The Royals

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The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Set 05, 2016 12:18 am

Localizada em uma região central da Áustria, a pequena cidade de Leoben definitivamente não costumava fazer parte do roteiro dos milhões de turistas que chegavam ao país todos os anos. Embora fosse uma cidade simpática, não havia ali grandes atrativos além de uma universidade localizada nas proximidades. Cortada por um rio, Leoben era o tipo de cidade que não abria muito as portas para a modernidade. Praticamente todas as construções na área comercial da cidade conservavam uma arquitetura antiga que contribuía para dar um ar mais charmoso ao local.


Apesar da intensa movimentação de jovens que frequentavam a universidade, Leoben era uma cidade tranquila, com índices de criminalidade praticamente nulos. Além da universidade, a economia local recebia uma contribuição importante de algumas indústrias, dentre elas a de maior destaque era uma montadora de automóveis.

Lukas Krauss não havia nascido em Leoben, mas desde que se mudara para aquela cidade o rapaz não pensava em construir o seu futuro em outro lugar. Sua infância conturbada em Viena fez com que Lukas nem cogitasse a possibilidade de retornar para a capital. Um arrepio de desgosto ainda se espalhava pelo corpo de Krauss sempre que ele se lembrava de que acordava às cinco da manhã e enfrentava a estressante rotina de uma viagem de metrô e mais quarenta minutos de caminhada para estar no colégio às sete e meia.

A aprovação na universidade de Leoben foi fruto de muito esforço. Filho único de uma mãe solteira, Lukas obviamente nunca teve acesso aos melhores colégios, tampouco tinha uma rotina que facilitava os estudos. A Sra. Krauss estava sempre trabalhando para pagar as contas e Lukas se via obrigado a ajudar nos cuidados com a casa para amenizar um pouco o cansaço da mãe. Não era raro que Hilda chegasse do consultório – no qual trabalhava como assistente de um dentista – e já encontrasse o jantar pronto, o banheiro limpo e as roupas lavadas.

O pai de Lukas sempre fora um assunto muito delicado na pequena família. Para todas as outras pessoas, Hilda dizia que o marido havia falecido antes mesmo do nascimento do filho. Mas o excesso de questionamentos do garoto obrigou a mãe a lhe dizer a verdade – ou parte dela – quando Lukas ainda era uma criança. O pai dele ainda estava vivo e sabia de sua existência, mas simplesmente não tinha o interesse de encaixar Lukas em sua vida. Era um homem casado, que tinha outros filhos e, segundo Hilda, tinha uma reputação a zelar.

A revolta típica da adolescência fez com que Lukas infernizasse a vida da mãe por uma resposta mais direta. Ele queria saber quem era o pai, queria que Hilda jogasse toda a merda num ventilador. Para Lukas, não fazia nenhum sentido preservar a reputação de um homem que nunca assumira as suas responsabilidades como pai. Mas, mesmo diante de toda aquela crise, Hilda nunca revelou o nome do antigo amante.

O mistério e o receio que a mãe demonstrava em revelar o nome do pai fizeram com que Lukas desconfiasse que se tratava de uma pessoa pública. Mas ele realmente não fazia ideia se seu pai era um artista, um político, um jornalista, um atleta... Hilda sempre tivera uma vida pacata e discreta, era muito difícil imaginar que um dia o caminho da mãe se cruzara com o de um homem importante.

Com o passar dos anos, Lukas amadureceu a ideia de que não precisava daquela revelação para ser feliz. A mãe nunca deixou que nada faltasse em casa e sempre o cobriu com o carinho que ele não podia esperar de um pai ausente. Agora, a vida universitária em Leoben ocupava tanto a mente de Krauss que ele praticamente nem se lembrava mais de que seu pai biológico ainda estava por aí.

- E aí. Alguém mais ligou?

O colega de quarto de Lukas terminou de fechar a mala antes de se voltar para o outro rapaz. Franz e Lukas dividiam aquele pequeno apartamento desde que Krauss chegara a Leoben, no ano anterior. Mas, como já estava na universidade há mais tempo, Franz havia se formado no último mês e agora partiria para um emprego muito bem remunerado em uma empresa alemã. Como Lukas não tinha a menor condição de pagar todas as contas com a grana que ganhava em seu estágio remunerado e com o dinheiro que a mãe eventualmente lhe mandava, o quarto de Franz foi anunciado nos murais da universidade. Alguns interessados já tinham surgido, mas foram uma sucessão de fracassos.

- Não. O último cara foi aquele que me perguntou se tinha algum problema ele vender maconha no prédio.

- Um excelente candidato. – Franz ergueu o polegar e soltou uma risada debochada – Você está sendo muito exigente, Luke. Eu teria aceitado tranquilamente, desde que ele me fizesse um desconto legal.

Os olhos castanhos giraram, mas Lukas também acabou rindo da brincadeira. É claro que ele e Franz manteriam uma amizade apesar da distância, mas ainda assim não seria uma despedida fácil. Seria muito complicado encontrar alguém que substituísse Franz à altura. Além de pagar todas as contas em dia e nunca ter causado nenhum problema no prédio, Franz era um amigo de verdade e os dois já tinham uma rotina muito bem estabelecida, tanto de obrigações quanto de lazer. Krauss tinha certeza de que seu novo colega de quarto não encararia com tanta animação as “quintas-feiras de pizza”.

- Relaxa, Luke, logo vai aparecer alguém. Mês que vem começa um novo semestre e a cidade vai encher de calouros que ainda não tem um lugar pra ficar. Eu já deixei o aluguel deste mês acertado, então você não precisa se preocupar. Eu vou sentir falta daqui. Foram três anos excelentes.

- Deixa de ser hipócrita, Franz. Você nem vai se lembrar de Leoben quando estiver nadando na grana em Berlim.

- É, tem toda razão. – Franz moveu a cabeça afirmativamente – Se eu ainda me lembrar de você no mês que vem, te mando uma foto da hidromassagem na minha cobertura.

Os dois rapazes riram antes de se despedirem com um abraço. Lukas acompanhou o colega até a calçada e acenou antes que o carro de Franz sumisse de vista. Ali estava mais um problema, Krauss não teria mais um carro disponível. O prédio onde ele morava ficava muito próximo da universidade, mas distante do centro da cidade. Lukas já teria que acrescentar em suas contas uma pequena fortuna de táxis sempre que precisasse ir ao centro para resolver alguma coisa.

O trajeto da calçada até o terceiro andar foi feito pelas escadas. Havia um elevador no prédio, mas depois de ficar preso dentro dele mais de três vezes, Krauss quase sempre optava pelo caminho mais seguro até o seu apartamento.

O apartamento era muito pequeno. Além dos dois quartos, havia um único banheiro e uma bancada dividia o cômodo restante em sala e cozinha. Mas o espaço parecia um pouco maior agora que Franz levara suas coisas. O silêncio parecia muito incômodo agora que o colega não estava mais andando pela casa e reclamando do excesso de provas e trabalhos do último ano da faculdade, mas Lukas não conseguia decidir se era melhor ficar sozinho ou arriscar a sorte com um novo colega de apartamento.

O valor da conta de luz que Krauss deixara na mesinha de centro da sala fez com que o rapaz não tivesse nenhuma dúvida de que precisava de alguém que lhe ajudasse a pagar as despesas. Urgentemente.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Set 05, 2016 1:50 am

- Benjamin!!! Benjamin, volte já aqui!!!

Uma gargalhada ecoou pelos corredores, mas Benjamin não parou. Quanto mais a mulher atrás dele implorasse, maior se tornava a distância entre os dois. O menino de apenas dez anos era baixinho para a idade, mas tinha pernas ágeis e conhecia cada centímetro daquele palácio.

- Vossa alteza, por favor!!!

A mulher parou quando viu Benjamin alcançar o final do corredor, apoiou as mãos nos joelhos e tentou controlar a respiração entrecortada. Ela não tinha mais idade para aquela correria, mas se a rainha descobrisse que o príncipe havia fugido mais uma vez das aulas de equitação, certamente iria perder o emprego. Era a terceira vez naquele mês, mas não havia muito que a velha Johanna pudesse fazer quando o futuro rei da Áustria simplesmente resolvia brincar de pique-esconde pelo palácio.

Quando dobrou o corredor e fugiu do campo de visão da babá, Benjamin empurrou a parede sob um dos quadros e o que parecia ser inteiramente sólido se deslocou para o lado, abrindo uma passagem pelos túneis que se cruzavam por dentro das paredes do palácio.

Os túneis normalmente eram pouco iluminados, mas Benji já sabia exatamente onde cada um dos caminhos levava, então não foi nenhuma surpresa quando, minutos depois, ele se viu sozinho no grande escritório do pai.

A lareira estava acesa, mas a janela aberta mostrava um céu limpo lá fora. As paredes eram cobertas de livros do chão ao teto e sobre a lareira, duas grandes espadas eram exibidas. Benji se lembrava das tantas vezes que quisera aquelas espadas para brincar, mas o rei o impedia, emendando na história de que aquelas espadas haviam sido presentes de um velho amigo sheik e não deveriam estar nas mãos de uma criança.

Naquele dia, entretanto, não havia sinal de nenhum adulto por perto para impedi-lo de concluir seu objetivo. Os grandes olhos azuis de Benjamin brilharam quando ele parou diante da lareira. Todo o seu rosto estava iluminado e ele quase podia sentir o peso da espada em suas mãos quando as vozes no corredor interromperam seu plano.

A passagem que dava acesso aos túneis ficava do outro lado do cômodo, mas as vozes estavam perto demais, indicando que estariam no escritório a qualquer minuto. Não havia tempo para ele fugir e provavelmente ficaria de castigo o resto do ano, além de ser obrigado a ir nas malditas aulas com aqueles cavalos fedidos. Foi com um estalo e no último segundo que Benjamin encarou as pesadas cortinas verdes como sua salvação.

O príncipe herdeiro do trono da Áustria era magrelo e era o menor de sua turma, de modo que o tecido grosso foi facilmente capaz de lhe esconder antes que a Rainha Helena e o Rei Cristoph entrassem no escritório, fechando a porta atrás de si.

- Você prometeu que nunca mais tocaria nesse assunto, Cristoph. Tem noção do quanto isto é humilhante pra mim?

- Não seja exagerada, Helena. Você não é tão vítima quanto se faz parecer...

Cristoph deu a volta na mesa e se sentou na costumeira cadeira vermelha, puxando uma pilha de papéis para perto de si.

- Ah, não? – A mulher soltou uma risada sarcástica, mas se manteve de pé, andando de um lado ao outro. – Se aquela mulher aparecer aqui outra vez, Cristoph, eu juro que...

- Jura o quê? – Cristoph ergueu os olhos dos papéis e encarou a esposa. – O que pretende fazer, Helena? Vai pedir o divórcio? Vai expor esta família inteira? E também vai abrir mão da sua coroa?

Helena se calou e baixou o olhar para o carpete, sem uma resposta. É claro que ela não faria nada para expor a própria imagem. Seria humilhante demais que o mundo descobrisse que o marido havia não só tido uma amante, como gerado um filho fora do casamento.

Os Kensington se orgulhavam não só pelo sangue azul e pela importância na história da Áustria. Eles também faziam um grande esforço para estar fora dos tabloides. Não havia um único jornalista que tivesse algo podre a dizer sobre a família real e não seria uma crise de ciúmes que a faria destruir aquele legado.

- Foi o que imaginei. – Cristoph soltou um longo suspiro e massageou a têmpora enrugada. – A criança só estava doente, Helena. O valor que dei a ela é ridiculamente inferior a qualquer um dos seus vestidos, eu sinceramente não sei do que você está se queixando.

- A criança? – Helena voltou a rir, assumindo a postura hostil de antes. – Você nem ao menos tem coragem para dizer, não é? O seu filho, Cristoph. O seu precioso filho com aquela vadia.

- Olha a boca, Helena! Francamente, você realmente não nega as suas raízes, não é? Preciso te lembrar mais uma vez que você é uma rainha agora? Este linguajar não é apropriado.

- E é apropriado ter filhos por aí? Quantos outros irmãos o Benji tem, Cris? Você ao menos consegue contar?

Um novo suspiro escapou pelos lábios de Cristoph e ele apoiou os cotovelos sobre a mesa, escondendo o rosto nas mãos. O rei estava claramente esgotado com aquele assunto. Odiava a forma com que Helena sempre o lembrava daquela traição.

Apesar de admitir seu erro, ele não era tão promiscuo quanto a esposa gostava de fazer parecer. Hilda Krauss havia sido a única mulher em sua vida além da rainha e mesmo com todas as obrigações e responsabilidades de um rei, era nos braços dela que Cristoph se esquecia de quem era, sendo apenas feliz.

Quando Hilda apareceu grávida, o mundo de Cristoph desabou. Ele não poderia simplesmente aceitar um filho sem expor todo o seu reinado. Seria um escândalo e nenhum deles jamais teria paz. Benjamin cresceria rodeado de fofocas e o bebê de Hilda seria o filho bastardo do rei.

Como jamais poderia assumir aquela paternidade, Cristoph não poupou esforços para que Hilda pudesse ter todo o conforto para o resto dos seus dias. Ela e o filho teriam tudo que quisesse, mas é claro que Krauss não aceitou. Desde o começo, ela havia mostrado que não era no seu título ou no seu dinheiro que estava interessada.

Quando Hilda apareceu na noite anterior implorando por ajuda para o filho doente, Cristoph se mostrou verdadeiramente surpreso. Mais uma vez, ele tentou oferecer o mundo para a ex-amante, mas a mulher não aceitaria nada mais do que o necessário para as despesas médicas do filho.

- Eu sei contar, Helena. – Cristoph ergueu a mão, mostrando um dedo no ar. – Benjamin.

- E quanto ao Lukas? É esse o nome, não é? Foi o nome que ela usou ontem.

- O que você quer que eu faça? – O rei se exaltou, se levantando na cadeira para enfrentar a mulher. – Quer que eu mate o garoto? Eu não sou um assassino, Helena! Você é? Teria coragem de matar o irmão do Benjamin?

A menção do seu nome fez o menino se encolher por trás das cortinas. Ele nunca havia visto o pai tão furioso. Helena era sempre muito séria e exigente, mas Cristoph era bondoso, lhe dava toda a atenção do mudo e jamais havia alterado a voz na sua frente.

- Eu não estou falando disso, Cristoph, por Deus! – A mulher soltou um soluço e tocou o próprio ventre. – Eu só quero ter certeza que você não vai amar o filho dela mais do que ama os meus.

Pela primeira vez naquele dia, o rei ficou sem palavras. Ele desceu os olhos para as mãos da mulher, o queixo caído.

- Você está grávida. – Ele concluiu, sem mais forças para continuar brigando.

Benjamin tinha apenas dez anos, mas se lembrava daquela cena com perfeição. Ele também se lembrava de ter questionado os pais algumas vezes depois sobre a existência de Lukas, mas nenhum dos dois jamais admitiu a história que o menino ouviu por trás da cortina. Quando ele insistia, Helena sempre desconversava, dizendo que ele havia interpretado errado a notícia sobre a irmãzinha que estava a caminho.

Amelie nasceu alguns meses depois e se tornou o xodó do irmão mais velho. Não havia nada no dia de Benjamin que ele fizesse sem pensar na irmã. Mas por mais que amasse a pequena princesa de grandes olhos azuis, ele não conseguia esquecer a briga dos pais naquele escritório.

Quando completou quatorze anos, tudo que Benjamin fazia era para chamar a atenção dos pais. E se o pai realmente tivesse outro filho? E se amasse Lukas mais do que amava ele e Amelie? Benji tinha pesadelos de que um dia o rei iria coloca-los para fora do palácio, cansado dos gastos excessivos da rainha, das rebeldias do primogênito e dos mimos da caçula, e diria ao mundo que ele tinha apenas um filho.

Quanto mais pensava naquilo, mais Benjamin se tornava um adolescente complicado. Os tabloides que eram tão evitados começaram a noticiar as aventuras do futuro rei, mesmo antes de completar quinze anos. A vez em que ele colocou fogo na escola durante um “experimento científico”, ou quando soltou todos os cavalos do aras simplesmente porque não queria participar da aula. Durante um baile de máscaras no palácio, Benji batizou os drinques com uma exagerada dose de laxante, o que causou um tremendo desastre aos convidados antes que a noite terminasse.

As travessuras que pareciam de um menino mimado chegaram ao limite quando o jovem príncipe conseguiu furtar a cobiçada espada do escritório do pai. Exatamente como o rei já havia lhe informado, a arma era pesada demais para suas mãos sem treinamento e, em um desequilíbrio, um profundo corte foi feito no abdome de Amelie.

A irmã, que era sua paixão, passou a noite aos cuidados de um médico e teve como resultado uma cicatriz na altura das costelas. Benjamin se culpou por meses e chorou com medo do que poderia ter acontecido a irmã, mas nem mesmo o seu remorso foi suficiente para poupá-lo do castigo.

Com medo de que seu comportamento pudesse trazer desgraças ainda maiores para a família, o rei e a rainha chegaram ao acordo de que Benjamin deveria ser afastado de Viena. O internato ao leste da Áustria nunca foi revelado à mídia, assim como nenhum outro meio de comunicação voltou a trazer notícias sobre o futuro rei.

Com o tempo, Benjamin entrou no esquecimento da mídia e adotou o internato como sua nova casa.

Dez anos haviam se passado e eram as montanhas do leste austríaco que Benji conhecia tão bem. O internato que se prolongou também em seu treinamento militar era tão grande e cheio de riquezas quanto um palácio, mas como um futuro rei, ele sabia que sua casa em Viena era ainda mais cheia de ouros.

O vento frio deixava sua pele ressecada e ele estava se encolhendo no sobretudo negro. Mesmo com o sol forte no céu, a temperatura era baixa e em breve seus lábios também começariam a ficar rachados.

- Vossa alteza.

Benji se virou para encarar o ruivo ao seu lado e abriu um sorriso divertido ao reconhecer o guarda-costas. Marcus estava ao seu lado há quase cinco anos, mas os dois basicamente se viam durante as férias quando o internato o liberava para passear com a irmã.

