The Royals

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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Set 14, 2016 12:22 am

A risada gostosa de Lukas preencheu todo o apartamento de Charlotte, ecoando pelos cômodos amplos enquanto ele tombava a cabeça para trás. Por longos segundos, o rapaz não conseguiu se controlar. Lágrimas divertidas já escorriam pelos olhos castanhos quando Krauss finalmente recuperou o fôlego e conseguiu parar de rir.

- Não, Charlie. O juiz não pode dar um pênalti porque dois jogadores do mesmo time se chocaram acidentalmente no meio do campo.

A enorme televisão da sala exibia a reprise de um jogo da Eurocopa naquela manhã de sábado. Luke havia ligado o aparelho naquele canal unicamente para que o tempo passasse mais rápido enquanto ele esperava que Baviera cumprisse a promessa de preparar o café da manhã. Há três dias, Lukas e Benjamin haviam assistido aquela mesma partida ao vivo, mas nem o fato de saber o placar e as jogadas que aconteceriam faziam com que Krauss perdesse o interesse em futebol.

Quando Charlotte se juntou a ele, Luke já estava pronto para trocar de canal, mas os comentários completamente alienados da menina transformaram aquela partida em um show de comédia.

- Vamos começar do básico, lindinha. O cara de preto é o juiz. Aqueles dois com luvas são goleiros, eles podem segurar a bola com as mãos.

As explicações ridículas eram obviamente mais uma das tantas brincadeiras que eles faziam. Mesmo depois de terem dormido juntos e despertado naquela manhã nos braços um do outro, o clima descontraído permanecia como uma regra daquele relacionamento confuso. Antes mesmo da atração que sentia pela menina, Lukas começava a enxergá-la como uma grande amiga.

- Vamos ver o que temos aqui...

Krauss deslizou para fora do sofá e agachou-se diante da mesinha de centro, na qual a menina havia colocado a bandeja com o café da manhã que acabara de preparar. As torradas estavam ligeiramente queimadas nas bordas, mas Lukas ainda achava que tinham salvação. Uma porção de morangos frescos em um potinho certamente poderiam ser comidos. O cheiro que vinha das duas canecas de café era agradável e os ovos mexidos separados em dois pratinhos também estavam visualmente aceitáveis.

- Certo. Levando em consideração que é o seu primeiro café da manhã, eu diria que a sua nota inicial é oito e meio. O sabor pode contribuir para aumentar ou reduzir a sua nota, então eu terei que provar.

Já completamente à vontade na casa de Charlotte, Lukas usava apenas a calça jeans. Os pés descalços estavam em contato direto com o tapete da sala e o tronco despido exibia os músculos que Charlie já conhecia bem.

O morango maduro que Lukas experimentou estava ótimo, doce exatamente como o rapaz preferia. A torrada estava ligeiramente ressecada, mas, como Krauss imaginava, não era uma tortura terminar de comê-la. O problema veio quando Lukas levou uma garfada dos ovos à boca. Estava tão absurdamente salgado que o rapaz sentiu uma dorzinha no ouvido enquanto mastigava. Charlie havia colocado tanto sal que Luke conseguia sentir os cristais se quebrando em sua boca a cada mastigação.

- Charlie... - com muito esforço, Lukas conseguiu engolir aquela porção - Uma vaca diria que está delicioso. Para um humano tem um pouquinho a mais de sal. Quando eu digo "um pouquinho", quero dizer que está horrível.

Para mostrar à menina que não estava implicando com ela, Lukas usou seu garfo para pegar mais um pouquinho dos ovos e levar a porção até a boca de Baviera. Enquanto a menina mastigava a prova inegável de que ela exagerara no sal, Krauss pegou uma das canecas de café na esperança que o líquido quente tirasse aquele gosto terrível de sua boca.

O primeiro gole já foi generoso, mas Lukas se arrependeu daquele gesto no instante em que sentiu a textura do líquido que preenchia a sua boca. O rapaz havia engolido os ovos com muito esforço, mas era impossível repetir aquela gentileza com o café. Diante do olhar de expectativa da garota, Luke cuspiu o café de volta na caneca e sacudiu a cabeça em negativa, voltando os olhos castanhos para Charlotte.

- Charlie. É muito, muito, muito, muuuuito importante filtrar o café.

O sorriso de Lukas se alargou para que a menina visse seus dentes completamente sujos com o pó do café que ela não havia coado. Mais uma vez, as risadas de Luke encheram o apartamento antes que ele se colocasse de pé e pegasse mais um morango da bandeja.

- Sua nota oficial despencou, Charlie, você foi reprovada com méritos. Eu vou tentar salvar os meus dentes e depois vou pra cozinha. Não foi hoje que você conseguiu cumprir a promessa do café da manhã, mas podemos tentar outras vezes. É claro que da próxima vez eu vou experimentar um gole muito menor.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Set 14, 2016 1:49 am

O lado racional de Benjamin sabia, no instante em que os corpos tombaram exaustos, que Danika precisaria ir embora. Antes mesmo que ela anunciasse o inevitável, a realidade do mundo fora daquele quarto já pesava nos ombros do rapaz. Mas nem mesmo a sensação do coração se apertando com a despedida de Nika fez o sorriso dele diminuir.

Benji nunca havia se sentido daquela forma antes. Nenhuma mulher que tivesse passado pelos seus braços poderia ser comparada à Lehman. E aquela certeza fazia qualquer problema relacionado ao futuro da Áustria e da família real completamente irrelevante. Agora ele só tinha um problema: como manter Danika na sua vida.

O beijo de despedida na porta do apartamento demorou muito mais do que o necessário, e ainda assim Benji sabia que era pouco. Era impossível evitar a sensação de vazio em seu peito com a despedida de Danika, mas era reconfortante saber que estariam separados apenas por alguns andares.

A noite agitada fez com que Benjamin mergulhasse em um sono reconfortante no instante em que se viu sozinho. Ele apagou assim que recostou a cabeça no travesseiro, mas o sorriso bobo em seus lábios permaneceu até o dia seguinte, acompanhado de sonhos com uma romena de cabelos castanhos.

Quando Benji finalmente encarou a luz do dia seguinte, ele temeu que seu primeiro pensamento fosse o arrependimento. Ele jamais se arrependeria pela noite passada com Danika, mas o medo de ter cometido um grande erro que o guiaria por um caminho de mágoas e decepções para Lehman poderia surgir e arruinar toda a felicidade conquistada na noite anterior.

Poderia ser um pensamento muito egoísta ou irresponsável, mas o arrependimento não surgiu. Benjamin tinha cada vez mais certeza de que era a vida de Müller que ele queria. A liberdade de amar quem quisesse, de andar pelas ruas sem uma sombra, sem precisar dar satisfação por absolutamente cada espirro que poderia ser interpretado de forma errada pela imprensa.

Era cedo demais para pensar em voltar para Viena. E por ainda ter tempo, Benji não queria pensar nas complicações que estava trazendo para a vida de Danika. Se estivesse sendo racional, ele daria a ela a liberdade de escolha, de poder optar por entrar na vida cansativa da realeza. Mas a vida de um homem simples era muito mais vantajosa para ele estragar tudo. E pela primeira vez, ninguém poderia lhe tirar aquilo.

Mesmo que teoricamente fosse o seu dia de folga, Benjamin não se importou de passar o dia trancado no apartamento. Quando ele finalmente tirou o carro da garagem subterrânea, o céu alaranjado já exibia o início do pôr do sol.

A cidade de Leoben poderia estar abarrotada de universitários, mas o trânsito leve permitiu que Benji não demorasse até estacionar em frente ao restaurante que ele conhecia apenas de nome.

Olga e Lukas já haviam falado mais de uma vez sobre o restaurante que Danika trabalhava, mas era a primeira vez que Benjamin via pessoalmente.

O carro alugado estava ligeiramente empoeirado, dando a sensação de ser mais velho do que realmente era. Os vidros baixados permitiam que a música vinda do rádio ecoasse baixinho até alcançar a calçada.

Benji saiu do banco do motorista e deu a volta até se encostar na porta do carona. Ele olhou para o relógio e sorriu satisfeito com a sua pontualidade. Não precisou esperar nem mesmo cinco minutos até que o rosto conhecido aparecesse do outro lado da calçada.

Seu sorriso logo se tornou ainda maior e os olhos de um intenso azul passaram pelo corpo de Danika, e mesmo a distância era impressionante como ela conseguia ser linda. Benji ainda se lembrava de cada curva e cada sensação das suas mãos deslizando pelo corpo dela, e nem mesmo o uniforme da garçonete era capaz de inibir os seus pensamentos.

Como a rua estava pouco movimentada, não foi difícil para que Danika o enxergasse, no instante em que ergueu a cabeça. Benji precisou olhar apenas para um dos lados antes de atravessar até a calçada oposta.

Mesmo em uma cidade onde a maior população se concentrava em universitários, Benjamin se destacava. A calça jeans era escura e uma das suas peças preferidas das novas compras. A camisa branca de algodão estava parcialmente escondida pela jaqueta de um verde-musgo, mas a harmonia com o seu físico perfeito atraía o olhar de qualquer mulher que passasse.

Ignorando qualquer atenção que pudesse estar chamando com a própria aparência, os olhos azuis estavam cravados em Danika e ele não hesitou em puxá-la pela cintura e cobrir os lábios com um beijo, antes mesmo de dizer qualquer coisa.

Benji não queria dar a oportunidade de Lehman dizer que o que haviam feito era um erro. Ele não iria voltar a negar o que os dois sentiam um pelo outro. E a tentativa de mostrar seu desejo a ela veio com o convite que fez, sempre sorrindo.

- Pensei em você o dia inteiro. E então tive a ideia de poupar o seu tempo no trânsito... Mas acho que podemos aproveitar este tempo economizado pegando a Beth na creche e dando um passeio pelo rio. Está um ótimo dia para um sorvete. E eu não aceito não como resposta.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Set 14, 2016 2:22 am

Qualquer menina que tivesse preparado aquele café da manhã para impressionar um rapaz teria ficado mortalmente envergonhada, além de decepcionada consigo mesma pelo completo fiasco. Praticamente a única coisa comestível havia sido a que ela não precisara tocar, o que expunha suas péssimas habilidades na cozinha.

A segurança de Charlotte Baviera, entretanto, era sólida o bastante para que ela não se abalasse com aquele deslize. A tarefa de preparar uma refeição poderia ser simples para muitas pessoas, mas ela não se importava em falhar em algo que poderia resolver simplesmente indo até o Starbucks mais próximo.

Ao contrário de Luke, ela sequer conseguiu engolir os ovos, cuspindo a pequena colherada em um guardanapo com uma careta de nojo. O café nem mesmo foi cogitado para ser provado. Krauss já havia mostrado que as reclamações eram verdadeiras, e não frutos de uma implicância boba entre amigos.

- Deus do céu, eu juro que não estava tentando te matar, nem nada. Blerg!

Mesmo depois que os ovos já não estavam mais em sua boca, o gosto salgado ainda fazia seu rosto se contorcer involuntariamente enquanto ela sentia calafrios. Com os pés descalços, Charlie caminhou até a cozinha e pegou um copo de suco, bebendo praticamente a metade da porção na tentativa de se livrar do gosto horrível.

Quando ela voltou para a sala, trazia consigo um copo para Lukas, mesmo sem que ele precisasse pedir.

Uma das provas da segurança de Baviera era sua aparência naquela manhã. A camisola de seda havia sido trocada por um short jeans claro e a camiseta branca era um pouco mais larga do que o necessário para o seu corpo pequeno. Mas a diferença mais gritante estava em seus cabelos. Os fios negros haviam sido puxados em um coque espetado, onde vários fios se soltavam de forma nada harmoniosa. Até mesmo no topo da cabeça, as mechas se embolavam, denunciando que não haviam encontrado o pente naquela manhã.

Charlotte era extremamente vaidosa e Luke provavelmente era a primeira pessoa a vê-la tão relaxada. A amizade que crescia cada vez mais entre eles apenas lhe deixava mais à vontade para não se importar com os fios impecáveis. Afinal, não era como se ela estivesse precisando impressioná-lo.

- Bom, ao menos agora eu sei como me vingar quando você tiver a coragem de colocar futebol na minha TV e ainda rir das minhas habilidades, Krauss. Ovos mexidos e café.

Ela se sentou na ponta do sofá e esticou as pernas até poder cutuca-lo na coxa com os dedos dos pés. Apesar de todo o relaxamento que Lukas trazia, a mente de Charlie a obrigava a voltar a realidade. E a cristaleira sem vidro na sua sala era uma lembrança constante de que a noite anterior não havia sido apenas um pesadelo

- Você teve notícias dos seus amigos? – Ela forçou um tom casual logo depois de uma pausa, o encarando com os grandes olhos verdes. – A menina era sua amiga também, não era? A garçonete? Ela e o seu amigo são namorados ou coisa do tipo? Ele me pareceu bastante alterado, pronto para defende-la, ontem à noite.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qua Set 14, 2016 3:02 am

Os olhos castanhos checaram a tela do celular pela vigésima vez naquele dia, apenas para constatar que não havia nenhuma novidade. Por mais que Danika tentasse parecer indiferente, era óbvio que ela esperava no mínimo por uma mensagem depois da última noite no apartamento de Benjamin Müller. Mesmo que Benji tivesse pensado melhor e decidido que aquilo fora um erro, Lehmann esperava por aquela resposta para definir os próprios sentimentos.

A racionalidade de Nika era jogada de lado quando o assunto era Benjamin. Se antes ela já se sentia tão atraída por ele, os sentimentos se tornaram ainda mais intensos depois da última noite. As sensações físicas foram únicas e indiscutivelmente maravilhosas, mas nunca era só isso quando se tratava de Müller. O vizinho tinha o poder único de derrubar as barreiras criadas por Danika e atingir em cheio todas as partes do coração da romena que ela pensava que estavam totalmente destruídas.

Mesmo na rotina tumultuada do restaurante, Lehmann conseguiu conferir o celular mais algumas vezes no intervalo entre uma mesa e outra. Sempre que encontrava a tela vazia, era inevitável soltar um suspiro desanimado e pessimista. Se fosse qualquer outro homem, Danika já teria se convencido de que a última noite era tudo o que ele queria dela. Mas era muito difícil acreditar que Benjamin se aproximara interessado apenas em uma noite de sexo casual. Esta ideia não parecia combinar com o perfil do vizinho.

Nika havia prometido a si mesma que não permitiria que o envolvimento com Benjamin afetasse sua rotina e, principalmente, a rotina de Lisbeth. Por isso, a morena se esforçou o dia inteiro para se concentrar no trabalho e, como de costume, saiu do restaurante no fim da tarde para buscar a filha na creche. Era sábado e a melhor maneira de tirar da cabeça aquela ansiedade voltada para Müller era aproveitando aquelas horas de folga para passear com a filha.

O avental havia ficado para trás, mas Danika ainda usava o uniforme do restaurante. A saia preta era justa e alcançava os joelhos da moça. Os sapatos tinham saltos baixos e confortáveis o bastante para que Nika aguentasse um dia inteiro em cima deles. A camisa branca de botões tinha uma gola em “v” e no bolso havia um bordado com o nome do restaurante.

A bolsa pequena foi ajeitada num dos ombros de Nika enquanto ela inclinava o tronco para observar a rua que pretendia atravessar. Foi durante este movimento que seus olhos captaram a imagem que não saía de seus pensamentos desde a última madrugada.

O sorriso dela foi incontrolável. A surpresa em vê-lo ali era ainda mais agradável do que a visão estonteante de Benjamin. Lehmann sentiu-se grata pela ausência de uma mensagem porque nada havia estragado a surpresa daquela tarde. Enquanto ele caminhava na direção dela, Danika se perguntou se o vizinho tinha a mais remota noção do quanto era atraente.

A boca de Nika até se abriu na tentativa de formular uma pergunta sobre a presença dele na porta do restaurante. Contudo, Müller a calou com um beijo e aquela era sem dúvida a melhor resposta que Danika poderia receber. Benjamin não estava ali por acaso. Por mais incrível que pudesse parecer, ele realmente estava ali por causa dela.

Mesmo que Danika pensasse em sugerir que eles fossem mais devagar, aquela ideia foi abandonada no instante em que os lábios se uniram. O beijo no meio da calçada deixava muito claro que Benjamin não queria esconder de ninguém que estava se relacionando com a garçonete.

- Sempre é um bom dia para um sorvete, Benji. – ainda com um sorriso incontrolável nos lábios, Nika deslizou os dedos na barba bem aparada do vizinho – Você só teve ideias certas hoje.

As mãos se uniram e os dois voltaram para o carro de Benjamin com os dedos entrelaçados. Danika tentava desesperadamente se agarrar à racionalidade, mas era evidente que os olhos castanhos brilhavam cada vez mais para o vizinho.

Não era exatamente aquilo que nenhum homem planejaria para um segundo encontro, mas o fato de Benjamin incluir Lisbeth no passeio só fez com que o rapaz ganhasse ainda mais pontos com a mãe da menina.

Em poucos minutos os três já passeavam na calçada que contornava o rio. O sol começava a se por, dando ao céu uma bela coloração alaranjada. Qualquer um que visse o trio teria certeza que se tratava de uma família aproveitando a tarde de sábado para um passeio. A caminhada foi interrompida quando eles chegaram à sorveteria. Enquanto Benjamin fazia os pedidos, Nika ocupou uma das mesinhas da área externa, de onde tinham uma linda visão do rio.

