Alpha Pack

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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Dom Set 04, 2016 5:44 am

Se Damien tivesse pisado no café com aqueles olhos vermelhos há uma hora, a insegurança teria acabado com o que restava do Alpha que vivia em Maximilian. Ele certamente se afastaria e deixaria que outro lobisomem conduzisse a alcateia, certo de que Scott seria um líder muito superior a ele em todos os quesitos.

Mas era impressionante como Max havia renascido depois de esclarecer a situação com a ex-namorada. A segurança e a autoestima de Cavendish tinham sido plenamente revigoradas depois que ele teve a certeza de que Samantha Archibald nunca deixara de amá-lo. Mais uma vez, Maximilian experimentava aquela gostosa sensação de que podia enfrentar qualquer problema desde que Sam estivesse ao seu lado.

Ao invés de se sentir ameaçado com a presença de outro Alpha, Maximilian teve certeza de que agora eles venceriam mais aquela batalha. Era óbvio que Max e Damien não competiriam pelo domínio de uma alcateia quando ambos lutavam pelo mesmo objetivo. Dois Alphas juntos seriam praticamente invencíveis. Eles só precisavam traçar um bom plano para que aquele pesadelo chegasse ao fim.

A situação ainda era delicada para o grupo deles. Paolo estava gravemente ferido, Rosie estava atormentada pela culpa, Francesca se mostrava visivelmente abatida e desestabilizada depois daquele pesadelo e Damien precisava lidar com a nova condição de Alpha. Por isso, Max se sentia ligeiramente culpado por estar tão feliz, mas era impossível não sorrir diante da imagem de Samantha.

Depois de dois anos tentando odiá-la, Maximilian sentia um imenso alívio em conseguir encarar a garota sem nenhuma sombra de mágoa. Não havia mais nenhum tipo de orgulho que impedisse que Max notasse a beleza de todos os traços delicados de Sam. O brilho dos olhos castanhos aquecia o peito dele, assim como os lábios delicados que se curvavam num sorriso amplo e formavam as familiares covinhas que o Alpha tanto amava.

Tudo o que Cavendish queria era que aquela felicidade se alongasse por dias, mas o Alpha dentro dele sabia que a situação da alcateia precisava ser resolvida com urgência. Somente esta certeza deu ao lobisomem forças para interromper aquele momento doce com Samantha e entregar a ela o telefone com o rastreador para que Archibald exigisse a recompensa por ter matado Esther Foster.

- Respire fundo e se concentre no plano. – a mão de Max acariciou o rosto delicado da garota – Confiamos em você, Sam.

Por mais que quisesse poupar Archibald de mais aquela tensão, Maximilian sabia que o mais sensato era deixar que Sam se virasse sozinha naquela ligação. Qualquer som que o Alpha fizesse poderia ser captado pela pessoa do outro lado da linha e qualquer gesto poderia confundir Samantha e conduzi-la numa direção perigosa.

Por isso, a atenção de Max se manteve fixa na tela do notebook. Cada segundo parecia uma eternidade e, por mais de uma vez, Cavendish teve medo que a ligação fosse interrompida antes que o GPS apontasse uma localização precisa.

Uma de suas mãos estava unida a de Archibald, sentindo os dedos delicados trêmulos e gelados pela tensão. Os dedos longos de Maximilian acariciaram o punho da garota e, no segundo seguinte, o coração dele falhou uma batida quando a tela do notebook finalmente apontou um endereço nas imediações de Nova York.

Quando Max imaginou que as surpresas finalmente tinham acabado, Samantha mencionou que o endereço apontado pelo GPS era o da universidade. Definitivamente aquilo não estava nos planos do Alpha. Ele sabia que tanto dinheiro certamente estava vindo de uma grande instituição, mas imaginou que fosse uma empresa particular. Era difícil pensar que tipo de pessoa frequentava a Brown e tinha tanto conhecimento sobre o mundo sobrenatural, além de dinheiro para financiar as recompensas.

- Bom, pode ser qualquer um.

A mente do Alpha trabalhava agilmente enquanto o rapaz enumerava as possibilidades.

- Um aluno, um professor, algum membro da diretoria, um funcionário... Se descartamos todas as pessoas que não tem acesso fácil a milhões de dólares, restarão poucos candidatos.

Cavendish se encostou num dos balcões da cozinha e puxou Samantha para seus braços, acomodando-a junto ao seu peito. Era sufocante a necessidade de tê-la mais perto depois de dois anos de separação. O perfume de Sam ainda era o mesmo, mas Max tinha certeza de que sua memória não era fiel ao cheiro maravilhoso que agora se impregnava em suas roupas.

- Temos que pensar com calma no próximo passo. Estamos muito perto de resolver este problema, por isso não pode haver nenhum erro. – um sorriso tranquilo surgiu nos lábios de Max enquanto ele completava – Vou conversar com o Damien e ver o que ele acha. É um alívio dividir a responsabilidade, sabia? Se eu soubesse que ele tinha potencial de se transformar num Alpha, eu teria estressado o moleque há mais tempo.

A entonação leve de Max deixava muito claro que ele não se sentia ameaçado pela presença de outro Alpha na alcateia. Cavendish ainda enxergava Scott como um amigo e agora finalmente entendia porque sempre fora tão difícil controlá-lo. Damien havia nascido para ser um líder, mas isso não significava que os dois seriam inimigos. Pelo contrário, eles sempre tinham lutado pelos mesmos ideais.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Set 04, 2016 6:48 am

Graças ao elo gerado pela marcação, Francesca nunca havia parado para pensar se ela e Damien se amavam de verdade. Aquela magia lupina havia ligado os dois de forma irracional e eles certamente morreriam um pelo outro, mas Sullivan não sabia dizer se havia mesmo uma porcentagem de amor em meio aos instintos. Como imaginava que a marcação seria eterna, Francesca nunca se preocupara com aquele dilema, mas as perguntas agora brotavam como se fossem a lava incontrolável de um vulcão em erupção.

