The Royals

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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Out 05, 2016 3:37 am

Charlotte poderia ser mestre em disfarçar os seus sentimentos, de mascarar o que sentia com a atitude confiante e esnobe. Mas naquela noite, a aparição completamente inesperada de Lukas como obra do destino foi suficiente para desestruturá-la.

Quando ela percebeu que Krauss se aproximava, sua mente gritou para fugir, mas seu corpo inteiro continuou congelado, incapaz de se mover. Os olhos esverdeados estavam ligeiramente arregalados e Baviera tinha certeza que o ex-namorado e Toby podiam ouvir as batidas do seu coração ao sentir o toque de Luke em seus cabelos, mesmo com a música alta que tocava.

Como se estivesse diante de um fantasma, Charlotte não conseguiu ter reação alguma, mas foi uma imensa sorte que Toby estivesse curioso demais com aquele rapaz desconhecido para notar como ela havia ficado abalada.

- Krauss? Ah, mas é claro!

Ao contrário de Luke, Toby não se sentia ameaçado ou enciumado. O sorriso que o rapaz abriu foi sincero e ele imediatamente soltou a cintura de Charlotte para esticar o braço e apertar a mão de Lukas.

- Tobias Price. – A expressão no rosto de Toby era de curiosidade quando ele se voltou para Charlie. – Eu não sabia que você conhecia o irmão do Benjamin. Você disse que namorou com ele antes da bomba toda explodir.

O rosto de Charlie, já corado pelos drinks a mais, ficou ainda mais vermelho com o comentário de Price. Ao contrário de Marie, Tobias não sabia do seu envolvimento com o outro filho do rei. Para ele, o único ex-namorado de Charlotte era o herdeiro legítimo do trono, o que tornava Luke apenas um amigo.

- É uma história bem complexa. – Charlie se viu obrigada a intervir, abrindo um sorriso forçado, lutando para que Tobias e Luke não percebessem como ela se sentia constrangida.

Em um gesto de ansiedade, Baviera deslizou os dedos pelos cabelos curtos, colocando uma das mechas descoloridas atrás da orelha. Era estranho tentar agir com naturalidade diante de Lukas, quando a velha amizade entre os dois sempre permitiu muito mais do que gestos controlados e palavras adequadas para um encontro social de meros conhecidos.

- O Toby é irmão da Marie. Se lembra dela?

Lukas e Marie não tinham exatamente se conhecido, mas em muitas das infinitas noites que Charlotte e Luke passavam apenas conversando, a morena já havia comentado dezenas de vezes sobre a velha amiga.

- Eu não sabia que você estava de volta em Viena. Achei que você odiasse a cidade.

Um reflexo na velha Charlotte apareceu em seu sorriso quando ela encarou o rapaz com um olhar de crítica, mas sem recriminar de verdade a estadia de Lukas na cidade que ele odiava declaradamente.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Out 05, 2016 4:07 am

- Eu não sou um simples convidado.

Os olhos azuis se estreitaram ao encarar Danika. Benjamin enfiou as mãos nos bolsos da calça escura e, pela primeira vez em todo aquele ano, ele reagiu a ex-namorada sem se sentir apenas como um saco de pancadas que merecia apanhar por todas as merdas que havia aprontado.

A ceninha protagonizada entre Lehman e Von Hants mostrava claramente que os dois eram muito mais do que apenas vizinhos. Benji sempre havia acreditado que o pai de Lisbeth havia sido o último homem a passar pela vida de Danika antes dos seus caminhos se cruzarem, mas ele claramente não sabia muita coisa a respeito da vida da romena.

Durante todo aquele ano, Benjamin havia se culpado e se sentido um lixo por todos os seus erros. Ele se odiava, dia após dia, por ter arruinado a chance de viver ao lado da única mulher que amava simplesmente por não ter coragem de assumir quem era verdadeiramente. A culpa de ser o responsável por destruir o futuro ao lado de Lehman, dando a Lisbeth a família que ela merecia, o acompanhava sempre.

Mas era a primeira vez que Benji não se enxergava como o único culpado daquela relação. Enquanto ele se culpava por todos os seus erros, começava a enxergar que Danika também não havia se entregado inteiramente ao relacionamento.

A intimidade que ela demonstrava com Franz não chegava nem perto do que Benjamin havia experimentado e saber que a mulher que ele havia se apaixonado havia se entregue muito mais abertamente a outro homem era a pior sensação de perda que ele poderia sentir.

- Eu sou o pai da Beth. E esta festa não é sua. É da minha filha.

Na guerra fria vivida pelo ex-casal de namorados, Benji sempre abaixava a cabeça ou engolia mudo a raiva declarada de Danika simplesmente porque ele lhe dava todas as razões do mundo. Naquela noite era a primeira vez que Benjamin não pensava em responder.

Kensington cruzou os braços diante do peito e sustentou o olhar de Danika. A diferença nas estaturas permitia ao príncipe encarar a morena por cima. A ideia inicial era tentar convencer Lehman com a proposta que estava prestes a fazer, mas a fúria provocada pela presença de Franz e a ousadia da ex-namorada lhe fez mudar de estratégia.

- Eu vou viajar nos próximos dias. Meu pai tem alguns assuntos a tratar na Inglaterra e eu preciso acompanha-lo.

Aquela informação era completamente irrelevante para Danika, que certamente não tinha o menor interesse na agenda social ou profissional do ex-namorado. Mas foi com a mesma decisão firme de quem apenas informava, e não solicitava permissão, que ele concluiu.

- A Lisbeth vai junto. Eu nunca tirei férias com a minha filha e tenho certeza que ela vai gostar de conhecer outros lugares.

Benjamin ergueu os ombros de forma relaxada, demonstrando que ele não estava disposto a enfrentar uma briga por aquela decisão já tomada.

- Se você não quiser ficar longe dela por uma semana inteira, pode ir junto. Acredito que ainda tenha espaço no jatinho. Mas ela vai.

Um sorriso frio, que não lembrava em nada o mecânico ou o apaixonado que Danika já conhecia, brotou no rosto de Benjamin.

- E antes que você resolva fazer mais um dos seus chiliques, eu já perguntei para a Beth e ela está em êxtase com a ideia. – Os olhos azuis desceram para o embrulho deixado por Franz, utilizando aquele presente como o parâmetro para comparar a reação da filha com aquela novidade. – A Amelie pode vir busca-la depois de amanhã, quando já tiver terminado de abrir os presentinhos. Esteja com a mala dela pronta.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Out 05, 2016 4:19 am

Mesmo que nenhum dos dois tivesse fornecido a Lukas maiores explicações sobre o relacionamento que os unia, foi fácil para Krauss concluir que Tobias Price não era simplesmente a diversão daquela noite para Charlie. O status de irmão da melhor amiga de Baviera praticamente anulava qualquer chance dos dois perderem o contato nos dias que estavam por vir.

Por outro lado, eles também não pareciam profundamente envolvidos em um relacionamento sério. Embora as mãos de Price continuassem em contato com o corpo de Charlotte, era visível que eles não possuíam a intimidade esperada de um casal de namorados. Tobias parecia cuidadoso demais em seus gestos ao passo que Charlie não estava totalmente à vontade. Definitivamente, não era natural e os dois deixavam evidente que eles não tinham o costume de se tocarem daquela maneira.

- Bom, eu não conheço a Marie pessoalmente. Mas você já me falou tanto dela nas nossas intermináveis conversas que cortavam as madrugadas que é como se a Marie fosse uma velha conhecida.

O comentário de Luke poderia até ter soado inocente se não fosse a intenção do rapaz em deixar claro para Tobias que ele e Charlotte tinham um relacionamento que ia muito além dos laços fraternos que uniam Krauss a Benjamin Kensington.

A personalidade leve de Lukas não combinava com o que o rapaz estava prestes a fazer, mas o ciúme que o corroía por dentro era enlouquecedor. Ele sabia que eram enormes as chances de perder aquela batalha, mas Krauss não se perdoaria se desistisse antes mesmo de tentar.

- Mas e aí, Charlie? Quer dançar um pouco?

A proposta era tão absurda naquele contexto que, por um momento, Tobias achou que o outro rapaz estivesse brincando. O braço dele rodeando a cintura de Baviera mostrava que a garota já estava acompanhada naquela noite e era no mínimo ofensivo que Lukas simplesmente ignorasse o outro rapaz para chamar sua acompanhante para dançar.

Num gesto possessivo, Price envolveu Charlotte com mais firmeza ao notar que o filho bastardo de Cristoph Kensington não estava brincando. Os olhos do loiro se estreitaram e um sorriso sem emoção surgiu em seus lábios. A voz de Tobias soou contida, mas nem um pouco amigável.

- Não, ela não quer.

- Ah, beleza. Você agora tem um porta-voz, Charlie? Por um momento achei que ele fosse um amigo e não mais um dos seus empregados.

- Qual é a sua, cara? – o loiro finalmente perdeu a paciência e deu um passo na direção de Lukas, encarando-o ameaçadoramente – Não está vendo que a garota está acompanhada?

Aquela postura definitivamente não combinava com a personalidade de Lukas Krauss, mas naquela noite o filho de Hilda não estava disposto a se afastar da confusão. O sorrisinho de Luke surgiu, mas desta vez carregava consigo um inegável ar de ironia.

- Eu estou vendo um cara tentando segurar a cintura dela enquanto a Charlie parece visivelmente desconfortável com isso. Não é bem essa a minha definição de uma boa companhia. E, de qualquer forma, eu fiz uma pergunta para ela. Não estamos mais no século XVIII, cara. As mulheres podem tomar as próprias decisões. Foi um simples convite para dançar e eu ainda estou esperando a sua resposta, Charlie.

Tobias se afastou da garota quando deu mais um passo na direção de Lukas. Agora os dois estavam cara a cara numa postura tão ameaçadora que algumas pessoas mais próximas começaram a se afastar daquela confusão antes que a discussão se transformasse em uma briga de verdade.

- É verdade o que as pessoas dizem sobre nunca dar poder à ralé. Olha só isso! Há um ano você era só um bosta que não tinha onde cair morto. E agora se acha no direito de importunar uma menina como a Charlotte só porque um dia o rei estava entediado e resolveu comer a vadia da sua mãe.

Aquela era a faísca que faltava para a grande explosão. Luke queria socar Tobias Price desde que vira as mãos dele em Charlie. A ofensa gratuita dirigida contra Hilda só fazia com que Lukas se sentisse menos culpado por aquela atitude violenta.

O primeiro soco certeiro foi aplicado pelo punho de Krauss e fez Tobias cambalear vários passos para trás. Mas logo Price recuperou o equilíbrio e avançou na direção de Lukas. Enquanto os dois se atracavam, as pessoas mais próximas – a maioria mulheres – começaram a berrar. Não demorou para que uma rodinha se formasse em volta da confusão, tornando ainda mais difícil o acesso dos seguranças que queriam colocar um fim na briga dos rapazes.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qua Out 05, 2016 11:05 pm

- Chilique? Esta é a nova versão que você vai espalhar por aí? Eu já sou a vadia que forçou uma gravidez do príncipe austríaco. Agora serei uma vadia histérica que não deixa a linda princesinha passear com o pai do ano? As revistas sensacionalistas vão adorar, você vai ficar ainda mais popular. Pobre príncipe!

A voz de Danika soou perigosamente contida enquanto os olhos castanhos se estreitavam. A vontade dela era berrar e talvez aplicar mais uma chuva de socos e pontapés no ex-namorado, mas mais uma vez a romena se conteve para evitar um escândalo que estragaria a festinha de aniversário da filha. Chegava a ser bizarra a imagem da moça delicada que segurava nos braços um lindo buquê de rosas enquanto sustentava no rosto um olhar homicida.

- Talvez você não tenha notado, Benjamin, afinal a vida de futuro rei deve ser agitadíssima! - um sorriso falso brotou nos lábios de Nika - Mas a Beth acabou de fazer três anos. E antes de você despencar como uma bomba atômica na vida dela, eu era a única pessoa que ela tinha! Você acha mesmo que pode chegar aqui e simplesmente comunicar que vai levar a minha filha pra fora do país? Poupe-me! É claro que a Beth achou o máximo, mas você acha mesmo que ela ficaria uma semana inteira sem mim? Eu sou a mãe dela. A Beth ainda é praticamente um bebê.

O argumento de Danika parecia bem pertinente. Lisbeth não dava nenhum tipo de trabalho quando saía apenas com Benji para passear. Mas já não era tão simples levar a menina para passar um final de semana inteiro em Viena. Sempre que Kensington tentava, tinha que lidar com uma Lisbeth chorosa, que não conseguia dormir até que Amelie ligasse para Nika e colocasse a "mumain" na linha.

- É vergonhoso que você tenha usado este golpe baixo para iludir uma criança. A Beth te ama, ela vai aceitar qualquer coisa que você propor. Ela não tem maturidade para entender que a viagem sensacional do pupai significa uma semana inteira sem mim, porque é óbvio que eu preferiria morrer antes de ter que viajar com você e com o seu pai.

Antes de qualquer coisa, Nika não poderia embarcar naquela viagem porque não havia a menor chance dela se ausentar do restaurante sem programar aquela ausência com antecedência. Mas independente dos próprios compromissos, ela jamais se esforçaria para ajudar Benjamin naquela ideia. Lehmann já fazia muito ao suportar a presença dele ao lado de Beth.

Por mais que desprezasse Benjamin e não fizesse o menor esforço para facilitar a vida do ex-namorado, Nika jamais questionava o papel dele como pai de Lisbeth. Independente de qualquer documento, Beth o amava e Benji retribuía aquele afeto, tornando-se digno do lugar que ocupava no coraçãozinho da criança. Mesmo que não houvesse laços sanguíneos entre os dois, Danika já havia aceitado que agora Beth tinha mesmo um pai que respondia pelo nome de Benjamin Kensington.

- Você tem a falsa ideia de que pode resolver tudo com essa postura de futuro rei autoritário. Mas o que vai fazer quando a Beth começar a chorar há milhares de quilômetros de mim? Vai ordenar que ela fique quieta e engula o choro? Se você não se importa com ela, saiba que eu me importo por nós dois. Estou acostumada a amá-la por dois, foi assim o tempo todo. Ela não vai.

Assim como Benjamin, a entonação firme de Danika mostrava que a decisão da romena já estava tomada. Nika costumava ceder para evitar brigas e conversas mais prolongadas com o ex-namorado, mas daquela vez não havia espaço para ponderações. Não havia a menor chance da mãe da menina concordar com os termos de Benji.

- Se ela ficar frustrada com a mudança de planos, some mais esta culpa a sua longa lista de cagadas. Você não deveria ter fechado um trato com uma garotinha de três anos sem perguntar antes a opinião da mãe dela. Ela não vai, Benjamin.

Nika reforçou a decisão com uma entonação ainda mais firme.

- E eu não vou ceder. Se você insistir neste absurdo terminaremos esta briga na frente de um juiz. Você tem o direito de participar da vida da Beth, mas isso não abre brecha pra você arrastá-la para longe de mim. A última coisa que eu queria pra minha filha é levá-la novamente para um tribunal, mas a sua falta de bom senso não me deixa outra escolha. Um juiz precisa te dar limites, já que é óbvio que você não aprendeu isso no seu palacete encantado.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Out 06, 2016 2:54 am

Charlotte não saberia dizer exatamente quanto tempo havia se passado desde o primeiro soco disparado por Krauss. Tudo parecia ter acontecido rápido demais, mas ao mesmo tempo parecia interminável.

Nos primeiros segundos, Baviera assistiu com os olhos verdes arregalados os dois rapazes se atracando, como se não estivesse realmente presente naquela boate, mas sim vivendo um pesadelo bizarro demais para ser real.

Ela ainda estava tentando lidar com a subida aparição de Lukas e do inesperado comportamento amigável, como se todo o passado conturbado entre eles não existisse. Mas não havia tempo para pensar em nada daquilo quando sangue começava a ser derramado.

