The Royals

Página 5 de 12 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6 ... 10, 11, 12  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Set 19, 2016 1:00 am

Na prática, Charlotte nunca havia feito nada que realmente ofendesse Benjamin. A paixão do início do relacionamento já havia desaparecido há anos, soterrada por tantas brigas e sem a menor chance de reaparecer. Ao menos até onde tinha conhecimento, Charlie nunca o traiu e mesmo quando ele entrou naquela loucura de mentir a própria identidade, ela o acompanhou.

Benjamin não era inocente ao ponto de achar que Baviera tivera aquela ideia apenas para se mostrar uma boa amiga. Ela nunca escondeu seu desejo de um dia usar a coroa de rainha, mas mesmo com as trocas de farpas, sabia que ela não era exatamente uma má pessoa.

O que tanto incomodava em Kensington era o que Charlotte representava em sua vida. Ela era o inevitável futuro traçado para sua vida, ainda no berço. A vida que ela tanto cobiçava era o que ele mais desejava evitar. E a presença dela sob o mesmo teto que Lukas e Danika era uma ameaça grande demais para ser tolerada.

Charlotte nunca o ameaçara sobre contar a verdade, mas o simples fato dela ser a única naquela sala com o poder de arruinar sua felicidade era o suficiente para Benjamin se sentir tenso e com os alertas soando.

Enquanto narravam a história sobre o coelho de Lisbeth, Benji não se sentiu constrangido. Um sorriso mesclado entre timidez e orgulho apareceu em seus lábios, mostrando o quanto já estava encaixado na nova vida.

- Ela é uma graça. – Charlotte lançou um sorriso carinhoso na direção de Lisbeth, e mesmo com toda sinceridade da ex-namorada, Benji sentiu o corpo ficar ainda mais tenso. – Não deve ser uma tarefa fácil ser mãe tão nova.

- A Beth faz metade do trabalho sendo tão boazinha.

O Benji sério de sempre estava de volta, mas nenhum dos presentes podia notar que ele e a nova visita tinham uma conversa exclusiva com os olhares. Não era preciso emitir nenhuma palavra para que ele transmitisse a mensagem de que ela não era bem-vinda.

- Mas a Nika merece mesmo o prêmio de mãe do ano.

- Eu concordo! – Olga se acomodou no sofá, imediatamente passando um dos braços pela perna de Luke. – Ela é incrível. Faz tudo pela Lizzie... Você tirou a sorte grande, Ben.

- Eu não tenho a menor dúvida. – O sorriso orgulhoso apareceu novamente em seus lábios e ele concordou com um movimento da cabeça. – A Nika é diferente de qualquer mulher que eu já tenha conhecido.

A declaração era sincera, mas as palavras foram escolhidas cuidadosamente para que Charlotte escutasse. Era a sua forma mais gentil de mostrar para a ex-namorada que ele havia seguido em frente e que, daquela vez, não teria uma volta no relacionamento conturbado.

A conversa dos adultos teria se prolongado se passinhos no assoalho não tivessem ecoado, anunciando a chegada de Lisbeth. A menina havia fugido dos braços da mãe e tentava correr com suas perninhas desengonçadas que ainda aprendiam a caminhar. Vez ou outra ela tropeçava para frente e precisava se equilibrar com as duas mãos, apoiando o bumbum rechonchudo pelas fraldas antes de se colocar de pé novamente, até parar ao lado de Benjamin.

- O que você tá fazendo, Beth? A mamãe já pegou o coelhinho pra você...

Toda a atenção de Benji se voltou imediatamente para a criança e ele a puxou pelo tronco até que ela estivesse sentada em seus joelhos.

- Mimi, Benzi... Mimi.

As mãoszinhas foram apontadas para cima, como se ela estivesse explicando o óbvio. E apesar das poucas palavras, Benji já sabia que era o pedido para que ele a acompanhasse até o quarto.

- Só o coelho não está bom, hein?

O sorriso preso no rosto e os olhos azuis brilhando mostrava como o ego de Benji se sentia inflado com aquela necessidade. Ele se colocou de pé, mais uma vez acomodando a criança em seu colo, e se encaminhou em direção ao próprio quarto.

- Dê boa noite, Beth. – Benji pediu, já de costas para os convidados, permitindo que Lisbeth encarasse os demais adultos.

Como resposta, Lisbeth apoiou a mãozinha na boca e a soltou no ar, como se estivesse soltando um beijo. O gesto foi feito especificamente para Olga, que retribuiu com um beijo estalado antes de bater palminhas.

- Está aqui a fujona... – Benji colocou Lisbeth na cama já arrumada antes de se virar para Danika. – E antes que você brigue com ela, ela me salvou de presenciar o homicídio que está prestes a acontecer na sala. Minha sugestão é que você vá até a cozinha, pegue uma porção extra de batatas e podemos assistir ao jogo aqui mesmo.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 346
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Set 19, 2016 1:38 am

A sensação era bem semelhante a de um gigante sentado em seu peito, a impedindo de respirar. Charlotte precisou se controlar para não engolir toda a taça de vinho em um único gole, mas ela precisava desesperadamente do efeito do álcool para suportar a presença de Olga.

Ela sabia que havia uma chance de esbarrar com Sturm, afinal ela também vivia naquele prédio. Mas nem mesmo em seus maiores pesadelos esperava pena cena que acontecia no interior do apartamento.

O Benjamin diante dos seus olhos não era o mesmo que ela conhecia. O adolescente problemático com o futuro de um rei por quem ela havia se apaixonado já havia deixado de existir há alguns anos. Mas o príncipe polido e moldado para assumir o trono da Áustria também não estava ali. Por trás dos olhos azuis, Benji era um homem simples que havia se encaixado e dado vida para a própria mentira.

Era impossível se agarrar a qualquer ilusão de um futuro ao lado dele. Daquela vez, não haveria volta. Mas Charlie não sentia aquela amargura por perder sua chance de se casar com um rei ou até mesmo por finalmente deixar para trás um relacionamento de anos. Qualquer sentimento que um dia tivesse nutrido por Benjamin, até mesmo o desejo de um casamento de interesses, havia desaparecido.

Todo o seu foco estava voltado para o irmão caçula que desconhecia seu envolvimento com a realeza. O amigo que Charlie conquistara em meio àquela mentira acabou se tornando muito mais. E para aquela perda, ela não estava preparada.

Seu estômago deu uma volta completa antes de aceitar o enjoo com a cena do beijo. Imaginar que agora era a loira quem se deitava na cama de Luke era um pensamento que já assombrava desde o começo daquele namoro, mas estando no mesmo apartamento em que já vivera tantos momentos com Krauss era ainda mais sufocante.

- Eu não tenho dúvidas, o cheiro está mesmo ótimo. Pelo menos desta vez você não vai passar fome, lembra daquele restaurante francês horrível que você disse que servia ervilhas como prato principal?

Era difícil atuar a segurança natural. Quando estava convicta do próprio poder, Charlie simplesmente deixava as palavras saírem, os sorrisos superiores eram naturais e ela tinha certeza que sairia vitoriosa.

Naquela noite, entretanto, ela precisava forçar a agir como antes, porque não havia nenhum vestígio da sua segurança. Ela havia perdido feio. De todas as formas possíveis. Olga não precisava nem se esforçar para fazê-la se sentir excluída, porque Charlie já havia entendido que não pertencia ali.

Mesmo que envolto na própria mentira, Benji estava seguindo com a vida dele. De todas as formas erradas possíveis e inimagináveis. Ele estava envolvendo uma criança inocente em sua farsa, iludindo uma menina que parecia não merecer. Não havia a menor dúvida de que todos sairiam sofrendo quando a verdade fosse revelada. Mas era a vida dele. Cabia a Benji corrigir os próprios erros.

Lukas, por sua vez, finalmente havia conseguido o que queria. Ele sempre desejou Olga, e sua amizade colorida com Charlotte havia sido apenas o passatempo até que o que realmente desejava fosse alcançado.

Com farsas ou não, os dois casais estavam juntos e felizes. Era ela que não pertencia naquele lugar. Leoben era a desculpa de Benji, não sua. Sem o ex-namorado e sem Krauss, não havia motivos para continuar adiando a própria vida.

- Mas infelizmente não vai ser dessa vez que vou apreciar a comida da Danika. Eu não vou ficar para jantar.

As palminhas de Olga ecoaram sem o mínimo de constrangimento e ela exibia o sorriso vitorioso que despertou um pouco da fúria de Charlie que estava abafada pela tristeza. A morena se esticou no sofá e os olhos esverdeados não desviaram da loira por um único segundo.

- Por favor, Olga... Você está parecendo um cachorro mijando no poste pra marcar território. Mostre um pouco de amor próprio, mulher!

- Amor próprio eu sempre tive, queridinha. Ao contrário de você que confunde isso com “vontade de dar ao próximo”.

Charlie fez uma expressão forçada de espanto, mas logo deu um tapinha na própria testa, como se estivesse se lembrando de alguma coisa com aquele comentário.

- Por falar nisso, Luke... Eu deixei a minha camisola rosa de seda aqui? Eu vou viajar amanhã e queria muito levar ela comigo, era a minha preferida.

O comentário malicioso fez o rosto de Olga atingir um tom vermelho surpreendente, mas a loira também se esforçou para manter o sorriso nos lábios.

- Vai voltar pra terra das vadias?

- Grécia. – Charlie explicou sem piscar. – Falei com a minha amiga Marie e ela está passando umas semanas lá com o novo namorado. Ela me convidou e eu decidi ir.

O queixo de Olga estava quase encostando no peito, sem conseguir acreditar na própria sorte. Se aproveitando dos poucos segundos de silêncio da loira, os olhos verdes deslizaram até encontrar os de Luke, assumindo um semblante mais suave.

- E como você sempre disse, Moda não é exatamente um curso de verdade. Não vou ter problema algum em trancar as aulas.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 583
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Seg Set 19, 2016 1:50 am

Danika estava de pé no meio do quarto do namorado, com os braços cruzados, e olhava para a porta com um semblante forçadamente irritado. Lisbeth fez um biquinho no instante em que avistou a mãe, mas os bracinhos que rodeavam o pescoço de Benjamin mostravam que a garotinha não estava sinceramente arrependida por aquela fuga.

A cama de Benjamin já estava protegida por uma barreira de almofadas que não permitiriam que a menina rolasse e caísse do colchão. O coelhinho estava confortavelmente acomodado num dos cantos da cama, esperando apenas que Lisbeth se deitasse para lhe fazer companhia.

- Agora é hora de dormir! Se fugir de novo, nada de sorvete ou parquinho por uma semana.

A garotinha ganhou um beijo carinhoso nos cabelos castanhos e Nika puxou um cobertor por cima do corpinho dela. As pálpebras de Lisbeth estavam pesadas quando ela se agarrou à pelúcia, já alheia à conversa dos dois adultos no quarto.

- O que foi aquilo, Benji?

Uma ruguinha de confusão surgiu entre os olhos castanhos e Lehmann usava uma entonação contida para não ser ouvida de fora do quarto, o rosto voltado na direção da porta que levava à sala.

- Eu não sabia que os três estavam neste clima pesado. Quer dizer, eu sabia que a Olga tinha uma certa antipatia pela Charlotte, mas achei que ainda fosse só aquela bobagem de não ter sido chamada para a festa de meses atrás. Quando eu a convidei pra entrar, não imaginava que estava dando início a uma guerra.

Danika se sentia sinceramente culpada por aquela confusão. Se a romena imaginasse que o relacionamento entre os três jovens da sala estava tão estremecido, certamente Nika teria tentado dispensar Charlotte da porta do apartamento.

- Eu não acredito que você está preocupado com as batatinhas! Eu acendi a chama da terceira guerra mundial na sala do seu apartamento e você está pensando no jantar? Aliás, muito cavalheiresco de sua parte sugerir que eu enfrente a batalha sozinha para chegar à cozinha e buscar a sua comida! Quanta nobreza, Sr. Müller!

O sorriso que Nika se esforçava para conter denunciava que a morena estava brincando. Como retornar para a sala naquele momento não era a melhor das ideias, Lehmann aproveitou o tempo colocando-se diante de Benjamin. Suas mãos foram apoiadas sobre os ombros fortes e deslizaram até o pescoço dele, os dedos delicados ajeitando a gola da camisa do rapaz.

- Não posso julgar a Olga. Eu também iria me corroer de ciúmes se você tivesse uma amiga linda como Charlotte Baviera.

O comentário inocente de Nika mostrava que a romena nem fazia ideia do passado turbulento entre Benjamin e Charlie, muito menos do quão perto os dois chegaram do altar. Müller mencionara uma única namorada séria em seu passado, mas nem em mil anos Danika imaginaria que aquela mulher continuava tão próxima do seu namorado.

- Ben...

Durante a breve pausa que Danika fez em seu discurso, tudo o que se ouvia no quarto era a respiração suave de Lisbeth, já embalada em um sono tranquilo.

- É tão bom saber que não existe este tipo de crise entre nós dois, que eu posso simplesmente fechar os meus olhos e confiar cegamente em você... – um sorriso doce surgiu nos lábios de Nika e ela levou uma das mãos ao rosto do namorado, acariciando a barba bem aparada – A vida não foi muito generosa comigo, Benji. Mas você surgiu como uma recompensa capaz de amenizar todas as lembranças ruins do passado. Você e a Beth são a felicidade que eu nunca imaginei que teria.
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Set 19, 2016 2:23 am

- Isso é muito desnecessário!

A voz de Lukas estava anormalmente séria quando o rapaz olhou de uma garota para a outra, espantado com aquela troca gratuita de ofensas. Krauss sabia que não seria fácil lidar com a situação no instante em que viu Charlotte entrar na sala, mas o rapaz não imaginava que as duas começariam a duelar em menos de dois minutos de convivência.

- Ainda não acredito que você se envolveu com essa garota baixa, Luke. Aliás, baixa em todos os sentidos. Há quanto tempo você não transava? Eu imagino que só uma seca muito grande justifica tamanho erro.

- Olga, já chega!

Como seria impossível ter uma conversa minimamente decente enquanto as duas meninas estivessem no mesmo cômodo, Lukas se levantou subitamente do sofá. Seus dedos rodearam o braço delicado de Charlotte, roçando suavemente na pulseira que ele mesmo dera a ela meses atrás. A loira até fez menção de segui-los quando Luke puxou a morena na direção da porta, mas o olhar sério que ele lançou à namorada fez com que Olga interrompesse seus passos.

Só quando os dois já estavam nas escadas do prédio, há vários metros da porta do apartamento, Luke tomou a palavra. Seus dedos continuaram segurando o punho de Charlie, numa tentativa inconsciente de impedir que a amiga cumprisse a promessa de ir embora para a Grécia.

- Que história é esta, Charlie? Você não pode simplesmente abandonar o curso no meio do semestre para viajar. Não vem com essa de que Moda não é um curso de verdade. Se você for levar a sério todas as nossas antigas implicâncias, estaremos perdidos! Eu sei que você está curtindo as aulas, está na cara que você leva jeito pra área.

