Alpha Pack

Página 15 de 16 Anterior  1 ... 9 ... 14, 15, 16  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Set 01, 2016 10:12 pm

- Nervosa?

A voz de Damien veio em um sussurro próximo ao seu ouvido, ainda assim, Samantha se sobressaltou ao se virar para encará-lo. Ela soltou um longo suspiro ao reconhecer o rosto do amigo, mesmo no escuro, lembrando a si mesma que não estava sozinha ali.

- Não. Estou ótima.

- É, você tá nervosa pra caramba... – Paolo se espremeu para passar entre o cunhado e a menina, lhe dando um tapinha no ombro. – Da pra sentir a sua ansiedade há quilômetros de distância.

A luz da lanterna segurada por Sullivan iluminava o caminho a frente, mas no instante em que ele se distanciou dois passos, tudo às costas de Archibald se tornou um breu. O túnel por onde passavam era espremido e só dava espaço para no máximo duas pessoas. Mesmo com as botas, Sam podia sentir a umidade sob seus pés e o cheiro podre não deixava margem para dúvidas de que o esgoto.

- Impossível. Se você sentir qualquer cheiro aqui além de bosta, você merece o prêmio de nariz do ano.

Sam cruzou os braços, tentando não parecer tão nervosa, mas seus olhos arregalados giravam pelo túnel a procura de qualquer coisa fora do lugar.

- Bom, eu tenho um nariz lindo mesmo, mas posso garantir que existem outras partes do meu corpo que merecem ser reconhecidas primeiro. – Paolo parou de andar quando chegaram em um cruzamento e se virou para encarar os dois jovens com um sorriso torto.

- É sério, Paolo... Você me dá náuseas. – Damien girou os olhos e também parou para analisar o cruzamento.

- De novo: é o cheiro de bosta. Sério, gente... ela precisava se esconder no esgoto???

A voz chorosa de Samantha ecoou pelos tuneis, mas os lobisomens já estavam prestando atenção em algo que ela não podia ouvir ou cheirar.

- Ela não se esconde aqui... – Paolo a corrigiu, fixando seu olhar em um ponto negro do outro lado do cruzamento. – Ela vive aqui.

- Está tudo bem, Sam. – Damien tocou no ombro da menina, tentando tranquiliza-la.

Ele sabia que, embora Archibald jamais fosse recuar daquela missão, a menina também não estava preparada para enfrentar uma criatura no subsolo de Nova York. Aquele universo não era novo para Samantha, mas apesar da recém descoberta sobre ser uma Banshee, ela não tinha as garras e presas de um lobisomem para se defender e só podia contar com algumas poucas horas de treinamento de Francesca, além de algumas aulas de defesa corporal que havia feito na faculdade.

- Você não precisa ficar muito perto, apenas se certifique de que está em segurança e deixe que eu e o Paolo cuidamos de tudo, está bem? Somos dois contra uma, não vai ser tão difícil assim.

- E lembre-se de não deixar a vadia te tocar. É assim que ela rouba suas memórias e sabe exatamente em quem se transformar. Metamorfos são nojentos.

- Ahn... Paolo? – Damien chamou, dando mais um passo para ficar no centro do cruzamento. – Eu achei que você tivesse montado a armadilha para facilitar as coisas.

- Mas é claro que eu montei, merdinha.

Scott segurou o pulso de Sullivan e apontou a lanterna para o teto, onde a armadilha do caçador deveria estar montada. No vão que também servia como saída para a superfície, ao invés das cordas devidamente armadas que deveriam prender a metamorfa quando surgisse, um par de olhos brancos e assustadores os encaravam.

No instante em que a luz da lanterna iluminou o rosto da metamorfa, seus dentes pontiagudos foram exibidos e ela saltou para baixo, derrubando Scott.

O primeiro instinto de Samantha foi recuar, mas ela teve tempo o bastante para ver que a criatura quase não parecia com um ser humano. Sua pele era gosmenta e negra, com a textura de um réptil. Na escuridão, apenas os olhos inteiramente brancos saltavam, assim como os dentes que se encaixavam de uma forma completamente atípica. Eram muitos dentes, finos e pontiagudos, que certamente tornavam a sua predileção por carne humana mais fácil.

Devido ao impacto, Damien ficou preso no chão imundo com o peso da metamorfa sobre suas costas. Com os reflexos rápidos de um caçador, Paolo puxou do bolso do seu casaco um pequeno tubo, puxando a sua tampa. Imediatamente a ponta do tubo começou a pegar fogo, trazendo uma iluminação avermelhada para o túnel. Quando a fumaça já começava a esconder sua mão, ele o arremessou na direção da criatura, que imediatamente fugiu na direção oposta.

Inteiramente livre, Damien soltou um xingamento e se colocou de pé. Suas roupas estavam encharcadas e completamente fétidas, mas o único corte que havia sido provocado em seu queixo já começava a cicatrizar.

- Você está bem? – Paolo perguntou, puxando uma arma no cós da calça.

- Você não consegue cheirar a minha ansiedade agora, nariz de ouro? – Damien resmungou, passando a mão pela testa dolorida e espalhando mais sujeira em seu rosto. – Arg. Malditos metamorfos.

Um profundo silêncio predominava no túnel novamente quando os dois lobisomens e a banshee voltaram a caminhar. O coração de Samantha estava quase saltando pela boca e ela sabia que estavam sendo guiados apenas pelos olfatos dos rapazes, mas era impossível negar o seu instinto que já começava a falar mais alto.

Mais de quinze minutos haviam se passado e eles já começavam a acreditar que Esther Foster havia conseguido fugir quando um choro fino alcançou os ouvidos aguçados de Damien e Paolo. Os dois imediatamente se entreolharam e fizeram um gesto para que Sam não se aproximasse mais.

- Ela está por perto. Acho que consegui acertá-la com o sinalizador, provavelmente está machucada.

Ao sussurro de Paolo, Damien também se aproximou, puxando a própria arma e deixando-a apontada para o horizonte negro. Samantha estava alguns passos para trás e não entendeu quando os dois pararam diante de uma pequena bifurcação onde um dos caminhos não tinha saída.

Mesmo por cima de suas cabeças, ela conseguia ver a grade que fechava o caminho, mas os lobisomens continuaram parados ali, completamente sem reação, até a voz feminina alcançar seus ouvidos.

- Ela fugiu. Eu não queria estragar o plano de vocês, só queria ajudar, fofinho...

Archibald não reconhecia aquela voz e muito menos entendia porque estava usando o apelido que Francesca havia dado a Damien, mas ela ficou ainda mais confusa quando Scott baixou a arma, deixando-a apontada para o chão na lateral do seu corpo.

- Eu fiquei preocupada com vocês e não queria deixar a Sam sozinha. Mas ela me pegou de surpresa. Eu estraguei tudo, não foi?

O choro não parecia ser fingido, mas Samantha não conseguia reconhecer aquela voz que aparentemente sabia seu nome.

- Você não devia estar aqui. – A voz de Paolo soou, provocando um novo arrepio na nuca de Archibald.

Era evidentemente a voz do irmão de Francesca, mas ele não parecia em nada com o rapaz que ela já conhecia há anos. Paolo soava quase mecânico, como se estivesse hipnotizado.

- Eu sei, Paolo, me desculpa. Mas nós precisamos sair daqui agora, eu estou ferida.

A voz feminina se aproximava, mas Paolo e Damien continuavam congelados em seus lugares, sem mexer um músculo e sem desviar o olhar de quem quer que tivessem encontrado.

As pernas de Sam estavam pesadas, como se protestassem e não quisessem se mexer. Ainda assim, ela conseguiu forças para empurrar Damien para o lado, se metendo entre os dois lobisomens.

Seu rosto se contorceu em horror quando ela reconheceu a mesma figura que caíra sobre Scott minutos antes. A pele da metamorfa era completamente negra, mas de alguma forma parecia brilhar agora. Havia um profundo corte em seu braço esquerdo e o sangue pingava, se misturando ao esgoto que corria em seus pés.

- Que merda vocês estão fazendo?

Sam rosnou, mas no instante em que olhou de Damien para Paolo, ela teve certeza que os dois estavam hipnotizados. Ao invés dos olhos humanos, Sullivan e Scott exibiam as íris amareladas e não tinham nenhuma emoção nos rostos.

Esther Foster tentava segurar o braço ferido e parecia realmente assustada, mas abriu um sorriso trêmulo ao encarar a Banshee.

- Sam! Que bom que você está bem! Eu queria ajudar e...

- O que vocês dois estão fazendo??? – Sam voltou a olhar para os lobisomens, esperando que sua voz histérica os despertasse daquele transe.

Sua reação inesperada fez com que o sorriso da metamorfa desaparecesse e ela contorceu o rosto em insatisfação.

- Você me enxerga de verdade?

Samantha não precisava responder. Ela não tinha nenhum sinal de hipnose dos dois lobisomens e encarava Esther com nojo.

- Está bem, esses dois podem esperar. Eu acabo com você primeiro.

Os lábios de Foster também eram negros e se moviam de forma sombria. A metamorfa deu um passo para frente, no mesmo ritmo em que Sam recuou. Quando a criatura passou pelos dois lobisomens, Damien tombou para o lado como um boneco de pano sem controle do próprio corpo.

Conforme Ester se aproximava, Sam continuava dando passos para trás. Paolo e Damien se viraram para encarar a cena, mas os olhos vidrados mostravam que eles não enxergavam o que estava prestes a acontecer.

- Sabe, eu estava quieta na minha... É claro que eu tenho que mudar de tempos em tempos por causa desses caçadores nojentos. Mas francamente... Nunca esperei que outros como eu fossem tentar me atacar.

- Eu não sou nada como você.

Archibad se odiou quando sua voz soou trêmula e o sorriso de Esther se alargou. Sam deu mais um passo para trás e o salto da bota escorregou em um pequeno desnível do piso encharcado, fazendo com que ela perdesse o equilíbrio até cair deitada sobre a água podre. A faca de prata que estava presa em seu cós deslizou alguns centímetros e Sam encarou a arma com os olhos arregalados, completamente indefesa.

- Ah, é sim docinho... Somos todos monstros.

Em um salto que parecia muito mais selvagem do que humano, Esther caiu sobre Samantha e a menina precisou usar toda a sua força para segurá-la pelos ombros, mantendo seus dentes afiados fora de alcance da sua pele.

- É questão de tempo até você tirar a primeira vida. E quando fizer isso, vai perceber o quão incrível isso te torna. Você vai querer mais.

O hálito quente e podre da metamorfa se chocava contra o rosto de Samantha enquanto ela se debatia. Seu rosto estava virado para o lado, encarando a faca de prata que brilhava em meio a imundice do esgoto.

- Logo não vai fazer diferença se são inocentes ou não. É simplesmente delicioso rasgar suas gargantas e comer seus corações.

Esther afrouxou seu peso por um instante para levar seus dedos pegajosos até os cabelos de Samantha, puxando as mechas para o lado até expor a pele de seu pescoço. Os olhos brancos pousaram na veia que pulsava em seu desespero.

Foi necessário apenas aquele segundo de admiração para Sam se esticar e alcançar a faca. Ela quase não acreditou quando sentiu a frieza da prata tocando seus dedos e seus movimentos foram ainda mais rápidos ao enfiar a ponta afiada nas costas de Foster.

Um som esganiçado escapou pela boca da metamorfa e ela arregalou os olhos ao perceber o que havia acabado de acontecer. Com os joelhos, Sam a jogou para o lado, puxando novamente a faca para si, apenas para afundá-la novamente, desta vez direto no coração da criatura.

***

Ainda faltavam algumas horas para que o sol nascesse quando o trio entrou no café de Cavendish. Um rastro de imundice acompanhava os passos de Samantha e Damien, e dos três, Paolo era o único que estava praticamente limpo para quem havia acabado de passar a madrugada em um esgoto no subsolo de Nova York.

Sullivan também era o único que exibia um largo sorriso quando apoiou o celular em uma das mesas onde a clientela de Max se servia. Na tela, a foto do cadáver de Esther era exibido como uma grande vitória.

- Então, vocês conseguiram? – Rosie imediatamente se aproximou do trio, vindo apressada da cozinha no instante em que escutara vozes.

- Não. – Paolo negou ainda sorrindo, fazendo a bruxa arquear as sobrancelhas em confusão. – A Sam conseguiu. Acabou com aquela vadia.

O olhar de Rosie deslizou do caçador para a Banshee e ela pareceu ainda mais surpresa ao ver o estado da menina. Seus cabelos estavam úmidos pela água do esgoto, as roupas inteiramente sujas e ela estava suja de sangue nas mãos e alguns respingos no queixo.

- Preciso admitir, Sammie... Estou impressionado. Já pensou em ser caçadora alguma vez? Um lobisomem caçador hoje, uma Banshee amanhã. São tempos modernos, hm?

Apesar de terem completado a primeira missão do plano, Samantha se sentia um lixo. E não só por estar coberta pelo esgoto. Esther Foster tinha todos os motivos do mundo para ser aniquilada. Na sua longa lista de mortes, era evidente que a metamorfa dava preferência para devorar corações de crianças. Ainda assim, Sam ainda estava tentando digerir a ideia que havia acabado de tirar uma vida.

- Apenas me dê o telefone, Paolo. – Sam pediu com a voz rouca. – Eu ainda tenho uma recompensa para exigir.

- Isso pode esperar, Sam. – Damien finalmente se pronunciou, cruzando os braços diante de Archibald. – Vá descansar. Podemos fazer isso pela manhã.

Samantha não fez menção de se mexer. Ela apenas ergueu o braço e encarou Scott com o olhar sério.

- Me dê o telefone, Damien. Vamos acabar logo com este pesadelo.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Sex Set 02, 2016 1:10 am

Cada minuto parecia ter a duração de uma eternidade inteira. Por mais de uma vez, Francesca se perguntou se o seu relógio de pulso não havia estragado, porque não parecia normal que os ponteiros se arrastassem naquela velocidade tão reduzida. Por mais que soubesse que Damien e Paolo tinham a força e a experiência necessária para vencer um simples metamorfo, a caçula dos Sullivan só conseguiria relaxar por completo quando os dois e Samantha retornassem inteiros.

Nem mesmo Isaac foi capaz de distrair a mãe e afastar sua mente das preocupações. Rosie também tentou puxar para si a atenção de Francesca, mas era óbvio que aquela conversa não conseguiria reduzir a angústia dela. Se não fosse pelo receio de se afastar de Isaac, Francesca certamente teria preferido enfrentar aquela missão arriscada.

- O Paolo é um dos melhores caçadores do país, e agora também é um lobisomem. E o Damien está com ele. – Rosie abriu um de seus sorrisos gentis para a nova amiga – É claro que os dois vão resolver o problema, Fran.

- Eu sei. Mas eu realmente preciso deles aqui para relaxar.

O sorriso de Rosie se tornou mais compreensivo e ela se limitou a puxar Francesca para um abraço reconfortante. Fora uma surpresa descobrir que a bruxa mencionada pela alcateia não era uma senhora extravagante. Mas agora que já estava se acostumando com a presença de Rosie, Francesca tinha que admitir que era fácil gostar dela.

- Rosie... – Francesca vacilou por alguns segundos antes de seguir adiante naquela ideia – Posso fazer uma pergunta mais... pessoal?

- Imagino que sim. – a moça riu de leve, voltando os olhos castanhos para Francesca – Não tenho muitos segredos sujos.

- O que há entre você e o Max?

Sullivan foi direta como de costume, mas o tom da pergunta não pareceu ofender Rosie. Ela lançou um sorriso sem graça na direção da camisa que usava e entendeu que o fato de estar vestindo as peças de Maximilian poderia fazer com que o grupo tirasse conclusões precipitadas.

- Somos amigos. Eu o admiro profundamente porque o Max é uma pessoa maravilhosa, em todos os sentidos. E me arrisco a dizer que esta admiração é recíproca. Nós nos damos muito bem, desde a época em que ele era um jovem membro de uma alcateia selvagem.

Ao notar que aquela resposta não era exatamente o que Francesca esperava ouvir, Rosie imitou a outra garota e foi direto ao ponto.

- Não há nenhum tipo de envolvimento amoroso, nunca houve. No passado ele tinha uma relação conturbada com a Tessa e eu também estava com outra pessoa. Agora nós estamos solteiros e eu confesso que até poderia rolar alguma coisa, nós realmente nos gostamos muito e podíamos fazer dar certo. Mas eu deixei este pensamento de lado depois dos últimos acontecimentos. Acho que o Max não está tão livre quanto parece e eu não quero me meter nesta confusão com a Samantha. – uma das sobrancelhas finas de Rosie se arqueou – Minha vez de fazer uma pergunta. O que há entre os dois?

- Eu não sei. De verdade. Eu não faço ideia, Rosie.

A melhor amiga de Samantha fez uma careta engraçada que mostrava que Francesca realmente não compreendia toda aquela confusão. Embora não quisesse expor todos os detalhes do passado amoroso de Sam para Rosie, Sullivan concluiu que a bruxa merecia saber a origem daquele clima pesado que ligava Max e Sam.

- Os dois se conheceram na mesma época que eu conheci o Damien. Eles começaram a namorar e estavam juntos durante a crise com a Tessa. Dava pra ver que eles se amavam, sabe? Por isso eu estranhei muito quando a Sam me contou que tinha terminado com ele. Eu estava meio afastada por causa da gravidez e realmente acreditei quando a Sam me disse que tinha refletido sobre o mundo sobrenatural, que queria uma vida mais centrada e planejava um futuro que o Max não poderia oferecer pra ela.

- É triste, mas é um argumento válido.

- Sim. Só não é um argumento verdadeiro. – os olhos verdes de Francesca giraram – Porque a Sam mergulhou ainda mais fundo neste mundo ao invés de tentar sair dele. Ela nunca mais engrenou num relacionamento legal e o assunto “Max” sempre foi doloroso pra ela. Eu não sei se ela se arrependeu, ou se eles brigaram, ou se rolou outra coisa... O fato é que ainda tem uma faísca, né?

- Faísca, Fran? – Rosie soltou um risinho – Eu achei que esta cozinha explodiria!

Francesca se juntou à bruxa naquela risada e, com imensa satisfação, Sullivan percebeu que os ponteiros do relógio tinham se adiantado mais alguns minutos depois daquela conversa amigável. As duas ficaram mais algum tempo na cozinha antes que Francesca subisse até o apartamento de Max para trocar as fraldas de Isaac. A mãe estava terminando de fechar as roupinhas dele quando escutou vozes graves no andar inferior. Mesmo sem a audição sensível dos lobisomens, o instinto da marcação não deixou que Francesca se enganasse e seu sorriso se alargou por saber que Damien estava de volta.

