The Royals

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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Set 22, 2016 1:09 am

- Desçam do carro. Agora.

A mãozinha de Charlotte foi ignorada pela Sra. Krauss e o tom imperativo da mulher deixava claro que aquela ordem era dirigida aos dois jovens e não apenas ao filho. Os lábios de Lukas se curvaram numa careta e o olhar sério dele passou por Charlie como se dissesse um “Eu tentei te avisar”.

Como já conhecia muito bem a mãe, Luke nem pensou em contrariá-la. A porta do passageiro foi destravada e o rapaz mantinha a cabeça abaixada quando deslizou para fora do Mercedes e alcançou a calçada vazia.

As pantufas pareciam realçar o quanto Hilda era baixinha, o que tornava ainda mais cômica a postura humilde do rapaz diante dela. A camisola cor de rosa estava parcialmente coberta por um robe branco estampado com bolinhas pretas. As pantufas também eram brancas e certamente teriam que passar pela lavadora depois daquele passeio pela calçada. Os cabelos profundamente negros estavam soltos e os cachos alcançavam os ombros da mulher. Hilda Krauss não era exatamente gordinha, mas tinha os quadris alargados, as pernas mais grossas e o busto mais avantajado.

- Mãe, são três da manhã.

- Eu sei olhar as horas, Lukas, fui eu que te ensinei. Aliás, você demorou muito para aprender. Sua dificuldade com números era tão preocupante que até hoje não acredito que você se dá tão bem em Economia.

- Mããããe!

Luke arregalou os olhos, como se implorasse que Hilda guardasse apenas para si os detalhes constrangedores de sua infância. Charlotte já implicava muito com ele sem toda aquela munição.

- Eu chego em casa e encontro um bilhete do meu filho dizendo que saiu, mas não vai demorar. Três da manhã! Ninguém poderia me julgar por chamar a polícia!

- CHAMOU A POLÍCIA??? MÃE!!!

- Não chamei, mas estava quase lá. Você não foi um adolescente irresponsável, Lukas! Vai começar a me dar trabalho depois de velho? O que você acha que estava fazendo com... AH, MEU DEUS! MAS ELA É SÓ UMA MENININHA! VOCÊ É MAIOR DE IDADE, GAROTA???

Lukas só percebeu que Charlotte também havia saído do carro quando os olhos esverdeados de Hilda se fixaram nela. Aquela pergunta descabida fez o rapaz sacudir a cabeça com um ar incrédulo.

- Oi??? Mas é claro que ela é maior de idade, mãe! Se a senhora não notou, ela estava dirigindo! Ela só é baixinha. – Luke abriu um sorrisinho torto – Como a senhora.

- Eu não estou falando com você, Lukas Krauss. A nossa conversa vai começar lá dentro! – o indicador de Hilda apontou na direção da porta da casa – Querida, você quer que eu ligue para os seus pais? Eles devem estar mortos de preocupação por causa desse irresponsável que te manteve na rua até esta hora!

- Mããããe! Os pais dela nem devem ter notado que a Charlie saiu. Eles são pessoas normais e sabem que não tem a menor necessidade de tudo isso! A senhora está agindo como uma louca!

- Como é?

Lukas percebeu que havia cometido um erro grave quando Hilda virou o corpo inteiramente na direção dele e o encarou com um semblante ofendido. O rapaz já havia participado de muitas cenas dramáticas como aquela, mas era impressionante como Hilda nunca perdia o poder de fazer o filho se sentir culpado.

- Eu sou anormal por amar o meu filho e por me preocupar com ele? Ingratidão, isso é tudo que eu recebo do meu único filho! Um dia você será pai, Lukas. Mas eu espero sinceramente que seus filhos tenham mais respeito pelos seus sentimentos. É você que me deixa louca com tanto descaso. Um anjo morre no céu sempre que uma mãe é apunhalada com tanta injustiça.

O pedido de desculpas murmurado por Lukas ecoou na rua silenciosa. Ficou muito claro que aquela era apenas uma ceninha dramática tipicamente materna quando o semblante amargurado de Hilda se desfez em dois segundos, transformando-se numa expressão mais curiosa quando os olhos verdes novamente encararam Baviera.

- Como disse que se chama, querida? Charlie? É a Charlie-Charlie de Leoben?

As palavras de Hilda mostravam que Lukas já havia falado sobre a amiga para a mãe. Na verdade, Hilda havia escutado tantas histórias sobre “Charlie” nos últimos meses que ficou sinceramente surpresa quando Olga Sturm foi apresentada como namorada do filho. Agora que pegara Lukas em flagrante aos beijos com a “amiga”, a Sra. Krauss finalmente entendia porque o rapaz não parecia nada empolgado com o namoro.

- O Lukas falou muito de você. Mas eu te imaginava um pouquinho diferente.

- Talvez com uns quinze ou vinte centímetros a mais, como qualquer garota normal. – Lukas abriu um dos seus sorrisinhos tortos, provocando a amiga com uma leveza que não demonstrava ao lado da namorada.

Quando se virou para o filho, Hilda estava pronta para atingi-lo com mais algumas palavras afiadas, mas a imagem do rapaz fez com que a mãe afastasse da mente qualquer repreensão. Uma ruga de preocupação surgiu entre os olhos verdes e a Sra. Krauss caminhou até Lukas com passos meio desesperados.

- O que fooooi? – Luke fez uma careta quando a mãe tocou seu rosto, sem entender a razão de tanto desespero.

- Você está sangrando! Lukas! O que está sentindo???

O rapaz só acreditou nas palavras de Hilda quando a mãe afastou os dedos sujos de sangue. Luke ergueu a própria mão e tocou o líquido quente que descia pelas duas narinas, sentindo o gosto metálico do sangue que escorria através de seus lábios e pingava pelo queixo, manchando a camiseta branca. A noite estava fresca, Lukas não havia feito nenhum esforço grande e não tinha o costume de ter hemorragias nasais. Mas o fato de não estar sentindo absolutamente nada fez com que o rapaz não desse tanta importância ao acontecimento.

- Relaxa, mulher, eu tô bem. Na semana passada levei uma bolada no treino, deve ter estourado algum vasinho. Vou entrar pra lavar esta bagunça, a senhora pode continuar o sermão lá dentro?
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Qui Set 22, 2016 2:05 am

Aquelas paredes eram familiares. Cada um dos quadros pendurados pelo longo corredor já estava gravado na memória de Benjamin. As esquinas dos corredores e todos os cômodos daquele palácio estavam mapeados em sua mente, junto com as entradas secretas e as passagens pelos túneis.

Anos já haviam se passado desde a última vez que o primogênito dos Kensington estivera no palácio em Viena, e mesmo com a sensação de que aquilo pertencia a uma outra vida, as lembranças de garoto eram extremamente fieis a realidade, principalmente considerando o pouco que havia mudado na última década.

Provavelmente a diferença mais gritante vinha dos olhos azuis que observava tudo. O adolescente problemático que havia sido afastado da capital não existia mais. Mas ali também não tinha espaço para Benjamin Müller. E o homem empenhava com perfeição o papel do príncipe que deveria ser o orgulho da família.

Os trajes mais caros e assinados por estilistas caíam com perfeição em seus ombros. Não havia uma única linha fora do lugar da calça clara. O cinto escuro valia mais do que todo o guarda-roupa em Leoben e a camisa branca estava enfiada para dentro da calça, parcialmente escondida pelo blazer azul da mesma tonalidade que seus olhos.

O mesmo Benjamin sério que havia chegado em Leoben meses antes parecia estar de volta. Não havia nem mesmo a remota sombra dos sorrisos relaxados ou do homem simples que ele havia se tornado. Mas o que mais se destacava em sua expressão tensa era a preocupação.

A maçaneta dourada de uma das portas duplas girou e Benji entrou no próprio quarto. Era estranho chamar aquele canto de “seu” quando ele não havia nem mesmo crescido ali. O cômodo era enorme, com as paredes revertidas em madeira até a metade. Havia um quadro grande pintado com o rosto do príncipe, sobre a grande lareira. A cama que ocupava o meio do quarto era tão grande que não seria exagero dizer que quase caberia todo o seu quarto de Leoben. As pesadas cortinas estavam pesadas e bloqueavam qualquer luminosidade solar, mas era exatamente daquela escuridão que ele estava precisando.

Os planos de Benji se resumiam a cair na cama e encarar o teto pelas próximas horas. A única motivação para sair do quarto seria quando o pai acordasse, mas a alta dosagem dos comprimidos que ele havia acabado de engolir não permitiriam uma conversa até que a lua estivesse no céu.

Quando Benjamin chegou a Leoben, Cristoph já havia sido transferido do hospital para a comodidade do palácio. O quarto do rei, pelo menos duas vezes maior que do príncipe, estava entulhado com a aparelhagem médica, assim como o médico da família ocupava o quarto mais próximo. A exigência daquela transferência, é claro, havia sido de Helena.

Porém, qualquer intenção que ele tivesse de ficar recluso para fugir da mãe o restante do dia foi jogada por terra quando Benji se deparou com um grande par de olhos azuis em sua cama.

Os cabelos loiros estavam espalhados sobre a colcha vermelha e os lábios que sempre carregava um sorriso inocente, estava pintado com um exagerado batom vermelho. A pequena Amelie era o retrato ideal de uma princesa quando tinha dez anos de idade. Mas a imagem que Benji tinha da irmã agora era o oposto.

- Você está parecendo um guaxinim.

Ele resmungou enquanto fechava a porta. O relógio em seu pulso foi retirado e apoiado sobre a lareira e logo a camisa branca estava sendo puxada para fora da calça, deixando a borda amarrotada exposta.

- Você está parecendo o príncipe William.

O blazer deslizou pelos seus ombros e Benji o jogou sobre uma poltrona próxima da janela. Enquanto desabotoava as mangas da camisa branca, ele evitava olhar para a irmã e sua exagerada maquiagem.

- Isso deveria ser uma crítica?

- É claro que sim. – Amelie girou os olhos e rolou pela cama para deitar de lado, apoiando o peso do corpo em seu cotovelo. – Não gosto dele. Certinho demais.

Desta vez, Benji precisou soltar um risinho e balançou a cabeça até encarar a irmã, que sorriu vitoriosa pela atenção.

- E de quem você gosta? Justin Bieber?

- Muito feminino. – Amelie franziu o nariz em uma careta de nojo e chegou para o lado quando o irmão se aproximou da cama, sentando na beirada. – O Slash, talvez.

- Aposto que a mamãe adora essa sua nova fase punk.

- Bom, ela sempre vai ter o filhinho dela para encher de orgulho.

A crítica de Amelie não demonstrava ciúmes pelo irmão. Era apenas a sua forma de reclamar de Helena. Se Benji e a mãe não tinham um relacionamento tão próximo, poderia se dizer que ela e a filha viviam em guerra fria.

Tudo que Amelie fazia, era uma forma de protestar contra a autoridade de Helena. Os cabelos loiros estavam ressecados e pareciam ter sido desbotados com química. A maquiagem pesada nos olhos e nos lábios escondia a aparência angelical de Amelie. E as roupas eram rasgadas e chamativas, como se a princesa estivesse pronta para ir em um show de rock.

- Como está o papai? – Amelie se acomodou até apoiar a cabeça no colo do irmão, que havia se recostado na cabeceira.

- Dopado. – Benji resmungou, fazendo uma careta ao lembrar da imagem abatida do pai. – Mas o Dr. Wolfgang garantiu que ele está melhorando. Que em mais alguns dias vai poder sair para pegar um pouco de sol no jardim.

A saúde do rei era uma preocupação geral. Os portões do palácio estavam abarrotados de flores e mensagens dos cidadãos desejando sua rápida melhora. Mas só de saber que Cristoph não corria mais perigo, Benji não se sentia tão culpado em desejar voltar logo para Leoben.

Ele estava tão envolvido em sua rotina com Lisbeth e Danika que estava se sentindo sufocado sem a presença das duas. Por diversas vezes, ele desejou esticar as mãos e afagar os cabelos castanhos da namorada. Quando dormia, se virava para o lado a procura dela e despertava quando encontrava a cama vazia.

Por mais que vestisse a máscara de príncipe, dia após dia, Benji sabia que seu lugar não era ali.

- Ótimo... – Amelie fez uma pausa e deslizou a mão para o bolso da calça rasgada, puxando o celular de lá.

Benji estava tão perdido em seus pensamentos que demorou a reconhecer o próprio aparelho nas mãos de Amelie.

- Agora você pode me explicar por que a Charlie tá achando que você está em um hotel?

Amelie perguntou com sincera curiosidade, como se nem por um segundo tivesse cogitado que a mensagem recebida no telefone de Benjamin não era da única namorada que ela conhecia.

Mas o desespero explícito no rosto de Benji e a forma com que ele arrancou o celular dos dedos de Amelie fez com que a menina logo desconfiasse que alguma coisa estava errada.

- O que você estava fazendo com o meu celular???

- Credo, Ben! Eu só peguei pra olhar o Facebook. Mamãe prendeu o meu de novo, só porque eu ia postar uma foto de topless.

Os olhos azuis ainda estavam arregalados enquanto ele lia a mensagem enviada por Danika. Ele estava tão apavorado com o fato de Amelie ter descoberto seu segredo que quase não sentiu o impacto do que a namorada estava dizendo.

Um calor cresceu em seu peito e foi impossível controlar o sorriso. Ele precisava voltar para Leoben o quanto antes. Lá era o seu lugar, ao lado da única mulher que o fazia sorrir.

- Não é a Charlie, han? – Amelie se sentou no meio da cama e encarou o irmão com um sorriso malicioso. – Por um segundo achei que você tinha pedido a baixinha em casamento. Você não pediu essa aí em casamento, não é???

O desespero na voz de Amelie fez os olhos azuis se erguerem para encará-la, precisando abandonar por alguns segundos aquela felicidade.

- Você nem a conhece, como já pode recriminar?

Benjamin teve tanta ânsia em defender Danika que só percebeu o próprio erro quando o rosto da irmã se iluminou em vitória.

- Por isso mesmo! Eu nem conheço! Você precisa me apresentar primeiro. E se for uma mini-Helena, como a Charlie?

- Achei que você gostasse da Charlie.

- Quando ela não está tentando roubar a coroa, ela é uma vadia legal. Essa vadia aí, eu nem sei.

Benji sabia que a expressão “vadia” usada por Amelie não tinha a mesma conotação quando Helena havia falado com Danika. Mas mesmo assim, ele sentiu o instinto de proteger a namorada, mesmo sabendo que não havia real ameaça.

- Ela não é uma vadia. Você não vai conhece-la. E ela não é nada como a Charlie.

- Como assim, eu não vou conhecer? A garota tá dizendo que te ama, Benji. É claro que eu vou conhecer... E afinal, qual é a pergunta que ela está dizendo sim?

Os dedos de Benji seguravam o celular como se aquele gesto pudesse proteger Danika. Ele vinha tentando se esconder das próprias mentiras por tempo demais. O fato de Charlotte saber e participar da sua farsa não ajudava em nada. Benji se sentia sufocado e precisava desabafar. Amelie parecia ser a pessoa ideal naquele momento.

- Ela não sabe. – Benji sussurrou, temendo que Danika pudesse ouvir sua confissão, mesmo estando há quilômetros de distância.

Quando Amelie continuou encarando sem entender o real significado das palavras, Benji apontou para o quarto ao seu redor.

- Ela não sabe sobre tudo isso. Sobre mim. Ela não quer tentar roubar a coroa simplesmente porque não sabe que existe uma.

O queixo de Amelie despencou até quase encostar no próprio peito. Longos segundos se passaram sem que ela conseguisse verbalizar o choque daquela revelação. Benji se aproveitou daqueles segundos de silêncio para falar sobre Danika. Ele contou que eles haviam se conhecido em Leoben, que a menina não fazia ideia das suas origens nobres, e que era a pessoa mais encantadora do mundo.

Os olhos azuis brilharam e o sorriso que apenas Müller exibia apareceu quando ele contou sobre Danika e a vida que ele levava na outra cidade. O que muitos encarariam como loucura, foi visto por Amelie como uma grande aventura e um ato de rebeldia digno. Era quase como se a irmã estivesse invejando aquele seu escape.

Quando Benji terminou de contar, Amelie já sabia que não precisava conhecer Danika para gostar dela. A princesa já havia se tornado fã número um de Lehman. Provavelmente por ser a criatura mais irresponsável que Benjamin conhecia, Amelie o incentivou a seguir em frente com o plano de desistir da monarquia. Mais do que nunca, o irmão era um herói aos seus olhos e Benji encontrava o incentivo que precisava.

A irmã deixou seu quarto apenas horas depois, dando a privacidade necessária para que Benjamin respondesse a mensagem de Danika.

”Dê uma olhada no seu e-mail. Eu já estava pesquisando e tem pelo menos três apartamentos entre o restaurante e a creche. Um deles com vista para o rio.
Não aguento mais ficar longe de vocês. Quero voltar, mas não posso nem dizer que para casa. Quero voltar para nossa casa.
Te amo!”


Logo em seguida, uma foto foi enviada para o celular de Danika, mostrando um gigante urso de pelúcia que nem mesmo caberia no berço de Lisbeth.

”Será que o coelhinho ainda tem chance depois dessa?”.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qui Set 22, 2016 2:46 am

A ausência de Benjamin se tornou ainda mais sufocante depois que Danika finalmente concordou com a ideia de morarem juntos. Antes daquela decisão, a romena se sentia grata pelo distanciamento que dava a ela tempo para pensar numa resposta. Mas agora que estava decidido que eles morariam juntos, cada hora sem Müller parecia se arrastar em uma tortura sem fim.

Lehmann não havia agendado nenhuma visita sem o namorado, mas já começava a buscar por imagens na internet de imóveis que se encaixassem no orçamento dos dois. É claro que Nika não dava nenhuma importância ao luxo. Para ela, bastava que fosse um prédio localizado numa rua tranquila e que não fosse muito distante da creche de Lisbeth.

As mensagens de celular transitavam de Leoben a Viena durante todo o dia. Danika nunca pressionava o namorado perguntando diretamente sobre o dia em que Benjamin retornaria, mas a moça não conseguia esconder que estava morrendo de saudades. Em meio às mensagens, eventualmente surgia uma foto ou um vídeo de Lisbeth para que Benji não perdesse nenhuma das gracinhas da menina.

