Stanford University

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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Nov 20, 2016 10:00 pm

A adrenalina já corria nas veias de Angie enquanto os dois se esgueiravam pelo corredor escuro, tomando o cuidado de fazer o menor ruído possível. Ela se sentia como uma grande aventureira, disposta a quebrar as regras para se divertir. Era uma sensação que estava cada vez mais frequente desde que Dominic havia surgido em sua vida, transformando o seu cotidiano devidamente calculado cheio de emoções inesperadas.

A ideia havia surgido dela, mas Lockwood não tinha dúvidas de que aquilo jamais teria acontecido se não tivesse conhecido Sjogren. O que a mente sempre alerta de Angeline não havia calculado era que aquela pequena aventura significava que ela precisaria de fato mergulhar nas águas da piscina. E aquilo implicava em retirar a roupa na frente de Dominic.

Os olhos azuis se arregalaram quando Angie finalmente encontrou o reflexo da água e o sorriso se desfez, como se ela estivesse diante de um precipício. Dominic, obviamente, sequer hesitou em mergulhar naquela brincadeira enquanto Angie duelava com a própria emboscada.

Ela podia simplesmente dizer que havia mudado de ideia, pedir para que eles dessem meia volta e encerrassem a noite de forma tranquila e insegura. Dominic já havia se mostrado demasiadamente compreensível e certamente não a pressionaria para aquela violação das regras de Stanford. Mas se fizesse aquilo, Angie estaria assumindo o papel de uma namorada chata e previsível, exatamente como Monica havia descrito.

As palavras da morena ecoaram novamente em sua mente, mas ao invés de desestimulá-la, como havia feito durante toda a noite, foi o combustível necessário para que Angie abraçasse aquele desafio. Era um grande risco, mas ela também sabia que seria divertido.

As sapatilhas foram tiradas rapidamente e os olhos de Angeline estavam presos nos de Dominic quando ela segurou a barra da camisa florida e a puxou pela cabeça. Mesmo depois daquelas semanas juntos, era a primeira vez que Angie ia tão longe na frente de Dominic, e mesmo se tratando de uma aventura, ela sustentou o olhar, tornando o momento ainda mais íntimo.

A barriga reta era contornada por uma cintura com curvas perfeitas. Os seios estavam cobertos por um delicado sutiã lilás com renda em sua borda, mas não escondiam as delicadas pintinhas marrons que cobriam a pele clara. Os cabelos loiros atrapalhados pela blusa caíam sobre seus ombros e as mãos travaram ao alcançar o botão da calça.

Em seu já conhecido gesto de insegurança, Angie mordeu o lábio inferior e seu peito subia e descia com rapidez. Por fim, os dedos se tornaram ágeis até se livrar por completo da calça clara. A parte de baixo da roupa íntima também era lilás e delicada, longe das peças ousadas que Monica usava. Mas combinavam com a curva do quadril e a aparência doce de Angie.

Completamente exposta, foi a timidez que deu a coragem para Angeline correr e saltar nas águas com um mergulho perfeito. Seus braços se moveram com uma técnica perfeita até que ela emergisse novamente. Os cabelos loiros estavam todos repuxados para trás, encharcados, e os olhos azuis ligeiramente arregalados, incrédulos com a própria atitude.

- Está mais quente do que imaginei!

Ela levou as duas mãos para cobrir a boca, ainda com uma expressão de incredulidade. O coração batia no mesmo ritmo de quando estava na moto de Dominic e ela se sentia tão livre por quebrar as regras que jamais havia pensado que pudesse mesmo ser tão bom fazer algo errado.

Aquele pensamento fez com que um riso escapasse pelos lábios de Angie e ela terminou de nadar até poder rodear o pescoço de Dominic com seus braços, se esquecendo momentaneamente da ausência das camadas de roupa que sempre serviam como barreira.

- Eu não acredito que fizemos isso! Passeios de moto, cachorros adotados, mergulhos clandestinos? Francamente, Nick... o que você está fazendo comigo?

Não havia nenhuma repreensão nas palavras de Angeline. Era apenas a sincera admiração com a transformação que Sjogren estava provocando em sua vida.

- Qual é o próximo passo? Roubar um banco?
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Dom Nov 20, 2016 10:12 pm

Era impressionante como a simples existência de Zoey Geller tinha o poder de abalar o mundo perfeito de Violet. Nem mesmo o restaurante oriental parecia tão empolgante depois daquele encontro desastroso e o apetite da loira simplesmente desaparecera após aquela breve discussão. Bryant era o tipo de garota que possuía uma monstruosa autoconfiança, por isso era inédito que ela se sentisse tão atingida por uma menina tão impopular como Zoey.

Pior que o encontro casual com a outra garota era a certeza de que Zoey não iria desaparecer nos próximos dias. A menina deixara claro que voltaria a fazer parte da vida de Matthew e os dois já tinham o próximo encontro agendado. Na mente enciumada de Violet, era uma questão de poucos dias até que Zoey estivesse oficialmente no posto de namorada e a rebaixasse a uma colega que deveria parar de importunar Matt sempre que discutisse com o namorado.

O semblante de Violet não suavizou nem mesmo quando a outra garota sumiu de vista. Os olhos azuis estavam gelados quando se cravaram no rosto de Avery e um sorriso amargo e irônico surgiu em seus lábios com a sugestão de Matt. Tornar-se amiga de Zoey parecia tão provável quanto uma tempestade de neve no meio do verão.

- Claro, seria ótimo. Serei amiga dela no mesmo dia em que o Anthony se tornar o seu melhor amigo. Vocês dois ficarão no sofá jogando videogame enquanto sua amiguinha e eu penteamos os cabelos uma da outra.

Racionalmente, Violet sabia que estava sendo cruel e injusta com Matthew. O amigo já lhe dera infinitas provas de que era uma excelente pessoa e não merecia aquele tratamento hostil. Além disso, era vergonhoso que Bryant não desejasse que ele fosse feliz ao lado de outra garota depois que ela mesma o dispensara. Mas aquele comportamento egoísta era mais forte que qualquer pensamento lógico. A ideia de ver Avery e Zoey juntos fazia com que a loira ficasse cega de raiva e ciúmes.

- Você estragou tudo! Tudo, Matt!

Quando empurrou para longe o prato que a garçonete acabara de servir, Violet deixou bem claro que não pretendia nem experimentar a comida do restaurante. Qualquer um que assistisse a cena reconheceria facilmente um drama de uma namorada enciumada. O maior problema era que os dois jovens que ocupavam aquela mesa não eram namorados.

- Tinha tudo para ser uma noite ótima, mas você estragou todos os planos! Eu perdi a fome.

A loira arrastou a cadeira e se colocou de pé. Como tinha prometido que pagaria o jantar para compensar o trabalho que dera ao amigo, Violet tirou algumas notas da bolsa e as jogou sobre a mesa. O olhar estreitado e ameaçador que ela lançou ao amigo deixava bem claro que Violet estava falando sério.

- Vou pegar um táxi. Não ouse vir atrás de mim, eu não quero mais olhar para a sua cara! Divirta-se com a sua amiguinha perfeita, eu não vou mais atrapalhar vocês dois com as pedras na minha mão.

Bryant se afastou da mesa e marchou até a porta principal sem olhar para trás, aproveitando-se que Matt estava chocado demais para reagir.

Um trio de rapazes que acompanhara a explosão de Violet na mesa ao lado olhou da porta que a loira batera para Avery e o mais gordinho não conseguiu conter a pergunta.

- Cara, o que você fez pra conquistar uma garota como ela? Eu daria a minha coleção inteira de Game of Thrones para ter uma namorada como ela. Mesmo ela sendo uma maluca ciumenta.

Ao contrário da rua onde Foster a deixara, o restaurante ficava em uma avenida movimentada em frente à praia. Em menos de um minuto, Violet estava dentro de um táxi e passava para o motorista o endereço de seu apartamento. O homem fez um retorno para pegar a rua que o levaria de volta ao campus e até tentou ignorar aquele momento íntimo da passageira, mas os soluços de Bryant logo o deixaram preocupado.

- Brigou com o namorado?

Se Violet tivesse notado que aquela pergunta era uma simples curiosidade fofoqueira, sua raiva também seria descontada no velho motorista. Mas o homem que a olhava pelo espelho central do veículo parecia sinceramente preocupado com o choro atormentado dela.

Com as mãos trêmulas, a loira secou os olhos e tentou acalmar a respiração ofegante. Um sorriso sem emoção surgiu em seus lábios enquanto ela refletia sobre a pergunta do motorista e chegava a uma conclusão muito chocante. Nenhum namorado nunca a fizera chorar, mas aquela discussão aparentemente sem motivo com Matt a transformara em uma garotinha insegura que soluçava desesperadamente.

- É.

Não era uma mentira, visto que Violet realmente havia brigado com o namorado naquela noite. A loira só não contara ao motorista que suas lágrimas não tinham exatamente aquela motivação.

- Ele é um idiota. – o velho concluiu com convicção – Um cara que dispensa uma menina como você não merece as suas lágrimas.

Aquelas palavras que deveriam consolar Violet só contribuíram para que a garota se sentisse mais miserável. Depois de um longo silêncio, Bryant murmurou para si mesma enquanto via a cidade passar pelo vidro da janela ao seu lado.

- Neste caso, a idiota sou eu.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Dom Nov 20, 2016 10:44 pm

O olhar de Dominic se manteve fixo em Angeline enquanto a menina se livrava das roupas, como se ele quisesse incentivá-la a ir adiante naquela pequena loucura. Lockwood estava longe de ser a menina mais ousada e sexy que já passara pela vida do russo, mas ele assistia a cada um dos movimentos dela sem piscar para que nenhum milésimo de segundo fosse perdido.

Era exatamente por saber o quanto aquilo era difícil para Angeline que Sjogren valorizava ainda mais aquele momento. Havia um sentimento orgulhoso ao pensar que apenas ele despertava aquele lado ousado na menina e que eram apenas os olhos dele que veriam aquela Angie deliciosamente impetuosa.

Quando a loira finalmente teve coragem de saltar para a água, o sorriso de Dominic se alargou ainda mais. O rapaz afundou a cabeça mais uma vez para ajeitar os cabelos atrapalhados, mas já estava emerso novamente quando Angeline nadou de volta para os braços dele.

- Que fique registrado que a ideia do mergulho foi sua. Eu não aceito ser responsabilizado por isso. Desta vez, o crédito da aventura é todo seu.

O indicador de Dominic deslizou pela ponta do nariz de Angeline numa brincadeira carinhosa antes que ele amparasse o corpo dela num abraço. Naquelas semanas de namoro, os dois já tinham se abraçado centenas de vezes, já tinham dividido a cama de Lockwood durante horas intermináveis de estudo, já tinham se arriscado em beijos mais quentes. Mas nada nunca fora tão íntimo quanto colar os corpos cobertos somente por peças íntimas molhadas.

- Eu te falei que estava aqui para bagunçar a sua vida, não falei? E eu também disse que você ia gostar disso.

Sjogren mordiscou o queixo da menina numa carícia provocante antes de subir os lábios para mais um beijo. Os braços que já a envolviam apertaram Angeline com mais firmeza contra seu peito e Dominic a surpreendeu com mais um mergulho.

O beijo não se desfez nem mesmo sob a água e o russo não hesitou enquanto deslizava as mãos no corpo da menina de forma mais ousada. Até então, ele vinha respeitando o tempo de Lockwood e o espaço imposto por ela, mas a menina deixara bem claro que queria derrubar barreiras quando sugeriu a aventura daquela noite.

A tática de Dominic foi não dar a Angeline tempo para pensar racionalmente em tudo o que estava acontecendo ali. Nenhum pensamento lógico encontraria espaço na mente da menina anestesiada pelas sensações dos beijos e toques dele.

A expressão de Lockwood não escondia o quanto ela estava envolvida pelo momento quando Dominic ousou subir uma das mãos pelas costas dela e abriu o sutiã rendado com um movimento ágil dos dedos. Antes mesmo que a peça caísse ou que Angeline tentasse segurá-la, a voz grave soou ao ouvido dela num sussurro.

- Relaxe, moy korotyshka. Você perguntou qual era o próximo passo. O próximo passo é este.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Nov 20, 2016 11:51 pm

Enquanto todos ao redor de sua mesa interpretavam a cena inesperada de Violet como uma crise de ciúmes de uma namorada, a mente de Matthew, tão adestrada para cálculos complexos e teorias difíceis, foi incapaz de projetar o real motivo que levara a amiga a se comportar daquela forma.

Bryant tinha um namorado e já havia colocado Avery em seu devido lugar de amigo, de modo que não fazia sentido algum que ela se sentisse enciumada com a chegada de Zoey. Por isso, Matt permaneceu congelado em seu lugar, incapaz de dizer ou fazer qualquer coisa.

O queixo ainda estava caído e os olhos verdes fixos na porta, esperando que Violet fosse voltar a qualquer instante, rindo por fazê-lo acreditar naquela cena. Mas aquilo não aconteceu e os minutos se arrastaram até que uma nova pessoa ocupasse a cadeira que antes pertencia a loira.