A garota saltitou de volta à cozinha e ainda exibia um largo sorriso quando empurrou a porta e viu Damien, Paolo e Samantha. Mas a expressão de Francesca se contorceu numa careta no segundo seguinte, quando o cheiro do esgoto atingiu o seu olfato.

- Eu já disse o quanto metamorfos são nojentos???

- Umas cem vezes. – Paolo dirigiu um olhar emocionado à irmã depois de ter vivido aquele pesadelo com a imagem criada por Esther Foster – Não vai receber o seu irmão com um abraço e o seu futuro maridinho com um beijo apaixonado?

- Nem pensar! – Francesca recuou um passo e usou os dedos para tapar o narizinho de Isaac – Abraços e beijos só depois de um banho de, no mínimo, três horas. Sam, não me leve a mal, mas você também deveria tomar um banho antes de pensar em fazer qualquer outra coisa. Eu amo vocês, mas vocês três estão podres!
avatar
Francesca Sullivan

Mensagens : 99
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Sex Set 02, 2016 2:08 am

- Qual é, fofinha! Você está disposta a jurar amor na saúde e na doença, mas não consegue aguentar um cheirinho ruim?

Damien deu dois passos em direção a namorada, e quando ela recuou a mesma distância, ele soltou uma risada nasalada, se divertindo com a fuga.

- Em defesa da minha irmãzinha, você está mesmo podre. O apelido “merdinha” nunca foi tão literal. – Paolo, que era o menos sujo dos três, atravessou a cozinha até um freezer, puxando de lá uma das cervejas que Cavendish deixava a sua espera.

Os olhos esverdeados giraram e Scott cruzou os braços contra o peito enlameado. Seus cabelos estavam grudados e duros, as bochechas sujas com o esgoto e vestígios de sangue dos cortes que já haviam sido cicatrizados.

Mantendo uma segura distância de Francesca, Damien analisou o bebê em seus braços, abrindo um largo sorriso ao ver os olhinhos de Isaac ainda abertos. Era muito tarde para que ele ainda estivesse acordado, mas a ansiedade por ficar horas separado, mesmo sabendo que o café era um lugar seguro, só conseguiria ser acalmada diante do sorriso do filho.

E no instante em que os olhinhos verdes pousaram na figura um tanto atípica do pai, Isaac abriu o seu sorriso sonolento e esticou o bracinho na direção de Damien. Ao contrário da mãe, ele não parecia se incomodar em nada com o cheiro ou a aparência de Damien.

- Desculpe, carinha... A sua mãe arrancaria a minha cabeça fora com aquela adaga de prata se eu tentasse encostar em você antes do banho.

Isaac provavelmente não havia compreendido as palavras do pai, mas era a primeira vez que ele pedia o colo e era ignorado. Seu olhar confuso buscou o rosto de Francesca em uma interrogação muda, e mesmo aquele gesto tão inocente partiu o coração de Damien por manter distância.

- Eu vou usar o banheiro dos fundos e tentar correr para colocar o Isaac na cama, está bem?

- Não precisa ter pressa. – Rosie fez uma careta, também segurando a ponta do nariz.

- É sério gente, nem tá tão ruim assim!

Damien bufou, mas quando seu olhar desceu para encarar as próprias vestes, ele mesmo sentiu seu estômago embrulhar com o fedor. Seu sorriso amarelo mostrou que ele logo se arrependeu de suas palavras, mas não voltou a tocar no assunto.

- Você pode usar o banheiro lá de cima, Sam. O Paolo espera a vez dele.

A oferta de Scott não se tratava de nenhuma gentileza. Era mais uma forma de enfatizar e dizer a Archibald que o telefonema sobre a recompensa poderia esperar mais algumas horas.

Todos ali tinham urgência de acabar com aquele pesadelo, mas Samantha havia acabado de enfiar uma adaga e tirado uma vida. Esther não valia sequer o ar que respirava e certamente havia recebido o que merecia. O mundo havia se tornado um lugar melhor com um monstro a menos naquela noite. Mas melhor do que ninguém, Damien sabia que não era nada fácil tirar a vida de quem quer que fosse.

Quando fechava os olhos com força, ainda podia sentir a sensação de arrancar a cabeça do lobisomem que atacara Francesca e Paolo anos antes. Ele agira em legítima defesa e destruíra um monstro que enxergava os humanos sem valor algum, mas nunca havia sido fácil aceitar que ele tirara uma vida.

Pelo semblante apático de Samantha, ela também estava tendo dificuldades para lidar com aquele novo sentimento.

- Eu realmente queria... – A Banshee começou, mas antes que terminasse a frase, Damien parou diante dela, encarando os olhos castanhos com firmeza.

- Eu sei. Todos nós queremos. Mas só algumas horas não farão diferença, Sam. Suba, tome um banho, descanse um pouco. Amanhã ainda estaremos aqui e faremos isso juntos, está bem?

Archibald encarou o rapaz em silêncio por um longo segundo antes de concordar com um movimento da cabeça. Ela logo girou sobre os calcanhares, seguindo em direção as escadas.

Era impressionante ver o rebelde beta assumindo uma situação com tamanha maturidade. A cabeça do seu filho e dele própria estava em jogo, ainda assim ele tinha a sensatez de pedir que a Banshee descansasse antes de dar continuidade a um plano tão delicado. Em outros tempos, Damien seria o primeiro a pressioná-la para acabar logo com aquilo, mas agora, além de enxergar que Sam precisava de um tempo, ele sabia que o sucesso do plano também dependia que a amiga estivesse bem.

Assim que Sam sumiu pelas escadas, Damien se aproveitou da distração de Francesca e se aproximou, depositando um rápido beijo em sua bochecha. Ele soltou uma risada ao perceber a surpresa dela, mas já havia se afastado em tempo de escapar dos possíveis tapas, em direção ao banheiro que ficava nos fundos do café.

Sua mãe ainda estava internada no hospital lutando pela vida, eles precisavam viver em um café sob a proteção de uma bruxa enquanto a vida do seu filho valia 20 milhões de dólares para caçadores, mas Damien sentia que as coisas finalmente começariam a dar certo.
avatar
Damien Scott

Mensagens : 300
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Sex Set 02, 2016 3:07 am

Era estranho que Maximilian não estivesse no café, esperando ansiosamente por notícias de Damien, Paolo e Samantha. O Alpha se mantivera afastado do plano de eliminar o metamorfo por acreditar que Sullivan tinha tudo sob controle, mas é claro que, assim como Francesca, Max só relaxaria por completo quando os três retornassem com boas notícias.

Por um bom tempo, Max ficou no balcão ocupando as mãos e a mente com algumas canecas sujas. Mas não demorou para que o lobisomem se retirasse para o apartamento, de forma tão sutil e silenciosa que Rosie e Francesca sequer saberiam dizer há quanto tempo Maximilian estava lá em cima.

Toda a discrição dele tinha o objetivo de não acrescentar mais uma preocupação aos problemas que já atormentavam a alcateia. Todos estavam ansiosos demais com a lista, com a ameaça que pairava sobre Isaac e com a ligação que fariam para os caçadores. Ninguém precisava saber o quanto o líder do grupo se sentia péssimo e totalmente despreparado para estar à frente daquela missão.

Um dos motivos pelos quais Maximilian não desceu foi o fato de ouvir com perfeição as vozes do amigo. A entonação divertida de Paolo indicava que tudo havia terminado bem e aquilo foi o bastante para que Max soltasse um suspiro aliviado. Eliminar um metamorfo isoladamente não era um desafio tão grande para um caçador experiente, mas Damien nunca agira como caçador e Samantha não tinha experiência prática alguma.

Exatamente por pensar que Archibald era inofensiva e que poderia colocar tudo a perder, Max ficou surpreso em ouvir que fora a ex-namorada quem matara o metamorfo. Cavendish não conseguia entender por que Paolo perdera aquela oportunidade, mas era óbvio que a situação havia saído de controle e Sam tivera que assumir uma postura menos passiva no plano.

O Alpha ainda tentava entender o que poderia ter acontecido quando sentiu o cheiro insuportável do qual Rosie e Francesca queixavam. As feições bonitas do rapaz estavam contorcidas em uma careta enojada quando a porta da sala se abriu para a entrada de Samantha. Max estava sentado na poltrona do outro lado do cômodo, mas seu olfato sensível parecia estar captando aquele cheiro há centímetros da garota.

- Nunca me senti tão grato por ter dispensado o jantar desta noite. Achei que a Francesca estivesse exagerando, mas não.

Apesar da crítica, a entonação de Max não era hostil. O cheiro era terrível, mas ele conseguia enxergar que aquele fora mais um dos sacrifícios que Samantha fizera em prol de todo o grupo. Era difícil imaginar as mãos delicadas de Sam tirando a vida de um monstro. Por tudo o que conhecia dela, Maximilian tinha certeza de que a ex-namorada ainda precisaria de um tempo para digerir aquela sensação.

- Você fez o que precisava fazer. Eu sei que não foi fácil, mas ninguém disse que seria. Um dia o Isaac vai crescer e eu tenho certeza de que ele vai ser muito grato por tudo o que estamos fazendo agora, Sam. Ele vai sentir muito orgulho da madrinha que a Fran escolheu pra ele.

Como Archibald não havia retornado ao próprio apartamento desde que todo aquele inferno começara, Maximilian sabia que ela não tinha nada para substituir as roupas imundas depois daquela visita ao esgoto.

- Vou separar roupas limpas para você. – Max se colocou de pé, evitando a corrente de ar que o ligava a Samantha – Eu ainda quero entender por que foi você que teve que fazer o serviço sujo, mas por enquanto concentre-se em se livrar deste cheiro, Samantha.
avatar
Maximilian Cavendish
Admin

Mensagens : 97
Data de inscrição : 13/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Set 02, 2016 3:54 am

A água que descia pelo ralo já havia passado do negro ao marrom até ficar novamente clara, manchada apenas pela espuma provocada pelo sabonete. A pressão que caía da ducha entrava em contato direto com a cabeça de Samantha, fazendo com que os longos cabelos ficassem grudados em seu rosto e ombros.

Archibald estava imóvel há quase cinco minutos, deixando que a água escorresse pelo seu corpo. Ela já havia entrado no banho há quase uma hora, mas por mais que a sujeira já tivesse sido lavada da sua pele e dos fios castanhos, era impossível se sentir inteiramente limpa.

Os ruídos do lado de fora indicavam que os demais já começavam a se recolher para dormir e Sam tinha esperanças de que demorasse tempo o bastante para não precisar ver mais ninguém naquela noite.

Por isso, ela não teve pressa mesmo depois que girou o registro do chuveiro e a água cessou. As roupas emprestadas de Max foram vestidas com calma. A calça do pijama precisou ser dobrada algumas vezes na altura da cintura e a blusa quase alcançava a metade das suas coxas. Os cabelos molhados foram penteados, mas Sam não se deu ao trabalho de secá-los. A chance de Isaac já estar dormindo era grande e ela não queria correr o risco de acordar o bebê por uma vaidade dispensável.

Por ter três mulheres em casa, o aquecedor de Max agora ficava ligado quase em tempo integral. O natal estava cada vez mais próximo, assim como o inverno se tornava mais intenso, mas ao menos havia parado de nevar.

Já estava no meio da madrugada quando Sam finalmente girou a maçaneta do banheiro e se surpreendeu ao ver que Max ainda estava acordado na cama improvisada.

Ao mesmo tempo que Max havia se transformado em um homem amargo que não se encontrava na liderança da própria alcateia, Sam ainda enxergava os traços do ex-namorado diante de alguns gestos. Cavendish sequer reclamava em abrir mão do conforto da própria cama para que Damien e Francesca pudessem continuar sob a proteção do café.

Mas era inevitável se questionar se Cavendish continuaria naquele sofá se o quarto de visitas estivesse ocupado apenas por Rosie.

Ficar sob o mesmo teto que Max já seria uma tortura apenas pelo passado que tinham. Mas as grosserias que Cavendish insistia em lhe dizer só tornava a sua estadia ainda pior. Sam sabia que estava sobrando e não via a hora daquele pesadelo acabar para tentar seguir com a própria vida.

Não havia um único dia desde o fim do relacionamento que ela não pensasse em Max com saudade e carinho, mas o rapaz vinha trabalhando para que ela decidisse que era hora de deixar o passado no passado cada vez que a magoava com novas ofensas.

Com passos silenciosos, sem querer incomodar o dono da casa, Sam caminhou até a cozinha e se serviu de um copo com água. Ela não tinha fome e a água era apenas uma desculpa para se manter longe do quarto de Rosie por mais alguns minutos. Não havia o menor vestígio de sono e Archibald certamente ficaria rolando no colchão, incomodando o sono da bruxa.

Apesar de toda mágoa, a consciência de que Max estava há poucos metros de distância era mais um motivo para deixar Samantha sempre em alerta.

Naquela noite, ao menos, ele não parecia disposto a começar mais uma briga, por isso Sam deixou que a vontade de se aproximar vencesse, na esperança de encontrar nos olhos vermelhos um pouco do Max que ela conhecia.

- Posso me sentar um pouco? Não quero incomodar a Rosie, mas minhas pernas estão doendo de cansaço.

O pedido não era uma mera formalidade e Sam esperou que Max literalmente lhe autorizasse a sentar na beirada do sofá que ele usaria para dormir.

Ela levou o copo aos lábios e deu um gole, aproveitando para prolongar o silêncio por mais alguns segundos antes de encará-lo.

- Ela se transformou. A metamorfa. – Sam começou, dando a explicação que Max havia exigido. – Não foi uma transformação completa, na verdade. Ela não trocou a pele. Mas usou um tipo de hipnose e o Damien e o Paolo estavam vendo a Francesca, completamente congelados.

O olhar de Samantha desceu para o carpete enquanto ela se lembrava das cenas do túnel. Seus pés foram puxados para cima do sofá antes de dar continuidade.

- O Paolo me disse que não é muito comum eles fazerem isso, que normalmente eles têm tempo o bastante para se transformar por completo. Mas como ela foi pega de surpresa, usou esse truque enquanto sua pele ia se transformando aos poucos.

Seu ombro encolheu e um sorriso amargo apareceu em seus lábios.

- Não funcionou comigo, é claro. Benefícios de ser uma Banshee. Yey! – Sam ergueu o copo como se estivesse fazendo um brinde no ar, mas logo em seguida soltou um suspiro. – Bom, está feito, de qualquer forma. Só o que precisamos fazer é ligar e exigir a recompensa, rastrear esse filho da mãe e acabar com essa história.

Samantha jogou a cabeça para trás e esfregou os olhos pesados por um momento. Mas ela logo voltou a erguer as pálpebras e encarou o teto da sala de Max.

- Logo você vai ter a sua casa de volta. Sem mais a Francesca derramando papinha por toda a cozinha, sem fraldas do Isaac no sofá e sem ex-namoradas que você preferia que estivesse morta. Yey.

Mais uma vez, Sam ergueu o copo no ar em um brinde falso antes de terminar de beber a água em um gole só. Ela se esticou e depositou o copo sobre a mesinha, e ainda com o corpo pendendo para frente, virou para encarar Max. Seus cabelos molhados caíam como uma cortina em um dos lados de sua cabeça e a franja havia sido jogada para o lado.

- Correndo o risco de ser enxotada para fora daqui no meio da noite, posso fazer uma pergunta, Max?

Sam sabia que estava pisando em um território perigoso. Era o gatilho para mais uma nova briga, mas ainda assim, ela se via sufocada dia após dia, e aquela pequena trégua lhe dava a coragem de perguntar.

- Você e a Rosie... – Os olhos castanhos esquadrinharam cada um dos traços de Max atrás de um sinal que lhe desse a resposta antes das palavras dele. – Você gosta dela, Max?
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Sex Set 02, 2016 10:48 pm

Naquela noite, enquanto bebericava uma latinha de Coca-Cola, Cavendish refletia sobre a intensa mudança que ocorrera em sua vida nos últimos dias. A televisão da sala estava ligada num filme qualquer, o volume muito baixo para não incomodar o sono dos hóspedes. As cenas se sucediam na tela sem que Max se preocupasse em acompanhar o desenrolar da história. O filme só estava ali porque era incômodo demais ficar sozinho com os próprios pensamentos.

Há menos de duas semanas, Maximilian estava completamente sozinho naquele apartamento. Jack sempre lhe fazia visitas e os demais amigos da alcateia também mandavam notícias frequentemente, mas não era a mesma coisa que compartilhar a vida e a rotina com outras pessoas. O silêncio reinava no prédio depois que o Alpha fechava o café, seu quarto de hóspedes era usado basicamente como um gigantesco armário no qual Max colocava coisas que estava com preguiça de guardar ou que não tinham um lugar certo na casa.

Agora seis pessoas viviam espremidas ali. O pequeno quarto de hóspedes só tinha uma cama, mas agora exibia também um colchão para que Rosie e Samantha dormissem. Damien, Francesca e o pequeno Isaac dividiam a cama que sempre fora de Maximilian. E o dono da casa usava o sofá para descansar, visto que era praticamente impossível dormir de verdade com toda aquela tensão.

A atenção de Max só se desviou daqueles pensamentos quando o cheiro de Samantha atingiu seus sentidos. O perfume dela parecia estar em toda parte agora, mas Cavendish ainda era capaz de prever a aproximação dela quando o cheiro se tornava ainda mais intenso.

O pedido da garota para se sentar no sofá foi respondido no momento em que Maximilian puxou o próprio travesseiro, abrindo espaço para que Samantha ocupasse a beirada daquela cama improvisada.

- Foi uma boa ideia alongar o banho. Eu não sinto mais o cheiro.

Aquilo significava muito vindo de um lobisomem com o olfato tão sensível. Se nem Max conseguia captar mais o cheiro de esgoto era porque Samantha realmente se livrara de todos os vestígios da missão daquele dia.

Quando Archibald começou a descrever as cenas do esgoto, Max tirou os olhos da televisão e pousou as íris avermelhadas nela, sinceramente interessado naquela história. Mesmo depois de refletir muito, o Alpha ainda não conseguia entender por que Samantha tivera que matar um metamorfo se Paolo e Damien estavam com ela.

- Isso explica tudo. Metamorfos realmente não são fortes, mas eles tem esse poder de ferrar com a cabeça da gente. Eu nunca escolheria um metamorfo como alvo mais fácil, mas achei que o Paolo soubesse o que estava fazendo. – Max abriu um sorriso amargo – Percebe como eu estou fora de forma? Eu estou dando crédito ao Paolo.

Como já estava preparado para dormir, Maximilian usava uma calça de moletom preta confortável. O aquecedor ligado era importante para que Rosie, Samantha e Francesca não congelassem, mas em compensação tornava o clima desconfortável para Max. A camiseta sem mangas denunciava que o dono da casa estava com calor, assim como os pés descalços e sem meias, cruzados por cima da mesinha de centro da sala. A Coca-Cola gelada era só mais uma tentativa de amenizar o desconforto.

