Alpha Pack

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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Jul 10, 2016 8:49 pm

Desde o incidente na escola, se tornou frequente as conversas entre Damien e Maximilian. O rapaz agora tinha alguém para lhe ensinar um pouco daquele novo universo e não precisava mais enfrentar tudo sozinho.

Com a discussão com os Sullivan, Scott precisou ainda mais do apoio da alcateia de Cavendish e se surpreendeu quando conheceu alguns dos integrantes daquele grupo. Qualquer um que visse de fora, perceberiam que eram apenas bons amigos, com suas próprias vidas, mas que claramente possuíam um elo.

Logo Damien percebeu que alguns dos integrantes viviam em sua sombra, como se estivessem sempre vigiando, esperando que ele fizesse alguma besteira. Não precisava ser um gênio para perceber que estavam seguindo ordens de Max, mas que estavam realmente preocupados com ele. Cada um daqueles rapazes já havia passado pelo que Damien enfrentava e sabiam como poderia ser difícil enfrentar as primeiras mudanças.

- Se você vai ficar me vigiando, pelo menos fique mais confortável.

Damien bufou quando percebeu o reflexo de Jack do lado de fora da janela. O rapaz estava sentado na escada externa, usada para casos de emergência e não pareceu nada intimidado quando Scott abriu a janela para que ele entrasse no quarto do rapaz.

- Como se eu fosse ficar muito confortável nesse seu colchão fedido. – Jack girou os olhos, mas contrariando as próprias palavras, se jogou confortavelmente na cama de Damien, sem se importar com as roupas e a bota pesada.

- Qual é, depois que se vira lobisomem, não se tem mais vida? É sábado, você não tem mais nada para fazer? Vai arrumar uma namorada, um namorado, sei lá.

- Cara, você tá com um humor péssimo. E umas olheiras bem ruins também. – Jack se apoiou no cotovelo para observar o rapaz.

Os cabelos de Damien ainda estavam molhados e ele vestia uma calça preta, contrastando com a camisa branca de mangas que alcançavam seus pulsos. A camisa era inteiramente lisa, apenas com três botões perto da gola que estavam abertos, exibindo um pedaço da pele do rapaz. Um relógio estava preso em seu braço esquerdo e Scott estariam extremamente atraente se não fosse sua expressão cansada.

Com o distanciamento de Francesca, ele se sentia completamente destruído. Era impossível dormir sem ter pesadelos e muitas vezes ele preferia se manter acordado do que enfrentar os sonhos ruins e tão reais. Além da paz que Sullivan sempre trazia, Damien sentia seu peito destruído com a saudade dela.

Parecia loucura ser tão dependente de alguém, mas Damien tinha certeza que enlouqueceria se passasse mais um dia longe da menina. Ele sentia em cada parte do seu corpo, fisicamente, que cederia se estivesse longe dela por mais tempo.

- Só estou me sentindo cansado. – Ele resmungou, encarando o próprio reflexo no espelho.

- Então porque está vestindo isso, e não pijamas? Você deveria tentar dormir.

Damien girou a cabeça por cima do ombro para encarar o rapaz em sua cama. Era fácil notar que Jack estava tentando esconder logo e Scott não tinha a menor paciência para joguinhos naquela noite. Já estava chegando em seu limite e não permitiria que os amiguinhos de Max ficassem de provocações.

- Está tentando dar em cima de mim ou coisa do tipo? Não vou deitar com você.

Jack girou os olhos e se remexeu na cama até se sentarna beira do colchão. O semblante sério lhe denunciou mais uma vez e Damien bufou.

- O que é? Fala logo, está me fazendo perder tempo.

- Você está se sentindo cansado. Seu corpo está mais pesado e você está sentindo dores nas articulações. – Nenhuma das frases era uma pergunta. Jack estava apenas enumerando seus sintomas. – É a lua cheia. Sua primeira lua cheia desde a mordida.

- O que isso quer dizer? – Damien havia notado que as dores estavam piores nos últimos dias, mas tinha apenas imaginado que era consequência pelo afastamento de Francesca.

- Quer dizer que você vai se transformar essa noite. Max mandou eu ficar de olho.

- E você não vai se transformar?

Jack negou com um movimento da cabeça.

- Não, eu já sei manter isso sob controle. Mas você ainda não. A primeira lua cheia costuma ser a pior. Mas se você conseguir encontrar uma âncora, algo que consiga manter sua mente humana alerta, conseguirá dominar o monstro.

- Uma âncora?

Jack definitivamente havia conseguido despertar o interesse de Damien. A última coisa que ele queria era perder o controle novamente. Não quando seu corpo e sua mente já estavam no limite.

- É, algo que te faça lembrar do seu lado humano, mesmo com a influência da lua cheia. Alguns se apegam na raiva, na vingança... Outros na família, ou na namorada. Eu me apego aos meus pais. – Jack encolheu os ombros com aquela confissão. – Você só precisa achar a sua âncora, mas isso leva tempo. Então é melhor mantermos você sob controle por hoje.

Imediatamente, o rosto de Francesca surgiu em sua mente. Era sempre a menina a única coisa capaz de mantê0lo sob controle e era exatamente atrás dela que ele estava indo naquela noite.

- Não. Já tenho compromisso.

Damien puxou a carteira sobre a cômoda e a enfiou em seu bolso, fazendo Jack saltar com os olhos arregalados.

- Oi??? Como assim??? Você ouviu o que eu acabei de falar?! Você vai se transformar em um monstro, vai ter lua cheia lá fora e você diz QUE TEM COMPROMISSO???

Era compreensível o desespero de Jack, mas para Scott, não havia o que temer. Se havia alguém capaz de impedir que o lobo surgisse naquela noite e apagasse sua mente humana, esse alguém era Francesca Sullivan.

- Todo mundo vai estar na festa da Sam esta noite, Jack. Inclusive a minha âncora. Tenho tudo sob controle, está bem?

- O QUÊ????

Jack rugiu enquanto tentava acompanhar os passos de Damien para fora do quarto.

- Uma festa? Você não pode estar em uma festa cheia de gente, Scott! Você tá doidão? Mesmo que já tivesse uma âncora, a primeira lua cheia é a mais forte de todas!

- Valeu, professor Lupin. – Damien girou os olhos enquanto pegava as chaves de sua moto. – Se está mesmo tão preocupado assim, vem comigo. Mas eu não vou deixar de ver a Francesca hoje.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Jul 10, 2016 9:39 pm

- O que foi...?

A pergunta de Richard quebrou o silêncio do único quarto da casa dos Sullivan. Como a iluminação do sótão não era tão boa, Francesca havia descido para terminar de se arrumar no quarto do pai.

A menina usava um vestido cor de rosa sem alças, o tecido num tom claro bordado com pequenos detalhes em branco. O vestido era um pouco mais justo no tronco, mas a saia se abria ligeiramente mais rodada. Nos pés, as sandálias com tiras brancas tinham um salto baixo, o suficiente para melhorar a postura da menina. Os cabelos castanhos avermelhados estavam totalmente soltos, Francesca apenas ajeitara os fios, partindo-os de lado.

Embora estivesse se arrumando com cuidado para a festa de Samantha Archibald, era notável que Francesca não estava nem um pouco animada. Na verdade, ela havia tentado fugir desesperadamente daquela festa e só estava pronta para a comemoração porque Sam insistiu demais pela presença dela e apresentou soluções para todos os empecilhos que Sullivan tentava criar. A novata ficou sem argumentos quando Archibald obrigou um dos motoristas da família a buscar Francesca em casa naquela noite, visto que Paolo havia saído com o Impala naquele sábado.

- Nada.

A mentira ficou evidente quando Francesca evitou o olhar do pai e tentou se concentrar apenas no reflexo do espelho enquanto finalizava a maquiagem. A caçula dos Sullivan quase não mexera nos olhos, mas em compensação estava pintando os lábios com um vermelho mais vivo que realçava a maquiagem.

- Bambina... – o tom de repreensão soou na voz rouca do homem – Você mente muito mal.

- Eu só não queria ir na festa, pai. – Francesca suspirou e finalmente se virou para Richard – Será uma tortura. A Sam é muito legal, mas eu não gosto de mais ninguém daquele colégio.

- Nem do garoto que sentiu a temperatura da arma do Paolo?

O queixo de Francesca caiu quando ela soube que Paolo tivera a coragem de contar aquilo ao pai. A expressão desanimada dela deu lugar a um semblante irado e a garota deixou o batom vermelho de lado.

- Certo, vamos falar sobre isso. Quer começar mesmo pelo garoto ou prefere comentar a atitude do seu filho que está andando por aí com uma arma na cintura para aterrorizar adolescentes!?

- Eu já tive uma conversa séria com o Paolo. Por que acha que ele não está aqui te importunando enquanto você se arruma para a festa?

- Foi horrível. – o lábio inferior de Francesca tremeu e ela tentou segurar o choro, mas não evitou que uma camada de lágrimas cobrisse os olhos verdes – Não tinha acontecido nada demais, pai. Mas podia ter sido legal, sabe? É claro que o Paolo estragou tudo se comportando como um psicopata. O garoto não quer mais olhar na minha cara, mas quem pode julgá-lo por isso?

Era em momentos assim que Richard percebia o quanto uma mãe fazia falta naquela casa. Ele sempre se desdobrara para dar tudo aos filhos, mas definitivamente não sabia o que fazer diante da caçula sofrendo por um garoto. Era muito mais fácil dizimar uma família de vampiros ou uma alcateia de lobisomens do que lidar com uma menina prestes a cair no choro.

- Venha aqui, bambina.

Os lábios volumosos de Francesca ainda estavam curvados num biquinho de choro quando ela se colocou diante do pai. Sentado em sua cadeira de rodas, Richard puxou a filha gentilmente pelo punho até que a caçula estivesse sentada em seu colo. Francesca se aninhou no abraço do pai, mas logo se remexeu, preocupada com as pernas dele.

- A dor...

- Não está doendo tanto assim hoje. – Richard sorriu para a filha – Não me tire a satisfação de te pegar no colo, eu já perdi muita coisa, bambina.

- Por que o Paolo está tão estranho? Por que ele está andando armado por aí, papai?

- Porque agora cabe apenas a ele a obrigação de defender a nossa família. A responsabilidade está pesando os ombros do seu irmão, bambina. Tenha um pouco de paciência com ele. Ele ainda não superou o que aconteceu comigo.

- Defender de que...? – Francesca abriu um sorriso descrente e sacudiu a cabeça – Estamos em Nova York, pai. Não é como se lobos selvagens fossem arrombar as nossas portas a qualquer momento! O Paolo não precisa ficar tão surtado!

O sorriso derrotado de Richard foi a única resposta que ele deu à caçula. Muitas vezes Sullivan se perguntava se não era melhor expor toda a verdade para Francesca, mas aquela ideia era sempre descartada. Rick preferia que a sua garotinha tivesse uma vida normal, bem longe dos horrores que ele e Paolo conheciam.

- Quanto ao garoto... – Richard mudou o foco da conversa – ...se ele te vir assim tão linda e ainda assim achar que não vale a pena arriscar, desista deste covarde, bambina.

- Pai... – os olhos verdes giraram – O Paolo botou uma arma de verdade na cabeça dele.

- Você está a cada dia mais parecida com a sua mãe. – Richard acariciou o rosto da filha com a mão que lhe sobrara depois do trágico ataque no Kansas – E eu teria arriscado a minha cabeça por ela, sem pensar duas vezes. Não quero você envolvida com nenhum garoto que não esteja disposto ao mesmo sacrifício.

- Deus do céu, agora eu sei de quem o Paolo herdou tanta maluquice!

Francesca conseguiu sorrir depois daquela conversa, fazendo o pai experimentar uma gostosa sensação de que conseguira amenizar o sofrimento dela. Um beijo carinhoso foi depositado na testa de Richard, deixando ali a marca perfeita dos lábios vermelhos da menina.

- Eu vou deixar o celular ligado o tempo todo. Por favor, pai, pooooor favor... me ligue se precisar de qualquer coisa. Promete?

- Prometo, bambina. Eu ficarei bem, vou ler um livro até o Paolo voltar. Divirta-se. Eu amo você.

- Também te amo, pai. – Francesca suspirou ao escutar o som de uma buzina – O motorista chegou, eu tenho que ir.

Quando entrou no luxuoso carro dos Archibald, Francesca planejava ficar pouco tempo na festa de Samantha. Ela só faria questão de dar um abraço na amiga e circular um pouco pela festa antes de sair discretamente e chamar um táxi. Sam certamente estaria muito ocupada dando atenção a todos os convidados e não havia mais ninguém com quem Sullivan quisesse conversar.

