Bloody Type

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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Out 30, 2016 11:34 pm

- Ele não está na sua casa.

As palavras de Summer soaram baixas e cautelosas. O silêncio que caía sobre a casa permitia que Petrus escutasse as batidas aceleradas do seu coração, provocada não apenas pela imagem da ruiva entre os lençóis, como pelo susto com a repentina aparição do rapaz.

Discretamente, Fields recuou alguns passos até que suas costas se chocassem contra a parede de madeira do corredor, ao lado da porta que dava acesso ao quarto do caçula. Os olhos azuis encaravam Petrus como se estivessem enxergando o rapaz pela primeira vez, tentando estudar a frieza refletida nos olhos claros onde ela já havia interpretado sentimentos muito mais suaves e carinhosos.

Nem mesmo a primeira vez em que Petrus arrancou o seu sangue na noite da lanterna, ela havia percebido aquele olhar tão cruel. Mas a ruiva que dormia há poucos metros era a prova de que Montgomery nunca havia se interessado por ela de verdade. Ela sempre esteve diante de um monstro e simplesmente se recusava a acreditar, na esperança de que algum rapaz interessante gostasse dela de verdade.

- É só uma carona, Petrus. E a julgar pela menina que está dormindo na sua cama, foi mesmo uma excelente ideia não ter vindo sozinha. Você nunca está satisfeito quando se trata de sangue, não é?

O olhar de Summer ainda estava amedrontado, mas por saber que poderia derrubar o vampiro caso ele mexesse um musculo que não deveria, ela conseguiu coragem para fazer as palavras saltarem de sua boca.

- Eu só vim pegar alguns livros. Não se preocupe, não vou ficar e atrapalhar o seu lanchinho.

O incômodo de Summer poderia ser facilmente interpretado por sua insatisfação em ver Petrus atacando uma pessoa inocente. E embora não concordasse com o comportamento animal de Montgomery, era o pensamento sujo que insistia em surgir na sua mente que fazia Summer se sentir enjoada.

Como uma bruxa, ela deveria agir em defesa da ruiva. Mas havia uma vozinha no fundo da sua mente que insistia em dizer que ela estava com ciúmes. Que queria ser ela a estar deitada na cama, mesmo se tivesse que pagar o preço daquela discreta marca em seu pescoço.

Sem coragem de admitir aquele raciocínio podre, Summer finalmente conseguiu desgrudar da parede e passou por Petrus em direção a escada que levava ao sótão. Mas antes que ela sumisse do corredor, ainda conseguiu virar sobre os calcanhares e encarar o rapaz mais uma vez.

- Agora eu vejo que faz sentido... Você gosta de brincar com a refeição, não é? Fazer de conta que é um bom rapaz, que perde o controle quando as coisas começam a ficar mais intensas. Sou realmente muito sortuda por não ter chegado ao ponto dessa pobre coitada.

Com o queixo, Summer apontou para a porta do quarto fechada. Com a coragem aumentando a cada palavra, ela estreitou o olhar e voltou a se aproximar de Petrus, desta vez sem parecer a menininha assustada.

- Mantenha suas presas encolhidas, Petrus. Você está na minha cidade. Se eu esbarrar de novo em qualquer vítima sua, pode dar adeus a qualquer chance de cura.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Out 31, 2016 12:17 am

- Deus do céu! Suas mãos estão geladas!

Foi impossível para Saphir conter um arrepio quando os dedos frios de Alaric entraram em contato direto com sua pele para espalhar o protetor solar em suas costas. A garota era naturalmente quente, mas o choque térmico foi ainda maior graças ao sol que aquecia seu corpo nos últimos minutos.

A temperatura de Montgomery não fazia o menor sentido. Saphir já havia percebido que as mãos dele eram frias nos toques anteriores, mas sempre havia uma explicação racional. O vento fresco de Bar Harbor, a noite que abaixava alguns graus na temperatura da cidade, a estrada rodeada por árvores e pelo lago...

Naquela manhã, porém, a mente de Wegener não conseguia explicar a razão daquela pele tão fria. O dia estava sufocante de tão quente, o sol atingia o iate em cheio, não ventava mais agora que Alaric interrompera os movimentos da embarcação. Mesmo usando apenas a lingerie, Saphir estava encalorada e algumas gotículas de suor já faziam a testa dela brilhar. Era impossível que alguém pudesse manter a pele tão gelada naquele clima abafado.

Com as sobrancelhas franzidas em franca confusão, Saphir virou-se na espreguiçadeira para encarar o rapaz acomodado atrás dela. O primeiro questionamento dela era se Alaric não estava doente, mas não parecia haver nada errado com a aparência dele. Como de costume, Montgomery parecia forte e saudável, sem nenhum sinal que apontasse na direção de um súbito mal estar provocado pelo balanço das ondas no barco.

Como se quisesse confirmar as próprias desconfianças, Saphir levou suas mãos delicadas até o rapaz. Os dedos tocaram as mãos de Alaric e depois subiram vagarosamente por seus braços fortes. Logo em seguida, o toque de Wegener alcançou o pescoço do vampiro e, por fim, o rosto. Não eram somente as mãos. Alaric Montgomery era inteiramente gelado. Como um cadáver.

Uma das mãos de Saphir desceu novamente até o pescoço do rapaz. A princípio parecia apenas uma carícia comum, mas a loira logo aumentou a pressão nos próprios dedos. Só depois que cinco segundos inteiros se passaram sem que ela sentisse nem mesmo uma mísera pulsação, Wegener compreendeu o sexto sentido que berrava sobre algo muito errado naquela história.

Aquela ideia aterrorizante fez Saphir saltar para fora da espreguiçadeira. Era uma explicação bizarra demais para a mente racional de uma universitária estudiosa, mas todos os sinais apontavam naquela direção.

- O que há com você? Você está... morto?

Tudo o que Saphir mais desejava era que Alaric começasse a gargalhar e a acusasse de estar ficando louca, mas a maneira como a loira arregalou os olhos e recuou mostrava que ela não acreditaria em desculpas tolas.

A maneira mais fácil de resolver aquele problema seria limpar a mente de Wegener com mais uma sessão de hipnose, mas agora Alaric sabia que o monstro que vivia dentro de Saphir só estava esperando por uma oportunidade para reassumir o controle daquele corpo.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Seg Out 31, 2016 12:43 am

Uma das sobrancelhas escuras do vampiro se inclinou num arco perfeito diante daquela ameaça da bruxa. Ao invés de se sentir intimidado, contudo, Petrus abriu um sorrisinho divertido como se estivesse na frente de uma inocente criança que acabara de dizer uma grande tolice.

A magia dos Field era poderosa, disso Montgomery nunca teve dúvidas. Mas Summer havia descoberto a verdade sobre a sua família há poucos dias e estava muito longe de dominar a magia que corria em suas veias. A jovem bruxa ainda precisava de muito treinamento até realmente estar apta a vencer um possível duelo contra um vampiro com décadas de experiência.

- Seu argumento não é muito bom. Eu pareço ansioso pela cura?

Petrus abriu os braços, indicando a situação na qual se encontrava. Ao contrário do rapaz que lutava para conter os próprios instintos, naquele dia Summer estava diante de um vampiro muito bem adaptado. Montgomery estava bem alimentado e demonstrava um excelente controle da situação. Ninguém que não o conhecesse diria que Petrus estava ansioso para deixar de ser um vampiro.

- Você deveria ter mais respeito pelas pessoas mais velhas, Summer. Não é nada gentil entrar na casa de um senhor e lhe fazer ameaças.

Uma sombra cobriu os olhos azuis e o semblante de Montgomery ficou mais fechado. Summer já havia despertado os seus ciúmes naquele dia, mas aquela ameaça havia ferido também a honra de Petrus.

- E o fato de você não ser capaz de cumprir essas ameaças só torna tudo isso ainda mais errado.

Aproveitando-se daquela proximidade, o vampiro ergueu uma das mãos frias e segurou Summer pelo queixo, sustentando o olhar orgulhoso que a garota dirigia a ele. Era exatamente por gostar tanto dela que Petrus se sentia ainda mais ferido pela rejeição de Fields. Tudo o que Montgomery queria era fazê-la experimentar um pouco daquela infelicidade que ele sentia.

- Eu sou um vampiro. É claro que eu nunca estou satisfeito quando se trata de sangue. Lamento muito se algum dia lhe passei a impressão de que eu era um bom rapaz. Eu sempre fui o monstro que você está vendo agora.

O polegar de Petrus deslizou suavemente pela bochecha corada de Summer. Apesar da entonação fria, os olhos escuros denunciavam que o vampiro ainda se derretia pelos traços bonitos da filha dos Fields.

- Se isso te incomoda tanto... – o queixo de Montgomery apontou para a porta fechada, referindo-se à ruiva que dormia dentro do quarto – ...sinta-se à vontade para ocupar o lugar dela. Eu só procurei em outro lugar a saciedade que você me negou. Eu faria esta troca com satisfação. O sabor do seu sangue é incomparável.

Mais uma vez, uma sombra cobriu o semblante de Petrus antes que ele finalizasse o seu discurso com uma voz gelada e sussurrante.

- Não me ameace mais. Eu não gosto de ser ameaçado, nem mesmo por uma tola criança inocente como você. Eu não estou na sua cidade. Eu estou num lugar que possui um histórico bastante favorável à minha espécie. Eu estou num buraco imundo onde bruxos muito mais poderosos e habilidosos que você foram brutalmente assassinados. Por vampiros.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Out 31, 2016 12:44 am

As sobrancelhas de Alaric foram arqueadas e os lábios dele formaram um “oh” de nítida surpresa com as palavras de Saphir. Ele parecia como um menininho pego em flagrante no meio de uma travessura, sem chance sequer de esconder as provas do seu crime.

Por alguns segundos, sua mente congelou, incapaz de processar qualquer coisa além da certeza de que havia sido desmascarado. Ele não sabia quais haviam sido os seus deslizes, mas talvez fosse em parte influência de Annabeth. Cada cuidado havia sido tomado. O peito sempre subia e descia com uma falsa respiração e Alaric parecia perfeitamente humano aos olhos de qualquer um.

Ainda assim, Saphir parecia bastante convicta de que havia algo de muito errado com ele. Seu primeiro instinto foi usar a hipnose e dizer para Wegener se acalmar e aproveitar o passeio sem criar teorias da conspiração. Alaric não estava pronto para ter o seu segredo revelado, principalmente agora que precisava se manter ao lado de Saphir para protege-la. Se a universitária desconfiasse da verdade, jamais permitiria que ele se aproximasse outra vez.

Por isso, Alaric precisou apelar para a tática de um simples humano que precisava cobrir os seus rastros. Como um rapaz comum deveria enfrentar aquela acusação absurda. Ele permaneceu sentado em sua espreguiçadeira e aos poucos seu semblante foi se tornando mais sério. Não havia nenhum sinal de gargalhada e Montgomery parecia mesmo disposto a confessar um grande segredo.

- Eu não queria que você tivesse descoberto desta forma. Não queria que você tivesse medo de mim ou me olhasse como uma aberração. Porque isso não sou eu, Saphir...

A testa de Montgomery foi franzida e ele encarou a loira com um olhar suplicante. Saphir não teria para onde correr e foi este detalhe que o incentivou a seguir em frente. Os olhos cinzentos estavam presos em Wegener e ele soltou um forçado suspiro antes de dizer as palavras finais.

- Eu sou um vampiro, Saphir. Um vampiro com mais de sete décadas de vida, que se alimenta de sangue.

A cabeça dele tombou para frente e encarou as próprias mãos unidas. Lentamente, os dedos foram virados até que a palma estivesse diante dos seus olhos. Um olhar confuso surgiu, como se ele tivesse acabado de notar algo de anormal em sua própria pele. Parecendo sinceramente assustado, ele voltou a procurar pelo rosto da loira.

- Espere... Mas eu não estou brilhando. Vampiros não deveriam brilhar sob a luz do sol?

Aos poucos a expressão confusa foi se contorcendo em diversão, denunciando a brincadeira. A gargalhada finalmente escapou pelos lábios de Alaric e ele se encolheu na espreguiçadeira, se divertindo como um adolescente que havia acabado de pregar uma incrível peça de Halloween.

- Francamente, Saphir! Que pergunta estúpida é essa? Só porque eu dirijo um volvo, também preciso mudar meu sobrenome para Cullen? Achei que você tivesse parado de beber!

Sacudindo a cabeça em negação, Alaric se ergueu da espreguiçadeira e puxou a camisa listrada pela cabeça, revelando o abdome perfeito. Era impossível dizer que Montgomery era um morto-vivo quando ele parecia tão saudável, com tentadores músculos definidos que se moviam com harmonia aos seus movimentos.

- Eu vou fazer de conta que você não acabou de dizer isso e levar o meu corpo zumbi para dar um mergulho. Pode vir comigo se quiser, Bella Swan.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Out 31, 2016 1:11 am

“Ele está mentindo.”

As palavras soaram dentro da mente de Saphir, mas daquela vez não se parecia com a voz de sua consciência. Era como se aquela afirmação estivesse vindo de algum lugar externo, de algo que Wegener não era capaz de controlar. Não era a primeira vez que a loira tinha a impressão de ouvir vozes em sua mente, mas naquele dia aquela “alucinação” parecia muito mais forte e mais real.

