Stanford University

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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Sab Nov 26, 2016 2:00 am

O relacionamento de Sjogren com os amigos da faculdade estava ligeiramente estremecido nos últimos dias. O russo não suportava a ideia de olhar para a cara de Monica desde que soubera que ela não só havia tirado uma foto íntima dos dois, como também tivera coragem de enviar a imagem para estragar o namoro dele com Angeline. Além de Clark, Dominic também andava impaciente com as insinuações de David, que agora fazia uma contagem regressiva para o fim do prazo que o consagraria como vencedor da aposta.

Por isso, não fazia o menor sentido sair naquela noite para uma festa que o obrigaria a conviver com aquelas pessoas que, no momento, Nick preferia evitar. Naquela madrugada, contrariando todas as expectativas, Dominic estava em casa acompanhado por um filme, uma bacia de pipoca e um copo do vinho que o Sr. Lockwood recusara quando ouviu a campainha.

As luzes da sala estavam apagadas, mas a iluminação azulada da tela da televisão escapava pela fresta da porta e atingia o corredor, denunciando que o morador do 702 ainda estava acordado.

O botão de pausa congelou o filme de ação bem no meio de um tiroteio. Sjogren franziu as sobrancelhas e conferiu as horas no relógio da cozinha. Era tarde demais para uma visita e ele não esperava por ninguém, muito menos no meio da madrugada.

Stanford era um lugar calmo com baixos índices de criminalidade. Ainda assim, Sjogren preferiu conferir o olho mágico antes de correr o risco de abrir a porta para um assaltante.

A lente mostrava com perfeição a imagem do corredor, mas o rosto da pessoa não estava visível pelo simples fato de que Angeline não tinha altura o suficiente para ficar no foco do olho mágico. Tudo o que Nick viu foi o topo de uma cabeça loira, mas o sorriso dele enquanto destrancava a porta indicava que o russo não tinha dúvidas de quem estava do lado de fora.

O que Dominic não esperava era por aquela expressão devastada da menina. O sorrisinho tranquilo do rapaz morreu no instante em que ele notou que havia algo muito errado com a ex-namorada e, inconscientemente, Sjogren a puxou para um abraço, sem se importar com o fato de não usar nada além de uma calça de moletom naquela madrugada.

- O que está fazendo aqui? Você está bem, aconteceu alguma coisa? Que cara é essa, korotyshka?

Angeline foi puxada para dentro do apartamento que, naquela noite, estava ligeiramente mais organizado que o normal. A bancada da cozinha estava vazia e limpa e só havia um prato sujo na pia. Os brinquedinhos de Jeremy estavam num cantinho do tapete e o filhote dormia tão profundamente com a linguinha para fora que não havia despertado nem com a chegada de Lockwood.

Apesar do copo de vinho apoiado no braço do sofá, era evidente que Dominic não estava bêbado. A garrafa de bebida ainda estava cheia e o russo não estava com a vozinha arrastada que costumava exibir quando bebia demais. O filme pausado na televisão era a prova de que Sjogren havia optado por um programa anormalmente calmo naquela noite.

- Sente-se e me conte o que aconteceu.

Ainda abraçado a Angeline, Nick a conduziu até que os joelhos da loira dobrassem e ela se sentasse no sofá. Sjogren agachou-se diante da ex-namorada e segurou uma das mãozinhas dela, acariciando-a gentilmente com um movimento circular do polegar. Para ele, era óbvio que Angie estava com um problema. O que Dominic não imaginava era que seria algo tão sério.

- Algum problema na faculdade? Ou é a Stacey que está te enlouquecendo? Você implica comigo, mas ela é tão desorganizada quanto eu.
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Sab Nov 26, 2016 2:49 am

Os olhos de Isaac Bryant estavam estreitos quando deslizaram pelo corredor do hospital, acompanhando a direção apontada por Anthony até pousar sua atenção no rapaz que ele havia conhecido mais cedo naquele dia.

Ele havia estranhado o fato de que Avery estivesse ocupando o lugar que deveria ser do namorado de Violet naquela tarde, mas as emoções e preocupações com a filha impediram que aqueles pensamentos fossem muito além do que o imediato agradecimento pela menina não estar sozinha para enfrentar aquelas horas tão complicadas.

O Sr. Bryant era um homem ocupado demais para acompanhar a movimentada vida amorosa de Violet, mas foi impossível controlar a sua curiosidade diante da acusação de Foster ao observar Matthew com mais atenção.

- Isso é verdade, rapaz?

Não havia nenhum tom acusador na voz de Isaac. Ele parecia apenas sinceramente curioso com a resposta de Matthew, lhe dando o benefício da dúvida diante das palavras rudes de Anthony.

Avery, por outro lado, estava com seu olhar fixo em Anthony, as íris verdes brilhando. Ele se sentia esgotado depois daquele longo dia e não tinha mais forças para lidar com Foster. Era como estar diante de uma criança incrivelmente mimada que era incapaz de aceitar a culpa por ter quebrado o vaso de flores preferido da avó.

- Eu sempre soube que o seu cérebro era do tamanho de uma ervilha, Anthony, que você era fútil e preconceituoso. Mas mentiroso também? O que foi, você é o pacote completo do pior tipo de namorado do mundo?

As palavras de Matt foram dirigidas a Anthony, ignorando por completo a pergunta de Isaac. Ele não sentia a necessidade de se defender diante dos olhos do Sr. Avery, simplesmente porque não se importava se o homem acreditaria ou não na sua inocência naquela história inventada. A única coisa que o incomodava de verdade era pensar que, de alguma forma, Violet ainda estava ligada com aquele homem completamente sem caráter que se preocupava mais com a imagem que passava ao sogro do que com a namorada doente do outro lado da porta.

- Qual é o seu problema, Avery?!

Uma veia estava começando a pulsar na testa de Anthony, mas Matt sabia que aquela fúria não era por nenhuma ofensa em suas acusações. Foster provavelmente estava perdendo o controle por ver sua imagem sendo denegrida diante do seu ídolo.

- O meu problema é que você simplesmente não se importa com a Violet!

Matt ficava mais vermelho a cada instante, o tom de voz aumentando junto com os passos que ele dava em direção a Anthony. O Sr. Bryant continuava parado no meio do corredor, entre os dois rapazes, e olhava de um ao outro tentando entender a confusão criada.

- Ela sumiu sem dar notícias desde ontem e você estava sempre ocupado demais com o seu treino idiota! Você tem noção do que poderia ter acontecido se eu não estivesse com ela?

Algumas cabeças já começavam a se virar na direção da briga iniciada pelos dois rapazes, mas Matt não enxergava mais ninguém além de Anthony. Toda a frustração daquele dia sem fim, o medo e a raiva da injustiça que havia acontecido com Violet finalmente pesava em seu ombro.

Não era justo que, de tantas pessoas no mundo, logo Bryant fosse ter o azar de pegar um sanduíche que poderia transformar toda a sua vida. Ele queria ser forte para a loira e acreditar que ela enfrentaria tudo que estivesse em seu caminho, mas Matt sabia que Violet não aceitaria tão fácil uma debilitação como aquelas.

- O que você quer, Avery? Um prêmio de recompensa? Quer que eu faça cócegas na sua barriga e agradeça?

O lábio de Anthony tremia e ele já estava perto o bastante de Matt, tendo apenas como barreira entre os dois um espantado Sr. Bryant. O ex-jogador de basquete era alto o bastante para conseguir manter os dois separados e já havia erguido os braços para apoiar no ombro de cada um, em um aviso mudo de que eles não passassem daquele limite.

- Eu não vou agradecer a uma bicha podre como você. Eu já estou aqui e não vou sair do lado da Violet. Você está dispensado para ir fazer o que quer que viadinhos como você fazem em seu tempo livre.

O nojo estampado em cada centímetro do rosto de Anthony teria feito qualquer um se encolher, mas Matthew, que sempre havia sido um rapaz calmo que optava por dialogar ou simplesmente evitar conflitos, sentiu o sangue ferver ainda mais. As ofensas referentes a sua masculinidade não o ofendiam de verdade, mas ele não admitia ser dispensado da vida de Violet por alguém que sequer estaria ali se a loira estivesse com sua saúde intocada.

A cabeça de Isaac girou mais uma vez e ele encarou Anthony com profundo espanto. Para o Sr. Bryant, o boato inventado por Violet sobre a opção sexual de Matt já havia sido tomada como uma verdade. Mas ele não se importava se o amigo que havia dado suporte para sua família naquele dia gostava de rapazes ou moças. Matthew havia demonstrado que se importava com Violet de verdade, e era o bastante para que Isaac não aceitasse aquele comportamento preconceituoso.

- Você está passando dos limit...

A voz de Isaac foi abafada quando um estalo de algo se quebrando ecoou pelo corredor. O pai de Violet chegou a sentir um vento em seu rosto quando o braço de Matthew deslizou feroz até atingir o queixo de Anthony.

Tomado pela surpresa, Foster cambaleou para trás, tentando entender o que havia acontecido. E diante de um olhar espantado de Isaac, Matt encolheu o braço, sentindo a dor em seus dedos sendo estendida até o cotovelo, como se tivesse acabado de socar a parede.
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Sab Nov 26, 2016 3:15 am

A mão de Angie tremia e enquanto era conduzida para o sofá de Dominic, era como se sua mente estivesse completamente desligada, como se aquilo fosse um sonho em que ela não tinha o controle de absolutamente nada.

Mesmo depois que o rapaz se agachou na sua frente, os olhos azuis ainda pareceram perdidos e Lockwood demorou a compreender que realmente havia atravessado Stanford até chegar no apartamento dele.

- Eu não sabia onde mais ir. Eu...

Os pensamentos se atropelavam na mente de Angeline enquanto ela tentava se organizar e compreender como havia ido parar ali. A única coisa capaz de processar era a insistente voz da secretária repetindo o nome de Lucille Reynolds.

- A Stacey saiu. Ela tinha alguma festa ou coisa do tipo.

Uma ruga havia se formado entre as sobrancelhas loiras enquanto Angie tentava explicar a sua presença no meio da madrugada. A voz estava trêmula e ela evitava encarar Dominic, mantendo os olhos azuis presos nas mãos unidas. Naquele momento, era completamente irrelevante se os dois haviam terminado ou se Sjogren queria ou não lhe dar uma segunda chance. Ele era tudo que ela tinha.

- Eu pensei em ligar para o Tom, mas ele não pode saber. Se ele souber, meu pai vai saber.

A menção sobre Thomas não era para provocar Dominic, mas a forma que Angie tinha para mostrar a ele que realmente não tinha mais ninguém a quem recorrer. Seu mundo antes de Stanford se resumia ao pai e ao namorado de infância. E desde que entrada na universidade, seu ciclo de amizade era restrito a colega de quarto e a Sjogren.

- Eu não tenho mais ninguém, Nick.

Angie engoliu em seco e tentou acalmar as batidas aceleradas do próprio coração. Ela começava a ter consciência de como soava desesperada e não queria que Sjogren pensasse que alguma tragédia havia acontecido. É claro que a menção de Lucille lhe desestruturaria por completo, mas não era exatamente um caso de vida ou morte.

Quando os olhos azuis se ergueram para focar no rosto de Dominic, Angeline se agarrou ainda mais à mão dele, como se tivesse medo que até o rapaz a sua frente lhe fosse tomado.

- Você lembra da entrevista de estágio que eu falei hoje cedo? – A loira balançou a cabeça, os olhos claros e emocionados. – Eu não acho que foi alguma coincidência, Dominic. A entrevista é com a minha mãe.

O namoro dos dois havia sido breve e como Lucille era um assunto enterrado para Angeline, ela não culparia o rapaz por acreditar que Patrick havia se tornado um pai solteiro por uma morte prematura da Sra. Lockwood.

Angie tinha apenas oito anos quando sua mãe deixou Sacramento e desde então Lucille havia sido um assunto proibido sob o teto dos Lockwood. Com o tempo, a menininha que havia sido deixada para trás aprendeu que não teria a mãe de volta e passou a dedicar todo o seu carinho para retribuir o esforço do pai em lhe criar sozinho.

Como a mãe nunca havia tentado entrar em contato antes, Angie abafou a mágoa que sentia com aquele abandono se dedicando a deixar o pai orgulhoso. Era como se realmente fosse uma menina órfã por parte de mãe, até aquela tarde.

- Lucille resolveu que não queria mais ser esposa e mãe quando eu tinha oito anos. Ela abandonou meu pai e eu quando eu ainda brincava com bonecas, Nick. Eu não consigo entender como ela resolveu surgir logo agora. Eu nem mesmo sabia que ela ainda estava no país, definitivamente não esperava que ela estivesse aqui em Stanford.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Sab Nov 26, 2016 2:25 pm

A sorte de Matthew era que Isaac Bryant ainda conservava uma excelente condição física e foi capaz de segurar Anthony quando o rapaz avançou na direção de Avery como um touro raivoso. Matt certamente precisaria de uma ficha e de um leito naquele hospital se o pai de Violet não tivesse imobilizado Anthony.

A gritaria atraiu a atenção de todos e logo o corredor estava lotado de curiosos. Não demorou para que os seguranças chegassem ao local e ajudassem Isacc a tirar os dois rapazes de dentro do hospital.

Aos berros, Anthony foi arrastado por dois seguranças enormes enquanto rosnava as piores ameaças contra Matthew. Foster havia sido pego de surpresa por aquela agressão, mas agora sentia-se humilhado por ter apanhado de um nerd. Se aquela história chegasse até Stanford, Anthony teria que lidar com a zoação eterna dos amigos. Sua única chance de recuperar ao menos um pouco da dignidade era causar em Matt um estrago maior do que o queixo dolorido que latejava após o soco recebido de Avery.

- Ele vai ficar comigo mais um pouco. Está tudo bem, eu me responsabilizo.

Isaac anunciou com firmeza e apoiou a mão no ombro de Matthew quando os seguranças fizeram menção de jogar o rapaz para fora do hospital. Aquele gesto serviria para proteger Matthew e para evitar que Anthony cumprisse as ameaças no estacionamento do hospital, mas aquilo só serviu para deixar Foster ainda mais furioso. Ele foi atirado para fora do hospital enquanto Matthew Avery recebia o apoio e a proteção de Isaac Bryant.

Após o escândalo, Matt não teve autorização para retornar aos quartos, mas pôde ocupar uma das cadeiras do confortável saguão de espera. A respiração do rapaz ainda estava ofegante pela adrenalina da briga quando Isaac sentou-se ao lado dele e fez uma longa pausa antes de tomar a palavra com uma entonação contida.

- A Jas estava enganada. Você não é tão inteligente quanto parece. Se fosse, não teria iniciado uma briga que você claramente não tem condições de vencer.

Apesar da repreensão, Bryant não parecia furioso. Pelo pouco que conhecera dos dois rapazes, o pai de Violet não tinha dúvidas de que preferia ver a sua filha ao lado de Matthew Avery.

Anthony era exatamente o mesmo rapaz que Isaac fora um dia. Egocêntrico, esnobe, encantado com a fama, convicto de que o mundo deveria se curvar diante da sua perfeição. O Sr. Bryant havia cometido muitos erros antes de enxergar o que realmente valia a pena em sua vida, mas ele sabia que a maioria dos homens não tinha a mesma sorte. E, definitivamente, ele não queria que a sua filha fizesse parte da vida errática de Anthony Foster.

- Eu realmente não sei com quais argumentos o Foster afirma tão categoricamente que você é homossexual. E a verdade é que isso não faz a menor diferença para mim. Mas eu admito que esta possibilidade me deixou confuso. Eu não acho que você atacaria um rapaz com o dobro do seu tamanho apenas porque é um bom amigo da minha filha.