Damien fora convidado, como todos os colegas da aniversariante. Mas o fato de não ter muitos amigos no colégio e o comportamento ainda mais arredio do rapaz nos últimos dias davam a Francesca a certeza de que Scott não estaria na festa mais esperada da Constance Billard School.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Jul 10, 2016 9:56 pm

Quando deixou o apartamento de Max quase na hora do almoço, Samantha sentiu uma enorme sensação de culpa tomar conta de seu peito, ofuscando a felicidade provocada pelos momentos ao lado do rapaz. Mas para sua surpresa, a culpa não era em relação a traição que estava cometendo contra Caleb. Ela se sentia péssima em mentir para Max, por esconder dele não só as suas suspeitas, como uma parte muito séria a respeito da própria vida.

Como sempre acontecia quando passava algum tempo ao lado de Max, Archibald se sentia decidida a colocar um fim naquele drama. Ela esperaria passar a festa daquela noite para terminar o namoro com Stark. Mesmo que Cavendish não fosse o seu futuro certo e planejado, ela não amava mais Caleb e era injusto mantê-lo preso naquele relacionamento. Os dois mereciam seguir com a própria vida e amarem outras pessoas.

A cobertura dos Archibald estava extremamente movimentada quando Samantha finalmente chegou em casa. Os fornecedores contratados para dar a festa caminhavam de um lado ao outro, vestindo seus uniformes e preparando tudo para que a noite fosse impecável.

Vários arranjos de flores decoravam toda a extensão da cobertura. Uma enorme mesa era preparada com diversos quitutes e o bolo escolhido pela aniversariante já era exibido com destaque. Na área da TV, haviam sido montados vários videogames onde os convidados poderiam brincar de Guitar Hero ou Karaokê. Na área externa, rodeando a piscina, o clima era mais maduro e a bancada do DJ já estava montada. A equipe terminava de instalar os equipamentos que montariam a pista de dança quando Samantha subiu as escadas na direção do seu quarto.

Diferente da agitação do andar inferior, o lugar estava mergulhado em um delicioso silêncio. As cortinas pesadas bloqueavam o sol e o escuro do quarto tornava o ambiente ainda mais acolhedor quando Samantha se jogou na própria cama, de barriga para baixo.

O celular em suas mãos rapidamente exibia o nome de Max enquanto ela digitava uma mensagem, sorrindo bobamente para o aparelho.

“Acabei de chegar. Queria ter ficado, iria aproveitar muito mais o meu aniversário se estivesse com você. Podemos nos ver amanhã? Já estou com saudades Wink

***

Praticamente toda a Constance estava na cobertura dos Archibald naquela noite. Além dos amigos da escola, entre os convidados também circulavam alguns famosos conhecidos da família, graças ao trabalho de Trevor e Lydia. Alguns jogadores dos Yankees estavam reunidos em um canto da cobertura e algumas modelos desfilavam junto aos acompanhantes da revista de Lydia.

Samantha conhecia cada uma daquelas pessoas e sorria para todos com bastante simpatia. Naquela noite, a menina estava deslumbrante com os cabelos presos em um elaborado penteado. Algumas tranças embutidas brincavam aleatórias até formar um coque. Poucos cachos caíam, perfeitamente modelados, emoldurando seu rosto e sua nuca.

A maquiagem havia sido um pouco mais elaborada naquela noite, os olhos bem pintados e os lábios em um vermelho profundo, para combinar com a cor do vestido escolhido. A peça alcançava até a metade de suas coxas e parecia muito delicado quando vista de frente, reservando o único decote para as suas costas, deixando-a praticamente toda exposta. Pequenas pedrinhas faziam o vestido brilhar e ele seria muito chamativo se a noite não fosse toda voltada para a aniversariante. Os saltos eram altos, diferentes do seu habital keds e em suas orelhas, Sam exibia delicadas joias herdadas a mãe, que certamente valiam uma pequena fortuna.

Por um longo tempo, ela passeou pela cobertura socializando com os convidados. Pela primeira vez, aquela festa tão tradicional parecia vazia e sem sentido. Samantha trocaria tudo para estar no chão da sala de Max, rindo e tomando mais uma dose de cafeína. Eles poderiam deixar todos os problemas para depois, desde que ela não se sentisse tão angustiada.

Após uma longa conversa com alguns jogadores, de uma partida de guitar hero e de dançar com algumas colegas da Constance, Samantha sequestrou uma taça de um drink sem álcool, já que a mãe havia ordenado que os garçons não poderiam servir nada alcoólico aos menores de idade.

Ela encarava a própria marca de batom na taça quando braços longos a rodearam pela cintura e o perfume de Caleb a atingiu. Uma caixinha com um laço foi esticada diante dos seus olhos enquanto ele depositava um beijo rápido em seu pescoço.

- Meu presente? – Samantha sorriu, exibindo suas coxinhas, enquanto segurava a caixinha com a mão livre.

- Não, é só um cachorro-quente que eu comprei ali na esquina, a comida daqui está péssima. – Caleb girou os olhos, retribuindo o sorriso.

- Espere só pelo bolo, tenho certeza que vai estar ótimo. – Ela piscou em brincadeira enquanto tentava abrir o presente.

Ao perceber a dificuldade dela, ainda segurando a taça, Caleb se apressou em ajuda-la, tirando a tampa para revelar o mais recente iPod lançado pela Apple, novo em folha.

- Já carreguei todas as suas músicas preferidas. – Caleb estufou o peito, orgulhoso. – Você pode voltar a dormir ouvindo Maroon 5.

Os olhos de Samantha brilharam diante do presente e instintivamente ela saltou para abraçar o rapaz. Quando os beijos ou as carícias dele lhe faziam se sentir mal, era fácil aproveitar sua companhia. Não havia a menor dúvida de que Archibald gostava do rapaz, mas estava cada vez mais óbvio que via Caleb como um amigo íntimo que a fazia bem e que a conhecia melhor do que ninguém.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Dom Jul 10, 2016 10:30 pm

- Sim, é aniversário da Samantha. Mas ela me disse que comemoraria com um jantar íntimo apenas para a família.

Uma longa pausa sucedeu as palavras de Maximilian enquanto Jack olhava para a grande festa montada na cobertura de luxo dos Archibald. O beta havia seguido os passos de Damien unicamente com o objetivo de evitar que o recém-transformado fizesse uma besteira, mas agora começava a perceber que Damien Scott não era o único problema daquela noite.

- Bom. A família dela é bem grande, então. – Jack murmurou no celular, sem saber qual seria a melhor forma de contar ao amigo que Sam havia mentido para ele – Foi mal, Max, mas tem umas duzentas pessoas aqui, um buffet de luxo, DJ, pista de dança e um bolo de três andares.

A música animada que ecoava junto com a voz de Jack somente reforçava que a tal festa na cobertura dos Archibald não era tão íntima e reservada quanto Samantha mencionara. Max caiu sentado sobre o sofá da sala enquanto tentava se concentrar no verdadeiro problema daquela noite. É claro que ele estava chateado com a mentira de Sam, mas o foco principal era evitar que Damien fizesse alguma besteira naquela primeira noite de lua-cheia desde o ataque do beco.

- A tal Francesca está por aí?

- Eu não a conheço. – os olhos verdes de Jack deslizaram pelos convidados espalhados pela extensa cobertura – Mas estou de olho no Scott. Ele continua sozinho, acho que está procurando por ela. Você acha que ela é mesmo uma boa âncora, que a simples presença dessa menina pode evitar que ele se transforme?

- Os dois estão marcados. – o Alpha não tinha a menor dúvida disso, nada mais explicava a ligação irracional entre Damien e a filha dos Sullivan – Se ela não puder impedi-lo, mais ninguém pode.

- Max, você me escutou direito? Tem duzentas pessoas nesta maldita festa. Se ele se transformar, eu não consigo evitar uma tragédia!

- O que você sugere, Jack?

- Que você venha para cá, óbvio! – o beta pareceu impaciente ao celular – Você é o Alpha, o Scott deve obediência a você! Só você vai conseguir tirá-lo daqui!

- Eu não fui convidado. – a voz de Cavendish soou meio amarga.

- Nem eu. Mas os seguranças não me pediram convite. É claro que tem a chance de perceberem que eu não deveria estar aqui e me enxotarem, por isso sugiro que você venha rápido.

Quando Jack ergueu novamente a cabeça e não encontrou Damien em lugar algum, o coração dele falhou uma batida.

- Puta merda, o garoto sumiu. Eu vou desligar para procurá-lo! Venha para cá agora, Max!

O lobisomem até tentou seguir o rastro de Scott, mas era impossível se concentrar em um só cheiro com tantas pessoas ao redor. Sem muita escolha, Jack colocou nos lábios um sorriso tranquilo e fingiu que era mais um dos convidados da festa enquanto circulava entre os convidados, tentando desesperadamente localizar o colega.

Jack deu uma volta completa pela cobertura sem encontrar Damien, mas acabou se deparando com uma cena quase tão delicada quanto uma transformação pública de um lobisomem. A garota por quem o Alpha de sua alcateia estava a cada dia mais apaixonado se encontrava num canto da festa, agarrada a um rapaz.

Sem piscar, Jack acompanhou os movimentos das mãos de Caleb rodeando a cintura de Samantha. As sobrancelhas do lobisomem se ergueram quando o rapaz se inclinou e capturou os lábios da menina com um beijo carinhoso, que deixava bem claro que os dois já tinham um grau considerável de intimidade.

Talvez a atitude mais sensata fosse dar as costas e guardar aquele segredo para evitar a decepção que o melhor amigo sentiria. Mas Jack não seria capaz de se tornar cúmplice de tamanha traição, tampouco deixaria que Sam dormisse tranquila naquela noite. A figura dele fez uma sombra sobre Caleb e a aniversariante quando Jack se aproximou do casal com o seu sorriso mais falso nos lábios.

- Samantha Archibald, a estrela da festa! – Jack ergueu uma das sobrancelhas – Eu estava te procurando para dar os parabéns, mas não achei que iria interromper um momento tão íntimo, me desculpe. É seu namorado?

- Sim. – Caleb respondeu pela garota – Caleb Stark, muito prazer. De onde conhece a Sam?

- O prazer é meu. Eu sou o Jack. A Sammy é uma grande “amiga” de um amigo meu. Eu chamei o Max pra festa, Sam, espero que não se importe. Ele deve estar a caminho.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Jul 10, 2016 10:40 pm

- É sério, Scott! Ainda da tempo da gente sumir daqui!

Os olhos arregalados de Jack passeavam por toda a extensão da festa e procurava o céu, encontrando as nuvens pesadas que escondiam a lua cheia. Seu coração batia acelerado e ele sentia o efeito lunar no próprio corpo, lutando para manter o controle enquanto precisava se concentrar no perigo que Damien estava trazendo para cada uma daquelas pessoas desconhecidas.

A festa na cobertura dos Archibald mostrava que estava lotada da alta sociedade, mas independente a qual classe social aquelas pessoas pertenciam, nenhuma delas merecia ter a garganta arrancada pelos dentes afiados de um lobisomem enfurecido.

Completamente alheio às preocupações de Jack, Damien também olhava ao redor, mas seu foco era apenas um: encontrar o reflexo dos cabelos castanho-avermelhados que ele já conhecia tão bem. Nada terrível aconteceria naquela noite se ele encontrasse Francesca a tempo.

Pela primeira vez desde que decidira aparecer naquela festa, Scott cogitou a possibilidade de Francesca não aparecer ali naquela noite. Assim como ele, ela também odiava todas as pessoas daquele colégio e a última coisa que iria querer fazer em um sábado a noite seria se misturar com os jovens riquinhos e arrogantes da Constance.

O medo de que talvez Sullivan não estivesse ali e que ele fosse sucumbir ao poder da lua cheia fez com que Damien travasse. Ele sentiu o ar escapar de seus pulmões e achou que teria uma crise de pânico quando seu corpo inteiro começou a tremer.

- Jack... – Scott chamou baixinho, os olhos arregalados.

Aquilo precisava ser um ataque de pânico, uma crise de ansiedade. Qualquer coisa, menos o efeito da lua cheia que Jack o alertara a noite inteira.

- Dá pra gente sair daqui agora? – Jack rosnou entredentes.

Só então Damien percebeu como aquele plano era estúpido. Ele odiava metade dos presentes daquela festa, qualquer esbarrão poderia ser o gatilho necessário para ele surtar. A destruição do banheiro não seria nada com que um lobo enfurecido poderia causar em uma festa lotada como aquela.

- Eu pensei que...

A voz de Scott estava derrotada e ele tinha uma ruga entre as sobrancelhas quando as palavras desapareceram de sua mente e ele emudeceu. Mesmo em meio a tantas pessoas, foi o perfume de Francesca que prendeu os sentidos de Damien e ele conseguiu identifica-la do outro lado da festa.

O ar escapou de seus pulmões e seu corpo imediatamente relaxou. Sullivan estava linda, definitivamente a mais bonita da festa. Ele adorava o modo relaxado dela de se vestir, sem frescuras, mas precisava admitir que estava impressionado em como ela estava arrumada naquela noite.