As provocações de Alaric faziam muito mais sentido do que a hipótese absurda que começava a ser construída na mente de Saphir. Vampiros não existiam fora dos filmes e dos livros, chegava a ser ridículo que Wegener cogitasse aquela possibilidade. Mas a mente confusa e cheia de lacunas da garota se recusava a aceitar que tudo aquilo era apenas um mal entendido estúpido.

- Você está mentindo.

A loira repetiu para Alaric as mesmas palavras que martelavam dentro de sua cabeça. Saphir deu mais alguns passos para trás até que suas costas se chocaram contra a grade de proteção que contornava o convés do iate.

“Pele fria e pálida. O coração dele não bate. Não é enjoo, ele não come simplesmente porque só se alimenta de sangue.”

A cabeça de Saphir se sacudiu em negativa. Por mais que tudo aquilo fizesse sentido, ela era racional demais para acreditar cegamente naquela hipótese. Annabeth não conseguia controlar o corpo invadido por uma alma humana, mas a hipnose fora capaz de “acordá-la” e agora a vampira conseguia falar com Wegener nos momentos em que a garota ficava mais confusa e perdia o controle das próprias emoções.

“Há uma forma muito simples de provar esta teoria. Corte-se e veja como ele reage diante de algumas gotas de sangue.”

As mãos de Saphir tremiam quando ela se inclinou na direção da bandeja de frutas e pegou a faca que Montgomery havia deixado ali para que ela se livrasse das cascas. Qualquer um pensaria que Wegener planejava usar aquela arma para se defender de um possível ataque. Portanto, foi uma surpresa muito grande ver a loira deslizar a lâmina afiada no próprio polegar.

Um filete de sangue vivo escorreu do ferimento e duas gotas pingaram no chão, manchando o piso impecavelmente branco do iate. Saphir sabia que tudo aquilo era uma loucura grande demais e que Alaric nunca mais olharia na direção dela se imaginasse que estava diante de uma louca. Mas toda aquela tensão já havia feito a loira perder o controle das próprias ações.

O corte em seu dedo fora um gesto consciente e planejado para testar os instintos do vampiro, mas Saphir não dominava mais o próprio corpo quando recuou novamente até a grade de proteção. Os olhos azuis confusos e atormentados ainda eram os de Wegener, mas a voz que saiu por sua garganta não estava sendo controlada pela mente da menina.

- Obrigada, querido. Eu só precisava de uma brecha.

Mesmo para um vampiro, tudo aconteceu rápido demais. A faca que Saphir segurava com firmeza abriu um corte profundo nos pulsos da garota. O sangue escorreu como uma cascata um segundo antes que a loira se inclinasse para trás, jogando o próprio corpo dentro da água.

Quando recuperou o controle da própria mente, Saphir já estava submersa e afundava. A água ao seu redor estava tingida de vermelho pelo sangue que escapava dos seus punhos e lhe deixava fraca demais para nadar ou mesmo para manter-se acordada.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Out 31, 2016 1:16 am

Qualquer moça normal que soubesse que estava diante de um vampiro se sentiria ameaçada pela simples presença da criatura. A forma com que Petrus a encarava, sem recuar de suas ameaças, o tornava ainda mais assustador. Mas as palavras frias e controladoras apenas atiçavam ainda mais uma fúria adormecida no peito de Summer.

A órfã dos Fields havia mergulhado em uma depressão após a morte dos pais, mas também havia enfrentado o luto com fases de rebeldia onde acumulava problemas. Era aquela mesma menina pronta para mergulhar em uma confusão que encarava Montgomery, sem se importar se ele seria capaz de estraçalhar a sua garganta em um piscar de olhos.

- Você não é um senhor de idade, Petrus. Não passa de um corpo mumificado e vazio que definitivamente não merece um pingo de respeito.

Summer não queria prolongar aquela discussão, mas escutou cada uma das palavras de Montgomery sem piscar. O queixo permaneceu erguido em uma postura orgulhosa, mas seu olhar firme vacilou quando o toque gelado alcançou sua pele, mostrando que a bruxa também não era completamente indiferente, mesmo diante de tanta decepção.

Mesmo sabendo a verdade sobre a natureza de Petrus, era a primeira vez que Summer se machucava tanto com as palavras dele. Desde o começo o relacionamento havia sido confuso e tumultuado, sem que ela conseguisse definir exatamente o que Montgomery sentia. No fundo, Fields ainda tinha esperanças de que Petrus não fosse um monstro e que se arrependesse dos seus erros, mas ele cada vez mais se afundava na imagem de um vampiro insensível que só queria brincar com humanos.

As palavras finais que fazia referência aos seus pais fizeram o coração de Summer falhar uma batida. Ela não conseguia acreditar no golpe baixo de Petrus em usar o assassinato dos Fields para ameaça-la. Seu primeiro desejo foi de se encolher e voltar a se enfiar na escuridão da depressão de onde havia saído há pouco tempo. Mas ela não daria o gosto da vitória ao rapaz. Poderia sair dali e chorar o resto do dia, mas não seria um vampiro a ver sua derrota.

Com os olhos estreitos, Summer ergueu um dos braços. O gesto repentino poderia ser o apelo da menina para bater em Petrus ou um sinal de que a bruxa seguiria em frente com as suas ameaças. Mas ao invés de atingir Montgomery, ela apenas manteve seu pulso diante dos olhos dele, sem quebrar o contato visual.

- Vá em frente. Pode tomar até a última gota. Termine o serviço que a sua espécie começou.

As palavras saíam entre os dentes trincados. Os lábios de Summer estavam vermelhos e se moviam para enfatizar cada uma das sílabas e a respiração começava a ficar entrecortada graças a adrenalina do momento.

- Você não se importa mais com a cura, então eu não tenho mais utilidade nenhuma. E já que sou uma bruxa fraca demais, pelo menos você vai se satisfazer com o meu sangue de sabor incomparável.

Um sorriso frio e sem ânimo brincou nos lábios de Fields, mas ela não recuou um único momento, mantendo seu pulso firme diante do rosto de Petrus, como a oferta de um banquete. Alguns tolos poderiam acreditar que Summer apenas havia enlouquecido ou que era absurdamente corajosa. Mas naqueles minutos, ela simplesmente não se importou se Petrus realmente fosse adiante e tirasse a sua vida.

- Vamos lá, Petrus... Não é nada que você já não tenha feito antes.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Seg Out 31, 2016 1:43 am

- Muito obrigado, mas por hoje eu já estou mais do que satisfeito.

Mais uma vez, Petrus indicou a porta fechada com um movimento da cabeça, referindo-se à ruiva que havia saciado as suas necessidades naquele dia. É claro que o vampiro não podia comparar a diversão daquela tarde com as emoções que apenas Summer lhe proporcionava, mas seu orgulho ferido não permitiria que a bruxa saísse vitoriosa daquela discussão.

Uma das mãos de Montgomery se ergueu e ele tocou delicadamente no punho erguido diante de seus lábios. Ao invés de cravar os dentes na veia que pulsava abaixo da pele delicada de Summer, os dedos se moveram carinhosamente pela mão dela e Petrus atreveu-se a se aproximar o bastante para depositar um beijo gelado na pele da menina.

- A não ser que você queira... isso muda tudo.

Ao invés de se afastar, Petrus trouxe a mãozinha de Summer para mais perto. O vampiro queria que parecesse uma sedução barata, mas a verdade era que Montgomery atendia ao desejo desesperado de tocá-la quando deslizou os lábios frios em cada um dos dedos de Fields.

- Você não tentou fugir, nem mesmo depois que a hipnose foi interrompida. Mas não se sinta tão culpada, Sum. Você não é a primeira vítima a se deliciar com um ataque. Faz parte da evolução da espécie, sabia? Uma vítima que sente prazer com a mordida não foge. E uma vítima que não foge permite que um vampiro sacie por completo a sua sede.

Aquele era um dos poderes mais sujos de um vampiro, mas Petrus sentia uma incontrolável satisfação em pensar que Summer gostava das mordidas com a mesma intensidade em que ele se deliciava com o sangue dela. É claro que os sentimentos de Montgomery pela bruxa iam muito além do sabor incomparável que ele encontrara nas veias dela, mas aquele instinto irracional parecia ser a única coisa que Fields estava disposta a oferecer a ele.

Com um movimento ágil, Montgomery moveu o corpo até se colocar diante da garota. Summer foi encurralada junto à parede do corredor e as mãos do vampiro foram apoiadas nas laterais do corpo dela. Os olhos escuros brilhavam quando Petrus inclinou-se para sussurrar aquelas palavras com seus lábios frios colados ao ouvido da bruxa.

- Eu não estou com sede, mas ainda quero você. Então pare de usar este argumento estúpido de que eu só estou interessado no seu sangue.

Montgomery afastou o rosto apenas o suficiente para encarar Summer mais uma vez enquanto ele concluía aquele desabafo.

- Nós só não estamos juntos porque você me dispensou. E isso tira de você o direito de se zangar e de me ameaçar simplesmente porque eu decidi seguir adiante e aceitar as necessidades do monstro que eu sou. Eu pretendia mudar por você, Summer. Você não quis que fosse assim, não foi capaz de me aceitar como eu sou. Agora não venha me dizer o que fazer, você não tem este direito.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Out 31, 2016 1:50 am


Depois de sete décadas, os sentidos de Alaric já estavam mais do que acostumados a reconhecer o cheiro do sangue, despertando um alerta por todo o seu corpo. Por já ter experiência o suficiente, Montgomery já tinha perfeito controle dos seus instintos e não agia mais como um recém-transformado completamente despreparado que deixava a sede controlar sua mente.

Para sua própria sobrevivência, Ricky havia aprendido a ser discreto o suficiente, mesmo que muitas vezes acabasse colocando em risco o segredo dele e de Petrus e obrigasse os irmãos a se mudarem de cidade. Mas sempre que agia de forma irresponsável, Alaric ainda tinha plena consciência dos seus atos.

Entretanto, aquele controle não era tão fácil de se manter quando o sangue era exibido bem diante dos seus olhos. A exposição tão grande despertava um gatilho que exigia um esforço maior para que Alaric voltasse a se possuir total controle.

Naquela tarde, a única gota do dedo de Saphir serviu como aquele gatilho. Os olhos cinzentos se tornaram negros e ele imediatamente encarou o sangue como se estivesse diante de um banquete, estando faminto por dias. A cobiça estava estampada em seu rosto e seria impossível de explicar para Wegener. Alaric sabia que não atacaria a loira, mas também era tarde demais para manter o segredo.

Porém, ao contrário dos seus piores pesadelos em que temia a sua verdadeira identidade sendo revelada, aquela preocupação durou apenas alguns segundos. Todo o foco da sua mente mudou em uma surpreendente transformação quando a faca atingiu os pulsos de Saphir. Tudo aconteceu rápido demais, mas ele não teve a menor dúvida de que estava diante de Annabeth.

- SAPHIR, NÃO!

A voz desesperada de Alaric ecoou pelo vento inutilmente quando o corpo de Wegener se chocou contra a água com um baque. Sentindo-se lento demais para alguém com poderes sobrenaturais, Montgomery correu até a barreira de metal, encarando a água sem conseguir processar tudo que estava acontecendo.

O barco continuava a balançar com as pequenas ondas e havia uma área consideravelmente agitada, indicando o local por onde Saphir havia afundado. A coloração avermelhada do sangue começava a ficar rosada ao se misturar com a água salgada e aquela visão, que deveria ser tentadora a um vampiro, apenas fez Alaric se desesperar ainda mais.

Sem prolongar mais um único segundo, Alaric esticou os braços e mergulhou exatamente na mesma direção da espuma levantada pelo choque do corpo de Saphir. O rapaz não precisava do oxigênio em seus pulmões e a temperatura fria não o incomodava, de modo que foi fácil dar algumas braçadas e afundar cada vez mais na direção da loira.

O rastro de sangue servia para que ele não a perdesse de vista e com a agilidade recuperada, ele conseguiu alcançar Saphir, imediatamente rodeando o corpo mole com seus braços firmes. Nadar de volta a superfície poderia ser uma tarefa mais complicada, mas Alaric não demonstrou nenhuma dificuldade física em nadar apenas com um dos braços enquanto sustentava Saphir pelo outro.

O sangue que havia jorrado dos pulsos de Wegener se misturou a água que invadiu o chão do iate quando Alaric voltou com a menina em seus braços. Mais uma vez, ele não teve nenhuma dificuldade em carrega-la em seus braços até que pudesse deitá-la novamente na espreguiçadeira.

A água continuava a escorrer pelos corpos dos dois, mas era o sangue que se esvaía do corpo de Saphir que chamava a atenção do vampiro. Um canto da sua mente ainda parecia sedenta e quase implorava para que Alaric se debruçasse diante dela, mesmo que fosse para um rápido gole.

Mas era a urgência em proteger Saphir que tomava conta do corpo de Montgomery. Ela já havia perdido uma quantidade considerável de sangue, e como um vampiro experiente, ele sabia que estava chegando ao limite suportado por um humano. Seus ouvidos aguçados também captavam as batidas mais fracas do coração, indicando que Saphir não tinha muito tempo restante.

