Alpha Pack

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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Jul 03, 2016 8:46 pm

Exatamente como havia acontecido mais cedo no colégio, quanto mais tempo Damien passava ao lado de Francesca, mais o seu próprio corpo se acalmava e ele se sentia novamente no controle, sem riscos de surtar. O temperamento forte da menina era suficiente para manter toda sua atenção e Scott chegava a se divertir com as palavras atravessadas.

Se sentindo mais relaxado, ele se esforçou para manter um comportamento menos chamativo e tentou manter a distância saudável entre os dois enquanto ela pagava pelo medicamento, mas não tinha a menor intenção de se afastar por completo.

Sem ao menos perceber, Damien abriu um sorriso satisfeito ao descobrir que Paolo era apenas um irmão e até se divertiu com o comentário a respeito dos nomes de origem italiana. Agora que seus batimentos voltavam ao normal, ele começava a sentir o cansaço se espalhar pelo seu corpo e o olhar pesado estava fixo em Sullivan, desviando apenas para o medicamento em sua mão.

Ele franziu a testa, sem entender o comentário dela, até finalmente ler as letrinhas miúdas na embalagem. Se sentindo repentinamente envergonhado por estar segurando aquilo, Scott arregalou os olhos e tentou esconder o frasco com seus longos dedos, torcendo para que ninguém mais notasse que ele segurava um medicamento de mulher.

- Eu não namoro. – Damien resmungou entre dentes, enfiando o medicamento no meio de uma prateleira abarrotada de pastilhas para garganta. – A embalagem me confundiu, só isso.

De fato, Damien Scott nunca havia namorado antes. Ele já havia saído com dezenas de meninas, mas nunca havia sentido o desejo ou a necessidade de rotular um compromisso com outra pessoa.

Pacientemente, o rapaz ignorou o olhar curioso da atendente e manteve as mãos protegidas nos bolsos. Quando Francesca recebeu o seu troco e se encaminhou para fora da farmácia, Scott seguiu seus passos, sem se preocupar se estava sendo inconveniente. Sua única preocupação era o pesadelo que surgiria quando Sullivan não estivesse mais por perto e ele precisava prolongar aquela paz o quanto fosse possível.

Ele só parou de andar quando percebeu o único carro parado no estacionamento, sem esconder o queixo caído de admiração diante do modelo clássico que ela dirigia.

- Esse carro é seu??? – Seus olhos azuis passaram do Impala para a menina, a encarando de cima a baixo até encarar seus chinelos. – Você não pode dirigir um Impala assim, Francine!

A troca do nome era sua forma de provoca-la. Ele sabia que quanto mais provocasse, mais a menina iria xingá-lo. E se estivesse xingando, Damien poderia se concentrar no tom de sua voz.

Com grande admiração, Scott se aproximou do carro e passou as mãos pela tintura impecável. Ele se lembrou dos ruídos do carro engasgando quando ela estacionou e balançou a cabeça, se lamentando pelo carro como se ele pudesse se magoar por ter uma péssima motorista.

- Você vai bater o carro se continuar dirigindo de chinelos. Posso levar você em casa, Florence. Conheço as ruas do Brooklyn e garanto que você vai chegar em casa muito mais rápido.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jul 03, 2016 9:28 pm

- Por que você está sorrindo desse jeito?

Samantha quase tombou de seu lugar quando Caleb pareceu se materializar na sua frente, sentando do outro lado da mesa com o seu sorriso perfeito e os cabelos loiros sem um fio fora do lugar.

- Consegui duas entrevistas para hoje. – Sam comentou, tentando disfarçar a sua animação com o foco apenas em seu trabalho com a revista da escola. – A edição da próxima semana vai vir sensacional!

Caleb deslizou a alça da mochila para coloca-la de lado, mantendo o seu enorme sorriso nos lábios. Sua expressão mostrava divertimento e ao mesmo tempo orgulho diante da namorada. Ele sabia que a paixão de Archibald estava no trabalho que fazia com a revista e comemorava por tabela com as suas pequenas vitórias. Definitivamente, Stark parecia ter saído de algum romance de Austen, carregado em suas perfeições em cada detalhe.

- Quem mais além da novata?

- Xiiiu! – Ela o repreendeu, olhando rapidamente ao redor para se certificar de que ninguém havia escutado. – Eu te disse que a Sullivan vai me ajudar com a matéria sobre outros colégios em cidades diferentes, mas ainda preciso convencê-la a deixar citar o seu nome na matéria. Por enquanto, é uma fonte anônima.

Mais uma vez, Caleb soltou um risinho, mas concordou com um movimento da cabeça. As vezes ele achava que Samantha levava a sério demais as responsabilidades com a revista, mas também sabia que grandes universidades encaravam aquilo com pontos extras na hora de escolher seus candidatos e por isso não criticava.

- Está bem, quem além da sua fonte anônima?

Por algum motivo, Samantha foi incapaz de encarar o namorado quando puxou a caixinha com água de coco e levou o canudo até seus lábios, se esforçando para soar o mais casual possível.

- Maximilian. Aquele do acidente da bicicleta.

Como se quisesse reforçar para si mesma que o encontro com Max não havia sido nada demais, Sam contou a Caleb sobre o ocorrido de dias antes, desde o pequeno acidente até o café que os dois tomaram juntos. Exatamente como havia esperado, o namorado não demonstrou nenhum desconforto ou ciúme.

Naquela manhã, entretanto, ele franziu a testa em surpresa e se inclinou sobre a mesa, sinceramente interessado.

- O cara que destruiu seu iPod? Você vai trazer ele aqui?

Samantha confirmou com um movimento da cabeça, ignorando as batidas aceleradas do seu coração. Se Caleb continuasse acreditando que não havia nada de errado, ela também seria capaz de acreditar. Mas se até o namorado perfeito começasse a questionar aquela repentina aproximação, Archibald se veria obrigada a encarar a verdade que ela fugia.

Ela só queria poder continuar conversando com Max. Ele era bonito, e qualquer garota se derreteria aos seus pés, mas Sam já tinha um namorado tão bonito quanto. Só o que queria de Maximilian era a sua companhia imensamente agradável e talvez até ouvir novamente como ela era bizarra... Aquela palavra de repente havia se tornado a sua preferida.

- Vai ser legal. Você pode vir também... Vai ver como ele é gente boa.

O convite foi feito porque Samantha sabia que era o certo, mas ela precisou esconder o alívio quando Caleb negou com um movimento da cabeça.

- Tenho treino hoje, não posso. Mas prometo ler a entrevista depois.

Caleb se inclinou sobre a mesa e depositou um beijo rápido nos lábios da namorada. Antes de se afastar, ele ainda abriu um de seus sorrisos irresistíveis.

- Ah, já comprei o seu presente de aniversário.

- Mas é só daqui duas semanas.

- Eu sei. A escola inteira sabe, o aniversário de Samantha Archibald é sempre o evento do ano. Mas eu não podia esperar. Tenho certeza que você vai gostar.

Ele piscou um olho antes de finalmente se afastar, deixando Samantha novamente sozinha diante da sua agenda, encarando o nome de Max em sua própria caligrafia nos compromissos do dia, ignorando a batalha interna de seus pensamentos.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Jul 03, 2016 9:33 pm

A admiração de Damien diante do Impala fez com que os olhos verdes da garota girassem. Por mais que gostasse do carro, Francesca não conseguia entender a adoração que o pai e o irmão tinham com aquele modelo antigo. Paolo até se esquecera das dores de Richard para surtar ao saber que a caçula havia pegado as chaves do veículo. E o queixo caído de Scott mostrava que ele estava disposto a entrar para o fã-clube do Impala preto.

- Como é que é...? – os olhos da menina se estreitaram de forma ameaçadora – Você realmente acha que vai relar essas suas mãos sujas no meu carro? Vai sonhando, Scott!

Ao escutar as próprias palavras, Sullivan notou que talvez ela também gostasse anormalmente daquele Impala. A ideia de deixar outra pessoa colocar as mãos no volante era terrível e inconcebível. Era como se o Impala fosse uma relíquia sagrada da família Sullivan.

Era óbvia a intenção de Damien em provocá-la trocando o nome da garota, então Francesca nem se deu ao trabalho de corrigi-lo. O colega já havia feito com que ela perdesse muito tempo com conversas e explicações enquanto Richard estava sozinho em casa, esperando pelos analgésicos.

- O que você ainda está fazendo aqui, cara? Já passou de meia noite, você realmente não tem nada mais interessante pra fazer da sua vida? Tipo dormir?

A reclamação só veio depois que os dois já estavam diante do carro estacionado. Francesca jamais admitiria isso, mas estava grata pela companhia do colega. O trajeto da farmácia até o estacionamento não era longo, mas as calçadas estavam desertas e sombrias àquela hora da noite.

Além disso, ela ainda tentava digerir a informação sobre a ausência de uma namorada. Desde que Damien assumira que não havia ninguém em sua vida e que pegara o remédio de cólicas menstruais por engano, Francesca sentia a irritação se dissipando de seu corpo.

Ignorando por completo a oferta de Scott, Francesca destrancou o Impala e ocupou o banco do motorista. Assim como ela fizera para chegar à farmácia, os chinelos foram retirados e deixados no canto do assento. Em uma coisa Damien tinha razão, não era uma boa ideia dirigir usando chinelos de dedo, ainda mais tendo uma experiência nula ao volante.

- Mas o que...? – o queixo de Sullivan caiu quando ela viu o colega abrindo a outra porta e se acomodando no banco ao seu lado – Qual é o seu problema, Scott?

Ao entrar no Impala, o rapaz não teria dúvidas de que aquele carro era muito bem tratado. O estofado estava impecável, assim como todas as peças originais do painel. O interior do veículo estava imaculadamente limpo, o rádio funcionava bem, os tapetes eram novos e, mesmo sendo um modelo muito antigo, não havia nenhum tipo de estrago nos bancos, nas rodas, nas janelas, no câmbio manual. Um colecionador daria uma fortuna pelo Impala, mas certamente o carro passaria a valer muito menos se Francesca o enfiasse num poste. E foi isso que quase aconteceu quando a garota confundiu a embreagem com o acelerador e arrancou o carro subitamente, fazendo os pneus cantarem em contato com o asfalto.

- Merda! – Sullivan afundou o pé descalço no freio há menos de vinte centímetros de distância do pequeno poste que iluminava o estacionamento – A culpa é sua, Scott, está me distraindo!

Ao invés de perder tempo com mais uma discussão, Francesca respirou fundo e tentou se concentrar no carro. Embora nunca tivesse tido uma aula prática de direção, ela crescera dentro daquele Impala e vivia enchendo o pai e o irmão de perguntas. A pequena casa dos Sullivan ficava há dois minutos dali, as ruas estavam desertas. Desde que mantivesse uma velocidade baixa, Francesca chegaria em casa sem causar um acidente.

- Eu realmente não sei de onde você surgiu, muito menos o que você ainda está fazendo aqui...

Enquanto falava, Francesca manteve a atenção fixa na rua. A cada troca de marcha, o carro estremecia como se estivesse prestes a morrer, mas a garota nem pensava em passar a direção para Scott. Paolo surtaria se estivesse ali para ver a irmã enfiar uma das rodas num buraco do asfalto, mas Francesca continuou determinada a finalizar aquele desafio.

-...mas você vai sumir no instante em que eu estacionar na porta da minha casa, Scott. Já passa de meia noite, meu pai está em casa e, como eu não sei que merda você está fazendo aqui, eu não saberia o que dizer a ele.

Sullivan ainda não havia falado abertamente com Damien sobre a própria família, mas já deixara escapar que a mãe falecera há muitos anos, que ela tinha um irmão mais velho e que passara a infância transitando entre diferentes cidades. E agora acabara de mencionar que havia um pai esperando por ela em casa.

Era no mínimo estranho que o pai da menina permitisse que Francesca saísse para comprar remédios no meio da madrugada enquanto ele continuava em segurança em casa. Qualquer pessoa que parasse para pensar por alguns segundos naquela situação chegaria à conclusão mais óbvia: os medicamentos dentro da sacolinha da farmácia eram para o Sr. Sullivan e ele provavelmente estava doente o bastante para não conseguir sair de casa sozinho naquela noite.

O pé de Francesca novamente pisou no freio sem muita delicadeza, fazendo os dois corpos se inclinarem subitamente para frente enquanto ela parava numa das vagas ao lado de uma espécie de vila.

Mesmo com a maioria das luzes apagadas, era fácil perceber a simplicidade da construção. Um pequeno portão dava acesso a um pátio meio sujo que unia várias casinhas idênticas. Definitivamente, ninguém jamais imaginaria que uma aluna da Constance Billard School moraria numa vila comunitária tão humilde.

- Pronto, chegamos. Agora dê o fora, Scott. E se planeja contar aos seus amiguinhos sobre o lugar onde eu moro, sugiro que tire uma foto. Isso aqui está muito longe da sua realidade, você não conseguiria descrever com palavras.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Dom Jul 03, 2016 10:53 pm

Em uma cidade tão tumultuada quanto Nova York era muito raro que seus habitantes apressados tivessem tempo para admirar a bela paisagem de um fim de tarde. Era triste que ninguém parasse por dois segundos para olhar o céu tingido por diferentes tons de laranja, refletindo o sol que se despedia de mais um dia no horizonte.

Era exatamente naquela bela imagem que os olhos de Maximilian Cavendish estavam presos enquanto ele esperava no portão do prédio da Constance Billard School. Os raios de sol pareciam mais fortes no horizonte e atingiam o rosto de Max sem piedade, fazendo com que um discreto brilho avermelhado se denunciasse por trás das lentes azuis.

Quando um segurança uniformizado se aproximou dos portões, Max virou-se de costas para o sol para que a iluminação não denunciasse a verdadeira cor atípica de suas íris. Os dois homens se cumprimentaram com breves acenos de cabeça antes que Cavendish tomasse a palavra.

- Eu sou Maximilian Cavendish. Fui convidado por Samantha Archibald para dar uma entrevista para o jornal da escola.

Mesmo que a Constance tivesse muitos alunos, cada um dos estudantes era reconhecido pelo nome. A maioria daqueles jovens possuíam sobrenomes importantes em um cenário nacional e os funcionários sabiam que não podiam tratar aqueles “clientes” como alunos comuns.

- Vou precisar de um documento, Sr. Cavendish.

O segurança esperou pacientemente que o rapaz tirasse a identificação da carteira e confirmou o nome de Max em uma lista de pessoas autorizadas a entrar no prédio naquela tarde. Para alívio de Cavendish, Sam não havia se esquecido de passar o seu nome para a portaria do prédio.

- O senhor pode seguir direto até a entrada principal... – o segurança apontou um grande pátio que rodeava o prédio principal – Logo que passar pela recepção, vire no primeiro corredor à direita. Vai encontrar um lance de escadas. A sala de edição do jornal fica no segundo andar, corredor leste C3, porta 227.

A orientação poderia soar confusa para qualquer pessoa que nunca tivesse pisado na Constance Billard, mas Maximilian seguiu na direção indicada certo de que não teria a menor dificuldade em localizar Archibald. Mesmo ali ao ar livre e relativamente distante do prédio, Max já conseguia sentir o familiar perfume de Sam.

O cheiro se tornou ainda mais pronunciado no instante em que o lobisomem entrou na escola. A sensação era tão intensa que um arrepio se espalhou pela pele de Max, eriçando os pelos dos seus braços. Mesmo com tantos estímulos atingindo o seu olfato ao mesmo tempo, Max não tinha nenhum problema em reconhecer o cheiro que vinha de Samantha. Era impressionante como a herdeira dos Archibald conseguia acender todos os sentidos dele. Embora não se lembrasse mais das palavras do segurança, os instintos de Cavendish o levaram diretamente até a porta 227, onde funcionava a edição do jornal escolar.

