Bloody Type

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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Out 27, 2016 2:41 am

Alaric sabia que o mais sensato a fazer era contar para Petrus sobre o encontro com Saphir antes que fosse tarde demais, mas a breve visita ao quarto da menina só reforçava o desejo de manter aquela descoberta em segredo.

Annabeth fazia parte de um passado que ele jurava ter esquecido, e admitia que havia sido a semelhança com a antiga paixão que despertara o desejo de procurar por Saphir outra vez. Mas eram as diferenças da filha do prefeito com a vampira que fizeram com que Wegener habitasse seus pensamentos por todo o dia.

Petrus deveria saber daquela novidade para quando o inevitável encontro acontecesse, mas o Montgomery mais velho queria ser poupado do lado racional do irmão que o alertaria para se manter longe da humana.

O que ele não esperava era que o caçula fosse interpretar todos os sinais da forma mais errada possível. Quando Petrus começou o discurso, Ricky estava pronto para se defender por ter mantido a identidade de Saphir escondida, mas quando as palavras tomaram a acusação insana de que ele havia se aliado a Annabeth, Alaric finalmente se virou para encarar o irmão.

A televisão foi colocada no mudo e o celular deixado de lado, mas Alaric permaneceu sentado no sofá enquanto procurou pelo rosto de Petrus com uma expressão de pura confusão. Era perfeitamente compreensível que o rapaz mais novo se prendesse a teoria de que Saphir era Annabeth. Ele mesmo havia tido dificuldades para aceitar a verdade. Mas a acusação grave de Pete gerou um grande desconforto em seu estômago.

- Como é que é? Eu sei que esquizofrenia é frequente em pessoas de mais idade, mas achei que depois de sete décadas você não fosse ir tão longe com a mania de perseguição, Petrus.

O semblante de Alaric também estava carregando quando ele deslizou para a ponta do sofá, gesticulando enquanto se dirigia ao irmão. Ele e Petrus podiam ter discussões bobas ocasionalmente, normalmente quando o caçula repreendia o comportamento pouco discreto do primogênito. Mas Ricky não se lembrava de quando os dois haviam se encarado com tanta decepção no olhar.

- Você acha mesmo que se a Annabeth surgisse hoje, eu iria me curvar diante dela? Que eu esconderia de você, se tivesse uma mísera pista de onde está a droga dessa cura?

Em uma explosão, Alaric se levantou do sofá e jogou os braços para o alto, deixando que eles caíssem nas laterais do seu corpo.

- Eu estou na droga dessa cidade por causa de você, Petrus! Eu poderia estar em Vegas, Nova York ou até na bendita Califórnia, mas eu estou nesse fim de mundo, tomando malvas brancas enquanto você brinca de escola de magia com o seu novo brinquedinho, atrás de uma cura que a gente nem sabe se existe!

Se Petrus estava disposto a começar uma briga apenas com a simples ameaça da presença de Annabeth, havia ficado claro para Alaric que o irmão não era tão indiferente assim com a antiga paixão que dividia a amizade dos dois.

- A Annabeth nunca foi minha, da mesma forma que ela nunca foi sua! Você acha que eu sou um garoto idiota? Pois é você que está agindo como um moleque ameaçado que quer começar uma briga só porque sempre se sentiu inseguro.

Os olhos cinzentos estavam estreitos e ameaçadores, e apesar de toda a frustração provocada por aquela briga, ele engoliu o orgulho para esclarecer a confusão criada por Petrus. Mas a decisão de contar a verdade não tinha o intuito de terminar a briga ou fazer Pete enxergar o seu erro, era apenas a necessidade de desligar a imagem de Annabeth e Saphir, como se precisasse defender a filha do prefeito daquela ofensora comparação.

- Ela é humana. 100% humana, não é nenhuma vampira psicopata. Eu tenho meus motivos para ter certeza que ela não é a Annabeth. E se ainda assim você escolher não acreditar em mim, é só fazer o dever de casa: o sobrenome dela é Wegener. Eu acho que em uma cidade como Bar Harbor, as pessoas já teriam notado se a filha do prefeito fosse uma vampira em recuperação.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Out 27, 2016 3:22 am

O mais sensato seria seguir o caminho até a cozinha e permanecer o mais distante possível dos irmãos Montgomery. Sua proximidade com Petrus tinha como único objetivo aprender ao máximo sobre o mundo da magia, e aquilo não incluía se tornar amiga de dois vampiros com décadas de experiência.

Por mais que em diversos momentos as aulas com Pete se tornassem mais agradáveis e os dois acabassem se divertindo juntos, o interesse em Saphir demonstrado por ele aquela tarde mostrava que o relacionamento que tinha com Summer era puramente “profissional”.

Apesar de ter a necessidade de se manter afastada daquela conversa, quando o tom de voz que vinha da sala denunciou que as palavras não seriam muito amigáveis, Summer se deixou vencer pela curiosidade e permaneceu parada no corredor, atenta ao que os rapazes diziam.

Um vampiro mais atento seria facilmente capaz de revelar a humana curiosa que se escondia pelas paredes em um gesto mal-educado de ouvir a conversa alheia. Mas os Montgomery estavam tão envolvidos no próprio drama que não pareceram notar ou se importar que Summer tivesse há poucos metros de distância.

A conversa era confusa demais para Summer, mas logo ficou evidente que os dois irmãos tocavam em uma velha ferida. Mesmo que não conhecesse toda a história, Fields logo deduziu que “Annabeth” se tratava de um romance do passado dos Montgomery.

Ela não precisava de detalhes para se sentir ainda mais incomodada com a ideia de Petrus apaixonado por alguém, e sequer levantava o questionamento do por que os rapazes resolveram reviver aquele passado tão de repente.

Foi a curiosidade que manteve Summer até o fim parada no corredor, mas as últimas palavras ecoadas na voz de Alaric fizeram seu coração falhar uma batida. Com os olhos arregalados, o sangue pareceu congelar em suas veias e Fields só percebeu que não estava mais no corredor quando as duas cabeças masculinas se viraram em sua direção.

A palidez em seu rosto dava a impressão de que a menina desmaiaria a qualquer instante, e mesmo sem conseguir juntar todas as peças em suas cabeças, ela teve coragem de enfrentar os dois vampiros.

- Eu não sei o que vocês estão tramando, mas deixem a Saphir fora disso. Eu estou falando sério, eu posso estar longe de ter pleno controle dos meus poderes, mas acho que sei o bastante para fazer vocês se arrependerem de brincar com ela.

Ao invés de parecer ameaçado, Alaric abriu um sorriso torto e cruzou os braços contra o peito. Summer poderia querer soar com firmeza, como se estivesse colocando um fim a um plano diabólico dos Montgomery, mas Ricky só enxergava na jovem bruxa a carta final que precisava.

- Ninguém aqui está planejando sugar o sangue da sua amiguinha. Mas não me surpreenderia se o Pete cravasse uma estaca no peito dela.

Os olhos azuis deslizaram de um irmão ao outro até encarar Petrus. A confusão em seu olhar mostrava que Summer ainda não havia compreendido o drama dos Montgomery, mas que estava disposta a defender a amiga daquela história absurda de ser arrastada para a confusão de dois vampiros.

- A Saphir não é uma vampira. – Summer gaguejou, fazendo o sorriso de Alaric aumentar.

- É o que estou tentando dizer desde o começo. Mas o Pete não acredita em mim, não é, irmãozinho? – Os olhos de Alaric brilharam desafiantes ao encarar o irmão. – O meu irmão querido achou que a sua amiga lembra uma velha conhecida nossa, Summer. Mas estou dizendo a ele que está enganado.

Summer buscou o rosto de Peter mais uma vez, tentando compreender todos os acontecimentos daquele dia para explicar a conversa absurda que estavam tendo.

- Ela cresceu comigo. Posso garantir que é mais humana do que eu. Foi por isso que você estava agindo tão estranho?

Alaric não permitiu que o irmão respondesse, assumindo a palavra mais uma vez com uma entonação desafiadora.

- Ele estava agindo estranho porque achou que a nossa querida ex-namorada estava de volta na cidade. Ela é muito parecida com a Beth, não é, Pete? É tão parecida que cruzou o meu caminho primeiro que o seu. Deve ser realmente foda perder a garota duas vezes. Mas sabe que você acertou em pelo menos uma coisa nessa sua teoria absurda?

A expressão sarcástica de Alaric só tornava a provocação ainda maior. Ele se aproximou de Petrus e apoiou a mão no ombro do caçula, falando em um tom mais baixo e cínico.

- Se fosse mesmo a Annabeth, ela iria me procurar primeiro. Ela sempre preferiu a mim.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Qui Out 27, 2016 11:34 pm

- Sem dúvida ela iria procurar primeiro por você, Alaric.

Apesar da provocação maldosa do irmão mais velho, Petrus não se exaltou. Sua voz soou perigosamente calma e ele deu apenas um passo para trás, interrompendo o contato da mão fria que tocava o seu ombro. A presença de Summer parecia soar como um aviso de que, daquela vez, os irmãos não deveriam levar aquela briga até as últimas consequências. Mas Petrus não estava pronto para deixar que Ricky saísse vitorioso com um argumento tão imaturo.

- Ela preferia você simplesmente porque era mais fácil te manipular. Eu estou chateado unicamente por você ter escondido isso de mim. A Annabeth foi um erro que, para mim, ficou muito bem enterrado no passado. Mas você continua sendo tão imaturo e imbecil quanto o garoto que acreditava no amor dela.

No passado, não foram poucas as vezes que os irmãos se atracaram ou trocaram ofensas gravíssimas por causa da vampira. Mas Petrus estava sendo sincero ao dizer que não se importava mais com as lembranças da antiga amante. Sua única frustração naquele dia era saber que Annabeth ainda mexia com a cabeça de Alaric ao ponto de abalar a amizade que os dois tinham construído nas últimas décadas.

Seria muito difícil se concentrar no treinamento de Summer depois do encontro com Saphir e da discussão com Alaric, mas Petrus sabia que perderia a sanidade se não distraísse a mente. E não parecia haver opção melhor que concentrar-se em Fields e nos progressos que a bruxa vinha demonstrando nos últimos dias.

Como havia subido para o sótão antes da garota, Montgomery já estava debruçado sobre a bancada quando Summer surgiu. O vampiro estava rodeado por livros velhos, algumas anotações e frascos vazios, indicando que naquela noite ele colocaria em prática a ideia de incentivar a bruxa a preparar algumas poções.

- Eu marquei as folhas das poções que me pareceram mais simples, acho que você deveria começar por elas.

O velho livro da Sra. Fields havia sido cuidadosamente folheado por Petrus naquela tarde. Além de marcar algumas folhas com clipes metálicos, o vampiro havia tido o trabalho de comprar e separar os ingredientes que Summer precisaria para os testes daquela noite.

Era uma grande tolice imaginar que Summer simplesmente se esqueceria da conversa tensa da sala e conseguiria se concentrar nas poções. Por isso, os olhos azuis escuros se ergueram e buscaram pelo rosto delicado da menina. Embora soubesse que, teoricamente, Summer não tinha o direito de exigir nenhuma explicação dele, Petrus se sentiu no dever de saciar a curiosidade dela e, principalmente, de afastar a preocupação que Fields voltava para a amiga.

- Eu não vou fazer nada com a garota. Ainda acho que tudo isso é uma coincidência grande demais, é difícil de engolir. Mas a verdade é que não me importa, Summer. Não mais.

Enquanto falava, Petrus caminhou pelo sótão. As tábuas velhas rangeram sob o peso de Montgomery até que ele parou diante da janela entreaberta e acomodou-se ali, dando espaço para que a bruxa ocupasse o lugar à bancada. Os braços cruzados realçavam o contorno dos músculos visíveis graças à camisa social branca dobrada até os cotovelos. A calça de linho acinzentada estava impecavelmente lisa. Era uma roupa formal demais para um rapaz tão jovem, mas era impressionante como aquele estilo combinava com as feições bonitas de Petrus.

- A sua amiga não é simplesmente parecida com Annabeth Kendrick. As duas são fisicamente idênticas. É como se um fantasma tivesse aparecido para nos assombrar. Mas o que realmente me deixa chateado é saber que o Ricky ainda não a superou.

Como toda aquela história ainda soava muito confusa para Summer, o vampiro deu as explicações que a menina precisava para entender aquela guerra entre os Montgomery.

- Annabeth era uma vampira. Nós a conhecemos antes da nossa transformação. Ela era linda, sedutora, inteligente e experiente. Mas também era cruel e inescrupulosa. Ela seduziu o Alaric primeiro. Brincava com ele, alimentava-se do sangue dele, arrancava cada centavo que ele conseguia ganhar. Mas depois de um tempo ela se cansou desse jogo e decidiu incrementar a diversão me arrastando para a história.

Mesmo que na época Petrus fosse apenas um rapaz jovem e inexperiente, era visível que ele se sentia constrangido ao confessar que havia sido manipulado por Annabeth. A vampira possuía poderes que iam muito além da resistência de Montgomery, mas ainda assim era vergonhoso se lembrar de como ele fora tolo.

- Ela não gostava de nenhum de nós dois. Éramos somente uma diversão lucrativa para ela, em vários sentidos. Alaric e eu declaramos guerra um ao outro por causa de um monstro que se divertia às nossas custas. Nós éramos inimigos declarados quando ocorreu o ataque, e foi depois disso que a dor nos uniu. Foram necessários muitos anos para reconstruirmos a amizade e a confiança. Por isso é tão frustrante saber que ela – ou a memória dela – está de volta e com o mesmo poder de deturpar a mente do meu irmão.