Mais do que a sede, Alaric se sentia desesperado. Ele não podia perder Saphir. Muito menos para ter Annabeth de volta. Não era justo que Kendrick ganhasse outra vez. Ninguém havia sentido falta da cruel vampira em todas aquelas décadas, mas Saphir era querida por pessoas demais. Ele a queria.

- Saphir, abre os olhos, por favor.

O corpo mole de Saphir fazia a garganta de Alaric se fechar. Com as mãos trêmulas, ele tocou o rosto magro, procurando por qualquer sinal de que a loira ainda estava ali. Quanto mais perto do fim de Saphir, mais perto estava do ressurgimento de Annabeth.

- Eu disse que não ia deixar você ir a lugar algum!

A fúria pela antiga amante surgiu e Alaric não se importou mais com o seu segredo. Era ridículo pensar que deveria proteger a própria identidade quando a missão de proteger Saphir era muito mais importante.

Os caninos de Alaric foram alongados, mas ao invés do vampiro atacar a menina que sangrava diante de si, ele mordeu o próprio pulso. A dor estava lá, mas aquele corte não seria capaz de feri-lo de verdade. Com o sangue escorrendo pelo seu braço molhado, ele levou o pulso até os lábios sem cor de Saphir, permitindo que algumas gotas escorregassem pela boca dela até alcançar a garganta.

A transformação acontecia quando um humano morria com sangue de vampiro em seu sistema. Mas o mesmo sangue era capaz de provocar a cura de ferimentos, desde que não fosse tarde demais. Alaric não tinha a intenção de transformar Saphir, mas ainda estava com os olhos arregalados, na esperança de que não fosse tarde demais para curá-la dos ferimentos físicos que naturalmente a levariam até a morte.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Out 31, 2016 2:19 am

O sangue de Alaric era um pouco mais escuro que o normal para um humano. Ao invés do vermelho vivo que se esperaria, foi um líquido mais espesso e cor de vinho que escorreu pela garganta de Saphir Wegener.

No começo, nada aconteceu. A menina não respirava e seu coração batia mais fraco a cada segundo, num sinal claro de que o músculo cardíaco não aguentaria a hemorragia e a falta de oxigênio por muito mais tempo. O sangue ainda escorria pelos pulsos de Saphir, mas foi naquele ponto que o “milagre” começou a acontecer.

Como num passe de mágica, o sangue parou de pingar no chão do convés. Nos segundos seguintes, o corte profundo feito pela faca se cicatrizou por inteiro e a marca avermelhada se tornou rosa, depois amarelada e por fim transformou-se em um risco branco superficial que simplesmente desapareceu na pele pálida da menina.

Logo em seguida, os olhos azuis se abriram subitamente apenas para se fecharem de novo com um acesso de tosse. Cada impulsão expelia uma quantidade absurda de água dos pulmões de Wegener e fazia com que as batidas de seu coração se tornassem mais aceleradas e mais fortes.

A inspiração ruidosa levou ar para dentro do peito de Saphir, mas ela ainda precisou tossir por quase dois minutos inteiros até livrar-se da sensação de estar engasgada. O rosto corado e os olhos lacrimejando eram sinais de que aquela sensação era péssima para a garota, mas por outro lado era o sinal claro de que ela ainda era humana. Annabeth não havia vencido aquela batalha.

Um discreto filete do sangue escuro de Alaric Montgomery ainda manchava o cantinho dos lábios de Wegener quando a loira finalmente encarou o rapaz parado a sua frente. Nas outras vezes em que Annabeth Kendrick se manifestara, Saphir estava sob o efeito de hipnose e não se lembrava de nenhuma das cenas protagonizadas pela vampira. Desta vez, contudo, as duas tinham dividido o mesmo espaço e a loira tinha certeza de que não partira de seu cérebro o comando para cortar seus pulsos e para atirar seu corpo na água gelada do mar.

- O que foi aquilo...?

As mãos de Saphir tremiam quando ela as ergueu para analisar os próprios punhos. O poder do sangue do vampiro havia feito com que os ferimentos se cicatrizassem por completo, mas a pele pálida manchada por sangue não deixou que Wegener tivesse dúvidas de que aquela lembrança bizarra era real.

- O que foi que eu fiz? – os olhos azuis se encheram de lágrimas desesperadas – Eu estou ficando louca???

Na mente racional de Wegener, aquela parecia ser a única explicação possível. A memória cheia de lacunas somada às alucinações auditivas e agora aquela “tentativa de suicídio” não programada pareciam pertencer ao histórico de um paciente psiquiátrico.

Saphir só teve certeza de que nem tudo era fruto de sua mente doente quando focou a imagem de Alaric com mais atenção e finalmente percebeu que havia algo muito diferente no rapaz bonito que ela conhecia. Os olhos cinzentos pareciam mais escuros, mas aquele era um detalhe que passava despercebido quando comparado às enormes presas pontiagudas que se sobressaíam onde antes só existia uma fileira de dentes retos.

Os olhos da garota se arregalaram, mas aquela foi a única reação que demonstrou a surpresa de Wegener. Não houve gritos, choro ou tentativas de fuga. Pelo contrário, Saphir só demonstrava uma curiosidade incontrolável quando tocou o rosto pálido e molhado de Montgomery.

- Você estava mentindo.
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Saphir Wegener

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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Out 31, 2016 2:43 am

Não havia nenhuma hipnose para controlar o corpo da bruxa naquele momento. Talvez fosse apenas o encanto natural que Petrus exercia em suas vítimas ou simplesmente o charme de um rapaz atraente. Independentemente do que fosse, Summer estava entregue nos braços dele, se deliciando com o arrepio provocado pela voz rouca em seu ouvido.

Ali estava a explicação para o fato que ela ainda não havia conseguido admitir. A primeira mordida de Petrus havia sido assustadora apenas por ser algo completamente desconhecido. Mas no fundo Summer sabia que parte daquele medo estava no fato de ter gostado de sentir os dentes do rapaz cravados em seu pescoço. Era um pensamento nojento, mas de alguma forma Summer se sentia especial, como se tivesse sido escolhida.

Aquele pensamento ficou ainda mais forte com a possibilidade de chegar em um acordo com Petrus. Mas a sensação melhor do que aquele instinto primitivo surgiu quando ele confessou que ainda a queria.

Summer poderia ter um grande poder mágico correndo em suas veias e o potencial de se tornar uma grande bruxa. Mas naquele momento era apenas uma menininha que queria acreditar que estava apaixonada e tinha o seu sentimento retribuído.

As pálpebras pesadas esconderam os olhos azuis e Fields deixou escapar um suspiro de prazer quando as mãos de Petrus tocaram seu corpo. Ao invés de se sentir apavorada por estar encurralada, sua mente já havia apagado tudo de errado que estava acontecendo ali, inclusive a vítima ruiva adormecida nos lençóis de Montgomery.

Como suas pernas estavam trêmulas, Summer precisou erguer os braços e apoiou as mãos nos ombros de Petrus, procurando por algum apoio. Quando o rosto dele se afastou para encará-la, ela se esforçou para abrir os olhos novamente, revelando um brilho diferenciado, mostrando que estava inteiramente entregue ao rapaz.

- Eu quero.

O sussurro havia sido quase inaudível aos ouvidos humanos, mas para a audição sensível de um vampiro, não havia restado nenhuma dúvida. Summer podia estar se referindo ao fato de querer que Petrus bebesse o seu sangue outra vez, ou apenas admitindo que queria estar com ele.

Antes que ela pudesse esclarecer que queria tudo que Petrus pudesse lhe oferecer, o som da buzina ecoou, obrigando sua mente de lembrar que Logan ainda estava presente, que o mundo continuava girando e que Montgomery ainda era um monstro que tinha uma de suas vítimas há poucos metros de distância.

Summer se sentiu imunda por ter cedido, mesmo que por alguns segundos. Aquilo era errado de tantas formas diferentes que a bruxa se sentiu derrotada apenas por ter cogitado a ideia de se entregar a Montgomery.

As pálpebras voltaram a cobrir seus olhos, mas a expressão de frustração mostrava que Fields havia despertado da insanidade temporária. Ela soltou o ar pesadamente pelo nariz antes de voltar a encarar Petrus.

- Eu não vou te dizer o que fazer, Petrus. Mas você também não tem o direito de colocar em mim a culpa pela forma que está agindo. Isso é 100% você.

Por ser magra e consideravelmente mais baixa que Petrus, seria impossível para Summer enfrentar o vampiro apenas com sua força natural. Então ficou bastante óbvio que ela estava usando a sua magia quando o corpo de Montgomery foi empurrado para longe até se chocar contra a parede do lado oposto.

A buzina voltou a soar mais uma vez, e Summer sabia que se não alcançasse o Range Rover em menos de um minuto, Logan iria invadir o casarão atrás de notícias suas. Pela urgência em poupar o bruxo de um duelo contra Montgomery, Summer não cogitou seguir o caminho até o sótão. Com as mãos vazias, ela simplesmente deu às costas para Petrus e voltou até o carro.

Seu coração estava acelerado quando ela ocupou o banco do carona e Logan a encarou com curiosidade, tentando entender o que havia acontecido.

- O que houve, Sum? Ele te fez alguma coisa?

Summer estava agarrada ao estofado do banco e com os olhos fechados. Ela apenas teve forças para negar com um movimento da cabeça, fazendo os cabelos escuros balançarem.

- Foi um erro ter voltado aqui, Logan. Sinto muito, mas você vai precisar me treinar sem o material da mamãe. Eu não vou colocar os meus pés nessa casa outra vez.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Out 31, 2016 3:30 am

Nem por um segundo Alaric cogitou utilizar a hipnose e mais uma vez fazer Saphir esquecer aquele pesadelo. Havia sido pelo seu egoísmo em brincar com a mente da humana que Annabeth havia despertado, então era sua culpa que agora a vida delicada de Wegener corresse perigo por dividir o mesmo espaço com uma vampira psicopata.

Montgomery não pareceu tentar fugir daquela afirmação, não riu e também não demonstrou a derrota por ter tido sua identidade revelada. A única coisa que ele conseguia sentir era o alívio por poder enxergar novamente o olhar de inocente de Saphir, vencendo por mais um dia a batalha contra Annabeth.

Com movimentos lentos, o rapaz puxou uma das toalhas das espreguiçadeiras e começou a limpar os braços de Wegener, ainda sujos de sangue. Seus dedos estavam rodeados no pulso já completamente cicatrizado e o gesto era suave, quase como uma carícia, dando a impressão de que Alaric ainda temia ferir a menina.

Durante quase um minuto inteiro ele não respondeu, apenas se mantendo ocupado em minimizar o estrago causado pelos cortes de Annabeth. O sangue estava respingado por todo o iate como se tivesse sido o cenário de uma chacina, de modo que não havia nenhuma explicação lógica para não encontrar nem mesmo o risco de uma cicatriz na pele da menina.

- Não necessariamente.

A voz rouca de Alaric finalmente ecoou em um sussurro, mostrando que ele não iria mais fugir do inevitável. Ele não sabia o que esperar diante daquela revelação. Saphir poderia odiá-lo e julgá-lo pelo monstro que era, mas ainda era melhor do que continuar bagunçando com sua mente já fragilizada.

- Era verdade quando disse que não queria que você ficasse com medo de mim. Também era verdade sobre estar vivo pelas últimas sete décadas. Se é que você pode chamar isso de vida...

A toalha que estava em suas mãos já estava encharcada e manchada pelo sangue e finalmente foi deixada de lado, caindo com um som úmido ao se chocar contra o piso frio do iate. A todo instante, Montgomery evitava encarar Wegener e ele agia com uma calma que não combinava com a catástrofe que haviam acabado de vivenciar e que ainda não chegara ao fim.

O rapaz se colocou de pé e puxou uma segunda toalha da outra espreguiçadeira. Desta vez, ao invés de se ocupar com os vestígios de sangue que ainda pudessem existir, Alaric apenas ergueu o pano e rodeou os ombros de Wegener, protegendo seu corpo exposto.

O sol ainda brilhava com força sobre suas cabeças, mas a quantidade de sangue que a menina havia perdido e as emoções dos últimos minutos começariam a provocar pequenos tremores em sua pele úmida em contato com o vento fresco.

- Você quer ouvir com todas as letras, Saphir?

A espreguiçadeira onde a menina estava afundou alguns centímetros quando Alaric voltou a se sentar, desta vez se mantendo de frente para ela. O tom escuro de seus olhos aos poucos voltava ao normal, recuperando o acinzentado que combinava com o rosto atraente. Depois de evitar até o último instante, ele finalmente a encarou.

Mais uma vez, a única coisa que Montgomery conseguiu sentir foi o alívio por ainda ter Saphir diante de si. A relação entre os dois poderia ser destruída depois daquela revelação, mas ao menos ela ainda teria o coração batendo com força em seu peito para poder nutrir o ódio e desprezo que inevitavelmente surgiriam.

- Eu sou um vampiro. Sem piadas desta vez.

Os cabelos loiros ainda pingavam e algumas gotículas deslizavam pelo rosto perfeito de Alaric. Se antes ele tinha dificuldades para encarar Wegener, agora era impossível desviar a atenção das íris claras e perfeitamente humanas a sua frente.

- Você não está enlouquecendo. Mas isso... – Ele ergueu o indicador até tocar o pulso limpo, se referindo ao corte por onde havia jorrado sangue minutos antes. – Não foi eu, Saphir. Você precisa acreditar em mim quando eu digo que o fato de eu ser um vampiro é o menor dos seus problemas agora.