A garota sentiu um gosto amargo na boca quando ouviu Damien confessando que não havia mais nenhum vestígio do Beta que ele fora um dia. Era evidente que Scott estava se referindo aos instintos e à transformação, mas era inevitável concluir que os sentimentos também poderiam ser incluídos naquele pacote de coisas que ficaram no passado.

A expressão “marcação ridícula” fez com que algo se quebrasse dentro de Francesca. É claro que não era agradável a ideia de pertencer a um lobisomem por causa de um instinto irracional, mas fora graças à marcação que os dois tinham vivido momentos maravilhosos. Se não fosse por aquela ligação, muito provavelmente Isaac não existiria.

Por imaginar que Damien continuaria levando o discurso naquela direção dolorosa, Francesca se surpreendeu com a declaração de amor e com o reforço da proposta de casamento. A cabeça de Sullivan se ergueu e ela encarou o namorado, odiando o fato de só poder usar um dos olhos naquele momento tão importante.

Só depois de quase um minuto inteiro encarando Damien no mais absoluto silêncio, Francesca teve forças para verbalizar os pensamentos mais incômodos que assombravam a sua mente naquela madrugada sem fim.

- Por que você está me pedindo em casamento?

Antes que Scott pudesse estranhar aquela pergunta descabida, Sullivan explicou o seu ponto de vista.

- Você acabou de dizer que não é mais o cara que eu conheci, Damien. Se você é outro cara, como pode afirmar com tanta certeza que me ama?

O olhar de Francesca passou pelo filho antes que ela voltasse a sua atenção novamente para o Alpha, tentando decifrar a verdade através das novas íris vermelhas. O peito de Sullivan se comprimia com a ideia de que ela nunca mais veria os olhos verdes que a fitavam com tanto amor no passado.

- Você não precisa se casar comigo só porque nós dois temos um bebê. Quantos milhões de casais tem um filho e se separam? Eu tenho certeza de que nenhum de nós dois vai deixar de amar o Isaac porque o nosso relacionamento acabou. Você realmente não precisa manter o pedido de casamento se não tem certeza se é isso que quer, Damien.

Aquele desabafo de Francesca poderia passar a falsa impressão de que era ela quem estava insegura com o casamento, mas a última coisa que a garota queria era a angústia de pensar que Damien só queria levar a ideia de casamento adiante para não magoá-la e para dar uma família tradicional a Isaac. Era terrível o pensamento de que eles nunca seriam felizes porque se uniram num casamento sem amor.

- Eu amo você.

A confissão saltou pelos lábios de Francesca antes que ela pudesse controlar a própria língua. Uma lágrima escorreu pelo rosto de Sullivan antes que ela completasse o desabafo.

- A marcação nos uniu, mas eu consigo enxergar você acima de qualquer instinto, Damien. Nós convivemos por tempo suficiente para que eu não tenha dúvida de que eu amo tudo em você. A sua voz, a sua risada, a maneira como você oscila o bom humor com esse jeito rabugento... Você é um bom filho, um bom amigo, um pai excepcional. Talvez eu nunca tivesse dado uma chance pro moleque inconsequente que você foi, mas hoje eu sou grata pela marcação porque ela me deu uma chance de conhecer você de verdade. Eu nunca diria que foi uma marcação ridícula.

Francesca respirou fundo e limpou o rosto, evitando encostar na área dolorida ao redor do olho inchado.

- Mas eu não quero me casar com você se você estiver fazendo esta proposta só por uma obrigação moral de ficar comigo depois de tudo o que aconteceu entre nós. Eu não quero passar o resto da vida sem ver nos seus olhos o brilho que o antigo Damien exibia quando me olhava. Eu não quero viver a experiência de ver o meu marido sofrendo uma marcação com outra mulher e me largando para trás. Eu não quero que o Isaac tenha uma família de verdade e depois a perca. Então, se você não tem certeza, vamos terminar aqui. Será muito menos doloroso pra todos nós, Damien.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Set 04, 2016 4:30 pm

Embora Damien se sentisse mais leve com o fim da marcação, como se ele não fosse mais obrigado a escolher Francesca e tivesse deixado seu coração amá-la livremente, quando a menina começou a demonstrar sua insegurança, ele quase desejou que o elo não tivesse sido quebrado.

O casal nunca havia precisado discutir o que sentiam antes. Era certo de que passariam o resto da vida juntos, por isso ouvir Sullivan questionando o futuro e seus reais sentimentos fez com que seu estômago se afundasse e uma dose de desespero se espalhasse pelo seu corpo.

Ele imediatamente franziu a testa e mesmo depois que ela declarou que ainda o amava, Scott sentiu que seu corpo não iria relaxar tão facilmente. Seu corpo foi flexionado para frente e ele sustentou o peso em um dos cotovelos para aproximar seu rosto de Francesca. A mão livre foi apoiada no rosto dela e o polegar secou as lágrimas do lado do rosto que não estava ferido.

- Como você pode dizer que me enxerga acima da marcação e ainda tem coragem de duvidar dos meus sentimentos, Francesca?

A expressão de Damien era de quase tristeza. Era inédito se sentir daquela forma com Francesca. Apesar de todos os problemas que os dois enfrentaram no passado, ele havia se acostumado a sempre contar com o sorriso e a convicção da namorada em continuar ao seu lado. Mesmo quando ele se transformou pela primeira vez na frente dela, Sullivan teve a paciência e coragem de acreditar que ele jamais a machucaria porque a amava. Ver aquele sentimento questionado depois de tanto tempo era surpreendente.

- Eu chamo sim essa marcação de ridícula. Eu nunca precisaria dela para me apaixonar por você, Francesca. Você me vê acima da marcação? Pois bem, eu também. Porque eu vi aquela menina completamente desalinhada que parecia um extraterrestre entre tantas meninas enjoadas e fúteis, e nem assim se intimidou. Que enfrentou um professor soberbo no primeiro dia e que voltou para casa para cuidar do pai doente.

Um sorriso brincou nos lábios de Scott com as lembranças e ele inclinou a cabeça para o lado, apoiando-a em seu próprio ombro enquanto admirava o rosto que mesmo ferido, ainda conseguia ser bonito.

- Você é linda, Francesca Sullivan. A sua coragem e determinação, a sua teimosia e o seu amor por mim e pelo Isaac... Você enfrentou uma gravidez contra todas as chances e eu vou ser eternamente grato por isso. Além de ter continuado incrivelmente gostosa, mesmo depois de ter engravidado.

Scott piscou um olho e alargou o sorriso para tentar suavizar o clima. Seus dedos desceram pela trança dela, brincando com a ponta e deslizando os dedos pelo ombro exposto, coberto apenas pela alça fina do pijama.

O colchão rangeu quando Damien girou para o lado até alcançar a mesa de cabeceira. A gaveta de Max foi aberta e ele puxou de lá um pequeno lenço de tecido embrulhado. Quando se voltou para Francesca, assumiu novamente a posição de antes, deitado de lado e apoiado por um dos cotovelos enquanto oferecia o lenço a ela.

- Eu peguei isso enquanto separava algumas roupas na casa da minha mãe. Ela me deu isso na noite em que descobriu sobre o Isaac, mas eu estava esperando o momento certo para te entregar.

As pontas do lenço foram jogadas para o lado até revelar um anel de diamantes, que mesmo em contato com o tecido claro, se destacava pelo brilho.

- Eu já tinha um anel quando te pedi em casamento, Francesca. Só queria que as coisas se acalmassem antes de colocar isso no seu dedo. Mas se você precisa disso para entender que eu não preciso da marcação para querer você na minha vida, acho que então esse é o momento ideal.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Set 04, 2016 5:30 pm

Nova York era uma cidade agitada e que ficava ainda mais cheia com a proximidade das festividades de final de ano. O que significava que mesmo por ser tarde da noite, da temperatura negativa e da neve que caía do céu, o Central Park não estava inteiramente vazio quando o carro de Cavendish estacionou.

Por não ter a mesma visão privilegiada de um lobisomem, os olhos de Samantha se espremeram para tentar enxergar em meio as árvores pouco iluminadas. Os postes de luz estavam espalhados por todo o caminho, mas pareciam apenas contribuir para um clima misterioso do que de fato iluminar. Não parecia haver nada suspeito entre os pequenos grupos de turistas que passavam andando, rindo e conversando em diversas línguas.

- Já é quase meia noite. – Sam sussurrou, esfregando as mãos na calça para tentar mantê-las aquecidas.

Mesmo com as luvas e o aquecedor do carro, ela sentia que estava congelando por dentro, mas sabia que a ansiedade tinha muito mais influência do que de fato a neve que começava a se acumular sobre o vidro.

- Tem certeza que quer fazer isso sozinha, Sam? Eu ainda não acho uma boa ideia.

Sam virou o pescoço para encarar Damien no banco de trás. As lentes de contato esverdeadas escondiam as novas íris vermelhas, mas Sam já o conhecia há anos para rapidamente identificar que havia algo diferente em sua aparência.

- Bom, e quem você sugere que vá comigo? Vocês dois estão na lista... – Ela apontou de Max, ao volante, para o outro Alpha no banco traseiro. – A Fran está envolvida até o talo. Além do mais, já tivemos esta conversa antes.

- Na verdade a gente teve essa conversa quando o Paolo insistiu em vir também. Em minha defesa, eu só falei que não ia precisar de ajuda porque o cara foi esfaqueado na noite passada.

- A Rosie está fazendo um ótimo trabalho em mantê-lo preso até que esteja recuperado. Mas eu realmente posso fazer isso, Damien. – O cinto de Samantha foi solto com um estalido e ela apontou o parque com a cabeça. – Vou ficar em uma distância que vocês consigam me ver e me ouvir. Se acharem que as coisas estão saindo do controle, podem assumir, está bem?

Os olhos de Damien passearam pelo parque até encontrar o ponto mais iluminado. A árvore de natal que havia sido montada ultrapassava os vinte metros e estava coberta de luzinhas azuis e brancas. Além dos anjos iluminados ao seu redor, era de longe o ponto mais movimentado do parque, rodeado de turistas.

- Fique por ali. Vai ser mais fácil te acompanhar, além do mais, esse seu gorro ridículo pode ser visto há quilômetros de distância.

- Heeey! – Sam protestou, apalpando a bolinha felpuda no topo do seu gorro vermelho. – Foi presente da Fran!

- Continua ridículo, Sam. – Damien soltou um risinho, mas a Banshee se limitou a girar os olhos e se inclinar na direção de Max, se despedindo com um rápido beijo. – Eu já volto.

Se misturar aos turistas parecia ser uma tarefa simples. Só o que Samantha precisava fazer era não demonstrar o seu medo enquanto caminhava entre tantos rostos desconhecidos, podendo cruzar com o misterioso homem a qualquer instante. Ela só parou de andar quando finalmente chegou diante da grande árvore.

Enquanto tantas pessoas se ocupavam em fotografar o momento, Sam apenas encarou a decoração sem de fato enxerga-la. O relógio em seu pulso foi consultado quando os ponteiros marcavam dois minutos para meia noite e as mãos escondidas nos bolsos do casaco vermelho em seguida. Uma pequena nuvem branca se formava diante da sua boca com a sua respiração.

