Stanford University

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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Qua Nov 30, 2016 12:49 am

- Solte.

A voz do homem soou firme e decidida, mas com uma entonação gentil. O fisioterapeuta estava há uma distância de dois passos de Violet Bryant e pronto para socorrê-la, embora tivesse certeza de que a loira não precisaria do seu amparo naquela tarde. Violet, por outro lado, não compartilhava daquela mesma segurança e continuou firmemente agarrada às duas barras laterais.

Depois de meses de fisioterapia, Bryant já tinha feito progressos maravilhosos. No começo, eram somente espasmos, mas depois se transformaram em movimentos sutis. A força dos músculos foi incansavelmente trabalhada pelo fisioterapeuta até que Violet conseguiu ficar de pé. E foi exatamente neste ponto que a loira travou. Violet conseguia sustentar o peso do próprio corpo e trocava passos com a ajuda de muletas, mas ainda não se sentia segura para voltar a caminhar sozinha.

- Eu vou cair, Fred!

- Não vai não. E, se cair, eu estou bem aqui para te amparar. Suas pernas estão fortes, você só precisa ter coragem de soltar, Violet.

Apesar do semblante inseguro, Violet respirou fundo e atendeu ao comando do fisioterapeuta. A loira estava de pé exatamente entre duas barras horizontais e as segurava com firmeza enquanto executava os exercícios. As mãos dela estavam trêmulas quando se afastaram das barras, mas a queda que Bryant temia não aconteceu.

Suas pernas estremeceram em um primeiro momento, mas logo os músculos se contraíram e sustentaram por completo o peso do corpo da garota. O fisioterapeuta esperou que Violet se recuperasse daquela surpresa para se colocar diante dela e fazer um sinal, incentivando-a a dar alguns passos.

- Venha. Eu não vou deixar você cair, eu prometo. Mas você precisa tentar, Violet. Chegou a hora. Você já disse adeus para a cadeira, é a hora de se despedir também das muletas.

Aquelas eram as palavras que Bryant precisava ouvir para ter coragem de ir adiante. Mesmo com a postura bastante prejudicada depois de tantos meses sem caminhar sozinha, Violet conseguiu mover as pernas, executando passos incertos. Com os braços abertos para auxiliar no equilíbrio, a loira abriu um sorriso emocionado enquanto andava entre as duas barras.

Violet estava tão concentrada naquela tarefa e emocionada com aquela vitória que não percebeu quando a porta da clínica de fisioterapia se abriu às costas dela. Como estava de frente para a paciente, Fred acompanhou a entrada de Matthew Avery e trocou um discreto sorriso com o rapaz, ainda sem alertar Violet sobre a presença do namorado.

- Vamos, mais um. Você está indo muito bem, Violet.

A calça legging preta era bastante flexível e não dificultava os movimentos da loira. A camiseta comprida também era mais confortável do que propriamente bonita, mas nem mesmo aqueles trajes simples estragavam a imagem de Violet. Os cabelos claros estavam presos em um rabo de cavalo alto e os pés estavam protegidos por um tênis ortopédico que ajudava a absorver o impacto daqueles passos.

Embora só tivesse saído de casa para fazer uma hora de fisioterapia, Bryant não dispensara uma maquiagem leve. A concordância das cores de suas roupas também era uma prova de que a antiga vaidade havia voltado, num sinal claro de que Violet estava recuperando o seu humor abalado por aquela tragédia.

Naquela tarde, porém, o detalhe que mais contribuía para a beleza de Violet era o enorme sorriso que iluminava seus lábios quando ela chegou ao fim da plataforma e virou o corpo para refazer aquele caminho. Só quando girou sobre os calcanhares, Bryant percebeu que Fred não era a única testemunha daquele milagre.

Os olhos azuis se encheram de lágrimas de felicidade quando a imagem de Matt entrou em seu campo de visão. Nada parecia mais justo que Avery participasse daquele momento de vitória depois de tê-la apoiado por tantos meses complicados. Violet apertou os lábios para tentar conter o choro, mas nem isso evitou que o gosto salgado das lágrimas fosse o tempero daquela declaração emocionada.

- Estou andando, Matt. Eu consegui.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Nov 30, 2016 1:54 am

O relacionamento com Dominic havia ido muito mais longe do que Angeline esperava. Desde o começo, as grandes diferenças entre os dois apontavam para o fracasso certo e mesmo assim ela insistiu em aceitar aquele convite aparentemente louco para ter uma carona de moto até a livraria do centro.

No fundo, Lockwood tinha certeza de que não tinha a menor chance daquele relacionamento evoluir até o patamar em que estavam e havia aceitado o convite apenas por estar encantada demais com aquela rebeldia evidente no olhar de Sjogren. Na cabeça bem estruturada de Angie, era questão de tempo até que ela se decepcionasse com Dominic ou que ele se cansasse de seu comportamento certinh.

E ainda assim, contra todas as possibilidades, os dois estavam às vésperas de completar um ano juntos, cada vez mais apaixonados e envolvidos em uma invejável sintonia. Dominic certamente havia feito diferença em sua vida e Angie jamais se arrependeria daquela chance que ia contra todo o seu esquema para enfrentar o primeiro ano em Stanford.

Apesar do relacionamento perfeito, Angie já havia se acostumado a não ouvir a declaração em alto e bom som de Dominic. Com o tempo, ela aprendeu a ignorar a vontade que surgia com frequência em repetir as três palavras que havia gerado tanto desconforto meses atrás e principalmente a interpretar no olhar dele que ele sentia o mesmo, independente se dizia com todas as letras.

Por já estar acostumada a ler nos gestos e carinhos do namorado seus sentimentos, foi uma grande surpresa finalmente receber aquela tardia declaração. O sorriso preguiçoso de Angie foi ligeiramente se desfazendo até que seu rosto todo refletisse a surpresa daquele gesto.

- Você também?

Ela repetiu, quase sem conseguir respirar. Dominic não precisava ser mais óbvio para que ela entendesse exatamente o que estava querendo dizer. E mesmo acostumada a ler em seus gestos as suas declarações ocultas, Angeline se surpreendeu quando todo o seu corpo se aqueceu ao finalmente ouvir aquilo da boca de Dominic. Só então ela percebeu que vinha todo aquele tempo desejando secretamente que ele se abrisse daquela forma.

- Uau, Nick... – Os lábios avermelhados voltaram a se curvar em um sorrisinho torto que Angie havia aprendido com o namorado. - Alguns caras conseguem ser mais românticos que isso, sabia?

Os dedos delicados de Lockwood acariciavam o rosto de Sjogren e a forma doce com que ela o encarava mostrava que aquela era apenas uma implicância para tentar minimizar a emoção que ela estava sentindo no momento.

- Mas se quer saber, estou feliz que você tenha dito agora porque está certo disso, ao invés de ter respondido com insegurança meses atrás.

Um novo beijo foi iniciado e se aproveitando da ausência de Jeremy e Stacey, Angie mergulhou seus dedos nos cabelos de Dominic, matando a saudade dos toques que precisaram ficar restritos enquanto estavam sob o teto de Patrick. Quando seus pulmões começaram a protestar e as pálpebras foram novamente erguidas para que eles se encarassem, a loira exibia um sorriso apaixonado.

- Eu queria dispensar a Stay e passar o resto do dia só com você. Mas também preciso mimar a sua amiga... Acho que ela vai surtar quando eu disser que estou procurando um apartamento para deixar o campus, hm?

A ideia de procurar um lugar só seu havia surgido há algum tempo, mas Angie sabia que não poderia adiar eternamente. Com o progresso que estava tendo com os professores e as indicações para bons estágios, logo ela seria capaz de pagar pelo seu próprio lugar e ter uma dívida a menos com Lucille.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Qua Nov 30, 2016 10:21 pm

Alheia ao momento tão especial que o casal de namorados acabara de vivenciar, Stacey retornou para a sala com uma bacia de pipoca nas mãos e com Jeremy em seus calcanhares. A televisão foi ligada pela ruiva, que logo selecionou um seriado para que os três perdessem algumas horas preguiçosas em frente à tela.

Cada um dos jovens tinha seus motivos para estar em Stanford mesmo que os cursos estivessem suspensos pelo feriado do fim de ano. Angeline tinha que programar a sua palestra, que aconteceria logo no retorno das aulas. Stacey havia perdido valiosos pontos ao longo do semestre e acabara ficando na dependência em uma disciplina, o que a obrigara a ficar na cidade para terminar os trabalhos e estudar para a prova de recuperação que aconteceria em breve. Já Sjogren estava de férias na faculdade, mas não tivera a mesma sorte no estágio e continuava trabalhando, mesmo com a proximidade do Natal.

Os três amigos ainda estavam no segundo episódio da maratona quando o familiar toque do celular de Dominic ecoou pelo apartamento. Stacey pausou o vídeo e lançou um olhar pouco amigável para o russo, já prevendo que Nick as abandonaria. O estágio na clínica do pai de David era realmente excelente, mas os horários eram terríveis e quase sempre surgiam chamados de emergência nos piores horários possíveis.

- Alô?

Por estar muito próxima a Dominic, Angeline ouviria com perfeição a voz grave que soava do outro lado da linha.

- Dom, sou eu. Já voltou a Stanford?

Sjogren fez uma pequena pausa na qual pensou seriamente em mentir para o patrão, mas depois desistiu da ideia e confessou, lançando um olhar de desculpas para a namorada.

- Acabei de chegar, Dr. Moore.

Apesar das circunstâncias nas quais Dominic chegara a aquele estágio, o russo não demorou a conquistar o seu espaço na clínica. A convivência com Angeline tornara Sjogren mais centrado e responsável, e era inegável que o rapaz gostava do que fazia e se esforçava para se destacar no trabalho.

Logo o Sr. Moore passou a vê-lo como uma excelente mudança de planos e a admiração que o pai sentia pelo novo estagiário fez com que David cultivasse ainda mais o sentimento de vingança contra o colega.

- Ah, ótimo! Não precisa vir se estiver muito cansado, mas eu achei que você gostaria de participar, é o tipo de coisa que você curte. Acabou de surgir uma emergência, vamos levar para o bloco cirúrgico agora uma deiscência de sutura de gastroplastia.

- Chego aí em vinte minutos.

Stacey parecia uma namorada ofendida por ter sido trocada pelo trabalho quando Dominic desligou o celular e suspirou antes de se arrastar para fora do sofá. A ruiva cruzou os braços antes de resmungar.

- Sério? Hoje é domingo. Seu estágio vai de segunda a sexta.

- Emergências também ocorrem aos domingos. É uma cirurgia legal, o tipo de coisa que não vejo todo dia. O Jer pode cuidar de vocês duas.

- Que tipo de cirurgia? – Stay continuava emburrada.

- O tipo cuja descrição mataria uma garota que desmaia por causa de um dedo quebrado.

Aquele argumento foi o suficiente para fazer Stacey se calar e desistir de fazer mais perguntas. Ao contrário da amiga, Dominic sabia que podia contar com a compreensão da namorada quando inclinou-se para se despedir de Lockwood com um beijo carinhoso.

- Esteja aqui quando eu chegar, korotyshka. De preferência, sem a Stacey.

- Gente, é sério. Eu vou tirar o Jeremy de vocês dois! Vocês ainda vão traumatizar esta alma inocente com tanta safadeza!

Em menos de dois minutos, Sjogren saía de casa às pressas com o capacete em uma das mãos e uma mochila nas costas. Ficou clara que a insatisfação de Stacey era apenas mais uma forma de implicar com o melhor amigo quando ela lançou um sorriso doce à Angeline, tão logo a porta da sala foi fechada.

- Nick e eu nos tornamos amigos na primeira semana dele nos Estados Unidos. Apesar da ampla coleção de defeitos, eu sempre gostei dele, nós sempre tivemos esta sintonia, sabe? Mas eu preciso admitir que não há nenhuma versão do Nick que seja melhor que o “Nick pós Angie”. Você fez muito bem a ele, korotyza.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Dez 03, 2016 12:04 am

Para um rapaz jovem que deveria estar aproveitando cada segundo daquela fase singular na universidade, aquela sala de fisioterapia havia se tornado um dos lugares mais frequentados por Matthew Avery nos últimos meses. A vida do filho do reitor de Stanford se resumia as aulas de engenharia, as visitas à biblioteca e as rápidas passadas no próprio apartamento para trocar as roupas sujas pelas peças mais limpas. Até mesmo o videogame havia sido deixado de lado na agitada rotina que caíra sobre seus dias.

Durante quase todo o dia, Matt se desdobrava para assistir as aulas, entregar os trabalhos e manter as notas altas dignas do seu currículo. Stanford não era uma renomada universidade apenas pelo significativo histórico e logo o rapaz se descobriu enfrentando disciplinas realmente complicadas e que exigiam tempo.

Mas a real dedicação de Avery era destinada exclusivamente para a namorada. Em plena saúde ou debilitada, Violet Bryant jamais teria motivos para enumerar defeitos no relacionamento que vinha construindo ao lado de Matt, tão diferente do que ela havia vivenciado com Anthony.

Com o passar do tempo, Matt mostrou que em nenhum momento havia permanecido ao lado de Violet ou obrigação. A forma carinhosa e apaixonada a que ele se entregava em cada dia era a prova de que Bryant realmente poderia contar com sua fidelidade e respeito.

Exatamente como havia prometido, Matthew ajudou Violet a se dedicar aos estudos e recuperar o atraso. Para sua surpresa, ele se mostrou um grande professor e a inteligência de Violet contribuiu para um rápido desenvolvimento. Além de excelente tutor, a presença de Matt servia para mimar e cada vez mais erguer a autoestima de Violet.

Naquele dia, Matt havia deixado a biblioteca após perder algumas horas em um trabalho da universidade, e como de costume, pegaria Violet para lhe dar a carona de volta a casa. No costume criado pelos dois, Avery carregava consigo um suporte de papelão com duas bebidas quentes e um saco com bagels multigrãos que a loira costumava devorar depois dos exercícios.

Por ter chegado alguns minutos com antecedência, Avery não viu problema algum em entrar na sala para presenciar o final da fisioterapia da namorada. Eram pequenos mimos como aquele que Matt gostava de surpreender Violet, mas ele não fazia ideia que naquele dia, ele seria o surpreendido.

Ao contrário de Violet que vestia trajes leves para não atrapalhar seus movimentos, Matt estava vestido para mais um dia enfurnado entre os livros. Os sapatos marrons combinavam com a calça mostarda. A camisa social era de um azul escuro e estava ligeiramente amarrotada, com as barras escapando para fora da calça. Uma bolsa masculina de couro marrom estava atravessada pelo seu peito, pesando em seu ombro com o notebook e os livros do dia.

Os olhos verdes, que até então demonstravam um certo cansaço pelo esforço nos estudos, se arregalaram quando flagraram a imagem de Violet a sua frente. A beleza da namorada ainda o espantava, mesmo depois de meses juntos, mas não foi aquele detalhe que tirou o fôlego de Avery.

Seus lábios estavam entreabertos em surpresa e enquanto Violet dava os seus primeiros passos, Matt se esqueceu por completo de respirar. O ar só voltou a invadir seus pulmões quando a loira girou sobre os calcanhares e seus olhares se encontraram, mergulhados em emoção.

Em cada um dos dias que passou ao lado de Violet, Matt sempre se agarrou a esperança de que um dia ela fosse voltar a andar. Com o tempo, ele simplesmente parou de dizer aquilo para ela, com medo de que a insegurança de Violet pudesse voltar e ela duvidasse de seu amor caso aquele milagre não acontecesse.

Matt não tinha a menor dúvida de que continuaria amando Bryant, independente se um dia recuperasse o movimento das pernas ou não. No fundo, a cada dia que passava ao lado dela, Matt torcia em silêncio para que aquele dia chegasse. Mas quando enxergava o milagre bem diante dos seus olhos, parecia um sonho bom demais para ser realidade.

As bebidas e a sacola de bagels foi colocada em uma das cadeiras mais próximas da porta. A bolsa de couro também foi erguida, passando pela cabeça de Matt até ter o mesmo destino que o lanche. Inteiramente livre e com os olhos verdes sem desgrudarem de Violet, ele atravessou a sala até alcançar a plataforma em que a loira se exercitava.

- Você... você...

Repentinamente, Matthew parecia ter se esquecido por completo como formava as palavras. Mas o sorriso que iluminou o seu rosto, idêntico ao de Violet, era suficiente para que ela entendesse o quanto aquilo também significava para ele.

- Belo trabalho, garota.

O fisioterapeuta, que até então dedicava toda sua atenção para o risco da sua paciente vacilar e cair, finalmente cruzou os braços e encarou o casal com um sorrisinho no canto dos lábios.

Os olhos de Matt ainda estavam presos em Violet quando ele parou do lado de fora da plataforma, com uma das barras entre ele e a namorada. Ele segurou o rosto de Violet com as mãos e acariciou a pele macia com os dedos enquanto encostava a testa na dela.

- Eu sabia que você ia conseguir, meu amor.

Os lábios de Violet foram cobertos com um beijo intenso, mas rápido demais. Quando Matt voltou a erguer as pálpebras, ele exibia o olhar contagiado pelo largo sorriso. Com um movimento rápido demais, Matt passou por baixo da barra e entrou na plataforma junto com Violet.

Seus braços deslizaram com agilidade até que a menina fosse erguida em seu colo, da mesma forma que ele fazia quando ela ainda dependia da cadeira de rodas. Mas diferente de tantas outras vezes, a felicidade era quase palpável.

- Matthew!

O fisioterapeuta repreendeu, sendo completamente ignorado pelo casal quando Matt procurou novamente os lábios de Violet para um beijo, ainda a mantendo firme em seus braços.

- Eu vou colocar você no chão outra vez. – Matt prometeu em um sussurro, seu nariz roçando a lateral do rosto de Violet. – Apenas me prometa que não vai correr de mim agora, linda.

