Alpha Pack

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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Ter Ago 30, 2016 4:46 am

Era desesperador o desejo de Maximilian de odiar a ex-namorada. Enquanto os dois conversavam sobre aquele assunto tão delicado, a mente do lobisomem tentava reproduzir a cena do fim do namoro na esperança que o coração dele parasse de bater acelerado como um tolo. Contudo, enquanto se esforçava para desprezá-la, Max se pegava distraído com as covinhas nas bochechas de Sam, ou com a forma graciosa e delicada com a qual ela ajeitava os cabelos ou gesticulava durante o discurso.

Ela era linda. Sempre havia sido, mas agora parecia ainda mais perfeita e inalcançável. Mesmo que não estivessem mais num ambiente fechado, Maximilian sentia com perfeição o cheiro da pele dela, exatamente o mesmo perfume que Archibald deixava em seus lençóis na época do namoro.

Para poupar a si mesmo de mais uma tortura, Max nunca havia parado para imaginar como estava sendo a vida de Samantha e Caleb. Só agora que a via naquele apartamento tão simples, o lobisomem levantava a hipótese do namoro “perfeito” não ter sobrevivido nos últimos dois anos. Para Cavendish, era óbvio que Caleb jamais concordaria em deixar que a namorada vivesse sozinha naquele bairro periférico, sem todos os luxos aos quais os dois estavam habituados.

Contudo, a situação deles era indiferente ao destino do namoro entre Sam e Caleb. Quando colocou um fim no relacionamento, Samantha havia deixado claro que tomava aquela decisão porque queria uma vida normal e confortável, ela queria levar adiante planos nos quais um lobisomem não se encaixava. E o fato de Sam nunca ter procurado por ele nos últimos dois anos mostrava que a garota não havia mudado de ideia sobre aquela decisão.

Max se obrigou a aterrissar novamente na realidade quando um prolongado silêncio mostrou que Sam já havia terminado de falar. O lobisomem estava tão vidrado nela e nas lembranças do passado que precisou de alguns segundos a mais para se lembrar do assunto importante que os dois tratavam naquele bar.

- Eu vou falar com os rapazes. E com o Paolo também, embora a minha maior vontade neste momento seja esganá-lo. Mas ele é uma peça chave nesta história. Como caçador, ele pode ter informações mais precisas sobre esta lista. Também pretendo ligar para a Rosie Walker e espero sinceramente que ela ainda esteja viva. A Rosie é uma das pessoas mais inofensivas que eu conheço, é uma injustiça vê-la nesta lista.

Rosie Walker era uma bruxa que vivia no Kansas. Maximilian a conhecera durante a passagem de sua antiga alcateia pela região e a bruxa fora procurada para cuidar de um ferimento feio que Jack ganhara depois de uma briga de alcateias. Ela era o tipo de bruxa que usava os seus dons para fazer poções e magias curativas. Seu vasto conhecimento sobre vários tipos de criaturas sobrenaturais seria uma contribuição valiosa naquele momento.

- Eu realmente sinto muito pelas insinuações, Samantha. Eu não estava falando sério quando disse que você se diverte com esse tipo de adrenalina. É uma grande injustiça dizer isso depois de tudo o que você passou com a alcateia da Tessa. Eu ainda acho que você é uma criatura muito bizarra, mas nem mesmo você poderia achar toda esta loucura divertida.

O uso do velho adjetivo não soou como uma crítica. Assim como no passado, a entonação gentil de Maximilian denunciava que era uma brincadeira.

- Exatamente por isso, eu não quero que você se envolva mais, está bem? Se descobrir mais alguma coisa, é claro que eu vou querer saber. Mas não quero que vá atrás de nenhuma resposta, ok?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Ter Ago 30, 2016 4:49 am

Os detalhes da foto mostrada por Francesca faziam a mente de Damien girar em confusão, mas ele não tinha coragem de completar aquela teoria até ouvir com todas as letras pela boca de Francesca.

- Ele é meu filho.

Scott gaguejou, a voz saindo em um sussurro quase inaudível. Os olhos arregalados encararam a criança em seu colo, como se só agora estivesse enxergando Isaac. Era impossível não olhar para aqueles miúdos olhos verdes e não se derreter, mas aquilo só tornava ainda mais impossível acreditar que aquele era o mesmo bebê que um dia ele escolhera abortar.

Talvez fosse um tipo de extensão da marcação, mas no instante em que colocou os olhos no filho de Francesca, Damien sabia que ele era diferente. O que ele não esperava era que aquele rostinho angelical que o conquistara imediatamente pudesse ser o mesmo monstro que ele tinha certeza que sairia do ventre de Sullivan.

O queixo caído de Damien trincou quando ele engoliu em seco e a paz de segundos antes já havia desaparecido. Sua testa estava franzida enquanto ele estudava o rostinho de Isaac, que o encarava com a mesma curiosidade.

A culpa imediatamente amargou a boca de Scott. Pela primeira vez ele compreendeu o risco que Francesca estava disposta a correr. Enquanto ele só conseguia enxergar uma criatura que devoraria a mãe por dentro, a ex-namorada já enxergava aquele pequeno anjinho e não poderia estar mais certa em assumir todos os riscos para tê-lo em seu braço.

Damien só se sentiu ainda pior quando o punhal de prata brilhou sob o moletom de Francesca. Seus olhos estavam brilhando pelas lágrimas não derramadas e o lábio inferior tremeu quando ele encarou a ex-namorada, se sentindo magoado e ofendido.

- O que exatamente você achou que eu faria, Francesca? Você tem medo que eu o machuque? Mesmo agora, com ele no meu colo, você acha que eu faria algum mal a ele?

Conforme ia falando, a voz de Damien se tornava mais alta e apressada. A curiosidade de Isaac desapareceu quando ele se espantou com a repentina mudança e buscou pelo rosto da mãe, completamente perdido com o que acontecia entre os dois adultos.

- Como você pode pensar isso de mim? Foi por isso que você o escondeu de mim todo esse tempo?

Os braços de Damien rodeavam o corpinho de Isaac, querendo mantê-lo protegido, embora aos olhos da mãe ele fosse a única ameaça presente.

Quando Scott estava tão convicto por um abordo, ele jamais imaginou que existiria a possibilidade de ter o filho em seus braços, parecendo tão humano, saudável e indefeso. Agora que Isaac estava ali, ele se sentia um lixo por ter escolhido o caminho mais fácil, exatamente como Francesca o havia acusado.

Apesar disso, era extremamente insultante que a ex-namorada o encarasse como tamanha ameaça. Ele jamais teria forçado um aborto, mesmo anos antes. Talvez tivesse passado toda a gestação de Francesca lutando, inteiramente apavorado com a bomba-relógio que ela carregava. Mas no instante em que tivesse o filho no colo pela primeira vez, sua tarefa seria unicamente protege-lo.

- Guarde isso, Francesca! Você está me ofendendo! Eu não sou um assassino. – Suavizando sua expressão em um pedido de desculpas pela voz exaltada, Damien buscou o rosto do filho e sorriu, tentando tranquiliza-lo. – Como alguém seria capaz de ferir você, rapazinho? Como eu pude ser capaz de simplesmente cogitar isso? Você me perdoa?

As lágrimas de Damien já haviam escorrido pelo seu rosto sem que ele tivesse conhecimento, e foram atrás delas que os dedinhos gorduchos de Isaac procuraram, tocando o rosto emocionado do pai. O pedido de perdão não era direcionado a Francesca e era quase como se Isaac soubesse disso.

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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Ago 30, 2016 5:21 am

O uso do antigo apelido imediatamente arrancou um sorriso dos lábios de Samantha, fazendo novamente as covinhas aparecerem em suas bochechas. Ouvir aquela expressão dos lábios de Max era nostálgico e ela imediatamente foi transportada de volta ao tempo em que os dois namoravam, quase como se todas as mágoas não existissem mais.

O pedido para que ela não se envolvesse, entretanto, fez Sam o encarar com curiosidade. Era quase como se Max estivesse preocupado com o seu envolvimento, e por mais que achasse aquela teoria pouco provável, Archibald imediatamente sentiu seu corpo se aquecer com a possibilidade de ainda existir algum vestígio de sentimentos bons por ela.

- Sinto muito, Max. A lista chegou até mim. É claro que eu vou me envolver.

Apenas dois anos haviam se passado e Archibald demonstrava que continuava a mesma menina impulsiva que rastreara uma alcateia inteira e invadira a reunião de Max para lhe passar informações cruciais para enfrentarem o grupo de Tessa.

Sam sempre havia detestado agir como uma simples colegial indefesa que não pertencia ao mundo de Cavendish, e nem mesmo o tempo afastada dele fizera mudar sua determinação em assumir o controle e participar ativamente, independente do perigo.

Seria mais fácil simplesmente mentir e dizer a Cavendish que ficaria afastada daquilo que certamente se tornaria uma perigosa aventura. Max provavelmente sairia daquele bar e os dois não voltariam a se encontrar. Mas ela não viraria as costas tão facilmente.

- Então, se você vai se envolver e eu vou me envolver, talvez a gente devesse simplesmente unir forças e evitar um retrabalho.

Mais uma vez, Archibald tinha certeza que Max podia ouvir as batidas aceleradas do seu coração, denunciando sua ansiedade. Ela o estudou com os olhos atentos, procurando qualquer sinal que denunciasse que ele não só discordava, como não gostava em nada do que ela estava propondo.

- Vai ser muito mais rápido se trabalharmos juntos e unirmos todas as peças. E eu me refiro a todos... Ao Jack, Theo, Damien, Paolo. É só o seu nome que está na lista, mas eles também são sobrenaturais. É questão de tempo até aparecer outra lista com os nomes deles, não acha?

Sam fez uma pequena pausa, sem desviar o olhar das lentes azuis. Era uma grande tortura estar tão perto de Max quando tudo entre os dois havia se transformado e foi preciso um grande esforço para não esticar a mão e toca-lo bem ali. A ideia de como ele reagiria com repulsa foi a única coisa que a manteve sob controle.

- Eu sei que você me odeia, Max. Mas não posso simplesmente ignorar isso e ficaria muito feliz se você participasse comigo.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Ter Ago 30, 2016 5:31 am

- Não me julgue por pensar assim, Damien. O Isaac já era um bebê indefeso quando você insistiu em um aborto. Nada mudou, então eu tinha os meus motivos para concluir que a sua opinião sobre ele também não mudaria.

Apesar da entonação amarga usada naquela acusação, os ombros de Francesca relaxaram quando ela finalmente se convenceu que Isaac não corria nenhum perigo nos braços do pai. Mesmo que o bebê não fosse inteiramente humano, era óbvio que Scott não enxergava mais um monstro ameaçador quando o encarava.

O punhal de prata foi deixado sobre a mesinha da sala e Francesca se afastou alguns passos da arma, num gesto que mostrava que ela não via mais a necessidade de manter aquela postura agressiva.

Como era óbvio que Damien já havia se apegado ao filho e estava profundamente arrependido da ideia do aborto, Francesca soube que o ex-namorado estava pronto para escutar os detalhes mais delicados do desenvolvimento do garotinho.

- Lobisomens vivem mais tempo que um ser humano comum. Eu confesso que surtei quando percebi que o Isaac estava demorando muito para crescer, mas o Paolo me convenceu de que isso faz parte do processo de desenvolvimento de um mestiço.

Francesca se aproximou dos dois e, tão logo viu a mãe, Isaac estendeu os bracinhos na direção dela. O olhar de adoração do menino indicava que ele também havia herdado do pai o elo de marcação que o ligava de forma intensa a Sullivan. Assim que teve o seu desejo atendido e retornou para os braços de Francesca, Isaac segurou imediatamente um dos cachos arruivados dela.

Antes que Damien concluísse que o crescimento lento era a única influência de sua maldição no menino, Francesca mencionou o detalhe mais preocupante sobre Isaac.

- Ele se transforma, Damien. – havia uma preocupação dolorida refletida nos olhos verdes quando Francesca encarou o ex-namorado – Aconteceu três vezes, sempre durante a lua-cheia. Como ele ainda não tem dentes e as unhas são delicadas, ele não machucou ninguém. Mas é uma transformação, e eu realmente não sei como serão as coisas no futuro.

Evitar novas transformações havia se tornado a mais das obsessões de Francesca. A chupeta que ela enfiou de volta na boca de Isaac era só um dos artifícios que a mãe usava para evitar uma tragédia.

- Ele se transforma por influência da lua, e também quando está agitado. Na primeira vez ele estava gripadinho e com febre, não conseguia dormir e chorou a noite toda. Na segunda vez, ele prendeu o dedinho num brinquedo e se machucou ao puxar o braço. E a terceira vez foi por culpa do Paolo. – os olhos de Francesca se estreitaram – Ele teve a brilhante ideia de fazer cócegas nele. O Isaac gargalhou até perder o controle e se transformar.

Sullivan usou apenas um dos braços para sustentar o peso do filho enquanto a outra mão ajeitava os fios castanhos atrapalhados. As pálpebras pesadas indicavam que Isaac estava prestes a cair no sono novamente, então a mãe se apressou para trocar a fralda molhada. O bebê foi posto sobre o sofá e Francesca se agachou diante dele, abrindo de forma cuidadosa os botões laterais do pijaminha.

- O segredo é deixá-lo calmo. Mas ele é uma criança, eu não vou conseguir evitar que ele eventualmente sinta dor, ou que fique agitado em alguma brincadeira... Enfim, eu não sei como serão as coisas quando ele crescer um pouco mais.