- Uau... a sua amiga é bem intensa, hm?

Matt se viu obrigado a se virar em seu lugar e voltar a atenção para Zoey. Atraída pelo barulho, a morena resolveu se aproximar novamente ao perceber que o rapaz não estava mais acompanhado. Com o nariz enrugado, Geller apoiou o cotovelo ao lado do prato intocado de Violet, mantendo seu olhar preso no rapaz.

- Foi alguma coisa que eu fiz?

Mais uma vez, a mente de Avery trabalhou para tentar encontrar a justificativa para o comportamento de Violet, e o suspiro frustrado que ele deixou escapar mostrava que continuava sem sucesso algum.

- Não, Zô. A Violet estava tendo uma noite difícil, ela brigou com o namorado... Acho que só estava tentando se fazer de forte, mas estava chateada o tempo todo. Você é garota, sabe melhor do que eu como são essas coisas.

Ele ergueu os ombros de maneira simplória, sendo atentamente observado pelos curiosos olhos de Zoey. Geller não era popular e nem tinha uma vida movimentada como a de Violet, mas ela ainda era uma menina e sabia que uma garota que brigasse com o namorado não iria sair para se divertir com um amigo apenas para explodir em seguida.

- Então vocês não estão juntos mesmo? Achei que você tivesse apresentado a Barbie como amiga para tentar despistar as coisas.

Zoey abriu um discreto sorriso diante da própria teoria, arrancando de Matt um risinho leve, mas sem o menor ânimo depois do desastre daquela noite.

- Garotas como a Violet e caras como eu não ficam juntos, Zô. Elas são boas demais.

Os lábios da morena se espremeram até formar uma linha reta e ela sacudiu a cabeça, discordando das palavras do rapaz.

- Não, Matt... Você que é bom demais.

Qualquer um seria capaz de notar a insinuação na frase de Zoey, mas Matt ainda estava ocupado demais tentando desvendar o mistério “Violet” que interpretou o comentário apenas como uma tentativa da amiga de reconforta-lo. Seus lábios se repuxaram em um sorriso triste e ele apenas meneou a cabeça, sem a menor convicção.

- Eu preciso ir. Mas foi bom ver você outra vez, Zô.

- Taco na Terça? – A ansiedade foi refletida nas palavras de Zoey e ela permaneceu atenta enquanto Matt se levantava, parecendo derrotado.

- Sim, é claro.

***

Matthew Avery não entendia nada de mulheres. Poucas namoradas haviam passado em sua vida e as raras amigas que tinham eram basicamente como Zoey. Ter alguém como Violet em sua vida era completamente inédito, tornando sua inexperiência agonizante porque ele simplesmente não sabia o que fazer depois do desastroso jantar.

Enquanto dirigia de volta para casa, Matt tentou ser o mais prático possível e se lembrou da comparação feita por Jamie no início daquela noite, antes que ele abandonasse tudo para correr atrás de Violet. Tudo aquilo apenas havia acontecido porque ele se deixou levar pelo impulso de querer estar ao lado dela. Se continuasse agindo daquela forma, iria arruinar até mesmo a rara amizade que os dois estavam construindo.

Foi com este pensamento que Matt concluiu que ele deveria agir como se Violet fosse apenas mais um velho amigo, como o folgado Jamie. O rapaz dificilmente faria uma ceninha no meio do restaurante, mas se os dois brigassem, Matthew sabia como deveria corrigir as coisas.

Quando Violet deixou o próprio prédio na manhã seguinte, encontraria o Nissan vermelho parado em sua calçada. Do lado de fora, recostado no próprio carro, Matt esperava com as mãos enfiadas nos bolsos. Os cabelos negros balançavam livremente com o vento da manhã e o rosto exibia um sorrisinho inseguro.

- Você não pretende caminhar com esses saltos, não é?

Ele ergueu a voz para ser notado pela loira e tentou ignorar o pulo que seu coração deu, como sempre acontecia quando via pela primeira vez no dia aquele par de olhos azuis. Mentalmente, Matt se obrigou a dizer para si mesmo que precisava manter o controle antes que acabasse arruinando tudo.

- Comprei cappuccino e o seu Donuts preferido do Starbucks. Imaginei que estivesse com fome depois de ter pulado o jantar de ontem.

Matt se esforçava para soar casual, como seria se estivesse diante de Jamie. Ele se desgrudou do carro e caminhou até a loira, erguendo um dos ombros ao parar diante dela.

- Quando eu e o Jamie brigamos, eu compro uma pizza, jogamos uma partida de RPG e tudo fica certo. Não sei se a tática vai funcionar com você sempre de dieta... Mas eu precisava tentar.

Os olhos verdes passearam pelo rosto bonito de Violet, tentando decifrar o que havia de diferente ali. Ele sabia que não era a mesma coisa, mas temia se esforçar para encontrar a resposta, correndo o risco de não descobrir o que realmente queria.

Depois de passar a noite em claro tentando entender o que havia acontecido, Matt só conseguiu chegar a uma conclusão para o comportamento de Violet. Era quase bobo e infantil e ele corria um sério risco de levar uma bofetada da amiga por falar aquilo em voz alta, mas era a única teoria que foi capaz de aceitar.

- Você não precisa sentir ciúmes, Vi. A Zoey é uma velha conhecida, mas ninguém vai roubar o seu lugar.

Matt soava como um rapaz apaixonado que tentava tranquilizar a namorada, mas era incapaz de interpretar o duplo sentido de suas palavras, o que permitiu que ele concluísse com grande naturalidade.

- Você é minha amiga, Violet. Nada vai mudar isso, nem mesmo a Zoey. Nada vai mudar entre a gente eu prometo. – Um sorrisinho torto finalmente iluminou o seu sorriso. – Exceto se você continuar me derrotando no Zombie Attack. Aí você será minha inimiga mortal. Como Clark Kent e Lex Luthor.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Nov 21, 2016 12:24 am

Todo o planejamento de Angie foi por água abaixo no instante em que um delicioso frio subiu pelo seu estômago, fazendo todo o seu corpo derreter e amolecer nos braços de Dominic. Ela estava longe de ser a menina organizada, centrada e que jamais cometeria aquele pequeno delito de invadir um dos prédios da universidade. O restante do mundo deixou de existir e a única coisa que importava era continuar nos braços de Sjogren.

O corpo dela ainda estava grudado no peito de Dominic, impedindo que a roupa íntima se soltasse por completo. Com um olhar tímido, Lockwood procurou pelo rosto do rapaz. Algumas gotas escorriam dos cabelos de Dominic até se queixo, outras morriam no contorno perfeito dos lábios.

- Eu nunca fiz isso antes.

O sussurro dela soou quase inaudível, e mesmo com a proximidade dos dois, Dominic precisaria ler o movimento dos seus lábios para compreender a confissão íntima. Mas ao contrário do que poderia parecer, não era um alerta para que ele se afastasse e interrompesse as carícias.

Angie se afastou pouco centímetros e a água morna voltou a surgir entre os dois apenas para que seus braços estivessem livres para terminar de se livrar do sutiã rendado. Não havia nem um traço de ousadia em Lockwood, mas ela também não se sentia amedrontada ou envergonhada com o próprio corpo. Ela só queria aproveitar aquele momento ao lado de Sjogren.

Os beijos ainda se prolongaram, cada vez mais íntimos, até que Angie fosse puxada delicadamente pela mão para fora da água. Não era uma noite fria, mas o corpo de Lockwood imediatamente se arrepiou, voltando a se aquecer apenas quando Dominic a envolveu em mais um abraço, agora sem a água para encobrir aquela intimidade.

A piscina da universidade não era o local mais romântico e certamente jamais havia passado na cabeça de Angeline como a escolha do cenário para a sua primeira vez. Mas mesmo quando Dominic sugeriu que fossem para outro lugar, ela negou. Se saíssem dali, se enfrentasse o mundo outra vez, a razão voltaria a controlar a sua mente e o corpo, fazendo com que ela desistisse. E ela não queria desistir. Além do mais, Dominic já havia aparecido para provar que a faria viver o inesperado.

A camisa que Sjogren havia usado durante a noite foi estendida na beira da piscina e o corpo de Angie acomodado ali. A escuridão do local era interrompida pela fraca luz do luar que entrava por uma janela alta, refletindo sobre a água que ainda se movimentava vagarosamente, projetando os fios de luz nas paredes e nos corpos do casal.

***

Os cabelos de Angie ainda estavam molhados e pingando em seus ombros, criando bolinhas de água no tecido da camisa floral que ela voltara a vestir. O vento fresco da madrugada fazia com que ela se encolhesse ainda mais aos braços de Dominic quando os dois voltaram para a entrada do dormitório, algum tempo depois.

- O Jer deve estar dormindo, mas se ele escutar a sua voz, vai começar a latir e acordar a Stay. É melhor eu entrar sozinha.

Apesar da entonação de despedida, Angeline foi incapaz de mover um centímetro para se afastar de Dominic. Aquele era o melhor lugar do mundo e depois do momento especial que haviam vivido, ela se sentia ainda mais ligada a Sjogren.

Os olhos azuis se ergueram para encará-lo e um sorriso mais confiante brincou em seus lábios, demonstrando o quanto ela se sentia satisfeita com as escolhas daquela noite.

- Obrigada por bagunçar a minha vida, Nick. Você estava certo, eu estou adorando.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Seg Nov 21, 2016 12:43 am

Quando o dia amanheceu e Violet se obrigou a sair da cama, as coisas já estavam muito mais claras na cabeça dela. Depois de uma noite em claro e de pensar muito sobre todos os acontecimentos da noite anterior, Bryant não tinha mais dúvidas de que a sua explosão não fora somente um chilique de uma menina mimada. Ela gostava de Matthew.

É claro que Violet já sabia que gostava da companhia do amigo, que os dois se divertiam juntos e que Matt tinha tudo para se tornar uma das suas pessoas preferidas no mundo. Mas os ciúmes despertados pela simples ideia de ver o amigo com uma namorada foram o bastante para que a loira percebesse que ela não queria apenas uma amizade.

Avery simbolizava tudo aquilo que nunca tivera muito espaço na vida de Bryant e era uma crueldade do destino fazê-la se apaixonar justamente por ele. Mas Violet não tinha mais dúvidas de que via mais do que um amigo quando olhava para Matthew.

Nenhum rapaz nunca a fizera rir e chorar daquela forma. Antes de conhecê-lo, Violet nunca havia se preocupado tanto com o julgamento que receberia de um garoto. Matt era o único cara que a conhecia por inteiro, que sabia o gosto incomum que a loira tinha por games e por matemática. Avery sabia que existia outra garota completamente diferente por baixo das roupas de grife, dos saltos altos e dos cabelos escovados, e ainda assim gostava dela. Violet não tinha dúvida de que jamais poderia esperar isso de outro cara.

Esta certeza fazia com que Bryant se sentisse ainda mais miserável. Depois da cena lamentável no restaurante, Violet sabia que eram enormes as chances de ter perdido até mesmo a amizade do garoto. Ninguém julgaria Avery se ele decidisse se afastar de uma maluca escandalosa que obviamente não sabia o que fazer com a própria vida.

Por estar certa de que o relacionamento com Matthew havia sido destruído depois da ceninha de ciúmes da última noite, Bryant ficou sem reação quando chegou à calçada e deu de cara com o amigo e seu Nissan vermelho. Violet estancou em frente ao portão do prédio, sem acreditar que Matt realmente estava ali depois de tudo o que ela fizera.

Como de costume, Violet estava impecável mesmo que só estivesse indo para a faculdade. A saia preta curta ajudava a alongar ainda mais as pernas dela, assim como os sapatos de salto alto. A blusinha rosa rendada tinha exatamente a mesma cor da tiara que enfeitava os cabelos loiros, soltos naquela manhã. Foi preciso usar uma camada a mais de maquiagem para esconder os sinais da noite mal dormida, mas Bryant só havia saído de casa depois que o espelho lhe mostrou um reflexo perfeito.

- O que você está fazendo aqui?

A voz de Violet não soou ríspida. Ela realmente só estava profundamente surpresa em ver Matthew se esforçando para recuperar aquela amizade mesmo depois que ela estragara tudo sozinha na noite anterior. A cabeça de Bryant se sacudiu e seu semblante tornou-se ainda mais incrédulo quando ela percebeu que o copo e a embalagem do Starbucks eram o seu café da manhã.

- Você é inacreditável, Matt. Inacreditável.

Violet deixou claro que aquilo não era uma crítica quando abriu um pequeno sorriso antes de aceitar o café da manhã trazido pelo rapaz. Aquele comportamento nobre de Avery fazia com que a loira se sentisse ainda mais culpada e inadequada para ele. Violet estava acostumada a se achar boa demais para qualquer cara, mas com Matt ela se sentia infinitamente inferior. Ele era bom demais para uma garota fútil e superficial como ela.

- Você ainda não entendeu o que está havendo, não é?

Nem mesmo um rapaz com um grande histórico de namoradas compreenderia facilmente a mente complexa de Violet, então ela realmente não esperava que Avery reconhecesse aqueles sinais tão contraditórios.