A entonação leve e o olhar apaixonado de Avery mostrava que aquilo não passava de uma brincadeira, apenas para reforçar o milagre de que Violet estava reassumindo o controle de suas pernas. Não tinha o menor vestígio de insegurança ou receio de que Bryant realmente pudesse desistir de ficar ao seu lado com aquela mudança em sua vida. Mais do que nunca, Matt se sentia seguro com os sentimentos dos dois.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Dez 03, 2016 1:48 am

- Ok Angie, calma, respira!

As mãos de Stacey estavam firmes nos ombros de Angeline e ela podia sentir as unhas afiadas da amiga machucando sua pele através do tecido da camisa social preta que ela vestia naquele dia. Graças ao salto alto que a ruiva suava, ela conseguia encarar a loira de cima, mas estava seriamente preocupada com a ausência de cor no rosto e lábios da colega de quarto.

- Você só está tendo um ataque de pânico, se concentre em respirar.

- Eu vou conseguir respirar melhor se você sair de cima.

Angie resmungou, massageando os próprios ombros no instante em que Stacey a soltou, recuando alguns passos. Ela sabia que a amiga estava apenas tentando ajudar, mas não parecia que nada faria melhorar as batidas aceleradas do seu coração, as pernas trêmulas e o suor frio nas mãos.

Angeline Lockwood sempre foi uma menina controlada, calma e com tudo previamente calculado. Mas nem em seus sonhos mais bizarros ela havia se planejado para enfrentar uma multidão que a aguardava do outro lado da porta.

As aulas haviam sido retomadas e os alunos voltavam das férias, tornando o campus novamente movimentado. Mas exatamente pela proximidade com as festividades do final de ano, Angie não acreditou que a sua pequena palestra acabaria em proporções tão grandes.

O auditório de Stanford era pelo menos três vezes maior que uma sala de aula padrão. As cadeiras se enfileiravam em um aclive, como em um teatro, e havia um número quase insignificante de lugares vazios. Na frente de todos, o pequeno palco servia apenas para que a imagem da pequena aluna que lideraria a palestra daquele dia pudesse ser vista por todos, e na grande parede ao fundo, o projetor ligado já exibia o logo da universidade.

Angeline ainda não havia dado o primeiro passo para enfrentar aquele pesadelo, mas uma breve olhada através da porta já havia lhe deixado em completo pânico. Como se as emoções já não fossem suficientes, o queixo dela caiu quando um rosto conhecido entrou em seu campo de visão, entrando na saleta onde a loira se preparava junto a Stacey, o namorado e o professor.

- O que você está fazendo aqui???

Sua voz soou mais esganiçada do que pretendia e Patrick quase recuou, como se estivesse fazendo algo errado. Mesmo para uma ocasião como aquela, o Sr. Lockwood mostrava suas origens simples ao não abandonar o seu usual traje. A calça jeans desbotada, as botas de lenhador e a camisa de flanela vermelha já eram características, assim como o boné virado para trás.

- Como assim, o que estou fazendo aqui? Vim ver o seu grande dia!

Patrick abriu um sorriso e olhou rapidamente em direção a Dominic enquanto se aproximava da filha, sem perceber que ela estava em pânico.

- Grande dia??? É só uma palestrinha boba!

- Não parece nada bobo. – Ainda sem perceber que o nervosismo da filha era exatamente pela quantidade de pessoas que haviam surgido para lhe assistir naquele dia, ele apontou com o polegar sobre o ombro e abriu um sorriso torto. – Você já viu a quantidade de gente que tem lá fora? Uau!

Um gemido escapou pelos lábios da loira e ela desabou sobre uma cadeira, parecendo que iria cair no choro a qualquer instante. Patrick piscou, novamente como se estivesse fazendo algo muito errado, e procurou por explicações nos rostos dos demais.

Stacey girou os olhos para a indelicadeza do homem e voltou a se aproximar da amiga, a segurando pelo queijo.

- Vamos lá, korotyza! Você tira isso de letra! É só imaginar todo mundo pelado!

- O quê??? – A ruiva arregalou os olhos, sentindo-se ainda mais desorientada.

O professor Hudgens, que até então assistia a cena em silêncio, se viu obrigado a intervir. O homem era magro e alto, relativamente jovem para o seu cargo. Seus óculos quadrados se equilibravam na ponta do nariz e a aparência de cansaço era a única coisa que realmente entregava sua idade.

- Angeline, você não deveria enxergar isso como uma coisa ruim. Seria muito pior se ninguém tivesse aparecido, não acha?

Ele deu um sorriso amarelo e apoiou sua mão em um dos ombros da menina, a encarando como se ela fosse uma criança que havia acabado de se machucar em uma brincadeira inocente.

- Eu posso ir lá fora e cancelar tudo, se você preferir. Mas eu realmente acho que você tem o potencial para enfrentar isso. Você é de longe uma das minhas alunas mais promissoras.

- Heey! – Stacey protestou, do outro lado de Angie. – Eu sou sua aluna também!

O homem ergueu o olhar, encarando a ruiva por cima das lentes grossas dos óculos. Stacey imediatamente se encolheu e voltou a encarar a amiga com uma docilidade quase forçada.

- Ele tá certo, Angel. Quem eu estou querendo enganar?

- Além do mais, isso lhe daria créditos para antecipar a sua formatura em alguns meses. Sem contar no peso disso em seu currículo. Posso lhe garantir que qualquer grande empresa ficaria impressionada.

Com os grandes braços cruzados contra o peito, Patrick encarou a filha, desta vez sorrindo com mais compreensão ao compreender o dilema que Angeline enfrentava.

- Você não está com medo de um monte de cabeça de vento, está? A minha Angie enfrentaria isso da forma mais prática e objetiva possível. Ela iria subir lá naquele palco, explicar lindamente tudo que se passa nessa cabecinha e iria tentar colocar um pouco de juízo nesses mongoloides.

Os lábios de Angie finalmente tremeram em um discreto sorriso quando ela encarou o pai. Ao perceber que estava indo pelo caminho certo, Patrick balançou a cabeça e indicou Dominic.

- É claro, isso se o mongol mór aí não estragou você.

Apesar da implicância, era notável que Dominic vinha conquistando a confiança do sogro nos últimos meses. Era quase como se aqueles xingamentos tivessem apenas se tornado parte do relacionamento dos dois.

- E então, Angeline? – O professor chamou, sorrindo com encorajamento. – Devo cancelar?

A menina engoliu em seco e demorou alguns segundos tensos antes de finalmente negar com um movimento da cabeça.

- Acho que é um pouco tarde para começar a beber agora, não é? Uma dose de vodka certamente ajudaria a coragem agora. – Com um sorriso ainda afetado, a menina se colocou de pé e alisou as próprias vestes. – Podem só me dar um minuto com o Nick antes?

- Arg, não é porque o Jer não está aqui que vocês não precisem me poupar da safadeza!

Stacey girou os olhos, sem notar como o professor havia ficado repentinamente constrangido e o Sr. Lockwood com um olhar homicida. Torcendo as mãos nervosamente, Angie preferiu ignorar o último comentário da amiga enquanto o Sr. Hudges se adiantava para ir até o auditório.

- Vamos lá, Sr. P. Eu já deixei reservado os lugares na primeira fileira.

Era quase engraçado de ver a mão minúscula de Stacey apoiada nas costas largas do Sr. Lockwood, o guiando para fora em direção ao auditório.

- Te vejo já já, Angel! Quebre a perna!
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Sab Dez 03, 2016 2:51 am

Tão logo ficou a sós com a namorada, Dominic a puxou para um abraço carinhoso e depositou um beijo protetor na testa de Angeline. As cortinas do palco escondiam aquele momento de intimidade do casal, mas Sjogren não parecia nem meramente incomodado com a ideia de que o auditório diante dos dois estava abarrotado de gente. E era exatamente aquela tranquilidade que o russo tentou transmitir à namorada.

- Você está pronta. Você se preparou, você treinou a apresentação e revisou todos os slides. Eu estarei na primeira fileira. Se começar a ficar ansiosa ou constrangida, tudo o que você tem que fazer é fixar o olhar em mim e fingir que sou o único presente naquela plateia.

Aquela era uma excelente ideia, visto que Nick realmente havia sido o único espectador da palestra nos dias anteriores. Angeline havia revisado os slides e treinado a apresentação para o namorado, recebendo de Sjogren dicas valiosas sobre como deveria agir no grande dia. É claro que o auditório cheio aumentava consideravelmente o grau de dificuldade da tarefa, mas tudo o que Angie precisava fazer era repetir a apresentação que havia feito para o russo há poucos dias.

Nick não tinha problemas para falar em público e era reconhecido por sua personalidade leve e despreocupada. Mas até mesmo o russo compreendia com perfeição a angústia de Angeline. Para uma garota discreta e tímida como Lockwood, o desafio daquele dia era gigantesco.

- Vai acabar rápido, korotyshka. E será muito importante pro seu currículo, então respire fundo e enfrente mais este desafio.

Uma das mãos de Nick subiu delicadamente pelo tronco da namorada até que seus dedos alcançassem exatamente o ponto onde a menina fizera a tatuagem. Sjogren já conhecia tão bem o corpo de Angeline que não teve dificuldade para localizar a tatuagem, mesmo tendo a camisa social preta como um obstáculo que escondia as marcas na pele dela.

- Nosso lema, lembra? Aproveite esta oportunidade, hoje o dia é todo seu.

Num gesto típico, Dominic piscou um dos olhos para Angeline antes de se inclinar para cobrir os lábios dela com um beijo. Seu polegar deslizou pelo rostinho delicado da loira enquanto ele buscava pelo brilho dos olhos azuis.

Sjogren permaneceu ao lado da namorada até que o professor retornou para junto deles e anunciou que havia chegado a hora. Um novo beijo suave marcou aquela despedida, acompanhado por um “eu te amo” sussurrado. Dominic já havia quebrado aquela barreira quando dissera o “eu também” logo após a viagem a Sacramento, mas era a primeira vez que aquelas palavras tão esperadas saíam pelos lábios do russo.

Quando se sentou na primeira fileira, ocupando a cadeira entre Stacey e o Sr. Lockwood, Nick finalmente deixou transparecer a ansiedade que sentia. Por mais que confiasse na namorada e conhecesse o potencial de Angeline, Dominic estava preocupado com a reação que Angie teria diante de um auditório lotado.

- Vai dar tudo certo. – a ruiva abriu um sorriso encorajador enquanto o professor responsável pela palestra anunciava Angeline Lockwood – A korotysa vai arrasar.

Dominic tratou de colocar um sorriso mais firme nos lábios quando Angeline surgiu no palco, sendo saudada por palmas respeitosas por todos os presentes no auditório. Na primeira fileira, a loira encontraria o pai, o namorado e a melhor amiga, todos os três incentivando a palestrante com sorrisos amplos e olhares carinhosos. Aquelas presenças tão familiares conseguiam amenizar um pouco do impacto das dezenas e dezenas de cadeiras ocupadas.

- A sua filha é linda.

Ao contrário do que poderia parecer, as palavras de Sjogren não tinham o objetivo de provocar o Sr. Lockwood. Patrick obviamente percebeu isso, mas não perderia a chance de implicar com o namorado da filha. Se antes os dois viviam em guerra, agora era evidente que aquelas provocações se tornavam gradativamente mais cômicas.

- Não abuse da sua sorte, Sjogren.

Angeline já havia explicado ao pai dezenas de vezes qual era a pronúncia certa do sobrenome de Dominic, mas Patrick continuava dizendo algo parecido com “Jogreen” apenas para não perder o hábito de provocar o rapaz. A maneira como Nick girou os olhos e conteve um riso indicava que ele também não se ofendia mais com aquelas implicâncias do sogro.

O orgulho do trio na primeira fileira só cresceu quando Angeline tomou a palavra. Era evidente que a menina estava um pouco travada e intimidada no começo da apresentação, mas não demorou muito até que Lockwood começasse a soar mais segura.

Qualquer um notaria que Angie havia se preparado muito bem e que dominava o assunto. Também era óbvio que a menina era especialmente apaixonada por aquele tema e, em questão de poucos minutos, todos os ouvintes acompanhavam com imensa atenção os slides e as dicas fornecidas por aquela aluna exemplar.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Dez 03, 2016 12:01 pm

O frio na barriga estava presente todo o tempo, mas qualquer um poderia notar facilmente como Angeline Lockwood se sentia cada vez mais confiante. Um sorriso estava firme em seus lábios e ela se sentia confortável o bastante para fazer uma piadinha ou outra. A cada tópico, a loira pausava para que sua plateia pudesse fazer perguntas e respondia a cada uma delas com extrema simpatia.

Tudo parecia estar encaminhado para o sucesso absoluto cada vez que se aproximava mais da metade dos seus slides. Vez ou outra, Angie buscava pelos rostos conhecidos na multidão e se sentia ainda melhor ao encontrar Stacey, Patrick e Dominic. Ela não precisava ter planejado nada daquilo para se sentir inteiramente completa e feliz.

- É claro que vocês precisam se esforçar para que o cronograma funcione, mas também é importante mapear qualquer coisa que possa causar atrasos. E digo isso além da preguiça.

Ela ergueu o indicador em direção da plateia como se realmente fosse um professor experiente que puxava a orelha dos seus alunos. Sem se virar para o telão onde desenhos gráficos mostravam algumas das situações que poderiam arruinar uma boa programação, Angie apertou o minúsculo controle em suas mãos passando para o Slide seguinte. Ela não precisava confirmar qual o novo tópico seria discutido, pois já tinha a apresentação na ponta da língua.

- É claro que todo trabalho duro também merece uma recompensa...

O assunto a ser discutido era mais leve e para incentivar a sua plateia de que mesmo com o grande esforço aplicado na tarefa de sua organização, eles também poderiam se planejar para momentos mais leves como um encontro com a família ou um jantar com a namorada. Os olhos de todos estavam arregalados, mas Angie estava tão concentrada em não atropelar as próprias palavras que só percebeu que alguma coisa estava errada ao ouvir a voz de Dominic ecoar pelas caixas de som do auditório.

- Korotyshka... Eu já acordei com saudades. Não vai me deixar assim, vai...?

O sorriso ainda estava nos lábios de Angeline quando ela encontrou, no lugar do seu slide, o já conhecido quarto de Dominic ampliado no telão. Uma ruguinha surgiu entre as sobrancelhas claras enquanto ela tentava entender o que estava acontecendo.

Angie já estava completamente de costas para a plateia e encarando o vídeo como se fosse alguma pegadinha ou até mesmo alguma declaração absurdamente brega de Dominic. Ela só percebeu que aquilo era muito ruim quando viu o próprio rosto amarrotado surgir, completamente alheia daquela gravação.

- Você está com uns pedidos estranhos, Nick... Vou começar a fazer exigências também. Talvez da próxima vez eu queira na piscina de novo.

A mente de Lockwood a arrastou imediatamente para a lembrança do que era exibido na tela. Ela sabia exatamente o que aconteceria em seguida e seu mundo desabou ao ver seu próprio corpo deslizar para cima de Dominic. Seu estômago se contorceu e Angie nunca se sentiu tão exposta em toda sua vida.

- Oh, meu Deus.

O microfone que ela usava para a apresentação escorregou dos seus dedos e o ruído do baque contra o chão ecoou por um segundo. Ao invés de correr e se esconder, Angeline se viu completamente congelada, incapaz de mover um músculo enquanto assistia junto com uma quantidade significativa de alunos aquele momento íntimo.

Da primeira fileira de cadeiras, Stacey havia sido a primeira a perceber que havia alguma coisa errada. No instante em que a voz familiar do amigo começou a ecoar, ela virou a cabeleira ruiva para a versão de Dominic ao seu lado.

- Mas que merda é essa???

Aos tropeços, Stacey saltou para fora do seu lugar e correu até a lateral do palco. Tateando as cegas, ela sentiu quando o professor se juntou a ela, indicando com precisão exatamente o que ela procurava. A ruiva ainda deu uma última olhada para o telão, mortificada, antes de puxar a tomada e fazer a imagem do casal desaparecer, restando apenas a tela branca e a sombra projetada de uma Angeline em estado de choque.

Algumas risadinhas ecoavam, mas era o burburinho que predominava pelo auditório quando, mais uma vez, com extrema agilidade, Stacey invadiu o palco sem se preocupar com as formalidades. Tudo que Angeline sentiu foi um par de mãos lhe segurando pelos braços e a empurrando para fora daquele pesadelo.

Ela não enxergava nada a sua volta e só percebeu que a amiga havia lhe empurrado pela saída de emergência quando a luz do sol fez seus olhos doerem.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Sab Dez 03, 2016 2:32 pm

Por mais que conhecesse a existência daquele vídeo e já tivesse assistido aquela cena uma vez, o próprio Dominic demorou a entender o que estava havendo no telão do auditório. Tantos meses tinham se passado desde a fatídica filmagem que o russo nem se lembrava mais do dia em que registrara a sua vitória na aposta com David Moore. Só quando o rosto amassado de Angeline surgiu na tela, Sjogren perdeu todas as cores.

Ao contrário de Stacey, o russo não conseguiu reagir de imediato. Enquanto as imagens se sucediam diante do auditório lotado, Dominic continuou petrificado na primeira fileira, totalmente pálido e boquiaberto, sem entender como aquele vídeo – que para Nick já havia sido deletado há séculos – fora parar justamente no meio da palestra de Angeline.

A agilidade de Stacey colocou um fim naquele pesadelo, mas todos já tinham visto o suficiente para saber como o vídeo terminaria. O auditório que antes estava mudo começou a se encher de burburinhos e risadas, mas Dominic estava chocado demais para perceber que as gargalhadas mais potentes vinham das últimas fileiras, exatamente onde Monica Clark e David Moore estavam sentados.