A cabeça de Alaric pendeu para o lado, voltando a encarar o cenário a sua volta. Ele sabia que seria demais para Wegener ouvir sobre Annabeth, ela ainda precisava digerir a ideia de que vampiros existiam. Não precisava lidar no mesmo instante com o fato de que havia uma criatura daquelas dividindo o seu corpo.

- Você precisa descansar agora. Desça, tem um quarto lá embaixo. Eu vou terminar de arrumar tudo para te levar de volta o quanto antes.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Seg Out 31, 2016 9:27 pm

Mesmo depois que Summer recuou e despertou para a lucidez depois daquele breve momento de insanidade, um sorriso vitorioso ainda permaneceu nos lábios de Petrus. Nada que Fields falasse agora mudaria o fato de que ela havia confessado que o queria, desta vez sem nenhuma influência da hipnose.

Era inegável que havia uma ligação forte entre os dois, mas também estava provado que Summer não pretendia se entregar com tanta facilidade à atração que sentia pelo vampiro. O caçula dos Montgomery jamais se rebaixaria correndo atrás de uma mulher que não o quisesse, mas a forma como Summer reagira aos seus toques naquele dia era um incentivo para que Petrus não desistisse dela.

Depois que o som do motor do carro de Logan desapareceu pela estrada que levava ao casarão, os pés de Petrus finalmente se desgrudaram do chão. O vampiro ainda sentia o corpo anestesiado pelo prazer de descobrir que Summer não precisava da hipnose para desejá-lo. Mas infelizmente aquela sensação precisava ser superada porque Montgomery precisava se concentrar no “serviço doméstico” inacabado daquele dia. Era preciso colocar o lixo para fora.

Ao contrário de Summer, os olhos da ruiva estavam vidrados pela hipnose quando Petrus a acordou com um toque gentil no rosto pálido. O polegar dele limpou as últimas manchinhas de sangue no pescoço da garota, deixando para trás somente os dois furinhos discretos que ela esconderia facilmente se usasse peças de golas mais altas nos próximos dias.

- É hora de ir, querida.

Como um robô programado para obedecê-lo, a ruiva moveu a cabeça afirmativamente. Os olhos escuros do vampiro admiraram o corpo bonito pela última vez enquanto a garota se arrastava para fora dos lençóis, ainda totalmente sob o comando dele.

- Assim que pisar em casa, você vai se lembrar que esteve em Bar Harbor esta tarde, bebeu um pouco demais e terminou o dia na cama de um desconhecido. Você não se lembrará do meu rosto, nem desta casa. Mas não terá dúvidas de que foi a melhor transa da sua vidinha sem graça.

Geralmente todas as “tragédias” que ocorriam na espécie estavam relacionadas a vampiros recém-transformados. Os instintos aflorados e a falta de controle culminavam com gargantas estraçalhadas, hemorragias exageradas e ataques públicos. Os Montgomery eram a prova de que vampiros maduros conseguiam viver entre os humanos sem chamarem a atenção.

Apenas o tempo e a experiência davam aos vampiros o autocontrole necessário para reconhecer o momento de parar. Antes a sede de Petrus era tão desesperadora que o obrigava a tomar até a última gota de sangue de suas vítimas, mas agora ele sabia que era muito mais prudente interromper o ataque antes que o coração humano parasse de bater. Montgomery não tinha mais dificuldade para se controlar quando seus dentes estavam cravados no pescoço de uma vítima, exceto quando a vítima atendia pelo nome de Summer Fields.

Com Summer, Petrus tinha a impressão de que voltava a ser o vampiro selvagem de décadas atrás. Mesmo com a parte racional de sua mente berrando “não”, Montgomery havia cravado seus dentes nela duas vezes e bebido o sangue quente e delicioso até deixar a menina tonta e mole em seus braços.

Não parecia haver uma explicação lógica para o sangue de Fields ser mais tentador que o normal, mas a verdade é que Petrus não se importava mais com esta resposta. Naquele dia, tudo o que realmente importava era a certeza de que Summer compartilhava daquele sentimento irracional.

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Mesmo que Summer não tivesse feito uma apresentação formal, não demorou para que Petrus descobrisse que a voz masculina que a acompanhara naquele dia pertencia a Logan Kennedy, um rapaz nascido em Bar Harbor e que agora retornava depois de uma temporada de estudos na Pensilvânia. O lado positivo de estar em uma cidade tão pequena era o fato de que nenhuma informação ficava escondida por muito tempo.

É claro que a magia de Logan era um segredo que nunca fora escancarado em Bar Harbor, mas Montgomery só precisou juntar poucas peças até concluir que o rapaz fazia parte do grupinho de Letitia e Summer. E isso também explicava o sumiço de Summer nos dias que se sucederam aquele último encontro no casarão. Fields encontrara um professor mais adequado.

Racionalmente, Petrus sabia que Summer tinha muito mais a aprender com um bruxo de verdade, com alguém que dominasse os mesmos poderes que ela e pudesse lhe dar instruções e lhe fornecer experiências pessoais como exemplos a serem seguidos. Mas aquele pensamento racional era jogado para longe pelo ciúme que Montgomery sentia com a ideia de ter sido trocado. Todo o tempo precioso que antes Summer passava no sótão, ao alcance de Petrus, agora era dedicado a outro homem.

Nem mesmo Montgomery suportava o próprio mau humor sempre que aquela ideia incômoda circulava em sua mente. E era isso que explicava o semblante fechado do vampiro naquela noite em que Letitia propusera uma reunião. Segundo a bruxa, eles precisavam se unir tanto em busca da cura que Petrus desejava quanto para resolver o enorme problema chamado Annabeth Kendrick.

O palco daquela atípica reunião era o casarão dos Montgomery por razões óbvias. Os jovens reunidos no imóvel afastado do centro de Bar Harbor não atrairiam a atenção de nenhum dos moradores. Os três bruxos chegaram pontualmente e Petrus estava largado em um dos sofás quando Letitia, Summer e Logan chegaram à sala.

- Vampiros tem ressaca?

Letitia provocou ao notar a aparência desleixada e o olhar de poucos amigos do Montgomery mais novo. Petrus retornara ao seu velho estilo e usava uma calça preta com uma camisa social cor de vinho, mas os cabelos atrapalhados não tinham visto um pente nas últimas horas. Os braços fortes estavam cruzados e permaneceram assim, o vampiro não demonstrou o menor desejo de saudar os recém-chegados com um cumprimento mais educado.

Propositalmente, Alaric tinha dito à Saphir que a reunião aconteceria meia hora mais tarde. Era aquele tempo que os jovens precisavam para decidir o que seria dito para a filha do prefeito. Letitia iniciou um discurso dizendo que Saphir não precisava saber sobre Annabeth Kendrick, e foi neste ponto que Petrus interrompeu a prima de Summer.

- Mas é lógico que ela precisa saber. Você iria querer ficar no escuro se tivesse uma vampira psicopata dividindo espaço com a sua alma?

- Eu só acho que a Saphir pode pirar, pode entrar em pânico e se descontrolar. É tudo o que a vadia psicopata precisa para se fortalecer. Vamos contar a verdade a ela sobre bruxaria, sobre a busca pela cura do vampirismo apenas para mantê-la por perto. Depois da quase-tragédia do iate, ficou claro que não é seguro deixar a Saphy sozinha.

- Quanto menos ela souber, mais vulnerável ela vai ficar. Além do mais, é uma imensa maldade esconder isso dela. A coitada vai achar que está ficando louca com tantas lacunas na memória e com a sensação de estar perdendo o controle das próprias ações.

Aquela discussão mostrava que Letitia e Petrus não chegariam facilmente a um acordo sobre o melhor caminho a ser seguido. Apesar da discordância, os dois apresentavam seus argumentos calmamente e conduziam a conversa de forma madura. Aquela racionalidade, contudo, foi jogada no ralo quando a voz grave de Logan soou na sala.

- Você está mesmo preocupado com a Saphir ou só quer empurrá-la de vez para o buraco para que a sua namoradinha psicopata te leve até a cura?

Petrus sabia que havia feito por merecer aquelas desconfianças e que Alaric e Summer continuavam chateados por ele ter cogitado a ideia de ceder à chantagem de Annabeth. Mas ouvir aquela acusação de Logan Kennedy era ofensivo demais. Os dois nem se conheciam e nada dava ao bruxo o direito de entrar em sua casa para atirar aquelas ofensas contra ele.

Letitia abriu a boca para sugerir que aquela decisão fosse tomada por uma votação democrática, mas a sugestão da loira foi interrompida por um grito de pânico.

Os reflexos foram rápidos demais até mesmo para os dois bruxos experientes presentes na sala. Petrus não precisou nem de dois segundos para ultrapassar a distância entre ele e Logan. A mão do vampiro o agarrou pela camisa e, mesmo Kennedy sendo um rapaz alto e forte, Montgomery o ergueu da cadeira como se estivesse levantando uma folha de papel. Os dentes pontiagudos estavam expostos, mas desta vez o vampiro não parecia estar com sede. Os dentes estavam ali como armas prontas para abrir um ferimento mortal na garganta do oponente.

Nem mesmo Letitia conseguiria impedir aquela tragédia, mas por sorte havia na sala alguém com reflexos tão rápidos quanto os de Petrus. Logan só não manchou o chão do casarão com seu sangue mágico porque Alaric foi mais rápido e afastou o irmão daquela confusão.

Os dois rapazes envolvidos na briga ainda se encaravam como animais selvagens quando Letitia se colocou no meio deles com os braços abertos e um semblante furioso.

- Eu só preciso estalar os dedos para estourar as cabeças dos dois! Já chega de palhaçada! O assunto é sério! A Saphir logo vai chegar e nós temos que decidir se vamos contar toda a verdade pra ela!

- Que verdade?

O caos chegou ao seu ápice quando a voz suave de Saphir soou vinda da porta da sala. A loira havia chegado ao casarão no meio da confusão e decidiu entrar sem se anunciar depois de ouvir o grito de Letitia. A expressão séria de Wegener mostrava todo o seu descontentamento em saber que a reunião havia começado sem ela e que estava sendo defendida a ideia de lhe esconderem uma informação.

- Que verdade, Alaric? – a loira pressionou o Montgomery mais velho – Achei que não houvesse mais segredos entre nós.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Seg Out 31, 2016 10:20 pm

Alguns dias tinham se passado desde o passeio no iate, mas as bochechas de Saphir Wegener ainda coravam sempre que a garota se lembrava da maneira como aquele dia terminara. Depois da tragédia provocada por Annabeth Kendrick, o clima pesado poderia ter estragado o dia feliz programado por Alaric, mas os dois jovens tinham sido capazes de resgatar o passeio da melhor maneira.

Era irônico que Saphir só tivesse se entregado a ele depois de saber que Montgomery era um monstro, mas foi exatamente aquela confissão do rapaz que permitiu que a loira confiasse nele. Wegener ainda achava que estava perdendo o juízo, mas seu sexto sentido era forte demais e lhe dizia que Alaric merecia sua confiança.

Os dois ainda davam os primeiros passos naquele relacionamento confuso e atípico, mas era impressionante como havia uma sintonia única entre eles. Mesmo sendo tão diferentes, os dois combinavam como se as gritantes diferenças servissem para completá-los.

Saphir não era totalmente inexperiente e já havia tido alguns relacionamentos durante os últimos anos na faculdade. Mas a experiência de se deitar com um vampiro era única e ia muito além da pele gelada de Alaric. O detalhe que mais surpreendeu Saphir foi a delicadeza com que o vampiro a tratou. Depois daquele momento íntimo com Montgomery, a última palavra que Saphir usaria para se referir a ele seria “monstro”.

Era exatamente por Wegener ter depositado tanta confiança em Alaric que a decepção a atingiu como uma onda quando a loira percebeu que ainda havia segredos escondidos naquela história maluca. Quando foi chamada a participar de uma reunião no casarão dos Montgomery, Saphir já se preparou para mais revelações chocantes. Ela só não imaginava que a reunião começaria sem ela para que informações lhe fossem ocultadas.

- Que verdade, Alaric? Achei que não houvesse mais segredos entre nós.

Saphir também estava decepcionada com Letitia, Summer e Logan, mas a sua maior frustração foi dirigida contra o Montgomery mais velho. Ela havia aceitado muito bem a notícia absurda de que existiam vampiros e que Ricky era um deles. Portanto, a loira se sentia ofendida em pensar que Alaric não confiava nela para mais revelações. Na cabeça de Saphir, nada poderia ser mais grave que o fato de estar apaixonada por um rapaz que sequer era humano.

- Hey, calma, Saphy!

Os lábios de Letitia se abriram num sorriso que tinha como único objetivo tentar acalmar os ânimos. Depois que Petrus e Logan quase se mataram, Mitchell queria evitar mais um ataque de fúria de outro vampiro.

- Nós não íamos te chamar aqui se quiséssemos te manter fora do jogo, ok? Você tá bem?

O semblante de Letitia se tornou sinceramente mais preocupado quando ela se colocou diante da amiga. As duas tinham crescido juntas, mas para Letty era estranho olhar para a filha do prefeito agora que ela sabia que havia uma vampira sanguinária escondida dentro dela.

- Estou.