- Eu não me importo que a Zoey-Quatro-Olhos-Imbecil seja sua amiga. Sim, eu ainda quero matá-la e um cappuccino não vai mudar isso. Tente com acréscimo duplo de chocolate da próxima vez, quem sabe...

Mesmo sabendo que não tinha o menor direito de lançar aquela bomba nas mãos do amigo, Violet não tentou segurar a própria língua durante aquela confissão.

- O que me incomoda é pensar que ela pode se tornar mais que uma amiga. Eu sou uma maldita vaca egoísta e não mereço nem mesmo a sua amizade. Você realmente deveria ficar longe de mim, Matt. Eu sou uma péssima pessoa, eu sou um ser humano asqueroso.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Seg Nov 21, 2016 1:17 am

- Você não está falando sério. Está?

Os olhos castanhos de David se ergueram, encarando o colega com uma expressão debochada. Os dois rapazes eram os dois últimos alunos no laboratório de Anatomia naquela tarde e Dominic se aproveitara daquela privacidade para colocar um fim na aposta com a “prova” de que ele havia ganhado a disputa.

De dentro da mochila, Sjogren retirara a camisa azul que havia usado na noite anterior. O tecido estava completamente amarrotado, um dos botões estava frouxo. Mas o que Dominic realmente queria que o amigo visse eram as manchinhas avermelhadas que se acumulavam em determinado ponto da camisa.

- Consegui. A prova está aqui, ela realmente era virgem.

O russo se esforçava para parecer natural, mas intimamente se sentia sujo por expor daquela maneira a vida íntima de Angeline. Quando se aproximara dela, Sjogren realmente só estava interessado em vencer aquela brincadeira, mas agora era incômoda demais a sensação de estar usando a novata. Dominic só decidira mostrar a camisa a David para colocar um fim naquela história e poder continuar com Lockwood, agora sem o peso daquela culpa.

- Você realmente acha que eu vou aceitar isso como prova, Dom? Fala sério, né?

David girou os olhos de maneira irônica enquanto franzia o nariz para a camisa amassada nas mãos do colega. Os dois estavam sozinhos no laboratório, mas ainda assim usavam uma entonação mais discreta, como se temessem que os cadáveres que os rodeavam se tornassem testemunhas daquela travessura cruel.

- Tem muita coisa em jogo, Dom. Eu não vou abrir mão de um estágio perfeito por causa de uma camisa manchada. Isso pode ser tinta, molho de tomate, menstruação da Mon... Só o fato de você ter encarado este desafio já prova que você é um cara sem escrúpulos. Não dá pra acreditar na sua palavra e numa camisa. Nada feito.

Os olhos azuis do russo se estreitaram até se transformarem em dois riscos ameaçadores em seu rosto. David havia acabado de lhe lançar uma ofensa séria, mas Dominic sabia que merecia aquela crítica. A palavra dele realmente não valia muita coisa depois que ele aceitara seduzir uma menina inocente por causa de uma aposta estúpida.

- O que você quer, então? – Dominic abriu um sorriso áspero e sem emoção – Uma declaração autenticada em cartório?

- Não precisa ser tão formal. Pode ser algo muito mais divertido. – David riu enquanto enfiava seus livros dentro da mochila – Um vídeo. Se ela realmente liberou a sua entrada na festinha particular dela, filme a transa da próxima vez. Nem precisa ter uma qualidade HD. Dando pra reconhecer a carinha dela, me basta como prova.

- Eu não vou filmar uma garota nesta situação, David. Isso é demais!

- Então, amigo, você vai perder a aposta. Quando a gente fechou o acordo, eu deixei claro que queria provas concretas. Isso... – David apontou a camisa com desdém – ...não significa nada. Você também não abriria mão da sua moto se eu te apresentasse uma prova tão facilmente forjável. Fala sério, Dom. Se você realmente já chegou tão longe nesta aposta e comeu uma virgem, o que é um filmezinho? Você já se sujou demais, isso não faria a menor diferença.

As palavras de David ainda ecoavam na cabeça de Sjogren enquanto ele esperava pela namorada em frente ao prédio da Administração. Dominic realmente se sentia sujo por ter participado daquela brincadeira, mas filmar um momento de tamanha intimidade sem a autorização da menina e mostrar a gravação para outra pessoa parecia errado demais, até para os padrões do russo.

Aquelas ideias ainda atormentavam a mente do rapaz quando a dona de seus pensamentos surgiu a sua frente. Dominic forçou um sorriso e inclinou-se para cumprimentar a namorada com um selinho. Aproveitando-se da proximidade, Sjogren puxou os livros dela para seus braços, aliviando o peso que a menina carregava.

- Desculpe pelo sumiço. Tive aula de manhã, aproveitei o intervalo do almoço para levar o Jer para tomar as vacinas e depois fui direto para o laboratório. Mas agora sou todo seu...

Sjogren brincou para suavizar o clima e para desfazer aquele semblante de culpa antes que Angeline notasse que havia algo errado com ele.

- O que quer fazer? Tomar um sorvete, invadir um prédio, roubar um banco, fazer uma tatuagem? Eu topo qualquer coisa.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Nov 21, 2016 1:35 am

Se qualquer outra pessoa usasse aqueles adjetivos para se referir a Violet, Matthew certamente entraria em uma briga em um piscar de olhos para partir em defesa da amiga. Até mesmo Bryant usando palavras tão feias para descrever a si mesma resultaria em um pequeno sermão por parte de Avery. O problema é que a mente dele havia congelado com a nova informação e foi incapaz de reagir a qualquer outra coisa.

Por quase um minuto inteiro, Matthew permaneceu parado na calçada, encarando Violet como se esperasse que ela concluísse aquela declaração de uma forma mais óbvia. Porque ele não podia acreditar no que havia acabado de escutar. Seus ouvidos haviam captado a declaração, mas sua mente ainda não conseguia aceitar.

Uma ruga se formou entre as sobrancelhas grossas de Avery e ele desviou o olhar de Violet para encarar a calçada, como se aquilo facilitasse de alguma forma o seu raciocínio afetado. Se ele havia compreendido o significado daquelas palavras e do ataque realizado na noite anterior, Violet estava com ciúmes.

Não o ciúme que ele havia deduzido, de perder o posto de melhor amiga com a chegada de Zoey, que aparentemente pertencia muito mais ao seu mundo do que Violet. Mas o mesmo ciúme que fazia seu estômago afundar sempre que via Anthony ao lado de Bryant.

- O que você está dizendo, Violet?

Era impressionante como Matthew poderia ser um pequeno gênio com um futuro brilhante, mas se tornava completamente leigo quando estava diante de Bryant. Não era apenas a beleza da loira que o confundia, entorpecendo os seus sentidos. Violet estava dando um nó em sua mente.

Avery tinha duas opções diante daquela verdade recém jogada em seu colo. Ele podia ignorar a vozinha em sua cabeça que lhe dizia que aquilo era um grande erro, que acabaria se magoando, e simplesmente acabar com a fachada de amizade que ele e Violet haviam construído. Tudo que precisava era dar um passo, agarrá-la em seus braços e fazer aquele ciúme absurdo desaparecer enquanto lhe dizia que ela era a única que ele desejava.

O café da manhã se perderia em seus pés, manchando a calçada, mas nada mais importaria porque Violet estaria em seus braços. Só de cogitar aquela ideia, seu coração já saltava no peito, ansioso para reviver os momentos da festa dos calouros.

A segunda opção estava longe de ser prazerosa. Se Matthew se rendesse àquela vozinha muito parecida com a de Jamie, ele concordaria em se afastar de Violet. A loira obviamente estava acostumada a ter tudo o que quisesse, mas ele não deveria se render às exigências dela.

Poucos dias atrás, Violet havia lhe pedido que fossem apenas amigos, mergulhando de cabeça no relacionamento com Anthony. Aquela mudança radical mostrava que Bryant era volúvel e não trazia nenhuma segurança a Matt de que não tornaria a mudar de ideia depois de alguns dias ao seu lado.

O coração de Matt saltava contra o peito diante daquelas duas escolhas tão extremas que certamente mudaria tudo entre ele e Violet. Mas antes que o rapaz pudesse decidir se renderia a tentação de se entregar a Violet ou não, uma voz grossa soou às costas dela, obrigando o rapaz a erguer o olhar por cima dos ombros delicados da menina para encontrar Anthony parado há poucos passos.

- O que está fazendo aqui, Mattie?

O sorriso afetado de Anthony mostrava que ele não estava nada satisfeito em encontrar o colega de turma na calçada da sua namorada. Em teoria, Avery não apresentaria nenhum risco para um rapaz como Thony. Os dois eram opostos gritantes, mas a proximidade dos dois e a tensão palpável era suficiente para fazer com que o jogador de basquete estreitasse o olhar antes de rodear seu braço na cintura de Violet, como um cachorro marcando o seu território.

- Não tem nenhuma loja de gibis neste bairro. Você não está perseguindo a minha namorada, está?

Anthony ainda exibia um sorriso nos lábios grossos, mas não havia nenhum pingo de simpatia em seu olhar. Matthew sustentou o olhar sem piscar por alguns segundos antes de se volta para Violet, sem ao menos direcionar uma palavra ao outro rapaz.

- É melhor eu ir embora. A sua carona chegou.

Recuando um passo, Matt ainda apontou para o copo de isopor do Starbucks.

- Você deveria comer. O acréscimo duplo de chocolate vai ficar para a próxima.

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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Seg Nov 21, 2016 2:03 am

A chegada de Anthony parecia ser mais uma obra do destino mostrando a Violet qual era o lugar que ela deveria ocupar no futuro. A loira havia acabado de fazer uma confissão que poderia mudar toda a sua vida, mas o namorado “perfeito” chegara bem a tempo de evitar que Bryant se deixasse levar por aquela loucura.

Nem por um instante, Violet pensou em se esquivar de Anthony para seguir os passos de Matthew. Além de querer poupar o amigo de uma briga que ele fatalmente perderia, a garota sabia que Matt já havia feito a escolha dele.

Embora aquela não parecesse a melhor escolha a princípio, Violet no fundo sabia que Avery tinha seus motivos para se afastar. A indecisão dela não inspirava confiança, era evidente que Violet estava perdida e não sabia em qual direção guiaria a própria vida. Matt merecia uma garota que pudesse dar a ele a estabilidade emocional que Bryant não encontrava nem em si mesma.

- O que este babaca perdedor estava fazendo aqui? Parece um urubu em cima de uma carcaça podre!

Anthony abandonou a postura irônica e se mostrou sinceramente irritado assim que Matthew se afastou do casal e sumiu de vista.

- Eu fico lisonjeada pela comparação, Anthony.

Com um girar de olhos, Violet se desvencilhou dos braços do namorado e começou a caminhar pela calçada, obrigando Foster a seguir seus passos. A moça tomou um gole do cappuccino antes que o namorado novamente se colocasse na frente dela.

- Eu estou falando sério, Violet. Não gosto de ver um babaca rodeando a minha garota, mesmo que seja um idiota que não tem a menor chance com uma princesa deliciosa como você.

- Fui promovida de carcaça podre a princesa deliciosa em menos de um minuto? É isso que eu chamo de evolução!

Violet sentiu uma vontade sufocante de dizer ao namorado que ela havia acabado de se declarar para o idiota que nunca teria uma chance com ela, mas a loira só precisou de um segundo de reflexão para desistir daquela ideia atrevida. A última coisa que Matt precisava era de um atleta furioso, disposto a arrebentar a cara dele por ciúmes.

- Deixa o Matt em paz, ok? Ele é apenas um bom amigo. Ontem eu fiquei arrasada depois que brigamos e liguei pra ele porque precisava desabafar. Ele deve ter ficado com pena e trouxe o meu café hoje.

A mentira soou com naturalidade e Foster nem pensou em questionar a informação. Para o rapaz, era bem plausível que uma garota ficasse arrasada depois de ter brigado com um namorado como ele.

- Precisava ter falado justamente pra esse urubu? O cara vive te secando desde a primeira vez que te viu, Violet! Eu vou dar um jeito nisso. Vou mostrar pra esse babaca que o lugar dele é bem longe da minha garota.

- Não seja estúpido, Anthony! – os olhos azuis giraram e, para evitar que Matt terminasse aquele dia no hospital, Bryant se viu obrigada a inventar mais uma mentira – Se o Matt me olha tanto, provavelmente deve estar admirando minhas roupas ou o meu cabelo.

Como Anthony não era esperto o bastante para entender aquela insinuação, Violet bufou antes de sussurrar a mentira grave que salvaria a pele do amigo, mas que agravaria bastante a fama negativa que ele já tinha no campus.

- O Matt é gay. Muito gay. Toda garota tem um amigo gay, sabia? Deixa o coitado em paz, Anthony, ele não representa nenhuma ameaça pra você!
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Nov 21, 2016 2:09 am

- Fazer uma tatuagem não me parece uma má ideia...

Angie estreitou os olhos como se realmente estivesse considerando aquela possibilidade antes de abrir um largo sorriso, denunciando a brincadeira. Sem se importar por estarem em um local público, a menina ergueu seus braços e rodeou o pescoço de Dominic em um abraço antes de beijá-lo carinhosamente.

