Escola de mutantes

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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Qui Jun 02, 2016 4:54 am

Enquanto Hyacinth se atropelava nas próprias palavras, Andrew começava a se sentir tonto com a avalanche de perguntas. Por mais que fosse inteligente e estivesse perfeitamente acostumado com aquele mundo, ele não sabia responder nem metade das dúvidas levantadas pela ruiva, e a teoria que parecia tão óbvia segundos atrás começava a surgir questionamentos

Embora também estivesse mergulhado em suas próprias questões, Ackerman conseguiu manter a calma diante do desespero de Westphal. Ignorando o próprio coração saltitante, ele sabia que precisava manter a racionalidade naquele momento.

- Calma, Cinty, respira... A gente pode não saber a real causa das suas dores de cabeça, mas posso lhe garantir que a falta de oxigênio só tende a piorar.

Um discreto sorriso brincava nos lábios do tutor. Relaxado contra a mesa, Andrew cruzou os braços contra o peito, respeitando o limite imposto por Hyacinth. Por um lado, toda sua euforia tinha um lado cômico, mas Andrew sabia que a situação era delicada demais para fazer brincadeiras.

- Não vamos nos precipitar, está bem? Nós não sabemos se você está “roubando” os nossos poderes. Ninguém mais pareceu ser afetado desde que você chegou, além de você mesma. E a Dana jamais te expulsaria da escola, Cinty. Você definitivamente não conhece aquela mulher... Ela seria capaz de te abrigar debaixo da própria asa se alguém ousasse levantar esta hipótese.

Andrew soltou um longo suspiro e levou uma das mãos ao próprio queixo, o olhar perdido por alguns segundos enquanto ele refletia, tentando encontrar uma solução para os problemas de Hyacinth.

- Eu não acho que seja impossível que este seja o seu poder. Acredite em mim, eu já vi coisas incríveis e inimagináveis acontecerem. Cada um desenvolve de uma forma, Cinty.

Lentamente, Ackerman se levantou da beira da mesa e se aproximou de Hyacinth, tocando-a nas laterais dos braços suavemente. Seu impulso era de puxar a ruiva para perto, mas com medo de assustá-la com a ideia de que ele estivesse sendo “prejudicado” com aquela proximidade, Andrew manteve os movimentos calmos.

- Só o que sabemos agora é que você manifestou dois poderes diferentes. Nada além disso. Não há motivo algum para se desesperar. – Uma das mãos de Andrew foi erguida e ele deslizou pelos fios ruivos, colocando-os para trás do ombro de Cinty. – Eu acho que a nossa melhor saída é contar para a Dana. Ela pode não saber responder suas dúvidas, mas com certeza tem experiência o bastante para te ajudar a encontrar as respostas.

Os olhos castanhos passearam pelo rosto de Hyacinth e Andrew espremeu os lábios por um segundo, tentando passar toda calma possível para a menina.

- Promete para mim que não vai cometer nenhuma loucura até descobrirmos o que realmente está acontecendo?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Jun 02, 2016 8:24 pm

Se fosse qualquer outra garota, Kevin não teria perdido a oportunidade de unir seus lábios aos dela quando os dois se encararam com os rostos tão próximos. Foi preciso muito autocontrole para não ceder à tentação de beijar os lábios de Davina, de mergulhar o rosto nos cabelos perfumados dela ou de experimentar a textura macia de sua pele.

O medo de estragar tudo foi a única coisa capaz de conter os instintos de Templeton. Ele já havia levado um fora de Davina há poucos dias e não queria reforçar a imagem negativa que a amiga tinha sobre o comportamento dele. Ackerman nunca o levaria a sério se Kevin continuasse agindo como um conquistador que não consegue se segurar diante de uma menina.

Por enquanto, o rapaz tinha que se contentar com aquela distância. Não era exatamente o que Kevin queria, mas Templeton já se sentia grato por poder se sentar ao lado da colega, por sentir o perfume delicado dela e por compartilhar um balde de pipocas. Ele ainda não sabia como mostrar a Davina que estava disposto a mudar por uma chance dela, mas certamente estava se esforçando para isso. No último dia inteiro, Kevin sequer falara de outra garota. Podia parecer uma grande bobagem, mas isso era um recorde para os padrões dele.

A frustração de Hugo provocou uma sincera compaixão em Kevin. O amigo havia planejado aquele encontro o dia todo e era injusto que Hyacinth sequer aparecesse na sala. Por um breve momento, Templeton sentiu-se culpado porque, de certa forma, ele havia usado o interesse de Hugo na novata para se aproximar de Davina. No fim das contas, eram Hugo e Hyacinth que estavam sendo usados como degraus para a aproximação dos outros dois amigos.

Embora tivesse participado ativamente da escolha do filme, Kevin não parecia nada interessado nas cenas que se sucediam na tela da enorme televisão. Era difícil se concentrar em qualquer outra coisa com Davina ao seu lado, sentindo o perfume e o calor gostoso que vinha do corpo da colega.

Quando a colega adormeceu e deslizou na direção do ombro dele, Templeton teve um pequeno sobressalto. Um calor se espalhou por seu peito enquanto ele baixava os olhos para admirar a expressão serena de Davina.

Por mais que não gostasse da ideia de que estava se aproveitando da situação, Kevin não resistiu à tentação de deslizar um dos braços carinhosamente pelas costas de Davina. Delicadamente, Templeton a puxou para mais perto, fazendo com que a cabeça da amiga se recostasse de forma mais confortável junto ao seu peito. Com o queixo apoiado no topo da cabeça de Ackerman, era quase enlouquecedora a sensação de sentir de tão perto o cheiro perfumado dos fios cor de mel.