O sorriso tranquilo de Isaac mostrava que, embora não entendesse aquela vida amorosa turbulenta da filha, ele não se importava com a possibilidade de Violet surgir com um rapaz como Avery no papel de namorado. Ele não era um atleta, não era popular e provavelmente nunca havia acertado uma cesta nas aulas de basquete do colégio. Mas ele havia entrado em uma briga que poderia tê-lo deixado de cama por causa da loira.

- Seja como for, a Violet vai precisar de todo o apoio possível agora. E eu não tenho dúvidas de que a sua companhia será importante para ela.

Quando dirigiu a conversa de volta à saúde da filha, uma sombra cobriu os olhos do Sr. Bryant e ele ficou profundamente sério.

- Violet sempre foi uma boa garota. Inteligente, estudiosa, gentil... Mas ela ainda acha que a vaidade é importante, ela ainda se preocupa demais com a própria imagem e com o que as outras pessoas dirão sobre ela. A Vivi era o tipo de menina que chorava convulsivamente para faltar às aulas quando amanhecia com uma espinha na testa.

Aquela lembrança fez Isaac abrir um sorriso nostálgico. A vaidade exagerada da filha era divertida quando Violet ficava preocupada com espinhas, com um corte de cabelo que não lhe caíra bem ou com uma peça de roupa escolhida equivocadamente. Agora, contudo, não havia nenhuma graça em pensar no estrago que a atual situação causaria na vida e na mente da loira.

- Por isso, eu tenho medo do que estar por vir. Eu realmente não sei como ela vai enfrentar esta dificuldade, ela vai precisar muito da família e dos amigos. Portanto, eu sugiro fortemente que você se mantenha fora do caminho do tal Foster e não tente bancar o herói novamente. A Violet precisa de você vivo e inteiro ao lado dela, Matt.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Sab Nov 26, 2016 3:02 pm

Um prolongado silêncio se seguiu à revelação de Angeline. Os olhos expressivos de Dominic se mantiveram fixos no rosto abatido dela enquanto a sua mente tentava encaixar aquela informação no pouco que o russo sabia sobre o passado dos Lockwood. As mãos continuaram unidas de maneira íntima, denunciando que, apesar de tudo, os dois ainda tinham uma grande cumplicidade juntos.

Angie nunca havia falado sobre a mãe antes. É claro que Sjogren já havia notado aquele detalhe, bem como a ausência de qualquer sinal que remetesse a uma presença feminina na casa dos Lockwood. Mas o rapaz simplesmente concluiu que Patrick era viúvo. A ideia de que a morte da mãe ainda era dolorosa para Angeline motivou Nick a não fazer perguntas, mas agora ele percebia que suas conclusões sobre a família Lockwood tinham sido precipitadas.

Um abandono. Era revoltante pensar que aquela mulher ainda sem face na memória de Dominic tinha tido a coragem de abandonar a própria filha. O russo não a julgava pelo fim do casamento e a Sra. Lockwood não seria a primeira mulher do mundo a desejar que o ex-marido sumisse de sua vida. Mas colocar a própria filha no pacote era inadmissível. Ainda mais uma garota tão meiga e inocente quanto Angeline, que certamente nunca havia feito nada para despertar o desprezo da mãe.

- Em primeiro lugar, nunca mais diga que você não tem ninguém. Eu sei que tenho os meus defeitos, mas eu estou aqui, korotyshka. Você não precisa passar por isso sozinha.

Ao invés de fazer perguntas que esclarecessem melhor o passado da família Lockwood, Dominic já formou a sua opinião independente de qualquer informação adicional. Toda aquela situação poderia ser confusa e torturante para a cabeça de Angeline, mas o russo conseguia enxergar as coisas de forma muito mais objetiva. Era exatamente aquela racionalidade que Angie precisava no momento.

- Você precisa ir, korotyshka.

Ainda agachado diante da loira, Dominic apoiou o queixo no joelho da menina enquanto erguia os olhos para manter o contato visual com a ex-namorada. A explicação dele poderia parecer simplória, mas havia uma inegável lógica nas palavras de Sjogren.

- Sim, pode ser terrível e você pode se arrepender amargamente por ter ido ao encontro dela. Mas isso não é pior que a tortura da incerteza, Angel. Se você recuar, vai passar o resto da vida se martirizando por não saber o que ela teria te falado, o que teria acontecido... Não há nada pior que sofrer por algo que não aconteceu.

Era exatamente de uma opinião forte e de uma personalidade decidida que Angeline precisava naquele momento tão difícil. Se ela tivesse procurado pelo antigo namorado, Thomas provavelmente somaria as suas incertezas às da loira e a deixaria ainda mais confusa e desorientada naquela situação. Dominic, por outro lado, tinha uma confiança tão grande nas próprias opiniões que contagiava as pessoas que estavam ao seu redor.

- Eu prefiro me arrepender das coisas que eu fiz a me arrepender por não ter tido coragem de fazer algo. Por isso, korotyshka, eu acho que você precisa ir. Eu posso ir com você. É claro que não vou participar da tal entrevista, mas estarei do lado de fora do prédio disposto a fazer você esquecer os problemas em uma corrida de moto.

O familiar sorrisinho torto surgiu nos lábios de Dominic quando ele ergueu mais o tronco, inclinando-se na direção de Angeline. O olhar profundo se intensificou enquanto ele confessava num sussurro.

- Vou te dar uma amostra de como é melhor se arriscar do que arrepender-se por não ter tentado...

A última sílaba soou abafada pelos lábios de Dominic se unindo aos dela. Como no primeiro beijo, o russo mordiscou carinhosamente o lábio inferior de Angeline antes de tomá-los num beijo. Geralmente as carícias de Sjogren eram ousadas e sufocantes. Mas, naquela madrugada, a forma como ele segurou o rostinho de Lockwood entre as suas mãos denunciava o carinho que ele também sentia por ela.
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Sab Nov 26, 2016 4:13 pm

O peito de Matt subia e descia e a respiração ruidosa ecoava pela sala do hospital para onde havia sido guiado por Isaac Bryant. A mão latejava dolorosamente e ele quase não conseguia mexer os dedos. Podia sentir até mesmo o reflexo subindo pelo antebraço até o cotovelo. Se apenas o queixo de Anthony havia causado aquele estrago, Avery deveria mesmo se considerar sortudo pela briga não ter ido adiante.

Apesar de estar intacto, com exceção apenas dos dedos doloridos, Matt não se arrependia nenhum pouco da sua explosão. A única coisa que ele lamentava era não ter o físico apropriado para derrubar Foster no chão.

Enquanto Isaac falava, os olhos verdes estavam presos no piso cinzento do hospital e ele enrugou o nariz em uma careta ao ouvir sobre a sua estúpida decisão de socar Anthony. Em nenhum momento Avery tentou explicar ao Sr. Bryant sobre a complexa situação entre ele, Anthony e Violet, assim como a sua orientação sexual também continuou apenas a cargo da imaginação do ex-jogador profissional.

Aquele não era o momento para descrever a vida amorosa da primogênita dos Bryant e no instante em que o homem mais velho levou a conversa para a única coisa que realmente importava, Matt teve coragem de encará-lo.

Por alguns segundos, Matthew apenas estudou o rosto de Isaac enquanto a imagem de uma Violet adolescente era reproduzida em sua mente. Ele quase poderia acompanhar o sorriso nostálgico do homem a sua frente, se já não soubesse exatamente onde Isaac queria chegar.

- Não vai ser fácil. – Matt concordou, baixando o olhar para os seus dedos avermelhados e doloridos. – A Violet não consegue enxergar o quanto ela é incrível. Ela consegue ser a mulher mais perfeita e mais insegura que eu já conheci.

Parecia uma grande piada descrever Violet Bryant como insegura. A loira demonstrava uma confiança que muitas meninas matariam para ter. As longas pernas, a pele perfeita, os cabelos sempre sedosos, cada curva em seu devido lugar. Ela sem dúvida não poupava a aparência para estar sempre magnífica. Mas Matt sabia que havia muito mais por trás da imagem superficial que ela tentava passar, e por não enxergar a sua lista infinita de qualidades, era só aquela camada externa que Violet se apegava.

O Sr. Bryant não precisaria que Avery explicasse com todas as letras que não era homossexual. A forma com que seus olhos brilhavam ao falar de Violet não deixava dúvidas de que se tratava de um rapaz apaixonado.

Um sorriso triste apareceu em seus lábios e Matt ergueu um dos ombros, em um gesto humilde de quem não tinha muito a oferecer.

- Mas eu não vou sair do lado dela, Sr. Bryant. Se eu precisar lembra-la todos os dias do que ela é capaz, eu sei ser bastante insistente.

O Sr. Bryant manteve os olhos presos em Matt por um longo período até menear a cabeça em concordância, como se ele estivesse confirmando as suas suspeitas a respeito do fiel amigo de Violet.

- Fico feliz em ouvir isso, rapaz. – Isaac se reclinou para frente e apoiou os cotovelos sobre os joelhos antes de apontar para os dedos inchados de Matt. – Você deveria aproveitar e tirar um Raio-X disso aí. Parece bem feio.

Os lábios de Matt se curvaram em um sorrisinho torto apenas para emendar em uma careta quando ele tentou mexer os dedos outra vez.

- Talvez eu consiga uma cama extra no quarto da Violet com este estrago.

- Não force a sua sorte, garoto. – Com um sorriso mais leve nos lábios, Isaac se colocou de pé, dando dois tapinhas nos ombros de Matt, fazendo com que o rapaz balançasse o tronco involuntariamente. – Ela ainda é o meu bebê.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Sab Nov 26, 2016 5:03 pm

- É temporário.

Isaac Bryant repetiu aquela palavra pela vigésima vez só naquele dia, mas ainda assim Violet não se conformava com a imagem que tinha diante de si.

Depois de duas semanas de internação, os Bryant estavam com a alta hospitalar assinada em mãos e Violet estava liberada para voltar para a própria vida lá fora. Alexia havia guardado os pertences pessoais da filha em uma mala, Jasmine sugeriu que saíssem do hospital e fossem direto tomar um sorvete para comemorar. Aquela seria uma cena perfeita de uma família feliz se não fosse pela cadeira de rodas estacionada ao lado da cama.

Segundo os médicos, o tratamento tinha sido um sucesso. A doença foi controlada e, de fato, aquela fraqueza progressiva não piorara. Ainda no hospital, Violet começou a fazer fisioterapia e agora seus braços respondiam normalmente aos seus comandos, embora ainda estivessem discretamente mais fracos que o normal. O problema continuava sendo as pernas. Mesmo com muito esforço dos fisioterapeutas, Violet ainda não conseguia movimentar nenhum músculo abaixo da cintura.

Ainda podia melhorar, era o que todos os médicos diziam. A doença era rara e havia poucos casos documentados, mas alguns pacientes tinham voltado ao normal depois de alguns meses de fisioterapia. Os Bryant confiavam que Violet teria a mesma sorte, mas a expressão distante e abatida da loira combinava com o semblante de alguém que estava desistindo de lutar.

A primogênita não teve nenhuma reação quando Isaac dispensou a ajuda dos enfermeiros e a carregou no colo. O Sr. Bryant colocou a filha sentada na cadeira de rodas cuidadosamente e, agachado diante de Violet, ajeitou as pernas moles da garota nos respectivos apoios para os pés.

Quando planejou mentalmente aquela cena nos dias anteriores, Isaac imaginava que a filha estaria aos prantos. Contudo, aquela apatia de Violet chegava ser ainda mais preocupante que uma crise de choro. Aquela cena era triste para toda a família, mas o que mais atormentava os Bryant era a ideia de que Violet iria se entregar à tristeza e encararia aquela situação como permanente.

- Ainda não tivemos tempo de conhecer a cidade. – Alexia tentou animar a primogênita com um sorriso – Você já conheceu alguma sorveteria boa por aqui ou a dieta não permitiu?

- Eu quero ir para casa. Não tenho nada para comemorar.

Normalmente, Jasmine insistiria na ideia do sorvete até que todos se curvassem para a sua obstinação. A entonação gelada de Violet, contudo, fez a caçula se calar e lançar um olhar derrotado para os pais. Isaac sentia-se péssimo em ver a filha naquele estado, mas sabia que o humor de Violet não melhoraria se ela fosse obrigada a fazer algo que não queria. Era fácil imaginar que a garota ficaria ainda mais arrasada caso se tornasse o foco da atenção de uma sorveteria lotada.

- Vamos para casa, então. Uma faxineira deu uma geral no apartamento ontem, está tudo pronto para a sua chegada.

A expressão apática de Violet se contorceu num semblante confuso quando ela ergueu os olhos para encarar o pai. A garota piscou várias vezes até entender que Isaac realmente estava falando sério sobre o seu apartamento em Stanford.

- Eu disse que quero ir para casa. Para a nossa casa. Em Los Angeles. Não tenho mais nada a fazer em Stanford.

- Você tem uma vaga em uma das melhores universidades do mundo, Violet. Não vamos deixar que desista do seu sonho. Sua mãe e eu vamos nos alternar e ficaremos aqui com você até que você melhore e não precise mais da nossa ajuda.

- Eu NUNCA vou melhorar!!! – a loira finalmente explodiu, os olhos cintilando de raiva e frustração – Não aguento mais este otimismo forçado, os olhares de piedade, os planos para um futuro feliz que não vai mais existir! Parem de fingir que está tudo bem! Eu ficarei presa nesta cadeira para sempre!!!

Os olhos de Alexia se encheram de lágrimas e ela abaixou a cabeça, denunciando que aquele pessimismo da filha também fazia parte dos seus pesadelos. Isaac ficou sem palavras, não parecia haver nenhuma resposta adequada que fizesse Violet se sentir melhor naquele momento. Os adultos ficaram petrificados, mas Jasmine não deixou que o silêncio se prolongasse. Com seus oito anos, ela parecia enxergar aquela situação com muito mais clareza do que as outras pessoas ao seu redor.

- Ué, mesmo se ficar na cadeira de rodas para sempre você vai precisar de um emprego, Vivi. O mundo está cheio de gente que não pode andar, e eles trabalham, eles se casam, eles tem filhos e viajam nas férias. Alguns se tornam ótimos atletas! Você não pode sair da faculdade e ficar em casa sem fazer nada, Vivi.

Todas as cabeças se voltaram para Jasmine e ela já esperava que os pais brigassem com ela por aquele atrevimento, mas o que a caçula viu foi os lábios de Isaac se curvando num sorriso orgulhoso. A forma como as sobrancelhas de Violet se franziram indicava que a primogênita também estava refletindo sobre as palavras da irmãzinha. De fato, Violet não podia simplesmente desistir do próprio futuro e esperar que os pais a sustentassem para sempre só porque agora ela precisava de uma cadeira de rodas para se movimentar.

- Vamos para o apartamento hoje e depois decidimos como vai ser daqui em diante, ok? – Isaac esperou pacientemente que Violet assentisse com a cabeça antes de se erguer e assumir a direção da cadeira de rodas.

Tudo aquilo era muito difícil para Violet, mas nada parecia pior do que se expor ao mundo naquela situação. A cama do hospital dava a impressão de que aquele era um problema temporário e que ela sairia curada daquele quarto. Mas a cadeira de rodas estava ali para mostrar que o problema persistiria e que Bryant teria que enfrentar o mundo real sem a máscara de perfeição que ela gostava tanto de usar.

