The Royals

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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Out 12, 2016 3:57 am

Três dias. Três dias inteiros e três noites em um cubículo de uma delegacia, dividindo uma cela com mais duas mulheres, uma delas presa por prostituição e a outra por roubo. Foram 72 horas que Charlotte tivera para pensar sobre a própria vida, ainda sem conseguir acreditar na mudança radical dos últimos dias.

Poderia parecer pouquíssimo tempo para tanta transformação, mas era impossível para Charlotte se sentir a mesma menina de antes. O mundo que ela conhecia havia desaparecido diante dos seus olhos e as pessoas que ela havia adotado como sua nova família não só haviam virado as costas, como eram responsáveis pela lama em que seu nome agora se encontrava.

Cada um dos momentos vividos ao lado de Tobias era revivido na mente de Charlie e a cada nova lembrança resgatada, ela se perguntava como havia sido tão inocente. Como havia se deixado enganar por tanto tempo ao ponto de cair exatamente na mesma armadilha do pai.

O Sr. Baviera havia se tornado um pensamento constante naqueles dias e Charlotte sempre se perguntava se ele também se sentira com a esperança despedaçada, desacreditado e com o amargo gosto na garganta de que estava sozinho no mundo.

Naqueles três dias, Charlotte não recebeu nenhuma visita e seu único contato com o mundo exterior foi um breve telefonema da mãe, apenas alegando que não conseguiria voltar para Viena porque estava presa no meio de um cruzeiro.

É claro que Lukas Krauss também havia passado pela mente de Baviera em todo o tempo ocioso em que sua única ocupação era lamentar a própria estupidez. A dor do seu erro era sufocante e era desesperador pensar que poderia estar em uma situação completamente diferente se tivesse acreditado no amigo desde o começo.

Mas como três dias já haviam se passado sem nem mesmo uma ligação, Charlotte não foi capaz de esconder a surpresa quando encontrou o par de olhos castanhos lhe aguardando. Por um breve devaneio, ela chegou a cogitar a possibilidade que fosse Toby ou Marie e mais uma vez se odiou pela falta de confiança em Krauss.

As palavras de Lukas traziam a esperança que Charlotte tanto necessitava, mas ao mesmo tempo que ela se sentia imensamente grata pela presença e ajuda dele, ela chegava a desejar que ele não estivesse ali.

Era humilhante e extremamente vergonhoso estar diante de Lukas depois de não ter acreditado em suas denúncias contra Tobias. Ela havia acusado Krauss de não estar ao seu lado no pior momento da sua vida, mas ela havia chegado ao fundo do poço e ali estava ele, a única luz no final do túnel.

Além da vergonha com os próprios erros, era impossível que o lado vaidoso de Baviera também não se sentisse angustiada com a própria aparência diante de Krauss. Seus cabelos curtos haviam sido puxados para um curto rabo-de-cavalo, mas muitos fios escapavam do pequeno elástico. Ela ainda vestia a mesma calça jeans de quando foi retirada do ateliê, mas havia conseguido trocar os saltos por um tênis velho e recebido um gasto moletom da delegacia, que era quase duas vezes o seu tamanho.

Os olhos esverdeados evitavam o contato com Lukas a todo instante. Seu rosto abatido e levemente oleoso exibia profundas olheiras e os lábios estavam esbranquiçados. O ex-namorado provavelmente nunca havia presenciado Baviera tão malcuidada.

Cada uma das palavras de Luke foi ouvida por uma Charlotte de cabeça baixa e sem reação. Como havia uma sombra em seu rosto, Krauss não conseguiu ver o momento que uma camada de lágrimas clareou ainda mais o tom esverdeado. O sinal de que Baviera estava mesmo destruída foi quando uma única lágrima escorregou pela sua bochecha.

Ela imediatamente ergueu a mão para secar o rosto, interrompendo o contato com o toque de Lukas involuntariamente. Charlie chegou a fungar antes de finalmente conseguir encarar o amigo, dando um sorriso fraco que só reforçava a sua tristeza.

- Se eu tivesse confiado, não estaria aqui, pra começo de conversa.

A menina deslizou o olhar pela sala e encarou a carcereira, apenas como mais uma desculpa para evitar o contato dos olhos castanhos. Ela espremeu os lábios enquanto tentava engolir o nó em sua garganta que fazia sua voz ficar embargada.

- Eu não fazia ideia, Luke. Eu devia ter acreditado em você, mas era tão absurdo que simplesmente fazia mais sentido as suas contas estarem erradas.

Uma risada nasalada e sem menor ânimo escapou, fazendo Charlote parecer por um segundo que estivesse com soluço.

- Eu sou patética. Eles acabaram com tudo... – Os olhos verdes se fixaram em Luke mais uma vez, exibindo de novo a camada de lágrimas que ela tentava segurar. – Eu só quero sair daqui, Luke... Eu nem tenho pra onde ir, eu só preciso sair daqui. Eu sinto como se não conseguisse respirar aqui dentro, e sei que parte disso é pela culpa de não ter acreditado em você.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Out 12, 2016 4:32 am

- Charlie.

Lukas estava sério quando chamou pelo nome da garota e só continuou o seu discurso depois que os olhos verdes, rasos de lágrimas, voltaram-se para ele. A mão dele novamente buscou pelos dedos de Charlotte, apertando-os de leve como se assim pudesse transmitir um pouco da própria força para Baviera.

- Isso não importa mais, ok? Eu fiquei chateado, mas passou. Eu estou aqui agora e vou te ajudar porque é isso que os amigos fazem.

Qualquer um teria fugido daquela confusão judicial, mas Krauss não pensara duas vezes antes de estender a mão para a melhor amiga. Charlie também já tinha se sacrificado muito por ele, mas aquilo não era simplesmente o pagamento de uma dívida. Luke decidira ajudar Baviera principalmente porque jamais teria paz sabendo que Charlotte fora vítima de uma grande injustiça e estava condenada a uma vida infeliz. Mesmo que eles não ficassem mais juntos, Luke torcia sinceramente pela felicidade da morena.

- Aguente mais um pouco, Charlie. Eu prometo que vou fazer o impossível para te tirar daqui o quanto antes.

A carcereira bateu a ponta da chave na porta de metal, anunciando que os dez minutos da visita tinham chegado ao fim. Um suspiro pesado escapou dos lábios de Luke e ele lançou um último olhar para a melhor amiga antes de sair da delegacia.

Embora agora Cristoph Kensington fizesse parte da vida do filho, Lukas jamais aceitaria receber um centavo dele. Os dois começavam a construir uma relação delicada e Luke tinha certeza que o dinheiro só complicaria tudo. Por isso, foram as economias que Krauss guardara nos últimos anos que pagaram pela fiança de Charlotte Baviera, poucas horas depois que o juiz estipulou o valor – bastante salgado – para que a moça saísse da cadeia e aguardasse o julgamento em liberdade.

Ainda haveria um longo caminho pela frente com audiências, processos, documentos e testemunhas para provar a inocência da família Baviera. Mas pelo menos agora Charlie enfrentaria aquele inferno fora das grades, de forma mais justa e digna.

Como já era de se esperar, depois que as grades foram abertas e Charlie saiu da delegacia, o rosto de Lukas Krauss já esperava por ela. Luke acolheu a amiga num abraço apertado e demorado, que só chegou ao fim quando Hilda cutucou o ombro do filho e resmungou às costas dele.

- Já chega, agora é a minha vez!

Não havia nenhum tipo de falsidade na maneira como Hilda Krauss abraçou Charlotte e depositou um beijo carinhoso na testa dela, como uma mãe de verdade faria. Aliás, nem mesmo a mãe de Charlie não costumava ter aquele carinho com a única filha.

Além de gostar de verdade de Baviera, Hilda seria eternamente grata pela companhia e pela colaboração que Charlotte lhe oferecera durante a longa e angustiante internação de Lukas. Aquilo era algo que a mãe do rapaz jamais esqueceria. Independente do tipo de relacionamento que existisse entre Charlie e Luke, a Sra. Krauss jamais deixaria de amar a menina que a confortara tantas vezes quando o desespero tomava conta dos pensamentos dela.

Antes que Charlotte pudesse se questionar para onde iria agora que todos os seus bens estavam bloqueados e os Price lhe viraram as costas, a Sra. Krauss apresentou uma solução para a menina.

- Vamos, querida, você deve estar exausta. Eu vou preparar um jantar especial e já arrumei o quarto do Luke, está tudo pronto para te receber.

Como os dois amigos não haviam tido nenhum contato nos últimos meses, Charlotte ainda não sabia que Lukas havia saído da casa de Hilda para dividir um apartamento com a nova namorada. A declaração da Sra. Krauss, contudo, não deixava dúvidas de que o antigo quarto do filho estava desocupado.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Out 12, 2016 5:13 am

Ser rei, mesmo em um país como a Áustria onde a realeza tinha pouquíssima influência nas decisões políticas, definitivamente não era uma tarefa fácil. A monarquia ainda tinha um grande peso com o povo austríaco e o símbolo da realeza era inquestionável.

Nos cinco meses em que a coroa de Cristoph Kensington havia ocupado a cabeça do primogênito, Benji precisou se acostumar com a mudança em sua vida. Ainda era estranho ver o próprio rosto impresso nas notas de dinheiro que circulavam o país e ele precisava se acostumar a ser chamado de Majestade.

A exposição da sua imagem também tinha sido muito mais intensa do que como príncipe, mas ele sabia que uma parcela do grande interesse do público vinha da simplicidade com que o novo rei agia, além do conto de fadas real que estampava semanalmente as matérias que comentavam sobre Lisbeth ou Danika.

Entre tantas tarefas que ele precisava cumprir, ocupando seu tempo entre reuniões com figuras importantes, aparições em hospitais ou orfanatos e as constantes idas a Leoben começavam a deixar o rei exausto fisicamente, mas apesar de todo o desgaste, Benji via cada vez mais o seu pior pesadelo se desmanchando cada vez que provava a todos que era capaz de ocupar o trono.

Aquela noite de quarta-feira não era nada diferente da rotina de Benjamin. Ele havia terminado de reler a ata de uma reunião importante da semana e olhara brevemente na agenda as atividades do dia seguinte, após dispensar o seu assistente. A cabeça ainda estava agitada com o trabalho e a única coisa que denunciava a hora tardia era o estômago que começava a protestar por um alimento.

O toque do celular obrigou Benji a erguer o rosto da ata da reunião e ele imediatamente franziu a testa ao ver o número desconhecido. A rotina criada entre ele e Danika faria com que a atenção ao aparelho fosse dada apenas algumas horas mais tarde, quando Benji pudesse se acomodar na cama para descansar e dedicar todo o tempo do mundo em matar um pouco da saudade da namorada enquanto a ouvia contar sobre o próprio dia.

Quando a diretora explicou o motivo daquele inesperado contato, Benjamin franziu a testa e imediatamente procurou pelo relógio em seu pulso, consultando as horas. Sua mente cansada não conseguiu identificar o alerta naquela mensagem e ele imediatamente começou a procurar motivos que justificasse a demora de Danika em buscar a filha.

Se fosse qualquer outra pessoa, ele até se arriscaria dizer que a mulher havia se distraído no trabalho e perdido a hora de pegar a criança. Mas Lisbeth sempre havia sido a prioridade número um para Danika e aquela teoria era simplesmente impossível.

A ata da reunião foi deixada de lado e Benjamin caminhou até a beirada da cama, onde se sentou ainda com o telefone em mãos. Uma breve desculpa foi pedida pelo rei, o que só fez o desconforto da diretora aumentar, e ele prometeu que retornaria em poucos minutos, assim que conseguisse contatar Danika.

Embora a mulher já tivesse sinalizado que não havia tido sucesso ao ligar para Lehman, a primeira reação de Benji foi ligar para a namorada, sendo imediatamente recebido pela voz eletrônica da caixa postal.

Sua estranheza foi ainda maior, mas antes de ligar com aquele estranho sumiço de Danika, ele precisava cuidar de Lisbeth. Por isso, ao invés de insistir na ligação para a namorada, ele discou um novo número, até ouvir a voz de Olga do outro lado da linha.

- Oi Olga, sou eu, o Benji.

- Majestade! – Olga soltou uma risada descontraída, claramente sem se sentir intimidada por estar em contato com o rei que já havia consertado a sua pia quebrada tantas vezes. – A que devo a honra?

- Olga, você falou com a Nika hoje? Eu acho que ela esqueceu de pegar a Beth.

- Como é? – A mesma incredulidade do rei foi refletida na voz da loira. – Impossível, Benji... Eu só falei com a Nika pela manhã, mas ela nunca esqueceria de pegar a Beth!

Um suspiro derrotado escapou pelos lábios de Benjamin e ele massageou a têmpora, sentindo o seu corpo ficar tenso a cada segundo que passava.

- Você consegue ir busca-la, Olga? A diretora me ligou e a Beth está exausta, provavelmente chorando por ter sido a última criança.

- É claro, vou sair agora mesmo!

Com um rápido “obrigado”, Benjamin desligou a ligação e retornou para a diretora, repassando a informação de que a amiga de Danika passaria para buscar Lisbeth em poucos minutos.

Quando o problema da filha foi resolvido, Benjamin se colocou de pé e tentou mais uma vez ligar para Danika. Os poucos segundos até a voz eletrônica atender fizeram seu estômago doer de ansiedade. Novas tentativas foram feitas, sempre com o mesmo resultado, enquanto ele começava a andar angustiado pelo grande quarto.

Já eram quase nove horas da noite quando Kensington mudou a estratégia e ligou para o restaurante de Danika. A hora era uma das mais movimentadas, mas logo a voz esbaforida de um dos atendentes soou, acompanhada do ruído intenso que indicava o restaurante lotado.