A grande sorte de Sjogren era que Patrick parecia quase tão petrificado quanto ele. Mesmo depois que o telão se apagou, os olhos do Sr. Lockwood permaneceram fixos no palco. Ao contrário de Dominic, ao invés de pálido, o rosto do pai de Angeline foi ruborizando cada vez mais até que estivesse num tom quase arroxeado.

Stacey já havia retirado a amiga do palco quando o professor assumiu o lugar de Angeline, com um semblante fechado. A voz grave soou parecida com um rosnado e a fúria dele foi capaz de conter as risadas que já ecoavam por todo o auditório.

- Não estamos mais no colegial e este tipo de brincadeira não será tolerada em uma instituição como Stanford. Estejam certos que eu não vou descansar até que todos os responsáveis sejam expulsos de seus respectivos cursos!

As últimas palavras do professor foram ditas com os olhos de Hudgens presos em Dominic Sjogren. Para o professor de Angeline, o russo era o maior suspeito daquela brincadeira maldosa. A primeira imagem do vídeo era de Nick ajustando o foco da câmera, o que provava que o rapaz não era somente mais uma vítima da gravação. E, além disso, ele era próximo o bastante de Angie para anexar aquele vídeo na apresentação que a loira programara para aquele dia.

Quando se levantou de seu assento e deixou o auditório com passos rápidos, Nick não se sentia nem meramente preocupado com a possibilidade de ser expulso de Stanford e de ver seus sonhos e sua carreira destruída. Toda a concentração de Sjogren estava voltada para a namorada.

Não parecia haver nenhuma explicação razoável para o que ele fizera no início do namoro e Dominic não havia ensaiado um pedido de desculpas simplesmente porque pensara que aquele vídeo era um erro do passado que jamais viria à tona. Mas, ainda assim, o rapaz correu no rastro das duas garotas e só parou, ofegante, quando alcançou Angeline e Stacey na área externa do auditório, num dos tantos gramados que rodeavam Stanford.

- Eu não acredito que você fez isso.

Não havia fúria ou revolta na declaração de Stacey, somente uma decepção intensa e sufocante. A ruiva conhecia bem os defeitos do melhor amigo e era capaz de relevar muitas falhas de Dominic. Mas o que Stacey havia acabado de presenciar era algo imperdoável. Aquilo tornava Nick uma criatura desprezível, o tipo de pessoa que Stacey jamais chamaria de “amigo”.

- Como você teve coragem de fazer aquilo, Dominic!? Era um dia tão importante pra Angie!!!

- Do que você está falando??? Não fui eu!

Embora estivesse respondendo aos questionamentos de Stacey, Sjogren voltou a sua atenção para a namorada. Os olhos azuis brilhavam com um nítido desespero quando Nick apoiou as mãos no rosto de Angeline, praticamente obrigando a loira a encará-lo.

- Angel, não fui eu! Você sabe que eu jamais faria isso! Eu te ajudei a montar a palestra, eu estava torcendo muito para que fosse um sucesso!!! Eu te amo, eu nunca iria te expor desta forma, você precisa acreditar em mim!

A expressão atormentada de Dominic combinava perfeitamente com a reação de alguém que não esperava por aquele desfecho trágico. Stacey até acreditava que Sjogren não havia sido o responsável por anexar o vídeo à palestra de Lockwood, mas isso não significava que o rapaz era inocente. Havia uma culpa que ficara muito clara e da qual Nick não conseguiria escapar.

- Quem filmou? – a voz de Stacey saiu mortalmente gelada.

- Stay, você não está ajudando!

- É claro que eu não vou te ajudar nisso, Dominic! Isso foi nojento demais!!! Eu perguntei quem foi que filmou aquela merda!

Um suspiro escapou dos lábios de Sjogren e ele desviou o olhar, incapaz de encarar a namorada enquanto fazia aquela terrível confissão.

- Eu filmei.

- A Angie sabia que estava sendo filmada? – a ruiva já sabia aquela resposta, mas precisava ouvir com todas as letras para acreditar que o melhor amigo fora capaz de executar um golpe tão baixo.

- Não.

- Então pronto. – Stacey sacudiu a cabeça em reprovação – Não interessa como aquela merda parou no telão. A culpa é sua, Dominic!

- Eu deletei o vídeo! – os olhos do rapaz novamente buscaram por Angeline com desespero – Eu apaguei tudo há meses! Você pode procurar nos meus arquivos, na memória da câmera, em qualquer lugar! Eu não tenho mais a gravação! Eu estou tão surpreso quanto você, eu não faço ideia de como aquilo foi parar nos seus slides, korotyshka!

- Você está tão surpreso quanto ela??? – Stacey finalmente ergueu a voz e acertou um soco no peito do amigo, obrigando Nick a se afastar da namorada – A ANGIE NEM SABIA QUE ESSA MERDA EXISTIA! O que você tem na cabeça, Dominic??? Você precisa se tratar, seu depravado doente! Pra que filmar aquela bosta? Você já tinha uma namorada perfeita, que necessidade era essa de assistir uma transa que você podia repetir quando quisesse!??

Nick estava tão atordoado com toda aquela confusão que demorou alguns segundos até entender o que se passava na cabeça de Stacey. As sobrancelhas do russo se franziram e ele sacudiu a cabeça em negativa antes de entoar a explicação, que soou num tom ofendido.

- O que??? Você acha que eu filmei pra ficar assistindo o vídeo depois??? Eu não assisti por inteiro nem mesmo uma vez, Stacey! Eu deletei aquela merda no dia seguinte!

- Então por que você filmou, Dominic??? – a ruiva novamente ergueu a voz, já histérica – Por que você gravou a cena se não pretendia assistir depois???

Só quando a melhor amiga o encurralou daquela maneira, Dominic se deu conta de que a verdade era ainda mais grave que a possibilidade dele ser um moleque depravado que assistia ao vídeo no banheiro todos os dias. A pausa feita pelo russo mostrava que Sjogren estava em busca das melhores palavras, mas a verdade é que nada amenizaria a gravidade do erro que ele cometera no início daquele namoro.

- Eu precisava apresentar uma prova. – a voz baixa era um sinal claro do profundo arrependimento de Nick – Uma prova que eu havia vencido a aposta. Depois que a Angie deu um fora no David na primeira festa do semestre, eu apostei com ele que conseguiria levá-la para a cama. Então eu filmei, mostrei o começo do vídeo pro David e depois deletei a gravação.

Aquela confissão não era fácil, por isso Dominic decidiu que diria toda a verdade de uma vez para que não houvesse mais nenhum tipo de segredo entre ele e Angeline. Não fazia sentido esconder o “prêmio” que ele ganhara com a aposta já que a loira sabia que fora mais ou menos naquela época que Sjogren iniciara o estágio na clínica particular do pai de David.

- Eu tinha apostado a moto. E ele apostou o estágio com o Sr. Moore. Eu não me orgulho disso e não faria de novo se pudesse voltar no tempo, korotyshka. Mas você precisa acreditar em mim. As coisas começaram errado entre nós dois, mas eu me apaixonei por você no meio do caminho, você se tornou a melhor coisa que já me aconteceu!
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Sab Dez 03, 2016 5:01 pm

Os fios loiros estavam espalhados por todo o travesseiro quando Violet Bryant rolou pela cama e acertou o despertador com um tapa não muito amigável. Era domingo e ninguém ficaria feliz por ter que acordar tão cedo, então o tradicional mau humor matutino da loira estava ainda mais intenso naquele dia.

Os cobertores foram jogados de lado e Violet esticou os braços, espreguiçando-se enquanto se sentava na beirada da cama espaçosa. Os lençóis amassados do outro lado do colchão indicavam que Violet não havia dormido sozinha naquela noite, mas seu companheiro de cama já não estava no quarto quando Violet se colocou de pé, obrigando-se a enfrentar aquela manhã, mesmo ainda tão sonolenta.

Com o avanço da fisioterapia nas últimas semanas, Bryant já conseguia caminhar sem o auxílio de muletas. É claro que as pernas ainda não demonstravam a mesma força e agilidade dos velhos tempos, mas a melhora progressiva era um sinal de que, em breve, Violet poderia voltar a correr e a subir escadas sem nenhuma preocupação.

Certa de que Matthew não havia se esquecido da importância do compromisso daquela manhã, Bryant foi direto para o banheiro. O banho foi rápido e, em menos de vinte minutos, Violet estava pronta para sair.

O terninho preto comportado formava um conjunto com uma saia justa que alcançava os joelhos da menina. As peças clássicas eram a escolha ideal para a entrevista daquela manhã e os sapatos sem saltos eram necessários para amenizar a dificuldade da caminhada até o prédio de Engenharia, mas a loira havia feito questão de escolher um modelo feminino e sofisticado para compensar a ausência dos saltos altos. Além do relógio e de um par de brincos dourados, Violet não usava mais acessórios. A maquiagem leve combinava com toda aquela aparência mais sóbria, assim como os cabelos presos em um rabo de cavalo baixo.

O evento daquela manhã havia tirado o sono de Bryant nas últimas semanas. Por mais que repetisse para si mesma que era só uma das tantas entrevistas de estágio que ela faria durante a faculdade, Violet sabia que aquela era uma oportunidade especial. A empresa que oferecia o estágio remunerado era uma das pioneiras no ramo de biomecânica. Aquela era uma área que inicialmente nunca havia despertado o interesse de Bryant, mas ela passara a enxergar as coisas de outra forma depois da experiência vivida com a própria doença.

Pesquisando mais sobre aquele ramo da Engenharia, Violet encantou-se com a mecânica envolvida na construção de próteses, com a perfeição do desempenho das máquinas que podiam substituir um membro perdido, um órgão danificado. A decisão de que era naquele rumo que a loira guiaria a própria carreira veio acompanhada pela oportunidade do estágio naquela empresa, então a expectativa para aquela entrevista não poderia ser maior.

- Matt, eu já estou pronta. Nós podemos ir de uma vez? Eu não quero correr o risco de chegar atrasad...

A moça se calou subitamente quando ergueu os olhos para a cena montada na sala. Matthew ainda estava de pijamas, jogado no sofá numa postura completamente relaxada. A tela da televisão pausada em um jogo denunciava que Avery estava mais uma vez perdendo algumas horas no videogame naquela manhã.

Era exatamente por ter grandes expectativas com o namorado que Violet sentiu-se tão decepcionada e irritada naquela manhã. Matt era sempre tão perfeito, carinhoso, atencioso e responsável que Bryant imaginou que o encontraria pronto para sair, com o café da manhã já pronto na mesa da cozinha. Avery sabia o quanto a entrevista daquela manhã era importante para Violet e havia prometido que daria uma carona à namorada, mas aquela cena obrigou a loira a mudar radicalmente os planos para aquela manhã que ela vinha esquematizando metodicamente há tantos dias.

- Eu vou chamar um táxi.

Como as pernas ainda não estavam plenamente recuperadas, Violet ainda não havia sido liberada para dirigir. A carona de Matt era essencial para que ela não se atrasasse naquela manhã, mas agora era mais rápido chamar por um táxi do que esperar que o rapaz tomasse um banho, trocasse de roupas e comesse alguma coisa. Ainda era cedo e Violet chegaria com bastante antecedência ao prédio, mas ela preferia que fosse assim ao invés de correr o risco de já iniciar a entrevista com a mancha de um atraso.

- Você não tinha a obrigação de me levar, mas não deveria ter se oferecido se não pretendia levar a oferta a sério! Se eu soubesse que você não ia me levar, teria acordado quinze minutos mais cedo para esperar o táxi! Agora eu corro o risco de já perder alguns pontos por chegar atrasada à entrevista!

A moça interrompeu aquele desabafo irritado quando a pessoa do outro lado da linha atendeu a sua chamada. Depois de passar o endereço e reforçar que precisava de um carro com urgência, Violet desligou o celular e dirigiu novamente a sua frustração para Matthew.

- Quando é que você vai crescer, Matthew? Quando começamos a namorar, eu não achei que você deixaria de ser o nerd fissurado em games e quadrinhos, mas imaginei que um relacionamento sério ajudaria a abrir a sua mente para a vida adulta. É assim que vai ser o meu futuro?

Violet indicou a imagem dele largado no sofá com um gesto teatral antes de continuar o seu discurso.

- Eu serei a adulta da casa, preocupada com as contas, com a casa, com as compras, com os impostos, com a escola das crianças... enquanto você brinca com um jogo estúpido de zumbis e não leva os compromissos a sério? É bom que me avise logo se for este o caso, porque ainda dá tempo de voltar atrás. Definitivamente não é isso que eu quero para a minha vida.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Dez 04, 2016 2:06 am

O barulho do cereal sendo esmagado pelos dentes de Matthew chegava em seus ouvidos como se o som estivesse amplificado. Mas toda a atenção do rapaz estava voltada para a televisão a sua frente enquanto os dedos corriam ágeis pelos botões do controle do videogame, desesperados para matarem o próximo zumbi.

A televisão de Violet era boa, mas ainda não era a melhor opção do mercado para os jogos que exigiam uma qualidade gráfica tão absurda. Ainda assim, Matt sabia que não podia julgar apenas o aparelho eletrônico para o seu péssimo desempenho no jogo. Quando o rosto de um zumbi tomou conta da tela, simulando uma mordida, as letras “Game Over” apareceram, com gotas de sangue escorrendo.

- Merda!

As mãos foram jogadas para o alto e o controle deslizou pelas diversas almofadas que Violet usava caprichosamente na decoração da sua sala. No fundo da sua consciência, ele poderia jurar ter ouvido a namorada falar alguma coisa, mas estava concentrado demais em recompensar a sua derrota com mais algumas colheradas do cereal mergulhado no leite para notar.

Apenas quando Violet já estava discando o número para a central de táxi, Matthew se virou no sofá para encará-la. As sobrancelhas grossas foram arqueadas em surpresa diante do humor da loira, completamente alheio ao grande deslize que havia cometido.

Para Matthew, aquele era apenas um raro dia de folga da universidade. Ele jogaria uma ou duas partidas pela manhã antes de se dedicar aos estudos para minimizar o atraso nas matérias mais complicadas. A sensação era de que ele não perdia algum tempo na frente do videogame há séculos e era graças a sua falta de prática que ele havia perdido a primeira rodada.

O motivo do mau humor de Bryant só foi compreendido por Avery quando a moça o recordou com todas as letras sobre a entrevista em que ele havia se comprometido a leva-la. Todo o seu rosto se contorceu em uma expressão de culpa e ele estava pronto para iniciar um sincero pedido de desculpas quando a namorada continuou o discurso.

- Como é que é???

Matt estava sinceramente confuso quando Violet começou com as reclamações. O relacionamento dos dois estava longe de ser um mar de rosas, mas ele jamais havia escutado a palavra “nerd” soar tão acusadoramente da boca da loira. Porém, quando ela emendou o discurso de forma tão brusca, foi impossível conter uma sombra de se espalhar pelo rosto sempre tão pacífico do rapaz.

- Você não tá falando sério, tá, Violet?

No fundo da voz de Matt, ele realmente estava esperando por uma resposta dela que o fizesse ignorar as últimas frases, mas quando Violet permaneceu séria, como se estivesse sendo a dona da razão, ele se ergueu do sofá com uma expressão emburrada.

Os dois nunca haviam tido uma briga realmente séria, mas naquele momento era impossível reconhecer a namorada. Matt se sentia pessoalmente ofendido com as acusações, não só porque ele não se via como uma pessoa irresponsável, como também achava uma imensa ingratidão de Bryant lhe tratar daquela forma.

- Caso você não tenha notado, nós não somos casados! – Ele ergueu a mão esquerda e apontou para o anelar, mostrando o dedo vazio. – E definitivamente não tenho filho nenhum. A não ser que você tenha escondido algum no armário. De onde tá vindo esse papo de imposto, escola das crianças???

Os pijamas que Matthew vestia não eram nada infantis. A calça de moletom preta e a camisa branca gasta eram comuns, mas também não eram suficientes para lhe dar todo o crédito necessário para a seriedade daquela briga. Ainda assim, os olhos verdes estavam mergulhados em uma intensidade que mostrava que ele não estava brincando.

- Eu me distraí por vinte minutos na frente da TV, e daí? Era só você ter falado direito comigo, não tinha necessidade de todo esse espetáculo. Sinto muito, Vossa Majestade, por ter esquecido do seu compromisso durante trinta minutos do meu dia! É realmente um completo desastre, principalmente considerando que todo o resto do meu dia é dedicado a você!

As mãos de Matthew balançavam enquanto ele falava, mas por fim foram jogadas até cair nas laterais do seu corpo. Avery poderia ser o exemplo da calma e tranquilidade, mas parecia completamente transformado naquela manhã.

- Você quer falar de compromisso? Então é bom que você – ele ergueu a mão direita e apontou o indicador na direção de Violet. – me avise logo se vai ser sempre assim quando as coisas não saírem conforme a sua vontade. Porque definitivamente não é isso que eu quero para a minha vida também.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Dom Dez 04, 2016 2:36 am

Desde que havia aberto espaço para Matthew em sua vida e em seu coração, Violet não tinha nenhuma queixa séria contra o namorado. É óbvio que discussões bobas já tinham acontecido naqueles últimos meses de relacionamento, mas nunca ocorrera nada que realmente ameaçasse o namoro. Até aquela manhã.

A reação de Matt fez com que os olhos de Violet se estreitassem até se transformarem em duas pequenas fendas azuladas. A decepção somou-se ao mau humor e à ansiedade daquela importante entrevista, resultando em uma explosão de emoções negativas que alimentou aquela discussão, transformando-a em uma briga de enormes proporções.

