Bloody Type

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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Qua Nov 02, 2016 9:48 pm

- Eu acho que não deveríamos perder tempo falando sobre pessoas que não estão nesta cama agora, Sum.

O timbre mais rouco de Petrus não escondia o quanto o vampiro estava envolvido por Summer. Montgomery não era tão inexperiente quanto a menina, mas, assim como ela, Petrus nunca tivera a chance de se apaixonar de verdade por alguém. Ao lado de Fields, ele experimentava pela primeira vez a sensação de estar emocionalmente envolvido por uma mulher.

Annabeth fora um tropeço e sempre fora um relacionamento muito mais físico e cheio de tensão graças ao triângulo amoroso formado com Alaric. Depois dela, os raros relacionamentos seguintes foram uma sucessão de fracassos. Na maciça maioria das vezes que levara uma mulher para sua cama, Petrus estava mais interessado no sangue que corria nas veias da parceira.

Com Summer tudo era diferente. É claro que Petrus se sentia atraído pela beleza da menina e a inocência de Fields era um tempero a mais naquela atração. O vampiro também já deixara evidente que não era indiferente ao sangue da bruxa. Mas Summer também lhe despertava um afeto profundo e um instinto de proteção sufocante. Ele não a queria apenas para saciar suas necessidades. Montgomery a queria porque gostava de estar com Summer e, principalmente, gostava da pessoa que se tornava quando ficava perto da garota.

- Eu também acho que não deveríamos perder tempo discutindo. É o que fazemos de melhor, eu sei, mas temos muito tempo para brigar no futuro. Tenho ideias melhores para hoje...

Os olhos escuros tinham um brilho único quando Petrus tomou os lábios de Summer em mais um beijo. Seu corpo inteiro se arrepiava e as batidas do coração da garota atiçavam os instintos do vampiro, mas naquela noite Montgomery estava disposto a usar todo o seu autocontrole para não estragar tudo outra vez.

As costas de Summer foram pressionadas contra a cabeceira da cama quando Petrus roçou seu corpo contra o da menina. Ao notar que os pulmões de Fields precisavam de mais uma pausa, o vampiro libertou os lábios dela. Mas a trégua não foi completa, visto que os beijos dele logo desceram para o pescoço da garota, as carícias se deslizando até um dos ombros de Summer.

- Está tudo bem. – era difícil saber se Petrus estava tentando tranquilizar a menina ou a si mesmo – Está tudo sob controle desta vez. Eu não vou estragar tudo, eu prometo.

Embora estivesse profundamente envolvido pelo momento, Montgomery não parecia prestes a perder a cabeça. Os dentes pontiagudos continuavam ocultos quando os dedos gelados puxaram suavemente a alça da camisola de Fields, expondo mais uma área de pele para seus lábios frios. Com a outra mão, o vampiro tocou nos cabelos de Summer, libertando as mechas escuras.

- Você é linda, Sum. – a voz grave de Petrus soou num sussurro enquanto ele pausava os beijos para buscar pelo olhar de Fields – Só não é perfeita porque é uma bruxa teimosa.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Qua Nov 02, 2016 10:48 pm

A resposta do rapaz àquela provocação de Alaric veio através de uma cusparada que atingiu em cheio o rosto do vampiro. A indelicadeza de William Wegener foi tão grande que até mesmo o delegado – que teoricamente estava ao lado dele naquela discussão – lançou um olhar de surpresa e reprovação ao filho mais velho do prefeito.

- Eu não sei de onde você veio, mas chegou o momento de descobrir como as coisas funcionam em Bar Harbor. Aqui nós não toleramos que um filho da puta qualquer surja do nada e cause transtornos na nossa cidade.

William Wegener era o típico rapaz do interior que sentia-se profundamente importante graças ao cargo que o pai ocupava na região. Todos em Bar Harbor já conheciam a fama de encrenqueiro do irmão mais velho de Saphir e estavam acostumados a ignorar os escândalos que o rapaz protagonizava, geralmente regados a drogas e bebedeiras com os amigos. Violet acobertava todos os pequenos delitos do filho e Jonathan já havia desistido do primogênito.

Só quando ouviu a voz áspera do irmão, Saphir se deu conta de que o delegado não estava sozinho. A garota estava pálida como um fantasma quando se aproximou da porta e foi preciso colocar-se na ponta dos pés para enxergar William por cima do ombro de Montgomery.

- O que está fazendo aqui??? – a entonação meio esganiçada de Saphir mostrava que o rapaz era um velho conhecido.

- Eu devolveria a pergunta se não soubesse a resposta. – o olhar enojado de William fez Saphir recuar um passo – Eu achei que conhecia todos os seus defeitos, mas estou vendo que a temporada em Conneticut adicionou mais algumas falhas em você. Agora, além de tudo, você é uma vadia.

Por mais que soubesse que o irmão não tinha o direito de falar assim com ela, o lábio inferior de Saphir tremeu e ela rodeou o próprio corpo com um abraço. Assim como Violet, William nunca havia feito nenhum esforço para demonstrar afeto pela caçula. Só agora que conhecia um pouco mais do próprio passado, Saphir entendia porque a mãe e o irmão nunca a aceitaram completamente.

- Eu realmente não me importo se você está dando o seu traseiro bonitinho pra cidade inteira, mas você deveria ter pelo menos a decência de mandar notícias. O meu pai não dormiu a noite inteira preocupado com a filhinha perdida. O idiota passou a madrugada toda imaginando que você tinha sido uma vítima de assaltantes ou sequestradores. A única coisa que ele não imaginou era que a filhinha exemplar só estava chupando o pau de um babaca.

Em uma tentativa de acalmar os ânimos e evitar um escândalo maior, o delegado deu um passo à frente e tentou resolver aquele problema de forma mais imparcial. Ele só havia entrado naquela confusão porque Jonathan realmente parecera muito aflito com o desaparecimento da filha, mas era óbvio que aquele não era um caso de polícia. Saphir era maior de idade e tudo levava à conclusão de que sua ida ao casarão dos Montgomery fora consensual.

- Está tudo bem, Saphir? – o delegado parecia muito sem graça ao fazer aquela indagação – Quer prestar alguma queixa contra os Montgomery?

- Não. É claro que não, delegado, eu estou bem.

- Vamos pra casa agora. – William novamente se meteu na discussão – Antes que aquele velho idiota tenha um infarto por sua causa!

Quando obedeceu às ordens do irmão, tudo o que Saphir queria era que aquele pesadelo acabasse. Ela realmente precisava avisar o pai que estava tudo bem e pedir desculpas por toda aquela confusão. Além disso, era melhor tirar William daquela cena antes que o irmão descobrisse – da pior maneira possível – que não era muito sábio de sua parte enfrentar um vampiro experiente.

A mão delicada de Wegener tocou suavemente o braço de Alaric quando ela contornou o corpo dele para chegar à varanda, num pedido mudo para que Montgomery se controlasse. A última coisa que a loira precisava era que aquela situação se tornasse ainda mais complicada com o ataque de fúria de um vampiro.

- Não encoste em mim!

O apelo de Saphir foi ignorado e William a agarrou firmemente pelo braço no instante em que a irmã chegou ao alcance de suas mãos. A loira foi puxada com violência e tropeçou nos próprios saltos, caindo de joelhos na varanda dos Montgomery. A calça jeans amassada que passara a noite inteira jogada no chão do quarto de Alaric não foi o bastante para proteger os joelhos da moça, mas Saphir foi erguida do chão pela mesma mão que agarrava seu punho, antes mesmo de conferir os joelhos ralados.

- Está dopada também?

- Não. Mas você deveria saber reconhecer uma pessoa dopada. Esta é a sua especialidade, afinal.

Saphir se arrependeu daquela resposta atrevida no instante em que a mão livre de William atingiu seu rosto com uma potente bofetada, jogando longe os óculos da irmã. A força usada pelo Wegener mais velho foi grande o bastante para virar o pescoço da garota e para deixar vergões avermelhados em sua pele pálida.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Nov 03, 2016 12:07 am

A luz amarelada do abajur ao lado da cama ainda provocava sombras nas paredes, mas a atenção de Summer Fields estava inteiramente voltara para o par de olhos azuis a sua frente. A respiração acelerada da menina ainda ecoava pelo quarto e escapava pelos lábios curvados em um sorriso bobo.

Summer não era uma menina romântica e não havia fantasiado com a sua primeira vez acontecendo em um cenário paradisíaco, ao lado do príncipe encantado. Entretanto, o que aconteceu naquela noite foi ainda mais inesperado, sem o mínimo de planejamento e igualmente maravilhoso.

Apesar de todas as diferenças entre ela e Petrus, naquela noite eles representaram bem o papel de um casal apaixonado, completamente comum, sem que os detalhes sobrenaturais interferissem ou minimizassem a magia daquele momento.

O lençol cobria todo o corpo de Fields, mas a temperatura mais baixa de Petrus era suficiente para que ela não ficasse com calor. O cansaço começou a incomodá-la depois que seu corpo pareceu inteiramente satisfeito, mas Summer ainda brigava contra o peso das pálpebras para prolongar aqueles minutos ao lado de Montgomery.

- Pete? – Summer chamou baixinho, durante uma piscada mais prolongada. – Me promete que não vamos brigar outra vez?

Em poucos segundos, a respiração de Summer se tornou mais profunda, indicando que a menina finalmente havia se entregado ao sono. A sensação que ela teve é que havia acabado de fechar os olhos quando as batidas na porta a despertaram novamente, mas a claridade que entrava pela janela mostrava que algumas horas tinham se passado e que o sol já estava nos céus.