A curiosidade de Lisbeth naquela tarde tinha relação com o fato da garotinha estar muito acostumada com a ideia de ter apenas Danika em sua vida. O “estranho” que acompanhava as duas naquele passeio era encarado de forma insistente pelos grandes olhos azuis, mas Benjamin ganhou facilmente a confiança de Lisbeth quando apareceu na mesa com um potinho de sorvete de chocolate.

Era quase desumana a capacidade de Danika em fazer tantas coisas ao mesmo tempo, mas a romena parecia extremamente tranquila enquanto dava sorvete para a filha, experimentava a própria casquinha e ainda conseguia dar atenção a Benjamin.

- Como você pode ver, ela se vende facilmente por um sorvete.

Nika brincou enquanto dava mais uma colherada de sorvete na boquinha da filha. Lisbeth estava sentada sobre a mesinha, de frente para a mãe. O vestidinho branco estava um pouco amassado depois do dia na creche e ela sacudia os pezinhos cobertos por um sapatinho rosa sempre que Danika lhe dava mais um pouco do sorvete de chocolate, completamente empolgada com o sabor da sobremesa.

- Se você queria me surpreender, Benji, sinta-se orgulhoso. Eu nunca imaginei que te veria no restaurante hoje. – Lehmann voltou o rosto para o vizinho – Confesso que passei o dia esperando por uma mensagem. Mas, como de costume, você superou as expectativas.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Set 14, 2016 11:21 pm

O sabor do suco reduziu consideravelmente o desconforto que Lukas sentia depois de experimentar os ovos e o café preparados por Charlotte. Outro rapaz poderia estar surpreso pela incapacidade da menina em preparar uma refeição tão simples. Mas, ao invés de desapontamento, Krauss encarava aquele fiasco com um semblante divertido.

Era aquela falta de regras entre eles que tornava o relacionamento ainda mais especial. Luke não se sentia pressionado a impressioná-la, assim como não esperava que Baviera se esforçasse para parecer uma garota perfeita. A amizade tornava tudo mais fácil, mas aquela intimidade que já existia entre os dois não permitia que os jovens enxergassem o quanto estavam se envolvendo.

A pergunta lançada por Charlie não pareceu estranha aos ouvidos de Lukas. Era normal que a dona da cobertura estivesse curiosa sobre a briga que colocara um fim precoce em sua festa na última madrugada. Enquanto respondia, Krauss nunca imaginaria o quanto as suas palavras poderiam prejudicar o relacionamento amoroso de um casal que já estava junto há praticamente uma década.

- Eu mandei uma mensagem pro Benji esta manhã, mas ele ainda não me respondeu. Talvez esteja ocupado. Eu espero sinceramente que sim...

O sorrisinho maldoso que acompanhou a expressão de Lukas ao formular a palavra “ocupado” deixava claro que o rapaz se referia ao fato de Benjamin não estar sozinho no apartamento naquela manhã. Completamente alheio aos planos de Charlotte em se tornar a próxima rainha austríaca, Krauss deu à menina as informações que ela precisava para entender a complexa situação que unia Benjamin Müller e Danika Lehmann.

- A Nika é minha vizinha. Ela divide um apartamento com a Olga, no quinto andar...

A menção ao nome da loira foi feita naturalmente, como um simples anexo das explicações sobre Danika. O fato de Lukas conseguir citar Olga Sturm com tanta indiferença só mostrava que ele já havia superado a humilhação sofrida na última festa.

- Até onde eu sei, nunca rolou nada entre a Nika e o Benji. Mas nenhum dos dois consegue esconder o interesse. O Benji simplesmente não consegue desviar o olhar quando ela está por perto. Eu acho que ele ainda não tomou nenhuma iniciativa porque a situação da Nika é meio complicada...

Lukas fez uma pequena pausa enquanto analisava se não estava falando demais. Não era agradável a sensação de expor a vida particular da vizinha, mas ao mesmo tempo Krauss não conseguia enxergar nenhuma razão para se calar. O rapaz tinha certeza de que Charlotte sequer conhecia Benjamin e Danika e, portanto, não tinha nenhum interesse em prejudicar nenhum dos dois.

- Ela veio da Romênia pra estudar gastronomia em Viena. Eu realmente não sei os detalhes, mas imagino que ela tenha se envolvido com uma pessoa errada. O fato é que a Nika engravidou e decidiu ter o bebê. Como ela estava completamente sozinha no país, a Nika precisou mudar os planos, abandonar os estudos e começar a trabalhar para sustentar o bebê. A menina é uma gracinha, mas ainda é um bebê, né? Acho que o Benji ficou meio inseguro em se meter nesta confusão. Ninguém quer uma responsabilidade assim quando começa a gostar de uma garota.

Mais um morango foi capturado pelos dedos de Lukas antes que ele deslizasse de volta ao sofá. O fato de Benjamin ainda não ter visualizado a mensagem enviada naquela manhã dava a Krauss a esperança de que o colega tinha seguido o seu conselho sobre Danika.

- Ontem, depois da briga, eu tive uma conversa mais séria com o Benji. Eu disse pra ele que não faz sentido fugir do que ele sente pela Nika. Ela é um pouco mais complicada que uma garota comum, mas ela também tem muito mais qualidades que compensam os problemas. Cara, a Nika faria um café da manhã maravilhoso! Ela é perfeita na cozinha, o Benji vai comer muito bem se ficar com ela.

Sem imaginar o quanto aquela brincadeira poderia ser ofensiva para a ex-namorada de Benjamin, Lukas fez a comparação apenas para implicar com a amiga.

- Enfim, eu disse ao Benji pra ele pensar nisso tudo. – Krauss indicou o próprio celular abandonado sobre a mesinha de centro da sala – O silêncio dele nesta manhã é bem promissor. Vou gastar mais um tempinho aqui pra não correr o risco de chegar no apartamento e interromper alguma coisa.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Set 15, 2016 2:00 am

A prova de que a intenção de estender o convite daquele passeio para a bebê não era apenas uma manobra para Benjamin conquistar a mãe, e sim que realmente sentia um grande carinho por Lisbeth, era a forma com que ele se mostrava orgulhoso por conseguir arrancar sorrisos dela.

O rostinho inocente se contorcia em uma verdadeira felicidade e aquecia o coração de Benjamin, que se surpreendeu dando gostosas gargalhadas com os gestos mais bobos da bebê. Ele não precisava ter grandes experiências com outras crianças. Mesmo sem se lembrar de nenhuma outra que tivesse passado por sua vida adulta, ele já sabia que Lisbeth era diferente.

Os traços da mãe eram visíveis nela e Lisbeth se mostrava calminha, como se nada fosse capaz de chateá-la. Era impossível não se derreter diante da sua meiguice. E a felicidade no peito de Benjamin só aumentava cada vez que os olhos azuis se erguiam da bebê até a mulher.

Qualquer um que admirasse a cena de longe poderia facilmente dizer que se tratava de uma linda família. Quando Benjamin conseguiu deixar para trás todos os problemas que o mantinham longe de Danika, ele finalmente pôde admitir o quanto estava envolvido pela vizinha.

Lehman havia despertado sua atenção pela beleza, os traços delicados, os cabelos sedosos e o sorriso de menina. Mas era a determinação e coragem da mulher forte que ela era que a fez se destacar entre tantas outras.

Os olhos azuis brilhavam cada vez que se encontravam com os castanhos e Benji não poupava os carinhos. Um futuro rei certamente precisaria se preocupar com a imagem do que seria divulgado na mídia. Mas o homem simples como Müller era inteiramente livre para mostrar ao mundo que aquela mulher estava com ele.

- Eu pensei em enviar uma mensagem...

Ele admitiu enquanto se inclinava para frente, com um guardanapo em suas mãos, para limpar uma gota do sorvete que havia caído no bracinho de Lisbeth. Até mesmo os seus gestos lembravam o de um pai atencioso, mesmo com sua inexperiência.

- Mas desisti depois de tentar digitar quinze frases diferentes. Tudo parecia banal demais.

Benji voltou a se endireitar na cadeira e amassou o guardanapo, deixando que ele rolasse pelo tampo da mesa. Só então ele se voltou para a mulher, procurando o joelho dela para tocá-la. A necessidade de tê-la por perto era enorme, mas as mãos ocupadas de Danika em Lisbeth o limitava.

- E eu não queria deixar a impressão de que só queria levar você para a minha cama.

Os olhos azuis se fixaram nos castanhos enquanto seu rosto se tornava mais sério. Seus dedos acariciavam a lateral do joelho de Danika, e mesmo com o pôr do sol, os fios dourados que se misturavam aos cabelos castanhos brilhavam.

- Você sabe que não foi isso, não é? É lógico que eu quero você na minha cama... – Um sorriso brincalhão refletiu sem seus lábios por um momento antes de completar. – Mas também quero você nos meus braços, Danika... e na minha vida. Você não vai me achar um maluco por dizer isso depois de só uma noite, não é?
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Set 15, 2016 2:54 am

Quando Charlie sugeriu em continuar em Leoben para se aproximar de Lukas e conseguir mais informações a respeito do outro herdeiro do rei para Benjamin, ela não tinha ideia do que sua vida teria se transformado em tão pouco tempo.

Ela provavelmente não teria tido aquela ideia absurda se soubesse que mais de três meses depois de ter pisado naquela cidade, Benjamin ainda não tivesse a menor pretensão de ir embora.

O futuro rei não só não havia decidido o que faria a respeito do segredo que escondia, como estava cada vez mais envolvido na própria mentira. Quando Charlotte conversou com ele a respeito do estranhamento de Luke sobre seus horários flexíveis, ao invés de tentar contar a verdade, ele arrumou um emprego de verdade.

Parecia surreal ver o filho de Cristoph em um emprego simples, mas Benjamin parecia estar cada vez mais entrosado com os novos colegas conquistados na montadora de automóveis. Em compensação, a mentira ao menos estava trazendo resultados. Benji parecia cada vez mais próximo de Lukas, e Charlotte precisava admitir que aprovava cada vez que os via juntos.

Era surpreendente como Benji se sentia mais relaxado no papel de Müller. E foi ainda mais surpreendente quando Charlotte percebeu que o entrosamento ia além do principal objetivo da estadia em Leoben.

Não era apenas com Krauss que Benji estava mais envolvido. E o namoro assumido com Danika foi um choque para Charlotte. Não havia nenhum vestígio de ciúmes na herdeira dos Baviera, mas ainda assim era uma notícia difícil de se digerir. Aquilo significava que Benjamin não só estava adiando o momento da verdade, como também se afundava cada vez mais no buraco que havia cavado para si.

Ao mesmo tempo que se preocupava com as escolhas do ex-namorado, Charlotte também tentava evitar a realidade fora de Leoben. Ela não havia mentido seu sobrenome ou seu status social. Mas a universitária de moda também estava longe de ser a sua vida.

A rotina cirada por Baviera já estava tão enraizada que ela quase não pensava mais em como era longe dali. As aulas da universidade se mostraram realmente interessantes, mas era a companhia de Luke que ainda a mantinha sustentando a mentira de Benji.

A amizade criada entre os dois fazia Charlie odiar mentir para ele, dia após dia. Mas o risco de perder o que havia conquistado era a motivação necessária para mantê-la presa naquela fantasia criada por Benjamin.

O ex-namorado poderia ter sido o real motivo para se aproximar de Krauss, mas ele havia sido completamente ignorado em sua decisão de continuar com aquela amizade inesperada.

Luke era engraçado, descontraído, e mesmo com sua simplicidade, conseguia fazer Charlotte se sentir especial, como nenhuma outra riqueza poderia ser capaz. Era impossível passar alguns minutos ao lado dele sem estar dando alguma risada ou trocando farpas, puramente por implicância.

Além da diversão, também era em Krauss que Charlotte havia descoberto um grande confidente. Ela adorava quando os dois passavam horas simplesmente deitados ou passeando ao redor do rio falando amenidades ou compartilhando confissões.

Charlie havia escutado muitas histórias a respeito da infância de Luke e sentia que já conhecia Hilda Krauss apenas pelas narrações de seu único filho. Lukas, por sua vez, também ouvira as histórias de Baviera, mesmo que nomes tivessem sido trocados ou simplesmente ocultados para segurança de Benjamin.

Ela contou que estava se divertindo com o curso de Moda, mas que havia se apaixonado mesmo pelo laboratório de fotografia. Quando comprou uma câmera nova para ser usada no curso, Luke a acompanhou em um passeio para que ela treinasse as novas habilidades registrando o pôr do sol no rio de Leoben.

Lukas ouviu a respeito do ex-namorado de Charlotte. A menina contou sobre o relacionamento conturbado, de tantas idas e vindas, mas que já não sabia se ainda o amava. O nome de Benjamin, obviamente, havia sido ocultado durante toda a história e era impossível deduzir que o rapaz daquela história morava sob o mesmo teto que Krauss. Aquilo lhe deu coragem para confessar em voz alta, pela primeira vez, que nunca havia imaginado um futuro sem Benji.

Entre as risadas e as confissões, o que tornava aquele relacionamento diferente de uma amizade comum, era a atração que os dois sentiam um pelo outro. Quando estavam em público, não existia andar de mãos dadas ou trocar carinhos românticos como um casal comum. Mas bastava que estivessem a sós para provar que a química ainda existia, tão forte quanto na primeira noite.

Não havia cobrança por nenhuma das partes e a leveza parecia ser a mágica daquele relacionamento atípico. Charlie nunca pensou que conseguiria ter uma amizade colorida, mas ela também nunca imaginou que alguém como Krauss fosse cruzar o seu caminho.

Apesar da ausência de regras, Charlie não havia ficado com mais ninguém. Ela sabia que a vida já era complicada o bastante apenas com seu envolvimento com Lukas e Benji, mas era a falta de interesse em qualquer outro rapaz que a mantinha alheia a qualquer outra possibilidade.

Por ser uma menina solteira, era de se esperar que Charlotte estivesse pronta para uma das tantas festas universitárias em uma sexta à noite. Entretanto, ao invés dos saltos, ela havia optado por tênis. Os vestidos de brilho haviam ficado em seu armário e Baviera completava o visual com um short jeans branco e uma camisa do time de futebol da universidade. A camisa parecia ser alguns números maiores, de modo que ela precisou fazer um nó na parte frontal, ajustando o tecido ao corpo.

Seus cabelos estavam soltos e lisos, caindo ao redor do rosto, mas um boné com o mesmo emblema da camisa cobria o topo da cabeça. As joias também haviam sido deixadas de lado e o único acessório que usava era a já conhecida pulseira que Lukas havia lhe presenteado no parque.

Charlie trazia consigo uma caixa de cervejas quando tocou a campainha do apartamento de Krauss e Müller. Como Benji estava quase sempre fora, trabalhando ou atrás de Danika, ela se sentia cada vez mais à vontade para aparecer no prédio, embora tivesse tido alguns constrangedores encontros com o mais novo casal.

Quando a porta se abriu, o destino mostrou à Baviera que nem sempre poderia ter sorte. Seu sorriso vacilou ao encontrar o de Benji, e a insatisfação nos olhos azuis mostrou que ele também não aprovava aquela visita.

- Eu já estou de saída.

O tom pouco polido de Benji dava a certeza para Charlie de que Lukas não estava por perto. Ainda assim, ela tomou a liberdade de entrar na sala.

- Achei que já tivesse ido. Onde está a namoradinha?

- Pode poupar o sarcasmo, Charlotte.

A resposta da menina vou um girar de olhos, mas ainda assim, Benji a encarou de cima a baixo, mantendo seu semblante pouco amigável.

- Por falar em namoradinha, o que você está fazendo afinal?

Ao perceber o olhar confuso da morena, Benji inclinou a cabeça para o corredor, provavelmente indicando onde Lukas estava.

- Achei que você estivesse aqui para me ajudar, mas não acho que brincar com os sentimentos do Luke seja exatamente uma ajuda.

Os lábios de Charlie se curvaram em um sorriso que lembrava a Baviera de antes, saindo vitoriosa de mais uma das brigas com o ex-namorado.

- Está com ciúmes, Benjizinho?

Foi a vez do futuro rei girar os olhos, demonstrando o quanto aquele pensamento era absurdo.

- Preocupado é a palavra correta. Mas não com você. Não gosto da ideia de você destilando seu veneno em cima dele.

- Ele nunca pareceu se incomodar. Mas se quer saber, eu gosto da companhia do Luke.

Benji soltou uma risada nasalada e balançou a cabeça. A mão na maçaneta indicava que ele estava encerrando aquela conversa para se encontrar com Danika, mas ainda assim, ainda terminou o discurso.

- Qual é, Charlotte. Você não gosta de ninguém além do próprio reflexo em um diamante. Só está tentando fisgar o mais perto de um rei que vai conseguir.

O olhar de Charlie se estreitou e ela encarou as costas de Benji enquanto ele dava o primeiro passo para o corredor.

- Se você continuar se afundando assim, talvez ele esteja mesmo mais perto do trono do que você.

Benji se virou para fechar a porta, e quando seu rosto voltou para o campo de visão de Charlotte, ele exibia um sorriso que mostrava que não havia ficado abalado com a possibilidade de perder o trono. A porta se fechou com um estalido, deixando Charlie sozinha na sala, com a certeza de que a presença de Danika deixaria Benjamin cada vez mais longe da sua responsabilidade.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qui Set 15, 2016 3:10 am

Um alívio profundo se espalhou pelo peito de Danika com aquela declaração. Era um grande consolo saber que ela não era a única que estava prestes a mergulhar de cabeça naquele relacionamento. Parecia extremamente exagerado fazer tantos planos para o futuro ao lado de um homem com quem Nika estava há menos de vinte e quatro horas, mas parecia impossível frear aquele sentimento. Só restava à romena o alívio de saber que Benjamin estava tão envolvido quanto ela.

Depois de tantos tropeços e decepções, Lehmann enfrentou os dias que se seguiram como se esperasse por uma nova frustração. A cada manhã, a moça se perguntava se seria aquele o dia em que Benjamin provaria a ela que não era tão perfeito como parecia. Contudo, as surpresas eram sempre positivas. Müller agia como um perfeito cavalheiro, um homem cuidadoso, um amante apaixonado e uma presença afetuosa na vida da pequena Lisbeth.

Nos primeiros dias daquele relacionamento – que logo ganhou o título de namoro – Nika tentou preservar a filha. Quase sempre Olga ou a babá ficavam com Lisbeth para que o casal saísse à noite, mas era impossível não envolver a bebê durante os fins de semana. Danika já trabalhava demais e seu tempo com Lisbeth era muito restrito para que ela tivesse a coragem de excluir a filha dos passeios que fazia com o novo namorado.

Portanto, apesar da preocupação da mãe, foi inevitável que Lisbeth também se apaixonasse por Benjamin. Como a garotinha poderia não se encantar com alguém que a tratava tão bem? A ausência de uma figura paterna transformara Beth em uma criança carente, então foi natural que ela despejasse em Benjamin Müller todos os sentimentos que deveriam ser dirigidos a um pai. Benji arrancava dela as melhores risadas e fazia os grandes olhinhos azuis brilharem com a sua simples presença. Lisbeth só precisava vê-lo para estender os bracinhos, implorando por aquele colo firme e pelos braços fortes que a jogavam para cima, para desespero da mãe superprotetora.

Mesmo que as coisas estivessem evoluindo rápido demais, não parecia haver nenhuma maneira melhor de guiar aquele relacionamento. Danika não se sentia capaz de tirar o pé do acelerador pelo simples fato de que nunca havia sido tão feliz. Benjamin era tudo o que ela precisava naquele momento, a cada dia Müller lhe dava mais provas de que era o companheiro ideal e um excelente exemplo para a vida de Lisbeth.

Na noite em que o namoro completaria três meses, Nika decidiu que a data merecia ser comemorada com um jantar especial. Benjamin até sugeriu um restaurante, mas a moça fez questão de cozinhar. Além de amar gastronomia, Danika sabia que nenhum dos dois tinha energia de sobra para saírem naquela noite de quarta-feira. A rotina dela com os dois empregos continuava pesada, mas Müller também demonstrava sinais de que o trabalho na montadora estava puxado nas últimas semanas.

Aproveitando-se da ausência de Olga naquela noite, Danika assumiu a cozinha do apartamento. Como de costume, os ingredientes eram simples e baratos, mas os segredos de Nika na cozinha faziam com que os pratos se tornassem especiais. Em menos de uma hora, a morena já montava os dois pratos. A porção de batatas assadas recebeu um molho de ervas como cobertura. O ingrediente principal era um rocambole de carne recheado com queijo e calabresa. A salada consistia numa folha de alface formando uma espécie de cama para um vinagrete de legumes picados em pequenos cubinhos. A sobremesa que aguardava por eles na geladeira era um bolo de frutas vermelhas com calda de chocolate, acompanhado por sorvete de creme.

Um sorriso satisfeito surgiu nos lábios de Nika diante daquele trabalho impecável. A mesa da cozinha foi organizada com uma toalha nova e, diante dos pratos, Danika colocou duas taças para que eles pudessem experimentar a garrafa de vinho que Benjamin trouxera naquela noite.

Só depois que tudo já estava pronto, Lehmann apareceu na sala para chamar pelo namorado. O sorriso foi inevitável quando Nika encontrou Benjamin adormecido no sofá. Ele quase nunca reclamava do trabalho, mas era evidente que a rotina de Benji parecia mais puxada nas últimas semanas.

Sentada diante dele, Lisbeth brincava com alguns bichinhos de pelúcia espalhados pelo tapete. A televisão estava ligada em um programa infantil, mas Beth estava de costas para a tela, com a atenção totalmente voltada para Müller. Uma das mãos do rapaz estava caída para fora do sofá e os dedos compridos ainda seguravam um coelhinho rosa, provando que Benjamin havia pegado no sono enquanto brincava com a garotinha.

Ao escutar os passos da mãe, Lisbeth voltou a cabecinha na direção de Nika. A menina havia crescido bastante nos últimos três meses e ficava a cada dia mais parecida com Danika. Exceto pelos grandes olhos azuis, Beth era uma miniatura perfeita da mãe e sua delicadeza só contribuía para que as expressões da garotinha fossem ainda mais adoráveis. Naquela noite, as sobrancelhas ralinhas se franziram em confusão enquanto os olhos azuis se alternavam entre Danika e Benjamin.

- O Ben dormiu. – Nika explicou num sussurro doce enquanto se aproximava do sofá – Ele trabalhou muito e está cansado.

- Mimiu?

Lisbeth havia completado um ano na última semana e Benjamin estava tendo a sorte de acompanhar os primeiros passos e as primeiras palavras da garotinha. Obviamente Danika não havia feito uma grande festa para comemorar aquela data especial, mas Beth ganhara um bolo e uma mesa cheia de docinhos, além de ser mimada com presentes.

- É, mas vamos ter que acordá-lo. – Nika se agachou ao lado da filha, reduzindo ainda mais o tom de voz – O Ben não pode dormir com fome, né? Você ajuda a mamãe?

A cabecinha de Lisbeth se moveu num gesto positivo antes que Danika a puxasse para seus braços. As duas se inclinaram na direção de Benjamin e o acordaram com dois beijos. Os lábios de Lisbeth atingiram a bochecha do rapaz enquanto Nika depositou seu beijo no canto dos lábios de Müller.

- A nossa história é invertida. – Nika brincou quando as pálpebras do namorado se ergueram – Aqui é o príncipe que desperta com beijos.

Danika jamais imaginaria o quanto o título de príncipe se encaixava bem em Benjamin Müller. Ela havia se apaixonado perdidamente por Benji mesmo pensando que ele era um simples funcionário de uma montadora, que recebia um salário normal e que precisava de uma calculadora para ajustar todas as contas até o fim do mês.

Aquilo fazia com que Nika fosse uma grande exceção na vida de Kensington. Por mais que Benji tivesse uma coleção de qualidades, todas as garotas que passaram pela vida dele o enxergavam como o futuro rei da Áustria e esse status certamente influenciava o relacionamento. Lehmann, por outro lado, gostava dele unicamente pela pessoa que Benjamin era, sem nenhuma interferência de qualquer tipo de interesse político ou econômico.

- Eu sei que você está cansado, Ben. Mas não vou deixar que durma no sofá e sem comer nada. – os dedos da moça mergulharam nos cabelos de Müller, movendo-os numa carícia enquanto ela completava – Vamos jantar? Sim, eu fiz as batatinhas.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Set 15, 2016 11:23 pm

A voz feminina vinda da sala fez com que as sobrancelhas de Lukas se franzissem, formando uma pequena ruga na região entre os olhos castanhos. A primeira conclusão era que fosse Danika, visto que a vizinha se tornara uma presença frequente desde o começo do namoro com Benjamin. Mas a ideia mais óbvia teve que ser descartada depois que Müller saiu do apartamento e os passos da sala continuaram ecoando até o quarto do rapaz.

Quando a imagem de Charlotte Baviera surgiu pela porta entreaberta, Luke não conseguiu disfarçar a surpresa em ver a amiga ali naquela noite. O relacionamento dos dois não tinha nenhum tipo de regra, tampouco exigia qualquer formalidade. Era natural que Charlie aparecesse sem avisar, assim como Krauss também vivia lhe fazendo visitas não planejadas.

Naquele momento, contudo, era óbvio que os dois jovens tinham planos muito distintos para aquela noite de sexta-feira.

De um lado, Charlotte vestia roupas comuns e trazia consigo uma caixa de cervejas. A camisa de um time de futebol indicava que, muito provavelmente, Baviera queria a companhia do amigo para assistirem juntos aos dois jogos das semifinais da Eurocopa, que seriam transmitidos em sequência naquela noite. A menina ainda não dominava todas as regras do jogo, mas a cada partida vista ao lado de Lukas ela parecia mais interessada no esporte.

Krauss, contudo, não parecia nem um pouco disposto a gastar aquelas valiosas horas na frente da televisão. As roupas mais formais denunciavam que o rapaz estava de saída. Ao invés do estilo despojado de sempre, Lukas usava uma calça preta e uma camisa de botões de mangas compridas, listrada em tons de cinza. Os cabelos escuros ainda estavam úmidos, mas o penteado começava a exibir os familiares fios espetados do rapaz. Ele estava terminando de fechar os botões das mangas quando avistou Charlie e se virou na direção da porta, com um sorriso tranquilo.

- Ah, é você? Escutei a voz de uma garota e pensei que fosse a Nika.

O sorrisinho de Krauss só se tornou mais forçado quando ele analisou com mais calma as roupas de Charlotte e as cervejas que a menina trazia. Era óbvio que Baviera aparecera ali com a intenção de ficar, mas naquela noite os planos de Lukas não envolviam futebol, por mais que ele amasse o esporte.

- Ih, foi mal, Charlie. Se você tivesse me avisado que queria ver o jogo eu teria tentado adiar o meu compromisso pra amanhã. Agora já está em cima da hora, não dá pra remarcar.

Não era exatamente confortável revelar aquela verdade para Charlotte, mas Lukas tentou se convencer de que a amiga não ficaria chateada. Um dos maiores pilares do relacionamento dos dois era a ausência de regras. Eles eram amigos que, eventualmente, deixavam-se levar pela atração e se envolviam fisicamente. Charlie nunca lhe cobrara nada, tampouco demonstrava qualquer interesse por Krauss quando estavam em público. Embora não fosse muito experiente com aquele tipo de relacionamento, Lukas não via motivos para que Charlotte ficasse magoada por saber que ele saía com outras meninas.

- Eu tenho um encontro hoje.

Foi notável o esforço de Lukas em parecer natural com aquela confissão. Embora não houvesse qualquer tipo de relacionamento oficial entre os dois, era estranho para Luke dizer à garota com quem ele transava frequentemente que, naquela noite, ele iria sair com outra.

Apesar da total ausência de regras, Luke não havia ficado com mais ninguém desde que Charlotte entrara em sua vida. Alguns flertes aconteceram pelo campus ou nas festas da universidade durante os últimos três meses, mas Lukas nunca havia se interessado seriamente por nenhuma menina. Parecia uma perda de tempo tentar conquistar uma garota quando Charlotte Baviera estava por perto e se tornara a melhor companhia que Krauss poderia desejar.

Naquela noite, contudo, a proposta fora irrecusável. Lukas não saberia explicar os próprios sentimentos. Sua única certeza era que seu arrependimento seria inevitável se ele deixasse aquela chance escapar. Se não aproveitasse aquela oportunidade tão desejada no passado, Luke sabia que passaria o resto da vida se questionando como teria sido o encontro. Por isso, Krauss estava disposto a encarar o desafio nem que fosse para tirar de uma vez por todas aquela ideia da cabeça.

- Fiz reservas naquele novo restaurante francês que abriu no centro, nas margens do rio. Vendi um rim para pagar a conta, então espero muito que valha a pena! E o Benji me emprestou o carro... – Luke abriu um sorriso vitorioso ao tirar as chaves de dentro do bolso – Heheeey! Estou motorizado hoje.

O detalhe mais delicado de toda aquela história foi propositalmente deixado para o final. Krauss não havia convidado uma colega qualquer para sair. O encontro daquela noite era especial porque era praticamente a realização de um sonho para o Lukas Krauss que Charlotte conhecera há três meses.

- Eu preferiria sair para comer uma pizza, mas a Olga está sempre de dieta. Achei que ela gostaria mais desse tipo de restaurante cheio de frescura, que bota três grãos de arroz no prato e sujam o cantinho oposto com molho. Estou levando uma lupa para enxergar a comida e uns trocados no bolso para sair de lá e comprar um cachorro-quente. Mais alguma sugestão?
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Set 16, 2016 1:02 am

Antes mesmo de abrir os olhos e de compreender o que estava acontecendo, o peito de Benjamin se encheu de felicidade e seus lábios se curvaram em um sorriso em meio a barba bem-feita. Aquela sensação havia se tornado muito frequente em sua vida, desde que desistira de lutar contra o que sentia por Danika.

O perfume já conhecido dominou os seus sentidos e Benji esticou o braço caído para fora do sofá até tocar o braço da mulher. Ele provavelmente teria prolongado o carinho preguiçoso se o comentário dela não tivesse feito um alerta gritar em sua mente.

As pálpebras se ergueram com grande velocidade e Benji pareceu assustado por um segundo, enquanto tentava entender o significado por trás daquela brincadeira. A mente lenta e abobada pelo sono chegou a tentar se lembrar de algum momento esquecido em que a verdade tivesse vindo à tona. Mas se Nika soubesse a verdade, ela ainda estaria sorrindo exatamente da mesma forma carinhosa que meses antes?

A expressão sonolenta de Benji estava contorcida em confusão e ele a encarou por longos segundos até compreender que o comentário de Danika não tinha nenhuma ligação com a sua verdadeira origem real. Um sorriso amarelo surgiu e ele se ajeitou até se sentar no sofá, tentando ignorar aquela pontada de arrependimento.

Era fácil ignorar a realidade, de fazer de conta que não estava vivendo uma mentira. Era simplesmente muito melhor, porque Benjamin não queria voltar para a própria vida. Afinal, por que ele iria se preocupar com um futuro reinado quando ele já tinha absolutamente tudo quando encarava aquele par de olhos castanhos?

Como se tivesse a necessidade de se agarrar ainda mais à vida de Müller, Benji puxou Lisbeth para o seu colo e depositou um demorado beijo nos cabelinhos ralos, sempre se derretendo quando encontrava o sorriso inocente em seu rostinho.

- Eu não devia ter pego no sono, desculpe linda.

Com o braço livre, Benji ergueu a mão até coçar o olho, tentando se livrar da ardência provocada pelo cansaço.

A ideia de começar a trabalhar parecia ter sido incrível no começo, mas Benjamin nunca imaginou que aquilo pudesse ser tão cansativo. Era impressionante como as pessoas ainda tinham energia para chegar em casa depois de um longo dia e ainda conseguir interagir com o restante da família.

Ele ainda se lembrava com clareza da primeira semana, onde o corpo doía por inteiro e ele simplesmente caiu sobre o colchão com a mesma roupa do dia e só acordou na manhã seguinte, com muitas horas de atraso.

Quando achou que seria incapaz de se acostumar com aquela rotina, o final de semana chegou, permitindo o descanso. Mais de dois meses haviam se passado e Benji ainda se sentia exausto, embora agora tivesse um controle muito maior sobre o próprio sono e cada vez mais entusiasmado com a vida simples de Müller.

Enquanto muitos achariam uma loucura trocar o reinado da Áustria pela vida de um homem comum que precisava trabalhar e voltar para um apartamento simples depois de um longo dia, Benji tinha cada vez mais certeza de que aquela vida ainda era melhor do que a prisão que havia sido criado. Ninguém jamais seria capaz de tirar o peso do seu peito, a responsabilidade de herdar um trono. Era apenas na vida de Müller que ele encontrava aquela liberdade.

- Não estraguei a nossa noite, não é? – Ele puxou Nika até que a moça também estivesse sentada ao seu lado. Se aproveitando da proximidade, Benji deslizou a mão pelo rosto dela até pousar os dedos em sua nuca, massageando a pele por baixo dos fios castanhos. – O cheiro está ótimo. E eu prometo que esse cochilo foi suficiente para recuperar a energia para o resto da noite.

Benji piscou um olho, e mesmo com a expressão sonolenta, ele ainda conseguia ser incrivelmente sexy com os cabelos bagunçados.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Set 16, 2016 1:47 am

- Eu tenho certeza de que você não vai querer dormir tão cedo hoje, Ben.

Danika devolveu a piscadela para o namorado, acompanhando-o naquelas insinuações maliciosas. Embora diante de todos a romena tivesse uma personalidade doce e discreta, Benjamin já a conhecia o bastante para saber que Nika não era tão meiga na intimidade do casal. Era como se, nos braços dele, Lehmann pudesse finalmente relaxar e deixar de ser a mãe responsável que não podia cometer excessos.

Os dois ocuparam a mesa da cozinha e, enquanto Benjamin servia o vinho nas duas taças, Nika ajeitou a própria cadeira num ângulo em que tinha uma visão privilegiada da filha brincando na sala. Lisbeth já havia comido a papinha há alguns minutos e as pálpebras pesadas indicavam que era questão de pouco tempo até que a garotinha adormecesse e desse aos adultos toda a privacidade que precisavam para comemorar aquela data especial.

Como de costume, o cardápio de Danika estava impecável naquela noite. Era um desperdício que a romena tivesse deixado de lado aquele sonho de trabalhar com gastronomia. O dom natural dela só precisava de alguns retoques para que Lehmann se transformasse em uma chef tão elogiada quanto os profissionais que serviam as mesas dos Kensington em ocasiões especiais.

- Dá gosto cozinhar para você, sabia...? – Nika riu enquanto o namorado puxava mais batatas para o próprio prato – Só me prometa que não vai perder esse abdome perfeito por minha culpa! Eu nunca me perdoaria.

Conforme prometido por Danika, Benjamin teve muitos incentivos para não cair no sono depois do jantar. Como já vinha se tornando um hábito, os dois dormiam abraçados, com as pernas entrelaçadas, quando os primeiros raios de sol começaram a invadir o quarto pelas frestas da cortina.

Os dois estavam de folga naquele dia, mas o relógio biológico de Nika fez com que ela abrisse os olhos mesmo sem o toque do despertador. Um sorriso preguiçoso surgiu nos lábios dela e a romena deslizou os dedos carinhosamente nos braços fortes que a enlaçavam pela cintura. No outro canto do quarto, a respiração ritmada de Lisbeth vinda do berço indicava que a garotinha estava tão profundamente adormecida quanto Benji.

O sorriso de Danika se alargou quando seus olhos capturaram a imagem das roupas espalhadas pelo chão, num reflexo perfeito do que tinha acontecido nas últimas horas. A calça jeans de Benjamin entrava em um contraste violento com a camisola vermelha de seda que Nika havia comprado especialmente para aquela ocasião.

Como Lehmann já estava acordada, ela foi a primeira a ouvir o ruído do celular de Benjamin vibrando dentro do bolso da calça jeans jogada no chão. Os dois já estavam juntos há três meses, Nika já conhecia praticamente todos os colegas de Müller na montadora. Além disso, o rapaz estava tão entregue aos sonhos que ela não teve coragem de acordá-lo.

Quando se esticou sobre o colchão e puxou a calça do namorado, sem sair de debaixo dos lençóis, Danika realmente não tinha a menor intenção de invadir a privacidade dele. O fato do número que piscava na tela não fazer parte da agenda de Benji só reforçou a hipótese de que não deveria ser nada muito pessoal.

- Alô...?

Um prolongado silêncio se seguiu à voz delicada de Danika. A romena só tinha certeza de que havia alguém do outro lado da linha porque conseguia escutar a respiração da pessoa que ligara para Benjamin.

- Alô? – Nika repetiu, desta vez com mais firmeza.

- Onde está o Benjamin?

A voz feminina soou áspera e a entonação pouco amigável fez com que Danika se remexesse na cama, desconfortável com aquela ligação. Parecia ser uma mulher mais madura, mas ainda assim o sexto sentido de Lehmann foi acionado.

- Ele está dormindo. – os olhos castanhos buscaram pelo rosto do namorado, que começava a se remexer na cama, incomodado com a voz dela – Aqui é a Danika, namorada dele. A senhora quer deixar algum recado?

Mais uma pausa se alongou, mas desta vez o silêncio foi quebrado por uma risadinha de desdém. A mulher do outro lado da linha não fez a menor questão de escolher as melhores palavras ao continuar.

- Namorada? Não, querida, eu não preciso me rebaixar ao ponto de deixar um recado com mais uma das vadias que o Benjamin coleciona por aí. Apenas diga a ele que eu liguei. – a mulher completou com uma voz ainda mais imponente – Sou a mãe dele.

A rainha da Áustria desligou o telefone antes que Danika tivesse tempo para digerir aquela informação. Tudo o que ela sabia da família de Benjamin era que seus pais moravam em Viena e ele tinha uma irmã. Só agora, depois daquela ligação ultrajante, Nika se dava conta de que deveria saber mais sobre Müller depois de três meses ao lado dele.

O clima romântico já havia sido exterminado depois daquela ligação. Quando Benjamin finalmente acordou, encontrou Danika sentada no colchão, com um lençol cobrindo seu corpo. Os braços da romena estavam cruzados diante de seu tronco e os cabelos ainda atrapalhados mostravam que ela não havia se preocupado em arrumá-los.

Os olhos castanhos deslizaram até o celular abandonado sobre o lençol antes que Nika explicasse a razão de seu semblante fechado naquela manhã.

- Seu celular tocou. Era a sua mãe.

Lehmann abriu um sorriso irônico e chateado quando voltou os olhos para Benjamin.

- Eu não sei o que ela queria porque, segundo a sua mãe, ela não precisa se rebaixar ao ponto de deixar recados com uma das suas vadias.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Set 16, 2016 2:21 am

- Um encontro?

O deboche estava estampado em cada uma das sílabas pronunciadas por Charlotte enquanto ela atravessava o quarto de Lukas e se jogava sobre a cama dele. Ela rolou até ficar de bruços, sustentando o corpo pelos cotovelos para encará-lo.

As sobrancelhas estavam arqueadas e os olhos verdes passearam de cima a baixo, estudando a aparência de Luke, tão diferente do dia-a-dia. O jeito relaxado e de garoto era definitivamente a marca registrada de Krauss, mas Charlie precisava admitir que ele estava bonito naquela noite.

Conforme ele descreveria os planos para as próximas horas, a expressão de Charlie se tornava ainda mais cômica e incrédula, como se esperasse que a qualquer instante o rapaz fosse rir daquela piada absurda e dizer que era óbvio que não teria a menor chance de trocar lanches porcarias na frente da TV por um restaurante de comida estranha.

Entretanto, quando o nome de Olga soou em uma entonação forçada, o sorriso de Charlie finalmente vacilou e ela percebeu que não era uma brincadeira. Luke tinha mesmo um encontro, e não com uma garota qualquer.

- Olga? Olga-Olga? A sua vizinha, Olga? A mesma Olga que te deu um fora e te deixou quase chorando? Essa Olga?

Charlotte gesticulava e nem se importava se estava parecendo uma tola por repetir tantas vezes o nome do encontro de Krauss. Era surreal imaginar que, mesmo depois de tudo, Luke ainda tivesse coragem de dar uma oportunidade para a loira.

O tempo de amizade e a frequência com que passara a ir na casa dele permitiu que Charlotte descobrisse sozinha que o interesse de Lukas pela vizinha ia além do desejo de uma noite só. Ela só imaginava que, depois da cena lamentável que havia presenciado quando se conheceram, Olga já fizesse parte do passado.

Uma risada nasalada escapou e ela se remexeu até se sentar no meio do colchão, balançando a cabeça como se ainda não acreditasse no que estava ouvindo.

- Uau... Você é inacreditável, Luke.

Como uma boa amiga, Charlie se sentia incomodada com a ideia de ver Lukas se arrastando mais uma vez para uma mulher que o havia desprezado. Ela queria que ele enxergasse que era capaz de conquistar alguém muito melhor do que a vizinha presunçosa. Mas então Baviera percebeu que também não queria ver Krauss com outra.

Ela estava tão acostumada com a companhia dele que imaginá-lo tendo a mesma intimidade com outra mulher era enjoativo, como se alguém estivesse lhe roubando algo que era seu por direito.

- Bom, eu não vou estar por perto desta vez para ver quando você cair no choro.

A menina deslizou para fora da cama e alisou as próprias roupas. Era preciso fazer um grande esforço para não demonstrar o quanto havia se incomodado com aquela novidade. Uma das melhores coisas em seu relacionamento com Lukas era o fato de não precisarem dar satisfação sobre nada. Se começasse a ter uma crise de ciúmes, tudo iria por água abaixo.

- Mas depois que ela te humilhar pela segunda vez e você ainda estiver com fome, eu tenho um pote de sorvete fechado no meu congelador e a reprise de todos os jogos da Eurocopa.

A caixa de cerveja foi deixada para trás quando Charlotte foi embora, mas a sensação de vazio em seu peito a incomodou durante todo o trajeto até em casa. Durante todo o tempo, ela imaginava como seria um encontro com Lukas.

O mais perto que havia tido daquela experiência era o passeio no parque. A pulseira barata ainda estava em seu pulso como uma lembrança constante. Mas naquela noite, não teria passeio de ônibus ou hambúrgueres em uma lanchonete. Luke estava mesmo tentando impressionar Olga, e cada vez que pensava no amigo nervoso, sem saber onde enfiar as próprias mãos, tudo por causa de outra garota, Charlie se sentia mais incomodada.

Ela não queria admitir, tentava se convencer que só estava irritada pela falta de autoestima do amigo. Mas o ciúme era tão grande que seu estômago embrulhava e foi impossível tentar dormir mais cedo.

A possibilidade de que Luke desistisse daquele encontro e acabasse surgindo na sua porta era mais um estímulo para mantê-la acordada. A esperança de encontra-lo era tanta que Charlie tomou o cuidado de vestir uma das melhores camisolas de seda e escovar o cabelo até que estivessem brilhosos.

Quando ela parou em frente a televisão da sala escura para assistir uma maratona de seriados, tinha em mãos uma taça de vinho e o celular, que era consultado frequentemente, em busca de qualquer notícias de Krauss contando sobre o fiasco do encontro.

Depois de chegar ao fim da primeira garrafa de vinho, Charlie cansou de esperar e abriu o aplicativo de mensagens, digitando enquanto sentia a euforia do álcool correndo nas veias.

“Ela já fez você chorar? Ou só está sendo uma vaca reclamando da comida?”

Mais de dez minutos se passaram e Charlotte girou os olhos com a própria impaciência ao não ter nenhuma resposta. Seu bom senso avisava que o certo seria desligar o celular, mas ao invés disso, ela levou dois minutos buscando imagens na internet até encontrar a que considerou mais nojenta.

A foto de caramujos gosmentos e vivos em um espeto foi enviada para Krauss com a seguinte legenda: “Escargots são isso, Luke. Nada além disso. Já percebeu como eles grudam na garganta quando você engole? Blerg...”

Uma nova imagem foi carregada em seguida, desta vez tirada pelo próprio aparelho de Charlotte. Na tela do celular, mostrava a selfie tirada enquanto ela mordia uma generosa fatia de pizza e forçava um olhar sexy que resultou em uma careta cômica.

“Extra pepperoni. Chupa essa, escargot.”
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Set 16, 2016 2:53 am

Se Benjamin estranhava o colchão simples no começo, sempre comparando com o conforto da cama enorme em que passara toda a sua vida, ele finalmente havia superado aquele problema. O cansaço do dia-a-dia somado com o relaxamento que apenas Danika era capaz de proporcionar sempre o embalavam em um sono profundo e reconfortante.

Como sempre acontecia quando acordava ao lado de Lehman, Benji esticou a mão pelo colchão até sentir o corpo dela antes mesmo de abrir os olhos. Só após sentir a maciez da pele dela sob seu toque, ele encontrava forças para erguer as pálpebras e começar o novo dia.

O sorriso preguiçoso iluminou seu rosto e, sob os lençóis, ele deslizou até chegar mais perto, rodeando o quadril de Nika com um dos braços. Mas todo o relaxamento de Benjamin desapareceu quando ele percebeu a entonação pesada na voz da mulher. Cada um dos seus músculos ficou imediatamente tenso quando o pior surgiu na sua cabeça e ele imediatamente se sentou, encarando para o celular imóvel como se encarasse uma serpente prestes a atacar.

Apenas alguns segundos se passaram até que Danika concluísse a frase para esclarecer o que a havia deixado tão chateada. Mas foi o suficiente para Benji ver o seu novo mundo se despedaçar.

Não havia nenhum sinal de que Helena havia destruído seu disfarce. Se Lehman soubesse que estava deitada ao lado do futuro rei da Áustria, ela provavelmente teria começado com aquele argumento, ao invés de citar a falta de cordialidade da mulher ao telefone.

Se agarrando naquela esperança, Benji soltou um suspiro e apoiou as costas sobre o encosto da cama, deixando o peito nu completamente exposto. Ele se inclinou para frente apenas um instante para alcançar o celular e passou rapidamente pela agenda, se certificando de que a ligação realmente havia durado apenas alguns segundos.

- Sinto muito que você tenha ouvido isso da minha mãe, Danika. Ela não é exatamente o tipo de pessoa mais amigável do mundo...

Um sorriso torto brincou em seu rosto quando ele lembrou de como a mãe conseguia ser carismática diante de câmeras e da mídia, representando uma rainha firme ao mesmo tempo. Quem conhecia a Helena de verdade sabia como ela conseguia ser mão de ferro. Nada poderia sair do seu controle, e muitas vezes havia cuidado pessoalmente para esconder a sujeira para baixo do tapete.

Benji fez uma pausa de longos segundos, procurando coragem para encarar Danika. Quando ele soube que não poderia mais prolongar o silêncio, puxou o ar com força e virou o rosto até encarar o perfil da namorada.

Os dois viveram em um mundo perfeito por três meses, mas bastava a sombra de Helena para fazer sua felicidade ruir. Ninguém poderia culpar Benji por querer se afastar daquele mundo.

- Eu sei o que você está pensando... Deve estar se perguntando porque eu não falei sobre você com os meus pais. E pra minha mãe falar assim com você, eu provavelmente sou um galinha.

Mais uma vez, Benji fez uma pausa, mas desta vez foi impossível desviar sua atenção da mulher ao seu lado. Seu peito se comprimia em ver a seriedade estampada no rosto sempre sorridente e doce de Danika, principalmente sabendo que ele era o responsável para deixa-la daquela forma.

Um nó se formou em sua garganta quando ele imaginou como ela se sentiria se descobrisse a verdade. E se ele parasse de mentir? Poderia acabar com aquela farsa ali mesmo, lhe contar sobre a família, sobre seu futuro e tirar aquele peso do seu peito.

- Eu não fui completamente sincero com você, Nika. Eu não contei a verdade sobre meus pais.

Mas era covarde demais para seguir em frente. Naquele momento, a única coisa que ele queria era tirar aquela nuvem do rosto de Danika e poder aproveitar o restante do dia fazendo ela sorrir e lhe cobrindo de carinho.

- Eu falei que meus pais moram em Viena. Mas eu não contei a verdade... E a verdade é que nós não nos damos muito bem. - Benji puxou o ar e fechou os olhos, mostrando como era doloroso tocar naquele assunto. – Eu adoro a minha irmã, Marie é tudo pra mim. Mas eu não queria que você pensasse que sou uma péssima pessoa por não achar o mesmo dos meus pais. Então não, eu não contei sobre você pra eles, porque simplesmente não me importo com eles. Minha vida é aqui agora, Nika, com você... E a vida deles está lá. Não precisamos misturar as coisas.

Uma ruga se formou entre as sobrancelhas de Benjamin e ele se sentia cada vez pior ao ver a tristeza no olhar de Danika. Ao menos a sinceridade estava explícita em cada uma de suas palavras, mesmo que ainda houvessem verdades ocultas.

Ele esticou uma mão até tocar o queixo delicado de Lehman e a puxou para que os olhos castanhos encontrassem com os seus azuis, que brilhavam naquela manhã.

- Eu não sou esse galinha que você está pensando. Achei que tivesse tido tempo o bastante para você perceber isso...

A sombra de um sorriso triste apareceu e ele apontou o quarto a sua volta com um gesto fraco da mão.

- Eu tenho tudo que eu quero, exatamente aqui. Mas você não pode me culpar por ter um passado.

Benjamin sabia que era arriscado demais dar detalhes sobre sua vida, mas também precisava fornecer informações suficientes para que Danika acreditasse em suas palavras.

- Eu tive uma única namorada a vida toda. Mas a gente brigava muito, estávamos sempre terminando... E eu saía com outras pessoas. Mas eu nunca traí ninguém, Nika. E eu estou com você agora. Só com você. O que mais preciso fazer para você entender isso?

A mão que antes tocou o queixo de Danika deslizou até segurá-la pela nuca, se deliciando com a massagem que sempre aplicava naquela área enquanto gostava de encarar os olhos castanhos.

- Eu estava falando sério quando disse que queria você na minha cama, nos meus braços e na minha vida. Não quero que a minha mãe estrague tudo porque não consegue reconhecer quando o filho dela está feliz. Você vai deixa-la estragar?
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sex Set 16, 2016 3:16 am

- E então eu disse para a Hebe que não tinha a menor chance do professor estar interessado nela. Até um cego veria que o cara é gay!

A risadinha afetada de Olga obrigou Lukas a curvar os lábios num sorriso, como se realmente estivesse se divertindo com aquela conversa vazia. Os dois já estavam prestes a finalizar a sobremesa, mas o estômago de Krauss continuava vazio. O restaurante francês era tão refinado quanto a fama que se espalhava por Leoben, mas Luke não conseguia se sentir satisfeito com um montinho de comida que chegou ao fim depois de três garfadas.

Aliás, todo aquele encontro merecia o adjetivo “insatisfatório”. Lukas havia criado tantas expectativas com Olga Sturm que, agora que finalmente realizava aquele sonho, parecia uma tolice ter idolatrado tanto a vizinha. Olga era extremamente bonita e popular no campus, mas aquele encontro só reforçava que eles não tinham nenhuma sintonia. A conversa era maçante, eles não tinham muitos gostos em comum. Definitivamente, Olga não era divertida como Charlotte Baviera.

Apesar do fracasso do encontro, Luke não estava arrependido por ter convidado a vizinha para sair depois que Olga se aproximara dele, claramente com segundas intenções. Aquela experiência ao menos serviria para que Krauss tirasse aquela ideia da cabeça, superasse a antiga paixão pela loira e abrisse o coração para outra garota.

Quando estava certo de que o encontro teria um fim dramático, Olga o surpreendeu na saída do restaurante. Partiu dela a iniciativa do primeiro beijo e, embora tivesse sido pego de surpresa, Luke retribuiu à carícia.

É claro que não havia entre eles a harmonia que existia quando Luke estava com Charlotte. Depois de três meses, os dois amigos já se conheciam muito bem, já sabiam das preferências um do outro e, principalmente, faziam tudo de forma natural e divertida. Mas o beijo de Olga não foi exatamente ruim. Ela era uma menina atraente e sabia muito bem o que estava fazendo quando, já dentro do carro, deslizou a mão na parte interna da coxa de Lukas.

Apesar de não se sentir nem meramente apaixonado, Lukas deixou que a situação se prolongasse. Enquanto Olga o arrastava para o quarto, Luke repetia para si mesmo que não havia nada errado. Os dois eram jovens e solteiros. O encontro não tinha sido maravilhoso, mas isso não significava que as coisas não poderiam ser compensadas na cama.

Fisicamente, a relação foi bastante satisfatória. Olga era atraente e ousada na cama, além de conhecer todos os segredos para atrair para si a concentração do rapaz. Não foi tão natural e divertido quanto costumava ser com Charlotte, mas foi neste ponto que Lukas se obrigou a parar de comparar as duas.

Eram relacionamentos totalmente distintos. Charlie era uma excelente amiga, mas que sempre deixara muito claro que nunca seria nada a mais do que isso. Por mais que gostasse da companhia dela, Luke tinha consciência de que não podia continuar para sempre naquele joguinho.

Ele precisava de uma companheira de verdade, sentia falta de andar por Leoben de mãos dadas com uma garota, de ter um rosto para apresentar a Hilda como sua namorada. Embora não tivesse certeza de que Olga era a melhor candidata, ela ao menos se transformara em uma opção que Charlie nunca lhe oferecera.

- Se eu soubesse que você era tão bom nisso, teríamos feito antes.

A loira exibia um largo sorriso quando rolou pela cama, até se acomodar sobre o peito forte do rapaz. Lukas ainda estava ofegante, mas teve forças o bastante para murmurar aquela alfinetada.

- O que você quer dizer é que não teria me dado aquele fora.

- Ah, Luke... – Olga fez um biquinho e continuou enquanto arranhava o peito do vizinho com as pontinhas das unhas pintadas de vermelho – Me desculpe por aquele dia. Você me pegou de surpresa! Eu achei que fôssemos só amigos. E também achei que você estava meio bêbado... Mas eu me arrependi no instante em que refleti mais sobre a proposta. Agora eu tenho certeza de que pode dar certo.

Os olhos azuis o encararam com mais firmeza enquanto os dedos deslizavam livremente pelo peito firme de Krauss.

- Você ainda quer tentar, não quer?

Há três meses, Luke se jogaria aos pés de Olga e beijaria o chão pisado por ela. Agora, contudo, a hesitação dele deixava claro que não existia mais aquela paixão cega do passado.

- Bom... acho que a gente pode continuar saindo, né? Só vamos ter certeza de que vai dar certo se tentarmos.

- Eu concordo. – a loira se inclinou para depositar um beijo dele nos lábios de Lukas – Eu me comprometo a me esforçar para que dê certo. Mas, se vamos mesmo levar esta tentativa a sério, precisamos de regras. Exclusividade?

A imagem de Charlotte surgiu imediatamente na memória de Lukas. O rapaz se sentiu completamente infeliz e desamparado com a ideia de que nunca mais tocaria na amiga. Por outro lado, Krauss se obrigou a pensar que eles não eram mais adolescentes para viverem indefinidamente sem regras e sem assumir responsabilidades. E nenhuma garota iria aceitar um relacionamento sério com um cara que cultivava uma amizade colorida com uma menina atraente como Baviera.

- Ok. Exclusividade.

- Ótimo! – Olga bateu palminhas antes de roubar mais um beijo do rapaz – Você é um lindo, Luke!

O apartamento estava mergulhado num silêncio profundo quando Luke deslizou para fora da cama. Olga estava embolada em seus lençóis e nem notou quando o dono do apartamento foi até a cozinha e compensou o jantar fraco com um sanduíche de três andares, acompanhado por um copo de suco gigante.

Só então, Lukas puxou o celular deixado em cima da bancada e viu as mensagens de Charlotte. Um sorriso brotou espontaneamente nos lábios dele com a foto da amiga. Charlie era linda, mas era a personalidade dela o detalhe que mais encantava Krauss. O bom humor, os comentários ácidos e o comportamento natural da morena eram a combinação perfeita. Ao lado dela, Luke não se preocupava com o que iria dizer, com o que ela pensaria sobre ele. Simplesmente porque ela era a Charlie.

Mas, ironicamente, este também era o maior problema da amiga. Ela era apenas a Charlie, nunca seria uma namorada, uma companheira de todos os momentos, a garota que ele apresentaria para a mãe e com quem faria planos para o futuro. Por mais que gostasse de Baviera, Luke sabia que não podia continuar naquele joguinho irresponsável pelo resto da vida.

E foi este pensamento que motivou a resposta que Lukas enviou para a amiga naquela madrugada.

A primeira mensagem continha a foto do lanche que Luke acabara de preparar com a legenda: “Eu te apresento ao meu verdadeiro jantar desta noite. Nem com a lupa consegui encontrar a comida no prato!”

A mensagem seguinte soava um pouco mais séria, mas as palavras vagas não davam muitas pistas sobre o que acontecera naquela noite.

“Eu quero conversar com você. Podemos nos ver amanhã? Eu tenho um treino às dez. Se der, me encontre na quadra depois do jogo.”
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Set 17, 2016 12:03 am

A entonação áspera e irônica de Helena Kensington ainda ecoava repetidas vezes na cabeça de Danika, com uma intensidade tão forte que nem mesmo o carinho de Benjamin era capaz de amenizar o mal estar gerado pelas palavras da mãe do rapaz.

Para Lehmann, o detalhe que agravava aquele breve desentendimento era a certeza de que Helena não mudaria de opinião nem mesmo se conhecesse a nova namorada do filho mais velho. Pelo contrário, Nika estava certa de que a “Sra. Müller” teria ainda mais razões para destratá-la se tivesse mais informações sobre ela.

Exatamente por ser mãe, Danika sabia que não era o tipo de namorada que uma mãe escolheria para o seu único filho. Benjamin era um rapaz brilhante, era lindo e educado, tinha um diploma, uma carreira promissora e um bom emprego. Certamente a mãe queria vê-lo ao lado de uma moça igualmente bem sucedida, com uma passagem por uma boa universidade, com um emprego sólido. Definitivamente, Benji merecia mais que uma estrangeira, mãe solteira e garçonete.

Independente do relacionamento entre Benjamin e os pais ser previamente ruim, Danika sabia que a mãe do rapaz teria motivos muito sólidos para não aprovar a nova namorada do filho. Nika havia se concentrado tanto na própria felicidade durante os últimos três meses que não parara para pensar que o resto do mundo não a julgaria merecedora daquela alegria.

O fato de Benjamin não ter contado à família que tinha uma nova namorada só reforçava a ideia de que apenas Nika vivera um sonho nas últimas semanas. Lehmann não o julgava por ter evitado aquele problema, mas o comportamento dele deixava claro que Benji enxergava todo o tempo o quanto ela era inadequada para ele.

Enquanto Müller tentava se explicar, a romena manteve os braços cruzados numa típica postura defensiva. A expressão séria indicava que a cabeça dela ainda trabalhava agilmente na tarefa de tentar digerir aquela avalanche de informações. Por fim, quando Benjamin finalmente se calou e esperou pelo posicionamento dela, Danika já tinha uma opinião bem formada sobre aquele problema.

- Você contou para a sua irmã?

A voz de Nika soou baixa, mas extremamente firme. Diante do semblante confuso do namorado, a romena explicou o seu raciocínio.

- Você alega que não contou sobre mim aos seus pais porque não tem um bom relacionamento com eles. Mas você também acabou de dizer que se dá muito bem com a sua irmã. Você contou pra ela que estamos juntos, Benjamin?

Lehmann não precisou de uma resposta verbal, a expressão de Benji respondia por ele. A direção na qual Danika levava aquela discussão deixava claro que a romena não se importava com o passado do namorado, com seus antigos relacionamentos ou com as brigas de família. Mas Nika simplesmente não podia ignorar o fato de Benjamin ter optado por esconder do resto do mundo a sua nova namorada. Danika não conhecia nem mesmo um membro da família Müller, nunca havia visto nenhum amigo ou colega que Benji tivesse feito durante sua época em Viena. Era como se ela fosse um segredo que deveria ficar bem escondido em Leoben.

- Eu não estou te culpando pelo seu passado, Benjamin. Estamos falando do presente aqui. – um sorriso amargo surgiu nos lábios da moça enquanto ela se arrastava para fora da cama, levando um dos lençóis consigo – Eu não consigo te julgar por preferir assim. Só não me peça para ficar feliz com esta situação.

Ainda com os pés descalços, Nika se enrolou melhor no lençol enquanto caminhava pelo quarto. Lisbeth continuava dormindo no berço, completamente alheia à crise do casal de adultos.

- Eu não julgo a sua mãe por achar que eu sou só mais um caso sem importância, afinal é realmente isso que parece aos olhos do resto do mundo. Como você quer que ela saiba que você está feliz se você não disse isso a ela?

Sem esperar por uma resposta, Danika empurrou a porta e saiu do quarto. O único banheiro do apartamento ficava no fim do corredor e foi naquela direção que a romena seguiu.

Normalmente, quando os dois estavam sozinhos no apartamento, Nika deixava a porta entreaberta, num convite mudo para que o namorado a acompanhasse no banho. Naquela manhã, contudo, Benjamin encontraria a porta trancada se tentasse seguir os passos de Lehmann.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Set 18, 2016 3:11 am

Qualquer menina saberia que usar saltos em um campo de futebol não era uma escolha inteligente, mas mesmo sabendo que encontraria Lukas naquele dia, Charlotte não se importou com a escolha dos sapatos.

Quando sabia que iria encontrar apenas Krauss, Baviera não precisava pensar em tantos detalhes. Mas era impossível pensar em pisar em público, principalmente no campus, sem estar impecável.

As aulas na faculdade de moda poderiam ter sido apenas uma desculpa para passar mais tempo no campus, perto de Lukas. Mas Charlie descobriu que realmente gostava das matérias e conquistou uma admirável popularidade e era usada como referência em suas roupas. E mesmo sendo baixinha, era fácil arrancar olhares interessados dos rapazes.

Como havia acabado de sair de uma das aulas, ela deixou de lado a bolsa de ombro que carregava e cruzou as pernas ao se sentar no banco destinado aos jogadores reservas. A saia marrom terminava no meio das coxas, mas era de um tecido leve que não marcava suas curvas. A camisa estampada em tons de cinza não era decotada, mas atraía a atenção com os cordões de fio de prata pendurado em seu pescoço. Algumas mexas dos cabelos negros haviam sido puxadas e presas na parte de trás da cabeça, deixando alguns fios soltos para emoldurar o rosto delicado e coberto pela maquiagem discreta. Como era quase meio dia e o sol brilhava forte no céu, ela também exibia um belo óculos escuros.

Os olhos verdes deslizaram por trás das lentes escuras para acompanhar o fim do treino e ela abriu um largo sorriso ao perceber que Lukas já havia notado sua presença. Quando ele chegou perto o suficiente, ela se inclinou para trás e jogou os cabelos que caíam pelo seu ombro para que deslizassem pelas suas costas.

- Eu pensei em trazer um pacote de lenços de papel, mas achei que depois da humilhação de ontem, não existiria papel suficiente no mundo para secar as suas lágrimas.

Ao contrário da intenção de Lukas, Charlotte logo deduziu que ele havia marcado aquele encontro para desabafar após o desastroso jantar. Em nenhum momento ela cogitou que Olga queria levar adiante aquela história, muito menos que colocaria em jogo o seu relacionamento aberto com Krauss.

A segurança de Baviera poderia ser uma das suas grandes qualidades, mas também servia para que ela acreditasse que ninguém seria capaz de abalar os seus planos.

- Como eu não quero que você caia no choro na frente dos seus amiguinhos, a gente pode sair pra almoçar. Em um restaurante de verdade, desta vez. E até vou deixar você falar da vizinha insossa pelas próximas horas. Sei alguns xingamentos ótimos que podemos usar...

Charlie se colocou de pé, deixando ainda a bolsa sobre o banco. Ela trouxe consigo uma garrafa de Gatorade e a ofereceu para Lukas. Antes que ele pegasse a bebida, seu olhar desviou novamente para o campo e ela puxou os óculos até a ponta do nariz, revelando os olhos verdes.

- Belo jogo, rapazes!

Apesar dos olhares insistentes dos meninos, Charlotte não parecia estar flertando com nenhum deles. Mesmo que não houvesse regras em seu relacionamento com Lukas, parecia absurdo demais demonstrar interesse em outra pessoa, bem na frente dele.

- Tem um desses pra mim também, Charlie? – Theodore, o goleiro titular, havia acabado de tirar a camisa do treino e era o que mais insistia em olhar a menina da cabeça aos pés.

Mesmo que estivessem sempre próximos, não era exatamente um segredo de que Luke e Charlie eram apenas amigos, de modo que a presença de Krauss não intimidava outros rapazes de se aproximar.

- Fica pra próxima, Theo... O Luke realmente precisa disso hoje. – Charlie voltou sua atenção para o amigo, esperando que as atenções dos demais cessasse. – Vamos?
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Set 18, 2016 4:22 am

A respiração de Lukas ainda estava ofegante depois do treinamento exaustivo daquela manhã. A proximidade dos jogos fazia com que o técnico do time redobrasse o nível das cobranças e exigisse o máximo de cada um de seus jogadores. Mas os músculos doloridos eram o menor dos problemas de Krauss naquele dia. O rapaz sabia que o maior desafio atendia pelo nome de Charlotte Baviera e aguardava por ele sentada no banco de reservas.

Quando o apito final ecoou pelo campo e os rapazes foram formalmente dispensados pelo treinador, Luke arrancou a camisa alaranjada pela cabeça e a jogou sobre um dos ombros, deixando o tronco livre na esperança que aquilo amenizasse o calor. As meias pretas foram abaixadas até os tornozelos, quase desaparecendo através das chuteiras da mesma cor. O calção preto estava ligeiramente frouxo na cintura, permitindo a visão perfeita dos músculos se afunilando até sumirem sob o tecido escuro.

A mochila de Krauss estava jogada sobre o banco de reservas e o rapaz a pegou antes de seguir a sugestão de Charlie e começar a se afastar do campo. Ao contrário do que a menina insinuava, ele queria que aquela conversa fosse particular para preservar a amiga, e não a si mesmo.

O Gatorade foi uma desculpa perfeita para Lukas, que usou a garrafa para manter a boca ocupada e não precisar interromper o discurso da amiga. Charlotte tinha tanta certeza de que o encontro havia sido um fiasco que Krauss nem sabia por onde começar o assunto que motivara o encontro daquela tarde.

Só quando os dois já estavam suficientemente afastados do campo e não seriam ouvidos por mais ninguém, Luke se atreveu a tomar a palavra. Os olhos castanhos encaravam as próprias chuteiras como se elas fossem muito mais interessantes que o rosto da garota que caminhava ao seu lado.

- Almoçar é uma ideia excelente, mas qual é a sua definição de “restaurante de verdade”? Porque eu acabei de sair de um treino puxado. Eu vou entrar em coma se botarem na minha frente uma folha de alface com três ervilhas. Ainda não acredito que paguei aquela conta salgada ontem e saí faminto daquele restaurante maldito.

Poderia ser uma grande bobagem, mas Lukas achou que conseguiria amenizar o golpe da notícia que estava prestes a dar à Charlotte se iniciasse o discurso mencionando os pontos negativos do encontro com Olga Sturm.

- Aliás, pra que eles dão tantos talheres pra gente nesses restaurantes finos? É sério, tinha mais talheres do que comida na mesa. Eu trocaria tudo aquilo por uma pizza. E nem precisaria de talheres!

Quando se deu conta de que não podia adiar mais aquela conversa, Lukas se obrigou a erguer a cabeça e encarar a amiga. Sem interromper a caminhada, ele tentou levar o assunto na direção em que pretendia chegar naquela tarde.

- Eu cheguei em casa morto de fome, mas tive que me segurar pra manter alguma compostura, né? Esperei a Olga dormir e só depois fui assaltar a geladeira.

Aquela foi a maneira que Luke encontrou para dizer à amiga que o encontro com a vizinha não havia sido uma catástrofe completa. Se Olga havia dormido no apartamento dele, era óbvia a conclusão que os dois jovens tinham dado um passo adiante naquele jantar.

Mas ainda havia a chance de ter sido só uma transa sem importância. Lukas não parecia um tolo apaixonado naquela tarde e talvez a experiência íntima com Olga tivesse sido tão insatisfatória quanto o cardápio do restaurante francês. Contudo, aquela hipótese foi descartada no instante em que o celular de Krauss começou a tocar dentro da mochila.

O rapaz interrompeu a caminhada para capturar o aparelho dentro de um dos bolsos. O nome de Olga brilhava na tela, junto com uma foto da loira que a própria Olga havia colocado no celular de Lukas naquela manhã. Depois de dois segundos de hesitação, Luke finalizou a chamada sem atender. Seria absurdo demais interromper aquele momento tão delicado para dar atenção à Olga.

- Enfim... – Lukas abriu um sorrisinho sem graça ao perceber que Charlotte havia visto o nome na tela do seu celular – No fim das contas não foi tão ruim. O restaurante foi péssimo, mas o resto da noite foi legal.

Aquilo era muito mais difícil do que Krauss imaginara. Ele tentava repetir para si mesmo que Charlie era apenas uma boa amiga e que ela não tinha razões para ficar chateada ou magoada por causa daquela escolha. Os dois sempre tinham sido muito francos na determinação de chamarem aquele relacionamento de amizade. Mas, apesar de tudo isso, Luke não conseguia abandonar por completo a ideia de que estava traindo a confiança de Charlotte. Mais do que isso, era terrível pensar que, a partir daquele momento, eles realmente teriam que ser apenas bons amigos.

- A Olga e eu conversamos e decidimos que vamos sair de novo. Eu realmente não sei até onde isso vai, mas a gente quer tentar. E, pra dar certo, temos que levar isso a sério. Então a gente fez um trato de exclusividade.

Os lábios de Luke se repuxaram numa careta quando o celular começou a tocar novamente. Era como se Olga já quisesse dar a Charlotte uma amostra do que estava por vir a partir daquele dia. Ela seria a namorada oficial que não daria sossego para Lukas aproveitar seu tempo com a amiga.

Mais uma vez, o dedo de Krauss interrompeu a chamada para que ele pudesse terminar aquela conversa delicada com Baviera.

- Isso não precisa interferir na nossa amizade, Charlie. Eu ainda gosto muito de você e não quero perder uma amiga. Mas agora teremos que ser amigos mesmo. Só amigos, sem benefícios.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Set 18, 2016 4:59 am

Benjamin não precisava seguir os passos de Danika para saber que sua presença não era desejada. Seu longo currículo de brigas com Charlotte já o ensinara quando um casal estava enfrentando uma crise. Mas diferente das tantas vezes que Baviera gritara ou fizera uma cena, era a primeira vez que Benji se sentia tão arrasado.

Lehman não precisava ferir a garganta com gritarias, não precisava se exaltar. Ela era madura o suficiente para enfrentar o problema com a entonação baixa, apenas na escolha das palavras. E era exatamente aquele silêncio que sufocava o futuro rei da Áustria.

Ele se recostou na cama e encarou o vazio por longos segundos, apenas escutando a respiração calma de Lisbeth. A culpa apareceu, trazendo um gosto amargo em sua boca. Era injusto fazer Danika se sentir daquela forma. Benji sabia que estava sendo egoísta em insistir com aquele relacionamento sem futuro, mas qualquer um que soubesse como ele se sentia feliz ao lado da vizinha, seria incapaz de julgá-lo pelas escolhas erradas.

Foi por ter a certeza que era apenas ao lado de Danika que ele conseguiria prolongar aquela felicidade, que Benji se convenceu em manter a mentira. Ele se esforçaria ainda mais para fazê-la se sentir feliz ao seu lado, para fazê-la se sentir segura.

Quando Danika saiu do banheiro, Benjamin já estava na sala, vestindo apenas uma calça jeans. Lisbeth já havia acordado e estava deitada no sofá, segurando uma mamadeira que parecia estar cheia de achocolatado. O bico se mexia enquanto ela mamava, mas toda sua atenção estava voltada para a animação na tela da TV. Suas perninhas estavam dobradas sobre as pernas de Benjamin, mostrando o quanto a criança se sentia à vontade na presença do novo namorado da mãe.

A cabeça de Benji virou para Danika quando ela se aproximou, e ele precisou escolher o tom de voz mais casual para que Lisbeth não percebesse o clima ruim. Mesmo com pouco mais de um ano, era notável como a pequena tinha uma sensibilidade aguçada, provavelmente refletido o amadurecimento precoce da mãe.

- Eu descongelei alguns waffles na torradeira. Só não me arrisquei a fazer o café, então só tirei o suco da geladeira.

Benji esperou que os passos de Nika seguissem para a cozinha para fazer um cafuné em Lisbeth e sorrir carinhosamente antes de tirar as pernas dela do seu colo, seguindo pelo mesmo caminho da namorada.

Os olhos azuis ficavam ainda mais bonitos com a seriedade, mas era de partir o coração a expressão triste nos traços atraentes de Benjamin.

- É injusto que você diga que é um caso sem importância. Você e a Lisbeth são as coisas mais importantes pra mim, Danika. Como você não consegue enxergar isso?

Benjamin atravessou a cozinha com poucos passos até parar diante da morena. Como da primeira vez em que se viram, ele se inclinou na direção dela, a deixando encurralada contra o balcão. Desta vez, entretanto, toda sua atenção estava voltada para ela. Os braços foram erguidos nas laterais do corpo de Nika até as mãos apoiarem na superfície do balcão.

Por ser muitos centímetros mais alto, Benji precisava inclinar o pescoço para baixo, as omoplatas expostas pela ausência da camisa. Seu corpo já roçava ao dela, mas ele seria incapaz de forçar qualquer contato enquanto as coisas não estivessem resolvidas entre eles.

- Quando eu vim para Leoben, vim em busca de algo diferente de tudo, Danika. Eu queria distância daquele mundo, e isso incluía aquelas pessoas. Eu não esperava conhecer alguém como você, mas eu conheci, e isso só me mostrou como eu era infeliz antes.

Era quase um alívio poder dizer alguma verdade para Danika. Era difícil imaginar que Benjamin estava se referindo a vida da realeza quando se referia ao próprio passado, mas era evidente que ele estava em Leoben para uma nova etapa.

- Minha vida é aqui agora. E isso quer dizer que eu não me importo com o que ninguém mais pensa. Isso inclui minha mãe, minha irmã ou qualquer outra pessoa. Só o que me importa é você. Se isso não é o bastante, eu realmente sinto muito, Nika.

Um sorriso triste apareceu nos lábios bem desenhados e Benji puxou do bolso traseiro uma caixinha de veludo, a colocando no pequeno espaço que existia entre ele e Danika.

- Eu não tive tempo de te dar isso ontem a noite. Mas era para comemorar os nossos três meses.

Antes que Danika tivesse a oportunidade de visualizar o presente, Benji explicou.

- É um par de brincos. Bom, dois, na verdade. Um é para a Beth. É uma cópia em miniatura do seu.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Set 18, 2016 5:18 am

- O que você está fazendo?

Depois de longos segundos em silêncio, a voz de Charlotte finalmente conseguiu gaguejar, enquanto ela forçava um sorriso incrédulo, balançando a cabeça repetidas vezes. Era um alívio ainda estar com os óculos de sol cobrindo os olhos verdes, o que tornava sua atuação mais fácil. Ao menos Lukas não notaria os olhos arregalados escurecendo de dor.

Mesmo nos números infinitos de vezes que terminara com Benjamin, das brigas e do relacionamento indo e voltando, Charlotte nunca se sentira daquela forma. Benji era o futuro rei da Áustria, seu futuro certo, o melhor partido que poderia existir, e ela nunca havia se sentido tão rejeitada quanto naquele momento.

Ela havia conhecido Lukas levando um fora de Olga. Tinha certeza de que a loira já era passado na vida de Krauss. Ver que bastou um estalar de dedos para que ele mergulhasse novamente naquela oportunidade, sem se importar com o próprio orgulho, mostrava o quanto Lukas realmente gostava da vizinha.

Saber que havia sido apenas um passatempo, um caso temporário até que ele tivesse a oportunidade de ter quem realmente queria, era surpreendentemente doloroso. Charlie havia insistido naquele relacionamento sem regras, repetindo várias vezes que não se importaria se Lukas saísse com outras garotas. Ela nunca imaginou que seria tão indigesto vê-lo não só com outra pessoa, mas logo por quem havia nutrido uma longa paixão.

- Quem escutar você falando assim, vai achar que você está terminando comigo, Luke. Não se pode terminar o que nunca começou, né?

Desta vez, Charlie se forçou a dar um risinho, ignorando como o coração doía com as próprias palavras. Ela se sentia tão sufocada que se não saísse de perto do Lukas o quanto antes, começaria a chorar ali mesmo.

Era ridículo que estivesse se sentindo como uma namoradinha aceitando um fim de namoro. Ela e Lukas não tinham nada. E isso lhe anulava o direito de se sentir com ciúmes. Seu futuro era ao lado de Benjamin. Os dois enfrentariam mais aquela dificuldade e um dia iriam rir das aventuras vividas em Leoben. Benji era o certo. E se ele era o certo, era impossível ter se apaixonado pelo meio-irmão dele.

Mas por mais que tentasse negar repetindo aquelas palavras mentalmente, como um mantra, Charlotte sabia que não iria adiantar. Ela não sabia dizer em qual momento havia acontecido, mas agora era bastante óbvio que gostava de Lukas.

- Se você não quer mais os benefícios, OK. Quem sai perdendo é você. Porque vamos ser sinceros, entre a loira insossa e eu, você sabe que está saindo perdendo, né lindinho?

A personalidade segura de Charlotte poderia ser um dos seus traços marcantes, mas naquele momento, ela apenas usava as palavras vazias como uma arma de defesa, sempre exibindo um sorrisinho, para não demonstrar o abalo.

- E se um dia vocês se casarem, eu vou ser madrinha e vou aparecer com um vestido champanhe com um decote até o umbigo. Até a mãe da noiva vai admitir que sou mais bonita.

Mais uma vez, Charlie jogou os cabelos negros para trás, desta vez em um gesto exagerado proposital. Quando o celular de Krauss começou a tocar pela terceira vez, o sorriso forçado de Charlotte desapareceu.

- Você não precisava desse drama todo só pra me dizer que arrumou uma namorada pé no saco, Luke. Eu nunca vou gostar dela, isso não vai mudar. Mas também não quer dizer que a gente precise deixar de ser amigos. Se a picolé de chuchu permitir, é claro.

A ideia de não poder mais tocar em Lukas quando ele estava bem na sua frente, sem camisa e com o abdome perfeito em evidência após as horas intensas de treino, fazia seu coração se espremer mais ainda. Mas Charlie era orgulhosa demais para deixar demonstrar.

- E como castigo por ter feito todo esse drama, você vai me ajudar a encontrar um novo amigo. Um com muitos, muitos benefícios.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Set 18, 2016 5:25 pm

Pela única janela daquele pequeno apartamento, era possível admirar a paisagem de uma Viena congelada. O inverno estava particularmente rigoroso naquele ano e a neve caía incansavelmente, tingindo de branco tudo ao seu redor.

O apartamento ficava localizado nas proximidades de uma praça. Nos meses mais quentes, as copas das árvores verdes quase tapavam por completo a visão dos bancos, das fontes de água e da pequena capela. No inverno, contudo, as árvores se transformavam em gravetos sem folhas através dos quais se tinha uma visão da arquitetura antiga daquela cidade histórica.

Os olhos de Danika Lehmann estavam presos nos flocos de neve que escorriam pela janela naquela tarde. As íris castanhas eram as mesmas, mas pareciam ser o único detalhe em comum entre a Nika de Viena e a Nika de Leoben. Os cabelos profundamente loiros estavam curtos, alisados e sem vida depois de serem agredidos com tanta química. A saia minúscula não combinava com o inverno lá de fora, mas o aquecedor a deixava confortável com as pernas expostas e com a blusinha de alça decotada, que deixava à mostra parte da tatuagem que cobria seu tronco.

- Está hipnotizada pela neve ou só está dopada de novo? Eu te mandei não abusar do pó, Nika.

A voz masculina trouxe Danika de volta à realidade. A moça se virou para a pessoa que acabava de entrar no apartamento e tentou forçar um sorriso para o namorado enquanto ele se livrava do sobretudo pesado. Os cabelos loiros do rapaz precisavam desesperadamente de um corte e estavam salpicados por flocos de neve. Ele tinha traços comuns, um nariz afunilado demais e as sobrancelhas ralas e tão claras que, de longe, nem pareciam existir. Nika nunca teve dúvida de que a única coisa que o fazia parecer bonito eram os olhos grandes e profundamente azuis.

- Eu parei de usar, já disse, Fried. Aliás, eu te agradeceria se você não usasse mais na minha casa. É uma tentação desnecessária.

- Sua casa? – os lábios finos de Fried se abriram num sorriso debochado – Sou eu que pago o aluguel desta merda aqui.

- Aluguel que está cinco meses atrasado. Então, acho que o seu argumento não tem mais tanto valor. Só não fui despejada porque a pulseira da minha avó valia muito mais do que eu imaginava.

- Pare de chorar por aquela pulseira! A romena velha já morreu e certamente ficaria feliz em saber que a herança dela não deixou que a netinha morresse de fome em Viena. Mas já que você gosta tanto de joias, eu acho que acertei no presente.

Danika franziu as sobrancelhas escuras quando Friedrich se aproximou dela, praticamente encurralando-a junto à janela do apartamento. Os olhos castanhos seguiram as mãos dele enquanto o rapaz tirava de dentro do casaco um estojo coberto por veludo negro. O queixo dela caiu quando Fried abriu a caixa e mostrou à namorada um lindo colar de pérolas, com uma pedrinha azul formando um pingente delicado.

- Pérolas verdadeiras. – o dedo de Fried indicou a pedra azul – E uma safira verdadeira que vale mais que este quarteirão inteiro.

- Onde você arrumou isso, Fried?

Era óbvio para Lehmann que o namorado não havia comprado uma joia tão cara. Friedrich vinha de uma família rica e tradicional em Viena, mas seus pais estavam restringindo muito o dinheiro do rapaz desde que ele começara a se afundar no mundo das drogas.

- Você achou que era a única a ter heranças? Isto aqui era da minha mãe e nem se compara às merdas que a sua avozinha usava naquele buraco chamado Romênia. Isto é uma herança de verdade.

- A questão é que a sua mãe ainda está viva. Você roubou a joia dela?

- Até parece que você nunca roubou nada, Nika. – a risada irônica do rapaz encheu o apartamento – Eu peguei algo que seria meu no futuro, então não é exatamente um roubo. Diferente do que você fez no mercado. Devo te lembrar da sua ficha na polícia?

- Eu estava chapada e morrendo de fome! – Danika se defendeu, embora soubesse que aquilo não justificava o roubo do supermercado – O que você pretende fazer com o colar?

- Ora, eu já estou fazendo o que pretendia fazer. – Friedrich fechou o estojo e o estendeu na direção da romena – É seu. Um presentinho para me desculpar pela briga de ontem.

Os dois brigavam com muita frequência, na maioria das vezes embalados pelo torpor das drogas. Na última noite, contudo, a briga havia sido mais séria exatamente porque os dois estavam sóbrios. Nika nem sabia se voltaria a ver Friedrich depois daquela discussão tão séria, então era uma enorme surpresa vê-lo voltando com um presente tão valioso.

- Mas... – Fried recuou a mão que segurava o estojo quando a namorada tentou pegar o presente – ...eu quero algo em troca.

- É claro que quer. – os olhos castanhos giraram e Nika abriu um sorrisinho malicioso – Imagino que vá querer o serviço completo em troca de um presente tão caro.

- O que? – Friedrich soltou uma risada maldosa – Não é isso que eu quero, Nika. Por que vou te pagar se você é uma vadiazinha que faz de graça? O que eu quero é que você coloque uma roupa decente, pegue um casaco e venha comigo até uma clínica. Vamos resolver este problema de uma vez por todas.

Ao formular as sílabas de “problema”, Fried apontou para a barriga ainda lisa de Danika. A discussão da noite anterior fora motivada por um teste de gravidez positivo. Friedrich surtou e afirmou categoricamente que o filho poderia ser de qualquer um, ignorando a certeza da namorada de que o bebê era dele.

- Eu quero ter o bebê. – Nika conseguiu murmurar passados alguns segundos de choque com aquela proposta inesperada – Não vou fazer um aborto, Fried. É pecado.

- Pecado??? – a risada sarcástica foi curta, denunciando a tensão do rapaz – Pecado é viver como uma puta ladra e drogada e engravidar sem nem saber quem é o pai. Você é o tipo de vadia que dorme com qualquer traficante em troca de dez gramas de pó! Quer mesmo que eu acredite que o filho é meu? Eu não quero esta criança.

- Que pena pra você, Fried. – Danika forçou um sorrisinho enquanto tentava se desvencilhar do corpo de Friedrich – Meu corpo, minhas regras. Eu vou ter este bebê.

A romena só entendeu a origem da dor aguda que a atingiu na parte de trás da cabeça quando caiu no chão do apartamento e o estojo com o colar rolou ao lado dela, amassado. A pancada forte a deixara atordoada, então Nika não conseguiu fazer nada para se defender do chute potente que a acertou em cheio na barriga. Tão logo recuperou o fôlego, Danika soltou um grito de socorro que ecoou por todo o prédio, mas no fundo ela sabia que ninguém a salvaria da fúria do namorado. Aquela era uma vizinhança onde ninguém fazia perguntas se visse um traficante andando pelos corredores. Mas, por outro lado, também não havia ninguém para interferir se gritos mostrassem que uma briga estava saindo do controle.

Tudo o que Nika conseguiu fazer foi enlaçar a própria barriga com os braços enquanto Friedrich a chutava repetidas vezes. Ela escutava os frágeis ossos de suas mãos se quebrando, mas a dor era desprezível diante do desespero de saber que seu bebê não sobreviveria àquela agressão. Lehmann perdeu as contas de quantos chutes havia recebido quando Friedrich finalmente se cansou e a puxou pelos cabelos, arrastando-a para fora do apartamento.

As roupas curtas fizeram Danika estremecer de frio quando seu corpo começou a ser arrastado pelo chão coberto de neve. Fried havia seguido pela porta dos fundos do prédio, que dava acesso a um beco imundo onde ficavam os latões de lixo da vizinhança. Por onde o corpo de Nika passava, deixava para trás um rastro de sangue vermelho que manchava a neve imaculadamente branca.

- E, no fim, você voltou às suas origens. – um sorriso psicopata brincava nos lábios de Fried quando ele carregou o corpo quase inconsciente da namorada e a jogou dentro de um dos latões – Talvez alguém ache o seu corpo e resolva aproveitar a carne podre para fazer salsichas para a Romênia. É esse tipo de merda que vocês comem no leste, não é?

O sorriso maldoso de Friedrich foi a última coisa que Danika viu antes de perder por completo a consciência. Assim como o rapaz, Nika imaginou que morreria ali, fechada dentro de uma lata de metal, intoxicada pelo lixo, servindo como comida para ratazanas. Quando seu corpo fosse encontrado, ela se tornaria apenas mais um número na estatística de mortes relacionadas ao tráfico de drogas. Ninguém se importaria em procurar o responsável, ninguém se preocuparia em procurar por sua família na Romênia.

Por ter tanta certeza de que aquele era o fim de sua história, Nika não entendeu nada quando abriu os olhos e se viu deitada em uma cama limpa, usando a camisola de um hospital, com uma coleção de eletrodos espalhados pelo seu corpo, monitorizando seu coração que ainda batia com força. O primeiro reflexo dela foi levar as mãos enfaixadas à barriga dolorida.

- O bebê está bem. Milagrosamente bem. – uma médica entrou no campo de visão de Danika e ajustou um dos dados do monitor – Você estava com muitas dores quando chegou, tivemos que te sedar. Você dormiu por uma semana.

- Como...? – a voz rouca saiu num sussurro fraco e Nika pigarreou antes de completar – Como eu vim parar aqui? Eu não me lembro de nada.

- Agradeça a sua vizinha. Ela ligou para a emergência e avisou que tinha visto um homem jogando uma garota dentro de um latão de lixo.

- Vizinha? Mas qual vizinha?

Danika não conseguia imaginar quem poderia ser a pessoa que a salvara. Naquela vizinhança, praticamente todos os moradores escondiam segredos sérios e por isso existia a regra informal de ninguém interferir na vida alheia. A própria Nika teria ignorado os gritos e fingido não ter visto nada se estivesse assistindo a cena de dentro do prédio.

- Era um nome incomum... – a médica ficou pensativa enquanto tentava se lembrar do relato feito pela equipe da ambulância – Disseram que era uma senhora de mais idade, com um sotaque diferente. Acho que o nome era Isabeth, ou talvez Lisabeth.

- Lisbeth. – os olhos de Danika se encheram de lágrimas.

- Isso, Lisbeth! Você a conhece?

- Era a minha avó.

Danika nunca questionara que havia sido salva por um milagre, e milagres não precisavam de explicações lógicas, eles simplesmente aconteciam. Aquela segunda chance foi agarrada por Nika com todas as forças e, no instante em que pegou a filha nos braços, a romena prometeu a si mesma que a avó se orgulharia dela. Nika não tinha mais a pulseira que pertencera à Lisbeth Lehmann, mas a avó dera a ela a chance de receber um presente ainda mais valioso. O nome da romena foi dado à garotinha como uma homenagem, mas também como uma eterna lembrança do milagre que salvara mãe e filha.

-----

Naquela manhã, foi impossível não reviver aquele pesadelo do passado. Mais uma vez, Danika se viu encurralada por um homem infinitamente mais forte do que ela. Mais uma vez, uma caixinha de joias surgia como um presente que deveria colocar um fim numa discussão. Assim como Friedrich fizera no passado, era como se Benjamin quisesse usar aquele presente para comprar a própria vitória em uma briga.

Ao contrário da reação que se esperava de qualquer mulher, Nika estremeceu de pavor e chegou a se encolher junto à pia quando viu o veludo da caixinha. Era como se a qualquer momento Benjamin fosse se transformar em um monstro que tentaria acabar com ela e com Lisbeth.

Danika estava há um passo de surtar quando Benjamin abriu a caixinha e mostrou a ela o conteúdo escondido pelas paredes de veludo. Os brincos dourados eram lindos e delicados, tinham o formato de uma flor cujo miolo era feito com uma pequena pedrinha brilhante. Mas foi a versão em miniatura da joia que prendeu a atenção dos olhos castanhos.

Aquela era a diferença gritante entre as duas cenas. Friedrich usara uma joia para comprar a vida da própria filha. Por outro lado, Benjamin incluíra Lisbeth no presente, mesmo não tendo qualquer tipo de ligação com a garotinha. Nika se sentiu uma tola por, mesmo que por alguns segundos, ter tido medo de Müller. Mas ela não podia julgar a si mesma por não estar acostumada com gestos tão puros de carinho.

As mãos de Danika ainda tremiam quando ela pegou a caixinha. Era bizarro que ela tivesse entrado em pânico por receber uma joia de presente, mas aquela reação sem sentido era uma amostra de um pesadelo que a romena ainda lutava para deixar no passado.

- São lindos, Benji, obrigada. – Nika passou os braços pelo pescoço do namorado, colando-se no tronco dele com um abraço apertado – Desculpe por isso, eu sou uma idiota.

Lehmann realmente se sentia uma tola por brigar com Benjamin por causa das grosserias da mãe do rapaz. Ela agora estava com um homem que a respeitava, que não a arrastava para uma vida de vícios e que chegava em casa exausto depois de um dia inteiro de trabalho, mas ainda tinha tempo para pensar num presente em comemoração aos três meses de namoro. Mas a maior qualidade de Benji estava refletida nas minúsculas florzinhas douradas que logo estariam nas orelhas de Lisbeth: ele era nobre o bastante para amar e cuidar de um bebê que sequer tinha o sangue dele. Naquela manhã, Benjamin tirara a menina do berço e preparara a mamadeira, mesmo sem ter qualquer experiência com bebês. Era o tipo de delicadeza que nem mesmo um ótimo ator conseguiria fingir.

- Quantas colheres de achocolatado você misturou no leitinho dela, Ben? – por cima dos ombros fortes do rapaz, Nika fez uma careta ao avistar a filha se deliciando com uma mamadeira fortemente amarronzada – Deus do céu, é por isso que a Beth te adora! E não pense que eu não percebi que você dispensou a camisa para vir se reconciliar comigo... Jogada suja, Benji.

Danika afastou o corpo e deixou as mãos deslizarem carinhosamente pelo peito bem definido do namorado antes de romper o contato para se ocupar com o preparo do café. Ainda era incômodo para Nika pensar que Benjamin não pretendia apre sentá-la formalmente aos Müller, mas ela não pretendia prolongar a crise do casal. Era uma tolice não aproveitar aquela inédita felicidade que ela encontrara nos braços do vizinho. Benji lhe dava muitas provas de que merecia o afeto dela e da pequena Lisbeth.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Set 18, 2016 6:21 pm

Como de costume, Charlotte reagiu com extrema naturalidade, como se não estivesse nem meramente abalada com aquela novidade. Por um lado, Lukas sentia um profundo alívio em pensar que não haveria nenhum drama e que sua amizade com Baviera seguiria sem crises. Contudo, por outro lado, Luke se sentia mal com a ideia de que Charlie realmente não estava nem um pouquinho envolvida por ele. Enquanto Krauss se sentia infeliz com o fim dos “benefícios”, Charlotte reagia como se aquilo não fosse mudar em nada a vida dela.

A cereja do bolo veio com a insinuação de que ela arrumaria outro “amigo” para ocupar o lugar de Luke. Embora soubesse que não tinha o direito de se sentir enciumado, Krauss não conseguiu evitar que seu estômago se embrulhasse com a visão de Charlotte se divertindo em outros braços.

Para disfarçar o desconforto que sentia com aquela possibilidade, Lukas dirigiu sua atenção para o celular que tocava insistentemente. O toque já estava irritando o rapaz quando ele respirou fundo e atendeu à chamada, com uma entonação impaciente.

- Oi, Olga.

- Oi, bebê! – a voz da loira soou doce do outro lado da linha – Por que demorou a atender? Eu já estava ficando preocupada.

- Eu estava no treino, acabou agora.

- A minha aula de francês também acabou agora. Vamos almoçar juntos? Me encontra aqui na praça central do campus.

O convite de Olga fez com que Lukas lançasse um olhar indeciso para Charlotte. A amiga já havia proposto um almoço, mas Krauss não sabia se o convite ainda estava mantido depois daquela novidade.

- Ahn... é que eu já combinei de almoçar com a Charlie.

- Ah, que ótimo! Vamos todos juntos, então. Que tal aquele restaurante em frente à entrada sul do campus? A comida é excelente!

Não havia como fugir daquele constrangimento. Se Lukas se recusasse a aceitar um almoço com as duas, Olga poderia concluir que os amigos a queriam de fora do programa para terem mais privacidade. Sem outra saída, o rapaz soltou um suspiro antes de concordar.

- Ok. Mas eu preciso de uma ducha, acabei de sair do treino. Por que você não vai na frente e já garante uma mesa pra nós três?

- Tá. Diz pra Charlie que eu vou ficar na parte interna do restaurante. O tempo está úmido e isso é péssimo pro meu cabelo. Nós duas vamos te esperar pra fazer os pedidos. Não demora, bebê!

Olga desligou o celular antes que Krauss tivesse a chance de articular uma resposta. Os olhos azuis fitaram uma última vez o casalzinho que conversava do outro lado do campo de futebol antes que a loira desse meia volta e seguisse na direção do restaurante. A insistência de Olga naquela ligação era explicada pelo fato da loira estar assistindo de longe a interação dos dois amigos. Ela jamais faria uma cena no meio do campus, mas precisava mostrar à Charlotte Baviera quem dava as ordens naquele jogo agora.

Assim como Charlie, Olga era o tipo de garota que perdia um generoso tempo escolhendo o visual para surgir no campus. Naquela tarde, ela usava uma saia preta mais rodada que alcançava a metade de suas coxas. O cropped listrado em preto e branco era uma escolha arriscada para a maioria das mulheres, mas a peça caía com perfeição no corpo bem feito da estudante de arquitetura, deixando exposta uma faixa de abdome onde nem mesmo o mais crítico dos observadores conseguiria encontrar uma dobrinha de gordura. Nos pés, uma sandália de salto alto a deixava com uma postura ainda mais elegante e garantia que Olga pairasse vários e vários centímetros acima da “amiguinha” de Lukas. Os cabelos loiros sedosos estavam soltos e uma tiara delicada separava a franjinha dos demais fios.

Sturm ocupava uma das mesas do restaurante e folheava o cardápio de saladas quando notou que alguém se aproximava. O sorriso dela se tornou mais vitorioso quando os olhos azuis captaram a imagem de Charlotte. As duas nunca tinham conversado, mas existia uma espécie de rivalidade fria entre elas desde que Baviera fizera uma festa e deixara a loira de fora da lista de convidados.

- Charlotte. – Olga fechou o cardápio para dar total atenção à morena – É claro que você teve coragem de vir, não é? Eu realmente fui uma tola por achar que você teria o mínimo de dignidade para tirar o seu time de campo silenciosamente...

Sturm interrompeu o discurso e abriu um sorrisinho falso para o garçom que se aproximou, trazendo a água com gás que ela pedira. Quando o homem se voltou para Charlotte para anotar o pedido da recém chegada, Olga o dispensou com um movimento da mão.

- Ela não vai demorar, querido, obrigada. Eu vou querer esta salada aqui. E você pode trazer o cardápio de carnes? Meu namorado está quase chegando e ele deve estar com fome.

O garçom lançou um olhar constrangido para Charlotte antes de pedir licença e se afastar da mesa. O sorriso falso de Olga sumiu no instante em que ela se viu a sós com Baviera novamente e a loira não fez questão de escolher as palavras mais sutis para dar aquele recado.

- Imagino que o Luke já tenha te explicado a situação. Mas ele é sempre tão gentil, então eu prefiro explicar as coisas do meu jeito para que fique muito claro. Ele é meu agora. Só meu. Eu sei muito bem que tipo de amizade você oferecia pra ele, mas agora isso acabou. Você não vai ter dificuldade pra encontrar uma nova diversão por aí, o que mais tem naquele campus são caras dispostos a foder com uma vadia que permite tudo e que não exige nada em troca. Porque, queridinha, é exatamente isso que todos falam pelas suas costas. O Luke deve ter espalhado pros colegas que você é bem liberal, porque todos os caras já sabem que você é o tipo de garota que faz de tudo. O tipo de garota que não serve para ser uma namorada...

Olga repuxou os lábios num sorrisinho cruel enquanto abria a garrafinha de água e despejava o líquido no copo com gelo trazido pelo garçom.

- Você percebeu que o Luke fez o que quis com você, mas na hora de botar os pés no chão e arrumar uma namorada de verdade, ele não escolheu uma menina com a sua fama de vagabunda. É assim que funciona, Charlie. Quando uma garota age como uma vadia, nem mesmo um cara bonzinho como o Luke leva a sério. E não venha me dizer que você nunca quis nada além de amizade, você não me engana. O Lukas é perfeito demais para que uma garota não o queira depois de experimentá-lo.

A loira cruzou as pernas sob a mesa e se recostou mais confortavelmente à cadeira antes de completar, como se aquilo finalizasse o assunto.

- Deseje o meu namorado o quanto quiser, só não se atreva a botar as mãos nele de novo. Eu sou maior que você e certamente não fui criada como uma princesinha. Eu acabo com a sua raça, Baviera. Agora dê o fora. Vou dizer ao Luke que você até apareceu aqui, mas decidiu ir embora depois de receber uma ligação falando sobre uma festinha da turma de engenharia.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Set 18, 2016 7:32 pm

No instante em que os olhos castanhos suavizaram e Danika deu por encerrada a briga, Benjamin sentiu todo o seu corpo relaxar e imediatamente a rodeou com seus braços, afagando os cabelos castanhos enquanto sentia o perfume delicado já tão conhecido.

- Você não é uma idiota. Tem todo o direito do mundo pra se chatear. Eu só realmente queria que você entendesse o quanto não me importo com mais ninguém. Meu mundo se resume a você e a Beth.

O sorriso de Benjamin iluminou seu rosto quando ele inclinou o pescoço até que Lisbeth entrasse em seu campo de visão. A quantidade exagerada do achocolatado não tinha nenhum interesse por parte do adulto, era apenas mais um resultado da inexperiência de Müller com crianças. Mas era impossível não se derreter com a forma com que Lisbeth mexia o biquinho para tomar todo o leite.

O último comentário fez com que os olhos azuis se voltassem para Danika e os lábios, antes curvados em um sorriso admirador, se transformasse em um ar malicioso. Benji ergueu uma das mãos até segurar o queixo de Lehman, inclinando o rosto dela até que os lábios se encontrassem em um beijo lento e carinhoso.

- Agora que já sei o seu ponto fraco, é só tirar a camisa cada vez que você fizer esse biquinho outra vez.

As mãos de Benjamin estavam unidas e apoiadas na cintura de Danika. Ele se aproveitou da aproximação para brincar com a ponta do seu nariz ao dela. Para qualquer um que visse de fora, era uma cena carinhosa de um casal em seu cotidiano. Para Benji, era a prova de uma vida que ele jamais pensou em ter, mas que nunca mais seria capaz de abrir mão.

Danika só lhe dava mais certeza de que a vida em Viena não era o que queria para si. E se ele precisasse abrir mão do trono austríaco para continuar ao lado de Lehman, o faria sem pensar duas vezes.

- Mas eu prometo que não vou voltar a dar motivos para você se chatear. Nem que eu precise me esforçar vinte e quatro horas por dia, Danika Lehman.

***

O cheiro do assado invadia o apartamento inteiro, assim como as risadas. A sala não havia nenhum pingo do luxo que um príncipe estava acostumado, mas aquela era a vida de Benjamin Müller, e ele não poderia se sentir mais completo.

As taças de vinho se misturavam na mesinha de centro, assim como a garrafa trazida por Benjamin para o jantar. Mais uma vez, eram os ingredientes simples que iriam compor o jantar daquela noite, e o perfume delicioso que já fazia seus estômagos roncarem mostrava que Danika iria provar outra vez do que era capaz.

O jantar no apartamento dos meninos havia sido uma sugestão de Olga, mas em nenhum momento alguém cogitou que outra pessoa além de Danika fosse ser responsável pelo preparo da comida.

As perninhas de Lisbeth estavam em volta do tronco de Benjamin e ela havia apoiado a cabeça no ombro do homem, mostrando que, mesmo ainda sendo cedo e com a movimentação ao seu redor, já começava a sentir sono.

Os meses namorando Danika poderiam ser poucos para conquistar a confiança de uma criança, mas a cada dia que passava, Lisbeth se mostrava mais apegada a Benjamin, que não fazia o menor esforço para não se render diante da meiguice dela.

Não havia a menor dúvida de que Benjamin estava levando o relacionamento com a vizinha com seriedade, reforçando a imagem do homem adulto e responsável que havia passado desde o primeiro contato.

Quando estava apenas na companhia de Nika, Benji se mostrava relaxado, as gargalhadas ecoavam com facilidade e ele voltava a parecer apenas um menino sem preocupações. Naquela noite, como contavam apenas com a companhia de Olga e Luke, Müller também demonstrou mais à vontade que o normal, principalmente com a ajuda da taça de vinho em seus dedos.

A convivência com Lukas se intensificou desde o início do namoro dele com Olga, mas há muito tempo Benji já havia descartado a ideia de que o irmão poderia ter algum interesse mal-intencionado no trono da Áustria.

A vida simples de Krauss já havia provado que ele desconhecia por completo suas origens, e Benji se permitia cada vez mais se aproximar dele. Embora ainda não tivessem a relação de irmãos que cresceram juntos, era fácil notar como a amizade entre eles também crescia.

- Eu vou ver se a Nika precisa de alguma ajuda. – Olga anunciou depois que as risadas provocadas por uma das histórias de Benji cessaram.

- Mantenha suas mãos longe das batatinhas, Olga. – Benjamin ameaçou com um olhar estreito.

- Não se preocupe, Benji. Quando eu digo ajuda, na verdade significa apenas a minha prazerosa companhia enquanto a Nika faz todo o trabalho.

A loira piscou um olho e se afastou em direção a cozinha. Enquanto ela se afastava, Benji apoiou a própria taça de vinho no parapeito da janela e aproveitou as duas mãos livres para ajeitar o peso de Lisbeth em seu colo.

Os dedinhos minúsculos brincavam com o queixo do homem enquanto seu olhar perdido se tornava mais pesado, observando a chuva fraca que caía contra a janela logo ao lado dos dois homens.

Quando já não havia mais sinal de Olga por perto, Benji deixou que um sorriso aprovador brincasse em seus lábios e encarou o irmão. A intimidade criada nos últimos meses permitiu que as palavras saíssem de sua boca com naturalidade.

- Preciso admitir que fiquei feliz com a notícia de você e da Olga. Deu pra perceber que você era caidinho por ela desde que te conheci. E confesso que estava ficando preocupado com aquele seu relacionamento com a Charlotte.

Não havia nenhum vestígio de ciúmes nas palavras de Benjamin. Sua felicidade era sincera ao dizer que estava satisfeito em ver o irmão finalmente ao lado da vizinha. Por conhecer a verdade sobre Baviera, era um enorme alívio ver que Luke estava finalmente em um relacionamento de verdade.

Era hipócrita da sua parte pensar que Charlotte não era boa o suficiente para Luke por esconder sua verdade, quando ele próprio estava afundado em mentiras, mas disposto a levar uma vida ao lado de Danika.

Mas por saber como seus sentimentos por Lehman eram verdadeiros, ele não conseguia se colocar no mesmo patamar que Charlotte. Baviera estava apenas se divertindo com Krauss, enquanto ele estava disposto a largar tudo para continuar ao lado de Nika.

- A Olga é muito mais a sua cara. Vocês estão ótimos juntos;
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Set 18, 2016 8:13 pm

Charlotte Baviera cresceu rodeada com absolutamente tudo que desejasse. Nenhum vestido cobiçado lhe foi negado, a sua coleção de sapatos e bolsa era interminável, as viagens ao redor do mundo eram feitas ao lado dos amigos selecionados e até mesmo quando ela desejou namorar o futuro rei da Áustria, ela conseguiu.

Não era à toa que sua segurança era praticamente inabalável. O que tornava quase uma grande piada se sentir ameaçada com a presença de Olga Sturm. O problema era que a vizinha havia conquistado a única coisa que ela sequer havia notado que desejava.

A presença de Krauss se tornara tão constante que, quando os dias começaram a correr sem que ele estivesse ao seu lado, Charlie teve a sensação quase de luto, como se literalmente tivesse perdido alguém. E foi encarando aquele vazio que Charlotte percebeu que não era apenas a aproximação para ajudar Benjamin ou uma amizade que brotara no meio de uma mentira.

Ela tinha tanta certeza que seu futuro pertencia a Benjamin, que se apaixonar logo pelo meio irmão dele era impossível. E mesmo assim, Baviera não tinha mais dúvidas que estava apaixonada por Krauss.

Embora Luke tivesse pedido que a amizade não se abalasse com o começo do seu envolvimento com Olga, foi impossível manter as coisas meramente próximas do que os dois amigos tinham.

Em poucas semanas, Olga já demonstrou que sabia muito bem como jogar aquele jogo. Se Charlotte quisesse passar algum tempo ao lado de Lukas, precisava encarar a indigesta companhia de sua namorada. Era impossível que os dois tivessem algum tempo sozinhos.

O inevitável afastamento logo fez com que Charlie chegasse a conclusão mais óbvia: Lukas estava mesmo só se divertindo. Era horrível pensar que a amizade que ela jurava ter conquistado não existia, que havia sido facilmente abalada com um namoro. Mas desde o começo, era Olga que ele desejava, e agora que tinha a loira em seus braços, não fazia sentido nem mesmo sustentar uma amizade com outra garota.

Mais uma vez, Charlie precisava se apegar ao objetivo de apenas se aproximar de Lukas por causa de Benjamin. A presença do futuro rei em Leoben mostrava que aquele assunto ainda não estava encerrado, de modo que seu trabalho também não estava concluído.

Ela só precisava engolir aquela paixonite até que a mesma tivesse desaparecido por completo. Iria mais uma vez desempenhar o seu papel como companheira perfeita de Benjamin e em questão de tempo, até mesmo seus sentimentos por Lukas não fariam mais sentido e tudo estaria de volta nos trilhos.

Foi agarrada na única desculpa que tinha para se manter por perto que Charlie tocou a campainha do já conhecido apartamento naquela noite. Ela desconhecia por completo o jantar que acontecia entre os vizinhos atrás da porta, mas tinha a esperança que se chegasse de surpresa na casa de Luke, Olga não teria tempo para derrubar seus planos de passar algum tempo ao lado dele.

Os saltos negros eram mais uma vez usados como artificio para minimizar a sua estatura baixinha. O vestido também preto era marcado na cintura e alcançava a metade das suas coxas, permitindo que a saia abrisse um pouco. As alças em seus ombros eram finas e o decote quadrado, deixando o contorno dos seus seios aparecendo. O cinto prateado era o único ponto de brilho em sua aparência, além da já conhecida pulseira em seu pulso. Os cabelos negros caíam em ondas em seus ombros e a única maquiagem estava em seus olhos, destacando as íris verdes.

Por esperar que a porta fosse aberta por um dos meninos, Charlie não escondeu a surpresa ao ver Danika Lehman na sua frente. Sem o uniforme usado em sua festa, era ainda mais fácil notar como a namorada de Benjamin era bonita. E a prova que faltava para dar a Charlie a certeza de que era por Luke que seu coração batia, era que Danika não despertava nenhum dos sentimentos negativos que sempre eram acompanhados pela presença de Olga.

- Oi. Danika, certo? – Os olhos esverdeados se estreitaram enquanto ela analisava o rosto da morena, até finalmente sorrir. – Uau, seu olho continuou perfeito. Que bom que aquele imbecil não deixou nenhuma cicatriz... Eu encontrei com ele uns dias depois daquela festa e posso garantir que o seu namorado deixou algumas marcas.

Nenhum mal-estar, nem incômodo, nada. Ela estava se referindo a Benjamin como namorado de outra mulher com naturalidade, e até mesmo uma sincera simpatia.

- Eu queria falar com o Luke. Ele sempre fica em casa depois de um jogo, e como o time dele ganhou a partida ontem, imaginei que fosse encontra-lo em casa.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Set 18, 2016 10:06 pm

- Veja se precisa de um pouco mais de tempero...

Danika se colocou na frente do namorado e, como as mãos de Benjamin estavam ocupadas envolvendo o corpinho adormecido de Lisbeth, a romena levou a colher até os lábios dele. O molho que seria usado na carne estava simplesmente divino, nem mesmo se Benjamin fosse um grande especialista em gastronomia o rapaz conseguiria dar uma sugestão para melhorar aquele sabor.

- Pela cara de panaca dele, está maravilhoso. – a avaliação veio de Lukas, que observava a cena com um sorrisinho divertido no rosto – Você realmente quer a opinião de um cara que aprendeu a fritar um ovo na semana passada, Nika? Isso sem mencionar os iogurtes para controle da flora intestinal. Comida definitivamente não é o ponto forte do Benji.

- Que bom que ele tem a mim pra compensar esta fraqueza, então...

Lukas e Olga soltaram uma exclamação debochada quando o outro casal uniu os lábios num beijo apaixonado. Qualquer observador daquela cena arriscaria o palpite de que Nika e Benjamin estavam juntos há poucos dias e Olga e Luke formavam um casal há mais tempo, sem a paixão do início de um namoro. A própria Olga pareceu incomodada com a ausência daquela chama no próprio relacionamento e deslizou para mais perto de Krauss, enlaçando o pescoço dele com os braços.

- Vamos deixar que os dois pareçam mais apaixonados do que nós, Luke?

- Isso é uma competição? – Krauss murmurou com seu jeito divertido – Porque se for, eu já apresento formalmente a minha desistência. É impossível ficar mais apaixonado que esses dois aí.

As últimas palavras do rapaz soaram abafadas pelos lábios de Olga colados aos dele. Lukas retribuiu ao beijo, mas era fácil ver que não existia entre os dois o sentimento mais profundo que unia Danika e Benjamin. Luke e Olga ainda estavam colados naquela carícia quando as batidas da porta ecoaram pela sala.

- Eu vou. – Nika apoiou a mão no ombro do namorado quando Müller fez menção de se levantar – A Beth está quase dormindo, continue quietinho aí com ela.

Com a colher em uma mão e a panela com o molho na outra, Danika cruzou a sala com passos rápidos e abriu a porta. Mesmo com um avental protegendo o vestido esverdeado, a romena estava muito bonita naquela noite. Os cabelos estavam presos num coque displicente que realçava os contornos delicados de seu rosto e a maquiagem leve nos olhos destaca as íris castanhas.

- Oi, Charlotte. É, o meu olho está inteiro. Lamento que a sua cristaleira não tenha o mesmo poder de regeneração.

As duas moças só tinham interagido durante a trágica briga no apartamento de Baviera, mas seus caminhos já tinham se cruzado pelas escadarias do prédio algumas vezes. Danika não tinha nenhuma razão para se sentir ameaçada por Charlie, muito menos nutria qualquer tipo de antipatia gratuita pela outra garota. Por isso, Charlotte foi tratada com a mesma simpatia que Nika costumava dirigir a todos.

- Você chegou na hora certa. – a romena indicou a panela, de onde vinha um cheiro bastante agradável – Mais dez ou quinze minutos e o jantar estará pronto. Entra, o Luke está ali na sala.

Era até difícil enxergar Lukas com a cabeleira loira de Olga inclinada sobre o rosto dele. O convite de Danika para que Charlie a acompanhasse fora feito na mais completa inocência. A romena jamais imaginaria o desconforto que aquela cena provocaria em Baviera.

Lehmann precisou pigarrear alto para que o casalzinho interrompesse o beijo. Olga limpou as marcas do seu batom vermelho na boca de Lukas antes de se virar, o sorriso morrendo no exato instante em que a imagem de Charlotte entrou em seu campo de visão.

- O que ela está fazendo aqui??? Alô-ô! É um jantar de casais, queridinha! A Lizzie é a única intrusa que eu aceito, e isso só porque ela é fofa e dorme cedo.

- Ih, Olga, menos! – Nika franziu as sobrancelhas diante daquela grosseria – Eu sempre faço muita comida, a Charlotte pode nos acompanhar no jantar sem problema nenhum. Por falar em intrusas que dormem cedo, eu vou colocá-la na sua cama, amor. Você vai ficar com os braços doloridos.

A panela nas mãos de Danika foi empurrada para Olga na esperança que a loira se distraísse com o objeto e colocasse um fim naquela ceninha. Com as mãos livres, Nika inclinou-se na direção de Benjamin e tirou a garotinha dos braços dele. Lisbeth resmungou e estendeu as mãozinhas na direção do namorado da mãe, meio irritada pelo sono interrompido.

- Shhh... shhh... vamos dormir na cama do Benji, minha princesa.

- Oelinho, mamã! – a vozinha de Beth soou meio brava.

- Todos nós sabemos que você não vai a lugar algum sem o coelhinho. Dê o coelhinho pra ela, Ben.

Nika abriu um sorriso carinhoso quando Lisbeth se agarrou ao coelhinho de pelúcia que Benjamin havia comprado para ela para comemorar o aniversário de um aninho. O brinquedo fora o primeiro presente do namorado de Danika para a garotinha e se tornara imediatamente a pelúcia preferida de Lisbeth. Desde então, Beth só dormia se o “Oelinho” estivesse por perto. Além do brinquedo, Beth também não tirava mais das orelhinhas os brincos dados por Müller, idênticos aos que Nika também usava naquela noite.

- Nota-se que o Oelinho é um assunto sério para a Beth. – Lukas brincou para suavizar o clima pesado entre Olga e Charlie.

- Você nem imagina o quanto, bebê! – Olga bufou, mas abriu um sorriso mais meigo para a garotinha – Conta pro tio Luke sobre o dia que a mamãe resolveu dar um banho no Oelinho, Lizzie.

- Tudo começou com a brilhante ideia do Benji de levar a Lisbeth para brincar no parque um dia depois de uma tempestade. – Nika ajeitou a filha sonolenta nos braços enquanto explicava – Os três voltaram cobertos de lama, a Beth, o Benji e o coelhinho. Os dois primeiros eu empurrei para o banho, mas o coelhinho terminou a sua aventura dentro de uma das lavadoras da área de serviço. Só que a Beth decidiu que não dormiria sem o Oelinho. Eu a soterrei com todas as outras pelúcias, mas chegamos às duas da manhã e ela ainda estava acordada, pedindo o Oelinho. Então eu tive que descer, pegar o maldito coelhinho encharcado, enfiá-lo num saco plástico e entregá-lo para ela.

- Então a Lizzie abraçou o bicho, deitou a cabeça no berço e dormiu em quinze segundos. – Olga terminou a história com um risinho – Mas não sem antes bater duas palminhas felizes. Com quem será que ela aprendeu a fazer isso, hein?

- No dia seguinte, eu fiz o Ben voltar na loja de brinquedos. Agora temos um Oelinho reserva escondido no meu armário, caso surja algum imprevisto. Não temos chaves extras ou extintor de incêndio... temos um coelhinho de pelúcia para usar em emergências.

Para os dois casais, aquela era só mais uma história divertida sobre Lisbeth. Mas nenhum deles parecia notar o quanto Charlotte estava absurdamente deslocada na conversa. Era óbvio que Baviera não se encaixava naquele jantar e, consequentemente, não tinha mais um lugar nas vidas de Benjamin e Lukas.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Set 18, 2016 11:03 pm

A opinião de Benjamin não era um fato isolado. Qualquer um que visse Olga e Lukas juntos repetia as mesmas palavras. Krauss já estava um pouco cansado de ouvir que os dois formavam um lindo casal, que eles combinavam e que aquele namoro fora uma excelente ideia. Tudo o que Luke sinceramente queria era se sentir tão feliz e realizado quanto todos imaginavam que ele estivesse.

Não havia nada errado com Olga. A loira era uma garota linda, carinhosa e atenciosa com o novo namorado. Os dois passavam muito tempo juntos e a cada dia conheciam mais detalhes das preferências um do outro. Mas Lukas sentia falta de um relacionamento mais leve, de mais risadas, da troca carinhosa de implicâncias. Olga Sturm era uma boa namorada, mas não era uma amiga. Ela não era como Charlotte Baviera.

A maior frustração de Lukas era pensar que ele estaria completamente feliz se tivesse se entendido com Olga antes de conhecer Charlie. Mas agora que experimentara um relacionamento com uma amiga – mesmo que casual – era impossível se satisfazer com o pouco que Olga tinha a oferecer.

Naquela noite, como se o destino quisesse jogar aquela incômoda verdade na cara de Krauss, Charlotte surgiu no apartamento inesperadamente. A reação pouco amigável de Olga fez com que Lukas se questionasse se a namorada tinha o poder de notar o salto que seu coração dera dentro do peito com a imagem de Charlie.

Numa tentativa de amenizar um pouco a rivalidade entre as duas meninas, Lukas procurou conduzir a conversa na direção de Lisbeth, mas não demorou para que o assunto sobre a garotinha também se esgotasse e a sala mergulhasse num silêncio pesado.

Luke não sabia como lidar com aquele clima tenso. As coisas entre ele e Charlie sempre tinham sido tão leves e naturais que o rapaz simplesmente não sabia o que fazer agora que tudo mudara. Krauss tinha prometido que se esforçaria para que o namoro com Olga não interferisse na velha amizade com Baviera, mas era difícil manter aquela promessa quando a própria Charlie havia mudado o seu comportamento com ele. A garota não parecia mais tão alegre, tão segura e sempre pronta para disparar uma resposta afiada na ponta da língua.

- Senta aí, Charlie.

Era evidente que Lukas estava se esforçando para soar tão natural quanto costumava ser antes que Olga mergulhasse em sua vida.

- O Benji comprou vinho, aconselho você a provar antes que ele tome o resto da garrafa. O menino vai te dar trabalho esta noite, Nika. Já está na terceira taça.

- Não tem problema. Eu gosto quando o Ben fica mais alegrinho.

- O Benji é sempre tão formal, né? Como será que ele leva a Nika pra cama? – Luke pigarreou antes de modificar a entonação numa imitação grotesca da voz rouca de Benjamin – Danika, minha cara, a sua perfeição é tamanha que me desperta os instintos mais primitivos. Você me daria a honra de conhecer os doces segredos escondidos sob as suas vestes formosas?

A familiar risada gostosa de Lukas encheu o apartamento enquanto ele visualizava aquela cena. Era como se ele realmente fosse um irmão caçula se divertindo às custas de implicâncias com o primogênito. Nika segurou Lisbeth com apenas uma das mãos para jogar uma das almofadas em Luke. As bochechas coradas e os lábios comprimidos para segurar as risadas indicavam que a romena não se ofendera com a brincadeira.

- Eu tenho inveja da sua imaginação, Lukas. Você e a Olga são tão pouco discretos que não me dão muita margem para fantasiar sobre o que rola dentro do quarto. E vamos mudar de assunto? Charlie, senta aí! Busca uma taça pra ela, Luke. Eu só vou deixar a Beth no quarto e logo volto para servir o jantar.

Sob o olhar gelado de Olga, Luke se levantou e buscou uma taça limpa para Charlotte. O rapaz serviu um pouco de vinho para a amiga antes de entregar a taça nas mãos dela. Ele apontou na direção da cozinha, de onde vinha o cheiro maravilhoso do jantar preparado por Danika.

- Você chegou na melhor hora, Charlie, a Nika faz mágicas na cozinha. Depois do jantar vamos ver um filme. Eu confesso que preferiria ver futebol, mas as meninas já chiaram com a ideia. Benji e eu perdemos feio na discussão e provavelmente vamos dormir na terceira cena do romance açucarado que elas escolheram.
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