Naquela tarde de quinta-feira, Danika estava um pouco para baixo depois de um dia potencialmente puxado no restaurante. Dias como aquele não eram incomuns, mas o que deixava Lehmann mais infeliz era pensar que não encontraria conforto nos braços de Benjamin naquela noite.

Como de costume, o avental havia ficado para trás, mas Nika saiu do restaurante usando o vestido xadrez que lhe servia como uniforme de garçonete. Os cabelos soltos eram soprados para trás por um vento fresco, que também obrigou a romena a abaixar os braços para evitar que a saia rodada fosse surpreendida por uma rajada de ar mais traiçoeira.

Os pés equilibrados em saltos baixos seguiram pela calçada, tomando o rumo que levaria a moça até a creche onde deixava a filha. Danika estava tão concentrada na mensagem que digitava no celular para Benjamin que não notou que o carro parado quase na esquina era muito familiar. A morena teria passado direto pelo veículo se não escutasse a vozinha infantil familiar vinda da janela no banco traseira.

- Oi, mamã!

Os olhos castanhos se arregalaram quando Nika se virou e viu a cabecinha de uma Lisbeth sorridente na janela do carro, praticamente esmagada por um ursinho de pelúcia gigantesco. Os três segundos que Danika demorou para aterrissar na realidade e entender como Beth havia surgido ali foram suficientes para que braços fortes a enlaçassem pela cintura.

Antes mesmo de enxergar Benjamin, Danika reconheceu o perfume familiar que arrancava suspiros dela. Um sorriso brotou instantaneamente em seus lábios e os olhos castanhos já brilhavam de emoção quando o namorado a girou, finalmente se colocando de frente para ela.

- E aquele papo de “pelo menos mais três dias”?

Danika riu docemente da mentira que o namorado lhe dissera naquela manhã simplesmente para que pudesse fazer aquela surpresa. Aquele era o tipo de mentira inocente que não irritava Nika, mas é claro que a romena não reagiria da mesma maneira se soubesse que o namorado não havia viajado a trabalho.

- Eu adorei a surpresa, amor. Mas teria garantido um estoque maior de batatinhas se soubesse que você jantaria com a gente hoje.

As mãos de Nika se apoiaram por trás da nuca de Müller enquanto os lábios se uniam num beijo apaixonado e cheio de saudades. O vento ergueu alguns centímetros da saia de Danika, mas as mãos de Benjamin reagiram rapidamente e seguraram o tecido, arrancando uma risadinha gostosa de Lisbeth.

- Vamos precisar de uma casa com três quartos, Ben. – Nika forçou um ar sério enquanto buscava pelas íris azuis metálicas do namorado – Um pra nós dois, outro para a Beth e o terceiro para este urso absurdamente grande.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Qui Set 22, 2016 2:49 am

Se Hilda Krauss estava quase chamando a polícia simplesmente porque seu filho adulto havia saído para beber e demorado para voltar para casa, não era exagero dizer que a mulher estava surtando ao ver o filho sangrando aparentemente sem motivo.

Charlotte não precisou de um convite formal para acompanhar os Krauss até o interior da casa, mas também não teve tempo para reparar na decoração da casa simples. O lugar poderia não ter todo o luxo que ela estava acostumada, mas estava extremamente limpa e tinha um ar aconchegante e mais familiar do que o apartamento dividido por dois rapazes.

As flores que enfeitavam as mesinhas laterais e as almofadas coloridas sobre os sofás davam o toque feminino, e as dezenas de fotos espalhadas mostrando as diferentes fases do seu único filho entregavam que aquele era um lar de uma família pequena.

Mesmo para uma mulher baixinha, Hilda tinha força suficiente para arrastar o filho até que ele estivesse sentado no sofá. Ela o segurou pelo queixo e virou seu rosto até obrigar os olhos castanhos a encararem o teto, para que ela pudesse limpar o sangramento com um lenço de papel.

- Eu não sei como você ainda consegue jogar esse esporte violento, Lukas! – A mulher ralhou, sem deixar a ruga de preocupação desaparecer. – Deveria ter ido para o hospital no mesmo dia. Precisa tirar um Raio X, uma tomografia! E se tivesse tido uma concussão?

Enquanto observava a cena há apenas alguns centímetros de distância, era impossível para Charlotte não fazer associações daquela mulher com o estereótipo de mãe que conhecia. Era quase impossível que o mesmo homem que havia se casado com Helena, um dia havia se apaixonado por alguém como Hilda. As duas eram completamente opostas e não era surpreendente que tivessem criado seus filhos de formas tão diferentes.

Helena só pensava em preservar a imagem da família a ponto de afastar o filho para crescer longe, sem se importar no que perderia em seu crescimento. Hilda, ao contrário, daria a própria vida pelo filho. Era impossível não sentir um carinho por aquela mulher e se sentir grata por ter sido ela a criar Lukas.

Se aproveitando do instante em que Hilda se afastou para pegar mais lenços limpos, Charlie se acomodou no sofá e puxou a mão de Lukas. Ela tinha todo o tempo do mundo para fazer piadas sobre as novas descobertas da vida dele, mas a preocupação da Sra. Krauss também havia contagiado Baviera.

- Tem certeza que não está sentindo nada?

Imitando o gesto de Hilda, Charlie o segurou pelo queixo, mas com um movimento mais lento, puxou até que pudesse estudar o nariz dele de frente. Além das marcas por onde o sangue havia escorrido, não havia um único arranhão.

- Não é normal sangrar assim, lindinho. Nem uma dorzinha de cabeça? Nada dolorido?

As mãos foram soltas quando Hilda voltou a se aproximar, monopolizando Lukas para continuar com a limpeza como se ele fosse um menininho de dois anos de idade.

- Charlie, pode ir ligando para a ambulância, querida?

Baviera não precisava olhar para o amigo para saber que ele estaria com os olhos arregalados. Até mesmo ela sabia que era um exagero, mas como também não estava disposta a contrariar Hilda e ainda se sentia preocupada com Lukas, tentou dar a alternativa mais plausível.

- Não acho que tenha necessidade... O Luke está conseguindo andar, aparentemente está bem.

Antes que Lukas pudesse comemorar aquela vitória, Charlie acrescentou, mostrando que também estava dando razão para a mãe naquela batalha.

- Eu posso leva-lo até o hospital, meu carro está aqui na porta e com certeza vamos chegar mais rápido.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Set 22, 2016 3:38 am

Exceto pela mente um pouco entorpecida, Lukas não se sentia diferente. Nenhuma dor o incomodava, nada de tonturas, falta de ar ou qualquer outro tipo de desconforto. Se não fosse pela reação preocupada de Hilda, o rapaz provavelmente demoraria a perceber que estava perdendo sangue pelo nariz. Até mesmo o cansaço e a cabeça meio aérea pareciam normais para Luke depois de um fim de semana agitado e das cervejas que tomara no bar naquela noite.

Por isso, os olhos castanhos quase saltaram para fora do rosto quando Hilda e Charlotte concordaram com a ideia absurda de que ele precisava de um hospital.

- Eu não vou para nenhum lugar que não seja a minha cama. Vocês duas enlouqueceram? São três da manhã! Só pessoas que estão doentes de verdade procuram o hospital num domingo de madrugada! Eu não vou atrasar o atendimento de alguém que está passando mal só porque levei uma bolada na testa há dez dias e não estou sentindo nada!

Vários lenços de papel encharcados de sangue já se acumulavam no colo de Lukas, mas o sangramento finalmente estava parando. Mesmo que não fosse um sintoma normal naquele contexto, realmente parecia um exagero procurar uma emergência por causa de uma hemorragia nasal já controlada.

Como Hilda não se daria por satisfeita com uma simples negativa, Luke ofereceu uma argumentação melhor para acalmar a mãe.

- Vou adiar o meu retorno pra Leoben para terça. Amanhã vou ao consultório do Dr. Berg, conto pra ele da pancada e do sangramento. Ele vai me pedir alguns exames, que vão vir normais. Satisfeitas?

Berg era o médico da família, o mesmo que vira Lukas nascer e crescer. Hilda confiava inteiramente nele, então, mesmo contrariada, acabou concordando com os termos do filho. Até mesmo a Sra. Krauss teve que admitir que não havia razão para tumultuar a emergência de um hospital no meio da madrugada por causa de um sintoma que já havia melhorado. Luke sequer teria um sangramento para mostrar quando fosse atendido.

A hemorragia ao menos serviu para acalmar a fúria de Hilda. Ela parecia somente uma mãe preocupada quando Lukas acompanhou Charlotte de volta para o carro. Os dois jovens se despediram com mais algumas provocações e com um selinho breve, depois de Krauss prometer que enviaria uma mensagem contando à amiga sobre a consulta médica.

De volta à casa, Lukas já esperava pelo maior sermão da sua vida. Hilda não mencionara Olga diante da outra menina, mas o rapaz tinha certeza de que a mãe não o pouparia daquelas perguntas delicadas. Por ter tanta certeza de que a Sra. Krauss continuaria o seu show depois da partida de Charlie, Luke se surpreendeu com o silêncio e o olhar preocupado.

- Pode brigar comigo, mãe. É sério, eu estou bem.

- O Dr. Berg vai decidir isso. Até lá, você vai descansar e evitar grandes emoções.

Um beijo carinhoso foi depositado na testa de Hilda para tranquilizá-la antes que Lukas subisse para seu quarto. Embora achasse que tudo aquilo era uma grande perda de tempo, o rapaz cumpriu a promessa de marcar uma consulta médica naquela semana.

Berg conseguiu encaixar o antigo paciente na terça pela manhã e ouviu sobre a pancada durante o jogo de futebol sem demonstrar muita preocupação. A hemorragia nasal que não tinha se repetido também não parecia um sintoma muito importante, mas ainda assim o médico preferiu descartar maiores problemas pedindo exames de rotina.

Foi durante a avaliação física que o Dr. Berg pareceu preocupado pela primeira vez. Depois de pedir a Lukas que retirasse a camisa, o médico franziu a testa para algumas manchas arroxeadas no tronco do rapaz. O dedo de Berg apontou para a maior delas, com mais ou menos dois centímetros de diâmetro, bem próxima ao ombro esquerdo de Krauss.

- Futebol?

- Ahn, acho que sim... – Luke virou o rosto para olhar a mancha – Essas marquinhas tem aparecido desde que comecei a pegar mais pesado nos treinamentos.

- Vou marcar um retorno na sexta. Volte com os exames.

- Sexta??? – Luke fez uma careta – Minha mãe não pode mandar os exames pelo correio ou por e-mail? Eu tenho que voltar para Leoben.

- Eu prefiro que você volte aqui com os exames, Lukas. Pode ser um cuidado excessivo, mas eu prefiro exagerar do que deixar algo passar.

A decisão do médico deixou Hilda profundamente aliviada. Tudo o que ela queria era o filho por perto por mais alguns dias para ter certeza de que Luke realmente estava bem. Se os exames estivessem normais e o rapaz não tivesse mais sintomas, a Sra. Krauss o deixaria voltar para a faculdade com o coração em paz. Lukas, por outro lado, odiou a ideia de ficar mais uma semana na capital. Os dias pareciam se arrastar e a irritação de Krauss era tão profunda que ele associou aquilo com a insônia e com uma inédita falta de apetite.

Naquela noite de quinta-feira, Luke novamente procurou por Charlotte na esperança que a amiga tornasse aqueles dias em Viena menos deprimentes. No momento, os dois estavam num shopping, ocupando os assentos acolchoados de um Burger King enquanto decidiam o que fariam no resto da noite.

Pela primeira vez na vida, Charlie não via o amigo atacando o seu lanche como um leão faminto. Lukas empurrava batatinhas para a boca com muita má vontade e nem havia tocado no sanduíche ainda. Os olhos castanhos estavam distantes e os lábios de Lukas pareciam mais pálidos que o normal.

- Eu fiz os malditos exames na quarta de manhã. Se o Dr. Berg tivesse me encaixado na quarta à tarde, eu já estaria em Leoben. Eu odeio esta cidade.

Num gesto mecânico, Lukas pegou o sanduíche e deu uma mordida. O rapaz mastigou duas vezes antes de contorcer o rosto numa careta enojada. O gosto era tão forte e tão repulsivo que Krauss não conseguiu engolir. Ele lançou um olhar de desculpas para Charlotte antes de pegar um guardanapo. A ideia de Luke era cuspir o sanduíche, procurar o ingrediente estragado e ir até o balcão reclamar do produto.

Mas o que Lukas viu no guardanapo foi sangue. Uma quantidade absurda de sangue misturada ao pedaço do sanduíche, com o qual não havia nada errado. As mãos trêmulas soltaram o lanche subitamente e os olhos castanhos refletiam pânico quando Luke buscou pelo rosto da amiga.

- Eu estou sangrando???

Um pequeno filete de sangue escorria novamente por uma das narinas de Krauss, mas a fonte principal do sangramento daquela noite vinha da gengiva do rapaz e dos dentes brancos manchados de vermelho vivo.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Qui Set 22, 2016 3:40 am

Ao contrário do que Danika imaginava, aquela surpresa não havia sido tão bem arquitetada pela sua mente romântica. Quando havia respondido que o diretor precisaria da sua presença em Viena por pelo menos mais três dias, Benjamin estava mesmo disposto a continuar no palácio, pois era o prazo dado pelo médico para que o pai estivesse inteiramente liberado.

O rei da Áustria ainda precisaria fazer um acompanhamento mensal e dependeria de mais alguns meses para recuperar os quilos perdidos, mesmo com a dieta restrita passada pelo médico real. Mas o susto que havia abalado a capital havia passado.

Benji sabia que ainda era cedo para revelar a sua renúncia, ele precisava ter certeza absoluta que o pai não teria nenhuma recaída com a sua escolha. Mas queria ao menos introduzir a ideia de que estava apaixonado por uma mulher mais humilde e que o relacionamento estava sério.

Sua estadia na capital foi interrompida quando, logo depois de receber a notícia da alta do marido, Helena insistiu em aparecer em rede nacional com toda a família posando feliz com aquela recuperação.

No fundo, Benji esperava que a mãe realmente estivesse feliz com a saúde do marido. Mas era difícil acreditar nesta teoria quando sua única preocupação era se aproveitar daquele momento para passar a imagem da família unida que se amava e se suportava em tempos difíceis.

Se a ideia da mãe por si só já não o agradava, Benji quase surtou em pensar que seu rosto seria transmitido em todos os jornais, finalmente apresentando o príncipe adulto ao lado do pai. Todo o foco estaria no rei que havia acabado de lutar pela própria vida, mas aquela única exposição seria suficiente para arruinar sua vida. Ao menos, a sua vida em Leoben, a única que realmente importava.

Amelie tinha seus motivos para dizer que Benji era o queridinho da mamãe. Mas naquela manhã, Helena viu pela primeira vez seu filho se exaltar. A discussão que começou com meras discordâncias, logo se transformou em berros e acusações.

Helena o chamou de filhinho mimado que reclamava com o chocalho de ouro em mãos. Benji, por sua vez, a acusou de ser a rainha do coração de gelo, que era incapaz de amar alguém mais do que o próprio reflexo. Até mesmo Amelie assistiu a tudo com os olhos arregalados. Sua guerra fria jamais havia ido tão longe nas ofensas ditas pelo primogênito, mas ela não tentou apartar principalmente quando o irmão anunciou que não participaria daquele show de horrores.

A briga havia sido verdadeira, mas acabara se tornando também a desculpa perfeita para Benjamin voltar a Leoben. Helena estaria ofendida demais pelos próximos meses para voltar a procura-lo. Certamente arrumaria alguma desculpa para sua ausência que o colocaria como herói do dia.

Benji até se sentiria incomodado por partir com o pai ainda em recuperação, mas quanto mais tempo passava dentro do palácio, mais sabia que sua vida estava o aguardando em Leoben, acompanhado por um belo par de olhos castanhos.

Quando pegou Lisbeth na creche naquele dia, Benji ainda sentia os nervos anestesiados pela briga. Mas toda sua irritação desapareceu quando o sorriso da menininha alegrou seu dia. Lisbeth poderia não ser sua filha de sangue, mas naquele dia, Benjamin prometeu a si mesmo que jamais seria um pai tão ruim quanto Helena ou Cristoph. No que dependesse dele, Lisbeth saberia exatamente como era ter um pai que a amava e fazia tudo por ela, independente da forma que o chamasse.

***

As cortinas ainda não estavam penduradas na janela do quarto com vista para o parque, permitindo que a luz do sol atravessasse o vidro, provocando um raio iluminado exatamente sobre o ponto do chão em que Benjamin estava sentado.

Mesmo na primavera, aquele dia havia amanhecido excepcionalmente quente, e o trabalho braçal só tornava ainda mais difícil para Benji. Algumas gotículas de suor se acumulavam em sua testa e a luz do sol fazia com que os fios claros misturados aos escuros brilhassem.

Seu peito estava nu, mas mesmo sentado no chão, não haviam dobrinhas de gordura. Benji não precisava de muitas horas de atividades físicas quando até então precisava subir cinco andares de um prédio carregando Lisbeth no colo. Suas pernas quase agradeciam pelo elevador do novo prédio ter sido recém-trocado, minimizando as chances de enguiçar e permitindo que as escadas fossem deixadas de lado.

O novo apartamento tinha quase o mesmo tamanho que o do antigo prédio. A sala e a cozinha eram distribuídas quase da mesma forma, mas por ainda estarem completamente vazias, pareciam ser um pouco maiores. A maior diferença estava nos quartos. O menor deles, que tinha o mesmo tamanho do antigo quarto de Danika, era onde Benjamin estava sentado, tentando montar o berço.

Lisbeth assistia a tudo encolhida contra uma das paredes e quase deitada sobre o grande urso trazido de Viena. Em uma das mãos, ela carregava o coelhinho que havia trazido pessoalmente durante a mudança.