Foi exatamente aquele sentimento de derrota que fez com que o queixo de Violet caísse quando ela chegou ao prédio onde morava e viu que Matthew Avery esperava por ela na calçada. Matt havia sido uma presença constante durante as duas semanas de internação, mas ele sempre a via na cama, ou sentada na poltrona do quarto. Era a primeira vez que Matt a via sendo transportada em uma cadeira de rodas.

- O que está fazendo aqui? – a entonação chocada e ríspida interrompeu o rapaz antes que ele tivesse a chance de falar qualquer coisa – Eu não quero que me veja assim! Vá embora agora, Matt!

Se não fosse pela cadeira de rodas, Violet não teria outra razão para se envergonhar da própria aparência. A garota continuava anormalmente bonita com os cabelos longos escovados, com uma maquiagem leve no rosto e um vestido cor de rosa que combinava com a delicada sapatilha branca.
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Sab Nov 26, 2016 5:41 pm

A cabeça de Angeline girava com os acontecimentos daquele dia. Ela havia ido parar no apartamento de Dominic porque realmente não tinha mais nenhum outro lugar para se esconder. Tudo o que precisava era de alguém para lhe escutar, de modo que o beijo iniciado por ele foi recebido com uma sincera surpresa pela loira.

Apesar dos primeiros segundos sem reação, a calma que se instalou no peito de Lockwood mostrava que ela havia procurado abrigo no lugar certo. Era a sensação de estar em casa outra vez, completamente protegida pelos braços de Dominic.

Suas mãos pequenas deslizaram pelo pescoço dele até que as unhas alcançassem a nuca, sentindo as pontas dos cabelos escuros de Dominic espetar sua pele. A forma com que Angie retribuiu ao beijo mostrava que ela estava disposta a esquecer todos os problemas, fossem eles provocados por Monica, Lucille ou qualquer outra pessoa.

Aquela noite foi a segunda vez que Angie e Dominic dormiram juntos, e diferente da experiência vivida na piscina, movida pela adrenalina, as horas passadas ao lado dele não poderiam ter sido mais carinhosas. Os gestos eram lentos, como se cada um dos dois estivesse querendo matar a saudade depois da briga, se deliciando em gravar na memória a sensação de ter um ao outro.

Quando o dia amanheceu, não havia mais a necessidade de palavras. A forma com que Angie acariciava os cabelos bagunçados de Dominic ou com que se encaravam era o bastante para que os dois aceitassem que a briga havia chegado ao fim e que não fazia mais sentido se manterem afastados.

Exatamente como prometido, foi na moto de Sjogren que Lockwood foi transportada até o endereço passado pela secretária no dia anterior. O prédio, assim como tudo em Stanford, tinha uma aparência antiga e igualmente imponente. Na entrada, a placa metalizada indicava o nome da agência de Publicidade e Propaganda que havia entrado em contato com Angeline, apenas para confirmar que ela estava no local correto.

- Você pode esperar lá dentro? Eu não sei se consigo entrar sozinha.

A voz de Angie soou tímida, mas mesmo quando os dedos de Dominic se entrelaçaram aos seus, ela ainda não sabia se teria coragem de enfrentar a mãe naquele dia. A palma da mão de Angeline estava suada e gelada e ela estava tentando controlar a própria respiração quando o porteiro abriu a passagem pela porta de vidro fumado.

O lobby era parecido com de um hotel elegante, mas tudo era escuro demais. O piso liso refletia o teto alto. Os sofás eram de couro preto e a iluminação amarelada contribuía para o ar sofisticado. Havia um balcão de mármore ao fundo, onde dois funcionários sorridentes e perfeitamente vestidos em seus uniformes marrons se mostravam prontos para atendê-los.

Angie tentou sorrir para agradecer Dominic quando ele se afastou para ocupar um dos sofás e caminhou com as pernas bambas até um dos funcionários. Seu nervosismo poderia ser interpretado como a inexperiência de alguém iniciando uma carreira, mas Lockwood sentia que estava prestes a surtar se aquilo não terminasse logo.

- Oi. Eu gostaria de falar com Lucille Reynolds. Sou Angeline Lockwood.

A jovem sorridente do outro lado do balcão fez um aceno com a cabeça e começou a digitar em seu computador de tela fina, provavelmente consultando a agenda de Lucille. Enquanto o barulho das teclas ecoava nos ouvidos de Angie, ela começou a se perguntar se deveria ter usado “senhora” ou “senhorita” para falar sobre a mãe. Ela sequer sabia se Lucille havia se casado outra vez, se tinha outra família ou se havia se tornado uma solteirona amargurada com as escolhas erradas do passado.

- Ahn, Srta Lockwood, acho que deve ter algum engano... Seu encontro com a Sra. Reynolds está marcado apenas para daqui dois dias.

Senhora Reynolds. Ela havia se casado então. Nem o mesmo sobrenome as duas compartilhavam. Angie quase teve vontade de rir diante do comentário da recepcionista. Ela sabia perfeitamente que não estava agendada naquele dia. Afinal de contas, ela era Angeline Lockwood, com a vida perfeitamente agendada e cronometrada. Jamais cometeria um erro trivial como aquele.

- Eu sei. Mas eu preciso falar com a Sra. Reynolds hoje.

O sorriso da atendente vacilou, como se ela não quisesse ser a portadora da notícia de que a Sra. Reynolds era uma mulher ocupada demais para mudar sua agenda para uma simples estagiaria.

- Srta. Lockwood, eu sinto muito, mas não acho que vai ser possível. Mas se voltar em dois dias...

- Está tudo bem, Trinity.

Uma voz autoritária soou às costas de Angeline e ela se virou abruptamente, congelando em seguida. Ela estava tão entretida na conversa com a recepcionista e em manter o oxigênio circulando em seus pulmões que não notou quando o barulho dos saltos se chocando contra o piso do lobby anunciou a entrada da mulher.

Lucille Reynolds era simplesmente a versão mais velha de Angeline Lockwood. Era quase como entrar em uma máquina do tempo e ver a si mesma em alguma década no futuro. Os cabelos tinham o mesmo tom de loiro, mas exibiam um corte caro que não era visto na versão mais jovem da universitária.

Os olhos azuis eram idênticos, mas estavam muito bem maquiados. Assim como tudo naquele prédio, Lucille parecia absurdamente elegante com seus saltos, a saia risque e a blusa social verde. As joias também eram exibidas em suas orelhas e nos caros anéis em seus dedos. Não havia dúvidas que se tratava de uma mulher importante, contrastando ainda mais com a pouca vaidade de Angeline.

Se fosse em um dia qualquer, Angie provavelmente exibiria um dos jeans gastos, a camisa xadrez que jogava por cima de alguma regata, o que a tornava em uma versão feminina do pai. Naquele dia, entretanto, Lockwood havia tomado o cuidado de se vestir mais apropriadamente para um local profissional. A calça escura contrastava com a camisa branca e simples, parcialmente escondida pelo blazer rosa. Os cabelos haviam sido penteados e estavam soltos, mas ficaram desalinhados após a corrida de moto.

- Pode adiar a minha próxima reunião. Eu ia sair para o almoço, mas vou atender a jovem primeiro.

Lucille esticava o pescoço para se dirigir a recepcionista. Só então Angie percebeu que ela havia acabado de sair do elevador, provavelmente fazendo um intervalo em seu dia agitado quando foi pega de surpresa com a sua chegada.

Era como estar na pele de um estranho, vendo a própria vida como se fosse um filme. Angeline não tinha consciência dos próprios gestos quando suas pernas começaram a andar, obedecendo a mão esticada de Lucille para que ela entrasse no elevador.

A loira mais velha guiou decidida o caminho por um corredor cheio de quadros de propagandas quando chegaram ao nono andar. O lugar estava surpreendentemente calmo e Lucille parecia conduzir aquele encontro como se fosse mesmo puramente profissional.

As duas só pararam quando alcançaram a sala no final do corredor. A bolsa de uma marca cara foi deixada sobre a mesa e Lucille contornou o móvel até ocupar a grande cadeira de couro preto que lhe pertencia.

Angie se sentia minúscula naquele mundo e absurdamente intimidada pelo olhar insistente de Reynolds quando ocupou uma das cadeiras livres do outro lado da mesa. Um prolongado e desconfortável silêncio se instalou quando nenhuma das duas teve coragem de começar a falar.

Os olhinhos tímidos de Angeline passeavam pela sala, tentando desvendar quem era a desconhecida a sua frente pelos detalhes que eram exibidos nos livros da prateleira, nas fotografias ao lado do computador e dos quadros pendurados nas paredes.

- Nosso compromisso era em apenas dois dias, Angeline. Não é educado aparecer quando não está na agenda das pessoas.

As palavras soavam assustadoramente familiares, como se fosse algo que a própria Angeline seria capaz de dizer. Porém, a situação absurda em que se encontrava fizeram apenas com que ela franzisse a testa, sem conseguir acreditar na frieza da mulher a sua frente.

- Uau... Você é ainda pior do que eu conseguia me lembrar.

A forma direta com que Angeline decidiu abordar aquela conversa fez com que Lucille arqueasse os ombros, claramente surpresa ou chocada com seu atrevimento. A mulher precisou de mais uma longa pausa antes de abrir a boca outra vez.

- Eu posso entender a sua mágoa, mas ainda assim aconselho a não ser tão rude.

- Rude? – Angie repetiu, como se aquela palavra tivesse repentinamente perdido o sentido. – Eu nem lembrava da sua existência. Acredite em mim, não estou sendo rude. Só estou tentando entender o que você quer.

Foi a vez de Lucille franzir a testa e encarar Angeline como se não compreendesse as palavras dela.

- O que quer dizer? Estou te oferecendo um bom estágio, assegurando que você consiga construir uma boa carreira e garantir um bom futuro.

Aquela provavelmente era a conversa mais absurda que Angeline tinha em toda sua vida. Era como se definitivamente estivesse na pele de outra pessoa, conversando sobre uma vida que não era sua.

- E desde quando você se importa com o meu futuro? Eu nunca tive uma mãe para fazer uma trança no meu cabelo ou para ir as compras comigo. Você sabia que foi a enfermeira da escola que precisou me explicar o que era menstruação? Como você tem coragem de dizer que pensa no meu futuro? Você nem me conhece!

A voz de Angeline ficava mais alta a cada palavra, seu rosto começava a ficar vermelho porque ela simplesmente esquecia de respirar entre uma frase e outra. Quanto mais exaltada ficava, mais deslizava para a ponta da cadeira, encarando Lucille acusadoramente.

A Sra. Reynolds, por outro lado, continuou sem esboçar reação alguma, como se estivesse apenas enfrentando uma reunião complicada para fechar um negócio importante.

- Seu pai me falou que você tinha se transformado em uma menina responsável, mas não é isso que me parece. Ele sabe que você está andando com o motoqueiro lá embaixo?

O queixo de Angie despencou e ela encarou Lucille com horror. A hipocrisia era tamanha que seu estômago se revirava, irritado. Era como se Lucille realmente estivesse lhe repreendendo pelas escolhas, como uma mãe severa que apenas cuidava da sua cria.

- Desde quando você fala com o meu pai?

O rosto de Reynolds se contornou em uma nova surpresa e ela estudou Angeline por um longo período antes de parecer finalmente encontrar a peça que faltava daquele quebra-cabeça.

- Ele não te contou, não é?

Angie permaneceu em silêncio, mas a confusão refletida nos olhos azuis era suficiente para responder a pergunta de Lucille. A mulher soltou um longo suspiro e massageou a área entre suas sobrancelhas.

- Como você acha que seu pai está pagando por sua educação em Stanford, Angeline? – Lucille deslizou para frente e apoiou os cotovelos sobre a mesa, encarando a filha como se fosse uma criança a quem ela precisava explicar uma complicada teoria de física. – Você acha mesmo que o lucro da lanchonete seria capaz de pagar por uma boa universidade?

- Do que você está falando?

Apesar da pergunta, não era mais a incredulidade que estava carregada em sua foz, sufocando seu peito. Angie estava sinceramente confusa, mas era como ter uma resposta para algo que ela vinha secretamente se perguntando nos últimos meses, desde que recebera a carta de admissão de Stanford.

- Seu pai veio me procurar quando você estava se formando no colégio. Ele me contou como você estava animada por ter entrado em um lugar como Stanford, mas não podia bancar sozinho. Eu devia isso a você, Angeline. Não foi nenhum favor que fiz ao Patrick. Eu também estava orgulhosa por você ter conseguido ir tão longe, também queria fazer parte deste momento.

- Você está mentindo. – A voz de Angie estava perigosamente calma.

- Eu nunca soube como me aproximar antes, não sabia como você iria reagir. Mas eu pensei que o Patrick tivesse contado a você. Pensei que você poderia me dar uma chance depois que chegasse a Stanford. Foi por isso que ofereci o estágio, eu não fazia ideia que você...

-Você está mentindo. – Angeline se colocou de pé, com os olhos brilhando pelas lágrimas furiosas que ela ainda não teria coragem de derramar. – Eu não ouço o seu nome há pelo menos uma década. E prefiro continuar assim.

- Angeline!

A voz de Lucille ainda tentou chama-la, mas Angie atravessou o escritório e alcançou o corredor pisando duro. Seu rosto estava contorcido em fúria quando ela entrou no elevador e o sentimento de traição ainda lutava junto com a dificuldade que ela tinha em aceitar o que havia acabado de ouvir.

- Me leva embora, Nick. Eu quero ir o mais longe possível desse lugar, por favor.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Sab Nov 26, 2016 6:27 pm

Se antes da briga Angeline já estava apaixonada por Dominic, depois daquela reconciliação no apartamento do rapaz ela teria ainda mais motivos para se derreter por ele. A primeira vez dos dois tinha sido movida pela emoção e pela adrenalina, mas aquela segunda experiência serviu para que Sjogren se redimisse e desse à namorada a noite de amor dos sonhos de qualquer menina.

Os toques de Dominic não escondiam o carinho que ele sentia pela garota, assim como a maneira como seus lábios deslizavam pela pele macia de Angeline durante toda aquela noite. Os olhares de cumplicidade e paixão só tornavam a cena ainda mais marcante e especial. Mesmo depois que os corpos já estavam exaustos, a intimidade se manteve na maneira como Dominic acomodou a menina em seus braços para que os dois recuperassem as energias com uma boa noite de sono.

Quando a manhã seguinte chegou, Nick estava lá para não permitir que Angeline desistisse da ideia de confrontar a mãe. O russo conhecia os riscos daquele encontro ser catastrófico, mas ele estava certo de que Angie sofreria muito mais se não tivesse coragem para enfrentar aquele monstro.

Conforme prometido, Dominic deixou de lado a própria programação para acompanhar Lockwood naquela manhã. Mesmo que não pudesse estar ao lado dela no momento mais delicado do encontro, Sjogren queria estar presente para ampará-la ao fim daquela reunião.

Sentado em um dos sofás, Nick acompanhou a conversa de Angeline com os recepcionistas. O rapaz estava certo de que Angie seria dispensada sem ter a chance de rever a mãe quando Lucille apareceu no saguão. Mesmo antes que a mulher fosse apresentada, Sjogren soube que aquela era a antiga Sra. Lockwood. Um observador descuidado diria que a empresária sofisticada não tinha nada em comum com a mocinha simples que acabara de entrar no prédio, mas as feições de Angeline já estavam muito bem gravadas na memória de Dominic. Portanto, para ele, era fácil reconhecer as semelhanças entre as duas mulheres.

