Bloody Type

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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 29, 2016 9:06 pm

A mente de Summer ainda estava entorpecida quando Petrus saltou para fora do sofá, mas diferente da primeira vez em que aquela mesma cena havia acontecido, ela já sabia exatamente qual explicação dar para a sensação estranha que tomava conta do seu corpo.

Com o olhar meio perdido, Summer ergueu uma das mãos até tocar o pescoço. Não havia mais vestígio das feridas, mas ela ainda podia sentir o sangue correndo na veia de forma diferente, provocando um formigamento sob a pele.

Diferente da primeira vez, não havia pânico no olhar de Summer, mas ela se assustou quando Petrus virou a mesa violentamente. O estrondo fez com que ela se encolhesse no sofá e soltasse um grunhido surpreso.

Ao invés de correr e tentar se esconder da criatura que poderia sugar o seu sangue até a última gota, Summer não conseguia mais enxerga-lo como um oportunista que não perderia a chance de atacar uma pobre vítima, muito menos como um interesseiro que só queria sua presença pela magia ou pelo sangue.

Era nítido na expressão do rosto de Montgomery como ele se odiava por aquele deslize, o que a obrigava a descartar a ideia de que fizera aquilo de propósito. Se Petrus desejava tanto a cura para a sua maldição, ficava cada vez mais óbvio para Summer de que ele só desejava ter uma vida normal onde poderia beijar uma garota sem desejar o seu sangue.

Ela ainda sentia as pernas fracas e tinha um olhar receoso quando se ergueu do sofá. A mão ainda estava firme em seu pescoço, como se tentasse esconder a prova do crime, e foi com passos lentos que se aproximou de Petrus.

O medo poderia ser interpretado por estar diante de uma criatura que a atacaria novamente. Mas Summer apenas temia que a explosão de Petrus saísse do controle. A bruxa parou diante dele e ergueu o olhar até encontrar o rosto transtornado de Montgomery.

- Está tudo bem. Não dói.

Os dedos de Summer deslizaram até escorregar para fora do seu pescoço, expondo novamente a pele lisa. As mechas laterais que haviam sido presas para trás deixavam a área atacada por Petrus ainda mais exposta.

Fields respirou fundo e deu mais um passo até poder alcançar um dos braços de Montgomery com sua mão, em um gesto que demonstrava que não tinha medo dele e que não voltaria a fugir.

- Está tudo bem, Pete. Nós não precisamos fazer isso de novo.

Summer provavelmente teria coragem de enfrentar o perigo de acabar com as presas de Petrus em sua pele se ao menos tivesse como recompensa os beijos e as carícias do rapaz. Mas se aquilo também implicava em fazer Montgomery se sentir ainda mais devastado, ela estava disposta a colocar um fim naquela distração e se focar apenas em evoluir sua magia.

- Nós vamos encontrar a cura, eu prometo.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Sab Out 29, 2016 9:42 pm

A forma compreensiva como Summer reagiu naquela noite foi a única coisa capaz de resgatar Petrus do fundo do poço. Ele se sentia péssimo e ficaria ainda mais arrasado se a garota retomasse as acusações de que ele só se aproximara dela interessado no segredo dos Fields e em seu sangue.

É claro que Montgomery queria desesperadamente a cura para a maldição e seus deslizes mostravam que era difícil para o vampiro resistir ao sabor do sangue de Summer. Mas era uma injustiça muito grande insinuar que Petrus não se sentia pessoalmente envolvido por aquela garota.

- É exatamente este o problema, Sum. Nós não podemos fazer isso.

A entonação derrotada de Montgomery revelava a sua imensa frustração com a ideia de não tocar mais em Fields. Aquele era um castigo tão injusto quanto a maldição que Petrus carregava há mais de setenta anos.

Antes de conhecer Summer, o filho mais novo dos Montgomery nunca se importara em terminar um beijo com os dentes cravados na jugular de uma moça. Mas com Summer ele queria que fosse diferente. Fields merecia estar com um rapaz “normal” que não demonstraria o seu afeto de forma tão selvagem e tão perigosa para a vida dela.

- Eu não sei explicar o que está havendo. No começo foi muito difícil me controlar, mas nos últimos tempos eu me adaptei muito bem ao chá de malvas. É claro que não é a mesma coisa, mas costumava me saciar o bastante para que eu tivesse controle deste instinto. É revoltante que essa tática comece a falhar logo agora que conheci você.

No fundo, Petrus sabia que não era justo responsabilizar as malvas brancas. Se fosse realmente o caso da erva estar perdendo o efeito sobre o corpo dele, Montgomery teria o instinto de atacar qualquer pescoço que surgisse a sua frente. Entretanto, somente o sangue de Summer parecia arrastá-lo de volta à irracionalidade de um recém-transformado.

A culpa estava estampada no rosto de Petrus quando ele ergueu a mão. Os dedos gelados acariciaram a região avermelhada no pescoço de Summer enquanto o gosto metálico do sangue dela ainda borbulhava na boca dele, dando-lhe um prazer ainda maior que o jantar preparado pela garota naquela noite.

- Eu nunca tive dúvidas de que você encontrará a cura. Mas eu espero que não demore muito nesta tarefa, Sum. Eu realmente não sei quanto tempo eu posso resistir tendo você tão perto de mim.

As palavras finais de Montgomery poderiam ter uma interpretação dupla. O vampiro poderia estar se referindo à tentação de não poder tocar nela ou simplesmente ao esforço que precisava fazer para não cravar seus dentes no pescoço de Summer sempre que os dois ficavam próximos demais.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Out 29, 2016 9:46 pm

Uma das infinitas qualidades em ser um vampiro estava no excelente reflexo. Alaric era capaz de enxergar uma pequena abelha há metros de distância, de desviar de uma bola surpresa e de se equilibrar em uma estreita linha reta. Mas naquela noite, ele pareceu voltar a ser o humano de décadas antes quando perdeu aquele equilíbrio e cambaleou alguns passos para trás, convicto de que estava diante de um fantasma.

Quando encontrou Saphir pela primeira vez, a filha do prefeito só precisou de alguns minutos para mostrar que não era Annabeth Kendrick. Naquela noite, entretanto, Alaric não teve dúvidas de que estava diante da mesma vampira que havia brincado com seus sentimentos.

A mudança era basicamente no olhar, mas era como encarar duas pessoas distintas. Ele estava diante de Annabeth. E ainda assim as peças não se encaixavam, pois ainda era possível escutar as batidas do coração de Saphir.

Sem dúvidas de que não era mais Saphir, Alaric tentou recuar ainda mais quando as unhas da menina rasgaram o tecido da sua camisa, e mesmo quando a maldade já conhecida desapareceu dos olhos azuis, ele permaneceu encarando a loira como se estivesse diante de um monstro.

A única explicação que fazia sentido na mente de Alaric era que a teoria de Petrus estava certa desde o começo. Annabeth havia conseguido a cura para o vampirismo e ainda assim, mesmo com o coração batendo e o sangue correndo quente em suas veias, ela encontrava uma forma de brincar com os dois irmãos.

Aquela teoria não explicava como Saphir e Summer haviam crescido juntas ou quais motivos haviam levado Annabeth para aquela mudança tão radical. Mas todo o restante fazia sentido. Kendrick era cruel o bastante para voltar a assombrar os Montgomery, mesmo depois de décadas.

O lábio inferior de Alaric tremia e ele parecia mais pálido e gelado que o normal. O olhar mais suave de Saphir havia feito a imagem de Annabeth desaparecer, mas Montgomery não tinha mais tanta convicção de que a filha do prefeito era tão inocente.

Se apegando ao último fio de esperança de que realmente tinha o controle daquela situação, os dedos trêmulos de Alaric tocaram o rosto de Saphir por um breve segundo enquanto ele sussurrava as palavras, encarando os olhos azuis.

- Nós nos beijamos no carro. Estávamos indo longe demais e você quis parar. Foi só isso que aconteceu.

As pálpebras de Alaric esconderam seus olhos cinzentos por um instante, quebrando o momento da hipnose. Ele voltou a recuar um passo e enfiou as mãos nos bolsos, sem conseguir mais levar o clima suave ou até mesmo a discussão de antes.

- Entre no carro, Saphir. Eu vou deixa-la em casa. Isso tudo foi um grande erro.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Sab Out 29, 2016 10:28 pm

- Você tem certeza, Sum? Eu realmente acho que ele ficou muito chateado comigo...

A voz de Saphir soou amargurada quando seu Honda Civic parou em frente ao casarão afastado onde os Montgomery moravam. O jantar oferecido pelos rapazes já completava cinco dias e Wegener tinha seus motivos para pensar que Alaric não queria mais vê-la. Desde a discussão confusa na estrada, o Montgomery mais velho não a procurara mais e respondia de forma vaga e fria às mensagens que a loira lhe enviava.

Começava a anoitecer e aquele fim de tarde em bar Harbor parecia mais gelado que o normal. Saphir havia saído de casa com uma calça jeans preta, uma blusinha branca de alças e uma jaqueta escura, além de botas de cano alto. A filha do prefeito imaginou que passaria algumas horas na companhia da melhor amiga, mas Summer acabou convencendo-a a ir até a casa dos Montgomery para esclarecer o “mal entendido” com Alaric.

Para Saphir, era difícil imaginar como seria aquela conversa pelo simples fato de que sua memória daquele dia era muito confusa. Ela se lembrava de beijos quentes e de carícias ousadas dentro do carro do rapaz. Mas logo em seguida sua mente mergulhava em uma penumbra e Wegener só conseguia se lembrar de estar fora do carro, com um pedaço da camisa de Ricky entre seus dedos.

A única explicação minimamente lógica que a loira encontrava era ter surtado por causa da bebida. Saphir concluiu que tudo estava indo muito bem entre os dois, até que ela se acovardou e não teve coragem de ir adiante naquele amasso. Alaric certamente ficara ofendido, os dois discutiram e ela o agrediu. Isso parecia explicar a razão pela qual Montgomery não queria mais vê-la.

Somente a melhor amiga foi capaz de convencer Saphir de que eles precisavam conversar, mas a loira já estava diante da porta dos Montgomery e ainda não sabia o que dizer.

Wegener esperava por uma conversa difícil e constrangedora, mas jamais imaginava o que realmente aguardava por ela no interior do casarão. No instante em que Summer abriu a porta e Saphir pisou na sala, o corpo dela foi imobilizado por braços fortes. A garota soltou um gritinho, mas um lenço embebido num líquido com cheiro forte foi pressionado contra o nariz dela. Em dois segundos, o corpo de Saphir amoleceu e ela desmaiou nos braços de Alaric.

Enquanto o Montgomery mais velho a carregava até o sótão, Petrus jogou de lado o lenço encharcado com clorofórmio e sussurrou para Summer.

- Não vamos machucá-la, eu prometo. Mas precisamos descobrir a verdade, Sum. Annabeth era uma criatura muito perigosa. Eu não consigo descartar a hipótese dela estar enganando a todos nós com esta farsa.

Quando os olhos azuis novamente se abriram, a filha do prefeito viu-se em uma situação muito semelhante ao drama que Annabeth Kendrick enfrentara na casa dos Fields. Ela estava sentada em uma cadeira de metal, com seus braços firmemente amarrados atrás do encosto e as pernas presas aos pés da cadeira. A blusinha branca estava amassada e os cabelos loiros atrapalhados, mas era o olhar de pânico da garota o componente mais chocante de sua aparência.

- O que...? – a voz fraca falhou e Saphir engasgou ao ver os irmãos Montgomery parados diante de si.

A mente dela subitamente produziu os cenários mais trágicos para explicar aquela situação. Agora que estava presa no sótão daquele casarão, Wegener finalmente pensava na hipótese dos forasteiros não serem tão doces e amáveis quanto todos diziam. Eles podiam ser criminosos, fugitivos, sequestradores em busca de um bom resgate. Quem imaginaria que a filha de um prefeito de uma cidadezinha seria a vítima escolhida?

- Meu pai não tem tanta grana assim. Só temos aquela casa, dois carros. Vocês não vão querer sujar as mãos por tão pouco!

