Stanford University

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Mensagem por Violet Bryant em Sab Nov 05, 2016 6:00 pm

O primeiro dia em uma nova escola nunca havia sido um problema na vida de Violet Bryant. A garota nunca havia experimentado a sensação de frio na barriga, nem o medo irracional de não ser aceita pelos novos colegas. Como nascera e crescera em uma cidade de médio porte, Violet sabia que já conheceria vários rostos pelos corredores e que o sobrenome do seu pai trataria de lhe abrir novas portas.

Afinal, quem não conhecia Isaac Bryant? Depois de uma carreira mais do que louvável no basquete, o pai de Violet havia se aposentado como dono de uma grande fortuna. Seu dinheiro foi aplicado nos investimentos certos e lhe rendeu ainda mais lucros. Mesmo agora que não tinha mais idade para brilhar dentro das quadras, o Sr. Bryant continuava sendo uma figura influente no esporte e tornara-se dono de uma das marcas de produtos esportivos mais badalados do país. O casamento com Alexia Bryant era sólido e dele viera duas filhas.

Violet era a primogênita e havia reinado absoluta dentro daquela família até que num “acidente” do casal, nasceu a pequena Jasmine. A caçula só tinha oito anos quando a irmã mais velha terminou o colegial, foi aprovada em Stanford e saiu de casa para iniciar uma nova etapa de sua vida, agora em uma grande universidade.

Exatamente por nunca ter sofrido com aquele tipo de ansiedade, Violet não sabia como reagir naquela manhã. Era o seu primeiro dia de aula na Faculdade de Engenharia e a menina encarava o campus como se estivesse diante de uma arena de gladiadores na qual ela seria a primeira vítima a se apresentar ao grande público. Tudo era novo, enorme e amedrontador, bem diferente dos colégios que Bryant conhecia.


O campus era do tamanho de uma pequena cidade e, portanto, Violet precisou de um mapa para se localizar naquele primeiro dia de aulas. Vários calouros completamente perdidos também corriam de um lado para o outro consultando mapas e quadro de horários, certamente seria grande o número de estudantes que se atrasariam para as primeiras aulas do dia.

Depois de longos minutos e de parar várias vezes para pedir informações, Violet finalmente estacionou o seu carro perto do prédio das Ciências Exatas. Assim como os demais prédios, o local tinha uma arquitetura clássica e era rodeado por árvores altas. Uma rampa dava acesso ao segundo andar onde, segundo o quadro de horários nas mãos de Bryant, ela encontraria a sala onde aconteceria a primeira aula do curso de Engenharia Civil.

A sala era ampla e confortável. Na frente, ficava um tablado elevado em frente a um quadro branco onde os professores certamente ministravam suas aulas. Diante do tablado, dezenas de mesinhas se enfileiravam formando linhas sucessivas que chegavam até o fundo da sala. Para imenso desagrado de Violet, a sala já estava lotada quando ela entrou e todos os olhos foram voltados em sua direção.

Como a garota já esperava, a maioria esmagadora de seus colegas eram rapazes. Mesmo que o papel das mulheres estivesse crescendo gradativamente em todas as áreas, os cursos de exatas ainda atraíam muito mais o interesse masculino. As poucas garotas da turma podiam ser contadas nos dedos de uma mão e isso explicava a confusão que a entrada de Violet provocou na sala.

- Ih, mais uma caloura perdida! – um dos rapazes brincou, arrancando risadas dos demais – O prédio de Humanas fica bem no início do campus. E o de Biológicas fica aqui atrás, se você correr ainda chega lá a tempo. Aqui é o prédio de exatas, gata.

- Então é exatamente aqui que eu deveria estar.

- Arquitetura? – o mesmo rapaz arriscou outro palpite e apontou para cima – Terceiro andar.

- Engenharia Civil.

Como tinha certeza de que chegara à sala certa, Violet não esperou pela resposta antes de colocar sua bolsa sobre uma das mesinhas da primeira fileira. Não houve nenhum comentário malicioso e nenhuma brincadeira em voz alta, mas a loira podia sentir todos os olhares da sala estudando-a com interesse, como se ela fosse uma espécie muito rara em exposição dentro de um zoológico.

Não era a primeira vez que a filha de Isaac Bryant precisava lidar com aquele tipo de preconceito. Desde que dissera pela primeira vez que queria cursar Engenharia, Violet escutava que aquele tipo de curso não combinava com ela. Algumas pessoas mais indiscretas tinham a audácia de sugerir que ela cursasse Moda, Teatro ou qualquer outra coisa que a ajudasse a ingressar numa carreira artística. Também havia quem dissesse que Violet deveria fazer Educação Física para seguir os passos gloriosos do pai no mundo esportivo e para honrar a genética dos Bryant.

Aqueles conselhos foram lindamente ignorados pela loira, mas Violet se enganou ao pensar que, dentro da universidade, aqueles comentários cessariam. A forma como os colegas a encaravam e cochichavam entre si provava que Bryant não se encaixava naquele contexto.

Os cabelos loiros sedosos e anormalmente longos chamavam a atenção de longe. Os fios eram lisos, mas formavam discretas ondas nas pontas, que terminavam praticamente na cintura fina de Violet. Os olhos azuis estavam levemente marcados por uma maquiagem discreta, assim como os lábios cobertos por um batom rosado.

Violet se parecia muito com a Sra. Bryant, mas havia herdado do pai a estatura que ajudara Isaac a se destacar no basquete. Embora fosse mais alta que a maioria esmagadora das outras garotas, Violet se sustentava em cima de saltos com naturalidade, sem parecer nem um pouco atrapalhada. Seu corpo era magro, mas tinha curvas nos lugares certos e, naquela manhã, o vestido listrado em branco e preto marcava com perfeição todos os detalhes que nenhum daqueles rapazes esperava ver no primeiro dia de aula.

De dentro da bolsa de marca, Violet retirou um caderninho para fazer suas anotações. O iPhone foi deixado em cima da mesinha, no silencioso, mas vibrava a cada dez segundos com uma nova mensagem no Whatsapp. Por isso, a loira foi obrigada a desligar o aparelho quando o professor assumiu seu lugar no tablado para dar início à primeira aula do curso.

Enquanto o homem iniciava seu discurso com as costumeiras orientações do início do ano letivo, Violet se deu conta de que havia se esquecido a bolsinha de canetas em cima do sofá do novo apartamento. A moça usou uma entonação baixa quando pediu uma caneta emprestada ao colega sentado ao seu lado, por isso se surpreendeu quando cinco mãos diferentes surgiram a sua frente carregando canetas.

Aquele gesto tolo dos rapazes fez com que Violet se sentisse repentinamente mais à vontade. Era como estar de volta ao colégio onde ela era a mais popular e a garota mais desejada, tanto pela beleza quanto pela influência do sobrenome dos Bryant. Qualquer caneta lhe serviria, mas Violet sabia que aquela escolha ia muito além disso.

Os olhos azuis estudaram os cinco rapazes ao seu redor com atenção antes que Bryant guiasse sua mão na direção do mais bonitinho. Os braços musculosos denunciavam que, muito provavelmente, a vaga dele na Engenharia fora garantida graças ao bom desempenho no time do colégio, e que ele provavelmente também fora um aluno popular antes de parar em Stanford.

- Obrigada... – a pausa foi sugestiva para que o garoto completasse com o nome.

- Anthony.

- Obrigada, Thony. Você é muito gentil.

Quando Violet se virou novamente na direção do quadro, Anthony abriu um sorriso vitorioso para os outros colegas. O rapaz ao lado de Bryant – para quem ela havia pedido a caneta inicialmente – ainda levou um tapinha nas costas e teve que ouvir a provocação sussurrada pelo “vencedor” daquele duelo.

- Não seja ridículo, Matt. Você precisa nascer de novo umas cinco vezes pra ter alguma chance com ela.
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Violet Bryant

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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Nov 06, 2016 12:17 am

- Você tem certeza que vai ficar bem?

- Depende. Se você não me soltar pelos próximos trinta segundos, provavelmente vai faltar oxigênio no meu cérebro.

As palavras de Angeline Lockwood soaram abafadas contra o peito do pai, completamente presa em um abraço de urso que estava demorando além do que era socialmente aceito. Só quando percebeu que a voz da filha estava realmente ofegante, o Sr. Lockwood a soltou, mas sem permitir que ela se afastasse completamente.

As mãos grandalhonas do homem seguravam os braços finos de Angeline e ele estudava atentamente o rosto da menina, os olhos castanhos brilhando com o imenso orgulho que ele sentia de levar a sua única filha até a universidade.

Em contraste com o homem grandalhão que parecia vestir uma fantasia de lenhador rústico, Angeline era magra e parecia ainda mais baixinha diante do pai. Quem olhasse de longe, teria dificuldades para identificar que os dois estavam ligados geneticamente, mas aquela diferença na aparência era explicada pela cópia fiel que a menina era da mãe.

Enquanto Patrick Lockwood era grandalhão, com cabelos negros escondidos por um boné e com a barba por fazer, Angeline contrastava com a pele pálida, os intensos olhos azuis e os cabelos loiros presos em um desengonçado rabo-de-cavalo. Assim como o pai, ela também usava um boné e a semelhança se limitava no blusão vermelho de Stanford que ambos usavam.


A caminhonete preta da família estava estacionada em uma das vagas destinadas aos estudantes e Patrick havia acabado de carregar a última caixa da mudança de Angeline para o dormitório que ela passaria a morar naquele ano.

O quarto era pequeno, mas tinha espaço suficiente para duas camas em paredes opostas, além de um pequeno armário para cada uma das meninas que moraria ali. No lado direito, a cama forrada e os pôsteres de bandas de rock indicavam que já havia uma moradora. O lado que seria ocupado por Angeline estava completamente vazio e impessoal, apenas com suas caixas de livros e roupas acumuladas.

- Você cresceu rápido demais, ursinha.

Os olhos azuis de Angeline giraram, mas ela manteve um sorriso nos lábios, mostrando que não se incomodava tanto assim com o apelido de infância. O que seria vergonhoso para tantas meninas na sua idade, era visto com naturalidade por Angie.

Ela e o pai não tinham mais ninguém no mundo. A mãe havia abandonado a família quando Angeline tinha apenas nove anos e a responsabilidade de criar a menina havia ficado inteiramente para Patrick. Ele se dedicava ao trabalho em um pequeno café de um bairro afastado de Sacramento e da tarefa de educar a filha da melhor maneira possível.

Por isso, Angie sabia que o pai estava orgulhoso não somente dela naquele dia. Ele havia cumprido a tarefa de educa-la e coloca-la em uma das melhores universidades do país. Depois de dez anos de dedicação, ele tinha todo o direito de usar um apelido ridículo e se emocionar em deixar a filhinha querida em uma distância de mais de duas horas de viagem.

- Então, recapitulando... – Patrick assumiu uma postura mais séria e ergueu os dedos para enumerar as regras que ele havia criado desde que Angie entrara no ensino médio. – Você vai me telefonar todos os dias. Todos. Sem exceção. Não vai pular refeições. Seu limite de café continua sendo um por dia. Nada de festas nos dias de semana. E nada de garotos no quarto.

- Você sabe que eu poderia apenas mentir e dizer que não fui nas festas, que tomei só um café e que comi frutas e verduras em todas as refeições, não é?

- Eu sei. – Patrick admitiu, erguendo um dos ombros. – Mas conheço você bem o suficiente para saber que não vai fazer isso.

Aquela confiança cega poderia ser um erro de muitos pais, mas Patrick estava certo em saber que a filha não cometeria deslizes. Os dois haviam planejado aquela entrada na faculdade por tempo demais para que a menina arruinasse tudo. Além do mais, Angie sempre foi extremamente responsável e organizada.

O Sr. Lockwood provavelmente teria inventado mais alguma desculpa para abraçar e dizer o quanto estava orgulhoso de Angeline, quando os dois foram interrompidos pela porta do quarto sendo aberta abruptamente.

As sobrancelhas de Patrick foram arqueadas quando uma menina de cabelos curtos e pintados de vermelho entrou sorridente, sem se espantar que tivessem dois estranhos em seu quarto. O espanto estava inteiramente explícito no rosto de Patrick e Angie teve vontade de gargalhar da expressão abobalhada do pai.

Além dos cabelos tingidos de um vermelho berrante, a menina exibia um piercing nos lábios e, embora ainda não estivesse na hora do almoço, estava vestida pronta para uma noitada. O vestido preto era justo e curto demais, as pernas estavam cobertas por uma meia arrastão e saltos altíssimos, além de uma pesada maquiagem.

- Oiiiiii!!! Você deve ser a minha nova colega de quarto!

Com um impressionante equilíbrio sobre os saltos, a menina se aproximou de Angeline e a abraçou com uma intimidade surpreendente. Angie sabia que em Stanford passaria a lidar com pessoas completamente diferentes de Sacramento, mas ainda não estava preparada para lidar com aquilo.

- Meu nome é Stacey e.... uaaau! – Stacey voltou a tocar Angeline, desta vez levando seus dedos diretamente no rosto da loira. – Sua pele é incrível!

Os olhos de Patrick pareciam que iriam saltar de seu rosto a qualquer instante e Angeline sabia que precisaria intervir antes que o pai fizesse um escândalo. Com um sorriso simpático nos lábios, ela esticou a mão para apertar os dedos de Stacey.

- Obrigada. Sou Angeline, mas pode me chamar de Angie.

Só quando Stacey se afastou para seguir até o seu canto do quarto, Angie notou a presença de uma outra pessoa parada na porta. Os olhos azuis deslizaram até pousar no rapaz e ela imediatamente corou ao notar a beleza dele. Os olhos eram intensos e ao mesmo tempo misteriosos, diferente de tudo que ela estava acostumada em Sacramento. Ele não era tão chamativo quanto Stacey, mas também não parecia se encaixar no padrão dos bons meninos do seu antigo colégio.

Ao perceber que a atenção dos Lockwood havia se voltado para a porta, Stacey se virou para encará-los, explicando com um tom displicente.

- Não liguem para o Nick! Ele só veio me dar uma carona. Ele é sem educação assim mesmo...

Os cabelos vermelhos deslizaram para frente quando Stacey baixou o rosto para a gaveta de sua cômoda. Sem o menor constrangimento, ela puxou uma calcinha vermelha, mais algumas peças de roupa e jogou sem o menor cuidado em uma bolsa.

- Nos vemos mais tarde, Angeline. A festa dos calouros vai ser o máximo!

Stacey jogou um beijo no ar antes de puxar Nick pelo braço, arrastando-o para fora do quarto. Os olhos azuis de Angie ainda estavam presos no rapaz quando ele desapareceu, só sendo puxada de volta a realidade com a voz furiosa de Patrick ao seu lado.

- Você vai mudar de dormitório. Agora mesmo!
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Dom Nov 06, 2016 1:25 am

- Uma gracinha a sua nova colega de quarto.

O comentário só veio quando os dois jovens alcançaram a calçada. Dominic Sjogren estava alguns passos à frente da amiga, mas interrompeu a caminhada para que uma Stacey atrapalhada conseguisse alcançá-lo, a agilidade da garota seriamente prejudicada pelos saltos gigantescos e pela bolsa pendurada em um dos ombros.

- É um comentário meio inadequado para um cara que tem namorada. – Stacey retrucou com um sorrisinho sarcástico enquanto jogava a sua bolsa sobre uma motocicleta moderna estacionada bem em frente ao prédio dos dormitórios.


- Por sorte não é o meu caso.

- Não? – uma das sobrancelhas finas de Stacey se arqueou e ela cruzou os braços quando encarou o amigo com mais seriedade – Então avise a Monica sobre isso, ela definitivamente não concorda com a sua opinião sobre o relacionamento de vocês.

A provocação de Stacey obteve como resposta somente um girar de olhos do rapaz. Era fácil não se aborrecer com as implicâncias da amiga depois de mais de dez anos de convivência.

Dominic ainda se lembrava com perfeição do seu primeiro dia em uma escola americana. O inglês não era um problema visto que sua mãe – nascida e criada nos Estados Unidos – havia feito questão que o filho falasse a sua língua. Mas todo o resto era um grande e amedrontador desafio para um garoto russo. Nick ainda amaldiçoava a empresa que transferira seu pai para a Califórnia quando Stacey Adams sentou-se ao seu lado em uma aula de Matemática e a amizade surgiu com uma naturalidade impressionante.

Embora fossem estupidamente diferentes, os dois construíram uma amizade tão sólida que durou todo o tempo do colegial e estendeu-se para a faculdade. Quando ambos foram aprovados em Stanford, não houve nenhuma dúvida de que deveriam partir juntos para mais alguns anos de estudo, desta vez em áreas completamente distintas. Stacey cursava Administração e o amigo fora aprovado em Medicina, mas nem mesmo os compromissos distintos abalaram aquela amizade sincera.

Ao contrário do que a maior parte das pessoas imaginava, nunca houvera entre os dois nenhum interesse além da amizade. Stacey colecionava namorados, assim como Dominic passara a chamar a atenção das meninas quando deixou para trás o estigma de estrangeiro novato para se transformar em um rapaz atraente. Eles costumavam brincar com a ideia de que se casariam aos quarenta anos se tudo desse errado, mas é óbvio que aquela ideia não era levada a sério.

De todas as namoradinhas que Dominic já tivera desde a adolescência, Monica Clark era a primeira que Stacey desaprovava. As duas eram colegas de curso e estavam no segundo período de Administração, mas era exatamente por conhecer tão bem a outra garota que Stacey torcia o nariz ao vê-la com o melhor amigo.

- Qual o problema com a Mon, hm? – Nick provocou, mesmo já sabendo a resposta que viria da amiga – Achei que fossem amigas...

Monica era uma garota linda com seus um metro e oitenta de altura, um corpo escultural, longos cabelos negros, lábios carnudos e um sorriso estonteante. Também era uma excelente aluna, tirava excelentes notas e se destacava nos trabalhos. Qualquer um que a visse teria uma ótima primeira impressão, mas Stacey já havia tido experiências negativas o bastante para construir outra imagem da colega.