- Eu nunca pedi que você dedicasse nenhum minuto da sua vida para mim. E eu também questiono o seu grau de comprometimento com este namoro. Se você realmente prestasse atenção em mim, saberia o quanto o dia de hoje é importante na minha vida. Eu tenho falado sobre esta entrevista há dias, tenho perdido o sono por causa dela!

A bolsa abandonada sobre a mesinha da sala foi puxada para as mãos de Bryant e a loira conferiu os documentos enquanto continuava o seu desabafo. Apesar da entonação baixa, era evidente que Violet estava profundamente chateada com o comportamento de Avery naquele domingo.

- Pois agora sinta-se livre para aproveitar o resto do seu dia da forma que quiser. Eu cometi o erro de contar com você, mas isso não vai se repetir. Não preciso mais dos seus favores.

Antes que Matt tivesse a chance de colocar em jogo todo o apoio que ele havia dado a Violet nos últimos meses, a loira contra-atacou com a voz ainda mais cortante.

- Infelizmente eu não tenho o poder de te devolver todo o tempo que você perdeu comigo. Mas se você realmente faz questão de cobrar por isso, posso pedir ao meu pai que te mande um cheque. Cobranças mesquinhas são pagas com dinheiro, afinal. E isso a minha família tem de sobra.

Depois de garantir que a bolsa continha todos os documentos que ela precisaria para aquela entrevista, Bryant pendurou a alça no ombro e ergueu a cabeça para encarar novamente o rosto do namorado. Violet já havia protagonizado muitas brigas com os rapazes que passaram em sua vida antes de Matt, mas nenhuma havia sido tão dolorosa quanto a daquela manhã.

Se parasse para pensar por dois segundos, Violet não prosseguiria naquela direção e colocaria um fim naquela discussão desnecessária. Mas a mágoa não permitiu que ela se calasse e tudo o que a loira queria quando continuou o desabafo era que Avery se sentisse tão miserável quanto ela se sentia naquele domingo.

- Se não é isso que você quer para a sua vida, a solução é simples, Matt. Pegue as suas coisas e dê o fora da minha vida. Eu já estou de pé, não existe mais a obrigação moral de continuar ao meu lado por piedade. Eu termino aqui o meu “espetáculo” porque realmente tenho que ir para a entrevista que eu planejei exaustivamente nos últimos dias. Muito obrigada por ter estragado a minha manhã e acrescentado mais uma generosa dose de tensão na minha mente.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 04, 2016 2:53 am

Um pesadelo. Aquela era a forma mais simples que existia para descrever o que Angeline estava vivendo. Ela acordaria a qualquer minuto e tudo aquilo não passaria de um pesadelo terrível e desconectado. Afinal, não fazia sentido algum o que estava acontecendo.

Por que existiria um vídeo íntimo entre ela e Dominic? Como aquilo poderia ser exposto para completos estranhos? E o pesadelo só tornava pior. A mente de Angie girava, mas ela ainda era capaz de compreender as palavras de Sjogren sobre a aposta.

Pouco a pouco, a realidade começava a pesar em seus ombros. Seus pulmões começaram a protestar quando Angeline se deu conta de que não estava respirando. E se aquilo realmente fosse apenas um sonho ruim, o oxigênio seria completamente dispensável. Se o seu corpo ainda exigia que ela respirasse, era porque estava acordada e aquilo tudo era realidade.

- Uma aposta?

Angie se surpreendeu quando sua voz fraca encontrou força suficiente para sair pela garganta. Seu rosto estava contorcido em uma expressão horrorizada e ela ainda não havia se dado conta, mas suas bochechas estavam lavadas em lágrimas. O chão parecia ter desaparecido sob seus pés e Lockwood sequer sabia como estava fazendo para continuar de pé.

Os olhos azuis estavam mais claros pelas várias camadas de lágrimas que desciam em cascata, mas não conseguiam mais desviar da imagem de Dominic, como se só agora ela fosse capaz de enxergar o namorado. Era como se durante todos aqueles meses juntos, um farsante estivesse ao seu lado e a máscara estivesse finalmente livre, tornando sua face inédita aos seus olhos.

- Você apostou que me levaria para a cama em troca de um estágio?

Era doloroso repetir as palavras de Dominic, mas de alguma forma, era o que tornava ainda mais real aquela traição sem tamanho. Em sua mente conturbada, Angie começou a se lembrar dos primeiros momentos ao lado de Sjogren. O repentino convite para que eles saíssem, os passeios de moto, como ele havia travado quando ela se declarou pela primeira vez e a noite na piscina.

Todos aqueles momentos estavam gravados em sua mente como lembranças na ótica de uma menina apaixonada e que acreditava estar construindo um relacionamento de verdade ao lado do rapaz que amava. Era um choque destruir cada uma daquelas memórias para que elas fossem restituídas como uma grande farsa.

- Você foi a pior coisa que me aconteceu, Dominic.

As palavras de Angie eram firmes e enjoadas. A dor cortava seu peito e refletia em suas íris mergulhadas em decepção. Lockwood provavelmente permaneceria o restante do dia incapaz de se mexer, se não fosse o rosto conhecido que surgiu pela mesma porta que Stacey havia lhe carregado.

Patrick não havia presenciado todo o discurso de Dominic, mas não tinha a menor dúvida de que o rapaz era o único responsável por aquele desastre. Ele parecia um touro raivoso prestes a atacar, os punhos cerrados, quando seu foco mudou para o rosto choroso da filha.

- Eu vou matar você.

A ameaça do Sr. Lockwood soou surpreendentemente calma, pausada, mas o olhar homicida não deixava dúvidas de que ele corria mesmo um grande risco de assassinar Dominic naquele mesmo minuto.

Com passos pesados e os punhos cerrados, Patrick se aproximou de Dominic, e foi a figura ágil de Stacey que o impediu de continuar. A ruiva não tinha forças o bastante para segurar um homem como o Sr. Lockwood, mas imediatamente se colocou diante dele, as mãos apoiadas no grande peito em uma tentativa de criar uma barreira.

- Calma, Sr. Lockwood, por favor! Acredite em mim, eu sou a primeira da fila a querer matar este crápula, mas isso só vai criar problemas ao senhor!

- Eu não me importo. – O olhar de Patrick estava preso em Dominic. – Eu sempre soube que você era um merdinha. Mas isso? Você cavou o seu funeral, moleque!

- Pai! – Angie chamou, sentindo o nó em sua garganta queimar cada vez mais. – Pai, por favor, eu quero ir embora! Quero ir pra casa, agora!

- Eu acho que é o melhor. – Stacey concordou, evitando encarar Dominic a todo instante. – Eu prometo que não vou deixar que ele chegue perto da Angel outra vez, Sr. Lockwood.

A mente de Angie ainda estava agitada e com dificuldades para processar todos os acontecimentos, mas ela foi capaz de compreender o raciocínio da amiga e imediatamente negou com um movimento da cabeça.

- Eu não to falando do dormitório. Eu quero minha casa. Em Sacramento. O mais longe dele.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Dom Dez 04, 2016 3:40 am

- Você fez isso?

As outras pessoas presentes naquela sala não compreenderam as palavras ditas em russo, mas Dominic foi capaz de perceber a decepção do pai presente em cada sílaba pronunciada pelo Sr. Sjogren. O rapaz manteve a cabeça baixa, na mesma posição em que estava desde o começo da reunião com o reitor, o professor Hudgens e o Sr. Sjogren. A pauta da reunião não poderia ser mais tensa e eram grandes as chances de Nick sair daquela sala formalmente excluído do quadro de alunos de Stanford.

- Eu gravei o vídeo. – a resposta também foi dada em russo, numa entonação sussurrante – Mas não fui o responsável pela exposição. Eu deletei a gravação. Eu jamais faria algo assim.

Nick nunca havia sido uma criança exemplar e nunca tivera o melhor dos comportamentos na escola, mas era a primeira vez que o Sr. Sjogren era chamado por causa de um problema grave. Justamente agora que Dominic já se tornara um adulto e frequentava uma das melhores universidades do mundo, a família Sjogren vivia o drama de uma expulsão que sequer poderia ser contestada.

- O seu filho já é maior de idade e eu poderia ter resolvido esta questão sem tomar o seu tempo, Sr. Sjogren...

Como de costume, o sobrenome foi pronunciado incorretamente pelo reitor, mas o pai de Dominic vivia um drama grande demais para se preocupar com aquele detalhe, então nem se deu ao trabalho de corrigir Avery.

- Mas eu optei por chamá-lo aqui para esclarecer a situação, para que não haja nenhum mal entendido. Este tipo de comportamento não é tolerado em Stanford. O Dominic será permanentemente afastado da nossa instituição e eu realmente gostaria que o senhor não perdesse tempo acionando advogados. Esta é uma decisão definitiva.

Qualquer um na situação de Nick se exaltaria diante daquela aparente injustiça. O reitor não deveria puni-lo academicamente por uma atitude ocorrida fora dos limites da universidade. O vídeo fora feito no apartamento de Sjogren, fazia parte de sua vida íntima e não havia qualquer relação com Stanford. A culpa por ter exposto a gravação num dos auditórios do campus não pertencia a Nick, mas nem mesmo esta defesa foi apresentada pelo rapaz.

Dominic parecia ter aceitado aquela dura punição como um merecido castigo por todo o sofrimento que causara à Angeline. Os Lockwood tinham partido de volta a Sacramento há dois dias e a namorada não atendia às chamadas de Sjogren e nem visualizava as mensagens desesperadas dele, dando a Nick a certeza de que tudo havia acabado daquela maneira dramática.

Os olhos azuis do Sr. Sjogren, que só se diferenciavam dos olhos do filho graças às rugas da pele mais envelhecida, deslizaram do reitor para Dominic. Desta vez, as palavras saíram em inglês, mas com um sotaque tão carregado que tornava as palavras quase incompreensíveis.

- Eu compreendo perfeitamente, Sr. Avery, eu faria a mesma coisa se estivesse em seu lugar. É uma punição justa.

- Os outros dois também serão punidos de forma exemplar. – Hudgens acrescentou com o semblante fechado – Temos provas de que o vídeo veio do computador do Sr. David Moore e que a Srta. Monica Clark se encarregou da tarefa de exibir a gravação para o auditório. Nada disso vai amenizar a humilhação sofrida pela menina, mas é a única maneira de Stanford mostrar que não tolera este tipo de infantilidade.

- E quanto à garota? – Sjogren soou sinceramente preocupado com a situação de Angeline – O que será feito por ela?

- Ela voltou para a casa, é compreensível que não queira enfrentar o campus depois deste escândalo. – Hudgens lançou mais um olhar de desprezo para Dominic antes de acrescentar – Mas eu espero sinceramente que ela não abra mão do sonho de estudar em Stanford por causa de uma brincadeira desprezível. A vaga dela continuará reservada, vamos oferecer todo o apoio psicológico e disciplinar para que a Srta. Lockwood retorne ao campus em breve.

- É uma pena que ela não esteja aqui. Eu gostaria de pedir desculpas a ela por não ter conseguido criar bem o meu filho e transformá-lo em um homem digno.

O Sr. Sjogren sempre havia sido um pai carinhoso e compreensivo. Exatamente por isso, as críticas dele naquele dia soavam tão dolorosas. Dominic ainda não conseguia encarar o pai mesmo depois que os dois saíram do prédio da reitoria e se acomodaram no carro de Sjogren.

- Eu sempre achei que deveria respeitar a sua personalidade. – a sós com Nick, o homem voltou a falar em russo – Eu nunca quis o título de pai insuportável, nunca quis que você tivesse medo de mim. Eu realmente achava que poderia resolver tudo com conversas francas, que a sua irresponsabilidade era coisa de adolescente e que você honraria toda a expectativa que depositei em você quando veio para Stanford. Mas agora eu vejo o quanto eu estava errado.

O rapaz chegou a abrir a boca, mas o olhar severo do pai obrigou Dominic a abandonar seus argumentos e a ficar quieto enquanto ouvia o restante daquele discurso.

- Eu deveria ter sido mais severo, deveria ter te corrigido com castigos mais penosos, com palmadas que você nunca recebeu. Eu não fiz isso e agora você se tornou este esboço de homem. Eu não sei como vou contar para a sua mãe os motivos pelos quais você foi expulso de Stanford. Ela não está pronta para saber o quão nojento é o filho que saiu do ventre dela.

Afundado no banco do carona, Dominic deslizou os olhos na direção da janela unicamente por ser incapaz de encarar a decepção refletida nos olhos do pai. Também era muito difícil fazer aquela confissão, mas Nick acreditava que a verdade poderia amenizar ao menos um pouco da repulsa que o Sr. Sjogren sentia por ele naquele momento.

- Eu errei. Eu jamais faria isso de novo se pudesse voltar no tempo. Mas as coisas mudaram no meio do caminho, pai. Eu me apaixonei por ela. Começou da pior forma possível, mas depois tornou-se real.

- Eu espero sinceramente que você ame profundamente esta menina até o último segundo da sua vida. Você merece o castigo de amar uma garota que vai te odiar para sempre.

A mão do Sr. Sjogren girou a chave e deu a partida no carro. O ronco suave do motor não abafou a voz do homem enquanto ele pronunciava com firmeza a decisão já tomada por ele desde que a expulsão fora assinada por Dominic naquela tarde.

- Você vai voltar para a Rússia.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Dez 04, 2016 3:54 am

A qualquer minuto, a consciência de Matthew deveria reassumir o controle. Sua voz sensata gritaria em sua mente sobre como os dois estavam sendo ridículos e ele arrumaria um jeito de consertar os erros feitos até então. Mas quanto mais Violet falava, menor era a razão de Avery. Ele ficava cada vez mais ofendido e consequentemente mais irritado.

- Uau, Violet! Você realmente acha que o mundo gira em torno do seu umbiguinho, né? – Matt voltou a agitar as mãos e chegou a erguer a mão direita, mostrando o polegar há poucos centímetros do indicador para enfatizar suas palavras. – Eu me esqueci dessa entrevista idiota por vinte minutos! Vinte minutos que o mundo do Matt não girou ao redor do mundo da Violet, mas que sacrilégio!

O sarcasmo realmente não combinava com a personalidade doce de Avery, mas ele ficava cada vez mais cego com as ofensas da namorada. Se parasse para respirar mesmo que por trinta segundos e observasse aquela cena por outro ângulo, Matt teria freado a própria língua ali mesmo, mas ele se via incapaz de simplesmente ficar calado até que estivesse calmo o bastante para pedir desculpas.

- Nem todo o dinheiro do mundo seria capaz de pagar pelo tempo ouvindo você reclamando sobre como sente falta dos seus saltos! Aproveite e gaste a grana remodelando o seu guarda-roupa, já que a frase que você mais gosta de usar é “eu não tenho nada para vestir, mimimi”.

O falsete de Matthew tinha a intenção de fazer uma imitação grotesca da namorada, e a cena quase seria cômica se os dois não estivessem indo demais na troca de farpas. Os olhos verdes também estavam fechados em quase uma fenda furiosa quando a buzina do táxi ecoou, vindo da calçada.

Antes que Violet seguisse o caminho para a porta, Matthew ainda forçou uma leve referência em sua direção, mantendo aquele tom sarcástico que quase arruinava a aparência de bom moço.

- Sempre às ordens, Majestade.

***

O objetivo de tentar aproveitar o dia livre com os estudos foi facilmente ignorado quando Matthew entrou no próprio apartamento com uma mochila pendurada em um dos ombros. Sua expressão fechada indicava que ele ainda estava furioso pela briga com Violet, mas ao contrário das recomendações da loira, tudo que ele havia recolhido do apartamento dela havia sido o videogame que ele carregava consigo.

Quando Jamie acordou, quase meia hora depois da chegada do amigo, encontrou um Matthew furioso sentado em seu sofá, matando cada zumbi que aparecia na tela enquanto pressionava os botões do controle com uma fúria desnecessária.

- Wow, você tem noção de quanto é um controle desses, Matt? Pega leve, cara... As linhas de programação vão continuar seguindo a mesma ordem se você apertar as teclas com mais delicadeza.

Sem se dar ao trabalho de responder, Matt continuou descontando no jogo toda a frustração provocada pela briga com Violet. Por conhecer o amigo há mais de uma década, Jamie sabia que havia alguma coisa muito errada quando se arrastou para o sofá e esperou pacientemente até que as letras ensanguentadas surgissem com o “Game Over”.

- Que tá pegando? Aquele boato ridículo de que você é gay voltou? Eu te falei, cara... eu não vou me mudar só porque as pessoas acham que somos um casal.

- Violet e eu brigamos. – Matt respondeu, sem desviar os olhos da tela enquanto iniciava um novo jogo.

Os olhos de Jamie continuaram presos nos zumbis que apareciam em sequência e ele aguardou pacientemente até que o novo jogo fosse novamente perdido para que Matt voltasse a falar. Cuspindo as palavras com a raiva espumando em sua boca, ele contou a sua versão do que havia acontecido naquela manhã e Jamie só retomou a palavra quando a narração do amigo parecia finalmente ter chegado ao fim.

- Então... Vocês terminaram porque você esqueceu de dar uma carona?

O resumo de Jamie parecia ser ainda mais ridículo, mas Matthew se assustou quando aquelas palavras fizeram todo o sentido em sua mente. O controle do jogo foi finalmente deixado de lado e ele parou de encarar a TV enquanto refletia naquela versão simplória da mente do amigo.

- Nós não terminamos. Eu acho.

- Bom, cada um de vocês disse que não estava satisfeito. E teve aquele papo de “pegar as suas coisas e dar o fora da minha vida”. Isso parece com um fim de namoro pra mim.

O estômago de Matt afundou com aquela teoria. Até então ele estava cego de raiva pela briga e disposto a prolongar as ofensas se Violet estivesse ali. Mas apenas porque, mesmo com as ameaças, ele não conseguia ver um futuro sem a loira.