Compartilhando um pouco da ansiedade que corroía a namorada naquele instante, Dominic manteve as costas eretas no sofá enquanto observava a imagem de Angeline desaparecer com o fechamento das portas do elevador. A espera do rapaz não se prolongou por muitos minutos, mas ele já estava ligeiramente aflito quando Lockwood retornou ao saguão. A expressão atormentada dela dispensava maiores explicações. O encontro havia sido um fracasso.

Sem fazer perguntas, Dominic atendeu ao pedido da namorada e apoiou as mãos carinhosamente nos ombros de Angeline enquanto a guiava para fora do prédio. A moto acelerou antes de dar a partida, deixando para trás a expressão frustrada de Lucille Reynolds petrificada em uma das janelas do prédio e perdendo ali alguns minutos não calculados em sua agenda tão detalhista.

A maneira como Angie se agarrava ao tronco dele durante as curvas poderia ser interpretada como o familiar medo de cair da moto, mas Dominic sabia que naquele dia era diferente. A força usada por Lockwood era uma forma de extravasar todos os sentimentos que comprimiam seu peito naquele instante.

Quando a moto finalmente parou, vários minutos depois de terem deixado para trás o escritório da Sra. Reynolds, Angeline se viu num lugar completamente diferente. Nick não tinha levado a namorada de volta ao campus, tampouco havia seguido o familiar trajeto até o dormitório das meninas.

O capacete foi retirado e os cabelos de Nick estavam espetados em várias direções quando ele virou o tronco para trás, encarando a sua passageira. O velho sorrisinho aventureiro surgiu nos lábios do rapaz enquanto ele indicava o famoso ateliê com um movimento de cabeça.

- Acordei com vontade de fazer uma tatuagem. Você me ajuda a escolher o desenho, korotyshka? Você pode me contar o que aconteceu enquanto eu tento preservar a minha masculinidade e não chorar na sua frente.
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Nov 27, 2016 12:31 am

A imagem de Violet Bryant em uma cadeira de rodas era definitivamente algo a se acostumar. Era completamente novo ver a menina que poderia facilmente ter trocado a faculdade de engenharia para ser modelo, agora tantos centímetros abaixo, resumida a imagem de uma deficiente física.

Matthew já estava preparado para aquela novidade, mas foi uma grande sorte conseguir disfarçar o olhar demorado que ele manteve até que sua mente conseguisse se adaptar com aquela nova versão de Violet. Por fim, seus lábios se curvaram em um sorriso suave e carinhoso, sabendo que nada havia mudado em seus sentimentos.

A difícil reação de Bryant também era algo que Avery já vinha se preparando para acontecer. Ele não pareceu magoado ou chateado diante do pedido dela. Mas também não esboçou nenhuma reação para se afastar. Com um semblante calmo e dotado de uma privilegiada paciência, Matt apenas caminhou pela calçada e arregaçou as mangas da camisa cor de vinho ao parar diante de Violet.

- Uau, Violet... você realmente sabe como fazer um cara se sentir usado, hm?

A entonação leve mostrava que Matthew estava apenas brincando e tentando suavizar o clima tenso. Com um gesto da cabeça, ele assumiu o controle da cadeira de rodas no lugar de Isaac e começou a empurrar a loira em direção ao prédio.

- Eu posso ir embora depois. Mas posso pelo menos te dar um presente? Achei que você gostasse de presentes.

Contrariando o desejo de Violet, Matt a acompanhou até que estivessem no apartamento que ele já conhecia tão bem. A faxineira havia deixado tudo em perfeito estado e não havia mais nenhum vestígio da pequena bagunça que havia ficado para trás da última vez em que Avery havia saído dali com Violet em seus braços, rumo ao hospital.

Na sala não havia nenhum indicativo do que poderia ser o presente que o rapaz havia preparado. A cadeira de Violet foi acomodada no centro da sala enquanto os pais dela terminavam de se acomodar. A Sra. Bryant apoiou sua bolsa na pequena mesa redonda que a filha usava para fazer suas refeições. Jasmine se apressou em se jogar no sofá e Matt seguiu o caminho até o quarto da loira, sob o olhar curioso do Sr. Bryant.

Quando Matt voltou a surgir na sala menos de um minuto depois, ele trazia consigo uma segunda cadeira de rodas, completamente vazia. Não havia nenhum laço decorativo, mas também não restava dúvidas de que o “presente” era aquele objeto que parecia ligeiramente mais gasto do que o usado pela loira.

- Bom, não são chocolates e nem flores, e eu sei que é temporário, mas estou particularmente orgulhoso da minha escolha.

Antes que Violet pudesse se ofender ou perguntar a necessidade de ter duas cadeiras de roda, Matt parou ao lado do seu “presente” e cruzou os braços, lançando um rápido olhar para a caçula dos Bryant.

- Hey Jas, quer me dar uma mãozinha aqui?

Com um olhar curioso, Jasmine se aproximou até ocupar a segunda cadeira. Matt apoiou o indicador no próprio lábio ao refletir sobre a abordagem daquela apresentação.

- Eu trabalhei nisso o tempo todo em que você esteve no hospital, mas ainda tem muita coisa para melhorar, mas...

O rapaz se agachou ao lado de Jasmine e sorriu para a sua pequena cobaia, apontando para o que parecia ser um controle de videogame acoplado no braço da cadeira.

- Já jogou PlaySation antes, Jas? É bem simples, deixa eu mostrar...

No mercado, existiam diversas cadeiras motorizadas para facilitar a vida de um deficiente físico. Mas aquela em particular havia sido desenvolvida pelas mãos do pequeno engenheiro que exibia sua obra-prima com orgulho.

Com um zunido discreto, Jasmine riu ao mexer o controle para frente e para trás, como se estivesse em algum brinquedo. Durante toda a apresentação, Matt procurava pelo rosto de Violet, estudando se a loira estava se sentindo mais ofendida ou se lhe daria algum crédito.

- Mas a vida não é só ir para frente ou para trás, não é? Bom, senhor, senhora, senhoritas... – Ele anunciou, como se realmente estivesse tentando vender o seu produto no mercado.

Ao se inclinar para frente, Matt tocou um dos botões do pequeno controle e o banco onde Jasmine estava sentada foi erguido, suspendendo a menina alguns centímetros para fora da cadeira. Ele tocou o controle em um suave gesto para frente e o banco foi guiado completamente fora da cadeira por um braço de ferro que se esticava como um robô, dando total mobilidade para que Jasmine mexesse os braços.

- Ainda não é muito, mas pelo menos com isso você não vai precisar de ajuda para subir e descer da cama.

Com uma insegurança nítida nos olhos verdes, Matt ajudou Jasmine a voltar para a posição inicial da cadeira e em seguida caminhou até poder estar de joelhos em frente a loira. Suas mãos foram apoiadas sobre as pernas imóveis dela e Avery a encarou com doçura.

- Se você não gostou, eu posso começar outra vez. Aluguei o laboratório de mecânica e robótica pelo próximo mês.

Um suspiro escapou pelos lábios de Matthew e quando ele completou, estava sussurrando para que apenas a loira escutasse, mesmo ciente de que toda a família Bryant estava presente no mesmo cômodo.

- Não me mande ir embora outra vez, Violet. Eu quero ficar com você. E se você odiou a minha cadeira, eu posso simplesmente te carregar até que suas pernas estejam firmes outra vez.
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Nov 27, 2016 1:03 am

Angeline queria apagar aquele dia da sua vida. Ela queria poder voltar no tempo para nunca mais precisar pisar novamente no prédio onde Lucille Reynolds trabalhava, jamais enfrentar a mãe e ouvir novamente aquelas mentiras absurdas. Porque aquilo só poderia ser uma grande mentira.

Seu pai jamais recorreria a mulher que havia lhe abandonado, abandonado toda a família, apenas por dinheiro. E mesmo se os dois tivessem se falado alguma vez durante todos aqueles anos, ela saberia. Patrick era um pai carinhoso e protetor, mas os dois não tinham segredos entre si. Angie sequer conseguia esconder dele quando havia exagerado na dose de cafeína, ele jamais teria coragem de esconder algo como ter o contato com a ex-mulher.

A cabeça de Lockwood doía e ela sentia que não conseguia respirar cada vez que se lembrava da breve conversa que tivera com Lucille. Por isso, mesmo diante da tentativa de Sjogren de distraí-la, Angie o seguiu com passos mecânicos até o interior do estúdio de tatuagens.

O interior era diferente de tudo que a menina estava acostumada. Desenhos estavam pendurados por todos os lados. Fotografias de pessoas tatuadas espalhadas como prêmios e uma prateleira com diversos piercings eram exibidos como anéis em uma joalheria.

O homem atrás do balcão tinha todo o corpo coberto de tatuagens e até a pele enrugada do pescoço estava pintada com diferentes desenhos, diferentes significados. A roupa mais formal que Lockwood havia escolhido para aquele dia fazia com que ela destoasse ainda além do normal daquele ambiente, mas ela não se importava com aquele detalhe.

Com um pouco de esforço, a loira se concentrou em ajudar Dominic na escolha da sua tatuagem e continuou ao lado do namorado quando o zunido das agulhas ecoou pelo estúdio e começou a furar a pele para a criação da pequena arte.

As sobrancelhas finas de Angie foram arqueadas em surpresa, porque ela nunca havia presenciado nada como aquilo.

- Dói? – Ela perguntou em um sussurro para Dominic, mas foi o tatuador quem respondeu.

Mesmo coberto por tatuagens, o homem usava uma touca em seus cabelos encaracolados, luvas descartáveis e o ambiente era surpreendentemente limpo, quase como uma clínica médica.

- A vida dói, doçura. Isso aqui é pura arte.

O sorriso orgulhoso do homem mostrava que ele amava o que fazia. E enquanto via as gotículas de sangue se formando a cada furo na pele de Dominic, os acontecimentos daquele dia eram varridos para longe da sua mente.

Não era nenhuma novidade como ela e Sjogren eram completamente diferentes. Desde o primeiro momento juntos, cada pequeno detalhe era apenas para reforçar como os dois pensavam e viviam de formas opostas. Angie tinha toda a sua vida planejada nos mínimos detalhes, mas desde que pisara em Stanford, nada vinha acontecendo de acordo com o seu cronograma.

O relacionamento com Dominic não havia sido a única surpresa. Naquela tarde ela reencontrara a mulher que jurava que jamais veria em toda sua vida. Era assustador pensar que Lucille tinha alguma relação com a sua vida, mesmo que se resumisse ao financiamento dos seus estudos. E era ainda pior imaginar que o pai havia mentido por tanto tempo. Era como se a vida estivesse lhe mostrando que todo seu planejamento era completamente inútil.

“Seu lema é planejar cada minuto da sua vida. O meu lema é aproveitar todos eles da melhor maneira.”


A frase que Dominic havia lhe dito no primeiro encontro dos dois ecoou com clareza na mente de Angeline. Aparentemente, ela havia herdado aquela obsessão de organização da mãe. E ela não queria absolutamente nada que a fizesse lembrar da mulher que um dia lhe abandonara. Ela queria ser como Dominic.

- Carpe Diem. – Ela leu em voz alta quando o tatuador passou um chumaço de algodão sobre a pele de Dominic, livrando o sangue para exibir seu trabalho.

Ninguém jamais poderia dizer que a previsível Angeline Lockwood faria uma tatuagem. Mas não era para contrariar as expectativas alheias que Angie tomou aquela decisão. Nada de bom parecia ter vindo em sua rigorosa organização. Então estava na hora de uma nova abordagem.

- Eu quero uma também.

Diante dos olhares confusos dos dois rapazes, Angie retirou o blazer cor de rosa, expondo por completo a delicada blusinha branca.

- Uma tatuagem. – Ela explicou, apontando para a suas costelas. – Carpe Diem, bem aqui.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Dom Nov 27, 2016 1:08 am

Por mais que soubesse que Matthew era um pequeno gênio, Violet não esperava por aquele presente. Era extraordinário pensar que Avery havia desenvolvido uma máquina tão complexa estando apenas no primeiro período de Engenharia. É óbvio que Violet preferiria que o rapaz não tivesse motivos para pensar em desenvolver aquele projeto, mas isso não reduzia o brilhantismo da ideia.

- Se ela não quiser, eu fico com a cadeira! – Jasmine anunciou com seu típico entusiasmo – É muito irada, Matt! Você deveria fazer mais dessas para vender, sabia!?

A opinião de Jasmine refletia de forma mais expansiva a admiração estampada nos olhos do casal Bryant. Isaac e Alexia trocaram um olhar sugestivo, os dois surpresos com a habilidade do rapaz e também com o esforço que ele fazia para agradar Violet e para tornar tudo aquilo menos terrível para a garota.

Mas nenhuma opinião era mais importante que a de Violet. A primogênita assistiu às demonstrações sem fazer nenhum comentário e só tomou a palavra depois de uma prolongada pausa.

- Eu preferiria não precisar da cadeira. Mas já que esta não é uma alternativa viável, eu agradeço pelo presente, Matt. Será realmente útil.

Violet não demonstrou nem um décimo da empolgação de Jasmine, mas só o fato de não ter desprezado o presente de Avery já era um grande avanço.

Com a ajuda do pai, Violet trocou a cadeira de rodas pelo sofá da sala e, embora ainda estivesse profundamente deprimida e infeliz com aquela situação, a loira reconheceu que estava sendo muito injusta com Matthew. Era inadmissível que Matt fosse enxotado de sua vida depois de ter ficado ao lado dela nos últimos dias e depois do esforço que vinha fazendo para tornar aquele pesadelo mais suportável.

- Será que eu posso conversar com o Matt? – a loira lançou um olhar mais sério aos pais e à irmãzinha – Em particular?

- Sobre o que? – Jasmine tagarelou, curiosa como de costume – Por que não podemos ouvir?

- Porque eu vou falar mal de você. – Violet conseguiu abrir um meio sorriso para provocar a irmã – É melhor que não esteja por perto.

- Heeeeey!

- Vamos ao mercado. Sua geladeira está vazia e só tem produtos dietéticos no seu armário. – Alexia pegou de volta a bolsa que havia deixado na mesinha – A Jas vai entrar em coma se não receber as doses de açúcar que a deixam tão elétrica.

Depois da promessa de comprar biscoitos e barras de chocolate, os Bryant convenceram Jasmine a acompanhá-los até o mercado mais próximo. Alexia realmente planejava abastecer os armários da filha com alimentos mais saudáveis, mas o principal objetivo daquela saída era dar ao casal de amigos a privacidade que eles não tinham desde a internação de Violet.

O apartamento mergulhou num silêncio pesado depois da saída do trio. Violet amava a irmãzinha, mas precisava admitir que a ausência de Jasmine lhe trazia uma paz que ela não alcançava com a caçula sempre tagarelando em seus ouvidos.

Depois de um suspiro pesado e de mais um olhar demorado na direção da cadeira de rodas projetada por Matt, Violet finalmente voltou a atenção para o rapaz.

- Obrigada por tudo o que fez por mim, Matt. Você fez muito mais do que deveria e eu nunca vou me esquecer do quanto me apoiou nos últimos dias.

A gratidão de Violet era profunda e sincera. Por mais que estivesse devastada, a loira enxergava com perfeição o esforço do melhor amigo e admirava a fidelidade que mantivera Matthew ao seu lado. Anthony, que teoricamente ainda era seu namorado visto que Violet não tivera a chance de terminar tudo com ele, só havia aparecido no hospital no dia da briga com Matt e depois se limitara a mandar mensagens raras e distantes para o celular da loira.