- Ela é uma vaca interesseira com pós graduação em puxamento de tapetes. Tirando o rostinho bonito dela, o que resta?

- Um traseiro ainda mais bonito.

Foi a vez de Stacey girar os olhos e arrancar uma gargalhada debochada do melhor amigo. Dominic conhecia com detalhes a história de como Monica havia boicotado os colegas para conseguir o estágio na empresa de um dos professores, mas o rapaz preferia não se meter naquela confusão.

Seu relacionamento com Clark não era tão sério para que Sjogren comprasse uma guerra com a melhor amiga por ela, mas ele também não pretendia se livrar de uma companhia feminina agradável por causa de um desentendimento interno de um curso no qual ele nem estava matriculado.

- Ela é uma péssima influência. – Stacey estava mais séria quando encarou o amigo – Você merece coisa melhor, mesmo se for só zoeira.

- Relaxa, eu sei o que estou fazendo, gata.

Dominic entregou um dos capacetes para a amiga antes de subir na moto. Stacey ocupou o assento como garupa e segurou-se com firmeza na jaqueta de couro do amigo enquanto o rapaz dava a partida e arrancava a moto com um discreto cantar de pneus.

Como Stacey comentara, Dominic só estava ali para dar uma carona a ela antes de correr para a sua aula de Anatomia Humana. A garota foi deixada diante do prédio onde funcionava o seu estágio não remunerado, já que o único estágio remunerado oferecido no primeiro semestre fora pego por Monica Clark de forma nada digna.

Os dois jovens se despediram com a promessa de se encontrarem novamente na festa de recepção dos calouros, que aconteceria naquela noite. Sjogren já havia combinado de comparecer ao evento acompanhado por um grupinho de amigos, mas certamente dedicaria um pouco do seu tempo para a garotinha esquisita que o acolhera em seu terrível primeiro dia de aula em uma escola americana. A amizade de Stacey era uma das coisas mais valiosas na vida de Dominic e ele jamais abriria mão das maluquices dela.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Nov 06, 2016 1:29 am

A sensação de estar encolhendo em sua carteira, como se a qualquer minuto fosse pequeno demais até mesmo para suas roupas e que desapareceria diante dos olhos de todos os colegas não era nenhuma novidade na vida de Matthew Avery.

O filho caçula de uma grande família era incapaz de se destacar até mesmo diante dos olhos dos pais. Seu impecável currículo, as notas altas e a formatura de destaque em um dos renomados colégios particulares da Califórnia eram apenas suas obrigações básicas, principalmente quando comparado com os irmãos mais velhos.

Hardin, o filho primogênito, era o principal orgulho dos pais. Depois de ter se formado em medicina sendo um dos mais novos de sua classe, o rapaz ingressou em um estágio em um dos hospitais de Seattle e já concorria a um dos cargos de liderança do departamento cirúrgico. Meredith, a filha do meio, havia seguido a mãe na empresa de software que já havia ganho destaque na Forbes por dois anos seguidos como uma das empresas mais lucrativas da América.

O fato do filho mais novo ter escolhido o curso de engenharia e ter um futuro promissor não era nenhuma surpresa para os pais de grandes talentos, muito menos a sua conquista de uma vaga em uma das universidades de maior renome. Ali, embora fosse um fato desconhecido por todos, Matthew era o filho do reitor que preferia esconder o seu sobrenome do que ter a imagem associada com os demais membros da sua família.

Se dentro de casa ele era ofuscado pelos irmãos, o mundo real não estava muito distante do que ele conhecia em casa. O ensino rigoroso e a autoestima prejudicada não haviam permitido que Matthew crescesse como um adolescente normal.

Enquanto seus colegas estavam ocupados com as namoradinhas, com viagens pelo mundo e em ser apenas jovens irresponsáveis, Matthew precisava se esforçar para se igualar aos irmãos. Com as qualidades sociais prejudicadas, não era de se espantar que ele tivesse chegado até a faculdade sem nenhum namoro sério em seu histórico.

As palavras de Anthony poderiam ser bastante rudes, mas Matt precisava concordar com a sinceridade do colega. Ele tinha poucas chances com uma garota normal. Chegava a ser ridículo pensar que poderia chamar a atenção da menina ao seu lado, cuja beleza era tão acima do padrão.

Matt não era exatamente tímido, mas estava longe de ser tão social quanto os demais rapazes e certamente estava longe de ter as habilidades de Anthony. Enquanto Thony fazia com que garotas se derretessem aos seus pés apenas com o sorriso, Matt parecia querer se esconder com a própria aparência.

Os olhos verdes traziam uma inocência que não era tão comum nos rapazes daquela idade, mas refletia também uma tristeza que Matt tentava esconder com seu simpático sorriso. Os lábios bem desenhados se encaixavam com perfeição no rosto de menino e os cabelos castanhos apontavam em todas as direções.

A fortuna dos Avery certamente permitiria que Matt se vestisse com as melhores marcas e dirigisse os melhores carros, mas quem olhasse para o rapaz pelo campus, veria apenas mais um calouro que precisava lutar com a cara mensalidade e as despesas de morar sozinho. A calça jeans escura e a camisa cinza de algodão não faziam com que ele se destacasse.

Matt já havia afundado na carteira e se esforçado a prestar atenção na voz do professor, mas era impossível controlar o próprio olhar de deslizar repetidas vezes até a menina ao seu lado. Assim como mais da metade da turma, ele estava encantado com a beleza de Violet Byant.

O cotovelo foi apoiado na carteira e Matt tentou esconder o próprio rosto enquanto brincava com algumas mechas dos cabelos castanhos, como se aquele gesto pudesse evitar que Violet notasse o seu interesse.

Para um aluno exemplar como Avery, foi a primeira aula de sua vida em que ele foi capaz de absorver uma única palavra e lamentou profundamente quando as pessoas ao redor começaram a fechar os livros abruptamente, indicando que a turma estava dispensada.

- Você não precisa desligar o seu iPhone...

Matt se surpreendeu quando ouviu a própria voz ecoando. Alguns rostos ao redor também viraram surpresos, principalmente porque a atenção já estava voltada para aquele canto da sala, focados em Violet.

O rapaz sentiu o próprio rosto esquentar, se esforçando para ignorar a atenção dos demais e encarar apenas a loira absurdamente atraente a sua frente. Ele parecia ainda mais patético se esforçando, mas precisava completar o raciocínio antes que a menina o achasse completamente louco.

- Eu notei que você desligou no começo da aula, por causa das mensagens. Você pode simplesmente colocá-lo em modo avião. Assim você ainda pode consultar as horas ou anotar alguns lembretes.

Quanto mais falava, mais Matt se arrependia de ter aberto a boca. Aquele era um comentário completamente dispensável em uma clara tentativa de chamar atenção, mas ao contrário de Anthony, a menina apenas o acharia maluco, com toda razão.

Ao notar que o rapaz estava perdido, Anthony soltou uma gargalhada e voltou a dar uns tapinhas nos ombros de Avery, fazendo com que ele se envergasse ligeiramente para frente.

- Uau, Matt... Você é mesmo um pequeno gênio, hm?

Abrindo o seu sorriso mais sedutor, Thony se voltou mais uma vez para Violet. Sua mão ainda estava firme no ombro de Matt, impedindo que o menino fugisse antes que a humilhação estivesse completa.

- O que o Matt está tentando dizer é que se você colocar em modo avião, pelo menos vai conseguir anotar o meu número.

- Não acho que foi bem isso que eu quis dizer, Thony... – Matt resmungou baixinho, evitando o olhar de Violet.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Dom Nov 06, 2016 2:02 am

Rapazes duelando pela sua atenção não era exatamente uma novidade para Violet Bryant. No colegial, como líder de torcida do time de basquete, a loira já podia escolher o rapaz que quisesse. Sua beleza contribuía para toda aquela popularidade, assim como o fato de ser filha de um dos maiores atletas da história dos Estados Unidos.

Exatamente por ter sido mimada durante os últimos anos, Violet pensava que aquilo era o certo. Aos olhos dela, não havia nada demais em ser o centro das atenções, em ser desejada por vários rapazes e poder escolher o mais bonito, o mais rico ou o mais popular. E foi este pensamento que a fez ignorar o colega tímido para dar atenção ao rapaz mais chamativo.

Por mais que ela achasse Matthew bonitinho, era uma injustiça compará-lo com Anthony. Os dois tinham a mesma altura, mas Anthony era mais corpulento e se destacava pelo comportamento mais galanteador e extrovertido. Os músculos do rapaz indicavam que ele era um atleta e Violet gostava daquela ideia. Na mente dela, o Sr. Bryant ficaria muito satisfeito se soubesse que sua primogênita estava saindo com um rapaz que teria um futuro tão promissor quanto o passado dele nas quadras.

Um sorriso enigmático brincava nos lábios de Violet quando ela estendeu a caneta de volta para Anthony. Os olhos azuis estudaram mais uma vez o corpo bem torneado do colega antes que Bryant tomasse a palavra.

- Você precisa usar um amigo para conseguir o número de uma garota?

A pergunta irônica fez o sorrisinho de Anthony morrer. O rapaz se remexeu, bastante desconfortável com o rumo tomado por aquela conversa, mas não abandonou aquela postura confiante.

- Só das garotas anormalmente bonitas. Não há confiança que se mantenha inabalável perto de uma garota como você.

A cantada barata fez Violet bufar com alguma impaciência e puxar a bolsa sobre a mesinha. Quando Anthony estava prestes a se convencer de que havia perdido aquela batalha, a loira lançou uma piscadela na direção dele.

- Mude a sua postura e tente novamente, Thony. Você merece uma segunda chance. Talvez você tenha mais sorte hoje, na festa de recepção dos calouros.

Bryant já havia dado três passos na direção da porta quando lembrou-se do conselho do outro rapaz e virou-se novamente para os dois, mas desta vez com a atenção presa em Matthew Avery. O sorriso dirigido a ele foi mais gentil, mas não parecia haver nenhum interesse na entonação dela. Violet apenas estava sendo educada com o colega.

- Obrigada pela dica, Mark. Vou tentar fazer isso da próxima vez.

O som dos saltos de Violet já ecoava pelo corredor que dava acesso à sala quando Anthony finalmente soltou o ombro de Matt. O colega se colocou na frente de Avery com um semblante debochado, como se estivesse diante de uma piada potencialmente divertida.

- Então, “Mark”...

Anthony fez questão de ressaltar o erro cometido pela loira, como se assim quisesse deixar claro que Bryant não havia prestado atenção nem mesmo ao nome do colega. Podia ser uma bobagem, mas era um sinal claro de que Violet não havia se interessado por Avery.

- Como somos amigos, eu vou te dar um sábio conselho. – o sorrisinho de Anthony se tornou mais maldoso – Poupe a sua dignidade e não tente se aproximar mais dela. Caras como você não ficam com garotas como ela. Sonhe o quanto quiser, mas não faça papel de palhaço na frente de todo mundo, cara.

O rapaz mordeu o lábio inferior antes de acrescentar num sussurro dirigido apenas a Matthew.

- Amanhã eu te conto como foi. O meu relato será o mais próximo que você vai chegar de dar uns amassos na loirinha.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Nov 06, 2016 2:27 am

- Ela tem um piercing, Angie!

A veia que parecia saltar na testa de Patrick já havia despertado a atenção de Angeline dezenas de vezes antes, mas a reação exagerada daquele dia só conseguia despertar a vontade de gargalhar. Os lábios que a menina espremia para conter a risada denunciava que seu esforço estava quase cedendo e ela precisou levar os dedos para tapar a boca.

- Pai, você pode relaxar por trinta segundos? Eu não vou colocar um piercing, não vou usar drogas e não vou tirar notas baixas. Estou aqui para pegar o meu diploma, lembra?

As palavras poderiam pertencer a um discurso pronto de qualquer jovem que ingressava na faculdade, mas Angelina parecia mesmo bastante sincera, e foi por identificar a verdade em seu olhar que Richard pareceu relaxar os seus ombros por um instante, embora ainda lançasse olhares desconfiados em direção da porta.

- E nem vai nessa tal festa. Não gostei da maneira com que aquele rapaz estava te encarando.

Angie sabia que aquele detalhe era apenas o ciúme paternal de Patrick falando, principalmente porque o pai estava sempre achando que os rapazes estavam lhe encarando com algum interesse, por isso não tentou discordar.

- Eu ainda tenho muito trabalho pela frente para organizar as minhas coisas, não vou ter tempo de ir nessa festa, de qualquer forma. Você fica mais tranquilo assim?

Uma das sobrancelhas de Patrick foi arqueada com desconfiança, mas era impossível manter aquele comportamento possessivo por tempo demais. A confiança que ele tinha em Angeline era grande demais para desperdiçar as últimas horas juntos com brigas.

- Vou ficar mais tranquilo quando você comprar o seu carro. Você viu o tamanho desse campus? Não quero você pegando esse tipo de carona também. – O dedo de Patrick foi apontado na direção da porta, como se a companhia de Stacey ainda estivesse ali.

- Eu vou, eu prometo!

Como se quisesse reforçar as próprias palavras, Angie puxou do topo de uma das caixas uma agenda com capa de corino azul, fechada por uma fivela que finalizava com um botão dourado. Uma caneta estava enfiada em um pequeno suporte e alguns pontinhos coloridos escapavam das páginas.

Sua fiel companheira já trazia todo os horários das aulas que teria em Stanford, assim como o endereço de cada prédio ao lado de um mapa. Entre seus compromissos das aulas, Angie havia anotado por dia cada um dos seus compromissos e especificado o horário para cada atividade. O detalhamento era tão grande que ela ainda havia incluído um “cochilo” de 20 minutos entre o estudo de um capítulo e outro.

- Quarta-feira, depois da minha aula de Sistemas de Administração. Eu já separei três concessionarias ao redor do campus e calculei o tempo que levo de ônibus entre cada uma delas.

O nível de detalhamento não surpreendeu Patrick. Aquela era uma das bizarrices de Angie que ele achava incrivelmente adorável e útil em seu futuro acadêmico. Depois de ficar satisfeito em saber que a filha não seria corrompida pelo mundo universitário, Patrick finalmente entrou em sua caminhonete e deixou a universidade para voltar até Sacramento.

Envolvida com a tarefa de organizar as suas coisas no que seria o novo lar, Angie se surpreendeu quando a noite finalmente chegou e Stacey mais uma vez entrou como um furacão no quarto. O semblante aborrecido dela se transformou em um sorriso agradável ao encontrar a loira.

- Hey, você ainda está aí! Cadê o seu pai bonitão?

O narizinho arrebitado de Angie se enrugou em uma careta de nojo e ela puxou as pernas contra o peito. Sua cama já estava devidamente forrada e a menina havia gastado os últimos minutos ouvindo música em seu iPod.

- Não repete isso nunca mais, tá legal?

Ao invés de parecer ofendida, Stacey apenas soltou um risinho e afundou o próprio colchão quando se sentou para retirar os saltos. Os olhos castanhos da menina de cabelos vermelhos passearam pelo canto arrumado de Angie, onde a diferença não poderia ser maior.

Enquanto o lado de Stacey estava bagunçado e exibia os pôsteres de bandas de rock, Angie havia forrado a própria cama com cores claras, organizado a mesinha de cabeceira com livros e sua agenda e deixado a cômoda perfeitamente limpa e sem tranqueiras na superfície. Na parede, ao invés dos pôsteres, apenas um quadro com os dias da semana, onde post its estavam enfileirados com as suas tarefas.

Em um primeiro momento, Angie achou que fosse escutar alguma piada maldosa ou qualquer comentário a respeito da sua organização, mas Stacey continuou agindo com naturalidade quando se encaminhou até o próprio guarda-roupa, analisando as roupas mal colocadas nos cabides.

- A festa já deve estar começando, mas ainda temos um tempo para nos arrumar. É bom dar um tempo para que as pessoas mais interessantes cheguem. Não queremos parecer desesperadas, né?

Sem se importar em estar diante de uma completa estranha, Stacey puxou o zíper do vestido e se livrou da peça com agilidade, ficando apenas com a roupa íntima por alguns segundos antes de puxar uma saia de couro curta junto com uma blusa vermelha extremamente decotada.

- Ahn... Na verdade estava pensando e descansar um pouco. Hoje foi um dia bem agitado.

Pela primeira vez, Stacey lançou o olhar de espanto para Angeline, como se estivesse diante de uma criatura mitológica.

- Como é que é? Você vai ficar aqui enquanto tem cerveja e comida de graça há dois prédios daqui? Nem pensar!

- Eu não bebo. – Angie confessou, sem se sentir constrangida com aquele detalhe que certamente a deixaria ainda mais bizarra aos olhos da colega de quarto.

- Tá legal, você não precisa beber. Mas eu preciso de uma companhia e você é gata o bastante para ser vista ao meu lado.

Não havia nenhuma maldade na forma com que Stacey colocava as palavras. Ela parecia ser uma menina legal, mesmo com as roupas ousadas e a aparência tão diferente do padrão. Além do mais, estava sendo bastante amigável em não julgar o estilo de vida tão diferente da sua nova colega.

- E o seu namorado? Ele não vai?

A pergunta poderia se encaixar no contexto de forma natural, mas o olhar curioso que Angie lançou para a colega deixava claro que ela estava torcendo para ouvir que o rapaz de mais cedo não tinha nenhum envolvimento amoroso com a ruiva a sua frente.

- Quem? O Nick? – Foi a vez de Stacey franzir o nariz com nojo. – Sem chance. Além do mais, ele vai acabar ficando ocupado com os próprios amigos. Preciso de você! E se vamos ser novas melhores amigas, nada mais justo que começar em uma festa, hm?