Aquele era um pequeno gesto que mostrava como Lockwood se sentia diferente desde o acontecimento da noite anterior. Ela sabia que era impossível que as pessoas notassem, mas poderia jurar que exibia um brilho diferente naquela manhã.

A regata preta e a calça clara não eram peças diferentes do que a loira estava acostumada a usar. Mas o sorriso radiante era suficiente para deixa-la mais bonita que o normal. Uma delicada tiara prateada brilhava em meio aos fios claros, deixando seu rosto mais exposto e reforçando a aparência angelical.

No instante em que o beijo chegou ao fim, os pés de Angie voltaram a tocar o chão por completo e ela assumiu um semblante mais sério. O que mais queria era prolongar a felicidade que ainda sentia depois do acontecimento da noite anterior, mas depois de passar todo o intervalo do almoço pendurada no telefone com o pai, ela sabia que não poderia escapar por muito mais tempo.

- Por mais que roubar um banco seja imensamente tentador, eu não posso. Prometi ao meu pai que compraria um carro na minha primeira semana de aula, mas você resolveu bagunçar a minha agenda e eu evitei o máximo que pude.

Com um suspiro, Angie começou a andar lado a lado de Dominic enquanto se explicava. Ela já começava a aceitar o fato de viver sem organizar cada segundo, mas não podia mais adiar a compra daquele carro.

- Eu preciso ir até Sacramento no próximo final de semana. É aniversário do meu pai e se ele descobrir que eu ainda estou sem carro, apenas andando de carona em uma moto por aí, provavelmente vai me deixar trancada no meu antigo quarto até o natal.

A entonação de Angie ainda era brincalhona, mas ela sabia que o pai não ficaria morrendo de orgulho por saber que ela não estava cumprindo as promessas feitas no início do ano letivo. Além do mais, ela não poderia simplesmente assumir que Dominic a acompanharia até Sacramento para visitar o pai quando os dois estavam juntos há poucas semanas.

- Eu prometo que fico com o Jer o resto da semana, mas preciso que você cuide dele enquanto eu estiver fora.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Seg Nov 21, 2016 11:05 pm

- Relaxa, Jer e eu vamos ficar com saudades, mas vamos sobreviver. E a Stay infelizmente não vai deixar que eu o estrague. Esse cachorro está ficando muito mimado, sabia?

A entonação leve do rapaz mostrava que aquela implicância não era verdadeira. Os três jovens estavam se saindo muito bem nos cuidados com o filhote e era notável que, exceto pela patinha quebrada, Jeremy estava muito mais saudável e feliz com a nova “família”.

Ao invés de ocupar o resto de sua tarde com outros compromissos, Dominic fez questão de acompanhar Angeline na compra do carro. A carona de moto economizaria o tempo da garota, mas também era uma desculpa perfeita para que eles passassem mais algum tempo juntos. Sjogren ainda não havia decidido o que faria com relação à “prova” solicitada por David, mas o russo tinha plena certeza de que não queria se afastar de Lockwood.

Mesmo que, teoricamente, Nick já tivesse concluído seu objetivo ao se aproximar da menina, ele não pensava em colocar um fim naquele romance forjado. Angeline era uma garota especial que não merecia ser simplesmente deixada de lado depois de um momento tão importante.

Contudo, Dominic estaria mentindo se dissesse que os sentimentos de Angie eram a sua única motivação para continuar naquela farsa. Sjogren também mergulhava cada vez mais fundo naquele romance porque gostava da companhia da caloura, divertia-se com ela, aprovava seus beijos e suas carícias. Angeline era o tipo de garota que nunca chamara a atenção de Nick antes, mas ele estava agradavelmente surpreso em descobrir o quanto era bom ficar com uma menina como ela.

- Quer que eu pergunte se eles tem a versão infantil deste modelo?

O russo provocou com bom humor enquanto assistia a namorada puxando o banco do motorista o máximo possível para frente, e ainda assim precisava esticar as pernas para alcançar os pedais do carro que os dois analisavam. Ocupando o assento do passageiro, Dominic soltou uma risada melódica que ecoou pelo carro enquanto o rapaz se inclinava para depositar um beijo na curva do pescoço de Angeline.

- Aquele que vimos na primeira agência ainda é o meu preferido, combina com você. Mas a escolha é sua, korotyshka. Vem, vamos ver os outros.

Os dois estavam caminhando entre os outros carros expostos na concessionária de mãos dadas. Dominic eventualmente parava perto de algum modelo para fazer algum comentário ou brincadeira, mas era evidente que ele não queria influenciar a escolha da menina.

Aproveitando-se que Angeline parecia distraída enquanto analisava um dos carros, Sjogren a abraçou por trás e depositou um beijo carinhoso no topo da cabeça dela, que se encaixava com perfeição junto ao peito dele. Qualquer um que visse aquela cena não teria a menor dúvida de que os dois estavam apaixonados e felizes. Ambos tinham um brilho no olhar impossível de ser forjado.

- Korotyshka...

A voz de Dominic soou em uma entonação mais baixa e anormalmente séria para a personalidade sempre tão leve e divertida do russo. Quando completou o raciocínio, Sjogren sabia perfeitamente bem como era importante aquele passo que ele dava no relacionamento com Angeline.

- As coisas estão ficando sérias entre a gente, não é? Seria bom se você já começasse a preparar o seu pai para a novidade, hm? Prometo me comportar na próxima vez que ele vier te visitar em Stanford. Ele não precisa saber das nossas aventuras, mas não vai dar pra esconder que estamos juntos.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Nov 21, 2016 11:53 pm

- E então? Você se entendeu com a sua amiga?

Zoey tentou disfarçar a curiosidade em seu olhar enquanto espalhava o molho por cima do seu taco, espirrando uma quantidade exagerada em seu prato. Matt, do outro lado da mesa, encarava o próprio almoço sem o menor apetite, com o pensamento distante desde o encontro com Violet, no dia anterior.

Por infinitas vezes, Avery reviveu aquele momento da calçada, desejando voltar no tempo, refazendo a cena em um mundo em que Anthony não existia. Quanto mais pensava no assunto, menos dúvidas ficavam. Violet havia se declarado. Ela também sentia por ele algo mais do que amizade e parecia uma grande tolice fingir que nada havia acontecido.

Um sorriso sem ânimo apareceu nos lábios de Matthew e ele se inclinou para dar um gole em sua Coca-Cola, ainda sem disposição para experimentar o taco a sua frente. Seu estômago parecia ter feito uma greve, se revirando impaciente com as lembranças de Bryant.

- As coisas estão... complicadas.

A morena havia acabado de dar uma generosa mordida em seu taco e a bochecha estufada contribuiu para a expressão de desinteresse que ela tentava passar. A conversa provavelmente teria se prolongado naquele mesmo assunto se a imagem de Anthony não tivesse surgido antes que Zoey terminasse de mastigar o seu taco.

Sem disfarçar, o colega de turma encarou Matthew por mais tempo do que era socialmente aceito. Ele e mais dois rapazes do time de basquete procuraram uma mesa vaga e Matt poderia jurar que havia algo de diferente na forma com que Anthony lhe encarava, sem o mesmo brilho homicida do dia anterior.

Ele não sabia como Violet havia driblado a cena do dia anterior, mas o mínimo que Matt esperava era ter o rosto esmagado pelo punho de Anthony, já que o rapaz deveria estar possuído de um péssimo humor após o rompimento com a loira.

- O que esses caras têm? Estão te olhando como se você soubesse onde tem promoção de Whey Protein.

Zoey havia acabado de mastigar, mas ainda exibia no canto dos lábios um resquício do molho. Do outro lado da lanchonete, Anthony se inclinou para frente e cochichou algo com os amigos. No segundo seguinte, mais dois pares de olhos estavam voltados para Matt com uma expressão surpresa apenas para que sorrisos maliciosos surgissem em seguida.

- Provavelmente estão tramando o meu assassinato. – Matt afundou na cadeira quando Anthony se levantou, caminhando na sua direção.

- He-hey! Mattie, como vai?

O ombro de Avery foi empurrado para frente com os tapas “amistosos” de Anthony. O rapaz puxou uma das cadeiras livres, virando-a com um movimento ágil do pulso para se sentar com as pernas abertas sem dar importância ao fato de que não havia sido convidado.

- E aí, Thony... – Matt não se esforçou nem mesmo em sorrir, mantendo o olhar fixo em um ponto atrás do ombro de Zoey.

- Não vai me apresentar a sua amiga? – Anthony girou a cabeça para encarar Zoey, que ao contrário de Matt, o encarava desafiadoramente.

- O que você quer, Thony? – Matthew o cortou, a entonação desanimada. – Seja lá o que rolou entre você e a Violet, a culpa não é minha, e não vai resolver em nada fazer uma cena aqui.

As sobrancelhas de Anthony foram arqueadas em uma sincera confusão e ele sacudiu a cabeça, quase ofendido. O ombro de Matt voltou a sacudir quando a mão pesada de Thony foi apoiada ali, desta vez sem se afastar.

- Eu não pretendo fazer nenhuma cena, Mattie. Eu só queria dizer que eu já sei de tudo, tá legal?

Os pelos da nuca de Matthew se arrepiaram e ele sentiu todo o seu corpo congelar. Os olhos verdes deslizaram lentamente até pousar em Anthony, em uma distância impossível de fugir. Por mais que ele tentasse correr, sabia que o perfil atleta do rapaz seria suficiente para alcança-lo em questão de segundos.

- Sabe?

A voz de Matt quase não saiu. Ele não conseguia acreditar que Violet tinha mesmo ido tão longe. Mas Avery não sabia exatamente ao que “tudo” Anthony se referia. A festa dos calouros? Ou ao sentimento que a ex-namorada dele havia confessado no dia anterior? Se Anthony sabia mesmo de tudo, como ele ainda estava ali, inteiro, respirando e sem derramar nenhuma gota de sangue?

- Sei, Mattie. A Violet me contou. E quer saber? Faz todo o sentido do mundo.

Uma ruga surgiu entre as sobrancelhas de Matt e ele sentiu a mente trabalhando ferozmente para aceitar aquele absurdo. Do outro lado da mesa, Zoey acompanhava a tudo ainda mais perdida que o amigo.

- Faz??? – Matt se inclinou para frente, tentando descobrir nos olhos de Anthony qual era a pegadinha, esperando pelo soco que nunca vinha. – Quer dizer, você não tá querendo me matar nem nada do tipo?

- Por que eu faria isso? – Thony sacudiu a cabeça, soltando um pesado suspiro. – Olha, eu entendo... Sei que não sou um cara muito fácil de lidar. Mas não sou tão preconceituoso assim. Só queria te dizer que você tem total apoio para sair do armário, tá legal?

Um esguicho de refrigerante respingou por toda a mesa quando Zoey engasgou com a própria bebida. O queixo de Matt despencou e ele permaneceu congelado, mesmo quando Anthony arrastou a cadeira para se levantar.

- Mas Matt, caso algum dia eu te encontre no vestiário depois de um treino meu, vou te encher de porrada, tá legal?

Com um riso divertido, como se realmente estivesse diante de uma piada, Anthony se afastou para voltar aos dois colegas de time, deixando um Matthew e uma Zoey completamente desnorteados.

***

O silêncio comum de uma biblioteca foi interrompido quando a pesada mochila de Matthew foi arremessada sobre a mesa onde Violet estudava, debruçada sobre os livros. Alguns olhares tortos foram direcionados para Avery, mas toda a sua atenção estava focada na melhor amiga.

Os olhos verdes brilhavam em fúria quando ele se apoiou sobre a mesa de mogno, tendo apenas os livros da menina como barreira. Era a primeira vez que o rapaz a encarava com tanta firmeza, mas nem mesmo a intimidante bibliotecária o impediu de sussurrar com autoridade.

- Lá fora. Agora!

Ao invés de seguir pela saída principal da biblioteca, os dois caminharam até a porta lateral utilizada para emergências. O local era infinitamente menos movimentado e ficava em um beco cinzento, fora do caminho principal por onde os estudantes passavam enquanto se deslocavam de um prédio ao outro. Por estar completamente protegido dos ouvidos e olhares alheios, Matt não hesitou em levar as mãos até os cabelos, bagunçando os fios escuros.

- Você perdeu o juízo, Violet??? Como pôde dizer ao Anthony que eu sou gay???

O rosto sempre calmo de Avery estava vermelho e ele parecia estar sufocando com aquele ataque de fúria reprimido durante todo o dia. Ele precisou se segurar desde o encontro com Thony para ter certeza que olharia nos olhos de Violet e desistisse daquela ideia absurda de que ela teria inventado uma mentira tão desproporcional.

- Eu posso saber o que foi que aconteceu ontem, para você mudar o seu discurso “Hey Matt, eu gosto de você” para “Então, o meu melhor amigo quer roubar a minha coleção de sapatos!”.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Ter Nov 22, 2016 12:23 am

Quando imaginou que finalmente as coisas tinham se resolvido por si só e que agora a sua vida seguiria pelo caminho tão bem planejado no passado, Violet se surpreendeu com a chegada repentina daquela versão irada de Matthew Avery.