- Está bem mesmo?

A insistência de Letitia fez as sobrancelhas de Saphir se franzirem em confusão. Wegener desceu os olhos para o próprio corpo, observando a própria aparência com auxílio das lentes dos óculos. Não parecia haver nada errado com sua calça preta justa, com o cropped estampado em tons de vermelho e com os cabelos lisos que caíam livremente às suas costas. A maquiagem leve a deixava até mais corada, com um ar saudável que não combinava com a preocupação de Mitchell.

- Não era para eu estar bem?

- Claro que sim! – Letitia forçou mais o sorriso – Só queria ter certeza de que você não está sentindo nada. Nem uma dorzinha de cabeça? Ou olhos lacrimejando? Enjoo?

- Ou quem sabe uma vontade sufocante de girar o pescoço em trezentos e sessenta graus, como a garotinha possuída do filme O Exorcista...

O comentário ácido de Petrus mostrava que o mau humor dele só havia piorado depois daquela briga com Logan. Ficou claro que não haveria uma decisão democrática quando o vampiro completou, com a voz firme.

- Contem logo pra ela!
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Nov 01, 2016 2:07 am

Parecia uma cena digna de um filme de baixo orçamento. Nem em sete décadas de vida, Alaric já havia vivenciado uma reunião que envolvesse vampiros e bruxos com um único objetivo. Era histórico que as duas espécies não se davam muito bem e as bruxas menos piores que já haviam cruzado seu caminho eram apenas “suportáveis”.

Naquele dia, os três bruxos e os dois vampiros haviam deixado de lado todas as diferenças em prol do grande problema que, de alguma forma, envolvia cada um dos presentes. Montgomery não tinha amizade com nenhum dos bruxos, mas já havia aprendido a conviver com Fields e sua prima. Logan era uma variável a mais naquela equação, mas se as duas bruxas tinham seus motivos para confiar nele, restava a Alaric aceitar mais uma ajuda.

Enquanto cada um apresentava os prós e contras de suas respectivas opiniões, Alaric permaneceu calado quase todo o tempo, escutando atentamente, sem conseguir chegar a uma conclusão.

Ele não conseguia pensar em esconder de Saphir a verdade. A menina tinha o direito de saber que não estava enlouquecendo e poder opinar diretamente sobre as soluções que deveriam trazer o fim de Annabeth Kendrick. Por outro lado, Letitia tinha excelentes argumentos para poupar Wegener daquela chocante realidade.

A última coisa que eles precisavam era que Saphir ficasse vulnerável e permitisse que Annabeth ressurgisse. Sua mente ainda guardava com perfeição a noite do iate, e infelizmente não eram apenas as boas lembranças que Alaric tinha para se recordar.

Os olhos cinzentos se estreitaram quando Petrus empurrou a todos os presentes na direção que obrigava Saphir a ouvir a verdade. Embora estivesse mais inclinado na decisão do irmão de que Wegener precisava saber o que realmente estava acontecendo, definitivamente não era sensato jogar aquela bomba de forma tão irresponsável. Aquilo só aumentaria a chance de Saphir surtar.

Um breve silêncio se instalou na sala e os presentes se encaravam, sem que ninguém tivesse a coragem de tomar a palavra seguinte. Alaric preferia mil vezes fugir de conflitos como aquele, mas a responsabilidade atingiu seus ombros de uma forma que ele não experimentava há décadas.

De todos os presentes naquela reunião, ele sabia que deveria partir dele iniciar o delicado assunto. Annabeth havia feito parte do seu passado e havia sido a sua hipnose que a despertara. Além do mais, o passo que ele e Saphir haviam dado naquele confuso relacionamento era a cartada final que o obrigava a representar a voz daquele grupo para a loira.

Algumas tábuas rangeram quando Alaric finalmente se moveu, e o som ecoou amplificado pelo cômodo silencioso. Ele ergueu um dos braços e tocou a curva da cintura de Wegener para guia-la até um dos lugares ao sofá.

Seria melhor que os dois pudessem ter aquela conversa em particular, mas Alaric sabia que não tornaria a escolha das palavras mais fácil.

- Saphy, nós temos algumas coisas que precisamos discutir com você... Foi por isso que a Letitia chamou esta reunião hoje.

Os olhos cinzentos deslizaram por cada um dos integrantes da sala, mas eles pareciam covardes demais para ajudar o vampiro naquela conversa delicada.

- Bom, você já sabe sobre o Pete e eu, óbvio... Mas existem mais alguns segredos espalhados por Bar Harbor.

Após a repentina briga entre os rapazes, Logan havia ocupado uma das poltronas mais próximas da lareira apagada. Como se quisesse se certificar de que um novo duelo não seria iniciado, Summer ocupou o braço da poltrona e estava com toda sua atenção voltada para a amiga.

Os cabelos negros da bruxa balançaram quando ela se inclinou para frente e abriu um sorriso cúmplice, finalmente trazendo um pouco de ajuda para Alaric.

- Em minha defesa, eu só comecei a descobrir os segredos da minha família nos últimos meses. E não estava exatamente animada para sair gritando pelas ruas que sou uma bruxa.

- Eu também não recebi nenhuma carta de Hogwarts quando tinha onze anos, mas sei sobre a magia há mais tempo que a Sum. – Logan não sorria, mas encarava Saphir de forma reconfortadora, tentando fazer com que Wegener não se sentisse uma aberração naquele grupo tão fora do padrão.

- Bruxa também. – Letitia ergueu o polegar em um sinal de “joinha”, revelando a sua identidade sobrenatural.

- Então, resumindo... Vampiro, vampiro... – Alaric apontou para o próprio peito, depois para Petrus, e seguiu pelos outros três. – Bruxo, bruxa, bruxa.

Lentamente, o dedo de Montgomery pousou em Saphir e ele fez uma pausa maior antes de completar, sem desviar o olhar do rosto da menina.

- E tem mais uma coisa que você precisa saber.

Ele espremeu os lábios por alguns segundos, ainda se sentindo inseguro com aquela decisão. Alaric provavelmente não teria seguido adiante se Summer não tivesse interrompido outra vez. Ela deslizou para fora do braço da poltrona e se juntou ao Montgomery mais velho, sentando na mesinha de centro de frente ao sofá ocupado por Saphir.

- Os detalhes são um tanto complexos e eu ainda estou tentando entender muita coisa. Mas meus pais fizeram uma coisa anos atrás. Uma coisa que eu tenho certeza que eles só estavam fazendo com as melhores intenções...

Mesmo por ter sido enganada toda sua vida sobre a sua verdadeira identidade, Summer ainda demonstrava a necessidade de defender os pais. Era pela atitude deles que a vida de Saphir estava tão complicada, e era aquilo que a incentivava a ajudar Alaric.

A bruxa puxou uma caixinha de joias que estava esquecida sobre a mesinha de centro e, de dentro, tirou a fotografia amarelada que já havia sido mostrada para Saphir uma vez. Como a loira havia tido a memória alterada, ela acreditaria que era a primeira vez que estava vendo a foto de Annabeth Kendrick.

Mais uma vez a sala mergulhou em um silêncio profundo enquanto Saphir analisava a fotografia. E mais uma vez foi a voz de Alaric quem quebrou a tensão do ar, retomando as palavras.

- Esta é Annabeth, Saphir. É uma vampira de quase um século de idade. Eu e o Pete a conhecemos quando ainda éramos humanos.

Alaric deixou de lado o pequeno detalhe de como a vampira brincava com os sentimentos dos irmãos Montgomery. De todo o drama, ele poderia ao menos poupar Saphir das ideias absurdas de que ele havia se apaixonado por ela apenas pela semelhança física com Kendrick.

- Nós descobrimos há pouco tempo que a Annabeth e você...

Summer tentou começar, sem conseguir explicar para a amiga que ela simplesmente não possuía um corpo, que sua alma havia sido empurrada para dentro de um receptáculo que pertencia a outra pessoa.

- Vocês dividem o mesmo espaço, Saphir. – Alaric finalmente concluiu, os olhos atentos em cada uma das reações da loira.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Ter Nov 01, 2016 8:28 pm

A surpresa por saber que os três amigos de infância também pertenciam ao mundo sobrenatural foi enorme, mas logo deu lugar a um sentimento muito parecido com esperança. Quando Alaric apontou o dedo na direção dela, Saphir encheu-se de expectativa. Tudo aquilo era inédito e muito assustador, mas inconscientemente a filha do prefeito queria fazer parte daquele grupo. Era frustrante ser somente uma humana comum quando todos ao seu redor tinham poderes fantásticos.

Ao contrário do que Saphir imaginava, contudo, as coisas não eram tão diretas quanto ela gostaria. Quando a fotografia mostrada por Summer entrou em seu campo de visão e Wegener viu o próprio rosto naquele contexto em que ela nunca estivera, uma ruguinha de confusão surgiu entre os olhos azuis.

Mesmo em meio a todas aquelas informações bizarras, a fotografia se destacava como a maior das aberrações. O semblante da loira ficou ainda mais confuso quando Alaric explicou que aquela era uma vampira que já existia muito antes do nascimento dos seus avós. Aquilo não fazia o menor sentido, visto que Saphir se lembrava com perfeição da própria infância e podia jurar que seu corpo definitivamente não tinha mais que vinte anos de existência.

- Como é???

A conclusão daquela informação era tão absurda que Saphir abriu um sorrisinho tenso e descrente. Os olhos azuis buscaram por Summer, como se esperassem que a amiga caísse no riso e zombasse dela por ter cogitado acreditar naquele absurdo. Todos na sala mantiveram as expressões sérias enquanto Logan tentava deixar as coisas mais claras para Wegener.

- Os pais da Sum sequestraram essa tal vampira Annabeth. E colocaram a sua alma dentro do corpo dela. Ainda não sabemos o por que, e nem como você foi parar na família Wegener. Mas o fato é que ela continua aí dentro e está se fortalecendo. Nós vamos trabalhar duro para resolver este problema, mas precisamos que você seja forte e não permita que ela tenha o controle da situação.

- Vocês estão me dizendo que eu estou possuída pelo espírito de uma vampira???

Incapaz de permanecer quieta depois daquela revelação bombástica, Saphir se ergueu do sofá. A loira apertava as mãos num gesto nervoso enquanto andava de um lado para o outro, sobre o tapete da sala dos Montgomery. Tudo aquilo parecia uma grande loucura, mas por outro lado explicava os últimos acontecimentos. As lacunas de memória, as ações não programadas, os “surtos”... Saphir não estava enlouquecendo, era apenas Annabeth Kendrick se manifestando em momentos de fraqueza da humana.

- Bom... se formos ser rigorosos com a lógica, é você o espírito que está possuindo o corpo da Annabeth. O corpo era dela antes da sua alma ser empurrada aí pra dentro.

A explicação de Petrus fazia todo o sentido, mas o vampiro recebeu olhares fulminantes de todos os presentes quando concluiu o seu raciocínio. Saphir parecia ainda mais chocada quando compreendeu a situação e se deu conta de que Montgomery estava certo.

- Você está certo. – os olhos azuis se encheram de lágrimas – Eu estou no corpo dela. Ela tem mais direitos do que eu nesta história.

- Tá vendo? – Letitia apontou para a outra loira e girou os olhos – Não era o melhor momento pra contar, eu disse que ela ia pirar! Não seja estúpida, Saphir. Você é uma alma humana e só isso já te dá mais direitos. A gente te contou isso pra você ser forte e nos ajudar a combater essa vadia, e não pra você ficar com peninha de uma louca sanguinária e ceder seu lugar pra ela, beleza? E você, babaca! – a bruxa estreitou os olhos para Petrus – Fique calado se não tiver nada produtivo para dizer!

Wegener parecia profundamente chocada e abalada com aquela revelação quando se voltou para Alaric. Havia uma certa mágoa em saber que Montgomery escondera aquela informação tão importante dela, mas o maior sentimento que incomodava a loira naquele momento era a dúvida. Ricky dissera que havia conhecido Annabeth Kendrick quando ainda era humano, mas não tinha mencionado que tipo de convivência tivera com uma vampira naquela época.

- Você achou que eu era ela no dia em que me encontrou na estrada...

As palavras soaram com um tom de afirmação. Saphir não tinha mais dúvida de que os irmãos Montgomery tinham reagido de maneira tão estranha porque enxergaram nela a antiga “conhecida”.

- Por que você convivia com uma vampira antes mesmo de ser transformado?

Ao ver o irmão sendo encurralado pelas dúvidas de Wegener, Petrus resolveu agir em defesa de Alaric. Saphir estava abalada demais para ter que lidar com a possibilidade de Ricky só ter se aproximado dela porque ainda amava Annabeth. Além disso, Petrus já havia percebido que aquela alma humana tornara-se alguém muito importante para o irmão mais velho.

- Beth e eu éramos amantes.

A confissão de Petrus ecoou pela sala silenciosa, trazendo a atenção de todos para si. O que amenizava a culpa de Montgomery era a certeza de que ele não estava mentindo. De fato, Petrus e Annabeth tinham protagonizado um romance tórrido e proibido no passado. O Montgomery mais novo só estava omitindo o fato de que Alaric também fizera parte daquele triângulo amoroso para que Saphir não ficasse ainda mais chateada e não colocasse um fim naquele relacionamento que fazia muito bem a Ricky.