O filme simplesmente não existia mais. Alguns colegas ainda estavam por perto acompanhando as últimas cenas, mas para Kevin não havia nada além da garota adormecida em seus braços. Os dois estavam relativamente protegidos pela penumbra da sala, de forma que ninguém viu quando Templeton cedeu à tentação de deslizar os lábios nos cabelos de Davina até alcançar a testa dela com um beijo.

Não era o tipo de beijo malicioso ao qual Kevin estava habituado. Pela primeira vez, era uma sincera manifestação de cuidado e de carinho, sem nenhum tipo de segundas intenções.

A maior prova de que Templeton não pretendia intensificar a investida veio quando o rapaz também cedeu ao cansaço daquele dia cheio. A ideia inicial era abaixar as pálpebras por alguns minutos para descansar, mas não demorou para que Kevin estivesse tão profundamente adormecido quanto a colega.

Com um dos braços, Kevin manteve Davina enlaçada junto ao seu peito. A mão livre instintivamente procurou pela dela e os dedos se entrelaçaram, intensificando o contraste entre a delicadeza dela e os dedos mais compridos dele.

Teria sido um momento doce e inocente, mas ao fim do filme os colegas finalmente notaram a posição comprometedora assumida pelos dois. O mais óbvio era concluir que Davina fora mais uma das tolas que caíam na lábia de Kevin e os amigos não perdoaram aquela fofoca.

Com o celular, uma das meninas – que obviamente já havia sido uma vítima de Templeton – tirou uma foto do casalzinho. Para ela, aquilo era um troféu contra Davina, que sempre havia enchido o peito de orgulho para dizer que não enxergava nada especial em Kevin. Sem piedade, a menina publicou a foto na página do Facebook de Davina com a legenda:

“Quem dizia que era imune ao charme dos canalhas?”

Como estava fuçando o celular no instante em que a foto foi postada, Aphrodite foi uma das primeiras a curtir a publicação. Sem dúvida, a loira estava vibrando com a novidade. Willis tinha certeza de que Davina se apaixonaria e que Templeton a trataria com o mesmo desinteresse que tinha por todas as garotas com quem já tinha ficado uma vez. O primeiro comentário feito na foto veio do perfil de Aphrodite:

“Ninguém é imune a este canalha, a Davina só demorou mais que o normal para perceber isso. A lentidão está se tornando a marca registrada dela.”
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Qui Jun 02, 2016 9:58 pm

- É possível...

Sentada atrás de uma mesa de mármore, Dana escutou atentamente cada palavra dita por Hyacinth e Andrew. Os dois jovens estavam visivelmente ansiosos quando procuraram pela diretora ainda naquela noite para contar as últimas novidades sobre a mutação de Westphal. No começo, Dana manteve a serenidade de sempre. Ao fim das explicações, contudo, nem mesmo toda a experiência da mulher serviu para que Dana ficasse tranquila diante daquela hipótese.

- Isso explicaria muita coisa. – a loira pontuava as ponderações de forma concentrada, como se estivesse juntando as peças soltas na própria cabeça – Não é comum que os jovens demonstrem tanto controle de suas habilidades no começo. A intangibilidade tão evoluída da Hyacinth pode ser um sinal de que ela herdou não só o poder do Chevalier, como também o controle que ele tem sobre a habilidade.

- Como isso funciona? – Hyacinth deslizou na cadeira, sentando-se na pontinha do assento. As mãos apoiadas sobre o mármore gelado tremiam de leve – É como se eu roubasse os poderes das outras pessoas?

- Eu sinceramente não sei, querida. Mas imagino que não seja este o caso. O professor Chevalier continua exercendo suas funções normalmente, mesmo depois que você demonstrou sinais de intangibilidade. Eu acredito que você tem o poder de reconhecer as mutações e incorporá-las no seu DNA. Isso também explica as dores de cabeça, já que você está cercada de mutantes e, portanto, está constantemente exposta a novas mutações.

Tudo aquilo era absurdamente assustador para Hyacinth. Pensar que aquelas dores de cabeça nunca melhorariam era frustrante. Sempre que um mutante diferente se aproximasse dela, o pesadelo retornaria.

- Esses poderes...? São temporários? – Cinty trocou um olhar inseguro com Andrew antes de se voltar para a diretora – Eu ficarei com eles para sempre ou eles serão substituídos quando outros novos surgirem? Tem algum limite para o número de habilidades que eu posso ter ao mesmo tempo? Quer dizer, eu estou rodeada de mutantes... O meu DNA não pode “explodir” com tantas mutações?

- Eu não sei. – a frustração ficou claramente refletida no semblante de Dana – Sinceramente não sei, Cinty. Não tenho nenhuma familiaridade com o seu poder, eu realmente não sei o que esperar dele.

A loira soltou um suspiro enquanto se esticava sobre a mesa de mármore. Por meio segundo, Dana hesitou antes de tocar a aluna. Mas o receio foi abandonado quando a diretora se lembrou que já havia tocado em Hyacinth muitas vezes. A ruiva agora, muito provavelmente, já herdara a sua longevidade. Dana fez uma carícia numa das mãos trêmulas de Westphal antes de buscar pelos olhos da menina.

- Você não está sozinha nisso. O professor Ackerman e eu vamos ajudá-la a encontrar todas as respostas e a lidar com a sua mutação da melhor maneira possível. Mas, por enquanto, acho mais sensato manter esta informação apenas entre nós três. Esta novidade pode gerar um pânico desnecessário nos demais e não temos nenhuma resposta concreta para as perguntas que virão. Eu mesma direi ao Chevalier que achei melhor que o Andrew voltasse a ser o seu tutor.

Era uma decisão sensata esconder a verdade dos demais alunos. A última coisa que Hyacinth precisava era que os amigos se afastassem dela por medo de perderem os próprios poderes. Contudo, as palavras de Dana deixavam claro que ela também pretendia esconder aquilo dos outros tutores. Cinty estava ansiosa demais para perceber isso, mas um bom observador certamente notaria que Dana não estava verbalizando todas as suas preocupações.