A sinceridade estava refletida nas íris azuladas quando Montgomery confessou com uma expressão séria. O sótão era iluminado por lâmpadas fracas, mas a luz da lua atravessava o vidro empoeirado da janela e iluminava o rosto de Petrus com uma coloração prateada.

- Eu realmente não faço ideia de por que a sua amiga se parece tanto com ela, mas não quero perder meu tempo com isso. Eu prefiro me concentrar em você, Sum.

Com aquelas palavras, Petrus queria dizer que confiava muito mais na bruxa para lhe dar as respostas de que ele tanto precisava. Mas só quando ouviu a própria voz grave ecoar no sótão vazio, o vampiro se deu conta de que deixara uma brecha para uma dupla interpretação maliciosa.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Sex Out 28, 2016 12:29 am

Aquele era o tipo de coisa que Saphir Wegener jamais faria em uma cidade grande. Contudo, não parecia haver nenhum risco em aproveitar a noite fresca de Bar Harbor para se exercitar. Os pais estavam fora de casa e William não era mais uma boa companhia, Summer não respondia as suas mensagens e não havia na cidade pequena nenhuma opção de entretenimento que superasse a ideia de correr.

A calça legging preta marcava as curvas das pernas e dos quadris de Saphir. Uma faixa dos tornozelos finos estava à mostra. A garota também usava um casaco de moletom confortável, de um tom vermelho vivo. Do bolso do moletom saía o fio que ligava o iPod aos fones de ouvido, dos quais vinha o som de uma música eletrônica animada que a embalava durante a corrida. Nos pés, um par de tênis dava à garota todo o conforto que Saphir precisava para manter o ritmo da corrida pelas ruas vazias de Bar Harbor.

Por mais de trinta minutos, a filha do prefeito se manteve concentrada no exercício físico, alternando caminhadas com períodos de corrida mais acentuada. Mas logo Saphir começou a se sentir incomodada com a nítida impressão de que estava sendo observada. A garota reduziu o ritmo dos passos e olhou ao redor, não encontrando nada além das ruas residenciais vazias àquela hora da noite.

Apesar do sexto sentido que alertava sobre algo errado, Saphir se convenceu de que não havia nenhum problema. Ela estava em uma cidade pacata onde todos a conheciam. Além disso, estava há três quarteirões de casa e em poucos minutos estaria debaixo do chuveiro.

Mais alguns passos foram dados quando aquela impressão de estar sendo seguida tornou-se insuportável. Desta vez, Saphir chegou a tirar os fones de ouvido e girou sobre os calcanhares, encontrando apenas a rua vazia. As únicas coisas que se moviam eram as copas das árvores sopradas pela brisa suave da noite.

Wegener estava prestes a se convencer de que havia enlouquecido quando, ao se virar novamente para frente, deparou-se com um rapaz parado há poucos centímetros do seu corpo.

O susto foi tão grande que um gritinho escapou pela garganta de Saphir e ela recuou vários passos para trás. Seu rosto estava pálido como o de um fantasma quando sua memória reconheceu as feições bonitas do rapaz que protagonizara seus sonhos quentes da última noite. A loira levou uma das mãos ao peito, como se quisesse acalmar o coração acelerado, e sua voz soou meio histérica.

- Meu Deus!!! Quer me matar de susto? De onde você surgiu???

Depois da surpresa inicial, Saphir começou a se sentir incomodada com a presença de Alaric por um motivo muito mais banal. Depois do sonho com o rapaz, a última coisa que Wegener planejava era revê-lo naquela situação. As roupas de ginástica certamente não lhe favoreciam, assim como os cabelos atrapalhados presos num rabo de cavalo alto. O rosto não exibia nem mesmo um resquício de maquiagem e as lentes dos óculos estavam salpicadas com algumas gotículas de suor. A aparência dela era um desastre completo para qualquer garota que desejava uma mísera chance de impressionar um rapaz.

- Vou te dar de presente um daqueles sininhos que penduramos nas coleiras dos gatos. Já é a segunda vez que você aparece do nada, não sei quantas vezes mais o meu coração aguenta este tipo de susto! A vida na cidade grande me deixou paranoica, eu me esqueci que não preciso me preocupar tanto em Bar Harbor.

Saphir começou a tagarelar na esperança de que aquelas brincadeiras diminuíssem o seu constrangimento. Era uma grande tolice se sentir envergonhada por um sonho que teoricamente pertencia apenas à mente dela, mas a moça não conseguia evitar a sensação de que Alaric sabia que ela vinha sonhando com seus beijos.

A corrida foi interrompida, mas a filha do prefeito continuou seu caminho para casa numa caminhada, sendo seguida por Montgomery. Ainda com o objetivo de afastar da memória as imagens vívidas de seu sonho, a loira iniciou um assunto mais sério.

- Conheci o seu irmão esta tarde. Desculpe pela sinceridade, mas ele é um idiota. Eu vou acabar com a raça dele se a Summer ficar chateada comigo. Você deveria dizer a ele que não é legal demonstrar interesse por outra garota debaixo do nariz da namorada, ficante, ou eu sei lá como os dois chamam o que está rolando... Francamente, a Summer não merece isso.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Out 28, 2016 3:06 am

Os irmãos Montgomery tinham personalidade bem distintas, mas o modo de pensar e agir tão diferentes nunca havia sido motivo para que os dois se desentendessem de forma tão séria. As brigas eram sempre mais brandas e passageiras e desde Annabeth o clima não havia ficado tão pesado entre os dois rapazes.

Petrus poderia jurar o quanto quisesse, mas as acusações precoces daquela noite eram graves demais para que Alaric descartasse tão facilmente a possibilidade de que a antiga paixão não havia mexido com o caçula. A simples sombra de Annabeth havia servido para que Pete acreditasse que o irmão seria capaz de uma traição tão grande, e era aquele pensamento que incomodava o primogênito.

Ele sabia que enlouqueceria se continuasse sob o mesmo teto que o irmão. A tensão era quase palpável no ar e ao contrário de Petrus, ele não tinha uma distração para desviar seus pensamentos raivosos.

Mais uma vez, foi a impulsividade que levou Alaric em direção da casa do prefeito. Talvez aquela fosse a prova de que Petrus tinha alguma razão em suas desconfianças. Saphir não era Annabeth, mas desde que cruzara seu caminho, Ricky não conseguia manter seus pensamentos longe da menina e voltava a agir como um menino bobo que simplesmente atendia aos seus desejos irracionais.

Não era a busca por sangue fresco ou por confusões que vingariam a briga com Petrus. Ele simplesmente precisava ver Saphir outra vez. Quando a encontrou ainda alguns quarteirões distante de casa, Alaric não sabia se deveria se sentir agradecido pela oportunidade de estar diante dela outra vez, sem o uso da hipnose, ou se xingaria o destino por não poder controlar aquele encontro.

Nos primeiros minutos, Alaric permaneceu em uma segura distância, ainda decidindo se deveria revelar sua presença. Encoberto pelas sombras das árvores, ele admirou mais uma vez as diferenças de Saphir com a imagem que ele tinha de Annabeth. Não haviam espartilhos, vestidos longos ou elaborados penteados com os definidos cachos da época. Era como ver Annabeth fantasiada dos tempos modernos.

Alaric teve certeza de que a presença de Saphir estava acabando com a sua sanidade quando, por um único segundo, na troca da direção do vento, ele sentiu o perfume de Annabeth. Ele já havia ficado tempo suficiente perto de Wegener para saber que o cheiro delicado dela era mais uma das gritantes diferenças da vampira, mas Ricky podia jurar que havia sentido o mesmo perfume do passado.

Foi movido por aquela curiosidade que Montgomery se deixou entrar no campo de visão de Saphir. Os braços dele agiram em um rápido reflexo para segurá-la pelos ombros quando os dois corpos se encontraram e então foi impossível sentir novamente o perfume adocicado de Kendrick.

A briga com Petrus e as lembranças da ex-namorada foram varridas da sua mente quando Saphir começou a falar descontroladamente e um sorrisinho brincou nos lábios de Alaric, se divertindo com o constrangimento dela.

- Eu estava tentando te chamar, mas acho que a música estava alta demais.

Ele não havia feito nenhuma tentativa de chamar a atenção de Wegener, mas era a sua forma de tentar desviar o foco dela. Assim como Saphir, Alaric vestia um casaco de moletom. O fecho estava inteiramente aberto e revelava a camisa cinza que ele vestia por baixo. A calça jeans era escura e os tênis modernos mostrava mais aquela diferença entre os irmãos Montgomery.

- Você não deveria sair pra correr assim sem levar nem mesmo um spray de pimenta. Bar Harbor pode ser tranquila, mas existem monstros em todos os lugares.

Os olhos cinzentos brilharam com aquele comentário, como se Alaric estivesse tentando alertar Saphir para manter distância de criaturas como ele. Mas contradizendo a própria sugestão, ele continuava se colocando no caminho de Wegener sempre que tinha uma oportunidade.

A menção de Petrus fez com que ele enrugasse o nariz em uma careta. O rapaz caminhava lado a lado de Saphir, e ao contrário dos receios dela, ele não havia achado a aparência desleixada como um ponto negativo. Era incrível admirar a menina em ações tão bobas e simples, que pertenciam ao cotidiano de um humano.

- O Petrus é mais do que um idiota. É um completo babaca...

As mãos de Alaric estavam enfiadas nos bolsos do casaco aberto e ele tentou soar o mais casual possível quando virou o rosto para encarar Saphir, estudando a reação dela para captar mais do que as palavras que teria em resposta.

- Ele gostou de você?

Os sentimentos típicos dos humanos já haviam ficado adormecidos depois de tantas décadas, mas ainda assim, Alaric reconheceu imediatamente o ciúme ao pensar em Petrus se aproximando de Saphir. Ali estava mais uma prova de que o caçula havia mentido sobre ser tão indiferente assim com a antiga paixão.

- Eu não posso culpa-lo, na verdade. Eu também gostei de você desde o instante em que te vi. – Um sorrisinho convencido apareceu nos lábios de Alaric quando ele encontrou o olhar de Saphir. – E olha que normalmente preciso de mais do que um carro quebrado pra chamar minha atenção. Mas a sua calça de hoje definitivamente concluiu o trabalho.

A leveza em suas palavras mostrava que, embora estivesse usando o seu charme, também tentava fazer com que Saphir relaxasse diante da sua presença. Alaric costumava ser um rapaz bastante seguro de si, mas se sentia ainda mais confiante em notar que a menina havia se sentindo incomodada com a tentativa de Petrus em se aproximar.

A loira não precisava ser Annabeth, mas trazia o gostinho de vitória que Alaric não havia sentido décadas antes.

Os dois só pararam de caminhar quando alcançaram a calçada iluminada diante da casa do prefeito. Alaric lançou um rápido olhar na direção da residência, ainda com um bonito sorriso nos lábios. Mesmo com a iluminação amarelada dos postes, ele conseguia ser ridiculamente atraente. Uma discreta covinha surgia em uma das bochechas quando sorria e a juventude estampada em seu rosto deixava impossível fantasiar que já havia vivido tantas décadas.

- Eu concordo que a Summer não merece isso, mas já conheci a garota o suficiente para saber que ela sabe se cuidar.

Outras bruxas já haviam cruzado o caminho dos Montgomery, de modo que ele sabia reconhecer o potencial de uma boa bruxa quando via uma. E Fields definitivamente tinha um talentoso futuro pela frente. Um vampiro não teria grandes chances diante de uma bruxa habilidosa, nem mesmo Petrus.

Um brilho passou pelos olhos de Alaric quando uma ideia surgiu em sua mente e ele começou a arquitetar uma pequena vingança pelo espetáculo protagonizado por Pete naquela noite.

- Eu tenho uma sugestão... Por que não vai até a nossa casa amanhã? Podemos assistir o pôr do sol, nós quatro. E se o imbecil do meu irmão tentar qualquer gracinha, nós dois acabamos com a raça dele.

Alaric mordeu o lábio inferior para tentar conter o sorriso confiante, mas seria fácil para Saphir notar como ele se sentia ansioso com aquela possibilidade.

- Você vai como minha convidada. Eu garanto que ele vai finalmente entender onde é o lugar dele e ainda ganho a sua companhia de bônus.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Out 28, 2016 3:37 am

Petrus poderia tentar encontrar nas aulas daquela noite para se distrair se não pensar na discussão com o irmão. Mas Summer tinha certeza que não conseguiria utilizar a concentração necessária para o uso da sua magia, mesmo que fosse com as poções mais simples.

Um novo mundo havia surgido em seus olhos com a descoberta dos segredos dos Montgomery e com a própria árvore genealógica. Mas pensar que o mundo mágico ia além e que a amiga de infância tinha uma cópia na versão vampira fazia com que ela questionasse o que mais ainda havia no mundo.

Se aquela confusão já não fosse boa o suficiente, a cópia de Saphir não só havia pertencido ao passado dos Montgomery como também havia sido a paixão que arruinara a amizade dos dois irmãos. Wegener era uma amiga querida em seu passado, mas imaginá-la nos braços de Pete causada um desconforto grande demais para ser digerido.

Ao invés de assumir o seu lugar na bancada, Summer apenas parou diante da cadeira que deveria sentar e encarou os itens preparados por Petrus, com a desculpa de não precisar encará-lo e deixar revelar em seu olhar como se sentia enciumada.