- Faremos a ligação amanhã. – a latinha foi erguida no ar e Max imitou o gesto da garota – Você merecia um descanso depois de ter salvado o dia. Yey.

Quando estava quase convencido de que aquela seria uma conversa amigável e que Samantha o pouparia de assuntos mais particulares, a pergunta íntima soou. O olhar de Maximilian não se desviou, mas também não houve qualquer tipo de mudança abrupta no semblante do rapaz. Era como se Max estivesse esperando por aquele questionamento.

- É claro que eu gosto da Rosie. Ela sempre foi uma excelente amiga, uma companhia agradável e agora se tornou um membro importante desta família. A Rosie é fantástica, quem não gosta da Rosie? Mas se você quer saber se eu tenho algum tipo de interesse romântico nela, a resposta é não.

Embora não tivesse nenhuma razão para dar aquele tipo de satisfação para a ex-namorada, Maximilian foi sincero. Samantha era capaz de confundir a mente dele, mas Max se recusava a voltar a ser um adolescente disposto a fazer um joguinho de ciúmes. Seria imaturo e não era justo usar uma garota como Rosie para provocar Archibald.

- Se eu não gostasse dela, talvez fosse até mais fácil rolar alguma coisa, sabe? Mas eu não tenho coragem de fazer isso com ela. A Rosie é uma garota muito especial, ela merece um cara que vai dar a ela todo o valor que ela merece. Eu detestaria pensar que a magoei, que a iludi, que brinquei com os sentimentos dela.

Max sabia que o certo era terminar o discurso naquele ponto, mas as palavras seguintes saltaram dos lábios dele sem que o Alpha conseguisse contê-las.

- Eu não pretendo repetir com a Rosie o mesmo erro desprezível que você cometeu comigo.
avatar
Maximilian Cavendish
Admin

Mensagens : 97
Data de inscrição : 13/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Sab Set 03, 2016 12:19 am

Os olhos esverdeados de Francesca Sullivan se abriram subitamente, interrompendo um sonho agitado. O quarto de Maximilian continuava imerso em uma escuridão completa naquela madrugada fria. Os únicos ruídos vinham das respirações ritmadas de Damien e Isaac, que dividiam a cama com ela.

Para Francesca, não era fácil dormir desde que soubera que os nomes de Paolo, Damien e Isaac estavam na lista dos caçadores. Suas noites eram sempre entrecortadas por vários despertares, qualquer ruído era o bastante para importuná-la. Mas naquela noite era diferente. O sexto sentido de Sullivan não estava voltado para fora do quarto. Era como se o problema estivesse ali dentro.

Damien dormia profundamente, exausto depois das emoções daquele dia. O aquecedor ligado era necessário para as mulheres da casa, mas obrigava os lobisomens a contornarem o calor. Scott havia dispensado o cobertor e parecia muito confortável usando somente a cueca. Por isso, Francesca estranhou quando voltou os olhos para Isaac e percebeu que o bebê estava encolhido debaixo de seu cobertorzinho. Isaac não havia retirado as meias, como era de se esperar, e inconscientemente se arrastara para mais perto do pai, como se quisesse compartilhar o calor que vinha do corpo de Damien.

O mundo de Francesca parou quando ela pousou a mão na testa do filho e sentiu a pele queimando de febre. Isaac já tivera alguns poucos resfriados, mas nunca havia ficado gravemente doente. Sullivan imaginava que a maldição lupina deixava o garotinho mais resistente às doenças comuns, mas naquela madrugada a saúde de Isaac sucumbira à alguma coisa.

No começo, a jovem mãe tentou não surtar. Quando se arrastou silenciosamente para fora da cama, Francesca repetia para si mesma que deveria ser só um resfriado e que era absolutamente normal que crianças tivessem febre. Da equipada bolsa onde carregava as coisinhas do bebê, Sullivan retirou um termômetro que nunca precisara ser usado antes e voltou para a cama.

Toda a tranquilidade que a moça se obrigava a demonstrar se perdeu quando ela conferiu a temperatura do filho. A febre estava altíssima, Isaac havia acordado durante aquela movimentação e agora ensaiava um chorinho. Ele quase nunca chorava, aquilo só provava que o menino não estava bem.

- Damien!!!

A mão de Francesca sacudiu o ombro do namorado com força, sem se importar com a interrupção daquela noite de sono. Isaac foi puxado para os braços da mãe e os olhos de Sullivan se encheram de lágrimas quando o garotinho não teve forças para repetir o familiar gesto de segurar as mechas de cabelos da mãe.

- Nós temos que levar o Isaac num médico agora! Ele está ardendo em febre! E está chorando também!

O choro realmente havia se tornado mais forte. Damien já convivia com o bebê há vários dias, mas era a primeira vez que o via chorar de verdade. Ele estremecia de frio nos braços de Francesca, mesmo estando muito bem agasalhado e envolvido por um cobertor. Como se quisesse provar para o namorado que aquilo era uma urgência, Francesca virou na direção dele o visor eletrônico do termômetro que marcava uma febre acima de 45 graus. O corpinho de Isaac era naturalmente quente por causa da maldição, mas aquele valor era alto demais para parecer aceitável.

- Vamos chamar o Paolo. O Max já tem feito tanto por nós, eu acho péssimo acordá-lo no meio da madrugada pra levar um bebê que nem é parente dele ao médico. E a Sam deve estar morta, vamos sair sem fazer barulho senão ela vai surtar e vai querer ir conosco.

Enquanto falava, Francesca empurrou o filho para os braços de Damien para que suas mãos ficassem livres. Em menos de dois minutos, ela já havia trocado os pijamas por roupas comuns, arrumado a bolsa e enviado uma mensagem para o irmão, que garantiu que estaria de volta ao café em cinco minutos. A última coisa que Francesca queria era depender de um táxi àquela hora da madrugada, com Nova York congelando lá fora. Além disso, Paolo seria um reforço a mais na segurança do sobrinho.

- Vai ficar tudo bem. – Francesca repetia aquilo para si mesma, como se quisesse se convencer daquelas palavras – Tem um hospital há umas cinco quadras daqui. E nenhum caçador espera que a gente saia de casa com um bebê às quatro da madrugada, não é?
avatar
Francesca Sullivan

Mensagens : 99
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Set 03, 2016 2:12 am

Ao contrário de todas as outras vezes em que Max havia dito algo para ofendê-la ou magoá-la, Sam não se encolheu e nem tentou fugir da situação. Daquela vez, ela não pretendia escapar do conflito. Mas ainda assim foi uma surpresa quando o som de uma risada escapou de sua garganta.

O riso era frio e sem vida, completamente sem energia. O cansaço de Archibald ficou ainda mais evidente quando ela espremeu os olhos e jogou a cabeça para trás, fazendo os cabelos molhados balançarem em seus ombros.

- É claro. Lógico que você não ia perder a oportunidade, não é, Max?

Quando as mãos de Samantha deslizaram sobre seu rosto, revelaram o sorriso amargo ainda presente em seus lábios. Ela escorregou os dedos pelos cabelos, puxando-os até que estivessem pousados em apenas um dos ombros, e só então virou os olhos castanhos para o ex-namorado.

- Você fala tanto sobre a vadia desprezível, egoísta e mimada que eu sou. Mas francamente? Você não é melhor do que eu.

Archibald se ajeitou no sofá, mantendo a coluna reta. Ela se remexeu até ficar inteiramente de frente para o dono do apartamento e o sorriso finalmente desaparecendo, deixando o seu rosto ainda mais sombrio.

Com o dedo em riste, Sam apontou contra o peito de Max e precisou falar entredentes para que sua voz não se tornasse mais alta do que deveria. Além do receio de acordar Isaac, a última coisa que ela queria era Damien se intrometendo e acabando provocando uma briga física.

- Só o que eu tenho tentado fazer desde que te vi, Max, é resolver este maldito problema. Desde o primeiro minuto, eu confiei em você pra te mostrar aquela maldita lista. Eu já entendi que nunca vamos ser amigos, mas só o que você tem feito é tentado me magoar.

Iniciar uma discussão no meio da madrugada com o apartamento cheio, dentre os presentes outro lobisomem, não era uma decisão sábia. Mas Sam se sentia esgotada depois da noite nos esgotos e cada vez mais sufocada por precisar viver sob o mesmo teto que Cavendish sem encontrar nele o rapaz por quem ela havia se apaixonado.

Ela puxou o ar com força em uma tentativa de se acalmar e precisou se levantar do sofá para não surtar. Ainda assim, Archibald foi incapaz de se afastar. As mãos foram apoiadas em sua cintura e ela encarou Max por cima.

- Eu tentei ir embora e você não deixou. Mas também não consegue passar um dia sem jogar o passado na minha cara. Se o seu plano é transformar a minha vida em um inferno, parabéns Cavendish: missão cumprida.

As palavras saltavam da boca de Samantha sem que ela conseguisse pensar. Até então, não passava de um desabafo após chegar em seu extremo. E embora soubesse que ela havia começado aquela guerra fria, Sam não suportava mais ser humilhada. Ela não conseguia ver em Max o mesmo rapaz doce que arrancava tantos sorrisos seus. E foi por estar ferida que Sam não freou a língua naquela noite, pela primeira vez com a intenção de magoar o ex-namorado.

- Mas eu provavelmente mereço, não é? É o que eu recebo por só arrumar namorados obcecados. Você e o Caleb podem dar as mãos. Nunca vão aceitar que me perderam. Mas eu não vou mais alimentar a sua loucura. Tô fora, Cavendish. Assim que o dia amanhecer, eu vou embora.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Sab Set 03, 2016 2:51 am

- Obcecado?

Quando repetiu a palavra usada por Samantha, Max usou uma entonação surpresa, como se não conseguisse acreditar que a ex-namorada estava comparando-o a Caleb. Embora os dois rapazes não tivessem superado bem o fim do relacionamento com a herdeira dos Archibald, Maximilian se sentia muito ofendido ao ser comparado ao filho mimado dos Stark.

- Espere aí, acho que as coisas não estão claras aqui. O Caleb nunca aceitou ter perdido você, tanto que te infernizava e te perseguia mesmo depois do fim do namoro. Já eu fiquei dois anos sem procurar por nenhuma notícia sua. O meu caso é diferente, Samantha. O que eu nunca aceitei foi a minha própria tolice de ter me iludido com uma garota como você.

Para não incomodar os hóspedes e nem acordar Isaac, Cavendish usava uma entonação contida. Ele se sentia exausto, mas não pretendia recuar daquela discussão. A mágoa causada por Samantha ainda era dolorosa demais para que Maximilian conseguisse ser indiferente àquela dor.

- Você tem que ser muito egocêntrica para acreditar que tudo isso gira em torno de você. Mas o que esperar de uma garota que foi criada como você foi? Rica, filha única, nunca desejou nada que seus pais não lhe dessem imediatamente. Popular no colégio, boas notas, excelentes amizades... É claro que você acredita que pode usar as pessoas como quiser. O mundo deveria girar ao seu redor, como sempre foi.

Max também se colocou de pé pelo simples fato de que não queria continuar aquela discussão olhando para Samantha de baixo para cima. O Alpha já se sentia suficientemente humilhado e não precisava daquela impressão de que Archibald estava acima dele. Graças à diferença nas estaturas, a situação se inverteu e foi Sam quem precisou erguer o rosto para que os dois continuassem se encarando.

- Eu não deixei você ir embora. Mas não fiz isso porque gosto de você, ou porque quero me vingar por toda a humilhação do passado. A situação é muito maior do que você, Samantha, muito maior do que nós dois. Mas eu estou farto de tudo isso. Quer ir embora?

O indicador de Max apontou a porta que dava acesso às escadas para o café, num convite mudo para que a ex-namorada seguisse por aquele caminho.

- Fique à vontade. Não vejo razão para você esperar que o dia amanheça. No instante em que você se expor, todo o grupo estará condenado. Então não faz diferença se será hoje, amanhã ou semana que vem. A única coisa que eu te garanto é que, desta vez, eu não vou arriscar o meu pescoço por você. Se os outros quiserem ir, ótimo, mas irão sem mim. Isso não é mais uma alcateia, eu não sou mais um Alpha.

Era doloroso verbalizar aquela insegurança, mas Maximilian estava chateado demais para conseguir conter a própria língua. Pela primeira vez desde que reencontrara Samantha, Max deixava a frieza e a ironia de lado e deixava transparecer toda a dor que ainda sentia.

- Mas olha só. Yey. – a latinha de refrigerante quase vazia foi erguida num brinde irônico – Dessa parte da história você pode se orgulhar porque isso sim é culpa sua. Eu nunca mais fui o mesmo desde que você passou pela minha vida e saiu destruindo tudo, como um furacão. A alcateia era tudo para mim e até isso eu perdi.
avatar
Maximilian Cavendish
Admin

Mensagens : 97
Data de inscrição : 13/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Sab Set 03, 2016 3:37 am

Normalmente, Damien ainda precisava de um longo período após o despertador para se sentir inteiramente disposto. Mesmo depois de acordado, suas pálpebras pesavam e o raciocínio lento o impedia de fazer qualquer coisa.

Naquela madrugada, entretanto, Scott não precisou de mais do que dois segundos para esquecer o sono por completo. Ele levantou da cama em um pulo, como se tivesse acabado de levar um choque. Seu rosto ainda estava inchado pelo sono, mas ele já se sentia inteiramente acordado e com a mente veloz.

Mesmo antes do termômetro ser virado na sua direção, o tom de voz de Francesca já havia colocado em alerta todos os seus sentidos, lhe dando a certeza que algo estava muito errado.

O olhar assustado de Damien buscou pelo rosto do filho e seu peito se espremeu ao ver Isaac se encolhendo no colo da mãe, claramente com dor. Lobisomens não ficavam doentes. A habilidade de regeneração impedia até mesmo que eles sentissem o efeito do álcool. Por isso, há muito tempo Scott não precisava lidar com preocupações como doença.

Ele tinha pouquíssimo tempo ao lado de Isaac, mas logo havia deduzido que o filho compartilhava do seu mesmo benefício. Ver o bebê frágil naquela noite causou um desespero pior do que enfrentar uma alcateia selvagem.

A calça jeans largada no chão ao lado da cama foi imediatamente vestida e uma camisa preta foi enfiada por sua cabeça com uma velocidade impressionante. Normalmente, Damien se preocuparia em vestir um casaco ao menos pra não chamar a atenção durante o inverno rigoroso. Mas naquele momento, seu único pensamento era chegar ao hospital com Isaac.

- Ele estava ótimo ontem a noite. Como pôde ter ficado tão ruim em poucas horas?

O coração de Damien batia tão forte que ele sentia a pulsação em sua garganta. O sangue subia com velocidade, fazendo seu rosto ficar vermelho e a cabeça latejar. Os tênis eram calçados sem que tivesse o trabalho de abrir o cadarço, mantendo os olhos em Francesca e Isaac.

Sua aflição se tornava ainda maior pelo fato de não entender nada de crianças. Ele amava Isaac com todo seu coração, mas enquanto Francesca tivera mais de um ano para se preparar, ele havia se tornado pai há poucas semanas. O desespero de não saber o que fazer era quase enlouquecedor.

Assim que os tênis estavam calçados, Scott atravessou o quarto e puxou uma de suas jaquetas que usava, mesmo quando não sentia frio. A peça foi esticada na direção de Francesca e ele rapidamente cobriu os ombros da namorada, tomando o cuidado de não machucar Isaac.

- O Paolo já vai chegar, vamos esperar lá em baixo.

O irmão de Francesca jamais negaria uma ajuda, mas aquele pequeno detalhe de depender de Paolo para chegar até o hospital fez a frustração de Damien aumentar. Ele ainda não havia conseguido se estabilizar em Nova York, vivia enfurnado no apartamento de Max e sequer tinha condições de cuidar da própria família. Eles estavam enfrentando uma emergência e Scott ao menos tinha um carro para chegar ao hospital.

Com um instinto protetor, ele apoiou a mão no ombro de Francesca e a guiou para fora do quarto, puxando a bolsa que ela havia preparado para um dos seus ombros. Ele estava tão atordoado com a situação de Isaac que ignorou os demais sentidos e se surpreendeu quando encontrou Samantha e Maximilian ainda acordados na sala.

Em qualquer outra circunstância, Damien teria notado o clima tenso entre o casal e até teria tentado ajudar. Mas as brigas insignificantes de Cavendish e Archibald poderiam esperar. Ele tinha um problema de verdade para enfrentar.

- Isaac não está bem. Está com um pouco de febre.

A preocupação no rosto dos pais mostrava que a situação do bebê era muito mais grave do que “um pouco de febre”, mas Damien não queria alertar mais ninguém. A última coisa que precisava era carregar o drama de Sam e Max atrás de si.

- O Paolo já está vindo. Nós vamos dar um pulo no hospital.

Samantha já havia se afastado de Max e encarava Isaac com um olhar apreensivo.

- Eu vou com vocês, eu vou só trocar de roupa e...

- Não. – Damien não pensou nem em parar no curto caminho até a saída do apartamento. – Não tem necessidade, Sam. Eu já disse, o Paolo está vindo.

A porta foi aberta e Scott se manteve às costas de Francesca de maneira protetora. Ele pôde ver pelo canto do olho quando Samantha ainda tentou se aproximar, mas logo sumiu pelo corredor, angustiado demais para lidar com outras pessoas naquele momento.

De fato, Paolo precisou de poucos minutos para parar diante do café. O impala continuava intacto, mesmo depois de anos, e estava tão limpo em seu interior quanto o exterior. O mais impressionante era ver a cadeirinha de Isaac já montada no banco traseiro, destoando de todo o restante clássico.

No instante em que o casal apareceu diante do café, o Sullivan mais velho saltou para fora do carro e ajudou a irmã a encaixar o bebê.

- Eu não achei que ele pudesse ficar doente. – Damien desabafou em um sussurro depois de assumir o banco do carona.

- Isaac não foi mordido, é diferente para ele do que foi com a gente. – Paolo não se deu o trabalho de colocar o cinto enquanto arrancava com o carro.

A cabeça de Scott foi enfiada entre os bancos para encarar o rostinho abatido do filho, parecendo não ter forças para manter as pálpebras erguidas. Naquele momento, nem mesmo os caçadores apresentavam tanto risco quanto aquela febre repentina.