- Por enquanto, a única recomendação que dou a você é evitar contatos próximos com seus colegas. Evite entrar em aglomerações, policie-se para não tocar ou encostar em mais ninguém. É uma questão de segurança para os outros, mas também para você. Eu realmente não sei se o seu DNA suportaria tantas mutações. Tente se controlar para manter o nosso segredo seguro e procure por mim ou pelo professor Ackerman se qualquer coisa diferente acontecer, está bem?

A cabeça de Hyacinth se moveu afirmativamente, embora ela não estivesse certa de que conseguiria seguir aquelas recomendações. A mansão estava lotada de jovens mutantes e professores, era praticamente impossível continuar frequentando as aulas, o refeitório e os dormitórios sem ter contato direto com ninguém.

Westphal foi liberada, mas Dana pediu que Andrew ficasse um pouco mais. A expressão serena da diretora se quebrou em mil pedaços no instante em que Hyacinth saiu e fechou a porta. Pela primeira vez na vida, Ackerman veria a loira com um semblante tenso e angustiado.

- Eu queria muito que você estivesse errado, Andrew, mas infelizmente acho que é uma excelente hipótese. Isso explicaria tudo.

Embora fosse um rapaz inteligente e um mutante extremamente capacitado, Ackerman ainda era jovem demais e não tinha um milésimo da experiência de vida de Dana. Ao notar que Andrew não entendia as suas preocupações, Dana explicou com uma entonação amargurada.

- Esta não é uma mutação inédita. É extremamente rara, mas já houve relatos de outros mutantes com um poder semelhante. Você dificilmente vai encontrar essas informações nos livros porque elas são abafadas. O poder da Hyacinth é uma das coisas mais ameaçadoras da nossa história, Andy.

Inquieta, Dana se levantou de sua confortável cadeira e circulou pelo amplo escritório. Enquanto falava, a loira parou diante de uma estante e começou a vasculhar as pastas de seu arquivo pessoal.

- Eu nunca conheci pessoalmente ninguém com tal poder, mas alguns velhos amigos contavam histórias fantásticas sobre mutantes invencíveis, capazes de fazer qualquer coisa, completamente incontroláveis. O caso mais famoso está aqui...

De dentro de uma das pastas, Dana retirou um recorte de jornal antigo que só circulava entre os mutantes. A página exibia a data de 1939 e a manchete era “Incarna ataca novamente: será o fim de todos nós?”. Logo abaixo do título havia o desenho com o retrato falado de um homem jovem, com traços bonitos e um olhar maldoso. Uma pequena cicatriz provocava uma falha em uma de suas sobrancelhas negras.

- A imprensa da época o chamou de “Incarna”, uma jogada de publicidade com o fato dele “encarnar” em si os poderes de todos os mutantes em quem tocava. Não havia nenhuma informação oficial sobre ele, mas várias testemunhas surgiam com relatos cada vez mais exagerados sobre as habilidades dele. Não parecia existir limites, a capacidade de absorção era infinita e ele dominava todos os poderes com perfeição. Isso gerou um enorme pânico na época e o Incarna começou a ser caçado como uma ameaça.

Dana suspirou pesadamente antes de ocupar a sua cadeira mais uma vez.

- Ele nunca foi encontrado. Com o passar do tempo, o assunto começou a ser tratado como uma lenda e caiu no esquecimento. Mas pense, Andy... Um mutante com poderes ilimitados jamais seria encontrado se não quisesse ser. Eu aposto como ele ainda está por aí... E talvez a Cinty seja uma descendente dele. As origens paternas dela estão muito bem documentadas e são inteiramente humanas, mas o Sr. Westphal sabe muito pouco sobre a família da falecida esposa. Nada impede que um avô ou um bisavô tenha sido um mutante. Eu duvido muito que a Hyacinth seja a primeira de sua linhagem.

Aquela já era uma hipótese que circulava pela cabeça de Dana desde o primeiro contato com os Westphal. Era raro que surgisse um mutante em uma família completamente humana. Quando isso acontecia, era muito mais fácil concluir que os genes mutantes vinham de algum parente distante que escondia seus poderes. Como Bruce não conhecera nenhum dos avós da esposa, Dana logo interrogou as origens maternas de Hyacinth.

- Eu vou entender se você não quiser assumir tamanha responsabilidade, Andy. É seu primeiro ano como tutor e eu não posso exigir que você acompanhe um dos casos mais complexos que já acolhemos nesta escola. Nem eu sei o que esperar da Hyacinth, ou como ajudá-la a enfrentar isso. Eu só sei que temos que protegê-la, por isso não quero que esta informação vaze. Eu posso confiar na sua discrição?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Sex Jun 03, 2016 2:23 am

Quando Davina acordou na sala escura de mídia, encontrou o lugar vazio, apenas com a presença de Kevin. Ela precisou de alguns segundos para entender o que havia acontecido e sentiu as bochechas esquentarem quando percebeu que estava nos braços de Templeton, tão confortável quanto em suas lembranças implantadas.

Visto de perto, o rosto de Kevin era ainda mais bonito e Davina se surpreendeu por nunca ter reparado no formato perfeito dos seus lábios. Antes que acabasse sendo levada pelo impulso de beijá-lo, Ackerman se remexeu, se soltando por completo dos braços de Templetno. O movimento acabou despertando Kevin de seu sono, mas Davina já havia se colocado de pé e ajeitava os próprios cabelos, constrangida.

Se fosse em circunstancias normais, Davina teria explodido com o rapaz por tamanha intimidade, mas intimamente, ela sentia borboletas no estômago e tentada a voltar para os braços de Templeton.

- Você ronca, sabia?

Mesmo com a voz rouca de sono, Templeton conseguiria identificar o tom de brincadeira da colega.