Krauss não queria parecer convencido, mas para ele não havia outra explicação para aquela mudança repentina nos planos de Baviera. Charlie estava apaixonada pelas aulas e muito empolgada com as disciplinas. Não parecia ser uma coincidência que a garota mudasse de opinião sobre a faculdade justamente na mesma época em que o melhor amigo começara a namorar outra menina.

- É por causa de todo esse lance com a Olga, não é? Eu prometi que não deixaria que o namoro interferisse na nossa amizade, mas é difícil cumprir a promessa com vocês duas se atracando sempre que se encontram! Eu lamento muito ter me afastado, mas realmente não tenho mais energia para lidar com essa guerrinha entre vocês.

Os dedos de Lukas finalmente afrouxaram o aperto, soltando o braço da amiga. Havia uma tristeza inegável nos olhos castanhos quando Luke procurou pelas íris verdes expressivas da melhor amiga. Pela primeira vez, o rapaz deixou de lado todo o orgulho e expôs seus sentimentos sem o medo de não ser retribuído.

- Eu sinto a sua falta. Da amizade, das risadas, da sua língua afiada, dos benefícios, de tudo... Não é a mesma coisa, nunca vai ser. Foram meses maravilhosos, Charlie, mas não dava para viver assim indefinidamente. E você infelizmente nunca me deu alternativas além daquilo que já tínhamos. Eu cansei de brincar, mas você não queria nada além da brincadeira. Então eu tive que procurar o que eu precisava em outro lugar.

O discurso de Lukas deixava claro que Olga não era mais a sua paixão obsessiva. Muito pelo contrário, a loira fora a segunda opção que só fora aceita porque Charlotte não estava disponível. Não da maneira como Krauss gostaria.

- Agora já é tarde demais, eu já fiz a minha escolha. Mas ainda sou seu amigo e não posso cruzar os braços enquanto você se afunda de novo. Quais são os seus planos, Charlie? Vai desperdiçar mais alguns meses torrando sua grana em viagens? E quando é que você vai parar para levar a sua vida a sério? Você vai abandonar um curso que estava adorando para voltar para uma vida sem regras, para mergulhar em mais uma coleção de relacionamentos casuais? Você não enxerga que, enquanto estiver neste ciclo vicioso de irresponsabilidade, você vai terminar sempre sozinha?

Por conhecer tão bem a melhor amiga, Lukas já esperava que Baviera usasse aquela falsa segurança para parecer superior e para fingir que estava no controle da situação. Por isso, ele completou antes que Charlie tivesse a chance de iniciar um discurso afiado.

- Me poupe do seu discurso ensaiado sobre saber o que está fazendo, sobre a sua vida fantástica em Viena, sobre não se envolver emocionalmente com ninguém. Eu sei que é tudo mentira, que a sua confiança inabalável é uma máscara que já caiu há muito tempo. Só você que ainda não enxergou isso, Charlie.
avatar
Lukas Krauss

Mensagens : 134
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Set 19, 2016 2:24 am

O queixo de Benjamin estava apoiado sobre a cabeça de Danika, de modo que a morena não podia ver o conflito refletido nos olhos azuis, nem a ruga que havia se formado entre suas sobrancelhas. Nem mesmo os corpos unidos em um abraço permitiriam que ela sentisse como seu peito se comprimiu com a declaração de confiança.

Os braços de Benji rodearam Lehman com mais força, como se fosse possível que alguém a arrancasse da sua vida naquele momento. O medo poderia ser irracional, mas a culpa dava a Benjamin todos os motivos para acreditar que perderia Danika, sendo apenas questão de tempo.

Benji cuidava para que cada detalhe da sua farsa fosse montada como um bom tijolo em cima do outro, sem falhas. Ele não precisava mais se decidir sobre voltar ou não a Viena. A escolha já estava feita. Ele só precisava garantir que nada poderia atingi-los ali, nem a ele, nem a Lisbeth e muito menos a Danika.

Mesmo com o risco de deixar transparecer um pouco da ruína que era o seu mundo, ele se afastou de Danika apenas o suficiente para encontrar os olhos castanhos. As íris azuis deslizaram de um lado ao outro, estudando o rosto delicado da mulher em seus braços, ainda com a ruga entre suas sobrancelhas.

- Mas e se alguma coisa acontecer? E se um dia você não me enxergar mais com os mesmos olhos que hoje? Eu não quero nenhuma crise, ou clima ruim, Nika. Eu quero que a gente seja capaz de superar tudo.

O medo estava explícito em sua expressão. Não havia motivo algum, nada que justificasse seu comportamento. Mas Benjamin só seria capaz de se acalmar quando ouvisse aquela garantia da namorada. Era uma jogada arriscada demais, mas ele estava abrindo mão de tudo para tê-la em seus braços. Precisava saber que ela o amava o bastante para que enfrentassem juntos qualquer desafio.

- Você e a Beth são a minha vida. Você precisa sempre se lembrar disso, sempre. Eu nunca fui feliz como sou com você, minha linda. Você sabe disso, não é? Que nada no mundo é capaz de chegar aos seus pés...

Lisbeth, no centro da cama, havia puxado o coelhinho para os seus braços e se acomodado silenciosamente. Os olhinhos estavam fechados, mas se um dos adultos lhe desse a mínima atenção, notaria as linhas nas pálpebras, indicando que ela usava uma pequena força para mantê-las fechadas. O sorrisinho nos lábios era mais um indício de que a neném ainda estava acordada, mas se fazendo de adormecida.

- Me promete que nada vai ser capaz de separar a gente. Nós não somos como eles. Eu te amo, Danika. E não vou medir esforços para que a gente sempre fique juntos.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 346
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Set 19, 2016 3:00 am

Charlotte já estava preparada para um longo discurso, com a oportunidade de alfinetar a namorada de Lukas por mais algum tempo, de dizer o quanto ela não precisava daquele curso idiota e que realmente não precisava da amizade colorida quando tinha uma lista de pretendentes dispostos a lhe proporcionar todos os benefícios.

Mas qualquer resposta pronta que Baviera tivesse foi varrida do seu cérebro quando escutou o amigo confessar que sentia sua falta. Aquela declaração foi suficiente para minimizar o impacto das palavras seguintes, até mesmo para aceitar a ideia de que Luke estava feliz com Olga.

Ela tinha tanta certeza que havia sido apenas um passatempo até que Krauss ficasse com quem realmente gostava, que era uma surpresa deliciosa ouvir que, mesmo ao lado de Olga, ele ainda sentia sua falta, e que provavelmente seria ela assumindo o posto de namorada se tivesse dado qualquer sinal.

Então, Charlie também se lembrou do motivo por ter negado seu envolvimento com Lukas por tanto tempo. Ela estava diante do meio-irmão de Benjamin. Do filho do rei da Áustria, que não fazia a menor ideia das suas verdadeiras origens. Baviera se sentia suja por imaginar que era tão amiga de Luke, mas não podia lhe contar a verdade.

- Bom, então está comprovado que eu sou bem lenta pra enxergar as coisas. Mas agora eu já vi que gosto de você. Satisfeito?

Um bico se formou nos lábios pintados e Charlie se apoiou contra a parede da escadaria. Ela cruzou os braços contra o peito, e nem mesmo os saltos minimizavam a imagem de uma criança birrenta e contrariada.

- Fui idiota o bastante pra gostar do único amigo que fiz nesse inferno dessa cidade. Mas você já fez a sua escolha, né?

Os olhos verdes giraram com nítida irritação ao se lembrar do rosto de Olga. A loira era atraente e não era sem motivos que atraía tantas atenções masculinas pelo campus ou que havia arrancado tantos suspiros de Luke. Mas para Charlie, ela sempre seria a antipática que dera um fora no seu melhor amigo e que agora transava com o cara que ela gostava. Coincidentemente, nas duas ocasiões, Lukas estava envolvido.

- A sua namorada é um pé no saco. Não gosto dela e não vou gostar, então isso já anula as nossas chances de tentarmos ser amigos, com ou sem benefícios.

Aquela verdade atingiu Charlotte como um soco no estômago. Luke havia escolhido Olga. Benji havia escolhido Danika. E ela estava sozinha em uma cidade, apenas para proteger um segredo que sequer era seu.

Os olhos esverdeados refletiram a dor que a morena estava sentindo, e sentindo as pernas enfraquecerem, Charlie se deixou deslizar pela parede até se sentar no degrau da escada. Alguns fios amassados se arrepiaram em contato com a parede, mas era a expressão triste em seu olhar que destoava da aparência sempre impecável.

- Eu preciso ir, Luke.

As palavras foram apenas sussurradas, mas Charlie continuou imóvel no degrau da escada, o que logo permitiu que Lukas compreendesse que ela não se referia apenas a ir embora do prédio. Ela precisava sair de Leoben. Entrar no ritmo louco de viagens e da vida agitada de Marie poderia ser uma tentação meses antes, mas agora parecia um grande desperdício que apenas a deixava mais deprimida. Mas ainda assim, era o único caminho que ela tinha para seguir.

- Você já fez a sua escolha e eu estou fazendo a minha. – Charlie soltou um suspiro enquanto forçava um sorriso. – Eu vou torrar a minha grana viajando, na minha vida irresponsável... E você vai voltar lá pra cima, pra sua namoradinha ogra e eu não vou estar por perto quando ela fizer você chorar da próxima vez.

Charlie fez uma pausa antes de erguer os olhos para encarar o amigo, assumindo um semblante mais suave, que lembrava a mesma menina que virava a noite rindo e trocando confidencias com Krauss.

- Eu já te disse que odiei a Olga no instante em que ela te humilhou naquela festa? Eu nem conhecia vocês, mas não conseguia imaginar como um cara bonitinho como você podia se arrastar por uma babaca como ela. Nunca vou perdoá-la por ter machucado o meu amigo. Mas que bom que você é uma pessoa melhor do que eu e já conseguiu aceita-la de novo.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 583
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Seg Set 19, 2016 3:12 am

- Hey... o que está havendo? Benji, não precisa ficar assim.

A confusão estava refletida nos olhos castanhos diante do nítido desespero de Benjamin. Por mais que se esforçasse, Danika simplesmente não conseguia entender por que o namorado parecia tão aflito com a possibilidade de uma crise. Os dois estavam muito felizes e, exceto pela discussão pontual depois do telefonema da mãe do rapaz, nunca havia acontecido nenhuma briga séria que colocasse em risco a sobrevivência do relacionamento.

Mesmo sem entender a origem de tanta insegurança, Nika abriu um sorriso doce para tentar tranquilizar o namorado. Seus dedos novamente roçaram a barba bem aparada, sentindo os fios espetarem a sua pele delicada.

- Então você me ama?

A romena repetiu a declaração dele com um semblante emocionado. Benjamin já lhe dera infinitas provas da profundidade dos seus sentimentos e os dois eventualmente se tratavam por “amor”. Mas era a primeira vez que Müller fazia uma declaração direta como aquela. Nika sentia-se uma tola por se derreter daquela maneira, mas era impossível conter o carinho avassalador que sentia por Benji.

Eles se conheciam há menos de seis meses e estavam oficialmente juntos há menos tempo ainda. Mas uma declaração de amor não parecia precipitada. Danika nunca conhecera um homem tão nobre quanto Benjamin. Além de anormalmente bonito, ele era gentil, carinhoso, sabia ser divertido e levava uma vida honesta. E a maneira tão natural com a qual o rapaz aceitara Lisbeth em sua vida era a maior prova de que Benji era um homem único. Não fazia o menor sentido esperar que o calendário dissesse que era o momento certo quando o sentimento já existia.

- Eu não quero um homem perfeito, Ben. Eu nunca quis. Porque as melhores coisas da vida são imperfeitas. Se eu não tivesse cometido tantos erros, eu não teria a Beth. Eu não teria você. Então, por favor, não se esforce tanto para me dar uma vida perfeita. Eu quero apenas que você esteja ao meu lado para tornar as imperfeições mais fáceis. Eu quero conhecer os seus defeitos e aprender a admirar cada um deles.

O polegar de Danika deslizou lentamente sobre os lábios de Benjamin, refazendo o contorno perfeito deles. Com a mão livre, a romena tocou a região entre os olhos do namorado e o massageou ali até que aquela ruguinha de preocupação se desfizesse.

- Eu também te amo, Benji. Eu amo cada pedacinho de você, mas amo principalmente a maneira como você me trata, a forma como eu me sinto segura com você por perto, o brilho nos olhos da Beth quando ela se joga nos seus braços. – Nika terminou o discurso com uma brincadeira suave – Esta diabinha me infernizou uma noite inteira por causa de um coelhinho de pelúcia. Você acha mesmo que ela vai deixar a gente se separar? Você já a conquistou com quantidades absurdas de achocolatado e coelhinhos.

A romena se colocou na ponta dos pés e passou os braços pelo pescoço de Benjamin antes de unir seus lábios aos dele. Os dois estavam tão profundamente envolvidos naquele beijo que só notaram que Lisbeth assistia à cena quando a vozinha infantil ecoou no quarto.

- Mamã...

- Deus do céu! – Nika saltou para trás e passou os dedos nos lábios inchados, corada por ter sido pega em flagrante pela filha – Beth! O que aconteceu com o seu sono???

O sorrisinho travesso da neném deixava claro que o sono havia se dissipado por completo. Ela parecia profundamente interessada na conversa dos adultos e principalmente no beijo. Embora o relacionamento já existisse há vários meses, Nika tinha o cuidado de não expor nenhum tipo de carícia mais íntima aos olhinhos curiosos da filha.

- Se ela continuar tão curiosa assim, teremos que redobrar os nossos cuidados ou comprar um mini tapa-olhos para ela.
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Set 19, 2016 3:42 am

Repetindo o gesto da garota, Lukas também se sentou na escadaria do prédio. A diferença era que, esticando as pernas, os pés dele terminavam três graus abaixo dos pezinhos de Charlotte. Aquela diferença gritante nas estaturas sempre fora um dos trunfos de Luke naquela guerrinha de implicâncias, mas ele nunca dissera a Charlie o quanto a achava adorável por ser tão baixinha.

- Talvez seja mais fácil perdoar alguém que nos ofendeu do que dar uma segunda chance a uma pessoa que magoou um grande amigo.

A declaração de Krauss deixava claro que ele se referia à amizade dos dois. Lukas também teria uma imensa dificuldade para lidar com alguém que tivesse machucado Charlotte, mesmo se a moça já tivesse resolvido tudo com uma oferta de perdão.

Para manter aquela amizade, os dois tinham criado uma grande confusão sentimental da qual era impossível fugir sem que ninguém saísse magoado. Por mais que não estivesse profundamente apaixonado por Olga, Luke não queria colocar um fim precoce naquele namoro. Por outro lado, parecia injusto que ele e Charlie sofressem com aquela separação. Olga estava condenada a ser infeliz ao lado de um rapaz que sempre a encararia como uma pedra no caminho que o impedira de ser feliz com a garota que ele realmente desejava.

O que Lukas não sabia era que as coisas não eram assim tão simples. Para ele, o conflito girava em torno dos três envolvidos naquele complexo triângulo amoroso. Krauss jamais imaginaria que havia por trás daquela história um segredo que abrangia Benjamin, Hilda Krauss e toda a família real austríaca. Charlie não estava dizendo adeus somente por causa de Olga, mas também porque havia uma grande verdade não revelada que a impedia de ser franca com o melhor amigo.