- É lógico que você já estaria aqui, Marcus. Aceita uma cerveja?

- Estou a trabalho, não posso beber.

Uma risada escapou dos lábios do príncipe e ele balançou a cabeça, mas deu um gole em sua própria cerveja enquanto admirava o rio que corria há poucos metros. Não haviam muitos rios no leste, de modo que Benjamin estava encantado com a forma que o sol refletia nas águas do principal rio de Leoben.

- É claro que não. Um café, então?

Marcus continuou parado, tenso como sempre ficava a serviço. Mas sua atitude não intimidou o príncipe a acenar para a garçonete e pedir um café.

- Marcus, apenas lembrando, nada de Vossa Alteza aqui, hm?

- Como devo chamar o senhor? – Marcus franziu as sobrancelhas ruivas, parecendo enfrentar um duelo interno.

- Que tal só Benji?

O príncipe voltou a exibir um sorriso, mostrando as belas feições. Definitivamente, o menininho magrelo de quinze anos atrás não existia mais. Benjamin havia se transformado em um homem alto, forte e incrivelmente atraente. Qualquer um poderia notar seus traços aristocráticos, mas eram os olhos que arrancavam o ar de qualquer mulher que cruzasse seu caminho.

- Descobriu mais alguma coisa? – Benji perguntou depois de terminar de beber a própria cerveja.

A tarefa de Marcus deveria apenas protege-lo de qualquer eventualidade. Mas os cinco anos de cumplicidade transformaram o ruivo também em um bom amigo. E foi na amizade que o futuro rei da Áustria pediu para que o rapaz o ajudasse na investigação sobre Lukas.

Os anos afastados da família permitiram que Benjamin refletisse sobre seu comportamento e deixasse para trás o moleque rebelde que fazia de tudo para chamar atenção. Mas nada parecia ser capaz de fazê-lo se esquecer da existência de um irmão.

No começo, tudo que ele tinha era o nome que ouvira da mãe, quando tinha dez anos de idade, e sequer sabia se sua memória não falhava. Com a ajuda de Marcus, Benji descobriu o passado do pai até chegar no nome completo. Lukas Krauss. Descobrir que o suposto filho do rei não só existia, como também tinha um endereço completo, fez com que o príncipe pisasse em Leoben pela primeira vez.

Para os pais, ele ainda tinha alguns meses no internato antes de voltar para Viena, de modo que ninguém no palácio fazia ideia de que o futuro rei já havia deixado o leste para aquela cidade simpática e cheia de universitários.

- Ele está procurando um colega de quarto.

Marcus colocou sobre a mesa um jornal, e nos classificados, um anúncio circulado em destaque. Benjamin já havia decorado o endereço de Lukas para saber que aquele anúncio fazia referência à residência do irmão.

- Ótimo. Então eu já sei exatamente o que fazer.

O guarda-costas arqueou as costas, claramente surpreso ao entender as palavras do príncipe.

- Vossa alteza não está planejando ficar, está?

- Vossa alteza não existe. – Benji o corrigiu, olhando rapidamente ao redor para se certificar de que ninguém havia ouvido. – E sim, eu vou ficar. Preciso saber quem ele é, Marcus.

- Lukas Klauss. Eu já descobri isso para o senhor. – A expressão do ruivo ainda era de confusão, mas Benji não esperava que ele fosse compreender.

Ele precisava saber que tipo de pessoa Lukas era. Se sabia de toda a verdade, se tinha algum interesse no trono ou se apresentava algum risco para ele e Amelie. Acima de tudo, era impossível negar a si mesmo que tinha curiosidade em saber quem era o outro filho do rei.

- Você foi um ótimo amigo, Marcus. Agora é comigo, está bem?

Benjamin se levantou e ajeitou o sobretudo. Não havia necessidade de pagar a conta, aquele era o trabalho de Marcus. Porém, antes que ele se afastasse demais, a voz do ruivo voltou a soar.

- A senhorita Baviera ligou mais de dez vezes. O que devo dizer a ela?

Um suspiro escapou pelos lábios de Benji e ele passou as mãos pelos cabelos escuros. Sob a luz forte do sol, alguns fios brilhavam quase loiros em meio ao castanho.

- Diga à Charlie que eu vou procura-la quando for a hora, está bem, Marcus? Só não diga a ela que eu estou aqui.

- Mas ela também sabe que o senhor não está no St. Michals.

O internato St. Michals havia sido onde Benjamin conhecera Charlotte Baviera, mas a preocupação em conhecer o irmão não deixara que Benjamin se preocupasse em avisar a namorada que se ausentaria pelos próximos meses.

- Eu cuido da Charlie depois.

A cidade de Leoben era ainda mais agradável do que Benji esperava. O caminho do pequeno pub até o endereço de Lukas era feito de paralelepípedo, sempre sendo rodeado pelo rio. O prédio pequeno que ele finalmente chegou era diferente de tudo que o futuro rei já havia entrado, mas Benji não se intimidou em usar o elevador até o terceiro andar.

Naquela tarde, ele tivera o trabalho de trocar as roupas caras que sempre usava por trajes mais antigos e simples e Benji quase se encaixava naquele lugar, se não fosse pelo seu olhar curioso com tudo ao redor.

A campainha foi tocada e ele aguardou com ansiedade até que o rosto de um rapaz entrasse em seu campo de visão. Mesmo com a diferença gritante entre os dois, Benji imediatamente reconheceu traços de Cristoph no homem a sua frente.

- Lukas? Lukas Krauss? Estou aqui pelo quarto vago.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Seg Set 05, 2016 2:18 am

- AH, MEU DEUS! CHAMA O FRANZ AGOOOOORA! VOCÊ VAI INUNDAR A COZINHA, NIKAAA! EU NÃO SEI NADAR!

O grito histérico da amiga fez com que Danika desistisse de tentar resolver aquele problema sozinha. Por mais que odiasse a sensação de que dependia de um rapaz para resolver aquela tragédia, era tolice continuar insistindo em consertar uma torneira quebrada sem nenhuma ferramenta. Elas não precisavam especificamente de Franz. Precisavam das chaves de fenda, martelos e parafusos que Franz sabia usar.

- Eu já volto!

Antes de sair correndo pela cozinha molhada, Danika fechou o registro da torneira quebrada para evitar que a água continuasse esguichando em todas as direções. Lehmann estava completamente encharcada quando chegou ao corredor do quinto andar, mas ela não se importou com a própria aparência enquanto descia rapidamente as escadas que a levariam até o apartamento de Franz e Lukas.

O vestido xadrez estava colado ao corpo dela, revelando curvas que a maior parte das mulheres austríacas não possuíam. Os cabelos escuros, os olhos castanhos e os traços incomuns também não escondiam que Danika não havia nascido na Áustria. Um bom observador notaria sinais de que Lehmann pertencia ao Leste Europeu, mas somente uma pessoa muito detalhista conseguiria notar que o discreto sotaque que a morena usava em seu alemão vinha da Romênia.

Assim como vários romenos, Danika havia se mudado para a Áustria em busca de uma vida melhor e das oportunidades oferecidas por um país mais desenvolvido. Contudo, Lehmann ainda era muito jovem e imatura quando deixou a casa dos pais para seguir aquele sonho. Uma sucessão de erros tiraram Danika do caminho vitorioso que ela traçara para si e acabaram transformando-a em mais um número que engrossava a porcentagem de nascidos no Leste Europeu que ocupavam subempregos na Europa Ocidental.

Apesar da radical mudança nos planos, Lehmann agora encarava a vida de frente. Seus dois empregos eram suficientes para que ela pagasse as contas e tivesse uma vida razoavelmente confortável. Durante todo o dia, Danika trabalhava como garçonete em um restaurante próximo à universidade. Em noites alternadas, ela completava seu orçamento trabalhando de casa, como atendente online em um site de vendas de livros.

Dividir um apartamento havia sido a maneira mais prática de sair de um bairro periférico em Viena para ter uma vida mais confortável no interior. A oportunidade de um emprego na filial do restaurante em Leoben caíra no colo de Danika como uma benção que a tirou da capital tumultuada. Ela e Olga tinham personalidades opostas e não poderiam ser mais diferentes, mas era impressionante como as duas se entendiam bem. Hoje em dia, Lehmann encarava a estudante de Arquitetura como uma grande amiga.

Como aquela seria uma de suas noites de folga, Danika havia se arriscado na cozinha. Quando chegou à Áustria, o plano inicial da romena era ingressar num curso de alta gastronomia. Lehmann sabia que ainda teria um longo caminho a percorrer, mas imaginava que tinha chances de se tornar uma grande chef no futuro. Por isso, era deprimente passar todo o dia carregando uma bandeja quando o real desejo dela era estar dentro da cozinha de um restaurante renomado.

Mas o destino não quis que Danika cozinhasse nem mesmo naquela noite de folga. A torneira, que já estava meio frouxa na pia há alguns dias, resolvera que era um bom momento para terminar de se soltar. Nika até tentara resolver o problema sozinha, mas os berros de Olga a trouxeram de volta à realidade. Ela precisava, no mínimo, de uma chave inglesa. E o único vizinho que Lehmann sabia que possuía uma caixa de ferramentas era Franz Von Hants.

Algumas gotinhas de água ainda pingavam dos cabelos castanhos de Danika quando ela deu três batidas na porta do apartamento 303. Suas sobrancelhas finas franziram com a demora e ela estava quase recuando de volta ao próprio apartamento quando a maçaneta finalmente girou. Ao invés de Franz, foi o rosto de Lukas que surgiu no corredor.

- Oi, Luke. – Lehmann saudou o rapaz com um sorriso gentil. Ela tinha uma voz doce e um timbre gostoso, além do discreto sotaque que tornava o seu alemão menos ácido.

- Ahn, oi... – Lukas a olhou de cima a baixo – Está tudo bem, Nika?

O gesto dele fez com que Danika olhasse para o próprio corpo, completamente encharcado depois do acidente com a torneira. Os cabelos castanhos estavam meio desgrenhados e ela havia quebrado uma das unhas enquanto tentava enfiar a torneira de volta em seu lugar.

- Tô ótima, apenas sofri um acidente com uma torneira rebelde. O Franz tá por aí? Preciso das ferramentas dele. – Nika deixou o orgulho de lado ao confessar – E das mãos dele também.

- O Franz foi embora hoje, Nika. E levou as ferramentas.

- Ah, não! É verdade, ele se despediu da gente! Mas eu achei que ele só iria em definitivo na semana que vem. – a garota fez um biquinho antes de soltar um suspiro desanimado – Mas ok, obrigada mesmo assim, Luke. Eu vou falar com a Olga e amanhã a gente dá um jeito de chamar alguém pra consertar aquela bagunça.

Danika havia dado apenas dois passos na direção das escadas para o quinto andar quando Lukas chamou pelo nome dela. A romena se virou e o rapaz ainda fez uma pausa insegura antes de completar.

- Eu não tenho uma caixa de ferramentas completa como a do Franz, mas tenho uma chave inglesa que uso pra trocar o chuveiro... Não prometo nada, mas posso tentar ajudar vocês. Vou subir em dois minutos, ok?

- Nossa, Luke, você vai salvar o dia! Obrigada! Muito obrigada mesmo!

Krauss esperou que a vizinha sumisse de vista nas escadas para retornar à sala. A entrevista com o novo candidato à vaga de colega de apartamento ainda nem havia começado, mas aquela era uma oportunidade imperdível. Lukas cruzou a sala até pegar a chave inglesa que guardava numa das portas do armário. A ferramenta foi mostrada para Benjamin e o rapaz acrescentou com um sorrisinho.

- Você vai ganhar muitos pontos se me ajudar nisso, cara. A Olga é uma gata, eu não posso perder esta chance!
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Set 05, 2016 3:09 am

Olga Sturm havia feito o coração de Lukas bater mais rápido desde a primeira vez que os dois se viram, num dos tantos prédios da universidade de Leoben. Ela cursava Arquitetura enquanto o rapaz estava no segundo ano de Economia, então não era comum que eles frequentassem as mesmas aulas. Por isso, foi uma agradável surpresa descobrir que a bela loira morava no mesmo prédio que ele.

Nunca havia acontecido nada entre eles além da convivência cordial entre bons vizinhos. Franz vivia incentivando o amigo a tomar uma iniciativa, mas a grande verdade era que Luke não estava muito certo de que seria uma boa ideia. Ele se sentia intimidado pela beleza de Olga e pelo fato da garota vir de uma família rica. Krauss não acreditava que pudesse ter uma chance com uma menina tão perfeita sendo um cara comum, um calouro que não conseguia pagar as próprias contas, que não tinha um carro para levá-la para passear. Luke não tinha sequer um sobrenome paterno em sua carteira de identificação.

Mas naquela noite ele não queria perder a chance de impressionar Olga. Se consertasse a tal torneira quebrada, talvez pudesse fazer com que a garota o notasse. Lukas não fazia a menor ideia de como faria para consertar uma torneira, mas ele estava disposto a entrar naquele apartamento com a postura de um especialista. Franz adorava consertar coisas e Krauss já vira o amigo fazer aquilo um milhão de vezes. Não deveria ser tão difícil.

- Olha só, Benjamin...

O rapaz segurou a porta enquanto esperava que Benjamin a atravessasse. O sorriso divertido de Lukas não escondia o quanto ele estava empolgado com aquela oportunidade.

- Vou te confessar que eu não tenho a mais remota noção do que estou fazendo, nunca consertei uma torneira antes. Mas o Franz, o meu amigo que se mudou, ele era muito bom neste tipo de coisa. Estou confiando que saberei repetir os passos dele.

Embora não tivesse tido muito tempo para conversar com o novo candidato ao quarto vago, Lukas havia se afeiçoado a ele. Benjamin parecia ser um pouco mais velho e provavelmente estava na cidade a trabalho. O fato de não ser um estudante não fazia muita diferença para Krauss. Desde que fosse um rapaz responsável e que se comprometesse a seguir as regras do prédio, ele tinha tantas chances quanto qualquer outro.

- É aqui.

Os olhos castanhos de Lukas, idênticos aos de Hilda, pousaram no número 502 antes que ele batesse na porta. A mesma voz feminina que Benjamin escutara no terceiro andar autorizou a entrada antes que Krauss girasse a maçaneta e entrasse no apartamento das garotas. Os dois apartamentos tinham exatamente o mesmo tamanho, mas é claro que as meninas mantinham as coisas mais organizadas. Os móveis delas eram mais novos e a decoração contribuía para deixar os cômodos mais amplos e mais claros. A sala estava impecavelmente arrumada, mas o caos havia se instalado na cozinha.

Uma enorme poça de água cobria todo o piso azulejado. As manchas nas paredes e no teto mostravam que a água havia esguichado longe antes que elas tivessem a brilhante ideia de fechar o registro. A torneira de metal estava caída dentro da pia e não parecia quebrada, provavelmente eram somente os parafusos que tinham se soltado. Algumas panelas tinham caído no chão no meio da confusão e a carne vermelha abandonada em cima da mesa indicava qual seria o cardápio do jantar daquela noite.

- Ah, que bom que você chegou, Luke!

Em cima de um dos bancos altos que rodeavam a bancada, Olga estava ajoelhada e mantinha os pés descalços longe da água que se espalhava pelo chão da cozinha. Lukas tinha os seus motivos para querer uma chance com ela. Sturm possuía uma beleza clássica com seus cabelos loiros e lisos, os olhos profundamente verdes, os traços delicados e o corpo magro.

- E aí, Olga? A Nika está aprontando de novo?

- Isso foi quase uma tentativa de homicídio. Eu não sei nadar. – Olga deixou a brincadeira de lado ao notar que o vizinho não estava sozinho – E quem é esse aí?

- É o Benjamin. Ele está interessado no quarto do Franz, eu estava fazendo a entrevista quando a Nika me chamou. Nika, você vai se machucar aí, solta isso!

Lukas se adiantou alguns passos, pisando no chão molhado com seus tênis velhos. O rapaz retirou das mãos da segunda menina a faca que Danika tentava improvisar como ferramenta para apertar um dos parafusos soltos.

Ao contrário de Olga, Danika não parecia preocupada em não se molhar. Ela já estava encharcada dos pés à cabeça, o que deixava seus cabelos castanhos colados no rosto. Embora não fosse tão chamativa quanto a amiga, Danika tinha uma inegável beleza. Os olhos castanhos eram expressivos, os cílios eram naturalmente alongados, ela tinha traços delicados e um sorriso gentil. Toda aquela beleza combinava perfeitamente com a voz doce que soou na cozinha.

- Você estava ocupado? Eu não queria te incomodar, Luke. Só desci porque a Olga começou a berrar como uma louca. Estava tudo sob controle.

- Sob controle do Aquaman. – Olga rebateu – Estávamos quase submersas aqui! E você Benjamin? Você tem sobrenome ou alguma habilidade com ferramentas? Qualquer um dos dois serve neste momento.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Set 05, 2016 3:18 am

A taça cortou o ar cruzando a sala até se espatifar contra a parede oposta. O líquido vermelho imediatamente começou a escorrer até entrar em contato com a tapeçaria, manchando o tecido caro com o vinho.

- VOCÊ TÁ MALUCA, CHARLIE???

- Eu juro por Deus que eu vou arrancar a cabeça do Benjamin!

Os cabelos escuros balançaram quando Charlotte Baviera girou sobre os calcanhares, andando de um lado ao outro da enorme sala. As janelas não eram muito largas, mas ocupavam do chão ao teto. As cortinas estavam jogadas para o lado, permitindo que a luz do sol entrasse e iluminasse o interior luxuoso e fazendo os fios negros brilharem, mostrando que eram bem tratados e estavam muito sedosos.

- Eu tenho quase certeza que ameaçar o futuro rei da Áustria pode ser considerado como traição, Charlie!

Ao contrário de Charlotte, Marie Price tinha os cabelos loiros e belos olhos azuis. Seu nariz arrebitado combinava com perfeição com seus traços delicados e ela parecia uma delicada boneca, mesmo com a expressão apavorada diante da fúria da melhor amiga.