Mesmo com o desespero percorrendo suas veias, Scott ergueu a mão até tocar o joelho de Francesca. Não era preciso dizer nada, porque os dois entendiam a aflição um do outro. Francesca poderia manipular uma adaga e enfrentar caçadores. Scott podia arrancar cabeças de lobos que ameaçavam sua família. Era surpreendente e assustador que ainda existissem coisas que eles não pudessem proteger o filho.
avatar
Damien Scott

Mensagens : 300
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Set 03, 2016 4:18 am

- Eu nunca pedi você para me socorrer, Max! Mas que culpa eu tenho se você estava se remoendo no remorso porque eu quase morri por causa da sua ex-namorada psicopata?

Samantha começava a elevar a voz e gesticular de forma exaltada. Eram raros os momentos em que Archibald se descontrolava, mas Cavendish estava cada vez mais a levando até o limite. Era terrível ver aquele homem frio e de palavras duras no lugar do rapaz por quem se apaixonara. A mesma voz doce que dizia que a amava agora fazia duas críticas que a magoava cada vez mais.

A dor provocada por Maximilian era tão grande que Samantha estava disposta a passar o resto da noite aos berros se não fosse pela última frase dele. A expressão de Sam imediatamente se contorceu em surpresa e ela recuou, emudecendo por completo.

Ela sabia que havia ultrapassado todos os limites no fim do relacionamento, mas sua intenção havia sido apenas para poupar Max e a alcateia. O que não imaginava era que a dor provocada nele seria capaz de apagar o brilho do homem carinhoso e principalmente do líder da alcateia.

O sacrifício feito dois anos antes não fazia mais sentido algum. Caleb estava fora da sua vida, mas a alcateia havia sido desfeita e ela começava a temer que Max não fosse mais ser o mesmo. Ela já havia destruído o amor e qualquer chance que os dois pudessem ter, mas se ao menos Max soubesse a verdade, ele poderia recuperar a confiança para ser um Alpha outra vez.

Sabendo que não conseguiria mais manter aquele segredo, Sam se aproximou um passo, parando ainda há uma distância segura, embora pudesse apenas erguer o braço para tocar o lobisomem.

- Max...

A voz furiosa de segundos antes havia se transformado em um sussurro pedinte. Os olhos castanhos brilhavam ao encarar as íris vermelhas. Sam não queria mais ser a culpada por trazer dor naquele olhar. Ela precisava ver o velho Cavendish de volta.

Mesmo correndo o risco de ser humilhada outra vez, Sam ergueu a mão até tocar o braço de Max, pouco acima do cotovelo.

- Não era assim que devia ter acontecido. As coisas não deveriam ser assim, não foi pra isso que eu terminei tudo.

A mão de Samantha deslizou pelo ombro dele até alcançar o rosto. Mesmo com a diferença de altura, ela conseguiu segurar o queixo de Max e obriga-lo a encará-la. Seu corpo já estava quase colado ao dele.

- Eu te amo, Max. Você pode continuar me odiando o quanto quiser, mas precisa acreditar que eu nunca quis que você se sentisse dessa forma.

Os olhos castanhos passeavam de um olho vermelho ao outro. Sam não precisava do olfato sensível de um lobisomem para sentir o perfume suave de Cavendish, e foram as lembranças trazidas com aquele cheiro que a obrigou a fechar os olhos. Foi um gesto quase instintivo quando ela ficou nas pontas dos pés e procurou os lábios de Max para um beijo.

Diferente do beijo de dias antes, não havia desespero ou a ansiedade de matar a saudade. Sam apenas queria aproveitar a maciez e o sabor do beijo de Max.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Sab Set 03, 2016 4:24 am

- Mas o hospital...

Francesca apontou na direção da janela a sua direita, onde havia uma avenida movimentada onde o Impala deveria ter feito uma curva se quisesse chegar ao hospital mais próximo da casa de Maximilian. Os olhos da moça se arregalaram e ela acertou um forte tapa no ombro do irmão, certa de que Paolo havia errado o caminho e atrasado em mais alguns minutos o atendimento médico de Isaac.

- Preste atenção!!!

- Não vamos para o hospital. – a voz séria de Paolo ecoou no carro – Fran, o que você acha que vai acontecer se o Isaac se transformar enquanto estiver sendo examinado? Ele está com febre, está choroso... são enormes as chances desse estresse terminar numa transformação. É lua-cheia, irmãzinha.

O desespero de ver o filho doente foi tão grande que Francesca nem pensara naquela possibilidade. De fato, todas as transformações de Isaac aconteceram durante momentos de agitação, dor ou choro. Seria trágico se aquilo acontecesse dentro de um hospital, rodeado por humanos que desconheciam a existência do mundo sobrenatural. Francesca e Damien não conseguiriam evitar que o filho fosse exposto, alguém poderia tirar uma foto ou filmar e eles nunca mais teriam paz.

- Mas ele precisa de ajuda! Paolo! – as lágrimas começaram a correr pelo rosto pálido de Francesca e sua voz se tornou mais frágil – Ele nunca ficou tão doente, eu não sei o que fazer! Não podemos esperar!

- Não estamos esperando, estamos? – o Sullivan mais velho explicou antes que Damien arrancasse a sua cabeça – Depois que vocês me ligaram, eu liguei pra Rosie.

- Rosie???

- É, a Rosie. Ela não saiu do quarto pra ajudar vocês porque, segundo ela, tava rolando mais um dramático capítulo da novela Samax na sala. Mas ela me disse que o Isaac precisa de um banho de ervas, que é algo simples que qualquer bruxa pode fazer, mas que todo o material dela explodiu na antiga casa. Então ela me passou o endereço de uma colega que mora aqui em Nova York. É uma pessoa de confiança. E é muito mais seguro do que colocar o Isaac na mão de um médico que talvez nem saiba o que está havendo com ele. O Isaac não é humano, irmãzinha.

Nada naquela noite parecia totalmente seguro. Sair pelas ruas congeladas de Nova York no meio da madrugada era um risco, ainda mais com a cabeça de Isaac a prêmio entre os caçadores. Seria uma tragédia se Isaac sofresse uma transformação no meio de um hospital e fazia sentido o argumento de que talvez um médico não pudesse ajudar naquela situação. Ir à casa de uma bruxa desconhecida era uma loucura, mas o choro insistente de Isaac mostrava que o garotinho realmente precisava de ajuda.

- Tudo bem, nós vamos. – Francesca lançou um olhar inseguro para Damien, mas não parecia haver outra saída – Temos que fazer alguma coisa, fofinho.

Antes mesmo de chegar ao endereço da tal bruxa, Francesca começou a se arrepender daquela ideia. O Impala entrou em um bairro periférico, com ruas completamente desertas e cheias de estabelecimentos abandonados. O cheiro de lixo que vinha dos becos era tão forte que Francesca se sentia incomodada, mesmo com os vidros do carro fechados.

No instante em que Francesca abriu a boca para exigir que o irmão fizesse um retorno e procurasse um hospital de verdade, o destino resolveu zombar dela. Isaac soltou um grunhido em meio ao choro insistente antes de repetir aquela cena horrorosa que a mãe já havia presenciado outras vezes.

Todo o corpinho dele estremeceu, como se o menino estivesse sofrendo uma convulsão. Mas esta hipótese foi descartada quando Francesca notou as íris esverdeadas mudando de tonalidade até se tornarem amarelas. As unhas do bebê ainda eram pequenas e frágeis demais para se transformarem em garras poderosas, mas tiveram um crescimento notável. Os cabelos fininhos do menino ficaram mais grossos e mais escuros e o rostinho delicado começou a ser coberto por pêlos.

- Não! – Paolo pisou no freio e se inclinou na direção do banco traseiro, mas não conseguiu impedir que Francesca arrancasse o filho da cadeirinha e o trouxesse para seus braços. – Ele vai te machucar, Francesca!!!

Isaac ficava agitado durante as transformações. Ele ainda não tinha dentes ou garras afiadas, mas esperneava e rosnava como um animalzinho selvagem.

- Paolo, nos leve até a maldita bruxa agora!!! – Francesca fazia uma enorme força para conter o bebê e evitar que Isaac se machucasse durante a transformação – Não podemos ficar parados no meio de uma rua deserta!
avatar
Francesca Sullivan

Mensagens : 99
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Sab Set 03, 2016 4:50 am

Mesmo depois da ordem de Francesca, Paolo não se mexeu. O carro continuou imóvel na rua escura e o tronco do motorista completamente virado para que ele encarasse os passageiros do banco traseiro.

Era evidente o amor que Sullivan sentia pelo sóbrio, mas ele também era realista o bastante para saber que Francesca poderia sair machucada. Por não ter dentes e as unhas serem tão pequenas, Isaac ainda não podia ferir a mãe tão profundamente ao ponto de transformá-la, mas seria fácil deixar algumas marcas em sua pele sem poder de cura.

Antes que os irmãos entrassem em uma briga sobre o que deveria ser feito, Damien assumiu mais uma vez a liderança da situação. Eles só continuariam perdendo tempo ali, e Isaac precisava de ajuda. Se ele quisesse evitar que Francesca saísse machucada e que o filho ficasse bem, precisava agir.

Sua mão empurrou o ombro de Paolo até que ele apoiasse a coluna inteiramente contra as costas do banco. Scott estava com um semblante sério de quem não ousaria ser questionado e sua voz também não deu chance do motorista contrariá-lo.

- Se preocupe em dirigir. Eu cuido disso.

Paolo ainda lançou mais um olhar na direção da irmã antes de pisar no acelerador. Mesmo com o carro em movimento, Scott se espremeu ao se levantar do seu lugar, pisando no vão que existia entre o banco do motorista e do carona. Por ser muito alto, ele sentiu quase as costas inteiras roçando no teto do carro ao se esgueirar até o banco traseiro, mas por fim conseguiu se acomodar no lado oposto de Francesca, com a cadeirinha de Isaac entre eles.

- Hey carinha... Olha pra mim, hey...

As mãoszinhas transformadas de Isaac não combinavam com o bebê que Damien havia visto nas últimas semanas e saber que o filho só estava passando por aquele sofrimento por sua culpa tornava o peso em seus ombros ainda maiores. Mas teria todo o tempo do mundo para se martirizar depois. Naquele momento, ele precisava cuidar da situação.

Quando Isaac continuou se debatendo, Scott puxou os seus dedinhos até estica-los sobre a sua palma. Mesmo transformado, a mão do filho quase desaparecia diante da sua e Damien precisava medir mais do que nunca a sua força. Ele queria controlar o bebê, não machucá-lo.

O queixo do menino tremeu enquanto ele aumentou o choro, parecendo ainda mais incomodado com a transformação. O rosto de Damien se contorceu em profunda dor ao ver seu bebê passar pelo seu pior pesadelo, e foi sem pensar duas vezes que ele tentou minimizar aquele sofrimento.

As veias das suas mãos pálidas ficaram repentinamente negras e imediatamente ele começou a sentir a dor de Isaac. O choro diminuiu, embora ainda não tivesse cessado, enquanto a dor era transferida momentaneamente ao pai.

Aquela habilidade havia sido aprendida muito tempo depois que Damien aprendera a se controlar nas luas cheias. Para ele, a melhor parte de ser um lobisomem era poder minimizar a dor alheia, mesmo que temporariamente. Ele jamais poderia curar alguém como seu próprio corpo era capaz de fazer, mas ao menos poderia lhes dar o alívio necessário. Naquela noite, ele se sentiu ainda mais grato por ter aprendido como usar mais aquele diferencial de um lobo.

No instante em que soltou a mão de Isaac, o choro voltou e o bebê começou a espernear. O forro da cadeirinha chegou a ter um pequeno corte quando ele se agarrou ali no seu desespero. Ele estava mais próximo de uma transformação quando o carro de Paolo parou diante de uma casa completamente escura.

A primeira reação de Francesca foi se debruçar sobre o filho para puxá-lo para fora do carro, mas o reflexo de Damien fez com que ele imediatamente erguesse sua mão e segurasse o pulso dela, impedindo que fosse adiante.

- Não! O Paolo está certo, ele pode te machucar. Eu cuido disso.

Scott não havia percebido que seu corpo inteiro tremia, mas ainda assim encarou o filho com determinação. Isaac era só um bebê, mas também era um lobo sofrendo com a noite de lua cheia. E um lobo em transformação só conseguiria escutar a voz de um Alpha. Max estava longe, mas aquele era seu filho.

- Isaac! – Damien chamou com mais urgência, esperando que sua voz sobressaísse ao choro insistente. – ISAAC!

O grito saiu junto a um rugido no mesmo instante que as íris de Damien assumiram uma rápida coloração vermelha. O que deveria ter assustado o bebê fez com que ele se calasse no mesmo instante. As bochechas de Isaac estavam coradas pela febre, mas as pequenas unhas que um dia se transformariam em garras foram imediatamente recolhidas.

O coração de Damien batia tão forte que ele sentia que havia acabado de correr uma maratona, mas não precisou de nenhum segundo para se recuperar antes de encarar Francesca, o peito subindo e descendo rapidamente.

- Pode leva-lo. Ela está esperando.

Scott fez apenas uma leve inclinação com a cabeça para indicar a varanda escura da casa, onde uma mulher aguardava nas sombras.
avatar
Damien Scott

Mensagens : 300
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Sab Set 03, 2016 5:05 am

Aquele “eu te amo” ecoou várias vezes na cabeça de Maximilian sem que o rapaz conseguisse reagir diante de tamanha surpresa. Era a última coisa que Max esperava escutar depois de uma discussão acalorada. Parecia tão surreal ouvir aquilo dos lábios de Samantha que, por um breve momento, Cavendish se questionou se não teria adormecido no sofá e tudo aquilo era apenas um sonho de sua mente agitada.

Depois de todo o sofrimento causado por Samantha, o Alpha não conseguia descartar a possibilidade daquela declaração ser mais uma brincadeira para iludi-lo, uma forma de Sam mostrar que ainda tinha pleno controle dos sentimentos do ex-namorado. E Maximilian se sentiu medíocre quando concluiu que, ainda assim, era gostoso ouvir aquelas palavras. Mesmo sabendo que poderia se tratar de uma declaração feita da boca para fora, o coração de Max se aqueceu diante daquelas palavras. Cada vez ficava mais forte a hipótese de marcação unilateral feita por Jack.

A surpresa não permitiu que Maximilian se esquivasse do toque dela. Mesmo sabendo como aquela cena terminaria, o Alpha não foi capaz de resistir à tentação. Muito provavelmente os dois brigariam de novo depois do beijo, mas Max não conseguia ignorar a chance de unir seus lábios aos de Samantha mais uma vez.

Foi um instinto que fez com que Cavendish se inclinasse na direção dela quando Sam se colocou na ponta dos pés, reduzindo um pouco mais a diferença nas estaturas. Um dos braços dele deslizou pela cintura da garota enquanto a outra mão se encaixava com perfeição na curva do rosto de Samantha, o polegar logo buscando pela adorável covinha que Max sabia que ficava ali.

Desta vez, não houve desespero na maneira como os lábios se uniram. As pálpebras de Max esconderam as íris vermelhas depois do primeiro contato, como se o Alpha não quisesse que a visão atrapalhasse os outros sentidos. O braço ao redor da cintura de Archibald a puxou para mais perto, unindo os corpos ainda mais.

Como era um beijo mais calmo e carinhoso, os dois ainda tinham fôlego para continuar quando Maximilian franziu as sobrancelhas e se afastou subitamente. O abraço foi mantido e, antes que Samantha pensasse que o ex-namorado queria interromper o beijo para continuar a briga, a cabeça de Max se virou na direção da porta do próprio quarto.

- Tem alguma coisa errada.

A voz grave soou num sussurro e Cavendish continuou ouvindo a movimentação no quarto. Só quando escutou o clique da maçaneta, Max desvencilhou-se de Samantha e deu um passo na direção da porta. Francesca e Damien saíram do cômodo como um furacão, mas bastava ver o rostinho abatido de Isaac para que o desespero dos pais se tornasse compreensível. Definitivamente não era uma boa ideia sair de casa com o garotinho àquela hora da madrugada, mas ficar de braços cruzados diante da criança doente era inadmissível.

- Eu posso ir com vocês.

- Max, não precisa. – Francesca respondeu sem interromper a caminhada – Você já está fazendo muito por nós.

Cavendish não teve tempo para questionar e soltou apenas um suspiro depois que os amigos sumiram, levando o bebê consigo. A cabeça do Alpha se virou vagarosamente na direção de Samantha e parecia óbvio demais que nenhum dos dois conseguiria dormir depois das emoções daquela noite e agora com a preocupação voltada para Isaac.

- Café...? – Max forçou um sorriso – Sou um profissional, agora.
avatar
Maximilian Cavendish
Admin

Mensagens : 97
Data de inscrição : 13/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Set 03, 2016 5:36 am

Samantha não sabia como deveria agir depois dos acontecimentos daquela noite. Mais uma vez, as coisas entre ela e Max terminavam sem explicações e eles pareciam se afundar cada vez mais na confusão provocada pelas palavras e sentimentos.

O fato de Max não estar lhe ofendendo poderia ser um progresso, mas depois de ver o estado de Isaac e a preocupação estampada no rosto de Damien e Francesca, também não deixava o clima a vontade para que eles mergulhassem em uma nova briga.

Além do mais, a preocupação com o afilhado também colocava sua situação com Max em stand-by. Ela e o ex-namorado poderiam voltar a se xingar no dia seguinte, mas naquele momento, sua cabeça estava apenas na mudança brusca do estado de Isaac.

- Eu nunca dispenso um café.

Sam retribuiu o sorriso forçado e acompanhou os passos de Max até a cozinha. Enquanto ele preparava o café, a menina deslizava pelo pequeno cômodo preparando as canecas e o açúcar. Por estar ali há alguns dias, já havia aprendido onde Cavendish guardava cada coisa. E por um breve segundo, pareceu que os dois estavam de volta aos velhos tempos em que visitavam a cozinha no meio da madrugada, após esgotarem as energias no quarto.

Quando seu café já estava fumegante e perfumando o seu rosto, Sam se acomodou em um dos bancos diante da bancada, evitando a todo custo encarar o Alpha. O celular esquecido sobre o balcão foi puxado para os seus dedos e ela rapidamente começou a digitar uma mensagem para Francesca. A necessidade de informações sobre Isaac era uma prioridade, mas também era uma ótima desculpa para escapar de Max por mais alguns minutos.

Como o Zac está? Foi só a febre? Por favor, Fran, mande notícias assim que possível.

Assim que a mensagem foi enviada, Samantha buscou o nome de Paolo nos contatos, começando uma nova mensagem.

A Fran provavelmente está surtando e vai esquecer de me enviar qualquer notícias. Me mantenha informada, ok? Estou acordada e o que precisarem, é só pedir.