O som das batidas na porta soou distante, despertando Summer aos poucos enquanto ela se espreguiçava na cama. As pálpebras tremeram antes de finalmente revelarem os olhos azuis e ela imediatamente abriu um sorriso ao encontrar Petrus ainda em sua cama, mostrando que não havia sido apenas um sonho.

Summer estava pronta para enlaçar Petrus em um novo abraço quando as batidas ecoaram outra vez. Seu coração deu um salto no peito e, com os olhos arregalados, ela se virou para encarar a porta trancada. A maçaneta girou, mostrando que a pessoa tentava entrar, sem sucesso.

- Summer? – A voz de Logan ecoou do outro lado, parecendo preocupado. – Você já acordou?

O desespero estava refletido no rosto de Summer. A última coisa que ela precisava era que Letitia descobrisse que não só um rapaz havia dormido em sua cama, mas um rapaz da espécie vampiro.

- Shiiu! Fica quieto. – Ela implorou em um sussurro para Petrus antes de deslizar par afora do colchão.

A camisola de seda foi puxada agilmente com seus dedos e enfiada pela sua cabeça antes de se dirigir até a porta. Os cabelos estavam marcados pelo travesseiro com várias ondas, mas pareciam ainda mais bagunçados depois de terem sido agitados pelos dedos de Petrus durante a noite.

A porta foi destrancada, revelando apenas uma frestinha que impossibilitava Logan de ver que Summer não estava sozinha naquela manhã. Ela enfiou apenas a cabeça no campo de visão dele, tentando proteger também o corpo exposto pela camisola fina.

- O que foi? A casa está pegando fogo?

Ao contrário de Fields, Logan já estava devidamente vestido e os cabelos úmidos indicavam o banho recente. Ele tinha uma ruguinha de curiosidade entre os olhos, mas manteve um sorriso amigável nos lábios.

- Sua prima está tentando fazer panquecas, então tem grandes chances de pegar fogo em alguns minutos...

Summer queria retribuir a simpatia de Logan, mas era difícil agir com naturalidade sabendo que Petrus estava há poucos passos de distância. Além do mais, ela queria logo se livrar do rapaz para aproveitar mais alguns minutos ao lado de Montgomery.

- Eu vim saber se você já está pronta... – O olhar de Logan deslizou pela única linha do corpo de Summer que estava em seu campo de visão antes de se voltar ao rosto dela. – E a julgar pela sua camisola, você não está.

- Eu acabei de acordar. – Summer tentou soar natural, mas pareceu ainda mais esganiçada.

- Percebi. Não demore, está bem? As coisas já estão no carro e eu espero sair de casa a tempo de não provar as panquecas da Letitia. O caminho até Boston é longo, podemos passar no Starbucks no caminho. Ainda gosta do Muffin de mirtilho?

Summer precisou juntar todas as suas forças para abrir um sorriso e não parecer como uma louca desesperada que tentava evitar um homicídio de um potencial assassino às suas costas.

- Meu preferido. Só preciso de alguns minutos para me trocar, está bem?
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Qui Nov 03, 2016 12:48 am

Ninguém que olhasse para Petrus Montgomery arriscaria dizer que ele era um vampiro sanguinário com décadas de existência. Naquela manhã, ele parecia apenas um rapaz comum depois de uma noite especialmente boa com a namorada. As roupas escuras que ele usara para fazer aquela visita noturna estavam jogadas no chão do quarto de Summer e somente o lençol cobria o corpo de Montgomery quando a bruxa o deixou sozinho na cama para ir até a porta.

O bom humor de Petrus era tão pleno naquela manhã que nem mesmo a voz de Logan foi capaz de incomodá-lo. Parecia uma grande tolice sentir ciúmes de outro rapaz quando era ele quem estava sob os lençóis de Fields.

Os cabelos castanhos estavam atrapalhados quando Petrus esfregou os olhos sonolentos e colocou-se sentado sobre o colchão, fazendo uma careta para a claridade que invadia o quarto pelas frestas da cortina. A cama de Summer não havia sido feita para alguém com a estatura de Montgomery, mas era engraçado ver os pés do rapaz pendendo para fora do colchão.

- Você usou algum feitiço no tempo? Parece que eu acabei de fechar os olhos, não é possível que já se passaram tantas horas.

Os braços firmes do rapaz puxaram Summer no instante em que a menina voltou para perto da cama. Os dois rolaram pelo colchão em meio a risinhos contidos e Petrus roubou um beijo da bruxa no instante em que a imobilizou debaixo do seu corpo. Exatamente como acontecera na madrugada, os dois se entregaram a um beijo carinhoso e apaixonado, que terminou com Montgomery depositando um beijo protetor na testa de Fields.

- Você está bem?

A entonação sinceramente preocupada soou enquanto Montgomery deslizava para o lado, libertando o corpo da menina do seu peso. Em determinado momento da noite anterior, Petrus havia notado que Summer era inexperiente. O vampiro tentara ser o mais cuidadoso possível, mas ainda estava preocupado com a possibilidade de ter deixado Fields dolorida.

- Eu não te machuquei, não é?

As mãos dos dois se uniram de forma carinhosa, com os dedos longos do rapaz se entrelaçando aos dedinhos de Summer. Montgomery havia acabado de dar um beijinho nos nós dos dedos da menina quando os dois foram interrompidos mais uma vez por batidas na porta.

- É por isso que vampiros matam pessoas, sabia? – o sussurro foi dirigido apenas a Summer – Não é nossa culpa.

Desta vez, foi a voz feminina de Letitia que soou no corredor. A julgar pelos miados agudos do outro lado da porta, Lucifer acompanhava a dona.

- Sumie! O Logan já tá levando tudo pro carro, mas vocês não podem sair sem tomar café! Vou passar o fim de semana inteiro espetando o voodoo que fiz com o seu cabelo se você tiver a audácia de sair desta casa sem experimentar as panquecas que estou fazendo com tanto amor!

Petrus esperou que os passos de Letitia se distanciassem da porta para girar os olhos escuros e tomar a palavra novamente. O vampiro parecia anormalmente conformado com aquela viagem de Summer e Logan, mas a explicação para tamanha tranquilidade era que, depois daquela noite, Montgomery tinha certeza de que Summer tinha desistido daquela ideia absurda.

- É melhor você ir lá fora e dizer de uma vez que não vai nessa viagem idiota, linda. Eles não vão nos deixar em paz se você não esclarecer logo as coisas.

A reação surpresa de Fields com aquela declaração fez a expressão de Petrus mudar e sua serenidade logo deu lugar a um semblante mais fechado. O vampiro se remexeu na cama e afastou-se apenas o bastante para encarar Summer.

- Você não vai.

As palavras soaram mais autoritárias do que Petrus gostaria, mas ele não estava disposto a voltar atrás naquela decisão. A viagem até Boston era uma ideia perigosa em todos os sentidos. Montgomery não queria ver Summer à mercê de um bruxo desconhecido, mas a companhia de Logan também era uma forte motivação para Petrus se posicionar contra aquela ideia.

- Você vai lá fora agora e vai dizer a eles que não vai sair de Bar Harbor.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Nov 03, 2016 1:20 am

A cusparada de William teria sido motivo suficiente para que o vampiro rasgasse a garganta do seu oponente em um piscar de olhos. Alaric tinha uma regra básica de que ele deveria apenas se alimentar dos humanos, de modo que tirar uma vida não fazia parte do seu cotidiano, mas ele teria aberto uma exceção facilmente se o sobrenome do rapaz também não fosse Wegener.

A camisa branca foi erguida e Alaric limpou o rosto. A mão ainda apoiada no portal começou a apertar a madeira em uma tentativa de manter o controle, mas ele já podia sentir o material começando a esfarelar sob seu toque.

Os olhos cinzentos estavam estreitos em quase uma fenda, presos no irmão de Saphir. Ele podia ouvir o coração do rapaz batendo, mas nem aquele mero detalhe era suficiente para lembra-lo de que William ainda era um humano que desmontaria com apenas um soco seu.

Alaric teria suportado outras dez mil cusparadas. Teria aguentado ouvir as piores ofensas direcionadas a si e aquele dia teria seguido sem maiores problemas. Mas o sangue frio do vampiro começava a ferver em suas veias e era quase palpável a fúria em seu olhar pelo modo que o rapaz tratava a irmã.

Annabeth teria destruído qualquer homem que falasse com ela daquela forma, e a imagem fragilizada de Saphir só reforçava a gritante necessidade de que deveria protege-la. Mas todo o controle de Alaric desapareceu quando a loira tropeçou e foi ao chão. Quando William ainda ousou erguer a mão para atingi-la com uma bofetada, Montgomery já estava ao seu lado.

- Ela disse para não encostar!

A voz de Alaric soava quase como um rugido feroz, mas era o seu rosto que mais despertava o medo. O olhar frio de um predador acompanhava seus gestos rápidos e fortes. A gola da camisa de William foi agarrada e o rapaz foi arrastado até ter seu corpo chocado contra o carro do xerife.

O impacto foi tão grande que a lataria amassou, mas nem o olhar apavorado e incapaz de seu oponente fez com que Montgomery enxergasse que estava passando dos limites e colocando a própria identidade em risco.

- Eu não preciso saber como as coisas funcionam em Bar Harbor, moleque... Mas te garanto que sei muito mais sobre o mundo onde merdinhas como você acabam servindo de comida para os cachorros.