Bryant sempre havia sido muito acima de tudo que Avery imaginava para a própria vida, mas ele já havia se acostumado com a ideia de que os dois formavam o casal mais bizarro e incrível de Stanford. Pensar que a loira havia sido apenas uma fase em sua vida era deprimente.

Matt esperou que Jamie se levantasse, dando dois tapinhas em seu ombro. Apenas quando o som das tigelas sendo reviradas na cozinha ecoou pelo apartamento, ele puxou o celular esquecido sobre a mesinha de cabeceira.

Como foi a entrevista?

Só depois de apertar o botão de enviar, ele fez uma careta para as palavras escolhidas. Formal demais. Quase frio, como se a briga dos dois não tivesse significado nada.

Matt permaneceu afundado no sofá, com o celular diante dos seus olhos enquanto esperava os minutos passarem, sem nenhuma resposta de Violet. Ele não sabia ao certo quanto tempo havia ficado ali, sem se mexer, mas foi o suficiente para que Jamie terminasse de comer seu cereal, voltasse para o quarto e o barulho do chuveiro surgisse em seguida.

O polegar de Matt passeou pelas letras na tela do celular e ele hesitou pelo menos umas cinco vezes antes de enviar outra mensagem.

Nós terminamos?
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Dom Dez 04, 2016 3:52 pm

Um completo desastre. Aquela era a definição perfeita para a entrevista que Violet Bryant planejara nos últimos dias. Apesar do táxi chamado às pressas, a loira havia chegado pontualmente no local da entrevista. Mas foi o seu desempenho na conversa que deixou Violet profundamente chateada.

Era difícil se concentrar em qualquer outra coisa depois de uma briga tão séria com o namorado. Bryant não conseguiu atingir a sua natural desenvoltura naquela manhã, parecia insegura, desatenta e chateada durante a entrevista, esquecendo-se de várias coisas que havia planejado falar.

Os representantes da empresa se despediram de Violet com a promessa de analisar o currículo dela e entrar em contato no futuro, mas intimamente a loira tinha certeza de que a vaga não seria sua. A própria Bryant não daria aquela oportunidade se estivesse no lugar dos entrevistadores que presenciaram o seu desempenho lamentável naquele dia.

Por isso, quando a loira pegou um novo táxi e chegou ao seu apartamento no fim da manhã, seu humor continuava seriamente abalado. Violet não queria empurrar para os ombros de Matthew a responsabilidade por aquele fiasco, mas era impossível não pensar que as coisas poderiam ter sido muito melhores se Matt não tivesse estragado o dia dela com aquela briga.

As sapatilhas foram deixadas no meio do caminho enquanto Bryant caminhava até a cozinha. Nos últimos meses, os cômodos da casa tinham sido adaptados para o conforto e segurança de um cadeirante, mas agora a maior parte daqueles cuidados tornaram-se desnecessários.

Sem nenhuma dificuldade, Violet abriu uma das portas mais altas do armário e puxou uma caixa de biscoitos. Só agora o seu estômago reclamava por Bryant ter saído de casa sem o café da manhã, mas ainda assim a loira não se sentia disposta a preparar uma refeição de verdade.

O pacote de biscoitos já estava pela metade e Violet tinha esvaziado seu copo de leite quando o celular vibrou sobre o sofá. O filme que passava na televisão foi pausado, mas Bryant sequer desbloqueou a tela do celular quando viu a mensagem de Matt. O aparelho foi jogado novamente de lado e Violet tentou se concentrar no filme mais uma vez, mas a segunda mensagem que veio alguns minutos depois lhe deu a certeza de que Avery não a deixaria em paz enquanto não ganhasse uma resposta.

“Horrível.”

A única palavra sobre a entrevista mostrava que as coisas realmente não tinham saído como o planejado. Normalmente, Violet teria desabafado com o namorado sobre aquele desastre, mas aquela resposta pontual deixava claro que o humor da loira ainda não havia melhorado.

A segunda pergunta demorou ainda mais para ser respondida. O status continuava mostrando que Violet estava online, mas a garota só começou a digitar a mensagem depois de quase dois minutos inteiros sem nenhuma reação. Era um sinal claro de que Bryant não sabia ao certo o que responder com relação ao namoro dos dois.

“Ainda estou muito chateada. Eu preciso de um tempo sozinha pra pensar em tudo isso.”

Aquela resposta era a melhor saída para a atual situação. Violet gostava demais de Matt para simplesmente dispensá-lo como faria com qualquer outro namorado. Mas ela também não se sentia pronta para deixar a briga de horas atrás no passado. As palavras ríspidas de Avery ainda estavam frescas demais na memória de Bryant e era impossível se esquecer daquela versão irônica de Matt que, até então, Violet desconhecia.

Quando falou que “precisava de um tempo sozinha”, o que Violet realmente queria dizer era que precisava de algumas horas de privacidade. Ela ainda estava chateada demais e qualquer tentativa de reaproximação de Matthew culminaria em uma nova discussão que machucaria os dois ainda mais. Não era um término, nem mesmo o ensaio para o fim do relacionamento. Violet simplesmente queria que Avery ficasse afastado até que o humor dela melhorasse.

Mas o que Bryant não previu era que a inexperiência de Matt e Jamie em relacionamentos sérios pudesse causar um mal entendido devido à escolha daquela expressão.

- Tempo? – Jamie foi atualizado das novidades assim que saiu do banho e fez uma careta enquanto lia a mensagem por cima do ombro do melhor amigo – Esta história de dar um tempo não existe. Você sabe disso, não sabe? É a maneira sutil das garotas chutarem a gente sem se responsabilizarem pelo fim do namoro.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Dez 04, 2016 7:34 pm

Os olhos azuis estavam presos na janela, acompanhando as gotas de chuva que escorriam pelo vidro. O céu estava quase negro, mesmo que ainda estivessem no meio da tarde e a chuva não havia dado uma trégua pelas últimas vinte e quatro horas.

Na praça em frente a casa dos Lockwood, as pessoas corriam apressadas, tentando se proteger da tempestade. E vez ou outra um clarão cortava os céus apenas para que o trovão fosse escutado alguns segundos depois.

Angeline estava sentada no meio da sua cama, observando as poças de água que eram provocadas quando algum carro passava. As pernas dobradas estavam unidas ao corpo e o queixo apoiado sobre os joelhos. O tempo lá fora parecia ter mudado apenas para se adequar ao seu humor.

A porta do quarto estava aberta, mas ainda assim a pessoa que se aproximou teve o cuidado de anunciar sua chegada com duas batidas contra a madeira, obrigando os olhos tristes de Angeline a desgrudarem da janela para encontrar o rosto conhecido de Thomas.

- Aproveitei o intervalo na lanchonete e trouxe o seu lanche.

Tom se aproximou, deslizando o prato com um sanduíche e um copo de suco para a mesinha de cabeceira de Angie. Depois, com as mãos livres, ele se sentou na beirada da cama, fazendo o colchão afundar.

Era nítido no olhar do rapaz o quanto ele estava preocupado com Angeline. Desde que retornara de Stanford, ela não deixou o quarto, quase não comia e estava completamente apática.

Ter um ombro amigo deveria ser a melhor coisa quando alguém estava se afundando, mas olhar para Tom e ver tudo que ela havia aberto mão para estar com Dominic era mais um castigo. Era como se o destino ainda estivesse zombando da sua péssima escolha.

- Obrigada, Tom. Mas estou sem fome.

A cabeça de Angie girou novamente para a janela, mantendo as pernas abraçadas junto ao seu peito. Ela ainda podia sentir o peso do olhar do amigo, mas Thomas só retomou a palavra após uma pausa consideravelmente longa.

- Eu não posso imaginar pelo que você está passando, Angie... mas eu...

- Não acha que foi bem-feito pra mim?

A interrupção de Angie foi tão repentina que Thomas voltou a se calar, as sobrancelhas arqueadas em uma sincera surpresa. Além da apatia que havia caído sobre Angeline nos últimos dias, ele nunca havia escutado um tom tão ríspido na voz da ex-namorada.

- Como é que é?

Angie voltou a encarar Thomas, e mesmo em meio a aparência frágil, era possível identificar a mágoa no olhar dela.

- Bom, eu terminei com o Sr. Perfeito só pra ir pra cama com um qualquer. Como uma qualquer. Não acha que foi merecido? Quem age como uma vadia certamente merece ser tratada como uma.

As sobrancelhas de Thomas ainda estavam arqueadas e ele abria e fechava a boca tantas vezes que quase parecia um peixe fora d´água. Era assustador ver a expressão sempre doce e decidida de Angie transformada naquela pessoa ferida e amargurada.

- É isso que você acha, Angie? Que você mereceu o que aquele cara fez?

Como resposta, Lockwood simplesmente meneou a cabeça e voltou a encarar a chuva forte que se chocava contra a janela fechada. Não precisava que o nome de Dominic fosse citado para que ela se sentisse ainda mais destruída. O pior, o que mais a incomodava, que tirava o seu apetite e fazia seu estômago se contorcer, não era a humilhação vivida. Não era a exposição de um vídeo íntimo ou os comentários que provavelmente corriam pelo campus. O que Angie não conseguia digerir era o sentimento de traição e da mentira que havia vivido por quase um ano ao lado de Dominic.

- Você não tem culpa por existirem pessoas ruins no mundo, Angel.

- Mas eu tenho culpa por ter sido idiota o bastante para acreditar. – O resmungo soou tão baixinho que era quase como se Angie estivesse falando consigo mesma. Quando os olhos azuis pousaram em Thomas mais uma vez, um sorriso amargurado brotou em seus lábios. – Por quase um ano, Tom. Quase um ano eu me deitei com aquele...

Ela se calou, em partes porque ainda não havia encontrado nenhuma palavra que se encaixasse para definir a nova versão de Dominic em sua mente. Mas principalmente porque simplesmente se referir a Sjogren era doloroso demais.

- Como eu não fui capaz de ver que era tudo uma mentira?

Uma ruga surgiu entre as grossas sobrancelhas de Thomas, e Angie sabia que era pena no olhar dele. Sem ter nenhuma resposta que pudesse dar para reconfortar a ex-namorada, o rapaz simplesmente se aproximou mais até puxá-la em um abraço.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Dez 04, 2016 9:37 pm

A bola alaranjada rodopiou pelo menos três vezes pelo aro antes de finalmente deslizar para fora da cesta, fazendo com que Matthew não marcasse nenhum ponto com aquele arremesso. As luzes azuladas que circulavam o fliperama que simulava um arremesso livre de basquete começaram a piscar, como se estivessem debochando da péssima jogada do rapaz.

- Pff... Esses jogos são projetados para você perder. A cesta nem fica parada!

O dedo indicador estava em riste para o fliperama a sua frente e ele parecia um velho professor chamando a atenção de um aluno irresponsável. Os olhos verdes estavam ligeiramente fora de foco e a forma com que Matt balançava seu corpo denunciava que ele havia ingerido álcool naquela noite.

O restaurante japonês mesclado com o tema geek estava lotado, como de costume, mas não havia ninguém perto o bastante para presenciar a sua derrota vergonhosa no jogo de basquete. E aquele era um ambiente que pessoas como Anthony certamente não frequentariam, o que lhe poupava de algumas humilhações extras para a ausência do talento com esportes, mesmo quando se tratavam de jogos eletrônicos.

- Uau, Michael Jordan que se cuide. Um arremesso como esse e você vai ser o rei da NBA.

A cabeça de Matt girou para encontrar a figura de Zoey Geller ao seu lado, mas ele imediatamente se arrependeu do movimento brusco quando o restaurante movimentado girou junto com as luzes dos jogos. Avery precisou apenas de alguns segundos para voltar a focar sua atenção na menina ao seu lado.

Zoey não havia mudado absolutamente nada desde o último encontro dos dois. A franja preta estava perfeitamente cortada, terminando onde começava o aro dos óculos quadrados. Os fios desciam em ondas largas em seus ombros e, como no primeiro encontro dos dois no restaurante, ela exibia uma camiseta com a estampa de um super-herói. A logo do Batman estava realçada exatamente na altura do busto dela, mas quando os olhos de Matt se demoraram naquela área, ele realmente estava admirando apenas o desenho.

- Michael Jordan não se aposentou?

A expressão confusa no rosto de Matt era sincera e ele realmente esperava que a amiga lhe respondesse, mas Zoey foi capaz apenas de dar de ombros com um sorrisinho indiferente.

- Sei lá. Me pergunte todos os títulos da Daenerys Targaryen e eu tenho na ponta da língua. Mas não sei nada de esportes. – Zoey enfiou uma das mãos no bolso traseiro da calça jeans e completou com um sorrisinho orgulhoso. – E caso você esteja se perguntando, é Daenerys Targaryen, Filha da Tormenta, a Não Queimada, Mãe de Dragões, Rainha de Mereen, Rainha dos Ândalos e dos Primeiros Homens, Senhora dos Sete Reinos, Khaleesi dos Dothraki, a Primeira de Seu Nome.

- Com um nome desses, não me espanta que seja a primeira.

Matt franziu o nariz em uma careta emburrada e voltou a empurrar uma ficha no fliperama. Instantes depois, uma nova bola de basquete deslizou até seus dedos e o placar foi zerado. Com os mesmos movimentos bobos de antes, ele tentou um novo arremesso, mas a bola quase ultrapassou o fliperama, passando quase um metro de distância da cesta.

- Aposto que foi você que projetou isso, só pra arrancar dinheiro dos fracassados. – Ele voltou a encarar Zoey, apontando com o polegar para as letras azuladas indicando que ele havia errado.

Os olhos azuis estudaram o rapaz por alguns segundos até Geller poder sentir o cheiro de álcool que emanava do amigo.

- Você andou bebendo, Matt?

- Não. Já nasci ruim assim.

Ele deu as costas para o fliperama e se recostou contra os botões, cruzando os braços contra o peito. O olhar desfocado, porém, indicava que ele havia ingerido ao menos uma pequena quantidade de bebida.

- O que houve? Quer conversar?

- Não.

Um garoto gordinho se aproximou, carregando consigo uma ficha nas mãos. As bochechas brancas eram grandes demais e havia uma pequena mancha de chocolate no canto dos seus lábios. Mesmo com a camisa cinza extremamente larga, era possível ver como sua barriga já apresentava diversas dobras.

Ele parou diante do casal, esperançoso que os dois adultos pudessem se deslocar e liberar o fliperama, mas Matt o encarou com uma careta emburrada, fazendo-o recuar timidamente.

- Tá ocupado, não tá vendo? – E antes que o menino estivesse longe o bastante, Matt ainda gritou. – E FAÇA ALGUM ESPORTE. Por Deus, você viu o tamanho daquela barriga?

Zoey apoiou uma mão no fliperama e a outra na cintura, se posicionando ao lado de Matt. Ela permaneceu em silêncio, mas o olhar intenso que lançou ao amigo fez com que ele erguesse as mãos no ar, em rendição.

- Tá legal! Talvez eu tenha roubado um pouco do saquê lá da cozinha. Mas se quer saber, aquilo é horrível! Parece água de arroz!

- Matthew Avery bebendo saquê? – Zoey ergueu uma sobrancelha, parecendo incrédula. – Qual é, eu ainda lembro da vez em que você ficou bêbado com cerveja sem álcool.

- Duuh! – Matt deu um soquinho na própria testa ao encarar a amiga como se ela tivesse acabado de fazer a contestação mais idiota do século. – Isso explicaria o meu péssimo arremesso.

- O que houve, Matt?

Uma nova careta se espalhou pelo rosto de Matthew e ele evitou encarar Zoey. Ele não queria explicar o que havia acontecido. Já era ruim o bastante se sentir como um perdedor, não precisava fazer com que Geller o enxergasse daquela forma também.

Afinal, como ele explicaria o que havia acontecido? Que havia sido um completo babaca e por meia dúzia de palavras que ele sequer acreditava, havia perdido todas as suas chances com Violet?

Conscientemente, Matt sabia que Bryant também tinha sua parcela de culpa na briga daquela manhã. Mas ele voltaria atrás e faria tudo completamente diferente se fosse para evitar o fim daquele namoro. Chegava a ser ridículo que, depois de tudo que os dois haviam passado juntos, o namoro chegasse ao fim por causa da briga por uma carona.

O que só levava Matt a acreditar que o namoro não havia terminado apenas por causa da briga. Aquela discussão inesperada havia sido apenas um sintoma de como aquele relacionamento não teria futuro. Os dois eram completamente diferentes, era mesmo questão de tempo até que Violet se cansasse dele.

No final de tudo, a loira estava certa. Ele não passava de uma criança irresponsável. Nem mesmo enfrentar um término de namoro como adulto ele sabia fazer. Que outro cara iria afundar as mágoas em um fliperama? Violet merecia alguém muito melhor.

Ao perceber que não teria nenhuma resposta de Avery, Zoey cruzou os braços e o encarou com seriedade.

- Você não está dirigindo, está?

Ao invés de verbalizar a óbvia resposta, Matt apenas enfiou a mão no bolso e ergueu as chaves do Nissan vermelho estacionado do lado de fora do restaurante. Zoey soltou um suspiro e o repreendeu com um movimento da cabeça. É claro que ela iria recrimina-lo por ser irresponsável. Ela também estava certa. Zoey e Violet, certas sobre o bobão do Matthew.

- Vamos, eu vou te levar pra minha casa.

Matt sentiu os dedos delicados da menina o segurando pelo cotovelo e o guiando pelo restaurante. No instante em que os dois se afastaram, o menino gordinho viu a oportunidade de poder enfiar sua ficha no fliperama do basquete. Avery ainda o encarou por cima do ombro e fez um sinal com os dois dedos apontando para seus olhos e depois deslizando-os em direção ao gordinho.

- Tem saquê na sua casa? – Ele perguntou quando foi empurrado para o banco do carona no próprio carro.