A inédita expressão de fúria no rosto do amigo fez com que os olhos azuis se arregalassem. A concentração de Bryant, antes totalmente voltada para os estudos, foi dirigida ao rapaz a sua frente e um arrepio percorreu a coluna da loira ao escutar a voz gelada e autoritária de Matt.

Um escândalo no meio da biblioteca não faria bem para a imagem de nenhum dos dois, então Violet não hesitou antes de enfiar seus cadernos de volta na bolsa e seguir os passos do amigo até o corredor que dava acesso à saída de incêndio. Bryant ainda não entendia o motivo da revolta de Avery, mas o rapaz foi bem direto ao ponto quando os dois ficaram sozinhos no beco vazio.

Enquanto o rapaz explodia, Violet ajeitou a alça da bolsa pendurada em seu ombro numa tentativa de amenizar o peso dos livros e cadernos que ela carregava ali. Como de costume, a loira estava impecável com um vestido azul escuro estampado com minúsculas flores brancas. A sapatilha baixa era confortável o suficiente para uma tarde de estudos, assim como os cabelos claros presos num coque displicente que era sustentado apenas por uma das canetas coloridas de Bryant.

- Você tem algum problema de vista, Matt?

Quando encarou Avery, Violet realmente tentou enxergar nos olhos dele a típica sombra formada por uma lente de contato. Antes que o rapaz pudesse tirar dela aquela dúvida, a loira continuou o discurso.

- Caso você não tenha notado, o Anthony é enorme. Ele não precisaria usar mais que um braço para te quebrar em mil pedaços. Mas ele estava disposto a usar os dois braços, as duas pernas e talvez até alguns amigos.

Por mais que enxergasse as qualidades do amigo, Violet não era tola de pensar que a simpatia e a inteligência de Avery teriam alguma chance contra os músculos de Foster durante uma briga. Com os braços cruzados em frente ao peito numa postura tipicamente defensiva, Bryant soltou um suspiro de sincero pesar.

- Ele ia acabar com você se continuasse pensando que havia algo além de amizade entre nós dois. Naquele instante, não me veio nenhuma outra justificativa na mente. Eu te livrei da pior surra da sua vida!

Violet realmente havia articulado aquela mentira com a intenção de proteger o amigo de uma agressão covarde, mas a grande verdade é que ela nem parara para pensar na repercussão negativa que aquela fofoca mentirosa traria para a vida do rapaz. Na cabeça de Bryant, Matt já era impopular e aquela pequena mentira não afetaria a sua vida social praticamente nula em Stanford.

- Você só tem que ficar fora do caminho dele, Matt. Logo isso vai se transformar num boato, vai perder força e ninguém mais vai se lembrar desta história. É uma saída muito melhor que um nariz quebrado e vários dentes arrancados. Você deveria me agradecer ao invés de ficar tão bravo comigo!
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Nov 22, 2016 12:33 am

Patrick Lockwood não era a pessoa mais fácil de se lidar. Acostumado a precisar enfrentar o mundo para criar a única filha sozinho, ele havia se tornado um homem sério e exageradamente protetor, que espantava qualquer pretendente que Angieline sonhasse em arrumar.

Apesar de toda a armadura de ferro que vestia para o mundo, Patrick se derretia diante do sorriso doce da filha e era capaz de fazer tudo para mantê-la sempre feliz. O problema era que mesmo sabendo que Dominic a fazia feliz, Angie não tinha certeza como o pai reagiria diante daquela novidade.

Por ter sido uma menina sempre centrada e focada apenas no seu futuro, Angie não havia dado dores de cabeça ao pai com uma imensa lista de namorados. Durante toda a sua vida em Sacramento, um único rapaz havia sido apresentado ao Sr. Lockwood como namorado da filha.

Thomas Forester era quase o oposto perfeito de Dominic Sjogren. O ex-namorado de Angie havia sido nascido e criado em Sacramento e desde cedo precisou trabalhar para ajudar aos pais. A vaga no café de Patrick foi preenchida por Tom quando o menino ainda cursava o colegial junto com Angeline, o que possibilitou que os dois se tornassem ainda mais próximos. Mas a falta de planos para uma faculdade no futuro de Tom havia sido um dos grandes motivadores a fazer com que os dois se separassem.

Mesmo sem um futuro brilhante pela frente, Tom havia conquistado a confiança e o carisma de Patrick e Angie não sabia se o pai estava preparado para vê-la ao lado de outro rapaz que andava em uma moto e usava uma jaqueta quase como uniforme.

- Você tem certeza? – Angie enrugou o nariz e se virou para encarar o namorado, mantendo um sorriso divertido nos lábios. – Uma vez eu tirei uma nota ruim na escola e consegui esconder dele por quase dois meses. Não custa nada tentar...

Apesar da brincadeira, Angeline precisava admitir que sentia um calor gostoso em seu peito ao ouvir Dominic disposto a conhecer o seu pai. Intimamente, ela ainda temia que aquele sonho gostoso fosse acabar repentinamente, mas Sjogren apenas se mostrava cada vez mais envolvido naquele relacionamento, tanto quanto ela.

A menina ainda se ocupou por quase vinte minutos a mais até finalmente se encantar pelo jeep azul escondido no final de uma grande fila de carros. O veículo estava pouco usado e ainda assim, com a ajuda de Dominic, Angie conseguiu um bom preço.


O caminho de volta até Stanford foi feito com Dominic conduzindo o caminho em sua moto enquanto Angie dirigia ao volante do jeep, rindo da forma com que o namorado guiava. Quando os dois ocuparam as vagas mais próximas do dormitório, Angie saltou do jeep e esperou que Dominic retirasse o capacete para tomar a palavra.

- Caso você não se lembre, o meu pai não é a pessoa mais social do mundo... – Angie mordeu o lábio, fazendo uma pequena pausa antes de continuar. – Mas ele vai estar com um humor particularmente mais leve depois de comer os bolinhos que eu preparo todo ano, no aniversário dele. Então você estará seguro se quiser me acompanhar até Sacramento.

Antes que Dominic pudesse pensar que Angeline estava pressionando aquele encontro, ela se apressou para acrescentar, gesticulando exageradamente com as mãos.

- É claro que eu vou entender se você achar que é mais seguro ficar aqui com o Jer e a Stay. Só estou dizendo que você tem a opção de ir. Se quiser. Ou não. Tanto faz.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Ter Nov 22, 2016 1:14 am

- Deixe-me ver se eu entendi...

Stacey fez uma pausa dramática e parou de empurrar o carrinho do supermercado. Naquela tarde de sexta-feira, a ruiva havia se rendido aos ridículos desfalques em seus estoques de comida e itens pessoais e aceitou que não podia fugir das compras por nem mesmo mais um dia, ainda mais porque Angeline não estaria no dormitório para salvá-la naquele fim de semana.

- Você, Dominic Sjogren, vai passar o fim de semana na casa do pai de uma garota e vai se apresentar a ele como um namorado?

A descrença exagerada de Stacey era motivada pelo fato de que, mesmo em tantos e tantos anos de amizade, ela nunca havia visto Dominic num relacionamento tão sério. As garotas que passavam pela vida de Nick geralmente eram diversões que nunca ganhavam o título de “namorada”. Conhecer a família de uma moça, então, era um passo estupidamente grande para os padrões de Sjogren.

- Continue falando assim e me fará correr de volta para a Rússia. Não é fácil pra mim, Stay. Mas eu acho que é o certo a se fazer. As coisas estão ficando sérias com a Angel e ela é muito ligada ao pai.

A expressão irônica de Stacey se suavizou e a moça abriu um sorriso mais doce e compreensivo. No começo daquele relacionamento, a ruiva teve dúvidas sobre o futuro da relação. Mas a cada dia Dominic lhe dava mais provas de que merecia o apoio dela. Sjogren fazia Angeline feliz e aquele namoro era benéfico para ambos os lados. Nick estava se tornando um cara mais responsável enquanto Angie se libertava aos poucos daquela obsessão de controlar cada passo de sua vida.

- Pelo o que a Angie me fala do Sr. Lockwood, ele odiaria qualquer cara que ocupasse o seu lugar, então não ache que é algo pessoal. Tente controlar essa sua boca suja, comporte-se bem e pense antes de falar. E, claro, mantenha suas mãos bem longe da Angie quanto o pai dela estiver por perto.

Stacey novamente empurrou o carrinho pelos corredores do mercado, agora lançando um sorriso meigo para a criaturinha que a encarava com curiosidade. O veterinário havia acabado de tirar a imobilização da pata de Jeremy, mas o instinto superprotetor de Stacey a obrigou a acomodar o cachorro no carrinho para que ele não forçasse as patinhas naquela caminhada.


- Leve biscoitos, ou talvez uma caixa de bombons ou um vinho. – a ruiva aconselhou enquanto empurrava mais alguns itens para o carrinho – Você já vai testar o coração do homem chegando lá com a Angie, então ao menos amenize o impacto com um presentinho...

- Tem certeza que pode cuidar dele o fim de semana inteiro?

O rabo de Jeremy começou a se sacudir freneticamente quando Dominic coçou a região atrás de suas orelhas com uma carícia demorada.

- É claro que posso. Ele é um bebê e ainda não está forte o bastante para enfrentar uma viagem até Sacramento. Além disso, ele ficará traumatizado para sempre se vir o vovô Lockwood tentando matar o papai Nick.

- Você realmente me deixou muito mais seguro com esta conversa, Stay, valeu mesmo.

- Sempre às ordens, Nick. – Stacey empurrou uma garrafa de vinho e uma caixa de biscoitos finos para as mãos do amigo – É melhor se apressar, a Angie já deve estar chegando. Mantenha-me informada. Se você não mandar notícias em vinte e quatro horas, vou começar a treinar o Jer para rastrear seus restos mortais nas matas de Sacramento.

Sjogren havia acabado de acertar sua conta no caixa do supermercado quando o jeep azul se encaixou em uma das vagas do estacionamento. Além da sacola do mercado, Dominic carregava apenas uma mochila com as roupas separadas para aquele fim de semana quando entrou no carro dirigido pela namorada.

Apesar de sua personalidade sempre tão leve e confiante, era notável que Sjogren sentia-se inseguro com a ideia de apresentar-se ao Sr. Lockwood como o novo namorado de Angeline. Aquela era mais uma das sensações que o russo nunca imaginou que iria vivenciar antes que Angie começasse a fazer parte de sua vida.

- Não consigo decidir do que tenho mais medo... de deixar o Jer sozinho por dois dias inteiros com a Stay, de ser a sua carona num jeep até Sacramento ou de conhecer o seu pai. Agora sei como você se sente na garupa da moto, korotyshka.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Nov 22, 2016 1:15 am

Matthew escutava cada uma das palavras de Violet sem demonstrar nenhuma surpresa. Após a breve explosão, a fúria parecia finalmente começar a se dissolver, apenas para dar lugar a decepção. A explicação da melhor amiga poderia fazer todo sentido do mundo, mas Avery não conseguia mais arrumar desculpas para defende-la.

Quando ela finalmente terminou de falar, Matt estava com os lábios espremidos, como se tivesse se esforçando para não a interromper desde o começo. O silêncio reinou no pequeno beco, como se todo o ruído do resto do mundo não fosse capaz de atrapalhar aquele momento, dando a chance para Avery assumir a palavra.

A voz dele voltou a ecoar, mas sem a urgência de minutos antes, sem a explosão. Era uma entonação baixa, mas perfeitamente nítida. O pomo-de-adão subiu e desceu por um segundo até que ele esboçasse um triste sorriso.

- Uau, Violet... muito obrigado por me salvar do seu namorado troglodita, que aliás, eu pensei já ser o seu ex-namorado a uma hora dessas.

O sorriso de Matt se desfez e ele balançou a cabeça em repreensão. Desde o começo ele havia criado milhões de desculpas para o comportamento de Violet. Havia colocado Bryant em um pedestal, onde só ele era capaz de enxergar como ela realmente era, muito além da aparência perfeita de uma menina vazia que ela tanto insistia em passar.

Era com um gosto amargo na boca que Matthew começava a perceber que talvez não fossem as outras pessoas que eram incapazes de enxergar a verdadeira Violet, mas sim ele que estivesse cego demais para ver a realidade.

- Você realmente acha que fez isso por mim? Para me proteger?

A pergunta de Matt não tinha nenhuma acusação. Ele estava sinceramente curioso para saber se até mesmo Bryant acreditava na mentira que havia criado. A menina já havia mergulhado em um mundo de farsas para se proteger dos próprios pensamentos e da imagem que havia construído para si mesma que não seria nenhuma surpresa para Avery se ela realmente acreditasse em mais aquela invenção.

- Do que você realmente tem medo, Violet?

O coração de Matt batia acelerado, mas ele não iria fugir daquela vez. A última conversa sincera que havia tido com Violet ocorrera na varanda de uma festa e ele estava disposto a engolir os próprios sentimentos para continuar ao lado dela.