A mansão estava mergulhada em um silencio reconfortante durante todo o caminho que Davina e Kevin percorreram até o andar dos quartos. Quando alcançaram o ponto em que separava a ala feminina e masculina, a menina ainda estava com uma expressão sonolenta, mas não hesitou em ficar nas pontas dos pés e depositar um beijo estalado na bochecha de Templeton.

Apenas quando o dia amanheceu, Davina viu seu mundo virar de ponta cabeça. A foto tirada na noite anterior parecia completamente inofensiva, como se fosse apenas um casal de namorados que havia dormido no meio de um filme. Mas qualquer um que conhecesse o histórico de Templeton ou de Ackerman sabia o quão errado aquilo parecia.

O comentário de Aphrodite encabeçava uma lista longa de piadas e alfinetadas cruéis. Não havia uma única menina que não tivesse passado pelas mãos de Templeton que não tivesse tido o prazer de ser cruel com Davina diante daquela foto.

Além da humilhação, Ackerman se sentia destruída, completamente traída e acima de tudo, uma grande idiota. Ela estava acostumada ser o alvo de brincadeiras maliciosas dos colegas, mas nunca havia chegado a um patamar tão elevado.

Para piorar, Davina sentia raiva do tamanho de sua estupidez, afinal ela havia de fato se derretido por Templeton. E a confiança que ela começava a sentir pelo rapaz foi completamente destruída ao imaginar que Kevin havia se aproveitado daquela situação. Ela certamente teria sido mais uma de sua lista se não tivesse acordado, mesmo que um pouco tarde demais.

Sentindo-se envergonhada demais, Davina não apareceu no café da manhã e nem nas primeiras aulas. Ela queria desaparecer e não precisar nunca mais voltar para a mansão. Sabendo que não poderia viver nas cavernas para o resto dos seus dias, Ackerman finalmente se deu por vencida no início da tarde, quando teria uma hora inteira de natação.

Os comentários e risinhos a acompanharam por todo o caminho, mas Davina já estava preparada para aquilo. O que ela não esperava era ver o rosto de Kevin tão cedo. Com o semblante fechado e sem a mínima disposição para ser educada, Ackerman girou os olhos e virou as costas para o rapaz, voltando para o interior da mansão.

Antes de desaparecer, ela ainda resmungou entredentes, com a certeza de que Hugo, ao lado de Kevin, ouviria com perfeição.

- Se o seu amigo tem a menor intenção de manter a cabeça sobre o pescoço, mantenha ele fora do meu caminho pelo resto da sua vida, Hugo.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Sex Jun 03, 2016 3:08 am

- Por que é tão difícil acreditar em mim? Não aconteceu nada!

O olhar de descrença dos dois melhores amigos provou para Kevin que seu histórico como conquistador não era compatível com a inocência que ele alegava. Se nem Hugo e Theodore acreditavam que Kevin e Davina somente pegaram no sono juntos, ninguém mais naquela mansão daria ouvidos à verdade.

- Não é o que parece. – Theo acrescentou com uma entonação cuidadosa – Bom, Kev. Você construiu uma fama e agora precisa lidar com ela...

Normalmente, Templeton não se importaria com um mal entendido como aquele. Mas aquela fofoca e os comentários maldosos abaixo da foto praticamente anulavam qualquer chance que ele pudesse ter com Davina. Era muito injusto que Kevin fracassasse depois de ter feito tamanho esforço para merecer a atenção da colega.

A ausência de Ackerman no refeitório e nas aulas daquela manhã mostrava que a garota havia ficado chateada com o ocorrido. E, para desespero de Templeton, quando Davina finalmente saiu do quarto foi para deixar claro que ela também o culpava pelos últimos acontecimentos.

- Ela está brava. – Hugo tentou alertar o amigo quando viu Kevin se levantar para seguir os passos da menina – Tipo, ela está MUITO brava, Kev.

As palavras de Hugo foram completamente ignoradas. Com passos rápidos, Templeton contornou as margens da piscina e precisou acelerar ainda mais a corrida para alcançar Davina. A menina ainda estava na área externa da mansão quando os dedos de Kevin rodearam o braço dela, colocando um fim naquela fuga.

- Por que está com raiva de mim? Eu não tenho culpa se qualquer retardado pode ter uma conta no Facebook.

Naquela tarde, Templeton havia optado por uma pele discretamente mais amorenada, como se estivesse voltando de uma viagem pelo litoral. Os cabelos castanhos e cacheados eram os de sempre, assim como as íris esverdeadas que Kevin usava com bastante frequência. Como estava prestes a iniciar uma aula de natação, o rapaz usava somente um short, uma regata branca e chinelos, além de uma toalha pendurada em um dos ombros.

- Não aconteceu nada, Davs. Você estava lá, lembra? Você sabe perfeitamente que nós dois só pegamos no sono. Eu sei que a minha fama não é nada admirável, mas chega a ser ofensivo que você pense que eu me aproveitaria do seu sono para fazer qualquer coisa sem o seu consentimento!

Para evitar que a colega o deixasse falando sozinho, Kevin deslizou para a frente de Davina, ficando bem no caminho entre ela e a porta de entrada para a mansão. Os dois estavam em um ponto lateral do jardim e, como todos tinham atividades naquele momento, a conversa dos jovens contava com a privacidade que eles precisavam.

- Escute, Davs. – Kevin suspirou ao decidir ser sincero com a amiga. Era uma jogada arriscada, mas ele ao menos teria a consciência tranquila de que não mentira para Davina – Não vou mentir para você. Eu forcei a barra naquela noite da festa, eu estava meio alto e com a cabeça cheia de problemas. Embora eu não me orgulhe daquilo, a verdade é que eu gosto de você de verdade e queria que fôssemos mais que meros colegas.