Aquele sinal poderia ser quase insignificante, mas Benjamin chegou a se sentir aliviado. Definitivamente não era do feitio de Danika esquecer a própria filha, mas ele a perdoaria facilmente se a mulher estivesse completamente enrolada no gerenciamento da cozinha do restaurante.

- Lionel, é o Benjamin. – Ele introduziu rapidamente, angustiado para ouvir a voz de Danika. – Pode passar para a Nika?

- Majestade!

Benjamin quase girou os olhos ao perceber como ele deixava as pessoas desconfortáveis, mas tentou manter a voz sob controle e não interromper Lionel.

- A Danika saiu cedo hoje, ela precisava comprar algumas coisas para o estoque.

O rei quase praguejou, mas simplesmente fechou os olhos com força e estalou a língua no céu da boca.

- Ela esqueceu da Beth por causa de alface e enlatados?

A risada de Lionel indicava que até mesmo o funcionário do restaurante não acreditava que Danika seria capaz de esquecer a própria filha.

- Não, ela disse que ia pegar a Beth primeiro. Algum problema?

O alerta que até então Benjamin tentava ignorar fez todo o seu corpo congelar. Ele sabia que havia alguma coisa de muito errada no instante em que atendeu o telefone da diretora, mas simplesmente não conseguia aceitar, porque não podia se preocupar até descartar todas as opções mais lógicas.

- Há quanto tempo ela saiu, Lionel?

- Ahn... Há umas três ou quatro horas. – O funcionário fez uma breve pausa antes de repetir a pergunta, claramente mais tenso. – Algum problema?

O coração de Benjamin já batia acelerado e ele sentia a boca seca. Quatro horas. Danika havia saído do restaurante há quatro horas com o objetivo de pegar Lisbeth, que ainda estava na escolinha. O telefone desligado. É claro que tinha problema.

Ao invés de responder o rapaz, Benjamin simplesmente saltou para fora do quarto. A blusa social estava amarrotada e com as mangas dobradas até os cotovelos. Seus cabelos estavam ligeiramente bagunçados e a vista cansada não lhe dava a melhor aparência para aparecer publicamente. Mas nada daquilo importava enquanto ele descia correndo as escadas do palácio.

- Woow! Onde é o incêndio? – Amelie vinha na direção contrária, completamente alheia ao sofrimento do rei.

- Preciso encontrar a Danika. – Ele disparou, ainda seguindo o seu caminho.

A preocupação no rosto de Benjamin fez o relaxamento de Amelie desaparecer e ela voltar alguns degraus para acompanhar o irmão.

- O que houve com a Nika? Vocês brigaram de novo?

A cabeça do rei negou imediatamente, mas ele também não sabia responder a pergunta da irmã. Afinal, ele não sabia o que havia acontecido, não sabia de nada, apenas que não tinha contato algum da namorada.

- Ninguém está conseguindo falar com ela. Eu até poderia dizer que não é nada, mas ela esqueceu de pegar a Beth na escola, Mel.

Benjamin estava tão atônito que só percebeu que a rainha assistia a cena quando a voz fria de Helena soou com a costumeira crueldade.

- Aposto que a vadia só está tendo alguma overdose com algum traficante qualquer. Nada com que você deva se preocupar, Benjamin.

Se fosse em qualquer outro momento, Benjamin responderia ao comentário cruel ou ao menos lançaria um olhar frio na direção da mãe. Mas o seu mundo inteiro estava fora de eixo enquanto sua mente só conseguia pensar no paradeiro de Danika.

- Onde você vai? – Amelie perguntou quando o irmão voltou a caminhar em direção a saída do palácio.

- Leoben. – Ele respondeu com simplicidade, como se não fosse nada absurdo largar todas as suas tarefas em Viena só porque a namorada não havia atendido algumas ligações.

- Eu vou com você. – Amelie girou o corpo em prontidão.

- Vocês não podem estar falando sério. – Helena girou os olhos, sem nem mesmo lançar seus costumeiros sorrisos superiores. – Vão simplesmente largar tudo porque a vadia está se drogando e esqueceu o celular sem bateria?

- É exatamente o que vamos fazer. – Amelie se limitou a responder, antes do irmão completar.

- E toda a guarda real também, se for necessário.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Out 12, 2016 6:00 am

A pressão da água do antigo banheiro de Charlotte era infinitamente melhor, mas ela teve certeza absoluta que nunca aproveitou tanto um banho em sua vida quando aquele tomado no pequeno banheiro anexo ao quarto de Lukas Krauss.

Por minutos longos de mais, a água morna deslizou pelos seus cabelos e pelo seu corpo, e embora parecesse que nunca fosse ser o bastante, Charlie por fim se viu obrigada a sair quando seu estômago começou a roncar de fome.

Um simples banho não seria suficiente para fazer com que ela se esquecesse aqueles dias na delegacia, mas era o que bastava para recuperar um pouco da sua aparência até se enquadrar no “decente”. Os cabelos curtos e descoloridos estavam molhados, mas já penteados depois de um longo período tentando desembaraçar os fios embolados.

As roupas sujas de Charlotte haviam sido empurradas para dentro do cesto que em breve teria o destino a lavanderia e a menina agora exibia uma das velhas roupas de Hilda. Embora a Sra. Krauss também fosse baixinha, o pijama doado para Baviera ainda era mais largo, e ainda assim era a coisa mais confortável que ela vestia naquela semana.

Charlie ainda secava as pontinhas molhadas dos cabelos quando voltou ao quarto, se deparando com Lukas terminando de afofar um travesseiro na cama recém-arrumada.

Mesmo que a vergonha pelo seu erro e o constrangimento por ter sido vista por ele em seu pior momento, Charlotte não conseguia ignorar a gratidão que estava sentindo por Krauss. Agora que seu coração e mente começavam a se acalmar, ela começava a ver como era óbvio que fosse Lukas que estivesse certo todo o tempo.

- Eu não preciso de travesseiros com penas de ganso para me sentir confortável, Luke. Acredite em mim, a sua cama vai ser a melhor coisa na minha vida, sem exageros.

Ao perceber que o comentário poderia ser interpretado com malícia, ela enrugou o nariz e abriu o primeiro sorriso sincero em dias. Os pés descalços caminharam até que ela se sentasse na beirada da cama, fazendo o colchão afundar.

- Fui mexer no seu guarda-roupa atrás de meias... – Ela se inclinou para trás até puxar algo sob os lençóis, revelando um urso de pelúcias consideravelmente velho, caolho e extremamente surrado, com uma camiseta da seleção da Áustria. - ...e acho que encontrei o Mr. Ivica.

Mesmo que sua aparência ainda não lembrasse a velha Charlotte Baviera, o brilho da antiga implicância apareceu em seus olhos, trazendo um pouco de vida para o rosto da menina. Em uma das tantas conversas entre Charlie e Luke, o rapaz havia comentado sobre o ursinho de pelúcia que era seu companheiro aos cinco anos e carregava o mesmo nome seu artilheiro preferido quando criança. O fato havia sido gravado por Charlie principalmente porque Luke comentara que havia dito errado o nome do jogador por muitos anos.

- Francamente, eu estava com medo de encontrar alguma coleção de revistas pornôs... Mas isso é muito mais constrangedor.

A risada de Charlie soou tão natural que só depois de ter ouvido ecoar pelo quarto, ela se calou, baixando o olhar para o urso surrado. Quando os olhos verdes voltaram a encarar Krauss, ela foi mais cuidadosa com a escolha das palavras.

- Eu notei também que as gavetas estão vazias.

Charlotte já havia deduzido que Lukas não morava mais com Hilda no trajeto até a casa dos Krauss, mas ela ainda não havia chegado até a conclusão verdadeira de que o ex-namorado vivia agora com a nova parceira.

- Não sabia que você tinha voltado para a Alemanha.

A esperança fez os olhos de Charlie brilhar quando ela concluiu, se forçando a não soar tão esperançosa.

- Vai dormir aqui? Eu sei que sou pequenininha, mas não estou disposta a dividir a cama com você hoje... Além do mais, algo me diz que sua mãe não aprovaria. – O ursinho foi esticado na direção de Luke como um prêmio de consolação. – Você pode levar o Mr. Ivica para o sofá com você. Somos quase do mesmo tamanho, você nem vai notar a diferença.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qua Out 12, 2016 4:48 pm

Enquanto dirigia por uma estrada estreita e completamente vazia, Danika tentava se concentrar nas lembranças da filha. Somente Lisbeth daria à mãe forças para seguir adiante naquela loucura. Apenas pela filha, Nika continha o impulso de tentar se atracar com um homem armado em troca da própria liberdade. Seria uma injustiça muito grande do destino tirar a mãe de Beth justamente agora que ela ganhara um pai.

Lehmann não tinha a menor dúvida de que Friedrich Volgemann teria coragem de apertar o gatilho. Durante a gravidez de Lisbeth, o rapaz já tinha mostrado que era capaz de protagonizar atrocidades. E o tempo só parecia ter intensificado aquela loucura do ex-namorado. No banco traseiro, Fried cantarolava coisas sem sentido enquanto continuava a deslizar o cano gelado da arma no corpo de Danika. Os olhos azuis estavam arregalados de forma insana e as pupilas dilatadas indicavam que a loucura do homem havia se somado ao uso de alguma droga naquele dia.

- Para onde nós vamos?

A voz de Nika soou calma, embora por dentro a romena sentisse um desespero quase tão grande como no dia em que imaginou que havia perdido o seu bebê.

- Para onde eu quiser ir. Quem dá as ordens aqui, Nika?

- Você, Fried.

Se aquele era o jogo dele, Danika nem pensaria em contrariá-lo. Friedrich era maior que ela, mais forte, tinha uma arma e era movido por loucura. Essa mistura não dava à Nika a menor chance de vencer aquela batalha.

- Está cansada de dirigir?

Um arrepio de repugnância se espalhou pela pele de Danika quando o ex-namorado se aproximou mais dela, afastou os cabelos castanhos com os dedos gelados e deslizou os lábios no pescoço macio da moça. Os olhos de Nika se encheram de lágrimas e ela apertou os lábios com força para conter um soluço.

Não parecia haver nenhuma forma de fugir daquele destino. As outras pessoas provavelmente só sentiriam a falta dela dali a algumas horas e isso dava a Fried tempo o bastante para sumir com seus rastros. Embora estivesse em pânico com a possibilidade concreta de sofrer novas agressões nas mãos do ex-namorado, o que mais partia o coração de Nika era pensar que naquela tarde Lisbeth veria todos os amiguinhos indo embora da escola. A mãe não apareceria para buscá-la. E havia a terrível chance daquela espera se estender pelo resto da vida e Lisbeth nunca mais ver o rosto de Danika.

- Eu fiz uma pergunta, Nika! Está surda?

- Um pouco cansada. Eu trabalhei o dia todo.

A chef perceberia que aquela era a resposta errada quando a arma que Fried carregava foi afastada de seu rosto para indicar o acostamento.

- Então encoste, gata. Vamos trocar de posições.

- Não, Fried, está tudo bem. – Nika tentou forçar um sorriso em meio ao pânico – Eu consigo dirigir.

Enquanto estivesse atrás do volante, Danika ao menos teria uma noção da direção para onde Volgeman estava levando-a. Se houvesse a menor chance de escapar, Nika precisaria ao menos saber em qual direção deveria correr. Mas Fried deixou claro que não era por cavalheirismo que ele se oferecia para assumir o volante no instante em que puxou os cabelos de Nika com violência, arrancando um gemido de dor dos lábios dela.

- Eu mandei você encostar, Danika! Será que você ainda não entendeu que eu dou as ordens aqui?

Sem escolha, Nika diminuiu a velocidade do carro até pará-lo no acostamento. A estrada escolhida por Volgeman naquela tarde estava completamente deserta. Era uma via que levava ao interior do país e, como havia uma rodovia mais nova, praticamente ninguém mais optava por aquele acesso antigo.

A mão de Friedrich soltou o cinto de segurança da motorista e ele saiu do carro primeiro. As pernas de Danika estavam trêmulas quando ela também desceu e se colocou na frente do ex-namorado. Vendo-o frente a frente, Nika não teve mais dúvidas de que Volgeman tinha terminado de enlouquecer. O homem de negócios que a abordara em Viena estava meio descabelado, com os olhos azuis vidrados e roupas comuns amassadas.

- Sabe, Nika? Eu cheguei a me conformar com a ideia de que tinha batido na sua cabeça com muita força. Só isso explicava você ter me trocado por um idiota que não tinha onde cair morto. No fim das contas, a culpa era minha por ter danificado a sua cabecinha...

O homem deu um passo a frente, obrigando Nika a recuar até que seu corpo se chocasse contra a lataria do carro. Um brilho ensandecido iluminou as íris azuis enquanto Fried continuava, sempre com a arma apontada para a cabeça da vítima.

- Mas então eu vi a verdade nos jornais e percebi que não havia nada errado com esta cabecinha linda. Você simplesmente me trocou por um idiota mais rico e mais famoso. Você continua sendo a vaca interesseira que sempre foi, agora em níveis mais elevados. Eu me senti humilhado. E eu não gosto de ser humilhado, Nika.

Não valia a pena explicar para Friedrich que ela havia se apaixonado por Benjamin quando imaginou que ele não era nada além de um simples engenheiro no início de sua carreira. Volgeman estava louco demais para compreender qualquer explicação e era óbvio que já tinha montado a sua própria visão dos acontecimentos.

- Me beije. – a arma foi pressionada com mais força na cabeça da romena – E eu vou sentir o gosto dos seus miolos na minha garganta se não for um beijo convincente. Se isso ajudar, finja que eu sou o seu reizinho. Me mostre como ele gosta, o que você faz para agradá-lo...