O discurso de Stacey não era exatamente a maior motivação. Angie estava ali para se concentrar nos estudos e honrar o esforço do pai em coloca-la em uma universidade tão cara. Mas ainda assim, Angie não queria passar os próximos anos agindo como uma ET que se isolava de todo o restante do mundo. E no fundo, havia a vozinha lhe dizendo que teria chance de encontrar com o rapaz misterioso outra vez.

Mais uma vez, Stacey se mostrou uma boa pessoa quando não julgou a escolha da roupa de Angie. O contraste das duas não poderia ser maior quando finalmente chegaram na festa. Enquanto a ruiva exibia botas de cano alto e a roupa ousada que atraía olhares, Angie escondia a própria beleza em uma calça jeans clara, a camisa branca regata e a camiseta xadrez por cima. Os cabelos haviam sido soltos e caíam em seus ombros sem nenhum corte moderno e a única maquiagem se resumia a um discreto tom rosado em seus lábios.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Nov 06, 2016 3:19 am

- Mattieeee... – O grito ecoou pela sala até chegar no quarto de Matt, fazendo com que o reflexo do espelho girasse os olhos com impaciência. – Como é mesmo que passa da fase da prisão???

O apartamento ficava em uma rua calma, próximo bastante do campus para que os dois universitários que viviam ali pudessem chegar sem grandes problemas em suas aulas diárias. Os calouros normalmente ocupavam os dormitórios que ficavam dentro do campus, mas Matt teve a oportunidade de pular experiência de comer nos refeitórios ou de dividir o banheiro com dezenas de outras pessoas quando um dos poucos amigos do antigo colégio resolveu mentir para os pais de que estava indo estudar o MIT, quando na verdade ainda estava aproveitando as férias prolongadas no sol da Califórnia.

Jamie Davis era um pequeno gênio com um grande futuro pela frente, mas que simplesmente era preguiçoso demais para perder os seus dias estudando quando poderia estar torrando a fortuna dos pais com videogames e pizzas de péssima qualidade.

Sem dizer uma única palavra, Matt atravessou o pequeno corredor até chegar na sala acoplada com a cozinha. A grande televisão se destacava diante da parede de tijolinhos e o lugar estava surpreendentemente limpo para um local habitado por dois rapazes.

O sofá ao lado de Jamie afundou quando Matt se sentou e puxou o controle das mãos dele, assumindo o jogo para enfrentar o nível pelo amigo. Os olhos verdes estavam presos nos zumbies que ele precisava matar e não notou quando o queixo de Jamie despencou ao encará-lo.

- Você passou perfume???

Uma ruga se formou entre as sobrancelhas grossas de Matt, mas ele só desviou o olhar da televisão quando percebeu que Jamie fungava perto demais do seu pescoço. O rapaz deu um salto para trás, se afastando do amigo e deixando que um dos zumbis matasse o personagem do jogo.

- Quer parar de me farejar como um vira-lata faminto? E não é perfume, é loção pós-barba.

A explicação não mudou em nada a expressão abobada do rosto de Jamie, que já não parecia nada interessado no jogo como estava segundos antes.

- Você vai mesmo na tal festa? Achei que tivesse de sacanagem com a minha cara!

Quando as palavras “Game Over” apareceram com letras sangrentas na tela, Matt largou o controle na mesinha de centro e se levantou do sofá. A mesma calça escura usada na aula daquele dia estava em seu corpo, mas a camisa polo vermelha lhe dava uma aparência um pouco mais arrumada.

As palavras de Anthony ainda ecoavam como um amargo lembrete na mente de Avery, o que o obrigava a admitir frequentemente de que não estava indo naquela festa apenas pela possibilidade de rever Violet Bryant. Ele precisava apenas de uma desculpa para sair do apartamento e tentar agir como um universitário comum. Não havia a menor chance da linda loira da turma de engenharia lhe lançar o mesmo olhar interesseiro que havia destinado a Thony, mas se o que lhe restava era admirá-la de longe, Matt aceitaria.

- Eu não posso passar os próximos anos jogando videogame com você, J., preciso me enturmar...

- Qual é o problema de jogar videogame??? – Jamie parecia ter recebido aquele comentário como uma ofensa pessoal. – Você adora videogame. Ao contrário de festas. Nós dois odiamos festas.

A ideia de estar com outras pessoas, obrigado a socializar com universitários bêbados e egocêntricos era extremamente desagradável e Matt descartaria aquela opção para jogar videogame tranquilamente. O problema é que ele não teria a chance de receber de novo o sorriso gentil de Violet se ficasse enfurnado na companhia de Jamie.

- Bom, talvez esteja na hora de mudarmos um pouco as coisas por aqui. – Matt puxou o celular do bolso e consultou as horas para se certificar de que não chegaria cedo demais no evento dos calouros.

- Tá legal. – Jamie se rendeu, puxando uma jaqueta esquecida no braço do sofá. – Vamos nessa.

- O que você está fazendo? – Avery arregalou os olhos ao ver que Jamie o acompanharia naquela missão suicida sem saber exatamente o que estava fazendo.

- Como assim, o que estou fazendo? A gente é como o Batman e Robin, cara! Flash e Arrow! Rick e Michone! Harry e Ron! Sempre juntos. Só que eu sou o mais gostoso, é claro.

- Você definitivamente precisa de uma vida social, J.

- É isso que estamos fazendo, não é?

***

Os olhos de Jamie e Matt deslizaram pela pequena multidão formada por subgrupos de adolescentes que começavam a se embebedar e curtir aquele gostinho da vida adulta. A música tocava alta e parecia o centro da diversão para a maioria das pessoas ali, e igualmente representando os piores pesadelos para os dois jovens nerds.

- Eu preferia estar em casa jogando videogame.

- Tá brincando? – Matt resmungou, coçando a própria nuca. – Até o Netflix tá melhor que isso.

A quantidade de pessoas não era imensamente absurda, mas elas se embolavam de tal forma que Matt já começava a duvidar da probabilidade de encontrar a loira da engenharia ali. Só quando se viu diante da confusão formada pelos universitários, Matt percebeu a loucura que estava fazendo.

Muito provavelmente ele passaria o resto da noite deslocado, fugindo de adolescentes que vomitavam o excesso do álcool e, no melhor dos cenários, encontraria Violet. Nos braços de outro rapaz.

- Vamos meter o pé, Mattie. Ainda dá tempo de pegar o Taco Bell aberto, a gente compra uma boa remessa e terminamos a partida do Zombie Attack durante a madrugada.

Matt não queria desistir tão fácil, mas precisava admitir que aquele ambiente lhe sufocava. Ele ainda deslizou o olhar pelos rostos desconhecidos uma última vez antes de concordar com o amigo em um movimento da cabeça.

O que Avery não esperava era que a sua desistência havia sido cedo demais. Ele havia acabado de virar o corpo em direção a saída quando sentiu alguém se chocando contra o seu peito. Em um rápido reflexo, seus braços foram erguidos e ele agarrou a cintura da menina a sua frente.

As poucas namoradinhas que haviam passado pela sua vida definitivamente não tinham o corpo de Bryant e as bochechas de Matt imediatamente coraram quando ele percebeu a delicadeza do corpo de Violet em suas mãos.

- Hey! Eu estava mesmo procurando você!

Os olhos dele estavam ligeiramente arregalados, mas mesmo depois que ele reconheceu os olhos azuis, permaneceu parado, em um semi-abraço. Ao perceber o que havia acabado de falar, o tom rosado de Matt se tornou roxo e ele sacudiu a cabeça, demonstrando um nervosismo que muito provavelmente Violet já estava acostumada.

- Quer dizer... é uma festa de calouros. Imaginei que você fosse estar aqui. Porque é uma caloura. E é uma festa de calouros. E você está aqui.

Um assovio prolongado ecoou ao lado de Matt antes da voz de Jamie ecoar em um sussurro.

- Batman e Robin? Você tá mais pra Peter Parker antes da aranha.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Dom Nov 06, 2016 3:21 am

O local escolhido para a festa de recepção dos calouros deixava claro que aquele não era um evento oficial da Universidade de Stanford. O prédio não pertencia ao complexo do campus, embora ficasse muito próximo da portaria principal. A construção era mais antiga e composta basicamente de pequenos apartamentos destinados aos estudantes que queriam uma maior privacidade fora do campus. A garagem subterrânea fora esvaziada pelos moradores, transformando aquele espaço num salão perfeito para a festinha dos jovens.

A decoração se resumia a algumas mesas lotadas de bebidas e aperitivos. No canto mais amplo da garagem, um pequeno palco fora montado e uma banda – composta por alunos de Stanford – entoava canções de rock. A localização da garagem abafava boa parte do som alto, mas provavelmente algum vizinho mais tradicional reclamaria do barulho se aquele ritmo agitado se prolongasse por toda a madrugada.

Ao contrário das garotas, Dominic Sjogren não viu nenhum problema em ser um dos primeiros a chegar. Como de costume, o rapaz se enturmou facilmente com alguns colegas do curso e estava participando de uma rodinha animada quando Stacey e Angeline chegaram à festa.

A jaqueta de couro daquela tarde continuava no corpo do rapaz, mas ele havia trocado a camiseta simples por uma camisa cinza mais formal, deixando alguns botões abertos. A calça preta terminava em um par de tênis da mesma cor. Os cabelos castanhos tinham sido penteados antes que Dominic saísse de casa, mas os fios atrapalhados mostravam que o rapaz estava se esbaldando na festa.

O copo de bebida nas mãos de Sjogren já estava pela metade, mas a julgar pelo riso fácil do rapaz não tinha sido a primeira dose. Quando um garçom se aproximou do grupinho de rapazes carregando uma bandeja lotada com enormes canecas de cerveja, Stacey soltou um gemido e sacudiu a cabeça.

- Não. Você não vai... – a garota se calou quando viu o amigo entrar na brincadeira e pegar uma das canecas – Ah Deus, ele vai.

Com os braços cruzados, Stacey assistiu à lamentável competição dos rapazes. Enquanto as pessoas ao redor do grupo gritavam uma sequência de “vira, vira, vira”, os garotos bebiam a cerveja em goladas rápidas, claramente se esforçando para ser o vencedor que esvaziaria a caneca primeiro.

Dois deles se engasgaram e precisaram interromper a brincadeira antes mesmo de chegarem à metade da caneca. Um terceiro rapaz conseguir ir além da metade, mas parou logo em seguida, com uma expressão bem sugestiva de um vômito iminente. Dominic e mais três conseguiram ir até o final, mas o russo perdeu a batalha por uma golada.

Enquanto o vencedor berrava e ganhava o seu prêmio – uma nova caneca de cerveja – Sjogren recebeu alguns cumprimentos como consolo por ter chegado tão perto da vitória. Ele resmungava alguma coisa com a palavra “revanche” no meio quando Stacey cutucou seu ombro, alertando-o sobre a sua presença.

- Gaaaaaata! – a voz arrastada pela bebida deixava transparecer um leve sotaque que, normalmente, Dominic não tinha – Você demorou! A festa tá ó, uma beleza!

- Estou vendo. Espero que médicos ganhem alguns pontos extras na fila de transplante hepático. Você vai precisar se continuar perseguindo a vitória no vira-vira.

- O meu nome já está na fila há tempos. Sou um cara precavido. Olha só... – os olhos azuis finalmente notaram a garota escondida atrás das costas de Stacey – Você trouxe a novata gatinha. Seja bem-vinda a Stanford!

Era para ser apenas um cumprimento comum, mas Dominic se atrapalhou com o copo de bebida enquanto se inclinava para abraçar Angeline. Algumas gotas do whisky pingaram no chão da garagem, mas o rapaz endireitou o copo antes de perder o restante da bebida.

- Uma oferenda aos santos. – Sjogren explicou a bebida desperdiçada com um sorrisinho divertido – Um agradecimento pela sua beleza.

- Traduzindo... – Stacey se meteu naquele galanteio – Estou bêbado demais para abraçar uma garota baixinha.

- Não corta o meu barato, Staaay! Sua amiga gatinha não tem nome?

- Angeline. – Stacey apontou para a loira, depois para o amigo – Dominic. Estão devidamente apresentados. Agora deixa eu tirar a Angel deste cantinho da perdição antes que ela fique embriagada com o bafo de vocês.

Antes que a garota pudesse cumprir a promessa e sair dali arrastando Angeline, uma sombra se colocou diante delas. A música alta obrigou o rapaz a erguer a voz, seu sorrisinho e o olhar ébrio não escondiam que ele estava tão tonto quanto Dominic. Ou talvez até mais, visto que fora ele quem ganhara a competição das canecas de cerveja.

- Já escolhi o meu prêmio. – o indicador do rapaz apontou para o rostinho delicado da novata – Eu quero esta aqui. Eu sei muito bem que essa carinha de santa esconde as meninas mais safadinhas!

Os olhos de Stacey giraram e ela colocou-se um passo a frente da colega de quarto, em uma clara postura defensiva. Como já conhecia bem os colegas de Dominic, a garota não se intimidou ao assumir o controle daquela situação.

- Menos, David. Ela não faz parte desta brincadeira estúpida e não vai servir como troféu. Dá um tempo, beleza?

Os olhos do rapaz se estreitaram e ele cambaleou um passo para trás antes de reassumir o equilíbrio do próprio corpo. David encarou Angeline por cima dos ombros de Stacey e ignorou completamente a presença da outra menina quando se dirigiu à caloura.

- Não faça jogo duro, garota. Você está aqui pra isso, não é? O que uma caloura mais quer na primeira festinha do semestre? Eu sou o veterano que estou te dando mole. Vamos conversar, beber alguma coisa e dançar. Você não veio até aqui para ficar na sombra da sua amiguinha, veio?
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Dom Nov 06, 2016 2:47 pm

Quando se olhou no espelho pela última vez antes de sair de casa, Violet sabia que eram poucas as garotas que podiam escolher aquelas roupas para uma festa. A minissaia branca colada ao seu corpo não realçava nenhuma gordurinha e contribuía para que suas pernas parecessem ainda mais compridas que o normal, assim como as sandálias de salto fino. A blusinha preta era mais solta, mas a transparência do tecido dava o toque de sensualidade que combinava com o restante do visual.

Os cabelos loiros foram deixados soltos, Bryant apenas partira os fios e jogara uma mecha de lado para dar um maior balanço ao penteado. O rosto naturalmente bonito recebeu a ajuda da maquiagem para se tornar ainda mais chamativo naquela noite. A sombra escura realçava o azul dos olhos da menina e os lábios tinham sido milimetricamente cobertos por um batom vermelho.

Violet sabia que era importante causar uma boa primeira impressão, e a festa de recepção dos calouros era a oportunidade ideal para que a fama dela começasse a ser construída no campus. Um dia de aulas havia bastado para que a loira tivesse certeza de que seria fácil se destacar dentro da turma de Engenharia, mas ela teria que se esforçar um pouco mais se quisesse ser notada em uma universidade lotada de garotas.

Por mais que estivesse ali para estudar e para ingressar na carreira tão desejada, Bryant ainda não se sentia pronta para abandonar a “fama”. Desde a infância, ela estava acostumada a ser popular em todas as escolas que frequentava e a loira agora se recusava a ser só mais uma nerd das Ciências Exatas em Stanford. Violet não estava acostumada a ser reconhecida por suas boas notas ou por ser uma menina estudiosa e inteligente, e não estava pronta para aquela mudança.

Com um copo de bebida ainda intocado entre os dedos, Bryant circulou pela festinha lotada de jovens. Por onde passava, a loira atraía os olhares. As meninas pareciam incomodadas com a presença dela, mas a admiração dos rapazes era um prêmio de consolação. Violet já havia conversado brevemente com alguns colegas mais ousados que tiveram a coragem de abordá-la, mas nenhum deles havia lhe despertado um grande interesse.

A noite da caloura só começou a ficar mais promissora quando o rosto familiar de Anthony surgiu na frente dela. O colega estava especialmente bonito naquela noite, com uma camisa de mangas curtas que realçava os braços musculosos, e justa o suficiente para mostrar que o abdome por baixo do tecido era muito bem definido. Os olhos de Anthony desceram sem nenhum pudor pelo corpo de Violet e ele contraiu o rosto numa breve careta ao notar os saltos da menina.

- Você não precisa disso, sabia? Use saltos menores quando eu estiver por perto, eu gosto de olhar para baixo quando falo com uma garota.

- É mais fácil você crescer alguns centímetros do que eu mudar alguma coisa no meu guarda-roupa por sua causa. – um sorriso brincou nos lábios de Violet enquanto os olhos azuis deslizavam pela festa lotada – Se isto é um pré-requisito tão importante, sugiro que dê mais uma volta por aí. A garagem está lotada de garotas baixinhas.

- Mas nenhuma delas é tão deliciosa quanto você.

O elogio vulgar que arrancaria uma careta da maior parte das garotas provocou um sorrisinho em Violet. Exatamente por estar habituada a conviver com rapazes como Anthony, Bryant não estava acostumada a ser tratada com mais respeito e delicadeza. Na cabeça de Violet, era uma troca justa visto que ela também só havia escolhido o colega por Anthony ser um atleta atraente.

A breve conversa que se seguiu serviu para confirmar as suspeitas da caloura. Anthony estava longe de ser um excelente aluno, mas sua vaga em Stanford fora garantida graças ao seu desempenho nas quadras. O agasalho que Anthony fizera questão de usar naquela noite pertencia ao time de basquete de Stanford e aquele era um passo importante para que o rapaz ganhasse reconhecimento e um contrato com algum time da divisão principal.

O interesse de Anthony na colega triplicou quando Violet comentou que era filha de Isaac Bryant. A loira precisou mostrar uma foto da família no celular para que o colega acreditasse na própria sorte e o olhar de profunda admiração que brotou no rosto de Anthony fez com que Violet sentisse ainda mais orgulho do próprio pai. Isaac já havia deixado as quadras há algum tempo, mas ainda era um ídolo nacional e carregava recordes que rapazes como Anthony nem sonhavam em alcançar.