A herdeira dos Baviera era baixinha, com quase um palmo de diferença de Marie. Seus cabelos negros alcançavam a metade das suas costas e eram inteiramente lisos. As sobrancelhas grossas tinham exatamente a mesma cor dos fios de sua cabeça e emolduravam lindos olhos verdes. Cada traço de Charlie contribuía para uma aparência delicada e os lábios, embora sempre pintados, eram naturalmente rosados.

A pele de Charlotte era branca e delicada, mostrando que nos seus anos de internato, ela raramente pegava sol. O que a menina sempre se empenhava para esconder era a marca de nascença em sua barriga. A pinta marrom era quase do tamanho de uma moeda, mas para Charlie, era uma mancha na sua aparência que ela tanto se empenhava para ser perfeita.

- Bom, considerando que eu serei a rainha da Áustria, é só uma ameaça ao meu futuro marido.

Charlie bufou e se jogou sobre o sofá, buscando novamente o celular em sua bolsa. Mais uma vez, o telefone de Benjamin foi discado, mas imediatamente a voz mecânica da secretaria atendeu, indicando que o aparelho continuava desligado.

- Tecnicamente, o Benji não te pediu em casamento ainda.

O olhar mortal que a morena lançou na direção da melhor amiga fez com que Marie imediatamente se arrependesse do comentário.

Charlotte e Benjamin namoravam, entre idas e vindas, há quase dez anos. Era comum que o casal brigasse, terminassem e ficassem separados por alguns meses. Benji arrumava a namorada da vez, até se cansar e voltar para os braços de Charlie.

Embora fosse extremamente cansativo, Charlotte já havia se acostumado com aquelas pausas no relacionamento e sabia que independente do que acontecesse, Benjamin estaria de volta. O ciclo vicioso que os dois haviam criado já se tornara uma rotina que sequer permitia a herdeira dos Baviera refletir sobre os seus sentimentos. Ela estava acostumada a ter Benji em sua vida e com a ideia de ser rainha um dia, mas há muito tempo havia parado de pensar sobre o que realmente sentia por ele.

Diferente de qualquer namorada que o herdeiro do trono já tivesse tido, Charlie sabia que era diferente. Os anos ao seu lado permitiram que Benji aprendesse a confiar nela e a compartilhar as suas frustrações. A menina já havia ouvido diversas histórias sobre a família real, as travessuras do menino que o levou até o internato, e os sonhos e receios de um dia ser rei.

Apesar de toda a intimidade, Benjamin só havia mencionado o irmão bastardo uma única vez. Durante uma bebedeira clandestina dos adolescentes mais ricos da Áustria, bem longe das câmeras dos paparazzi, Benji confidenciou à namorada, em meio aos lamentos, que havia um filho do rei perdido no mundo.

A revelação havia chocado Charlie, mas ela nunca mais havia tocado no assunto, nem mesmo quando Benji acordou sóbrio e de ressaca no dia seguinte. Como o namorado também nunca mais havia mencionado aquele bastardo, a menina logo deduziu que era um assunto enterrado.

Apesar da futilidade, das brigas constantes e da ausência de sentimentos no relacionamento, Charlotte sabia ser fiel e sabia que, como futura rainha, aquele seria apenas um dos segredos que ela deveria guardar.

Os Baviera deixariam como herança para sua única filha um cartel de diamantes. Dinheiro nunca havia sido um problema para Charlotte, mas ela precisava admitir que o título de rainha fazia seus olhos brilharem.

- É questão de tempo. – Charlie respondeu, aparentemente mais calma.

- E ele simplesmente sumiu?

Marie se aproveitou para se aproximar da amiga, sentando no sofá em frente. Embora as aulas tivessem chegado ao fim, os alunos tinham total liberdade para continuar no internato pelos meses seguintes.

O plano inicial de Charlotte era comemorar o último ano de Benjamin naquele lugar passando todo o verão em um cruzeiro passando por Barcelona, Nice e Veneza. Quando o verão terminasse, o herdeiro do trono voltaria ao palácio e tudo indicava que os dois assumiriam o próximo passo do relacionamento, colocando um belo diamante no anelar de Charlie.

O que a menina não esperava era que a briga completamente inocente da noite anterior fosse resultar com o namorado desaparecido no dia seguinte, sem ao menos se despedir, deixando um único bilhete em que pedia para que ela esperasse ele voltar e que não avisasse aos seus pais sobre sua ausência.

- Ele vai voltar. – Charlie espremeu os lábios e encarou o celular, onde a foto dela e de Benji aparecia na tela. – Ele sempre volta.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Seg Set 05, 2016 3:54 am

Benjamin precisava se obrigar a prestar atenção na conversa de Lukas, mas por mais de uma vez, a voz do rapaz se tornou distante enquanto o futuro rei apenas observava os detalhes, ficando a cada instante mais embasbacado.

Ele havia fantasiado com aquele meio irmão por praticamente toda a sua vida. Lukas já havia sido produzido pela sua mente como um homem arrogante que queria usurpar o trono, como um interesseiro que queria chantagear sua família exigindo dinheiro em troca do seu silêncio, como um magricela completamente ignorante e sem cultura, ou como um completo demente.

Ver que Lukas não só era real, como era literalmente uma pessoa comum, era surpreendente. E para piorar a situação de Benji, a semelhança com o rei era quase assustadora.

O futuro rei havia herdado do pai os intensos olhos azuis e a personalidade calma, após aprender a controlar sua rebeldia nos anos do internato. Mas de todo o resto, Benji era uma cópia fiel da mãe. Até mesmo em seus cabelos castanhos, os fios aloirados de Helena se faziam presente, como se estivesse marcando território.

Amelie havia nascido inteiramente loira e era uma cópia ainda mais fiel da mãe, o que fazia todos dizerem que Benji era parecido com o pai. Ver que o filho bastardo era ainda mais digno daquela comparação era uma surpresa que o príncipe ainda não sabia como enfrentar.

O apartamento de Lukas também era estudado pelo canto do olho, mas ao menos Kensington podia usar como desculpa o seu interesse pelo quarto vago. O lugar era simples, sem o menor dos luxos com que Benji estava acostumado, mostrando que o meio irmão era um rapaz humilde e sem grandes ambições.

Quando a conversa foi interrompida, Benjamin xingou mentalmente a voz feminina que havia atrapalhado o primeiro contato com seu irmão. Mas precisou admitir que quando Lukas pediu a sua ajuda com o encanamento da vizinha, um largo sorriso se espalhou pelo seu rosto.

Nos anos no St. Michaels, dezenas de aulas inúteis haviam sido aplicadas. Os anos estendidos como militar também obrigavam Benji a aprender a trabalhar em coisas que ele jurava que jamais precisaria. Como futuro rei e em um país livre de guerras, ele simplesmente ocuparia um trono e manteria a imagem da monarquia firme enquanto outras pessoas realmente trabalhavam para que a economia do país funcionasse.

O que Benji não esperava era poder usar um dos aprendizados do St. Michaels logo nos primeiros meses livre da instituição.

Assim como acontecera no apartamento de Lukas, os olhos azuis observaram a casa das meninas com curiosidade e ele não tentou esconder a surpresa quando os dois chegaram na cozinha.

A água se espalhava por todos os lados e, pela primeira vez, ele viu uma menina completamente caótica diante de si. Qualquer mulher que passasse por seu caminho se preocuparia em estar impecável. Ver como uma moça poderia ficar com os cabelos desalinhados e parecendo completamente perdida era inédito e ao mesmo tempo engraçado.

Benjamin não precisou de mais do que alguns segundos para identificar qual das duas moças era Olga, e imediatamente lançou um olhar curioso na direção da loira. De fato, a menina era muito atraente, mas a curiosidade do príncipe se resumia em identifica-la como a paixãozinha do seu irmão, mantendo-a fora do seu radar.

- Os dois, na verdade. – Benji se apressou em responder para Olga, descendo o olhar para a água que já alcançava seus pés. – Müller. Benjamin Müller. E eu acho que consigo ajudar... Posso?

O sobretudo foi tirado dos ombros de Benji e colocados com cuidado sobre o encosto de uma das cadeiras. Por baixo do tecido negro, o rapaz usava uma camisa social azul que realçava a cor dos seus olhos, e uma calça cáqui. As mangas foram arremessadas até o cotovelo e seus sapatos rangeram quando ele se aproximou da pia.

Só quando parou diante da fonte daquele estrago, o olhar de Benjamin pousou na morena com mais calma. A roupa estava grudada em seu corpo, os cabelos precisavam desesperadamente de um secador e ela não parecia usar maquiagem. A diferença nas estaturas era gritante e quando Benji parou diante dela, Danika pareceu ainda menor, completamente encharcada.

- Eu não sei sobre o Aquaman, mas parece que o incrível Hulk passou por aqui. – Benji abriu um sorriso simpático entre a barba bem-feita.

- Éeeeh, não precisa dar tantos créditos assim para a Nika. Os parafusos já estavam velhos. Como praticamente tudo neste prédio.

Ao perceber o que havia acabado de falar, Olga tapou a boca e encarou Lukas com os olhos arregalados, em um pedido de desculpas mudo.

- Não to querendo te assustar não, o Luke é muito mais cuidadoso com as coisas lá embaixo. Além do mais, aqui é um ótimo bairro...

Antes que a loira emendasse uma lista de qualidades a respeito da localização para convencê-lo a ficar, Benji soltou uma nova risada e concordou com um movimento da cabeça.

- Você não precisa me convencer, eu realmente quero ficar por aqui. Acho que é o seu amigo que precisa me aceitar.

O rapaz olhou por cima do ombro para encarar Luke, mas logo voltou a se concentrar no objetivo de estarem ali. Ele se inclinou para frente, se aproximando ainda mais de Danika. Seus olhos azuis estavam presos na moça e por um segundo pareceu que ele a abraçaria ali, no meio da cozinha alagada. Porém, quando seu braço se esticou na lateral do corpo dela e a mão alcançou a torneira solta sobre a bancada, Benjamin se afastou e se inclinou sobre a pia para começar o reparo.

- Então, Benjamin Müller... – A voz de Olga soou às suas costas enquanto ele encaixava a torneira e procurava por novos parafusos que Lukas havia trago junto com a ferramenta. – O que mesmo te trás até Leoben? Você não é professor, nem nada do tipo, é? Por favor, diga que não é professor...

Por estar de costas, Benji não viu a expressão cômica que Olga fazia ao implorar, por isso respondeu com naturalidade as palavras já ensaiadas.

- Na verdade, eu sou eletromecânico. – Mais uma vez, ele era grato as aulas da St. Michaels que jurava que jamais seriam úteis. – Acabei de ser transferido para a montadora de automóveis e preciso de um lugar para ficar até me estabilizar.

Um rangido soou quando ele terminou de apertar os parafusos. Seu olhar vasculhou a cozinha até achar o registro da água e, se sentindo bastante a vontade no meio daqueles desconhecidos, Benji atravessou a curta distância para reabrir a fonte da água. Em seguida, se colocou novamente diante da pia e testou a torneira novamente instalada.

O sorriso em seu rosto se alargou quando a água jorrou com perfeição, exatamente como deveria funcionar. Sua camisa azul havia ficado molhada em algumas partes por encostar na pia encharcada e os sapatos precisariam enfrentar algumas horas na secadora, mas seu estrago não era nada comparado ao de Danika.

- Prontinho.

Era um trabalho bobo e simples, mas Benjamin se sentia orgulhoso por ter concluído aquela tarefa.

- Uau... – Olga bateu palminhas, sorrindo com satisfação. – Eu acho que deveríamos oferecer um jantar a eles, Nika! Em agradecimento pelas ferramentas e pelas mãos.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Seg Set 05, 2016 4:28 am

Como estava muito concentrada tentando diminuir o estrago na cozinha, Danika só deu atenção ao provável futuro vizinho quando Lukas assumiu o lugar em frente à torneira quebrada. Para Lehmann, estava muito claro que Krauss não tinha nem um décimo da habilidade de Franz, mas é óbvio que ela não pretendia fazer aquele comentário indelicado para um rapaz que se dispusera a ajudá-la com aquele problema.

- Ignore a Olga, Benjamin. Se você quer mesmo morar aqui, é bom que saiba que não pode levar a língua afiada da Olga muito a sério.

O sorriso gentil que Nika lançou ao desconhecido vacilou por um momento, quando seus olhos finalmente captaram a imagem do rapaz. Benjamin era anormalmente bonito. É claro que Danika conhecia vários rapazes atraentes em uma cidade lotada de universitários, mas Benjamin era diferente. Por ser alguns anos mais velho, ele tinha um ar maduro e seguro, difícil de se ver em rapazes mais jovens. E mesmo que estivesse vestindo roupas simples, havia algo de nobre nos traços bonitos dele e nos estonteantes olhos azuis metálicos.

A vida não havia sido fácil com Lehmann nos últimos anos. Sucessões de tropeços e reviravoltas obrigaram a garota a amadurecer para sobreviver naquela nova realidade. Por isso, Danika não era mais o tipo que garota que se derretia diante de um rapaz atraente. Normalmente ela nem notava mais garotos bonitos e era Olga quem costumava cutucá-la para fazer comentários maliciosos quando as duas estavam juntas. Naquele início de noite, contudo, Nika não precisaria de nenhum incentivo para notar que Benjamin Müller se destacava. Lukas era bonitinho, mas o coração de Danika nunca havia dado aquelas cambalhotas pelo vizinho.

Sem imaginar o turbilhão que havia provocado na romena, Benjamin a deixou ainda mais tonta quando se inclinou na direção dela. Por um momento insano, Danika realmente pensou que ganharia um abraço daquele desconhecido. E foi ainda mais bizarro ter continuado imóvel, como se desejasse aquele contato. Com os olhos castanhos extremamente arregalados, Nika se sentiu uma tola ao perceber que Benjamin queria apenas pegar a torneira abandonada na bancada.

- Você ovulou? – Olga sussurrou ao ouvido da amiga quando os dois rapazes se afastaram e se concentraram na torneira quebrada – Porque eu estou sentindo todos os meus óvulos estourarem como pipoca e ele nem chegou tão perto de mim. Que cara gostoso! Se o Luke dispensar, podemos oferecer o nosso sofá pra ele?

- Idiota. – Danika sussurrou de volta, cruzando os braços e tentando ignorar a sensação de que as suas bochechas estavam pegando fogo – Você sabe que eu nem noto essas coisas. Só quero que ele arrume a minha pia para que eu termine de fazer o jantar.

- Nika, você teria que ser cega, surda e retardada para não perceber que ele é gostoso. Os três ao mesmo tempo.

O diálogo das duas garotas foi interrompido quando Benjamin terminou de resolver aquele problema em tempo recorde. Ao notar a habilidade e a facilidade com que Müller arrumara a torneira, Danika se sentiu uma tola por ter causado tamanho caos na cozinha.

A última coisa que Lehmann queria era prolongar o tempo na desconcertante companhia de Benjamin, mas Olga tinha razão em dizer que os rapazes mereciam alguma gratificação por aquele favor.

- Um jantar é uma ideia excelente.

Os olhos castanhos deslizaram pela cozinha completamente bagunçada e as feições de Danika se curvaram numa careta antes que ela completasse.

- A Olga e eu precisamos de duas horas para limpar tudo isso e para colocar a comida na mesa. Acho que é o tempo ideal para que você termine de fazer a entrevista, Luke. Imagino que também queira mostrar o apartamento e o restante do prédio pro Benjamin antes de fecharem um acordo, não é?

- Estejam aqui novamente em duas horas. – Olga novamente bateu palminhas – Você brilhou, Benjamin! Estou impressionada!

Danika notou que o sorriso de Lukas vacilou quando o elogio foi dirigido apenas ao outro rapaz. Ficou muito claro para as duas que Benjamin fizera praticamente tudo sozinho, mas ainda assim a reação de Krauss foi de partir o coração. Olga parecia ser a única que não notava o interesse dele, ou simplesmente notava e não dava importância. Mesmo sabendo que não poderia consertar aquela decepção, Nika dirigiu um sorriso doce ao vizinho.

- Muito obrigada mesmo, aos dois! Vocês salvaram o dia.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Ter Set 06, 2016 2:18 am

Mesmo tendo passado praticamente toda a sua vida no internato, Benjamin ainda era o futuro rei da Áustria, o que significava que as pessoas não tinham coragem de lhe dizer nada desagradável, criticar ou reclamar de algo que ele fizesse.

Benji era cercado de falsos elogios e pessoas que o agradavam por interesse, mas nunca havia se importado com aquilo. Afinal, ele nunca era contrariado e não precisava se esforçar para ser reconhecido.

Naquele fim de tarde, entretanto, nenhuma daquelas pessoas sabia a verdadeira identidade do filho de Helena e Cristoph. Elas não tinham a menor obrigação de agradar aquele desconhecido, muito menos se sentirem tão gratas por algo tão banal como alguns parafusos apertados. Talvez fosse aquele detalhe que trazia toda a diferença, porque mesmo com feitos muito mais importantes, Benji nunca havia se sentido tão orgulhoso em ajudar alguém.

Por mais que estivesse na pele de um homem comum, um bom observador notaria que Benji tinha uma postura superior. A coluna reta, os ombros alinhados e os gestos e sorrisos polidos poderiam se encaixar com perfeição na realeza, mas era um diferencial principalmente quando ele se colocava lado a lado de Luke.

Krauss não era nenhum ignorante ou homem das cavernas, mas era um rapaz comum, completamente alheio ao sangue nobre em suas veias. Enquanto, mesmo com as roupas mais simples do que costumava vestir, Benji ainda parecia elegante demais, sem o menor esforço.

- Vocês não deveriam se incomodar. Já vão ter trabalho demais para limpar tudo isso...

Os sapatos do príncipe rangeram enquanto ele atravessou a água no chão e parou diante da cadeira onde havia deixado o sobretudo. Como a camisa já havia se molhado, ele simplesmente dobrou o pesado tecido negro em um dos ombros, passando o olhar de uma menina à outra.