Os dedos trêmulos de William tentaram agarrar as mãos firmes de Alaric, que não saíam do lugar. Todo o corpo de Montgomery estava tenso e ele estava cegado pelo ódio e pela urgência em manter Saphir segura. Mas também era a lembrança da loira que o impedia de cometer uma loucura. Apesar do lixo humano em suas mãos, William ainda carregava o mesmo sangue de Saphir.

Antes que cedesse a vontade de arrancar a cabeça do filho do prefeito, Alaric voltou a girar o corpo preso em seus dedos como se fosse um boneco de pano. Com um rápido movimento dos braços, William foi arremessado no chão, escorregando alguns centímetros pela terra.

Alaric se agachou diante do rapaz, mantendo os joelhos flexionados, mas sem encostar mais um dedo nele, apenas lançando o seu olhar mais homicida.

- Encoste nela de novo e da próxima vez aquilo será a sua cabeça. – Ele ergueu o braço e apontou diretamente para o amassado do carro. – Se você acha que eu não teria coragem, eu acabei de te ameaçar na frente do delegado. Eu não tenho medo de ratos como você.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Nov 03, 2016 1:53 am

- Eu estou ótima.

O sorriso doce de Summer refletia a sinceridade de suas palavras quando ela se acomodou nos braços de Petrus. Nem de longe havia qualquer vestígio que pudesse indicar algum arrependimento por parte da menina após os momentos íntimos passados ao lado de Montgomery.

Nem mesmo o perigo de ter Letitia e Logan acordados e andando no corredor, do outro lado da porta, eram suficientes para que se afastar de Petrus, querendo prolongar aquele momento ao máximo antes de precisar encarar a realidade.

A entonação autoritária dele, entretanto, foi o suficiente para fazer o sorriso de Fields desaparecer. Ela não estava furiosa e nem disposta a começar uma briga, mas também não iria ceder a ordem de Montgomery só porque haviam passado a noite juntos.

Ela compreendia o ciúme que ele estava sentindo e também compartilhava a insegurança do que aquela visita a Boston poderia trazer. Mas Logan estava convicto de que o seu amigo poderia ajudar e seria uma grande ofensa negar aquela oferta. Além do mais, ela enlouqueceria se continuasse em Bar Harbor, dando voltas e mais voltas sem chegar a lugar algum enquanto Annabeth poderia ressurgir e colocar em perigo a vida de Saphir.

- Eu vou, Pete.

As palavras não soaram desafiadoras ou com entonação de quem estava disposta a comprar uma briga. Summer tentou parecer o mais razoável possível para não arruinar aquele momento.

- Eu já entendi, você não gosta do Logan. Mas você não tem motivos para se preocupar com ele, Pete. Eu só estou fazendo isso pela Saphir, e se o Logan acha que consegue ajudar, eu não vou recusar.

Como se quisesse reforçar a tranquilidade que tentava passar com suas palavras, Summer esticou a mão e tocou a pele fria de Petrus em uma carícia em seu rosto.

- É só um final de semana, você nem vai notar que eu fui. O pior que pode acontecer é voltar com as mesmas respostas vazias que já temos. Mas a Saphir merece que a gente pelo menos tente. O seu irmão também merece.

Summer se inclinou para frente, sustentando o seu corpo com o cotovelo apoiado sobre o colchão. Os cabelos bagunçados caíam em largas ondas até tocar o lençol.

- Eu não vou deixar a sua ex psicopata ganhar. Desculpe, Pete, mas eu vou.

A cama balançou quando Summer deslizou para fora do colchão. Ela caminhou até o closet e puxou uma mochila, onde começou a guardar algumas peças de roupas para serem usadas no final de semana, reforçando a sua decisão de sair de Bar Harbor.

- Minha magia já evoluiu o bastante, eu sei me cuidar. Amanhã estarei de volta e espero que até lá você tenha desfeito esse bico contrariado.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Qui Nov 03, 2016 2:05 am

A filha mais nova dos Wegener tremia dos pés à cabeça quando conseguiu se aproximar dos dois rapazes. Seus joelhos estavam levemente ralados e os dedos de William ainda marcavam seu rosto pálido, mas Saphir não tremia por medo do irmão. Os olhos azuis estavam apavorados porque a loira sabia que Alaric só precisava de dois segundos para acabar com William. Por mais que Saphir não amasse e não admirasse mais o irmão mais velho, ela não queria conviver com a culpa de ter participado de uma tragédia como aquela.

- Já chega. Por favor, Ricky, chega!

Os braços da menina enlaçaram os ombros de Alaric. Saphir jamais teria força para erguer o corpo dele, mas por sorte o vampiro deixou-se levar por ela e afastou-se alguns passos de William. O delegado também meteu-se entre os dois com um semblante assombrado. Montgomery era um rapaz alto e forte, mas Wegener também não era um magricela. Alaric havia arrastado o filho do prefeito como se estivesse carregando um saco de arroz.

- Está tudo bem, Ricky.

As mãos de Saphir estavam quase tão geladas quanto o rosto de Montgomery quando a menina a tocou. O coração dela batia acelerado dentro do peito, mas a loira tentou se concentrar para que sua voz soasse firme.

- Não faça nenhuma bobagem, por favor. Nós já temos problemas demais para perdermos tempo com este idiota.

Sem se importar com a presença do delegado e com o olhar de fúria que William dirigia ao casal, Saphir se colocou na ponta dos pés. Os lábios frios de Alaric foram cobertos com um beijo carinhoso e a loira sorriu enquanto roçava seu nariz no dele.

- Eu tenho que ir, meu pai está preocupado. Eu te ligo assim que chegar em casa, está bem?

Sem olhar uma segunda vez para o irmão mais velho, Saphir caminhou até o Honda parado em frente ao casarão dos Montgomery. William ainda fez menção de seguir os passos da irmã, mas Saphir arrancou o carro sem esperar por ele, obrigando o rapaz a retornar para o centro de Bar Harbor na viatura do delegado.

Como já sabia que William faria um escândalo e não a pouparia diante dos pais, Saphir nem pensou em inventar uma mentira para justificar o próprio sumiço. Depois de receber um abraço apertado de Jonathan, a loira sentou-se diante do pai e segurou a mão do prefeito com carinho.

- Lamento se deixei vocês preocupados, eu me esqueci de avisar que não dormiria em casa essa noite, papai. Está tudo bem, não aconteceu nada.

- Estava com a Summer? – Jonathan colocou uma mecha de cabelos atrás da orelha da filha.

- Não, pai. Eu estava com um rapaz.

Embora o relacionamento do Sr. Wegener com a filha sempre tivesse sido excelente, Saphir não costumava falar daquele tipo de assunto com o pai. Era constrangedor atualizar o próprio pai sobre a sua vida amorosa e tudo o que Jonathan sabia era que Saphir já havia tido alguns namoradinhos na faculdade. Naquele dia, contudo, a loira não teve outra saída senão confessar a Jonathan que ela não era mais a garotinha inocente do papai.

- Alaric Montgomery. Eu o conheci no dia em que cheguei e temos mantido contato desde então. Ele é um rapaz gentil, me trata muito bem. Eu gosto dele, mas realmente não sei se vai ter futuro, ainda mais agora que o William tentou marcar território como um cão de rua.

Como se tivesse sido atraído pelo próprio nome, William entrou na sala dos Wegener abrindo a porta com violência. Saphir o encarou com os olhos estreitos e sem medo de novas agressões. Will jamais teria coragem de levantar a mão para ela diante do olhar protetor do pai.

- Não sei que mentira essa vagabunda está dizendo, pai. Mas a verdade é que eu a encontrei com os forasteiros no casarão. O senhor passou a noite em claro enquanto essa vadia participava de uma orgia.

- Controle a língua para falar sobre a sua irmã, William. – a voz do prefeito ecoou perigosamente calma.

- Irmã?

O rapaz bufou com ironia e aquela reação fez os ombros de Jonathan ficarem mais tensos. Seu olhar ameaçador exigia que o filho interrompesse ali aquele escândalo, mas William estava decidido a descontar na irmã toda a frustração que sentia por ter apanhado de Alaric.

- Trazer essa garota para a nossa família foi a pior decisão da sua vida, pai. Ela não é minha irmã. A minha irmãzinha morreu e está enterrada no cemitério de Bar Harbor. Esta é uma órfã, provavelmente a filha de alguma prostituta que resolveu seguir os passos da mãe!

O choque fez com que Jonathan ficasse imóvel. Ele nunca havia contado a Saphir que ela era “adotada” simplesmente porque aquela não era a verdade. O corpo dela não continha o DNA dos Wegener, mas a sua alma pertencia à garotinha que morrera antes mesmo de entrar para aquela família.

William havia lançado aquela bomba para atingir a irmã. Portanto, ele pareceu mortalmente decepcionado quando Saphir apenas cruzou os braços e o encarou com uma expressão de tédio, como se o irmão não tivesse acabado de falar nada demais.

- É verdade. – o rapaz insistiu, imaginando que Saphir duvidava da veracidade das suas acusações – A minha mãe estava grávida e perdeu o bebê. Ela estava sofrendo demais e o papai teve a “brilhante” ideia de te adotar. Basta olhar para um espelho. Você não pertence a esta família.

Saphir não precisava de um espelho para conferir algo que todos comentavam desde a sua infância. A garotinha loira de olhos azuis não tinha nenhum traço da família Wegener. Jonathan, Violet e William tinham os cabelos negros e olhos castanhos. Assim como o pai, Will tinha uma barriguinha saliente e o nariz afilado. O rapaz também herdara o formato dos lábios de Violet. Mas Saphir não tinha nem mesmo um traço em comum com o restante da família.

