Alpha Pack

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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Sex Jul 08, 2016 3:28 am

Se fosse em qualquer outra circunstância, Damien teria se surpreendido com o abraço repentino de Francesca. Embora os dois tivessem se aproximado bastante nos últimos dias, o relacionamento dos dois se resumia em implicâncias e provocações divertidas, além do desejo mútuo de arrancar um sorriso do outro em meio às piadas maliciosas.

Depois daquele dia agitado e de toda a confusão que sua mente e seu coração estavam, Scott só conseguiu sentir o alívio se espalhar pelo seu corpo ao sentir o calor de Sullivan. Seus braços imediatamente rodearam a cintura dela, puxando-a de encontro ao seu peito. As pálpebras se fecharam apertadas enquanto ele afundava o rosto em seus cabelos castanho-avermelhados, se deliciando com o perfume delicado que emanava dos fios.

Graças aos muitos centímetros que tinha de diferença, Damien precisava se curvar para manter o contato com Francesca. Mas a luz do luar que entrava pela janela, junto com a claridade amarelada do poste da rua, faziam com que as sombras dos dois fossem projetadas pelo chão de madeira, mostrando a sintonia que existia entre os dois.

Suas mãos subiam e desciam pelas costas dela, em uma leve carícia, quando ele afastou apenas o rosto para encará-la. Sua testa estava franzida e seu olhar levemente caído, mostrando o cansaço daquele dia sem fim.

Era impossível ignorar o arrepio gostoso que se espalhava pelo seu corpo com o toque de Francesca e, aos poucos, a respiração de Damien foi se tornando mais calma até que um discreto sorriso surgisse em seus lábios ao perceber o quanto a menina havia ficado preocupada. Poderia ser muito egoísmo, mas Scott se sentia importante ao despertar aquele tipo de preocupação.

- Eu estou bem, não se preocupe. Estou bem.

Ele repetiu, tentando tranquilizar o semblante de Francesca. Conforme seus olhos se adaptavam com a escuridão, Damien percebeu os sinais de choro no rosto da menina e seu sentimento egoísta logo se dissipou, dando lugar para a culpa.

Instintivamente, Scott ergueu uma das mãos e acariciou a bochecha de Francesca com o polegar. Sua boca seca se entreabriu enquanto ele se culpava pela aparência abatida e angustiada da menina. Era terrível saber que havia despertado tantos sentimentos ruins em um só dia.

- Desculpe pelo que fiz hoje, Fran. Não queria ter te assustado. Eu não...

A voz de Scott morreu quando ele percebeu que havia se movido até ali no desespero de rever Francesca, mas sem ter a menor ideia de como se explicaria para a menina. Sua mão continuou pousada no rosto dela enquanto suas íris azuladas passavam de um olho verde ao outro, encarando a menina há poucos centímetros de distância.

Mesmo com a proximidade do relacionamento dos dois, eles jamais haviam ficado literalmente tão unidos, mas Scott precisava admitir que a sensação era maravilhosa, capaz de fazê-lo se esquecer de tudo.

O perfume se tornada ainda mais intenso e ele se deixava levar pelo ritmo das batidas do coração dela, que se intensificavam a cada gesto seu.

Já com o raciocínio completamente comprometido, Damien apoiou sua testa na de Francesca. Uma de suas mãos estava apoiada na curva da cintura dela e a outra deslizou pela bochecha até segurá-la pela nuca. O nariz dele roçava na ponta do nariz arrebitado de Francesca e bastava que um deles inclinasse a cabeça para que os lábios se encontrassem.

Procurando desesperadamente que o foco saísse do ocorrido naquele dia, Damien conseguiu curvar seus lábios bem desenhados em um sorriso que lembrava o velho Scott implicante dos corredores e ele baixou o olhar para a roupa de Sullivan.

O tecido era leve e não muito justo, parecendo extremamente confortável para dormir, apesar do tecido gasto. Ainda assim, era a primeira vez que Damien via Francesca com uma barreira tão pequena de roupas.

- Eu sei que o seu senso de moda nunca foi dos melhores, Fran... Mas acho que finalmente gostei da sua escolha para as roupas.

O sotaque carregado mostrava o esforço de Damien em tentar reestabelecer o relacionamento antigo dos dois, mas ele escutava cada uma das batidas do coração de Francesca para ignorar como ela também não era imune ao que acontecia entre os dois.

As pontas dos dedos de Damien deslizaram, roçando suavemente o maxilar de Francesca, até segurar a ponta do queixo delicado. Ele inclinou o rosto dela para cima e a encarou nos olhos, com as íris brilhando intensamente.

- Você pode deixar para me xingar depois? – Era por muito pouco que seus lábios não se encontravam conforme Damien mexia a boca para falar. – Eu quero te beijar agora.

Ele precisou apenas de um segundo para sentir a temperatura de Francesca subir e o coração dela responder com um salto. Nada mais era necessário para incentivá-lo, então Damien finalmente acabou com o quase inexistente espaço e beijou Francesca.

Uma corrente elétrica percorreu todo o seu corpo e nos primeiros segundos, Scott foi incapaz de se mexer, até mesmo para conduzir o beijo. Se ser um lobisomem mexia com os seus sentidos, definitivamente havia mexido com aquilo também, porque ele jamais havia sentido um sabor tão maravilhoso nos lábios de outra menina.

Assim que seu cérebro foi capaz de absorver e memorizar aquela perfeição, ele deslizou a língua até se encontrar com a de Francesca, tornando o beijo intenso de uma forma jamais experimentada antes.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Sab Jul 09, 2016 3:34 am

Mesmo não sendo uma garota muito baixinha, durante o abraço Francesca teve que se colocar na ponta dos pés para reduzir um pouco a diferença de estatura entre ela e Damien. Apesar deste detalhe, foi impressionante a maneira como os dois corpos se encaixaram bem durante aquele contato.

Embora estivesse vindo da rua, o corpo de Scott estava tão quente quanto o de Francesca, que acabara de sair de debaixo dos edredons. Mas a garota não parecia intrigada com esta contradição quando abaixou as pálpebras pesadas para que assim pudesse sentir melhor o perfume que vinha da pele do colega.

Os olhos esverdeados ainda estavam fechados quando Damien afastou o próprio rosto. Ao perceber que estava sendo observada, Francesca ergueu novamente as pálpebras e retribuiu ao olhar do rapaz. Scott parecia exausto depois daquele dia tumultuado, mas para Sullivan bastava a certeza de que ele estava bem.

Damien não era o único responsável pelo choro e por aquela noite em claro, mas Francesca não pretendia perder o precioso tempo deles enchendo os ouvidos do colega com seus próprios problemas. Não era exatamente injusto deixar que o rapaz carregasse aquela culpa, visto que Scott realmente era a maior das preocupações de Sullivan naquela noite.

Não passou despercebida para Francesca a tentativa do colega em fugir das explicações que ela lhe pedira. Por mais que estivesse profundamente aliviada em ver Scott inteiro, Francesca ainda fazia questão de entender o que havia acontecido no colégio. Era inacreditável que Damien tivesse tido o trabalho de ir até a casa dela e de escalar as paredes até a janela do sótão. Mas era ainda mais inacreditável que Scott achasse que poderia entrar no quarto dela sem apresentar excelentes explicações para toda a loucura daquela tarde.

Entretanto, antes que Francesca ignorasse a piadinha do colega e redirecionasse a conversa em uma direção mais séria, Scott a surpreendeu. O coração da menina deu um salto dentro do peito quando Damien se aproximou ainda mais, colando o corpo no dela e provocando-a com o sotaque britânico carregado.

As reações dela foram instintivas e incontroláveis. Um arrepio percorreu sua pele, esquentando-a por dentro. O coração de Sullivan começou a bater acelerado e de forma descompassada. As pupilas que manchavam as íris esverdeadas se comprimiram quando Damien a encarou com tamanha profundidade.

Os movimentos feitos pelos lábios dele enquanto Scott falava eram hipnotizantes. Por mais que racionalmente Francesca ainda quisesse explicações, era impossível desviar o olhar e atenção dos lábios bem desenhados do colega, ainda mais tendo Damien tão perto de si.

Francesca teve certeza de que não conseguiria reagir quando Scott afirmou que a beijaria. Se fosse qualquer outro rapaz, Sullivan não teria a menor dificuldade em se livrar dos braços dele, mas com Damien era diferente. Ela simplesmente não queria sair dali, ela estava ansiosa e o salto do seu coração denunciava que Francesca queria tanto aquele beijo quanto Damien.

O primeiro contato entre os lábios foi intenso. Francesca jamais esperaria por aquela sensação de uma deliciosa corrente elétrica percorrendo o seu corpo, atiçando seus sentidos, despertando cada uma de suas células. Obviamente não era a primeira experiência da caçula dos Sullivan com um garoto, mas nada poderia ser comparado ao que Scott oferecia a ela naquela madrugada.

As mãos apoiadas nos ombros de Damien o apertaram com firmeza, as articulações se dobrando com tanta força a ponto de se tornarem mais esbranquiçadas. Nos segundos iniciais, a surpresa foi tão grande que Francesca também permaneceu sem reação. Mas bastou que Scott ditasse o ritmo do beijo para que a garota o seguisse na mesma intensidade.

O movimento ousado e inesperado da língua dele provocou mais um arrepio em Francesca. De repente, o clima do pequeno quarto lhe parecia mais quente e abafado. Nem mesmo a brisa fresca que entrava pela janela entreaberta era o bastante para compensar o calor do momento.

Apesar da surpresa com o gesto de Scott e com as reações do próprio corpo, Sullivan não hesitou em repetir o movimento do colega e intensificar o beijo, roçando a língua contra a dele. Suas mãos deslizaram pelos ombros firmes de Damien até que os dedos se encaixassem na nuca dele, tocando os cabelos espetados.

A garota exterminou os últimos milímetros que ainda a separavam do colega e colou o corpo no de Scott, apertando os olhos com força como se quisesse garantir que o sentido da visão não atrapalharia aquela sensação única que seus lábios experimentavam.

Ao invés de se sentir ameaçada com a falta de compreensão, Francesca se sentia bizarramente protegida naquele abraço. Enquanto estava mergulhada no beijo mais quente de toda a sua vida, a caçula dos Sullivan sequer se importava com o fato do pai e do irmão estarem dormindo há poucos metros de distância.

Era como se o resto do mundo não existisse fora daquele quarto. Tudo o que realmente importava era estar nos braços de Damien Scott.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Sab Jul 09, 2016 4:34 pm

O semblante de Maximilian Cavendish estava notavelmente inseguro quando o par de olhos falsamente azuis o encarou pelo reflexo do espelho. A insegurança era um sentimento que um Alpha raramente experimentava. Mesmo quando a situação era difícil ou crítica, Max geralmente sabia o que fazer e passava esta confiança aos demais membros de sua alcateia. Mas tudo era diferente com Samantha Archibald.

Enquanto vestia as confortáveis calças de algodão que compunham o seu pijama, Max se odiou por ter deixado Damien partir antes que os dois combinassem qual seria a história “oficial”. Porque era óbvio que Francesca Sullivan também exigiria explicações de Scott e os dois estariam perdidos se as explicações dadas a Francesca e a Samantha não fossem idênticas.

Mas agora já era tarde demais para corrigir este erro. Sam estava – sabe-se lá como – parada no meio da sala do pequeno apartamento de Cavendish. Se ela se dera ao trabalho de encontrá-lo àquela hora da noite, era muito óbvio para Max que Archibald não se deixaria enganar por uma explicação pouco convincente.

Ficaria claro para Samantha que aqueles eram os pijamas de Maximilian quando ele saiu do banheiro usando uma calça de algodão acinzentada e uma blusa branca lisa. É claro que o rapaz preferiria roupas mais formais para se colocar diante de uma visita, mas aquelas eram as únicas peças que Max havia levado para o banheiro naquela madrugada. Os pés descalços encontraram algum alívio quando deixaram o piso gelado e alcançaram o tapete da sala.

Cavendish não teve dúvida de que Samantha havia notado o brilho avermelhado de seus olhos quando a menina buscou imediatamente por suas íris. O familiar tom azul certamente faria Sam concluir que havia imaginado coisas ou que a lâmpada amarelada do banheiro tinha provocado um reflexo estranho nos olhos do rapaz.

- Eu que peço desculpas pelo mal entendido. Estava esperando um velho amigo, abri o portão sem conferir se era mesmo ele. – Max forçou um sorrisinho torto para tentar suavizar o clima – Pessoas morrem em Nova York por descuidos assim. Estou feliz que seja você e não um assaltante psicopata.

Embora a presença de Samantha ali fosse uma catástrofe que Max não sabia como amenizar, intimamente o rapaz sentia uma inegável satisfação em pensar que Sam se dera ao trabalho de sair de sua casa e de enfrentar os perigos de uma madrugada em Nova York apenas para garantir que estava tudo bem com ele. Depois da maneira como a menina se esquivara do seu convite para sair, Cavendish não imaginava que Samantha se importaria tanto com ele.

Quando Sam se esquivou de uma conversa e redirecionou o assunto para uma despedida, uma das sobrancelhas de Maximilian se arqueou e a expressão dele não escondeu a surpresa e o estranhamento. Tudo o que Max precisava era que Samantha fosse embora sem exigir explicações, mas ele não permitiu que as coisas se resolvessem daquela maneira simplória. Intimamente, Max sabia que Archibald nunca mais faria parte de sua vida se ele permitisse que a menina partisse daquela maneira.

- Você veio até a minha casa... – os olhos azuis buscaram pelo relógio da sala – ...às duas e cinco da manhã para dizer meia dúzia de palavras e ir embora? Isso é bizarro demais, Sam, até para os seus padrões.

Tentando aparentar uma tranquilidade que não sentia, Maximilian cruzou o pequeno espaço entre a sala e a cozinha até alcançar a geladeira. Em menos de um minuto, dois copos de suco estavam servidos sobre a bancada que separava a sala da cozinha. Separados pela bancada, com Max na cozinha e Samantha na sala, o rapaz iniciou as explicações que a moça certamente buscava quando saiu de casa naquela noite.