Sobre o carpete do quarto, algumas ferramentas estavam espalhadas enquanto Benji enfrentava a difícil tarefa de remontar o berço. Ele vestia apenas uma das primeiras calças jeans que havia comprado ao se mudar para Leoben e estava inteiramente concentrado nos parafusos que apertava.

O segundo quarto do apartamento era maior e já havia sido acomodado com a cama de casal também comprada por Benji assim que chegou na cidade. A maioria das caixas haviam sido direcionadas para este cômodo, com as roupas e pertences do casal. Nenhum dos dois tinha muitos utensílios ou móveis para preencher a sala ou a cozinha, mas Müller também já havia providenciado um sofá e uma televisão para que Lisbeth assistisse aos desenhos.

No aluguel do apartamento, os aparelhos de cozinha já vinham incluídos, liberados para que Danika pudesse aproveitar seus momentos de lazer inventando novas receitas. Mas ainda precisava ser equipada com panelas, pratos e uma infinidade de coisas que Benji jamais pensou que precisaria se preocupar em sua vida.

A viagem para Viena acabara servindo como desculpa de uma promoção no trabalho, o que justificava a insistência de Benjamin na escolha do apartamento que tinha a melhor localização e dos novos móveis.

Uma das ferramentas finalmente foi deixada de lado quando o último parafuso foi apertado e Benjamin encarou o berço como se fosse sua obra de arte.

- Será que conseguimos? – Ele perguntou com um sorriso para Lisbeth.

A menininha, ainda abraçada ao urso gigante, ergueu a cabeça com os olhinhos arregalados.

- Quer tentar?

Com o polegar, Benji indicou o berço em um convite para que Lisbeth fizesse o teste final. A menina, que ainda estava surpresa por ter visto seu berço em milhares de pedacinhos durante a mudança, simplesmente balançou em negação com uma expressão assustada.

Uma gargalhada relaxada ecoou pelo cômodo quase vazio e Benji concordou, se colocando de pé.

- Justo. Podemos pedir para o tio Luke subir aí e ver se está tudo firme, o que acha?

Mais uma vez, Lisbeth negou com um movimento da cabeça.

- Num cabu!

Lisbeth acompanhou os passos do adulto quando ele entrou na sala. As instalações da TV eram sua próxima tarefa. E mesmo ainda praticamente vazia, a sala era de longe o seu cômodo preferido.

A parede ao fundo era inteiramente de tijolinhos expostos e coberta por grossas prateleiras de madeira, onde provavelmente o antigo dono usava como uma pequena biblioteca. As portas dos quartos estava mais a direita, junto com a do banheiro. E a cozinha estilo americana era separada apenas por uma mureta.

Como também faltavam as cortinas da sala, era possível ver as portas duplas de vidro que davam acesso a pequena varanda. O lugar era pequeno e praticamente cabia apenas uma mesa redonda com duas cadeiras, mas a vista para o rio tornaria qualquer café da manhã mais agradável.

Os barulhos vindo da cozinha logo denunciaram a presença de Danika, e sem se importar com a pele levemente oleosa e com o peito exposto, ele a abraçou pela cintura, aproveitando aquela posição para depositar um beijo em seu pescoço.

- Primeira tarefa concluída.

As mãos de Benji deslizaram para frente do corpo de Danika, fazendo com que ela soltasse uma das caixas que estava desempacotando e a virou até que estivessem de frente. Quando ela finalmente ficou encurralada entre seus braços, Benji sorriu largamente.

- Você fica uma graça assim, sabia?

Ele apontou para a faixa que Danika usava para evitar que os cabelos grudassem na testa. As mexas escuras haviam sido puxadas em um coque desajeitado e espetavam para todos os lados, em um ar inteiramente casual para não atrapalhar o serviço braçal daquele dia.

- E eu não estou dizendo isso só porque quero fazer uma pausa e atacar um dos meus iogurtes. Não conte isso pro Luke, tá?

Benji se inclinou para frente e depositou um beijo carinhoso nos lábios de Danika. O casal já havia trocado dezenas de carícias intensas e apaixonadas naqueles meses de namoro. Mas até mesmo aqueles gestos mais simples do cotidiano despertavam um calor gostoso em Müller, lhe trazendo a sensação que só encontrava nos braços de Danika: de que ele estava em casa.

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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Set 23, 2016 1:52 am

O novo apartamento em Leoben simbolizava um pouco da vida daquela família que se mudava para o imóvel: ainda faltavam muitos detalhes para que tudo ficasse perfeito, mas já existia o essencial para que aquelas três pessoas fossem inteiramente felizes.

Toda a insegurança de Danika foi deixada de lado com o retorno do namorado. Olga tinha razão em dizer que o medo estava fazendo Nika perder as excelentes oportunidades apresentadas pela vida. Por isso, a romena deixou para trás todos os receios e mergulhou de cabeça naquela mudança. Em menos de uma semana, eles já tinham um contrato de aluguel assinado, alguns móveis novos e um novo lar, agora só deles.

A sala era o ponto preferido de Benjamin na nova casa, mas Danika havia se apaixonado pela cozinha. Assim como os demais cômodos, a cozinha não era grande e nem sofisticada demais. Mas a romena estava encantada com a ideia de que, pela primeira vez em toda a vida, teria um fogão só seu. Um milhão de receitas já circulavam pela mente de Nika e Benjamin seria uma felizarda cobaia que a ajudaria a selecionar as melhores ideias.

Müller havia ficado responsável pelos trabalhos braçais mais pesados da mudança, mas Danika ajudava ativamente a ajeitar os demais detalhes. Enquanto o namorado cuidava da montagem do berço e da parte elétrica, Nika desempacotava os utensílios de cozinha e as roupas e objetos de uso pessoal que precisariam ainda naquele dia.

Quando os braços firmes de Benjamin a enlaçaram, ela estava concentrada na tarefa de tirar da caixa o presente que Olga dera ao casal para comemorar a nova casa. O conjunto de panelas de inox brilhava sobre a pia quando Danika girou o corpo e passou os braços pelo pescoço de Müller, não se importando com a pele úmida de suor.

- Eu só acredito em você porque eu também te acho lindo, mesmo descabelado e pegajoso de suor. – Nika brincou antes de erguer uma das mãos, bagunçando ainda mais os cabelos castanhos do namorado – Eu trouxe um dos calmantes da Olga na bolsa. Se “alguém” não dormir logo, teremos que usar algumas gotinhas para levarmos adiante a ideia de estrearmos o chuveiro juntos.

Mesmo que seu nome não tivesse sido mencionado, o olharzinho desconfiado de Lisbeth mostrava que a menina estava atenta à conversa dos adultos. A garotinha havia adorado o novo urso de pelúcia, mas como o brinquedo era grande demais, as orelhas do coelhinho continuavam sofrendo, sendo arrastadas de um lado para o outro na nova casa.

- Eu lamento, amor, mas hoje você vai ter que se contentar com o iogurte. Ou talvez a gente possa pedir uma pizza mais tarde. – Nika fez uma careta ao ver as caixas acumuladas num canto da cozinha – Eu quero limpar os armários e lavar todas as coisas antes de guardar. Isso vai levar o dia todo, mas eu quero deixar a nossa cozinha perfeita.

A única panela que já estava devidamente lavada foi levada para o fogão e agora esquentava a papinha de Lisbeth. A mãe puxou a menina para seus braços antes de colocá-la sentada na cadeirinha infantil encaixada diante da bancada. A papinha de legumes com pedacinhos de carne estava cheirosa e, a julgar pela maneira faminta como Lisbeth aceitava as colheradas, também estava apetitosa.

- Por falar no Luke, você teve notícias dele? A Olga disse que ele deveria ter voltado na segunda. – Nika fez uma pausa para limpar a papinha do cantinho da boca de Beth – Você não acha o relacionamento deles meio esquisito? Ela não me pareceu tão preocupada com esse sumiço.

Apesar de um pouco preocupada com a ausência prolongada de Krauss, um sorriso voltou a aparecer no rosto de Danika enquanto seus olhos brilhavam ao deslizarem pelo novo apartamento.

- Ele vai levar um susto quando voltar de Viena e descobrir que já encontramos um apartamento e nos mudamos. Eu estava pensando em você já deixar o aluguel deste mês pago, pelo menos até o Luke arrumar outro colega. Eu tenho umas economias e faço questão de ajudar. Afinal, fui eu que roubei o colega de apartamento do Luke.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Sex Set 23, 2016 2:35 am

Assim como havia acontecido com o primeiro sangramento, Lukas não demonstrava nenhum outro sintoma. Ele continuava capaz de andar com as próprias pernas, não parecia prestes a desmaiar e a mente só não estava tão lúcida devido ao pânico diante do sangue inexplicável.

Mesmo assim, não houve a menor chance de ele relutar contra a ideia de Charlotte arrastá-lo até o hospital. A altura ou a força da menina era completamente irrelevante quando ela era movida pelo desespero. Não importava se Krauss não parecia que ia desmaiar a qualquer segundo, o sangramento que já havia manchado as roupas e o banco do carro era motivo suficiente para que ela exigisse a visita ao médico.

O Mercedes cruzou a tráfico pesado de Viena, mas ao invés de se dirigir até a clínica do médico de Krauss ou ao hospital mais próximo, Charlotte só parou quando eles encontraram um alto edifício espelhado.

Mesmo que Luke fosse capaz de andar com as próprias pernas, Charlotte foi incapaz de se soltar dele quando entraram no prédio. O clima de hospital era facilmente reconhecido, mas diferente dos prédios mais populares, o lugar era obviamente dedicado a uma fatia mais exclusiva da sociedade.

Os enfermeiros passavam com uniformes impecáveis e havia um dispositivo com álcool e gel a cada corredor, mas o piso de mármore estava tão limpo que era quase possível enxergar o próprio reflexo. O balcão da recepção também era grande e havia uma moça loira com um sorriso digno de vendedora para atendê-los.

A simpatia dela, que deveria ter o propósito de acalmar os pacientes e visitantes, apenas serviu para irritar Charlotte mais ainda. Como aquela idiota era capaz de sorrir quando Luke estava ao seu lado, ainda manchado de sangue?

- Oi, boa tarde! Em que posso ajudar?

- Chame o Dr. Mikaelson. – Charlotte exigiu, e nem mesmo os vários centímetros de diferença entre ela e a mulher eram capazes de fazer ela parecer menos ameaçadora.

- O Dr. Mikaelson está terminando de atender um paciente. Você poderia preencher a ficha enquanto aguarda.

Uma prancheta foi deslizada sobre o balcão, mas Charlotte a parou com um indicador. Um sorriso ainda mais ameaçador apareceu em seu rosto quando ela devolveu a prancheta para a mulher, sem sequer olhar para as perguntas escritas.

- O Dr. Mikaelson. Agora. Diga que é a Charlotte.

A mulher claramente estava acostumada a lidar com outros ricos que exigiam que as coisas acontecessem como queriam, na hora que queria, porque o seu sorriso não vacilou por um segundo enquanto ela puxava um telefone. Apenas uma tecla foi tocada e ela aguardou até que alguém atendesse na outra linha.

- Dr. Mikaelson. Charlotte na recepção. – Ela fez uma pausa para ouvir o que o homem tinha a dizer antes de desligar o aparelho. – O doutor pediu para entrar.

A loira fez um sinal para que um enfermeiro se aproximasse e então Charlotte e Lukas foram orientados a acompanha-lo até uma saleta. O lugar não era grande, cabendo apenas uma maca com alguns aparelhos, um computador em uma mesa e duas cadeiras. Mas ainda assim, era fácil notar o luxo em cada um dos detalhes.

Lukas foi acomodado na maca enquanto o enfermeiro fazia os procedimentos iniciais enquanto aguardavam pelo médico. Os olhos verdes de Charlotte estavam presos no amigo durante todo instante, esperando que a qualquer segundo ele demonstrasse mais algum sintoma surpresa.

- Eu já tentei ligar para o idiota do seu médico quatro vezes. Sempre cai na caixa postal. Ele é um irresponsável.

Charlie bufou quando mais uma vez a voz eletrônica a recebeu no outro lado da linha. Quando o enfermeiro se afastou para pegar um termômetro, ela aproveitou para se aproximar de Krauss, tocando-o na perna suspensa para fora da maca.

- Eu preciso ligar para a sua mãe, Luke. Ela precisa saber que você está aqui. Além do mais, tenho certeza que o Dr. Mikaelson vai querer ver os seus exames e ela pode trazer...

Quando o enfermeiro voltou a se aproximar de Lukas, Charlotte se afastou para que ele tivesse o espaço necessário para trabalhar. Mais uma vez, a menina observou a cena com tensão, mantendo o celular em seus dedos na esperança de que o médico de Luke pudesse retornar a qualquer instante.

- Eu ainda estou pra ver tanta confusão concentrada em meio metro de gente.

A voz rouca que vinha da porta fez com que Charlotte girasse a cabeça para encarar o médico. Dr. Mikaelson era um senhor, a pele enrugada do rosto denunciava a avançada idade assim como a cabeça lisa sem fios. Os óculos de grau estavam equilibrados na ponta do seu nariz e ele tinha profundos olhos verdes. O jaleco branco não conseguia cobrir toda a sua barriga, mas quase alcançava seus joelhos, graças a sua baixa estatura.

- Talvez você devesse trocar esses óculos, velho resmungão. Tem se olhado no espelho ultimamente?

O sorriso de Charlie não era tão relaxado como quando implicava com Lukas e seus olhos demonstravam a preocupação cada vez que procurava pelo rosto do amigo. A tensão do momento não havia permitido que ela explicasse o que passava por sua cabeça no caminho até o hospital, e mesmo sabendo que não era exatamente um evento social, Charlie apontou para o doutor enquanto se explicava para Luke.

- O Dr. Mikaelson é meu avô.

O enfermeiro terminou de fazer as anotações antes de passar para o velho médico e deixou a saleta. Como não sabia exatamente o que estava escrito ali, Charlie não se intimidou em assumir a situação.

- O Luke tem tido uns sangramentos, vovô.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Sex Set 23, 2016 3:15 am

Enquanto Danika se ocupava em dar a papinha de Lisbeth, Benjamin puxou uma caixinha de suco da geladeira e se serviu em um dos poucos copos deixados sobre a pia. Ele se recostou na bancada dando pequenos goles e admirando a cena tão simples que acontecia diante dos seus olhos como se estivesse diante de um ser místico.

Em menos de uma semana, ele estava cercado por todo o luxo de um palácio. Os talheres servidos nas refeições valeriam mais do que todos os equipamentos daquela cozinha. Benji jamais precisaria erguer um dedo para apertar um parafuso quando tinha pessoas prontas para trocar o seu prato vazio ao fim do jantar. E ainda assim, mesmo se sentindo exausto e com alguns calos nas mãos, ele sentia a felicidade que era incapaz de surgir em Viena.

- Não se preocupe com o Luke, eu já deixei pago os próximos meses para que ele não precisasse se preocupar. Jamais deixaria ele na mão.

A lembrança do irmão fez com que o sorriso brincasse em seus lábios. Era estranho que ele tivesse vindo a Leoben em busca da verdade ou até mesmo de um possível relacionamento com o outro filho do rei, e acabava deixando para trás a chance de viver sob o mesmo teto que ele para viver ao lado de Danika.

Luke já não era mais uma preocupação em sua mente. O rapaz já havia provado inúmeras vezes que desconhecia as suas origens e Benji passara a considera-lo sortudo por ter crescido longe de todo o circo que a realeza formava. Além do mais, seria eternamente grato a Krauss pela oportunidade por ter conhecido Lehman.

- Mas não acho que o namoro dele e da Olga seja esquisito. Em comparação a bagunça que ele vivia com aquela menina, diria até que é um relacionamento bem normal.

Um sorriso mais convencido brotou nos lábios de Müller e ele ergueu um dos ombros. O resto do suco foi ingerido em um único gole e ele secou a boca antes de concluir.

- Você só não pode usar o nosso relacionamento como parâmetro. Realmente seria uma grande injustiça...

A presença de Charlotte na vida de Luke sempre havia deixado Benjamin tenso, de modo que ele torcia entusiasmadamente para que o relacionamento com Olga tivesse futuro. Meses já haviam se passado e era bastante óbvio que o casal não demonstrava a mesma paixão que ele e Danika, mas até então, ele mesmo não vivia dizendo juras de amor para Charlotte nem nos melhores momentos do relacionamento.

A cabecinha de Lisbeth girou e ela ignorou a colher a sua frente quando Benjamin se debruçou sobre a mesa, tirando com o polegar um pedacinho de legume amassado que havia respingado no bracinho dela.

Era impressionante como não era só da mãe que Benjamin arrancava os olhares apaixonados. E aquela sensação de família era capaz de abafar qualquer medo ou culpa pelas próprias mentiras. Benji agora tentava se convencer de que não havia com o que se preocupar. Ele não deixaria Leoben e manteria sua família a salvo das confusões de Viena.

- Nós deveríamos sair. – Benji comentou, ainda debruçado sobre a mesa, sustentando o corpo com os cotovelos. – Vamos sair e jantar para comemorar. Hoje o dia definitivamente merece um brinde, por minha conta.

Lisbeth não compreendia por completo o assunto, mas abriu ainda mais o sorriso quando o homem bagunçou seus cabelinhos.

- A Beth pode usar aquele vestido que a Olga deu no mês passado. – Os olhos azuis passaram para admirar Danika.

Ela era linda até mesmo descabelada, de modo que seu coração já saltava no peito ao imaginá-la mais arrumada.

- E eu não reclamaria se você usasse aquele vestido vinho outra vez.

O vestido era uma das peças preferidas do guarda-roupa de Danika. Dava a ela o ar mais sofisticado e marcava os pontos certos do seu corpo. Da última vez que ela usara em uma ida ao cinema, Benji quase não havia conseguido assistir ao fim do filme, ansiando pelo momento de ficar a sós com a linda mulher ao seu lado.

- Eu prometo que ligo para o Luke para garantir que está tudo bem, mas é nossa vez de curtir a noite, Nika.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sex Set 23, 2016 3:24 am

Se estivesse raciocinando, Lukas teria se recusado a entrar no luxuoso hospital particular. O salário de Hilda não conseguiria pagar por um exame daquele lugar e a bolsa que Luke ganhava em seu estágio remunerado talvez comprasse um cafezinho da lanchonete. Mas o gosto do sangue que ainda escorria pela garganta de Krauss não permitia que o rapaz se concentrasse em mais nada.