- Se alguém tem que chorar, eu prefiro que não seja eu. E nem você.

As palavras soaram sem sentido a princípio, então Luke se viu obrigado a virar a cabeça para encarar os olhos verdes da melhor amiga. A expressão dele refletia uma grande culpa, mas Krauss parecia seguro daquela decisão quando completou o discurso com explicações.

- Ela vai surtar e vai me odiar pra sempre, mas logo vai conhecer outro cara que poderá fazê-la feliz. O problema é eu não consigo desejar o mesmo para você, Charlie. Eu não quero que você seja feliz com outro cara.

Se antes já era difícil lidar com o afastamento de Baviera, agora que escutara dos lábios dela a confissão de que Charlotte gostava dele, Luke sabia que nunca mais iria superar aquela perda.

- Quero que você seja feliz comigo. Como amigos, amigos com benefícios, namorados, em almoços de família, com lenços de papel durante resfriados. O pacote completo. É a minha única proposta, Charlie. É tudo ou nada.

Ao contrário do que Charlotte imaginara, Lukas não havia corrido para Olga no primeiro estalar de dedos da loira. A situação era exatamente oposta. Ele estava pronto para abandonar aquele namoro tão desejado no passado se Charlie lhe desse o menor sinal de que o aceitaria em sua vida oficialmente.

- Você não precisa ir, Charlie. Agora, a escolha é sua.
avatar
Lukas Krauss

Mensagens : 134
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Set 19, 2016 3:43 am

As palavras de Danika não tinham o poder de fazer o medo de Benjamin desaparecer por completo. Ele poderia evitar pensar nas consequências dos próprios atos, mas tinha consciência de que a mentira que criara era grande demais, e a ignorância de Lehman sobre a verdade permitia que ela lhe desse aquela promessa fácil.

Benji jamais teria se envolvido com uma mulher escondendo a própria identidade. Por mais que o título de príncipe lhe cercasse de oportunistas, ele sabia que uma hora ou outra precisaria encarar a realidade. A sua farsa havia começado apenas com a intenção de desmascarar o meio irmão.

No final das contas, ele não só descobrira que Lukas era uma pessoa incrível, como também se apaixonou por sua vizinha. Era tarde demais para mudar de ideia e contar a verdade. Aquela possibilidade simplesmente não existia mais. Agora ele era Benjamin Müller, independente do que precisasse enfrentar para acabar com a identidade do príncipe.

Mesmo com o medo ainda pairando em sua cabeça, Benji se deixou sorrir diante da expressão travessa de Lisbeth. A menina precisava apenas exibir alguns dos seus dentinhos e franzir o nariz arrebitado para fazer o coração do homem derreter.

O adolescente inconsequente que um dia deu tanto trabalho aos pais e professores se tornou um homem maduro com o peso de uma nação em seus ombros. Ainda assim, um homem que jamais cogitou encontrar na simplicidade do sorriso de uma criança e de uma mulher inadequada em tantos sentidos, mas que agora não via sua vida com outro sentido.

- A gente pode colocá-la no quarto da Olga. A cama dela tem ficado tão vazia quanto a minha ultimamente...

Era verdade que Benji acabava dormindo mais noites no quinto andar do que na própria cama. Mas o cansaço do trabalho somado aos cuidados que uma criança exigia obrigava o casal a, muitas vezes, apenas dormir abraçados, exaustos e com idênticos sorrisos nos lábios.

Qualquer um poderia considerar o relacionamento de Danika e Benjamin ainda prematuro, mas a certeza do que estava abrindo mão para estar ao lado dela e que era com ela que queria passar o resto da vida, dava a liberdade para que ele fantasiasse sobre o momento em que finalmente poderiam começar uma família.

Benji sabia que assustaria Danika se tocasse naquele assunto e mantinha para si os desejos, apenas aguardando o tempo que julgariam adequado fazer aquela proposta. Mas para ele, já era certo que em breve teria o seu próprio lar ao lado de Nika e Beth.

Ele já conhecia Luke o suficiente para saber que sair de sua casa não significava se afastar da amizade que havia criado. Seu relacionamento com o irmão estava a salvo e lhe dava a liberdade de continuar na vida que estava criando.

- Eu ouvi dizer que o chocolate da mais energia para crianças. Acho que vou diminuir o achocolatado para uma pitada por semana, o que acha? Talvez substituir por algumas gotinhas de calmante?

Se aquelas palavras fossem ditas por qualquer pessoa, poderiam soar maldosas como se a presença da criança fosse indesejada. Mas o sorriso relaxado nos lábios de Benji e o olhar carinhoso que ele lançava à Lisbeth mostrava que a brincadeira não tinha um pingo de malícia.

- De uma forma ou de outra, vou garantir um tapa-olhos. E uns tampões de ouvidos também. Porque depois de ouvir que você também me ama, Danika Lehman...

A frase de Benji morreu, mas a expressão exagerada e completamente cômica de sedução deixou no ar as insinuações.

Ele abaixou o olhar para Lisbeth, encontrando o par de olhos azuis os encarando ainda com curiosidade. Em um gesto brincalhão, Benji se inclinou sobre a cama e puxou o lençol até cobrir a cabeça da criança, a escondendo por completo.

A gargalhada de Lisbeth ecoou pelo quarto e os bracinhos formaram calombos enquanto ela tentava se desvencilhar do tecido. Se aproveitando daquele momento de distração, Benji segurou Danika pela cintura e a beijou rapidamente, sem dar chance da morena desviar.

O beijo intenso não pôde se prolongar por longos segundos, mas foi o suficiente para deixar seus olhos azuis em chamas. Benji mordeu o lábio inferior enquanto tentava se recompor, ainda encarando Danika com admiração.

- Não vejo a hora de poder fazer amor com você depois das declarações de hoje. – A voz rouca foi sussurrada ao ouvido de Lehman para que a criança não escutasse. – Vou repetir essas três palavras a noite toda pra você. Eu te amo, Danika Lehman.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 346
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Set 19, 2016 4:07 am

Se Lukas Krauss fosse qualquer outro cara, Charlotte teria se agarrado àquela oportunidade sem pensar duas vezes. Charlie enterraria facilmente a ideia de um dia se casar com Benjamin para abraçar a nova paixão. Ser a rainha da Áustria não era nada em comparação a felicidade que ela sentia quando virava a madrugada rindo e falando besteira ao lado do amigo.

Mas nada poderia ser tão simples. Ela não podia simplesmente se apaixonar por um cara qualquer. Não podia ser um simples universitário ou mais um dos ricaços que já passaram pela sua cama. Seu coração precisava escolher logo o rapaz que estava no centro das confusões. Precisava ser alguém que desconhecia suas origens, mas que estava diante de alguém que tinha todas as respostas que ele esperara ouvir por toda a vida.

Benji poderia ter coragem de olhar nos olhos de Danika todos os dias e mentir. Mas Charlie não conseguia levar aquele absurdo adiante. E se ela não podia colocar um fim em uma mentira que não era sua, só o que poderia fazer era se afastar e reassumir a própria vida.

Uma ruga se formou entre as sobrancelhas bem desenhadas quando os olhos verdes procuraram por Luke. Por um tempo longo demais, Charlotte foi incapaz de pronunciar uma única palavra, e sua expressão já dava a certeza para Krauss antes mesmo que ela conseguisse verbalizar.

- Eu não posso ficar, Luke. Você não entenderia...

Nem que Charlotte pudesse explicar, ela saberia por onde começar. Que ele era filho do rei? Que Benji, seu colega de quarto, era na verdade seu irmão? Como poderia dizer que já sabia de tudo aquilo por tanto tempo? E em que momento conseguiria contar que Benjamin era o tal namorado que ela havia desabafado tantas vezes.

Como nenhuma dessas histórias poderiam ser cogitadas na sua confissão, Charlie precisou assumir o papel que Benjamin sempre lhe encaixou.

- Eu gosto de você. Mas não quero ter um relacionamento. Por que você precisa complicar tanto as coisas? Antes estava perfeito, por que você precisa rotular tudo?

Os olhos verdes desviaram até encarar os próprios pés, simplesmente porque ela não teria coragem de continuar se estivesse fitando as íris castanhas do amigo.

- O fato de eu gostar de você não me torna automaticamente preparada para namorar. Não é isso que eu quero. Sinto muito, Luke. Se é uma namorada que você quer, a sua está lá em cima.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 583
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Seg Set 19, 2016 4:16 am

Os lábios de Danika foram apertados com tanta força que adquiriram uma coloração mais pálida. Contudo, apesar de tanto esforço, a romena não conseguiu conter uma gargalhada divertida. Nika se sentiu imensamente culpada no instante em que se deu conta de que havia quebrado o clima de sedução, mas fora simplesmente impossível se segurar.

- Desculpa! Desculpa, Benji! Mas a culpa é toda do Lukas! Ele foi fazer aquela imitação ridícula, agora eu vou ficar me lembrando disso sempre que você falar assim comigo.

Contagiada pelas gargalhadas da mãe, Lisbeth também ria enquanto tentava escapar dos lençóis. Quando finalmente a cabecinha se libertou do tecido, Beth estava ligeiramente descabelada e ainda mais elétrica do que antes.

Um sorriso ainda brincava nos lábios de Nika, mas ela já havia recuperado o fôlego quando deslizou as mãos pelos ombros do namorado. A imitação de Luke tinha sido uma versão exagerada e cômica de Benjamin, mas havia uma certa verdade na formalidade que Krauss usara naquela implicância.

- Eu gosto do seu jeitinho formal, das suas palavras bem selecionadas. Por favor, não mude isso por causa das palhaçadas do Lukas.

Foi a vez de Danika morder o lábio inferior e buscar pelos olhos azuis metálicos do namorado antes de completar aquela provocação.

- Sabe qual é a melhor parte do seu comportamento sempre tão polido e certinho, Benji? – a morena se colocou nas pontas dos pés para sussurrar ao ouvido dele – Eu sou a única pessoa que conhece a sua versão menos clássica. Amor, eu acho que nem você se dá conta do quanto você perde a compostura quando está na minha cama. E pode apostar que você será recompensado a cada declaração de amor que eu escutar esta noite.

A cabeça de Danika se virou na direção da filha, cujos olhinhos ainda estavam presos na interação do casal ao lado da cama.

- Beth, Beth... se você não dormir logo vai rolar um leitinho batizado com algumas gotinhas do calmante da tia Olga.

Lisbeth foi puxada para os braços da mãe e deitou a cabecinha no ombro de Nika enquanto a moça a ninava. Em nenhum momento, a neném tirava os olhinhos azuis arredondados de Benjamin.

O silêncio da sala não parecia compatível com a guerra que Nika e Benji deixaram para trás, então a romena começou a avaliar se era seguro retornar para a cozinha. Depois daquela troca de provocações e declarações de amor, Danika tinha uma certa urgência em terminar logo aquele jantar para conseguir ficar a sós com Müller.

- E então? – uma das sobrancelhas finas de Danika se arqueou para o namorado – Além das batatinhas, você agora tem mais um valioso incentivo para enfrentar a guerra. Só vamos conseguir ficar a sós depois do jantar.
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Ter Set 20, 2016 1:55 am

A melhor parte do relacionamento entre Lukas e Charlotte provavelmente era a ausência das cobranças, das acusações e das cenas dramáticas que alimentavam os desentendimentos amorosos. Naquele instante, Krauss tinha todo o direito de se sentir ofendido e humilhado, de jogar na cara de Charlie que a culpa da separação definitiva era dela por aquela incapacidade de assumir as responsabilidades por seus sentimentos.

Luke, contudo, guardou aquele pesar somente para si e apenas respirou fundo antes de empurrar a amiga delicadamente com seu ombro, aproveitando que os troncos dos dois estavam lateralmente colados para que ambos se encaixassem sentados na escadaria estreita.

- Eu sou um adulto. É isso que os adultos fazem, rotulam e complicam as coisas. Eu até poderia dizer que um dia você vai chegar lá, mas não posso garantir. Você já me deu incansáveis provas de que não tem uma evolução muito normal. Eu só espero sinceramente que você esteja feliz com a maneira como tem conduzido a sua vida, Charlie. Porque no fim das contas é isso que mais importa.

Era frustrante pensar que, mesmo depois daquela conversa franca, Charlotte Baviera continuava incapaz de assumir os próprios sentimentos. Várias hipóteses passavam pela cabeça de Krauss. A maior delas era que Charlie realmente tinha um bloqueio com a ideia de iniciar um relacionamento sério. Mas também havia a chance da garota ainda ter esperanças de se entender com o tal ex-namorado de infância.

Além disso, Luke não conseguia descartar o abismo de diferenças entre ele e a amiga. Charlotte poderia ter feito aquela escolha simplesmente porque não via futuro num namoro com um cara que vivia numa realidade tão distante da vida luxuosa dos Baviera.

O que Krauss jamais imaginaria era que Charlie estava se afastando unicamente porque era incapaz de viver uma mentira e de encarar os olhos castanhos totalmente inocentes e alheios a uma revelação tão importante.

Independente dos motivos, Lukas não pretendia insistir, tampouco pioraria a dor daquela separação com uma cena dramática recheada por acusações e ofensas desnecessárias. Eles se gostavam, mas Charlotte estava decidida a não dar uma chance a eles. Krauss a conhecia o bastante para saber que nenhuma cena faria a menina mudar de ideia, então a melhor decisão era poupar os dois de lembranças negativas de uma briga.

- Eu tenho que entrar, Charlie. Espero que você encontre seja lá o que quer encontrar na Grécia, em Viena, onde for...

A despedida foi finalizada com um beijo carinhoso na bochecha de Charlotte, os lábios de Lukas chegando muito próximo dos dela.

Em poucos segundos, Charlie estava sentada sozinha nas escadas que levavam ao terceiro andar e Luke estava de volta ao apartamento, tendo na imagem de Olga Sturm um consolo muito frágil e que jamais compensaria o vazio deixado em seu peito após a despedida com Charlotte Baviera.
avatar
Lukas Krauss

Mensagens : 134
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Set 20, 2016 2:51 am

- Tem certeza que você está bem?

A cabeça de Charlotte se virou em um movimento brusco, demonstrando o susto que ela havia sentido ao escutar a voz de Marie. Seus pensamentos estavam tão distantes que, por alguns segundos, todo o cenário paradisíaco ao seu redor desapareceu e ela se viu novamente sentada nas escadas de um certo prédio em Leoben.

- É claro que eu estou bem. – Os lábios de Charlie se curvaram em um sorriso, mas a expressão preocupada de Marie não se abalou. – Qual é, Mah... Eu estou ótima.

- Então por que você está ignorando o irmão do Nicolas? – Um sorriso malicioso brincou nos lábios de Marie quando ela indicou o rapaz loiro que encarava fixamente as duas meninas.

Os olhos verdes cobertos pelas lentes escuras dos óculos deslizaram até encontrar o alvo mencionado por Marie, só então se dando conta da presença do rapaz. O peito nu estava levemente bronzeado e os cabelos balançavam com o vento forte. Sem sombra de dúvidas, era um rapaz que sabia prender a atenção de qualquer garota. Mas foi incapaz de despertar em Charlie uma pulsação mais acelerada ou até mesmo algum desejo de se render a um desconhecido.