- Não queremos grana. – a voz de Petrus soou fria – Só queremos que você pare com esta farsa ridícula, Annabeth. Confesse logo.

As sobrancelhas finas de Saphir se franziram e ela começou a se perguntar se, ao invés de criminosos profissionais, os irmãos não eram simplesmente dois malucos.

- Meu nome é Saphir. Vocês estão me confundindo com outra pessoa!

- Admito que você escolheu um nome legal para a sua versão humana, Beth, mas já chega de palhaçada. Queremos saber como você conseguiu fazer isso.

Wegener tentava escolher cuidadosamente as palavras para lidar com os dois rapazes quando Petrus deu um passo adiante e desencobriu a imagem de Summer.

Até então, Saphir imaginava que a amiga também era uma pobre vítima amarrada em outro ponto do casarão, portanto foi grande e chocante a surpresa de vê-la como uma cúmplice dos Montgomery naquele sequestro.

- Summer...? – os olhos azuis se encheram de lágrimas e um soluço escapou da garganta da loira enquanto ela tentava se soltar, mas só conseguia machucar os punhos amarrados firmemente por uma corrente de metal – Por que está fazendo isso comigo, Sum??? Eles vão me machucar! O que vocês querem de mim?
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 29, 2016 10:44 pm

- Não. Absolutamente não.

A voz de Summer Fields ecoou pelo sótão do casarão enquanto ela reforçava a sua decisão com gestos exagerados das mãos. Quem olhasse a cena de longe, quase sentiria orgulho da bruxinha que enfrentava dois vampiros sem o menor pudor.

Poucos dias haviam se passado desde o jantar que recebera Saphir Wegener. A necessidade de se manter afastada de Petrus obrigava Summer a se dedicar cada vez mais aos estudos referentes a bruxaria, de modo que não era nenhuma surpresa que ela tivesse passando mais um dia enfurnada no sótão, debruçada sobre ervas e poções.

Algumas vezes, Summer se dedicava aos estudos sozinha, mas na maioria das vezes tinha a companhia de Petrus para auxiliá-la. Entretanto, era a primeira vez que Alaric também se unia a dupla naquele espaço que havia se tornado praticamente dedicado para Fields.

A bruxa estava parada diante da bancada e tentava fazer de conta que o assunto abordado não era tão absurdo enquanto mantinha o olhar pousado em suas tarefas no pequeno caldeirão.

Petrus estava acomodado em um estreito sofá que havia sido empurrado para uma das paredes e Alaric estava recostado na janela que tinha vista para o lado. Os braços cruzados e o semblante sério não combinavam com a aparência do mais velho, mas Summer não esperava nada de diferente diante daquela conversa.

- Ela não é quem diz ser, Summer. Eu vi, com meus próprios olhos. Era a Annabeth.

Junto com a seriedade, Alaric falava pausadamente, como se aquilo tornasse mais fácil para Summer compreender a verdade que ela se recusava a enxergar.

- Bom, eu não conheço a Annabeth, mas eu saberia se tivesse crescido ao lado de uma vampira. A Saphir é humana!

- Eu nunca discordei disso. Eu escuto cada uma das batidas do coração dela. Isso não quer dizer que não seja Annabeth. Só pra lembrar, foram os seus pais quem descobriram a cura para o vampirismo.

Os olhos azuis se estreitaram e Summer fuzilou Alaric com o olhar. Ela era imensamente grata pela aparição de Petrus na cidade, mas se aquilo também significava que o Montgomery mais velho iria tentar destruir a imagem de Saphir só porque ela parecia com uma vampira, Summer não estava disposta a abraçar a ideia.

- Eu não me importo se a Saphir parece com a sua namoradinha!

- Parecer? – Alaric abriu os braços e soltou uma risada seca e sem ânimo. – Você não tem ideia do que está falando!

Com passos firmes, ele atravessou o sótão até as caixas empilhadas em um dos cantos. Ali estavam reunidas as poucas coisas que os Montgomery haviam conservado ao longo dos anos. Um livro surrado foi puxado e folheado por algumas páginas antes que Alaric voltasse para perto de Summer. Ele jogou sobre a bancada, bem diante da bruxa, uma pequena fotografia amarelada.

O retrato era arredondado e mostrava apenas o rosto de uma bela moça. Não era possível reconhecer o mesmo tom loiro de Saphir pela falta de coloração da imagem e os fios estavam modelados em cachos perfeitos. No topo da cabeça, um chapéu parecia combinar com os pequenos detalhes do vestido que ainda era possível ser visto. Mesmo na imagem estática, era possível notar a maldade refletida nos olhos e no discreto sorrisinho. Mas em todo o restante, era o mesmo que olhar para uma fotografia de Saphir em uma fantasia de Halloween.

Com o indicador, Alaric apontou para a fotografia na bancada, mas manteve o olhar preso em Summer.

- Isso é parecer pra você?

A fúria de Summer desapareceu por alguns instantes enquanto ela perdia as palavras diante daquela prova. Petrus e Alaric já haviam reforçado que a aparência de Annabeth e Saphir era idêntica, mas ainda assim a bruxa não conseguiu digerir diante da prova física.

Se aproveitando do choque de Fields, Alaric se virou para Petrus, dando continuidade à sua narração sobre a noite do jantar.

- E não foi só isso. Ela me pediu para matar alguém. Disse que só assim conseguiria ser livre.

Ainda em choque, Summer ergueu o olhar para o Montgomery mais velho. Saphir jamais pediria que alguém cometesse um assassinato. Se Alaric estava dizendo a verdade, aquela era a prova de que havia mesmo algo de errado com a melhor amiga.

***

A ideia era tão absurda que Summer ainda não conseguia compreender como havia concordado em ir tão longe. Mas ainda assim, com as pernas bambas, Fields conseguiu forçar um sorriso e arrastar Wegener para a emboscada, se sentindo a pior pessoa do mundo.

Para os irmãos Montgomery, parecia bastante óbvio que estavam lidando com uma pessoa cruel e perigosa como Annabeth. Mas aquela situação era infinitamente mais difícil para Summer, que havia visto Saphir crescer ao seu lado.

Apenas com a garantia de que Saphir não seria machucada e que aquilo ajudaria a esclarecer de uma vez por todas a confusão que passava na cabeça dos Montgomery, Summer se deixou levar pelo plano de prender a amiga até que obtivessem respostas.

Se eles estivessem certos, estariam lidando com uma pessoa cruel o bastante para brincar com todos eles. Mas se Summer estivesse certa, o mal-entendido seria finalmente desfeito e os rapazes poderiam apagar aqueles últimos momentos da mente de Saphir.

Seu coração partiu em mil pedaços ao ver a amiga presa. Os olhos azuis estavam ainda mais claros com as lágrimas que ela prendia e ao invés de responder Wegener, ela procurou pelo olhar dos rapazes.

- Isso é mesmo necessário? Eu posso mantê-la imóvel sem essas correntes. Isso vai acabar machucando!

Alaric se mantinha alguns passos afastado da cena principal. O olhar estava preso no rosto de Saphir e também não parecia estar pulando de alegria em ver a menina acorrentada. Mas ao contrário de Summer, não estava disposto a soltá-la para voltar a ser uma marionete nas mãos da ex-namorada.

- Ela vai ficar bem. – A voz de Alaric soou, os olhos cravados em Wegener. – Nós só queremos conversar, Beth. Saphir. Seja lá como você prefere ser chamada esses dias.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Out 29, 2016 11:18 pm

Petrus parecia carregar a certeza de que eles estavam mais uma vez sendo enganados e participando de uma das cruéis brincadeiras de Annabeth. Summer estava convicta de que os irmãos estavam errados e que estava diante de uma humana comum que apenas tivera o azar de carregar a mesma aparência da vampira. Para Alaric, ele simplesmente invejava a certeza que os dois tinham de suas próprias teorias.

Se aquela era mesmo Annabeth Kendrick, ele estava mais uma vez agindo como uma marionete, se deixando levar pelos encantos da antiga paixão. E era aquele receio que incentivava Alaric a seguir adiante com o plano de arrancar a verdade da boca de Saphir, independente das consequências.

Por outro lado, a possibilidade de estar mesmo diante de uma inocente humana que era tão diferente da cruel vampira que havia cruzado seu caminho era sufocante. Alaric queria acreditar que Saphir e Annabeth eram pessoas completamente diferentes, mas o incidente da noite do jantar não deixava mais que ele se agarrasse àquela esperança tão facilmente.

Kendrick era mesmo incrivelmente talentosa e Alaric se sentia um tolo, mas era impossível olhar para a loira amarrada à cadeira e não se sentir derrotado. Ele precisava controlar o próprio impulso de não soltá-la e arrastá-la para um lugar seguro, pelo menos até ter respostas definitivas.

As tábuas do piso rangeram quando Alaric caminhou pelo sótão. Ele parou diante da bancada onde Summer normalmente trabalhava e puxou a fotografia amarelada. Seus movimentos eram lentos e não pareciam trazer nenhuma ameaça quando parou diante de Saphir, erguendo a fotografia de Annabeth diante do olhar dela.

- Se lembra desse dia? Eu ainda me lembro como se fosse ontem...

Alaric se agachou diante de Saphir, mantendo o equilíbrio nos pés dobrados e os joelhos flexionados. O cotovelo foi apoiado em uma das pernas para que a fotografia continuasse a ser exibida para Wegener.

- Foi a primeira vez em que você me deixou plantado durante um baile enquanto dançava com o Petrus a noite inteira. Bem diante dos meus olhos. Bem debaixo do meu teto.

A mão com a fotografia foi abaixada apenas para que a livre pudesse ser erguida. Ele tocou com delicadeza o queixo de Saphir e se não fosse o fato da loira estar aprisionada em um sótão, o gesto quase poderia ser interpretado com carinho.

- Eu só preciso saber o que você quer de mim, Annabeth. O único motivo por ter caído no seu jogo outra vez é porque eu cheguei a acreditar que você era outra pessoa. Alguém completamente diferente, porque é claro que eu não ia me derreter pela psicopata outra vez.

- Ela não é a Annabeth, Alaric! – A voz de Summer soou às suas costas, desesperada. – Eu já disse isso! Não foi isso que combinamos.

O rosto de Alaric virou para o lado, quebrando o contato com o olhar de Saphir por alguns segundos. Ele não chegou a se inclinar para enxergar Summer, mas permaneceu agachado, sem se afastar da loira.

- Eu sei o que eu vi, Summer. – Os olhos cinzas rolaram até encarar o rosto delicado, tentando encontrar novamente o vestígio de Annabeth que havia visto na outra noite. – A pergunta é se ao menos você se lembra. Eu estou louco para ouvir como você conseguiu enganar todo mundo, mas se você continuar enganando a si mesma, só vai dificultar as coisas.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Sab Out 29, 2016 11:38 pm

Não era nada agradável para Petrus a ideia de acorrentar e torturar uma garota em busca de respostas. Mas o vampiro se recusava a ser enganado novamente pela malícia de Annabeth Kendrick. Desde que Alaric pisara em casa completamente transtornado e garantindo que havia visto a antiga amante, Petrus estava disposto a tomar providências drásticas paras esclarecer de uma vez por todas aquela situação.

Ao contrário do rapaz que Annabeth seduzira no passado, o Petrus de agora não estava apaixonado por ela. As lembranças da amante pertenciam a um passado obscuro que Montgomery preferia deixar para trás. Mas era muito difícil esquecer aquela história quando havia a enorme possibilidade de Kendrick conhecer o segredo que Petrus tanto buscava.

O coração de Saphir Wegener batia. Se ela era mesmo Annabeth, ali estava a prova de que a cura para o vampirismo existia. Petrus faria qualquer coisa para arrancar dela aquela confissão que poderia mudar drasticamente os rumos de sua vida. Mesmo se a cura obrigasse Montgomery a voltar a ser uma criança, Petrus não pensaria duas vezes antes de abraçar a ideia de nascer e crescer como um humano normal.

A refém, contudo, não parecia disposta a colaborar. Annabeth sempre fora uma criatura orgulhosa e sarcástica, então ficava difícil enxergar a antiga amante na moça que soluçava e se engasgava com as próprias lágrimas. Saphir Wegener executava com perfeição o papel de uma vítima completamente desesperada com a possibilidade de ser ferida ou morta por seus agressores.

De longe, Petrus observou a interação entre Alaric e Saphir. Pela primeira vez, o caçula sentiu um profundo orgulho do irmão mais velho. Ricky não estava disposto a ceder e nem demonstrava a velha paixão cega que a amante lhe despertava. Um bom observador podia ver pelo olhar de Alaric que ele estava desesperado para descartar a chance de Saphir ser culpada naquela história sórdida.

O problema é que aquele tipo de atitude não despertaria o interesse de Annabeth Kendrick. A loira estava em franca desvantagem e jamais conseguiria vencer uma batalha contra dois vampiros experientes e uma bruxa, muito menos agora que teoricamente voltara a ser uma humana comum. Petrus sabia que teria muito mais chances de arrancar a verdade dela se fingisse ser um tolo, disposto a se aliar novamente a ela.

- Você estava maravilhosa nesse dia, Beth.

O elogio soou numa entonação sonhadora e Petrus fingiu não notar os olhares chocados que Summer e Alaric viraram em sua direção. As íris escuras estavam presas somente na loira quando o vampiro deu um passo adiante, encarando Saphir como se estivesse encantado por ela.

- Eu também me lembro com perfeição de cada um dos detalhes. Seu vestido era azul e, por Deus, como você fica linda de azul... Você usava os brincos de ouro que eu te dei depois de vender todas as minhas enciclopédias, mas eu não me arrependia disso. Nós ficamos grudados a noite toda. O seu perfume continuou impregnado nos meus lençóis por dias...

A cabeça de Saphir continuava se sacudindo em negativa enquanto as lágrimas rolavam pelo seu rosto pálido. Ela não tinha mais dúvida de que estava lidando com dois malucos psicopatas, mas era difícil entender por que Summer havia se juntado aos rapazes.

- Eu não quero machucar você, Beth. É claro que não, eu jamais faria isso. Você não precisa ter medo de mim. Eu preferiria morrer antes de fazer mal a você.

Ignorando o clima absurdamente pesado que a sua encenação gerava no sótão, Petrus se aproximou de Saphir e agachou-se diante dela. Como no passado, a loira tinha os irmãos Montgomery diante de si, como pratos distintos de um banquete que ela poderia desfrutar naquela noite.

- Eu só preciso que você me conte como conseguiu curar a maldição, Beth. Eu quero fazer o mesmo. Agora que reencontrei você, eu quero ainda mais. Quero ser humano de novo para reconstruir a minha vida ao seu lado. Eu ainda sou completamente louco por você, Beth.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Out 30, 2016 12:08 am

Ver a amiga presa como uma prisioneira fazia Summer se sentir um lixo. Ela se arrependia a cada segundo daquela decisão absurda e queria ter força o suficiente para interromper aquela cena e libertar Saphir.

Enquanto Alaric falava, Summer se limitava a permanecer afastada, implorando para que Wegener desse as respostas necessárias para que a tortura chegasse ao fim. Nenhum deles ousaria machucar Saphir fisicamente, mas para Summer eles já haviam ido longe demais.

As palavras de Petrus, entretanto, fizeram o foco de Summer desviar por um instante da cena lamentável que acontecia a sua frente. Seu estômago se contorceu em desconforto e uma ruga surgiu entre suas sobrancelhas.

É lógico que sua mente logo levantou a possibilidade de que Petrus estava usando apenas uma abordagem diferente para descobrir a verdade, mas aquilo não minimizava o ciúme que começava a surgir em seu peito.

Naquele mesmo cômodo, dias antes, Petrus havia garantido que Annabeth havia ficado em seu passado e era acompanhada apenas de arrependimentos. Mas com a mesma naturalidade com que ele havia conversado com ela, ele parecia igualmente sincero em jurar amor para Saphir, relembrando cenas em que os dois haviam protagonizados juntos.

Independente se fosse um artificio de Montgomery, a mente de Summer começou a tortura-la com as imagens íntimas entre Petrus e Saphir. Enquanto os dois não conseguiam prolongar um beijo por alguns minutos sem que as presas dele acabassem em seu pescoço, a cópia da sua melhor amiga já havia desfrutado carícias muito mais íntimas, das quais ela continuava completamente inexperiente.

- Pare de chamá-la de Beth.

A voz e Summer voltou a ecoar para interromper um dos Montgomery. As palavras saíam entre os dentes trincados e a bruxa agora se dividia entre a urgência de acabar com aquele drama e de lutar contra o próprio ciúme.

O coração de Fields batia acelerado, mas ela tentou suavizar a expressão quando encontrou o olhar da amiga, se sentindo a maior traidora do universo.

- Apenas diga o que você sabe, Saphir. Qualquer coisa que se lembre que seja fora do padrão. Precisamos de alguma coisa para entender essa confusão toda!

Se os irmãos Montgomery achavam que estavam sendo enganados pelo choro desesperado e Wegener, Summer se sentia ainda mais desesperada por manter a amiga daquela forma. Ela sequer pensou quando as palavras saltaram de sua boca.

- Vocês já pararam pra pensar que talvez nem ela se lembre dessas barbaridades todas? Se ela é mesmo Annabeth, isso poderia estar escondido em algum canto da mente dela? Isso é perfeitamente possível, principalmente se ela realmente foi vítima de uma bruxaria tão forte.

Por não ter a imagem de Annabeth em suas lembranças, Summer não conseguia imaginar que a amiga estava encenando aquele choro e precisava fazer Petrus e Alaric acreditarem.

- Eu posso fazê-la falar. Com certeza existe algum feitiço ou poção que ajude a revelar a verdade.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Out 30, 2016 12:38 am

Mil ideias diferentes se chocavam na mente confusa de Saphir, mas ainda assim a garota não encontrava nenhuma maneira de fugir daquela situação.

Ela estava acorrentada no sótão de um casarão antigo, há quilômetros de distância do centro de Bar Harbor. Ninguém escutaria seus gritos, ninguém apareceria ali para salvá-la. Como de costume, a casa dos Wegener estava vazia naquela tarde e a loira não tinha avisado nem mesmo aos pais que sairia com Summer Fields.

Dois rapazes altos e fortes formavam um obstáculo intransponível entre Wegener e a porta. E ainda havia Summer. Por mais que a participação da melhor amiga naquele sequestro deixasse Saphir chocada e decepcionada, a loira não tinha certeza se teria coragem de machucar Fields caso a garota se colocasse na sua rota de fuga.

Os Montgomery eram loucos, Saphir não tinha mais dúvidas disso. Os dois falavam com ela como se ela fosse a tal Annabeth e não era difícil entender que a tal Beth havia se relacionado com ambos os irmãos. Mas o que deixava Wegener mais intrigada era ver a melhor amiga mergulhar naquela loucura. As duas tinham crescido juntas. Saphir realmente não sabia o que Fields esperava que ela confessasse naquela noite.

- Você é a minha melhor amiga desde que estávamos no jardim de infância, Summer. – a voz de Saphir soou mais firme, mas ainda engasgada pelo choro – Não há nenhum segredo sobre mim que você não saiba. Eu não faço ideia do que você quer ouvir de mim.

A conversa ficou ainda mais irracional quando Summer começou a falar sobre bruxaria. Com um nó na garganta, Saphir se perguntou até onde a dor da morte dos Fields havia contribuído no enlouquecimento de Summer. Porque, definitivamente, aquela garota que a atraíra para uma emboscada e agora falava sobre bruxaria não se parecia em nada com a menina doce e delicada do passado.

- Está bem. Eu vou falar tudo. O que vocês querem saber?

A voz de Saphir ecoou no sótão vazio, atraindo para si os três pares de olhos dos seus sequestradores. Embora não tivesse a menor ideia do que os jovens queriam ouvir, Wegener concluiu que suas melhores chances de sair viva daquele sótão era embarcar na loucura dos demais.

- O que você fez para se livrar da maldição?

A pergunta direta de Petrus mostrava que, no fim das contas, aquilo era a única coisa que importava para ele. Saphir não fazia ideia de que maldição era aquela, muito menos de como a tal maldição poderia ser curada. Mas a mente dela criou um cenário fantasioso em meio ao desespero que ela sentia.

- Um feitiço. – ela repetiu um dos termos bizarros usados pela amiga – Um feitiço poderoso. Bruxaria pesada.

- Qual bruxo fez isso? – uma das sobrancelhas de Petrus se ergueu enquanto ele estudava o semblante aflito da loira – Como era a varinha dele?

- Não me lembro do nome. Mas era uma varinha feita com madeira escura, uns trinta centímetros.

- Núcleo de pena de fênix? – o vampiro ironizou com um sorrisinho – Talvez o nome seja Voldemort. Bela tentativa, mas não. Acho que você tem razão, Sum, ela não deve ter acesso direto a todas as lembranças. A Beth jamais faria uma jogada tão boba. O problema é que eu não estou disposto a esperar por uma poção milagrosa que a faça falar.

Naquele instante, Petrus se lembrou de um detalhe importante da narrativa de Alaric. O irmão havia confessado que Saphir estava sob o efeito da hipnose quando mudou seu comportamento e passou a agir como Annabeth Kendrick. Por isso, o vampiro não hesitou em cravar os olhos azuis escuros na loira e puxou a consciência dela para o seu domínio.

Mais uma vez, o olhar de Wegener saiu de foco. Seu corpo que ainda lutava contra as correntes relaxou na cadeira e obedeceu cegamente aos comandos do vampiro a sua frente.

- Agora me conte. Qual é a cura?

- Eu não sei.

A voz de Saphir soou distante. A moça não chorava mais, mas as lágrimas derramadas ainda manchavam o seu rosto pálido. Petrus continuou agachado diante dela, sem interromper o contato visual que deixava a humana sob o seu domínio.

- Qual é o seu nome? O seu verdadeiro nome?

- Saphir Wegener.

- Não minta para mim! Seu nome é Annabeth Kendrick.

Uma longa pausa se sucedeu às palavras de Petrus. As pálpebras de Saphir caíram e ela manteve a cabeça abaixada por quase um minuto inteiro antes de encarar novamente o caçula dos Montgomery. Quando a loira reabriu os olhos, Petrus teve certeza de que o irmão não estava exagerando. A filha do prefeito não parecia estar mais presente naquele cômodo quando os lábios delicados da garota se curvaram num sorriso maldoso.

- Ela não mentiu, querido. O nome dela não é Annabeth Kendrick. Este é o meu nome e eu deveria ficar chateada por você me confundir com uma humana nojenta depois de tudo o que vivemos juntos.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Out 30, 2016 1:02 am

Era assustador como o olhar, o sorriso e o tom de voz de Saphir se transformava até que a filha do prefeito desaparecesse para surgir a mesma maldade que Alaric já conhecia de décadas. Era a segunda vez que ele presenciava aquela transformação, jogando por terra qualquer esperança que ainda tivesse de ter se enganado.

Uma dor surgiu refletida nos olhos cinzentos ao ver que realmente estava diante de Annabeth. Ele queria desesperadamente que Summer estivesse certa, mas até mesmo o receio de manter Saphir presa desapareceu quando ele aceitou que estava diante de Kendrick. Wegener não merecia estar acorrentada em um sótão, rodeada de criaturas sobrenaturais. Mas aquela era a mesma mulher que havia esmagado seu coração e brincado das formas mais cruéis possíveis.

- Annabeth. – Ele constatou, atraindo a atenção da loira para si.

Ele tinha gravado em sua memória aquele sorrisinho maldoso de quem estava se deliciando em se divertir com os dois irmãos. O mesmo rosto que lhe arrancava um sentimento tão puro agora despertava fúria. De tantas barbaridades feitas por Annabeth, perder Saphir era certamente a pior.

Por estar com toda sua atenção voltara para a mulher amarrada na cadeira, Alaric não notou como Summer estava pálida e encarava a melhor amiga como se estivesse diante de um monstro. As lágrimas já corriam pelo rosto da bruxa e ela precisou de longos segundos para conseguir reagir.

- Isso não é possível. Eu cresci com a Saphir, essa não é ela!

- Não, não é.