Alguns minutos depois, o celular foi pousado novamente sobre o balcão e Sam puxou para si a xícara de café, aproveitando a temperatura da bebida para aquecer seus dedos. Em sua tentativa de evitar o olhar de Max, Archibald encarou a vista da janela. O céu estava surpreendentemente estrelado naquela noite, mas a temperatura baixa não deixava enganar que estavam no inverno.

- Já é quase natal. – Sam se surpreendeu quando se deu conta da velocidade com que os dias passavam. – Eu espero que a gente tenha alguma notícia boa até lá. Não temos tido muitos motivos para celebrar este ano.

A caneca foi levada até seus lábios e Samantha deu um pequeno gole antes de finalmente encarar Maximilian.

- É lua cheia. O Isaac sempre fica agitado na lua cheia, mas é a primeira vez que o vejo tão abatido. Ele provavelmente está sentindo toda essa tensão.

- Ele vai ficar bem...

A voz de Rosie fez com que Samantha se virasse em um sobressalto. Por alguns minutos, ela até pensou que estivesse a sós com Max outra vez.

- Nós acordamos você?

A preocupação da Banshee era verdadeira, mas apesar do rosto sonolento, a bruxa negou com um movimento da cabeça e se aproximou dos dois.

- Paolo me ligou. O Isaac só precisa de algumas ervas, ele vai ficar bem. Não precisa se preocupar, Sam.

Samantha espremeu os lábios em um meio sorriso de agradecimento enquanto estudava Rosie. Mesmo com os cabelos desalinhados, a bruxa era muito atraente. Além da beleza natural, Walker era doce, uma amiga incrível e sabia ser engraçada quando queria. Ela não tentava esconder seu interesse por Cavendish, mas estava longe de ser vulgar. Era mesmo impressionante que Max não cogitasse dar uma chance aos dois, mas apesar de adorar cada vez mais a companhia de Rosie, Samantha se sentia agradecida.

- Vocês estão bebendo café? – Rosie não pode conter o tom de reprovação ao se inclinar para encarar as canecas. – Tem certeza que estão podendo com uma dose extra de cafeína?

O comentário da bruxa poderia ser inocente, mas era a sua forma de deixar claro que havia escutado parte da briga daquela noite. Para não prolongar o clima desconfortável, Rosie abriu um dos seus sorrisos gentis e apontou a janela com a cabeça.

- Você tem uma bela vista daqui, Max. Fica ainda mais bonitinho com tudo coberto de neve.

- O outro apartamento tinha uma vista mais bonita. Dava para ver a árvore que eles montavam todo ano no central park, não era?

Assim que terminou de falar, Sam se arrependeu. Ela havia soado quase possessiva, mas era ainda mais constrangedor falar do seu passado com Max como se os dois fossem um casal como qualquer outro.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Sab Set 03, 2016 5:56 am

A colega de Rosie honrava a imagem que surgia na cabeça de Francesca quando ela ouvia a palavra bruxa. A mulher não era exatamente ameaçadora, mas a idade avançada lhe dera uma pele cheia de rugas e cabelos grisalhos. A bruxa usava um vestido com estampas florais e o cheiro de ervas impregnado no tecido velho era forte. Suas mãos enrugadas tinham dedos compridos e unhas pontiagudas com as pontas enegrecidas. Ela seria a última pessoa do mundo para quem Sullivan entregaria o seu bebê em uma situação normal, mas a urgência fez com que a jovem mãe ignorasse a repugnância e depositasse nela a esperança de que Isaac ficaria bem.

A casa onde a mulher morava estava caindo aos pedaços. Não parecia haver energia elétrica, a julgar pelo excesso de velas e pelas lamparinas que iluminavam a sala. Em cima de uma mesa velha, uma bacia já esperava por eles. Sobre a superfície de água morna boiavam uma infinidade de ervas desconhecidas.

- Tirem a roupa do menino e o coloquem na água.

Francesca lançou um olhar tenso e angustiado para o namorado, mas as instruções foram obedecidas. Somente os pais de Isaac tinham entrado no casebre. Paolo resolvera ficar no Impala para garantir que ninguém tentaria entrar na casa enquanto Isaac estivesse ali.

O desespero de Francesca só começou a ceder quando o corpinho de Isaac foi mergulhado na bacia. Nos segundos iniciais o menino se assustou e começou a chorar ainda mais, mas em menos de um minuto o choro já começou a abrandar. A velha bruxa usou uma canequinha para despejar um pouco daquela água na cabecinha do bebê e Francesca não conteve um suspiro aliviado quando a transformação começou a se desfazer.

Enquanto dava banho em Isaac, a bruxa resmungava uma espécie de oração. Sullivan não tinha a menor ideia de que idioma era aquele, mas não ousaria questionar porque era notável que estava dando certo. Aos poucos Isaac foi ficando mais calmo e os olhinhos verdes voltaram a brilhar de curiosidade enquanto vasculhavam aquele ambiente estranho. Quando o olhar dele cruzou com o de Damien, o menino abriu um de seus sorrisinhos largos para o pai.

- Ele está melhorando. – Francesca abraçou Damien com firmeza enquanto derramava lágrimas emocionadas – Eu não faço ideia do que está acontecendo aqui, mas está dando certo.

Quando deu o primeiro passo na direção do filho, Francesca foi surpreendida pelo som estridente da buzina do Impala. O coração dela parou por alguns segundos enquanto ela buscava pelo olhar de Damien, aflita. Eles não tinham combinado nenhum sinal com Paolo, mas parecia óbvio que o rapaz não faria tamanho escândalo àquela hora da madrugada se algo não estivesse muito errado lá fora.

Seguindo seus instintos, Francesca saltou na direção do filho e arrancou Isaac da bacia. O garotinho imediatamente se agarrou aos cabelos dela, igualmente assustado com o barulho. Antes que Sullivan pudesse pensar em qualquer reação, a bruxa agiu. A mulher só precisou mover os dedos discretamente para que Francesca e Damien sentissem seus corpos sendo arremessados em direções opostas até se chocarem contra as paredes da sala. Francesca tentou se movimentar, mas suas costas pareciam fundidas à parede suja.

- Desculpem por isso, não é nada pessoal. – a bruxa abriu um sorriso podre e indicou a casa caindo aos pedaços – Mas alguns milhões podem mudar a minha vida.

O grito desesperado de Francesca ecoou por toda a casa quando Isaac foi arrancado de seus braços pelas mãos enrugadas da bruxa. O garotinho segurava com tanta firmeza os cabelos da mãe que alguns dos fios castanho-avermelhados estavam presos entre os dedinhos dele enquanto a mulher abria a porta dos fundos para dois homens, caçadores.

- Por um momento achei que estava mentindo, velha. – o mais jovem zombou, ignorando o choro da criança que se inclinava na direção da mãe – Me dê esta pequena aberração. Vamos acabar logo com isso.

- Primeiro vamos falar sobre valores. – a bruxa deu um passo para trás, segurando Isaac como se ele fosse uma mina de ouro – Quero quinze milhões.

- O que??? – o caçador mais velho soltou uma risada debochada – Foi a melhor piada que já escutei.

- O menino vale vinte, o pai e o tio valem oito cada um.

- Doze para cada.

- Eu quero quinze. Eu os atraí até a minha casa e resolvi o problema para vocês. – a bruxa indicou Damien e Francesca – Vocês só terão o trabalho de cortar gargantas imobilizadas e matar um bebê.

Era o pior pesadelo de Francesca estar totalmente imobilizada enquanto uma bruxa e dois caçadores decidiam como dividiriam a recompensa pelas mortes de Paolo, Damien e Isaac. A situação se tornou ainda pior quando o caçador mais jovem sacudiu a cabeça e apontou na direção da rua.

- O cara lá fora não parecia tão imóvel, velha. Deu um trabalho violento matar aquele imbecil. E não vamos matar a gatinha, ela é humana e seria um desperdício. Vamos brincar um pouco com ela, é claro, mas ela vai sobreviver se for boazinha conosco. Se ela aguenta dormir com um lobisomem, acho que não preciso ser tão cuidadoso, não é? Ela deve curtir caras mais selvagens.

Aquelas ameaças não chegavam perto de intimidar Francesca. Toda a dor dela estava voltada para o filho nas mãos daquela bruxa, para Damien completamente imobilizado na parede oposta e para Paolo, que provavelmente já estava morto àquela hora. Um estupro não significaria nada porque a alma dela já estaria morta depois de perder as três pessoas que ela mais amava na vida.

- Solte a gatinha, velha. Ela não precisa ver isso, coitada. – o rapaz agarrou Francesca pelos cabelos tão logo a bruxa desfez o feitiço – Vamos nos divertir lá fora enquanto o Derek termina o serviço aqui.

O que o caçador não imaginou quando viu Francesca era que a garota teria forças para girar o braço dele. O som do osso partido antecedeu o berro de dor do rapaz, que não conseguiu impedir que Sullivan corresse na direção do filho. A bruxa chegou a erguer a mão para repetir o feitiço, mas quem realmente parou Francesca foi o outro caçador. A caçula dos Sullivan poderia ser muito habilidosa em combate, mas ainda era uma garota frágil que simplesmente apagou quando o homem acertou seu rosto com um soco potente.

- Chega de palhaçada e vamos acabar logo com isso. – o caçador mais velho indicou o corpo desmaiado de Francesca – Leve o lixo pra fora, Terry. Faça o que quiser com ela, mas depois termine o serviço. Ela é humana, mas é uma Sullivan e nós sabemos que os Sullivan nunca desistem. Ela já viu nossos rostos, não quero essa vadia me perseguindo em busca de vingança. Eu vou terminar o serviço aqui dentro.

Derek esperou que o colega saísse da sala arrastando o corpo de Francesca. Depois de ter o braço quebrado, parecia óbvio que Terry não amenizaria aquela tortura para a garota. Mas Damien não conseguiria salvá-la, muito menos porque o maior perigo parecia rondar Isaac naquele momento.

- Coloque o monstrinho na mesa, velha. – do bolso, o caçador sacou um punhal de prata – Vou matá-lo primeiro para que o pai veja. A culpa é sua, Scott. Você nunca deveria ter produzido um monstrinho desse.
avatar
Francesca Sullivan

Mensagens : 99
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Sab Set 03, 2016 5:30 pm

Aquilo era um pesadelo. Definitivamente, não havia nada naquela noite que pudesse ser realidade. Só o que ele precisava fazer era abrir os olhos e acordar novamente no quarto de Max, sentindo o calor do corpo de Francesca e observar o sono calmo de Isaac. Mas se pesadelos acabassem no pior momento, ele estava muito perto de despertar.

O choro de Isaac preenchida toda a casa e penetrava seus ouvidos pronto para romper seus tímpanos. Por mais que tentasse, Damien não conseguia mover um único músculo e via sua família sendo destruída diante dos seus olhos.

Ele sabia que alguma coisa estava errada. Desde o instante em que pisara fora do apartamento de Cavendish, todo o seu corpo lhe enviava os alertas do que estava prestes a acontecer. Não precisava ser uma Banshee quando seu instinto paterno aflorava. Mas o desespero de ver Isaac ardendo em febre fez todos os seus sentidos serem ignorados. O filho já estava ruim o bastante, o que mais poderia acontecer? No momento, ele se convenceu de que o seu medo era pela saúde do filho.

Mais uma vez naquela noite, o destino lhe colocava de mãos atadas enquanto Isaac estava em perigo. Francesca já estava fora do seu campo de visão e pensar pelo que a namorada estava passando só o matava com antecedência.

Completamente imóvel, Scott assistiu quando o corpinho do filho foi colocado sobre uma velha mesa de madeira. O móvel estava tão caquético que provavelmente não suportaria o peso do bebê esperneando por muito tempo, mas por mais assustador que fosse, aquele era o menor dos problemas de Isaac.

- Mas que moleque chorão! Faça com que ele fique quieto, velha!

A mão enrugada da mulher deslizou por cima do corpinho de Isaac, o silenciando por completo. A boquinha ainda se abria em desespero, o rostinho contorcido em um choro sofrido, mas nenhum som escapava da sua garganta.

Os bracinhos e pernas que se debatiam ficaram repentinamente retos quando cordas deslizaram sozinhas para prender suas articulações, o mantendo imóvel para que o caçador terminasse o seu trabalho.

Mesmo com o feitiço da bruxa para mantê-lo preso à parede, Damien lutava a todo custo para se mexer. Ele nunca havia feito tanta força antes. Sua mente lhe dizia que era inútil lutar contra magia, mas não tentar era o mesmo que afundar ele mesmo a faca contra a garganta do filho.

- Ele é só um bebê! – Damien implorou, sentindo a adrenalina espalhando por suas veias. – Tire suas mãos imundas, ele é só um bebê!

O caçador soltou uma risada fria, mas não se afastou de Isaac. As mãos sujas estavam apoiadas sobre a mesa e ele reclinado sobre o corpinho imóvel do pequeno lobinho. O rosto de Isaac estava vermelho pelo choro mudo e o coração de Damien completamente despedaçado.

- Qual é Scott, você não acredita mesmo nisso, não é? Filho de monstro, monstrinho é. Na verdade, deveríamos fazer isso com mais frequência. Exterminá-los ainda sem dentes é mais fácil e deixa o mundo mais limpo. Para que esperar essas aberrações crescerem quando sabemos exatamente no tipo de aberração em que vão se transformar?

Um rugido escapou dos lábios de Damien, e mesmo paralisado, suas íris amarelas brilhando. Quando seu rosto se contorceu, permitindo que as presas e os pelos aparecessem, o caçador soltou outra risada gélida.

- É lua cheia, garoto. Se comporte. Você tem certeza que quer morrer com essa cara feia de um animal? Espero que isso não atrapalhe na identificação do corpo, não quero ser questionado depois que o trabalho estiver feito.

- Quer parar de falar e terminar logo com isso? – A velha resmungou, o nariz enrugado em uma expressão de nojo ao encarar o bebê. – As pessoas não costumam fazer muitas perguntas por aqui, mas também não quero olhares curiosos na direção da minha casa.

Foi a vez do caçador encarar a velha com uma expressão de nojo. Ele abriu a boca para lhe dar mais uma resposta ácida, mas acabou desistindo. Por mais que fosse se divertir naquela noite, ele realmente queria acabar logo. Quanto antes os Scott estivessem mortos, ele teria sua recompensa.

A faca estava esquecida na ponta da mesa, mas os dedos longos do caçador a segurou pelo cabo. Por um instante, a lâmina de prata brilhou em contato com a luz do luar que entrava pela janela, refletindo diretamente nos olhos amarelos de Damien. Havia chegado o momento de despertar, mas o pesadelo não iria acabar.

O coração de Damien bateu forte. Ele já reconhecia aquele ritmo, embora há muito tempo não experimentasse. Era um dos primeiros sinais para sua transformação. Os dentes afiados que já haviam aparecido foram exibidos e ele rosnou como um lobo furioso e faminto prestes a atacar.

As garras apareceram nas mãos presas contra a parede. Os olhos estavam presos no caçador e nunca, em toda sua vida, Scott se sentiu tão furioso. Seu instinto protetor era a única coisa que prevalecia em sua mente.

Ele já havia ficado afastado do filho desde o seu nascimento. Francesca ficara fora da sua vida por dois anos. Era inaceitável perder tudo agora que finalmente iria começar a construir a sua vida ao lado da família.

”Vai ficar tudo bem, Fran. Eu vou cuidar de vocês agora, eu prometo”

Sua própria voz ecoou em sua mente, lhe lembrando da promessa que havia feito à Sullivan. Era sua responsabilidade manter a futura esposa e o filho em segurança e ele não iria falhar outra vez.

O rosnado ameaçador se transformou em um uivo feroz. As mãos onde as garras haviam aparecido se mexeram, mas o feitiço da bruxa já havia sido esquecido por completo. Os braços de Damien despencaram da parede, livres, e ele imediatamente se agachou, encarando o caçador como um animal feroz.

Não havia mais misericórdia. Não importava se aquele homem era inteiramente humano. Existiam criaturas sobrenaturais que valiam muito mais do que aquele crápula. Ele era a definição perfeita de um monstro e Damien não pretendia poupar a sua vida naquela noite.

Quando Scott saltou na direção do caçador, as íris amarelas abandonaram seu rosto e o cor avermelhado surgiu mais uma vez. Diferente da briga da cozinha, não foi um reflexo rápido e passageiro. Seus olhos estavam mergulhados em um profundo e ameaçador vermelho-sangue.

As patas de Damien pousaram contra o peito do caçador depois que ele voou sobre a mesa e o homem foi empurrado para trás, tombando até cair no chão. Naquele meio segundo em que o lobisomem soltou sobre ele, as garras haviam deixado de ocupar as mãos humanas e agora eram uma extensão de verdadeiras patas de um lobo.

O beta que havia se soltado do feitiço da bruxa havia se transformado em uma enorme criatura ameaçadora sem vestígio algum de humanidade. Diferente de Max, o pelo de Damien era de um castanho-avermelhado e mais curto. Mas seu lobo era tão grande e assustador quanto o do antigo líder.

- Um Alpha?

A expressão de pânico no rosto de Damien foi completamente ignorada. As palavras sequer faziam sentido, porque ele ainda não havia tido conhecimento da sua transformação completa. A força da lua cheia e o instinto para proteger seu filho haviam permitido que ele não apenas quebrasse a magia como se transformasse em um Alpha.

A pata de Damien foi erguida para cortar o ar em seguida, descendo até se chocar contra o rosto do caçador. A pele que já era dotada de algumas cicatrizes imediatamente foi manchada de sangue quando o lobo provocou um profundo corte atravessando toda a sua face.

O homem urrou de dor, mas no segundo seguinte, a outra pata fez o mesmo percurso. O rosto dele estava completamente irreconhecível com tanto sangue, mas de alguma forma, Damien sabia que ele havia desmaiado. Ainda conseguia escutar as batidas fracas do seu coração.

A faca prateada havia deslizado alguns metros pelo chão, e o reflexo do Alpha viu quando a bruxa trêmula se abaixou para pegá-la. Era patético que aquela velha achasse que tivesse alguma chance contra o lobo furioso, e foi mais uma vez com grande facilidade que Damien saltou do caçador em direção da mulher.

Um grito fino ecoou quando ele acertou seu pulso, fazendo mais uma vez com que a arma voasse pelo piso empoeirado. O sangue imediatamente começou a escorrer pelo seu braço e antes que ela tivesse a oportunidade de fugir, Damien a empurrou com as duas patas. A mulher deslizou como um boneco de pano até se chocar contra uma das paredes. O tijolo gasto cedeu, permitindo que ela rachasse o reboco, desmaiando em seguida.

Sem o feitiço para impedi-lo, o choro de Isaac voltou a preencher a sala, fazendo o lobo se virar para encará-lo. O filho continuava sem nenhum arranhão, mas ver seu corpo ainda amarrado e preso naquela mesa ainda era uma visão torturante.