O sorriso preso em seus lábios era meramente para que Marie não percebesse o quanto ela se sentia apática. Ela já havia encontrado a amiga na Grécia há quase quatro meses, e as férias eternas da amiga, que pareciam ser um sonho para qualquer um, só estava sendo capaz de afundar Charlie cada vez mais na saudade de Lukas.

Depois de passar quase um mês em terra, as duas seguiram viagem pelo litoral, na companhia de Nicolas, o novo namorado de Marie. Quando passaram pela Itália, o irmão mais novo de Nick também embarcou na aventura, e não deixou passar uma oportunidade em tentar se aproximar de Charlotte.

Baviera, por sua vez, se esforçava para retomar a própria vida. Em outros tempos, a versão do “ano sabático” de Marie teria sido a desculpa perfeita para festas e exageros. Como duas jovens herdeiras de fortunas incalculáveis, passar meses simplesmente velejando e conhecendo novos lugares era uma tarefa bem simples. O que Charlie não esperava era enxergar aquela atitude como sinônimo de uma vida vazia e sem objetivo algum.

Era quase inacreditável que sentisse saudade das aulas em Leoben, da rotina simples que havia criado para si, e principalmente da companhia de Luke. A cada dia que passava, Charlie desejava mais poder voltar, mas sabia que não conseguiria sustentar a mesma mentira de Benjamin.

- Loiro demais. – Charlie respondeu com simplicidade, voltando seu olhar para o horizonte.

As duas meninas estavam deitadas na proa do iate, assistindo a luz do sol refletindo na água em movimento. Algumas almofadas estavam espalhadas ao redor, tornando a cama improvisada mais confortável para que elas pudessem se bronzear.

Marie virou de bruços, de modo que conseguia olhar para o namorado e seu irmão com mais facilidade. A pele branca estava levemente corada, mas os cabelos loiros e curtos não tinham nenhum vestígio de ressecamento, refletindo a vaidade da velha amiga.

- Você ainda é caidinha pelo Benji, não é?

Desta vez, o sorriso de Charlie foi mais sincero. Benjamin havia ficado no mesmo passado onde aquelas viagens intermináveis eram uma boa ideia. A Charlie de antes certamente esperaria até o último instante para ter o ex-namorado de volta, mas agora, a única associação de Benji em seu coração, era a lembrança de que ele era irmão de Luke.

Ao ver que não teria uma resposta, Marie virou o rosto para encarar a amiga e assumiu um semblante mais sério, mostrando que mesmo ao redor de tanta futilidade, ela se preocupava de verdade com a amiga.

- Você nunca contou como foi lá naquela cidadezinha... Pra ter ficado tanto tempo, tenho certeza que encontrou com ele. Vocês reataram e brigaram de novo?

Marie definitivamente não tinha a menor ideia do que estava acontecendo em Leoben. Ela desconhecia a existência de um segundo filho do rei, e provavelmente teria uma crise de risos em imaginar a vida que o príncipe herdeiro estava tendo, em um trabalho com horas semanais e um salário que não pagaria nem mesmo as refeições delas naquele dia.

A existência de Lukas continuava em segredo, não apenas pela necessidade de proteger o segredo de Benji. A amizade que ela havia criado e a paixão que finalmente a livrara de Benjamin era apenas dela e não queria que fosse compartilhada com mais ninguém.

- Quer saber o que eu acho? – Marie insistiu e Charlie virou o rosto para encará-la, aguardando a continuidade. – Acho que dessa vez é diferente. Todas as vezes que vocês brigam, você quer quebrar tudo, arrancar algumas cabeças e xingar meio mundo. Mas você está diferente desta vez. Está triste, como nunca vi você ficar, Charliezinha... Eu achei que era um sinal para as coisas terem terminado de uma vez. Mas aí eu ouvi você no telefone na outra noite.... E pela sua voz abobalhada, eu tenho certeza que vocês vão superar isso.

Marie não pôde ver os olhos verdes arregalados por trás das lentes, mas Charlie estava revivendo mentalmente tudo que havia falado durante aquela ligação, em busca de algo que a comprometesse.

Ao contrário do que a amiga estava deduzindo, a conversa que ela ouvira, duas semanas após o reencontro das duas, não havia sido com Benjamin. Em uma das noites angustiantes em que só conseguia pensar sobre Leoben e Lukas, Charlie se rendeu à tentação de ligar para o amigo.

A forma madura com que Luke encarou a sua escolha deu a liberdade para que Charlotte não tentasse lutar contra a vontade de ouvir a voz dele. A conversa, que durou mais de uma hora, passou por diversos assuntos. Charlie escutou sobre as aulas da universidade, sobre os jogos que ela andava perdendo, e ela contou sobre a Grécia e sobre o comportamento exagerado de Marie. Era quase como se o drama não existisse e eles pudessem ser amigos novamente. Quando uma pausa mais prolongada se fez onde só era possível ouvir as respirações dos dois, Charlie se despediu dizendo que sentia falta dele.

Nos dias seguintes, sempre que o coração batia mais forte com a vontade de ouvir a voz de Krauss outra vez, Charlotte pegava o celular e encarava o nome “Lindinho” na tela do aparelho. Em todas as vezes, ela desistiu. Não era justo manter os dois presos naquele sentimento que não teria nenhum futuro.

- Eu não tenho tanta certeza, Mah... – Charlie começou, mas o toque do celular interrompeu qualquer discurso que a loira estivesse se preparando para fazer.

O nome de “Helena” piscando na tela fez uma ruga se formar entre as sobrancelhas escuras e Charlotte não esperou pelo segundo toque antes de atender a ligação.

Quando a rainha da Áustria ligava para o seu telefone pessoal, ou as coisas estavam divinas ou estavam infernais. O que Charlie não esperava para aquele dia ensolarado era ouvir que o rei havia acabado de ser internado e ninguém conseguia contato com seu filho mais velho.

- O que houve? – Marie não tinha mais nenhum vestígio de brincadeira quando viu a amiga encerrar a ligação.

- Eu preciso voltar. Preciso encontrar o Benjamin. Agora.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 583
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Set 20, 2016 3:50 am

As gargalhadas mais gostosas que Benjamin já tivera o prazer de escutar ecoaram com espontaneidade enquanto as mãos pequeninas de Lisbeth tentavam segurar o rosto coberto com a barba bem aparada, tentando afastar a boca que insistia em fazer cócegas em sua barriga.

Como a força da menina era irrelevante para um homem adulto, Benji continuava a pressionar os lábios e assoprava contra a barriga lisa dela, fazendo o barulho alto que fazia a pele tremer e consequentemente a ter mais cócegas.

Benji só interrompeu a sessão de cócegas para erguer o rosto e encarar as bochechas rosado de Lisbeth com um sorriso orgulhoso. A menina estava pendurada em seus braços e jogava a cabeça para trás, exausta após a batalha perdida, mas com o enorme sorriso nos lábios.

- De novo!

Lisbeth pediu, ainda sem fôlego e batendo as palminhas em um gesto idêntico ao de Olga. Sem pensar duas vezes, mesmo com os braços doloridos e os pulmões protestando, Benji obedeceu ao pedido e mais uma vez a onda de gargalhadas ecoou pelo parque.

Apenas quando a criança se deu por vencida, Benjamin a colocou no chão, sentada sobre a toalha quadriculada em vermelho e branco, e deixou o próprio corpo cair exausto contra o tronco de uma árvore.

As manhãs de domingo eram os momentos preferidos de Benjamin Müller. Eram raras as ocasiões em que Danika precisava trabalhar, o que significava que o casal poderia simplesmente aproveitar as horas de preguiça na companhia um do outro.

Em algumas manhãs, Benji e Danika preferiam apenas ficar deitados na cama, tomavam um café reforçado na companhia de Lisbeth e depois saíam já no meio da tarde para tomar um sorvete. Quando Olga ou a babá estavam disponíveis, os dois saíam a sós para ir ao cinema ou ter algum momento a sós. Naquela manhã em particular, os três haviam se reunido para fazer um piquenique na praça mais arborizada da cidade.

O rio principal de Leoben passava há metros de distância, mas nem mesmo as árvores eram capazes de abafar o som da água corrente. A área reservada para piqueniques tinha um grande campo aberto onde as famílias se divertiam.

Benji se orgulhava por ter conseguido um dos melhores lugares naquela manhã. A toalha xadrez foi forrada sob a sombra de uma grande árvore e as comidas espalhadas para que eles pudessem passar todo o dia ali.

O sorriso fixo em seu rosto já era uma constante nos últimos meses. A vida ao lado de Danika era ainda melhor que o sonho um dia imaginado. As obrigações em Viena estavam cada vez mais distantes e já pareciam pertencer a um passado de um conhecido com quem ele perdera o contato.

Para evitar novos desentendimentos com Danika, o número do telefone foi trocado com a desculpa de ter estragado o aparelho com um tombo. Ninguém da família real sabia onde ele estava, e Helena era preocupada demais com a imagem que passava para permitir que a mídia divulgasse um possível desaparecimento. Ela conhecia o filho bem o bastante para saber que Benji estaria vivo e simplesmente agindo como um irresponsável. O que ela não imaginava era que o filho não tinha a menor pretensão de voltar.

Com um suspiro que demonstrava o cansaço acumulado da semana somado ao esforço físico pelas brincadeiras com Lisbeth, Benji puxou Danika de encontro ao seu peito e a enlaçou pela cintura, se deliciando com o perfume delicado dos cabelos castanhos.

- Me lembre de não dar o achocolatado quando viermos ao parque. Ela está com energia por nós três. E ainda sobra.

Um beijo carinhoso foi depositado na bochecha de Danika e os olhos azuis encararam a paisagem a sua volta. A beleza natural do lugar era de tirar o fôlego, mas era a simplicidade daquela manhã que tornava tudo tão especial.

- Posso falar algo extremamente piegas, sem que você e o Luke fiquem rindo pelas minhas costas?

Benji arqueou as sobrancelhas e tentou buscar o rosto de Danika, ainda sorrindo.

- Se eu precisasse escolher o momento mais feliz da minha vida, esse aqui teria um grande potencial para ser escolhido.

Os olhos azuis precisaram se desviar de Danika quando uma pressão em sua perna chamou a atenção. Ele imediatamente se virou para encontrar Lisbeth se equilibrando para se aproximar deles. A menina trazia consigo duas flores do campo. A maior foi esticada na direção da mãe, mas ao invés de dar a outra para Benjamin, ela colocou os fios escuros e ralos atrás da própria orelha, sugerindo que a flor fosse colocada ali.

Quando o passeio chegou ao fim e Danika entrou no prédio carregando a cesta com as sobras do piquenique, Benjamin carregava Lisbeth no colo, ainda com a florzinha presa em sua orelha.

Ela já estava muito maior desde que Benji a conhecera, e mesmo em seu colo, as perninhas longas ficavam pendendo. Os braços rodeavam seu pescoço e a bochecha amassada em seu ombro formava um biquinho em seus lábios, inteiramente adormecida.

Benjamin tomava todos os cuidados necessários para que a criança não acordasse, inclusive bater a porta do carro com o menor ruído possível. Subir as escadas até o terceiro andar com uma criança no colo não era uma tarefa fácil, mas ele já vinha praticando há tempo suficiente para saber que precisava descansar entre um patamar e outro.

Quando chegou no próprio apartamento, Danika já havia deixado a cesta sobre o balcão da cozinha e se adiantado até o quarto para preparar a barreira de travesseiros para que Lisbeth fosse acomodada.

O cansaço dela era tanto que sequer chiou quando seu corpinho foi acomodado no colchão. Benji já estava pronto para iniciar a rotina de tirar os sapatinhos dela quando batidas na porta chamaram sua atenção.

Os olhos azuis encontraram os castanhos com confusão. Lukas estava fora todo o final de semana e eles não tinham nenhuma encomenda para chegar. Benji tinha alguns amigos no trabalho, mas nenhum que frequentasse sua casa para justificar uma visita inesperada.

Qualquer um teria apenas se encaminhado para atender a porta, mas o medo constante de que seu segredo fosse revelado fez um alerta soar em sua cabeça.

- Fique aqui com a Beth. Eu vou ver quem é.

Ele tentou não demonstrar a preocupação em sua voz quando se encaminhou para a entrada. Ao abrir a porta e encontrar os olhos verdes já tão conhecidos, Benji logo soube que tinha todos os motivos do mundo para se preocupar.

- O Luke não está. – Ele se apressou em dizer, deslizando para fora do corredor e encostando a porta atrás de si, protegendo a visão de Charlotte caso Danika resolvesse seguir os seus passos.

- Ótimo. Estava mesmo torcendo para não encontrar com ele. É com você que eu preciso falar.

Benji trincou os dentes em uma postura defensiva, sem se soltar da maçaneta. Ele chegou a abrir a boca, mas Charlotte não lhe deu oportunidade para falar.

- Eu não quero nem saber que merda você está fazendo com a sua vida, Benjamin. Sinceramente, eu pouco me importo. Embora ache de verdade que se você realmente gostasse dela, não estaria mentindo desta forma.

Ele queria acreditar que as palavras de Charlotte eram movidas apenas pelo ciúme ou a amargura de uma mulher que havia perdido a batalha do coração de um homem. O problema era que Charlie havia tocado na ferida certa. Todos os dias, mesmo em meio a felicidade plena, Benji se odiava por esconder parte das suas origens. Ele tentava se convencer de que agora tinha uma nova vida e que sua origem real se resumia a um passado morto e enterrado.

- Mas eu não estou aqui pra te dizer o que fazer ou não fazer. Só vim porque a sua mãe pediu.

A menção de Helena fez a fraqueza de Benjamin desaparecer e a postura defensiva voltar, mas mais uma vez, Charlie não lhe deu oportunidade para ser interrompida.

- Está todo mundo tentando falar com você... Sua mãe, sua irmã... Eu mesma liguei para o seu número dezenas de vezes antes de desistir e vir pra cá.

- E nenhum de vocês entendeu o recado? Preciso ser mais claro?

O girar de olhos de Charlotte mostrava que ela não estava com paciência, mas ainda assim, estava ali diante dele, lutando contra o orgulho.

- Seu pai está doente, Benji. Muito doente. Ele está no hospital há quase uma semana e ninguém consegue falar com você. Eu não vou ser mais clara que isso: Você pode fugir da sua vida o quanto quiser, mas o Benjamin que eu conheci, se arrependeria eternamente por deixar o pai em um momento desses.

O chão desapareceu sob os pés de Benjamin. O corredor saiu de foco e até mesmo Charlotte ficou ofuscada enquanto sua mente tentava se adaptar com aquelas palavras.

A vida que ele vinha tentando ignorar ainda existia, ele querendo ou não. E não havia mais a remota chance de ignorar o que acontecia na vida do príncipe.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 346
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Ter Set 20, 2016 11:42 pm

"Segue internado na UTI do Vienna General Hospital o imperador austríaco Cristoph Kensington, após um infarto agudo do miocárdio. Segundo os últimos boletins médicos liberados para a imprensa, Kensington foi submetido a um procedimento cirúrgico bem sucedido nessa sexta-feira, mas ainda necessita de cuidados intensivos. Conforme já relatado em edições anteriores, o rei foi internado às pressas na última quinta-feira (15), com fortes dores no peito, na mesma semana em que completava cinquenta e oito anos de idade. A assessoria da família real agradece em nome dos Kensington a enorme quantidade de mensagens positivas que o imperador tem recebido através das redes sociais, mas alega que a esposa e filhos de Cristoph necessitam de privacidade neste momento delicado para a família. Uma coletiva de imprensa será agendada após a alta hospitalar e..."

