele hospital e precisava ir para casa descansar. Seria injusto pedir que ele se sacrificasse ainda mais por uma garota que ainda não lhe dera mais que o papel de um amigo em sua vida. Além disso, os Bryant tinham vindo de longe e seria injusto afastá-los daquele momento tão importante na vida dela.

- Eu fico.

Alexia decidiu com firmeza, encarando os demais com o típico olhar de uma mãe que não admitiria ser contrariada.

- Você dirigiu até aqui, querido, deve estar cansado. Leve a Jas para um hotel, descansem e amanhã estaremos aqui para recebê-los no horário de visitas.

- Mas eu...

- Nada de mas, Jasmine! Você não vai dormir no hospital!

A caçula dos Bryant curvou os lábios num enorme bico, mas a mãe contornou a situação permitindo que ela ficasse mais alguns minutos com a irmã. Os três homens saíram juntos do quarto e, embora ainda estivesse assustado com o rumo dos acontecimentos, Anthony abriu um largo sorriso quando estendeu a mão para seu grande ídolo.

- Sr. Bryant, eu sou Anthony Foster. Namorado da Violet e seu grande fã. A Lety já deve ter mencionado que faço parte da equipe de Stanford. É o primeiro passo para um contrato com um time de elite, não é?

Era clara a intenção de Anthony em impressionar o sogro com aquela apresentação. Isaac o encarou com seriedade, como se estivesse analisando-o. Mas, quando o ex-jogador abriu a boca, ele deixou de lado o basquete como assunto principal.

- Posso saber por que você não sabia a gravidade da situação da saúde da sua namorada, Anthony Foster? Eu cheguei aqui e a encontrei na companhia de um amigo. Não era você quem deveria estar ao lado dela?

A boca de Anthony se abriu em choque e ele engoliu em seco enquanto procurava na mente por qualquer explicação que amenizasse aquela grande falha. Quando seus olhos encontraram Matthew, Foster viu nele a saída perfeita para aquela situação embaraçosa.

- A culpa é dele, senhor. – Anthony apontou para Avery e estreitou os olhos, desesperado para melhorar a sua imagem diante dos olhos de Isaac Bryant – Eu tinha um treino importante e pedi pro Avery ver o que estava havendo com ela. Quando eu fui atrás das notícias, ele me convenceu de que não era nada demais! Eu fiquei tranquilo porque este bosta me disse que estava tudo certo! Eu deveria saber que não podia confiar nessa bicha!
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Sab Nov 26, 2016 1:22 am

A cabeleira ruiva de Stacey girou e ela encarou Angeline com as sobrancelhas arqueadas, passando para ela a bomba que antes era dirigida ao melhor amigo. Mas os olhos azuis continuaram presos em Dominic, completamente em choque.

Desde a conversa no apartamento de Sjogren, a loira havia aceitado que era o ex-namorado quem havia sugerido uma amizade. Ouvir aquelas palavras de Dominic, de forma tão direta, a deixou completamente sem reação.

Lockwood abriu e fechou a boca diversas vezes, sem conseguir ter reação alguma, até que o som irritante do celular a salvou de qualquer resposta. A tela foi virada para cima e sem a menor discrição, Stacey se inclinou para frente, enrugando a testa ao ler o nome que piscava insistentemente.

- Quem é “Tom”?

A pequena mão de Angie cobriu o visor e ela imediatamente recusou a ligação, procurando pelo olhar de Dominic enquanto uma cor avermelhada cobria suas bochechas. A notícia sobre o fim do namoro com Sjogren ainda não havia chegado em Sacramento, mas depois da forma direta com que o rapaz havia acabado de dizer que ainda havia salvação para o relacionamento dos dois, ela não queria que surgisse alguma ideia errada sobre o balconista que trabalhava com seu pai.

- É só um amigo. – Angie respondeu pausadamente, como se quisesse reforçar aquela verdade para Dominic.

A ligação foi ignorada com um movimento do dedo sobre a tela de vidro e os olhos azuis pousaram em Jeremy como desculpa para fugir do olhar insistente de Stacey. Antes que qualquer um dos três pudesse dizer qualquer coisa, o toque voltou a ecoar.

- Amigo insistente. – Stacey comentou, lançando um olhar significativo para Dominic.

Quando a pequena mão de Angie destampou o visor, no lugar do nome de Thomas, um número desconhecido era exibido, fazendo uma ruguinha surgir entre as suas sobrancelhas.

- Eu preciso atender, só um instante.

Angie girou as pernas para sair da cadeira de metal em que estava e se afastou enquanto colocava o aparelho celular em sua orelha. Com a outra mão, ela pressionou o ouvido livre, para impedir que os ruídos do campus atrapalhassem sua audição. Ao voltar a se juntar aos dois amigos, a loira exibia um peculiar sorriso acompanhado de uma expressão de incredulidade.

- Eu acabei de conseguir uma entrevista para um estágio. Eu estou só no primeiro período, quais são as chances de isso acontecer?

- O que foi? Vai dizer que não estava na sua agenda? – Stacey zombou, mas compartilhando o sorriso da loira.

- Para dizer a verdade, não. Eu só achei que fosse conseguir alguma coisa no segundo ano.

A resposta de Angie soou com tanta naturalidade que ela não parecia ter interpretado a pergunta da ruiva como uma brincadeira. Em meio àquela semana caótica, era inacreditável que tivesse finalmente uma boa notícia.

Mas como Lockwood já deveria ter previsto, não havia o que comemorar por muito tempo. Quando mais tarde naquele mesmo dia ela recebeu uma segunda ligação, com mais detalhes de local e horário para a entrevista do estágio, a secretária lhe orientou a procurar por Lucille Reynolds, que iria conduzir a conversa para saber se Angie realmente se encaixava na vaga.

Aquele nome não ocupava a mente de Angie há mais de uma década, de modo que ela congelou no instante em que ouviu a secretária pronunciando aquelas palavras. Por quase um minuto inteiro, Lockwood achou que sua mente cansada estava lhe causando alguma pegadinha.

Já era madrugada quando Angie se viu mais uma vez parada diante do apartamento de Dominic. Era provável que o rapaz sequer estivesse em casa, mas Lockwood estava desnorteada demais para considerar aquela hipótese quando tocou a campainha, pálida como se estivesse diante de um fantasma e com as mãos trêmulas de fraqueza.
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