- Ok, agora é oficial. – Anthony devolveu o celular à loira e novamente a olhou de cima a baixo – Não te falta nada para ser perfeita.

- Talvez alguns centímetros a menos? – Violet mordeu o lábio inferior suavemente após aquela provocação.

- Eu jamais reclamaria da genética de Isaac Bryant, minha delícia.

Ocultos em um canto menos movimentado da garagem, os dois jovens uniram os lábios em um beijo quente. As mãos fortes de Anthony deslizaram sem pudores pelo corpo de Violet, mas a garota também não hesitou em enfiar os dedos sob a camisa dele, deliciando-se com o abdome firme e com o peito musculoso do colega. Anthony era uma cópia exata dos rapazes com que Bryant estava acostumada a sair, mas desta vez parecia mais especial porque ambos eram universitários.

Violet teria passado o resto da madrugada nos braços do colega se não fosse pela interrupção provocada pelo celular do rapaz. Os lábios se desgrudaram para que Anthony tirasse o aparelho do bolso. O rapaz conferiu rapidamente o nome na tela antes de abortar a chamada, mas não foi rápido o bastante para evitar que Violet lesse o “Minha delícia” que piscava na tela principal.

A cabeça de Anthony inclinou-se novamente na direção da loira para que continuassem o beijo, mas desta vez a mão de Violet se apoiou contra o peito do colega não para acariciá-lo, mas para manter a distância entre os corpos.

- Oi...? Vamos mesmo continuar como se nada tivesse acontecido?

- O que? Isso? – Anthony abriu um sorriso desdenhoso para o celular antes de enfiá-lo novamente no bolso – É só uma ex-namoradinha do colegial, delícia. Acho que ela ainda não entendeu que tenho ambições maiores agora que sou um universitário.

- Então explique isso a ela antes de me procurar de novo. Eu posso ter o cara que eu quiser, então é óbvio que não vou me meter nas suas confusões.

A insistência de Anthony não fez Violet ceder, o que obrigou o rapaz a dar um soco na parede para extravasar toda a sua frustração quando a loira se afastou, misturando-se aos demais jovens que curtiam a festa.

Por mais que ainda não houvesse nenhum sentimento envolvido e Violet nem conhecesse a tal namoradinha do colegial, ela não se sentia bem nos braços de um rapaz que muito provavelmente ainda iludia outra menina com falsas promessas.

Exatamente por estar acostumada a se envolver com caras como Anthony, aquela não era a primeira decepção que Bryant enfrentava. Naquela noite, contudo, Violet começou a se perguntar o que estava fazendo com a própria vida. Rapazes como Anthony não viam nenhum problema em arrasar corações em busca de “ambições maiores”. Violet agora era o degrau que Anthony queria alcançar, mas ela sabia que poderia se tornar o degrau ultrapassado no futuro, quando surgisse uma garota mais jovem ou mais atraente no caminho do atleta.

Aqueles pensamentos incômodos sobre o seu futuro amoroso assombravam a cabeça da loira quando ela foi “atropelada”. Violet chegou a cambalear para trás, desequilibrando-se em cima dos saltos, e só não foi ao chão porque o rapaz teve reflexos rápidos e a segurou pela cintura. Os olhos azuis se estreitaram e a menina estava prestes a xingar o colega por aquele descuido quando ficou claro que o rapaz já a conhecia.

- Estava me procurando?

O semblante de Violet se contraiu em confusão enquanto ela encarava o rapaz a sua frente. Os traços dele eram vagamente familiares, mas a loira não fazia ideia de quem ele era no começo. Foi o comportamento tímido e atrapalhado do rapaz que resgatou na memória da loira as lembranças do colega sentado ao seu lado nas aulas daquela manhã. Um sorriso mais doce surgiu nos lábios de Bryant quando ela finalmente entendeu o que estava havendo.

- Mike...? Não... Mark!

- Matt. – Jamie a corrigiu com uma expressão fechada, sem disfarçar o seu descontentamento em ver o amigo tão derretido por uma garota que nem se lembrava do nome dele.

- Matt. – Violet repetiu sem que seu sorriso se abalasse – Você também é um calouro, hm? E está na festa dos calouros. Parece que está tudo certo, então. Está confortável assim, Matt?

Os olhos azuis desceram até as mãos ainda pousadas em sua cintura e a expressão divertida de Violet mostrava que ela não estava sinceramente incomodada com aquele toque.

Assim como já conhecia o perfil de rapazes como Anthony, Bryant sabia a que grupo Matthew pertencia. Ele visivelmente era o tipo de rapaz responsável, com notas excelentes e uma vida social catastrófica. Rapazes como Matt também não costumavam ser imunes à beleza dela, mas Violet nunca havia perdido tempo com nenhum deles. Ser vista ao lado de um nerd, mesmo se fosse um nerd bonitinho como Matthew, seria péssimo para a popularidade da loira.

Naquela noite, contudo, a mente confusa de Violet lhe lançou um questionamento que não poderia ser ignorado. Será que ela conseguiria acertar a própria vida se continuasse insistindo nas escolhas erradas? Anthony era exatamente como todos os seus antigos namorados, então era fácil prever que o relacionamento terminaria quando um dos dois encontrasse uma distração melhor.

Mas Matthew Avery fugia de todas as experiências pregressas de Bryant. Apenas por uma noite, Violet queria experimentar a sensação de estar com um rapaz diferente. Mesmo sabendo que aquele poderia ser um erro pior do que insistir no “perfil Anthony”, a loira decidiu se arriscar. Se a noite fosse um fiasco, ela ao menos poderia dizer a si mesma que fizera uma caridade para um nerd que certamente nunca pusera as mãos em uma garota como ela.

- Vamos dançar, Matt? – a iniciativa partiu de Violet já que ela sabia que Avery estava travado demais para aquela ousadia – Vem comigo, vai ser divertido.

Bryant puxou umas das mãos apoiadas em sua cintura e começou a guiar o rapaz na direção do amontoado de jovens que dançavam ao som de uma música agitada Maroon 5, interpretada pela banda formada por alunos de Stanford.


Era notável que o rapaz não fazia a menor ideia do que fazer quando os dois encontraram um espaço vazio na pista de dança. Ao contrário de Matt, Violet não teve a menor dificuldade em começar a mexer o corpo no ritmo da música, as luzes coloridas que iluminavam o palco se refletindo na pele clara dela.

Para deixá-lo mais à vontade, a loira apoiou as mãos nos ombros do colega para ajudar Matthew a acompanhar os movimentos dela.

- Relaxa, Matt! – as palavras precisaram ser ditas ao ouvido do rapaz para que ele a ouvisse no meio da música alta – Só tente me imitar, ok? Você está indo bem!
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Nov 06, 2016 8:10 pm

Angie sabia que Stanford estaria recheada de jovens babacas e arrogantes que se achavam os melhores simplesmente por poderem fazer parte do seleto grupo de uma universidade tão renomada. Ali dentro, ela encontraria uma boa parcela de filhinhos que herdariam fortunas e outros estudantes que apenas precisavam se esforçar ao máximo para manter uma vida digna sem se afundar nos empréstimos estudantis.

Por saber o quanto era difícil se manter em um lugar como aquele, Lockwood já havia aceitado a responsabilidade de se dedicar apenas aos estudos e poupar o pai de qualquer trabalho referente a um mal comportamento. A ideia de ir em uma festa em sua primeira noite no campus não era a forma mais inteligente de seguir com o plano original, mas por um segundo, ela chegou a acreditar que os amigos de Stacey poderiam ser tão esquisitos e bacanas como a colega de quarto. Ela estava claramente enganada.

David era o reflexo de todos os problemas que Angie prometeu ao pai que evitaria. Ele estava bêbado e com a falsa ideia de que poderia ter tudo o que quisesse. Com uma rápida olhada ao redor, a menina notaria que todos no grupinho também estavam afetados pela bebida e riam, encarando como se a cena não passasse de uma brincadeira.

Não cabia a Angeline bancar a adulta moralista que repreenderia jovens que experimentavam a liberdade com doses exageradas de álcool e era tarde demais para simplesmente fugir como uma criancinha assustada.

Os braços magros foram cruzados diante do seu peito em uma postura defensiva, mas ela não desviou o olhar de David, mostrando que não se sentia inferior ou amedrontada com aquele grupo descolado.

- Eu posso te garantir o que uma garota não quer na primeira festinha do semestre, David. – Ela abriu um sorriso mecânico, mas que não refletia a sua costumeira simpatia. – E definitivamente não queremos um babaca fedendo a cerveja barata.

Ao invés de se ofender, David encenou uma alta gargalhada e rodeou Stacey até se colocar ao lado da novata. Em um gesto íntimo, ele ergueu um dos braços e deslizou por cima dos ombros de Angie, a proximidade fazendo com que o cheiro da bebida ficasse ainda mais intenso.

- Qual é, lindinha... Não seria uma festa sem babacas e cerveja barata. E definitivamente não é uma festa até uma novata dar para um veterano. Podemos ir até o banheiro e resolver isso em dois minutos.

Angie queria se esforçar em enfrentar pelo menos o restante daquela noite sem agir como uma estraga prazeres, mas também não deixaria que um completo desconhecido a tratasse com tamanho desrespeito.

David era muito mais forte do que ela, mas o efeito do álcool permitiu que ela o segurasse pelo pulso e se desvencilhasse do braço em seu ombro.

- Ele literalmente só precisa de dois minutos. – Uma menina loira estava sentada em um dos pequenos barris que as pessoas usavam como banquinhos.

As roupas dela eram tão chamativas quanto as de Stacey e não parecia nada intimidada em explanar para o grupo que tinha aquele tipo de conhecimento sobre o outro rapaz.

- Encantador. – Angie forçou um sorriso e girou os olhos para reforçar o seu sarcasmo. – Obrigada, mas não, obrigada.

- Onde você arrumou a sua nova amiguinha, Stacey? – Apesar da pergunta dirigida para a menina de cabelos vermelhos, os olhos de David ainda estavam presos em Angeline. – No convento? Você ao menos sabe o que é uma festa?

- Você ao menos sabe o que é ouvir um “não”? – O sorriso de Angie finalmente se desfez e ela começava a ficar irritada com a cena, com os amigos bêbados do rapaz que assistiam como se estivessem em um show e da falta de educação de David.

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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Dom Nov 06, 2016 9:08 pm

- Já deu, Dave.

A voz arrastada de Dominic soou suave e não combinava com a tensão instalada ao redor. Num gesto amigável, o russo se aproximou do colega e deslizou um dos braços pelos ombros dele, como se assim quisesse garantir que David não forçaria uma nova aproximação com a novata que claramente não se sentia à vontade com a companhia dele.

- Qual é, Dom!? A caloura putinha tá se fazendo de difícil pra um veterano! Não é assim que as coisas funcionam em Stanford!

- Dá um tempo, Dave. A baixinha não tá afim. Você consegue encher as mãos com garotas que adorariam se divertir com você, não vale a pena se estressar com ela, beleza?

Sjogren puxou o amigo para trás e o recolocou no círculo de rapazes enquanto fazia um discreto sinal para que Stacey saísse logo dali com Angeline. Apesar do comportamento tranquilo, Dominic sabia que aquela confusão poderia terminar muito mal se as duas continuassem por perto.

Stacey segurou com firmeza a mão da novata e se afastou daquele canto da garagem, misturando-se aos demais jovens e tirando Angeline do campo de visão de David. Mesmo depois que as duas sumiram de vista, David continuou profundamente irritado. Como vários rapazes de Stanford, ele era o tipo de garoto que não estava acostumado a ouvir um “não” como resposta.

- Que vacilo, Dom! – David fuzilou o amigo com um semblante fechado – Achei que estava com a gente, mas você não pensou duas vezes antes de defender a coleguinha puritana da sua amiguinha esquisita!

- Me diz qual era o seu plano, Dave.

Uma das sobrancelhas de Sjogren se arqueou e ele preencheu sua caneca com mais cerveja e tomou um longo gole. Como o amigo continuou calado, Dominic descreveu o que David provavelmente faria se não tivesse sido interrompido.

- Você ia arrastar a garota pra algum canto e ia forçá-la a transar com você? Na melhor das hipóteses, ela faria um escândalo que estragaria a festa de todo mundo. Na pior das hipóteses, você seria acusado de estupro, seria expulso de Stanford e seu pai gastaria boa parte da fortuna da família com advogados, e talvez nem assim livrasse você de alguns anos na cadeia. O que você tem na cabeça, cara?

As ponderações de Sjogren fizeram o outro rapaz refletir por alguns segundos. Os ombros de David relaxaram e a expressão dele se suavizou num semblante de gratidão. Dominic havia se livrado de uma confusão desnecessária, mas ainda assim David não se sentia plenamente satisfeito. Na mente dele, ainda era um ultraje ter recebido um “não” da caloura de Administração.

- Ainda acho que foi um vacilo. – David girou os olhos, mas abriu um sorrisinho irônico para o amigo – É nosso dever como veteranos ensinar aos calouros como as coisas funcionam em Stanford.

- Eu concordo. Mas podemos fazer isso sem sujar a nossa ficha com a polícia.

A entonação sugestiva de Dominic indicava que havia algo por trás das palavras ditas por ele. David e os demais colegas o encararam com idênticos semblantes confusos. Os olhos azuis do russo deslizaram suavemente ao redor e ele só tomou a palavra quando teve certeza de que somente integrantes do seu grupinho de amigos poderiam ouvi-lo.

- Você já ferrou tudo com a baixinha hoje, mas eu ainda tenho uma chance de me aproximar nos próximos dias. Eu só preciso de uma oportunidade pra deixar a caloura caidinha aos meus pés e vingar o meu grande amigo Dave. Isso provará que este aqui é o meu lado nesta batalha, hm?

Depois de dois segundos no mais absoluto silêncio, a rodinha de rapazes explodiu em uma sonora gargalhada iniciada por David. O rapaz que havia acabado de levar um fora de Angeline sacudiu a cabeça em negativa várias vezes e limpou os olhos que lacrimejavam antes de conseguir fôlego para responder.

- Jura, Dom? A garota gosta de bancar a difícil, provavelmente é uma virgenzinha imbecil do interior. Eu duvido que ela vá facilitar as coisas pra você.

- Quer apostar?

O desafio de Dominic provocou outro silêncio prolongado no grupo. Os demais colegas olhavam de um rapaz para outro, empolgados com os rumos divertidos daquela conversa. David ponderou por mais alguns segundos antes de mover a cabeça afirmativamente.

- Quero, mas desde que seja uma aposta de verdade. Não somos mais crianças que apostam os cinquenta dólares da mesada. Se você falhar, quero a sua moto.

Exclamações ecoaram pela rodinha de rapazes e as cabeças se viraram para Sjogren, esperando com ansiedade pela resposta do russo. Todos ali sabiam que a motocicleta era o bem mais precioso na vida de Dominic. A moto era de um modelo tradicional, estava nova como se tivesse saído de fábrica no dia anterior, possuía os acessórios mais caros e um motor turbinado. A longa pausa feita por Nick fez com que as pessoas ao redor concluíssem que ele recuaria da proposta. Por isso, foi uma surpresa ver os lábios do rapaz se curvando num sorrisinho convencido.

- Se eu conseguir, quero a vaga de estagiário do seu pai.

- Eu já sou o estagiário na clínica do meu pai. Só tem uma vaga na equipe dele.

- Pois é. Você vai sair e vai pedir a ele que me contrate.

Não era segredo para ninguém que David era o único filho de um dos cirurgiões mais badalados da Califórnia. O rapaz havia começado a trabalhar com o pai logo no primeiro período e adorava se vangloriar para os colegas que já se formaria com um currículo invejável. Exatamente pela importância daquele cargo, David começou a recuar naquela brincadeira, mas a zombaria dos colegas praticamente o levou de volta para a batalha.

- Certo, certo... esta aposta atingiu um novo nível, então precisamos de regras. Só a sua palavra não basta, Dom. É óbvio que eu vou querer provas de que você realmente conseguiu atingir o objetivo. E não estamos falando sobre dar uns beijinhos na vadiazinha. Além disso, eu quero um prazo fixo para que o acordo seja cumprido. Tem que ser ainda neste semestre.

- Não preciso de mais que um mês.

As palavras tranquilas de Dominic fizeram os demais colegas vibrarem. David abriu um sorrisinho descrente e, com aquele prazo tão pequeno, era quase certo de que Sjogren jamais conseguiria conquistar a caloura. A mão de Dominic foi estendida na direção do colega enquanto ele completava.

- Antes do fim do próximo mês, eu vou te dar uma prova concreta de que levei a baixinha puritana pra cama. Sem truques, sem jogo sujo. Fechado?

- Fechado.

David apertou com firmeza a mão do colega, selando a aposta suja que provocou mais uma onda de vibração e assovios no grupinho de rapazes. Dominic teria entrado naquela brincadeira somente pela diversão, mas agora tinha uma motivação a mais para se esforçar em busca da vitória. Além de não querer perder a preciosa moto, Sjogren sabia que o estágio em jogo contribuiria para um enorme salto na carreira grandiosa que ele planejava para si.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Nov 06, 2016 10:59 pm

No meio da pista de dança, por cima do ombro de Violet, Matthew lançava olhares aterrorizados em busca do melhor amigo, tentando encontrar no rosto de Jamie alguma resposta para o que estava acontecendo.

Do outro lado do salão, depois de uma pequena multidão de cabeças, Jamie imitava a expressão confusa do melhor amigo e erguia as mãos no ar, em sinal de desistência, pois era incapaz de compreender o motivo da menina mais atraente da festa ter escolhido o nerd da engenharia para dançar.

Violet era naturalmente alta e parecia ainda mais ameaçadora sobre os saltos finos. Ainda mais do que no primeiro contato durante a aula, ela estava absurdamente linda. Era quase impossível que uma garota tão atraente pudesse existir e Matt só conseguia acreditar que ela era real porque seus dedos ainda tocavam a cintura delicada enquanto os dois balançavam no ritmo da música.