Dois minutos depois, Samantha voltou a consultar o relógio, confirmando que havia chegado a meia noite. Antes que a mão pudesse ser enfiada novamente no bolso, uma sombra se fez ao seu lado quando um homem parou para observar a árvore.

Ele também estava devidamente agasalhado para o inverno nova iorquino. Seu sobretudo era cinza e cobria boa parte da sua calça cáqui. Havia um cachecol envolvendo seu pescoço e um chapeuzinho com uma aba curta cobria parte da sua careca. As mãos enluvadas estavam enfiadas nos bolsos e ele poderia facilmente se passar por qualquer turista.

- Sempre pontual, Samantha.

Os olhos de Sam estavam presos na árvore, mas todo o seu corpo travou ao ter consciência de quem havia parado ao seu lado. Quem olhasse de fora, veria apenas duas pessoas paradas lado a lado, os ombros se tocando, enquanto admiravam a decoração natalina da cidade.

- Eu sabia que você não ia me decepcionar. Embora ainda tivesse esperanças de que você fosse enfrentar algo mais desafiador.

A cabeça de Samantha continuou estática, mas seus olhos giraram para cima até encontrar o rosto do homem. Um suspiro de surpresa escapou dos seus lábios e ela se obrigou a voltar o olhar para árvore, como se aquela visão fosse impossível.

- Professor Holloway?

Um sorrisinho brincou nos lábios do homem diante da surpresa dela, mas mais uma vez, quem olhasse de fora veria apenas um turista que aproveitava a noite.

- Eu não sei se me sinto ofendido ou lisonjeado com a sua surpresa, Samantha. Mas ainda assim, me sinto orgulhoso por você ter aprendido tanto das minhas aulas. Sabia exatamente como enfrentar um metamorfo, hm?

O coração de Samantha estava tão acelerado que ela não se surpreenderia se Damien e Max pudessem ouvir do carro. Sua cabeça estava girando enquanto tentava encaixar aquela nova peça no quebra-cabeça. Quando o GPS apontou o endereço da Brown, ela ainda não conseguia acreditar que encontraria um rosto conhecido por trás da lista tenebrosa, muito menos que fosse o seu professor de criaturas místicas.

Nigel Holloway não escondia a sua predileção por Archibald nas aulas. Ao contrário de tantos outros alunos, Sam demonstrava verdadeiro interesse por cada nova criatura estudada e enfrentava os capítulos dos livros como verdades, e não como mais uma ficção.

- Foi você que me enviou a lista. – Sam concluiu, fazendo o homem sorrir outra vez.

- E você conseguiu desvendar. Eu sabia que seria uma tarefa fácil para uma Banshee, mas você me parecia tão confusa no começo. Fico feliz que tenha aceitado quem você é, Samantha.

O coração de Sam deu um salto com aquela revelação. Holloway sabia sobre ela ser uma Banshee. Ela estava diante de um cara que pagava fortunas para matar seres sobrenaturais e que sabia a verdade sobre ela.

- Posso perguntar por que você fez isso? Por que escolheu os nomes?

Um pequeno grupo se aproximou para tirar fotos e Nigel lhes lançou um sorriso carismático, aguardando que eles terminassem suas fotos antes de dar a Samantha a resposta desejada.

- O mundo sobrenatural está corrompido, Samantha. Está sujo com criaturas que não merecem os poderes que tem. Eu quero uma nova era, mas para isso, preciso limpar toda a sujeira antes de começarmos de novo.

Desta vez, Samantha não escondeu a sua surpresa. Ela virou o corpo até estar em frente ao professor, ignorando por completo a decoração que deveria ser o centro das atenções naquela noite.

- E o que você é?

- Eu? Você ainda não descobriu isso?

Nigel ergueu a mão e tocou os cabelos de Samantha que caíam em seus ombros, tentando retirar os flocos de neve que deixavam os fios castanhos esbranquiçados e úmidos.

- Eu também sou Banshee, Samantha. Como você. É por isso que uma simples foto é o bastante para saber que o nome realmente foi riscado da lista. Eu sei quando alguém realmente morreu. É o nosso talento.

Era quase impossível controlar sua expressão de horror. Era aquele mesmo homem que havia escolhido o nome de Max, Damien, Paolo e principalmente Isaac para exterminar. Seja lá qual fosse o padrão de Nigel, Sam jamais conseguiria compreender que tipo de sujeira um bebê poderia trazer ao mundo sobrenatural.

Antes que ela colocasse tudo a perder, Sam se obrigou a voltar ao plano original.

- E o meu dinheiro? Eu matei aquela metamorfa, afinal.

Nigel concordou, ainda sorrindo, e inclinou com a cabeça a imensidão de turistas, indicando o caminho que deveriam seguir. Ele tomou a dianteira nos passos, mas Samantha se apressou a acompanha-lo, mantendo os ombros lado a lado.

- Você sabe que pode ir muito além dessa simples recompensa, não é, Samantha? Você pode reerguer o mundo sobrenatural ao meu lado. Quando as listas estiverem completas, nós podemos começar do zero.

O canto do olho de Sam acompanhava o carro de Max enquanto ela e Nigel se afastavam da parte iluminada.

- É uma responsabilidade e tanto, hm? – Ela tentou parecer mais relaxada do que realmente estava quando os dois pararam diante de um banco afastado dos postes de iluminação.

- Eu sei que você consegue.

O sorriso de Nigel estava ainda mais largo quando ele se sentou no banco e indicou para que Samantha também o fizesse. Em seguida, ele se abaixou para frente e puxou uma mochila escondida sob o banco, entregando-a para Samantha.

- Isto é só uma migalha, Sam. Você pode ser muito mais importante que isso. E eu posso te ensinar tudo sobre Banshees.