- Incomodar? – Olga deu um tapinha no ar para enfatizar um descaso. – Pff! A Nika vai adorar. Ela vive arrumando desculpas para brincar na cozinha.

A loira se esticou para frente e apoiou o cotovelo sobre a bancada. Seu queixo foi apoiado contra a mão e ela se virou completamente para Benjamin, exibindo o mesmo sorriso que ele já estava cansado de ver nas mulheres que tentavam chamar sua atenção.

Pela primeira vez desde que entrara ali, um alerta soou na cabeça do rapaz. Aquela era a menina que fazia Luke suspirar, e chamar para si a atenção da paquera do seu meio irmão não era a melhor maneira de se aproximar.

Com a necessidade de fazer Olga recuar, Benjamin se voltou para Danika, encarando a morena com mais atenção e quase ignorando a presença da loira. Ele poderia ser um príncipe, mas ainda conhecia o bastante sobre mulheres para saber que duas amigas não iriam disputar a atenção de um rapaz no segundo em que ele demonstrasse o interesse por uma delas.

A intenção de Benji era puramente para não se indispor com Lukas, mas ele sorriu de forma sedutora que realmente convencia que havia se interessado por Danika naqueles poucos minutos.

- Então é você quem vai cozinhar? Vou considerar que o seu talento com os alimentos seja melhor do que com ferramentas. Mas é claro, se me deixarem trazer a sobremesa.

O olhar de Benji deslizou até pousar no outro rapaz e desta vez ele pareceu muito mais cauteloso.

- É claro, se você não for se incomodar. Eu não quero parecer um intrometido, mas essas duas estão mesmo parecendo que poderiam aproveitar uma companhia depois de todo esse desastre.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Ter Set 06, 2016 11:31 pm

Não era a primeira vez que Olga Sturm fazia a autoestima de Lukas Krauss virar pó. Era por causa daquele tipo de comportamento que o rapaz nunca tivera coragem de tomar uma iniciativa. Por mais que a vizinha sempre fosse gentil, Luke nunca havia recebido um décimo da atenção que Olga dirigia ao desconhecido Benjamin Müller. Algo parecido acontecia com Franz no passado. Olga vivia lançando sorrisos e insinuações ao antigo vizinho e deixava Lukas de lado quando os dois estavam juntos. Nunca havia acontecido nada entre os dois porque Franz já tinha uma namorada e também porque era fiel demais à amizade com Krauss, mas isso não amenizava a mágoa do rapaz.

Não fazia diferença que as outras garotas o notassem e que Luke fosse até razoavelmente popular entre o público feminino da faculdade. Sempre que Olga demonstrava aquele grau de desinteresse, Lukas se sentia o cara mais inadequado de todo o universo. Mas Krauss deixou claro que não deixaria aquilo interferir na entrevista de Benjamin quando seguiu de volta para o próprio apartamento, acompanhado pelo outro rapaz.

As perguntas dirigidas a Müller foram muito básicas. Lukas quis saber os horários dele, quando ele pretendia se mudar em definitivo para Leoben, se Benjamin conhecia mais alguém na cidade, se pretendia receber visitas no apartamento. As regras do prédio também pareciam bem simples. Festas não eram proibidas, desde que não incomodassem a rotina dos demais vizinhos. As contas do apartamento eram bem puxadas para Luke, mas certamente seriam encaradas como uma piada pelo futuro rei da Áustria.

Uma faxineira passava no apartamento uma vez por semana, mas todo o resto do trabalho era feito pelos moradores. Lukas obviamente não era excelente em serviços domésticos, mas o fato de ter passado boa parte da infância sozinho em casa fez com que o rapaz não tivesse a menor dificuldade em se virar na cozinha e em cuidar das próprias roupas.

A rotina mencionada por Krauss era simples demais para um rapaz que carregava o sangue real. Lukas era apenas um estudante comum que dividia o seu tempo entre a universidade, o pequeno apartamento e alguns poucos amigos. Era difícil ter plena certeza de que Luke desconhecia o seu parentesco com os Kensington, mas à primeira vista ele definitivamente não parecia ser um rapaz orgulhoso ou com grandes ambições.

Depois de mostrar a Benjamin o apartamento e as áreas comuns do pequeno prédio, os dois retornaram ao quinto andar. Lukas trazia nas mãos uma torta de chocolate com nozes que mostrava que os rapazes haviam passado na padaria antes de subirem para jantar.

Duas horas tinham sido suficientes para que as garotas organizassem toda a bagunça. A cozinha estava seca e impecavelmente limpa quando Benjamin e Lukas ocuparam dois lugares na pequena mesa. Não era a primeira vez que Krauss comia no apartamento de Olga e Danika, mas sempre era uma surpresa receber um prato anormalmente saboroso.

Os ingredientes simples não reduziam em nada a qualidade do cardápio. Nika conseguia fazer verdadeiros milagres com itens baratos e comuns. Naquela noite, o purê de abóbora estava simplesmente maravilhoso e formava uma combinação perfeita com o arroz temperado com legumes. Como a garota já sabia que Lukas gostava do bife mal passado, Krauss recebeu a carne no ponto perfeito.

- Isso é feitiçaria, não há outra explicação. – o rapaz comentou com bom humor depois de experimentar o primeiro pedaço do bife – Eu encontrei a Nika no mercado semana passada e nós compramos a mesma carne. O meu bife ficou tão duro que poderia ser usado como uma arma.

- Ah, tem alguns segredos pra evitar que a carne perca muita água e fique dura. Eu posso te ensinar. Quem me dera ser uma bruxa, Luke!

- Eu odeio quando a Nika cozinha. – os olhos claros de Olga giraram antes que ela completasse com um sorriso – Vocês tem noção do quanto é difícil fazer dieta nesta casa, meninos?

É claro que os elogios à comida faziam parte de uma convenção social, mas não havia nenhum exagero em dizer que Danika levava jeito na cozinha. Era notável que Lehmann gostava daquilo e cozinhava com prazer, como se fosse uma arte e não somente uma obrigação. O sonho de se tornar uma chef fora abandonado no passado, mas nem por isso a garota havia se privado da satisfação de cozinhar.

- Mas e aí, Luke? – Olga se voltou para o vizinho depois que todos já estavam na sobremesa – Já podemos chamar o quarto do Franz de quarto do Benjamin?

Mais uma vez, o interesse da garota em Müller deixou Lukas desconfortável. A esperança dele era que Benjamin já tivesse uma namorada ou então que gostasse de garotas mais maduras e não quisesse perder tempo com universitárias. Mas é claro que Krauss não pretendia dispensar o primeiro candidato decente que surgira por medo que o novo colega de quarto se envolvesse com Olga Sturm. As contas continuariam chegando, independente da esperança de Luke em se entender com a vizinha. Benjamin parecia ser um cara discreto, responsável e tinha uma rotina tranquila que não o atrapalharia em nada. Era um substituto perfeito de Franz.

- Bom, no fim das contas acho que este acabou sendo um jantar de boas-vindas. O Benjamin vai se mudar pra cá até o fim da semana.

Krauss já esperava por aquilo quando Olga bateu palminhas e se voltou para o novo vizinho com um largo sorriso nos lábios.

- Seja muito bem-vindo, Benji! Eu só não prometo que teremos muitos jantares como este porque a Nika está sempre trabalhando e eu não faço nada mais complicado que cozinhar um ovo. Mas sinta-se convidado para comer congelados conosco sempre que quiser. Você vai amar Leoben!
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qua Set 07, 2016 1:17 am

As luzes já estavam apagadas no quarto de Danika Lehmann, mas nem isso impedia que a moça andasse pelo cômodo com tranquilidade. Depois de alguns hematomas nos joelhos e tornozelos, ela finalmente havia aprendido a se desviar das pontas dos móveis e a caminhar descalça para não fazer nenhum ruído.

Mesmo que aquela tivesse sido uma noite de folga, a romena estava cansada. Havia sido um dia anormalmente pesado no restaurante, mas as generosas gorjetas recebidas não permitiam que a moça se queixasse do trabalho. O salário servia para pagar as contas do apartamento e não costumava sobrar mais que alguns centavos no fim do mês. Por isso, as gorjetas eram recebidas com imenso alívio e satisfação. Eram aquelas gratificações vindas de clientes generosos que permitiam que Nika pagasse por alguns mimos, a maioria deles destinados à dona da respiração ritmada que ecoava pelo quarto.

Como em todos os apartamentos daquele prédio, o quarto de Danika não era grande. Um armário pequeno, uma cômoda e a cama já ocupavam praticamente todo o espaço, mas milagrosamente Nika conseguira encaixar um berço num dos cantinhos do quarto. E era ali que a pequena Lisbeth dormia profundamente, alheia ao olhar apaixonado que a mãe dirigia a ela.

De todos os erros cometidos na Áustria, ali estava o único do qual Danika não se arrependia. A chegada de Lisbeth havia dificultado muito a rotina de Lehmann e praticamente tirara dela a chance de realizar seus maiores sonhos profissionais, mas Nika jamais trocaria o sorriso da filha por uma vaga em um restaurante renomado.

Lisbeth era o último dos erros de Danika. Foi justamente por causa da filha que Nika abandonara a vida desregrada que fez com que ela engravidasse de um dos tantos namorados que emendou durante aquela fase de festas, noitadas, bebedeiras e viagens. Quem conhecia a atual Danika tinha dificuldade para acreditar que um dia ela fora uma jovem sem limites, que matava aulas em seu curso de gastronomia para se unir a péssimas companhias. Ninguém jamais acreditaria que Lehmann já havia sido presa mais de uma vez por pequenos delitos, quase sempre cometidos durante o efeito de álcool ou outras drogas.

Não havia restado nenhum amigo daquela época. Nika era parte de uma turma grande de jovens que, assim como ela, não queriam responsabilidades. Mas nem mesmo um daqueles que se dizia amigo de Lehmann ficou ao lado dela quando a romena decidiu que teria que mudar de vida para ter um bebê. Sempre que Danika se lembrava do quanto chegara perto de ceder à ideia de um aborto, seu peito de enchia de culpa e os olhos não conseguiam conter as lágrimas.

No fim das contas, Lisbeth não era responsável pelo fim dos sonhos da mãe. Pelo contrário, a garotinha fora a salvação que trouxera Danika de volta a uma vida normal.

- Ela está apagadona hoje, hein? Não acordou nem quando estávamos afogando na cozinha.

O sussurro de Olga soou às costas de Danika enquanto a morena guardava as gorjetas daquele dia no pequeno cofrinho onde juntava as suas economias. Nika dirigiu um olhar carinhoso à criança antes de se voltar para a amiga.

- Ela gastou toda a energia na piscina de bolinhas. Mas daqui a pouco deve acordar com fome, vou deixar a mamadeira pronta.

Lisbeth estava a poucos dias de completar dez meses de idade. Assim como a mãe, ela era miudinha e delicada. Os cabelos ainda eram curtinhos e os fios tinham exatamente o mesmo tom castanho da mãe, embora fossem mais finos e lisos. A menina só não era uma cópia perfeita de Lehmann por um detalhe. Seus olhos eram grandes e amendoados como os de Nika, mas profundamente azuis, como os do pai que ela nem conhecia.

O ex-namorado de Danika havia deixado muito claro que queria um aborto e que não assumiria o bebê. Portanto, quando optou por ter a criança Nika sabia que estaria sozinha naquela decisão. Por sorte alguns anjos haviam surgido no caminho dela. Olga tinha todo o seu jeito particular, mas era inegável que gostava de Lisbeth e tinha uma paciência infinita com o fato de ter um bebê em casa.

A dona do restaurante onde Lehmann trabalhava também havia se tornado uma amiga e era dela a piscina de bolinhas onde Lisbeth havia se esbaldado naquela tarde. A patroa nunca havia reclamado do tipo de imprevisto que acontecera naquele dia, quando a creche dispensara as crianças depois de uma queda de energia na rua. Pelo contrário, a mulher passava o dia mimando Lisbeth e ajudando Nika a conciliar o trabalho com os cuidados à filha.

- Mais algumas gorjetas e consigo comprar uma televisão pro quarto. – Nika indicou o cofrinho, já pesado – Não vamos mais te incomodar vendo desenho animado na sala.

- Relaxa, eu adoro as musiquinhas. E me divirto imensamente com a Lizzie tentando repetir as falas. A risada imbecil do Bob Esponja faz ela gargalhar, é hilário. Se você botar uma televisão no quarto, eu virei pra cá assistir desenhos com a Lizzie. Ficaremos nós duas aqui enquanto você sai para se divertir com o nosso novo vizinho.

- Estava demorando... – os olhos de Danika giraram e ela caminhou até a cômoda, ocupando as mãos na tarefa de dobrar as roupinhas de Lisbeth que ela acabara de passar – Você não seria você se este assunto não surgisse, não é, Olga?

- Eu sei que você é meio lerda pra esse tipo de coisa, mas é impossível não notar o quanto o Benji é bonito.

Era tolice tentar negar o óbvio. Por mais que não tivesse qualquer tipo de ilusão com o novo vizinho, Danika havia ficado um tanto impressionada. Não era só uma beleza física. Tudo em Benjamin Müller contribuía para tirar o fôlego dela. Ele era alto, tinha um corpo bem cuidado e os músculos apareciam mesmo sob as roupas. A postura dele lhe dava um ar nobre, seus gestos eram anormalmente formais e polidos e a voz grave e ligeiramente rouca lhe provocava arrepios. Mas era exatamente por Benjamin parecer tão perfeito que Nika o via como algo inalcançável.

- Ele é bonito. – Nika se corrigiu diante do olhar debochado de Olga – Muito bonito. Mas e daí?

- Como assim, e daí? – Olga cruzou os braços – Ele não tirou os olhos de você.

- Não seja ridícula. – o sorriso de Danika se tornou sarcástico – Se ele me olhou mesmo, provavelmente estava notando como eu estava desconjuntada depois de um banho da torneira quebrada. Caras como ele não ficam com garotas como eu.

- Defina “caras como ele” e “garotas como eu”.

Embora estivesse igualmente admirada com Benjamin, Olga não pretendia transformar aquilo em uma disputa com a amiga. Se o novo vizinho continuasse demonstrando mais interesse na morena, Olga sairia da disputa e torceria sinceramente para que os dois se acertassem.

- Caras mais velhos, formados numa universidade, com um emprego legal, planos de progressão na carreira, bonitos, educados e que podem ter aos seus pés qualquer garota tão bem sucedida quanto eles. Porque ele iria notar uma imigrante, mãe solteira, que trabalha como garçonete e precisa juntar moedas para comprar uma televisão usada para que a filha se distraia enquanto ela passa a noite trabalhando num segundo emprego?

- Tá, a sua vida tá meio ferrada mesmo. Mas isso é provisório, Nika. E você é bonita, é simpática e tem uma tatuagem muito maneira.

Olga brincou quando a amiga se esticou para pegar uma pilha de roupas e sua blusa se ergueu o bastante para deixar visível parte da tatuagem que ela fizera durante sua fase de rebeldia. Era um desenho delicado e feminino, uma espécie de tribal preenchido com flores. A tatuagem fora feita inteiramente com tinta preta, mas no centro dela havia uma única pétala vermelha que se destacava, como se tivesse se desgarrado das demais. Era um trabalho bonito, mas Danika não sentia mais orgulho daquela marca. Para ela, a imagem que ocupava toda a lateral direita do seu tronco simbolizava uma época que a garota preferiria esquecer.

- Aham. – Nika puxou para baixo a blusa do pijama, tapando a tatuagem – Ele vai ficar ainda mais interessado quando souber do meu passado super exemplar em Viena. É sério, Olga, eu não quero mais falar disso. Já tenho problemas e obrigações demais, simplesmente não tenho tempo a perder com esse joguinho que não vai me levar a nada.

- Tá, eu não vou falar mais nada. – Olga girou os olhos, mas manteve um sorriso divertido nos lábios – Mas estarei pronta para te dar conselhos quando o tempo provar que eu estou certa.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Set 07, 2016 2:11 am

- Eu preciso admitir.... Quando o seu jatinho pousou naquele campo, eu tinha certeza que você tinha enlouquecido. E claro, eu tinha enlouquecido junto simplesmente por te acompanhar até um fim de mundo desses.

Os óculos escuros de Marie deslizaram até a ponta de seu nariz arrebitado e ela abriu um enorme sorriso quando dois rapazes passaram lançando olhares nada discretos em sua direção. Para prolongar aquele contato visual, a loira chegou a se virar e seguir sua caminhada de costas por mais alguns passos, retribuindo os risinhos insinuantes dos rapazes.

- Mas quem diria que acabaria encontrando paraíso?

Ao contrário da melhor amiga, Charlotte estava completamente alheia aos olhares das beldades que passavam pelo caminho. Mesmo com os óculos de sol, sua testa estava franzida enquanto ela estudava as calçadas de Leoben como se a qualquer segundo pudesse reconhecer o rosto de Benjamin entre tantos desconhecidos.

- Como foi que você descobriu esse lugar mesmo?

Marie se virou e precisou apressar o passo para alcançar novamente a morena, fazendo seus fios curtos e loiros balançarem e os saltos se chocarem contra o paralelepípedo.

- Marcus. – Charlie se limitou a responder, parando de andar de repente para olhar novamente ao redor.

- O cão de guarda abriu o jogo pra você?

A surpresa de Marie era perfeitamente justificável. Marcus não era o segurança particular do futuro rei por cinco anos se realmente não merecesse aquele posto. Ele jamais teria simplesmente aberto a boca para contar um segredo do seu protegido.

- É claro que não, Marie. Eu roubei o celular dele e usei o GPS para rastrear o Benji.

Um suspiro cansado escapou pelos lábios de Charlotte e ela deu uma volta completa, sem sair do lugar, para tentar se localizar. As ruas de Leoben eram charmosas, como uma velha cidade histórica, mas eram todas muito parecidas. Quando estavam às margens do rio que rodeava a cidade era fácil se localizar, mas no miolo em que as duas andavam, qualquer turista teria facilidade em se perder.

- Estamos perdidas. – Marie constatou ao ver a expressão da amiga, mas desta vez os olhos verdes pousaram na loira e Charlie abriu um sorriso sarcástico.

- Tecnicamente, não estamos indo em nenhum endereço específico. Então não é possível se perder. Eu só tive tempo de olhar a cidade em que o Benji estava. Não sei qual o endereço que devo procurar.

O queixo de Marie despencou e se ela ainda tinha alguma dúvida que a melhor amiga era louca, Charlotte havia acabado de comprovar sua teoria. Por conhecer a herdeira dos Baviera há anos, a jovem Price sabia da sua obsessão de um futuro com Benjamin e a coroa da rainha da Áustria. Ainda assim, perseguir um cara em uma cidade inteira era um pouco demais, até mesmo para os padrões de Charlie.

- No que você estava pensando??? Vai bater de porta em porta até achar o Benjamin??? E o que aconteceu com aquele papo de “ele sempre acaba voltando”? A gente deveria estar em Barcelona agora, fazendo topless e esperando ele voltar!

Charlotte sabia que a amiga estava certa. Aquele tipo de insegurança era péssimo para sua imagem. Mas era impossível ignorar a sensação de que havia algo de errado naquele sumiço do futuro rei. Mesmo com o histórico conturbado do relacionamento, Benji nunca havia desaparecido daquela forma.

- Tem alguma coisa errada, Marie. E se eu precisar bater de porta em porta, que seja! Mas eu não vou embora sem o Benji.

Mais uma vez, o queixo de Price caiu e ela encarou a amiga como se estivesse diante de uma criatura bizarra e em extinção. A expressão de seu rosto só mudou quando sua visão periférica captou algo atrás de Charlotte.

Acreditando se tratar de um milagre, a morena imediatamente se virou com a esperança de encontrar Benji parado atrás de si. Quando só o que encontrou foi um enorme prédio antigo e elegante com desconhecidos passando pela calçada, Charlie se voltou com confusão estampada no olhar para a amiga.

Marie, ao invés de responder aquela inquisição muda, simplesmente caminhou até chegar um pequeno mural diante do edifício. Acima da grande porta dupla que servia como entrada principal do prédio, as letras douradas e pomposas exibiam a função do prédio: “Universidade de Leoben”. Quando Marie voltou a se aproximar da amiga, trazia consigo um folheto e um enorme sorriso.

- Já que eu não posso ter Barcelona, o mínimo que você me deve é uma festa típica desses universitários fofinhos.

Imitando a expressão da amiga, o queixo de Charlie despencou diante daquela oferta. Por mais charmosa que fosse aquela cidade e com uma universidade popular cheia de rapazes atraentes, era um mundo completamente diferente para a herdeira de um cartel de diamantes e para a filha de um barão do petróleo.

Porém, a empolgação de Marie deixava claro que Charlotte não tinha opção a não ser abandonar sua caça por Benjamin por algumas horas para acompanha-la naquela festa.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Set 07, 2016 3:49 am

- Alteza...

A cabeça de Benjamin se ergueu do banco traseiro do carro e ele lançou à Marcus um olhar estreito, repreendendo a forma nominal escolhida pelo segurança. Ao perceber o desagrado do príncipe, o ruivo corou imediatamente e encolheu os ombros, em um pedido mudo de desculpas.

- É força do hábito. Eu realmente não sei como devo chama-lo.

- Do que quiser, Marcus. – A voz de Benji ficou abafada quando ele novamente mergulhou no banco traseiro, enfiando as mãos nas sacolas que estavam enfiadas no assoalho do carro. – Menos alteza ou qualquer coisa relacionada à realeza. Lembra que eu sou só Benjamin agora. Benjamin Müller.

- Ahn, pois é, sobre isso...

O segurança se remexeu no banco do motorista até virar o tronco para que pudesse observar o príncipe concentrado em sua tarefa do restrito espaço do Mercedes.

- Eu não sabia que Vossa Alteza pretendia usar o meu sobrenome. – Ao perceber que mais uma vez havia cometido o deslize criticado pelo príncipe, o ruivo tentou se consertar, gaguejando e tão tenso que chegava a ser cômico. – Você. Cara. Big B.

A cabeça de Benjamin voltou a se erguer entre o vão dos bancos dianteiros e ele encarou o segurança com confusão. Era estranho ouvir a voz de Marcus o chamando de “você”, soava engraçado, mas ainda mais engraçado era o desespero que aumentava no rosto do segurança.

- Primeiro: Big B.? Pode me chamar só de Benjamin, Marcus. E segundo, eu não pretendia usar o seu sobrenome. Eu precisava de um nome comum e o seu simplesmente apareceu na minha mente. Acho que estamos passando tempo demais juntos.

Marcus já começava a suar e tentou afrouxar a gravata do uniforme quando forçou um sorriso ao tentar parecer tranquilo. Benjamin nunca havia sido um chefe arrogante ou mal-educado. Mas ainda assim ele era o futuro rei da Áustria e o ruivo não queria estragar o emprego dos sonhos sendo inconveniente.

Um silêncio se instalou no carro enquanto apenas as sacolas ecoavam enquanto eram reviradas. Marcus sabia que o ideal seria apenas permanecer quieto, mas todo aquele cenário era inédito e ele não conseguia controlar a língua.

- Benjamin, posso perguntar porque está enfiando as roupas novas nas caixas?

O banco traseiro do Mercedes estava espremido com caixas de papelão. No chão, aos pés de Benji, as sacolas de uma loja de roupas populares se amontoavam enquanto o príncipe retirava as etiquetas e amassava as novas peças nas caixas. Na mala do carro, livros comprados em sebos também já enchiam outras caixas, assim como alguns poucos utensílios que o príncipe achara convincente para carregar em uma mudança.

As roupas, é claro, haviam sido compradas por Marcus, mas o segurança não imaginou que o desejo do príncipe fosse retirar todas as etiquetas de imediato.

- Elas precisam parecer que são usadas, Marcus. Eu não posso simplesmente chegar carregando uma dúzia de Armanis.

O príncipe estava concentrado demais na sua tarefa para perceber o olhar que o segurança lhe lançou. Mais uma vez, Marcus sabia que deveria ficar quieto e ele coçou a barba ruiva por longos segundos antes de deixar as palavras saltarem de sua boca.

- Então eu realmente não acho uma boa ideia o senhor continuar usando o Rolex.

A mão esquerda de Benji havia acabado de ser enfiada em uma das caixas, empurrando um suéter fino e sem marca, quando seu gesto travou. Apenas seu rosto se virou para encarar o Rolex em seu pulso.

- Droga!

Como se aquele simples objeto fosse ser suficiente para desmascará-lo, Benjamin se apressou em tirá-lo antes de deslizar para ponta do banco, se enfiando no espaço da frente para se aproximar do segurança.

- Troca comigo!

- O quê!? – Marcus arregalou os olhos quando o Rolex brilhou diante dos seus olhos.

- Troca comigo, Marcus! – Ao perceber que o ruivo continuava travado, Benji acrescentou. – É uma ordem.

Com as mãos trêmulas, o segurança retirou do seu pulso o próprio relógio de marca infinitamente inferior, que logo passou a ocupar o do príncipe.

Quase meia hora depois, Benjamin exibia um sorriso orgulhoso ao parar diante do prédio de Lukas. A calça cáqui que ele usava tinha um tecido fino e pinicava um pouco. A camisa branca tinha uma textura estranha, longe de ter o caimento perfeito que estava acostumado. Os sapatos incomodavam e lhe dava a sensação de que estava pisando direto no chão, sentindo todas as imperfeições da calçada. Em seu pulso, o relógio barato de Marcus era o único adereço usado e roçava na grande caixa de papelão que ele carregava.

Benjamin Kensigton era o futuro rei da Áustria, mas estava naquela calçada de Leoben parecendo tão simples e comum como qualquer outro homem, sem ser paparicado simplesmente por ter nascido em um palácio com um sobrenome importante.

Lukas era o principal motivo para o príncipe estar ali naquele dia, mas Benji precisava admitir que estava se sentindo bem por si próprio. Pela primeira vez ele se via livre das correntes de suas responsabilidades que o acompanhavam desde o berço e podia ser quem bem entendesse.

A caixa de papelão havia sido lacrada com uma fita adesiva larga. Em sua lateral, a letra de Benji exibia em uma tinta preta “Roupas”. Meia dúzia de caixas já haviam sido carregadas para o interior do prédio e aquela era a última para finalizar a sua “mudança”.

As demais caixas haviam sido acumuladas no interior do elevador e Benji entrou carregando a última, sorrindo bobamente para o botão “3” iluminado no painel, indicando o andar escolhido. As portas já estavam se fechando quando um rosto conhecido entrou em seu campo de visão.

Foi por reflexo que Benjamin se esticou para frente e deslizou a mão pelos sensores. Ele arregalou os olhos quando as portas ainda ameaçaram se fechar antes de finalmente ceder, voltando a se escancarar para a portaria.

O sorriso orgulhoso de Benji vacilou e ele tentou controlar seu olhar de acompanhar a morena a sua frente de cima a baixo, mas foi impossível esconder sua expressão de admiração quando reconheceu Danika.

- Está subindo!

Benji anunciou, se arrependendo no segundo seguinte e fazendo uma careta diante de sua estupidez. Era óbvio que o elevador estava subindo. Eles estavam no térreo e não havia nenhuma outra direção para ser tomada.

- Está um pouco lotado aqui... – Ele indicou as caixas empilhadas no chão do elevador, abrindo o seu largo sorriso simpático. – Mas acho que o cabo de força ainda aguenta uma magrela como você.

Um dos seus ombros foi erguido e o sorriso de Benjamin se tornou mais brincalhão, o que fazia seus olhos azuis brilharem, o deixando ainda mais charmoso por trás da barba bem-feita.

- É claro, se você não tiver feito de novo aquelas batatinhas assadas do jantar. Eu não me surpreenderia se você tivesse devorado alguns quilos dela, porque eu viveria facilmente só com aquilo.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Set 07, 2016 4:04 am

- A festa está sendo organizada pela galera da Arquitetura.

Aquele argumento foi o suficiente para que Lukas Krauss comprasse um ingresso para comparecer a mais uma das tantas festas noticiadas pelos murais da universidade. Luke não era o tipo de rapaz reservado que fugia de todos os eventos organizados pelos colegas, mas também não era comum vê-lo em várias festinhas na mesma semana. Krauss geralmente só frequentava as festas quando não tinha nenhuma prova ou trabalho importante a ser entregue nos dias seguintes, mas naquele dia ele estava pronto para abrir uma exceção. Se os alunos da Arquitetura estavam por trás do evento, era quase certo que Olga Sturm compareceria. E só a presença dela já tornava o evento imperdível para Krauss.

Naquela noite, enquanto se arrumava para sair, Lukas prometeu a si mesmo que teria coragem de tomar uma iniciativa. Ele nunca tinha sido um rapaz inseguro com as meninas e se sentia péssimo com o fato de não ter coragem de revelar a Olga o seu interesse. É claro que a beleza e a popularidade da vizinha intimidavam Lukas, mas naquela festa ele pretendia voltar o seu foco para as próprias qualidades.

Luke sabia que chamava a atenção das garotas. Ele não tinha a beleza madura e nobre de Benjamin Müller, mas seus traços eram bonitos o bastante para destacá-lo de forma positiva. Os últimos meses na academia também tinham lhe dado formas bem atraentes, ele era simpático, divertido e inteligente, estava matriculado num dos cursos mais conceituados da Universidade de Leoben, já tinha um estágio remunerado. Qualquer garota se sentiria tentada a dar uma chance a ele, era tolice se sentir tão inseguro por causa de Olga Sturm. Ela era uma menina como tantas outras e certamente enxergava aquelas qualidades.

Embora tivesse repetido isso para si mesmo nas últimas horas, Krauss sentia um incômodo frio na barriga quando entrou na boate lotada. Lukas já havia visto a maior parte daqueles rostos pelo campus da universidade, mas ainda assim o rapaz se sentiu meio deslocado. Era o primeiro evento ao qual ele comparecia sem a companhia de Franz. Embora já tivesse um novo colega de quarto, Luke sabia que não podia contar com Benjamin para acompanhá-lo em uma festinha de universitários.

Uma cerveja.

Krauss não era o tipo de rapaz que se esbaldava em festas e se tornava o principal assunto dos colegas no dia seguinte, mas naquela noite a primeira coisa que Luke fez na boate foi se aproximar do bar para pedir uma caneca de cerveja. Uma ou duas doses seriam o bastante para amenizar a sua ansiedade e permitir que ele tivesse a coragem de concluir o “plano Olga” naquela noite.

Uma conversa amigável com alguns colegas de turma também contribuiu para que Lukas relaxasse. A música alta o obrigava a falar um pouco mais alto, de forma que a sua garganta já estava ligeiramente dolorida quando os amigos se afastaram. A segunda caneca de cerveja estava pela metade quando Krauss finalmente avistou o seu alvo daquela noite.

Olga estava simplesmente maravilhosa, muito mais bonita que o normal usando uma minissaia preta e uma blusinha branca colada ao tronco. As sandálias possuíam um salto alto, mas a moça não parecia nem meramente desconfortável enquanto se mexia na pista de dança, acompanhada por algumas colegas. Os cabelos loiros estavam mais lisos que o normal, denunciando que Olga havia escovado os fios. A maquiagem pesada parecia realçar ainda mais a beleza dos olhos azuis e o contorno dos lábios volumosos.

Por longos minutos, Lukas ficou parado em um canto do salão e apenas admirou aquela bela visão. As luzes coloridas que piscavam na pista de dança realçavam ainda mais a pele clara de Olga e os movimentos dos cabelos, que acompanhavam o ritmo animado da música eletrônica.

Quando Sturm se cansou de dançar e afastou-se da pista de dança barulhenta, Luke sabia que chegara a hora. Aproveitando-se que as colegas de Olga tinham se afastado da loira para buscar uma bebida, Krauss cruzou o salão com passos determinados. Seu coração saltitava loucamente dentro do peito, mas o rapaz não pretendia recuar naquela noite.

- E aí, Olga?

- Oh, oi Luke! Eu não sabia que você viria!

Como de costume, a vizinha foi extremamente gentil e cumprimentou Lukas com um abraço. Krauss era alto, mas Olga também não era baixinha e os seus saltos exagerados compensavam a pequena diferença nas estaturas, de forma que a garota nem precisou levantar o rosto para encará-lo.

- Pretende ficar até o final da festa? A gente pode dividir um táxi!

- É claro. – Lukas disfarçou a ansiedade com um sorriso quando indicou o bar – Vou pegar outra cerveja. Você quer beber alguma coisa?

- Eu quero um Martini. Você traz pra mim? – Olga puxou a bolsa para pegar o dinheiro.

- Relaxa, eu pago. Fique aqui, eu não demoro.

Por enquanto, tudo estava bem. Olga não tinha tentado se livrar dele e aceitara uma bebida. Tudo o que Lukas precisava fazer era manter a tranquilidade e parecer seguro ao dar o próximo passo. Ao receber o drinque, Olga agradeceu com um sorriso e tomou um gole da bebida. Ela parecia distraída com alguma coisa na pista de dança quando Krauss reuniu coragem para falar ao ouvido dela, usando a música alta como desculpa para se aproximar.

- Você está linda hoje. Mais linda que o normal, Olga.

- Você acha? – a garota olhou para si mesma, fazendo uma careta – Não gosto muito desta saia, mas houve um acidente com o vestido que eu tinha separado pra usar hoje. Eu amo a Lisbeth, mas vou surtar na próxima vez que ela entrar no meu quarto com massinha de modelar.

- Não se preocupe com isso, você está maravilhosa.

- Valeu, Luke. Você é muito gentil!

O rapaz achou que estava caminhando na direção certa quando Olga se inclinou em sua direção e completou aquele agradecimento com um beijo em sua bochecha. Lukas estava pronto para convidá-la para dançar quando Olga se inclinou novamente, desta vez para sussurrar em seu ouvido.

- Você me faria um favor, Luke? Nossa, eu ficaria muuuuito feliz se você fizesse isso pra mim.

- Claro! O que você quiser, Olga.

- Sabe o Pietro? – os olhos azuis buscaram por um rapaz rodeado de amigos na pista de dança – Eu acho o Pietro um gatinho. Vocês são da mesma turma, não são? Tem como você sondar se eu tenho alguma chance de ficar com ele hoje?

Por um momento insano, Lukas encarou a vizinha como se esperasse que Olga denunciasse aquela brincadeira de mau gosto com uma risada. Aquele pedido era absurdo, ainda mais levando-se em consideração o óbvio esforço de Luke para se aproximar dela. Um rapaz menos gentil teria respondido àquela ofensa de forma rude, mas Luke se limitou a responder com uma entonação seca depois de uma longa pausa.

- O Pietro tem um namorado. É aquele ali de camisa verde do lado dele.

- Mentira! Ele é gay??? – a boca de Olga se abriu em surpresa – Mas que desperdício! Tá difícil achar um cara interessante e hétero hoje em dia!

- Você tá falando sério mesmo, Olga? – até mesmo a paciência privilegiada de Luke chegou ao limite depois daquela afirmação – Qual é o seu problema comigo? Você acha que eu não sou hétero ou que não sou interessante o suficiente?

Uma das sobrancelhas finas de Olga se arqueou e ela perdeu alguns segundos encarando o vizinho como se não tivesse entendido o desabafo dele. Quando finalmente compreendeu, o queixo da menina despencou.

- Que? Você está dando em cima de mim?

Antes que Krauss tivesse a chance de responder, Olga soltou uma gargalhada. A garota chegou a tombar a cabeça para trás, completamente entregue às risadas. Algumas lágrimas divertidas já escorriam pelos olhos de Sturm quando ela finalmente conseguiu parar de rir e apertou a bochecha de Lukas como se ele fosse um menininho.

- Acho que é hora de parar de beber, Luke. Vou esquecer que isso aconteceu, não precisa ficar constrangido. Todo mundo bebe demais e confunde as coisas, né? Vou procurar as meninas, a gente se vê por aí.

Enquanto a cabeleira loira de Olga se misturava à multidão de jovens aglomerados na boate, Lukas experimentava a terrível sensação de estar caindo em um precipício. Ele finalmente tivera coragem de se aproximar da vizinha, mas a reação de Olga havia sido muito pior do que ele imaginara em suas previsões mais pessimistas. Ela não havia tido a mínima delicadeza para dispensá-lo, simplesmente teve uma crise de riso e reagiu como se fosse uma situação absurda.

Não eram poucas as meninas que buscavam Lukas Krauss com olhares insistentes naquela noite, mas naquele instante tudo o que o rapaz queria era sair daquela maldita boate e desaparecer.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qua Set 07, 2016 5:07 am

Ficou muito claro que as duas garotas passavam por momentos muito diferentes em suas vidas naquela noite. Enquanto Olga concentrava toda a sua energia em roupas e maquiagens para a festa da universidade, Danika já estava de pijamas, sentada diante do notebook, torcendo para que os ponteiros do relógio logo chegassem ao fim do seu turno no segundo emprego.

Lisbeth já estava de banho tomado e agora brincava, sentada no tapete da sala. Por estar tão concentrada no trabalho, Nika não viu quando a filha engatinhou até o quarto de Olga e manchou o vestido da loira com as mãozinhas sujas de massa de modelar. Embora não tivesse ficado feliz com aquela “surpresa”, Sturm não surtou e simplesmente perdeu mais alguns minutos escolhendo outra roupa.

Apesar da reação tranquila da amiga, Lehmann se viu na obrigação de lavar o vestido para evitar manchas. Olga ainda estava em casa quando Danika desceu até a lavanderia no subsolo do prédio e colocou o vestido em uma das máquinas, mas a loira saiu de casa tão logo Nika retornou ao apartamento para ficar com Lisbeth.

Portanto, Danika estava sozinha com a filha quando finalmente fechou o notebook depois de atender o último cliente daquela noite. Muito provavelmente o vestido de Olga já estava pronto na lavanderia. Se fosse uma das suas próprias roupas, Nika deixaria para buscar a peça na manhã seguinte, mas ela não quis correr tal risco com o vestido da amiga. Era uma peça cara demais para passar a madrugada inteira dentro de uma máquina.

Normalmente, Nika teria puxado Lisbeth para o seu colo e descido com a menina. Mas a garotinha estava tão imóvel no tapete e tão vidrada no desenho animado que a mãe não teve coragem de interromper a diversão. Lisbeth era apenas um bebê, mas Danika sabia que não levaria mais que dois minutos para descer até a lavanderia e voltar para a sala. O apartamento era totalmente seguro para crianças e eram praticamente nulas as chances de Lisbeth se machucar em tão pouco tempo.

O que Danika não planejava era encontrar Benjamin Müller no meio do caminho. A morena estava há um passo das escadas, com o vestido de Olga dobrado em um dos braços, quando escutou a já familiar voz do novo vizinho. Era impressionante como Benjamin não precisava de mais nada além daquela voz rouca para arrancar arrepios dela.

- Sem batatinhas hoje. Trabalhei o dia todo, então vou fazer um belo sanduíche de atum antes de desabar na cama.

Embora normalmente usasse as escadas, Nika não resistiu à tentação de entrar no elevador naquela noite. Ainda era absurda a ideia de ter alguma chance com Benjamin, mas Danika não queria desperdiçar a chance de ficar mais um tempo perto dele. Müller era inalcançável, mas isso não tirara de Lehmann a satisfação de admirá-lo em silêncio.

- Você não deu sorte. Acho que o Luke foi em uma festa, ele não vai poder te ajudar com a mudança. Sorte que você não tem muita coisa, não é?

Era difícil disfarçar a surpresa ao ver a pequena quantidade de caixas que Benjamin carregava. Danika levava uma vida muito simples e ainda assim teria o dobro de coisas caso precisasse fazer uma mudança. Mas ela acabou concluindo que a resposta para aquela situação estava no fato de Müller ser um homem.

- Meu irmão viveu por anos com três pares de sapatos. Eu não o vejo há algum tempo, mas imagino que ele também conseguiria reunir todas as coisas dele em uma dúzia de caixas.

Só quando apertou o botão do quinto andar, Nika percebeu que estava de pijamas. Uma vozinha dentro da cabeça da morena a chamou de estúpida e ela se arrependeu imensamente de ter entrado no elevador, mas agora já era tarde demais para voltar atrás naquela decisão. Se já se sentia inadequada perto de Benjamin, o fato de estar usando uma calça de moletom e uma camiseta velha só tornava maior o constrangimento da moça.

O elevador passava pelo segundo andar quando Danika se lembrou do motivo pelo qual sempre usava as escadas. Os olhos castanhos quase saltaram para fora quando o elevador sacolejou antes de parar por completo. As luzes internas se apagaram, mergulhando os dois vizinhos em uma completa escuridão.

Normalmente, Nika era uma pessoa tranquila que encararia aquela situação com calma. Tudo o que eles precisavam fazer era tentar alertar o porteiro ou um dos vizinhos e esperar que alguém viesse em socorro. Mas a lembrança de Lisbeth completamente sozinha no apartamento foi o suficiente para fazer Lehmann surtar. Seu coração pulsava colado à garganta quando Danika socou as portas de metal com força enquanto a outra mão tentava apertar todos os botões do elevador travado.

- Eu não acredito! Isso não está acontecendo!!! SOCOOOOOOOORRO!!!

O grito que ecoou pelo elevador fechado parecia vir de alguém prestes a ser esfaqueado. Nika estava completamente fora de si e machucaria as mãos se continuasse socando as portas com tanta força. Lágrimas já escorriam pelo rosto dela quando a voz mecanizada do porteiro soou, vinda do painel.

- Parou de novo???

- Leopold!!! Pelo amor de Deus, me tira daqui agora!!! AGORA!

- Fica calma, Nika. Eu tenho que subir até o controle de energia pra reiniciar o sistema do elevador. Resolvo isso em uns quinze minutos, tenta manter a calma.

- QUINZE MINUTOS??? – Danika reagiu como se tivesse que ficar presa naquele elevador por horas – Leopold, a Beth tá sozinha em casa! Eu não posso deixar ela sozinha por quinze minutos! Eu só desci pra buscar a roupa na lavanderia, pelo amor de Deus!!!

- Eu passo lá e pego ela, a porta tá aberta né?

- Eu fechei. Por fora só abre com a chave, que está comigo.

- Tá, então não podemos perder tempo. Tô subindo pra mexer no controle da energia. Tenta manter o controle aí, Nika.

Depois que o porteiro finalizou a chamada, Danika se encostou na parede do elevador e foi escorregando até ficar agachada no chão. Não havia nada que ela pudesse fazer. Olga tinha saído, Lukas também não estava em casa. Ela não sabia o telefone de nenhum dos outros vizinhos e nem os conhecia tão bem para pedir aquele favor. Lisbeth ficaria completamente sozinha em um apartamento fechado até que o problema com o elevador fosse consertado.

- Eu sou um desastre. – Nika desabafou para si mesma e escondeu o rosto nas mãos, se sentindo a mãe mais relaxada e irresponsável de todos os tempos. Se ela não tivesse ficado tão tentada em falar com Benjamin novamente, seu bebê não estaria em perigo naquele momento – Um completo desastre!
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Set 07, 2016 5:09 am

- Aiiiin!!! Isso é tão legal!!! É como se a gente estivesse em um filme ou coisa assim, né Charlie?

Marie não tentava nem esconder a sua empolgação diante das luzes coloridas, da música alta e das dezenas de jovens que se acotovelavam na pista de dança, suados e vestindo roupas vendidas em lojas de departamento.

Os olhos verdes passearam com atenção pelo lugar, tentando entender o encantamento da melhor amiga, mas quando não viu nada de interessante, a morena apenas forçou o sorriso que mais pareceu uma careta ao enrugar o nariz.

- Bom, pra dizer a verdade, Mah, parece só mais uma das festas que a gente tá acostumada a ir. Com a diferença das roupas ruins, das bijuterias folhadas e das bebidas em copos de plástico.

- Elas estão em copos de plástico??? – Marie arregalou os olhos quando um grupo de meninas passou ao seu lado, carregando as cervejas em copos de acrílico. – Uau! Que incrível! Será que tem gosto diferente?

Desta vez, Charlotte não precisou forçar o sorriso. Seus ombros chegaram a balançar com o riso natural diante da infantilidade da amiga. Marie sempre foi uma companhia única, mas o deslumbramento com o mundo comum a tornava cômica a ponto de distrair a herdeira dos Baviera sobre o real objetivo de estarem naquela cidade.

Desde que as duas saíram do hotel em direção à festa cobiçada por Marie, a mente de Charlie finalmente havia deixado Benjamin de lado. Sua caçada poderia ter continuidade no dia seguinte. Naquela noite, a melhor amiga realmente merecia sua companhia, depois do esforço de abandonar a viagem de férias inteiramente programada para correr atrás do futuro rei em uma cidade sem nenhum atrativo turístico além de universitários lindos e pobretões.

O interesse de Marie naquela festa se tornava ainda mais óbvio devido ao esforço que havia aplicado na própria aparência. Os cabelos loiros que ficavam um pouco acima dos ombros estavam ondulados e o vestido rosa-bebê escolhido era justo com um ousado decote que nem mesmo Charlie teria coragem de usar. A fenda acabava quase na boca do seu estômago e não deixava muito à margem para imaginação, mas ainda assim, Price conseguia estar linda e atraía olhares por onde passava.

O vestido dourado de paetês de Charlotte não era tão justo, mas caía com perfeição em seu corpo magro. Os saltos diminuíam um pouco o impacto da sua baixa estatura e os cabelos negros estavam inteiramente lisos, escondendo os minúsculos brincos. A maquiagem da menina normalmente servia apenas para cobrir pequenas imperfeições, mas naquela noite, Baviera havia reforçado os olhos para destacar as íris verdes.

- Nós precisamos arrumar alguém para nos distrair. – Marie apoiou a mão no quadril e estudou os homens à sua volta, ignorando os que babavam descaradamente. – Que tal aquele ali?

- Gay. – Charlie respondeu, com desinteresse.

- E aquele? – A loira apontou com o queixo para um outro grupo e Charlie estreitou os olhos.

- Acho que é uma mulher.

Marie fez uma careta e como se tentasse apagar aquele pequeno deslize, se virou para analisar o outro lado da festa. Seus olhos não demoraram a se fixar em um ponto que Charlotte logo descobriu ser um loiro alto e forte o bastante para levantar as duas meninas ao mesmo tempo.

- Aquele.

A decisão na voz de Marie mostrava que ela não estava mais querendo saber a opinião da amiga. No instante em que o loiro retribuiu seu olhar e sorriu sedutoramente, Price marchou em sua direção, deixando Charlie para trás.

Ao invés de se incomodar com a atitude da amiga, a morena apenas balançou a cabeça e riu. Ela estava pronta para se encaminhar até um canto menos movimentado quando a cena a sua frente chamou sua atenção.

No primeiro momento, Charlotte achou que seria apenas mais uma das infinitas paqueras que aconteceriam na festa. Ela tentou se desviar de outras pessoas, mas como o caminho continuava bloqueado, foi inevitável acompanhar a rejeição de Olga até o fim e as íris verdes continuaram presas no rapaz quando ele murchou.

- Uau... – Charlotte bateu palmas e terminou com a curta distância até o rapaz. – Você quer um lencinho ou a sua dignidade de volta? Porque isso foi bastante humilhante.

Baviera não tinha o menor envolvimento com aqueles dois estranhos, mas a cena havia lhe prendido como um filme interessante. Ela mesma já havia cansado de dispensar rapazes antes, afinal não fazia sentido perder tempo com ninguém quando seu futuro como rainha a aguardava. Nos intervalos constantes que o relacionamento com Benji sempre acabava tendo, Charlotte se envolvia com um ou outro em uma atitude birrenta de provocar o futuro rei. Mas ela nunca havia visto alguém parecer tão triste com uma rejeição antes.

Aqueles dois eram completos desconhecidos e provavelmente continuariam daquela forma, mas aquele rapaz havia demonstrado mais sentimentos pela loira do que qualquer outro havia lhe lançado antes. Era quase como se Charlotte estivesse com inveja da atenção que aquela desconhecida havia acabado de dispensar.

- Jura que você vai deixar aquela insossa estragar a sua noite? Ela nem é tão bonita assim. – O nariz de Charlie enrugou em uma careta e ela cruzou os braços ao parar diante de Lukas. – Além de ser alta demais. A girafa ali com certeza tropeça nas próprias pernas. Você deveria dar graças a Deus de ter se livrado dela. Aparentemente, o ego dela consegue ser maior que as varetas que chama de perna. E aqueles saltos? Claramente está tentando compensar alguma coisa.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Set 07, 2016 5:46 am

Nenhuma das belas garotas presentes naquela boate teria o poder de consolar Lukas depois daquela imensa decepção com Olga. Portanto, quando deu meia volta, o rapaz procurava apenas pela porta mais próxima que permitiria que ele saísse daquela festa infernal. As três cervejas agora pesavam em seu estômago e aquele mal estar repentino provavelmente se transformaria em uma ressaca violenta.

O que Krauss não esperava era que uma menina tivesse assistido de camarote a sua humilhação. Como se não bastasse toda a vergonha que ele sentia depois daquele fora, agora Lukas acabava de descobrir que a cena tivera espectadores.

Os olhos castanhos analisaram a morena de cima a baixo, mas não havia nem mesmo uma lembrança de Charlotte em sua memória. Luke não era muito bom com nomes e datas, mas raramente esquecia um rosto. Definitivamente, seu caminho nunca havia cruzado com o daquela menina.

Talvez fosse uma caloura que iniciaria seu curso nas próximas semanas, mas nem aquele completo desconhecimento amenizava o constrangimento do rapaz. Luke não era orgulhoso, mas nem por isso deixaria de se sentir desconfortável com aquela humilhação pública.

- Se você encontrar a minha dignidade por aí, diga a ela que volte bem mais tarde. Não estou pronto para lidar com ela no momento. Daqui a uns vinte anos, talvez...

Não fazia o menor sentido fingir que estava tudo bem. Se a menina realmente acompanhara todo o diálogo, ela certamente sabia que Krauss estava arrasado. Agora ele se sentia um tolo por não ter dado ouvido àquela partezinha de sua mente que vivia repetindo que Olga estava muito acima das possibilidades dele.

Lukas estava pronto para inventar alguma desculpa para se livrar da novata quando foi surpreendido pelos comentários dela. Era engraçado ver que Charlotte havia assumido um lado daquela situação mesmo sem conhecer nenhum dos dois envolvidos. Aliás, ela era inteiramente cômica. O último comentário arrancou um sorriso mais sincero de Luke e levou o olhar dele até os saltos usados pela morena, quase tão grandes quanto os de Olga.

- Ahn... Se você também está tentando compensar alguma coisa, sinto te informar que vai precisar de saltos ainda maiores. Pernas de pau, talvez.

O gesto de Luke foi claramente uma provocação. O sorriso dele ocupava todo o seu rosto quando o rapaz usou o indicador para traçar uma linha invisível, ligando o seu queixo ao topo da cabeça de Charlotte, os dois pontos exatamente na mesma altura, mesmo com os saltos usados pela menina. Ela era realmente muito baixinha, mas era um detalhe que parecia realçar ainda mais a personalidade forte da menina.

- Eu estou brincando!!!

O rapaz ergueu as mãos de forma defensiva, soltando um riso mais relaxado. Aquela conversa divertida com Charlotte milagrosamente estava fazendo com que Lukas se esquecesse da humilhação que acabara de passar com a vizinha.

- Não fique brava, por favor. É nova na faculdade? Eu não me lembro de ter visto você pelo campus... – a mão do rapaz se ergueu diante de Charlotte – Lukas Krauss, vou entrar no segundo ano de Economia. Sim, esta é uma maneira discreta de não dizer que ainda sou um calouro idiota no primeiro ano.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Set 07, 2016 5:47 am

O comentário de Danika a respeito da quantidade de coisas que Benjamin carregava fez com que os olhos azuis vasculhassem as caixas com preocupação, tentando repassar o plano que arquitetara em sua cabeça para identificar a falha.

Ele jamais havia precisado de mudar antes. Quando deixou o palácio para viver no internato, poucas coisas foram empacotadas e quando chegou ao colégio, um novo guarda-roupa já o aguardava devidamente montado. Todo o restante era fornecido pela escola e qualquer necessidade que tivesse, bastava um telefonema para ser atendido.

Como aquele era um mundo completamente novo, Benji realmente se preocupou em estar cometendo um grande erro com as coisas escolhidas para a mudança. A última coisa que ele precisava era de alguém desconfiando da autenticidade da sua história.

O herdeiro do trono Austríaco ainda estava refletindo sobre os seus novos pertences pessoais e no que havia falhado quando o elevador parou, dando início ao histerismo de Danika. As sobrancelhas escuras do rapaz se arquearam e ele logo chegou a conclusão mais óbvia de que Lehman tinha medo de lugares fechados quando o diálogo com o porteiro fez suas teorias mudarem.

- Hey, hey, hey... calma. Você vai acabar se machucando assim, e se for parar no hospital, vai levar mais tempo para chegar em casa.

O timbre gostoso da voz de Benjamin soou pausado e ele realmente tinha a intenção de acalmar a menina apenas com o jeito manso. O elevador era pequeno, de modo que ele não precisou mais do que um passo para alcançar a vizinha. As mãos delicadas foram seguradas pelos seus dedos longos e o rapaz estudou atentamente para se certificar de que não havia nenhum corte.

Só depois que teve a garantia de que Danika não havia se machucado, Benji percebeu o que havia feito, mas ainda assim foi incapaz de soltar as mãos dela. Ele não costumava se preocupar com outras pessoas além de Amelie, mas naquela noite, agiu puramente por instinto.