O olhar de Alaric continuava preso na loira, desta vez a estudando com ainda mais atenção. Ele se ergueu, mas continuou parado diante dela, com os braços cruzados. Embora Annabeth tivesse sido revelada diante dos seus olhos, ainda havia muito naquela história que precisava ser compreendida.

Annabeth se referia a Saphir como se fosse uma outra pessoa. Mesmo que as duas estivessem bem diante de si, em um único corpo. Era como se a vampira sofresse de um distúrbio de dupla personalidade, ou estivesse possuída. Mas nada daquilo explicaria o coração humano que ainda batia, ecoando em seus ouvidos como a prova de que havia algo de Wegener ainda presente no sótão.

Ao contrário da abordagem de Petrus, Alaric não tinha a intenção de continuar bajulando Annabeth. Ele estava esgotado do jogo da ex-namorada e se sentiria enjoado até mesmo em fingir que ainda sentia algo por ela.

O caçula poderia ser movido pelo desejo de descobrir a cura, mas a única intenção de Alaric era descobrir se Saphir ao menos era real.

- Então existe a cura, afinal de contas? E o que é isso? Algum catastrófico efeito colateral que te deixou com dupla personalidade? A gêmea boa e a má?

Um sorriso sem vida brincou em seus lábios e o Montgomery mais velho sacudiu a cabeça em negação, se sentindo cada vez mais destruído com a ideia de nunca ter tido Saphir em seus braços.

- Eu até me arriscaria dizer que você possuiu uma pobre coitada, mas como ainda é a sua cara de vadia que está na minha frente, vou ter que descartar a minha teoria.

As tábuas rangeram mais uma vez quando Alaric andou pelo sótão. Ele rodeou a cadeira de Annabeth e parou atrás dela, se agachando para frente até que seus lábios estivessem próximos ao ouvido da loira.

- Qual é, Beth? Vai me dizer que você finalmente se tornou humana, mas é dona de uma alma tão podre que um espírito bom precisou possuir você?
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Dom Out 30, 2016 1:24 am

Sonhar era uma das tantas habilidades que Petrus Montgomery havia perdido com a maldição. Vampiros precisavam dormir para recuperar as energias perdidas assim como qualquer criatura, mas o sono deles costumava ser pesado e escuro. Era como se suas mentes perdessem a capacidade de criar sonhos.

Naquela noite, contudo, Petrus se questionou se não havia adormecido e agora enfrentava o mais temido de seus pesadelos. Ter Annabeth Kendrick novamente diante de si era como um sonho ruim do qual Montgomery não conseguia despertar.

As roupas modernas de Saphir Wegener não combinavam com a imagem que a memória de Petrus guardava de sua antiga amante, sempre impecável em vestidos luxuosos da época e carregada de joias. Mas Montgomery não tinha argumentos para duvidar que aquela era Annabeth ao se ver diante do olhar malicioso e dos sorrisos debochados da antiga amante.

Daquela distância, Petrus ainda conseguia ouvir o coração que batia dentro do peito da loira e aquele detalhe só contribuía para que a situação se tornasse ainda mais confusa. Annabeth falava como se existissem duas pessoas distintas e ela parecia desprezar a essência humana de Saphir, mas fazia isso enquanto ocupava um corpo quente, movido pelas batidas fortes de um coração.

O sorriso de Annabeth não vacilou nem mesmo quando Alaric tomou a palavra e deixou claro que não pretendia se jogar aos pés dela. Era óbvio que o vampiro havia se afeiçoado a Saphir, então não restava outra alternativa a Kendrick além de apelar para o outro irmão.

A vampira deixou muito claro que não era tola quando resolveu tocar exatamente na ferida mais dolorosa de Petrus. Os Montgomery não eram mais garotinhos inexperientes que Beth dominava com facilidade, mas ela mostrou que ainda tinha excelentes cartas na manga quando lançou aquele argumento na direção do caçula.

- Lamento te desapontar, mas eu não fui curada, querido. Este era o plano inicial dos Fields quando eles me capturaram, mas alguma coisa fez aquela bruxa vadia mudar de ideia no meio do processo.

Os olhos azuis giraram e Annabeth demonstrou uma imensa repulsão quando confessou aos Montgomery o grande segredo que a ligava aos Wegener.

- Convencida de que vampiros são seres sem alma, Rachel Fields usou um feitiço estúpido para fazer o meu corpo regredir e depois enfiou uma maldita alma humana dentro de mim. Eu achei que ficaria presa dentro de mim mesma até que esta usurpadora infeliz morresse de velhice e me deixasse com um corpo horroroso e enrugado, mas então vocês surgiram para me salvar.

O sorriso maldoso surgiu novamente nos lábios da loira e ela se dirigiu unicamente a Petrus porque sabia que Alaric e Summer jamais a ajudariam. O Montgomery caçula, por outro lado, teria uma motivação muito forte para se aliar à antiga amante naquela batalha.

- Mas a boa notícia para você, querido, é que eu memorizei cada um dos ingredientes que a bruxa maldita acrescentou no preparo da poção que usava para curar a minha maldição. Não parecia ser complexo. Segundo os Fields, eu precisaria receber de quinze a vinte doses para ser totalmente curada. Cheguei à oitava e já sentia algumas batidas do meu coração, muito provavelmente teria dado certo se não fosse a pequenina mudança de planos daqueles infelizes.

A ansiedade se apoderou de Petrus naquele momento. Ele nunca estivera tão perto de uma resposta, mas era uma crueldade do destino que justamente Annabeth Kendrick tivesse o poder de dar ou negar a ele aquela felicidade.

- E o que você vai querer em troca desta informação, Beth?

- Nada demais. – uma das sobrancelhas finas da vampira se arqueou – Só o meu corpo de volta.

Montgomery já havia entendido onde Annabeth queria chegar, mas a loira foi ainda mais direta e fez questão de explicar com todas as letras o que Petrus deveria fazer para libertá-la.

- Mate esta usurpadora nojenta e eu te darei o que você tanto quer, querido. Eu sei que temos as nossas divergências, mas te dou a minha palavra. Você vai voltar a ser humano se matar Saphir Wegener.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Out 30, 2016 1:46 am

Alaric já havia experimentado a sensação de ter o irmão desconfiando de seus atos, com as ideias mais sujas possíveis, como a teoria de que ele havia se juntado a Annabeth desde o começo e escondido a verdade sobre a cura apenas para se divertir às custas do caçula.

Naquele fim de tarde, entretanto, foi a vez de Petrus provar aquele experimento quando Alaric imediatamente se moveu, convicto de que ele atacaria Saphir ali mesmo, se entregaria ao plano sórdido de Annabeth para atingir o seu principal objetivo.

Com um movimento ágil demais para um humano comum, Alaric voltou a rodear a cadeira de Annabeth e se colocou entre a loira e o irmão, encarando Petrus com cautela. A alimentação com base em malvas brancas havia enfraquecido o Montgomery mais velho naquelas últimas semanas, ao contrário do caçula que havia ingerido o sangue de Summer mais de uma vez. Portanto, as chances de sair vitorioso de uma briga eram minimizadas, mas nem isso intimidaria Alaric em proteger Saphir.

O relacionamento com a filha do prefeito ainda engatinhava e era tumultuado com todo o drama que envolvia Kendrick, mas nem por um segundo ele cederia ao desejo do irmão se aquilo significasse que Saphir sairia machucada. O simples pensamento de que Wegener habitava o mesmo corpo de Annabeth já era terrível o bastante, mas ao menos ele tinha o conforto de saber que estava se apaixonando por alguém real.

- Você não vai mesmo cair nessa, não é, irmãozinho? Você se lembra? Annabeth é o maior arrependimento da sua vida. Não vou deixar você cair no jogo dela outra vez e definitivamente não vou deixar você machucar a Saphir.

Lentamente, o loiro girou sobre os calcanhares e voltou a encarar Annabeth, ainda usando o seu corpo como uma barreira, temendo que Petrus realmente pudesse ceder àquela chantagem barata.

Não havia nenhum vestígio de Saphir além das roupas modernas, mas Alaric não tinha a menor dificuldade em encarar a loira e sentir repulsa. Se ele temia que reencontrar a antiga amante pudesse fazer renascer qualquer sentimento adormecido, estava surpreso e aliviado em ver que não era mais o mesmo moleque que daria o mundo à vampira.

Os olhos cinzentos se estreitaram ameaçadoramente e ele se inclinou para frente, apoiando cada uma das mãos nas laterais do corpo de Annabeth. Os rostos estavam tão próximos que se ainda houvesse qualquer possibilidade de Alaric se render aos charmes de Kendrick, ele teria acabado com a distância e iniciado um beijo. Ao contrário de qualquer ato que demonstraria a saudade ou a paixão adormecida, os lábios do rapaz se curvaram apenas com nojo, sem nem mesmo vestígio de algum sorriso.

- Eu só não acabo com você com as minhas próprias mãos, bem aqui e agora, porque isso destruiria a Saphir junto. Enquanto eu viver, ninguém vai tocar no seu precioso corpo, Beth. Eu mesmo vou me certificar disso.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Out 30, 2016 2:09 am

- É mesmo?

A voz de Annabeth soou carregada de sarcasmo enquanto ela olhava as íris cinzentas que no passado a encaravam com idolatria. Alaric infelizmente não era mais o rapazinho tolo que acatava todas as suas ordens, mas ainda assim Kendrick não se mostrava intimidada diante dele. A vampira confiava muito no próprio veneno e o olhar atormentado de Petrus dera à Annabeth a certeza de que sua semente podre fora plantada na cabeça do caçula.

- Você nunca foi o mais inteligente da família, Ricky. E isso não mudou nas últimas décadas. Em compensação, o seu irmãozinho mudou bastante. Algo me diz que o Petrus se tornou um vampiro muito mais forte que você. Sinto cheiro de sangue nele, já em você... – Annabeth deu uma fungada forçada e completou com seu típico deboche – Está de dieta, pobrezinho...

Mesmo tendo o corpo de Alaric como um obstáculo, Kendrick esticou o pescoço para encarar o Montgomery mais novo. Mais uma vez, uma sobrancelha fina se ergueu enquanto a vampira apresentava uma solução simples para aquele dilema.

- Não precisa matá-la. Você só precisa manter essa vadia hipnotizada e soltar as minhas mãos, Petry. Eu mesma finalizo o serviço. Terei satisfação em tirar esta alma imunda de dentro de mim.

O olhar indeciso de Petrus mostrava que o rapaz realmente estava cogitando aquela possibilidade. Saphir Wegener seria um sacrifício pequeno se Petrus levasse em consideração todas as vidas que poderia tirar sempre que a sede de sangue inebriasse a sua consciência. Muitas mortes já pesavam a consciência de Montgomery, mas a de Saphir poderia ser a última delas.

A única coisa que fez Petrus desistir da ideia absurda de derrubar o irmão e matar a filha do prefeito foi a presença de Summer. A bruxa jamais o perdoaria se Petrus quebrasse a promessa de não machucar Saphir naquela noite. Por isso, ao invés de colocar em prática o banho de sangue que sua mente arquitetava, Montgomery fechou os olhos e colocou um fim naquela tortura.

O corpo da loira estremeceu antes que a expressão maliciosa de Annabeth se transformasse no semblante desesperado de Saphir. No instante em que a hipnose foi quebrada, a garota recomeçou a chorar e agiu como se a cena protagonizada por Kendrick não tivesse acontecido.

- Eu não sei o que vocês querem! Eu juro que não sei de nada! Por favor, não façam isso comigo! Eu prometo que não vou denunciar vocês se me deixarem ir embora! Eu só quero que isso acabe, por favor!

A inocência refletida nas súplicas de Wegener fez com que Petrus se sentisse ainda mais miserável por ter cogitado a ideia de matá-la. Saphir era só uma alma humana que tivera o imenso azar de ser empurrada para o corpo de um vampiro. A morte dela daria a Petrus a resposta que ele tanto desejava, mas Montgomery não sabia se seria feliz convivendo com aquela culpa e com o ódio do irmão e de Summer.

- Já chega. – a voz de Petrus soou derrotada – Já temos a explicação, ela não precisa sofrer mais. Apague tudo isso da memória dela, Ricky.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Out 30, 2016 2:33 am

Quando aquele pesadelo começou, Summer tinha certeza que era com o irmão mais velho que ela precisaria se preocupar. Que Alaric seria a ameaça para Saphir que ela precisaria impedir de machucar a amiga. Mas o Montgomery mais velho sequer piscou antes de se colocar diante da humana para protege-la, demonstrando que o pouco envolvimento com a filha do prefeito já havia sido mais marcante do que o passado intenso vivido com Annabeth.

O que Fields não esperava era que o receio por Alaric fosse convertido para o irmão caçula. Summer estava paralisada a todo instante, mas foi impossível não notar como ele havia ficado inclinado em ceder a chantagem da antiga amante em prol do seu único objetivo de descobrir a verdade sobre a cura.

Petrus poderia não ser mais cegamente apaixonado por Annabeth, mas era movido por um poder ainda maior. Ele havia se aproximado dela em busca da cura e agora parecia disposto a matar uma alma inocente para conseguir as respostas que tanto procurava.

A imagem que Pete começava a montar no coração de Summer foi despedaçada naquele momento e a única coisa que a mantinha dentro daquela casa, com a certeza de que precisaria encontrar a cura, era a necessidade de proteger Saphir. Se ela desse a Petrus o que ele tanto queria, seria o suficiente para que Montgomery permanecesse afastado da filha do prefeito.

A mesma decepção era refletida nos olhos de Alaric, mas em silêncio, ele obedeceu a ordem do irmão. A imagem de Saphir desapareceu do seu campo de visão quando o Montgomery mais velho parou diante dela. Mais uma vez, Ricky se inclinou sobre a cadeira e aproximou sua boca do ouvido de Saphir, lhe dando a versão mais sutil daquela noite.

Na mente de Wegener, ela teria apenas saído para passear com a melhor amiga e adormecido no caminho de volta, sem lembrança alguma de ter sido acorrentada, de ouvir sobre bruxaria ou de como Alaric estava disposto a protege-la.

Antes de se afastar por completo, Alaric ainda afagou os cabelos loiros despenteados e depositou um beijo na testa de Saphir. Sem olhar para trás, o rapaz deixou o sótão parecendo carregar o peso do mundo em seus ombros, deixando as duas meninas a sós.

Summer se aproximou e abriu um sorriso trêmulo para a melhor amiga. Era impossível encarar os olhos delicados, banhados pelas lágrimas, sem saber que ali dentro, em algum lugar, Annabeth Kendrick continuava presente.

- Sinto muito, Sá.

A bruxa ergueu uma das mãos e tocou a testa de Saphir. O feitiço foi sussurrado em palavras desconhecidas e, no instante seguinte, Saphir adormeceu na cadeira.

Quando a fiha do prefeito acordou, horas depois, ocupava o banco do carona do próprio carro. Sentada ao seu lado, diante do volante, Summer abriu um sorriso mais seguro no instante em que estacionava diante da casa de Saphir.

- Hey, você apagou no caminho de volta. Não sabia que compras poderia ser tão cansativo.

Com um movimento da cabeça, Summer apontou para o banco traseiro, onde algumas sacolas de lojas femininas se amontoavam como álibi da podre mentira que esconderia de Saphir o ocorrido daquela tarde.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Dom Out 30, 2016 2:57 am

Petrus Montgomery já esperava por um embate no instante em que as duas garotas partiram, deixando-o com o irmão e com a certeza de que a amizade dos dois sofrera um sério tropeço naquela noite. O caçula não havia erguido um dedo para concretizar o plano de matar a filha dos Wegener, mas Petrus sabia que o irmão o desprezava simplesmente porque aquela ideia havia sido cogitada por ele.

Antes que Alaric pudesse soterrá-lo com um milhão de acusações e ofensas, o caçula se adiantou naquela inevitável discussão. Não fazia sentido fugir de uma briga que aconteceria mais cedo ou mais tarde.

- Você não tem o direito de me julgar, Alaric. Para mim, ela é uma humana como qualquer outra. Quantos humanos você já matou simplesmente porque estava com sede e era incapaz de controlar seus instintos?

A voz grave de Petrus ecoava na ampla sala do casarão. A pouca quantidade de móveis ajudava a provocar um eco que fazia as palavras do vampiro reverberarem até as paredes. Com as mãos enfiadas nos bolsos das calças, o Montgomery caçula prosseguiu com o seu desabafo.

- Você a conheceu há poucos dias. Eu que deveria me ofender por você se colocar contra mim para defender uma garota de quem você só se aproximou por causa da semelhança dela com a Beth.

A argumentação de Petrus se tornava fraca quando o caçula pensava na própria situação. Ele também havia conhecido Summer há poucos dias, mas não tinha a menor dúvida de que repetiria o gesto de Alaric se a filha dos Fields estivesse em perigo. Aliás, fora principalmente por causa de Summer que Petrus abandonara o plano de matar Saphir naquela noite.

Era impressionante o poder que Annabeth tinha quando o assunto era colocar Alaric contra Petrus. Mesmo aprisionada dentro do próprio corpo e dividindo espaço com uma alma humana, a vampira só precisara de poucos minutos para espalhar no ambiente o veneno que colocava os irmãos Montgomery novamente em lados opostos de uma guerra.

- A Annabeth conhece a informação que pode mudar a minha vida e colocar um fim em sete décadas de tortura. Não me julgue por eu ter me sentido tentado, Alaric. Por um breve momento, uma vida inocente me pareceu um preço pequeno demais a ser pago por esta dádiva. Uma vida de alguém que, teoricamente, nem deveria existir...

Mesmo que não conhecesse as razões de Rachel Fields para colocar uma alma humana no corpo de Kendrick, Petrus sabia o que aquilo significava. Antes daquela poderosa magia, Saphir Wegener não era nada além de um fantasma que não tinha vida própria. Se não fosse pela bruxa, Saphir sequer existiria. Para Petrus, era uma grande injustiça abrir mão do seu maior sonho para manter viva uma alma que, para começar, nem deveria ter nascido.

- Eu não vou machucá-la. Enfrentei um breve momento de tentação, mas agora eu sei que não conseguiria viver com isso. A culpa me consumiria, você não me perdoaria e a Summer nunca deixaria de me ver como um monstro, mesmo se a Beth cumprisse a promessa e me desse a chance de ser humano novamente.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Out 30, 2016 2:15 am

A simples presença de Annabeth era motivo suficiente para que Alaric optasse por entrar no carro e ir para o lado extremo do planeta, bem longe de Bar Harbor. A antiga amante não causava mais nele a mesma influência de antes e a última coisa que ele precisava trazer para a sua vida imortal era o grande problema com sobrenome Kendrick.

O jovem humano de décadas atrás já havia sofrido o bastante nas mãos da vampira, de modo que ele não precisava colecionar mais desastres. Principalmente quando Annabeth teria a oportunidade de infernizá-lo o resto dos seus dias pela eternidade.

Alaric tinha a opção de fugir, ir embora como um covarde e fazer de conta que a antiga amante não havia voltado a cruzar seu caminho. Mas ele jamais conseguiria deixar Saphir para trás. Não com Petrus por perto, a um passo de alcançar o seu precioso sonho da cura.

O mais assustador era saber que Annabeth continuava dentro de Saphir, que por mais que ele lutasse em protege-la, o perigo estaria constantemente presente na mente de Wegener. Kendrick havia levado anos naquela vida mortal para se manifestar, mas Alaric não se surpreenderia se suas tentativas começassem a obter mais sucesso agora que havia experimentado um pouco da liberdade.

As palavras de Petrus não serviam em nada para amenizar a decepção que o primogênito sentia. Alaric estava tão acostumado a ser o irresponsável daquela família que era inédito encarar Pete com tanta mágoa.

- Cada mancha de sangue que eu carrego nas minhas mãos foi por puro instinto. Por descontrole, por precisar me alimentar. Eu nunca tirei uma vida apenas por prazer ou intencionalmente.

A voz de Alaric soava mortalmente séria em um timbre rouco. Ele estava parado no meio da sala, os braços cruzados e uma expressão apática depois da desgastante tarde no sótão. Em toda a sua eternidade, ele nunca havia se sentido tão esgotado.

- Você já tem a chance de conseguir a sua cura sem precisar matar ninguém. A Summer tem tentado, dia após dia. Mas até o esforço dela você jogou no ralo quando se rendeu aos pés da Beth com esta proposta indecente.

Alaric ainda sentia um arrepio na nuca cada vez que lembrava do brilho tentador no olhar de Petrus, disposto a sacrificar a vida de Saphir para ganho próprio. Não importava se a jovem Wegener estava em sua vida há poucos dias ou se os dois provavelmente tomariam rumos diferentes. Ele seria incapaz de deixar Annabeth vencer.

- Você pode ter voltado atrás na sua decisão e pode estar certo em dizer que um dia vou ser capaz de te perdoar. Nós dois estamos presos neste ciclo maldito há tempo demais para saber que estamos presos um ao outro. Mas a Summer? – Alaric balançou a cabeça em uma breve pausa antes de concluir. – Ela já viu o monstro que existe em você, Pete.

Os braços de Alaric deslizaram até pender nas laterais do seu corpo. A roupa amarrotada e os cabelos loiros bagunçados eram consequências de toda a agitação daquele dia sem fim.

- Parabéns por ter feito a Beth vencer outra vez, irmãozinho. Parece que ela ainda sabe controlar muito bem um de nós dois.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Out 30, 2016 2:21 am

As lembranças de Saphir estavam distorcidas quando a loira acordou no banco do carro, já na rua da casa dos Wegener. Era como se sua memória fosse uma estrada encoberta pela neblina onde poucas imagens surgiam nítidas a sua frente.

A loira se lembrava de ter passado na lanchonete onde Summer trabalhava para convidar a amiga para fazer compras no fim da tarde, mas simplesmente não conseguia resgatar a memória das horas seguintes. As sacolas no banco traseiro eram a prova de que as compras tinham acontecido, mas Saphir não conseguiria descrever nem mesmo uma das peças que, teoricamente, ela havia escolhido.

- Uau.

Saphir fez uma careta ao se remexer no banco e sentir o corpo todo moído. As correntes não tinham deixado marcas, mas a maneira como a loira massageou os punhos indicava que o local ficara dolorido.

- Eu acho que estou ficando velha, Sum. Nunca fiquei tão morta depois de uma tarde de compras. Estou caindo de sono também, parece que não durmo há dias...

Não havia nem mesmo uma lembrança do horror que Saphir vivera na casa dos Montgomery, mas um desconforto estranho parecia alertá-la de que algo estava errado naquela história.

Quando o carro parou diante da casa e Wegener encarou a melhor amiga, uma mágoa inexplicável surgiu. Saphir não tinha ideia dos motivos pelos quais estava chateada, mas foi difícil disfarçar a sensação de que Summer não havia sido uma amiga exemplar naquela tarde.

- Bem, obrigada pela companhia. A gente se fala amanhã, ok? Pode levar o carro, já está tarde para você voltar sozinha e eu estou com sono demais para dirigir até a sua casa. Eu passo na lanchonete amanhã e você me devolve as chaves, certo?

Antes que começasse a discutir com a amiga mesmo sem saber porque estava tão irritada com ela, Saphir abriu a porta do carona e saiu do Honda Civic. As sacolas que teoricamente eram delas foram levadas até seu quarto e a filha dos Wegener fez uma careta ao retirar dali peças que não combinavam tanto com o seu estilo. Definitivamente, Saphir não se sentia “normal” naquele dia.

Para completar o pacote de sensações estranhas e inexplicáveis, Saphir sentiu uma vontade sufocante de falar com Alaric Montgomery. Na memória dela, Ricky continuava sendo apenas um rapaz que decidira se afastar depois de uma briga e de alguns amassos dentro do carro.

Mas o mesmo subconsciente que alertava Saphir sobre quebra de confiança em Summer também lhe dizia que Montgomery merecia uma segunda chance. Era como se, intimamente, a loira soubesse que o vampiro havia enfrentado o próprio irmão para garantir a segurança dela.

Mesmo já estando tarde, Wegener tirou o celular da bolsa e abriu o aplicativo de mensagens. Ela olhou a foto bonita de Alaric por minutos inteiros antes de ter coragem de digitar a mensagem que comprovava que o vampiro havia limpado com sucesso os traumas da memória dela.

“Ainda está bravo comigo? Eu sinto muito, eu não deveria ter agredido você naquela noite. Na verdade, eu nem me lembro de ter feito isso. Prometi a mim mesma que nunca mais vou beber.”
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Dom Out 30, 2016 2:58 am

A possibilidade de ter estragado tudo não permitiu que Petrus tivesse paz naquela noite. As palavras duras de Alaric ainda ecoavam em sua cabeça e faziam o caçula se sentir péssimo por mais aquela demonstração de fraqueza. Mas nada parecia mais terrível do que a declaração de que Summer nunca o perdoaria por aquele deslize.

A filha dos Fields já havia presenciado dois momentos de descontrole do vampiro. A marca dos dentes que foram cravados em seu pescoço delicado era a prova de que Summer já conhecia o monstro que Petrus escondia dentro de si. A bruxa fora capaz de perdoá-lo por aquele impulso, mas o erro de Montgomery naquele dia fora muito mais sério do que o instinto de um vampiro.

Petrus não era um monstro sedento por sangue no instante em que cogitou matar Saphir Wegener. Ao contrário, o rapaz estava em pleno uso de sua consciência quando calculou cada passo que precisaria dar para livrar-se de Alaric e quebrar o pescoço de Saphir antes que Summer tivesse a chance de mover um músculo. E era exatamente esta frieza que agravava o seu erro.

Ricky estava certo em questionar a maneira como Fields o encararia agora que sabia que não eram os instintos selvagens de Petrus que o levariam a cometer aquele erro lamentável.

Era uma tolice tentar descansar ou adormecer depois daquele dia infernal, então Petrus abandonou o próprio quarto escuro. Quando o vampiro saltou pela janela e aterrissou agilmente no jardim dos fundos do casarão, poderia parecer que Montgomery havia mudado de ideia e se aproveitaria daquela noite escura para matar Saphir e terminar de uma vez por todas com aquele dilema.

Entretanto, ao invés de seguir até a casa do prefeito, Petrus só interrompeu a sua caminhada – feita em uma velocidade anormal para um humano – no instante em que se viu diante da casinha simples que Summer dividia com a prima.

Mesmo conhecendo o risco daquela “invasão” acordar Letitia e de uma estaca de prata ser enfiava em seu peito, Petrus teve coragem de se esgueirar pela casa até alcançar a janela do quarto de Summer.

Silenciosamente, o vampiro deslizou para dentro do cômodo e já esperava por aquela cena quando encontrou Summer acordada. Era óbvio que nenhum dos integrantes da cena terrível que acontecera naquela tarde teria tranquilidade para pegar no sono.

- Imaginei que você não responderia mensagens e nem atenderia ligações. Então preferi fazer uma visita.

A voz grave soava em uma entonação contida para não chamar a atenção da outra moradora da casa. Mais uma vez, Montgomery disfarçou o fato de não saber o que fazer com as próprias mãos enfiando-as nos bolsos da calça enquanto buscava pelos olhos da garota. A decepção estampada no rosto de Summer só fazia Petrus se sentir ainda mais miserável.

- Eu lamento muito, Sum. Lamento por não ser o cara íntegro que você merece ao seu lado.

Em nenhum momento Petrus pensou em negar o óbvio. Havia ficado muito claro que ele pensara na possibilidade de resolver seus problemas de forma rápida e simples. Seria uma afronta à inteligência de Fields tentar convencê-la de que a morte de Saphir nunca havia sido uma alternativa para Montgomery.

- Assim como eu lamento não poder te levar para jantar, ou como lamento nunca poder dizer que sonhei com você. Eu sinto muito por não conseguir demonstrar o quanto gosto de você sem terminar um beijo com os dentes cravados no seu pescoço.

Petrus terminou aquele desabafo abrindo os braços, apenas para depois deixá-los penderem até se chocaram novamente contra o seu tronco.

- Eu sou um monstro há mais de setenta anos. Eu estou cansado, Summer. Cansado o bastante para ponderar sobre qualquer promessa que coloque um fim neste tormento. Eu já recuperei a lucidez e não vou machucá-la. Mas não me julgue por ter tido alguns segundos de insanidade.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Out 30, 2016 3:24 am

Por alguns instantes, Summer teve certeza de que a hipnose de Alaric havia funcionado com magnitude. Saphir havia acabado de passar pelos piores momentos de sua vida e ainda assim conseguia acreditar que havia apenas passado uma tarde fazendo compras na cidade vizinha na companhia de sua melhor amiga.

Porém, antes que Fields pudesse deixar aquele pesadelo para trás de uma vez por todas, ela sentiu a mágoa direcionada pelo olhar de Wegener. As memórias abafadas não permitiam que Saphir surtasse, mas o sexto sentido da menina era forte o bastante para lhe alertar como Summer havia falhado naquele dia.

A jovem órfã odiava a vida pacata de Bar Harbor, mas naquele dia, ela lamentou a vida sobrenatural em que havia mergulhado de cabeça. O que parecia ser sua salvação também vinha com um preço caro demais. Agora, cabia a ela proteger Saphir do perigo que corria, antes que a loira tivesse o mesmo destino que o Sr. e a Sra. Fields.

O semblante da bruxa demonstrava o seu esgotamento quando ela pisou em casa naquela noite. O som da televisão fez com que ela caminhasse até a sala de estar e não se surpreendeu ao encontrar Letitia acordada. O relacionamento com a prima havia ficado estremecido desde a sua descoberta, mas ainda assim Mitchell não parecia desistir de cuidar dela.

Naquele dia, Summer teve certeza que não conseguiria suportar o fardo sozinha. Era impossível continuar escondendo de Letitia a verdade, e ela precisava da ajuda e do conhecimento da prima se quisesse realmente proteger Saphir.

- Hey, você chegou cedo. – As pernas de Letitia estavam encolhidas no sofá e ela pareceu verdadeiramente surpresa em ter Summer dentro de casa, já que a mais nova passava muito mais tempo na companhia dos Montgomery. – Eu fiz o jantar. Está com fome?

Normalmente, Summer acabaria fazendo alguma piada sobre a caixa de pizza que Letitia se referia ao jantar. Mas ao invés de embalar na personalidade atípica da prima, ela simplesmente desmontou e se encolheu ao lado dela, deixando as lágrimas correrem pelo seu rosto.

Em meio ao choro e soluços, Summer contou para Letitia que já havia descoberto o segredo dos seus pais, que sabia a verdade sobre os Montgomery e completou a confissão com a novidade a respeito de Saphir.

Seus pais eram responsáveis direto no desastre que havia acontecido na vida de Saphir, mas Letitia pareceu sinceramente surpresa com aquela revelação, denunciando que o segredo havia sido muito bem protegido.

Letitia confessou que sabia sobre as intenções dos tios de tentarem encontrar a cura para o vampirismo, mas não desconfiava de que eles haviam chegado tão longe. Nem mesmo o conhecimento mais amplo da prima seria capaz de ajuda-la naquela missão. Mas, quando Summer achou que a conversa não traria nenhum fruto realmente significativo, Mitchell mostrou que não estava tão pronta assim para desistir.

- Talvez eu consiga alguém que possa nos ajudar, Sum.

- Eu não quero arrastar mais ninguém para essa história, Letty. A Saphir já corre perigo o bastante para envolver mais um estranho.

Summer já havia parado de chorar, mas seu rosto continuava manchado e os cabelos presos em um desajeitado coque, deixando os olhos inchados ainda mais evidentes. Letitia abraçou a prima em uma tentativa de reconforta-la e abriu um sorrisinho torto.

- Não é nenhum estranho. O Logan me mandou uma mensagem na semana passada comentando que estava pensando em vir fazer uma visita.

Logan Kennedy havia sido criado junto com Letitia. Assim como a prima, ele era apenas alguns anos mais velho que Summer e havia deixado Bar Harbor ao ingressar na faculdade da Pensilvânia. Aos olhos de Summer, Logan sempre havia sido o garoto mais velho que gostava de implicar com suas tranças. Saber que Logan também estava envolvido no mundo da magia era uma nova surpresa que ela não teria tempo para digerir.

***

Os cabelos de Summer ainda estavam úmidos e o cheiro do sabonete impregnado em sua pele mostrava que a menina havia tentado diminuir a tristeza e frustração que sentia durante o banho. Porém, apenas a sujeira física havia sido levada pelo ralo através da água, de modo que por dentro Fields ainda se sentia como uma grande traidora.

A cama ainda estava forrada, mesmo com a hora tardia, indicando que a menina sequer havia tentado se entregar ao sono. O short cinza de algodão era curto demais, mas perfeito para lhe trazer o conforto necessário durante a noite. Em contraste, o casaco velho com o emblema do Bar Harbor High School já estava com o tom azul desbotado e tinha alguns pontos mais escuros em seus ombros, onde algumas gotinhas haviam pingado de seus cabelos.

No instante em que a imagem de Petrus entrou em seu campo de visão, Summer sequer pôde se sentir surpresa. Ela estava começando a se perguntar quanto tempo levaria até que Montgomery aparecesse.

Ela escutou atentamente cada uma das palavras dele, se mantendo em pé no lado oposto do quarto, com os braços cruzados em uma clara postura defensiva. Qualquer garota da sua idade merecia escutar uma declaração de amor ou de enfrentar dificuldades em um novo relacionamento. Mas tudo que Summer conseguia enxergar era como o envolvimento com Petrus era errado.

Desde o primeiro instante, Summer vinha criando desculpas para perdoar cada um dos deslizes de Petrus. Ele havia sugado o seu sangue duas vezes e ainda assim ela acreditara que havia alguma chance para os dois.

Fields poderia não ser uma humana comum, mas havia ido longe demais em pensar que poderia construir algum tipo de relacionamento com alguém como Petrus. Naquele dia, Montgomery havia atingido o seu limite, de forma que ela não conseguiria continuar se enganando.

- Eu vou encontrar a sua cura, Petrus. Eu já prometi isso. Então por favor, chega de procurar. Chega de passar por cima de tudo e de todos. Você vai ter o que quer, apenas fique longe da Saphir.

Ela deixou cuidadosamente de lado a resposta sobre julgá-lo, porque sabia que Montgomery não iria querer escutar o que tinha para ser dito. Um suspiro cansado escapou dos seus lábios. Não havia mais vestígio do choro em seu rosto, mas Summer parecia derrotada.

- Eu não me importo em sair para jantar ou em ouvir sonhos bobos, Pete. Mas nós dois sabemos que é muito mais do que isso que nos impede de ficarmos juntos. Nós simplesmente não funcionamos.

Um nó se formou na garganta de Fields, mas ela simplesmente estava verbalizando o fim precoce daquele relacionamento, que já havia sido interrompido no sótão dos Montgomery, naquele mesmo dia.

- É melhor a gente simplesmente parar de se enganar e focar na única coisa que realmente importa: a cura.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Dom Out 30, 2016 4:06 am

A resposta formal de Summer fez com que a pequena esperança que o vampiro teimara em alimentar durante todo o trajeto até a casa dela se apagasse como a chama de uma vela atingida por uma rajada de vento frio. O semblante decepcionado da menina já antecipava aquela decisão, mas ainda assim Petrus sentiu seu peito se despedaçar quando a voz de Sum verbalizou o que seus olhos já haviam dito.

De todas as perdas das últimas décadas, Summer era facilmente uma das mais dolorosas. Os dois se conheciam há pouco tempo, mas Montgomery já havia depositado muitas fichas naquele relacionamento. Ao lado de Fields, Petrus se sentia mais humano mesmo sem ter encontrado a cura da maldição. Perdê-la era como ser arrastado novamente para aquela eternidade vazia, sem esperança de mudanças.

- Fale apenas por você, Summer. A cura não é a única coisa que me importa. Se fosse assim, a sua amiga estaria morta. Eu só a poupei porque me importo com o Ricky. E também porque me importo com você.

A confissão do vampiro soou numa entonação gelada que indicava que ele realmente havia planejado a morte de Saphir em sua mente. A agilidade dele não permitiria que a magia de Summer o impedisse e a batalha contra o irmão seria facilmente vencida depois que Alaric ficara tantos dias sem sangue. Se Petrus realmente colocasse a cura acima de qualquer sentimento, a cena do sótão certamente teria terminado de forma muito mais trágica.

Petrus poderia perder várias horas explicando para Fields como a simples companhia dela se tornara um dos bens mais valiosos da existência dele. Depois de tantas décadas, Summer havia despertado no coração gelado dele sentimentos que Montgomery imaginou que nunca mais experimentaria.

Contudo, aquela era uma guerra perdida. Summer estava certa em dizer que nunca daria certo. Por mais que gostasse da bruxa, Petrus sabia que ela merecia um cara infinitamente melhor do que ele. Mesmo se a cura fosse descoberta, Montgomery continuaria sendo um homem marcado por traumas e por culpas sufocantes. Fields merecia estar ao lado de alguém que lhe inspirava confiança e admiração.

- O sótão continua liberado para você, mas eu vou te poupar da minha companhia. Prossiga com o seu treinamento da maneira que preferir. Eu não quero mais influenciar o seu desenvolvimento.

Pela primeira vez, Montgomery não pareceu obcecado com a ideia de que os poderes de Summer poderiam livrá-lo daquela maldição. Pelo contrário, o vampiro parecia extremamente desmotivado com aquela ideia quando deu as costas à bruxa e caminhou até a janela entreaberta.

O mais sensato seria partir sem dizer mais nada, mas a garganta de Petrus ardia com as palavras que ele se obrigava a conter. Por fim, os olhos escuros buscaram por Summer uma última vez antes daquela dolorosa despedida.

- Desde que eu recebi a maldição, a única coisa que eu desejava era me livrar dela. Mas isso mudou quando eu te conheci, Summer. Eu tive a ilusão de que poderia desejar mais da vida, de que eu poderia ser feliz mesmo que nunca chegássemos à cura. Não posso te julgar por preferir ficar longe de um monstro, mas eu não admito que você questione as minhas prioridades.

Um último olhar frio foi lançado na direção de Fields antes que o vampiro saltasse pela janela. O vento gelado daquela madrugada não parecia incomodá-lo, mesmo que o tecido de sua camisa fosse bastante leve.

Petrus não pretendia fugir de Bar Harbor, muito menos colocaria em prática o plano de matar Saphir para que a sua salvação viesse dos lábios de Annabeth Kendrick.

Entretanto, Montgomery estava determinado a se manter fora do caminho de Summer. Seria uma tortura desnecessária conviver com a garota agora que Fields deixara claro que nunca mais aconteceria nada entre eles. Nem mesmo a cura que poderia vir da jovem bruxa faria com que aquele sacrifício valesse a pena.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Out 30, 2016 4:08 am

O silêncio que caía sobre a casa era contraditório a toda energia negativa depois do pesadelo vivido no sótão e apenas parecia reforçar o peso no peito de Alaric. Assim como Petrus, ele se sentia incapaz de pregar os olhos naquela noite e embora já estivesse deitado em sua cama pelas últimas horas, a mente agitada impedia que ele descansasse.

Os olhos cinzentos encaravam o teto do quarto enquanto Montgomery refletia sobre os últimos acontecimentos. Parecia bastante óbvio que o relacionamento dos dois irmãos se abalasse após poucos minutos de interação com Annabeth Kendrick. A antiga paixão parecia ser o carma que os dois precisariam carregar eternamente.

Mas a rixa com Petrus ou o ressurgimento de Beth eram apenas peças que montavam o maior e real problema. Saphir estava presa no mesmo corpo que uma terrível vampira sem fazer ideia do perigo que corria. Annabeth poderia não ter o controle para aparecer e desaparecer quando quisesse. Se tivesse, não haveria mais nenhum vestígio de Saphir para a história. Mas a loira era manipuladora e cruel o bastante para conseguir o que queria através de outros meios.

O som da mensagem pareceu amplificado pelos ouvidos sensíveis de Montgomery e ele se sobressaltou ao encarar o iPhone pousado na mesinha de cabeceira. Uma ruga surgiu entre seus olhos até que o aparelho estivesse ao seu alcance, tornando possível ler a mensagem enviada por Saphir.

O tom mais informal implicado nas palavras escritas despertaria um sorriso de qualquer rapaz. Porém, a tentativa de fazer uma piada sobre a própria falta de memória fez Alaric se sentir ainda mais miserável. Ele se odiava por brincar com a mente de Saphir daquela forma. E havia sido através da sua hipnose que Annabeth havia recuperado suas forças.

Por longos minutos, Alaric permaneceu encarando a tela do celular, incapaz de responder. Sua chegada a Bar Harbor havia arrastado Saphir para o mundo sobrenatural onde Annabeth existia. Mas agora também era sua obrigação garantir a segurança da filha do prefeito.

Ele não era nenhum homem honrado que corria em busca da donzela indefesa. Se fosse qualquer outra pessoa, Montgomery provavelmente daria as costas e deixaria que o destino cuidasse de Saphir. Mas ele se via incapaz de ignorar o que acontecia na vida da menina, se sentindo diretamente responsável.

“Eu nunca poderia ficar bravo com você, lindinha. E por experiência própria, eu sei o que é ficar mortificado pelo comportamento provocado pelo álcool”.

Era terrível ainda prolongar a ideia de que Saphir havia sofrido por uma amnésia alcóolica, e para poder passar logo por aquele assunto, Alaric voltou a digitar rapidamente antes de enviar a nova mensagem.


“Vamos fugir. Sair de Bar Harbor, pelo menos por um dia. Eu preciso respirar o ar longe desse pequeno pedaço do inferno e preciso que você vá comigo.

O que me diz?”


***

As janelas do carro estavam pela metade, permitindo que o vento fresco entrasse e balançasse os cabelos loiros de Alaric e Saphir. A todo instante, Montgomery lançava olhares na direção da loira, como se quisesse se certificar de que ainda encontraria a inocência de Wegener nos olhos azuis.

Annabeth não apareceria com tanta facilidade, provavelmente apenas se ele utilizasse a hipnose outra vez. Mas ninguém poderia julgar Alaric por aquele receio enquanto dirigia por algumas horas até uma das cidades que rodeava Bar Harbor.

Como acontecia na pequena cidade, a estrada era quase toda banhada pelo grande lago em um dos lados e por árvores do outro. O clima da cidade vizinha ainda era de um local pequeno, longe da movimentação de grandes cidades.

A diferença de Bar Harbor é que aquele canto da cidade parecia ser mais utilizado pelos ricaços que resolviam tirar férias mais tranquilas em seus barcos e iates. O carro de Alaric foi estacionado quase em frente ao longo píer. Alguns barcos estavam estacionados e havia uma pequena movimentação.

Alaric não podia usar a hipnose em Saphir, mas aquilo não o impedia de usar em outras pessoas que não dividiam seus corpos com vampiros como hospedeiros. E foi com uma simples hipnose que o rapaz conseguiu as chaves de um dos pequenos iates ao redor do píer.

O sorriso em seus lábios estava mais relaxado e quase voltava a parecer o mesmo de antes quando ele parou ao lado do barco. Os óculos de sol escondiam as íris azuis e Alaric parecia já ter aquele plano em mente ao escolher as roupas daquela manhã.

A calça branca combinava com a camisa de manga, listradas em branco e azul. Montgomery parecia mais um dos ricos rapazes que levariam suas acompanhantes em um passeio, mas por dentro, ele estava apenas desesperado por uma distração de todo aquele drama.

- Vamos lá, loirinha... – Ele ofereceu a mão para ajudar Saphir a subir o degrau e entrar no iate. – Vamos viver um pouco.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Saphir Wegener em Dom Out 30, 2016 2:53 pm

Os sapatos de salto eram os únicos acessórios que não combinavam muito com o passeio proposto por Alaric naquele dia, mas Saphir resolveu aquele problema retirando os calçados. Com os pés descalços, a loira embarcou no iate e consequentemente também embarcou na aventura programada pelo rapaz.

Qualquer garota no lugar dela poderia encarar a situação com uma boa dose de receio. Os irmãos Montgomery eram dois estranhos em Bar Harbor, ninguém sabia ao certo de onde eles tinham vindo, nem o que pretendiam fazer na cidade, tampouco por quanto tempo ficariam naquela região.

Parecia uma loucura afastar-se da terra firme tendo Ricky como única companhia, mas Wegener se deixava levar pelo intenso sexto sentido que lhe dizia que o Montgomery mais velho não lhe faria nenhum mal. As lembranças da tarde anterior tinham sido apagadas da memória de Saphir, mas era como se intimamente ela soubesse que o rapaz a sua frente tinha enfrentado o próprio irmão e o antigo amor de sua vida para protegê-la.

- Eu prefiro não saber como você conseguiu as chaves. Só espero não ter que ligar para o meu pai e pedir que ele pague uma fiança para me tirar da cadeia.

Normalmente, Saphir jamais embarcaria em qualquer aventura que pudesse gerar repercussões tão graves. Mas Alaric despertava nela uma urgência de se libertar daquela garota certinha que todos em Bar Harbor admiravam.

Os dois estavam sozinhos no iate, mas isso não foi um problema já que Montgomery parecia saber muito bem o que estava fazendo quando ligou o motor do barco e o conduziu para longe do píer. A cabine de direção era rodeada por paredes de vidro, então dali Alaric tinha uma visão privilegiada do convés onde Saphir estava.

Por longos minutos, a garota permaneceu de pé junto à grade de proteção da proa, admirando a água cristalina que parecia se unir ao céu profundamente azul no horizonte. O vento jogava os cabelos loiros para trás. Devido ao sol forte, naquele dia os óculos de grau da garota tinham sido substituídos por lentes de contato e por óculos escuros.

Se Alaric tivesse alertado a menina sobre aquele passeio, Saphir certamente teria se preparado melhor para um dia de sol em um iate. O vestido preto e branco listrado tinha um tecido leve que não agravava o calor daquele dia, mas definitivamente não teria sido a primeira escolha de Wegener se ela soubesse quais eram os planos de Montgomery.

- Não seja covarde. – Saphir repetiu para si mesma enquanto a parte mais racional de sua mente tentava lutar contra a ideia que ela tivera.

Na memória deturpada de Wegener, ela já havia se acovardado uma vez e não queria repetir aquele erro com Alaric. Embora ela não fosse o tipo de garota que colecionava relacionamentos casuais, Saphir queria abrir uma exceção para Montgomery. Mesmo que aquele relacionamento acabasse em Bar Harbor e os dois nunca mais se vissem, a loira sabia que não iria se arrepender por ter se deixado levar por aquela atração.

Dentro do carro, Alaric já havia tido a oportunidade de tocá-la e de ver mais do que as roupas comportadas de Wegener normalmente exibiam. Mas mesmo a visão privilegiada de um vampiro era prejudicada pela escuridão da noite e pelos corpos espremidos no espaço apertado do veículo.

Naquele dia, contudo, nada prejudicaria a visão de Montgomery. Mesmo sabendo que o rapaz poderia vê-la de dentro da cabine de comando, Saphir não hesitou em abaixar o zíper do vestido. O iate já tinha se afastado o bastante e daquele ponto a loira não conseguia mais enxergar o píer e nem outra embarcação por perto, portanto Wegener sabia que só haveria uma testemunha daquele seu pequeno atrevimento.

Quem porventura olhasse a loira de longe, poderia julgar que a lingerie preta era um biquíni comum. Mas de perto era possível notar os detalhes delicados em renda e a transparência que não combinavam com o modelo de uma roupa de banho.

Aquele gesto seria banal para Annabeth, que sempre dominara com maestria a arte da sedução, mas para a filha dos Wegener era uma ousadia indescritível.

As batidas aceleradas do coração de Saphir irradiavam até a garganta dela quando a garota respirou fundo e se deitou em uma das espreguiçadeiras acolchoadas do convés para aproveitar a claridade que atingia o iate naquele dia ensolarado.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Out 30, 2016 3:27 pm

- Uau, as coisas estão exatamente como em dois anos atrás...

Os olhos esverdeados apreciaram o contorno do lago, mas o comentário não parecia trazer nenhuma conotação negativa ao comparar a Bar Harbor do presente com a lembrança que Logan Kennedy tinha da cidade antes de trocá-la pela Pensilvânia.

- É, eu acho que Bar Harbor está presa em alguma fenda do tempo. Nada aqui é capaz de mudar.

Ao contrário da entonação do rapaz, era fácil identificar a crítica nas palavras de Summer. Ela e o rapaz andavam lado a lado pelo calçadão de madeira que rodeava o lago, em um breve passeio no fim da tarde que tinha a intenção de mostrar a cidade ao recém-chegado.

Logan havia voltado a Bar Harbor naquela manhã e ocuparia o sofá da casa de Fields e Mitchell. Enquanto Letitia trabalhava na lojinha exotérica, Summer ficou encarregada de atualizar o velho amigo sobre os últimos acontecimentos da cidade, o que incluía a chegada de dois vampiros e a magia poderosa que havia prendido a alma de Saphir Wegener no corpo de uma vampira.

Summer depositava todas as suas fichas em Kennedy, mas ainda era estranho conversar sobre magia com o rapaz que havia crescido na companhia de Letitia. Logan, por outro lado, parecia bastante confortável em falar sobre os assuntos sobrenaturais, mostrando que já estava naquela vida há muito mais tempo que a órfã dos Fields.

- Eu não sei nada sobre a cura, Summer. – Ele confessou, depois de ouvir por quase uma hora toda a narração de Fields. – Mas eu cheguei a ajudar o seu pai com alguns feitiços, a maioria deles com efeitos temporários que aproximavam a vida de um vampiro com a de um humano. Eu acho que só precisamos continuar trabalhando na mesma linha.

- E você vai simplesmente largar a sua vida e se enfurnar em Bar Harbor pra me ajudar, com um problema que nem é seu?

Os lábios bem desenhados do rapaz se curvaram em um sorriso e ele retirou as mãos dos bolsos ao se sentar em um banquinho de frente para o lago. Os cabelos escuros eram arrepiados e as sobrancelhas grossas emolduravam os olhos esverdeados. Quando deixou Bar Harbor há dois anos, Logan era um rapaz magrelo que apenas tinha a sorte de ter um sorriso bonito. Mas o tempo apenas havia contribuído positivamente em sua aparência.

Mesmo sob o tecido da camisa preta, era possível notar como os braços haviam ganhado forma e estavam infinitamente mais fortes, denunciando algumas horas de esforço na academia. Logan também havia deixado o olhar de inocência da pequena cidade e parecia mais experiente depois da temporada em uma cidade grande.

- Bom, só pra te lembrar, a Saphir também é minha amiga, então isso também é um problema meu.

Logan se acomodou no banco e passou o braço para trás, apoiando-o pelas costas de Summer. Ele também era mais alto que a bruxa e carregava pendurado em seu pescoço um pequeno amuleto.

- Além do mais, eu não tenho tido muito tempo para praticar bruxaria. Vai ser ótimo ter uma companheira de estudos.

- Eu estava tentando aprender com o Petrus... – Ela sussurrou, evitando o contato do olhar de Logan, com medo de ser repreendida pela sua aproximação com o vampiro. – Mas acho que vai ser produtivo aprender por alguém que realmente é capaz de fazer magia.

- Então vamos salvar o dia, gatinha.

***

- É aqui.

Os pneus diminuíram a velocidade e amassaram o cascalho ao estacionar em frente ao casarão dos Montgomery. Os olhos azuis estavam atentos a qualquer movimentação no interior da casa e Summer parecia ansiosa demais com a possibilidade de encontrar Petrus.

- É melhor você esperar aqui. Eu só vou pegar alguns livros, não demoro mais do que dez minutos.

Logan estava ao volante e também encarava a casa com bastante interesse. Contrariando o pedido da menina, ele também soltou o próprio cinto e fez menção de sair do carro, mas ela se apressou em tocá-lo, em um gesto mudo para que continuasse onde estava.

- Eu não vou deixar você entrar sozinha na casa de um vampiro, Sum! Tá louca?

- Eu tenho tudo sob controle, Logan. Prometo.

Os olhos azuis ainda estudaram o rapaz por alguns segundos antes de se certificar de que Logan atenderia o seu pedido. Só então Summer conseguiu reunir coragem para deslizar para fora do range rover e caminhar com insegurança até o sótão que ela já conhecia tão bem.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Liam Mellish em Dom Out 30, 2016 4:01 pm

No primeiro andar do casarão, tudo estava calmo e silencioso. Os poucos móveis continuavam em seus lugares e agora havia menos poeira no piso de madeira, num sinal claro de que os vampiros finalmente começavam a encarar a casa como um lar e a cuidar daquele espaço.

O Volvo preto que pertencia aos Montgomery não estava parado na frente do casarão como de costume, mas aquilo não era uma garantia de que a casa estaria vazia. O carro era apenas uma máscara que escondia o fato de que Alaric e Petrus não precisavam de um motor para se locomoverem em uma velocidade anormalmente alta para os padrões humanos.

O primeiro sinal de vida que Summer notaria no imóvel surgiu quando a garota chegou ao segundo piso.

A entrada para o sótão ficava ao fim do corredor dos quartos. No teto havia um alçapão que, se puxado, dava acesso a uma escada retrátil que levava até o sótão antigo onde agora funcionava o centro de treinamento de Fields. Mas antes mesmo de chegar ao fim do corredor, a bruxa perceberia que não estava sozinha na casa.

A respiração ritmada ecoava pelo segundo andar, deixando claro que o ruído não pertencia a um vampiro. A porta de um dos quartos estava entreaberta e, como era um caminho inevitável até o alçapão, Summer não tinha como fugir da imagem exibida no cômodo.

Embolada em meio aos lençóis estava uma garota. Os cabelos vermelhos entravam em contraste com os tecidos brancos que a envolviam, mas era o rosto bonito que mais chamava a atenção. Certamente não era uma habitante de Bar Harbor visto que Fields conhecia praticamente todos na cidade, mas este detalhe só parecia tornar a presença dela ali ainda mais inexplicável.

A ruiva dormia tranquilamente na cama espaçosa. Sobre o tapete, estava abandonada uma garrafa de whisky vazia que provavelmente contribuía para aquele sono pesado. Quando a menina se mexeu na cama para mudar de posição, por um momento seu pescoço ficou exposto. Summer veria na pele pálida os dois furinhos cicatrizados que ela já conhecia, assim como um discreto filete de sangue que já havia secado.

Era a típica atitude esperada para Alaric. O Montgomery mais velho já havia deixado claro que não fazia a menor questão de ser discreto e nem costumava negar ao seu corpo os instintos primitivos de sua espécie. O mais óbvio era imaginar que Ricky havia seduzido uma pobre coitada de alguma cidade próxima para saciar seus desejos e para matar a sede que malvas brancas nunca saciavam por inteiro.

Contudo, contrariando a hipótese mais provável, foi a voz grave do caçula que ecoou às costas de Summer enquanto a bruxa ainda espiava a cena inesperada do quarto.

- Eu disse que o sótão continuaria liberado para você praticar magia... Não me lembro de ter mencionado que você teria livre acesso para espionar o meu quarto.

Enquanto Summer ainda se recuperava do susto pela chegada silenciosa e repentina do vampiro, Petrus puxou a porta do quarto e a fechou com uma violência desnecessária. Montgomery sabia que sua vítima não acordaria com aquele barulho depois de uma hipnose tão profunda e de meia garrafa de bebida destilada.

A aparência de Petrus não deixava dúvidas de que Alaric era inocente daquela vez. O caçula usava somente uma calça de moletom preta e havia dispensado a camiseta, exibindo o tronco e os braços bem torneados por músculos. Os cabelos castanhos estavam atrapalhados e apontavam em todas as direções, como se Petrus tivesse acabado de se levantar depois de uma longa noite de sono. Os pés descalços completavam o visual despojado, tão distinto da aparência formal e sempre impecável do Montgomery mais novo.

- Também não me lembro de ter te dado autorização para trazer visitantes à minha casa.

As palavras ásperas de Petrus deixavam claro que o vampiro sabia que Summer não estava sozinha naquele dia. Mesmo sem saber de quem era a voz masculina do carro, Montgomery já se sentia profundamente enciumado.

O vampiro havia decidido seguir adiante depois que Fields o dispensara e agora estava disposto a não fugir mais dos próprios instintos. Petrus se convenceu de que era um monstro e que aquilo nunca mudaria, não importa o quanto ele lutasse para se comportar como um humano. Portanto, a única saída que amenizava aquela frustração parecia ser aproveitar ao máximo os prazeres que aquela forma de vida lhe proporcionava.

Contudo, o fato de ter aceitado que não havia um futuro para ele e Summer não significava que Montgomery estava preparado para vê-la feliz ao lado de um rapaz que tinha a humanidade que ele jamais alcançaria. Era inevitável sentir ciúmes e uma vontade sufocante de abrir a garganta do acompanhante de Fields.
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Re: Bloody Type

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Out 30, 2016 11:33 pm

O ronco do motor cessou quando Alaric girou a pequena chave prateada no painel, permitindo que aos poucos a sua audição começasse a capturar o som da natureza ao seu redor. As fracas ondas se chocavam contra a estrutura do barco, provocando um leve balançar quase rítmico.

A navegação havia seguido a passagem do rio até alcançar o mar, e eles haviam ido longe o suficiente para que nada além da água pudesse ser avistado. O sol agradável aquecia a pele de qualquer humano como um abraço caloroso, mas a pele do vampiro continuava fria. Os cabelos loiros eram bagunçados pelo vento e Alaric tinha uma surpreendente expressão tranquila por trás das lentes escuras dos óculos.

Depois de tantas experiências vividas ao longo de sete décadas, era surpreendente se sentir em paz por alguns minutos, e ao menos aquela sensação ele havia aprendido a apreciar e valorizar. Mais uma vez, a imagem de Annabeth era varrida de sua mente, porque era impossível associar a delicadeza de Saphir com a maldade de Kendrick.

Mesmo com os acontecimentos recentes do dia anterior, de saber que naquele mesmo corpo a sua antiga amante estava lutando pela liberdade que imediatamente significava a ruína de Saphir, Alaric só queria ter um dia de paz e se permitir sentir a felicidade que vinha se negando a tanto tempo.

A sombra do rapaz foi projetada sobre o corpo de Saphir quando ele parou diante dela, bloqueando a luz solar. O sorrisinho divertido estava brincando em seus lábios e ele não demonstrou nenhuma timidez quando seus olhos desceram vagarosamente pelo corpo de Wegener, admirando cada uma das curvas.

- E eu achando que aquela calça de ginástica seria o máximo de tortura.

Alaric se abaixou até apoiar na mesinha entre as espreguiçadeiras uma bandeja com frutas cortadas e um copo de suco. Só então ele se acomodou no lugar ao lado, mas mantendo as pernas viradas entre o vão que dividia a espreguiçadeira de Saphir, ainda direcionando a ela toda a sua atenção.

- Trouxe um lanche. Se você não tiver o mesmo problema que eu tenho com passeios em alto mar, já deve estar sentindo fome.

O enjoo provocado pelo balanço do barco era bastante comum em humanos, de modo que Saphir não teria dificuldades em acreditar que aquele era o motivo para a falta de apetite de Montgomery.

Alaric se mostrou ainda mais entrosado com detalhes da vida dos humanos quando puxou em meio a uma toalha dobrada em sua espreguiçadeira, um frasquinho de protetor solar, erguendo ele aos olhos de Saphir como se estivesse em uma propaganda.

- Eu vim sonhando com esse momento todo o caminho até aqui. E a não ser que você queira algumas manchinhas nas suas costas, eu sugiro fortemente que me deixe ser feliz pelos próximos minutos.

O tom leve de Alaric ainda trazia um pouco do conquistador que era mergulhado na autoconfiança. Mas se Saphir prestasse atenção, poderia notar que havia algo de diferente na forma com que ele sorria, demonstrando que o estágio de provocações havia passado e que Montgomery realmente começava a se importar com a loira a sua frente.
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Remus J. Lupin

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