Danika não conseguia mais segurar as lágrimas e os soluços quando Friedrich colou os lábios nos dela. A arma pressionada em sua têmpora com força começava a deixar a cabeça da romena dolorida. O pânico fez com que Nika tentasse obedecer às ordens do ex-namorado, mas seu corpo tenso e as lágrimas que escorriam silenciosamente indicavam o quanto aquele beijo era repugnante para a moça.

Aquela tortura foi interrompida quando Nika sentiu uma dor aguda na parte de trás da cabeça. Lehmann perdeu os sentidos depois daquela coronhada e, quando os olhos castanhos se abriram novamente, ela se viu num ambiente abafado e escuro. O sacolejar do carro fez Nika concluir que estava no porta-malas. Ela não sabia há quanto tempo estava ali, tampouco em qual direção estavam.

Por isso, quando Fried finalmente parou o carro e a puxou para fora, Nika não teve a menor ideia de onde ficava aquele casebre caindo aos pedaços, perdido no meio do mato. Estava muito escuro e somente algumas estrelas salpicavam o céu, então era impossível tentar se localizar naquele descampado.

O interior do casebre reforçava a ideia de que ninguém pisava ali há muitos anos. A madeira podre rangia sob os pés dos dois, teias de aranha cobriam todas as paredes e havia uma grossa camada de poeira por cima de todos os móveis antigos. Esta mesma poeira se levantou quando Friedrich empurrou Danika para um dos sofás caindo aos pedaços.

- Bem abaixo dos padrões para uma futura rainha, eu sei. Mas eu prefiro que você faça comparações levando em consideração o chiqueiro onde vivia na Romênia. Isso aqui é um paraíso perto da pobreza que você experimentou na infância, não é?

Nika não tinha mais forças para participar daquele joguinho, muito menos para arriscar a própria vida numa reação. A moça estava tão apática que demorou a reagir quando Friedrich parou diante dela e estendeu na direção de Danika o celular que havia retirado da bolsa dela logo no começo daquela noite.

- Ligue para o rei.

Aquela proposta era tão surreal que Danika ficou imóvel e encarou o ex-namorado com uma nítida confusão no semblante. Não fazia o menor sentido que Friedrich lhe desse permissão para fazer uma ligação no meio de um sequestro. Mas as coisas se tornaram mais compreensíveis quando o loiro completou.

- Você vai dizer a ele que está cansada desta vida de princesinha, que você não quer ser uma boa moça pro resto da vida. Pode dizer que está se drogando de novo e que conheceu um traficante disposto a bancar seu vício.

- Ele não vai acreditar.

Para Nika, era óbvio que Benjamin jamais acreditaria naquele absurdo. Os dois já se conheciam há tempo suficiente para que Benji soubesse que Danika havia se transformado em uma mulher responsável e digna, que jamais abandonaria a própria filha para correr atrás de drogas e do passado que ela tanto desprezava.

- Seja convincente. Eu estou aqui para julgar o seu desempenho como atriz. – Fried mostrou a arma – Se você não for convincente, a última coisa que Vossa Majestade vai escutar será o som de um tiro.

Como se aquela ameaça não fosse o bastante, Friedrich completou com um argumento que certamente bastaria para convencer Nika a fazer qualquer coisa.

- E depois que eu matar você, vou atrás da sua filha. Eu fui muito idiota, mas depois eu parei para fazer umas contas. Levando em consideração da data do aniversário de três anos da princesinha, eu tenho minhas razões para acreditar que não há uma gota do sangue Kensington nela. Ela é minha, não é? Ela é o maldito bebê que deveria ter virado comida de rato dentro daquela lixeira.

- Ela não é sua e nunca será!

Danika enfrentou o ex-namorado pela primeira vez desde o começo daquele sequestro, mas a sua recompensa por aquele vislumbre de coragem foi uma bofetada forte o suficiente para virar seu pescoço. Os dedos de Fried marcavam o rosto pálido de Danika quando ele a segurou com firmeza pelo queixo, obrigando Lehmann a encará-lo novamente.

- Eu quero você. Nunca quis aquele feto estúpido. Mas se você não colaborar comigo, eu vou te matar e não vou deixar que a sua alma tenha paz no inferno, Danika. Eu vou procurar a imprensa e jogar a merda no ventilador. Vou exigir um exame de DNA e vou tirar a sua filha dele. Ela se parece com você, não é? Talvez, quando ela crescer um pouquinho mais, eu consiga saciar nela todo esse desejo maluco que só sinto por você.

A imagem descrita por Friedrich foi o bastante para arrancar um reflexo de vômito da romena. Danika sabia que Benjamin morreria antes de deixar que alguém fizesse mal a Lisbeth, mas Volgeman era maluco o bastante para perseguir a menina até que surgisse a chance de capturá-la, exatamente como havia feito com a mãe naquela tarde.

- Ligue para ele e termine este namoro ridículo. – Fried jogou o celular no colo da ex-namorada – Ative o viva-voz e não tente nenhuma gracinha, Nika.

As mãos de Danika tremiam quando ela pegou o celular e ligou o aparelho. A tela mostrou que já passavam de duas da manhã, sinal de que Friedrich havia dirigido por muito tempo e que eles provavelmente estavam muito longe de Leoben. Com certeza, Benjamin já teria sido comunicado sobre o sumiço da ex-namorada. Por isso, Nika não se surpreendeu quando o rei atendeu o celular logo após o primeiro toque, com uma voz aflita.

- Sou eu, Benjamin. Apenas me escute, sim?

Seria impossível continuar encenando aquele papel se Kensington a soterrasse com perguntas desesperadas, então Danika respirou fundo e tentou manter a voz firme.

- Eu estou ligando só para avisar que não vou voltar. Eu estou cansada de tudo isso, não aguento mais ser perseguida por paparazzi. Foi legal no começo, mas agora perdeu a graça. Eu não quero passar o resto da minha vida como uma madame da alta sociedade. A sua mãe tem razão, eu não sirvo para ser uma rainha.

Embora Nika estivesse obedecendo as ordens de Volgeman, intimamente ela torcia para que Benjamin entendesse que tudo aquilo era uma encenação e que aquelas palavras duras eram ditas sob a mira de uma arma. Lehmann preferiria morrer a viver com Fried, mas ela ainda tinha esperanças de que conseguiria colocar um fim naquele pesadelo e voltar para junto da família que tinha com Benji.

- Eu cansei de ser uma boa moça, cansei da vida medíocre naquele restaurante, cansei de ser uma mãe exemplar. Eu ainda sou muito jovem e tenho a vida inteira pela frente. Quero viajar pelo mundo, quero encher a cara, quero transar com três caras na mesma noite.

Uma mão invisível apertou a garganta de Danika, mas ela se obrigou a continuar. Certamente aquela era a parte da história que Benjamin não engoliria jamais e a romena contava com a descrença dele naquelas palavras absurdas.

- Faça o que você quiser com a menina. Termine de criá-la, ou a jogue no orfanato, pra mim tanto faz. Eu quero ser livre agora.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Out 12, 2016 5:34 pm

O cheiro delicioso do jantar preparado por Hilda Krauss já se espalhava pela pequena casa quando Charlotte saiu do banho. Lukas terminava de arrumar a própria cama para a melhor amiga quando Charlie entrou no quarto onde o ex-namorado havia passado a maior parte de sua infância.

O cômodo era um reflexo da infância feliz que o filho de Hilda havia tido, mesmo com todas as limitações da vida simples que a mãe lhe dera. Os móveis não eram novos, não havia ali uma coleção de brinquedos caros. O videogame ao lado da pequena televisão era um modelo tão antigo que nos dias atuais já seria visto como uma relíquia pelos colecionadores. Os livros escolares na estante eram de segunda mão, mas não impediram que Luke conseguisse uma vaga na universidade e um bom emprego.

Mas eram nos pequenos detalhes que estava evidente a felicidade daquela criança. Os pôsteres de times e seleções espalhados pelas paredes denunciavam que a paixão de Lukas por futebol era antiga. Sobre os móveis e em pequenos quadros pendurados nas paredes, estavam fotos de um garotinho adorável abraçado à mãe, ou suado e sorridente depois de uma partida de futebol.

No auge daquelas lembranças felizes estava o famoso Mr. Ivica. Lukas soltou uma risada gostosa ao ver que a amiga se lembrava até mesmo do nome do seu primeiro ursinho. Luke havia mencionado a existência daquele brinquedo em uma das tantas conversas divertidas que tivera com a amiga no passado e era surpreendente que Baviera tivesse guardado na memória um detalhe tão bobo da vida do rapaz.

Hilda havia comprado aquele brinquedo para comemorar o quinto ano de vida do filho, então o ursinho já parecia um “senhor” de vinte anos. A pelúcia estava ligeiramente ressecada, a camiseta já havia sido remendada em vários pontos, uma das orelhas estava meio caída e a tinta que coloria os olhos do ursinho já havia perdido por completo o brilho.

- Minha mãe descobriu a minha coleção de revistas pornôs quando eu fiz dezesseis anos e fez uma fogueira no quintal. Desde então, o Mr. Ivica reina absoluto como o maior constrangimento do meu armário.

Um sorriso divertido brincava nos lábios tortos do rapaz quando Charlotte levou a conversa numa direção mais séria. Como os dois não tinham mantido contato nos últimos meses, Charlie não poderia ser julgada por desconhecer as grandes novidades da vida do melhor amigo.

Com um ar mais sério, Luke respirou fundo e soltou o ar vagarosamente pela boca antes de colocar a amiga ciente da sua nova vida em Viena.

- Eu não voltei para a Alemanha. Na verdade, eu planejava voltar logo que o Cristoph saiu do hospital, mas então o Sr. Weiss me convocou para uma reunião e fez uma proposta irrecusável. Eu terminei de fazer o estágio aqui em Viena e, logo em seguida, assinei um contrato de cinco anos com a empresa. – Luke tentou quebrar o clima sério com uma brincadeira – Acredite ou não, eu tenho até uma secretária agora. Ela se chama Lucilla e faz o melhor bolo de canela que eu já experimentei na vida. Minha mãe morre de ciúmes dela e eu estou engordando enquanto as duas duelam pelo meu estômago.

Aquela parte divertida da história arrancou mais um breve sorriso dos lábios do rapaz. Luke realmente adorava implicar com Hilda, mandando fotos e comentários sobre os lanches feitos pela secretária. Lucilla era uma mulher de meia idade, solteira, que despejava em Luke todo o amor de mãe que não pudera dar a um filho de verdade.

- Quando eu decidi ficar em Viena, procurei um apartamento. Eu amo a dona Hilda, mas não dava pra ficar aqui o resto da vida. Além de ser muito longe da empresa, eu queria um pouco mais de privacidade.

Se Krauss tinha um apartamento em Viena, não parecia fazer muito sentido levar Charlotte para a casa de Hilda. Mesmo que o apartamento fosse pequeno, os dois poderiam dividir o espaço pelo menos até que Charlie esclarecesse a sua situação com a justiça e tivesse acesso aos próprios bens.

Mas a explicação para aquela aparente contradição viria a seguir. Hilda entrou no quarto do filho com um embrulho nas mãos. O cheiro delicioso da comida se tornou ainda mais intenso no interior do cômodo quando a Sra. Krauss passou o embrulho para as mãos do filho.

- Você tem certeza que não quer jantar conosco?

- Tenho, mãe. Já está tarde, será uma longa viagem até o outro lado da cidade. Mas obrigado pela marmita, eu estava contando com isso.

- Aí tem o bastante para você e para a Doreen, desde que você se sirva com educação! – os olhos de Hilda se estreitaram – A pobrezinha também chega do trabalho faminta, eu vou saber se você não deixar que sobre nada para ela.

- Aff, mulher, até parece que sou tão esfomeado assim.

- Lukas, você é.

Hilda não sentia por Doreen o mesmo carinho que nutria por Charlotte, mas a Sra. Krauss havia decidido respeitar a escolha do filho. Doreen era uma moça bonita, educada e extremamente carinhosa com Luke. Ao lado dela, Lukas parecia ter encontrado a estabilidade que Charlie nunca oferecera ao amigo. Mesmo que o casal não transbordasse paixão, Hilda havia decidido dar apoio ao filho para que ele encontrasse a felicidade naquele novo caminho.

- Eu preciso ir, Charlie. – os olhos castanhos buscaram pela amiga como se estivessem se desculpando por aquela partida – Me ligue se precisar de qualquer coisa. Eu vou te manter informada sobre o progresso das investigações.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Out 13, 2016 1:30 am

O pequeno apartamento que Benjamin um dia havia vivido com o sobrenome de Müller estava bastante movimentado no início daquela madrugada. O assovio da chaleira indicava que a água finalmente havia fervido, o que obrigou Olga a correr até a cozinha e desligar o fogo, voltando para a sala poucos minutos depois com uma bandeja e três xícaras de chá.

A caneca fumegante que foi colocada diante de Benjamin foi lindamente ignorada enquanto ele continuava encarando o celular apoiado na mesinha, esperando a qualquer instante pelo toque.

Os olhos metálicos só foram erguidos quando Amelie entrou na sala, abraçando o próprio corpo para se proteger do frio que entrava pela janela aberta. A princesa observou a sala por um instante antes de passar direto pelos dois homens uniformizados que trabalhavam em uma estreita mesa próxima da varanda.

- A Beth dormiu de novo. Mas continua com o sono muito agitado.

As olheiras no rosto do príncipe denunciavam que Lisbeth não era a única daquela família a não conseguir dormir. Apenas três dias haviam se passado, mas Benjamin parecia viver aquele pesadelo há muito mais tempo.

A sensação de impotência era a pior já experimentada. Por três dias inteiros ele não tinha mais nenhuma notícia de Danika Lehman. Só o que conseguia era passar as longas e aterrorizantes horas imaginando as atrocidades que a namorada estava passando.