Embora ainda fosse jovem demais para ter um filho, Francesca mostrou que já estava totalmente confortável no papel de mãe. A fralda molhada foi retirada em poucos segundos pelas mãos habilidosas de Sullivan e a moça apontou uma bolsa sobre a poltrona do outro lado da sala.

- Pegue pra mim, por favor...

Assim que teve a bolsa ao alcance de suas mãos, Francesca não precisou de mais que um minuto para limpar Isaac, colocar uma camada de talco no menino e prender uma fralda limpa nele. Antes de fechar o pijama, Francesca depositou um beijo na barriguinha do filho, arrancando uma risadinha dele.

- Agora é hora de tomar um leitinho morno e dormir, mocinho. Você já ultrapassou toda a sua cota de emoções desta semana!

Para mostrar que não encarava mais Damien como um perigo, Francesca devolveu o filho para os braços dele. Com um sorriso debochado, a moça tocou nas mãos desajeitadas do ex-namorado e as posicionou de forma que Isaac ficasse mais confortável no colo do pai.

- Eu vou esquentar o leite para ele. Tente não deixá-lo cair, por favor.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Ter Ago 30, 2016 6:01 am

Os olhos de Damien estavam arregalados quando recebeu o filho novamente em seu colo, mas o seu medo ia muito além de deixar a criança escorregar pelos seus braços de encontro ao chão.

Aquela cena parecia vir de algum sonho bizarro e Scott esperava acordar a qualquer instante. Tudo estava acontecendo rápido demais. Ele havia vivido mais naquele dia sem fim do que nos últimos dois anos, mas de alguma forma, seus instintos lhe diziam que ele estava preparado para ter o filho em seus braços.

Era muita informação a ser absorvida, mas quando o pequeno Isaac acomodou a cabeça em seu peito, mesmo com o ângulo pouco confortável em que era segurado, Damien só tinha uma prioridade: cuidar do filho.

Quando se viu completamente a sós, ele apoiou uma das mãos nas costas de Isaac, para mantê-lo firme contra seu peito. Seus dedos pareciam enormes em contato com a miniatura em seu colo. Seus pés balançavam de um lado ao outro, instintivamente ninando o sonolento bebê. A bochecha de Scott estava pressionada contra a testa do filho enquanto ele tentava virar o rosto para encarar o rostinho cansado.

- Pode acreditar, carinha... Não foi só você que ultrapassou a cota de emoções.

A voz de Damien não passava de um sussurro para se comunicar com um filho, e aos poucos seu sorriso voltava a brincar nos lábios. A lâmina prateada brilhou na mesinha, como se ainda estivesse debochando, mostrando sua presença. Com uma careta de desagrado, Scott virou de costas para o punhal de Francesca, sem parar de balançar Isaac.

Havia uma ruga de preocupação entre suas sobrancelhas enquanto ele estudava o rostinho calmo do menino. Era impossível dizer que aquela criaturinha indefesa pudesse se transformar em um lobisomem, e mais uma vez, Damien se culpou por tornar a vida do filho tão difícil. Além de desejar um aborto, agora ele era o responsável por ter passado aquela maldição na vida do pequeno.

Era um milagre e Damien se sentia o homem mais sortudo do mundo. Ele havia ficado de luto por um ano, com a certeza de que Francesca estava morta. E agora descobria não só que a ex-namorada estava bem, como ele tinha um filho. Algo que todos julgavam impossível estava ali, quase cochilando ao redor dos seus braços.

- Quer dizer que você andou se transformando? – Damien voltou a sussurrar naquela conversa unilateral. – É uma droga, não é? Não queria que você precisasse passar por isso, carinha.

Apesar de tanto tempo ter passado e tantas coisas terríveis terem acontecido, Scott ainda se lembrava com clareza da noite em que fora mordido e de como reagiu aos primeiros sintomas. Sua pele fervia enquanto seu DNA se transformava. Ele perdeu os sentidos e se sentiu completamente apavorado quando viu as garras, as presas e os olhos amarelos pela primeira vez. Ver o monstro refletido no espelho o fez odiar a si mesmo, mas ele não conseguia imaginar como alguém poderia odiar Isaac, mesmo se a cor amarelada substituísse suas íris esverdeadas.

Era terrível imaginar que o filho fosse obrigado a passar por algo tão tenebroso ainda tão novo e o velho instinto protetor que sempre exigiu que cuidasse de Francesca agora era dedicado também ao filho.

- Nós vamos dar um jeito nisso. Eu prometo. Eu estou aqui agora e vou cuidar de você, hm?

As pálpebras de Isaac pesavam cada vez mais e se Francesca demorasse mais alguns minutos, ele provavelmente dormiria sem tomar o leite naquela noite. A mão de Damien subiu pela coluna do bebê até segurá-lo pela nuca, mantendo a cabecinha firme enquanto ele depositava um beijo em seus cabelos castanhos.

- Eu tive um Alpha quando me transformei. Mas você não precisa de um. Nós vamos resolver isso juntos, carinha.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Ter Ago 30, 2016 6:05 am

A expressão nada surpresa de Maximilian mostrava que o lobisomem já esperava por aquela resposta da ex-namorada. Mesmo depois de dois anos de separação, Max ainda a conhecia bem o bastante para saber que Samantha jamais concordaria em ficar de braços cruzados enquanto as outras pessoas resolviam todo o problema por ela.

- Eu nem sei por que perdi meu tempo sugerindo isso. É óbvio que você vai se envolver, não é, Samantha?

Aquela determinação de Sam não combinava com a decisão dela em se afastar de Max e do mundo sobrenatural, mas Cavendish há havia desistido de tentar entender a cabeça da ex-namorada. Embora ele tivesse uma grande facilidade em enxergar a verdade por trás das pessoas, aquela habilidade Maximilian falhava justamente com Samantha, que talvez possuía a mente que Max mais queria compreender.

- Eu não consigo recusar a sua ajuda quando me lembro do dossiê que você fez sobre a alcateia da Tessa. Você gastou poucas horas para reunir as informações que eu demoraria semanas para encontrar.

A mesma admiração refletida nos olhos de Max naquela época se fez presente na entonação dele agora. Mesmo depois de todo o mal que Samantha lhe fizera, o lobisomem precisava admitir que a ex-namorada era excepcional naquele tipo de tarefa. Sem dúvida, tudo seria muito mais fácil com a colaboração dela.

Era muito difícil estar novamente diante de Samantha Archibald, mas Maximilian repetia para si mesmo que o contato dos dois agora seria totalmente profissional. Tão logo fosse resolvido o problema das listas e não houvesse mais nenhuma ameaça pairando sobre a alcateia, os dois retornariam para suas respectivas vidas nas quais não havia mais nenhum caminho em comum entre eles.

- Eu preciso de três dias para reunir todo mundo. Alguns estão fora da cidade por causa dos feriados e eu também preciso de algum tempo para tentar localizar a Rosie no Kansas e para tentar convencê-la a nos ajudar nisso.

Pela primeira vez nos últimos dois anos, Max se sentia motivado para fazer alguma coisa. O espírito do Alpha adormecido dentro dele despertara por completo e, inconscientemente, Cavendish já havia assumido a responsabilidade pela segurança dos seus lobos. Aquele gesto mostrava que, apesar do seu esforço para se tornar um lobo solitário, Maximilian nunca deixara de ser um Alpha.

Era irônico pensar que a mesma pessoa que o fizera desistir da alcateia agora lhe dava motivos para refazer o grupo. Era como se a simples presença de Samantha em sua vida fosse necessária para manter o Alpha de pé e determinado a seguir adiante. Jack provavelmente até perdoaria a garota quando soubesse que, graças a ela, a alcateia desfeita no passado estava prestes a renascer.

- Três dias, ok? Podemos nos reunir para discutir a situação e você leva mais informações caso encontre alguma coisa neste período.

Um segundo guardanapo foi usado para que Max escrevesse um endereço do Queens. O lobisomem suspirou antes de entregá-lo para Sam.

- Podemos nos encontrar aqui. Vou marcar com o resto do pessoal às oito da noite. Se você não puder ir, mande as informações pelo e-mail. – Cavendish fez uma demorada pausa antes de decidir que Sam merecia aquela explicação – É o endereço do meu café. Digamos que foi uma tentativa de um novo negócio, mas o Jack tem razão ao dizer que eu estou consumindo todo o lucro do estabelecimento.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Ter Ago 30, 2016 6:37 am

Não era preciso possuir os ouvidos sensíveis de um lobisomem para acompanhar a conversa unilateral que acontecia na sala. O apartamento de Samantha era pequeno e estava completamente silencioso àquela hora da noite. Não era difícil ouvir as palavras que Damien dirigia ao filho naquela voz grave da qual Francesca sentira tantas saudades.

Um sorriso emocionado brotou nos lábios de Sullivan enquanto ela mexia nos armários da amiga até encontrar o leite que trouxera para Isaac. A mamadeira foi preparada e levada ao micro-ondas. Os movimentos de Francesca eram mecânicos e toda a sua atenção estava voltada para a voz vinda da sala.

A maneira tão positiva que Damien reagira à novidade fez com que Francesca se sentisse culpada por ter escondido a verdade dele por tanto tempo. Se a garota não tivesse se deixado levar por um medo irracional de que Scott machucasse o seu bebê, Isaac teria ganhado um pai há muito mais tempo.

Paolo era um lobisomem e vinha ajudando muito com o sobrinho. Mas as suas prolongadas ausências obrigavam Francesca a encarar aquele problema sozinha na maior parte do tempo. Sem dúvida, tudo teria sido mais fácil se Scott estivesse por perto e a ajudasse a controlar os instintos lupinos do filho.

- Está pronto. – Francesca anunciou enquanto retornava para a sala.

Cuidadosamente, a mãe experimentou a temperatura do leite jogando algumas gotinhas na própria mão. Ao perceber que o leite estava agradavelmente morno, Francesca empurrou a mamadeira para as mãos de Scott. Uma das sobrancelhas dela se ergueu de forma irônica diante do olhar surpreso do ex-namorado.

- Sim, é você que vai fazer isso.

Antes que Damien derrubasse o bebê com seus movimentos desajeitados, Sullivan socorreu os dois. Scott sentou-se no sofá da sala e Francesca o ajudou a colocar Isaac na posição correta. A chupeta foi retirada e o menino imediatamente fez um biquinho de choro, mas acalmou-se logo que começou a mamar.

- Mantenha o tronco dele nesta posição, senão ele pode engasgar. E não apoie o cotovelo na barriga dele, você ficou doido!? Não aperta a mamadeira assim, Damien!

Era fácil notar que Francesca se tornara uma mãe cuidadosa e extremamente protetora. Ela precisava controlar todos os seus instintos para não arrancar o filho dos braços de Damien. Apesar de tantas instruções e correções, Scott estava se saindo muito bem naquela primeira experiência com um bebê.

Quando Isaac se deu por satisfeito, a mamadeira estava praticamente vazia. Francesca recolheu o que restara do leite antes de jogar uma toalhinha no ombro de Damien.

- Arrotar. – a garota explicou com um novo arquear de sobrancelhas – E não me olhe com esta cara. A próxima lição é trocar fraldas. E não estou falando de xixi, Damien. Você precisa ver o estrago que este “carinha” consegue fazer.

Da cozinha, Francesca se divertiu imensamente em escutar as tentativas de Scott em fazer o filho arrotar. Quando retornou à sala, Sullivan encontrou Isaac profundamente adormecido nos braços do pai. Apesar do sono pesado do filho, Francesca sussurrou as palavras seguintes para não incomodá-lo.

- O apartamento é pequeno, mas eu acho que a Sam não vai se importar se você dormir no sofá hoje. Sei que ainda temos muito o que conversar, mas já está tarde e eu estou com medo que a Sam tenha congelado lá fora.

O apartamento de Samantha não ficava tão longe do centro de Nova York, e Damien também poderia procurar por um hotel nas redondezas. Mas Francesca conhecia muito bem os instintos de Scott e sabia que o ex-namorado se sentiria torturado se fosse obrigado a se afastar do filho naquele momento.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Ago 30, 2016 6:50 am

Durante os três dias que passaram, não parou de nevar. Quando Samantha desceu do táxi e se apressou pela calçada até a entrada do café, havia uma generosa camada de neve cobrindo praticamente toda superfície que pudesse encontrar.

Diferente da noite em que reencontrou Max, Archibald teve tempo para se vestir adequadamente. As botas alcançavam seus joelhos e cobriam metade da calça negra de montaria que ela usava. O suéter vermelho combinava com o delicado gorro que amassava sua franja e aparecia por baixo do sobretudo aberto que rapidamente foi dispensado assim que ela alcançou o interior do estabelecimento.

Uma fina camada de maquiagem havia sido passada em seu rosto, mas graças ao frio, as bochechas e a ponta do nariz já haviam adquirido um tom rosado naturalmente. Seus lábios estavam pintados com um batom rosa delicado e exibiam um sorriso ansioso quando seus olhos passearam pelo local.

O café de Max era surpreendentemente charmoso. O vapor das bebidas e o cheiro delicioso do café tornava o lugar ainda mais agradável, e mesmo completamente vazio graças a hora tardia, Samantha não teve dúvidas de que o lugar fazia sucesso e que as diversas mesas espalhadas ficavam abarrotadas nas primeiras horas do dia.