Mesmo com o belo vestido e a maquiagem impecável, qualquer um notaria que Francesca não se sentia confortável naquele meio e Damien sorriu intimamente com aquela semelhança que os dois compartilhavam.

- O que foi??? – A voz de Jack soou desesperada quando ele encarou o perfil de Damien. – Tá começando a se transformar? Vou te jogar na piscina se não me responder!

Ignorando completamente o rapaz ao seu lado, Damien atravessou a festa com passos decididos e só parou quando finalmente estava diante de Francesca.

Seu semblante estava suave, aliviado com a presença dela. Era como se a discussão e as palavras frias trocadas no corredor no começo da semana já não existissem mais.

- Francesca. – Damien chamou para atrair a atenção dela e imediatamente a puxou pelo pulso.

O calor e a maciez de sua pele eram tudo que ele precisava e Scott teve certeza que não deixaria o monstro dominar seu corpo naquela noite se pudesse continuar tocando Sullivan.

- Você está linda. – Ele se repreendeu ao perceber como estava soando patético, e pigarreou antes de forçar o seu tom sarcástico de sempre. – Claro que qualquer coisa ficaria melhor que aquele uniforme que mais parece um saco de batatas e pentear os cabelos certamente lhe fez bem... mas está linda, mesmo assim.

Damien podia escutar os passos de Jack do outro lado do salão e tinha certeza que era com Max que ele falava ao telefone, mas não ia permitir que os dois rapazes estragassem sua oportunidade de falar com Francesca.

- Podemos conversar um minuto? Isso se o psicopata do seu irmão não estiver por perto, é claro.

Com a cabeça, Damien apontou para a escada no começo da sala.

- Lá em cima podemos falar sem essa barulheira toda. Por favor, Francie... Só preciso que você me escute um minuto.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Michaela Moccia em Dom Jul 10, 2016 11:02 pm

Todo o sangue havia fugido do rosto de Samantha quando ela reconheceu Jack parado no meio da sua festa. Por um segundo, ela foi incapaz de raciocinar, tentando entender o que o melhor amigo de Cavendish estava fazendo ali, como havia chegado na sua cobertura e se misturado na festa.

Com a garganta seca, seu primeiro instinto foi olhar ao redor, mas não havia sinal de Maximilian por perto. As palavras seguintes de Jack esclareceram sua dúvida sobre a presença do rapaz, mas não tornava a situação nada melhor.

- Max? – Caleb perguntou, procurando em sua mente um rosto para o nome familiar. – Não foi o cara que você atropelou de bicicleta?

O olhar de Stark e Jack estavam presos em Samantha e ela sabia que precisava forçar o cérebro a voltar a funcionar, mas ainda assim se sentia congelada, presa na própria mentira. Se Max chegasse ali, seria impossível esconder seu relacionamento com Caleb e tudo estaria arruinado.

Se obrigando a forçar um sorriso, Samantha confirmou com um movimento da cabeça, fazendo os poucos cachos soltos roçarem em sua nuca.

- Sim, ele mesmo. – Archibald tentava manter a respiração sob controle, lutando entre agir naturalmente com Caleb, que a conhecia tão bem, ou tentar esclarecer as coisas com Jack e salvar qualquer chance que ainda tivesse com Max. – Não sabia que você viria hoje, Jack.

- Nem eu, na verdade. Acho que foi uma grande surpresa para todos nós, né?

O sorriso de Jack não deixava dúvidas para Samantha de que ele não tinha a intenção de acobertá-la naquela história. Ele era amigo de Max e era ao rapaz que devia sua parceria. Não a uma desconhecida que enganava o namorado e mentia para outro rapaz.

- Aliás, obrigada pelos donuts extras de hoje cedo. O Max disse que você deixou pra mim, estavam ótimos. – Com uma expressão exagerada de satisfação, Jack ergueu o polegar e Samantha se sentiu afundar cada vez mais.

- Hoje cedo?

Caleb era educado demais para fazer uma cena. Ele continuava sorrindo educadamente, mantendo sua postura perfeita, mas Samantha o conhecia bem o suficiente para saber que ele não era idiota e que as insinuações de Jack estavam cada vez mais óbvias.

- Não sabia que você continuava vendo o cara que destruiu o seu iPod. Pensei que tivesse sido só naquela entrevista.

Stark nunca havia sido do tipo ciumento, mas parecia se sentir ameaçado com a figura de Max, como se soubesse que o coração da namorada batia mais rápido na presença dele.

- Nos vimos algumas vezes. – Samantha se apressou em responder, sentindo o ar cada vez mais pesado. – Eu vou levar o iPod até o meu quarto, já volto, está bem?

Em um gesto natural, ela se inclinou para beijar o canto dos lábios de Caleb e se arrependeu no segundo seguinte, ao sentir o olhar atento de Jack.

- Não demora. – Caleb sussurrou, já sem o mesmo sorriso de antes. Se aproveitando da proximidade e sem saber que mesmo com seu tom baixo, Jack poderia escutar, ele acrescentou junto ao ouvido de Samantha. – Não estou gostando dessa história, Samantha. Se esse Max vem mesmo para cá, você vai passar o resto da noite do meu lado. Não vou dar a chance para que ele dê em cima de você.

Os olhos de Samantha estavam arregalados quando ela se afastou. Stark era sempre muito sincero, mas ela não se lembrava de tê-lo visto com ciúmes antes. Possivelmente ela nunca havia dado motivos. Qualquer menina teria se sentido incomodada com aquela intimação e pediria ao namorado para confiar nela, mas o peso na consciência fez com que Archibald apenas meneasse a cabeça e fugisse o quanto antes da presença dos dois rapazes.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Jul 10, 2016 11:17 pm

Como Francesca já esperava, a festa de Samantha estava lotada. O problema era que, excetuando-se a aniversariante, nenhuma daquelas pessoas se importavam com a presença de Sullivan. Alguns poucos colegas até cumprimentaram a novata ao passarem por ela, mas ninguém parecia disposto a fazer Francesca se ambientar. A grande verdade é que a menina também não fazia a menor questão de conversar com aquelas pessoas.

Conforme o planejado, tão logo pisou na cobertura, Sullivan procurou pela aniversariante. As duas meninas trocaram um abraço carinhoso e Francesca agradeceu pela gentileza de Sam ao ceder o motorista para buscá-la no Brooklyn.

É claro que a filha dos Archibald ganharia excelentes presentes naquela noite, mas a novata não pareceu constrangida com seu embrulho simples. O presente escolhido não era caro ou sofisticado, mas Francesca sabia que seria útil para a nova amiga. Durante a entrevista, Sullivan havia notado que Sam tinha o costume de usar canetas coloridas para fazer marcações em suas anotações, então comprara para a morena um estojo lotado de canetas de todas as cores.

Embora tivesse sido muito atenciosa com a nova amiga, logo Samantha precisou dar atenção aos demais convidados da festa. O afastamento dela deixou Sullivan isolada, mas era exatamente disso que a menina precisava. Se ela fosse invisível, ninguém notaria quando ela se esgueirasse para fora da cobertura e descesse até a calçada para chamar um táxi.

Francesca estava colocando em prática aquele articulado plano de fuga quando dedos firmes rodearam o seu punho e a garota escutou o próprio nome naquele familiar sotaque britânico.

O coração de Sullivan falhou uma batida quando ela se virou, dando de cara com Damien Scott. Ela tinha tanta certeza de que o rapaz não apareceria na festa dos Archibald que precisou piscar algumas vezes para acreditar que Scott realmente estava ali. A certeza de que não era uma alucinação veio quando a pele de Francesca se arrepiou com aquele elogio. Somente Damien conseguia arrancar esse tipo de reação dela.

Embora estivesse magoada com a forma como Scott se afastara e com o sofrimento surreal que ele lhe causara, Sullivan não conseguiria se fazer de difícil naquela noite. Os dois tinham brigado há menos de uma semana e tudo o que Francesca queria era que as coisas voltassem a ser como antes.

Os olhos verdes se ergueram, fitando a escada que o rapaz indicava. Bastou uma rápida olhada ao redor para que Francesca tivesse certeza de que ninguém os observava. Depois de um breve suspiro, a menina confirmou com um movimento de cabeça e seguiu os passos de Scott pela escadaria.

A música alta foi se tornando mais suportável a cada degrau que os dois subiam, mas Francesca só tomou a palavra quando chegaram ao corredor, onde o silêncio permitiria que eles conversassem sem erguer as vozes.

- Aqui.

Francesca tocou a maçaneta de uma das portas. Mesmo só tendo visitado o quarto de Samantha uma vez, Sullivan tinha certeza de que encontraria o enorme cômodo que pertencia à amiga quando abriu a porta. O local estava impecável como de costume, os únicos detalhes diferentes na decoração luxuosa eram os arranjos de flores que enfeitavam os móveis e as dezenas de embrulhos sobre a cama da aniversariante.

Quando a porta se fechou, o quarto ficou mergulhado num silêncio profundo. A música alta da festa não passava de um burburinho distante, como se fosse o zumbido de um inseto voando do outro lado do cômodo.

- Eu não achei que você aceitaria o convite da Samantha. Eu mesma só aceitei porque ela insistiu demais. A Sam é a única menina legal daquela escola estúpida.

Os braços de Sullivan se cruzaram e os olhos verdes refletiam alguma mágoa quando ela encarou Damien.

- Eu lamento por aquela cena do Paolo. Você não foi exatamente uma vítima, mas nada justifica o comportamento dele. Eu só não achei justo você me tratar como se eu...

Francesca havia iniciado o seu discurso com firmeza, mas teve que se interromper quando um engasgo impediu que ela iniciasse uma nova discussão com Scott. Uma coisa era irritá-lo com provocações, mas ela não estava pronta para uma nova briga de verdade.

- Que merda é essa que você está fazendo comigo??? – as palavras de Francesca saíram entrecortadas por soluços e a maquiagem dela começava a ir embora numa avalanche de lágrimas – Eu não era assim tão ridícula e patética antes de conhecer você, seu idiota!
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Jul 10, 2016 11:43 pm

- Eu não vim aqui pela Samantha.

Damien respondeu com simplicidade o questionamento de Francesca a respeito de sua presença naquela festa. Ele sequer havia se preocupado em procurar a aniversariante e parabeniza-la pelo dia ou pela produção da festa. Sua mente estava concentrada apenas no belo par de olhos verdes a sua frente.

- Eu precisava te ver.

Ele se calou quando Sullivan começou a se desculpar pela atitude do irmão e precisou admitir que se sentia aliviado por ser recebido daquela forma. A personalidade de Francesca era diferente de qualquer outra menina que ele conhecia e Scott termia que, depois daqueles dias afastados, ela fosse surtar e manda-lo para bem longe.

Por esperar gritos e ofensas, os olhos de Damien se arregalaram quando o rosto de Francesca começou a ficar molhado pelas lágrimas derramadas. A última coisa que havia passado em sua cabeça era que a menina iria cair no choro e ele sentiu seu peito se espremer de culpa por saber ser o responsável daquele sofrimento.

Com passos apressados, Scott atravessou a pequena distância entre os dois e levou as mãos até as bochechas úmidas, limpando as lágrimas com o polegar. Um pequeno risco de maquiagem se formou sob um dos olhos dela, mas nem aquele mísero detalhe era capaz de atrapalhar a beleza de Sullivan naquela noite.

- Hey, você não é ridícula e patética. Nunca mais diga isso, Francesca.

Embora quisesse fazer seu choro parar, Damien não admitiria que Sullivan falasse de si própria daquela forma.

- Eu sei que sou um idiota, mas por favor, não chora.

Com as mãos ágeis, Scott puxou a menina de encontro ao seu peito, afagando os cabelos claros em uma carícia. O perfume delicado era ainda mais maravilhoso depois daqueles dias separados e todo o seu corpo reagia agradecido por aquele contato.

- Eu não devia ter falado com você daquela forma, Francie. Ainda acho que seu irmão é um psicopata alucinado e deveria ser estudado, mas isso não me dava o direito de esticar a loucura dele para você.

A mão de Damien subia e descia pelas costas de Francesca, sentindo o contato do tecido. Vez ou outra seu dedo roçava direto na pele dela quando a mão subia demais e passava da borda do vestido, próximo aos ombros dela.

- Eu não sei o que você está fazendo comigo também, Francesca. Mas eu nunca achei que fosse ser capaz de ficar longe de você. Desculpe por ter dito aquilo.

A ponta do queixo de Sullivan foi segurada com delicadeza e seu rosto inclinado para cima, para que ela pudesse encarar Scott. Por longos segundos, ele apenas encarou as íris verdes que brilhavam com as lágrimas, se esquecendo da festa que acontecia lá fora, da lua-cheia nos céus e de qualquer coisa que não fosse o sentimento intenso em seu peito pela menina em seus braços.