- Heeeeey!

Lukas resmungou e abriu os braços em franca confusão quando o jornal de domingo foi violentamente arrancado de suas mãos. Hilda usara uma força tão desnecessária que chegou a rasgar a página, deixando um pedaço da notícia sobre a saúde de Cristoph Kensington entre os dedos do filho.

- Por que está lendo isso???

- Para me manter informado? – Lukas devolveu a pergunta com uma entonação irônica – Acho que é pra isso que jornais existem, mãe. Você tá doidona?

- E desde quando você lê jornais na mesa do café da manhã???

- Comecei com este hábito mais ou menos na mesma época em que você perdeu o juízo. Você quase me matou do coração, mulher! Me assuste assim de novo e eu vou precisar de um leito ao lado do rei no setor dos infartados.

- Não brinque com isso, Lukas Krauss!

Uma folga inesperada na faculdade e nos treinamentos levou Luke de volta à Viena para passar o fim de semana com a mãe. Embora detestasse a bagunça daquela cidade grande lotada de turistas, Lukas sabia que teria que enfrentar aquela tortura enquanto Hilda morasse na capital. Como a Sra. Krauss não tinha a menor pretensão de trocar de emprego e recomeçar a vida em outra cidade, seu único filho já havia aceitado com pessimismo o fato de que nunca se livraria por completo de Viena.

- Quando você volta para Leoben? – Hilda amassou o jornal num desespero exagerado e o jogou na lixeira da cozinha antes de ocupar a cadeira em frente ao filho.

- Credo, mãe, parece que está me mandando embora! Eu já disse que você pode trazer seu namorado pra casa, eu não me importo. Aliás, eu já gosto muito dele. Principalmente depois que ele comprou canais de esportes para a nossa TV.

- Eu só não quero que você perca as aulas! E também não quero que deixe a Olga sozinha tantos dias, ela pode se irritar comigo pensando que eu estou te monopolizando.

- A Olga está ocupada com um milhão de provas, ela nem deve ter notado que não estou em Leoben.

A entonação desinteressada de Lukas fez com que uma das sobrancelhas de Hilda se arqueasse. No passado, a Sra. Krauss havia percebido como os olhos de seu menino brilhavam quando a vizinha estava por perto. Era muito estranho que agora aquele relacionamento parecesse tão frio.

- Por que eu tenho a impressão de que você gostava mais da Olga quando ela não era a sua namorada?

- Mulher, você está impossível hoje. – Lukas forçou um sorriso e tomou um gole do café – A Olga e eu estamos juntos há meses, mãe. Acho que é natural que a empolgação dos primeiros dias desapareça, não é?

O silêncio de Hilda era um sinal claro da discordância da mulher. Melhor do que ninguém, Hilda Krauss sabia que não se pode apagar a chama de um amor verdadeiro com tanta facilidade. Mesmo depois de tantos anos e de uma separação dolorida, o coração dela ainda se comprimia no peito com a notícia sobre a internação de Cristoph Kensington. Era ainda mais doloroso não poder estar ao lado dele e ter que se contentar com as publicações vagas dos jornais.

A expressão no rosto de Hilda foi tão óbvia que Luke não precisou de explicações para entender parte dos pensamentos que transitavam na mente da mãe. Hilda ainda amava o seu pai biológico. Lukas sentia um desprezo ainda maior por aquele homem desconhecido ao pensar no amor que ele desprezara.

- Eu me pareço com ele? – a pergunta inesperada de Luke cortou o silêncio pesado da cozinha.

- O que? – Hilda retornou de seus devaneios e piscou várias vezes, sem querer acreditar que tinha entendido a pergunta do filho – Pelo amor de Deus, Lukas! Não recomece com isso! Eu achei que esta crise tinha ficado para trás na sua adolescência!

- Eu não quero um nome, um endereço, uma explicação. Só quero saber se eu me pareço com ele.

Era a primeira vez em toda a vida que Lukas fazia uma pergunta como aquela. Sempre que questionava Hilda sobre o pai, Luke implorava por um nome ou pela verdade por trás do abandono. Mas era a primeira vez que o rapaz demonstrava interesse em saber como era o antigo amante da mãe e o quanto havia dele em si mesmo.

Os olhos esverdeados de Hilda se fixaram no rosto do filho enquanto ela refletia sobre aquela indagação. Ironicamente, o destino quis que o filho bastardo fosse o mais parecido com Cristoph Kensington. Benjamin e Amelie tinham alguns traços do pai, mas eram mais parecidos com Helena. Luke, por outro lado, tinha exatamente os mesmos olhos e cabelos castanhos que o rei exibia durante sua juventude, as sobrancelhas grossas mais retificadas e o corpo mais longilíneo. Mas, sem dúvida, o detalhe mais gritante que dispensava qualquer teste de paternidade era o sorriso torto de Cristoph que se repetia nos lábios de Lukas Krauss.

- Lukas, eu já teria processado a maternidade se você não se parecesse com ele.

O rapaz demorou cinco segundos para entender a resposta da mãe, mas a sua familiar gargalhada se espalhou pela cozinha no instante em que Luke compreendeu a insinuação. De fato, ele não herdara nada de Hilda. Era até difícil acreditar que o rapaz havia nascido daquela mulher baixinha, de cabelos negros cacheados, lábios finos, alguns quilinhos acima do seu peso ideal. Hilda só tinha certeza de que não houvera uma troca de bebês porque Luke era uma cópia do pai.

O sorrisinho torto ainda brincava nos lábios do rapaz quando ele se recostou mais comodamente na cadeira. Os dedos compridos brincavam com uma torrada lambuzada de geleia enquanto o rapaz concluía que valia a pena enfrentar a sua repulsão por Viena para matar as saudades da mãe.

- Da próxima vez, é você que vai me visitar em Leoben. Estou prestes a entrar num looping maluco de provas, trabalhos e jogos. Não consigo voltar aqui antes do Natal.

- Certo. Vou reservar aquele hotel perto do seu apartamento.

- Mãe, é sério, você não tá normal. Você trocou os remedinhos? Desde quando você precisa de um hotel? Você sempre ficou no apartamento!

- Mas o Franz era praticamente da família! O seu novo colega pode não gostar de um hóspede.

- O Benji? –Lukas bufou e balançou a mão num gesto de descaso – Ele é tão legal quanto o Franz. E ele passa a maior parte do tempo livre no apartamento da Nika. Tem chances dele nem te notar se eu não mencionar a sua presença, é só você não mexer nos iogurtes dele. Você vai ficar no meu quarto, como sempre. Fim da discussão.

Aqueles dias de folga em Viena foram muito bem aproveitados por Lukas. Junto com velhos amigos do colégio, o rapaz foi ao estádio no sábado para assistir a um jogo e emendou a partida com uma festinha. O domingo foi reservado para a mãe e Luke passou o dia em casa, emendando filmes e séries enquanto se fartava com todas as delícias preparadas por Hilda.

A volta para Leoben estava programada para a tarde de segunda, então Lukas se viu sozinho na noite de domingo, depois que a mãe saiu para seu compromisso semanal na igreja do bairro. A ideia inicial do rapaz era terminar a noite com mais um filme e dormir cedo, mas o silêncio e a solidão logo trataram de conduzir a mente de Luke numa outra direção.

A conversa do café da manhã foi revivida na cabeça de Lukas, especialmente a parte em que citaram o nome de Olga. Krauss tentara explicar o seu desânimo com a rotina de um relacionamento mais longo, mas o rapaz sabia que a verdade era que seu coração não se acelerava mais pela loira simplesmente porque não conseguia superar Charlotte Baviera.

Quatro meses tinham se passado e agora o relacionamento dele com Charlie se resumia a raras mensagens vagas no celular. A menina só tinha ligado uma vez e, embora tivesse sido uma conversa longa e carinhosa, Baviera não demonstrou que havia mudado de ideia quanto à decisão de mantê-lo fora de sua vida. Foi isso que desmotivou Krauss a insistir em novas ligações. Ouvir a voz de Charlotte piorava a dor causada pela saudade e não mudava o fato de que eles continuariam afastados.

Naquela noite, contudo, Lukas se sentia especialmente tentado. O clima de Viena o deixava ainda mais deprimido e tornava as saudades sufocantes. Na última mensagem de Charlotte, a menina dissera que ainda estava viajando pela Europa. Mas já se completavam várias semanas desde o último contato e a chance de Charlie estar em Viena deu a Krauss coragem para sacar o celular do bolso.

O rapaz chegou a digitar uma mensagem, mas desistiu daquela ideia e apagou as letras antes de abrir a agenda e procurar pelo nome “Lindinha”. A empolgação que não existia com Olga Sturm surgiu no momento em que Lukas completou a chamada, o coração dando um salto ainda maior quando a voz de Charlie soou do outro lado da linha.

- Por favor, lindinha, me diga que está em Viena. Esta cidade me deprime, só você pode me salvar. Na verdade, algumas cervejas também salvariam. Mas acho que já passei da fase de chegar bêbado em casa com medo da minha mãe notar...
avatar
Lukas Krauss

Mensagens : 134
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qua Set 21, 2016 1:41 am

Toda a racionalidade de Danika Lehmann havia ficado perdida no passado, em uma época em que Benjamin Müller não fazia parte de sua vida. Nos primeiros meses daquele namoro, Nika havia se esforçado muito para manter os pés no chão e para encarar aquele relacionamento de maneira madura, mas foi impossível conviver com Benji sem entregar seu coração a ele por inteiro.

Benjamin era perfeito, a romena não conseguia apontar nem mesmo um detalhe do namorado que gostaria de modificar. Ele era um homem atraente, maduro e inteligente. Sua personalidade clássica poderia ser motivo de piadas para Lukas, mas Nika adorava aquele comportamento imaculadamente polido, os gestos cavalheirescos, as palavras sempre cuidadosas e elaboradas. E ela também amava quando Benjamin abandonava toda aquela compostura na cama, tornando-se um amante apaixonado.

Mas nenhuma das qualidades de Benji superava o carinho sincero que ele demonstrava por Lisbeth. Qualquer um que visse os dois juntos não teria dúvida de que Müller realmente amava a garotinha, todo aquele carinho não era apenas uma maneira de impressionar a mãe da menina.

Quando engravidou e decidiu que teria aquele bebê, Danika imaginou que a sua vida sentimental estava condenada, já que ela jamais deixaria que um rapaz incapaz de amar o bebê de outro homem entrasse na vida de Lisbeth. Mas Benjamin surgiu na vida delas como um milagre e mostrou que era capaz de fazer mãe e filha plenamente felizes.

Ao deixar a Romênia, Nika carregava consigo muitos sonhos e ambições. Ela queria ingressar num curso de gastronomia renomado, queria um estágio em um bom restaurante, queria se tornar uma chef reconhecida internacionalmente. Todos aqueles planos desmoronaram e escaparam entre os dedos da moça como areia e, por algum tempo, Danika lamentou os sonhos destruídos e encarou o futuro com apatia e infelicidade.

Agora, contudo, Nika se sentia tão realizada que nem se importava mais com os planos que tivera que deixar para trás. Lisbeth era a sua maior fonte de felicidade e Benjamin era exatamente o detalhe que faltava para que a vida de Lehmann fosse perfeita. Por mais que chegasse em casa exausta depois de um dia pesado no trabalho, Nika se sentia realizada com as risadas de Beth, com seus abraços e beijos, com a maneira como a garotinha estava a cada dia maior e mais esperta. Também não havia lugar para o cansaço quando Benjamin a levava para a cama e fazia todos os problemas evaporarem com seus beijos e carícias e com os olhares apaixonados que lançava a ela durante declarações de amor emocionadas.

Os antigos sonhos da romena não foram abandonados por completo, mas agora se tornaram mais humildes e alcançáveis. Quando pensava no próprio futuro, Danika se via a frente de um restaurante pequeno em Leoben, sem a sofisticação imaginada no passado, mas que lhe desse lucros para levar uma vida confortável. Sua futura casa também não precisaria ser enorme e luxuosa, Nika só fazia questão de um quintal para que Lisbeth pudesse brincar, talvez com um cachorrinho de brinde. Ela e Benji ainda estariam juntos após uma cerimônia de casamento simples e, depois que os dois estivessem mais estabilizados profissionalmente, Lisbeth ganharia um irmãozinho que teria grandes chances de vir com os mesmos olhos azuis da primogênita.

Eram momentos tão doces quanto aquela manhã de domingo que alimentavam os sonhos de Danika. Os três já formavam uma família, parecia ser uma questão de tempo até que todos os outros detalhes se ajustassem.

Exatamente por não enxergar problemas naquela vida perfeita, Danika não percebeu a tensão do namorado quando as batidas na porta ecoaram pelo apartamento. A romena simplesmente se voltou para Lisbeth e começou a retirar os sapatinhos da filha com o cuidado de não acordá-la. Do quarto, Nika não escutou vozes e nem passos. Por isso foi estranho quando minutos inteiros se passaram sem que Benjamin retornasse para o quarto.

Já livre das sapatilhas, Danika seguiu na direção da sala com os pés descalços. Os cabelos castanhos estavam presos num rabo alto, com duas mechas soltas emoldurando as laterais do rosto delicado. O vestido branco estampado com florzinhas coloridas combinava perfeitamente com o clima leve da primavera e realçava as curvas da romena.

O sorriso que parecia fixo nos lábios dela desde que o domingo começara vacilou no instante em que a imagem de Benjamin entrou em seu campo de visão. O rapaz estava parado próximo à porta fechada e parecia profundamente atormentado, como se tivesse acabado de receber uma péssima notícia.

- Ben?

A voz suave soou preocupada e, enquanto Müller se virava na direção dela, Danika cruzou a distância até ele com passos rápidos. A ruguinha entre os olhos azuis denunciava a tensão de Benjamin e foi o bastante para que aquele sentimento fosse transmitido à moça.

- O que foi, amor? Quem era? Aconteceu alguma coisa?

Como se a situação já não fosse suficientemente delicada, o destino resolveu brincar com os dois. Passos suaves vindos do corredor anunciaram a chegada de uma Lisbeth sonolenta, que apareceu na sala bocejando e esfregando os olhinhos. Nika suspirou com alguma impaciência ao ver que o assunto teria que ser adiado e se voltou para a filha.

- Beth, é hora de dormir!

- Leitinho, mamã.

Era impossível ficar irritada com Lisbeth por muito tempo. A garotinha estava a cada dia mais perfeita com aqueles olhinhos azuis redondos, a pele clarinha e os cabelos castanhos que agora já ultrapassavam a altura do queixo dela, formando cachos adoráveis nas pontinhas. Os passinhos ainda eram meio atrapalhados, mas estavam mais firmes a cada dia.