Seus gritos eram inúteis misturados ao zunido que havia se formado ao redor dos dois rapazes, e a única coisa capaz de cessar a briga foi a chegada de dois seguranças. Charlotte achava que não tinha como sua noite piorar até terminar, quase meia hora depois, em uma saleta nos fundos da boate.

Lukas havia sido algemado em um dos cantos da sala, e no lado oposto, com um corte no supercilio, o lábio inchado e um arroxeado em um dos olhos, estava Tobias, com uma cara que demonstrava a sua insatisfação misturada a dor que estava sentindo.

Charlotte ainda assistia a tudo como se estivesse no corpo de um completo estranho e os gritos de Marie ecoavam pelas paredes estreitas. O pulso delicado da loira socou a mesa de madeira quando ela se inclinou para frente, encarando o segurança com arrogância, sem se importar se aquela posição tornava o seu decote ainda maior.

- Eu vou ter que desenhar para você entender??? Solta o meu irmão! Agora!

O chefe da segurança não era tão forte quanto os dois rapazes que haviam apartado a briga. Seus cabelos já começavam a ficar grisalhos e, pelo porte físico, ele já não praticava exercícios há alguns anos. Mas o homem estava claramente acostumado com aquele tipo de atitude dos jovens ricos que frequentavam a boate, porque continuou sentado com as pernas esticadas, os braços cruzados sobre a barriga roliça e o olhar entediado.

- Eu já disse, não vou soltar até que a polícia esteja aqui. E eu tenho um par de algemas extras, se você continuar gritando, vai fazer companhia ao seu irmão.

Marie não costumava ser o tipo que comprava brigas e criava barracos, mas a menina havia sido criada em um mundo onde as pessoas faziam tudo que ela quisesse e não sabia o que era aceitar um não ou precisar seguir com as regras aplicadas apenas às “pessoas normais”.

Os olhos cinzentos brilharam em fúria e ela abriu a boca para continuar a briga, mas os dedos delicados de Charlotte puxaram a amiga pelo pulso, a arrastando até o outro lado da sala.

- Você vai fazer essa confusão maior do que já está, Marie!

- Eu não vou deixar o meu irmão algemado como um criminoso, Charlie! – A loira não era exatamente alta, mas os saltos finos faziam com que ela se encurvasse um pouco para sussurrar na direção da amiga baixinha. – Principalmente por causa de um cara qualquer!

Price lançou um olhar pela sala, se certificando de que a conversa continuava sendo particular. O chefe da segurança estava ocupado demais tirando uma sujeira no canto de sua unha enquanto os rapazes algemados estavam longe o bastante para escutar apenas pedaços daquele diálogo.

- Eu nem vi o que aconteceu! Estava do outro lado da pista quando escutei a gritaria. Você ao menos viu quando esse maluco partiu pra cima do Toby?

Charlotte cruzou os braços claramente em uma postura defensiva e lançou um rápido olhar na direção de Lukas antes de encarar a amiga, se sentindo culpada pelos acontecimentos desastrosos daquela noite.

- O maluco é o Lukas, Marie.

Marie estava tão furiosa e entorpecida com a adrenalina que continuou encarando Charlotte esperando uma explicação. Na cabeça da loira, aquele nome não fazia sentido algum, porque ela jamais imaginaria que o ex-namorado de Baviera, o filho bastardo do rei, estaria ali naquela noite, distribuindo socos em seu irmão.

Quando a realidade a atingiu, o queixo de Price despencou e ela encarou Lukas outra vez, como se só agora estivesse realmente enxergando ele.

- Lukas? Você quer dizer O lucas?

Enquanto a loira processava aquela nova informação, Charlie soltou um suspiro, sabendo que precisaria assumir as rédeas da situação.

- Fique aqui, eu vou tentar resolver isso. Você tem uma nota de cem?

Marie franziu o nariz com aquele pedido, mas mesmo sem entender o plano de Charlotte, puxou a nota da sua bolsinha minúscula e a entregou para a amiga.

Quando Charlotte parou diante da mesa do segurança, fazendo com que ele erguesse o olhar para lhe dar atenção, ela exibia um sorriso mais simpático, mostrando que não estava disposta a continuar a cena da loira.

- Oi... Eu só queria saber se a polícia ainda vai demorar...

- Por que? – Os braços apoiados na barriga do segurança foram erguidos quando ele puxou o ar. – A princesa está atrasada para algum compromisso?

Ao invés de se ofender, Charlotte deu um risinho e balançou a cabeça.

- Não, é claro que não. Mas na verdade... – Ela se inclinou para frente, apoiando as duas mãos sobre a mesa e apontando Luke com a cabeça. – O príncipe ali está.

Os olhos do segurança deslizaram até Lukas, ainda sem interesse, até pousar em Charlotte outra vez.

- Eu estou falando literalmente. – Charlotte continuou, esperando o momento do homem morder a isca. – Se você quiser, pode ligar para os jornais agora mesmo. Aposto que você consegue uma grana por expor o filho de Cristoph Kensington algemado.

Desta vez, o segurança encarou Lukas com mais atenção, provavelmente tentando reconhecer os traços com algum rosto já visto nas revistas ou na televisão. Ao perceber que ele estava indo para o caminho desejado, Baviera continuou.

- Mas é claro que todos os jornais iam comentar sobre qual boate o filho do rei foi flagrado algemado... Sem falar que você seria declarado inimigo da coroa. Eu não sei você, mas eu iria odiar ter a família real como minha inimiga. Deve ser péssimo para os negócios.

Cada uma das palavras de Charlotte era dita com calma e acompanhadas de um sorriso inocente, que não combinava com aquela ameaça muda.

- Quanto ao rapaz ali... – Charlie inclinou a cabeça para o lado oposto, apontando Toby. Desta vez, a mão apoiada na mesa deslizou até parar alguns centímetros diante do chefe da segurança, finalmente exibindo a nota de cem. – Ele é meu amigo e eu não queria vê-lo passar a noite em uma delegacia. Você consegue ajudar a gente nessa?

Não levou mais do que alguns minutos para que Tobias Price estivesse com os pulsos livres e acompanhado de Marie para deixar a boate. Como o chefe da segurança temia por uma nova briga, ele exigiu que ao menos os rapazes fossem liberados em momentos separados.

Toby fazia uma careta de sofrimento e era quase carregado por Marie até eles entrarem em um táxi. Depois que os dois irmãos estavam acomodados no banco de trás, a loira encarou a amiga, esperando que ela também entrasse. Mas Charlotte continuou parada na calçada, com os braços cruzados e sem acreditar no que estava prestes a fazer.

- Vocês podem ir na frente. Eu só preciso me certificar que o troglodita vai realmente soltar o Lukas.

De dentro do carro, Toby sacudiu a cabeça em negação, incrédulo com aquela atitude de Charlotte.

- Tenho certeza que o bastardo vai ficar bem, vamos logo, Charlie.

- Eu vou logo em seguida. – Charlotte forçou um sorriso doce para o rapaz, ainda se sentindo culpada pelos ferimentos no rosto dele. – Prometo.

A porta do carro foi batida e o motorista deu a partida em seguida. Depois que o táxi desapareceu pela rua, Charlotte não esperou mais do que cinco minutos até ver o rosto machucado de Krauss sair pela porta da boate.

Ela estava encostada em um dos carros estacionados na calçada, os braços cruzados na frente do peito, mas não esboçava reação alguma até Lukas estar parado diante de si.

- Eu fiquei pra ter certeza se você estava bem.

Antes que Krauss pudesse pensar que Baviera se referia aos ferimentos da briga, ela concluiu, balançando a cabeça.

- Você deveria estar no hospital. Claramente bateu a cabeça com força demais antes de chegar aqui. O que foi aquilo, Lukas?
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Out 06, 2016 4:03 am

A vontade de Benjamin era poder segurar Danika pelos ombros e obriga-la a encará-lo até que ela conseguisse ver nos olhos azuis a vontade desesperada de que todo aquele ódio desaparecesse.

A ex-namorada tinha todos os motivos do mundo para odiá-lo, mas Benji estava se sentindo cansado demais. Havia sido um ano carregado de culpa, aguentando aquela guerra fria, esperando angustiado pela chance de um dia conseguir pelo menos minimizar a mágoa que havia causado em Lehman.

Mas cada vez mais a esperança escapava dos dedos de Benjamin. O que ele havia feito era imperdoável. Ele já sabia disso até mesmo antes da verdade explodir diante de todos, mas como um teimoso estúpido, continuou na esperança de que um dia Danika fosse ser capaz de perdoar tudo para ter a família de volta.

Ele não estava mais disposto a ser o saco de pancadas da ex-namorada, o escape que ela tinha para descontar a mágoa que carregava em seu peito dia após dia. Mas também estava cansado de brigar.

Ao invés de tentar continuar a argumentar, de fazer Danika voltar atrás e ganhar aquela batalha, Benjamin simplesmente entregou suas armas. Ele fechou os olhos e massageou o osso no nariz em um gesto exausto, mas que também entregava a sua desistência.

- Eu não vou arrastar a minha filha de volta pra esse inferno, Danika. Aliás, eu não vou arrastá-la nem mesmo para este inferno que nós dois criamos. E desta vez você não pode colocar a culpa só em mim, porque você é tão responsável quanto eu.

Benjamin falava pausadamente, sem se alterar e sem nem mesmo se importar em ceder daquela vez. O ganho de poder sair daquela conversa desgastante era maior do que prolongar a briga até que os dois acabassem arruinando a noite para Lisbeth.

- Mas nunca mais ouse dizer que eu não amo a minha filha.

Pela primeira vez desde que conhecera Danika, os olhos azuis encararam a romena com a mesma fúria que ela sentia. Nem mesmo os músculos de seu rosto se alteraram, mas todas as suas emoções estavam concentradas em seu olhar.

- Eu enfrentaria o mundo pela Lisbeth. Ela é minha, e já passou da hora de você aceitar isso.

Os olhos claros desceram até pousar nas flores amarelas que Lehman carregava, suavizando sua expressão. Aquele presente de Franz havia despertado um ciúme incontrolável em seu peito, mas agora Benjamin encarava para as flores sem a mesma emoção de antes, denunciando que aquela parte também havia morrido com a mágoa que agora surgia.

Ele enfiou as mãos nos bolsos e não se importou nem mesmo com a bicicleta esquecida, mostrando que havia desistido de todas as batalhas frustradas daquela noite. Tudo que realmente importava já estava perdido e a única coisa que havia lhe restado rodava como um furacão na festa de aniversário, completamente alheia ao sofrimento dos pais.

- Você está com uma cara péssima...

Seu ombro foi puxado para baixo quando Amelie se pendurou na lateral do seu corpo enquanto os dois caminhavam pelo estacionamento já quase vazio depois que a maioria dos convidados já havia partido.

- Brigou com a Nika de novo?

- Você está com uma língua que não cabe na boca. – Benjamin rolou os olhos e destravou o alarme do carro com a chave em mãos.

O Mercedes preto apitou e o rei foi o primeiro a assumir o banco do carona, lançando um sorriso divertido na direção da filha.

- Sinto muito, Benjamin. Mas esta é informação velha. O médico já havia alertado sobre essa deficiência da Amelie ainda no berçário.

A loira fez uma careta e mostrou a língua para o pai ao assumir o banco traseiro, imediatamente se ocupando entre os dois bancos da frente.

Benjamin se aproveitou daquela mudança mais leve de assunto para se concentrar em sair do estacionamento e pegar a estrada. Amelie havia insistido que eles passassem a noite em Leoben e voltassem para Viena apenas no dia seguinte, mas Cristoph tinha um compromisso logo na manhã seguinte e preferia estar no palácio antes que o dia amanhecesse.

- A Beth está cada vez mais parecida com você, Benji.

Mais uma vez, o comentário veio do rei da Áustria, mas desta vez fez com que o príncipe abrisse um sorriso mesclado entre a diversão e o orgulho. Ele sabia que era impossível que a filha herdasse o formato dos seus olhos, o sorriso torto ou a marca de nascença que ele tinha na omoplata. Mas ao mesmo tempo era gostoso ouvir comentários como aquele, o lembrando que independente da relação sanguínea, Lisbeth era sua filha.

- Não está, não. – Amelie discordou, a cabeça loira pairando entre os ombros do rei e do príncipe. – Ela parece comigo.

- Ela está aprendendo as coisas erradas com você, é diferente. – Benjamin virou uma curva e seguiu por uma rua menos iluminada, os faróis do carro refletindo no asfalto liso.

- Erradas? Ela é uma princesa fabulosa. – Amelie repetiu, estalando a língua no céu da boca ao repetir a forma com que a aniversariante havia se descrito no início daquela noite. – Não a culpe por ter a melhor tia do mundo.

A risada do rei encheu o carro e, por alguns segundos, os dois filhos o encararam assustados. Benji não sabia há quanto tempo não via o pai agir de forma tão leve. Ele poderia desconhecer o envolvimento de Cristoph com Hilda Krauss, mas era notável que aquele não era mais o mesmo homem tenso, carregado de culpa pelo abandono do filho, preso em uma vida infeliz.

Por um instante, Benjamin viu o mesmo homem que vivia feliz com Danika refletido nos olhos castanhos do pai.

- Bom, uma coisa é certa... – Cristoph continuou depois das risadas, alheio a reação dos filhos. – A Beth tem uma família que a ama mais que tudo. Você e a Danika podem viver no caos o resto da vida, mas sempre vão amá-la acima de qualquer coisa.

Cristoph se virou em seu banco para encarar Amelie, seus olhos castanhos brilhando e o mesmo sorriso torto que existia em Lukas refletia em seu rosto.

- É isso que realmente importa, sabia? – Ele tocou a ponta do nariz de Amelie, como um pai que brinca com a filha de nove anos. – Família. Títulos, riquezas, palácios, festas... Tudo isso só serve para nos dar a falsa ilusão de que temos tudo. Mas o que realmente importa é aceitarmos quem realmente somos e principalmente quem realmente amamos. Só assim vamos ser inteiramente felizes.

Embora tivesse sido um pai mais carinhoso do que Helena, Benjamin não se lembrava de já ter visto o pai dando conselhos como aquele antes. Ele estava tão surpreso que ficou aliviado quando Amelie conseguiu reagir de forma mais leve.

- Valeu, mestre Yoda.

O riso torto se alargou e o rei voltou a se acomodar melhor no banco. Ele esticou o braço para ligar o rádio e imediatamente a melodia de uma velha música começou a ecoar pelo carro. As pálpebras cobriram os olhos castanhos e Benjamin não teve mais dúvidas de que o pai estava apaixonado depois de ver a expressão abobada em seu rosto.

- Oh - thinkin' about all our younger years, there was only you and me. We were young and wild and free.

A voz desafinada e rouca acompanhava a voz do cantor, e pela primeira vez desde a discussão com Danika, Benjamin abriu um sorriso verdadeiro, se divertindo daquele momento relaxado que não combinava em nada com o rei da Áustria.

- Ainda bem que você nasceu em berço de ouro. Se dependesse da voz pra sobreviver, a gente teria passado fome.

Havia um pouco do velho Benjamin naquele comentário, mas para surpresa dos dois homens, Amelie, que sempre tinha um comentário ácido na ponta da língua, não queria que aquele momento acabasse e emendou a música junto com o pai.

- Now nothin' can take you away from me. We've been down that road before, but that's over now!

O sorriso de Benjamin se tornou mais amplo. Há muito tempo ele não se sentia verdadeiramente feliz. Desde o desastre com Danika, ele nunca mais havia experimentado a sensação de ter uma família. Lisbeth era o seu mundo, mas Benji ainda se sentia incompleto.

Naquela noite ele estava tendo o gostinho de ter novamente uma família, mesmo que a morena não estivesse ao seu lado. O príncipe herdeiro puxou o ar e se preparou para iniciar o refrão junto com o rei e a princesa, mas antes que eles tivessem a oportunidade, a voz de Amelie se sobrepôs a música e o braço dela cortou o espaço entre os dois bancos.

- BENJI, O SINAL!