Com os movimentos dos braços já recuperados, Violet não teve dificuldade para levar a mão até o rosto de Avery. A barba por fazer denunciava que o rapaz havia trabalhado duro nos últimos dias para que a cadeira estivesse pronta. Mas, ao invés de deixar a aparência dele descuidada, a barba rala dava a Matt um ar mais atraente e maduro.

- Você deveria procurar a Zoey. Ela gosta de você, vocês combinam. Tem tudo para dar certo, Matt.

Aquela sugestão totalmente fora de contexto era como um balde de água fria nos planos que Avery fizera para os dois. Violet havia prometido que resolveria a situação com Anthony para que os dois pudessem ficar juntos, mas agora as palavras da loira mostravam que ela não pretendia cumprir a sua parte no acordo.

- Eu sei que tínhamos um plano, Matt. Mas agora tudo mudou. Eu não sou mais a garota que você queria e você merece mais do que isso.

Violet abriu os braços, indicando a própria situação. Convicta de que aquela limitação não era temporária, a loira queria livrar Matthew da obrigação de cumprir aquela promessa. Bryant sabia que Matt era nobre e gentil demais para abandoná-la naquelas circunstâncias, então cabia a ela a difícil tarefa de libertá-lo do acordo.

- Eu vou voltar para Los Angeles com os meus pais. Mas eu espero sinceramente que você seja muito feliz. Você é o cara mais especial que eu já conheci, Matt. Eu lamento muito que não tenha dado certo.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Dom Nov 27, 2016 1:58 am

Apesar da personalidade despreocupada e das decisões ousadas, Dominic nunca havia planejado fazer uma tatuagem. Portanto, ter aquela primeira experiência com Angeline Lockwood ao seu lado fazia com que a loira se tornasse uma parte ainda mais especial da vida do russo.

A escolha do desenho foi breve. Assim que viu aquela imagem no catálogo do tatuador, Nick soube que era exatamente aquilo que queria. Nada parecia mais natural do que eternizar no próprio corpo o lema que movia a sua vida.

- A “pura arte” dói pra caramba.

As feições bonitas de Dominic se curvaram numa careta, contrariando as palavras do tatuador. O rapaz havia escolhido fazer a tatuagem no antebraço esquerdo, logo abaixo da dobra do cotovelo. Segundo o tatuador, aquela nem era uma das áreas mais sensíveis, mas as caretas de Nick indicavam que ele pensaria duas vezes antes de fazer uma segunda tatuagem.

- Você não disse que vai ser médico? – o tatuador implicou – Não deveria ter problemas com agulhas.

- Eu não tenho nenhum problema em enfiar agulhas nas outras pessoas. – Sjogren retrucou com uma nova careta – Mas não gosto de agulhas sendo enfiadas em mim.

Apesar dos protestos mudos do cliente, o tatuador não demorou a finalizar o seu trabalho. A dor foi jogada de lado no instante em que Dominic bateu os olhos no trabalho final e ficou totalmente satisfeito com o resultado. O “carpe diem” estava escrito no meio de um traçado de eletrocardiograma, como se aquelas letras fizessem parte dos batimentos cardíacos do rapaz.


Quando sugeriu a parada para fazer uma tatuagem, Dominic queria apenas distrair a namorada para que ela não continuasse remoendo o frustrante encontro com a mãe. A última coisa que Sjogren esperava ouvir de Angeline era um pedido para que a sua pele também fosse permanentemente marcada com tinta.

- Tem certeza, korotyshka? – o rapaz soou mais sério e preocupado – Pensa melhor nisso, hm? Se ainda assim você quiser, eu te trago aqui de novo no fim da semana.

- Deixa a garota, cara. Ela me parece bem decidida. – o tatuador indicou uma maca para Angeline – Levante a blusa e deite-se ali. Carpe diem para você também, doçura.

Assim como Angeline fizera, Dominic retribuiu ao favor e ficou ao lado dela enquanto as agulhas marcavam a pele pálida com a tatuagem. Não era exatamente uma tatuagem de casal, tampouco era algo tão específico que obrigaria os dois a se livrarem do desenho após um possível término do relacionamento. Mas era uma marca definitiva que faria com que eles se lembrassem um do outro para sempre, mesmo que eventualmente seguissem por caminhos distintos no futuro.

- Prontinho. Estou orgulhoso, doçura. Você encarou isso com muito mais dignidade que o seu namorado, sabia? Não ouvi nenhuma reclamação!

Ao fim do trabalho do tatuador, Nick abriu um sorriso de aprovação para as duas palavras que marcavam a pele pálida de Angeline. Os dois ainda conservavam nos lábios aqueles sorrisos de cumplicidade quando voltaram ao campus e entraram no dormitório das meninas. Stacey, que folheava um dos livros da faculdade, ergueu os olhos para os dois e bufou com impaciência.

- É óbvio que ela estava com você, eu deveria ter previsto. Mas da próxima vez me avise, Angie. Eu estava há um passo de chamar a polícia para avisar sobre o seu desaparecimento. Ou pior, eu poderia ter ligado para o seu pai!

- Stay, olha só! – Dominic esticou o braço esquerdo – Eu estava meio entediado, então fiz uma tatuagem.

As sobrancelhas da ruiva se arquearam enquanto ela se esticava para espiar o desenho. Exatamente por conhecer a personalidade inconsequente do melhor amigo, Stacey não se surpreendeu com a ideia de que Nick simplesmente acordara e decidira fazer uma marca permanente na própria pele. A própria Stacey já tinha algumas tatuagens no corpo, então para ela era natural ver o melhor amigo seguindo por aquele caminho.

- Legal. Legal mesmo, Nick, eu adorei! Eu espero qualquer coisa de você, então é realmente um alívio saber que você não escolheu a testa como um bom lugar para tatuar um rinoceronte.

- Mas você ainda não viu a melhor parte da história...

- Ah, meu senhor... – Stacey olhou o amigo de cima a baixo, sem encontrar mais nenhum desenho – Se for um rinoceronte nas suas parte íntimas, eu prefiro nem ver.

- Tcham-naaaam!

Quando Sjogren ergueu alguns centímetros da blusa da namorada, o queixo de Stacey despencou. Desta vez, a ruiva pulou para fora da cama e teve que praticamente colar os olhos no tronco de Angeline para acreditar que era uma tatuagem de verdade. O plástico transparente que cobria a área ainda avermelhada era a prova de que a caloura havia tido coragem para seguir Dominic naquela pequena loucura.

- ANGIE! VOCÊ FICOU DOIDA? ISSO É PRA SEMPRE, VOCÊ SABIA QUE ERA PRA SEMPRE, NÃO SABIA?
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Nov 27, 2016 2:17 am

O sorriso que Matthew manteve nos lábios enquanto a família de Violet se despedia com a desculpa de ir ao mercado era apenas uma fachada para ocultar a ansiedade que o consumia por dentro.

Ele sabia que o fato da sua cadeira ter sido aceita era um grande avanço e um excelente sinal, mas era impossível se manter confiante diante do olhar vazio de Violet. Os músculos de Avery estavam nitidamente tensos quando o rapaz se sentou no sofá para acompanhar a loira, sentindo as almofadas afundarem sob o seu peso, mas ele estava disposto a enfrentar aquela batalha.

Desde o começo Matt soube que não seria fácil. Ele sabia que precisaria lidar com qualquer que fosse a reação de Violet. Se a loira explodisse e chorasse, se resolvesse quebrar o apartamento ou simplesmente tentar se isolar. O problema era que qualquer preparação era completamente inútil quando vivia a situação na realidade.

Matt manteve os cotovelos apoiados sobre os joelhos, o corpo ligeiramente curvado para frente e o olhar preso em algum ponto do carpete recentemente limpo do apartamento de Violet. Uma ruguinha se formou entre as sobrancelhas grossas quando as palavras de Violet o atingiram como um soco, mas o rapaz continuou imóvel, apenas tentando desfazer o nó que havia surgido em sua garganta.

A menção de Zoey ou a declaração de que o plano inicial dos dois estava oficialmente encerrado poderiam não ser exatamente uma grande surpresa, mas não significava que doesse menos. Matt sabia que haveria a pequena possibilidade de Violet querer se afastar, ele só precisava enfrentar aquela mágoa e manter com a ideia inicial de continuar ao seu lado.

- Eu não quero a Zoey, Violet. Eu não quero garota alguma. E não ouse dizer o que você acha que eu quero.

A cabeça de Matt girou lentamente para o lado, buscando pelo rosto da melhor amiga. Os olhos verdes estavam ligeiramente mais claros e os cabelos atrapalhados conviviam em uma estranha harmonia com a barba por fazer, completando aquele ar maduro com a aparência de um pequeno gênio.

- Eu quero você.

O sussurro que deveria ter soado com uma convicta afirmação pareceu mais um choramingo, como se Matt estivesse implorando para Violet não seguir por aquele caminho que resultaria em uma mágoa nos dois corações. Um sorriso triste começou a se formar nos lábios de Avery quando as últimas palavras da loira lhe acertaram como uma punhalada final.

- Los Angeles? – Ele arqueou as sobrancelhas, sinceramente confuso. – O que você vai fazer em Los Angeles? Você não pode ir, estamos no meio do semestre!

Ao compreender que com aquelas palavras Violet estava dizendo que não desistia apenas dos dois, mas também da própria vaga na universidade e do futuro que tinha planejado para si, Matt arregalou os olhos. Aquela era a última coisa que ele esperava ouvir de Bryant.

- Você não vai. Eu não vou deixar você desistir de tudo por causa disso, Violet!

Matt se levantou repentinamente para apontar para a cadeira de rodas, sentindo-se repentinamente furioso. Ele sabia que precisava compreender a fraqueza de Violet, ele não estava na pele dela para saber exatamente o que a loira estava sentindo, mas não ficaria simplesmente assistindo de camarote até que Bryant tivesse destruído a sua vida por completo.

- Você nunca foi muito boa em enxergar o próprio potencial, Violet, então sinto muito se eu preciso fazer isso por nós dois. Mas eu vou amarrar você ao pé da cama, se for preciso para te impedir de ir embora.

Os olhos verdes se estreitaram, mas Avery não estava disposto a tornar aquele discurso mais fácil com medo de que Bryant desmanchasse diante dos seus olhos. A loira estava enfrentando um terrível momento, mas ele sabia o quão forte ela conseguia ser.

- Quer me dar um fora? Ficar livre de mim? Ótimo! Só não use isso como desculpa! Já levei foras piores, acredite em mim, eu vou sobreviver. Mas mesmo que você nunca mais me olhe nos olhos, eu não vou deixar você arruinar a própria vida.

O dedo indicador de Matt foi erguido e ele balançou a mão diante dela, como um professor repreendendo um aluno encrenqueiro.

- E não me diga que sua vida está arruinada. Você está viva, bem diante dos meus olhos, e parece ser mais um detalhe que você é incapaz de enxergar.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Dom Nov 27, 2016 2:49 am

Embora soubesse que aquela conversa não seria fácil para nenhum dos dois, Violet intimamente torcia para que Matt facilitasse as coisas para ela. Naquele momento, tudo o que a loira queria era que Avery se comportasse como o rapaz gentil que simplesmente acatava os seus pedidos sem questionar. Mas foi exatamente naquele instante que Matthew resolver mostrar a parte mais forte e decidida de sua personalidade sempre tão dócil.

- Como você pode dizer isso?

As palavras de Violet soaram sussurradas e a expressão chocada dela indicava que a menina havia ficado ofendida com aquelas insinuações.

- Você realmente acha que eu estou tentando me livrar de você? Você acha que isto é um fora e que eu quero te tirar da minha vida porque tenho planos melhores para mim?

A cabeça de Bryant se sacudiu em negativa e ela cruzou os braços, encolhendo-se no sofá como se estivesse abraçando a si mesma com aquele gesto de desamparo.

- Eu só estou te libertando da penosa obrigação de cumprir o nosso acordo, Matthew. Quando nós combinamos que ficaríamos juntos, eu era uma garota normal, eu me equilibrava sobre as minhas pernas e sobre saltos. Eu era uma garota bonita e confiante, eu tinha um futuro brilhante pela frente. Mas tudo isso acabou. Eu não sou mais a rainha do baile, a garota dos seus sonhos...

Os olhos azuis se encheram de lágrimas enquanto Violet completava aquele doloroso desabafo. Em nenhum momento a voz dela se ergueu, num claro sinal de que Bryant não tinha mais forças nem para se exaltar durante uma discussão.

- Eu sei que a sua consciência não te deixaria em paz se você decidisse abandonar os nossos planos agora. Então, eu estou fazendo o trabalho sujo para que você saia desta cilada sem carregar nenhuma culpa, Matt.

Antes que Avery pudesse argumentar novamente contra a ideia de Violet desistir da faculdade, a loira levou o discurso naquela direção.

- Eu ainda não sei o que vou fazer com relação a Stanford. Meu pai também não quer que eu tranque o curso, mas eu simplesmente não estou pronta para voltar ao campus em uma cadeira de rodas. Eu imagino que todos já saibam o que aconteceu, mas por enquanto são apenas boatos. Se eu aparecer lá desse jeito, a história vai se confirmar, eu vou me tornar o assunto do momento.

Uma lágrima solitária rolou pelo rosto de Violet, mas ela se apressou em erguer a mão para limpar o rosto avermelhado pelo choro que tentava conter.

- Pode parecer uma bobagem para você e para o resto do mundo, mas isso significa muito para mim, Matt. Eu lamento muito, mas não sou tão forte quanto você imagina. Eu não consigo fazer isso.

Aquilo parecia um grande pesadelo para Violet. Na última vez que pisara no campus, ela ainda era uma estudante de Engenharia anormalmente atraente, usava roupas de marca, mantinha o rosto sempre impecavelmente maquiado e se equilibrava em saltos altos. Em poucos dias, ela fora transformada em uma menina abatida que precisava de ajuda para as tarefas cotidianas.

- Eu amo você, Matt.

A declaração soou com firmeza e o olhar decidido de Violet mostrava que ela não dizia aquelas palavras de forma leviana e nem esperava ouvir o mesmo de volta. Bryant simplesmente precisava que Avery soubesse o quanto era importante na vida dela.

- Como colega, como amigo, como mais que um amigo. O pacote completo. Você é o cara mais sensacional que eu já conheci. Então não me acuse de estar te dispensando como se tudo isso fosse fácil para mim! – mais algumas lágrimas desceram pelo rosto de Violet e desta vez ela não se preocupou em limpá-las – Perder você é tão doloroso quanto não conseguir mais andar. Mas eu não quero que você fique comigo somente por pena ou porque você é digno demais para se esquivar de uma promessa.
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Nov 27, 2016 3:02 am

Parecia pouco provável que depois daquele dia caótico, Angeline exibisse um sorriso tão genuíno. Mas nem por um segundo a menina parecia arrependida daquela decisão. A dor havia sido muito maior do que ela havia imaginado, a pele ainda estava avermelhada e um pouco de sangue manchava o plástico do curativo, mas Lockwood parecia bastante orgulhosa em exibir a tatuagem em sua pele.

A risada dela ecoou pelo quarto enquanto voltava a baixar a camisa branca, escondendo as letras bem desenhadas que formavam o seu “Carpe Diem”. Ao contrário de Dominic, a área escolhida pela loira era mais bem protegida e facilmente escondida. Era uma região onde apenas Dominic teria facilmente acesso.

Enquanto a tatuagem do rapaz representava seus batimentos cardíacos, as letras curvilíneas marcadas na pele de Angeline eram suaves e terminava com um traçado da última letra emendando em um pequeno pássaro negro.

- É claro que eu sei que é permanente, Stay. Essa que é a intenção.