Com um gosto amargo na boca, ele percebeu como banco estava posicionado para trás, deixando todo o espaço necessário para as longas pernas de Violet se acomodarem. Ele quase podia sentir o perfume dela grudado no estofado.

- Achei que você tivesse dito que tinha gosto de água de arroz.

Matt não queria continuar bebendo. Ele já se sentia enjoado e com o anúncio de uma enxaqueca na lateral da testa. A sensação de não ter total controle do próprio corpo era mais desagradável do que ele havia imaginado. Mas o perfume de Violet parecia cada vez mais forte, tornando a ideia de beber bastante agradável.

- Acho que eu gosto de água de arroz.

O apartamento de Zoey era grande, mas a pouca quantidade de móveis tornava o lugar ainda mais amplo. As paredes eram de cimento queimado e um grande sofá amarelo estava ao centro da sala. A televisão era ainda maior do que Avery tinha e a grande coleção de DVDs, livros e videogames eram exibidas em todas as prateleiras.

O efeito do saquê parecia estar piorando com o tempo e quando Matt se jogou no grande sofá, foi simplesmente porque as pernas haviam falhado. Caído como um boneco de pano, ele simplesmente girou a cabeça para admirar a decoração de Zoey.

- Um abajur do Vader? Irado!

Matt se esticou para tocar, mas os dedos estavam formigando e eles simplesmente roçaram na luminária negra que estava na mesa auxiliar. Ele chegou a ver quando o abajur bamboleou sobre a tampa da mesa, mas seus reflexos prejudicados não permitiram que ele se movesse rápido o bastante para impedir a queda. Foi a mão de Zoey que surgiu no vão e evitou uma catástrofe.

- Parece que o seu talento vai além das quadras de basquete, hein?

A morena não parecia nem meramente chateada quando se acomodou ao lado de Matthew no sofá e o ajudou a retirar os sapatos. Os olhos verdes passearam mais uma vez pelas prateleiras, mas não era mais para admirar as coleções de Geller.

É claro que ele era um fracasso no basquete. Ele era um fracasso em todos os esportes. Ele era apenas Matthew Avery, o nerd invisível que não ficava com garotas como Violet. Bryant merecia um atleta, e não um cara acomodado que comia cereal e matava zumbis no café da manhã.

Durante o relacionamento com Violet, aquela insegurança parecia já ter sido superada. Matt era feliz ao lado da namorada e sabia que também era amado. Mas naquela noite, com a mensagem de Violet martelando em sua mente junto com o saquê, ele voltou a ser o mesmo menininho atrapalhado do primeiro dia de aula.

Ele não combinava com Violet. Ele combinava com alguém como...

Os olhos verdes deslizaram até pousar em Zoey, que finalmente havia ganhado a batalha para retirar seus tênis. A franja havia ficado um pouco atrapalhada e os óculos estavam tortos em seu nariz, mas ainda assim era possível notar como ela era bonita. Completamente fora dos padrões “Violet Bryant”, mas perfeitamente alcançável para um nerd deslocado.

Seu coração ainda doía por Violet, mas quando Matt se inclinou na direção de Zoey, ele apenas dizia a si mesmo que estava fazendo o que era certo. O universo estaria em ordem outra vez, porque ele estaria com alguém que pertencia ao seu mundo.

Os lábios de Geller eram mais finos e o gosto do álcool ainda estava presente na boca de Matthew, mas seus movimentos pareceram repentinamente mais firmes quando ele afundou uma das mãos nos cabelos escuros e tornou o beijo mais intenso.

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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Dom Dez 04, 2016 9:56 pm

O relógio digital pendurado no meio da parede branca marcava 1:57 da manhã quando Dominic Sjogren empurrou a porta do quarto de descanso médico e desabou em uma das cadeiras. As camas vazias mostravam que ele não era o único que estava tendo um plantão agitado naquela noite de sábado. Os finais de semana definitivamente não eram tranquilos para médicos que, como Dominic, atendiam as emergências cirúrgicas de um dos maiores hospitais da região.

Uma careta dolorida contorceu o rosto bonito do rapaz enquanto ele retirava os crocs azuis, que combinavam com a cor da roupa usada no bloco cirúrgico. As mãos massagearam os dedos dos pés dormentes por terem sustentado o peso dele durante uma cirurgia de seis horas de duração.

A bandeja vazia sobre a mesinha do quarto indicava que o jantar já havia sido servido e recolhido pelo pessoal da cozinha. Mas o estômago vazio de Sjogren protestava tanto que ele não teve outra escolha senão improvisar uma refeição. Uma latinha de Coca-Cola foi retirada do frigobar, assim como uma fatia de pizza fria que Nick preferia nem imaginar há quantos dias estava na geladeira.

- E aí? – a porta do quarto se abriu quando Dominic estava na segunda mordida da pizza – E a cirurgia?

Assim como ele, o jovem médico que acabara de entrar no quarto começara a trabalhar no Hospital Geral de Los Angeles há poucos meses. Como os dois passavam a maior parte do tempo juntos no hospital, foi natural o nascimento daquela amizade.

- Tudo certo, encaminhamos para o pós operatório no CTI apenas por precaução, imagino que será transferido para o quarto amanhã. Mas demorou mais do que eu imaginava, fiquei sem o jantar.

- Você perdeu um cardápio maravilhoso. – o tom de deboche indicava que a comida continuava péssima como de costume – Ainda vou provar que os dentistas da região tem um acordo com os fornecedores de carne. Eu precisaria de um bisturi afiado para cortar aquele bife.

- A pizza está macia... – Dominic entrou no clima da brincadeira enquanto observava a sua fatia ressecada – Eu tive a impressão que algo estava se mexendo no recheio, mas seja o que for já deve ter morrido.

William Spencer soltou uma risada divertida enquanto se jogava na cadeira ao lado da de Dominic. A televisão do quarto foi ligada no noticiário da madrugada e os dois rapazes dividiam a atenção entre a tela iluminada e uma conversa amena.

Sjogren era profundamente grato pela amizade de Spencer, já que o colega se tornara praticamente a única pessoa que ele conhecia nos Estados Unidos. Há seis anos, Nick havia saído de Stanford direto para Moscou e perdera por completo o contato com os antigos colegas americanos. Por alguns meses, Sjogren tentou se comunicar com Stacey e salvar pelo menos a amizade dela, mas acabou desistindo depois de inúmeras tentativas fracassadas de obter o perdão da ruiva.

Contrariando todas as expectativas, Dominic havia mudado de vida naquele retorno à Rússia. Depois de uma grande batalha e apesar de não ter levado nem mesmo uma carta de recomendação de Stanford, o rapaz conseguiu uma vaga em uma faculdade russa e pôde levar adiante o sonho de ser médico. Aquela segunda chance foi agarrada com unhas e dentes e Sjogren concluiu os estudos sem mais nenhuma mancha em seu currículo.

A ideia inicial do rapaz era permanecer em Moscou e construir a sua vida bem longe das lembranças dos Estados Unidos, mas um problema de saúde do Sr. Sjogren deslocou Dominic de volta à Califórnia. O pai já estava em acompanhamento médico para um câncer hepático e tudo evoluía muito bem, mas Nick fizera questão de acompanhar de perto todas as etapas do longo tratamento.

Sem uma previsão certa para retornar a Moscou, o rapaz não teve outra saída senão se candidatar para um emprego em Los Angeles. E foi assim que Dominic passou a fazer parte da equipe cirúrgica do principal hospital da cidade. Embora Nick continuasse repetindo que retornaria à Rússia no futuro, a cada dia ele estava mais inserido no novo trabalho e impressionava os chefes com a disposição e o comprometimento demonstrado em todos os casos.

A pizza ainda estava pela metade quando o celular vibrou no bolso de Sjogren. A mensagem vinha de um dos colegas de plantão e reforçava a ideia de que naquela noite eles não teriam nem dez minutos de sossego.

“Acabaram de entrar em contato com a central. PAF abdominal vindo do interior em transporte aéreo. Yupi, era tudo o que nós queríamos. Só que não.”

- Por favor, me diz que é só uma gatinha te chamando pra sair! – William brincou, já imaginando o conteúdo da mensagem àquela hora da madrugada.

- A gatinha se chama Peter. E ele está me chamando pra me divertir mais um pouquinho com um PAF abdominal que está a caminho. Mais algumas horas no bloco cirúrgico. É tudo o que eu queria para um sábado à noite.

Como o colega havia comentado que o paciente estava vindo do interior, Dominic imaginou que teria mais alguns minutos para terminar de comer. Por isso, foi uma surpresa escutar a familiar voz feminina no alto falante, convocando a equipe de cirurgia para comparecer ao heliporto.

Dominic ainda terminava de mastigar o seu último pedaço de pizza quando ele e William chegaram à cobertura do hospital, onde ficava localizada a área de pouso dos helicópteros. O vento que já estava gelado se tornou insuportável quando o helicóptero começou a descer e era praticamente impossível ouvir qualquer outra coisa que não fosse o ruído das hélices girando.

Uma equipe de enfermeiros passou correndo pelos dois médicos, empurrando uma maca na qual transportariam o paciente para dentro do hospital. Peter chegou logo depois dos colegas, mastigando uma maçã e com a ficha do paciente em mãos.

- Homem, quarenta e sete anos. Parece que a casa foi invadida por assaltantes esta madrugada, ele reagiu e atiraram no coitado. O hospital de origem relatou dois orifícios de entrada, um no abdome e outro nas costas. Teve uma hemorragia importante, mas estava estável quando foi transferido pra gente.

Embora a situação fosse potencialmente grave, a ficha do paciente não continha nenhuma informação tão preocupante naquele primeiro. Era um homem relativamente jovem, sem nenhum relato de uma doença séria. Se ele estivesse mesmo estável, poderia ser submetido a uma tomografia antes de ser levado para o bloco cirúrgico para correção das lesões feitas pelas balas.

Como os três rapazes esperavam por um paciente estável, nenhum deles entendeu quando o médico do transporte aéreo saltou para fora do helicóptero completamente desesperado. O homem gesticulava loucamente, mas a sua voz era abafada pelo motor e Dominic só entendeu o que ele gritava quando estava há poucos passos do helicóptero.

- O cara entrou em insuficiência respiratória no meio do caminho, não consegui intubar, a via aérea é difícil! Ele vai parar por hipóxia!!!

Como Peter havia pegado o caso, teoricamente ele era o responsável pelo paciente. Portanto, foi o mais velho dos três rapazes que assumiu a ponta da situação e se enfiou dentro do helicóptero. Assim como o outro médico dissera, o paciente estava em franca insuficiência respiratória, com o rosto já arroxeado e emitindo grunhidos. Suas mãos estavam geladas e as faixas que tapavam a barriga empapadas de sangue.

A situação de emergência não permitiu que Peter perdesse tempo cumprimentando ou conversando com a acompanhante do paciente. O cirurgião puxou para si a caixa de emergência e tentou intubar o paciente, mas realmente aquele não era um procedimento fácil para ser feito dentro do espaço reduzido do helicóptero.

- WILL, CHAMA A ANESTESIO! AGORA! NÃO VOU CONSEGUIR! PRECISO DA BANDEJA PRA UMA CRICO DE EMERGÊNCIA!

William se afastou da cena numa corrida enlouquecida, acompanhado por uma enfermeira que se encarregou de buscar a bandeja cirúrgica solicitada por Peter. Uma máscara de oxigênio foi acoplada junto ao rosto do paciente, mas aquilo não ajudaria em nada visto que o homem não conseguia mais puxar o ar para dentro dos pulmões.

- O que está fazendo???

Peter soou meio histérico enquanto Dominic se espremia para entrar no espaço apertado helicóptero. Mesmo com uma touca tapando os cabelos castanhos e uma máscara cobrindo a boca, era possível notar que Sjogren não havia mudado quase nada nos últimos anos. Seus traços estavam mais maduros, mas ele ainda era o mesmo rapaz charmoso que atraía a atenção das garotas em Stanford.

- Estou intubando o seu paciente antes que o coração dele pare de bater.

- Eu já tentei fazer isso! A via aérea é difícil! Vou fazer uma crico, não tem outra solução!

- Relaxa, Peter. Eu vou intubar o cara.

A máscara escondia o sorrisinho do russo, mas a forma como seus olhos se estreitavam denunciava que Nick conservava o mesmo sorriso divertido do passado. Sjogren puxou para si o material de intubação enquanto Peter sacudia a cabeça em franca descrença. Contudo, o queixo do outro rapaz despencou quando o tubo deslizou facilmente e o pulmão do paciente se encheu de ar no instante em que Nick apertou a bolsa de oxigênio. Aquele era um procedimento que Dominic fizera tantas e tantas vezes na Rússia que simplesmente não via mais nenhum tipo de dificuldade no processo agora.

Tudo aconteceu muito rápido a partir daquele momento. A maca foi empurrada para fora do helicóptero, uma sirene começou a ecoar e o paciente foi empurrado às pressas, direto para o bloco cirúrgico. Como Dominic praticamente assumira o caso, Peter deixou que o russo seguisse com o paciente enquanto ele preenchia a papelada.

Só depois de entregar as folhas da transferência para a equipe do helicóptero, Peter voltou a sua atenção para a moça também trazida para Los Angeles naquela madrugada. A julgar pelo desespero refletido no olhar dela, a loira era uma parente próxima do paciente que acabara de chegar. O médico checou rapidamente o nome na ficha do hospital antes de se dirigir à jovem.

- Você deve ser filha do Sr. Lockwood, não é? – Peter esperou que Angeline confirmasse a hipótese – Ele foi levado direto para a cirurgia, perdeu muito sangue, precisamos localizar as lesões e estancar a hemorragia. Meu nome é Peter, faço parte da equipe de cirurgia. Eu e o Dr. Sjogren vamos fazer o possível para salvá-lo, mas é preciso que você saiba que a situação é delicada. Você pode ficar na sala de espera, iremos te procurar assim que a cirurgia acabar.

A situação de emergência não deixou que Dominic notasse a presença de Angeline Lockwood dentro do helicóptero. O olhar dele estava totalmente focado no paciente e a sua concentração em salvar aquela vida não permitiu sequer que o russo reconhecesse os traços familiares do ex-sogro.

A cirurgia já completava duas horas e o paciente estava evoluindo bem quando Nick finalmente o olhou com mais atenção. Algumas rugas tinham surgido nos últimos anos, assim como alguns fios brancos salpicando os cabelos escuros. Mas Patrick não havia mudado demais e a memória de Sjogren logo resgatou a lembrança do rosto do homem que nunca aprovara o namoro dele com Angeline.

- Como é mesmo o nome dele, Pete? – a voz de Nick soou abafada pela máscara cirúrgica.

- Patrick Lockwood.

- Que maravilha. – Nick soltou um suspiro pesado antes de resmungar – Eu o conheço, acho melhor que a filha dele nem saiba que eu trabalho aqui, muito menos que fui eu que assumi o caso.

- Bom, eu espero que você não esteja se referindo à loirinha baixinha que estava dentro do helicóptero. Porque se for ela, amigo, já era. Ela já te viu, eu já mencionei o seu nome, a cagada foi feita. – Peter interrompeu os movimentos da cirurgia para encarar o colega por cima dos óculos de plástico – Qual é a treta?

- Ex-namorada. – Nick obviamente não entraria em detalhe sobre aquele assunto. Mesmo depois de tanto tempo, aquela não era uma ferida cicatrizada – Não terminamos muito bem. Se eu soubesse que era o pai dela, nem teria entrado no caso.

- Se você não tivesse entrado no caso, muito provavelmente teríamos atendido uma parada cardíaca dentro de um helicóptero. – Peter estava mais sério quando finalizou – Não interessa o que aconteceu. Você foi extremamente profissional e salvou a vida do pai dela, é isso que importa.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Seg Dez 05, 2016 12:15 am

Ao contrário de Matthew, Violet encarava aquela situação como uma simples crise que qualquer casal de namorados eventualmente enfrentaria em algum ponto do relacionamento. Havia sido a briga mais séria dos dois até então, mas Bryant não pensava em terminar o namoro com um rapaz tão especial como Matt por causa do primeiro desentendimento mais grave. Os dois eram muito diferentes, mas a loira estava certa de que podiam chegar a um equilíbrio e deixar aquela briga para trás com um diálogo franco de reconciliação.

Foi com este pensamento que Violet saiu de casa na manhã seguinte. Apesar do tempo nublado naquela segunda-feira, o humor da moça estava consideravelmente melhor. É claro que Bryant ainda estava chateada pelo seu desempenho na entrevista, mas a garota estava disposta a deixar aquele problema no passado e não jogar a culpa nos ombros do namorado.

Com a expectativa de falar com Avery e resolver aquele mal entendido antes mesmo da primeira aula do dia, Violet chegou ao campus com alguns minutos de antecedência. Por isso, foi muito frustrante quando o professor iniciou a aula daquela manhã e a cadeira geralmente ocupada por Matthew Avery permaneceu vazia.

Matt definitivamente não era o tipo de aluno que matava aulas sem um bom motivo, e esta certeza deixou Violet preocupada. Seria muito mais fácil ligar para o celular do namorado em um dos intervalos, mas a ansiedade para resolver aquela situação logo guiou os passos da loira até o apartamento dividido por Matt e Jamie ao fim da manhã.

Foi preciso bater na porta duas vezes até que a cabeça de Jamie surgisse no corredor. Quando deu de cara com Violet, o rapaz arregalou os olhos como se ela fosse a última pessoa do universo que ele esperava ver ali. Era uma reação estranha já que Bryant era a namorada do colega de quarto dele, mas a loira já havia desistido de entender a mente confusa e complexa do melhor amigo de Matthew.

- Oi, Jamie. O Matt não apareceu na aula, eu fiquei preocupada. Ele está aí? Está tudo bem?