Ela precisou esticar o pescoço para perceber que havia uma pequena movimentação mais ao fundo, e foi a cabeça de Jack que surgiu para o lado de fora de uma das mesas rodeadas por poltronas.

O olhar do lobisomem se demorou ao estudar Archibald, mas ele não pareceu exatamente surpreso. Max provavelmente havia contado ao melhor amigo que ela poderia aparecer naquela noite, mas ainda assim, Jack não parecia nada feliz em vê-la.

Para acompanhar o olhar do lobisomem, uma segunda pessoa se mexeu e colocou a cabeça para o lado. Desta vez, o rosto era desconhecido para Samantha e a mulher que a encarou parecia apenas curiosa.

- É ela? – A mulher perguntou para Jack, tornando o desconforto de Sam ainda maior.

Não havia sentido em desistir agora. Ela havia chegado até ali e não seria o olhar carrancudo de Jack que a faria desistir. Puxando o ar para reunir coragem, Samantha se aproximou da mesa tentando parecer o menos ansiosa possível, e só quando parou diante de Jack e da mulher, percebeu que a mesa era ocupada por mais uma pessoa.

- Sam... – Paolo a cumprimentou, erguendo uma long neck já pela metade. – Achei que não fosse te ver hoje.

- Pois é, eu estava contando com isso. – Jack soltou um suspiro derrotado e cruzou os braços diante do peito.

- Bom ver você também, Jack.

- Não disse que era bom ver você. – Jack ergueu uma sobrancelha, sem esboçar nem a sombra do sorriso brincalhão que lhe era comum.

- Você é a Samantha? – A mulher perguntou, obrigando Sam a se virar para encará-la. – Que bom que você veio. Eu precisava te agradecer pessoalmente... Sou a Rosie.

Pela primeira vez desde que entrara no bar, Samantha deixou a ansiedade de lado e arregalou os olhos em surpresa.

- Rosie? Rosie Walker?

Quando a mulher confirmou com um sorriso simpático, Samantha foi incapaz de esconder a surpresa. A menção de Max a respeito da bruxa que morava no Kansas fizera sua mente produzir a imagem de uma senhora cheirando a ervas e que vestia longas saias e tinha cabelos brancos presos em um coque. Rosie Walker poderia ser tudo, menos uma senhora.

A mulher a sua frente deveria ter no máximo dois anos a mais que Samantha. Os cabelos eram negros e brilhavam com largos cachos que caíam pelos seus ombros. Mesmo sentada, Sam havia percebido que ela era baixinha, talvez com um palmo de diferença entre as duas meninas, mas ainda assim tinha um corpo bonito. Rosie usava uma calça jeans que marcava suas coxas redondas e já havia se livrado do casaco, deixando que a bata branca que vestia exibisse uma fina linha da pele do seu ventre com os seus movimentos.

Apesar de magra, Rosie tinha as bochechas mais salientes e os lábios fartos. Os grandes olhos castanhos iluminavam seu rosto e qualquer um seria capaz de enxergar sua beleza. Se a encontrasse na rua, Sam jamais arriscaria dizer que aquela garota era uma bruxa.

- A própria. Isso, é claro, porque o Max me avisou a tempo sobre a sua lista. Eu só tive tempo de sair da minha casa antes que tudo explodisse pelos ares. É uma sorte que o Max tenha me deixado ficar com ele.

Ao perceber que Samantha ainda a encarava com os olhos arregalados, Rosie soltou uma risada, e ela conseguia ser ainda mais bonita e irritantemente simpática.

- Não se preocupe, eu já espalhei um feitiço de proteção. Ninguém entra aqui a não ser que a gente queira.

- Uau. – Sam sussurrou, e em resposta, Paolo ergueu novamente sua long neck.

- É isso aí. A Rosie aqui já cuidou de tudo.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Ter Ago 30, 2016 5:53 pm

Samantha Archibald já estava interagindo com os demais convidados para aquela reunião quando Maximilian retornou ao espaço principal do café. O dono do estabelecimento surgiu de uma porta localizada aos fundos do balcão, que provavelmente ligava o café à cozinha. Nas mãos, Cavendish trazia uma caneca transparente cheia de cappuccino. O líquido quente estava coberto por uma generosa camada de creme de chantilly e, por cima, o rapaz havia salpicado algumas raspas de chocolate.

Não houve nenhum tipo de surpresa estampada no rosto de Max com a imagem de Samantha, sinal de que provavelmente ele fora capaz de sentir o perfume e ouvir a voz dela da cozinha. Enquanto caminhava na direção da mesinha ocupada pelos amigos, Maximilian tentou não se distrair com a imagem que tinha diante de si. Se Archibald já era capaz de afastar a sua mente da realidade usando um coque frouxo e um conjunto de moletom velho, era uma enorme tentação estar diante de uma garota que havia tido tempo para se vestir naquela noite.

Ao contrário da ex-namorada, Max não havia se preocupado tanto com a aparência para aquela reunião. O lobisomem usava uma calça jeans, tênis e uma camiseta cinza simples. Se a memória de Samantha fosse boa, ela reconheceria a camiseta e saberia que aquela peça tinha pelo menos dois anos de uso. Os cabelos ligeiramente atrapalhados mostravam que Maximilian havia emendado o dia de trabalho com aquela reunião. Mas a falta de cuidado dele com a própria aparência só parecia reforçar o quanto Max era naturalmente atraente.

- Oi, Samantha. Como não tínhamos certeza de que você viria, começamos sem você.

Era nítido o esforço de Maximilian para lidar com naturalidade diante daquela situação. Não era fácil interagir com Samantha enquanto ainda sentia a dor que ela lhe provocara, mas Max se obrigava a pensar de maneira racional. A ajuda de Sam era essencial naquele momento e, assim como prometera a Jack, Cavendish estava disposto a encarar aquela situação de maneira profissional.

- Sim, mas ainda não tratamos de nenhum assunto importante. – Rosie manteve um sorriso simpático voltado para a recém-chegada – Estávamos basicamente analisando a sua lista e tentando encontrar algum padrão na escolha e na ordem dos nomes.

- É. – Paolo mostrou novamente a sua long neck – Eu ainda nem terminei a primeira cerveja. Você não perdeu praticamente nada. Aliás, eu não sabia que cafés servem cerveja.

- Não servem. – os olhos de Max, vermelhos naquela noite, giraram com um ar de deboche – Eu comprei exatamente porque sabia que você viria, Paolo.

Os olhos castanhos de Rosie brilharam e seu sorriso bonito se alargou ainda mais quando a caneca de cappuccino trazida por Max foi colocada diante dela. O cheiro gostoso da bebida se espalhou pela mesa enquanto Cavendish tomava a palavra.

- Uma das especialidades da casa, eu espero que goste. Pode ser servido quente ou frio. Optei pelo quente porque senti uma corrente de ar gelado passando pelos meus tornozelos. Imaginei que estivesse frio aí embaixo.

A expressão carrancuda de Jack se desfez em uma potente gargalhada diante daquela provocação. Paolo se uniu ao amigo nas risadas e nem mesmo a vítima daquela brincadeira conseguiu conter o riso. Rosie era baixinha quando comparada a qualquer pessoa comum, portanto era gritante a diferença de estatura entre ela e Maximilian.

- Que absurdo! O nome disso é bullying, sabia? – Walker falhou miseravelmente em sua tentativa de parecer irritada e logo entrou no ritmo da brincadeira – Se insinuar de novo que eu sou baixinha vou dar uma cabeçada nos seus joelhos, Max.

Antes que Cavendish pudesse oferecer uma bebida para Samantha, Jack interferiu na conversa. O Beta realmente estava interessado na reunião daquela noite, mas a interrupção deixava claro que Jack não aprovava a presença de Archibald e nem queria que Maximilian perdesse tempo com nenhuma gentileza voltada para a ex-namorada.

- Podemos continuar, pessoal? Já está tarde e eu tenho duas crianças em casa, então vamos nos concentrar na reunião para que isso termine logo.

Depois de experimentar um gole da bebida, Rosie deslizou suavemente para o lado, abrindo espaço para que Cavendish se sentasse no mesmo sofá ocupado por ela. Jack obviamente não repetiu aquela gentileza para Samantha, então só restou para a recém-chegada o lugar ao lado de Paolo.

- Eu conversei com o resto do pessoal e todos estão dispostos a ajudar. – a explicação de Maximilian foi voltada para Samantha visto que ele já havia contado aquilo aos demais – Como estamos na semana do Natal, vários deles não estão na cidade e eu não quis estragar o feriado das famílias. Ainda não é uma urgência, afinal. Podemos aproveitar esta reunião inicial para tomarmos as principais decisões, assim já teremos um plano quando todos estiverem reunidos.

- O que você estava dizendo sobre a lista, Rosie? – Jack novamente interferiu antes que Samantha tivesse a chance de abrir a boca.

- Hum... – a bruxa interrompeu mais um gole do cappuccino para explicar – Para mim está claro que os números na frente dos nomes se referem ao valor das recompensas. Acho que é um ponto de partida interessante pra gente. É muita grana! Se descobrirmos quem está pagando as recompensas, certamente vamos encontrar os responsáveis pela lista.

Ao contrário do que acontecera com Tessa, não era fácil sentir antipatia por Rosie Walker. A bruxa era extremamente gentil, possuía um sorriso sincero e um olhar pacífico. Acima de tudo isso, era óbvio o esforço de Rosie em ajudar o grupo naquela situação. Não era somente o nome dela na lista que motivava Walker a querer resolver o problema.

- Eu concordo, mas não faço ideia do que temos que fazer para descobrir isso. Na lista não tem qualquer informação sobre como receber a recompensa. – os olhos de Jack estavam presos ao papel enquanto ele raciocinava – Eu imagino que, para receber a tal recompensa, eu teria que provar que matei um dos nomes da lista. Mas como?

- Ora, é óbvio que você tem que ligar pra esse telefone aí.

Quando todas as cabeças se voltaram para Paolo com idênticas expressões confusas, Sullivan percebeu que aquilo não era tão óbvio para os amigos. Uma das sobrancelhas do caçador se arqueou e seus lábios se repuxaram num sorrisinho convencido.

- O que seria de vocês sem mim?

- Que telefone? – Max olhou novamente a folha sem encontrar nada parecido com a sequência de um número de telefone.

- Este.

Sullivan se inclinou sobre a mesa, apontando a última linha da folha. Ali havia uma extensa sequência de números aleatórios que definitivamente não formavam um número de telefone comum. Quando viu aquilo pela primeira vez, Cavendish imaginou que fosse apenas algum código da impressora de Samantha.

- Eu acho grandes as chances de fazer uma chamada para Marte se eu ligar para este número, Paolo.

- Código de caçador, amigo. Fazemos isso exatamente para excluir quem não é da área. Qualquer caçador sabe que tem um número de telefone escondido aí. Os verdadeiros números são obtidos somando cinco a cinco os números desta sequência e dividindo o valor por três. O último algarismo da divisão é sempre o número que você quer.

- Mentira. – Jack encarava o amigo boquiaberto, mas logo se recuperou da surpresa e fez uma brincadeira – E desde quando caçadores sabem matemática?

Antes que Paolo e Jack pudessem alongar aquela provocação, Rosie surpreendeu a todos quando deslizou a mão pelas costas de Maximilian até enfiar os dedos no bolso traseiro das calças dele. Cavendish a encarou com os olhos arregalados, estranhando aquele gesto íntimo, mas a bruxa reagiu com naturalidade ao mostrar o celular que acabara de tirar do bolso do rapaz.

- Calculadora. Vamos ver se o nosso caçador particular está certo.

Rosie acessou a calculadora no celular de Maximilian e puxou para si a folha. Para garantir que estava seguindo na direção certa, a bruxa explicou os passos em voz alta enquanto fazia as contas.

- Os cinco primeiros números são nove, quatro, sete, oito e oito. Somando os cinco temos trinta e seis. Dividindo por três, temos doze. Último algarismo, dois.

Jack retirou uma caneta do bolso da camisa e escreveu um “dois” no canto da folha. Com a ajuda da calculadora de Max, Rosie fez todos os cálculos até que um número de telefone verdadeiro surgisse diante deles.

- Fantástico! Agora temos um número para rastrear. – o Alpha estava verdadeiramente surpreso com aquela descoberta – Mereceu cada uma das cervejas que eu comprei pra você, Paolo.

- Ótimo, porque eu já vou buscar a segunda. – Sullivan se colocou de pé e apontou na direção da cozinha – Quer que eu traga alguma coisa pra você, Sam?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Ter Ago 30, 2016 8:16 pm

Damien havia se descoberto pai há apenas algumas horas, mas de alguma forma, ele sentia que nunca havia assumido um papel tão certo para a sua vida quanto cuidar de Isaac. Seus gestos eram claramente inexperientes e atrapalhados. As tarefas mais simples teriam sido um completo desastre se não fosse pelo auxílio de Francesca, mas nem por isso ele se sentiu menos importante.

A presença de Sullivan no controle da situação apenas tornava aquele momento ainda mais singular. Vinte e quatro horas antes, se alguém lhe dissesse que ele estaria vivendo aquela cena com a ex-namorada e um filho, ele teria achado a mais absurda das teorias. Mas nada mais pareceria mais real e perfeito do que estar errado.

- Eu adoraria ficar, Francesca. Acredite em mim, este sofá me parece o lugar mais atraente no mundo inteiro.