Jamie continuava a fazer gestos do outro lado, como se estivesse participando de um jogo de mímica. Ele apontava para o teto, gesticulava as mãos e movia a boca sem emitir som algum, mas sem fazer o menor sentido para Matt.

O perfume delicado que vinha dos cabelos loiros e o perfume suave que Violet usava aos poucos fizeram os sentidos de Matthew ignorarem todo o restante da festa. Os olhos esverdeados deslizaram de Jamie até pousar no rosto delicado a sua frente.

Nenhuma das garotas que já haviam passado pela sua vida poderiam ser comparadas com Violet Bryant. Ela definitivamente estava acima do alcance da maioria dos rapazes, especialmente de alguém como Matt. Era quase como ganhar na loteria poder ganhar uma dança com a típica rainha do baile.

Se fosse alguma piada de péssimo gosto, se estava sonhando ou se realmente só havia sido abençoado pelos anjos, Matthew deixaria para questionar a própria sorte quando não tivesse mais Violet em seus braços. Naquele momento, era uma imensa tolice desperdiçar os poucos minutos daquele milagre procurando a lógica para aquela impossível equação.

Ficou evidente que Avery não tinha grande talento na pista de dança, mas foi surpreendente como ele conseguiu relaxar nos minutos seguintes. Sua forma atrapalhada de mover os pés era capaz de fazer Violet rir, e a risada dela era a melhor recompensa para o seu descompasso. Em um determinado momento, Matt passou a se sentir grato por ser tão péssimo dançarino, apenas para poder escutar ainda mais a risada melodiosa que vinha dos lábios da loira.

Embora não fosse a pessoa mais social do mundo, a timidez foi deixada de lado naquela noite enquanto Matt se divertia na companhia de Violet. Para sua imensa surpresa, além de linda, a menina era simpática e gentil, que o incentivava com elogios mesmo depois de ter seus pés esmagados algumas vezes.

Garotas tão perfeitas como ela costumavam ser arrogantes e mesmo sabendo que poderia ter o mundo aos seus pés, Violet agia com doçura. Era uma grande tolice e imaturidade se deixar envolver com tanta rapidez, mas era igualmente impossível não se derreter por Bryant.

Matt era tímido, mas estava longe de ser idiota ou tão inocente. Ele sabia que não havia a menor possibilidade de que Violet tivesse se encantado por ele em poucos minutos, mas ainda assim, a sensação gostosa que ela despertava em seu peito era tentadora demais, fazendo com que Avery se deixasse levar pelas emoções daquela noite.

Os dois dançaram por diversas músicas seguidas e Jamie já havia desaparecido do seu campo de visão quando, horas depois, Matt se ofereceu a acompanhar a menina pelo campus. A noite de primavera trazia uma temperatura agradável, que era recebida com um grande frescor depois de deixarem a garagem abafada e de ter desperdiçado algumas energias com as danças.

O jovem Avery parecia muito mais relaxado e com um brilho diferente no olhar enquanto andava lado a lado de Violet, se sentindo o homem mais sortudo do mundo por ter sido o escolhido da noite.

Mesmo com a altura natural e dos saltos de Violet, Matthew não precisava encarar a menina por baixo. Os metros adquiridos rapidamente durante a adolescência, que o transformara em um rapazinho magrelo e desengonçado por alguns anos, agora tinha a grande serventia de poder não parecer um menininho ao lado de uma mulher como Bryant.

Ele não era mais o mesmo magricela do ensino médio. Matt não possuía o mesmo abdome definido de Anthony e nem os músculos tão chamativos, mas estava longe de ser um rapaz feio. Seu corpo magro era bem distribuído e mesmo com as roupas comuns usadas para a festa, ele possuía uma natural elegância. O sorriso inocente e os cabelos castanhos que apontavam para todas as direções apenas contribuía para que ele se tornasse ainda mais atraente.

- Eu sinceramente não sei como você aguenta com esses saltos.

Ao contrário do comentário maldoso de Thony, as palavras de Matt foram acompanhadas de um sorriso enquanto ele franzia o nariz com uma expressão solidária.

- Principalmente depois de eu ter esmagado os seus dedinhos. Eu parei de contar depois da sexta vez, então qualquer tratamento ortopédico que você precise fazer pelos próximos anos, pode colocar na minha conta.

O campus estava silencioso e mesmo sem a iluminação natural do dia, ainda tinha o seu charme. Os postes com lâmpadas amareladas ficavam em uma distância perfeita de quase dois metros um do outro, iluminando alguns banquinhos vazios e parte do gramado perfeitamente cuidado. Os prédios ao redor eram de tijolinhos vermelhos e as palmeiras que rodeavam a rua principal trazia o típico clima da Califórnia.

Os dois estavam caminhando sem que Matt se preocupasse pela direção. Foi sem saber exatamente qual era o destino que ele não se importou de parar sob um dos postes. A iluminação não era a mais adequada, mas ainda assim era impressionante como Violet conseguia fazer com que ele perdesse o ar ao admirá-la.

O sorriso brincalhão de Matthew havia desaparecido. Ele podia sentir as mãos começarem a suar, mas já havia evitado aquele momento por toda a noite. Uma vozinha insistia em gritar na sua mente que Violet só estava sendo gentil, mas uma outra voz, mais firme, lhe assegurava de que nenhuma garota perderia toda a noite de uma festa apenas sendo gentil com um cara que não lhe despertasse interesse.

Na cabeça de Matt, ainda não fazia o menor sentido ter sido o escolhido de Violet. Mas a confiança aos poucos começava a crescer, lhe dizendo que ele precisava fazer o movimento final. Já havia sido um covarde por toda a sua vida, mas perder um momento como aquele traria um arrependimento eterno.

- Eu poderia só dizer o quanto você é absurdamente linda. Como você tem o sorriso mais doce que eu já vi e cabelos de anjo. Mas algo me diz que você já está cansada de ouvir comentários deste tipo...

Matt voltou a enrugar o nariz, acompanhado de um sorrisinho torto que denunciava um pouco da sua insegurança. Com o coração saltando contra o peito, ele tentou esquecer que Violet era inalcançável e ergueu um dos braços até tocar o rosto dela em uma carícia com os dedos.

Diferente de toda maneira que ele havia tocado ela durante a festa, o gesto foi mais carinhoso e Matt respirou fundo antes de dar o último passo e se aproximar da menina.

- Mas depois de ter arruinado os seus pés, acho que já causei estragos demais para uma noite só.

As últimas palavras foram ditas já com os lábios de Matt roçando os de Violet. Ele ainda procurou pelo olhar dela uma última vez, tentando encontrar o sinal de que ele deveria parar. Quando percebeu que a menina também esperava por aquele beijo, os lábios de Avery se curvaram em um sorrisinho vencedor e ele finalmente cobriu os de Violet.

Os lábios dela eram macios e ainda mais deliciosos do que Matt poderia fantasiar. Mas diferente do beijo intenso que Violet havia experimentado no começo daquela noite, o gesto vindo de Max era mais sutil e delicado, como se quisesse aproveitar cada movimento que Violet fazia para retribuir ao beijo.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Nov 06, 2016 11:45 pm

Desde o primeiro minuto, Angeline já sabia que aquele tipo de festa não combinava com o seu perfil. De modo que não foi surpresa alguma quando ela logo se entediou com a música alta, as pessoas rindo bobamente e o cheiro de bebida que se espalhava por todo o lado.

Por sorte, Stacey era mesmo muito desencanada e não parecia julgá-la por ser tão diferente, então não se incomodou quando a loira decidiu deixar a festa em um horário que muitos julgariam cedo demais.

A vantagem de ter quase todo o campus concentrado em um lugar era poder aproveitar os banheiros comunitários sem precisar dividir o espaço com outras pessoas. Depois daquele longo dia, Angie aproveitou a água quente para lavar os cabelos e se sentiu mais descansada quando enfim se enfiou na nova cama.

Apesar do cansaço, ela poderia julgar o colchão estranho e a adaptação ao novo quarto para o sono que demorou a vir. O que era inadmissível era culpar a insistência de sua mente em reproduzir o rosto de Dominic Sjogren todas as vezes em que tentava fechar os olhos.

Mesmo com a noite agitada com sonhos confusos e por ter demorado alguns segundos para compreender onde estava na manhã seguinte, Angie não demonstrou nenhuma hesitação em sair da cama quando o despertador tocou.

No outro lado do quarto, Stacey dormia embolada nas cobertas, aparentemente ainda usando as roupas pouco confortáveis da noite anterior. Um risco na fronha do travesseiro indicava que a menina também havia dormido sem se preocupar em retirar a maquiagem.

Como Stacey era uma veterana, era compreensível que ela tivesse ajustado os próprios horários e não tivesse que se preocupar em perder nenhuma aula naquela manhã. Angie, por outro lado, se sentia ansiosa em enfrentar o seu primeiro dia em Stanford.

A agenda azul foi puxada para dentro da sua bolsa e ela deixou o quarto sem fazer ruído. Os corredores já estavam movimentados e em meio a tantos estudantes, Angeline se sentia perfeitamente encaixada, disposta a mergulhar de cabeça naquele mundo e se preparar para o futuro da melhor forma possível.

Exatamente como havia calculado, quando alcançou o primeiro quiosque que vendia café, ela ainda teria alguns minutos até atravessar o campus em busca do prédio de Administração. A bolsa estava pendurada em um dos ombros e Angie não parecia se importar com a pouca vaidade.

Enquanto muitas meninas passavam cobertas de maquiagem ainda no primeiro horário, tudo que Angie trazia consigo era o tom rosado natural da pele, provocado pelo sol da Califórnia. A calça preta era justa e marcava com perfeição as suas curvas, mas a camisa cinza era um número maior e tentava esconder o restante do tronco.

Os cabelos haviam sido puxados em um coque frouxo que começava a se desfazer e duas mexas frontais emolduravam seu rosto. Nos lábios, apenas um discreto brilho que já começava a desaparecer a cada golada em seu café.

- Obrigada. – Angie sorriu com educação para o atendente quando recolheu o seu troco e jogou as moedas no bolsinho da carteira.

Ela consultou mais uma vez o relógio, apenas para se certificar de que teria o tempo cronometrado, antes de abrir o aplicativo de mensagens. Com a câmera frontal, Angie tirou uma selfie exibindo um sorriso empolgado, exibindo ao fundo um dos prédios de Stanford e na mão, o café recém comprado.

Ao enviar a foto para o número do pai, Angie acrescentou a legenda:
“Um por dia, como prometido. Por quatro dólares o café, pode ter certeza que não vou passar disso. Saudades, te amo!”

Ela ainda exibia o sorriso divertido nos lábios quando desligou o iPhone e o jogou na bolsa, se virando para seguir o caminho. O café que havia tido apenas dois goles veio ao chão quando seu corpo se chocou com o de outra pessoa. O líquido quente escorreu pela sua mão e alguns respingos sujaram a camisa cinza. Angie ainda tentou saltar para trás, mas o estrago já havia sido feito quando ela encontrou o rosto de Dominic.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Dom Nov 06, 2016 11:46 pm

Matthew Avery era uma tragédia na pista de dança. A mesma falta de desenvoltura se refletia na maneira como ele falava com as pessoas, sempre consumido por uma timidez desnecessária. Ele não tinha o corpo atraente de um atleta, nem a personalidade firme e confiante que Violet encontrava nos rapazes com que saía. Mas, contrariando toda aquela avalanche de defeitos do rapaz, a loira precisava admitir que estava se divertindo como nunca.

As risadas eram incontroláveis sempre que Matt fazia um movimento bizarro na pista de dança, tropeçava nos próprios pés ou amassava os dedinhos dela. Qualquer garota fútil teria desistido daquela caridade depois de poucos minutos de dança, mas Violet conseguia se divertir com o jeitinho atrapalhado dele. Mais do que isso, a loira conseguia enxergar que Matt estava se sacrificando por ela, e aquele era o tipo de tortura que merecia uma recompensa.

Quando a garagem começou a ficar mais lotada e o ar quente tornou-se sufocante, Bryant aceitou imediatamente a proposta de uma caminhada pelo campus. O ar fresco da primavera atingiu o rosto da loira, trazendo o frescor que tornava a noite ao lado de Avery ainda mais agradável.

Sem toda a aglomeração de colegas ao seu redor e longe da música alta da garagem, Matthew mostrou que conseguia conduzir uma conversa divertida. Uma nova risada melodiosa escapou dos lábios de Violet após o comentário sobre seus pés, embora ela não parecesse nem um pouco incomodada em usar os saltos altos depois de ter os pés esmagados sucessivas vezes na pista de dança.

Assim como Matt, a loira caminhava sem uma direção definida. Os passos lentos eram fruto de um desejo inconsciente para que aquela noite se prolongasse mais. Embora Avery estivesse longe de ter o perfil de rapazes que chamavam a atenção de Violet, ela estava agradavelmente surpresa em gostar tanto da companhia dele.

Receber elogios não era algo inédito para Bryant. Pelo contrário, ela estava mais que acostumada a ser bajulada por todos os rapazes que passavam pelo seu caminho. Naquela noite, contudo, as palavras de Matthew aqueceram o peito dela. No fundo, Violet sabia que encontrava nele uma sinceridade que não podia esperar na maioria das pessoas.

Violet não via nenhum problema em uma garota tomar a iniciativa em um relacionamento amoroso, mas a loira sabia que Matt precisava daquilo para recuperar um pouco da confiança ceifada ao longo dos últimos anos com o estigma de nerd. Já havia partido dela o convite para dançar, agora era a vez do rapaz reunir coragem para ser devidamente recompensado por aquela noite agradável.

Sem pressa, Bryant deu ao colega o tempo que ele precisava. A loira já se perguntava se Matthew não teria coragem de tentar nem mesmo um beijo quando o rapaz se aproximou. Era evidente que ele estava consumido pela insegurança, mas o olhar doce de Violet parecia incentivá-lo a ir até o fim naquele ímpeto de coragem.

Quando o beijo finalmente aconteceu, a garota esperava por um garoto afoito que não sabia o que fazer. Ou então por mais um dos rapazes que tentavam engoli-la enquanto as mãos apalpavam seu corpo desesperadamente. Mas Avery a surpreendeu pela gentileza que Violet não estava habituada a receber.

As mãos de Violet pousaram nos ombros do colega e as pálpebras cobriram os olhos azuis enquanto os lábios se moviam com delicadeza. Depois de alguns segundos atrapalhados, os dois jovens finalmente acertaram o ritmo e mergulharam num beijo harmonioso. As mãos antes apoiadas nos ombros de Matt deslizaram carinhosamente até o pescoço dele, depois os dedos subiram até a nuca e arranharam de leve a pele do rapaz antes de mergulharem nos cabelos castanhos espetados.

Passados os momentos iniciais, os dois aprofundaram as carícias. Matt a envolveu com mais firmeza num abraço que colou os corpos, as línguas se uniram aos lábios intensificando o beijo e Violet puxou de leve os cabelos do colega num gesto sutil de provocação. Ainda assim, estava muito longe de parecer com os beijos ousados que Bryant costumava protagonizar com rapazes como Anthony. E, contrariando todas as expectativas, Violet descobriu que gostava da versão de Matt.

O beijo só foi interrompido depois de longos minutos. O abraço foi mantido e Violet afastou o rosto apenas o bastante para encarar o rapaz. A risadinha divertida dela foi prontamente explicada por uma carícia gentil sobre os lábios de Matt. Quando virou os dedos na direção dos olhos verdes, Bryant exibia a pele toda manchada de vermelho.

- Eu te sujei todo de batom. – Violet repetiu o gesto, tirando mais uma camada de batom do lábio inferior de Matt com o polegar – Mas antes de me desculpar por isso, você precisa saber que eu não estou arrependida.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Seg Nov 07, 2016 12:38 am

Com apenas um mês de prazo para cumprir a aposta feita com David, Dominic sabia que não tinha tempo a perder. Por mais que estivesse seguro das suas possibilidades de conquistar a colega de quarto de Stacey, Sjogren sabia que precisaria de tempo para fazer um trabalho bem feito. Pelo pouco que vira de Angeline, era fácil concluir que ela não era o tipo de garota que iria para a cama com ele depois de meia dúzia de elogios baratos ou de um simples amasso depois de um passeio de moto.

Dominic precisava conquistá-la se quisesse chegar à cama da loirinha. Um romantismo forçado levantaria suspeitas, mas Lockwood parecia ser o tipo de menina que sonhava com um príncipe encantado. Por sorte, Dominic já sabia muito bem como dosar a quantidade certa de doçura para atingir o coração dela sem gerar desconfianças.

Tudo deveria começar com um encontro casual pelo campus. Angeline não desconfiaria de nada se achasse que os caminhos dos dois tinham se cruzado por acaso. Depois disso, uma conversa gentil, um pedido de desculpas pelo lamentável comportamento do amigo na noite anterior e uma jogada sutil de aproximação.

O esbarrão aconteceu “naturalmente”. O pesado livro que Dominic carregava desabou no chão e o café derrubado pela menina respingou em algumas folhas, salpicando-as de manchas. O amigo de Stacey encenou com perfeição a surpresa no momento em que abaixou a cabeça e reconheceu o rosto da garota baixinha a sua frente.

- Heeey, você! Nossa, me desculpe por isso. Eu saí da cama, mas acho que ainda não acordei. Malefícios da ressaca.

Sjogren inclinou-se, resgatou o livro de Anatomia do chão e pegou também o copo de café da garota, mas apenas para jogá-lo na lixeira mais próxima. Reforçando a ideia de que aquele encontro havia acontecido por acaso, Dominic fez um sinal para o atendente do quiosque.

- Outro café pra Angie, Fred, por minha conta. E pra mim pode ser o mesmo de sempre.