O assombro de Stacey poderia ser uma ofensa, mas de alguma forma apenas despertava ainda mais o orgulho de Angeline. Ela queria que as pessoas começassem a notar que ela não era a menininha previsível que jamais faria uma tatuagem apenas porque teve vontade.

- Uma tatuagem? – A voz de Stacey soou esganiçada, reforçando a sua incredulidade.

- Uma tatuagem. – A loira confirmou com um confiante movimento da cabeça.

O queixo da ruiva ainda estava caído quando o toque do celular de Angeline ecoou, vibrando em seu bolso. Quando o visor foi virado diante dos seus olhos, o sorriso morreu instantaneamente.

Meia dúzia de chamadas perdidas indicava que o pai estava tentando entrar em contato pela última hora. Patrick sabia a vida organizada da filha e normalmente tinha horários certos para entrar em contato e ouvir sobre os acontecimentos em Stanford. Se naquele dia o Sr. Lockwood estava fugindo do seu padrão, poderia significar que a notícia do encontro de Angie e Luce já havia chegado em Sacramento.

A ligação foi ignorada e com uma nuvem cobrindo seus olhos azuis, Angie desligou o celular para evitar que o pai voltasse a atrapalhar aquela pausa que ela havia encontrado para respirar.

- Você definitivamente arruinou essa menina, Dominic. É sério, vocês estão brincando com o equilíbrio do universo. Isso é grave, gente!

Stacey estava com uma expressão séria, mas seu olhar era suave o bastante para mostrar que o comentário não era uma verdadeira crítica ao relacionamento do melhor amigo e da colega de quarto. Quando a ruiva saiu balançando a cabeça ainda inconformada, Angie se deixou sentar na própria cama e abriu um sorrisinho para o namorado.

- Obrigada por hoje, Nick. Eu não teria conseguido enfrentar esse pesadelo sem você.
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Nov 27, 2016 7:46 pm

- Eu nunca quis a rainha do baile. Então por favor, não me insulte me colocando como qualquer outro cara que te via apenas como um objeto.

A resposta de Matt soou baixa, em um tom de derrota. Os olhos verdes estavam mergulhados em uma profunda tristeza por precisar ter aquela conversa, mas a todo instante ele dizia a si mesmo que nunca esperou que fosse ser fácil.

Seus braços estavam jogados nas laterais do seu corpo, sem que ele tivesse forças sequer para debater. Uma longa pausa se instalou pelo apartamento de Violet até que ele arrastasse os pés novamente para perto dela. A mesinha de centro serviu como apoio quando ele se sentou diante do sofá, os joelhos entreabertos com as pernas sem vida de Violet entre eles.

- Eu não sou o Anthony. E se algum dia eu me interessei por você, foi exatamente por ser capaz de enxergar além da rainha do baile.

As mãos de Matt deslizaram pelo seu rosto e ele esfregou as pálpebras, sentindo o cansaço da semana finalmente exigindo do seu corpo. Por mais uma longa pausa, Avery permaneceu em silêncio, mas quando seu rosto finalmente foi revelado, havia um discreto sorriso no canto dos seus lábios.

Com os cotovelos apoiados sobre o joelho, Matt deslizou suas mãos para frente até alcançar as de Violet, mantendo-as unidas. Os olhos verdes estavam fixos no rosto da loira e mesmo em meio ao rosto abatido, a expressão do rapaz era de profundo carinho.

- Você acabou de dizer que me ama. Você acha mesmo que eu vou dar meia volta e ir embora? Acha que esse é o caminho mais fácil?

A cabeça de Matt foi balançada de um lado ao outro, sempre em gestos calmos e pacientes. Bryant havia acabado de lhe dar toda a munição que precisava para enfrentar o inferno que fosse preciso.

O calor gostoso começava a se espalhar em seu peito, mesmo diante daquela delicada conversa. Ele nunca havia ouvido uma declaração de amor antes, pelo menos não de ninguém além da sua mãe. Ouvir aquelas palavras vindo da boca de Violet era ainda melhor do que Matt havia imaginado.

- Nada é mais difícil do que deixar você, Violet. Eu não estou fazendo isso porque sou nobre ou por pena, ou porque é a coisa certa a fazer.

Os joelhos de Matt se dobraram quando ele deslizou para frente até poder afundar no sofá ao lado de Violet. Uma das mãos continuou segurando os dedos delicados dela e a outra foi erguida até procurar os fios loiros, enfiando seus dedos para massagear a nuca oculta pelos cabelos macios.

- Não me insulte outra vez insinuando isso. Eu amo você, e se você não tiver coragem o bastante para enfrentar isso, eu tenho por nós dois.

Matt precisou inclinar o tronco para frente apenas aguns centímetros para poder capturar os lábios de Bryant com os seus, iniciando um beijo carinhoso e suave, que daria a oportunidade para a loira se esquivar, mesmo com os movimentos comprometidos.
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Nov 27, 2016 8:28 pm

O beijo se prolongou por mais alguns minutos até que os pulmões começassem a protestar, exigindo oxigênio. Com os lábios avermelhados, Angie abriu um largo sorriso quando finalmente se rendeu a necessidade de se afastar de Dominic.

Dois dias haviam se passado desde o desastroso encontro com Lucille Reynolds e da tatuagem. Dois dias completos que Angeline não atendia a uma única ligação do pai e que preferia ignorar toda sua vida fora de Stanford.

Se em seu meio familiar a vida se resumia ao caos, Angie não tinha nenhum motivo para reclamar da vida amorosa. Depois de reatar o namoro com Dominic, o casal parecia ainda mais unido e apaixonado do que antes da briga.

Lockwood estava levando a sério a pequena transformação em não organizar cada mísero minuto do seu dia. Por muitas vezes, movida apenas pelo hábito, ela se via preparando mentalmente os seus dias e atividades, mas precisava admitir que se sentia muito mais leve em simplesmente deixar as coisas acontecerem.

Com aquela transformação, ela tinha ainda mais tempo para ficar ao lado de Dominic, mesmo que os dois se reunissem apenas para estudar, cuidar de Jeremy ou emendar um beijo ao outro, como era o caso daquele dia.

Depois do fim das aulas, Dominic deixou a loira em frente aos dormitórios e a despedida se prolongou por muitos minutos além do necessário. Ainda com um sorriso bobo nos lábios, Angie seguiu para o próprio quarto, mas travou no instante em que girou a maçaneta.

Com a mesma camiseta xadrez que havia usado em seu primeiro dia em Stanford, Patrick Lockwood estava sentado na beirada da cama da filha. O boné em sua cabeça estava virado para trás e ele tinha no rosto uma expressão quase homicida.

- O que você está fazendo aqui?

Angeline nunca havia usado uma entonação tão áspera para se dirigir ao pai. Já sem exibir nem a sombra do sorriso provocado por Dominic, ela terminou de entrar no quarto e acomodou seus livros sobre a cômoda.

- Eu poderia ter avisado que estava vindo, mas para isso você ia precisar atender uma das minhas ligações. – Patrick se colocou de pé e cruzou os braços peludos em frente ao peito.

- Ou você poderia simplesmente ter entendido o recado e parado de ligar. – Angie também cruzou os braços, e mesmo com a aparência infinitamente mais delicada que o homem, ela pareceu assustadoramente familiar com aquele gesto.

- Não fale assim, Angeline. Eu ainda sou o seu pai.

- É? – Ela arqueou as sobrancelhas com sarcasmo. – Porque com tantas revelações dessa semana, eu não me surpreenderia se eu fosse filha do padeiro.

Os olhos castanhos de Patrick refletiram a mágoa provocada com o comentário de Angie, mas ele se manteve firme. Quanto mais alimentasse aquela briga, pior seria para os dois. Angeline nunca havia sido uma adolescente encrenqueira ou uma filha de dar trabalho. A famosa fase da rebeldia nunca havia chegado para a loira, sempre carinhosa e agradecida aos esforços do pai que havia abdicado da sua vida para cria-la. Era completamente inédito que ela estivesse se comportando de maneira tão inapropriada, o que só reforçava o erro de Patrick naquela história.

- Eu sei que você tem todo direito do mundo de se sentir traída, Angie, mas pode ao menos ouvir o meu lado? Eu não mereço isso?

O silêncio da menina foi a resposta que Patrick precisava para começar a falar. Seu rosto estava com uma aparência cansada, como se ele não tivesse dormido bem nos últimos dias, e principalmente por precisar enfrentar um assunto tão delicado.

- Lucille tentou entrar em contato com você alguns anos atrás. Eu não deixei. Por egoísmo, ciúmes ou simplesmente porque queria te proteger dos danos que aquela mulher é capaz de causar.

Angie estava com os olhos arregalados diante daquela parte da história que ela desconhecia. Ela sempre acreditou que a mãe havia lhe abandonado quando criança e simplesmente esquecido da sua existência. Por um instante, ela se perguntou como teria sido se Lucille tivesse participado da sua adolescência.

- Quando ela foi se casar outra vez, ela queria voltar a entrar em contato com você. Mas eu garanti que sua vida estava muito melhor sem ela. Ainda acho isso. – Patrick parecia sincero naquela confissão, mas baixou o olhar ao dar continuidade na história. – Eu achei que seria capaz de te dar tudo que você precisava, até você receber aquela carta de Stanford.

Os lábios dele se repuxaram em um sorrisinho de lado, lembrando como se fosse ontem do orgulho que havia sentido diante daquela conquista de Angeline.

- Então, eu tentei todas as formas de financiamento possível. Tentei encaixar você em alguma das bolsas da universidade, mas eles sempre associavam o seu nome ao de Lucille. Como a renda do novo marido dela era muito acima, eles achavam que você não era adequada a uma bolsa de estudos.

Cada uma das palavras de Patrick era absorvida com toda a atenção de Angeline. Quando parava para pensar e relembrar os últimos meses em Sacramento, ela conseguia ver com mais clareza como o pai estava esgotado, parecendo sempre preocupado. Na época, Angie simplesmente associou aquilo com a sua saída de casa para a vida adulta. Agora ela percebia como havia sido inocente em não notar que o problema era muito mais grave.

- Eu não tive outra escolha, ursinha. Era a minha última opção, massacrou o meu orgulho e ainda assim eu não faria diferente. Lucille foi a pior coisa que aconteceu na minha vida, mas no meio disso tudo surgiu você. Eu não ia deixar que ela estragasse a sua vida também.

- Então ela paga pelas minhas aulas, pelo meu dormitório... E ela acha que com isso vai corrigir os erros do passado?

- Ela assinou um cheque, Angie. Isso não significa que se transformou na mãe do ano da noite para o dia. E eu não te contei porque não queria que você se sentisse na obrigação de perdoá-la por causa disso. Você merece estar aqui. Não foi o dinheiro da Lucille que fez você receber aquela carta, foi o seu esforço. Não deixe ela arruinar isso também.

As costas de Angie foram apoiadas na cama e ela continuou em silêncio enquanto pensava em tudo que havia acabado de escutar. Quando voltou a encarar o pai, ainda tinha um vestígio da rebeldia do início da conversa.

- Eu não vou perdoá-la.

Patrick assentiu com um movimento da cabeça. Seus lábios se curvaram em um bico um segundo antes que conseguisse deixar a pergunta ecoar pelo pequeno quarto.

- E quanto a mim? Consegue me perdoar?

O olhar de Angie se tornou infinitamente mais doce quando ela pendeu a cabeça para o lado e estudou a aparência de Patrick. Era impossível ligar um interruptor e fazer de conta que havia sido enganada por tanto tempo, mas também não poderia culpar o pai quando o seu maior erro havia sido tentar protege-la.

- Eu preciso de um tempo, pai. Um tempo só pra mim.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Dom Nov 27, 2016 10:15 pm

Era uma manhã chuvosa de domingo, então a pouca claridade do céu nublado não importunou o sono dos dois jovens que dividiam a cama do pequeno apartamento de Dominic. Depois de ter saído para jantar com o namorado no sábado, Angeline alongou a noite no apartamento de Sjogren e agora os dois tentavam recuperar as energias perdidas naquela noite agitada.

Apesar da chuva que caía lá fora, a temperatura amena permitia que Nick usasse apenas uma calça de moletom. O peito e os braços que enlaçavam a cintura de Angeline estavam expostos e era no corpo da menina que estava a segunda peça que compunha o pijama masculino. A camiseta cinza ficava confortável em Dominic, mas em Lockwood praticamente se transformava em um vestido.

O russo certamente teria dormido por muito mais tempo se não fosse pelo ruído do celular vibrando no criado-mudo, bem ao lado do seu ouvido. Os olhos azuis sonolentos se abriram e Dominic piscou várias vezes enquanto sua consciência começava a recuperar o contato com a realidade.

Um sorriso preguiçoso iluminou os lábios de Sjogren quando sua visão entrou em foco e a imagem de Angeline atingiu seus sentidos. Mesmo com os cabelos loiros esparramados pelo lençol e o rosto amassado no travesseiro, Lockwood era linda. A delicadeza estava estampada em cada um dos seus traços de menina e Dominic não se cansava de admirar aquela imagem que a sua memória já registrara tão bem.

A concentração dele só se desviou de Angeline quando o celular novamente vibrou sobre a superfície de madeira, denunciando a chegada de mais uma mensagem.

Com cuidado para não interromper o sono da loira, Dominic afastou delicadamente os braços que a enlaçavam e rolou pelo colchão até alcançar o próprio celular. O rosto dele se contorceu numa careta ao reconhecer o contato de David, e a verdade era que Sjogren já esperava por aquelas palavras quando abriu o aplicativo de mensagens na aba do colega.

“Sabe que dia é amanhã?”

“Amanhã é o dia em que eu vou voltar para casa com a minha nova moto! Seu prazo acabou, Dom. Foi muito bom negociar com você.”


Não era preciso que David o lembrasse do fim do prazo firmado para aquela aposta estúpida. Dominic já havia feito as contas e sabia perfeitamente bem que o seu tempo acabaria no dia seguinte. Teoricamente, Sjogren havia vencido a aposta porque levara Angeline para a cama há mais tempo. Mas a apresentação de provas inquestionáveis fazia parte do acordo dos rapazes, e isso Dominic ainda não fizera.

Não havia nenhuma saída adequada para aquela cilada. Dominic abominava a ideia de fazer com Angeline o que David queria, mas também era horrível pensar em entregar a sua valiosa moto nas mãos do amigo. Além da perda da motocicleta, Nick tinha como incentivo o estágio que poderia enriquecer seu currículo e lhe abrir muitas portas no futuro.

Quando se ergueu da cama, ainda com o cuidado de não acordar Angeline, Nick ainda não sabia se teria coragem de colocar em prática a ideia que atormentava a sua mente. De dentro do armário do quarto, o rapaz tirou uma filmadora portátil que geralmente levava em suas viagens e conferiu o nível da bateria. A tela mostrando uma carga de 92% era praticamente um sinal do destino para que Dominic fosse adiante.

Sjogren se sentia péssimo quando deixou a filmadora ligada e a apoiou sobre a cômoda localizada bem em frente à cama. O russo conferiu cuidadosamente o enquadramento, calculando a posição que deveria manter os corpos para que a imagem ficasse adequada. Uma camiseta jogada num canto foi usada para camuflar a câmera e deixar somente a pequena lente exposta.

Enquanto voltava para a cama, Dominic tentou convencer a si mesmo de que ficaria tudo bem. Angeline nunca descobriria e, portanto, jamais teria razões para ficar chateada ou humilhada com aquela situação. Ele não perderia a moto e ganharia a oportunidade de fazer um excelente estágio. Nick só mostraria a David o estritamente necessário para vencer a aposta e depois apagaria o vídeo e nunca mais pensaria naquilo.