Damien certamente teria continuado ali para terminar o serviço se Francesca ainda não estivesse em perigo. Mas o pesadelo ainda não havia chegado ao fim. Por isso, Damien se debruçou sobre o filho e fez uma rápida promessa de que voltaria.

Dois segundos depois, o lobo estava novamente saltando, desta vez pela porta da cozinha para os fundos da casa. O vento frio da noite não era forte o bastante para enganar o seu olfato e foi o cheiro de Francesca que fez com que ele corresse até a localização certa.

O outro caçador estava de costas quando Damien chegou, mas ele logo reconheceu os pés de Francesca sobre a grama. Os sapatos dela haviam se perdido, provavelmente enquanto era arrastada pelo quintal, e a pele branca estava suja com a neve derretida que começava a se transformar em lama.

O homem estava sentado sobre ela e mais uma vez o sangue de Damien gelou ao ver que o casaco que ele havia colocado sobre a namorada naquela noite estava jogado para o lado.

A madrugada estava congelante, mas os ombros de Francesca estavam expostos e a camisa que ela usava por baixo do casaco completamente desabotoada, deixando aparecer o sutiã e sua barriga reta.

Os olhos vermelhos brilharam e a pata de Damien puxou o caçador pelo ombro. Sua expressão cruel imediatamente se transformou em pânico, e assim como fizera com o outro caçador, as garras afundaram em sua carne. As marcas e o sangue eram espalhados no peito e no rosto do homem que gritava de dor. O animal selvagem que se transformara naquela noite não hesitava em defender a própria família, querendo que aqueles homens pagassem pelo sofrimento de Francesca e Isaac.

O caçador já havia desmaiado e Damien não parecia conseguir parar quando uma voz masculina o chamou. O cheiro de sangue era tão forte que Scott sequer cogitou que aquele novo aroma pudesse vir de uma terceira pessoa, mas seu coração saltou de alívio ao reconhecer Paolo apoiado em uma cerca que separava a casa da bruxa da vizinhança.

- Damien? – Paolo chamou, incrédulo.

Ele estava ligeiramente inclinado e uma das mãos tentava estancar o sangramento em seu abdome. O Sullivan mais velho estava muito pálido pela quantidade de sangue que havia perdido, mas só o fato de ser um lobisomem justificava ele ainda estar de pé.

- Damien, é você?

O corpo desacordado do caçador foi largado no chão e só então Scott encarou as próprias mãos. No lugar da pele clara que ele havia visto por toda sua vida, ele encontrou a pata completa de um lobo. Enquanto ainda tentava assimilar aquela novidade, Sullivan já havia interpretado sua resposta.

- Cadê o Isaac?

O corpo de Damien estava mais uma vez trêmulo e quando ele apontou para a entrada da casa, foram os seus dedos humanos que indicaram a direção. Paolo cambaleou até a casa da bruxa enquanto Scott buscava o olhar de Francesca, tocando seu rosto gelado.

- Hey linda... Eu estou aqui. Acabou. Eu cuidei de tudo.


Última edição por Damien Scott em Sab Set 03, 2016 9:45 pm, editado 1 vez(es)
avatar
Damien Scott

Mensagens : 300
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Sab Set 03, 2016 6:06 pm

O comentário sobre o antigo apartamento de Maximilian fez com que as duas cabeças se voltassem para Samantha. Mesmo depois que Cavendish deixara claro que não ia rolar nada com Rosie, era evidente que a ex-namorada continuava ameaçada com a presença da bruxa. Antes que Max pudesse manifestar qualquer insatisfação com aquele comentário meio possessivo, Rosie decidiu interferir. Walker normalmente não se metia naquele tipo de problema, mas já ficara claro demais para ela que Max e Sam não conseguiam se entender sozinhos.

- Olha só, gente... Eu realmente não sei o que rolou entre vocês. A Fran até tentou me contar um pouco da história, mas nem ela parece entender por que vocês terminaram.

- Rosie, eu sei que as suas intenções são boas, mas não é o melhor momento para discutir este assunto.

- É o melhor momento sim, Max. – a bruxa não se intimou com as palavras de Maximilian e manteve a voz firme ao continuar o seu discurso – Porque é óbvio que esta guerrinha entre vocês está comprometendo o grupo todo. Você não consegue se concentrar nas missões, Max. E a Sam está tão atormentada com tudo isso que está cogitando a ideia de ir embora neste momento em que precisamos tanto que o grupo esteja unido!

A última coisa que Rosie queria era se meter naquele problema pessoal, mas depois de acompanhar mais uma discussão do casal ficara óbvio que alguém precisava colocar um fim naquela guerra. A bruxa realmente gostava de Max e tivera esperanças de que aquela aproximação pudesse se transformar em algo a mais, mas esta ideia fora descartada com a chegada de Samantha. Era óbvio que Cavendish ainda sentia algo pela ex-namorada e Rosie não queria se envolver com um rapaz que não estivesse totalmente concentrado no relacionamento atual.

- Não interessa o motivo pelo qual vocês terminaram. Vocês não conseguem enxergar que ainda se amam? Porque todo mundo já percebeu, gente, menos vocês. Não haveria tanta mágoa e tantas acusações se vocês já tivessem superado.

Ninguém conseguiria questionar os argumentos de Rosie. Sem dúvida, Maximilian não sentiria aquela necessidade de machucar Samantha se não sentisse mais a dor causada por ela. E a maior prova de que o sentimento ainda existia era o fato dos dois só precisarem de um beijo para deixarem o orgulho de lado e mergulharem nas lembranças do passado.

- Sabe qual é o problema? – Rosie se encostou na bancada, num ponto em que conseguia encarar os dois amigos – Vocês gastam todo o tempo alternando brigas e recaídas, mas nunca pensaram em conversar francamente sobre o que aconteceu. Chegou a hora. Você começa, Max.

- O que? – os olhos avermelhados do Alpha se arregalaram – Como assim?

- Olha pra Samantha e diga tudo o que está entalado na sua garganta.

Cavendish continuou encarando Rosie como se a bruxa estivesse falando num idioma desconhecido para ele. Era uma loucura que estivessem na cozinha, às quatro da manhã, tendo aquele tipo de conversa com uma bruxa como intermediária da discussão.

- Na sua frente? – Max finalmente conseguiu reagir.

- É, na minha frente. Vocês dois precisam desesperadamente de um diálogo e já deixaram claro que não conseguem fazer isso sozinhos. Vou ficar aqui para evitar que esta conversa seja interrompida por ofensas ou por sexo. Vamos lá, Max.

- Ahn...

Quando voltou os olhos para Samantha, Max tinha um semblante engraçado de confusão. As sobrancelhas franzidas lhe davam um ar de menino e a falta de palavras fez com que o Alpha abrisse e fechasse a boca sucessivas vezes, como um peixe fora d’água. Já era muito difícil abrir o coração para a ex-namorada, a presença de Rosie só tornava o momento mais constrangedor.

- Eu realmente não sei fazer isso, Rosie. Não sei nem por onde começar.

- Comece pelo dia em que se viram pela primeira vez. Como vocês se conheceram?

- A Samantha me atropelou com uma bicicleta.

- Sério? – Rosie teve que segurar uma risada – Vocês já começaram com tudo, hein? Vai lá, Max. Este é o ponto de partida.

Embora não tivesse a mais remota noção de como aquele discurso terminaria, Maximilian respirou fundo e tentou seguir as orientações da amiga.

- Ahn... eu estava correndo próximo ao Central Park. Eu estava preocupado porque havia indícios de um recém-transformado na região e não conseguíamos localizá-lo, então eu estava distraído com esses pensamentos. O sinal de pedestres abriu e eu atravessei sem olhar. A bicicleta surgiu do nada, a roda bateu na minha perna e eu caí perto da calçada. Foi por reflexo que eu segurei a Samantha quando percebi que ela estava tombando na minha direção. O iPod dela virou pó e eu ofereci um café para tentar compensar aquela perda.

- E...? – Rosie interferiu depois de uma pausa prolongada de Max. Era óbvio que ela estava interessada em saber a continuação da história.

- Bom, eu achei que ela surtaria. – Max finalmente conseguiu sorrir, relaxando um pouco – Ela estava usando o uniforme de um colégio renomado, havia acabado de perder o iPod novo e tinha arranhado os cotovelos. A culpa foi dela por dirigir como uma louca e não respeitar os sinais de trânsito, mas isso não evitaria que ela surtasse.

- E ela surtou?

- Não. – a cabeça de Max se sacudiu em negativa – Ela aceitou o café e comeu um gigantesco pedaço de torta. Para mim foi uma grande bizarrice. Eu não sabia que garotas comiam tanto.

Pela primeira vez desde o fim do namoro, Maximilian trazia aquelas lembranças à tona. Sempre que pensava em Samantha, o Alpha revivia o trágico fim do relacionamento. Mas naquela madrugada Rosie conseguira guiar a memória dele na direção de lembranças mais felizes.

- Nós tivemos uma conversa divertida e a Sam inventou uma entrevista para o jornal da escola. Eu tinha gostado dela, mas realmente não sabia se deveria continuar com aquilo porque éramos diferentes demais. No fim, o destino acabou decidindo por nós. Os primeiros rastros do recém-transformado indicavam que ele frequentava o mesmo colégio da Sam. Eu aceitei fazer a tal entrevista para tentar me aproximar e localizar o lobo e foi aí que tudo começou. Nós caímos de cabeça na confusão do Damien com a Francesca e a família de caçadores dela. Quando percebi, eu já estava muito envolvido.

Era notável que Cavendish se sentia cada vez mais solto depois de ter iniciado aquele desabafo. No começo ele escolhia as palavras, mas agora o Alpha simplesmente deixava que o desabafo brotasse de dentro do seu peito.

- A verdade é que nunca foi fácil, realmente éramos muito diferentes. Tivemos que enfrentar o ex-namorado imbecil dela, depois apareceu a Tessa. Eu achei que morreria quando a Sam se machucou, foi a pior coisa que já me aconteceu. Mas, apesar de todas as dificuldades, nós continuávamos juntos. Eu só precisava dela e talvez de umas doses extras de café para que ficasse tudo bem. Eu sentia que poderia enfrentar qualquer coisa, desde que ela estivesse comigo.

A expressão de Max se tornou mais pesada enquanto o rapaz se aproximava da parte da história em que as coisas começaram a dar errado. Os olhos vermelhos continuaram pousados em Samantha e Cavendish não se sentiu constrangido com a dor revelada pelo seu semblante.

- Para mim, a pior parte do fim foi o fato de não ter havido uma briga. Nós estávamos bem, eu estava muito feliz e já tinha construído tantos planos na minha cabeça... Então ela simplesmente apareceu num dia qualquer e disse que não queria mais. Eu não sabia mais o que fazer sem ela, porque todos os meus planos a incluíam. A Samantha era a pessoa mais importante da minha vida quando simplesmente decidiu que eu não me encaixava na vida perfeita que ela queria. E quando ela foi embora, levou uma parte de mim com ela. A melhor parte. Eu tentei seguir mesmo assim, mas nem eu mesmo gosto da pessoa que eu me tornei sem ela. Este não sou mais eu.
avatar
Maximilian Cavendish
Admin

Mensagens : 97
Data de inscrição : 13/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Set 03, 2016 10:29 pm

Era impossível desviar o olhar das íris vermelhas enquanto Max narrava aquela história que ela já conhecia tão bem. Sam revivia as lembranças felizes ao lado do namorado em completo silêncio. Ela estava recostada no lado oposto do balcão, e nem mesmo a presença de Rosie era capaz de minimizar a importância das palavras do rapaz.

Aquela definitivamente era uma conversa íntima que os dois precisavam ter a sós. Mas Walker estava certa em dizer que eles não conseguiriam. Uma nova briga começaria, mais ofensas seriam ditas e eles se afundariam naquela lama que só se tornava mais grossa e imunda a cada nova discussão.

Por sorte, a intensidade das palavras de Cavendish era suficiente para fazer Archibald ignorar a bruxa por completo. Todos os seus sentidos estavam voltados para o lobisomem e sua respiração se tornava mais pesada conforme seu desabafo se tornava mais sincero.

Um breve silêncio se instalou pela cozinha quando Max terminou de falar. Samantha ainda estava tentando absorver o impacto daquela confissão, mas podia sentir que Rosie também a encarava com curiosidade.

- E então, Sam? – Ela tentou incentivar depois de alguns instantes. – Qual a sua versão?

As mãos de Archibald apertaram a borda do balcão às suas costas, procurando coragem para começar. Ela podia simplesmente dar as costas aos dois, se trancar no quarto e dizer o quanto aquela conversa estava sendo absurda. Mas era a primeira vez que ela tinha a oportunidade de falar sem que Max a interrompesse com novas ofensas.

- O Max está certo. Nós dois sempre fomos muito diferentes. Dois mundos distintos. Mas não pelo motivo que todo mundo acha.

A conclusão mais óbvia quando os dois eram vistos juntos anos antes, era a diferença social entre eles. Os Archibald tinham os nomes estampados nos jornais, eram donos de uma considerável fortuna e pertenciam a elite de Nova York. Sam sempre tivera o mundo aos seus pés, mas ela nunca se importou com nada daquilo. Foi pela sua simplicidade que o ipod destruído não teve importância alguma.

- Eu acho que gostei do Max desde o primeiro momento. Ele era mais velho, não devia satisfação a ninguém, era bonito e incrivelmente simpático. No começo eu tentei me convencer que apenas gostava da companhia dele, mas na verdade eu estava curiosa a respeito dele.

O olhar de Sam estava fixo em Max, mas se prestasse atenção em Rosie, conseguiria ver a sombra de um sorriso nos lábios da bruxa, como se ela estivesse concordando em silêncio com as suas palavras.

- Meu relacionamento com o Caleb era uma piada comparado ao que eu estava sentindo por você. – Sam mudou o discurso, dirigindo suas palavras diretamente ao ex-namorado. – Eu não demorei pra perceber que gostava dele como um amigo. Mas foi quando eu descobri a verdade sobre você ser um lobisomem que percebi que nossos mundos eram diferentes.

Para alguém que poderia ter tudo, Sam ainda se lembrava de como se sentia insegura com aquela diferença, principalmente com a chegada de Tessa na cidade.

- Foi por isso que você terminou tudo? Não conseguia namorar um lobisomem? – A voz de Rosie era cautelosa, mas depois de uma longa pausa no discurso de Samantha, ela arriscou incentivar mais uma vez a continuação da história.

Samantha negou com um movimento da cabeça, mas ainda precisou de alguns segundos para conseguir continuar. Aquela era a sua parte dolorosa da história.

- Eu sempre achei que o Max ia acordar um dia e perceber que não fazia o menor sentido ficar ao lado de uma menininha humana e sem graça. A alcateia poderia ser pacífica, mas ainda assim era capaz de fazer coisas incríveis. Só o que eu poderia fazer era rastrear alguns sistemas e conseguir as informações que eles precisassem, mas continuaria sendo indefesa a ponto de colocar todos os lobos em risco para me resgatar.

Desta vez, os olhos castanhos deslizaram para encarar Rosie e Samantha deu um sorriso fraco, erguendo um dos ombros.

- Eu achei que estivesse enlouquecendo quando comecei a escutar as vocês, mas até que você me deu um presente, Rosie. Descobrir ser uma Banshee pode ser assustador, mas pelo menos me inclui no mundo do Max.

- Então... Você gostava do Max, mas tinha medo que ele terminasse com você por ser humana. E agora que você descobriu ser uma Banshee. – A bruxa gesticulava enquanto tentava juntar as peças, girando os dedos no ar apontando de Max para Sam. – Você pulou uma parte na história, Sam. Ainda não explicou porque quis terminar tudo. Eu não estava lá, então você precisa me explicar, porque tudo que eu ouvi até agora não justifica vocês estarem separados hoje.

A boca de Samantha se abriu, mas nenhum som saiu. Apenas quando ela encarou Max novamente, conseguiu verbalizar seus pensamentos confusos.

- Caleb. Eu terminei com o Max por causa do Caleb.

Rosie recuou as costas e franziu a testa, claramente surpresa com aquela revelação.

- Achei que você tivesse dito que gostasse dele apenas como amigo.

Ao perceber como sua frase havia soado, Sam se apressou em corrigir. Ela se recostou contra o balcão e cruzou os braços sobre a barriga, em uma atitude inconsciente de se proteger daquele momento que ela achou que nunca aconteceria.

- Não terminei com o Max porque eu ainda tinha sentimentos pelo Caleb. O Caleb descobriu sobre o Max. – Sam soltou um rápido suspiro ao se explicar, novamente direcionando o discurso ao ex-namorado. – Ele viu a minha ferida sumindo sem deixar nenhuma cicatriz. Então começou a juntar as peças até escutar você e o Damien conversando sobre a gravidez da Fran. Ele achou que você era uma ameaça para mim, Max, que poderia me machucar por ser quem você é. Eu disse para ele que era um absurdo, que você jamais me machucaria...

Ao perceber que começava a atropelar as palavras, Sam fez uma nova pausa, mas não se prolongou no silêncio porque precisava terminar logo com aquilo.

- O Caleb me chantageou. Disse que se eu não terminasse tudo, ele iria expor a alcateia inteira. A gente tinha acabado de enfrentar todo aquele drama com a Tessa e a Francesca estava grávida. A última coisa que precisava era mais uma dose de adrenalina. Além do mais, eu iria acabar expondo a Fran e o bebê também.

Um sorriso fraco brincou nos lábios de Samantha e ela inclinou a cabeça par ao lado, deixando seus cabelos pendendo, roçando em seu braço.

- Eu nunca quis dizer aquelas coisas, Max. Tudo que eu queria era continuar ao seu lado, mas eu acho que o Caleb teria cumprido a ameaça naquela época, ele achava que estava me protegendo. Então eu precisava proteger você e os meninos.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Sab Set 03, 2016 11:31 pm

- Max...?

A voz fraca de Francesca murmurou o nome do único Alpha que ela conhecia quando aquela enorme criatura arremessou o caçador para longe dela. Sullivan sabia perfeitamente que Maximilian não teria tempo para chegar à casa da bruxa, e também já havia presenciado uma transformação dele. Max tinha os pêlos negros, bem diferentes do tom avermelhado daquele novo Alpha.

Parecia muito improvável que aquele fosse Maximilian Cavendish, mas quem mais poderia ter surgido ali para salvá-los? Eles estavam numa região afastada, num bairro periférico praticamente abandonado. Nunca houvera relatos de outro Alpha ou de outra alcateia em Nova York. A cabeça confusa e atormentada de Francesca não conseguia encontrar outra resposta principalmente porque ela não havia reconhecido o lobisomem que a salvara.