As mãos de Samantha tocaram a mochila, tomando o devido cuidado de cobrir as mãos de Nigel. Por um segundo ela pensou em recuar, mas a lembrança de Paolo esfaqueado, de Isaac correndo perigo e do nome de Max na lista lhe deu a coragem para concluir o plano.

Seu polegar se moveu lentamente até que a pequena agulha afundasse pela luva de Nigel, o espetando com o soro preparado por Rosie.

- Não, obrigada. Eu já tenho ótimos professores. O problema é que eles estão na sua lista, então acho que preciso fazer alguma coisa a respeito, hm?

Enquanto Sam falava, a expressão de Nigel se contorcia em dor e surpresa, mas em questão de segundos, seu rosto se tornou apático até que ele desmaiasse, tombando nos braços de Archibald, completamente nocauteado.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Set 04, 2016 6:01 pm

O belo anel de diamantes deslizou no dedo de Francesca e se encaixou com perfeição, como se tivesse sido feito sob medida. O brilho das pedras preciosas realçou ainda mais a delicadeza das mãos de Sullivan, mas era um contraste agradável. Mais agradável que a visão do anel em seu dedo era apenas o significado daquele gesto. Scott não demonstrara nem mesmo uma gota de insegurança enquanto afirmava que ainda queria que Francesca se tornasse a Sra. Scott.

Ainda era difícil para Sullivan lidar com o fim da marcação. Aquela ligação instintiva sempre dera a garota uma segurança que nenhuma mulher costumava ter. Francesca sempre tivera absoluta certeza de que Damien era dela, de que nunca haveria nem mesmo um olhar curioso na direção de outra mulher. Agora era preciso se acostumar com a ideia de que ele era um cara comum, mas ainda apaixonado por ela. A confiança de Francesca agora seria depositada no amor e não nos instintos lupinos do namorado.

- Você realmente deveria ter esperado o melhor momento para isso, Damien. Nem podemos registrar este instante com uma foto. – Francesca acrescentou com a voz meio histérica quando o namorado fez menção de pegar o celular – Se você tirar uma foto do meu olho assim eu vou pegar o meu punhal de prata na bolsa!

A ameaça perdeu todo o sentido quando Francesca inclinou-se para oficializar aquele pedido de casamento com um beijo.

O primeiro beijo após o fim da marcação foi diferente. O sabor dos lábios de Damien continuava o mesmo, mas o coração de Francesca saltou dentro do peito como se realmente estivesse beijando o namorado pela primeira vez. As mãos dela buscaram pela nuca de Scott e os dedos deslizaram ali numa carícia demorada, com o contraste do metal gelado do anel em contato com a pele quente da futura Sra. Scott.

Apesar da insegurança gerada pelo fim da marcação, Francesca conseguia enxergar benefícios da quebra daquela ligação. Agora, ela não teria mais dúvida de que Damien estava com ela por amor, e não apenas obedecendo a um instinto irracional.

- Fofinho...? – Francesca esperou que os olhos vermelhos do novo Alpha se abrissem para completar – Eu amo você. Não vou bancar a ciumenta em tempo integral, eu prometo. Mas preciso dar um único aviso. Eu vou te cortar em mil pedacinhos se você se engraçar com outra mulher. Estamos entendidos?

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- Eu não a via há muitos anos. Ela nunca foi exatamente simpática e bondosa, mas também nunca havia se envolvido em nada tão sério, não que eu soubesse. Como ela me devia favores, eu pensei que...

A voz de Rosie sumiu quando ela soltou um soluço e escondeu o rosto nas mãos, mergulhando num choro dolorido. Francesca rapidamente a envolveu num abraço e beijou a bochecha da amiga, tentando consolá-la e, principalmente, mostrando que não guardava mágoas por aquele erro da bruxa.

- Você só queria ajudar, Rosie. Eu sei que você jamais nos mandaria em direção a uma armadilha se soubesse que era uma ideia perigosa. Foi horrível, mas deu tudo certo no final. E ela curou a febre do Isaac. Provavelmente só fez isso para ganhar tempo enquanto os caçadores chegavam, mas pelo menos resolveu o problema...

- Eu realmente sinto muito. Ao menos serviu de lição para que eu não deposite mais confiança nas pessoas erradas. Não sei mesmo como posso compensar vocês por este erro.

- Ora, você já está compensando, Rosie.

Os olhos verdes se voltaram para a imagem do irmão mais velho. Paolo estava deitado no sofá, ainda muito pálido e abatido. Francesca não se lembrava de já tê-lo visto tão debilitado antes, mas ao menos o rapaz estava vivo. Sullivan ainda dormia sob efeito das poções curativas preparadas pela bruxa. O curativo em seu abdome estava limpo, sinal de que a ferida finalmente começava a cicatrizar.

- Era um punhal de prata, Rosie. Se não fosse por você, ele não teria a menor chance de sobreviver. Nenhum de nós saberia o que fazer com todas aquelas ervas. O ferimento nunca iria cicatrizar e o Paolo sangraria até morrer. Eu sei muito bem o quanto ele consegue ser insuportável, mas as nossas vidas não seriam as mesmas sem ele.

- Ele ainda está delirando. – Rosie lançou um olhar preocupado ao caçador – Eu não sei o que fazer. Ele não está mais com febre, o sangramento já parou. Eu realmente não sei explicar porque ele continua delirando.

Francesca fez uma breve pausa enquanto encarava o irmão mais velho. Como conhecia muito bem o comportamento de Paolo, a caçula já imaginava qual seria a resposta quando se voltou novamente para a bruxa.

- Rosie... Por que, exatamente, você acha que ele está delirando?

- É que... – Walker ficou visivelmente constrangida e suas bochechas adquiriram um tom mais rosado – Ele está falando umas coisas... sem sentido.

- Tipo...?

