Escola de mutantes

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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Jun 04, 2016 9:22 pm

Poucas semanas tinham se passado desde a primeira aproximação de Davina e Kevin, então ainda era muito cedo para uma conclusão definitiva sobre a mudança de atitude do rapaz. Mas o fato era que, até aquele momento, Templeton não havia dado nenhum motivo para Ackerman se arrepender da chance que dera a ele.

Nem mesmo uma garota fora adicionada à lista de Kevin nos últimos dias. Ao contrário do antigo galanteador que não perdia a oportunidade de olhar para qualquer menina que cruzasse o seu caminho, Templeton nem parecia mais notar a presença delas.

Como o relacionamento ainda era um segredo para a maior parte da escola, Kevin mantinha um comportamento discreto sempre que estavam em público. Os olhares eram sutis, os sorrisos eram quase imperceptíveis. E todo aquele mistério só alimentava o sentimento que começava a brotar entre eles. Sempre que conseguiam ficar sozinhos, os dois matavam as saudades de forma apaixonada.

Como agora Theodore sabia a verdade, era muito mais fácil que aqueles encontros secretos ocorressem no dormitório dos rapazes. Os dois sabiam que não podiam esconder o namoro para sempre, mas estavam aproveitando cada minuto emocionante daquele relacionamento secreto.

Naquele começo de noite de sábado, depois de um dia inteiro de folga dedicado a colocar em dia todas as suas matérias atrasadas, Kevin decidiu que merecia uma recompensa por tamanho esforço. Quando passou pela sala de mídia e viu Hyacinth no sofá, assistindo um filme com alguns dos colegas, Templeton seguiu direto para o dormitório feminino com a certeza de que Davina estaria sozinha no quarto.

A porta foi aberta depois de duas batidas e Ackerman encontraria Kevin parado do outro lado, com um daqueles sorrisinhos galanteadores que agora só eram destinados a ela. Apesar da aparência cansada depois de tantas horas na biblioteca, o rapaz continuava atraente. A camisa de mangas curtas não escondia o contorno dos músculos nos braços dele e até mesmo os cachos atrapalhados tinham um charme próprio.

- Serviço de quarto. Foi aqui que pediram um namorado perfeito?

Antes que Davina tivesse a chance de responder, Kevin a enlaçou com os braços e ergueu os pés dela alguns poucos centímetros acima do chão enquanto entrava no quarto. As mãos estavam ocupadas sustentando o peso de Ackermar e os lábios logo se ocuparam com mais um beijo, então foi com um dos pés que Templeton fechou a porta atrás deles.

- Relaxa... – as palavras saíram sussurradas quando eles finalmente pausaram o beijo – A ruiva destruidora de corações está vendo um filme na sala, ela não vai nos incomodar.

Embora Hyacinth não tivesse feito nada absurdamente grave, os dois melhores amigos de Hugo tinham se voltado contra ela depois da forma como a ruiva tratara o colega. Hugo estava arrasado com aquele fora e Kevin culpava Westphal pela infelicidade do amigo.

Templeton deixou que o corpo de Davina escorregasse em contato com o seu até que os pés dela tocassem o chão novamente. Os dois se mantiveram unidos num abraço apertado e o rapaz mordiscou o queixo de Ackerman antes de tomar a palavra mais uma vez.

- Eu tenho uma surpresa para você. Não é nada muito “uau”, mas eu espero que goste. Eu encomendei pela internet e pedi pro meu irmão trazer, ele veio me visitar esta manhã...

De dentro do bolso da calça, Kevin retirou uma pequena caixinha aveludada. Ansioso para ver a reação de Davina, o próprio Kevin abriu a caixinha e a virou na direção da menina. O cordãozinho prateado era delicado, composto por várias minúsculas bolinhas. Mas o detalhe mais importante estava no pingente. O objeto tinha o formato de um raio, simbolizando o poder que Davina exercia sobre o clima.

- Hoje completamos um mês juntos, eu achei que a data merecia ser comemorada. – Kevin abriu um sorrisinho divertido – É um recorde pra mim, você sabe.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sab Jun 04, 2016 10:06 pm

Não era fácil para Hyacinth conciliar as aulas, os treinamentos, as reuniões com Dana e Andrew e, agora, um relacionamento proibido dentro da mansão. Contudo, não passava pela cabeça da ruiva a ideia de desistir daquela relação. A companhia de Ackerman, seus beijos e suas carícias eram as únicas coisas que davam a Westphal força para continuar de pé.

Um mês havia se passado e a evolução da mutação de Hyacinth não caminhava na melhor das direções. Assim como Dana temia, a ruiva parecia repetir todas as habilidades lendárias do “Incarna”. Mesmo depois de tantos dias sem nenhum contato direto com Chevalier, Hyacinth ainda dominava a intangibilidade com maestria, o que indicava que os poderes acrescentados ao seu DNA não se perderiam com o tempo.

A única notícia verdadeiramente positiva sobre a mutação de Hyacinth era que as dores de cabeça tinham sumido. Depois de pensar bastante sobre o assunto, Dana concluiu que Cinty não sentia mais dores porque agora também dominava as habilidades de regeneração de Andrew. Novos genes eram acrescentados ao DNA dela, mas o poder de Ackerman não deixava que a ruiva sofresse as consequências doloridas de tantas mutações.

Embora ainda evitasse aglomerações, Hyacinth decidiu que não podia mais viver excluída, sem nenhum contato com os colegas. É claro que ela tomava um imenso cuidado para não encostar em nenhum dos alunos ou professores, mas agora era comum ver a ruiva na biblioteca, no refeitório cheio ou na sala de mídia.

Naquele início de noite de sábado, o que Westphal mais queria era fugir novamente para o quarto de Andrew e passar mais algum tempo com o rapaz. Mas ela sabia que os professores estavam em reunião e que o quarto estaria vazio, então teve que se contentar com um filme na sala de mídia.

Como o dia estava mais frio, Hyacinth acomodou-se numa das almofadas individuais e se manteve encolhida – e protegida – debaixo de um cobertor. O filme era uma comédia escolhida por um dos colegas e, durante um bom tempo, Westphal se esqueceu dos próprios problemas e riu junto com os amigos.

O clima estava leve e divertido até que Samantha se ergueu abruptamente do sofá. A garota cambaleou pela sala e os colegas só notaram que havia algo errado quando os joelhos da loira vacilaram e ela caiu no tapete, pálida como um fantasma. Não demorou um segundo para que todos estivessem ao redor da colega. Uma das meninas correu na direção da sala dos professores para buscar ajuda, mas não parecia que Samantha aguentaria esperar.

Um grito agudo escapou da garganta de Sam enquanto seu corpo inteiro estremecia com uma potente convulsão. Os colegas que a rodearam entraram em pânico e muitos deles começaram a berrar quando, no corpo delicado da menina, começaram a se abrir ferimentos. Era como se a pele de Richard estivesse se rasgando de dentro para fora. O sangue saía das feridas, das narinas e dos olhos de Samantha e começava a formar uma poça avermelhada ao redor do corpo da garota.

Hyacinth não estava mais raciocinando quando empurrou os colegas para se aproximar de Samantha. A ruiva sequer saberia dizer em quantas pessoas encostara até conseguir cair de joelhos diante da menina que agonizava. Como Sam não resistiria por mais um minuto se continuasse sangrando daquela forma, Westphal não podia esperar que Andrew chegasse. As mãos dela foram apoiadas no corpo de Samantha enquanto a ruiva se concentrava no poder de Ackerman. Alguns dos ferimentos até começaram a se cicatrizar, mas outros muitos surgiam em uma velocidade muito maior.

Os olhos de Richards refletiam uma dor profunda e ela não tinha mais forças para gritar quando Aphrodite se ajoelhou do outro lado da colega.

- O que está fazendo??? – Hyacinth fuzilou a loira com o olhar quando Aphrodite encostou uma das mãos no braço de Samantha.

- Ninguém pode salvá-la. Mas eu posso fazer com que seja menos terrível.

O sangramento não foi interrompido e mais ferimentos surgiam por todo o corpo de Samantha. Mas, depois do toque de Aphrodite, a menina parou de gemer. Sam fechou os olhos com um semblante mais sereno e chegou a esboçar um sorriso fraco antes do fim daquela tortura.

Quando Dana e os demais tutores chegaram à sala de mídia, Samantha sorria em meio a uma poça de sangue. Seu coração não batia mais, os pulmões não puxavam mais o ar. Uma das alunas mais exemplares e mais evoluídas da história daquela escola havia acabado de entrar para o seleto grupo dos alunos que não resistiram à mutação.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sab Jun 04, 2016 10:06 pm

Os finais de semana normalmente eram liberados para que os alunos descansassem ou dedicassem as horas livres para o que bem entendessem, desde que respeitassem os limites da mansão.

Foi uma surpresa quando Davina acordou naquele dia com um recado que Dana queria lhe ver. A tutora sempre respeitava os dias de descanso e, com uma pontada de curiosidade, Ackerman logo se encaminhou até a sala da mulher.

Dana logo abriu um sorriso quando viu os cabelos cor de mel entrarem, mas Davina já estava há tempo o bastante na mansão para reconhecer o olhar sério que a tutora tentava esconder com sua simpatia.

- O que foi que eu fiz? – Davina perguntou, sem hesitação, enquanto ocupava uma das cadeiras em frente a mesa de Dana.

Como a mulher também já conhecia a personalidade de Ackerman o bastante, sabia que não havia necessidade de tentar enrolar o assunto daquele dia. Assumindo um semblante mais sério, Dana cruzou as mãos sobre a mesa e encarou a mais nova.

- Por que não começamos pelo que você não fez, Davina?

A menina franziu a testa, tentando se lembrar de alguma tarefa que tivesse deixado de entregar ou algum erro cometido, mas nada veio a sua mente. Com um suspiro, Dana continuou.

- Dav, querida... Você sabe que eu sempre fui a primeira a defender o tempo que cada um tem para evoluir...

Ao perceber o assunto delicado que Dana queria tratar, Davina revirou os olhos e relaxou na cadeira, cruzando os braços como uma criança emburrada.

- Não há nada de errado se levamos dois meses ou vinte anos para ter total controle dos nossos poderes. Ainda mais o seu, querida. Conheço mutantes incríveis que levaram mais de uma década para se sentirem realmente no controle.

- Ótimo, podemos imprimir alguns panfletos e distribuir pelos corredores. Tenho certeza que isso vai acabar com o bullying.

- Davina. – Dana chamou, assumindo um tom mais firme. – Não estou aqui para discutir o comportamento inadequado de alguns dos seus colegas. O que me preocupa é a sua falta de interesse em tentar evoluir.

- Falta de interesse? – Davina riu, debochadamente. – O que quer dizer? Que eu não estou evoluindo de propósito porque adoro ficar enfurnada aqui escutando piadinhas de garotas como Aphrodite?

- Não. Estou dizendo que você não está tentando o bastante. Quantas vezes por semana você tem praticado, Davina?

- Bom, não é exatamente fácil trazer umas nuvens pra esse fim de mundo, sabe?

Dana soltou um novo suspiro, ainda mais longo. Davina não se lembrava de nunca ter visto a loira perder a paciência, mesmo diante de casos mais difíceis.

- Você sabe que o seu maior desafio é....

- ...controlar meus sentimentos, blá blá blá. Eu já sei. Você me diz isso praticamente todos os dias, Dana. Pois meus sentimentos estão perfeitamente controlados ultimamente, sim?

A imagem de Kevin surgiu em sua mente e Davina se sentiu orgulhosa pelo relacionamento que os dois começavam a construir, mas nem seu semblante confiante pareceu tranquilizar Dana.

- Então talvez o próximo passo seja direcionar seus sentimentos tão bem controlados para os seus poderes. Eu vou suspender as suas atividades físicas para as próximas semanas. Você vai usar o tempo extra para praticar.

Foi a vez de Ackerman soltar um suspiro. Treinar era sempre desgastante, lhe trazia dores por todo o corpo e, em dias mais exaustivos, ainda provocava sangramentos nasais. Imaginar que passaria mais tempo se esforçando não era exatamente uma notícia bem-vinda.

Quando Davina deixou a sala de Dana, ela se sentia ainda mais frustrada. Por mais de uma vez, já havia cogitado a possibilidade de simplesmente ignorar seus poderes, sair da mansão e viver uma vida completamente normal. A decepção que causaria em seus pais era a única motivação para continuar tentando.

Durante o resto do dia, Ackerman continuou enfurnada no quarto, refletindo sobre a imposição de Dana. Ela sabia que a tutora apenas havia feito aquilo porque esperava que sua evolução fluísse mais rapidamente, mas era inevitável sentir uma pontada de mágoa.

Apenas quando o rosto de Kevin surgiu, Davina se sentiu capaz de esquecer suas frustrações. Como se a conversa com Dana não tivesse existido, Ackerman se entregou ao abraço do namorado.

O sorriso dela só vacilou quando o presente de Templeton foi revelado diante dos seus olhos. A conversa com Dana invadiu novamente sua mente, mas diferente do que havia acontecido durante todo o dia, Davina não se sentia mais irritada.

Os olhos castanhos assumiram um brilho enquanto ela tocava a delicada joia. Além da beleza incrível, ela sabia que o significado era o que mais trazia valor ao presente. Aos poucos, o sorriso voltou aos seus lábios.

Se Kevin era capaz de enxergar algo de bom em seu poder, talvez valesse mesmo a pena se esforçar. Além do mais, era questão de tempo até que Tempelton deixasse a mansão e Davina não queria ser deixada para trás mais uma vez.

- É definitivamente um “uau”.

Davina retirou a joia da caixinha aveludada e a entregou nas mãos de Kevin. Os cabelos cor de mel foram jogados para o lado e ela virou de costas para que o cordão fosse preso em sua nuca. Já com o pingente firme em seu colo, Ackerman o tocou com as pontas dos dedos e se voltou para o namorado.

- Eu adorei, Kev.

Como havia acabado de sair do banho, os cabelos de Ackerman ainda estavam molhados e com a aparência de que haviam acabado de ser penteados. Sua pele fresca e o cheiro de sabonete também a entregavam. O pijama que a menina já vestia era confortável, mas curto o suficiente para aguentar o calor do verão.

Sem se importar com a aparência, Ackerman voltou a rodear o pescoço de Templeton com os braços e mergulhou em um novo beijo apaixonado.

- Eu sinto muito não ter comprado nada para você e não estou exatamente vestida para uma comemoração.

Com os lábios grudados aos de Kevin, Davina abriu um sorriso, se mostrando inteiramente a vontade nos braços do rapaz, algo que parecia ser impossível semanas atrás.

- Eu acho que não esperava chegar tão longe com um namorado tão perfeito. Quem diria, Kevin Templeton, que você seria o cara certo?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Jun 04, 2016 10:36 pm

- Então eu sou o cara certo? – Kevin ergueu um dos ombros – Bom, eu já sabia disso. Mas foi gostoso escutar isso na sua voz.

Aquele momento doce foi selado com um beijo intenso, que refletia todo o carinho que Templeton sentia pela namorada. Um mês atrás Kevin daria uma gargalhada se alguém lhe dissesse que ele encomendaria um presente para comemorar um mês de namoro com uma garota, mas nada parecia mais certo agora que Davina estava em sua vida.

O presente era um mimo, mas também era a forma que Templeton encontrara para incentivar Ackerman a desenvolver o seu poder. Ao contrário de Dana, que fora direto ao assunto, Kevin escolheu aquele presente para dizer delicadamente à garota que ela não deveria desistir de seu dom.

Assim como a diretora, Kevin achava que a namorada havia desenvolvido uma espécie de barreira contra o próprio poder. Depois de muitas frustrações e das provocações que a acompanhavam há meses, era normal que Davina não conseguisse enxergar com tanta nitidez os benefícios de suas habilidades. Templeton não pretendia forçá-la a nada, mas também não cruzaria os braços quando era tão óbvio que Ackerman precisava de ajuda para superar aquela dificuldade.

Os dois estavam no meio de uma comemoração bastante íntima quando os gritos ecoaram pela mansão e chegaram até o andar dos dormitórios. Kevin afastou os lábios e manteve as costas da namorada apoiadas contra a parede do quarto, com as pernas de Davina enlaçadas em torno da cintura dele.

- Ouviu isso? Parecia um grito...

Não houve mais dúvida no segundo seguinte, quando mais gritos desesperados ecoaram pela mansão. Os olhos de Templeton se arregalaram antes que ele soltasse a namorada, colocando um fim naquele amasso. A tensão era tão grande que os dois não pensaram no impacto daquela cena quando desceram as escadas juntos e chegaram à sala de mídia de mãos dadas.

A voz de Kevin ficou presa na garganta quando ele se aproximou da confusão. A primeira coisa que o rapaz viu foi um corpo completamente ensanguentado caído no meio do tapete. Tantas feridas cobriam a pele de Samantha que o rapaz demorou um generoso tempo para reconhecer a colega. Mas, sem dúvida, a imagem mais chocante era o semblante de dor e desespero no rosto dela.

- Alguém faça alguma coisa!!! – Theodore berrou, já à beira das lágrimas.

Kevin não entendeu nada quando Hyacinth tocou a colega, ele não conseguia entender como a intangibilidade ajudaria naquele momento. Por um momento insano, Templeton teve a impressão de que alguns dos ferimentos estavam se fechando, mas as feridas brotavam tão rápido que era difícil ter certeza de qualquer coisa.

Quando Aphrodite caiu de joelhos ao lado de Samantha, Kevin deu um passo na direção da loira para impedi-la. Era assombroso que Willis tivesse a coragem de se aproveitar de um momento daqueles para exercer a sua influência negativa na mente da colega. Contudo, para a surpresa de todos, o toque de Aphrodite foi a única coisa que pareceu amenizar o sofrimento de Samantha.

Samantha Richards morreu de forma trágica diante de todos os colegas como se fosse um lembrete de que aquela mansão não era uma colônia de férias. Eles estavam ali porque, sem os cuidados e o treinamento que recebiam de seus tutores, a maioria deles terminaria como Sam.

O terror e a dor provocada pela perda de uma colega era tão grande que Kevin não se importou com o que todos pensariam. Davina foi trazida para junto do peito dele e Templeton a abraçou com firmeza, como se temesse perder a namorada da mesma forma trágica com que Samantha partira.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sab Jun 04, 2016 10:38 pm

Ao menos uma vez por mês, os tutores se reuniam em uma sala de reunião no terceiro andar para discutir os casos mais complexos de evolução, algumas matérias que lecionavam e principalmente a descoberta de novos mutantes ao redor do mundo a serem recrutados.

No começo, Andrew achou que seria mais uma forma maçante da vida lhe mostrar que ele agora era um adulto com responsabilidades, mas ele acabou descobrindo que estar com Megale, Dana e Chevalier era tão divertido quanto seus antigos colegas.

Para sua surpresa, os tutores também davam várias gargalhadas entre um assunto e outro. Os tópicos prioritários daquela noite já haviam sido discutidos e eles degustavam bolinhos de canela que Dana havia preparado com as próprias mãos. Ackerman havia acabado de se inclinar para pegar o terceiro bolinho açucarado quando a porta da sala foi aberta sem cerimonias.

No susto, ele se virou para encarar o aluno, esperando que Dana o repreendesse pelo comportamento mal-educado. Mas para surpresa de todos os tutores, o menino estava pálido e tinha uma expressão de horror em seus olhos.

- O que foi, Toby??? A casa está pegando fogo?

- É a Sam, Dana. – A mão trêmula e a aparência fantasmagórica do rapaz não deixou dúvidas que o assunto era sério.

Sem esperar por detalhes, os tutores se levantaram em um salto e seguiram o caminho tomado por Toby até a sala de mídia. Dana foi a primeira a entrar, seguida por Megale e Andrew, mas nenhum dos tutores conseguiram acreditar na cena que acontecia diante dos seus olhos.

A grande televisão já havia sido desligada e apesar do lugar lotado, o cômodo estava mergulhado em um profundo silêncio. Alguns alunos tinham se afastado do corpo de Samantha e faziam um grande esforço para não encarar seu corpo encharcado de sangue.

Algumas meninas tinham o rosto manchado de lágrimas, mas era a incredulidade e horror que predominavam. A cena parecia ter sido arrancada de um pesadelo.

Samantha era uma moça bonita e naturalmente pálida, mas nada se comparava a sua expressão sem vida. O sangue sujava o carpete da sala de mídia e transformava seu belo rosto em uma imagem completamente desfigurada. Andrew nunca havia presenciado nada igual.

Travado em seu lugar, ele sentiu a garganta queimar ao ver Hyacinth perto demais do corpo da menina. Por um segundo ele quase cedeu a tentação de avançar em sua direção e arrancá-la daquela cena de horror, mas para sua sorte, foi Dana quem tomou a dianteira.

- Está tudo bem, querida. – Dana se ajoelhou diante das meninas e tocou sem medo os braços de Willis, fazendo com que ela finalmente se soltasse do corpo de Samanta. – Está tudo bem. Você a ajudou, Aphrodite. Ela está descansando agora.

Um soluço entre a multidão fez com que Dana erguesse a cabeça, percebendo que quase metade dos alunos assistiam cenas tão fortes, que nem mesmo adultos eram capazes de processar.

- Meg, Chevie, ajudem as crianças a voltarem aos quartos, por favor.

As pernas de Andrew finalmente pareceram voltar a vida e ele cambaleou alguns passos na direção de Dana. Enquanto os outros dois tutores se encarregavam de guiar os atordoados adolescentes para fora da sala, Ackerman também se ajoelhou no carpete manchado de sangue, tocando com as pontas dos dedos o queixo sujo de Samantha.

- Se eu tivesse chegado alguns minutos mais cedo...

Para alguém que tinha o poder da cura, era imensamente frustrante ver a morte vencer bem diante de si. Andrew não estava acostumado com aquela sensação de incapacidade e se sentia responsável pelo que havia acontecido com Richards. Ele ergueu o olhar, encontrando Aphrodite e Hyacinth ainda paradas, imóveis ao lado do cadáver.

- Não teria feito diferença, Andy. Não há nada que possamos fazer quando o corpo rejeita a mutação.

Dana se inclinou até pegar uma das mantas do sofá. A manta foi esticada sobre o corpo de Samantha até cobri-la por completo. Mesmo com toda sua experiência, a tutora também estava devastada diante daquela perda.

Involuntariamente, Andrew fixou seu olhar sobre Hyacinth, sentindo seu peito se comprimir com a ideia de ser a ruiva por baixo daquela manta.

- Vocês foram muito corajosas. As duas. – Andrew sussurrou, sentindo o clima mórbido se apoderar de cada canto da mansão, quase que de forma palpável.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Dom Jun 05, 2016 4:15 pm

Os olhos de Hyacinth ainda estavam presos no rosto pálido e sem vida quando a manta cobriu protetoramente o corpo de Samantha Richards. De joelhos no chão, a ruiva era incapaz de reagir. Ela escutava vagamente as vozes ao seu redor e sentia a movimentação, mas não saberia dizer ao certo o que estava havendo. Toda a sua concentração estava voltada para Samantha enquanto sua mente revivia as cenas de horror que tinham acontecido diante de seus olhos.

Westphal sabia que a rejeição era um risco para todos os jovens mutantes e que o processo costumava ser irreversível. Mas o que a menina nunca imaginara era que pudesse ser tão rápido, tão doloroso e tão terrível. Era impossível não imaginar que ela ou qualquer um dos colegas poderiam estar caminhando para aquele mesmo destino. Se Richards, que era uma das alunas mais poderosas, tinha sucumbido à mutação, ninguém estava livre daquela tragédia.

- Meninas... – Dana precisou chamar com mais firmeza para tirar Hyacinth e Aphrodite daquele estado de choque – Não havia nada a ser feito, não se sintam culpadas. Vocês a ajudaram a partir de forma menos dolorosa.

O sangue que manchava o carpete não era combatível com a expressão “menos dolorosa”, mas Hyacinth não tinha forças para questionar a tutora. As mãos dela tremiam de leve quando a ruiva as fitou, os olhos vidrados no sangue ainda quente que escorria de seus dedos. Seus joelhos também estavam muito próximos de Samantha e ficaram manchados de vermelho.

- Estou muito orgulhosa de você, Aphrodite. Esta tragédia ao menos serviu para provar que eu estava certa ao dizer que seu poder seria muito útil se você soubesse como usá-lo.

- É só o que eu posso fazer, não é, Dana? – a loira abriu um sorriso amargo – Criar memórias falsas para gerar uma felicidade momentânea.

Pela primeira vez, Westphal conseguiu entender o que se passava na cabeça de Willis. Todos na escola pensavam que Aphrodite era uma pessoa desprezível que adorava usar o seu poder para gerar problemas. Só agora Hyacinth compreendia que a colega se sentia frustrada com as próprias habilidades. É claro que isso não justificava todo o mal que Aphrodite fazia, mas o sofrimento dela atenuava a gravidade do seu comportamento. Talvez era isso que motivava Dana a sempre dar mais uma chance à aluna.

- O seu poder fez com que os últimos segundos de vida da Sam fossem felizes. Pode significar pouco para você, mas foi tudo para ela.

- E quanto a você? – Aphrodite lançou um olhar perspicaz para Hyacinth – Em que você estava pensando quando tocou na Samantha? Não vejo como o seu poder poderia ajudá-la...

A expressão congelada de Aphrodite não deixava transparecer se ela havia percebido alguma coisa errada. Talvez, no calor do momento, Willis não tivesse visto nenhum ferimento se fechando. Mas não seria nenhuma surpresa se a loira tivesse percebido a habilidade de Hyacinth e estivesse jogando com ela.

- Eu não estava pensando, foi um instinto. Eu queria estancar os sangramentos, queria fazer alguma coisa enquanto todos estavam só gritando...

Antes que Aphrodite fizesse mais questionamentos, Dana a dispensou da sala. A loira deixou o olhar preso em Hyacinth por mais alguns segundos antes de finalmente obedecer a tutora. Somente depois que a porta se fechou, Dana fixou a sua atenção na ruiva. Os olhos dela se demoraram nas mãos sujas de sangue antes de fitarem o rosto de Westphal.

- Eu sei que você quis ajudar, mas não foi uma atitude muito sensata, Cinty. Você se expôs diante dos seus colegas, alguém pode ter percebido... Isso sem mencionar o contato com a Samantha. – Dana novamente olhou as mãos da menina sujas de sangue – Você tocou em um mutante que rejeitou a própria mutação.

Hyacinth sentiu seu corpo afundar num abismo quando entendeu o que Dana queria dizer. Se ela absorvia os poderes de todas as pessoas em quem tocava, os genes que mataram Samantha agora fariam parte do seu DNA. Os olhos azuis estavam apavorados quando buscaram pelo rosto de Andrew. Antes que a ruiva surtasse, Dana completou de maneira mais serena.

- Eu não acho que você esteja condenada. A rejeição ocorre por causas multifatoriais, é uma combinação de vários eventos. Um poder grande demais, genes alterados, um corpo frágil... E você tem o poder de regeneração do Andrew, então talvez isso te livre de problemas. De qualquer forma, teremos que redobrar os cuidados. Em quantas pessoas mais você encostou no meio de toda essa confusão?

- Não sei... – a voz de Hyacinth saiu num fio – Muitas. Eu não estava raciocinando, eu só queria salvá-la. Eu me enfiei no meio da aglomeração, não faço ideia de quantas pessoas foram, Dana.

O preocupante silêncio de Dana falava por ela. A tutora fitou a manta que escondia o corpo de Samantha com uma expressão dolorida. Não era a primeira vez que a diretora perdia um de seus pupilos, mas a dor era sempre insuportável. E a sensação era ainda pior com Hyacinth por perto porque a loira sabia que Westphal poderia ter o mesmo destino de Sam.

- Tire a Cinty daqui, Andy. Ela precisa descansar e tentar esquecer este pesadelo. – Dana suspirou antes de encarar o colega – Imagino que você terá dificuldades nos próximos dias, quando todos os poderes que ela incorporou começarem a ser absorvidos pelo DNA. Eu vou ajudá-los nisso, mas agora a prioridade é a Sam. Tenho que avisar os Richards.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jun 05, 2016 5:19 pm

Quando Megale e Chevalier começaram a guiar os alunos para o andar superior, Davina ainda estava com os olhos grudados em Samantha, se sentindo completamente congelada. A imagem da colega ensanguentada e sem vida ficaria guardada na sua memória para sempre.

Por estar tão impressionada com o que havia acabado de acontecer em um lugar onde os alunos estavam acostumados a relaxar e dar risadas, Ackerman sequer percebeu quando seus pés começaram a mover quando Kevin seguiu o grupo de alunos pelas escadas, mantendo-a junto de seu corpo.

O caminho até o quarto dos meninos foi feito de forma mecânica, mas só o que Davina enxergava era o rosto desfalecido de Samantha. Ela só percebeu que o rosto estava encharcado em lágrimas quando sentiu o colchão de Kevin afundar quando os dois se sentaram.

Com um semblante também abatido, Hugo sentou na cama de Theodore, o olhar perdido. Theo era o único que se mostrava inquieto, andando de um lado ao outro. Seus cabelos já estavam completamente bagunçados enquanto ele deslizava os dedos entre os fios castanhos.

- O que foi que aconteceu? – Davina finalmente saiu de seu transe, e o lábio inferior tremia enquanto ela se esforçava para falar.

Os olhos castanhos buscaram por Theo e Hugo, que estavam presentes quando tudo havia começado. Os dois demoraram a responder, mas foi a voz de Hugo que soou primeiro, tão baixinho que Davina só escutou por estar próxima a ele.

- Ela simplesmente... morreu. – A última palavra não saiu, apenas sua boca se mexeu.

- Ela estava rindo comigo, dez minutos atrás. – Theo apoiou suas mãos sobre a cadeira que ficava em sua escrivaninha, ficando de costas para o colega.

Era possível notar seu corpo tremendo e quando ele se virou de frente, revelou os olhos vermelhos pelo choro.

- Como isso é possível??? Não haviam sinais... Sam estava bem! Como pode o corpo simplesmente....

- Ela rejeitou a mutação. – Davina gaguejou o óbvio e um novo silêncio caiu sobre o quarto.

Além de apavorados com o que havia acabado de acontecer, por não conseguir compreender como era possível que a mutante mais avançada daquela casa conseguisse rejeitar seu próprio poder tão bem evoluído, era impossível segurar um arrepio de subir por suas espinhas ao pensar que o mesmo poderia acontecer com qualquer um, a qualquer instante.

Fungando, Davina buscou Kevin com o olhar e apertou a mão dele na sua. Ela não conseguiria imaginar o que estaria sentindo se fosse Templeton no chão daquela sala de mídia.

- Então é isso? – Hugo soltou uma risada seca. – Nós somos como bomba-relógio? Podemos explodir a qualquer instante. Eu posso simplesmente levantar para pegar uma água e sangrar até a morte?

Hugo parecia finalmente estar compreendendo o que havia acontecido. Ele levantou da cama em um sobressalto e ergueu os braços, a voz já completamente recuperada.

- Samantha era melhor do que todos nós juntos! Quer dizer que ninguém aqui está a salvo! Esses tutores ao menos sabem o que estão fazendo???

Davina encolheu discretamente, mas o queixo caiu em surpresa diante da explosão de alguém sempre tão calmo quanto Hugo. Theodore respirou fundo e cruzou os braços, balançando a cabeça.

- Metade de nós não teria ido tão longe sem os tutores, Hugo. Não seja ingrato. Além do mais, não é hora de pensarmos nisso. Os Richard devem chegar em breve, temos que nos concentrarmos apenas na Sam.

Como se tivesse acabado de se lembrar de algo, o rosto de Hugo se voltou para Davina, a testa franzida.

- Tem outra coisa... O que Westphal estava fazendo?

Ackerman ergueu as sobrancelhas, surpresa com a pergunta inesperada e com a mudança brusca de assunto. Ela balançou os ombros, sem entender onde Hugo queria chegar.

- Ela só estava tentando ajudar. Ao contrário de todo o restante que só fazia gritar.

- Não é só isso... – Hugo voltou a assumir um tom de voz mais baixo, mas tão sério quanto antes. – Ela estava tentando curar a Samantha.

Davina recuou alguns centímetros, mas se permitiu sorrir com a falta de sentido daquelas palavras.

- Não seja ridículo, Hugo. Quem tem o poder da cura é o Andy. Cinty tem o mesmo poder do Chevalier.

- Hugo tem razão. – A voz de Theo também estava carregada em seriedade quando ele sentou ao lado do amigo. – Eu também vi, Davs. Ela definitivamente estava tentando curar a Sam.

Davina soltou uma nova risada nasalada e balançou a cabeça em negação.

- Aconteceu tudo muito rápido, vocês não devem ter visto direito. Ninguém tem dois poderes, Theo.

Com um suspiro, ela se colocou de pé, dando um fim naquela conversa.

- Mas a Cinty deve estar tão abalada quanto vocês. É melhor eu voltar. Ficar sozinha numa noite dessas é a última coisa que precisamos.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Dom Jun 05, 2016 5:31 pm

Andrew precisou rodear a cintura de Hyacinth com um dos braços e erguê-la do chão para que a menina se mexesse. Mantendo o corpo pequeno junto ao seu, dando toda a sustentação que Westphal precisava, ele a guiou pelos corredores, mas ao invés de seguir até a ala dos dormitórios femininos, Ackerman pisou firme até o próprio quarto.

A confusão que se instalara naquela noite serviria de fumaça para que não percebessem aquele deslize, mas Ackerman não estava pensando naquilo quando trancou a porta do quarto, mantendo a ruiva junto de si. Sua única preocupação era com o estado físico e psicológico de Hyacinth.

Quando eles estavam completamente protegidos pelas paredes do quarto, Andrew puxou a menina para o seu peito e a abraçou, afagando os cabelos vermelhos. Com um beijo no topo de sua cabeça, o professor desejou poder arrancar também toda dor que Westphal deveria estar sentindo, que ia além de sua capacidade física.

Ele concordava com Dana que sua atitude havia sido imprudente, mas não era o momento de julgar um gesto que havia sido tomado apenas na melhor intenção. A imagem horrenda do corpo sem vida de Samantha estava gravada em sua mente, ele não conseguia imaginar o que passava na cabeça de Hyacinth, que havia presenciado tudo do começo ao fim.

- Você vai ficar bem.

As palavras saíram abafadas quando seus lábios continuaram pressionados contra o topo da cabeça ruiva, mas Andrew não teve certeza se ele havia dito aquilo para ela ou para si mesmo.

O pânico começava a se espalhar pelas suas veias cada vez que fechava os olhos e via o rosto de Cinty no lugar de Richards, ensanguentado e sem vida. Instintivamente, Ackerman apertou o abraço antes de afastar apenas o rosto para enxerga-la.

Com os dedos trêmulos, ele tirou alguns fios que cobriam os olhos azuis. Havia gotículas de sangue em seu queixo e só então Andrew se lembrou que Cinty estava suja da cabeça aos pés. Ele se afastou, mantendo as mãos dela unidas as suas.

O sangue já começava a secar, havia arruinado suas vestes e tornava seu pesadelo ainda mais vívido. Com um nó na garganta, Andrew inclinou a cabeça em direção de uma das portas do quarto.

- Você pode usar a minha banheira. Tome um banho, leve o tempo que quiser.

Antes que Hyacinth se afastasse, Andre a puxou mais uma vez para os seus braços, mantendo o rosto dela erguido ao segurá-la pela ponta do queixo.

- Não quero que se martirize pelo que fez, Cinty. Você fez o que achou ser certo. Estou orgulhoso disso. Mas por favor, nós vamos precisar tomar mais cuidado de agora em diante.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Jun 05, 2016 9:07 pm

Não fazia mais sentido pensar em manter um namoro adolescente em segredo depois de tudo o que aconteceu. Nada mais tinha importância em face da gravidade da morte de Samantha Richards. Sem se incomodar com quantas pessoas veriam aquela cena e com o tipo de comentário que poderiam fazer, Kevin apoiou as mãos protetoramente nos ombros de Davina enquanto a guiava pelas escadas.

Durante todo o trajeto até o dormitório, a mente de Templeton lutava para entender o que havia acontecido. Ele não estava presente na sala no começo da tragédia, mas tudo parecia ter sido rápido, repentino e inesperado demais. Samantha estava bem em um minuto e estava morta no minuto seguinte.

Se a rejeição acontecera com Richards, era um aviso claro de que ninguém estava totalmente a salvo. Samantha sempre havia sido uma aluna exemplar. Em menos de seis meses de treinamento naquela escola, a garota já estava muito próxima de completar a mutação. Sam era inteligente, estudiosa, não quebrava nenhuma das regras impostas pelos tutores e demonstrava um controle pleno de seus poderes. Nenhum dos alunos daquela mansão apostaria nela se tivessem que citar um colega que não suportaria a mutação. Muito provavelmente, se alguém pedisse a Kevin para apontar um colega que rejeitaria a mutação, ele indicaria alguém como...

O estômago de Templeton se afundou e uma camada de lágrimas cobriram seus olhos quando Kevin virou a cabeça e encarou a namorada. Era desesperador imaginar Davina no lugar de Samantha, mas racionalmente seria muito mais fácil entender a lógica daquela tragédia se a rejeição acontecesse com uma aluna que não demonstrava um controle tão fino de suas habilidades.

O pensamento tão doloroso fez com que Kevin agarrasse a mão da namorada quando Davina se levantou. Os dedos dele estavam gelados e o olhar estampado no rosto de Templeton nunca fora tão desamparado.

Talvez não fosse o melhor momento para criar outro problema na mansão, mas Templeton não podia permitir que a namorada ficasse às cegas naquela situação. Era óbvio que Davina não conhecia tão bem a colega de quarto, Ackerman precisava saber com o que estava lidando.

- Eu tive a nítida impressão de que as feridas mais próximas às mãos da Westphal estavam se fechando. – todos os olhos se voltaram para Kevin antes que ele completasse – Tudo aconteceu muito rápido, os ferimentos brotavam por todos os lados. Mas eu vi.

- Como é possível? – a voz de Theodore soou sussurrada – Ela não é uma intangível?

- Bom... – Kevin deu de ombros, meio incerto – Há vários relatos na história de mutantes que desenvolveram mais de um poder.

- Sim, mas nunca poderes tão distintos! – Hugo sentou-se na ponta da cama enquanto tentava organizar as ideias na cabeça – Alguém que tenha o poder de telepatia pode começar a praticar a telecinese se treinar muito. Um pirocinético pode aprender a gerar campos de calor. O Ackerman é um bom exemplo, que começou apenas com o poder de regeneração e agora também consegue curar com as mãos. Mas intangibilidade e cura não tem nada em comum!

- Além disso... – Kevin novamente se voltou para a namorada, como se quisesse alertá-la – Se fosse este o caso, por que ela esconderia os dois poderes até de você, Davs? Tem alguma coisa errada nesta história. Não sei o que pretende fazer, mas tenha cuidado. Não prefere que eu vá com você?

Templeton agia como se Hyacinth fosse perigosa. Naquela casa, todos estavam sujeitos a se tornar vítimas dos poderes uns dos outros, mas era ainda pior não ter certeza sobre o que a novata era capaz de fazer.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Dom Jun 05, 2016 9:54 pm

O sangue que escoou pelo ralo da banheira de Andrew deixou o corpo de Hyacinth limpo, mas as manchas que marcavam a mente dela jamais sairiam por completo. A ruiva tinha certeza de que nem mesmo o tempo faria com que ela esquecesse a cena de terror vivida com Samantha Richards e, principalmente, o pavor e a dor refletidos no olhar da colega. Assim como Ackerman, agora que possuía o poder da cura Westphal experimentava a frustração de não poder salvar todos ao seu redor.

Como as suas roupas estavam irremediavelmente sujas com o sangue de Sam, Hyacinth saiu do banheiro usando uma das camisas de Andrew. Devido à diferença nas alturas dos dois, a barra da camisa alcançava o meio das coxas da garota e lhe servia como um vestido. Os cabelos ruivos estavam úmidos e escorriam lisos pelas costas da garota. Com os pés descalços, Cinty caminhou pelo quarto até se colocar diante do tutor, que a esperava sentado na beirada do colchão.

Com a voz ainda travada na garganta, Hyacinth se sentou no colo de Andrew e enlaçou o pescoço dele com seus braços. Naquele instante, ela não precisava de um tutor que lhe lembrasse de todos os problemas que estavam por vir. A ruiva queria que ele fosse apenas o velho Andrew que amenizava os problemas com seus sorrisos e suas carícias.

Agora, além de todas as preocupações de antes, Westphal teria que conviver com o risco de algum dos colegas ter percebido que seus poderes iam além da intangibilidade. Isso sem mencionar os vários genes mutantes que poderiam ser instalados em seu DNA depois de entrar em contato direto com tantos alunos. Mas nada parecia mais ameaçador do que “herdar” o mesmo poder que matara Samantha Richards.

Dana havia deixado muito claro que a rejeição dependia de vários fatores, mas Hyacinth havia garantido pelo menos uma das condições básicas da rejeição ao absorver o grande poder da colega.

- Eu sinto muito...

As palavras foram sussurradas de forma vaga e, só depois de quase um minuto inteiro, Westphal conseguiu se explicar.

- Eu não queria ter me exposto tanto. Mas eu não consegui ficar de braços cruzados enquanto ela morria. Eu não suportaria conviver com a minha consciência se eu nem ao menos tentasse, Andy.

A cabeça de Hyacinth foi erguida e ela procurou pelo olhar de Ackerman. Nem mesmo os olhos castanhos foram capazes de fazê-la sorrir naquela noite. A ruiva estava séria quando usou a ponta dos dedos para acariciar o rosto do tutor, tentando memorizar os traços de Andrew com cada movimento delicado.

- Pode ser que eu tenha que ir embora.

Antes que o tutor pudesse falar qualquer coisa, uma das mãos de Hyacinth deslizou até a boca dele e a ruiva cobriu seus lábios com o indicador enquanto terminava a própria argumentação.

- Se alguém viu o que eu fiz com a Sam, não vai demorar para que a história se espalhe. Você e a Dana não vão conseguir me proteger se a verdade vazar além dos limites da mansão, Andy. E a última coisa que eu quero é que você se arrisque por mim, eu não sei o que faria se algo de ruim acontecesse logo com você. Eu não poderia conviver com esta culpa.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jun 05, 2016 10:41 pm

A primeira reação de Davina foi se sentir ofendida com as suspeitas dos rapazes sobre os poderes de Hyacinth. Com exceção do modo mais grosseiro com que falara com Hugo uma vez, a ruiva nunca dera motivos verdadeiros para que suspeitassem dela. E Ackerman podia reconhecer nos olhares dos amigos o mesmo receio que tinham de Aphrodite.

Era ultrajante comparar a doçura de Westphal com a víbora de Willis, mas algo nas palavras de Templeton fez com que Ackerman refletisse. Ela não temia que Hyacinth fosse virar uma louca a qualquer momento, mas realmente haviam peças que não se encaixavam naquela história.

Com um suspiro, ela concordou com um movimento da cabeça e aceitou a companhia do namorado para voltar ao dormitório. Para sua surpresa, o lugar ainda estava vazio, mas Davina logo concluiu que a ruiva estava se limpando ou ainda prolongando alguma conversa com Dana.

Em silêncio, os dois se encolheram na cama de Davina. O quarto não parecia o mesmo em que os dois comemoravam um mês de namoro, horas antes. O clima pesado que se instalara na mansão era sufocante. Parecia irreal que agora havia uma pessoa a menos com vida sob o mesmo teto.

Sem sono algum, Davina se encolheu no peito de Kevin. Não havia necessidade de falar nada, quando os dois temiam um pelo outro. Por fim, a espera por Hacytinh foi interrompida quando o casal caiu no sono, e mesmo quando acordaram no dia seguinte, a cama perfeitamente arrumada indicava que Westphal não havia aparecido durante toda a noite, o que só aumentavam os segredos.

Na manhã seguinte, os alunos já se agrupavam no refeitório, embora ninguém tivesse apetite para as frutas em suas bandejas. Hugo estava concentrado em seu copo de suco quando sussurrou baixinho para os demais integrantes.

- Os pais dela chegaram. Estão com a Dana neste minuto.

Os olhos castanhos de Ackerman passearam pelo refeitório e ela viu quando o irmão surgiu, assumindo seu lugar junto de Megale. Por um segundo, Davina se perguntou se Andrew saberia alguma coisa daquele mistério por trás de Hyacinth. Ele, como seu tutor, tinha a obrigação de saber mais detalhes sobre seus poderes.

- Vão fazer um funeral. – Hugo continuou, esmigalhando uma torrada em seus dedos. – Chevalier já está se encarregando de tudo.

- Conseguiu falar com a Hyacinth? – Theo perguntou, se inclinando para Kevin e Davina.

A menina negou com um movimento da cabeça, buscando a ruiva pelo refeitório.

- Ela não apareceu a noite toda. Eu acho que vocês estão certos, tem alguma coisa estranha nisso tudo... – O olhar de Davina se fixou no irmão antes de completar. – Mas eu vou descobrir o que é.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Dom Jun 05, 2016 11:24 pm

Andrew puxou Hyacinth para o seu peito enquanto deitava na cama, afagando os cabelos vermelhos. Sua mente estava agitada demais para dormir, mas o quarto ficou mergulhado em um profundo silêncio por longos minutos enquanto seus dedos passeavam pelo braço da menina em uma carícia, tentando reconforta-la depois da noite terrível.

Enquanto encarava o teto do quarto, Ackerman refletia nas palavras de Westphal. Ele, melhor do que ninguém, sabia a frustração de não conseguir ajudar alguém. Sabia que a intenção de Cinty era simplesmente ajudar Samantha, de modo que não conseguia se chatear com ela por tamanha irresponsabilidade.

Mas agora que Richards não havia resistido, só ficara a aflição do professor das consequências daquele ato impensado de Westphal. Ele não sabia até que ponto os alunos tinham presenciado, nem sabia o estrago que Hyacinth havia provocado ao próprio DNA ou como seu corpo poderia reagir com a avalanche de poderes que ela havia absorvido.

A única certeza que Andrew tinha, era que ele deveria estar preparado para o que viesse pela frente.

- Você não vai a lugar algum. – Ele finalmente sussurrou, apertando mais o abraço. – Não sem mim.

Andrew baixou o rosto para encarar a ruiva, puxando o rosto dela pelo queixo até encontrar os olhos azuis. Seus dedos continuavam a afagar os fios vermelhos e a agitação só aumentava em pensar que poderia perder Hyacinth de seus braços.

- Você está proibida de cometer outra loucura, Cinty. Eu vou te proteger, não importa o que aconteça. Mas prometa para mim que não vai fazer nada sem pensar.

Como se quisesse suavizar aquelas palavras, Ackerman depositou um beijo suave na testa de Hyacinth, sussurrando de forma mais carinhosa.

- Tente descansar. Amanhã vai ser um dia agitado. Nunca vi um funeral aqui, mas duvido que seja tranquilo.

***

De fato, o dia seguinte conseguiu ser igualmente cansativo, principalmente quando somado com a noite mal dormida de praticamente todos os moradores da mansão.

No terceiro andar, o salão que normalmente era usado para jantares mais elaborados e algumas festas, estava irreconhecível quando o funeral começou.

Haviam duas fileiras de cadeiras acolchoadas e flores formavam um corredor até o tenebroso caixão de madeira, bem a vista de todos. Uma grande foto de Samantha sorridente estava exposta, para lembrar a todos da menina bonita que ela era, tão diferente da última imagem ensanguentava gravadas em suas mentes.

Os pais de Samantha estavam sentados na primeira fileira e choravam baixinho, com Dana ao seu lado. Chevalier estava na entrada do salão, recebendo os alunos que chegavam, vestindo suas roupas mais sóbrias.

Andrew deveria se juntar a Megale nas primeiras fileiras, mas permaneceu congelado no início do corredor, olhando para a foto de Samantha. Um nó se formava em sua garganta, queimando. Era errado demais que alguém tão jovem perdesse a vida tão abruptamente, sem avisos, com todo um futuro brilhante pela frente.

- Ninguém consegue acreditar.

Uma voz feminina soou às suas costas, o obrigando a se virar para encontrar Davina. Andrew espremeu os lábios e puxou a irmã para um abraço. Desde que tudo havia acontecido, ele ainda não havia visto o rosto da irmã. Só agora ele conseguia perceber o quanto temia também pela vida da caçula.

- Eu estou bem... – Davina suspirou, já entendendo a linha de raciocínio do irmão. – Não acredito que tenha um padrão para o que aconteceu, Andy, mas se tiver, eu estou no extremo oposto da Sam.

Um sorriso amargo surgiu nos lábios da menina, obrigando Andrew a franzir o semblante, repreendendo-a com o olhar.

- Não diga asneiras, Dav. Não é o momento.

- Não, não é. – Davina concordou com um suspiro, se aproximando do irmão. Seu olhar passeou rapidamente ao redor, se certificando que ninguém prestava atenção na conversa, antes de continuar. – Mas nós precisamos conversar.

- O que houve? – A preocupação invadiu os olhos castanhos de Andy. – Está sentindo alguma coisa?

- Não, não é isso. – O olhar de Davina se prendeu em Hyacinth, sentada há alguns metros. – É sobre a Hyacinth.

O lábio inferior de Andrew tremeu quando ele pensou que a ruiva poderia estar sentindo alguma coisa que havia escondido dele. Mas as palavras seguintes de Davina mostravam que sua preocupação ia além da saúde da novata.

- Tem alguma coisa de errado com ela, Andy. E eu não fui a única a reparar.

O rapaz prendeu a respiração diante daquela confissão. Seu coração chegou a falhar uma batida ao pensar que as pessoas já começavam a comentar sobre o poder de Hyacinth. O tempo era curto demais para que já tivessem ligado todos os pontos, mas Andrew sabia que aquele era o começo de um pesadelo.

- Não há nada o que conversar, Davina.

O tom de voz de Andrew mudou bruscamente. Davina nunca havia visto o irmão tão sério, o que só confirmou sua teoria de que havia algo errado, e Andy sabia o que era.

- Agora me faça um favor e não alimente fofocas. Já temos problemas demais sem que vocês comecem a inventar histórias. Hyacinth já está abalada demais, não precisamos adicionar mais problemas na lista, está bem?

Andrew alisou o terno preto e caro e se afastou com passos apressados da irmã, com medo de que seu nervosismo acabasse entregando algo que não deveria. Mesmo assim, Davina ainda acompanhou o irmão se afastar com a testa franzida, cada vez mais preocupada com a história que escondiam naquela mansão.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Jun 05, 2016 11:36 pm

A morte de Samantha tinha sido tão impactante para todos que ninguém pareceu se incomodar quando Kevin Templeton e Davina Ackerman entraram no refeitório de mãos dadas naquela manhã. É claro que o relacionamento foi encarado com surpresa, mas ninguém parecia ter forças para transformar o acontecimento em uma fofoca maldosa.

Pela primeira vez, o refeitório estava mortalmente silencioso. Tão silencioso que Hugo conseguia escutar a conversa difícil entre Dana e os Richards do escritório da diretora. Samantha estava longe de ser uma menina popular, lotada de amigos. Mas ela era gentil com todos e nunca dera a ninguém nenhum motivo para se felicitar com a tragédia ocorrida na noite anterior.

Por longos minutos, Templeton olhou o café da manhã farto em sua bandeja. Em dias comuns, ele teria devorado o pão, os ovos e o cereal em dois minutos e agora estaria comendo a fruta e importunando Davina para dar a sua maçã para ele. Mas, naquela manhã, nada desceria pela garganta apertada do rapaz. As lembranças da noite anterior tinham o poder de exterminar toda a sua fome.

Somada à tristeza pela morte de Samantha, havia a curiosidade e o receio que rondavam o mistério sobre Hyacinth. Quanto mais pensava sobre o assunto, maior era a certeza de Kevin de que havia algo muito errado naquela história.

- Oi? – Hugo franziu as sobrancelhas, intrigado – Como assim, ela não apareceu? Ela não dormiu esta noite?

- Não no quarto dela. – Kevin voltou os olhos escuros para o amigo – Davs e eu esperamos por um longo tempo antes de pegarmos no sono. Acordamos agora de manhã e o lençol dela continuava intocado.

Antes que os jovens pudessem começar a levantar teorias sobre o sumiço de Hyacinth, a porta do refeitório foi aberta. Dana surgiu com uma aparência abatida e, pela primeira vez, parecia ter a idade que realmente tinha. Como o refeitório estava imerso num silêncio sepulcral, a diretora não teve nenhum trabalho para chamar a atenção dos jovens mutantes.

Todos os olhos já estavam focados em Dana quando a loira se colocou na frente do salão e suspirou pesadamente antes de tomar a palavra.

- Em nome de todos os tutores, eu gostaria de pedir desculpas a vocês. – apesar de firme, a voz de Dana soava com uma fragilidade quase palpável – Eu daria tudo pela capacidade de voltar no tempo para evitar esta tragédia, ou ao menos para evitar que vocês assistissem este pesadelo. Não creio que seja o momento de apontar os erros, tampouco acho que existam falhas graves a serem apontadas. É fácil encontrar erros quando uma situação é analisada de forma retrospectiva.

Nenhuma das palavras de Dana era perdida. Os alunos a escutavam com toda a sua atenção. Apesar de tudo, a diretora ainda contava com o carinho e com a confiança daqueles jovens e ninguém se atreveria a dizer que, como tutora de Samantha, Dana havia falhado com a menina.

- A Sam entrou para a pequena porcentagem de alunos que não finalizaram a sua mutação. Mas, para mim, ela nunca será somente um número desprezível a ser esquecido. Samantha Richards era um exemplo a ser seguido, possuía um dom maravilhoso e sempre soube usá-lo da melhor maneira. Se vocês esperam por uma explicação lógica para o que aconteceu, eu infelizmente vou decepcioná-los com a minha ausência de respostas.

Enquanto Dana falava, a mão de Kevin buscou pelos dedinhos de Davina por baixo da mesa. Os dois trocaram um olhar cúmplice e dolorido enquanto a diretora finalizava o seu discurso.

- Eu não quero que vocês esqueçam que a Samantha esteve entre nós. Tampouco desejo que guardem a última imagem que tiveram da Sam. Quero que se lembrem dela como a garota linda e promissora que ela foi. Tudo o que nos restou dela foram as lembranças, então que elas sejam as melhores. As últimas homenagens serão prestadas num funeral ao fim desta manhã, todos estão dispensados de suas atividades.

Os olhos de Dana circularam entre as mesas lotadas de jovens até encontrar o rosto que ela desejava ver.

- Os pais da Sam estão no meu escritório e, depois que eu contei tudo o que aconteceu, eles pediram para falar com você, Aphrodite. – todos os olhares se voltaram para Willis, que não conseguiu disfarçar o desconforto – Eles precisam te agradecer. Não negue isso a eles, por favor.

Sentindo um enorme peso em seus ombros, Aphrodite arrastou a cadeira para trás e se levantou. Sem nenhum tipo de receio, Dana tocou amigavelmente no ombro da moça antes de guiá-la na direção da porta.

Assim como o refeitório, a sala onde fora preparado o funeral de Samantha estava imersa num silêncio sepulcral, o que parecia aumentar consideravelmente o ruído dos soluços dos Richards. Era uma cena de cortar o coração e não havia ninguém que entrasse ali sem sentir uma profunda tristeza. Até mesmo colegas que nunca tinham conversado com Sam choravam por aquela perda.

Sentados numa das últimas fileiras, Kevin, Theo e Hugo observaram de longe a conversa entre os Ackerman. Templeton acompanhava somente as mudanças de expressões dos dois irmãos, mas Hugo, que havia ouvido cada palavra, já tinha uma opinião formada quando Davina se juntou a eles.

- Ele está mentindo. E mente muito mal, aliás. Tem algo errado com a Westphal e nós precisamos descobrir o que é.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Seg Jun 06, 2016 12:24 am

Os corredores que Hyacinth Westphal atravessou para chegar ao seu dormitório estavam vazios. Ao fim do funeral de Samantha, todos os colegas tinham se recolhido. Ainda era cedo e começava a anoitecer, mas ninguém parecia ter fôlego para estudar ou para aproveitar aquelas últimas horas que antecediam o sono. Aliás, depois da tragédia ocorrida na sala de mídia, a ruiva duvidava que alguém voltaria a se divertir naquele cômodo sem se lembrar de Sam morta sobre o carpete.

Exatamente por ter cruzado a mansão sem se encontrar com ninguém, Westphal se sobressaltou ao abrir a porta do quarto que dividia com Davina. Além da colega, Kevin, Hugo e Theodore estavam ali. E a julgar pela maneira como todos a encararam, eles estavam esperando por ela.

Hyacinth sentiu o sangue sumir de seu rosto, mas não parecia haver nenhuma forma de fugir daquele embate. Qualquer desculpa para escapar só aumentariam as suspeitas que os jovens obviamente já cultivavam contra ela.

- Está tudo bem, ruiva? – foi Kevin quem tomou a palavra e também foi a mão dele que empurrou a porta que Westphal deixara entreaberta – Quer dizer, é claro que não está tudo bem. Nós queremos saber se você precisa de alguma ajuda...

Os braços de Hyacinth se cruzaram numa atitude protetora. Intimamente ela sabia que nenhum dos colegas lhe faria nenhum mal, mas era óbvio que eles estavam dispostos a pressioná-la até que a ruiva soltasse a verdade.

- Eu só preciso descansar. Foi um dia terrível.

- O Kevin viu, Hyacinth. – Hugo estava sério e foi direto ao ponto – Ele viu os ferimentos da Samantha sendo curados pelas suas mãos. Nós queremos saber o que está acontecendo.

- O que...? – a ruiva forçou um risinho nervoso e sacudiu a cabeça – Eu não sei do que vocês estão falando. Eu só toquei na Sam para estancar o sangramento, para que ela tivesse mais tempo e aguentasse até a chegada do seu irmão, Davina. Eu sou só uma intangível e vocês sabem disso.

Embora confiasse em Davina e soubesse que os três rapazes jamais entregariam a sua cabeça para o mundo, Hyacinth estava tentando cumprir a promessa feita a Andrew no dia anterior. A ruiva havia jurado que tentaria ser mais cuidadosa e, definitivamente, revelar o seu segredo não parecia ser a mais sensata das decisões.

- Mentira. – Hugo estava sendo especialmente duro com a garota depois de ter levado um fora dela – Você está escondendo alguma coisa.

- Eu acho que é você que está escondendo alguma coisa, Hugo. – os olhos azuis se estreitaram para o rapaz – Como você ousa afirmar tão categoricamente que sou uma mentirosa? Consegue ler a minha mente?

O clima no quarto se tornou tão pesado que Theodore deu um passo a frente, colocando-se entre Hyacinth e Hugo como se tivesse medo que aquela discussão se transformasse em uma agressão. Theo se virou para a garota e usou uma entonação menos ríspida.

- Nós estamos aqui para ajudar. Queremos saber o que está havendo e como podemos te ajudar nisso, Cinth.

- Não está havendo nada! Eu não preciso de ajuda! – a ruiva ergueu um pouco mais a voz, obrigando Hugo a fazer uma careta.

- Cinth, nós só...

Num movimento rápido, Theodore estendeu a mão e tocou amigavelmente o braço da colega. Fora um gesto tão sutil que o rapaz se assustou quando Hyacinth saltou para trás como se a pele dele contivesse uma corrente elétrica.

- NÃO ME TOCA!!!

A ruiva recuou até que suas costas se chocaram contra a porta fechada. O corpo inteiro de Hyacinth tremia e a ruiva até tentou usar a sua intangibilidade para atravessar a madeira que a separava do corredor. Mas a tensão não permitia que Westphal controlasse bem todos os poderes incorporados ao seu DNA.

- Que isso? – a voz de Kevin soou enquanto o quarto girava para Hyacinth – Você pirou, ruiva? O Theo só encostou em você! Eu acho que...

Templeton se calou quando a maçaneta de metal começou a se mexer. Por um momento, o rapaz até pensou que alguém estava no corredor e tentava entrar no quarto, mas aquela hipótese foi abandonada quando o pequeno pingente em forma de raio pendurado no pescoço de Davina se ergueu sozinho. Antes que os jovens pudessem reagir ou compreender o que estava havendo, as luzes do quarto falharam. Theodore deu um pulo e quase caiu por cima de uma das camas quando a lâmpada de um dos abajures explodiu. O tempo estava calmo naquela noite, então ninguém esperava pelo raio que iluminou o céu, seguido por um potente trovão.

Os rapazes inicialmente olharam para Davina, mas a expressão de Ackerman deixava claro que ela não fora a responsável pelo raio. Hyacinth estava ofegante e com os olhos cheios de lágrimas quando os amigos a encararam com semblantes aterrorizados.

- Por favor... – a ruiva soluçou enquanto lutava para controlar aquela avalanche de poderes e não machucar ninguém – Eu vou embora. Eu não quero fazer nenhum mal, eu juro que nunca vou machucar nenhuma pessoa. Mas me deixem ir embora, não contem isso a ninguém!
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 06, 2016 1:47 am

Tudo estava acontecendo rápido demais, mas os três rapazes e Davina ficaram completamente sem reação. Ackerman sentiu o peito afundar quando viu as lágrimas mancharem o rosto pálido de Hyacinth.

Desde o incidente fatídico com Samantha, a caçula dos Ackerman começava a enxergar a colega de quarto com outros olhos, suspeitando de seus segredos. Havia algo de muito errado no modo com que Andrew protegia sua pupila e nas peças soltas que pareciam não se encaixar na história da ruiva.

Davina chegou a pensar que Westphal realmente não era a boa menina que ela acreditava, quase chegando a comparar com a maldade de Willis. Como Hyacinth havia sido uma das poucas pessoas que sempre lhe tratara com imensa gentileza, Davina se recusou a formar sua opinião sem ao menos confrontar a colega e lhe dar a chance de defesa.

Ela só não esperava que a ruiva fosse cair no choro, somada com a explosão sem sentido. Apenas quando o raio iluminou o céu daquela noite, que Ackerman ligou todos os pontos soltos.

Seu queixo caiu quando ela compreendeu que Hyacinth estava reproduzindo os poderes de cada um dos mutantes daquela mansão. Ela era capaz de reconhecer o próprio poder, mas sabia que nem mesmo seu descontrole teria provocado aquele trovão.

- Você está absorvendo nossos poderes.

Não era uma pergunta. Mas aquela afirmação fez com que Theodore recuasse um passo.

- Como assim, absorvendo nossos poderes? – Hugo se colocou de pé, o rosto franzido em surpresa.

- É isso, não é? – Davina ignorou o amigo, dando um passo na direção da colega. – É assim que você consegue atravessar paredes. Por causa do Chevalier? E tentou curar a Sam, com o poder do Andy. Isso...

Ela apontou para o próprio cordão, em seguida para a janela, com a paisagem negra lá fora.

- É o poder da Sam e o meu.

- O que você tá falando, Davs? – Hugo gaguejou, sem desviar o olhar assustado de Hyacinth. – Ela está roubando nossos poderes?

- Não. Acho que não. – Davina balançou a cabeça, se esforçando para ser racional. – Chevalier continua atravessando a porta da sala de aula todos os dias. E duvido que o Andy estaria tão calmo se tivesse perdido sua habilidade tão preciosa.

Theodore estava de queixo caído, e assim como todos no quarto, não conseguia desviar o olhar de Westphal.

- O que você quis dizer em fazer mal? Você pode prejudicar algum de nós?

Mais uma vez, Davina tomou a dianteira, sem esperar que Hyacinth respondesse. Sua testa estava franzida, mas a menina mostrava que havia herdado a mesma inteligência do irmão.

- Ela consegue ter o poder de absolutamente qualquer um de dentro dessa casa, Theo. É claro que ela pode machucar alguém. – Com um suspiro, Ackerman tentou acalmar a própria voz. – Não propositalmente, é claro.

Um novo silêncio se instalou pelo quarto e desta vez foi Theo quem tomou a palavra.

- Você não pode ir embora. – As cabeças viraram surpresas para o rapaz, que não se importou. – Você viu o que aconteceu com a Sam. As estatísticas são muito piores para quem vive lá fora. Aqui nós temos os cuidados dos tutores, a gente tem a Dana.

- E o Andy. – Davina completou.

Embora desconhecesse do tipo de relacionamento que Westphal tinha com o seu irmão, ela já havia reparado que o rapaz estava disposto a protege-la. E se Andrew, que estava muito mais inteirado no assunto, estava disposto a correr aquele risco, Davina sabia que não havia motivos para temer Hyacinth.

- E a gente. Qual é, Cinty. Eu sei bem o que é não poder controlar a própria habilidade. Mas confie em mim quando eu digo que é muito mais fácil quando temos amigos para nos ajudar.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Jun 06, 2016 2:26 am

Quando finalmente entendeu o que estava havendo com Hyacinth, Kevin deu um passo para trás. Os olhos escuros estavam tão arregalados que pareciam prestes a saltar para fora do seu rosto pálido. Templeton nunca tinha ouvido falar de nada parecido com o poder de Westphal, mas a hipótese de Davina explicava perfeitamente bem tudo o que estava acontecendo.

Em nenhum momento, Kevin questionou a honestidade da novata. A forma como Hyacinth tratara Hugo deixou os amigos do rapaz meio ressentidos com ela, mas agora até mesmo isso estava explicado. Cinty se esquivara do colega porque já conhecia o próprio poder e não queria envolver Hugo naquele ciclo vicioso de absorção de poderes.

Apesar de reconhecer as boas intenções de Hyacinth em cada um de seus gestos, Kevin não conseguia olhar para a colega sem enxergar uma bomba prestes a explodir. Westphal era uma boa garota, mas suas habilidades a transformavam em uma mutante poderosa. Profundamente e perigosamente poderosa. O poder negativo de Aphrodite era uma piada perto do que Hyacinth poderia fazer se surtasse dentro daquela mansão.

Esta insegurança fez com que Kevin ficasse calado enquanto os colegas ofereciam apoio à menina. É claro que Templeton não pretendia acusar Hyacinth de nada, tampouco queria vê-la fora da escola e vulnerável sem a proteção dos tutores. Mas era extremamente incômoda a ideia de pensar que Davina continuaria dividindo o quarto com uma menina que, se quisesse, acabaria com ela sem erguer um dedo.

- Eu não estou “roubando” os poderes de ninguém. A Dana acha que eu absorvo os genes e os acrescento no meu DNA. – a ruiva suspirou e deixou-se cair sentada na própria cama, parecendo exausta – Não sabemos quanto poder eu sou capaz de suportar, por isso eu preferi me isolar. Mas ontem eu perdi o controle. Eu só queria ajudar a Sam, mas acabei tocando nela, esbarrei em várias pessoas no meio daquela confusão... Enfim. A tendência é que tudo piore nos próximos dias. Eu acabei de provar que não consigo controlar tantos poderes ao mesmo tempo.

Era um consolo saber que Dana e Andrew conheciam a verdade sobre o poder de Hyacinth. Se dois tutores estavam cientes e julgavam que era seguro conviver com ela, Kevin não se achava mais no direito de fazer esse julgamento. A cintura de Davina foi rodeada num abraço protetor antes que Templeton finalmente tomasse uma posição naquele problema.

- Você não está sozinha nisso, ruiva. Você precisa ficar para aprender a lidar com isso, não existe nenhum outro lugar no universo em que você estaria mais segura, ou que lhe ofereceria um treinamento melhor. Pode confiar na gente, vamos guardar o seu segredo. Eu não ouvi mais ninguém comentar sobre a sua participação na cena de ontem. Acho que todos estavam nervosos demais para reparar. A maioria nem conseguia olhar para a Sam...

- Aphrodite. Ela estava na minha frente, acho que ela percebeu.

- É, neste caso você está ferrada. – Theodore acrescentou de forma sombria – Muito ferrada.

- Ela disse alguma coisa? – a entonação de Hugo estava menos áspera agora que ele entendia por que Hyacinth o rejeitara.

- Não diretamente. – Westphal ergueu os olhos para os amigos – Fez algumas perguntas, deixou algumas insinuações vagas no ar. Mas ela estava muito perto, as chances dela ter entendido são grandes. Não temos como saber, não é?

- Bom... ter, temos. – Theodore fez uma pausa dramática antes de encarar Kevin – Talvez ela solte a língua se receber o estímulo certo.

O queixo de Kevin caiu quando ele entendeu as insinuações do melhor amigo. Aphrodite podia ser a alma mais venenosa daquela mansão, mas Templeton nunca tivera a menor dificuldade para amansá-la. Antigamente ele não rejeitaria a oportunidade de se aproveitar daquele plano para ter mais alguns momentos de lazer com Willis, mas depois de ter se acertado com Davina aquela ideia parecia assombrosamente nojenta.

- Nem pensar! Ficou doido, Theo!?

- Não podemos arquitetar nenhum plano de defesa pra Cinth se não soubermos o que se passa na cabeça da Aphrodite! De que adianta fazermos qualquer coisa se a Aphrodite tem um fósforo e está perto demais da pólvora? – Theodore olhou do amigo para Davina – Diga ao Kev que você não se importa, Davs. Só precisamos desta resposta, ele só vai se aproximar dela com este objetivo. Não é como se ele estivesse te traindo de verdade.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 06, 2016 2:47 am

- Como é que é???

Pela primeira vez, toda a tensão com a morte de Samantha e as desconfianças de Hyacinth saíram do foco de Davina. Ela estreitou os olhos para os amigos com aquela insinuação. A insinuação de Theo chegava a ser ridícula, mas Ackerman se sentia ofendida.

- É claro que eu me importo! Eu não quero ver aquela maluca enfiando a língua na garganta do meu namorado!

- Qual é, Davizinha... – Theo forçou um sorriso. – Assim até parece que você não confia no Kev. O coitado já não deu provas suficientes que só tem olhos pra você?

Instintivamente, Davina levou a mão até o pingente de raio pendurado em seu pescoço. Seu semblante fechado mostrava que ela não estava nada satisfeita com o rumo daquela conversa.

- Não é no Kevin que eu não confio. Aphrodite é perigosa. Eu não quero o Kevin por perto, principalmente depois do que ela fez comigo...

Os olhares dos amigos se voltaram para Davina, estreitos em curiosidade, só então fazendo a menina perceber que havia falado demais. Fechando rapidamente a boca, a menina alisou o vestido preto e justo que havia usado durante o funeral.

- O que ela fez com você, Davina? – Hugo estava sério e tinha os braços cruzados contra o peito.

- Não vem ao caso agora. – Davina sentiu as bochechas corarem e evitou olhar para qualquer um dos rapazes.

Com um suspiro, Theo se sentou diante da amiga, puxando uma de suas mãos carinhosamente.

- Seja lá o que foi que aquela maluca fez com você, não podemos deixar que ela continue ganhando. É nossa vez de ajudar a Cinty. Além do mais, o Kev já apalpou demais aquela víbora e ainda tá vivo. – Um sorriso debochado foi direcionado a Templeton, mas nem o comentário mais relaxado de Theo foi capaz de fazer Davina sorrir.

Ela trincou os dentes, nada satisfeita com a ideia proposta. Mas sabia que se havia alguém naquela escola que conseguiria dobrar Willis, esse alguém seria Kevin. O que não era exatamente um pensamento reconfortante. Por mais que confiasse no namorado, seu estômago se revirava com ciúmes ao imaginar as dezenas de vezes que os dois já haviam se agarrado antes.

- Se você acha que consegue dar conta. – Davina lançou um olhar na direção do namorado, ainda com os lábios curvados em um bico de insatisfação.

Batidas na porta fizeram com que os adolescentes se sobressaltassem. Por estar mais perto da porta, foi Westphal quem girou a maçaneta, revelando o rosto de Andrew parado no corredor.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Seg Jun 06, 2016 3:02 am

Em uma casa abarrotada de adolescentes, o silêncio que predominava os corredores não era bom sinal. Era assombroso ver o primeiro andar completamente deserto, as luzes apagadas apenas com as sombras projetadas pela fraca luz que vinha das muitas janelas.

Nem mesmo os tutores tinham estômago para tentar jantar e cada um havia se recolhido mais cedo. O corpo de Richards já havia sido levado e seria enterrado em sua cidade natal na manhã seguinte. Os pais de Samantha também já haviam partido, deixando para trás a mansão que precisaria reaprender a sorrir depois de tamanha desgraça.

Andrew Ackerman estava em seu quarto, olhando distraído pela janela, quando o raio cortou o céu, iluminando a escuridão momentaneamente. Não haviam nuvens e nenhum sinal de chuva. Como havia se tornado um hábito desde a descoberta do poder de Davina, ele havia olhado a previsão do tempo e sabia que não havia a menor chance de chover naquela noite.

Não precisava ser um gênio para deduzir que aquele fenômeno inesperado havia sido produzido pela caçula dos Ackerman. Nem por um segundo, Andrew cogitou que a verdadeira autora do raio fosse Hyacinth. Sabendo que o poder de Davina era diretamente ligado às suas emoções, um medo percorreu o corpo de Andrew, temendo o que pudesse estar acontecendo com a irmã.

Sem se importar por ainda estar vestido com os trajes do funeral, Ackerman atravessou os corredores até a porta que ele já conhecia tão bem. Seu primeiro instinto foi girar a maçaneta e entrar no quarto, com medo do que pudesse encontrar, mas por sorte, Andy teve o bom senso de bater na madeira com os nós dos dedos.

Seu peito afundou quando o rosto vermelho e choroso de Hyacinth surgiu, como se reforçasse sua teoria de que mais uma tragédia havia recaído sob o teto da mansão.

- O que houve? Eu escutei um trovão.

Sem saber que o interior do quarto estava lotado, Andrew puxou a mão de Hyacinth, sentindo seu toque gelado. Apenas quando a ruiva deu um passo para o lado, os olhos castanhos capturaram os rostos conhecidos de Hugo, Theodore, Kevin e Davina.

O alívio por ver a irmã bem durou apenas um instante, quando o constrangimento finalmente o atingiu, o obrigando a se soltar de Westphal no mesmo instante.

- O que está acontecendo aqui? – Andrew estreitou o olhar, encarando cada um dos adolescentes e por fim Hyacinth.

Os olhos azuis estavam ligeiramente vermelhos e era fácil dizer que Westphal chorava há pouco tempo.

- Relaxa, Andy... – Davina se levantou da cama e se apressou em cruzar o quarto e fechar a porta. – A gente já sabe.

O coração de Ackerman falhou uma batida, sem saber exatamente qual dos segredos de Westphal a irmã estava se referindo.

- Não vamos contar a ninguém.

Hugo completou, e os olhos castanhos de Andrew já buscavam por Hyacinth, desesperados por uma explicação. Ao que exatamente eles se referiam? Ao relacionamento secreto dos dois? Aos poderes de Hyacinth? Ao risco que a ruiva trazia para todos os moradores? Até onde eles sabiam?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Seg Jun 06, 2016 3:52 am

Os olhos de Hyacinth se arregalaram quando o professor puxou sua mão e ela imediatamente deu um passo para o lado, alertando-o de que os dois não estavam sozinhos.

A declaração de Davina sobre a revelação do segredo de Westphal podia ter várias interpretações, então a ruiva se obrigou a falar antes que Andrew fizesse qualquer coisa que pudesse denunciá-los. Os amigos tinham reagido bem ao segredo sobre os seus poderes, mas Hyacinth sabia que Hugo e Davina não encarariam com a mesma tranquilidade a notícia sobre o envolvimento proibido de Ackerman com uma aluna.

- O Kevin notou que o meu toque estava cicatrizando alguns ferimentos da Sam. Eu não tive como negar, professor, desculpe...

O tratamento extremamente formal e respeitoso não soou com a naturalidade que Hyacinth desejava, mas ao menos deixou bem claro para Andrew que os colegas não sabiam a verdade sobre o relacionamento dos dois.

Depois que Ackerman entrou no quarto, a porta foi novamente fechada. Embora os cômodos destinados aos alunos fossem confortáveis, eles não eram amplos o bastante para acomodar tantas pessoas. Era bizarro ver os seis jovens espremidos entre as camas de Westphal e Davina naquela reunião informal.

- O trovão não foi obra da Davina... – Hyacinth suspirou pesadamente antes de se sentar novamente na cama – Eu me descontrolei.

- E estourou uma lâmpada. – Theodore apontou os cacos espalhados pelo tapete que separava as duas camas – Você fica meio sinistra quando está nervosa, Cinth. Eu não queria estar na pele do seu namorado.

Aquele comentário inocente tinha o objetivo de aliviar um pouco o clima pesado com uma piada, mas só o que Theodore conseguiu foi fazer com que o rosto de Hyacinth adquirisse uma coloração avermelhada pelo constrangimento. Andrew era a última pessoa que a ruiva queria que escutasse aquele tipo de insinuação.

- Em quantas pessoas você já tocou? – Hugo tentou se lembrar se já tivera algum contato direto com a pele da colega – Você tem ideia?

- Chevalier foi o primeiro. – a ruiva estremeceu ao se lembrar daquele dia – Foi ele quem me tirou do hospital. A Dana me tocou enquanto me guiava até a enfermaria. Depois o Ackerman encostou em mim para aliviar a dor de cabeça.

Não era difícil para Hyacinth enumerar aquela sequência. Desde que descobrira a própria mutação, a ruiva refizera todos os seus passos para tentar prever o que os dias que estavam por vir lhe reservavam.

- Eu não sei exatamente em que momento eu encostei na Dav, mas dividimos o mesmo quarto, seria praticamente impossível nunca entrar em contato com ela. Depois que eu entendi o meu poder, eu comecei a ter mais cuidado. Eu só tinha cometido um deslize até ontem, que foi quando esbarrei na Maggie na saída do refeitório. Mas, depois de ontem, eu não faço ideia de quantos poderes absorvi. Para chegar na Sam, eu empurrei várias pessoas.

- E tocou na Sam. – Theodore abriu um sorrisinho sem graça – E eu toquei em você agora. Me desculpe. Mas posso te dar umas dicas legais com o fogo, a minha habilidade é foda.

Hyacinth teve que rir do comentário do amigo. Era um alívio saber que Theodore não estava furioso em “dividir” seus poderes com ela. É claro que a ruiva ficava insegura ao dividir o seu segredo com tantas pessoas, mas era um alívio pensar que podia contar com os amigos. Vinha sendo uma tortura esconder aquele segredo até de Davina.

- Relaxa, Andrew. – Kevin tomou a palavra ao notar a preocupação do tutor – Nós vamos guardar o segredo da ruiva. Estamos do lado dela.

- É claro que estamos do lado dela. – Theodore riu com bom humor – Eu não sou idiota o bastante para ficar contra uma garota que pode derrubar o telhado na minha cabeça, fazer um raio acertar o meu traseiro e colocar fogo no que restar do meu corpo. – o rapaz ergueu o polegar – Estamos contigo, Cinth!

- Nós achamos que a Aphrodite pode ter percebido também. – uma ruguinha de preocupação marcava a região entre os olhos de Hyacinth quando ela encarou Andrew – Ela estava muito perto, e fez umas insinuações estranhas.

- Mas nós vamos resolver isso. – Theodore deu uma cotovelada de leve nas costelas de Kevin – Não vamos?

Definitivamente, Templeton não se sentia nada à vontade com a ideia de seduzir Aphrodite para arrancar a verdade dela. Há um mês, Kevin acharia a ideia divertida e não pensaria duas vezes antes de aceitar o desafio. Agora, contudo, ele se sentia usado e tinha um medo absurdo de perder Davina.

Mas não parecia haver nenhuma maneira de fugir daquele destino. Hyacinth precisava daquele sacrifício para continuar vivendo tranquilamente na mansão e Davina, mesmo que contrariada, havia dado a sua permissão.

- Não vamos? – Theo repetiu depois que o silêncio de Kevin se estendeu por tempo demais.

- Vamos. – Templeton suspirou, dando-se por vencido.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Seg Jun 06, 2016 4:33 am

As coisas pareciam finalmente estarem voltando em seus devidos lugares. Embora uma parte de Andrew acreditasse que a mansão nunca mais seria a mesma depois da morte de Samantha Richards, a rotina das aulas e treinamentos obrigavam os alunos a voltarem aos seus afazeres, enquanto a ferida provocada pela perda da colega começava a cicatrizar.

Logo Ackerman tinha todas as preocupações do mundo para fazê-lo deixar de lado o luto. Além do receio de que algo acontecesse com a irmã ou com Hyacinth, o professor tinha medos reais que se tornavam realidade a cada dia que passava.

Embora confiasse plenamente em Davina, a ideia de mais três rapazes sabendo do segredo de Westphal era aterrorizante. Bastava que um deles tivesse um mísero descuido para que a verdade sobre o poder de Hyacinth chegassem aos ouvidos errados.

Aquilo parecia um pesadelo que estava cada vez mais perto de se tornar realidade. Andrew tinha pavor do que poderia acontecer se a verdade se espalhasse pela mansão e alcançasse uma proporção fora dos terrenos da escola.

Além das aulas, os treinamentos com Hyacinth e consultas médicas se tornaram muito mais frequentes. Quase semanalmente, Andrew exigia uma análise no sangue da ruiva, tentando desvendar os mistérios em seu DNA mutante e em como a absorção de tantos poderes estavam lhe influenciando.

Dana havia permitido que Andrew abrisse mão de qualquer outro pupilo para intensificar os treinos com a ruiva, e durante horas os dois tentavam desvendar quais novas habilidades a ruiva tinha para controlar.

No início daquela tarde, Andrew estava em uma das salas de treinamento. O lugar, que parecia apenas mais uma das tantas salas de estar da mansão, era espaçoso e bem decorado. Havia uma enorme lareira com lenha recém trocada e apagada. As janelas eram altas e iam quase que do chão ao teto, com cortinas pesadas e azuis. Um conjunto de sofás aveludados rodeavam uma mesinha de centro e uma outra mesa, maior, era rodeada de cadeiras.

Andrew estava sentado em uma das cadeiras, com alguns artefatos espalhados sobre o tampo de mármore. Além de um punhado de pregos novos, ele havia enfileirado um graveto e uma caixinha de pedra.

Seus cotovelos estavam apoiados sobre a mesa e as mãos seguravam o queixo enquanto seu olhar parecia distante. Por um instante, chegou a parecer que Ackerman estava em outro mundo, mas bastou que a porta da sala se mexesse para que ele erguesse as sobrancelhas.

Um discreto sorriu em seus lábios quando ele reconheceu o rosto de Westphal, mas ainda assim, Andrew manteve sua postura séria.

- Você está atrasada.

Andrew esperou que Hyacinth se acomodasse na cadeira a sua frente antes de continuar. Desde que descobrira que os colegas sabiam de seu segredo, Ackerman levava ainda mais a sério o treinamento da ruiva, como se temesse que por um descuido seu, mais alguém presenciasse um dos poderes dela e o caos se instalasse. Era sua responsabilidade manter Cinth em segurança.

- Não pode continuar se atrasando assim, Cinth. Nós precisamos aproveitar cada minuto. Precisamos nos esforçar mais do que qualquer um nesta casa.

Com as mãos agitadas, Andrew empurrou os artefatos selecionados para aquele dia, deixando-os mais próximos da ruiva, esperando que ela escolhesse pelo qual deveria começar.

Os pregos tinham como objetivo treinar o poder de Samantha. Hyacinth deveria controla-los e pregá-los contra um alvo de madeira que Andrew havia pendurado sobre a lareira. O graveto deveria pegar fogo para que ela acendesse a lareira, usando o poder de Theodore. E a caixinha, que não havia nenhum mecanismo de abertura, deveria ser penetrada com o poder de Chevalier. Mas além de penetrar, Cinth deveria puxar de lá de dentro um delicado par de brincos que Andrew comprara como presente.

- Você me prometeu que seria mais comprometida, Cinth. Nós temos muito trabalho pela frente.

Em nenhum momento Andrew colocava a responsabilidade em Hyacinth. Talvez fosse seu dever como tutor, ou talvez fosse a paixão que ele sentia cada vez mais pela ruiva, mas seu instinto protetor sempre lhe dizia que aquela era sua obrigação também.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Jun 06, 2016 4:42 am

No dia seguinte ao funeral de Samantha, os alunos foram dispensados das aulas tradicionais. Dana sugeriu aos tutores que se aproveitassem daquela folga para se reunir com seus pupilos e traçar os próximos passos de suas respectivas evoluções. Também seria um momento importante para ouvir os jovens e para acalmar as suas preocupações. Depois do que houvera com Richards, era esperado que todos estivessem com medo de terem o mesmo destino triste da garota.

Megale enviou um recado para o celular de Kevin, marcando a reunião dos dois para o fim da tarde. Portanto, o rapaz tinha o dia todo para colocar em prática o plano de arrancar alguma informação de Aphrodite. Mesmo depois de ter passado boa parte da noite em claro, Templeton ainda não se sentia seguro. Willis não era tola e podia perceber as verdadeiras intenções dele se Kevin cometesse o menor dos deslizes.

Logo nas primeiras horas da manhã, uma oportunidade de ouro brotou diante dos olhos de Templeton. A mansão ainda estava de luto por Samantha, então os alunos estavam recolhidos em seus dormitórios ou gastavam algum tempo na biblioteca. Mesmo com o dia absurdamente quente, Aphrodite era a única que decidira dar um mergulho naquela manhã ensolarada.

A loira estava sentada na beirada da piscina, com as pernas mergulhadas na água cristalina, quando ganhou a companhia de Kevin. O rapaz fingia que aquele encontro era uma coincidência, embora tivesse visto a colega na piscina da janela do seu dormitório.

- Achei que o cloro estragasse o seu cabelo. – Templeton provocou, repetindo uma das frases que já ouvira da boca de Willis.

- E estraga. – os olhos azuis da garota acompanharam os movimentos de Kevin enquanto ele retirava a bermuda e a camiseta, ficando apenas com o calção de banho – Mas a pele pálida também não me cai bem. É difícil balancear todos os detalhes. Eu daria um dos rins pelo seu poder.

Ao invés de responder aos comentários de Aphrodite, Kevin se aproximou da borda da piscina e executou um mergulho perfeito. Algumas gotinhas respingaram na moça, mas Willis não reclamou. Ao contrário, ela encarava Templeton com uma nítida curiosidade enquanto o rapaz dava algumas braçadas, aproximando-se do ponto onde ela estava sentada.

- Muito legal o que você fez pela Sam.

- O que você quer, Kevin? – Aphrodite cortou o colega sem piedade – Acha mesmo que me engana com este papo mole? Você já foi mais esperto.

- Você realmente nem imagina o que eu quero...? – Templeton parou diante da colega e apoiou as mãos nos joelhos dela, movendo os dedos numa carícia demorada – Você já foi mais esperta.

Uma das sobrancelhas finas de Aphrodite se ergueu enquanto ela tentava analisar os traços de Kevin. Naquela manhã, ele continuava anormalmente bonito. Os cabelos estavam um tom mais escuros e lisos, agora úmidos pela água da piscina e jogados elegantemente para trás. Os olhos verdes combinavam com o restante do visual. O sorrisinho era o de sempre, mas continuava tão irresistível como nunca.

- Bom, toda a escola está dizendo que você agora tem uma namorada... – Aphrodite moveu uma das pernas, acariciando a lateral do corpo de Kevin com o pé – Eu achei que fosse sério.

- Achei que me conhecesse melhor, Aphrodite.

Um sorriso maldoso brotou nos lábios da loira. Por um momento, Willis havia acreditado que seu plano contra Davina havia fracassado e que Kevin havia se apaixonado de verdade pela menina. Mas o atual comportamento de Templeton mostrava que ele ainda era o mesmo cafajeste de sempre.

- Ela não é sua namorada, então...?

- Bom, é... – o rosto de Kevin se contorceu numa careta – Por enquanto.

- Por enquanto? – a loira insistiu.

- Até eu conseguir alguma coisa a mais dela. Já fui longe demais para desistir e ela é o tipo de garota que só facilita as coisas para um “namorado” oficial.

A gargalhada de Aphrodite ecoou pela área da piscina e a loira chegou a tombar a cabeça para trás enquanto ria. Com um semblante ainda divertido, Willis deslizou pela borda da piscina até escorregar para a água. Os braços de Templeton imediatamente a enlaçaram pela cintura fina e os dois se aproximaram, colando os corpos separados apenas pelas roupas de banho. Até mesmo Kevin tinha que admitir que Aphrodite era uma imagem tentadora naquele micro-biquini vermelho.

- Ela não tem facilitado as coisas, Kev...? – a loira provocou enquanto passava os braços pelo pescoço do rapaz.

- Nem um pouco. – Templeton forçou um biquinho e devolveu a provocação – Estou carente.

- Você não vai conseguir nada se ela descobrir que veio atrás de mim...

- Ela não vai saber. A Dana a chamou para conversar e, você sabe... – Kevin precisou de uma pausa antes de conseguir articular aquele comentário maldoso – A conversa será longa. Ninguém aqui tem mais problemas com a mutação do que ela.

Aphrodite novamente riu e aquela maldade foi o bastante para convencê-la de que Kevin estava mesmo brincando com os sentimentos de Davina. Sem se importar com mais nada, a loira mordiscou o lábio inferior do rapaz antes de tomá-lo num beijo feroz.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 06, 2016 5:21 am

O quarto de Kevin e Theodore tinha a vista perfeita para os fundos da mansão, e a mesma vista que facilitara Templeton de identificar onde Aphrodite estava, também era usado por Theo, Hugo e Davina.

Como Hyacinth havia se reunido com Andrew para mais um treinamento, restara aos amigos a missão de tentar descobrir até onde Willis desconfiava dos poderes da ruiva. Kevin era essencial naquele plano, e enquanto os outros três não tinham muita ação, restava aguardarem o retorno de Templeton para saber como deveriam seguir.

No instante em que Kevin surgiu na área da piscina, Theo grudou o nariz na janela, tentando enxergar alguma coisa. Davina andava pelo quarto, de um lado ao outro, tentando aliviar sua inquietação. Hugo era o único sentado à cama, completamente concentrado, tentando ouvir cada palavra da cena que acontecia sob a janela.

- O que eles estão dizendo? – Davina cruzou os braços, encarando o amigo.

- Aphrodite é esperta. Está perguntando de você. Não sei se ela vai cair nesse papo...

Ackerman espremeu as mãos, tentando controlar seus sentimentos conflitantes. Por um lado, seu estômago se contorcia em náuseas ao imaginar Willis e Templeton juntos. Já era terrível o bastante saber que eles tinham um passado tão caloroso, ela não precisava de nenhum flashback para relembrar. Em contrapartida, ela sabia como Aphrodite poderia ser perigosa e temia com que tipo de torturas poderia implantar em imagens falsas caso desconfiasse das mentiras de Kevin.

- É lógico que ela vai cair no papo. – Theo riu, completamente alheio ao sofrimento da amiga. – A Aphrodite é uma megera, mas sempre foi caidinha pelo Kev.

O vidro da janela chegava a embaçar com a respiração de Theodore e seu sorriso vacilou um instante ao perceber o que havia falado. Ele imediatamente virou o rosto para encarar Davina, com um semblante arrependido.

- Foi mal, Davs. O que importa é que o Kev gosta de você agora, não é?

- Uau. – Hugo arregalou os olhos, fazendo com que Davina e Theo se virassem para ele, curiosos.

O rapaz imediatamente sentiu o rosto esquentar, mas encolheu os ombros, se limitando a dizer.

- Ele é bom. Tipo, muito bom. Ela já caiu...

- Ela contou alguma coisa? – Davina atropelava as palavras, mas Hugo negou a cabeça, frustrando suas expectativas.

- Ela não está exatamente falando nesse momento...

A expressão de Davina se fechou quando ela compreendeu o que Hugo estava dizendo e sua primeira reação foi se voltar para a janela. Theo, que já havia entendido muito antes onde o amigo estava querendo chegar, se colocou no caminho de Ackerman e da janela.

- Qual é, Davs. Não tem necessidade de ver isso. – Os dois cambaleavam de um lado ao outro, sempre tombando de frente. – O Kevin só tá fazendo isso porque a gente pediu, lembra???

- Por que VOCÊ pediu, Theodore. – Davina bradou, finalmente se desvencilhando do rapaz para alcançar a janela.

Seu rosto se contorceu em fúria quando reconheceu as cabeças de Templeton e Willis dentro da piscina.

- E você concordou! – Theo tentou se defender, erguendo os braços.

- Mas eu não sabia que ia ter tão pouca roupa envolvida! – Ackerman estava quase gritando.

Por mais que tentasse ser racional, era impossível controlar os ciúmes quando via o próprio namorado aos beijos com uma loira de biquíni.

- Aposto que o canalha está se aproveitando! – Seu rosto começava a ficar vermelho e Hugo já nem tentava mais ouvir a conversa no andar inferior.

Os dois rapazes tinham expressões idênticas de desespero enquanto tentavam salvar a pele do amigo.

- Davs, não seja injusta! O Kevin gosta de você, cara! Isso não é óbvio?

- Hugo, você ficou dias reclamando da Cinty porque ela não apareceu pra ver a droga de um filme! Não venha me falar agora que eu não tenho o direito de ficar chateada... Eu vou acabar com essa palhaçada.

Theo arregalou mais os olhos, achando que a amiga iria interromper o casal na piscina e colocar por água abaixo o plano. Mas para sua surpresa, Davina se dirigiu até a janela e encarou os céus.

Durante algum tempo, os dois rapazes se entreolharam, sem saber o que estava acontecendo. Os olhos de Davina estravam estreitos e os braços dela, apoiados na beira da janela, tremiam. Eles só compreenderam qual era o plano de Davina quando sombras começaram a se formar, provocadas por pesadas nuvens nos céus.

Era extremamente difícil reunir todas as suas forças, mas Dana estava certa em dizer que seu poder era controlado por suas emoções. Toda raiva e frustração que Davina sentia estava concentrada em seu poder. Uma pequena gota de sangue chegou a pingar de seu nariz, mas nem isso fez com que ela piscasse até que as nuvens estivessem formadas sobre a mansão.

- Davs, ela vai perceber! – Hugo tentou alertar.

- Não vai, não. – As palavras saíram cuspidas pelos dentes trincados. – Aquela piranha acha que eu não tenho controle nenhum, lembra?

As grossas gotas de chuva começaram a cair contra o vidro da janela e Davina abriu um sorriso satisfeito quando viu Aphrodite e Kevin saírem apressados da piscina.

- Eu vou arrumar outro jeito de ajudar a Cinth, meninos... alguma coisa que... – suas palavras morreram quando ela acompanhou Templeton e Willis se afastando da mansão, entre risadas e de mãos dadas. – O que tá acontecendo?

Hugo encolheu os ombros e coçou a nuca antes de responder.

- Estão indo procurar um lugar mais... privado.

Um relâmpago cortou os céus e em seguida o trovão bradou, abafando o urro de fúria de Davina. Pisando duro, a menina deixou o quarto de Theo e Kevin, marchando até o próprio quarto.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Seg Jun 06, 2016 5:23 am

Se os alunos já achavam exaustivos os treinamentos obrigatórios que precisavam fazer para controlar suas respectivas habilidades, Hyacinth se sentia estafada com todo o trabalho que tinha para controlar tantos poderes. Andrew era um excelente tutor e Dana os ajudava sempre que necessário, mas a maior parte da pressão acabava recaindo sobre os ombros da ruiva.

O atraso daquele dia refletia o cansaço da garota. Westphal havia se sentado para descansar um pouco depois do almoço e, sem perceber, acabou pegando no sono. Quando os olhos azuis se abriram, ela já estava atrasada para a reunião marcada por Ackerman.

- Desculpe.

Embora soubesse que Andrew só queria ajudá-la, Hyacinth se zangou com os comentários dele. O tutor, melhor do que ninguém, sabia que ela estava se esforçando muito. Era injusto que Ackerman insinuasse que sua pupila não estava suficientemente comprometida com o sucesso da própria mutação.

- Eu já pedi desculpas!

O tom mais áspero de Westphal foi sucedido por um pequeno descontrole. Um dos pregos sobre a mesa levitou antes de ser arremessado com força na direção do alvo sobre a lareira. O prego perfurou a madeira com tanta força que quase atingiu a parede que sustentava o alvo.

Ao notar o que havia acabado de fazer, Hyacinth levou as mãos aos olhos, coçando-os como se não suportasse mais tudo aquilo. Ao invés de desistir, contudo, a garota respirou fundo algumas vezes e estava mais calma e mais disposta a continuar aquele treinamento quando descobriu novamente o rosto.

Como se quisesse se redimir depois daquela explosão, a ruiva pegou o graveto com delicadeza e se ergueu da cadeira que ocupava. Naquela tarde, o corpo de Westphal estava bem moldado por uma calça jeans preta e sapatilhas baixas. Um cropped preto estampado com várias bolinhas coloridas compunha o visual. Os cabelos avermelhados estavam soltos nas costas da garota, mas Hyacinth havia feito um penteado com duas trancinhas finas que contornavam os dois lados de sua cabeça até se unirem na nuca dela.

Quando chegou diante da lareira, Westphal se concentrou no graveto que tinha em suas mãos. Uma discreta fumacinha começou a sair do graveto antes que a primeira chama brotasse. O fogo se espalhou rápido demais e obrigou Hyacinth a jogar o graveto na lareira rapidamente para evitar uma queimadura, mas ainda assim fora um desempenho melhor do que o demonstrado com o prego. Estava claro que a ruiva perdia o controle de seus poderes quando se exaltava demais.

- O que quer que eu faça...?

Hyacinth indicou a caixinha de metal, sem entender qual era a proposta do professor. Andrew só respondeu depois que a ruiva estava de volta à mesa.

- Quero que tire algo que guardei aí dentro, sem abrir a caixa. Se conseguir, será seu.

Com um movimento de cabeça, Hyacinth concordou com a ideia. Como fora o primeiro poder absorvido e como Chevalier já era um mutante experiente, a intangibilidade era uma das habilidades menos complicadas para Westphal. Ela não costumava ter problemas em atravessar superfícies sólidas, mas seria um desafio transferir aquele poder para um objeto e conseguir retirá-lo da caixinha de metal.

Os dedos delicados da garota atravessaram a caixa sem dificuldade. As sobrancelhas finas se franziram quando Hyacinth sentiu a textura do saquinho de veludo guardado dentro da caixinha.

A garota falhou na primeira tentativa. Quando recuou o braço, somente seus dedos saíram da caixa, deixando para trás o objeto que Andrew guardara ali. Na segunda tentativa, e depois de se concentrar mais, Hyacinth conseguiu arrancar através da superfície de metal um saquinho feito com veludo azul. Seus dedos apalparam o tecido, sentindo o contorno sólido das joias ali guardadas.

- O que tem aqui...? – os olhos azuis brilhavam com expectativa e ela abriu um sorriso mais largo – É para mim?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Jun 06, 2016 11:57 pm

O fim do encontro com Aphrodite coincidiu com o horário marcado por Megale, o que obrigou Templeton a seguir até o escritório do tutor antes de se encontrar com os amigos e contar sobre os progressos do plano.

Naquela tarde, a conversa com Megale foi mais longa que o normal. O tutor estava bastante satisfeito com o ritmo de evolução de Kevin e com os progressos que ele fazia desde a sua chegada à escola. Mas Megale reforçou a importância de seguir mais fielmente as regras e as recomendações da mansão. O tutor deixou claro que deixaria de fingir que não sabia sobre os doces contrabandeados pelo irmão de Kevin e que não admitiria mais atrasos nas aulas.

Apesar de tudo, foi uma conversa bastante proveitosa. Templeton desabafou um pouco sobre o quanto ficara mexido com a tragédia ocorrida com Samantha e sobre o medo que sentia de seguir pelo mesmo caminho da colega. Megale pareceu bastante satisfeito quando Kevin confessou que sentia mais medo por Davina do que por si e que queria ajudar a namorada a enfrentar as suas dificuldades com a própria mutação.

- É sério, então...? Vocês dois?

Um discreto sorriso surgiu nos lábios de Megale enquanto ele se ajeitava melhor na cadeira. Era uma visão bizarra ver um homem daquele tamanho interessado em notícias amorosas do seu pupilo, mas Kevin sabia que a pergunta fora feita na melhor das intenções. Megale nunca teve nenhum tipo de trabalho com relação às habilidades de Templeton, desde a chegada de Kevin na mansão, ele demonstrava um excelente controle de seu poder. O que costumava atrapalhar as noites de sono do tutor era o comportamento do rapaz. Mas agora finalmente parecia que Kevin entrara no caminho certo.

- É. Nós dois decidimos tentar e está dando certo.

- A Davina é uma menina muito especial, espero que você nunca deixe escapar este tesouro. Você tem se comportado bem, não tem? Ela não merece sair disso magoada, Kevin.

Um gosto amargo na garganta obrigou Templeton a engolir em seco. Sua mente logo projetou as lembranças das horas passadas com Aphrodite naquele dia, mas o rapaz tentou se livrar daquela culpa. Ele gostava de Davina e tudo o que fizera naquela manhã fora com o consentimento da namorada, somente para ajudar Hyacinth. Kevin não queria ter feito aquilo, não se sentiu bem enquanto fazia e certamente não pensava em repetir. Portanto, na mente dele, não podia ser considerada uma traição de verdade.

- Eu sei disso, Mega. Eu não vou estragar tudo, juro.

O sol já havia se posto quando Megale finalizou aquela reunião com seu pupilo. Kevin só teve tempo de correr até o segundo andar e tomar um banho antes que chegasse a hora do jantar. Com alguns minutos de atraso, Templeton chegou ao refeitório lotado. Seus olhos vasculharam as mesas até encontrar o seu lugar vazio perto dos amigos.

- Uau! Hoje é algum dia especial?

O rapaz exibia um largo sorriso no rosto quando se sentou ao lado de Davina, com os olhos brilhando para as travessas espalhadas sobre a mesa. De fato, o cardápio estava anormalmente apetitoso naquela noite. Templeton parecia não comer há três dias quando colocou em seu prato um pedaço enorme da lasanha e o maior bife grelhado que encontrou na travessa de carne. Por estar tão encantado com a comida, Kevin não notou de imediato a expressão pouco amigável da namorada e nem os olhares tensos dos amigos.

- E aí...? – Hugo murmurou quando Kevin começou a devorar o jantar sem contar as novidades que eles esperavam o dia todo.

- Hm...

Discretamente, Kevin ergueu a cabeça e deslizou o olhar por todo o refeitório até encontrar a cabeleira loira de Aphrodite. Por sorte, a garota estava sentada do lado oposto do salão e não havia o menor risco de ouvir a conversa da mesa.

- Ela não percebeu. Está desconfiada e acha que pode haver algo estranho com a ruiva, mas com certeza ela não viu nada.

O rapaz fez uma pausa para encher o seu copo com suco. Templeton aparentava estar totalmente tranquilo, como se não tivesse feito nada demais naquele dia. O cheiro gostoso de sabonete indicava que Kevin havia acabado de tomar banho, assim como os cabelos ainda úmidos.

- Eu tentei convencê-la de que não deve haver nada demais e que a Cinth é apenas uma novata idiota que não sabe como as coisas funcionam. Ela pareceu gostar muito dessa ideia... – Templeton abriu um sorrisinho sem graça para a ruiva – Foi mal.

- Tudo bem. – Hyacinth retribuiu com um sorriso doce – Muito obrigada. Eu não vou me esquecer do que estão fazendo por mim.

- Enfim. – um dos ombros de Kevin se ergueu – Não acho que devemos nos preocupar com ela agora. É só você não dar mais nenhuma mancada, ruiva. Ela vai acabar deixando as suspeitas de lado e vai se distrair importunando outra pessoa, como de costume.

A atenção de Templeton se voltou para o prato de Davina e a voz dele soou com naturalidade.

- Não vai comer o seu pudim, Davs? – um dos ombros do rapaz se encostou no ombro dela, empurrando-a delicadamente num gesto carinhoso – Passa pra cá antes que o Hugo se atreva a pegar.

- Não é justo! Você já pegou a sobremesa da Davs da última vez que ela não quis! – Hugo cruzou os braços, emburrado.

- Ela é minha namorada, eu tenho prioridades sobre as sobremesas que a Davs não quer. Ainda mais agora que o Megale vai revistar o meu irmão e barrar a entrada de doces. Além disso, Hugo, você engorda e eu não. Precisa de mais argumentos?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Ter Jun 07, 2016 3:05 am

Os olhos de Andrew acompanharam cada um dos movimentos de Hyacinth com extrema atenção. Depois da pequena explosão da ruiva com suas repreensões, Ackerman achou que seria mais adequado que controlasse seus comentários e deixasse que Westphal se concentrasse em suas tarefas.

Nenhum outro tutor exigia tanto de seus pupilos e Andy sabia que estava deixando Hyacinth sobrecarregada. Treinos exaustivos também não eram a melhor solução, mas o medo de que a ruiva perdesse o controle com um dos poderes e acabasse revelando seu segredo ao mundo era capaz de tirar seu sono.

Andrew não conseguia se lembrar de ter sentido tanta preocupação por alguém antes, mas ele também precisava admitir que nunca havia visto alguém que se importava em uma situação tão delicada.

Além de suas responsabilidades como tutor, o sentimento que crescia a cada dia pela ruiva lhe servia de incentivo para que ele tentasse arrancar o melhor de sua evolução. A escolha dos brincos havia sido um pequeno mimo, como se intimamente Andrew estivesse pedindo desculpas pelo seu comportamento exagerado.

Ele finalmente sentiu seus ombros relaxarem quando Hyacinth completou a última tarefa e conseguiu retirar o saquinho de veludo de dentro da caixa lacrada.

As mangas da camisa social de listras cinzas foram puxadas até a altura dos cotovelos e Andrew cruzou os braços sobre a mesa, relaxando a postura. Ele concordou com um movimento da cabeça, exibindo um sorriso orgulhoso. Seus cabelos estavam completamente bagunçados, mas os cachos que apontavam para várias direções apenas contribuíam para o seu charme.

Ackerman definitivamente estava longe de parecer mais um dos professores daquela mansão. Embora fosse muito jovem, ele se esforçava para usar roupas mais sérias e parecer mais maduro, o que só o deixava mais atraente. A calça jeans era preta e cobria a perna que balançava inquieta sob a mesa, na expectativa do que Hyacinth acharia do presente.

- Sim, é pra você. Achei que fosse gostar...

Os olhos castanhos fitaram as mãos de Hyacinth quando a ruiva virou o saquinho de veludo em sua palma, revelando os brincos de safira. A peça era extremamente delicada, formando duas gotinhas de quase uma polegada. Sua borda era inteira em pequenos diamantes, rodeando a pedra de rubi de um azul idêntico aos olhos de Westphal.

Não precisava ser nenhum gênio para saber que a peça valia uma pequena fortuna, mas Andrew não se importava com o dinheiro gasto. No instante em que vira a delicada joia, ele imaginou em como elas brilhariam em contraste com os fios vermelhos.

- Não acho que seja prudente te levar para comer hambúrgueres outra vez. Dana está mais do que nunca controlando tudo. – Uma sombra passou pelos olhos de Ackerman por um segundo, mas o sorriso que ele exibiu em seguida fez com que o clima se suavizasse. – Mas eu queria te agradar de alguma forma.

Andrew mordeu o lábio inferior por um segundo, sendo impossível esconder a ansiedade de seu rosto bonito.

- Você gostou? Posso trocar, se você preferir... Eu não sabia se você preferia outra coisa, mas só conseguia pensar em como você ficaria linda usando esses.

O olhar de Ackerman finalmente repousou nas íris azuladas e ele sentiu o coração falhar uma batida. Era impressionante como ele ainda se admirava com a beleza de Hyacinth, como se descobrisse a cada dia como ela era encantadora.

- Ainda mais linda, é claro.
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