A reação instantânea do príncipe foi pisar no freio, mas nada aconteceu. O pedal afundou livremente, sem aderência alguma, e o carro continuou atravessando o cruzamento a toda velocidade. Antes que ele pudesse entender o motivo do freio não funcionar, uma forte luz invadiu o carro e a batida estrondosa na porta do carona aconteceu antes que ele tivesse a chance de ver o caminhão.

A batida ecoou na rua silenciosa, o carro rodopiou até tombar, mas não tinha mais nenhum sinal da música e da cantoria. Quando o som das sirenes soou minutos depois, os três membros da realeza estavam desacordados, presos nos estilhaços e banhados em sangue.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sex Out 07, 2016 1:31 am

A pele clara de Lukas exibia marcas avermelhadas no punho, exatamente no local onde as pesadas algemas foram prendidas. Assim que se livrou do peso do metal, Krauss esfregou a área dolorida com os dedos e lançou um olhar pouco amigável ao chefe da segurança da boate.

A mente de Luke ainda estava ligeiramente anestesiada depois das três doses da bebida e da adrenalina que ainda corria em suas veias após a briga com Toby Price. Mas ainda assim o rapaz havia entendido que só não terminaria aquela noite na cadeia por causa da ligação dele com os Kensington.

Era terrivelmente incômodo para Lukas saber que, mesmo de forma indireta, ele estava se beneficiando da influência de Cristoph Kensington. Mas, por outro lado, era um alívio pensar que Hilda não precisaria acordar àquela hora com uma ligação da delegacia.

- Eu recomendo que você não apareça aqui nos próximos dias, Sr. Kensington. – o segurança estava visivelmente constrangido quando completou, imaginando que Luke era mais um rapazinho mimado que se ofenderia com aquele pedido – Pelo menos até que este episódio caia no esquecimento.

- Meu nome é Lukas Krauss. - os olhos castanhos se estreitaram e foi muito indigesto ser chamado pelo sobrenome do pai naquele contexto - E não se preocupe. Eu nunca mais vou pisar aqui.

Para Luke aquilo não seria o menor sacrifício. Definitivamente ele não fazia a menor questão de frequentar o ambiente refinado da boate. A briga fora o ponto alto da madrugada, mas o erro começara com a escolha do programa para aquela noite.

Os primeiros raios de sol começavam a iluminar o horizonte com uma coloração alaranjada quando Lukas pisou para fora da boate. A claridade fez o rosto do rapaz se contorcer numa careta e foi grande o incômodo da lente de contato nos olhos ressecados.

Luke precisou de dois segundos para adaptar a visão ao novo ambiente e só depois disso a imagem de Charlie entrou em seu campo de visão. Foi uma agradável surpresa ver que a menina não havia ido embora junto com Marie e Tobias. Era como se ali estivesse a confirmação de que o relacionamento entre Tobias e Charlotte não era sério.

Mesmo que não estivesse tão machucado, era evidente que Krauss havia se envolvido numa confusão. Os cabelos castanhos estavam bagunçados e úmidos de suor. A área avermelhada ao redor do olho direito muito provavelmente ficaria roxa nos próximos dias. O sangramento nasal já havia cessado, mas uma das narinas de Lukas ainda exibia uma discreta crosta do sangue coagulado.

- Eu já acordei disposto a encher um babaca de porrada hoje. O babaca surgiu na minha frente, eu não pude perder esta grande oportunidade.

A entonação leve denunciava que a declaração era uma brincadeira. E aquilo também não combinava com a personalidade sempre divertida e amigável do rapaz.

A expressão de Krauss se tornou mais séria e ele buscou pelos olhos verdes antes de finalizar o discurso.

- Eu podia até dizer que perdi a cabeça porque aquele idiota ofendeu a minha mãe. Mas a verdade é que eu queria acabar com a raça dele desde que vi as mãos dele em você.

Uma das sobrancelhas de Luke se arqueou enquanto ele confessava.

- Eu nunca senti tantos ciúmes na minha vida, lindinha.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Out 07, 2016 1:41 am

Os primeiros raios de sol colocavam um fim naquela longa noite. Em poucas horas, Danika tinha a impressão de que havia vivido aquele pesadelo durante toda uma eternidade. Mesmo estando exausta depois da festinha de Lisbeth e da viagem não programada para Viena, a romena não conseguia dormir.

Seus olhos já ardiam pelo sono acumulado e a mente exausta tinha dificuldade para se concentrar em qualquer pensamento, mas ainda assim Nika era incapaz de se entregar ao sono. Por isso, os olhos castanhos estavam abertos e presos na imagem do príncipe desacordado quando Benjamin começou a se remexer na cama.

Inconscientemente, Benji levou as mãos aos fios e eletrodos espalhados em seu peito e só não arrancou a monitorização porque suas mãos foram seguradas pelos dedos delicados de Danika.

- Calma, Benji. Você está no hospital. São os fios do monitor, não puxe.

Aquelas palavras eram, sem a menor dúvida, as mais amenas que Benjamin escutava dos lábios da ex-namorada desde o fatídico encontro dos dois no palácio real. Não havia nenhum tipo de aspereza ou irritação. Ao contrário, a voz de Danika soava até carinhosa, num reflexo da preocupação que a moça sentia.

Por mais que estivesse magoada com as mentiras que colocaram um fim no relacionamento, Lehmann não havia pensado duas vezes antes de seguir para Viena tão logo soube sobre o acidente sofrido pelo rei e seus dois filhos. Benji era o pai de Lisbeth e isso já bastava para que Nika quisesse vê-lo bem e recuperado. Também foi incontrolável o aperto que a romena sentiu no peito com a ideia de que o perderia. Nika não confiava mais nele e havia perdido por completo o encantamento e a admiração. Mas a amor que os unira no passado se recusava a morrer por inteiro com aqueles argumentos racionais.

- Vocês sofreram um acidente na viagem de volta para Viena, Benjamin.

Como o rapaz parecia confuso depois daquele despertar, Danika explicou pacientemente.

- Você quebrou um braço e a clavícula direita. Também bateu a cabeça e ficou desacordado, mas fizeram uma tomografia que não mostrou nada grave. Provavelmente foi só uma concussão. No seu braço direito houve uma fratura exposta e tiveram que operar, mas o médico disse que vai ficar tudo bem. Você só precisa ficar calmo, ok?

Intencionalmente, Nika começou com as boas notícias na tentativa de tranquilizar o príncipe. Mas a aflição no olhar de Benji mostrou à romena que ele não se deixara enganar. Antes que Benjamin se exaltasse com um milhão de perguntas sobre o pai e a irmã, Nika colocou um fim nas incertezas dele.

- A Amelie está bem, na medida do possível. Ela quebrou várias costelas e uma das pernas. Mas está estável e também já foi para um dos quartos do hospital.

Propositalmente, Danika adiou a pior notícia até o último momento, mas não havia como fugir daquele anúncio.

- Seu pai foi para a UTI. O impacto da batida foi exatamente em cima dele, Benji. Eu lamento muito, mas ele se machucou bem mais que vocês dois.

A internação do rei provocara uma confusão sem precedentes no hospital. Um cordão de seguranças tentava conter a imprensa do lado de fora e até mesmo no interior do hospital havia um grande sigilo com relação às informações sobre o quadro de saúde de Cristoph. Nika era uma das poucas pessoas que tivera acesso à verdade porque já era um rosto conhecido pelo Dr. Mikaelson e o avô de Charlotte sabia que podia confiar a verdade à ex-namorada de Benjamin.

- Ele passou por uma cirurgia complicada, teve um traumatismo craniano mais sério. O coração dele já estava meio debilitado desde o infarto e não aguentou a anestesia. Ele teve uma parada cardíaca, mas foi reanimado. Agora está na UTI.

Nika não estava sendo tão franca para torturar Benjamin com aquelas tristes notícias. A romena apenas se colocava no lugar dele e tinha certeza que não iria querer que nada lhe fosse escondido. Além disso, não fazia o menor sentido brigar com Benji por causa de mentiras e agir da mesma forma desonesta com ele.

- É grave, Benji. Os médicos estão fazendo o possível, mas não conseguem esconder a preocupação. Eu espero muito que ele saia desta, mas você deveria se preparar para o pior. A Amelie ainda não sabe da gravidade da situação e a sua mãe me pareceu mais preocupada com o que os assessores vão dizer para a imprensa. Este problema vai acabar nos seus ombros. Mas eu estou aqui para ajudar.

Mesmo que ainda existisse no coração de Danika uma grande mágoa contra o ex-namorado e à maneira como o relacionamento terminara, Nika não conseguia evitar o sentimento de revolta ao pensar que Benjamin estava condenado ao futuro do pai. O príncipe provavelmente se casaria por interesse político e teria uma mulher que se preocuparia muito mais com a imagem da família do que com o marido quase morto em um leito de UTI.

A mão de Nika novamente buscou pela do príncipe, apertando-a de forma amigável. Aquele gesto mostrava que a mágoa de Danika não era maior que a solidariedade e também que algum afeto havia sobrevivido ao fim do relacionamento.

- E a Beth está aqui também. Você não está sozinho nisso.

Nika deu um passo para o lado, abrindo espaço para que Benjamin visse a imagem da garotinha adormecida no sofá do quarto. Lisbeth ainda usava o adorável vestidinho da festa, mas os pezinhos estavam descalços e protegidos por um par de meias coloridas. O casaco de Nika servia como cobertor para a criança, que estava totalmente entregue ao sono.

- Eu sei que não é uma boa ideia trazer uma criança para o hospital, mas tudo aconteceu de repente e eu não encontrei ninguém para ficar com ela. Além disso, a Beth pirou porque alguém deixou escapar perto dela que você tinha batido o carro. Ela só se acalmou depois que te viu.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Out 07, 2016 3:06 am

Charlotte tentava se convencer de que não havia ido embora com Tobias e Marie porque ficaria se correndo com as perguntas sobre a aparição repentina de Krauss. Parecia errado demais simplesmente ir embora sem ter a chance de entender o que realmente havia acontecido naquela noite.

Mas por mais que tentasse se enganar, Baviera simplesmente não queria admitir que ela havia escolhido ficar porque queria ver Lukas mais uma vez. Porque não se contentava com aquele breve momento, depois de um ano inteiro, sem saber mais nada sobre o ex-namorado.

O que Charlie não esperava era ouvir aquela confissão de Luke. Ela sabia que o filho de Cristoph tinha tido suas razões para iniciar aquela briga que não combinava em nada com a sua personalidade tranquila e gentil. Mas talvez aquela atitude violenta fosse só mais um traço que havia se alterado em Lukas depois de todo aquele tempo em que não se falavam.

Charlie permaneceu com os braços cruzados, recostada sobre o carro e encarando Lukas por um longo período em silêncio, esperando pela risada ou por qualquer outra desculpa que anulasse aquela intensa frase. Como nada aconteceu, a morena simplesmente balançou a cabeça, fazendo algumas mechas tocarem seu queixo.

- É. Você definitivamente bateu a cabeça.

Um longo suspiro escapou pelos seus lábios e Charlotte descruzou os braços apenas para apoiar as mãos na cintura, onde uma faixa da pele estava exposta graças ao cropped. Ela desgrudou do carro e deu dois passos para se aproximar de Lukas.

Nos velhos tempos, Charlie encararia aquele comentário com uma piada afiada ou aproveitaria o deslize de Krauss para inflar o próprio ego. Mas a Charlotte que havia sido obrigada a amadurecer naquele ano simplesmente ergueu o queixo para conseguir encarar o rosto do namorado, parecendo apenas cansada depois da longa noite.

- Faz um ano, Lukas. Você poderia simplesmente ter perguntado como eu estava, o que eu tenho feito. Mas foi um ano sem um telefonema, uma mensagem... Só pra você aparecer uma bela noite e socar o cara que está do meu lado?

Baviera voltou a sacudir a cabeça em reprovação, mas seu tom de voz continuava baixo, sem a menor alteração. Por dentro aquela calma estava longe de ser verdade. Ela queria lotar Lukas de perguntas, entender o que aquilo realmente significava, se os dois agora teriam algum contato. Charlie precisava lutar contra o forte desejo de acreditar que ainda haveria esperança para o relacionamento dos dois, porque já havia aceitado que tinham seguido caminhos completamente diferentes.

- E se o Toby fosse mesmo meu namorado? Que direito você acha que tem para aparecer depois de um ano e tentar arruinar o que eu consegui construí depois que você me chutou pra fora da sua vida?

Charlie deslizou a mão em um gesto nervoso e colocou algumas mechas claras atrás da orelha. Ela sabia que não poderia alongar aquela conversa sem que eles entrassem em um campo minado, e a última coisa que precisava era mais briga em uma noite.

Com um inclinar da cabeça, ela apontou para o carro vermelho estacionado na calçada.

- A Marie deixou o carro. Ela estava bêbada demais para dirigir, mas eu tenho certeza que qualquer vestígio de álcool do meu sangue já evaporou. Vou te deixar em casa. Acredito que sua mãe ainda more no mesmo endereço...
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Sex Out 07, 2016 3:43 am

Antes mesmo que a mente de Benjamin começasse a processar o que estava acontecendo, que estranhasse aquele quarto ou começasse a fazer perguntas do tipo “O que aconteceu? Como eu vim parar aqui?”, o seu corpo já começou a lhe dar os sinais do acidente.

A cabeça doía de uma forma jamais vista antes, tornando ainda mais difícil para os pensamentos se organizarem. Seu braço latejava e a dor no peito incomodava até mesmo com o ritmo de sua respiração.

Os olhos azuis finalmente conseguiram passear pelo quarto, mas Benjamin não conseguiu se lembrar do acidente de imediato. A voz doce de Danika só tornou a confusão maior. As sobrancelhas grossas foram franzidas e o príncipe encarou a romena a sua frente, buscando em sua memória qualquer explicação para a presença dela ali.

Há quanto tempo ele estava dormindo? Será que aquele último ano inteiro, onde Lehman destilava o seu ódio, tudo havia sido apenas fruto de um pesadelo e agora Benjamin voltava a realidade, com a apaixonada namorada ao seu lado?

Conforme as informações começavam a chegar, as lembranças também invadiam sua mente com enxurradas. Enquanto Danika narrava os ferimentos da princesa e do rei, Benjamin se lembrava dos instantes antes da batida. A cantoria no carro, as risadas, o sinal vermelho e o freio que falhou miseravelmente antes da chegada do caminhão.

As íris azuladas se tornaram mais claras quando ele procurou pelo rosto de Danika, desesperado para a conclusão, mas era impossível saber se deveria ficar aliviado pelo rei estar vivo ou desesperado pela falta de esperança.

A dor somada com o nó em sua garganta impediam Benjamin de falar, mas ele girou o rosto silenciosamente para encarar a filha adormecida no sofá do quarto de hospital. Seu queixo tremeu quando ele encontrou o rosto angelical de Lisbeth, completamente segura. Só de pensar que a filha poderia estar naquele carro, sem chance de ter sobrevivido, tornava a sua dor indescritível.

Benjamin precisou fechar os olhos e respirou fundo, puxando o ar pelo nariz. Ele virou o rosto em direção ao teto e seus dedos apertaram os de Lehman com força, procurando nela o conforto que não encontraria mais em lugar algum.

Danika não era capaz de fazer seu desespero desaparecer, a angústia de saber que o pai estava lutando pela vida sem grandes esperanças. Mas Lehman era a única capaz de tornar aquilo ao menos suportável, impedindo que ele enlouquecesse.

Não era o momento de questionar a mudança no comportamento da ex-namorada. Benjamin não se importava nem mesmo se, quando aquele drama acabasse, Danika voltasse a odiá-lo, talvez até com mais intensidade que antes. A única coisa que importava era que ela estava ao seu lado naquele momento.

- Eu pisei no freio...

A voz havia saído baixa intencionalmente, para não despertar o sono de Lisbeth. Mas Benjamin estava tão fraco e emocionado que as palavras quase não saíram e ele precisou repetir, soando como um completo estranho com a voz rouca afetada.

- Eu pisei no freio diversas vezes. O carro simplesmente continuou e eu não vi o caminhão.