Jamie continuou encarando a loira boquiaberto, como se estivesse diante de um extraterrestre. Por mais que estivesse acostumada a causar aquele efeito em alguns rapazes, Bryant sabia que Jamie não estava encantado por suas curvas realçadas pelo vestido rosa curto, nem pelos traços bonitos do rosto impecavelmente maquiado.

Sem paciência para entender os pensamentos confusos do rapaz, Violet pediu licença e se espremeu para atravessar a porta, mesmo tendo o corpo de Jamie como uma barreira no meio do caminho. A sala estava vazia, mas a imagem de Matthew logo surgiu, saindo do banheiro. Mesmo depois de um banho, o rosto do rapaz ainda denunciava a ressaca física e moral depois dos excessos da última noite.

- O que deu no Jamie? – os olhos azuis giraram e Violet parou em frente ao namorado – Ele está mais esquisito que o normal, tanto videogame deve estar fritando os neurônios dele.

Sem imaginar o que se passava na cabeça dos rapazes, Violet passou os braços pelo pescoço de Matt e colou os lábios nos dele num beijo carinhoso, que já deixava muito claro que ela estava ali para uma reconciliação. Seus dedos brincaram com os fios castanhos úmidos enquanto a moça buscava pelas íris verdes.

- Eu estou mais calma hoje. Desculpe por ontem, eu acho que nós dois exageramos. Podemos conversar sobre o que aconteceu e depois colocar uma pedra neste assunto?

Ainda parado perto da porta, Jamie não conseguiu se segurar e acabou verbalizando a pergunta que muito provavelmente assombrava a mente de Matthew naquela manhã.

- Peraí... Vocês não tinham terminado???

- Não. – a resposta de Violet foi instantânea e ela chegou a soltar um risinho divertido com aquela confusão do outro rapaz – É claro que não terminamos. Foi só uma briga, todos os casais brigam, Jamie.

- Mas e aquele papo de dar um tempo??? – Jamie abriu os braços, ainda completamente perdido naquela situação.

- Que papo de dar um tempo? – Violet precisou de alguns segundos para entender do que o amigo de Matt estava falando – Eu só disse que precisava ficar sozinha por algumas horas porque ainda estava muito irritada e não queria brigar mais. Eu não pedi um tempo no namoro.

A cabeça de Bryant se voltou para o namorado e só então ela compreendeu que Matthew havia chegado exatamente à mesma conclusão equivocada do melhor amigo. Um sorriso doce surgiu nos lábios de Violet enquanto ela repetia a carícia nas pontinhas dos cabelos úmidos de Avery.

- Você realmente achou que eu terminaria tudo por causa de uma briga idiota, Matt? Foi por isso que não foi à aula? Você me deixou preocupada.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Dez 05, 2016 1:00 am

- Ele está bem?

A voz masculina ecoou pelo aparelho celular grudado na orelha de Angeline Lockwood, mas demorou alguns segundos além do normal para ter uma resposta.

- Eu ainda não sei. Entrou em cirurgia há mais de uma hora, ainda estou sem notícias.

A voz de Angie estava fraca e ela mantinha o tom baixo para não incomodar as demais pessoas que passavam pelo hospital. Ela havia ocupado uma das cadeiras mais afastadas e mantinha o pé erguido, apoiado na cadeira da frente. A calça de moletom estava suja de sangue, assim como a camisa amarela que ela havia vestido para dormir. Os cabelos loiros estavam completamente emaranhados e haviam sido presos em um coque, mas era o rosto de Lockwood que demonstrava todo o seu cansaço.

- Eu devia estar aí. Acho que consigo pegar um voo pela manhã.

Mais uma vez, Angie demorou um tempo grande demais para poder responder Thomas. Apesar de manter o telefone pendurado em sua orelha, a mente agitada em conjunto com o corpo esgotado não estava colaborando para que ela mantivesse o foco no rapaz.

Aquele parecia ser o limite que Angeline Lockwood era capaz de suportar. Depois de uma longa semana de trabalho, ela finalmente havia encontrado uma folga para deixar Los Angeles e se dedicar apenas ao pai.

Patrick estava longe de ser um idoso que precisava de cuidados, mas a sua solteirice obviamente não agregava ao estilo mais saudável de vida. Sempre que possível, Angie deixava de lado a vida agitada em LA para ficar ao lado do pai e ajuda-lo na lanchonete.

Com a partida de Thomas para Nova York, para finalmente se dedicar ao seu sonho com a literatura, Patrick entrou em uma longa lista de funcionários que eram incapazes de lhe agradar. Nos últimos três anos, era praticamente impossível que uma única pessoa parasse por mais de três meses na lanchonete.

Sempre que Angie ia para Sacramento, os dois tinham o ritual de, no final do dia, assistir alguma reprise de uma partida de baseball enquanto comiam hambúrgueres e sorvetes. Durante todo o trajeto do helicóptero até o hospital, Lockwood se perguntava o que teria acontecido de diferente se os dois tivessem cumprido o ritual naquela noite.

Ao invés de acompanhar o pai, Angie apenas se queixara do cansaço acumulado da semana e foi se deitar mais cedo no seu antigo quarto.

O barulho de uma panela atingindo o chão ecoou por toda a casa e Angie acordou, já com o coração acelerado. Por alguns minutos, ela permaneceu congelada em sua cama, apenas atenta a novos ruídos. O segundo som veio do segundo andar e Angie não viu mais escolhas a não ser levantar e abrir a porta que dava para o corredor.

Com uma pequena fresta, a primeira coisa que viu foi o rosto do pai, parecendo tão assustado quanto ela. Ele carregava consigo um velho bastão de baseball e ergueu a mão livre para pressionar o indicador contra os lábios, pedindo silêncio para a filha.

- Ligue para a polícia e tranque a porta.

Ele praticamente se limitou a mexer os lábios. Angie chegou a sacudir a cabeça para discordar e ameaçou seguir os passos dele, mas Patrick apenas indicou para o interior do quarto, reforçando que ela deveria permanecer ali.

Os dedos de Angie estavam trêmulos enquanto ela tocava a tela do celular. A voz formal da mulher lhe atendeu do outro lado e a loira dividia sua atenção com a ligação e os ruídos no andar inferior.

- Alguém invadiu a minha casa.

O endereço foi passado as pressas, mas quando a mulher pediu para que ela confirmasse as informações, o som do tiro ecoou por toda a casa. O celular escapou dos dedos de Angie e ela sentiu todo o seu corpo congelar.

Quando Angeline alcançou o primeiro andar, a porta dos fundos estava aberta, mas não havia sinal de mais ninguém além do pai, ensanguentado no chão.


- Não se preocupe, Tom. Você não precisa atravessar o país só para segurar a minha mão. Eu mando notícias, está bem?

Quando Angie encerrou a ligação, suas mãos ainda estavam trêmulas e ela olhava compulsivamente para o relógio preso na parede. O cansaço fazia todo o seu corpo doer, mas a agitação impedia que ela sentisse qualquer vestígio de sono.

Como se não bastassem todas as emoções daquela noite, o sobrenome Sjogren ainda ecoava insistentemente em sua mente. Desde o momento que escutou o nome do médico que estava cuidado do seu pai, Angie tentava ignorar aquela grande coincidência.

Para ela, Dominic Sjogren havia ficado no passado e sequer estava mais em solo americano. Era uma grande ironia do destino que o seu maior trauma fosse surgir exatamente naquela noite, mas Angie precisava se concentrar primeiro na única coisa que realmente importava. Somente quando tivesse certeza que Patrick estava fora de perigo, ela poderia tentar digerir a ideia de que estava sob o mesmo teto que o ex-namorado.

Um longo suspiro escapou pelos lábios de Angie e ela finalmente se rendeu a fazer a ligação seguinte. A chamada ecoou algumas vezes antes que a voz sonolenta de Logan McBill atendesse.

- Hey gatinha, o que houve? Saudades no meio da madrugada?

- Logan. – Angie chamou, e pôde escutar quando o noivo se remexeu na cama ao perceber a tensão em sua voz. – Eu estou em LA. Estou no hospital.

- Hospital? – Logan já parecia completamente despertado e ela escutou o “clique” de quando ele acendeu o abajur. – O que houve, Angie? Você está machucada?

Ao escutar o nome da dona, um latido ecoou pela ligação. Logan fez um “xiiiu” para que Jeremy se calasse, mas Angie quase podia visualizar o grande cão negro sentado na beirada da cama, atento.

- Não sou eu. É o meu pai. Eu só... – Angie baixou o olhar para o sangue em sua roupa e soltou um novo suspiro. – Preciso de roupas limpas. Você consegue me trazer?

- Roupas? – Logan parecia um pouco confuso, mas logo já estava andando pelo quarto. – É claro, roupas. Eu já vou, chego aí em meia hora. E Angie?

A menina ficou em silêncio, esperando para que o rapaz continuasse.

- Você está bem?

“Bem” estava longe de ser a definição para aquela noite. Mas Angeline já havia se acostumado a não compartilhar tudo com McBill. Na pequena fortaleza que ela havia criado ao longo dos anos, ela só deixava que as pessoas soubessem exatamente o que queria.

- Estou. Só preciso de roupas.


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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Seg Dez 05, 2016 1:54 am

Os primeiros raios de sol se somavam à iluminação artificial do hospital quando o rosto de Peter surgiu na sala de espera. O médico ainda usava uma touca descartável nos cabelos claros e as vestes largas e azuis do bloco cirúrgico quando se colocou diante da acompanhante de Patrick Lockwood. Muitas horas já tinham se passado desde a chegada dramática do helicóptero, então Logan McBill já tinha conseguido chegar ao hospital e agora Angeline usava roupas limpas, sem mais vestígios do sangue que o pai perdera naquela madrugada.

- A cirurgia acabou, foi um pouco mais complicada do que prevíamos, por isso demorou tanto.

Geralmente era o principal médico responsável pelo caso que passava as notícias para os familiares. A ficha de Patrick mostrava o nome do Dr. Peter Kessler como responsável pela internação, muito embora a maior parte da cirurgia tivesse sido comandada por Dominic. A decisão de quem assumiria o caso e iria falar com a família não fora difícil simplesmente porque Sjogren recusara aquele papel. O pai de Angeline havia acabado de tomar dois tiros, a última coisa que a moça precisava era ter que lidar com um fantasma do passado no meio de toda aquela crise.

- Foram dois disparos. Lesões em alças intestinais, uma lesão leve no fígado. O mais preocupante foi o rompimento de uma veia abdominal calibrosa, isso explica o sangramento tão volumoso. Suturamos o vaso, fizemos uma transfusão e ele ficou estável. O dano mais sério foi no rim. Infelizmente a lesão era muito grave, não conseguimos preservar o órgão. O Sr. Lockwood perdeu o rim...

Como havia se ausentado da cirurgia naquele momento, Peter precisou checar aquela informação tão importante em uma prancheta. Era apenas um detalhe, mas um detalhe que deixava claro que Kessler não havia liderado a cirurgia que agora descrevia para os acompanhantes de Patrick.

- ...direito. Mas a princípio isso não nos preocupa. Ele é jovem, saudável, poderá ter uma vida normal com apenas um dos rins funcionantes.

- Podemos vê-lo? – Logan se corrigiu rapidamente – Se eu não puder entrar tudo bem, mas gostaria que liberasse pelo menos a entrada da Angeline. É a única filha dele.

- Ele foi encaminhado para a UTI, infelizmente o horário de visitas é bem restrito nas unidades intensivas. Vocês só vão poder entrar à tarde, então sugiro que descansem e depois retornem ao hospital.

- UTI? – Logan piscou algumas vezes antes de sussurrar – Ele não está bem, então?

- Estável. – Peter repetiu pacientemente – Mas as lesões foram sérias, ele perdeu muito sangue, entrou em choque, teve uma insuficiência respiratória durante o transporte. Continua intubado, sedado, respirando com a ajuda de aparelhos. Estamos otimistas com a recuperação dos próximos dias, mas o caso ainda inspira muitos cuidados.

Mesmo depois que Peter se afastou, o silêncio se manteve entre o casal. Logan deixou que Angeline digerisse aquelas notícias antes de sugerir que eles fossem até a lanchonete para tomar um café.

Eram cinco e meia da manhã, então o hospital estava bastante vazio. Além de um atendente sonolento, a lanchonete estava ocupada somente por uma senhora que bebericava um chá e por dois médicos largados numa mesa mais aos fundos. Assim como Peter, William e Dominic ainda usavam as roupas do bloco cirúrgico. Will atacava um sanduíche enquanto o russo tentava se manter acordado com um copo triplo de café depois de emendar três cirurgias complicadas naquele plantão noturno.

Sem a touca, era possível notar que agora Nick mantinha os fios castanhos num corte mais curto. As mangas da blusa arregaçadas até os cotovelos deixavam à mostra a tatuagem que Angeline já conhecia tão bem. Não havia margem para nenhuma dúvida, aquele era o mesmo Dominic Sjogren de Stanford.

- Tô morto. – Will resmungou, esfregando os olhos com a mão livre – Não consigo mais atender nem uma unha quebrada hoje.

- Nem se a dona da unha for uma réplica perfeita da Megan Fox?

Nick brincou com bom humor. Como estava de costas para a porta, Sjogren ainda não havia notado que mais duas pessoas tinham entrado na lanchonete.

- Nem se for a própria Megan Fox. Nua.

- É, então o caso é sério. – o russo tomou um longo gole do seu café antes de se recostar na cadeira, sentindo o corpo dolorido depois de tantas horas de pé na cirurgia que salvara a vida de Patrick Lockwood – Por que a Megan Fox estaria nua, com uma unha quebrada?

- A minha imaginação consegue formular pelo menos cinco situações em que esta cena seria totalmente lógica e aceitável. Nenhuma das cinco pode ser descrita em público.

- Você precisa de uma namorada, Will. Urgentemente.

Os dois rapazes riram, numa tentativa de suavizar um pouco aquele dia cansativo e tenso com uma conversa mais amena. Sentindo o estômago ainda reclamar depois de tantas horas desperto sem uma refeição digna, Dominic se rendeu à fome e finalmente se virou na direção do balcão, onde um senhor de mais idade servia café para os dois clientes recém chegados.

- Hey, Jeff, me diga que tem daqueles bolinhos de baunilha, por favor!

- Tem um. – o homem pareceu extremamente sem graça antes de indicar a cliente diante do balcão com um gesto – Mas a moça acabou de me pedir.

Só quando Jeffrey apontou para a loira, Dominic se deu conta de quem era a cliente. Ele havia fugido da obrigação de passar as notícias na esperança que pudesse evitar o contato com Angeline Lockwood, mas o destino tratou de aproximá-los novamente.

O contato visual foi tão breve que nem era possível ter certeza de que Sjogren reconhecera a ex-namorada ou notara o rapaz que a acompanhava. Um sorriso forçado surgiu nos lábios dele e a atenção do russo se voltou para o atendente do balcão mais uma vez.

- Sem problemas. Neste caso, me traz só mais uma dose de café.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Dez 05, 2016 9:35 pm

- A culpa é sua!

O dedo indicador de Matthew foi apontado contra o peito do amigo, mas logo em seguida ele sacudiu as mãos, agitado demais. Por alguns segundos, ele fechou os olhos e bagunçou os cabelos em um gesto nervoso antes de sacudir a cabeça.

- Não, não. A culpa é minha! Onde eu estava com a cabeça para dar ouvidos as merdas que você fala???

A voz de Matt não passava de um sussurro, mas isso não impedia para que ele parecesse completamente transtornado. O rosto estava ligeiramente vermelho e uma veia parecia querer saltar em seu pescoço.

Os dois rapazes estavam enfurnados no quarto de Jamie, com a desculpa de procurar um relógio que Matthew havia perdido. A porta estava encostada e Violet só seria capaz de escutar a conversa se estivesse com a orelha grudada contra a parede, mas ainda assim Avery tomava o cuidado de manter o diálogo o mais privativo possível.

A cabeça ainda latejava e nenhuma água no mundo parecia capaz de lhe saciar, mas desde a chegada de Bryant no apartamento, os sintomas da ressaca passaram a ser completamente ignorados. Matt estava completamente sem chão. Ele havia acabado de sair do banho e ainda assim se sentia imundo com as lembranças da noite anterior.

Qualquer rapaz em seu lugar deveria estar comemorando o fato do namoro não ter chegado ao fim. Afinal, havia sido toda a amargura causada pelo “rompimento” que havia colocado Matthew naquela situação. Mas se Violet dizia que eles não tinham terminado, então seus ombros pesavam com a culpa de uma traição que ele sequer sabia que estava cometendo.

- Bom, eu não me lembro de ter enfiado você na cama da Zoey!

A simples menção do nome de Geller gelou o corpo de Matthew e ele imediatamente enfiou a cabeça no corredor para se certificar de que Violet não estava por perto. Quando teve certeza de que não havia nenhum sinal da namorada, ele voltou a encostar a porta e se voltou para Jamie.

- No que você estava pensando, Matt? Você já tinha uma garota como a Violet, precisava mesmo dormir com outra?

A reprovação no olhar de Jamie fez o queixo de Matthew despencar. O amigo parecia realmente repreendê-lo por aquela traição, quando havia ele mesmo a “esclarecer” a mensagem de Violet.

- Você disse que ela tinha terminado comigo! – Ele grunhiu, parecendo ainda mais desesperado.

Jamie cruzou os braços contra o peito e balançou a cabeça em negação.

- E isso te dava o direito de ir pra cama com a primeira que passava no seu caminho? Uau, Matt... Isso foi bem sujo, cara. A Violet não merecia...

O queixo de Matt quase tocava o seu peito. A culpa já o corroía por inteiro e ele esperava ao menos encontrar algum suporte no amigo que havia testemunhado todo o seu drama das últimas 24 horas. A discussão entre os dois ainda teria se estendido se a voz de Violet não tivesse soado da cozinha, lembrando aos dois de sua presença no apartamento.

Matthew ainda estava pálido quando voltou ao encontro da namorada, mas trazia um sorriso forçado nos lábios. Seu coração saltava contra o peito como se Bryant pudesse sentir o cheiro da traição no lugar do seu xampu.

- Não achei... O quarto do Jamie é tão zoneado que me surpreende que ele consiga sair de lá todos os dias.

Jamie vinha andando logo atrás e estreitou o olhar para a nuca do melhor amigo.

- Todo mundo tem seus esqueletos no armário, Matt.

A garganta de Matt fechou e ele lançou um olhar furioso na direção de Jamie. A situação já estava além do bizarro e seria subestimar demais a inteligência de Violet se continuassem se comportando tão misteriosamente.

A consciência de Avery lhe ordenava que ele contasse toda a verdade para Violet. Se explicasse como ele realmente havia se sentido miserável por achar que os dois tinham terminado e que a noite com Zoey não havia significado nada, talvez tivesse uma chance de Bryant entender.

Mas aquela outra opção de que ela não seria capaz de perdoá-lo fazia o estômago de Matt revirar. Ele já havia experimentado a sensação de não ter Violet por algumas horas e já havia sido torturado o bastante. Não queria passar por aquilo de novo.

Ele se sentia um crápula por decidir ocultar o que havia acontecido no intervalo daquela briga, mas para tentar minimizar a própria culpa, apenas dizia a si mesmo que jamais havia tido a intenção de magoar Violet. Durante todo o ato, ele acreditava de verdade que os dois não estavam mais juntos.

Quando Matt se posicionou em frente a Violet, ele a puxou delicadamente para os seus braços. Uma das mãos foi apoiada no quadril dela e a outra foi erguida para que ele acariciasse a pele macia do rosto com o polegar.

Os olhos verdes refletiam todos os intensos sentimentos que tomavam conta do seu peito. A culpa ainda estava lá, mas agora que podia tocá-la novamente, também existia o alívio e a paixão ainda maior depois de ter acreditado que não a teria mais.

- Eu sinto muito por aquela briga idiota. Foi culpa minha, eu devia ter colocado um alerta na agenda do celular. Eu sabia o quanto aquela entrevista era importante e estraguei tudo.

A testa de Matt foi apoiada contra a de Violet e ele afundou os dedos nos cabelos loiros dela, acariciando a nuca macia para mantê-la próxima. Tudo o que ele queria era que aquela sensação de culpa desaparecesse, e esperava que com o tempo tudo pudesse voltar ao normal.

- Não queria ter dito aquelas coisas horríveis, muito menos ter estragado tudo. Fui um grande idiota.

Mesmo de costas, Matt tinha consciência de que Jamie já havia desaparecido da sala. Mas se o amigo ainda estivesse presente, ele não se incomodaria de expor aquela cena. Ele precisava mesmo que todos soubessem o quanto estava arrependido. Lógico que seu remorso ia muito além da briga ocorrida na manhã interior, mas esperava que Violet o perdoasse com aquele pedido subliminar.

- Eu amo você, Violet. Eu passei o inferno nessas últimas horas achando que não tinha mais você. Não quero passar por isso, nunca mais.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Dez 06, 2016 2:11 am

Uma garoa fina caía no pequeno jardim localizado em frente ao hospital. O céu estava cinzento e não parecia que o dia já havia começado, mas Angie sabia que já havia passado horas demais ali para ainda estarem no meio da madrugada.

Com as vestes limpas trazidas por Logan, o pesadelo da noite anterior parecia um pouco mais distante, mas o simples fato de ainda estar em um hospital mostrava para Lockwood que aquilo tudo era real.

Ela não havia dormido absolutamente nada desde que despertara com os ruídos na casa de Sacramento, mas a última coisa que parecia querer aparecer era o sono. Angie já havia gasto um longo período da sua espera no hospital conversando com policiais e registrando a ocorrência da invasão na sua casa.

Patrick poderia já estar fora da cirurgia, mas era impossível para Angeline simplesmente relaxar enquanto não pudesse falar com ele. Logan havia insistido para que ela fosse para casa descansar algumas horas até o horário de visitas da UTI, mas Angie sabia que não conseguiria simplesmente encostar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilamente depois do pai perder um dos rins.

Depois de se certificar de que a noiva ficaria bem, McBill voltou para casa apenas para terminar um relatório que precisaria entregar no dia seguinte, com a promessa de que estaria novamente ao lado de Angie quando o horário de visitas começasse.

O jeans que Logan havia escolhido não era suficiente para mantê-la aquecida com a baixa temperatura do início daquela manhã e a blusa de malha, mesmo que alcançasse seus pulsos, também permitia que o vento mais fresco penetrasse o tecido até alcançar sua pele.

Angeline estava sentada em um dos bancos do jardim, abraçada ao próprio corpo, quando o rosto que ela jurava pertencer ao passado voltou para assombrá-la mais uma vez. Ela preferia acreditar que estava apenas abalada e esgotada com as últimas emoções para sentir seu estômago se revirar por estar na presença de Dominic Sjogren.

O ex-namorado havia ficado para trás, junto com o capítulo mais traumatizante de sua vida. Angie precisou de meses, depois da partida dele para a Rússia, para voltar a se sentir confiante ao andar por Stanford. As piadas, sussurros e olhares a acompanharam por um tempo longo demais, foi mais de um ano fazendo terapia, mas por fim ela acreditava que havia superado.

O relacionamento com Logan havia começado exatamente por insistência da terapeuta de que ela voltasse a se abrir e se relacionar com alguém. Ela conheceu o noivo quando estava se mudando para Los Angeles e ele foi a primeira pessoa a quem Angeline aceitou um convite para um encontro desde que tivera seu coração quebrado por Dominic.

Angie tinha consciência de que não era apaixonada por Logan. Mesmo tendo se reerguido após o trauma, ela duvidada seriamente que algum dia fosse ser capaz de voltar a amar alguém da mesma forma inocente e eletrizante como havia sido com Dominic. Mas no fundo simplesmente aceitava como sendo a melhor forma. Mantendo os pés no chão, ao menos estaria protegida de não se machucar outra vez.

Dominic havia passado por ela quando Angeline se levantou. Se ele realmente não a notara ou se simplesmente estava tentando ignorá-la, Angie não se importava. Seria mais fácil se eles simplesmente ignorassem aquele encontro do acaso, mas Angie precisava encará-lo e provar a si mesma de que tudo realmente havia ficado no passado.

- Dominic.

Há tantos anos que Angie vinha evitando aquele nome que ela se espantou como havia soado com naturalidade ao chama-lo, mesmo com o tom de voz baixo. Ela voltou a se encolher, abraçando ao próprio corpo, mas aquilo poderia ser um gesto ocasionado pelo frio ou simplesmente uma forma subconsciente de se proteger.

Quando os olhos que ela já conhecia tão bem viraram para encará-lo, Angie engoliu em seco, mas ergueu o queixo para tentar parecer confiante.

- Foi você, não foi? O médico que atendeu o meu pai no helicóptero.

Era uma pergunta bastante idiota, mas só quando ficou bem diante do ex-namorado, Angie percebeu como não havia ensaiado nada para aquela conversa. Ela não havia reconhecido Dominic quando existia uma máscara cobrindo o seu rosto, mas o sobrenome citado pelo outro médico não deixava dúvidas. Sem esperar por uma resposta, ela sacudiu a cabeça para repreender sua própria estupidez.

- É claro que foi. Quantos Dr. Sjogren existem em Los Angeles?

Havia uma distância considerável entre os dois. Não eram apenas como dois conhecidos que se esbarravam e paravam para conversar sobre as novidades. A tensão era quase palpável, mas o chuvisco que apertava cada vez mais, arrepiando os cabelos loiros embaraçados, tornava o jardim vazio e a conversa privada.

- Obrigada.

O agradecimento soou ainda mais simples, como se aquela não fosse a primeira conversa que os dois tinham desde o incidente no auditório de Stanford. Angeline parecia extremamente formal e cautelosa, mas também soava sincera.

- Eu escutei dois enfermeiros conversando sobre o que você fez. Disseram que fez toda a diferença. E eu não me importo que você diga que estava apenas fazendo o seu trabalho. Ele é meu pai, Dominic. É tudo que eu tenho, então obrigada.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Ter Dez 06, 2016 11:54 pm

Completamente alheia ao drama na consciência do namorado, tudo o que Violet sentia era um profundo alívio por ter se entendido com Matthew. Agora que enxergava as coisas com mais serenidade, a loira tinha certeza de que os dois tinham se exaltado demais no dia anterior. Matt errara ao se esquecer do compromisso, mas a reação de Bryant havia sido completamente desproporcional ao pequeno erro do rapaz. Ainda mais se ela levasse em consideração que Avery sempre se comportava como um namorado perfeito.

Como tinha uma imensa confiança em Matt, Violet não estranhou quando os dois rapazes fugiram para o quarto com a desculpa de procurar um relógio sumido em meio à bagunça de Jamie. Já totalmente à vontade no apartamento, a loira seguiu até a pequena cozinha.

O rosto de Bryant se contorceu numa careta diante dos itens expostos na geladeira dos rapazes. Uma pizza que já deveria estar ali há dias foi jogada no lixo, abrindo espaço para que Violet alcançasse a bandeja de iogurtes. Como ela já imaginava, o rótulo do iogurte mostrava que nem Matthew e nem Jamie se preocupavam com as calorias dos produtos que compravam.

O único item que Violet julgou minimamente adequado para matar a sua fome foi retirado de uma das gavetas e a loira virou a cabeça na direção da porta, falando alto o bastante para que a sua voz ecoasse até o quarto de Jamie.

- Meninos, estou roubando uma maçã, ok? E joguei aquela pizza nojenta no lixo, a geladeira estava com um cheiro esquisito!

Sentada sobre a pia e com as pernas compridas pendendo no ar, Bryant estava na terceira mordida de sua maçã verde quando Avery reapareceu. A namorada o saudou com um sorriso doce que provava que não havia restado nenhuma mágoa após a briga e que Violet sequer imaginava que havia sido traída na noite anterior.

Se Matthew fosse qualquer outro rapaz, Bryant talvez até pensaria na hipótese do namorado ter cometido algum deslize por causa da discussão. Mas Matt era sempre tão doce, sensato, gentil e respeitoso que a última coisa que Violet esperaria dele era que Avery terminasse a noite na cama de outra logo após uma briga. Era exatamente por ter colocado Matt em um patamar tão elevado que Violet se sentia tão privilegiada por ter o amor dele.

A notável culpa refletida no olhar do rapaz não foi creditada à traição. Violet simplesmente concluiu que o namorado ainda estava se torturando por ter se esquecido da entrevista do dia anterior e por Bryant não ter se saído tão bem após a briga acalorada que antecedeu a entrevista de estágio.

- Tudo bem, Matt. Vamos esquecer isso, ok? Você pisou na bola, eu me exaltei de uma maneira desproporcional. Nós dois erramos, mas agora está tudo certo. Vamos seguir adiante e esquecer este tropeço, está bem?

Obviamente Violet não seria tão compreensiva e não apresentaria a sugestão de deixar aquele problema no passado se soubesse que a maior culpa de Matthew era destinada a uma traição protagonizada por Zoey Geller.

Bryant já havia tido um ataque de ciúmes da outra menina mesmo antes de ser a namorada oficial de Avery e mesmo que nunca tivesse acontecido nada entre Matt e a amiga. Se a loira soubesse que agora tinha motivos palpáveis para se sentir enciumada, a crise que se instalaria seria muito pior que a discussão da manhã anterior.

Quando seguiu caminho até o apartamento dos rapazes, Violet já estava inclinada na direção de uma reconciliação. Portanto, aquela declaração do namorado só contribuiu para que Bryant se derretesse ainda mais por ele. Seu sorriso doce se alargou e a loira acariciou o rosto de Matt com as pontas dos dedos, admirando aqueles traços de menino que se tornavam perfeitos com a pitada de maturidade conferida pela barba por fazer.

- Eu também te amo muito, Matt. Não consigo acreditar que você achou que tínhamos terminado por causa de uma briga idiota. Você realmente pensou que eu abriria mão tão facilmente do único cara perfeito que já conheci na minha vida?

A declaração soou com uma sinceridade inocente que reforçava que Violet jamais cogitaria uma traição. Bryant estava encantada por ele justamente por Matthew ser tão nobre e tão diferente dos outros rapazes que passaram pela vida dela.

A maçã foi deixada na pia para que as duas mãos de Violet pudessem segurar o rosto do namorado carinhosamente. Os lábios dos dois se uniram num beijo mais longo, que colocava um fim definitivo na briga do dia anterior. Ao fim do beijo, Violet se manteve abraçada ao namorado e usava os dedos para brincar com os fios úmidos dos cabelos de Matt.

- A melhor parte das brigas é a reconciliação, não devemos abrir mão disso. – o sorriso da loira se tornou mais malicioso e ela moveu a cabeça sugestivamente na direção do corredor – Espero que esta seja a nossa única briga. Então, temos que fazer com que a reconciliação seja épica.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Qua Dez 07, 2016 12:43 am

Com vários minutos de atraso, Dominic terminou aquele longo plantão nas primeiras horas da manhã seguinte. Não era a primeira vez que o rapaz ficava acordado a noite inteira emendando os atendimentos de urgência, mas aquele plantão havia superado todos os recordes pessoais de Sjogren. Além do cansaço físico, Dominic se sentia psicologicamente destruído depois de enfrentar aqueles fantasmas que, para o russo, tinham sido enterrados profundamente em um passado distante.

Mesmo depois que deixou a Rússia para trás e começou a reconstruir a sua vida em Los Angeles, Dominic optou por se manter afastado de qualquer notícia do passado. Em uma tentativa de se poupar de mais culpa e sofrimento, Sjogren não se rendeu sequer à curiosidade de saber o que havia acontecido com Angeline Lockwood, ou onde a ex-namorada estaria, ou o que estaria fazendo da própria vida.

Como eram grandes as chances de Stacey ainda manter contato com a loira, Dominic também não quis procurar a antiga amiga. Além da determinação de se manter fora do caminho de Angeline, Sjogren temia que, mesmo depois de tanto tempo, Stacey ainda o desprezasse e não demonstrasse nenhum desejo de retomar a velha amizade.

Por isso, era uma grande ironia do destino que os Lockwood desabassem na frente de Nick naquela situação. O russo havia fugido de qualquer notícia da ex-namorada, mas agora tinha que lidar com o fato de que Angeline estava por perto, que continuava tão linda quanto a memória dele se recordava e que ele havia sido um grande idiota por não ter dado o devido valor ao amor dela.

Como imaginava que Angeline só retornaria ao hospital no horário de visitas, Sjogren estava distraído quando saiu pela portaria principal e realmente não percebeu que a filha de Patrick continuava por perto. O corpo exausto do rapaz só pedia por um banho e algumas horas de sono, mas Dominic não sabia se teria paz para adormecer com a imagem da ex-namorada tão fresca em sua memória.

Ao fim de sua jornada, Sjogren não usava mais as roupas azuis do bloco cirúrgico. A calça surrada mostrava que Dominic não havia mudado muito o seu estilo, assim como a camiseta cinza simples, parcialmente oculta por uma jaqueta jeans. Nos pés estava um par de tênis escuros e o russo carregava uma mochila pendurada em um dos ombros. Ele só não estava idêntico ao rapaz que há seis anos caminhava pelo campus de Stanford porque agora exibia traços mais maduros e um corte de cabelo mais comportado.

Ao ouvir o próprio nome, Dominic girou sobre os calcanhares num gesto inconsciente. Mas as batidas aceleradas do seu coração mostravam que a sua memória havia reconhecido facilmente a voz da ex-namorada mesmo antes que a imagem de Angeline entrasse no seu foco de visão.

- Eu não sabia que era o seu pai.

A confissão soou sincera e num tom defensivo. Sjogren realmente não sabia se a mágoa de Angeline era tão grande a ponto de fazer com que a ex-namorada o culpasse por qualquer coisa que pudesse acontecer com Patrick depois que ele colocara as suas mãos no paciente.

- O caso era do meu colega, eu nem sabia o nome do paciente. Só interferi porque ele estava com dificuldade e eu sabia que podia ajudar. Só no final da cirurgia ouvi alguém comentando o nome do paciente e percebi que era o Sr. Lockwood.

Mesmo que os pingos de chuva se tornassem progressivamente mais fortes, Dominic permaneceu parado no meio do jardim. Ele e Angeline se encaravam com vários metros de distância separando-os, mas ainda assim era notável que os dois não eram meros desconhecidos travando uma conversa formal.

- Ele vai ficar bem.

Aquelas palavras poderiam ser simplesmente parte do boletim médico que Sjogren daria aos familiares de qualquer paciente, mas a entonação dele tirava um pouco a formalidade da situação. Quando completou o discurso, Dominic parecia mais um velho amigo disposto a confortar Angeline naquele momento tão delicado.

- A cirurgia foi complicada, mas ele reagiu muito bem. As lesões foram corrigidas, ele é forte e saudável. Em breve estará de volta à rotina, mas sugiro fortemente que você o aconselhe a não bancar o herói contra assaltantes armados de novo.

Quando o chuvisco finalmente se transformou em uma chuva mais forte, os olhos do russo se voltaram para o céu por alguns segundos antes de buscarem novamente pela imagem de Angeline.

- Você deveria descansar, tentar dormir um pouco. A UTI só libera as visitas depois das quatro da tarde. Tem um hotel aqui perto, seguindo pela avenida principal, na terceira rua à direita.

A sugestão de um hotel deixava claro que Dominic não tinha mais nenhuma informação sobre a vida da ex-namorada e não sabia que agora, por ironia do destino, ele e Angeline moravam novamente na mesma cidade.
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