- Eu lamento por ter sumido daquele jeito, mas não vi outra escolha depois que o banheiro foi destruído. Eu teria terminado a noite numa delegacia antes que tivesse a chance de explicar que não tinha nada a ver com aquela confusão.

Mesmo sem saber o que Damien diria para Francesca, Max tentou explicar a situação de forma convincente. A melhor forma de escapar de contradições era fornecer o menor número de informações possíveis.

- Eu não sei o que aconteceu de fato. – Cavendish fez uma careta e ergueu um dos ombros – Imagino que tenha sido uma briga de namorados ou algo do estilo. Quando eu cheguei ao corredor, a Sullivan estava do lado de fora do banheiro. Eu percebi que o garoto estava completamente surtado e pedi pra que ela se afastasse antes que o cara pudesse machucá-la.

Max tomou um gole do suco, aproveitando-se daquela pequena pausa para organizar o restante das explicações em sua cabeça.

- Eu entrei no banheiro para acalmá-lo, mas o cara já estava completamente fora de si. Não sei de onde ele tirou um cabo de lacrosse, mas ele estava com aquela coisa nas mãos e começou a destruir as pias.

Todos na Constance Billard sabiam que Damien nunca fora muito habilidoso no esporte e não fazia parte do time do colégio. Mas não era tão absurdo pensar que o rapaz havia usado o cabo como arma. Eles estavam num banheiro masculino e não era incomum que os jogadores utilizassem aquele espaço como vestiário e deixassem ali as bolas, cabos e uniformes do time.

Apesar do comportamento distante e de não ter muitos amigos no colégio, Scott nunca havia tido nenhum comportamento agressivo ou demonstrado tamanho descontrole emocional. Também era estranho pensar que Damien havia destruído o banheiro daquela maneira. Embora ele fosse um rapaz forte, era difícil imaginar que os músculos dele conseguiriam arrancar portas e abrir buracos nas paredes. Por outro lado, não parecia haver nenhuma outra explicação lógica além daquela que Maximilian fornecia.

- Não foi fácil acalmá-lo. Ele estava completamente fora de si, berrava, rosnava e falava umas coisas sem sentido. Sério, talvez você devesse convencer a sua amiga a levá-lo num psicólogo, o cara está com algum problema. Ele gosta muito dela, mas ninguém surta assim só por causa de uma discussão com a namorada, não é? Enfim... eu tive pena dele. Quando ele finalmente se acalmou, o banheiro estava destruído e ele murmurou alguma coisa sobre a mãe ficar decepcionada por ele ser expulso. Então eu o ajudei a fugir pela tubulação de ar.

Sem dar a Archibald tempo para digerir e interpretar aquelas informações, Max tentou levar a conversa em outra direção. Seu principal objetivo era distrair a cabeça de Samantha, mas intimamente ele também queria entender o que estava havendo com ela. Porque nem mesmo os instintos tão apurados do Alpha compreendiam uma garota que lhe dá um fora e poucas horas depois enfrenta uma madrugada de Nova York apenas para ter certeza de que ele estava bem.

- Eu não te liguei porque imaginei que, depois da nossa última conversa, não tínhamos muito o que dizer um ao outro. Eu julguei que estava interpretando bem os sinais, por isso achei que seria uma boa ideia te chamar para sair. – mais uma vez, Max a encarou com uma das sobrancelhas arqueadas – A sua recusa me fez concluir que eu estava errado e que tinha estragado uma boa amizade com aquele convite. Mas aí você aparece aqui e eu novamente não sei como interpretar as coisas.

Cavendish se inclinou sobre a bancada, sem tirar os olhos de Samantha enquanto concluía o seu discurso.

- Por mais que eu ache adorável o seu jeitinho bizarro de ser, eu vou precisar que seja um pouco mais clara comigo, Sam.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Jul 09, 2016 6:12 pm

Samantha ouvia cada uma das palavras da explicação de Max com bastante atenção, mas ainda se mantinha parada ao lado da porta, a mão firme na maçaneta enquanto o observava do outro lado do balcão.

A mente aguçada de Archibald sabia que existiam pontos falhos na história contada pelo rapaz. Ela sabia perfeitamente identificar quando alguém tentava ocultar ou disfarçar a verdade. Maximilian era muito bom, mas ela tinha um instinto forte demais para identificar as pontas soltas naquela versão.

Damien estava longe de ser o rapaz mais social da escola, mas nunca havia mostrado sinais tão violentos. É lógico que as pessoas eram capazes de surpreender, mas ainda assim, Sam encontrava dificuldades em imaginar o colega tendo um surto daquele nível. Cada vez que se lembrava dos sons animalescos, menos sentido a história de Cavendish fazia.

Porém, com a mesma facilidade que ela tinha em desconfiar de uma história falsa, Max parecia ter em distraí-la. Bastou que ele mudasse o rumo da conversa para que Samantha varresse as preocupações de sua mente e se focasse apenas no rosto bonito à sua frente.

Seus dedos deslizaram pela maçaneta até soltar o metal frio e seus pés caminharam hesitantes até o balcão, mantendo aquela barreira entre ela e o rapaz. Para não sentir a intensidade do olhar de Cavendish, Archibald baixou suas íris castanhas até encarar o copo de suco a sua frente, rodeando o vidro com sua pequena mão.

- Você não interpretou errado os sinais.

A confissão saiu em um sussurro tão baixo que não seria surpreendente se Max não tivesse escutado. Ela fez uma longa pausa, mantendo os lábios espremidos enquanto tentava organizar os pensamentos.

Podia continuar negando por quanto tempo quisesse, mas era cada vez mais óbvio a atração que sentia por Maximilian. E o fato de estar no meio da madrugada em sua casa depois de atravessar a madrugada e agir como uma maluca até encontrar o prédio dele apenas para se certificar de que estava bem era a prova de que seu coração começava a se importar mais do que uma atração boba diante de um rapaz bonito.

- Você precisa que eu seja mais clara? Não foi uma boa ideia você ter me chamado para sair. – Ela ergueu o rosto, fazendo uma pequena mecha roçar em seu queixo. Mesmo quando Samantha mordia o lábio inferior, o movimento era suficiente para fazer as familiares covinhas aparecerem. – Na verdade, foi uma péssima ideia, porque tudo que eu consigo pensar é em como eu quero dizer sim.

Samantha soltou o copo e deslizou os dedos até segurar a mão de Max sobre o balcão, acariciando a pele com o polegar. A temperatura dele era extremamente agradável e provocava uma corrente elétrica que se espalhava pelo seu corpo de forma deliciosa.

- Eu quero tanto dizer sim que agi como uma maluca psicopata vindo até aqui no meio da noite. – Ela espremeu os lábios para conter o riso com a própria maluquice, sacudindo a cabeça de modo a balançar todos os fios escuros. – Se você for mesmo interpretar os meus sinais, você vai sair correndo na direção oposta, apavorado com a minha bizarrice.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Sab Jul 09, 2016 6:37 pm

Damien queria esquecer o resto do mundo, todos os seus problemas e a história absurda de ser um lobisomem e carregar aquela maldição para o resto da vida. Nos braços de Francesca, ele era capaz de se sentir leve, quase normal, concentrado apenas em tê-la para si.

O que impedia Scott de se entregar inteiramente ao momento era o medo de perder novamente o controle do próprio corpo. A última coisa que ele precisava era que seu rosto se transformasse naquela figura bizarra ou que seus olhos se tornassem amarelos e as garras surgissem em suas mãos.

Ao mesmo tempo que ele queria se concentrar apenas em Sullivan, uma parte de seu cérebro estava em alerta, mantendo o monstro domado em seu peito. Por mais que ainda tivesse fôlego e desejo para continuar aquele beijo por muito mais tempo, Damien interrompeu o contato dos lábios apenas o suficiente para encarar Francesca.

Suas mãos continuavam a pressioná-la na nuca e na cintura, os corpos inteiramente colados quando as pálpebras se ergueram, revelando os olhos verdes com um intenso brilho. Damien curvou os lábios inchados e úmidos em um sorrisinho de satisfação, mas sua testa continuava enrugada, transmitindo a tensão que ele sentia.

- Eu sei que você deve ter um milhão de perguntas... Mas podemos deixar tudo para amanhã?

Em partes, Damien precisava de mais tempo para elaborar a desculpa perfeita do que havia acontecido naquele dia, embora duvidasse que fosse encontrar algo que justificasse seu comportamento bizarro sem parecer um maluco. Mas ele também não queria arruinar o momento mentindo para Francesca enquanto sua mente gritava que ele era um monstro.

O medo do que enfrentaria longe de Francesca o incentivou a tocar o rosto dela em uma carícia, brincando com algumas mechas macias entre seus dedos.

- Posso ficar aqui esta noite? Não quer voltar para casa e estou me sentindo exausto.

As últimas palavras eram reforçadas por sua expressão cansada, sem permitir que Francesca interpretasse aquele pedido de forma maliciosa. Damien já havia passado por muita coisa em um único dia e não queria enfrentar a casa vazia enquanto a mãe trabalhava. Além do medo do que poderia acontecer se perdesse o controle novamente, ele sentia uma enorme necessidade de manter a paz em seu peito, que apenas Sullivan era capaz de proporcionar.

- Eu juro que não ronco. – Ele completou com um sorrisinho torto, sem interromper as carícias em Francesca com os gestos suaves. – Só preciso de uma boa noite de sono e sempre me sinto melhor quando você está por perto. Preciso me sentir melhor, Francie.

As últimas palavras foram sussurradas, mas o tom de súplica intensificava o sotaque britânico mesmo no leve ruído da noite silenciosa.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Sab Jul 09, 2016 6:58 pm

Ao sentir o toque de Samantha, Max virou a palma da mão para cima e assim acomodou melhor a mãozinha da garota na sua. Aquele contato servia para reforçar ainda mais a sintonia que eles possuíam apesar das enormes diferenças que os separavam. A delicadeza de Sam parecia ter sido feita para compensar a selvageria do monstro que o Alpha tentava controlar.

O discurso de Archibald deixava muito claro que a menina estava tentando lutar contra os seus sentimentos. Era difícil para Maximilian entender o que se passava na cabeça dela. Muitos eram os motivos que poderiam explicar a resistência de Samantha contra aquele relacionamento. Os dois tinham acabado de se conhecer da forma mais casual possível. Max obviamente nunca seria era tão rico e influente quanto as pessoas do círculo de convivência dos Archibald. E era fácil concluir que, sendo tão bonita e agradável, Samantha tivesse um namorado ou vários candidatos perfeitos a este posto.

Contudo, no fim das contas, não importava qual era o verdadeiro motivo da garota. Max não ligava se havia um namorado, ou se o seu estilo de vida simples não era compatível com os luxos que Samantha precisava para ser feliz. Tudo o que importava era que Sam estava diante dele no meio da madrugada e acabara de confessar que não era indiferente à atração que nascera entre eles.

O Alpha não conseguia piscar enquanto encarava Samantha, absolutamente encantado pela perfeição dela. Nem mesmo a imaginação de Max conseguiria moldar uma garota tão perfeita. Os traços delicados combinavam com a pele clara e formavam um contraste com os cabelos escuros cujas ondas emolduravam o rosto da menina. Os olhos castanhos astutos lhe davam um ar de inteligência, mas as adoráveis covinhas contribuíam para um sorriso doce e ingênuo. Era como se Sam tivesse a dose certa de todas as qualidades que Cavendish admirava em uma garota.

- Quantas vezes eu preciso dizer que gosto do seu jeitinho atipicamente bizarro, Sam? Você não vai conseguir me afastar assim.

Sem interromper o contato entre as mãos unidas, Maximilian contornou a bancada da cozinha até ficar de frente para a garota. Naquele momento, nenhum dos dois precisava de explicações. Samantha não precisava entender o que acontecera no colégio, tampouco Max estava preocupado com os motivos dela para evitá-lo.

Ambos estavam concentrados apenas naquela intensa e inesperada atração quando as mãos de Cavendish se encaixaram na cintura da garota e a trouxeram mais para perto do seu corpo. O coração acelerado de Samantha foi a resposta mais sincera que Max poderia ouvir e a certeza de que a garota também desejava aquele beijo deu a Maximilian a coragem de se inclinar para capturar os lábios dela com os seus.

Mesmo com toda a sua experiência, Max percebeu que não estava preparado para o turbilhão que o atingiu quando os lábios dos dois se colaram e começaram a se mover num beijo sufocante.

A pele do rapaz se arrepiou por inteiro quando o seu olfato experimentou a sensação do cheiro de Samantha se misturando ao dele, despertando todos os seus instintos mais primitivos. Apesar de Cavendish já ter se relacionado com outras garotas mesmo depois de ter se tornado um Alpha, Samantha era a primeira que fazia com que ele se sentisse daquela maneira.

Até então, Max tentava convencer a si mesmo de que gostava de Archibald unicamente porque ela era uma menina bonita, divertida e inteligente. Era um consolo pensar que aquela atração não tinha nada a ver com seus instintos primitivos e que, portanto, era um desejo que poderia ser racionalmente controlado.

Aquele beijo, portanto, foi um terremoto que jogou por terra todas as certezas do Alpha. O lado humano da mente dele gostava de Samantha porque ela era uma garota linda e simpática. Mas agora Cavendish tinha certeza de que o lobo selvagem que vivia dentro dele também compartilhava daquele sentimento.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Sab Jul 09, 2016 7:45 pm

- Não saia daqui...

Ao invés de responder diretamente ao pedido de Damien, Francesca se afastou um passo e rompeu o contato com o rapaz. A noite não estava tão fria, mas ela se viu coberta por uma sensação gelada longe das mãos dele. Era impressionante como a caçula dos Sullivan se sentia tão ligada ao colega e tão dependente daquele sentimento mesmo tendo conhecido Scott há poucos dias. Alheia à verdade sobre a situação de Damien, Francesca não entendia a intensidade dos seus instintos e só conseguia concluir que estava ficando louca.