Nika já tinha se derretido por inteiro quando Lisbeth fez seu mundo parar. A romena a puxou para seus braços e estava dando o segundo passo na direção da cozinha quando Beth procurou Benjamin com o olhar e o chamou com um movimento delicado do dedinho.

- Vem, pupai.

Todo o sangue se esvaiu do rosto de Danika e ela parecia um fantasma quando puxou a filha subitamente, afastando-a apenas o bastante para encarar os olhinhos azuis. O semblante confuso de Beth mostrava que ela não estava compreendo o espanto da mãe e a menina pareceu ainda mais assustada quando a voz de Nika soou meio histérica.

- O que você falou? Do que você chamou o Benji? Lisbeth, quem te ensinou a falar isso???

Mesmo que o relacionamento estivesse maravilhoso, aquele era um cuidado que Danika nunca abandonava. Sempre que falava de Benjamin para Lisbeth, a romena usava o nome do rapaz ou dizia “o namorado da mamãe”. Nika não queria iludir a filha com uma mentira, tampouco pretendia confundir a cabecinha dela com uma situação tão complicada. Por nunca ter usado a palavra “papai” perto de Beth, Danika não fazia a menor ideia de como a filha havia associado aquele termo ao papel de Benjamin em sua vida.

- Lisbeth! Onde você ouviu esta palavra??? Quem te ensinou???

O desespero de Nika fez com que Lisbeth curvasse os lábios num biquinho de choro. Era uma expressão de cortar o coração, principalmente porque ela era pequenininha demais para entender o tamanho do erro que acabara de cometer.

- A tia.

“Tia” era como Lisbeth chamava a cuidadora com quem ficava na creche. Danika nunca tivera problemas com os funcionários da creche e sabia que a filha estava em boas mãos. Mas ela nunca havia mencionado para ninguém que era uma mãe solteira. Portanto, as funcionárias da creche provavelmente concluíram que o homem de olhos azuis que eventualmente aparecia para buscar a garotinha era o pai de Beth.

- A tia te ensinou errado! O Benji é só o Benji. Não quero que você fale esta palavra de novo, entendeu???
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Set 21, 2016 2:23 am

- Você está com uma cara ótima, Charlie!

Um sorriso educado apareceu nos lábios de Charlotte quando ela se acomodou no sofá vermelho, diante da rainha da Áustria. Helena era uma mulher absurdamente elegante. Mesmo com a idade, seu corpo magro preservava algumas curvas da juventude, permitindo que ela usasse um vestido social justo. Os cabelos loiros caíam em ondas largas em seus ombros e a maquiagem estava impecável. Não havia nem mesmo sinal de olheiras indicando as noites mal dormidas de preocupação com o marido.

A rainha da Inglaterra agia como se estivesse em mais uma ocasião especial, e não seria Charlie quem a recriminaria. A ideia de um dia usar sua coroa já havia lhe ensinado que deveria demonstrar uma fortaleza até mesmo nos piores momentos.

- Obrigada, majestade. O sol da Itália faz mesmo maravilhas para a pele.

- Por favor, minha querida, me chame de Helena. Somos praticamente da mesma família, não é mesmo?

Os grandes olhos azuis piscaram, os cílios cobertos com camadas grossas de rímel. Uma das criadas se aproximou e serviu o chá, e a mulher educadamente aguardou que nada pudesse interromper a conversa para continuar.

- Devo esperar meu menino também corado assim?

Charlotte havia se inclinado para frente, para pegar a própria xícara de chá, de modo que a rainha não pôde notar a hesitação nas íris verdes.

- Não, o Benji foi extra cuidadoso com as horas de sol, não se preocupe. – Charlie fez uma pausa para dar um gole em sua bebida, e então voltou a pousar a xícara sobre o pires. – Por falar nisso, eu gostaria de me desculpar pela ausência do Benji. A culpa é toda minha...

Um sorriso falso se ampliou no rosto de Baviera quando ela começou aquela mentira ensaiada. Não havia mais motivo algum para sustentar as mentiras do ex-namorado. Charlie não cobiçava mais a coroa de rainha e não tinha a menor pretensão de reconquistar Benjamin. Mas todas as vezes em que pensava em simplesmente virar as costas, seu coração se comprimia. Ela sabia que não conseguiria apenas fazer de conta que não estava envolvida naquela loucura.

- Eu insisti para que o Benji me acompanhasse na viajem pela Europa e acabei monopolizando todo o tempo dele. Jamais teria feito isso se soubesse do estado de saúde do rei.

- Cristopher pegou todos nós de surpresa, minha querida.

Pela primeira vez, Charlie foi capaz de percebre alguma emoção no olhar da rainha. Mas meio segundo depois, ela reassumiu sua postura firme, sempre sorrindo.

- Mas realmente não foi uma boa ideia ter sequestrado o meu Benji. Está desculpada apenas por ser você, Charlie.

Da mesma forma com que Charlotte cobiçava a coroa, Helena via na namorada do filho o grande potencial para sua sucessão. Baviera era linda, de uma excelente família, e que mostrava a cada dia como não falharia na missão de reinar a Áustria ao lado de Benjamin.

- O Benji chega amanhã, no primeiro horário. Eu vim na frente com a intenção de me desculpar e garantir que ele não seja penalizado pelos meus caprichos.

A conversa com a rainha ainda se estendeu por alguns minutos até que o chá de Charlie estivesse completamente frio. Aquele mundo, que sempre lhe encantou, pareceu extremamente pesado naquela noite, e quando ela se viu livre do palácio, podendo respirar o ar da noite, era como se finalmente seus pulmões tivessem liberdade para puxar o oxigênio.

Ela havia acabado de entrar no carro quando o celular começou a tocar. O apelido carinhoso de Luke logo apareceu na tela, fazendo seu coração saltar, e a surpresa por receber aquela ligação quase fez com que ela deixasse de atender.

O silêncio de Krauss durante as últimas semanas lhe dava a certeza de que ele estava seguindo com a própria vida, de modo que Charlie esperava por alguma tragédia ter motivado aquela ligação. Ao escutar o tom relaxado do amigo, ela imediatamente relaxou diante do volante e abriu um sorriso bobo. Benjamin havia comentado que Lukas estava fora, mas ela não imaginava que o amigo estivesse tão perto.

- Eu acho que nem se você tivesse jogado na loteria, teria tido tanta sorte, lindinho...

O lado racional de Charlie lhe pedia para evitar aquele encontro. Ela e Lukas não se viam há tanto tempo que seria fácil mentir, alegando estar em mais uma das tantas ilhas que visitara. E mesmo que fosse extremamente fácil incluir mais aquela mentira na sua lista, a vontade de revê-lo lhe garantiu que não teria problema algum.

- E como eu adoro salvar o dia, ainda posso te levar para tomar uma cerveja no bar esportivo mais legal da cidade. Nada que um garoto que acordava às cinco da manhã para estudar tenha conhecimento. Garanto que você vai mudar de ideia sobre Viena quando conhecer.

O tempo que Charlotte levou para chegar no endereço passado por Luke foi passado com extrema ansiedade. Ela se sentia uma menininha com o coração acelerado e o sorriso que não saía no rosto. Por mais que tentasse convencer a si mesma de que estava apenas com saudade do amigo, Baviera sabia que também estava ansiosa para saber como reagiria depois de tanto tempo longe dele.

O Mercedes preto deslizou silenciosamente até parar diante da casa de Hilda Krauss. Charlie deu dois toques na buzina antes de sair do carro para aguardar Lukas. O vestido mais formal que ela usava era uma pista do encontro que havia acabado de ter com a rainha, mas Charlie havia amassado os cabelos para aumentar o volume e coberto os ombros com uma jaqueta preta para minimizar a aparência mais séria. Nos pés, os fiéis saltos pretos na tentativa de diminuir o impacto pela baixa estatura.

Quando Luke entrou em seu campo de visão, foi impossível controlar as batidas ainda mais aceleradas do coração. Um suspiro chegou a escapar dos lábios de Charlotte ao perceber que se sentia ainda mais atraída por ele após aqueles meses separados. Ainda assim, Baviera procurou adotar a postura relaxada que uma boa amiga deveria ter e sorriu com um falso ar de superioridade quando ele se aproximou.

- Eu sei que eu faço falta, Lindinho... Mas enfrentar Viena para vir atrás de mim? – Ela balançou a cabeça em uma falsa reprovação, denunciando a brincadeira. – Ou você simplesmente adivinhou que eu trouxe um presente da Itália exclusivamente pra você?
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 583
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Set 21, 2016 3:08 am

Enquanto se arrumava para sair com Charlotte Baviera, Lukas repetia várias vezes para si mesmo que não havia nada errado naquele encontro. Apesar de tudo, os dois ainda eram bons amigos.

Naquela noite, ele estava sozinho em Viena e morreria de tédio se passasse mais algumas horas diante da televisão, na casa silenciosa dos Krauss. Não parecia ser tão errado passar aquele tempo conversando com uma velha amiga divertida, que lhe apresentaria a uma Viena até então desconhecida para o rapaz.

Um bilhete rápido foi escrito para Hilda e Luke usou um dos ímãs para pregar o papel na porta da geladeira. O recado simplesmente dizia que o rapaz havia saído para tomar uma cerveja com um amigo e que não voltaria tarde. Embora ele já fosse adulto e já morasse longe da mãe, Lukas sabia que Hilda ficaria preocupada se voltasse da igreja e encontrasse a casa vazia.

Tão logo escutou a buzina, Lukas pegou a sua cópia das chaves da casa, enfiou no bolso da calça jeans e saiu pela porta da frente. Assim como as demais construções daquele bairro periférico de Viena, a casa de Hilda Krauss tinha uma arquitetura simples. O lote era pequeno e havia um jardim bem cuidado diante da entrada principal. A rua estava praticamente deserta naquela noite de domingo, iluminada apenas pelas luzes fracas dos postes e por algumas varandas acesas na vizinhança.

Naquela noite, a imagem de Lukas era o oposto da formalidade de Charlotte. A calça jeans terminava em um par de tênis pretos. A camiseta interna era branca, parcialmente escondida pela camisa xadrez entreaberta. Os cabelos castanhos estavam arrepiados como de costume, dando a ele um ar ainda mais juvenil.

Assim que avistou Charlotte, Krauss sentiu o coração saltar dentro do peito. Muitos meses tinham se passado, mas nem o afastamento fora capaz de reduzir o impacto da presença de Baviera. O sorrisinho torto idêntico ao do rei da Áustria surgiu em seus lábios enquanto ele cruzava o jardim para chegar à garota parada diante do Mercedes.

A simples imagem de Charlie foi o suficiente para que Lukas se esquecesse por completo da promessa de fazer daquele encontro apenas uma inocente conversa entre bons amigos. Naquele momento, não havia nenhuma convenção social, nenhuma responsabilidade, nenhum compromisso. Olga Sturm simplesmente não fazia parte dos seus pensamentos quando o rapaz se colocou diante de Charlotte Baviera.

Mesmo nas sombras da noite, era possível notar que Charlotte estava diferente. A pele sempre pálida mostrava-se ligeiramente bronzeada, os cabelos pareciam alguns centímetros mais longos e volumosos. O vestido formal realçava as curvas de Baviera e lhe davam um ar elegante irresistível. Ela parecia infinitamente mais bonita do que na memória que Luke guardava dela.

- Eu me esqueci que você fala demais, lindinha.

Antes que Charlie tivesse a chance de responder à provocação, Lukas se colocou diante dela e pousou as mãos com firmeza na cintura da garota, tocando diretamente o vestido por baixo da jaqueta preta. A menina foi puxada firmemente para junto do seu peito, de onde podia sentir com perfeição o cheiro de sabonete misturado a um suave perfume masculino impregnado na pele dele.

O beijo começou numa troca de olhares intensos antes mesmo de chegar aos lábios, como se os corpos fossem incapazes de esconder as saudades que sentiam um do outro. Toda a emoção ausente no relacionamento com Olga explodiu enquanto as bocas se moviam num beijo sedento.

O corpo de Charlotte foi impulsionado para trás até que as costas dela estivessem apoiadas na lataria do Mercedes e, mesmo com os saltos usados pela garota, foi necessário que Lukas curvasse o tronco alguns centímetros para baixo para não romper o contato com os lábios dela.
avatar
Lukas Krauss

Mensagens : 134
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Set 21, 2016 3:16 am

Aquilo era demais para que sua mente pudesse suportar. Era inacreditável que se voltasse dez minutos no tempo, tudo ainda estaria perfeito, seu mundo dos sonhos estaria ao alcance das suas mãos e poderia sentir que nada era capaz de afetá-lo. Mas tudo estava acontecendo rápido demais para que ele se desse conta, sem que ao menos pudesse respirar e tentar compreender.

Como era possível que o pai tivesse ido parar no hospital? Cristopher tinha uma saúde de ferro, vivia se vangloriando, ano após ano. E como ele poderia ter deixado o pai sem a sua presença por tanto tempo?

Era óbvio que a família real da Áustria estava longe de ser a mais unida e amada. Mas mesmo com todas as mágoas do passado, Benji ainda amava o pai e se orgulhava das lembranças felizes que ainda tinha de sua infância. O relacionamento dos dois esfriou mortalmente depois que o primogênito foi afastado para o internato, mas não significava que Benji odiava Cristopher por suas escolhas ruins.

Embora Luke penalizasse o pai que desconhecia e que Benji compreendesse os motivos para aquele ódio, ele jamais conseguiria desprezar Cristopher da mesma forma. Com todas as falhas de defeito, ainda era o seu pai, o mesmo que o pegava no colo, que o ensinava a jogar xadrez e que roubava chocolates da cozinha durante as madrugadas de insônia.

Antes mesmo que a culpa pudesse corroê-lo por estar ausente do pai naquele momento tão crítico, a nova paulada o atingiu, fazendo sua garganta queimar. O desespero de Danika era perfeitamente compreensível ao ver a filha chamando um desconhecido de pai. O próprio Benjamin não sabia exatamente como deveria se sentir.

Em partes, ele apoiava a postura da namorada. Não era certo que Lisbeth crescesse se iludindo com um pai que não era seu. Benji a amava e sempre que pensava em seu futuro com Danika, a criança estava incluída na cena da família perfeita. Mas Beth deveria amá-lo apenas no seu devido lugar: o namorado da mamãe.

Mas ao mesmo tempo que o lado adulto lhe dizia aquilo, era impossível controlar o calor em seu peito ao ouvir aquela palavra tão inocente na vozinha de Lisbeth. Ele não queria roubar o lugar do verdadeiro pai, independente de quem fosse. Mas era maravilhoso poder se sentir tão envolvido na vida da menininha, como se realmente fosse sua.

Alguns meses antes, Benjamin sequer pensaria na possibilidade de ter filhos tão cedo. Ele já tinha um fardo grande demais para enfrentar. Mas o sorriso e a singularidade de Lisbeth mudavam sua perspectiva. Ele não queria só ser pai, ele queria que aquela menininha fosse sua filha.

Naquele momento, as duas vidas de Benjamin se conflitavam. O príncipe precisava lidar com a saúde fragilizada do rei enquanto Müller queria apenas resolver aquele conflito familiar. Por mais que Benji quisesse manter as duas vidas apartadas, ele sabia que não conseguiria lidar com ambas as situações.