De tanta confusão naquela história, a última coisa que fazia sentido era se sentir ameaçada em perder Petrus, quando o rapaz nunca havia sido seu. Ele só havia se aproximado dela para estar mais perto do seu único objetivo de encontrar a cura. Se havia alguma menina naquela cidade capaz de chamar a atenção de Montgomery, seria a cópia da antiga paixão que coincidentemente era sua amiga.

A briga entre os dois irmãos apenas provava que os dois ainda se derretiam pela lembrança da vampira de anos antes. E por estar tão convicta disso, o coração de Summer deu um salto alto demais com as palavras finais de Peter.

Os olhos azuis se ergueram da bancada para encará-lo, sem reação nos primeiros segundos. Na cabeça fantasiosa de Summer, ela assumiu exatamente o sentido mais malicioso das palavras de Montgomery e um calor agradável começou a surgir em suas bochechas quando a pele rosada ficou mais corada.

Ao invés de cobrir Petrus com perguntas ou alimentar ainda mais o assunto principal daquela noite, Summer agiu como uma menininha que havia acabado de ser cortejada. Um sorriso bobo brincou em seus lábios e as bochechas ficaram ainda mais em evidência quando ela encarou Pete.

- Uma garota idêntica ao amor da sua vida surge de repente e você prefere se concentrar em uma bruxa inexperiente?

Assim como no deslize de Montgomery, as palavras de Summer tinham a intenção de se referir apenas ao seu recém descoberto talento mágico. Mas também poderiam ser interpretadas com a sua quase nula experiência com rapazes. Além dos namoradinhos que tivera no colégio, seu contato com o sexo masculino se resumia aos beijos e carícias consideravelmente inocentes. Ao contrário de Annabeth, que atraía os olhos dos irmãos por ser tão segura e experiente.

Com passos tímidos, Summer se aproximou de Petrus e parou diante dele, recebendo uma parte da luz prateada do luar que entrava pela janela. Fields não era exatamente baixinha, mas Montgomery era alto o bastante para fazer com que ela precisasse virar o pescoço para encará-lo.

- Você tem passado tempo demais apenas com malvas brancas, Pete. Está claramente afetando o seu juízo.

Summer deixou claro o que estava fazendo quando ergueu a mão e tocou a pele fria do rapaz, acariciando a bochecha dele com as pontas dos dedos. Os olhos azuis fitaram os lábios de Peter antes que ela ficasse nas pontas dos pés e se entregasse a vontade de beijá-lo outra vez.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Sex Out 28, 2016 11:25 pm

- Como a Violet está?

A pergunta soou baixa e numa entonação cuidadosa. O homem sentado em frente à dona da casa soltou um pesado suspiro antes de sacudir a cabeça em negativa, profundamente infeliz. Apesar de bem mais jovem, naquela noite o Sr. Wegener parecia mais velho e exibia a face de um homem derrotado e sem esperanças.

- Péssima. Não quer comer, passa noites inteiras em claro. Quando ela acha que eu estou dormindo, ela chora. O seu tônico tem ajudado, assim como a companhia do William. Mas eu não sei mais o que fazer para tirá-la desta depressão.

A família Wegener havia sofrido um forte abalo há dois meses. Violet estava no sétimo mês de gestação quando sofreu uma queda e perdeu a criança. Tudo já estava pronto para a chegada da menina e as lembranças só serviam para fazer com que a perda fosse ainda mais dolorosa. O sangramento maciço que acompanhou o aborto complicou ainda mais a situação, transformando a Sra. Wegener em uma mulher estéril.

A tristeza profunda de Violet era mais do que compreensível, mas Jonathan temia que a esposa ficasse doente. Eles ainda tinham um filho pequeno que precisava da mãe e da família. Médicos foram consultados, a mulher começou a se afundar em antidepressivos. Mas o desespero do marido era tão grande que ele buscou por uma solução menos tradicional. Era por isso que Jonathan estava sentado na sala dos Fields naquela noite.

- Por favor, Rachel. Você não pode fazer “alguma coisa” por ela?

Estava claro que Jonathan não buscava em Rachel Fields o apoio de uma amiga ou de uma conselheira. Aliás, Violet certamente se sentiria ainda mais amargurada se recebesse a visita de uma mulher que acabara de dar à luz uma menina linda e saudável. Summer Fields era a filha perfeita que os Wegener não haviam tido a sorte de possuir.

A entonação tensa do Sr. Wegener se referia ao segredo dos Fields. Como melhor amigo de infância do marido de Rachel, Jonathan sabia do que os Fields eram capazes e buscava neles uma solução milagrosa que colocaria um fim em tanto sofrimento.

- Jonathan. – a bruxa suspirou e inclinou-se para tocar a mão do amigo – Eu lamento muito, mas eu já te disse que não há nenhuma maneira de trazer a sua filhinha de volta. Isso é algo muito além da minha capacidade. Também não há nenhuma magia forte o suficiente para fazer uma mãe se esquecer da dor da perda de um bebê tão esperado.

Normalmente, Rachel finalizaria a sua negativa daquela forma e tentaria confortar o amigo. Mas o sofrimento de Wegener era sufocante e o nascimento de Summer fazia com que a Sra. Fields fosse ainda mais solidária à dor daquela mãe. Mesmo sabendo da gravidade daquela decisão, Rachel fez a oferta que mudaria para sempre a vida dos Wegener.

- A sua filhinha morreu. Eu não posso trazê-la de volta para um corpinho em decomposição. Mas, talvez, exista uma alternativa...

Por alguns segundos, Jonathan parou de respirar. Os olhos castanhos se prenderam na imagem da bruxa cheios de expectativa. Wegener era um homem desesperado que aceitaria qualquer proposta que amenizasse o sofrimento que caíra sobre a sua família.

- A alma do bebê. Eu posso trazê-la de volta em outro corpo. É uma magia complexa e arriscada, Jonathan. Mas há uma chance de dar certo.

- Seria a minha filha?

- A essência está na alma. Então, sim. Seria a sua filha. Mas a Violet não pode saber, eu vou arriscar a minha segurança se expor o meu segredo desta maneira. Ela terá que pensar que você adotou a criança. Talvez o inconsciente dela enxergue que aquela é a filhinha que vocês perderam, mas você precisa me prometer que jamais vai contar a ninguém, Jonathan.

- Como você vai fazer isso, Rachel? Você não vai machucar um bebezinho para trocar a alma dele pela da minha filha, vai?

A Sra. Fields remexeu-se no sofá, um pouco desconfortável com aquela pergunta. Aquela oferta seria uma grande dádiva para os Wegener, mas a verdade é que Rachel também esperara muito pela chance de realizar uma magia tão complexa. Depois de tantos testes e exaustivas leituras teóricas, a bruxa finalmente teria a chance de executar aquele feitiço poderoso.

- Eu jamais faria algo assim, Jonathan. Eu vou usar um corpo sem alma. Os detalhes são complexos demais, mas você precisa confiar em mim. Eu não vou machucar ninguém e você terá a sua filha nos braços. Eu prometo.

Aquela promessa era mais que o suficiente para convencer o coração ferido daquele pai. Jonathan concordou com os termos da bruxa e voltou para casa cheio de esperança e certo de que a criança que estava prestes a chegar em sua família tiraria Violet da depressão. Mesmo que a mulher não soubesse a verdade, Wegener tinha convicção de que o coração da esposa reconheceria a alma da própria filha.

No compartimento secreto atrás do armário dos Fields, Rachel fez uma pausa depois de contar ao marido sobre a promessa que fizera a Jonathan Wegener. Os olhos de Rachel pousaram na imagem da bela vampira que os dois bruxos tinham capturado e mantinham refém no local. Annabeth Kendrick estava desacordada graças ao efeito de uma poção poderosa e não escutava a conversa do casal.

- Estamos há um passo de curá-la, Rachel. Mais algumas doses e o coração dela voltará a bater. Teremos que recomeçar do zero se levarmos adiante esta mudança nos planos.

- Jonathan e Violet perderam um bebê. Eu olho para a Summer e não suporto nem imaginar o tamanho desta dor. Não me importo em começar tudo de novo, Albert. Vamos dar aos Wegener a mesma alegria que temos e no futuro capturamos outro vampiro e testamos a cura de novo.

No exato instante em que os Fields tiraram da veia da vampira a poção que teoricamente curaria a maldição, os olhos profundamente azuis da mulher se abriram. Annabeth soltou um urro de fúria antes de tentar se levantar, mas os bruxos a mantinham firmemente presa à cadeira com correntes de aço envoltas por tecidos embebidos em uma poção que reduzia consideravelmente a força dos vampiros.

De imediato, Annabeth não entendeu o que a bruxa estava fazendo quando a mão de Rachel foi pousada em sua cabeça, amassando os fios loiros. Mas ficou claro que a Sra. Fields estava invocando uma magia poderosa quando seus lábios começaram a balbuciar palavras sem sentido. Kendrick sentiu um estranho formigamento se espalhar por todo o seu corpo antes de ser acometida pela estranha sensação de que estava encolhendo.

Um grito de pavor escapou da garganta da vampira quando ela finalmente compreendeu o que estava havendo, mas não havia nenhuma maneira de interromper a magia. Seu corpo se encolheu progressivamente, as curvas provocantes sumiram, os cabelos loiros compridos se encolheram até se transformarem em uma fina pelugem sobre a cabecinha de um bebê.

As correntes que prendiam a mulher caíram no chão do porão, mas o bebezinho imortal não tinha dentes e nem força para reagir. O coração não batia, a pele da criança estava gelada e seus olhos azuis ainda carregavam a maldade de Annabeth quando Rachel pegou a criança e a colocou em cima da bancada. O bebê esperneou, numa tentativa tola de se defender, e Albert precisou erguer a voz para que suas palavras não fossem abafadas pelos berros da criança.

- Ainda é um vampiro, Rach. Como você vai trazer a alma da menina morta para dentro desta coisa?

- O Jonathan me deu isso.

De dentro do bolso da calça, Rachel retirou uma pequena mecha de cabelos escuros. Antes de fechar o minúsculo caixão, Jonathan havia cortado alguns fios dos cabelos da filha para guardar de recordação, sem nunca imaginar que uma bruxa precisaria daquele “ingrediente” para realizar uma poderosa magia.

No dia seguinte, o Sr. Wegener voltou para casa com uma linda garotinha de olhos profundamente azuis e cabelos loiros, fisicamente muito diferente da criança que Violet havia enterrado há dois meses. Mas o olhar meigo e os sorrisos doces da criança deram a Rachel a certeza de que não havia mais resquícios da vampira dentro dela. O coração da menina batia forte dentro do peito e ela parecia tão humana quanto qualquer outra criança normal.

Aquele segredo nunca fora revelado, nem mesmo a Violet. E isso certamente explicava a razão da Sra. Wegener nunca ter amado de verdade a criança que carregava a alma da filha que ela tanto desejara. Jonathan, por outro lado, olhava para Saphir e não tinha dúvidas de que, embora tão diferente do restante da família, ela também era uma Wegener.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Sab Out 29, 2016 12:20 am

Mesmo que aquela não fosse a sua intenção inicial, Petrus nem pensou na possibilidade de se esquivar quando a garota interpretou mal as suas palavras e se aproximou dele. Ao contrário do que Summer imaginava, não era apenas a busca por respostas que motivara Montgomery a se aproximar da filha dos Fields.

O beijo daquela noite deixava claro que o interesse de Petrus nela não era puramente “profissional”. Os lábios do vampiro retribuíram à carícia de forma sedenta enquanto um de seus braços enlaçava Summer firmemente pela cintura. Com a mão livre, Montgomery acariciou o rosto da menina, encantado com o contraste dos dedos frios na pele delicada e corada da garota.

Assim como na noite das lanternas, os dois demonstraram uma sintonia única. Ao notar que Summer começava a ficar ofegante, Petrus afastou os lábios gentilmente para permitir que a menina respirasse. O que Montgomery não imaginava era que continuava sendo difícil para Summer recuperar o fôlego e a sanidade com os lábios dele deslizando por seu pescoço.

A tentação era enorme e o cheiro de Summer chegava a entorpecer os sentidos do vampiro, mas desta vez Petrus reuniu todas as suas forças e conseguiu resistir. A última coisa que ele desejava era que aquele momento fosse maculado por mais uma fraqueza e pela acusação de que ele só queria usar a garota para se alimentar.

- Eu discordo totalmente de tudo o que você acabou de dizer.

Petrus estava sério quando afastou o rosto para encarar a garota a sua frente. A intenção dele era manter a seriedade durante aquela conversa, mas foi impossível conter o sorriso diante do rosto corado de Summer. Era impressionante como Fields ficava ainda mais adorável com as bochechas rosadas e os lábios entreabertos para aliviar a respiração ofegante.

- Annabeth Kendrick nunca foi o amor da minha vida. Ela está muito mais para o maior erro que eu já cometi na minha longa existência.

Parecia um sacrilégio perder tempo perder tempo falando sobre a antiga amante depois de compartilhar aquele beijo com Summer, então Petrus logo se apressou em levar a conversa em uma direção mais leve. Seus dedos compridos novamente deslizaram pelo rosto da garota e os olhos azuis tinham um brilho incomum quando o vampiro acrescentou.

- E você está ridiculamente errada em dizer que o meu juízo está afetado. Eu estou certo de que a minha mente nunca funcionou tão bem.