O queixo de Kensington tremeu mais uma vez e ele soltou um soluço, se arrependendo em seguida do seu descontrole. Danika já havia visto diversas faces do ex-namorado, mas Benjamin não pretendia repetir a cena humilhante como havia feito ao se ajoelhar diante dela na fatídica noite no palácio. O que a romena veria naquele dia era a completa falta de esperança, de uma derrota amarga demais para que ele suportasse.

- A culpa é minha, Danika. Eu matei o meu pai.

O rei ainda lutava pela vida em algum canto daquele hospital. Mas para Benjamin, a falta de esperança dos médicos já trazia o veredito para o rei da Áustria. Junto com aquilo, o peso do mundo em seus ombros.

Ele ainda não conseguia digerir a ideia de como tudo havia se transformado em tão poucos minutos. Mas já tinha uma infinidade de preocupações para somar a sua lista antes que tivesse a chance de estar inteiramente recuperado.

Os freios haviam falhado, não havia dúvidas. Mas a falta de marcas dos pneus na cena do acidente logo faria a polícia a chegar à conclusão de que o príncipe não havia evitado aquela batida. Se o próprio herdeiro não havia causado aquele acidente, alguém havia sabotado o carro que passava por revisões frequentes.

Benjamin precisaria lidar com uma delicada investigação e possível traição à coroa, enquanto teria um país inteiro diante de si, quando a única coisa que queria era viver na pele de qualquer um que não tivesse o sangue real e tantas responsabilidades atribuídas.

O herdeiro dos Kensington já estava fadado a assumir o trono um dia. Mas ele não estava preparado para abraçar aquele destino quando ainda não havia aceitado abandonar a esperança de uma vida simples ao lado da mulher que amava, apenas com a família que ele havia construído e destruído.

- Deveria ter sido eu. Eu deveria estar no lugar do meu pai. Eu destruo tudo que toco, nada mais justo que fosse eu.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sex Out 07, 2016 3:46 am

Por mais que adorasse o relacionamento leve que sempre existira entre ele e Charlotte, Lukas agora via que aquela descontração também tinha o seu lado negativo. A intimidade que existia entre os dois fazia com que Luke e Charlie sempre encarassem tudo com bom humor e provocações divertidas. Era evidente que eles tinham dificuldades de se posicionarem frente a uma situação que exigia maior seriedade.

Talvez fosse este o motivo que explicava por que Lukas não tentou fazer contato com a ex-namorada nos últimos meses de separação. Krauss sabia que um reencontro exigiria uma conversa mais séria sobre os problemas do passado, sobre os erros cometidos por Charlotte e sobre a reação intolerante de Luke diante da situação. Não seria fácil e o medo de destruir as lembranças leves do passado com mais uma briga tirava de Krauss a coragem de tomar uma iniciativa.

Contudo, o destino tratou de resolver aquele impasse com um reencontro não programado por nenhum dos dois. Lukas até tentou suavizar o clima com comentários mais leves, mas a resposta de Charlie mostrava que a garota havia amadurecido. Para Baviera não havia mais espaço para brincadeiras e provocações quando ainda havia entre eles um enorme empecilho não esclarecido.

O semblante de Luke estava anormalmente sério quando ele ocupou o banco do carona. O cinto de segurança foi cruzado diante do peito do rapaz antes que ele se virasse para admirar o perfil da motorista sentada ao seu lado. A beleza de Charlotte era desconcertante, mas Krauss se esforçou para dar à conversa o tom sério solicitado pela ex-namorada.

- Eu não entrei em contato com você porque realmente tinha esperança de te esquecer um dia.

As palavras soaram baixas, mas ecoaram facilmente pelo carro silencioso. A entonação de Lukas estava banhada por sinceridade quando o rapaz completou.

- Estou morando na Alemanha. Consegui um estágio em Berlim e solicitei uma transferência. Eu odeio Viena, mas Leoben também perdeu todo o seu charme quando eu comecei a ser perseguido por paparazzi sedentos por qualquer tropeço do Kensington bastardo.

Para que aquela conversa não fosse interrompida, o próprio Lukas se inclinou e puxou o freio de mão, impedindo que Charlotte deslizasse o carro pela rua vazia. Se eles teriam mesmo aquela conversa franca, Krauss queria um contato direto com as íris esverdeadas da ex-namorada.

- Eu tentei seguir em frente. O estágio é ótimo, a cidade também é muito legal. No começo eu realmente achei que conseguiria deixar tudo para trás, mas o incidente desta noite só mostra que eu falhei miseravelmente nesta determinação. Eu posso até aceitar ou esquecer que sou filho de um Kensington, mas não dá pra superar você, Charlotte. O que nós vivemos foi muito especial e nunca vai sumir da minha memória.

Com aquelas palavras, Lukas não se referia apenas à companhia da menina durante o diagnóstico de leucemia. Mesmo na época em que os dois eram apenas bons amigos, Charlie já ocupava um lugar especial na vida e no coração de Krauss. Os dois tinham uma sintonia que Luke sabia que jamais encontraria em outra garota.

- Eu sei que foi uma cena ridícula e que eu não tenho o direito de aparecer agora e bagunçar a sua vida. Por outro lado, você poderia ter ido com eles, mas ficou aqui comigo. Eu quero achar que isso significa alguma coisa, Charlie.

Com um movimento lento, que daria à menina a chance de se esquivar daquele toque se o mesmo fosse indesejado, Lukas estendeu o braço e buscou novamente pelas pontinhas dos cabelos curtos da ex-namorada.

- Eu fiquei muito chateado com toda aquela história do Benjamin. Mais chateado com você do que com ele. A decepção é diretamente proporcional às expectativas, e eu esperava muito de você. Esperava muito de nós dois. Mas o tempo serviu para abrandar as mágoas e, principalmente, para me mostrar que eu não vou encontrar em outra pessoa o que eu tinha com você. Eu nunca vou amar ninguém como eu te amo, Charlie.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Out 07, 2016 9:45 pm

Uma das sobrancelhas de Nika se ergueu, formando um arco perfeito acima do olho castanho. A dor de Benjamin despertava a compaixão dela e fazia com que a romena deixasse de lado todas as mágoas do passado. Mas ela não estava disposta a deixar o ex-namorado assumir para si aquela culpa.

- Eu vou chamar um médico porque está claro que houve um erro na avaliação da sua tomografia. Você só pode ter batido a cabeça com mais força para falar tantas bobagens!

Sem interromper o contato das mãos unidas, Danika se aproximou mais de Benji e sentou-se no canto da cama ocupada por ele, com o cuidado de não encostar em nenhum dos fios que se conectavam ao monitor.

-Foi um acidente. E seu pai está vivo, não fale como se ele estivesse morto. Não interessa o que a imprensa sensacionalista vai dizer sobre este acidente. As pessoas que realmente te conhecem e te amam sabem que você jamais faria algo sórdido assim.

Lehmann não havia se incluído naquele grupo com todas as letras, mas a maneira como ela defendia Benjamin deixava claro que a romena fazia parte das pessoas que não questionariam os benefícios que o rapaz teria com uma possível morte do rei. Por mais que o caráter de Benji tivesse se despedaçado aos olhos de Danika depois da revelação da verdade escondida pelo príncipe, Nika jamais acreditaria que o ex-namorado era vil o suficiente para articular uma jogada como aquela.

- E nunca mais diga que você destrói tudo o que toca, é uma mentira muito injusta.

A cabeça de Nika se voltou suavemente para o lado, indicando a garotinha profundamente adormecida no sofá.

- Você mudou a vida dela. Ela agora tem um pai e é mais feliz do que seria sem você por perto, Benji. Você foi a melhor coisa que já aconteceu na vidinha dela.

Por mais que Benjamin estivesse exaltado e abalado com o acidente, Danika não desconsiderou a informação de que os freios do carro tinham falhado. Os Kensington tinham um cuidado extremo com a segurança, mas também era grande o risco que corriam por estarem no topo da monarquia austríaca. A romena só optou por não tocar mais naquele assunto porque Benji já estava sofrendo demais para somar um possível atentado à sua lista de preocupações. O carro certamente seria vistoriado e, se ficasse provado que os freios realmente tinham sido adulterados, Benjamin teria que tomar providências para localizar o responsável.

- Tente descansar um pouco. Logo a Beth vai acordar e suas chances de dormir serão exterminadas.

De fato, em menos de duas horas Lisbeth estava de pé. Depois de um banho rápido no banheiro anexo ao quarto, Beth se sentou no cantinho da cama do pai. Os olhos azuis estudaram o braço imobilizado de Benji com uma nítida preocupação. Os cabelos úmidos estavam atrapalhados e a menina fez uma careta quando Nika se aproximou para pentear os fios lisos.

- Pupai?

A vozinha infantil soou num sussurro enquanto os dedinhos tocavam o rosto de Benjamin. Quando as pálpebras do rapaz se ergueram, exibindo as íris metálicas, um sorriso iluminou os lábios de Lisbeth.

- Cuidado com o braço do papai! - Nika acariciou os cabelos da menina enquanto Beth se inclinava para beijar a bochecha de Benji - Nós já conversamos sobre isso, o papai está um pouco dodói.

- A gente poti levá ele pa casa e cuidá dele.

O raciocínio simples de Lisbeth mostrava toda a sua inocência. Na cabeça dela, o "dodói" do papai era algo parecido com os seus resfriados e com os tombos que deixavam seus joelhos ralados.

- O papai só vai poder sair do hospital daqui a alguns dias, querida. Mas você pode cuidar dele aqui mesmo. O papai não pode mexer o braço e precisa de ajuda pra tomar o café da manhã.

Em meio àquela tragédia, Benjamin teria alguns minutos leves de felicidade e diversão enquanto Lisbeth levava muito a sério a tarefa de alimentá-lo. Nika cuidava da bandeja trazida pelos enfermeiros, mas era a mãozinha de Beth que carregava a comida até a boca do pai, com movimentos atrapalhados.

- Mais!

Não era um pedido e nem uma pergunta. Beth simplesmente decidiu que Benjamin não tinha comido o bastante e empurrou mais uma torrada lambuzada de geleia para a boca do príncipe.

- Querida, deixa o papai mastigar! - Nika soltou um riso suave e segurou a mãozinha que já puxava outra torrada da bandeja.

Aquela linda cena familiar foi interrompida quando a porta do quarto se abriu com um estrondo. Instintivamente, Nika puxou a filha para junto do seu peito quando Helena Kensington fuzilou as duas com um olhar de ódio.

- O que essa mulher está fazendo aqui??? Está se aproveitando da situação para seduzir o meu filho de novo? É uma jogada baixa demais, até mesmo para uma vadia do seu nível!

- Eu fiquei aqui a madrugada inteira. Ao contrário da senhora, que não teve sequer a curiosidade de passar aqui para saber como estava o seu filho.

Os olhos azuis de Helena se estreitaram de forma ameaçadora enquanto ela erguia um tom na voz áspera, bem diferente da entonação calma e contida usada pela romena.

-Como ousa? Eu estou ocupadíssima! A minha família inteira está neste hospital e a culpa é sua! Nenhum deles estaria na estrada se não fosse por essa maldita festa de aniversário. E eu exijo que se refira a mim como Majestade. Eu sou a rainha da Áustria!

Beth não tinha maturidade para entender as ofensas e acusações de Helena, mas a voz áspera da avó fez com que a garotinha se aninhasse junto ao peito da mãe, visivelmente amedrontada. Para Nika, a menina já tinha confessado que achava a vovó Helena parecida com uma bruxa e aquele tipo de comportamento só servia para reforçar o medo da criança.

- Saia daqui imediatamente! Você e esta criança infernal! Nenhuma das duas é nada para os Kensington e vocês não têm o direito de ficarem aqui! Eu vou chamar os seguranças!

Danika podia argumentar que o sobrenome de Lisbeth era Kensington e que, legalmente, a menina era filha de Benjamin. Também podia jogar na cara de Helena que a rainha estava mais preocupada em preservar a própria imagem do que com a vida do marido e dos dois filhos. Mas seria uma discussão desgastante que só faria mal a Lisbeth. E Nika não duvidava que a rainha teria coragem de chamar os seguranças por causa de uma mulher e uma criança de três anos.

- Não há a menor necessidade de chamar meia dúzia de brutamontes para tirarem uma garotinha do quarto. Ela só queria ver o Benjamin, nós já vamos embora.

Lisbeth não teve coragem de questionar, mas curvou os lábios num biquinho de choro enquanto uma camada de lágrimas cobriam os olhos azuis. Embora a menina estivesse mais pesada a cada dia, Danika ainda conseguiu puxá-la para seus braços, amassando o mesmo vestido que a romena usara na festinha do dia anterior.

- Vamos, querida. O papai tem que descansar. A gente volta pra visitá-lo outro dia.

- Não voltam não. Já deixei uma lista de visitantes restrita na portaria. - Helena escancarou a porta e apontou para fora como se estivesse escorraçando cães de rua - Sumam daqui!
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 08, 2016 2:56 am

Charlotte se sentia incapaz de encarar Lukas para ter aquela conversa. Aquele encontro inesperado não estava nos seus planos para aquela noite. Na verdade, reencontrar Krauss sequer era uma hipótese para o resto da sua vida, de modo que Baviera não havia se preparado para lidar com os próprios sentimentos.

Deixar Leoben para trás havia sido terrível, mas logo a herdeira dos Baviera teve problemas mais sérios para ocupar a sua mente. A preocupação com as finanças da família e com as complicações do pai com a justiça serviram para abafar qualquer coisa que ela pudesse sentir ou pensar a respeito do breve namoro com Lukas.

Ela ainda estava tentando se reerguer em um mundo sem dinheiro, contando com a caridade de Marie e Tobias, tendo um pai atrás das grades e uma mãe que ignorava a realidade. Definitivamente não estava preparada para lidar com os assuntos inacabados com Lukas.

Os olhos esverdeados encararam o céu alaranjado que começava a surgir pelo vidro do carro, mas quando os dedos de Lukas tocaram seus cabelos, as pálpebras deslizaram até se fechar, cansadas de lutar. A cabeça de Charlie pendeu para o lado e quando ela voltou a abrir os olhos, encarou o ex-namorado com um brilho de saudade. A testa franzida mostrava o conflito que Charlie enfrentava para lidar com aquela confissão.

- É claro que eu fiquei por um motivo, Luke. Você pode não ter acreditado na época, mas eu sempre me importei com você. Não ia simplesmente ir embora depois de tudo que aconteceu...

Charlie ergueu seu braço e tocou a mão de Luke, puxando com seus dedos até que as mãos estivessem unidas sobre o seu colo. Sem quebrar aquele contato, ela acariciou a pele esfolada pela briga com o polegar, com gestos suaves para não machucá-lo.

- Mas já passou tempo demais. Eu não posso simplesmente esquecer esse último ano porque você esbarrou comigo e não soube lidar me vendo com outro cara.

Antes que aquele simples toque fosse suficiente para desarmá-la, de fazer a sua razão desaparecer e querer mergulhar de cabeça na saudade sufocante que sentia de Krauss, Charlotte soltou a mão dele.

- O que nós vivemos pode ter sido especial, mas aparentemente foi unilateral. Você tinha grandes expectativas comigo? Eu também tinha com você. Achei que fossemos amigos, independente de qualquer coisa. Mas quando eu mais precisei, não foi você quem estava ao meu lado.

Charlie soltou um suspiro e fez uma pausa para conseguir engolir o nó que se formava em sua garganta com as lembranças dos meses mais difíceis da sua vida. Por diversas noites ela havia desejado ter a companhia de Lukas para fazê-la rir, para surtar com seus comentários idiotas a respeito de futebol ou simplesmente para afagar os seus cabelos enquanto viravam a noite acordados, falando aleatoriedades.

Krauss estava ocupado demais tentando seguir com a própria vida enquanto Baviera via seu mundo desabar. E em meio a todo o caos, foram os Price que continuaram ao seu lado.

- Sua vida estava boa na Alemanha? Uma bela cidade, um bom estágio. Mas você tem noção de como tem sido o meu ano, Lukas? Você tinha ideia de que eu estava vivendo de favor na casa da Marie? Que foi o Toby, o mesmo cara que você socou essa noite, que me ajudou a me reerguer?

Charlotte sacudiu a cabeça, fazendo os fios claros tocarem em seu queixo. Os olhos verdes tinham ficado ligeiramente mais claros com a camada de lágrimas, mas ela não iria chorar por algo que já havia levado até o fundo do poço e voltado.

- Você amava a Charlie de antes, sempre disposta a estar ao seu lado. Mas você colocou ela pra fora da sua vida, lembra?
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Out 08, 2016 3:52 am

- Já chega.

A voz de Benji estava fraca demais para soar autoritária, mas foi exatamente a sua fraqueza que chamou a atenção das mulheres do quarto. Ele havia tido uma noite extremamente desconfortável. Apesar dos remédios para dor que facilitavam a chegada do sono, ele não conseguia se virar na cama com os fios que monitoravam seu corpo, além de ser obrigado a manter o braço imóvel.

A única coisa que havia contribuído na recuperação do príncipe havia sido o divertido café da manhã na companhia de Lisbeth e Danika. Benji não sabia quanto tempo iria durar a trégua com a ex-namorada, mas era grato por poder relaxar por alguns minutos, tendo de novo a velha sensação de família.

Foi apenas aquele breve momento de alívio que deu forças ao herdeiro do trono de encarar a mãe com firmeza. Seu rosto não estava furioso, cansado ou decepcionado. Benjamin apenas encarou a rainha da Áustria com uma expressão apática, mas que não dava margens para discussões.

Pela primeira vez desde que chegou no quarto, os olhos igualmente metálicos da mulher deslizaram até pousar no filho e um sorriso mecânico surgiu em seus lábios pintados. A rainha, como sempre, estava com a aparência impecável. Seu corpo magro estava coberto pelo vestido social justo, com um decote comportado e de uma tonalidade roxa que realçava a cor clara dos seus olhos.

A maquiagem reforçava cada um dos traços bonitos do seu rosto e os lábios brilhavam em um tom rosado. Os fios loiros estavam com o tradicional corte usado há anos, alguns dedos abaixo dos ombros e em ondas sedosas perfeitas, como se tivessem acabado de sair do cabelereiro.

- Não se preocupe, meu bebê. Eu já cuidei de tudo.

O barulho dos saltos ecoou pelo piso liso do hospital quando a mulher caminhou mais para perto da cama do príncipe, ignorando por completo a presença de Danika e Lisbeth, apenas esperando para que as duas saíssem porta afora.

- Você está com uma cara péssima, mas os médicos me garantiram que você só precisa de mais alguns dias. Infelizmente não podemos adiar tanto uma conferência com a imprensa, então você irá precisar aparecer com o braço assim mesmo. Mas tenho certeza que conseguimos esconder esses machucadinhos com uma boa maquiagem...

A rainha ergueu o braço e segurou o queixo do filho para estudar os ferimentos no rosto sempre tão impecável, tentando analisar quais seriam as técnicas necessárias para esconder as marcas do acidente diante das câmeras.

Sem nenhum movimento brusco, até porque seu estado não lhe permitia, Benjamin se esquivou do toque da mãe e a encarou com um semblante mais sério.

- Eu disse que já chega. Você não quer mesmo que eu repita o que já disse tantas vezes, não é?

Benjamin não queria começar uma cena diante de Lisbeth. A criança já tinha idade suficiente para entender que estava diante de uma discussão e ele não precisava criar mais traumas na cabecinha da filha por causa de Helena.

Apenas em consideração à Lisbeth, Benji não repetiu as mesmas palavras de um ano antes. Helena sabia que nenhum dos membros dos Kensington, internados naquele hospital, a considerava como família. Eles poderiam ter o acordo mudo de não manchar a imagem da família real, mas internamente não havia mais a menor farsa para que Helena ainda se iludisse pelos carinhos dos filhos.

O sorriso de Helena se transformou em um bico, e as rugas que se formavam com aquele gesto entregavam a idade que ela tanto tentava esconder. A rainha puxou o ar e alisou as próprias vestes, sem baixar o nariz empinado por um único segundo.

- Diga o que quiser, Benjamin. Minha sugestão é apenas que poupe suas energias.

Os olhos azuis e frios ergueram para encarar Danika, ainda presente no quarto, e imediatamente se estreitaram ameaçadoramente. Se a rainha já não gostava de ser contrariada ou enfrentada pelos filhos, ela certamente não gostava que tivesse uma plateia para tal.

- O que ainda estão fazendo aqui? Está surda? Não espere que eu dê nenhuma esmola para que você tire esse seu traseiro de Viena. Volte para a sua cidadezinha imunda a pé, se for preciso.

- Elas vão ficar.

Mais uma vez, Benji não se alterou. Suas palavras soaram baixas, mas firmes. Os lábios de Helena tremeram levemente em um sorriso torto que apenas a deixava com um semblante mais cruel.

- Eu sou a rainha da Áustria. – Ela repetiu, arqueando as sobrancelhas. – E se eu quiser tirar o lixo de Viena, eu vou tirar.

- Você é apenas a esposa do rei da Áustria. Se meu pai pedir o divórcio hoje, você não terá título algum.

Os olhos de Helena se estreitaram mais uma vez, desta vez direcionados ao filho. Mesmo com o ataque de fúria que Benjamin já havia demonstrado, a rainha jamais havia sido enfrentada daquela forma. Ninguém nunca havia ido tão longe ameaçando o seu título, mas aquilo não intimidou Benjamin.

- Eu sou o príncipe regente. Isso quer dizer que enquanto o meu pai não abrir os olhos, sou eu que dou as ordens.

Pela primeira vez desde a chegada da mãe, Benjamin abriu um sorrisinho antes de completar, sentindo a satisfação em dizer aquelas palavras.

- E se alguma coisa acontecer comigo, quem assume é ela.

A mão boa de Benjamin apontou apenas com o indicador para a filha, agarrada ao colo da mãe. Ele franziu o queixo como se pensasse por um segundo e sacudiu a cabeça.

- Claro, levando em consideração que a minha filha só tem três anos de idade, ela ainda não poderia assumir o trono. Então sobraria pra...

O deboche estava estampado no rosto de Benjamin enquanto ele forçava a expressão pensativa, como quem desvendava um complexo calculo matemático. De repente, suas sobrancelhas arquearam e ele respondeu ao próprio raciocínio.

- Claro, como é que você chamava ele mesmo? Bastardo imundo?

A mão boa foi erguida diante dos olhos, com os dedos fechados, e Benjamin começou a enumerar enquanto falava.

- Recapitulando... Primeiro eu. – O indicador foi erguido no ar, seguido pelos outros dedos. – Depois a Beth. Depois o Luke. Ainda tem a Amelie.

Benji balançou a cabeça em desistência e apoiou a mão sobre a coberta do hospital, expressando uma derrota imaginaria.

- Sinto muito, mãezinha. Você não está na lista. Por isso, se alguém aqui tem direito a dar ordens por aqui, sou eu. E eu quero você fora. Se ousar falar de novo com a minha filha ou com a mãe dela nesse tom, eu vou garantir que você não receba a mesada nem mesmo para trocar as calcinhas.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Out 08, 2016 4:05 am

A conversa séria e definitiva com Charlotte Baviera certamente teria assombrado Luke por muitos e muitos dias se não fosse por aquela reviravolta inesperada que o acidente dos Kensington provocara na vida do rapaz. Por mais que seu coração ainda estivesse dolorido com as incômodas verdades lançadas pela ex-namorada, Lukas não tinha mais tempo para se torturar com a história de amor mal resolvida quando três membros de sua família lutavam pela vida no hospital.

Desde que os noticiários começaram a falar sobre o trágico acidente com a família Kensington, a casa dos Krauss havia mergulhado num luto. Hilda tentava se manter forte, mas estava visivelmente arrasada. Além da falta de notícias concretas sobre Cristoph, a Sra. Krauss não se conformava em se manter afastada. Era muito injusto que ela amasse tanto aquele homem e tivesse que deixar aquele momento delicado para uma esposa que parecia muito mais preocupada com a escolha do vestido que usaria na coletiva de imprensa.

Embora fosse distante do pai, Luke não era indiferente à tragédia. O rapaz jamais conseguiria ficar satisfeito em saber que Cristoph Kensington poderia morrer antes que os dois trocassem uma palavra. Muito provavelmente eles jamais teriam um relacionamento normal entre pai e filho, mas Lukas não queria que o rei da Áustria partisse sem ouvir que o filho de Hilda não o odiava mais.

Mas o que deixava Lukas ainda mais atormentado era saber que Benjamin e Amelie também tinham se machucado. Ao contrário da relação conturbada com o pai, Luke havia acolhido os irmãos em sua vida e já os amava. Era uma ironia muito grande pensar que o destino lhe dera aquela família somente para tomá-la de volta poucos meses depois.

Nem por um momento, Luke pensou em ir ao hospital. Centenas de jornalistas acampavam do lado de fora e a última coisa que Krauss queria era que seu rosto voltasse a estampar as capas dos noticiários e que a paz tão duramente alcançada se perdesse mais uma vez. Além disso, Luke duvidava muito que Helena fosse permitir que o bastardo do marido visitasse Benji ou Amelie.

Um breve telefonema para Danika tranquilizou Lukas a respeito da situação dos dois irmãos, mas a romena não escondeu que o prognóstico do rei era muito mais reservado. Aquelas notícias mais confiáveis foram o bastante para que Hilda mergulhasse em uma melancolia tão profunda que obrigou o filho a adiar o seu retorno para Berlim. Lukas jamais teria coragem de partir deixando para trás aqueles olhos verdes mergulhados em tristeza e desamparo. Se o pior acontecesse, Luke queria estar ao lado da mãe.

- Aonde você vai???

Hilda despertou de sua apatia quando viu o filho aparecer na sala pronto para sair. Luke ainda tinha muitos amigos em Viena e não era raro que ele saísse de casa quando aparecia para visitar a mãe, mas o espanto da Sra. Krauss era justificado pelas roupas que o rapaz usava naquela manhã. Em vinte e cinco anos de convivência com Lukas, era a primeira vez que Hilda via o filho usando um terno completo.

A calça preta estava impecavelmente lisa e combinava com os sapatos igualmente escuros, que brilhavam de tão bem engraxados. A camisa era branca e o paletó formava um conjunto com a calça. A gravata azul marinho completava o visual e Luke estava terminando de dar o nó enquanto a mãe o encarava boquiaberta, como se estivesse diante de um fantasma. Hilda também não se lembrava da última vez que havia visto os cabelos castanhos tão bem penteados, completando aquela imagem tão anormalmente comportada para os padrões de Luke.

- Trabalhar.

Como aquela resposta não foi o suficiente para tirar a expressão confusa e assombrada do rosto de Hilda, Luke se viu obrigado a fornecer mais detalhes para a mãe.

- Eu liguei para o meu chefe e expliquei que teria que adiar o retorno para Berlim. Ele compreendeu a situação, mas ao mesmo tempo disse que eu não poderia completar o estágio se me ausentasse por tantos dias. Então, decidimos que vou trabalhar na filial deles em Viena enquanto estiver por aqui.

- E você trabalha vestido assim???

O questionamento de Hilda foi feito em uma entonação tão cômica que arrancou uma breve risada do rapaz. Lukas abriu os braços e olhou para o próprio corpo antes de responder com bom humor.

- Eu preferiria ir para o escritório de bermuda, chinelo e camiseta. Mas acho que ia pegar meio mal, né, mulher? Quando se recuperar deste choque, pode me mandar uma mensagem para dizer que eu estou lindo. Vou deixar o celular ligado.

Aquela brincadeira era a maneira leve de Lukas dizer à mãe que Hilda poderia ligar a qualquer momento caso precisasse dele ou caso o pior acontecesse e ela precisasse de apoio para suportar aquela notícia. Depois de depositar um beijo na testa de Hilda, o rapaz partiu para o endereço onde funcionava a filial da empresa de finanças alemã que lhe oferecera o estágio.

O enorme prédio ficava no centro financeiro de Viena. As sedes dos principais bancos ficavam próximas dali, assim como a bolsa de valores e o banco central. Um estagiário certamente não seria encarregado dos trabalhos mais importantes ou confidenciais, mas era notável que Krauss a cada dia conquistava um espaço maior na equipe.

O enorme copo de café que Lukas Krauss carregava nas mãos mostrava que a última noite não havia sido fácil. Apesar do cansaço, o rapaz dirigiu um cumprimento simpático para a secretária antes de seguir na direção da sala de reuniões. Seu chefe de Berlim havia comentado que Luke trabalharia nos próximos dias em um caso particular, mas não dera maiores detalhes sobre o serviço. Por isso, Luke quase se engasgou com o café quente quando empurrou a porta da sala de reuniões e deu de cara com Charlotte Baviera.

Naquele momento, Luke teve certeza de que o destino estava zombando dos dois com aqueles reencontros inesperados. Depois da conversa definitiva no carro, Krauss estava certo de que nunca mais veria a ex-namorada, mas ali estava Charlie, poucos dias depois do fatídico encontro na boate.

O chefe da filial austríaca não pareceu notar aquela troca de olhares assombrados entre os dois jovens enquanto se levantava, estendendo a mão para o recém chegado.

- Você deve ser o Krauss. É um prazer finalmente conhecê-lo! O Manfred não para de se vangloriar por ter contratado o melhor estagiário da história desta empresa, então meu objetivo nestes próximos dias será convencê-lo a ficar conosco em Viena.

- O prazer é todo meu, Sr. Weiss.

Os olhos castanhos se voltaram para o homem e Lukas tentou forçar um sorriso natural ao retribuir ao cumprimento. O chefe indicou a ele a cadeira em frente a Charlotte antes de voltar a ocupar a cabeceira.

- Esta é a Srta. Baviera.

A verdade chegou à ponta da língua de Lukas, mas na última hora o rapaz desistiu de confessar que já conhecia Charlotte. Como não fazia ideia do que a garota estava fazendo ali, Luke preferiu não comprometer Charlie e nem a si mesmo.

- É um prazer conhecê-la. – o cumprimento soou formal enquanto Krauss lançava um olhar meio incerto à jovem do outro lado da mesa.

- Bom, esta reunião vai tratar de um assunto sigiloso, então o assunto ficará entre nós três. Os advogados dos Baviera encontraram algumas inconsistências nas contas da empresa que pertence à família, então a senhorita Charlotte contratou a nossa equipe para analisar as finanças e as movimentações financeiras dos últimos anos.

Lukas havia acompanhado apenas pelos jornais o escândalo envolvendo o pai de Charlie. Segundo as notícias publicadas, o Sr. Baviera havia aplicado uma infinidade de golpes pelo país e participado de uma transação ilegal de diamantes, sonegado impostos por muitos anos e usado várias contas ilegais para lavagem de dinheiro. Várias provas documentais sobre os golpes foram usadas no julgamento que mandou Baviera para a cadeia, por isso Luke ficou surpreso quando Weiss abriu um dossiê sobre a mesa de reuniões, espalhando alguns documentos na superfície de madeira.

- Eu olhei apenas por alto, mas concordo que as contas não batem. Simplesmente não há sinal do dinheiro que, teoricamente, deveria ter chegado às contas dos Baviera, mesmo se levarmos em consideração as possíveis contas ilegais fora do país. Por isso, vamos refazer cada conta e tentar encaixar cada centavo perdido para descobrirmos o que está por trás desta inconsistência.

- Mas para isso o senhor vai precisar de acesso total aos bens da família e aos documentos da empresa.

Lukas olhou de Charlie para Weiss, sem entender o sorrisinho divertido que o patrão lhe lançava.

- Eu? Eu não. Você vai, Krauss. Pode contar comigo para qualquer dúvida, mas este trabalho será sua responsabilidade.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 08, 2016 4:46 am

A alça prateada da bolsa deslizou por cima do terninho creme de Charlotte enquanto ela se despedia com um aperto de mão do Sr. Weiss. O homem lhe lançou um sorriso confiante, completamente alheio aos olhos verdes que insistiam em procurar por Lukas, como havia sido durante toda a reunião.