- Ahn... – Rosie ficou ainda mais ruborizada – Pra começar ele queria ir com os rapazes no tal encontro do Central Park sendo que nem consegue se levantar deste sofá. Depois pediu pra eu misturar a poção com cerveja. Ele também disse algo sobre trocar a maldição lupina pela visão de raio-x do Superman para ver o meu decote por dentro...

- Rosie. – os olhos de Francesca giraram – Ele não está delirando. Este é o Paolo. Ele está ótimo, acredite. Continue usando decotes e ele terá motivação para continuar vivo.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Dom Set 04, 2016 7:09 pm

- Eu deveria ter desconfiado. Banshees não são criaturas confiáveis.

A declaração de Maximilian soou com uma entonação séria, mas o olharzinho divertido que ele lançou à namorada denunciava que a provocação era uma brincadeira. O Alpha dirigia o carro rumo ao endereço enviado por Jack enquanto, no banco traseiro, Damien mantinha um olhar atento na figura desacordada de Nigel Holloway.

O soro preparado por Rosie faria com que o homem continuasse adormecido pelas próximas horas. No começo, Max teve medo de que o Banshee também fosse imune às substâncias que Walker usara no preparo do soro, mas a inconsciência prolongada do professor da Brown indicava que a bruxa também tinha os seus segredos para burlar aquele poder Banshee.

Assim como Samantha, Cavendish estava surpreso em saber que a pessoa por trás daquela lista era um professor renomado de uma das maiores universidades do país. Também era surpreendente saber que o responsável pela matança de seres sobrenaturais não era um humano comum. Se tivesse que arriscar um palpite, Max teria dito que era um caçador que se tornara milionário e que agora preferia usar o dinheiro ao invés de se arriscar em combates contra os monstros sobrenaturais.

Mas as verdadeiras intenções de Holloway eram ainda mais desprezíveis. Era como se o Banshee desejasse uma “limpeza” nas espécies, provavelmente para surgir como um sobrevivente, um dos seres sobrenaturais mais fortes ainda vivos no país. O mais doentio de tudo aquilo era o fato de Holloway ter acrescentado o nome de um bebê na lista e ter oferecido por Isaac a maior das recompensas. Era exatamente este o ponto que não permitia que Maximilian sentisse nenhum remorso com relação ao que eles estavam prestes a fazer com o professor de Sam. Holloway merecia aquele destino.

- E aí, gatinha...? Problema resolvido?

Os olhos de Max, naquela noite cobertos pelas velhas lentes azuladas, buscaram pela imagem de Samantha. No banco do carona, a moça usava o laptop que encontrara na pasta que Holloway carregava consigo. Conforme eles desconfiavam, ali estava a fonte de onde partia a lista espalhada para todos os caçadores do país. Tudo o que Archibald precisou fazer foi retirar da lista os nomes de todos os envolvidos na alcateia de Maximilian e reenviar para todos os contatos do professor com o título “Lista atualizada”.

É claro que ainda haveria caçadas pelas criaturas restantes, mas logo se espalharia o boato de que as recompensas não estavam sendo pagas e que ninguém atendia mais as chamadas feitas para o telefone misterioso. Em poucas semanas, tudo voltaria a ser como antes. Ainda existiriam centenas de caçadores espalhados pelo país e Max sabia que aquele era um risco necessário, afinal criaturas como Esther Foster precisavam ser eliminadas. Mas ao menos a alcateia dele voltaria a viver em paz.

Já passava de duas da manhã quando o carro de Max saiu da estrada e passou por um enorme portão que contornava uma propriedade afastada do centro de Nova York. Era uma espécie de hospital voltado para internação de pacientes com algum transtorno mental. Quando o lobisomem estacionou diante da porta principal, um rosto conhecido já esperava por eles.

A prima de Amy, a mesma enfermeira que cuidara de Samantha na época do ataque de Tessa, trabalhava agora naquela instituição. Fora ela quem avisara à diretoria que alguns amigos estavam trazendo um homem que foi encontrado no Central Park, no meio de um surto psicótico. Holloway ainda estava desacordado, mas muito provavelmente acabaria confirmando as suspeitas de que estava louco quando acordasse confuso e falasse sobre listas, metamorfose, lobisomens e Banshees.

Seria muito fácil convencer a todos de que o professor da Brown, que já era tido como estranho pelos colegas, finalmente se deixara levar pelo assunto bizarro que lecionava e começara a acreditar na existência de um mundo sobrenatural.

- Eu não acredito.

A voz de Maximilian soou profundamente aliviada depois que eles responderam algumas poucas perguntas antes de serem dispensados do hospital. O Alpha ocupava novamente o assento do motorista, mas precisava daquela pausa antes de enfrentar a viagem de volta até Nova York.

- Acho que finalmente acabou. E yey! – ele novamente brincou com Samantha, lançando um sorriso a ela enquanto repetia o gesto de um brinde como se segurasse um copo invisível – Acabou antes do Natal. Eu sugiro que montemos uma árvore gigante no café para comemorarmos. Vamos fazer uma ceia farta e mimar o Isaac com muitos presentes.

A cabeça de Max se virou para trás e ele estendeu a brincadeira a Damien, provocando o amigo.

- E depois disso vocês todos vão dar o fora da minha casa, ok? Eu amo vocês e faço questão de revê-los com frequência, mas eu quero a minha cama de volta.

A atenção de Cavendish se voltou para Samantha mais uma vez e ele fingiu analisar a situação antes de finalizar o seu discurso.

- Eu vou abrir uma exceção para você, Sam. Você pode ficar, se quiser. Só me avise com antecedência porque terei que reforçar o meu estoque de café.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Set 04, 2016 9:25 pm

*Alguns anos depois*
A sineta da porta soou anunciando a entrada de mais um cliente, e junto com ele, o vento gelado entrou momentaneamente no café. Mas em questão de segundos, o aquecedor e o vapor das bebidas quentes estabilizou novamente em uma temperatura agradável.