- Você está assustando ela, Danika.

Enquanto Benjamin deveria embarcar para ensinar Lisbeth a não chama-lo de pai, era a mãe a ser repreendida. Ele conseguiu vencer as pernas fincadas no chão para atravessar a sala até alcançar a namorada, puxando Lisbeth para o seu colo.

O beicinho formado em seus lábios mostrava o choro provocado tanto pelo sono quanto pela bronca da mãe, mas as lágrimas foram evitadas quando Lisbeth se encolheu no peito de Benjamin.

- Está tudo bem, Florzinha. A mamãe não está brava. Nem o Ben, está bem?

Reforçar o próprio nome era sua forma de ensinar Lisbeth sem soar autoritário ou desesperado como Danika. Lisbeth levou a mãozinha até a boca, ainda com uma expressão de choro, e Benji afagou os cabelinhos escuros.

- Você não precisa surtar, Danika. Ela não tem ideia do que está dizendo... – Instintivamente, Benji tampou o ouvidinho de Lisbeth com uma carícia para falar aquilo, mesmo sabendo que ela não compreenderia por completo a conversa dos adultos. Por fim, ele depositou um beijo na testa da menina e sorriu. – Vamos pegar o leitinho?

Ainda parecendo magoada com a atitude da mãe, Lisbeth apenas confirmou com um movimento da cabeça, ainda grudada contra o peito do homem.

A habilidade demonstrada por Benjamin para preparar a mamadeira sem soltar Lisbeth mostrava o quanto ele havia se transformado nos últimos meses. Embora ainda estivessem no apartamento dos rapazes, vários utensílios de criança estavam espalhados pela casa, inclusive um estoque do leite de Lisbeth.

Enquanto preparava tudo para que Lisbeth pudesse voltar para a cama, Benjamin se sentia cada vez mais sendo sugado para o fundo do poço. As palavras de Charlotte ainda ecoavam na sua mente, lhe lembrando da existência do príncipe e de suas obrigações. Mas a criança em seu colo o trazia de volta para a vida de Müller e do estrago que ele causaria não só na vida de Danika, como também em Lisbeth.

Seu egoísmo havia permitido que ele se deixasse levar cada vez mais, acreditando que poderia ignorar o resto do mundo para ser feliz. Mas o que estava fazendo era errado de todas as formas possíveis. Não era justo brincar com a vida de Danika daquela forma. Sua irresponsabilidade estava colocando em jogo também a vida de uma criança inocente.

O problema era que Benjamin não sabia mais como sair da confusão que havia criado. Ele não tinha opção de simplesmente voltar atrás e tinha certeza que perderia Danika se tentasse contar a verdade. O que ele precisava fazer era enfrentar aquela última responsabilidade como príncipe antes de renunciar a coroa. Só o que precisava fazer era esperar o pai se recuperar para contar a sua escolha.

Quase uma hora depois, quando Lisbeth já havia tomado o leite e dormia ao redor da barreira de travesseiros, Benji saiu do quarto, deixando a porta entreaberta, e se sentou ao lado de Danika. Nos primeiros minutos, ele se manteve em silêncio, apenas puxando os pés dela para o seu colo e massageando os dedinhos com carinho.

O tempo até Lisbeth cair no sono havia servido para que ele conseguisse organizar os próprios pensamentos e forçasse uma expressão mais relaxada, já sem o primeiro impacto da notícia sobre Cristopher.

- Eu não quero que você pense que estou tentando roubar o lugar do pai da Beth. Nós vamos ensiná-la o certo, com o tempo. Só tente não surtar da próxima vez, Nika, por favor...

Benji tombou a cabeça para trás, relaxando o pescoço no encosto do sofá. O sorriso cansado em seus lábios mostrava o reflexo do dia sem fim, mas também era um sinal para que Danika percebesse que ele estava melhor e não estava chateado com os últimos acontecimentos.

Seus dedos deslizaram pelo pé dela até subir pela batata da perna, prolongando a massagem. Por fim, ele assumiu um semblante mais sério, mas ainda tentando passar a imagem de que a notícia não era tão ruim quanto havia passado, minutos antes.

- Era um mensageiro do trabalho aquela hora... Vai ter uma reunião de emergência em Viena sobre a compra de uma sociedade, eles queriam ajuda para analisar as peças de lá. O novo diretor só confia no meu trabalho, o que é um ótimo sinal, não é?

Já mergulhado nas mentiras, Benjamin se sentia aliviado quando precisava apenas distorcer alguns fatos da sua realidade. De fato, a empresa estava analisando uma compra em Viena, mas ainda estava longe de ser concretizado. E o novo diretor havia se encantado pelo trabalho de Benjamin desde o primeiro dia, sabendo que ele era muito mais promissor para um cargo maior do que a simples coordenação das fabricações de peças.

- O problema é que eu precisaria ir amanhã cedo. Bem cedo. E eu não sei exatamente quanto tempo eu ficaria lá, Nika... provavelmente uma semana ou mais.

Benji se sentia sujo em fazer aquela jogada, mas sabia que se colocasse nas mãos da namorada aquela escolha, ela imediatamente o incentivaria a seguir em frente.

- É uma oportunidade incrível para o diretor ver o meu trabalho. Quem sabe até uma promoção? Mas eu não queria deixar você e a Beth por tanto tempo...
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 346
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Set 21, 2016 3:52 am

Durante todo o trajeto até o encontro com Lukas, Charlie cogitou ao menos cinco vezes em desistir, de ligar para ele e cancelar aquela loucura. Ela sabia que não tinha a menor chance de um futuro entre os dois enquanto Benjamin estivesse envolvido naquela mentira. Enquanto Krauss não descobrisse a verdade sobre seu verdadeiro pai, Charlie estaria guardando um segredo que impossibilitaria aquele relacionamento.

Mas então, ela tentava se convencer de que os meses afastados foram suficientes para que a paixonite tivesse desaparecido. Talvez, depois de todo aquele tempo, ela olhasse para Luke e visse mesmo apenas um amigo.

Qualquer ilusão que Charlotte tentasse alimentar desapareceu no instante em que ela encontrou os olhos castanhos. A única diferença provocada pelo tempo era o tempero a mais da saudade.

O beijo fez com que toda a angustia daquele afastamento desaparecesse. A tristeza dos meses longe de Krauss foi varrida da sua mente, assim como as preocupações e complicações que envolviam os dois.

Se Olga ainda existisse na vida de Lukas, ela era mortalmente ignorada naquele momento, e não caberia a Baviera trazer a péssima lembrança de volta.

Mesmo com os saltos, Charlie ficou nas pontas dos pés e envolveu o pescoço de Luke com os braços. Ela se entregou ao intenso beijo, sabendo que aquele era diferente de todos os outros. Além da saudade, era a primeira vez que os dois se envolviam depois de ter declarado em voz alta que se gostavam além da amizade.

Como Charlie não fez a menor menção de se afastar, o beijo durou até que os pulmões protestassem e fosse impossível continuar. Mesmo assim, os braços firmes ao redor de Luke impediram que ele se afastasse, mantendo os narizes se tocando.

Os lábios de Baviera estavam levemente inchados e úmidos, mas desenhados em um sorriso relaxado e sincero que ela não exibia em meses. Por alguns segundos, os dois continuaram em silêncio, apenas sentindo o calor do corpo colado um ao outro. Era como se fossem novamente os velhos amigos com a intimidade conquistada, mas com algo mais.

- Eu também senti sua falta, Lindinho.

Charlie conseguiu sussurrar, ainda de olhos fechados, como se temesse que ao erguer as pálpebras, precisasse encarar novamente o mundo real. Por fim, os olhos verdes foram novamente revelados, brilhando com intensidade.

Uma das suas mãos permaneceu segurando a nuca de Luke, em um pedido mudo para que ele não se afastasse. A outra, Charlie permitiu que deslizasse até acariciar o rosto do amigo, se deliciando com os traços bonitos até tocar o lábio inferior dele, acompanhando o desenho perfeito.

- Então... Viena parece menos deprimente agora?
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 583
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qua Set 21, 2016 3:53 am

Passado o momento inicial de pânico, Danika se sentiu imensamente culpada pela explosão. A última coisa que ela queria era assustar ou magoar Lisbeth. Mas fora uma surpresa completamente inesperada escutar a garotinha chamando Benjamin de pai. Nika já imaginava que aquela conversa seria inevitável no futuro, mas nunca pensou que a sua bebezinha mergulharia tão precocemente naquela confusão.

Este era o maior medo de Nika. Benjamin se tornara muito importante em sua vida e Danika sofreria imensamente se um dia o namoro terminasse. Mas seria uma dor suportável e Nika ainda teria muitas razões importantes para respirar fundo e seguir adiante.

O que a romena não suportava era pensar no sofrimento de Lisbeth. Se algum dia Benji deixasse de fazer parte da vida dela, a garotinha ficaria órfã daquele afeto. Era terrível pensar que Beth estava entregando o seu coração para um “pai” que não tinha qualquer obrigação legal, moral ou sentimental de participar da vida dela.

- A Beth não tem pai. Como você pode roubar o lugar de alguém que não existe, Benji?

Mesmo depois de tantos meses de relacionamento, Danika nunca falava do ex-namorado para Müller. Sempre que tocava no assunto, a romena ficava mortalmente séria e se limitava a dizer que Lisbeth não tinha um pai. A resistência dela com o tema era tão grande que ficava fácil concluir que as coisas tinham terminado muito mal e que o pai de Lisbeth nunca mais teria espaço na vida delas.

- Eu nunca imaginei que ela falaria algo assim. Eu me assustei, mas garanto que esta reação não vai se repetir.

Os olhos castanhos buscaram pelo rosto de Müller e Lehmann fez uma pausa mais prolongada antes de tocar naquele assunto delicado. O comportamento de Nika mostrava que ela sempre pensara assim, mas só agora a moça tinha coragem de verbalizar aquela ideia para o namorado.

- Nós dois estamos bem, mas quem sabe o que vai acontecer nos próximos meses, Ben? Isto é um namoro que, como qualquer namoro normal, pode enfrentar crises. Se no futuro nós decidirmos que não dá mais, teremos que colocar um ponto final na nossa relação. Mas não existem pontos finais no relacionamento entre pai e filho. Eu não sei como explicaria pra Lisbeth que o “pupai” foi embora para sempre e nunca mais vai voltar para vê-la. Se você continuar sendo só o “Benzi”, a confusão na cabecinha dela será muito menor.

A proposta da viagem para Viena parecia ter surgido exatamente para ilustrar o pensamento racional de Nika. Um pai teria que pensar mil vezes antes de se afastar da família por tempo indefinido, mas Benjamin era apenas um homem livre que não podia perder uma valiosa oportunidade em sua carreira por causa de uma criança com quem não tinha nenhum vínculo.

- Você precisa de ajuda para fazer as malas?

O sorriso de Nika não foi amplo como de costume, mas sua voz firme indicava que ela não voltaria atrás naquela decisão. Por mais que a ausência de Benjamin fosse dolorida, não fazia o menor sentido pedir ao namorado que ficasse em Leoben. Müller estava crescendo progressivamente na carreira e aqueles dias em Viena poderiam lhe render bons frutos na empresa.

- Não se preocupe conosco, nós ficaremos bem. É a sua carreira, Benji. Você tem trabalhado muito e merece ser reconhecido. Podemos nos falar pelo telefone ou pela internet. Não dá pra perder esta oportunidade, amor.
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Set 21, 2016 4:24 am

Sempre que o peso da verdade e a realidade tentavam lhe assombrar durante aqueles meses, Benjamin se esforçava para ignorar o pensamento como se fosse um mau agouro. Era como se ele simplesmente fizesse de conta que não havia nenhuma sombra sobre seu relacionamento com Danika, realmente nada pudesse atingi-lo.

Por isso, ouvir da boca da namorada que ela acreditava que poderia existir um futuro em que os dois se separassem fazia seu coração congelar. Ele precisava que Danika acreditasse cegamente neles, precisava que ela garantisse que seriam capazes de enfrentar tudo. Só assim Benji teria forças para continuar.

Os olhos azuis refletiam a dor causada apenas com a possibilidade de perder Danika. Sua garganta queimava e um nó se formou entre suas sobrancelhas com a tensão. Para não parecer tão desesperado com a culpa e o medo, Benji forçou um sorriso e entrelaçou seus dedos aos da namorada.

- Eu não vou interferir na forma com que você educa a Beth. Eu concordo com tudo que você diz. Apenas entenda uma coisa: Eu não vou a lugar algum.

Quando terminou de falar, Benji franziu o nariz com a entonação de suas palavras e tentou se corrigir, erguendo o indicador em um gesto mais relaxado, tentando fazer piada do próprio deslize.

- Correção: Eu vou até Viena. Mas eu volto. E depois disso, não vou a lugar algum.

Benji se aproveitou das mãos unidas para puxar Danika até que ela se recostasse contra seu peito. As luzes do apartamento estavam apagadas e uma vela trazida por Olga havia sido acesa na mesinha de centro. A iluminação fraca e o perfume adocicado preenchiam o ambiente, mas por mais que o clima romântico contribuísse para que Benji permanecesse a noite toda ali, a sua vida dupla pesava mais uma vez.

A lembrança constante da notícia sobre Cristopher ainda latejava na sua mente, e por mais que se esforçasse para parecer tranquilo, os olhos azuis estavam ligeiramente mais escuros com a preocupação que tentava esconder.

Enquanto pensava no próprio pai, era impossível conter as associações com a sua relação com Lisbeth. Assim como desejava ser o homem ideal para Danika, ele queria poder ser livre para ser o pai que a menininha merecia.

Luke havia se tornado um adulto incrível, criado apenas pela mãe. Mas Benji podia ver que aquele era um espaço na vida do irmão que jamais seria preenchido. Ele não queria que Lisbeth crescesse com aquele vazio.

- Não gosto de ouvir você dizer sobre um futuro em que não estejamos juntos, Nika.

Ele se surpreendeu quando a confissão escapou dos seus lábios como um pensamento que tomava vida própria. Por fim, Benji julgou que era melhor poder dizer a verdade ao menos no que lhe era permitido.

- Eu sei que precisamos ser realistas, que você precisa ter o dobro de cuidado por causa da Beth. Mas a minha realidade é com vocês duas. E posso te provar isso todos os dias, quando quiser.

Uma pausa foi feita para que Benji procurasse os olhos castanhos antes de concluir, sem hesitar, mostrando que ele já havia pensado muito naquele assunto.

- Eu quero a minha vida com você, Danika. E acho que está na hora de procurarmos um lugar só nosso. Chega de colegas de quarto, de brincar de família. Eu quero isso, de verdade. Não “quando” ou “talvez”. Assim que voltar de Viena.

Com o polegar, Benji acariciou a bochecha de Danika, a encarando com um olhar doce.

- Não é um ultimato e eu não vou surtar se você disser que não. Você tem até eu voltar para pensar na proposta, está bem? Apenas pense que eu não tenho a menor dúvida de que isso é o certo para nós três.
avatar
Remus J. Lupin

Mensagens : 346
Data de inscrição : 16/01/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Set 21, 2016 4:40 am

- Não. Eu ainda odeio Viena. Você parecia ser mais alta em Leoben, sabia?