As palavras de Dominic transmitiam a ideia de que ele era um cliente regular daquele quiosque e, portanto, passaria ali independente da presença da novata. Coincidentemente, o russo costumava passar ali uma ou duas vezes por semana, então o atendente se lembrava do pedido que o rapaz costumava fazer todas as vezes.

- Aqui. – Fred colocou dois copos sobre a bancada – Um café comum e o seu café duplo, sem açúcar.

- Valeu, Fred, você brilhou.

Dominic abriu a carteira e pagou pelas duas bebidas. Contrariando todas as expectativas, o russo não fez nem mesmo uma careta de desagrado quando tomou um gole generoso do seu café amargo. As bebidas na Rússia quase nunca levavam açúcar ou adoçantes. Nick se habituara tanto ao sabor amargo que costumava fazer caretas quando experimentava algo doce demais.

- Aqui está. – o copo com café comum e adoçado foi entregue à garota – Desculpe mesmo pela distração. Prometo que vou tentar acordar antes de sair da cama amanhã.

Os olhos de Dominic se estreitavam de forma simpática quando ele abria mais o sorriso. Aquele movimento também servia para destacar o furinho que Sjogren tinha no queixo e a barba por fazer. Ali, fora do ambiente escuro e tumultuado da garagem, era possível notar melhor os traços bonitos que compunham o rosto do rapaz. Mesmo depois de uma noite agitada, ele não parecia morto na manhã seguinte. O olhar estava levemente sonolento, mas o rosto não mostrava o abatimento esperado em alguém que dormiu tão pouco.

A calça jeans surrada caía incrivelmente bem nele, assim como a camiseta branca comum. Por cima, uma camisa de botões aberta completava o visual, feita com um tecido listrado em preto e cinza. Os tênis nos pés davam ao rapaz um ar mais moderno, assim como os cabelos arrepiados e a mochila pendurada em um dos ombros.

- Angie, eu achei melhor não prolongar a confusão de ontem. O David estava muito bêbado e disposto a arrumar problemas. Mas eu queria ter tido a oportunidade de te dizer que sinto muito. Aquilo foi péssimo.

Dominic só tomou a palavra depois que os dois tinham se afastado do quiosque e agora caminhavam pela praça principal, que daria acesso aos prédios onde eles teriam aulas naquela manhã. O russo atrasava propositalmente os próprios passos para que tivesse mais tempo com Angeline antes que eles tivessem que seguir em rumos diferentes.

- A gente bebeu demais, eu confesso a minha parcela de culpa. Mas nada justifica o comportamento do David. Nós somos colegas e nos damos bem nas aulas, mas isso não muda o fato de que o David é o tipo de cara que foi criado com a falsa ideia de que pode fazer o que quiser. Ele não vai te pedir desculpas, então aceite as minhas. Eu realmente me senti mal por estar com um cara que faz uma merda como aquela.

Até então, tudo estava saindo conforme o roteiro planejado por Dominic. O encontro casual fora a desculpa perfeita para iniciar uma conversa que mudaria a maneira negativa que Angeline o enxergava depois da péssima experiência com seu grupinho de amigos. O passo seguinte era o mais arriscado, mas Sjogren novamente se obrigou a pensar que não tinha tempo a perder. Se ele realmente quisesse ganhar a aposta em um mês, o primeiro passo para uma aproximação precisava ser imediato.

- Eu poderia usar esse problema como uma desculpa para o que vou fazer agora, mas a verdade é que eu já queria fazer isso desde ontem à tarde, quando entrei no quarto da Stay e vi você.

O sorriso gentil novamente brotou nos lábios de Dominic quando ele interrompeu aquela caminhada colocando-se em frente à loira. Os olhos enigmáticos estudaram com atenção cada um dos traços da garota antes que o convite soasse numa entonação mais contida, como se Sjogren estivesse verdadeiramente ansioso pela resposta que viria dela.

- Se você arrumar um espacinho pra mim na sua agenda, a gente podia sair hoje à noite. Pegamos um cinema, depois comemos alguma coisa e eu te deixo em casa cedo. Prometo que desta vez não terá música alta ou bebedeira.
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Nov 07, 2016 1:20 am

Era impressionante como Violet conseguia levar o extremo da insegurança até inflar o ego de Matthew em poucos segundos. Ele ainda se sentia nas nuvens quando os lábios quebraram o contato, mas o pânico se instalou em sua mente quando a loira deixou escapar um risinho.

A explicação veio em breve, mas não foi o suficiente para evitar que Matt se torturasse com teorias absurdas de que tudo aquilo não havia passado de um jogo para que ele bancasse o papel de bobo. Quando a mancha de batom foi exposta como o real motivo da risada de Violet, os ombros de Avery relaxaram e ele se odiou por ter cogitado uma ideia tão cruel.

Não era justo julgar a jovem Bryant como sendo uma pessoa má apenas por ser tão atraente. Era tão errado quanto ele ser julgado pela personalidade mais discreta. Os dois eram completos opostos, mas de alguma forma o universo parecia querer mostrar que não era impossível.

Os lábios de Matt também se curvaram em um sorrisinho torto e os olhos verdes brilhavam com a felicidade que ele sentia naquele momento. Com uma confiança que não lhe era comum, Avery deslizou novamente os seus braços pela cintura de Bryant, mantendo os corpos colados.

- Eu nunca achei que esse tom de batom fosse ficar tão bem em mim.

Ao escutar as próprias palavras em voz alta, Matt fez uma careta ao perceber que a brincadeira havia sido malsucedida. Ele sacudiu a cabeça, ainda mantendo as mãos firmes na delicada cintura de Violet, e curvou os lábios em um biquinho.

- Não foi bem isso que eu quis dizer. Não é como se eu ficasse experimentando batons por aí. Nem mesmo em outras meninas...

Mais uma vez, Matt se xingou mentalmente quando escutou as próprias palavras que pareciam ter vida própria. Ele, que possuía um QI tão elevado, que tinha um futuro promissor na carreira de engenheiro, parecia um simples macaco que não conseguia encaixar as peças de um quebra-cabeça destinado a uma criança de dois anos.

O rapaz fechou os olhos com força e soltou um longo suspiro antes de erguer novamente as pálpebras para encarar a loira. O sorrisinho derrotado era uma tentativa desesperada de se desculpar pelos deslizes, mas apesar de todos os tropeços, Matt só conseguia parecer como um menininho encantador.

- Tem certeza que ainda não está arrependida?

Naquela noite, Matt deu mais uma prova de que não era como os rapazes que Violet estava acostumada a sair quando não tentou forçar as carícias em nada além dos beijos que ainda se alongaram por alguns minutos.

Era óbvio que Avery não era nada imune aos encantos da loira em seus braços, mas nem por um segundo ele cogitou seguir por outro caminho que seria a primeira opção de tantos rapazes. Em sua cabeça, era quase uma ofensa tentar propor que Violet seguisse adiante nas carícias quando os dois haviam acabado de se conhecer.

Quando finalmente chegou a hora de se separarem, Matt se despediu com um carinhoso selinho e deslizou os dedos na pele macia de Violet até segurar o queixo delicado com os seus dedos.

- Não se esqueça de me passar a conta do ortopedista.

O sorriso leve de Matt ainda estava preso em seus lábios quando ele entrou no apartamento que dividia com Jamie. O amigo ainda estava acordado e mais uma vez tentava passar pela fase dos zumbis, mas imediatamente pausou o jogo ao ver Avery entrando pela porta.

A primeira reação de Jamie foi estudar Matt da cabeça aos pés, e sem perceber naquele interesse, o estudante de engenharia caminhou até a geladeira e puxou uma garrafinha de água.

- E então? Cadê o sangue de porco?

Ainda parado diante da geladeira, Matt virou o rosto para encarar Jamie com um semblante de confusão.

- Como é que é? Está pensando em fazer algum sacrifício ou coisa do tipo?

Jamie atravessou a sala e se apoiou na bancada da cozinha, que o separava do espaço onde Matt estava, já levando a garrafa de água aos lábios.

- Eu vi a garota que te puxou pra dançar! Estava só esperando pelo momento que você ia virar a Carrie, a estranha. Mas vasculhei o teto e não achei o sangue de porco em lugar algum.

Ao compreender a associação do amigo, Matt girou os olhos, mas ainda era impossível desfazer o sorriso dos lábios. Ele sequer se lembrava de ter se sentido tão leve e vitorioso antes.

- Então quer dizer que uma garota como a Violet não pode querer dançar comigo sem querer me humilhar na frente de toda a universidade com um banho de sangue de porco?

- Bom, ela definitivamente não te convidou pra dançar por causa dos seus movimentos, Sr. Michael Jackson. Eu estava lá e parecia que você estava se mexendo como se o Negan tivesse acabado de te acertar na cabeça. É sério, por mais de uma vez eu cogitei procurar um médico porque achei que você estava tendo um derrame.

Matt sabia que o amigo estava exagerando em algumas partes daquela história, mas precisava admitir que ainda não havia conseguido compreender o motivo que levara Violet a lhe dar uma chance naquela noite. Independente do que fosse, nem mesmo as piadinhas de Jamie seriam capazes de abalar a sua confiança depois dos beijos trocados com Bryant.

- Nós não estamos mais no colégio, J. Garotas universitárias gostam de caras inteligentes. As coisas mudaram, os tempos são outros!

Enquanto discursava, Matt caminhava em direção ao próprio quarto, sempre exibindo um irritante sorrisinho que o acompanharia por toda a noite até o dia seguinte. Com uma expressão abobada, Jamie permaneceu parado no meio da cozinha, sem conseguir acreditar no que estava acontecendo.

- De novo: eu te vi dançando, cara! Uma garota como aquela, com um cara como você? Estamos mexendo com a ordem do universo! Você não aprendeu nada vendo Flash? Sempre vai dar merda!
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Seg Nov 07, 2016 1:56 am

Não havia nem mesmo a sombra de um arrependimento atormentando a mente de Violet na manhã seguinte. A noite ao lado de Matthew Avery havia sido diferente de tudo o que a garota já experimentara, mas isso não significava que tinha sido uma noite ruim. Sua garganta estava levemente arranhada graças às gargalhadas que Matt lhe arrancara há algumas horas, os beijos tinham sido mais do que satisfatórios e a loira se sentia leve e revigorada depois de ter sido tratada com tanto carinho na noite anterior.

Apesar de tudo isso, Bryant ainda não sabia o que fazer com Matt. Os momentos ao lado dele tinham sido excelentes, mas Violet realmente não sabia se estava pronta para mudar de forma tão radical a direção da sua vida. Ser vista ao lado de um nerd tímido e deslocado seria catastrófico para a imagem que Violet queria construir em Stanford.

Se fosse seguir exclusivamente o próprio coração, Violet concordaria em sair com o colega de novo. Avery não era um atleta popular, não tinha um corpo escultural, uma personalidade forte ou um comportamento extrovertido, mas havia dado à Bryant o encontro mais doce de sua vida. O problema era que Violet ainda era uma pessoa absurdamente dependente da opinião alheia.

A verdade é que ninguém esperava vê-la ao lado de um rapaz como Matt. A filha de Isaac Bryant sempre colecionara rapazes atraentes em sua lista de conquistas e Violet estremecia ao pensar nos comentários negativos que surgiriam caso sua imagem passasse a ser associada a de um nerd sem vida social.

Por outro lado, um namorado como Anthony era tudo o que as antigas amigas do colégio esperavam dela. Um universitário atraente, com um futuro promissor no basquete. Com Anthony, tudo seria mais simples e Violet só precisaria relaxar enquanto as ondas a levavam na direção que ela sempre planejara para seu futuro.

Esta certeza assombrava a mente da loira quando alguém bateu à porta do seu apartamento nas primeiras horas daquela manhã. Bryant morava sozinha em um apartamento espaçoso alugado nas proximidades do campus. Além da família, ninguém mais tinha o seu endereço. Por isso, a loira ficou surpresa quando abriu a porta e deu de cara com um dos rapazes que protagonizavam seus pensamentos naquele dia.

- Como descobriu o meu endereço, Anthony?

O rapaz abriu um sorrisinho convencido enquanto descia os olhos pelo corpo da loira, admirando as curvas mal escondidas pela camisola de seda. Um dos braços de Anthony foi apoiado contra o batente da porta antes que o rapaz tomasse a palavra.

- Eu tenho as minhas fontes.

- Da próxima vez, consulte as suas fontes sobre a minha vontade de ver você. No momento, a resposta é nula.

- Tenho duas coisas que vão fazer você mudar de ideia, delícia. A primeira é esta...

A tela do celular de Anthony foi voltada para Violet e ele esperou que a garota lesse a tensa conversa no Whatsapp na qual ele terminava tudo com a ex-namorada. Bryant chegou a ter pena da menina pela maneira rude e impessoal como Anthony colocara um ponto final no relacionamento, mas seu ego se inflou com a ideia de que o rapaz havia feito aquilo somente para ter uma chance com ela.

- E a segunda coisa está bem aqui...

Do bolso do agasalho que compunha o uniforme do time de basquete de Stanford, Anthony retirou dois convites para um baile de gala que seria oferecido no fim daquela semana aos atletas. A festa seria bancada pela Secretaria de Esportes do estado e contaria com a presença de empresários dos principais times do país. Era o tipo de festa que Violet não costumava recusar. E, para Anthony, seria excelente ter a sua imagem associada à filha de Isaac Bryante.

- Só dois jogadores do time ganharam convites, e eu fui um deles. Posso levar uma acompanhante e quero que seja você, delícia.

Aquela proposta parecia ser o destino mostrando a Violet que era aquele o caminho que ela deveria seguir. Ao lado de Anthony, ela teria a vida badalada à qual estava acostumada, continuaria frequentando festas sofisticadas e construiria amizades valiosas naquele núcleo social privilegiado. A noite com Matt havia sido ótima, mas Bryant sabia que o colega não poderia lhe oferecer nada além dos beijos que ela já experimentara.

- Nã-nã-não... – Anthony recuou a mão que carregava os convites quando a loira fez menção de pegá-los – Se vai aceitar a minha proposta, faço questão que continuemos exatamente no ponto em que paramos ontem.

- Terei que voltar para aquela garagem abafada? – Violet provocou com um sorrisinho enquanto lançava um olhar sugestivo na direção do sofá da sala – Eu tenho uma ideia muito mais confortável bem aqui.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Nov 07, 2016 2:13 am

Os passos lentos de Dominic acabariam provocando um pequeno estrago no seu perfeito cronograma, mas por algum motivo, Angeline estava disposta a fazer aquela pequena alteração para prolongar os minutos ao lado do rapaz.

Era a primeira vez que os dois tinham a oportunidade de conversar a sós, mas desde o primeiro contato, Angie já havia notado como o rapaz era atraente. O campus estava lotado de rapazes bonitos, mas o sorriso torto e os olhos claros, além do discreto sotaque que ela conseguia identificar em algumas palavras, faziam com que Dominic se destacasse de forma positiva.

A impressão da noite passada havia mascarado um pouco aquele primeiro encanto, mas o pedido de desculpas inusitado fez mais uma vez com que Angie sentisse seu coração bater mais rápido.

Durante a festa, ela poderia jurar que todos os amigos de Stacey eram bêbados idiotas e irresponsáveis. Mas à luz do dia, Sjogren parecia apenas um rapaz educado e gentil que se aproximava de uma garota.

O convite para sair, entretanto, foi recebido quase como um choque por Angeline. Ela não era vaidosa, mas pelo menos em Sacramento não precisava perder muito tempo se arrumando para chamar a atenção de algum rapaz. Antes de ingressar em Stanford, a menina havia sustentado um namoro de quase um ano com um amigo de infância. Mas Dominic parecia estar em outro patamar. Os dois pertenciam a mundos completamente diferente e Angie não conseguia imaginar como conseguiria encaixar a vida regrada que estava planejando em meio as festas que ele certamente não abriria mão.

O rapaz estava convidando apenas para um passeio, mas Angie se via obrigada a enxergar mais a frente. Ela não podia se permitir mais distrações e a noite anterior havia sido a prova clara.

- Ahn, eu sinto muito, Dominic. Eu preciso ir ao centro hoje e comprar o restante dos meus livros. Não posso enfrentar a semana de aula sem todo o material.

Em partes, Angeline não estava falando nenhuma mentira. Se abrisse a agenda de capa azul, realmente encontraria a sua letra caprichosa indicando aquela tarefa. E o que poderia ser só uma desculpa esfarrapada, realmente tinha grande valor para a menina.

Angie já havia lançado um sorriso de desculpas e começado a se afastar quando seu coração se comprimiu. Uma vozinha desesperada gritava em sua mente para não perder aquela oportunidade. Que estaria desperdiçando uma chance única.

Por um lado, ela havia prometido ao pai que se comportaria. Mas seria ridículo dizer que estaria arruinando todo o seu plano universitário por desviar as suas tarefas em uma única noite.

Mordendo o lábio inferior em um claro sinal de receio, a menina recuou dois passos e voltou a encarar Dominic. Ele era mesmo muito atraente e não teria dificuldades de arrumar outra menina quando dobrasse a esquina. Além do mais, havia tido o trabalho de se desculpar pela atitude grosseira do amigo. Aquilo certamente lhe trazia alguns pontos positivos.

- Bom... Na verdade eu ainda estou sem carro. Não me importaria de aceitar uma carona até a livraria. Não posso garantir o cinema, mas já pesquisei sobre um restaurante italiano muito bom por lá.

Angie arqueou as sobrancelhas e tentou agir da forma mais natural possível quando concluiu, torcendo para que não fosse tarde demais.

- Pode me pegar às 7?
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Seg Nov 07, 2016 2:56 am

Quando a loira se recusou a sair com ele, Dominic sentiu um buraco se abrir sob os seus pés. Ele tinha tanta certeza de que escutaria um sim que ficou sem reação com a negativa, encenando com perfeição o papel de um rapaz profundamente decepcionado com um fora de uma garota de quem realmente gostava.

