The Royals

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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Set 11, 2016 3:49 am

Dia após dia, Charlie dizia a si mesma que só continuava vendo Lukas para ajudar Benjamin. Quanto antes o príncipe tivesse a chance de conhecer o próprio irmão, mais cedo eles iriam voltar para a capital, deixando para trás a fase do internato e de Leoben.

Mas ficava cada vez mais difícil se convencer daquilo, quando a presença de Krauss começava a se tornar tão desejada. O único rapaz por quem Charlotte já havia se apaixonado, um dia assumiria o trono da Áustria, e aquele amor já havia acabado há alguns anos. Era impossível dizer se algum dia se apaixonaria de novo, mas também era indiscutível como gostava da companhia de Lukas.

Por saber o segredo sobre as origens do universitário, por estarem em mundos completamente diferentes e principalmente por viverem uma mentira, Charlie sabia que não havia a menor chance de ter um futuro ao lado de Lukas. Por isso, a falta de interesse do rapaz em assumir um compromisso e rotular o que quer que tivessem era recebida de bom grado.

Os dois haviam chegado em um acordo mudo de que só precisavam curtir a presença do outro. Mas exatamente por não terem discutido as regras e os limites, foi uma surpresa quando Charlotte interrompeu o beijo ao perceber que estava se deixando levar mais uma vez pelas sensações que Lukas despertava.

- Aqui não... – Ela pediu em um sussurro baixo, lançando um olhar ansioso ao redor da festa.

O lugar estava lotado de rostos desconhecidos e alguns poucos que cruzavam seu caminho nas primeiras semanas de aula na universidade. Mas era um rosto bastante conhecido que os olhos verdes buscavam, receosa de que Benji flagrasse aquela intimidade.

Benjamin não havia dito uma única palavra sobre o seu “método” de aproximação de Lukas, mas Charlie não sabia se aquilo significava que o rapaz não se importava ou se estava apenas mantendo para si o incômodo.

- Você não quer mesmo que toda essa gente veja a gente juntos, não é? É questão de tempo até começarem a achar que estamos namorando, lindinho.

Charlie tentou se explicar, deslizando a mão pelo rosto de Krauss antes de quebrar o abraço. Naquela noite, a sandália preta de salto alto diminuía um pouco a diferença gritante nas estaturas dos dois. O short de renda preta era curto e emendava na camisa justa, também preta e de mangas longas. Os cabelos haviam sido puxados para um rabo de cavalo bem arquitetado, que dava a impressão de ter sido desleixado, com os fios amassados e volumosos. O penteado permitia que os brincos grandes brilhassem em suas orelhas. A única peça que destoava do visual era a pulseira com a pedrinha verde que não saía mais do seu pulso desde que a recebera de Lukas.

- Se começarem a tratar a gente como um casal, vai perder metade da graça.

Era a primeira vez que Charlotte era tão direta para tratar aquele assunto, mas ficar aos beijos com Lukas na frente de Benji seria desconfortável demais, até para os seus padrões.

- Por que você não me apresenta os seus amigos?

Para tentar minimizar as palavras mais duras de antes, Charlie abriu um sorrisinho com os lábios pintados em um vermelho intenso e piscou para o rapaz.

- Assim que todo mundo estiver bêbado o bastante, eu prometo que te levo para fazer um tour pela minha casa nova.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Set 11, 2016 4:15 am

Era de se espantar que um príncipe fugisse de uma festa para buscar bebida ou comida na cozinha. Até mesmo entre os convidados mais simples, aquele gesto parecia ser deselegante e mal visto.

Mas Benji ainda se lembrava das elegantes festas no palácio quando ele era uma criança, em que os petiscos mais esquisitos com coisas relacionadas a gansos ou queijos extremamente fedorentos eram servidos, enquanto na cozinha estavam guardados os doces mais deliciosos que só seriam liberados aos convidados ao final da noite.

Não foram poucas as vezes que o príncipe escapou dos olhos de água da mãe para fugir até a cozinha, onde as empregadas que o viram nascer já separavam o pratinho com as guloseimas preferidas. Desde então, havia se tornado um hábito buscar pelo melhor de uma festa onde os empregados se concentravam.

Sair de casa naquela noite e se envolver uma festa cheia de universitários havia sido motivada apenas pela presença de Luke e a esperança de ver o outro lado do irmão que ele ainda não conhecia. A última coisa que Benji imaginou é que ele ganharia de brinde a presença de Danika.

Apesar da decisão de que não deveriam se envolver, Benji não conseguia parar de pensar na vizinha. Ele tinha pouquíssimas desculpas para passar algum tempo com Danika, mas aquilo não o impedia de enviar mensagens ocasionais ao celular dela. O futuro rei da Áustria se sentia como um menininho cada vez que o celular apitava com a resposta de Lehman.

Em respeito a escolha dos dois, as conversas nunca tomavam um rumo mais íntimo, mas Benji agarrava aquelas migalhas com satisfação. Aquele era o máximo que teria de Danika, mas também era o melhor que receberia de qualquer pessoa.

Como faltavam as desculpas para estar perto dela, Benji se mostrou verdadeiramente surpreso quando os dois se esbarraram na entrada da cozinha. Ele imediatamente ergueu as mãos ao ar, preparado para pegar a bandeja caso esta fosse ao chão, mas logo sua atenção se voltou para o rosto conhecido, a encarando com olhos arregalados.

- Danika??? Eu não sabia que você ia estar aqui hoje!

Como Lisbeth normalmente era o assunto das conversas dos dois, não foi nada anormal que o rapaz imediatamente franzisse a testa e olhasse por cima do ombro de Danika, como se esperasse ver a bebê em algum canto da festa.

- Cadê a Beth? Você não trouxe ela pra cá, não é?

A ideia da bebê enfiada naquele lugar com música alta e dezenas de desconhecidos causou um estranho arrepio protetor que Benji só havia experimentado com Amelie até então. Lisbeth era de responsabilidade apenas de Danika, mas ele vinha cada vez mais se afeiçoando pela menina.

Diante da pergunta dela, Benji coçou a nuca parecendo desconfortável. Aquela festa realmente não combinava com ele. Estava longe de ser o ambiente ideal para um futuro rei, mas nem mesmo o simples homem que trabalhava na indústria automobilística se sentiria à vontade em um lugar cheio de pessoas bêbadas e inconsequentes.

Um príncipe teria uma imagem a zelar, mas o papel de Müller também mostrava que Benjamin era um rapaz mais maduro e responsável, que já havia enfrentado a fase de festas e encarava aquilo tudo com cansaço.

- Pra dizer a verdade, eu estava meio cansado de ficar em casa. Só o que tenho feito desde que cheguei em Leoben é trabalhar e comer pizza. Acredite em mim quando digo que o ponto mais alto da minha vida social foi o seu jantar...

Um sorriso mais natural brincou em seus lábios e Benji pareceu mais relaxado, como não se sentia há dias.

- Aliás, tem alguma chance de ter sido você a preparar a comida de hoje? Eu posso não ter o apetite voraz do Luke, mas ainda sou fã das batatinhas.

Ele inclinou a cabeça para apontar o interior da cozinha. A conversa com Danika fluía naturalmente e Benji sentia que estava apenas conversando com mais uma convidada, sem pensar que estaria atrapalhando o serviço da moça.

- Vim tentar pegar alguma bebida pro Luke e pra mim. Imaginei que vocês estivessem guardando as melhores garrafas aqui atrás...
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Set 11, 2016 4:33 am

Pela primeira vez desde que conhecera Charlotte Baviera, Lukas se sentiu incomodado diante dela. O rapaz deixou claro que não era muito bom em esconder as próprias emoções quando a decepção ficou estampada em cada traço de seu rosto no instante em que Charlie se afastou. Por mais que o relacionamento deles ainda não tivesse qualquer rótulo, Krauss não gostou da sensação de que a menina não queria ser vista nos braços dele pelos novos colegas.

Como desconhecia por completo todo o passado conturbado de Charlie com Benjamin, a conclusão mais óbvia de Luke era que Charlotte sentia-se constrangida por causa dele. Era fácil se divertir com Krauss quando ninguém estava olhando, mas ela obviamente não gostava da ideia de mostrar aos colegas que tinha um lance com um cara que não se encaixava na vida luxuosa que todos viam refletida em cada canto da cobertura.

Um gosto amargo surgiu no fundo da garganta de Lukas quando ele concluiu que Charlie talvez não quisesse se expor para não perder a chance de ficar com outro cara melhor naquela noite na qual as opções eram muito mais variadas. Talvez ela já até tivesse se aproximado de alguém antes da chegada de Krauss.

Embora soubesse que o relacionamento casual deles não lhe dava o direito de reclamar de nada, Luke não estava disposto a parecer feliz com o papel de segunda opção, muito menos pretendia se humilhar pela atenção da dona da festa.

- Eu realmente não me importo com o que vão pensar. Mas relaxa, Charlie, não precisa ter este clima entre a gente, né? Não precisa inventar desculpas pra dizer que não tá afim. Eu ainda prefiro o método mais direto da Olga, é muito mais rápido e prático.

Se a sugestão de Baviera tinha o objetivo de animar o rapaz, Charlie notaria que havia conseguido o efeito contrário quando os lábios de Lukas se curvaram num sorriso amargo diante daquela proposta.

- Eu acho que você teve uma impressão muito errada de mim, Charlie. Eu fiquei péssimo com o toco da Olga, mas isso não quer dizer que eu sou um babaca que se satisfaz com migalhas de atenção. Eu não vou ficar esperando que todos estejam bêbados para que você tenha coragem de ficar comigo. Você pode não acreditar, mas eu consigo encontrar outra garota por aí que vai me botar no topo da lista dela.

Pela primeira vez, a personalidade de Krauss se aproximava do orgulho que se esperava de alguém que carregava o sangue nobre dos Kensington nas veias. Embora fosse um rapaz simples e de comportamento dócil, aquele era o tipo de ofensa que Lukas não pretendia engolir calado.

Aquele era um tipo de cena que Luke não costumava fazer, nem mesmo quando estava em um relacionamento mais sério. Mas a atitude de Charlotte fora ofensiva demais para que o rapaz simplesmente fingisse que estava tudo bem. Baviera precisava saber que, por mais que ele estivesse encantado por ela, Lukas não pretendia aceitar aqueles termos.

- Você é a dona da festa, acho que não precisa de ninguém para te apresentar aos seus próprios convidados, não é? Se este era o seu objetivo ao me meter nisso, eu lamento muito, mas não estou disposto a participar do jogo.

Krauss não sabia que os interesses de Charlie para se aproximar dele eram ainda mais ultrajantes, mas já estava suficientemente ofendido com a ideia de ter sido usado para que a novata se tornasse mais popular na universidade. Aquilo só mostrava que Lukas nunca a perdoaria se um dia a verdade sobre Benjamin Kensington e Charlotte Baviera chegasse até ele.

- Mas relaxa, não estou ofendido o suficiente para ir embora e nem vou espalhar por aí o que rolou entre a gente. Você me usou, mas não é como se eu tivesse sido uma vítima, né? E isto ainda é uma festa com comida e bebida de graça, então eu não pretendo perder a viagem.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Set 11, 2016 5:14 am

A pergunta sobre Lisbeth fez com que Danika franzisse as sobrancelhas. Era estranho que a mente de Benjamin projetasse uma preocupação tão imediata com uma garotinha com quem não tinha nenhum tipo de vínculo.

- A Beth ficou com a Olga. É claro que eu não traria um bebê para uma festa cheia de bêbados e com a música alta o bastante para formigar os tímpanos.

O comentário sobre o jantar no apartamento das garotas fez com que Danika soltasse uma risada gostosa. Embora Benjamin fosse um rapaz atraente e interessante, era fácil acreditar que ele se sentia deslocado em uma cidade estranha, dividindo um apartamento com um rapaz mais novo que não participava dos mesmos círculos que ele.

- Lamento te informar, mas hoje eu só estou servindo. Se você está comendo tão mal assim, podemos tentar marcar outro jantar. Eu adoro cozinhar e é ótimo ver o Lukas devorando pratos e pratos da minha comida.

Citar Luke era a maneira de Nika deixar claro que aquele não era um novo convite para um encontro. Ela já estava conformada com a ideia de que Müller seria apenas um bom amigo e não queria passar a impressão de que estava insistindo em uma aproximação mesmo depois que Benji deixara claro que não queria nada além de amizade.

- Mas a gente termina esta conversa depois, Benji. – Danika indicou a bandeja e abriu um sorriso de desculpas – Eu preciso trabalhar. Prometo que na minha próxima parada na cozinha eu pego doses das melhores bebidas pra você e pro Luke, ok? Divirta-se. E cuidado com o drink azul. É sério, eu vi como ele foi feito e não te aconselho a experimentar, a não ser que queira terminar a festa sem roupa dentro da piscina.

Sem se deixar abalar com a presença do vizinho, Nika tentou se concentrar no trabalho. Era indigesto pensar que a qualquer momento ela podia passar por Benjamin se agarrando com uma das garotas sofisticadas da festa, mas Lehmann se obrigou a pensar que não tinha nenhum motivo para ficar incomodada com aquela possibilidade. Eles eram amigos, isso já tinha ficado bem claro.

Quase duas horas já tinham se passado desde que o caminho de Danika se cruzara com o de Benjamin no corredor que levava à cozinha. A romena estava exausta, mas continuava circulando pelo salão com as bandejas. A festa se alongava pela madrugada e, como era de se esperar, alguns jovens já se mostravam alterados pela bebida.

Depois que uma garota pegou o último copo de cerveja que a garçonete servia, Nika girou sobre os calcanhares e pretendia retornar para a cozinha e buscar outra bandeja quando um corpo bloqueou o caminho dela. O rapaz era alto, tinha os ombros largos e cabelos loiros já suados depois dos últimos minutos na pista de dança. O sorrisinho ébrio não escondia que ele já havia abusado da bebida.