Na cabeça dele, não havia nenhuma chance daquilo se tornar um grande problema para o relacionamento com Lockwood, que ficava mais sério a cada dia.

- Korotyshka...

O apelido carinhoso foi sussurrado junto ao ouvido da loira e Dominic se aproveitou daquela proximidade para mordiscar o lóbulo da orelha dela, arrancando um arrepio da namorada. Um sorriso brotou nos lábios dele quando a menina abriu os olhos sonolentos, mas Sjogren não deu a ela tempo para pensar. Seus lábios logo formaram uma trilha de beijos pelo pescoço de Angeline e as mãos deslizaram firmes pelas pernas da menina.

- Eu já acordei com saudades. Não vai me deixar assim, vai...?

Era muito óbvio o que Dominic queria, mas ele segurou os punhos da namorada e interrompeu os movimentos dela quando Angeline fez menção de tirar a camiseta cinza.

Para a loira, não havia nenhum problema em expor seu corpo para o namorado com quem vinha dividindo a cama nas últimas semanas, mas o russo sabia da existência da câmera que mostraria aquelas imagens para David no dia seguinte. Mesmo que aquilo não amenizasse em nada a culpa de Sjogren, ele se sentia menos canalha garantindo ao menos que a exposição do corpo de Angeline fosse a menor possível.

- Fique com a minha camiseta, korotyshka. Você está muito sexy nela.
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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Nov 27, 2016 11:44 pm

Completamente alheia a existência da câmera, na cabeça de Angeline, aquela manhã realmente se tratava apenas dos carinhos de Dominic que já haviam se tornado rotina em sua vida. Com um sorriso preguiçoso nos lábios, ela precisou de apenas alguns beijos arrepiando a sua pele para estar completamente desperta, se entregando nos braços do namorado.

Nos primeiros minutos do vídeo que David assistiria, a única coisa audível eram os beijos do casal e as respirações se tornando mais intensa. Apesar de ter tomado aquela iniciativa, quando Dominic não intensificou as investidas, Angie se deixou assumir o controle daquele momento.

A personalidade sempre doce e tímida da menina estava cada vez mais sendo destruída com a convivência com Dominic. Mas quando os dois estavam sozinhos, Angie se mostrava muito mais solta, com a liberdade e intimidade que havia construído com ele. A ousadia da primeira vez após a invasão de um prédio público ainda era um ponto fora da curva, mas aquilo não significava que Lockwood era completamente travada sob os lençóis.

Com os cabelos amassados pelo travesseiro, ela girou no colchão até estar sentada sobre o colo de Dominic. Seu rosto ainda estava marcado pelo sono interrompido, mas o sorriso que brincava em seus lábios mostrava que ela estava disposta a despertar por completo.

A roupa íntima foi retirada sem que Angie interrompesse o olhar de Dominic. Ela chegou a tocar a barra da camisa mais uma vez, erguendo o tecido o suficiente para que sua tatuagem ficasse exposta por alguns segundos antes de recordar o pedido do namorado.

- Com a camiseta, não é? – Ela mordeu o lábio inferior e se inclinou para frente antes de iniciar mais um beijo.

Os cabelos loiros caíram como uma cortina ao redor do seu rosto e com aquela aparência mais natural, Angie parecia ainda menos a menina certinha que havia pisado pela primeira vez em Stanford há um mês.

- Você está com uns pedidos estranhos, Nick... Vou começar a fazer exigências também. – Ela estava debruçada sobre Dominic e com as mãos apoiadas contra o peito nu quando completou com um sorrisinho. – Talvez da próxima vez eu queira na piscina de novo.

A intimidade que os dois haviam construído dava a liberdade para que Angeline falasse tais coisas completamente a vontade. A confiança que tinha em Dominic não permitia que ela tivesse a mais remota ideia da existência de uma câmera no cômodo.

Quando os dois terminaram, exaustos, Angie ainda procurou os lábios de Dominic para um beijo carinhoso antes de escorregar para fora da cama.

- Eu vou tomar um banho. Pensei em sair para passear com o Jer, mas ainda está chovendo. – De pé ao lado da cama, Angie deslizou os dedos pelos cabelos do namorado em uma carícia mais suave. – Podemos apelar para o plano B e ficar o resto do dia na cama. Sabe-se lá quantas saudades podemos ter?

***

A chuva do final de semana se esticou até a segunda-feira, obrigando os estudantes a atravessarem o campus correndo sempre que precisavam trocar de algum prédio. As pessoas atravessavam o corredor ás pressas, tornando o piso liso ainda mais escorregadio com as gotas de água que se acumulavam, escorrendo dos guarda-chuvas, botas e jaquetas.

O laboratório em um dos prédios de medicina estava ocupado apenas por Dominic e David. Pela pequena janelinha de vidro acoplada na porta era possível ver os rostos apressados dos demais universitários, completamente alheios a conversa dos dois.

- Então, Dom? Cadê as minhas chaves? – O sorriso convencido nos lábios de David era uma das cenas mais irritantes de se ver, típico de alguém que não estava acostumado a perder. – Eu realmente não me importo com a chuva. Quero ir até o meu estágio com a minha moto nova. Espero que você a tenha deixado em algum lugar coberto, não quero que estrague o meu novo brinquedo.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Seg Nov 28, 2016 12:43 am

Mesmo com a ajuda de Matthew e com o apoio da família, Violet ainda não estava certa do seu retorno à faculdade. Os médicos tinham liberado a loira para retornar às suas atividades rotineiras e só o que Violet precisaria fazer era manter uma rotina diária de fisioterapia. Não havia nenhuma razão física que impedisse Bryant de voltar a estudar, mas psicologicamente a garota ainda não se sentia pronta para enfrentar os olhares de curiosidade e de piedade que fatalmente aconteceriam.

Mesmo sem se sentir totalmente preparada, Violet cedeu aos apelos de Matt e dos Bryant e decidiu que voltaria a frequentar as aulas. Muitas matérias importantes já tinham ficado para trás, mas ela ainda conseguiria recuperar as notas se estudasse num ritmo mais intenso e, principalmente, com a ajuda de Avery.

Como se o destino quisesse deixar bem claro que não facilitaria as coisas para Violet, aquela segunda-feira amanheceu chuvosa. Já era suficientemente difícil se movimentar naquelas novas circunstâncias, mas a chuva atrapalhou ainda mais o planejamento de Bryant. Mesmo que estivesse usando a cadeira programada por Matthew, era difícil guiar as rodas, carregar a bolsa de livros e uma sombrinha ao mesmo tempo.

Naquele final de semana, Violet havia dito a Matt que precisava de mais algum tempo antes de voltar às aulas. Por isso, até mesmo o melhor amigo – e agora praticamente um namorado embora aquele relacionamento ainda não fosse oficial – não esperava por aquela cena quando Violet Bryant entrou na sala em uma cadeira de rodas.

Violet já esperava pelos olhares surpresos e espantados, mas nem isso diminuiu o incômodo dela. Enquanto guiava a cadeira até um lugar vazio na primeira fileira, a loira tentou ignorar o fato de que todos os colegas tinham interrompido suas respectivas conversas para encará-la, como se ela fosse o animal mais exótico de um zoológico.

Antigamente, Violet costumava subir os degraus para as fileiras mais ao fundo da sala, mas agora aquela não era uma opção. A garota havia chegado pontualmente à sala de forma proposital, mas o atraso do professor frustrou os seus planos de participar da aula sem que nenhum colega tivesse a chance de conversar com ela.

Quando uma sombra se projetou sobre ela, Violet reconheceu o perfume do ex-namorado e já esperava pelo rosto de Anthony quando ergueu os olhos azuis para a figura parada ao seu lado. Foster nunca parecera muito inteligente, mas era impressionante como ele conseguia ficar ainda mais tolo com os olhos arregalados e os lábios entreabertos pela surpresa.

- Eu achei que você não teria coragem de aparecer aqui... Não deste jeito...

Bryant não esperava nenhum tipo de apoio ou delicadeza da parte de Anthony, mas até mesmo Violet se surpreendeu quando aquele comentário tão grosseiro não a atingiu. Ela não sentiu vergonha, seus olhos não se encheram de lágrimas doloridas. O único sentimento negativo era a decepção consigo mesma por ter julgado que Anthony era uma boa escolha no passado.

- Eu estou bem, obrigada por perguntar. Eu já perdi muitas aulas e não quero perder o semestre.

- Você parece bem, realmente. Está muito bonita.

O elogio de Anthony não soou forçado. Violet realmente vinha recuperando a vaidade e aquela aparência saudável e bem cuidada do passado. Naquela manhã, seus cabelos continuavam impecáveis, mesmo com a chuva. A calça preta contornava bem as curvas das pernas dela e a blusa cor de rosa exibia um decote discreto, mas que não passaria despercebido aos olhos masculinos. As unhas da menina estavam impecavelmente pintadas e a maquiagem cuidava da tarefa de deixar o rosto de Bryant sem nenhuma imperfeição.

- Lety, eu não quis te procurar antes porque tive um problema com o seu pai e com aquele imbecil do Matt. Aliás, seu pai sabe que tipo de perdedor ele é? Eu ainda não acredito que ele preferiu ficar do lado daquela bicha!

Os olhos de Violet se estreitaram, mas ela não teve a chance de sair em defesa de Matthew. Antes que ela pudesse abrir a boca, Anthony completou o seu discurso deixando bem claro o quanto ele era desprezível e asqueroso.

- Mas enfim. Eu queria te dizer que lamento muito, mas acabou entre a gente. Eu ainda te acho linda e tudo mais... – o rapaz nem disfarçou o seu olhar na direção da cadeira de rodas – Mas depois de tudo isso, não vai mais rolar entre a gente.

- Você está terminando comigo por causa da cadeira? – a voz de Violet soou anormalmente séria – Esperou que eu voltasse para a faculdade para fazer isso?

- Delícia, a quem estamos enganando? Este... – o indicador dele apontou para as pernas de Bryant – ...é um detalhe muito importante.

Diante daquele argumento, Violet teve que tirar alguns segundos para ponderar. Assim como Anthony a via apenas como uma garota perfeita, bonita e popular, ela também só o enxergava como um atleta com grande potencial. Sem o basquete, a garota não teria nenhuma razão para continuar com Foster.

- Você tem toda razão, Anthony. Eu faria a mesma coisa se estivéssemos em posições opostas. Com a sutil diferença que eu não esperaria tanto. Provavelmente eu te dispensaria ainda no hospital.

O queixo de Anthony caiu e ele encarou Violet como se a menina tivesse acabado de lançar contra ele a pior das ofensas. Como Foster não acreditaria se Violet dissesse que já queria terminar com ele muito antes daquele problema de saúde, a garota decidiu não perder tempo com argumentações. Havia uma maneira muito mais convincente de mostrar ao ex-namorado que ele já não estava nos planos dela muito antes daquela manhã.

A chegada de Avery à sala foi mais do que oportuna. O semblante chocado dele ao dar de cara com Violet na faculdade era completamente diferente da surpresa que ela causara nos demais colegas. Matt não estava curioso ou empolgado com aquela fofoca. Ele simplesmente estava feliz em ver que Violet tivera coragem de encarar o mundo lá fora e voltar às aulas.

- Oi. – o sorriso da loira se alargou quando Matt abandonou a mochila ao seu lado – Acho bom que fique do meu lado, eu vou precisar de ajuda para acompanhar a matéria.

Mesmo sem se levantar, Violet não teve dificuldade de se inclinar para abraçar Matthew com carinho. Sem se importar com o olhar de Anthony preso nos dois, a loira tocou o rosto do amigo com delicadeza e tomou a iniciativa de um beijo. A forma natural com que Matt recebeu aquela carícia indicava que ele vinha recebendo os beijos dela muito antes de Foster oficializar o fim do namoro.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Seg Nov 28, 2016 1:26 am

Durante o resto do domingo, Dominic se torturou com a dúvida do que deveria fazer com o vídeo gravado naquela manhã. Por mais de uma vez, ele chegou a apoiar o dedo no botão que deletaria o arquivo, mas não teve coragem de se desfazer daquele trunfo. A culpa corroía o russo por dentro, mas ele não conseguia simplesmente entregar a vitória a David mesmo tendo cumprido a parte mais difícil da aposta de seduzir a caloura.

A manhã chuvosa deixava o dia mais deprimente, mas Sjogren já estava certo do que faria quando saiu do apartamento. Depois de pensar muito, Dominic decidiu que seguiria o próprio lema e teria coragem de ir adiante porque seria pior arrepender-se por não ter feito aquilo.

Mesmo que não se sentisse vitorioso, Nick não pôde deixar de sentir uma imensa satisfação quando tirou o notebook de dentro da mochila e viu o sorrisinho convencido de David morrer nos lábios do outro rapaz.

- Mentira. Você não fez isso.

- Como eu disse, eu venci a aposta há muito tempo. Mas aqui está a maldita prova que você tanto queria ver.

A gravação começava com Dominic ajustando a câmera para que ela focalizasse bem a cama onde a dona de uma cabeleira loira dormia profundamente. David pensou em argumentar que aquela poderia ser qualquer outra loira do campus quando viu Sjogren despertar a menina com beijos, que se tornavam mais quentes a cada segundo. Mas o rostinho delicado da caloura ficou muito bem exposto quando Angeline inverteu as posições e acomodou-se por cima do namorado.

Sjogren não havia visto o vídeo até aquele momento, mas nem mesmo o bom desempenho dos dois na cama foi o suficiente para deixar o russo orgulhoso. Dominic esperou somente pelo momento em que Angie começou a se mover de forma rítmica sobre o corpo dele para finalizar a cena. David não precisava ver até o final, já estava muito claro que Angeline vinha dormindo com o russo já há algum tempo.

- Então, David... Já conversou com o seu pai? Quando eu começo o estágio com ele?

Ao contrário do que aconteceria há alguns meses, Dominic não vibrava com aquela vitória. Ganhar aquela aposta parecia muito mais uma obrigação penosa que o russo somente cumprira por não ter outra saída.

Os olhos de David cintilavam de raiva, mas ele não encontrava nenhuma brecha para questionar a vitória do amigo. O vídeo era uma prova inquestionável de que Sjogren havia levado a aposta às últimas consequências e conseguira levar a caloura para a cama. David não pretendia quebrar a própria palavra e se esquivar da aposta, mas também não deixaria que o colega saísse totalmente vitorioso daquela brincadeira.

- Beleza, Nick, meus parabéns. Você venceu, não tenho o que dizer. Ou melhor, eu tenho um comentário a fazer... – um sorriso maldoso surgiu nos lábios do rapaz – Eu me enganei com a novata. Eu pensei que ela fosse uma santinha sem graça, mas você despertou a piranha que existia dentro dela.

A forma como os olhos de Dominic se estreitaram ameaçadoramente deram a David a certeza de que o amigo havia se envolvido emocionalmente com Angeline. Era apenas disso que o rapaz precisava para planejar a sua vingança.

- Me mande o seu currículo por e-mail. Vou falar com o meu pai hoje, você provavelmente começará a trabalhar na clínica semana que vem.

O próprio David puxou o notebook para si e acessou a página de e-mail, que entrou automaticamente na senha de Dominic. O arquivo com o currículo do russo estava na pasta dos documentos e foi anexado ao e-mail.