- Lamento muito te desapontar, William, mas eu já sabia.

- Sabia??? – Jonathan estava pálido como um fantasma quando encarou a filha.

- Está tudo bem, pai, isso não muda o amor que sinto pelo senhor.

- E nem a herança que vai receber por causa de um sobrenome que não merece. – William não desistiu da ideia de magoar a irmã.

- Ela merece muito mais do que você!

Os olhos do rapaz se arregalaram quando o pai se colocou de pé na sua frente. Mesmo depois de ter dado tantos problemas aos pais, William nunca havia visto tanta decepção no semblante de Jonathan quanto naquele dia.

- Saphir é uma Wegener. Ela é a minha filha. O corpo enterrado naquele cemitério não passa de um amontoado de ossos minúsculos. A alma da minha filha está aqui e eu não admito que você a trate desta maneira!

Para qualquer um que assistisse aquela cena, Jonathan soaria como um homem louco. Saphir, contudo, entendeu na mesma hora que as palavras do pai não eram apenas um desabafo vazio. Ali estava a única coisa que faltava para explicar a confusa história que unia os Wegener, os Fields e Annabeth Kendrick.

- Eu sou a filha deles. – a loira murmurou naquela noite, quando Alaric pulou a janela do seu quarto e a acomodou num abraço protetor – A filha que morreu antes mesmo de nascer. Foi esta a alma que a mãe da Summer colocou no corpo da vampira, Ricky. Era para eu estar morta.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Qui Nov 03, 2016 9:46 pm

- Você realmente acha que a pior coisa que pode acontecer é voltarem sem respostas? Não passou pela sua cabeça a possibilidade de não voltarem?

Era terrível estragar aquele momento tão especial com uma conversa tensa, mas Petrus não pretendia deixar que Summer partisse sem conhecer os perigos daquela ideia absurda. A filha dos Fields já havia demonstrado ser dona de uma magia poderosa, mas ela ainda precisava de treinamento e não teria a menor chance contra um bruxo mais experiente e mal intencionado.

Montgomery não ergueu a voz em nenhum momento, mas seu semblante fechado denunciava toda a sua insatisfação. Racionalmente o vampiro sabia que não tinha o direito de fazer um escândalo e dar ordens à menina só porque os dois tinham dormido juntos, mas Petrus também não estava disposto a colocar a vida de Summer em perigo apenas para poupar a inocência da menina. Por isso, a argumentação foi direta e Montgomery não fez questão de escolher palavras mais amenas.

- A pior coisa que pode acontecer é esse tal bruxo ser um desgraçado psicopata que vai torturar e matar você e o Kennedy. Depois ele virá atrás de nós com todas as informações que precisa para acabar comigo, com o Rick e com a Letitia. Então, ele terá livre acesso à Saphir, vai matá-la e vai ganhar a valiosa gratidão de uma vampira experiente e poderosa.

O vampiro também deslizou para fora do colchão e vestia somente as calças quando se colocou diante de Summer e segurou delicadamente a mão dela, impedindo o movimento da garota em enfiar mais uma peça de roupa dentro da mochila.

- É claro que eu sinto ciúmes do Kennedy. Já imaginei dezenas de maneiras de acabar com ele só pela forma como aquele imbecil olha para você. Mas este sentimento não supera a preocupação. Eu realmente acho que vocês estão se arriscando demais. Vocês dois não conheceram nem um por cento das barbaridades que eu já vi nas últimas décadas, Sum.

Com mais de noventa anos de existência e setenta anos inserido naquele bizarro mundo sobrenatural, Petrus já tinha experiência o suficiente para saber que não era uma atitude sábia depositar tanta confiança em um bruxo desconhecido. Summer tinha acesso apenas ao lado brando da bruxaria e não fazia ideia de que a magia poderosa dos bruxos poderia ser usada de formas impublicáveis.

Com a mão livre, Montgomery tocou o queixo da garota e ergueu suavemente o rosto dela, procurando pela atenção dos olhos azuis.

- Eu poderia passar o resto do dia enumerando todas as atrocidades que eu já vi bruxos fazendo, mas eu sei que você é teimosa como uma mula, então não vou perder o meu tempo. Só não me peça para ficar aqui de braços cruzados, apenas torcendo para que você volte inteira para mim.

Uma das sobrancelhas de Petrus se arqueou e o rapaz fez uma pausa mais prolongada antes de anunciar a sua decisão com uma entonação firme.

- Enfrente as panquecas da Letitia para ganharmos tempo. Eu só preciso de quinze minutos para pegar as minhas coisas em casa e voltar aqui. Eu vou para Boston com vocês dois.

Antes que Summer pudesse concluir que Montgomery tomara aquela decisão motivado apenas pelos ciúmes que sentia de Logan, o vampiro completou sua argumentação e afastou aquela hipótese.

- O imbecil lá embaixo não precisa saber que nós dois nos entendemos. Será uma viagem de negócios. Eu vou me manter afastado para não prejudicar o acordo com o tal bruxo, mas perto o suficiente para garantir que você voltará inteira para casa.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Nov 04, 2016 1:43 am

Alaric começava a se arrepender de ter se perguntado ao menos uma vez pela explicação lógica para a inegável semelhança entre Saphir e Annabeth. Era muito mais fácil acreditar que as duas eram idênticas apenas por um grande acaso do destino, mas ao mesmo tempo, era contar com uma sorte que não lhe era comum.

As palavras de Wegener não despertaram nenhuma surpresa em Montgomery. Era apenas mais uma peça inacreditável naquele quebra-cabeça monstruoso. Aquela era a explicação perfeita para o motivo dos Fields terem empurrado uma alma humana no corpo de um vampiro. Saphir apenas tivera o grande azar de cair no corpo de Kendrick.

A janela do quarto da menina estava entreaberta e a brisa fria que anunciava o inverno fazia as cortinas leves balançarem, provocando sombras no chão conforme a luz prateada do luar oscilava sobre o carpete.

Montgomery estava sentado na larga cama de Saphir, apoiando suas costas contra a cabeceira amortecida por uma pilha de travesseiros. O tronco de Wegener descansava contra seu peito e os braços de Alaric a envolviam de forma protetora. Um lençol cobria as pernas emboladas, mas nem mesmo o vento frio incomodava a pele normalmente gelada do vampiro.

Tantas décadas haviam se passado, Alaric já havia brincado com dezenas de corações enquanto procurava alguns momentos de diversão e uma quantidade de sangue que o sustentasse por algumas horas. Era quase uma piada que ele parecesse apenas um namoradinho adolescente que invadia o quarto da namorada durante a madrugada.

Mesmo diante daquela situação inédita em sua existência, nem por um segundo ele questionava a necessidade de se manter ao lado de Saphir, de protege-la não somente da ameaça de Annabeth, como dos próprios pensamentos.

- Você não morreu. – Alaric sussurrou junto ao ouvido dela, sentindo um arrepio com as próprias palavras. – Você está aqui, eu consigo escutar cada uma das batidas do seu coração.

Alaric se remexeu, obrigando Saphir a se deslocar do seu peito. Com cuidado, ele a deitou no colchão e seguiu seu gesto, mantendo-se de lado para não quebrar o contato com os olhos dela.

Durante alguns segundos, as íris cinzentas passearam pelos traços bonitos que haviam ganhado uma nova beleza com a alma de Saphir. Cada vez que encontrava a tristeza naqueles olhos azuis, Alaric sentia a urgência em ampará-la, de uma forma que nunca havia sentido antes.

- Não me venha dizer que os Fields interferiram no destino, que tudo na sua vida não deveria ter acontecido... Pois do mundo que eu venho, Saphir, magia também é destino. As coisas aconteceram exatamente como deveriam ter acontecido.

Ele ergueu uma das mãos e acariciou a pele macia e quente, se deliciando com os fios macios que tombavam e se espalhavam pelo travesseiro. Os dedos deslizaram pelos braços dela até encontrar uma pequena brecha da camiseta, tocando diretamente na cintura delicada.

O gesto, apesar de íntimo, não tinha nenhuma conotação sensual. Era apenas o desejo de se manter sempre ao alcance de Wegener, como se ela pudesse desaparecer a qualquer segundo e ele não tivesse aproveitado cada segundo ao seu lado.

- E se quer saber o que eu acho... Eu pelo menos me sentiria em casa. Não importa se o seu irmão é um demente com um cérebro menor que uma ervilha danificada pela maconha. Você está em casa. Eu daria qualquer coisa para ter essa sensação outra vez.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Nov 04, 2016 2:20 am

Os lábios de Summer se curvaram em um biquinho e ela soltou o ar lentamente. Com os olhos azuis atentos, ela encarou o interior do carro, quase podendo sentir a tensão no ar. Nem mesmo a música baixinha que saía do rádio era capaz de quebrar o silêncio mortal, prolongado por quase duas horas desde a partida de Bar Harbor.

A paisagem começava a mudar, deixando as altas árvores e os lagos para trás. Era questão de tempo até que os altos prédios de Boston começassem a surgir, mas nem mesmo a expectativa de conhecer um lugar novo minimizava a tensão instalada dentro do carro.

Ao volante, Logan não havia dito uma única palavra desde que perdera a batalha para que Petrus os acompanhassem naquele final de semana. Montgomery, no banco de trás, parecia contribuir com a ideia de “apenas negócios”, poupando os ouvidos humanos de piadas e provocações. Por mais constrangedor que fosse aquele silêncio, Summer sabia que ainda era melhor do que o derramamento de sangue que poderia acontecer se um dos dois abrisse a boca.