A surpresa de Baviera em ver que Krauss fingiu não conhece-la foi tão grande que a menina quase entregou a verdade, mas permaneceu calada. Ela ainda estava tentando digerir a ideia de encontrar Lukas novamente, em uma situação ainda mais inesperada do que a noite da boate, de modo que sua cabeça estava girando enquanto Weiss explicava o complexo caso do Sr. Baviera ao estagiário.

Assim como Lukas, Charlotte havia optado pela aparência mais formal naquele dia. A calça preta lhe caía com perfeição, deixando os saltos expostos. A blusa não trazia decote algum e era listrada em preto e branco e estava parcialmente coberta pelo terninho creme. Os cabelos curtos estavam soltos, apenas com uma mecha enfiada atrás da orelha, e apesar da maquiagem leve, os lábios estavam pintados em um batom vinho que lhe fazia parecer mais velha do que realmente era.

A Charlotte do passado estava sempre preocupada em parecer impecável, mas era notável a diferença entre as duas. A Baviera que sentou na mesa de reunião naquela manhã tinha mais coisas para ocupar a mente do que simplesmente a bolsa que deveria combinar com seu sapato.

Depois que Weiss saiu da sala de reunião, Charlie permaneceu sentada, e só quando teve certeza que estava sozinha com Lukas, teve coragem de se pronunciar.

- Você não precisa fazer isso, Lukas. Vai ser um trabalho infernal, são milhares de documentos pra bater e eu nem tenho certeza se realmente existe alguma coisa.

Nem por um segundo Charlotte pensava em questionar a capacidade de Krauss para se envolver naquele caso. Não era só a aparência responsável que ele mostrava ao agir profissionalmente. Charlie conhecia o velho amigo para saber que ele se dedicaria até o fim do que fosse necessário. Além do mais, a empresa que ela havia escolhido, usando todo o dinheiro arrecadado com seu desfile em Paris, era séria demais e se estavam colocando Lukas a frente do caso, era porque ele havia feito por merecer.

Aquela confiança já não existia para o Sr. Baviera. Os advogados haviam insistido que havia alguma coisa de errado nos números que talvez pudessem ajudar no caso judicial de seu pai, mas Charlotte já não conseguia mais enxergar o homem que um dia lhe dera tudo sendo uma figura inocente.

- Imagino que tenha outras coisas mais interessantes pra você fazer e aprender no seu estágio.

O celular em sua bolsa vibrou e Charlotte se viu obrigada a baixar a cabeça para o visor. Na tela bloqueada, era possível ler parcialmente a mensagem de Tobby. Não era necessário ler todas as palavras para saber que o rapaz a aguardava para o almoço marcado naquele dia.

Um suspiro escapou pelos seus lábios e ela ergueu os olhos para Krauss mais uma vez. Era mesmo uma grande ironia do destino que os dois estivessem outra vez frente a frente, fazendo seu coração saltar, e tendo Toby como a lembrança de que as coisas não eram mais as mesmas.

- Eu preciso ir, eu tenho outro compromisso. – Ela se levantou, ajeitando a bolsa no ombro.

Um sorriso mais suave apareceu em seu rosto e um vestígio da velha amizade brincou em suas palavras quando ela sacudiu a cabeça e apontou para as vestes de Krauss.

- Você trabalha vestido assim?

Sem saber que estava repetindo as mesmas palavras de Hilda, Charlotte mordeu o lábio inferior para conter a brincadeira. A mecha clara havia se soltado de sua orelha e ela imediatamente ergueu o dedo para prender o cabelo novamente.

- Se você realmente decidir ficar no caso, pode passar para pegar alguns documentos na minha antiga casa. – Ela se inclinou sobre a mesa e apontou para um canto de um dos papéis espalhados pelo Sr. Weiss. – Fica neste endereço. A casa está vazia desde que a polícia interditou tudo. Nós não podemos vender, mas também não posso morar lá...

O girar de olhos mostrava a insatisfação de Baviera por ainda ter um teto e precisar viver com os Price, mas a menina não se aprofundou em suas lamúrias.

- Me avisa se resolver aparecer hoje a noite e eu passo lá pra te mostrar os documentos.

Charlotte arqueou as sobrancelhas e mais uma vez sacudiu a cabeça, trazendo um pouco da antiga menina para seu olhar.

- Você coloca um terno e eu falo de documentos. Estamos mesmo no fim do mundo.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Out 08, 2016 4:51 am

Não era mais possível esconder do resto do mundo que a situação de Cristoph Kensington era delicada. A assessoria da família real só liberava notas vagas dizendo que o rei continuava na UTI e que não havia previsão de alta, mas aquilo bastava para que todo o país concluísse que a vida de Cristoph corria um imenso risco.

As notícias que chegavam até Benjamin também não eram nada animadoras. O pai continuava em coma, completamente irresponsivo. Os médicos não sabiam dizer se aquela inconsciência era resultado dos sedativos que ainda recirculavam no sangue do monarca ou se era um sinal de que infelizmente o traumatismo craniano associado à parada cardíaca provocara uma sequela mais séria.

Uma semana depois do acidente, Benjamin já estava bem o bastante para receber alta hospitalar. Mas foi no mesmo dia em que recebeu os papeis da alta que o príncipe precisou lidar com uma penosa responsabilidade. Todos os médicos foram unânimes na opinião de que aquele procedimento era necessário e que Cristoph teria mais chances de sobreviver, mas Danika imaginava que não deveria ter sido fácil para Benjamin assinar a autorização para que fosse feita uma traqueostomia no pai.

- A Amelie me disse que ele parecia um pouco melhor...

Como não estava autorizada a entrar na UTI para visitar o rei, Nika confiava no relato da princesa. Amelie era franca e inteligente demais para se deixar enganar.

- Ela disse que seu pai estava respirando com mais facilidade e que os médicos começaram a reduzir os parâmetros do respirador. Foi uma boa decisão, Benji, não se sinta tão culpado.

Os dois estavam sentados num dos bancos do jardim aos fundos do hospital, exatamente no mesmo local ocupado durante a internação de Lukas há cerca de um ano. Lisbeth brincava com algumas outras crianças que, assim como ela, esperavam pelo horário de visitas. Beth obviamente não entraria na UTI para ver o avô naquele estado, mas Amelie não escondia que o melhor momento do seu dia era receber um beijo da sobrinha.

- Nenhuma decisão é fácil, mas você fez o que era melhor para ele neste momento.

A mão de Danika buscou pela de Benjamin, querendo transmitir ao ex-namorado o apoio que Benji não encontrava em mais ninguém. Amelie continuava muito abalada com a saúde debilitada do pai, Luke preferia se manter afastado para não agravar a confusão criada pela imprensa e Helena havia declarado uma guerra fria ao primogênito depois da discussão no quarto do hospital. No fim das contas, apenas Nika estava por perto para amparar Benjamin naquele momento tão complicado.

Exatamente por estar ao lado dele, Danika se sentiu no direito de fazer aquele pedido a Benjamin. A última coisa que Lehmann queria era criar mais um atrito naquela família já tão conturbada, mas a romena não conseguia ignorar o sofrimento alheio. Era muito fácil se colocar no lugar de uma mulher mortificada pela angústia porque Nika também já havia experimentado uma dose daquele tipo de amor pleno e irracional.

- Eu gostaria que você me fizesse um favor, Benji. É um pedido meu.

Os olhos castanhos estavam sérios quando buscaram pelo rosto do príncipe. Os dedos se entrelaçaram aos dele antes que Nika completasse o seu discurso.

- Eu ficaria muito grata se você acrescentasse o nome de Hilda Krauss à lista de pessoas autorizadas a visitarem o seu pai. Estou certa de que bastará um pedido seu para que este encontro aconteça de forma discreta.

Lehmann realmente não sabia como Benjamin iria reagir ao pedido. Por mais que o rapaz desprezasse Helena, Hilda ainda era uma amante que havia abalado as estruturas de sua família e gerado um filho bastardo de Cristoph. Por isso, a romena se apressou em justificar aquela solicitação.

- O Lukas disse que ela está arrasada, que não consegue pensar em outra coisa e que está buscando por notícias em qualquer nota que aparece no jornal. Eu sei que a situação é delicada e que você tem os seus motivos para não gostar desta ideia, mas partiu o meu coração pensar no quanto ela está sofrendo. Os dois cometeram uma sucessão de erros ao longo da vida, mas eles se amam.

Nika guardou para si a opinião de que Hilda merecia muito mais um lugar ao lado do rei do que a própria rainha, mas aquela frase estava subentendida no pedido da romena. Os olhos castanhos estavam cheios de expectativas enquanto Danika esperava pelo posicionamento de Benji. Uma resposta positiva do príncipe certamente faria com que Lehmann recuperasse um pouco da admiração que um dia sentira por ele.

- Você pode fazer isso por mim, Benji?
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Out 08, 2016 5:18 am

O menino de nove anos que havia descoberto atrás das cortinas que existia um irmão no mundo não conseguia compreender a complexidade que envolvia Cristoph, Helena e Hilda. Para o garotinho que estava apenas fugindo de um flagra em meio a suas travessuras, o mundo não deveria ser um lugar tão complicado.

Conforme foi crescendo e amadurecendo a ideia de que o rei da Áustria havia tido um filho fora do casamento, veio também a fase rebelde da adolescência. O pai havia deixado de ser um herói aos seus olhos cada vez que ele pensava que existia um irmão que ele não conhecia, perdido no mundo. Consequentemente, aquela sua frustração era esticada até Hilda.

Benjamin não conheceu o rosto da mãe de Lukas por muito tempo, mas não precisava de uma imagem em sua mente para odiar a mulher que havia abalado o casamento dos seus pais. Ele, o filho preferido de Helena, tinha a obrigação moral de defender a mãe e a irmã daquelas pessoas interesseiras.

A curiosidade em saber como era o seu irmão foi o que motivou Benjamin até Leoben, e com a maturidade, ele viu que as coisas não eram tão radicais como ele havia deduzido em seus anos de rebeldia. Não haviam culpados e inocentes naquela história, a não ser os filhos que sofriam as consequências dos erros dos pais. Ainda assim era difícil digerir a ideia de outra mulher ao lado de Cristoph.

Benjamin não tinha a menor necessidade em defender Helena. Há muito tempo ele havia aprendido a repudiar o comportamento hipócrita do pai de continuar vivendo ao lado de uma mulher que ele não amava mais. Benji poderia não soltar fogos de felicidade ao imaginar Cristoph ao lado de Hilda, mas achava que o pai errava cada vez mais em manter um casamento de aparências.

Mas o que realmente motivou Kensington a conceder o pedido de Danika foi a lembrança que ele revivia constantemente em sua mente. Se fechasse os olhos, Benji ainda poderia escutar a risada e a voz desafinada do rei da Áustria cantarolando ao seu lado, leve e claramente apaixonado, segundos antes da batida.

Nem mesmo nos melhores dias do casamento de Cristoph e Helena, o rei havia parecido tão livre e feliz. Ele tinha em seus olhos castanhos a mesma alegria que Benjamin havia demonstrado ao lado de Danika, sem deixar dúvidas ao príncipe regente que havia o envolvimento da mãe de Lukas naquela história.

Seus dedos apertaram levemente a mão de Danika, os olhos presos em Lisbeth, atentos a qualquer perigo que rondasse a filha.

- Ela só precisa se certificar de que a minha mãe não vai estar por perto quando decidir aparecer.

O olhar metálico deslizou até pousar em Danika, estudando a ex-namorada com carinho. Mesmo em meio a tanto sofrimento, Benjamin queria prolongar aqueles dias apenas para ter Lehman ao seu lado por mais tempo.

- Eu posso ter controlado a Rainha Má por um tempo, mas ela colocaria fogo neste hospital se visse a Hilda perto do meu pai.

Benjamin puxou o ar com força e se ajeitou no banco. O corpo já não estava mais tão dolorido e os cortes do seu rosto começavam a cicatrizar. O vestígio mais claro do acidente era refletido em seu braço imobilizado, mas Kensington sabia que havia sido extremamente sortudo em ter escapado com tão poucas lesões de uma batida tão séria.

Outro motivo que o fazia desejar continuar naquele hospital era a inevitável responsabilidade de assumir o trono enquanto o pai não se recuperava. Era fácil ameaçar Helena se vangloriando de sua posição na hierarquia ao trono, mas cada vez mais Benjamin se sentia mais angustiado e próximo ao seu destino que ele tanto havia desejado escapar.

Sem perceber que encarava a ex-namorada fixamente, Benjamin apenas tentou encontrar nela uma saída para os seus problemas. Um ano antes, Danika era a salvação para escapar daquele destino pesado que o acompanhava desde o berço. Ali, durante aquele momento difícil, era Lehman que lhe dava a sustentação necessária.

- Nika?

Benji a chamou depois de alguns segundos de reflexão. Ele sabia que estava seguindo por um caminho delicado demais, que provavelmente teria um melhor ganho se não cutucasse a ferida. Mas já havia se enganado por tanto tempo que era melhor sofrer com a verdade de uma vez.

- O que você está fazendo aqui? Eu não estou querendo te expulsar. Na verdade, eu não sei o que teria sido de mim esses dias sem você e a Beth.

Um sorrisinho torto que havia surgido com a convivência com Lukas apareceu na tentativa de suavizar a sua pergunta.

- Mas é que você meio que me odeia, lembra?
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Out 08, 2016 3:24 pm

Não passou despercebido para Lukas o olhar de Charlie na direção da tela bloqueada do celular. Naquela manhã, o rapaz estava sóbrio e calmo, mas ainda assim era impossível não sentir ciúmes ao pensar que a ex-namorada estava reconstruindo a própria vida sem ele.

No fundo, Krauss sabia que Charlotte tinha razão em seu desabafo. Independente das mentiras e do jogo perigoso criado por Benjamin, Charlie sempre havia sido uma boa companhia. Na época mais difícil da vida de Lukas, a morena havia permanecido o tempo inteiro ao seu lado. Isso dava a Charlie o direito de se sentir magoada por não ter tido aquele carinho retribuído. A mágoa de Krauss havia sido maior que o afeto que ele sentia por ela. Luke se sentia péssimo ao pensar que fora a sua ausência que empurrara Charlotte na direção dos Price.

- Qual é o problema com o meu terno? Minha mãe teve a mesma reação. Acho que é um sinal de que devo parar de andar por aí com o meu cosplay de mendigo.

O amor que Luke sentia pela ex-namorada não se contentaria somente com uma amizade. Mas se aquilo era tudo o que Baviera tinha para oferecer, Lukas estava pronto para agarrar a oferta com as duas mãos. Ele sentia falta da namorada, mas também sentia muitas saudades da melhor amiga que já tivera. Era doloroso pensar que o relacionamento amoroso ficaria no passado, mas era uma tortura muito pior imaginar que Charlotte Baviera não faria mais parte de sua vida de forma alguma.

- Olha só, Charlie.

A expressão mais séria de Luke indicava que ele faria uma pausa nas brincadeiras para tratar dos negócios.

- Eu não sabia o que você estava fazendo aqui, então preferi não comentar que já nos conhecíamos para não te comprometer. Mas eu vou entender se você preferir que outra pessoa mexa nos documentos da sua família. É totalmente compreensível que você queira alguém com o afastamento emocional que se espera de um bom profissional.

Lukas não estava se esquivando por medo de que aquele fosse um trabalho chato, desgastante ou até mesmo perigoso. A única preocupação dele era que Charlotte não se sentisse à vontade com a ideia de que seu ex-namorado estava remexendo nos segredos sujos dos Baviera. Se tivesse acesso a todas as contas e documentos da família de Charlotte, Luke poderia descobrir em primeira mão que o pai da garota era inocente ou ainda mais culpado do que o noticiado pelos jornais.

- Eu não tenho nenhum motivo plausível para me afastar deste trabalho. Acredite, pode parecer chato, mas é algo muito importante pra um cara que começou o estágio servindo cafezinhos e enfrentando intermináveis filas de bancos. Na próxima encarnação eu vou estudar moda, sem dúvida parece ser um trabalho muito mais divertido.