Aliás, apenas a loucura explicava a concordância dela com aquele pedido. Francesca conhecia Damien há poucos dias e os dois tinham acabado de experimentar o primeiro beijo. Deixar que Scott dormisse em seu quarto, sob o mesmo teto de Richard e Paolo, era uma maluquice inexplicável. Mas faltava à Francesca a coragem de dizer não a Damien. Mesmo não compreendendo os motivos da angústia dele, Sullivan sabia que o colega estava sofrendo e nunca se perdoaria por deixá-lo sozinho naquele momento.

Sem maiores explicações, Francesca caminhou até o alçapão e empurrou a porta, liberando a escada que dava acesso ao piso inferior da casa. Os olhos verdes encararam Damien com firmeza, reforçando o pedido para que ele não saísse do quarto.

Com os pés cobertos apenas por meias e sem acender as luzes, Francesca conseguiu chegar à cozinha com passos silenciosos que não alertaram os demais moradores da casa. Como o clima do jantar daquela noite havia sido bastante indigesto, ainda havia uma generosa quantidade de sopa na panela sobre o fogão.

Em poucos minutos, Francesca esquentou o jantar e encheu uma generosa caneca com a sopa de legumes com carne. O cardápio dos Sullivan naquela noite fora extremamente simples, mas o cheiro da comida atiçaria qualquer estômago vazio. E a julgar pelo uniforme sujo de Damien, ele não havia voltado para casa desde a confusão no colégio e, muito provavelmente, também não comia nada desde então.

No caminho de volta até a entrada para o sótão, Francesca não resistiu à tentação de espiar o único quarto da casa apenas para garantir que o seu “crime” não seria descoberto. O cômodo estava escuro, mas a menina não teve dificuldade para enxergar os contornos dos corpos. Richard estava na cama e seu ronco leve ecoava por todo o quarto. Paolo, que dormia num colchão ao lado do pai, também já estava deitado. Os olhos fechados e a respiração ritmada deu a Francesca a certeza de que o irmão também estava profundamente adormecido.

- Se você vai mesmo dormir aqui, é melhor que esteja alimentado. – Francesca resmungou baixinho depois de retornar ao sótão e fechar o alçapão – Meu sono é leve e não quero o seu estômago roncando perto de mim.

Apesar da implicância nas palavras dela, o gesto de Francesca era carinhoso. A garota havia se dado ao trabalho de esquentar um pouco de sopa para Damien e de embrulhar num guardanapo uma generosa fatia de pão de milho. Pelo menos alguém naquela noite precisava apreciar o jantar que os Sullivan estragaram com aquela conversa pesada.

- Não faça barulho. O Paolo tem o sono pesado, mas ele também tem uma arma. Eu não acho que vale a pena arriscar.

Pela entonação de Francesca era difícil saber se ela estava falando sério ou se aquela ameaça era só mais uma das provocações que os dois gostavam de fazer quando estavam juntos.

A garota se acomodou na beirada da cama enquanto assistia Scott, sentado no parapeito da janela, experimentar a sopa e o pão que ela trouxera. Francesca dobrou as pernas sobre o colchão enquanto passava as mãos nos cabelos, só agora notando que os fios castanhos avermelhados estavam completamente bagunçados. Seu pijama também estava longe de ser uma boa escolha para aquela noite. Definitivamente, aquela não era a aparência que nenhuma garota desejaria ter durante o primeiro beijo com um rapaz.

O único consolo de Sullivan era olhar para Scott e perceber que ele também não estava nos seus melhores dias. O uniforme da Constance Billard School estava completamente amarrotado e sujo em alguns pontos. Mas nem mesmo a expressão cansada o deixava menos atraente.

Sentado no parapeito da janela, Damien era iluminado pela luz prateada do luar. Naquela noite, uma lua crescente ilustrava o céu escuro, formando um desenho bastante semelhante a um sorriso na imensidão negra salpicada por estrelas. A luz que vinha da lua atingia um dos lados do rosto de Scott, formando sombras do lado oposto.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Jul 09, 2016 8:39 pm

Samantha mantinha um relacionamento de anos com Caleb. O casal perfeito certamente teria um futuro bastante previsível pela frente, com cada passo perfeitamente planejado. Ela nunca havia se interessado por outro rapaz, até a chegada de Maximilian. Jamais havia imaginado que um dia seria capaz de trair a confiança do namorado, mas naquele momento, ela só conseguia pensar em como não poderia se afastar de Max.

Qualquer desculpa ou preocupação com o incidente daquela tarde ou com suas obrigações desapareceram de sua mente quando ela percebeu a intenção de Cavendish. Quando os lábios dele tocaram os seus, Samantha já sabia o que aconteceria e mesmo assim foi surpreendida com a intensidade dos sentimentos que se afloraram.

Ela jamais havia experimentado aquela sensação antes. Seu coração batia em um ritmo quase assustador, o sangue corria veloz em suas veias e todos os seus sentidos estavam voltados para Cavendsih.

Graças a diferença de altura, Samantha precisou ficar na ponta dos pés para rodear o pescoço de Max, afundando seus dedos nos cabelos dele. Beijar Max era ainda melhor do que ela havia imaginado e Archibald provavelmente passaria a noite toda em seus braços se o interfone não interrompesse o silencio do apartamento com seu ruído estrondoso.

Como se tivesse levado um choque, Sam saltou para trás enquanto a realidade voltava a invadir sua mente. Ela observou quando Max atendeu o interfone, sentindo o calor se espalhando pelo seu rosto enquanto ele atendia a visita que realmente era esperada, apesar da hora tardia.

Samantha esperou que ele voltasse para perto e o tocou novamente na mão de Max com carinho. Aquele beijo havia permitido que ela se sentisse ainda mais à vontade na presença dele, de forma que se encaixar novamente em seu peito pareceu um gesto perfeitamente natural.

- Eu posso chamar um táxi e ir pra casa... Assim não vou atrapalhar você e o seu amigo. Imagino que ele tenha prioridade, já que você estava esperando por ele e eu simplesmente apareci aqui igual uma maluca.

Com as pontas dos dedos, Archibald brincou com os cabelos escuros de Cavendish enquanto o encarava com os olhos castanhos brilhando intensamente. A angustia e a preocupação que atormentaram durante todo o dia já pareciam pertencer a um passado distante, totalmente incompatível com a felicidade que Samantha sentia depois daquele beijo.

- Já estou satisfeita em saber que você está bem. E no final das contas, não foi uma ideia tão maluca assim vir aqui. Mas precisa me prometer que vai atender quando eu ligar da próxima vez. Você não quer que eu apareça no meio da madrugada outra vez, não é?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Sab Jul 09, 2016 9:20 pm

- Por que não? Foi uma ótima visita no fim das contas. A surpresa quase fez o meu coração parar, mas a vida não tem graça sem um pouco de adrenalina, não é?

Com o bom humor recuperado, Maximilian novamente deslizou os dedos compridos pela cintura da garota e a puxou mais para perto. O segundo beijo foi mais breve e mais carinhoso, intensificando o clima de despedida. Por mais que quisesse passar o resto da noite na companhia de Samantha, Max sabia que o mais sensato era ir devagar naquele relacionamento. Tanto ele quanto Sam precisavam de mais tempo para entender aquela ligação intensa e para lidar com o turbilhão de sentimentos que brotavam quando os dois estavam juntos.

Cavendish não acreditou em si mesmo quando deixou escapar um suspiro após o beijo. Apesar de sempre ter sido um rapaz gentil e carinhoso em seus relacionamentos, ele definitivamente não era o tipo de cara que se derretia com um simples beijo. A questão é que havia muito mais que um beijo envolvido. O cheiro de Samantha o inebriava, as covinhas de seu sorriso aceleravam o coração dele. Era como se Archibald preenchesse todas as lacunas de Max. Intimamente ele sabia que nunca encontraria uma garota tão perfeita se a perdesse.

Após o beijo, os dois ainda estavam envolvidos num abraço quando Max roçou seu nariz na bochecha de Samantha, provocando-a com aquela carícia. A voz grave dele soou sussurrada enquanto seus dedos brincavam com os cachos da menina, querendo aproveitar ao máximo aqueles últimos minutos da companhia dela.

- Eu só deixo você ir porque sei que é grande o risco dos Archibald colocarem o FBI no caso se notarem que você não está em casa. E também porque temos um problema bem pior que o FBI neste momento... – Max fez uma careta ao escutar os passos pesados de Jack no corredor – Ignore isso, por favor.

Antes que Samantha pudesse questionar do que o rapaz estava falando, a porta se abriu. O fato de entrar no apartamento sem bater antes já mostrava que o recém chegado tinha uma grande intimidade com o dono da casa.

- O mínimo que eu espero é que você tenha pedido pizza, Max. Preciso de uma recompensa por ter aparecido aqui a esta hora depois de um dia inteiro de...

Jack se calou no instante em que percebeu que o amigo não estava sozinho. As duas sobrancelhas do rapaz se arquearam com a surpresa, mas ele logo abriu um sorrisinho divertido para a cena. O beijo já havia sido interrompido, mas Samantha e Maximilian continuavam abraçados, denunciando que aquela era uma visita bem informal.

- Wooow. Devo ir embora? – Jack apontou na direção da porta, olhando de Sam para Max – Eu vou numa boa, mas faço questão de levar a pizza.

- Não enche, Jack. A Sam já está de saída. Divirta-se com a pizza da geladeira, eu vou até a calçada com ela esperar um táxi.

- Heeeey! – o rapaz sacudiu a cabeça e cruzou os braços – Peraí, não é assim que as coisas funcionam. Você não pode simplesmente surgir com uma garota e não me apresentar pra ela. Eu sou o Jack.

O rapaz estendeu a mão na direção de Samantha enquanto abria um sorriso gentil. Jack era jovem, provavelmente tinha a mesma idade que Maximilian. A pele negra entrava num contraste exótico com os olhos esverdeados. Jack usava um terno com o nome de uma boate famosa bordado num dos bolsos, indicando que ele trabalhava como segurança no local.

- Sou o melhor amigo do Max, é um prazer te conhecer. Desconsidere a atitude pouco polida do Max, ele não está acostumado a namorar. Mas heeeey! Você disse “Sam”? – Jack estava se deliciando em deixar o amigo tão constrangido – É a famosa Sam que te atropelou, cara?

As mãos de Max já formigavam com a vontade de esganar Jack, mas o melhor amigo estava muito determinado a fazê-lo experimentar a inédita sensação de vergonha.

- O Max falou muuuuuito sobre você, Sam. Tipo, muito mesmo, era “Sam” o tempo inteiro, eu já não aguentava mais. Acho que é a primeira vez que ele se apaixona de verdade.

- Jack. – a voz cortante de Cavendish não parecia intimidar o amigo – Já chega. A Sam está de saída.

- Beleza! Foi um prazer te conhecer, Sam. – Jack abriu um sorrisinho malicioso antes de caminhar até a geladeira – E desculpem a interrupção. Vou me forçar a ser mais discreto agora que o Max está namorando, eu prometo.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Sab Jul 09, 2016 10:08 pm

Damien sequer havia notado que estava com fome até levar a primeira colherada da sopa até os lábios. Seu estômago roncou de tal forma que ele teve certeza que teria acordado Francesca caso estivesse dormindo, exatamente como ela havia previsto. Apesar da comida simples, o sabor estava delicioso e ele precisou apenas de alguns minutos até acabar com todo o conteúdo do seu jantar.

O cansaço acumulado, somando com o estômago cheio e aquecido pela sopa quente, Damien se sentiu cada vez mais relaxado. Os sapatos foram jogados no canto do quarto e a calça cáqui também foi descartada, permitindo que ele ficasse apenas com a cueca samba-canção. A camisa branca e suja com o emblema da escola foi deixada em uma das cadeiras e Scott não sentiu o menor constrangimento em se juntar a Francesca na cama.

Apesar do colchão pequeno, próprio apenas para uma pessoa dormir, Damien se acomodou ao lado da menina, se aproveitando que ela estava de costas para pousar a mão em sua cintura. Durante longos minutos, ele ficou ainda com os olhos abertos, encarando o quarto pouco iluminado e se deliciando com o perfume dos cabelos castanho avermelhados. Pouco tempo depois, o som da respiração pesada de Scott assumiu o controle e ele conseguiu ter a primeira boa noite de sono desde a mordida.

***

Deixar a casa dos Sullivan na manhã seguinte foi um desafio maior do que Damien esperava, mas graças as suas novas habilidades, ele acordou assim que os ruídos no andar inferior começaram a denunciar que os homens da família estavam despertando.

O cansaço acumulado permitiria que ele ainda dormisse por um dia inteiro se Francesca continuasse em seus braços, mas as obrigações e o medo de comprovar se o primogênito dos Sullivan realmente tinha uma arma fizeram com que Scott deslizasse para fora da cama e deixasse o quarto da menina antes mesmo que ela despertasse.

O sol já estava começando a despontar entre os altos prédios de Nova York quando Damien finalmente chegou em casa a tempo apenas de tomar um banho e vestir um uniforme novo e limpo.

Um pequeno burburinho já percorria os corredores da Constance quando Damien chegou para as primeiras aulas e duas faixas amarelas bloqueavam a entrada no banheiro destruído na tarde anterior.

Como se ficar tempo demais na cena do crime fosse lhe trazer seu atestado de culpa, Scott se apressou em seguir o caminho e estava quase alcançando a biblioteca quando a figura de Samantha Archibald surgiu na sua frente, bloqueando sua passagem.

Os reflexos de lobisomem permitiram que Damien impedisse o choque, mas ele se forçou a mostrar surpreso e impaciente quando a menina sorriu em sua direção.

- O que quer, Archibald? Estou atrasado.