Uma hemorragia nasal isolada não parecia preocupante. Mas ver o sangue escorrendo por suas gengivas sempre tão saudáveis era um “detalhe” suficiente para convencer Lukas de que ele merecia ser atendido no setor de urgência de um hospital. Mesmo depois que o enfermeiro a ajudara a lavar as manchas de sangue, os olhos castanhos continuavam atormentados. Krauss não entendia nada da área médica, mas aquilo não parecia ser um bom sinal.

Por estar tão angustiado, Lukas não se incomodou com o jeito autoritário da amiga ao exigir o tal Dr. Mikaelson. A chegada do médico aumentou tanto a ansiedade de Luke que o rapaz sequer deu importância à surpresa de saber do grau de parentesco entre Charlotte e o velho médico.

- Lukas Krauss. – Mikaelson leu o nome na prancheta preenchida pelo enfermeiro – Vinte e três anos, estudante universitário. Admitido com queixa de sangramento ativo em mucosas. Muito sangue?

A mão trêmula de Lukas se abriu, mostrando o lenço que ele havia usado para estancar o sangramento no trajeto do shopping até o hospital. O tecido azul clarinho estava quase que completamente encharcado de vermelho, assim como as roupas de Krauss também exibiam manchas preocupantes.

- Algum trauma recente, Lukas? O que estava fazendo quando começou a hemorragia, algum esforço?

- Não. Eu estava sentado e ia começar a comer. Na primeira vez que tive este sangramento também não houve associação com esforço, simplesmente começou a sangrar. Mas foi apenas pelo nariz.

- Mais algum sintoma? – o avô de Charlie fez uma anotação pontual na prancheta enquanto murmurava para o rapaz – Se quiser, posso pedir a ela para sair.

Os olhos castanhos pareciam desesperados quando a cabeça de Lukas se sacudiu em negativa. Enfrentar aquele problema sozinho, sem o apoio de Charlotte, parecia uma tortura ainda mais insuportável.

- Eu notei umas manchas.

Luke não teve o menor constrangimento em tirar a camisa e deixar que Mikaelson analisasse o tronco pálido coberto por pequenas manchas arroxeadas. Quando olhou para o próprio corpo, Krauss teve certeza de que havia algumas marcas a mais desde que o Dr. Berg o examinara há alguns dias.

- Você já foi internado alguma vez, já teve alguma doença mais séria ou toma algum tipo de medicamento crônico?

- Não.

- Drogas?

- Também não. Eu só bebo de vez em quando. – Lukas acrescentou para reforçar a veracidade de sua declaração – Estou no time de futebol da universidade, eles são bem rígidos com relação a isso.

A ruguinha de preocupação não saiu da região entre os olhos verdes enquanto o avô de Charlotte examinava o paciente. Além das manchas e de parecer um pouco pálido, Lukas não tinha qualquer outro tipo de alteração grosseira à avaliação. Como a pressão estava ligeiramente baixa, Mikaelson deixou o rapaz deitado em uma maca recebendo soro na veia enquanto um funcionário do laboratório colhia amostras de sangue para exames de urgência.

- Não liga pra minha mãe ainda, ela vai surtar.

O pedido de Krauss só soou quando o médico o deixou a sós com Charlotte. A mão de Lukas estava gelada quando ele a deslizou pela maca até encontrar os dedinhos de Charlie. Luke era sempre tão risonho e bem humorado que era estranho vê-lo tão sério e atormentado.

- Vamos esperar pelos exames. Aí já podemos sair daqui, passar numa farmácia e comprar os remédios que o seu avô receitar. As chances da minha mãe pirar são menores se eu já chegar em casa com o tratamento definido.

Embora estivesse muito preocupado, Lukas realmente achava que o Dr. Mikaelson retornaria com os exames e lhe diria que era algum tipo de infecção bizarra que se curaria com sete a dez dias de um antibiótico cheio de efeitos colaterais. Aquele era o maior nível de gravidade que se passava pela cabeça de Krauss, então o rapaz perdeu o resto das cores de seu rosto quando o avô de Charlotte retornou ao consultório acompanhado por um enfermeiro, cerca de quarenta minutos depois. O rapaz empurrava uma cadeira de rodas, que foi levada até o lado da maca de Lukas.

- Pra que isso???

- Para te levar até o seu quarto. Eu terei que te internar, Lukas.

- O que??? – Luke se levantou subitamente da maca e foi acometido por uma tontura que o obrigou a se segurar nos ombros de Charlie – Eu não preciso ficar internado! O que está havendo? Os exames já saíram, estão alterados?

- Muito alterados. – Mikaelson não tentou esconder a verdade, mas era visível que escolhia as melhores palavras para não assustar os jovens – Você precisa de uma transfusão de sangue e plaquetas imediatamente.

- Eu consigo andar! – Luke resmungou para o enfermeiro que aproximou a cadeira de rodas dele.

- Mas não deveria. – o Dr. Mikaelson novamente foi direto – Se você tiver uma tontura e cair, as consequências podem ser desastrosas. Lukas, o seu número de plaquetas está cem vezes menor que o valor de referência. Por favor, colabore conosco, sim?

Só depois que o enfermeiro saiu do consultório empurrando a cadeira de rodas, Mikaelson se voltou para a neta. O velho não quis saber sobre o relacionamento dela com Krauss, muito menos de onde havia surgido aquele rapaz que parecia ser infinitamente mais simples que os Baviera. Naquele momento, o Dr. Mikaelson era apenas um médico diante de um caso potencialmente delicado.

- Ligue para os pais dele e peça para virem imediatamente. Ainda precisamos de mais exames para confirmar o diagnóstico, mas eu já posso te adiantar que é muito sério, Charlotte. Eu preciso da família dele aqui.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Sex Set 23, 2016 4:00 am

As roupas humildes de Hilda Krauss poderiam ser camufladas entre tantos desconhecidos em uma calçada, mas quando a mulher baixinha entrava quase correndo no longo corredor do hospital, ela se destacava imediatamente.

Alguns enfermeiros chegaram a virar a cabeça em sua direção, mas toda a atenção de Charlotte estava voltada para o rosto consumido em preocupação, refletindo o que ela mesma sentia.

A sala de espera mais parecia um lobby de hotel. As poltronas eram todas acolchoadas, haviam flores espalhadas nas mesinhas laterais e uma generosa diversidade de revistas sobre a mesa de centro. A bolsa de Charlotte estava jogada em uma das poltronas e ela aguardava ansiosamente em outra, encarando sem enxergar a televisão presa na parede.

- Charlie? – Hilda chamou quando se aproximou, ajeitando o casaco de lã que insistia em cair por um dos ombros. – Cadê o Lukas?

Charlotte imediatamente se colocou de pé, e por mais que se esforçasse em não preocupar a Sra. Kraus ainda mais, era impossível tirar dos olhos verdes a aflição que havia surgido desde o instante que o avô lhe alertara sobre o caso de Lukas.

- Ele está no quarto. Eu só estava esperando a senhora chegar...

A bolsa foi puxada em um gesto displicente e Charlotte se colocou diante de Hilda. Os saltos permitiam que ela ficasse alguns centímetros maior que a mulher a sua frente, mas Charlie ainda parecia uma menininha assustada.

- O Luke sangrou de novo e eu tive que arrastá-lo para ver um médico.

O barulho dos sapatos contra o piso de mármore ecoou quando Baviera assumiu o caminho que dava acesso aos quartos. As persianas estavam fechadas, mas Charlie nem hesitou em abrir a grande porta de madeira.

O interior do quarto se revelou no mesmo padrão do restante do hospital. A cama de solteiro era um pouco mais larga que o padrão e estava coberta com lençóis brancos, mas mesmo os equipamentos que rodeavam o quarto não anulavam a decoração luxuosa. A poltrona de visitas era ainda maior que a da sala de esperas e havia uma grande televisão pendurada na parede oposta.

Quando as duas mulheres entraram, Lukas estava mais uma vez cercado pelo médico e por um novo enfermeiro. Mais uma vez, sem a menor hesitação, Charlie atravessou o quarto até parar ao lado da cama de Lukas, encarando o avô com seriedade.

- E então? Alguém pode me dizer o que está acontecendo aqui? Onde está o Dr. Berg?

- Sra. Kraus, imagino. – O Dr. Mikaelson pousou seu olhar na mulher, que confirmou sem abandonar a ruga entre suas sobrancelhas.

- É o senhor que está cuidando do meu Luke? O que ele tem?

Os olhos esverdeados do homem deslizaram pelo quarto até pousar em Charlotte. Era novamente o médico que encarava a menina enquanto tratava um paciente.

- Charlotte, pode esperar lá fora?

Por saber que aquele era o procedimento, Charlie nem pensou em questionar. Pela primeira vez, Baviera se mostrou prontamente obediente e se inclinou para depositar um beijo na testa do amigo.

- Eu já volto, está bem? Vou estar logo ali.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sex Set 23, 2016 4:32 am

- Benji... Nós acabamos de nos mudar, você gastou uma fortuna com os móveis, com a mudança... Não seria melhor escolhermos um restaurante mais simples?

Danika sussurrou perto do ouvido do namorado enquanto um garçom os guiava pelo salão do luxuoso restaurante francês, às margens do rio de Leoben. Embora já morasse na cidade há quase dois anos, Nika nunca havia pisado no local e se sentia profundamente curiosa sobre o cardápio. Mas nem por isso a cabeça da romena parava de fazer as contas de todos os gastos extras que os dois tinham tido nas últimas semanas.

Conforme sugerido por Müller, Lehmann usava o vestido vinho de veludo que marcava com perfeição as curvas de seu corpo. Nos pés, sapatos de salto deixavam Danika mais elegante e alongavam as pernas expostas pelo vestido que quase alcançava seus joelhos. Os cabelos estavam quase que inteiramente soltos, Nika puxara apenas uma mecha dos fios castanhos e a prendê-la de lado na cabeça, realçando os brincos dourados que o namorado lhe dera há alguns meses. A maquiagem era muito leve, exceto pelo batom avermelhado que desenhava o contorno dos lábios da romena.

Lisbeth também estava adorável com seu vestidinho novo. O tecido era branco, coberto por minúsculas estampas floridas predominantemente rosas. Os cabelinhos castanhos estavam presos em duas trancinhas. Os olhos azuis redondos fitavam o restaurante com curiosidade enquanto Beth, de mãos dadas com o namorado da mãe, dava graciosos pulinhos para acompanhar o ritmo das pernas compridas de Benjamin.

Já era tarde demais para optar por um restaurante mais barato quando os três foram acomodados em uma mesa e receberam os cardápios. Os olhos de Danika brilhavam enquanto ela analisava as opções de pratos, muito mais interessada como cozinheira do que propriamente como uma cliente.

- Para a Beth pode ser esta tortinha de frango com legumes. – Nika apontou uma das opções na seção infantil do cardápio – Melhor não ousarmos demais com ela. Ainda mais depois que “alguém” deixou que ela comesse três biscoitos antes de sair de casa.

Danika forçou um olhar de insatisfação para o namorado, mas logo abriu um sorriso doce e acariciou a mão de Benjamin por cima da mesa.

- E para mim... – a moça perdeu mais alguns segundos analisando as opções e ponderando sobre os preços antes de escolher o próprio prato – O carré de cordeiro em crosta de ervas, com o molho de balsâmico e mel.

A escolha de Danika deixava claro que ela não era apenas uma simples garçonete. O curso de gastronomia havia ficado num passado distante e agora ela só tinha acesso a ingredientes simples de uma cozinha doméstica, mas era evidente que Nika teria potencial de ser uma grande cozinheira se tivesse tido uma oportunidade.

Depois que Benji chamou o garçom e formalizou os pedidos, o casal mergulhou numa conversa agradável sobre o novo apartamento e sobre todas as modificações que pretendiam fazer nos próximos dias. Lisbeth estava distraída com um vídeo no celular de Müller e também não parecia ansiosa pela chegada do jantar.

Aquela cena era um lindo exemplo de um jantar em família quando uma sombra parou ao lado da mesa. A moça de cabelos loiros repuxados num coque se inclinou para encarar Danika mais de perto antes de abrir um largo sorriso.

- Nika! Caramba, eu custei a acreditar que era mesmo você!!! Como está diferente com este cabelo!

Foi notável a tensão que se apoderou de Lehmann. Suas costas se arquearam, os olhos castanhos se arregalaram e os dedos entrelaçados aos de Benjamin por cima da mesa o apertaram com tanta força que a pele do rapaz ficou mais esbranquiçada. Contrariando todo o desespero que sentia, Danika conseguiu forçar um sorrisinho para a outra moça.

- Oi, Valerie. Quanto tempo, hm? Que coincidência ver você aqui.

- Pois é! Estou com o meu noivo. – a loira apontou um rapaz sentado numa das mesas do outro lado do salão – Estamos passeando pelo país. O casamento está chegando e não tem sobrado dinheiro para viagens mais legais. Você está morando nesta cidadezinha???

- É... – Danika hesitou, mas não teria como sustentar uma mentira daquele porte – Eu me cansei de Viena.

- Sim, é claro. A gente tinha que amadurecer um dia, né? – Valerie soltou uma risadinha afetada – É seu namorado?

- Meu marido, Benjamin Müller.

Desta vez a mentira soou imediata e firme. Danika evitou olhar para Benjamin, mas torcia desesperadamente para que o rapaz não denunciasse a sua mentira com um ar assombrado. Valerie parecia surpresa quando estendeu a mão para cumprimentar Benji.

- Muito prazer. Valerie Volgeman. Nika e eu fomos grandes amigas em Viena. E esta princesa? Nika, ela é a sua cara!

Quando os olhos azuis de Valerie pousaram em Lisbeth, Danika sentiu que um buraco negro a sugava para fora do planeta. A romena inclinou o corpo na tentativa de criar um obstáculo entre a filha e os olhos curiosos da moça, mas não tirou aquele sorrisinho tenso dos lábios.

- Sim. Mas por sorte ela herdou os olhos do Benji.

- Sem dúvida foi um detalhe que realçou ainda mais a sua beleza. Foi muito bom te ver, Nika! Quando voltar em Viena vá me visitar, eu ainda moro no mesmo lugar! Eu sei que as coisas não terminaram bem entre você e o Fried, mas está na cara que você já superou, e ele também. Então não tem problema voltarmos a ser amigas, não é?

Mesmo depois que Valerie se afastou e retornou para junto do tal noivo, Lehmann não conseguiu relaxar. Os pratos trazidos pelo garçom estavam perfeitos, mas todo o apetite de Danika já tinha evaporado depois daquele reencontro desagradável com o passado.

Sentindo o olhar de Benjamin sobre si, carente por respostas para toda aquela bizarrice, Nika sussurrou a explicação que o namorado precisava para entender as mentiras que a romena acabara de dizer para uma velha “amiga”.

- Eu a conheci na faculdade e ela me apresentou ao irmão dela. – Nika se tornou mais sombria e completou com um sussurro – Eu preciso muito que ela acredite que os olhos da Beth são uma herança sua e não dos Volgeman.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Sab Set 24, 2016 4:11 am

Herdar um trono exigia muitas coisas de um jovem príncipe. Desde pequeno, Benjamin precisou aprender diferentes línguas, equitação, como se portar diante de outras figuras importantes, a socializar e principalmente a mentir. Mentira era uma artimanha básica na realeza, até dos detalhes mais simples aos mais horripilantes.

Talvez tivesse sido esta facilidade em mentir que permitiu Benji a trocar o próprio sobrenome e assumir uma vida que não existia. Naquela noite, era a mesma mentira que o impediu de piscar diante do comportamento de Danika com a amiga. No instante em que foi apresentado como marido e ouviu a nítida insinuação de que Lisbeth era sua vilha, o homem continuou encarando o rosto desconhecido da mulher a sua frente com um sorriso simpático que não permitiria ninguém imaginar que nenhuma daquelas afirmações eram verdadeiras.

Ainda não havia uma aliança no dedo de Lehman, mas o passo que estavam dando no relacionamento não deixava dúvidas de que Benji queria um futuro ao lado da morena, de modo que nem por um segundo ele se sentiu incomodado com a insinuação de que não era apenas um namorado.

O comentário a respeito da paternidade de Lisbeth, entretanto, não foi recebido com tanta naturalidade. A expressão de Müller continuou inabalada e ele não desmentiu a namorada, apenas escutou atentamente sua explicação após o afastamento de Valerie.

Benji jamais se incomodaria em assumir aquele papel, mas era confuso que Danika surtasse ao escutar a filha chamando outro homem de pai, mas se agarrasse naquela mentira na primeira oportunidade. Mas o mais surpreendente naquela revelação fez a máscara dele finalmente cair e o sorriso desaparecer.

Danika sempre havia sido muito discreta sobre o relacionamento do passado e Benji simplesmente havia chegado até a conclusão de que o pai da menina decidira se afastar por ser um irresponsável. Ele sempre odiou a imagem que havia criado do pai de Lisbeth por não acreditar em como alguém teria coragem de abandonar uma criatura tão adorável. O que nunca havia passado pela sua cabeça era que o homem simplesmente desconhecia a existência da filha.

- Ele não sabe?

Durante todo aquele tempo de relacionamento, era a primeira vez que Benjamin ouvia o sobrenome do ex-namorado de Danika. Eles estavam tão apaixonados que se deixaram levar pelos sentimentos ao ponto de morarem juntos sem praticamente conhecer a história um do outro. Danika sempre havia sido tão transparente que pela primeira vez, Benji pensou no que ela guardava em seu passado.

Se ele era capaz de esconder a identidade de um futuro rei, não seria tão difícil assim para Danika também abafar os próprios segredos. E Benjamin esteve sempre tão preocupado em proteger a própria mentira que era a primeira vez que se perguntava sobre o que Danika tinha a esconder.

- Danika, por que você nunca me contou isso?