As vozes no interior da sala mostravam que Samantha não estava sozinha, mas ainda assim Max bateu na porta fechada. Não demorou para que uma moça girasse a fechadura e surgisse na porta da sala. A garota de cabelos castanho-avermelhados abriu um sorriso gentil enquanto pendurava a alça de uma mochila velha em um dos ombros.

- Oi, você deve ser o próximo cara a ser entrevistado, não é? Pode entrar, eu já estou de saída. – o polegar de Francesca apontou o interior da sala por cima de um dos ombros dela – A Samantha está te esperando.

- Sim, sou eu. Obrigado.

Quando passou por Francesca, Cavendish a encarava apenas como mais uma aluna comum da Constance Billard. Por isso, Max ficou paralisado ao sentir nela o típico cheiro de um lobo. Os olhos do Alpha se arregalaram e ele não conseguiu conter o instinto de acompanhá-la com o olhar. Qualquer um diria que era um simples olhar de um rapaz interessado em uma garota bonita, mas a realidade é que Cavendish estava estupefato por sentir numa menina o cheiro do recém-transformado que ele tentava localizar.

O lobisomem solitário havia dito com todas as letras que atacara um rapaz jovem naquela noite. Além disso, qualquer um que conhecesse minimamente a história dos lobos sabia o quanto era improvável que a delicada menina que passara por Max carregasse a maldição.

A maioria das mulheres atacadas por lobisomens não sobreviviam ao ferimento grave e as poucas que não sucumbiam à maldição experimentavam uma recuperação lenta e muito dolorosa. Era simplesmente impossível que uma menina frágil como Francesca estivesse caminhando e frequentando normalmente a escola se fosse ela a vítima de um lobisomem.

Max só precisou de alguns segundos para afastar aquela hipótese maluca da cabeça e chegar à conclusão mais óbvia. Francesca não era uma recém-transformada, mas certamente estivera muito próxima ao jovem lobisomem nas últimas horas. Talvez o verdadeiro transformado fosse o irmão dela, um amigo, o namorado...

A vontade de seguir a menina para que ela o levasse até o rapaz do beco era enorme e sufocante, mas Max percebeu que não tinha esta escolha quando seus instintos o alertaram para a aproximação de Samantha.

Com um sorriso forçado, Cavendish se obrigou a desviar o olhar das costas de Francesca para encarar Archibald. Mesmo com aquela preocupação corroendo-o por dentro, Max sentiu o estômago dar uma cambalhota gostosa quando Sam entrou em seu campo de visão. Nem mesmo a sua boa memória era totalmente fiel à beleza da morena.

- Oi Sam, desculpe pelo atraso. A fila do banco estava maior do que o previsto.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Dom Jul 03, 2016 11:02 pm

Damien estava impressionado como ele ia do inferno à normalidade em questão de segundos quando estava perto de Francesca. Sua vida estava começando a virar de ponta cabeça, mas ele ainda encontrava naquela completa estranha o seu bote salva-vidas.

O mais surpreendente era não enxergar naquela menina de cabelos castanhos avermelhados uma desconhecida. Talvez fosse a intimidade de escutar a batida do seu coração há metros de distância ou o seu delicioso perfume já gravado em sua memória, mas quando via Francesca, Damien encontrava também aquele sentimento de familiaridade que ele não sentia desde que se mudara para os Estados Unidos.

Mesmo no curto trajeto de carro até a humilde vila, ele se dividia entre se agarrar ao banco a cada solavanco do carro ou admirar o perfil concentrado de Sullivan enquanto dirigia. Onde ele estava com a cabeça para não ter reparado o quanto ela era linda?

Bom, em sua defesa, ele estava preocupado demais com sua audição repentinamente sensível, com seu novo olfato e com a figura do predador que havia acabado de encontrar em seu reflexo. Mas, mesmo quando deveria continuar tentando entender o que estava acontecendo, se ele estava de fato enlouquecendo ou fisicamente doente, Damien conseguiu encontrar alguns minutos de paz para admirar Francesca.

O formato da boca dela era diferente, os lábios eram fartos e naturalmente rosados. Seus olhos verdes eram os mais lindos que Scott se lembrava de já ter visto. Cada um dos seus traços vivia em harmonia para compor o rosto delicado e atraente. Os cabelos castanhos avermelhados eram exóticos e contrastavam com a pele pálida e lisa. Mas era a forma como ela franzia a testa e contorcia os lábios em sinal de irritação que faziam o coração de Damien acelerar.

Ele só se viu obrigado a desviar o olhar dela quando o carro finalmente parou com um solavanco. Seu braço imediatamente foi esticado e Scott apoiou os dedos sobre o painel, evitando seu corpo de se chocar com a freada brusca.

Era possível notar pelas roupas e principalmente pela atitude de Sullivan de que ela não era como as outras meninas da escola. E ali estava mais uma prova de que Francesca estava perdida naquele colégio de gente rica e mimada tanto quanto ele.

Normalmente, Damien não se preocupava em se justificar para ninguém. Ele não se importava com que as pessoas pensavam, mas por algum motivo, sentiu necessidade de fazer Francesca enxergar que ele também era diferente.

- Eu moro há três quadras daqui.

Ele respondeu calmamente, mantendo o olhar preso na entrada da casa. O Sr. Scott poderia viver em um luxuoso apartamento em Londres e enviar uma pequena fortuna mensal para garantir os estudos do filho, mas assim como Damien, Debby não gostava de esbanjar e muito menos viver às custas do ex-marido. Ela se desdobrava em diversos plantões para garantir ao filho uma vida digna e Damien não reclamava da pequena casa em que viviam no Brooklyn.

- Meu sotaque não é falso, Florence. Muito menos eu. Estou longe de ser como aqueles idiotas.

Para minimizar o impacto de suas palavras mais sérias, Damien abriu um de seus sorrisos tortos que deslizava por um lado do rosto e se virou para Francesca enquanto soltava o cinto de segurança com um click.

- Mas eu gostei da ideia de tirar uma foto... se você aparecer junto, é claro. – Ele piscou um olho para reforçar a brincadeira, mas mesmo enquanto tentava ser divertido, Damien conseguia ser incrivelmente atraente.

Sabendo que não poderia prender a menina o resto da noite ali, embora esse fosse exatamente o seu desejo, Scott finalmente soltou um suspiro e abriu a porta do passageiro, tentando ignorar o seu peito comprimido com a ideia de se afastar de Sullivan.

- Boa noite, Francine.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Dom Jul 03, 2016 11:55 pm

Só depois de dar a medicação ao pai e de perceber o alívio estampado no semblante do Sr. Sullivan, Francesca se arrastou até o seu quarto para dormir. Embora estivesse exausta, o sono não a atingiu de imediato. Era difícil adormecer com a mente revivendo as lembranças recentes do último encontro com Damien Scott.

Mesmo depois de saber que Damien também morava no Brooklyn, Francesca não acreditava que o encontro daquela madrugada acontecera por acaso. A conclusão mais óbvia para aquela aproximação insistente era que Scott estava interessado nela. E Sullivan não sabia exatamente como se sentir com relação a isso.

Damien era indiscutivelmente atraente. Qualquer menina que dissesse o contrário não estaria sendo sincera consigo mesma. Era impossível ser totalmente indiferente a um rapaz como Scott. Além de ser alto e de possuir um porte físico interessante, Damien tinha traços bonitos e marcantes. Os olhos azuis eram intensos e os lábios dele tinham um desenho perfeito. O nariz e o queixo angulosos lhe davam um ar másculo e era difícil conter os arrepios ao ouvir aquela voz grave e rouca.

Por outro lado, contudo, Francesca não sabia se aquela tentação valia a pena. Scott havia dito que era diferente dos outros garotos do colégio, mas Sullivan não tinha nenhuma confirmação além da palavra dele. E se ele fosse só mais um rapaz esnobe e superficial que só queria se divertir com ela? Francesca já tinha problemas demais e não podia se dar ao luxo de ter o coração partido. Richard precisava que a caçula continuasse firme e presente para cuidar dele e da casa.

Além disso, era difícil acreditar que Damien tivesse enxergado a caçula dos Sullivan em meio a tantas meninas da Constance. Francesca sabia que não era a mais bonita delas, que jamais seria tão vaidosa quanto as colegas, que não possuía uma grande herança e nem um sobrenome importante. Por que Scott iria querer logo ela? Ele era bonito o bastante para ter qualquer uma daquelas garotas perfeitas que trocavam risinhos e cochichos quando Sullivan passava pelos corredores do colégio com sua mochila velha e com as sapatilhas gastas.

A cada dia Francesca odiava mais aquela escola, mas ela estava disposta a cumprir a promessa feita a Richard. Dia após dia, a menina se levantava da cama e se arrastava até o East Side para mais algumas horas de tortura. Os colegas eram insuportáveis e a ignoravam por completo, exceto nos momentos em que resolviam notar Sullivan apenas para zombar dela. Os professores eram excelentes, mas sabiam que Francesca não era rica e que não tinha pais influentes, então obviamente não davam a ela a mesma atenção dispensada aos outros jovens.

No fim das contas, mesmo que Scott deixasse os sentimentos dela confusos, era a presença dele a única motivação que Francesca tinha no novo colégio. Enquanto Damien a seguia como uma sombra e a distraía com suas provocações e com as intermináveis discussões, Sullivan via o tempo passar mais rápido. Às vezes era até divertido trocar farpas com o colega e Francesca se via segurando o sorriso para não denunciar que gostava de brigar com ele.

Samantha Archibald acabou se tornando também uma boa surpresa. Embora ela fosse um excelente exemplo de garota rica e perfeita da Constance Billard School, bastou que as duas meninas conversassem brevemente para que Francesca notasse que a morena não era tão fútil e superficial quanto as demais colegas. Pelo contrário, Sam sabia ser gentil e não encarava Sullivan como se estivesse diante de uma lata de lixo imunda.

Foi apenas por isso que Francesca concordou em ajudar na próxima matéria do jornalzinho da escola com algumas informações. Sua única exigência foi que seu nome não saísse nas publicações. Aquele era um tipo de exposição desnecessária que não mudaria a maneira como os colegas a enxergavam.

Depois de um dia inteiro de aula – sempre com Scott sentado perto da novata – Francesca passou boa parte da tarde na sala de edição do jornal, conversando com Samantha e ajudando-a a construir a matéria sobre os diferentes perfis de alunos em cada estado americano.

Quando Max chegou, as duas meninas estavam finalizando o trabalho e Sullivan já havia dito que precisava sair. Ela ainda tinha um longo caminho do colégio até o Brooklyn e sabia que os ônibus ficariam mais lotados a cada minuto que perdesse ali.

- Salvei o seu número. Vou te mandar os arquivos que comentamos. – Francesca enfiou suas anotações na mochila – E as fotos também. Mas não quero que você publique nenhuma imagem minha, ok? Boa sorte aí na próxima entrevista.

Sullivan ficou surpresa ao abrir a porta e dar de cara com um rapaz tão jovem e atraente. Quando Archibald comentou que entrevistaria um profissional de designer gráfico, a outra garota havia visualizado na cabeça a imagem de um homem mais velho e experiente. Se a escola inteira não soubesse que Sam e Caleb formavam o típico casal perfeito, modelos de “rei e rainha do baile”, Francesca até imaginaria que a colega tinha segundas intenções naquela tarde.

Distraída, Sullivan se despediu dos dois antes de alcançar o corredor. Enquanto andava, totalmente alheia ao olhar fixo de Maximilian nas suas costas, a garota digitava uma mensagem no celular. O remetente era Paolo e a caçula só queria avisar que passaria no mercado para comprar os ingredientes do jantar antes de ir para casa.

Para ela tudo acontecera de forma tão natural que Francesca sequer percebeu que, ao se espremer para passar entre a porta entreaberta e Max, ela havia roçado o braço no corpo dele.

Aquilo não fazia a menor diferença para Sullivan, mas, assim como Maximilian sentira o cheiro de Damien impregnado nela, Scott fatalmente também notaria que outro lobo havia encostado em Francesca naquela tarde.

A grande diferença entre os dois rapazes era que Max era um Alpha com pleno controle de seus instintos e que não se sentia ligado a Francesca. Já Scott era um recém transformado com os instintos aflorados e incontroláveis, que sentiria na “sua” garota o cheiro de outro lobo.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jul 04, 2016 12:25 am

O olhar interessado de Max em Francesca não passou desapercebido por Samantha enquanto ela recolhia o material preparado durante a entrevista com a novata, liberando o espaço para a entrevista seguinte. Por não saber um terço dos segredos escondidos pelo rapaz, Archibald logo chegou até a conclusão mais óbvia de que ele lançava a Sullivan o olhar típico de um homem com interesses não muito inocentes.

Seu estômago se contorceu com a ideia de Cavendish e Sullivan, mas Samantha precisou se obrigar a se lembrar que não tinha direito algum de se sentir daquela forma. Max estava se tornando um amigo e tinha todo o direito de se sentir atraído por quem bem entendesse. Ao contrário dela, que tinha um namorado.

Ela sacudiu a cabeça e fez um gesto com a mão no ar, para mostrar que o atraso não era importante.

- Eu acabei levando mais tempo do que imaginei com a Francesca. Você chegou bem na hora... – Samantha estudou a reação de Maximilian ao dizer o nome de Sullivan, lutando para que o ciúme não aparecesse em sua voz. – Ela tinha uma infinidade de histórias para contar, poderia passar o dia inteiro conversando que ainda teríamos assuntos.

Por um lado, o coração de Samantha lhe mandava se calar. Seu corpo implorava que ela não continuasse falando de Francesca na frente de Max, que desviasse o foco daquele assunto para qualquer coisa que não fosse a novata. Mas por outro lado, Archibald tentava mentir para si mesma que enxergava Max apenas como um amigo. E se os dois eram apenas amigos, não havia nada de errado em falar as qualidades de outra menina como se estivesse vendendo a possibilidade de um relacionamento.

- Francie acabou de se mudar para Nova York com o pai e o irmão. Ela já rodou por praticamente o país todo. Ela faz parecer como se fosse uma tortura, mas tenho certeza que também tem o lado positivo. Imagine poder conhecer tantos lugares diferentes? Além do mais, é incrivelmente inteligente e tem um humor bem... particular.

Ao fazer aquele comentário, Samantha se lembrou da forma com que os lábios de Max se mexiam para dizer que ela era “atipicamente bizarra”. Sem ao menos perceber, ela sacudiu a cabeça para afastar aqueles pensamentos, fazendo com que seus cabelos ondulados balançassem e roçassem em seus ombros cobertos pela camisa branca da escola.

O blazer azul estava pendurado em uma das cadeiras e os mesmos keds vermelhos estavam em seus pés. A saia xadrez alcançava um pouco acima dos seus joelhos e seus cabelos estavam presos com uma delicada tiara branca de pedrinhas. Diferente do dia do acidente, Samantha havia passado uma camada fina de maquiagem, deixando suas bochechas mais coradas e os lábios brilhavam com um gloss. Seus olhos estavam em destaque com o delineador e suas orelhas brilhavam com um par de brincos discretos, mas nitidamente caros.

Archibald raramente se arrumava para cuidar dos assuntos do jornal, mas tentava dizer a si mesma que não havia nada de errado em querer se arrumar naquele dia em particular.