A oportunidade que David esperava surgiu quando os colegas começaram a entrar no laboratório e Sjogren afastou a atenção da tela do computador por breves segundos. E foi exatamente este o prazo que David precisou para anexar no mesmo e-mail uma cópia do vídeo que ele acabara de assistir.

Assim que o e-mail foi enviado, Nick pegou o notebook de volta e deletou a gravação, certo de que aquelas imagens ficariam eternamente presas no passado e jamais retornariam para assombrar o namoro dele com Angeline. O que Sjogren não imaginava era que, naquele mesmo instante, David acessava o e-mail pelo celular e abria um sorriso maldoso para o arquivo anexado junto ao currículo do colega.
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Re: Stanford University

Mensagem por Cameron Lahey em Seg Nov 28, 2016 9:40 pm

Era impossível conter o sorriso nos lábios desde que os olhos verdes capturaram a imagem de Violet Bryant na sala de aula. Aquele era um assunto delicado que Matthew e Isaac tinham tentando abordar com a menina, como dois predadores que tentam se aproximar de sua caça, com cautela o suficiente para não a fazer correr.

O progresso de Violet era visível e Matt já se sentia grato pelo simples fato de não ter mais ouvido nenhum pedido para que ele se afastasse. Mas até então, não parecia haver nenhum sinal de que Violet cogitasse realmente voltar a pisar nos prédios de Stanford.

Os olhos claros de Avery deslizaram da loira até Anthony e ele imediatamente endireitou sua postura, seus ombros ficando tensos. A presença do ex-namorado de Bryant não despertava a antiga insegurança. O relacionamento que ele e Violet vinham construindo, mesmo que ainda não carregassem oficialmente o título de namorados, lhe dava todo o conforto necessário para que ele tivesse certeza de que Foster era uma carta fora do baralho.

Mas não era o medo de que Violet fosse repentinamente cair nos braços do ex-namorado que assombrava Matthew. E sim os estragos que a estupidez de Foster pudesse causar na repentina coragem de Violet em reassumir o controle de sua vida. Apesar de tudo, Matt não acreditava que Anthony fosse ser propositalmente cruel com Violet, mas sabia que o rapaz era burro o bastante para simplesmente falar as coisas sem pensar no impacto que poderia ter para a loira.

O beijo que a loira o surpreendeu foi rapidamente retribuído, sendo prolongado por alguns segundos, como se Avery quisesse reforçar com aquele gesto de que ele estava mais uma vez ao seu lado para protege-la. Matt não tinha intenção de se exibir para Foster, mas também era impossível ignorar o gostinho de vitória quando ele se colocou novamente de pé e encarou o colega a sua frente.

- Não se preocupe, linda. Algumas pessoas não conseguem acompanhar o ritmo nem mesmo assistindo a todas as aulas. Tenho certeza que você só precisa de alguns dias para recuperar o atraso.

Era óbvio que Anthony não havia compreendido aquela discreta indireta sobre o seu próprio desempenho acadêmico. Mas mesmo com a mente um tanto atrofiada, ninguém poderia culpar Foster por ter toda a sua concentração focada apenas em compreender o beijo que havia acabado de acontecer diante dos seus olhos.

- Achei que você fosse viado, Avery.

Os braços fortes de Anthony estavam cruzados diante do seu peito musculoso e ele encarava Matthew com nojo. Matt, por outro lado, não exibia o mesmo porte atlético, mas estava inegavelmente atraente naquele dia. A calça preta combinava com a blusa de mangas compridas com uma cor vinho. Na gola, os três únicos botões existentes estavam abertos em uma aparência quase desleixada, em perfeita harmonia com os cabelos negros que apontavam para todas as direções.

Porém, o que mais tornava Matt diferente naquele dia de qualquer outro era o confiante sorriso que ele trazia nos lábios. A timidez de sempre havia sido deixada de lado e ele se sentia quase poderoso em ter a loira ao seu lado. Seu braço estava esticado e apoiado em um dos ombros de Violet, os dedos acariciando a pele com delicadeza.

- E eu sempre soube que você era uma toupeira. Acho que a assertividade das nossas teorias já diz bastante sobre a gente, hm?

Com um irritante sorrisinho nos lábios, Matt finalmente ocupou a cadeira ao lado de Violet no mesmo instante em que o professor entrou na sala, se desculpando pelo atraso e mais uma vez salvando o herdeiro dos Avery de carregar um hematoma provocado por Foster.

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Re: Stanford University

Mensagem por Michaela Moccia em Ter Nov 29, 2016 1:25 am

- Urg, isso é patético. Deveria ter neve lá fora, anjos de neve, bonecos de neve! Esse sol da Califórnia não combina com o Natal!

Stacey espremeu os olhos pela janela antes de bufar mais uma vez, desistindo da paisagem ensolarada para se jogar no sofá do melhor amigo. Deitado sobre o carpete, o pequeno Jer, que havia crescido consideravelmente nos últimos meses, continuou com a cabecinha apoiada entre as patas e apenas deslizou seus olhos tão negros quanto o pelo para acompanhar o caminho da ruiva.

- Achei que você tivesse crescido na Califórnia. – Angie ergueu uma sobrancelha.

A loira estava agachada no carpete, ao lado de Jeremy. Em frente a ela, havia uma mala mediana de onde ela começava a retirar as roupas sujas usadas na viagem para irem direto para a máquina de lavar.

- É, mas todo natal a gente ia visitar a vovó em Washington. Eu tinha chocolate quente, lareira, cookies frescos... E agora estou presa na Califórnia com bronzeados, ar condicionado e você. – Com um nariz enrugado, os lábios de Stacey se curvaram em um bico e ela cruzou os braços contra o peito. – Sem ofensas.

- Eu realmente não sei como não me ofender com isso.

Apesar do comentário, Angie abriu um sorriso carinhoso para amiga enquanto continuava na sua tarefa de retirar as roupas sujas da mala. Apesar do destino das peças serem a máquina de lavar, a loira dobrava delicadamente cada uma delas e as separava em pilhas para roupas coloridas, escuras e brancas.

- O que você está fazendo aqui, afinal? Achei que só fosse voltar para Stanford depois das festas de final de ano.

As botas de Stacey estavam apoiadas no sofá e ela cutucava os fios ruivos despreocupadamente. Enquanto Angie estava ocupada demais com a sua tarefa, ela não notou quando Jeremy esticou a pata para pegar um dos pés de meia branca de Dominic que havia escorregado da pilha de roupas brancas. Stacey abriu um sorriso divertido para o cachorro e não fez nenhuma menção de repreendê-lo.

- Bom, você sabe como eu adoro ficar entre meu pai e o Nick por dias e mais dias... – A loira a encarou significativamente, dando ênfase ao seu sarcasmo. – Mas eu precisava voltar. Tenho uma grande apresentação na primeira semana de volta as aulas, então pensei em aproveitar o tempo e preparar tudo.

Aquela poderia ser apenas uma das manias de Angeline em organizar cada mínimo detalhe, mas ela já havia dado provas concretas de que havia se transformado naquele último ano. Angie ainda era uma menina responsável e preocupada com o futuro, mas não deixava mais que sua agenda azul controlasse cada segundo da sua vida.

A presença de Dominic certamente havia feito uma transformação e Angie havia provado que não precisava ter os segundos cronometrados para conseguir se destacar em seus estudos. A apresentação havia sido ideia de um professor que simplesmente se encantou com o método que a loira tinha para se organizar.

A ideia inicial era apenas incentivar Angeline a compartilhar o seu método com o restante da turma, mas quando ela percebeu a dimensão que o assunto estava tomando, o professor Hudgens já havia preparado uma palestra para qualquer aluno de Stanford que tivesse interesse. Angie havia publicado um pequeno artigo na revista da universidade e teria a chance de aprofundar o assunto como uma especialista para todos aqueles que tinham interesse em otimizar o próprio tempo e ganhar mais em seus objetivos.

- As coisas estão melhores com o seu pai?

Uma pequena sombra passou pelos olhos azuis de Lockwood, mas ela não se prolongou naquela tristeza, respondendo da forma mais natural que conseguia. O assunto ainda era delicado, mesmo um ano depois.

- Eu não posso castiga-lo para sempre. Além do mais, eu continuo aqui, às custas da Lucille, não é? Seria muita hipocrisia continuar punindo meu pai.

Um pequeno furo foi feito pelos dentes de Jeremy na meia de Dominic, mas Angie continuava sem notar a travessura do cachorro ao seu lado.

- E a sua mãe?

Como um reflexo, os lábios de Angie se contorceram até formar uma careta de nojo diante das palavras de Stacey. Para a ruiva, mesmo sabendo do histórico complicado da família Lockwood, ainda era bastante natural se referir a mulher que havia colocado Angeline no mundo como “mãe”. Para a loira, entretanto, a outra continuava como uma completa estranha que simplesmente financiava o seu estudo.

- Lucille enviou um cartão de natal me convidando para passar a ceia de natal com ela. Jeremy comeu o cartão quando ele caiu da pilha de correspondência. Acidentalmente, é claro.

Ao mencionar o cachorro, o olhar de Angie finalmente deslizou para o cão negro que mastigava a meia como se fosse um dos seus brinquedos. A menina arregalou os olhos e antes mesmo que o grito dela ecoasse pelo apartamento, o cachorro já havia notado o seu flagra.

- JEREMY!!!

Um som esganiçado escapou da boca de Jeremy e ele deu um salto, correndo para longe da dona, deixando para trás a prova do seu crime. Atraído pelo som, o rosto de Dominic apareceu para fora da porta do quarto, os cabelos molhados denunciando o banho interrompido.

Para explicar ao namorado o motivo do seu grito, Angie apenas ergueu a meia ensopada de baba e completamente destruída.

- Outra meia destruída. Pelo menos já sei o que te dar de natal.
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Re: Stanford University

Mensagem por Dominic Sjogren em Ter Nov 29, 2016 5:19 pm

Menos de um ano havia se passado desde a vitória na aposta, mas Dominic Sjogren sentia que havia se transformado em outra pessoa naqueles últimos meses. É claro que o russo mantinha aquela personalidade divertida e despreocupada, mas ele não era mais aquele rapaz que encarava o relacionamento com Angeline como uma brincadeira.

Aliás, o fato de Nick ainda estar com Lockwood mesmo tanto tempo depois de ter vencido a disputa com David era a prova de que o namoro com a menina se tornara algo muito maior que uma simples aposta. A convivência com Angeline fez com que o russo aprendesse a admirar as qualidades dela e a valorizar o sentimento puro e desinteressado que a loira nutria por ele.

No começo, Dominic teve medo de que a verdade viesse à tona e colocasse um fim na relação com Angeline. David cumpriu sua palavra e abriu espaço para que o colega tivesse o tão desejado estágio, mas a amizade dos dois ficou terrivelmente abalada. Além do descontentamento do colega, Nick teve que lidar com a fúria de Monica quando a morena percebeu que o namoro dele com Angie não terminaria com o fim da aposta.

Contudo, as semanas se sucederam sem que aquela verdade chegasse aos ouvidos de Lockwood e este fato deu a Dominic a certeza de que não havia mais riscos. A aposta foi deixada para trás e agora se tornara apenas uma lembrança distante, escondida tão profundamente na memória de Sjogren que, às vezes, o próprio rapaz se esquecia das circunstâncias nas quais se aproximara da namorada.

Apesar das diferenças gritantes entre os dois jovens, era impressionante ver como Nick e Angie se davam bem. Era um relacionamento completo, com momentos de diversão, passeios e viagens, com tardes inteiras de estudo, com a sintonia gritante em cada gesto, carícia e olhar. Formalmente, Angeline ainda dividia o dormitório com Stacey. Mas o pequeno apartamento de Sjogren já tinha tantas coisas da namorada que Angie poderia viver ali por dias sem sentir falta de nada.

Patrick Lockwood ainda torcia o nariz para Dominic e muito provavelmente nunca encararia o russo como um filho. Mas até mesmo o pai protetor e ciumento de Angeline precisava admitir que aquele namoro ia muito bem. Ao contrário do que Patrick temia, Nick nunca havia feito nada grave para magoar a sua menina, era fiel, atencioso e arrancava os melhores sorrisos de Angie.

Ficou provado que os dois homens da vida de Angeline estavam ensaiando uma espécie de trégua quando, antes de voltar a Stanford, Nick incentivou o sogro a aparecer para a palestra de Angie. A menina dissera que não seria nada demais e que o pai não deveria perder seu tempo com aquilo, mas Sjogren o convenceu a aparecer e fazer uma surpresa para a filha.

Aquele era um segredo que Dominic estava disposto a guardar até o dia da apresentação para que Angeline nem tivesse a chance de fazer o pai desistir da viagem. Embora a loira repetisse que a sua palestra seria somente uma apresentação sem importância, a cada dia aumentava a quantidade de nomes inscritos para participar do evento e o projeto alcançava dimensões cada vez maiores.

- Vai me dar meias de natal...? – Dominic forçou uma careta divertida – Sério? Eu estava esperando por algo mais empolgante.

- Tipo uma jaqueta de couro nova. – Stacey provocou o amigo imitando a careta dele – A sua está tão velha que corre o risco de desmanchar na próxima curva mais acentuada que você fizer. Qualquer dia você vai chegar seminu no estágio. Será uma loucura, espero que caia no Youtube.

Somente Angeline entenderia aquela provocação, visto que Stacey havia mostrado a ela a jaqueta que comprara para presentear o amigo no Natal. Para Nick, era apenas mais uma das tantas brincadeiras da amiga, então ele apenas girou os olhos antes de vestir uma camiseta e desabar no sofá, exausto pela viagem.

- Deixa isso aí, korotyshka, depois eu enfio tudo na máquina.

- Aham. – Stacey novamente implicou – Enfia as brancas por baixo das coloridas, as de seda junto com as de algodão.

- Você não está ajudando, Stay.

- Estou ajudando a Angie a preservar as próprias blusinhas, gato. Com você e com o Jeremy atuando ativamente na destruição das roupas, a Angie vai precisar renovar o guarda-roupa inteiro em breve.

Antes que Angeline pirasse com aquela possibilidade, os braços do namorado a enlaçaram por trás e Dominic a puxou para o seu colo. Os dois se embolaram no sofá e Stacey girou os olhos de forma divertida enquanto flagrava um beijo. Apesar das implicâncias, era evidente que a ruiva apoiava aquele namoro de forma incondicional.

- Vocês não tem um pingo de respeito. Tem crianças na sala, sabia? Vou pedir suspensão desta guarda compartilhada e pegar o Jer só para mim. Vocês estão traumatizando o pobrezinho.

Um estalar de dedos foi o suficiente para que Jeremy seguisse os passos de Stacey até a cozinha. A ruiva anunciou que faria pipoca para que eles pudessem prosseguir com os planos de descansar da viagem vendo uma maratona de séries, mas aquela ideia também servia para dar mais um pouco de privacidade ao casal.

Depois de um beijo longo, Nick reabriu os olhos e acariciou o rostinho delicado de Angeline. Há vários meses, também após uma viagem até Sacramento, Angeline havia tomado a iniciativa de fazer uma declaração que Sjogren não estava preparado para receber.

Naquela tarde, contudo, a iniciativa partiu do próprio Dominic e ele estava certo de que não poderia haver momento melhor que aquele para retribuir – com algum atraso – à declaração da loira.

- Lembra daquela conversa esquisita que tivemos depois da primeira viagem até a casa do seu pai...?

O russo deu à Angeline tempo para interpretar suas palavras e para entender a que ele estava se referindo. Quando o semblante dela se iluminou com a compreensão, Nick completou seu discurso com um sussurro.

- Eu também, korotyshka.
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