A seriedade estava refletida nos olhos azuis e o momento relaxado do jantar parecia arruinado. Benjamin não estava zangado, ele apenas se sentia frustrado por nunca ter insistido antes que Danika contasse mais sobre o pai de Lisbeth. Por não ser inteiramente sincero com ela, ele não se achava no direito de exigir as confissões que pareciam ser muito dolorosas. Mas naquela noite, Benji queria saber a verdade.

- Mamã, água. - A vozinha de Lisbeth soou sobre o celular, antes que a mulher tivesse a chance de responder.

Benjamin precisou respirar fundo para não dar continuidade naquele assunto pelo restante do jantar. Não era o local nem o horário mais apropriado para discutirem. Porém, ele mostrou que não havia deixado de pensar naquela conversa durante toda a noite quando voltou a cobrar Danika no instante em que ficaram a sós, já em casa.

Lisbeth já havia sido colocada no próprio berço e havia uma babá eletrônica ao lado da cama, onde uma telinha exibia o sono tranquilo da criança. Benjamin estava sentado na beirada da cama, já de banho tomado e vestindo a calça do pijama, quando Danika entrou no quarto.

Os olhos presos na imagem da bebê dormindo se desviaram para Danika, e para demonstrar que não estava chateado, ele a chamou com um gesto para que se sentasse ao seu lado. Mesmo com os acontecimentos daquela noite, Benji ainda encarava a namorada com carinho. Ele deslizou os dedos pelos cabelos dela, colocando as mechas para trás dos ombros e alguns fios atrás da orelha.

- Eu preciso saber o que aconteceu, Nika. Eu amo a Beth mais do que tudo, você sabe. E eu me sinto orgulhoso em pensar que você me acha bom o bastante para ser apresentado como pai dela. Porque é exatamente assim que eu me sinto. Mas eu preciso saber por que o verdadeiro pai dela não teve a mesma chance.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Set 24, 2016 4:22 pm

Os olhos castanhos estavam presos nas gotinhas de sangue que pingavam da bolsa plástica e escorriam pelos tubos conectados às veias dos braços dele, como se estivessem hipnotizados pelo vermelho vivo do líquido. O enfermeiro já havia conectado a terceira bolsa de sangue e Lukas estava com medo de perguntar quantas mais viriam depois daquela.

No silêncio daquele quarto luxuoso, Krauss teve a tranquilidade para reavaliar a própria vida. Só agora, diante da certeza de que estava seriamente doente, o rapaz percebia que as hemorragias e as manchas arroxeadas dos últimos dias não tinham sido os primeiros sintomas.

Luke sempre havia sido uma pessoa absurdamente saudável. Seus resfriados eram raros e não duravam mais que dois ou três dias. Mas nos últimos meses o rapaz fora acometido por repetidas infecções de garganta e de ouvido, uma sinusite prolongada que o obrigou a tomar antibióticos por mais de dez dias e dores de cabeça quase diárias. Os nódulos em seu pescoço às vezes ficavam inchados e doloridos ao toque.

Mas o detalhe que Krauss ainda não havia associado à própria saúde era a queda do seu rendimento no time de futebol. Na semana que antecedeu a viagem para Viena, o treinador havia chamado Lukas para uma conversa em particular para questionar se o rapaz estava com algum problema.

O jogador sempre tão ativo e disciplinado estava perdendo o fôlego rápido demais. Lukas iniciava muito bem as partidas, mas começava a ficar ofegante e dolorido antes mesmo do intervalo. Por mais de uma vez, o próprio Luke havia pedido substituição por causa das articulações doloridas. Krauss imaginou que seu corpo estava reclamando por causa da rotina pesada na faculdade, no estágio e no futebol. Só agora o rapaz entendia que aqueles já eram sinais de que algo estava muito errado dentro dele.

Ainda não havia um diagnóstico definitivo, mas a cabeça de Luke já listava vários termos médicos que ele havia escutado ao longo da vida. Agora ele se culpava por nunca ter tido o menor interesse pela área da saúde. Nem se a vida dele dependesse disso, Lukas saberia explicar a diferença entre linfoma e leucemia, ou quais eram os sinais iniciais de uma infecção grave ou qual deveria ser a localização de um tumor que causaria todos aqueles sintomas.

Apesar de profundamente atormentado com aquela sombra que surgira sobre o seu futuro, Lukas conseguiu forçar um sorriso para a mãe quando Hilda entrou no quarto do hospital. Os lábios do rapaz se repuxaram no familiar sorrisinho torto, mas a ausência do brilho em seus olhos denunciava que Luke não estava tão sereno quanto queria transparecer.

- É muito grave?

A pergunta direta de Lukas soou antes que Charlotte tivesse a chance de sair do quarto, deixando claro que ele não se importava em dividir aquela revelação com a amiga. Charlie merecia saber a verdade depois de ter participado dos últimos minutos de angústia ao lado dele.

Os olhos verdes do Dr. Mikaelson deslizaram pelos três e, como ninguém manifestou oposição à presença de Charlotte, o médico concordou em continuar mesmo com a neta dentro do quarto. Da prancheta de Lukas, Mikaelson puxou uma folha e a entregou nas mãos do rapaz.

- Na coluna da direita estão os valores de referência de um hemograma normal. Na esquerda está o seu hemograma, Lukas.

Não era preciso possuir conhecimentos médicos aprofundados para comparar os valores e perceber que algo estava muito errado. Mas, ao contrário do que Luke imaginava, o seu exame não mostrava valores mais baixos que o normal. Seus números estavam assombrosamente mais altos.

- O que são... – o rapaz precisou ler lentamente para não pular nenhuma sílaba daquela palavra inédita no vocabulário dele - ...eosinófilos?

- Um dos tipos de glóbulos brancos, as células de defesa do organismo.

- Defesa? É algum tipo de infecção, então? – Lukas explicou para Hilda quando a mãe se esticou sobre ele para espiar o exame – Segundo o valor de referência, eu deveria ter no máximo 500 eosi... – Lukas teve que olhar a palavra de novo - ...eosinófilos. O exame diz que tenho 28.236.

- Lukas, nem mesmo uma infecção gravíssima faria este valor subir tanto, muito menos elevaria os valores de apenas uma série dos seus glóbulos. O seu exame mostra que você está com um problema na “fábrica”. Por algum motivo, as coisas saíram de controle na sua medula e ela está produzindo enxurradas de células anormais. Precisamos fazer mais alguns exames para especificar o tipo da doença, mas este exame simples já nos mostra que há um processo neoplásico agudo em andamento.

- Câncer. – Luke não teve receio de pronunciar a palavra que Mikaelson evitara.

- Sim. Leucemia.

Krauss teve a sensação de que estava sendo sugado para o fundo de um poço enquanto a sua mente tentava absorver o impacto daquele diagnóstico. A voz desesperada de Hilda era ouvida como se a mãe estivesse muito distante e não ao seu lado, segurando com firmeza a sua mão pálida. O Dr. Mikaelson manteve a calma enquanto respondia às dezenas de perguntas e questionamentos de Hilda Krauss. O médico já estava acostumado a lidar com a negação que atingia os pacientes e familiares diante de uma notícia como aquela.

Os olhos da mãe já estavam cobertos por uma camada de lágrimas e Hilda se esforçava para conter o choro quando finalmente se virou para o filho. Ao contrário da Sra. Krauss, Lukas não se desesperou, não tentou questionar a veracidade do diagnóstico, não ordenou que os exames fossem repetidos e nem parecia à beira das lágrimas. O rapaz parecia anormalmente apático quando tomou a palavra.

- Temos que sair daqui.

Hilda piscou várias vezes, sem compreender o que o filho queria dizer com aquela frase fora do contexto. Qualquer jovem estaria surtando com aquela ameaça ao futuro, mas Lukas sequer ergueu a voz quando olhou de Hilda para o Dr. Mikaelson antes de completar o seu raciocínio.

- Não temos condições de pagar por exames ou pelo tratamento da doença. Gostaria de ser transferido para um hospital público.

Embora não fizesse ideia de quantos exames precisaria fazer, tampouco do valor que seria cobrado pelo tratamento, Lukas tinha certeza de que não conseguiria pagar a conta daquele hospital luxuoso escolhido por Charlotte. O rapaz não tinha nenhuma experiência concreta com a doença, mas os livros e filmes sempre mostravam o câncer como uma doença dramática, que exigia internações prolongadas, medicamentos caríssimos e complicações frequentes que acabavam levando ao pior prognóstico.

- Você não deveria se preocupar com isso agora, Lukas. Este hospital tem convênio com muitos planos. Sua mãe pode tentar um acordo com a nossa equipe de finanças, ou então você inicia o tratamento aqui enquanto tentamos uma transferência. Não acho aconselhável te tirar daqui para colocá-lo numa fila. Nem sempre os hospitais públicos possuem vagas disponíveis para um tratamento imediato, que é o que você precisa. Quanto mais cedo começarmos, menores serão as chances de complicações.

O médico adquiriu uma entonação de piedade que fez o estômago de Luke se contorcer. Era terrível pensar que, a partir daquele momento, ele estava condenado a ver aquela compaixão nos semblantes de todos ao seu redor.

- Você fica. – os olhos de Hilda já derramavam algumas lágrimas quando ela apertou a mão do filho com mais firmeza – Vamos dar um jeito. Eu tenho algumas reservas. E temos o carro também, eu quase não uso.

- Você usa todos os dias para ir trabalhar, mãe.

- Um capricho dispensável já que tem um ponto de ônibus na frente do meu serviço. Pelo amor de Deus, não vamos ficar aqui discutindo sobre dinheiro, Lukas!

A exclamação desesperada de Hilda mostrava que a mãe queria que Luke reagisse como um rapaz normal. Ela preferiria ver o filho se desfazendo em lágrimas e se agarrando à esperança de um tratamento no melhor hospital da cidade do que aquele rapaz apático que calculava o tamanho da dívida que acumulariam ali.

Mais uma vez, a voz de Lukas não se ergueu. Quando o rapaz se voltou novamente para o Dr. Mikaelson, suas palavras calmas não combinavam com o contexto caótico do quarto.

- Eu tenho vinte e três anos. Estou internado, mas a doença ainda não afetou o meu discernimento. Portanto, eu imagino que tenho autonomia para fazer esta escolha.

- Sim. – o médico ponderou – Mas você não deveria tomar uma decisão como esta logo depois de um impacto. Tire algumas horas para pensar, Lukas.

- Não há o que pensar, doutor. Não temos dinheiro para isso e eu não quero que a minha mãe fique com uma dívida para o resto da vida depois que tudo acabar. Eu quero ser transferido, vou assinar todos os termos de responsabilidade necessários.

A declaração de Lukas não escondia o pessimismo. O rapaz havia pulado as fases de negação, de raiva e de desespero para cair direto na apatia da aceitação. Para ele, aquele diagnóstico não era um impulso para lutar, mas uma condenação. A indiferença era tão profunda que Krauss não se importava com a ideia de que iria morrer, de que seus planos para o futuro ficariam perdidos pelo meio do caminho.

A única coisa que o incomodava era pensar que Hilda perderia o único filho e ficaria sozinha no mundo com uma dívida gigantesca que jamais conseguiria pagar. Mesmo se entregasse o carro e a casa, muito provavelmente a mulher continuaria com o nome sujo por causa de um tratamento prolongado, caro e ineficaz. Isso sem contar com as despesas nada desprezíveis de um sepultamento.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Set 24, 2016 6:02 pm

Depois do encontro inesperado com Valerie Volgeman no restaurante, as lembranças felizes daquele primeiro dia no novo apartamento pareciam pertencer a um passado muito distante. O sorriso de Danika havia sumido por completo, dando espaço para uma expressão preocupada e atormentada pelos velhos fantasmas do passado em Viena.

O jantar foi finalizado num silêncio profundo e até mesmo Lisbeth parecia notar o clima pesado entre os dois adultos. Uma ruguinha surgiu entre os lindos olhos azuis redondinhos enquanto o trio seguia de volta para casa, depois de dispensarem o cardápio de sobremesas.

Ao contrário do que Nika temia, a garotinha não estranhou o novo quarto. Depois de um dia agitado e de todas as novidades da mudança, Lisbeth se entregou a um sono profundo minutos depois que a mãe começou a niná-la. Depois de deixar a filha sozinha no novo quartinho com um aperto no peito, Danika se deu conta de que aquela “separação” seria mais difícil para ela do que para a própria Beth.

Com a filha dormindo no quarto ao lado, Nika não teve mais desculpas para fugir da delicada conversa que Benjamin iniciara no restaurante. Por mais que soubesse que o namorado tinha o direito de saber a verdade, a romena daria tudo para que Müller não insistisse naquele assunto. O seu passado em Viena era uma mancha irrecuperável na vida de Danika e o maior medo da moça era que Benji não a enxergasse mais com tanta admiração depois que conhecesse mais detalhes da Nika que ela fora um dia.

Como havia chegado do restaurante e ido direto para o quarto de Lisbeth, Danika ainda usava as mesmas roupas com as quais saíra naquela noite. O vestido vinho estava com a frente amassada depois que a moça carregara a filha, mas continuava realçando as curvas da romena.

Quando notou que o namorado não iria desistir da conversa, Nika respirou fundo e decidiu encarar mais aquele fantasma. Sentada ao lado de Benjamin na beirada da cama, a moça apoiou as mãos nos joelhos e manteve os olhos fixos na parede a sua frente, totalmente incapaz de encarar Müller enquanto verbalizava o pesadelo que vivera no passado.

- Eu tinha dezoito anos quando vim para a Áustria. Depois de fazer provas e algumas entrevistas, fui aceita num curso de gastronomia na sede austríaca de uma escola francesa renomada.

A romena começou o relato antes mesmo da entrada do pai de Lisbeth em sua vida, justamente porque queria que Benjamin entendesse o contexto que a levara a cometer tantos erros.

- Eu era jovem e imatura demais, e me encantei com Viena. A Romênia é um lugar lindo, mas é um país com imensas dificuldades que mergulhou numa recessão eterna. Aqui tudo parecia perfeito. As pessoas viviam bem, o dinheiro sobrava, as oportunidades de diversão e lazer eram infinitas. E eu tive o azar de conviver com pessoas totalmente alienadas da realidade. Meus colegas eram praticamente todos de famílias ricas que não precisavam assumir responsabilidades, que agiam como se a vida fosse uma eterna festa. E eu fui tola o bastante para acreditar que aquela era a direção certa para conduzir a minha vida.

Mesmo sabendo que Benjamin nunca mais a enxergaria da mesma maneira, Lehmann não escondeu dele a verdade mais podre sobre o seu passado.

- Eu gastei todo o dinheiro suado que a minha família mandava para mim em festas, roupas de marca, sapatos caros que muitas vezes ficavam para trás porque eu estava bêbada demais para me lembrar de onde tinha deixado. Eu vendi as joias da minha avó para pagar as despesas desse estilo de vida que não me pertencia, mas ainda assim o dinheiro acabou.

Os lábios de Nika se curvaram num sorriso amargo e ela sacudiu a cabeça, ainda incapaz de encarar o namorado enquanto fazia aquelas confissões doloridas.

- Eu não tinha mais grana para as festinhas, para os drinques caros, para as roupas de marca. Mas descobri que traficantes costumam cobrar bem pouco de clientes novos, ainda não viciados. Aquele novo passatempo durou mais algum tempo, até que o preço começou a subir e eu não tinha mais o que vender para comprar cocaína.

A entonação de Danika deixava claro que ela não sentia nenhum pouco de orgulho da pessoa que ela fora em Viena. A romena preferiria nunca mais resgatar aquelas lembranças de sua memória, mas o encontro daquela noite serviu para mostrar à Lehmann que ela não podia fugir para sempre do passado. Benjamin era um homem perfeito demais, que merecia ter escolha com relação a passar o resto da vida com uma mulher como ela.

- Eu fui presa três vezes por pequenos furtos. Duas vezes por ter roubado dinheiro para pagar minhas dívidas com os traficantes, e a terceira vez porque estava com fome e tentei sair de um supermercado levando um pacote de bisnaguinhas dentro da minha bolsa. Eu só não fiquei na cadeia e nem fui mandada de volta para a Romênia porque o dinheiro dos Volgeman foi usado para pagar as fianças.

Finalmente, Nika chegava ao ponto em que o pai de Lisbeth aparecia na história. E foi notável a sombra que cobriu os olhos castanhos. Para a romena, era mais difícil falar do ex-namorado do que confessar a verdade sobre a vida desregrada que tinha em Viena.

“Volgeman” era um sobrenome conhecido na Áustria. Eles não tinham qualquer tipo de parentesco ou convivência com os Kensington, mas qualquer membro da nobreza certamente já teria ouvido falar sobre a família que dominava o ramo automobilístico no país. Os Volgeman eram donos de praticamente todas as agências de carros de Viena e, consequentemente, possuíam um valor incalculável de bens e de dígitos em sua conta bancária.

- Eu conheci a Valerie em uma das festas. Alguns dias depois, ela me apresentou ao irmão mais velho, Friedrich. Ele parecia perfeito. Rico, inteligente, bonito, bem humorado, popular... No começo, tudo foi perfeito. Mas as coisas mudaram depois que os Volgeman descobriram que ele estava torrando o dinheiro da família com bebidas, drogas e com uma vagabunda estrangeira. Então eu descobri que o Fried precisava de grana para ser o cara que eu conheci. Sem o dinheiro que os pais davam, ele se transformava em outra pessoa. E foi nesse contexto que eu descobri que estava grávida.

A lembrança do último encontro com o ex-namorado fez Danika estremecer, mas aquela era uma parte da história que a romena não teria coragem de revelar. Quando a polícia foi colher seu depoimento, ainda no hospital, Nika dissera que fora agredida por traficantes por causa de uma dívida. Ela sabia que não tinha a menor chance de comprar uma briga com os Volgeman, muito menos agora que Lisbeth existia e estava tão profundamente ligada àquela família influente. Qualquer tentativa de fazer Friedrich pagar por aquele crime poderia ser revertida contra Danika e ela morreria se fosse mandada para a cadeia e deixasse Beth nas mãos de um pai que nunca a quisera.

O receio de que Benjamin fosse buscar pela justiça contra Friedrich Volgeman fez com que Nika omitisse aquela importante parte da história para o atual namorado.