- Então... Como é Boston?

O silêncio no carro era tão profundo que a voz de Summer soou assustadoramente alta. Os olhos esverdeados de Logan deslizaram da estrada para o retrovisor, se certificando de que Petrus continuava ali, para seu completo desagrado. Por um instante, a menina achou que ficaria sem resposta, mas logo os lábios do bruxo se curvaram em um sorrisinho.

- É quase tão bonita quanto Bar Harbor. Só que com prédios altos, algumas buzinas e poluição. – O olhar de Logan se encontrou com o da Bruxa antes que ele completasse. – Você vai gostar. O meu amigo ficou de receber a gente para o almoço. Se conseguirmos resolver logo tudo, podemos passear o restante do dia.

A ideia de visitar um lugar diferente da pequena cidade era animadora e o rosto de Summer começava a se iluminar com um sorriso empolgado quando ela se virou para o banco de trás. Logan não havia feito nenhum comentário malicioso, mas Fields se sentia como se estivesse provocando Petrus com aquela conversa.

Com um pigarro, ela voltou a se acomodar no banco do carona e encarou a estrada a sua frente. Eles ainda percorreram por quase meia hora antes de finalmente estacionarem em uma rua mais afastada do centro.

Os prédios eram colados um ao outro, e mesmo para uma cidade relativamente grande, Summer precisou admitir que Boston tinha o seu charme. A arquitetura daquele bairro mais afastado era composta por prédios de tijolinhos e ruas mais estreitas, mas ainda assim era muito mais movimentado do que a pequena Bar Harbor.

O hotel estava quase escondido entre os prédios, e seu interior era ainda mais discreto. Não havia nenhum luxo, mas o local estava limpo e um pouco escuro, criando um clima acolhedor com as lâmpadas amareladas das luminárias mais baixas.

- Vamos deixar as coisas e procuramos o Marcel. Ele é dono de um pub dois quarteirões daqui e ficou de nos encontrar lá.

Summer concordou prontamente, disposta a embarcar naquela aventura, cada vez mais envolvida com o clima de Boston. Era a primeira vez que ela deixava Bar Harbor para visitar uma cidade grande e era como estivesse experimentando um pouquinho do sonho que estava cada vez mais perto de se tornar realidade.

A menina já havia subido as escadas em direção ao corredor dos quartos quando Logan adiantou os seus passos e parou em frente a Petrus, impedindo que ele seguisse pelo mesmo caminho. O olhar de desgosto que o bruxo lançava mostrava que ele não tinha medo de iniciar uma briga com o vampiro, principalmente por estarem em um local público.

- Eu não sei no que você estava pensando, Montgomery. Mas cai na real... Vir atrás da Summer como um cachorrinho não vai mudar nada entre vocês.

A voz de Logan estava contida, mas ele articulava cada uma das palavras com frieza, movimentando os seus lábios para enfatizar seus pensamentos.

- Vocês dois não têm a menor chance juntos. Então é melhor desistir antes que você acabe colocando ideias erradas na cabeça dela. A Sum é uma garota incrível e merece um cara de verdade. Não um zumbi, um sanguessuga que quer o sangue dela tanto quanto um beijo. – Uma das sobrancelhas grossas de Logan se ergueu e ele olhou rapidamente em direção ao corredor por onde Summer havia desaparecido. – As garotas adoram essas historiazinhas de romance, mas francamente? As coisas não são tão bonitas quando você é uma aberração e ela tem todo um futuro pela frente. O que você vai fazer quando ela quiser ter filhos? E se você acha que é cedo demais para pensar neste assunto, é melhor ter um plano definido antes de arrastá-la para isso que você chama de vida.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Sex Nov 04, 2016 8:17 pm

A janela do quarto continuava entreaberta quando os olhos azuis da garota se abriram na manhã seguinte. O céu lá fora estava nublado, mas a claridade da manhã era o suficiente para iluminar o quarto de Saphir. Ainda sonolenta, a filha do prefeito bocejou e esfregou os olhos antes de rolar pela cama em busca de mais alguns minutos amparada pelos braços de Alaric. Para a sua imensa frustração, contudo, o outro lado do colchão estava vazio.

O lençol amassado, o discreto perfume masculino impregnado nos lençóis e um fio de cabelo curto sobre o travesseiro denunciavam que a presença do vampiro ali naquela madrugada não fora apenas um sonho. A mão de Saphir deslizou sobre o espaço ocupado por Ricky, mas o corpo gelado do vampiro não permitia que a menina sentisse o calor residual que indicaria que Montgomery saíra há poucos minutos.

Um gritinho assustado escapou da garganta de Saphir quando a porta se abriu subitamente. Lucilla a encarou com os olhos arregalados e indicou a farta bandeja de café da manhã que trazia em suas mãos.

- Sou só eu com o seu café. Você não era tão assustada assim, menina!

- Eu acho que ainda não tinha terminado de acordar, desculpe...

A loira forçou seu melhor sorriso para que a governanta não desconfiasse que seu susto era voltado para o medo de ser pega no flagra com um rapaz dentro do quarto. Saphir não era mais uma criança, mas ela realmente preferia não expor tanto a sua intimidade com Ricky dentro da casa dos Montgomery.

- Café da manhã na cama? – Saphir pegou a bandeja e a acomodou em seu colo antes de agradecer a velha governanta com um beijo na bochecha – Nem é meu aniversário! Por que está me mimando assim, vovó Lu?

O rosto envelhecido de Lucilla perdeu as cores e Saphir já imaginava aquela resposta quando a governanta abriu a boca, tentando escolher as melhores palavras.

- Eu achei que você poderia estar triste... seu pai me contou sobre a discussão com o William ontem.

Saphir chegava a se sentir culpada pela preocupação dos demais. Todos estavam angustiados com a possibilidade da garota ficar arrasada com a “adoção”, mas a loira não podia dizer a eles que aquele problema não a abalava simplesmente porque sua cabeça tinha dilemas maiores. Jonathan provavelmente não sabia de onde viera o corpo que acomodava a alma de sua filha e era melhor que continuasse sem saber que Annabeth Kendrick dividia espaço com Saphir.

- Eu estou bem, vovó Lu. Na verdade, eu já tinha pensado nessa possibilidade, então não foi exatamente um choque. E este é só um detalhe que não muda o fato de eu fazer parte desta família. Eu ainda amo vocês da mesma maneira.

Um sorriso emocionado surgiu nos lábios de Lucilla quando ela foi incluída no discurso da garota, como parte da família que Saphir amava. Com um semblante mais aliviado, a governanta caminhou até a janela enquanto Wegener misturava um pouco do creme em seu café forte.

- Está tão frio lá fora! Não sei como consegue dormir com a janela aberta, menina!

Saphir mordeu suavemente o lábio inferior enquanto sua mente pensava na resposta que Lucilla não poderia ouvir. A moça tomou um gole do café e mantinha uma expressão divertida no rosto quando respondeu com uma brincadeira cheia de segundas interpretações que a governanta não compreenderia.

- Eu tenho adorado dormir no frio.

Depois do café da manhã farto, Saphir tomou um banho demorado. Seus cabelos ainda estavam úmidos quando a loira saiu do banheiro e mandou uma mensagem de bom dia para o celular de Alaric. Antes que ela pudesse receber uma resposta, o som do telefone da sala ecoou até o segundo andar, seguido pela voz de Lucilla atendendo à chamada.

Em menos de dois minutos, a governanta estava de volta ao quarto de Saphir, desta vez trêmula e pálida como um fantasma. A loira terminava de calçar suas sapatilhas quando voltou os olhos azuis para Lucilla.

- Era do hospital de Tremont. Parece que o William sofreu um acidente e o levaram para lá.

Nenhuma mágoa impediria Saphir de socorrer o irmão naquele momento. O fato de William ter sido levado para o hospital da cidade vizinha – que era maior e tinha mais recursos que o único hospital de Bar Harbor – já era um sinal claro que, daquela vez, não era apenas uma bebedeira ou uma briga na rua.

A aflição de Saphir foi tão grande que a garota saiu de casa deixando para trás o celular. O aparelho abandonado sobre o criado-mudo recebeu várias ligações e mensagens ao longo de todo aquele dia, mas nenhuma delas foi respondida.

O céu sobre Bar Harbor já estava escuro quando Saphir retornou para a cidade. Não era possível enxergar nenhuma estrela naquela noite porque as nuvens daquela manhã tinham se transformado em uma tempestade ao longo do dia.

O Honda Civic foi estacionado ao lado do Volvo preto parado em frente ao casarão dos Montgomery. Sem se importar com a chuva que desabava do céu, Saphir saiu do veículo e caminhou com passos firmes até a porta da frente, anunciando-se com batidas fortes na madeira antiga.

Quando Alaric abrisse a porta, encontraria a filha do prefeito ensopada. Os cabelos loiros molhados pareciam mais escuros que o normal e o vestido estampado de mangas compridas havia ficado colado no corpo de Wegener. Mas o detalhe mais chocante da aparência de Saphir foi a expressão profundamente magoada e decepcionada com a qual ela encarou o rapaz que, até aquela manhã, ainda lhe arrancava suspiros.

- Eu não acredito que você teve coragem de fazer isso. Eu nunca vou te perdoar se ele morrer, Alaric!

William estava sedado e, portanto, sem condições de apontar o seu agressor. Mas Saphir só precisou olhar o irmão por um minuto para ter certeza de que aquela não fora uma briga comum. Os ferimentos espalhados por todo o corpo do rapaz se assemelhavam muito a mordidas de um animal selvagem e a preferência pelo pescoço denunciava a espécie responsável pelo ataque.