Depois daquela noite tumultuada, era uma tolice achar que os dois conseguiriam se concentrar na bancada lotada de ingredientes. Por isso, Petrus não pensou duas vezes antes de puxar a garota para seus braços.

A janela do sótão foi aberta e Montgomery sentou-se no parapeito, com uma perna para dentro da casa e a outra pendendo do lado de fora. Summer foi acomodada entre as pernas do vampiro e Petrus a manteve segura em um abraço firme, enlaçando-a junto ao seu peito.

Dali, os dois tinham uma visão privilegiada do céu escuro salpicado por estrelas. O luar era a única iluminação que os atingia, portanto as peles pálidas de ambos pareciam prateadas graças ao reflexo da luz que vinha do céu. Uma das mãos de Petrus buscou pela da menina, os dedos se entrelaçando carinhosamente. Não havia batidas de um coração, mas a voz grave do rapaz ecoou pelo peito que acomodava a cabeça da menina.

- Eu nunca gostei muito de bruxas, sabia? Mas vou abrir uma exceção para você.

Aproveitando-se daquela posição, Petrus inclinou a cabeça e beijou a curva do pescoço de Summer, exatamente no local onde havia ficado a discreta marca dos dois furinhos provocados pelos dentes dele.

- Mas só porque você tem potencial. – a brincadeira foi denunciada pela entonação mais leve do vampiro – Não quero uma inimiga deste nível.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Out 29, 2016 2:08 am

- Então... Qual você acha que fica melhor? Essa ou essa?

Alaric estava parado no meio da sala e carregava um cabide em cada uma das mãos. Em cada um deles, uma camisa social era apresentada. Do seu lado direito, o tecido cor de vinho estava perfeitamente liso, enquanto do lado esquerdo o tom acinzentado era exibido. Entre as duas opções de roupa, o rapaz exibia o peitoral nu, perfeitamente definido em gominhos tentadores ao toque de qualquer mulher.

O sorriso convencido estava em seus lábios e se tornou ainda mais largo ao perceber o tom de repreensão de Petrus, mostrando que ele havia atingido o objetivo da provocação.

O clima entre os dois irmãos não havia melhorado muito ao longo do dia, mas o Montgomery mais velho se aproveitava da situação para irritar ainda mais o caçula com a sua brilhante ideia de trazer Saphir para debaixo do mesmo teto.

- Eu acho melhor você voltar lá pra dentro e procurar a sua dignidade, Alaric. – Summer girou os olhos e cruzou as pernas, repreendendo o comportamento do loiro com um movimento da cabeça.

- Qual é, Summiezinha! Não precisa ficar tímida, Pete e eu já compartilhamos muito mais do que isso. Além do mais, eu preciso de uma opinião feminina e você conhece a Saphir há mais tempo. Do que ela vai gostar mais?

Obviamente, Alaric não era nenhum rapaz inseguro e ansioso com um encontro. Estava estampado em seu rosto que ele só protagonizava aquela cena para irritar Petrus. A notícia de que Saphir seria recebida como convidada naquela noite não havia sido muito bem recebida, o que só tornava a provocação ainda mais deliciosa.

- A não ser que você tenha medo de acabar gostando do que está vendo... De novo, não seria nenhuma novidade para o Pete e eu.

O olhar mortal que Summer lhe lançou aniquilava qualquer possibilidade de que a bruxa se renderia aos seus encantos, mas não era nenhum suspiro que Alaric estava tentando arrancar dela.

- Você é nojento, Alaric.

- A Saphir parece discordar. – Ele ergueu um dos ombros, lançando seu olhar vitorioso na direção de Petrus.

As íris cinzentas acompanharam as opções nos cabides antes que ele finalmente se rendesse ao falso dilema, baixando o braço da camisa cor de vinho, dando por vitoriosa a cor acinzentada.

- Bom, está decidido. Essa realça os meus olhos.

Girando sobre os calcanhares, Alaric estava pronto para seguir o caminho das escadas quando um pequeno apito soou, vindo da cozinha. Com uma ruga entre as sobrancelhas, ele se voltou para o casal sentado ao sofá na hora em que Summer começava a se levantar.

- Você não está cozinhando, está?

- Você acha mesmo que vai receber uma visita sem oferecer nada para comer, Alaric?

Com um sorrisinho torto, Alaric coçou uma de suas bochechas, sentindo a pele macia e sem sinal da barba que ele havia feito naquela manhã.

- Bom, estava pensando em oferecer algo ainda melhor.

- De novo: Ew! – Summer girou os olhos, mas Alaric finalmente assumiu uma postura mais séria quando a bruxa seguiu o caminho da cozinha, sem desistir da ideia absurda de servir comida em uma casa com dois vampiros.

- Talvez eu precise te lembrar que vampiros não comem assados ou tortas de morango, Hermione. A não ser que você queira servir a sua jugular no jantar, não estou com apetite.

Summer já estava quase alcançando o corredor em direção a cozinha quando se voltou para Alaric. Desta vez, foi a bruxa quem exibiu um sorrisinho vitorioso. Pelo olhar que ela lançou na direção de Petrus, Alaric desconfiou que nem mesmo o irmão sabia do que estava por vir.

- Eu descobri uma poção nas anotações da minha mãe. Aparentemente eles eram mesmo obcecados em fazer vampiros serem mais humanos. E embora eu ainda esteja longe de descobrir a cura, consigo fazer pelo menos que pelas próximas vinte e quatro horas, vocês tenham o apetite humano. Então não, minha jugular está fora do menu.

A campainha soou, fazendo com que os dois vampiros e a bruxa se entreolhassem, já sabendo quem encontrariam do lado de fora.

- E só pra constar, o sangue da Saphir também está fora do cardápio. Eu posso garantir que aprendi algumas coisas além de poções digestivas que fariam você se arrepender de brincar com ela, Alaric.

O sorriso voltou a brotar nos lábios de Ricky, mostrando que ele não se sentia ameaçado por uma bruxa ainda inexperiente. Para provar que não baixaria a guarda para Summer ou Petrus, ao invés de seguir o rumo para o andar superior e terminar de se arrumar, ele simplesmente mudou a direção até a porta de entrada. As camisas haviam sido jogadas em um dos ombros, mas o peito ainda estava nu e não havia o menor constrangimento quando ele encontrou Saphir parada em sua varanda.

- Hey, vejam só quem chegou... Estávamos agora mesmo falando de você.

Alaric chegou para o lado, liberando o caminho para que Wegener pudesse entrar. Com uma falsidade explícita, ele fez de conta que só então havia notado que ainda não estava adequadamente vestido para receber uma visita.

- Me distraí tanto conversando com o meu irmãozinho que ainda não terminei de me vestir. Eu vou dar um jeito nisso, volto em dois minutos, está bem, lindinha?

O gesto final de Alaric poderia ser interpretado apenas como a encenação de sua provocação contra Petrus, mas ele foi apenas movido pela vontade de tocar Saphir outra vez.

Seu braço foi erguido e tocou o cotovelo dela por um instante antes de depositar seus lábios em um breve beijo na bochecha quente.

- Você já conhece a Sum e o meu irmãozinho, não é? Sinta-se em casa.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 29, 2016 2:44 am

Summer já conhecia Alaric há tempo o bastante para saber que o convite a Saphir para se juntar a eles naquela noite era uma nítida provocação ao irmão mais novo. Ela não precisava conhecer todos os detalhes do passado que envolvia Annabeth Kendrick para saber que a lembrança da antiga paixão havia desestabilizado a amizade entre os dois e era impossível não assumir o lado de Petrus naquela história.

Além do mais, Alaric era sinônimo de problema e a última coisa que Fields queria era ver a velha amiga nas garras de um vampiro. Ela tinha o sangue bruxo correndo em suas veias, mas Wegener era apenas uma humana inocente que não conseguiria se defender se Montgomery resolvesse mudar a sua dieta no jantar.

A menina havia concordado com aquele absurdo apenas porque seria melhor se manter próxima do inédito casal. Além do mais, se conseguisse reconstruir a antiga amizade com Saphir, ao menos teria a chance de alertá-la para ficar longe de Alaric.

A ideia do jantar era poder observar mais de perto as reais intenções do Montgomery mais velho, mas Summer precisava admitir que também estava curiosa em ver como os dois se sairiam diante da lembrança de Annabeth.

Ela não precisava ter conhecido Kendrick, mas já compreendia como a vampira havia influenciado a vida dos dois rapazes, principalmente considerando que décadas depois eles ainda se mordiam em ofensas com a mera ameaça de sua lembrança.

Por ter se concentrado em tornar aquele jantar o mais normal possível, perdendo praticamente todo o dia entre receitas e poções, Summer só precisou encarar um sentimento adormecido quando Saphir finalmente parou diante de si.

A amiga não havia mudado tanto naquele tempo em que haviam se afastado, mas era inquestionável como havia se tornado uma mulher bonita. Pensar que Petrus olhava para ela e relembrava de uma antiga paixão provocava um incômodo que Summer não estava preparada para lidar.

Foi apenas com a certeza de que estava diante de Saphir, e não de Annabeth, que Summer conseguiu abrir um sincero sorriso para a amiga. A morena se aproximou e a envolveu em um rápido abraço no instante em que Alaric se afastou.

Naquele fim de tarde, Summer havia optado por um delicado vestido preto. O decote quadrado era comportado e haviam curtas mangas com um discreto detalhe em renda. A cintura era levemente marcada e a saia se abria até alguns centímetros acima dos joelhos. Os cabelos escuros estavam soltos e duas mechas laterais haviam sido modeladas em cachos antes de serem puxadas até prender na parte de trás de sua cabeça, em um penteado delicado que realçava o ar de boneca.

- Pode ignorar o Ricky. Ele é sempre um grande idiota... Mas ainda bem que nem isso fez você desistir de aparecer hoje. Pelo menos ele acertou em alguma coisa e finalmente vamos poder conversar um pouco.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Out 29, 2016 2:53 am

Embora não colecionasse ex-namorados, Saphir não era totalmente inexperiente no assunto. Suas conquistas amorosas em Bar Harbor foram bem limitadas, mas a filha do prefeito havia expandido seus horizontes nos últimos anos de Yale. Apesar de seu comportamento sempre discreto, Wegener chamava a atenção de vários rapazes e geralmente selecionava com muito cuidado os felizardos que teriam uma chance de sair com ela.

E era exatamente isso que intrigava Saphir no momento. Alaric Montgomery tinha o exato perfil de um rapaz que não teria a menor chance com a loira. Wegener detestava os garotos convencidos, arrogantes e jamais perderia seu tempo com um galanteador que dirigia a ela os mesmos elogios baratos que se encaixariam para qualquer outra moça. Mas, mesmo sabendo que Ricky provavelmente fazia parte daquele grupinho lamentável, Saphir tinha dificuldade em resistir a ele.

Alaric era anormalmente bonito, isso era algo que ninguém jamais poderia negar. Ele tinha um charme natural e aquela postura confiante também era atraente. Mas nem mesmo tantas qualidades pareciam compensar os defeitos ressaltados pela imaturidade.

Se fosse qualquer outro rapaz, Saphir bufaria com alguma impaciência ao vê-lo abrir a porta com o peito desnudo. Contudo, por mais que soubesse que Montgomery fizera aquilo de propósito, Wegener não conseguiu deixar de notar os contornos perfeitos de cada um dos músculos exibidos naquela noite. Também foi impossível se manter indiferente ao beijo que imediatamente fez a mente de Saphir reproduzir as cenas do sonho protagonizado pelo Montgomery mais velho.

Era notável que Saphir havia pensado em cada detalhe daquela noite. O vestido azul anil era justo no tronco e se alargava no quadril, abrindo-se numa saia discretamente rodada. O decote era reto e as alças grossas se apoiavam no fim dos ombros da loira. A escolha daquele modelo só mostrava que Wegener não fazia ideia do quanto era perigoso exibir seu pescoço naquela casa.

Os sapatos de salto compunham o visual, juntamente com uma pequena bolsinha preta. Os cabelos loiros estavam penteados de lado, os fios lisos caindo com perfeição pelas costas da garota. Saphir havia deixado os óculos em casa e optara por lentes de contato, sem imaginar que aquilo só reforçava a sua bizarra semelhança com Annabeth Kendrick.

O maior medo de Saphir ao aceitar aquele convite era causar um abalo no relacionamento entre Summer e Petrus. Por mais que achasse que a amiga merecia um cara melhor que não a desrespeitasse daquela maneira, não cabia a Wegener a tarefa de colocar um ponto final naquela relação. Contudo, contrariando os temores da loira, o Montgomery mais novo se comportou de maneira muito mais adequada naquela noite.

Sem mais olhares insistentes, sem toques forçados ou insinuações. Muito pelo contrário, Petrus parecia muito mais interessado na filha dos Fields naquela noite. Um sorriso satisfeito surgiu nos lábios de Saphir quando ela flagrou um breve olhar carinhoso que Petrus lançara a Summer quando as duas se sentaram no sofá para conversarem.

- Deixe que ele acredite que vim por causa dele. – a loira brincou na tentativa de retomar o relacionamento leve que tinha com Summer – Tenho a ligeira impressão de que não vai restar muita coisa ao Ricky se tirarmos o ego dele.

Saphir aprovou ainda mais o comportamento de Petrus quando o rapaz pediu licença e inventou uma desculpa para deixar as duas sozinhas na sala. A loira imediatamente segurou a mão de Summer e buscou pelo olhar da amiga.