Templeton deu um passo para frente e não resistiu à tentação de deslizar as pontas dos dedos no rosto delicado de Ackerman.

- A minha ideia inicial era me aproximar com mais cuidado, era provar para você que eu não queria somente mais um nome na minha lista. Mas aquela foto estragou tudo. Eu sei que fiz por merecer o julgamento que você e os outros fazem de mim, mas ainda assim estou te pedindo uma chance.

Pela primeira vez na vida, Kevin se sentia absurdamente ansioso e inseguro diante de uma garota. Era a primeira vez que ele se importava de verdade com a opinião de uma menina e que não pensava em nenhuma outra que pudesse lhe servir de consolo no caso de uma recusa de Davina.

- Você é especial, Davs. Eu não teria revelado a você o meu maior segredo se te enxergasse como só mais uma garota. Se você gosta de mim, mesmo que seja só um pouquinho... – Kevin aproximou o indicador do polegar - ...me dê uma chance. Eu prometo que não vou te decepcionar. Eu prometo que você nunca vai se arrepender, eu só preciso de uma chance para te mostrar que estou disposto a mudar. Por você.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sex Jun 03, 2016 4:29 am

Talvez fosse a falta de experiência de Andrew que o permitira entrar naquela sala, no início da noite, acreditando que a novidade de Hyacinth era positiva. Para o jovem tutor, embora ainda estivesse soterrado de perguntas, a ruiva tinha um poder incrível e que respondia por suas constantes indisposições.

Porém, antes mesmo que Dana começasse a falar, o professor pôde perceber em seu olhar que ela não tinha a mesma opinião. Durante toda a narração da professora, Ackerman permaneceu calado, tentando digerir a avalanche de informações que recebia, se sentindo ainda mais confuso do que momentos antes, quando Cinth surgiu em sua sala.

Por saber que Westphal jamais seria capaz de usar seus poderes para destinos errados, parecia surreal demais imaginar que alguém pudesse acha-la perigosa. Mas bastava imaginar qualquer outra pessoa com aquela capacidade para provocar um arrepio na nuca de Andrew. Seria perfeitamente normal que as pessoas temessem Cinth, porque era natural do ser humano temer aquilo que eles eram incapazes de controlar.

Embora não tivesse ideia do que o futuro de Hyacinth lhe reservava, uma única certeza estava cravada no peito de Ackerman. Ele seria incapaz de virar as costas para ruiva. Pensar que qualquer um poderia se voltar contra ela lhe despertava um instinto protetor, com toda convicção de que ele usaria até o último fio de suas energias para protege-la.

- Você pode confiar inteiramente em mim, Dana. – Pela primeira vez, os traços jovens do professor estavam contorcidos em um semblante tão sério que ele aparentava ser mais velho. – E pode contar comigo para estar ao lado da Hyacinth. Vou fazer o que estiver ao meu alcance.

Os olhos castanhos baixaram para a pasta com os jornais amarelados de Dana por um segundo antes de se voltarem para a loira.

- Se importa que eu fique com isso? Prometo devolver, eu só gostaria de ler com calma.

Com um suspiro, Dana empurrou a pasta na direção de Ackerman com as pontas dos dedos.

- Fique à vontade, Andy. Mas lhe garanto que você não encontrará suas respostas aí.

***

Ser professor era uma atividade demasiada exaustiva. Além das tarefas que englobavam todos os alunos da mansão, Andrew também precisava se dedicar aos casos que lhe eram destinados, tentando alavancar os poderes e ensinar seus pupilos a controla-los.

Quando ele havia aceitado a proposta de ser professor, Andrew achou que seu maior desafio seria estar sob o mesmo teto de Davina, sabendo que a irmã era uma das alunas que mais carecia de instruções. Porém, todo o seu foco havia se transformado para a nova moradora. A cada dia, Andrew tinha mais certeza que sua preocupação ia além do limite aceitável de um professor ou colega.

Suas horas de lazer ou descanso haviam sido praticamente anuladas para que ele pudesse se dedicar em estudar o caso de Westphal. Ackerman começava a carregar consigo um caderno rabiscado de anotações, fórmulas, teorias e ideias. Os resultados dos exames de Hyacinth já haviam sido praticamente decorados pelo professor.

O horário do jantar se aproximava, o que significava que o primeiro andar estava muito mais movimentado quando Andrew seguiu pelo corredor dos quartos das alunas. Ele parou diante da porta já conhecida do quarto de Davina e bateu na madeira com os nós dos dedos.

Não foi surpresa alguma quando os olhos azuis de Westphal lhe receberam quando a porta foi aberta. Andrew havia acabado de deixar a biblioteca após ter certeza que a irmã estava mergulhada em livros, indicando que a ruiva certamente estaria sozinha.

Os cabelos de Andrew estavam bagunçados, os fios ondulados denunciando o desleixo com sua aparência, ainda mais quando somada com a camisa social amarrotada. As mangas haviam sido puxadas até a altura dos cotovelos, mas nem isso era capaz de abafar a beleza do professor.

Ackerman não se esforçou para sorrir, seus olhos castanhos mostrando a sincera preocupação.

- Hey... Davina me disse que você estava com dores outra vez. – Andy apoiou a mão no batente da porta, controlando o impulso de entrar no quarto que ele já conhecia tão bem. – Eu vim ajudar.

Antes que Hyacinth concluísse o óbvio, Andrew ergueu a outra mão diante dos olhos da menina, revelando chaves de carro presas em seu indicador.

- Nós vamos dar uma volta. Em algum lugar bem longe de mutantes.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Sex Jun 03, 2016 4:29 am

Aquela parecia ser exatamente mais uma das tantas cenas que Aphrodite havia implantado na mente de Davina. O olhar sincero de Kevin, suas palavras doces e a esperança de que ela pudesse realmente ser diferente eram a composição ideal do que Ackerman vinha desejando nos últimos dias.

A diferença era que Ackerman sabia que aquela não era uma memória falsa. Templeton estava mesmo ali, lhe dizendo exatamente o que ela queria ouvir, fazendo seu coração saltitar. O problema era que Davina se sentia exatamente como tantas outras meninas já conquistadas por Kevin.

Ela se jogaria em seus braços sem pensar duas vezes se fosse agir apenas pelos seus desejos. Mas sua mente lhe gritava para ser racional. A escola inteira já acreditava que ela era mais uma das vítimas de Templeton, mas ela jamais se perdoaria se realmente levasse aquilo adiante e acabasse largada, de coração partido e chorando, como já havia visto acontecer tantas vezes.

Como se estivesse refletindo o conflito que a menina vivia internamente, um trovão se fez ouvir repentinamente. Haviam poucas nuvens no céu e sem indícios de que o tempo iria mudar, mas intimamente, Davina sabia que era mais um dos sinais do seu descontrole emocional. Dana já havia repetido exaustivamente que o maior obstáculo para o controle de seus poderes era a falta de domar os próprios sentimentos.

- Não. – Davina finalmente conseguiu que algum som escapasse de sua garganta, balançando a cabeça em negação. – Não, você nunca vai mudar, Kevin. Você tem noção de quantas vezes eu vi a Carol chorar por causa de você? O que você dizia para ela, que também estava disposto a mudar por causa dela?

O coração de Davina se comprimiu, como se o próprio corpo estivesse recriminando sua decisão. A luz do sol foi ofuscada quando uma grande nuvem o bloqueou, mas os olhos castanhos continuaram presos nos de Kevin.

- Eu fico lisonjeada que você tenha confiado em mim ao me contar o seu segredo, mas isso só significa que nós somos amigos. Sinto muito, Kevin, mas é só assim que eu enxergo você.

As últimas palavras foram ditas sem que Davina tivesse coragem de encará-lo, porque ela sabia que seu olhar diria exatamente o contrário.

Poderia ser sufocante ter que fazer aquela escolha, mas Ackerman tinha certeza que ainda era a melhor saída. A dor seria ainda pior se ela abrisse seu coração a Templeton, apenas para ser desiludida pouco depois.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sab Jun 04, 2016 1:16 am

Era praticamente impossível seguir criteriosamente as recomendações de Dana. Nos dias que se seguiram à grande revelação sobre seus reais poderes, Hyacinth precisou se esforçar muito para manter-se afastada dos colegas e, principalmente, para que nenhum deles descobrisse a verdade. Para a ruiva, era ainda mais difícil manter Davina afastada daquele assunto. Além de detestar a sensação de esconder algo da amiga, Westphal passava tempo demais ao lado dela e precisava se policiar todo o tempo para que a irmã de Andrew não notasse nada estranho.

Apesar de estar se esforçando muito, Hyacinth cometera um erro naquela tarde. Ao fim de uma das aulas de Megale, a ruiva estava organizando a bolsa para deixar a sala quando Hugo se aproximou. Os músculos da menina se retesaram, mas ela ofereceu um sorriso simpático ao colega enquanto Hugo tagarelava.

- O que acha de fazermos alguma coisa depois do jantar? – era nítido que o rapaz estava bastante ansioso – Pode ser um filme, um seriado, alguma brincadeira na sala de jogos... Você tem estudado demais, vai acabar ficando maluca, sabia?

Aquela era uma frase que Hyacinth vinha escutando com bastante frequência nos últimos dias. Desde que Andrew levantara aquela hipótese para a mutação dela, a ruiva vinha devorando livros e jornais antigos na esperança de encontrar qualquer informação sobre a sua condição. Infelizmente, Westphal não havia chegado a nenhuma resposta concreta e permanecia extremamente insegura quanto ao seu futuro.

- Eu não sei. Estou com alguns trabalhos atrasados, pensei em adiantar as coisas depois do jantar... Talvez outro dia, Hugo. Mas obrigada pelo convite.

A resposta de Hyacinth foi extremamente gentil, mas não evitou que Hugo ficasse frustrado. Foi num gesto totalmente inocente que o rapaz ergueu uma das mãos na direção de Westphal numa tentativa de puxar os livros dos braços dela.

- Ao menos deixe que eu carregue para você, deve estar pesado.

- Não me toque!

A forma como Hyacinth saltou para trás fez com que Hugo arregalasse os olhos e afastasse os dedos rapidamente. O rapaz experimentou a sensação de um soco na boca do estômago ao pensar que Westphal sentia tanta aversão por ele que não queria sequer um contato com os seus dedos.

- Eu preciso ir, estou com aquela dor de cabeça de novo. Desculpa, Hugo.

Depois de pendurar a alça da bolsa num dos ombros, Hyacinth deu meia volta e saiu da sala com passos apressados, deixando para trás um colega completamente confuso e magoado.

As dores de cabeça ainda a incomodavam. Mas, para alívio da ruiva, a intensidade da dor parecia menor a cada dia. Dana tinha a otimista opinião de que, quando Westphal finalmente incorporasse por completo o poder de Andrew, as dores sumiriam.

Como de costume, Hyacinth estava no quarto enquanto os colegas se aglomeravam no primeiro andar esperando pelo jantar. Nos últimos dias, a ruiva fazia o possível para evitar os horários de maior movimento na mansão. Para isso, Westphal estava chegando às aulas com vários minutos de atraso e ocupava as cadeiras mais ao fundo da sala. Alguns tutores reclamaram com Andrew sobre o comportamento de sua pupila, mas é claro que Ackerman entendia perfeitamente as razões da ruiva.

Quando ouviu batidas na porta do seu dormitório, Cinty imaginou que seria outro colega com mais um convite para que ela se juntasse ao grupo. A ruiva já ensaiava uma boa desculpa quando abriu a porta, por isso não conseguiu disfarçar a surpresa ao dar de cara com o professor.