A voz de Scott saía em um sussurro para não incomodar o sono do filho. Sem precisar de instruções desta vez, ele acompanhou Sullivan até o quarto de hóspedes e colocou Isaac cuidadosamente entre os travesseiros. O rostinho do menino imediatamente virou para o lado, a bochecha gorducha roçando na manta azul que forrava o colchão e sua mãozinha agarrou instintivamente a ponta, preenchendo os seus minúsculos dedos.

Uma pausa foi feita para que Damien pudesse admirar o sono tranquilo do filho. Ele era perfeito, em cada mínimo detalhe, e a ideia de se separar dele mais uma vez, mesmo sabendo que desta vez não seria definitivo, já fazia seu peito se espremer de ansiedade.

Mas contrariando o seu desejo, o lobisomem ergueu o rosto para encarar a ex-namorada, se odiando por tomar a atitude mais adulta naquela noite.

- Mas o Max está me esperando. Ele dirigiu sem questionar por três horas e eu sei que encontrar com a Sam foi difícil para ele.

Damien ainda estava sentado na beirada da cama de casal, mas se aproveitou da proximidade de Francesca para segurá-la pela mão e puxá-la até que a ex-namorada estivesse perto o bastante que os joelhos poderiam se tocar.

Por mais que a ideia de ser pai tivesse sido naturalmente aceita, ainda era uma surpresa ter Francesca ao alcance dos seus braços. As bochechas coradas de saúde não combinavam em nada com a ideia de que ela estava morta todo aquele tempo, e cada vez que a encarava, Scott se sentia emocionado, como se de fato um milagre tivesse trago Sullivan de volta a vida e lhe dado uma segunda chance.

O mais incrível era como o simples toque em sua pele, por mais inocente que fosse, despertasse uma corrente elétrica por todo o seu corpo, dizendo a si mesmo que ele também estava de volta a vida, e de uma forma que apenas Francesca era capaz de demonstrar.

- As coisas vão ser diferentes agora, Francesca. Nada mais de fugir. Eu não te odeio por ter escondido meu filho todo esse tempo, embora também não fique nada satisfeito por pensar que você teve medo de mim todo esse tempo.

Aquele pensamento sempre provocaria uma dor em Scott. Ele havia errado em cogitar um aborto, e enxergava isso agora. Mas saber que Francesca havia temido sua presença na vida de Isaac era a pior coisa que poderia ter acontecido, e tivera como consequência a privação de um pai ao bebê.

- Nós dois erramos, mas tudo que temos aqui hoje é um milagre. O Isaac é minha prioridade agora e espero que tenha ficado claro que vou fazer parte da vida dele.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Ter Ago 30, 2016 8:46 pm

A maturidade de Damien surpreendeu Francesca naquela noite. A lembrança que Sullivan guardava do ex-namorado era de um rapaz mimado que sempre agia de forma impulsiva, que não seguia nenhum tipo de regra e dispensava todas as convenções sociais. Embora fizesse parte de uma alcateia, era visível que o Damien do passado não respeitava a autoridade do Alpha e não colocava o grupo acima de seus interesses pessoais.

Portanto, era mais do que surpreendente ver como Scott estava mudado. A decisão dele mostrava respeito e gratidão pelo esforço de Maximilian. Ao invés de impulsividade, Damien agia de forma sensata e não colocava os seus interesses pessoais como prioridade.

- Também não deve estar sendo fácil para a Sam. Foi uma ideia terrível obrigar o Max a vir até aqui. Se você quiser levar adiante a ideia de torturar o Paolo, conte com a minha ajuda.

Francesca estava convencida de que o irmão exigira a presença de Cavendish para que houvesse um Alpha por perto caso Damien perdesse o controle naquele reencontro. Mas a caçula também conhecia Paolo suficientemente bem para saber que o caçador estava se divertindo com aquela pequena maldade.

Não houve nenhum tipo de resistência quando Scott puxou a moça para mais perto. Ao contrário, Francesca se encaixou entre os joelhos do ex-namorado e deslizou as pontas dos dedos carinhosamente no rosto de Damien. Os dois ainda precisavam conversar sobre aquela mudança bombástica que Isaac significava na vida deles e Francesca sabia que o filho não era uma garantia de que tudo voltaria a ser como antes depois de tantas mágoas e tantas mentiras. Mas, naquele momento, ela só queria aproveitar um pouco mais aquele milagre mencionado por Scott.

Nem mesmo em seus sonhos mais fantasiosos, Francesca imaginou que um dia os três ocupariam o mesmo cômodo. Depois de alimentar tanto aquele medo irracional, era um grande alívio saber que Damien não faria mal a Isaac e que ela teria um importante aliado na tarefa de proteger o filho.

- Sem fugas, eu prometo. Até porque não é mais tão fácil fugir pelo mundo carregando esse pacotinho.

Sullivan lançou um olhar carinhoso ao bebê que dormia tranquilamente, indiferente à conversa dos adultos e alheio ao fato de que a sua vida acabara de mudar radicalmente com a chegada de um pai.

As mãos de Francesca buscaram pelas mãos de Damien e ela o puxou até que o rapaz estivesse de pé. Desta vez, sem a interrupção de Isaac, o beijo se prolongou até que ambos estivessem sem fôlego. Não era mais um beijo triste de despedida e não havia mais a necessidade de dizer adeus quando os dois se despediram na porta do apartamento de Samantha.

Parecia que a paz e a felicidade estavam prestes a retornar à vida de Damien e Francesca. Mas o que nenhum dos dois sabia era que existia uma lista de criaturas sobrenaturais circulando entre os caçadores e que o nome de Isaac estava prestes a surgir nela, acompanhado por uma recompensa milionária.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Ago 30, 2016 9:19 pm

Samantha não soube esconder o espanto quando a mão de Rosie deslizou pelas costas de Max com naturalidade. Mesmo com o assombro de todos os presentes, foi o par de olhos castanhos que continuou encarando o casal sentado há poucos centímetros enquanto a discussão do que realmente importava dava continuidade.

Embora já imaginasse e até mesmo torcesse para que Cavendish tivesse seguido com a própria vida, Samantha não estava preparada para vê-lo ao lado de outra mulher e foi impossível voltar a se concentrar no assunto que reunia todos naquela noite. Seu desconforto, entretanto, só se tornou pior quando Rosie assumiu a reunião, ajudando a ligar os pontos.

A lista havia chegado até o grupo por Samantha, mas naquela noite, a menina não tinha nada a contribuir, enquanto Walker desempenhava com êxito o papel que um dia havia pertencido a ela.

Quando Sullivan lhe ofereceu uma bebida, inconscientemente o olhar de Archibald buscou pelo cappuccino de Rosie. A bebida já estava pela metade, mas ainda era possível ver o vestígio do chantilly, indicando o cuidado que Cavendish havia tido naquele preparo.

Sam forçou um sorriso e negou com um movimento da cabeça.

- Estou bem, Paolo. Obrigada.

Era a primeira vez que Samantha se sentia tão deslocada em um lugar. Na escola, não havia uma única pessoa que não conhecesse Archibald ou Stark. Quando os dois começaram a namorar, ainda crianças, a popularidade só se tornou ainda maior, e embora nunca tivesse sido uma pessoa soberba, agora Samantha percebia que estava acostumada a ser mimada por todos.

Na faculdade, embora as coisas fossem bem diferentes dos padrões da Constance, Sam se sentia bem-vinda nas turmas e conseguira fazer alguns amigos. Naquela noite, embora Paolo tivesse se tornado um bom amigo nos últimos anos e na gentileza de Rosie, o esforço de Jack em demonstrar o desagrado com sua presença e a distância de Max faziam com que Sam se arrependesse de ter ido até ali.

Além de não conseguir contribuir com a reunião, Sam se sentia torturada ao ver os olhares de Rosie em direção a Max e na forma hostil com que Jack a tratava. Ele claramente havia assumido as dores do amigo e não tinha a nobreza de Cavendish para trata-la socialmente.

Sam foi arrancada de seus pensamentos quando uma garrafa de cerveja foi esticada diante dos seus olhos. Ela arqueou as sobrancelhas e encarou Paolo com confusão, e em resposta, ele simplesmente balançou os ombros.

- Você estava com cara de quem precisava de uma cerveja.

Com o seu jeito indiferente de sempre, Sullivan deu um gole em sua própria long neck e voltou a assumir o seu lugar.

A reunião não demorou mais do que quinze minutos depois de sua volta. Embora a contribuição de Samantha tivesse sido quase nula, a descoberta do telefone havia sido um significativo progresso. Archibald se ofereceu a tentar rastrear o número, mas mais uma vez, Rosie se mostrou prestativa informando que provavelmente haveria algum feitiço que a ajudasse sem que Sam precisasse quebrar a lei.

Jack foi o primeiro a deixar o café, e mesmo em sua despedida, fez questão de não ser simpático com a ex-namorada do melhor amigo. Paolo saiu em seguida e Sam o conhecia bem o bastante para saber que a noite ainda estava começando para o caçador.

Archibald estava ajudando a recolher as garrafas vazias de Sullivan quando percebeu que havia ficado sozinha com Rosie e Max. A ideia de sair e deixar Walker com o caminho inteiramente livre era extremamente desagradável, mas a bruxa havia informado logo no começo da noite que estava ficando na casa de Cavendish, e Sam não teria nenhuma desculpa plausível para ficar parada ali a noite toda.

Quando não era mais possível prolongar a sua presença, Sam puxou o sobretudo com gestos lentos. Rosie estava debruçada sobre o balcão do café e sorria de forma tão simpática que era impossível não se afeiçoar a ela.

- Foi muito bom te conhecer, Samantha!

- Obrigada, Rosie. Fico feliz que você esteja bem. E sinto muito não ter ajudado esta noite...

- Está brincando? – A bruxa sacudiu a cabeça, fazendo seus cabelos castanhos balançarem sedosamente. – A gente nem estaria aqui se não fosse pela sua lista!

- Bom, não é exatamente minha lista. – Sam deu um sorriso amarelo enquanto ajeitava a gola do sobretudo.

A boca de Rosie se abriu para argumentar, mas enquanto os lábios se mexiam, nenhum som saía de sua garganta. A bruxa gesticulava, completamente alheia aquele repentino emudecimento, mas Samantha já sabia o que viria a seguir.

Mesmo com as roupas de frio e o aquecedor ligado, um arrepio percorreu sua espinha e sua mente pareceu se deslocar do presente enquanto a voz ecoava apenas dentro de sua cabeça. Em um primeiro momento, pareceu apenas um grito distante, mas seu rosto já estava contorcido em terror, fazendo Rosie interromper seu discurso e se aproximar, apressada.

- Samantha? Você está bem?

- Você não ouviu isso?

Os olhos de Archibald brilhavam, como sempre acontecia quando a voz a pegava desprevenida. O som ambiente começava a voltar aos seus sentidos, mas a sensação ainda estava lá.

- Ouvi o quê?

Não adiantaria tentar explicar. Ninguém nunca escutava. E apesar de saber que estava enlouquecendo, seu corpo simplesmente não conseguia desviar daquele instinto que lhe dizia para sair do bar.

O sobretudo sequer havia sido abotoado quando Sam escapou pela porta em direção a calçada. O som da rua era alto, mas ainda assim, ela escutava com perfeição barulhos de gotas caindo, uma por uma, como um conta-gotas em um copo com água.

Não havia nenhuma ordem clara sobre o que devia ser feito, mas todo o corpo de Archibald sabia qual direção tomar. Seus olhos estavam arregalados e o lábio inferior tremia a cada passo. Ela já havia andado mais de dois quarteirões sem que o frio a incomodasse quando parou de repente.

A rua atrás de si estava pouco movimentada, mas nada se comparava com a escuridão de dentro do beco. E mesmo com a iluminação nula, Sam não teve dificuldade de reconhecer o rosto ensanguentado a sua frente.

O corpo de Theo estava cuidadosamente colocado para que ele parecesse sentado em meio aos entulhos do velho prédio e havia uma longa estaca de quase um metro atravessada em seu peito. Seu rosto estava cortado em sinais de luta e os olhos amarelos ainda estavam abertos, mas sem vida.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Ter Ago 30, 2016 10:01 pm

- Um bebê?

A voz de Debby Scott ecoou pela cozinha do apartamento com pura incredulidade. Uma de suas mãos estava apoiada sobre a pequena ilha onde o jantar normalmente era preparado e a outra era gesticulada incansavelmente.

- Um bebê de verdade? Não daquele tipo em que você fez o experimento social no colégio quando tinha quinze anos?

- Mãe, aquilo era um saco de arroz. O Isaac é de verdade.

Damien estava sentado em um dos bancos altos, a coluna levemente curvada e os dois braços apoiados sobre o balcão enquanto ele analisava a mãe. Debby estava tão pálida que parecia prestes a desmaiar a qualquer momento.

- Oh meu Deus, ele ainda tem nome.

A mulher fechou os olhos e puxou o ar com força. Damien sabia que não seria uma conversa fácil, mas diferente do que teria acontecido anos antes, ele não se mostrou culpado ou desesperado. O rapaz mais uma vez demonstrava a maturidade adquirida nos últimos anos ao manter a serenidade.

- Você pode me explicar de novo como isso foi acontecer?

- A Francesca veio me visitar na Inglaterra. Eu não sabia que ela tinha engravidado até reencontrar com o irmão dela na casa do Jack.

Aquelas palavras haviam sido ensaiadas antes de Scott decidir contar a verdade para a mãe. A história já era complicada o bastante para Debby descobrir que não só tinha um filho lobisomem, como também um neto que demorava a desenvolver graças aos genes lupinos.

- Ela escondeu isso de você??? – A postura surpresa de Debby se transformou em decepção.

- Bom, eu não fiz um grande esforço para encontrá-la também. Não posso colocar a culpa apenas na Fran.

Colocar que Sullivan havia escondido um filho não era o melhor cenário e Damien esperava que a mãe acabasse não descontando na ex-namorada a mesma frustração que ele sentia.

- O que importa é que o Isaac está bem, mãe. Ele é um bebê adorável, você vai ver.

A expressão de Debby suavizou e Damien podia jurar que havia um brilho em seus olhos castanhos ao imaginar o neto. Se aproveitando daquele momento, ele puxou o celular do bolso da calça preta e virou a tela para a mãe ver o papel de parede. Na foto, o pequeno Isaac estava deitado na cama ao redor de travesseiros, dormindo exatamente como Scott o havia deixado antes de se despedir de Francesca.

O lábio inferior de Debby tremeu e ela puxou o aparelho com as mãos para olhar a foto mais de perto. Seus lábios se repuxaram em um sorriso doce e Scott soube imediatamente que ela também havia se apaixonado por Isaac.

- Ele é a sua cara. Igualzinho.

- Bom, ele e a Francesca devem chegar a qualquer momento. Você promete se comportar?

Em resposta, Debby lhe deu um tapa próximo da orelha, exatamente como fazia quando ele era apenas uma criança.

- Desde quando eu não me comporto, Damien Scott?

Mesmo encolhido pelo tapa, o rapaz soltou uma risada divertida. O som ecoou pela cozinha e, mais uma vez, fez os olhos de Debby brilharem. Há dois anos ela não via o filho sorrir com tanta vivacidade e era impossível não ligar a chegada de Isaac com aquela mudança.

Um confortável silêncio se instalou pela cozinha enquanto mãe e filho se encaravam, mas Debby logo interrompeu ao puxar o envelope depositado sobre o balcão.

- Você tem certeza que quer fazer isso?

O olhar de Damien baixou para os documentos apontados pela mãe e ele confirmou sem pensar duas vezes.

- Meu filho está aqui. Não faz mais sentido continuar morando na Inglaterra, mãe. Estou tentando agilizar a transferência para a NYU, mas com as festas de final de ano está mais lento do que eu esperava. De uma forma ou de outra, eu vou estar aqui no próximo semestre.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Ter Ago 30, 2016 10:02 pm

Um grito de puro horror ecoou às costas de Samantha quando Rosie a alcançou e se deparou com o corpo ensanguentado de Theo. Quando saiu do café e seguiu os passos de Archibald, a bruxa imaginava que Sam estava passando mal e pretendia ajudá-la com aquele mal estar. Nem mesmo seu sexto sentido aflorado preparou Walker para a imagem que ela tinha diante dos olhos agora.

As pernas de Rosie estremeceram e ela precisou usar as mãos para se amparar na parede do beco e evitar uma queda. O cheiro forte de sangue fresco provava que o corpo de Theo não estava ali há muito tempo, o que indicava que o assassino ainda poderia estar por perto. Apesar daquele imenso risco, nenhuma das duas moças conseguia reagir. Elas ainda estavam petrificadas pelo terror quando Maximilian as alcançou.

Cavendish não teve mais dúvidas de que ainda era um Alpha quando foi invadido por uma dor sufocante no mesmo instante em que reconheceu o cadáver de Theo. Era como perder um membro muito próximo da família, um irmão caçula inseparável que ele deveria ter protegido. A dor veio acompanhada por uma culpa sufocante, mas ainda assim o Alpha teve forças para agir com racionalidade.

- Voltem para o café, não estamos seguros aqui! Agora!

Rosie precisou reunir todas as suas forças para sair do lugar, mas estancou novamente ao notar que nenhum dos outros dois a seguia.

- Vamos, Samantha! Max, você também!

- Eu vou logo atrás de vocês. Não posso deixar o corpo dele aqui, no meio do lixo.

Não havia mais como salvar Theo, mas Maximilian estava disposto a arriscar o próprio pescoço para dar ao amigo um pouco mais de dignidade. Como Samantha continuava em estado de choque, Max deslizou um dos braços pela cintura dela, arrastando a ex-namorada para longe até que ela perdesse o contato visual com o corpo de Theo.

- Voltem para o café. – a ordem foi repetida, desta vez com mais autoridade – Agora!

As duas garotas uniram os braços antes de iniciarem uma corrida de volta ao café. Soluços doloridos escapavam pela garganta de Rosie quando as duas finalmente entraram no ambiente protegido pelos feitiços da bruxa. Walker não conseguiu articular nenhuma palavra e apertava uma mão na outra enquanto andava sem rumo pelas mesinhas vazias.

Os cinco minutos que Maximilian demorou para retornar ao local pareceram eternos. Theo não era um rapaz pequeno, mas o Alpha o carregou sem nenhuma dificuldade até colocar o corpo sem vida deitado em um dos sofás. Max também não precisou fazer muito esforço para arrancar a estaca enfiada no meio do peito do amigo. A prata que banhava a estaca queimou as mãos do Alpha, mas aquela dor era insignificante perto do aperto que comprimia o peito de Cavendish. Um pouco de sangue escorreu pelo ferimento mortal, mas o coração que não batia mais fez com que o sangramento parasse rapidamente.

As mãos de Max tremiam e estavam sujas de sangue quando o Alpha abaixou as pálpebras de Theo, escondendo as íris amareladas sem vida. Lágrimas quentes escorriam pelo rosto de Maximilian sem nenhum tipo de constrangimento. Nenhum orgulho era maior que a dor de ter perdido um amigo daquela forma tão cruel e violenta.

- Ele disse que viria à reunião... – a voz de Max soou engasgada e rouca pelo choro – Eu achei que ele só estava atrasado. Ele sempre se atrasava...

- Não tinha como prever isso, Max. A culpa não é sua.

- Como você soube que ele estava lá?

Os olhos vermelhos do Alpha se voltaram para Rosie, esperando que a resposta viesse dela. Como Maximilian estava na cozinha no momento em que as duas moças deixaram o café, ele não sabia que fora Samantha quem os guiara até o beco. Além disso, era muito mais lógico pensar que, como bruxa, fora Rosie quem tivera uma visão ou um sexto sentido.

- Eu não sabia. – Walker finalmente deixou o desespero de lado e virou-se para Samantha com uma expressão surpresa – Foi a Sam.

A cabeça de Rosie se voltou novamente na direção de Maximilian e a voz da bruxa soou numa entonação mais séria, como se Walker estivesse chateada por ter sido enganada pelos amigos.

- Você me disse que ela era uma humana comum, Max!

- O que? – a expressão de dor de Cavendish se transformou num semblante confuso – Do que você está falando? É claro que a Samantha é uma humana comum.

- Por todos os santos! – a cabeça de Rosie se sacudiu em perplexidade – Você a conhece há quanto tempo? Até hoje não percebeu que ela é uma Banshee?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Ter Ago 30, 2016 10:44 pm

Embora guardasse excelentes lembranças da mãe de Damien, Francesca se sentia ansiosa e insegura pelo encontro daquela noite. Debby sempre a tratara muito bem, mas era difícil prever como a mulher reagiria a tantas novidades. Em uma única conversa, Damien diria à mãe que sua ex-namorada estava viva, que Debby agora era avó e que ele pretendia deixar a universidade na Inglaterra para voltar a viver na América por causa do filho.

Esforçando-se para ser otimista, Francesca bateu na porta do apartamento da Sra. Scott na esperança que o jantar daquela noite fosse agradável. Ela e Damien tinham “fugido” da reunião no café de Maximilian porque não tinham com quem deixar Isaac, mas eram grandes as chances do clima daquele jantar ser tão pesado quanto a reunião dos lobos.

- Oi. – os olhos verdes não disfarçavam a ansiedade quando Damien abriu a porta – Tudo bem?

Aquela pergunta não era um simples cumprimento mecânico. Era a deixa que Scott precisava para fazer qualquer sinal que significasse: “Ela surtou, fuja!”. Portanto, os ombros de Francesca relaxaram quando o namorado reagiu com tranquilidade e inclinou-se para cumprimentá-la com um beijo comportado nos lábios.

Nem mesmo a chupeta foi capaz se esconder o largo sorriso que Isaac abriu para o pai. Ao contrário da noite em que os dois se conheceram, o garotinho definitivamente não estava sonolento naquele momento. Os grandes olhos verdes, idênticos aos da mãe, encararam Damien com interesse e ele novamente levou a mãozinha ao nariz de Scott quando o rapaz se aproximou para beijar sua cabecinha.

Depois de três dias de neve, já era de se esperar que a temperatura de Nova York caísse ainda mais. Francesca estava morrendo de frio mesmo usando meias grossas, um vestido azul marinho feito com lã de mangas compridas, um sobretudo preto, gorro, luvas e botas de cano alto. Isaac também parecia um pacotinho embrulhado com várias camadas de roupas, mas o menino não estava nada à vontade com todos aqueles tecidos.

Aproveitando-se que Francesca estava meio atrapalhada tendo que carregá-lo juntamente com uma enorme bolsa com as coisas do bebê, Isaac tentou aliviar um pouco daquele calor e levou uma das mãos aos sapatinhos. A primeira visão que Debby teve do neto foi quando um minúsculo tênis azul foi atirado no tapete da sala, quase acertando um dos enfeites de vidro da mesinha de centro.

- ISAAC! O QUE FOI ISSO? O QUE CONVERSAMOS SOBRE JOGAR SEUS SAPATINHOS FORA???

Ficou claro que Isaac havia herdado algum grau da antiga rebeldia de Damien quando o segundo pé de tênis se juntou ao primeiro, desta vez acertando em cheio uma fruteira de cristal que só não se transformou em mil cacos de vidro graças aos reflexos rápidos de Damien.

- Me desculpe, Debby! – Francesca não sabia onde esconder o rosto depois daquela entrada constrangedora – Ele não gosta muito de sapatos. Acho que ele está com calor.

Era difícil pensar que alguém poderia sentir calor com a temperatura negativa do lado de fora da casa, mas estranhamente Debby acreditou com facilidade naquela hipótese.

- Isso só prova que ele é mesmo filho do Damien. Acho que os dois são as únicas pessoas em Nova York que não estão prestes a congelar.

Foi impressionante como Isaac pareceu mais à vontade depois que a mãe retirou a manta que enrolara em seu corpinho. Ele fez uma careta quando Francesca recolocou os tênis, mas não tentou retirá-los novamente.

- Me esclareça uma dúvida, Francesca... – Debby apontou a enorme bolsa que a moça havia deixado no canto do sofá – O Damien não mencionou que você pretendia se mudar para a minha casa hoje.

Como já conhecia o jeito nada discreto da Sra. Scott, Francesca não se surpreendeu com a insinuação, mas seu semblante se tornou algo envergonhado enquanto ela explicava.

- São só as coisinhas básicas do Isaac. Fraldas, roupinhas limpas, uma toalha, a mamadeira, uma chupeta reserva, um pote com a papinha dele. Não consegui trazer o micro-ondas para esquentá-la, a senhora terá que me emprestar o seu. Aliás, obrigada pelo jantar e desculpe por tudo isso. – os olhos verdes giraram – Eu prometo que vou arcar com os prejuízos se o Isaac conseguir quebrar algum dos seus enfeites até o fim da noite.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Ago 30, 2016 11:13 pm

- Uma o quê???

O corpo inteiro de Samantha tremia. No instante em que Max entrou no café trazendo o corpo de Theo, ela precisou virar de costas e se apoiou contra o balcão em que normalmente eram atendidos os clientes para conseguir respirar.

Não era preciso ter o olfato privilegiado de um lobisomem para sentir o cheiro do sangue invadir o local. E nem era a primeira vez que as vozes levavam Archibald até um corpo. Mas era um fato inédito que a vítima encontrada fosse um rosto conhecido.

Mesmo não vendo Theo há anos, a lembrança de um dos grandes amigos de Max ainda estava gravada em sua mente com clareza. O estômago de Samantha estava dando voltas e se não conseguisse assumir o controle logo, tinha certeza que acabaria se rendendo a ânsia de vomitar.

Apenas a acusação de Rosie fez com que ela Theo saísse do seu foco por um instante. As mãos de Sam ainda estavam apertando a borda do balcão e ela apenas inclinou o rosto sobre o ombro para encara a bruxa, que retribuiu seu olhar com incredulidade.

- Você sequer sabe?

O tom acusador de Walker junto com o pânico de ainda ter o corpo de Theo tão perto fez Samantha sacudir a cabeça, impaciente.

- O Jack me contou sobre a mordida. – Rosie cruzou os braços e ela também fazia um grande esforço para não olhar na direção do cadáver de Theo. – Você foi mordida e não se transformou. Eu achei que você só fosse imune, mas você ouve coisas também, não é?

O coração de Samantha batia acelerado contra o peito e ela não teve coragem de confirmar ou negar a afirmação de Rosie. A mulher não precisava que ela respondesse, já havia acabado de presenciar um dos momentos de descontrole de Archibald e já tinha certeza do que se tratava.

- Você é uma Banshee, Samantha. Basicamente você consegue prever a morte e é imune a qualquer ser sobrenatural.

O estômago já sensível de Samantha pareceu afundar ainda mais com as palavras de Walker. A mulher também estava abalada com os últimos acontecimentos, mas procurava falar pausadamente, tentando não assustar ainda mais com aquela revelação.

- Por Deus, como nenhum de vocês percebeu isso antes?! – Desta vez, a acusação foi dirigida a Max.

- As vozes... – Sam começou a explicar, encarando o chão do café enquanto se lembrava de cada um dos acontecimentos. – Eu só comecei a ouvir depois da mordida. Eu já tinha percebido um padrão com cadáveres, mas...

A voz dela morreu e ela finalmente ergueu o olhar, encarando o corpo de Theo. Seu peito se comprimiu e mais algumas lágrimas rolaram.

- Banshee, hm? Então basicamente eu sou a mensageira da morte.

Rosie tentou forçar um sorriso e se aproximou de Samantha, tocando-a no ombro em uma tentativa de reconforta-la.

- Não é uma das tarefas mais fáceis ser uma banshee. Mas não é tão terrível assim, Sam. Você só precisa aprender a seguir os seus extintos.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Qua Ago 31, 2016 12:33 am

Por demorados segundos, as íris vermelhas do Alpha se mantiveram fixas em Samantha como se Max estivesse enxergando a ex-namorada pela primeira vez. Rosie tinha toda razão em sua perplexidade porque agora parecia óbvio demais que Samantha Archibald era uma Banshee. Se não estivesse tão envolvido por ela, provavelmente Max teria percebido aquilo há muito mais tempo.

Ali estava a resposta para a milagrosa recuperação de Archibald depois de uma mordida que deveria ter causado a sua morte ou culminado numa transformação. Como qualquer Banshee, Samantha era imune não só à maldição lupina como também a qualquer influência de outros seres sobrenaturais.

Saber que Samantha ouvia vozes e presságios de mortes desde a mordida de Tessa era a cereja daquele bolo de decepções. Se a ex-namorada tivesse mencionado aquele “detalhe” a Max, muito provavelmente o Alpha teria compreendido os sinais que indicavam que ela não era apenas uma garota humana comum.

Isso também explicava por que a garota nunca havia dado as costas para o mundo sobrenatural mesmo após o fim do namoro com um lobisomem. Mesmo que não soubesse explicar direito o que estava havendo consigo mesma, era óbvio que Archibald sabia que não era normal ouvir vozes dentro da própria cabeça e rastrear assassinatos.

Era uma novidade impactante demais, mas Maximilian não permitiu que aquela revelação tirasse o foco da trágica morte de Theo. Um lençol cobriu o corpo sem vida do lobisomem antes que o Alpha entrasse em contato com os demais membros da alcateia. Cavendish tinha decidido dar uma folga aos amigos até o Natal, mas a morte violenta de Theo acabara de dar um importante grau de urgência a aquele problema.

Por mais que as duas garotas estivessem envolvidas com o grupo, era inegável que nenhuma delas compartilhava a imensa dor da alcateia que havia acabado de perder um de seus membros. Assim que os outros começaram a chegar, Rosie puxou o braço de Samantha delicadamente e a levou até os fundos do café, onde havia uma escada que levava ao segundo andar.

Lá em cima, Samantha encontraria uma réplica quase perfeita do apartamento que Max tinha nas proximidades do Central Park. Os cômodos obviamente eram diferentes, assim como a pintura das paredes. Mas os móveis continuavam os mesmos, assim como a decoração masculina sóbria. O único detalhe que destoava era a mochila vermelha sobre uma das poltronas, mas Rosie esclareceu aquele estranhamento quando se aproximou dela e abriu o zíper, retirando da mochila uma blusinha feminina.

- Praticamente tudo o que eu tinha explodiu junto com a minha casa, mas eu acho que esta serve em você. – a bruxa apontou algumas manchas de sangue nas mangas de Samantha – O banheiro é logo ali, vá se trocar, Sam.

No primeiro andar, o clima continuou pesado mesmo depois que Aaron e Paolo retiraram o corpo de Theo pelos fundos do café. Por motivos óbvios, o rapaz não poderia ganhar um funeral tradicional, mas os amigos estavam dispostos a fazer o necessário para que Theo tivesse um sepultamento digno.

Os olhos de Jack estavam inchados pelo choro e o Beta só conseguiu articular aquelas palavras depois de um prolongado silêncio. Max estava limpando as manchas de sangue no chão quando foi surpreendido pela voz fria do melhor amigo.

- Você realmente acha que isso é uma coincidência, Max?

- Do que está falando, Jack?

- Eu estou falando sobre a nossa alcateia ter vivido dez maravilhosos anos de paz em Nova York antes que a Tessa surgisse para nos infernizar. Depois nós tivemos mais dois anos extremamente calmos até o Theo ser assassinado! O que as duas situações tem em comum? – Jack fez uma pausa antes de concluir – Samantha Archibald.

Cavendish interrompeu a limpeza e se voltou para o melhor amigo, parecendo cansado de ver Jack se comportando de maneira tão infantil com Samantha.

- Certo. Agora você só precisa me convencer de que a Samantha matou o Theo e também incentivou a Tessa a se comportar como uma vadia sanguinária. – o Alpha respirou fundo e soltou o ar ruidosamente – Dá um tempo, Jack, esta implicância está passando dos limites, cara. A Samantha foi a pessoa que mais sofreu com o ataque da Tessa, não diga bobagens.

- Eu não estou dizendo que ela está fazendo isso propositalmente! – Jack contornou uma das mesas, posicionou-se em frente a Max e obrigou o amigo a encará-lo – Ela é uma Banshee! Todos sabem que a morte fica rondando criaturas como ela!

Depois daquela acusação injusta e infundada, Cavendish já estava arrependido por ter contado a revelação de Sam ao melhor amigo.

- Jack, você precisa desesperadamente estudar um pouco mais. Banshee’s não atraem a morte. Elas simplesmente conseguem prever o que está para acontecer. No fim das contas, isso pode ser bastante útil.

- Bom, a Samantha não previu nada além de um corpo sem vida. Não vejo utilidade nenhuma nisso.

- Jack, a garota acabou de descobrir que não é humana, ela nunca havia ouvido falar sobre Banshee’s antes! Dá um tempo, cara! A Samantha precisa de um tempo para lidar com tudo isso e começar a controlar os instintos!

- Eu não acredito que você está defendendo esta garota depois de tudo o que ela fez! Se bem que esse lance de Banshee explica muita coisa. Banshee’s são imunes a qualquer influência sobrenatural. Provavelmente houve uma marcação fodida que só você sente.

De todas as tolices que Jack falava naquela noite, a hipótese de marcação fez com que Maximilian refletisse por um momento. Não havia entre ele e Samantha a ligação intensa e desumana que existia com Damien e Francesca, mas também não era um simples relacionamento amoroso. Depois que Archibald o deixara, Max ficou tão desnorteado e infeliz que havia deixado de lado a posição de Alpha e a alcateia que tanto amava.

- Jack. – Max soltou outro suspiro pesado – É um péssimo dia para termos essa conversa, ok? Que tal falarmos sobre isso em algum momento em que eu não esteja limpando o sangue do Theo do chão do meu café?

- Você tem uma excelente chance de mostrar a si mesmo que não há marcação nenhuma. – o Beta insistiu na conversa – Esta chance se chama Rosie. Cara, ela está te dando muito mole. E vocês vão morar juntos agora, não pode haver oportunidade melhor. Não estou dizendo que você vai se apaixonar por ela de uma hora para outra, mas você tem que dar uma chance. Durma com ela hoje.

- Jack... – o tom de repreensão pedia para que o amigo se calasse.

- É sério, Max. Durma com ela. Se você não for capaz de transar com uma garota linda como a Rosie é porque realmente está marcado com a vadia Banshee.

- Ou talvez seja porque eu ainda sinto nas minhas mãos o cheiro do sangue do Theo! Ou então porque vou queimar o corpo de um dos meus melhores amigos ao amanhecer! Eu não sei você, Jack, mas eu não tenho a menor vontade de dormir com quem quer que seja depois de arrancar uma estaca do coração parado do Theo!!!

A voz de Maximilian se ergueu e um brilho ameaçador iluminou os olhos vermelhos, deixando claro que Jack havia passado de todos os limites com aquela insinuação. O Beta recuou um passo e murmurou um pedido de desculpas. O único ruído que se sucedeu à explosão de Max foi o celular de Jack vibrando no bolso do lobisomem.

- Vá para casa, a Amy deve estar preocupada. Vamos nos encontrar no fim da madrugada para nos despedir do Theo. Espero que você não repita nenhuma dessas bobagens neste momento tão doloroso, Jack.

Max deu as costas ao amigo e se concentrou novamente e esfregar o chão para retirar as manchas de sangue. O esforço dele deixava as mãos queimadas pela prata ainda mais doloridas, mas o Alpha não pretendia parar até que a última gota de sangue sumisse.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Qua Ago 31, 2016 2:55 am

- Não me ofenda, Francesca. O meu neto tem o direito de destruir a minha casa inteira se ele não estiver confortável com os sapatinhos.

Ignorando qualquer diálogo que existisse entre Debby e Francesca, Damien esticou as mãos na direção de Isaac e seu sorriso se alargou quando a criança imediatamente se inclinou na sua direção. Ele já havia ficado tempo o bastante com o filho para saber que teria apenas alguns minutos até o colo da mãe ser novamente desejado, mas ainda assim se sentia o escolhido de uma grande honra quando ele era aceito tão instantaneamente.

- Ele é um bebê, não anda ainda, não há a menor necessidade de sapatos. – Debby atravessou a sala e parou ao lado de Damien para estudar o neto.

Seus olhos brilharam com ainda mais intensidade do que no momento em que vira a foto. Ao perceber que era observado, Isaac girou o rostinho para encarar a avó, mas manteve a mãozinha agarrada ao nariz do pai.

Aparentemente, a Sra. Scott tinha a mesma habilidade que o filho para aceitar mudanças radicais em sua vida, desde que tivesse como recompensa o olhar curioso de Isaac. Era fácil abraçar aquela novidade tão inesperada enquanto estava se derretendo pelo menininho de olhos verdes.

- Ele é a sua cara, Damien. Definitivamente o mesmo sorriso.

A expressão abobada de Debby contemplou o neto ainda por um longo período enquanto ela acariciava a bochecha gorducha. Sabendo que não poderiam ficar ali a noite toda, ela se deu por vencida quando encarou o filho e Sullivan.

- O jantar já está no forno, por que vocês dois não vão colocar a mesa enquanto eu cuido do Isaac?

Antes que Francesca pudesse ficar tensa com a possibilidade de outra pessoa segurar Isaac, Damien girou o corpo para manter o filho fora do alcance da mãe. Seu gesto foi puramente por instinto e ele logo se arrependeu ao ver o olhar magoado de Debby.

- Pode parecer que não, mas eu sei cuidar de um bebê, Damien. Eu cuidei de você, não foi?

Para tentar amenizar o constrangimento criado, Scott encolheu o ombro, mas manteve Isaac há uma pequena distância das mãos de Debby.

- É o que dizem. Mas também dizem que você me deixou cair de cabeça uma vez.

Seu tom era de brincadeira e pareceu provocar o efeito esperado quando a mulher girou os olhos e jogou as mãos para o alto em rendição.

- Não. Mas bem que devia ter reforçado as palmadas nesse seu traseiro mal-educado.

Enquanto Debby se afastava em direção a cozinha, Damien se aproximou de Francesca, ainda balançando o bebê em seus braços.

- Não se preocupe, a comida é do restaurante mexicano aqui da esquina. Ela não seria louca de tentar cozinhar logo hoje...

- Hey, eu ouvi isso! – A voz de Debby veio da direção da cozinha e o sorriso de Damien se alargou.

- Que bom! Pelo menos você não cogitou servir congelados hoje.

Desta vez, Debby não respondeu, mas o ruído exagerado dos pratos sendo postos indicava sua insatisfação. Apesar daquele protesto, Damien sabia que a mãe não estava realmente furiosa. Aquela implicância era comum entre mãe e filho e havia ficado adormecida no último ano. De certa forma, a Sra. Scott se sentia agradecida a Francesca pelo presente de ter o filho de volta, tendo como bônus o pequeno Isaac.

Enquanto a mãe assumia as tarefas na cozinha, o olhar de Damien se tornou mais carinhoso ao encarar Sullivan.

- Você não pretende voltar para a casa da Sam hoje, não é? É muito longe, vocês deviam ficar aqui. Posso sair e comprar alguma coisa para o Isaac, se tiver algo em falta. Além do mais, a Sam e o Max ficaram de dar notícias depois da reunião.

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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Qua Ago 31, 2016 3:38 am

Aquilo era uma grande loucura e Francesca sabia que estava sendo irracional, mas foi impossível não se sentir aliviada quando Damien recusou o pedido da mãe e manteve Isaac em seus braços. O instinto de proteção que Sullivan sentia pelo bebê era sufocante. Além de Damien, Samantha e Paolo eram as únicas pessoas para as quais Francesca tinha coragem de entregar o seu bebê. É claro que logo Debby entraria para aquela lista restrita, mas a moça ainda precisava de mais algum tempo para digerir a mudança brusca que acontecera em sua vida com o retorno de Scott.

- Eu não sei, Damien... – as palavras saíram sussurradas e Francesca lançou um olhar incerto na direção da cozinha – Talvez tenha sido muita coisa para a cabeça dela assimilar de uma vez. Eu vou pensar, está bem? Assim que a Sam ligar, eu analiso se é uma boa ideia voltar com ela. O Paolo também ofereceu o quarto de hotel onde ele está dormindo, mas esta hipótese já foi descartada. O Isaac só vai conhecer calcinhas e cerveja depois dos vinte anos!

Para amenizar um pouco da insatisfação de Debby, Francesca levou Isaac para a cozinha e deixou que a avó participasse ativamente do processo da papinha. A Sra. Scott resmungou que não havia necessidade de Sullivan ter trazido a papinha de casa, mas calou-se ao notar que não havia escondido bem as embalagens do restaurante de onde viera o jantar daquela noite.

- Ele come muito bem. – os olhos de Debby brilhavam quando ela empurrou a última colherada de papinha na boca do neto – Você tem muita sorte, Francesca. O Damien foi uma criança insuportável que não gostava de nada além de achocolatado.

- O Isaac é um tratorzinho. – Francesca deslizou os dedos carinhosamente nos cabelos lisos do filho – Adora suco, come todos os tipos de papinha que eu já tentei dar. Se quer vê-lo feliz é só oferecer maçã raspadinha numa colher.

Embora soubesse que aquele apetite privilegiado também era reflexo do metabolismo lupino, Francesca se sentia grata por Isaac não lhe dar problemas com comida.

Ao contrário do que Francesca temia, o jantar com a Sra. Scott foi bastante agradável. Depois que Isaac comeu, a mãe o ninou até que ele cochilasse. O garotinho foi cuidadosamente acomodado no sofá da sala de jantar e rodeado por almofadas antes que os adultos ocupassem a mesa.

Era notável o quanto Debby estava feliz com aquela mudança de planos na vida do filho. É claro que ela torcia pelo sucesso dele na Inglaterra, mas nada se comparava à felicidade de ter Damien de volta. E ele não era mais o rapaz sombrio e infeliz que deixara os Estados Unidos há um ano. Isaac era como um precioso bônus em toda aquela alegria.

- Vocês voltaram, então? – Debby foi direto ao ponto quando notou as mãos do casalzinho unidas ao fim do jantar – Damien me falou muito do Isaac, mas não entrou em detalhes sobre vocês dois.

O sorrisinho sem graça de Francesca indicava que a moça não tinha uma resposta instantânea. As coisas estavam indo bem, mas tudo acontecera tão rápido que ela e Damien simplesmente não tinham tido tempo para sentar e conversar sobre os planos para o futuro.

- Nós voltamos...? – Sullivan devolveu a pergunta a Scott e jogou aquele constrangimento para ele.

Damien foi salvo da resposta quando o celular de Francesca tocou dentro da enorme bolsa onde ela carregava as coisinhas do filho. Como aquele era o toque personalizado de Paolo, a moça pediu licença para atender a chamada.

- É o meu irmão, eu preciso atender.

A forma tranquila com a qual Francesca atendeu o celular deixava claro que a moça não esperava ouvir uma má notícia. Para ela, era óbvio que Paolo estava ligando para avisar que a reunião chegara ao fim e para reforçar o convite sobre o quarto de hotel.

- Onde você está? – a voz grave do primogênito dos Sullivan soou séria, provocando um arrepio na irmã.

- Na casa do Damien, oras. Você sabe que eu jantaria aqui hoje.

- Vocês estão bem? Tem mais alguém aí?

- Paolo, o que está havendo?

- Mataram o Theo.

Diante daquela revelação tão direta, Francesca precisou se amparar em uma cadeira para que suas pernas trêmulas não cedessem. Sullivan tivera um contato muito reduzido com Theo, mas nem por isso era indiferente à notícia. A entonação preocupada de Paolo também deixava claro que o perigo se estendia aos demais membros da alcateia.

- O que houve??? Você está bem??? – a voz de Francesca soou mais esganiçada de desespero – E a Samantha!? O Max, o Jack, os outros!?

- Foi só o Theo. Os outros estão bem. Não saia daí, irmãzinha. Tranque as portas e as janelas, não abra a porta para ninguém. Passa o telefone pro merdinha.

Os olhos de Francesca estavam cheio de lágrimas desesperadas e ela tremia quando empurrou o próprio celular para as mãos de Damien. Assim como fizera com a irmã, Paolo foi direto ao ponto com Scott.

- O Theo está morto, encontramos o corpo perto da casa do Max com uma estaca de prata enfiada no peito. Ainda não sabemos quem está por trás disso, mas seja quem for ainda está por perto. Acho melhor vocês ficarem aí até que amanheça. Fique alerta, moleque. Se o nome do Theo está na lista, o seu provavelmente está também.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Ago 31, 2016 3:41 am

Já estava no meio da madrugada, mas Samantha não sentia um pingo de sono. Seus olhos não protestavam com o cansaço e sua mente estava tão agitada como se estivesse no meio de um dia conturbado.

O apartamento de Max estava silencioso, mas Sam não precisava dos sentidos aguçados de um lobisomem para saber que no andar inferior, as coisas não estavam tão pacatas assim. Apesar do drama daquela noite e da dor de perder um conhecido, Sam sabia que o sentimento que caía sobre a antiga alcateia de Cavendish era indescritível.

Theo era querido por todos e cada um dos lobos tinha perdido um irmão naquela noite. Embora não fosse tão íntima do rapaz, Samantha conseguia imaginar a dor de todos naquela noite quando comparava aquele cenário com a perda de Francesca. Mais do que sua melhor amiga e cúmplice, Sullivan havia se tornado como um membro da sua família e perde-la certamente abalaria o seu mundo.

Foi por compreender a dor dos demais naquela noite, que Sam optou por não se envolver na homenagem que prestariam a Theodore. Ela sabia que era um momento íntimo demais e que os lobos mais próximos de Max não gostariam da sua presença. Além do mais, ela ainda tinha muito a digerir sobre a novidade de ser uma Banshee.

Sam sempre se julgou como uma humana entediante que não se encaixava no mundo sobrenatural do ex-namorado. Ela acreditava que estava perdendo a cabeça naqueles últimos anos com as constantes vozes e agora a explicação se resumia em incluí-la naquele universo louco que um dia ela acreditou existir apenas nos livros e na televisão.

O sobretudo manchado de sangue estava caído no chão do banheiro de Max e Samantha o encarava como se estivesse novamente diante do cadáver de Theo. Ela estava encolhida no piso frio, a blusa emprestada de Rosie já vestida. Seus joelhos estavam flexionados e um dos braços apoiados sobre ele. Firme entre seus dedos estava um discreto pendrive.

O dispositivo havia sido recolhido da cena do crime e enfiado em seu sobretudo sem que Archibald tivesse conhecimento dos seus gestos. Só depois que trocou de roupa e sentiu a solidez em seu bolso, Sam se lembrou em um flash de ter se agachado diante de Theo instantes antes da chegada de Max.

Antes, ela certamente acharia que era mais um dos seus ataques de loucura onde sua mente apagava e o corpo assumia o controle. Mas pela teoria de Rosie, ela era apenas uma Banshee seguindo seus instintos, e seu instinto lhe dava a certeza de que encontraria mais respostas no instante em que analisasse o conteúdo do pendrive.

Batidas à porta fizeram com que Sam imediatamente escondesse o pendrive em seus dedos. Mesmo que o banheiro ainda estivesse fechado e ninguém pudesse vê-la, ela não queria correr o risco de que lhe fizessem perguntas antes de ter as respostas.

Após enfiar o pendrive no bolso da calça, Samantha se levantou em um pulo e abriu a porta com decepção ao reconhecer o rosto de Rosie.

Era evidente que Max estava ocupado demais se despedindo do amigo, mas intimamente, Samantha desejava a presença dele mais do que nunca. Ela precisava se apoiar em alguém depois daquela descoberta, mas Cavendish não podia mais ocupar aquele papel em sua vida.

- Eles já começaram e eu estou descendo. Tem certeza que não quer participar?

- Não. Eu já pedi ao Paolo para me levar até a casa do Damien quando tudo terminar. Mas prefiro esperar aqui em cima, se o Max não se importar.

Rosie sorriu de forma gentil e Samantha teve certeza que ela seria capaz de fazer Max feliz. Embora aquele pensamento lhe trouxesse ciúmes, Sam sabia que seria egoísmo não desejar que o rapaz tivesse um bom relacionamento com alguém como Walker.

Quando o apartamento mergulhou no mais completo silêncio, Sam deixou que seus passos silenciosos percorressem o piso de madeira até encontrar o notebook de Cavendish. Ela sabia que ainda teria algumas horas de privacidade, e por isso não se intimidou em espetar o pendrive.

Na janela que apareceu, apenas dois arquivos eram exibidos. O primeiro ícone aberto foi um áudio que ecoou com uma voz mecânica, como um leitor digital.

O pagamento será feito após confirmação visual. Prove que o seu alvo foi morto e o dinheiro será transferido automaticamente. Sem confirmação, sem pagamento.

Samantha apertou o play e escutou a mensagem pelo menos três vezes, esperando encontrar alguma nova pista. A única coisa que aquilo confirmava era que Paolo estava certo. Os números aos lados dos nomes significavam a quantia da recompensa.

Com um suspiro frustrado, Archibald deslizou o mouse até o segundo arquivo. Desta vez, a tela apareceu em branco com as letras embaralhadas que ela já havia visto antes. Mas diferente da versão impressa, a imagem já pedia a senha para revelar a nova lista.

Sam fechou os olhos e tentou se concentrar. Ela precisava seguir os seus instintos, mas seu corpo inteiro ainda estava em alerta pelos acontecimentos daquela noite. Dezenas de tentativas foram desperdiçadas até a voz ecoar em sua mente, trazendo o costumeiro arrepio que fazia seus olhos se encherem de lágrimas.

Respirando fundo, Samantha deslizou os dedos pelo teclado até formar a palavra “THEO”. Quando o ENTER foi apertado, as letras começaram a dançar até formar os nomes legíveis. Diferente da primeira vez, muitos nomes conhecidos foram aparecendo, acompanhados dos já conhecidos números. Quando chegou ao fim da tela, o estômago de Archibald se comprimiu e ela fechou o notebook como se tivesse acabado de ver algo absurdamente indecente.

Mesmo com o notebook desligado, a lista já estava gravada em sua mente.

Aaron Fittz – 800
Paolo Sullivan – 7
Jack Armstrong – 5
Damien Scott – 9
Isaac Scott - 20


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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Qua Ago 31, 2016 4:10 am

- Você quer que eu prepare um banho, ou um chá...?

A cabeça de Maximilian se sacudiu em negativa e ele tentou forçar um sorriso grato pela gentileza de Rosie, mas a expressão só serviu para reforçar o quanto o Alpha estava arrasado. O funeral de Theo sem dúvida fora um dos piores momentos da vida de Max. O sofrimento dele também fora enorme quando Tessa atacara Samantha, mas a pequena esperança que ele sempre tivera de que a namorada sobreviveria não existia agora que o corpo de Theo fora queimado.

Depois daquela última homenagem, os lobos da alcateia de Maximilian se dispersaram com a promessa de que redobrariam os cuidados com a segurança. A morte de Theo servira como um doloroso alerta de que todos eles corriam perigo e ninguém mais discordava que a situação se tornara emergencial.

Nenhum deles tinha conhecimento de que os demais nomes da alcateia faziam parte da lista, mas era muito lógico pensar que o nome de Theo não surgiria isolado.

Os saquinhos com ervas que Rosie enfiou nos bolsos de todos eles durante a despedida forneceriam uma proteção adicional, mas é claro que não evitariam para sempre uma tragédia. Portanto, ainda era muito importante descobrir quem estava por trás da lista e colocar um fim naquela sequência.

- Não se preocupe comigo. Você também precisa descansar, Rosie.

A bruxa concordou com um aceno de cabeça e se colocou na ponta dos pés para depositar um beijo carinhoso na bochecha de Cavendish. Os dois tinham acabado de retornar ao apartamento do Alpha e os primeiros raios da manhã brotavam na linha do horizonte sem que nenhum deles tivesse dormido durante toda a noite.

- Estarei no quarto. Pode me chamar se precisar de qualquer coisa, está bem?

A única coisa que Maximilian pegou ao passar pela cozinha foi um copo com água gelada. A mente dele estava tão atormentada com os últimos acontecimentos que o lobisomem só percebeu que Samantha Archibald ainda estava em seu apartamento quando chegou à sala e viu a ex-namorada ocupando uma das poltronas. As teorias de Jack imediatamente vieram à tona em meio aos pensamentos confusos de Max, mas ele realmente não queria se atormentar mais com aquelas ideias no momento.

- Desculpe, Samantha. Eu me esqueci completamente que você ainda estava aqui. Acho que o Paolo já foi para a casa do Damien. Se quiser ligar pra ele, fique à vontade.

Max indicou o telefone antes de desabar na outra poltrona. Cavendish estava visivelmente arrasado. As roupas amassadas combinavam com a expressão abatida de alguém que não havia dormido ou comido nas últimas horas. Usando os próprios pés, Maximilian se livrou dos tênis e tombou a cabeça para trás, apoiando a nuca dolorida no encosto macio da poltrona.

- Banshee, hm?

Não havia nenhuma crítica ou tom de cobrança na entonação usada pelo rapaz. Era apenas um desabafo para aliviar um pouco daquela sensação de sufocamento que ameaçava explodi-lo por dentro.

- Eu sinto muito por isso, Samantha. Logo você, que queria distância deste mundo...
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Qua Ago 31, 2016 4:33 am

Não havia o menor clima para continuar o jantar depois do telefonema de Paolo. Mesmo que Damien pensasse em se esforçar para terminar a noite agradável, seu estômago se recusaria a aceitar qualquer comida e sua cabeça estaria incapaz de se concentrar em qualquer assunto banal.