O soco dado pelo outro caçador tinha sido potente o bastante para nocautear Sullivan. Mesmo agora, que ela já começava a recuperar a consciência, a garota continuava atordoada, completamente tonta, com um zumbido insuportável ecoando em seus ouvidos. Sua visão era ainda mais prejudicada pelo fato do olho que recebera o soco ter inchado ao ponto de fechar suas pálpebras. Sua consciência vacilava e a pele exposta ao frio fazia com que o corpo dolorido dela estremecesse.

As unhas quebradas, os arranhões espalhados pela pele da moça e seus cabelos desgrenhados mostravam que, mesmo debilitada, Francesca havia tentado lutar contra o caçador antes da chegada do Alpha. Mesmo sabendo que o homem era mais forte e que estava disposto a acabar com ela, Sullivan lutaria até o último segundo para ter a chance de retornar para a casa da bruxa e salvar o seu bebê.

Contudo, a chegada inesperada do Alpha mudara o final trágico daquela história. O único olho que Francesca conseguia manter aberto estava com a visão embaçada, mas ainda assim a garota foi capaz de enxergar o momento em que as formas do lobo foram se modificando até que Damien estivesse diante dela.

Foi impossível disfarçar a surpresa diante dos olhos vermelhos do namorado. É claro que Francesca nunca esperaria que Scott se transformasse em um Alpha, mas o que verdadeiramente a deixava tão surpresa era o fato de não tê-lo reconhecido de imediato. A marcação fazia com que Sullivan sentisse a presença do namorado sem precisar vê-lo, mas naquela madrugada aquela ligação não funcionara.

Aquele detalhe intrigante era algo a ser refletido depois, porque agora todos os instintos de Francesca estavam voltados para o filho. Mesmo distante da casa, ela escutava o chorinho de Isaac e foi isso que deu forças a ela para se colocar de pé, ignorando o frio congelante e as dores do corpo agredido. As pernas trêmulas não foram capazes de manter o corpo de Francesca de pé, o que obrigou a garota a se apoiar no tronco de Damien enquanto corriam de volta ao casebre.

- Isaac.

A única palavra que ela teve forças para pronunciar foi suficiente para explicar todo o turbilhão de sentimentos que a invadiam. Francesca tinha a ligeira impressão de que ouvira a voz de Paolo e de que Scott dissera que estava tudo bem, mas ela só conseguiria relaxar quando pegasse o filho nos braços e tivesse certeza de que Isaac não estava machucado.

A sala imunda da bruxa estava irreconhecível quando Damien e Francesca retornaram ao cômodo. Os móveis estavam quebrados, uma infinidade de cacos de vidro estavam espalhados pelo chão, uma das velas havia tombado no meio da confusão e agora uma cortina pegava fogo. A velha bruxa continuava desacordada junto à parede e o caçador se transformara em um corpo irreconhecível no chão. Não demoraria até que toda a casa se transformasse em cinzas, mas tudo o que verdadeiramente importava para Francesca era a imagem do bebezinho protegido nos braços do tio.

Paolo estava caído num canto da sala, mas ainda tinha forças para abraçar Isaac com firmeza. O rosto dele estava pálido como o de um fantasma quando Francesca caiu de joelhos diante dos dois. As mãos dela foram imediatamente na direção de Isaac, mas os olhos verdes refletiram uma imensa dor diante do estado do irmão. Do ferimento profundo no abdome ainda brotava uma quantidade absurda de sangue. A demora da cicatrização indicava que os caçadores tinham usado uma lâmina de prata e que a regeneração não aconteceria.

- Irmãzinha... Seu olho tá uma merda, hein?

- Paolo! Você conhece se levantar?

- Vocês precisam sair daqui, precisam estar longe quando a polícia chegar. Outros caçadores podem estar por perto. – as mãos fracas de Sullivan retiraram as chaves do Impala do bolso – Nunca pensei que diria isso, mas é hora de me desfazer do meu bebezinho. Estou dando pro Isaac, que fique bem claro! O Alpha-Merdinha só tem autorização de dirigir o meu carro até que o meu molequinho cresça o bastante para alcançar o acelerador.

- Pare de falar como se estivesse morrendo!

Francesca ergueu a voz chorosa, apertando o filho contra o peito. Ela perdeu alguns segundos apenas para garantir que Isaac não havia sofrido nenhum arranhão e então o entregou para Damien. Paolo franziu as sobrancelhas e imaginou que a irmã estava ficando louca quando Francesca jogou no chão imundo todas as coisinhas de Isaac que trazia em sua bolsa e começou a encher todas as repartições com as ervas secas espalhadas pela casa da bruxa.

- O que você está fazendo, exatamente? – a mão de Paolo comprimia o sangramento, mas o líquido vermelho vivo continuava escapando por entre os dedos dele.

- Salvando a sua vida. – Francesca se corrigiu enquanto enfiava na bolsa todos os frascos que encontrara em um dos armários da velha – Ou melhor, estou reunindo material para que a Rosie salve a sua vida.

- Irmãzinha, já era. Você está perdendo tempo. Tira essa doida daqui, merdinha!

- Eu não admito que você morra! Será Natal em três dias e eu não vou deixar que você estrague a comemoração de todo mundo! O Isaac vai continuar tendo um tio irresponsável no Natal!

Com a bolsa completamente abarrotada com uma infinidade de ingredientes desconhecidos, Francesca puxou o filho novamente para seus braços. Isaac ainda choramingava, assustado com o fogo que se alastrava e com o estado do tio, mas era evidente que o menino não estava mais febril.

- Leve o Paolo pro carro e vamos dar o fora daqui, Damien. Ele precisa da Rosie!
avatar
Francesca Sullivan

Mensagens : 99
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Dom Set 04, 2016 12:24 am

Desta vez, Rosie não interrompeu de imediato o prolongado silêncio que se seguiu às palavras de Samantha. A bruxa estava surpresa demais com aquela revelação e simplesmente não sabia o que dizer diante da verdade. Além disso, Walker sabia que Maximilian também precisava de um tempo para digerir aquela novidade. Durante dois anos, Max odiara Samantha por pensar que ela era uma garota superficial que o iludira. Certamente era chocante saber que foi por amor que a ex-namorada o machucara tanto.

O semblante atordoado de Max mostrava que o lobisomem ainda estava tentando encaixar aquela nova informação na mente confusa. Os olhos vermelhos piscavam várias vezes, mas o restante do corpo de Cavendish parecia petrificado pela surpresa. A parte de seu cérebro controlada por aquele novo Max amargurado tentava convencê-lo de que aquela era só mais uma das mentiras de Samantha Archibald. Mas o velho Max adormecido em algum lugar dentro da cabeça do Alpha encarava aquela novidade como a única resposta lógica que explicava tudo o que acontecera.

A chantagem de Caleb explicava tudo. Não havia acontecido nenhuma briga que pudesse explicar o término do namoro. Max se lembrava com perfeição que um dia antes de Samantha terminar tudo eles tinham se despedido com um “eu te amo”. Embora aquele não fosse o mundo de Archibald, ela nunca havia demonstrado nenhum tipo de resistência contra a verdadeira natureza de Max. Os dois eram assombrosamente diferentes, mas isso só parecia tornar tudo ainda mais especial. Eles se completavam.

Samantha nunca havia se comportado como uma menina mimada antes da fatídica conversa que colocara um fim no relacionamento. Ela sempre se comportou como a mesma garota simples que aceitara compensar a perda do seu iPod com um pedaço de torta de chocolate. Archibald tivera a chance perfeita de fugir daquele mundo sobrenatural depois do ataque de Tessa, mas foi para os braços de Max que ela voltara correndo. A única vez em que Sam agira como uma garota mimada e cruel fora no término do namoro, e a história sobre as ameaças de Caleb parecia explicar com perfeição aquela terrível mudança de comportamento.

- Max...?

Rosie decidiu interferir depois de dois minutos inteiros de um silêncio pesado que só era quebrado pelas respirações das três pessoas presentes naquela cozinha.

- Você realmente achou que a melhor saída era ceder à chantagem dele? – a voz de Cavendish soou num sussurro dolorido – Se você tivesse me contado a verdade, nós poderíamos ter resolvido isso juntos! Você só precisava confiar em mim, Samantha!

Antes que os dois mergulhassem novamente naquela espiral doentia de acusações e mágoas, Walker novamente se meteu. Era evidente que Rosie queria mais do que nunca que os dois se entendessem agora que sabia os motivos que levaram ao fim do relacionamento.

- A Sam estava com medo, Max. Você era um Alpha e sabia se virar, mas isso era maior que vocês dois. A verdade prejudicaria todos os lobos, inclusive o Isaac. A Francesca já estava passando pelo momento mais difícil da vida dela, a última coisa que ela precisava era que o mundo soubesse que ela estava grávida de um lobisomem. Agora eu entendo porque nem a Fran sabe a verdade. Ela se sentiria culpada se soubesse do sacrifício que a Samantha fez. Você a acusa de ter sido egoísta, Max, mas este foi o gesto mais nobre que eu já vi. Ela abriu mão da própria felicidade para que você, os rapazes e a Fran continuassem protegidos pelo anonimato.

- Ela abriu mão da minha felicidade também.

A garganta de Maximilian já estava apertada por aquela explosão de emoções que o Alpha tentava conter. Depois de dois anos enxergando Samantha como uma menina superficial e calculista, era difícil acreditar que todas as escolhas dela foram motivadas pelos mais nobres sentimentos. A fidelidade à alcateia, a amizade com Francesca e o amor por ele...

- Vocês dois percebem que foi puramente por falta de diálogo que este problema não foi resolvido há mais tempo? – Rosie olhou de um para o outro, mais séria – Vocês perderam tempo alimentando medos e mágoas, trocando ofensas e acusações... É uma sorte que o amor tenha sobrevivido a tudo isso, o que só prova que este sentimento é mesmo muito forte.

Rosie nem considerou a hipótese dos dois não se amarem mais porque era óbvio demais que Maximilian ainda era louco por Samantha e que Sam nunca deixara de amá-lo.

- A Sam te magoou porque queria te proteger, Max. E o Max só está refletindo em você toda a dor que você provocou nele, Sam. Agora vocês sabem a verdade e não há nenhuma razão aceitável para que continuem se machucando assim! Eu tentei resolver isso como uma boa amiga, mas se vocês dois continuarem agindo como imbecis eu vou apelar para os meus poderes e preparar uma poção do amor mais forte do que qualquer marcação. Vocês dois teriam que ir ao banheiro juntos. Eu estou falando muito sério!

A risada anasalada de Max ecoou pela cozinha, mas ele não ousou duvidar dos poderes da bruxa. Os olhos vermelhos não refletiam mais mágoa quando Cavendish estendeu a mão para Samantha. Os dedos se entrelaçaram como nos velhos tempos antes que Maximilian puxasse a garota para um abraço. Um pedido de desculpas foi murmurado numa inédita entonação engasgada. Os olhos de Rosie se encheram com lágrimas emocionadas e ela bateu três palmas para o selinho carinhoso do casal.

- Vocês são tão lindos juntos... Eu vou pro meu quarto, mas não vou me esquecer da ameaça da poção do amor. Comportem-se!

Walker não havia dado o segundo passo quando as feições de Maximilian mudaram subitamente. O Alpha ergueu a cabeça e olhou na direção da porta que levava ao café antes de se desvencilhar subitamente de Samantha. A bruxa cruzou os braços com um semblante indignado, mas franziu as sobrancelhas quando, ao invés de recomeçar uma briga, Max saiu correndo pela cozinha e desapareceu de vista em dois segundos.

- Mas o que aconteceu aq...?

A voz suave de Rosie foi abafada pelo grito histérico de Francesca, vindo do andar de baixo.

- ROOOOOSIEEEEEE! SOCOOOOOORROOOOOO!
avatar
Maximilian Cavendish
Admin

Mensagens : 97
Data de inscrição : 13/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Set 04, 2016 3:14 am

O Impala cortava as ruas de Nova York em uma velocidade impressionante. Damien nunca se sentiu tão grato pela madrugada, livrando o caminho de qualquer possibilidade de trânsito. Sua cabeça estava girando com os últimos acontecimentos, mas ele não tinha tempo para pensar sobre sua transformação, sobre caçadores ou sobre como aquela noite poderia ter terminado.

O banco traseiro do carro estava encharcado de sangue e Paolo já havia desmaiado algumas vezes no trajeto até o café. Isaac ainda soltava soluços de um choro assustado no colo da mãe, mas apesar de todo aquele pesadelo, Damien sabia que pelo menos agora o filho estava a salvo.

O Sullivan mais velho havia novamente recuperado a consciência quando finalmente chegaram na residência de Cavendish e tentou andar enquanto era carregado por Scott. O caçador era experiente e já havia enfrentado péssimas situações antes, mas Damien sabia que ele estava péssimo, mesmo tentando segurar os gemidos de dor.

Paolo estava pálido como um fantasma e sua testa estava coberta por um suor frio e pegajoso. Ele contorceu o rosto em uma expressão de dor e espremeu os lábios para abafar um gemido quando Scott o colocou em um dos sofás do café, o obrigando a se deitar.

Mesmo que alguém no andar de cima ainda estivesse dormindo, o grito de Francesca se encarregaria de despertá-los. Max foi o primeiro a chegar no salão, mas a velocidade com que Rosie e Samantha o alcançaram mostrava que as meninas também já estavam de pé.

- O que aconteceu??? Vocês foram atacados no hospital???

Os olhos arregalados de Samantha passaram por cada um dos adultos até pousar em Isaac com pânico. O primeiro instinto da Banshee foi se aproximar do afilhado, se certificando de que as manchas de sangue em suas roupinhas não pertenciam ao pequeno lobo.

- Não teve hospital nenhum. – Damien explicou entre dentes, se agachando diante de Paolo.

Agora que já estavam em segurança, ele se odiava por ter sido tão inocente. Era realmente uma ideia terrível procurar uma pessoa desconhecida no meio da madrugada, principalmente quando havia uma recompensa tão grande para a cabeça de Isaac.

Com o dedo em riste, ele apontou de Rosie para Paolo, dando a explicação que a expressão confusa de Samantha exigia.

- Esses dois tiveram a brilhante ideia de procurar uma bruxa.

Damien estava de joelhos no chão, mas inclinou o tronco para encarar Walker. Ele não culpava Rosie, mas estava agitado demais para ser delicado em sua explicação.

- Aliás, Rosie... A sua amiguinha só queria a cabeça do Isaac. Ah, claro, e a do Paolo e a minha.

Um novo gemido abafado soou, obrigando Damien a se voltar para o cunhado. Paolo estava com os olhos apertados e se contorcia no sofá, mas conseguiu confirmar com um movimento da cabeça, a voz saindo abafada pelos dentes trincados.

- Armadilha.

Samantha havia se afastado apenas para voltar correndo segundos depois, trazendo consigo uma bacia com água e panos limpos. Damien apontou para a bolsa que Francesca havia carregado até então, ainda encarando a bruxa.

- Você precisa fazer alguma coisa, Rosie. A Fran trouxe o que conseguiu, veja se tem tudo o que você precisa.

Walker ainda estava com um olhar confuso quando recebeu a bolsa de Francesca, mas assim que abriu o zíper e viu seu conteúdo, seu rosto logo compreendeu o que o lobisomem estava tentando dizer. Com os dedos apressados, ela rapidamente começou a puxar os vidros e espalhá-los sobre uma das mesas, identificando cada uma das ervas.

- Ótimo! Acho que consigo... Sai daí, Damien.

Sem a menor delicadeza, Rosie empurrou Scott com o ombro, assumindo seu lugar diante de Paolo. Ela tentou levantar a camisa ensanguentada de Paolo, mas ao ver que ele seria incapaz de erguer os braços, usou toda sua força para rasgar o tecido, deixando o peito do caçador completamente exposto.

- De todas as vezes que fantasiei você fazendo isso, Rosie, em nenhuma delas eu estava colocando as tripas para fora.

O olhar de Paolo estava baixo para encarar a bruxa ao seu lado e, mesmo com a péssima aparência, ele ainda exibia um sorriso torto e fraco. Ignorando o comentário malicioso do rapaz, Rosie apontou para Damien, sem desviar o olhar do ferimento que ainda sangrava.

- Vá pegar uma água fervendo. Também preciso de mais toalhas e gaze. Precisamos limpar isso aqui antes de qualquer coisa.

Scott estava pronto para se colocar de pé quando a bruxa o segurou pelo pulso, desta vez se virando para encará-lo.

- Também vou precisar de agulha e linha. O corte está muito grande.

Damien assentiu e correu para cumprir as orientações da bruxa. Antes de sumir pela cozinha, entretanto, ele ainda parou diante de Samantha e Francesca. A namorada estava de pé e não parecia disposta a soltar o filho depois das cenas que presenciara, mas também não estava em seu melhor estado.

Uma jaqueta de Damien havia sido jogada por cima dos seus ombros para tentar esconder a pele exposta pela roupa rasgada, mas seu olho estava cada vez mais inchado, haviam arranhões por todo o corpo e os cabelos completamente desalinhados.

- Sam, você pode cuidar da Fran?

A Banshe concordou enquanto lançava um sorriso encorajador para a amiga. Ela puxou Francesca pelos ombros a guiando pelas escadas para o andar de cima. Antes que as duas sumissem, entretanto, a voz de Rosie voltou a soar pelo salão.

- Fran? – A bruxa esperou o olhar da menina para continuar. – Me desculpe. Eu não sabia.

Minutos depois, com a ajuda de Max, todos os itens pedidos por Rosie estavam espalhados ao redor da bruxa, assim como uma garrafa de whisky.

Paolo já começava a tremer de frio quando o ferimento terminou de ser limpo. O cheiro de ervas tomou conta do lugar quando Rosie terminou o preparo do que parecia ser uma pasta verde e pegajosa, que logo foi aplicada no ferimento. O Whisky foi virado na garganta de Sullivan antes que as mãos trêmulas de Rosie enfiassem a agulha em sua carne para fechar a ferida.

No que pareceu ser mais de uma hora depois, o peito de Paolo estava completamente limpo e a ferida fechada. Algumas gazes foram colocadas sobre o ferimento, ocultando a pasta verde feita por Rosie, mas ele finalmente descansava com a respiração tranquila, sem a expressão de dor em seu rosto.

Damien ainda se sentia elétrico quando entrou no quarto de Max, encontrando o cômodo tumultuado com a presença de Cavendish e Archibald, além de Francesca e Isaac.

O bebê finalmente dormia nos braços da mãe, as roupinhas haviam sido trocadas e os olhares de todos estavam voltados para ele. Sem dúvida, era um milagre que Isaac ainda estivesse ali, sem nenhum ferimento.