Na entrada do café de Cavendish, alguns flocos de neve se acumulavam, mas qualquer sinal do inverno continuava do lado de fora, deixando em seu interior apenas o clima gostoso do natal. Haviam bolas decorativas, guirlandas e bonequinhos de neve feitos de isopor espalhados por todo o canto.

Todas as mesas estavam ocupadas e os funcionários que haviam sido contratados se desdobravam para andar por todo o salão, carregando os pedidos das bebidas ou dos bolos e biscoitos produzidos com formatos natalinos, exclusivamente para aquela época do ano.

Os olhos de Samantha Archibald estavam atentos na tela do computador a sua frente enquanto ela digitava freneticamente, completamente alheia a movimentação a sua volta. Sua atenção só foi desviada quando um rosto conhecido entrou em seu campo de visão, imediatamente arrancando um sorriso seu.

- É quase natal, Sam. Você ainda está trabalhando?

Rosie Walker assumiu um dos bancos altos diante do balcão que a separava de Samantha. A mulher ainda estava com o notebook a sua frente, mas ao invés de estar confortavelmente sentada, continuava trabalhando de pé enquanto alguns funcionários passavam pelas suas costas na correria da preparação da bebida.

- É a última matéria. O Times vai lançar uma edição extra à meia noite e eu preciso entregar tudo antes de ser liberada.

Depois do incidente com Nigel Holloway, Samantha Archibald se recusou a voltar para Brown. Assim como Damien Scott, ela não pensou duas vezes em fazer sua transferência para a Universidade de Nova York, onde poderia ficar mais perto de Max e longe de qualquer lembrança do velho professor.

Apesar de toda a insatisfação dos seus pais, Samantha não teve a menor dificuldade de se destacar no estágio no New York Times e assim que se formou, se dedicou em construir uma carreira no jornal. Ela era reconhecida profissionalmente e ainda tinha um longo caminho até assumir o cargo de editora chefe, mas ainda assim amava o que fazia.

O antigo café de Cavendish havia crescido ainda mais, mas o apartamento no andar superior havia sido deixado de lado quando os dois decidiram se casar. Parecia inacreditável que uma Archibald fosse viver no Brooklyn, mas a casa afastada da movimentação do centro era exatamente o que Sam precisava.

- Cadê aquela peste, Samantha?

A voz de Paolo soou no instante em que ele parou ao lado de Rosie. Sua mão deslizou pelo ombro da bruxa com intimidade e o caçador deixou ainda mais evidente o nível de seu relacionamento com Walker quando a beijou rapidamente nos lábios antes de se sentar ao seu lado.

- Ela não é uma peste, Paolo. Ela só é curiosa.

Samantha girou os olhos, mas não pode deixar de sorrir. Paolo nunca mais chamou a pequena Allison pelo nome desde o dia que a menina o flagrou no banco traseiro do Impala aos beijos com Rosie. Na época, o casal ainda tentava manter o relacionamento inédito em segredo, mas a curiosidade da menininha de cinco anos revelou aquela novidade para todo o grupo.

Definitivamente, Allison Cavendish havia herdado a curiosidade da mãe. Quando Samantha se descobriu grávida, o casal achou que enfrentaria novamente o pesadelo vivido por Francesca e Damien. Era impossível para uma humana carregar um bebê de um lobisomem sem colocar em risco a própria vida e seria ainda mais improvável que o milagre dos Scott se repetisse.

O que Sam e Max logo vieram a descobrir era que a genética de uma Banshee não permitiria que ela gerasse um bebê lobisomem. A gravidez foi tranquila, com exceção dos constantes enjoos de Samantha, e nove meses depois, Allison nasceu com os cabelinhos negros e cacheados e os intensos azuis olhos do pai.

Como se soubesse que estavam falando sobre ela, Allison entrou como um pequeno furacão por trás do balcão e agarrou as pernas da mãe, lhe lançando um sorriso onde exibia as adoráveis covinhas. O olhar de Sam se tornou ainda mais intenso quando ela viu Max se aproximando.

O casal troxou um rápido beijo e Sam fez questão de não se afastar dele para continuar a conversa.

- Jack ligou, ele vai passar aqui com as meninas para levar a Alli. Como a ceia este ano vai ser na casa dele, a Amy enxotou todo mundo de casa para poder ter tempo de cozinhar. Ele achou que essa era a oportunidade perfeita para levar quatro crianças para patinar.

- Dez pratas que ele vai enlouquecer antes do meio dia. – Paolo literalmente deslizou uma nota de dez dólares sobre o balcão.

Antes que Sam pudesse entrar naquela brincadeira, ela sentiu o olhar de Max na caneca ao lado do seu notebook e imediatamente pegou o café já quase frio.

- É descafeinado.

Ela explicou, enquanto com a outra mão, acariciou a barriga roliça de quase sete meses. Em breve, o casal teria a segunda filha nos braços, completando a família que Samantha tanto amava.

Há anos que a alcateia de Max não enfrentava mais nenhum problema e o fato daquela família ser composta basicamente por Banshee e Lobisomem era completamente insignificante. Alguns diriam até que os Cavendish tinham uma vida pacata e quase entediante, mas Sam amava cada detalhe da vida que tinha ao lado de Max.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Set 04, 2016 10:23 pm

Não era preciso possuir o olfato sensível dos lobisomens para se sentir incomodado com o forte cheiro de queimado espalhado pelo apartamento. Debby Scott parecia ser a única pessoa daquela cozinha que não havia notado que a torta de maçã que ela acabara de tirar do forno mais parecia um grande pedaço de carvão.

- Prontinho. – Debby abriu um largo sorriso para as três pessoas que ocupavam a sua mesa naquela tarde – Quem vai querer o primeiro pedaço?