A mente dele já sofria com a ideia de perder a valiosa motocicleta quando Angeline voltou atrás em sua resposta. Os lábios bonitos de Sjogren se repuxaram naquele sorrisinho torto atraente e um profundo alívio se espalhou pelo peito dele. A felicidade estampada em seus traços podia ser facilmente creditada à chance de sair com Lockwood e não apenas à animação de saber que a aposta com os amigos ainda estava de pé.

- Às sete está perfeito. Eu passo no dormitório para te pegar.

Depois daquela brusca mudança no comportamento de Angeline, Dominic sentiu-se mais à vontade para inclinar-se na direção dela e se despedir da loira com um carinhoso beijo na bochecha. Os dois se separaram ao fim da praça principal e Angeline seguiu na direção do prédio da Administração enquanto o rapaz atravessou uma rua interna do campus e alcançou o quarteirão que lhe daria acesso aos laboratórios de Anatomia.

Antes que Dominic pudesse chegar à aula daquela manhã, contudo, seu caminho foi obstruído por um belo rosto conhecido. Monica Clark estava com os braços cruzados e com uma expressão nada amigável quando encarou o russo.

- Que história é esta de sair com uma caloura de Administração? Por acaso é algum fetiche, Nick? Seu lema de vida é sempre ter uma novata da Administração na sua cama?

Os olhos do rapaz se arregalaram e uma de suas sobrancelhas se arqueou. Ele havia acabado de chamar Angeline para sair, era surreal que Monica já soubesse daquela novidade. Dominic só precisou de alguns segundos para entender que aquele problema era a prova de que David não estava disposto a jogar limpo e trouxera Clark para a confusão somente para dificultar ainda mais a vitória do oponente.

- O que exatamente o Dave te disse?

- Que você inventou uma aposta ridícula como desculpa pra comer a caloura virgenzinha. Eu dei uma boa olhada nela e só consegui concluir que você é retardado, Dominic. Um cara normal que tem uma mulher como eu nem olharia para aquela vermezinha sem graça.

- Ooook. – o sorriso de Dominic se tornou mais tranquilo e ele tocou o queixo de Monica e admirou os traços bonitos da morena antes de tomar a palavra novamente – Ele não disse o que eu vou ganhar se vencer a aposta?

Clark não respondeu verbalmente, mas o olhar confuso dela indicava que David não havia contado a ela todos os detalhes daquela aposta. Por isso, Dominic completou as informações com uma entonação mais baixa, mesmo sabendo que não havia ninguém naquele estreito corredor que o levaria até os fundos do prédio.

- Se eu comer a virgenzinha, o Dave vai sair do estágio com o pai dele e liberar a vaga para mim. – Sjogren fez uma longa pausa antes de fazer a jogada que lhe daria a vitória naquela batalha contra Monica – Você, melhor do que ninguém, sabe que é preciso fazer alguns sacrifícios em prol da carreira, não é, Mon?

Os olhos verdes da menina se estreitaram até se transformarem em dois riscos em seu rosto pálido, mas Monica não tinha argumentos contra aquela acusação. Ela também havia feito uma jogada suja para conseguir um bom estágio e isso tirava dela o direito de julgar Dominic por aquela ideia.

- Quer mesmo me convencer que está fazendo isso apenas pelo estágio? Não vai se divertir nem um pouquinho? Sei...

- É claro que eu vou me divertir demais, Mon. – Dominic jogou a cabeça para trás numa risada debochada, mas logo repetiu a carícia no rosto da morena e roubou um beijo dos lábios dela curvados em um biquinho de insatisfação – Você tem duas escolhas. Ou fica emburrada pelos próximos dias ou divirta-se junto comigo.

Quando Sjogren entrou no laboratório de Anatomia com vários minutos de atraso, com as roupas amassadas e com a marca do batom avermelhado de Monica em seu pescoço, David teve certeza de que seu jogo sujo não havia dado certo.

A mochila de Nick foi jogada na bancada e ele se sentou ao lado do amigo. Sua atenção estava voltada para o quadro onde o professor já iniciara a aula, mas a voz sussurrada indicava que a atenção do russo estava presa em David.

- Achei que tínhamos combinado um jogo limpo, Dave.

- E eu achei que não teria nenhum problema em contar pra Mon, já que você mesmo diz que ela não é a sua namorada...

- Sugiro que comece a procurar um novo estágio desde já. Eu vou ganhar, Dave.

O outro rapaz abriu um sorriso desdenhoso, mas a angústia em seus olhos indicava que David estava arrependido de ter topado participar daquela aposta. O rapaz muito provavelmente não colocaria o seu futuro em jogo se estivesse sóbrio, mas agora já era tarde demais para voltar atrás.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Nov 08, 2016 2:07 am

Angie definitivamente havia subestimado o ensino de Stanford quando acreditou que o mesmo esquema de estudos do colégio poderia ser aplicado no ensino superior. Ela havia acabado de sobreviver ao primeiro dia de aulas e já sabia que precisaria rever todo o seu planejamento da semana e encaixar mais horas para o estudo se quisesse estar sempre em um ritmo aceitável.

Naquele fim de tarde a menina estava sentada na própria cama com as pernas cruzadas sob o corpo e debruçada sobre a própria agenda enquanto tentava compreender qual seria a melhor forma de redistribuir os seus horários. Os cabelos loiros haviam sido repuxados para o topo da cabeça em um coque bagunçado e um marca-texto estava preso em seus lábios quando Stacey entrou, retornando das próprias aulas.

A ruiva vestia uma calça justa e um cropped que deixava exposta a sua barriga lisa, exibindo um prateado piercing e uma pequena faixa de uma tatuagem que desaparecia em sua costela, sob o tecido da blusa. Apesar da aparência oposta de Angie, o sorriso era sinceramente simpático quando a menina se jogou na própria cama, sem se importar em retirar as botas.

- E então, Angel, como foi o primeiro dia de aula? – Ela se revirou até estar deitada de lado, de modo que pudesse encarar Lockwood de frente.

- Ainda mais intenso do que imaginei. – A loira admitiu, retribuindo o sorriso amigável.

- Algum novato bonitinho? Já enjoei de todos os veteranos. – Stacey girou os olhos, entediada. – Não é muito justo, sabe? Todo ano entram mais novatas lindas enquanto os rapazes estão cada vez mais escassos. Eu devia ter feito Engenharia.

- Ahn, na verdade...

O sorriso que Angeline tentava esconder era tão óbvio que Stacey imediatamente se sentou na cama, demonstrando total interesse na conversa.

- Mas já? No seu primeiro dia? Os calouros estão ficando cada vez mais interessantes, talvez eu devesse mudar a minha tática.

Era estranho manter aquela conversa como se Stacey fosse uma velha amiga, mas a ruiva estava cada vez mais conquistando o seu espaço. Além do mais, Angie nunca havia tido uma amiga com quem pudesse conversar sobre rapazes ou coisas tão aleatórias. Ela não era uma completa excluída quando vivia em Sacramento, mas seu melhor amigo sempre havia sido o pai. Era gostoso poder falar de forma tão relaxada sobre um menino sem se preocupar que ele tivesse correndo algum perigo por um pai ciumento.

- Ele não é veterano. – Angie mordeu o lábio inferior enquanto tentava se conter com a empolgação.

Ela sabia que estava agindo como uma menininha boba, mas havia passado todo o dia aguardando ansiosa pelo encontro com Dominic. Em Sacramento não haviam rapazes tão interessantes para lhe fazer suspirar, e mesmo que racionalmente ela soubesse que precisava se conter, estava cada vez mais se deixando levar pela empolgação.

- O Dominic me convidou para sair hoje.

A empolgação de Angie não foi refletida em Stacey na mesma forma que ela havia imaginado em sua cabeça. O sorriso da ruiva desapareceu e ela ficou subitamente mais séria, obrigando Angie a se perguntar se havia perdido algum sinal e que a sua colega de quarto na verdade tivesse algum sentimento oculto pelo melhor amigo.

- Isso é um problema pra você? Eu posso ligar e desmarcar, não quero me meter na história de vocês dois.

Angeline começava a murchar, a última coisa que ela queria era desmarcar o encontro daquela noite. Mas também não estava disposta a comprar uma briga com a colega de quarto e criar uma inimizade desnecessária com quem dividiria o teto pelo próximo ano.

- Não, não é nada, disso, Angel. – A ruiva sacudiu a mão no ar, como se estivesse espantando um mosquitinho, e fez uma careta com a simples ideia de estar envolvida com Dominic. – O Nick e eu somos só amigos, de verdade.

Uma pequena chama de esperança voltou a aparecer no peito de Lockwood, mas ela conseguiu conter o sorriso enquanto ainda tentava descobrir qual era o problema com Stacey.

- Eu só não imaginei que ele fosse o tipo de cara que você curtiria.

As sobrancelhas claras de Angie se arquearam e ela tentou processar aquela informação por alguns segundos. Stacey estava se tornando uma boa amiga, mas ainda não a conhecia o suficiente para dizer que tipo de cara ela gostava ou não. E pelo pouco que as duas haviam convivido, a ruiva também não parecia julgar pela aparência. Por isso, ela logo concluiu que não era exatamente sobre os seus gostos que a menina se referia.

- Ou eu que não sou o tipo de garota que ele curtiria?

A expressão no rosto de Stacey foi a resposta suficiente para Angie. A sensação foi a mesma como um balde de água fria. A agenda em seu colo foi fechada e seus lábios foram espremidos, como se estivesse tentando conter os próprios pensamentos com aquele gesto.

- Não fica assim, Angel... O Nick é um cara legal, de verdade. Eu não seria amiga dele se não fosse. Só toma cuidado com o que você espera dele, tá legal? Ele não é exatamente um príncipe encantado.

Aquela era a primeira vez que Angeline se sentia julgada pela nova amiga. Stacey era o seu oposto, com roupas ousadas, uma personalidade mais ousada, dona da própria atitude. Ela parecia uma criancinha perto da ousadia e coragem de Stacey, e aquele comentário só reforçava a ideia de que Angie era uma menina inocente demais para aquele mundo de adultos.

Sem a mesma animação de antes, Angie apenas concordou com um movimento da cabeça e se levantou da cama, levando a agenda azul consigo.

- Eu não estava esperando que ele fosse surgir em um cavalo branco e me propor em casamento, Stacey. Mas obrigada, recado anotado.

Ainda faltavam alguns minutos até a hora combinada com Dominic, mas Angie não iria conseguir se concentrar na tarefa do seu cronograma semanal e muito menos suportaria ficar mais um minuto no mesmo cômodo que Stacey. Por isso a menina enfiou os seus pertences na bolsa e deixou o dormitório, indo esperar pelo rapaz em uma das mesinhas de metal que ficavam no gramado em frente ao prédio dos quartos.

A cabeça de Lockwood dava voltas, repetindo infinitas vezes as palavras de Stacey. Ela não queria ser a caloura inocente, não queria ser vista como uma criança e só queria aproveitar a experiência da faculdade como qualquer outro. Aquilo não precisava necessariamente ir contra o seu principal objetivo de manter o foco nos estudos.

Quando o ronco de uma moto soou, Angie girou a cabeça para encontrar Dominic no instante em que ele estacionava em uma das vagas mas próximas. O queixo dela caiu quando percebeu o tipo de “carona” que teria até a livraria.

Naquele dia, Angie quase se arrependeu de não ser uma menina vaidosa. Se fosse como as demais moças que perdiam horas se preparando para um encontro, ela provavelmente teria optado por um vestido, saltos e uma maquiagem caprichada. Porém, o seu tênis baixo, a calça jeans e o suéter coral não serviam como desculpa para ela fugir daquela pequena aventura na garupa de Sjogren.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Ter Nov 08, 2016 11:33 pm

O ronco suave mostrava que o motor da moto de Sjogren era moderno. O modelo do veículo já era bastante caro e sofisticado, mas a motocicleta havia se transformado em um pequeno tesouro depois que Dominic a incrementou com algumas peças extras e com um motor mais potente. Além do inegável valor comercial, também era enorme o valor sentimental que o dono possuía para com a moto. Dominic se arrepiava até com a ideia de arranhar a pintura, então é óbvio que estava disposto a tudo para não perder a aposta que lhe custaria aquele bem tão precioso.

Naquele início de noite, a moto contribuía positivamente para o charme de Dominic. A habilidade e a postura confiante dele sobre o veículo atraía olhares e sorrisos femininos, assim como as roupas escolhidas para o encontro com Angeline Lockwood. Exatamente como a garota fizera, Sjogren não havia escolhido um visual típico para um primeiro encontro. A calça preta era mais surrada e os tênis lhe davam um ar mais esportivo do que sofisticado. A maioria dos rapazes optaria por uma camisa social, mas Dominic usava uma camiseta cinza simples, parcialmente coberta por uma jaqueta jeans.

Os cabelos castanhos estavam atrapalhados quando o rapaz retirou o capacete e lançou um de seus sorrisinhos tortos para Angeline, divertindo-se imensamente com o olhar assombrado da loira. Um segundo capacete apoiado no assento foi estendido na direção da garota antes que Dominic tomasse a palavra.

- Não faça esta cara, baixinha, eu serei cuidadoso. – a provocação soou depois de uma longa pausa – Cem quilômetros por hora é o limite, prometo não passar dos noventa e nove.

Enquanto Angeline tomava coragem para colocar o capacete e ocupar o seu lugar na garupa da motocicleta, Sjogren assistia aos gestos dela com um semblante divertido. Lockwood era a típica garota certinha e cheia de pudores, o tipo de menina que nunca despertara o interesse do russo. Com Angeline, contudo, Dominic precisava admitir que estava gostando da experiência. Talvez fosse apenas a diversão associada à brincadeira maldosa que a menina desconhecia, mas a cada minuto Sjogren gostava mais da ideia de passar mais tempo com a caloura de Administração.

Quando ocupou seu lugar na moto e consequentemente aproximou-se mais do rapaz, Angeline conseguiria sentir o perfume que vinha dele. Era uma fragrância tipicamente masculina vinda da loção pós barba.

- Você vai ter que se segurar em mim, Angel... – Sjogren brincou ao notar que a menina não sabia onde apoiar as mãos – Eu só estou no segundo semestre. Se você cair o máximo que consigo fazer é chamar uma ambulância.

O rapaz recolocou o próprio capacete e ligou novamente a motocicleta. Com a cabeça levemente inclinada para trás, Dominic buscou pelo rosto delicado da garota. Sua voz saiu abafada graças ao capacete e ao motor do veículo ligado, mas devido à proximidade Angeline não teria dificuldade em compreender as palavras do russo.

- Eu estou aqui pra bagunçar a sua vida mesmo, baixinha. Mas você vai gostar disso.

Antes que Angeline tivesse a chance de responder, Dominic arrancou a moto. Propositalmente, foi uma partida súbita e nada sutil, que obrigou Angeline a se agarrar com ainda mais firmeza no tronco dele para evitar uma queda.

Durante o trajeto do campus até o centro da cidade, Sjogren não excedeu o limite de velocidade e nem cometeu nenhuma imprudência grave. Ainda assim, certamente aquela experiência daria à Angeline uma dose de adrenalina à qual ela não estava acostumada. A motocicleta ziguezagueava entre os carros, fazia curvas fechadas nas quais os joelhos dos jovens quase encostavam no asfalto e fazia o quadril da menina se descolar do assento sempre que passavam em um aclive da pista.

Já havia terminado de anoitecer quando os dois jovens chegaram ao centro, mas a principal livraria da cidade ainda estava cheia de clientes quando Dominic e Angeline entraram no estabelecimento. Com um olhar lateral curioso, o russo espiou a agenda azul na qual a loira havia anoitado a sua lista de compras. Um risinho anasalado escapou de Sjogren quando ele percebeu que a rotina de Lockwood estava milimetricamente programada naquelas páginas.

- Então este é o monstro que eu terei que enfrentar sempre que quiser um pouquinho do seu tempo?
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Re: Stanford University

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Nov 11, 2016 1:27 am

- Você não deveria estar na aula?

Despertado pelos barulhos que vinham da cozinha, Jamie Davis se viu obrigado a interromper o seu precioso sono e se arrastou para fora da cama apenas para encontrar um agitado Matthew revirando os armários em busca do que deveria ser o seu almoço.

Enquanto Jamie apresentava os cabelos escuros arrepiados e um dos olhos ainda fechado para se acostumar com a claridade, com uma expressão amarrotada de sono, Matt era o completo oposto. O rapaz já vestia um par de all star preto, a calça jeans escura e uma camiseta cinza de algodão com uma equação matemática estampada em letras garrafais. Os cabelos castanhos estavam ligeiramente bagunçados após uma manhã corrida, mas seu rosto parecia irradiar uma energia que não alcançava Jamie.

- Você não deveria estar, tipo, arrumando um emprego ou dizendo aos seus pais que você não está em Massachusetts?

Matt retrucou a pergunta, e apesar da crítica, o sorrisinho divertido que ele lançou ao amigo mostrava que o comentário não passava de uma implicância inocente. Enquanto falava, o rapaz puxou um pacote de batatas fritas do armário e abriu a embalagem de plástico provocando um ruído pela cozinha.

O interior do pacote foi remexido até que o rapaz puxasse algumas batatinhas com as mãos e as enfiasse na boca, o som da mastigação ecoando por alguns segundos antes que ele engolisse e respondesse sem implicâncias a pergunta de Jamie.

- Não tive a aula da manhã e resolvi ir até o centro resolver alguns problemas. Ainda tenho alguns minutos até a próxima aula, então resolvi almoçar.

Um novo punhado de batatas foi jogado em sua boca e ele ergueu a embalagem do salgadinho para indicar o que ele se referia como “almoço”. Com uma expressão rabugenta, Jamie atravessou a cozinha e abriu a geladeira para pegar a garrafa de leite.

- Isso não é almoço. Você deveria pedir uma pizza pelo menos.