- Eu sei que nos distanciamos muito, acho que nós duas temos uma parcela de responsabilidade nisso. Mas eu sinto sua falta, Sum. Gostaria muito que voltássemos a ser amigas, como no passado.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 29, 2016 3:19 am

A insegurança provocada por saber que estava diante de uma cópia de uma antiga paixão de Petrus foi deixada em um lado mais escondido da mente de Summer quando ela reconheceu a velha amiga no olhar de Saphir.

Os Montgomery poderiam ter seus motivos para confundir Wegener com Kendrick, mas para Fields, que jamais havia se encontrado com a maliciosa vampira, não era tão fácil se deixar levar por lembranças que não existiam, de modo que ela logo concluiu que seria ridículo culpar Saphir por parecer com alguém que ela nem conhecia.

O sorriso doce surgiu com sinceridade nos lábios rosados de Summer quando Saphir foi direto ao ponto. Agora que finalmente começava a sair do buraco em que havia se isolado após a morte dos pais, ela conseguia notar como sentia falta de ter a companhia de Wegener por perto.

Letitia era sua família, e a personalidade excêntrica acabava tornando o relacionamento das duas primas ainda mais leve, mas Summer ainda não conseguia encontrar na outra bruxa a confidência de uma amiga, principalmente levando em consideração os segredos que Mitchell havia guardado por tanto tempo.

Saphir, por outro lado, tinha muito mais afinidade com a jovem Fields. As duas sempre haviam sido boas alunas e Summer provavelmente teria ocupado uma segunda vaga em Yale ao lado de Wegener, se não fosse pela tragédia que havia acontecido em sua família. Quando eram mais novas, as duas escutavam as mesmas músicas, gostavam dos mesmos programas de televisão e costumavam completar as piadas internas a respeito dos rapazes ou colegas do colégio.

A oportunidade de ter aquela proximidade de novo era maravilhosa demais aos olhos de Summer. Não era mais importante se Saphir havia seguido a vida dos seus sonhos enquanto ela havia ficado presa para trás em Bar Harbor ou que a loira fosse a cópia de uma antiga paixão do rapaz que começava a habitar seu coração. Ela não perderia a oportunidade de ter a amizade de Saphir outra vez apenas por inveja ou insegurança.

- Eu também senti sua falta, Saphie. E eu acho que podemos tentar... Se você prometer me contar tudo sobre Yale.

Os cachos moldados de Summer deslizaram pelos seus ombros quando ela riu, balançando a cabeça para indicar o andar superior.

- Pode começar pelos rapazes. Connecticut é mesmo tão catastrófico para você precisar apelar para o Alaric?

Summer arqueou as sobrancelhas antes de completar o comentário, começando a plantar a semente de que Saphir deveria se manter afastada do Montgomery mais velho.

- Se a gente tirar o ego do Ricky, só vai encontrar ainda mais ego. É impressionante como ele simplesmente não sai voando por aí como um balão inflado. Você definitivamente consegue coisa melhor, Sá. Além de linda, ainda vai se formar em Yale. Garanto que você pode ser mais seletiva do que isso.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Sab Out 29, 2016 3:20 am

Aquele “jantar” só servia para reforçar o quanto Alaric sentia-se atingido pela simples existência de Saphir Wegener. Enquanto Petrus a encarava como um enigma que precisava ser desvendado, o irmão mais velho parecia enxergar na loira todas as lembranças da Annabeth Kendrick do passado.

No começo, Petrus imaginou que estava diante de mais uma das brincadeiras maldosas da antiga amante. Mas o testemunho de Summer fora decisivo para que o vampiro afastasse aquela hipótese. A filha dos Fields havia crescido junto com Saphir. Havia fotos das duas ainda como garotinhas no jardim de infância. Mais de um século havia se passado desde que Annabeth fora uma criança, o que não era compatível com a idade “humana” da filha dos Wegener.

A coincidência ainda era bizarra demais para que Montgomery deixasse o assunto de lado, mas ao menos agora ele estava convencido de que Saphir não era exatamente a mesma criatura que o seduzira há tantas décadas atrás.

Portanto, a maior preocupação de Petrus passara a ser o comportamento de Alaric. O caçula não sabia se Ricky estava desnorteado com o “retorno” de Annabeth ou se simplesmente não conseguia ser mais forte que aquela competição imatura.

Quando empurrou a porta do quarto onde o irmão terminava de se arrumar e entrou sem se anunciar, Petrus tinha a intenção de esclarecer aquela disputa tola de uma vez por todas. O caçula cruzou os braços e estava profundamente sério quando tomou a palavra, mas em nenhum momento Petrus ergueu o tom de voz.

- Eu gostaria que você parasse com este comportamento idiota.

Antes que Alaric imaginasse que o irmão estava ali para encenar mais uma cena da novela chamada Annabeth Kendrick, o caçula o surpreendeu com uma revelação direta.

- Está rolando algo legal entre a Sum e eu. Ela ainda está meio insegura e a última coisa que eu preciso é que ela fique preocupada com o meu inexistente interesse na melhor amiga dela.

Por mais que Petrus ainda não estivesse convencido de que Saphir Wegener era somente uma vítima que tivera o azar de nascer com as feições de uma vampira, Montgomery não pretendia perder seu tempo tentando convencer o irmão de que algo estava muito errado naquela história. Era óbvio que Alaric estava envolvido demais para encarar a situação com racionalidade.

- Eu não aprovo a sua decisão, mas a escolha é sua. Brinque o quanto quiser com essa pobre coitada, mas me mantenha fora do seu jogo, Ricky. A Sum foi a melhor coisa que me aconteceu nas últimas décadas e eu me recuso a perder isso por causa de uma assombração do passado.

A declaração soou com uma sinceridade incomparável. Ao contrário do que se esperaria de um rapaz jovem, Petrus não se sentia constrangido em revelar seus sentimentos por Summer. Ainda era cedo demais para fazer planos para o futuro, mas o vampiro já conseguia enxergar que Fields poderia lhe oferecer uma felicidade pura que ele jamais encontraria nos braços de uma mulher como Kendrick.

Assim como Ricky, Petrus optara por uma camisa social naquela noite. O tecido dele era preto, o que parecia realçar ainda mais a pele pálida. A calça acinzentada tinha um corte perfeito e, como de costume, parecia um modelo bem mais antigo graças aos suspensórios escuros que ficavam parcialmente camuflados pela cor da camisa.

- É sério, Alaric. Não vamos mais discutir por causa da Annabeth porque não faz nenhum sentido para mim comprar uma briga por uma mulher que não significa mais nada na minha vida. – os olhos azuis se estreitaram, dando a Petrus uma expressão mais ameaçadora – Por outro lado, da próxima vez que você insinuar que a Summer será “compartilhada” entre nós dois, vou encarar a brincadeira como uma ofensa. Ela é minha.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Out 29, 2016 3:52 am

A aparição de Saphir Wegener definitivamente havia mexido com o emocional de Alaric Montgomery. Mas ao contrário do que Petrus imaginava, não era a velha paixão pela vampira que fizera com que ele se aproximasse da universitária. Saphir poderia ser a cópia de Annabeth, mas eram as diferenças entre as duas que havia intrigado o primogênito.

O que havia motivado Ricky com aquelas provocações nada mais era do que a ofensa por Petrus ter acreditado que ele se aliaria a Annabeth em uma traição tão suja quanto esconder do caçula a cura que ele tanto almejava. Por acreditar que o irmão ainda nutria sentimentos por Kendrick, Ricky procurou se vingar usando a sua proximidade com Saphir para mostrar a Petrus que ele havia perdido.

A confissão do envolvimento de Pete com Summer, entretanto, foi recebida com sincera surpresa por Alaric. Ele sabia que o caçula havia se aproximado da bruxa com a intenção de encontrar a cura para o vampirismo, mas não esperava que os dois estivessem evoluindo para outro patamar.

Aquela revelação fazia com que o papel de Annabeth se tornasse insignificante para os dois irmãos. Mas não mudava o fato de que Petrus havia ofendido seu caráter diretamente ao insinuar que ele largaria as últimas décadas de fidelidade fraternal para traí-lo na primeira oportunidade, apenas por um belo par de pernas.

- Eu não sei como você ainda está tão surpreso, irmãozinho. Na sua mente, eu sou capaz de me juntar a uma vampira, esconder a cura que você tanto deseja, fazer você de idiota... Mas seria nobre o bastante para poupar o seu relacionamento com a bruxinha?

Enquanto falava, Alaric ajeitava a gola da camisa cinza, encarnado o próprio reflexo no espelho. Mais uma vez os irmãos mostravam como eram diferentes na simples escolha das roupas. Apesar da camisa social, Alaric tinha uma atitude muito mais jovem e condizente com os tempos modernos. O tênis escuro em seus pés estava impecável e combinava com o jeans. A camisa cinza estava para fora da calça e os cabelos loiros ligeiramente bagunçados. Enquanto Petrus usava os característicos suspensórios, o único acessório do mais velho era um relógio em seu pulso esquerdo.

Quando terminou de arrumar a própria roupa, Alaric deu as costas ao espelho e se virou para encarar Petrus de frente. Ele ainda se sentia ofendido, mas estava esgotado para continuar as provocações pelo resto da noite.

- Relaxa. Eu não tenho a menor intenção de me aproximar da Summer. Da mesma forma em que nunca trairia a sua confiança me jogando aos pés da Annabeth outra vez. Você pode ter esquecido isso nas últimas vinte e quatro horas, mas eu já provei a você pelas últimas sete décadas de que não sou um monstro.

Um sorrisinho torto brincou em seus lábios e ele ergueu o pulso para ajeitar o botão da camisa, puxando as mangas até os cotovelos.

- Pelo menos não esse tipo de monstro.

Pela primeira vez naquele fim de tarde, o olhar de Alaric se tornou mais sério e ele não usou a máscara daquele duelo bobo, carregado de provocações. Petrus poderia ter se decepcionado com diversas atitudes do irmão mais velho, mas poderia reconhecer o olhar mais maduro que havia surgido poucas vezes ao longo daquelas décadas.

- Pode parecer impossível pra você, mas talvez eu tenha me aproximado da loirinha pelos motivos mais distantes possíveis da Annabeth. Talvez eu simplesmente tenha gostado dela. Por que você precisa logo assumir que eu só quero brincar, como um moleque que revira os legumes antes de comer sua refeição?
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Out 29, 2016 4:02 am

- É, eu sei...

Os olhos azuis giraram e Saphir não escondeu o seu constrangimento ao fazer aquela confissão. Melhor do que ninguém, a melhor amiga sabia que ela não costumava se derreter por rapazes como Alaric Montgomery.

- Não sei o que deu em mim. Acho que só fiquei impressionada com a beleza dele. Mas não é nada sério, Sum. Só quero me divertir um pouco antes de voltar para Yale e encarar meu último semestre.

Na cabeça de Wegener, aquela era a única explicação lógica para o seu encantamento pelo Montgomery mais velho. Alaric era muito bonito, mas seria somente uma aventura para relaxar a cabeça de Saphir durante seu mês de férias. Racionalmente, a loira não enxergava nenhum caminho que unisse os dois no mesmo futuro. Logo ele partiria de Bar Harbor e ela retornaria para Conneticut, e provavelmente os dois nunca mais se encontrariam pelo mundo.

O jantar já estava praticamente pronto, mas Saphir fez questão de ajudar a amiga a preparar a mesa e a colocar a comida em travessas. Ao contrário dos irmãos Montgomery, Wegener não enxergava nada errado na ideia de Summer em preparar uma refeição naquela noite. Seria muito mais estranho para Saphir se elas passassem horas na casa dos rapazes sem que lhes oferecessem nada para comer.

Por estar tão concentrada na distribuição dos pratos na espaçosa mesa da cozinha, Saphir não percebeu quando Summer despejou algumas gotas de um pequeno frasco em duas taças de suco, que posteriormente foram colocadas diante das cadeiras que seriam ocupadas pelos donos da casa.

- Eu já te disse que não há nada sério entre Alaric e eu. Mas e quanto a você e ao Petrus?

A curiosidade de Saphir fora alimentada pelo comportamento de Petrus naquela noite. O olhar carinhoso lançado a Summer antes que o rapaz se retirasse da sala deu à loira a certeza de que o relacionamento dos dois não era tão casual quanto parecera a princípio.

A primeira impressão que Wegener tivera do Montgomey caçula fora amplamente negativa, mas Saphir estava pronta para deixar de lado aquela opinião se notasse que a amiga estava feliz e que Petrus merecia o afeto de Summer. Depois de uma tragédia tão grande, a filha dos Fields tinha o direito de reconstruir a própria felicidade sem receber julgamentos.

Summer foi salva daquela resposta delicada pelos passos que anunciavam a chegada dos dois rapazes. Saphir saudou os dois com um sorriso gentil, bem diferente da expressão provocante que Annabeth costumava usar no passado. A loira também não pareceu notar que os Montgomery ficaram visivelmente tensos em ver quatro lugares à mesa, o que deixava muito claro que eles teriam que comer alguma coisa do jantar preparado por Fields.

- O jantar está quase pronto. – Wegener pegou a taça de suco que a amiga preparara para Alaric e a estendeu na direção do vampiro – Enquanto vocês esperam que a carne termine de assar, podemos conversar. Podem começar explicando o que estão fazendo em Bar Harbor, ainda nem é a época para esquiar!
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 29, 2016 5:11 am

Foi um alívio não precisar responder ao questionamento de Saphir, simplesmente porque Summer não sabia como deveria reagir àquela pergunta. Até a noite anterior, seu relacionamento com Petrus era relativamente definido.