- Ele vai ficar bem. – Damien deu a notícia assim que sentiu as cabeças virarem na sua direção. – A Rosie assumiu a situação, ele está descansando agora.

Uma caneca fumegante foi empurrada na direção de Francesca e assim que sua mão ficou livre, Scott se aproveitou para afagar os cabelos úmidos dela. O colchão afundou quando o lobisomem se sentou ao seu lado, aproveitando a proximidade para encarar o filho.

- É um chá. A Rosie disse que vai te acalmar.

- Que tipo de chá? – Samantha perguntou, erguendo uma sobrancelha, mas Damien abriu um sorriso porque ele também havia feito aquela pergunta para a bruxa.

- Camomila.
avatar
Damien Scott

Mensagens : 300
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Set 04, 2016 3:54 am

Mesmo depois que a água morna do chuveiro livrou o corpo de Francesca da sujeira e das manchas de sangue, a garota continuou sentindo-se imunda. Seu coração permanecia acelerado e só agora que todos estavam a salvo Sullivan parava para analisar o perigo que tinham enfrentado naquela madrugada. Era um milagre que todos estivessem vivos. Os olhos verdes se enchiam de lágrimas quando Francesca imaginava o que poderia ter acontecido com Isaac se uma improvável transformação não atingisse Damien naquele momento de tensão.

Os cabelos castanho-avermelhados tinham sido presos numa trança feita pelas mãos habilidosas de Samantha. Agora Francesca estava aquecida com um pijama confortável que escondia a maior parte dos arranhões em sua pele, mas não havia nenhuma maneira de disfarçar o olho inchado. Sam havia tentado reduzir o dano com uma compressa de água quente, mas Sullivan ainda era incapaz de abrir as pálpebras.

Ter o filho nos braços, sem nem mesmo um arranhão na pele macia, era a única coisa que evitava que Francesca se entregasse ao desespero. O ferimento de Paolo era grave, mas Rosie parecia muito disposta a compensar o seu erro salvando a vida do caçador. Mesmo que tudo estivesse caminhando em uma direção melhor, Francesca continuava abatida e arrasada quando Damien entrou no quarto de Max.

Era tolice pensar que um chá de camomila poderia acalmá-la, mas Francesca achou mais fácil pegar a caneca e tomar um gole para agradar Scott. Isaac continuou nos braços da mãe, o que mostrava que Francesca ainda não estava pronta para soltar o bebê depois do pesadelo daquela madrugada.

- Você precisa de mais alguma coisa, Fran? – a voz de Maximilian soou com uma sincera preocupação – Quer um analgésico? Imagino que o olho esteja muito dolorido.

- E desde quando lobisomens precisam de analgésicos, Max?

- Não precisamos. – o Alpha abriu um sorriso gentil – Mas eu tenho um pequeno estoque no café, para o caso de algum cliente pedir.

A caçula dos Sullivan concordou com um breve movimento de cabeça. O olho realmente latejava de dor e ela estava cansada de fingir que era forte naquela noite. Desde que notara que Isaac estava doente, tudo o que Francesca queria era desmoronar.

- Eu já volto. Vou aproveitar pra ver se a Rosie precisa de ajuda com o Paolo.

O olhar de Max se demorou um pouco mais em Damien antes que o rapaz deixasse o quarto. É óbvio que Cavendish já tinha notado as íris vermelhas do amigo há mais tempo, mas aquela era uma conversa que poderia esperar. A situação de Paolo e o abatimento de Francesca eram as prioridades naquele fim de madrugada.

- O que houve lá dentro?

A pergunta que Maximilian adiara acabou sendo feita por Francesca depois que o Alpha saiu do quarto. Seu olhar buscou por Damien e o coração dela se comprimiu ao perceber que algo havia mudado além dos olhos vermelhos que agora brilhavam no rosto de Scott. É claro que ela ainda o amava e não havia se esquecido de todas as lembranças ao lado dele, mas não havia mais aquela dependência sufocante gerada pela marcação.

- Como foi que você conseguiu fazer isso, Damien?

Embora soubesse que Scott não havia planejado se transformar em um Alpha, Francesca não conseguia evitar a sensação de que aquela novidade era uma espécie de traição. A transformação de Damien salvara quatro vidas naquela madrugada, mas havia quebrado o elo que os unia como casal.

A marcação acontecera no instante em que os dois se olharam pela primeira vez, num dos corredores da Constance Billard School. Portanto Francesca simplesmente não sabia como lidar com a ausência daquela ligação. Era como se ela enxergasse o verdadeiro Damien pela primeira vez. Pela primeira vez, Francesca não sentia que pertencia a ele. E era assustador saber que o namorado experimentava a mesma sensação que ela.

- Você também já percebeu, não é? – a voz de Francesca se tornou mais baixa ao completar o raciocínio – Que não estamos mais marcados.

Verbalizar aquela verdade só contribuiu para que ela parecesse ainda mais dolorosa. Francesca nunca fora uma garota insegura, mas a marcação sempre dera a ela a certeza de que Damien era seu. Agora, tudo o que ele veria ao encará-la era uma garota comum, completamente desalinhada depois daquele pesadelo, com um enorme hematoma cobrindo grande parte do rosto abatido.
avatar
Francesca Sullivan

Mensagens : 99
Data de inscrição : 23/04/2016

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Set 04, 2016 4:53 am

- Como ele está?

A pergunta de Samantha chegou em um sussurro com medo de acordar Paolo quando ela alcançou novamente o salão do café. O sofá estava manchado de sangue, mas para evitar que a ferida se abrisse novamente, Rosie pediu que ele não fosse mexido. Subir as escadas para que ele ocupasse uma das camas do andar superior estava completamente fora de cogitação, então eles tentaram compensar no conforto para que o caçador continuasse ali.

Um travesseiro havia sido colocado sob sua cabeça, e embora seu peito continuasse nu, exibindo as gazes com as ervas de Walker, um cobertor havia sido jogado sobre suas pernas. Lobisomens normalmente não sentiam frio, nem mesmo nas noites mais gélidas do ano, mas o estado debilitado de Paolo havia provocado uma leve febre e o seu corpo parecia ocupado demais tentando iniciar o processo de cura para aquecê-lo naquele momento.

- Está melhor agora. O sangramento parou, mas o processo de cura ainda está muito lento. Ele vai dormir por pelo menos cinco horas, mas estou com esperanças de que estará quase cicatrizado quando acordar.

Rosie, que era sempre sorridente e simpática, estava com os ombros cabisbaixos e uma expressão cansada. Sem dúvida ela estava se culpando pelo que havia acontecido naquela noite, embora tivesse tido apenas boas intenções ao indicar a velha bruxa para ajudar Isaac.

- Você salvou a vida dele, Rosie. Não foi culpa sua o que aconteceu, você sabe, não é?

A bruxa forçou um sorriso, mas que de alguma forma só a deixou com um semblante ainda mais choroso e cansado. Sem responder, ela se ocupou apenas de pegar um copo de água e voltar para o lado de Paolo, onde provavelmente passaria o restante da noite, vigilando seu sono.

Como o silêncio pairou, Archibald achou melhor não insistir no assunto, por isso caminhou silenciosamente até a cozinha onde Max estava. Era impossível controlar as batidas do seu coração, e mesmo com todo o drama daquela noite, ela imediatamente abriu um sorriso.

Parecia inacreditável que os dois tivessem finalmente esclarecido toda confusão criada dois anos atrás. Depois que Rosie os obrigara a enfrentar seus problemas, Samantha enxergava com clareza como os dois ainda se amavam e que havia sido um erro tentar se afastar, independente do motivo.

Os braços de Sam deslizaram pelo pescoço de Cavendish e ela cobriu os lábios dele com um rápido beijo antes de procurar pelos olhos vermelhos.

- Então, temos mais um Alpha na alcateia? Achei que uma transformação dessas fosse extremamente rara. Mas parece que estamos cercados de milagres. Sem isso, não quero nem pensar no desastre que teria acontecido hoje.

A cabeça de Sam foi apoiada contra o peito de Max e ela fechou os olhos, se aproveitando daquele momento egoísta. Enquanto todos naquela casa ainda tentavam lidar com os últimos acontecimentos, Archibald queria apenas aproveitar a sensação de estar novamente nos braços do lobisomem.

Longos minutos se passaram e ela manteve os olhos fechados, permitindo que apenas o perfume de Max alcançasse seus sentidos. Quando seu rosto finalmente se virou para encará-lo, a testa franzida indicava que o momento de relaxamento havia acabado.

- Está quase amanhecendo, Max. Já esperamos tempo demais. Está na hora de ligar e exigir a recompensa.

A emboscada no metamorfo parecia ter acontecido há meses e não em apenas algumas horas. Embora não tivesse dormido um único minuto durante aquela noite, Sam não sentia um pingo de sono quando puxou o telefone para fazer a ligação.

Os cabos já preparados estavam ligando o celular a um notebook apoiado sobre a bancada da cozinha enquanto um sistema com um mapa era exibido na tela. A Banshee respirou fundo várias vezes antes de finalmente discar o número decifrado por Paolo.

O som seco da chamada ecoou apenas três vezes antes do silêncio reinar. Do outro lado da linha, apenas uma respiração pesada podia ser ouvida, mas os olhos castanhos já estavam atentos na tela do computador enquanto o sistema tentava se conectar com a ligação.

- Alô? – Sam chamou, sabendo que a outra pessoa poderia escutá-la.

Mais uma vez, sua resposta foi apenas a respiração contínua e ruidosa. Suas mãos começavam a suar, mas Sam tentou se manter calma, ignorando o próprio coração acelerado.

- Você consegue me ouvir?

Uma luz verde piscou na tela do computador, indicando que o sistema finalmente havia se conectado. A respiração soou duas vezes antes de uma voz robótica responder “SIM”. Independente do que ela dissesse agora, só precisava manter o homem na linha até o sistema rastrear aquela ligação.

- Esther Foster está morta. – Samantha tentou soar mais corajosa do que realmente se sentia. – Eu quero a minha recompensa.

Na tela, o mapa se aproximava cada vez mais. Os Estados Unidos entraram em close e, segundos depois, o desenho de Nova York começou a ser desenhado. Seu coração estava cada vez mais acelerado com o medo do sujeito desligar antes.

- Vinte mil, não é? Era isso que estava escrito. Vinte mil pela cabeça dela.

- Confirmação visual.

A voz robótica soou mais uma vez. A imagem da tela continuava pixelada, forçando o carregamento, e a ansiedade tomava conta de Archibald.

- Provas? Você quer provas? Bom, o corpo daquela maldita está apodrecendo na estação de esgoto entre a 2nd com a 9 sul. Mas se for muito trabalhoso para você, posso enviar fotos.

- Confirmação visual.

A voz repetiu, e apesar de não ter muitos detalhes, Samantha já sabia o que fazer. Ela afastou o telefone do ouvido, colocando a ligação no viva-voz, enquanto procurava no álbum as fotos tiradas na noite anterior. Seu estômago se revirou e ela tentou não vomitar ao ver o corpo sem vida de Esther na tela do seu celular, e com os dedos trêmulos, disparou o envio da imagem.

- Está aí a maldita confirmação visual. Eu quero o meu dinheiro. Vinte mil.

Teve uma longa pausa onde apenas a respiração pesada era ouvida. Os olhos castanhos estavam presos no mapa que mais uma vez havia se aproximado para exibir as ruas de Nova York. A imagem estava embaçada e ainda não era possível saber exatamente em qual região. Ela precisava de mais tempo.

- Você está aí? Eu realmente não tenho todo o tempo do mundo. Aquela aberração está morta, o que mais você quer?

Mais alguns segundos se arrastaram antes da voz soar.

- Confirmação aceita. O dinheiro será transferido.

- Transferido? – Sam soltou um risinho nervoso. – Você não espera mesmo que eu entre no banco para sacar vinte mil, não é? Eu quero o dinheiro vivo.

Ela já sabia que uma nova pausa seria feita. O homem provavelmente digitava suas respostas antes que a máquina respondesse por ele, mas aquilo era uma vantagem ao seu favor. Tornava seu tempo maior para que o mapa fosse carregado.

- O dinheiro será transferido. Pessoalmente.

- Onde?

Sam prendeu a respiração quando o mapa chegou no último nível geográfico, montando as imagens para formar o endereço completo.

- Central Park. Meia noite.

Um estalido se fez ouvir quando a ligação foi finalizada bruscamente. Samantha arregalou os olhos, ficando estática. A luz verde agora piscava, mostrando que havia chegado ao fim do processamento de localização. Na tela, o mapa completamente carregado mostrava um endereço junto com as imagens do satélite.

- É na Brown. Esse endereço é da Brown, Max.
avatar
Lucinda Clearwater

Mensagens : 574
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Set 04, 2016 5:35 am

Damien não teve coragem de responder de imediato o questionamento de Francesca. É claro que ele havia percebido. Mesmo com toda a ação daquela noite, com a descoberta de ter se transformado em um Alpha e com o perigo de vida de Isaac e Paolo, era impossível não ter notado.

Desde a primeira vez que vira Francesca, seu mundo havia parado de girar por um instante para se realinhar e se conectar ao dela. Os dois estavam ligados de tal forma que, mesmo em sua primeira lua cheia, a simples presença da menina fora capaz de impedir sua transformação desequilibrada. Ele poderia reconhecer as batidas do seu coração há uma distância surpreendente e era quase como se ele soubesse o que ela estava sentindo.

Era aquela marcação que, no fundo, não permitira que ele enlouquecesse quando acreditou que ela estivesse morta. Qualquer lobo sabia que após um casal estar marcado, se um dos dois morresse, o outro poderia quase ir à loucura, mas Damien conseguiu se manter de pé até o inevitável reencontro.

Como nunca havia estado na presença de Sullivan sem a marcação, era uma sensação inédita, mas surpreendentemente libertadora. Durante todo aquele tempo, ele sempre achou um exagero as descrições de Max e dos outros lobos de que um casal marcado se comportava de maneira irracional. Ele sempre agira por instinto ao lado de Francesca, mas só agora era capaz de enxergar isso.

A necessidade de protege-la ainda estava ali, assim como o amor. Mas pela primeira vez, Scott sentia sua mente mais leve e o coração livre, como se literalmente tivessem arrancado uma corrente invisível que o ligava a Francesca.

- É, eu percebi. – Ele finalmente admitiu, a voz sussurrada no quarto vazio, sem coragem de encará-la.

Um suspiro cansado escapou dos lábios do lobisomem e Damien se acomodou melhor na cama. Francesca e Isaac já estavam de banho tomado, mas Scott ainda usava as roupas que haviam se rasgado durante sua primeira transformação completa. Ele se limitou a tirar os sapatos antes de se esticar no colchão e afundar a cabeça no travesseiro, encarando o teto.

- Eu não sei o que aconteceu, Francesca. Sinceramente, eu sabia que era possível, o Jack já me contou algumas histórias sobre betas que se transformavam em Alphas. Mas nunca cogitei que isso pudesse acontecer comigo.

Seus lábios deslizaram para o lado, formando um sorriso torto e sem ânimo. As pálpebras ficaram pesadas até cobrirem as íris vermelhas pelas quais ele ainda levaria um tempo a se acostumar. Seu antebraço foi apoiado contra os olhos, como se ele estivesse tentando criar mais uma barreira para esconder aquele novo detalhe de sua aparência.

- Eu nem sei se foi mesmo isso que aconteceu. Só o que eu conseguia pensar era que o Isaac e você iam morrer bem na minha frente e eu não seria capaz de salvar a minha família.

As lembranças ainda eram recentes demais, como se simplesmente revive-las em voz alta fosse suficiente para fazer tudo acontecer e colocar Isaac e Francesca novamente em perigo.

- Eu nunca senti tanto medo antes, Fran. Ver aquele homem tocando você... Ou o Isaac sendo amarrado como um porco no abatedouro...

A voz de Damien morreu quando sua garganta se fechou, queimando com as dolorosas lembranças. Lembrar quando ele próprio se dirigia ao filho no ventre de Francesca como um monstro tornava sua culpa ainda pior, como se fosse ele a segurar aquela faca de prata naquela noite.

O braço de Scott deslizou pelo seu rosto e as pálpebras foram novamente abertas. Seus olhos ainda estavam mergulhados em um vermelho intenso quando ele se virou para encarar Sullivan.

Francesca era filha de caçador, vivia naquele mundo há bastante tempo e já conhecia as características de um beta e de um Alpha. Mas agora que não existia mais a marcação, Damien sabia que ela estava enxergando pela primeira vez a criatura que ele era.

Se a marcação não existisse, era provável que os três não estivessem naquela cama aquela noite. Francesca jamais teria enfrentado a família para ficar com um lobisomem. Agora que as coisas já tinham ido longe demais, ela jamais deixaria de amar o filho, mas ainda assim poderia se arrepender de ter ao seu lado um homem cujo nem mesmo os olhos conseguiam ser normais.

- Bom, acho que ficou bem óbvio que a marcação acabou por causa da minha evolução. Se eu sou um Alpha agora, deixei para trás todo o vestígio do beta que um dia existiu. Eu não sou o Max, Fran. Não sou líder de nenhuma alcateia, mas também não sou mais o mesmo cara que você conheceu.

Damien deslizou a mão sobre o colchão até encontrar os dedos de Francesca, entrelaçando aos seus. O polegar acariciou a pele dela lentamente, mas ele ainda não tinha coragem de encarar os olhos esverdeados que tanto amava.

- Mas eu não posso dizer que me arrependo, Fran. Sinto muito, mas se o preço para salvar você e o Isaac era aquela marcação ridícula, eu ainda faria tudo de novo.

Por fim, o olhar de Scott ergueu lentamente até pousar no rosto inchado de Francesca. Ele levou a mão livre até acariciar o queixo dela, guiando o rosto de Sullivan até ficar sobre o seu. Sua cabeça ainda estava apoiada contra o travesseiro, de modo que a trança dela caía pela lateral do seu rosto até tocar o peito de Damien.

- Eu vou entender se as coisas forem diferentes para você. Mas eu ainda te amo, Francesca Sullivan. E eu ainda quero colocar uma droga de anel no seu dedo, assim que esses psicopatas tentarem parar de nos matar.

Damien podia sentir o hálito quente dela em seu rosto, mas respeitou a distância enquanto estudava cada traço de Francesca, como se estivesse vendo a namorada pela primeira vez.

- Você aceitou se casar comigo quando estávamos marcados. Agora que não tem nenhum efeito sobrenatural ligando você a mim... Ainda quer formar uma família comigo?
avatar
Damien Scott

Mensagens : 300
Data de inscrição : 17/10/2015

Ver perfil do usuário

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: Alpha Pack

Mensagem por Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Página 15 de 16 Anterior  1 ... 9 ... 14, 15, 16  Seguinte

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum