The Royals

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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Out 09, 2016 12:09 am

- Vocês duas são terríveis.

Os olhos castanhos rolaram por trás das lentes de vidro com impaciência. Como de costume, Lukas havia trocado as lentes de contato pelos óculos tão logo pisou em casa. O rapaz estava desesperado para descansar os olhos que ardiam depois de um dia inteiro na rua. Krauss ainda não se sentia totalmente à vontade com aquele novo acessório, mas já havia se conformado com os óculos depois de um ano inteiro de convivência forçada com eles.

Duas garrafinhas de cerveja foram abertas e Luke empurrou uma delas para as mãos da amiga. Todas as pastas e documentos dos Baviera já tinham sido levados para o quarto do rapaz e Lukas mostrou que manteria o sigilo que o serviço exigia quando não confessou nem mesmo para a mãe o motivo do reencontro com Charlotte.

- A gente só vai ver um jogo, mãe. Vamos tentar não fazer barulho para não te incomodar.

- Vocês não vão incomodar. Eu estou sem sono.

Hilda tentou forçar um sorriso, mas Lukas não se deixou enganar. Desde que soubera que Cristoph Kensington estava lutando contra a morte num leito de UTI, a Sra. Krauss não tivera mais uma noite tranquila. A insônia a perseguia, mas ainda era melhor do que adormecer e ser assombrada com pesadelos terríveis.

- Então fica com a gente. – Lukas lançou um olhar carinhoso à mulher – Tome uma cerveja, solte alguns palavrões. Sempre faz bem xingar a mãe do juiz.

- Eu não entendo nada de futebol.

- A Charlie também não. – Luke lançou um sorrisinho torto para a amiga – Por isso é tão divertido assistir aos jogos com ela.

Embora não entendesse o que estava acontecendo entre os jovens, Hilda sabia que a sua presença atrapalharia a dinâmica dos dois. E era exatamente por gostar tanto de Charlie que a Sra. Krauss não queria que nada atrapalhasse uma possível reconciliação.

- Eu prefiro procurar um filme na TV do que ficar assistindo uma aglomeração de rapazes correndo atrás de uma bola. Imagino que a Charlie ainda ache interessante os músculos que aparecem sempre que os calções se erguem durante a corrida, mas eu já passei desta idade.

- Como é? – Lukas lançou um olhar de acusação para Baviera – Então é por isso que você assiste futebol comigo, pra ficar olhando pras coxas dos jogadores???

- Qual outro motivo teria, Lukas? – Hilda girou os olhos esverdeados enquanto tirava a garrafa de água da geladeira – Desculpe por isso, Charlie. Ele nunca foi muito esperto.

Aquele clima leve de provocações passava a falsa impressão de que estava tudo bem na casa dos Krauss. Mas Charlie notaria que não era bem este o caso quando, antes de sair da cozinha, Luke se colocou diante da mãe e a puxou para um abraço carinhoso enquanto depositava um beijo protetor na testa dela. Hilda deixou escapar uma lágrima, que foi apressadamente recolhida pelos dedos trêmulos da mulher.

- A Nika me ligou. – a voz baixa da mulher foi dirigida apenas ao filho visto que Charlie já estava do lado oposto da cozinha – Ela disse que o Benjamin acrescentou o meu nome na lista de visitantes e que eu deveria ir pela manhã, quando o hospital fica mais vazio.

- Vai mesmo, mãe. Acho que vai te fazer bem. Nada é pior do que ficar assim, sem saber ao certo o que está havendo. Eu não vou entrar, mas posso levar a senhora. É só me dizer o horário e iremos juntos.

Hilda apertou o filho num abraço mais apertado que simbolizava o agradecimento que sua garganta fechada pelo choro não conseguiria verbalizar. Era óbvio que a mulher não agradecia apenas pela companhia, mas principalmente pelo apoio. Ela não suportaria a dor se, além de tudo, ainda tivesse que lidar com o julgamento do filho.

Luke só retomou a palavra depois que já ocupava um lugar no sofá ao lado de Charlie. Hilda havia voltado para o próprio quarto, de onde não conseguiria escutar a voz sussurrada do filho.

- Eu deveria ter voltado para Berlim na semana passada, mas não consegui deixá-la neste estado.

Um suspiro pesado antecedeu um gole generoso da cerveja e o semblante de Krauss estava anormalmente sério quando ele continuou. Como nos velhos tempos, Lukas sentia que podia abrir o seu coração para a melhor amiga.

- Ela ainda o ama. – os olhos castanhos giraram – E acho que ele também. Os dois meio que voltaram há alguns meses... Então você pode imaginar o quanto ela está arrasada. Eu não teria paz em Berlim pensando nela aqui sozinha, perambulando pela casa como um fantasma sem nem poder implicar comigo. A minha presença pelo menos a distrai de toda esta dor.

Uma sombra ainda mais pesada cobriu o semblante de Lukas antes que o rapaz finalizasse aquele discurso. Era evidente que, embora Luke colocasse a mãe no centro da história, ele também sofria com a ideia de que Cristoph estava à beira da morte no hospital.

- Eu falei com o Benji. Parece que é mesmo muito grave e que as chances são pequenas. Eu preciso estar ao lado dela caso o pior aconteça.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Out 09, 2016 1:06 am

Se Benjamin pudesse agir sem máscaras diante das câmeras, talvez toda aquela tortura fosse menor. Ele já havia passado tempo demais fingindo ser alguém que não era e desta vez sequer teria a recompensa de ter Danika ao seu lado. Talvez Lehman estivesse certa em dizer que ele ainda teria o povo ao seu lado se simplesmente fosse honesto, mas pelo menos naquele campo de batalha, Helena tinha uma generosa vantagem.

Se cometesse qualquer erro, não seria apenas a sua imagem que seria manchada para a história. O sobrenome dos Kensington e todo o legado de Cristoph estaria arruinado simplesmente porque o filho mais velho era completamente despreparado que preferia ter uma vida simples em uma cidade pequena.

Benjamin não queria aquele destino, mas era seu papel manter de pé o reinado austríaco. Muitos reis haviam marcado a história com grandes conquistas ou similares derrotas. Não havia espaço para ser medíocre e ele não tinha o direito de errar.

Todo o peso da responsabilidade que agora o assombrava desapareceu no instante em que Danika tocou o canto dos seus lábios. Sua mente ficou completamente vazia, se esquecendo dos problemas. A angustia do pai do hospital foi deixada de lado por alguns momentos. O medo de falhar e o desespero de abraçar aquele destino para o resto de sua vida desapareceu como mágica.

Por um momento, Benjamin foi transportado para o tempo em que vivia ali, que usava roupas mais simples e que sentava naquele sofá na companhia de Danika. Mesmo com o peso da mentira que carregava, ele se sentia muito mais feliz do que agora.

Os olhos metálicos encararam Danika, mergulhando nas lembranças felizes dos dois, desejando desesperadamente poder experimentar aquilo de novo. O toque dos dedos macios era simplório, mas o suficiente para fazer todo o seu corpo se lembrar de como era ter a romena em seus braços.

- Bom, pelo menos nisso eu nunca te enganei.

A voz rouca soou sussurrada, mais confiante do que antes e acompanhada de um sorriso mais leve, mostrando que Danika estava tendo sucesso em consolar o herdeiro dos Kensington.

- Eu nunca fui um príncipe encantado.

Benjamin puxou a mão de Danika dos seus lábios, mas manteve os dedos entrelaçados, com receio de quebrar o contato físico. Ele se recostou no sofá e encarou o teto por alguns segundos, a ruga entre suas sobrancelhas mostrando que os pesadelos ainda o atormentavam.

Sua cabeça pendeu para o lado apenas para que ele voltasse a encarar Danika. A beleza da romena era suficiente para fazê-lo perder o fôlego e Benjamin se surpreendia como o tempo só tornava a ex-namorada ainda mais atraente.

A garçonete mãe solteira por quem ele havia se apaixonado ainda estava bem ali. Ela poderia estar a frente do restaurante mais movimentado de Leoben, mas continuava a mulher simples e que fazia tudo pela filha. Não se importava com riquezas, luxos ou títulos. Tinha a oportunidade de ocupar o lado do príncipe regente da Áustria, mas preferia continuar se sustentando com os frutos do próprio trabalho.

Muitas mulheres no lugar de Lehman se aproveitaria da situação de ter uma filha com o príncipe, mas Danika se mostrava honesta, batalhadora e digna. Ela definitivamente era a única capaz de fazer seu coração saltar da mesma forma apaixonada que nos melhores dias.

- Eu sinto a sua falta, Nika. Todos os dias.

A confissão saiu sem que Benjamin percebesse. Durante aquele último ano, Danika passara tanto tempo odiando a sua presença que era a primeira vez que o rapaz conseguia deixar seus sentimentos extravasarem.

- Você me odeia, eu sei. Eu sei que eu menti e estraguei tudo.

Benjamin se remexeu no sofá até inclinar o corpo para ficar de frente de Danika, uma das pernas deslizando para cima do sofá enquanto a outra continuava pendurada e roçando o carpete novo.

- Mas sabe qual a maior ironia? Você é a única que me conhece de verdade.

Os movimentos de Benji foram lentos, permitindo que Danika se esquivasse a qualquer instante. As mãos continuaram entrelaçadas sobre seu colo, mas a outra foi erguida até tocar os cabelos sedosos, imediatamente se lembrando da textura dos fios castanhos. Uma mecha foi colocada delicadamente atrás da orelha dela e os dedos deslizaram, acompanhando o contorno do rosto de Nika, até pousar na nuca dela.

Os olhos azuis ainda estudaram o rosto da romena por alguns segundos antes das pálpebras pesarem e os lábios se tocarem em um beijo suave, que não condizia com a saudade que explodia em seu peito.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Out 09, 2016 1:40 am

O caso do acidente que levara três membros da família real ao hospital era noticiado em todas as mídias da Áustria, de modo que até na tentativa de se manter afastado de tudo que envolvia dos Kensington, seria impossível para Charlotte não ouvir as notícias.

Como não estava mais envolvida com Benjamin, Charlotte fazia parte do grupo de pessoas que tinha poucas informações a respeito do estado de saúde do rei, mas já havia chegado a conclusão de que o caso era grave.

A confirmação de Lukas não foi nenhuma surpresa para Charlie, embora a novidade sobre o envolvimento de Cristoph e Hilda fosse um tanto inesperado. Era de se admirar que o rapaz estivesse tão calmo ao ver o pai que ele odiara toda a sua vida voltando a se envolver com a sua mãe. Para completar, tinha o acidente para aumentar o tempero do drama.

- E quem vai estar ao seu lado, Luke?

Charlotte encarou o amigo por longos segundos antes de explicar a sua pergunta. Os dois estavam sentados lado a lado. A menina estava inclinada para frente e com os braços apoiados sobre os joelhos. As mãos unidas era sua forma de se conter para não tocar Krauss.

Embora a amizade entre os dois fosse extremamente natural, momentos como aquele também sempre foram acompanhados por carícias ou gestos muito menos calculados. As noites que passavam conversando sempre tinham como cenário os lençóis bagunçados da cama ou o sofá em frente a TV, com os dois embolados entre as implicâncias e confissões.

- A sua mãe está arrasada porque é o homem que ela ama. Eu consigo entender o desespero dela.

As lembranças dos meses terríveis que Lukas havia passado lutando contra a leucemia no mesmo hospital em que Cristoph estava estavam intactas em sua mente. Charlotte havia sofrido cada um dos dias, na angústia de saber qual desfecho aquela história teria. Era fácil imaginar que Hilda estava ainda mais arrasada por precisar estar longe do homem que amava.

- Mas ele é o seu pai. Não importa em qual circunstância, ainda é o seu pai. Eu conheço você bem o bastante para saber que não é indiferente a isso.

A televisão ligada estava com o volume baixo onde apenas um leve zunido ecoava pela sala. A luz que oscilava com as imagens refletia a mesinha de centro onde a pizza havia sido colocada, acompanhada das cervejas. Nenhum daqueles objetos, que serviam como desculpa para a união dos dois amigos naquela noite, estavam recebendo a devida atenção enquanto a amizade estava sendo reconstruída.

Pela primeira vez, Charlotte sentiu necessidade de falar sobre o pesadelo que havia vivido naquele último ano. Ela era imensamente grata aos Price por ter lhe dado um teto e lhe acolhido no momento mais difícil, mas nem mesmo Marie havia ouvido algum desabafo de Baviera.

- Eu também odiei o meu pai por um tempo, Luke. Quando os jornais mostravam o nosso nome com todas as podridões que ele fez, eu o culpava por tudo. Ele era o responsável por estar me fazendo passar por tudo aquilo, por ver a minha vida como eu conhecia desaparecer.

Charlie virou o rosto para encarar o amigo com os olhos verdes brilhando com a claridade da TV. Os cabelos curtos pendiam para o lado pelo ângulo da sua cabeça, mas pareciam mais escuros devido a pouca luminosidade da sala.

- Quando ele foi preso, eu demorei muito tempo pra aceitar. Até hoje eu não tive coragem de ir visita-lo, mas isso não significa que eu não queira. Eu só não sei se estou pronta para perdoá-lo.

Um sorriso fraco apareceu nos seus lábios pintados e Charlie deslizou uma mecha para trás da orelha, em mais um gesto que tentava conter a vontade de tocar Lukas.

- Nós dois somos perdedores e covardes. Eu acho que você deveria ir ver o seu pai, antes que seja tarde demais. Mas também vou entender se você não estiver pronto. Apenas pense, se o pior acontecesse... qual das duas opções te traria menos remorso?
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Out 09, 2016 2:03 am

Não era fácil deixar a paixão de lado, esquecer as mágoas e se comportar apenas como uma boa amiga, mas Danika estava se esforçando muito para exercer aquele papel na vida de Benjamin Kensington. Parecia a saída mais racional, já que os dois seriam obrigados a conviver pelo resto da vida graças à ligação de ambos com Lisbeth.

Mas aquela tarefa tão difícil se tornaria impossível se Benji voltasse no tempo e novamente se perdesse naquelas declarações. Há um ano, Danika só sentia raiva quando o príncipe lhe pedia perdão e confessava os seus sentimentos, mas agora era difícil resistir às investidas dele. Um ano havia se passado e agora Benjamin se tornara o homem mais poderoso e cobiçado da Áustria. Ele podia ter a mulher que quisesse, não fazia mais sentido alegar que Benji só queria brincar com os sentimentos dela.

A romena se remexeu no sofá quando ouviu a confissão de Benjamin, alegando que sentia a falta dela. Os olhos castanhos foram desviados para o chão da sala, mas o contato das mãos unidas não foi desfeito. O desconforto de Nika com aquela declaração se devia unicamente à certeza da moça de que ela não resistiria se o príncipe continuasse levando a conversa naquela direção.

Os toques de Benji só reforçaram que Lehmann estava perto de ceder. A pele dela se arrepiava sob os dedos dele com a mesma intensidade dos velhos tempos, talvez até mais graças às saudades sufocantes que Danika sentia do ex-namorado.

A parte mais racional da mente de Nika repetia incansavelmente um berro de “não”, mas todo o resto do corpo da morena já havia se rendido no instante em que os lábios de Benjamin tocaram os dela.

No começo, os lábios se moveram com uma suavidade que não combinava com o desejo que ambos sentiam, era como se os dois precisassem daquela lentidão para relembrarem os passos de uma dança que haviam ensaiado muitas vezes, mas que não executavam há muito tempo. No instante em que as pálpebras de Nika pesaram e cobriram os olhos castanhos, ela soube que havia perdido a batalha. Mas ela era a derrotada mais feliz da história da humanidade quando apoiou as mãos nos ombros fortes de Benjamin, puxando-o mais para perto enquanto intensificava o beijo.

Nenhum dos dois estava raciocinando quando as roupas começaram a ser arrancadas ainda na sala. Nika sempre fora perdidamente apaixonada por Benjamin Müller, mas ela precisava admitir que Benjamin Kensington também tinha o seu charme com aqueles trajes elegantes e a postura firme de um futuro rei. O braço ainda imobilizado de Benji não lhe permitia grandes esforços, mas isso não parecia ser um problema para o casal.

Benjamin conheceu de perto o novo tapete da sala quando os corpos rolaram pelo sofá até chegarem ao chão. O tapete macio amorteceu a queda e amparou as costas do príncipe, mas logo a visão de Benji foi ocultada por uma cortina de cabelos castanhos quando Danika se inclinou na direção dele, buscando novamente pelo sabor do chocolate ainda presente na boca do rapaz.

A ansiedade gerada pela falta que sentiam um do outro fez com que os dois não se importassem em começar aquela noite ali mesmo no tapete, mas ainda restava fôlego e desejo quando o mesmo desempenho da sala se repetiu no quarto de Danika. Era uma sorte que Lisbeth tivesse o sono tão pesado, assim a noite não precisou ser interrompida em nenhum momento.

Nika estava louca de saudades, mas cada um de seus gestos mostrava que não era apenas a atração física ou um instinto irracional que a motivara a levar Benjamin de volta para a sua cama. A maneira como a romena se aninhou junto ao peito dele quando os corpos finalmente se satisfizeram indicava que Danika ainda se sentia protegida e amada nos braços de Benji.

Por longos minutos, Nika se sentiu satisfeita em ouvir apenas a respiração descompassada do príncipe e as batidas aceleradas dentro do peito dele. O medo dela era que qualquer palavra pudesse estragar a perfeição daquele momento e virasse o estopim de uma nova briga que os colocaria em lados opostos de uma guerra.

Mas logo o silêncio do quarto se tornou sufocante e praticamente exigia que palavras fossem ditas. Danika abriu e fechou a boca diversas vezes, sem saber ao certo o que dizer. Quando finalmente a voz da romena soou no quarto silencioso, provavelmente não eram aquelas as palavras que Benjamin esperava ouvir.

- Mas que merda!!!

Diante dos olhos metálicos chocados, Danika pulou da cama e quase tropeçou no caminho até a sua penteadeira enquanto tentava se enrolar num lençol. As mãos da moça tremiam quando ela abriu a sua gaveta de calcinhas e começou a revirar as peças, procurando por algo que no fundo ela sabia que não iria encontrar ali. Desde que o namoro com Benjamin terminara, Nika não havia tido nenhum relacionamento sério com outro rapaz. Portanto, Lehmann simplesmente havia parado de se preocupar com as pílulas.

- Eu tenho que sair. – Nika puxou as chaves do carro de cima de uma mesinha, sem notar que ainda vestia apenas um lençol – Tenho que ir numa farmácia agora!

A gravidez acidental de Lisbeth havia deixado Danika obsessiva com aquele tipo de cuidado. No começo do namoro com Benjamin, a romena não deixava que o rapaz a tocasse se não tivesse um preservativo em mãos. Quando os dois foram morar juntos, aquela barreira foi exterminada, mas Nika não atrasava nem mesmo em dez minutos o seu horário de tomar os anticoncepcionais.

Naquela noite, contudo, Danika sequer se lembrara de que não tomava as pílulas há meses. As saudades que ela sentia de Benjamin eram tão sufocantes que Nika não pensou em mais nada enquanto se entregava ao ex-namorado. Mas, definitivamente, a última coisa que a romena precisava era de mais uma gravidez não planejada, que desta vez a faria voltar às capas dos jornais como a víbora interesseira que aplicara mais um golpe no príncipe regente.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Out 09, 2016 2:55 am

Ao contrário de Charlotte, Lukas não tentou conter o desejo de se inclinar para tocar nela. Diferente das carícias íntimas do passado, o rapaz mostrou que estava pronto para respeitar os limites daquela amizade quando se limitou a deslizar os dedos no rosto delicado da garota. A mão de Luke seguiu na direção dos cabelos curtos em seguida, tocando as pontinhas e libertando a mecha que Charlie tinha a mania de prender atrás da orelha.

Era uma tortura tê-la tão perto e não poder puxar Charlotte para seus braços e experimentar mais uma vez o sabor do beijo dela. Mas Lukas só precisava de dois segundos para concluir que preferia aquela amizade comportada do que a ausência dolorida da melhor amiga.

- Eu vou pensar nisso. Desde que você também pense na possibilidade de ir visitar o seu pai.

Os olhos castanhos buscaram pelas íris esverdeadas da menina e os dois mantiveram aquela troca significativa de olhares por generosos segundos antes que Krauss completasse o seu raciocínio.

- É exatamente o mesmo caso, Charlie. Você também está muito magoada com ele, mas não consegue ser indiferente e se sente culpada pela própria covardia. Sua mãe já o abandonou, mas você nunca teria coragem de fazer o mesmo. A sua consciência jamais te deixaria em paz.

Cada palavra de Lukas soava com convicção, como se o rapaz fosse capaz de ler os pensamentos que atormentavam a mente de Charlotte. Graças à amizade que antecedera o amor, os dois jovens se conheciam com muito mais profundidade do que muitos casais que já estavam juntos há anos. Krauss sabia que por baixo daquela máscara, Charlie sofria pela decepção que o pai lhe causara e também por ter sido obrigada a se distanciar dele.

- Eu acho que você deveria ir, mais por si mesma do que por ele.

Durante toda a noite, Lukas refletiu sobre as próprias palavras e se deu conta de que o conselho dado à melhor amiga também servia para si mesmo. O contato dele com Cristoph Kensington era nulo, mas Luke sabia que sua consciência jamais o deixaria em paz se ele deixasse passar aquela oportunidade. Talvez fosse a sua única e última chance de ficar frente a frente com o pai.

A surpresa de Hilda foi indisfarçável quando, na manhã seguinte, Luke saiu do carro e a acompanhou até o hospital. Os dois entraram por uma porta lateral, bem distante dos jornalistas que se acumulavam na recepção. Como Danika dissera, o período da manhã era mais tranquilo e os dois conseguiram chegar à entrada da UTI sem cruzarem com nenhum rosto conhecido pelo caminho. Como estava cedo demais, muito provavelmente a rainha da Áustria ainda estava descansando em seus lençóis para que sua pele estivesse revigorada à tarde e ela parecesse mais jovens nas fotos estampadas nos jornais.

A entrada de Hilda e Luke foi liberada por uma enfermeira que os guiou por um longo corredor. Lukas se arrepiou com a lembrança de quando acordara em um daqueles leitos, intubado, completamente entregue a uma infecção tola que se aproveitara de sua imunidade comprometida.

Mas o Luke do passado não poderia ser comparado ao paciente deitado na cama do último box do corredor. O rei da Áustria estava completamente irreconhecível depois daquele acidente. Muitos quilos tinham se perdido nos últimos dias de internação. Cristoph respirava através de uma máquina acoplada à traqueostomia autorizada por Benjamin. Uma sonda enfiada na boca dele era responsável pela alimentação, visto que a inconsciência de Kensington não permitia que ele comesse. Mas o detalhe mais chocante era a cabeça raspada e a cicatriz cirúrgica que cortava toda a extensão do couro cabeludo de Cristoph.

O primeiro reflexo de Lukas foi pousar as mãos nos ombros da mãe, imaginando que Hilda se desesperaria diante daquela cena chocante. Mas a Sra. Krauss surpreendeu o filho quando se aproximou da cama com passos firmes. Os dois tinham lavados as mãos com uma solução de álcool antes de entrarem na UTI, então Hilda não hesitou antes de se inclinar para acariciar o rosto abatido do rei com as pontas dos dedos.

- Oi. Sou eu, Cris...

A voz de Hilda soou emocionada, mas firme. As lágrimas deixavam as íris verdes mais claras, mas a mulher se recusava a derramá-las.

- Desculpe, mas eu precisava vir. Você deveria saber que eu não ficaria em casa, sem notícias suas. Se quiser evitar que eu me arrisque aqui novamente, trate de acordar e comece a me dar notícias pelo telefone.

A brincadeira suave da mãe deixou Lukas ainda mais surpreso. A última coisa que Krauss imaginava era que o relacionamento de Hilda com Cristoph era temperado com risadas e bom humor.

- O Luke também veio. Ele está aqui, Cris.

Era difícil saber se Kensington estava escutando as palavras de Hilda. Ele parecia completamente entregue ao ritmo do respirador e não movia nem mesmo um músculo. Danika havia comentado em uma de suas ligações que os sedativos já tinham sido suspensos há alguns dias, mas ainda assim o rei não tivera nenhuma reação. Apesar daquela aparente falta de contato de Cristoph com o mundo, Hilda encarou Lukas, incentivando-o a falar alguma coisa com o pai.

Sem dúvida, aquele era um dos momentos mais difíceis da vida de Luke. Era o seu primeiro contato com o pai e Lukas sequer sabia se Cristoph estava mesmo escutando-o. Não parecia haver nenhuma palavra que se encaixasse com perfeição naquele momento, mas o rapaz atendeu ao pedido mudo de Hilda.

- Oi. – os olhos castanhos fitaram a imagem debilitada do pai e Lukas soltou um suspiro antes de completar – Não era exatamente assim que eu queria que nos conhecêssemos. Espero pelo menos que você esteja me ouvindo aí dentro.

A primeira lágrima de Hilda rolou com a emoção daquele encontro entre pai e filho. A Sra. Krauss sempre temeu a reação de Lukas quando o rapaz finalmente ficasse frente a frente com o pai, mas, mais uma vez, o filho não a decepcionou.

- O Lukas provavelmente veio para te dizer que não aguenta mais me ver chorando pelos cantos da casa. Você precisa melhorar para que ele volte a ter paz.

Os dois visitantes estavam tão concentrados na imagem do rei que não notaram quando o monitor começou a mostrar batimentos cardíacos mais acelerados. As pálpebras de Cristoph tremeram muito discretamente, mas não havia como deixar passar despercebida a próxima reação do rei austríaco. Hilda soltou um gritinho de susto quando a mão direita de Kensington se ergueu, buscando pela direção de onde vinha a voz dela.

O grito de Hilda atraiu os médicos, que logo rodearam a cama do rei. Um deles chegou a questionar se não havia sido um simples espasmo, mas aquela dúvida foi solucionada de forma simples. O Dr. Mikaelson, que acompanhava de perto a evolução de Cristoph, pediu silêncio no quarto antes de se voltar para o paciente.

- Cristoph...

Ali ele não era o rei da Áustria, mas um paciente que merecia a mesma atenção que qualquer outro ao seu redor.

- Precisamos saber se você está nos ouvindo. – Mikaelson segurou a mão direita do paciente – Preciso que aperte a minha mão por três segundos e depois a solte.

O coração de Lukas falhou uma batida quando os dedos do rei se fecharam ao redor da mão enrugada do avô de Charlie. Krauss contou mentalmente os três segundos mencionados pelo médico e abriu um sorriso emocionado quando viu Cristoph afrouxar o aperto exatamente ao fim da contagem.

Podia ser apenas uma coincidência, mas Benjamin seria o primeiro a ser informado que a visita dos Krauss havia feito com que Cristoph tivesse a sua melhor reação desde o começo daquele pesadelo.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Out 09, 2016 4:13 am

Benjamin tinha certeza que estava vivendo um sonho. Ele havia sido rejeitado por Danika tantas vezes que já havia perdido as esperanças de um dia ter a ex-namorada novamente nos seus braços, de modo que o que havia acabado de acontecer só poderia ser um sonho.

A única coisa que lhe restava era continuar em silêncio, se deliciando com a sensação de ter Lehman em seus braços, apenas aproveitando até o inevitável momento que suas pálpebras se erguessem e ele fosse obrigado a voltar a realidade.

Quando Danika levantou como um furacão da cama, praguejando coisas sem sentido, Benjamin teve certeza de que estava acordado, mas não mudava o fato de que o seu sonho havia chegado ao fim. A romena havia se deixado levar pelo momento, mas se arrependeu no instante em que foi capaz de ouvir a própria consciência outra vez.

Os últimos momentos vividos ao lado dela conseguiram superar até os melhores dias do casal no passado, com todo o diferencial que a saudade trazia. Mas Benjamin começava a se questionar se teria valido a pena, agora que Danika voltaria a odiá-lo, possivelmente com mais intensidade que antes, alegando que ele havia se aproveitado de um lapso.

O pedido estranho da morena, entretanto, fez a confusão surgir nos olhos azuis. Benjamin a encarou por alguns segundos, se perguntando se havia escutado direito. De tantas coisas que ela teria para falar, o pedido de uma farmácia não havia passado pela sua mente.

Mesmo com a confusão, seu corpo relaxou ao perceber que a romena não estava expulsando o príncipe regente de Leoben a chutes. O que quer que estivesse passando na cabeça de Danika, Benjamin não conseguia ligar diretamente a um arrependimento.

Por isso Kensington conseguiu abrir um sorriso divertido e apontou para o lençol grudado no corpo da romena, a olhando de cima a baixo sem constrangimento algum, como se os dois fossem novamente o mesmo casal que compartilhava a intimidade de antes.

- E você pretende sair assim? Os paparazzi certamente vão adorar...

Benji mordeu o lábio inferior quando seu olhar fez uma nova análise no corpo não muito escondido pela transparência do lençol. Balançando a cabeça com diversão, ele deslizou para fora da cama e puxou a cueca box esquecida no tapete, vestindo-a rapidamente antes de se aproximar de Danika.

As revistas estavam certas em dizer que Benjamin era o príncipe encantado, tornando o herdeiro dos Kensington como um dos homens mais cobiçados da Áustria. Seu porte físico era perfeito e se o destino de Benji já não estivesse marcado do berço, ele teria a opção de se tornar modelo.

Os braços rodearam Danika, fazendo com que as pernas encobertas pelo lençol se embolassem junto as suas. Os olhos metálicos admiraram o rosto da romena e Benji sorriu ainda mais com aquele simples gesto, se deliciando com o fato de poder simplesmente puxá-la para perto.

- O que quer que você precise, tenho certeza que pode esperar até amanhã. Minha sugestão é que você largue esse lençol e volte para a cama.

Com o braço livre, Benji segurou as chaves do carro ainda nos dedos de Danika, até envolver a mão dela com a sua. Ele inclinou o rosto para frente e depositou um beijo carinhoso no nariz antes de encará-la com mais seriedade.

- O que pode ser mais importante que isso para arrancar você da cama? Não acredito que você precise de vitaminas, a não ser que esteja tomando algum remédio controlado...

Danika tinha uma excelente saúde e Benjamin nem mesmo se lembrava de tê-la visto doente outras vezes. Os únicos comprimidos que ele sempre a assistia tomar diariamente eram as pílulas anticoncepcionais. E foi aquela lembrança que iluminou o rosto de Kensington, compreendendo o desespero de Lehman.

Lisbeth havia surgido quando Benjamin sequer pensava em ter filhos. Ele se descobriu pai de um ser que não carregava o mesmo DNA, mas que havia conquistado o seu amor da forma mais pura possível. Como Benji ainda estava se acostumando com a ideia de ter uma família, ele nunca havia pensado sobre a possibilidade de ter um segundo filho.

Logicamente, se tudo tivesse corrido bem entre ele e Danika, eventualmente eles iriam querer expandir a família. Mas o relacionamento foi interrompido precocemente, sem dar a chance a Benji de ter aquele desejo.

Era a primeira vez que aquela possibilidade passava na sua cabeça, mas mesmo com o pensamento inédito, Benji não conseguia não gostar da ideia. Seria o pior momento possível, ele já tinha uma infinidade de problemas para lidar. Mas Lisbeth lhe trazia tanta alegria que era impossível não gostar da possibilidade de ter um segundo filho.

Com o objetivo de acalmar Danika, Benji puxou a chave das mãos dela e depositou de volta na cômoda. Os dedos livres deslizaram pelo rosto dela em uma carícia, retirando os fios descabelados que grudavam na pele macia.

- Você não precisa surtar desse jeito, Nika. Eu sei que o timing não é o ideal, mas também não é como se eu fosse sair correndo com a possibilidade de ter outro filho.

Benji se inclinou para frente e depositou um beijo na testa da romena, a mantendo colada em seu corpo.

- Eu sei que a sua cabecinha responsável vai te deixar inquieta o resto da noite. Mas tenho certeza que isso pode esperar. Qual é a pior coisa que pode acontecer? – O herdeiro abriu um sorriso para completar. – Lisbeth ganhar um irmãozinho? Eu acho que tenho dinheiro suficiente para bancar os dois.

Por saber que aquela ideia apenas assustaria Danika ainda mais, Benjamin a puxou lentamente até que os dois estivessem sentados na beirada da cama. Em todo o momento, ele arrumava alguma forma de continuar tocando a pele macia, com medo de que ela fosse desaparecer a qualquer instante.

- Você não vai mesmo sair no meio da madrugada atrás de uma farmácia, não é? Não vai encontrar nada aberto a essa hora, Nika. Você pode voltar para a cama comigo? E se pela manhã você ainda estiver assim tão desesperada, eu mesmo levo você. Está bem assim?
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Out 09, 2016 4:44 am

- Você vai sair de novo?

A cabeça de Tobias acompanhou a irmã enquanto Marie desfilava com mais um dos seus vestidos decotados a caminho da porta. A loira se virou para encará-lo, como se não tivesse entendido a pergunta, e então soltou uma risada nasalada.

- Só porque você e a Charlie começaram a namorar, não quer dizer que eu também precise passar os meus sábados enfiada em casa segurando vela.

As bochechas de Toby imediatamente ficaram mais coradas, e se aproveitando daquela distração, ela deu um tchauzinho, desaparecendo pela porta no instante seguinte.

Charlotte estava encolhida na poltrona, segurando uma caneca de chá, e admirou toda a cena com as sobrancelhas arqueadas, torcendo para ser invisível durante aquela provocação de irmãos.

Toby ainda permaneceu em silêncio alguns segundos até ter coragem de encarar os olhos verdes, parecendo desconcertado demais para um rapaz que lidava tão bem com negócios arriscados e que envolviam tanto dinheiro.

- Então estamos namorando? – Ele perguntou, esperando ansioso pela confirmação de Baviera.

- Bom, você me levou para almoçar uma vez.

Charlie ergueu um ombro, tentando fazer graça do momento tenso. As investidas de Toby haviam ficado ainda mais intensas desde a noite na boate e eles haviam se beijado após o almoço marcado, no mesmo dia que o caso do seu pai havia sido passado para Lukas.

Antes da chegada de Krauss na cidade, Charlotte estava cogitando seriamente aceitar as investidas de Price. Ele era um bom rapaz, era rico e parecia gostar dela de verdade. Aparentemente era tudo que ela precisava para voltar a ser a velha Charlie.

Com o reencontro de Luke, entretanto, Charlotte já não tinha mais tanta certeza se queria voltar a ser a mesma de antes. Ela apenas continuava cedendo as investidas de Toby porque queria garantir a si mesma que não voltaria correndo para os braços de Krauss.

Por mais que ainda gostasse do ex-namorado, Luke havia pedido para que ela saísse de sua vida, havia deixado com que ela enfrentasse seu pior ano sozinha e reaparecia quando as coisas finalmente estavam voltando a entrar nos trilhos. Charlotte poderia ser muitos defeitos, mas não se perdoaria em ceder cada vez que Luke mudasse de ideia e corresse atrás dele com um estalar de dedos. Ela estava seguindo com a própria vida e Toby merecia um lugar naquele futuro.

- Também soquei um cara por você uma vez.

O sorriso de Toby mostrou que ele estava tentando ser engraçado, mas Charlie balançou a cabeça em negação, reprovando o comentário.

- Isso não conta pontos a favor, Toby.

Ela se arrependeu do comentário no instante em que viu Price murchar. No fundo, Charlie estava zangada pela briga que havia acontecido, mas não queria que Lukas interferisse de alguma forma no seu possível novo relacionamento, mesmo que com apenas uma lembrança.

Para se certificar de que não seria Krauss em seus pensamentos naquela noite, Charlotte tentou corrigir sua repreensão ao se inclinar para frente até capturar os lábios de Toby com os seus, iniciando um beijo calmo.

Não havia nem sombra da paixão ou da sintonia que sempre existira com Lukas. O beijo de Tobias era muito mais parecido com o romance sem emoção ao lado de Benjamin. Mas Krauss deveria ser passado e Tobias merecia uma chance de conquistar o próprio espaço.

Algumas horas depois, Charlotte estava deitada na própria cama, no quarto que Marie havia lhe dado como abrigo naquele último ano. Tobias estava ao seu lado, deitado com a metade do corpo suspensa, sustentada pelo cotovelo que afundava no travesseiro de Baviera.

Ele exibia um largo sorriso ao acariciar os cabelos curtos e admirar Charlotte. A outra mão dele entrelaçada com os dedos da menina, pousados sobre o lençol que a cobria até o peito.

Era a primeira vez que Charlie se deitava com alguém depois de Lukas, e foi pela experiência com o amigo que ela permitiu que as palavras saíssem de sua boca com naturalidade.

- Eu estava pensando em visitar o meu pai.

O espanto nos olhos acinzentados foi nítido. Toby franziu a testa e encarou Charlotte como se não tivesse compreendido as palavras da menina, mas como ela continuou o encarando, sem correção alguma, ele simplesmente soltou uma risada.

- Você não está falando sério, né?

- O que foi? Você não acha que eu deveria?

Charlotte queria mesmo saber a opinião de Toby. Luke já havia dito o que pensava, mas era Price quem estava ao seu lado agora e merecia ser ouvido.

- Gatinha, você tem noção de quantas coisas erradas você disse em uma única frase? – Toby deslizou para fora da cama e procurou a calça para se vestir. – Primeiro, não se deve falar sobre problemas assim, logo depois do que fizemos.

- Bom, eu não imaginei que o meu pai fosse um problema pra você.

Ela se sentou na cama, mantendo o lençol firme para cobrir o corpo. Era não natural emendar as conversas com Lukas durante a madrugada que ela não pensou que Toby fosse se ofender ou achar que estaria quebrando o clima.

Sua única intenção era poder desabafar, exatamente como fazia com Krauss. Mas uma vozinha em sua mente a fez lembrar de que Toby estava longe de ser Lukas.

- O cara está preso! Você não vai querer entrar naquele lugar pra ver o velho que destruiu a sua família, Charlie.

- Talvez não seja importante o lugar. Talvez eu só precise falar com o meu pai...

A risada de Toby voltou a ecoar, fazendo Charlotte se encolher, arrependida de ter iniciado aquele assunto.

- Eu vou descer e comer alguma coisa. Se você quiser descer e me acompanhar, eu vou adorar, gatinha. Mas sem assuntos pesados a uma hora dessas, tá legal?

Tobias saiu do quarto, deixando para trás uma Charlie de queixo caído, incrédula com a reação tão pouco amigável. Price gostava dela, mas aparentemente não gostava dos seus problemas ou dos seus assuntos.

Em outros tempos ela jamais teria feito uma confissão daquelas com um cara na cama, mas Lukas havia mudado todas as suas perspectivas a respeito de homens. O problema era que nem sempre ela poderia ter o melhor amigo em um namorado.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Out 09, 2016 4:48 am

Uma das sobrancelhas de Nika se arqueou e ela piscou algumas vezes antes de conseguir reagir depois das declarações do ex-namorado.

- Como assim? Você vai dormir aqui?

A pergunta direta de Danika quebrou um pouco de todo o encantamento daquela noite. Aquelas palavras deixavam claro que, para a romena, o que acabara de acontecer não fora uma reconciliação que faria com que os dois retomassem o mesmo relacionamento interrompido pelas mentiras de Benjamin. É óbvio que Lehmann não pretendia esquecer aquela recaída e continuar a vida como se nada tivesse acontecido. Mas ela também não achava que os dois estavam prontos para viverem juntos novamente.

A mente de Nika ainda estava atormentada com o atraso de meses nas suas pílulas, mas a moça agora tentava se convencer de que não faria diferença procurar a farmácia na manhã seguinte. A ruguinha que surgiu entre os olhos castanhos refletia aquela preocupação, mas era muito mais um reflexo da confusão gerada por aquela recaída.

- Não estou te mandando ir embora. Você pode ficar aqui esta noite, se quiser... Eu só preciso deixar claro que as coisas não voltaram a ser como antes, Benjamin. Tudo mudou, você se tornou outra pessoa. É como se estivéssemos começando de novo, então temos que ir mais devagar.

Por mais que o príncipe em sua cama tivesse os mesmos traços e o mesmo corpo perfeito de Benjamin Mülller, Nika se obrigava a pensar nele como um outro homem. Benji agora tinha uma vida completamente diferente e Danika não sabia se teria com ele a mesma harmonia que tivera com um homem simples como Benjamin Müller.

Além da loucura dos paparazzi que surtariam com aquela novidade, Nika pensava em Lisbeth. Seria uma grande maldade iludir a garotinha com a notícia de que seus pais estavam juntos novamente apenas para depois frustrá-la com uma nova separação. Até ter a certeza de que aquela tentativa de se acertar como príncipe da Áustria daria certo, Danika preferiria manter o relacionamento bem distante da cabecinha de Beth.

- A Beth ficou arrasada quando você foi embora para Viena, eu não quero viver aquele pesadelo de novo. Ela só vai saber disso se nós dois tivermos certeza de que vai dar certo, e pra isso precisamos de tempo.

Lehmann não havia se jogado cegamente nos braços de Benjamin, mas só o fato dela não descartar uma nova tentativa com o ex-namorado já era um grande avanço no relacionamento deles. Depois de um ano inteiro de brigas, era quase um milagre que os dois estivessem conversando seriamente sobre a possibilidade de resgatarem a relação.

A romena deixou claro que aquilo não era uma nova discussão quando soltou um suspiro antes de cruzar seus braços por trás do pescoço de Kensington. Um discreto sorriso surgiu nos lábios dela antes que Nika sussurrasse aquela declaração, olhando fixamente para o par de íris metálicas a sua frente.

- Isso é muito injusto, sabia? Eu nunca fui o tipo de menina que suspirava por contos de fadas e esperava por um príncipe. É irônico que justamente eu tenha ganhado a chance de experimentar um exemplar desta espécie tão rara. – os olhos dela desceram pelo corpo de Benji com uma expressão mais maliciosa – Um belo exemplar, aliás.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Out 09, 2016 3:18 pm

O estômago de Lukas começava a reclamar depois da terceira caneca de café, mas o rapaz não queria se entregar ao sono naquela noite de sábado. Ao contrário do que qualquer um poderia esperar de um jovem, naquela madrugada Krauss não estava se divertindo com os amigos em uma balada, não estava inebriado pelo álcool e seus ouvidos não formigavam, incomodados com a música eletrônica alta.

O quarto de Luke estava mergulhado no mais absoluto silêncio, uma paz necessária para que o rapaz se concentrasse no trabalho. Dezenas de papeis estavam espalhados na sua antiga mesa de estudos e o caderno à frente de Krauss continha vários números riscados e infinitas contas refeitas, o que indicava que o jovem economista estava tendo dificuldades para fechar as contas do Sr. Baviera.

- Já passou de meia noite.

A voz suave de Hilda fez o filho saltar de susto na cadeira. Num gesto sutil, Lukas fechou a pasta que continha os documentos assinados pelo pai de Charlotte para que a Sra. Krauss não visse o nome dos Baviera enquanto se aproximava da mesa. Luke estava levando aquele trabalho muito a sério e sabia que qualquer informação vinda daqueles papeis deveria ser sigilosa.

- Se quiser me matar de susto, da próxima vez entre com uma máscara de palhaço. Meu coração veio na boca, mulher!

Um risinho anasalado escapou de Hilda antes que ela levasse os dedos aos cabelos atrapalhados do filho. Era notável que a Sra. Krauss estava muito mais leve e sorridente desde a visita ao hospital. A reação do rei não era uma garantia de que Cristoph ficaria bem, mas ele ao menos havia mostrado ao mundo que ainda estava ali, que estava lutando para voltar a viver.

- Não vai dormir, querido? Já está muito tarde.

- Daqui a pouco. Estou sem sono e quero adiantar este trabalho. O Sr. Weiss tem expectativas muito altas comigo, não quero decepcioná-lo com um atraso no relatório.

Embora estivesse preocupada em ver o filho virar a madrugada em cima daqueles documentos, Hilda também sentia um imenso orgulho. Lukas havia se tornado um homem responsável, estava prosperando na carreira antes mesmo de pegar o diploma. Mesmo sozinha e com tantas limitações, a Sra. Krauss havia feito um bom trabalho com o filho. O único ponto que ainda deixava a mãe preocupada era a situação confusa entre Luke e Charlotte Baviera.

- Eu posso te fazer uma pergunta, querido?

- Charlie e eu somos só amigos agora.

O rapaz ergueu a cabeça para encarar a mãe. Uma de suas sobrancelhas se arqueou e o sorrisinho torto surgiu nos lábios de Lukas, como se ele estivesse desafiando Hilda a falar que não era aquela a pergunta que ela faria. A Sra. Krauss cruzou os braços, meio contrariada em perceber que o filho a conhecia tão bem, mas continuou no mesmo assunto, deixando claro que era exatamente sobre Charlotte que ela queria falar.

- E por que isso?

- Porque é assim que ela quer.

- Não é assim que você quer?

- Não. – Lukas não demonstrou o menor constrangimento enquanto confessava – Eu amo a Charlie e queria que fôssemos mais que amigos. Mas se amizade é tudo o que ela pode me oferecer, eu aceito. Ficar sem ela é pior do que tê-la pela metade.

Nenhuma palavra escapou pelos lábios de Hilda Krauss depois daquela confissão do filho, mas a expressão da mulher falava por si. Ela não conseguia julgar Lukas por aquele comportamento porque o sentimento que o filho acabara de descrever era idêntico ao amor que ela sentia por Cristoph. Hilda também havia atropelado todos os seus dogmas de vida e aceitara um envolvimento com um homem casado porque ficar sem Cristoph era muito pior do que aceitar o pouco que o amante poderia lhe oferecer.

- Apenas pare de tomar café antes que abra uma cratera no seu estômago, Luke. – Hilda mudou o foco da conversa simplesmente porque não teria palavras para consolar o filho – Eu adoraria uma desculpa para voltar ao hospital, mas eu já atingi a minha cota de preocupações com a sua saúde. Você está proibido de adoecer nesta encarnação.

- Sim, senhora. Todas as minhas células estão cientes disso, está tudo sob controle.

Tão logo ficou sozinho no quarto novamente, Luke reabriu a pasta e mergulhou mais uma vez na complexa documentação do Sr. Baviera. Além das movimentações financeiras da empresa, Lukas precisava contabilizar os gastos pessoais da família – que não eram nada desprezíveis – transferências bancárias, as contas legais e as ilegais, compras e vendas de imóveis em nome dos Baviera.  Mas, apesar de levar tudo aquilo em consideração, os valores simplesmente não se encaixavam. Na soma final das contas, havia um rombo milionário e Krauss não fazia ideia de onde o Sr. Baviera havia enfiado tanto dinheiro.

A caneca de café foi preenchida mais uma vez antes que Lukas tivesse coragem de puxar os extratos bancários para refazer todas as contas. Com uma caneta azul, o rapaz circulou todos os valores que tinham entrado no cofre dos Baviera nos últimos anos. A soma foi refeita, juntamente com o cálculo dos rendimentos das aplicações, e o valor final foi escrito no topo do caderno. Era uma quantia infinitamente maior do que o dinheiro que existia nas contas dos Baviera quando o pai de Charlotte foi preso. Tudo o que Luke precisava fazer era rever todas as movimentações bancárias para descobrir em qual momento aquela fortuna havia saído da conta do homem.

Não demorou muito para que Lukas descobrisse que aquela tarefa seria muito pesada. Os débitos nas contas dos Baviera eram infinitos e a maioria vinha de lojas de roupas, sapatos, viagens e festas. O estilo de vida luxuoso que o Sr. Baviera dava à mulher e à filha era realmente chocante, mas nem mesmo tantos gastos superficiais poderiam explicar aquele rombo milionário. Luke somou todos os gastos da Sra. Baviera e de Charlie nos últimos anos e escreveu o valor de caneta vermelha no caderno, mas a quantia era ridícula perto da fortuna que continuava “desaparecida”.

Apesar de tantas doses de café, o sono começava a pesar as pálpebras de Lukas quando o rapaz percebeu um detalhe intrigante. Mesmo depois de consultar todos os extratos, Krauss não havia encontrado nem mesmo um débito absurdamente alto. Mas havia uma quantidade anormal de pequenas transferências diárias. Os valores eram pequenos e não chamavam a atenção num primeiro momento, mas Krauss teve a curiosidade de circular todas aquelas transferências com a sua caneta vermelha. Duzentos e cinquenta e oito euros em um dia, cento e vinte e cinco no dia seguinte... Eram quantias tolas perto dos valores milionários movimentados pelas contas dos Baviera, mas o queixo de Luke caiu quando ele terminou de somar todas as transferências e chegou a um total muito próximo do rombo existente nas contas.

Aquilo certamente não havia chamado a atenção da polícia porque eram valores pequenos e as transferências foram feitas para contas distintas. O mais óbvio era pensar que os débitos eram pagamentos de pequenas contas em lojas e restaurantes. Mas Lukas teve a curiosidade de selecionar uma das contas que recebera uma transferência do Sr. Baviera para pesquisar o nome do titular.

Joachim Heinz. Aquele nome não significava nada para Lukas, então o rapaz partiu para o titular da segunda conta: Valentina Arkadim. Logo uma enorme lista de nomes vagos foi formada sem que Krauss conseguisse encontrar uma lógica naquela história. Nenhuma daquelas pessoas pertencia ao círculo de amizade dos Baviera, tampouco eram comerciantes. Eram simplesmente pessoas comuns que haviam recebido uma transferência de uma quantia pequena de dinheiro dos Baviera.

Mesmo exausto e já tendo alcançado a madrugada, a mente de Lukas logo o presenteou com uma ideia. E se aquelas pessoas fossem meros peões daquele jogo? Não havia nenhuma maneira “legal” de ter acesso à movimentação das contas que recebiam as transferências, mas Lukas não hesitou em pegar o celular, às duas da manhã, e ligar para uma colega que havia conseguido um estágio num dos bancos que recebera uma das transferências.

- Luke, você sabe que eu posso ser presa se alguém descobrir que estou te passando essas informações, não sabe?

A voz sonolenta da amiga soou do outro lado da linha, juntamente com os sons das teclas que a moça digitava em seu notebook para acessar o sistema particular dos bancários.

- Se der alguma merda, eu prometo que morrerei antes de mencionar o seu nome, Doreen.

- Acho bom, porque se você não morrer eu mesma vou te matar. Preciso do número da conta e do nome do titular...

Lukas puxou a lista com os nomes e selecionou um deles ao acaso.

- Conta 21961-0, titular Lineu Antonini. – Krauss puxou o extrato para conferir o valor – Recebeu uma transferência de trezentos e sessenta e quatro euros no dia oito de agosto do ano passado.

Doreen digitou as informações passadas pelo amigo e acessou a conta de Lineu Antonini. As sobrancelhas da moça se franziram e ela acreditou que havia algo muito errado naquela história quando analisou o conteúdo da conta.

- Só tem duas movimentações nesta conta, Luke. A primeira é esta transferência que você mencionou. E a segunda é outra transferência, exatamente com os trezentos e sessenta e quatro euros, no dia nove de agosto do ano passado. Depois disso, mais nenhum centavo entrou ou saiu. É uma conta fantasma.

- Preciso do nome do titular da conta que recebeu a transferência, Doreen. Juro que é a última coisa que te peço.

Lukas novamente ouviu os ruídos da amiga digitando alguma coisa no notebook e, em poucos segundos, Doreen tinha um nome para o rapaz.

- Tobias Apolline Price. E este sim tem a conta beeeem movimentada.

- Ele recebeu centenas de milhares de pequenas transferências bancárias vindas de contas diferentes nos últimos dois anos.

- Aham. – Doreen pareceu confusa – Como você sabe?

- Só um palpite. – Lukas abriu um sorriso amargo antes de suspirar – Muito obrigado, Doreen, você foi demais. Vou te dever um favor eternamente!

Aquela informação era a resposta que faltava para que todas as inconsistências fossem solucionadas. O dinheiro começou a sumir na conta dos Baviera há cerca de dois anos, coincidentemente na mesma época em que fora assinado um contrato de sociedade entre os Baviera e os Price. Como as transferências eram feitas sempre para contas distintas e com valores muito baixos, o pai de Charlie provavelmente não havia dado importância aos gastos e acabara concluindo que eram mais dívidas pequenas feitas pela mulher e pela filha. A polícia certamente chegara à mesma conclusão, mas agora Luke sabia que era aquela a origem do rombo.

Não era possível saber o grau de envolvimento do Sr. Baviera com o contrabando de diamantes, mas era certo de que todo o lucro daquelas transações havia sido transferido para os bolsos dos Price. Parecia muito improvável que o pai de Charlie aceitasse sujar o nome daquela forma sem receber um centavo como recompensa, mas Lukas não tinha como provar que Tobias Price também estava por trás daquilo. Charlotte teria que confiar apenas na palavra do melhor amigo para solicitar uma investigação contra a família de Marie.

Já estava muito tarde, mas Lukas sabia que era tolice tentar dormir. Sua mente estava agitada com aquela descoberta e ele estava desesperado para contar o quanto antes para Charlie. Já passava de três da manhã e era óbvio que a ex-namorada estaria dormindo, mas Baviera encontraria mensagens de Krauss em seu celular tão logo acordasse na manhã seguinte.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Out 09, 2016 6:17 pm

A surpresa nos olhos do príncipe regente era impagável. As pupilas estavam ligeiramente dilatadas e o queixo havia despencado. Por longos segundos, ele estava impossibilitado de dizer qualquer coisa, por mais que sua mente gritasse que precisava agir para não arruinar o momento.

Ao pensar que iria passar a noite ali, Benjamin estava apenas descartando a possibilidade de sair da casa da ex-namorada no meio da madrugada. Os comentários leves a respeito de uma possível gravidez eram apenas a forma de fazer Danika relaxar um pouco diante do problema exagerado que havia sido projetado em sua mente. Mas nem nos momentos mais otimistas ele acreditava que teria uma segunda chance.