Samantha arqueou as sobrancelhas e consultou o relógio em seu pulso, se fazendo de inocente.

- Mas você chegou incrivelmente cedo, Scott. Tenho certeza que tem uns minutinhos para mim...

O sorriso continuava nos lábios da menina quando ela o segurou pelo passo e o guiou para uma das salas vazias. Damien sabia que a menina era extremamente simpática, mas também conseguia identificar que aquele sorriso exibido não tinha nada a ver com educação. Um arrepio passou por sua espinha quando ele percebeu o olhar curioso de Samantha ao se encostar contra a porta da sala, ainda bloqueando seu caminho.

- Não vou dar uns amassos em você, se é o que está pensando. – Ele abriu um sorriso superior na tentativa de provoca-la, embora já soubesse que não era aquela a intenção.

Em resposta, Samantha girou os olhos em impaciência, mantendo os livros pressionados contra o peito.

- Eu sei que não faço seu tipo, você prefere meninas novatas com nomes italianos. E é exatamente por isso que quero saber o que aconteceu ontem.

Os dedos de Damien pressionaram a borda da mesa e ele prendeu a respiração. Ainda não havia tido a oportunidade de falar com Max para conseguir criar a explicação perfeita e havia conseguido escapar de Francesca antes que ela começasse o interrogatório, mas aquela menina não parecia disposta a sair dali sem uma resposta.

- O que quer saber? Eu só me senti mal por um momento e quando fui até o banheiro lavar a nuca, tinha um animal selvagem lá dentro.

As palavras saltaram da boca de Scott sem que ele tivesse realmente refletido sobre elas. Um animal selvagem, solto em Nova York, era muito pouco provável. Mas ele tinha certeza que as meninas haviam escutado o uivo e a destruição no banheiro era sobrenatural demais para ser explicada com um simples surto adolescente.

- Animal selvagem? – Samantha repetiu lentamente, obviamente sem acreditar. – Que tipo de animal selvagem?

- Sei lá. Era grande. – Damien se lembrou da figura transformada de Max. – E tinha pelos pretos. Mas eu não sei exatamente o que era, não fiquei lá tentando descobrir... É lógico que meti o pé, né?

- Ninguém encontrou nenhum animal ontem. Aliás, ninguém encontrou nem você, nada além daquele banheiro destruído.

Scott sacudiu os ombros, tentando soar o mais impaciente possível.

- E a culpa é minha? Vocês tiveram sorte de não ter encontrado aquela besta. Eu não fiquei lá para ver, ainda bem. Será que da para parar o interrogatório agora? Eu realmente preciso ir.

Por um instante, Damien prestou atenção no rosto sério de Samantha. Ele conhecia a fama da menina e temeu que ela fosse querer tornar aquilo mais uma das suas matérias cheias de detalhes. Foi um grande alívio quando ela simplesmente chegou para o lado e deixou livre o caminho até a porta.

Sem se preocupar com o que havia motivado a colega a desistir tão fácil, ele se apressou em sair da sala. No instante em que pisou no corredor, o reflexo dos cabelos castanho-avermelhados chamou sua atenção. Seu coração imediatamente deu um salto e ele abriu um sorriso, se esquecendo de Sam e das preocupações enquanto caminhava com firmeza até Francesca.

- Hey como você está? – Ele perguntou assim que a alcançou, exibindo um largo e relaxado sorriso que não aparecia em seu rosto há dias. – Confesso que estou um pouco dolorido, dormi em uma cama péssima essa noite. Mas estou impressionado como mesmo assim tive uma ótima noite de sono.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Jul 09, 2016 10:35 pm

Samantha sentiu os músculos ficarem tensos ao ouvir a palavra “namorada” e imediatamente adotou uma postura mais séria enquanto acompanhava os passos de Max até a calçada. Tudo havia acontecido rápido demais e embora tivesse percebido que o amigo dele estava apenas tentando provoca-lo, era um pouco assustador acreditar que Cavendish também pensava daquela forma.

Não havia mais como negar que Samantha estava gostando de Maximilian, mas ela ainda tinha o relacionamento com Caleb para resolver antes de mergulhar de cabeça em um novo namoro. Ela não pretendia continuar enganando o namorado e queria poder estar na companhia de Max sem culpa, então estava decidida a resolver tudo o quanto antes.

A despedida do casal foi demorada, mas nunca parecia ser o suficiente. Quando Samantha finalmente deitou a cabeça em seu travesseiro naquela noite, ela exibia um largo sorriso ao lembrar de Jack comentando o quanto Max vinha falando sobre ela.

***

Ver as coisas durante a luz do dia sempre trazia uma sensação diferente, com mais clareza e realidade. Samantha ainda se sentia decidida a terminar com Caleb, tirando de uma vez por todas qualquer obstáculo entre ela e Max. Mas os longos anos de relacionamento faziam com que seu peito se comprimisse com a ideia de magoar Stark.

Era doloroso colocar um fim naquele namoro, mas Sam tinha esperanças de que logo o rapaz pudesse encontrar uma menina que o fizesse tão feliz quanto ela estava se sentindo com Cavendish.

A breve conversa com Damien tinha a intenção apenas de proteger Francesca de algum maluco psicopata. Ela se lembrava com clareza das palavras de Max na noite anterior, contando como Scott estava transtornado a ponto de destruir o banheiro e a última coisa que queria era a mais recente amiga se envolvendo com um louco.

A versão inesperada de Scott do incidente fez com que Samantha parasse para refletir antes de tomar qualquer atitude. Ela não esperava que Damien fosse assumir logo de cara, mas também não esperava uma história tão fantasiosa quanto aquela.

Ou Scott realmente tinha sérios problemas e precisava de acompanhamento médico ou havia algo ainda de mais errado naquela história. O instinto de Archibald gritava para as falhas nas duas versões e a certeza de que Max também havia mentido trazia um gosto amargo em sua boca.

Era péssimo comparar os dois rapazes, mas uma vozinha irritante soou em sua mente lhe lembrando que Caleb nunca havia mentido para ela. E mesmo assim, ela estava ali, disposta a jogar o seu futuro fora porque queria continuar beijando Max.

A convicção da noite anterior já havia desaparecido por completo. Samantha sabia que tinha uma personalidade impulsiva, mas precisava manter o controle naquele momento e não podia tomar nenhuma decisão que fosse se arrepender depois.

Ela queria ficar com Max e ficaria, assim que descobrisse porque ele havia mentido e qual era o segredo que escondia. Se ele realmente gostasse dela, não seria um problema ser honesto.

Com os pensamentos confusos, Samantha deixou a sala e havia começado a caminhar em direção a sua sala quando sentiu um braço a rodear pela cintura. Ela estava bastante familiarizada com o corpo de Caleb para saber que era ele no instante em que ergueu o olhar, forçando o sorriso.

- Hey Lois Lane... Recebi sua mensagem, o que era tão importante que você precisava falar comigo?

Um breve beijo foi depositado em seus cabelos enquanto Samantha sentia o coração apertar. Caleb era perfeito, mas agora que ela havia experimentado a sensação de beijar Max, sabia que o namorado não era capaz de fazê-la se sentir da mesma forma.

Apesar disso, a insegurança de terminar com ele e se decepcionar com Max a atingiu, acovardando sua decisão. Era um sentimento extremamente egoísta e podre, mas Samantha ainda não estava pronta para abrir mão do seu futuro previsível com Caleb se não soubesse onde estava se metendo.

- Só queria saber se você já pegou os convites para a minha festa de aniversário.

A ruguinha de preocupação desapareceu da testa de Caleb e ele alargou o sorriso. A briguinha da noite anterior já completamente esquecida, sem dramas.

- Sim, podemos começar a distribuir hoje. Mal posso esperar para a festa do ano.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Jul 10, 2016 4:10 am

O clima estava pesado na Constance Billard School quando Francesca chegou ao colégio nas primeiras horas da manhã seguinte. A maioria dos alunos não estava presente no momento da confusão ocorrida no banheiro masculino do segundo andar, mas é claro que a notícia já havia se espalhado pelos corredores como pólvora. Agora todos tinham as suas próprias teorias e cochichavam pelos cantos, lançando olhares de desconfiança em todas as direções.

Quando passou pelo corredor dos armários, Sullivan sentiu um arrepio percorrer sua coluna ao ver o banheiro isolado com faixas amarelas. A garota já imaginava que a escola envolveria a polícia no caso, mas intimamente tinha uma esperança otimista de que aquele problema poderia ser deixado de lado.

A pior das sensações era não saber ao certo o que deveria temer. Damien havia saído da casa dos Sullivan sem dar a Francesca as prometidas explicações, então a garota sequer sabia o grau de envolvimento dele naquela confusão. Mas Francesca não tinha a menor dúvida que a polícia encontraria rastros de Scott se procurasse pistas dentro do banheiro destruído.

Uma ruguinha de preocupação se fazia presente na região entre os dois olhos verdes quando Sullivan chegou à porta do seu armário, no fim do corredor. A garota estava tão distraída com as próprias preocupações que só percebeu que não estava mais sozinha quando o familiar sotaque britânico soou às costas dela.

Por mais que quisesse se zangar com Damien pela maneira como ele “fugira” sem lhe dar explicações ou pela confusão desnecessária em que se metera, Francesca não conseguia ser imune a ele. Bastava ouvir aquele sotaque provocante na voz grave e melodiosa para que o coração dela perdesse o compasso de algumas batidas.

- Estou me coçando, como se tivesse dormido junto com um cão pulguento.

Sem olhar na direção de Scott, a menina abriu a porta do armário para pegar os livros que usaria nas aulas daquele dia. Além dos livros e de alguns cadernos, no armário de Francesca havia o uniforme de educação física e uma bolsinha com seus pertences pessoais. Mas eram as imagens pregadas na parte interna da porta que chamavam mais a atenção.

Um grande pôster do Maroon 5 ocupava a maior parte do espaço, com Adam Levine centralizado na foto e um coraçãozinho feito com caneta vermelha ao lado da cabeça do vocalista. Durante a conversa com Samantha Archibald, as duas meninas não acreditaram na coincidência de serem grandes fãs da mesma banda.

No espaço restante, Francesca havia colocado mais algumas fotos pessoais. Numa delas havia um gatinho de pêlo escuro e olhos azuis curiosos, deitado em uma cama e enroscado num edredom rosa. A julgar pelas cores desbotadas, era uma fotografia bem antiga. Na segunda foto, Sullivan estava abraçada a um homem de meia idade, com os cabelos e barba escuros. Os olhos verdes eram o único detalhe que Francesca havia herdado do pai. Os dois sorriam abertamente para a câmera e, pela foto, Richard definitivamente não parecia ser um homem doente que precisava de tantos cuidados da filha.

Na última das fotos, Francesca parecia estar num estádio de futebol. Ela carregava um enorme cachorro quente nas mãos e fazia uma careta ao lado de um rapaz. Não era preciso de maiores explicações para que Damien soubesse que aquele era o famoso Paolo. O primogênito era uma perfeita versão masculina de Francesca, com os mesmos cabelos castanhos avermelhados e os olhos verdes do pai. Paolo deveria ser pelo menos oito anos mais velho que a caçula, o que justificava o carinho protetor que demonstrava por ela.

- Saiu no noticiário esta manhã...

Sullivan estava mais séria quando finalmente voltou o olhar para Scott. Mesmo não tendo nenhum colega por perto, a menina manteve a entonação mais baixa.

- Mencionaram uma briga dentro do colégio, mas um dos seguranças deu uma entrevista dizendo ter ouvido uivos e rosnados. – Francesca respirou fundo e soltou o ar ruidosamente – Você me deve explicações, mas não agora. O Paolo pirou com as notícias esquisitas e veio aqui atrás de explicações. Então é melhor você dar o fora antes que ele saia da diretoria.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Jul 10, 2016 4:43 am

A piada a respeito de um cão pulguento fez com que Damien arregalasse os olhos e, por um segundo inteiro, refletisse se realmente poderia passar alguma doença para Francesca por ser um lobisomem. Aquele era um universo inteiramente novo e ele não se surpreenderia se aquilo fosse realmente possível. Mas bastou que ele percebesse a expressão no rosto dela para identificar a velha implicância característica do relacionamento dos dois e imediatamente seus ombros relaxaram.

Com um sorriso torto nos lábios, Scott encostou o ombro no armário ao lado de Sullivan e enfiou as mãos nos bolsos da calça cáqui. O uniforme estava limpo e devidamente passado, a pele ainda fresca do banho e o perfume delicado, ainda suave pela manhã. Quando estava devidamente vestido e arrumado, o rapaz poderia facilmente se passar por mais um dos alunos sofisticados da Constance, mas bastava prestar atenção em sua expressão de tédio misturado ao sarcasmo para perceber que ele não se encaixava ali.

- Talvez você só não tenha tomado banho direito esta manhã. Posso te ajudar nisso, se for uma tarefa muito complexa.

Os lábios de Scott estavam curvados em um sorriso torto, repuxados para apenas um dos lados do seu rosto. Quando fazia aquilo, Damien reforçava a malícia em suas palavras, mas também ficava ainda mais atraente, mesmo com um ar canalha. Qualquer um que passasse pelo corredor, perceberia que o rapaz estava jogando charme para a novata, mas apenas os que olhassem com mais atenção, notariam o brilho carinhoso em seu olhar enquanto ele a observava de perfil.

Francesca era perfeita. Sua beleza não era padrão, previsível ou enjoativa como as das demais meninas que Damien conhecia. Ela era diferente, de um jeito que ele poderia passar horas apenas admirando como a cor dos cílios dela eram idênticos aos do cabelos, ou o formato dos seus lábios volumosos e seu nariz delicado e arrebitado. As bochechas formavam uma curva perfeita, sempre atraindo o toque de seus dedos em uma carícia.

Diferente de Damien, Sullivan não parecia se misturar com tanta facilidade no meio daqueles riquinhos esnobes e era aquilo que ele mais admirava nela.