- Acabou. – Nika abriu um sorriso gentil e mostrou a bandeja vazia – Mas estou voltando para a cozinha. Quer alguma coisa específica?

- Quero. – os olhos verdes a fitaram de cima a baixo com uma expressão maldosa – Quero saber quanto você cobra para me acompanhar até o banheiro e me chupar.

Não era a primeira coisa ofensiva que Nika escutava desde que começara a trabalhar como garçonete, mas a romena nunca se acostumaria com tanta falta de educação. Como não valia a pena discutir com um cara que tropeçava nas próprias pernas, Lehmann apenas tentou se desvencilhar dele para seguir seu caminho até a cozinha.

- Eu te fiz uma pergunta, sua vagabunda! – o rapaz agarrou o braço de Nika com uma força desnecessária – Dê o seu preço.

- Solta o meu braço. – a voz de Nika saiu cortante, com o sotaque ainda mais carregado – Agora!

- Você não estaria aqui se não precisasse de grana. Trezentos euros mudaria a sua vida medíocre e não faria a menor diferença na minha carteira. É um negócio vantajoso para as duas partes. Estou te oferecendo uma fortuna pra fazer algo que você já deve ter se cansado de fazer de graça.

Danika queria evitar um escândalo, mas não parecia haver outra forma de escapar daquele problema. Embora estivesse bêbado, o rapaz tinha força o suficiente para segurá-la. Os dedos dele afundados com força na pele branca de Lehmann começavam a marcar a garota.

- Eu vou chamar ajuda. – Nika tentou puxar o braço, mas só conseguiu fazer com que o rapaz o apertasse com ainda mais força – Você está me machucando!

- Quinhentos euros! Eu realmente gostei de você. As vadias do Leste Europeu são as melhores.

- Eu já mandei me soltar!!!

Com a mão livre, Danika tentou empurrar o peito do rapaz. Ele não se moveu mais que um centímetro e pareceu ainda mais ofendido com aquele gesto dela. Uma das mãos dele ainda segurava com firmeza o braço de Nika quando ele contornou o corpo dela com o outro braço, levando os dedos livres até o quadril da garçonete. Aquele gesto foi o bastante para que Lehmann deixasse de lado toda a formalidade para acertar um tapa forte no rosto do rapaz.

A agressão inesperada foi imediatamente devolvida, com a diferença de que o rapaz era muito mais forte que Nika e a acertou com o punho fechado. A garçonete cambaleou para trás, completamente tonta depois daquele golpe potente. A visão embaçada de Danika e o zumbido em seus ouvidos permaneceram por alguns segundos, o bastante para que a romena não reconhecesse o vulto que passou voando por ela para se atracar com seu agressor.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Set 11, 2016 5:43 am

O queixo de Charlotte despencou diante da reação exagerada de Lukas. Ela tinha tanta certeza que o rapaz só estava se divertindo tanto quanto ela que jamais cogitou que ele fosse se ofender com a sugestão de serem discretos naquela noite.

Aquele relacionamento sem regras e rótulos era perfeito, exatamente tudo que Charlie estava precisando. Ela conseguia a companhia agradável de Lukas, aproveitava a química inegável entre eles e não precisava assumir nenhum compromisso que sabia ser sem futuro. Na sua cabeça, os dois estavam tendo ótimos momentos juntos até que Benjamin decidisse terminar com aquela farsa.

Quando o futuro rei voltasse para a sua vida tradicional, ela o acompanharia de volta a Viena e os dois encarariam a realidade juntos. Lukas seria apenas uma lembrança imensamente agradável de momentos divertidos que tivera antes de assumir a coroa de rainha.

Charlie só não esperava pela reação ruim do rapaz, muito menos que fosse se sentir culpada por tê-lo feito se sentir rejeitado. Por estar convicta de que os dois só estavam se divertindo, ela nunca imaginou que o rapaz pudesse sair magoado daquela confusão, e pela primeira vez, a ideia de se manter ao lado dele apenas por Benji pareceu suja.

- Meu objetivo era só me divertir, Lukas. Achei que esse fosse o seu também. Mas se você vai ficar agindo como um namoradinho ciumento, não vai ser divertido para nenhum de nós dois.

Charlotte cruzou os braços e empinou o nariz, mas nem mesmo o salto alto permitia que ela parecesse superior, sendo tantos centímetros mais baixa que o rapaz. Apesar daquele gosto amargo de que estava fazendo tudo errado, ela não poderia deixar Lukas assumir o controle.

Por mais que ainda quisesse cair em seus braços, puxá-lo daquela festa e esquecer do restante dos convidados enquanto se trancava no quarto com ele, Baviera precisava lembra-lo que aquele era um relacionamento casual.

- Se o que você quer é encontrar outras garotas por aí, pode ficar à vontade! Eu nunca te impedi disso.

Mesmo com a música alta, a voz da menina era contida, sem se alterar. Era como se Charlotte realmente estivesse apenas explicando os termos daquele relacionamento para Lukas, e não dando um chilique para encenar uma briga de namorados.

- Mas se mudar de ideia e quiser ficar ao meu lado e me apresentar os seus amigos sem dar chilique, você sabe onde me encontrar.

Pelas horas seguintes, Charlotte se esforçou para tentar se entrosar com os próprios convidados, mas cada vez ficava mais óbvio que aquele mundo era completamente diferente da sua realidade.

A ideia de aproximar Benjamin e Lukas foi completamente arruinada antes mesmo da metade da festa, e como o principal objetivo já havia se perdido, ela ficava cada vez mais incomodada com a presença de tantos desconhecidos quando só o que queria era ficar sozinha.

Em um determinado momento, Charlie desistiu de tentar conversar com os convidados e se deixou aproximar de Benjamin. Era muito estranho ver o futuro rei da Áustria usando roupas tão simples, mas a postura séria e elegante de Benjamin o deixava tão deslocado naquele lugar quanto ela.

- Sua festa é uma porcaria. – Ele resmungou por cima do copo, mantendo o olhar em um ponto fixo do salão.

- Eu sei. – Charlotte concordou.

- Eu te disse que seria uma má ideia.

- É, você disse. Talvez da próxima vez eu deva escutar vossa Alteza.

O semblante de Charlotte continuava tranquilo, mas o tom ácido de sua voz demonstrava a frustração pela ruína da festa. Benjamin, ao seu lado, ficou imediatamente tenso, fazendo com que Baviera se arrependesse da provocação. Ela não queria descontar em Benji o seu mau humor, e em um caso inédito, ela suspirou e o encarou com sincero arrependimento.

- Desculpe, Benji. Eu só quero que essa droga de noite acabe logo.

Charlie podia sentir o olhar surpreso do príncipe, mas já havia girado as íris verdes de volta para a festa. Se aproveitando daquele pequeno deslize da personalidade de Baviera, Benjamin deixou que as palavras saíssem de sua boca de forma humilde, como se quem estivesse ao lado dela não fosse o futuro rei, apenas Müller.

- Posso pedir um favor?

- Eu poderia enumerar uma lista de motivos que te dariam direitos a você pedir o que bem entendesse. Mas vou me limitar a dizer que sim. O que quer?

Por um segundo, Charlotte pensou que o príncipe iria pedir para esquecerem toda aquela história absurda e voltarem para casa. Aquela hipótese criou um conflito internamente, entre o desejo de poder esquecer Lukas ou ter mais tempo para consertar as coisas com ele. Então, ela pensou que talvez Benjamin fosse pedir para que ela se afastasse do meio-irmão. Mas definitivamente não esperava pelas palavras que vieram a seguir.

- Está vendo aquela menina ali? – Ele apontou discretamente para uma das funcionárias do buffet. – Quero que dê uma gorjeta a mais pra ela. Das grandes.

Por um segundo, a expressão frustrada de Charlotte se desfez, dando lugar a confusão ao encarar a morena que equilibrava a bandeja com as bebidas.

- Quem é essa?

- Ela mora no prédio do Lukas.

Se Charlotte não estivesse tão confusa tentando descobrir quem era a menina do buffet, provavelmente teria notado o cuidado que Benjamin tinha na escolha das palavras.

- É uma boa moça. Tem uma filhinha pequena que esteve doente há pouco tempo, trabalha em dois empregos pra manter tudo em ordem... Você sabe, essas coisas que você jamais precisou fazer na vida para ter dinheiro.

A provocação fez apenas com que Charlotte girasse os olhos.

- E por acaso você trabalhou algum dia da sua vida? – Sem esperar pela resposta, Charlotte continuou estudando a menina, imaginando que tipo de vida ela teria.

Se ela tinha dois empregos para sustentar a filha, o pai provavelmente estaria em casa cuidando da bebê. Não era exatamente uma troca justa, mas Benji teria um bom motivo para pedir aquilo.

- Está bem, deixa comigo. A bonitinha vai ganhar uma boa gorjeta, está bem?

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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Set 11, 2016 6:05 am

Depois de garantir que mais uma boa quantia de euros chegasse nas mãos de Danika até o fim da noite, Benjamin se afastou de Charlotte. Ele já havia alongado a conversa por tempo demais e a última coisa que precisava era correr o risco de alguém escutar aquele diálogo comprometedor.

A aproximação de Lukas estava levando mais tempo do que ele imaginava, o plano não poderia ser arruinado antes da hora por uma irresponsabilidade de Charlotte.

Apesar de não querer continuar na companhia da ex-namorada, Benji também não conseguia se encaixar em mais nenhum lugar daquela festa. O único motivo que o impedia de ir embora, era a esperança de poder oferecer uma carona para Danika quando a festa chegasse ao fim. Era apenas mais uma migalha da companhia dela, mas ele a aceitaria de bom grado, desde que pudesse continuar escutando sua voz.

Enquanto a menina estava concentrada em seu trabalho, Benjamin tomou o cuidado de se manter fora do seu caminho, mas acompanhando seus movimentos pelo salão a uma distância segura. Vez ou outra, seu olhar precisava sair da funcionária do buffet para dar atenção a algum convidado que se aproximava.

Foi por estar preso em uma conversa aleatória de um grupo que discutia sobre algumas novas regras do campus, que Benjamin não viu o momento que o rapaz se aproximou de Danika. Quando os olhos azuis encontraram novamente a cabeça dela em meio ao salão, ele já encontrou a cena desconfortável da menina tentando se soltar da mão insistente do rapaz.

Benji franziu a testa e começou a se afastar do grupo sem pedir licença. Eles não pareceram notar quando o rapaz deu os primeiros passos em direção a Danika, procurando não chamar atenção. Só o que precisava fazer era atravessar o salão e acabar com aquela ceninha antes que todo mundo pudesse notar.

Ele só percebeu que estava lento demais quando o braço do rapaz se ergueu até atingir o soco em Danika. A música alta se tornou um zumbido em seu ouvido e todas as pessoas ao redor desapareceram. Se havia algum obstáculo em seu caminho, Benjamin desviou ou derrubou sem se dar conta, até parar diante do rapaz, o acertando com um soco ainda mais forte que Danika recebera.

O fator surpresa somado com o estado alcoolizado do rapaz fez com que ele cambaleasse para trás até atingir uma cristaleira. O vidro se espatifou nas suas costas e o barulho fez o DJ interromper a música, mergulhando a cobertura de Charlotte em silêncio.

A distância até Danika e o homem era muito curta, mas Benjamin já estava ofegante quando se colocou entre ela e o rapaz caído. Um dos seus braços estava esticado para trás, se certificando de que ela não se aproximaria, mas os olhos azuis estavam presos no homem que se recuperava.

- Você está bem?

Ele girou a cabeça por cima do ombro para encarar Danika enquanto o rapaz se colocava de pé. Alguns cacos de vidro haviam rasgado suas roupas e haviam manchas de sangue em seus braços, mas seu rosto já estava contorcido em fúria. O excesso de álcool provavelmente havia anestesiado e o impedia de sentir a dor dos cortes.

Os olhares de todos os convidados estavam presos nos dois rapazes e em Danika, e alguém em meio a multidão soltou um gritinho, mas já era tarde demais para alertar Benjamin. A dor que atingiu sua cabeça o deixou tonto e o som metálico soou nos seus ouvidos, mas ele demorou a entender que havia acabado de ser atingido por um dos enfeites de metal usados nas prateleiras de Charlotte.

O corte que se abriu na sua testa permitiu que um filete de sangue começasse a escorrer pelo seu rosto, mas assim que recuperou a visão, Benjamin se jogou para frente. O corpo inclinado para baixo atingiu o tronco do homem, mais uma vez o levando para trás até se chocar contra a parede.

Benjamin já havia praticado algumas lutas, mas nunca havia brigado de verdade. O que mais lhe dava vantagens era a embriaguez do homem, o que não o impedia de receber vários socos e chutes.

Como não tinha a menor noção do tempo, ele poderia jurar que já havia passado a noite toda ali quando alguém o agarrou pelos braços, o puxando para longe do seu adversário. Um rapaz desconhecido também puxava o oponente, apartando a briga.

- ME SOLTA! – Benji gritou, surpreso consigo mesmo pela fúria que sentia. – EU AINDA NÃO ACABEI COM ESSE DESGRAÇADO!

- Calma aí, amigo! – O rapaz que segurava seu oponente lutava contra a força dele, e enquanto seus sentidos se recuperavam, Benji percebeu que um dos rapazes que apartava a briga vestia o mesmo uniforme do Buffet. – Não queremos nenhum assassinato aqui hoje, hein?

- Vocês deviam levar esse desgraçado pra delegacia! – Benji rosnou, mas já não lutava mais contra os braços que o prendiam.

- Não, já chega!