Teoricamente, só havia dois vampiros em Bar Harbor. Petrus Montgomery nem conhecia William Wegener e tinha Summer e Logan como testemunhas de que ele sequer estava na cidade naquela manhã. Por outro lado, Alaric Montgomery tinha feito ameaças graves ao filho do prefeito há pouco tempo e não estava na cama de Saphir quando a menina acordara naquela manhã.

- Eu não sei onde eu estava com a cabeça quando confiei em você! Não me procure nunca mais, eu não posso te perdoar por esta monstruosidade!
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Sex Nov 04, 2016 9:05 pm

Petrus já esperava por aquele comportamento de Logan no instante em que Summer se afastou e deixou os dois rapazes para trás. O clima pesado que perdurou toda a viagem só confirmava que o bruxo ainda não havia engolido aquela mudança no roteiro e que estava frustrado pela presença de Petrus atrapalhar parte dos planos que motivavam a viagem para Boston.

É claro que havia um bruxo poderoso na cidade e que Logan havia planejado a viagem com o intuito de ajudar Saphir. Mas Montgomery não tinha a menor dúvida de que o rapaz queria unir o útil ao agradável e desejava usar o passeio como uma desculpa para se aproximar mais da filha dos Fields.

Ao invés de se enfurecer com as acusações de Logan, os lábios de Petrus se curvaram num sorrisinho divertido quando o bruxo afirmou que ele não tinha a menor chance com Summer. As memórias ainda vívidas da última noite eram fortes demais para que Montgomery permitisse que aquelas palavras o assombrassem.

Com uma expressão tranquila e com os braços cruzados em frente ao peito, o vampiro esperou pacientemente que Logan terminasse aquele discurso e só então tomou a palavra com a voz contida e uma entonação anormalmente calma.

- Vamos por partes, certo? São muitas coisas que precisam ser esclarecidas aqui.

Como se fosse um especialista explicando algo de sua área para um garotinho tolo, Petrus usou uma entonação pausada e paciente enquanto respondia às acusações do bruxo a sua frente.

- Em primeiro lugar... Se Summer e eu não temos nenhuma chance juntos, por que você está tão irritado e intimidado com a minha presença?

Antes que Logan tivesse a chance de responder, o vampiro continuou com a voz mais firme, num sinal claro de que ele não admitiria ser interrompido. Mas não era somente a entonação de Montgomery que passava aquele recado. A consciência de Logan se manteve intocada, mas seu corpo foi paralisado pela hipnose do vampiro. Assim como Petrus esperara pelo fim do discurso de Kennedy, ele agora exigia que o bruxo também escutasse o que ele tinha a dizer até o fim.

- Você não precisa me falar que a Summer é incrível. Pode ter certeza de que eu conheço as qualidades dela e que dou a ela todo o valor que a Sum merece.

A acusação sobre desejar o sangue de Fields era incomodamente verdadeira, mas depois da última noite Petrus se sentia mais seguro para enfrentar aquele problema. Mesmo inebriado pelo momento, ele havia resistido à tentação de cravar seus dentes no pescoço da menina e isso era a prova de que não era somente o sangue de Summer que importava para ele.

- Viva mais algumas décadas antes de achar que sabe o que se passa na minha cabeça, Kennedy. Você não sabe nem o que se passa na cabeça da Summer, senão não usaria essa bobagem como argumento.

Os lábios de Montgomery se curvaram num sorriso de superioridade e ele lançou um olhar breve na direção na qual Summer havia desaparecido antes de continuar o seu discurso.

- Qual futuro você imagina para a Sum? Uma dona de casa de Bar Harbor que eventualmente se diverte praticando magias bobas no porão de uma casa pequena? Uma esposa com dois ou três filhos, preocupada com serviços domésticos e com o fechamento das contas do mês?

Aquela era a vida que muito provavelmente Logan daria à garota se os dois se casassem. Seria uma rotina feliz, mas a questão era que Summer estava desesperada para fugir daquela vida.

A filha dos Fields tinha potencial para se tornar uma bruxa poderosa, para sair daquela cidade pequena e para construir o seu futuro de forma independente. Summer já havia deixado claro que não se importava com as tradições e que queria desesperadamente escapar daquela rotina pacata que a sufocava em Bar Harbor.

- Se você realmente acha que estabilidade, filhos e rotina fazem parte das prioridades da Summer, você precisa conhecer melhor a sua amiga.

A palavra “amiga” foi reforçada, como se assim Montgomery quisesse deixar claro que aquele seria o único papel de Summer na vida do bruxo. Para provocar ainda mais Logan, Petrus deu dois tapinhas amigáveis no topo da cabeça do rapaz, como se estivesse recompensando um garotinho pelo bom comportamento.

Só quando o vampiro já estava no meio do corredor que levava até os quartos, o corpo de Logan foi libertado daquela hipnose. Mesmo se apressasse seus passos, o bruxo não chegaria ao corredor a tempo de ver que, ao invés de entrar no próprio quarto, Petrus escolheu o cômodo alugado para Fields.

A porta do quarto foi trancada e Petrus deixou sua mochila num canto antes de tomar Summer em seus braços. Os dois aliviaram o desejo reprimido por mais de duas horas de viagem com um beijo longo, que foi interrompido por um selinho carinhoso quando a garota começou a ficar ofegante.

Diante de Logan, o vampiro havia demonstrado uma tranquilidade que ele não sentia. Petrus jamais deixaria que o bruxo notasse que aquelas palavras o abalavam, mas a verdade é que Montgomery sabia que não podia dar à Summer toda a felicidade que ela merecia.

Por isso, havia uma ruguinha de angústia entre os olhos escuros do vampiro quando ele segurou o rosto de Summer entre as palmas de suas mãos e buscou pelo olhar de Fields.

- Vamos resolver logo este problema da Saphir para nos concentrarmos novamente na cura. Agora, mais do que nunca, eu tenho urgência em me livrar desta maldição.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Nov 23, 2016 2:54 am

Os prédios eram todos altos e o barulho era intenso. Diversas pessoas passavam apressadas e, de uma rua a outra, toda a arquitetura mudava, como se também estivessem voltando no tempo para construções mais antigas e aconchegantes.

No caminho até o local combinado para o encontro com o amigo de Logan, os três jovens passaram por uma grande praça arborizada e Summer ficou ainda mais encantada com a diversidade das pessoas.

Um homem gordinho e baixinho vendia pipocas em uma carrocinha. Uma mulher vestida de branco cuidava de três crianças que brincavam no chão e um senhor de mais idade estava sentado ao banco, alimentando pombos. Ainda assim, outras pessoas passavam apressadas ao redor, como se toda aquela calmaria fosse incapaz de atingi-las. Uma mulher elegante, vestida com um terninho, passou pendurada ao telefone, como se estivesse em outro universo. Um rapaz de skate fez uma manobra radical e espantou alguns pombos.

Eram detalhes pequenos e aleatórios, mas era tudo tão diferente do que Summer estava acostumada a ver em Bar Harbor que era impossível simplesmente seguir o seu caminho sem prestar atenção no máximo que conseguisse. Foi por ainda estar mergulhada na interação de uma modelo durante uma sessão fotográfica em um dos pontos mais floridos do parque que Summer quase se perdeu dos dois rapazes.

- Sum? – A voz de Logan soou, obrigando a menina a se virar para encará-lo, alguns metros mais a frente. – Não fique longe demais, você pode se perder. Não estamos mais em Bar Harbor.

Fields sentiu as bochechas corarem e se sentiu como uma criança que não deveria soltar da mão dos adultos em uma rua movimentada. Apesar de se sentir incomodada por ser tratada como se fosse incapaz de se virar em uma cidade grande, ela apressou o passo até andar lado a lado aos rapazes, lançando um breve olhar na direção de Petrus.

O local marcado para o encontro ficava em uma das ruas com a arquitetura mais antiga. O bar era quase escondido e estava com pouquíssimos fregueses quando o trio entrou. Os olhos claros de Summer precisaram de alguns instantes para se adaptar, contrastando a claridade do dia do lado de fora com a penumbra que predominava no interior do bar.

Logan enfiou as mãos nos bolsos e vasculhou as mesas com o olhar até se fixar em um ponto, imediatamente abrindo um sorriso de reconhecimento. Sem dizer nada, ele liderou o caminho até o fundo do bar, onde um homem negro estava sentado diante de uma grande caneca de cerveja.

- Um pouco cedo para beber, não?

O comentário de Logan fez com que os olhos escuros do homem fossem erguidos até encontrar o rosto do bruxo mais jovem. Assim como Logan, o desconhecido abriu um largo sorriso e devolveu a caneca à mesa para ter as mãos livres ao envolver o velho amigo em um abraço.

- É sempre Happy Hour em algum lugar do mundo.

Summer observou atentamente enquanto os dois terminavam de se cumprimentar. O amigo de Logan era alto e parecia alguns anos mais velho. A pele era negra e os cabelos curtos. O corpo magro estava coberto por roupas comuns, e se tivesse se encontrado com ele na rua, Fields jamais teria imaginado que se tratava de um bruxo.

- Finn, essa é a Summer, de quem lhe falei. – Logan apoiou as mãos nas costas de Summer, a encorajando a se apresentar. – Sum, este é Finn Sawyer.

- A herdeira dos Fields? Você não estava brincando, Logan... ela é mesmo muito bonita.