Scott provavelmente criaria um buraco no chão se continuasse andando de um lado ao outro, mas o apartamento divido com a mãe por toda a sua adolescência pareceu repentinamente pequeno, como se não tivesse ar o bastante para preencher seus pulmões.

Isaac havia sido removido do sofá e descansava no centro da cama que um dia pertencera a Damien. Seu sono tranquilo era completamente alheio ao nível de tensão dos pais.

Após receber a notícia de Theo, o jantar foi bruscamente interrompido. Por perceber o quão sério era o assunto, Debby não tentou forçar nenhuma situação e respeitou a dor do filho. A comida praticamente intocada foi colocada em potes e guardada na geladeira antes da Sra. Scott deixar o apartamento para iniciar um dos seus plantões noturnos.

Damien e Francesca se trancaram no antigo quarto do rapaz, depois que ele revirou cada uma das janelas do apartamento para se certificar de que não havia nada com o que se preocupar. Com Isaac mais confortável em sua cama, Damien trancou a porta do quarto em uma tentativa de criar mais uma barreira se houvesse necessidade.

Theo não era exatamente um dos seus amigos mais íntimos, mas assim como toda a alcateia de Max, havia recebido o adolescente rebelde e recém mordido de braços abertos quando Damien ainda desconhecia por completo aquele universo sobrenatural que agora era sua vida.

Imaginar que o rapaz sorridente que andava para cima e para baixo na companhia de Jack agora estava morto provocava um vazio estranho em seu peito e era difícil de acreditar em tamanha brutalidade.

Caçadores não costumavam poupar lobisomens, mas a lista compartilhada por Samantha ia além. Alguém estava colocando prêmios em pessoas que tinham uma vida, família, amigos e empregos. Não fazia a menor diferença.

Mesmo sabendo que era um grande potencial para estar em uma lista como aquela, Damien não conseguia pensar apenas em si mesmo. Praticamente todos os seus melhores amigos se resumiam a seres sobrenaturais, e até mesmo o irritante do Paolo não merecia ter a cabeça colocada a prêmio.

- Eu não acredito que isso esteja acontecendo.

Damien finalmente se sentou na beirada da cama e deslizou as mãos pelos cabelos e depois pelos olhos, apertando-os.

- Eu falei com o Theo há poucos dias. Ele estava na casa do Jack, com aquele estúpido chapéu do Sitch.

A voz de Scott falhou e ele ergueu o olhar para Francesca. Suas mãos imediatamente procuraram pelas delas e ele a puxou para perto até que a menina estivesse de encontro ao seu peito.

Os acontecimentos recentes impediram o casal de conversar sobre a situação dos dois, mas em nenhum momento Damien duvidou que queria Francesca de volta a sua vida.

- Eu passei tempo demais acreditando que tinha perdido você, Fran. – Ele sussurrou contra os cabelos dela. – Não quero perder outra oportunidade para dizer o quanto eu te amo. Eu te amei cada dia desde que você foi embora e não vou deixar você escapar de mim outra vez.

As mãos de Scott deslizaram até tocar o rosto de Francesca em uma carícia. Ele a girou até que estivesse no ângulo perfeito para beijá-la. Mesmo diante da situação tensa em que se encontravam, era no beijo de Sullivan que Damien encontrava a calma que precisava.

Seus braços deslizaram pelas costas dela, mantendo o abraço apertado mesmo quando o beijo chegou ao fim. Damien ainda não tinha conhecimento sobre a segunda lista revelada por Samantha, mas seu instinto já aflorava, fazendo a cor amarelada brilhar entre o verde dos seus olhos.

- Eu vou cuidar de você e do Isaac. Vocês são a minha prioridade. Nós somos uma família, Francesca, e eu não vou deixar nada acontecer a vocês. É uma promessa.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Qua Ago 31, 2016 5:02 am

As mãos de Francesca seguraram o rosto de Damien e seus dedos deslizaram demoradamente pela pele do rapaz, tentando abrandar um pouco de toda aquela dor com a carícia. Era óbvio que Sullivan também estava muito preocupada e sentia muito pela morte brutal de Theo, mas ela sabia que no momento precisava ser forte para que Scott não desmoronasse.

Apesar de toda a rebeldia do passado e de Damien ter se afastado da alcateia, era inegável que aqueles lobos eram unidos por um elo ainda mais forte que uma amizade. Para Damien, a dor de perder Theo era equivalente à morte de um ente querido.

- Eu sei, fofinho. Eu confio em você. – Francesca lançou um breve olhar para o filho adormecido antes de completar – Nós confiamos.

O uso do antigo apelido era como a confirmação formal de que tudo voltaria a ser como antes. Mesmo que os dois tivessem motivos para cultivarem mágoas um contra o outro, não fazia o menor sentido deixar que os fantasmas do passado continuassem atormentando suas vidas agora que os caminhos de ambos tinham se unido mais uma vez. Eles se amavam e tinham um bebê. Era mais do que o bastante para que decidissem ficar juntos.

- Eu sei que a situação é delicada, Damien, mas nós vamos dar um jeito. O Max reuniu a alcateia de novo, o Paolo está disposto a ajudar, temos a tal bruxa do nosso lado...

Embora ainda não conhecesse Rosie, Francesca havia cometido um erro semelhante ao de Samantha e construíra na cabeça uma imagem mental completamente oposta à realidade de Rosie Walker. Sullivan certamente se surpreenderia quando soubesse que a bruxa não era uma senhorinha de meia idade, gordinha, com os cabelos grisalhos e com um nariz avantajado.

- No seu caso, talvez o pensamento seja ainda mais otimista. Você oficialmente ainda mora na Inglaterra. Talvez o seu nome nem faça parte da tal lista, fofinho. Nós estamos seguros aqui.

O otimismo de Francesca tinha o principal objetivo de acalmar o namorado. Se ela soubesse que havia uma segunda lista na qual estavam os nomes de Paolo, Damien e de Isaac, certamente Sullivan não estaria agindo de maneira tão calma e sensata. O instinto protetor da mãe já era naturalmente aflorado mesmo que não houvesse nenhum perigo real voltado para Isaac. Quando Francesca descobrisse que a cabeça de seu bebê era o prêmio mais valioso dos caçadores, sem dúvida a moça enlouqueceria de desespero.

- Tente ficar calmo, está bem?

Ao notar o brilho amarelado que começava a cobrir as íris de Damien, Francesca se inclinou para depositar um beijo carinhoso na região entre os olhos dele. Agora que sabia que o instinto de proteção de Scott também era voltado para o filho, Sullivan tinha certeza de que não precisava temer por Isaac. Damien morreria antes de machucá-lo, mesmo estando transformado.

Era tolice tentar iniciar qualquer assunto banal depois da bombástica notícia sobre a morte de Theo. Por isso, Francesca não perdeu tempo tentando distrair o namorado com uma conversa amena. Damien precisava sentir aquela dor, era a maneira dele de honrar a memória de Theo já que não poderia comparecer ao funeral.

- Assim que amanhecer e tudo isso se resolver, nós vamos nos unir a eles, fofinho. Juntos nós conseguimos vencer a alcateia da Tessa e vamos vencer mais este obstáculo também. – os olhos verdes estavam se esforçando para demonstrarem esperança quando Francesca buscou pelos olhos do namorado – E só para registrar, eu também te amo. Você e o Isaac são a minha vida agora.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Ago 31, 2016 5:10 am

Aquele estava longe de ser o momento ideal para mais uma revelação bombástica. Max estava claramente esgotado, havia ficado acordado a noite inteira e havia acabado de cremar um dos melhores amigos. A última coisa que ele precisava era de mais uma preocupação na sua lista.

Samantha ainda estava congelada em seu lugar quando o dono do apartamento assumiu a poltrona ao lado. Mesmo quando as vozes de Rosie e Max encheram a sala, Sam foi incapaz de se mover. Era uma tortura ouvir a preocupação da bruxa com o lobisomem e saber que já havia ocupado aquele papel no passado, mas pelo menos por mais algumas horas, Archibald precisaria enfrentar o ciúme.

Ignorando a alfinetada do ex-namorado, Samantha permaneceu imóvel, deixando que o silêncio mergulhasse na sala até conseguir reunir coragem para que a voz escapasse de sua garganta.

- Max. Eu descobri a segunda lista.

O notebook fechado ainda estava sobre o colo de Archibald, mas ela não fez a menor menção de entrega-lo ao lobisomem. Sam apenas girou a cabeça para encará-lo, demonstrando dor em seu olhar.

- Ele é só um bebê, Max. Por que alguém iria querer machucá-lo?

Os olhos de Sam estavam arregalados e brilhando pelas lágrimas que ela não conseguia mais derramar. A ideia de ter Isaac em perigo era a pior já experimentada. O afilhado havia se tornado a sua maior alegria e saber que alguém queria feri-lo mortalmente era o bastante para deixar cada pelo de seu corpo em alerta.

- Eu não sei como contar para a Francesca.

O notebook foi finalmente entregue para Cavendish, mas àquela altura, ele certamente já havia deduzido a quem Samantha se referia. Para a melhor amiga, aquela lista representava o fim. Em poucas linhas, trazia o nome do irmão, do namorado e do filho. A vida de Francesca obviamente estava sendo poupada por ser humana, mas ela jamais seria a mesma se aquela lista fosse concluída.

Com o colo livre, Samantha se levantou e andou pela sala de Maximilian, se esforçando para respirar e evitar uma crise de pânico.

- Eu não quero isso. Não quero que da próxima vez eu acabe sendo levada até o corpo do Jack, do Damien ou do Paolo.

Ela deslizou as mãos pelos cabelos e as lágrimas desceram livremente pelo seu rosto. Embora jamais tivesse repudiado de fato a vida sobrenatural, Samantha não queria carregar aquele peso. Ela não queria vozes em sua mente sempre a guiando para a morte, principalmente quando uma dessas mortes poderia ser de alguém querido.

- Eu não vou suportar se for eu a descobrir sobre o Isaac.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Qua Ago 31, 2016 5:48 am

- O Isaac não vai morrer.

A voz de Cavendish soou com tanta firmeza que o Alpha se surpreendeu com a própria força. Ele se sentia exausto depois do funeral de Theo, mas a lista que Samantha empurrara para suas mãos fora o bastante para que Maximilian se colocasse em alerta máximo novamente.

Definitivamente não era o melhor momento para receber uma segunda lista e saber que todos, inclusive Isaac, estavam na mira das mesmas pessoas que mataram Theo. Mas infelizmente Maximilian não teria tempo para chorar a morte do amigo. No momento, a melhor maneira de honrar a memória de Theo era evitando que os demais tivessem o mesmo destino infeliz dele.

Mesmo antes de ler o nome de Isaac no documento, Max já havia entendido que Archibald estava se referindo ao afilhado. Isso não reduziu o choque de ver o nome de um bebezinho na lista de mortes encomendadas, rodeado pelos nomes de todos os demais membros da alcateia pacífica de Cavendish.

Caçadores não costumavam levar em consideração a maneira como os seres sobrenaturais viviam, mas oferecer a maior das recompensas em troca da morte de um bebê era demais. Maximilian se sentiu enojado e grato por não ter comido nada nas últimas horas.

- Hey! Hey, hey, hey!

Mesmo que estivesse destroçado por dentro, Maximilian ainda era o Alpha que não podia permitir que seu grupo desmoronasse. Ao perceber que Samantha estava há um passo de surtar com toda aquela pressão, Cavendish se colocou de pé e caminhou até a ex-namorada, colocando-se na frente dela para impedir que Archibald continuasse andando sem rumo pela sua sala.

- Eu sei. Isso é terrível, eu sei exatamente o que você está sentindo. Mas nós temos uma chance de vencer. Eu prometo que você nunca terá que viver este pesadelo com o Isaac, Samantha. Confie em mim. Ele vai ficar bem. Mas a minha promessa depende de você para ser cumprida.

Pela primeira vez desde que os dois se reencontraram, Maximilian cedeu ao desejo de tocar a ex-namorada. Como nos velhos tempos, a mão do Alpha se encaixou com perfeição na curva do rosto delicado de Samantha enquanto ele buscava pelas íris castanhas úmidas pelas lágrimas.

- O seu dom não é localizar cadáveres, Sam. Uma Banshee é capaz de sentir quando a morte está por perto. Tudo o que você precisa fazer é seguir os seus instintos antes que o pior aconteça. O seu dom pode salvar vidas e eu confio que você se tornará capaz de controlar este poder para nos ajudar.

Mesmo sabendo que estava ultrapassando todos os limites que sua dignidade poderia suportar, Max não resistiu à tentação de secar as lágrimas de Samantha com seu polegar, numa carícia que se estendeu até a região onde ficava a familiar covinha da garota.

- Eu vou falar com a Francesca e o Damien.

Aquela certamente era uma das piores partes de toda aquela tortura. Francesca surtaria ao saber que a nova lista contava com os nomes de Paolo, Damien e Isaac. E era fácil prever que Scott ficaria muito mais arrasado ao saber do nome do filho do que do próprio. Não era uma tarefa fácil, mas o Alpha sabia que não podia deixar mais aquele peso nos ombros de Samantha.

- Eu não vou desistir, mas eu preciso de você comigo, Samantha. Todos nós precisamos de você.
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