Wegener não tinha motivos para duvidar daquela confissão, até porque aquilo explicava a reação bizarra que Petrus tivera ao vê-la pela primeira vez. Saphir havia pensado que Petrus era um garoto babaca que não respeitava Summer, mas na verdade ele só estava em choque por ter diante de si a imagem da antiga amante.

- E vocês dois...? – Saphir não soube como terminar aquela pergunta, então reformulou a dúvida que assombrava a sua mente – Você a quer de volta?

- É, você tem razão, Letitia. Ela pirou. – os olhos de Petrus giraram, mas ele abriu um sorriso compreensivo para Saphir – A última coisa que eu quero é ter a Annabeth de volta na minha vida. Eu também sou team Saphy, então bota a sua cabeça possuída no lugar e nos ajude com este problema, ok?
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Nov 01, 2016 11:37 pm

Os braços de Summer rodearam a amiga em um abraço, quando a reunião finalmente chegou ao fim. Prolongando aquele contato por longos segundos, ela se aproveitou da proximidade para sussurrar ao ouvido de Saphir, mesmo tendo a consciência de que os dois vampiros presentes ainda poderiam escutar.

- Nós vamos dar um jeito nisso, Saphy. Não vou descansar até conseguir consertar o erro dos meus pais. Prometo fazer a minha parte se você fizer a sua e manter a vampira louca adormecida.

Com um sorrisinho encorajador, Summer finalmente se soltou de Wegener e seguiu os passos da prima e de Logan para a varanda. O range rover estava estacionado em frente ao casarão dos Montgomery e foi Letitia quem tomou a dianteira para entrar no carro, deixando os outros dois bruxos há alguns passos de distância.

- A coitada não deveria ter sido bombardeada desta forma. Deveríamos ter tido mais tempo para preparar a Saphir. Uma notícia como essa é capaz de desestruturar qualquer um...

Enquanto ainda estava sendo discutida a decisão de contar ou não para Wegener sobre Kendrick, Summer havia permanecido calada. Mas ao contrário de Letitia e Logan, ela não tinha tanta certeza assim que a amiga deveria ser poupada daquela verdade.

Petrus poderia não ter o melhor tato do mundo para tratar o assunto, mas Summer concordava com o vampiro de que era do direito de Saphir saber a verdade. Nem em um milhão de anos Summer iria preferir a ignorância, enquanto todos a sua volta a encaravam como uma pobre coitada.

- Talvez você devesse dar mais crédito para a Saphir. Ela não é tão frágil quanto parece.

Por ter passado praticamente toda a sua vida sendo vista como uma bonequinha frágil que não era capaz de encarar a realidade da própria família bruxa, Summer imaginava que Saphir também não deveria ser tratada de forma tão delicada.

- Ainda assim, Sum... Imagine descobrir que você não tem um corpo próprio? Que está praticamente roubando as pernas de uma vampira para andar por aí? – Logan parou ao lado do carro e abriu a porta do carona para que a menina entrasse. – Não é o tipo de vida que eu iria querer pra mim.

Ao invés de entrar no carro, Summer apenas parou diante do rapaz e o encarou com atenção. Logan tinha mais de um palmo de diferença de altura, um nariz reto perfeito e com uma expressão ainda de menino.

- Viver uma mentira também não é vida, Logan. Além do mais, ela já sabe a verdade. Só o que podemos fazer agora é tentar acabar com esse pesadelo de uma vez por todas.

- Todos nós estamos nos esforçando para isso, Sum. – Letitia se inclinou para frente e enfiou a cabeça entre o banco do motorista e do carona, virando-se para encarar os dois bruxos ainda do lado de fora. – Mas por mais otimista que a gente queira ser, a gente não tem nada. A Annabeth já está em vantagem.

Os três bruxos se encararam por alguns segundos antes que o olhar de Logan finalmente se fixasse em Summer, uma ruga formada entre suas sobrancelhas, provocada pelo sol da tarde que refletia diretamente em seus olhos verdes.

- Talvez eu tenha alguma coisa. Onde começar, pelo menos. – Ele apoiou um dos braços no carro antes de completar. – Um velho amigo dedicou toda a sua vida a estudar a magia em vampiros. Tenho certeza que ele pode nos ajudar em uma pista, pelo menos...

Summer buscou pelo olhar da prima, refletindo sobre aquela informação. Por um lado, ela queria se apegar a qualquer novidade que pudesse aprender e ajudar Saphir. Mas algo no fundo da sua mente lhe dizia que envolver mais uma pessoa naquele assunto seria arriscado demais.

- Bom, você não pode tentar conversar com ele e ver o que sabe sobre o assunto? – Summer se remexeu, se sentindo incomodada, mas com receio de demonstrar alguma ingratidão pela ajuda de Logan.

- É claro, sem problemas. – Ele ergueu um dos ombros de maneira displicente. – O que me diz de sair um pouco de Bar Harbor e me ajudar nessa? Um final de semana em Boston pode ser bastante produtivo.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Qua Nov 02, 2016 12:23 am

Como de costume, a noite de Bar Harbor estava quieta e silenciosa. Além do vento suave, os únicos ruídos que ecoavam na rua vazia vinham dos passos do rapaz que se aproximou de uma das casinhas daquele bairro calmo. Os olhos azuis escuros estudaram com atenção a já conhecida janela do segundo andar antes que seus joelhos se flexionassem, impulsionando o corpo jovem num salto que faria inveja a qualquer atleta olímpico.

Com uma habilidade desumana, o vampiro alcançou a janela entreaberta e deslizou para dentro do quarto silenciosamente. O cômodo estava escuro, mas os olhos já acostumados com a escuridão não tiveram a menor dificuldade em enxergar a garota que dormia sob os lençóis.

A respiração rítmica de Summer Fields ecoava suavemente no quarto, denunciando seu sono tranquilo. O perfume natural da menina também parecia mais forte graças à porta fechada e aos objetos já impregnados com seu cheiro. Embora aquela “visita” tivesse uma motivação bem objetiva, Petrus não resistiu à tentação de admirar aquela bela imagem por longos minutos.

Summer era linda. O Montgomery mais novo a conhecia há pouco tempo, mas era impressionante como a sua memória já havia guardado cada detalhe do rosto da jovem bruxa. A aparência de menina indefesa não combinava com a determinação e a coragem que Summer demonstrava e esta aparente contradição só contribuía para que Petrus se sentisse ainda mais atraído por ela.

Não era somente o sangue, apesar de Petrus não conseguir negar uma predileção irracional pelo sabor das veias dela. Montgomery se sentia mais humano depois de ter construído por Fields um sentimento que ia além dos instintos de um vampiro, e talvez por isso fosse tão difícil simplesmente deixar aquilo de lado.

Summer já havia dito com todas as letras que não havia um futuro para os dois, mas Petrus era incapaz de abafar aquele sentimento e prosseguir sem ela.

Com passos silenciosos de um predador muito bem adaptado, Montgomery se aproximou da cama. Ele só precisaria de um movimento para imobilizar Summer e para cravar os dentes no pescoço dela. Não seria a primeira vez que o vampiro mataria a sua sede com uma vítima tão indefesa, imersa em seus sonhos.

Naquela noite, contudo, os instintos irracionais foram deixados de lado. Os dentes pontiagudos não estavam expostos quando Petrus se agachou ao lado da cama. Os dedos frios tocaram o rosto delicado da menina num despertar suave, totalmente isento da hipnose que ele fatalmente usaria se estivesse ali para saciar a sede de sangue.

- Summer...

A voz grave soou baixa, ecoando suavemente pelo quarto silencioso. As roupas escuras faziam com que Petrus ficasse parcialmente camuflado na penumbra, mas seu rosto pálido estava muito próximo de Fields quando os olhos da menina se abriram.

- Shh, fique calma. Sou eu.

Não parecia ser um grande alívio saber que o invasor do quarto era um vampiro, mas Montgomery não parecia ameaçador naquela noite. Ao contrário, a expressão dele refletia uma sincera preocupação quando o rapaz completou.

- Precisamos conversar sobre a ideia estúpida de pedir a ajuda de um bruxo em Boston.

A declaração de Petrus mostrava que, mesmo estando distante do carro, seus ouvidos sensíveis tinham acompanhado a conversa dos três bruxos. É claro que Montgomery não gostava de pensar que Summer passaria um final de semana na companhia de Logan Kennedy, mas seu desgosto pessoal não era a única razão para Petrus se posicionar contra aquela ideia.

- Bruxos não são confiáveis, sabia? Você está mal acostumada com os bruxinhos legais de Bar Harbor, mas eu já conheci vários exemplares da espécie e posso te garantir que é uma péssima ideia contar os nossos segredos para o tal amiguinho daquele bosta. Estou farejando problemas. É melhor manter isso só com a gente por enquanto.

Petrus se sentia imensamente desmotivado desde que a bruxa o dispensara, mas isso não significava que o vampiro agora era indiferente ao drama que todos estavam vivendo. Ele se importava com Summer, com Alaric e também com Saphir. Montgomery também pensava em si mesmo quando colaborava para que Annabeth não ressurgisse para atormentá-los novamente.

Embora ele soasse – e estivesse – enciumado naquela noite, Petrus realmente achava que era um risco desnecessário expor aquela situação tão delicada para um estranho. Ainda mais um estranho com domínio de magia.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Nov 02, 2016 1:15 am

Durante sete décadas, Alaric já havia se acostumado a ficar apenas com a presença de Petrus. As pessoas normalmente apenas passavam pela sua vida por um breve período de tempo, mas nunca o suficiente para que ele se apegasse. Até porque, Montgomery não tinha motivo algum para se apegar a outra pessoa.

Sua vida se resumia a se alimentar, se divertir e fazer o que bem entendesse, desde que não prejudicasse de forma irreversível o estilo de vida que ele e o irmão haviam adotado. Alguns vampiros acabaram se tornando bons conhecidos e boas opções para festejar quando estavam entediados. Humanos eram basicamente usados como alimentação, pois fazia ainda menos sentido criar algum elo com eles, que teriam a vida interrompida enquanto a eternidade do vampiro o obrigaria a continuar de pé. E bruxos simplesmente não faziam parte de um bom ciclo de convivência.

Era a primeira vez que Alaric se unia a tantas espécies diferentes, e ainda mais surpreendentemente, se importava com alguma coisa. Depois de tantos anos acostumado com aquela vida vazia, era assustador e Montgomery ainda estava tentando lidar com a sensação esquisita em seu peito.

Em sua vida solitária, ele encontrou o silêncio incômodo pela primeira vez quando a reunião foi encerrada e os bruxos saíram da casa. O problema estava exposto e não havia mais para onde fugir. Nem mesmo a sua personalidade mais relaxada conseguia encarar o clima tenso.

Alaric guiou Saphir até o andar de cima e encostou a porta do quarto. A audição aguçada de Petrus não daria total liberdade ao casal, mas aquela simples barreira física poderia trazer a privacidade que a menina precisava depois da tarde agitada.

Ele esperou que Wegener caminhasse até o meio do quarto e encostou as próprias costas contra a madeira da porta, mantendo os braços cruzados enquanto a estudava com atenção. Saphir ainda não havia derramado uma única lágrima, não havia quebrado nada na sala e não havia gritado com ninguém. Para Alaric, a menina estava sendo absurdamente forte, mas ainda assim era uma notícia bombástica demais para ser digerida com tanta facilidade.

O jeans desbotado e a camisa branca de mangas dava a Montgomery um ar mais despojado, de quem não tinha intenção de sair de casa. Ainda assim, o tecido que rodeava seus braços realçava cada um dos músculos, mostrando que até mesmo nos trajes mais a vontades, Alaric conseguia ser absurdamente atraente. Os cabelos loiros estavam ligeiramente bagunçados e ele encarava Saphir com atenção.

- Você não está ficando louca, Saphir. Mas ninguém vai te julgar se você resolver surtar. Posso chamar o Petrus aqui e você pode usá-lo como saco de pancadas, se quiser gastar um pouco das suas energias...

Ele descruzou os braços apenas para apontar a porta às suas costas com o polegar, trazendo uma sombra de sorriso que logo desapareceu quando começou a caminhar em direção a Wegener.

- Nós vamos precisar adotar algumas meditas de prevenção, Saphy. Aquilo que aconteceu no barco foi inteiramente a Annabeth. Nós não podemos deixa-la assumir o controle outra vez.

O rapaz parou diante de Saphir e suas mãos foram erguidas para tocar os cabelos loiros, jogando-os por trás dos ombros magros. Quando o rosto dela estava inteiramente exposto, Alaric pousou seus dedos frios ao redor do pescoço dela e apoiou os polegares no maxilar, fazendo com que o rosto dela se inclinasse para que os olhares se encontrassem.

- Você vai dormir aqui esta noite. Sem discussão. Ligue para seus pais e avise que vai dormir na casa da Summer. Nas próximas noites, eu mesmo vou me encarregar de ficar na sua casa...

Uma das sobrancelhas de Montgomery se ergueu e ele abriu um sorrisinho torto, lembrando de novo a confiança do rapaz e tentando diminuir a tensão daquele dia.

- Bom, falando assim em voz alta... Me parece que vai ser bastante divertido cuidar de você. Posso pensar em algumas coisas que podemos fazer no meio tempo.