Os olhos astutos de Finn estudaram Summer como se ele estivesse realmente interessado em conhece-la, e um arrepio subiu na nuca da menina, como um pressentimento ruim. Como não havia nada que justificasse ser hostil com o bruxo, Summer abriu o seu sorriso mais gentil e esticou a mão para apertar a dele.

- Obrigada por nos receber, Sr. Sawyer.

Logan deslizou para uma das cadeiras e Summer imitou o seu gesto, recebendo um sorriso com uma perfeita fileira de dentes brancos quando o homem voltou a atenção para a sua cerveja.

- Sr. Sawyer é o meu pai. Por favor, me chame de Finn. – Ele deu um rápido gole em sua bebida antes de erguer os olhos mais uma vez, agora se fixando em Petrus.

Finn estreitou o olhar e uma sombra cobriu o seu rosto, ficando nitidamente tenso. Ao invés de dirigir a Petrus o mesmo cumprimento simpático, o homem voltou sua atenção para Logan, como se o vampiro fosse incapaz de responder por si.

- Você não avisou que traria mais amigos. Até porque eu não fazia ideia que você andava se misturando com os sanguessugas.

A cabeça de Summer se ergueu rapidamente e ela procurou pelo olhar de Petrus, sentindo todo o seu corpo ficar tenso. Logan, ao seu lado, também se endireitou na cadeira e a menina quase podia ouvir sua mente gritar que ele não tinha nenhum tipo de amizade com Montgomery.

- Foi uma mudança nos planos de última hora, Finn. Não achei que você fosse se incomodar.

- Ele está comigo.

A voz de Summer soou com mais convicção do que ela esperava, o que fez com que os três pares de olhos se voltassem para ela. Petrus tinha total capacidade de se defender sozinho, mas Summer se via na obrigação de resolver aquele embate da melhor forma possível.

- Se ele não é bem-vindo, então foi um erro aparecer aqui hoje. Obrigada pelo seu tempo, Sr. Sawyer.

A cadeira de Summer se arrastou quando ela se colocou de pé, sentindo o coração acelerar diante daquele blefe. Ela precisava defender Petrus, mas também não queria dar por encerrado aquele breve encontro e voltar para Bar Harbor com as mãos vazias. Por sorte, apenas o vampiro seria capaz de escutar o seu descontrole.

Finn a estudou mais uma vez antes de curvar os lábios em um sorriso e deixar escapar uma sonora gargalhada. Ele voltou a dar um gole em sua bebida e apontou a cadeira vazia para que Petrus se sentasse.

- Você definitivamente é filha da sua mãe, bruxinha. Reconheço essa ousadia há quilômetros.

O foco de Summer imediatamente mudou e a postura firme se tornou curiosa. Arqueando as sobrancelhas finas, Summer deixou que as palavras saltassem de sua boca sem o menor filtro.

- Você conheceu a minha mãe?

- Tá brincando? – Finn soltou uma nova risada, quase com um tom nostálgico de quem compartilha uma velha história. – Eu aprendi muito com os seus pais, garota. Grandes bruxos, sem a menor dúvida. Uma grande tragédia o que aconteceu. Foi uma perda para toda a comunidade bruxa.

- Aprendeu o bastante para nos ajudar, Finn? – Logan interrompeu, antes que o foco da conversa se desviasse do real objetivo.

Finn se recostou em sua cadeira e encarou o amigo por um longo tempo. Como o silêncio se prolongou, Logan voltou a tomar a palavra, explicando mais uma vez o que havia levado os três jovens de Bar Harbor até Boston.

- Você já ouviu falar de algum tipo de possessão... em vampiros?

O bruxo mais velho imediatamente pousou seu olhar em Petrus, mas Logan sacudiu a cabeça para espantar aquela ideia do amigo.

- Não, não é ele. Mas conhecemos alguém. E precisamos separar o vampiro e o humano. Acha que é possível?

A cadeira de Finn rangeu quando ele se inclinou para frente, apoiando os dois cotovelos sobre a mesa para sussurrar em direção dos três convidados. O bar estava quase vazio, mas ainda assim o bruxo parecia tomar cuidado para que ninguém ouvisse aquela conversa particular.

- O que exatamente vocês estão aprontando em Bar Harbor?

Um novo silêncio caiu sobre a mesa enquanto nenhum deles tinha coragem para revelar o segredo de Saphir. A voz de Petrus ecoava em sua mente como um alerta, mas Summer não queria voltar com as mãos vazias. Se Finn precisava de mais informações para ajudar, Fields não ficaria com os braços cruzados.

- Temos uma teoria de que meus pais prenderam uma alma humana no corpo de um vampiro. – Summer cuspiu, sem ao menos piscar. Ela sentiu o olhar de Logan e Petrus em sua direção, mas não desviou sua atenção de Finn. – Precisamos separá-las sem prejudicar a humana. Acha que consegue ajudar nisso, Finn?

O queixo de Finn despencou, mostrando que ele definitivamente não esperava por aquela revelação tão direta. Uma nova risada escapou, ainda com a surpresa estampada em seus olhos profundamente negros.

- Eu sabia que a Rachel e o Albert andavam brincando com coisas sérias demais, mas isso? Uau!

- Então você sabe sobre a cura? – Mais uma vez as palavras saltaram da boca de Summer como se tivessem vida própria.

Ao perceber o interesse da menina, os lábios de Finn se curvaram em um sorriso malicioso de quem escondia algum segredo.

- O que exatamente vocês estão procurando? Um exorcismo ou a cura? – Ele estreitou o olhar ao encarar Petrus mais uma vez. – Não me diga que o seu amigo aqui cansou de ser um sanguessuga?

- Finn! – Logan chamou, encarando o amigo com seriedade. – Você consegue nos ajudar ou não?

- Talvez.

O coração de Summer deu um salto. Era vago, uma possível mentira ou simplesmente uma enrolação. Mas ainda era muito mais do que ela tinha até então.

Finn deu o último gole em sua cerveja e apoiou a caneca vazia sobre a mesa com um pequeno estrondo. Ele lambeu os lábios e ergueu uma das mãos em sinal para o barman. Em um primeiro momento, Summer pensou que o bruxo estivesse apenas pedindo mais uma rodada da bebida, mas o arrepio em sua nuca voltou a acontecer quando o homem saiu de trás do balcão e caminhou até a porta do bar, trancando-a.

As poucas mesas que estavam ocupadas começaram a se mexer e os clientes, um por um, se levantaram. A luz do dia estava completamente bloqueada, mas os olhos de Summer já haviam se acostumado a pouca iluminação das lâmpadas amareladas para captar quando começaram a ser cercados.

- O que está acontecendo? – Logan deu um salto de seu lugar, fazendo com que a cadeira virasse para trás até tombar no chão.

- Eu não sei muito sobre possessões vampirescas. Seus pais gostavam de brincar de deuses, garota.

Os clientes se aproximavam cada vez mais, e logo as presas estavam expostas, revelando mais de meia dúzia de vampiros. Summer deu um passo para trás e agarrou a mão de Petrus, instintivamente.

- Mas a cura? Bom, eu não posso deixar que esse perigo volte a se espalhar pelo mundo. Seus pais pagaram o preço. É minha responsabilidade manter a ordem do sobrenatural. Não podemos simplesmente sair transformando criaturas por aí, você não entende?

- Summer? – Logan chamou, ignorando o discurso de Finn. – Nós conseguimos derrubá-los, Sum. Você só precisa se concentrar.

- Um ou outro, talvez! Mas não todos eles, Logan!

- Quanto a você, sanguessuga... – Finn continuava sentado enquanto os três jovens se uniam, tentando escapar dos vampiros que se aproximavam cada vez mais. – Deveria se envergonhar por querer escapar da sua natureza. Nós somos o que somos. É assim que as coisas funcionam. Você não pode simplesmente estalar os dedos e fingir que não é mais um sanguessuga só porque uma poçãozinha é capaz de fazer o seu coração bater outra vez. Você deveria ser como os meus amigos aqui... abraçar a sua verdadeira natureza.


- Qual é, Finn! Nós somos amigos há anos! – Logan quase precisava gritar, ficando cada vez mais vermelho diante do perigo.

- Eu sinto muito, Logan. Mas você não deveria entrar na minha casa e pedir coisas tão absurdas. Minha magia jamais vai ser usada para dar a vida a um vampiro. Mas é claro que tinha que ter o dedo de uma Fields nesta história outra vez. Mais sangue bruxo vai ser derramado por causa dessa podridão.

- Você armou para os meus pais. – Summer estreitou os olhos, repentinamente se esquecendo da ameaça eminente dos vampiros que se aproximavam.

Ignorando aquela acusação direta, Finn se dirigiu mais uma vez para Petrus.

- Você quer brincar de ser humano outra vez? Talvez você tenha esquecido como realmente é.

Finn ergueu a mão e deslizou o indicador junto ao polegar, roçando-os em movimentos circulares. Os lábios dele quase não se mexiam, mas Summer sabia que ele estava realizando algum feitiço. Ela só compreendeu o que realmente estava acontecendo quando Petrus cambaleou para frente, apoiando as duas mãos sobre a mesa. Um filete de sangue escorregou pelo nariz do vampiro e pingou sobre o tampo de madeira.

- Vamos ver como você se sai como um frágil humano pelas próximas vinte e quatro horas. Claro, se você sobreviver até lá.

O bruxo finalmente se colocou de pé e deu as costas ao trio, deixando-os completamente cercado pelos vampiros. Quando ele desapareceu pela porta traseira, o primeiro ataque ocorreu.