A mente de Scott só se viu obrigada a desviar o foco da beleza de Francesca quando a menina levou o assunto para o inevitável. Ele sabia que não demoraria para que o incidente fosse novamente levado à tona, mas definitivamente não esperava pela notícia dela.

- Noticiário??? – O sorriso de Damien morreu e ele se endireitou, franzindo as sobrancelhas até formar uma ruga entre elas. – Tanta coisa acontecendo nessa cidade e vão falar de uma besteira em uma escolinha de gente mimada?

A irritação se espalhou pelo seu corpo e seus batimentos imediatamente se aceleraram. Tudo que Scott queria era esquecer o seu descontrole, mas quanto mais aquele assunto o perseguia, mais o controle escapava de suas mãos.

O medo de protagonizar um novo espetáculo, desta vez com a escola lotada, o obrigou a respirar fundo e concentrar todo seu esforço em manter os batimentos cardíacos em um ritmo normal. Com um suspiro pesado, Damien voltou a se encostar no armário, desta vez apoiando as costas e a cabeça, encarando o outro lado do corredor.

A menção do primogênito dos Sullivan fez com que ele novamente girasse o rosto para encarar Francesca, o semblante ainda mais confuso do que antes.

- Seu irmão? E o que ele pensa que pode fazer aqui? – O coração de Damien voltou a acelerar e sua voz saiu ansiosa quando ele verbalizou sua real preocupação. – Você contou que eu estava envolvido com essa confusão toda?

Por desconhecer a real preocupação de Paolo, Scott só conseguia temer no que o irmão dela poderia fazer se cogitasse que ele estava no meio daquela confusão. Embora ninguém pudesse desconfiar o real perigo da situação, ele não queria que a família de Francesca achasse que ele era um desequilibrado e a proibisse de falar com ele. A presença de Francesca em sua vida já havia se tornado necessária e Damien seria incapaz de enfrentar tantos problemas sozinho.

Uma nova teoria passou por sua cabeça, tão incômoda quanto a primeira, e Damien esticou a mão para tirar uma mecha do rosto de Francesca, a encarando atentamente. Ele queria analisar cada traço do rosto dela quando ela lhe respondesse, sabia que os batimentos do coração dela a entregariam caso estivesse mentindo, mas precisava buscar a verdade nas íris verdes.

- Ou você tem vergonha de ser vista ao meu lado? Acha que seu irmão não iria gostar de mim? – Um sorriso forçado brotou no seu rosto quando ele tentou suavizar a própria tensão. – Todo mundo gosta de mim. Quer dizer, não todo mundo, mas acho que tenho alguma facilidade com os Sullivan de nomes italianos.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Dom Jul 10, 2016 4:56 am

A visita inesperada de Samantha havia mudado por completo os rumos da vida de Maximilian. Depois da desastrosa conversa na Constance Billard, o rapaz retornou para casa disposto a tirar a garota definitivamente de seus pensamentos. Mas então Sam surgira milagrosamente em sua sala e fizera Max experimentar o melhor beijo de toda a vida dele.

A grande felicidade que Cavendish sentia quando retornou ao apartamento foi um pouco abalada pela conversa com Jack. O Alpha já esperava pelas brincadeiras e provocações, mas não estava pronto para ouvir a opinião do amigo sobre aquele relacionamento.

- Você a marcou.

- O que? – os olhos de Max se arregalaram – É claro que não!

- Eu não estou perguntando, Max. Estou apenas constatando uma verdade. Você e esta garota estão marcados.

O semblante sério de Jack indicava que, desta vez, o rapaz não estava brincando. Ele realmente acreditava que Cavendish havia construído com Samantha Archibald a ligação mais intensa que poderia existir na vida de um lobo. Como Alpha, Maximilian sabia exatamente a profundidade daquele laço. Um lobisomem e uma garota “marcados” se sentiriam unidos pelo resto da vida, mesmo que o destino os separasse.

A marcação explicava com perfeição o que havia acontecido com Damien e Francesca. O jovem lobisomem se sentia amedrontado e desamparado, e acabara encontrando na colega o seu refúgio. Mas Cavendish não conseguia enxergar no sentimento que nutria por Samantha aquela ligação tão instintiva.

- Eu gosto dela porque a Sam é uma garota fantástica. Ela é linda, divertida, inteligente... Mas é só isso, Jack. Eu vejo na Samantha o que qualquer cara com bom gosto veria. Não houve marcação alguma. É uma escolha racional.

- Seus olhos brilhavam por ela de uma forma que eu nunca vi antes.

- Brilho nos olhos? Sério, Jack? Quer mesmo me convencer com esse papo de romance hollywoodiano? – Maximilian forçou um riso para amenizar o clima pesado – Além do mais, eu uso lentes. É meio impossível que o tal brilho nos meus olhos seja natural, hm?

- A marcação não é uma coisa ruim, Max, você não precisa se colocar na defensiva. É um dos instintos de um lobo, você não conseguiria fugir disso a vida toda.

- Eu não a marquei. – a voz do Alpha soou com firmeza, deixando claro que Maximilian não aceitaria ser contrariado naquela opinião – Eu gosto da Sam e admito que tem uma grande chance de me apaixonar de verdade por ela. Mas é um sentimento racional, Jack. Eu tenho TOTAL controle do que está havendo aqui.

O beta não insistiu naquele assunto, mas já era tarde demais. A semente da dúvida estava plantada na cabeça de Maximilian e fez com que o rapaz perdesse boa parte da noite remoendo aquela preocupação. Mesmo sendo um Alpha, Max sabia que não era imune aos instintos da espécie. Mas a ideia de ser marcado por uma garota era aterrorizante para um líder que gostava de ter pleno controle de todas as suas decisões.

Na manhã seguinte, Max ainda tentava se convencer de que gostava da companhia de Samantha e a admirava unicamente pelas inquestionáveis qualidades da menina. Aquela preocupação atormentava a cabeça do Alpha quando Cavendish deslizou para fora da cama, mas o tema “Sam” foi varrido para longe da cabeça do rapaz no instante em que Jack se colocou no caminho do amigo.

O beta havia dormido no sofá da sala e a ideia de Jack era ir para a própria casa logo nas primeiras horas da manhã, mas a mensagem que chegara ao celular dele fez com que Jack ficasse paralisado por vários minutos diante daquela imagem chocante.

- O que houve? – Max soube que o problema era sério só de olhar para a expressão do melhor amigo.

- O Ed acabou de me mandar uma mensagem sobre o solitário que atacou o tal garoto no beco.

- Atacou de novo??? – Max se sobressaltou.

- Não. – Jack engoliu em seco – Na verdade, ele nunca mais vai atacar novamente.

A tela do celular foi virada na direção de Maximilian. A foto mostrava um corpo caído numa vala, com uma enorme faca de prata enfiada no coração do lobisomem. A cabeça do solitário estava há quase um metro do corpo, indicando que a pessoa que fizera aquilo sabia exatamente a técnica correta para se matar um lobisomem.

- Caçadores. – a voz de Max se tornou mais sombria.

- Sim. – Jack respirou fundo antes de guardar o celular no bolso. – Sem dúvida foi um caçador muito experiente. E se ele seguiu os rastros de um solitário, ninguém está seguro.

- Nós estamos seguros. – Maximilian quis passar ao amigo uma certeza que ele mesmo não possuía – Mande uma mensagem a todos. Vamos nos reunir hoje para articular a melhor defesa. Sem pânico, Jack, não será o primeiro e nem o último caçador que teremos que tirar do rastro da alcateia.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Jul 10, 2016 5:30 am

- O que...? É claro que não contei para ninguém que você está envolvido nesta confusão. Aliás, por que eu falaria de você pro Paolo? Ele nem sabe que você existe.

Uma das sobrancelhas finas da menina se arqueou quando Damien começou a levar a conversa naquela direção. A expressão confusa de Francesca indicava que ela ainda não havia parado para pensar em como se sentiria se todos soubessem que os dois estavam envolvidos. Tudo estava acontecendo tão rápido que a caçula dos Sullivan nem tivera tempo para imaginar como seu pai ou seu irmão mais velho reagiriam se conhecessem Damien Scott.

- Sério?

Os braços de Francesca se cruzaram a o semblante dela se tornou mais sarcástico quando Scott zombou, vangloriando-se de sua facilidade para conquistar os Sullivan com nomes italianos. A menina até poderia ajudar Damien a escapar daquela saia justa, mas depois de ouvir aquele comentário convencido a garota fez questão de assistir a cena de camarote.

- Boa sorte pra você, Scott. Você vai precisar.

As últimas palavras soaram sussurradas, o som baixinho entrando num contraste violento com o estrondo que ecoou pelo corredor quando um braço forte se materializou no meio dos dois jovens, empurrando a porta do armário de Francesca com força. O gesto obrigara Damien a recuar a mão para não perder o membro, mas é claro que Paolo havia percebido que os dedos de Scott estavam perto demais do rosto de Francesca.

- E este, quem é?

O largo sorriso do primogênito dos Sullivan estava longe de parecer simpático. Na verdade, a forma como Paolo encarou Damien de cima a baixo deixou bem claro que ele estava calculando a melhor maneira de acabar com o garoto. Os dois tinham praticamente a mesma estatura e Paolo era tão forte quanto Scott, com alguma vantagem por ser alguns anos mais velho e mais experiente.

- Damien Scott. – a menina respondeu com um sorrisinho.

- E o que Damien Scott estava fazendo com os dedos no seu rosto, irmãzinha? – Paolo não tirou o sorrisinho homicida dos lábios.

- Não sei. Ele estava me dizendo que todo mundo gosta dele. Principalmente as pessoas com nomes italianos.

- Eu discordo fortemente. – Paolo estreitou os olhos antes de completar num sussurro – Eu não gosto nem um pouco de moleques americanos com as mãos sujas no rosto da minha irmãzinha.

A maneira como Francesca olhou para Damien parecia dizer algo como “eu tentei te avisar”. Certamente não era a primeira vez que Paolo bancava o irmão protetor e a caçula sabia muito bem que teria problemas em casa quando decidisse arrumar um namorado.

- Beleza, Paolo. Você já deu o seu recado, já me fez passar muita vergonha, então já pode ir embora. – Francesca deu duas batidinhas no ombro forte do irmão – Espero que não tenha surtado assim com o diretor. Você é o único responsável que veio até aqui para reclamar, sabia? Foi só uma briga idiota dos garotos do time.

- Antes de ir eu vou dar uma olhada no banheiro.

- Oi? – Francesca soltou um risinho de zombaria – O banheiro está interditado. Por alguma razão, a polícia acha que é a cena de um “crime”.

A entonação de descrença da menina tinha o objetivo de desmerecer o acontecimento da última tarde. Se todos pensassem que fora realmente só uma briga idiota entre adolescentes, Scott poderia se salvar daquela confusão.

- O diretor me deu autorização para dar uma olhada. – Paolo lançou um sorrisinho convencido para a irmã.

- Como assim? Por que?

Francesca realmente não conseguia entender por que aquela exceção fora aberta justamente para Paolo. Aos olhos dela, o filho mais velho dos Sullivan era só um irmão superprotetor que surtara com as notícias sobre um “ataque” na escola. Não fazia o menor sentido permitir que Paolo entrasse no banheiro isolado pela polícia.

- Porque todo mundo gosta de mim. – Paolo novamente encarou Damien com um sorrisinho convencido – Eu preciso resolver esta pendência, moleque, mas acho que fui bem claro no meu recado. Por enquanto foi só um aviso, mas da próxima vez vou garantir que você não tenha mais dedos para encostar na minha irmãzinha.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jul 10, 2016 4:57 pm

- Esse é definitivamente o melhor.

Caleb lambeu os lábios e fechou os olhos, se deliciando com o pedaço de bolo em sua boca com uma expressão de pura satisfação. A reação exagerada fez com que Samantha soltasse uma gargalhada do outro lado do balcão e negasse com um movimento da cabeça.

- Não é, não! Tem marshmallow demais, eca.

- Você vai escolher o de chocolate outra vez? Todo ano é a mesma coisa, Sam. – Caleb girou os olhos enquanto se apoiava no balcão, e apesar da repreensão, sorria carinhosamente para a namorada.

Os dois haviam deixado a escola no final das aulas e levaram o fim da tarde e o início da noite provando uma grande diversidade de bolos enfileirados no grande balcão da cozinha dos Archibald. O buffet contratado para a festa de Samantha havia deixado um grande número de opções para degustação, mas ano após ano, a menina sempre escolhia o mesmo sabor tradicional de chocolate com cobertura de trufas e morangos banhados em ganache.

A tradição de se sentarem juntos e provarem os diferentes sabores trazia uma sensação de segurança e familiaridade com que Samantha estava acostumada, e depois de passar o dia em conflito com as histórias diferentes de Damien e Max, ela se sentia necessitada de um pouco de segurança.

- Qual é o problema do chocolate? Todo mundo gosta. – Samantha espetou o garfo mais uma vez na fatia do bolo preferido e o levou até os lábios.

- Não há nada de errado, amor. Mas é uma escolha segura demais. Você deveria dar uma chance para as outras opções e ainda iria surpreender todo mundo.

Os olhos castanhos giraram enquanto Samantha refletia sobre aquelas palavras, levando seus pensamentos para um assunto muito mais delicado do que o bolo de aniversário.

- Não quero surpreender ninguém. – Ela resmungou baixinho, já sem o mesmo entusiasmo. – Quero só comer o meu bolo de chocolate.

Caleb meneou a cabeça, sabendo que aquela era uma guerra perdida. Sem intenção de continuar aquela discussão inútil, ele deslizou do banquinho e atravessou o balcão até parar ao lado de Samantha. Seus dedos brincaram com os cabelos escuros, jogando-os para trás do ombro. Assim que a pele do pescoço de Sam foi exposta, o rapaz se inclinou para frente, depositando um beijo na delicada curva.