Foi muito difícil para Francesca conter uma risada quando Damien e Isaac fizeram uma careta idêntica para a torta preparada por Debby. O garotinho ainda tinha os olhos da mãe, mas ficava mais parecido com o pai a cada dia que passava. O crescimento dele continuava lento, mas a avó não estranhava mais aquilo desde que Damien lhe contara toda a verdade sobre a maldição lupina tão logo a mãe recebeu alta do hospital. Debby estava tão aliviada por ter se recuperado e por finalmente compreender a situação do filho que não permitiu que aquela novidade abalasse o amor que sentia pelo neto.

- Você, Isaac? – a avó insistiu diante do silêncio pesado – Quer um pedaço da torta?

- Não, vovó. Tá queimada, né?

A sinceridade do filho fez Francesca levar a mão à testa. Damien tossiu para tentar camuflar uma risada e Debby colocou as mãos na cintura enquanto olhava do neto para a torta destruída. Fisicamente, Isaac parecia um garotinho de dois ou três anos, mas o crescimento lento contribuía para que o menino sempre parecesse esperto demais para a idade.

- Deve estar gostosa, Isaac. – Francesca tentou contornar aquele constrangimento – É só a gente tirar a casquinha queimada, você vai ver.

- Aff, esqueçam. Ele tem razão, não dá pra comer isso. – Debby pegou a torta e se afastou, enfiando-a na lixeira da cozinha.

Francesca estava se preparando para um pedido de desculpas quando Debby os surpreendeu ao abrir o micro-ondas e retirar de lá uma torta de maçã perfeita. A etiqueta na caixa mostrava que a torta havia vindo da confeitaria da esquina, o que mostrava que nem mesmo a Sra. Scott confiava na torta que se dispusera a fazer para receber a visita do filho naquela tarde.

- Pronto. Agora você quer um pedaço, Isaac?

- Quero! – o sorriso idêntico ao de Damien se abriu, arrancando uma risada da avó.

Como já havia se tornado um hábito da família Scott, o Natal era uma data a ser comemorada em Nova York. Nem Damien e nem Francesca quiseram continuar morando na metrópole depois que se casaram e a situação de Isaac também não permitiria que eles passassem muitos anos na mesma cidade. Portanto, o casal já havia morado em várias cidades pequenas nas proximidades de Nova York para que nunca ficassem distante demais dos amigos e da família.

O emprego de Damien como médico veterinário facilitava aquela vida sem raízes, visto que o rapaz não tinha grandes dificuldades em arranjar clientes, ainda mais no interior do país. E Francesca também descobriu que podia ganhar dinheiro quando o seu blog começou a colecionar visitantes. No começo era só um passatempo, mas logo as histórias de “ficção” que Francesca escrevia começaram a ficar famosas. Algumas editoras já procuravam por ela para tratarem da possibilidade daqueles contos sobrenaturais se transformarem em um livro, mas este era um projeto que a jovem Sra. Scott só levaria adiante depois do Natal.

- Obrigada, Debby. – Francesca sorriu ao receber o seu pedaço da torta – Você tem certeza de que não quer vir conosco para a casa do Jack hoje à noite? Eu tenho certeza que todos ficarão felizes com a sua presença.

- Ah, não, eu já tenho os meus planos. Vou para o hospital.

Desta vez não era mais um dos plantões extras que Debby fazia nos feriados. Desde que ficara internada, a Sra. Scott havia se sensibilizado ainda mais com a situação dos pacientes que passavam aquelas datas importantes em uma cama de hospital, angustiados com a própria saúde e com a possibilidade de morrerem. Ano após ano, Debby reunia um grupo de voluntários e preparava uma ceia especial para pacientes e familiares, visando levar um pouco de alegria às pessoas que infelizmente não podiam passar aquela noite em suas casas.

- Mas amanhã eu espero vocês aqui para o almoço especial de Natal da vovó Debby.

- Um oferecimento do restaurante mais próximo.

Damien abriu um sorrisinho sarcástico para a mãe e recebeu um tapa na nuca. O gemido dele arrancou uma risada gostosa de Isaac, que já estava com a boquinha cheia de torta de maçã.

- Se continuar rindo de mim não teremos a tarde de patinação no gelo com o tio Jack. – Damien tentou forçar um semblante fechado para o filho, mas cedeu no instante em que Isaac fez um biquinho.

- Mas a Alli vai, papai.

- Estou brincando, carinha. Termine de comer a torta maravilhosa que a vovó escolheu na padaria e nós já vamos.

Aquela promessa incentivou Isaac a devorar o seu pedaço de torta em tempo recorde. Ele estava tão eufórico para patinar no gelo naquela tarde que nem se importou quando Francesca enfiou um gorro na cabecinha dele e cobriu suas mãozinhas com luvas, ignorando o fato de Isaac não estar com frio. Isaac já havia percebido que a melhor saída era não perder tempo reclamando do excesso de cuidados da mãe.

- Você não quer mesmo vir conosco, linda?

- Não, prefiro ficar bem aquecida no café e fazer companhia pra Sam. Além disso, nós duas precisamos colocar as fofocas em dia. – as mãos habilidosas de Francesca fecharam o zíper do casaco que Damien também não precisava usar – Cuide bem do nosso lobinho, fofinho.

O passar dos anos só deu a Francesca a certeza de que ela e Damien não precisavam de uma marcação para serem plenamente felizes. Eles formavam uma família perfeita e já cogitavam a ideia de atender o pedido de Isaac por um irmãozinho. É claro que os Scott não pensavam em correr o risco de uma nova gravidez. Um grande milagre já havia acontecido na vida deles e era abusar da sorte esperar por uma nova dádiva. Mas isso não impedia que os dois olhassem o excelente exemplo de Jack e Amy como uma hipótese para um futuro próximo.
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