Logan foi arremessado para trás até atingir a parede sólida, deslizando até cair sentado no chão. Um dos vampiros agarrou Petrus pelo tecido da camisa e também o arrastou como se não pesasse nada, jogando-o em direção ao balcão. Summer só conseguiu nocautear um vampiro com o movimento da mão em um ágil feitiço, apenas para no segundo seguinte também ser arremessada, caindo contra a prateleira onde ficavam as bebidas e fazendo o vidro espalhar pelo chão.

A dor em suas costas foi indescritível e ela precisou de alguns segundos para conseguir recuperar a consciência. Quando voltou a erguer as pálpebras e revelar os olhos azuis, encontrou Logan e Petrus já de pé, tentando duelar contra os vampiros que ainda restavam.

Summer não tinha tempo para processar, mas se espantou quando encontrou um corte na testa de Petrus, o sangue escorrendo como se ele fosse um humano que era facilmente ferido. Sua primeira reação foi tentar se colocar de pé, mas a dor que subiu pelo tornozelo e o arroxeado na área indicava que ela provavelmente havia provocado alguma fratura em seus ossos durante a queda.

O braço direito de Fields estava inteiramente cortado pelo vidro e o sangue manchava a blusa branca de cetim que ela vestia, assim como a calça jeans. Ela se sentiu impotente por alguns segundos, sem conseguir enfrentar aquela briga, até perceber que Logan ainda conseguia derrubar alguns vampiros com a magia.

Ainda caída sobre os vidros, Summer usou toda a sua concentração para a magia. Ela já vinha praticando há meses, mas nunca havia realmente precisado dos feitiços como naquele momento. Foi uma grande surpresa quando a adrenalina serviu apenas como um combustível a mais, e não como uma distração.

Tudo aconteceu rápido demais, ao mesmo tempo que parecia uma eternidade. Ela ainda não tinha certeza de como eles haviam conseguido escapar, mas as feridas que cada um dos três carregava quando se reunirão no quarto do hotel, já no fim daquele dia, mostrava que não havia sido apenas um pesadelo.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Qua Nov 23, 2016 9:15 pm

O constrangimento de Logan era tão profundo que o rapaz não conseguia encarar os outros dois colegas a sua frente ao fim daquele longo dia. Era notável que o bruxo estava profundamente arrependido por ter insistido tanto naquele plano arriscado. Logan estava certo de que Finn era um amigo confiável que poderia ajudá-los, mas no fim das contas os três tinham sorte de ainda estarem vivos.

Vivos, mas não inteiros. Quando os três se reuniram no quarto de Fields, ficou muito claro que nenhum deles tinha saído ileso daquela emboscada. Nem mesmo um banho e roupas limpas amenizavam a imagem dos cortes e hematomas que se espalhavam pelos corpos deles.

Era de se esperar que Petrus Montgomery estivesse bem depois daquele ataque, mas o feitiço de Finn o deixara ainda mais vulnerável que Logan e Summer, já que os dois últimos ainda tinham a magia para se defenderem. O vampiro, por outro lado, havia lutado apenas com a força irrisória de um humano comum.

- Nada que eu disser será bom o bastante para expressar o meu arrependimento. Eu lamento muito por isso. Eu realmente achei que ele era um bom amigo que poderia nos ajudar.

Quando a voz de Logan finalmente quebrou o silêncio sepulcral do quarto, o bruxo já esperava pelas piores reações possíveis. Summer tinha todo o direito de surtar já que ele a deixara totalmente exposta diante de um bruxo perigoso e de um grupo de vampiros nada amigáveis. E ninguém poderia julgar Montgomery caso o vampiro jogasse na cara de Logan o fato de que alertara várias vezes sobre a chance daquele plano fracassar.

Aliás, Logan tinha tanta certeza de que Petrus conduziria um turbilhão de acusações inflamadas para cima dele que ficou surpreso com o retorno do silêncio. A surpresa do bruxo foi tão grande que ele ousou erguer a cabeça para encarar o rapaz a sua frente. Ao invés de um vampiro furioso, Logan encontrou um Petrus em estado de choque. O olhar distante e o ritmo meio caótico da respiração de Montgomery motivaram a pergunta, que soou com uma entonação sinceramente preocupada.

- Você tá legal, Montgomery?

A menção ao seu nome trouxe Petrus de volta à realidade. Depois de piscar algumas vezes, Montgomery finalmente conseguiu ajustar a imagem de Logan em seu campo de visão, mas a expressão confusa deixava claro que o vampiro não tinha ideia do que o outro rapaz acabara de dizer. Por isso, Logan não viu outra saída senão repetir a pergunta.

- Eu perguntei se você está legal...

- Eu estou ótimo.

Ninguém que olhasse para Petrus concordaria com a resposta dada pelo rapaz. Ele parecia profundamente abatido depois daquele dia sem fim. A pancada forte na testa agora exibia um corte avermelhado cicatrizado, rodeado por uma enorme área com um hematoma inchado e dolorido. Seus braços estavam cobertos por arranhões e o inchaço em um dos dedos da mão direita provavelmente escondia uma fratura mais séria.

Além da dor e das marcas da briga, Montgomery também precisava lidar com fraquezas humanas que ele simplesmente havia desaprendido depois de tantas décadas como vampiro. Antes, Petrus se obrigava a fazer incursões respiratórias somente quando sentia que alguém estava o observando. Agora, contudo, mesmo contra a sua vontade, seu peito se movia e o ar entrava sem que ele estivesse programando a respiração.

Como vampiro, era muito raro que Montgomery sentisse dor. Naquele dia, porém, cada pequeno movimento lhe despertava a sensação de que seu corpo havia sido triturado repetidas vezes por um rolo compressor gigante. Se antes Petrus estava acostumado com a temperatura baixa da própria pele, agora precisava lidar com o calor do sangue bombeado pelo coração e com uma discreta febre provocada pela quantidade exagerada de ferimentos.

- Cara, a última coisa que você parece é estar ótimo. Vou preparar alguma poção para amenizar a dor. E acho que consigo dar um jeito nesse dedo com um feitiço.

A oferta de Logan refletia uma preocupação sincera, mas também era uma forma de tentar se redimir por aquela tragédia. O bruxo não pretendia ganhar a amizade de Montgomery e Summer estava ali para relembrá-los da velha rivalidade, mas Logan não escondia a culpa por quase ter causado a morte dos dois colegas naquele dia.

Era bizarro, mas Petrus nem por um momento pensara em reclamar da dor que sentia. A dor, a respiração descompassada, a febre e o dedo quebrado eram as provas de que ele havia voltado a ser um humano, como tanto desejava. Aquelas sensações desagradáveis eram um preço muito baixo a ser pago em troca da sensação de ser novamente um rapaz normal. A única frustração de Montgomery era saber que o feitiço tinha um prazo de validade e que, em algumas horas, ele perderia aqueles privilégios.

- Eu estou um pouco tonto.

A voz de Montgomery soou mais firme, mas a entonação deixava claro que aquilo não era uma reclamação. Ele só estava confuso com aquelas sensações que não experimentava há décadas.

- Tenho a impressão de que as luzes se apagam quando eu movimento a cabeça mais rápido. Minhas mãos estão meio trêmulas também...

Para comprovar suas palavras, Petrus esticou as mãos, mostrando aos dois bruxos a forma como seus dedos tremiam levemente quando ele os estendia. Aqueles sintomas, somados às gotículas de suor frio que salpicavam a testa de Montgomery, guiaram Logan na direção de uma hipótese que era totalmente óbvia para ele, mas não para alguém que vivera as últimas décadas como vampiro.

- Você comeu alguma coisa depois que chegamos ao hotel?

A expressão surpresa de Petrus dispensava a necessidade de uma resposta verbal. Logan respirou fundo antes de pegar um pacote de salgadinhos dentro da própria mochila e jogá-lo no colo do vampiro. O frigobar foi aberto e o bruxo pegou uma latinha de refrigerante para Montgomery enquanto explicava o óbvio.

- Você só está com fome, cara.

Tanto tempo havia se passado desde a transformação que Petrus realmente não se lembrava mais da sensação de sentir fome ou sede. A sede por sangue era um instinto totalmente diferente daquela necessidade sufocante que foi amenizada quando o rapaz tomou um longo gole da Coca-Cola.

Ao contrário de suas experiências como vampiro, não foi uma tortura para Petrus experimentar a comida humana. Naquele dia, o refrigerante e o pacote de Doritos foram encarados como um banquete maravilhoso que o vampiro atacou como se não comesse há anos. O pacote de salgadinhos foi esvaziado em poucos minutos e o vampiro lambeu os dedos para não perder nem mesmo um pouco daquela sensação maravilhosa.

Summer havia presenteado os vampiros com uma magia que possibilitou aos irmãos Montgomery participar de um jantar humano tradicional. Petrus havia se esbaldado naquela noite, mas nem mesmo o poder de Fields conseguia reproduzir a perfeição de um paladar verdadeiramente humano.

- Você não vai mesmo tentar me culpar por tudo o que aconteceu? – Logan finalmente desabafou, encarando o outro rapaz.

- Com certeza, mas só amanhã. Hoje eu estou mais preocupado em aproveitar cada minuto deste feitiço. – Petrus ousou fazer uma piada enquanto buscava pelo olhar de Summer – Eu nunca pensei que ficaria tão contente em sentir tanta dor. Não me importaria em ficar assim para sempre. Vocês realmente não podem fazer nada para prolongar o efeito deste feitiço?
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Re: Bloody Type

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