Archibald fechou os olhos e esperou que o coração acelerasse, que sua pele se arrepiasse ou que sua respiração ficasse alterada, mas nada além da frustração deu sinal em seu corpo.

- Já que a escolha do bolo está mais do que definida, porque não vamos para o seu quarto aproveitarmos enquanto seus pais não chegam?

A ideia de continuar com aquelas carícias sem emoção fazia o estômago de Samantha revirar, e o que seria o pesadelo de qualquer adolescente, ela se sentiu aliviada ao ver a mãe entrando na cozinha com os seus saltos batendo contra o piso claro.

- Eu ouvi isso, Caleb.

Era fácil notar a semelhança entre Samantha e a Sra. Archibald. Lydia tinha os mesmos cabelos negros e os olhos castanhos que a filha, compondo o seu rosto mais maduro. Os fios haviam sido puxados para trás e estavam presos em um elaborado coque, dando visibilidade aos caros brincos de diamante em suas orelhas.

Como sempre, Lydia Archibald estava com a aparência impecável e sorria com carinho para os dois jovens em sua cozinha. Ao invés de repreender o namorado de Samantha pelas palavras ousadas, Lydia apenas sorria com diversão diante do constrangimento dele. O relacionamento de longos anos não iludia a Sra. Archibald e ela sabia que a filha certamente já havia ido mais longe na intimidade com Stark, mas não havia absolutamente nada no rapaz que ela pudesse não gostar.

- Lydia, boa noite. – O sorriso enorme que Caleb direcionou para a sogra não era o suficiente para disfarçar suas bochechas coradas. – Achei que fosse acompanhar o Trevor no jogo de hoje a noite.

- Tivemos uma festa de lançamento na editora e fiquei exausta. Trevor pode enfrentar um jogo dos Yankees sem mim. – Ela caminhou até a geladeira e puxou uma garrafa de água mineral, mantendo sua bolsinha presa sob o braço. – Estão escolhendo o bolo para a festa de aniversário?

- Na verdade estamos apenas provando. A Sam já escolheu o bolo antes mesmo da degustação chegar.

A presença de Lydia obrigava Caleb a manter uma pequena distância de Samantha, embora ainda continuasse ao seu lado.

- Chocolate outra vez, querida? – O olhar de pena que a Sra. Archibald lançou para a filha fez com que Stark soltasse um risinho.

- Qual é o problema com chocolate??? – Samantha bufou, girando os olhos quando a mãe se aproximou.

- Problema algum. É uma escolha bastante segura. Aliás, vocês estão mesmo precisando de alguma segurança...

O olhar de Lydia se tornou mais sério e Samantha sabia que o assunto do bolo de chocolate já havia sido deixado para trás.

- Eu fui almoçar com a Rachel hoje... Por que você não me contou que o incidente na escola havia sido causado por um animal, Sammie?

Rachel Ftitzburg era a melhor amiga de Lydia. As duas haviam feito faculdade juntas, mas enquanto a Sra. Archibald assumira a diretoria da “W Magazine”, Rachel preferiu seguir outra linha do jornalismo e era editora-chefe do New York Times. Seu gosto por assuntos mais sérios que envolviam política, casos policiais e escândalos históricos tiveram uma grande influência para Samantha e embora tivesse muito orgulho da mãe, era em Rachel que ela sempre se inspirava.

- Quem disse que foi causado por animal? – Sam franziu a testa ao encarar a mãe, se perguntando até onde a história de Damien havia chegado.

- A perícia. Rachel disse que haviam marcas de garras por todo o canto. Ninguém conseguiu explicar como um animal selvagem conseguiu aparecer em Nova York e causar tanta destruição, mas deixando marcas apenas no banheiro da escola. Mas não precisam, não é? Já é ruim o bastante que a escola seja tão insegura. Imaginem se tivesse alguém por perto?

- Achei que tivesse sido uma briga. – Caleb ponderou, alheio ao coração disparado da namorada.

- A não ser que tenha sido uma briga entre um leão da montanha e um coyote...

- Um lobo? – Samantha interrompeu a mãe quando se lembrou do forte uivo que ecoara pelos corredores.

Lydia balançou os ombros, claramente frustrada por não conseguir ligar os pontos daquela história cada vez mais esquisita.

- Independente do que foi, nenhum zoológico deu falta nenhum animal e ninguém mais pareceu ter visto. De qualquer forma, vocês dois precisam ter cuidado. Se ninguém encontrou o bicho, ele certamente está solto por aí e pode atacar de novo.

***

Quanto mais pensava no assunto, menos sentido aquela história fazia. Max havia dado detalhes suficientes para enfatizar que ele vira Damien destruindo o banheiro. Descreveu Scott como enlouquecido e que precisaria de cuidados psicológicos. Mas a história de Damien não batia com aquela versão.

Samantha queria acreditar que a versão de Max fosse a verdadeira, a mais plausível. Mas era muito difícil acreditar que a perícia havia errado em diagnosticar o incidente como feito por um animal selvagem. Eles poderiam não saber explicar de onde havia surgido ou para onde teria ido o animal, mas as provas eram suficientes para que concluíssem que não havia sido um ataque humano.

Durante o restante da semana, Archibald foi incapaz de procurar Cavendish novamente. Ela pensava praticamente vinte e quatro horas por dia, tentando chegar na explicação mais lógica, mas nada justificava a mentira contada por Max.

Quando a manhã de sábado chegou e a cobertura dos Archibald já estava movimentada com os preparativos para o aniversário de Samantha, a menina se sentiu incapaz de continuar em casa para ajudar nos detalhes.

A vontade de rever Max era grande, quase sufocante, e ela queria lhe dar uma chance do rapaz esclarecer aquela confusão.

Apesar da manhã ensolarada, o vento fresco obrigou Samantha a vestir um suéter branco. A saia alcançava seus joelhos e era azul com minúsculas bolinhas brancas. Duas mechas estavam soltas emoldurando seu rosto pálido, e o restante havia sido repuxado até prender na parte de trás da cabeça.

Quando ela subiu o já conhecido prédio em que Cavendish morava, carregava em seus braços uma caixa recheada de dounuts e dois cafés da mesma cafeteria onde haviam se encontrado pela primeira vez.

As perguntas estavam pipocando em sua cabeça, mas Samantha optou por seguir uma estratégia mais leve e amigável para que Max sentisse que poderia confiar nela.

Quando a porta foi finalmente aberta, não foi preciso forçar um sorriso simpático. Apesar de toda angustia e preocupação, bastava encarar aqueles olhos azuis para que algo se aquecesse dentro dela e o sorriso brotasse espontaneamente.

- Bom dia! Trouxe cafeína e açúcar suficiente para você, na medida certa para sobrar para o seu amigo esfomeado.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Jul 10, 2016 5:34 pm

A figura de Paolo poderia intimidar qualquer rapaz que tentasse se aproximar de Francesca. Apesar dos traços semelhantes com a caçula, o rapaz conseguia passar a imagem ameaçadora do irmão protetor, e o fato de ter quase decepado os dedos de Damien com a porta do armário provava que ele não mediria esforços para manter a irmã longe das garras qualquer rapaz mal-intencionado.

Apesar disso, agora Damien tinha conhecimento da própria força e sua incrível habilidade de se curar lhe dava uma coragem tola, como se ele fosse intocável. Afinal, o que seria de qualquer um que resolvesse querer comprar uma briga com ele? Mesmo que não pudesse assumir a responsabilidade, a destruição do banheiro estava lá como prova de sua nova capacidade.

Sem se deixar intimidar com a figura ameaçadora do primogênito dos Sullivan, Scott estufou o peito e cruzou os braços, voltando a se recostar no armário em um ombro só. Seu sorriso se alargou com o comentário de Paolo.

- Bom, eu também não gosto nenhum pouco de moleques americanos com as mãos sujas no rosto da sua irmãzinha. É uma boa coisa então que eu seja da terra do Harry Potter. – Seu sotaque britânico soava de forma quase debochada e Damien fez questão de enfatizar ainda mais as palavras que denunciavam suas origens.

Uma breve sombra passou pelos seus olhos quando Paolo disse que olharia o banheiro. Certamente, Sullivan era apenas um curioso que não encontraria nada. Nem mesmo a polícia seria capaz de seguir o seu rastro, o que tornava a chance de Paolo ainda mais remota. Mas algo no instinto de Scott fez com que os pelos de sua nuca se arrepiassem e ele precisou se esforçar para manter o sorriso inabalado no rosto.

- É essa a sua ameaça? – Damien riu, balançando a cabeça. – Meus dedos? Francamente, Francie...

Ele se virou para Francesca, apontando com o polegar para Paolo.

- Achei que você tivesse dito que seu irmão era assustador, ou coisa do tipo.

Definitivamente não era uma boa ideia provocar o irmão protetor logo da garota que ele estava ficando cada vez mais dependente. A melhor estratégia era se aproximar de forma amigável e ganhar a confiança de Paolo, minimizando as chances dele se colocar entre os dois. Mas o instinto de Damien lhe impedia de ficar calado, como se ele precisasse se provar de alguma forma.

- Só uma pequena correção, Paolinho... São as garotas com nomes italianos que gostam de mim. Sua irmã é só mais uma prova disso.

Seu sorriso era superior quando Damien finalmente se desgrudou do armário, deslizando a mochila por um dos ombros.

- Boa sorte olhando o banheiro imundo. Cuidado para não pisar em nenhum caco de vidro.

Testando a própria sorte, Scott se inclinou para frente e depositou um beijo estalado na bochecha de Francesca.

- Francie, não se esqueça de roubar as chaves do Impala outra vez, tem a festa da Sam no sábado. Mal posso esperar pra dirigir aquele carro de novo.

O sorriso de Damien ia de ponta a ponta do seu rosto quando ele percebeu o brilho de fúria no olhar de Paolo e finalmente se afastou, deixando os irmãos Sullivan para trás. A sensação de ser forte e corajoso era a melhor já experimentada por ele.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Dom Jul 10, 2016 5:48 pm

Por mais que Samantha fosse um pensamento recorrente na cabeça de Maximilian durante toda a semana, o rapaz não teve tempo para sugerir um encontro com a garota. Toda a sua preocupação estava voltada para o inquietante incidente com o lobisomem solitário. Por mais que os amigos confiassem nele, o Alpha percebia que todos estavam muito angustiados com a ideia de um caçador experiente no encalço da alcateia.

Cavendish tinha a consciência limpa quanto ao comportamento de cada um dos lobos sob a sua responsabilidade. Eles formavam um tipo de alcateia que a espécie costumava denominar de “limpa”. Os lobisomens viviam muito bem adaptados à vida humana, controlavam muito bem os seus instintos e as transformações e não significavam nenhuma ameaça às outras pessoas. Todos eles tinham seus empregos, suas famílias, alguns até namoravam moças humanas. Não havia nem mesmo uma mancha na história daquela alcateia.

Mas Maximilian sabia que isso não fazia a menor diferença na cabeça de um caçador. Para aqueles homens e mulheres acostumados aos horrores provocados por “monstros” como eles, tudo o que não era cem por cento humano deveria ser exterminado.

Um caçador nunca acreditaria que o grupo de Max só queria viver em paz no mundo dos humanos e que nenhum deles jamais mataria ou machucaria alguém. Eles eram lobisomens, e isso bastava para que merecessem a condenação.

Por mais que não quisesse machucar ninguém, Cavendish sabia que deveria se livrar do caçador antes que sua alcateia fosse localizada. O grande problema era descobrir quem fora o responsável pela morte do solitário em uma cidade enorme como Nova York.

Jack estava liderando as buscas de pistas. Como trabalhava na noite e na mesma região onde o lobisomem fora assassinado, o rapaz conhecia todo o tipo de gente e ouvia vários comentários sobre recém-chegados com atitudes suspeitas. Eles já sabiam que não estavam lidando com um amador, então Jack também buscava qualquer tipo de rastro que pudesse apontar na direção de um caçador famoso.

Maximilian também trabalhava ativamente neste sentido. Como conhecia lobos espalhados em diversas partes do país, o Alpha buscava informações que pudessem esclarecer sobre a identidade do caçador de Nova York.

Vários telefonemas foram feitos e a lista de Max já exibia muitos nomes cortados. Alguns dos caçadores que Cavendish enumerara já tinham sido encontrados mortos, ou estavam trabalhando em casos muito distantes de Nova York. Naquela manhã, Maximilian estava no celular e escutava uma familiar voz feminina do outro lado da linha.

- Pode tirar Rick Sullivan da sua lista. – a mulher soltou um suspiro pesado – Ele certamente não é o caçador que você procura.

- Morto? – Max riscou o nome de Sullivan com a caneta em suas mãos.

- Não. Mas não acho que ele conseguiria matar um lobo em uma cadeira de rodas e sem um dos braços.

Maximilian sentiu um arrepio ao imaginar um dos maiores caçadores do país naquelas condições. Ele nunca havia cruzado o caminho de Richard Sullivan, mas todos os lobisomens o descreviam como um caçador forte, destemido e determinado que viajava por todo o país exterminando qualquer tipo de monstro que cruzasse o seu caminho.

- O que aconteceu com ele?

- Ele calculou mal o número de membros da última alcateia que tentou exterminar. Conseguiu matar muitos, mas não saiu inteiro da luta. Eu fiquei arrasada. Rick é um cabeça dura, mas sempre foi um grande homem. Imagino como ele deve estar frustrado agora, ele sempre valorizou demais a independência. A última notícia que tive dele é que ele teria alta do hospital depois de oito meses de internação.

- E se eu fosse um dos muitos que ele matou, Helena? Você teria ficado tão arrasada?

- Você não faz parte de uma alcateia selvagem, Max. É diferente.

- Não para um caçador, Helena. Para eles, todos os lobos são iguais e merecem a mesma condenação.