Daquela vez, Matt não queria abafar a paixão sufocante que vinha sentindo pela melhor amiga praticamente desde a primeira vez que se viram. Ele havia lutado por tempo demais com medo que ela desaparecesse da sua vida, que até mesmo as migalhas da amizade lhe fossem tomadas. Mas por mais que adorasse ter a companhia de Bryant, ele não queria mais enganar a si mesmo. Não iria mais correr com o medo da rejeição, do tudo ou nada.

Com apenas dois passos, ele anulou a distância entre os dois, parando diante da loira. A ausência dos saltos de Violet apenas reforçava o quanto Matthew ainda conseguia ser mais alto do que ela. Ele a encarava de cima, as íris verdes passeando pelo contorno perfeito dos lábios, o nariz arrebitado e a profundidade dos olhos azuis.

As mãos de Avery foram erguidas lentamente, mas ao invés de tocá-la diretamente, foi a bolsa de Violet que foi puxada pelos seus dedos, livrando-a do peso dos livros apenas para deixa-la apoiada sobre seus pés. Só então Matt permitiu que seus dedos roçassem o braço de Violet quando subiram para tocá-la no rosto.

As duas mãos seguraram as laterais da face de Violet, impedindo que ela fugisse. Bryant poderia tentar usar as palavras para mentir, mas Matt já a conhecia o bastante para identificar a verdade nos olhos azuis.

- O que você realmente está tentando proteger, Vi? O meu nariz, a sua imagem ou o seu coração?

Matt abaixou o rosto alguns centímetros até que seu nariz roçasse ao de Violet. Ele se aproveitou daquela proximidade para brincar carinhosamente em um beijinho de esquimó antes de se encher de coragem para provar o sabor dos lábios da loira mais uma vez.

Ainda com mais intensidade do que na noite da festa dos calouros, Avery sentiu todo o seu corpo reagir com a certeza de que Violet também correspondia aquela paixão tão inusitada.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Nov 22, 2016 1:50 am

A personalidade séria e cuidadosa de Angeline foi mais uma vez exposta quando a menina assumiu a direção durante as duas horas de viagem até Sacramento. Ao contrário da adrenalina provocada na moto de Dominic, ela seguiu todo o caminho por dentro da velocidade, sem manobras arriscadas ou tentativas de impressionar o namorado, respeitando a limitação do jeep.

Se Dominic tinha seus motivos para se preocupar em conhecer o Sr. Lockwood, Angeline parecia ainda mais tensa quando finalmente estacionou o carro diante de um estabelecimento com a fachada toda de vidro. A placa amarela pendurada sobre a porta exibia o nome “Angel’s” e foi recebida com uma careta da menina.

O café de Patrick Lockwood ficava em frente a principal praça da cidade. Toda a rua era bastante arborizada, as calçadas extremamente limpas e os visitantes de aparência simples, sem o mesmo ar esnobe que era comum em Stanford.

Um sino soou quando Angie empurrou a porta, carregando em seu ombro uma mala de tecido vermelho, onde havia separado as roupas e os livros que usaria no final de semana. O dia já estava quase chegando ao fim, o que justificava o lugar quase completamente vazio. Mas Angeline sabia que quando o dia amanhecesse, dezenas de rostos conhecidos estariam ocupando as mesas que ela já conhecia tão bem.

O balcão tinha o mesmo tom de azul do jeep recém-comprado, estava impecavelmente limpo e exibia um recipiente de vidro com alguns cookies que haviam sobrado após o longo expediente.

Uma cabeça se ergueu quando a porta foi fechada e Angie soltou um gemidinho ao reconhecer o rosto de Thomas Forester. Durante todo o trajeto ela havia rezado para que aquele encontro pudesse esperar ao menos até o dia seguinte, mas aquele não parecia ser o seu dia de sorte.

- Angel! – Um enorme e sincero sorriso surgiu nos lábios de Thomas, iluminando os olhos castanhos.

Thomas era pelo menos um palmo mais alto que Dominic, mas por não ter a mesma postura irresponsável que Sjogren, parecia imensamente mais inofensivo. Os cabelos pretos estavam maiores desde a última vez que eles haviam se encontrado, podendo deslizar alguns fios por trás da orelha.

A calça jeans estava desbotada e escondida pelo avental verde que o rapaz usava. A camisa de algodão azul também estava gasta e não exibia nenhuma marca, mas era suficiente para mostrar que ele havia mantido o porte físico do jogador de futebol do colégio.

- Hey Tom, achei que você já tivesse ido embora a essa hora... Meu pai não está fazendo você trabalhar demais, está?

Angie tentou esconder a ansiedade na voz enquanto Thomas contornava o balcão para vir em sua direção. Ele trazia pendurado em seu ombro um pano de prato que o deixava ainda mais com a aparência doméstica que jamais seria vista em Dominic.

- Não, claro que não. O Pat me avisou que você estava vindo, quis ficar pra poder te ver.

Uma covinha aparecia na bochecha de Patrick enquanto ele sorria, massa confiança se abalou por um instante quando ele notou a presença de Sjogren por cima do ombro de Angeline.

- Ahn, seu pai não me avisou que você viria acompanhada.

- É porque o pai dela não sabia.

A voz grossa soou por trás de Thomas e os três pares de olhos se voltaram para Patrick, parado na porta que separava o café da cozinha. Exatamente como no dia em que havia deixado a filha em Stanford, o Sr. Lockwood vestia uma camisa quadriculada por cima de uma branca e lisa. O boné estava virado para trás, mas o seu porte rústico sempre o fazia parecer como um lenhador.

Angie puxou o ar e prendeu a respiração quando percebeu que não havia mais para onde escapar. Como se procurasse por algum apoio ao mesmo tempo em que tentava proteger Dominic, ela recuou um passo para segurar a mão do namorado.

- Eu mandei uma mensagem avisando que o Dominic estava vindo comigo.

Os olhares de Thomas e Patrick acompanharam o movimento dos dedos de Angeline se entrelaçando aos de Dominic de forma idêntica, mas foi ao pai que a menina procurou, suplicando silenciosamente para que ele não a envergonhasse.

Patrick ainda estreitou os olhos castanhos e estudou a cena por alguns segundos antes de completar, sem muita animação.

- Ah, é claro. Eu quase me esqueci. Dominic, não é? Eu devo ter confundido. Achei que fosse nome de mulher e deduzi que fosse alguma amiga, Angel.

Foi a vez dos olhos azuis de Angie se estreitarem. A menina que era sempre tão doce e educada desapareceu por alguns segundos enquanto o instinto de defender Dominic surgiu.

- Não. Sem amiga. É o meu namorado, pai. Algum problema com isso?

As sobrancelhas atrapalhadas de Patrick se arquearam em uma nítida surpresa. Ele obviamente nunca vira a filha agir daquela forma quase autoritária e desafiadora. Era quase como se estivesse diante de uma Angeline completamente diferente.

- Não, Angie. Problema nenhum. – Com um semblante sério, Patrick atravessou o café vazio e parou diante de Dominic, o estudando atentamente antes de erguer a mão grande e pesada. – Dominic, hm?
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Ter Nov 22, 2016 2:05 am

Como já vinha se tornando um hábito, a simples existência de Matthew era capaz de fazer a loira questionar a própria vida com uma profundidade jamais alcançada antes da entrada de Avery em sua vida. Há algumas semanas, Violet estava conformada e feliz com os planos que fizera para o seu futuro, mas agora tudo aquilo parecia vazio e superficial demais.

Nenhuma vida glamorosa parecia mais atraente do que as escolhas que Bryant deixaria para trás se optasse por continuar com Anthony. Se antes a loira estava satisfeita com aqueles planos, agora ela sentia que jamais seria feliz de verdade se abrisse mão de tudo o que Matt tinha para lhe oferecer.

Como se quisesse reforçar ainda mais aquela certeza de Violet, Avery a presenteou com mais um beijo. Nenhum pensamento racional foi forte o bastante para fazer a loira se esquivar daquele toque e, em questão de poucos segundos, Bryant retribuía à carícia de forma apaixonada, sem nem mesmo se lembrar da existência de Anthony.

Os dedos delicados da loira se afundaram nos cabelos de Matthew enquanto seus lábios se moviam avidamente, acompanhando os movimentos dele com uma sintonia invejável. Se Avery ainda tivesse qualquer dúvida, aquele beijo lhe daria a certeza de que Violet não estava mentindo quando confessara seus sentimentos por ele. Ela podia estar tomada pela insegurança que aquele sentimento trazia à vida dela, mas era evidente que ela fora sincera ao dizer que Matt era mais que apenas um bom amigo.

O beijo se alongou por um generoso tempo e os dois jovens estavam ofegantes quando os lábios finalmente se afastaram. As pálpebras de Violet tremeram antes que ela reabrisse os olhos e um sorriso doce brotou em seus lábios quando a visão captou a imagem a sua frente.

Matt não era popular, forte ou absurdamente atraente. Mas, naquele dia, Violet o achou incomparavelmente lindo com os cabelos atrapalhados, os lábios inchados pelo beijo entreabertos numa expressão meio tola e os olhos esverdeados brilhando vivamente. A mão da loira bagunçou ainda mais os cabelos dele e ela roçou o nariz no de Avery antes de sussurrar.

- Nós já tivemos essa conversa, Matt. Eu já te disse que sou uma vadia imbecil e tudo o mais. Se você vai mesmo insistir em mim, você não é tão esperto quanto eu imaginei.

Ao contrário do dia anterior, Bryant soltara aquelas palavras num tom de brincadeira e não como uma tentativa de afastar o amigo novamente.

- Como sempre, você tem toda razão. Como é a expressão que o Snape usa para se referir à Mione no terceiro filme? A irritante sabe-tudo? Eu sei como ele se sente...

Após descontrair um pouco o clima com aquela piada, Violet soltou um suspiro pesado e assumiu um ar mais sério. Os dedos afundados nos cabelos de Matthew deslizaram até o rosto dele e a loira repetiu o desenho dos traços bonitos de Avery com as pontinhas das unhas pintadas de cor de rosa.

- Eu estou com medo, estou apavorada. Todos os planos que eu tracei para a minha vida não fazem mais sentido agora, é como se não houvesse mais um chão sob os meus pés. Eu realmente queria te proteger, Matt, mas não apenas do Anthony. Eu queria te afastar de mim e dessa minha cabeça atormentada. Você merece mais que uma garota covarde que tem medo de sair da rota para ir atrás da própria felicidade.

Com a outra mão, Violet tocou a camisa do rapaz e ficou brincando com um dos botões enquanto completava o seu desabafo.

- Eu vou enfrentar este problema, Matt. Eu vou enlouquecer se continuar empurrando essa bola de neve até que ela se torne uma avalanche que vai me soterrar, eu preciso fugir enquanto é tempo.

Os olhos azuis refletiam uma inédita insegurança quando Bryant encarou o amigo, sem conseguir disfarçar a ansiedade que a corroía por dentro.

- Eu só preciso de uns dias para colocar as coisas em ordem, eu prometo. E se depois disso você ainda estiver disposto a aceitar uma garota tão imperfeita na sua vida, eu juro que vou me esforçar para merecer esta segunda chance.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Nov 22, 2016 11:03 pm

A sensação era bem semelhante a de um sonho, do mesmo tipo que o faria desejar voltar a dormir no instante que abrisse os olhos. Mas as pálpebras de Matthew estavam bem erguidas e as íris verdes focadas em Violet não poderiam reproduzir o rosto dela tom tamanha perfeição se fosse mesmo apenas uma imagem em sua mente.

Os braços de Matt estavam firmes ao redor da cintura de Violet, como se temesse que ela desaparecesse a qualquer instante. Seu coração batia acelerado e o sorriso nos lábios mostrava como ele ainda estava tentando lidar com a felicidade que o atingia.

Os rumores sobre a sua opção sexual, a diferença dos mundos entre ele e Violet e até a sombra do namorado brutamontes que ela tinha eram detalhes insignificantes, já esquecidos depois daquela confissão. Seu mundo havia parado de girar apenas para poder sincronizar com o de Violet.

- Eu espero.

A voz rouca de Matthew soou com a mesma ansiedade que estava refletida nos olhos azuis da menina, mas sem em momento algum abandonar o largo sorriso dos seus lábios. As mãos que estavam apoiadas na cintura de Violet subiram para segurá-la pelo rosto mais uma vez e Matt se inclinou até depositar um beijo protetor em sua testa, como se quisesse reforçar com aquele gesto que tudo ficaria bem.

- Enquanto você me disser que também está disposta a enfrentar este problema, eu vou esperar, Violet.

O polegar de Matt acariciou a bochecha de Violet antes de deslizar a mão até segurá-la pelo queixo, mantendo o rosto dela no ângulo perfeito para que os olhares continuassem se encontrando.

Ele precisava admitir que mesmo com as imperfeições que ela tanto gostava de enfatizar, Bryant era a garota mais incrível que já havia cruzado seu caminho. O deslumbramento com a aparência dela era perfeitamente justificável, mas havia sido depois de conhecer a verdadeira face da herdeira dos Bryant que Matthew havia se encantado ainda mais, permitindo se apaixonar até que fosse tarde demais.