Os dois estavam unidos com o mesmo objetivo de fazer com que a magia de Fields evoluísse e haviam chegado em um acordo mudo de que seria o máximo de envolvimento que teriam, depois do desastre da noite da lanterna.

Porém, a proximidade da noite anterior transformava toda a convicção de Summer em ar. Era difícil enxergar Petrus como um vampiro que só queria se alimentar do seu sangue quando os dois tinham uma inegável química. Talvez Montgomery estivesse apenas se aproveitando para se divertir um pouco mais enquanto não chegavam no objetivo que os unira, mas Summer não queria pensar tanto a respeito quando se sentia tão bem com as carícias dele.

O cheiro do assado invadia a cozinha e atiçava o apetite de qualquer humano. Mas Summer imaginava que os irmãos Montgomery apenas seriam capazes de apreciar o perfume da comida sendo preparada depois de ingerir a poção preparada por ela.

O preparo havia sido consideravelmente complexo para suas atividades ainda iniciais. As ervas específicas precisaram de um tratamento delicado e as palavras que completavam o feitiço eram quase impronunciáveis. No fundo, Summer ainda temia que não tivesse conseguido atingir o resultado esperado, mas estava bastante ansiosa em ver um pouco da sua magia funcionando.

Ela trocou um breve olhar com Petrus quando os rapazes chegaram e também ofereceu um dos copos de suco com a poção para o caçula, em um pedido mudo para que ele bebesse. Se tudo saísse como o planejado, seria a primeira vez nas últimas décadas que os dois poderiam apreciar de verdade o sabor de uma comida que não fosse acompanhada por uma veia.

- Esquiar? – Alaric fez uma careta enquanto aceitava sua bebida oferecida por Saphir. – Não, definitivamente não viemos esquiar. Você precisa ver o Pete tentando andar de snowboard. Eu não sei o que é mais lamentável, os tombos na neve ou ele reclamando por uma semana que não consegue encostar a bunda na cadeira.

Para Saphir, aquela provocação poderia soar apenas como um relato implicante entre irmãos. E de fato o tom de brincadeira não era o mesmo tão ácido que Ricky usava na sala, minutos antes da chegada de Wegener. Mas para os dois irmãos, aquilo não passava de uma fantasia ridícula. Para um vampiro dotado de perfeitos reflexos e com poderes de cura, tombos na neve eram simplesmente impossíveis de acontecer.

- O Pete me contou que você andou tendo problemas com a polícia, Ricky. – Summer respondeu, estreitando o olhar que não combinava com toda sua aparência de boneca. – Eu me arriscaria a dizer que foi algum problema com bebidas. Ou jogos ilícitos.

Alaric deu um generoso gole no suco e por um segundo Summer prendeu a respiração. Só então passou pela cabeça dela que poderia ter errado tão brutamente no preparo da poção que poderia acabar causando algum grande mal aos rapazes.

O primogênito, entretanto, terminou de dar o gole normalmente e não pareceu ter reação alguma antes de responder, com seu usual tom de quem tinha total controle da situação.

- Nada disso. Cantei uma policial e ela não levou na esportiva. Passei a noite na cadeira e o Pete resolveu me punir me trazendo até Bar Harbor.

Aquela, assim como a narrativa da neve, não era a verdade sobre o que havia levado os rapazes a pequena cidade. Summer já sabia do real motivo que envolvia sua família diretamente, mas a piada poderia soar como verdadeira aos ouvidos de Saphir, principalmente considerando que a personalidade de Alaric não dava margens para duvidar daquela versão.

Como se tivesse sido pego no flagra, Alaric devolveu o copo quase vazio em direção a mesa e ergueu as mãos em sinal de rendição, forçando uma expressão de garoto ao encarar Wegener.

- Mas eu sou um bom rapaz agora, prometo! Além disso, o castigo do Pete saiu pela culatra. Vir para Bar Harbor foi a melhor escolha.

Ele piscou um dos olhos para Saphir e Summer observou a cena com bastante atenção. O comportamento de Alaric era mesmo de um rapaz relaxado que não estava a procura de um relacionamento. Mas ele também não parecia agir como alguém que estava enfrentando o seu passado conturbado. Era quase como se a aparência de Saphir não fosse mais motivo para deixa-lo entorpecido.

- Como prova disso, nós vamos terminar essa conversa lá fora. Eu prometi o pôr do sol para a minha garota, e ela vai ter o pôr do sol.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Sab Out 29, 2016 3:24 pm

Ao contrário de Alaric, Petrus ainda não havia experimentado o suco preparado pela bruxa quando os quatro jovens se acomodaram na varanda do casarão. A taça intacta estava firmemente segura pelos dedos pálidos e Montgomery olhava o líquido com um semblante distante, como se a sua mente estivesse muito distante de Bar Harbor.

Ele sentia falta das emoções humanas. Depois de tantas décadas, Petrus não se lembrava mais da sensação de ter o coração acelerado dentro do peito, de sentir suas papilas sendo banhadas por diferentes sabores, de se arrepiar quando atingido por um vento gelado. Era uma saudade tão profunda que Montgomery sentia falta até da fraqueza humana, da necessidade vital de comer, da dor ao se cortar ou torcer ou tornozelo, da vontade desesperada de usar um banheiro.

Aquilo poderia ser somente uma taça de suco aos olhos de qualquer um, mas para o vampiro era a promessa de que, ao menos por alguns minutos, ele teria uma amostra da vida que deixara para trás. Se Summer tivesse preparado a poção corretamente, Petrus recuperaria ao menos uma das habilidades humanas das quais ele sentia tanto a falta.

Em nenhum momento Montgomery hesitou por falta de confiança na bruxa. Fields ainda estava engatinhando naquele novo mundo, mas Petrus acompanhava cada progresso dela e sabia que estava diante de uma bruxa com um grande potencial. Mesmo se a poção não tivesse ficado tão perfeita quanto descrita no caderno de Rachel Fields, Petrus não tinha dúvida de que a magia de Summer não seria um completo fiasco.

Era a ansiedade que o travava. Petrus esperava tanto pela chance de se sentir mais humano que agora que a oportunidade palpável finalmente surgia a sua frente, o rapaz não sabia o que fazer. Se a poção lhe daria vinte e quatro horas de apetite humano, Montgomery não se permitiria desperdiçar nem mesmo um minuto daquele prazo valioso.

- Quando eu concordei em te ajudar, não imaginei que isso incluía servir como cobaia. Aposto como isso estava nas letras miúdas do nosso contrato. Jogo sujo, Sum.

A conversa dos dois tinha a privacidade necessária para que eles falassem abertamente sobre os poderes de Summer, visto que o outro casal havia ocupado um banco do outro lado da varanda, há vários metros da cadeira de balanço espaçosa que Petrus e Summer dividiam. Alaric tinha a audição sensível de um vampiro, mas Saphir não poderia escutar a conversa suave que acontecia há tantos metros de distância.

- O Ricky sobreviveu. – o caçula olhou brevemente para o irmão, que não parecia abalado após experimentar a poção da bruxa – É um bom sinal.

Quando não teve mais desculpas para adiar aquele momento, Petrus levou a taça até os lábios e tomou um gole generoso do suco.

A primeira impressão foi péssima. O gosto amargo do líquido que desceu pela garganta de Montgomery era idêntico ao sabor terrível que ele experimentava sempre que se forçava a colocar na boca qualquer coisa diferente de sangue. A expressão enojada foi disfarçada para que Summer não se ofendesse, mas a ausência de um segundo gole era um sinal claro de que a poção não parecia ter dado certo.

Petrus já se perguntava intimamente como Alaric fora capaz de tomar a taça inteira quando a magia aconteceu. Os resquícios do líquido ainda em sua boca abriram as papilas ressecadas do vampiro e o gosto amargo residual foi gradativamente desaparecendo até que os sentidos de Montgomery foram banhados pelo sabor cítrico da laranja que acompanhava a poção.

Qualquer pessoa que estivesse presente naquela varanda ficaria encantada pela bela imagem do por do sol, mas toda a atenção de Petrus Montgomery estava voltada agora para a taça em suas mãos. O vampiro novamente a ergueu e desta vez cheirou o suco antes de arriscar um segundo gole.

Summer não teria a menor dúvida do sucesso da poção quando visse Petrus emendar um gole no outro até esvaziar a taça. O sabor da laranja poderia ser uma bobagem para qualquer humano, mas para Montgomery era o primeiro gosto diferente de sangue que ele sentia nas últimas sete décadas.

- Vinte e quatro horas...?

O rapaz repetiu o prazo descrito nas anotações de Rachel Fields antes de abrir um sorrisinho divertido para a bruxa a sua frente.

- Espero que a maldição deixe o meu estômago tão resistente quanto o resto do corpo, porque eu pretendo aproveitar cada minuto.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 29, 2016 5:13 pm

A ansiedade no olhar de Summer se desfez no instante em que ela percebeu o sucesso da sua primeira grande poção. Ela havia trabalhado duro em obedecer cada uma das dicas que a mãe havia descrito em suas anotações, mas a insegurança de que ainda não estivesse no nível adequado de magia começava a incomodá-la absurdamente.

Seu corpo inteiro relaxou diante do comentário de Petrus e uma risada espontânea que denunciava o seu alivio escapou pelos lábios rosados. Sem achar que o mundo acabaria no instante seguinte por um erro banal de seus ingredientes, Summer se acomodou melhor no balanço e observou a luz alaranjada que cobria os céus e refletia no lago que circulava a casa dos Montgomery.

- A vantagem de um jejum tão prolongado é que você vai ser incapaz de notar a minha péssima culinária. Mas a sobremesa está salva, eu comprei sorvete.

O sorriso doce permaneceu nos lábios de Summer até que os olhos azuis deslizassem pela varanda e pousasse no casal acomodado do outro lado. Seria pouco provável que Alaric aprontasse alguma coisa há poucos metros de distância, mas Fields ainda estudava com atenção o casal como se esperasse pela falha de Montgomery a qualquer instante.

Porém, para sua surpresa, ele parecia diferente de tudo que ela havia visto naquele pouco tempo de convivência. Alaric provavelmente jamais iria parecer um rapaz romântico, mas também não lembrava o irresponsável irmão que só escolhia suas atitudes para implicar com o caçula. Ele parecia realmente envolvido na conversa com Saphir, o que fazia com que a bruxa depositasse as suas fichas na amiga e torcesse para que aquele envolvimento realmente fosse apenas uma diversão de férias.

Se fechasse os olhos, ainda lembraria com perfeição o pânico que havia sentido quando o segredo de Petrus foi revelado diante dos seus olhos. Só havia conseguido superar aquela noite por ter a magia como proteção. Ela não queria pensar como seria se Saphir descobrisse que estava ao lado de um vampiro que se alimentaria do seu sangue com mais prazer do que desfrutaria o assado que perfumava a cozinha.

- Ele parece que está se comportando... Bom, pelo menos para o padrão Alaric.

A cabeça do Montgomery mais velho desviou da conversa com Saphir apenas por um instante e pousou o olhar na bruxa, demonstrando que ele era capaz de ouvir cada uma das palavras. Por longos segundos, Summer sustentou o olhar com um brilho de ameaça nas íris azuis que não combinava com a sua aparência de menininha, mas Alaric se limitou a voltar toda sua atenção para a loira ao seu lado, sem se abalar pelas preocupações de Fields.


Com um suspiro, Summer também voltou o seu olhar para o Montgomery ao seu lado e imediatamente sua expressão se tornou mais suave. Ela se sentia uma tola quando o coração começava a acelerar sempre que encontrava o olhar de Petrus, principalmente por saber que ele era capaz de notar aquela alteração. Por mais que aprendesse o controle da magia e que se entrosasse no mundo mágico, Summer sempre voltava a ser a menininha do interior, insegura e inexperiente, quando estava ao lado de Pete.

Naquele início de noite, entretanto, a insegurança parecia finalmente ter dado uma trégua. Summer havia temido presenciar Petrus lançando novamente olhares insistentes na direção de Saphir e sabia que sua noite estaria arruinada se notasse que o rapaz ainda se sentia abalado com a aparência da antiga paixão. O Montgomery mais novo, porém, agia de forma natural, apenas sustentando seus olhares, mesmo com Saphir há poucos metros de distância, como se ela realmente fosse apenas uma amiga que aparecia para visitar.

- Eu vou entrar e terminar o jantar. Preciso garantir que tenha comida o bastante para o apetite de vocês dois.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Out 29, 2016 5:49 pm

Totalmente alheia ao que aquele jantar representava na vida dos Montgomery, Saphir ocupou seu lugar à mesa depois que o sol havia desaparecido no horizonte, mergulhando a pequena cidade de Bar Harbor na escuridão de uma noite estrelada.

Era notável que Summer havia se esforçado no preparo da refeição. Além do assado, a mesa farta exibia uma generosa porção de batatas fritas, arroz com legumes e uma farofa bem temperada. Uma garrafa de vinho tinto foi aberta por um dos rapazes e, embora não tivesse o costume de beber, Saphir não quis estragar o clima do jantar com uma negativa.

- Uau. Eu não conhecia essas suas novas habilidades, Summer.

O comentário da loira soou inocente, mas os outros três integrantes daquele jantar podiam dar outro tipo de interpretação para as “habilidades” que a bruxa usara para preparar a refeição. Petrus lançou um olharzinho debochado para Fields, mas Saphir logo imaginou que fosse alguma piadinha interna restrita ao casal.