Helena Morgan era uma das poucas pessoas fora de sua alcateia em quem Maximilian confiava cegamente. A mulher era dona de um bar na beira de uma estrada no Texas e havia visto Max nascer e crescer junto com seu único filho, Alfred. Os dois garotos tinham doze anos quando foram atacados. Alfred não resistiu à transformação e até hoje Max não sabia se o seu destino tinha sido realmente melhor que o do amigo.

Apesar da dor de perder o único filho, Helena nunca conseguiu dar às costas a Maximilian. O lobisomem que atacou os dois meninos foi morto por caçadores e Helena conheceu e se tornou amiga de vários daqueles homens que viviam para exterminar monstros. Mas, ainda assim, a identidade de Max foi mantida em segredo e Helena deu a ele a chance de viver que fora tirada de Alfred tão precocemente.

- Eu tenho que desligar, alguém tocou o interfone. – Max forçou uma entonação mais animada para que Helena não se sentisse culpada por estar bem no meio daquela guerra entre lobisomens e caçadores – Obrigado, tia Lena.

O bloquinho com os nomes dos caçadores foi escondido numa das gavetas da cozinha antes que Cavendish abrisse a porta para Samantha. Apesar de toda a preocupação, ele sentiu seu peito se aquecer ao reconhecer o rosto familiar da menina e as adoráveis covinhas que passearam pela memória dele durante toda a semana. Max ainda não sabia se Jack estava certo quanto à marcação, mas era um fato que a simples presença de Sam fazia com que o Alpha se sentisse muito melhor.

- É uma péssima ideia mimar o Jack desse jeito, sabia? Se ele começar a encontrar comida de qualidade nesta casa, nunca mais conseguirei me livrar dele.

Arrastando os problemas para um canto escuro da mente, Maximilian colocou as mãos na cintura de Samantha e a puxou para dentro do seu apartamento. As embalagens com os donuts e os cafés foram puxadas para as mãos de Max enquanto ele se inclinava para cumprimentar a moça com um demorado beijo nos lábios.

- Eu senti a sua falta, Sam... – Cavendish murmurou ainda com os lábios colados nos dela.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Jul 10, 2016 6:48 pm

O sinal sonoro soou nos corredores, alertando os alunos de que deveriam se encaminhar para as suas respectivas salas de aula. Por isso, praticamente todos já tinham se dispersado dos corredores e não houve nenhuma testemunha – além de Francesca Sullivan – para a cena que se seguiu às provocações de Damien.

A caçula sabia que Paolo era esquentado e que não engoliria tão facilmente aqueles desaforos de um garoto bem mais novo do que ele. Mas o que Francesca nunca imaginou era que o irmão mais velho seguiria os passos de Scott, empurraria o garoto contra a fileira de armários e se colocaria na frente dele. Antes que Damien pudesse pensar em reagir, o cano gelado de um revólver foi apoiado na têmpora dele.

O grito ficou preso na garganta de Francesca e tudo o que saiu por seus lábios foi um murmúrio engasgado. A menina correu na direção dos dois com os olhos verdes tão arregalados que pareciam prestes a saltar para fora do seu rosto pálido.

- O que você pensa que está fazendo!? – as palavras angustiadas soaram num sussurro totalmente desesperado – Você trouxe uma arma para a minha escola! Paolo!!!

A caçula conhecia a estranha coleção de armas dos Sullivan. Richard sempre dissera à filha que só guardava aquele arsenal porque era uma herança do avô, que fora um comandante na Segunda Guerra. Francesca nunca havia visto o pai ou o irmão usando uma arma, mas tinha a incômoda impressão de que a munição desaparecia numa velocidade muito superior às “caçadas” que Richard eventualmente fazia com os amigos.

- Cada um luta com as armas que tem. – Paolo ergueu uma das sobrancelhas enquanto deslizava o cano da arma pelo rosto de Damien – Cadê a sua varinha, Harry Potter?

- Seu ridículo! – Francesca acertou um soco no braço do irmão – A polícia está rondando a escola, idiota! Quer terminar essa ceninha patética numa cela? Não temos dinheiro para pagar fiança! Guarde já esta coisa! Eu vou contar pro papai que você pegou uma das armas dele!

- E eu vou contar pro papai que você pegou as chaves do Impala dele pra colocar nas mãos deste playboyzinho que ainda fede ao leitinho da mamãe vadia.

Os olhos verdes da garota se estreitaram e ela tentou puxar o braço de Paolo para trás, ignorando o quanto o primogênito era mais forte que ela.

- O Impala, lógico. Por um breve momento eu achei que estivesse preocupado comigo!

- Sem drama, Francesca.

Paolo finalmente abaixou o braço que carregava a arma, para imenso alívio da irmã que soltou um suspiro e se apoiou contra os armários. O coração dela batia tão acelerado que era até difícil distinguir uma batida da outra. Aquela reação mostrava que Francesca não duvidava da coragem de Paolo em apertar o gatilho.

- A coragem é uma das qualidades que eu admiro, Harry Potter. – Sullivan guardou a arma no bolso interno do casaco, sem tirar os olhos verdes de Damien – Mas, em compensação, a tolice é um dos defeitos que mais abomino. Cuidado na hora de dosar as duas coisas. Você pode ser forte, mas seus músculos não serão úteis se eu meter uma bala no meio da sua testa. Eu juro que serei muito mais eficiente que Voldemort, eu nunca deixo um serviço inacabado.

- Já chega. – Francesca se colocou entre os dois rapazes e empurrou o irmão pelo peito – O sinal já tocou, nós temos que ir. Acabou o show, Paolo!

- A Francesca só vai na tal festa de sábado se você for buscá-la em casa, campeão. Meu pai vai querer conhecer o veadinho que está botando as mãos imundas na Francesca e no Impala. São os bens mais preciosos da vida dele, junto com a coleção de armas de fogo. Te espero no sábado, Potter, será uma visita muito agradável.

O sorrisinho de Paolo deixava claro que aquele era um desafio. Ao contrário do irmão mais velho, Francesca não via nenhuma graça naquela proposta. Era constrangedor que Damien tivesse que se apresentar para os Sullivan e oficializar alguma coisa depois de ter acontecido apenas um beijo. Era óbvia a intenção de Paolo em fazer o garoto desistir de Francesca e não era a primeira vez que o rapaz aterrorizava um namoradinho da irmã.

Contudo, aquela era a primeira vez que Francesca queria esganar Paolo por estragar tudo. Com Damien, a menina queria uma chance para fazer o relacionamento dar certo. Mas ela jamais julgaria o colega se ele sumisse de sua vida. Era o mínimo que Sullivan esperava depois que Paolo colocara uma arma de verdade na cabeça de Scott.

- Agora você tem uma vaga ideia do risco que correu pulando a minha janela na noite passada. – Francesca resmungou para Damien depois que o irmão virou o corredor e sumiu de vista – Eu imagino que depois disso tudo não haverá uma “próxima vez” entre vocês dois, mas espero que tenha aprendido a lição de nunca usar um carro velho para provocar outro cara no futuro.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jul 10, 2016 7:00 pm

Samantha sabia que não podia prolongar aquela situação. Era uma grande injustiça exigir que Max fosse honesto enquanto ela também carregava uma mentira, mas precisava apenas de mais algum tempo até que Cavendish se mostrasse merecedor da reviravolta que ela causaria na própria vida.

Caleb poderia não despertar o frio em sua barriga ou fazer com que todos os seus sentidos aflorassem com um único olhar, mas ainda era uma escolha segura para o seu futuro e ela ainda não estava pronta para abrir mão dos seus planos enquanto Cavendish mostrasse que era cheio de mistérios.

Apesar das sombras que se projetavam em sua mente, era impossível se manter totalmente firme quando sentia o perfume de Maximilian e se derretia em seus braços.

Samantha esperou que a caixa de donuts e os cafés fossem depositados sobre o balcão para rodear o pescoço de Max com seus braços, mergulhando em um beijo mais intenso e cheio de saudades. Ela tinha vontade de gritar e implorar que ele esclarecesse todas as pontas soltas de sua cabeça para que os dois pudessem finalmente assumir aquele relacionamento, mas Sam só teve forças para se entregar a carícia e esquecer do resto do mundo.

Quando os dois se soltaram, sem fôlego, Samantha acariciou o nariz de Max com o seu e se manteve pendurada em seu pescoço, sorrindo abertamente.

- Bom, então é melhor você comer todos esses donuts. Quanto menos o seu amigo resolver aparecer por aqui, menos seremos interrompidos. – Ela ergueu a mão e brincou com o polegar no lábio inferior de Max antes de acrescentar. – Também senti sua falta.

Samantha depositou um breve beijo antes de se soltar por completo de Maximilian e se voltar para o balcão, puxando um dos copos de café e entregando a ele.

- Eu não vou poder demorar, estou com a agenda cheia hoje. Mas não podia deixar de ver você.

Com um pratinho cheio de donuts e os dois cafés, Samantha e Max se acomodaram no chão da sala para poder comer. A televisão estava ligada e passava alguma reprise de um seriado enquanto os dois não prestavam atenção em nada além um do outro.

Entre as conversas, Archibald comentou que era o seu aniversário, evitando mencionar a festa que teria naquela noite. A última coisa que ela precisava era envolver Max em uma festa cheia de adolescentes esnobes e na presença de Caleb. Para desconversar, Samantha comentou que teria apenas um jantar íntimo com os pais e se odiou pela mentira. Parecia que quanto mais ela desejava que Max fosse sincero, mais se enrolava com as próprias verdades.

- Então, eu tentei conversar com o Damien a respeito do que aconteceu. – Samantha finalmente levou a conversa para o assunto que a levara até ali, sem deixar que os beijos e carinhos de Max continuassem distraindo. – Você acha que ele poderia ser perigoso para a Francesca? Eles estão cada vez mais envolvidos e eu não queria ver a minha nova amiga magoada ou coisa pior.

Seu tom de voz era preocupado, mas para reforçar a introdução casual do assunto, ela se levantou e caminhou até a cozinha com a desculpa de pegar mais guardanapos. O apartamento de Cavendish era pequeno o bastante para que eles pudessem continuar a conversa, mesmo com Max ainda sentado no chão da sala.

- Você não chegou a me dizer se ele machucou você. Ou se tentou, pelo menos. Mas a julgar pela forma com que deixou o banheiro, eu diria que ele é bastante perigoso. Talvez fosse melhor a gente contar para as autoridades, ele realmente precisa de ajuda.

Enquanto falava, Samantha puxava as gavetas da cozinha atrás do guardanapo, e sem alterar a voz, encontrou o pacotinho fechado. Ela imediatamente o puxou pelos dedos, mas franziu a testa ao ver o bloquinho escondido por baixo dele, que imediatamente veio a tona.

Para não chamar atenção, Samantha não demorou com a gaveta aberta, mas foi tempo suficiente para ver a lista de nomes e reconhecer o sobrenome Sullivan riscado em meio a tantos outros.

Mais uma vez, seu instinto gritou com um alerta e sua vozinha interior ordenou que ela exigisse explicações imediatamente, da forma mais brusca e direta. Ao invés disso, Samantha girou sobre os calcanhares ainda sorrindo e voltou para perto de Max. Ela queria desesperadamente que ele explicasse de uma vez por todas o que estava acontecendo, mas Archibald sentia que estava cada vez mais afundando em uma areia movediça.

- Aliás, você já conhecia a Francesca antes? Ela me disse que já morou em vários lugares, mas não tenho certeza se mencionou o Kansas.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Jul 10, 2016 7:23 pm

Se aquele episódio com Paolo tivesse acontecido algumas semanas antes, Damien certamente teria ficado aterrorizado. Nem mesmo toda sua pinta de badboy teria sobrevivido a encarar uma arma de fogo de um irmão enfurecido e completamente enlouquecido a ponto de não enxergar a loucura que era fazer aquela ameaça em um corredor de uma escola como a Constance.

Mais uma vez, a mordida havia transformado a vida de Scott e, mesmo que intimamente ainda duvidasse que fosse sobreviver a uma bala enfiada em seu crânio, ele se sentia mais corajoso para encarar Sullivan sem hesitar. Seus olhos encaravam o rapaz com firmeza e seus dentes estavam trincados enquanto ele se concentrava em manter as batidas do coração sob controle.

Algo na voz de Paolo lhe dizia que aquela não era a primeira vez que ele apontava uma arma de fogo para alguém e o assunto tão banal que havia despertado sua fúria só mostrava que definitivamente não era uma pessoa com quem deveria brincar.

- Aprendido a lição? – Damien finalmente conseguiu sussurrar, quando Paolo já havia desaparecido pelo corredor.

Ele se sentia furioso por precisar se manter comportado quando sabia que poderia esmagar a cabeça de Paolo se quisesse. E era ainda mais frustrante que Francesca defendesse o comportamento do irmão com tanta naturalidade.

- O seu irmão acabou de apontar uma arma na minha cabeça, Francesca! Em plena luz do dia! Ele foi capaz de entrar com uma arma em um colégio cheio de adolescentes! Você tem noção do quanto isso é doente???

Só então Damien percebia que seu corpo tremia ligeiramente. Quando baixou os olhos, notou que as garras haviam surgido e instintivamente ele havia tentado esconder, enfiando-as na pele da palma da mão. Agora que as unhas haviam voltado ao normal, haviam pequenos rasgos em sua pele que já cicatrizavam, mas a sujeira do sangue estava ali para atiçar a curiosidade de qualquer um.

Apressadamente, Scott enfiou as mãos nos bolsos e sacudiu a cabeça, sem esconder sua irritação.

- Você pode ter certeza que não vai ter uma próxima vez. Nem com o psicopata do seu irmão e nem com você.