Lehman poderia achar que estava começando devagar, com passos de bebê. Mas aquela migalha era muito mais do que Benjamin estava preparado para receber. Ele tinha tanta certeza que havia arruinado a possibilidade de ter Danika em sua vida novamente que a chance de um recomeço era mais bem vista do que um presente de natal antecipado para um garotinho.

Ainda incapaz de colocar em palavras a felicidade que substituía a surpresa, Benji apenas permitiu que seus lábios se curvassem em um largo sorriso, em um reflexo do homem simples de antes. Com a mesma intimidade que o casal tinha antes do rompimento, Benjamin puxou Danika para o seu colo, apenas para derrubá-la sobre o colchão no instante seguinte.

Os cabelos castanhos se espalharam sobre o lençol, contrastando com o tecido claro. Ele sustentou o próprio corpo com o braço bom, se permitindo da posição para admirar Danika presa sob o seu corpo.

- Você não tem a mais remota noção de que o sortudo nessa história sou eu, não é?

O brilho que invadia as íris azuis tornava Benjamin ainda mais atraente. O amor que ele sentia por Lehman estava refletido em cada um dos traços do seu rosto, no sorriso apaixonado e na expressão abobada. Ele deslizou o olhar pelo corpo de Danika e mordeu o lábio inferior quando todo o seu corpo reagiu diante da beleza dela.

- Muito, muito sortudo.

Quando Benjamin voltou a fixar seu olhar no rosto de Danika, a expressão sedenta suavizou para que ele assumisse o tom sério que aquela conversa exigia, mas em nenhum momento se afastou de Lehman. O braço que sustentava seu corpo estava afundado levemente no colchão, ao lado da cabeça dela, e os dedos se aproveitavam daquela proximidade para brincar com os fios escuros espalhados.

- Nós vamos levar o tempo que você precisar até confiar em mim outra vez. E desta vez eu não vou deixar você escapar, Danika Lehman.

A cabeça de Benjamin baixou alguns centímetros até que ele pudesse beijar os lábios de Danika com carinho. Quando ele voltou a encará-la, ainda estava perto o bastante para que os narizes estivessem roçando, mas ainda era possível notar o sorriso mesclado entre o divertimento e a malícia ao completar.

- Além do mais, namorar escondido vai ser bem excitante. E eu já te conquistei uma vez, então tenho grandes chances de repetir o bom trabalho.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Out 09, 2016 6:47 pm

O cheiro de café fresco já se espalhava pelo pequeno apartamento, mas a cafeteira estava sendo lindamente ignorada pelo casal que ocupava a cozinha. Danika estava sentada sobre a pia, com Benjamin encaixado entre seus joelhos. Os dois estavam agarrados com firmeza e protagonizavam um beijo intenso. As mãos da romena estavam afundadas nos cabelos do príncipe puxando de leve os fios castanhos enquanto os lábios e as línguas trabalhavam avidamente. Lehmann estava há um segundo de sugerir que eles voltassem logo para o quarto quando ouviu passinhos suaves vindos do corredor.

As duas mãos de Danika se apoiaram no peito de Benjamin e o empurraram para longe com violência, fazendo o príncipe cambalear para trás até se chocar contra a mesa da cozinha. As bocas se desgrudaram com um som engraçado de desentupidor e Nika saltou de volta para o chão um segundo antes de uma Lisbeth sonolenta entrar na cozinha esfregando os olhinhos.

- Ooooooi, linda! – Nika tentou controlar a própria voz ao notar como soara trêmula e meio histérica – Bom dia, amorzinho! Olha só, Beth, temos uma surpresa. O papai veio tomar café com você!

A menção ao pai fez com que Lisbeth terminasse de acordar e virasse a cabecinha na direção de Benjamin. Uma ruguinha surgiu entre os olhos azuis quando ela se deparou com o pai ofegante, descabelado, usando roupas amassadas e com o rosto anormalmente corado. A ingenuidade da criança não permitiu que ela enxergasse o óbvio, então Beth acreditou que Benjamin realmente estava ali naquela manhã por causa dela.

- Pupaaaai!

Os bracinhos enlaçaram as pernas de Benjamin num abraço e Lisbeth estalou um beijo na bochecha de Kensington assim que o pai se inclinou na direção dela. Danika se aproveitou que a filha estava distraída com Benjamin para ajeitar o decote do vestido, que estava muito mais baixo que o aceitável naquela manhã.

- Vamos ter panquecas e bolo. – Nika fez uma careta quando abriu o forno e sentiu o cheiro de queimado da fumaça que vinha do bolo que deveria ter sido retirado há vários minutos – Ou melhor, acho que só panquecas está ótimo!

Como chef, era quase um sacrilégio que Nika deixasse um bolo queimar daquela maneira. Mas a presença de Benjamin na cozinha tirava toda a concentração da romena. O clima do apartamento voltara a ser leve como no passado, mas Danika se manteve firme na decisão de irem com calma naquela reconciliação.

Como no passado, Benjamin ajudou a organizar a mesa enquanto Lehmann terminava de preparar o café. Lisbeth tagarelava sem parar, extremamente animada com a visita “surpresa” do pai àquela hora da manhã. Os três compartilhavam um café da manhã divertido e aproveitavam aquele gostoso clima familiar quando o momento foi interrompido por uma ligação no celular de Benjamin.

Qualquer outra ligação provavelmente seria ignorada pelo príncipe, mas Benjamin não deixaria de atender quando visse no visor o número pessoal do Dr. Mikaelson. O avô de Charlotte já havia avisado o príncipe regente de que o rei começara a despertar, mas as notícias daquela manhã eram ainda mais surpreendentes.

- Benji...

Embora Benjamin agora ocupasse o cargo mais alto da monarquia austríaca, Mikaelson ainda o enxergava como o rapazinho que vivia para cima e para baixo com Charlotte. Ao notar o erro cometido, o médico tentou se corrigir.

- Majestade... é sobre o seu pai.

Antes que o príncipe pudesse imaginar que a ligação traria uma notícia ruim ou que Mikaelson lhe informaria sobre uma recaída no quadro de saúde de Cristoph, o médico completou, sem saber quais palavras escolher para aquele momento tão delicado.

- O seu pai acordou esta manhã. Ele ainda está fraco e um pouco confuso, mas as primeiras palavras dele foram bem incisivas e foram ditas tendo boa parte da equipe como testemunhas. – Mikaelson suspirou antes de coçar a nuca e terminar o relato – Ele disse “eu renuncio”. Então, eu sugiro que você venha aqui o quanto antes.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Out 09, 2016 7:04 pm

O interfone tocou, ecoando pelo pequeno cômodo que estava lotado demais, fazendo com que Charlotte precisasse saltar entre um futon e uma caixa cheia de cabides que ela vivia prometendo usar para pendurar as novas roupas, que se amontoavam na cadeira de frente para a escrivaninha. Quando ela finalmente conseguiu chegar até a parede oposta e reconheceu a voz de Lukas, passou o olhar pelo local, se odiando pela desorganização.

- Você chegou cedo demais. Achei que tivesse combinado que você iria aparecer só na hora do almoço.

Após receber as mensagens enviadas durante a madrugada, Charlotte havia combinado com Lukas de que eles poderiam se encontrar no pequeno ateliê que havia sido montado com a ajuda de Marie.

A sala comercial havia sido montada para adequar as necessidades de Charlotte, e embora não fosse exatamente o local de trabalho que uma Baviera merecia, tinha tudo que ela precisava para trabalhar.

A parede do fundo era inteiramente coberta pela janela de vidro, o que contribuía para a boa iluminação que Charlotte precisava para trabalhar. Havia um cabideiro que deixavam expostas algumas das peças montadas pela menina. A escrivaninha encostada em uma das paredes laterais era pequena, mas parecia ser o único canto organizado. Além do notebook aberto, Charlotte usava uma agenda para anotar os compromissos e algumas contas e um grande bloco de papel onde normalmente rabiscava os esboços das suas criações.

Além de um futon que trazia o ar mais informal, um sofá estava na parede oposta a da escrivaninha, mas eram tantas peças espalhadas que era impossível alguém sentar. Como decoração, Charlotte havia usado capas de revistas de moda de seus modelos preferidos e enquadrado sobre a mesinha com o notebook.

A porta foi destravada, mas antes que Lukas aparecesse, Baviera voltou a sua ocupação inicial. Quando Krauss finalmente chegasse na pequena sala, veria que a ex-namorada não estava sozinha.

A modelo que ocupava o espaço central tinha pernas longas demais, expostas pelo curto vestido amarelo que usava. Os cabelos ruivos eram extremamente lisos e emolduravam o rosto magro e bonito, onde sua boca mais farta se destacava.

Se a altura de Charlotte era motivo de piadas, a menina parecia ainda mais baixinha enquanto deslizava ao redor da modelo, terminando de anotar as medidas. O tecido leve do vestido era repuxado por Baviera, que tentava analisar o melhor caimento. A fita métrica havia sido pendurada em seu pescoço e os olhos verdes foram obrigados a desviar para a porta de entrada quando Lukas finalmente chegou.

- Você está adiantado. – Ela repetiu, se sentindo constrangida por ter sido flagrada no meu do trabalho.

Os fios curtos haviam sido presos por um elástico atrás da cabeça, mas muitos fios já se soltavam, deixando a menina com uma aparência desleixada. Charlotte havia abandonado os saltos, o que era um caso inédito, e estava com os pés em contato direto com o chão. A calça jeans definitivamente não combinava com sua aparência impecável e a camisa branca básica lhe dava um ar ainda mais casual.

Como os olhos verdes estavam focados no trabalho do tecido amarelo, ela não percebeu quando a modelo estudou Lukas de cima a baixo com um sorriso malicioso.

- Não vai apresentar o seu amigo, Charlie?

O sotaque italiano era carregado em cada uma das palavras e imediatamente fez a morena girar os olhos em impaciência. Só então ela ergueu o rosto para perceber como a ruiva encarava Lukas, imediatamente se sentindo enciumada.

- Não. – Ela respondeu secamente, antes de encarar Lukas com um bico, o culpando como se tivesse planejado chegar mais cedo apenas para aquele momento. – Já estou terminando, Luke. Só mais cinco minutos.

- Luke? – A ruiva alargou o sorriso. – Também é modelo, Luke? Não sabia que a Charliezinha também estava no ramo de roupas masculinas.

- O Luke não é modelo. – Charlotte respondeu secamente, os olhos verdes brilhando com os ciúmes que estava experimentando. – Pode ficar quieta, Gemma? Está me desconcentrando.

- O Luke está me desconcentrando também, Charliezinha.

Charlotte parou o movimento que fazia com as mãos e encarou a ruiva sem acreditar no que estava acontecendo. Ela normalmente tinha um bom relacionamento com as meninas que a agência enviava para provar as roupas que seriam fotografadas para a nova campanha, mas Gemma estava sendo extremamente vulgar.

- Você só precisa ficar parada aí. Não exige muita concentração.

Ao invés de responder ao comentário da morena, Gemma manteve seu olhar fixo em Lukas, sem esconder o seu interesse.

- Gostei de você.

A mão firme de Charlotte deslizou durante o ajuste do vestido e ela não teve certeza se foi proposital ou não quando a agulha espetou diretamente a pele de Gemma, fazendo a ruiva finalmente desviar a atenção de Lukas.

- Aaaai!

- Acabamos. – Charlotte se afastou da modelo e apoiou a fita métrica e a agulha na mesinha. – Pode ir se trocar, Gemma.

O dedo de Baviera apontou para a portinha que dava acesso ao banheiro, mas a ousadia da modelo foi além quando o vestido amarelo deslizou pelos seus ombros e caiu até tocar o chão. Ela mostrava toda a sua confiança quando continuou sorrindo e caminhou até o banheiro, piscando um dos olhos claros para Krauss.

Mortificada, Charlotte apenas escondeu o próprio rosto nas mãos miúdas, querendo desaparecer.

- Você não devia ter chegado antes do horário, Luke.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Out 09, 2016 7:58 pm

A ansiedade fez com que Lukas não se preocupasse em ser pontual. O rapaz chegou ao endereço fornecido pela melhor amiga mais de uma hora antes do combinado e decidiu testar o interfone mesmo assim, abrindo um sorriso satisfeito ao descobrir que Charlotte já estava no local. A pontualidade parecia uma bobagem perto das informações valiosas que Krauss trazia para a garota. Além disso, os dois já tinham um grau de intimidade grande o bastante para que não fosse preciso seguir horários tão rigorosamente.

O que Lukas não imaginava era que Charlotte não estava sozinha naquela manhã. A atenção de Luke, que inicialmente se prendeu no ateliê desorganizado, foi puxada na direção da ruiva no instante em que a modelo entrou em seu campo de visão.

O interesse de Gemma no recém chegado era bem compreensível. Naquela manhã, embora o rapaz parecesse cansado depois de uma noite em claro, Luke exibia uma aparência agradável aos olhos femininos. A calça jeans lhe dava um ar mais despojado, assim como os tênis escuros. A camiseta preta era lisa, mas as mangas curtas mostravam que Krauss havia recuperado todos os músculos perdidos durante a antiga internação. Os cabelos castanhos exibiam um corte moderno que realmente justificava a confusão da jovem em pensar que Luke também era um modelo.

Por mais que ainda nutrisse sentimentos pela amiga, Krauss não conseguiu ser indiferente à ruiva. Gemma era uma moça linda, tinha o corpo perfeito aos olhos de qualquer homem e um comportamento ousado que arrancou um risinho torto de Lukas. Os olhos castanhos deslizaram pelo corpo da modelo sem constrangimento, mas foi impossível disfarçar a surpresa quando Gemma simplesmente se livrou do tecido que escondia suas formas antes de caminhar até o banheiro.

- Puta merda, por que eu fui fazer Economia? Seu trabalho é sempre tão interessante assim, Charlie? Você não me arruma um estágio aqui? Eu não entendo nada de moda, mas sei servir café muito bem.

Na cabeça de Lukas, não teria nenhum problema fazer aquela brincadeira com a melhor amiga. Charlotte já havia deixado bem claro que o relacionamento deles ficara no passado e que não restara nada além de amizade. Lukas sabia que a amiga estava tentando reconstruir a própria vida, então não fazia nenhum sentido que Baviera ficasse chateada em vê-lo seguir pelo mesmo caminho.

- Desculpe por ter chegado tão cedo, eu não imaginei que você estaria ocupada. Eu estava muito ansioso para falar com você, Charlie.

O semblante mais sério que se espalhou pelas feições de Krauss indicava que o rapaz já havia deixado as brincadeiras de lado. Não era possível começar aquela conversa tão delicada com Gemma há poucos metros de distância, então Lukas não teve outra alternativa senão esperar que a ruiva saísse do banheiro. A saia minúscula parecia ainda mais curta quando comparado às pernas compridas da modelo, ainda maiores graças aos saltos que erguiam seus pés. O cropped estampado deixava boa parte da barriga reta à mostra. Os cabelos alaranjados estavam soltos e quase alcançavam a cintura de Gemma, completando aquela imagem de parar o trânsito em qualquer lugar do planeta.

- Me liga, Lukezinho.

Com uma postura absolutamente confiante, Gemma tirou um cartãozinho da bolsa e inclinou-se para colocá-lo no bolso de trás da calça do rapaz. Krauss exibia um sorrisinho meio bobo quando virou a cabeça para acompanhar os movimentos dos quadris de Gemma enquanto a modelo caminhava até a porta como se estivesse em uma passarela.

Só depois que a ruiva sumiu de vista, Lukas pigarreou e se obrigou a voltar para o assunto sério que o levara até o ateliê de Charlotte naquela manhã. A pasta que ele carregava debaixo do braço foi estendida na direção da melhor amiga antes que Krauss tomasse a palavra.

- Eu descobri a origem do rombo nas contas do seu pai. Os investigadores disseram que foram apenas gastos pessoais exorbitantes, mas eles deixaram passar um detalhe muito importante.

Luke deixou que os olhos verdes estudassem por alto os extratos bancários riscados e grifados antes de iniciar as explicações complexas.

- Eu circulei de azul todo o dinheiro que entrou nas contas nos últimos dois anos, incluindo aí os possíveis lucros com o contrabando de diamantes. Com o marca-texto, eu marquei os gastos pessoais da sua família. Eu olhei um a um, Charlie. Marquei só os gastos que vieram dos cartões de crédito. Então eu percebi que tinham restado milhares de pequenas transferências para contas diferentes. Eu grifei essas transferências de vermelho.

Quando passasse os olhos pelas dezenas de folhas dentro da pasta, Charlotte encontraria uma infinidade de transferências grifadas de vermelho. Os valores eram pequenos, quase nunca ultrapassavam os quinhentos euros. Mas era a frequência das transações que preocupava. Havia pelo menos duas ou três transferências diárias, sempre para contas distintas. O valor final havia sido somado por Luke e escrito na última folha com a mesma caneta vermelha que o rapaz usara para grifar aquelas quantias. Era uma fortuna incalculável, praticamente o mesmo valor que o Sr. Baviera teria lucrado com o contrabando, mas que não existia nas contas da família quando a bomba explodiu e o homem foi preso.

- São contas diferentes, mas eu pensei um pouco e concluí que poderia haver uma única pessoa por trás disso. Alguém usando contas fantasmas para desviar o dinheiro do seu pai aos poucos, sem que ele percebesse que estava sendo roubado... O dinheiro do contrabando entrava como se fossem lucros normais da empresa e ia saindo aos poucos, fazendo o seu pai acreditar que era um simples pagamento de dívidas dos cartões de crédito.

Krauss sabia que não seria uma notícia fácil para a amiga. Na cabeça de Charlotte, os Price eram amigos fieis que tinham ficado ao lado dela depois que toda a alta sociedade virou as costas para os Baviera. Naquele dia, contudo, Luke estava prestes a contar para a amiga que os Price eram os principais responsáveis por toda a desgraça que destruíra a família Baviera.

- Eu não posso citar nomes, Charlie, mas conheço alguém que tem acesso ao banco de dados de uma dessas agências que recebia as transferências. Eu entrei em contato com esta pessoa e tive a confirmação de que essas realmente eram contas fantasmas. O dinheiro ficava nessas contas por um ou dois dias antes de ser transferido para a conta em nome de Tobias Apolline Price.

Os olhos castanhos refletiam um sincero pesar quando Lukas buscou pelo olhar da melhor amiga.

- Eles não são seus amigos, Charlie. Eles só trouxeram você para perto para garantir que você nunca remexeria nesta história e nunca descobriria a verdade. Os Price fizeram seu pai assinar um contrato de sociedade e usaram o nome e as contas dele para lavarem a grana suja do contrabando de diamantes.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Out 09, 2016 9:36 pm

- Isso é um absurdo! Seu pai claramente perdeu o juízo! Ele está insano!

Os gritos de Helena ecoavam pelas grossas paredes. Nem mesmo a maquiagem, as joias ou as vestes impecáveis conseguiam esconder como ela estava transtornada. Os saltos caminhavam de um lado ao outro e ela gesticulava exageradamente.

Benjamin só se lembrava de ter visto a rainha tão alterada daquela forma uma única vez, quando ele era um garotinho escondido atrás das cortinas do escritório do pai, ouvindo o rei e a rainha comentando sobre Lukas e Hilda Krauss.

O príncipe, por outro lado, estava estranhamente calmo enquanto terminava de ajeitar o nó perfeito de sua gravata. Era comum que o herdeiro se vestisse impecavelmente, mas naquela manhã, Benjamin Kensington estava ainda mais arrumado, sem um único botão fora do lugar.

- Ele passou por diversos exames. Repetidas vezes. Os médicos garantiram que está mentalmente saudável e que só precisa de mais alguns dias para sair do hospital.

O rei havia despertado há quase um mês, chocando a equipe médica ao pedir a renúncia do trono. Porém não foi necessário que Helena exigisse uma bateria de exames para garantir que o rei estava apto para uma decisão como aquelas.

Ninguém jamais aceitaria uma renúncia tão séria como a de um rei de alguém recém despertado de um coma. Por isso Cristoph passou as longas semanas sendo investigado por diversos médicos de diferentes lugares. Nenhum deles ousou duvidar da sanidade mental. Tudo o que pediram era que Kensington esperasse mais algum tempo e que não tomasse uma decisão tão radical após um choque como o acidente de carro.

A recuperação física do rei foi mais um motivo para acalmar os médicos. A maior parte dos estragos causados com a batida de carro já havia se recuperado durante o coma, mas assim que foi transferido para o quarto, Cris mostrou que estava mesmo disposto a lutar pela vida. Seu apetite era surpreendente, ele ria e emendava longas conversas com a equipe do hospital.

Sua aparência continuava fragilizada após os muitos quilos perdidos e o curto cabelo que começava a nascer. Cristoph parecia até mesmo mais velho do que realmente era. Mas não era com nenhum pesar que ele repetia a sua renúncia para quem quisesse ouvir.

Naquela manhã, por fim, Cristoph Kensington havia assinado todos os documentos concretizando a sua renúncia. Benjamin estava ao lado do pai quando os olhos castanhos brilharam de emoção e ele pareceu tirar um peso do peito. Ao contrário de Helena, Benji só conseguia se orgulhar da atitude do pai.

- Eu não acredito no que esses médicos dizem! Eu simplesmente não aceito!

Benjamin se virou para encarar a mãe enquanto terminava de abotoar as mangas do paletó. O sorriso em seu rosto mostrava que o desespero da mãe não incomodava em nada. Nem mesmo o que ele estava prestes a fazer era capaz de minimizar o orgulho pelo ato corajoso de Cristoph.

- Você pode espernear o quanto quiser. Está feito.

Helena espremeu os lábios e fixou o olhar no seu filho. Ela tivera tempo suficiente para digerir a ideia, mas simplesmente não conseguia aceitar a renúncia do marido. Benjamin não queria estar por perto quando o pai partisse para o plano B e declarasse que não era só o posto de rei que ele estava abrindo mão, mas também encerrando aquele casamento.

- Agora coloque um sorriso no rosto e me acompanhe até que esteja tudo acabado. Não é isso que você faz de melhor?

Sem esperar para ver se a mãe iria segui-lo ou não, Benjamin caminhou decidido pelos corredores do palácio. O salão onde seria feita a cerimônia de coroação ficava no térreo e era um dos menos visitados por Benjamin durante a sua vida. Mas a decoração do lugar era condizente com todo o restante do palácio.



O lustre luxuoso pendia no teto e reforçava cada rico detalhe que compunha das paredes ao teto. O trono que um dia havia sido ocupado por Cristoph ficava ao fundo, se destacando de todo o restante do salão.

Espremidos nas laterais, os fotógrafos e representantes de canais de TV não deixavam de perder um único momento. Alguns dos parentes mais próximos e figuras políticas importantes já ocupavam seus lugares para presenciar o nascimento do novo rei. E na parte mais próxima do trono, Amelie o aguardava com um sorriso confiante.

Um homem enviado pela igreja já o aguardava para o início da cerimônia, assim como a coroa era exibida em um pedestal. Mas foi a figura em um dos bancos mais a frente que chamou a atenção de Benjamin.

Toda a sua tensão desapareceu quando ele encontrou Danika e Lisbeth presentes naquele momento. O sorriso que apareceu em seu rosto não era forçado para a ocasião, mas sim um agradecimento mudo para a mulher que fazia seu coração saltitar.

Um mês havia se passado desde que Benjamin e Danika concordaram em dar uma nova chance ao velho amor, e a cada dia ele se esforçava mais para que a romena não se arrependesse daquela decisão.

Era difícil manter um namoro secreto, principalmente quando os dois estavam em cidades diferentes, fazendo a saudade aumentar. Em meio ao caos que sua vida havia se tornado com a renúncia do pai, Benjamin tinha cada vez menos tempo para ir até Leoben, mas não passava um único dia sem enviar centenas de mensagens para o celular de Danika, além das já rotineiras ligações ao anoitecer.

Benjamin ainda estava com os olhos fixos em Danika quando sentiu as garras da mãe o segurando pelo cotovelo. A rainha estava mais uma vez perfeita para aparecer diante das câmeras, mas bastou que seu olhar se encontrasse com o de Lehman para que ela vacilasse.

- Tente não estragar tudo. – Ela sussurrou com um sorriso nos lábios antes de depositar um beijo na bochecha de Benjamin e se juntar a Amelie.

Era de praxe que os membros da família ficassem em pé, próximo ao trono, assistindo a toda a coroação. Naquela manhã, quando Benjamin recebesse a coroa em sua cabeça, apenas as duas mulheres estariam representando a família, já que Cristoph ainda estava no hospital.

Helena agia como a rainha perfeita, mas para a família ela não tentava esconder o seu descontentamento. Além de precisar lidar com a renúncia do marido, ela não acreditava que Benjamin estava preparado para assumir o trono. Para a mãe, o filho já havia cometido tantos erros que tinha grandes chances de criar uma mancha significativa na história da monarquia.

Aquela certeza de que falharia fazia Benjamin surtar. Ele não queria aquele destino, muito menos sabendo que acabaria com o legado do pai. Mas foi só a confiança que encontrou no olhar de Danika que o incentivou a seguir em frente.

Benji caminhou pelo corredor formado pelos convidados, escutando os diversos cliques das câmeras. Ele estava há poucos passos de alcançar o religioso quando parou no primeiro banco da fileira.

- Pupai! – Lisbeth abriu o seu largo sorriso, sem entender a seriedade do evento.

Os olhos metálicos se ergueram por um instante e ele pôde notar o desespero no rosto de Helena. A mãe chegou a balançar a cabeça discretamente em um movimento de negação, o que só fez o sorriso de Benji se alargar.

- O lugar dela é lá na frente, Nika.

Benji sussurrou para a namorada enquanto se inclinou para frente, puxando Lisbeth no colo. Sua vontade era que Lehman também estivesse na posição ideal daquela cerimonia, como sua verdadeira família. Mas jamais forçaria a namorada a assumir o relacionamento em um momento tão exposto.

Lisbeth entrelaçou as perninhas na cintura do pai, que seguiu o caminho até estar diante da coroa. Ao invés de leva-la até Amelie, Benji continuou com a filha no colo durante toda a cerimônia, sem se importar com o olhar de surpresa do religioso.

Por fim, Benjamin se inclinou para beijar a bíblia que lhe era oferecida e recebeu a pesada coroa sobre sua cabeça, sempre com Lisbeth em seu colo. A menina tinha os olhos arregalados de admiração, provavelmente encantada com aquele momento que só via nos desenhos.

- Cadê a minha, pupai? – Lisbeth inclinou a cabeça para o lado, arrancando a risada generalizada.

- O que você acha dessa?

Sem se importar com as regras rígidas de uma cerimonia, Benjamin puxou a coroa recém-colocada em sua cabeça e a apoiou na cabecinha de Lisbeth, mantendo-a firme em seus dedos para não machucá-la com o peso.

- Não, essa é de menino. – Lisbeth empurrou a mão dele para longe, fazendo os cabelinhos finos bagunçarem com o movimento. – A minha é de pinxesa fabulosa.

Mais uma vez, as risadas estouraram pelo salão e Benjamin procurou pela irmã com o olhar.

- Belo trabalho, Amelie.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Out 09, 2016 10:17 pm

Charlotte tinha um bico muito grande nos lábios, como uma criança mimada e contrariada, antes que Lukas começasse a levar a conversa para o assunto mais sério. Ela sabia que não tinha o direito de se sentir enciumada, mas era impossível controlar a vontade de espetar o corpo magrelo de Gemma com diversas agulhas. Além, é claro, de socar o amigo por simplesmente ter incentivado o comportamento da modelo.

Era mais fácil fingir que não estava enciumada quando os dois tinham a amizade colorida e Baviera insistia que não deveriam tomar o passo seguinte para formalizar um namoro. Naquela manhã, entretanto, ela nem mesmo tinha as carícias de Krauss para tornar aquele ciúme mais suportável.

O incômodo só ficava maior quando se lembrava da noite anterior, dos toques e beijos de Toby que não chegavam nem perto de despertar a mesma paixão que Lukas era capaz.

Porém, aquele ciúme infantil precisou ser deixado de lado quando Krauss lhe empurrou os documentos marcados com diversas cores. Charlotte não precisava ser nenhum gênio da economia para entender a forma dinâmica com que Lukas havia lhe apresentado seus estudos sobre as finanças do pai.

Ela já estava pronta para abraçar a teoria do amigo quando Lukas completou seu raciocínio usando o nome dos Price. Os olhos verdes foram erguidos dos números em suas mãos até pousar no rosto dele, esperando que aquele final se tratasse de uma piada de péssimo gosto.

Quando o seu mundo desabou, os Price foram os únicos que estenderam a mão e impediram que ela virasse uma sem teto. Charlotte não tinha nada a oferecer para a família de Marie, mas foi acolhida como uma irmã. Durante todo aquele ano, eles não só não deixaram que nada lhe faltasse como também a ajudaram a se reerguer para que pudesse caminhar com os próprios pés.

Marie e Toby nunca lhe deram motivo algum para suspeitar que estivessem envolvidos com o caso do seu pai e ela se sentia diretamente ofendida que Lukas tivesse coragem de coloca-los no meio de toda a podridão criada pelo Sr. Baviera.

- Está errado.

Ela empurrou os relatórios marcados de volta para as mãos de Krauss, como o simples fato de estar segurando aquilo fizesse com que ela traísse a confiança de Marie e Tobias.

- Faça as contas de novo, está errado, Lukas.

Charlie não duvidava que Krauss queria ajudar a resolver aquele mistério, mas a briga ocorrida na noite de reencontro dos dois mostrava que ele também não era completamente imparcial naquela história.

Ela não queria ofender o amigo alegando que ele não estava sendo profissional porque sabia que Lukas estava se esforçando para solucionar o caso. As mensagens às 3 horas da manhã era a prova de que ele estava empenhado em seu trabalho. Mas também não poderia admitir uma ofensa daquelas.

- Os Price foram os únicos que estiveram do meu lado, Lukas. Quando os Kensington estavam ocupados demais com a própria merda, quando você resolveu me jogar pra fora da sua vida sem ao menos me dar uma chance, eles foram os únicos.

Já com as mãos livres, Charlotte cruzou os braços contra o peito e balançou a cabeça, fazendo mais alguns fios escaparem do curto rabo-de-cavalo.

- Se o nome do Toby está envolvido nisso, então ele é mais uma vítima do golpe sujo do meu pai. Você entendeu tudo errado.

Um pesado suspiro escapou dos seus lábios e Charlie assumiu uma entonação firme antes de completar, encarando o amigo com uma seriedade que não lhe era comum.

- Eu amo você e agradeço por estar me ajudando nisso, Lukas. Mas pelo bem da nossa amizade, eu não vou aceitar que você coloque o meu namorado no meio dessa sujeira outra vez.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Out 09, 2016 10:46 pm

- Você está incrível.

O elogio de Amelie soou às costas de Danika, fazendo com que a romena se virasse para encarar a princesa. Um grande baile foi oferecido em comemoração à coroação de Benjamin, mas Nika se sentia incomodamente deslocada naquela festa luxuosa. Lehmann não conhecia nenhuma daquelas pessoas e optou por ficar parcialmente escondida em um ponto mais discreto do salão, bem longe dos flashes que eram disparados em todas as direções.

Embora não se sentisse parte da festa, Danika se misturava facilmente aos demais convidados importantes com o vestido escolhido para aquele evento. A peça não levava a assinatura de um estilista famoso, tampouco havia custado o valor de um carro. Mas possuía o bom gosto necessário para que a mãe da nova princesinha da Áustria não se destacasse negativamente no meio de todo aquele luxo.

O vestido longo era feito com um tecido leve, num tom que oscilava entre cinza e esverdeado. O decote em forma de coração era parcialmente ocultado por minúsculas pedrinhas bordadas na renda que cobria o colo de Danika. O vestido descia mais justo pelo tronco dela e a saia começava a se abrir na altura dos quadris da moça, num típico modelo sereia. Os sapatos de salto davam à Nika uma postura mais elegante e os cabelos castanhos foram presos num coque baixo, sem nem mesmo um fio fora do lugar. A maquiagem mais forte condizia com o evento, mas nem mesmo Helena conseguiria dizer que a romena havia exagerado na escolha das cores.

- Você está linda também, Mel. Você, o Benji e a Beth ficaram perfeitos nas fotos, eu vou comprar todos os jornais.

- Aff, Nika, eu não estou dizendo isso só por formalidade. Você sabe o que eu penso sobre convenções sociais. – os olhos metálicos idênticos aos de Benjamin giraram com impaciência – Você está realmente linda.

O jeito franco da princesa arrancou uma risada mais ampla de Danika e ela não viu outra saída senão concordar e agradecer pelo elogio. Os olhos protetores da mãe buscaram mais uma vez por Lisbeth, o rosto de Nika assumindo uma expressão mais tranquila ao ver que a garotinha continuava agarrada ao pescoço do pai. Por uma fração de segundo, o olhar da romena se cruzou com o de Benjamin e um sorriso mais contido surgiu inconscientemente nos lábios dela. Danika até tentou pigarrear e disfarçar aquele deslize com uma tosse falsa, mas Amelie era inteligente demais para se deixar enganar.

- Vocês voltaram.

Não era uma pergunta, mas uma simples constatação. Antes que Danika tentasse negar, a princesa completou aquela acusação com provas.

- E imagino que tenham voltado há algumas semanas. Porque já tem uns dias que o Benji voltou a sorrir como um bobo. Eu achei que ele só estava contente com a recuperação do papai, mas isso faz muito mais sentido.

- É claro que ele está feliz com a recuperação do seu pai! – Nika partiu em defesa de Benjamin, soando meio ofendida – Que ideia, Amelie!

- Sim, eu sei. Mas não faz sentido ficar cantarolando pelo palácio como um tolo apaixonado por causa do papai. É por sua causa.

Ao contrário de Benjamin, Nika era uma péssima mentirosa que jamais conseguiria sustentar uma história falsa diante dos olhos astutos de Amelie. A romena se limitou a cruzar os braços numa postura defensiva antes de sussurrar.

- É só uma tentativa, ainda não sabemos se vai dar certo.

- Oi? – Amelie soltou uma gargalhada que não combinava com a pose de princesa – Alô, Nika! Deixa eu te avisar uma coisa, gata. Já deu certo. Vocês se amam, vocês tem uma filha. O coitado do Benji está ali parecendo um tigre enjaulado se segurando para não pular em você. Pare de torturar o coitado.

- Não é tão simples. – Danika fez um sinal pedindo que Amelie falasse mais baixo – Tem muita coisa em jogo, Mel. O Benji agora é um rei.

- Um rei gostoso. – a princesa provocou, erguendo uma sobrancelha para Nika – Admita.

- Um rei que tem uma imagem a zelar. – a romena manteve a voz séria, mas suas bochechas coraram com aquele comentário – Sua mãe fez o favor de destruir a minha fama na Áustria, Mel. Se o Benji assumir publicamente um relacionamento comigo, será péssimo para a imagem dele.

A cabeça da jovem princesa se sacudiu em negativa, mostrando que Amelie não concordava com a opinião de Lehmann. Quando devolveu os argumentos, a moça estava anormalmente séria.

- Eu não acho que o povo vai julgar um rei que assume estar apaixonado pela mãe da filha dele. Todos já amam a Beth, é claro que vão ficar felizes em pensar que a nossa princesinha fabulosa terá uma família de verdade. Além do mais, Nika, quem pode julgar o Benji por correr atrás do amor? Nós temos um excelente exemplo de que um casamento de aparências não traz felicidade. O Benji só não quer esperar tantas décadas para ser feliz com a mulher que ele ama.

Amelie não citou o nome do pai, mas era evidente que a moça se referia ao sacrifício que Cristoph fizera para não abalar a imagem dos Kensington. O antigo rei precisou de muitos anos de infelicidade até ter a coragem de deixar tudo para ser feliz ao lado de Hilda Krauss. Certamente Benjamin não tomaria aquilo como exemplo.

- Eu estou dizendo tudo isso para chegar a um ponto importante, Nika. – o sorriso travesso surgiu nos lábios de Amelie – Eu estou com a perna quebrada.

Uma ruguinha de confusão surgiu entre os olhos de Danika e ela voltou a atenção para a perna engessada que apareceria parcialmente graças a uma fenda no vestido de Amelie. A moça ainda se recuperava dos ferimentos causados pelo acidente, e isso não era um segredo para ninguém. O que Nika não entendia era o que a perna quebrada de Amelie tinha a ver com toda aquela conversa sobre o relacionamento dela com Benjamin.

- Ahn... – a romena se segurou para não soltar um “e daí?” – Vou precisar de mais informações para entender aonde você quer chegar, Mel.

- Eu estou com a perna quebrada e a Beth é uma menininha de três anos que já está quase cochilando nos braços do Benji. Então eu estou me perguntando quem vai acompanhar o nosso rei na primeira valsa quando a banda começar a tocar...

Helena definitivamente não era uma opção. Benjamin certamente preferiria puxar um dos garçons do que convidar a mãe para a sua primeira valsa como rei. Amelie realmente não tinha condições de dançar com a perna quebrada e equilibrando-se em muletas. Seria uma cena fofa se Benjamin dançasse com a filha, mas já estava muito tarde e Lisbeth realmente se entregaria ao sono nos minutos seguintes.

- Se o Benji convidar uma moça qualquer, estará iludindo a pobre coitada. – Amelie tentou provocar ciúmes na romena – Além de dar margem para os jornais inventarem uma nova namorada para o rei.

- Isso é ridículo, Mel. – Danika fechou a cara, visivelmente incomodada em ver outra mulher nos braços de Benjamin naquele momento tão importante – O Benji pode simplesmente dispensar mais esta formalidade.

- Ou pode convidar a mulher que ele ama para acompanhá-lo. – Amelie abriu um sorrisinho – Apenas esteja preparada, Nika. E eu vou acertar esta muleta na sua cara se você ousar recusar um possível convite diante de dezenas de jornalistas.

Aquela breve conversa foi o bastante para deixar Danika inquieta pelo restante da festa. Ela se ausentou para colocar Lisbeth para dormir no quarto quando a princesinha começou a babar no ombro do pai e pensou seriamente em passar o resto da noite “escondida” no quartinho que a filha possuía no palácio.

Mas a ideia de que Benjamin convidaria outra jovem para dançar foi o bastante para motivar Nika a descer novamente para o salão de festas do primeiro andar. O baile caminhava para o seu ápice quando a banda começou a afinar os instrumentos. Por um breve momento, Danika realmente achou que Kensington pediria aos músicos para pular a formalidade da primeira valsa, mas então os instrumentos iniciaram as tradicionais notas da Valsa do Imperador.


Sem exceção, todos os olhos presentes no salão se voltaram para Benjamin. Helena colocou seu melhor sorriso no rosto e chegou a se adiantar um passo, mas a máscara da rainha se quebrou em mil pedaços quando o filho passou direto por ela sem lhe lançar nem mesmo um olhar. Um sorriso enorme brotou nos lábios de Amelie quando ela viu o irmão cruzar todo o salão até se colocar diante de Danika e estender a mão para a romena, formalizando o convite para aquela primeira dança.

Nika estava seriamente dividida entre cavar um buraco no chão de mármore ou se jogar nos braços de Benjamin. A mão dela tremia de leve quando Lehmann a pousou sobre a mão de Benji, aceitando o convite que todas as mulheres daquele baile teriam gostado de receber. Mas bastou aquele toque para que a romena se esquecesse do resto do salão e se focasse somente nas íris metálicas enquanto o rei a conduzia para o meio da pista de dança.

- Você é completamente louco.

As palavras foram sussurradas somente para Benjamin enquanto os dois iniciavam a dança, ignorando os flashes e o burburinho que se espalhava pelo salão.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Out 09, 2016 11:28 pm

Lukas já esperava por uma reação negativa. Era normal que Charlotte ficasse furiosa ou deprimida ao saber que estava sendo enganada de forma tão nojenta pelos Price. O rapaz até imaginou que Charlie poderia enfrentar um momento inicial de negação, era natural que ela tivesse dificuldades para aceitar que os únicos “amigos” que lhe estenderam as mãos naquele momento complicado eram justamente as mesmas pessoas que tinham empurrado a sua família para o buraco.

Contudo, o que Krauss não havia previsto era que a amiga teria a coragem de duvidar dele. Para defender os Price, Charlotte estava colocando em questionamento a honestidade e o profissionalismo de Lukas. Mais do que isso, estava duvidando da amizade tão nobre que ele oferecia a ela, mesmo sabendo que não existia mais a chance deles serem mais que bons amigos.

- Eu já refiz as contas, Charlotte. Várias vezes. O resultado está bem aí.

A entonação séria e o uso de “Charlotte” ao invés de “Charlie” já mostrava que Lukas não estava muito satisfeito com os rumos tomados por aquela conversa. Em nenhum momento o rapaz ergueu a voz, mas foi notável que o seu tom foi se tornando gradativamente mais frio.

- Se você não confiava no meu trabalho ou duvidava do meu profissionalismo, deveria ter solicitado ao Sr. Weiss que encarregasse outra pessoa do serviço. Eu fiz o meu melhor e cheguei à resposta que você precisava. O que você vai fazer com esta informação a partir de agora não é mais um problema meu.

A pasta com todas as informações foi deixada sobre um dos sofás bagunçados do ateliê. Lukas já tinha reunido todas as informações que precisaria para entregar o relatório final ao seu chefe e aquelas provas não lhe seriam mais úteis.

Como um economista profissional, Krauss deveria finalizar a conversa ali, dar as costas à Baviera e não pensar mais naquele assunto. Mas foi no papel de amigo que Luke estreitou os olhos castanhos e prosseguiu com aquela discussão. Charlie havia ofendido gravemente o rapaz com aquelas insinuações, mas ainda assim Luke não tinha a coragem de dar as costas a ela sabendo o quanto a amiga estava sendo enganada por aquele golpe sujo.

- É assim que você chama o cara que ferrou a sua família e botou o seu pai atrás das grades? “Meu namorado”? A Charlie que eu conheci era muito mais esperta que isso.

Lukas ainda sentia um ciúme violento ao pensar em Charlotte nos braços de Tobias Price, mas a descoberta daquele golpe só tornava aquela imagem ainda mais repugnante. Luke até conseguiria aceitar aquele relacionamento no futuro se achasse que Tobias amava Charlotte e a faria feliz, mas era difícil engolir a ideia de que Baviera estava planejando passar o resto da vida ao lado de um cara que só a usara para roubar a fortuna de sua família.

- E não seja hipócrita. Não existe esta história de “pelo bem da nossa amizade”. Se você não confia em mim, não restou nem mesmo amizade pra nós dois, Charlotte. Você acha mesmo que eu faria uma acusação tão grave se não tivesse certeza do que estou falando??? Eu não tenho provas documentais do envolvimento do “seu namorado”, mas qualquer advogadozinho de merda consegue uma liminar pra fuçar essas malditas contas e chegar no nome dos Price!

O indicador de Lukas apontou a pasta, referindo-se às provas claras de que o Sr. Baviera havia sofrido um golpe sujo.

- O seu pai pode não ser o ganhador do Nobel, mas ele é seu pai. E ali estão os indícios de que ele foi injustiçado. Mas é você que decide o que fazer com essas informações, Charlotte. Você contratou um economista pra localizar a origem das inconsistências nas contas da sua família, e o meu trabalho foi feito com perfeição, eu tenho a consciência limpa quanto a isso. Agora cabe a você deixar essa história pra lá ou buscar pela justiça.

A cabeça de Lukas se sacudiu em negativa e ele não conseguia acreditar que Charlotte estava tão cega a ponto de ignorar aquela resposta óbvia. Com um gosto amargo na boca, o rapaz só pôde concluir que Baviera estava tão perdidamente apaixonada por Tobias Price que preferia culpar o resto ao mundo em vez de acreditar nas sujeiras do namorado.

- Você prefere acreditar que seu pai é culpado e me ofender com essas acusações do que enxergar a culpa do seu namoradinho. Ele deve ser muito bom, hein? Eu espero sinceramente que, quando a verdade vier à tona, não seja tarde demais para você, Charlotte.

Krauss deu um passo para trás, mas a garganta dele ardia com a necessidade de lançar aquele último desabafo na direção da ex-namorada.

- Você me acusa por não ter ficado ao seu lado no momento mais difícil da sua vida. Eu admito este erro, você tem toda razão. Mas eu não vou aceitar que você repita esta acusação quando esta merda explodir... – Luke novamente apontou para as pastas – Que fique bem claro que eu fui o primeiro a te alertar e foi você que optou por colocar um fim na nossa amizade.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Dom Out 09, 2016 11:46 pm

- Cuidado com o que você fala, alguns poderiam dizer que isso é traição à coroa.

O sorriso que brincava nos lábios de Benjamin mostrava que seu comentário era apenas uma brincadeira com a própria situação.

Cada uma das aulas escolhidas por Helena tinham o intuito de preparar Benjamin para aquele momento. E embora a rainha estivesse com a fúria encarnada em cada uma de suas células por ver o seu querido filho desfilando nos braços de uma cozinheira, era impossível dizer que ele havia falhado.

A postura do novo rei era impecável e ele desfilava pelo salão, assumindo a dança com suavidade, guiando Danika em seus braços com perfeição. Qualquer um que notasse o brilho nas íris metálicas seria capaz de perceber o amor que Benji sentia pela mulher a sua frente.

A cena era digna de um conto de fadas. Todos os olhos estavam voltados para o novo rei, a coroa brilhando em sua cabeça, enquanto o mundo de Benji se voltava apenas para Danika. Nada mais importava naquele momento e ele não tinha mais medo de falhar. Era impossível qualquer deslize quando se sentia tão completo.

Benji deslizou para um dos cantos do salão, ignorando os flashes que acompanhavam cada um dos seus movimentos, e rodopiou até levar Danika novamente ao centro. Seus olhos deslizaram brevemente pelo baile, observando cada um dos rostos que os encarava com sincero interesse.

- Acho que não me saí muito mal. Mas resumindo, eu usei o carisma da minha filha e me aproveitei de um salão lotado de gente para tirar você pra dançar.

O rei finalmente encarou Danika e o sorrisinho torto em seus lábios o fazia parecer um menino que revelava sua travessura com orgulho ao invés da figura pública mais importante do país.

- Eu sabia que você não ia ter coragem de me dar um fora no meio de tanta gente.

Durante uma das manobras da valsa, Benjamin puxou Danika mais para perto. Seu semblante ficou mais sério e os rostos estavam próximos demais que ele podia sentir o hálito quente de Lehman tocando sua bochecha. O salão já havia desaparecido por completo, mas Benjamin ainda tinha noção de que se a beijasse ali, não teria mais volta.

Ele não tinha a menor dúvida de que queria Danika ao seu lado. Não tinha vergonha da posição mais humilde da menina, nada importava porque ele conhecia Lehman de verdade e sabia que não haveria outra mulher para estar ao seu lado, além dela.

O receio do rei vinha apenas por não saber o que Danika poderia estar pensando. Ele já havia arrastado ela e Lisbeth para frente das câmeras sem que elas tivessem escolha e expor Danika novamente poderia pôr um fim no relacionamento que eles estavam tentando construir.

- Nika...

Benji chamou em um sussurro, sem perceber que havia parado de dançar. Seus olhos passavam de uma das íris castanhas para a outra. O braço ainda mantinha Lehman grudada ao seu corpo, incapaz de fugir daquele momento, e mesmo que o inevitável beijo não acontecesse, não faltaria motivos para que os jornais comentassem sobre aquela dança nos próximos dias.

- Talvez eu não seja um rei tão ruim assim. Mas eu só consegui seguir em frente hoje porque você estava lá. Eu só consigo fazer isso com você, Nika.

Ele ainda sustentou o olhar por alguns segundos antes de descer as íris azuis até os lábios pintados de Danika. Toda a sua intenção estava clara em seus gestos, dando a oportunidade de Lehman fugir daquela exposição que não havia sido conversada antes.

- Você já deu uma chance ao Benjamin que não tinha nada a te oferecer. Mas eu prometo que o meu amor não muda se eu uso ou não uma coroa. Eu amo você, Nika.

As câmeras já estavam preparadas quando o beijo finalmente aconteceu. O sabor já conhecido dos lábios de Danika fez com que os aplausos pelo salão não chegassem aos seus ouvidos e foi em um gesto completamente intuitivo que Benji deslizou Danika pelos seus braços, a inclinando para trás e sustentando o corpo magro com firmeza, sem quebrar o contato dos lábios.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Seg Out 10, 2016 12:29 am

Era mesmo muito cruel do destino colocar Lukas Krauss na sua vida apenas para que ele saísse novamente, com mais uma briga. Mas com o passar dos dias, Charlotte se convenceu de que era melhor seguir daquela forma.

Luke fazia parte de um passado que ela deveria deixar para trás. Era brincar com fogo fazer de conta que os dois poderiam ser amigos novamente, engolir o próprio orgulho e esquecer o ano de ausência dele em sua vida.

A sensação de vazio que ela já havia experimentado antes voltou a surgir quando o contato com Lukas foi novamente interrompido. Nos primeiros dias, Charlotte cogitou a possibilidade de procura-lo, de reforçar que não era falta de confiança nele e no trabalho, mas que ele apenas havia se equivocado ao colocar o nome de Tobias no meio daquela confusão.

Por diversas vezes, Charlotte encarou o celular no nome de Lukas, incapaz de completar a ligação ou enviar uma simples mensagem. Por fim, ela se conformou que os dois deveriam seguir suas vidas e, com um gosto amargo na boca, concluiu de que não fariam mais parte da vida um do outro.

A presença de Tobias não era o suficiente para distraí-la ou fazer esquecer Luke, mas Charlotte se esforçava cada vez mais a mergulhar no novo relacionamento. Ela estava reconstruindo sua vida em meio a lama do sobrenome Baviera e Toby se mostrava sempre ao seu lado.

Não existia naquele namoro uma fagulha de paixão, mas Charlotte logo concluiu que o que havia sentido por Lukas era uma exceção. O namoro com Benjamin não era diferente do que ela tinha com Tobias, com exceção das constantes brigas. Talvez aquilo fosse ser suficiente: um relacionamento calmo, exatamente na média.

Ela havia desistido de tentar encontrar em Toby o mesmo amigo que Luke fora um dia e conforme ia diminuindo as suas expectativas, mais cômoda ela se sentia.

- O que é isso? – Marie parou na porta do quarto da amiga e a estudou de cima a baixo com uma careta.

Charlotte baixou o olhar para as próprias vestes, tentando ver o que havia de errado com a saia rodada e a blusa de manga escolhida para o jantar daquela noite. O traje não era o mais luxuoso do seu guarda-roupa, mas era bom o bastante para um encontro em um restaurante.

- Aaaah, não! Você não vai usando isso!

- Qual é, Marie? É meu aniversário, eu deveria poder escolher o que quero usar.

- Exatamente, é o seu aniversário. – Marie já havia atravessado o quarto e se enfiado no closet de Charlotte, revirando as dezenas de peças de roupa até voltar com um cabide onde pendia um longo vestido vermelho de tecido leve. – Aqui, perfeito.

- Você não acha que é meio exagerado para ir comer salmão?

O vestido era uma das peças mais bonitas, mas definitivamente era destinado para uma festa mais elegante. Como Marie era sempre exagerada e não aceitava ser contrariada, Charlotte não viu outra opção a não ser trocar pela peça vermelha.

Charlotte logo descobriu a intenção da amiga quando encontrou no restaurante, ao invés do íntimo jantar com poucos amigos, o local completamente fechado e lotado de pessoas em uma festa surpresa.

Muitos dos rostos presentes não eram de amigos, mas de excelentes contatos do mundo da moda. Tobias, é claro, exibia um sorriso orgulhoso ao desfilar ao lado da namorada, a exibindo como uma joia rara.

Ao invés do jantar típico, o restaurante estava servindo dezenas de comidas exóticas, bebidas caras e relembrando a Charlotte o mundo que ela havia abandonado. Quando uma editora de uma das revistas mais populares de moda da Áustria se afastou, Tobias depositou um beijo no topo da cabeça de Charlie, sorrindo orgulhoso.

- Gostou da surpresa?

A briga com Lukas e passar o primeiro aniversário com o pai na cadeia não lhe davam muitos motivos para comemorar. Mas Charlotte não estragaria a felicidade de Tobias dizendo que preferia estar em casa, assistindo TV com uma caixa de chocolates.

- Eu adorei. Você não precisava ter tido tanto trabalho.

Era impossível que a mente de Charlotte, acompanhando todo o carinho de Tobias e Marie, aceitasse a teoria absurda de Lukas. Por isso, ela reforçou silenciosamente que havia feito a escolha certa.

- Espere só para provar o bolo... O recheio de nozes é divino.

Diante daquele comentário, Baviera não pôde mais continuar com o sorriso falso. A careta imediatamente fez o sorriso de Toby desaparecer, fazendo Baviera se sentir culpada.

- O que há de errado?

- Eu sou alérgica a nozes, Toby.

Price a conhecia há anos, mas apenas nos últimos meses os dois haviam começado a se envolver, de modo que ele não tinha obrigação de saber daquele pequeno detalhe. Sua mente ácida, entretanto, imediatamente a lembrou de que Lukas saberia de algo tão importante.

- Ah, droga... Eu acho que você vai ter que ficar só com o sorvete de creme, então.

Toby coçou a nuca em um jeito sem graça e Charlotte não teve coragem de perguntar se ao invés do creme, não teria a opção do sorvete de chocolate. Ao invés disso, ela se inclinou até alcançar os lábios dele em um rápido beijo.

- Não tem problema. Está tudo perfeito.

- Mesmo? – O sorriso de Toby voltou ao seu rosto. – Porque eu não quero que sua alergia estrague isso...

Uma ruguinha surgiu entre as sobrancelhas bem desenhadas de Charlotte quando Tobias se afastou até se ajoelhar a sua frente. Os olhos verdes se arregalaram no mesmo instante em que a caixinha de veludo foi aberta, revelando o brilho do diamante.

- Eu queria que você voltasse a ter boas lembranças com diamantes. E ficaria muito feliz em fazer parte dessas lembranças, Charlotte.

- Você está me pedindo em casamento??? – A voz de Baviera soou mais esganiçada do que o planejado, arrancando uma risada de Toby e das pessoas ao redor.

Só então Charlie se deu conta de que toda a festa tinha os olhares voltados para o jovem casal.

- Eu seria louco se não estivesse. Eu quero que você tenha tudo, Charlie. A começar por este anel e meu sobrenome.

Charlotte havia passado praticamente toda a sua vida sobre saltos, mas pela primeira vez, ela sentiu que ia perder o equilíbrio. O mundo inteiro girou enquanto ela tentava compreender o impacto daquelas palavras.

Ela queria tanto seguir com a própria vida que só agora tinha noção do que aquilo realmente significava. Tobias estava lhe dando aquela chance e ela simplesmente não podia negar. Só o que precisava fazer era superar a sensação de que estava tudo errado desde o momento em que disse “sim” e sentiu a frieza do anel deslizar pelo seu dedo.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Seg Out 10, 2016 12:31 am

Quando percebeu que o beijo estava prestes a acontecer, Amelie arregalou os olhos e tentou se livrar das muletas. A intenção da princesa era iniciar as palmas para que os demais convidados se vissem obrigados a acompanhá-la. Mas foi enorme a surpresa de Amelie quando o salão explodiu em palmas antes mesmo que ela desocupasse as próprias mãos.

A imagem negativa que a imprensa criara de Danika Lehmann evaporou depois daquela cena linda do baile. O passado conturbado daquela estrangeira parecia não ter mais importância diante dos olhares apaixonados que ela trocava com Benjamin. Eles formavam um casal lindo e tinham uma filha que já havia conquistado todo o país. Nada parecia mais certo do que vê-los juntos.

É claro que no dia seguinte algumas publicações mais sensacionalistas mencionavam a novidade com palavras maliciosas. Mas a grande maioria das pessoas parecia aprovar o envolvimento do rei com a mãe da pequena Lisbeth. Amelie fez questão de separar a melhor capa que encontrou e lançou a revista diante do casal, na exagerada mesa de café da manhã do palácio real.

Na capa, havia uma linda foto do exato instante em que Nika havia aceitado o convite para a primeira valsa. Os olhos da romena brilhavam de emoção enquanto Benjamin a encarava com adoração. No pé da página, havia uma foto menor de Lisbeth no colo do pai no momento da coroação. O título era “As novas caras da monarquia austríaca”. Abaixo daquelas palavras em letras garrafais, a revista havia publicado com uma fonte menor: “Conheça o verdadeiro conto de fadas de Benjamin Kensington e sua Cinderela romena”.

- COMO É QUE É??? QUE MERDA É ESSA DE CINDERELA???

Danika puxou a revista para si, indignada com a forma como fora mencionada. Amelie soltou uma gargalhada gostosa, chegando a tombar a cabeça para trás. Ela já esperava por aquela reação quando escolheu aquela revista para levar para a mesa do café da manhã.

- Ah, Nika, eu adorei! – a princesa secou os olhos que lacrimejavam depois das gargalhadas – Vou resumir a matéria para você. Você era uma pobre romena, triste e desamparada, que sofreu muito em Viena até que o príncipe encantado surgiu na sua vida e resolveu todos os seus problemas. Agora você é uma linda Cinderela que vive um conto de fadas e é invejada por todas as mulheres da Áustria, quiçá do planeta.

Amelie sacou o celular e abriu o aplicativo de mensagens antes de continuar com as suas brincadeiras.

- Mandei uma mensagem para o Luke e a resposta dele foi a seguinte: Talvez façam um filme com Leonardo DiCaprio no papel do Benji e Megan Fox como Nika. – Amelie ponderou antes de completar – Vai ser irado se botarem a Jennifer Lawrence para me interpretar. Somos bem parecidas. O Luke pode ser interpretado pelo Daniel Sharman!

A revista foi fechada antes que Danika vomitasse em cima de tantas bobagens, mas ela precisava admitir que preferia o papel de princesinha da Disney ao invés de uma vadia interesseira que aplicara o golpe da barriga no rei da Áustria. Os olhos castanhos giraram com alguma impaciência, mas Nika não parecia sinceramente chateada quando entrelaçou seus dedos aos de Benjamin por cima da mesa farta de café da manhã.

Em poucas horas, a vida dela havia dado uma volta completa. Nika não estava arrependida por ter assumido o seu amor por Kensington, mas ao mesmo tempo se sentia um pouco temerosa quanto ao futuro. O maior medo da moça é que toda aquela exposição tirasse dela a vida calma e simples na qual ela e Lisbeth eram tão felizes.

O resto do mundo já sabia que os dois estavam juntos, mas a pessoa que mais seria afetada por aquela novidade ainda desconhecia o romance. Lisbeth já estava dormindo quando tudo aconteceu, mas agora Nika não sabia como explicar para a filha que a vida das duas havia mudado radicalmente e que Benjamin voltaria a ser parte integrante daquela pequena família.

- O que vamos dizer pra Beth?

A pergunta foi lançada para Benjamin, mas Amelie se apressou em responder antes que o irmão tivesse a chance de abrir a boca.

- Fale na língua dela. É só dizer o seguinte... Beth, você é uma princesa fabulosa. O pupai é o rei de todos os lugares onde o sol alcança. E agora a mumain é a rainha mais amada da história da Áustria!

Por estar de costas para a porta, Amelie não percebeu que a mãe entrava na sala de jantar no exato instante em que Nika era citada como rainha. Os olhos de Helena se estreitaram até se transformarem em duas fendas e a rainha finalmente explodiu, mostrando que finalmente havia chegado ao seu limite. Cristoph havia trocado o casamento por uma amante, mas nada era pior para Helena do que perder seu status de rainha para Danika Lehmann.

- Como você consegue fazer piada disso, Amelie? – a voz de Helena se ergueu até se transformar num grito histérico – Seu irmão destruiu a nossa imagem! Nunca mais seremos respeitados depois que o mundo inteiro viu um rei tolo caindo de quatro por uma vadia desqualificada!!! Aquele baile foi o nosso fim!
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Out 10, 2016 1:31 am

- Você vai se comportar?

A pergunta de Lukas fez com que Hilda estreitasse os olhos e adquirisse uma expressão ofendida. A Sra. Krauss não tinha o costume de frequentar restaurantes luxuosos como aquele em que entrava de braços dados com o filho, mas o medo de Luke não era voltado para o risco da mãe cometer uma gafe à mesa. O rapaz só temia que Hilda fosse agir com a sua nova namorada com a mesma aspereza que costumava tratar todas as moças – com exceção de Charlie – que se aproximavam do seu menino.

- Não seja ridículo. Eu sei me comportar!

A mesa reservada para os Krauss não estava vazia quando Hilda e Lukas a alcançaram. O homem que lançou um sorrisinho torto à Hilda ainda estava um pouco magro e debilitado, mas já parecia saudável o bastante para propor um jantar à família. Cristoph havia escolhido um restaurante de confiança, onde sabia que não seria importunado por jornalistas naquele momento íntimo da família.

- Você está linda, querida.

A cadeira de rodas mostrava que não fora por falta de delicadeza que o antigo rei não se colocara de pé para cumprimentar os Krauss. Cristoph estava começando a recuperar os movimentos das pernas, mas ainda precisaria de muita fisioterapia antes de voltar a andar normalmente. Hilda recebeu um beijo carinhoso na mão e pai e filho se cumprimentaram com um aperto de mãos firme.

- Achei que você iria trazer a sua nova namorada, Luke.

O antigo rei parecia sinceramente interessado em participar da vida do filho. Kensington sabia que jamais conseguiria recuperar todo o tempo perdido, por isso cada segundo ao lado de Lukas era ainda mais valioso. O rapaz ainda não havia se entregado por completo à ideia de que tinha um pai, mas pelo menos aceitava conviver com Cristoph e o encarava como um bom namorado que fazia Hilda feliz.

- Ela já deve estar chegando. Houve um imprevisto no trabalho e ela se atrasou. Podemos pedir as bebidas enquanto esperamos por ela.

- Eu acho que pontualidade é uma virtude.

- Mããããe... – Luke fechou a cara ao ver que Hilda já começara a implicar com a moça antes mesmo de conhecê-la – Pelo amor de Deus, eu não sou mais uma criança! Ela é minha namorada, nós estamos muito felizes. Dá pra aceitar isso e agir como um ser humano normal?

Além do ciúme que sentia do filho, Hilda já não gostava da tal namorada porque achava que fora por causa da moça que Lukas havia saído de casa há duas semanas. Os dois jovens estavam dividindo um pequeno apartamento no centro de Viena e fora um choque para a Sra. Krauss saber que o filho moraria na cidade, mas que não ficaria mais sob o teto dela.

O rapaz havia decidido se instalar em Viena depois de receber uma proposta de emprego irrecusável do Sr. Weiss. Mas agora que sua estadia na capital era definitiva, Luke não queria mais morar com Hilda. Por mais que a amasse, Lukas queria a privacidade que jamais teria sob o teto da mãe. Além disso, Cristoph já havia dado entrada nos papeis do divórcio e não demoraria até que os dois decidissem morar juntos. Luke havia aceitado conviver com o pai, mas viver sob o mesmo teto já era demais para o estômago do rapaz.

O garçom já havia servido bebidas para os três quando o celular de Lukas vibrou com uma mensagem. Ele conferiu o número da namorada antes de pedir licença e se levantar para ir buscar a moça na recepção do restaurante. Cristoph se aproveitou do afastamento do filho para lançar um olhar divertido para a namorada.

- Você costuma bancar a psicopata com todas as namoradas dele? Isso é assustador, Hilda.

- Não. Só com as vadias que tiram o meu menino da minha casa.

- O Lukas tem vinte e cinco anos. Já passou pela sua cabeça que ele sairia de casa independente de qualquer coisa?

- Você nem conhece a garota, por que está defendendo a criatura, Cris??? – Hilda tomou aquilo como uma ofensa pessoal.

- Você também não a conheceu. Por que já decidiu que ela não serve para o Luke?

- Porque ele não a ama. – a Sra. Krauss estava chateada quando suspirou – Não da maneira como amava a outra namorada.

Aquele diálogo foi interrompido quando Lukas retornou à mesa acompanhado pela nova namorada. A garota era alta, bonita e tinha um sorriso um pouco tímido e gentil. Os cabelos loiros escuros eram profundamente lisos e os olhos possuíam um tom de azul acinzentado. O vestido comportado fora uma boa escolha para o clima clássico do restaurante, assim como a maquiagem leve que não escondia os traços naturalmente bonitos.

- Doreen, esta é a minha mãe. Mãe, Cristoph, esta é a Doreen.

- Muito prazer. O Luke fala muito de vocês, é um prazer finalmente conhecê-los.

A loira apertou as mãos de Hilda e Kensington, sem tirar dos lábios um sorriso tímido. Doreen e Lukas tinham se conhecido em Leoben e sempre foram bons colegas. Os dois tinham perdido por completo o contato, mas voltaram a se falar no dia em que Luke acordara a moça no meio da madrugada para pedir que a amiga invadisse o sistema da agência bancária onde trabalhava para ajudá-lo em um serviço.

Algumas mensagens vagas foram trocadas depois disso, mas logo Luke viu na doçura de Doreen uma possível salvação para o vazio deixado por Charlotte Baviera. Os dois saíram algumas vezes e, embora não tivessem a sintonia que Krauss encontrava em Charlie, combinaram o suficiente para que Lukas decidisse que valia a pena tentar.

Por mais que preferisse ver Charlotte ao lado do seu filho, Hilda não teve coragem de maltratar Doreen. Era óbvio que a loira era uma boa moça e que Lukas estava se esforçando para ser feliz ao lado dela. Os dois trocavam olhares e gestos carinhosos durante o jantar e formavam um casal bonitinho.

O jantar terminou ao fim da noite, sem maiores imprevistos. Cristoph acertou a conta e guiou a cadeira de rodas motorizada até a saída do restaurante. Hilda se manteve o tempo inteiro ao lado dele e, embora os dois estivessem sendo absurdamente discretos, um paparazzi escondido em algum ponto da rua capturou o exato momento em que Hilda se inclinou para depositar um beijo rápido nos lábios do antigo rei.

Na manhã seguinte, um dos sites de fofoca mais famosos do país exibia a imagem daquele beijo sutil. Ao lado da foto de Hilda e Cristoph, fora exibida a imagem de Lukas andando com o braço enlaçado ao redor da cintura da namorada. A manchete não poderia ser mais sensacionalista: “Às vésperas de assinar os papéis do divórcio, Cristoph Kensington leva a nova família para jantar e conhece a namorada de Lukas Krauss”.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Ter Out 11, 2016 1:45 am

- Charlotte?

Tobias chegou a se inclinar para frente e balançou a palma da mão para chamar a atenção de Baviera, mas a menina continuou com a cabeça baixa, concentrada nos rabiscos que fazia, alheia a presença do noivo.

- Charlotte? – Ele chamou novamente, desta vez chegando a se reclinar sobre a mesa, o que fez com que a luz fosse bloqueada e finalmente despertasse a menina de sua profunda concentração.

Os olhos verdes se ergueram imediatamente e ela abriu um sorriso ao reconhecer Price. Embora não fosse exatamente um gesto mecânico, aquele sorriso também não trazia o mesmo brilho vivo para o seu rosto. E aquele era apenas um dos sinais de que Charlotte não estava feliz com a própria vida.

O anel de diamantes já estava preso em seu dedo há pelo menos cinco meses. E embora carregasse o título de “noiva”, Charlotte não tinha a menor pressa em marcar a data do casamento. Mesmo com a convivência com Tobias, era difícil se imaginar casada e abraçando aquela vida de uma vez por todas.

Como não encontrava no namorado toda a satisfação que precisava, Charlotte mergulhava cada vez mais no seu trabalho. A dedicação obviamente começava a trazer lucros e várias peças já haviam sido encomendadas. Cada vez mais o sobrenome Baviera começava a ser associado aos bons resultados da pequena Charlie e menos envolvido com os escândalos do Sr. Baviera.

Outro motivo que empurrava Charlotte cada vez mais ao trabalho eram as notícias que ocasionalmente pingavam sobre o filho de Cristoph Kensington. Se alguns anos antes alguém lhe dissesse que ela estaria sofrendo por causa do filho de Cristoph, ela não pensaria duas vezes em dizer o nome de Benjamin. O novo rei da Áustria, entretanto, já havia sido totalmente superado.

Krauss, por outro lado, havia deixado uma marca profunda demais que estava demorando a cicatrizar. No fundo da gaveta de sua escrivaninha de trabalho, Charlotte guardava as edições mais recentes que comentavam sobre a vida do irmão de Benji. Ela se obrigava a ficar feliz por Lukas ter seguido com a própria vida, mas era impossível ignorar o gosto amargo por ter perdido a amizade e o amor dele.

Assim como as revistas que mencionavam a nova namorada de Luke, os documentos levantados por ele que apontavam as inconsistências nas contas do seu pai haviam sido empurrados para uma gaveta e completamente esquecidos.

Charlie nunca teve coragem de mencionar a Toby ou Marie sobre as acusações de Lukas, mas a cada dia que passava ela sabia que havia feito a decisão certa, por mais que seu coração não concordasse.

- O que você está fazendo aqui? – Charlotte se colocou de pé e precisou ficar na ponta dos pés para se inclinar sobre a mesa até beijar Toby rapidamente.

- Vim alimentar você. – Tobias ergueu o saco de papel que carregava consigo. – Sanduíche de frango e suco de melancia.

O sorriso de Charlie vacilou, mas ela apenas puxou o saco para perto, estudando o aspecto do almoço. O casal já estava junto a tempo suficiente para descobrir seus gostos, mas era com certa frequência que Toby apontava exatamente o que ela menos gostava. O suco de melancia daquela lanchonete era sempre doce e aguado, mas como sempre, ela era incapaz de dizer a verdade para não desanimá-lo.

- Obrigada, Toby. Você não precisava ter se incomodado.

O rapaz se acomodou na cadeira em frente e Charlotte se encarregou de empilhar os papéis para o lado, liberando o espaço para que eles pudessem comer.

O relacionamento poderia não ser regado a paixão, mas o que faltava na amizade dos dois, parecia compensar quando se tratava de negócios. Luke havia sido um namorado e um amigo. Mas Toby era seu noivo e sócio. Enquanto Baviera se ocupava com a parte artística, Price era encarregado de cuidar dos números e contratos.

Por isso Charlie não se espantou quando aquele foi o assunto iniciado por Toby durante o almoço improvisado no pequeno ateliê. Entre uma mordida ou um minúsculo gole em seu suco, ela respondia sobre as encomendas e ele completava com os lucros ou os próximos eventos que já haviam sido confirmados.

Alguns minutos depois, o sanduíche já havia sido finalizado e o copo de suco quase inteiro ainda brincava nos dedos pequenos de Charlotte quando a conversa foi interrompida pelo interfone.

- Você tem alguém agendado agora? – Toby perguntou, deslizando o olhar pelo ateliê bagunçado em um nítido gesto de repreensão.

Charlotte já havia se colocado de pé e pulava entre os pequenos obstáculos perdidos no chão, preferindo ignorar o comentário do noivo. Quando a polícia de Viena se anunciou, um milhão de coisas passou pela sua cabeça. Praticamente todas as teorias eram relacionadas ao seu pai. Talvez tivesse acontecido algo na prisão. Ou novas evidências tivessem surgido. Mas então ela deveria estar recebendo visita do advogado, e não da polícia.

Dentre tantas coisas que Charlie havia tentado adivinhar naqueles breves minutos que o oficial demorou para aparecer na sua porta, nenhuma delas a colocava no centro daquela história.

- Charlotte Baviera? – O homem perguntou com uma seriedade quase intimadora.

- Pois não?

- Você está sendo detida por lavagem de dinheiro.

- O QUÊ?

Os olhos verdes foram arregalados quando a algema brilhou diante dos seus olhos. Ela estava tão chocada que não apresentou nenhuma relutância quando o policial a virou de costas, mantendo suas mãos presas para trás.

Tobias saltou da cadeira e correu até a porta, a confusão e o medo estampados em seu rosto.

- Deve ter algum engano... Isso é realmente necessário? – Ele apontou para as algemas, atuando perfeitamente no papel de noivo preocupado.

O oficial mostrou que não havia engano nenhum quando escoltou Charlotte até a viatura estacionada na calçada, atraindo os olhares dos transeuntes. A todo momento, Tobias andava ao seu lado, lhe prometendo de que tudo ficaria bem.

- Eu vou ligar para os advogados agora mesmo, Charlie. Não vou permitir que você passe nem mesmo uma noite fora de casa!

Charlotte se sentia presa em um pesadelo quando a porta da viatura foi fechada com ela sentada no banco traseiro, como uma perfeita criminosa. Pela primeira vez ela pensou que talvez seu pai fosse inocente e tivesse se sentido daquela mesma forma, com o mundo desaparecendo sob seus pés enquanto todos acreditavam que ele era um bandido.

De fato, antes que o carro seguisse o caminho, Charlie viu Toby puxar o telefone com um olhar angustiado, mas foi incapaz de ouvir as palavras que ele disse.

- Pegaram a Charlotte.

Um longo profundo escapou do outro lado da linha enquanto Marie absorvia aquela notícia.

- Você me prometeu que ela ficaria livre dessa, Toby.

- Não prometi, não. Eu só disse que cuidaria da sua amiga enquanto fosse possível. Mas ela caiu, Marie.

Uma nova pausa foi feita antes que Marie soasse mais conformada com o destino da suposta amiga.

- E agora?

- Agora eu vou ser o noivo traído que acreditou em uma família de bandidos. Tal pai, tal filha.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Ter Out 11, 2016 2:37 am

O barulho da cadeira de Benjamin sendo arrastada pelo piso de pedra ecoou por todo o salão quando o rei se colocou de pé. As mãos foram apoiadas sobre a mesa e, da cabeceira, ele encarou a mãe.

O clima leve do café da manhã foi imediatamente encerrado com a simples chegada de Helena. Os risos cessaram, a revista com a capa de Benji e Danika foi empurrada para um canto e todos evitavam contato do olhar da rainha. Aquele gesto que poderia ser interpretado por medo, simplesmente era o desejo de não iniciar uma briga em um dia que deveria ser apenas de comemoração.

Benjamin, por outro lado, não tinha mais motivos para baixar a cabeça diante de Helena. Ele era o rei da Áustria, havia feito suas próprias escolhas e não poderia se arrepender apenas porque a mamãe não aprovava. Jamais seria um homem capaz de liderar uma nação se precisasse sempre da opinião da mãe por trás de suas decisões.

Mas não era só o intuito de manter sua dignidade que fazia Benjamin enfrentar Helena mais uma vez. Ele já havia dito infinitas vezes de que a rainha não tinha o direito de falar sobre Danika ou Lisbeth, mas como sempre, ela não parecia ter limites.

- Eu não vou dizer mais uma vez que você precisa tomar cuidado com a forma que fala da Danika. Simplesmente porque a sua opinião não me interessa mais, e certamente não interessa a ela.

A voz de Benji estava perigosamente contida, mas os olhos azuis mostravam toda a frieza que ele sentia ao encarar a mulher a sua frente. Há muito tempo Helena vinha perdendo o afeto do filho e beirava a ser uma desconhecida aos seus olhos.

- Se você não gosta da minha forma de lidar com as coisas, está mais do que convidada a deixar o palácio e principalmente a minha vida.

A mão de Benjamin foi erguida na direção da porta atrás da mãe, em um convite mudo para que ela se retirasse. O gesto permaneceu por alguns segundos no profundo silêncio até que a voz carregada de ódio de Helena respondesse.

- É claro, é só o que você precisa fazer para terminar com todo o legado do seu pai. Um príncipe mimado que assume o trono e expulsa a mãe de casa na manhã seguinte. Você é uma decepção, Benjamin! Eu deveria ter desconfiado do seu fracasso no instante em que você se envolveu com essa vadia drogada!

Embora Benjamin tivesse permanecido com o semblante inabalável, os olhos azuis brilharam com a fúria por um instante. Mas seu corpo permaneceu parado, apenas cada vez mais tenso enquanto ele claramente lutava contra a vontade de colocar a mãe no seu devido lugar. Ele simplesmente não daria o gosto daquela vitória a Helena. A posição de um rei não permitia mais que ele agisse de forma tão inconsequente.

- O meu fracasso? – Benjamin finalmente deu uma risada seca e puxou a revista trazida por Amelie para exibir a capa para a mãe outra vez. – Você chama isso de Fracasso? As pessoas gostam de mim pelo que eu realmente sou. Se você, que é minha mãe, não é capaz de enxergar isso, você tem mesmo uma visão muito deturpada das coisas.

Os passos de Benji ecoaram quando ele rodou a mesa até parar atrás da cadeira de Danika. Sua mão deslizou pelo ombro dela, passando o apoio que Lehman provavelmente estaria precisando depois do estresse causado pela rainha.

Aquele simples gesto apenas reforçava a ideia de que Kensington já havia feito a sua escolha e não mudaria de lado porque Helena não concordava.

- Sem mais discursos prontos. Sem mais agressões verbais a mulher que eu amo. Danika está ao meu lado e vai continuar, enquanto ela quiser continuar. Ela vai ser a rainha, se ela concordar. Vai carregar o meu sobrenome arruinado, se assim preferir. Ela tem todo o direito de opinar sobre o meu reinado. Você não.

- Ela sequer conhece sobre a monarquia, Benjamin!

O nojo nas palavras e no olhar de Helena fazia o estômago de Benjamin doer. A mão dele deslizou até entrelaçar com os dedos de Danika. Por mais que ele estivesse tentando passar alguma segurança a ela, era Lehman que também lhe permitia continuar de pé e enfrentando a mãe.

- Meu pai escolheu alguém por conhecer a monarquia ao invés de seguir o coração dele. E o resultado foram diversas pessoas inocentes que só se machucaram com a escolha errada dele.

- Isso é patético, você está falando como se estivesse em um conto de fadas!

- Na verdade... – A voz de Amelie soou pela primeira vez, as sobrancelhas arqueadas. – Meio que é. Você sabe, o rei, a Cinderela...

O dedo magro de Amelie apontou para o irmão, Danika e então deslizou lentamente até a direção da mãe.

- E a bruxa má do Oeste.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Ter Out 11, 2016 11:37 pm

A prisão de Charlotte Baviera foi notícia nos principais jornais de Viena, sempre ávidos por uma fofoca maldosa envolvendo os membros da alta sociedade austríaca. O golpe aplicado pelo Sr. Baviera foi ressuscitado nas publicações, numa clara comparação com o “crime” cometido pela moça. No começo, as reportagens diziam que os advogados de Charlie estavam tentando esclarecer um possível mal entendido, mas depois de alguns dias as notícias mudaram.

A publicação daquela manhã exibia uma entrevista de Tobias Price, encenando com perfeição o papel de noivo enganado. O empresário de Charlotte alegava não ter tido nenhum tipo de participação nas transações ilegais da noiva e apresentou documentos assinados apenas por Charlie como prova de sua inocência. Os advogados pagos pela família Price abandonaram o caso e deixaram Charlotte nas mãos de um defensor público, visto que a garota não teria como pagar pela própria defesa tendo seus bens todos bloqueados.

O único apoio que Charlie recebera no passado viera dos Price e agora nem com isso a garota poderia contar. Pelo contrário, na entrevista publicada naquela manhã Tobias havia mencionado que iniciaria um processo contra Charlotte por ter envolvido indiretamente o nome dele em toda aquela sujeira.

Parecia ser o fim da linha para os Baviera. Nem mesmo Marie havia perdido seu tempo indo visitar a melhor amiga na delegacia. Aliás, ninguém além do defensor público havia aparecido para visitá-la naqueles três dias em que Charlotte estava detida. Por isso, a garota teria motivos para ficar surpresa quando a carcereira destrancou a cela que Charlie ocupava e anunciou que um visitante esperava por ela.

Não era um novo advogado, um jornalista e muito menos Marie ou Tobias. Quando chegou à pequena sala rodeada por paredes espelhadas, Charlotte encontraria Lukas Krauss.

Era nítido o desconforto do rapaz naquele ambiente hostil. Os olhos castanhos buscavam de forma insistente pelas paredes falsas, incomodado com a ideia de que havia alguém do outro lado observando-os, como se Charlotte realmente fosse uma criminosa perigosa. As mãos de Luke estavam cruzadas por cima da superfície da pequena mesinha da sala e os dedos compridos tamborilavam a madeira com uma nítida ansiedade.

Mas a insatisfação de Lukas atingiu o seu auge quando Charlotte entrou na sala, acompanhada pela carcereira. A garota estava abatida e visivelmente mal cuidada depois daqueles três dias de detenção. As algemas prendiam os punhos de Charlie na frente do tronco dela e aquela imagem fez os olhos de Krauss se estreitarem com uma profunda insatisfação.

- Isto não é necessário! – o rapaz apontou as algemas, indignado – Ela ainda não foi condenada! Estamos dentro de uma delegacia, vocês realmente acham que ela vai me machucar?

- São as regras, querido. E aqui a pequena socialite é só mais uma na multidão. As regras servem para todos.

A resposta ácida da carcereira mostrava a satisfação dela em maltratar Charlotte. Era raro que uma garota rica, educada e bem sucedida acabasse atrás das grades e aquela mulher não perderia a oportunidade de tripudiar em cima de Baviera.

Krauss respirou fundo e desistiu de comprar aquela briga porque sabia que qualquer discussão poderia fazer com a vida de Charlie dentro daquela delegacia ficasse ainda mais complicada. Até que a inocência dela fosse provada, Charlotte teria que suportar aquela humilhação por mais alguns dias. Luke estava decidido a resolver aquele problema antes que um juiz enviasse Baviera para aguardar o julgamento em uma penitenciária feminina.

Os dois não puderam ficar a sós. A carcereira se afastou alguns passos, mas permaneceu perto da porta. Além dela, Lukas tinha a nítida impressão de que mais olhos os observavam por trás das paredes espelhadas da sala. Ainda assim, o rapaz não hesitou em deslizar a mão sobre a mesa até alcançar os dedos delicados de Charlie. O metal gelado das algemas provocou um arrepio no rapaz, mas Krauss se esforçou para desviar a atenção daquele ponto.

- Eu já contratei um advogado. Ele solicitou ao juiz a liberação de uma fiança para que você aguarde o julgamento em liberdade. Até amanhã teremos uma resposta.

Não havia julgamento na forma como Luke encarava a amiga. Qualquer um poderia iniciar aquele discurso com um típico “eu te avisei”, mas Krauss sabia que aquele comportamento não ajudaria em nada. Charlotte já estava sofrendo demais e precisava de soluções e não te ver seus erros sendo apontados.

- O advogado também já recebeu o meu relatório sobre as inconsistências nas contas do seu pai e vai entrar com um pedido para quebra do sigilo das contas fantasmas que desviaram o dinheiro dele. Eu preciso que você assine esta procuração para que eu tenha acesso às suas contas também.

De dentro de uma pasta, Lukas puxou o documento no qual Baviera daria a ele autorização para acessar os dados de suas contas bancárias e as movimentações da pequena empresa de moda chefiada por ela. O fato daquele documento já estar pronto e do advogado já estar trabalhando no caso mostrava que Krauss já vinha se movimentando para ajudar a amiga desde a prisão dela.

A mágoa pelas acusações injustas do passado foi deixada de lado. Lukas jamais deixaria de ajudar a melhor amiga naquela situação delicada porque Charlie um dia duvidara da honestidade dele. Era uma questão de manter a consciência em paz, mas Luke também se sentia no dever de retribuir a colaboração que Baviera lhe dera no momento mais difícil de sua vida. Charlie ficara ao lado dele durante a sofrida internação e agora Lukas não deixaria que ela apodrecesse injustamente na cadeia.

- Eu sei que é horrível, Charlie, mas nós vamos esclarecer tudo e este pesadelo vai acabar. – Luke suspirou antes de apertar a mão da amiga com mais firmeza – Confie em mim.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qua Out 12, 2016 3:36 am

Nas semanas que sucederam o baile de coroação de Benjamin Kensington, Nika descobriu que não era fácil ser a namorada do rei da Áustria. O relacionamento com Benji era perfeito e a cada dia os dois recuperavam mais uma parcela do amor e da confiança perdidos no passado, mas agora também precisavam lidar com as dificuldades criadas pela fama.

No começo, Danika achou que enlouqueceria com os fotógrafos que a perseguiam até durante uma simples visita ao supermercado. Agora era impossível para a romena andar pelas ruas sem ser reconhecida e Nika ainda não sabia lidar com o constrangimento sempre que alguém lhe pedia um autógrafo ou uma foto. Era muito difícil explicar para aquelas pessoas que amavam Lisbeth e Benjamin – e consequentemente amavam a “Cinderela Romena” – que Lehmann não era uma celebridade e nem queria ganhar aquele status.

Depois de uma coleção de convites recusados, Danika finalmente estava tendo alguma paz e não era mais assediada para participar de programas de televisão, conceder entrevistas ou comparecer a eventos. A atenção dela se voltou novamente para o restaurante de Leoben e qualquer um que visse Lehmann trabalhar tão duro na cozinha não acreditaria facilmente que aquela moça estava há um passo de se tornar a rainha da Áustria.

Ainda não houvera uma proposta, sequer uma conversa mais séria sobre casamento. Mas qualquer um que conhecesse Danika e Benjamin perceberia que era naquela direção que o casal caminhava. Juntamente com Lisbeth, eles já formavam uma família unida e feliz. Era notável que os dois se amavam, que havia cumplicidade e companheirismo na relação. Provavelmente, Benji só estava esperando que a poeira abaixasse para oficializar aquela união com um anel de noivado. E a verdade era que Nika não estava ansiosa por aquilo e nem tinha pressa. Para ela, bastava a certeza de que Benjamin voltara a fazer parte de sua vida e que o amor deles se fortalecia mais a cada dia.

Exceto por Helena, ninguém se posicionava contra o relacionamento. E até mesmo as críticas ácidas da rainha não eram capazes de abalar a felicidade do casal. Tudo o que Danika via quando olhava para a sogra era uma mulher amargurada que viveu acorrentada a um casamento sem amor e a um mundo de aparências que desmoronou no instante em que o marido a trocara por uma mulher simples, que não fazia parte do universo luxuoso da realeza. Helena Kensington era digna de pena e a opinião dela não tinha valor algum para Lehmann.

Benjamin já estava há cinco meses no trono e tudo parecia perfeito. O povo o amava e Benji honrava o nome dos Kensington mostrando-se como um rei justo e capacitado para aquele cargo tão importante. Nika e Benjamin ainda se alternavam entre Viena e Leoben, mas cada dia em que não conseguiam se ver só servia para alimentar as saudades que eram saciadas no próximo reencontro.

Aquela quarta-feira provavelmente seria mais um dos tristes dias em que ambos estavam ocupados. Benjamin tinha uma reunião inadiável em Viena ao passo que Danika teria que ficar no restaurante de Leoben para servir o almoço para uma equipe de empresários que contratara seus serviços.

No fim da tarde, os últimos clientes começavam a sair do restaurante quando Nika trocou seu uniforme por um vestido azul rendado. Não estava frio, mas o vento fresco a obrigou a usar uma jaqueta por cima do vestido antes de puxar a bolsa.

- Acho que está tudo sob controle, não é? Vocês seguram as pontas por mim? Vou buscar a Beth na escolinha e depois preciso comprar umas verduras, nosso estoque está praticamente esgotado.

- Relaxa, Nika. – Lionel ergueu o polegar com seu jeito relaxado – A gente dá conta do recado.

- Vou deixar o celular ligado, podem ligar se precisarem de qualquer coisa.

Quando saiu do restaurante, Danika não carregava consigo nenhum tipo de preocupação. Depois de tanto tempo de convivência com a equipe, ela confiava cegamente em todos os colegas e sabia que podia se ausentar do restaurante. Naquele fim de tarde, quando entrou no carro popular que havia comprado com os lucros do próprio negócio, tudo o que Lehmann planejava era buscar a filha na escola, dar uma passada rápida no mercado e ficar com a criança pelo resto do dia.

A chef destravou o carro, sentou-se no banco do motorista e jogou a bolsa no assento ao lado. Como de costume, Nika ligou o rádio numa estação local e ajustou os espelhos antes de dar a partida. Mas foi no instante em que mudou o foco do espelho central que o coração de Danika falhou uma batida ao capturar o reflexo de um par de íris profundamente azuis.

O pânico foi tão grande que Danika ficou petrificada e sequer conseguiu gritar quando o homem escondido no banco traseiro inclinou-se na direção dela e deslizou o cano gelado de um revólver em seu rosto pálido.

- Oi, gata. Eu vim para te convidar para um passeio. – a arma foi pressionada com mais força na têmpora de Danika – E não vou aceitar um não como resposta.

- Fried, por favor! – a voz de Nika soou num sussurro engasgado.

- Shhh, quietinha. Ainda não é a hora de implorar, mas este momento vai chegar. Agora você vai ligar o carro e vai dirigir na direção que eu disser. Não tente fazer nenhuma gracinha ou o seu namoradinho real vai ter muita dificuldade para reconhecer os seus miolos espalhados pelo carro.

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Já passavam de oito da noite quando o celular de Benjamin tocou. Pouquíssimas pessoas possuíam o número pessoal do rei da Áustria, mas o visor não mostrava um contato conhecido. As únicas pessoas de fora da família que possuíam aquele número de celular eram a pediatra de Lisbeth e a diretora da escolinha da filha. E, de fato, foi mesmo a voz de uma delas que o rei ouviu quando atendeu a chamada.

- Majestade...? – a mulher soou extremamente sem graça, mas se obrigou a continuar – Quem fala é Bertha Dirk, eu sou a diretora da escola da Lisbeth. Eu lamento muito incomodar, mas é que ninguém apareceu aqui para buscar a Beth até agora. Tentei ligar para a Srta. Lehmann, mas o celular só cai na caixa postal. No telefone fixo ninguém atende e no restaurante me disseram que ela saiu no fim da tarde e não voltou. A Beth está começando a ficar cansada e meio chorosa, não sei o que digo a ela.
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