- Ele teve a mesma chance que você, Benjamin. Só que ao invés de aceitar a Beth, ele ordenou que eu fizesse um aborto. Não foi uma conversa amigável, nem uma decisão mútua. Ele simplesmente decidiu que aquela criança não deveria existir e impôs a decisão para mim.

Pela primeira vez desde que começara com aquelas confissões, Danika teve coragem de virar o rosto para encarar Müller, mostrando que aquela era a primeira coisa da qual ela não se envergonhava.

- Eu fiz com que ele acreditasse que eu havia perdido a criança e depois fugi de Viena. E prometi a mim mesma e a Deus que, se o meu bebê sobrevivesse, eu me desdobraria para dar a ele uma boa vida e um bom exemplo. – a voz de Nika soou mais baixa e engasgada quando ela completou – É o que eu tenho tentado fazer desde então.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Sab Set 24, 2016 7:03 pm

Não era por ter um avô médico que Charlotte compreendia os termos da medicina. Mikaelson era o pai da sua mãe, mas era pela família dos Baviera que havia de fato enriquecido. Desde que nascera, o contato de Charlie com a família da mãe havia sido restrito, e mesmo pelo carinho que sentia pelo avô, ela havia crescido muito longe de Viena para se encantar pela medicina através dele.

Então, por ainda estar tentando compreender o diálogo que acontecia a sua frente, Charlie sentiu um baque quando a palavra “câncer” foi proferida. Era como se algo muito imundo estivesse no ar, surgindo apenas como um fantasma para ameaçar quem tivesse coragem e dizer aquilo em voz alta.

Por longos segundos, ela piscou os olhos, sem reação alguma. Um nó se instalou em sua garganta e Charlotte foi transportada para fora do quarto quando mãe e filho começaram a discutir sobre dinheiro. Vindo de um mundo em que dinheiro jamais havia sido um problema, parecia absurdo demais discutir sobre um tratamento médico que salvaria a vida de Luke tendo como principal obstáculo algo tão banal.

Se sua fortuna era capaz de comprar viagens, joias, mansões e tantas coisas inúteis, parecia imensamente injusto que não pudesse pagar um tratamento. Era ainda mais injusto saber que Luke tinha em suas veias o sangue real, mas que enfrentaria o serviço público simplesmente por desconhecer suas origens. Charlotte podia ser completamente ignorante aos detalhes do envolvimento de Hilda e Cristopher, mas naquele instante, ela odiou o rei com todas as suas forças por ter coragem de deixar o filho passar por aquilo sozinho.

Ao escutar o tom decidido de Krauss, o Dr. Mikaelson concordou com um movimento da cabeça e se retirou do quarto, deixando a família para lidar com a situação em particular. Foi a primeira vez que Charlie saiu do choque que havia se instalado, mas ao invés de dirigir sua atenção para Luke ou Hilda, ela se apressou em seguir os passos do avô para fora do corredor.

- Você não vai deixar ele sair daqui nessas condições, não é?

O homem, que já estava na metade do corredor, se virou para encarar a neta. Seu rosto enrugado estava abatido e demonstrando o cansaço, denunciando que mesmo os longos anos na profissão ainda não eram suficientes para ele dar uma notícia tão difícil para um jovem com toda a vida pela frente, sem se abalar.

- O seu amigo é maior de idade, Charlie. E ele ainda tem razão, ainda está apto a fazer as escolhas por si. É a escolha dele.

- E quais são as chances se ele for para um hospital público?

Charlie não gostava a ideia de ver o amigo recebendo qualquer coisa inferior ao que realmente merecia, mas também o conhecia o suficiente para saber que ele não ficaria ali sabendo que seria um peso nas despesas da mãe. Mesmo precisando enfrentar um momento tão delicado, Krauss era humilde o bastante para pensar nos outros, ao invés de si.

- Há médicos ótimos no serviço público, Charlie.

Não era preciso tanto tempo de convivência com o avô para saber que ele estava escolhendo as palavras. Charlie cruzou os braços e o encarou com firmeza.

- Não foi o que eu perguntei.

- Se ele teria mais chances se estivesse aqui? Sim. Nós temos recursos que muitas vezes estão em falta nos outros hospitais. E o seu amigo não tem tempo a perder. Mas isso também não quer dizer que ele está fadado a uma derrota se for transferido, Charlie.

Os olhos esverdeados da menina brilhavam com as lágrimas que ela não queria derramar. Se voltasse para o quarto com vestígios de choro, só estaria tornando o momento mais difícil para Hilda e Lukas.

- Ele vai ficar aqui. O Luke não vai a lugar algum. Ele vai receber o melhor que esse hospital tem a oferecer.

Desta vez, o médico não hesitou em escolher as palavras. Por mais que quisesse poupar Charlotte de encarar a realidade, ainda precisava agir como um profissional, e o seu paciente não era a neta a sua frente.

- Se você conseguir convencê-lo de ficar, ótimo. Mas eu já disse, é ele quem deve decidir.

- Você não conhece o Luke, vovô. – A voz de Charlie soou tão chorosa que ela se surpreendeu, precisando respirar fundo antes de continuar. – Eu não vou deixa-lo sair daqui para morrer só porque é orgulhoso, sabendo que a gente poderia ter resolvido isso de outra forma. Eu vou arcar com todas as despesas, mas ele não pode saber.

Uma ruga se formou entre as sobrancelhas do velho e ele encarou a neta com sincera surpresa. Charlotte havia crescido longe da capital, mas sempre demonstrou ser a cópia fiel do pai, sempre fútil e ambiciosa. Era quase inacreditável ver que ela estava disposta a continuar ao lado de Krauss mesmo sabendo da doença.

- O hospital tem uma clínica beneficente, não tem? – Ela continuou, ainda lutando contra as lágrimas. – Pois você vai dizer a ele que o hospital também tem um programa parecido para casos como o dele. Que ele não terá despesa alguma.

- Charlotte, eu não posso mentir.

Desta vez, duas lágrimas correram direto pelas bochechas de Baviera, mas ela continuou encarando o avô com súplica.

- Você não vai mentir sobre o tratamento. Não vai mentir sobre o diagnóstico. Só o que você precisa dizer é que ele não vai precisar se preocupar com as despesas médicas. Eu cuido do resto.

Mesmo depois que o avô seguiu seu caminho até desaparecer pelo corredor, Charlotte não conseguiu voltar ao quarto de imediato. Ela se encostou contra a parede e fechou os olhos com força. Tudo que sua mente conseguia reproduzir era a palavra “câncer”. Era inacreditável que algumas horas antes, ela e Luke estavam rindo e implicando um com o outro antes que o sangue surgisse ameaçadoramente.

Ela precisou de longos minutos para se recuperar, mas quando voltou ao interior do quarto, forçou um sorriso que não alcançava seus olhos. Hilda continuava ao lado da cama do filho, e como se temesse invadir aquele momento, Charlotte se colocou aos pés de Lukas, tocando o tornozelo dele por cima da coberta.

- Eu pedi ao vovô para verificar se realmente não há nada que possamos fazer para você continuar aqui.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Set 24, 2016 8:02 pm

- Eu não entendi. Como funciona isso, exatamente?

Ainda recostado sobre os travesseiros, Lukas pareceu sinceramente confuso quando o Dr. Mikaelson retornou ao quarto com uma novidade inesperada. O rosto do rapaz continuava pálido, mas as transfusões finalmente tinham chegado ao fim depois da quarta bolsa de sangue. Mesmo que tivesse recebido o diagnóstico apenas há poucas horas, Krauss já estava abatido como se estivesse há dias convivendo com aquele peso nos ombros.

- É uma ONG de apoio a pacientes oncológicos. Eles geralmente bancam exames ou medicamentos que estão em falta na rede pública. Pagaram por várias tomografias quando o tomógrafo do hospital municipal estragou, há alguns meses. Eu conheço um dos líderes do grupo e liguei para explicar a sua situação. Disse que você veio parar aqui numa urgência e que acabou de descobrir o diagnóstico, mas que a doença já está avançada e seria bom se o tratamento fosse imediato. Então, eles concordaram em custear o seu tratamento.

Como médico, o Dr. Mikaelson se sentia péssimo por precisar mentir para um paciente. Mas, como ser humano, ele não conseguiria conviver com a culpa de concordar com aquela transferência sabendo que Lukas Krauss teria mais chances de sobreviver se continuasse naquele hospital. Além disso, o gesto de Charlotte fora tão nobre e inesperado que o avô não conseguia dar às costas àquela menina generosa que não se parecia com a Charlie fútil que Mikaelson conhecia.

- Vão pagar todas as despesas? Sem pedir nada em troca? – Lukas arqueou uma das sobrancelhas, desconfiado da veracidade daquele milagre.

- É o que as ONG’s fazem, Lukas. Eles não cobram para ajudar.

- Quantos pacientes com câncer estão nas filas dos hospitais públicos? Por que logo eu?

- Porque você já está aqui e porque foi um pedido meu. – Mikaelson mergulhou ainda mais fundo na mentira da neta – Eu ajudo o grupo fazendo consultas gratuitas no ambulatório beneficente. Você se tornou meu paciente esta tarde e eu pedi que eles te ajudassem. Se você não aceitar, não vamos conseguir puxar nenhum outro paciente para o seu lugar e esta caridade vai se perder.

- Nós vamos aceitar. – Hilda interrompeu a conversa, respondendo pelo filho – Quando tudo isso terminar, Luke e eu vamos ajudar a instituição como pudermos para demonstrar a nossa gratidão. Agora que está decidido que ele vai ficar, quais os próximos passos?

Para Lukas, era muito difícil acreditar que a situação tinha sido resolvida tão rapidamente. Era estranho que com apenas uma ligação o médico tivesse conseguido apoio financeiro para bancar um tratamento tão caro. ONG’s realmente existiam e faziam aquele tipo de caridade, mas Krauss não acreditava nas razões para ser beneficiado tão rápido quando milhares de pessoas como ele enfrentavam o mesmo problema.

- Você vai ficar, Lukas? – o médico se voltou para Krauss, esperando pela decisão dele.

Os olhos castanhos se voltaram para Hilda e Charlie, que o encaravam com muita expectativa. As duas pareciam ainda mais frágeis e baixinhas com aquelas expressões doloridas. Talvez foi por isso que Lukas não teve coragem de causar mais uma dor tão grande a elas.

- Sim.

Hilda não foi capaz de conter um suspiro e lágrimas aliviadas diante daquela resposta do filho. Mesmo não tendo nenhuma intimidade com Charlotte, a Sra. Krauss deu um abraço torto na menina, querendo dividir com ela aquela dor que Baviera visivelmente compartilhava com a família.

- Ótimo. – o Dr. Mikaelson pegou a prancheta do rapaz e fez uma breve anotação – Vou agendar a primeira sessão de quimioterapia para amanhã à tarde. Antes disso, precisamos fazer outro exame que se chama mielograma. É um exame mais chato e doloroso, mas infelizmente é necessário para fecharmos o diagnóstico, Lukas.

- Não está fechado??? – os olhos de Hilda brilharam com a esperança – Pode ser outra coisa, então???

A esperança da mulher fez com que Mikaelson lançasse um olhar de piedade para ela. Mesmo depois de décadas naquela profissão, ainda não era fácil lidar com a dor de uma mãe diante de um filho gravemente doente.

- É leucemia, Sra. Krauss. O mielograma só vai nos ajudar a saber qual o tipo. O exame de sangue simples que o Lukas fez é como se fosse uma foto dos caminhões de mercadoria estragada que saem da fábrica. O mielograma será uma foto de dentro da fábrica, para sabermos exatamente onde as coisas começaram a dar errado. Conhecendo o tipo de leucemia, nós vamos saber dizer o quão agressivo o tratamento precisará ser, quantas sessões de quimioterapia ou radioterapia serão necessárias, quais as chances de precisarmos de um doador de medula... Acho melhor iniciarmos os testes com a família o quanto antes.

Aquela expressão fez as cores sumirem do rosto de Hilda Krauss. Embora também não tivesse amplos conhecimentos sobre a área médica, Hilda sabia que um transplante de medula não era tão simples quanto uma transfusão de sangue comum. Doador e receptor precisavam ter genes muito semelhantes para evitar uma rejeição e, portanto, as chances de encontrar um doador compatível fora da família eram muito pequenas, como ganhar na loteria.

A família de Lukas se resumia à mãe. Hilda também fora filha única e seus pais já tinham falecido há alguns anos. Exceto por primos de segundo ou terceiro graus que Luke sequer conhecia, só restava Hilda. Com um sorriso amargo no rosto, Lukas pensou no pai que nunca o assumira. Um pai, irmãos, primos... Era irônico que a sua vida dependesse daquela “família” que sequer sabia de sua existência.

Alheio ao drama familiar dos Krauss, Mikaelson se voltou para a mãe do rapaz, já pronto para iniciar uma lista na prancheta de Lukas.

- Vamos testar os parentes mais próximos primeiro. Mãe, pai e irmãos. Depois podemos partir para avós, tios e primos. A senhora só precisa me fornecer os nomes que eu já vou pedir para a minha equipe preparar os kits de compatibilidade.

O médico não entendeu o que havia dito de errado quando lágrimas grossas começaram a brotar dos olhos de Hilda. Mais uma vez, Lukas precisou ser a pessoa mais calma e madura daquele quarto quando explicou a situação para o Dr. Mikaelson.

- Não tenho irmãos e meu pai se mandou antes mesmo de eu nascer. Só vamos precisar de um kit, para a minha mãe. Se ela não for compatível, o senhor terá que me inscrever na fila de transplante. Imagino que não exista nenhuma ONG que produza medulas compatíveis, não é?

As palavras irônicas de Lukas mostravam que o rapaz ainda não havia engolido muito bem a história do financiamento da sua internação. Krauss só aceitara ficar naquele hospital porque não aguentava mais as lágrimas e os soluços de Hilda. Os olhos castanhos tinham um ar de acusação quando buscaram por Charlotte ao fim da frase, mostrando que o rapaz desconfiava seriamente que a amiga rica e mimada estava por trás daquela caridade.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Sab Set 24, 2016 8:40 pm

Era praticamente impossível imaginar que a jovem ao seu lado, a mãe dedicada que perdia tantas horas se dobrando em dois trabalhos, a vizinha gentil e a namorada perfeita tivesse o passado descrito por Danika. Por mais que a mente criativa de Benji se esforçasse, ele não conseguia visualizar Lehman se esbaldando em festas e agindo com tanta irresponsabilidade entre drogas e bebidas ao ponto de engravidar por um descuido.

Ele sempre imaginou que o passado com o pai de Lisbeth era complexo, mas jamais esperou por tanto. Mas, se Danika esperava que ele desistisse de um futuro ao lado dela naquela revelação, ela facilmente descartaria aquela possibilidade quando, ao final da sua narração, Benjamin deslizou sua mão pelos braços dela e puxou o corpo magro de encontro ao seu peito.

Um beijo carinhoso foi depositado no topo da cabeça de Danika e, por alguns segundos, o quarto reinou no silêncio, interrompido apenas pelo ruído que vinha da babá eletrônica e pelas respirações dos dois adultos.

- Você tem feito um ótimo trabalho, então.

O colchão afundou quando Benjamin se revirou até se sentar de frente para Danika, passando uma das pernas ao redor dela enquanto o outro pé continuava roçando o carpete, pendendo para fora da cama.

Como Danika parecia constrangida demais para encará-lo, Benji a segurou pelo contorno do rosto até que os olhos castanhos estivessem presos nas suas íris azuis. Seu olhar era intenso, mas cheio de carinho e admiração.

A namorada havia acabado de se abrir para ele, confessar um passado que a envergonhava e que preferia estar morto. Ela havia passado por um inferno até chegar ali, mas continuava exibindo um sorriso doce e com um forte brilho de amor pela filha nos olhos castanhos. Muitas mulheres que enfrentassem a mesma situação dela, teriam optado pelo caminho mais fácil, mas Danika seguira em frente com a gravidez e se esforçava para dar tudo que Lisbeth precisasse.

Benji se sentiu um lixo por esconder o próprio passado de Danika, principalmente agora que ela se abrira com ele. Mas uma vozinha em sua cabeça insistia em dizer que eram casos completamente diferentes. Ele a admirava ainda mais por saber a história dela, mas Lehman certamente o odiaria por ter mentido por tanto tempo.

- Você é a mulher mais incrível que eu já conheci, Danika Lehman. Você se tornou a melhor mãe que a Beth poderia ter e eu tenho certeza que ela sempre vai se orgulhar por tudo que você fez por ela.

Os dedos de Benji deslizavam pelos fios castanhos até pousar o polegar no queixo dela.

- Mas você não está mais sozinha. Nós somos uma família, Nika. Eu vou cuidar de vocês duas.

***

O sol não costumava bater naquela parte do pátio na hora do almoço, o que tornava o ambiente mais fresco para que os funcionários se espalhassem entre as mesas para devorar os lanches trazidos de casa durante o breve intervalo de suas atividades.

Entretanto, como o dia ainda estava amanhecendo, a cor alaranjada refletia sobre a grama, aquecendo a pele de Benji na manhã friorenta. O lugar ainda estava vazio porque faltava pelo menos meia hora para que os funcionários começassem a chegar para o trabalho.

Benji havia saído do apartamento mais cedo com a desculpa de se adaptar ao novo caminho até a montadora, mas ele já sabia que gastaria exatamente quinze minutos de caminhada até chegar no pátio.

- Vejo que gostou mesmo da cidade.

O homem de terno e gravata sorriu quando Benjamin se aproximou e os dois apertaram as mãos antes de se sentar em uma das mesas.

- Conseguiu encontrar o garoto?

Benjamin concordou com um movimento da cabeça, lançando olhares tensos ao redor. Não havia sinal de mais nenhum rosto conhecido, mas não podia arriscar que aquela conversa chegasse aos ouvidos de mais ninguém.

- Você sabe que sim, Sven.

- Não sei, não. – O homem riu, cruzando os dedos sobre a mesa. – Meu trabalho foi só entregar as informações pra você. O que você faria com elas, não era mais da minha conta.