- Então, Saphir... Qual curso você faz em Yale?

A pergunta vaga era mais do que esperada naquele contexto, mas as palavras de Petrus provocaram um silêncio incômodo na cozinha simplesmente porque era a primeira vez que ele se dirigia diretamente à loira desde o desastroso encontro com a cópia de Annabeth Kendrick. Sem imaginar o desconforto que aquela interação provocava em Summer e Alaric e alheia ao fato de estar sendo testada pelo vampiro, Saphir abriu um sorriso doce enquanto servia o próprio prato.

- Arquitetura. Penúltimo semestre.

- E pretende voltar para Bar Harbor depois de formada?

- Não sei. – a loira deu de ombros e suspirou, sinceramente chateada com aquele dilema – Eu gostaria, adoro a vida em Bar Harbor. Mas não sei se conseguiria um trabalho legal aqui.

Aquela era uma conversa que Saphir já havia tido com Alaric, mas o Montgomery mais novo parecia disposto a ir um pouco além daquela resposta. Petrus se recusava a acreditar que tudo aquilo era apenas uma coincidência bizarra. Mesmo que a filha do prefeito parecesse inocente naquela história, o vampiro não conseguia abandonar a ideia de que havia algo podre nela.

- É. Bar Harbor é um bom lugar para se esconder. – o comentário esquisito do rapaz foi logo suavizado por uma brincadeira – Por isso eu trouxe o Alaric para cá.

Wegener já havia dado inúmeras provas de que era uma humana comum, mas ainda assim Petrus observou com atenção a primeira garfada que a loira levou até a boca. Mesmo sem a poção mágica de Summer, Saphir engoliu naturalmente a comida, sem demonstrar a rejeição que um vampiro sentiria ao sabor. Uma pequena careta surgiu no rosto da garota após o gole no vinho forte, mas aquilo só reforçava as diferenças entre Saphir e Annabeth. Fora com a antiga amante que Alaric aprendera a saborear o gosto do álcool.

- Está uma delícia, Sum.

Saphir quebrou o clima mais pesado da cozinha soltando um risinho enquanto observava os pratos gigantescos que os dois rapazes montavam. Depois de uma disputa com os garfos, Petrus havia vencido a guerra pelo maior pedaço da carne e lançou um sorrisinho vitorioso na direção do irmão mais velho.

- Devemos esconder as facas ou vocês dois vão se comportar? Tem comida demais aqui! Vocês estão há quanto tempo sem uma refeição decente?

- Setenta e dois anos.

A resposta de Petrus obviamente parecia uma brincadeira aos ouvidos de Wegener e arrancou mais um riso suave da loira.

- Neste caso, Sum, acho que vai faltar comida. Podemos pedir uma pizza.

- Pizza! – o brilho nos olhos de Petrus mostrava que ele realmente estava cogitando aquela possibilidade – Preciso encaixar uma pizza no meu cardápio das próximas vinte e quatro horas.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Out 29, 2016 6:26 pm

Alaric não precisava ser tão obcecado com a vida humana como Petrus para admirar o prazeroso resultado da poção de Summer. Ao contrário do caçula, a imortalidade era vista com bons olhos por Ricky.

Sete décadas era tempo suficiente para que o primogênito não fosse ingênuo. Ele também carregava consigo a amargura e uma tonelada de arrependimentos pelos seus erros. A falta da fragilidade humana havia reduzido alguns sentimentos e minimizado a admiração de momentos simples como um pôr do sol ou de um dia ameno da primavera. Mas Alaric sempre se focava nos lados positivos vida que havia abraçado para si.

Enquanto os humanos precisavam se preocupar com doenças e perder mais da metade da vida presos em trabalhos que não gostavam apenas para garantir o conforto no fim de seus dias, Alaric poderia aproveitar sempre o melhor. Caso alguma coisa não saísse como ele queria, a hipnose resolveria o problema e ele logo teria o desejo realizado.

Aquele jantar era o momento mais humano que Alaric havia tido desde a sua transformação. E embora jamais tivesse cobiçado com tanta vontade experimentar novamente o sabor dos alimentos que não viessem das veias de uma moça bonita, ele se sentia agradecido por poder relembrar, mesmo que por algumas horas, o sabor diferente de cada refeição.

Algumas horas depois, quando as travessas estavam finalmente vazias e o sorvete chegou ao fim, Alaric pareceu finalmente satisfeito. E não apenas em relação a comida. O objetivo daquela noite havia sido provocar Petrus com a presença de Saphir, mas o irmão havia se comportado consideravelmente bem.

As perguntas trocadas durante o jantar incomodaram Alaric, mas para quem já havia assistido Petrus se derreter por Annabeth, era fácil notar que não havia mais a mesma admiração ou desejo refletido nos olhos azuis.

Talvez Pete realmente tivesse superado Annabeth e não representasse uma ameaça para o interesse que começava a surgir no mais velho por Saphir. Mas ainda foi como um animal que tenta marcar o seu território que Alaric rodeou a cintura da loira quando eles foram mais uma vez em direção da varanda.

- Eu vou pegar as chaves do carro e te deixo em casa.

Ao terminar de falar, Alaric lançou um olhar na direção do caçula como se estivesse desafiando Petrus a interromper aquela cortesia aparentemente inocente. Mas se Summer ou Pete descordassem da sua decisão, nenhum dos dois foi capaz de interrompê-lo e em questão de minutos o carro dos Montgomery estava na estrada em direção ao centro de Bar Harbor.

O rádio estava ligado e uma música pop ecoava baixinho. A habilidade do vampiro permitia que ele prestasse atenção na estrada iluminada apenas pelos faróis do carro e ao mesmo tempo lançasse frequentes olhares para o perfil de Saphir.

Quanto mais tempo passava ao lado da loira, menos comparações Alaric fazia com a antiga vampira. A semelhança física estava escrachada em seus olhos, mas a personalidade tão doce de Saphir só fazia com que ele enxergasse uma pessoa completamente diferente. Aquilo poderia ser a prova de que ele finalmente havia superado Annabeth, mas também era o estímulo para que quisesse conhecer cada vez mais a filha do prefeito.

- Eu acho que o jantar não foi um completo desastre, afinal de contas...

Os olhos cinzentos passearam pelo corpo de Saphir, no banco do carona, sem se intimidar ao demonstrar o quanto a vista lhe agradava.

- Você está linda. Mas ainda bem que não resolveu usar aquela calça de ginástica outra vez. Ficaria consideravelmente mais difícil prestar atenção no jantar. Além de que eu precisaria arrancar a cabeça do Pete se ele ousasse olhar para você.

O sorriso torto brincava em seus lábios denunciando a brincadeira mais suave do que as provocações que haviam sido trocadas com o irmão no início daquele dia.

A escuridão da noite era intensificada pela cortina provocada pelas altas árvores que rodeava um dos lados da estrada. Do lado do carona, o lago também estava parcialmente encoberto pela escuridão, com uma fraca luz prateada que refletia em suas águas. A luz do luar entrava pela janela do carro e iluminava Saphir, fazendo com que os cabelos loiros ficassem quase brancos.

A imagem era completamente diferente da lembrança que Alaric tinha de Annabeth, e era tão absurdamente tentadora que ele se deixou levar pelo impulso de girar o volante para o lado até que o carro parasse no acostamento, na beira do lago.

Sem o movimento do veículo, Alaric soltou o próprio cinto e girou em seu banco até que estivesse de frente para Saphir. Os olhos cinzentos brilhavam ainda mais com a luz do luar e não carregava mais o ego inflado que ele tanto gostava de exibir.

O rosto de Alaric trazia apenas o desejo de admirar Saphir, carregado em uma expressão profunda e quase séria. Uma de suas mãos foi erguida até tocar o rosto de Wegener, deslizando os dedos até alcançar a raiz dos cabelos claros por trás da nuca dela.

- Você é completamente diferente dela. E eu não fazia ideia de como isso seria maravilhoso.

O rapaz se inclinou para frente e cobriu os lábios de Saphir com os seus. O toque macio e quente era ainda mais prazeroso do que no primeiro beijo. Lentamente, Alaric deslizou a língua pelos lábios de Saphir até tornar aquele beijo mais intenso.

Quando a menina já estava retribuindo os eu ritmo sem o risco de fugir, ele deslizou os dedos pelo pescoço dela, sentindo a temperatura agradável da pele até alcançar o ombro. A alça do vestido foi afastada e assim como na primeira vez, Alaric se deliciou em beijá-la na pele exposta. Os lábios de Saphir foram mais uma vez tomados quando sua mão alcançou as costas dela, puxando o corpo magro mais para perto do seu.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 29, 2016 6:51 pm

A cozinha dos Montgomery estava novamente limpa e organizada quando Summer terminou de guardar as travessas usadas para o jantar daquela noite. O lugar parecia novamente como um cômodo de uma família normal, e não apenas como a área esquecida e inutilizada por dois vampiros.

Fields se sentia bastante orgulhosa com o sucesso daquela noite. Em poucas horas ela começava a reestabelecer a antiga amizade com Saphir, havia produzido uma poderosa poção e proporcionado a dois vampiros um gostinho da esquecida vida de humanos. O sucesso culinário era apenas uma pontinha em meio as conquistas da bruxa.

Todos os problemas envolvendo Annabeth Kendrick foram varridos da mente de Summer e pelo menos por algumas horas ela foi capaz de se divertir como uma jovem normal, em uma noite comum rodeada de amigos.

Cada vez mais Summer se distanciava da menina deprimida que havia apenas sobrevivido desde a tragédia dos pais e ela precisava reconhecer que aquela transformação havia surgido junto com a chegada de Petrus na cidade.

As sapatilhas foram deixadas de lado quando Summer deslizou os pés para o sofá, dobrando as pernas com cuidado para não permitir que o vestido preto subisse mais do que deveria. Os cabelos escuros ainda estavam com as ondas perfeitas e as duas mechas laterais ainda firmemente presas na parte de trás da sua cabeça por um delicado acessório de borboleta prateado.

Summer se arrumava como uma menininha e o sorriso doce reforçava a imagem da inocente garota do interior. Mas ela era uma bruxa que estava na companhia de um vampiro, e a consciência desse detalhe não permitia mais que ela se incomodasse em pensar que estava presa em Bar Harbor. Não quando ela sabia que havia um mundo tão diferente a ser descoberto, agora mais próximo do alcance das suas mãos.

Com um sorriso divertido, ela se esticou até oferecer a Petrus a taça de sobremesa, com mais uma generosa porção de sorvete. Diferente da dose servida no jantar, a menina havia enfeitado a sobremesa com caldas e cerejas, e explicou aquele detalhe com um sussurro cumplice.

- Esse é o meu preferido. Eu deixei escondido, fora do alcance do Alaric.

Antes que os dedos de Petrus alcançassem a sobremesa oferecida, Summer recuou o braço e arqueou as sobrancelhas, em uma forçada expressão séria.

- Mas a julgar pelo tanto que você comeu no jantar, acho que não vai ter espaço para repetir o sorvete, né? Não tem problema, eu não comi tanto quanto vocês, não vou desperdiçar o melhor sorvete de Bar Harbor.

Summer deu uma colherada em sua taça e a levou até os lábios. As pálpebras se fecharam em uma expressão de prazer e o ar escapou pelo seu nariz, demonstrando a satisfação.

- Hmm... Definitivamente o melhor.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Out 29, 2016 7:04 pm

Apenas uma taça de vinho era o bastante para deixar Saphir inebriada. A bebida selecionada pelos Montgomery era forte e, aliada à falta de experiência da loira com álcool, fora mais que o suficiente para deixá-la muito mais leve que o normal.

Apesar da bebida, Saphir tinha controle das próprias decisões quando aceitou a carona de Alaric, mesmo sabendo que o rapaz certamente tomaria uma iniciativa no instante em que os dois estivessem a sós. Por isso, Wegener não se surpreendeu nem se mostrou desconfortável quando Ricky guiou o carro até o acostamento, no meio da estrada deserta que ligava o casarão dos Montgomery até o centro de Bar Harbor.

Em todo o tempo, Saphir repetia para si mesma que tudo aquilo era apenas uma aventura. Ela estava farta de ser uma garota exemplar, uma estudante com um futuro promissor que precisava manter as aparências para não prejudicar o nome da família e a posição do pai naquela cidade. Portanto, Alaric parecia ser uma válvula de escape perfeita. Além de atraente, era um forasteiro que em breve iria embora e nunca mais seria lembrado em Bar Harbor.

Mesmo com aquele pensamento racional, Saphir não conseguiu evitar o arrepio que percorreu toda a sua pele quando o beijo do “sonho” tornou-se real. Era estranho como os lábios de Alaric estavam tão gelados quanto em suas lembranças, mas aquele foi um detalhe que Wegener ignorou lindamente quando seu corpo esquentou o suficiente pelos dois.

O cinto de segurança do banco do carona foi desacoplado segundos antes que Alaric puxasse o corpo da menina até colocá-la sentada em seu colo. Mais uma vez, Saphir estava inebriada demais para perceber que a força do rapaz parecia desproporcional.

Por sorte, a estrada estava deserta. Mas qualquer um que porventura passasse por perto imaginaria que o carro parado no estacionamento abrigava um casal comum de jovens, que aproveitava a escuridão daquela noite para dar uns amassos no interior do veículo. Somente a respiração ofegante de Saphir ecoava dentro do carro e também era apenas dela que vinha o calor que embaçava os vidros.