- Estou tentando viver uma experiência completa de um universitário. E as estatísticas indicam que posso facilmente sobreviver aos próximos anos apenas com batatinhas, cachorro-quente e cafeína. Muita cafeína.

Matt continuou encostado contra o armário enquanto mastigava os seus salgadinhos, observando os movimentos de Jamie enquanto o amigo se servia de uma porção de cereal com leite. Apenas quando se afastou da tigela posta para pegar uma colher, o olhar de Jamie deslizou até a mochila de Avery, largada em um dos bancos altos que rodeava a bancada.

Os segundos passaram bem lentos enquanto Matt observava Jamie largar a atenção do seu café da manhã, direcionando o olhar para a mochila. Mas não foi suficiente para impedir que o amigo se esticasse sobre o fecho aberto e puxasse os dois ingressos que pendiam, expostos.

Já percebendo que Matthew tentaria intervir, Jamie deu um salto para trás, ganhando mais algum tempo para ler os ingressos, e seu queixo caiu ao perceber do que se tratava.

- Basquete??? Você comprou ingressos para assistir uma partida de basquete???

Os ingressos foram arrancados da mão de Jamie e imediatamente empurrados para dentro da mochila. O bom humor de Matthew pareceu repentinamente abalado e ele estava ligeiramente ruborizado enquanto evitava encarar o amigo.

- Qual é o problema?

- Isso também faz parte da sua “experiência de garoto de faculdade”? Ou é só influência da loirinha do sangue de porco?

Matthew girou os olhos, mas o tom rosado de suas bochechas indicava que Jamie havia descoberto facilmente o real motivo que o fizera escapar de algumas aulas daquela manhã para ir comprar os ingressos daquele jogo.

- Eu não posso simplesmente gostar de basquete e querer assistir? Preciso mesmo de um motivo?

- Basquete?! Qual é, Mark – Jamie soltou uma gargalhada, usando a troca do nome do amigo propositalmente. – Quadribol, OK! Basquete? Definitivamente um alienígena invadiu a sua mente.

O tom de brincadeira de Jamie fazia parte da rotina entre os dois amigos, mas ao perceber que Matthew estava realmente ficando incomodado com as provocações, o sorriso do rapaz murchou e ele soltou um longo suspiro. Com os braços cruzados e um semblante mais sério em seu rosto sonolento, ele sacudiu a cabeça.

- Caramba, Mattie... A loirinha te pegou mesmo, hein?

***

Uma camiseta xadrez foi jogada por cima da cinza antes que Matthew saísse de casa. Uma das alças da mochila estava pendurada em seu ombro e ele tentava controlar a ansiedade enquanto andava pelo gramado verde farto de universitários a caminho do prédio de engenharia.

Ele sabia que seria inevitável reencontrar Violet em breve, mas ainda não tinha certeza de como deveria se portar. A noite anterior havia sido de longe a melhor experiência na vida do jovem Avery e ele não queria arruinar tudo sendo ansioso demais ou demonstrando desinteresse. Era necessário usar a dose certa para não perder a chance de ouro de ter uma garota como Violet.

Todo o universo poderia julgá-lo louco por ter esperanças com Bryant, e ele precisava concordar que era algo incrivelmente inusitado. Mas ele se lembrava com perfeição de como ela havia se divertido da noite anterior. A risada musical, o sorriso que alcançava os olhos claros, o formato que os lábios dela se mexiam enquanto falava que não se arrependeria daquele momento. Ninguém mais precisava acreditar, mas ele sabia que Violet havia se interessado por ele.

Foi com aquele pensamento que Matt conseguiu reunir coragem quando avistou a loira logo na entrada do prédio de engenharia. Ao invés de se sentir apavorado como um garotinho ou ansioso como havia sido a manhã toda, ele apenas se sentiu feliz quando seu olhar se encontrou com o de Violet.

Os lábios se curvaram em um sorrisinho bobo, mais uma vez sem acreditar no tamanho da sua sorte. A menina conseguia ser ainda mais linda sob a luz do sol. Os cabelos loiros brilhavam e a altura exagerada que alguns poderiam considerar um defeito, era apenas mais um atrativo que lhe dava um ar de segurança e autoridade.

Por um instante, Matt apenas parou em seu caminho para admirá-la, sentindo o coração acelerar. Ainda sorrindo, ele esperou que um grupo de três meninas passassem na sua frente para então se aproximar de Violet.

- Eu pensei em passar no hospital mais próximo, apenas para me certificar de que não tinham levado você pra amputar os pés.

Ele deslizou os dedos pela alça da mochila e indicou os pés da menina apenas inclinando com a cabeça.

- Fico feliz em saber que eles ainda estão inteiros. São lindos pés, estava preocupado em ter arruinado tudo.

A mochila finalmente foi deslizada pelo lado e Matt abriu o zíper apenas para puxar os ingressos para o jogo de basquete. Tentando imitar a atitude confiante de tantos rapazes, ele esticou os dois papéis em direção da menina. Diferente do convite que ela havia recebido naquela manhã, o sorriso de Avery não trazia nenhuma malícia. Era quase de um menino empolgado demais com a proximidade do natal.

- E você vai precisar deles para assistir ao jogo comigo. Melhores lugares da casa.
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Re: Stanford University

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Nov 11, 2016 2:19 am

Angie ainda sentia o coração acelerado e todo o corpo anestesiado após a corrida de moto. Ela nunca havia feito nada parecido em toda sua vida, mas precisava admitir que a pequena aventura havia sido tão divertida quanto apavorante.

Por alguns minutos, enquanto apertava os olhos com força e se agarrava ao tronco de Dominic com medo de deslizar para fora do veículo, Angeline chegou a acreditar que acabaria aquela noite rolando pelo asfalto. Mas era surpreendentemente bom sentir o seu coração acelerado e, depois que tocou com os dois pés no chão firme, ela se convenceu que havia sido divertido.

Os cabelos loiros estavam ligeiramente desalinhados pelo vento e o uso do capacete, mas mesmo com os fios que fugiam do penteado, Angeline continuava bonita e com uma aparência angelical. Com ondas largas, as mechas claras emolduravam o seu rosto que ainda exibia um largo sorriso após a aventura vivida no trajeto até a livraria.

Quando Dominic comentou sobre a agenda, instintivamente Angie puxou as páginas contra seu peito, em uma tentativa de esconder o conteúdo do rapaz. Ela era incapaz de viver sem as organizações e os cronogramas que davam ordem para a sua vida, mas ao mesmo tempo que aquilo fazia parte da sua rotina, era um tanto vergonhoso quando outras pessoas descobriam da sua pequena obsessão.

- Bom, pelo menos o meu monstro não corre o risco de levar nós dois ao hospital.

As palavras soaram em uma provocação leve enquanto Angie tentava esconder o constrangimento com um sorriso tímido. Os dois começaram a andar pelos corredores de estantes com livros e ela apontou para a entrada com a cabeça, ao se referir a moto do rapaz.

- O seu monstro, por outro lado, ronca e assusta muito mais.

Os olhos azuis de Angie passearam por uma das estantes quando os dois pararam de andar e ela consultou rapidamente a agenda para confirmar o nome de um dos livros antes de puxá-lo para o colo. A menina fez uma longa pausa e abraçou o livro antes de buscar pelo olhar de Dominic.

Nenhum rapaz antes havia feito seu coração bater tão rápido quanto naquele dia, e Angeline sabia que não poderia culpar apenas o passeio de moto. Dominic era diferente de tudo que ela havia conhecido em Sacramento. Era como se ele carregasse um alerta estampado em sua testa, mas aquele detalhe apenas atraía Angie ainda mais.

- Mas eu acho que nós dois conseguimos encaixar esses pequenos problemas. Se você realmente quiser um pouquinho do meu tempo, é claro...

Com um sorriso contido, Angie mordeu o lábio inferior ao sustentar o olhar de Dominic. Ela sentia todo o seu corpo responder com aquele momento e sabia que não teria o controle por muito mais tempo, o que a obrigou a desviar o assunto da conversa de forma casual.

O livro que ela havia acabado de retirar da estante foi empurrado para as mãos de Dominic e a menina franziu a testa antes de apontar para a agenda ainda em sua mão.

- Podemos discutir isso depois. Precisamos pegar mais três livros e pagar pelos próximos quinze minutos se quisermos chegar a tempo da reserva do restaurante.

Ao perceber que havia deixado escapar aquele pequeno detalhe, Angie tentou desviar o foco da sua mania de controle com uma postura mais prática, erguendo um dos ombros ao se explicar.

- Eu precisava ter certeza que teríamos uma mesa quando saíssemos daqui. Não tem nada além de carrocinhas de cachorro-quente nessa rua e eu não posso voltar para o dormitório com fome. Meu humor fica consideravelmente mais perigoso quando estou com fome e provavelmente assassinaria a Stacey durante o sono.
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Re: Stanford University

Mensagem por Violet Bryant em Sex Nov 11, 2016 11:53 pm

Os cabelos loiros presos em um rabo de cavalo alto realçavam ainda mais os traços naturalmente bonitos do rosto de Violet Bryant. Naquela tarde, ela parecia ser novamente a chefe das líderes de torcida do colegial quando apareceu no campus com uma saia curta que destacava suas pernas compridas e uma camisa branca de botões. As sapatilhas eram um detalhe que mostrava que, naquele dia, ela estava disposta a agradar Anthony não parecendo mais alta do que ele.

Com a bolsa pendurada em um dos ombros, Violet manteve as mãos livres e usava os dedos freneticamente para mexer no celular enquanto caminhava, obrigando as pessoas a se desviarem do seu caminho para evitarem acidentes. A tela do aparelho exibia as últimas coleções de uma loja de roupas de um dos shoppings mais caros da cidade.

A loira já havia selecionado vários vestidos que experimentaria no fim daquela tarde e, sem dúvida, o que lhe caísse melhor seria escolhido para o grande baile do fim da semana. Como o preço das peças não era um problema para a filha de Isaac Bryant, Violet não descartava a possibilidade de comprar mais de um vestido para escolher aquele que mais combinasse com o seu humor no dia da festa.

Como o sinal do celular ficava péssimo no interior do prédio da Engenharia, Violet se encostou na parede que dava acesso à entrada das salas para terminar a sua tão importante “pesquisa”. A garota ainda estava profundamente concentrada naquela tarefa quando teve a nítida sensação de que estava sendo observada.

Os olhos azuis abandonaram a tela do celular e se ergueram, encontrando-se com o olhar de Matthew Avery. Por mais que estivesse certa da sua escolha, Violet não conseguiu evitar o gosto amargo da culpa ao rever o colega. Matt era um rapaz adorável, a noite ao lado dele havia sido maravilhosa e era óbvio que ele estava se esforçando para que aquilo fosse adiante.

O maior problema era que Matt não se encaixava na vida glamorosa que Bryant sempre planejara para si. Ele era doce, gentil, engraçado e bonitinho, mas nunca seria o rapaz popular que atrai olhares por onde passa, que constrói sua fama nos esportes e que poderia ter a garota que desejasse.

No fundo, Violet sabia que seu julgamento era tolo, superficial e injusto. Mas depois de tantos anos usando aquela máscara, a loira simplesmente não estava pronta para encarar a realidade na qual seu namorado seria um garoto comum e não o cara mais cobiçado do colégio.

- Eu estou bem. Eles são mais resistentes do que parecem.

Bryant tentou manter o bom humor e abriu um sorrisinho sem graça enquanto olhava os próprios pés. As sapatilhas poderiam ser um sinal de que os dedos ainda estavam doloridos demais para aguentarem um salto, mas a verdade era que a escolha daquela tarde não fora motivada por Avery.

A esperança de Violet era que Matt voltaria a se comportar como um menino inseguro e não teria coragem de uma nova iniciativa. Tudo o que a loira precisava fazer era não dar nenhuma brecha para uma nova aproximação e deixar que o encontro da noite anterior morresse em algum canto obscuro do passado. Matthew, contudo, decepcionou as expectativas da garota quando estendeu os convites na direção dela.

O sorriso mecânico de Violet morreu e ela se sentiu ainda mais miserável diante da certeza de que Matt – que evidentemente não era ligado aos esportes – estava fazendo um sacrifício para agradá-la.

Normalmente, Bryant não tinha a menor dificuldade em dispensar rapazes que a incomodavam com aquele tipo de proposta, mas era impossível simplesmente dizer a Matthew Avery que não ia rolar mais nada entre eles porque Anthony entrara na jogada.

Violet detestaria assistir à decepção estampada no rosto do colega, principalmente porque saberia que Matt estava decepcionado com o comportamento fútil dela. Era melhor manter o plano original e tentar se afastar até que o tempo passasse e não fosse mais tão constrangedor assumir um relacionamento com Anthony.

- Ah, Matt, poxa... Eu já tenho um compromisso na sexta, infelizmente não posso ir. Mas obrigada pelo convite, quem sabe numa próxima vez, hm?

Embora tivesse sido muito educada naquela recusa, o comportamento de Violet deixava claro que aquele “não” ia muito além do convite para o jogo de basquete. A loira deixou ainda mais óbvio que os beijos da noite anterior ficariam no passado quando ajeitou a bolsa no ombro e indicou a sala de aula.

- Eu preciso entrar, a aula já vai começar. A gente se fala depois, ok?

Propositalmente, naquela tarde Violet escolheu uma cadeira mais no meio da sala, no local mais cheio para evitar que Avery escolhesse um lugar próximo. Era terrível ser tão cruel com um rapaz tão doce quanto Matt, mas Violet sabia que seria muito pior dar falsas esperanças ao colega quando já estava decidido que seu futuro seria ao lado de alguém como Anthony.
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Re: Stanford University

Mensagem por Regulus Black em Sab Nov 12, 2016 12:59 am

- Então nós saímos de Moscou e viemos parar na Califórnia. A sensação térmica é bem semelhante a entrar no inferno.

Já acomodados em uma mesa do pequeno restaurante italiano onde Angeline fizera reservas, os dois jovens começaram a conversar enquanto esperavam que seus pratos fossem servidos. Como não havia nenhuma maneira de fugir de suas origens, Dominic decidiu contar logo sobre a vida na Rússia.

O rapaz mencionou que sua mãe – americana – conhecera o Sr. Sjogren em uma viagem de negócios para Moscou. Os dois se casaram em tempo recorde e moraram na Rússia até o único filho completar catorze anos, quando o pai de Dominic recebeu uma proposta irrecusável de chefiar uma filial da empresa russa na Califórnia.

- Minha mãe fez questão que eu aprendesse a falar e a escrever em inglês desde sempre, então para mim não foi uma tortura tão grande. Meu pai, por outro lado, ainda tem um sotaque muito carregado, se perde facilmente com palavras mais complexas... E eu estou fazendo Medicina porque sei que ele terá um AVC hemorrágico qualquer dia desses. Ele tem uma veia que pulsa bem aqui sempre que alguém o chama de “Senhor Isjogreen”.

O indicador de Dominic encostou na testa da menina, indicando a região temporal parcialmente camuflada pelos cabelos loiros. Como a mesa era pequena, os dois estavam sentados próximos o bastante para que o rapaz só precisasse estender o braço para alcançá-la. O restaurante em si era um estabelecimento pequeno, mas aconchegante. As mesas cobertas por toalhas xadrez davam um ar menos formal ao local, assim como a iluminação fraca. Havia uma vela acesa sobre cada mesinha ocupada e o bruxulear das chamas completava o clima romântico do local.

- Guarde esta informação para quando o conhecer. Escreve-se Sjogren, mas se pronuncia “Siegran”. Você vai conseguir impressioná-lo com um “Po zhelaniyu, minster Siegran”.

Era impressionante como Sjogren conseguia ficar ainda mais atraente quando o sotaque russo deixava sua voz ainda mais grave que o natural. Um sorrisinho divertido brincou nos lábios do rapaz enquanto ele implicava com Angeline.

- Talvez eu te ensine uns palavrões em russo e te convença que as palavras são parte de um cumprimento. Seria muito divertido assistir você tentando se apresentar ao meu pai com uma sequência de palavrões impublicáveis.

Aproveitando-se que Angeline parecia mais leve e descontraída depois daquela conversa, a mão de Dominic deslizou pela toalha xadrez, desta vez buscando pelos dedinhos dela. Os dedos se entrelaçaram de forma carinhosa e Sjogren deslizou o polegar delicadamente nas costas da mão da loira.

Aquilo ainda era parte de um plano sujo dos rapazes, mas isso não significava que Dominic não se envolveria. Angeline não era o tipo de garota que costumava chamar a atenção dele, mas aquela convivência “forçada” mostrava a Sjogren que a menina também tinha as suas qualidades. Além de bonita, Lockwood era doce e inocente como nenhuma outra garota com quem Nick já se envolvera.

- A sua agenda azul previu este atraso, moy korotyshka?

Dominic obviamente se referia ao atendimento lento do restaurante. Os pedidos já tinham sido feitos há quase uma hora, mas os pratos continuavam vazios. O semblante leve do rapaz indicava que ele não estava sinceramente impaciente com o atraso, e isso ficou ainda mais claro quando Sjogren se inclinou na direção da menina, sussurrando as palavras seguintes.

- Seu lema é planejar cada minuto da sua vida. O meu lema é aproveitar todos eles da melhor maneira. Acho que, no momento, a minha ideia é muito melhor.

O rapaz deixou claro qual era a sua ideia quando se inclinou ainda mais, até encostar seus lábios nos de Angeline. Ao invés de iniciar logo o beijo, Dominic mordiscou de leve o lábio inferior da loira, puxando-o delicadamente com os dentes. Lockwood ainda estava tentando lidar com aquela surpresa quando o beijo finalmente começou.

As pálpebras de Sjogren se abaixaram e ele afundou uma das mãos nos cabelos loiros que cobriam a nuca de Angie enquanto a conduzia num beijo intenso, diferente de tudo o que a menina já havia experimentado até então.
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