O sorrisinho torto surgiu como uma breve pausa naquele discurso profissional, mas logo Krauss retornou ao ar mais sério e buscou pelos olhos verdes da garota.

- Você pode alegar que está pagando caro pelo serviço e que preferiria que a responsabilidade não ficasse nas mãos de um estagiário. Eu juro que não vou ficar ofendido se você preferir assim.

Luke estava há um semestre de se formar e seu currículo já era bem atraente. Além das boas notas e dos excelentes estágios, Krauss tinha seu nome incluído em alguns trabalhos importantes e havia publicado um artigo excepcionalmente bom em uma revista renomada de economia.

Weiss havia colocado o rapaz naquele trabalho justamente porque sabia que Lukas tinha capacidade de realizá-lo, mas é claro que o chefe o afastaria da função se aquele fosse um pedido da cliente que pagava pelo serviço.

- Mas se você decidir deixar as coisas como estão, eu prometo que terei um comportamento totalmente profissional neste caso e farei o possível para te entregar o relatório final das contas até o fim do mês. A escolha é sua.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Out 08, 2016 4:18 pm

O questionamento de Benjamin fez com que os olhos da romena buscassem pela imagem de Lisbeth. Naquela manhã, a pequena princesa estava adorável com um vestidinho branco estampado com flores coloridas. As sapatilhas igualmente brancas já estavam sujas depois da correria pelo jardim, mas Nika não tinha coragem de interromper a diversão da filha com as outras crianças apenas para que Beth continuasse com um visual impecável.

Os olhos de Danika rolaram com alguma impaciência quando a moça se deu conta de que não fazia mais sentido usar Lisbeth como desculpa. No começo, Nika havia dito que Beth estava ansiosa e sentia falta do pai, mas agora isso parecia muito pouco para explicar tudo o que Lehmann vinha fazendo pelo ex-namorado. Além de viajar para Viena várias vezes por semana, Danika havia se afastado do restaurante para dar aquele apoio a Benjamin. Definitivamente, isso era muito mais do que qualquer um esperaria de uma mulher que dizia desprezar tanto o ex-namorado, por mais nobre que fosse o coração de Nika.

- Nós temos uma filha.

A atenção de Danika continuou fixa na garotinha e os lábios dela se curvaram numa careta de desagrado quando Lisbeth rolou pelo gramado com seu vestido branquinho.

- Uma filha que não tem a menor noção do quanto custa um sabão em pó tira manchas! LISBEEEETH!

A garotinha deixou claro que sabia que estava fazendo algo errado quando se levantou da grama num pulo e lançou seu melhor sorrisinho meigo na direção dos pais antes de voltar a correr com os novos amiguinhos.

- Enfim, Benji... – depois de um suspiro, Nika voltou os olhos novamente para Kensington – A Lisbeth é um elo que vai nos unir para sempre. Não faz sentido continuarmos em guerra, isso não vai fazer bem para ela. Pela Beth, eu acho que deveríamos tentar ser amigos e é isso o que eu tenho buscado fazer nos últimos dias. Você está passando por um momento difícil. Seu pai está inconsciente, a Amelie está muito abalada, o Luke tem seus motivos para não querer se envolver nesta confusão e já ficou claro que você não pode contar com o apoio da sua mãe. Eu achei que você precisaria de um amigo.

Há um ano, Danika teria ignorado lindamente todo o sofrimento do ex-namorado e jamais lhe ofereceria uma amizade. A mágoa gerada pelas mentiras de Kensington ainda existia, mas o tempo havia feito com que Nika encarasse a situação com mais maturidade. Qualquer problema que abalasse Benjamin acabaria se refletindo em Lisbeth.

Mas também havia uma explicação muito menos racional para aquele comportamento da romena. Danika morreria antes de fazer aquela confissão, mas a verdade era que a felicidade que ela encontrara nos braços de Benjamin fora especial demais e sua mente se recusava a macular aqueles momentos com mágoas. Por mais que não conseguisse enxergar nenhuma maneira dos dois superarem o término do namoro e voltassem a ficar juntos, Danika não conseguia esconder de si mesma que ainda o amava.

- Muito obrigada. – Danika mudou o foco do assunto antes que acabasse dizendo algo mais comprometedor – Pela Hilda. É muito nobre da sua parte deixar que ela venha aqui. Seu pai vai ficar muito feliz quando souber que você autorizou a entrada dela.

Sempre que falava sobre o rei, Nika deixava claro que acreditava que Cristoph se recuperaria um dia. A situação dele era muito delicada e os médicos sempre preparavam a família para o pior ou para uma sobrevida cheia de sequelas. Mas, no papel de amiga que Danika tentava exercer, cabia a ela a tarefa de não deixar Benjamin perder as esperanças.

De dentro da bolsa, Danika puxou o celular apenas para conferir as horas na tela bloqueada. Ainda faltavam quinze minutos até o horário de visitas no andar de Amelie, então Lisbeth ainda tinha mais alguns minutos de diversão com as outras crianças.

A simplicidade da princesinha da Áustria fazia com que todos ao redor se derretessem por ela. Beth não era uma criança mimada, não se sentia superior aos outros e não abria brechas para formalidades enquanto corria pelo jardim, rolava pelo gramado e interagia com os outros pequenos. Era aquela doçura que fazia com que o povo já a amasse, sem imaginar que na linha de sucessão ao trono austríaco havia uma princesa que não possuía uma gota do sangue Kensington.

Por mais que Benjamin também fosse adorado pelo povo, era evidente que a simplicidade de Lisbeth vinha da mãe. Mesmo com a fortuna que Danika recebia de pensão todos os meses, a romena não havia mudado o estilo de vida. Lisbeth ganhava tudo o que tinha direito, mas a mãe da menina não usava o dinheiro de Benji para sustentar os próprios luxos. Tudo o que Nika conseguira nos últimos meses era fruto do seu trabalho no restaurante e se resumia a um carrinho popular e a roupas um pouco melhores do que as peças desgastadas que ocupavam o guarda-roupas da antiga garçonete.

Naquela manhã, a saia preta tinha o modelo sino, a cintura alta e alcançava os joelhos da romena. A blusa cor de vinho de gola rolê não tinha mangas por causa do calor que se espalhava por Viena naquela manhã ensolarada. Os sapatos tinham um salto mais baixo e confortável, bem diferente dos modelos caros e sofisticados que Helena desfilava pelos corredores do hospital.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 08, 2016 4:40 pm

Charlotte sabia que seria perigoso voltar a conviver com Lukas. Ela ainda se sentia magoada pelo tempo de afastamento, dizendo a si mesma que deveria se afastar de tudo que envolvia os Kensington. Infelizmente Krauss estava no meio daquele furacão, de todos os erros que ela precisava deixar para trás para seguir com a própria vida.

Mas o destino continuava a brincar com aqueles encontros inesperados, fazendo toda a lógica e certeza de Baviera desaparecer. O mais sensato seria pedir que Krauss realmente se afastasse do caso, encerrando de uma vez por todas qualquer ponta solta do relacionamento entre eles.

Apesar de saber exatamente o que deveria fazer, as palavras que saíram de sua boca acalmaram o coração angustiante, contrariando as ordens da sua mente.

- Eu quero você.

Apenas quando ouviu a própria voz ecoando ela sala de reuniões, Charlotte percebeu seu deslize, corando imediatamente. A coloração rosada em suas bochechas não combinava em nada com a menina confiante do passado, mas ela imediatamente cruzou os braços em uma postura claramente defensiva e se corrigiu.

- Eu prefiro que você continue a frente do caso, Lukas. Não vai ser uma tarefa fácil, mas pelo menos eu vou ter alguém que saiba ser discreto com o que encontrar. Eu realmente não sei o que esperar de tudo que vamos remexer, mas ainda é melhor ter você do que um completo estranho.

Um dos braços de Charlotte foi esticado na direção de Krauss e ela apontou mais uma vez para a aparência social do ex-namorado, voltando a exibir o sorrisinho provocante. Por mais que os dois estivessem tentando se comportar profissionalmente ou com a distância exigida com o fim do namoro, era impossível controlar as provocações. Aquilo só mostrava que independente de todo o drama vivido entre os dois, a amizade ainda existia, adormecida em algum canto, se mostrando presente apenas em fagulhas.

- Além do mais, o seu chefe parece confiar mesmo no seu trabalho, então você não deve ser um estagiário. Provavelmente são essas roupas...

Ela balançou a cabeça em um ar de reprovação forçado, fazendo os cabelos curtos oscilarem em ondas bem penteadas.

- Porque se ele soubesse que o estagiário perfeito preferia virar a noite assistindo a jogos repetidos e comendo pizza velha ao invés de se preparar para as provas, provavelmente não estaria tão confiante assim.

O celular em sua bolsa voltou a apitar com o alerta de uma nova mensagem, mas desta vez Charlotte não se preocupou em olhar o visor para saber que Tobias estava cobrando novamente pelo seu atraso.

Baviera quase xingou Price por interromper aquele momento, mas aproveitou apenas a lembrança de que sua vida não era mais a mesma da menina que acompanhava Krauss naquelas madrugadas com pizzas velhas.

- Eu não esperaria outra coisa de você além da dedicação profissional, Luke. Continue usando ternos como esse e talvez na próxima encarnação você tenha algum sucesso na carreira de moda.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Out 08, 2016 7:45 pm

A cabeça de Lukas Krauss pairava vários centímetros acima de Charlotte. A diferença nas estaturas dos dois já era gritante e se tornava ainda mais bizarra com Luke equilibrado em cima de um banquinho enquanto tentava alcançar os níveis mais altos do closet que um dia pertencera ao Sr. Baviera. Era ali que o homem guardava as escrituras de todos os imóveis em seu nome, assim como os comprovantes de depósitos realizados por sua empresa e os principais documentos que Lukas precisaria para concluir o seu trabalho.

Como havia seguido do escritório direto para o antigo endereço dos pais de Charlotte, Luke ainda usava os trajes clássicos que havia selecionado antes de sair de casa naquela manhã. A única diferença era que o rapaz havia se livrado do paletó e dobrado as mangas da camisa social até os cotovelos, o que dava a ele o conforto necessário para continuar naquela busca.

- Ainda tem uma pilha de pastas lá no fundo.

Krauss comentou enquanto se inclinava para entregar à Charlie todos os papeis que o Sr. Baviera escondia na parte mais alta do maleiro.

- Deixe isto num canto e segure as minhas pernas. Se eu cair, me leve para qualquer hospital que não esteja rodeado por jornalistas. Eles só tem imagens minhas doente, não quero reforçar a ideia de que sou frágil e acabado.

Depois daquela brincadeira, Luke se colocou na ponta dos pés e se segurou com firmeza na parte superior do armário. O rapaz teve que esticar o tronco e chegou a perder o contato com a superfície do banquinho para alcançar as pastas que o Sr. Baviera escondera no fundo do armário. A grossa camada de poeira que cobria os papeis indicava que, muito provavelmente, os investigadores não tinham tido acesso a eles nos últimos meses.

- Pronto, acho que isso é tudo. O Weiss já me passou as senhas do banco e dos e-mails da empresa. Acho que tenho o bastante para começar.

Internamente, Lukas não tinha a menor esperança de descobrir algo positivo para os Baviera. Era óbvio que o pai de Charlie não era inocente e que mais fraldes seriam descobertas com a análise daqueles documentos, mas ainda assim Krauss estava disposto a fazer o seu trabalho com seriedade. Ele estava sendo pago para isso e Charlotte certamente precisava daquelas provas para se convencer que seu pai merecia estar atrás das grades.

Com um salto ágil, Luke desceu do banquinho e colocou a última pilha de pastas junto com os outros papeis. A mão de Krauss buscou pelo nó da gravata azul marinho, afrouxando-o em busca de algum alívio depois daquele dia cansativo.

Nenhum dos dois havia dito com todas as letras que queriam retomar a amizade do passado, mas os comportamentos leves e o retorno daquele clima divertido de provocações indicava que era este o caminho que ambos queriam seguir a partir daquele momento.

- Seu pai é um homem esperto. Não há lugar mais seguro do que este para esconder a documentação. Você precisaria daquelas escadas de bombeiros para alcançar o maleiro.

Luke não havia conhecido pessoalmente a Sra. Baviera, mas as fotos da socialite mostravam que era da mãe que Charlie havia herdado a sua estatura tão pouco favorecida. De fato, a esposa e a única filha do Sr. Baviera jamais teriam acesso às pastas escondidas no fundo do nível mais alto do closet do homem. A julgar pela camada de poeira que cobria os papeis, nem mesmo os investigadores da polícia tinham ido tão longe.

- Eu vou te manter informada, Charlie. Será um trabalho longo, mas eu não vou esconder nada de você. Mesmo se as notícias não forem boas, prometo que você será a primeira a saber.

Era divertido ver como Lukas alternava a postura séria de um economista com o seu velho jeito despojado. Quando buscou pelas íris verdes da ex-namorada, era como um amigo que Krauss falava.

- Mas não vou começar hoje, estou morto de cansaço. Tudo o que eu quero agora é uma pizza velha, cerveja barata e uma reprise de jogo na televisão. Quer relembrar os velhos tempos? – Luke completou antes que Charlie interpretasse mal aquele convite – Eu já entendi que não vai rolar mais nada, mas ainda podemos ser amigos. Não estou te chamando para um encontro, só estou querendo a companhia de uma velha amiga, como nos bons tempos.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Sab Out 08, 2016 10:24 pm

Havia uma equipe inteira dedicada a preparação da primeira aparição de Benjamin Kensington como príncipe regente. Desde sua aparição pública no aniversário de Amelie, um ano antes, o povo havia se encantado com o jovem herdeiro, mas era fácil ser adorado na posição do príncipe encantado e pai apaixonado.

Seria a primeira vez que Benjamin apareceria ao povo como o homem que tomaria decisões importantes no lugar da figura já conhecida de Cristoph. Por isso, independente das reais intenções da rainha, Helena não deixaria que nada de ruim estragasse a aparição do seu primogênito.

O jardim frontal do palácio estava abarrotado de jornalistas, mas as grandes portas foram mantidas fechadas durante toda a manhã. Por trás de sua proteção, profissionais preparavam Benjamin de diversas formas possível.

Uma mulher baixinha se encarregava de tirar qualquer brilho de seu rosto e Benjamin podia jurar que havia sentido um pouco de maquiagem em uma de suas apalpadas com uma esponjinha. Um rapaz magrelo que parecia jovem demais para estar trabalhando precisava garantir que o príncipe regente não sentisse fome ou sede. Sua roupa social já havia sido previamente separada, os cabelos impecáveis e até a gravata não havia sido escolhida por ele.

Helena estava sentada a sua frente e também recebia uma camada de maquiagem da mulher baixinha. Um dos seus infinitos vestidos sociais e justos cobria suas pernas até os joelhos e exibia um respeitável decote quadrado. O azul do tecido era tão intenso que quase chegava a ser preto, o que fazia Benjamin ter a sensação de que estavam de luto. Um luto precoce, já que o rei e Amelie ainda estavam no hospital, vivos.

Benjamin havia recebido alta há apenas um dia, mas Helena insistia que a conferência não poderia demorar mais para acontecer. O palácio precisava dar uma resposta formal ao público e calar de uma vez os tabloides.

Ao contrário de qualquer pessoa normal, o jovem Kensginton não estava comemorando a sua saída do hospital. Aquilo só significava que ele estava sendo empurrado para o seu destino final, além de ficar longe de Danika e Lisbeth.

A ex-namorada havia sido o seu suporte durante toda a sua estadia hospitalar, mas Benjamin sentia que precisava muito mais da presença dela agora que estava de volta ao palácio. As lembranças que Lehman possuía daquele lugar eram as piores possíveis e foi apenas o medo de ir longe demais que impediu Benjamin de pedir que ela o acompanhasse.

O barulho de saltos ecoou pelo piso de pedra e fez Benji se virar para encarar mais um dos profissionais contratados por Helena. Ao contrário do garoto e da mulher baixinha e gordinha, a recém-chegada quase poderia se passar pela realeza.