Sven Reinke era o mesmo detetive que havia descoberto sobre Lukas Krauss. Quem olhasse para o rosto novo e os cabelos curtos, quase raspados, diria apenas que Sven era mais um dos tantos advogados ambiciosos que se formava cedo demais. Era uma das características que Benji mais gostava no velho amigo detetive.

- Bom, então eu tenho mais um trabalho para você.

Sven meneou a cabeça enquanto aguardava um envelope com mais informações, fotos, ou qualquer coisa que o ajudasse. Entretanto, nenhum papel foi retirado das vestes simples de Benjamin, as quais Reinke havia sido discreto o bastante para não comentar.

- Friedrich Volgeman. Você sabe quem é, não sabe?

O olhar estreito de Sven se perdeu por alguns segundos enquanto ele tentava se lembrar onde já havia ouvido aquele nome antes. Benji não se manifestou até que o detetive concordasse, parecendo desinteressado.

- Sim, já ouvi falar dos Volgeman. Mas não conheço o moleque pessoalmente.

- Melhor assim. Preciso de mais informações sobre ele. O que conseguir, sobre o passado, onde ele está agora, o que faz da vida. Absolutamente tudo.

Por mais que a discrição fosse uma exigência em sua profissão, foi impossível para Sven não se mostrar curioso. Era a segunda vez que o príncipe da Áustria lhe pedia para buscar informações sobre um homem. Aquilo estava começando a se tornar um padrão.

Como já sabia exatamente como calar a curiosidade de Sven, Benji finalmente abriu o casaco preto e puxou de lá um envelope volumoso que foi colocado sobre a mesa de metal.

- Aqui está a metade do seu pagamento. Você já sabe como conseguir o restante. Me procure quando tiver alguma coisa relevante.

- Você poderia ter feito simplesmente um cheque. – Sven girou os olhos, abrindo um sorriso torto ao enfiar o dinheiro no próprio casaco. – Fica parecendo um mafioso assim, Al Pacino.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Sab Set 24, 2016 9:17 pm

Era um alívio que Lukas tivesse concordado em desistir da transferência, mas nem mesmo a esperança de que ele recebesse o melhor tratamento da Áustria minimizava a angustia de Charlotte. A dor da Sra. Krauss em ver o filho naquelas condições era incomparável, mas enquanto a mulher mais velha se desmanchava em tristeza, Charlie sentia raiva do mundo.

Ela não conseguia aceitar a injustiça do destino. Lukas era filho do rei. Ele deveria ter tido a mesma vida fácil que Benjamin, mas enquanto o primogênito era cercado por riquezas e luxos, Krauss havia crescido precisando acordar cedo para conseguir chegar ao colégio. Mais uma vez, era Lukas o prejudicado entre os dois irmãos, enquanto Benji era egoísta e vivia uma mentira, sempre livre das consequências.

Parecia uma grande piada que Benjamin tivesse ido até Leoben atrás do irmão, mas agora Lukas estava a quilômetros de distância, lutando pela vida, enquanto ele vivia uma vidinha de filme, preocupado apenas com a própria felicidade.

Charlie havia deixado o quarto de Lukas com a desculpa de que iria comer alguma coisa, mas ela sentia que não podia deixar o hospital. Era como se temesse que quanto mais se distanciasse de Lukas, menos tempo teria com ele.

Uma chuva havia começado a cair sobre Viena, junto com o início da noite. O salão de espera era cercado por uma parede de vidros de onde era possível ver a massa acinzentada das nuvens carregadas. As gotas se acumulavam contra a janela, mas embora olhasse fixamente para o próprio reflexo no vidro, a mente de Charlotte estava distante.

O aparelho celular em sua orelha apitava ao som das chamadas até que a voz conhecida atendesse pelo outro lado.

- Luke? Onde você está, cara? Você disse que ia voltar no começo da semana...

Charlie respirou fundo quando seu estômago se contorceu, mas era impossível saber se era a raiva ao escutar a voz de Benjamin ou se pela angústia ao imaginar como Krauss estaria se estivesse em Leoben. Se os sintomas tivessem se agravado e ela ainda estivesse na Itália ou em qualquer outro lugar? Ela jamais se perdoaria se os dois nunca mais se falassem.

- Luke? – Benji chamou outra vez.

- Sou eu. – Charlie respondeu baixinho, já sabendo que a linha ficaria muda por alguns segundos até que o ex-namorado digerisse a ideia de estar falando com ela.

O telefone de Lukas havia sido pego da mochila dele, porque Charlotte sabia que Benjamin não atenderia ao reconhecer seu número.

- O que houve, Charlotte?

- Você precisa vir até Viena.

A última vez que Charlotte havia falado com Benjamin, também era para dar uma notícia ruim. A diferença é que quando havia contado sobre o rei, ela estava simplesmente informado ao príncipe e lhe dando a opção de fazer o que bem entendesse. Daquela vez, Charlie não daria escolha para Benji.

- O Luke está doente e precisa de você, Benjamin. Eu não quero saber se você está vivendo a mentira mais perfeita do mundo, se não quer pisar em Viena nunca mais, ou se simplesmente está com medo da sua máscara cair no instante em que voltar para cá. Mas você surgiu em Leoben e fez a vida de todo mundo uma bagunça. Então trate de fazer pelo menos uma coisa certa.

- Do que você está falando, Charlotte? O que aconteceu com o Lukas?

Apesar de todas as acusações, a preocupação de Benji parecia sincera e diretamente focada no irmão. Ele poderia começar uma discussão, tentar se defender ou simplesmente desligar na cara de Charlotte. Mas continuou simplesmente porque sabia que havia alguma coisa errada.

Qualquer pessoa teria a delicadeza ao dar uma notícias como aquela, mas a raiva que Charlotte sentia a impediu de usar qualquer filtro.

- O seu irmão está com câncer. Ele está internado e estão precisando fazer testes para um maldito transplante que sequer sabem se vai adiantar alguma coisa. Mas o Lukas não sabe nem que tem um irmão, não é?

O tom de Charlotte era acusador e ela deu um risinho sem ânimo ao completar.

- Você não queria tanto um irmão? Trate de ser um agora. Ou vai ser um covarde mais uma vez?

O silêncio do outro lado poderia indicar que Benjamin estava digerindo as ofensas ou simplesmente que estava arrumando alguma desculpa para se manter longe de Viena. Mas quando ele finalmente respondeu, estava tão convicto que não deixava ninguém duvidar da sua escolha.

- Eu estou indo, Charlotte.

Quando Charlie entrou novamente no quarto de Lukas, ela não se deu o trabalho de esconder o celular em suas mãos. O aparelho foi deixado ao lado da mesinha dele antes que ela se acomodasse na grande poltrona.

- O meu acabou a bateria. Peguei o seu para avisar aos meus pais que não vou voltar hoje.

- Você não precisa ficar, Charlie. – Hilda tentou esboçar um sorriso que simplesmente não combinava com seu olhar triste. – Eu vou em casa pegar algumas roupas, mas volto para ficar com o Luke.

- Não precisa se preocupar, as poltronas da sala de espera são bem confortáveis. – Charlie imitou o sorriso sem ânimo da mulher, que já pendurava a bolsa em um dos ombros.

- Você deveria ligar para a Olga, Luke.

Hilda havia tomado todo o cuidado necessário para não mencionar a namorada do filho diante de Charlotte, mas a seriedade da situação fez com que ela pensasse primeiro no relacionamento oficial que Luke tinha.

Charlotte desviou o olhar, mas como sempre fazia, se esforçou para demonstrar que não se importava com a existência de uma namorada na vida do amigo. Entretanto, seu estômago se contorceu com a ideia de que Luke ainda estava namorando.

Durante aquela semana em Viena, os momentos que os dois passaram juntos, fez Olga desaparecer de sua mente. E tantos meses haviam se passado que ela poderia jurar que o rapaz e a vizinha haviam terminado. Era uma surpresa desagradável saber que ainda estavam juntos, mas mesmo que quisesse, a situação não permitia que ela fizesse cobranças e exigências de Krauss.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Set 24, 2016 9:24 pm

Os músculos das pernas de Danika perderam a força por completo quando ela escutou aquela palavra que soava quase obscena. A garçonete se esqueceu de que estava no horário do trabalho e sentou-se numa das mesinhas do restaurante, completamente pálida e chocada com a notícia vinda dos lábios da melhor amiga.

- Como assim, Olga? Ele estava tão bem!!!

Olga Sturm estava visivelmente triste com a novidade, mas não parecia uma namorada à beira de um surto com a possibilidade de perder Lukas. A loira bebericou o suco servido por Danika antes de continuar a conversa.

- Ele me ligou. Parece que ele passou mal em Viena, foi parar em um hospital e fizeram exames que confirmaram que é mesmo câncer.

- Pelo amor de Deus, pare de repetir esta palavra!

- É só uma palavra, Danika. Se eu usar outro termo não vai mudar o fato de que o Luke está internado com esse diagnóstico.

Nika não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Em sua última conversa com Lukas Krauss, o vizinho estava voltando de um treinamento e parecia esbanjar saúde com o uniforme do time todo amassado e com os cabelos castanhos úmidos de suor. Como de costume, Luke estava muito bem humorado e perdeu vários minutos provocando-a por ter tirado dele o novo colega de apartamento.

Menos de duas semanas tinham se passado e era surreal que agora aquele mesmo rapaz jovem e cheio de vida estivesse internado em um hospital da capital, com o diagnóstico tão sombrio que Danika sequer se sentia à vontade para pronunciar aquela palavra, como se fosse um agouro de morte.

- Ele vai começar a quimioterapia hoje. – Olga soltou um muxoxo – Coitadinho.

- Quer deixar as chaves comigo? Eu posso passar lá no apartamento duas ou três vezes por semana para molhar as suas plantas e ver como estão as coisas.

Os olhos azuis se voltaram para Nika e Olga piscou várias e várias vezes até entender o que a romena estava insinuando. Tão logo compreendeu, a loira sacudiu a cabeça em negativa e se remexeu na cadeira, desconfortável.

- Eu não vou pra Viena. Não dá, Nika. Eu tô lotada de provas, estamos quase no fim do semestre, né? Talvez eu faça uma visitinha rápida no fim de semana, mas não posso ficar lá com o Luke.

Por mais que não quisesse julgar a amiga por aquela decisão, Danika não conseguiu disfarçar um semblante de surpresa. Se aquela tragédia estivesse acontecendo com Benjamin, Nika tinha certeza de que estaria aos prantos e que não economizaria esforços para ficar ao lado do namorado naquele momento difícil. O “semestre” de Olga parecia uma grande bobagem quando Krauss estava seriamente doente e precisava de todo o apoio possível da namorada.

- Ele precisa de você, Olga. O Luke deve estar péssimo.

- Eu não consigo.

Olga apoiou os cotovelos na mesa e segurou a própria testa com as mãos. Por mais que gostasse da amiga e que fosse grata por tudo que Olga já fizera por ela e por Lisbeth, aquele discurso egoísta da loira deixou Lehmann boquiaberta.

- Eu não quero ficar assistindo o Luke definhar. Você sabe, Nika. Quimioterapia! Ele vai ficar péssimo, vai emagrecer, vai perder os cabelos, todo aquele drama que a gente vê nos filmes! Eu prefiro me lembrar dele como ele era.

- O Lukas não morreu, Olga. Pare de usar os verbos no passado para se referir a ele.

Já recuperada daquele abalo inicial, Danika puxou a bandeja e se afastou da mesa, deixando para trás uma Olga que parecia mais infeliz por ter perdido o status de namorada do que propriamente pela situação de Lukas.

Aquela notícia deixou Danika abalada durante o resto do dia. Nem mesmo a felicidade de saber que Benjamin a aceitava apesar do seu passado tumultuado conseguia diminuir a dor de imaginar Lukas tão doente e debilitado. Quando entrou no carro do namorado, ao fim da tarde, Nika notou pelos olhos azuis desamparados que Benji também já sabia. Provavelmente ele havia cumprido a promessa de ligar para Luke para descobrir o motivo de tamanho atraso para retornar à Leoben.

- A Olga me contou hoje.

Nika poupou Benjamin da dor de verbalizar aquela notícia tão difícil. No banco traseiro, Lisbeth estava na cadeirinha e acompanhava a conversa dos adultos com um olhar curioso. Ele parecia desconfiada desde que Benji aparecera para buscá-la na creche e não agiu da mesma forma leve e apaixonada de sempre.

- Eu acho que deveríamos ir visitá-lo. Eu consigo uns dias de folga no restaurante, tenho várias horas extras no banco. As chances são mínimas, mas a gente também podia se oferecer para fazer um teste de compatibilidade. Mesmo se não der pra ajudar o Luke, talvez tenha alguém na mesma situação dele que precise de uma medula.

A possibilidade de Danika ser compatível com Lukas Krauss era realmente desprezível. O que a romena não sabia era que estava diante de alguém com chances grandes e reais de salvar Luke daquele destino sombrio.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Sab Set 24, 2016 10:16 pm

- Nós vamos.

Benji concordou prontamente, procurando a mão de Danika com a sua enquanto dirigia o carro pelas ruas seguindo o novo caminho até o apartamento. Os olhos azuis encaravam o trânsito leve à sua frente, mas a cabeça estava distante, ainda revivendo as palavras de Charlotte.

Cada uma das acusações da ex-namorada o atormentavam como agulhas cravando no peito. Era terrível saber como aquelas ofensas tão pesadas estavam carregadas de verdade. Benjamin viera até Leoben por causa de Lukas, mas o irmão havia saído das suas prioridades no instante em que Danika surgiu em sua vida.

Ele chegou a se perguntar como teria sido o relacionamento com o caçula caso não tivesse se apaixonado pela vizinha. Já teria ido embora de Leoben, deixando o irmão finalmente em um passado que não deveria ser mexido enquanto Luke adoeceria sem nunca ter a chance de um doador? Ou teria revelado a verdade a Krauss, abalando seu mundo inteiro?

De uma forma ou de outra, Benjamin só teria tornado a vida do irmão mais difícil. Mas agora ele tinha a chance de minimizar o estrago já iniciado pelo pai, tantos anos antes. Luke havia se tornado um grande amigo, e mesmo que Benji jamais pudesse revelar a verdade, ele também teria um irmão.

O desejo de Benjamin era partir imediatamente, mas a responsabilidade de ter uma família o manteve com os pés no chão, aguardando pacientemente que Danika terminasse os tramites responsáveis em seu trabalho. A garçonete precisou de apenas um dia para que tudo estivesse acertado, e antes mesmo do raiar do sol, Benjamin já estava de pé, enfiando as mochilas no carro.

A ideia era passar apenas alguns dias na capital, mas as necessidades de Lisbeth acabaram tornando a mala do carro mais cheia do que o necessário. A cadeirinha também havia sido instalada no banco traseiro, mas quando ela foi acomodada e firmemente presa entre os cintos de segurança, ainda estava dormindo, alheia a tensão dos adultos.

O coração de Benji se apertava ao imaginar que a criança precisaria enfrentar quase duas horas de carro, mas a preocupação com Lukas também o motivava a seguir em frente. Um beijo carinhoso foi depositado nos cabelos escuros antes que ele saísse pela porta traseira, dando um meio sorriso ao ver que Danika trazia dois copos térmicos com café.

A madrugada estava quase no fim e, se tudo corresse bem, eles chegariam ao hospital onde Krauss estava internado ainda nas primeiras horas de visita. Mesmo que o tempo na direção não fosse tão absurdo, a noite mal dormida pesava, e junto com a preocupação, transformada o rosto bonito de Benjamin em uma expressão abatida e cansada.

Durante todo o caminho, Benji lançava olhares constantes no retrovisor, se certificando de que Lisbeth estava bem. A menina só acordou quando o trajeto já havia passado da metade, mas o chorinho desconfortável obrigou Müller a parar o carro em uma lanchonete por alguns minutos antes de seguir o caminho.

- A Olga não quis vir? – Benji perguntou depois de lançar mais um olhar a Lisbeth, que estava entretida brincando com as orelhas do coelhinho de pelúcia. – Ainda tinha espaço no carro, você avisou a ela, não avisou?

Era compreensível que a namorada de Krauss estivesse assustada com aquela nova realidade. O próprio Benjamin estava com receio do que encontraria quando chegasse em Viena. Mas ele queria estar lá para o irmão, precisava mostrar que ele não estava sozinho para enfrentar aquele problema e que se tivesse o apoio necessário, poderia sair daquele pesadelo.

O namoro entre Luke e Olga sempre pareceu tão certo aos seus olhos que era a primeira vez que Benji via uma rachadura naquele relacionamento. Se estivesse no lugar de Lukas, o que ele mais gostaria era de ter Danika ao seu lado. E conhecia a namorada o suficiente para saber que ela jamais lhe daria as costas por ter medo ou ser incapaz de enfrentar uma situação difícil.

Aquele pensamento fez com que a mão de Benji procurasse por Danika ao seu lado mais uma vez, pressionando carinhosamente o joelho dela. Os olhos azuis desviaram da estrada por um instante apenas para encarar o rosto de Lehman. Era incrível como apenas olhar para ela, seu peito já se acalmava.

- Eu não consigo imaginar pelo que o Luke esteja passando. Mas se eu estivesse no lugar dele, me sentiria melhor só de ter você.

Um suspiro dolorido escapou pelos lábios dele, a ruga de preocupação entre suas sobrancelhas sem abandoná-lo um único instante.

- Obrigado por ter vindo comigo, Nika.

Por um instante, Benji se esqueceu que Danika e Lukas eram amigos há muito mais tempo. Mesmo em meio a toda mentira, Benjamin se sentiu como o irmão mais velho que temia pela vida do caçula, tendo o suporte da namorada.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Set 24, 2016 10:24 pm

- Quer que eu busque mais alguma coisa além do computador, querido?

Hilda terminou de ajeitar a bolsa no ombro e inclinou-se para despedir-se do filho com um demorado beijo na testa. A Sra. Krauss só demoraria uma ou duas horas para voltar em casa e buscar algumas roupas e itens pessoais para Lukas, mas até mesmo aquele breve separação parecia difícil naquele contexto tão delicado. Hilda estava se esforçando para ser forte, mas era terrível pensar que seus momentos com o filho poderiam estar chegando ao fim.

- O carregador do celular.