Ela caminhou até a cafeteira e serviu duas xícaras antes de se acomodar no sofá, indicando com um gesto que Max fizesse o mesmo. Quando ele também se sentou, uma das xícaras foi passada para suas mãos, sem ter necessidade de perguntar se ele aceitava ou não.

- Não é tão bom quanto você está acostumado, mas quebra um galho.

Um sorriso simpático fez com que suas coxinhas surgissem em suas bochechas, mas não era o mesmo riso aberto do primeiro encontro. Sam ainda estava travando uma batalha interna sobre como se sentia em relação ao interesse de Max em Francesca.

- Podemos começar por aqui, conversamos um pouco e depois, se você não se importar, eu queria gravar um vídeo.

Seu indicador apontou para a câmera no tripé que apontava para o fundo branco e dois banquinhos do outro lado da sala.

Em uma tática que havia aprendido com a mãe, Samantha se acomodou confortavelmente, deixando Max o mais a vontade possível, para que a tensão de ser entrevistado não acabasse atrapalhando suas respostas. Quanto mais ele se sentisse em uma conversa informal, maiores as chances que ela tinha de conseguir respostas sinceras.

- Então, Max... Como é ser um designer gráfico? Você trabalha como autônomo, não é? O que te levou a escolher essa profissão?

Samantha se remexeu no sofá, se sentando de lado para ficar de frente a Max. Um de seus braços foi apoiado no encosto do sofá e ela se sentou sobre uma das pernas, mantendo a caneca fumegante em uma das mãos. Era muito importante manter o foco na profissão de Maximilian, mas ao mesmo tempo, Archibal estava lutando com a curiosidade a respeito dele.

- Alguém te incentivou a seguir por esse caminho? Seus pais? Sua namorada, talvez?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Seg Jul 04, 2016 1:32 am

O coração de Maximilian batia acelerado e ele sabia que não era apenas pela presença de Samantha. É claro que Max ainda se sentia profundamente atraído por ela e seu peito se aquecia quando as familiares covinhas surgiam nas bochechas da jovem. Mas o senso de responsabilidade do Alpha não permitia que ele ignorasse o quão perto estava do recém-transformado. O cheiro tão intenso impregnado na menina que acabara de sair da sala deixava claro que Francesca era uma boa alternativa para tentar localizar o jovem lobisomem.

Somente por isso, Cavendish pareceu profundamente interessado nas palavras de Samantha quando a morena começou a falar sobre a colega. Os olhos azuis encaravam Sam sem piscar, não querendo perder nenhuma das informações sobre Francesca. Embora fosse um interesse quase “profissional”, Max passava a equivocada impressão de que realmente havia se interessado por Sullivan.

Um pai e um irmão. Era fácil descartar o Sr. Sullivan como a vítima do beco já que ele não se encaixava na faixa etária e nem frequentava a Constance Billard School. Mas o tal irmão era uma alternativa bem interessante. Mesmo que Samantha não tivesse citado nenhum amigo mais próximo ou mesmo um namorado de Francesca, aquelas eram possibilidades que também passavam pela cabeça do Alpha.

- Eu concordo que uma vida sem raízes tenha os seus atrativos. Mas deve ser um tanto frustrante não se sentir ligado a nenhum lugar. Imagino que a sensação seja semelhante a não possuir um lar de verdade...

Por mais que estivesse ansioso para desvendar o mistério sobre a ligação entre o recém-transformado e Francesca, Cavendish se esforçou para manter o foco naquela entrevista. Seria absurdamente estranho encher Samantha de perguntas pessoais sobre uma garota que Max nunca havia visto antes. O Alpha já sabia o bastante para chegar à resposta que ele precisava. Nos dias seguintes, tudo o que Maximilian precisava era seguir os rastros de Francesca Sullivan e ele fatalmente encontraria o rapaz atacado no beco.

Quando se sentou no sofá e aceitou a caneca de café, Cavendish já estava com a atenção inteiramente voltada para Samantha. Aquele novo encontro tinha uma motivação bem objetiva para Max, mas nem por isso ele pensava em desperdiçar a oportunidade de passar mais algum tempo com a morena. Uma vozinha na consciência dele – bem parecida com a voz de Jack – repetia que Maximilian ainda era jovem e tinha o direito de aproveitar a companhia de uma menina bonita e simpática como Sam.

Enquanto Samantha estava distraída explicando os rumos que pretendia dar à entrevista, Cavendish deixou que seus olhos descessem discretamente pelo corpo dela. Por mais que se lembrasse perfeitamente de como Archibald era bonita, era impossível conter a admiração ao ficar diante dela. O rosto suave da garota tinha uma harmonia única e combinava com seu corpo delicado e com as curvas sutis escondidas pelo uniforme do colégio. A maquiagem que Sam usava naquele dia não estava forte o bastante para camuflar seus traços e apenas realçava as qualidades que Max já conhecia.

Mas nada superava o perfume dela. O cheiro que vinha da pele macia e dos cabelos sedosos atingia Maximilian de forma intensa. Ele tinha a nítida impressão de que conseguiria seguir o rastro de Samantha mesmo há quilômetros de distância.

Embora não gostasse de falar muito sobre a sua vida pessoal, Max se sentia muito à vontade naquela tarde. A tática de Samantha em transformar aquela entrevista em uma aparente conversa informal era realmente muito inteligente. Acomodado confortavelmente no sofá, Max dobrou uma das pernas, apoiando o tornozelo sobre o joelho oposto. Um gole generoso do café desceu pela garganta do rapaz antes que ele articulasse uma resposta.

- Sim, trabalho como autônomo. Eu preciso admitir que não foi uma escolha racional. Eu sempre gostei de brincar com essas coisas, não sei dizer ao certo quando percebi que poderia viver disso. Antes eram só pequenos trabalhos que eu fazia por diversão, mas depois fiz alguns cursos e comecei a encarar como uma profissão de verdade.

Apesar de responder às perguntas de Samantha, Max tentava selecionar as palavras para não correr nenhum risco de falar mais do que deveria. Estava claro que Sam tinha uma mente astuta e não deixaria passar em branco nenhum deslize de Cavendish.

- Recebi um grande apoio dos amigos. Eu não diria que meus pais não aprovaram a minha escolha, mas acho que principalmente o meu pai teria ficado mais feliz se eu tivesse seguido os passos dele. Ele está aposentado hoje em dia, mas construiu uma bela carreira política no interior do Kansas. – Max sorriu e tomou mais um gole do café antes de completar com bom humor – Embora eu tenha o típico amor nova-iorquino por esta cidade, nasci no interior do Kansas. A minha família ainda está toda lá.

Aquela já era uma resposta bem completa sobre as motivações de Max para escolher aquela carreira. Contudo, o rapaz não negou à Sam a resposta que ela realmente queria ouvir.

- A minha escolha de profissão não teve nenhuma influência feminina. Aliás, eu não tenho um relacionamento sério há algum tempo. Como eu já mencionei, tive alguns encontros com garotas devoradoras de saladas, mas não deu muito certo.

A voz de Jack novamente soou na memória de Maximilian e, sem pensar muito no que estava fazendo, Max se rendeu à tentação de estar diante de Archibald. Ele tentava se enxergar como um rapaz normal profundamente encantado por uma garota quando buscou pelos olhos castanhos a sua frente e teve coragem de se arriscar.

- Talvez você possa mudar esta minha sequência de experiências ruins aceitando um convite para jantar. Já tem alguma coisa planejada para depois desta entrevista?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Seg Jul 04, 2016 2:36 am

Enquanto os dias passavam rápidos para Francesca, o tempo não poderia se arrastar mais para Damien. Ele se sentia exausto após várias noites sem dormir, cada vez mais confuso com as mudanças no seu corpo, apavorado que, cada vez que fechasse os olhos, o pesadelo pudesse recomeçar.

Damien havia aprendido a controlar sua audição e seu olfato na maior parte do tempo, mas ainda se via imensamente incomodado com os ruídos que o pegavam desprevenidos. Além dos sentidos, sua força estava fora do controle. Ele já havia entortado alguns garfos enquanto jantava sua comida requentada e quebrado dezenas de maçanetas quando tentava abrir alguma porta. A pia do banheiro estava partida ao meio e ele precisou ouvir um sermão da mãe por pelo menos três horas, onde ela o obrigou a pagar pelo próprio prejuízo.

Como ele logo aprendeu, Scott só se sentia inteiramente salvo de si mesmo quando estava perto de Francesca. Provavelmente por ter sido a primeira pessoa a cruzar o seu caminho desde que aquele pesadelo começara, seu corpo aprendeu a se concentrar apenas nela, e consequentemente, Damien passou a acompanha-la como uma sombra pelos corredores e aulas.

A aproximação poderia ter sido por pura necessidade, mas logo Damien percebeu que gostava da companhia de Sullivan, de suas respostas atravessadas e sua boca suja. Ela era completamente diferente de qualquer um naquele colégio e Scott se sentia vivo quando estava perto dela.

Durante as noites, para evitar acordar novamente em um lugar estranho, Damien começou a lutar contra o próprio sono. Ele praticamente virava as madrugadas em frente ao computador, pesquisando seus sintomas em busca de alguma resposta, mas era impossível chegar a algo conclusivo. Sua única teoria era que ele havia enlouquecido de vez.

Seus momentos de descanso se resumiam nas salas de aula, quando ele podia se sentar atrás de Francesca e sentir o perfume de seus cabelos. Suas detenções não chegavam ao fim, porque era somente com a cabeça abaixada na carteira que ele conseguia dormir, sabendo que a presença de Sullivan impediria uma tragédia.

Para o seu alívio, ele nunca mais voltara a ver seus olhos amarelos ou as garras em suas mãos e mais uma vez tentava se convencer de que havia apenas imaginado coisas, que sua mente aterrorizada havia criado aquela cena.

Os olhos castanhos encaravam o relógio preso na parede, acompanhando cada movimento dos ponteiros, e antes mesmo de atingir a hora do fim da detenção, ele já havia se levantado e puxado a mochila para um dos ombros.

Ele sabia que Francesca ainda estava no prédio. Podia sentir o seu familiar perfume há quilômetros agora. Por mais que aquilo fosse esquisito, Damien começava a se sentir grato pelos novos instintos, se aquilo fosse mantê-lo perto da novata.

Seus pés rapidamente o guiaram pelos corredores vazios até que ele encontrasse os longos fios castanhos-avermelhados balançando há poucos metros de distância. Seu coração saltitou enquanto o familiar alivio se espalhava pelo seu peito. O sorriso malicioso brotou em seus lábios enquanto ele corria para alcança-la, guardando alguns livros em seu armário.

- O que foi? Vai embora sem se despedir? – Seu sotaque britânico soou anunciando sua presença. – Assim você magoa meus sentimentos, Florence. Pensei que fossemos amigos.

Damien encostou um dos braços no armário ao lado, cercando Francesca. Seus olhos brilhavam enquanto ele admirava o belo rosto, mas seu sorriso morreu quando o vento mudou de direção e um novo cheiro invadiu suas narinas, se confundindo com o perfume delicioso de Sullivan.

Seu rosto imediatamente se contorceu em uma careta e ele franziu o nariz como se alguém tivesse acabado de colocar um peixe podre diante dos seus olhos. Era diferente de tudo que ele já havia sentido até então. Um perfume forte e doce ao mesmo tempo, mas com uma essência que Damien não havia sentido em lugar algum. Não era cheiro de algum alimento e nem de um perfume, era um odor natural e extremamente marcante que seus instintos diziam ser de um igual. Um igual a ele.

- O que é isso? – Ele perguntou de repente, como se Francesca fosse capaz de sentir o mesmo cheiro.

Tomado por um impulso, Damien levou sua mão até o braço de Sullivan, o mesmo que ela havia roçado em Maximilian, e a puxou para perto, o cheiro se intensificando e confirmando sua suspeita de que estava vindo dela.

Damien podia não entender nada do que estava acontecendo nas últimas semanas, mas tinha certeza que podia confiar nos seus sentidos. Ele havia sentido o cheiro de Francesca por tempo demais para saber que ela havia ficado com alguém.

O ciúme invadiu seu peito na mesma intensidade que a curiosidade. Não era um alguém qualquer. Era alguém como ele.

Seus batimentos imediatamente se aceleraram e Scott sentiu quando começou a perder o controle.

- Com quem você estava? – Sua voz soou grossa, quase que em um uivo, e aquilo foi o suficiente para assustá-lo.

Damien cambaleou para trás, sentindo o corpo inteiro tremer. Sua mente gritava para que ele voltasse a se controlar, mas mesmo estando diante de Francesca, ele sabia que era inevitável. Sua pele começava a formigar, aquela sensação de estar pegando fogo novamente, e se não fizesse alguma coisa, ela veria a aberração bem ali, no meio do corredor deserto.

Todo o sangue já havia fugido do rosto de Scott e ele se virou de costas bem a tempo de seus olhos perderem o brilho azulado para exibir o amarelo intenso. As mãos trêmulas foram erguidas diante do seu rosto, exibindo as enormes e imundas garras, e quanto mais o pânico se espalhava, menos controle ele tinha.

- Fique longe de mim, Francesca! – Damien gritou, sentindo suas pernas presas, incapazes de se mexer.

Seu rosto ardia e ele não precisava de um espelho para saber que seu rosto também havia se transformado. Sentindo-se horrorizado, enjoado consigo mesmo, Scott finalmente conseguiu sair do lugar, se enfiando na primeira porta que encontrou. Para seu alívio, o banheiro masculino estava inteiramente vazio, mas sem pensar que Francesca continuava do outro lado da porta, ele soltou um berro, escapando como um uivo de sua garganta.

A raiva crescia cada vez mais. Ele queria que aquilo parasse. Queria voltar ao normal, não queria ser aquele monstro. Mas bem ali, diante do espelho, seu rosto peludo e contorcido o encarava com os olhos amarelos arregalados de pânico.

Uma corrente elétrica se espalhou pelo seu corpo enquanto Scott se sentia preso naquele corpo horrível. De maneira irracional, ele socou a pia, fazendo a porcelana se espalhar pelo piso. A torneira também foi ao chão e um jato de água começou a espirrar, molhando tudo ao redor.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jul 04, 2016 3:09 am

- Kansas?

Samantha sequer tentava disfarçar a surpresa em sua voz. Ela sorria abertamente, os olhos ligeiramente arregalados enquanto tentava imaginar Maximilian vivendo na pacata cidade do Kansas, com uma calça jeans desbotada, vivendo em uma fazenda, longe das movimentadas calçadas de Nova York, e principalmente longe de uma ciclista distraída.

- O que você fazia por lá, Dorothy? Procurava o coração para o homem de lata e a coragem para o leão?

A referência ao mágico de Oz fez com que ela sacudisse a cabeça, gargalhando. Era incrível como ela se sentia à vontade ao lado de Max. Ela poderia facilmente passar horas ali, poderia entrar a madrugada e amanhecer o próximo dia exatamente ali, sentada ao lado dele, escutando ele contar sobre sua vida.

Era mais do que a sua curiosidade comum. Samantha tinha a necessidade de saber sobre Max, queria saber sobre seus gostos, seus amigos, queria poder opinar sobre sua família ou suas escolhas. As poucas informações que havia acabado de receber já lhe deixavam em êxtase. Jamais poderia imaginar que Cavendish era filho de um político do interior do Kansas. Por que ele havia largado tudo para viver em Nova York?