A camisa acinzentada de Montgomery já estava desabotoada e os cabelos claros ficavam a cada segundo mais bagunçados, sempre que os dedos de Saphir mergulhavam nos fios loiros. O vestido da garota fora erguido até a cintura dela e o decote fora puxado para baixo, expondo uma generosa faixa de pele para os lábios de Alaric.

Os dois estavam há um passo de levar aquele amasso às últimas consequências quando a mente entorpecida de Saphir finalmente processou as palavras ditas pelo vampiro antes do beijo. Uma ruguinha de confusão surgiu entre os olhos azuis antes que Wegener afastasse o corpo, rompendo o contato dos lábios de Alaric com o seu pescoço.

- Como é...?

Aquela pergunta soou um tanto irritada e parecia totalmente fora de contexto. Montgomery certamente só entenderia do que a loira estava falando quando Saphir acertou um soquinho no peito dele e tentou se desvencilhar dos braços fortes que a seguravam.

- Eu sou completamente diferente “dela”? De quem você está falando? Da tal “velha amiga” com quem você me confundiu naquele dia? É por isso que está atrás de mim?

O ciúme esquentou o sangue de Saphir quase com a mesma intensidade dos beijos e carícias do rapaz. Wegener sabia que Alaric era um cara conquistador que não levava garotas a sério, mas era ofensivo demais imaginar que ele estava com ela unicamente porque Saphir se parecia com uma ex-namorada.

Aproveitando-se da surpresa estampada no semblante de Montgomery, a loira abriu a porta do motorista e saltou para fora do carro. Enquanto caminhava com passos firmes para longe do veículo, as bochechas de Saphir coraram no instante em que ela notou como estava exposta. As mãos trêmulas rapidamente abaixaram a saia do vestido e realinharam o decote, mas era mais difícil tirar da pele as marcas deixadas pelos toques e beijos do rapaz.

O centro de Bar Harbor ficava distante daquele ponto da estrada, mas Saphir cruzou os braços enquanto enfrentava o vento frio que a acompanhava naquela longa caminhada. Voltar para o carro de Montgomery não era uma opção depois daquela discussão e depois que Wegener deixara claro que já sentia ciúmes de um rapaz que mal conhecia.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Sab Out 29, 2016 7:42 pm

Cada sabor oferecido no jantar foi apreciado por Petrus como se fosse o melhor dos presentes. Tanto tempo havia se passado desde a última refeição na casa dos Montgomery que era como se o rapaz estivesse experimentando aqueles sabores pela primeira vez. Petrus não tinha a menor dúvida de que, mesmo quando era um humano, ele jamais dera tanto valor a algo tão comum quanto um jantar.

E era inevitável não se sentir profundamente grato à bruxa que lhe proporcionara aquela sensação. Summer ainda estava muito longe da cura que Montgomery tanto desejava, mas naquela noite ela havia dado a ele uma amostra da vida humana que Petrus buscava, e aquilo já era muito mais do que o vampiro tivera nos últimos setenta anos.

Um sorrisinho divertido brotou nos lábios de Petrus quando Summer insinuou que havia escondido o melhor sorvete de Alaric. Mesmo que os dois irmãos não estivessem mais em guerra pelo amor da mesma mulher, era uma satisfação pensar que Ricky não teria a menor chance com Summer Fields.

- Meu estômago está prestes a explodir, mas eu acho que aguento experimentar mais um sabor.

Se Summer imaginou que o rapaz estava se referindo ao sorvete, provavelmente a menina se surpreenderia ao ver Petrus retirando a taça de seus dedos e abandonando-a sobre a mesinha da sala. O gosto do sorvete foi experimentado diretamente dos lábios da bruxa, num beijo mais ousado no qual os dois não economizaram na movimentação dos lábios e das línguas.

Mesmo sem saber que uma cena parecida acontecia no carro de Alaric, os dois mergulharam em carícias cada vez mais ousadas sobre o sofá da sala. O sorvete abandonado já derretia sobre a superfície da mesinha enquanto Petrus e Summer só se concentravam em si mesmos.

No começo, Petrus encarou aquilo como mais uma amostra da vida humana que Summer lhe proporcionava. Ao lado dela, Montgomery se permitia ser o rapaz que a maldição não permitiu que ele fosse há setenta anos. Parecia normal entregar-se às carícias de uma garota bonita e desejá-la profundamente depois de um encontro tão agradável quanto o daquela noite.

Mas o destino logo tratou de mostrar a Petrus que aquele não era o seu lugar no mundo e que ele só teria uma vida “normal” se encontrasse a cura para a maldição. Mesmo que estivesse tão concentrado em Summer e se deliciando com as carícias dela, o vampiro não foi capaz de conter os instintos do monstro adormecido dentro dele.

No instante em que Summer inclinou o corpo e os cabelos escuros dela caíram de lado, exposto o pescoço pálido, Montgomery sentiu o formigamento que geralmente antecedia os ataques. Numa tentativa desesperada de manter a concentração, as mãos de Montgomery apertaram com tanta força o estofado que o tecido que cobria o sofá se rasgou.

- Summer. Summer, temos que parar!

A voz grave soou meio aflita enquanto Petrus tentava alertar Fields, mas a garota ainda não parecia ter notado que algo estava errado. Summer só entenderia a tensão do rapaz quando as presas novamente foram cravadas em seu pescoço delicado.

Como da primeira vez, a dor fora desprezível. Enquanto seu sangue quente escorria até a garganta do vampiro, tudo o que Summer sentiria era o seu corpo petrificado pela atração incomum que aquela criatura despertava em suas vítimas. Exatamente como no primeiro ataque, Petrus só conseguiu parar quando o corpo da garota amoleceu em seus braços. Os dentes foram imediatamente recolhidos e a língua do vampiro se deslizou sobre a área da mordida, retirando dali as últimas gotas de sangue e cicatrizando magicamente os dois furinhos na pele dela.

Desta vez, Montgomery se afastou antes mesmo que Summer conseguisse reagir. A garota ainda estava entorpecida e petrificada pelo poder dele quando Petrus saltou para fora do sofá, completamente furioso consigo mesmo. Um urro selvagem escapou pela garganta do vampiro e ele virou a mesa da sala como se estivesse erguendo uma folha de papel.

Era como se o destino estivesse zombando dele e mostrando a Petrus que a poção feita por Summer naquela noite não mudava o fato de que ele era um monstro. Mesmo depois de se fartar exageradamente com um jantar delicioso, o vampiro que vivia dentro dele continuava com sede e não se saciava como um humano. Ele precisava de sangue, e o sangue de Summer Fields era assombrosamente irresistível.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Out 29, 2016 8:24 pm

Um rapaz comum tentaria encobrir o seu deslize com um pedido de desculpas, usaria alguma desculpa esfarrapada e esbanjaria o seu charme para tentar minimizar o estrago de suas palavras que havia arruinado o momento perfeito. Mas Alaric Montgomery não era um rapaz comum, e esse detalhe ficou ainda mais evidente quando ele também deixou o carro e alcançou Saphir em uma velocidade muito além da aceitável para um humano.

Ricky conseguiu alcançar Saphir e a puxou pelo braço, impedindo que ela continuasse o caminho pela estrada escura. Os cabelos loiros ligeiramente bagunçados balançaram com o movimento brusco que ela foi obrigada a fazer e a expressão furiosa em seu olhar fez algo estranho se aquecer no interior gelado de Alaric.

Durante as últimas décadas, diversas mulheres haviam passado pelos braços do Montgomery mais velho, onde praticamente todas haviam terminado como sendo a refeição da vez antes de terem suas mentes apagadas. Malvas brancas não faziam parte da sua dieta, assim como os alimentos destinados a humanos não saciavam a sua verdadeira fome. Mas ao contrário de Pete, o sangue de Saphir não lhe era tentador.

Talvez a explicação se devesse ao fato de que Alaric não costumava negar ao próprio corpo quando o desejo pelo sangue surgia. Ele sabia se controlar muito mais, simplesmente por não se privar dos seus desejos.

Mas era exatamente a falta do desejo pelo sangue de Saphir que a tornava diferente de tantas outras. Se fosse qualquer outra mulher em seus braços, Alaric já teria cansado de brincar de um bom rapaz, beberia alguns litros de sangue e a dispensaria até encontrar a próxima vítima.

O impressionante era que tudo em Saphir chamava sua atenção, com exceção da única coisa que realmente deveria interessar a um vampiro. As carícias intensas trocadas no carro traziam a sensação de uma vida humana muito mais do que a refeição proporcionada por Summer.

- Pare de fugir, Saphir.

Os olhos cinzentos procuraram o ponto mais profundo no olhar de Wegener e ela imediatamente obedeceu a hipnose. Sua expressão ainda era zangada, mostrando que o ciúme e a irritação provocada pela escolha errada das palavras de Alaric no carro ainda exerciam poder nos sentimentos dela. Saphir seria apenas incapaz de continuar andando e deixa-lo falando sozinho.

Quando os pés dela permaneceram imóveis, obedecendo a hipnose, os ombros de Alaric relaxaram por um instante. O carro continuava parado na beira do lago. A porta do motorista havia sido deixada aberta e a luz dos faróis iluminava o casal em uma imagem bonita, mesmo que parecessem em meio a uma discussão amorosa.

- Você não conheceu ela. Se tivesse conhecido, não me julgaria por ter me aproximado de você por causa dessa incrível coincidência.

Era a primeira vez que Alaric deixava de lado a máscara do rapaz de ego inflado e segurança inabalável para usar toda a sinceridade. A camisa cinza amarrotada ainda exibia alguns botões abertos, revelando a pele ligeiramente vermelha em seu peito, denunciando as carícias mais ousadas de Saphir.

- Mas não é por isso que eu ainda estou atrás de você. Ainda não deu pra entender, Saphir? É exatamente porque você é completamente diferente da Annabeth que ainda estou aqui.

A mente humana de Saphir seria incapaz de compreender a complexidade de seu envolvimento com Kendrick, mas era por saber que poderia apagar toda aquela conversa da mente da loira que ele se permitia ir tão longe.

- Você é diferente de todas as outras. Eu não sei explicar o porquê. E não sei o motivo da ironia de você ser fisicamente idêntica a Annabeth. Só o que eu sei é que você é diferente. Você não sente a mesma coisa?
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Out 29, 2016 8:57 pm

A expressão zangada permaneceu no rosto de Saphir enquanto o vampiro apresentava suas explicações. Nem mesmo a hipnose que imobilizava suas pernas parecia ser forte o bastante para fazer com que a loira esquecesse os ciúmes que sentia ao imaginar que outra garota estava na mente de Alaric enquanto os dois se beijavam. A filha do prefeito nunca fora uma moça ciumenta, mas Ricky fazia com que aquele sentimento inédito brotasse do interior dela.

As palavras de Montgomery não faziam nenhum sentido na cabeça de Wegener. Saphir certamente se afastaria dele julgando que Alaric era louco se não fosse pela habilidade do vampiro em apagar aquelas lembranças da memória dela.

Havia outra mulher, disso Saphir não tinha a menor dúvida, mas a situação era complexa demais para alguém que desconhecia por completo o mundo sobrenatural. Enquanto Alaric despejava nela todas aquelas explicações sem sentido, a garota só conseguia se perguntar se o rapaz era maluco.

A hipnose poderosa de Alaric se somou com o efeito do álcool que ainda circulava nas veias de Wegener. Mas o detalhe mais crucial que serviu para desacordar de vez a consciência da garota veio quando Montgomery pronunciou o nome de Annabeth.

Os olhos azuis imediatamente perderam o foco, como se a mente de Saphir tivesse sido desligada de dentro para fora. A loira permaneceu imóvel por vários segundos antes que suas pálpebras caíssem. Quando reabriu os olhos, não era mais a expressão suave da filha do prefeito que Alaric veria diante de si.

As íris continuavam profundamente azuis, mas pareciam iluminadas por um brilho de ódio que não existia em Saphir.

A hipnose de Alaric teoricamente não havia sido quebrada, portanto foi uma surpresa para o vampiro ver que o corpo de Wegener desobedeceu ao seu comando de continuar imóvel. A loira deu um passo na direção dele antes de erguer as mãos e segurar com firmeza as bordas da camisa entreaberta de Montgomery.

- Ricky! Você precisa me salvar!

Apesar da súplica, a voz de Saphir não soava com humildade. A garota parecia ser movida por um desespero sufocante que só servia para deixá-la ainda mais furiosa. As unhas compridas apertaram com tanta firmeza a camisa de Alaric que o tecido se rasgou.

- Eu estou aqui! Eu ainda estou aqui dentro, querido! Você precisa matá-la para me libertar! Mate-a, Ricky! Mate-a agora!

O choque que aquelas palavras absurdas provocaram em Alaric foi suficiente para que ele perdesse a concentração e colocasse um fim na hipnose. Saphir cambaleou para trás como se tivesse acabado de tomar um choque potente, mas quando ela encarou novamente o vampiro, não havia mais aquele brilho cruel nos olhos azuis.

Wegener estava completamente confusa quando encontrou um pedaço da camisa do rapaz entre seus dedos e ela simplesmente não se lembrava do momento em que havia rasgado a peça. Suas bochechas coraram com um imenso constrangimento enquanto Saphir sacudia a cabeça em negativa.

- Me desculpe, não sei o que deu em mim. Eu acho que bebi demais, Alaric. É melhor que eu vá pra casa.
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