- Quinze minutos não é o fim do mundo. Tenho certeza que Beth consegue esperar mais um pouco.

Um sorriso reconfortante brincou nos lábios do príncipe e ele acariciou a pele macia com o polegar, mantendo o contato mesmo quando a morena se encostou contra a parede do elevador.

Era adorável a forma com que Lehman se preocupava com um bichinho de estimação. Ela cozinhava bem, trabalhava mais do que qualquer um que ele conhecia, conseguia ficar linda mesmo sem um pingo de vaidade e tinha uma enorme necessidade de se mostrar independente. Benji já havia notado que a vizinha era diferente da maioria das meninas que ele conhecia, mas Nika se mostrava mais singular a cada nova característica atribuída a ela.

- Tente não pensar no que pode estar acontecendo lá dentro. Estará tudo exatamente como você deixou e só o que vai conseguir em se preocupar é alguns fios brancos. Tente conversar comigo, vai fazer o tempo passar mais rápido, eu prometo.

Os olhos azuis encaravam diretamente os castanhos, sem dar a chance para que ela desviasse a atenção. A técnica era bastante simples e havia sido aprendida no serviço militar. Em teoria, era usada para distrair soldados feridos da dor, mas Benji achou bastante apropriada para tirar o foco do que deixava Danika apreensiva.

- Por que você não me fala sobre a Beth? Como ela é? Aliás, de qual raça? – Antes de esperar a resposta, Benji já respondeu com o seu tom divertido, usado para distrair a menina. – Aposto que é alguma vira-lata que você resgatou, estou certo?
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qua Set 07, 2016 6:55 am

A técnica aprendida por Benjamin durante o serviço militar se mostrou bastante eficaz no início. Danika retribuiu ao olhar firme do vizinho e, por alguns segundos pareceu se acalmar. Os dedos compridos que deslizavam pelas mãos dela também contribuíam para que a morena se distraísse. Lehmann estava pronta para contar a Müller como Lisbeth era quando foi surpreendida pela maneira como o rapaz conduziu a conversa.

Um animalzinho de estimação. Benjamin tinha concluído que Beth era um cachorro, ou talvez uma gatinha. Aquela confusão teria arrancado uma risada de Danika se ela não estivesse tão aflita e desesperada. Naquele contexto caótico, tudo o que a romena sentiu foi raiva por aquela comparação ofensiva.

- Vira-lata??? Você chamou a minha Beth de vira-lata???

As mãos de Nika foram puxadas de forma súbita, interrompendo o contato com Benjamin. Toda a concentração obtida com a técnica dele se perdeu no instante em que Danika apoiou as mãos nos ombros do rapaz e o empurrou para trás, afastando-o com nenhuma delicadeza.

- Quem você pensa que é? Se você chamar a minha bebê de vira-lata novamente, eu acabo com você! Seu grande idiota! E não me peça para ficar calma! Eu não devia ter entrado neste maldito elevador!

Provavelmente era a primeira vez que alguém falava com o herdeiro do trono austríaco daquela maneira. No passado, Cristoph costumava usar uma entonação mais firme para repreender o filho depois de suas travessuras, mas o rei estava “acima” do jovem príncipe. Era a primeira vez que Benjamin ouvia críticas e xingamentos de alguém que teoricamente estava muito abaixo dele naquela pirâmide social.

Antes que Danika voltasse a berrar histericamente, as luzes internas do elevador se acenderam. A mão dela foi imediatamente até o painel e apertou repetidas vezes o botão do quinto andar. O olhar mortal que ela lançou na direção de Benjamin deixava claro que ele ficaria sem os dedos se atrevesse a atrasar a subida dela com uma parada no terceiro andar.

Lehmann já estava no corredor antes mesmo que as portas do elevador terminassem de se abrir por completo. As mãos trêmulas da moça vasculharam os bolsos da calça de moletom até encontraram o chaveiro. Não foi fácil encaixar a chave na fechadura com tamanha tremedeira, mas ainda assim Nika conseguiu abrir a porta do apartamento.

Os piores cenários já tinham passado pela cabeça da jovem mãe naqueles poucos minutos presa no elevador. Quando abriu a porta, Danika temia encontrar a filha caída e machucada depois de uma tentativa de subir no sofá. Também não era possível descartar a chance de Lisbeth ter engatinhado até a cozinha, puxado o forro da mesa e sido atingida na queda da fruteira. A criança também poderia ter tomado um choque violento se puxasse a tomada da televisão.

Por isso, Nika sentiu-se privilegiada por um milagre quando os olhos castanhos captaram a imagem da garotinha inteira, ainda sentada no tapete, chupando uma das mãozinhas enquanto nem piscava diante de um desenho animado barulhento.

Lágrimas de alívio rolaram pelo rosto de Lehmann e ela não se preocupou em fechar a porta enquanto corria para perto da filha. Danika caiu de joelhos ao lado da menina e a puxou para seus braços. Alheia ao desespero da mãe, Lisbeth virou a cabecinha na direção da tela para não perder os últimos minutos do desenho.

- Me desculpe! Ah, princesinha, desculpa a mamãe! Eu nunca mais vou fazer isso, eu prometo!

Só depois daquele desabafo, as batidas do coração de Lehmann se acalmaram. Sua visão periférica captou um movimento próximo à porta entreaberta e Nika sentiu as bochechas queimarem ao ver que o novo vizinho estava ali. É claro que ela não sentia vergonha de Lisbeth, mas sim da maneira como surtara e ofendera Benjamin dentro do elevador.

Embora soubesse que um bebê praticamente anularia qualquer pequena chance que ela pudesse ter com Müller, esta não era uma das preocupações de Nika naquele momento.

- Meu Deus, você deve estar achando que eu sou completamente louca. Eu simplesmente parei de raciocinar, só conseguia pensar nela aqui sozinha. Me desculpe mesmo, Benjamin.

Quando se aproximou de Benjamin levando a filha no colo, Nika não deu a ele mais nenhuma razão para se confundir. A semelhança era grande demais para que a moça pudesse passar por uma tia, irmã ou babá da garotinha. O desespero dela também era típico de uma mãe superprotetora.

- Esta é a Lisbeth. Ela já estava dormindo naquela outra noite, por isso você não a conheceu. – Nika se permitiu uma brincadeira para aliviar o clima com o vizinho – A Beth não tem uma raça nobre, mas vira-lata foi demais, Benjamin. Qualquer mãe surtaria!
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Set 07, 2016 6:32 pm

O primeiro contato com Krauss havia sido apenas de forma instintiva, afinal, Charlotte nunca se incomodou antes de se meter nos assuntos de outras pessoas. Mesmo que fossem dois completos estranhos em uma boate que ela jamais voltaria a encontrar.

Para surpresa da herdeira dos Baviera, o rapaz conseguiu ser simpático, e mesmo o comentário a respeito da sua estatura, que normalmente era um assunto que a transformava em fera, foi recebido com um sorriso e um girar de olhos.

Os olhos esverdeados encararam a mão estendida a sua frente por alguns segundos antes de Charlotte finalmente retribuir o cumprimento, deixando seus dedos delicados quase sumirem nos de Lukas.

- Charlotte Baviera. E não, não sou nenhuma caloura.

A careta que a morena fez com a última informação deixava claro que aquela ideia era absurda. Como o rapaz ainda precisaria de uma resposta e Charlie não tinha a menor pretensão de dizer que estava ali atrás de um ex-namorado como se fosse uma psicopata, ela se limitou a acrescentar, inclinando com a cabeça para o centro da pista, onde Marie se confundia com o rapaz loiro de tão grudados que estavam.

- Estou de férias com uma amiga. Ela insistiu em vir aqui. Aparentemente, o melhor ponto turístico da cidade é uma boate cheia de universitários.

Os olhos verdes se voltaram para Lukas e ela estudou o rapaz com mais atenção. Marie certamente teria aprovado Krauss de imediato. Ele ainda tinha um ar de menino e um sorriso doce, mas seu porte físico era muito bem trabalhado e arrancaria suspiros de qualquer mulher que não estivesse com a visão prejudicada.

Charlotte não se preocupou se seu olhar estava se demorando demais no corpo de Lukas. A herdeira dos Baviera estava acostumada a fazer o que bem entendesse e não ser recriminada por isso, de modo que se ela quisesse devorar o rapaz com os olhos por mais alguns segundos, era exatamente o que faria.

Quando os olhos verdes se encontraram novamente com os castanhos, Charlie inclinou a cabeça para o lado, fazendo os longos cabelos negros penderem em seu ombro e quase alcançar os cotovelos.

- Acho que ela estava certa.

Lukas era exatamente o que Marie havia lhe sugerido. Um rostinho bonito, um corpo delirante e uma distração perfeita para uma noite. Muitos Lukas já haviam passado pela vida de Charlotte durante os “intervalos” do seu relacionamento com Benjamin e aquele era mais um momento ideal de colocar de lado o seu futuro com o príncipe austríaco e se divertir antes de assumir a responsabilidade como rainha.

- Mas então, Lukas que vai entrar no segundo ano de Economia... Você pretende passar o resto da noite chorando pela vareta insossa daquela loira falsa ou vai aproveitar a sorte de ter esbarrado em uma mulher de verdade?
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Set 07, 2016 7:31 pm

Com exceção de Olga Sturm, Lukas não costumava ter tantas dificuldades quando o assunto era garotas. Embora estivesse longe de ser um conquistador que colecionava corações partidos, Krauss já tivera várias namoradinhas e não costumava ficar sem companhia em festas. Mas ele nunca conhecera nenhuma menina nem minimamente parecida com Charlotte Baviera.

A baixa estatura da garota era compensada por uma personalidade forte e um comportamento anormalmente seguro e determinado. Charlotte não parecia gostar do joguinho de conquista que as garotas dominavam. Além de saber muito bem o que queria, Baviera não via nenhum problema em expor suas vontades e nem em tomar uma iniciativa.

A sugestão dela deixava muito claro que o único objetivo de Charlotte naquela noite era se divertir. A garota fez questão de reforçar que estava de passagem pela cidade e que, muito provavelmente, não retornaria a Leoben. Contudo, Lukas não encarou aquilo como um problema. Muito pelo contrário, a última coisa que Krauss queria depois da decepção com Olga era uma nova paixão. Uma noite de diversão com uma bela desconhecida que não lhe exigiria nem uma mensagem no dia seguinte era tudo o que Luke precisava para se sentir menos miserável.

A pista de dança estava lotada, mas os dois jovens não tiveram dificuldade em abrir espaço no meio do tumulto. A música eletrônica soava ainda mais alta naquele ponto do salão e tornava praticamente impossível qualquer tentativa de conversar. Mais uma vez, aquele não foi um problema para Krauss. Se seria só uma noite de diversão, o rapaz não via motivos para colher mais informações sobre Charlotte.

Assim como Baviera fizera há poucos minutos, os olhos castanhos desceram demoradamente pelo corpo da garota enquanto os dois se mexiam no ritmo animado da música. Charlotte era linda, nenhum rapaz naquela boate questionaria a perfeição das curvas dela e a delicadeza de seus traços. Os olhos verdes brilhavam em contraste com as luzes coloridas da pista de dança e ela parecia saber muito bem o que fazer durante a dança para prender ainda mais a atenção do garoto.

Lukas não ganharia um grande prêmio por suas habilidades de dançarino, mas ele também não se comportou como um típico rapaz travado que não sabia o que fazer com os próprios pés. O sorriso que brincava nos lábios de Krauss e o olhar intenso pousado em Charlotte mostravam que, pelo menos naquele momento, Olga Sturm deixara de ser um problema para ele.

No começo, os dois jovens dançaram de frente um para o outro e mantinham uma distância considerável entre os corpos. Mas não demorou até que as mãos se unissem. Lukas entrelaçou seus dedos aos da menina enquanto girava o corpo de Charlotte e foi num daqueles giros que ele a puxou mais para perto, terminando de colar os corpos.

Foi preciso inclinar um pouco a cabeça para baixo até que Lukas conseguisse encostar sua testa na dela. Os braços de Krauss a enlaçavam com firmeza pela cintura fina, seus dedos compridos sentindo a maciez da pele de Charlotte sobre o tecido dourado do vestido. Sem interromper a dança, Luke inclinou ainda mais o rosto até que pudesse sentir o hálito quente da menina se chocando contra seus lábios.

Mais meio centímetro e o beijo aconteceria, mas o que Lukas fez foi novamente segurar a mão de Charlotte para girar o corpo da garota. O semblante irritado dela arrancou uma gargalhada de Krauss, mas o rapaz abraçou Charlie por trás antes que ela tivesse a chance de fugir depois daquela provocação.

Com a ponta do nariz, Lukas arrastou os fios negros da menina para o lado, abrindo um tentador caminho de pele no pescoço dela. O perfume dos cabelos macios arrancou um arrepio de Luke e fez seus lábios se curvarem instintivamente num sorriso bobo.

- Eu não vou perder tempo dizendo o quanto você é maravilhosa. Você sabe disso.

A música continuava alta, mas as palavras de Lukas conseguiram atingir os ouvidos de Charlotte porque as sílabas foram pronunciadas com os lábios dele colados na orelha da menina. Krauss realmente não via a menor necessidade de encher Charlie de elogios, como normalmente faria com qualquer outra garota. A segurança demonstrada por Baviera deixava claro que ela tinha plena consciência das próprias qualidades e sabia usá-las muito bem.

Com mais um movimento firme, o corpo de Charlotte foi girado até que os dois estivessem frente a frente novamente. Desta vez, não houve hesitação ou provocações. O olhar intenso que oscilou entre as íris verdes e os lábios da menina denunciava que Lukas iria até o fim daquela vez.

O encaixe dos lábios foi perfeito, assim como a sintonia dos movimentos. Qualquer um que assistisse a cena teria dificuldade de acreditar que aquele era o primeiro beijo do jovem casal. Havia uma inegável harmonia, como se um deles fosse capaz de prever qual seria o próximo movimento do outro.

Toda a insegurança provocada por Olga evaporou no instante em que Lukas tomou Charlotte Baviera em seus braços. Ele não parecia ser um rapaz que havia acabado de levar um doloroso fora quando enlaçou a garota com firmeza, um dos braços envolvendo a cintura fina de Charlie enquanto a outra mão mergulhava nos fios escuros dos cabelos dela. Os dedos compridos logo alcançaram a nuca da menina e a presentearam com uma massagem sob os fios negros enquanto os lábios e as línguas ainda trabalhavam de forma incansável durante o beijo.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qua Set 07, 2016 8:46 pm

O estado alterado de Danika obrigou Benjamin a seguir seus passos quando o elevador terminou de abrir a porta. A vizinha já havia dado um chilique e qualquer outro homem teria dado as costas e voltado para casa após ser tratado daquela forma. O futuro rei da Áustria estava ainda menos acostumado a ter alguém gritando com ele, mas a última coisa que precisava era criar inimizades no prédio de Luke.

O máximo que o jovem príncipe havia presenciado era a insatisfação de Charlotte, mas mesmo com a personalidade forte da ex-namorada, ela não ousava bater de frente com o herdeiro do trono.

Era inédito que alguém o tratasse daquela forma, mas antes que perdesse tempo demais analisando sobre aquele detalhe, a mente de Benji já havia mudado o foco para tentar compreender o comportamento de Lehman.

A porta do apartamento das meninas foi deixada aberta, de modo que Benji não se intimidou ao parar diante da sala que ele já conhecia. As sobrancelhas escuras imediatamente se arquearam em surpresa ao ver a bebê sentada diante da televisão e logo toda a tensão de Danika fez sentido.

Ele tinha certeza absoluta que não havia nenhum sinal de um bebê quando jantou ali em seu primeiro dia, mas a ideia de que a criança havia brotado da noite para o dia era completamente ilógica.

A criança era uma cópia da mãe, mesmo com seu olhar inocente e sua atenção inteiramente voltada para o desenho animado. Benjamin só não se lembrava de nunca ter visto uma criança tão de perto antes.

O último bebê que ele havia visto com os próprios olhos era Amelie, mas ele também era um menino, de modo que os pais jamais deixaram que ele ficasse com a irmã nos próprios braços. Desde então, sua vida se resumiu ao internato e bebês eram vistos apenas na televisão ou em fotos.

A pouca idade de Danika também contribuía para a surpresa de Benjamin. Ele nunca teria imaginado que alguém pudesse ser mãe com tão pouca idade. Imediatamente, seu olhar passou pelo apartamento como se a vizinha também estivesse escondendo o pai da criança ali, mas a presença de um homem não justificaria o seu desespero no elevador.

- Ela é sua. – Benji concluiu, sem esconder a surpresa, enquanto seus olhos azuis passavam da bebê para a mãe. – Uau, eu me sinto um grande idiota.

Um riso nervoso escapou dos lábios do príncipe. Mais uma vez, aquele era um sentimento inédito. Ninguém jamais permitiria que o futuro rei se sentisse tão bobo por tamanho deslize, mas era impossível não se envergonhar depois de ter confundido a filha de Danika com um bichinho de estimação.

- Sinto muito, Danika. Eu não fazia ideia de que você já era mãe. É lógico que você estaria surtando...

Benjamin deslizou a mão pelos cabelos escuros e sorriu para a bebê, que finalmente havia virado a cabecinha para encarar aquele estranho. Uma das mãos dela estava molhada e os dedos ainda brincavam em sua boca. Lisbeth apoiou a cabecinha no ombro da mãe, sem desviar o olhar do homem.

- Ela definitivamente não é uma vira-lata. É a bonequinha mais adorável que eu já vi...

O sorriso amarelo do príncipe se tornou mais encantador quando a menina mexeu os lábios e sorriu em sua direção, mostrando uma covinha em uma das bochechas.

- Não era minha intenção ofender. Eu também teria gritado comigo mesmo depois dessa gafe.

O futuro rei voltuo a encarar Danika e Benjamin tentou se comportar o mais social possível, sem demonstrar o conflito interno enquanto tentava entender porque estava se sentindo repentinamente decepcionado.