Nascida e criada na grande cidade, Archibald não sabia como seria viver em um lugar tão pacato. Ela adorava a movimentação nova-iorquina, adorava a adrenalina, o fato de sempre ter alguma coisa para fazer, independentemente da hora. Nova York tinha as melhores pizzas, tinha os Yankees e o Central Park, e embora já tivesse visitado dezenas de países e cidades diferentes, sabia que era exatamente ali que ela passaria o restante da vida.

Samantha tentou ignorar a pontinha de animação quando Max assumiu não ter um relacionamento, mas o ar escapou de seus pulmões quando o convite finalmente foi feito. Todo o restante do mundo parou de girar e ela se concentrou apenas no rosto bonito a sua frente.

Ela queria muito dizer sim, prolongar aquela conversa e sair para jantar com ele. Uma onda de animação se espalhava pelo seu corpo ao pensar que Cavendish estava interessado nela, mas Sam se lembrou que ele também parecia muito interessado em Francesca minutos antes. Além do mais, aquilo iria ultrapassar todos os seus limites. Se aceitasse sair com Max, era um caminho sem volta.

Caleb não merecia aquela traição. Ele não merecia nem mesmo ter uma namorada que ficava feliz em receber o convite de outro homem. Samantha nunca havia tido olhos para outra pessoa que não fosse o namorado de infância, nunca havia traído e tinha certeza que passaria sua vida ao lado de Stark. Ao mesmo tempo que ela se sentia encantada com Max, o sentimento de culpa não permitia que ela desfrutasse aquela sensação.

- Max, eu...

Archibald começou a falar, sabendo que não poderia levar aquilo adiante. Era triste colocar um fim tão precoce naquele desejo, mas era a coisa certa a ser feita. Era com Caleb que ela tinha que continuar e não jogaria fora aquele relacionamento por um interesse repentino por um rapaz misterioso.

Mas antes que ela tivesse a chance de concluir sua frase, o barulho alto vindo do corredor fez com que os dois se sobressaltassem. Mesmo sem a supe-audição de um lobisomem, Samantha escutou com perfeição que algo não estava certo.

Ela se colocou de pé em um pulo. Os corredores da Constance Billard eram sempre calmos, principalmente naquele horário em que os alunos já estavam distantes. O primeiro pensamento de Archibald era que alguém havia tentado invadir o colégio para roubar alguma coisa, mas nem esse pensamento fez com que ela hesitasse em correr em direção ao barulho, sem medo do que pudesse encontrar.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Seg Jul 04, 2016 3:49 am

Os pés de Francesca trocavam passos apressados pelos corredores da Constance Billard enquanto a garota resmungava consigo mesma por aquele atraso. Estava quase anoitecendo e ela havia perdido por completo a noção das horas enquanto conversava com Samantha. Por mais que a companhia da colega fosse agradável e Sullivan gostasse da sensação de ter uma relação semelhante à amizade com uma menina de Nova York, Francesca experimentava o amargo gosto do arrependimento. Agora ela teria que enfrentar um longo caminho até o Brooklyn, chegaria em casa exausta e não teria nem dez minutos de descanso antes de ir para a cozinha preparar o jantar.

Seus livros mais pesados estavam sendo enfiados às pressas no armário quando Francesca reconheceu aquele familiar sotaque britânico. Como de costume, a voz grave de Scott lhe arrancou um arrepio patético. Sullivan se odiava a cada vez que seu corpo tinha aquelas reações estúpidas e incontroláveis por causa de Damien.

- Não enche, Scott. Já está tarde, eu estou muito atrasada. Podemos adiar as suas bobagens de sempre para amanhã?

Para Francesca, aquela era só mais uma das discussões infantis que eles protagonizavam diariamente. A garota só percebeu que algo estava diferente quando os dedos firmes de Damien rodearam seu braço e a seguraram com firmeza. Além do gesto dominador, o rosto de Scott carregava uma expressão tão séria e intensa que fez com que a menina se encolhesse instintivamente.

- O que...? – a voz da menina saiu sussurrada e bastante receosa diante daquela entonação meio selvagem do colega – Eu estava com a Archibald na edição do jornal. O que está havendo com você? Está machucando o meu braço, Scott!

Os dedos de Damien a apertavam com firmeza. Não era exatamente um contato doloroso, mas ele certamente deixaria uma marca na pele delicada da menina se continuasse a segurá-la daquela forma. Tão logo Scott a soltou, Francesca massageou o punho dolorido com os dedos e, por estar com os olhos voltados para o próprio braço, a garota não notou de imediato as modificações bizarras que surgiam no corpo do colega.

Quando a garota ergueu novamente as íris esverdeadas, Damien já estava de costas para ela. Tudo o que Francesca via era o colega anormalmente inquieto, a respiração pesada dele ecoando pelo corredor vazio. O grito de Scott fez com que Sullivan novamente estremecesse. Seus instintos mais primitivos berravam para que ela reconhecesse o perigo e fugisse dali, mas uma parte consideravelmente forte de seu cérebro se recusava a abandonar Damien sozinho naquele momento delicado.

- Damien...?

Era a primeira vez que Francesca o chamava pelo primeiro nome. A entonação fraca dela mostrava que a menina estava aterrorizada com aquela reação maluca e com os gritos selvagens do colega, mas ainda assim a novata parecia disposta a ajudá-lo.

- O que está havendo? Você está sentindo alguma coisa, eu posso te ajudar?

Ao invés de ouvir uma resposta, Sullivan continuou paralisada em seu lugar enquanto via o colega se enfiar no banheiro masculino. Antes que ela pudesse pensar em chamar ajuda, o uivo animalesco atravessou as paredes e um arrepio frio se espalhou por todo o corpo da menina enquanto ela escutava as pias sendo destruídas. Francesca tinha a nítida impressão de que o medo havia congelado os seus ossos, por isso se surpreendeu ao perceber que ainda era capaz de se mover.

Dividida entre o sufocante instinto de fugir dali e a vontade desesperada de ajudar Scott, Francesca não estava raciocinando quando encostou seus dedos delicados na maçaneta gelada do banheiro masculino.

Provavelmente uma grande tragédia teria acontecido e Scott jamais se perdoaria pelo descontrole daquela noite se uma mão firme não surgisse para impedir a entrada de Sullivan no banheiro.

Francesca nunca conseguiria explicar de onde Maximilian Cavendish havia surgido. Há um segundo o corredor estava deserto, mas agora o rapaz estava bem ali ao lado dela, impedindo-a de fazer a maior bobagem de toda a sua vida. Havia um brilho diferente nos olhos de Max quando ele encarou a aluna da Constance e se colocou protetoramente entre Francesca e a porta.

- Saia daqui. – a ordem saiu num sussurro firme que, por alguma razão, Sullivan não conseguiu desobedecer – Agora, Francesca.

Os olhos verdes lançaram um último olhar aflito na direção do banheiro antes que Francesca girasse sobre os calcanhares e começasse a correr na direção oposta. Ao virar para a direita ao fim do corredor, Sullivan se chocou bruscamente com Samantha. Passado o primeiro momento de susto, Francesca agarrou a colega pelo braço e começou a puxá-la na direção oposta.

- Temos que ir embora! Vem, Sam!

Era difícil explicar já que aquele era um instinto que nem mesmo Francesca entendia. Embora não houvesse nenhuma explicação lógica para o que estava havendo ali, a novata sabia que ela e Sam estavam correndo um grande perigo.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Seg Jul 04, 2016 4:41 am

Antes mesmo que a primeira palavra saísse pelos lábios de Samantha, Max já havia percebido que ela ia recusar o convite. Não era difícil para Cavendish reconhecer os sinais. O coração da moça estava acelerado, mas a ruguinha angustiada que surgiu entre os olhos castanhos era um péssimo sinal, assim como a maneira como Sam se remexeu de forma desconfortável no sofá.

Maximilian sequer havia ouvido uma resposta e já estava arrependido por ter seguido o conselho de Jack. Fora mesmo uma grande tolice acreditar que uma garota como Samantha Archibald aceitaria sair com ele. Bem no fundo Max sabia que era melhor assim, mas teria sido muito menos frustrante voltar para casa sem levar consigo o amargo gosto de um “não”. Ele poderia viver com a patética ilusão de que Sam teria aceitado a sua proposta.

Havia outro cara. Mais uma vez, Maximilian entendeu aquilo sem que Samantha precisasse verbalizar as explicações. O olhar de culpa dela a denunciava. E também era óbvio demais que uma garota como Archibald já tivesse um namorado. Cavendish não tinha a ilusão de ter sido o primeiro cara a notar como Sam era perfeita.

A voz de Samantha ecoou pela sala silenciosa e, apesar do timbre doce, aquelas seriam as palavras mais ásperas que Max já escutara. O rapaz estava tão concentrado nas próprias frustrações que ignorou o restante dos seus instintos e só percebeu que algo estava muito errado naquela escola quando um familiar uivo selvagem ecoou pelos corredores e atingiu a salinha do jornal.

Não havia a menor dúvida de que o uivo era o berro de um recém-transformado descontrolado. As mãos de Maximilian tremiam quando ele deixou a caneca de café sobre a mesinha de Samantha e seguiu os passos dela até a porta.

- Fique aqui!

As palavras soaram com uma entonação desesperada de súplica e Cavendish viu seus instintos se aflorarem ainda mais quando Sam ignorou seu pedido e começou a correr na direção do perigo. O medo de que uma tragédia acontecesse justamente com Archibald cegou o Alpha a ponto de fazer Max abandonar todas as suas preocupações com o próprio segredo. Ele só pensava em manter o transformado sob controle e evitar um ataque contra Samantha quando disparou numa corrida ensandecida pelos corredores da Constance Billard School.

Maximilian tinha as pernas compridas, um físico de atleta e Sam já sabia que ele praticava corridas regularmente no Central Park. Mas nem mesmo tudo isso explicaria a cena que se desenrolou diante dos olhos da garota. Max não precisou de dois segundos para alcançá-la. Mesmo usando uma calça jeans e um sapato pouco confortável, Cavendish passou por Samantha como um raio e perdeu-se de vista no fim do corredor antes mesmo que a menina pudesse entender o que estava acontecendo ali.

Apesar de não saber a identidade do jovem lobisomem, Max só precisava seguir os próprios instintos e os sons captados pela sua audição super-desenvolvida. Mais do que isso, o Alpha soube que estava indo na direção certa ao captar o cheiro de Francesca Sullivan no ar. O rosto de Cavendish se contorceu numa careta quando ele finalmente compreendeu a ligação entre a novata e o transformado. Ele estava surtando depois de sentir o cheiro de outro macho em Francesca.

O coração de Maximilian falhou uma batida quando ele finalmente chegou ao corredor dos armários e viu Francesca tocando a maçaneta. Por mais que o lobisomem trancafiado ali dentro se sentisse ligado à garota, ele ainda era uma fera irracional. Um recém-transformado, no auge de seus instintos mais selvagens, não costumava enxergar com perfeição. O cenário se tornava confuso com todos aqueles estímulos aflorados e qualquer um que cruzasse o seu caminho poderia se tornar uma vítima.

A mão de Max impediu uma tragédia que provavelmente acabaria com duas vidas. Francesca não sobreviveria ao ataque e o jovem lobisomem jamais se ergueria novamente diante da culpa de ter matado a humana com quem construíra aquele laço. Por sorte, os instintos de Sullivan não permitiram que ela questionasse demais e o Alpha respirou aliviado quando a garota atendeu à ordem e fugiu em disparada pelos corredores.

O semblante de Cavendish não demonstrou nenhuma surpresa quando ele entrou no banheiro e encontrou o rapaz transformado. Não era a primeira vez que Max via aquelas garras, ou os enormes dentes pontiagudos, os pêlos no rosto, os olhos amarelos e a expressão selvagem. Maximilian também já esperava por aquilo quando Damien reconheceu nele o mesmo cheiro que sentira em Francesca e lhe lançou um rosnado hostil.

Tudo aconteceu rápido demais para olhos humanos, mas Max reagiu com a mesma agilidade de Scott. Quando o jovem lobisomem atacou, Cavendish firmou os pés no chão e, ao invés de fugir, agarrou a criatura pelos ombros. Os recém-transformados eram absurdamente fortes, mas não o bastante para derrubar um Alpha. Com facilidade, Maximilian se desviou dos dentes do lobisomem e o jogou contra uma das paredes. Ficou claro que Max possuía uma força semelhante a de Damien quando as costas do lobisomem atingiram a parede com força suficiente para quebrar vários azulejos.

- Concentre-se! Eu estou aqui para te ajudar. Eu vim por você, não pela sua garota! – Max falava baixo, mas com firmeza – Eu lamento muito ter encostado na Francesca. Foi um acidente. Eu reconheci o seu cheiro nela, eu sei que ela é sua.

Um lobisomem mais maduro poderia ser controlado com aquelas explicações, mas Max sabia que os recém-transformados tinham uma imensa dificuldade em conter os instintos. Mesmo que suas palavras fizessem sentido na cabeça de Scott, seu corpo continuaria reagindo de forma hostil ao macho que ousara tocar Francesca.

E isso ficou provado quando o lobisomem saltou novamente na direção de Cavendish. Sem outra escolha, os olhos de Max se estreitaram enquanto todo o seu corpo estremecia com a transformação. Garras semelhantes as de Scott surgiram nas mãos do Alpha, mas logo ficou claro que os dois não eram exatamente iguais.

Enquanto Damien tinha uma pelagem mais clara no rosto, grossos pêlos negros brotaram por todo o corpo de Maximilian. Ao invés dos olhos amarelos, as lentes azuis se deslocaram e deram lugar a um par de íris profundamente vermelhas. Dentes pontudos brotaram na boa do recém-transformado, mas o Alpha tinha uma transformação mais complexa. Seu rosto se alongou até que surgisse um focinho idêntico ao de um lobo feroz. Seus músculos cresceram e os ossos se alongaram, deixando-o extremamente maior e mais forte que Damien.

O recém-transformado reconheceria o uivo de um líder quando Max ergueu a cabeça e deixou o som escapar de sua garganta, ecoando por todo o prédio da tradicional Constance Billard School.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Seg Jul 04, 2016 5:12 am

Desde que aquelas mudanças começaram a acontecer em seu corpo, Damien já havia notado que os sentimentos também aconteciam de forma intensa. Ele já havia experimentado o pânico, a paz e a felicidade de formas diferentes de tudo que já havia vivido antes, assim como a fúria naquele fim de tarde encheu o seu peito e a sua mente, cegando sua visão e bloqueando a parte lógica do seu cérebro.

Scott parecia um animal enjaulado, completamente enfurecido. Seu peito queimava com a ideia de outro homem junto de Francesca. Racionalmente, ele sabia que a menina não era nada sua. Nem mesmo amizade poderia classificar o relacionamento esquisito que os dois vinham construindo, mas aquilo não importava.

Ela era a única coisa que o mantinha são, sua tábua de salvação em meio ao mar turbulento que sua vida havia se tornado. Ele já estava enfrentando o inferno, não iria admitir que lhe tirassem aquilo também.

Era uma grande sorte que Scott tivesse tido um último suspiro de raciocínio e tivesse se afastado de Francesca. Sua motivação havia sido apenas o medo da reação dela quando visse seu rosto completamente transformado, mas quanto mais seu controle desaparecia, mais Damien sabia que ela corria perigo.

Querendo extravasar um pouco daqueles sentimentos sufocantes, o banheiro inteiro começou a ser destruído. As portas de madeira foram derrubadas com uma única mão. Um dos espelhos se espatifou com um forte soco, chegando a criar um buraco na parede e os cacos se juntaram aos pedaços de azulejo no chão.