Ainda com o sorriso nos lábios, Alaric se inclinou para frente e inicou um beijo carinhoso. Era impressionante como ele tinha a nítida impressão de que o seu corpo frio se aquecia sempre que tocava Saphir daquela forma.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Nov 02, 2016 1:47 am

As pálpebras pesadas de Summer se ergueram e ela franziu a testa imediatamente, forçando a vista para tentar enxergar em meio ao breu do quarto. Qualquer pessoa normal iria se sobressaltar ao ser despertada no meio da madrugada, mas mesmo sem a hipnose, o coração de Fields parecia saber que não havia nada a temer.

- O que você está fazendo aqui?

Com a expressão sonolenta, a menina ergueu o punho e coçou os olhos ardidos enquanto sua mente tentava compreender as palavras de Petrus. O comportamento pouco habitual de Montgomery era o suficiente para que ela não se surpreendesse com aquela visita repentina em um horário tão inapropriado.

Além do mais, Summer ainda precisava trabalhar com a teoria de que aquilo era apenas um sonho, e se assim fosse, poderia aproveitar sem culpa a presença de Petrus, sem precisar lidar com a razão e todas as coisas que apontavam que desejar a companhia dele era errado.

Quando Montgomery guiou a conversa para o real objetivo, Summer logo compreendeu de que não se tratava de nenhum sonho. Com um suspiro cansado, ela se remexeu na cama até sustentar a parte de cima do corpo com o cotovelo. Um dos braços foi esticado até alcançar o abajur em sua cabeceira, permitindo que a luz amarelada iluminasse o quarto.

A claridade fez com que ela espremesse mais os olhos, mas mesmo com a expressão de quem havia acabado de acordar, Summer ainda parecia uma menina delicada e atraente. Os cabelos negros estavam marcados pelo travesseiro, mas aquilo só realçava as ondas largas. Os ombros magros estavam expostos, cobertos apenas pela fina alça da camisola de seda branca. Em seu colo, o detalhe da renda da delicada peça realçava a aparência mais angelical da menina.

- Você não sabe usar o telefone? Podia ter enviado uma mensagem, se era só pra eu saber que preciso tomar cuidado quando estiver tendo alguma conversa particular perto da sua casa.

Apesar da escolha das palavras, Summer não parecia furiosa ou ofendida com aquela invasão de privacidade. Ela sequer parecia surpresa em ver Petrus se intrometendo no assunto dos bruxos.

Ainda deitada de lado, com o tronco parcialmente suspenso e apoiado pelo cotovelo, Summer encarou Petrus sem críticas ou repreensões. Era quase um olhar compreensivo, demonstrando que Fields concordava com as preocupações dele, já que ainda havia uma vozinha no fundo da sua mente lhe dizendo a mesma coisa.

- Pessoas não são confiáveis, Pete. Bruxos, vampiros, humanos. Existem maçãs podres em todas as raças...

Um ruído vinha do andar inferior, capaz de alcançar até mesmo os ouvidos humanos de Fields. Ela ergueu o olhar por cima do ombro de Petrus, estudando a porta fechada do quarto com uma ruguinha de preocupação. Sem voltar a encarar Montgomery, ela deslizou as pernas para fora das cobertas e deixou a cama, caminhando silenciosamente sobre o carpete até alcançar a porta.

Sua cabeça foi colocara para fora do corredor e o som da televisão imediatamente se tornou mais intenso, mas fora isso, não havia sinal de mais ninguém por perto. A porta foi novamente fechada com cautela e desta vez Summer tomou o cuidado de virar a chave, mantendo o quarto trancado.

- Não se preocupe, o Logan deve ter dormido vendo televisão outra vez.

Summer voltou para perto da cama e desta vez se sentou, apoiando as costas contra a cabeceira acolchoada. O lençol foi usado para cobrir suas pernas e os cabelos ficaram ainda mais livres para caírem sobre os ombros quase nus.

- Ir até Boston pode não ser a melhor ideia do mundo, mas é o que temos hoje. Você, melhor do que ninguém, sabe do que a psicopata da sua ex é capaz de fazer.

Foi a vez de Summer utilizar as palavras em um tom enciumado. Annabeth era parte do passado de Petrus e ele já havia demonstrado dezenas de vezes que não desejava mais revê-la. Mas a ideia de ter outra mulher tão experiente para ocupar as lembranças de Montgomery era indigesta, principalmente quando tinha a imagem de Saphir como uma constante recordação.

- Eu não vou ficar de braços cruzados esperando mais uma tragédia acontecer, Petrus. Eu vou com o Logan até Boston. O mínimo que você pode fazer é torcer para que a gente tenha suecsso.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Qua Nov 02, 2016 2:31 am

A ideia de que precisava de um vampiro como “babá” não era nada agradável para Saphir, mas a loira não tinha coragem de recusar a ajuda que Alaric oferecia. Era desesperador pensar em ficar sozinha agora que ela sabia que havia outra pessoa – e uma pessoa poderosa – em sua mente. A cena do iate só provava que Wegener não estava segura.

Assim como Annabeth se aproveitara de um breve momento de fraqueza para dominá-la naquele dia, aquilo poderia se repetir outras vezes. Saphir estava disposta a não se entregar tão facilmente, mas isso não mudava o fato de que ela era somente uma alma humana que duelava contra uma vampira cruel com décadas de experiência.

- Eu tenho a impressão de que vou acordar a qualquer momento e vou descobrir que este é o pesadelo mais longo e mais bizarro de toda a minha vida.

A situação de Wegener era muito crítica e ninguém a julgaria se a moça pirasse, mas Saphir não pretendia se render ao desespero. Todos tinham sido muito claros ao dizer que Annabeth só precisava de uma oportunidade para dominar o corpo que as duas dividiam. O pânico era um caminho que só favorecia Kendrick naquela guerra.

Por outro lado, era impossível sentir-se totalmente tranquila. As mãos ligeiramente geladas que Saphir apoiou nos ombros de Alaric denunciavam que ela não estava inteiramente serena, mas o beijo de Montgomery foi capaz de suavizar a mente atormentada dela.

Ricky podia ter um comportamento galanteador e não inspirar a confiança plena de nenhuma garota que já passara pela sua vida. Mas Saphir conseguia enxergá-lo muito além da imagem do conquistador que Alaric queria que todos vissem. Com ela, Montgomery demonstrava um carinho inédito e um instinto de proteção desinteressado que só era despertado por Wegener.

- Pensando bem, acordar não seria um alívio tão grande. Eu não teria você.

Parecia precoce demais derreter-se daquela maneira por um rapaz que ela conhecia há poucas semanas, mas aquela suavidade fazia parte da natureza de Saphir, o que a deixava bem diferente do comportamento sempre ousado e desprendido de Annabeth. Além disso, aquela situação tão tensa e atípica só servia para aproximar ainda mais o casal.

Certa de que Annabeth fora apenas uma antiga amante de Petrus, Wegener não fazia ideia de que a vampira também havia significado muito no passado de Alaric. Foi numa completa inocência que Saphir acariciou o rosto frio do vampiro e pareceu um pouco preocupada ao formular aquela pergunta.

- Não é estranho para você e para o Petrus?

Antes que Ricky interpretasse mal aquela pergunta, a loira concluiu o raciocínio.

- Ele não se sente incomodado em ver você tão próximo do corpo que pertenceu à ex-namorada dele?
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Qua Nov 02, 2016 3:18 am

- Eu não quero que você vá.

As palavras não soaram autoritárias, mas a entonação de Petrus deixava muito claro que ele não pretendia recuar naquela argumentação. Sua voz ecoava baixa dentro do quarto para não chamar a atenção de Letitia e Logan, mas dentro do cômodo Summer não teria dificuldade para escutá-lo.

O ciúme que já o perturbava atingia níveis preocupantes com o pensamento de que Logan Kennedy estava tão perto de Fields. Não parecia haver nada errado em deixar que um amigo ocupasse o sofá da sala, mas Petrus sentia-se péssimo em saber que Logan estava há poucos passos de distância de Summer enquanto ele ficava num casarão há vários quilômetros dali.

Quando as palavras de Fields soaram tão enciumadas quanto as dele, Montgomery curvou os lábios num sorriso. Era um alívio saber que ele não era o único ali contaminado pelo veneno dos ciúmes.

- Uma péssima ideia não é melhor que ideia nenhuma, Sum. Não precisamos nos arriscar assim. Não estou sugerindo que fiquemos de braços cruzados esperando que uma solução caia do céu. Eu só estou te pedindo para não mergulhar de cabeça em uma grande burrada.

O discurso de Petrus até então era muito racional. Era notável que ele estava preocupado com os riscos que aquela viagem traria a todo o grupo, e principalmente aos dois que seriam diretamente envolvidos na tarefa. Mas logo aquela máscara de racionalidade se espatifou em mil pedaços e Montgomery deixou escapar que não era somente na equipe que ele estava pensando naquela noite.

- Eu não quero este cara perto de você.

Os olhos escuros se estreitaram, mas a voz de Petrus continuou contida e suave mesmo com a vontade de descer até a sala para terminar a briga que fora interrompida à tarde no casarão.

- Eu não gosto da maneira como ele olha para você, da forma irritante como ele sempre inventa desculpas para te tocar quando estão conversando. Eu deveria ser santificado por ainda não ter acabado com a raça dele.

Petrus julgaria qualquer rapaz que protagonizasse uma ceninha de ciúmes como aquela, mas todo o constrangimento foi deixado de lado durante aquele desabafo. Sua mente estava concentrada unicamente em Summer quando Montgomery inclinou-se sobre a cama, aproximando seu corpo do corpo da bruxa.

- Diga o que quiser, acuse-me do que preferir. Só não questione a minha inteligência e os meus instintos dizendo que você não sente o mesmo por mim, Sum.

A lembrança da última conversa ainda estava vívida demais na memória de Petrus. Um sorriso discreto brotou em seus lábios quando sua mente resgatou a lembrança de Summer confessando que queria ficar com ele, mesmo não estando sob o efeito da hipnose.

E foi esta mesma memória que deu a Montgomery a segurança para seguir adiante naquela noite. Petrus sabia que não estava atropelando os desejos de Summer quando levou os dedos frios até o rostinho delicado. A carícia desceu suavemente pela bochecha até alcançar o pescoço e depois a nuca de Fields.

Sem nenhuma resistência por parte da menina, Montgomery deslizou o próprio corpo para cima do colchão de Summer e aproximou-se o bastante para roçar seu nariz no dela, num gesto carinhoso que simplesmente não combinava com a essência selvagem de um vampiro.

- Não sei que tipo de bruxaria você usou para me conquistar, mas eu te garanto que deu certo.

As últimas sílabas já foram ditas com os lábios de Petrus tocando os de Summer em busca de mais um beijo carinhoso.

Décadas atrás, o Montgomery mais novo se sentia verdadeiramente atraído por Annabeth, mas nem mesmo a vampira experiente despertara nele a plenitude de sentimentos encontrada nos braços da jovem bruxa de Bar Harbor.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Nov 02, 2016 7:54 pm

Alaric nunca tinha tido muitos problemas em mentir. Afinal, a mentira fazia parte da sua essência e quando algo saía do controle, tudo era resolvido magicamente com alguns segundos de hipnose em que ele controlaria a mente de sua vítima para recordar apenas o que ele quisesse.

Saphir parecia que cruzara seu caminho para acabar com aquela natureza do vampiro. Nos últimos dias, Alaric havia sido obrigado a enfrentar as verdades mais pesadas das últimas décadas de sua existência. E ele simplesmente não tinha a opção de fugir daquela vez. Não enfrentar a realidade era uma opção muito mais fácil, mas igualmente impossível.

Era uma grande piada do destino que ele acabasse se rendendo logo a única mulher que tivesse a mesma aparência de Annabeth. Talvez fosse algum carma, mas ele não estava tentando entender as armadilhas da vida quando tinha muitas outras prioridades.

Por estar mergulhado na verdade naqueles últimos dias, uma sombra cobriu as íris cinzentas quando Saphir perguntou sobre o relacionamento de Kendrick com seu irmão caçula. Um bom observador teria notado como ele ficou repentinamente desconfortável, mas ainda assim, Ricky tinha tempo suficiente de prática com as mentiras para esconder os pensamentos que surgiam em sua mente, tentando ignorar o inédito desconforto por não ser completamente honesto com Wegener.

- Acredite ou não, Saphir... mas você e a Annabeth são assombrosamente diferentes.

Algumas tábuas rangeram quando Alaric caminhou até a grande cama. A cabeceira era alta e de madeira grossa, em um modelo antigo, mas ao mesmo tempo banhada em elegância. Em contraste, o colchão era novo e confortável, afundando apenas insignificantes centímetros quando o rapaz se acomodou sobre ele. Saphir foi trazida pela mão e Alaric só continuou sua explicação depois que os dois estavam deitados, com a cabeça da loira apoiada contra seu peito.

- Eu sei que é meio ridículo dizer isso. Você viu a fotografia dela e parece que você está vestindo uma grotesca fantasia de Halloween.

Um sorrisinho apareceu no canto dos lábios do vampiro quando ele se perguntou internamente se Annabeth era capaz de ouvir aquelas palavras. Para Kendrick, Saphir era a intrusa que roubara o seu corpo. E mesmo tendo conhecido a vampira primeiro, para Alaric, a situação era completamente invertida. Ele estava se acostumando muito mais com a imagem delicada de Wegener.

- Mas eu conheci a Beth, Saphir. Vocês não poderiam ser mais diferentes...

Alaric inclinou o rosto para o lado e apoiou os lábios sobre o topo da cabeça de Saphir. Seus braços estavam ao redor do tronco dela e os olhos cinzentos fitavam o lado extremo do quarto, perdido nas lembranças do passado. O polegar acariciava suavemente a pele, em uma carícia constante.

- Além do mais, eu acho que a sua amiga bruxa é distração suficiente para que ele não se importe com a sua aparência com a Annabeth.

Uma de suas mãos se ergueu até alcançar o queixo de Wegener. O rosto dela foi virado delicadamente até que os olhares se encontrassem. Montgomery não precisava que seu coração batesse contra o peito para saber que era afetado pela doçura no olhar de Saphir.

- Eu me preocupei com isso no começo, mas acho que o Petrus finalmente superou a vadia psicopata.

Entre as sobrancelhas bem desenhadas, surgiu uma ruguinha junto com um pensamento que até então não havia assombrado Alaric. Ele havia ficado tão preocupado com a reação de Petrus com a aparição de Saphir, que só agora começava a se questionar sobre o que a menina pensava sobre o caçula. Wegener não parecia ter nenhum interesse em Petrus, mas Alaric não sabia até onde Annabeth poderia influenciar nos sentimentos dela, ao ponto de criar alguma sementinha indevida.

- É estranho pra você? Além de todas as bizarrices... Você iria preferir o Petrus?

Alaric sabia que estava apenas alimentando a insegurança do passado, criada por Annabeth. Mas ele precisava ouvir com todas as letras aquelas palavras que nunca tinha ouvido da vampira.

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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Qua Nov 02, 2016 8:38 pm

Por estar tão acostumada com o comportamento prepotente e galanteador de Alaric, Saphir estranhou imensamente as palavras inseguras que saltaram dos lábios dele. Mesmo que ainda não desconfiasse do turbulento passado que envolvia Ricky, Annabeth e Petrus, a loira tinha certeza de que o Montgomery mais velho não estava tão à vontade com a atual situação quanto queria transparecer.

A princípio, Wegener imaginou que Alaric somente estivesse com medo de que a vampira que vivia dentro dela fosse capaz de influenciar seus sentimentos na direção de Petrus. Saphir jamais imaginaria que Montgomery estava revivendo ali uma insegurança de décadas atrás.

- Deixe-me ver se eu entendi o seu questionamento...

Uma prolongada pausa se sucedeu às palavras da loira e ela afastou o tronco apenas o suficiente para buscar pelas íris cinzentas do vampiro.

- Você está me perguntando quem seria o meu preferido se, em uma situação hipotética, você e o Petrus me quisessem?

A reformulação daquela pergunta foi feita num tom irônico e, por um breve momento, Saphir ficou ainda mais parecida com a vampira cruel que adorava brincar com os sentimentos dos dois irmãos Montgomery. Mas a diferença entre Annabeth e Wegener se tornou gritante quando a loira fez algo que Beth nunca havia feito.

Com um movimento ágil, Saphir passou uma das pernas para o outro lado do tronco de Alaric, acomodando-se sobre a cintura dele. Aquela ousadia foi o suficiente para corar as bochechas da moça, mas ela não se acovardou em dar a resposta que Alaric precisava.

- Eu pareço minimamente inclinada a escolher o Petrus? Eu só não me ofendo com esta pergunta ridícula porque entendo que seus neurônios devem sofrer com a idade avançada. – Wegener não piscava quando finalmente pronunciou as palavras que Alaric tanto quisera ouvir no passado – Eu quero você. Só você, Ricky.

Os cabelos loiros cobriram o rosto de Montgomery como uma cortina enquanto Saphir se inclinava para cobrir os lábios frios do rapaz com um beijo. Depois daquele dia agitado, tudo o que a garota precisava era sentir-se protegida nos braços de Alaric e de encontrar nas carícias dele algum alívio para a tensão que a atormentava.

Os primeiros raios de sol entravam no quarto através de brechas da cortina de veludo e atingiam os dois corpos que repousavam sobre a cama. A garota estava com a cabeça apoiada no peito do rapaz e uma das mãos tocava carinhosamente o abdome bem definido dele. Os cabelos loiros bagunçados estavam espalhados pelo lençol e caíam como uma cascata pelo braço forte que a enlaçava. O cobertor só escondia os corpos da cintura para baixo, mas já era o bastante para concentrar o calor que vinha do corpo de Saphir e tornar as pernas de Alaric tão quentes quanto as da humana.

O peito de Wegener subia e descia de maneira rítmica. Por outro lado, Alaric estava tão imóvel que quem não conhecesse a história dele poderia pensar que Saphir estava deitada ao lado de um cadáver.

A loira, contudo, não pareceu nem meramente assustada quando abriu os olhos e observou o rapaz que dividia a cama com ela. Um sorriso tranquilo surgiu nos lábios dela e Saphir puxou o cobertor para esconder seu tronco exposto antes de inclinar-se para acordar Alaric com um delicado beijo nos lábios.

- Por favor, me diga que vocês guardam comida nesta casa para situações de emergência...

A voz suave soou em tom de brincadeira e Saphir fez uma carícia no rosto sonolento de Montgomery, terminando o gesto com os dedinhos enfiados nos cabelos claros dele.

- Porque o meu estômago humano está prestes a acionar o botão de emergência. Eu estou faminta.

Wegener rolou pela cama ainda com um sorriso doce nos lábios, mas aquela expressão suave se desfez quando ela pegou o celular no criado-mudo e encontrou dezenas de mensagens e ligações vindas de casa. Saphir havia se entretido tanto com Alaric que simplesmente se esquecera de ligar para avisar os pais que dormiria na casa de Summer, e provavelmente aquela não era uma desculpa disponível já que muito provavelmente os Wegener tinham procurado por ela na casa da melhor amiga.

- Ai, droga! Mudança de planos, eu tenho que ir para casa antes que meu pai bote o exército atrás de mim!

A garota havia saltado para fora do colchão e recolocara somente a lingerie quando batidas nada suaves ecoaram da porta da sala até o segundo andar. Os olhos profundamente azuis de Saphir quase saltaram para fora do rosto quando a voz familiar do delegado ecoou do lado de fora.

- É a polícia! Se não abrirem, nós vamos invadir a casa!

- Meu pai é paranoico e botou um rastreador no meu carro. – Wegener confessou num sussurro apavorado – Eu me esqueci completamente disso.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Nov 02, 2016 9:10 pm

Se conseguisse raciocinar normalmente, Summer teria ficado furiosa com o tom enciumado nas palavras de Petrus. Ele não tinha o direito de reclamar de Logan, que só tinha a intenção de ajudar. Além do mais, o relacionamento dos dois era tão complicado que o rapaz sequer tinha o direito de estar ali.

Mas exatamente como havia acontecido no corredor do casarão, a mente de Fields foi incapaz de pensar com clareza, afetada pela proximidade de Petrus. A temperatura do seu corpo começou a subir e ela começou a se sentir mais mole, mas não havia nenhuma influência da hipnose quando ela se entregou ao beijo. Suas mãos imediatamente se ergueram para acariciar a nuca do rapaz e o coração saltava contra seu peito, reagindo aos toques dele.

A luz amarelada do abajur projetava as sombras dos dois corpos na parede oposta e o som da televisão no andar inferior chegava abafado, mas completamente ignorado pelos sentidos entorpecidos de Summer. Com as pontas das unhas, ela arranhou levemente a nuca de Petrus, correspondendo ao beijo carinhoso que se tornava intenso a cada novo movimento.

Summer já havia vivido aquela experiência outras vezes e sabia exatamente o caminho perigoso que estava seguindo, mas a possibilidade de ter os dentes de Petrus cravados em seu pescoço não era motivo suficiente para fazê-la se afastar.

Os lábios só se soltaram por um instante, para que a menina puxasse o ar para os seus pulmões. Aquele breve intervalo serviu para que ela buscasse pelo olhar dele, mostrando as íris azuis brilhando pela emoção e a boca entreaberta, avermelhada pelos beijos.

- Eu quero você. Eu não me importo com o Logan e nem com mais ninguém.

Bar Harbor era uma cidade pequena demais, o que levava a Summer a conhecer praticamente todos os rapazes solteiros. Nenhum deles havia sido capaz de despertar o interesse da herdeira dos Fields e apenas Petrus conseguira arrancá-la da depressão e fazendo o seu coração bater mais rápido.

O problema era que aquilo também significava que Summer nunca havia estado em uma situação tão íntima com outro rapaz antes. Os namoradinhos inocentes do seu passado jamais haviam entrado em seu quarto sem que a porta estivesse aberta e as carícias não haviam ido longe, de modo que a fina barreira da camisola estava muito além do nível de intimidade já vivenciado por Fields.

Mas nem mesmo a sua inexperiência foi capaz de amedronta-la naquela noite. Os olhos azuis estavam atentos no rosto de Petrus e um discreto sorrisinho brincou em seus lábios.

- Além do mais, achei que eu fosse só uma tola criança que não deveria fazer ameaças. Se não sou capaz de te ameaçar, por que acha que eu conseguiria fazer qualquer bruxaria para te conquistar?

Apesar da lembrança sobre discussão que aconteceu no casarão, Summer não parecia mais ofendida com as palavras que havia escutado naquele dia. Quando Petrus agia daquela forma, era como se estivesse diante de um rapaz completamente diferente. E se ela não era capaz de resistir a sua imagem ameaçadora com uma vítima adormecida há poucos metros, definitivamente não tinha a menor chance quando ouvia com todas as letras que ele também a queria.

- Você acha que deveria ser santificado por poupar o Logan? – Ela arqueou as sobrancelhas, mas manteve o olhar antes de fazer aquela confissão em voz alta, que vinha tentando negar até mesmo em seus pensamentos. – Pois eu deveria ser crucificada por ter ficado com ciúmes da mulher na sua cama. Eu deveria ficar com pena dela ou tentar protege-la. Mas só o que consigo pensar é em como eu queria que fosse comigo.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Nov 02, 2016 9:37 pm

Ao invés de se sentir ameaçado como qualquer rapaz normal, foi impossível para Alaric conter a gargalhada que brotou em seu peito e explodiu pela sua garganta. Ele jogou a cabeça para trás e deixou que o riso fácil ecoasse pelo quarto, sem conseguir acreditar na situação em que estavam.

Por ter nascido em uma época onde as pessoas eram muito mais reservadas e respeitosas, Alaric sabia como um pai conservador se comportava para proteger a inocência de suas filhas. Mas chegava a ser ridículo ver que o prefeito era capaz de fazer por sua filha ter sumido por uma única noite.

- Eu fico realmente surpreso que você não tenha um cinto de castidade, Saphir...

Apesar da brincadeira, Alaric trazia um sorriso leve no rosto e finalmente se deixou arrastar para fora da cama. Com movimentos relaxados, demonstrando que ele não estava preocupado em ter o delegado socando a sua porta no andar inferior, Montgomery puxou a mesma camisa branca que havia usado na noite anterior e a enfiou pela cabeça, atrapalhando mais ainda os fios loiros.

A calça de moletom não era o traje mais adequado para atender a porta, mas mais uma vez Alaric pareceu indiferente àquela necessidade social. Ele se inclinou para frente e roubou um beijo dos lábios de Saphir antes de seguir o caminho até a entrada da casa.

O rapaz estava com um semblante tranquilo, mas carregava um olhar quase desafiado quando finalmente atendeu o delegado. Os olhos cinzentos passaram do homem de meia idade uniformizado até pousar em um rosto mais jovem, parado ao seu lado.

- Eu sugiro fortemente que você tenha um mandato em mãos, se realmente pretende derrubar a minha casa. Até a última vez que chequei a constituição, eu tenho total direito de demorar alguns minutos para atender a porta. Principalmente considerando que estava ocupado...

Com um movimento lento da cabeça, Alaric apontou para Saphir, parada há alguns centímetros às suas costas, em uma clara insinuação de que os dois estavam juntos e que a menina não estava ali contra a própria vontade.

Para um forasteiro que teoricamente tinha problemas com autoridades, Alaric não se sentia nem meramente ameaçado pela figura do delegado. Se ele quisesse poderia virar o pescoço dos dois homens a sua frente em questão de segundos. Ou, no melhor do cenário, simplesmente iria hipnotiza-los para que fossem embora.

- E então, delegado? Algum motivo em particular para me acordar cedo em um sábado? Ou simplesmente acordou com espírito de lobo mau, querendo assoprar e derrubar casas por aí?

Ele apoiou um dos braços contra o portal, mantendo a mão suspensa alguns centímetros acima da sua cabeça. O sorrisinho superior e vitorioso estava preso em seus lábios quando ele encarou novamente o rosto do rapaz mais novo, sem nenhuma semelhança física que o apontasse como o irmão de Saphir.

- E esse aí, é seu estagiário? Sabe, nas cidades grandes os policiais costumam usar o auxílio de cães de guarda. Rottweiler, um pastor... – O olhar de Alaric estava fixo no mais novo quando ele completou, com o sorriso debochado. – E você, totó? Também ganha recompensa quando faz suas necessidades no lugar certo?
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