A provocação era a prova de que a revelação dos sentimentos não havia mudado o clima leve e divertido da amizade. Lukas tinha medo de perder aquela espontaneidade por saber que Charlie gostava dele de verdade, então era muito gostoso perceber que não havia brotado entre eles nenhuma formalidade, nenhuma neurose, nenhuma necessidade de impressionar um ao outro. Eles continuavam sendo bons amigos que deixaram que seus sentimentos ultrapassassem as barreiras da amizade.

- Como consegue alcançar os pedais do carro? Aposto que precisou comprar a habilitação.

Mesmo depois que o beijo foi interrompido, os dois continuaram abraçados. Krauss ainda não se sentia pronto para se afastar, era como se seu corpo quisesse compensar as saudades que sentia da menina depois de tantos meses de separação.

Um dos braços do rapaz continuou enlaçando a cintura de Baviera com firmeza enquanto Lukas usava a mão livre para tocar o rosto delicado da menina. Os olhos castanhos refletiam um inegável carinho. Era o tipo de expressão que, nem na melhor época do namoro, Charlotte jamais havia visto no rosto de Benjamin.

- Vamos. Eu quero conhecer o tal bar esportivo que vai mudar a minha opinião sobre Viena.

Dentro do carro de Charlotte, as provocações continuaram. Lukas implicou com o banco do motorista que precisava ficar colado ao volante para que a menina alcançasse o acelerador. A música pop do aparelho de som também mereceu algumas críticas divertidas. Era como estar de volta à época em que eles não precisavam se preocupar com rótulos ou sentimentos e podiam simplesmente aproveitar ao máximo a companhia um do outro.

Conforme prometido por Baviera, o bar era um ambiente extremamente agradável. Como era domingo, o local não estava tão cheio e os dois conseguiram uma excelente mesa. Luke pediu uma rodada de cerveja e alguns salgadinhos e o casal passou a maior parte do tempo entretidos com carícias e com um jogo interativo entre os clientes. Era praticamente um jogo de perguntas e respostas sobre futebol e, como já era de se esperar, Krauss fez a amiga experimentar uma derrota humilhante.

- Eu ainda não acredito que você respondeu México. Charlie, eu deveria romper qualquer laço de amizade com você depois dessa resposta. Você não é digna de ser minha amiga.

Já no carro, Luke continuava implicando com o erro de Charlotte na pergunta: Em qual país nasceu o jogador Lionel Messi? Baviera não era uma grande especialista em futebol e, naquela noite, ainda estava distraída com uma caneca de cerveja e com os lábios de Krauss abrindo uma trilha de beijos em seu pescoço. Seria difícil se lembrar até do próprio sobrenome com as mãos de Luke deslizando pelo corpo dela.

Ao contrário da promessa feita a Hilda, já eram quase três da manhã quando o Mercedes parou em frente à casa dos Krauss. Era impressionante como o tempo voava quando Charlotte estava por perto. E era ainda mais impressionante como a despedida se tornava mais difícil a cada dia. Luke sentia um aperto no peito com a ideia de que, depois que saísse daquele carro, ele passaria mais meses e meses sem rever a amiga.

- Eu ainda não gosto de Viena. – o rapaz resmungou com um ar forçadamente desgostoso, mas logo abriu o seu sorrisinho torto – Mas a sua companhia torna Viena suportável. E este é um grande elogio vindo de mim.

Como era difícil demais verbalizar o adeus, Lukas soltou o cinto de segurança, inclinou-se na direção de Charlotte e deixou que seus lábios finalizassem aquele encontro de forma silenciosa.

O beijo se alongou como de costume, mas desta vez tinha um sabor diferente. Não era a paixão do passado e nem o desespero causado pelas saudades do reencontro. Desta vez, foi uma união carinhosa, que refletia o amor que havia nascido daquela amizade sem que nenhum dos dois buscasse por isso.

Não houve cobranças, Lukas não insistiu no pedido de namoro e não fez promessas. Charlotte já havia deixado claro que não queria assumir seus sentimentos, então, para Krauss, deveria partir dela a iniciativa para que os dois mudassem o tom informal do relacionamento. O que Luke não esperava era que a cobrança fosse vir de outra direção.

Os lábios dos dois jovens ainda estavam colados quando batidas no vidro do passageiro fizeram Lukas saltar no banco com tanta força que acertou a cabeça no teto do veículo. Krauss soltou um grunhido e massageou o topo da cabeça, mas a dor não era nada comparada ao constrangimento de ver Hilda Krauss parada na calçada, com um robe por cima da camisola, pantufas nos pés e os braços cruzados numa postura de insatisfação.

- Puta merda, tô ferrado.

O desabafo parecia vir de um adolescente sendo pego em flagrante numa grande travessura. Lukas sabia que não devia mais tantas satisfações à mãe, mas daria um dos braços para que Hilda não tivesse visto aquela cena. Mais do que uma traição contra Olga, aquele beijo era a explicação perfeita para o fato do rapaz não se sentir nem um pouco entusiasmado com a atual namorada.

- Charlie, você não tem a MENOR chance de vencer esta batalha. Então vamos fazer o seguinte. Eu abro a porta, pulo pra fora e você acelera sem olhar para trás. Só pare quando cruzar a fronteira com a Alemanha.
avatar
Lukas Krauss

Mensagens : 134
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Set 21, 2016 11:53 pm

Charlotte estava tão concentrada no beijo que não escutou as batidas vindas do vidro do carona e precisou de alguns segundos para compreender a interrupção abrupta de Luke. Uma ruga ainda estava entre suas sobrancelhas bem desenhadas e a boca aberta em um protesto mudo quando os olhos verdes focaram a imagem atrás do rapaz.

O ângulo não permitia que a Sra. Krauss fosse vista por completo, mas Charlie não precisou de nenhuma pista para descobrir sua identidade. E mesmo com a surpresa daquele flagra, ela estava mais preocupada em decidir qual cena era mais cômica: a mãe do lado de fora vestindo uma camisola no meio da rua deserta ou o desespero estampado no rosto de menino de Lukas.

No mundo de Baviera, seus pais não se preocupavam se ela ficasse meses navegando por diversos países, torrando uma parte da incalculável fortuna. O máximo que ela havia visto de proteção dos pais com alguém, vinha de Helena e Cristoph, mas sempre tinha a impressão de que a preocupação era maior com a imagem passada ao mundo do que com os filhos propriamente ditos.

- Não vai rolar, Lindinho... Eu não alcanço os pedais direito, lembra?

Charlie ergueu um ombro e inclinou o rosto com um sorriso nos lábios, em uma exagerada expressão doce que só reforçava seu sarcasmo. Fugir definitivamente não era uma opção, por mais tentadora que fosse. Mas ela havia acabado de mentir para a Rainha da Áustria. Enfrentar a mãe de Lukas não deveria ser assim tão assustador.

Mesmo com este pensamento em mente, Charlotte sentiu a repentina necessidade de que aquela mulher gostasse dela. Com Luke, ela nunca precisou se esforçar. Mas era como se qualquer reprovação vinda de Hilda pudesse impactar sua amizade de alguma forma.

A autoconfiança de Charlotte lhe disse para continuar sorrindo e ela tentou não demonstrar qualquer abalo quando apertou o botão do vidro elétrico e acabou com a barreira entre o interior do carro e o rosto da Sra. Krauss.

O vento fresco da noite imediatamente entrou no carro e Charlie torceu para que o cheiro da cerveja não alcançasse as narinas de Hilda. Se ela quisesse qualquer aprovação daquela mulher, não deveria começar passando a imagem de uma irresponsável que bebia e dirigia, mesmo que em doses quase insignificantes.

- Oi, boa noite! – Charlie sorriu, pela primeira vez parecendo uma menininha educada.

Ela era sempre tão relaxada e sem filtro em suas palavras, como se fosse a dona do mundo, que parecia outra pessoa. Mas ao menos aquela tática funcionava com Helena.

- Acho que perdemos um pouquinho a noção da hora, o Luke não disse que a senhora iria esperar acordada.

O braço de Charlie atravessou diante do corpo de Lukas e ela precisou se inclinar para frente até que seu pulso estivesse para fora da janela, oferendo um aperto de mão à mulher.

- Hilda, não é? O Luke já me contou muito sobre a senhora. Sou a Charlie.

A intimidade usada nas palavras de Baviera mostrava que aquele encontro não era tão casual e descartava a possibilidade dos dois terem se conhecido naquela noite. E a forma com que ela se referia a si mesma entregava a certeza que sentia de que Hilda também já havia ouvido falar sobre ela.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 583
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qui Set 22, 2016 12:10 am

A caneta marca-texto cor de rosa ficou suspensa na mão da loira quando Olga Sturm interrompeu a leitura de uma apostila e ergueu a cabeça, encarando a colega de apartamento como se Danika tivesse acabado de pronunciar as últimas palavras em um idioma estranho. A romena estava preparando o jantar enquanto Olga, sentada diante da bancada da cozinha, dividia sua atenção entre a matéria da prova do dia seguinte e a conversa com a amiga.

- Nada??? Como assim, você não disse nada??? Nada, nada, nadinha??? Ficou muda???

O comportamento teatral de Olga fez Danika girar os olhos e voltar a atenção para os pedacinhos de frango que ela cortava para servir no pratinho preparado para Lisbeth. Nika já se sentia arrependida por ter iniciado aquela conversa com Olga, mas Lehmann se sentia tão sufocada que até os conselhos malucos da amiga poderiam lhe ajudar.

- Eu disse que iria pensar e que teria uma resposta quando ele voltasse de Viena.

- Pensar em que, exatamente?

- Ora, Olga! Em tudo! É uma decisão muito importante! Há um ano eu nem conhecia o Benjamin. Acho que morarmos juntos talvez seja um passo muito precipitado.

- Nika. Como está claro que você não enxerga o óbvio, eu vou te contar como tem sido a sua vida nos últimos meses. – Olga fechou a apostila, mas continuou sacudindo a caneta no ar enquanto falava – Você e o Benji trabalham o dia todo. No final da tarde, vocês se encontram no restaurante e vão buscar a Lisbeth na creche. Você vem pra casa, o Benji para no terceiro andar, toma um banho e sobe para o quinto. Ele te ajuda a cuidar da Lizzie, vocês jantam juntos, ele lava a louça e depois vocês vão para a cama. No dia seguinte, vocês dois acordam, tomam café, deixam a Lizzie na creche e ele te dá uma carona pro trabalho. No fim de semana, vocês fazem piqueniques no parque, vão ao cinema, levam a Lisbeth na pracinha, abrem uma garrafa de vinho...

No meio do discurso de Olga, Danika virou-se novamente na direção da amiga, já prevendo como aquela história terminaria.

- Vocês já estão morando juntos, Danika. A mudança apenas livraria o coitado do Benjamin do trabalho de descer dois andares de escadas sempre que ele precisa buscar alguma peça no armário.

- Você sabe perfeitamente que isso vai muito além de dividirmos o mesmo espaço físico. Se nós dois morarmos oficialmente juntos...

- Vocês serão uma família de verdade. Você vai ter uma casa para chamar de sua e não mais um apartamento que divide provisoriamente com uma colega. Será a sua sala, o seu banheiro, a sua cozinha, o seu quarto.

Como conhecia a maior fraqueza de Danika, Olga conduziu a sua argumentação na direção de Lisbeth.

- A Lizzie vai ter o quartinho dela e não vai mais ocupar um berço espremido no canto de um quarto minúsculo. As roupinhas dela não precisarão ficar mais socadas no seu armário pequeno. Ela não vai ser enxotada da sala porque tem uma estudante idiota que precisa revisar a matéria da prova mais importante do semestre.

Sem dúvida, aquela mudança seria muito positiva na rotina da pequena Lisbeth. A garotinha ficaria muito mais confortável se dividisse uma casa apenas com Danika e Benjamin. A estrutura familiar também exerceria um papel importante na educação da criança. Mas Nika tinha muito medo de dar tudo aquilo à Beth e depois ter que tirar aquela felicidade da filha.

- O Benji e eu estamos juntos há menos de um ano, Olga! E se não der certo? Você não acha que a gente deveria esperar mais, se conhecer melhor?

- Não, não acho. Você já conhece o Benji. Ele é um cara sensacional que faz tudo por você e pela Lizzie. O Benjamin não merece a sua insegurança, Nika. É muito injusto que você não dê crédito a um cara como ele.

Aquela conversa deixava Danika tão atormentada que a romena deixou de lado as panelas com o jantar e sentou-se diante da amiga, encarando Olga com os olhos castanhos desamparados. Benjamin já havia partido para Viena há três dias e ainda não sabia ao certo quando voltaria. Nika estava morrendo de saudades, mas não tinha tanta pressa simplesmente porque ainda não havia decidido que resposta daria ao namorado sobre a proposta de morarem juntos.

- Se fosse só eu, Olga, eu aceitaria sem pensar duas vezes!

- Não é só você, a Lizzie tá na jogada também. Mas eu acho que isso só reforça a decisão de mergulhar de cabeça nesta ideia. Ela será a maior favorecida. Vai ter um espaço só dela, as coisinhas dela. – Olga fez uma pausa antes de tocar naquele assunto mais delicado – O papai dela.

Antes que Danika surtasse a loira ergueu o indicador num gesto que demonstrava que Olga ainda não havia finalizado o discurso.

- Ele estava presente quando ela falou as primeiras palavras e segurou as mãozinhas dela nos primeiros passos. O Benji troca fraldas e acorda de madrugada para esquentar mamadeira. Ele busca a Lizzie na creche, leva pra passear no fim de semana e pra brincar na pracinha. Você acha mesmo que a Lisbeth vai sofrer menos só porque não o chama de papai? Ele é o pai dela, independente da maneira como a Lizzie o chama. Então, amiga, já era. Se acabar, a Lizzie vai sofrer de qualquer forma. Então pare de surtar com isso e segure com firmeza as oportunidades que a vida está te dando, Nika.

Olga se inclinou sobre a bancada da cozinha até alcançar o celular que Danika deixara perto da pia. O aparelho foi oferecido à morena enquanto a loira completava.

- Não deixe o Benji dormir mais uma noite sem esta resposta. Ele não merece ser torturado.

A mão de Nika tremia um pouco quando ela respirou fundo e ligou para o número de Benjamin. O celular fora de área não a deixou preocupada e a romena facilmente concluiu que o namorado ainda deveria estar ocupado com o trabalho. O mais sensato seria retornar a ligação mais tarde, mas Lehmann teve medo de desistir se parasse para pensar por mais alguns minutos. Por isso, a resposta tão esperada por Benjamin veio através de uma mensagem de texto.

“Oi amor, eu te liguei e não consegui falar com você. Imagino que esteja ocupado e que vai chegar no hotel exausto, então não se preocupe em ligar de volta. Eu só queria dizer que está tudo bem por aqui e que estamos com muitas e muitas saudades.
Eu te amo.
PS.: Já tenho uma resposta para você: sim.”
avatar
Danika Lehmann

Mensagens : 109
Data de inscrição : 20/12/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: The Royals

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 5 de 12 Anterior  1, 2, 3, 4, 5, 6 ... 10, 11, 12  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum