Stanford University

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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Nov 13, 2016 10:56 pm

Matthew poderia não ser o rapaz mais experiente em relacionamentos para interpretar os sinais de um fora. Aliás, aquela era a fase do relacionamento a qual ele mais estava habituado. Normalmente, quando alguma garota o dispensava, ele apenas somava aquela recusa em seu histórico e seguia a vida normalmente, com o lema de que ao menos havia tentado.

Mas a frustração de perceber que todo seu envolvimento com Violet havia chegado ao fim com uma única noite como lembrança o atingiu de uma maneira surpreendentemente negativa. Foi a mesma sensação de um balde de água fria recheada com pedras de gelo sendo virada sobre a sua cabeça.

Era patético se deixar envolver por apenas alguns beijos, mas só quando percebeu que a noite anterior havia sido o máximo que teria de Bryant, que Matthew percebeu o quanto ainda queria a loira ao seu lado.

Aquele interesse poderia ser facilmente justificado com a beleza de Bryant, mas havia sido depois de experimentar alguns momentos ao lado dela que Matt havia se encantado ainda mais. Violet havia se mostrado uma excelente companhia, com uma risada gostosa e que ia muito além da absurda beleza.

- Você está com um humor do cão. O que foi, adiaram a nova temporada de Game Of Thrones?

O barulho irritante da mastigação de Jamie chegou aos ouvidos de Matt apenas como mais uma coisa que ele teria para reclamar daquela semana infernal. Desde que havia sido dispensado por Violet, o jovem Avery havia descoberto um pequeno talento para encontrar os pontos negativos de tudo em sua vida.

- Você sabe que come da minha comida de graça, não sabe? – Matt fuzilou o melhor amigo com o olhar, enquanto ele devorava um pacote de salgadinhos. – O mínimo que deveria fazer era não se meter na minha vida.

Sem se abalar, Jamie enfiou mais uma generosa porção de salgadinhos em sua boca, mastigou por mais uns segundos e engoliu antes de responder tranquilamente.

- Isso é por causa da loira do sangue de porco, né? – O barulho de plástico amassado ecoou quando Jamie empurrou a embalagem do petisco para o canto e direcionou toda sua atenção para o amigo. – Qual é, Mattie... Você foi lá, pegou uma supermodelo, se divertiu por uma noite. E daí que ela não te quer mais? Você já tem uma história para contar para os seus netos.

Ouvir o seu envolvimento com Violet sendo resumido de forma tão banal despertava ainda mais o péssimo humor de Matthew. O pior de tudo era saber que ele não poderia exigir nada de diferente daquilo. Afinal, havia mesmo sido um único encontro casual que ele guardaria na memória.

- Eu não estou irritado por causa da Violet. – Matt resmungou, parecendo uma criança birrenta que apenas dizia o contrário para provocar os pais. – Estou irritado porque o meu pai me obrigou ir nesta estúpida festa.

Como se quisesse referenciar a qual festa estava dizendo, Matt apontou para o traje social que vestia, com uma expressão entediada e de grande desgosto. Apesar da expressão de um menino contrariado que precisava se arrumar para ir na missa de domingo, o jovem Avery estava ainda mais atraente com as roupas escolhidas para aquela noite.

Os cabelos escuros ainda estavam comportados e com a aparência úmida. Diferente das roupas simples que optava para a sua rotina, ele usava brilhosos sapatos sociais. A calça escura tinha um caimento perfeito, assim como a blusa social branca e o paletó escuro. A gravata borboleta era a única coisa que tirava o ar de um homem de negócios para parecer um rapaz, junto com o olhar inocente que era característico de Matthew.

- E por que você simplesmente não disse ao seu pai que não ia nessa festa? Até onde eu sei, é para conseguir mais patrocinadores para o time, e você nem é atleta. Aposto que vão servir whey protein no lugar dos canapés.

- Você quer continuar comendo pizza calabresa e Pringles? Então eu preciso ir nessa festa. Só pra lembrar, é o querido reitor que paga tudo isso... – Com o indicador, Matthew desenhou um círculo no ar, indicando o apartamento a sua volta.

Com uma expressão derrotada, ele consultou a tela do celular, que diferente de tantos outros rapazes, não trazia as chamadas perdidas ou dezenas de mensagens de possíveis candidatas. A única mensagem na tela trazia o nome da sua mãe, dizendo que eles chegariam em quinze minutos.

**

A expressão de menino entediado ficava ainda mais realçada enquanto os olhos esverdeados passeavam pelo salão de festas. Os garçons passavam com bandejas fartas e as pessoas se misturavam em grupinhos, mas o jovem Avery estava encostado em um canto, brincando com uma taça de champanhe já quente e com a roupa ligeiramente amarrotada pela forma relaxada em que se recostava contra a parede.

O rosto estava curvado para baixo, mas o olhar erguido ainda acompanhava a movimentação ao seu redor. Por sorte, ele ainda não havia visto nenhum rosto conhecido que pudesse desmascarar o seu pequeno segredo que o ligava diretamente ao reitor de Stanford.

- Você está com uma manchinha aqui...

A sombra da mãe surgiu repentinamente, bloqueando sua visão. Sem o menor pudor, a Sra. Avery lambeu o polegar antes de começar a esfrega-lo na ponta da gravata borboleta de Matthew. Aquela atitude tão maternal que deixaria qualquer rapaz constrangido não combinava com a aparência da mulher.

Penélope Avery era uma mulher consideravelmente jovem, com um corpo magro e cabelos castanhos que caíam em largas ondas. Os olhos verdes eram idênticos ao do filho caçula, mas sem exibir a mesma inocência característica de Matthew. Qualquer um que visse de longe a postura elegante no vestido rosa saberia que se tratava de uma mulher imponente.

- Mãe, para com isso... – Matt tentou se afastar daquele gesto, sentindo as bochechas esquentarem.

- Não vou deixar você falar com os convidados sujo assim, Mattie! O que vão dizer de mim?

Um pesado suspiro escapou pelos lábios do rapaz, mas ele não teve coragem de dizer mais nada. Ele já estava acostumado a ser sufocado pela personalidade forte da mãe e dos irmãos, e sempre tinha medo de dizer qualquer coisa que pudesse chateá-los.

Ele já estava conformado a se entregar a mais aquela humilhação quando um reflexo loiro prendeu sua atenção. Mecanicamente, Matthew ergueu as mãos e afastou o toque da mãe de sua gravata, mantendo as mãos dela unidas nas suas enquanto encarava por cima do ombro da mulher o primeiro rosto conhecido da festa.

Ao mesmo tempo que a onda de pânico o invadia, uma felicidade surgia junto. Mas Matt já vinha se acostumando com aquela sensação sempre que entrava na sala de aula e se deparava com Violet. Mesmo sabendo que havia sido dispensado da vida da loira, era impossível não se derreter diante da beleza dela.

Os lábios de Matt já estavam se curvando em um sorriso esperançoso, como se Violet pudesse salvar a sua noite arruinada, quando o segundo rosto conhecido entrou em seu campo de visão, destruindo de vez os seus sonhos.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Nov 13, 2016 11:46 pm

O coração de Angeline estava quase saindo pela boca, mas ela sabia que a corrida da moto dos últimos minutos tinha pouca influência na reação do seu corpo. Aquele era um sintoma que Dominic vinha despertando desde que se encontraram pela primeira vez, mas que havia se intensificado naquela noite, depois do primeiro beijo.

Angie já havia tido um relacionamento em Sacramento, mas jamais havia experimentado um beijo tão intenso, capaz de fazer todo o seu corpo se sentir vivo. Chegava a ser uma piada dizer que tivera um namorado por quase um ano sem que os dois tivessem ido além dos limites dos beijos e carinhos inocentes. Mas depois de conhecer Dominic, ela compreendia o motivo.

Sjogren não parecia ser o tipo de rapaz que se interessava por meninas obcecada por controle e sem um pingo de experiência. Mas o jantar daquela noite foi superou todas as expectativas de Angie. Se ela esperava desistir de Dominic depois de uma conversa mais demorada, o efeito havia sido exatamente contrário.

O sotaque russo era agradável aos seus ouvidos e, no final da noite, Angie ainda tentava reproduzir algumas das complicadas palavras que Dominic ensinava, mesmo correndo o risco de estar dizendo coisas completamente indecentes. Quanto mais ficava ao lado do rapaz, mais a vontade Lockwood se sentia.

O caminho de volta até Stanford foi tão emocionante quanto na ida, mas Angie arriscou abrir os olhos em alguns momentos. Seus braços permaneceram firmes contra o peito de Dominic e ela só conseguiu relaxar quando seus pés voltaram a tocar o chão.

O casal estava encoberto pelas sombras da noite quando estacionaram em uma das vagas mais próximas do dormitório de Angeline. A bolsa de livros estava apoiada no banco que antes havia sido ocupado por ela e os dois estavam de pé, recostados na moto enquanto trocavam mais um beijo.

Aquela sensação era uma novidade para Angie, mas era por estar agradável demais que ela precisou se obrigar a parar. As mãos foram apoiadas nos ombros de Dominic quando o beijo chegou ao fim e Angie ainda trazia um olhar tímido quando sorriu.

- Eu preciso entrar. Obrigada pela carona nada convencional. Apesar da aventura, ainda foi melhor do que andar de ônibus.

Angie não sabia como agir como uma menina normal que se despedia de um rapaz depois de um encontro. Seu antigo relacionamento havia sido tão morno que ela sequer se lembrava de ter se sentido como uma menininha, como acontecia naquela noite. Por isso, Lockwood ainda tinha um olhar de insegurança e mordia o lábio inferior enquanto se decidia em falar ou não. Por fim, ela exibiu mais um largo sorriso e deixou as palavras escaparem da sua boca.

- Foi ótimo ter saído da programação da minha agenda. Eu não me importaria de fazer isso outra vez...

A loira ainda ficou nas pontas dos pés antes de depositar um beijo rápido nos lábios de Dominic, se afastando em seguida em direção aos dormitórios.

**

- Você sabe que está indo para uma festa, e não para a missa, certo?

O comentário de Stacey fez um buraco surgir no estômago de Angeline e ela instintivamente baixou o olhar para as próprias vestes. O vestido rosado era bonito e delicado, trazendo uma aparência de boneca que não era comum nas roupas largas que Lockwood usava. Apesar de não ser vaidosa, naquela noite a loira havia tido um pouco mais de trabalho para alisar os cabelos e fazer uma discreta maquiagem. As sapatilhas eram um indicio que apesar das pequenas transformações, ela ainda não estava pronta para os saltos.

Stacey, ao seu lado, refletia o oposto. As sandálias de tira tinham saltos exagerados. A saia de couro preta era micro e contrastava com o cropped rosa que deixava a barriga reta da ruiva completamente exposta. Os lábios estavam pintados em um vinho forte, e mesmo com todo o exagero, era impossível negar que Stacey era uma menina atraente.

A movimentação da casa mostrava que as outras meninas não tinham roupas tão gritantes como a ruiva, mas também estavam longe de representar o visual comportado de Angeline. A festa universitária em uma república estava abarrotada de jovens que bebiam cervejas em copos vermelhos e riam bobamente.

Angie já se sentia um peixe fora d’água sem que Stacey precisasse criticar o seu visual, mas ela tentou manter em mente que estava ali apenas na esperança de rever Dominic. Havia sido com aquele argumento que Stacey conseguira arrastar a nova amiga para a festa em uma das casas de fraternidade que ficavam próximas ao campus.

Depois que a loira havia chegado no dormitório suspirando após o encontro da noite anterior, Stacey havia dado uma chance para aquele inusitado casal. A ideia da ruiva era apenas surpreender o amigo ao levar Angie naquela noite, mas o que ela não fazia ideia era que seriam as duas a serem surpreendidas.

Desviando das pessoas que se atumultuavam pela casa que já cheirava a álcool, com a música pesada ecoando em alto volume, Stacey guiou Angeline até a área central da sala, onde normalmente os amigos se encontravam.

Os rostos já conhecidos de outra festa estavam ali, ocupando o principal sofá, alguns amontados em pufes e outros largados sobre o tapete manchado de bebida. A casa parecia pertencer a uma família com dinheiro, mas que havia sido invadida por jovens inconsequentes.

Angie encarava o ambiente com os olhos azuis ligeiramente arregalados e negou com um movimento da cabeça quando um completo estranho lhe ofereceu um copo de cerveja. Ela estava começando a se arrepender mais uma vez do erro de ceder ao convite de Stacey quando pousou o olhar no sofá próximo da lareira.

Entre os amigos, ainda sem notar a proximidade da ruiva e da loira, Dominic ria com os amigos, distraído com a conversa. Antes que Angie desse mais um passo em sua direção, ela travou ao ver uma morena se acomodar no colo de Sjogren com uma intimidade que ia além da simples amizade.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Seg Nov 14, 2016 7:46 pm

Aquela era uma cor ingrata que a maioria maciça das mulheres costumava evitar, principalmente aquelas com cabelos mais claros. Naquela noite, contudo, Violet Bryant colocou um fim naquela lenda quando surgiu no baile com um vestido amarelo radiante, que chamava a atenção positivamente pela beleza inesperada daquele tom.

O amarelo era levemente puxado para um tom pastel e tinha uma cor viva que não deixava que a imagem da loira ficasse apagada. As alças grossas subiram pelo tronco de Violet e se cruzavam nas costas dela, contornando com perfeição o decote que tinha a dose certa entre o ousado e o bom gosto indispensável a um evento como aquele. A parte de cima do vestido era justa, mas a partir da cintura o modelo começava a se tornar mais folgado e várias camadas do tecido fino compunham a saia que chegava até o chão, escondendo por completo os saltos escolhidos para aquela noite.

Os cabelos claros tinham sido presos num coque alto do qual saíam algumas mechas onduladas. Para compensar a cor mais ousada do vestido, Violet havia optado por uma maquiagem mais sóbria, com cores mais discretas. Os acessórios escolhidos para aquele baile foram um par de brincos dourados, um delicado anel de diamantes e a companhia de Anthony Foster.

Era exatamente assim que Bryant encarava o seu companheiro naquela festa. O porte de atleta e os traços bonitos de Anthony eram o detalhe final para que ela ficasse perfeita nas fotos. Foster estava longe de ser uma companhia divertida ou um rapaz absurdamente gentil, mas ninguém jamais questionaria como os dois ficavam bem juntos. Para Violet, era como estar de volta ao colégio, sabendo que ninguém chegaria perto de tirar dela a coroa de rainha do baile.

- Quando o Isaac me contou que a filha dele viria para Stanford, eu imaginei que você seria matriculada em outro curso. Tem certeza de que não entrou na Engenharia por engano?

Por mais que estivesse acostumada com aquelas insinuações maldosas e preconceituosas, Violet ainda não conseguia ser indiferente a tais comentários. O semblante dela se fechou com a brincadeira do treinador do time de basquete e Anthony se viu obrigado a interferir antes que a loira lançasse uma resposta atravessada ao homem.

- Ora, treinador, que bobagem! Uma garota bonita não pode gostar de números? Eu tirei a sorte grande com a Let. Além de ser inteligente, ela só precisa de um sorriso para conseguir qualquer coisa que quiser.

- Pois eu espero mesmo que o seu sorriso seja milagroso, menina-Bryant. O reitor está vindo pra cá com um empresário que pode se tornar um dos nossos patrocinadores.

As últimas palavras do treinador foram ditas num sussurro e, menos de dois segundos depois, os dois homens chegaram diante do trio. Violet obviamente foi apresentada a eles como filha de Isaac Bryant e coube a ela mencionar o “detalhe” de que também era uma estudante em Stanford. O reitor não escondeu a surpresa quando Violet comentou que era uma caloura em Engenharia Civil, mas ao contrário da maioria das pessoas ele não a julgava pela aparência. O Sr. Avery só estava surpreso por aquela coincidência.

- Então você conhece o meu filho. São colegas de turma!

Violet e Anthony trocaram um olhar confuso diante daquela informação. A convivência com os colegas ainda não era tão grande naquele começo de semestre, mas era estranho que nenhum dos dois soubesse que o filho do reitor da universidade dividia a sala com eles. O Sr. Avery abriu a boca para esclarecer aquela confusão, mas calou-se ao avistar a esposa se aproximando do grupo, praticamente arrastando o filho consigo pelo braço.

- Se vocês ainda não se conhecem, eu vou querer saber qual dos dois matou as primeiras aulas do semestre...

O comentário bem humorado do reitor antecedeu a chegada de Matthew ao grupo, mas não restaram dúvidas de que Matt era o filho a quem o homem se referia quando o reitor deu dois tapinhas amigáveis no ombro do rapaz.

O queixo de Violet caiu, não só pela surpresa de saber quem era o pai de Matthew Avery como também por aquele encontro inesperado. A última pessoa que a loira imaginou que veria naquele baile era o colega que ela acabara de dispensar de sua vida. Por mais que Bryant soubesse que Matt não tinha o direito de lhe questionar nada, ela se sentia péssima em imaginar que tipo de julgamento o rapaz fazia dela naquele instante.

Alheio aos sentimentos da menina, Anthony também se deixou contagiar pela surpresa daquela revelação. Foster encarou o colega por longos segundos antes de finalmente abrir um de seus sorrisinhos. A mão direita foi estendida até Matt, mas ao invés de cumprimentar o outro rapaz, Anthony tocou na gravata borboleta com um nítido deboche.

- Que gracinha, Matt! Por muito pouco eu não te reconheci, mas esta gravata me ajudou nesta tarefa. Quem mais usaria isso, não é?

Foster fez uma breve careta quando sentiu um beliscão forte nas costas. O treinador jamais defenderia a vítima de uma “brincadeira” como aquela, mas definitivamente não achava uma boa ideia ver Anthony zombando do filho do reitor publicamente. Aquele “aviso” nada sutil fez com que Anthony contivesse a língua, mas ele ajeitou a própria gravata preta e o paletó acinzentado do terno como se assim quisesse reforçar que a sua imagem era muito mais adequada que a de Avery.

- Creio que já conhece a minha esposa, Bruce.

- Sim, é claro. – o treinador se adiantou para cumprimentar Penelope – Como vai, Sra. Avery? Este é Anthony Foster, nosso novo ala-armador da equipe. Eu mesmo o escolhi, então posso garantir que podemos esperar muito dele e do time. Ainda mais agora que Stanford tem como amuleto de sorte a filha mais velha de Isaac Bryant.

O dedo do treinador apontou para Violet como se a garota realmente fosse um troféu. O reitor e o empresário viraram as cabeças para encararem a loira com mais atenção e até mesmo Penelope, que não tinha um grande gosto por esportes, já ouvira falar sobre o pai de Violet e lançou um olhar surpreso e interessado para a menina.

- Filha de Isaac Bryant? – a Sra. Avery abriu um sorriso gentil para amenizar o constrangimento da garota, sem imaginar que a razão da vergonha de Violet era a presença de Matthew – Sem dúvida é uma surpresa positiva. Eu ficaria satisfeita se o nosso time conseguir atingir um décimo do desempenho que o seu pai tinha nas quadras. Contudo, por mais que eu admire o seu pai, eu gostaria de ser apresentada a você.

As palavras de Penelope deixavam claro que ela não havia ignorado o fato de que a loira fora apresentada apenas como filha de Isaac Bryant e como um “objeto” que poderia elevar a sorte do time naquele ano.

- Violet Bryant. – a voz da garota finalmente saiu e ela conseguiu desviar o olhar de Matt para a Sra. Avery – Eu também estudo em Stanford. Engenharia.

- E eu sou Anthony Foster. – o rapaz estendeu a mão para Penelope – Ala-armador da equipe titular e namorado da Let, muito prazer em conhecê-la. Eu jamais imaginaria que a mãe do Matt seria uma mulher tão bonita!

Quando Anthony chamou o relacionamento dos dois de namoro, Violet franziu de leve as sobrancelhas e virou a cabeça na direção dele. Contudo, em nenhum momento a loira fez questão de desmentir aquela informação que só agravava muito o constrangimento que ela já sentia com a presença de Matthew.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Seg Nov 14, 2016 9:25 pm

Monica Clark parecia ter sido construída milimetricamente para ser uma oposição perfeita a Angeline Lockwood.

A diferença mais gritante entre as duas moças era a estatura. Ao contrário de Angie, Monica ultrapassava facilmente um metro e setenta de altura e, com os saltos exagerados que raramente tirava dos pés, ficava tão alta quanto Dominic. Os cabelos negros atingiram sua cintura, eram volumosos e muito bem cuidados. Naquela noite, os fios escuros estavam escovados em cachos perfeitos e enfeitados com uma tiara verde, feita com o mesmo tecido do vestido justo que não escondia nenhuma das curvas de Clark.

Além das abissais diferenças físicas, era notável que o comportamento de Monica era muito diferente do jeitinho discreto e recatado da novata. A veterana era o tipo de garota que não se intimidava com nada, que soltava gargalhadas sem nenhum constrangimento e que se sentia plenamente à vontade naquele ambiente festivo onde Angeline não parecia se encaixar.

A forma como Monica deslizou para o colo de Sjogren só reforçava que ela possuía uma atitude que não existia em Lockwood. O vestido verde já curto subiu mais alguns centímetros quando a morena se sentou sobre as pernas do colega. Como se aquela cena já não fosse íntima o bastante, Dominic completou o trabalho apoiando uma das mãos na cintura dela, os dedos compridos se estendendo até o quadril da moça.

Distraído com a conversa animada do grupo, Dominic só percebeu que dois pares de olhos observavam a cena quando Stacey avançou mais alguns passos, fuzilando o melhor amigo com um olhar gelado. Sjogren ergueu uma das sobrancelhas e teria soltado uma piadinha se não fosse a sua visão periférica capturando um borrão rosa que ele imediatamente entendeu que era Angeline Lockwood.

- Ops...

O sussurro irônico de Monica indicava que ela também havia notado a presença da novata. Por mais que tivesse prometido a Dominic que não estragaria o plano dele, Clark não conseguiu conter a satisfação por demarcar seu território daquela forma.

- Me ajuda, Mon. Não faça nenhuma merda, me deixa resolver isso...

Dominic sussurrou apenas para a morena enquanto afastava lentamente a mão que a tocava. Teoricamente, Angeline não poderia julgá-lo por estar com outra garota já que os dois só tinham tido um encontro e alguns beijos, mas Sjogren sabia que não teria mais nenhuma chance com Angie se passasse aquela imagem para a menina.

- É essa aí a tal garota?

O russo teve certeza de que estava tudo acabado quando Monica se levantou e caminhou até Angeline, olhando-a de cima para baixo como se estivesse diante de um inseto. As feições bonitas se curvaram numa careta e Clark sacudiu a cabeça em reprovação.

- Sério, Dom? Você me trocou por essa... coisa? Cansou de mulheres e agora quer brincar com menininhas?

Monica usou dois dedos para segurar o queixo de Angeline, propositalmente arranhando-a com as unhas compridas pintadas de vermelho.

- O Dom era meu antes de você aparecer e se meter no meu caminho. Ele me deu um fora por sua causa, então eu não estou nada contente com você, florzinha. Eu não sei qual é o seu jogo, mas você precisa saber como funcionam as coisas aqui. É isso que acontece quando uma caloura vadia rouba o namorado de uma veterana...

Absolutamente ninguém esperava por aquilo quando Monica acertou um tapa potente no rosto de Angeline. Aproveitando-se da surpresa da loira e da diferença nas estaturas, Clark avançou para cima da novata e a cobriu com mais tapas e pontapés até que finalmente as pessoas ao redor se mexeram para separarem a briga.

A maioria dos colegas apenas assistia a confusão e alguns já sacavam os celulares para registrarem a briga, mas Stacey não pensou duas vezes antes de se meter entre as meninas que rolavam pelo tapete, obviamente se juntando à nova colega de quarto.

Monica foi puxada para trás com violência pelos braços de Dominic, mas se afastou de Angeline carregando vários fios de cabelos loiros entre os dedos. A garota esperneou enquanto Sjogren a arrastava para fora do alcance da caloura e só parou de berrar ofensas contra Angie quando os dois chegaram ao corredor que dava acesso aos banheiros.

- VOCÊ FICOU COMPLETAMENTE LOUCA???

O sotaque de Sjogren ficava ainda mais carregado quando o rapaz estava furioso. Mas, ao invés de se sentir intimidada, Monica jogou a cabeça para trás numa risada divertida. A mão dela acariciou o rosto confuso de Dominic antes que Clark sussurrasse.

- Você me pediu ajuda. Eu ajudei, lindo. Acabei de transformar você em um coitadinho que precisa lidar com uma ex-namorada ciumenta. Agora você pode ir atrás dela, pedir desculpas, dizer que eu sou uma louca e que o pior erro da sua vida foi se envolver comigo.

A mão livre de Monica deslizou pelo peito de Dominic e, sem constrangimento, ela desceu os dedos até o zíper da calça jeans que o rapaz usava naquela noite.

- Mas é claro que eu vou cobrar caro por esta pequena colaboração. Quero você na minha cama hoje.

Quando atravessou a festa com passos rápidos, Dominic ainda não tinha certeza de que a encenação de Monica havia sido positiva para os seus planos. Ele não saberia como explicar tudo aquilo para Angeline e o escândalo de Clark oferecia uma justificativa perfeita para a cena que a novata assistira. Mas Sjogren não tinha certeza se Angie iria insistir naquele relacionamento depois de ser agredida por uma ex-namorada louca.

As duas garotas já estavam na calçada quando Dominic as alcançou e ele já esperava por aquilo quando Stacey se colocou na frente da colega, disposta a defendê-la como um animal selvagem faria com seu filhote indefeso.

- Não ouse chegar perto dela! Eu me sinto péssima por ter achado que você merecia uma chance, que você realmente queria tentar algo sério com uma garota legal, só pra variar!

- Eu não tenho culpa se a Monica é louca, Stay! Quantas vezes eu te disse que isso nunca foi um namoro??? Nós ficamos algumas vezes e a garota enlouqueceu e saiu dizendo por aí que estávamos namorando! Eu disse pra ela mil vezes que não ia rolar mais nada, ela simplesmente não aceitou! Você conhece a Monica, você sabe que ela é maluca!

- Uma maluca vadia que eu vou matar de pancada se ela encostar mais um dedo na Angie! Não interessa se vocês estavam namorando ou não. Isso não muda o fato de que a Angie é boa demais pra você, Nick. Ela não merece isso.

Por cima dos ombros de Stacey, o rapaz se esticou para tentar encarar Angeline. Dominic parecia sinceramente atormentado e arrependido quando se dirigiu a Lockwood, ainda tendo a melhor amiga como uma barreira entre os dois.

- Eu sinto muito, Angel, muito mesmo, você nem imagina o quanto. A Stay tem toda razão, você não merecia passar por isso. Eu prometo que você nunca mais vai ter que enfrentar nada assim se me der uma segunda chance. Você sabe que foi especial, que tem chance de dar certo entre a gente. Não deixa a Monica estragar tudo, é exatamente isso que ela quer.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Nov 15, 2016 10:55 pm

Os olhos esverdeados de Matthew permaneceram presos em Violet durante toda a conversa formada pelo pequeno grupo. Quem olhasse de longe, apenas pensaria que ele era mais um rapaz deslumbrado com a beleza da loira, mas Matt ainda estava tentando entender como ela havia ido parar ali. Aquela noite parecia como um pesadelo irreal demais e a todo instante ele esperava que a imagem dela fosse desaparecer.

Apenas quando a voz de Anthony ecoou de forma exibida, as íris claras de Avery deslizaram até encarar o rapaz. As sobrancelhas grossas que emolduravam seus olhos bonitos se arquearam lentamente em uma discreta surpresa antes de todo o rosto do rapaz se contorcer em um triste conformismo.

Incapaz de encarar mais qualquer um, Matt se concentrou no pequeno espaço do carpete entre o leve tecido do vestido de Violet e os sapatos lustrosos de Anthony. O queixo foi enrugado e ele meneou a cabeça como se estivesse assentindo a alguma pergunta, mas apenas reafirmando intimamente o quanto ele havia sido tolo por pensar que teria alguma chance com uma garota como Bryant.

Ele ainda não conseguia compreender o que havia levado Violet a passar a festa dos calouros ao seu lado, mas aquele era um detalhe facilmente descartado quando obviamente a loira já vinha se divertindo com Anthony desde o primeiro dia.

Ao contrário do que a imagem do casal passava, de que pertenciam um ao outro, aquela cena apenas fazia o estômago de Matt se contorcer. Poderia ser apenas o ciúme que ele tentava negar, mas em sua mente, Violet não combinava em nada com a arrogância e futilidade de Anthony.

- Ninguém poderia te culpar, Thony... – Um sorrisinho amargo surgiu nos lábios de Matthew quando ele voltou a encarar o colega. – Sua imaginação não é mesmo a sua melhor qualidade, hm?

Seu semblante demonstrava uma nítida derrota e no fundo dos olhos verdes era possível ver a pontada do ciúme, mas ainda assim, Avery se manteve firme.

- Eu e a Penny nos conhecemos em Stanford também, sabiam? Primeiro ano! – O Sr. Avery contou, exibindo um sorriso orgulhoso.

Diante daquele comentário, Penélope abriu um sorriso carinhoso e deslizou uma das mãos pelo braço do marido, se aninhando a ele. Todos ao redor compartilhavam a história com um sorriso, mas o estômago de Matthew se revirava a cada segundo.

Matthew enfiou uma das mãos no bolso e se inclinou para pegar uma taça quando o garçom passou próximo ao grupo. Em uma reverência, ele ergueu a bebida para iniciar um brinde, ainda encarando o titular do time de basquete.

- Aos grandes amores de Stanford. Tão óbvios, feitos um para o outro.

O braço de Matt foi recolhido, mas antes de dar o primeiro gole em sua bebida, seu olhar se encontrou mais uma vez com o de Violet. Ele sabia que não tinha direito de exigir nada da menina, mas era impossível não sentir mergulhado na decepção com a própria estupidez por ter se deixado ir tão longe com uma única noite que obviamente não significava nada para ela.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Nov 15, 2016 11:35 pm

Apesar da aparência frágil e delicada que era realçada com o vestido rosa de boneca, Angeline mostrou que não era uma completamente tapada no instante em que Monica resolveu dar início a uma briga física. Sem piscar, a loira retribuiu aos puxões de cabelo, aos arranhões e aos tapas. Mesmo nunca tendo se metido em uma briga antes, Angie se sentia imensamente grata ao pai por ter insistido nos treinos de baseball durante sua adolescência, o que agora lhe garantia braços mais fortes e certeiros.

Tudo havia acontecido rápido demais, Angie sabia que era completamente inocente naquela história, mas não iria ficar apenas apanhando enquanto tentava argumentar com a razão. Por isso, os olhos azuis ainda estavam furiosos quando Monica foi arrastada para longe do seu alcance.

Lockwood não tentou nem fugir das mãos de Stacey a guiando para fora da casa. O que ela mais queria era desaparecer daquele lugar. Era sua segunda tentativa em participar de festividades típicas de universitários e pela segunda vez havia se arrependido profundamente.

Quando a voz de Dominic alcançou seus ouvidos, Stacey se virou prontamente para defende-la, mas Angie permaneceu de costas para o rapaz, fechando os olhos para tentar se acalmar. O coração ainda batia rápido depois da adrenalina despertada com a briga. Seus cabelos loiros e escovados para aquela noite estavam volumosos depois dos tapas, completamente desalinhados. Uma das alças do vestido havia sido arrebentada e ela estava com o pescoço vermelho e os braços arranhados.

Parecendo cansada demais para uma noite que sequer havia começado, Angie se virou para encarar o rapaz, mantendo os braços cruzados em uma postura defensiva. Ela se manteve em silêncio por longos segundos antes de finalmente esticar a mão e tocar o ombro de Stacey com as pontas dos dedos trêmulos.

- Tá tudo bem, Stacey. Eu sei me cuidar...

Os olhos claros da ruiva se estreitaram e ela encarou o melhor amigo por mais alguns segundos antes de finalmente pousar as íris em Angeline.

- Tem certeza? Ele é grande, mas consigo derrubar fácil.

O comentário havia sido uma clara tentativa da menina de amenizar o pesado clima e por isso Angie se rendeu a um discreto sorriso, confirmando com um movimento da cabeça.

- Sim, tenho certeza. Obrigada.

Lançando um último olhar ameaçador em direção do melhor amigo, Stacey seguiu o caminho da calçada em direção a festa. Ao invés de entrar novamente na casa, a ruiva simplesmente se acomodou em um dos banquinhos da varanda, de onde não poderia escutar a conversa do casal, mas estaria distante o bastante para socorrer a amiga se fosse necessário.

- Eu não sei o que a sua amiga, namorada, seja lá o que for, tem na cabeça. Mas ela não pode simplesmente sair atacando as pessoas.

A voz de Angie soava perigosamente calma, sem parecer que havia acabado de enfrentar uma briga diante de uma boa parte dos estudantes de Stanford. Apesar do tom casual que ela tentava impor, era difícil ignorar o nó que se formava em sua garganta.

- Eu não deveria ter aparecido aqui hoje. Não estava nos meus planos. – A loira voltou a cruzar os braços e abriu um sorriso forçado ao referenciar sua agenda azul e sua mania de organização. – Parece que “aproveitar o momento” não funciona com todo mundo.

Angie mordeu o lábio inferior em um gesto que começava a se tornar um hábito. Ela lançou um olhar para a casa onde a festa acontecia, há alguns metros de distância. Os dois estavam afastados o bastante para que o som da música chegasse abafado e encobertos pelas sombras da noite para ter a privacidade necessária.

- Quer saber? Eu estou começando a achar que todo mundo em Stanford é meio louco... – Os olhos azuis voltaram a encarar Dominic e Angie soltou um risinho sem o mínimo de empolgação. – Sua namorada diz que levou um fora, mas vocês dois obviamente estavam se divertindo juntos. Depois você vem me pedir uma chance? O que exatamente você quer, Dominic?

O sorriso de Angie morreu e ela descruzou os braços apenas para que eles caíssem pesadamente nas laterais do seu corpo, os dedos apontando para o vestido amarrotado.

- Se vocês dois só estão enfrentando uma crise, resolvam entre vocês. Eu não vou me arrumar outra vez só pra apanhar de uma louca e me meter em uma briga de casal. Definitivamente não tenho espaço na agenda para isso.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Ter Nov 15, 2016 11:45 pm

Se antes aquele baile era o palco perfeito para que Violet desfilasse, depois do encontro com Matthew a festa se transformou em uma tortura para a garota. Normalmente, Bryant ignoraria por completo a opinião de alguém como Avery e se concentraria em ser o foco das atenções, mas daquela vez a garota simplesmente não conseguia desfazer o nó formado em sua garganta.

Matt era apenas um colega de turma, alguém com quem Violet não tinha quase nada em comum, a sua companhia em uma noite única e atípica. Ainda assim, Bryant se importava muito com a opinião dele. E não precisava ser um gênio para entender que Matthew havia ficado muito chateado e decepcionado com o comportamento dela.

Por sorte, Anthony era um péssimo observador e não pareceu notar que todo o brilho da namorada se apagara depois daquela breve conversa com os Avery. Os dois circularam pelo salão, conversaram com vários patrocinadores e posaram para algumas fotos, mas era evidente pelo semblante de Violet que a menina não estava se divertindo.

A festa ainda continuava lotada mesmo quando a madrugada chegou. Os pés de Violet já estavam doloridos por causa dos saltos e a loira já havia insinuado duas vezes que gostaria de ir embora, mas Foster ainda estava entretido demais com os outros convidados para atender ao pedido dela.

Quando Violet comentou que precisava ir ao toalete, Anthony apenas acenou com a cabeça e continuou contando a um grupinho de empresários sobre a última vitória do time, obviamente dando uma ênfase especial ao próprio desempenho na partida. Por estar tão concentrado na conversa, Foster não percebeu que Bryant havia seguido na direção oposta aos banheiros e sumira de vista depois de entrar atrás de uma cortina, que escondia um portal que dava acesso a uma varanda.

O vento frio da área externa do salão fez com que Violet estremecesse dentro do vestido leve. Seus braços estavam arrepiados quando a moça os cruzou em frente ao tronco, mas a temperatura era o menor dos seus problemas naquela noite. Sem a menor dúvida, o maior desconforto de Bryant era encarar os olhos esverdeados da única pessoa presente na varanda.

Logo que viu Matthew “fugindo” naquela direção, Violet soube que precisava falar com ele. A ida ao toalete fora apenas uma desculpa para que Anthony lhe desse a privacidade que a garota precisava para tentar mudar ao menos um pouco a impressão negativa que Avery construíra sobre ela.

- Filho do reitor, hm...? Você realmente achou que ninguém nunca ia descobrir isso, Matt?

Violet não tinha a menor ilusão de mudar o foco da conversa que os dois precisavam ter. Aquele assunto era somente uma tentativa de adiar por mais alguns segundos a inevitável confissão que Matt merecia ouvir dos lábios dela.

Alguns segundos de um incômodo silêncio se prolongaram enquanto Bryant se encostava na mureta que contornava a pequena varanda. Os olhos azuis deslizaram pelo jardim que decorava a entrada do prédio e ela pareceu interessada naquela vista, muito embora a escuridão da noite e a iluminação fraca do jardim não lhe permitissem avaliar muitos detalhes da cena.

Quando percebeu que não fazia mais sentido prolongar aquela conversa, Violet voltou a sua atenção para o colega. Um pesado suspiro escapou dos lábios da loira e sua voz soou num sussurro.

- Eu lamento por tudo isso, Matt.

O receio de ver a decepção estampada no rosto de Avery fez com que a garota desviasse os olhos para o chão de pedra da varanda. Violet Bryant definitivamente não tinha o costume de pedir desculpas a um rapaz, mas ela sabia que Matthew merecia explicações. Mais do que isso, ela não queria ser vista como mais uma das garotas que o descartavam por não gostarem dele.

- Eu já estava saindo com o Anthony, estávamos juntos na festa dos calouros. Mas ele pisou na bola, nós discutimos e eu terminei com ele. Eu realmente achei que não teria volta, mas ele me procurou no dia seguinte e nós nos entendemos.

Por mais que Violet estivesse omitindo os piores detalhes daquela história, era evidente que a moça estava totalmente envergonhada com aquela confissão. Ainda assim, ela se obrigou a ir até o final em seu discurso.

- Eu deveria ter te contado no dia seguinte, mas você parecia tão animado. Eu não quis te magoar. Achei que seria melhor esperar que você esquecesse a noite da festa antes de assumir qualquer coisa com o Thony. Não era para você descobrir assim. No fim das contas, tudo aconteceu da pior forma possível.

Antes que Matthew tivesse a chance de responder, a garota completou o desabafo. Bryant queria falar tudo antes que o colega a cobrisse de insultos e não permitisse que ela finalizasse o discurso.

- Eu não brinquei com você, Matt. Eu realmente estava livre e me diverti muito naquela noite. Foi ótimo, você é fantástico. Eu não queria te magoar, mas parece que eu faço esse tipo de coisa mesmo sem ter a intenção... Sinta-se à vontade para me odiar agora, eu só precisava te falar isso.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Qua Nov 16, 2016 12:45 am

Apesar da aparência doce e do jeitinho inocente da garota, Dominic sabia que não estava diante de uma tola. Angeline era esperta o bastante para não engolir desculpas esfarrapadas e para entender a situação que havia assistido com seus próprios olhos naquela noite. Por isso, Sjogren sabia que perderia todas as suas chances com ela caso se arriscasse numa mentira forçada.

Por isso, depois de uma longa pausa, o russo soltou um suspiro e girou os olhos. A mão direita de Dominic foi erguida como se ele estivesse fazendo uma confissão formal em frente a um tribunal.

- Ok, eu sou culpado. Eu assumo integralmente a minha parcela de culpa. Não vou duvidar da sua inteligência tentando te convencer que sou só uma vítima nessa história.

Aquela era uma jogada arriscada, mas Sjogren sabia que não lhe restavam muitos movimentos naquele tabuleiro. Qualquer passo em vão culminaria numa derrota dolorida, por isso Dominic estava disposto a colocar todas as suas peças em jogo.

- A Monica nunca foi a minha namorada. Ficamos várias vezes, mas nunca foi sério. Pelo menos, não pra mim. Eu sabia que nunca iria querer nada além disso, mas realmente achei que poderíamos nos divertir enquanto não surgissem as pessoas certas para nós dois.

Mais uma vez, os olhos do rapaz giraram e seus lábios se contraíram numa careta antes que ele continuasse o discurso. Desta vez, Dominic forneceria uma informação que a própria Stacey poderia confirmar para a colega. A melhor amiga já havia escutado aquela história muitas vezes.

- Mas eu percebi que as coisas estavam saindo do controle quando a Monica se tornou uma doida obsessiva e começou a espalhar pelo campus que estávamos namorando. Desde então, eu tenho tentado me afastar dela e colocar um fim nessa história. Mas, como você bem viu, ela não tem facilitado as coisas.

Se Angeline imaginava que o rapaz iria omitir a participação da sua própria mão na cena que ela vira na festa, certamente ficaria surpresa com a confissão direta do russo.

- Mesmo sabendo que ela é uma louca, às vezes não é fácil resistir à tentação. Ela é bonita, conhece os meus pontos fracos. E eu não consigo simplesmente riscá-la da minha vida de forma definitiva sem uma garantia. Pode ser um vacilo meu, mas eu não quero arriscar tudo e ficar sozinho.

Numa jogada ainda mais arriscada, Sjogren tentou transferir parte daquela culpa para Lockwood. Suas palavras foram escolhidas cuidadosamente para que Angeline não notasse que estava sendo pressionada com aquele desabafo.

- Eu sei que você não é como ela e eu também sabia que não seria só mais uma brincadeira quando te chamei pra sair, Angel. Você é diferente das garotas que já passaram pela minha vida, mas é exatamente por isso que eu pensei que desta vez podia dar certo. O nosso encontro foi ótimo, mas admito que você me deixou meio inseguro...

Definitivamente, a última coisa que qualquer pessoa esperaria ouvir era que Dominic se sentia inseguro por causa de uma garota como Angeline. Mas as explicações que o rapaz forneceria faziam sentido.

- Depois que te conheci melhor, eu fiquei me perguntando quanto espaço eu teria na sua vida governada por aquela agendinha azul. Eu adorei ficar com você, mas não sei se isso dará certo se eu tiver que esperar por um horário vago na sua agenda sempre que quiser a sua companhia.

Depois de uma pausa, Dominic deu mais um passo na direção da loira. Os olhos de Stacey se estreitaram quando ela assistiu o amigo tocando carinhosamente o rosto de Angeline e colocando uma das mechas do cabelo atrapalhado atrás da orelha dela. Apesar do desagrado, a ruiva respeitou o pedido de Lockwood e não interferiu, confiando que Angeline conseguiria se livrar daquela aproximação se não a desejasse.

- Eu preciso que você me diga que também está disposta a fazer isso dar certo, korotyshka. Eu só preciso desta certeza para conseguir me livrar dos fantasmas do passado e encarar algo novo. – os olhos marcantes do russo buscaram pelas íris de Angeline antes que ele completasse – Será só você, basta você me dizer que quer assim.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Nov 16, 2016 12:50 am

- Eu não odeio você, Violet.

A voz de Matthew soou baixa, mas firme. A proximidade de Violet permitiria que ela escutasse com perfeição, mesmo com o ruído do vento e do som da festa. Os dois estavam recostados sobre a mureta da varanda e pareciam incapazes de se encarar, os braços roçando levemente.

Ao invés de se concentrar no jardim como Bryant fazia, Avery encarava o horizonte negro da madrugada. Os cabelos já desalinhados balançavam com suavidade, jogando os fios para trás e trazendo a Matt um semblante tranquilo.

Ele parecia profundamente sincero com as suas palavras, mas um silêncio mergulhou após aquela pequena confissão. Se Violet esperava por ofensas, por um rapaz ofendido que posaria como vítima, descobriria naquela noite que a aparência inocente de Matt era apenas isso: aparência. O rapaz estava disposto a enfrentar aquela rejeição como um adulto maduro.

Uma risada ecoou alta demais vindo da festa, apenas para lembra-los de que os convidados ainda estavam lá, mas alheios ao tenso momento dividido entre os dois calouros. Sabendo que não poderia mergulhar naquele silêncio para sempre, Matt soltou um pesado suspiro e abaixou a cabeça apenas por um segundo, reunindo a coragem necessária para finalmente encarar Violet.

O rosto jovem parecia de um garoto fantasiado naquelas roupas formais de um adulto, mas aquilo não significava que Avery não estava atraente. Ele não tinha o mesmo porte atlético que Anthony, mas seria uma grande mentira se alguma menina afirmasse que aqueles trajes não haviam lhe caído bem. Matt apenas não compartilhava da mesma segurança do colega de turma.

Uma ruguinha estava presa entre suas sobrancelhas grossas quando ele encarou Violet. Assim como ele havia afirmado, não havia nenhum ódio ou mágoa refletido nas íris verdes. Matt estava decepcionado, mas ainda assim era impossível não se admirar com a beleza de Violet. Por alguns segundos mais, ele não conseguiu articular as palavras, apenas admirando a delicadeza do vestido amarelo que realçava as curvas perfeitas de Bryant.

- Eu entendo, de verdade... Garotas como você e caras como eu?

Ele enrugou o nariz em uma careta e forçou um sorriso ao fazer piada com o próprio destino. Violet estava ali pronta para ser martirizada pelos seus erros e tudo que Matt era capaz de fazer era tentar minimizar o que ela sentia, mesmo que por dentro se sentisse completamente derrotado.

Seu semblante logo voltou a ficar mais sério e um novo suspiro escapou pelos seus lábios. Para dedicar a loira toda a atenção que aquela conversa exigia, Matt se endireitou até ficar de frente para ela, ainda mantendo um dos braços apoiados na mureta.

Quem olhasse a cena de fora não teria a mesma facilidade de Matt em enxergar os dois pertencendo a mundos completamente diferentes. Anthony poderia ser o menino modelo para estar ao lado de Violet. Mas naquela noite os dois demonstravam uma harmonia que era impossível de encontrar no casal de namorados durante o restante da noite.

- Eu só não entendo por que ele. – Matt inclinou a cabeça em direção da festa, sem ao menos conseguir pronunciar o nome de Anthony. – Você não consegue enxergar o quanto você é boa demais para ele?

Matt baixou o olhar por um segundo, encontrando a delicada mão de Violet pousada sobre a mureta de pedra. Instintivamente, ele deslizou a própria mão sobre a superfície e tocou os dedos dela, com a desculpa de brincar com o anel de diamantes apenas para sentir a pele que começava a ficar fria pelo vento gélido da noite.

- Eu não estou falando da sua aparência, Violet. Você sabe que é capaz de prender a atenção de qualquer cara só ao atravessar a rua. – Matt abriu um sorrisinho torto para mostrar que aquele comentário não tinha nenhuma crítica. Só então ele voltou a encarar os olhos azuis sem interromper o contato das mãos. – Mas você é muito mais do que isso. É mais do que a filha de Isaac Bryant, mais do que a namorada de Anthony Foster. Você não é a menina bonitinha que entrou por acidente no prédio de engenharia. Só precisa deixar que o mundo também saiba disso e aí vai ver que é boa demais para o Anthony ou qualquer outro.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Nov 16, 2016 1:20 am

De tantas coisas que poderiam acontecer naquela noite, Angie definitivamente não estava preparada para aquela conversa. Mas Dominic parecia ter surgido em sua vida exatamente para fazê-la sair da sua zona de conforto, de esquecer todo o seu planejamento e vivenciar o imprevisível. Aquela noite era a prova concreta de que se quisesse mesmo se arriscar com a companhia dele, precisaria esquecer os seus dias devidamente calculados.

O mais surpreendente em tudo aquilo era que, mesmo com a bizarrice de ser atacada em uma festa e de ouvir tantas verdades inesperadas de Dominic, Angeline se sentia absurdamente tentada em abandonar sua vida regrada para poder viver mais daquelas surpresas, desde que tivesse como recompensa aquele arrepio gostoso sempre que ouvia o sotaque do rapaz ao lhe chamar de korotyshka.

Era a mesma adrenalina de andar de moto outra vez, sem saber se levaria um tombo na próxima curva, apenas com a certeza de que aquele momento estava sendo assustadoramente divertido.

- Você precisa enfrentar a minha agenda e eu tenho que lidar com uma ex-namorada psicótica? Não parece muito justo...

Angie franziu o nariz e abriu um sorrisinho ao tentar suavizar aquela conversa com uma piada, mas logo assumiu um semblante mais sério. Os braços cruzados se soltaram para que ela pudesse esticar as mãos e tocar a jaqueta que Dominic usava naquela noite. As mãos dele em seu rosto estavam quentes, mas ao mesmo tempo parecia amenizar a ardência provocada pela briga.

Aquele não era o momento mais adequado da sua vida para abrir mão de todo o seu planejamento. O seu pai havia investido todo o dinheiro para garantir a sua vaga em Stanford e não seria inteligente desviar o foco dos estudos que garantiria o seu futuro. Mas Angie também se sentia incapaz de descartar a possibilidade de dar uma chance a Dominic.

Ela nunca havia se sentido daquela forma por outro rapaz e sabia que ainda era prematuro demais para colocar todas as suas fichas nele, mas pela primeira vez ela não queria pensar nas consequências. Seu coração implorava por uma chance e Angie escolheu aquele momento para abandonar seus princípios.

Como não saberia colocar em palavras aquele momento não previsto em seu roteiro, Angie apenas se esticou nas pontas dos pés. Dominic já estava perto o bastante para que ela apenas o rodeasse com os braços. Os olhos azuis encararam os dele por um segundo de hesitação antes que os lábios finalmente se tocassem em um beijo.

Da varanda, Stacey ergueu uma sobrancelha e tentou conter o sorrisinho que acabaria com a sua fachada de amiga furiosa.

- Eu não sei se isso vai dar certo, Dominic. Mas vamos tentar do seu jeito. Tem sido mais divertido.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Qua Nov 16, 2016 1:21 am

Quando ergueu os olhos para encarar o rapaz, Violet reagiu como se aquela fosse a primeira vez na vida em que ela recebia um elogio. Suas sobrancelhas se arquearam numa sincera surpresa, os lábios se entreabriram e ela piscou várias vezes, como se estivesse com dificuldade de entender as palavras de Matthew.

A filha mais velha de Isaac Bryant estava acostumada a ouvir elogios sobre a sua beleza, sobre o corpo perfeito, sobre as suas roupas sofisticadas ou seus cabelos sempre impecáveis. Mas era a primeira vez que um rapaz deixava aquelas qualidades de lado para se concentrar nos detalhes sob a máscara que Violet costumava usar.

Ao invés de dirigir à loira as merecidas ofensas e acusações que Violet esperava, Avery a surpreendeu com aqueles elogios inéditos. Por mais que se sentisse lisonjeada com as palavras dele, aquele comportamento do rapaz aumentou a culpa que Bryant sentia e a sua certeza de que Matt merecia muito mais que uma garota fútil como ela.

- Você está muito enganado ao meu respeito, Matt.

Quando finalmente conseguiu reagir, Violet soltou um suspiro pesado. Os olhos azuis giraram e permaneceram pousados no céu por alguns segundos antes que a garota tivesse fôlego para completar.

- Se eu fosse esta garota que você acabou de descrever, eu ficaria com um cara como você e não com o Thony.

Era estranho notar que Violet possuía uma refinada autocrítica sobre seu comportamento superficial, mas ainda assim insistia nas escolhas erradas.

Depois de toda uma vida alicerçada sobre as aparências, Bryant simplesmente não se sentia pronta para encarar o mundo de outra maneira. Para a loira, era muito mais fácil se esconder atrás daquela máscara do que enfrentar a vida e construir um futuro independente da opinião alheia. Violet não se sentia pronta para mudar os rumos da própria vida e assumir a responsabilidade por aquela mudança.

Ao invés de se afastar do toque do colega, Bryant abaixou os olhos para as mãos unidas e deslizou o polegar carinhosamente no punho de Matthew, sob o tecido grosso do paletó. Apesar de tudo, ela se sentia profundamente grata por Matt ser tão nobre e não fazê-la ouvir as críticas que Violet sabia que merecia.

- Garotas como eu não ficam com caras como você porque são idiotas. Porque não conseguem enfrentar mudanças e não conseguem se livrar do peso da opinião alheia. – embora estivesse usando termos no plural, era evidente que Bryant estava descrevendo a si mesma com aquelas críticas – Porque são imbecis e superficiais e porque trocariam milhares de neurônios por um vestido bonito. Eu enxergo isso, Matt, mas não consigo fazer diferente. Acho que isso faz com que eu seja pior que todas as outras.

Um sorriso sem emoção surgiu nos lábios da garota e ela repetiu a carícia no punho do colega antes de afastar a mão delicadamente. Quando retomou o discurso, Violet usou uma entonação mais contida que não escondia o quanto a menina se sentia ansiosa por aquela resposta.

- Você é nobre o bastante para ignorar meus defeitos e ser meu amigo? Eu realmente vou entender se você preferir manter distância de toda esta história, mas eu ficaria muito feliz se pudesse tê-lo ao menos como um amigo, Matt. Você é um cara sensacional.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Nov 16, 2016 1:50 am

Os lábios de Matthew se curvaram lentamente até exibir um sorriso triste que não alcançava seus olhos. O pedido de Violet poderia ser uma ofensa para a maioria dos rapazes, mas havia algo nela que tornava Avery incapaz de sentir qualquer raiva por aquela ousadia. No fundo, era como se o mundo estivesse apenas lembrando qual era o lugar que ele deveria estar e Violet não tinha culpa em ser a mensageira.

Se Bryant tivesse deixado qualquer sinal de que havia feito aquele pedido apenas para enfatizar que os dois não repetiriam o erro da festa dos calouros, Matt seria o primeiro a se esquivar. Mas era possível notar no olhar de Violet que ela estava sendo sincera naquele desejo.

O pedido dela despertava uma dor inédita para Matthew, mas ao mesmo tempo era a única migalha que ele teria de Violet. E a loira já havia lhe conquistado o bastante para que ele ficasse satisfeito apenas em ter sua companhia como amiga.

A filha de Isaac Bryant poderia ser incapaz de enxergar a si mesma com os mesmos olhos de Matt, mas isso não significava que ele não a achasse realmente incrível. Se aquela amizade seria tudo que ele teria de Violet, ele aceitaria seu lugar de volta ao mundo e não recusaria aquela oferta.

- Como assim? – Ele franziu a testa e mudou a entonação de voz, incorporando o seu devido lugar na vida de Violet. – Eu achei que já fossemos amigos.

O sorriso se tornou mais largo, mas ainda era possível notar como aquela alegria era forçada e não fazia seus olhos brilharem. Mas Matt não estava disposto a prolongar aquele drama. Aquela conversa apenas despertaria mais dor em ambos e o ideal seria deixar para trás a noite dos calouros, apenas como uma lembrança de um sonho.

- Além do mais, você vai mesmo precisar de um cara sensacional como eu por perto. Algo me diz que o seu namorado toma whey protein demais e eu li em alguma matéria no facebook que o excesso de proteína pode causar demência.

Matt espremeu os lábios em um sorrisinho mais sincero depois daquela provocação, mas uma sombra cobriu seu semblante quando ele percebeu que as mãos dos dois continuavam unidas. Em um movimento casual, ele recolheu o braço, interrompendo o contato dos dedos. O frio da noite pareceu se agravar por alguns segundos e como se tivesse tentando controlar os próprios instintos, Matt enfiou as mãos nos bolsos da calça.

Como um menininho deslocado, ele encarou os próprios pés até perceber que o frio da noite não era apenas pela quebra do contato com Violet. Em um movimento rápido, o rapaz deslizou o próprio paletó pelos braços e rodeou os ombros de Violet com a peça, a protegendo do vento.

O gesto foi apenas instintivo, mas só quando terminou de fazer, Matthew percebeu como aquela intimidade poderia gerar algum desconforto.

- Amigos fazem isso, não é? Pra ser bem sincero... – Matt ergueu uma das mãos e coçou a nuca enquanto confessava. – Não tenho muitas amigas. Mas se você quiser aparecer lá em casa e fazer alguma maratona Netflix ou virar a noite no Playstation matando zumbis, vou te mostrar o melhor lado de uma amizade.

Ele ergueu o polegar e piscou um olho, agindo da forma mais descontraída possível para que Violet pudesse relaxar depois da delicada conversa e os dois pudessem mesmo ser capazes de serem amigos.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Qua Nov 16, 2016 1:58 am

A cama de Angeline Lockwood naquele sábado só mostrava que a garota realmente havia deixado de lado a sua obsessão por organização. Não havia nem mesmo um centímetro de colchão vazio quando Stacey entrou no quarto e se deparou com aquela cena bizarra. Uma das sobrancelhas da ruiva se ergueu e a menina cruzou os braços antes de tomar a palavra.

- Eu estou chocada. Sério. Eu ficaria muito menos surpresa se abrisse a porta e pegasse vocês dois praticando os níveis mais difíceis do Kama Sutra. – o indicador de Stacey apontou para a cama da colega – Isso é muito bizarro. Eu achei que estava entrando no meu quarto, mas devo ter aberto a porta para outra dimensão.

- Já pensou em transferir sua matrícula para a turma de Teatro, Stay? Ainda dá tempo de mudar de vida e lapidar essa sua veia dramática.

A voz grave de Dominic veio da cama onde ele e Angeline estavam espremidos. Mas, contrariando todas as expectativas, os dois jovens estavam aproveitando aquela tarde de sábado para estudar. Sobre o colchão, os livros de Administração e Medicina se misturavam e Stacey fez uma careta para a página aberta que exibia detalhadamente todas as estruturas internas de um abdome humano. Além dos livros, a cama ainda acomodava o laptop de Lockwood e o tablet de Sjogren. A mochila do rapaz estava jogada num canto do quarto, assim como os tênis espalhados no tapete.

- Por falar em veia, eu agradeceria se não precisasse ver esse tipo de nojeira no meu quarto. – olhando em outra direção, Stacey fechou o livro de anatomia, tirando aquela imagem indigesta do seu campo de visão – Você sabe que eu odeio essas coisas.

- Posso contar pra Angel que você desmaiou quando eu quebrei um dedo no colegial? Eu quebrei um dedo jogando basquete e tive que socorrer a Stay porque ela simplesmente deu um chilique e desmaiou quando eu fui pedir a ajuda dela.

- Em minha defesa, o dedo dele estava pendurado, inchado e roxo! Era uma coisa horrível de se ver!

Passados os primeiros dias de desconfiança, Stacey decidira dar uma chance ao relacionamento de Dominic e Angeline. Os dois eram absurdamente diferentes e Stacey nunca imaginou que o amigo se interessaria por uma garota como Lockwood, mas ela tinha que admitir que aprovava aquela mudança. Angie era uma excelente amiga e seria um estímulo perfeito para que Sjogren amadurecesse e encarasse a vida com mais seriedade. Aquela tarde de estudos só mostrava que Stacey estava certa em seus julgamentos.

Além disso, era evidente que Dominic estava se esforçando para que aquela tentativa desse certo. Stacey nunca mais o vira na companhia de Monica e o mau humor que a morena exibia pelos corredores da faculdade indicava que ela realmente não recebia mais a atenção do ex-namorado. Também era a primeira vez que Monica via o amigo “perder” um sábado estudando e era óbvio que a companhia de Angeline influenciara aquela iniciativa do russo.

- Segundo a agenda da Angel... – Dominic se esticou para pegar a agenda azul e ler as palavras que ele mesmo havia escrito ali naquela tarde – Daqui a pouco vamos fazer uma pausa no estudo, escolher um filme no Netflix e pedir uma pizza. Quer se juntar a nós?

Era difícil para Stacey acreditar que Sjogren passaria a noite de sábado assistindo um filme e comendo pizza, como um namorado bem comportado. Mas se aquilo estava escrito na agenda de Angeline, a ruiva não tinha razões para duvidar.

- Eu adoraria, mas deixa pra próxima. Combinei de ir num pub com o pessoal, só voltei aqui para buscar minha carteira. Eu até convidaria vocês para irem conosco, mas vocês parecem estar se divertindo muito aqui. – Stacey riu ao analisar novamente a cama bagunçada – Angie, o que você fez com o meu amigo irresponsável? Nick, o que você fez com a minha colega de quarto obcecada por organização?

- Eu a troquei por esta linda bagunceira. – Dominic se inclinou e roubou um beijo dos lábios da loira.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Qua Nov 16, 2016 2:59 am

Jamie encarava aquela cena como se estivesse diante de um filme de ficção de qualidade muito questionável. A cabeça dele se sacudia em negativa e o rapaz piscava repetidas vezes, como se esperasse que a qualquer momento aquela imagem evaporasse e suas suspeitas de uma alucinação bizarra fossem confirmadas.

Mas, contrariando todas as expectativas, Violet Bryant continuou sentada no tapete da sala, com as pernas dobradas, as mãos ocupadas por um dos controles do Playstation e os olhos azuis concentrados na tela que mostrava zumbis sendo massacrados. E o mais bizarro era notar que a loira era particularmente boa no jogo e tinha uma pontaria excelente e certeira.

Quando Matthew voltou para casa e anunciou que ele e Violet seriam somente amigos, Jamie logo imaginou que Avery seria brutalmente ignorado pela loira dali em diante. “Apenas amigos” geralmente era a desculpa que as garotas usavam quando queriam dizer “nunca mais vou olhar para a sua cara”.

Mas Bryant realmente parecia interessada em cultivar aquela amizade com Matt. Mais do que isso, a garota parecia estar se divertindo de verdade enquanto jogava videogame no apartamento de dois rapazes que jamais se encaixariam no seu círculo de amizades.

- MATA ELE, MATT!!! NÃO, DEIXA QUE EU MATO!

O berro de Violet fez Jamie se sobressaltar no sofá. Os olhos castanhos pareciam prestes a saltar para fora do rosto dele quando o rapaz buscou pelo olhar do melhor amigo, implorando por uma explicação. Mas nenhuma explicação seria boa o bastante depois que Violet finalizou o jogo com uma jogada tão espetacular que fez o queixo de Jamie cair. A surpresa foi tão grande que, desta vez, o rapaz não conseguiu se conter.

- Qual é a sua, garota? Você realmente curte games ou seu lance é com armas? É sério, eu estou com medo!

- Uma coisa não exclui a outra, Jamie. – Bryant abriu um sorrisinho para provocar o rapaz – Eu tenho muitas habilidades. Foi um ótimo jogo, rapazes, mas eu tenho que ir agora.

Não era preciso que Violet explicasse que seu compromisso naquela noite seria com Anthony. Era uma noite de sábado e seria óbvio concluir que a loira aproveitaria aquelas horas nos braços do namorado. Ao invés de empolgada, contudo, Bryant parecia chateada por trocar a companhia agradável de Matthew pelas conversas vazias e pela mão boba de Foster.

Aquele semblante apático continuava no rosto de Violet quando ela entrou no carro de Anthony, cerca de uma hora depois de ter se despedido de Matt e Jamie. Os dois tinham combinado um jantar, mas o rapaz parecia ter mudado por conta própria os planos para aquela noite.

- O restaurante não fica no centro? – Violet apontou na direção oposta àquela que o carro seguia.

- Vamos para o meu apartamento. Eu estou cansado.

A loira tentou ser compreensiva, principalmente porque sabia que os treinos de Anthony estavam a cada dia mais puxados. Mas era difícil não se zangar por aquela falta de comunicação. Se Violet soubesse que eles só iriam para o apartamento de Foster naquela noite, certamente não teria perdido tanto tempo na maquiagem e nem teria colocado um vestido tão formal.

- Da próxima vez me avise. – a voz de Bryant só soou depois de minutos inteiros em silêncio – Eu perdi muito tempo me arrumando para nada.

Era apenas um desabafo, mas Violet se arrependeu daquelas palavras no instante em que Anthony pisou bruscamente no freio. Os pneus do carro cantaram no asfalto antes que o veículo parasse por completo e o rapaz se virasse na direção dela com uma ferocidade no olhar que fez Violet se encolher junto à porta.

- Como prefere que seja feito o anúncio? Por escrito, em um documento autenticado em cartório? Que porra, Violet! Precisa fazer toda esta cena por causa de uma merda de restaurante? Eu dei duro a tarde toda e me recuso a pedir desculpas porque estou cansado. Estou pouco me fodendo se você perdeu seu precioso tempo rebocando a cara com maquiagem. O meu tempo é infinitamente mais valioso que o seu!

Os olhos azuis da garota se estreitaram e ela se aproveitou que o carro estava parado no meio de uma rua pouco movimentada para abrir a porta. Anthony ainda tentou agarrar o braço de Violet, mas a loira se esquivou do toque e saiu do carro, quase virando o pé em uma pequena imperfeição do asfalto.

- O que você pensa que está fazendo???

- Você está cansado. Então vá descansar, eu não vou mais ocupar o seu precioso tempo com as minhas cenas e com a minha cara rebocada.

- Entre neste carro. Agora, Violet. Senão...

- Senão o que?

Os olhos de Bryant se estreitaram ainda mais e ela não pareceu intimidada quando retribuiu ao olhar de Anthony. O rapaz continuava furioso, mas não teve coragem de concluir a ameaça, nem mesmo quando Violet ergueu o dedo do meio para ele antes de começar a caminhar na direção oposta a do carro.

- Eu não vou correr atrás de você! – Foster berrou enquanto acelerava o carro, mas ainda sem tirar o veículo do lugar – É a sua última chance de voltar, Violet.

A noite estava gelada e o vestido branco sem mangas não a protegia do vento, mas em nenhum momento Violet se sentiu tentada a voltar atrás naquela decisão. Anthony representava o futuro que a loira sempre havia desejado, mas nem por isso ela estava disposta a enfrentar aquele tipo de violência.

Só depois que Foster arrancou o carro com violência e sumiu de vista, deixando-a sozinha naquela rua isolada, Violet tirou o celular da bolsa. Ela não conhecia muitas pessoas em Stanford, mas nem mesmo se colecionasse amigos na nova cidade a loira teria dúvidas de para quem deveria ligar.

Já eram quase dez horas da noite quando o celular de Matthew tocou e ele ouviu a voz trêmula de Bryant do outro lado da linha.

- Matt... você está ocupado? Desculpe ligar a esta hora, mas eu preciso de ajuda. Estou numa rua esquisita, não sei bem onde fica. Não passou nenhum táxi por aqui até agora e eu não sei nem em qual direção andar pra sair deste lugar.

Os olhos azuis vasculharam os dois lados da rua deserta com ansiedade, temendo que aquela solidão fosse substituída por companhias indesejáveis.

- Posso te mandar a minha localização e você liga pra um táxi vir me buscar? Eu notei que tem o número de um táxi na sua geladeira, eu deveria ter registrado na minha agenda. É meio urgente, eu realmente estou com medo deste lugar.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Nov 19, 2016 2:20 am

A caixa de pizza estava pela metade e esquecida sobre um banquinho que havia sido utilizado como suporte. Os livros e papéis que auxiliavam os estudos já estavam recolhidos e guardados de forma organizada na escrivaninha de Angeline, permitindo que a cama fosse ocupada apenas pelos dois corpos espremidos.

O quarto dividido por Angie e Stacey estava mergulhado em uma escuridão que era quebrada apenas pela claridade que vinha da televisão fixada na parede, e o filme, já pela metade, era completamente ignorado enquanto os dois espectadores se ocupavam em mais um demorado beijo.

A cama não era grande o bastante para acomodar os dois com conforto, mas era a desculpa perfeita para Angie se acomodar nos braços de Dominic. Quando mais um longo beijo chegou ao fim, as pálpebras de Lockwood ainda tremeram, se recusando a abrir. Mas quando as íris azuladas finalmente foram reveladas, os lábios dela se curvaram em um doce sorriso.

Se envolver em um relacionamento estava longe dos seus planos para o início dos seus anos em Stanford. E para alguém que tinha uma vida tão detalhada, nem mesmo aquele aspecto se salvava do exagerado planejamento de Angie.

A ideia era se formar, conseguir um bom estágio, iniciar uma carreira em uma boa empresa e, só então, se permitir qualquer tipo de envolvimento que a distraísse dos seus objetivos. Mas era impossível resistir o frio na barriga que Dominic despertava. Ela já sentia seu coração acelerar sempre que sentia o peso do olhar dele, e seu corpo inteiro se arrepiava ao som rouco da voz a chamando pelo apelido em russo. Dominic havia surgido em sua vida e, em pouco tempo, fez com que Angie se deliciasse em fugir do planejado.

- Você tem certeza que não se incomoda em não estar em alguma festa com os seus amigos?

Os dedos de Angie mergulharam nos cabelos de Dominic e ela acariciava os fios macios, mantendo o olhar preso no dele. Havia um discreto tom de insegurança na voz de Lockwood, mas ela ainda preferia ouvir a sinceridade vinda dos lábios de Sjogren. Poderia ser incrível como ele a fazia se sentir, mas era cada vez mais evidente como os dois eram diferentes. Angie não queria que Dominic acabasse preso em um relacionamento tedioso e se cansasse dela em poucos dias.

Mas a ideia de entrar em mais uma festa depois da sua breve experiência em Stanford era aterrorizante. Além de estar em um ambiente que não a deixaria inteiramente confortável, teria a grande possibilidade de esbarrar com Monica outra vez, e cruzar com a morena nos corredores do prédio de administração já era ruim o bastante.

- Nós não precisamos ficar aqui. Podemos sair, se você preferir.

Os dedos de Angeline deslizaram e ela acariciou a face de Dominic até tocá-lo no queixo. Arqueando uma sobrancelha, Angie forçou uma expressão séria antes de completar com uma entonação orgulhosa, como se realmente estivesse descrevendo uma grande conquista.

- Até podemos ir de moto, se você preferir. Já estou me acostumando e da última vez consegui manter os olhos abertos por trinta segundos. Radical, hm?
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Nov 19, 2016 2:58 am

- Péssima ideia, péssima ideia!

As mãos de Jamie estavam erguidas e ele tentava fazer uma barreira para impedir que Matthew atravessasse a porta, o que fazia com que os dois rapazes acabassem “dançando” de um lado ao outro, enquanto o estudante de engenharia tentava se desvencilhar do seu obstáculo.

- Eu não vou simplesmente deixa-la no meio da rua, Jamie!

Matthew protestou, evidentemente irritado por perder cada precioso minuto que obrigaria Violet a continuar sozinha em uma rua deserta e estranha. Seu instinto quase pedia que ele nocauteasse Jamie para poder correr em socorro da amiga, o coração angustiado por ainda deixa-la esperando.

- Tá legal, então pede um táxi! – Jamie ergueu as mãos mais uma vez, reforçando o tom óbvio de sua voz. – Não foi isso que ela sugeriu?

- Ela é minha amiga, Jamie! Não vou apenas “chamar um táxi”!

Avery sabia que aquele era o pior argumento a ser usado e viu que estava perdido quando Jamie também percebeu o seu erro. O amigo cruzou os braços e o encarou como se fosse um adulto experiente que dava uma lição de moral a uma criança.

- Tá legal. Ela é sua amiga. Eu sou seu amigo. O que você faria se fosse eu no meio de uma rua, te pedindo ajuda?

A comparação deveria ser algo bastante óbvio, mas apenas serviu para irritar Matt ainda mais. Ele fechou a expressão em uma careta emburrada, se sentindo incomodado em comparar Violet no mesmo patamar que Jamie.

Ele sabia que o seu envolvimento com Bryant não passaria da amizade que os dois começavam a construir. Mas também era impossível ser imune aos encantos da loira. Por mais de uma vez, enquanto os dois jogavam Playstation ou dividiam um lanche durante algum seriado, Matt se deixava observar os traços bonitos, desejando poder tocá-la mais uma vez.

Por saber que tudo estaria arruinado se deixasse se levar pela tentação, Matt apenas engolia aquele desejo ridículo e se obrigava a se contentar com a amizade que Violet tinha a oferecer. E mesmo diante daquela pequena tortura, ele precisava admitir que estava encantado em conhecer o outro lado de Violet. A menina era engraçada, divertida e incrível. Exatamente como ele havia notado na noite da festa dos calouros. Para ter aquela amizade, ele estava disposto a enterrar o outro sentimento que insistia em querer aparecer.

- Se fosse você, ia fazer voltar pra casa andando. Agora saia da minha frente!

Matt tentou mais uma vez desviar de Jamie, mas desta vez o rapaz o segurou pelos ombros. Sem fazer força alguma, Jamie apenas rodeou seus dedos nos braços de Matt e o encarou, desta vez sem o ar implicante de antes.

- Qual é, Matt. A gente sabe onde essa história vai acabar e não vai ser nada legal pra você. Deixe que ela ligue para o namorado. Ela não deveria estar com ele?

Aquele pensamento havia atormentado Matt a noite inteira, mas se Violet havia recorrido a ele naquela noite, era sinal de que a figura de Anthony não estava por perto. E aquela ideia apenas o incentivava ainda mais a correr ao encontro de Violet.

- Eu já sou grande o bastante para cuidar de mim mesmo, Jamie. Ao contrário de você que ainda come o meu cereal toda manhã. Eu e a Violet somos amigos.

Aquelas palavras ainda repetiam na mente de Matt quando o Nissan vermelho iluminou a rua com seus faróis. O carro deslizou suavemente pelo asfalto, em uma velocidade reduzida, até que a imagem de Violet fosse identificada no endereço enviado pelo GPS da moça.

Violet provavelmente ainda esperava pelo táxi quando Matt parrou o carro e baixou o vidro do carona para que a menina pudesse enxergar no interior. Ele se inclinou para que seu rosto ficasse mais visível e abriu um sorrisinho torto ao encontrar os olhos azuis que estavam começando a assombrá-lo em seus sonhos.

- O que foi? Resolveu sair para caminhar e não conseguiu voltar? Aposto que está usando aqueles saltos outra vez...

Não havia nenhum tom de crítica na voz de Matt quando ele destravou a porta e esperou que a menina se acomodasse no banco do carona. Ao invés de arrancar com o carro, Matthew ainda permaneceu parado, com um dos braços apoiados no encosto do banco agora ocupado por Violet.

Os olhos verdes estudaram a menina com atenção, tentando decifrar apenas pelos bonitos traços o que havia acontecido naquela noite para que ela estivesse abandonada em uma rua como aquela.

- O que houve, Violet? Não me diga que resolveu caçar pokemons a essa hora da noite?

O olhar de Matthew deslizou discretamente pelo corpo de Bryant, apenas tempo suficiente para notar que ela estava ainda mais arrumada do que o seu padrão. Não havia nenhuma dúvidas de que o objetivo era se juntar a Anthony.

Disfarçando o incomodo que aquele pensamento causava, Matt voltou a se acomodar melhor no próprio banco e apoiou as mãos ao volante. O carro continuou parado, mas ele evitou encará-la quando forçou o tom casual em sua voz.

- Estava indo encontrar o Anthony? Posso levar você, se quiser.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Sab Nov 19, 2016 5:00 pm

Embora aquela fosse uma cena comum e quase tediosa para a maior parte das pessoas, para Dominic Sjogren era uma grande novidade. Passar a noite de sábado em casa, acompanhado por um filme e uma caixa de pizza era algo que o russo não se lembrava de já ter feito em sua conturbada adolescência, sempre regada a festas com os amigos e namoradas ousadas que geralmente saltavam aquela etapa do relacionamento.

É claro que Dominic não pretendia transformar aquele programa calmo em uma rotina, mas nem por isso o rapaz deixaria de aproveitar os benefícios daquela escolha. Era muito divertido estar em uma festa agitada, com música eletrônica alta e oferta ilimitada de bebidas alcoólicas, mas naquela noite o russo descobriu que também era agradável aproveitar a companhia de uma garota sóbria, que retribuía suas carícias sem ter generosas doses de álcool como combustível. Era bom poder conversar sem precisar erguer a voz acima das caixas de som. Era gostoso desfrutar dos beijos e toques de Angeline, mesmo sabendo que eles muito provavelmente não ultrapassariam aquele limite.

Aliás, também era novidade para Sjogren estar com uma garota sem planejar uma transa até o fim da noite. Talvez fosse exatamente por isso que Dominic se sentia a cada dia mais ligado a ela. Contrariando tudo o que o russo acreditava, a convivência com Angeline lhe mostrava que o envolvimento sentimental era algo muito mais íntimo que uma simples relação sexual.

- Eu pareço estar incomodado...?

A pergunta retórica tinha uma resposta óbvia para qualquer um que olhasse para Dominic naquele instante. Era evidente que o rapaz estava totalmente à vontade, mesmo que o colchão estreito da cama de Lockwood não fosse confortável o suficiente para acomodar os dois corpos.

Uma das pernas de Sjogren pendia para fora da cama. A outra perna estava esticada sobre o colchão e, embora a cama tivesse o tamanho perfeito para Angeline, o colchão terminava antes do tornozelo do rapaz. As roupas dele estavam amassadas graças ao espeço reduzido que obrigava os corpos a ficarem colados. Os cabelos castanhos atrapalhados pelo travesseiro e pelos dedos da loira só contribuíam para aquela aparência desleixada que, ironicamente, deixava Dominic ainda mais atraente.

- Continue assim e, em breve, estará dirigindo a moto. – o russo arqueou uma das sobrancelhas e abriu um sorrisinho divertido antes de sussurrar ao ouvido de Angeline – Eu não deixo qualquer um colocar as mãos no meu bebê. Sinta-se honrada por isso, korotyshka.

O filme que iluminava o quarto já havia passado da metade, mas Dominic não saberia sequer apontar o protagonista da história, visto que sua concentração se mantivera em Angeline durante a maior parte do tempo. Por isso, era uma tolice usar o filme como uma desculpa para continuar no quarto, ainda mais depois que Lockwood sugerira um passeio de moto.

- Vamos, então. Pegue um casaco, o vento está frio lá fora.

Como de costume, Nick assumiu a direção da motocicleta enquanto Angeline se agarrava com firmeza em seu tronco. O vento frio parecia ainda mais forte graças à velocidade com que o veículo cortava as ruas, mas os corpos colados amenizavam a temperatura hostil.

No começo, Dominic dirigiu sem um rumo definido, não desejando nada além da adrenalina e do contato com Lockwood. Quando um semáforo vermelho os obrigou a parar em um cruzamento, o rapaz inclinou a cabeça para trás para espiar Angeline. Embora continuasse firmemente agarrada ao peito dele, a garota estava com os olhos abertos.

- A adrenalina vicia, sabia? Logo eu estarei escondendo as chaves da moto de você.

A voz grave saiu abafada pelo capacete, mas era óbvio que Dominic estava brincando para provocar a garota. A atenção dele ainda estava voltada para Angeline quando a luz verde do semáforo se refletiu nos olhos dela. As ruas estavam vazias, não era possível escutar o ronco de nenhum outro motor além da motocicleta de Sjogren. Por isso, ele cometeu o erro de arrancar o veículo sem olhar para frente.

O abalo foi discreto e poderia ter sido interpretado como um simples desnível no asfalto se não fosse pelo grunhido de dor que se seguiu ao atropelamento. Dominic parou a moto imediatamente e saltou para o chão. O farol da moto iluminava a pequena sombra escura do cachorrinho que tentava se arrastar para longe com uma das patas dianteiras quebradas.

A ausência de uma raça definida e de uma coleira deixava claro que era o filhote de um vira-lata, mas isso não amenizou a culpa refletida nos olhos de Sjogren. Aquela noite de sábado tornou-se ainda mais atípica quando, ao invés de estar em uma festa, Nick gastou boa parte da madrugada em uma sala de espera de um hospital veterinário.

- Eu o matei.

A voz de Sjogren soou atormentada depois do terceiro copo de café. Já passava de duas da manhã e a ausência de notícias só fazia com que o russo imaginasse o pior. Se fosse apenas uma pata quebrada, certamente o veterinário já teria dado um jeito. Mas se a moto tivesse passado por cima do corpo de um filhotinho, muito provavelmente ele não resistiria.

Em nenhum momento, Dominic tentou se consolar dizendo que era apenas um vira-latas. Por mais que tivesse seus defeitos, o russo não conseguia lidar com a ideia de que havia tirado uma vida inocente por pura desatenção. A mão dele unida a de Angeline estava gelada quando o veterinário finalmente retornou para a sala de espera, trazendo nos braços o filhotinho adormecido com a pata direita imobilizada por uma tala. Num primeiro momento, Nick havia pensado que o cachorrinho era cinza. Mas o banho retirou a sujeira da rua e agora ele exibia o pelo negro brilhante.

O atropelamento realmente só causara a fratura da pata, mas o veterinário comentou que o cachorro estava fragilizado e desnutrido. Muito provavelmente se perdera da mãe e estava passando frio e fome nas ruas desde então. Dominic já havia pagado pelo atendimento, mas ele demonstrou que estava disposto a fazer muito mais para se redimir quando pegou novamente o filhote nos braços.

- Nós vamos ficar com ele. – Sjogren buscou pelo olhar de Angeline antes de completar, parecendo uma criança implorando por um presente de Natal – Ele pode ficar no meu apartamento, lá tem mais espaço e uma varanda inteira pra ele. Mas ele vai precisar de atenção, preciso de alguém que me ajude. Vamos adotá-lo, korotyshka?
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Sab Nov 19, 2016 6:25 pm

Como esperava um táxi, a aproximação do Nissan vermelho fez com que Bryant estremecesse. A mente dela já visualizava os piores cenários e a garota estava pronta para gastar todo o seu fôlego num potente grito quando reconheceu o rosto do amigo ao volante. Os ombros de Violet relaxaram de forma visível e ela não conteve um suspiro de alívio enquanto abria a porta e se acomodava no banco do passageiro.

Além da temperatura mais agradável no interior do carro, Violet estava absurdamente aliviada pela companhia do amigo. Aquela não era uma cidade famosa por seus crimes, mas ainda assim não era agradável a sensação de estar perdida e vulnerável em uma rua deserta. Era um absurdo que Anthony a tivesse deixado ali, mesmo sabendo que Bryant se mudara há pouco tempo e ainda não conhecia bem a cidade.

- Eu briguei com o Anthony.

A loira sabia que era muito inadequado fazer aquele tipo de desabafo com Matthew, mas uma explicação era o mínimo que o amigo merecia depois de ter aparecido ali para resgatá-la.

- Estávamos indo para o apartamento dele, ele foi estúpido comigo. Então eu me irritei, saí do carro e ele foi embora. Só depois disso me dei conta de que eu não sabia sair deste lugar.

Qualquer um que convivesse com Violet notaria facilmente que ela era uma garota de personalidade forte. Qualquer outra menina poderia relevar grosserias de um namorado “perfeito” como Anthony, mas Bryant sabia que aquele tipo de violência só pioraria se ela não se impusesse.

- Portanto, a cara dele é a última coisa que eu quero ver agora. Me leva pra casa, por favor. Você deveria ter mandado o táxi como eu pedi, não tinha a menor necessidade de sair de casa por causa desta besteira.

Embora quisesse transparecer tranquilidade, era notável que Bryant estava arrasada. Qualquer um poderia imaginar que a loira estava chateada porque o relacionamento com Anthony ia mal, mas a grande verdade era que Violet estava decepcionada consigo mesma. Ela tinha plena certeza de que não amava Foster, ele não a tratava bem e a companhia dele não era agradável. Ainda assim, Violet não conseguia simplesmente cortá-lo de sua vida. Se ela descartasse Anthony, seria obrigada a encarar a vida de outra forma e a dar as costas a todos os planos que fizera para o futuro.

A presença de Avery só servia para reforçar o quanto a escolha de Violet era errada. Ela colocara no posto de amigo um rapaz bonito, divertido, inteligente e gentil apenas porque Matt não se encaixava nos seus padrões de popularidade. Bryant sabia que só precisava de um estalar de dedos para consertar aquele erro, mas a falta de confiança em si mesma fazia a loira desistir da iniciativa. Matthew era um cara especial e não merecia ser iludido por uma garota que não confiava nas próprias decisões. Ela perderia até mesmo aquela valiosa amizade caso o decepcionasse mais uma vez.

Como Matthew previu, Violet estava usando saltos altos naquela noite. Depois de tantos minutos de pé sobre a calçada desconfortável, a garota sentia os dedos doloridos e se viu obrigada a tirar os sapatos enquanto o amigo manobrava o carro para fazer um retorno.

- Está com fome? Podemos pedir comida ou sair pra comer em algum lugar. Eu pago, é claro. É o mínimo que posso fazer para te recompensar por este favor.

Aquela era uma proposta que Violet jamais faria ao namorado, mas ela sabia que Matt provavelmente gostaria tanto da ideia quanto ela. Um sorriso mais animado surgiu nos lábios de Bryant, afastando a sombra da discussão com Foster.

- Eu vi o anúncio de um restaurante japonês no centro da cidade. Era uma antiga casa de jogos eletrônicos que foi adaptada para se tornar um restaurante.

Ali estava mais uma diferença gritante entre Violet e as outras garotas populares. Depois de uma briga com o namorado, Bryant não pretendia correr atrás dele novamente, nem choraria nos ombros de uma amiga fútil, muito menos escolheria uma boate cara para afogar suas mágoas nos braços de outro rapaz atraente. Ela só queria comer e se divertir com um amigo naquela noite de sábado, como se a briga com Anthony realmente não a abalasse.

- Parece bem legal, fiquei louca para conhecer! O que me diz?
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Nov 20, 2016 12:18 am

- Adotar?

Angeline havia se mostrado inteiramente compreensiva durante toda a madrugada, prestando um sincero apoio ao sofrimento que Dominic estava vivendo com a angústia de ter tirado a vida de um pequeno ser inocente.

Era um imenso alívio ver que o filhotinho estava bem e que a pior sequela havia sido a pata quebrada, mas aquele breve momento de pausa acabou rápido demais quando a loira arqueou as sobrancelhas diante do pedido do namorado.

A mente organizada de Lockwood imediatamente começou a projetar planilhas invisíveis enquanto ela tentava encaixar o cuidado de um ser vivo em sua rotina já consideravelmente puxada para uma universitária de Stanford que precisava manter as boas notas para honrar o sacrifício do pai em pagar a alta mensalidade.

Dominic já havia desestruturado o seu plano inicial, mas envolver mais uma variável naquele complexo cálculo parecia arriscado demais. Os dois precisariam administrar o tempo para cuidar de um ser vivo que precisaria de comida, água e principalmente atenção. Eles seriam inteiramente responsáveis por qualquer coisa que acontecesse ao cachorrinho e Angie não sabia se estava pronta para aquele tipo de comprometimento.

- Eu não sei, Nick... Um cachorro é muita responsabilidade, não acha?

Angie soava extremamente insegura enquanto tentava declinar daquele pedido delicado. Ela conseguia compreender que Dominic se sentisse culpado pelo acidente e quisesse se redimir, mas não poderia simplesmente ceder para alguma coisa que bagunçaria todo o seu dia.

- O que acontece com ele se não levarmos conosco? – A pergunta foi dirigida ao veterinário, que ainda observava o casal.

- Nós direcionamos casos assim para uma feira de adoção de uma ONG parceira. – O homem explicou pacientemente, fazendo uma breve pausa antes de completar.  – Mas não é garantido que ele seja adotado.

A menina soltou um longo suspiro e finalmente pousou seu olhar no filhote acomodado no colo de Dominic. Era perfeitamente aceitável que o rapaz quisesse aceitar aquela escolha radical por ser o responsável daquele acidente, mas Angeline precisava admitir que não era fácil se derreter diante da expressão meiga do cachorrinho.

Como costumava fazer quando estava diante de uma escolha complicada, traçando milhares de planos em sua mente, Angie mordeu o lábio inferior e permaneceu encarando os olhos negros do cachorrinho, sabendo mais uma vez que perderia aquela batalha.

- Está bem. Nós vamos ficar com ele. Mas você precisa prometer que também vai se comprometer 100% nisso, Nick. E isso significa um cronograma detalhado na minha agenda, sem reclamações.

Com um sorriso mais doce, Angie se aproximou de Dominic apenas para que pudesse acariciar o pelo negro do bichinho, já completamente conquistada pelos olhos negros, tanto quanto pelo homem que o carregava no colo.

- Você vai precisar de um nome, carinha...
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Dom Nov 20, 2016 1:13 am

Até mesmo Dominic, que estava muito longe de alcançar o nível de organização de Angeline, sabia que um cachorro era uma responsabilidade muito grande e que aquele filhote colocaria a sua vida de pernas para o ar. Contudo, o russo não hesitou nem por um segundo antes de dar um lar ao cachorrinho que quase morrera sob a sua moto.

Obviamente aquele acidente não tinha sido planejado, mas acabou contribuindo para que Sjogren se aproximasse ainda mais de Lockwood. Dominic estava disposto a assumir a responsabilidade pelo cachorro, mas realmente precisaria de ajuda para que o filhote não ficasse desamparado durante suas aulas e provas da faculdade.

Os dois só precisaram de uma semana para acertarem os horários e a divisão dos cuidados com o filhote. Stacey também fez questão de ajudar quando soube sobre a adoção e a colaboração dela tornava a obrigação menos pesada para os outros dois jovens. O cachorrinho ganhou uma casinha, que foi posta na varanda do apartamento de Dominic, recipientes para água e ração, vários brinquedinhos e uma coleira. Depois de uma longa discussão e de uma votação na qual Nick foi derrotado pelas meninas, ficou decidido que o nome do filhote seria Jeremy.

- Este nome não combina com ele. – Dominic resmungou enquanto Stacey se derretia com o filhote – Eu queria algo mais másculo.

- Tipo Destruidor, ou quem sabe Demolidor... Realmente, é a cara dele.

Stacey ironizou ao assistir o filhotinho sacudir o rabo freneticamente enquanto andava pelo gramado aos fundos do prédio onde ficava o dormitório das garotas. A pata quebrada não permitia que ele corresse, mas era evidente que ele estava se divertindo enquanto tentava perseguir uma borboleta com passinhos atrapalhados.

Uma semana havia se passado desde o resgate de Jeremy e era notável que Sjogren havia mudado, não somente pelo cachorro. Era uma tarde de sexta-feira e ele estava largado na grama, conversando com as garotas e mantendo um olhar cuidadoso no filhote, sem nem mesmo mencionar ou planejar uma festa para aquela noite.

- Eu vou ficar em casa hoje, tenho que terminar um maldito trabalho para segunda. Posso ficar com o Jeremy. – Stacey foi mais clara naquelas insinuações – Em outras palavras, posso ficar de babá para que o papai e a mamãe se divirtam um pouco.

Os cuidados com o cachorro tinham ocupado toda a concentração de Dominic nos últimos dias, mas as palavras da amiga obrigaram Sjogren a se lembrar de que ele tinha um prazo a cumprir. O tempo estava passando e David ainda não tinha nenhuma prova de que a caloura estava apaixonada por Dominic. Por mais que o russo não tivesse mais a mesma disposição para levar aquela brincadeira adiante, Nick sabia que havia muita coisa em jogo. Ele perderia a moto e uma oportunidade única de estágio se desistisse da aposta naquele momento.

Foi pensando nisso que Sjogren voltou o olhar para Angeline. Agora que a conhecia melhor e admirava as qualidades dela, Nick se sentia culpado por usá-la daquela maneira. A única coisa que amenizava a culpa do rapaz era dizer a si mesmo que nem tudo era uma farsa. Apesar da aposta, ele gostava da companhia de Lockwood e estava disposto a levar aquilo adiante mesmo depois de alcançar seu principal objetivo.

- Nada de festas tumultuadas ou ex-namoradas loucas, eu prometo. Podemos ir ao cinema, ou sair pra comer alguma coisa. Ou talvez um passeio de moto, um novo atropelamento e nós dois largamos a faculdade para liderarmos uma ONG de animais abandonados.

- Continue brincando assim e a Angie vai cortar seu nome na agenda dela.

- Ela jamais faria isso. – Dominic rodeou a cintura de Lockwood com seus braços e a puxou para perto, acomodando a garota entre as suas pernas – Faria, korotyshka?

O beijo depositado no pescoço de Angeline fez a loira se arrepiar visivelmente. Stacey soltou uma risada debochada e girou os olhos antes de se colocar de pé. Bastou um estalar dos dedos para que Jeremy mancasse de volta para o trio e fosse amparado pelos braços da ruiva.

- Arrumem um quarto! Vou tirar a criança da cena, ele é pequeno demais para assistir esta pouca vergonha.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Nov 20, 2016 1:31 am

Menos de vinte minutos depois, o Nissan vermelho deslizou suavemente até parar em uma das vagas bem iluminadas pelos postes que rodeavam a orla da praia mais próxima do campus. Mesmo com a noite, as lâmpadas amareladas eram suficientes para que eles enxergassem o banco de areia e o local onde as ondas se quebravam calmamente. O vento fresco imediatamente fez os cabelos de Violet serem jogados para trás e o cheiro familiar da maresia invadiu as narinas de Matthew.

O comércio daquele canto do centro ficava inteiro a beira-mar, e o restaurante escolhido por Violet ficava suspenso em uma estrutura de madeira, as ondas quebrando na parte inferior. Apesar do clima praiano, o olhar de Matt se arregalou quando ele finalmente entrou no local indicado pela amiga.

Como um típico estabelecimento da Califórnia, o lugar parecia transbordar glamour, sem necessariamente ser um lugar chique e elegante. Era fácil notar que toda a estrutura não havia sido resultado de uma obra barata, mas ao mesmo tempo trazia um ar descontraído.

Logo na entrada do estabelecimento, a famosa tardis de Doctor Who era exibida em tamanho real, onde uma recepcionista vestida como uma gueixa os aguardava com um largo sorriso. Ela esperou que Violet indicasse que a mesa seria para duas pessoas antes de guia-los para o interior, onde o queixo de Avery terminou de despencar.

O teto do restaurante estava inteiramente iluminado como se fosse um céu noturno salpicado de estrelas. Nas paredes, quadros de diferentes animes eram exibidos e as mesas se espalhavam ao redor de grandes esculturas de super-heróis.

Ao invés dos típicos garçons, algumas mulheres com traços orientais deslizavam com bandejas, misturadas a um Darth Vader, dois stormtrooper, uma mulher-gato e um Homem-Aranha. Como se aquilo não fosse o bastante, em uma pequena ilha, um homem fantasiado de Aquaman fazia os perfeitos cortes nos peixes que seriam servidos.

Ao fundo do restaurante, onde uma quantidade considerável de pessoas se aglomerava, estantes altas estavam carregadas de HQs, além de telões com jogos interativos. Dois televisores estavam fixos na área dos jogos, exibindo um anime com legendas em inglês.

- Por favor, diga que eu não estou sonhando...

Matt ainda encarava tudo como uma criança que havia acabado de entrar na terra do Papai Noel quando assumiu um dos lugares acolchoados da mesa em que a recepcionista os levara.

- De onde você tirou esse lugar??? – Os olhos verdes brilhavam em empolgação quando voltaram a pousar em Violet, finalmente conseguindo focar novamente na amiga. – Isso é incrível!

Era óbvio que o publico alvo do restaurante eram jovens universitários, o que trazia para um restaurante japonês um clima completamente diferente de tudo que o mercado tinha a oferecer. A empolgação crescia em Matt cada vez que ele identificava um novo detalhe incrível e o sorriso de menino voltava a crescer, fazendo os olhos verdes brilharem.

- Olha só, Letty! Dá pra jogar Sudoku no menu!

O iPad incorporado na mesa, por onde eles poderiam ver as opções dos combos, Sushis, e diversos peixes, também tinha a opção de jogos e Matt estava enlouquecido com a possibilidade de brincar enquanto esperava sua comida.

Era inacreditável que uma menina como Violet conhecesse um lugar como aquele, e Matt não. Mas aquele detalhe era facilmente ignorado enquanto Avery decidia que aquele era seu novo lugar favorito no mundo.

Anthony havia se tornado uma sombra completamente ignorada no fundo da mente dos jovens enquanto eles se envolviam em uma divertida conversa e batalhavam em mais um jogo com multijogadores do iPad.

Matt já havia perdido a noção do tempo quando finalmente ergueu o olhar, procurando pelo sinal da gueixa que havia lhe atendido quando seu estômago protestou pela ausência da comida. Ao invés de encontrar a moça de trajes orientais, as sobrancelhas de Avery arquearam com mais uma surpresa, e seu sorriso já enorme, voltou a aparecer ao encontrar um rosto conhecido.

- Zoey???

Os olhos profundamente azuis giraram ao redor quando a menina escutou seu nome e seu rosto se iluminou ao identificar de onde estava vindo. Zoey estava a caminho do fundo do restaurante, provavelmente de encontro aos jogos, mas deu meia volta e se aproximou da mesa no instante em que reconheceu Avery.

- Matt!!! Quanto tempo!

Avery imediatamente se levantou para falar com a menina, e a empolgação provocada por aquele pequeno universo que ele havia acabado de descobrir poderia ser facilmente confundida como alguma emoção indevida por rever a amiga.

Zoey Geller parecia se encaixar naquele mundo com facilidade. A menina era obviamente atraente, com olhos claros, um corpo magro e os lábios tão bem desenhados que formavam uma boca perfeita. Os cabelos negros eram cheios e formavam ondas brilhosas e a franja lhe trazia um ar juvenil. As lentes dos óculos não eram capazes de esconder a sua beleza, mas diferente de Violet, a menina obviamente não se importava em se arrumar. A calça jeans era suficiente para revelar suas curvas, mas a camisa vermelha com o símbolo do Flash estampado mostrava que Zoey se encaixava no mesmo mundo de Matthew.

Os dois trocaram um rápido abraço antes que Matt se lembrasse que Violet continuava na mesa, e ele imediatamente se apressou com as apresentações.

- Zoe, esta é Violet, uma amiga de Stanford. Violet, está é Zoey. – Ao se voltar para a morena, Matt estreitou os olhos, mas o sorriso ainda em seus olhos denunciou que a repreensão não era sincera. - A Zoey deveria estar na mesma turma que a gente, Vi. Mas resolveu nos trocar Stanford para fazer engenharia da computação no MIT.

- Nunca gostei muito da Califórnia. – Zoey ergueu os ombros de forma casual, como se aquele fosse o único motivo para ter abandonado uma universidade como Stanford. – Muito sol. Muitas loiras de biquíni.

Os olhos azuis deslizaram para Violet e Zoey espremeu os lábios ao perceber que estava diante de uma loira.

- Ops, sem ofensas.

Completamente alheio ao deslize da morena, Matt permaneceu de pé e encarando Zoey como se estivesse diante de uma miragem.

- O que está fazendo aqui, afinal? Massachusetts não era bom o bastante para o pequeno gênio que habita em você?

Zoey enrugou o nariz, mantendo o seu tom casual ao falar sobre as decisões importantes que havia tomado em relação a própria vida.

- Meus pais precisavam de uma mãozinha com as coisas do restaurante... – Ela ergueu a mão para indicar o local ao redor. – Então resolvi dar uma chance a Stanford, afinal de contas.

- Seus pais??? – O queixo de Matt despencou mais uma vez, apontando para o chão ao se referir ao restaurante. – Esse lugar é da sua família???

- Quem você acha que programou o Sudoku no menu, lindinho?
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Nov 20, 2016 2:43 am

Tudo parecia andar as mil maravilhas durante aquelas semanas ao lado de Dominic e nem mesmo a chegada de Jeremy havia causado a catástrofe em sua organização como Angeline temia. Ela precisou apenas dedicar algumas horas a mais em sua programação para ver que ainda conseguiria conciliar o tempo necessário para os estudos, para se dedicar ao namorado e agora para cuidar do filhotinho que havia conquistado seu coração.

Para surpresa de Lockwood, ela nunca havia se sentido tão completa antes. Dominic se encaixava como o namorado perfeito e, até então, nunca havia lhe pressionado para que as carícias prolongadas fossem adiante. O problema era que mesmo estando cada vez mais envolvida com Sjogren, Angie ainda não tinha certeza se estava pronta para dar o próximo passo. E contrariando o medo que sentia cada vez que pensava em seguir nesta irreversível direção, seu corpo exigia cada vez mais que ela se rendesse a Dominic.

O arrepio que se espalhou pelo seu corpo com o beijo em seu pescoço era mais uma prova de que Angeline se esquecia completamente das suas inseguranças e se inclinava a deixar levar pela tentação de se entregar completamente. Ela estava pronta a iniciar um intenso beijo, mesmo estando em um local público, quando o comentário de Stacey fez com que um alerta soasse em sua cabeça.

Para qualquer casal normal, aquele era um passo básico do relacionamento e ninguém seria capaz de acreditar que Angeline e Dominic ainda não tinham dormido juntos. Por isso, com um visível desconforto, Angie se acomodou melhor no gramado para encarar o namorado.

- Cinema está ótimo. Eu deixo você escolher o filme desta vez. Já fiz você assistir Diário de Uma Paixão por mais vezes do que um cara pode suportar.

***

Como de costume, o casal havia combinado de se encontrar uma hora antes do filme começar. Dominic apareceria no dormitório para que Angie pudesse subir na garupa da moto antes que os dois fossem até o cinema.

Mesmo com o namoro com Dominic, Aneline ainda não havia despertado a vaidade presente na maioria das meninas. Mas a beleza naturalmente angelical da menina não precisava mais do que a calça jeans clara e a delicada blusa floral. Os cabelos loiros haviam sido puxados em uma trança lateral, que impediria os fios de voarem durante a corrida de moto. O único traço de maquiagem era o discreto brilho em seus lábios, que perderam o sorriso no instante em que um rosto conhecido entrou em seu campo de visão.

Monica frequentava o mesmo prédio dos alunos de Administração e era impossível não cruzar o seu caminho com o da ex-namorada de Sjogren. Mas ainda assim, Angie sempre se encolhida quando a morena aparecia.

Naquele dia, Monica exibia um bonito cropped verde que deixava uma faixa da sua barriga exposta, combinando com perfeição com a calça negra e os saltos. Ao invés de seguir seus passos apenas lançando seus costumeiros olhares raivosos na direção da loira, Monica caminhou com confiança até parar diante de Angie.

Instintivamente, a loira cruzou os braços em uma postura defensiva e buscou por qualquer sinal da moto de Dominic, sem encontrar a segurança que precisava.

- Relaxa, florzinha. Não vou te estapear outra vez. Pelo menos hoje não...

Monica deslizou uma das unhas pintadas de vermelho pelo lábio inferior, curvado em um malicioso sorriso.

- Hoje não? – Angie soltou uma risada, com uma fagulha de coragem. – Francamente, Monica... Você não tem amor próprio? Não sabe o quanto parece desesperada e carente quando fica me ameaçando? Por que simplesmente não aceita que o Nick está em outra e deixa a gente em paz?

Os lábios vermelhos da morena se alargaram em um sorriso ainda maior e ela soltou uma alta gargalhada. Ainda movida pela fagulha de coragem, Angie estreitou o olhar e desistiu de procurar pelo sinal do ex-namorado, enfrentando sozinha aquele momento.

- Eu sei que o Dominic é bem difícil de esquecer, ele é um cara perfeito, mas...

- Perfeito? – Monica voltou a gargalhar, desta vez acompanhando de palmas. – O Dom é tudo, menos perfeito, florzinha. Bom, com exceção daquilo que ele faz tão bem, hmmm...

Monica mordeu o lábio como se estivesse diante de um apetitoso prato que lhe despertava uma fome. Ela fechou os olhos por alguns segundos, se deliciando com aquela lembrança, até voltar a encarar a loira com confiança.

- Você realmente acha que o Dom está caidinho por você, não é? – O sorriso de Monica finalmente morreu, mas ela manteve o olhar confiante quando deu um passo para frente, fazendo Angie recuar. – É questão de tempo até o Dom cansar de brincar de boneca e voltar a procurar uma mulher de verdade. Qualquer um enjoa dessa vidinha tediosa e isso é tudo que você tem a oferecer a ele. O Dom precisa de emoção, e vamos ser sinceras? Você é a pessoa mais previsível e tediosa que alguém poderia sonhar.

Assim como havia prometido, a conversa com Monica não havia resultado em mais uma briga corporal. Mas mesmo quando os créditos do filme começaram a rolar pela tela do cinema, Angie ainda escutava a voz da morena ecoando em sua mente. Ela havia ficado tão atordoada que sequer saberia dizer qual era o assunto do filme, se envolvia zumbis, alienígenas o se era apenas uma comédia.

Durante toda a noite, Angeline se comportou com um silêncio anormal que se prolongou até que o casal estivesse de volta ao campus, tarde da noite. As casas de fraternidade estavam movimentadas, mas a área central onde ficavam os prédios estudantis estava completamente deserta e mergulhada em uma escuridão interrompida pelas fracas luzes dos postes.

O ronco do motor cessou, permitindo que nenhum outro ruído interrompesse a noite. Os dois desceram da moto apenas para que Dominic pudesse se recostar contra o banco de couro e acomodar Angie em seus braços para um beijo de despedida.

Angie sabia que Monica estava apenas tentando afetá-la, mas precisava admitir que aquele relacionamento pacato deveria estar longe de tudo que Dominic havia experimentado. Ela não queria ser lembrada apenas como a menininha virgem que levava um namoro casto e desestimulante.

Quando os lábios interromperam o contato, Lockwood não parecia disposta a encerrar a noite. Ela não queria entrar no dormitório e passar o resto da noite pensando como seria se Dominic e Monica estivessem juntos. Ela não queria que o namorado fosse embora tendo todas as cartas na mão para comparar a ex com a atual de forma tão drástica. Precisava urgentemente mudar aquela versão do seu namoro.

- Eu ainda estou sem sono. – Ela mordeu o lábio inferior enquanto lutava contra os últimos pensamentos que a faziam querer desistir daquela ideia. – Quero aproveitar que a Stay está com o Jer e aproveitar mais um pouco.

Os olhos azuis deslizaram pelo campus escuro até focar no oculto prédio do outro lado do gramado. Era absurdo demais e ela nunca havia feito nada parecido em toda sua vida, mas Dominic estava certo: a adrenalina viciava. E mesmo que as palavras de Monica tivessem sido o combustível inicial para que sua mente trabalhasse naquela ideia, ela precisava admitir que estava começando a se divertir com aquele risco.

- Eu sempre vejo a equipe de natação chegar antes do sol nascer para treinar... – Ela indicou com o queixo o prédio em que estava olhando antes. – Então eles nunca trancam a entrada da piscina. O que você acha de um mergulho?
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Dom Nov 20, 2016 3:33 pm

No instante em que Violet pisou no restaurante oriental, várias cabeças se voltaram na direção dela. Era notável que a filha dos Bryant não se encaixava naquele ambiente e nem combinava com o perfil de clientes do estabelecimento. Mas aquele nítido estranhamento não a abalou e nem reduziu o encantamento de Violet com o local. Definitivamente, o restaurante era tão bom quanto o anúncio prometia.

Apesar de não ter exatamente o perfil “nerd” esperado para o local, a loira sentia-se tão empolgada quanto Matthew com a decoração e o entretenimento oferecido pelo restaurante. Contrariando todos os pré-julgamentos sobre a sua aparência, Violet era uma garota que gostava de games, de quadrinhos e de histórias de super-heróis. Portanto, o estabelecimento também era para Bryant uma amostra bem convincente do paraíso.

Anthony Foster jamais compartilharia daquela animação, então Violet estava muito feliz em poder dividir aquele momento com alguém que pensava como ela. A euforia de Matt só contribuía para deixar a loira ainda mais animada com o lugar e disposta a esquecer os problemas para se divertir naquela noite de sábado.

- Eu vi um panfleto num dos painéis da faculdade. – Violet respondeu à pergunta sobre como descobrira aquele lugar tão atípico – Mas nem mesmo o anúncio é tão fiel ao lugar. Tudo isso é fantástico!

Os dois jovens estavam tão entretidos num jogo que sequer se lembravam dos pedidos feitos à garçonete vestida de gueixa. Violet teria passado horas e mais horas naquela brincadeira se não fosse pela interrupção de Avery. Ao ouvir o amigo chamando pelo nome de outra menina, Violet ergueu a cabeça e deu de cara com uma garota que, ao contrário dela, parecia totalmente perfeita para aquele ambiente.

Mesmo antes de uma apresentação formal, ficou claro que Matthew e Zoey já se conheciam. A conversa fluía facilmente e o rapaz não parecia nem um pouco intimidado em falar com aquela garota. Racionalmente, Violet sabia que não fazia sentido se sentir mal com aquela cena e ela era a última pessoa do universo que teria o direito de sentir ciúmes de Avery. Mas o surgimento daquele sentimento incômodo foi inevitável quando Bryant se deu conta de que Matt e Zoey formavam um casal perfeito.

Zoey Geller jamais seria considerada popular ou uma referência de beleza em nenhum local do mundo. Violet no fundo sabia que era infinitamente mais atraente que a morena a sua frente. Mas, naquela noite, Bryant experimentou pela primeira vez a certeza de que a beleza não era tudo. Zoey não tinha as qualidades necessárias para ser uma super modelo, mas era bonita, simpática e combinava de forma estúpida com a figura de Matt.

O semblante de Violet, que já não era dos melhores, fechou-se ainda mais quando Zoey fez o comentário sobre as loiras de biquíni da Califórnia. Era obviamente uma brincadeira inocente, mas Bryant sentiu-se pessoalmente ofendida. Era como se Zoey tivesse feito aquele comentário apenas para reforçar o quanto a presença de Violet naquele restaurante – e na vida de Matt – era inadequada.

Quando imaginou que as surpresas já tinham terminado, Bryant teve que lidar com mais um abalo em sua autoconfiança. Zoey Geller não só se encaixava com perfeição naquele estabelecimento, como também era praticamente a dona e idealizadora do restaurante. Aquela era uma jogada que Violet simplesmente não podia superar.

Sentindo-se totalmente deslocada naquela conversa, Violet se manteve quieta e de braços cruzados até que Zoey finalmente notou o incômodo dela e tentou trazê-la para a conversa. Mais uma vez, a morena cometeu um erro de forma inocente ao fazer aquela pergunta.

- Eu não entendi. O Matt disse que vocês estão na mesma turma? Você faz Engenharia???

A descrença de Zoey não era uma novidade na vida de Bryant, já acostumada a lidar com surpresa e espanto sempre que comentava qual era o seu curso em Stanford. Naquela noite, contudo, a loira não conseguiu engolir mais aquele desaforo e a resposta irônica e áspera saltou dos lábios dela antes que Violet pudesse controlar a própria língua.

- Sim. E antes que você insinue que eu precisei dormir com o reitor para conseguir a vaga, lembre-se que estamos falando do pai do Matt.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Dom Nov 20, 2016 4:52 pm

Os planos traçados por Dominic para aquela noite tiveram que ser adiados quando o rapaz notou o comportamento distante de Angeline. Por mais de uma vez, o russo questionou a garota sobre o que estava havendo, mas teve que se contentar com um “nada” murmurado naquela típica entonação feminina que deixava claro que havia um problema sério incomodando a menina.

O filme escolhido por Sjogren era agitado, mas o rapaz perdeu-se nas cenas de ação enquanto se concentrava na tarefa de tentar entender o que estava havendo. Não houvera nenhuma briga, nem mesmo uma discussão breve nos últimos dias. Os dois tinham se despedido naquela tarde com um beijo carinhoso e Angeline parecia leve e animada para sair à noite. Dominic simplesmente não entendia porque agora a loira parecia tão distante e silenciosa.

Durante todo o filme, os dois se mantiveram de mãos dadas. Sjogren ainda se arriscou a roubar alguns beijos na tentativa de animá-la, mas desistiu daquela tarefa quando Lockwood se manteve anormalmente pensativa. O retorno para o campus foi igualmente silencioso e Dominic já questionava as suas chances de vencer aquela aposta quando Angeline o surpreendeu com aquela proposta inesperada.

A ideia era tão absurda para os padrões da caloura que Dominic precisou de alguns segundos para acreditar que havia entendido corretamente aquelas insinuações. A mente do russo tentou buscar qualquer outro significado para aquela proposta, mas não parecia existir nenhum motivo plausível para que Angeline sugerisse uma invasão do prédio localizado do outro lado do gramado.

Os lábios de Dominic se curvaram num sorrisinho torto quando ele finalmente se deu conta de que Angeline estava falando sério. Na mente de Sjogren aquela noite já estava perdida, então era uma surpresa maravilhosa saber que a loira estava disposta a alongar o encontro com aquela pequena travessura.

- Quem é você e o que fez com a minha namorada certinha?

Os dois já estavam juntos há algumas semanas, mas ainda não haviam intitulado aquele relacionamento. Era a primeira vez que Dominic se referia a Angeline como “namorada”, e até mesmo o russo ficou impressionado em notar como aquela expressão soara tão naturalmente.

- Não perca tempo respondendo. Vamos aproveitar enquanto a Angel está dormindo aí dentro.

Ficou claro que Dominic ainda era o mesmo rapaz divertido e aventureiro de sempre quando ele não hesitou antes de mergulhar naquela loucura. Com os dedos entrelaçados aos de Angeline, ele puxou a garota e os dois cruzaram o gramado com passos rápidos e risinhos contidos até chegarem diante do prédio.

Por sorte, a portaria estava totalmente vazia. A maior parte dos prédios dispensava o porteiro no período noturno visto que Stanford era um local normalmente pacato e sem histórico de grandes confusões no interior do campus. Assim como Angeline previra, bastou que Dominic girasse a maçaneta para descobrirem que a porta que dava acesso às piscinas de treinamento também não estava trancada.

O interior do centro de treinamentos estava vazio e totalmente silencioso. As luzes apagadas mergulhavam o ambiente fechado em penumbra, mas mesmo na escuridão era possível ver o reflexo da água cristalina. Não havia a menor chance dos dois jovens acenderem todos os refletores do teto sem chamarem a atenção de alguém que porventura passasse nas imediações do prédio, por isso Dominic optou por acionar somente os interruptores laterais do corredor que dava acesso aos vestiários. A iluminação era fraca, mas aquele detalhe parecia contribuir positivamente para o clima que já crescia entre o casal.

Ainda de mãos dadas com a garota, Dominic a guiou para mais perto da piscina. As dimensões olímpicas eram intimidadoras para qualquer nadador, mas o russo sabia que não havia nenhuma disputa em jogo naquela noite. Os cordões que normalmente separavam as raias tinham sido retirados para limpeza naquele dia, então não havia nada maculando a superfície lisa e cristalina de água.

Embora a quebra de regras não fosse exatamente uma novidade na vida de Nick, o coração dele ainda se acelerava pela adrenalina daqueles instantes ousados. Antes que Angeline tivesse a chance de repensar ou desistir daquela loucura, o russo roubou um beijo dos lábios dela.

Os dois só se afastaram quando ambos estavam ofegantes. Sjogren finalmente soltou a mão da menina antes de se afastar alguns passos. Sem nenhum constrangimento, o russo retirou os tênis, as meias e começou a abrir os botões da camisa azul escolhida para aquela noite. A calça jeans escura também foi jogada de lado e Dominic não hesitou nem por um segundo antes de mergulhar de cabeça na piscina, usando apenas a cueca boxer preta.

Após o mergulho, Sjogren nadou de volta para a ponta da piscina e apoiou os braços na borda, sustentando o corpo emerso enquanto lançava um sorrisinho encorajador para a namorada.

- Espero que isto não seja uma pegadinha e que agora você não saia correndo daqui com as minhas roupas...

Dominic passou uma das mãos nos cabelos molhados, jogando os fios displicentemente para trás antes de completar num sussurro.

- Vem, moy korotyshka. Está uma delícia.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Nov 20, 2016 9:27 pm

A cabeça de Matthew girou bruscamente até que os olhos verdes arregalados estivessem pousados em Violet, em uma sincera expressão de espanto diante das palavras hostis da loira. As sobrancelhas de Zoey também foram arqueadas e ela chegou a abrir e fechar a boca algumas vezes, sem reação.

Avery já estava ao lado de Bryant tempo o bastante para saber como as pessoas reagiam ao notar que a menina de aparência de modelo também era inteligente o suficiente para cursar engenharia em uma das melhores universidades do país. Ele já conhecia Violet o suficiente para saber que não era por acaso que havia escolhido aquele curso. Bryant poderia ter o mundo nas mãos, se quisesse. Ela só não sabia disso ainda.

Era comum que as pessoas cometessem aquele grande erro de julgar Violet pela aparência. E exatamente por ter sido sempre julgado como o nerd deslocado sem vida social, Matt sabia como era terrível qualquer tipo de preconceito. O problema era que Violet sempre driblava situações como aquela de forma inteligente, de modo que o comentário ácido soou quase como uma ofensa gratuita para Zoey.

- Ninguém aqui está insinuando isso, Violet.

A voz de Matt soou em um sussurro repreendedor, mas a proximidade de Zoey não impedia que as palavras também alcançassem seus ouvidos. Com um nítido desconforto, a morena trocou o peso do seu corpo de uma perna a outra e forçou um sorriso sem graça.

- Eu não quis ofender, foi só uma pergunta. Só fiquei curiosa porque não costumo encontrar muitas meninas no prédio de engenharia.

Os olhos azuis passearam por trás da lente, observando mais uma vez a aparência de Violet. Se Zoey estava intrigada também com a beleza evidente da loira a sua frente, o comentário não foi dito em voz alta, e ainda assim o clima continuou tenso até a morena decidir se afastar.

- É melhor eu ir agora, não quero mais atrapalhar o jantar de vocês.

Matt abriu a boca imediatamente para dizer que Zoey não estava atrapalhando, mas a morena lhe lançou um olhar significativo, pedindo silenciosamente que ele não prolongasse aquele encontro constrangedor.

- Vou te ver em Stanford, então? – Matt forçou o tom casual em sua voz, como se o ar pesado ainda não estivesse dificultando sua respiração.

- Se você parou com aquele hábito horrível de andar com um livro enfiado no nariz, provavelmente vai me ver por aí.

Enquanto Avery precisava forçar para que a conversa parecesse casual, Zoey logo voltou a assumir o seu semblante simpático. Ela ergueu uma das mãos e tocou no braço de Matt em um gesto banal, o polegar o acariciando por cima da camisa.

- Almoço na terça-feira? – Zoey perguntou, já inclinando o corpo para se afastar.

- Taco em dobro no El Coyote.

A prontidão na resposta de Matt mostrava que aquele era um antigo hábito entre os dois amigos, e com um largo sorriso nos lábios, Zoey finalmente se afastou, se limitando a lançar um rápido olhar na direção de Violet.

Quando ficou novamente a sós com Violet, Matt se sentou em seu lugar no instante em que as comidas eram colocadas na mesa. Por alguns segundos, os olhos verdes encararam a variedade de peixe cru a sua frente antes de finalmente encarar a amiga.

- Eu sei o que é viver constantemente com o preconceito das pessoas, Letty. Mas posso lhe garantir que a Zoey não é como as outras pessoas. Você não precisa sempre aparecer com pedras na mão.

Zoey fazia parte do seu restrito ciclo de amizade desde antes da entrada em Stanford. Os dois haviam frequentado o mesmo curso preparatório e se esbarrado nas aulas de verão sobre computação que Matt se arriscou a fazer “só para se divertir”. Ele sabia que a morena não era uma má pessoa e não merecia aquela atitude rude de Bryant.

- Talvez vocês pudessem ser amigas também. – O sorriso de menino apareceu em seus lábios diante daquela ideia inocente.
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