- Só não me faça esperar demais, Vi... Se eu tiver que ter o nariz quebrado antes que a gente finalmente tenha paz, pode ter certeza que vai ser a melhor surra da minha vida.

O tom suave que Matthew usava era para minimizar a tensão que certamente cairia sobre a loira quando eles precisassem sair daquele beco para encarar o mundo real. Mas ele estava sendo sincero em dizer que estava disposto a enfrentar a fúria de um Anthony enciumado se a recompensa fosse finalmente poder ter Violet ao seu lado, sem mais a barreira da amizade.

- Apenas me avise antes de sair de casa quando eu estiver correndo perigo. Não quero sujar as minhas camisas preferidas com sangue.

Matthew se abaixou e pegou a bolsa de livros apoiada em seus pés, mas antes de devolvê-la para Violet, ele ainda sustentou o peso em suas mãos, balançando a cabeça ao perceber que jamais teria imaginado que aquele dia aparentemente sem fim, terminaria da melhor forma possível.

- A melhor vingança para esse boato que você inventou vai ser quando atravessar esse campus ao meu lado. – Um brilho malicioso brincou em seu olhar diante daquela ideia. – O nerd gay que conquistou a garota mais linda de Stanford? Eu não me espantaria se saíssemos no noticiário local.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Qua Nov 23, 2016 9:49 pm

Qualquer rapaz mais tímido ficaria intimidado com a postura do Sr. Lockwood. O pai de Angeline era um homem enorme e o comportamento dele naquela tarde deixava claro que ele não pretendia facilitar as coisas para o novo namorado da filha. Contudo, ao invés de se sentir péssimo com aquela recepção nada calorosa, Dominic abriu um sorrisinho e encarou o homem a sua frente com um semblante confiante.

Ficou claro com quem Angeline havia aprendido aquela postura desafiadora quando Sjogren apertou a mão de Patrick com firmeza e não desviou o olhar durante aquele cumprimento tenso.

- Dominic Sjogren. E não se preocupe pelo mal entendido, o senhor não é o primeiro a fazer esta confusão. Estou acostumado a ignorar esse tipo de bobagem desde que deixei a Rússia para trás.

- Rússia? – Thomas não conseguiu esconder a própria surpresa.

- É. Um país bem grandinho lá do outro lado do oceano. Até mesmo você já deve ter ouvido falar.

A ironia de Dominic podia fazer parte de uma brincadeira, mas o olhar maldoso que ele dirigiu a Thomas mostrava que aquele deboche também serviria para colocar o outro rapaz em seu devido lugar. O lugar de um simples balconista que estava muito abaixo de um universitário de Stanford.

Mesmo que não tivesse acontecido nada demais e mesmo que ainda não soubesse sobre o envolvimento passado de Angie com o balconista, um alerta já soara na cabeça de Sjogren e ele se sentia enciumado com a forma como Thomas tratava a loira.

- Eu trouxe algo para o senhor.

De dentro da mochila apoiada aos seus pés, Dominic retirou a sacola onde guardava a caixa de biscoitos e o vinho que ele havia comprado para o Sr. Lockwood. O russo só havia feito aquela gentileza por insistência de Stacey, então arrependeu-se do gesto no instante em que Patrick encarou a sacola com um nítido descaso.

- Eu não bebo.

Era verdade que o Sr. Lockwood não tinha o costume de beber nada alcoólico, mas qualquer pai no lugar dele poderia simplesmente aceitar o presente com um agradecimento para não deixar o namorado da filha constrangido por aquele fora. Patrick, contudo, não pretendia mesmo facilitar a vida do rapaz atrevido que Angeline resolvera chamar de “meu namorado”.

- Neste caso, isto continua comigo.

Ao invés de se sentir constrangido, o sorriso de Dominic se manteve inabalável enquanto ele enfiava a sacola de volta na mochila. Sjogren mostrou que sabia jogar o jogo proposto por Lockwood quando completou com um semblante desafiador.

- Eu bebo bastante, não vou desperdiçar esta preciosidade. E acho que o senhor também não vai querer os biscoitos, provavelmente deve ter coisa bem melhor saindo dos fornos daqui... – o russo indicou o pote com cookies sobre o balcão – Então também vou ficar com eles, será um excelente jantar. A minha vida em Stanford é muito corrida, quase nunca tenho tempo de cozinhar.

É claro que Sjogren não se sentia à vontade com o olhar fulminante que Patrick dirigia a ele, mas o russo não pretendia recuar como um garotinho assustado e nem planejava se rastejar no chão para agradar um cara que não fazia o menor esforço para ser gentil com ele.

Com seu típico sorrisinho confiante, Dominic soltou a mão de Angeline, mas apenas para libertar os dedos antes de deslizá-los pela cintura da namorada, aproximando os corpos num meio abraço.

- O meu tempo já era bem escasso antes deste namoro, mas agora é praticamente nulo. Todos os meus minutos livres são dedicados para a minha korotyshka agora. A sua filha é perfeita, Sr. Lockwood.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Qua Nov 23, 2016 10:38 pm

- Violet Marie Bryant?

A voz grave do professor ecoou pela sala de aula, chamando pelo último nome em sua lista de chamada. O silêncio fez com que o homem erguesse a cabeça e procurasse pelos fios loiros da aluna, mas a cadeira que Violet costumava ocupar estava vazia naquela manhã. Depois de assinalar a falta para Bryant, o homem iniciou uma complexa aula de Cálculo que mesmo uma boa aluna como Violet teria dificuldade para entender sem o auxílio de um professor.

A forma como Anthony Foster deslizou seus olhos pela sala indicava que o atleta também estava confuso com a ausência de Violet. Não era comum que a loira se atrasasse, muito menos que faltasse às aulas. Anthony havia enviado uma mensagem para a namorada na noite anterior e Bryant não respondera. Foster havia concluído que Violet simplesmente havia dormido mais cedo e nem vira a mensagem, mas o sumiço dela naquela manhã era um motivo de preocupação.

A aula se prolongou por mais de uma hora e, mesmo quando o professor respondeu a todas as perguntas, era óbvio que muitas dúvidas ainda assombravam a mente dos alunos acerca daquele tema tão complexo. Anthony não era um aluno brilhante e só havia conseguido a vaga em Stanford por seu desempenho perfeito nas quadras, então era óbvio que Foster não saberia dizer nada sobre a aula que acabara de assistir, principalmente porque ele passara a maior parte do tempo mandando mensagens para a namorada, sem obter nenhuma resposta.

- Hey, Mattie!

Anthony apressou seus passos para alcançar o colega ao fim do corredor. O comportamento amigável de Foster provava que Violet ainda não havia contado ao atleta que o namoro deles chegaria ao fim porque ela estava apaixonada por Matthew. Portanto, na cabeça de Foster, Avery continuava sendo apenas o melhor amigo gay que poderia ter alguma notícia sobre a loira.

- Conseguiu falar com a Lety hoje? Ela não respondeu as minhas mensagens ontem à noite, mas eu achei que ela já tinha ido dormir. Mandei várias mensagens agora de manhã, mas ela ainda sem visualizou. Ela comentou que precisava cortar o cabelo, talvez tenha resolvido ir no salão e se distraiu por lá, não é?

O sorrisinho maldoso de Anthony parecia insinuar que Matt conhecia a sensação de perder a hora por causa de um salão de beleza. A hipótese de Foster reforçava que ele não conhecia a namorada. Violet era vaidosa e tinha uma preocupação quase doentia com a própria imagem, mas ela jamais perderia a aula mais importante do semestre porque precisava aparar as pontas dos cabelos.

O relógio de pulso de Foster foi virado na direção dos olhos do rapaz e ele fez uma careta ao conferir as horas. Ficou provado que a preocupação dele com Violet não era tão grande quando a namorada foi deixada de lado por causa de outro compromisso.

- Puta merda, esta maldita aula atrasou a minha vida toda. O meu treino começa em dez minutos, Mattiezinho. Sei que é grande a sua vontade de assistir os rapazes suando na quadra, mas será que só hoje você pode deixar esta diversão de lado? Tenta achar a Lety pra ver se está tudo bem e avise a ela que eu vou passar no apartamento dela no fim da tarde, certo?

O sorrisinho de Anthony se tornou mais malicioso enquanto ele sussurrava apenas para Avery.

- Vou pegar mais leve no treino e guardar um pouco de energia para ela. Não posso me descuidar das necessidades de uma namorada tão deliciosa, não é?

Anthony ainda se afastava com passos rápidos na direção do ginásio onde ficava a quadra de basquete quando o celular de Matthew vibrou em seu bolso com uma mensagem de Violet. A menina ainda não havia respondido nenhuma das mensagens de Avery desde a noite anterior, mas agora o aplicativo mostrava que Bryant estava online e digitava uma resposta para as dezenas de mensagens preocupadas que Matt lhe enviara.

“Eu estou em casa.”

Ao contrário do que era normal, as mensagens enviadas por Violet demoravam muito para serem enviadas, como se a loira estivesse com dificuldade para digitar as palavras.

“Tem alguma coisa errada comigo, Matt. Você pode vir aqui e me ajudar?”
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Nov 23, 2016 10:54 pm

- Você pode pelo menos tentar?

A voz de Angeline era sussurrada, mas o som da água que caía do chuveiro do segundo andar lhe dava confiança para manter aquela conversa com o pai. Patrick estava sentado na cabeceira da mesa da cozinha enquanto a filha se ocupava em terminar de preparar o jantar.

Ela sabia que o primeiro momento de Dominic e Patrick não seria exatamente amistoso, mas também não estava disposta a simplesmente aceitar o fato de que os dois se odiavam e viver em uma guerra fria pelo resto do final de semana.

- Ele não é bom o bastante para você, Angel.

O Sr. Lockwood estava abraçado ao próprio corpo, encarando seriamente um ponto fixo na cozinha, mantendo uma expressão rabugenta no rosto. Angie soltou um pesado suspiro e se aproximou da mesa, se recostando no ponto mais próximo do pai.

- Você dizia a mesma coisa sobre o Tom. E vocês dois parecem melhores amigos agora.

- O Tom também não é bom o bastante para você. – Patrick sacudiu a cabeça, finalmente encarando a filha. – Mas ainda é melhor do que o bad boy da Suécia. O que ele está fazendo na Califórnia, afinal? Fugindo?

- Ele é da Rússia. – Angie corrigiu, abrindo um sorrisinho diante da birra do pai. – E ele estuda medicina em Stanford. Eu acho que o FBI não permitiria que um fugitivo internacional fosse aceito em uma das escolas mais prestigiadas do país.

Patrick franziu o nariz em uma careta de insatisfação, nitidamente contrariado diante daquela informação que encheria os olhos de qualquer pai ao saber que o pretendente de sua filha tinha grandes ambições. Era como se aquela revelação diminuísse a munição que ele tinha para odiar Dominic.

- Nós tínhamos um acordo, ursinha. Nada que pudesse atrapalhar o seu desempenho nos estudos, não foi?

Era quase cômico ver um homem como o Sr. Lockwood se referindo a filha como “ursinha”, mas Angie sabia que por trás da fachada de homem das cavernas, Patrick estava apenas tentando cumprir o seu papel de protege-la do mundo.

- Você pode arrumar todas as desculpas que quiser, mas não vai encontrar nenhum motivo para recriminar o meu namoro com o Nick. Ele é um bom rapaz, pai. E eu realmente gosto dele.

Os lábios de Patrick se curvaram em um bico como se fosse um garotinho contrariado. Ele permaneceu em silêncio por um longo tempo antes de balançar a cabeça mais uma vez.

- O Tom ficou decepcionado. O moleque ainda tinha esperanças de ficar com você. Sabia que ele até se inscreveu na universidade local? Estava doido para te contar, mas aí você apareceu com o Escocês.

Angie sentiu uma pontada de culpa ao imaginar a decepção de Thomas. Os dois haviam crescido juntos e embora o namoro jamais tivesse trazido um pingo da emoção que Angeline sentia nos braços de Dominic, ela sabia que também havia sido feliz ao lado de Tom, de uma maneira completamente diferente.

Agora que começava a amadurecer em um relacionamento de verdade, Angie sabia que o que os dois tinham se resumia na relação de dois melhores amigos que eventualmente trocavam beijos. Ela não devia nada a Tom, mas ainda assim queria ter evitado o encontro surpresa daquela tarde.

- Tom e eu somos só amigos, tenho certeza que ele vai entender isso.

Ela se inclinou para frente e depositou um carinhoso beijo nos cabelos atrapalhados de Patrick, livres do boné depois de um longo dia.

- Termine de colocar a mesa. Vou avisar ao Nick que o jantar está pronto.

Um grunhido de insatisfação escapou dos lábios de Patrick e antes de deixar a cozinha, a loira ainda se voltou para encarar o pai.

- E se não se comportar, não vou fazer o seu bolo de aniversário amanhã.

- Mas eu já comprei todos os ingredientes! – Patrick protestou, apontando para um canto dos armários onde as farinhas, ovos e leites se acumulavam com uma generosa barra de chocolate.

- Então comporte-se!

