The Royals

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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Set 08, 2016 12:39 am

Era impossível tirar o sorriso dos lábios enquanto continuava ao lado de Lukas. Charlotte sabia que antes do nascer do sol, ela sairia pela porta do apartamento e os dois nunca mais se encontrariam. Já estava convencida de que aquele era um encontro casual e sem significado algum. Mas isso não significava que a companhia dele era diferente de tudo que já havia experimentado.

Krauss conseguia ser carinhoso e ousado ao mesmo tempo. Era casual e ao mesmo tempo atencioso. O acordo entre os dois era mudo, mas nenhum deles parecia discordar que não se veriam mais depois daquela noite. E ainda assim se deixavam levar pelo prazer do momento.

- Hey, esses iogurtes são uma delícia. – Charlie protestou com um sorriso divertido nos lábios antes de receber o suco.

Ao invés de dar um gole na bebida, o copo deixado de lado sobre o balcão e ela se aproximou de Kraus, rodeando o pescoço dele com seus braços. Os dois já estavam satisfeitos, mas bastou um novo contato dos lábios para que Baviera sentisse todo o seu corpo despertando novamente.

Antes que os dois emendassem em mais profundas carícias, a menina se afastou dele para direcionar sua atenção ao lanche preparado. Um pedacinho do sanduíche foi despedaçado com seus dedos e Charlie o levou até a boca para comer.

- Não é nenhuma novidade que eu seja a garota dos sonhos de um rapaz, lindinho. Mesmo que só por uma noite.

Ela piscou o olho e puxou o copo para dar um gole grande em seu suco. Como ainda sorria, Charlotte mostrava que as palavras convencidas não passavam de uma brincadeira. Embora fosse extremamente segura de si, ela estava apenas deixando o clima mais casual e descontraído.

Quando o suco chegou na metade, Charlie limpou os lábios com o polegar e se voltou mais uma vez para o dono do apartamento. Desta vez, seu sorriso era mais suave e sincero, sem vestígio das brincadeiras.

- Eu não posso dizer que você era exatamente o que eu estava procurando hoje. Mas fiquei muito feliz de te encontrar. Superou as minhas expectativas, Lukas que não é calouro. E as minhas expectativas costumam ser bem altas.

Como a conversa estava ficando mais séria do que deveria ser para um simples encontro casual, Charlotte voltou a beliscar seu sanduíche e acrescentou com a voz mais relaxada.

- Lindinho, se você fizer um café da manhã tão bom quanto esse sanduíche, eu até cogitaria ficar por mais algumas horas.

A conversa que se iniciou foi mais leve, mas Charlie se surpreendeu quando continuou dando risadas enquanto os dois terminavam de lanchar. Mais beijos e carícias foram trocadas e quando os pratos finalmente estavam vazios, Lukas se afastou para ir até o banheiro.

Sozinha na pequena cozinha, Baviera soltou um suspiro e finalmente parou para admirar o lugar. Não havia nada de luxuoso e sem o menor vestígio de uma boa decoração. Era um lugar tipicamente masculino com que ela não estava acostumada.

No meio da sua admiração, o barulho de chave ecoou pela sala e a porta da frente se abriu. Se fosse apenas o colega de quarto de Lukas, ela não iria se intimidar. O vestido dourado já estava novamente em seu corpo, mas os cabelos bagunçados, a maquiagem borrada e os pés descalços denunciavam o que havia acabado de acontecer ali. E mesmo assim, a segurança da herdeira dos Baviera não seria abalada.

O que Charlotte não esperava era ver aparecendo no meio do apartamento daquele desconhecido, o rosto conhecido do futuro rei da Áustria.

- Benjamin?

Charlotte circulou a bancada e se aproximou da sala. Benji ainda estava de costas e só se virou ao ser chamado pelo nome. A palidez que imediatamente assumiu seu rosto mostrava que ele também estava surpreso em ver a ex-namorada ali.

- Charlotte? – Benji engasgou, os olhos arregalados imediatamente vasculhando o apartamento em busca de Lukas. – O que você está fazendo aqui?

- Eu? – A menina riu e ergueu o indicador para apontar as roupas simples que o príncipe vestia. – O que você está fazendo aqui?

Ao invés de responder, Benjamin correu até o ponto da sala que podia ver o corredor, se certificando de que Lukas não estava por perto.

- O que você fez com o Luke?

- Oi??? – Charlie arqueou as sobrancelhas, ofendida. – Como assim, o que eu fiz com ele? E como você conhece o Lukas?

Benjamin deslizou a mão pelos cabelos, claramente desesperado. A confusão de Charlie só crescia, mas o príncipe não tinha tempo de explicar toda a história. Ele voltou a se aproximar da morena e a encarou, suplicante.

- Eu vou explicar tudo. Eu prometo! Vou responder cada uma das suas infinitas perguntas, eu faço o que você quiser! Só por favor, Charlie! Você não me conhece!

- Como assim eu não te conheço? Eu te conheço desde criança, Benji!

Mais uma vez, os olhos castanhos passaram pelas roupas que em nada combinavam com um príncipe e a mente de Charlie estalou quando ela compreendeu. Ela fez um “oh” com os lábios, mas o barulho vindo do corredor indicava que em breve Lukas estaria entre eles.

- Por favor, Charlie. – Benji voltou a implorar e um sorriso malicioso apareceu nos lábios dela no instante em que Lukas apareceu em seu campo de visão.

- Hey lindinho, olha só quem está aqui...

Ela cruzou os braços e pareceu se divertir ainda mais diante da confusão do rosto de Benji ao ver que “lindinho” na verdade era seu colega de quarto.

- Acabei de conhecer o seu colega de quarto dono dos iogurtes.

Benjamin e Charlotte ainda tinham muito para conversar e explicar toda a confusão daquele encontro aparentemente absurdo. Mas naquele momento, os ombros de Benji relaxaram visivelmente.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qui Set 08, 2016 12:53 am

Não seria a primeira vez que Olga se esbaldava em uma festa da faculdade e chegava em casa no meio da madrugada, sem condições de encaixar a chave na fechadura. Por isso, quando ouviu as batidas já tão tarde da noite, Danika não teve dúvida de que encontraria a colega no corredor, completamente embriagada, talvez acompanhada por um rapaz felizardo.

Lisbeth já estava profundamente adormecida no berço, mas por sorte Nika continuava acordada. Depois de ter lavado toda a louça e passado algumas roupas, a morena havia se deitado e estava folheando um livro enquanto esperava que o sono chegasse. Lehmann já havia se acostumado a dormir pouco, então era raro que ela adormecesse cedo, mesmo estando cansada depois de um dia inteiro de trabalho.

O risco de Olga estar acompanhada fez com que Nika colocasse um roupão por cima da camisola. A moça se sentiu profundamente grata por aquela decisão no instante em que abriu a porta e deu de cara com Benjamin Müller. Os olhos castanhos se arregalaram com a surpresa, mas as batidas aceleradas dentro do peito da garota denunciavam que ela estava feliz em revê-lo, mesmo naquelas circunstâncias.

- Eu realmente não preciso saber dos detalhes. – Nika riu ao imaginar a cena no quarto de Lukas – Já tenho doses suficientes de constrangimento quando a Olga traz companhia pra casa.

Quando abriu mais a porta e fez um sinal para que Benjamin entrasse, Danika no fundo sabia que tudo aquilo não era apenas por causa de um sanduíche. Nika não se envolvia com ninguém desde a gravidez de Lisbeth, mas não era preciso muita experiência para saber que um homem não a procuraria quase duas da manhã se não estivesse interessado em algo a mais. Era difícil imaginar quais eram as verdadeiras intenções de Müller, mas Danika abriu a porta exatamente para ver onde ele queria chegar.

- Vamos ver o que você trouxe...

Enquanto falava, Danika puxava os ingredientes dos braços de Benjamin e os espalhava sobre a bancada da cozinha.

- Este pão é ótimo, continua fofinho mesmo depois de dias aberto. Presunto, queijo, salsicha... Dizem que cada salsicha que você come diminui em meia hora o seu tempo de expectativa de vida, sabia? – o sorriso de Nika se alargou – Fazendo as contas, eu morri em 2008. Na Romênia, a gente come salsicha em quase todas as refeições.

Mesmo que Benjamin Müller estivesse ali no meio da madrugada, Nika ainda se recusava a acreditar que ele estava seriamente interessado nela. Muito provavelmente, Benjamin era o tipo de cara que a enxergava como uma mãe solteira carente que toparia qualquer coisa com um cara bonito como ele. Lehmann sabia que não era indiferente à beleza do novo vizinho e o achava absurdamente charmoso. Mas ela ainda não decidira o quanto estava disposta a participar daquele jogo. A vida dela já estava muito tumultuada para encaixar mais aquele problema e Benjamin parecia tentador demais para que Nika tivesse a certeza de que não se apaixonaria se deixasse algo acontecer.

- Seu sanduíche vai sair em dez minutos.

Além dos ingredientes levados pelo rapaz, Danika pegou ovos e óleo para preparar uma maionese temperada. Em poucos minutos, Nika colocou diante do vizinho um prato contendo um sanduíche de presunto com queixo derretido. A salsicha frita decorava o cantinho do prato junto com uma pequena porção de salada. A maionese havia se transformado em um molho temperado e discretamente apimentado que realçava o sabor dos demais ingredientes.

- O suco acabou hoje de manhã, mas a Olga sempre esconde umas latinhas de Coca-Cola nos cantos da geladeira. Esconde de si mesma, ela está sempre de dieta e vai ficar grata quando souber que eu a poupei de uma tentação.

O refrigerante foi resgatado na geladeira e colocado ao lado do prato de Benjamin antes que Danika se sentasse no outro banco alto junto à bancada da cozinha.

- Não são as batatinhas da outra noite, mas ao menos você não vai dormir com fome e nem terá que cozinhar tendo que ouvir o show no quarto do Luke. Quer uma dica de uma especialista? Compre fones de ouvido de boa qualidade. Os baratinhos não conseguem bloquear todo o barulho.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Set 08, 2016 1:37 am

Parecia impossível, mas Luke nem se lembrava mais da trágica conversa que tivera com Olga Sturm naquela noite. Depois de levar o pior fora de sua vida, Krauss imaginou que passaria o resto da madrugada lidando com uma insônia cruel e revivendo a reação de Olga enquanto se revirava sozinho na cama.

Mas Charlotte Baviera surgira como uma tábua de salvação em meio a um maremoto, e Luke se agarrou nela com todas as suas forças. Mesmo que tudo aquilo não passasse de uma noite casual, Krauss se sentia grato por ter tido a sua dignidade restabelecida por aquela bela desconhecida.

No caminho até o banheiro, Lukas empurrou a porta entreaberta do quarto que agora pertencia a Benjamin Müller e encontrou o cômodo vazio. As caixas de papelão e a cama desarrumada indicavam que Benjamin realmente havia estado ali, mas era impossível saber se o novo morador havia saído antes ou depois da chegada de Krauss.

De qualquer forma, Luke se convenceu de que não tinha motivos para se envergonhar. Talvez ele tivesse feito menos barulho se soubesse que o colega estava por perto, mas não havia nada errado em levar uma garota para o apartamento. Lukas era solteiro e é claro que não se importaria se Müller também levasse meninas para dormir no quarto ao lado.

Do banheiro, Luke conseguiu escutar a voz grave do novo colega. Era impossível compreender com exatidão o teor da conversa, mas a certeza de que Benjamin estava na sala motivou Krauss a vestir uma bermuda antes de retornar para junto de Charlotte. Apesar daquele cuidado com a discrição, ninguém teria dúvidas do que acabara de acontecer ali. Charlie ainda estava totalmente desalinhada e o peito desnudo de Lukas diante da menina denunciava que já havia um grau de intimidade entre eles.

- E aí, Benji? – o rapaz abriu um sorriso tranquilo e se inclinou para cumprimentar o colega com um aperto de mão – Eu achei que você só se mudaria amanhã. Eu estava numa festa, espero não ter te acordado. Esta é a Charlie. Charlie, este é o meu novo colega de quarto, Benjamin Müller.

A menção ao sobrenome falso usado por Benjamin em Leoben deixava ainda mais claro que o futuro rei da Áustria estava ali disfarçado. A maneira cordial e informal com a qual Luke tratava o outro rapaz mostrava que ele não fazia a menor ideia de que estava diante de um Kensington.

Nem em mil anos, Lukas levantaria a hipótese de que Benjamin e Charlotte já se conheciam, muito menos que os dois tinham um longo e conturbado relacionamento amoroso, cheio de idas e vindas. Por desconhecer totalmente a forte ligação entre os dois, Krauss não viu nenhum problema em parar ao lado de Charlie e deslizar o braço carinhosamente pela cintura da menina, trazendo-a mais para perto.

- Foi mal, Benji. Mas não deu pra segurar a piada, cara. Iogurte desnatado para controle de flora intestinal??? – o rapaz soltou um riso divertido – Eu vou ter que me acostumar com esta mudança. O Franz, meu antigo colega, era o tipo de cara que cheirava a comida. Se não parecesse azedo, ele comia. Pelo menos eu sei que não vou precisar te levar pro hospital semanalmente, como fazia com ele.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Set 08, 2016 2:15 am

Benjamin já havia percebido que a companhia de Danika era extremamente agradável, mas quanto mais tempo passava ao lado dela, mais encantado ficava.

Ele não conseguia se lembrar quando havia sido a última vez que ficara até tarde da noite com uma menina, apenas conversando. Nas noites em que virava a madrugada, se não estivesse com alguns amigos, provavelmente estaria acompanhado das reclamações de Charlotte. Ter alguém em que ele pudesse simplesmente relaxar e falar sobre assuntos variados sem a preocupação de que fossem concordar com as suas opiniões simplesmente por ser príncipe, era incrível.

Os dois mantinham as vozes controladas para não incomodar o sono de Beth, mas isso não impedia as risadas e os assuntos de virem um atrás do outro. Benjamin queria ouvir tudo a respeito de Danika e ficou admirado quando ela contou sobre a vida na Romênia. Ele precisava ter cuidado com o que iria compartilhar, e com medo de cometer algum deslize, Benji não mencionou praticamente nada sobre o seu passado.

O jovem Müller contou apenas que viveu boa parte da sua vida no leste, mas que havia nascido na capital. Contou que tinha uma irmã caçula que amava e que havia se afastado um pouco dos pais. Não havia nenhum detalhe sobre sua casa, sobre antigas namoradas e se limitou a dizer que havia vindo para Leoben atrás de um bom emprego.

Naquela conversa, Danika descobriu que seu novo vizinho era apaixonado por futebol, mas que seu time preferido não pertencia à Áustria. Benjamin confessou que queria ter aprendido a tocar bateria quando era criança, mas que só havia tido algumas aulas de piano. Ele confessou que amava animais, mas que sempre teve uma aversão a cavalos. O ponto mais íntimo que simplesmente foi contado com o máximo de indiferença que conseguiu, foi quando Benji disse que sempre sonhou ter um irmão. Por mais que adorasse Amelie, nunca teve a experiência de crescer ao lado de outro rapaz, o que era uma das suas frustrações.

Mesmo depois que o lanche terminou, Benjamin não se mexeu para ir embora, prolongando a conversa. Apenas quando os ponteiros já gritavam pela sua falta de educação, o rapaz se ergueu, ainda parecendo a contra gosto, e deslizou as mãos pela calça de moletom que vestia.

- Eu imagino que a visita do Luke já tenha caído no sono a essa altura. Obrigada por ter me protegido e definitivamente obrigada pelo lanche, Danika. Estou ficando muito mal-acostumado.

Benjamin parou diante da porta aberta para o corredor e se voltou para se despedir da vizinha. Sem se intimidar, ele se inclinou para frente com a intenção de beijar a bochecha dela em uma despedida. O cálculo errado por centímetros fez com que o inocente beijo terminasse no canto dos lábios de Danika.

A distância ainda não era suficiente para que Benji sentisse a textura dos lábios da vizinha, mas foi suficiente para fazer seu coração acelerar de forma inédita. Ele imediatamente ergueu o rosto, mas não se afastou, mantendo a proximidade para encará-la com os intensos olhos azuis.

Por alguns segundos, Benjamin ficou sem reação. Ele não estava ali para fazer conquistas e Danika já tinha uma vida complicada o bastante para se envolver com um mentiroso que em breve assumiria o rei da Áustria. Mas era impossível controlar o desejo quando encarava o rosto delicado da menina.

- Eu não quero cometer o mesmo erro do Lukas, de ficar suspirando pela minha vizinha sem coragem para chama-la para sair. Então se você não quiser que isso vá adiante, é melhor avisar logo, Danika. Porque eu quero muito que você saia para tomar um café comigo qualquer dia desses.

Benjamin abriu um sorriso para parecer mais confiante e ele conseguiu ficar ainda mais atraente quando mordeu o lábio inferior e coçou a barba, com um ar pensativo.

- E quando eu digo qualquer dia desses, quero dizer amanhã.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qui Set 08, 2016 3:04 am

Apesar de ter que acordar muito cedo na manhã que se aproximava, Danika não fez nada para se livrar da companhia do vizinho. Pelo contrário, a conversa se alongou e a romena nem percebeu que estava falando com Benjamin muito mais do que costumava falar sobre a própria vida. É claro que Lehmann concentrou o assunto em sua infância na Romênia e sequer citou a fase difícil que enfrentara logo que pisou em terras austríacas.

Era impressionante como Nika gostava de ouvir a voz de Müller. Enquanto o vizinho contava um pouco sobre a própria vida, ela às vezes se perdia admirando aquele timbre ligeiramente rouco e a entonação melodiosa. Benjamin era diferente de qualquer rapaz que Danika conhecia, e não somente pela beleza. Ele tinha um ar aristocrático e uma postura nobre, usava palavras formais e tinha um olhar tão intenso que chegava a ser desconcertante. Se não fosse pelas roupas simples e pelo fato de dividir um apartamento naquele mesmo prédio, Nika acreditaria facilmente que estava diante de um homem rico e muito bem educado.

Quando o acompanhou até a porta, Danika estava certa de que a visita terminaria sem que o rapaz tomasse qualquer iniciativa. A morena estava quase cogitando a hipótese de não ter interpretado corretamente os sinais quando foi surpreendida por aquele beijo no canto dos lábios. O coração dela reagiu imediatamente com um salto, fazendo com que o sangue quente se espalhasse por todo o corpo dela, aquecendo-a por inteiro e corando as suas bochechas.

As palavras diretas de Benjamin só mostravam que ele não era mais um rapaz inseguro. Lukas suspirava por Olga há meses sem ter coragem de tomar uma iniciativa, mas Müller não parecia disposto a repetir aquele erro.

Cada célula do corpo de Nika implorava para que ela aceitasse aquele convite. Um café parecia uma proposta muito inocente e razoável. Não parecia que Benjamin tinha segundas intenções com aquele convite, e isso já o colocava acima de praticamente todos os caras que tinham se aproximado de Danika nos últimos tempos. Ele era simplesmente lindo, educado e havia conseguido um milagre ao cruzar as barreiras que Lehmann construíra ao redor de si mesma desde que decidira mudar de vida.

Mas era exatamente toda aquela aparente perfeição que fez com que Nika recuasse um passo, aumentando a distância que a separava do vizinho. A boca dela se abriu e fechou várias vezes enquanto ela travava uma sangrenta guerra interna contra os seus próprios sentimentos.

- Eu não gostaria que isso fosse adiante, Benjamin.

Quando deu ao rapaz o aviso que ele solicitara, Danika jamais poderia imaginar que aquele era o primeiro fora que o futuro rei da Áustria recebia em sua vida. Sendo um homem bonito, rico, nobre e herdeiro de um trono europeu, já era de se esperar que Benjamin estivesse acostumado a ter a mulher que desejasse. Naquela noite, contudo, uma simples garçonete estava fazendo-o experimentar a rejeição pela primeira vez.

- É melhor que sejamos apenas bons amigos. Eu adoro a sua companhia, mas não quero nada além disso.

Cada palavra parecia custar um pedaço da alma de Nika. Dispensar Benjamin era como abrir mão de um príncipe vindo diretamente de um conto de fadas, porque era exatamente isso que o rapaz parecia ser. Nem mesmo na época em que colecionava namorados, Danika nunca havia se interessado tanto por um homem. Mas era exatamente isso que a motivava a rejeitar a proposta de Müller.

Nika tinha certeza absoluta de que se apaixonaria perdidamente se desse uma chance ao vizinho. Se ela ainda estivesse sozinha, aquele era um risco que a jovem estava disposta a correr. Mas a presença de Lisbeth em sua vida obrigava Danika a ser uma mulher madura e racional.

A criança precisava de uma mãe responsável, disposta a trabalhar em tempo integral para dar todo o conforto possível às duas. Se um novo amor tirasse Danika do foco, Lisbeth seria profundamente prejudicada. Isso sem mencionar o quanto a garotinha se envolveria de forma indireta em qualquer relação da mãe. O coração de Nika se partia só de pensar que Lisbeth poderia se afeiçoar a Benjamin e sofrer caso o relacionamento dos adultos terminasse.

- Desculpe, Benji. – a expressão infeliz de Nika indicava que aquela não era a resposta que ela realmente queria dar ao vizinho – A minha vida está uma bagunça, eu não posso. Você pode encontrar uma companhia muito melhor que a minha, eu só quero evitar mais uma sucessão de erros e decepções. Espero que não fique magoado, você é um excelente amigo que eu não gostaria de perder.

Para evitar a tentação de se jogar nos braços de Benjamin e voltar atrás naquela decisão estúpida de dispensá-lo, Danika murmurou uma despedida antes de fechar a porta do apartamento. Longe do olhar de Müller, a romena derramou algumas lágrimas doloridas enquanto terminava de lavar a louça usada no preparo do sanduíche.

A garganta de Nika ainda ardia pelo choro contido quando ela retornou ao quarto e se sentou ao lado do berço, admirando o sono tranquilo de Lisbeth. É claro que Danika não esperava que o seu sacrifício fosse compreendido por uma criança de nove meses de idade, mas era ainda mais doloroso que ninguém soubesse que ela estava abrindo mão da própria felicidade para garantir a tranquilidade de Beth.

Não havia sido difícil para Danika dispensar todos os convites que recebera nos últimos tempos, até porque a maior parte deles já soava carregada de segundas intenções. Mas dizer “não” a Benjamin Müller era algo que Nika não estava pronta para aceitar. Era como se intimamente a morena soubesse que estava abrindo mão de uma grande oportunidade de ser feliz.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Set 08, 2016 3:10 am

Charlotte sabia que não poderia ficar ali a noite toda, mas a chegada surpresa de Benjamin fez com que ela desistisse de qualquer desejo de prolongar mais algumas horas ao lado de Lukas.

Era irônico que ela tivesse vindo até aquela cidade atrás do ex-namorado, mas que na única noite em que ele saía dos seus pensamentos, o caminho dos dois acabasse se cruzando. E para completar o nível de bizarrice, Benjamin não só havia trocado o sobrenome como estava vivendo como um completo estranho que não tinha relação alguma com a família Real.

O beijo trocado com Lukas na despedida foi demorado, mas não conseguia mais ter a mesma intensidade de antes, quando a mente de Charlotte a lembrava constantemente de que Benjamin estava há poucos metros de distância.

Não era a primeira vez que Benjamin flagrava a ex-namorada com algum rapaz nos intervalos do relacionamento. Em um dos rompimentos dramáticos, Charlotte havia beijado um dos rapazes do St. Michaels que Benji mais odiava, apenas para provoca-lo. A briga despertada pelo ciúme foi o suficiente para fazer o casal reatar.

Naquela noite, entretanto, seu envolvimento com Lukas não tinha nenhuma relação com o conturbado relacionamento. Estar nos braços de Krauss era o que ela precisava para esquecer todo o drama que Benji provocava em sua vida.

Mas ao invés de se preocupar com o que Benjamin estaria pensando em flagrá-la com outro rapaz, Charlotte só queria descobrir o que o ex-namorado tinha em mente ao tentar se passar por outra pessoa.

O St. Ives era o hotel mais luxuoso de Leoben. Sua arquitetura história acompanhava o modelo da cidade e em seu interior, a decoração clássica com enormes lustres, os corrimões dourados e as paredes de mármore deixavam o clima mais sofisticado. Os quartos eram enormes, a vista impecável para o rio era realmente significativa, mas um dos maiores atrativos era o restaurante visitado também pelos moradores.

O salão era enorme, as mesas de vidro e as cadeiras que mais pareciam poltronas aveludadas continuavam o clima elegante do restante do hotel. Os garçons eram extremamente atenciosos e o serviço impecável.

O prato com croissant e geleia já estava servido diante de Charlotte há quase dez minutos, mas ainda não havia sido tocado. Mesmo com o local fechado, a menina ainda usava em seu rosto os óculos escuros que escondia as olheiras provocadas pela noite praticamente acordada. O vestido dourado havia sido trocado por uma peça rendada branca que trazia muito mais delicadeza para a herdeira dos Baviera, mas seu semblante carrancudo minimizava aquele impacto.

A cadeira a sua frente foi puxada quando Benjamin se sentou, mas Charlotte continuou imóvel.

- Você veio aqui atrás de mim?

O tom de crítica na voz de Benjamin deixava claro que ele não estava mais ameaçado agora que Lukas não estava mais há poucos metros de distância. Charlotte finalmente se mexeu para pegar o copo de suco a sua frente, dando um rápido gole.

- Sério, Benji? De tantas coisas que precisamos falar, você vai começar com o que eu estou fazendo aqui?

- Você está certa. – Benji se remexeu até se inclinar para frente, apoiado as mãos sobre a mesa. – Não interessa o que esteja fazendo aqui. Você vai embora hoje mesmo.

- Claro. Tudo que vossa alteza desejar. Mas claro, vou passar para me despedir do meu novo amigo antes. Eu não tive a chance de perguntar ontem como ele se sentia vivendo com o futuro rei da Áustria.

Benji mergulhou o rosto nas mãos, em um gesto cansado, e soltou um longo suspiro. Ele permaneceu calado por longos segundos e Charlotte não ousou interrompê-lo até que ele estivesse pronto.

- O que você quer, Charlie? Um diamante novo?

- Francamente, Benji... É mesmo isso que você pensa de mim? – A decepção na voz de Charlotte não era fingida e foi a vez dela de soltar um suspiro antes de continuar com um tom mais suave. – Eu só quero entender o que está acontecendo aqui. Você sumiu, não deixou nenhum recado e agora eu chego aqui para encontrar você fingindo ser pobre? Eu mereço no mínimo uma explicação.

- Nós terminamos, Charlie. Na minha última noite no internato, nós brigamos e terminamos. Você se esqueceu?

Apesar das infinitas brigas, era impossível se esquecer. O último dia no internato foi movimentado com mais uma das brigas e um fim dramático que já havia acontecido tantas vezes antes. Charlie não sabia o que havia de diferente daquela vez, por isso interpretou que seria questão de tempo até que os dois estivessem juntos novamente.

- Não me importo. Nós já fomos amigos um dia, Benji. Por que você não pode simplesmente confiar em mim?

O herdeiro do trono continuou em silêncio e Charlotte o conhecia bem o bastante para saber que ele estava travando uma batalha interna.

- O que há de errado, Benji? Por que está mentindo? Está se escondendo aqui?

Os olhos azuis do príncipe passaram pelo salão, e no primeiro instante Charlotte achou que ele estava apenas tentando fugir da conversa. Quando Benjamin se voltou para ela, ficou claro que estava apenas se certificando de que ninguém ouvia a conversa.

- É o Lukas. É ele, Charlie. O meu meio-irmão. Eu vim para cá atrás dele, mas não podia simplesmente me apresentar como um príncipe antes de saber as reais intenções dele. Por isso não contei quem era. Você não pode contar a verdade, Charlie.

O restaurante inteiro girou e saiu do foco. O cérebro de Charlotte parecia incapaz de processar aquela informação.

- O Lukas? Aquele mesmo Lukas com quem eu estive a noite passada? Seu irmão???

Benjamin fez um gesto para que Charlotte falasse mais baixo e voltou a vasculhar o restaurante com o olhar antes de concordar. O estômago de Baviera afundou. Ela não havia dormido com um cara qualquer. Havia se deitado com o bastardo do rei. Ninguém menos do que o irmão do seu ex-namorado. Aquilo parecia muito, muito erraod.

- Você pretende contar a ele?

- Eu ainda não sei. – Benji murchou, brincando com um guardanapo que havia furtado do suporte. – Não sei o que vou fazer, ainda é muito cedo, Charlie. Preciso conhece-lo primeiro.

Os olhos azuis se ergueram e Benji encarou a menina com a mesma expressão suplicante da noite anterior.

- Você vai contar a ele a verdade?

A cabeça de Charlotte começava a latejar com aquela informação. Benji já havia mencionado o irmão uma vez, mas não sabia que tinha tanto desejo em conhece-lo a ponto de fugir da família e esconder sua real identidade para poder se aproximar.

Aquilo certamente significava o mundo para Benji, ou ele jamais teria arriscado a própria imagem, muito menos se enfiado em um apartamento minúsculo apenas para se aproximar de Lukas.

O lado vingativo de Charlotte lhe dizia que ela agora tinha Benjamin nas mãos. Mas era impossível não sentir um pouco de pena do rapaz. Mesmo com tantos dramas, ela já havia amado Benji um dia e, de fato, os dois já haviam sido amigos.

Nem mesmo todo o seu veneno seria capaz de convencê-la a arruinar a chance do príncipe conhecer o seu irmão. Além do mais, aquilo certamente lhe daria alguns créditos extras para que os dois voltassem após enfrentar aquele desafio. Afinal, uma rainha deveria estar ao lado do rei lhe apoiando em todos os momentos.

- Não, eu não vou contar, Benji.

- Então você vai embora? – A esperança nos olhos azuis era quase ofensiva.

- Também não. Eu vou ficar e te ajudar a descobrir tudo sobre o seu irmãozinho. Caso você não tenha percebido, ele é meu amiguinho agora. Isso, é claro, se você não for ficar com ciúmes.

As sobrancelhas escuras de Benji se arquearam em surpresa pela oferta, mas logo ele soltou um riso relaxado que deixava claro que não havia nenhum sentimento que ele nutrisse por Charlotte para impedi-la daquela aproximação.

- Sem ciúmes, Charlie. Nós terminamos, lembra?

- Eu sei. – O sorriso também apareceu nos lábios de Charlotte e ela ergueu um ombro ao completar. – Mas nós sempre voltamos também, lembra?

***

Comunicar à Marie que ela continuaria na cidade não foi uma tarefa fácil. A amiga tentou convencê-la de todas as formas a acompanha-la no voo para Barcelona, mas quando Charlie recusou com toda educação possível, a loira finalmente se rendeu a oportunidade de aproveitar o restante das férias em outro lugar.

Charlie precisou de apenas alguns dias para trocar o hotel por uma cobertura em um dos prédios baixos de Leoben. Cada uma das paredes externas da sua casa temporária era feita de vidro e tinha como vista o lindo rio que cortava a cidade.

Exatamente como havia prometido ao ex-namorado, ela não voltou a procurar Benji para manter a mentira em segurança, mas no instante em que estava bem instalada, foi pelo outro filho do rei que ela procurou.

O encontro, é claro, foi tão bem planejado por Charlotte que realmente pareceu mais uma obra do acaso. As roupas leves que ela usava naquele dia condiziam com a temperatura agradável. Suas mãos carregavam um pequeno mapa e uma bolsa colorida estava atravessada em seu peito. O chapéu protegia sua cabeça do sol enquanto andava pelo campus da principal universidade da cidade e quase voou quando ela esbarrou em Lukas.

- Hey! – Ela protestou, tentando equilibrar novamente o chapéu.

Seu rosto se ergueu e ela encontrou o rosto que já estava aguardando, imediatamente abrindo um falso sorriso de acaso.

- Lukas? Oi! Eu não sabia que você estudava aqui...

A placa atrás dele indicava o prédio de Economia e Charlotte se mostrou uma excelente atriz ao parecer frustrada com aquela descoberta.

- Caramba, acho que estou do outro lado do campus! Eu estava procurando pelo prédio de Moda e Design.

Ao perceber o olhar dele, Charlie abriu seu sorriso simpático e explicou, gesticulando com o mapa.

- Eu resolvi ficar por mais um tempo.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Set 08, 2016 4:14 am

É claro que Lukas Krauss não havia se esquecido da noite maravilhosa ao lado de Charlotte Baviera, mas o rapaz tinha tanta certeza de que nunca mais veria a garota que ela acabou se tornando um pensamento distante. Charlie havia passado pela vida dele há menos de uma semana, mas Luke já se lembrava dela como se aquela noite mágica tivesse acontecido há muitos e muitos anos.

Por mais que ele sentisse saudade de Baviera, era fácil não se apegar àquela lembrança na semana agitada que se seguiu à festa no prédio da Arquitetura. Lukas mergulhou em uma rotina caótica com várias provas e entrega de trabalhos importantes, além da proximidade de um jogo do time contra uma universidade vizinha que fez com que o treinador intensificasse os treinamentos da equipe.

Naquela tarde, Lukas estava saindo do prédio de Economia depois de entregar a última prova daquela semana. Ainda haveria um treinamento no dia seguinte, mas o rapaz já conseguia respirar aliviado depois de ter concluído a maior parte das obrigações acadêmicas daquela semana sem fim.

Ao contrário de Charlotte, a distração de Krauss era genuína. Com o celular em uma das mãos, Luke digitava uma mensagem no grupo de Whatsapp destinado aos colegas do time, respondendo positivamente à ideia de saírem para tomar alguma coisa depois do treino. Lukas havia acabado de enviar a mensagem quando o seu corpo se chocou contra a garota. O primeiro “reflexo” dela foi um xingamento ao passo que um pedido de desculpas saltou pelos lábios de Lukas antes mesmo que ele reconhecesse o rosto familiar de Baviera.

- Charlie???

A surpresa dele foi indisfarçável. Por tudo o que Charlotte lhe dissera, Luke imaginava que a menina já estaria muito distante de Leoben àquela altura dos acontecimentos. Era bizarro encontrá-la justamente ali, diante do prédio onde Krauss estudava, em uma aparente e surpreendente coincidência.

Aquele semblante intrigado deixava Lukas ainda mais atraente. As sobrancelhas franzidas lhe davam um ar de menino, que era reforçado pelos tênis e pela mochila pendurada em um dos seus ombros. Definitivamente ninguém que o olhasse diria que Luke tinha qualquer grau de parentesco com a família real. A calça jeans surrada certamente já passara por uma máquina de lavar várias vezes, assim como a camiseta cinza. A única peça que parecia mais nova era a camisa xadrez que ele usava aberta por cima da blusa. Os cabelos castanhos estavam ligeiramente bagunçados depois de um dia inteiro na faculdade, mas aquele ar mais despojado só contribuía para que os traços naturalmente bonitos de Luke ficassem realçados.

- Moda e Design?

A expressão surpresa de Luke logo se transformou em um sorriso debochado. Ele até acreditava em coincidências, mas não era tolo o bastante para aceitar aquela historinha de Charlotte.

- Sua pequena mentirosa, você era uma caloura! Não vem com esse papo, Charlie! Quer mesmo me convencer que você “decidiu” ficar em Leoben assim, do nada, sem nenhum motivo?

Apesar da acusação, a entonação divertida de Lukas mostrava que o rapaz não estava sinceramente bravo por aquela mentira. Baviera não seria a primeira caloura a esconder aquela verdade em uma festa de alunos mais velhos da universidade.

- Você é o ser humaninho com mais mentira acumulada em centímetros de altura, sabia? Fui enganado por uma caloura, mas nem pense em espalhar isso pelo campus! Preciso zelar pelo pouco que restou da minha reputação.

Embora a noite com Charlie tivesse sido maravilhosa, Lukas não sabia bem o que sentir ao saber que Baviera continuaria por perto. Tudo o que havia rolado entre eles fora com a premissa de que eles não se veriam mais e que seria apenas um encontro casual. Agora Krauss não sabia se Charlotte esperava alguma coisa dele ou se ele mesmo queria algo a mais com a morena. Charlie era maravilhosa, mas todo o contexto que o uniu a ela não permitiu que Luke pensasse na possibilidade de um novo encontro.

- O prédio de Moda fica lá do outro lado. – o rapaz apontou para a esquerda – Neste lado de cá estão os cursos de verdade, sabe?

Luke completou a provocação usando o próprio ombro para empurrar delicadamente o tronco da garota. Era adorável como Charlotte parecia ainda mais baixinha sem os saltos altos usados na festa.

- Eu já estava indo pra casa, mas posso te acompanhar até lá. – Lukas voltou as brincadeiras para si mesmo quando baixou os olhos castanhos para as próprias roupas – Só não sei se vão me deixar chegar tão perto do prédio de Moda com essas roupas nada sofisticadas. Talvez você me empreste este seu chapéu absurdamente grande...

Krauss se aproveitou de sua estatura para arrancar o chapéu da cabeça de Charlotte. O braço dele foi erguido, mantendo a peça muito acima da altura que Baviera conseguiria alcançar.

- Eu não sei bem como funciona o tal lance de compensação, mas este chapéu certamente está tentando compensar alguma coisa, hein? Não fique tão insegura, Charlie. Você é a anãzinha mais linda que eu já conheci.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Set 09, 2016 3:03 am

Quando decidiu por aquela manobra arriscada, Benjamin não esperava pela resposta negativa da vizinha. Embora se sentisse ansioso com o que poderia ouvir, ele estava convicto de que teria a companhia de Danika no dia seguinte, onde eles pudessem alongar aquela conversa.

Aparentemente, ele havia interpretado errado os sinais da morena. Pela primeira vez, Benji experimentava a sensação de alguém que não tinha a obrigação de agradá-lo. Era a primeira vez que uma mulher o enxergava pelo que realmente era, sem títulos ou riquezas, e era decepcionante encarar uma recusa.

Mesmo quando a porta do apartamento do quinto andar foi fechada, Benji continuou parado olhando para o número dourado à sua frente enquanto digeria mais aquela novidade. Ele queria experimentar o lado livre de ser um príncipe, só não esperava que fosse começar pelas sensações ruins.

O rapaz estava certo de que a noite já estava ruim o bastante quando voltou ao apartamento de Lukas e encontrou a ex-namorada parada como uma assombrosa visão no meio da sua nova sala de estar.

Não precisava ser dotado de nenhuma grande inteligência para interpretar o que havia acontecido ali. Era impossível compreender como Charlotte havia ido parar não apenas em Leoben, como também dentro do seu novo apartamento e na companhia do seu meio-irmão. Pelo que conhecia de Baviera, Benji não duvidava que ela já havia descoberto a identidade de Lukas e estava ali para tornar sua vida um inferno.

Mas a surpresa de Charlie logo fez sua teoria ser descartada. A morena também não conseguia acreditar na coincidência de esbarrar com Benjamin depois de passar a noite com um cara aparentemente aleatório.

Não era a primeira vez que Benjamin flagrava a ex-namorada com outro rapaz, e talvez ele ainda estivesse tentando digerir o rejeite de Danika, mas a última coisa que o incomodou naquela noite foi o antigo ciúme por Charlotte. Seu medo de ser desmascarado antes de ter a chance de criar qualquer amizade com Lukas era muito maior do que qualquer coisa que ainda sentisse por Baviera.

Quando a confusão foi esclarecida com Charlotte e a menina decidiu continuar na cidade, Benjamin se sentiu desconfortável. Por mais que Charlie demonstrasse boas intenções, ele não gostava da ideia de ter alguém sabendo seu segredo, principalmente alguém com a ambição da ex-namorada.

Para surpresa de Benji, ignorar a presença de Charlotte nos dias seguintes foi ainda mais fácil do que esquecer o que havia acontecido na porta do apartamento no quinto andar.

Na tentativa de não pensar em Danika, Benjamin se ocupou em transformar os detalhes da sua estadia mais real. O emprego, é claro, não passava de uma fachada. Mas ele tomava o devido cuidado de sair todas as manhãs e passar o dia fora, como se realmente estivesse exercendo sua função na Industria automobilística.

Os encontros com Danika nos corredores e elevadores eram raros, graças aos horários apartados. Mas quando aconteciam, Benji tentava ao máximo manter a distância, agindo apenas com a educação necessária. Ele não tentava mais puxar assuntos prolongados e tentava convencer a si mesmo que estava apenas respeitando a decisão dela, que seu comportamento não tinha nenhuma relação com o seu ego ferido.

Racionalmente, Benji sabia que a vizinha havia feito a melhor escolha pelos dois. A última coisa que ele precisava era de um relacionamento falso. Já havia mentiras demais envolvidas e, no fundo, só acabaria magoando Danika quando precisasse deixar para trás a vida de Müller para assumir o seu papel de herdeiro do trono. Mas era quase impossível ignorar aquela sensação de rejeição que o deixava com um amargo na boca.

A noite já havia caído quando Benjamin finalmente esticou os pés sobre a mesinha de centro e levou a garrafa de cerveja aos lábios. As roupas desconfortáveis que costumavam pinicar haviam sido trocadas pelo confortável moletom e uma camisa preta. Os cabelos do rapaz ainda estavam molhados e o cheiro de sabonete indicava o banho recente. Até mesmo a barba bem-feita estava brilhando.

O som da televisão havia acabado de encher a sala em uma reprise de Friends quando as batidas da porta ecoaram. Desde que se mudara, Benjamin tivera pouco tempo ao lado do meio irmão, mas já sabia que Lukas sempre andava com a própria chave e que eram poucas as chances de ser o outro morador que estava preso no corredor.

Benji nem se preocupou em caminhar a curta distância até a porta com os pés descalços. Aquele era um pequeno, mas prazeroso detalhe sobre não ter ninguém controlando cada movimento seu. Ninguém iria importuná-lo dizendo que ele ficaria resfriado por encostar os pés diretamente na madeira.

A possibilidade de encontrar Charlotte do outro lado fez com que a expressão de Benji se tornasse mais tensa e pouco amigável quando ele finalmente abriu a porta, mas logo suas sobrancelhas se arquearam de surpresa ao reconhecer Danika.

- Ahn... Oi. – Benji coçou a barba, ainda carregando a garrafinha da cerveja em sua mão, e baixou o olhar para os pés descalços, se sentindo repentinamente constrangido com a própria aparência. – O Luke ainda não chegou. Acho que ia ficar até mais tarde na faculdade ou coisa assim.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Set 09, 2016 3:30 am

Ouvir que ela era uma mentirosa fez com que todos os sentidos de Charlotte soassem com um alerta. Por um segundo tolo, ela chegou a pensar que Lukas havia descoberto toda a verdade e arruinado a chance de uma aproximação de Benji. Foi o sorriso relaxado do rapaz que denunciou que seu medo era sem sentido.

Se Krauss realmente soubesse da verdade, não estaria no campus rindo e brincando com alguém que estava ligada com aquela mentira. Só quando compreendeu ao que ele falava que Charlie foi capaz de relaxar, girando os olhos.

- O que você esperava que eu fizesse? Não ia queimar meu filme dizendo que era uma caloura. Mas por alguma ironia, meu segredo que deveria me garantir algum status com rapazes mais interessantes, acabou me levando para a cama de outro calouro, hm? Oh, me desculpe... Iniciante do segundo ano, não é?

O sorriso nos lábios de Baviera mostrava que ela havia entrado na brincadeira de Krauss. Sua matrícula na universidade havia com o único objetivo poder estar mais perto do filho bastardo do rei e aquele encontro havia sido previamente calculado. Mas era impossível fingir como Charlie se sentia à vontade ao lado de Lukas, sem precisar encenar a interação que facilmente rolava entre eles.

- Você não deveria fazer piadas a respeito do meu curso, Krauss. Porque você definitivamente precisa de algumas das minhas aulas...

O indicador de Charlotte apontou a aparência de Lukas de cima a baixo enquanto ela fazia uma careta forçada de reprovação. Mesmo que ele estivesse vestindo apenas trapos, era difícil não gostar do que via, mas Charlie também não perderia a oportunidade de provoca-lo.

- A sua sorte é que o Old School nunca sai de moda. Por outro lado, quem normalmente se derrete por esse estilo são os meninos da turma. Você sabe, mulheres sempre vão preferir um Armani.

O sorriso de Charlotte se desfez quando o chapéu foi arrancado da sua cabeça e ela imediatamente levou as mãos até o cabelo que ficou arrepiado.

- Heey! Regra número um, Krauss: nunca se deve brincar com os acessórios de uma garota.

Uma das mãos de Charlotte tentava inutilmente alcançar o chapéu que Lukas mantinha fora do seu alcance enquanto a outra continuava apalpando os cabelos arrepiados em uma tentativa de domá-los.

- Olhe bem pra mim, veja se tenho cara de garota que tenta compensar alguma coisa.

O rosto de Charlie estava ligeiramente corado, mas seu olhar receoso demonstrava sua insegurança que o discurso tentava esconder. Após mais algumas tentativas frustradas de recuperar o chapéu, ela finalmente suspirou e se rendeu a confessar em um sussurro.

- O vento daqui é terrível para os meus cabelos, eu só estou tentando esconder os nós. Você pode passar batido com essas suas roupas, mas eu definitivamente vou ser tachada como relaxada se aparecer perto do prédio de Moda com os cabelos assim.

O braço que tentava recuperar o chapéu tombou e Charlie o cruzou contra o peito, abrindo um sorrisinho que beirava entre a derrota e a revanche.

- Quer saber? Tudo bem. Pode ficar para você... De nós dois, talvez você tenha mais coisas que esteja tentando compensar.

O olhar insinuante de Charlie deslizou até pouco abaixo da cintura de Lukas antes de voltar a encarar os olhos dele com um sorriso vitorioso de quem acaba de dar um xeque-mate.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Set 09, 2016 3:59 am

O chorinho insistente do bebê levou Olga Sturm até o quarto da colega. A loira teria uma prova importante no dia seguinte e estava revisando os livros de Arquitetura na sala do apartamento, mas era impossível se concentrar na leitura. Lisbeth já estava chorando sem parar há mais de uma hora, mas Olga não parecia irritada quando se encostou no batente da porta. Ao contrário, Sturm lançou um olhar preocupado à garotinha que Nika ninava em seus braços.

- Ela não quis comer? – Olga observou o potinho de mingau intocado sobre a cômoda do quarto.

- Comeu duas colheradas e vomitou tudo logo depois.

A voz suave de Danika estava carregada de angústia naquela noite. Não era a primeira vez que Lisbeth ficava doentinha, mas naquele dia os sintomas pareciam mais preocupantes. Uma das cuidadoras da creche alertou a mãe sobre o fato de Lisbeth não ter aceitado comer nada o dia todo. Também havia sido necessário dar um antitérmico para a criança no meio da tarde.

- O que o cara da farmácia disse? – Olga se aproximou e acariciou a cabecinha da menina, sentindo o peito se comprimir diante dos enormes olhos azuis, que pareciam mais claros pelas lágrimas.

- Ele me deu um xarope e um pacotinho de soro. Mas ela não consegue engolir nada. Tentei dar o soro e ela também vomitou.

- Leva ela na emergência, Nika. É sério, não dá pra esperar mais. A Lizzie não é de chorar tanto, é óbvio que tem alguma coisa incomodando a pobrezinha. Ela tem que ser examinada. Eu vou com vocês, só me dá dez minutos para trocar de roupa. Você pode ir chamando um táxi enquanto isso.

A oferta de Olga era generosa, mas Danika não podia aceitar. A amiga já estava sendo muito prejudicada em não conseguir estudar naquela noite. Se Olga fosse com elas até o hospital, muito provavelmente passaria boa parte da madrugada esperando que Lisbeth fosse atendida e medicada, e teria que fazer a prova na manhã seguinte sem ter estudado ou dormido direito.

- Não precisa, Olga. Você tem que estudar e dormir cedo. É só alguma coisinha que ela comeu e não está fazendo bem. Você não precisa perder a noite num hospital vendo uma criança tomar soro. Eu te ligo para dar notícias, prometo.

Sturm ainda insistiu mais um pouco, mas acabou cedendo e concordou em ficar em casa desde que Danika a mantivesse informada. Embora Lisbeth estivesse muito abatida, Nika realmente achava que a filha só receberia um xarope mais forte e tomaria algumas mamadeiras de soro enquanto ficava uma ou duas horas em observação.

Lisbeth continuou chorando, desta vez nos braços de Olga, enquanto Danika tentava chamar um táxi pelo telefone. Os três primeiros números não atenderam, o quarto motorista respondeu que estava ocupado e o quinto não aceitou a corrida àquela hora da noite quando Nika disse que pretendia pagar com o cartão de crédito.

O desespero já começava a se apoderar de Lehmann quando ela tentou apelar para as poucas pessoas que conhecia na cidade e possuíam um carro. A patroa até concordou em ajudar, mas Danika a dispensou quando soube que a mulher estava jantando na casa da filha em outra cidade. A chamada para um dos garçons do restaurante foi encaminhada para a caixa de mensagens.

A sensação de depender de alguém para levar a filha ao médico era de total impotência. Nika se sentia uma péssima mãe por não ter condições de proporcionar nem mesmo aquele conforto básico para a criança. Lehmann já estava prestes a se juntar à filha naquele choro quando as palavras de Olga acenderam uma luz na mente dela.

- Se o Franz ainda estivesse aqui a Lizzie já estaria no hospital...

- Franz.

- É. – Olga suspirou, mas logo franziu a testa para o semblante esperançoso de Danika – O Franz está na Alemanha. Aonde você vai???

Danika não estava raciocinando quando atravessou o apartamento com passos rápidos e desceu os degraus aos pulos até o terceiro andar. Franz Von Hants realmente estava longe demais para ajudá-la naquele momento, mas havia deixado um substituto que poderia resolver o problema. Embora não pudesse ter certeza daquilo, Nika havia notado que uma das vagas do estacionamento do prédio havia sido ocupada justamente na época em que Benjamin Müller se mudara para o quarto de Franz.

Se o novo vizinho tivesse mesmo um carro, Nika estava disposta a deixar de lado todo o constrangimento para pedir aquele favor. O comportamento mais distante de Benjamin indicava que provavelmente o rapaz ficara chateado por ter seu convite para sair recusado, mas a saúde de Lisbeth estava acima de qualquer desentendimento entre os adultos.

- Na verdade eu queria mesmo era falar com você, Benjamin.

A expectativa refletida nos olhos de Nika mostrava que ela estava procurando pelo próprio Benjamin, e não por Lukas. Era péssimo pensar que ela estava atrapalhando o descanso do vizinho e que Müller não tinha a menor obrigação de lhe fazer aquele favor, mas ainda assim Danika não teve o menor orgulho ao fazer o pedido, que soou quase como uma súplica.

- Eu sei que já está um pouco tarde e que você deve estar exausto depois de um dia inteiro de trabalho, mas eu realmente não tenho outra saída. Não consegui pedir um táxi e nem encontrei nenhum amigo que pudesse me dar uma carona até o hospital. A Beth não está bem. Eu tentei dar um xarope para ver se ela melhorava, mas ela está pior a cada minuto. Eu preciso muito levá-la à emergência.

A angústia com a situação da filha explicava o visual pouco cuidadoso de Danika naquela noite. As roupas amassadas denunciavam que a criança havia passado as últimas horas no colo dela. Os cabelos castanhos estavam presos num rabo de cavalo displicente, com algumas mechas escapando pelas laterais.

- É só uma carona, Benjamin. Você nem precisa estacionar, é só me deixar lá perto. Quando liberarem a Beth eu me viro para voltar para casa, eu só preciso que ela seja atendida. E é claro que pretendo te pagar pelo combustível. Você pode me ajudar, por favor?
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sex Set 09, 2016 4:53 am

- Você acha...?

Lukas forçou um semblante preocupado enquanto dirigia os olhos para a mesma região que a garota observava. A falsa insegurança do rapaz não durou mais que alguns poucos segundos e ele exibia um sorrisinho irônico quando voltou sua atenção novamente para Charlotte.

- A garota que eu levei pra minha cama na semana passada certamente discorda. Nem mesmo uma pequena mentirosa como ela conseguiria simular tantos gemidos.

Aquela guerrinha divertida chegou ao fim quando Krauss devolveu o chapéu à garota, encaixando-o sobre os cabelos escuros. Luke realmente não conseguia encontrar nada errado nos fios negros de Charlie, mas ele sabia que não valia a pena discutir aquele ponto de vista com uma mulher vaidosa.

- Vamos, eu te dou uma carona até o prédio. Eu vou te conduzir com o meu Adidas.

O rapaz indicou os tênis, completamente à vontade em confessar que não tinha um carro. Leoben estava longe de ser uma das mais badaladas universidades da Áustria, então não era comum que os alunos desfilassem com carros novos pelo campus.

Há uma semana, Krauss mataria por um carro porque sabia que aquilo atrairia a atenção de Olga. Mas ele não sentia a menor necessidade de usar aquele tipo de artifício para impressionar Charlotte.

Estava claro que Lukas Krauss levava uma vida infinitamente inferior a de Benjamin. Parecia improvável que o rapaz soubesse que o sangue real corria em suas veias e ainda assim estivesse tão satisfeito com aquela rotina simples. Luke também não parecia ser o tipo de pessoa que estava arquitetando um golpe ou um escândalo. A conclusão mais óbvia era que ele não fazia ideia de quem era o seu pai biológico.

Durante a breve caminhada até o prédio de Moda e Design, Lukas fez comentários sobre os pontos mais importantes do campus, certo de que Baviera era apenas uma caloura completamente deslocada na universidade. Embora ele ainda não soubesse como lidar com o fato de que continuava vendo Charlie em Leoben, Lukas não parecia intimidado ou constrangido depois de ter dormido com ela.

Era impressionante o poder de Charlotte em fazer com que Krauss se sentisse seguro de si mesmo. A sensação despertada pela morena era o extremo oposto do que Lukas sentia quando estava perto de Olga Sturm.

- Está entregue. – Lukas apontou a placa diante do prédio desejado por Charlotte – A gente se vê por aí, Charlie. Aliás, pode cutucar o meu tornozelo se eu não te cumprimentar. Não é nada pessoal, eu só não costumo andar olhando para baixo.

Krauss chegou a recuar um passo, determinado a manter o acordo de não levar a sério a noite passada ao lado de Charlotte. Mas logo o rapaz foi atingido pelo pensamento de que nem ele e nem Charlie tinham nada a perder. Os dois eram jovens, solteiros e tinham mostrado uma sintonia invejável juntos. Lukas não queria uma namorada ou uma nova paixão depois da decepção com Olga, mas parecia um desperdício não aproveitar a agradável companhia de Charlie agora que sabia que a morena continuava por perto.

- Você sabe onde eu moro, onde eu estudo e agora vai saber o número do meu telefone.

Antes que a garota pudesse reagir, os dedos compridos de Luke capturaram o smartphone dela dentro da bolsa entreaberta. O número do celular de Krauss foi digitado na agenda de Charlie e Luke salvou o contato como “Lindinho”, numa clara provocação ao apelido usado pela morena durante a noite em que ficaram juntos.

- Me dá um toque se quiser fazer alguma coisa qualquer dia desses.

Não havia nenhuma pressão ou cobrança naquele convite vago. Aliás, o fato de deixar nas mãos de Charlotte a iniciativa de entrar em contato era uma maneira de Lukas mostrar à menina que ele respeitaria a decisão dela caso Baviera quisesse que o único encontro deles continuasse no passado.

Ao fim da despedida, Krauss não resistiu à tentação de se inclinar para capturar os lábios da garota em um beijo rápido. Seus dedos se deslizaram pela bochecha macia e levaram uma das mechas dos cabelos escuros para trás da orelha da menina.

- De qualquer forma é bom saber que você está por aí, Charlie.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Set 10, 2016 2:42 am

Benjamin já estava mais do que convencido de que não voltaria mais a se aproximar de Danika. Ele não seria deselegante e tentaria evitar um clima ruim cada vez que se encontrassem, mas passaria a tratar a vizinha com a distância necessária e desejada por ela.

Por mais que tivesse ficado chateado com a recusa do seu convite, Benji já havia aceitado que era para o melhor de todos. Ele estava ali para se aproximar de Lukas e não para realizar conquistas femininas. Além do mais, a presença de Charlotte dificultaria ainda mais qualquer desejo que ele tivesse de ter outra mulher em sua companhia.

A ex-namorada poderia estar agindo como uma verdadeira amiga, esbanjando compreensão e confiança. Mas Benjamin já conhecia a herdeira dos Baviera há tempo o bastante para saber que seu veneno não havia simplesmente desaparecido da noite para o dia. E provocar Charlie com outra mulher em seus braços era o mesmo que pedir para ela arruinar o seu disfarce.

Apesar de toda sua convicção, o príncipe precisou de apenas alguns segundos para compreender o que havia levado Danika até sua porta naquela noite. Qualquer mágoa que pudesse existir entre os dois foi imediatamente colocada para o lado quando ele puxou o pesado casaco preto pendurado ao lado da porta e a chave do carro pendurada na parede.

- Eu só preciso colocar um calçado. Consegue ir levando a Beth até o carro? É o Ford azul.

O carro havia sido alugado no nome de Marcus e ainda era muito mais novo do que Benjamin esperava, mas o príncipe não se sentiria confortável em envolver até mesmo o carro do segurança em suas mentiras. Para poupar o ruivo de mais aquele trabalho, ele havia tido a ideia de alugar o carro pelos próximos meses, na esperança de que fosse tempo o bastante para resolver todos os seus assuntos com Lukas.

Por mais novo que o automóvel fosse, entretanto, ainda era simples demais para o futuro rei da Inglaterra dirigir. Benjamin quase não tinha o hábito de estar diante do volante, sempre tendo alguém para exercer aquela tarefa. Mas uma das coisas que estava aprendendo a admirar na vida de Müller era aquela liberdade para andar pelas ruas com o carro deslizando por onde ele escolhesse.

A urgência de Lisbeth fez com que em menos de cinco minutos, Benji aparecesse na garagem do subsolo já com os tênis nos pés. A calça de moletom não havia sido trocada, mas o casaco preto jogado por cima disfarçava um pouco as roupas escolhidas para passar a noite em casa.

O GPS foi rapidamente programado para o hospital mais perto, para que Danika pudesse dedicar toda sua atenção em cuidar da filha. O chorinho de Lisbeth era constante e até mesmo Benjamin, que tivera um contato quase nulo com a bebê, lhe lançava olhares tensos e preocupados.

- O que você acha que pode ser? Ela comeu alguma coisa de errado?

Lisbeth era a primeira criança que Benjamin tinha contato em anos, e só com a presença dela, o príncipe pôde perceber como não sabia absolutamente nada sobre bebês. O choro não dava pista alguma do que poderia estar errado. E se ela tivesse engolido alguma coisa sem a mãe perceber? Como Danika ou os médicos poderiam simplesmente adivinhar, sem que a criança ao menos dissesse o que estava sentindo?

Leoben não era exatamente uma cidade pequena, mas o trânsito leve, principalmente naquela hora da noite, permitiu que o ford azul chegasse até o hospital em poucos minutos. Antes mesmo que Danika tivesse a chance de sair do carro, Benji soltou o próprio cinto e deu a volta pela parte frontal até parar ao lado da porta do carona.

Diante da expressão de Lehman, Benjamin arqueou as sobrancelhas, quase ofendido.

- O que foi? Você não achou mesmo que eu iria te deixar na porta com ela queimando em febre e simplesmente voltar para terminar de assistir TV o resto da noite, não é?

Sem esperar por uma resposta, os braços de Benjamin puxaram Lisbeth para o seu colo. Era ainda mais estranho ter um ser tão minúsculo contra seu peito, mas a temperatura alta da menina aquecia sua pele e o impedia de absorver mais aquela novidade, agindo apenas por instinto.

- Você já deve estar com os braços dormentes, eu carrego ela. Só vai na frente, eu não faço ideia do caminho para a pediatria.

Qualquer criança, por mais social que fosse, iria resmungar por estar no colo de um completo estranho. Mas Lisbeth estava cada vez mais prostrada, sem ao menos perceber que já havia deixado o colo da mãe.

Para surpresa de Benji, a menina encaixou com perfeição em seu colo. Sua mão afagou os cabelinhos de sua cabeça. Até mesmo o choro de Beth já começava a ficar fraco, como se a bebê estivesse perdendo as forças para reclamar das dores que sentia.

Os passos de Benji eram rápidos, e mesmo com o peso da criança em seus braços, ele não deixou que Danika se distanciasse demais até alcançarem a recepção da pediatria.

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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Set 10, 2016 3:37 am

No momento todo o mundo de Danika girava em torno da filha. Contudo, quando aquele pesadelo chegasse ao fim, ela certamente reconheceria a nobreza de cada um dos gestos de Benjamin Müller naquela noite. O vizinho não só abandonara o conforto de uma noite de descanso para levar Lisbeth até o hospital como também não permitiu que Nika ficasse sozinha naquela situação. Lehmann já estava tão acostumada a não contar com ninguém que não conseguiu disfarçar a surpresa quando Benjamin puxou a garotinha para seus braços e anunciou que entraria com elas no hospital.

O rostinho cada vez mais abatido de Lisbeth deixava claro que eles não tinham muito tempo. Com passos rápidos, Danika abriu caminho pelo saguão do hospital até chegar à recepção da emergência pediátrica. A recepcionista parecia meio entediada enquanto mexia no computador, mas virou toda a sua atenção aos recém chegados quando percebeu o estado da criança nos braços de Müller.

- Preencha a ficha... – o papel foi deslizado na direção de Nika – Eu já vou colocá-la na fila como prioridade. Vou precisar apenas do cartão do convênio.

- Eu não tenho convênio, mas eu vou pagar. Quanto é o atendimento?

De dentro da bolsa, Danika retirou um bolo de notas de pequeno valor. Qualquer um que soubesse que a moça trabalhava como garçonete entenderia que ali estavam as economias de meses e meses de gorjetas.

- Setenta euros pela consulta. Se o médico indicar algum remédio ou procedimento, a senhora terá que acertar o restante do valor antes da alta.

Setenta euros era mais da metade da quantia que Danika havia levado naquele dia, mas a morena entregou as notas para a recepcionista sem pensar duas vezes. Aquelas economias tinham sido guardadas para serem gastas com a própria Lisbeth. Mas não fazia o menor sentido lamentar por roupinhas novas ou por uma televisão no quarto quando a saúde da menina se tornara uma urgência.

Por sorte, a ala pediátrica estava vazia naquela noite. Um bebê que já aguardava na recepção foi atendido na frente de Lisbeth, mas logo uma médica chamou pelo nome da garotinha. Como a menina continuava nos braços de Benjamin, o rapaz acompanhou Nika até o pequeno consultório e foi orientado pela pediatra a colocar Lisbeth sobre a maca.

- O que houve com a pequena? – enquanto falava, a médica já conferia a pulsação e iniciava o exame em Lisbeth.

- Ela acordou bem, mas começou a ficar indisposta ao longo do dia. – Danika se colocou ao lado da filha e se pôs a acariciar os cabelinhos castanhos na tentativa de tranquilizar a menina enquanto a pediatra a examinava – Teve febre e começou a vomitar. Não consegui fazer com que ela comesse ou bebesse nada. Comprei um soro, que ela também não conseguiu tomar. Agora no fim da tarde ela começou a ter diarreia também.

- Alguma mudança na alimentação?

- Não. – os olhos de Nika refletiam uma dolorosa culpa enquanto ela completava – Em casa não, mas ela pode ter comido alguma coisa diferente na creche.

Depois de um exame completo, a pediatra devolveu Lisbeth aos braços de Benjamin, muito provavelmente concluindo que ele era o pai da menina. Além da presença dele no hospital, os olhos azuis de Beth não tinham vindo da mãe e eram parecidos com as íris de Müller.

- Não encontrei nenhum sinal de gravidade que me faça pensar em algo mais sério. Muito provavelmente ela comeu alguma coisa estragada ou pegou uma infecção viral de algum coleguinha da creche. O problema é que ela está muito desidratada depois de tantos vômitos. Vou deixá-la em observação em um dos leitos da urgência para que ela tome soro.

- Eu trouxe o pacotinho de soro. – Nika mexeu na bolsa até retirar o produto comprado na farmácia – Podemos usar este?

- Você pode guardar para que ela termine de tomar em casa. Aqui ela vai receber hidratação venosa.

- O que? – o queixo de Lehmann caiu enquanto ela compreendia o significado daquelas palavras – Na veia? Vão furá-la com uma agulha??? Isso é mesmo necessário???

Como Danika não era a primeira mãe que surtava com aquela ideia, a pediatra reagiu com calma e paciência. Era mesmo terrível a ideia de fazer aquilo com um bebê, mas a situação de Lisbeth não lhe dava outras alternativas.

- A desidratação dela já chegou num nível preocupante, ela está prostrada, com o pulso acelerado, a pobrezinha nem tem mais lágrimas. E a senhora mesma disse que ela está vomitando tudo que come, ela não vai conseguir tomar o soro neste momento. Vamos pegar uma veia, aplicar um medicamento contra os vômitos e iniciar um esquema de soro. Provavelmente ela terá que passar o resto da noite em observação, então sugiro que vocês dois se organizem. Pelo menos um dos pais precisa ficar aqui com ela.

Aquela notícia era tão chocante para Danika que a morena nem se preocupou em corrigir a confusão da médica sobre o papel de Benjamin na vida de Beth. Os olhos castanhos estavam cheios de lágrimas e a mente da mãe só conseguia girar em torno do terror de ver uma agulha furando o bracinho de Lisbeth.

Na sala de emergência, Lisbeth foi acomodada em outra maca. A menina estava tão prostrada que nem mesmo chorou quando uma das enfermeiras esticou seu bracinho e começou a procurar por uma veia. Seu rostinho apenas se contorceu numa careta e ela soltou um grunhido fraco que partiu o coração de Nika em mil pedaços.

Lehmann se sentia tão desamparada e impotente por ver a filha naquela situação que buscou por apoio nos braços do vizinho. O soro já começava a correr quando Nika envolveu Benjamin num abraço e escondeu o rosto no peito dele, manchando a camisa com as lágrimas que corriam por seu rosto.

- Você deve achar que eu sou uma droga de mãe, não é? Primeiro deixei a Beth sozinha no apartamento e agora ela ficou tão doente que foi preciso...

Nika simplesmente não conseguiu completar a frase. Era terrível demais colocar em palavras a imagem da garotinha prostrada, recebendo soro através de um cateter.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Set 10, 2016 3:37 am

Charlotte nunca havia ficado com um rapaz mais de uma vez além de Benjamin. Não importava se tivesse interesse pela outra parte, era uma perda de tempo tentar repetir algo ao lado de alguém que ela sabia que não teria futuro. Mesmo nos piores cenários, sabia que seu lugar era ao lado do futuro rei e que nenhum outro rapaz chegaria aos pés dele.

Por maior que tivesse sido a química entre ela e Lukas no primeiro encontro, o rapaz provavelmente teria tido o mesmo destino de tantos outros rapazes se agora o objetivo de Charlie não fosse exatamente se aproximar dele.

Até reencontrar o rapaz no campus, Baviera dizia a si mesma que só estava ali para ajudar Benjamin. Ela provaria ao futuro rei que tinha todas as qualidades necessárias para assumir o trono ao seu lado, até mesmo se envolver naquela mentira e descobrir tudo a respeito de Krauss.

O que Charlie não esperava era sentir o coração acelerado diante do sorriso relaxado do universitário. Ela estava ali apenas pensando em Benjamin, mas também estava surpreendentemente feliz em poder rever Lukas.

Qualquer menina se aproveitaria daquele momento para fazer algum joguinho. Esperaria alguns dias antes de fazer o telefonema com uma voz doce e charmosa, fazendo um convite para sair. Mas Charlie nunca havia tido paciência para joguinhos, e dizia a si mesma que havia urgência em se aproximar de Lukas. Claro, sempre convencida de que estava fazendo aquilo por Benjamin.

Enquanto via as costas de Lukas se afastando, Charlie encarou a tela do próprio celular e abriu um sorriso involuntário antes de tocar no “Lindinho”. Ele ainda estava em seu campo de visão quando puxou o celular do bolso e atendeu o número desconhecido.

- Então... Como existe um risco de você não me enxergar por aí, eu estava pensando em continuar no alcance da sua vista por mais algumas horas. Só preciso entregar umas papeladas na administração, mas adoraria sair para conhecer o que tiver de interessante nessa cidade.

O sorriso de Charlie se alargou quando Lukas virou ao redor até que os olhares deles se encontrassem. Ela mordeu o lábio inferior e balançou o próprio corpo de um jeito bobo, se sentindo de uma forma que nunca havia sentido antes. Baviera já havia cansado de paquerar rapazes desconhecidos, mas era a primeira vez que se sentia empolgada com o que ele poderia responder.

- Eu vou entender se você tiver toneladas de trabalhos pra fazer e não puder sair. Ouvi dizer que os veteranos são muito ocupados e você é praticamente um deles agora. Mas se ainda quiser perder algum tempo com uma caloura...

Ao perceber que estava se sentindo insegura pela primeira vez, Charlie se calou. Lukas havia tomado a iniciativa em lhe passar o telefone, em sinal de que também gostaria de vê-la outra vez. Mas o medo de ter avançado rápido demais a assustou.

Para tentar disfarçar o próprio deslize, a menina deu um risinho e brincou com as pontas dos cabelos, ainda encarando Lukas do outro lado do campus.

- Vamos ser sinceros, lindinho... Caloura ou não, você está morrendo e vontade de sair comigo outra vez.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Set 10, 2016 4:20 am

Tudo o que Lukas queria depois daquela semana tumultuada era ir para casa e descansar pelo resto da noite. Nenhuma festa ou balada com os amigos parecia mais tentadora do que pedir uma pizza e fazer uma maratona de uma série qualquer. Mas o convite de Charlotte o tirou totalmente daquele foco. Por mais que estivesse cansado, Krauss não foi capaz de recusar a proposta de passar mais algumas horas na companhia da garota.

Por mais que quisesse ficar com Charlie, Lukas ainda não enxergava aquilo como paixão. Ele gostava da companhia dela e se divertia imensamente com as provocações trocadas. Perto de Charlotte, Luke não sentia a menor necessidade de ficar tenso, de escolher as palavras cuidadosamente ou de planejar cada passo. Tudo fluía naturalmente e os dois se entendiam como se fossem grandes amigos. E, claro, havia o tempero da atração que eles inegavelmente sentiam um pelo outro.

Depois daquela ligação inesperada, Luke aguardou até que a menina resolvesse todas as burocracias com a faculdade. Os dois saíram juntos do campus e Lukas não imaginava o quanto aquilo era inédito na vida de Charlotte quando fez sinal para um ônibus e puxou a garota para dentro do veículo coletivo. Por sorte, o ônibus estava vazio naquele fim de tarde, mas nem por isso deixaria de ser uma experiência inovadora para a herdeira dos Baviera.

Como Charlie havia chegado à cidade há poucos dias, Luke deixou que ela se sentasse junto à janela para que apreciasse melhor a vista. O ônibus passava justamente pela longa avenida que contornava o rio de Leoben quando Krauss deslizou o braço sobre os ombros da menina e ficou brincando com uma mecha dos cabelos lisos.

- Um turista mais desatento diria que não muito o que fazer em Leoben, mas eu vou te mostrar que isso não é verdade. Esta cidade é perfeita. Aposto que você só precisa de um ou dois meses para decidir que quer morar aqui para sempre, porque foi o que aconteceu comigo.

O plano de construir um futuro em Leoben reforçava que Lukas não conhecia as suas origens nobres. Se soubesse que era um filho bastardo do rei, muito provavelmente o rapaz não pensaria em se afundar naquela cidade pequena, tão distante das decisões políticas de Viena.

O ônibus se afastou do campus, mas sempre seguindo o trajeto do rio. O aumento do volume de veículos anunciava que eles estavam passando pelo centro de Leoben quando Krauss se levantou e deu o sinal, alertando o motorista de que queria descer. De mãos dadas com Charlotte, Lukas a conduziu por dois ou três quarteirões até que chegassem ao destino final.

Como já começava a anoitecer, a visão do parque iluminado era impactante. Exatamente no centro de Leoben havia um enorme parque. As árvores centenárias se misturavam a uma incontável quantidade de diferentes espécies de flores. Em pontos estratégicos do gramado, existiam fontes de água cristalina. Pequenos postes formavam uma avenida iluminada que cruzava o parque de uma ponta a outra. O local estava repleto de pessoas, crianças brincavam nos coretos, vendedores ambulantes circulavam por todos os lados com lanches e pequenas bugigangas.

E foi exatamente diante de um daqueles vendedores que Lukas parou. O rapaz observou o mostruário por alguns segundos antes de voltar a atenção para Charlotte, como se a analisasse. Por fim, Krauss se decidiu e apontou uma pulseira. Era uma bijuteria barata, do tipo que Baviera nunca precisara usar. Mas ainda assim era um enfeite bonitinho e delicado, mas foi a explicação de Luke que tornou o gesto ainda mais especial.

- A pedrinha tem a exata cor dos seus olhos.

A pulseira era dourada, mas o preço cobrado pelo vendedor deixava claro que não havia nem mesmo um átomo de ouro na peça. A única pedrinha que a enfeitava também era uma réplica, mas Luke tinha razão em compará-la com os olhos de Charlie. No pulso pálido da menina, o verde vivo se realçou ainda mais. Certamente aquele estava longe de ser o melhor presente que Charlotte Baviera já ganhara, mas era a primeira vez que alguém escolhia algo especificamente para ela, sem se importar em impressioná-la com o valor da peça.

Por mais que já tivesse notado que Charlotte tinha uma situação financeira bem mais confortável que a dele, Krauss jamais imaginaria que estava dando uma bijuteria barata para a herdeira de uma fortuna em diamantes. Era para ser apenas uma lembrança daquela noite e da visita ao parque.

- Não pense que estou te dando um presente sem querer nada em troca... – Lukas abriu um sorrisinho malicioso e fez uma longa pausa antes de completar a provocação com uma proposta mais inocente do que sua expressão sugerira – Você vai pagar o meu lanche. Eu estou morrendo de fome!
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Set 10, 2016 4:25 am

Racionalmente, Benji sabia que era o desespero de Danika falando quando a moça se jogou aos seus braços. Não era preciso saber muito sobre crianças ou ter qualquer grau de intimidade com a família para também se sentir angustiado em ver a pequena Lisbeth deitada na maca de um hospital com o bracinho furado.

Mas mais do que o desespero, Benjamin também reconheceu gratidão no gesto da vizinha. Aquele abraço era a forma dela de não desabar, de poder se agarrar a alguém que estava ali lhe dando todo o apoio que pudesse dar.

O príncipe estava acostumado a ter todos ao seu redor, lhe mimando, fazendo tudo que fosse necessário para que ele estivesse confortável e satisfeito. Era a primeira vez que Benji se sentia útil a alguém e a sensação era surpreendentemente superior a ter tanta falsidade alegando querer o seu melhor.

Seu peito se comprimiu ao ver a mulher que fazia tanto esforço para se fazer forte, se despedaçando em seus braços. Benji não pensou duas vezes em rodear o corpo dela em um abraço, encaixando o topo da cabeleira morena sob seu queixo.

- Eu acho que a Beth só tem você no mundo. E que você não piscaria antes de fazer qualquer coisa para que ela esteja bem. O que eu vi naquele dia do elevador foi uma mãe preocupada com o seu bebê. E hoje, de novo, eu só vejo a mãe da Lisbeth lutando pelo bem-estar dela.

A voz de Benji soava baixa para não incomodar as demais pessoas que passavam, o que fazia com que as palavras saíssem em um timbre rouco e gostoso de se ouvir, com um nível de intimidade que não existia entre os dois.

Sua mão subiu e desceu pelas costas de Nika em uma carícia reconfortante, mantendo-a contra seu peito.

Aquela repentina mudança na relação dos dois não apagava nada do que havia acontecido. Ainda era inapropriado que os dois se envolvessem. Danika estava em uma fase da sua vida que precisava se concentrar na própria filha, enquanto Benji precisava focar no irmão. Mais do que nunca, ele percebia o quanto teria tornado a vida da vizinha uma bagunça caso o encontro tivesse acontecido e sentimentos começassem a ser envolvidos.

Ele não tinha o direito de entrar na vida de Lehman e bagunçar as peças que ela tentava com tanto esforço manter em ordem. Mas sua decisão também não o impedia de continuar ao seu lado como um bom amigo que ela evidentemente estava precisando.

- Você ouviu a médica, não é nada grave. A Beth só precisa se recuperar e logo já vai estar em casa de novo.

Benjamin se afastou apenas alguns centímetros para poder encarar o rosto de Danika. Ele segurou as laterais do rosto dela com as mãos e precisou se esforçar para não se perder na profundidade dos olhos castanhos, se lembrando que os dois pertenciam a mundos completamente diferentes.

- Crianças ficam doentes o tempo todo, Nika. Elevadores dão problemas. Coisas acontecem. Você não pode controlar tudo, nunca vai poder. – Um sorriso brincou em seus lábios para tentar amenizar o clima antes de acrescentar. – É melhor você aprender isso agora antes que a Beth entre na fase da rebeldia e lhe diga que você não pode mandar nela. Ainda tem alguns anos para se preparar, sugiro começar logo.

O príncipe precisava admitir que era inédito ver a força que Danika tinha para cuidar da filha. Era inegável que ele nutria um grande amor pela irmã caçula, mas por mais que tentasse se esforçar, não havia nenhuma lembrança de Cristoph ou Helena perdendo o sono porque ele ou Amelie estivessem doentes.

Helena estava sempre muito mais preocupada com a imagem que os filhos estariam passando para o mundo. A última coisa que ela queria era ver seus bebês estampando manchetes de tabloides e manchando toda uma história da realeza austríaca.

Cristoph com certeza amava os filhos, mas era sempre ocupado demais para perder algumas horas com crianças. Por mais rígido que o pai fosse, ainda era com ele as lembranças que mais se aproximavam de momentos felizes.

Lukas definitivamente havia tirado a sorte grande em viver longe de todo aquele inferno. Ele quase poderia imaginar uma versão de Danika cuidando do pequeno bastardo.

- Você precisa comer alguma coisa. Eu vi uma lanchonete no final do corredor, vou buscar um chá e alguns bolinhos.

Mesmo com aquele anuncio, Benjamin não se afastou de Danika, apenas esticando seu olhar até pousar na maca onde Lisbeth estava.

- Ela ainda vai demorar um pouco, mas logo vai estar com bastante energia, então é melhor recuperar um pouco do cansaço.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Set 10, 2016 4:52 am

Quando Benjamin retornou para junto de Danika, Lisbeth estava dormindo. Ela não parecia mais tão entregue à prostração. Era como se estivesse simplesmente recuperando as energias depois de horas de mal estar e dor. O sono da menina era tão pesado que os olhinhos azuis não se abriram mesmo depois que Müller entregou o lanche para a vizinha e puxou uma cadeira para se sentar perto delas.

Embora estivesse mais tranquila, Nika ainda não sentia fome vendo a filha naquela situação. Ela só aceitara o lanche como uma forma de agradecer a Benjamin por aquela gentileza.

Aliás, aquele fora o menor dos favores feitos pelo vizinho naquela noite. Lehmann não sabia como recompensar Benji depois que ele salvara Lisbeth com aquela carona e agora oferecia tanto apoio com a sua companhia. Nika simplesmente não se lembrava da última vez que alguém a abraçara daquela maneira, muito menos de se sentir tão protegida e amparada com um gesto de carinho

Mesmo sem nenhum apetite, Danika partiu alguns pedacinhos do bolo com os dedos e tomou alguns goles do chá. Agora que a adrenalina começava a se dissipar, Nika enxergava com mais nitidez o quanto o vizinho havia sido atencioso naquela noite. Se Benjamin ficara chateado com a recusa do convite para sair, ele acabava de mostrar que era maduro o suficiente para não penalizar uma criança por causa daquela mágoa.

- Benji...

A moça se inclinou na direção dele e apertou carinhosamente os dedos compridos de Müller.

- Volta pra casa. Já está muito tarde, você precisa acordar cedo para trabalhar amanhã. A Lisbeth já foi atendida, já foi medicada. Não faz nenhum sentido você perder a noite aqui assistindo uma criança dormir. Seremos liberadas amanhã cedo, não vai ser difícil encontrar um táxi durante o dia.

A companhia de Benjamin havia sido a salvação de Nika naquela noite terrível, mas a morena sabia que não tinha o direito de pedir que o vizinho fizesse mais um sacrifício. Müller não tinha nenhuma obrigação com as duas, não havia qualquer grau de parentesco ou intimidade entre eles.

- Nenhuma palavra vai expressar o tamanho da gratidão que eu sinto por você, Benji. O que você fez pela Lisbeth hoje não tem preço. A mãe surtada dela só deixa tudo mais complicado, não é? Eu molhei a sua camisa toda com tantas lágrimas, mais alguns minutos de choro e eu também precisaria de soro.

Intimamente, Nika sabia que o mais sensato era finalizar o discurso daquela maneira. Aquela situação os reaproximara como amigos e aquele era o relacionamento ideal para eles. Contudo, foi impossível resistir à tentação depois de vivenciar mais aqueles momentos ao lado do vizinho.

O coração de Lehmann se acelerou enquanto ela buscava pelos olhos metálicos do futuro rei da Áustria e reunia coragem para tomar aquela iniciativa.

- Caso você não esteja profundamente assustado comigo e ainda queira tomar um café qualquer dia desses... – Nika tentou disfarçar o constrangimento com uma brincadeira enquanto mostrava o copo de chá – Sugiro um lugar melhor que a lanchonete de um hospital da próxima vez.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Set 10, 2016 5:12 am

Os olhos verdes estavam perfeitamente acostumados com joias verdadeiras. Com dez anos de idade, Charlotte já saberia diferenciar como uma especialista uma peça verdadeiramente valiosa de uma imitação. Sua penteadeira na casa dos Baviera estava repleta de brincos, cordões, tiaras e pulseiras que valeriam mais do que a casa de Krauss, sem contar no cofre pessoal onde ela guardava as preferidas e destinadas para ocasiões extremamente especiais.

Mas não era pela ostentação ou pela comparação com o objeto simples e sem valor monetário algum em seu braço que Charlotte não conseguia desviar sua atenção do novo presente. Ela estava tentando interpretar aquele gesto inesperado de Lukas.

Claro que os homens sempre tentavam impressioná-la com presentes caros. Ela ainda guardava cada um dos presentes de Benjamin como prova de como poderia ser mimada. Mas havia algo de diferente naquela tarde.

Lukas agia como se não tivesse conhecimento algum sobre a sua verdadeira origem. Ele era um rapaz humilde, sem grandes ambições e que precisava trabalhar duro para manter os estudos e as contas em dia. Parecia uma grande piada que um filho de Cristoph Kensington andasse de ônibus.

A situação era tão absurda que foi impossível não cogitar que tudo aquilo não passasse de uma armação. Talvez Lukas estivesse encenando, assim como ela e Benjamin, apenas sondando o terreno antes de atacar.

No fundo, Charlie sabia que era uma teoria absurda e pouco provável. Benjamin havia cruzado o país atrás de Lukas. Era o futuro rei que tinha condições de contratar um investigador para descobrir o paradeiro do seu meio-irmão e louco o bastante para largar tudo. Krauss não havia saído da sua cidade, da sua casa, em busca de ninguém. Era Benji quem havia batido na sua porta.

O que Charlotte estava tendo dificuldades para aceitar era que alguém com o mesmo sangue de Benjamin pudesse ser tão diferente. Enquanto Benji era mais sério e quase sempre polido, agindo como um verdadeiro político que precisava zelar pela própria imagem, Luke era um garoto sem as correntes da realeza, sem um tostão no bolso mas com um sorriso enorme, como se realmente não precisasse de tudo aquilo para ser feliz.

Um sorriso tímido brincou nos lábios de Charlotte, e por um instante, ela pareceu apenas uma menininha doce, sem a sombra da segurança Baviera.

- É lindo, Luke. Obrigada.

O preço exigido por Krauss pelo presente fez os olhos verdes se arregalarem, imediatamente vasculhando o parque. O lugar era lindo, como poucos lugares que ela já havia conhecido. Apesar de movimentado com as pessoas do final do dia, era impossível abafar o charme que se tornava ainda mais estonteante com o pôr do sol.

Há poucos metros de distância, havia uma carrocinha de cachorro-quente e o coração de Charlotte disparou com a simples possibilidade de ser aquela a ideia que o rapaz tinha para o lanche.

O passeio de ônibus poderia ter sido uma aventura inédita, mas era o máximo que Baviera estava disposta para aquele dia.

- O quê??? Nem pensar! – Charlie negou com a cabeça repetidas vezes. – Eu ainda consigo sentir os germes do ônibus nas minhas mãos. Nós não vamos comer ali, não vou arriscar uma salmonela só porque quero a sua companhia, lindinho. Pode escolher um restaurante, qualquer um. Mas com mesas e de preferência com tubos de álcool-gel.

A ideia de Charlotte para um restaurante era um ambiente espaçoso, com uma decoração sofisticada, toalhas de tecido, cadeiras almofadadas e garçons, muitos garçons que não deixariam o seu copo ficar vazio.

A lanchonete que ela e Lukas entraram, alguns minutos depois, estava longe de ser o ambiente mais adequado para uma Baviera, mas parecia um pequeno palácio em comparação ao pesadelo do vendedor ambulante.

O chão era um pouco engordurado, mas as mesas estavam limpas e uma simpática garçonete se aproximou quase que de imediato para anotar os pedidos.

Os olhos verdes analisaram atentamente o cardápio de plástico enquanto, inconscientemente, ela brincava com a nova pulseira em seu braço.

- Você tem alguma coisa que eu possa comer de garfo e faca? – Ela ergueu o rosto para a garçonete, mas apesar da pergunta atípica, não havia nenhum tom de soberba ou desprezo em sua voz, apenas sincera curiosidade. – Este cardápio só tem sanduíches.

A menina deu um risinho nervoso e encarou o casal a sua frente como se estivesse sendo vítima de uma pegadinha. Ao perceber que Charlotte ainda encarava em espera pela resposta, a garçonete franziu a testa e encolheu os ombros.

- São os melhores sanduíches da cidade. E fabricamos a nossa própria cerveja também?

- Cerveja?

Foi a vez de Charlotte encarar a atendente como se estivesse sofrendo uma piada. Seu queixo despencou quando ela compreendeu que aquelas eram mesmo todas as opções que tinham.

Charlie mataria um por uma bela massa e um vinho de boa qualidade. Até mesmo as típicas tortas de legumes de Viena seriam muito bem recebidas. Benjamin provavelmente concordaria com ela de que o cardápio restrito era um absurdo, mas a lembrança do ex-namorado fez apenas com que ela voltasse a pensar com clareza.

O futuro príncipe estava acostumado com os seus mimos, seus gostos e restrições. Mas a diferença entre ele e o irmão mais novo mostrava que ela não poderia continuar se comportando como a futura rainha da Áustria, cheia de exigências.

Um sorriso mais confiante apareceu em seus lábios e ela devolveu o cardápio para a garçonete.

- Que seja. Eu quero o sanduíche de costela e a cerveja. Traga uma porção dessas fritas também.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Set 10, 2016 5:45 am

Mesmo com a sugestão de Danika, Benjamin não tinha a menor intenção de ir embora do hospital até ter certeza de que Lisbeth estaria completamente recuperada e liberada para voltar para casa.

Ele poderia não ter a menor obrigação ou intimidade com Lehman para passar a noite acordado ao lado dela enquanto a bebê se recuperava, mas a ideia de deixa-la sozinha em uma cadeira desconfortável e se enfiar nos lençóis quentes de sua cama era indigesta.

Benji estava pronto para recusar aquele absurdo e garantir que continuaria ali para leva-las para casa no amanhecer, quando o discurso de Danika mudou por completo, o desarmando diante da surpresa e do inacreditável.

Por longos segundos, os profundos olhos azuis encararam a morena como se estivesse enxergando seu rosto pela primeira vez naquela noite. Danika provavelmente estava esgotada demais para deixar sua mente seguir por aquele caminho perigoso. Nada mais fazia sentido para o rapaz, para justificar aquela mudança tão repentina.

Lehman havia deixado claro que não queria se envolver com ele. Diferente de tantas outras garotas, ela não tinha a obrigação de agradar um príncipe, muito menos a ambição de estar ao lado de um futuro rei. A vizinha o havia enxergado por quem realmente era e simplesmente não havia se interessado pelo rapaz comum a sua frente.

Seus gestos naquela noite, por mais que fossem enxergados com nobreza por Danika, haviam sido feitos sem nenhum interesse. Benji apenas fez o que achava certo, agindo com o impulso de cuidar de Lisbeth. Era surpreendente e ao mesmo tempo ofensivo pensar que a morena agora mudava sua resposta sobre um encontro como se tivesse a obrigação de agradecê-lo por simplesmente ter sido cordial.

Independente de quais fossem os motivos, o coração de Benji deu um salto contra o peito em ouvir aquela mudança. A possibilidade de sair com Danika estava praticamente adormecida e agora revivia com uma intensidade assustadora, pegando o rapaz desprevenido quando nem mesmo ele tinha tanto conhecimento do quanto vinha desejando aquilo.

Seus dedos foram deslizados levemente e apertaram de leve a mão de Danika na sua antes de quebrar o contato de uma vez. O sorriso forçado, de apenas um inclinar dos lábios, já deu a resposta por Benjamin antes que ele abrisse a boca e deixasse as palavras amargas saírem.

- Não acho que seja uma boa ideia uma próxima vez, Danika. Eu sinto muito, mas você estava certa.

Havia um lado da mente de Benjamin que implorava para ele se calar, mas o menino irresponsável que fazia o que bem entendia havia ficado em Viena há muitos anos. O futuro rei já havia aprendido que escolhas difíceis precisavam ser tomadas e que quando ele queria agir como um egoísta, pessoas sempre se machucavam. Ele não queria ver Danika ou Lisbeth machucadas.

- Você precisa se focar só na Beth agora. E eu também tenho outras prioridades que não envolvem um novo relacionamento. É melhor sermos só amigos do que entrar em uma sucessão de erros e decepções.

A escolha em repetir as palavras de Lehman não tinha a intenção de magoar a vizinha, era apenas a forma de Benjamin em reforçar que a escolha dela na primeira recusa era a mais sensata para os dois.

A cadeira rangeu quando ele ergueu o peso do próprio corpo e se colocou de pé. A chave do carro foi tirada do seu bolso, assim como a carteira, e algumas notas foram colocadas na palma da mão de Danika.

- Eu deixaria o carro com você, mas imagino que não seja nada prático dirigir com um bebê dentro do carro, sem cadeirinha. Pegue um táxi assim que receberem alta, mas me mantenha informado, está bem?

Pela primeira vez, Benjamin percebeu que Danika ainda não tinha o seu número de celular. O telefone esquecido sobre a mesinha ao lado da maca de Lisbeth deslizou pelos seus dedos e rapidamente o número estava gravado na agenda da menina.

- Vou manter o celular ligado, me ligue ou mande uma mensagem. Não é só se precisar de alguma coisa, Danika. Eu quero que envie notícias.

Por alguns segundos, Benjamin ficou sem ação, mas acabou se rendendo ao desejo de inclinar para frente e depositar um beijo no topo dos cabelos castanhos, prolongando o contato dos seus lábios com os fios macios por alguns segundos além do necessário.

Ele sentiu a garganta fechar ao deixar mãe e filha para trás, mas ao invés de se dirigir imediatamente à saída, Benjamin se encaminhou novamente até a administração. O rapaz só saiu do hospital algum tempo depois, quando a conta hospitalar de Lisbeth já estava inteiramente paga.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Set 10, 2016 7:41 pm

- Garfo e faca???

Uma das sobrancelhas de Lukas se ergueu enquanto ele encarava a menina com uma expressão divertida e irônica. Ao contrário da garçonete, Luke percebeu de imediato que Charlotte estava falando sério sobre o cardápio, mas nem por isso o pedido da menina deixou de ser divertido. Charlie parecia viver totalmente fora da realidade das pessoas comuns.

- Não me mata de vergonha, Charlie, isto é uma lanchonete. Você vai ter que adiar a vontade de comer salmão grelhado. – Krauss se virou para a outra moça e apontou Charlie com o polegar, ainda mantendo o tom divertido – Eu não sei de que planeta ela veio, mas acho que foi a única que eles mandaram para cá. Nunca ouvi falar de outro ser tão inacreditável assim.

A garçonete soltou um risinho divertido ao sentir o clima amigável daquela provocação. Qualquer um notaria facilmente que era mais uma brincadeira do que propriamente uma crítica. Mais do que isso, era fácil perceber que os dois se davam bem apesar de serem tão diferentes.

- Eu vou querer... – Lukas fez uma pausa enquanto os olhos castanhos estudavam o cardápio de plástico – Este aqui, duplo com bacon e cheddar. Pode trazer também uma porção grande de fritas e um milk-shake de chocolate.

Só depois que a garçonete anotou os pedidos e se afastou da mesa para atender outros clientes, Krauss explicou aquela escolha de bebida para a menina.

- Tenho um treino amanhã cedo. O jogo é semana que vem, então o treinador está totalmente surtado. Se eu chegar lá com cheiro de ressaca ele vai me rastrear como um cão farejador e vai arrancar a minha pele com uma pinça.

Enquanto os dois esperavam pelos lanches, Lukas se empolgou falando sobre o time de futebol da universidade. O rapaz jogava como meio de campo e fazia parte da equipe titular. Aliás, fora o bom desempenho nele no esporte que lhe rendeu uma vaga na universidade de Leoben. Krauss não pretendia transformar o futebol em uma carreira, mas era evidente que levava o time da universidade muito a sério.

Os dois filhos de Cristoph eram assombrosamente diferentes, mas aquele era um ponto comum entre Benjamin e Luke. O primogênito também adorava futebol e provavelmente só não jogava para evitar a exposição de sua imagem como herdeiro do trono austríaco. Lukas não tinha o dinheiro ou o sobrenome dos Kensington, mas ao menos era livre para viver aqueles sonhos mais bobos que Benjamin tivera que abrir mão.

Quando a garçonete se aproximou com as bandejas, Lukas lançou um olhar divertido para Baviera. Para ele, ficara muito óbvio que Charlotte não era o tipo de menina acostumada a devorar sanduíches enormes, muito menos que salivava diante de batatas fritas brilhando pelo óleo. Seria muito divertido assistir a garota comendo e apostar consigo mesmo até onde Charlotte conseguiria ir.

De fato seria um grande desafio. Os sanduíches daquela lanchonete eram enormes e muito bem recheados. As fritas estavam transbordando para fora do recipiente e a caneca de cerveja praticamente tapava todo o rosto de Charlie. Krauss não conteve uma risada divertida quando a garçonete comentou que a promoção daquele dia dava aos dois o direito de pedir uma casquinha de sorvete ao final da refeição.

- Eu filmaria este momento se não fosse pela bateria do meu celular estar chegando perto da reserva. Aposto como você vai largar o sanduíche antes da terceira mordida. Eu serei obrigado a comer duas casquinhas para não desperdiçarmos a promoção.

Algumas batatinhas foram empurradas para a boca de Luke antes que ele completasse.

- Seja realista, Charlie, você é minúscula. Seu estômago não deve ser maior que uma maçã. Mas não encare isso como uma crítica. Muito pelo contrário, eu adoro sair com meninas que não comem. Eu estou sempre com fome, é ótimo quando sobra comida na mesa.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Set 10, 2016 8:31 pm

- Como assim?

As sobrancelhas de Danika se franziram com a resposta que a recepcionista do hospital acabara de lhe dar, o que obrigou a mulher a repetir o que havia falado.

- A conta já foi acertada, vocês estão liberadas.

Os primeiros raios de sol já tinham brotado no horizonte quando a pediatra reavaliou Lisbeth mais uma vez e decidiu que a menina já estava em condições de ir para casa. Contudo, antes mesmo de ouvir a opinião da médica, Danika já se sentia mais relaxada. Lisbeth havia acordado ao fim da madrugada e parecia recuperada depois do soro e das horas de sono. A garotinha aceitara um pouco de leite e comera biscoitinhos, sem demonstrar nenhum resquício do mal estar da noite anterior.

A maior surpresa de Lehmann veio no momento em que ela se encaminhava para a saída e parou na recepção para acertar o restante da conta.

- Mas eu paguei apenas pela consulta. Ela passou a noite aqui, usou medicamentos, soro, tomou leite.

- Sim, tudo isso foi registrado na ficha dela, senhora. Mas o seu marido deixou tudo pago.

- Meu marido??? Mas que marido???

O estranhamento de Danika fez com que a recepcionista ficasse sem graça com aquela gafe. Os dois tinham se comportado de forma tão amigável e pareciam formar um casal tão bonito que a jovem nem pensara na possibilidade de Nika e Benjamin não estarem juntos.

- Desculpe, eu pensei que fossem casados. Eu me refiro ao pai da garotinha. Ele passou aqui antes de ir embora e acertou a conta.

Os olhos castanhos continuaram refletindo a confusão que Nika sentia por mais alguns poucos segundos, até que a sua mente finalmente encaixasse as peças soltas. Como não fazia sentido fornecer tantas explicações para uma pessoa estranha, Danika se limitou a forçar um sorriso e despediu-se da mulher, deixando que ela acreditasse que Lisbeth era filha de Benjamin Müller.

As ruas da região central de Leoben já estavam movimentadas quando Danika alcançou a calçada, segunda a filha nos braços. Lisbeth ainda estava um pouco sonolenta, mas havia se recuperado por completo daquele mal estar. Por sorte, Nika encontrou um táxi vazio na esquina do hospital e usou o dinheiro que Benjamin lhe dera para pagar pela corrida até o apartamento. Praticamente todas as economias de Lehmann tinham se perdido com o pagamento da consulta, mas ela pretendia devolver a Müller todo o valor que o vizinho gastara, tão logo fosse possível.

Não fazia o menor sentido aceitar aquilo como um favor. Benjamin havia sido muito prestativo e Nika lhe seria eternamente grata, mas ela era orgulhosa demais para permitir que um estranho pagasse as suas contas. Ainda mais depois da conversa da noite anterior, em que Benjamin deixara claro que os dois seriam somente amigos.

Qualquer mulher teria ficado ofendida ou pelo menos chateada em ter um convite recusado daquela maneira. Mas Danika Lehmann reagiu com imensa naturalidade quando o vizinho lhe dispensou. Ela havia ficado muito surpresa com o convite para sair, mas, ao contrário, era quase natural ver um homem se esquivando dela depois de conhecer melhor todos os seus problemas. Benjamin era perfeito demais para que Nika acreditasse que tinha alguma chance com ele.

A maior prova de que Nika não estava ofendida veio no instante em que a morena chegou em casa com a filha. As notícias que Benjamin queria receber de Lisbeth vieram através de um vídeo enviado para o celular dele. Na filmagem feita pelo celular da mãe, Lisbeth estava sentadinha no sofá da sala e raspava uma bolacha recheada com seus dentinhos, já com o apetite completamente recuperado.

“Já é a segunda bolacha hoje. Normalmente eu só deixo que ela coma uma por dia, mas hoje ela pode tudo.”

Embora estivesse bem, o curativo no bracinho de Lisbeth era a prova do quanto a garotinha havia sofrido na madrugada anterior. Depois de um dia inteiro sem vê-la comer nada, Danika simplesmente não tinha coragem de tomar de Beth a bolachinha que ela devorava com tanta vontade.

Logo abaixo do vídeo, Danika acrescentou outra mensagem, desta vez com uma postura mais séria.

“Obrigada pela carona e pela companhia. Não posso te recompensar por isso, mas faço questão de pagar pelos gastos que você teve. Eu te procuro ao fim do expediente para acertamos as contas, é fácil conseguir um adiantamento no restaurante.”

Depois de passar toda a noite em claro ao lado da maca ocupada por Lisbeth, Nika estava exausta e dolorida. Mas faltar ao trabalho não era uma opção, muito menos agora que as suas economias tinham se esgotado. O adiantamento que Danika pretendia pedir à patroa iria complicar as suas contas no próximo mês, mas a garçonete não se sentia bem pensando no quanto Benjamin gastara com ela na noite anterior.

Como ainda estava insegura demais para se separar de Lisbeth, Danika levou a filha consigo para o restaurante. Conforme ela já esperava, Lisbeth já chegou dormindo e ela deixou o carrinho de bebê na parte interna do balcão enquanto vestia o avental e começava a atender os clientes. A patroa cuidava do caixa e a ajudava a olhar Lisbeth, mas naquele dia era óbvio que a criança não daria trabalho já que precisava recuperar o sono perdido.

Parecia um dia como qualquer outro. Durante a manhã, o restaurante ficava mais vazio e os clientes começavam a chegar para o almoço. Perto do meio-dia, Nika já estava com dezenas de pedidos acumulados em seu bloquinho e carregava bandejas de um lado para o outro, dividindo o seu tempo com os fregueses e com Lisbeth, que havia acordado para a mamadeira justamente naquele momento.

Exatamente por saber que não estava dando aos clientes toda a atenção merecida, Danika não entendeu quando um dos homens que havia pedido apenas um sanduíche deixou uma nota de cem euros sobre a mesa.

- Senhor!!!

O homem estava há dois passos da porta quando Nika o alcançou e tocou seu braço, abrindo um sorriso gentil. A nota que ele havia deixado sobre a mesa foi esticada de volta para o cliente enquanto Danika explicava.

- Imagino que confundiu um dez com um cem, não foi?

- Não confundi. É a sua gorjeta.

O queixo de Danika caiu e ela ficou alguns segundos sem reação, encarando o homem a sua frente. Ele era jovem e bonito, embora parecesse sério demais. Os cabelos ruivos eram bem incomuns e marcantes, assim como os olhos esverdeados.

- A sua conta deu 9,50. – Lehmann ainda não conseguia acreditar que o rapaz estava falando sério – O senhor deixou cem euros na mesa.

- Sim. – o ruivo repetiu com seu jeito sério – É a sua gorjeta. Eu preciso ir agora, muito obrigado.

A garçonete ficou parada no mesmo lugar mesmo depois que o cliente empurrou a porta giratória e saiu do restaurante. Ele não era o primeiro freguês que tentava impressioná-la com uma gorjeta mais gorda, mas definitivamente era o primeiro que fazia isso sem ter feito nenhum tipo de insinuação maldosa.

Marcus Müller odiava mentir e não tinha a mínima habilidade para encenações. Por isso, ele parecia ansioso quando sacou o celular e ouviu a voz do patrão do outro lado da linha.

- Está feito, Alteza. A moça me pareceu desconfiada, mas eu saí do restaurante antes que ela fizesse mais perguntas.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Set 11, 2016 1:26 am

Charlie não esperava que o sanduíche fosse tão gostoso. Foi impossível disfarçar sua expressão de surpresa depois da primeira mordida, mesmo quando o molho escorreu pelos seus dedos e pingou no prato. A carne era suculenta e diferente de tudo que já havia experimentado, definitivamente era uma satisfatória surpresa.

As batatinhas eram empurradas para dentro da sua boca, mas era impressionante como Charlotte conseguia ainda parecer uma menininha delicada com o canto dos lábios sujos de barbecue e as bochechas estufadas pela quantidade de comida.

Contrariando as expectativas de Lukas, a herdeira dos Baviera conseguiu comer quase o sanduíche inteiro e uma considerável parte da cestinha de batatas. A única coisa que havia chegado ao fim, minutos depois, era a cerveja, que também havia sido aprovada mesmo pelo paladar refinado de Charlotte.

Quando o casal deixou a lanchonete a noite já havia caído por completo e as ruas estavam iluminadas por fileiras de postes. Os dois andaram lado a lado, prolongando o momento com a desculpa de ajudar na digestão.

Lukas a fazia experimentar uma parte do mundo que Charlotte jamais pensou vivenciar. E apesar da avalanche de coisas novas que a surpreendia, a menina não perdeu a oportunidade para enchê-lo de perguntas.

Ela não deixou passar desapercebida a semelhança entre os dois irmãos sobre a paixão pelo futebol. Baviera fez uma anotação mental de contar aquilo para Benjamin no minuto em que estivesse sozinha, afinal era a desculpa perfeita para que se aproximasse do “colega de quarto”.

Pensar em Benjamin enquanto estava com Lukas começava a se tornar desconfortável. Ela e o futuro rei não estavam mais oficialmente juntos, mas Charlie sentia que estava traindo a confiança de Benji, mesmo levando em consideração que estava se aproximando de Krauss apenas para ajudá-lo a descobrir mais sobre o irmão. O que fazia a culpa aparecer em seu peito era que ela não estava contando gostar tanto da companhia do universitário.

Na hora de voltar, Charlie implorou que pegassem o táxi, alegando que seria mais rápido e confortável por não precisar dividir o espaço com outras pessoas. O carro parou primeiro diante do prédio que Baviera já conhecia, mas antes que Lukas abrisse a porta e saísse para a calçada, ela o segurou pelo braço.

- Como estou o risco de não ser vista por aí, já que você tem um sério problema de miopia que insiste em culpar a minha estatura... – Ela girou os olhos, mas exibindo o típico sorriso brincalhão. – Eu vou correr o risco de te chamar pra sair. De novo.

Baviera fez uma pausa, sem se importar com o taxímetro rodando ou com o fato de que o motorista estava ouvindo a conversa.

- Eu vou dar uma festa no próximo final de semana. Ainda não conheço muitas pessoas por aqui, então quero que você vá. E que leve quantos amigos quiser. Pode levar o time inteiro de futebol.

Seus dedos deslizaram pelos cabelos negros, jogando-os em apenas um dos ombros. Dar uma festa em um lugar em que ela não conhecia ninguém poderia ser uma péssima ideia. Mas ela ainda era uma Baviera e sabia como eventos sociais eram importantes para a imagem de alguém. Alguns convites para as pessoas certas e a sua cobertura estaria lotada na medida certa. Além de ser a desculpa perfeita para estar com Benjamin e Lukas no mesmo momento, podendo ajudar ainda mais no plano do futuro príncipe.

- Você já vai estar livre do seu treino, então imagino que já possa beber. E mesmo se ainda estiver na sua dieta do álcool, eu prometo que terá comida. Bastante comida, até mesmo para a sua fome.

Charlie se inclinou para frente e depositou um beijo no canto dos lábios de Lukas. Era impressionante como Baviera agia de forma confiante, como se nada fosse capaz de abalá-la.

- Te espero na sexta, lindinho.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Dom Set 11, 2016 2:13 am

Benjamin sabia que Danika nunca aceitaria seu dinheiro com tanta facilidade. Ele conhecia a moça há pouco tempo, mas era o bastante para saber que a vizinha não era o tipo que se aproveitaria de nada que não viesse do seu próprio esforço.

Por estar acostumado com sanguessugas que se aproveitariam até mesmo das suas migalhas, foi impossível não se sentir ainda mais admirado com a pessoa singular que ela era. Danika não vivia no luxo, se esforçava para dar à filha o mínimo de conforto e mesmo assim não se sentiria confortável para aceitar uma gentileza.

Apesar de admirar a atitude dela, o príncipe também queria que Danika engolisse o orgulho apenas um pouquinho. O dinheiro pago para o atendimento de Lisbeth era um valor completamente insignificante para alguém como ele. Claro que não era a realidade de um rapaz que precisava dividir um apartamento para pagar as contas enquanto tentava a vida difícil de um início de carreira, mas Benji já havia gastado fortunas com coisas tão bobas que era a primeira vez que sentia o dinheiro tão bem gasto.

Um sorriso brincou nos lábios do homem quando ele assistiu o vídeo de Lisbeth, tão diferente da menininha abatida que ele havia carregado nos braços. Na mesma hora, o rapaz digitou a mensagem de volta, mostrando que realmente estava aguardando pelas notícias solicitadas.

“Não se preocupe com o dinheiro. Eu recebi um adiantamento equivalente a três meses, então realmente não será um problema. Me pague quando e como puder. Aproveite para comprar mais biscoitos. A Lisbeth está com um apetite maior que o do Luke.”

A ideia de enviar Marcus com a gorda gorjeta era a forma de Benji não aceitar o dinheiro de volta. Nika juntaria o dinheiro das gorjetas para pagar a dívida do vizinho, sem saber que o dono das notas que haviam chegado até suas mãos já pertencia a ele. O segurança servia apenas como um intermediário que manteria o orgulho de Lehman intocado.

Os dias começavam a se arrastar e Benji estava começando a acreditar que dividir o apartamento com Lukas poderia não ter sido a melhor ideia para uma aproximação. O rapaz estava sempre tão ocupado que eles se encontravam em poucos momentos aos finais do dia. Ainda assim, eram os melhores minutos quando eles podiam dividir um sanduíche em frente a TV e falar besteiras.

No começo, Benji não sabia exatamente como se comportar, mas a personalidade relaxada de Krauss rapidamente o deixou mais a vontade, fazendo com que ele realmente se sentisse em casa.

Quanto mais os dias passavam, Benjamin se sentia mais confortável no novo estilo de vida. Em alguns momentos ele ainda se surpreendia com a liberdade que possuía, mas cada vez amava mais estar fora dos holofotes, sem ser obrigado a ter Marcus como uma sombra ou se preocupando com o tipo de imagem que iria passar.

Aprender a lavar roupas foi um enorme desafio e Benji teve diversas peças manchadas nas primeiras tentativas. Ele se sentiu incrivelmente orgulhoso quando percebeu que já havia adotado as quartas-feiras para juntar seu cesto de roupas sujas e descer até a lavanderia do prédio, onde já dominava perfeitamente as máquinas e alguns dos produtos usados.

As tarefas mais básicas logo estavam incorporadas em sua rotina, sem que ele percebesse. A limpeza mais pesada era deixada para a faxineira que ia semanalmente, mas não o impediu de aprender a esticar os lençóis da própria cama e lavar a louça que sujava.

A única coisa que parecia impossível para o herdeiro do trono era enfrentar o fogão. Danika conseguia fazer banquetes com coisas simples, mas como até mesmo Lukas ficava impressionado com os dotes da vizinha, Benji logo se convenceu de que não era tão terrível assim não saber orquestrar as panelas.

Ele sempre seria eternamente grato pelo mercado de congelados e dos deliverys. Viver de pizzas não era tão ruim, mas precisava admitir que de vez em quando se pegava com água na boca, lembrando do jantar preparado por Danika em seu primeiro dia, desejando a comida simples e caseira que ela sabia preparar.

Como encontrar Charlotte era arriscado demais, Benji usou aquela desculpa para manter a ex-namorada afastada. O que obviamente não impedia Baviera de lhe ligar e enviar mensagens quase diariamente.

Ele estava impressionado como a menina estava aguentando firme aquela mentira. Seria pedir demais que Charlie também assumisse um papel mais humilde, ela jamais abandonaria o conforto que o dinheiro poderia lhe proporcionar. Mas ainda assim, a morena havia mesmo conseguido se aproximar de Lukas e sempre que achava conveniente, lhe passava informações válidas.

Foi por uma das mensagens dela que Benji descobriu o amor de Lukas pelo futebol. Em uma noite, quando o rapaz chegou do estágio, Kensington havia comprado uma dúzia de cervejas e petiscos para que eles assistissem a uma partida inédita.

Havia sido um dos primeiros e mais divertidos momentos ao lado de Krauss. Ele fazia comentários sarcásticos e inteligentes, e embora tivessem torcendo para times adversários, as risadas encheram o apartamento e fizeram algo aquecer dentro do peito de Benjamin.

Era apenas pelo desejo de ter mais momentos como aquele com Lukas que Benji concordou com a absurda ideia de ir em uma festa organizada por Charlotte Baviera.

Desde que recebera a notícia através da ex-namorada, o príncipe foi inteiramente contra. Ele não sabia como estar no mesmo cômodo que Lukas e Charlotte poderia ajudar e tinha quase certeza que a morena estava fazendo aquilo para provoca-lo. Mas não passaria a noite sozinho, trancado no apartamento, enquanto poderia interagir como mais um dos amigos de Krauss. Talvez, se o visse agindo com outras pessoas por perto, pudesse perceber alguma coisa que ainda não tivesse notado dentro de casa.

A cobertura de Charlotte era mesmo impecável. O local inteiro estava iluminado, com exceção da área externa, onde apenas as luzes da piscina não deixavam a escuridão assumir. A vista para a cidade e para o rio era impressionante. Os móveis eram obviamente caros e muito bem decorados, mas não havia nenhum toque de personalidade, indicando que a menina realmente estava ali há pouco tempo.

A música tocava alta e diversos rostos desconhecidos já passeavam pelo lugar, carregando seus copos e petiscos. Benji não queria nem pensar como Charlotte havia feito para reunir tantas pessoas naquela noite, quando ela ainda não conhecia ninguém na cidade.

Apesar do luxo do lugar, a música animada e as vestes simples dos convidados traziam a descontração necessária. Benjamin conseguia facilmente se enturmar com as pessoas comuns e ninguém perceberia que o príncipe tivera uma grande dificuldade para escolher as roupas exatamente com aquele intuito.

A calça jeans era escura, o que fazia com que ele parecesse mais jovem, mas ainda assim sexy. A camisa creme era de um tecido leve e de mangas que haviam sido puxadas, quase emboladas, até a altura do seu cotovelo. Mesmo com a roupa despojada, era possível notar os músculos bem definidos por baixo do tecido claro. O único acessório usado era o relógio de Marcus em seu pulso. Seus cabelos ainda estavam úmidos e levemente arrepiados, completando o seu charme.

- Você disse que ela acabou de se mudar? – Benji se inclinou para Lukas, para que sua voz sobressaísse a música. – E de onde ela tirou essa multidão?

Ele enfiou a mão no bolso da calça e, com a outra, coçou a própria nuca, balançando a cabeça em um sinal de reprovação. Charlotte nunca tinha limites.

- Eu vou pegar uma bebida. – Benji apontou para o caminho que deduzia ser a cozinha. – Eles sempre guardam as melhores coisas lá dentro. Já volto.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Set 11, 2016 2:37 am

Era muito complicado para Lukas definir em palavras o seu relacionamento com Charlotte Baviera. O primeiro contato entre os jovens havia sido totalmente casual e, embora estivesse encantado com a garota, Krauss nem cogitava a possibilidade de um novo encontro. Portanto, a ideia de que Charlie continuaria em Leoben deixava Luke confuso.

Os dois se davam bem, isso ninguém questionaria. Charlotte conseguia arrancar as melhores risadas do rapaz e fazia com que Lukas se sentisse bem e confiante. Pela primeira vez, ele não precisava pensar nas palavras que dirigiria para uma menina e não se incomodava com as provocações de Charlie porque sabia que aquilo fazia parte do joguinho divertido deles.

Mas talvez fosse exatamente por tudo isso que Krauss não conseguia definir se estava começando a se apaixonar por Charlotte ou se ela era somente uma excelente amiga com benefícios. O comportamento informal da menina dava a Luke uma certeza ainda maior de que aquele não era um relacionamento “tradicional” e que muito provavelmente nunca evoluiria para um namoro de verdade. Era como se eles apenas quisessem aproveitar a companhia um do outro enquanto ainda existia entre eles a atração provocada pelo desconhecido.

Eles eram diferentes demais e esse era outro ponto que fazia com que Lukas concluísse que o relacionamento jamais evoluiria para nada mais sério. Krauss achava o comportamento de Charlie divertido e implicava com todos os luxos e frescuras de uma típica menina mimada. Mas ele não sabia se continuaria achando tudo aquilo tão cômico se Charlotte se transformasse em uma namorada pronta para reclamar da vida simples que ele levava. Também era óbvio para Luke que Baviera não pretendia passar o resto da vida com um cara que não tinha a menor condição de dar a ela todos os mimos aos quais Charlie estava habituada.

Mesmo sabendo que eram irrisórias as chances daquele relacionamento se tornar algo mais sério, Lukas se convenceu de que não havia nenhum motivo para se afastar de Baviera. Os dois eram solteiros e estavam inegavelmente atraídos um pelo outro. Também era notável que nenhum deles parecia iludido com a relação. Não havia promessas ou cobranças, muito menos declarações exageradas de afeto. Parecia uma grande tolice não aproveitar tudo o que aquele relacionamento tinha a oferecer.

O convite para a festa surgiu como uma excelente oportunidade de passar mais algum tempo ao lado de Charlotte. Nos dias que se seguiram, Luke enviou mensagens para a garota e confirmou a presença de mais alguns colegas do time e da turma. Para a imensa surpresa de Krauss, Benjamin também gostou da ideia da festa. Luke comentara apenas por educação e sem imaginar que Müller ficaria interessado em uma festinha da faculdade, mas o colega de quarto aceitou sem nem pensar duas vezes.

Aliás, toda a convivência com Benjamin Müller vinha sendo uma agradável surpresa para Luke. Quando conheceu o outro rapaz, Lukas teve a impressão de que Benji era sério e formal demais. Krauss tinha quase certeza de que os dois só conversariam o necessário para manter o apartamento funcionando, então se surpreendeu ao encontrar um colega simpático, que parecia sinceramente interessado nos assuntos dele, que dividia o sofá durante partidas de futebol e que sabia ser divertido quando queria. É claro que os dois ainda não tinham uma amizade tão sólida quando era na época de Franz, mas Lukas tinha quase certeza de que era uma questão de tempo até que a sintonia se fortalecesse.

Quando a noite de sexta chegou, a notícia sobre a festa promovida por Charlotte Baviera já havia se espalhado por todos os cantos da Universidade de Leoben. Os convidados tinham sido muito bem selecionados pela morena e não foram poucas as pessoas que procuraram por convites para a balada na cobertura da novata.

Lukas e Benjamin chegaram juntos à cobertura de Baviera e, embora ambos usassem roupas simples, era notável o quanto eles eram diferentes. A postura formal de Müller era totalmente oposta ao jeito descontraído e simples do meio irmão, o que mostrava que o disfarce de Benjamin teria que ultrapassar o limite de uma mera troca de roupas. Até mesmo o jeito de andar, os sorrisos e os olhares denunciavam que Luke era infinitamente mais natural naquele papel de um rapaz comum.

A calça jeans não era tão surrada quanto as peças que Krauss costumava usar na faculdade, mas também estava longe de ter uma marca conhecida e cara. A camisa de botões preta também não era nova, mas estava quase que totalmente escondida por dentro da jaqueta escura. Nos pés, Lukas optara por tênis confortáveis. Os cabelos estavam úmidos e tinham sido penteados para trás, mas era uma questão de tempo até que os fios secassem e ficassem espetados como de costume.

- Se liga, Benji. – Luke soltou uma risada divertida com a pergunta do colega de apartamento – Estamos falando de universitários, cara. Gente como eu aceita qualquer convite que inclua comida e bebida de graça. A Charlie só precisou escolher quem ela queria ver aqui esta noite.

Embora a notícia sobre a festa de Baviera tivesse se espalhado como pólvora no campus, a verdade é que ninguém ali conhecia a novata. Lukas não se surpreendeu ao encontrar a dona da cobertura meio isolada em um canto da festa, obviamente sem saber como iria interagir com aquela multidão de desconhecidos que não tinham nada a ver com ela.

Discretamente, Luke se aproximou da garota para salvá-la daquele isolamento. Ele se posicionou por trás de Charlie antes de deslizar as mãos pela cintura delicada da menina, deliciando-se com as formas que ele já conhecia bem. O gesto de afastar os fios negros com a ponta do nariz foi repetida enquanto Luke falava ao ouvido dela, o timbre grave meio abafado pela música alta.

- Antes de começarmos a nos provocar, preciso dizer que você está linda hoje.

A segurança que Lukas só sentia ao lado de Baviera permitiu que ele girasse a garota em seus braços até que estivessem frente a frente. O cumprimento foi finalizado com um beijo intenso enquanto os braços de Krauss cuidavam da tarefa de colar os corpos num abraço apertado.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Dom Set 11, 2016 3:10 am

- É só uma festa idiota promovida por uma vadiazinha que quer ficar popular na faculdade.

O desabafo amargurado de Olga Sturm denunciava que a loira havia ficado chateada por não ter sido convidada. A estudante de Arquitetura era bastante popular no campus e não estava acostumada a ser excluída das festas. Mesmo sem nunca ter conversado com Charlotte Baviera, Olga já a detestava porque a caloura havia lhe negado um convite para o evento mais comentado do mês.

- Olga, realmente não faz a menor diferença para mim quem é a dona da cobertura, qual é o tema da festa, ou quais as motivações da comemoração. O buffet que ela contratou está pagando muito bem para as garçonetes e eu não estou em condições de negar nenhum trabalho extra. Vão aumentar a mensalidade da creche, sabia?

Danika terminava de se arrumar em frente ao espelho enquanto a amiga resmungava, sentada em sua cama. A proposta de trabalhar na festa de Charlotte Baviera foi agarrada por Lehmann com as duas mãos. Ela ganharia em uma noite praticamente metade do seu salário no restaurante, então realmente não fazia a menor diferença qual era a opinião de Olga sobre a dona da festa.

- Tem certeza que quer cuidar da Lisbeth? Eu posso chamar a filha do Leopold pra ficar de babá hoje.

- Relaxa. Lizzie e eu ficaremos bem, vamos assistir desenho até apagarmos no sofá. Não precisa pagar ninguém pra cuidar dela quando eu estou em casa, Nika. Assim você até me ofende!

- Eu só pensei que você teria algum programa pra hoje. É noite de sexta, né?

- Sim, mas todo mundo que eu conheço foi pra festa da vadia. – Olga bufou e cruzou os braços, extremamente irritada – Eu vou cuidar da Lizzie, mas em troca quero que você me conte todos os podres da festa, combinado?

Os olhos castanhos giraram, mas o sorriso de Nika mostrou que ela concordava com os termos da amiga. Ainda diante do espelho, Danika fez um último retoque na maquiagem leve antes de se dar por satisfeita. Naquela noite, ela usava o uniforme de garçonete, que consistia numa calça preta e uma blusa mais justa da mesma cor. O pequeno avental que compunha o conjunto estava dobrado dentro da bolsa e seria posto na cobertura de Baviera, antes da chegada dos convidados.

Como garçonete, Danika não podia chamar tanto a atenção na festa. Por isso, ela optara por uma maquiagem muito leve que apenas corrigia algumas imperfeições de sua pele e realçava os olhos com uma máscara de cílios. Os cabelos castanhos foram presos num coque baixo, do qual escapavam duas mechas laterais que caíam dos lados do rosto da moça.

Embora a festa estivesse cheia, Nika não se arrependeu por ter aceitado aquele trabalho. O valor que receberia no fim da noite era tentador demais e tudo o que a romena precisava fazer era circular pela cobertura luxuosa com bandejas de bebidas ou petiscos.

Lehmann tinha a mesma idade de todos os convidados daquela festa, mas era evidente que ela já possuía uma maturidade muito superior aos universitários. Enquanto os jovens estavam ali atrás de bebedeiras, conquistas e diversão, Nika só pensava nas contas que conseguiria pagar com aquele dinheiro extra. Além de suas responsabilidades como mãe, Danika sentia que já havia ultrapassado toda a sua cota de festas na época em que chegara à Áustria e perdera por completo o controle da própria vida.

- Vou precisar de mais drinques. Não consegui chegar nem na metade da sala com a última bandeja. Avançaram em mim como abutres.

- Típico. – um dos rapazes que trabalhava como garçom riu antes de terminar de encher mais uma bandeja com copos – Já vou preparar mais uma rodada de whisky enquanto isso.

A bandeja estava perfeitamente equilibrada nas mãos de Nika, mas ela quase foi protagonista de uma tragédia quando saiu da cozinha e esbarrou o ombro em um dos convidados que tentava invadir a área isolada para o pessoal do buffet. Algumas gotinhas de bebida escaparam para fora dos copos, mas por sorte nenhum deles caiu. Por estar tão concentrada na bandeja, Nika não percebeu de imediato que estava diante de um rosto conhecido.

- Hey, a entrada não é permitida para convidados. Me diga do que precisa e eu... Benjamin???

O queixo de Lehmann caiu quando seus olhos reconheceram o vizinho. Müller era a última pessoa que Nika imaginava que veria em uma festinha de universitários.

- Você foi convidado? – a moça riu antes de explicar o seu espanto – A Olga vai surtar quando souber que até gente de fora está aqui. Acho que ela foi a única no campus que não recebeu um convite.

Não houve nenhum constrangimento refletido no semblante de Danika ao ser pega em flagrante naquele trabalho extra. Ela não escondia de ninguém que estava passando por um momento complicado e que qualquer centavo a mais era muito bem vindo. Não deveria haver nenhuma vergonha em usar um uniforme de garçonete para carregar bandejas numa festa.

- O que você quer na cozinha, hein? Não vou acreditar se disser que não está sendo bem servido, a dona da festa exagerou no buffet. A não ser que você tenha sido contagiado pelo apetite voraz do Luke... Neste caso, não há nada que eu possa fazer.
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