A voz de Charlotte soou quando a menina se colocou entre os dois, mantendo os braços erguidos como se realmente pudesse evitar uma nova briga.

- Nada de polícia! Você! – Ela se virou para o rapaz que atacara Danika. – Pra fora, agora! Ou eu realmente vou ligar para a polícia e mostrar as câmeras de gravação.

Benjamin tentou se remexer mais uma vez, irritado com a possibilidade do homem sair dali livremente, sem pagar pelo que havia feito a Danika. Ele só se aquietou quando a morena parou diante dele, sussurrando de uma forma que só ele pudesse ouvir.

- Polícias vão querer impressões digitais. Imagina como vai ser legal o príncipe da Áustria sendo fichado?

Charlotte estava furiosa, mas assumiu rapidamente a situação ao apontar o corredor que dava acesso aos quartos.

- Vai lá pra dentro. Tente se limpar. Tem alguns remédios e curativos também.

Ela apenas suavizou a expressão quando mudou seu foco para algo atrás no ombro de Benjamin. O rapaz imediatamente se lembrou de Danika e se virou para encará-la, o coração espremido.

- Leve ela também, Benji. – E então, se virando para o restante da festa, Charlotte apoiou as mãos na cintura e fez o que queria ter feito há algumas horas antes. – OK, pessoal! O show acabou, a festa acabou, todo mundo pra fora!
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Set 11, 2016 7:47 pm

Era irônico que justamente a dona da festa fosse a única pessoa na cobertura que não parecia estar se divertindo. Qualquer um dos jovens ali presentes diria que a festa era um sucesso. A comida era farta e não faltava bebida em nenhum copo. O DJ comandava a pequena pista de dança improvisada na área externa da casa e não parecia faltar assunto entre os vários grupinhos espalhados pela cobertura luxuosa de Baviera.

Lukas Krauss não era uma exceção. Embora o rapaz estivesse chateado com a breve discussão com Charlotte, ele decidiu que não desperdiçaria aquela noite de sexta-feira. Praticamente todos os amigos de Luke estavam ali, a comida servida pelos garçons era excelente e a qualidade da bebida era muito superior a das festas que Krauss costumava frequentar. Era tolice abrir mão de tudo aquilo por causa de um desentendimento com uma garota que sequer ocupava o status de uma namorada.

Ao contrário de Charlie, Luke não teve problemas para se enturmar. Em poucos minutos o rapaz já estava rodeado pelos colegas do time de futebol e envolvido numa conversa divertida, regada com a melhor vodca que Lukas já experimentara na vida. O grupinho de atletas chamava a atenção das meninas que passavam por eles, mas Luke ainda não havia decidido se tomaria alguma iniciativa naquela noite. A última coisa que Krauss queria era dar a impressão de que estava ficando com uma garota com o único intuito de provocar a dona da festa.

- E aí, Nika?

O sorriso de Lukas se alargou para a garçonete que parou diante do grupinho deles para reabastecer os copos com mais bebida. Ao contrário do que um rapaz mais esnobe pensaria, Krauss não via problema algum nos amigos saberem que ele conhecia uma das funcionárias da festa.

- Oi, Luke. Festa animada, hein?

- É, tá bem legal. Cadê a Olga? Eu não a vi ainda.

A pergunta sobre a vizinha fora desinteressada, era apenas uma maneira gentil de evoluir a conversa com Danika enquanto os outros rapazes se serviam. Depois da última experiência com Olga Sturm, Lukas não tinha a menor intenção de se arriscar em uma nova investida.

- Está em casa. Ela ficou com a Beth hoje.

- Sério??? – Luke não conseguiu disfarçar a surpresa – A Olga não costuma recusar convites para festas.

- É exatamente este o ponto. – Nika repuxou os lábios num sorriso sem graça antes de sussurrar apenas para o vizinho – Ela não foi convidada. A Olga me disse que nunca teve nenhum problema com a dona da festa, mas eu não sei... Algum motivo tem, não é? Praticamente todo mundo está aqui.

Os olhos castanhos do rapaz deslizaram pela cobertura, confirmando as palavras de Danika. A festa estava lotada e praticamente todos os rostos populares na universidade de Leoben estavam presentes. Todas as amigas mais próximas de Olga desfilavam por ali e não fazia nenhum sentido que somente Sturm tivesse sido deixada de fora da comemoração daquela noite. Olga era muito popular, tanto pela beleza quanto pela personalidade extrovertida. É claro que Charlotte não havia se esquecido de convidá-la por um mero descuido.

Antes que Nika se afastasse com a bandeja praticamente vazia, Lukas lhe lançou um sorriso de agradecimento enquanto sua mente ainda trabalhava agilmente na tarefa de compreender os motivos pelos quais Olga Sturm ficara de fora daquela festa. Charlie não a conhecia pessoalmente, mas a grande verdade era que a novata não conhecia ninguém na cidade, então isso não era uma justificativa plausível.

A única informação mais relevante que Charlotte possuía sobre a loira era que Olga desprezara Lukas na última festa da universidade. Krauss obviamente não havia contado a Baviera sobre o quanto era apaixonado pela vizinha, mas a decepção dele tinha ficado muito evidente na outra noite. Era óbvio demais que, para Lukas, Olga não era só uma garota qualquer com quem ele queria se divertir por apenas uma noite.

A ideia de que aquele tinha sido o motivo para Charlotte excluir Olga de sua comemoração foi surpreendente. Se Charlie realmente só queria um relacionamento casual com Luke para se divertir ou para se enturmar, não fazia o menor sentido se expor mantendo de fora da festa uma garota tão popular em Leoben. Se Baviera não via futuro em seu relacionamento com Lukas, ela não tinha razões para querer a “ameaça” Olga Sturm distante.

- Heeeeey!

O semblante de Lukas se fechou quando alguém passou abruptamente por ele, empurrando seu ombro sem nenhuma gentileza. Krauss abandonou seus pensamentos sobre Charlie e Olga e foi trazido de volta à realidade quando virou a cabeça e viu que a pessoa que quase o atropelou era Benjamin Müller. A irritação pelo empurrão se transformou em choque quando o colega de quarto terminou sua trajetória diante de um dos alunos de Direito e o acertou com um potente soco.

- Puta merda, cara!

A exclamação de Lukas soou um segundo antes que o rapaz caísse sobre a cristaleira e provocasse um barulho grande o bastante para interromper a festa. Exatamente por ter sido um dos primeiros a notar a confusão, Krauss chegou à cena antes dos demais colegas e tentou colocar um fim da briga, segurando Benjamin enquanto outro rapaz tentava conter o outro envolvido na confusão.

- FICA CALMO! BENJAMIN!!! QUE MERDA É ESSA???

Embora fosse alguns centímetros mais baixo que Benjamin, Lukas não teve dificuldade em segurar o amigo e puxá-lo para longe da confusão. Embora ainda não soubesse qual era a motivação da briga, Luke dava um voto de confiança a Müller ao se posicionar ao lado dele, numa clara indicação de que Benjamin não estaria sozinho se a confusão piorasse.

A pancadaria não havia durado mais que alguns poucos segundos, mas os golpes tinham sido fortes e certeiros o suficiente para causar estragos. O outro rapaz não conseguia abrir um dos olhos e, a julgar pela quantidade de sangue que escorria por seu queixo, tinha perdido um dente na confusão. Do outro lado, Benjamin exibia um corte no supercílio e também perdia sangue por uma das narinas.

Luke tinha certeza de que todos terminariam a noite em uma delegacia quando Charlotte surgiu para colocar um fim na confusão e também na festa. O estudante de Economia só entendeu toda aquela loucura quando os olhos verdes de Charlie se focaram num ponto atrás deles. Krauss se virou e arregalou os olhos ao encontrar Danika aos prantos, tremendo dos pés à cabeça, com um olho inchado, sendo amparada por uma das amigas de Olga.

Ao entender que Benjamin se enfiara numa confusão para defender a vizinha, Lukas quase se arrependeu por ter apartado a briga. Müller estava levando a melhor e certamente teria arrancado mais alguns dentes do oponente se tivesse alguns segundos a mais.

- Vem comigo. – Lukas não se sentiu seguro para soltar Benjamin enquanto o outro rapaz ainda estava tão perto – Eu sei, eu entendi! Mas não vale a pena, cara. Ele é filho do xerife. É mais fácil você dormir na cadeia do que ele.

Como conhecia praticamente todos os alunos da universidade, Krauss sabia que aquela não era a primeira confusão que envolvia o único filho do xerife de Leoben. O rapaz estudava Direito, mas nem isso parecia motivá-lo a cumprir a lei. Era fácil se envolver em brigas e abusar de sua autoridade com a certeza de que não seria punido.

Como não imaginava que Benjamin era infinitamente mais poderoso que o filho de um xerife de uma cidadezinha do interior, Luke o puxou para trás na tentativa de evitar que o colega fosse injustamente punido por aquela briga. Mesmo não conhecendo bem o apartamento de Charlotte, Luke conseguiu encontrar um quarto de hóspedes.

Não era exatamente aquele o plano, mas a briga no fim das contas servira para aproximar os dois irmãos. Os olhos de Luke refletiam uma imensa admiração quando ele empurrou Benjamin para um sofá e se agachou diante dele, apertando com firmeza uma de suas mãos.

- Eu entendo que você esteja revoltado. Eu também estou, cara. Mas deixa ele ir embora. Você só vai conseguir passar uma noite na cadeia se levar isso adiante. O cara é sinônimo de problema, você acabou de chegar na cidade, não se mete nisso.

Krauss completou por saber que aquele seria o argumento mais forte para acalmar a fúria de Benjamin naquela noite.

- Não vale a pena expor a Nika. Ela já tem problemas demais para ganhar a inimizade de gente importante na cidade. Se o xerife implicar com ela, a coitada vai perder o emprego e vai ter que voltar pra Viena.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Set 11, 2016 8:20 pm

A garçonete manteve a cabeça baixa enquanto ouvia os passos das pessoas que saíam do apartamento depois que Charlotte Baviera declarou que a festa havia chegado ao fim. O olho esquerdo de Danika ainda latejava, mas a dor era desprezível perto do constrangimento que a romena sentia por ter sido a protagonista daquele escândalo. Embora tivesse sido uma vítima, Nika se sentia culpada e, mesmo mantendo os olhos voltados para o chão, ela sabia que todos a encaravam enquanto seguiam no rumo da porta.

- Está tudo bem. Ele já foi, tenta ficar calma, Nika.

A voz suave soou perto do ouvido dela. A amiga de Olga a abraçou de forma protetora, tentando controlar os tremores que sacudiam todo o corpo de Lehmann. Quando finalmente teve coragem para levantar a cabeça, a sala estava praticamente vazia. Além da moça que a amparava, apenas a dona da cobertura continuava por ali.

- Onde ele está? – Nika explicou diante do olhar confuso das outras moças – Benjamin. Ele está muito machucado???

A primeira preocupação de Danika foi voltada para o vizinho. Mais uma vez, ela não sabia como agradeceria Müller por tê-la salvado das mãos do agressor. Um soco era pouco perto do que o rapaz poderia ter feito em uma festa agitada e barulhenta.

- O Luke levou ele pro quarto. Ele vai ficar bem, Nika, não se preocupa com isso agora. Hey, você pode arrumar um pouco de gelo para o olho dela?

O pedido foi dirigido a um dos funcionários do buffet que se aproximava da sala. Não era o mesmo garçom que ajudara a apartar a briga. A julgar pelo terno mais refinado e pela postura mais formal, o homem certamente possuía um cargo de chefia. O gerente parecia profundamente chateado quando ignorou Nika e a outra menina para se voltar para a dona da festa.

- Eu realmente não tenho palavras para me desculpar, Srta. Baviera. A festa estava maravilhosa, é uma pena que tenha terminado de forma tão trágica.

Apesar do aparente descaso do gerente com a funcionária agredida, o homem ainda não tinha feito nada demais. Charlotte havia pagado caro por aquela festa, era normal que o gerente se desculpasse por tudo não ter acabado como a cliente planejara. Mas a parte mais chocante do discurso do gerente ainda estava por vir.

- Eu realmente lamento muito. Posso garantir à senhorita que só contratamos funcionários bem recomendados. Eu jamais traria esta moça para a sua casa se imaginasse que ela criaria um tumulto tão grande. Mas esteja certa de que ela será punida de forma exemplar. Vamos desligá-la do buffet e ela não receberá um centavo hoje.

- Oi? – a amiga de Olga piscou várias vezes, perplexa – Eu entendi bem? Você tá mesmo falando que a culpa foi da Danika??? O que você sugere que ela faça da próxima vez? Que concorde com um filho da puta abusivo só pra não estragar o andamento de uma festinha?

O dinheiro havia motivado Nika a aceitar aquele trabalho extra, mas nem mesmo a sua necessidade financeira faria a romena implorar pelo pagamento depois daquele discurso absurdo do gerente. Os olhos castanhos ainda estavam úmidos pelas lágrimas, mas o principal sentimento refletido por eles era raiva quando a menina encarou o gerente.

- Você pega o seu maldito dinheiro e enfie onde lhe for mais conveniente! – Lehmann se desvencilhou dos braços da amiga para apontar o dedo no rosto do gerente – Ao contrário do que você e aquele desgraçado pensam, a minha dignidade não está à venda.

A entonação de Nika se tornou menos cortante quando ela se voltou para Charlotte, mas ainda assim a garçonete manteve a cabeça erguida.

- Eu realmente lamento muito pela sua festa, mas não vou pedir desculpas por ter sido agredida gratuitamente por um dos seus convidados. Onde estão os meus amigos? Eu só preciso deles para dar o fora daqui.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Set 11, 2016 11:38 pm

Desde que deixou Viena para trás e passou a viver no internato, Benjamin aprendera a ter o comportamento modelo esperado por um príncipe. Não havia mais acidentes causados por suas travessuras, ele se tornou um homem controlado que sempre procurava resolver as coisas da melhor forma possível.