- Só não conte isso ao pai dela. Se uma mãe surtaria, o pai provavelmente me chutaria para fora do prédio e eu realmente preciso dessa vaga na casa do Lukas.
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Re: The Royals

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Set 07, 2016 9:30 pm

O único namorado oficial que Charlotte tivera em toda sua vida era o príncipe Benjamin. Era tolice dizer que nunca houve sentimento entre os dois. Quando se conheceram, ainda crianças, Charlie enxergou em Benji um príncipe dos contos de fada e, como qualquer menina da sua idade, suspirava por uma chance com ele.

Era impossível dizer exatamente quando o sentimento havia se transformado apenas no interesse de um dia usar a coroa de rainha da Áustria. Pode ter sido a sua ambição que destruiu o amor que tinha por ele, ou simplesmente o relacionamento foi se desgastando com as constantes brigas e em algum ponto, eles só continuaram juntos porque estavam acostumados com a presença um do outro.

Apesar disso, a lista de rapazes que já haviam passado pelos braços de Charlie era considerável. E nunca, nenhum deles e nem mesmo Benjamin, despertaram nela a mesma sensação que o beijo de Lukas.

O restante do mundo desapareceu e Charlotte se aproximou ainda mais dele para intensificar o beijo. A química era inegável e quando os lábios finalmente se soltaram, a menina estava ofegante e ligeiramente corada.

Qualquer intenção de encontrar Benjamin já havia sido completamente esquecida. Se despedir de Marie foi uma tarefa ainda mais simples quando a amiga estava tão envolvida com o seu loiro que não se importou de ter o quarto do hotel só para si naquela noite.

Baviera estava tão envolvida nas sensações que Krauss despertava que sequer pensou em desistir de terminar aquela noite no apartamento do rapaz. Não precisava pensar muito para saber que um apartamento de um universitário não seria suficiente para trazer o conforto que ela estava acostumada, mas era exatamente o que precisava naquela noite.

Os dois entraram aos tropeços no apartamento escuro e chegaram a virar uma caixa de papelão lotada que estava esquecida próxima do sofá. A porta do quarto de Lukas foi fechada com mais força do que o necessário, mas nenhum dos dois pareceu em se importar enquanto lutavam para tirar as peças de roupa.

Depois de ter livrado Krauss da camisa, Charlie se virou para que ele abrisse o zíper do vestido dourado e deixou a peça deslizar pelos seus quadris até atingir o chão. A maioria das mulheres se sentiria insegura em estar diante de um cara usando apenas roupa íntima e saltos, mas o sorriso seguro de Charlotte mostrava que ela não era como a maioria das mulheres.

A intenção de sair e encontrar universitários para se divertir era exclusiva de Marie, mas naquela noite, Charlotte estava imensamente feliz em ter dado ouvidos à melhor amiga.

Quando os dois desabaram no colchão, longos minutos depois, a respiração entrecortada mostrava que estavam exaustos. Os cabelos negros estavam desalinhados e a pele pálida havia ficado com algumas marcas vermelhas dos toques e beijos de Lukas. Mas ainda assim, a herdeira dos Baviera exibia um largo sorriso quando deslizou para fora da cama e puxou o vestido dourado para se vestir.

- Eu acho que você acabou de recuperar mais do que só a sua dignidade, lindinho.

Charlotte deu a volta até se sentar na beirada da cama do lado de Lukas, exibindo o fecho aberto em um pedido mudo para que ele fechasse o vestido enquanto segurava os cabelos longos no topo da cabeça.

- E você está certo, eu não preciso de elogios. Mas me arrisco dizer que você não dispensaria alguns hoje...

Os cabelos negros foram soltos, caindo imediatamente sobre suas costas, e a mão de Charlotte foi direcionada até pousar no peito nu do rapaz, acariciando os músculos sem o menor pudor.

- E esse abdome definitivamente merece um elogio. Quer um conselho, lindinho? Continue malhando, faz um bem danado.
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Re: The Royals

Mensagem por Danika Lehmann em Qua Set 07, 2016 9:32 pm

Apesar dos dois empregos e das gorjetas, Danika não teria a menor condição de pagar todas as contas daquele apartamento sem a ajuda de Olga. O prédio era simples e o imóvel era pequeno, mas os gastos de Lehmann com a filha impossibilitavam que ela realizasse o sonho de ser independente. Lisbeth estava crescendo cada vez mais rápido, o que obrigava a mãe a comprar roupinhas novas todos os meses. Além disso, havia os gastos com fraldas, com a creche, produtos específicos para bebês, consultas médicas.

Se algum dia a paciência de Olga se esgotasse e a loira se mudasse para outro apartamento onde não tivesse que dividir espaço com um bebê, Nika simplesmente não sabia o que faria. Provavelmente teria que alugar um apartamento muito menor em um bairro periférico, ou então retornar para a rotina infernal de Viena.

Exatamente por isso, a romena evitava ao máximo causar qualquer transtorno à colega de quarto. O apartamento era mantido sempre impecavelmente organizado, as coisinhas de Lisbeth ficavam apenas no quarto da mãe e nem mesmo um brinquedo era deixado na sala quando Olga estava por perto. Era totalmente aceitável que Benjamin Müller não tivesse encontrado nenhum sinal da presença de um bebê na primeira vez que visitara aquela casa.

- Está tudo bem, Benjamin. Não tinha como você saber, não é? Eu que peço desculpas por ter perdido o controle.

Danika já estava acostumada com aquela expressão de espanto porque era assim que a maioria das pessoas costumava reagir quando descobriam a existência de Lisbeth. Benjamin não era o primeiro rapaz que passava pela vida de Nika depois do nascimento da menina, e também não seria o primeiro a fugir ao saber sobre aquela surpresa que usava pijaminha rosa.

Como de costume, Lisbeth se comportou bem mesmo diante de um rosto estranho. A garotinha sempre fora um bebê calmo e risonho, para grande alívio da mãe. Exatamente por Nika ter precisado colocá-la em uma creche ainda tão pequenininha, Lisbeth se tornara um bebê sociável que quase nunca estranhava alguém.

O clima leve se desfez no instante em que Müller mencionou o pai de Lisbeth. O sorriso aliviado de Danika se quebrou e ela respirou fundo, adquirindo um semblante mais pesado que já indicava que o assunto não era agradável. Aquela era uma nova gafe do novo vizinho, mas Benjamin não tinha culpa por desconhecer o passado turbulento da garota.

- A Beth não tem pai.

A afirmação de Danika soou tão firme e definitiva que inicialmente deu a impressão de que ela estava colocando um fim no assunto. Depois de um novo suspiro pesado, a morena decidiu explicar. Até porque era óbvio que Benjamin conseguiria aquelas respostas no instante em que Lukas chegasse da festa na universidade.

- Não estamos mais juntos e ele não assumiu o bebê. Ele nunca a quis, então eu já sabia que seria assim no instante em que decidi levar a gravidez em frente. Eu realmente não quero entrar em detalhes, Benjamin. Só preciso dizer que estamos muito melhor sozinhas.

Aquela novidade explicava muito sobre a rotina dura de Danika. Ela estava completamente sozinha em um país estranho, tendo que arcar com todas as despesas e criar um bebê sem receber do pai da criança nenhum tipo de apoio. Era uma situação ligeiramente parecida com a Hilda Krauss, exceto pelo fato de que Hilda sempre tivera o apoio da família e que Cristoph nunca lhe negara suporte financeiro.

- Eu realmente sinto muito pelo meu comportamento no elevador, Benjamin. Mas não vou te atrasar mais, imagino que terá uma longa noite ajeitando as suas coisas no novo quarto, não é?

O sorriso voltou a brotar nos lábios de Lehmann quando ela voltou a atenção para a filha. Os grandes olhos azuis de Lisbeth estavam presos no estranho e ela o encarava com curiosidade.

- Não vai se despedir do tio Benji, Beth? – Nika sacudiu a própria mão para incentivar a menina – Ele vai achar que a mamãe não te ensinou a dar tchau.

Depois de alguns poucos segundos de hesitação, Lisbeth ergueu a mãozinha direita e acenou para Benjamin, abrindo um largo sorriso que exibiu todos os dentinhos que começavam a nascer na gengiva rosada.

- Eu vou colocá-la na cama, mas ainda tenho muito o que fazer por aqui. Pode subir se precisar de qualquer ajuda com a mudança, eu nunca durmo cedo.
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Re: The Royals

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Set 07, 2016 10:21 pm

A concordância dela em terminar aquela noite no apartamento do rapaz não foi uma surpresa para Lukas. Charlotte já havia deixado muito claro que não era como as outras garotas e que não gostava de joguinhos ou de convenções sociais. Os dois estavam se entendendo tão bem na boate que seria um desperdício não aproveitar tudo o que aquela noite tinha para oferecer.

Krauss estava tão inebriado pelo momento e tão excitado por Charlotte que sequer notou que a caixa de papelão atropelada no caminho até o quarto não pertencia a ele. Quando arrastou a garota para sua cama, a última coisa que passava pela cabeça de Lukas era que já havia alguém ocupando o quarto ao lado naquela noite.

As três cervejas da boate não comprometeram em nada o desempenho do rapaz naquela noite. Muito pelo contrário, ele se mostrou incansável e parecia conhecer a dose certa da mistura de ousadia e carinho. Embora demonstrasse segurança em cada um de seus gestos, o brilho nos olhos de Luke não disfarçava o quanto ele estava maravilhado em ter uma menina como Charlotte Baviera em sua cama.

A respiração de Krauss ainda estava ofegante quando ele se colocou sentado no colchão e atendeu ao pedido mudo da moça. Seus dedos não tiveram pressa e aproveitaram o movimento de fechar o zíper para tocar novamente a pele pálida e macia de Charlie.

- No momento, a minha dignidade está um pouco ocupada tentando entender como você pode ser tão gostosa.

Lukas repetiu o mesmo gesto da boate e usou o nariz para arrastar os cabelos de Charlotte para o lado. Seus lábios buscaram o pescoço da garota e o beijo depositado ali deixou mais uma marquinha na pele pálida.

O elogio de Baviera fez com que os olhos castanhos do rapaz se voltassem para o próprio abdome definido. Lukas até costumava frequentar a academia do prédio com alguma frequência, mas o fato de fazer parte do time de futebol da universidade era o maior responsável pelos músculos bem definidos do rapaz.

- Eu nunca dispenso elogios, ainda mais vindos de mulheres anormalmente bonitas que invadem a minha cama.

Normalmente, aquele era o momento em que Lukas deveria fazer o convite para que Charlotte passasse o resto da noite com ele. Mas o rapaz se obrigou a pensar que ela não era como as outras garotas e que os dois nunca iriam evoluir a relação para além daquela transa. Não fazia o menor sentido que eles dormissem juntos e corressem o risco de se envolverem emocionalmente quando já estava previamente combinado que aquela noite não passava de diversão.

- Vem, vamos comer alguma coisa antes de você ir. Se você está com tanta fome quanto eu, não vai conseguir chegar nem na calçada!

Como nem imaginava que não estava sozinho no apartamento, Luke vestiu somente a cueca antes de entrelaçar os dedos aos de Charlotte e puxá-la para fora do quarto.

A cozinha do apartamento chegava a ser ridícula de tão minúscula quando comparada aos cômodos aos quais Baviera estava habituada. Mas era ainda mais surpreendente a habilidade que Krauss demonstrava. Os rapazes que faziam parte do círculo social de Charlotte precisariam de uma empregada se quisessem ferver uma água, mas Luke preparou dois sanduíches enormes em menos de cinco minutos. Uma garrafa de suco de laranja foi retirada da geladeira e Lukas só teve noção de que os dois não estavam sozinhos quando os olhos castanhos captaram alguns itens que não estavam ali naquela manhã. Definitivamente, Luke jamais compraria aquele iogurte de marca que custava três vezes o preço de um iogurte normal.

- Puta merda. Acho que meu novo colega de quarto está em casa. Eu achei que ele só viria amanhã. – o rapaz abriu um sorrisinho divertido enquanto girava os olhos e mostrava o iogurte para a morena – Bom, se ele me encher o saco eu posso usar isso como argumento. Um cara que toma iogurte para ajuste de flora intestinal não tem moral pra reclamar de nada.

Antes de entregar um copo de suco para Charlotte, Lukas se inclinou e roubou mais um beijo dela. Ele estava se esforçando para não se envolver demais, mas era impossível não aproveitar ao máximo a companhia de Charlie naquela noite.

- Eu realmente não sei de onde você saiu, Charlie. Mas você era tudo o que eu precisava hoje.
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Re: The Royals

Mensagem por Remus J. Lupin em Qui Set 08, 2016 12:06 am

O quarto que agora pertencia a Benjamin Müller era muito pequeno para os padrões de um príncipe. O rapaz não se lembrava de já ter estado em um cômodo tão pequeno e se surpreendeu como alguém conseguiria viver ali confortavelmente.

Quase todas as caixas trazidas do elevador estavam agora enfileiradas no chão do quarto escuro. Um abajur deixado para trás por Franz iluminava o cômodo escuro enquanto Benji tentava enfiar as roupas nos cabides e pendurá-las no estreito guarda-roupa que agora lhe pertencia.

Ao menos a cama era de casal, mas o rapaz se surpreendeu com a espessura do colchão exposto. Os lençóis comprados por Marcus estavam dobrados na ponta, junto com seu novo travesseiro, mas era pouco provável que a nova roupa de cama fosse minimizar um pouco o estrago que as molas velhas do colchão causariam à sua coluna.

A janela não era muito grande e tinha vista para os fundos do prédio. O vidro havia emperrado, impossibilitando Benjamin de abri-la mais do que alguns poucos centímetros e ele não havia pensado em comprar uma cortina, de modo que assim que os primeiros raios de sol alcançassem aquela área, ele seria acordado pela claridade.

Enquanto tentava distribuir seus novos pertences no quarto e que aos poucos ia ganhando um ar mais pessoal, embora ainda muito diferente de qualquer coisa do mundo de Kensington, a mente de Benjamin vagava até o quinto andar.

Ele precisava admitir que estava impressionado com a força e coragem de Danika. Para alguém acostumado a ter tudo aos seus pés, Benjamin não fazia ideia de que era possível trabalhar tanto e ainda ter energia para cuidar sozinha de um bebê. O mais impressionante era a pouca idade de Lehman que não condizia com a maturidade que a vida já lhe exigia.

As meninas que Benjamin conhecia só pensavam em diamantes, festas e uma boa publicação em alguma revista qualquer. Elas não precisavam se preocupar com o futuro, o dia seguinte sempre estaria garantido. Precisar acordar todos os dias e lutar pelo próprio bem-estar e pela segurança da filha deveria ser aterrorizante.

Mais de uma hora havia se passado e Benjamin sequer percebeu que havia pensado em Danika todo o tempo. Ele foi interrompido da sua tarefa de arrumar o quarto e refletir sobre a vida da vizinha quando os barulhos da sala chamaram sua atenção.

O estrondo da caixa sendo revirada fez um alerta soar em sua cabeça e seu primeiro pensamento foi que Marcus não estava por perto para protege-lo. Leoben era uma cidade tranquila e com baixíssimo índice de criminalidade. O bairro de Lukas era considerado um dos mais seguros, lotados de universitários que não possuíam coisas de valor que pudessem ser roubadas. Mas era a primeira vez que Benjamin estava sozinho e era impossível não cogitar uma invasão.

A porta do quarto de Lukas bateu com força no instante em que a cabeça do príncipe invadiu o corredor, encontrando a sala vazia. Logo, gargalhadas femininas entregaram o que realmente estava acontecendo e os ombros de Benji relaxaram. Um sorriso de aprovação chegou a brincar em seus lábios.

Naquela avalanche de novidades que vinha acontecendo em sua vida desde que pisara na cidade, Benjamin também experimentou pela primeira vez uma pontada de inveja. Lukas também carregava nas suas veias o sangue nobre de um rei, mas ao contrário do filho legítimo, ele nunca precisou dar satisfação da sua vida para ninguém. Era um rapaz jovem e um universitário típico, mas que podia fazer o que bem entendesse sem ter um segurança colado na sua sombra.

Lukas havia sido privado da riqueza e dos títulos, mas ele havia tido algo que Benjamin jamais sonhara em ter. Só agora, carregando o sobrenome Müller, Benji conseguia ver a esperança de experimentar aquele lado livre da vida. Seu objetivo em Leoben era se aproximar do irmão, mas nada o impedia de ser livre também.

Quando os gemidos e os risos do quarto de Luke continuaram, Benjamin usou aquilo como a desculpa perfeita. Ele tentou fazer o máximo de silêncio possível enquanto mexia nos armários e buscava alguns ingredientes antes de sair do apartamento. Desta vez, o elevador sequer foi cogitado para subir até o quinto andar.

As batidas na porta do apartamento das meninas soaram tímida, mas era apenas o medo de que acabasse acordando Lisbeth se fosse estrondoso demais. O tempo que Danika levou para abrir a porta fez Benjamin quase se arrepender daquela impulsividade. A moça provavelmente estava cansada e já havia ido se deitar, o convite certamente havia feito apenas por educação. Mas quando ele já estava desistindo daquela ideia absurda, o rosto da morena entrou em seu campo de visão.

- Hey... – Ele abriu um largo sorriso para tentar esconder a falta de educação por estar na porta dela no meio da madrugada. – Você disse que ainda iria demorar para dormir e... Bom, acho que o Luke está com uma menina no quarto e eles não estão sendo nada discretos.

Benjamin enrugou o nariz em uma careta, mas logo ergueu os braços para mostrar os ingredientes que estava carregando. Ele era esperto demais para saber que só estava arrumando uma desculpa para ficar mais algum tempo ao lado daquela curiosa vizinha, mas aquilo não significava que não poderia se aproveitar da situação.

- Além do mais, você disse que iria preparar um sanduíche e eu estou morrendo de fome. Está muito tarde para prepara rum pra mim também?
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