Pisando duro, Damien deu as costas para Francesca e procurou o banheiro mais próximo, desesperado para lavar o sangue de sua pele já cicatrizada. Racionalmente, ele sabia que não seria capaz de ficar longe da caçula dos Sullivan por muito tempo, mas se sentia furioso demais com aquela maluquice para continuar correndo atrás dela como um cachorrinho carente e necessitado.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Dom Jul 10, 2016 7:29 pm

Maximilian não era capaz de ler os pensamentos da garota, mas era fácil para o Alpha notar que havia alguma coisa errada com ela quando Samantha mencionou o nome de Damien. As batidas do coração de Sam se tornaram descompassadas e era possível notar uma nítida ansiedade nos olhos castanhos. Scott já havia contado a Max que falara para a colega algo sobre um animal selvagem, e aquela também era a história fantasiosa que circulava em alguns noticiários.

- Ele não me machucou. Em defesa dele, acho que o Scott soube concentrar toda a sua energia no banheiro para que a explosão não machucasse ninguém. E eu acho que você deveria se envolver o menos possível nesta história, Sam.

A voz de Cavendish soou mais séria e ele manteve os olhos azuis fixos na tela da televisão enquanto a garota buscava o guardanapo. Por estar tão concentrado em fugir daquele problema, Maximilian nem se lembrou do bloquinho que havia enfiado em uma das gavetas da cozinha.

- Se a sua amiga realmente gosta dele, dê uma chance aos dois. Ela pode ficar chateada se você começar a interferir demais, Sam. A Francesca me pareceu ser uma garota inteligente, eu não acho que ela se envolveria tanto se tivesse dúvidas sobre a sanidade do tal garoto.

A pergunta mais direta sobre Francesca fez com que Max sacudisse a cabeça em negativa. Nesta parte da história, o rapaz não precisava mentir. Cavendish sabia que o sobrenome da menina era Sullivan, mas nunca imaginaria que Francesca e Rick Sullivan eram parentes próximos. Não era um sobrenome tão incomum, afinal.

- Não, eu a conheci naquela tarde da entrevista.

Um sorriso brotou nos lábios de Maximilian quando Samantha retornou com os guardanapos. Ele se inclinou para capturar os lábios dela num beijo açucarado graças aos donuts que os dois atacavam naquela manhã. Era impressionante como a presença de Archibald lhe trazia paz. Ao invés de gastar as horas seguintes preocupado com caçadores, Max agora estava comendo doces, tomando café e roubando beijos da garota.

- Eu ainda não acredito que hoje é o seu aniversário e você não me avisou disso com antecedência.

O rapaz tentou forjar uma expressão chateada, mas denunciou a brincadeira com um sorriso e com mais um beijo. É claro que Max estava tentando mudar a direção da conversa, mas tentava fazer isso com sutileza para que Samantha acreditasse que ele simplesmente não achava o assunto "Damien Scott” interessante.

- Agora eu terei que me desdobrar para compensá-la. O que me diz de um jantar esta semana? No dia em que você achar melhor, é só me falar que eu me programo aqui... Um jantar e um presente, prometo que será legal o bastante para compensar o atraso na comemoração.

O copo de café já estava quase vazio quando Cavendish o deixou de lado para se inclinar na direção da garota. Suas mãos se ocuparam com os cachos formados pelos cabelos escuros antes de descerem pelas costas de Samantha. A pontinha do nariz de Max acariciou a curva do pescoço da menina, se deliciando com o perfume da pele dela.

- Ou podemos adiantar uma parcela da comemoração agora. Quanto tempo você ainda tem, Sam?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jul 10, 2016 8:00 pm

Se Max usava as carícias propositalmente para distrair Samantha, ela nunca saberia com certeza. Mas no mesmo segundo em que os lábios dele encostaram em sua pele, os pensamentos sobre os Sullivan, Scott ou acidentes na escola foram jogados para um lado escuro de sua mente e ela se concentrou apenas no arrepio que se espalhou pelo seu corpo.

Archibald costumava se orgulhar em ser uma menina inteligente que não se deixava enganar, mas mesmo sabendo que tudo ligado ao nome de Maximilian estava errado, ela se sentia incapaz de lutar contra o desejo de aproveitar por mais algum tempo a sensação maravilhosa que só ele era capaz de proporcionar.

Cavendish era lindo, doce e aparentava ser perfeito, mas junto com ele vinham as mentiras, os mistérios e a certeza de que Archibald não o conhecia o suficiente. Mas naquela manhã, nada daquilo era relevante.

- Bom, considerando que hoje é meu aniversário, eu diria que tenho quanto tempo eu quiser.

A voz de Samantha soou rouca e ela já havia fechado os olhos para absorver melhor a sensação de ter Max. Até onde ela sabia, Maximilian poderia ser um assassino de aluguel, um psicopata, um galinha ou simplesmente um cara normal. Mas uma parte daquele mistério também contribuía para que Archibald o achasse ainda mais interessante.

Completamente envolvida com os beijos dele, Samantha deixou que seu corpo assumisse o controle quando deslizou para o colo do rapaz, sem interromper as carícias. O beijo se tornava cada vez mais intenso e ela podia sentir o sangue ferver sob a sua pele. Em questão de minutos, sua blusa foi descartada e jogada para um canto da sala.

O apartamento de Max era pequeno e eles perderiam apenas alguns segundos para trocarem o carpete da sala pelo colchão confortável no quarto ao lado, mas parecia ser tempo demais para a necessidade dos dois.

Como se estivessem enfeitiçados um pelo outro, Samantha e Maximilian se deixaram levar pelas carícias. O cenário estava longe de ser o mais romântico, as circunstancias definitivamente mostravam que eles não tinham exatamente um relacionamento, mas ainda assim, nada pareceu mais certo do que se entregarem um ao outro naquele momento.

Algum tempo depois, quando Samantha já estava novamente vestida com a roupa amarrotada e os cabelos desalinhados, ela cogitou iniciar uma conversa sincera com Max. Colocá-lo contra a parede estava longe do seu plano inicial, mas depois de experimentar a sensação de tê-lo por inteiro, ela queria a todo custo que as barreiras criadas entre os dois não existissem. Queria sentir aquilo de novo, sem as sombras das dúvidas e mentiras.

Apesar disso, Sam abriu e fechou a boca várias vezes, sem que som algum escapasse pela sua garganta. Mesmo sedenta pela verdade, ela também não queria arruinar aquele momento com a realidade.

- Eu preciso ir. – Ela resmungou por fim, sentindo o peito se espremer ao pensar no quanto a festa daquela noite seria desanimadora sem a presença de Max. - Diga ao Jack que pode ficar com a minha parte dos donuts, desde que ele se mantenha afastado sempre que eu estiver por aqui.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Jul 10, 2016 8:04 pm

Mesmo depois que a porta do banheiro foi fechada e Damien sumiu de vista, Francesca ficou parada no meio do corredor, com os olhos presos na direção onde vira o colega pela última vez. A sensação de sufocamento era bem semelhante a uma mão invisível apertando com força o peito dela. Sua garganta estava fechada num nó e Sullivan só percebeu que estava chorando quando algumas lágrimas quentes pingaram pelo seu queixo.

Pela primeira vez na vida, Francesca odiou Paolo. O irmão era estourado, implicante e bastante inconsequente, mas a caçula sempre o amara apesar de todos aqueles defeitos. Naquele instante, contudo, a menina sentia que nunca conseguiria perdoar Paolo por ter estragado tudo entre ela e Damien.

Mas o ódio que Francesca sentia de si mesma conseguia abafar um pouco a raiva dirigida contra o irmão mais velho. Quando ergueu as mãos trêmulas para secar as lágrimas, Sullivan não conseguia acreditar que estava aos prantos por causa de um garoto. Seu orgulho estava mortalmente ferido, mas aquela dor era muito mais forte que qualquer pensamento racional que a menina pudesse ter.

Francesca não conseguia entender a dimensão daquele sofrimento. Ela gostava de Damien, achava a companhia do colega agradável e se divertia com as infinitas implicâncias. O beijo da noite anterior tinha sido perfeito, sem dúvida o melhor da vida de Francesca. Mas nem tudo isso explicava a sensação de que o mundo iria desmoronar sem Scott.

Os dois se conheciam há poucos dias, só havia acontecido um beijo, Francesca sequer sabia a versão de Damien sobre a confusão ocorrida no dia anterior. Mas era como se ela já dependesse dele para ser feliz. Aquele sentimento era irracional demais, mas nada fazia Sullivan abandonar a sensação de que seu mundo não seria mais o mesmo sem Scott.

O pouco que restava do orgulho de Francesca foi o bastante para guiar os passos dela para longe daquele banheiro antes que a garota se humilhasse ainda mais e implorasse a Damien que desse uma segunda chance para os dois.

Uma cortina de lágrimas ainda embaçava a visão de Francesca quando ela desceu as escadas, já decidida a não se torturar ainda mais passando as horas seguintes naquele colégio. A menina fugiu pelo estacionamento da escola e teria passado direto pelos portões se não fosse pela voz do irmão mais velho. Paolo estava de costas para o portão e falava ao celular, sem perceber que Francesca estava perto o bastante para ouvir suas palavras mesmo naquela entonação baixa.

- Eu não tenho dúvida, Bob. Tem marcas de garras nas portas e paredes, também encontrei um chumaço de pêlos escuros presos numa das dobradiças. Nova York está infestada com esses monstros. Eu fui tolo de achar que aquele solitário era o único.

A pessoa do outro lado da linha comentou alguma coisa que fez Paolo soltar uma de suas risadas irônicas antes de responder.

- Relaxa, Bob. Eu sou um Sullivan, posso muito bem cuidar disso. Todos eles vão pagar caro pelo o que fizeram ao meu pai.

Francesca não conseguiu acompanhar o restante da conversa, visto que Paolo entrou no Impala e deixou o estacionamento sem olhar para trás. Mas a menina já havia ouvido mais que o suficiente para ter o que pensar por muitas e muitas horas.

Era impossível entender do que Paolo estava falando. Teoricamente ele era um simples vendedor, então não deveria ter um faro tão apurado para analisar a cena de um crime. E o que o primogênito dos Sullivan queria dizer quando mencionou “monstros”? E quem era o tal “solitário”?

Mas, sem dúvida, o que mais intrigava Francesca era ver o irmão falar sobre a cena do banheiro como se houvesse alguma ligação entre o acontecimento da escola e a tragédia ocorrida com Richard. Embora não soubesse ao certo o que houvera entre Max e Damien no banheiro, Francesca duvidava que aquilo tivesse qualquer similaridade com o acidente do Sr. Sullivan.

Afinal, que ligação uma discussão entre dois rapazes de Nova York teria com um ataque de lobos selvagens durante uma caçada no Kansas?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Dom Jul 10, 2016 8:38 pm

O plano inicial do Alpha era ir mais devagar naquele relacionamento, mas, quando deu-se por si, Maximilian já havia levado Samantha para o quarto e os dois pareciam desesperados para experimentar toda a intensidade do sentimento que podiam oferecer um ao outro.

Cavendish ainda não sabia se os dois estavam marcados ou se Samantha simplesmente era uma garota perfeita. A verdade era que, com Archibald em seus braços, Max simplesmente não foi capaz de dar ouvidos para a porção racional de sua mente que implorava que ele ainda não desse mais aquele passo na relação.

Todos os membros da alcateia liderada por Maximilian tinham pleno controle de suas transformações e dos instintos da espécie, mas naquela manhã Max entenderia a dificuldade que alguns dos amigos relatavam. Todos aqueles que tentavam se relacionar com humanas eram unânimes em dizer que a parte mais difícil era manter o controle durante os momentos mais íntimos.

Cavendish não achou que seria tão difícil no começo. Mesmo profundamente envolvido pelo momento, Max conseguia se concentrar apenas em Samantha enquanto as mãos e os lábios dos dois abriam espaço através das peles quentes. Os dois mostraram uma sintonia invejável durante os primeiros minutos na cama, mas foi quando o contato se tornou ainda mais intenso que Max compreendeu o temor dos amigos.

A sorte de Maximilian era que Samantha parecia tão inebriada pelo momento quanto ele. Só isso explicava o fato da garota não ter percebido o brilho vermelho tão intenso nos olhos do Alpha que nem mesmo as lentes azuis conseguiam esconder.

Max achou que tudo estava perdido quando seu corpo inteiro se arrepiou, exatamente como acontecia antes de uma transformação. As mãos apoiadas no travesseiro – bem ao lado da cabeça de Samantha – estremeceram antes que as garras começassem a surgir nas pontas dos dedos do Alpha, furando a superfície macia. Cavendish conseguia sentir cada um dos pêlos negros começando a abrir espaço através da pele das suas costas e braços e se obrigou a fechar a boca ao perceber os caninos se tornando mais pontiagudos.

A salvação de Maximilian foi finalizar aquela relação antes que a transformação se concretizasse. Os olhos do rapaz estavam arregalados quando seu corpo desabou ao lado do de Samantha, experimentando uma deliciosa sensação de relaxamento. As garras e os caninos se retraíram e Cavendish suspirou aliviado ao olhar os próprios braços e encontrar apenas a camada fina de pêlos compatível com sua forma humana.

Definitivamente, nem mesmo o autocontrole de um Alpha preparava Max para as sensações que Samantha Archibald lhe oferecia.

Passado o momento de pânico, Max se permitiu relaxar a aproveitar a companhia de Samantha. Depois de alguns minutos de carícias e beijos, a garota anunciou que precisava ir embora. Por mais que quisesse passar o resto do dia ao lado de Archibald, Maximilian compreendia que a garota já tinha planos para o aniversário.

- Ele vai adorar este acordo.

Cavendish deslizou para fora da cama e recolocou sua boxer antes de puxar Samantha novamente para seus braços. A menina foi acomodada com perfeição junto ao peito de Max e ele beijou o topo dos cabelos escuros, completamente envolvido por ela. O Alpha não tinha mais a menor dúvida de que nunca havia sentido com outra garota o que tinha com Samantha Archibald.

- Me ligue para avisar que chegou bem em casa, está certo? – Max pegou uma das mãos da garota e beijou as pontinhas dos dedos dela – E me avise quando será o nosso jantar. Eu estou disponível no dia em que você quiser, Sammy.
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