O segundo andar da casa dos Lockwood não era muito grande, mas o lugar estava limpo e organizado. Era nítido como faltava um toque feminino no lar de um pai solteiro. O corredor exibia apenas três portas. Ao fundo, o quarto de Patrick, e as duas portas laterais davam acesso ao quarto de Angie e ao único banheiro social.

A ausência de um quarto de visitas indicava que Dominic ocuparia o sofá da sala naquela noite, mas não foi nenhuma surpresa para Angie quando ela entrou no próprio quarto e encontrou a mochila do rapaz aos pés da sua cama.

Assim como o restante da casa, o quarto onde Angeline havia passado sua infância e adolescência não esbanjava feminilidade, mas ainda era mais aconchegante que os demais cômodos, mostrando que a personalidade prática e organizada da menina não havia surgido apenas na etapa da universidade.

As cobertas sobre a cama em tons mais suaves mostravam que ali era o quarto de uma menina. Nas prateleiras, ao invés dos ursos de pelúcias e coleção de bonecas, Angie exibia uma generosa quantidade de livros. Em uma das paredes, ao invés dos pôsteres, um quadro onde antes ela organizava as aulas e os trabalhos escolares.

- Bom, pense pelo lado positivo... – Angie forçou um sorriso quando seu olhar se encontrou com o de Dominic, tentando ignorar o fato de que ele usava apenas uma toalha e exibia os cabelos ainda molhados. – Faltam menos de 48 horas para o fim da tortura.

Ela encostou a porta atrás de si e deixou o corpo apoiado contra a madeira, como se precisasse manter a distância de Dominic enquanto ele estivesse com poucas roupas.

- Sinto muito, Nick. Eu sabia que ia ser ruim. Talvez fosse melhor que eu estivesse sozinha. Pelo menos você não ia precisar enfrentar um pai ciumento e ainda estaria brincando com o Jer. Eu sou uma péssima namorada, hm?
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Nov 23, 2016 11:33 pm

O estômago de Matthew se revirou com as insinuações de Anthony e ele detestou ter uma mente tão ágil que imediatamente reproduziu cenas íntimas do casal de namorados que ele preferia morrer a um dia presenciar.

Era bastante óbvio que se ele ainda não carregava um olho roxo pelo campus, era porque Foster ainda não havia recebido a notícia de Violet de que estava sendo trocado pelo nerd que ele tanto subestimava. O mais bizarro era que Matt quase lamentava não ter recebido um soco de Anthony naquela manhã, simplesmente porque aquilo significava que Violet ainda não havia enfrentado o namorado.

Os olhos verdes estavam presos na figura de Anthony se afastando enquanto uma vozinha surgia na sua mente, lhe dizendo que Violet havia se arrependido da conversa do dia anterior. Aquele súbito arrependimento poderia justificar o sumiço da loira naquela manhã, que não saberia lidar com o melhor amigo ao partir seu coração mais uma vez.

Matt já se sentia completamente derrotado quando sentiu o celular em seu bolso vibrar. Com uma ruga entre as sobrancelhas, ele acompanhou as mensagens de Violet chegando, uma por uma, se sentindo culpado pelo pensamento negativo a respeito dela.

As informações na tela do celular não lhe diziam muita coisa, mas o arrepio que subiu pela nuca de Avery não lhe deixou continuar parado no corredor a espera de mais respostas. Com a mochila pendurada em um dos ombros, ele curvou o pescoço e continuou digitando enquanto driblava os demais estudantes que vinham na contramão.

“O que você tem?”

A demora nas respostas de Violet aumentava a ansiedade do rapaz, mas no fundo ele ainda tentava ignorar a sensação desagradável no fundo do seu peito, se apegando a possibilidade de que não fosse nada realmente grave.

Você não está com cólicas outra vez, não é?”

Junto com a mensagem, Matt enviou uma carinha pensativa, tentando ser engraçado. Mas seus passos se tornavam ainda mais apressados quando ele chegou ao estacionamento. A cabeça foi erguida do aparelho apenas para localizar o Nissan vermelho antes de voltar a digitar rapidamente.

Devo levar chocolates?

O banco do motorista foi ocupado e a mochila de Matt arremessada para o banco do carona. Ainda sem dar partida no carro, ele continuou com o celular em mãos. O aplicativo ainda indicava que Violet estava online, mas nenhuma resposta havia sido recebida do caminho da do corredor até o carro, descartando a possibilidade de que ela estava apenas exagerando com alguma dorzinha.

Eu estou a caminho.

Sem desligar o celular, o iPhone simplesmente foi arremessado para junto da mochila e Matthew arrancou com o carro, sem se preocupar em colocar o cinto de segurança. Um gritinho ecoou quando duas meninas precisaram saltar para fora da direção do Nissan.

O apartamento de Violet não ficava muito distante do campus, mas o trânsito provocado pelo horário do intervalo das aulas dificultou a chegada de Matthew. Mais uma vez, o carro foi estacionado com descaso e ele apenas puxou o aparelho telefônico para o seu bolso antes de saltar para a mesma calçada que havia encontrado Violet dias antes.

As batidas na porta soaram com ansiedade quando ele parou diante da residência dela. Cada segundo de demora fazia com que mais ideias negativas torturassem a mente de Matt.

- Violet? Eu já cheguei, você pode abrir a porta?

Matt forçou a maçaneta, mas pela demora de Violet durante todo o trajeto, ele não estava disposto a perder mais tempo. Seu coração já estava acelerado e ele não se importou se estaria passando dos limites ao agachar e puxar a chave reserva do carpete que ficava no corredor.

A sala da menina estava vazia quando os olhos verdes esquadrinharam cada pedaço, começando a acreditar que Bryant talvez tivesse se dirigido ao hospital ao invés de continuar aguardando sua chegada.

- Violet?
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Qua Nov 23, 2016 11:37 pm

- Eu pareço preocupado com o seu pai, korotyshka?

O sorriso amplo e divertido de Dominic mostrava que a resposta para aquela pergunta era “não”. Qualquer rapaz estaria absurdamente sem graça e desconfortável com a ideia de ser um hóspede na casa de um homem que não escondia o seu descontentamento com a presença dele, mas o russo não parecia nem meramente preocupado.

Depois de um banho relaxante, Sjogren estava admirando os detalhes do quarto da namorada quando Angeline entrou no cômodo. Sem demonstrar nenhum constrangimento por estar usando apenas uma toalha amarrada na cintura, Dominic se recostou na mesinha de estudos da loira e abriu um sorrisinho insinuante enquanto a filha do Sr. Lockwood fechava a porta.

- Relaxa, Angel. Ele não me assusta com aquela postura de lenhador assassino prestes a arrancar a minha cabeça com um machado. Eu sei que não sou o cara que ele queria ver ao seu lado, mas o meu consolo é saber que esse namorado perfeito não existe. Então, eu vou fazer o meu melhor e só o que realmente me importa é que isso seja o bastante para você.

Ao contrário de Angeline, Dominic quis correr o risco de uma aproximação. O russo se aproximou da namorada com passos lentos, sem tirar do rosto de Angie aquele olhar profundo que era uma de suas marcas registradas. É claro que a ousadia de Sjogren tinha limites e ele não pretendia levar aquela aproximação às últimas consequências com Patrick há poucos metros de distância, mas o rapaz também não aceitaria que o pai de Angeline estragasse aquele final de semana do casal.

Os dedos compridos seguraram o rostinho delicado da namorada enquanto Dominic se inclinava para tomar os lábios dela num beijo. A cintura da garota foi envolvida pelos braços de Sjogren e ele a trouxe mais para perto, acomodando Angeline em seu peito despido enquanto os lábios se moviam na tradicional harmonia que eles compartilhavam.

- Eu vou levar as minhas coisas para a sala.

Após o beijo, Dominic poupou a namorada de difícil tarefa de dizer a ele que seria melhor evitar mais atritos com Patrick. Sjogren não pretendia recuar na guerrinha iniciada pelo Sr. Lockwood, mas também não planejava passar o final de semana inteiro provocando o homem. A última coisa que Patrick precisava saber era que os jovens já tinham um importante grau de intimidade e que a sua única filha não era mais virgem graças ao rapaz que dormiria sob o seu teto nos próximos dois dias.

- Mas deixe a porta destrancada. Eu pretendo te visitar de madrugada.

O russo lançou uma piscadela divertida para a namorada e aquele gesto não deixava claro se ele estava brincando ou se realmente era louco o bastante para invadir o quarto de Angeline mesmo sabendo que o pai da menina dormia no cômodo ao lado.

Sem nenhum constrangimento, Dominic voltou para perto da mochila e retirou as roupas limpas que usaria naquela noite. A cueca foi posta por baixo da toalha antes que Sjogren se livrasse da peça e ele não parecia preocupado com o risco que corria por ser o primeiro rapaz a estar apenas de cuecas dentro do quarto de Lockwood.

- Só pra constar, a ideia do vinho foi da Stay. Eu sempre me ferro quando dou ouvidos para aquela maluca.

Dominic já tinha colocado a calça jeans e uma camiseta preta, totalmente à vontade com o fato de se vestir em frente à namorada. Os pés ainda estavam descalços quando ele se sentou no colchão macio da cama de Angeline e testou as molas, fazendo uma careta de desagrado ao escutar os rangidos.

- Cama barulhenta, acho que não vai rolar, korotyshka. Pelo menos não na cama.

Uma risada gostosa escapou da garganta de Dominic diante da expressão assombrada da namorada. A cada dia, Sjogren estava mais encantado e mais envolvido por aquela garota certinha para quem ele jamais olharia se não fosse pela aposta feita com David.

- Vale a pena te provocar só para rever essa carinha assombrada. Você é linda demais, Angel.

O comentário foi feito com uma voz ainda rouca e preguiçosa depois daquela risada tão espontânea. Ao contrário do que qualquer um poderia pensar, aquele elogio doce não fazia parte do plano de conquistar Angeline. As palavras simplesmente saltaram dos lábios de Dominic naturalmente.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Qui Nov 24, 2016 12:14 am

O som que vinha do único banheiro do apartamento era a prova de que Violet não estava exagerando. Depois de passar a noite inteira nauseada, ela não tinha mais o que colocar para fora, mas ainda assim seu estômago se revirava e continuava expulsando até mesmo a água que a loira tentara tomar naquela manhã.

O mal estar havia começado lentamente. Depois da tarde de estudos, Bryant havia chegado em casa no começo da noite. Ela realmente estava disposta a ligar para Anthony e a marcar um encontro para colocar um fim definitivo naquele namoro, mas uma dorzinha de barriga obrigou a loira a mudar seus planos.

No começo, Violet não deu maior importância ao descontrole intestinal e imaginou que fosse reflexo de um sanduíche que substituíra seu almoço naquele dia. Era uma informação totalmente desnecessária e constrangedora, então Bryant não quis contar nem mesmo a Matthew que havia algo errado. Na cabeça de Violet, aquilo melhoraria rápido e ela estaria disposta quando acordasse na manhã seguinte, pronta para resolver as pendências com Foster.

Mas a madrugada veio acompanhada por uma piora importante dos sintomas, agora com uma sucessão de fraqueza, náuseas, vômitos e uma febre baixa que não cedia principalmente porque Violet não conseguia engolir o anti-térmico sem expulsar o comprimido cinco minutos depois.

Não havia a menor chance da garota ir para a faculdade naquele estado. Bryant preferia que Avery não a visse daquele jeito, mas resolveu mandar uma mensagem por medo de continuar em casa sozinha. Os sintomas pioravam gradativamente e Violet realmente não sabia se seria seguro continuar escondendo aquele mal estar.

- Não! Não, não, não!

Assim que escutou os passos de Matthew dentro do banheiro, a loira puxou a alavanca e deu descarga. Sentada diante do vaso sanitário, Violet nem parecia a mesma garota vaidosa e sempre impecável que Matt conhecia. A loira estava abatida depois de uma noite inteira em claro, os cabelos claros estavam presos num coque atrapalhado, com vários fios saindo do penteado. Ao invés das roupas sofisticadas de sempre, Violet usava apenas uma camisola de seda já amassada.

- Você não precisa ver isso, Matt.

Foi estranha a forma como Violet precisou se amparar na parede para conseguir ficar de pé. Podia ser apenas a fraqueza pelos vômitos e pelo fato da loira não ter comido nada nas últimas horas, mas foi esquisita a forma como Bryant arrastou os pés até a pia. Depois de lavar o rosto e enxaguar a boca com a água da torneira, Violet finalmente teve coragem de encarar o rapaz, sentindo-se péssima por não estar tão bonita quanto Matt estava habituado a vê-la.

- Como foi a aula? Eu realmente não consegui ir. Comi alguma coisa que me caiu muito mal, não aguento mais! Simplesmente não melhora!

A lentidão de Violet ao responder as mensagens era explicada pelos vômitos que obrigavam a menina a correr para o banheiro a cada dois minutos e também pela informação que ela acrescentou aos seus sintomas.

- Minhas pernas e as minhas mãos estão formigando. Já aconteceu algo parecido com você antes? Estou tão fraca que nem consigo andar direito.
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