Nada daquilo parecia ser suficiente para fazê-lo se acalmar. Damien sabia qual era a única coisa capaz de acalmá-lo e ela estava do outro lado da porta, correndo perigo.

Quando Scott acreditou que não poderia se sentir ainda mais furioso, o cheiro que ele havia sentido em Francesca surgiu novamente, com ainda mais intensidade. Ele rosnou, mostrando os dentes afiados, quando viu o rapaz entrar no banheiro. O fato do homem não ter se assustado com a criatura a sua frente não era importante. Sem pensar duas vezes, sem ao menos querer saber quem era aquele sujeito e porque ele estava tão tranquilo diante de um monstro, Damien tentou ataca-lo.

Suas garras apertavam os ombros de Max, seus dentes estavam trincados e ele rosnava como um lobo furioso e faminto. Os olhos amarelos brilhavam, sedentos, mas o homem conseguia ser tão forte quanto ele. Quando Damien foi arremessado, sentindo a dor se espalhar pelas suas costas, ele teve certeza que estava diante de um igual. Ali poderiam estar todas as respostas para as perguntas que vinha fazendo nas últimas semanas, mas só o que Scott conseguia ver era o homem que havia ousado tocar na sua salvação e macular seu perfume perfeito com o seu odor canino.

As palavras do homem foram completamente ignoradas até que o uivo se fez ouvir. Damien se encolheu quando o som penetrou seus ouvidos e entrou em sua mente, o obrigando a parar. Era como se Scott não tivesse escolha diante do chamado de um Alpha.

Sentindo a dor penetrando sua mente, Damien caiu de joelhos e tampou os próprios ouvidos, fazendo uma careta de dor. Ele gemeu enquanto, aos poucos, suas garras se recolhiam e seu rosto voltava ao normal. Os nós dos seus dedos estavam esfolados e sangravam, mas já começavam a se cicatrizar. Seu uniforme estava sujo devido a poeira e a água da destruição do banheiro, mas o mais assustador eram as lágrimas que manchavam seu rosto angustiado.

- Faça parar! – Damien implorou, de joelhos diante do lobo de olhos vermelhos.

Qualquer um estaria em pânico por estar diante daquela criatura assustadora, mas Scott sabia que era um homem por trás daqueles terríveis olhos avermelhados. Só agora, que sua mente voltava a funcionar lentamente, Scott conseguia compreender as palavras ditas antes pelo desconhecido.

- Por favor, faça parar. – Ele voltou a soluçar, e seu pedido não era referente a dor ou a fúria, e sim a transformação como um todo. – Se veio mesmo aqui me ajudar, me faz voltar ao normal!

O corpo inteiro de Damien tremia quando ele se arrastou até a parede destruída pelo impacto de seu corpo, segundos antes. Ele apoiou um dos braços em seus joelhos dobrados e deslizou os dedos pelos cabelos, tentando manter os dedos estáveis.

Enquanto sua mente começava a clarear, o rosto de Francesca voltava a entrar em foco. Revivendo os últimos segundos de forma mais racional, Damien podia se lembrar de ter escutado o coração dela disparar de pânico e se odiou por ser o responsável daquele sentimento.

- Ela viu alguma coisa? – A dor se tornou mais intensa em seus olhos. – Eu a machuquei?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jul 04, 2016 5:29 am

Samantha não conseguia explicar o que havia acabado de acontecer. Seu corpo inteiro estava em choque pela adrenalina e ainda era capaz de ouvir o barulho de destruição vindo do corredor enquanto sua mente tentava explicar como Max havia conseguido desaparecer tão rapidamente, bem diante dos seus olhos.

Seu peito estava apertado e o pânico se espalhava conforme seu sangue fervia nas veias, mas ela não pensava em correr na direção oposta, principalmente agora que Max havia desaparecido exatamente no caminho da confusão.

Ela não sabia o que esperar quando finalmente chegasse ao centro da confusão, mas mesmo assim seus pés continuaram seguindo, correndo, até seu corpo se chocar com o de outra pessoa. Sam sabia, no instante em que agarrou os braços de Francesca, que não poderia ser Max. O rapaz era muito mais alto e forte, mas ainda assim, ela se surpreendeu ao reconhecer o rosto da colega.

Uma ruga de confusão estava presa entre suas sobrancelhas e sua boca estava aberta enquanto seus ouvidos continuavam atentos aos estrondos no fim do corredor. Apesar disso, ela ainda conseguiu encarar o rosto apavorado da menina a sua frente com preocupação.

Se Francesca estava correndo na direção oposta, ela provavelmente sabia o que estava acontecendo. Mas ao contrário de Samantha, era inteligente o bastante para não ficar ali, esperando por uma tragédia.

- O que houve, Francie??? O que está acontecendo???

Apesar do desespero, Samantha se deixou levar quando a mão gelada de Francesca a agarrou pelo braço, a puxando para continuar o caminho oposto aos barulhos. Archibald ainda girou a cabeça por cima do ombro, tentando encontrar Max, enquanto era arrastada pelo corredor.

- Você viu o que houve??? – Ela insistiu, os barulhos ficando cada vez mais distantes, mas ainda presentes. – E o Max? Você passou por ele? A gente não pode simplesmente deixar ele para trás, Francie!!!

Samantha finalmente conseguiu reunir forças para parar, sua mudança repentina fez com que o contato com Francesca se quebrasse e a menina também parasse para encará-la. Antes que ela tivesse a chance de responder, um uivo assustador ecoou por todos os corredores, provocando um arrepio nos pelos de sua nuca.

Engolindo em seco e completamente tremula, Samantha apalpou o próprio corpo a procura do celular e se xingou ao perceber que havia deixado o aparelho na sala do jornal.

- A gente precisa fazer alguma coisa! Ligar pro controle de animais, sei lá! Tem alguma coisa aqui, Francie!

Samantha soltou um pesado suspiro enquanto analisou suas opções, encarando os dois opostos do corredor. Por fim, ela se deu por vencida e tocou o cotovelo de Francesca, a acompanhando para fora da escola.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Ter Jul 05, 2016 12:00 am

Os músculos tensionados do Alpha relaxaram quando Damien caiu de joelhos no chão do banheiro. Embora tivesse ciência do poder que tinha sobre os outros lobos, Maximilian evitava tais demonstrações de liderança e preferia enxergar os iguais como amigos e não como subordinados. Mas naquela tarde fora necessário usar sua força e seu poder para evitar que o recém-transformado transformasse aquele descontrole em uma tragédia.

- Francesca está bem.

Quando tomou a palavra, Cavendish voltara a ser o mesmo rapaz de semblante suave que havia entrado no banheiro há alguns minutos. Alguns pontos de sua camisa haviam se descosturado graças à pressão dos músculos hipertrofiados de sua forma lupina e os cabelos escuros estavam atrapalhados. Mas tirando pequenos detalhes, ele não se parecia em nada com a criatura monstruosa que se materializara ali há poucos segundos.

- Creio que ela não viu nada, mas certamente percebeu que algo estava muito errado. Você terá que ser cuidadoso com as explicações.

Ao dizer as últimas palavras, Max olhou na direção da porta fechada e soltou um suspiro pesado. O corredor ainda estava deserto e silencioso, mas Cavendish já conseguia escutar a movimentação na área externa do prédio. O barulho obviamente havia atraído a atenção dos seguranças e não demoraria até que alguém entrasse no banheiro totalmente destruído e exigisse explicações.

- Nós vamos continuar esta conversa, mas não aqui. Temos poucos minutos até que os seguranças cheguem e comecem a fazer perguntas que não poderemos responder. Venha comigo, sim?

Desta vez ficou claro pela entonação de Maximilian que era um pedido e não a ordem de um Alpha. Max estendeu o braço e ofereceu a mão para ajudar o recém-transformado a se levantar. Para evitar qualquer encontro indesejado pelos corredores e as câmeras de segurança, os dois seguiram por um caminho bem alternativo.

Com habilidade, Cavendish saltou sobre uma das pias que Scott não tivera tempo de destruir e retirou a grade que dava acesso a um dos dutos de ar do prédio. Os dois se espremeram pela pequena abertura e se mantiveram agachados enquanto se arrastavam pelo sistema de ventilação. Em poucos minutos, os rapazes ganharam a liberdade pelos fundos da escola, por onde saíram sem serem vistos pelos seguranças que já lotavam o interior da Constance Billard School depois daquela confusão.

A caminhada pela calçada foi silenciosa. Maximilian sabia que o recém-transformado precisava de um tempo para digerir todas as mudanças que aconteciam em sua vida. Agora que sabia que não era o único que sofria com aquelas transformações, Scott provavelmente estava ainda mais confuso.

Quando os dois finalmente pararam de andar, estavam em uma praça arborizada há alguns quarteirões do colégio. Como já começava a anoitecer, os bancos estavam vazios e as poucas pessoas que circulavam por ali pareciam apressadas demais para darem atenção aos dois rapazes usando roupas sujas e rasgadas. Seria impossível para Maximilian explicar a origem de seus olhos profundamente vermelhos.

- Eu não consigo fazer isso parar. – Max finalmente respondeu ao pedido que o recém-transformado lhe fizera – Acredite, eu já teria feito isso comigo mesmo se existisse uma solução. Não sou capaz de fazer com que você volte a ser o que era, mas posso te ajudar a lidar com isso. Podemos te ajudar a enxergar os benefícios que acompanham esta maldição.

O uso do plural na última afirmação indicava que Cavendish não era o único lobo da região. O Alpha deixou que Damien digerisse essa ideia antes de continuar.

- Você foi atacado por um lobisomem, foi mordido e contaminado. Você sobreviveu ao ataque, mas não existe cura para a infecção. Eu sei que tudo parece terrível agora, mas com o tempo você aprende a controlar os instintos e a usar as habilidades ao seu favor.

Maximilian sentou-se num dos bancos vazios e esperou que Scott fizesse o mesmo. Enquanto falava, Cavendish encarou com firmeza os olhos azuis do rapaz sentado ao seu lado.

- Você é livre para fazer as suas escolhas. Eu não estou aqui para te dar ordens ou para ditar os rumos da sua vida a partir de agora. Como eu disse, estou aqui para oferecer ajuda. Você pode escolher ser um lobo solitário, como a criatura que perdeu o controle e te atacou no beco. Ou pode escolher viver em sociedade, e neste caso vai precisar da proteção e do apoio de uma alcateia.

Sempre que fazia aquela oferta a um jovem lobo, Maximilian desejava ardentemente que o rapaz concordasse em receber a sua ajuda. Como Alpha, ele podia usar de sua força e da sua influência para arrebanhar novos subordinados, mas Max preferia tê-los como amigos. O Alpha sabia que uma alcateia era muito mais forte quando os participantes do grupo se enxergavam como membros de uma família.

- Acredite, tudo é muito mais fácil quando não se está sozinho. Mas uma vida em sociedade tem regras rígidas que devem ser obedecidas. Como parte de uma alcateia, você terá que respeitar uma hierarquia, terá que proteger o segredo de todos e terá que aprender a se controlar. – Max repuxou seus lábios num sorrisinho e brincou para tentar suavizar o clima – Ou seja, nada de surtar e destruir banheiros públicos só porque alguém esbarrou acidentalmente na sua garota.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Ter Jul 05, 2016 1:31 am

Ao contrário do que Samantha imaginava, o fato de Francesca ter acompanhado de perto o desenrolar da confusão no corredor dos armários não era o bastante para que a novata soubesse explicar o que estava havendo na escola. Aliás, era exatamente por estar presente durante o surto de Damien que a menina estava ainda mais confusa. Em menos de um minuto, o colega havia deixado de lado o seu comportamento irônico de sempre para se tornar arredio e ameaçador.

O queixo de Sullivan caiu e ela ficou ainda mais desorientada com toda aquela confusão quando o uivo selvagem ecoou pelas por todo o colégio. Scott havia soltado uns grunhidos esquisitos antes de se trancar no banheiro masculino, mas nada se comparava ao som que circulou pela Constance Billard School.

Sem sombra de dúvida, aquele ruído não era humano. Mas era uma loucura completa imaginar que um animal selvagem havia invadido um dos prédios mais bem protegidos daquela área nobre de Nova York, bem no centro de uma grande metrópole.

O medo novamente fez com que um arrepio se espalhasse pelo corpo de Francesca e os olhos verdes estavam arregalados quando ela apertou o braço de Samantha com mais firmeza, afundando seus dedos gelados na pele macia da amiga.

- O Max estava lá. O Scott também. Nós temos que chamar ajuda agora!

O termo “ajuda” soava bastante vago, mas Sullivan realmente não sabia a quem recorrer. Para ela era óbvio que os seguranças do colégio não conseguiriam lidar com um problema daquela dimensão. Mas Francesca não sabia se era um caso para a polícia, para os bombeiros ou para o controle de animais, como Sam sugeria.

Aliás, Francesca nem sabia se era uma boa ideia chamar por ajuda. O corredor estava tranquilo antes do surto de Damien. Um desespero se apoderava da novata com o pensamento de que tudo aquilo podia ter sido causado pelo colega e que Scott poderia sair dali machucado ou encrencado se as autoridades fossem chamadas.

Mas Sullivan não teve escolha quando uma equipe de seguranças atravessou a porta principal antes que ela e Samantha alcançassem a saída. As duas meninas trocaram um olhar tenso enquanto os homens – alguns armados – encaminhavam-se na direção dos estrondos com passos rápidos.

Não foi preciso que elas trocassem uma palavra. Ainda de braços dados e trêmulas, as meninas deram meia volta e correram, refazendo o caminho até o corredor onde toda a confusão começara.

Samantha e Francesca chegaram bem a tempo de ver o chefe dos seguranças arrombando a porta com um chute potente. Todas as armas foram apontadas para o interior do banheiro masculino e a surpresa ficou estampada em todos os rostos quando os seguranças se depararam com o local completamente vazio.

A destruição era assustadora. Praticamente todas as pias haviam sido quebradas e os cacos de cerâmica formavam um tapete crocante no chão do banheiro. A água jorrava de algumas torneiras que tinham sido arrancadas dos seus lugares. Várias portas das cabines individuais foram arrancadas. O espelho tinha se transformado num conjunto de cacos espalhados por todos os lados e havia um afundamento em uma das paredes, como se um corpo tivesse sido jogado violentamente contra ela. Gotinhas de sangue estavam respingadas no chão e na pintura das paredes.

- Onde eles estão...?

A pergunta aflita de Sullivan soou num sussurro que apenas Sam escutou. As duas meninas ainda se mantinham afastadas da cena, mas conseguiam espiar o interior do banheiro pelas frestas entre os corpos dos seguranças que rondavam o corredor em busca dos responsáveis por aquela bagunça.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Ter Jul 05, 2016 3:58 am

Damien não costumava confiar em estranhos. Ele sequer costumava confiar nas pessoas que conhecia e não tinha motivo algum para acreditar nas loucuras ditas por aquele sujeito que ele nunca havia visto em sua vida.

Apesar de não conhecer Max, e de suas palavras serem inacreditáveis, Scott sequer piscou diante da palavra lobisomem. Da mesma forma que ele havia se deixado levar até ali, sua mente absorvia as informações do rapaz porque ele estava desesperado por respostas e começava acreditar que poderia finalmente obtê-las.

No fundo, bem no fundo de sua mente desesperada, Scott havia criado teorias que pudessem explicar seus recentes sintomas, e em um momento de insanidade, ele cogitou a licantropia. Lógico que a ideia foi logo deixada de lado, era surreal demais. Lobisomens não existiam. Mas ainda assim, em segundo plano, sua mente continuava a ligar as pontas soltas guiando para aquela mesma resposta.

Qualquer pessoa normal iria rir de Maximilian ou sairia correndo, com medo de que sua loucura fosse provocada por alguma doença contagiosa. Mas Damien continuou sentado no banco da praça, encarando dois pombos do outro lado da calçada brigarem pelas migalhas sobre o cimento, mantendo a respiração calma.

Seu corpo não tremia mais e a fúria de antes parecia ter desaparecido. Sua mente estava extremamente agitada enquanto tentava compreender tudo que estava acontecendo, mas o corpo de Scott parecia ter entrado em modo automático, incapaz de reagir.

Ele se lembrava com perfeição da figura lupina que se formara diante dos seus olhos e a verdade se espalhava pelo seu corpo, tão clara quanto o céu sobre sua cabeça. Ao invés de entrar em pânico ou de procurar o hospício mais perto, Damien se sentia quase aliviado por finalmente ter uma resposta.

Era terrível saber que não havia cura. Ele queria desesperadamente acreditar que ainda poderia voltar ao normal. Mas o homem ao seu lado estava lhe garantindo que poderia ajuda-lo a manter o controle. Talvez, se ele conseguisse manter aquela maldição adormecida, poderia levar uma vida normal. Precisava acreditar nisso.

Lentamente, o rosto de Damien se virou, finalmente desviando o olhar dos dois pombos, e ele encarou o homem ao seu lado. Com exceção das íris vermelhas, Max parecia um rapaz como outro qualquer e Scott se perguntou o quanto ele conseguia ser normal.

- Você consegue me ajudar? Consegue fazer com que isso não aconteça de novo? – Sua voz estava baixa e incrédula, mas ao mesmo tempo desesperada. – Porque eu não quero que isso aconteça de novo. Eu poderia tê-la machucado, de verdade. Se você não estivesse lá...

A voz de Damien morreu quando sua mente reproduziu a tragédia evitada daquela tarde. A ideia de participar de uma “alcateia” era ainda mais bizarra do que aceitar ser um lobisomem. Scott estava acostumado a ser independente, tinha pouquíssimos amigos e era reservado, apesar de sua personalidade mais sarcástica. Estava longe de ser o tipo de cara que fazia parte de uma panelinha, e era exatamente isso que a alcateia de Max parecia para ele.

Mas se aquilo fosse ajuda-lo a manter a besta que agora existia dentro de si adormecida, Scott estava disposto a aceitar aquela condição. Ele jamais se perdoaria se perdesse o controle e acabasse ferindo alguém, e agora que o rosto assustado de Francesca aparecia em sua mente, ele tinha ainda mais certeza que queria mantê-la em segurança.

Estava tão focado em manter seus sintomas abafados que ele quase não havia reparado o quanto Sullivan havia se tornado importante em sua vida. Ele estava ali, sentado em uma praça, ouvindo de um desconhecido que ele era um lobisomem, e ainda assim estava pensando nela.

Scott soltou um suspiro pesado e baixou as mãos, segurando a beira do banco com seus dedos longos. Um milhão de perguntas começavam a brotar em sua mente, mas ele sabia que aquele lugar ainda não era o ideal para fazer todas elas.

- Eu só quero que você me ensine a manter o controle. Se puder fazer isso, não me importo de fazer parte da sua alcateia.

A palavra chegava a soar engraçada quando dita em voz alta, como se verbalizar só tornasse o fato ainda mais real.

- Meus olhos vão ficar assim, como os seus? – Uma ruga surgiu entre suas sobrancelhas quando ele deixou a curiosidade vencer por um instante. – E o jeito que você se transformou no banheiro... Eu vou ser capaz daquilo também? Como você consegue ter uma vida normal? Família, um emprego, namorada? Como todos vocês conseguem?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Jul 05, 2016 4:27 am

A voz mecânica soou outra vez pelo aparelho e Samantha bufou, interrompendo a ligação. O aparelho foi jogado sobre a cama e quicou no colchão algumas vezes enquanto ela andava de um lado ao outro no quarto, sentindo a frustração e impotência assumindo o controle.

- Caixa Postal. Outra vez.

Mais um bufo soou quando ela deslizou as mãos pelos cabelos ondulados, parando diante da escrivaninha. Ela apoiou as duas mãos sobre a mesa de madeira e encarou a tela do notebook, onde uma foto sua e de Caleb em uma viagem à praia era exibida. Os dois exibiam largos sorrisos e a menina da foto não lembrava em nada a morena com uma ruga tensa entre suas sobrancelhas.

Após encontrar o banheiro destruído e vazio, Samantha convenceu Francesca de saírem da escola enquanto tentavam contato com um dos meninos. Meia hora depois, as duas estavam no quarto de Archibald, na cobertura de frente para o Central Park, e com diversas tentativas falhas de falar com Max ou Damien.

Embora o quarto de Samantha fosse enorme e extremamente espaçoso, a menina continuava a andar pelo mesmo metro quadrado desde que pisara em casa. Sua mente estava agitada enquanto tentava entender o que havia acontecido na escola e porque os dois rapazes haviam simplesmente desaparecido, deixando um rastro de destruição para trás.

Qualquer um teria surtado com o que havia acontecido naquele fim de tarde, mas a mente sempre curiosa de Sam estava enlouquecida, desesperada por respostas.

- Você sabe que tem algo de muito errado nessa história, Francie. – Samantha parou de andar e apoiou as mãos na cintura, encarando a amiga sentada em sua cama coberta com o grande edredom amarelo.

Todo o seu quarto era muito bem decorado com vários tons de cinza e amarelo. A cama ficava no meio do quarto e era enorme, cabendo confortavelmente quatro pessoas. As grandes janelas estavam cobertas com cortinas brancas com um bordado amarelo que se encontrava com o tapete extremamente macio. Na mesma parede que a escrivaninha que Sam usava para estudar e escrever suas matérias, algumas prateleiras estavam carregadas de livros.

Sobre a cabeceira acolchoada e cinza, enormes quadros completavam a decoração. Dois pufes coloridos estavam jogados do outro lado do quarto, perto da porta do closet e do banheiro. Sem sombra de dúvidas, a família Archibald havia gasto uma generosa fortuna no enorme lustre pendurado no teto.

O lugar era quase intimador, mas Samantha havia escolhido cada canto da decoração e amava o quarto mais do que qualquer outro lugar no mundo. Ela estava acostumada com o luxo e, por mais que fosse uma pessoa que não se iludia com o dinheiro, também não se deixava incomodar pelo excesso dele.

Batidas à porta fizeram com que ela se sobressaltasse. Por um segundo de inocência e desespero, ela chegou a acreditar que fosse ser Max ou Damien do outro lado da porta, o que não faria sentido algum já que nenhum dos dois rapazes sabiam onde ela morava. Como nada naquele dia estava fazendo sentido, Sam pareceu sinceramente decepcionada quando encontrou Caleb do outro lado.

Ele ainda estava com o uniforme do treino e seus cabelos levemente bagunçados, mas provavelmente sabia que aquilo apenas aumentava o seu charme e por isso não se importava em se trocar.

- O que você está fazendo aqui?

O rapaz arqueou as sobrancelhas em surpresa pela recepção da namorada, mas balançou os ombros antes de responder, mantendo a voz calma.

- A gente combinou de ver um filme hoje, lembra?

O olhar de Caleb passou de Samantha para o interior do quarto, até encontrar Francesca. Seu sorriso simpático logo surgiu ao reconhecer a novata.

- Não sabia que você estava com visitas, Sam. Parece que a entrevista foi boa, han?

Archibald sentiu seus músculos ficarem tensos e ela estreitou o olhar para o namorado, claramente furiosa.

- Fonte anônima, lembra Caleb?

Ao invés de se desculpar, Stark apenas revirou os olhos impaciente com a seriedade com que Samantha tratava o jornal.

- Vamos ver o filme ou não?

- Não. – Samantha respondeu rápido demais e os olhos de Caleb se arregalaram em surpresa.

Era óbvio que o casal tinha suas brigas ocasionais, mas ainda assim, ele não estava acostumado a ser tratado tão secamente pela namorada, principalmente na frente de outras pessoas.

- Estamos ocupadas, Caleb. Além do mais, eu prometi a Francie que eu ia deixa-la em casa, então vou voltar tarde. Nos falamos amanhã, está bem?

O olhar do rapaz passou novamente para o interior do quarto e ele pareceu refletir antes de comprar aquela briga. Era fácil notar que não havia ficado satisfeito, mas Caleb era perfeito demais para criar uma discussão na frente de uma amiga de Samantha. Era tão perfeito que Archibald começava a se incomodar, quase desejando que ele gritasse e dissesse que não, não estava nada bem e que ele ficaria ali, como já haviam combinado.

Para decepção de Samanha, ele simplesmente suspirou e se inclinou para frente beijando seus lábios rapidamente antes de deixar o quarto.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Qua Jul 06, 2016 12:42 am

Não foi fácil para Francesca disfarçar a surpresa ao entrar no quarto de Samantha. Embora a garota soubesse que os alunos da Constance Billard School viviam em uma realidade completamente oposta a sua, Francesca nunca havia parado para imaginar como eram as casas onde aquelas pessoas viviam.

Era bem provável que o quarto de Sam ocupasse mais da metade da área da pequena casa que Sullivan dividia com o pai e o irmão mais velho. A cobertura dos Archibald era absurdamente grande e luxuosa, muito mais do que a imaginação de Francesca conseguiria reproduzir.

Apesar da surpresa com toda aquela ostentação, nenhum comentário atravessado saiu dos lábios da garota. Samantha vinha se comportando de maneira muito gentil e atenciosa, era quase como se as duas fossem boas amigas. Além disso, Francesca estava preocupada demais para perder tempo com os detalhes do quarto e do apartamento da colega.

Enquanto Archibald ligava repetidas vezes para os celulares de Maximilian e de Damien, Sullivan se deu conta de que, apesar da sua proximidade com Scott nos últimos dias, os dois sequer tinham trocado números de telefone. Os jovens eram unidos por uma ligação estranha e intensa, algo que Francesca não sabia explicar.

Eles não eram namorados. Embora estivessem passando muito tempo juntos, nunca havia acontecido nada neste sentido. Também não seria certo dizer que os dois eram bons amigos que gostavam de passar muito tempo juntos por terem muitas coisas em comum. Scott e Sullivan tinham um relacionamento difícil de ser nomeado, mas era muito óbvio o quanto já estavam envolvidos naquele jogo de provocações.

E os acontecimentos esquisitos daquela tarde apenas reforçavam o elo que os unia. Mesmo tendo um milhão de coisas para fazer em casa, Francesca estava ali, torcendo uma mão na outra e encarando Samantha com um semblante angustiado a cada vez que um dos dois rapazes não atendia ao celular.

- Você acha que os dois brigaram?

A entonação da própria Francesca deixava claro que ela não acreditava naquela hipótese. O banheiro já estava sendo destruído mesmo antes da chegada de Maximilian. E uma simples briga entre dois rapazes não explicava os ruídos animalescos que ecoaram pela escola, muito menos a intensidade da destruição no banheiro masculino. Embora Max e Damien fossem rapazes altos e fortes, Sullivan não conseguia visualizar nenhum deles abrindo buracos nas paredes, arrancando portas e despedaçando pias.

Antes que Samantha pudesse responder, a chegada de Caleb interrompeu a conversa das duas garotas. Francesca continuou sentada na pontinha da cama de Sam e cumprimentou o colega com um breve sorrisinho amarelo, que só evidenciou o quanto ela estava tensa. Foi ainda mais constrangedor presenciar aquela briguinha de namorados, mas Sullivan não tinha para onde fugir enquanto via Sam se livrar de Stark.

Os olhos verdes se ergueram depois que a porta do quarto foi fechada novamente. Francesca mordeu de leve o lábio inferior enquanto encarava a colega e tentava entender o que estava havendo ali. Todos sabiam que Samantha Archibald e Caleb Stark formavam um casal perfeito. Ambos eram bonitos, ricos e populares. Era como se tivessem nascido para ficarem juntos.

Por outro lado, Francesca também notara o quanto Samantha estava empolgada e ansiosa para entrevistar Maximilian Cavendish naquela tarde. No começo, a novata imaginou que o interesse de Sam era puramente profissional. Mas a forma como a morena ligava desesperadamente para o celular de Max e estava aflita com aquele sumiço levava o raciocínio de Francesca em outra direção.

- Sam... não se ofenda com a pergunta, mas é que tudo isso está muito estranho. – como não havia nenhuma forma sutil de perguntar aquilo, Sullivan foi direto ao ponto – Rola alguma coisa a mais entre você e o tal do Max Cavendish?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Qua Jul 06, 2016 3:22 am

Aquela pequena praça era um excelente lugar para a conversa delicada que acontecia entre os dois rapazes. Mesmo estando no coração de uma grande metrópole, o ambiente arborizado era calmo e afastado das ruas mais movimentadas, o que privava os sentidos aflorados dos dois jovens lobisomens dos desagradáveis ruídos dos motores e buzinas.

O vento atingia a copa das árvores com suavidade e Maximilian conseguia perceber o movimento de cada uma das folhas secas que sucumbiam à força da gravidade. Os passos das poucas pessoas que circulavam pela praça formavam um som rítmico, como se fosse uma parte natural do ambiente. Embora todos os sentidos de Cavendish continuassem aguçados como de costume, não havia naquela praça nenhum estímulo exagerado que lhe fosse desagradável.

Por isso, era muito fácil manter a atenção fixa nas palavras de Damien. Mesmo que o rapaz formulasse as sílabas numa entonação contida, Max não precisava sequer olhar na direção dele para compreender suas palavras. Embora estivesse prestando uma imensa atenção nas perguntas do recém-transformado, os olhos vermelhos do Alpha circulavam suavemente pela praça, admirando a paisagem amena que sobrevivia em meio à loucura de Nova York.

Ao contrário do que acontecia com Scott, a mente de Maximilian estava tranquila e ele conseguia compreender os últimos acontecimentos com imensa clareza. E era esta a serenidade que, como Alpha, ele precisava transmitir a Damien.

- É claro que nós não temos uma vida totalmente normal.

Embora quisesse tranquilizar Scott e mostrar a ele que era possível viver bem com a licantropia, Max não pretendia mentir para o rapaz. E seria uma grande desonestidade fazê-lo acreditar que a sua vida poderia voltar a ser exatamente o que era antes do fatídico ataque do beco.

- Nós temos nossas casas, temos família, empregos, amigos. Alguns de nós também tem namorada. – a forma como Cavendish falava deixava claro que ele não se encaixava naquele subgrupo – Mas obviamente não é uma vida como qualquer outra. Há limitações, riscos para nós mesmos e para as pessoas que nos cercam.

Lentamente, Max virou a cabeça na direção de Damien e abriu um sorriso compreensivo. O semblante dele era tão amigável que reduzia consideravelmente o impacto das íris profundamente vermelhas.

- Seus olhos não ficarão assim. Durante a transformação, eles ficarão amarelos e depois voltarão ao normal, como acabou de acontecer hoje. Isso... – Max apontou na direção dos próprios olhos - ...e aquela transformação completa são exclusivos dos Alpha. Os líderes de cada alcateia...

Depois de uma breve pausa, que serviu para que Damien digerisse aquela nova informação, Cavendish completou o seu discurso.

- A má notícia é que nem sempre se tem escolha quanto a ser um líder. Eu mesmo não tive. Eu comecei como você.

A sombra das lembranças tristes do passado apagou um pouco o brilho dos olhos de Maximilian, mostrando que aquele era um assunto doloroso para o rapaz.

- A minha primeira alcateia se desfez. Tínhamos muitos conflitos internos e, portanto, não possuíamos alicerce para manter o grupo unido quando o nosso Alpha foi morto por um caçador. Cada um seguiu numa direção e eu vim parar em Nova York. Aqui, me uni a outros solitários que viviam deslocados como eu. Eu acabei assumindo muitas responsabilidades, naturalmente me tornei uma referência para os demais. – Max ergueu um dos ombros e suspirou enquanto concluía – Quando um bando te trata como um Alpha, o seu corpo entende que você é um Alpha e isso acontece.

O indicador de Cavendish novamente indicou os olhos vermelhos. Embora não se queixasse com os amigos dos rumos tomados pela própria transformação e nem pelas responsabilidades de um Alpha, Max às vezes desejava ser só mais um beta que cumpria ordens e não carregava tanto peso nos ombros jovens. Em alguns momentos, tudo o que ele queria era a vida despreocupada de Jack.

- Como eu disse, não há cura. Mas eu posso te ajudar a controlar os seus instintos. No começo é muito difícil, mas a ideia é que você tenha total controle das transformações, Scott. Consequentemente, você só vai machucar alguém se este for o seu objetivo.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Damien Scott em Qua Jul 06, 2016 4:15 am

Damien escutava cada uma das palavras de Max com atenção enquanto sua mente começava a criar aquele novo e desconhecido mundo. Alcateia, líderes, lobisomens, Alphas, olhos vermelhos...

Se pudesse, Scott viraria as costas e iria para casa fazendo de conta que aquele universo louco não existia, que ele continuava na mesma Nova York de sempre. Mas a certeza de que aquela era sua vida agora o obrigava a continuar ali, por sua própria sobrevivência.

As primeiras perguntas feitas eram apenas a ponta do iceberg. Damien ainda tinha um mundo inteiro para descobrir e queria soterrar Cavendish com suas curiosidades. O que de fato aconteceria na lua cheia? Que história era aquela de caçadores? Quantos outros existiam? O que mais ele seria capaz de fazer?

Damien sabia que se começasse a perguntar, os dois provavelmente passariam a noite e a madrugada ali, e por isso engoliu sua própria curiosidade temporariamente. Ele soltou um longo suspiro enquanto encarava o horizonte, admirando a cor alaranjada do pôr do sol.

- Não quero que o que aconteceu hoje se repita. Não quero perder o controle assim outra vez.

O rosto assustado de Francesca voltou como uma assombração em sua mente, com a motivação necessária que Scott precisava para aceitar a ajuda daquele desconhecido. Ele tinha todo o direito do mundo de desconfiar de Max, os dois não se conheciam e ele definitivamente não podia julgar a índole do rapaz. Mas ainda assim, era a única mão estendida em sua direção naquele momento. Se não aceitasse, Damien iria afundar.

- Farei parte da sua alcateia, se esse é o preço. Mas quero que me ensine tudo que for necessário.

Seu semblante estava sério. Quando o sol alcançou um determinado ângulo, a cor alaranjada refletiu em suas íris azuladas, revelando minúsculos pontinhos amarelos quase imperceptíveis.

***

O sol finalmente havia se posto, dando lugar a um céu escuro quando a conversa entre Damien e Max finalmente chegou ao fim. As coisas pareciam finalmente fazer algum sentido, por mais assustador que fossem. Era a primeira vez em dias que ele finalmente tinha uma resposta para as reações do seu corpo, junto com uma luz no final do túnel de que poderia ser capaz de controlar os próprios impulsos e ter uma vida quase normal.

Scott achava uma grande injustiça que aquilo tivesse acontecido logo com ele. Poderia ter sido qualquer outra pessoa, qualquer um poderia ter entrado naquele beco naquela madrugada. Um mendigo, um cozinheiro saindo tarde do trabalho, até mesmo qualquer outro bêbado. Mas havia sido ele. Sua vida estava para sempre transformada porque ele foi imbecil o bastante de entrar em um beco escuro em uma cidade como Nova York.

Ele se sentia estranhamente calmo, mesmo diante da verdade revelada. Mas nem por isso se sentia conformado. Seu peito estava apertado com o peso daquela maldição e, como vinha acontecendo nos últimos dias, ele procurou a única coisa que seria capaz de acalmá-lo.

As ruas escuras de Nova York nunca haviam sido intimadoras para Damien, mas mais do que nunca, ele se sentia intocável. Seus sentidos privilegiados, sua grande velocidade e a força extraordinária eram suficientes para que ele se sentisse seguro enquanto caminhava pelo Brooklyn até parar diante da humilde vila já conhecida.

A casa dos Sullivan estava mergulhada na escuridão, com exceção da luzinha da varanda que iluminava seu batente. Protegido pelas sombras, Damien caminhou até a lateral da casa, e graças aos seus novos dons, escalou com facilidade as trepadeiras que subiam pela parede de tijolos até o segundo andar.

Scott nunca havia entrado na casa de Francesca, mas seu olfato lhe dizia exatamente em qual janela ele deveria parar. O interior do quarto estava em completa escuridão, com exceção da fraca luz do luar que entrava, provocando a sombra de Damien pelo chão.

A iluminação era muito fraca, mas o bastante para que ele visse o contorno do corpo de Francesca sob o edredom. Durante alguns minutos, Scott permaneceu em silêncio, apenas admirando o sono tranquilo da colega.

Ele não sabia explicar o que estava fazendo ali, mas já tinha uma considerável lista de coisas que não poderia explicar para si ou para ela. A única coisa que importava era sua necessidade de saber como ela estava depois daquela tarde agitada.

Por isso, Damien não hesitou em erguer a mão e bater com os nós dos dedos sobre o vidro gelado, esperando que Francesca tivesse um sono leve.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Jul 06, 2016 4:37 am

Samantha sentiu as bochechas esquentarem e sabia que estava com os olhos castanhos arregalados diante da pergunta indiscreta de Francesca. Se fosse interrogada com aquela mesma questão semanas antes, ela certamente iria rir da pessoa que ousasse insinuar que ela seria capaz de trair Caleb.

Porém, naquele fim de tarde, Archibald se sentiu como uma criança pega no meio de uma travessura. Mesmo que nada tivesse de fato acontecido entre ela e Max, Samantha vinha cada vez mais aceitando a ideia de se sentir atraída pelo rapaz. A preocupação daquela tarde apenas reforçava aquela ideia, cada vez que ela pensava em abraça-lo e se certificar de que ele estava bem.

Stark definitivamente era o namorado perfeito, o filho perfeito, o aluno, o amigo, o atleta. Não parecia existir nada em que Caleb não fosse extremamente habilidoso, e aquilo nunca havia sido um problema até então. Mas Samantha começava a se questionar o quanto realmente amava o namorado.

Mesmo com sua aparência impecável e com sua personalidade doce, Caleb não despertava mais o frio gostoso em sua barriga, nem arrancava suspiros ou seus sorrisos surpresos. Archibald se perguntava desde quando aquele relacionamento havia caído na rotina em que os dois simplesmente estavam acostumados um com o outro.

E toda a perfeição de Caleb apenas tornava tudo ainda mais difícil. Sam queria odiá-lo um pouco, ou ao menos arrumar desculpas para que o sentimento tivesse chegado ao fim para que eles pudessem admitir o fim do relacionamento.

Mas não havia nada nele que ela pudesse usar contra. Era apenas ela a errada da história. Ela, que foi se interessar por um completo desconhecido que sumia depois de um ataque sem ao menos dar notícias. O mesmo desconhecido que lhe chamava para jantar depois de demonstrar interesses em outra menina.

- Definitivamente não. – Ela finalmente conseguiu balbuciar, sacudindo a cabeça de modo que seus cabelos ondulados balançavam de forma exagerada. – Caleb é apenas um amigo. Um novo amigo, aliás. E se quer mesmo saber, ele pareceu muito mais interessado em você...

Um sorrisinho brincou em seus lábios enquanto Archibald tentava esconder o ciúme em sua voz.

Tentando tirar o foco daquela conversa, ela caminhou até a cama e puxou o celular com os dedos, mais uma vez discando o número de Caleb e Max. Ambos caíram na caixa postal, trazendo o semblante preocupado em seu rosto.

- Não acho que os dois brigaram, mas sei que tem alguma coisa muito errada e eu vou descobrir o que é.

Enquanto sua curiosidade dividia o espaço em sua mente com a preocupação, Samantha se ofereceu para levar Francesca de volta para a casa, e mesmo diante da insistente negação da colega, ela conseguiu convencê-la a aceitar pelo menos que o motorista da família a levasse até o Brooklyn.

Finalmente sozinha em seu quarto, Sam reviveu os acontecimentos daquela tarde em sua mente. Desde o início da entrevista com Max, o convite para o jantar e o desastre que se seguiu. Ela não consegui encontrar nenhuma justificativa para o que havia acontecido, o desaparecimento repentino dos rapazes e o uivo animalesco gravado em sua mente, que lhe provocava arrepios até com a mera lembrança.

A mente curiosa de Archibald se sentia inconformada em seguir sem nenhuma resposta e, se sentindo inquieta, ela se deixou vencer quando puxou a bolsa, atravessando-a em seus ombros, e deixou a cobertura.

A caminhada foi relativamente longa enquanto ela atravessava o Central Park até a entrada oeste. Depois, Samantha só precisou caminhar por três quarteirões, e quando chegou ao último, passou prédio por prédio, olhando rapidamente a grande quantidade de botões que indicavam os apartamentos.

Ela se sentiu imensamente agradecida por ver que a maioria deles trazia o sobrenome do morador ao lado do número do apartamento, de modo que só precisou passar por cinco prédios até encontrar o “M. Cavendish” ao lado do número “303” de um dos prédios cinzentos.

Qualquer pessoa diria que Archibald estava sendo extremamente invasiva, uma perfeita perseguidora. Não bastavam as infinidades de ligações ou recados na caixa postal, ela precisava também revirar uma rua inteira para se certificar de que Max estava bem.

Sam não se preocupava em parecer uma maluca que precisava de uma ordem de afastamento. Em sua cabeça curiosa, ela estava apenas procurando respostas merecidas quando tocou a campainha.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Francesca Sullivan em Qui Jul 07, 2016 1:11 am

Com a pontinha da colher, Francesca Sullivan mexia nos pedacinhos de legumes de sua sopa sem o menor apetite. Apesar do cardápio simples, o jantar dos Sullivan espalhava um cheiro gostoso por toda a cozinha da casa. Mesmo chegando ao Brooklyn muito mais tarde do que o esperado, a caçula havia improvisado um rápido jantar para o pai e para o irmão. Richard e Paolo atacavam a sopa e as fatias de pão de milho picadas sobre a mesa, mas o apetite da menina era nulo.

Não demorou para que os dois homens da casa trocassem um olhar sugestivo. Não era difícil perceber que havia algo errado com Francesca quando um silêncio sepulcral substituía sua costumeira tagarelice durante as refeições.

- Dia difícil na escola, bambina?

A voz rouca do pai trouxe Francesca de volta à realidade. A garota se remexeu na cadeira e tentou forçar um sorriso ao notar que Richard e Paolo a encaravam fixamente. Os lábios grossos da menina se repuxaram num sorriso tão mecânico que mais parecia uma careta.

- Está tudo bem. – a garota acrescentou ao concluir que os dois não se deixariam convencer por aquela mentira – Não tirei uma nota muito legal num trabalho, mas acho que consigo me recuperar no próximo.

Embora não gostasse de mentir para os dois, a caçula dos Sullivan não sabia como dizer a verdade. Era difícil explicar o quanto ela estava preocupada com um colega com quem não tinha nenhum tipo de envolvimento emocional. E era ainda mais difícil explicar a confusão que havia acontecido na Constance Billard no fim daquela tarde. Richard e Paolo provavelmente achariam que a menina estava ficando louca se ela comentasse sobre os grunhidos, o uivo, o banheiro destruído e o estranho desaparecimento dos dois rapazes.

Francesca se arrependeu imediatamente de ter inventado aquela desculpa quando viu a culpa refletida no olhar do pai. Para Richard, era óbvio que a filha estava se saindo mal na escola por causa de todo o trabalho e das responsabilidades que ela assumia em casa. Francesca sempre havia sido uma excelente aluna, sua nova rotina pesada certamente era a responsável pelas notas baixas que nunca aconteceram antes.

- Você vai parar de se preocupar com o serviço da casa para se concentrar nos estudos.

Apesar da voz rouca e frágil, o olhar determinado do Sr. Sullivan indicava que aquela era uma decisão firme. Além das cicatrizes e de agora estar aprisionado em uma cadeira de rodas, a voz de Richard também nunca mais se recuperou depois da longa internação, da traqueostomia e de tantos meses ligado a um respirador.

- Pai... – Francesca ponderou de forma racional – Alguém precisa limpar a casa, cuidar das roupas, fazer a comida. O Paolo já ajuda muito, mas ele precisa trabalhar. Eu realmente não me importo. Foi só uma nota baixa, isso não vai se repetir.

- Podemos contratar uma empregada.

- Não, não podemos. – Francesca buscou pelos olhos do irmão, pedindo silenciosamente por ajuda naquela batalha – Não temos a menor condição de pagar um salário para uma empregada. Isso sem falar dos impostos, vale-transporte, alimentação.

- É, pai. A gente dá um jeito. – Paolo enfiou um pedaço de pão na boca – Eu me comprometo a ajudar mais, certo?

- Eu não preciso fazer fisioterapia três vezes na semana. – Richard ponderou – Se reduzirmos a fisioterapia para uma vez por semana...

- Nem pensar! – Francesca interrompeu o pai, já com os olhos verdes estreitados – Assunto encerrado, pai.

Foi a vez de Richard buscar pelo apoio de Paolo, mas para sua frustração o primogênito sacudiu a cabeça em negativa. Era notável que os filhos estavam muito mais empenhados na recuperação do pai do que o próprio Sr. Sullivan. Para Richard, era muito deprimente deixar para trás uma vida ativa e independente para agora se ver preso a uma cadeira de rodas. A fisioterapia era importante para evitar a atrofia dos músculos, mas os médicos eram unânimes na declaração de que a cadeira de rodas não era algo provisório.

- Estamos jogando dinheiro fora. – o homem resmungou, afastando o prato de sopa já sem apetite – Teria sido muito melhor para vocês dois se eu tivesse morrido naquele dia. E muito melhor pra mim também. Isso não é vida.

O Sr. Sullivan se arrependeu daquele desabafo quando viu a reação dos filhos. Paolo o encarou com uma expressão mortalmente séria enquanto os olhos de Francesca se encheram de lágrimas. O lábio inferior da garota tremeu antes que ela se erguesse da mesa, já sem a menor intenção de fingir que queria jantar. Só depois que o prato da irmã foi deixado dentro da pia e Francesca sumiu de vista, Paolo tomou a palavra.

- Eu sei que não tem sido fácil, pai. Mas esta não é uma boa maneira de agradecer por tudo o que ela tem feito, por todos os meses que choramos no hospital achando que era o seu último dia. E definitivamente não é a melhor forma de retribuir por todo o amor que sentimos pelo senhor.

- Mas eu me tornei um inválido, um peso nas costas de vocês dois!

- Somos uma família. – Paolo finalizou aquela discussão com firmeza – Cuidamos uns dos outros porque nos amamos, não por obrigação.

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As lágrimas que escorreram para o travesseiro de Francesca foram inevitáveis. Normalmente a garota não se rendia ao choro com tamanha facilidade, mas era como se uma mão invisível espremesse a sua garganta depois daquele dia terrível. A preocupação com Scott se somava à ausência de respostas sensatas para toda aquela confusão. E agora ainda havia uma grande mágoa pelas palavras do pai. Por mais que Richard estivesse sofrendo com suas limitações, era terrível ouvir que ele preferiria estar morto ao invés de continuar ao lado dos filhos.

A pequena casa dos Sullivan estava mergulhada num profundo silêncio. A luz fraca de um poste iluminava o pátio da vila e era a única iluminação que alcançava a janela do quarto de Francesca no segundo andar. Não era exatamente um quarto de verdade. Como a casa era minúscula e só possuía um quarto que Paolo e Richard dividiam no primeiro andar, o sótão fora adaptado para a caçula.

Os olhos de Francesca estavam fechados naquela noite, mas o sono ainda não havia presenteado a garota com um pouco de paz. As pálpebras abaixadas apenas privavam seus olhos de arderem ainda mais depois dos longos minutos de choro. Por isso, a menina saltou imediatamente no colchão e se colocou sentada sobre a cama ao ouvir as batidas na janela.

A visão de Sullivan precisou de algum tempo para entrar em foco e se acostumar com a escuridão da madrugada, mas ela logo reconheceu o rosto por trás do vidro da pequena janela do sótão. Por alguns segundos de insanidade, Francesca achou que estava dormindo e sonhava com Damien. Era difícil acreditar que a imagem do rapaz pendurado do lado de fora de sua janela fosse real.

Depois de piscar várias vezes, Francesca finalmente se convenceu de que não estava dormindo. Ela não estava raciocinando quando saltou para fora da cama e, usando apenas um short e uma blusa velha que lhe serviam como pijama, destravou a janela e puxou o colega para dentro do quarto.

O cômodo estava muito longe de parecer com o luxuoso quarto de Samantha. O teto era baixo e em formato de “v” invertido, acompanhando o desenho do telhado da casa. O piso de madeira já estava bem velho e algumas tábuas rangiam sob o peso dos passos. Só havia espaço para a cama de Francesca, uma pequena cômoda com as roupas dela e um cabideiro. Não havia porta, a menina entrava no quarto através de um alçapão no chão do sótão.

Sem dar a Damien tempo para raciocinar ou para estudar o ambiente, Francesca o surpreendeu com um abraço sufocante. O calor do corpo dele era inexplicável naquela noite fresca, mas aquela era só mais uma das coisas que Sullivan não conseguia compreender.

Os olhos inchados pelo choro de minutos atrás estavam aflitos quando Francesca se afastou apenas o bastante para encarar o colega. Suas mãos trêmulas tocaram o rosto de Scott, seu pescoço e os braços, mas não havia nem mesmo um arranhão na pele dele, mesmo depois de tamanha destruição no banheiro masculino. Embora não conseguisse explicar o que houvera, Sullivan sentia um alívio profundo ao ver Damien inteiro.

- Você está bem? – a entonação saiu sussurrada, mas não era preciso erguer a voz no profundo silêncio da madrugada – Eu estava tão preocupada, você sumiu! O que foi que aconteceu, afinal!?
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Maximilian Cavendish em Qui Jul 07, 2016 2:33 am

Doze chamadas não atendidas.

Era bem óbvio que Samantha Archibald estava desesperada para falar com ele depois de toda aquela confusão. Ainda assim, Maximilian optou por não retornar a ligação. Já era bem tarde quando o Alpha se despediu de Damien e seguiu para o próprio apartamento. Além disso, Max precisava pensar em quais explicações daria antes de entrar em contato com Sam. A curiosidade dela não aceitaria qualquer desculpa estúpida depois de tudo o que houvera naquela tarde.

O celular ficou ligado apenas tempo o suficiente para que Cavendish mandasse uma mensagem para Jack. No breve recado, o Alpha avisava que havia localizado o rapaz, mas que as coisas não saíram tão bem quanto o planejado. Em menos de um minuto, Jack respondeu à mensagem dizendo que passaria no apartamento do amigo ao fim do trabalho para saber pessoalmente das novidades.

Como Jack trabalhava como segurança em uma casa noturna, o “após o serviço” certamente significava “no meio da madrugada”, mas Max nem pensou em reclamar. Ele ainda estava agitado demais depois dos últimos acontecimentos e sabia que não seria fácil dormir.

Como sempre acontecia depois de uma transformação completa, Cavendish sentia os músculos e as articulações ligeiramente doloridos quando destrancou a porta do apartamento 303 e entrou em casa. As chaves foram jogadas sobre a bancada que separava a pequena cozinha da sala e Max começou a desabotoar a camisa no caminho até o banheiro.

As roupas sujas e descosturadas foram jogadas num canto do banheiro para depois serem descartadas e tudo o que Maximilian desejava era esvaziar a cabeça quando encheu a banheira com água morna. Seu corpo dolorido agradeceu com um suspiro quando Max mergulhou inteiramente na banheira.

Não houvera testemunhas diretas da confusão daquela tarde, mas nem por isso o Alpha se sentia mais tranquilo. Os seguranças certamente iriam revirar as imagens das câmeras em busca de respostas. Isso sem mencionar que Francesca Sullivan e Samantha Archibald estiveram perto o bastante para perceber que havia algo diferente com os rapazes. Max não sabia ao certo o que Francesca vira, mas Cavendish não tinha dúvidas de que Sam não deixara de notar a velocidade anormal que ele usara para desaparecer nos corredores do colégio.

Talvez a decisão mais sensata fosse bloquear o número de Archibald e não procurar mais por ela. Samantha certamente exigiria explicações que Max não podia dar. Além disso, esta seria uma excelente saída após a constrangedora conversa que a transformação de Scott interrompera. Samantha não havia tido tempo de responder ao convite, mas Maximilian não tinha a menor dúvida de que a garota lhe diria “não”. E, definitivamente, Cavendish viveria muito melhor sem a frustração daquela resposta.

O que Max jamais imaginaria era que Samantha não daria a ele esta oportunidade de fuga. Mesmo tendo comentado com a morena sobre a localização do seu prédio, a última coisa que o Alpha imaginava era que Sam iria vagar pelas ruas de Nova York no meio da madrugada até localizar o apartamento dele.

Por isso, Maximilian não teve a menor dúvida de que era Jack quando o interfone tocou nas primeiras horas da madrugada. Ainda era um pouco cedo para que o amigo já estivesse liberado do trabalho noturno, mas quem mais poderia estar ali àquela hora da noite?

Cavendish já havia saído da água, mas ainda estava no banheiro. Com apenas uma toalha amarrada ao redor da cintura, o rapaz terminava de fazer a barba quando escutou o interfone. O prédio simples não tinha porteiro no período da noite, então coube a Max o trabalho de ir até o interfone para destravar a porta para o amigo.

- Pode subir. A porta está destrancada.

Como Maximilian não tinha a menor dúvida de que era Jack que esperava na entrada do prédio, a porta foi destravada e o interfone desligado antes mesmo que a pessoa tivesse a chance de responder. A porta do banheiro foi deixada entreaberta e Max estava terminando de lavar o rosto quando escutou passos adentrando o apartamento.

- Estou aqui. Antes que você pergunte, tem pizza de ontem na geladeira.

Eram passos leves demais para o peso de Jack. Mas foi o cheiro que deu a Max a certeza de que não era o amigo que entrara no apartamento. Seu coração se acelerou com a intensidade que só Samantha conseguia despertar, sua pele se arrepiou e todos os seus sentidos se afloraram, perdendo por completo o relaxamento conseguido após o banho quente.

Os olhos de Max estavam arregalados quando a figura de Archibald surgiu no meio da sala. Se não fosse a intensidade do perfume dela despertando todos os instintos dele, Maximilian até poderia acreditar que Samantha fosse apenas uma alucinação. Mas aquela sensação era real demais para ser ignorada.

- O que você...?

A pergunta morreu no instante em que Maximilian se deu conta de um “pequeno” detalhe. Com toda aquela confusão e o cansaço que o atingiu após a transformação, ele não se dera ao trabalho de recolocar as lentes. Já estava tarde demais e a única pessoa que Max planejava ver ainda naquela noite era Jack, então não havia motivos para forçar a visão com as lentes de contato azuis.

Sam estava parada no meio da sala enquanto Max continuava no banheiro, mas o apartamento era pequeno o bastante para que aquela distância não fosse tão considerável. Cavendish desviou imediatamente os olhos para baixo enquanto caminhava até a porta, encontrando em seus “trajes” a desculpa perfeita para tentar escapar daquela situação delicada.

- Desculpe, eu estava esperando outra pessoa. Me dê um minuto, eu vou me vestir.

O coração dele pulsava na garganta quando Maximilian fechou a porta do banheiro e procurou pelas lentes na primeira gaveta. Ainda era muito difícil acreditar que Samantha Archibald estava ali. Agora além de todas as respostas que Max fatalmente teria que dar, Sam ainda poderia questionar por que tivera a impressão de que os olhos azuis do rapaz estavam vermelhos naquela madrugada.
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Re: Alpha Pack

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Jul 08, 2016 3:00 am

O apartamento inteiro de Max poderia facilmente se encaixar no quarto de Samantha. O lugar era pequeno e nitidamente o rapaz não havia gastado muito tempo e dinheiro em sua decoração. Era um ambiente tipicamente masculino, em cores básicas e com os aparelhos eletrônicos de alta tecnologia. As poltronas pareciam ser extremamente confortáveis e o lugar estava surpreendentemente limpo.

Mesmo nascida e criada ao redor do luxo, Archibald não se incomodou com a simplicidade do lugar. Ela adorava as regalias que o dinheiro poderia lhe proporcionar, mas jamais se achou superior às demais pessoas por causa disso. A casa pequena de Max não tornava ele menor ou menos importante. Era simplesmente o lugar em que ele vivia e intimamente, Sam se sentia satisfeita por ter conhecido mais aquele pedacinho da vida do rapaz.

Ela mal havia começado a reparar no lugar quando a voz de Cavendish chamou sua atenção, provocando um frio gostoso em sua barriga. Seu coração continuava acelerado, mas Samantha já se sentia mais aliviada em saber que ele estava bem.

Quando Max finalmente entrou em seu campo de visão, Samantha arregalou os olhos ao se deparar com o peito exposto e os cabelos úmidos do rapaz. Seu olhar desceu vagarosamente pelo seu corpo, o rosto se tornando cada vez mais quente e vermelho conforme se aproximava da borda da toalha presa em seu quadril.

Sua boca estava aberta em surpresa e ela só foi capaz de deixar a beleza de Max em segundo plano quando percebeu o reflexo vermelho em seus olhos. Foi apenas por meio segundo antes de Cavendish baixar o olhar, cobrindo as íris com as pálpebras, mas o suficiente para causar estranheza na mente curiosa de Sam.

Como a porta foi fechada logo em seguida, Samantha não conseguiu confirmar se estava imaginando coisas, se havia sido apenas um reflexo estranho ou se havia mesmo algo errado com os olhos de Maximilian. Antes que pudesse raciocinar e chegar a uma conclusão, a menina se encontrou novamente sozinha no meio da sala.

Ela soltou um suspiro ruidoso e encarou os próprios pés, se arrependendo daquela atitude impulsiva pela primeira vez. Talvez por estar sempre acostumada a ter tudo, Archibald não se importava com gestos mais exagerados quando pensava apenas no que desejava ter. Não importava o quão ridículo fosse sua atitude, porque teria em suas mãos o que quisesse. Era estranho perceber que, pela primeira vez, seria diferente.

Atravessar o Central Park no meio da madrugada apenas para se certificar de que Max estava bem parecia uma ideia bastante razoável minutos antes. Agora ela estava no meio do seu apartamento, claramente sem ser bem-vinda, enquanto ele esperava outra pessoa, certamente uma mulher.

Max estava bastante à vontade em ser flagrado apenas de toalha e com certeza esperava por alguém que frequentava sua casa. Samantha se sentia incrivelmente incomodada com a ideia de uma mulher na rotina de Cavendish.

A lembrança das ligações ignoradas ao longo do dia e do sumiço sem satisfação reforçavam a teoria de que Maximilian não tinha nenhum interesse nela. O convite para o jantar, as olhadas insistentes em Francesca e agora aquela visita no meio da madrugada começavam a moldar a imagem de Cavendish na mente de Archibald.

Ele tinha um sorriso encantador, era absurdamente atraente e uma conversa interessante. Tinha enganado Samantha até por bastante tempo, mas ficava cada vez mais óbvio que ele era um galinha que jogava seu charme para qualquer mulher que cruzasse seu caminho.

Samantha se sentia uma grande idiota por ter brigado com Caleb, e ainda mais idiota por ter procurado Max. O namorado não merecia ser tratado daquela forma, e ao contrário de Max, a tratava de forma especial, levando o relacionamento deles a sério. Não era um galanteador que se cantava mulheres desconhecidas na rua.

Archibald estava tão perdida em seus pensamentos que se sobressaltou quando a porta do banheiro foi novamente aberta. Por um instante, ela até se esqueceu da presença de Cavendish no próprio apartamento. Ela já havia virado as costas para o banheiro e estava inclinada sobre o balcão da cozinha quando se viu obrigada a girar sobre os calcanhares para encará-lo.

Os olhos azuis estavam novamente lá, como se quisessem debochar de sua imaginação fértil. Sam havia imaginado a velocidade fora do normal naquela tarde, como havia também imaginado os olhos vermelhos e principalmente o interesse de Max nela.

- Desculpe, eu não devia ter entrado assim. Mas você falou que a porta estava destrancada... Não imaginei...

A imagem de Max apenas de toalha fez com que ela perdesse a linha do raciocionio, corando novamente. Mesmo quando Samantha trincava os dentes e respirava fundo, tentando recuperar o controle, as covinhas apareciam em suas bochechas. Ela deslizou a mão entre os fios ondulados, prendendo uma mecha atrás da orelha e evitando a todo custo encarar Cavendish.

- Eu não devia ter vindo. Só achei que tinha acontecido alguma coisa na escola hoje e queria me certificar de que estava tudo bem. Como você não deu mais notícias, achei que poderia começar procurando por aqui antes de visitar os hospitais.

Samantha mordeu a língua quando acabou entregando que aquele pensamento de fato havia passado pela sua cabeça. Ela estava tão desesperada atrás de notícias de Max que não esperava encontra-lo em casa, sem nenhum arranhão, com os sentidos perfeitos.

Pela primeira vez desde que se conheceram, Archibald não exibia o largo sorriso e a simpatia costumeira. Ela estava claramente constrangida com as próprias escolhas e intimamente prometia a si mesma que nunca mais voltaria a pensar em Maximilian Cavendish depois daquela noite.

- Mas já que você está bem, eu vou nessa... Não quero atrapalhar a sua visita.

Um sorriso forçado apareceu em seus lábios, mas que não lembrava em nada a simpatia costumeira. Seus lábios basicamente estavam espremidos e ligeiramente curvados, a covinha de uma das bochechas em destaque enquanto ela se afastava, os dedos brincando na alça atravessada da bolsa.

- Desculpe de novo ter aparecido assim, não sei onde estava com a cabeça. – Sam soltou um risinho nervoso, a mão já roçando o metal frio da maçaneta. – Acho que sou mesmo muito bizarra. Quem aparece assim na casa das pessoas, uma hora dessas?

Samantha balançou a cabeça em reprovação a própria atitude, seus cabelos balançando e se chocando contra seu queixo com o movimento natural.

- Até a próxima, Max.
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