Naquela noite, Benji não conseguia reconhecer a si próprio. Seu corpo tremia e a adrenalina o impedia de sentir a dor do seu nariz sangrento, muito menos os cortes nos nós dos dedos. Ele parecia um animal selvagem, disposto a voltar até a sala de Charlotte e continuar batendo no sujeito que ousara tocar Danika até que perdesse a consciência.

Cada vez que se lembrava de como a menina havia sido tratada naquela noite, o sangue de Benji fervia outra vez. Era inadmissível que alguém, qualquer um, pudesse cogitar que tinha o direito de trata-la daquela forma. Já seria imensamente injusto que qualquer garota recebesse aquele tipo de tratamento, mas era muito mais agravante por ser alguém que estava ali trabalhando, apenas pelo bem-estar da filha.

Benjamin nunca havia experimentado o mundo fora da realeza antes, e a injustiça que Danika vivia o deixava com um gosto amargo por todos os anos que ele viveu no conforto sem esforço algum.

Se não pudesse fazer justiça com as próprias mãos, Benji queria que aquele ser podre passasse o resto da vida atrás das grades. Provavelmente depois de pagar uma boa indenização para Danika. E saber que a polícia não poderia ser envolvida apenas porque ele estava com medo de ser desmascarado fez o peso da culpa ainda maior em seus ombros.

- Eu preciso falar com ela...

Benji finalmente conseguiu sussurrar. Suas mãos deslizavam pelos joelhos, manchando o tecido da calça com o sangue. Ele estava inquieto e se remexia no sofá. O ruído do lado de fora estava cada vez menor, indicando que a festa havia mesmo chegado ao fim. Mas só conseguiria ficar mais calmo depois que falasse com Danika.

Ele havia partido em defesa dela, mas ainda assim, voltou a atenção de toda a festa para a funcionária do buffet. Lukas estava certo, ele já havia exposto a vizinha demais, não precisava prolongar a cena. Só precisava se certificar de que não estivesse tão machucada.

A mão de Benjamin deslizou pelos seus cabelos e ele ergueu o olhar para Lukas, parecendo notar a presença do irmão pela primeira vez. Um suspiro pesado escapou dos seus olhos ao perceber que Krauss estava presenciando aquele seu momento de falha. Ele não queria que o irmão o enxergasse como um encrenqueiro descontrolado. Benji havia batalhado duro para se tornar um homem sério, e uma das motivações era o desejo de um dia saber que o irmão perdido no mundo teria alguém em quem se espelhar.

- Eu estraguei tudo, ahn?

Um sorriso fraco brincou nos seus lábios e ele esfregou o rosto, os tremores do corpo diminuindo gradativamente.

- Fiz um baita estrago lá fora e ainda acabei com a diversão de todo mundo. É melhor não deixar ninguém saber que moramos juntos, você vai ficar com o filme queimado.

Benji fez uma pausa, encarando a porta do quarto de hóspedes. Já não havia nenhum barulho que penetrasse o corredor.

- É melhor voltarmos. Posso imaginar que o que a Danika mais quer agora é ir pra casa e acabar logo com esse pesadelo.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Set 12, 2016 12:10 am

O semblante de Charlotte não se abalou nem mesmo com o comentário ofensivo do gerente do buffet. A dona da casa estava aparentemente calma demais para quem havia acabado de ter a sala destruída e a festa arruinada. De fato, ela não estava nada chateada com o fim repentino da festa, mas por trás dos olhos verdes tranquilos, ainda estava tentando entender o que havia acabado de acontecer.

Era impossível comparar uma festa de universitários com os eventos elegantes que estava acostumada a frequentar, de modo que Charlie até já estava preparada para lidar com alguma coisa que saísse do controle diante de jovens bêbados e que não se preocupavam com a própria imagem. O que ela não esperava é que um dos protagonistas daquela confusão fosse ser logo alguém que estava mais do que acostumado com o seu mundo.

Quando viu o estado de Danika Lehman, não foi difícil ligar os pontos. Ela era a mesma funcionária que Benjamin havia pedido para ser bem recompensada pelo trabalho da noite. E aparentemente era o pivô que fizera o herdeiro do trono perder o controle.

Charlotte não era inocente ao ponto de imaginar que Benjamin não havia se envolvido com outras meninas, mas era a primeira vez que ela lidava com uma, pessoalmente.

Mesmo diante da atitude orgulhosa da menina a sua frente, Charlie deixou seus olhos passarem de cima a baixo, estudando Danika. A imagem da menina era de dar pena. O ferimento no olho provavelmente estava bastante dolorido e o rosto manchado pelas lágrimas. Mas apesar disso, era possível notar que era uma menina bonita. Se estivesse com roupas mais descontraídas, os cabelos arrumados e uma maquiagem, ela poderia facilmente se passar por uma das mais bonitas universitárias da festa.

Para Charlotte, não havia mais nenhuma dúvida de que Benjamin tinha algum interesse em Lehman. Os dois pareciam se encaixar ainda menos do que Charlotte e Lukas.

Sem responder a morena, ela se virou para encarar o gerente, o nariz empinado.

- Eu também lamento muito. Quando me indicaram esse buffet, garantiram que só teriam profissionais, mas parece que estou lidando com abutres.

Charlotte deu um passo para frente, ficando de costas para Danika e completamente de frente ao gerente. Ela cruzou os braços, e mesmo sendo infinitamente mais baixinha que o homem, ainda conseguia o encarar com o ar superior digno de um Baviera.

- Que tipo de porco machista você é para ainda colocar a culpa disso tudo na menina?

O homem, que já havia se encolhido, deixou que seu olhar confuso encarasse a dona da festa. Aquele não era o momento de comprar uma briga, caso Benjamin realmente estivesse envolvido com aquela menina. Charlotte se encarregaria de esclarecer tudo em um momento mais apropriado, mas se aquela era a protegida do futuro rei, não seria ela a comprar uma briga.

- Ela é sua responsabilidade. Você deveria estar preocupado com ela. – O braço de Charlotte estava ligeiramente inclinado para trás, apontando para Danika. – Você sabia que poderia ter sido comigo? O senhor tem filhas? Irmãs? Por que poderia ter sido com qualquer uma delas. E só o que você tem a me dizer é que vai castigá-la ainda mais?

Um sorriso maldoso brincou em seus lábios e Charlotte ergueu o indicador contra o peito do gerente, completamente emudecido.

- A única pessoa que vai perder o emprego esta noite é o senhor. E sou eu que estou garantindo isso.

Os saltos de Charlotte foram abafados pelo carpete e ela deu as costas ao gerente, desta vez dando toda sua atenção para a garçonete. Sua expressão suavizou, mas ainda era possível notar a curiosidade nos olhos verdes.

- Eu também não vou pedir desculpas. Não acho que a culpa foi sua, mas eu nem conhecia aquele imbecil. O que eu posso fazer é garantir que você e seus amigos cheguem bem em casa.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Set 12, 2016 12:24 am

Embora os dois se conhecessem há poucas semanas, Lukas já sabia que não estava dividindo o teto com um encrenqueiro violento. Benjamin sempre se comportou bem desde a sua chegada em Leoben, tinha uma personalidade dócil e uma postura inegavelmente madura. A pancadaria daquela noite havia sido uma triste exceção, mas Krauss não julgava o colega por ter perdido a cabeça. A injustiça contra Danika também havia deixado Luke indignado, e ele sabia que a sensação deveria ser ainda pior para Müller.

Lukas já havia notado há algum tempo. Não era difícil perceber que a expressão de Benjamin mudava quando Nika estava por perto. Os olhos azuis metálicos a seguiam como se tivessem vontade própria, os sorrisos de Benji se tornavam mais amplos e surgiam com mais facilidade. Mesmo que os dois estivessem lutando para não se entregarem àquela tentação, qualquer bom observador notaria o quanto eles já estavam envolvidos.

- Tá tudo bem, Benji. Todo mundo viu o que aquele imbecil fez, a fama dele não é um segredo na cidade. Eu serei um herói no campus quando contar pra galera que foi o meu colega de apartamento que realizou o sonho de metade de Leoben quando encheu Lars Baden de porrada.

O sorriso divertido de Luke tinha o objetivo de relaxar o amigo. Benjamin não parecia mais um animal selvagem pronto para arrancar a cabeça do seu inimigo, mas as mãos trêmulas denunciavam o quanto o rapaz ainda estava alterado.

- Eu posso te dar um conselho, Benji?

Aquele pedido soou de forma humilde e Lukas realmente deixaria o assunto para lá se Müller não se mostrasse disposto a ouvi-lo. Krauss só completou o raciocínio quando percebeu que tinha para si a atenção dos olhos azuis.

- Não perca mais tempo. Está na cara que você e a Nika se gostam, não ofenda a minha inteligência negando isso. Eu entendo que seja complicado, que a vida dela seja uma bagunça e que a Beth é uma responsabilidade que nenhum homem quer no pacote quando se interessa por uma garota. Mas você está abrindo mão de muitas qualidades também. A Nika é linda, é a pessoa mais gentil e corajosa que eu já conheci. Isso sem falar nos dotes culinários. Cara, você ia comer muito bem se ficasse com ela!

O semblante de Lukas se tornou mais divertido e ele cutucou Benjamin no braço antes de completar.

- Sim, estou interessado nas marmitas que você vai levar pra casa se começar a sair com ela.

O silêncio vindo da sala deu a Krauss a certeza de que era seguro se afastar do amigo. Muito provavelmente Lars Baden já estava muito distante das mãos furiosas de Müller. Luke se colocou novamente de pé e acertou a coluna antes de erguer um dos ombros e finalizar aquele conselho amigável, com as mãos enfiadas no bolso da jaqueta.

- Só me promete que vai pensar nisso, ok? Você pode estar perdendo uma chance gloriosa de se entender com uma garota única.

Mesmo que o clima do apartamento estivesse quieto, Lukas seguiu pelo corredor alguns passos na frente de Benjamin, numa clara intenção de empurrá-lo para dentro de qualquer cômodo caso Lars ainda estivesse por perto. Mas as vozes alteradas que vinham da sala pertenciam a Charlotte e, para espanto de Krauss, ele chegou à cena a tempo de ver Charlie apontando o indicador no peito do responsável pelo buffet. A diferença nas estaturas tornava a cena cômica. Era bizarro ver um homem daquele tamanho encolhido por causa de Charlotte Baviera, cuja cabeça sequer alcançava os seus ombros.

A mágoa pela discussão no começo da festa foi deixada de lado enquanto o peito de Lukas se enchia de orgulho. Charlie era a criatura mais mimada que ele já conhecera, mas a forma como ela defendia Danika mostrava a Krauss que ele não havia se enganado tanto com relação ao caráter da caloura.

- Eu também teria medo se estivesse no seu lugar. – Lukas estava sério e com os braços cruzados em frente ao peito quando encarou o gerente do buffet – Não se deixe enganar pelo tamanho. Ela é muito perigosa.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Seg Set 12, 2016 12:44 am

A voz grave de Lukas fez com que a cabeça de Danika se virasse na direção do corredor no qual os dois rapazes surgiam. A postura orgulhosa que ela demonstrara há poucos segundos diante do gerente se desmanchou em mil pedaços logo que o rosto machucado de Benjamin entrou em seu campo de visão. O lábio inferior de Lehmann tremeu e ela apertou os lábios com força para evitar uma nova crise de choro.

A garçonete não estava raciocinando quando suas pernas se moveram, levando-a na direção dos vizinhos. Lukas já esperava por aquilo quando Nika passou direto por ele e, sem se importar com o que os demais presentes pensariam diante daquela cena, passou os braços pelo pescoço de Müller, encaixando-se no peito dele com um abraço apertado.

Era horrível se sentir tão vulnerável, era frustrante precisar trabalhar tanto para dar uma vida minimamente digna para a filha. Mas a sensação mais desesperadora era pensar que Lisbeth se tornaria uma mulher e poderia ter que enfrentar todo o pesadelo que Nika vivia agora. E se não houvesse um Benjamin Müller para salvar a Lisbeth do futuro?

- Obrigada, Benji.

O agradecimento soou num sussurro engasgado, mas a voz de Danika ecoou ainda assim graças à sala mortalmente silenciosa diante daquela cena. Os braços da garçonete continuaram cruzados por trás da nuca do futuro rei da Áustria enquanto ela afastava apenas o rosto para avaliar melhor o estrago que Lars Baden fizera no outro rapaz.

O corte no supercílio já havia parado de sangrar, mas o rosto bonito de Benjamin continuava manchado de vermelho. O sangue que escorrera pela narina do príncipe também já tinha secado, mas o inchaço não deixava dúvidas de que a área continuava muito dolorida. Os dedos machucados indicavam que Lars havia sofrido bastante durante aquela luta, mas é óbvio que Danika lamentava muito mais pelas mãos do vizinho do que pelo rosto do seu agressor.

- Você se machucou demais, Benji! Você não deveria ter feito isso...

Nika não gostava nem de pensar até onde o outro rapaz teria ido se não fosse pela interferência de Müller, mas ainda assim a romena se sentia culpada ao ver o amigo tão machucado.

As pontas dos dedos de Danika deslizaram pelo rosto inchado de Benjamin com cuidado para não agravar ainda mais a dor que ele sentia. A garota repetiu o gesto de apertar os lábios para segurar os soluços, mas isso não evitava que lágrimas grossas rolassem dos olhos castanhos.

- Vamos para casa? Eu vou te ajudar com isso, vou fazer um curativo, te dar um analgésico... Enfim, nada disso vai pagar por tudo o que você fez por mim, mas é tudo o que eu posso fazer neste momento.

Mesmo em meio à dor e à infelicidade que invadia o seu peito depois daquele escândalo lamentável e daquela sucessão de humilhações, Nika foi capaz de abrir um sorriso emocionado enquanto completava o seu discurso.

- Eu estou contraindo dívidas eternas com você, Benji. Estarei perdida se algum dia você resolver cobrar por tudo isso.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Set 12, 2016 1:10 am

Ao contrário de Lukas, o abraço de Danika foi recebido com imensa surpresa por Benjamin. Ele ainda precisou de alguns segundos para compreender o que estava acontecendo antes de deixar seus braços deslizarem até rodeá-la, retribuindo o gesto.

Nem mesmo a presença de Charlotte ou de Lukas era capaz de deixa-lo constrangido com aquela demonstração de intimidade. Toda sua concentração estava voltada para a morena em seus braços, as palavras de Krauss ainda ecoando na sua cabeça.

Ele queria a vida de Müller mais do que nunca. Como o simples funcionário de uma empresa automobilística, não havia nada que o impedisse de ficar com Danika. As complicações da vida dela seriam facilmente superadas e os dois poderiam aceitar de uma vez por todas que se gostavam.

A vida do futuro rei da Áustria foi completamente ignorada quando Benji abaixou o rosto e beijou o topo da testa de Danika, convencido de que não queria mais se afastar dela.

- Eu devia ter chegado antes. Eu vi quando ele se aproximou de você, mas achei que tivesse tempo...

Benji sussurrava para que apenas Lehman escutasse, mas podia sentir a atenção de todos na sala voltados para si. Ele se aproveitou quando Danika se afastou para encará-lo e deslizou os dedos feridos pelas mechas soltas do coque dela.

- Vamos pra casa. – Benji concordou, abrindo um sorriso bobo ao perceber como aquilo soava verdadeiro.

O apartamento na cidade de Leoben era o seu lar. Não havia riqueza ou luxo, mas era exatamente onde Benji se sentia em casa, na companhia de Lukas e Danika.

- Como assim, pra casa?

A voz de Charlotte o fez erguer o olhar até encontrar a dona da casa o encarando com um semblante confuso. Mesmo diante de sua expressão inquisidora, Benji não soltou Danika. Baviera não o intimidava mais. Ela havia guardado aquele segredo até então. Não seria por uma crise de ciúmes que arruinaria tudo.

- Danika mora no mesmo prédio que eu e o Lukas. – Ele explicou, antes que a morena tivesse a chance de fantasiar que dividia o teto com outra mulher. – Sinto muito pelo estrago da sua cristaleira, espero que não tenha nenhum objeto com significado sentimental.

Benjamin sabia que os móveis da cobertura vieram incluídos no preço do aluguel. Todos os pertences de Charlotte estavam há muitos quilômetros daquele lugar, e mesmo que ela tivesse algo próprio sob aquele teto, ele duvidava que a menina tivesse algo com valor sentimental.

- Não tem problema. – Charlotte encarava Benjamin fixamente, e ele sabia que precisaria enfrentar uma longa conversa séria com a ex-namorada assim que estivessem sozinhos. – Eu vou pedir um táxi para vocês. Estão começando a manchar o meu carpete com sangue.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Seg Set 12, 2016 2:03 am

A tensão do momento não permitiu que Danika notasse a surpresa e a insatisfação de Charlotte com aquela aparente intimidade entre ela e Benjamin. Tudo o que a romena queria era deixar aquele apartamento luxuoso para trás e se esquecer de todo o pesadelo enfrentado ali naquela noite.

O trajeto até o prédio foi breve, mas cada segundo parecia uma eternidade para Nika. Durante todo o tempo, ela manteve os braços envolvendo o próprio corpo, como se ainda sentisse necessidade de se proteger. Os olhares curiosos que o taxista lançava para os jovens machucados só faziam com que Lehmann se sentisse ainda mais exposta e humilhada.

Como já estava muito tarde, Danika optou por parar no terceiro andar para ajudar Müller a cuidar de seus ferimentos. Se fizessem toda aquela movimentação no apartamento das meninas, Lisbeth acabaria acordando e Olga não sossegaria enquanto a amiga não lhe contasse todos os mínimos detalhes da festa, da cobertura e da briga entre os dois rapazes.

Apesar do olho esquerdo ligeiramente inchado e avermelhado, Nika estava bem o bastante para assumir os cuidados com o rapaz. A forma como a romena se movimentou na pequena cozinha do apartamento de Lukas denunciou que não era a primeira vez que ela trabalhava ali. Lehmann sabia exatamente onde encontrar a caneca que usou para esquentar um pouco de água e também encontrou sem grandes dificuldades a caixinha de primeiros socorros que Luke escondia no fundo do armário.

Ao notar o semblante intrigado de Benjamin, Nika abriu um sorrisinho sem graça e deu de ombros enquanto explicava.

- Eu não podia trabalhar fora quando a Beth era menorzinha e precisava de mim em tempo integral. Então os meninos me pagavam para fazer a limpeza da casa. O Luke é organizado, as coisas continuam nos mesmo lugares.

De dentro da caixinha de primeiros socorros a moça retirou um chumaço de algodão e uma solução antisséptica. A embalagem de band-aid foi deixada num canto para que fosse usada ao fim do curativo.

- Você vai ter que se sentar, Benji. – Danika indicou um dos bancos altos que rodeavam a bancada da cozinha – Vai ganhar um doce de recompensa se for um rapazinho forte e aguentar a dor sem reclamar.

A água morna foi usada para limpar as manchas de sangue no rosto de Müller. O algodão deslizava suavemente pela pele do rapaz e Nika tinha um cuidado redobrado ao atingir as áreas machucadas. Aquela interação obrigava Lehmann a ficar muito próxima do vizinho, mas a romena estava se esforçando para não se distrair com aqueles desconcertantes olhos azuis.

Quando não havia mais nenhuma gota de sangue no rosto e nas mãos de Benjamin, Nika pegou um novo chumaço de algodão e a solução antisséptica. Desta vez, os dedos dela buscaram apenas pelo corte que fora aberto na testa do vizinho e mesmo com toda a delicadeza de Danika foi impossível evitar o ardor provocado pelo medicamento em contato com a ferida aberta.

- Shhhh, shhhh... já vai passar, Benji. Estou quase acabando. Precisamos limpar isso para evitar uma infecção.

Danika teve uma breve noção do quanto os dois estavam próximos quando se inclinou para pegar a caixinha de band-aid e sentiu que os joelhos de Benjamin tocavam as laterais do corpo dela. Mesmo que aquela proximidade tivesse o único objetivo de concluir um curativo, a moça não conseguiu conter o arrepio que se espalhou pelo seu corpo. As bochechas quentes deram a Nika a certeza de que ela também estava corada.

O curativo foi finalizado com um band-aid cobrindo o corte no supercílio de Benjamin. Nika abriu um sorriso satisfeito quando inclinou a cabeça apenas o bastante para analisar o resultado do seu trabalho.

- Bom, Benji, eu não vou mentir. Você já esteve bem melhor. Mas se isso te consola, o seu pior ainda continua bem acima da média.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Set 12, 2016 3:22 am

Charlotte Baviera não estava acostumada com as coisas saindo do seu planejado. Não era só pelo dinheiro ou pela importância do seu sobrenome. Desde que nascera, o mundo parecia conspirar para que tudo desse certo em sua vida e corresse exatamente como ela esperava.

As últimas semanas, entretanto, pareciam zombar de toda a sorte que a menina teve durante a vida. O homem que ela tinha certeza que seria seu futuro marido havia largado tudo para correr atrás de um segredo de família e ela se viu presa na mentira criada por ele, pela obsessão de agradá-lo e provar que deveriam ficar juntos.

Desde que pisara em Leoben, nada mais parecia correr certo. Benjamin estava cada vez mais distante, e a prova viva havia acabado de deixar o seu apartamento. Os olhos azuis nunca tinham olhado para ela como encararam Davina Lehman naquela noite. A preocupação de Benji pela garçonete era verdadeira, mas ia muito além do que uma simples amizade.

O mais surpreendente era o fato de Charlotte estar mais chateada com a discussão com Lukas do que por ter visto o ex-namorado na companhia de outra mulher. Aquela festa havia tido o único objetivo de unir os dois irmãos, mas Charlie não sabia que com isso, ela acabaria sendo excluída.

Os funcionários do buffet já haviam deixado o apartamento e apenas duas pessoas haviam ficado para trás para cuidar da limpeza. Enquanto a sala voltava a assumir sua forma elegante, mesmo com a cristaleira destruída, Charlotte se refugiou na parte externa.

As luzes ainda estavam apagadas, como haviam ficado durante toda a festa. Mas ao invés das lâmpadas coloridas da pista de dança, apenas a iluminação azulada da piscina permitia que o lugar não mergulhasse na escuridão.

O céu negro sobre a sua cabeça estava salpicado de estrelas, e graças a mureta de vidro, era possível admirar as dezenas de luzinhas da cidade. A mancha do rio que contornava toda Leoben se destacava mesmo na escuridão.

Os sapatos de salto estavam jogados ao lado de Charlotte e seus pés estavam mergulhados na piscina, a água alcançando a metade de suas pernas. O short e a camisa de manga escolhidos pela festa ainda estavam em seu corpo, mas a luz azulada refletida na água não permitia que a maquiagem se destacasse tanto quanto antes, a deixando com uma aparência mais pálida.

Charlotte encarava a paisagem enquanto refletia o absurdo que estava fazendo. Talvez o melhor fosse voltar para casa. Ela ainda poderia encontrar Marie em Barcelona e aproveitar o que faltava das férias, esquecer Benjamin de uma vez por todas e deixar aquelas mentiras para trás.

Um barulho às suas costas fez com que ela se virasse, esperando ver um dos empregados se despedindo após concluir a limpeza. Os olhos verdes vacilaram em surpresa ao perceber que Lukas estava ali, mas Charlotte se esforçou para parecer indiferente.

Sua cabeça girou novamente para a paisagem. As mãos estavam segurando a borda da piscina pelas laterais do seu corpo, mas os pés balançavam suavemente por dentro d’água.

- Achei que você já tivesse ido embora. Os seus amigos estavam bem machucados... Mas se ainda quiser comida ou bebida de graça, tenho certeza que sobrou alguma coisa na cozinha.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Set 12, 2016 3:47 am

O corte em seu supercílio era profundo, mas não deixava de ser algo bobo que logo estaria cicatrizando. O problema era que Benjamin nunca havia brigado antes, de modo que os socos e chutes trocados com Lars Baden estavam muito mais doloridos do que ele imaginou que seria.

Apanhar e bater na vida real era muito diferente do que ele via nos filmes, então Benji precisava fazer um grande esforço para não demonstrar todo o desconforto que sentia enquanto Danika cuidava dos seus ferimentos. Era um pensamento infantil, mas ele não queria agir como um garotinho diante dela. Seria humilhante, principalmente comparando a personalidade forte e corajosa de Lehman.

Apesar daquele receio, foi impossível segurar o sorriso com o modo que Danika o tratava, como se fosse mesmo uma criança necessitada de cuidados. Quando ela lhe ofereceu um doce pelo bom comportamento, Benji foi obrigado a rir, mas imediatamente contorceu o rosto em uma careta ao perceber que o abdome estava dolorido pelos chutes do adversário.

Motivado pela dor, o rapaz se manteve calado durante todo o tratamento, aproveitando silenciosamente a proximidade da menina. Os olhos azuis eram intensos e encaravam Danika já sem constrangimento algum. Ele não queria mais disfarçar sua admiração. A menina havia sido a vítima da noite, e ainda assim estava ali cuidando dele, mesmo depois de todo o pesadelo.

A brincadeira dela sobre sua aparência foi completamente ignorada, mas não por má educação. Benji estava completamente concentrado nos traços perfeitos e no formato delicado da boca de Danika. Ele simplesmente acompanhou o movimento dos seus lábios enquanto ela falava, mas incapaz de compreender as palavras.

- Como você consegue?

O pensamento verbalizado surpreendeu até mesmo a Benjamin, e ele se viu obrigado a explicar aquela pergunta aleatória que só fazia sentido na sua cabeça.

- Você corre atrás de tudo que precisa, Nika. Você é diferente de todas as garotas que eu conheci... A sua garra...

A voz dele vacilou enquanto ele tentava encontrar a melhor forma de explicar o quanto a admirava. Benji se endireitou no banco e esticou a mão até rodear o pulso de Danika com seus longos dedos. Ele a puxou delicadamente até encaixá-la entre suas pernas, e mais uma vez eles estavam unidos com a intimidade que tentavam negar que exitia.

- Você é única, Danika Lehman.

Os movimentos de Benjamin eram lentos, mas ao mesmo tempo decididos. Os dedos que envolviam o pulso de Danika deslizaram pelo braço dela, sentindo a pele se arrepiar sob o seu toque, até parar nos cabelos castanhos, pousando na nuca.

O coque frouxo de Danika a deixava com uma aparência casual e ainda mais irresistível. Benjamin estava cansado de lutar contra a vontade de beijá-la. O futuro rei poderia ter todos os motivos do mundo para se manter afastado, para o bem dos dois. Mas era Müller quem assumia naquela noite. E Benjamin Müller não tinha motivo algum para se manter afastado da única mulher que fazia seu coração saltitar.

Os olhos azuis ainda encararam os castanhos por alguns segundos, dando a chance dela se afastar. Mas logo a mão em sua nuca puxou Danika até que os lábios se encostassem. No instante em que sentiu a textura e o sabor do beijo de Lehman, Benjamin soube que nunca havia se apaixonado antes, porque nenhuma outra mulher era capaz de despertar seu corpo inteiro com um toque tão suave.

Não eram apenas as sensações fisiológicas, mas Benji podia sentir sua mente e o coração explodindo, como se estivessem transbordando. Não importava se seu sobrenome era Müller ou Kensington, se ele era um nobre ou um rapaz humilde. O que quer que fosse, seu lugar era exatamente nos braços de Danika.

O braço livre de Benjamin deslizou pela cintura de Danika, se encarregando de fazer os corpos se grudarem antes de intensificar o beijo.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Set 12, 2016 4:12 am

- Você não vem?

Os olhos castanhos de Danika refletiram uma sincera preocupação no instante em que Lukas empurrou a porta do táxi, mantendo-se fora do veículo. Krauss havia acompanhado Nika e Benji até a calçada só para ter certeza de que Lars Baden não esperava ali para terminar a briga, mas a intenção de Luke nunca foi entrar no carro com os amigos.

Era óbvio para ele que Danika e Benjamin precisavam de privacidade naquela noite. Lukas estava torcendo para que o colega acatasse o seu conselho e decidisse trazer Nika para a sua vida. Era óbvio que os dois se gostavam e eles formariam um casal bonito. Seria um desperdício se não ficassem juntos por causa de convenções sociais e por medo de se envolverem num relacionamento sério.

- Mais tarde. Eu vou ver se a Charlie precisa de alguma ajuda. Também acho que ela não deveria ficar sozinha, imagino que esteja bastante chateada com o fracasso da festa.

Baviera foi usada como uma desculpa para que Lukas fugisse dos amigos naquela noite, mas era verdade que Krauss pretendia voltar à cobertura para ver se estava tudo bem com a dona da festa. Por mais que Charlotte se esforçasse para passar a imagem de uma garota segura e independente, naquele fim de noite Luke havia captado uma inegável decepção no semblante da garota. É claro que Charlie havia se esforçado muito para que aquela festa acontecesse, então era de se esperar que a menina estivesse chateada com o fim melancólico da noite.

A cena da piscina não deixou dúvidas de que Baviera estava profundamente chateada. Sempre que olhava para ela, Lukas tinha a impressão de que aquela garota pequenina teria força para carregar o mundo nas costas com sua personalidade forte e seu comportamento peculiar. Naquela madrugada, contudo, Charlie parecia uma simples menina frágil e solitária. E aquilo foi o bastante para fazer Krauss deixar todas as mágoas de lado.

- Os dois vão ficar bem. Aliás, acho que ficarão ainda melhor sem mim.

Como o último funcionário da limpeza havia passado por Lukas enquanto ele subia as escadas de volta à cobertura, o rapaz sabia que ele e Charlotte estavam sozinhos no apartamento. Por isso, Luke não hesitou antes de arrancar os tênis e as meias, provavelmente planejando repetir o gesto de Charlie e mergulhar os pés na piscina.

- Agora não, obrigado. Eu já comi muito na festa. Acho que só terei fome de novo em uns... – Luke fingiu estar calculando seriamente aquele prazo – ...vinte minutos.

Aproveitando-se que os olhos verdes da garota estavam distraídos com a superfície da água, que naquela noite refletia o céu estrelado, Lukas arrancou a camisa e desabotoou a calça jeans. Quando Charlie finalmente notou o que ele estava fazendo, já era tarde demais. Krauss já estava no ar, usando somente uma cueca, no meio do caminho de um mergulho violento que fez com que a água espirrasse em todas as direções.

Quando retornou à superfície, Lukas já exibia aquele velho sorrisinho divertido que havia sumido no começo daquela noite. Ele ignorou todos os protestos da dona da casa enquanto nadava até a borda ocupada por Charlotte. Os cabelos escuros molhados e jogados para trás davam a Krauss uma aparência ainda mais juvenil, como se ele tivesse voltado a ser um garoto travesso que entrava na piscina sem a permissão da mãe.

- Você tinha razão. Vocês mulheres adoram ouvir isso, não é? Mas desta vez é verdade.

Sem o menor pudor, Lukas apoiou os braços molhados sobre os joelhos da menina e ergueu os olhos castanhos para encará-la. Naquela posição inédita, Charlie estava vários centímetros acima do rapaz e obrigava Krauss a inverter os papeis, como se naquele momento ele fosse um garoto baixinho diante de uma menina alta.

- Foi um chilique desnecessário. – Luke ergueu um dos ombros, como se aquela explicação bastasse – Eu tinha acabado de chegar à festa e não tinha comido nada. Meu raciocínio não funciona quando eu estou com fome.

É claro que Krauss não havia fingido aquela reação ofendida. Ele ainda estava chateado pelo comportamento de Charlotte, mas agora se obrigava a enxergar a situação da mesma maneira como a menina parecia ver as coisas. Eles eram apenas bons amigos que sentiam atração um pelo outro e tinham um trato mudo de saciarem aqueles instintos sem precisarem assumir as responsabilidades de um relacionamento.

Não parecia uma situação ideal, mas ainda era um trato vantajoso para Lukas. Ele estava solteiro e não tinha nenhuma garota em mente desde a decepção com Olga Sturm. Por que não aproveitar aquela fase se divertindo com uma menina linda que não pretendia enchê-lo de cobranças?

Charlotte já havia dado infinitas provas de que não pretendia criar problemas e era um alívio saber que sua “ficante” entenderia perfeitamente quando chegasse o momento de transformar aquilo numa amizade comum para que ambos buscassem por um relacionamento de verdade.

- Não fica tão chateada, a festa estava legal até que o meu colega de quarto resolveu bancar o herói. Aliás, a briga era só o que faltava para que a sua festa continuasse no topo dos assuntos do campus pelo resto do mês. No fim das contas, a pancadaria foi o tempero que faltava para solidificar o sucesso da festa.

Com o objetivo de afastar da cabeça de Charlie os problemas daquela noite, Lukas a segurou com firmeza pela cintura antes de impulsionar o próprio corpo para trás, puxando Baviera para dentro da água. O riso gostoso do rapaz ecoava pela área da piscina quando Charlotte retornou à superfície, com as roupas completamente encharcadas.

- Você não me queria depois que todos fossem embora? – Lukas abriu os braços, completando com uma entonação divertida – Como de costume, você conseguiu o que queria. Sou todo seu, Charlie.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Set 12, 2016 4:51 am

Charlotte não era nenhuma criança inocente ao ponto de acreditar que apenas a fome havia motivado a cena protagonizada por Lukas no começo da noite, mas não seria ela a criar aquela conversa em uma longa discussão sobre um relacionamento que não existia.

Se Krauss havia enxergado que estava errado em querer cobrar qualquer coisa dela, Baviera simplesmente se daria por satisfeita e não questionaria como ele havia chegado até aquela conclusão. Era bom o suficiente que o drama ficasse limitado à Benjamin e sua nova conquista. Ela e Luke podiam ficar apenas com a parte boa e aproveitar a companhia um do outro.

Mais uma prova de que a companhia do estudante de Economia não era como todas as outras, foi a facilidade com que Benjamin foi varrido de sua mente. Não importava mais se o futuro rei da Áustria havia deixado seu apartamento acompanhado de outra mulher. Charlotte poderia até voltar a se preocupar com aquilo no dia seguinte, mas quando ela nadou até alcançar Lukas em um abraço, Benjamin estava longe dos seus pensamentos.

Não foi para tentar esquecer o desastre daquela noite ou por uma vingança infantil por Benji estar com outra mulher. Não era nem mesmo a necessidade de manter um bom relacionamento com Lukas, afim de garantir que ela ainda pudesse ajudar a aproximação dos dois irmãos. Quando Charlie se entregou ao beijo intenso, era pensando apenas no desejo de continuar com Krauss.

Em meio a toda aquela confusão, Lukas era como uma tábua de salvação. Ele era bem-humorado e o seu sorriso brincalhão fazia algo se aquecer dentro de Charlotte. Enquanto qualquer garota estaria surtando pelas roupas molhadas ou pelo penteado arruinado, ela só queria prolongar ao máximo a sensação que só ele era capaz de despertar. O dinheiro se encarregaria de consertar todo o restante.

Dentro d’água, Charlotet precisou rodear o tronco de Lukas com as próprias pernas, para ainda manter alguns centímetros de vantagem. Seus braços o prendiam pelo pescoço e ela só interrompeu o beijo quando já estavam sem fôlego, se afastando o suficiente para encará-lo.

- Não é justo... – Ela sussurrou com os lábios inchados e ofegante, os dedos brincando com a pele exposta de Krauss. – Você teve tempo de poupar as suas roupas. Podia pelo menos ter me avisado antes.

As pernas de Charlie soltaram o corpo de Lukas e ela deu alguns passos para trás, sem quebrar o contato visual. A blusa preta foi puxada pela sua cabeça e logo foi descartada, boiando pela piscina. O elástico que prendia seu cabelo também foi solto e os fios negros caíram livres. O sorriso de Baviera exibia mostrava que sua confiança estava de volta e que ele havia atingido o objeto de fazê-la se esquecer dos problemas.

As carícias quentes só foram interrompidas quando o casal se rendeu a necessidade de ocupar a cama do quarto principal. Mais uma vez, Charlie se mostrou inteiramente desapegada aos detalhes materiais quando não ligou para os corpos encharcados em contato direto com a sua cama.

Já estava no meio da madrugada quando, depois de estarem saciados e de banho tomado, Charlie entrou no quarto carregando uma bandeja. No prato, duas generosas fatias de torta de maçã acompanhadas de copos com leite e um potinho lotado com morangos e creme.

As roupas usadas na festa já haviam sido trocadas pela camisola de seda rosa-bebê e os cabelos molhados estavam penteados. O rosto de Charlotte estava livre de qualquer sinal de maquiagem, mas a pele fresca mostrava que ela conseguia ser bonita mesmo com o rosto limpo.

A bandeja foi deslizada sobre o colchão já seco e enquanto se acomodava entre os travesseiros, ela puxou um dos morangos, dando uma generosa mordida.

- Eu trouxe um lanche. Agora que sei como você fica insuportável com fome, preciso garantir que esteja sempre alimentado.

As pontas dos dedos foram lambidas quando o morango chegou ao fim, mas nem aquele gesto infantil fez com que seu semblante se tornasse menos sério quando ela encarou Krauss.

- Eu nunca preparei uma refeição pra ninguém. Nunca mesmo. Você deveria se sentir privilegiado...

Um sorriso apareceu em seu rosto, deixando a lembrança da menina triste da piscina já completamente esquecida.

- Se você ficar, eu prometo que posso até repetir o meu gesto de bondade.

Pedir para Lukas dormir depois de terem quase brigado sobre os limites daquele relacionamento era contraditório, mas Charlotte ainda não estava preparada para ver o rapaz saindo pela sua porta. Ela não queria enfrentar o resto da noite sozinha e apenas Lukas tinha o remédio para mantê-la feliz.

- Eu até arriscaria fazer alguns ovos mexidos.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Set 12, 2016 10:58 pm

- Eu vou ver Charlotte Baviera preparando o café da manhã? Então é claro que eu vou ficar. Eu não recuso espetáculos, muito menos gratuitos.

A expressão tranquila de Lukas indicava que o rapaz não havia estranhado aquele convite. Ele estava tão determinado a encarar aquele relacionamento como uma amizade lotada de benefícios que não acreditava que simplesmente dormir ao lado de Charlie fosse fazer com que os dois se apaixonassem e estragassem o acordo.

Apesar de ter comido muito bem ao longo da festa, Krauss devorou a sua fatia de torta com um apetite voraz. O fato de praticar esportes regularmente contribuía para que Lukas estivessem sempre com fome, mas naquela noite suas energias tinham se esgotado na cama de Baviera e não em um campo de futebol.

- Você está correndo um grande risco, Charlie. Se continuar me alimentando assim, eu nunca mais vou embora daqui. Na minha geladeira só tem congelados, sabia?

Krauss se recostou na cabeceira da cama depois de terminar de comer a torta. O copo de leite já estava pela metade e o rapaz bebericava o líquido aos poucos, parecendo estar com os pensamentos muito distantes dali. Quando aterrissou de volta no quarto, Luke se deu conta de que um par de olhos verdes o fitava com curiosidade.

- Eu só estava pensando no que você falou... – Lukas foi mais específico ao concluir que Charlotte não acompanhava os pensamentos confusos de sua mente – Sobre nunca ter preparado o café da manhã para ninguém.

Não havia nenhum tom de crítica no discurso de Luke, ele já sabia que Charlotte era uma menina rica que sempre tivera tudo nas mãos. Era evidente que o rapaz só havia usado aquela declaração dela como um impulso para refletir sobre a própria vida.

- No meu caso é o contrário. Eu não consigo me lembrar da última vez em que alguém preparou o café da manhã por mim.

O copo de leite foi levado aos lábios de Krauss mais uma vez e o rapaz tomou um gole antes de concluir as explicações. Talvez não fosse o tipo de coisa que ele falaria para uma menina que quisesse impressionar, mas aquela era apenas Charlotte. Os dois eram amigos o bastante para que Lukas se sentisse à vontade para aquele desabafo.

- Quando eu morava em Viena, precisava acordar às cinco da manhã para chegar ao colégio a tempo de pegar o primeiro horário. Era longe pra caramba, mas foi lá que eu consegui uma bolsa. O salário da minha mãe não conseguiria pagar por um bom colégio particular. Mas enfim, eram cinco horas da manhã, Charlie! Pode ser difícil de acreditar, mas eu não tinha apetite nesse horário, eu estava mais dormindo do que acordado. Então eu não fazia a menor questão de comer, só enfiava alguma coisa na mochila antes de sair de casa.

Não havia sido uma época fácil e aquilo certamente explicava a decisão de Lukas em construir um futuro bem longe da capital. Contudo, a expressão desgostosa do rapaz se suavizou quando ele levou aquele desabafo em outra direção.

- Nos finais de semana era eu que preparava o café. Minha mãe estava sempre morta depois de uma semana inteira de trabalho, então tudo já estava pronto quando ela acordava. Era uma forma meio boba de dizer que eu enxergava todos os sacrifícios que ela fazia por mim.

Pelo discurso de Lukas, era fácil concluir que não havia mais ninguém em sua antiga casa além dele e da mãe. Em nenhum momento o rapaz mencionou um padrasto ou um meio-irmão em Viena. A família dele se resumia a Hilda Krauss.

- E depois eu vim para Leoben. Meu antigo colega, o Franz, tinha um problema sério de gastrite e precisava tomar um remédio em jejum diariamente. Então ele nunca tomava café antes de sair de casa. E agora com o Benji as coisas não mudaram. Ele tem uns horários esquisitos, sempre está dormindo quando eu saio pra faculdade. Ou ele tem um horário bem alternativo na montadora ou está acumulando sucessivos atrasos.

Era em detalhes assim que a colaboração de Charlotte naquela farsa se tornava bastante útil. Lukas ficava constrangido em perguntar ao colega sobre os horários dele no trabalho, mas Baviera agora teria a chance de alertar Benjamin sobre aquele erro de principiante. O fato do príncipe nunca ter trabalhado fora lhe dava pouco conhecimento sobre a rotina de um assalariado, sobre jornadas de trabalho e leis trabalhistas. Luke realmente não entendia como Müller conseguia dormir até às nove da manhã e já estar em casa às quatro da tarde.

- Então, lindinha, não precisa se preocupar tanto com a sua total falta de qualidade na cozinha. Qualquer troço que você botar na mesa amanhã já será muito mais do que eu estou acostumado. – Luke retornou ao clima descontraído quando se inclinou e roubou do prato de Charlie o último pedacinho da torta dela – Só espero não terminar o final de semana num hospital. A comida de lá é horrível.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Set 13, 2016 2:14 am

O assunto iniciado por Lukas poderia ser bobo ou desinteressante para algumas garotas, especialmente para alguém como Charlotte Baviera. Mas cada uma de suas palavras foi ouvida atentamente por ela. Os olhos verdes brilhavam com sincero interesse enquanto encarava o rapaz, um sorriso delicado brincando em seus lábios com a imagem de Krauss adolescente.

Era fácil notar pela voz e pelas expressões de Lukas que ele não era feliz em Viena, e Charlie não conseguia imaginar o que era acordar tão cedo para conseguir cruzar a cidade até chegar no colégio. Algo dentro dela se aqueceu e uma repentina vontade de abraça-lo surgiu, como se aquele gesto pudesse diminuir o que ele havia passado.

As informações poderiam ser bastante úteis para Benjamin, mas mais uma vez, o herdeiro do trono era o último dos seus pensamentos. Toda a atenção de Charlotte estava voltada para Lukas e o restante do mundo poderia esperar.

- É realmente difícil imaginar você sem apetite, Luke... Mas se você sempre foi tão bom assim em cuidar dos outros, talvez eu devesse adiar o milagre e deixar que você prepare o café.

O sorriso de Charlie se tornou mais relaxado e ela apoiou o prato vazio na mesa de cabeceira. Com as mãos e o colo livre, ela rolou pelo colchão até se deitar ao lado das pernas dobradas de Krauss. Com a barriga virada para baixo, Charlie se aproveitou para apoiar os cotovelos sobre o colchão e descansou o rosto sobre as palmas das mãos. Com as próprias pernas dobradas, ela balançava os pés no ar, cruzando e descruzando enquanto o encarava.

- Eu não sabia que você tinha crescido em Viena. Era só você e a sua mãe?

A intenção da pergunta não era coletar informações para repassar a Benjamin. Charlotte estava sinceramente curiosa a respeito do passado de Krauss. Mas no instante em que escutou as próprias palavras, ela se lembrou da relação que o rapaz em sua cama tinha com a família real.

- Você não tinha um bom relacionamento com o seu pai? Afinal, deveria ser dele o papel de cuidar da sua mãe.

Charlotte esticou os dedos até alcançar a mão de Lukas em um carinho suave. Era a primeira vez que ela tinha uma conversa tão íntima com um rapaz. Mesmo no longo relacionamento com Benjamin, a única vez que o rapaz compartilhara alguma coisa, havia sido completamente embriagado.

A sensação de ter alguém com quem ela pudesse conversar era nova, mas surpreendentemente boa. Baviera poderia passar o resto da noite ali, apenas escutando Lukas falar sobre a própria vida. Era espantoso, mas começava a enxergar mesmo nele um amigo com quem poderia contar.

- Não que eu não ache extremamente meigo você cuidando da sua mãe... Mas e seus irmãos?
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Ter Set 13, 2016 2:57 am

Não era incomum que Danika ouvisse elogios vindos do público masculino. Ela sempre tinha sido uma garota bonita, simpática e extrovertida. Durante a fase de rebeldia em Viena, Nika sabia muito bem como usar suas qualidades para chamar a atenção de qualquer homem que cruzasse o seu caminho.

Contudo, nenhum daqueles tantos elogios jamais havia atingido Danika com a potência com que as palavras de Benjamin Müller ecoaram pelo pequeno apartamento naquela madrugada. A admiração do vizinho não era voltada unicamente para seus atributos físicos, para os traços delicados do seu rosto ou para o corpo ainda com curvas perfeitas mesmo depois de uma gravidez. E era exatamente isso que tornava o elogio de Benjamin tão especial.

Os olhos castanhos se iluminaram e era impossível para Danika disfarçar a emoção. Racionalmente a morena sabia que eles estavam indo longe demais, mas Lehmann não conseguia resistir à tentação. Benjamin Müller fez com que seu coração acelerasse desde o primeiro contato dos dois, no caos de uma cozinha alagada. Nika simplesmente não conseguia recuar agora que finalmente realizava aquele desejo que os dois tentaram reprimir.

O arrepio que se espalhou pela pele de Danika após um simples toque de Benjamin fez com que a romena se sentisse novamente uma adolescente. Os últimos anos tinham transformado Lehmann em uma mulher emocionalmente mais fria e racional, que já conhecia na pele todas as cicatrizes provocadas pelos seus erros e por um destino implacável. Nos braços de Müller, porém, nada daquilo tinha mais importância. Era como se, pela primeira vez, Nika não sentisse mais a necessidade de manter de pé os muros que ela usava para se proteger de mais decepções.

O primeiro contato entre os lábios foi ainda mais eletrizante do que Danika fantasiava em seus sonhos com o vizinho. A pela dela se arrepiou por inteiro e as mãos de Nika instintivamente se apoiaram nos ombros fortes de Benjamin. Os olhos profundamente azuis do futuro rei foram encarados de perto por mais um segundo antes que as pálpebras pesadas de Danika caíssem. Era como se seu corpo não quisesse que o sentido da visão atrapalhasse a sensação do encaixe perfeito dos lábios e a textura daquele beijo tão desejado pelos dois.

O coração de Nika saltitava dentro do peito dela como se Benjamin fosse o primeiro amor de sua vida. Embora a romena já tivesse vivido outras paixões, era inegável que as coisas eram diferentes com Müller. Ela gostava de tudo nele, do rosto perfeito, dos olhos intensos, da voz grave e ligeiramente rouca. Mas ela gostava principalmente da forma como Benji a tratava, da maneira única como o vizinho a enxergava.

Quando o beijo foi iniciado, nenhum dos dois parecia ser capaz de disfarçar o carinho que sentiam um pelo outro. É claro que eles também eram movidos por uma generosa dose de desejo, mas os toques denunciavam que não era apenas uma atração física. A maneira doce como Benjamin tocava a nuca de Nika por baixo dos cabelos castanhos fazia com que o peito da garota se aquecesse. Uma das mãos delicadas dela, apoiadas nos ombros do vizinho, subiu vagarosamente pelo pescoço de Müller até que os dedos alcançassem o rosto do rapaz.

Em meio ao beijo, Danika abriu um sorriso enquanto realizava aquele secreto desejo de acariciar a barba bem aparada de Benji. Os fios espetavam sua pele delicada, intensificando os arrepios que já se espalhavam por todo o corpo da romena.

Naquele primeiro contato, os dois protagonizaram um beijo carinhoso que não escondia os sentimentos que nutriam um pelo outro. Mas, passado o momento inicial de emoção, Nika e Benji deixaram que a atração falasse mais alto. Müller a trouxe mais para perto, colando os corpos, ao passo que Danika retribuiu ao gesto passando os braços com mais firmeza ao redor do pescoço do rapaz.

A parte mais racional da mente de Nika berrava que os dois estavam indo rápido demais, mas o corpo da garota só obedecia aos próprios instintos. Ela queria Benjamin como nunca quisera estar com nenhum outro rapaz. E parecia muito arriscado interromper aquele momento. Se Müller tivesse tempo para pensar melhor em toda aquela loucura, Danika poderia perder a chance de experimentar aquela amostra de felicidade.

Como nenhum dos dois foi capaz de interromper os beijos e as carícias, eles tropeçaram juntos pela sala até chegarem ao quarto de Benjamin. Um risinho divertido escapou dos lábios de Danika no instante em que seu corpo afundou no colchão, mas a moça ficou imediatamente mais tensa quando sentiu as mãos de Benji procurando pela barra de sua blusa preta. Suas mãos seguraram as dele, impedindo que Benjamin concluísse aquele movimento.

- Podemos apagar a luz?

O pedido feito naquela entonação ofegante era quase infantil. Danika não tinha uma personalidade tão segura quanto a de Charlotte, mas parecia uma grande bobagem ter vergonha naquele momento e diante de um homem que claramente estava encantado por ela.

Ao escutar as próprias palavras, Nika fez uma careta para si mesma e se obrigou a não ser tão covarde. Ela estava na cama de Benjamin Müller e não havia chegado até ali para recuar por causa de uma insegurança idiota.

- Ok. – Danika suspirou enquanto soltava as mãos do rapaz – Tudo bem. Eu só preciso que saiba que eu não tenho orgulho disso. Eu odeio isso, Benji.

Danika mostrou que estava disposta a ir adiante mesmo com as luzes acesas quando suas próprias mãos puxaram a blusa, arrancando a peça pela cabeça. Se Benjamin imaginou que a insegurança da romena vinha de alguma marca deixada pela gravidez, provavelmente se surpreenderia com a tatuagem que cobria quase toda a lateral direita do tronco de Nika. Os elementos tribais se misturavam aos contornos de flores delicadas e, no meio do desenho feito com tinta preta, havia uma única pétala vermelha que se soltara de uma das flores.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Ter Set 13, 2016 3:42 am

- Eu não tenho pai.

A sombra que cobriu o semblante sempre relaxado e sorridente de Lukas deixou claro que aquele era um assunto delicado. A fase da rebeldia adolescente havia passado, mas nem por isso Krauss se sentia indiferente ao fato do pai ter sido uma figura ausente em sua vida. Era impossível não cultivar mágoas com as lembranças vívidas do quanto a mãe se esforçara sozinha para que Lukas tivesse uma vida minimamente confortável.

Embora não gostasse de expor aquela parte delicada de sua vida para ninguém, Luke concluiu que Charlotte merecia explicações. Apesar de tudo, Baviera estava se tornando uma boa amiga e naquela madrugada ela parecia sinceramente interessada em saber mais sobre a vida dele. É claro que Krauss jamais imaginaria quais eram os reais interesses da garota com aquela conversa.

- Ele já era casado quando se envolveu com a minha mãe. E eu realmente não entendo como isso aconteceu, definitivamente não é o tipo de coisa que eu enxergo a minha mãe fazendo...

Hilda Krauss era uma mulher muito honesta. Luke havia se tornado um bom rapaz justamente porque sempre imitara o comportamento digno da mãe. Ela era uma filha excelente, uma funcionária exemplar, uma mãe perfeita. Durante toda a sua vida, Lukas jamais vira a mãe envolvida em nenhum tipo de confusão ou desonestidade. Hilda pagava todas as suas dívidas, tratava todas as pessoas com gentileza e, embora ainda fosse jovem e bonita, jamais havia levado nenhum homem para tumultuar a vida do único filho.

Por isso era muito difícil acreditar que Hilda aceitara o papel de amante por quase três anos inteiros. Lukas se sentia incomodado com a ideia de que, se não fosse pelo descuido que gerara a gravidez, ela ainda estaria se submetendo àquela humilhação. A única resposta para aquela aparente contradição era o amor. Hilda amava muito aquele homem para aceitar as exigências nojentas dele.

- Segundo a minha mãe, ele já tinha outros filhos no casamento e é claro que não quis destruir a família perfeita, nem quando soube que ela estava grávida. Eu não faço questão de um babaca desse na minha vida, mas eu também não consigo ser indiferente. Eu o odeio a cada vez que me lembro do quanto a minha mãe lutou para me sustentar sem nenhum tipo de ajuda.

A mágoa estava refletida em cada traço do rosto de Krauss. A cada segundo ficava mais óbvio que Lukas desconhecia a verdade sobre Cristoph. Se o rapaz soubesse que o rei da Áustria era o responsável por todo o sacrifício de Hilda, certamente estaria ainda mais revoltado com a situação.

- Eu nunca o conheci e minha mãe nunca quis me dizer o nome dele. Mas a verdade é que agora não faz mais diferença. Eu não preciso de um rosto ou de um nome para sentir um profundo desprezo por ele.

Aproveitando-se das mãos unidas, Lukas deslizou os dedos pela pele macia da menina até alcançar a pulseirinha comprada com o vendedor ambulante do parque. Os lábios dele se curvaram num pequeno sorriso ao saber que Charlotte ainda usava aquele presente, mesmo sendo infinitamente menos valioso que qualquer uma de suas joias.

- Eu não tenho irmãos. Minha mãe é extremamente discreta com a vida pessoal dela. Se ela teve alguém nos últimos anos, soube esconder muito bem.

O sorriso de Luke se alargou e voltou a ficar mais divertido com a lembrança do último telefonema com a mãe, no início daquela semana. Mais uma vez, ele enxergava uma amiga quando confessou à Charlotte.

- Mas eu acho que agora ela está saindo com alguém. Eu liguei pra ela na quarta à noite. Ela me disse que tinha saído para jantar com algumas amigas, mas eu escutei quando o garçom perguntou algo como “o senhor quer mais uma bebida?”. Charlie, minha mãe ficou tão sem graça que eu tive que me segurar para não cair na gargalhada. Estou pensando em aparecer de surpresa no próximo feriado só para que ela pare de esconder isso de mim. Eu só quero que ela seja feliz, é claro que vou aprovar um namorado.

Com a mão livre, Lukas tocou carinhosamente o rosto de Charlie e colocou uma mecha dos cabelos lisos da menina atrás da orelha. Era curioso pensar se Hilda aprovaria uma menina como Charlotte Baviera. Charlie e Luke pertenciam a mundos totalmente diferentes e o rapaz tinha certeza de que a mãe não entenderia aquele relacionamento confuso dos jovens.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Set 13, 2016 3:45 am

O pensamento mais óbvio atingiu Benjamin quando Danika pediu para apagar as luzes. Foi impossível conter sua expressão de surpresa e ele precisou se afastar alguns centímetros para encará-la de frente, em busca de qualquer sinal que indicasse uma brincadeira.

Não era nenhum número absurdo de garotas que já havia passado por sua cama, mas ainda assim, Benjamin tinha experiência o bastante para saber que a segurança de Charlotte era um ponto fora da curva. Mas ele também nunca havia imaginado que logo Danika pudesse se sentir insegura sobre o próprio corpo.

Embora soubesse que as roupas pudessem esconder alguma surpresa, Benjamin tinha certeza que não haveria nada em Lehman que ele pudesse não gostar. E ele estava pronto para lhe passar toda a segurança que fosse preciso, quando o real motivo do constrangimento da vizinha foi revelado.

A barriga de Danika era reta, a curva da cintura ainda perfeita e o único sinal da gravidez era o quadril um pouco mais avantajado que apenas servia para deixa-la ainda mais sexy. Até mesmo a pele dela era perfeita, implorando pelo seu toque. Não havia absolutamente nada de errado com o corpo da mulher a sua frente, mas a mancha da tatuagem sobre a palidez da pele não deixava dúvidas ao que ela se referia.

As sobrancelhas escuras de Benjamin se arquearam e ele deixou que os lábios se curvarem em um “oh” mudo e surpreso. Não havia nada de errado com o desenho na pele de Danika, mas era muito difícil acreditar que a mesma mulher que ele conhecia havia tido coragem de enfrentar as agulhas e marcar o próprio corpo para sempre.

Passados os primeiros segundos de surpresa, os olhos azuis se ergueram em busca das íris castanhas, e Benji a encarou como se estivesse enxergando Danika pela primeira vez. Ele não havia percebido, mas seu coração estava batendo acelerado com a expectativa do que mais havia a ser descoberto sobre a vizinha.

Lentamente, seus lábios se curvaram até formar um sorriso torto que o deixava com uma aparência mais jovial. Benji era sempre tão polido e formal que parecia outra pessoa naquele momento. Ele se sentia mais leve e livre de qualquer corrente social. O futuro rei era cheio de obrigações, mas Müller era só um homem feliz com uma mulher incrível em seus braços.

- Você tem noção de que acabou de ser promovida a mulher mais sexy do mundo?

Sua voz rouca soou ainda mais divertida, e sem deixar de sorrir, Benji ergueu os dedos até tocar o desenho, sentindo a maciez da pele exposta de Danika. Era a primeira vez que ele tocava aquela área livremente, sem nenhuma restrição, e foi impossível controlar o desejo que ficava cada vez mais intenso.

Os olhos azuis estudaram cada um dos traços da tatuagem e ele mordeu o lábio inferior para tentar conter a excitação. Qualquer motivo que existisse para mantê-lo longe de Danika já não existia mais. Ele a queria de todas as formas e nada mais ficaria entre eles.

- Você não tem o que odiar. É linda. Nada em você conseguiria ser feio e você não tem motivo algum para se envergonhar.

Seu tom foi ficando mais sério enquanto o olhar procurava novamente pelo dela. Benjamin voltou a se afastar, apenas para ficar de joelhos sobre o colchão e puxou a camisa pela cabeça, se livrando rapidamente da peça. O peito exposto era bem definido, mostrando os bons resultados das diversas atividades físicas que era obrigado a fazer no internato e na escola militar. A calça, já livre do cinto, pendia em seus quadris, deixando aparecer as covinhas e ocultando o caminho dos pelos que descia pela barriga.

Benjamin permaneceu ajoelhado apenas por alguns segundos enquanto admirava Danika. Quando ele voltou a se abaixar, a atenção estava novamente na tatuagem. Desta vez o rapaz deslizou os dedos apenas para segurá-la pela cintura, puxando levemente o corpo da menina para se erguer alguns centímetros do colchão. Então, quando se abaixou o bastante, seus lábios tocaram diretamente a área tatuada, cobrindo a pétala colorida com seus lábios.

O suspiro que ele escutou escapar dos lábios de Danika foi o incentivo que faltava para o sangue de Benji ferver. Suas mãos a tocaram no quadril e em um movimento rápido, ele a puxou até que estivesse encaixada sob seu corpo. Os olhos azuis encararam mais uma vez os castanhos, com ainda mais intensidade, e ele acariciou a bochecha de Lehman.

- Você tem noção do quanto é perfeita, Nika?

Sem esperar pela resposta, Benjamin a calou com um beijo, deixando que suas mãos e seu corpo agissem por conta própria, obedecendo o desejo reprimido por tempo demais.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Set 13, 2016 4:15 am

A atenção de Charlotte estava outra vez inteiramente voltada para a história contada por Lukas, mas desta vez foi impossível ignorar a ligação que o rapaz a sua frente tinha com a família real.

Charlie não precisava de mais provas para ter certeza que Krauss desconhecia a sua origem. Ela poderia não o conhecer por toda sua vida, mas já havia visto o bastante para saber que não havia nenhum pingo de ambição ou oportunismo por trás dos olhos castanhos.

Lukas era apenas um acidente do destino, que poderia ter a vida cheia de luxos e facilidades que Benjamin, mas que havia sido deixado de lado apenas para que um sobrenome se mantivesse limpo.

Nascida e criada naquele mundo, Charlotte sabia bem como as coisas funcionavam. O mundo só enxergava o que eles permitiram e toda sujeira e podridão era empurrada para baixo dos tapetes. Lukas havia se tornado um rapaz excepcional e não havia motivo algum para ser considerado mais uma das sujeiras da família real. E mesmo estando do outro lado do tabuleiro, ela se sentiu enjoada pelas regras daquele jogo.

- Talvez as coisas sejam mais complicadas do que você imagina...

Os olhos verdes baixaram para encarar as mãos unidas, mas Charlotte sabia que não era sensato insistir naquele raciocínio. Lukas havia passado toda sua vida odiando o pai que o abandonara e não seria ela a fazer com que ele mudasse de ideia.

Quando o rumo da conversa mudou para um clima mais suave, Charlie voltou a encará-lo e também se permitiu sorrir com a imagem da Sra. Krauss. Mesmo não tendo nenhum rosto para associar ao nome de Hilda em sua mente, ela já conseguia imaginar uma mulher de aparência cansada por todo sofrimento vivido, mas com o mesmo sorriso vívido do filho.

Charlie não precisava conhecer Hilda para se simpatizar com ela. Saber que aquela mulher havia aguentado tudo para que Lukas crescesse bem, mesmo com o peso de ter sido amante do rei, a tornava excepcional.

- Ela parece ser uma mulher incrível, Luke.

O colchão afundou quando Baviera deslizou até se sentar ao lado de Krauss. Seu corpo estava inclinado para o lado e ela se aproveitou para deitar a cabeça no ombro dele. Os dedos foram entrelaçados mais uma vez e Charlie observou o contraste das mãos unidas.

Ela não queria continuar mentindo para Lukas. Mas se ele tivesse a mais remota ideia da verdade, seria muito pior. A simples ideia da dor que causaria nele fazia o peito de Charlie se comprimir. A vida não havia sido fácil para a família Krauss, não era justo que Benjamin e ela aparecessem para complicar a situação ainda mais.

Independentemente do que chamassem aquele relacionamento, Charlotte já tinha certeza que não era indiferente ao rapaz. A aproximação dos dois poderia ter sido apenas uma desculpa para ajudar Benjamin, mas Charlie não esperava encontrar no irmão bastardo do príncipe um amigo de verdade.

- Se quer saber a minha opinião, você teve sorte. A família do seu pai, seja ele quem for, vive uma mentira. Já a sua mãe, nunca mediu esforços para que você ficasse bem. Você tem algo que muitos matariam para ter, lindinho... Não subestime isso.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Ter Set 13, 2016 4:30 am

Danika não foi capaz de esconder o quanto se sentia atraída pelo vizinho naquela noite. A beleza incomum de Benjamin tinha chamado a atenção dela desde o primeiro contato, e a convivência com o vizinho só serviu para que a romena conhecesse as outras qualidades do rapaz e se encantasse também pelo comportamento polido de Benji, por sua natureza bondosa e caridosa e pela forma única com que ele a tratava. Poderia parecer uma bobagem, mas Nika realmente não se lembrava de ter sido tão valorizada por um homem antes que Müller entrasse em sua vida.

A tatuagem era uma prova de que nem sempre Danika tivera aquela personalidade discreta e responsável. Mas Benjamin teria ainda mais certeza de que não estava diante de uma mulher recatada depois daquela noite. A insegurança demonstrada no momento da retirada das roupas não se repetiu nos minutos intensos que se seguiram e Nika não teve nenhum receio de demonstrar o quanto se sentia atraída pelo vizinho.

A madrugada já havia se alongado quando os dois finalmente se saciaram. Com a respiração ofegante, Nika olhava o teto do quarto com um sorriso bobo enquanto as batidas do seu coração gradativamente se acalmavam. Como a cabeça de Benjamin estava apoiada sobre o peito dela, era fácil para Müller acompanhar os sons do coração acelerado de Lehmann.

Uma das mãos dela mergulhou em uma carícia nos cabelos do futuro rei e, graças às luzes acesas, Danika conseguiu notar o incomum detalhe dos fios loiros naturais que se misturavam aos cabelos mais escuros de Benjamin. Era impressionante como cada nova descoberta parecia contribuir para que Benji parecesse ainda mais irresistível.

- Eu nunca tinha percebido que você faz luzes nos cabelos, Benji.

A entonação divertida deixava claro que era uma brincadeira. Danika havia notado que os fios claros eram naturais, mas não perderia a chance de implicar um pouco com o vizinho.

- É reconfortante saber que não sou só eu que faço bobagens envolvendo tintas.

Apesar de Benjamin ter adorado a tatuagem, a opinião de Nika sobre o desenho não havia mudado. Era bom saber que Müller não reprovava a marca, mas nem por isso Danika deixaria de se lembrar da pior fase de sua vida sempre que olhava para aquela imagem. Fora Nika quem escolhera o desenho, mas a ideia de uma tatuagem definitiva fora praticamente imposta pelo pai de Lisbeth. Lehmann se sentia péssima sempre que pensava no quanto era submissa e dependente de um cara que não a valorizava.

O corpo de Nika finalmente começava a se render à exaustão daquele dia sem fim. Era absurdo pensar que ela havia passado o dia no restaurante, que cuidara da filha no começo da noite, que fora para a festa na cobertura de Charlotte Baviera, que protagonizara uma briga violenta e que cuidara dos ferimentos de Benjamin antes de ser levada para a cama dele. Era admirável que a garota ainda tivesse forças para manter as pálpebras erguidas.

Tudo o que Danika queria era se acomodar nos braços fortes do vizinho e só acordar depois de muitas horas de sono. Mas era exatamente naquele ponto que Lehmann precisava colocar um fim naquele sonho. Ela havia se rendido à tentação e ao desejo sufocante de ficar com Benjamin, mesmo sabendo que aquilo poderia se transformar em mais um grande erro de sua vida tumultuada.

Contudo, a sua irresponsabilidade com os próprios sentimentos era algo que Nika conseguia perdoar. O que ela jamais perdoaria era que Lisbeth fosse prejudicada de alguma maneira pelas suas escolhas. Por mais que Danika estivesse profundamente envolvida por Müller, a filha ainda era a sua prioridade. Lehmann não podia simplesmente se render ao desejo de passar a noite inteira com Benjamin enquanto a filha estava sozinha dois andares acima deles.

- Eu tenho que subir, Benji.

Mesmo com o peso do corpo de Benjamin sobre o seu, Danika conseguiu se arrastar para fora da cama. Simplesmente não existia mais um coque depois que os dois corpos se misturaram e rolaram pela cama, mas Nika somente amarrou os cabelos num rabo, sem se preocupar em desfazer os nós. A romena recolocou as calças e estava terminando de fechar o sutiã rendado quando inclinou-se na direção do vizinho, roubando um beijo dos lábios de Müller.

- Eu realmente queria ficar, mas não posso.

O nome de Lisbeth não foi citado, mas é claro que Danika se referia à filha. A garotinha estava aos cuidados de Olga, mas não parecia justo que Nika deixasse todo o trabalho para a amiga enquanto dormia tranquilamente no terceiro andar do prédio. Beth não era o tipo de criança que acordava a noite inteira, mas pelo menos uma mamadeira e uma troca de fraldas interromperia o sono da loira.
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