- Não vou a lugar algum, se você ainda me quiser por perto. – Seus lábios se curvaram em um sorriso torto e ele acrescentou em um sussurro. – Na verdade, não vou a lugar algum, mesmo que você não me queira. Eu enlouqueceria longe de você, Francie. Será que podemos admitir de uma vez por todas que precisamos ficar juntos?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Seg Jul 11, 2016 12:26 am

Da calçada já era possível notar que Samantha tinha mentido sobre a dimensão da sua festa de aniversário. As luzes da boate montada na área externa da cobertura dos Archibald brilhavam no topo de prédio e, mesmo com os ruídos dos carros barulhentos de Nova York, Cavendish escutava com perfeição a música animada e as vozes dos muitos convidados da comemoração.

Um nó se formava na garganta dele quando Maximilian tentava entender o motivo da mentira de Sam. Os dois tinham vivido momentos mágicos naquela manhã, era estranho pensar que, mesmo depois de tamanha intimidade, Samantha não tivera coragem de ser sincera com ele sobre a festa.

A festa de aniversário provavelmente estava sendo planejada há meses, todos os amigos e parentes dos Archibald estariam presentes. Era mais que compreensível que Samantha não quisesse estragar o clima da festa levando um estranho como seu acompanhante. Max tinha certeza de que teria compreendido as ponderações da garota caso Sam tivesse se dado ao trabalho de explicar que aquela era uma situação delicada. O que ele não entendia era a necessidade dela de mentir.

Apesar da mágoa, o Alpha não pretendia fazer nenhum tipo de cena quando chegou à portaria do prédio. Pelo contrário, Max faria o possível para entrar na festa de forma discreta, localizar Damien e tirá-lo do meio da multidão antes que uma tragédia acontecesse e antes que Samantha percebesse a presença dele.

Embora estivesse bastante chateado, Maximilian não queria estragar a festa de Sam. E ele também tinha certeza de que aquela conversa séria poderia ser adiada para o dia seguinte no apartamento dele. É claro que ele pediria explicações, mas estava disposto a perdoar a menina e a convencê-la de que não precisava haver aquele tipo de mentiras entre eles. Os dois certamente chegariam a um acordo e Cavendish sorria intimamente ao imaginar que comemorariam o fim daquele desentendimento na cama dele.

Com um gosto amargo na boca, Max se obrigou a pensar que ele também não estava sendo totalmente honesto com Samantha. É claro que ele tinha motivos muito mais sólidos para esconder a verdade dela. Existia uma parcela de medo de que Sam sumisse de sua vida ao descobrir a verdade sobre o monstro que morava dentro de Max, mas as principais razões para Cavendish cultivar aquele segredo era o desejo de proteger a alcateia e também a própria Sam.

- Nome...? – o segurança se colocou diante de Max com uma lista de convidados nas mãos.

O Alpha teve que pensar rápido para escapar daquele problema. Se Jack não fora abordado por nenhum segurança, a esperança de Max era que o recém-transformado também tivesse passado pela portaria sem dar o nome.

- Damien Scott.

Não era difícil se passar por um convidado da festa. Depois que Jack mencionara o luxo da comemoração, Maximilian trocara suas roupas simples por uma calça social preta e uma camisa azul marinho de mangas compridas. Os cabelos castanhos estavam úmidos e Max usara um pouco de gel para pentear os fios para trás, desfazendo os usuais cachos.

Durante os cinco segundos que o segurança demorou para encontrar o nome de Damien na lista, Cavendish não conseguiu respirar. Se ele não conseguisse entrar na festa, Jack jamais conseguiria evitar uma tragédia sozinho. Quando o homem checou o nome de Scott e liberou a passagem de Max até o elevador, o lobisomem precisou conter um suspiro de alívio.

Em menos de dois minutos, Maximilian já estava na luxuosa cobertura dos Archibald. Seu coração batia acelerado com a possibilidade de encontrar Samantha, mas o Alpha tentava manter o seu foco em Damien.

A sintonia entre os membros da alcateia era tão grande que Max só precisou de um minuto para localizar Jack no meio daquela multidão. O amigo pareceu aliviado ao vê-lo e caminhou até ele. Mesmo com a música alta, Jack sabia que não precisava elevar a voz para que Cavendish compreendesse as suas palavras.

- Ainda bem que você chegou!

- Cadê o garoto? – Max olhou ao redor, não encontrando Scott nas proximidades.

- Que garoto? – Jack precisou de dois segundos para se lembrar e deu um tapa na própria testa – O garoto! Eu me esqueci dele!

- Oi? – os olhos do Alpha se arregalaram – Como assim, você se esqueceu dele? Achei que tinha vindo pra cá para ficar de olho no Scott!

- E foi! Mas depois aconteceram umas tretas pesadas aí e eu me distraí. O moleque sumiu. A boa notícia é que não ouvi nenhum grito até agora, ele ainda deve estar na forma humana.

Jack não precisava entrar em detalhes sobre as “tretas pesadas”. A expressão carregada do amigo deixava bem claro que ele estava se referindo a Samantha. Por mais que quisesse ouvir a história de Jack, o Alpha sabia que cada segundo perdido ali aumentava a chance da festa ser interrompida de forma trágica.

- Este assunto pode esperar, Jack. O nosso foco aqui é localizar o Scott e tirá-lo de cena. Eu pretendo sair daqui antes que “ela” perceba que eu entrei.

Quando os olhos azuis deslizaram novamente pela cobertura, Cavendish percebeu que já era tarde demais. Como se tivesse sido atraído por um potente ímã, o rosto de Maximilian se virou exatamente na direção onde estava a aniversariante. Samantha estava conversando com um grupinho de convidados, mas pareceu notar o peso do olhar dele e ergueu a cabeça na mesma direção.

Max não conseguiu desviar os olhos e nem disfarçar a insatisfação ao perceber que havia uma mão masculina pousada de forma íntima na cintura de Sam. O arrepio que eriçou os pêlos dos braços dele fez com que Jack arregalasse os olhos e o beliscasse pelas costas.

- Hey? Amigo? Aqui, só pra deixar bem claro! Eu te chamei pra me ajudar a tirar o Scott da festa e não para que você se juntasse a ele na matança. Controle-se!
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Seg Jul 11, 2016 1:02 am

Francesca sentia que o seu mundo pessoal havia saído de órbita desde que Scott virara as costas para ela depois da discussão no corredor do colégio. Portanto, quando o rapaz a puxou para um abraço e a acomodou junto ao seu peito firme, foi como se todas as coisas novamente se encaixassem em seus devidos lugares.

Era aterrorizante para Sullivan pensar no quanto ela estava dependente de um garoto, logo ela que sempre havia enxergado os meninos de forma racional e sempre julgara por tolas as garotas românticas que se derretiam por namorados. Scott encontrava as explicações para aquele instinto na mordida do lobisomem, mas para Francesca tudo era apenas uma grande loucura que pairava muito acima da sua compreensão.

Por mais que quisesse desesperadamente se libertar daquele sentimento maluco ou odiar Damien por fazê-la sofrer tanto, Francesca não conseguia resistir ao cheiro dele, ao toque dos dedos compridos, ao sotaque britânico e a aquele irresistível sorrisinho torto que dava a Scott um ar tão convencido.

- Você é a pessoa mais irritante que já cruzou o meu caminho, Damien Scott! Eu tenho vontade de esganar você! Uma arma de fogo não saciaria o meu desejo de acabar com você lentamente, usando as minhas próprias mãos!

Contrariando as ofensas e as ameaças de morte, Francesca finalizou aquele desabafo se colocando na ponta dos pés. Nem mesmo os saltos das sandálias dela compensavam a grande diferença de estatura dos dois, então Sullivan precisou se esticar e passar os braços pelo pescoço de Damien para se equilibrar enquanto os lábios dos dois se uniam num beijo.

O batom vermelho da menina tinha um discreto sabor de morango, que se misturava a uma pitadinha salgada das lágrimas que tinham rolado pelo rosto de Francesca. Mais uma vez, os dois alongaram aquela carícia e usaram as línguas para completar a sintonia dos movimentos dos lábios.

O sabor da reconciliação era tão maravilhoso que quase valia a pena ter passado uma semana longe de Damien. O coração de Sullivan batia acelerado quando a falta de fôlego obrigou os dois jovens a interromper a carícia. O abraço foi mantido e Francesca roçou a bochecha no rosto de Scott, sem conseguir conter o sorriso que brotava em seus lábios.

- Eu pretendia ir embora cedo, mas a festa acabou de ficar um pouco mais interessante. Acho que agora eu consigo ficar para provar um pedaço do bolo. Você deu uma olhada nele? Parece...

A garota se calou quando afastou o rosto apenas o suficiente para encarar Scott. Ao perceber o estado do colega, Francesca bem que tentou se segurar. Seus lábios grossos foram comprimidos com força por alguns segundos, mas logo se abriram e deixaram escapar uma gargalhada gostosa e contagiante.

- Essa cor fica linda em você, Damien. Combina tanto com a sua pele...

Para que o rapaz compreendesse a razão da gargalhada, Francesca segurou o queixo dele com carinho e virou o rosto do rapaz na direção do espelho do quarto de Samantha. Scott veria o próprio reflexo e, para seu alívio, todos os traços humanos estavam ali. A única diferença gritante eram as manchas de batom vermelho nos seus lábios e na pontinha do seu nariz.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Michaela Moccia em Seg Jul 11, 2016 1:30 am

Desde o encontro com Jack, Samantha se sentiu incapaz de aproveitar a própria festa de aniversário. Ela já estava achando tudo aquilo uma grande perda de tempo e queria poder escapar daquela multidão que lhe proporcionava um vazio para encontrar Max e aproveitar o restante da noite. Mas imaginar que ele entraria em sua casa a qualquer instante e a encontraria nos braços de Caleb lhe provocava uma inquietação assustadora.

Sua mente procurava a todo custo alguma saída para aquela situação e até cogitou se trancar no quarto pelo resto da noite, mas qualquer um notaria facilmente a ausência da aniversariante.

Sabendo que seu mundo iria desabar a qualquer instante, Samantha colocou um falso sorriso nos lábios e continuou dando a atenção aos convidados, apenas torcendo para que Jack estivesse mentindo ou que Max desistisse da ideia de aparecer ali naquela noite.

Quando sentiu sua nuca queimar com o peso de um olhar, Arhibald sabia que suas suplicas haviam sido em vão. Seu coração se despedaçou quando seu olhar se encontrou com o de Max e ela queria a todo custo que aquela noite não estivesse acontecendo.

Percebendo a movimentação da namorada, Caleb acompanhou o olhar dela até encontrar os dois rapazes parados perto da porta. Stark imediatamente estufou o peito e seu sorriso morreu quando ele se inclinou para sussurrar ao pé do ouvido de Sam.

- É ele? É o tal do Max?

A forma com que Caleb se incomodava com a presença de Cavendish mostrava que ele não era completamente ignorante com a forma com que Samantha encarava o outro rapaz. Mas Stark vinha de uma família rica e era educado desde sempre a não fazer escândalos. Por isso, continuou ao lado da namorada com um semblante calmo e a puxou mais para perto, em um gesto possessivo.

Samantha foi incapaz de responder. Sua voz havia desaparecido, a garganta queimava e seu cérebro só parecia ser capaz de gritar em silêncio para que Max a escutasse, para que desse ao menos uma chance de se explicar.

Como percebeu que a namorada continuava encarando o outro rapaz, Caleb espremeu os lábios por um instante antes de exibir seu sorriso educado e extremamente político. Ele deu o primeiro passo na direção de Max, despertando Samantha de seu transe.

- O que você está fazendo? – Ela sussurrou com os olhos arregalados, sentindo o desespero se espalhar pelo seu corpo.

- Vou me apresentar ao seu amigo, Samantha.

Era a primeira vez que Sam via Caleb se comportar com tanta frieza, mas não podia culpar o namorado por se sentir tão ferido. Ela havia arruinado tudo, com Stark e Cavendish, e no final das contas, todo mundo sairia magoado por sua covardia.

- Caleb, por favor, não.

Ignorando a súplica sussurrada de Samantha, Caleb a guiou até que os dois estivessem parados diante de Jack e Max. O olhar da menina não conseguia encarar nada mais na festa além do rapaz de olhos azuis à sua frente.

- Oi, você deve ser o Maximilian. – Ele esticou a mão para apertar a de Max. – O cara que a Sam atropelou, não é?

Caleb era o único capaz de sorrir naquele encontro, mas Samantha sabia que estava longe de ser o sorriso leve de sempre. Sem esperar por uma resposta, ele continuou, sempre mantendo o braço ao redor de Archibald de forma possessiva.

- Bom, eu peço desculpas pela péssima direção da minha namorada. Há anos que tento fazê-la desistir de andar de bicicleta, mas é sempre muito teimosa.

- Max... – A voz de Samantha saiu em um sussurro, quase uma súplica, mas Jack a cortou, apressado.