- Está bem. – Hilda suspirou antes de repetir aquele pedido baixinho para o rapaz – Ligue para a Olga.

- Vou ligar amanhã cedo. Já está tarde e ela tem prova amanhã.

Aquela situação só reforçava para Hilda que o namoro entre Luke e Olga não ia bem. O rapaz não parecia apaixonado e agora não demonstrava a menor necessidade de dividir aquela dor com a namorada. Por outro lado, Charlotte continuava por perto e Lukas ainda não havia aberto a boca para insinuar que a amiga deveria voltar para casa, deixando claro que o rapaz a queria ao seu lado naquele momento difícil.

Os passos de Hilda seguiram até a saída do quarto e a mulher fechou a porta com gentileza depois de passar. O silêncio só era quebrado pelas vozes que vinham da televisão ligada em um reality show de culinária. O canal fora escolhido por Lukas apenas porque ele sabia que a mãe acompanhava aquele programa e poderia se distrair com a competição. Por isso, o rapaz pegou o controle remoto e desligou o aparelho tão logo Hilda o deixou sozinho com Charlotte.

- Seu avô mente quase tão bem quanto você.

As palavras soaram baixas, mas o quarto silencioso permitiu que a voz de Lukas chegasse até a amiga. Não houve perguntas e nem qualquer tipo de joguinho para arrancar a verdade de Baviera. Lukas só precisou pensar um pouco mais para entender de onde estava vindo o financiamento da sua internação.

- Eu só aceitei por causa dela. Minha mãe já está sofrendo demais. Eu não aguentaria vê-la acomodada numa cadeira velha ao lado de uma maca quebrada, esperando que o governo mande um remédio caro para um hospital público.

Era um forte abalo para o orgulho de Lukas aceitar que Charlotte pagasse pelas suas despesas naquele hospital. Mas o pesadelo que ele vivia já era grande demais para que mais aquele drama fosse adicionado ao problema. A única coisa que consolava Krauss era a certeza de que aquele dinheiro não era nada para Baviera.

Em sua convivência com Charlotte, o rapaz a vira comprar fortunas em roupas, sapatos e joias. A “festinha” que a moça oferecera aos colegas da faculdade de Leoben certamente ficara mais cara que uma sessão de quimioterapia. Na cabeça de Luke, ele não estava deixando que a amiga pagasse as suas contas. Charlie estava pagando pelo conforto e pela tranquilidade de Hilda. Mesmo se ele morresse, a mãe teria a consciência em paz por saber que Luke recebera o melhor tratamento possível.

- De qualquer forma, obrigado. A sua caridade tornou a situação menos dramática e isso já significa muito pra mim.

O rosto de Lukas se contorceu numa careta de dor quando o rapaz tentou se acomodar melhor na cama. Pouco antes de Charlotte retornar para o quarto, Luke havia sido submetido ao mielograma. Nem mesma a anestesia local e uma dose de morfina aliviavam a dor aguda que o rapaz sentia no local da punção, mas parecia uma bobagem reclamar de uma simples dor quando Krauss se sentia podre por dentro.

Era exatamente esta a sensação. Quando olhava para o próprio corpo, Lukas tentava imaginar as milhares de células cancerígenas que circulavam pelas suas veias e que em breve paralisariam as funções de todos os seus órgãos se a quimioterapia não colocasse um fim naquele “defeito”. Era como morrer de dentro para fora, boicotado pelo próprio organismo. Não era um invasor, um vírus ou uma bactéria. Luke estava prestes a morrer “contaminado” pelas próprias células.

A reação de Krauss diante da revelação havia sido choque, seguido por uma apática aceitação da tragédia. Mas o comportamento indiferente do rapaz era uma armadura que o impediu de desmoronar diante de Hilda. A Sra. Krauss já estava tão desesperada que Lukas não quis se juntar a ela e tentou parecer forte e maduro para que a mãe tivesse forças para continuar de pé.

Contudo, agora que Hilda não estava mais por perto, Luke não tinha mais força para manter aquela máscara. Depois de um silêncio prolongado, o lábio inferior de Krauss tremeu enquanto uma cortina de lágrimas cobria os olhos castanhos. Por mais que tentasse se manter calmo, a mente dolorida já projetava todos os sonhos que ficariam para trás. A faculdade, pós graduação, um bom emprego, uma casa nova, viagens, casamento, filhos... Lukas sentia que morreria antes de realizar os seus maiores sonhos.

- Eu preferiria ser atropelado por um trem. Ou talvez cair de um prédio, quem sabe uma bala perdida na cabeça?

As palavras saltaram pelos lábios de Lukas sem qualquer tipo de freio, como se ele estivesse apenas repetindo em voz alta o que a sua mente dizia.

- Qualquer outra morte mais rápida e mais digna do que definhar em uma cama de hospital. Me promete que vai convencer a minha mãe a fazer um velório de caixão fechado se eu estiver muito mal?

Krauss finalmente desabou em lágrimas quando voltou os olhos para Charlotte. Lukas se sentia péssimo em pensar que a amiga assistiria a aquele pesadelo, mas ao mesmo tempo não suportava a ideia de mandar Charlie embora e enfrentar aquilo sem ela.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Sab Set 24, 2016 10:49 pm

Todo aquele sacrifício parecia desprezível diante do fato de que Lukas precisava dos amigos naquele momento difícil. Danika não se importava em gastar as suas suadas horas extras numa viagem para Viena, tampouco se sentia culpada em arrastar a pequena Lisbeth para o carro ainda de madrugada. Krauss sempre havia sido mais que um bom vizinho. Era um amigo que merecia tudo aquilo e ainda mais.

Mesmo sabendo que Benjamin havia construído uma amizade muito sólida com Luke nos últimos meses, Nika não esperava que aquela notícia abalasse tanto o namorado. Müller parecia completamente desestruturado desde que soubera que o colega estava doente, como se eles fossem mais que apenas bons amigos. Era como se Luke fosse um primo muito próximo, ou um irmão para Benji.

Foi por isso que Danika se viu obrigada a ocupar dois papéis naquele dia. Ela era uma amiga preocupada com Lukas, mas também era uma namorada que sustentava Benjamin para que o rapaz não desmoronasse. Assim como Krauss, Lehmann detestava Viena e guardava péssimas lembranças daquela cidade. Mas ela não hesitou antes de entrar no carro e encarar aquele desafio por Luke e também por Benji.

- A Olga não quis vir. Ela disse que talvez vá visita-lo no fim de semana. Eu não insisti. A decisão é dela. Mas espero sinceramente que o Lukas encare este relacionamento com a mesma frieza, eu vou ficar arrasada se ele parecer decepcionado com a ausência dela.

A entonação magoada de Nika mostrava que a romena não apoiava a decisão da amiga. Era muito difícil acreditar que Olga não tinha coragem de engolir os próprios medos para estar ao lado do namorado naquele momento complicado. Era inadmissível que ela estivesse mais preocupada com a aparência que Krauss iria adquirir do que com a gravidade da doença.

- Você não precisa agradecer por isso, Ben. Eu jamais te deixaria sozinho nisso, e o Lukas também é meu amigo.

A mão de Nika acariciou os dedos apoiados sobre o seu joelho e, repetindo o gesto do namorado, a romena lançou um olhar para o banco traseiro. Lisbeth estava distraída com a paisagem verde que passava pela janela e com o inseparável coelhinho.

- Não vão deixar que a gente entre com a Beth. E eu também não quero arrastá-la para dentro de um hospital. Você entra primeiro, depois volta para ficar com ela enquanto eu vejo o Luke. Imagino que o hospital deva ter um pátio ou um jardim. Ela vai começar a ficar irritada se continuar presa dentro do carro.

As palavras decididas de Danika indicavam que a moça não fazia a menor questão de perder tempo procurando um hotel naquela manhã. Por ela, os três poderiam seguir direto para o hospital e só depois do horário de visitas procurariam por um lugar mais confortável para descansar. Sem dúvida, Luke era a maior prioridade daquela viagem.
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Re: The Royals

Mensagem por Michaela Moccia em Sab Set 24, 2016 10:57 pm

- Eu sabia que você não aceitaria se eu oferecesse...

Charlie não parecia surpresa com a descoberta precoce de Lukas sobre o pagamento das dívidas do hospital. Ela sentia o olhar inquisidor de Krauss desde que o avô havia contado sobre o “repentino milagre” e já estava preparada para as acusações.

Mesmo captando o tom de reprovação em Krauss, Baviera não se arrependia do que havia feito. Lukas poderia ficar furioso, exigir que ela saísse dali e nunca mais falasse com ela. Mas se aquilo ao menos desse uma chance para ele ter o melhor tratamento possível, era completamente indiferente se ela seria idolatrada ou odiada.

- Você vivia criticando os meus gastos excessivos. Bom, eu resolvi fazer algo útil com o meu dinheiro.

Os passos tímidos de Charlotte ecoaram pelo quarto silencioso quando ela se aproximou da cama de Lukas. A menina que esbanjava confiança e autoridade parecia uma garotinha intimidada diante da cena de Lukas, mas ela ainda soava decidida ao encarar os olhos castanhos.

- Não é nenhuma caridade, Luke. Talvez “investimento” seja uma palavra mais adequada. – Um sorriso tentou aparecer em seus lábios, mas a seriedade em sua voz não deixou que aquela confissão soasse como mais uma das brincadeiras. – Eu não sei viver sem você, então só estou cuidando para que você melhore logo.

Era a primeira vez que Charlie era tão clara sobre os seus sentimentos. Nem mesmo a declaração trocada nas escadas, meses antes, soou tão intensa. O amor que nasceu entre os dois era facilmente reconhecido nos olhares e nos carinhos, até mesmo nas risadas e implicâncias. Mas Charlotte estava sempre tão decidida a não ter um futuro com Luke que filtrava as próprias palavras.

Naquele contexto, entretanto, não parecia nada adequado esconder os seus sentimentos. Ela não queria mais ficar afastada de Lukas, mesmo se agora realmente só coubesse a ela o papel de amiga.

As palavras seguintes de Krauss soaram com um choque ainda maior do que escutar em voz alta o diagnóstico dele. Desde que escutara a palavra “câncer” havia ficado bastante claro para todos os presentes do quarto quão sério era o problema de Lukas. Não era nenhum segredo de que ele corria um sério risco de não vencer aquela batalha e a morte era de fato um grande risco. Mas escutar com tanta clareza que aquilo poderia acontecer fez o chão desaparecer sob os pés de Charlotte.

Os olhos verdes ficaram mais claros quando se encheram de lágrimas, mas Baviera não poderia chorar na frente dele. Lukas estava se fazendo de forte por causa da mãe, mas era ele quem tinha o direito de chorar. Se ela também fraquejasse, ele não teria ninguém em quem se apoiar.

A cabeça de Charlotte imediatamente balançou de um lado ao outro, fazendo os cabelos lisos balançarem com o exagerado gesto de negação. Foi tão abrupto que ela temia que Krauss pudesse mesmo ir para um caixão nas próximas horas.

- Você não vai morrer.

Não era uma tentativa de fazer Luke se sentir melhor. Era quase uma ordem. Mais uma das ordens que Baviera estava acostumada a dar, exatamente como havia falado com a recepcionista ao exigir a presença do avô. O dinheiro era capaz de comprar tantas coisas que Charlotte detestava a ideia de que poderia tornar o tratamento de Lukas melhor e mais confortável, mas ainda era incapaz de comprar a saúde dele.

- Eu te daria um tapa por falar tanta asneira, mas não consigo alcançar, essa cama é muito alta...

Os olhos mareados giraram quando ela tentou suavizar o clima, mas a tentativa só tornou seu peito mais dolorido. A mão pequena de Charlotte deslizou pelo colchão até encontrar os dedos de Lukas, acariciando a pele com o polegar.

- Um dia, quando você já estiver bem velhinho, eu faço questão de fazer o seu velório de caixão fechado. Mas vai ser só pra esconder essa sua cara feia.

Charlotte ergueu a outra mão até tocar os fios bagunçados de Lukas, afagando os cabelos dele carinhosamente, como se fosse um menino que ela colocava para dormir. Seu rosto assumiu um ar mais sério, mas nem por um segundo Charlie pareceu uma menina assustada pronta para correr na direção oposta daquele drama.

- Não vai ser fácil, Luke. Vai doer, vai ser triste, mas eu vou estar aqui e você vai sair dessa. Não importa se não acredita em mim. Eu acredito por nós dois.
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Re: The Royals

Mensagem por Cameron Lahey em Sab Set 24, 2016 11:57 pm

O carro de Benjamin entrou no estacionamento coberto do grande prédio espelhado e imediatamente um manobrista se aproximou para receber as chaves. A placa logo na entrada indicava que o local era gratuito, mas que o serviço de manobrista era cobrado a parte em uma pequena fortuna que os visitantes daquele hospital não se importavam em pagar.

A primeira reação de Benji foi desligar o motor do carro para entregar a chave ao funcionário, afinal aquele seria um gesto perfeitamente natural para alguém que não precisava se preocupar com os gastos excessivos. Porém, ele conseguiu se lembrar ainda a tempo que o salário de Müller, mesmo com o aumento, não seria suficiente para arcar com todas as despesas da mudança, aquela viagem repentina e um luxo desnecessário.

O funcionário já estava ao lado da janela do motorista com um sorriso prestativo quando Benji lançou um olhar em direção a namorada. Danika não sabia que ele ainda tinha acesso a sua conta bancária recheada com uma confortável mesada que sustentaria facilmente uma grande família. Intimamente, Benji queria se aproveitar daquele luxo, sair logo do carro e ir visitar Lukas. Mas ele precisou abrir um sorriso sem graça para o funcionário ao negar o serviço.

O homem do lado de fora pareceu espantado, claramente não acostumado com recusas de sua clientela, mas se afastou educadamente para que Benjamin guiasse o próprio carro até uma das vagas.

- Eu vou primeiro. – Benji declarou, assim que saiu do carro, deixando para Danika o trabalho de tirar Lisbeth da cadeirinha. – A Beth está com fome e ela sempre come melhor com você.

A desculpa caiu como uma luva para que Benjamin pudesse se adiantar até o irmão. Um beijo carinhoso foi depositado na testa de Danika antes que ele se afastasse as pressas.

O hospital era o mesmo que o rei havia ficado nos primeiros dias, mas Benjamin se sentia tranquilo em andar pelos corredores sem ser reconhecido. Cristoph havia ficado em uma ala completamente apartada, destinada à família real. Como o médico da família era o responsável pelo seu tratamento, toda a equipe também era devidamente selecionada.

Parecia uma grande ironia que Lukas fosse internado exatamente no mesmo lugar que o pai, mas Benji não precisava de ninguém para lhe explicar que havia o dedo de Charlotte naquela escolha do hospital.

A prova de que Baviera estava envolvida naquela história foi quando ela entrou em seu campo de visão no instante em que ele pisou na sala de espera. Benjamin usava as roupas simples de Müller. A calça jeans havia sido escolhida aleatoriamente e a camisa verde-escuro estava amarrotada pelo tempo no carro, trazendo no peito o adesivo que identificava “B. Müller, Visitante”. Mesmo com a expressão de cansaço, Benjamin ainda parecia melhor que a menina.

Os cabelos escuros estavam amarrotados e não pareciam ter sido penteados ainda. O rosto de Charlie estava marcado e a coberta jogada em uma das poltronas indicava que a menina havia passado a noite ali.

A figura sempre impecável de Charlotte não era nem uma sombra da menina que Benjamin via naquela manhã. E até mesmo para ela, era absurdo demais que estivesse sustentando a mentira a tanto tempo se realmente não gostasse de Lukas.

Aquela revelação era uma grande surpresa para Benji. Ele sempre viu a ex-namorada como uma menina fútil que se interessava apenas no próprio umbigo e no futuro em que usaria uma coroa. Era assombroso ver como Charlie estava envolvida com Benjamin, mas ao invés de se sentir ameaçado ou enciumado por qualquer uma das partes, ele se sentiu satisfeito em saber que o irmão tinha alguém com quem contar naquele momento.

- Como ele está? – Benji perguntou, sem se preocupar com a cordialidade.

- Nada bem. Eu não sei o que é pior, a doença em si ou o psicológico dele.

Os olhos verdes passearam atrás de Benji, mas ele não precisou se virar para saber o que a menina estava procurando.

- A Olga não veio. E a Nika está lá fora com a Lisbeth. Eu não posso demorar, ela também quer ver o Luke.

Charlie concordou com um movimento da cabeça, e inclinou a cabeça em direção ao corredor que levava aos quartos.

- Aproveita que a mãe dele saiu para tomar café. Você pode fazer o teste depois. Eu vou lá ficar com a Danika enquanto isso.

Benji enfiou as mãos nos bolsos e esperou que Baviera se afastasse antes de seguir pelo corredor, até encontrar a prancheta com o nome de Krauss. As batidas soaram tímidas antes que ele abrisse a porta para entrar no quarto.

O local era menor do que o quarto onde o rei havia ficado, mas mesmo não sendo a ala destinada para a realeza, ainda era um quarto luxuoso demais para os padrões de um hospital normal.

Ao contrário de Hilda ou Charlotte, Benjamin não se esforçou para sorrir quando caminhou até a cama de Lukas. Ele estava sério ao parar aos pés da cama do irmão, ainda com as mãos enfiadas nos bolsos.

- E aí, cara? Resolveu esticar as férias em Viena e esqueceu de avisar?

Havia um tom de repreensão em sua voz. Luke desconhecia o fato de serem irmãos, mas aquilo não minimizava o sentimento de traição por Benji não ter sido avisado antes sobre a situação delicada da saúde dele.

- Você devia ter avisado antes, Lukas. Eu e a Nika viemos assim que possível. Ela está lá fora, por causa da Beth, mas já vai entrar...

Benji puxou o ar pelo nariz e se aproximou mais do irmão, evitando olhar para os aparelhos ao seu redor e se fixando no rosto abatido.

- A Charlotte falou sobre o teste de compatibilidade. É claro que a gente vai tentar... – Um sorriso amargo brincou nos lábios de Benji e ele ergueu um ombro. – Estou me sentindo otimista quanto a isso. Sempre fui bom em passar em testes.
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