Os cabelos cor de mel caíam em ondas brilhantes até um pouco abaixo dos ombros. Sua maquiagem era leve e discreta e os olhos de um raro azul turquesa. A maquiagem em seu rosto era extremamente leve e ela parecia se portar como uma pessoa da alta sociedade. Os ombros retos, os gestos discretos. A única coisa que a entregava era o terninho feminino barato de mais para alguém de posse.

Era quase como olhar a versão feminina de Benjamin que chegou a Leoben, tentando se passar por um homem comum apenas trocando as vestes.

- Annike!

Helena abriu um sorriso e se levantou do seu lugar, ignorando a mulher baixinha que tentava consertar uma falha inexistente em seu nariz arrebitado.

- Você está atrasada, por um instante achei que não fosse aparecer.

- Jamais, Majestade. – Annike inclinou levemente a cabeça em uma reverência antes de voltar o seu olhar para Benji, repetindo o gesto.

- Benjamin, está é Annike. – Helena introduziu, e a curiosidade de Benjamin era sincera.

A rainha sempre gostou de separar a posição dos criados e da realeza. Mas Annike parecia ter conquistado algo de diferente em Helena. O seu rosto delicado e seus gestos polidos apenas demonstravam a inteligência de Annike. A menina era o braço direito da rainha em tudo relacionado a exposição da família real.

Mesmo muito nova, a jovem publicitaria sabia lidar com perfeição com o furacão que os Kensington eram e filtrava apenas o que o mundo realmente deveria ver.

Com um ar profissional, Annike atravessou a sala e se sentou no sofá em frente a Benjamin, puxando uma prancheta para cima dos seus joelhos.

- Não vai retocar o meu cabelo ou me oferecer morangos? – Benjamin debochou.

Não era comum que o príncipe fosse grosseiro com as pessoas, mas o simples fato de Helena gostar da menina a sua frente já fazia uma barreira invisível começar a surgir diante de si.

- Não. Eu só vou te ajudar a mentir. – Annike explicou sem ao menos piscar diante das palavras do rei.

Um sorriso torto apareceu no rosto do rapaz e ele procurou Helena com o olhar.

- Jura? Você acha mesmo que eu preciso de alguém para me ajudar a mentir?

- A sua pequena aventura só é uma prova de que não, meu querido, você não sabe. – Helena se sentou ao lado de Annike, fazendo um gesto para que ela começasse.

Embora o que tivesse feito com Danika fosse imperdoável e ainda o assombrasse todas as noites, Helena acreditava que se o filho fosse mesmo um bom mentiroso, teria conseguido sustentar a história de Müller por mais tempo. Ao invés disso, ele se atrapalhou acreditando que roupas simples seriam suficientes para criar um homem comum. O dinheiro sempre surgia com facilidade e nunca foi capaz de desapegar completamente de Viena. Annike seria responsável por não permitir falhas como aquela.

- Bom, tudo o que você precisa fazer é saber escolher as perguntas. Não se deixar abalar pelas mais maliciosas e responder apenas o básico. Por exemplo, se alguém perguntasse o motivo da rainha ser a única não estar no acidente... o que você diria?

- A verdade? – Benjamin abriu um sorriso amargo ao encarar a mãe. – Que a Bruxa Má do Oeste prefere comer crianças no café da manhã a participar da festa de três anos da neta dela. Mas eu me limitaria a dizer que ela estava indisposta e não pôde nos acompanhar.

Annike imediatamente balançou a cabeça em reprovação e Benjamin não compreendeu o que havia feito de errado quando ela fez uma breve anotação em sua prancheta.

- Isso só vai dar margem para eles perguntarem se a saúde da rainha também é motivo de preocupação. Ao invés de se preocuparem só com o rei, sua mãe também seria o alvo.

- E o que eu deveria responder então, Gênio da Mentira?

- Você não responde. – Annike respondeu com simplicidade. – Simplesmente parte para a próxima pergunta até escolher a menos arriscada. E por fim...

A loira soltou uma folha da prancheta e a entregou a Benjamin.

- Você dá o seu discurso.

Benjamin deslizou os olhos para as palavras já montadas. Ele deveria se colocar diante do país inteiro e agir como um bonequinho de Helena. O destino que ele tanto havia temido estava bem diante dos seus olhos.

- Isso é ridículo.

- É você quem joga as cartas, meu querido. – Helena abriu o seu sorriso e estreitou os olhos. – Mas você ainda não conhece o jogo.

Aquela era a vingança da rainha pela ofensa do filho no hospital. Benjamin estaria a frente da monarquia enquanto o pai estivesse no hospital. Mas ele estaria completamente perdido sem Helena.

Meia hora depois, o rosto de Benjamin era reproduzido em centenas de televisores ao redor do país. Sua voz ecoava nas rádios e a internet comentava sobre o príncipe regente e o seu discurso. As palavras prontas de Annike se resumia em pedir que rezassem pela recuperação do rei, sem deixa-lo parecer como um menininho assustado, mas como um homem pronto para a posição que precisaria enfrentar.

Por dentro, Benji se sentia completamente destruído. Era como se tivesse acabado de vender sua alma ao diabo e mais do que nunca ele quis voltar no tempo, voltar a ter o sobrenome Müller, de sentir o corpo dolorido após um dia de trabalho e de ter o tempero da comida de Danika infestando o pequeno apartamento.

Ele se sentia deprimido demais quando entrou no banco traseiro do carro no instante em que se viu livre das câmeras. O motorista recebeu apenas uma palavra antes que Benji mergulhasse em um profundo silêncio no caminho até Leoben.

Danika seria uma das últimas pessoas que ele procuraria algumas semanas antes. A ex-namorada apenas o deixaria mais deprimido ao lhe lançar seus costumeiros olhares de ódio, mágoa e crítica. Mas os dias no hospital trouxeram esperanças de que Benji não estava inteiramente sozinho.

Mesmo que jamais recuperasse o amor de Lehman, ele precisava desesperadamente de um ombro, e apenas a romena compreenderia o que ele estava passando.

O príncipe regente já havia se encontrado naquele corredor dezenas de vezes antes, mas ele se sentia grande demais diante da porta que já havia servido ao seu lar. Como se as roupas elegantes e o homem que ele havia se tornado não se encaixassem mais naquele lugar.

O gesto mecânico de tocar a maçaneta foi interrompido e os dedos de Benjamin deslizaram até a campainha. Quando Danika abriu a porta, encontrou o ex-namorado com o olhar derrotado a sua frente, quase a beira das lágrimas;

- Você pode voltar a me odiar depois, Nika. Mas você estava certa. Eu preciso muito de um amigo agora.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Out 08, 2016 10:50 pm

A caixa de pizza foi deslizada para cima do balcão e Charlotte imediatamente se aproveitou das mãos livres para levantar a tampa de papelão e espiar o conteúdo, se deliciando com o cheiro do queijo derretido e com o vapor que subia.

A cozinha dos Krauss era exatamente como ela se lembrava, com exceção das garrafinhas de cerveja que estavam na geladeira, que definitivamente não existiam na fase em que o filho de Hilda lutava contra a leucemia.

Já estava tarde e o silêncio da casa era facilmente interpretado pelo sono da Sra. Krauss, o que permitiu Charlotte a fazer o comentário no mesmo tom de implicância dos velhos tempos.

- Você usa um terno elegante durante o dia e de noite volta para a casa da mamãe? Francamente Luke... Que perdedor.

O sorriso que brincava em seus lábios mostrava que não tinha nem um pingo de verdade em suas palavras. Hilda Krauss era praticamente o modelo de melhor mãe que ela já havia conhecido e se Lukas havia optado por continuar com ela, não havia nenhuma relação com sua situação financeira.

Charlotte não sabia que o rei havia voltado a se relacionar com a ex-amante depois de todo aquele tempo, de modo que não ligou os pontos para imaginar que era a preocupação de Hilda com Cristoph era o real motivo para Lukas permanecer em Viena. De qualquer forma, ela não via nada de errado com aquela mudança na vida de Krauss.

Se a Sra. Baviera fosse um pouco mais parecida com Hilda, Charlie teria voltado sem pensar duas vezes a morar sob o mesmo teto que ela, mas sua mãe já havia reconstruído a própria vida e levava seus dias como uma adolescente sem responsabilidades viajando ao lado do novo marido.

- E olha que isso está vindo de uma baixinha falida. Dois perdedores.

O barulho de pés se arrastando que vinha do corredor denunciou a chegada de Hilda antes que a imagem da mulher em um robe rosa aparecesse na cozinha. Não era a primeira vez que a Sra. Krauss flagrava o filho na companhia de Baviera com trajes tão simples, mas Charlie sempre acharia graça em vê-la com pantufas.

Pelo semblante de Hilda, a mulher estava disposta a dar um sermão no filho pelo barulho tão tarde da noite, mas seu olhar imediatamente mudou ao pousar na menina a sua frente. Os olhos esverdeados se arregalaram e ela abriu um largo sorriso ao reconhecer a ex-namorada de Lukas.

- Charlie??? Meu Deus, quanto tempo!

A mulher cortou a pouca distância entre Baviera e imediatamente a rodeou em um abraço saudoso. O minuto de tensão de Charlotte evaporou no instante em que ela percebeu que a mãe de Lukas não havia carregado mágoa ou raiva pelas mentiras do passado. Era um alívio saber que ainda encontrava em Hilda uma boa amiga, pois Charlotte não aguentaria somar aos seus erros a perda daquele carinho.

- Nossa, como você está bonita! – Hilda se afastou apenas para encarar o rosto de Charlotte, mantendo uma de suas mãos unidas a dela e a outra foi erguida para tocar os cabelos curtos. – Está parecendo ainda mais uma bonequinha.

- Obrigada, Hilda. Você também está ótima. Além de todo o trabalho para manter a casa em pé, ainda faz caridade.

Com a cabeça, Charlotte indicou Lukas parado próximo a geladeira, separando as cervejas que beberiam durante o jogo.

- Espero que pelo menos você não esteja mais preparando o leitinho dele antes de dormir.

Como era de costume nos velhos tempos, Hilda embarcou nas provocações de Baviera e encarou o filho enquanto ajeitava o nó do seu robe.

- O que você acha que eu estava fazendo de pé a essa hora? O leite não vai se aquecer sozinho.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Out 08, 2016 11:30 pm

A caneca com chocolate quente estava quase transbordando quando Danika Lehmann a empurrou para as mãos do ex-namorado. É claro que uma generosa dose de chocolate não faria com que os problemas de Benjamin desaparecessem, mas Nika estava certa de que o sabor da bebida ao menos serviria para amenizar um pouco do sofrimento. Funcionava muito bem com ela, afinal.

A noite já havia caído em Leoben quando o príncipe chegou à cidade. Nika havia voltado do restaurante poucos minutos antes das batidas na porta do apartamento, por isso ainda usava o vestido preto comportado de mangas compridas. O veludo escuro desenhava as curvas do corpo dela com perfeição e a saia terminava pouco antes dos joelhos da romena. Os pés estavam descalços quando Danika abriu a porta, mas o sapato de salto abandonado junto ao tapete certamente completaria com perfeição o visual daquela noite. Como de costume, Lehmann havia dispensado os acessórios no trabalho visto que anéis, pulseiras e cordões só atrapalhariam o seu desempenho na cozinha. As únicas peças que Nika usava eram os brincos que havia ganhado de Benjamin Müller há alguns poucos anos, muito antes dela imaginar que estava diante de um príncipe.

- Você se saiu muito bem. – Nika explicou para o olhar confuso de Benjamin – Temos uma televisão pequena na cozinha e interrompemos o trabalho por alguns minutos para ouvir o discurso do príncipe regente.

Não havia ironia na declaração de Danika. Ela realmente achava que Benjamin Kensington tinha se portado com perfeição diante de tantas câmeras. O discurso soara com uma voz firme e segura, Benji demonstrou liderança sem parecer afoito para ocupar o lugar do pai moribundo. Cada gesto dele parecia ter sido milimetricamente calculado para passar à Áustria a imagem que os Kensington gostariam.

- Bom, aquele não era você. Mas ainda assim foi um excelente trabalho.

Como já havia conhecido Benjamin na intimidade de uma vida a dois, era fácil para Danika perceber que o príncipe que se colocou diante das câmeras naquela tarde não estava feliz ou à vontade com a situação. A voz grave e ligeiramente rouca que Nika conhecia tão bem não falhou em nenhum momento, mas os olhos metálicos às vezes deixavam transparecer a tristeza e a insegurança que Benji sentia ao ocupar de forma tão inesperada o lugar de Cristoph.

Danika se acomodou de lado no sofá para conseguir encarar o ex-namorado de frente. Uma das pernas da romena ficou dobrada sobre o assento e ela apoiou o cotovelo no encosto, usando a mão como um apoio para a cabeça. A voz de Lehmann soava baixa para que aquela conversa não ecoasse até o quartinho de Lisbeth e despertasse a menina naquele começo de madrugada.

- Realmente é preciso usar esta máscara, Benjamin? As pessoas já te adoram, a sua imagem é muito positiva na Áustria. Eu não acho que as pessoas te julgariam se você surgisse como um filho terrivelmente abalado em assumir a posição do pai ainda vivo. Você não precisa ser forte o tempo todo. Você vai desmoronar se continuar sofrendo tanto e ainda tiver que sustentar a máscara de um líder forte e inabalável. Ninguém vai te julgar por parecer humano, Benji.

Um dos ombros de Nika se ergueu e ela sacudiu a cabeça como se estivesse espantando um mosquito chato.

- Mas eu não entendo nada sobre a realeza, então imagino que você saiba o que está fazendo.

Desta vez, Danika não acreditava nas próprias palavras. Era óbvio que, se Benji soubesse o que estava fazendo, o príncipe não teria batido na porta do apartamento dela tarde da noite, completamente desamparado e com lágrimas cintilando nos olhos metálicos.

O interior do apartamento não havia mudado muito nos últimos meses. Os móveis eram praticamente os mesmos que Benjamin já conhecia e a dona da casa havia modificado apenas alguns detalhes na decoração. O tapete também era novo e combinava de forma harmônica com a cor do sofá da sala.

Com a fortuna que ganhava de pensão alimentícia, Nika poderia ter se mudado para uma casa maior e mais luxuosa. Mas a romena realmente não via necessidade de um imóvel tão grande apenas para ela e Lisbeth. As duas gostavam daquele cantinho, os vizinhos eram ótimas pessoas e não faltava conforto.

O dinheiro de Benjamin era gastado unicamente com a filha. Danika havia colocado Beth em uma escolinha melhor e enchido o armário da criança com roupas boas. Como a menina ganhava muitos presentes, havia o acordo de que Beth só poderia levar um brinquedo para casa se doasse um dos brinquedos antigos para a caridade. E era impressionante a tranquilidade como Lisbeth encarava a situação e escolhia o brinquedinho que não queria mais sempre que o pai ou os tios lhe davam um presente novo.

Obviamente sobrava uma generosa parcela da pensão todos os meses e aquela quantia estava sendo depositada em uma conta no nome de Lisbeth. Quando a menina completasse dezoito anos, Danika daria a senha à filha para que ela usasse o próprio dinheiro para pagar a faculdade ou viagens que quisesse fazer.

O mundo dizia que Danika Lehmann era uma mulher interesseira, mas cada atitude dela provava que a romena não se importava nem um pouco com os luxos que Benjamin poderia lhe oferecer. Tudo o que ela queria dele era que Benji continuava a ser o pai carinhoso que arrancava sorrisos lindos de sua princesa.

Um sorriso um pouco mais leve surgiu no rosto de Danika quando ela notou uma manchinha de chocolate no canto dos lábios do príncipe. Num gesto inconsciente, Nika se inclinou e deslizou o polegar na área, limpando o rosto do ex-namorado.

- Vejo que isso não mudou. Você continua sendo uma criança lambuzada quando o assunto é chocolate. Isso não combina com a sua imagem de príncipe encantado, sabia?
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