Nem por um segundo Benji foi capaz de acreditar que Danika realmente havia abandonado a família para ser “livre”. A única ligação que ela havia feito era apenas para descartar a possibilidade de um acidente. Não havia pedido de resgate, nenhuma negociação, mas Benji não teve a menor dúvida de que alguém havia levado Lehman.

A angústia e o desespero das primeiras horas não permitiam que ele pensasse com clareza e foi só quando a polícia foi acionada e um dos oficiais perguntou se ele conhecia alguém que teria interesse em machucar Danika, que o nome de Fried surgiu na mente do rei.

O ex-namorado psicótico não dava sinais há quase dois anos, de modo que não estava mais na lista de preocupações de Benjamin, que havia descartado aquela ameaça. Os policiais ainda trabalhavam com a possibilidade de algum fã obcecado ou algum inimigo da coroa, mas para Kensington, ninguém além de Friedrich poderia ser o responsável pelo sumiço de Danika.

Por três dias, Benjamin tinha forças para comer ou para pensar em nada além do paradeiro da namorada. Lisbeth era a única coisa que ainda o mantinha em pé, mas até a criança já estava sentindo o desespero do pai e a ausência da mãe, refletindo em seu comportamento sempre tão dócil.

Lisbeth havia se tornado uma criança chorosa e chamava pela mãe praticamente todo o tempo. Nada era suficiente para acalmá-la e assim como o pai, ela perdera o apetite. O medo de que a filha acabasse adoecendo com aquela confusão só tornava o pesadelo ainda mais intenso.

A polícia de Viena e Leoben trabalhava em conjunto, atrás de qualquer pista que pudesse levar ao paradeiro de Danika. No apartamento, além de Amelie e Olga, Benjamin contava com a presença constante de dois seguranças reais e do investigador a frente do caso.

No começo daquele terceiro dia, Benjamin havia escutado o investigador pedindo a lista de mulheres na faixa etária de Danika que tivessem dado entrada a hospitais ou necrotérios. Amelie tentou acalmá-lo, alegando que o homem estava apenas fazendo seu trabalho, mas trabalhar com a hipótese de encontrar apenas o corpo sem vida de Lehman era devastador.

A impotência despertava o impulso em Benjamin de se enfiar no carro e sair pelo país ele mesmo atrás de qualquer sinal de Danika, mas ele simplesmente não saberia por onde começar. O investigador garantiu que o melhor era ele continuar em casa, aguardando por um novo contato de Lehman. Aquela era a única forma que o grande rei da Áustria tinha para contribuir e Benjamin se sentia um fracasso.

- Já fazem três dias. – Olga sussurrou, sentada na cadeira em frente e com os dedos ao redor da xícara em uma tentativa de se aquecer. – Eles não deveriam estar fazendo alguma coisa?

A amiga de Danika havia sido de grande ajuda naqueles últimos dias, mas sua voz sem esperança fazia o mundo de Benjamin desabar mais um pouco. Como um animal enjaulado, o rei se colocou de pé, esfregando o rosto cansado com as mãos.

A casa cheia de estranhos e sem o sorriso de Danika o fazia se sentir preso em um péssimo filme de assombração. Ele sentia literalmente que havia uma parte faltando em seu peito e pensar que precisaria se acostumar com aquela ausência era o fim do mundo.

A garganta de Benjamin ardeu com aquela ideia, mas o destino lhe deu a chance de se agarrar a esperança mais um pouco quando o celular vibrou sobre a mesinha de centro.

Todos os presentes voltaram sua atenção para o aparelho, e por alguns segundos, Benjamin se viu congelado em seu lugar, se perguntando se estava fantasiando aquele som. Quando seu corpo finalmente voltou a vida e ele pulou em direção do aparelho, o investigador se colocou no caminho.

- Lembre-se de que a outra pessoa pode estar escutando! Tente apenas segurar a ligação enquanto estamos rastreando, então não deixe ele saber que você está preocupado. Faça de conta que acreditou na mentira dela.

Benjamin não sabia como ia esconder o desespero de sua voz, principalmente considerando o nó em sua garganta, mas ele teve forças para apertar o botão da ligação no mesmo instante em que os dois seguranças à mesa ligavam suas aparelhagens.

- Alô?

Benjamin tentou soar o mais natural possível, mas seu coração batia tão forte que ele podia sentir o ritmo latejante doendo em sua cabeça. O silêncio reinou do outro lado e as íris metálicas pediram pelo apoio do investigador, que encarava o computador com o rastreio, fazendo um sinal para que ele continuasse.

- Danika? É você?

Com as pernas bambas, o rei voltou a se sentar no sofá, fazendo uma longa pausa. O que poderia servir para que os seguranças fizessem seu trabalho, era apenas a forma de Benjamin tentar não enlouquecer e xingar Fried do outro lado da linha.

- Eu espero de verdade que você não esteja ligando para dizer que está arrependida. A liberdade não está boa o bastante?

Da mesma forma que Danika sabia exatamente o ponto que Benjamin descobriria a mentira em suas palavras, ele se aproveitou do mesmo jogo.

- Para mim, não poderia estar melhor. Eu me livrei da menina, exatamente como você sugeriu. A última coisa que eu precisava era de uma lembrança do lixo romeno que você é.


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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qui Out 13, 2016 2:05 am

- Não vai comer?

A pergunta áspera de Friedrich fez os olhos de Danika se voltarem para o prato imundo onde o ex-namorado havia servido uma sopa comprada pronta no supermercado. Nem mesmo depois de três dias inteiros sem se alimentar direito a moça teria coragem de experimentar aquilo. Seu corpo estava dolorido depois de passar horas amarrada num dos quartos do casebre e a esperança de sobreviver àquela loucura se tornava menor a cada minuto.

Como Volgeman costumava reagir de forma violenta sempre que era contrariado, Nika pegou a fatia de pão no canto do prato e se obrigou a dar uma mordida. Seu estômago vazio estava dolorido de fome, mas a potente náusea não permitia que a romena engolisse muita coisa.

- O que você quer de mim, Fried? Por que ainda não me matou? Você sabe que terá que me matar, não sabe?

Os olhos castanhos pousaram na imagem do ex-namorado enquanto Lehmann finalmente tinha a coragem de fazer aquelas perguntas. Não havia nenhuma lógica naquele sequestro. Volgeman era rico e não precisava do dinheiro de um possível resgate. E, depois de três dias, certamente já havia ficado claro para o homem que Danika jamais concordaria em ficar com ele. Tudo o que ele conseguia dela era através de agressões, de uma arma apontada para a cabeça da romena e de muitas lágrimas.

- Você não precisa morrer. Eu só estou te dando um tempo para que você reflita sobre todas as cagadas que fez e finalmente enxergue que eu sou o cara certo pra você. Tudo vai voltar a ser como antes, gata.

O discurso obsessivo de Fried só contribuía para que as esperanças de Danika evaporassem. Era óbvio que o ex-namorado havia enlouquecido e que não se importava mais com o dinheiro ou o sobrenome da família Volgeman. Friedrich não tinha nada a perder e isso significava que ele iria até o fim naquela loucura.

- Fried, as coisas nunca vão voltar a ser como antes. Você está perdendo o seu tempo e prologando o meu sofrimento. Então, me mate de uma vez.

Era terrível implorar pela própria morte, mas Danika já havia perdido as esperanças. Os dois estavam escondidos no meio do nada. De dentro do casebre, a romena não escutava nada além do vento que se chocava contra as janelas podres. Não havia vizinhos que pudessem escutar seus gritos, não era possível ouvir nem mesmo o som de automóveis nas estradas próximas. Sempre que Friedrich saía para comprar comida ou água, Nika ficava firmemente amarrada e amordaçada. E o tempo que o loiro demorava para voltar indicava que, muito provavelmente, a cidade mais próxima ficava distante dali.

Os olhos azuis se fixaram na imagem de Danika por um demorado tempo. A moça ainda usava o mesmo vestido azul rendado de três dias atrás, mas agora o tecido estava imundo e rasgado em vários pontos. Os sapatos de salto tinham sido abandonados num canto da casa e os pés de Nika agora exibiam a mesma camada de sujeira que cobria o chão. Os cabelos castanhos estavam atrapalhados e cheios de nós, bem diferentes dos fios sedosos que ela exibia quando entrou no carro e foi rendida pelo ex-namorado.

- Você está um caco, Nika. É sério, nem consigo mais sentir tesão olhando pra essa sua cara abatida. Vamos ver o que podemos fazer para resolver este problema...

As mãos de Volgeman puxaram a bolsa que Danika carregava quando foi sequestrada e o rapaz começou a tirar dela os objetos que poderiam ajudar a melhor a aparência da ex-namorada. Fried encontrou ali uma escova de cabelos, alguns itens de maquiagem, os anéis que Nika geralmente retirava para trabalhar na cozinha. A romena assistia aquela cena com um olhar apático e indiferente, mas o coração dela falhou uma batida quando os dedos de Friedrich puxaram do fundo da bolsa um saquinho de papel com o logotipo de uma farmácia.

Lehmann havia se esquecido completamente daquele detalhe. Sua mente torturada estava tão focada na própria dor que Danika simplesmente se esqueceu dos motivos que a levaram a procurar por uma farmácia na manhã que antecedeu o sequestro. O coração da romena batia acelerado e dolorido quando Volgeman rasgou o saco e puxou de dentro dele dois testes de gravidez lacrados.

Era um atraso pequeno, mas Nika havia decidido comprar os testes para descartar logo de uma vez aquela possibilidade. Ela havia voltado a tomar as pílulas logo que reatara o romance com Benjamin, mas a vida agitada dos dois às vezes os obrigava a ficar dias sem se ver e Nika eventualmente se esquecia do horário das pílulas.

Sempre que aqueles esquecimentos aconteciam, a romena pedia a Benjamin para usar um preservativo. Mas no último mês ocorrera um descuido maior. Danika já estava sem as pílulas há três dias quando o namorado a surpreendeu com uma visita surpresa. Os dois se deixaram cegar pelas saudades e nenhum deles se lembrou do uso da camisinha. Fora apenas uma vez e Nika sequer estava em seu período mais fértil, mas o atraso no ciclo menstrual começava a preocupá-la.

Os testes foram esquecidos no fundo da bolsa depois do sequestro e só agora Danika se dava conta de que mais três dias tinham se passado, o que aumentava consideravelmente o seu atraso.

- Você está grávida? – os olhos azuis se arregalaram enquanto olhavam dos testes lacrados para Nika.

- Não.

A moça tentou soar firme, mas sua expressão já começava a refletir o pânico que ela sentia com aquela possibilidade. Seria uma crueldade muito grande do destino fazê-la sofrer nas mãos de Friedrich Volgeman durante uma suposta segunda gestação.

- Como você pode ter tanta certeza, gata? – Fried sacudiu os testes enquanto abria um sorriso alucinado – Estão lacrados.

Um grito de pavor escapou pela garganta de Danika quando o ex-namorado a puxou pelos cabelos e a arrastou pelo chão imundo do casebre. A romena já esperava por aquilo quando Friedrich a jogou no banheiro caindo aos pedaços e exigiu que ela fizesse os testes. Nika tentou se negar e lutou contra Volgeman, mas não teve escolha depois que um festival de pancadas a deixou tonta e ainda mais ferida. Era difícil desejar a morte agora que Nika se lembrava da chance de não estar inteiramente sozinha naquele pesadelo.

Já havia anoitecido quando o número do celular de Nika novamente surgiu no visor do aparelho de Benjamin. Desta vez, quando atendesse, o rei não escutaria a voz fria e mecânica da primeira ligação. Depois de uma longa pausa, a voz de Danika soou aos prantos e os soluços dificultavam a formação das frases. As palavras duras de Kensington poderiam justificar aquele choro, mas o rei logo entenderia que a sua encenação ao telefone não era a razão das lágrimas da namorada.

- Benji... me desculpe por isso.

- Conte a ele. – a voz de Fried soou animada do outro lado da linha, alarmando os investigadores que tentavam rastrear a ligação – Conte logo a boa notícia.

- Eu estou grávida, Benji.

Antes que Danika pudesse dizer mais qualquer coisa, o celular foi arrancado das mãos dela. A voz de Friedrich Volgeman soou na linha e suas palavras não deixavam dúvidas de que o homem havia enlouquecido.

- No fim das contas, a vida é muito justa, Majestade. Você pegou a minha filha e eu vou pegar o seu filho. Estaremos quites. E desta vez eu vou bater com muito mais força. Não vou parar enquanto não vir o sangue real escorrendo pelas pernas dela.

A voz de Nika soou mais uma vez, agora num grito de dor desesperado, antes que a chamada fosse finalizada. O investigador estava com os olhos arregalados quando buscou os colegas que trabalhavam no laptop, sem saber se tinham conseguido rastrear a ligação com aquela conversa tão breve.

Os cinco segundos que os homens esperaram pela resposta foram eternos, mas logo a voz de um deles encheu o apartamento com entusiasmo.

- Pegamos!

- Há quanto tempo daqui? – o investigador já puxou as chaves da viatura do bolso, preparando-se para aquela busca.

- Entre três e quatro horas, senhor.

Era tempo mais do que suficiente para que Friedrich Volgeman cumprisse as suas ameaças, mas o investigador não se deu por vencido.

- Entrem em contato com a delegacia da cidade mais próxima, passem as coordenadas! – o homem ligou o rádio acoplado ao seu uniforme – Preciso de um helicóptero imediatamente!
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Out 13, 2016 2:16 am

Quando o mundo que Charlotte conhecia desabou pela primeira vez e ela foi acolhida pelos Price, por mais doloroso que fosse, Marie parecia tentar compensar com compras exageradas, uma nova decoração no quarto de visitas e gastos desnecessários. Claro, agora que todas as peças se encaixavam, Charlie via que a “boa ação” nada mais era que uma parcela de culpa e uma grande parte de jogada dos dois irmãos para mantê-la por perto.

Era a segunda vez que Charlie se via obrigada a se erguer, contando com a ajuda de outras pessoas. Mas diferente de Marie ou Toby, ela sabia que jamais se arrependeria de abrir seu coração para os Krauss.

A casa de Hilda também não era nada comparada com a de Marie. O lugar estava sempre muito limpo e organizado, mas não trazia nem mesmo a sombra do luxo dos Price. E ainda assim, foi a primeira vez que Charlotte se sentiu verdadeiramente em casa, desde que deixou Leoben para trás.

A mãe de Luke havia lhe recebido com os braços e o coração aberto, demonstrando todo o carinho materno que Baviera nunca havia conhecido. Em poucas semanas, Charlie já havia criado uma rotina surpreendentemente agradável, e sabia que não era apenas pela gratidão que sentia por Hilda e Lukas.

O processo continuava a correr, mas a aproximação das férias de final de ano tornava tudo mais lento. O advogado contratado por Luke já havia avisado que seria uma luta difícil, principalmente por estar enfrentando um sobrenome tão importante na Áustria como o dos Price, mas que as provas levantadas pelas contas de Krauss nas finanças dos Baviera era suficiente para ele ficar consideravelmente otimista.

Na manhã da véspera de natal, Charlotte finalmente criou a coragem para visitar o pai no presídio. Se antes ela não conseguia encará-lo pela raiva dos erros do Sr. Baviera, agora era a vergonha e a culpa por não ter acreditado na inocência do pai que tornava aquele encontro tão difícil.

Os olhos intensamente verdes, idênticos aos de Charlie, se mostraram surpresos e emocionados ao ver a filha depois de um ano, mas em nenhum momento ele demonstrou mágoa pelos pensamentos errados dela. Charlotte prometeu que o advogado que estava tratando seu caso tinha provas para inocentar os dois e prometeu que voltaria com mais frequência, para ir atualizando sobre as novidades.

Quando Charlie voltou para a casa de Hilda no final da tarde, o cheiro delicioso do banquete preparado pela mulher já invadia todos os cômodos. Uma grande árvore de natal estava iluminada e decorava a sala. A lareira acesa trazia o calor agradável que não existia do lado de fora e a mesa de jantar já estava preparada para a ceia de natal.

Como havia se tornado um hábito naquelas semanas, Charlotte imediatamente se pôs a ajudar Hilda nos preparativos da comida. Baviera nunca precisou fazer nenhuma atividade doméstica e o acidente da tentativa de preparar um café da manhã para Lukas, alguns anos antes, era a prova de que ela não tinha o menor talento.

Com o coração de mãe que tinha, Hilda mostrou que não trataria Charlotte como uma princesinha quando mostrou que a menina seria responsável por manter o quarto limpo, a cama arrumada e as próprias roupas lavadas e passadas. Charlie também era responsável por lavar a louça do jantar e ocasionalmente tentava ajudar no preparo das refeições, embora a Sra. Krauss tivesse o devido cuidado para não deixa-la com nenhuma atividade potencialmente catastrófica.

Nos dias comuns, as duas terminavam de jantar e assistiam juntas a novela preferida da Sra. Krauss e era inquestionável como as duas se gostavam. Havia sido o momento difícil de Lukas que as unira de tal forma que o carinho permanecia mesmo após os anos.

Mesmo estando em liberdade e vivendo sob o teto de Hilda, Charlie não via Lukas com tanta frequência quanto gostaria. Ela precisou se acostumar com a ideia de que Krauss agora tinha a própria vida e que seguira em frente o bastante para construir um lar ao lado de outra mulher.

Era irônico e cruel que ela tivesse optado por seguir a vida ao lado de Toby, abrindo mão do que ainda sentia por Luke, apenas porque estava magoada por ter sido abandonada em uma fase difícil. Krauss havia provado mais uma vez que era seu melhor amigo ao reergue-la após o golpe dos Price, mesmo depois de ter sido injustiçado por Baviera.

Ela e Lukas ocasionalmente se falavam para conversar sobre o caso, mas o trabalho do rapaz e o fato de viver do outro lado da cidade tornavam os encontros raros, resumindo o contato a ligações e mensagens, além das breves visitas que ele fazia a mãe.

- Charlie, amasse as batatas com mais força...

Hilda instruiu, enquanto molhava o peru que já havia passado algumas horas no forno. Ela ergueu os olhos para vigiar a tarefa de Baviera e imediatamente ergueu o braço, dando um tapinha nos dedos de Charlie quando ela tentou surrupiar mais um dos morangos que seria usado para a torta da sobremesa.

- E fique longe dos morangos! Você vai perder o seu apetite para o jantar!

- É impossível perder o apetite com esse cheiro, Sra. K., eu já engordei quase uma tonelada desde que vim pra cá.

As bochechas de Hilda coraram e ela abriu um sorrisinho orgulhoso que tentou disfarçar com um gesto displicente da mão, espantando uma mosquinha imaginária.

- Você está magrinha demais. Não faz mal algum comer...

O barulho que veio da porta fez Charlie imediatamente girar a cabeça para a sala. Sempre que Luke estava para vir, ela sentia a ansiedade se espalhar, mesmo que sempre se lembrasse de que fossem apenas amigos.

- O Luke chegou.

A panela de purê foi abandonada e Charlotte ignorou quando Hilda tentou impedi-la de correr até a porta. Pelo barulho da maçaneta, Luke já tentava abrir a porta do outro lado, mas a menina o poupou do trabalho quando a abriu de supetão, exibindo um largo sorriso.

- Por favor, diz que você trouxe um donuts pra mim. Sua mãe não me deixa nem chegar perto dos morangos e eu estou faminta...

O sorriso de Charlie vacilou quando os olhos verdes deslizaram de Luke até pousar na loira atrás dele. Ela nunca havia visto Doreen antes, mas não precisou de nenhuma dica para deduzir que aquela era a namorada de Krauss.

Só agora o chamado de Hilda fez sentido em sua mente. A Sra. Krauss tentou impedi-la de passar por aquele momento constrangedor.

Charlotte, que sempre foi tão vaidosa e precisava de saltos para minimizar o impacto da pequena estatura, vestia apenas sapatilhas naquele final de tarde. A legging florida se ajustava ao corpo magro e o calor provocado pela lareira permitia que ela vestisse uma regata branca e larga, que deixava escapar o seu top escuro. As novas roupas que ela conseguira comprar não tinham nenhum pouco do luxo de antes, mas eram simples e confortáveis.

Doreen, por outro lado, parecia uma boneca de porcelana. Ela usava botas pretas e uma calça também escura, por baixo do vestido rosado que abria da cintura para o quadril. O gorro branco sobre os cabelos loiros que caíam em ondas impecáveis combinava com as suas luvas, mas era o sorriso angelical que fazia toda a diferença.

Por mais que já estivesse disposta a não interferir no novo relacionamento de Lukas, Charlotte estava preparada para lidar com outra Olga, fútil e baladeira. E não com a Srta. Perfeita de Pernas Longas.

- Oi... Eu quase esqueci que você viria acompanhado. – Charlie forçou um sorriso e deslizou para o lado, abrindo o espaço para que o casal entrasse. – O Cristoph ainda não chegou. Vou ver se ele consegue trazer alguns donuts, vocês também querem?
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Out 13, 2016 3:10 am

Um buraco negro havia surgido sob seus pés e Benjamin estava sendo sugado para dentro dele. Tudo ao seu redor começava a se desmanchar, como se fosse feito de açúcar sob a chuva. Ele ia desaparecer. Precisava desaparecer, porque simplesmente não ia aguentar a dor do coração sendo arrancado do seu peito.

- Benjamin?

A voz de Amelie ecoou distante, mas os olhos metálicos ainda estavam presos em um ponto imaginário daquela sala que era destruída em sua mente, assim como o restante do mundo.

- BENJAMIN!

Os dedos da princesa o agarraram pelo ombro, obrigando o homem a voltar a realidade. De repente, o som ambiente voltou a invadir os ouvidos de Kensington e ele olhou ao redor. A movimentação da sala havia ficado ainda mais intensa e o investigador estava pendurado no telefone enquanto Amelie tentava resgatá-lo do buraco negro.

- Ela está grávida.

As palavras de Benjamin saíram em um único suspiro, as íris metálicas começando a brilhar por uma camada de lágrimas provocada pelo limite do seu desespero. Danika estava grávida e estava apanhando de Fried naquele momento. Ele deveria ter sido mais cuidadoso, deveria ter colocado seguranças para andar ao lado de Lehman. Ela havia se tornado uma figura pública e deveria ter recebido toda a segurança que era destinada aos Kensington.

- Benamin, eu preciso que você aguente só mais um pouco! Você está me escutando?

O rei escutava, mas seu cérebro era incapaz de processar o que estava acontecendo. O choque que o consumia só permitia que o grito de dor de Danika voltasse a ecoar em loop assim como a imagem da namorada apanhando do psicopata que a havia levado.

- Majestade, nós precisamos agir agora.

Mais uma vez, o mundo foi ignorado enquanto Benjamin balançava a cabeça, preso em seu próprio pesadelo.

- Ela está grávida e ele vai matar o meu bebê. Eu vou perder os dois.

Amelie bufou, assumindo a situação. Ela continuou sentada na mesinha de centro, com as mãos unidas as de Benjamin, mas se voltou decidida para o investigador.

- Use o helicóptero real. – Os cabelos loiros balançaram quando Amelie se voltou para Olga. – Fique com a Beth. Com todo esse barulho, ela vai acordar daqui a pouco e não vai precisar ver o pai nesse estado.

A menção do nome de Lisbeth fez as íris metálicas finalmente se mexerem, voltando a enxergar o apartamento. Ele ainda se sentia destruído, mas precisava reagir. De tantos momentos para falhar, para continuar atônito, aquele era o menos adequado possível.

Lisbeth ainda estava viva e carregava o seu filho. Ele não podia se render enquanto não tivesse a romena com vida em seus braços.

- Eu vou junto. – Benjamin se ergueu em um salto, puxando o celular por onde recebera a notícia bombástica e uma jaqueta esquecida sobre o braço do sofá.

O investigador precisava agir com rapidez, cada segundo era importante para a vida de Danika. Mas ainda assim, ele estava diante do rei da Áustria e colocá-lo em uma situação de risco não era uma atitude inteligente.

- Majestade, eu sinceramente não vejo nenhum ganho com isso. Para sua segurança...

- Ele vai junto! – Amelie quase gritou, lançando um olhar sério ao investigador que não combinava com sua personalidade mais brincalhona. – E eu sugiro que vocês vão agora!

Com uma expressão mais suave, mas ainda assim com a preocupação refletida nos olhos cinzentos, Amelie voltou a se aproximar do irmão.

- Eu cuido da Beth. Só traz a Nika pra casa.

Benjamin confirmou com um movimento da cabeça antes de seguir o caminho das escadas ao lado do investigador, até a cobertura do prédio. Durante todo o instante, o homem falava com o rádio acoplado ao seu uniforme, mas a ansiedade de Benjamin não permitia que ele compreendesse o que as vozes abafadas pelos ruídos estáticos estavam dizendo.

Os dois só precisaram esperar dez minutos até que o barulho e o vento do helicóptero enchesse a cobertura do prédio. O grande “K” dos Kensington era exibido na pintura branca, junto com o desenho de uma coroa. O piloto já estava pronto para decolar novamente, seguindo as instruções já passadas pelo investigador.

Enquanto sobrevoava Leoben, os olhos metálicos encaravam os prédios se afastando, novamente sendo sugado para os pensamentos terríveis que sua mente resolvera produzir.

Qualquer homem normal teria tempo para digerir a novidade de ser pai, poderia refletir sobre as mudanças em sua vida. Mas Benjamin não tivera um único segundo para comemorar, para pensar em nomes, sorrir ou beijar Danika com aquela notícia. Ele não tinha nem mesmo o direito de ficar feliz, porque não sabia se nas próximas horas o seu bebê ainda estaria vivo.

- Estamos quase chegando. – O investigador disse junto ao fone em sua boca, a voz dele soando nos fones de ouvido que Benjamin usava.

O barulho das hélices era alto demais, mas não foi por isso que Benjamin preferiu não responder.

- A polícia já está no local. – O homem insistiu em passar as notícias para o rei.

Cada segundo que passava era decisivo. A cada segundo, Danika e seu filho sofriam mais agressões de um maluco que tivera o azar de cruzar suas vidas. Um louco que agora carregava toda a vida de Benjamin nas mãos.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Out 13, 2016 3:18 am

- Que milagre é este? Acho que é a primeira vez que o Lukas não chega atrasado para um jantar!

A voz de Hilda quebrou um pouco do constrangimento gerado por aquele encontro. Enquanto a mulher entoava aquela implicância gentil, o casal entrou na sala da casa dos Krauss. A temperatura agradável no interior do imóvel permitiu que Lukas retirasse o seu sobretudo. Doreen também se livrou do gorro, libertando os longos fios loiros.

- Eu poderia dizer que é um milagre de Natal, mas não vou deixar que o Papai Noel leve os créditos. – Doreen respondeu com bom humor – Eu estou apressando o Luke desde as duas da tarde.

- Ela está sendo uma chata desde as duas horas da tarde. Eu também preciso de alguns donuts para recuperar o bom humor.

Aquela troca de farpas estava longe de ser uma discussão séria. O sorriso trocado pelo casal mostrava que eles também cultivavam aquele hábito de se provocarem com implicâncias divertidas.

A sacola lotada de embrulhos que Doreen carregava foi repassada para as mãos de Luke, que imediatamente caminhou até a árvore de Natal e começou a rechear a base dela com mais presentes. O casal havia trazido pacotes para Hilda, para Cristoph e também para Charlotte, mostrando que Baviera era muito bem vinda àquela festa de família.

- Você não se lembra de mim, Charlie? A gente se conheceu em Leoben. É um prazer te rever, estou muito feliz em saber que os advogados estão resolvendo o mal entendido sobre a sua família.

O sorriso gentil de Doreen não era totalmente estranho. As duas meninas nunca tinham conversado, mas Charlie havia participado de algumas festinhas da turma de Economia na época em que tinha uma amizade colorida com Krauss.

A loira sempre fora uma aluna aplicada e discreta, mas certamente não passava despercebida com seu um metro e oitenta de altura, os longos cabelos loiros e as íris azuis acinzentadas. Com saltos, Doreen ficava um dedo mais alta que Luke, numa oposição gritante às estaturas pouco privilegiadas de Charlotte e Hilda.

- Tem chance da Charlie não ter te enxergado aí em cima, Dory. Ainda mais se você estivesse usando saltos no dia. Ela precisaria de um binóculo para ver o seu rosto.

- Ridículo. – os olhos de Doreen rolaram e ela soltou um risinho antes de se aproximar do namorado, puxando um pacote embrulhado com papel de presente azul – Este vai ficar bem no fundo. Sua mãe já me disse que você tem o péssimo hábito de abrir os seus presentes antes de meia noite.

Era difícil transferir para Doreen a mesma antipatia que Olga despertava. A nova namorada de Lukas era doce, tinha um sorriso suave e um comportamento discreto. Mesmo conhecendo o passado turbulento entre Charlotte e Luke, Doreen não fez nenhuma cena de ciúme e nem tentou constranger a outra garota. Pelo contrário, a loira se esforçou para ser muito simpática durante a conversa que antecedeu o jantar.

A chegada de Cristoph completou aquele agradável clima familiar. O antigo rei havia trocado a cadeira de rodas por muletas e aquele também era um dos motivos a ser comemorado naquele Natal. Kensington não só havia sobrevivido ao acidente, como passara a fazer parte daquela família.

O banquete preparado por Hilda estava impecável e serviu para reforçar ainda mais as diferenças entre Olga e Doreen. A primeira namorada de Lukas era conhecida por suas constantes dietas e pela frescura na escolha dos seus pratos. Doreen surpreendeu a todos quando formou em seu prato uma pirâmide tão alta quanto a do namorado.

- Está rolando algum tipo de competição? Eu não fui informado... – Cristoph brincou enquanto olhava os pratos dos dois jovens – Não tem comida no apartamento de vocês ou é falta de um bom vermífugo?

- Ainda bem que os dois ganham bem, senão o salário ficaria todo no supermercado. – Hilda completou a provocação, no fundo satisfeita em ver sua comida sendo aprovada.

- A única briga feia que já tivemos foi para decidir quem ficaria com a última fatia da pizza. – Doreen abriu um sorrisinho para o namorado – Eu ganhei.

- Você não ganhou. Você pegou o pedaço de pizza e correu para o banheiro. Isso é jogo sujo, Dory.

Aquelas implicâncias divertidas se estenderam por todo o jantar, mas os jovens deram um tempo nas brincadeiras quando se acomodaram novamente na sala, depois de experimentarem a sobremesa preparada pela Sra. Krauss.

Hilda e Cristoph iniciaram a troca de presentes e arrancaram sorrisos doces dos jovens quando se beijaram depois da entrega dos embrulhos. Luke ainda tentou fingir um desconforto e girou os olhos para a cena, mas o sorrisinho torto denunciava que ele estava feliz pela mãe.

O primeiro embrulho de Lukas foi entregue para a namorada. Doreen rasgou o papel e seu sorriso se alargou ao encontrar ali um tablet que lhe seria extremamente útil no trabalho. O presente da loira ainda passava de mão em mão quando Luke pegou um segundo embrulho e o estendeu na direção de Charlotte.

- Este é seu, Charlie.

Quando abrisse o embrulho, Baviera notaria que o amigo ainda conhecia muito bem as suas preferências. Ao contrário de Tobias que geralmente errava feio na escolha dos presentes, Luke havia acertado na escolha daquele kit. O grande bloco era perfeito para os desenhos de Charlie, assim como o conjunto de lápis que o acompanhava. Também havia ali uma fita métrica colorida e ajustável, bem como um potinho cheio de alfinetes que poderiam ser usados nas criações de Baviera.

Tudo aquilo eram apenas simples lembranças que mostravam que Luke confiava no talento da melhor amiga e a incentivava a voltar ao trabalho quando todo aquele pesadelo chegasse ao fim. Mas o verdadeiro presente estava no fundo da caixa. O estojo delicado guardava uma pulseira de ouro, decorada com pequenas pérolas.

A joia era comum aos olhos de qualquer um. Lukas e Charlotte, contudo, sabiam que aquela pulseira era uma réplica perfeita do presente que Krauss comprara para a amiga na feirinha de Leoben, só que desta vez feita com ouro e pérolas de verdade.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qui Out 13, 2016 3:58 am

Não existia melhor definição para aquele momento do que “pesadelo”. Se não fosse pela dor absurda que Danika sentia a cada pancada que recebia de Friedrich, a romena se convenceria de que estava sonhando. Era surreal demais que aquela tragédia estivesse se repetindo. Mais uma vez, Nika estava grávida e Fried tentava colocar um fim naquela gestação da pior maneira possível.

Desta vez, como não foi pega totalmente de surpresa, Danika tentou reagir. A sua única chance de sair viva daquele casebre e de tentar salvar o bebê que crescia em seu ventre era lutar contra o agressor. Volgeman era absurdamente mais forte que a moça, mas a adrenalina dava um vigor desumano à Lehmann. Seus punhos socavam qualquer parte do corpo do ex-namorado que ficava ao seu alcance e Nika se aproveitava das unhas compridas para arranhar dolorosamente a pele dele.

Os dois se atracaram no meio do quarto imundo. Como sabia que ninguém apareceria para salvá-la nos próximos minutos, Danika não gastou suas forças em gritos inúteis. Toda a sua concentração estava voltada para os golpes que aplicava em Friedrich e para fugir das mãos e pés do rapaz.

No meio de toda aquela confusão, a arma escorregou para fora do bolso de Fried e deslizou pelo chão empoeirado. O maior erro de Volgeman foi se virar para tentar resgatar o revólver. No instante em que o loiro deu as costas para Danika, a romena não hesitou em puxar para si uma das gavetas da penteadeira velha do quarto. Fried só teve tempo de ver o reflexo da madeira cortando o ar antes de ser atingido com força na cabeça.

Aquele golpe não foi o bastante para deixar Volgeman inconsciente, mas o rapaz estava visivelmente atordoado quando cambaleou pelo quarto até parar em frente à janela, ofegante e totalmente tonto.

Lehmann não havia planejado aquela ação, tampouco pensou muito no que estava fazendo quando obedeceu aos seus instintos de sobrevivência e se aproximou de Fried. As duas mãos de Nika atingiram as costas de Volgeman com força, jogando-o na direção da janela. O corpo pesado do rapaz quebrou o vidro antes de despencar do segundo andar. Mesmo na escuridão da noite, Danika conseguiu visualizar o corpo caído no meio do mato que rodeava o casebre, em uma posição distorcida que não deixava dúvida de que Friedrich, no mínimo, havia fraturado a coluna.

O corpo de Danika ainda tremia por inteiro quando a romena pegou a arma caída no chão do quarto. Seu segundo reflexo foi procurar pelo celular, mas a ausência do aparelho fez Nika concluir que ele estava no bolso de Friedrich.

A noite estava gelada e o vestido rasgado não protegia o corpo de Danika do frio, mas a adrenalina que ainda circulava em suas veias era o suficiente para mantê-la aquecida quando a romena saiu do casebre. Seus pés descalços sequer sentiam dor enquanto Lehmann amassava o gramado irregular até alcançar o corpo de Friedrich.

A intenção de Danika era apenas pegar o celular e ligar novamente para Benjamin, desta vez para dizer que estava tudo bem e que Volgeman não havia conseguido repetir o bom desempenho que tivera no passado. Mas Lehmann perdeu por completo o foco quando percebeu que ainda havia vida nos olhos azuis do ex-namorado.

Fried estava imóvel, apenas seus olhos se moviam desesperadamente de um lado para o outro. A fratura exposta em sua perna direita certamente provocaria no rapaz a pior dor de toda a sua vida, mas Volgeman nem parecia ter notado que quebrara o osso.

- Não está sentindo as pernas? – Danika cutucou um dos joelhos do ex-namorado com o pé, depois repetiu o gesto no braço do rapaz – E os braços?

A arma foi apontada para o rosto de Friedrich e o rapaz chegou a fechar os olhos, esperando pelo tiro de misericórdia que colocaria um fim no seu sofrimento. O ruído agudo não veio. Pelo contrário, Fried ouviria apenas a voz contida de Danika.

- Eu não vou te matar, Fried. Acho que será um castigo pior deixá-lo vivo para sobreviver nessas condições. Não é misericórdia ou nobreza. Eu simplesmente estou optando pela escolha que vai te causar mais sofrimento e mais humilhação.

Antes que a romena pudesse mudar de ideia naquela decisão, seus ouvidos captaram o som de sirenes vindo de muito longe. Em poucos minutos, as luzes azuis e vermelhas das viaturas iluminaram o descampado onde ficava localizado aquele casebre abandonado. Uma das ambulâncias levou Friedrich para o hospital da cidade mais próxima, obviamente acompanhado por uma escolta policial.

Nika também estava machucada e precisava de cuidados, mas a moça se recusou a sair dali quando soube que Benjamin estava chegando de helicóptero. Um dos policiais cobriu os ombros dela com um casaco e a colocou sentada dentro de uma das viaturas. Danika se aninhou no banco e, inconscientemente, protegeu a barriga com um abraço. Em uma prece muda, Nika implorou a Deus que aquele segundo filho fosse tão forte quanto Beth e nascesse saudável apesar dos horrores enfrentados pela mãe nos últimos dias.

O ruído ensurdecedor do helicóptero pousando no campo tirou Nika de dentro do carro. Os pés dela ainda estavam descalços quando a romena ignorou o pedido dos policiais e se aproximou do helicóptero, estremecendo com o vento gelado que as hélices lançavam em sua direção.

No instante em que os pés de Benjamin alcançaram o terreno, Danika correu até o rei e se jogou nos braços dele, agarrando-o com firmeza. Suas lágrimas eram uma mistura de desespero, dor e de um profundo alívio por ter sobrevivido ao pesadelo dos últimos três dias.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Out 13, 2016 4:02 am

A todo instante Charlotte tentava encontrar em Doreen as mesmas falhas e críticas que tanto eram realçadas em Olga, mas era impossível encontrar qualquer ponto negativo que justificasse o incômodo que a namorada de Lukas despertava no seu estômago.

Quanto mais tempo passava ao lado da loira, mais Baviera conseguia entender os motivos que levaram Krauss a escolhê-la para o seu futuro. Não era apenas a beleza de Doreen que a tornava atraente. Ela parecia reunir todas as qualidades necessárias para ocupar o lado de Luke. A beleza de Olga, a amizade de Charlotte, com o acréscimo de ser uma menina humilde e trabalhadora, tão diferente do mundo luxuoso de onde Baviera havia surgido.

A amizade entre eles, que Charlie sempre julgara ser especial, era copiada com as implicâncias e as piadas leves do casal, com a diferença de que Doreen parecia ter sido moldada exatamente para estar ao lado de Krauss.

O gosto do ciúme e a dor por enfrentar as consequências dos próprios erros ainda assombravam Charlotte, mas ela não tinha o direito de bagunçar a vida de Luke outra vez, declarando um amor que possivelmente arruinaria a única coisa que havia restado entre os dois.

O relacionamento confuso entre eles finalmente havia se definido e era com aquela amizade que Charlotte deveria se contentar. Mas diferente de antes, ela enfrentaria o próprio ciúme para se manter ao lado de Krauss da forma que fosse possível, mesmo que fosse necessário abafar o amor que ainda sentia por ele.

Os dedos delicados tocaram o presente recebido por Luke e os olhos verdes imediatamente procuraram pelo rosto dele, demonstrando o reconhecimento daquele gesto. Sem pensar duas vezes, Charlie deslizou a joia pelo seu pulso e sorriu em agradecimento.

- É lindo, Luke. Mas você já fez demais, não precisava...

Quando a troca de presentes encerrou, a música natalina continuou ecoando pela caixinha de som colocada por Hilda Krauss e todos permaneceram na sala, continuando a agradável conversa do jantar, desta vez envoltos pelos embrulhos que se espalhavam pelo carpete.

- Tem notícias do seu pai, Charlie? – Cristoph ocupava a ponta do sofá e tinha um braço pousado ao redor dos ombros de Hilda.

O antigo rei parecia extremamente a vontade por ter deixado de lado o banquete do palácio pela ceia produzida por Hilda. Mas Charlotte, que o havia conhecido ainda usando a coroa, sendo um homem sério que escondia um segredo da família, ainda tentava se acostumar com aquela visão.

- Eu fui visita-lo hoje cedo. Levei o livro preferido dele... Mal vejo a hora para que ele possa sair daquele lugar terrível.

Charlie havia passado apenas três dias em uma delegacia e já havia experimentado um gostinho do inferno. Pensar no estilo de vida que o pai estava tendo em um presidio, sendo inocente, era sufocante.