- Sem querer interromper ninguém, mas será que vocês viram o Scott por aí?

O rapaz tentou sorrir, mas Samantha podia notar a ansiedade em sua respiração.

- Damien Scott? – Caleb perguntou com surpresa. – Com certeza deve tá atrás da Sullivan.

- O que vocês querem com o Damien?

Apesar da situação tensa, o incidente no banheiro da Constance voltou na mente de Samantha. O banheiro destruído ainda era uma grande incógnita, mas aquela repentina amizade entre Scott, Max e Jack era tão surpreendente quanto.

- O que foi, Sammie? Eles só podem ser amigos de você? – A entonação maliciosa de Caleb fez Samantha se calar, com medo de piorar a situação. – Vi o Scott subindo um tempo atrás, mas não sei se já foi embora.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Seg Jul 11, 2016 1:59 am

Damien poderia não saber quais seriam os efeitos da lua-cheia em um lobisomem, mas podia imaginar que coisas terríveis deveriam acontecer, a julgar pelo medo de Jack durante toda a noite. Apesar dos receios do novo amigo, ele não conseguia identificar sintoma algum em seu corpo que pudesse anunciar uma transformação incontrolável.

Pela primeira vez em dias, ele se sentia leve e tranquilo, como se nada fosse capaz de atingi-lo. Aquela sensação que só Francesca era capaz de trazer estava ali novamente e Scott sabia que nada poderia ser mais perfeito do que ter a menina em seus braços.

As provocações e ameaças de morte só fizeram com que ele soltasse uma gostosa risada. Aquele joguinho fazia parte do relacionamento dos dois e era uma das coisas que Scott mais amava em ter Sullivan em sua vida. A principal, obviamente, era o controle que ela trazia, deixando o lobo selvagem completamente adormecido.

Quando o beijo se tornou mais intenso, as batidas do seu coração se aceleraram e o sangue começou a correr mais rápido. A presença da lua-cheia tornava tudo mais forte, de forma que Damien nunca havia sentido seu corpo responder com tanta facilidade aos carinhos de Francesca.

O perfume delicado seria de enlouquecer se não fosse a mesma razão de mantê-lo consciente. O corpo delicado de Sullivan estava apertado contra o seu peito e as mãos de Scott passeavam por ela com grande necessidade.

Ele sentiu quando os pelos de sua nuca começaram a se arrepiar e sentiu o familiar formigamento em suas mãos, indicando que as garras logo estariam expostas. Se deixasse a transformação se completar sob o efeito da lua cheia, não teria mais volta. A destruição no banheiro seria o menor dos seus problemas se o lobo surgisse ali, trancado naquele quarto com Francesca.

As palavras de Jack ecoaram em sua mente, lhe lembrando da âncora, a única coisa capaz de manter um lobisomem inteiramente humano na lua-cheia. Mesmo em meio ao beijo, Scott se esforçou para prestar atenção nas batidas do coração de Francesca e precisou de apenas alguns segundos para notar que o ritmo estava idêntico ao próprio coração.

Era um detalhe tão bobo e ao mesmo tempo tão incrível que Damien se sentiu relaxar outra vez. Suas garras se retraíram e nenhum outro sinal voltou a surgir. Por mais insignificante que fosse, aquela mera coincidência reforçava a ideia de que Francesca era apenas dele. Parecia bizarro pensar daquela forma, mas algo dava a certeza para Scott de que os dois pertenciam um ao outro para sempre.

Ele se sentia tão anestesiado quando o beijo foi interrompido que o comentário dela o pegou completamente desprevenido. A primeira imagem que apareceu em sua imaginação fértil foi do par de olhos amarelos que ele já havia visto refletido no espelho mais de uma vez. Mas a voz tranquila de Francesca não era compatível com a reação que ele havia esperado.

Apenas quando notou o batom borrado em seu próprio rosto, Damien compreendeu qual era a graça e foi impossível controlar o riso. Junto com Francesca, ele gargalhou enquanto limpava os lábios com o polegar. Rir parecia ser algo fora da sua vida, mas soava muito natural quando estava ao lado de Sullivan.

- Bom, você precisa admitir que qualquer coisa fica bem em mim. – Ele sorriu convencido enquanto a puxava novamente para um abraço, sentindo a necessidade de sempre tê-la em contato com o seu corpo. – Você sabe como sou irresistível. Mas neste caso, vou deixar que apenas você desfile lindamente com esta cor, está bem?

Se Damien corria algum risco de se transformar em um animal selvagem naquela noite, Francesca havia acabado com todas as chances ao trazer à tona não só o seu lado humano, como também a sua melhor parte.

- Aliás, já disse como você está incrivelmente linda hoje, Francine? – Ele piscou um olho com a troca do nome e segurou o rosto dela pelo queixo, acariciando a pele delicada com o polegar – Mas não acho uma boa ideia ficarmos. Só tem gente chata aqui e a bebida é toda sem álcool, você notou?

Com uma careta, Damien reprovou a festa e sacudiu a cabeça. Sua real preocupação era a insistência de Jack, mas ele estava disposto a enfrentar a inconveniência do rapaz se Sullivan insistisse em ficar.

- Se você faz questão, podemos ficar até o bolo. Mas que fique claro que só vim até aqui por você. E talvez na esperança de um champanhe de qualidade...
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Seg Jul 11, 2016 2:02 am

Jack teve certeza de que tudo estava perdido quando Caleb começou a arrastar Samantha na direção de Maximilian. O beta se remexeu em seu lugar ao notar a tensão do melhor amigo e só conseguia murmurar “calma, calma, calma” enquanto a aniversariante chegava mais perto a cada passo.

Uma transformação de Scott causaria um estrago sem precedentes em uma festa tão lotada, mas a destruição causada por um recém-transformado era uma piada perto do que um Alpha poderia fazer. Max tinha tamanho, força, velocidade e agilidade para acabar com todos ao seu redor, ele só precisava se deixar levar pela imensa fúria que começava a se refletir nos olhos dele.

- Sim. Eu sou o cara que a Sam atropelou.

Apesar da entonação calma do amigo, Jack não se deixou enganar pelo meio sorriso que brotou nos lábios de Max.

Os dois rapazes apertaram as mãos com uma firmeza desnecessária, mas Jack ficou feliz em ver que nenhum dos dedos de Caleb tinha sido quebrado. Aquilo provava que, mesmo furioso, Cavendish estava conseguindo se segurar.

- Eu não acho que você conseguiria convencer a Samantha a abandonar a bicicleta. Está bem claro que ela é o tipo de garota que não se priva de nada por causa de um namorado.

Os olhos de Caleb se estreitaram com aquela insinuação maldosa que praticamente confirmava as suas piores suspeitas sobre o relacionamento da namorada com Maximilian. Mas antes que os dois rapazes se envolvessem ainda mais naquela troca de farpas, Jack se meteu na conversa.

O beta mencionou Scott na esperança de que Max se concentrasse no objetivo que o levara até a cobertura dos Archibald naquela noite. Dezenas de pessoas inocentes estavam em risco e um Alpha não deveria colocar seus problemas pessoais acima da segurança de sua alcateia. Damien colocaria todos em risco e escancararia o segredo dos colegas se matasse alguém naquela noite.

- Ah, a Sullivan está na festa? Eu não a conheço. – Jack forçava uma entonação casual na esperança de evitar uma briga entre Max e Caleb – O Scott estava louco atrás dela, é um alívio saber que os dois estão juntos. Não é, Max?

Com uma das mãos, Jack tentou empurrar o amigo na direção oposta enquanto lutava para finalizar de uma vez por todas aquela perigosa conversa.

- A gente precisa achar o Scott. A sua festa tá jóia, Sam. – o rapaz ergueu o polegar – Mas a gente vai ter que sair antes do parabéns. Já temos outro compromisso pra hoje, né, Max? Vamos?

- Pois é. – um sorriso frio surgiu nos lábios de Cavendish – Não queremos estragar o clima tão íntimo e familiar da sua festa, Sammie. Depois você manda um pedaço do bolo pra gente, você conhece muito bem o endereço.

- Não precisa de bolo! – Jack soou meio histérico – Eu acabei de começar uma dieta rigorosa! Tchau, Sam. Foi um prazer conhecer o seu namorado. – as últimas palavras foram sussurradas apenas para Maximilian – Vamos atrás do Scott. Agora.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Seg Jul 11, 2016 2:31 am

- Tudo bem, nós podemos ir. O bolo é enorme, eu posso pedir pra Sam guardar um pedaço para mim e levar pro colégio na segunda. Só pra mim, óbvio. Eu não divido chocolate com ninguém.

A garota parecia tranquila ao concordar com a sugestão de Damien. Assim como ele, Francesca não tinha nenhum amigo além de Samantha naquela festa e só ficaria para aproveitar um pouco mais a companhia de Scott. Consequentemente, Sullivan concordaria em terminar a noite em qualquer lugar desde que o colega estivesse ao seu lado.

Mesmo sabendo que algum dos colegas poderia ver aquela cena, Scott e Francesca saíram do quarto de mãos dadas. Os dedos se mantiveram entrelaçados enquanto os dois jovens desciam as escadas e a ideia inicial era saírem da festa discretamente para que ninguém notasse aquela fuga. Dali, eles planejavam terminar a noite comendo alguma porcaria em uma lanchonete. A comida certamente não seria tão sofisticada quanto na cobertura dos Archibald, mas certamente os dois se divertiriam muito mais sem tanta gente desagradável ao redor.

Contudo, a ideia de sair da cobertura de forma discreta foi frustrada quando duas sombras se materializaram no caminho dos dois. Sullivan reconheceu imediatamente Maximilian Cavendish, mas o outro rapaz era um completo desconhecido para ela. A julgar pelo suspiro impaciente de Damien, era como se o rapaz já esperasse por aquela interrupção.

- Então esta é a famosa Francesca? – Jack abriu um sorrisinho simpático para a menina – O Scott fala de você o tempo inteiro.

- E você é...?

- O Jack. Somos grandes amigos, né, Damy?

- Ele nunca falou de você. – uma das sobrancelhas de Francesca se arqueou num semblante atrevido – E nem mencionou que era seu amigo, Max. Eu não imaginei que te encontraria aqui esta noite.

- Acredite, é o último lugar em que eu queria estar em toda a galáxia. – Maximilian pousou um olhar gelado em Damien – Foi uma penosa obrigação ter que vir até aqui esta noite. É o tipo de trabalho desnecessário que eu não costumo ter.

As sobrancelhas de Francesca se franziram com aquele diálogo esquisito. Era óbvio que tudo aquilo significava alguma coisa para os rapazes e Sullivan já estava bastante irritada por não compreender a complexa relação entre Damien e Max. Mas a garota ficou ainda mais confusa quando Jack passou um dos braços pelos ombros de Scott enquanto guiava o grupo na direção da saída.

- Mas e então, galera? Esta festinha pode ser chique, mas está meio pra baixo, né? Onde a gente vai agora?

- A gente...? – Francesca olhou de Jack para Damien, sem acreditar que ele incluiria os amigos no programa daquela noite – Sério? Os dois também vão???

- O Jack vai. – Max finalizou com firmeza, ainda mantendo aquele olhar fulminante em Damien – Eu vou para casa e espero continuar lá o resto da noite.

- Qual é, Fran!? – Jack riu diante da careta de insatisfação da menina – Vai ser divertido! Eu conheço uns lugares ótimos!

Quando encarou Scott, Francesca deixou muito claro que ele não conseguiria fugir de explicações daquela vez. Sullivan exigiria saber por que Damien recebia ordens de Maximilian, por que ele não mencionara que mantivera contato com Max e, principalmente, por que o tal Jack precisava acompanhá-los durante um encontro que deveria ser íntimo.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Michaela Moccia em Seg Jul 11, 2016 2:46 am

Apesar das palavras duras de Max, Samantha ainda sentia o desespero e a necessidade absurda de se explicar para ele. Tinha certeza que o rapaz tinha as piores ideias a seu respeito depois daquele desastre, e que dificilmente acreditaria em suas desculpas, mas não poderia desistir sem tentar. Já havia ido longe demais por sua covardia e era o mínimo que devia aos dois.

Assim que Jack e Cavendish se afastaram, o olhar frio de Caleb pousou sobre a namorada. Não restava mais dúvidas para ele que havia sido traído, mas Stark só não sabia até que nível de intimidade Samantha e Max haviam se envolvido.

Mesmo com o desastre em seu namoro, Archibald só conseguia pensar em Max. Era sufocante imaginar a mágoa que ele deveria estar sentindo e Sam queria a todo custo resolver as coisas entre eles.

Quando ela deu o primeiro passo para seguir o caminho das escadas, a mão de Stark a rodeou pelo braço, impedindo seu movimento.

- Já chega, Samantha. Chega de humilhações por hoje. Coloca um sorriso no rosto, jogue uma partida de guitar hero, coma um pedaço de bolo e amanhã iremos conversar.

A perfeição que todos enxergavam em Caleb começava a ruir diante dos olhos de Samantha. Ela começava a se questionar quantos momentos antes havia vivido ao lado do namorado que eram apenas mais farsas e encenações feitas por ele. Stark era sempre impecável diante de todos, tinha notas excelentes, se vestia bem, era ótimo nos esportes. Era a primeira vez que Archibald via que aquilo não era um traço natural de sua personalidade, apenas um esforço em ser sempre o que esperavam que ele fosse.

Por crescer na mesma sociedade que Caleb, Samantha sabia a importância de se manter na festa com um sorriso nos lábios, como se a noite já não estivesse arruinada para ela.

A única coisa que poderia fazer era esperar que os convidados se cansassem e, assim que se visse sozinha, pudesse procurar Max na esperança de que ele ao menos lhe desse a chance para se explicar.

Pensar que as chances entre os dois estava completamente arruinada era sufocante demais e Samantha não tinha certeza se poderia suportar.

Ela tinha tantas dúvidas de um futuro com Max que parecia absurda aquela certeza de que não seria feliz em um futuro sem ele.

Foi surpreendente quando os últimos convidados finalmente deixaram a cobertura dos Archibald e Samantha percebeu que havia sobrevivido a noite inteira sem enlouquecer. Caleb pareceu prolongar além do normal a sua saída e talvez por força do hábito ainda se inclinou para se despedir da namorada com um rápido beijo nos lábios.

- Eu volto amanhã para conversamos.

A entonação dele era muito mais suave do que no início da noite, mas foi completamente ignorada por Samantha. Ela se sentia exausta, os pés doíam com os saltos e o coração estava apertado, doendo de uma forma que não combinava com a sensação de vazio.

Durante alguns minutos, Archibald ficou sentada no meio da escada, observando os funcionários responsáveis pela limpeza. Seu semblante abatido e triste era incompatível com a noite de uma aniversariante, mas Sam sabia a única coisa que seria capaz de fazê-la se sentir melhor.

Não seria a primeira vez que ela atravessaria a cidade no meio da madrugada para aparecer de surpresa na casa de Cavendish, mas os pés doloridos a impediram de ir caminhando daquela vez. O motorista a deixou em frente ao conhecido prédio em questão de minutos e foi uma imensa sorte quando um dos moradores estava de saída e permitiu que ela entrasse sem precisar usar o interfone.

Ela ainda usava o vestido e os saltos da festa, mas o penteado já havia se desmontado. Graças ao coque desfeito, as ondas caíam com ainda mais perfeição pelos fios marcados, emoldurando o rosto sério e sem vida de Samantha quando ela tocou a campainha, sem se importar por ser quase três horas da manhã.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Seg Jul 11, 2016 3:06 am

Damien sabia que Jack não desistiria tão fácil, mas foi uma enorme surpresa ver o Alpha parado diante de si sob o teto dos Archibald. Era ainda mais surpreendente a maneira fria com que Max o encarava e lhe dava ordens, sem lembrar em nada o rapaz gentil e solicito que ele havia conhecido, lhe esticando a mão para ajudar a enfrentar aquela transformação.

Talvez tivesse sido apenas uma mentira de Cavendish para atraí-lo ao seu bando, mas nas poucas vezes em que havia convivido com Max e os demais integrantes daquela alcateia, Damien tivera a nítida impressão de que todos formavam um grupo de amigos, que confiavam uns nos outros e mesmo na posição de liderança, o Alpha não costumava se aproveitar dos demais.

Até onde Scott sabia, poderia ser a lua-cheia interferindo no humor do Alpha, ou Max estava realmente irritado com o seu comportamento. Por mais que não estivesse acostumado a receber ordens, Damien sabia que ainda precisava da ajuda daquele grupo, e se os dois rapazes estavam ali naquela noite, era porque realmente tinham motivos para se preocupar.

Ignorando a insatisfação de Francesca, Damien evitou encará-la enquanto tentava sair daquela situação da melhor forma possível.

- Cara, é sério, eu tô bem. – Ele abriu um sorriso tranquilizador e esticou a mão. O gesto poderia ser extremamente banal, mas era sua forma de mostrar que não havia sinal algum do lobo naquela noite. – Eu só queria aproveitar um pouco o tempo com a Francesca, entendem?

- Queeee? – Jack se fez de horrorizado e rapidamente deslizou para ficar entre Scott e Sullivan, apoiando cada uma das mãos nos ombros dos colegas. – Está me dispensando assim, Damy??? Qual é, vai ser divertido!

Damien buscou o olhar de Max, mas a frieza que encontrava nas íris azuis lhe reforçava que não havia para onde fugir. Com um suspiro e fazendo um grande esforço para não encarar Francesca, ele concordou.

- A gente ia sair para comer alguma coisa... – Ele começou a explicar, mas a animação de Jack com aquela vitória o interrompeu.

- ÓTIMO!!! Sei um lugar perfeito! Vocês gostam de tacos???

***

O restaurante mexicano ficava escondido em uma das ruas pouco movimentadas no Queens e ficava aberto a noite inteira. Normalmente, adolescentes e jovens passavam ali para comer após as festas, mas exatamente como Jack previra, o lugar estava quase vazio, com exceção dos funcionários.

- E aí, Rose! – Jack acenou para uma mulher atrás de um balcão e se afastou do casal para falar com ela. Quando estava perto o bastante, ele sussurrou, sabendo que Francesca seria incapaz de escutar. – Rose, querida, é a primeira lua do meu amigo ali...

Ao ver a mulher arregalando os olhos, ele esticou as mãos pedindo calma e se apressou em dizer.

- Está tudo sob controle, tá legal? Eu não traria o bichinho pra passear se não estivesse. A gente só precisa ficar em um lugar tranquilo até a noite terminar. Então que tal trazer aquela porção generosa de tacos e alguns nachos? Aaaah, e Rose, umas cervejas também. Sem álcool para os meus amiguinhos.

- Não vai me arrumar confusão, hein Jack. – Rose lançou um olhar demorado ao casal. – E a menina?

Jack olhou por cima do ombro enquanto via Damien e Francesca se acomodarem em uma das mesas.

- É a razão para estar tudo sob controle.

Com um suspiro, Damien olhou o restaurante ao redor, tentando parecer animado com a presença de Jack. Tudo que ele queria era poder aproveitar o tempo ao lado de Francesca, sem sombra do irmão psicopata. Mas não podia deixar transparecer sua insatisfação.

Seus dedos deslizaram pela mesa e ele segurou a mão de Sullivan na sua.

- Nunca vim aqui... Mas tacos não podem ser ruins, podem? – Ele soltou um risinho nervoso, que não combinava com sua personalidade tão descontraída. – Olha Fran, eu sei que não é o ideal... Mas o Jack é assim mesmo, todo inconveniente. Prometo que vamos nos livrar dele em breve, está bem?

- Se livrar de quem? – A voz de Jack soou quando ele se sentou ao lado de Damien, sorrindo abertamente. – Não estavam falando de mim, estavam?

Scott soltou a mão de Francesca apenas para apoiar a cabeça, mantendo o cotovelo apoiado sobre o tampo de madeira. Com o polegar, ele apontou para a mulher do balcão.

- Rose? Jack e Rose? Sério isso?

- Heeey! – Jack ergueu as mãos na defensiva. – É um ótimo filme, não venha me dizer que você não chorou. Nem você pode ser tão durão assim, Demy. Diga para ele que você chorou quando o Leo morreu congelado, Fran!
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Seg Jul 11, 2016 3:20 am

Pelo corredor escuro, era possível perceber que a única luz de todo o terceiro andar vinha de uma fresta sob a porta do número 303. A julgar pela variação na cor da luz e pela maneira como ela tremeluzia, era fácil concluir que aquela iluminação vinha da tela da grande televisão da sala de Maximilian.

O aparelho estava ligado num volume tão baixo que nenhum som ecoava pelo prédio. Max não tinha dificuldade nenhuma com ruídos sutis, mas a verdade é que ele sequer prestava atenção na televisão naquela madrugada. Ele só estava sentado diante de um filme qualquer porque sabia que não conseguiria dormir naquela noite. Ainda mais com o perfume de Samantha impregnado em seu colchão.

As lembranças que atormentavam a mente dele eram doloridas demais. Ver Samantha ao lado do namorado era a prova que Max precisava para concluir que fora uma tolice se envolver com a menina. Caleb era tudo o que Cavendish jamais seria. Rico, educado, influente, humano. Era um homem assim que Sam merecia ao seu lado, disso Max nunca tivera dúvidas. Ele só não entendia por que Archibald arriscara o futuro perfeito ao lado do namorado para viver uma aventura e apunhalar o coração dele.

Uma garota mimada. Era disso que a mente machucada de Maximilian tentava convencê-lo. Sam era uma típica garota que só precisava estalar os dedos para ter qualquer coisa nas mãos. Pessoas assim tinham o péssimo hábito de colocar as suas necessidades mais fúteis acima dos sentimentos dos demais.

Ao menos toda aquela decepção havia servido para que Max encontrasse a resposta para a questão que o atormentava nos últimos dias. Ele e Samantha Archibald não estavam marcados. Cavendish estava sofrendo como nunca por ela, mas não era como se a sua vida tivesse chegado ao fim. Aquela era uma mágoa profunda que causaria uma cicatriz eterna, mas Maximilian sabia que era capaz de se manter de pé e seguir com a sua vida, mesmo sem Samantha em seu futuro.

Era um grande alívio saber que, pelo menos, aquela decepção não o arruinaria para sempre. A alcateia precisava de um líder, ainda mais agora que estavam no rastro de um caçador. Max arruinaria todos os amigos se agisse como um lobo marcado que perde a sua âncora de salvação.

Este era o consolo no qual o rapaz tentava se agarrar quando seus sentidos apurados o alertaram sobre passos no corredor. O som de saltos já deu uma pista sobre a identidade da pessoa parada do outro lado da porta, mas foi o perfume familiar que confirmou as suspeitas do Alpha.

Os olhos de Max, ainda azuis graças às lentes que ele não se dera ao trabalho de retirar, se fecharam. Por um momento, Cavendish achou que seria uma boa ideia continuar imóvel até que Samantha se convencesse de que ele estava profundamente adormecido e não abriria a porta.

Contudo, ao notar que a garota continuava no corredor mesmo depois de longos segundos de silêncio, Cavendish deslizou para fora do sofá. Ele havia retirado os sapatos e meias, mas ainda usava a calça social e a camisa azul, agora amassada e com alguns botões confortavelmente abertos. Os cabelos castanhos estavam atrapalhados graças à forma como Max apoiou a cabeça no encosto da poltrona, mas ele não se deu ao trabalho de arrumar os fios antes de destrancar e abrir a porta.

Embora já soubesse que encontraria o rosto de Samantha no corredor, Maximilian não conseguiu manter a expressão indiferente que planejara. Sua voz soou baixa para não incomodar os vizinhos, mas a entonação deixava bem claro que ele não estava nada feliz com aquela visita no meio da madrugada.

- Usar as madrugadas para dormir é um hábito saudável. Você deveria experimentar, Samantha. Ou ao menos deveria deixar que as outras pessoas façam isso.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Michaela Moccia em Seg Jul 11, 2016 3:41 am

Por alguns instantes, Samantha chegou a acreditar que Max não iria abrir a porta para recebe-la. Era um imenso alívio saber que ele ao menos estava em casa, mas não seria nenhuma surpresa se ela ficasse plantada no corredor, diante da madeira sólida da porta e voltasse para a casa sem a chance de ao menos falar com ele.

Quando o rosto de Cavendish apareceu diante de si, uma mistura de tristeza e alívio se espalhou pelo peito de Archibald. Era doloroso demais ver a mágoa que ela havia provocado, mas também era impossível não desejar tocá-lo novamente.

- Eu não tenho feito muitas escolhas inteligentes desde que te conheci. Atravessar a cidade no meio da madrugada é só mais uma delas.

A mesma entonação sussurrada era usada por Sam, e o medo de que a porta fosse fechada novamente fez com que ela se aproximasse um passo, ainda se mantendo no corredor. Sua mão foi apoiada sobre a porta, para impedir qualquer tentativa de Max de enxotá-la.

- Me deixa entrar, Max.

Uma ruga surgiu entre suas sobrancelhas enquanto ela encarava Max com súplica. Longos segundos se passaram até que um pequeno espaço surgisse, permitindo que Samantha desse mais alguns passos e enfim entrasse na casa de Cavendish.

Seu primeiro instinto foi olhar para a sala escura, iluminada apenas pela tela grande da televisão. Ainda era muito recente a memória dos dois sentados sobre o carpete, trocando carinhos, beijos e risadas. Se Samantha fosse procurar, os copos descartáveis dos cafés ainda estavam na lixeira da cozinha de Max.

Era estranho voltar ali carregando tanta tristeza em seu peito. Sam manteve os braços cruzados diante do vestido vermelho, com uma pequena distância entre ela e Cavendish.

- Eu sei que você me odeia agora. Mas você precisa entender que eu nunca quis magoar você, Max. Não queria que você tivesse descoberto desta forma.

Com uma pequena pausa, Samantha deslizou as mãos pelos cabelos marcados pelo penteado. Ela revivia cada momento ao lado de Maximilian em sua cabeça, desejando que tivesse resolvido as coisas antes, que não tivesse permitido a situação de chegar até aquele ponto.

- Eu ia terminar com ele. Depois que eu saí daqui hoje de manhã, eu estava decidida a terminar tudo. Só precisava esperar toda essa confusão da festa passar.

Samantha espremeu os lábios já quase sem batom e arriscou dar mais um passo na direção de Cavendish. Se ele permitisse que ela o tocasse, poderia se lembrar como eram juntos, como era impossível se controlar diante de uma breve carícia. Com uma pequena hesitação, ela finalmente deixou que seus dedos se apoiassem sobre o braço cruzado dele, acariciando a pele com o polegar.

- Você sabe que eu tentei me manter afastada de você, mas não consegui. E sinceramente, você também não foi honesto comigo desde o começo. Ao menos eu estou aqui, admitindo os meus erros porque quero ficar com você, Max. Você é capaz de fazer a mesma coisa? Gosta de mim o bastante para isso?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Seg Jul 11, 2016 3:49 am

- Eu não chorei. – a garota cruzou os braços sobre a superfície da mesa – Eu estava ocupada tentando entender por que aquela vaca da Rose não dividiu a maldita tábua de madeira com o Jack. Os dois poderiam ter se salvado se ela tivesse mais que dois neurônios.

- Não a julgue pela quantidade limitada de neurônios. A Rose era inglesa, este é um problema comum na terra da rainha.

Jack lançou um sorrisinho sacana na direção de Damien e, pela primeira vez naquela noite, Francesca apreciou a companhia do outro rapaz. Provocar Scott era o esporte favorito da garota e era interessante ter uma dupla naquele jogo.

Apesar da grande inconveniência, Sullivan precisava admitir que Jack era um rapaz divertido. Ela não teria a menor dificuldade em se tornar amiga dele se não estivesse tão irritada com a companhia de Jack e com todas as dúvidas que brotaram na cabeça dela naquela noite. Tudo o que Francesca queria era ficar a sós com Scott, tanto para provar novamente o sabor dos lábios dele quanto para fazer todas as perguntas que pipocavam em sua mente.

- Por que a Rose... – Francesca indicou o balcão para mostrar que não falava mais do filme – ...está olhando para cá a cada três segundos com uma expressão tensa?

- Porque já passa de meia noite e ela provavelmente queria descansar, mas agora será obrigada a servir tacos pra gente.

Jack parecia ter uma resposta pronta na ponta da língua para tudo o que Sullivan dizia. O problema é que as explicações dele não convenciam. O semblante de Rose não indicava uma mulher cansada, mas uma pessoa amedrontada com a iminência de uma grande tragédia.

Tentando ignorar a presença do outro rapaz e o olhar atento dele a cada um dos gestos dos adolescentes, Francesca deslizou a mão sobre a mesa até alcançar o braço de Damien. As mãos dos dois se uniram numa carícia gentil antes que os dedos se entrelaçassem. Era óbvio que os dois estavam loucos por um pouco de privacidade, então Jack girou os olhos antes de se levantar.

- Vou ficar um pouco no balcão com a Rose. Eu já volto.

Estava claro para Jack que Scott tinha a situação sob controle. O rapaz definitivamente não parecia desesperado com os efeitos da lua-cheia e nem demonstrava um grande esforço para manter a forma humana. É claro que Jack não pretendia perder Damien de vista novamente, mas ele estava tranquilo quando se sentou junto ao balcão e bebeu um gole da sua cerveja.

- Você me arruma cada encrenca, Jack! Eu vou acabar com você se esse moleque me arrumar problemas aqui.

- Relaxa, Rose. Ele está concentrado demais na namoradinha. Os dois não formam um casalzinho fofo?

Na mesa, Francesca soltou um suspiro pesado quando Jack finalmente se afastou. A garota manteve a mão unida a de Damien, mas estava séria quando buscou pelos olhos dele.

- Você me deve um milhão de explicações. Mas eu gostaria que você começasse falando por que precisamos de uma babá esta noite.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Seg Jul 11, 2016 4:07 am

Damien havia acabado de leva o seu suco aos lábios quando Francesca finalmente conseguiu fazer uma de suas infinitas perguntas. Ele sabia que no instante em que tivesse oportunidade, Sullivan iria soterrá-lo com questionamentos que ele certamente não saberia explicar. A menina era inteligente demais para perceber cada detalhe e ele, em seu desespero, iria trocar as explicações, tornando sua situação ainda mais complicada.

Era um alívio que ela tivesse começado com algo tão simples, e ainda assim, Scott ergueu as sobrancelhas com um ar inocente. O copo de suco voltou a ser apoiado na mesa e Damien lambeu os lábios, retirando qualquer resíduo da bebida antes de responder.

- Que babá? O Jack? – Com o indicador, ele apontou as costas do rapaz, como se tivesse alguma outra pessoa atrapalhando a privacidade dos dois. – O coitado acabou de terminar com a namorada, tá arrasadão.

Definitivamente, o bom humor de Jack não combinava com alguém que havia acabado de sair de um relacionamento. Ao perceber aquele pequeno deslize, Scott ergueu o copo em um novo e demorado gole antes de completar.

- Mas ele não é tão ruim assim, é? Quer dizer, obviamente o cara tem problemas, mas se você parar pra pensar, não tem ninguém normal hoje em dia.

A mão de Scott cortou o ar quando ele começou a enumerar.

- Seu irmão carrega uma arma por aí e ameaça adolescentes estrangeiros. O Max é doidão, com mania de controlar todo mundo. Não vou nem mencionar aquele professor de francês esquisitão. E ainda tem você.

Ele finalmente parou de contar e usou as duas mãos para apontar Francesca, sorrindo com a sua costumeira provocação.

- Birutinha da cabeça. Que tipo de pessoa não chora com Titanic, mulher?

Damien baixou os braços e segurou as mãos de Francesca novamente entre seus dedos. Ele se sentia tão leve e feliz que poderia continuar ali para o resto da vida, desde que a menina a sua frente o acompanhasse.

- Ainda bem que você tem a mim. Te acho uma gracinha mesmo com as suas esquisitices.

Para enfatizar o seu comentário, Scott ergueu uma das mãos e beliscou a bochecha de Sullivan de forma carinhosa. Quando seu sorriso se tornou mais suave, ele continuou com uma entonação mais séria, soltando um demorado suspiro.

- Eu também preferia que ele não estivesse aqui, Fran. Você não faz ideia de como eu precisava ficar a sós com você. Mas vamos aguentar o Jack só por hoje, está bem? Prometo estar inteirinho para você amanhã, combinado?

O olhar de Damien buscou pelas íris esverdeadas e ele sentiu todo o seu corpo agradecido pela presença de Francesca. Aquela felicidade era a prova de que não havia a menor chance de perder o controle naquela noite.

- Eu não vou a lugar algum, linda. E depois da semana infernal que eu tive sem você, posso garantir que também não vou deixar você me escapar de novo.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Seg Jul 11, 2016 4:19 am

Era muito difícil acreditar em Samantha depois de saber que a garota havia escondido a existência de um namorado.

As palavras de Archibald soavam vazias aos ouvidos de Maximilian. Para ele, não fazia o menor sentido pensar que Sam pretendia terminar o namoro ao fim da sua festa de aniversário. Por que ela faria isso se tinha ao seu lado o típico garoto perfeito que os Archibald aprovariam e que ofereceria a ela o luxo e o futuro brilhante que garotas como Samantha desejavam?

Aquilo parecia mais uma das mentiras que Samantha falava para conseguir o que queria. E, por mais que gostasse dela, Cavendish não estava disposto a deixar que a garota usasse assim os seus sentimentos. Mesmo que não houvesse uma marcação, Max gostava demais de Sam para encarar aquela situação com indiferença ou para se divertir com o pouco que a menina queria lhe oferecer.

O Alpha pretendia finalizar aquela conversa de forma firme e racional, mas Samantha desviou o foco dos pensamentos dele com aquela acusação.

- Como é???

Por mais que soubesse que a garota estava certa, Max sentiu-se ofendido com aquela comparação. Sim, ele tinha grandes segredos que não compartilhara com Archibald. Mas nenhuma de suas mentiras escondia uma traição pessoal e nem comprometia o futuro que ele planejava ao lado de Sam.

- Você vai mesmo tentar virar o jogo depois de tudo o que aconteceu esta noite? É muita petulância, Samantha, mesmo para os seus padrões.

Em nenhum momento o rapaz ergueu a voz, mas sua entonação cortante dava um tom mais pesado àquela discussão. Cavendish não queria uma briga quando abriu a porta naquela madrugada, mas ele não estava disposto a se calar, muito menos a pedir desculpas para uma garota que traiu a sua confiança.

- Eu gosto de você, mas não estou disposto a virar a minha vida de ponta cabeça por uma mentira. E nem estou disposto a me abrir para uma garota que não me deu um décimo da honestidade que eu precisava. Eu não queria forçar a minha entrada na sua vida, muito menos me importo com o seu sobrenome, com os seus luxos... mas o que você fez não tem explicação, Samantha. Você não tem o direito de questionar nada depois do que fez comigo.

Um gosto amargo surgiu nos lábios de Maximilian quando ele os curvou num sorriso sem vida com a ideia que havia acabado de passar pela sua cabeça.

- Aliás, por que você está aqui? Imagino que o seu namorado tenha terminado tudo depois da festa, não é? Você só está aqui porque eu fui a única escolha que te restou. Eu já ouvi falar disso... as meninas de hoje em dia dão um nome para caras como eu. Como é mesmo...?

Cavendish perdeu alguns segundos vasculhando a memória até encontrar a expressão que queria usar naquele momento.

- Estepe. Eu sou o estepe do seu relacionamento oficial. Lamento, Sam, mas eu não estou disposto a assumir este papel.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Michaela Moccia em Seg Jul 11, 2016 4:37 am

Samantha precisava se recordar que Max estava magoado e ferido, para que assim ela se obrigasse a não se importar com as palavras frias e carregadas de sarcasmo. Aquele comportamento não lembrava em nada o rapaz que ela havia conhecido, sempre doce e carinhoso, e saber que era a responsável por aquela mudança fazia sua garganta queimar.

- Max, eu sei que o que eu fiz não foi certo, mas isso não te dá o direito de falar assim comigo.

Cada uma das suas escolhas havia levado ela exatamente até aquele momento. Sua covardia com Caleb, sua fraqueza e medo de aceitar que era de Cavendish que gostava. Cada uma de suas decisões erradas havia feito com que todos saíssem magoados naquela história.

- Se você é mesmo um “estepe”, porque eu estou aqui no meio da madrugada tentando acertar as coisas com você, não com ele?

Ao perceber que estava começando a elevar a voz, Archibald soltou um suspiro e recuou um passo. Ela deslizou as mãos pelos cabelos e caminhou pela sala, sentindo os pés arderem. Com o corpo exausto, Sam se permitiu sentar em uma das poltronas antes de continuar em uma entonação sussurrada.

- Nós dois começamos muito errados nessa história, Max. Eu sei que o que eu fiz foi imperdoável, mas eu sei que você também guarda segredos.

A mentira do incidente do banheiro e o bloco de notas com nomes riscados chegou a engasgar Archibald, a repentina amizade entre Cavendish e Scott também não parecia ser tão natural, mas ainda assim, ela engoliu as próprias suspeitas, sabendo que se continuasse seguindo a conversa por aquele rumo, seria muito pior.

- Caleb não terminou comigo, pelo menos não ainda. Mas isso não faz mais diferença.

Os pés de Samantha queimavam e ela permitiu que seus dedos trêmulos desabotoassem a sandália até livrar seus dedos por completo. As pernas imediatamente ficaram aliviadas quando ela encostou a planta do pé por inteiro no carpete, mas o alívio não durou muito quando a menina voltou a caminhar pelo apartamento até parar diante de Max.

- Eu sei que te magoei. Eu magoei todo mundo nessa história e não espero que você me perdoe tão rápido. Mas ao menos me dê uma chance para conversarmos quando você estiver pronto para ouvir.

O olhar de Samantha passou pelo relógio no micro-ondas antes de pousar novamente em Max. Não havia mais nada a ser feito, mas ainda assim ela não se sentia pronta para ir embora e deixar Cavendish mergulhado naquela tristeza.

- Posso ficar aqui esta noite? Eu já dispensei o motorista e estou cansada demais para voltar. Por favor, Max... Nós podemos tentar conversar de novo pela manhã.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Ter Jul 12, 2016 3:24 am

Contrariando todas as expectativas criadas pelos instintos selvagens da maldição que Cavendish carregava, o rapaz costumava se comportar sempre de forma muito gentil, tranquila e amigável. Talvez fosse exatamente esta racionalidade que fez com que os amigos o enxergassem como um líder. Mesmo diante das maiores adversidades, Max costumava ter serenidade suficiente para manter a calma e para se comportar de maneira sensata. Mas até mesmo esta qualidade nobre do Alpha caía por terra quando o assunto era Samantha Archibald.

Naquela madrugada, Maximilian pouco se importava se estava sendo irracional na escolha das palavras ou injusto nas críticas dirigidas contra Samantha. Ele se sentia mortalmente ferido pela traição dela e tolo por ter criado tantas expectativas com aquele relacionamento. Intimamente, o Alpha creditava uma parcela daquela culpa a Jack. Afinal, fora o melhor amigo que convenceu Max de que ele era um rapaz "normal" e que tinha direito de ser feliz ao lado de uma garota comum. Se não fosse pela semente plantada por Jack, Maximilian provavelmente não teria se entregado daquela forma e não se sentiria tão miserável agora, diante de tamanha decepção.

No fundo, o rapaz sabia que as palavras de Samantha faziam sentido. De fato ela não estaria ali no meio da madrugada se valorizasse mais o namoro com Caleb e visse em Cavendish apenas uma segunda opção. Entretanto, a mágoa não permitia que Max enxergasse a situação com tanta clareza. Tudo o que ele via quando encarava Archibald era a mentira que ela tivera a coragem de sustentar.

Embora duvidasse que o tempo fosse mudar a sua maneira de enxergar aquela traição, Maximilian não pretendia fazer um escândalo e expulsar uma garota do seu apartamento às três da manhã. Era uma madrugada de sábado, sem dúvida Samantha estava exausta depois da sua festa de aniversário e teria grandes dificuldades para encontrar um táxi àquela hora. Por mais que estivesse magoado, Max não queria para si a culpa por qualquer tragédia que pudesse vir a acontecer com a garota no caminho de volta até a cobertura dos Archibald.

- Sinceramente, Samantha...? Eu não acho que vou mudar de opinião se voltarmos a ter esta conversa de manhã. Mas já está tarde demais. Você não deveria ter vindo aqui, mas já que correu este risco é melhor que fique e não se arrisque novamente no caminho de volta.

Sem dar à menina tempo para articular uma resposta, o dono da casa deu as costas a ela e caminhou até o quarto. Do armário, Max retirou um travesseiro e um cobertor extra e estava carregando-os quando retornou à sala. Ao invés de entregar as peças para Samantha e sugerir que a garota se acomodasse na poltrona, Cavendish indicou para ela a porta do quarto.

- Vá se deitar, você deve estar exausta. Eu estou sem sono, vou ficar por aqui mesmo e terminar de assistir ao filme.

O olhar desinteressado que o rapaz lançou na direção do televisor indicava que Maximilian sequer saberia dizer qual o estilo do filme exibido pela tela naquele instante.

O gesto dele em ceder a cama para Samantha era cavalheiresco, mas também era uma escolha racional. Ele tinha certeza de que não conseguiria adormecer e também não conseguiria ter paz no colchão impregnado com o perfume dela. Então, era mais lógico permitir que Samantha tivesse uma noite mais confortável depois de todas as emoções da festa de aniversário.

- Fique à vontade... - Max acrescentou com uma entonação mais amarga - Você já conhece bem o caminho.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Ter Jul 12, 2016 3:46 am

- Não minta para mim.

Apesar do pedido ter soado em uma entonação firme, Francesca não ergueu o volume da voz e nem se exaltou. Os olhos verdes estavam sérios quando buscaram pelas íris de Damien e a expressão decidida dela deixava muito claro que a menina não se deixaria enganar por explicações fracas.

Sullivan estivera presente durante o "ataque" no colégio e desde então acompanhava cada um dos acontecimentos incomuns que rondavam Scott. Uma garota mais tola poderia acreditar nas bobagens que ele dizia, mas Francesca era esperta demais para aceitar tão facilmente a recente amizade entre Scott e Cavendish, para concordar com a presença insistente de Jack no encontro daquela noite e, principalmente, para engolir aqueles elogios e deixar as perguntas de lado.

Por mais que seu coração se acelerasse com as carícias e as palavras doces de Scott, Sullivan não deixaria que aquilo camuflasse as respostas concretas que ela buscava.

Era muito bizarro pensar assim, mas Francesca interrompeu a avalanche de perguntas que pipocavam em sua mente ao ter a ligeira impressão de que Jack era capaz de ouvir a conversa que acontecia na mesa. O outro rapaz estava há vários metros de distância, do outro lado do restaurante, bebendo cerveja em uma caneca enorme junto ao balcão de Rose. Mas era estranha a maneira como ele tensionava os ombros e interrompia seus movimentos a cada palavra trocada pelos adolescentes.

- Amanhã, Damien. - a voz de Francesca quase não saiu, mas Scott poderia ler as palavras nos lábios grossos da colega - Amanhã vamos conversar com mais privacidade e eu quero que seja sincero comigo. Sem histórias bobas, sem mentiras, sem o Jack. Por favor.

A garota mostrou que não estava chateada com as mentiras tolas que Damien acabara de lhe falar quando inclinou-se na direção dele. Os lábios se roçaram de forma carinhosa antes que Francesca depositasse um beijo gentil nos lábios de Scott. Com o polegar, ela limpou a marquinha do batom vermelho e se aproveitou daquela proximidade para deslizar os dedos até a nuca do rapaz, acariciando as pontinhas dos cabelos arrepiados dele.

- Eu preciso ir ao banheiro. – Sullivan acrescentou de forma doce ao notar o olhar tenso do rapaz – É logo ali, fofinho.

Era estranha a maneira como Francesca parecia entender que Damien era dependente dela. Mesmo que não compreendesse de forma racional o que acontecia com o colega, Sullivan parecia sentir que Scott era fisicamente dependente da ligação existente entre os dois.

- Dois minutos. Eu vou estar há poucos metros de distância, hm? Será rápido.

Para cumprir a promessa, Sullivan acelerou seus passos até o banheiro feminino, que de fato não ficava tão distante da mesa selecionada por Damien. A garota gastou menos de um minuto para usar o sanitário e ocupou o restante do tempo em digitar uma mensagem no celular. Provavelmente Samantha ainda estava se divertindo na festa e só veria o recado no dia seguinte, mas aquilo era um assunto urgente que não podia ficar para depois.

"Tem alguma coisa muito errada nesse lance entre o Scott e o Cavendish. Preciso te contar o que rolou na festa (e depois dela). Me liga quando puder, a gente precisa se encontrar para conversar.
PS.: guarde um pedaço do bolo, eu saí da festa sem provar =D"
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Francesca Sullivan

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Re: Alpha Pack

Mensagem por Michaela Moccia em Ter Jul 12, 2016 4:30 am

Os pés de Samantha caminharam silenciosamente sobre o carpete até alcançar a porta do quarto, mas ao invés de entrar no cômodo, ela continuou parada no batente, encarando Maximilian com hesitação.

Não era justo que, mesmo depois de tudo, o rapaz também abrisse mão do conforto da própria cama para ela. Archibald sentia que estava roubando mais aquele privilégio da vida do rapaz e seu peito se espremia com a ideia de se acomodar na mesma cama onde haviam passado momentos felizes e enfrentar o resto da madrugada sozinha.

Ela queria pedir que ele também fosse para o quarto, não só para evitar a ideia extremamente desconfortável de dormir em uma poltrona, como sentia uma vontade desesperada de continuar ao lado dele. Mas Sam sabia que nada do que falasse seria capaz de convencê-lo a dividir o mesmo colchão que ela.

Max estava magoado demais e Samantha não sabia como podia corrigir os seus erros e voltar a receber os sorrisos e olhares carinhosos de Cavendish.

Depois de longos segundos apenas encarando a sala parcialmente iluminada, Samantha finalmente entrou no quarto. A porta foi mantida entreaberta, na esperança tola de que Max mudasse de ideia ou que se sentisse cansado demais e não se intimidasse com a porta fechada.

O vestido vermelho foi despido e Samantha ousou mexer na gaveta de Maximilian, vestindo uma das camisetas brancas de algodão que estavam perfeitamente dobradas na cômoda. Quando se encolheu no lençol frio e afundou a cabeça no travesseiro de Max, Sam manteve o olhar preso no pedaço da sala que conseguia enxergar, acompanhando a iluminação oscilante da televisão até se entregar ao sono.

Antes que o sol estivesse firme nos céus, Archibald já havia despertado do seu sono agitado. Era impossível dormir sabendo que Max estava há poucos metros de distância, com sua mente revivendo os últimos acontecimentos com um loop tortuoso.

A maquiagem estava borrada e os cabelos completamente amarrotados quando Samantha deslizou para fora da cama. Na ponta dos pés, ela deixou o quarto e se surpreendeu quando encontrou Max dormindo em uma posição nada confortável na poltrona. O cobertor estava jogado em seus ombros e o travesseiro apoiado na cabeça, mas o ângulo do pescoço mostrava que ele sentiria dores no instante em que abrisse os olhos.

Tomando o devido cuidado para não acordá-lo, Samantha entrou na porta ao lado e se trancou no banheiro. Mais do que a maquiagem borrada, ela se surpreendeu ao ver as grandes olheiras que marcavam sua pele pálida e a expressão abatida e triste de seus olhos.

Os dedos de Sam deslizaram pelos cabelos castanhos até prendê-los em um coque frouxo. A água fresca foi esfregada em seu rosto e Archibald precisou de alguns minutos até estar menos assustadora.

Sua cabeça latejava, provavelmente provocada pela péssima noite e as fortes emoções. Foi na busca por uma aspirina que ela remexeu os armários de Max, mas a enxaqueca foi facilmente deixada de lado quando a caixinha de lentes de contato prendeu sua atenção.

A primeira reação de Sam foi uma curiosidade besta, quase incômoda por não saber que Cavendish usava lentes de contato. Ele nunca havia comentado que tinha problemas na visão e na sua constante vontade de conhece-lo, Sam se perguntou porque o assunto nunca havia surgido antes.

Só quando olhou com mais atenção, Archibald viu que as lentes não tinham o propósito de corrigir algum grau defasado. Comparando com as mentiras que Max havia contado, mentir sobre a cor dos olhos parecia algo extremamente banal, mas mais uma vez o alerta soou na mente de Samantha. O que havia de errado com Cavendish? Quanto mais ela insistia, mais uma mentira parecia surgir.

Eram mentiras pequenas e pontuais, algumas sem sentido algum, mas a bola de neve só aumentava e fazia a curiosidade de Sam aumentar.

Ela estava tão entretida em seus pensamentos que, quando seus pés a levaram novamente para fora do banheiro, se assustou ao ver que Max já estava acordado. Samantha vestia apenas a camisa de algodão do rapaz, que graças a diferença na altura, servia como um vestido, alcançando a metade das suas coxas.

- Oi... Eu não queria ter acordado você, desculpe.

Sentindo-se repentinamente constrangida, mesmo que Max já tivesse visto seu corpo por inteiro, Sam cruzou os braços contra o peito e tentou se esconder.

- Eu peguei uma camisa sua, espero que não se importe. Aquele vestido estava pinicando. – Um sorriso triste apareceu em seus lábios enquanto ela brincava com uma mecha solta do seu coque. – Vou devolver depois. Se você quiser me receber de volta, é claro.

Sam lançou um olhar ansioso na direção de Max enquanto voltava a caminhar para o quarto. Seus sapatos e seu vestido foram recolhidos e ela estava tentando manter um humor leve, embora extremamente amargo, quando voltou pronta para se despedir.

- Prometo não aparecer mais no meio da madrugada. Vou seguir o seu conselho e tentar usar a noite para dormir. Mas se alguma vez se sentir disposto a me ouvir, você tem o meu número, Max.

A vontade de pelo menos depositar um beijo no rosto de Cavendish para se despedir fez os lábios de Samantha formigarem, mas ela respirou fundo e ignorou o vazio em seu peito quando caminhou para fora do apartamento com o coração destruído em pensar que não havia mais volta.

Ela já estava enfiada no táxi no caminho de casa quando foi mexer no celular. Além de algumas chamadas perdidas de Caleb, a mensagem de Francesca era a única não lida em sua caixa de entrada.

“Te encontro na sua casa em uma hora. Não aguento ficar mais um dia sem fazer nada a respeito sobre essa história.
PS: Como assim você não provou o bolo? Vai mudar a sua vida. Não tome café, vou levar o suficiente para nós duas”.

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Michaela Moccia

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