- No próximo natal, vocês já estarão juntos. – Kensington garantiu com um sorriso mais simpático. – Não perca as esperanças, Charlotte. Você já chegou longe demais...

- Você me prometeu que iria parar de citar Oprah, querido. – Hilda abriu um sorriso divertido e acariciou o rosto do homem ao seu lado.

- Eu vi essa menina crescer, Hilda. – Cristoph ergueu a mão para apontar Charlotte, o que fez o sorriso da Sra. Krauss se alargar ainda mais.

- Pelo visto não foi uma vista muito demorada, não é? A Charlie não cresceu até hoje.

- Falou a Miss Altura. – Charlotte girou os olhos, acompanhando o clima leve das provocações.

Ela se colocou de pé poucos minutos depois, mantendo a caixa do presente de Luke em suas mãos. Hilda havia acabado de servir uma nova dose de chocolate quente e estava na cozinha com Doreen para preparar os biscoitinhos de canela que seriam servidos.

- Luke? Posso falar com você um minuto?

Sua cabeça apontou na direção do corredor e Charlie seguiu o caminho até entrar no antigo quarto de Krauss. Seu próprio presente foi deixado sobre a cama e ela puxou um envelope na mesinha de cabeceira antes de entrega-la a Lukas.

- Você tem feito muito por mim, Luke. Mais do que seria possível agradecer. Eu sei que nunca vai ser o bastante dizer o quanto eu me sinto grata por tudo que você fez...

Dentro do envelope havia um pequeno bolo com uma quantia considerável em dinheiro, que Charlotte logo explicou a origem.

- Eu ainda estou com a minha conta bancária bloqueada, mas ainda tinha o anel de noivado que o Toby me deu.

Lembrar que estava planejando se casar com Price ainda causava uma revolta em Charlotte, mas ela se esforçava a lembrar que aquilo havia ficado no passado.

- Eu vendi e consegui algum dinheiro. Gastei uma parte para comprar algumas roupas novas e ajudar a sua mãe com as despesas da casa. Mas eu queria que você aceitasse pelo menos o que gastou com a minha fiança.

Charlie sabia que tinha uma grande chance de Lukas não aceitar aquele dinheiro, mas ela precisava insistir, em minimizar um pouco a sua culpa e passar o agradecimento profundo que sentia.

- Por favor, Luke.... Você já fez demais. Vou me sentir ofendida se você não aceitar.

Um sorriso apareceu nos lábios de Baviera quando ela completou, levando a conversa para um clima mais leve.

- Ainda sobrou um pouco para comprar o seu presente de natal. Mas ele só é válido se você aceitar o dinheiro.

Junto com as cédulas de dinheiro, haviam dois ingressos para assistir a final da Eurocopa que aconteceria em duas semanas.

- Leve a Doreen pra ver com você. Mas não vá julgá-la se ela passar todo o jogo assistindo apenas as pernas dos jogadores. Acredite, é mais forte do que a gente.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Out 13, 2016 10:16 pm

O primeiro reflexo de Lukas foi recuar a mão para recusar o dinheiro oferecido pela amiga. A quantia que ele desembolsara para pagar a fiança não era nada desprezível, mas nunca passou pela cabeça de Krauss cobrar aquela dívida de Charlotte. O valor era irrisório perto do que Charlie gastara durante a internação dele no hospital particular e, definitivamente, a liberdade de uma pessoa inocente valia cada centavo que saíra da conta de Luke.

Contudo, Baviera mostrou que conhecia muito bem o melhor amigo quando acrescentou ao envelope um “brinde” que Lukas teria dificuldade para recusar. Os ingressos para a final da Eurocopa arrancaram um sorrisinho torto do rapaz e ele cedeu à tentação, pegando o envelope que Charlie oferecia.

- O interesse da Doreen por futebol é tão pequeno que nem mesmo as pernas dos jogadores servem como estímulo para prender a atenção dela.

De fato, os dois jovens se davam bem, tinham muitos gostos em comum e uma convivência leve e harmoniosa. Mas Doreen nunca aprendera a compartilhar a paixão do namorado por futebol. Sempre que se obrigava a assistir uma partida ao lado de Lukas, não demorava dez minutos para que a loira começasse a cochilar ou a mexer no celular.

- Mas você pode ir comigo. Apenas leve seus documentos para provar que é maior de idade, senão não conseguirei comprar cerveja para você.

Mesmo que Doreen estivesse se comportando de maneira natural e gentil, era muito improvável que a loira não sentisse nem mesmo uma pontinha de incômodo em pensar que Krauss sairia sozinho com a ex-namorada por quem, até alguns poucos meses atrás, ele era perdidamente apaixonado. Mas Luke garantiu a Charlotte que estava tudo bem e que aqueles ingressos não causariam nenhum transtorno no relacionamento.

Lukas realmente pensava que Doreen iria compreender e que se sentiria até aliviada por não precisar acompanhá-lo em um jogo de futebol. Exatamente por ter certeza de que a namorada não iria se importar, Luke foi surpreendido por um arquear de sobrancelha logo que contou a novidade para Doreen.

Os dois tinham acabado de chegar ao pequeno apartamento que dividiam no centro de Viena e Lukas comentou sobre os ingressos enquanto se livrava do casaco. O semblante sério de Doreen fez o rapaz interromper seus movimentos e voltar para ela um olhar preocupado.

- A Charlie até sugeriu que eu levasse você. Mas você detesta futebol, Dory, então eu achei que não teria problema em convidá-la para ir comigo.

- O que você sentiria se eu chamasse um ex-namorado para sair? Só nós dois?

- Eu ficaria um pouco incomodado, mas entenderia se vocês tivessem decidido ser bons amigos depois do fim do namoro.

No fundo, Lukas sabia que aquele passo fora grande demais. Doreen era uma moça educada demais para se exaltar, fazer um escândalo ou lançar ofensas contra ele. Mas era óbvio que ela não havia gostado daquela novidade.

- Ok, sem estresse, Dory. Eu vou dizer a ela que você decidiu ir, está tudo bem. Eu realmente achei que estaria tudo bem para você, me desculpe.

- Você ainda a ama? Como mulher, não como amiga...

A pergunta de Doreen ecoou na pequena sala do apartamento. A loira não ergueu a voz, não parecia à beira das lágrimas e nem se mostrava disposta a transformar aquela conversa em uma briga. Era simplesmente um assunto importante demais que Doreen se recusava a deixar para trás.

- Dory, é Natal. A gente nunca briga, não vamos começar a brigar agora!

- Isto não é uma briga, Luke. Eu só acho que tenho o direito de saber o que está acontecendo. Eu adoro você, já construímos alguns planos juntos, mas ainda dá tempo de voltar atrás sem mágoas, sem machucar ninguém. Não me faça mergulhar num relacionamento que vai fracassar depois de um casamento, depois que tivermos filhos...

A cabeça de Lukas se sacudiu em negativa e, mais uma vez, ele fugiu da pergunta direta lançada pela namorada. Ao contrário de Benjamin, Luke era um péssimo mentiroso que não conseguiria negar seu amor por Charlotte Baviera diante dos olhos da namorada.

- Do que você está falando, Dory? O nosso relacionamento é perfeito, por que daria errado no futuro?

- Porque você ama outra mulher.

Desta vez, não era uma pergunta. A forma como Krauss havia fugido da resposta foi o bastante para que Doreen entendesse que o rapaz ainda não havia superado o amor que sentia pela melhor amiga. Diante do olhar chocado de Lukas, Doreen suspirou e completou o seu desabafo.

- Eu realmente achei que vocês tinham se tornado só bons amigos, mas esta noite ficou claro para mim que vocês ainda se amam. A forma como se olham, a troca de presentes... Eu estou chateada por pensar que as coisas vão terminar assim, mas eu prefiro que termine agora, Luke. Será muito mais triste e complicado se nós nos envolvermos mais. Eu acho que mereço mais do que um homem que gostaria de estar nos braços de outra mulher.

Desta vez, Lukas não teve nenhum argumento contra aquela verdade. Doreen era uma menina absurdamente especial que merecia estar com um cara que a idolatrasse. Por mais que gostasse da companhia dela, Luke não conseguia se encantar pela loira. Seu coração ainda batia mais forte por Charlotte Baviera e realmente não era justo condenar Doreen a um amor incompleto.

- Mesmo que você termine comigo, eu não vou voltar para a Charlie. – Luke se sentou no sofá, parecendo mentalmente exausto daquela conversa – Você tem toda razão, Dory. Mas isso não muda o fato de que Charlie e eu não fomos feitos para ficarmos juntos. Sempre que nós tentamos, alguma coisa deu errada. Nós só funcionamos bem como amigos.

- Bobagem. – Doreen seguiu os passos do rapaz, sentou-se no braço do sofá e afagou os cabelos dele – Vocês só tiveram o azar de enfrentar muitos problemas justamente quando estavam juntos. Foram só coincidências infelizes do passado.

Um sorrisinho travesso surgiu nos lábios de Krauss e ele ergueu a cabeça para encarar a loira sentada ao seu lado.

- É sério, Dory? Você está terminando comigo e me incentivando a ir atrás de outra garota? Quer ganhar o prêmio de melhor namorada de todos os tempos?

- Ex-namorada. – Doreen corrigiu o rapaz com um risinho, mas logo voltou ao ar mais sério – Eu só não quero que você siga os passos do seu pai, Luke. Não espere décadas para ter a coragem de assumir um amor verdadeiro. Dificuldades sempre vão surgir, mas tudo será mais suportável se você estiver feliz com a sua vida e com as suas escolhas.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Out 15, 2016 3:24 pm

A capa do principal jornal de Viena exibia uma enorme foto oficial da família real austríaca. A fotografia havia sido tirada por um fotógrafo profissional e divulgada no site da monarquia. Mas, apesar de toda a formalidade, era possível notar uma diferença gritante daquela nova imagem quando comparada às anteriores. Não havia mais sorrisos mecânicos ou olhares distantes. Finalmente a família real de Viena tornara-se uma família de verdade.

Benjamin Kensington estava no centro da foto, confortavelmente sentado no trono principal. A tradicional coroa brilhava sobre os cabelos castanhos e combinava com o traje oficial da monarquia, repleto de condecorações e medalhas. De pé ao lado direito do pai e segurando uma das mãos de Benji, estava a primogênita. Aos cinco anos, Lisbeth estava mais crescida, mas continuava com o mesmo sorrisinho meigo que arrancava suspiros de qualquer um. Os cabelos da princesa estavam impecavelmente escovados e ainda conservavam o tom de castanho claro mesclado com fios dourados. O vestido branco era digno de uma princesa. O que ninguém sabia era que a peça fora parar dentro de uma máquina de lavar, totalmente imunda, minutos depois da fotografia.

À esquerda de Benjamin, sentada em outra poltrona do palácio real, estava a nova rainha. Danika Kensington parecia ainda mais bela com aquelas roupas mais sofisticadas e os cabelos castanhos presos em um clássico coque lateral do qual saíram pequenas mechas cacheadas. A aliança que brilhava em seu anelar esquerdo fazia com que os austríacos se lembrassem da linda cerimônia de casamento que oficializara a romena como a nova rainha da Áustria. O vestido tinha um corte simples, reforçando a discrição que se tornara uma das principais características de Nika. O tecido azul era de bom gosto, mas não fora escolhido apenas pela beleza. Aquela cor parecia estar ali para reforçar o lindo tom dos olhos do novo herdeiro dos Kensington.

Embora toda a fotografia fosse bonita, a maior parte das pessoas focava primeiramente a sua atenção no bebê sentado no colo da mãe. O nascimento de Bernard Lehmann Kensington havia parado o país há um ano e desde então os paparazzi buscavam por cliques do novo membro da família real. Por um tempo, Nika e Benji tentaram preservar a imagem do bebê. Aquela foto oficial era a primeira vez que o rostinho de Bernard era divulgado para o país.

O caçula era uma perfeita miniatura de Benjamin. Os olhos azuis metálicos brilhavam e o fotógrafo havia tido a felicidade de registrar um sorriso amplo do pequeno príncipe. Os cabelos castanhos ainda eram fininhos, mas já mostravam os mesmos fios dourados que salpicavam a cabeça do pai. Bernard tinha o mesmo formato da boca do rei, os lábios se curvando para formar o discreto biquinho de Benjamin.

- Um site levantou a hipótese da família real austríaca ter sido selecionada para os primeiros testes de clones humanos da história.

A brincadeira de Amelie soou enquanto ela e Danika observavam a fotografia na capa do jornal. Os olhos castanhos da rainha rolaram, mas o sorriso orgulhoso dela mostrava que Nika não estava sinceramente chateada pela piada.

- Imagino que seja um site muito respeitado. – Danika ironizou, sem tirar os olhos da publicação.

- O mesmo que se dispôs a provar que Michael Jackson não morreu, mas que era um extraterrestre que retornou para o planeta de origem.

As duas mulheres riram antes que Nika finalmente conseguisse deixar a publicação de lado. O palácio real de Viena estava silencioso nas primeiras horas daquela manhã de domingo, o que indicava que as crianças ainda estavam dormindo. Alguns brinquedos abandonados no chão da sala, um discreto rasgo no sofá e desenhos infantis emoldurados nas paredes mostravam que aquele palácio suntuoso havia se transformado em um lar.

Não fora fácil para Nika deixar a vida simples de Leoben para mergulhar na loucura da monarquia. Mas ela amava Benjamin, os dois formavam uma família. E o rei precisava ficar em Viena, mas precisava ainda mais estar ao lado das pessoas que o amavam. Por Benji, Danika havia deixado de lado todas as suas defesas contra a capital e mergulhara naquela nova aventura. Seu restaurante em Leoben ainda existia e era um sucesso, Nika continuava a frente dos negócios, mas encontrara em Lionel o melhor gerente que ela poderia desejar. A ideia de abrir uma filial na capital fora adiada depois do nascimento de Bernard, mas agora que o caçula estava mais crescido e não dependia tanto da mãe, Nika voltava a pensar em ocupar novamente o seu lugar numa cozinha.

- E onde está o aniversariante do dia? – Amelie olhou na direção da escadaria deserta – Já são quase dez horas! A noite de ontem deve ter sido bem agitada.

- Demais. – Nika girou os olhos antes de completar – O Bernard dormiu à tarde, então chegamos às duas da manhã e ele ainda estava elétrico.

- E depois das duas da manhã? – Amelie provocou com seu sorrisinho debochado – Você realmente não quis ser a primeira a presentear o rei?

- Amelie, por favor! – as bochechas de Danika coraram.

- Eu quero mais sobrinhos!

- Peça ao Lukas. – foi a vez de Nika abrir um sorrisinho de provocação – Ou então encomende os seus próprios bebês. Você e o Lion já estão namorando há dois anos.

A rainha soltou um riso satisfeito quando conseguiu fazer com que as bochechas da cunhada corassem com aquela insinuação. Não era mais segredo que Amelie Kensington havia se mudado para Leoben para ingressar como aluna da universidade, no curso de História. Mas também não demorou para que se tornasse público o romance da princesa com o gerente do restaurante de Danika.

- O papai me mataria se eu aparecesse grávida. E a mamãe provavelmente nunca mais olharia para a minha cara. – os olhos da princesa giraram e ela soltou um suspiro ao se lembrar de Helena – Ela tem dado notícias?

- O Benji ligou para ela na semana passada. Ela está bem. Ela tem tudo o que precisa, no fim das contas.

Havia uma crítica embutida naquelas palavras de Danika. Helena havia decidido se mudar da Áustria depois que teve certeza de que Cristoph iria até o fim na história do divórcio e que Benjamin não escutaria os seus conselhos negativos sobre Nika. Agora, a ex-rainha vivia em Paris e recebia uma mesada generosa do filho para manter a vida de alto nível que ela tanto gostava. Helena estava distante da família e raramente ligava ou mandava notícias. Mas ela parecia satisfeita em receber o dinheiro dos Kensington, como se aquilo fosse realmente tudo o que importava para ela.

Por mais que os filhos sentissem a falta dela, ninguém questionava que a vida era muito melhor sem a presença ácida da antiga rainha.

- Eu vou acordar o Benji. – Nika se colocou de pé e alisou o vestido simples que usava dentro de casa, reforçando a ideia de que o palácio era um lar como qualquer outro – Logo você terá que voltar para Leoben, ele precisa aproveitar mais a sua visita.

Amelie consentiu e sacou o celular para mandar uma mensagem para Lionel enquanto esperava pelo irmão. A princesa havia passado aquele final de semana em Viena para manter o hábito que os irmãos tinham de nunca perderem os aniversários um do outro.

As grossas cortinas do quarto não conseguiam mais conter os raios de sol quando a porta se abriu. Nika retirou os sapatos para não fazer barulho enquanto caminhava na direção da cama, onde o rei estava profundamente adormecido. Bernard realmente havia dado um pouco de trabalho no começo da última noite, mas Danika também tinha a sua grande parcela de contribuição para a exaustão de Benjamin.

- Amor...?

A voz suave da romena soou vinda dos lábios dela, colados na orelha de Benjamin. Os dedos delicados deslizaram no rosto dele, deliciando-se com o contraste da barba áspera em sua pele macia.

- É seu aniversário. Não vai querer perder o dia todo na cama, não é?

Assim que os olhos metálicos se abriram, Benjamin percebeu que não estava sozinho com a esposa. Danika se inclinou para o lado com um sorriso divertido para que o rei visse as duas crianças em pé na ponta da cama, ainda de pijamas e extremamente ansiosas por aquela bagunça.

- Surpresa! – a rainha se inclinou para depositar um selinho nos lábios do marido.

- Parabééééns, pupaaaaai! – Beth não economizou no salto dado sobre o colchão, aterrissando nos braços de Benjamin para cobri-lo de beijos.

Com apenas um aninho, Bernard não entendia muito bem a complexidade daquela data. Mas, como de costume, o menino não hesitou em imitar a irmãzinha. Seus bracinhos foram erguidos em comemoração e ele soltou um grito de “pupai” antes de também se jogar sobre Benjamin.

Para Nika, era difícil acreditar que o vizinho atraente que um dia consertara a torneira da pia do apartamento de Olga havia se tornado o seu marido. O fato de Benjamin ter o sobrenome Kensington e ser o rei de toda uma nação tinha uma importância secundária para a romena. Danika o amava porque Benji era um marido perfeito e o melhor pai que as suas crianças poderiam ter.

- Eu preparei um café da manhã especial. Isso se você sobreviver ao soterramento de crianças...

A rainha também se inclinou para presentear Benjamin com mais um beijo. Os olhos castanhos brilhavam com a mais genuína felicidade quando Nika sussurrou para o marido.

- Eu te amo, Benji.

- E eu amo vocês. – os olhos metálicos sonolentos brilhavam de felicidade quando Benjamin conseguiu enlaçar os três no mesmo abraço.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 15, 2016 4:55 pm

O quarto estava mergulhado na escuridão e o único ruído vinha da respiração leve de Lukas Krauss, embrulhado nas cobertas ao centro da cama. A porta foi aberta com um leve rangido que não pareceu interromper o sono do rapaz, permitindo Charlotte de terminar de arrastar a mala pelo piso de madeira com o máximo de cuidado possível.

As rodinhas deslizaram até pararem perto da entrada do closet e os olhos verdes estavam a todo tempo pousados no volume provocado pelo corpo de Luke enquanto retirava seu sobretudo, permitindo que ele caísse ao lado da mala.

Os fiéis saltos ainda estavam em seus pés e pouco havia mudado na aparência de Baviera naqueles dois anos. Os cabelos continuavam curtos e com mechas descoloridas, mas estavam ligeiramente bagunçados após ter passado horas em um avião.

A maquiagem também estava ligeiramente borrada, mas as olheiras haviam sido protegidas por óculos escuros em todo o caminho até chegar em casa. O sol já começava a nascer em Leoben, mas o fuso-horário provocado pelas últimas semanas em Nova Iorque e o intenso trabalho na semana de moda em solo americano faziam com que ela desejasse mergulhar ao lado de Luke e passar o resto do dia naquele quarto escuro.

Embora a aparência de Charlotte Baviera tivesse sido conservada, muito havia mudado em sua vida naquele período. O curto tempo ainda permitia que seu sobrenome fosse associado aos escândalos que estamparam os jornais, mas ao menos agora toda aquela história trazia também a inocência de Charlie e de seu pai.

O Sr. Baviera havia finalmente sido inocentado e reconquistado sua liberdade há um ano. O seu legado até então destruído foi aos poucos sendo novamente erguido após a prisão de Tobias e Marie Price, mas nem todo dinheiro do mundo seria capaz de fazê-lo voltar a ser o mesmo homem de antes.

Para Charlie, ter o sobrenome limpo outra vez e o pai ao seu lado era uma benção e seria eternamente grata a Lukas. E foi ao lado do melhor amigo que ela voltou a engatinhar novamente no mundo da moda.

A coleção desenhada que lançara Charlie novamente no mundo fashion era inspirada na pulseira que recebera de presente de Krauss. As cores das peças e cada um dos cortes era moldado para se encaixar com a joia e a harmonia fez com que mais uma vez o mundo olhasse para o talento da “pequena Baviera”.

Charlie amava o que fazia e finalmente se sentia útil, além de satisfeita em ganhar o próprio dinheiro ao invés de esbanjar a herança que um dia colocara o pai e ela atrás das grades. O único ponto negativo naquela transformação eram as constantes viagens que ela precisava fazer durante as semanas de moda ao redor do mundo.

Leoben havia novamente se tornado seu lar. Era naquela pequena cidade que havia encontrado a felicidade pela primeira vez e ela não pensou em continuar em Viena quando a amizade entre ela e Luke novamente tomou o rumo para um romance.

O rapaz ainda prosperava na empresa localizada em Viena, de modo que seu nome logo foi indicado para assumir a pequena filial que abririam em Leoben. O estagiário que havia descoberto o grande furo dos Baviera era o menino dos olhos do Sr. Weiss e tinha toda a confiança do seu chefe para assumir aquela responsabilidade, mesmo com a pouca idade.

O casal mostrava que a amizade e o amor que sentiam um pelo outro era suficiente para enfrentar aqueles longos dias sem se ver. As implicâncias constantes continuavam por mensagens e ligações intermináveis, e nem mesmo quando estavam juntos, existia uma trégua. Mas era exatamente aquela intimidade que Charlotte tanto gostava em ter ao lado de Luke.

Os saltos foram retirados dos seus pés, obrigando a pequena Baviera a reduzir generosos centímetros de sua altura antes de deslizar para a cama. O colchão afundou quando ela subiu pelos pés da cama e desta vez foi impossível para Luke não se remexer.

O sorriso de uma criança travessa sendo flagrada em uma travessura surgiu quando Charlotte encarou a expressão sonolenta do namorado, com quem já morava há um ano em um bom apartamento com vista para o rio de Leoben.

- Ainda é de noite em Nova Iorque, eu precisava dormir... Não queria te acordar, mas você dorme atravessado feito um vira-lata babão. Eu sou pequenininha, só preciso de um espacinho.

Os resmungos de Krauss apenas fizeram com que Charlotte abrisse um sorriso mais largo enquanto se encaixava nos braços dele, se entregando ao sono minutos depois.

Os cabelos curtos estavam ainda mais bagunçados quando Charlotte acordou, quase no final do dia. A expressão sonolenta mostrava que ela ainda tinha algumas horas a mais para aproveitar, mas seria impossível continuar na cama ao notar que Luke já havia se levantado.

Sem se importar com os cabelos que apontavam para todas as direções, Charlie cobriu o próprio corpo com um robe leve e caminhou descalça pelo longo corredor do apartamento até chegar na cozinha.

A energia e as roupas de Krauss mostravam que ele já havia se levantado há algumas horas, o que lhe dava alguma vantagem para zombar da imagem exausta da namorada.

- Fiz Waffles e ainda tem pizza na geladeira. Não sei em qual horário o seu estômago está, então pode decidir se quer tomar café da manhã ou jantar.

O sorriso preguiçoso de Charlotte a acompanhou até que ela estivesse novamente diante de Luke, esticando os braços para poder abraça-lo, mesmo com a diferença de altura.

- Você é tão atencioso... Sempre fazendo de tudo para me manter longe das panelas.

- Auto-preservação. – Luke sorriu, enlaçando a namorada com os braços pela cintura. – Quanto mais distante você estiver das panelas, mais seguros estaremos. Ainda posso sentir o gosto do sal daqueles ovos mexidos que você tentou fazer.

Os olhos verdes giraram, mas o sorriso ainda preso em seu rosto mostrava que aquela implicância não a incomodava. Charlie se afastou apenas para alcançar a bolsa esquecida sobre o balcão. O passaporte ainda estava solto, mas foi o bloco de desenhos que sempre carregava consigo que ela puxou, o esticando na direção de Luke.

- Eu andei pensando em tentar alguma coisa nova... Diferente.

As sobrancelhas de Krauss foram arqueadas quando ele recebeu o bloco em suas mãos, analisando o desenho de roupas infantis nos já conhecidos traços de Baviera. Exatamente como Charlotte havia imaginado, Luke não compreendeu a insinuação de imediato, o que a obrigou a explicar.

- Eu vou precisar dar um tempo nos voos por alguns meses. Então pensei em aproveitar o tempo que vou ficar em casa para desenhar uma linha de roupas infantis.

- O seu tamanho não teria nenhuma influência nesta escolha, Charlie?

A brincadeira de Krauss mais uma vez mostrou que ele ainda não havia compreendido. Charlotte cruzou os braços, começando a ficar mal-humorada com a lerdeza do namorado.

- Não. Mas talvez a menstruação atrasada e o teste positivo na minha bolsa possam ter tido alguma influência.

Luke havia acabado de arrancar um pedaço de waffles para levar até a boca e interrompeu o gesto instantaneamente. Os olhos castanhos encararam a namorada por longos segundos, completamente estático, até que ele finalmente conseguisse desengasgar da surpresa.

- Você está grávida?

- Não, estou na menopausa. – Charlie girou os olhos. Ao notar que Luke ainda estava na dúvida, ela ergueu o braço e o acertou com um soquinho na lateral do corpo. – É claro que eu estou grávida!

Era impressionante como mesmo diante de uma notícia como aquelas, o casal ainda conseguia agir como dois amigos que estavam apenas discutindo sobre um filme que haviam assistido na noite anterior.

Quando a notícia finalmente atingiu Luke sem mais nenhum risco de piadas ou mentiras, os olhos castanhos brilharam com emoção, contagiando Charlotte quando um novo abraço aconteceu. O beijo iniciado por Krauss era carregado pela felicidade, mas no instante em que se separaram, o tom de brincadeira estava novamente em seu rosto.

- Vamos precisar comprar uma bengala pra você

- Do que você está falando? – Charlie girou os olhos, tentando entender onde a piadinha de Luke chegaria.

- Você sabe... Com o seu tamanho e carregando uma melancia na barriga, não me admira que você comece a tombar pra frente.

O soquinho no ombro de Luke foi repetido, mas Charlotte sorria para demonstrar que aquele clima leve era exatamente o que ela estava esperando.

- Você é um grande idiota, Lukas Krauss.

- É, um grande idiota que você ama e que vai ser pai da miniaturinha que vai sair de você.

- Um grande idiota que também ama o meio metro esfomeada da sua namorada. Cadê a pizza?
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