Por mais que Hyacinth tentasse ser racional, seu coração ainda saltitava por Andrew. A garota tentava se convencer de que o beijo de dias atrás fora um tropeço que jamais se repetiria e que Ackerman estava profundamente arrependido de tal falha. Ainda assim, era impossível ser indiferente a ele. Mesmo com o tutor parecendo exausto e com aquela aparência mais desleixada, Cinty não conseguia conter o desejo de provar novamente o sabor dos lábios de Andrew.

Desde que os dois voltaram a ser aluna e tutor, as coisas estavam um pouco estranhas. Mas a preocupação com a mutação incomum de Hyacinth era tão grande que nenhum dos dois se importava tanto com o constrangimento gerado pelo beijo. Como Dana também participava de todos os encontros para discutir os progressos da ruiva, Hyacinth e Andrew não passavam de fato muito tempo sozinhos.

A proposta daquela noite a pegou de surpresa, mas a forma como os olhos azuis brilharam mostrava que Hyacinth havia adorado a ideia. Tudo o que ela precisava era de algumas horas longe daquela mansão, num lugar onde não precisaria se preocupar se alguém esbarraria ou tentaria encostar nela.

- Eu só preciso de dois minutos!

A porta foi mantida entreaberta enquanto Westphal saltitava de volta ao interior do quarto. A garota manteve a calça jeans escura que usava naquela noite, assim como a camisa lilás de botões. De dentro do armário que dividia com Davina foi tirada uma jaqueta e Hyacinth substituiu seus confortáveis chinelos por um par de botas.

Em poucos minutos, Hyacinth estava de volta à porta. Os cabelos ruivos estavam soltos às costas dela, com somente uma mecha presa na lateral por uma delicada presilha. A garota pendurou uma bolsinha no ombro antes de voltar os olhos para o professor. Não importava se a sua única companhia seria Andrew e Westphal nem fazia questão de saber aonde iriam. Para ela, bastava saber que seriam algumas horas de paz.

- Vamos?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Jun 04, 2016 1:46 am

O trovão inesperado fez com que Kevin encolhesse os ombros e erguesse os olhos para o céu. Algumas nuvens se acumulavam em determinados pontos, mas definitivamente não parecia haver uma tempestade a caminho. Portanto, a única explicação lógica era que Davina estava usando seus poderes de forma impulsiva. O controle do clima era uma habilidade bastante respeitada no mundo dos mutantes, o problema era que a caçula dos Ackerman demonstrava um domínio muito pobre do seu poder.

Templeton poderia até ter sentido pena dela, mas a resposta de Davina mudou completamente o rumo do raciocínio do rapaz. Kevin não estava acostumado a ouvir negativas das garotas, mas sem dúvida aquele “não” foi ainda mais doloroso por ter vindo dos lábios de Ackerman. Era mesmo uma ironia do destino que Templeton não conseguisse conquistar justamente a menina de quem gostava de verdade.

As críticas e as comparações feitas por Davina machucaram mais o rapaz do que um soco. A falta de confiança dela era como um castigo. Kevin havia construído uma fama e agora, graças a ela, perderia a chance de ficar com uma garota especial. Certamente a legião de meninas iludidas por ele se sentiriam vingadas se soubessem a mágoa que se espalhava pelo corpo de Templeton agora.

- Se você me enxerga como um amigo, não deveria duvidar da minha palavra. Confiança é algo básico para chamar uma relação de amizade, Davina.

Como não sabia o que fazer com as próprias mãos, Kevin as enfiou nos bolsos das calças para evitar a tentação de tocar na garota a sua frente. O semblante dele refletia uma mágoa sincera quando Templeton completou.

- Eu sei que você tem todos os motivos do mundo para duvidar de mim. Você conhece as piores páginas do meu histórico, Davs. Mas eu estou dizendo que seria diferente com você. Como eu posso mudar se não me derem uma chance?

Era a primeira vez na vida que Kevin insistia diante de uma garota. Geralmente o rapaz superava com facilidade as raras negativas que recebia e quase sempre se sentia vitorioso quando a mesma menina que o renegara começava a correr atrás dele. Mas Templeton sabia que não seria assim com Davina e não suportava a ideia de finalizar ali a chance de ser feliz com ela.

E Kevin só insistia porque o olhar de Ackerman a denunciava. Os lábios dela diziam que ele era apenas um amigo, mas a maneira como a menina desviava o olhar apontava na direção de uma mentira. Estava claro que os dois se gostavam e que aquilo poderia dar certo. Davina só tinha que ceder e assumir o risco.

- Como eu posso provar, Davs?

Templeton deu um passo na direção da garota e retirou uma das mãos do bolso. Os dedos tocaram delicadamente o rosto de Davina e o puxaram para a sua direção, obrigando a colega a encará-lo.

Os dois estavam tão próximos quanto ficavam nas cenas implantadas por Aphrodite. Mas nem mesmo a crueldade da loira conseguia reproduzir com tamanha perfeição os traços do rosto do rapaz, o perfume que vinha da pele dele e o desenho de seu sorriso. Os dedos dele deslizaram carinhosamente pelo rosto de Davina até alcançarem a nuca dela, pousando por baixo dos fios cor de mel.

- Eu não vou te magoar, Davs. É uma promessa.

A última sílaba já foi dita com os lábios de Kevin roçando nos lábios de Davina. Se a garota não se esquivasse, Templeton terminaria o seu discurso com um beijo. Mais uma vez, nem mesmo os detalhes tão minuciosos das memórias falsas de Aphrodite conseguiam ser tão fiéis à sensação e ao sabor dos lábios de Kevin.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sab Jun 04, 2016 2:21 am

Um largo sorriso surgiu nos lábios de Andrew quando Hyacinth aceitou seu convite. O plano inicial era apenas afastar a menina das preocupações por algumas horas e trazê-la de volta a vida normal que ela conhecia antes de toda confusão. Mas no fundo, o coração de Ackerman saltitava satisfeito com a possibilidade de ficar alguns momentos a sós com a ruiva.

Westphal havia se tornado o centro de sua ocupação. Fosse no seu trabalho como tutor, em suas preocupações com o futuro ou simplesmente quando sua mente começava a vagar, enumerando as qualidades da ruiva.

Ackerman já havia admitido que não era imune aos fios vermelhos que balançavam enquanto ela caminhava, ou nos intensos olhos azuis. Mas era sempre o raro sorriso sincero e o timbre de sua voz que faziam Andrew se esquecer do quão inadequado era aquele desejo.

Sem se preocupar com os possíveis olhares curiosos que encontrariam pelo caminho, Andrew guiou Hyacinth pela mansão até que alcançassem a garagem no subsolo. Havia uma fileira de carros estacionados, entre eles a blazer preta com que Dana havia trago Westphal em seu primeiro dia. Um bip soou quando Andrew apertou a chave em seus dedos e um sedan azul-acinzentado piscou, denunciando qual daqueles automóveis pertencia ao rapaz.

O interior do carro estava impecável e era impressionante. O modelo de última geração havia sido o mais recente presente do Sr. e Sra. Ackerman, mostrando que eles não se preocupavam em poupar dinheiro para agradar ao primogênito.

Andrew assumiu seu lugar ao volante e esperou que Cinty estivesse com o cinto para dar a partida. O motor era tão silencioso que só foi possível perceber que o carro estava ligado quando as rodas começaram a se mexer. Os faróis iluminaram o caminho até que eles estivessem novamente no térreo.

Em questão de minutos, a mansão foi deixada para trás enquanto Ackerman dirigiria na estrada escura. Embora estivesse concentrado na direção, era impossível não sentir a presença de Hyacinth, tão perto.

Uma música tocava baixinho, saindo do kit de mídia, e quando Andrew pegou uma reta, ele permitiu virar o rosto para encarar o perfil de Westphal. Era impossível olhar para Hyacinth e não curvar os lábios em um sorriso.

- Você tem alguma preferência de lugar? Posso deixar você escolher... – O sorriso dele se alargou antes de completar. – Acredite em mim, não é qualquer aluno que tem o privilégio de escapar assim. Eu lembro que no meu tempo era uma verdadeira aventura escapar dos olhos da Dana para comprar algumas cervejas no posto de gasolina.

Ao escutar as próprias palavras em voz alta, Andrew se obrigou a voltar o olhar para a estrada. A diferença de idade entre ele e Hyacinth não era nada monstruoso, mas era o suficiente para coloca-los em fases de vida muito diferentes. Sua posição como professor apenas tornava o abismo entre os dois ainda maior.

Como se tentasse amenizar a situação, Andrew franziu o nariz e buscou o rosto de Hyacinth mais uma vez.

- Apenas não conte nada para a Dana, está bem? Ela comeria o meu fígado naquele tempo e certamente arrancaria os meus olhos hoje mesmo, se descobrir que estou quebrando as regras.

Os olhos castanhos se voltaram para a direção quando Andrew fez uma curva mais acentuada e ele encolheu os ombros, tentando se justificar.

- É que a Dana tem aquele rosto de mocinha, mas nós sabemos que não é bem a realidade, não é? As vezes ela não entende que o melhor remédio é simplesmente escapar e relaxar um pouco.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Sab Jun 04, 2016 2:49 am

No instante em que Kevin começou a se aproximar, Davina já imaginava o que estava por vir. Aphrodite já havia implantado memórias suficientes em sua mente para ela deduzir quais seriam os próximos movimentos do rapaz, mas nem por isso ela foi capaz de se mexer.

As nuvens no céu começaram a se locomover de forma mais acelerada, mas os olhos castanhos estavam presos nas íris azuis e sequer notava a movimentação no céu.

Era fácil manter o seu discurso de imunidade quando Templeto não estava tão próximo. Ela quase conseguia ser a mesma Davina de sempre. Mas bastou que Kevin tocasse seu rosto para que Ackerman sentisse o corpo relaxar.

Se estivesse conseguindo raciocinar normalmente, Davina se odiaria naquele momento. Ela havia se tornado exatamente mais uma das meninas que ela tanto julgava, que ela acreditava serem idiotas demais por não conseguirem manter o controle diante de um rapaz. Era exatamente a menina fraca que todos comentavam pela escola. Ainda assim, nada daquilo importava.

Havia uma fina voz que tentava lhe alertar sobre os perigos daquele deslize, mas a vontade de acreditar nas palavras de Kevin era infinitamente maior. O risco de se decepcionar parecia um preço medíocre demais quando comparada a possibilidade de ser feliz ao lado de Templeton.

As pálpebras finalmente pesaram e cobriram os olhos castanhos antes de Davina se entregar ao beijo. O primeiro contato pareceu tímido, como se os dois temessem assustar um ao outro. Mas bastou dois segundos para que uma corrente elétrica percorresse o corpo de Ackerman, criando uma necessidade absurda daquele contato com Kevin.

Sem pensar em mais nada, Ackerman ficou nas pontas dos pés e se pendurou no pescoço do rapaz. Seus dedos roçavam as pontas dos cabelos macios de Kevin enquanto eles se envolviam em um beijo intenso, que Aphrodite jamais seria capaz de reproduzir em sua mente.

Era perfeitamente compreensível a fama de Templeton pela escola. Davina seria capaz de passar a tarde inteira naquele canto afastado dos jardins, se entregando naquela nova e surpreendente experiência. Quando seus pulmões começaram a protestar, ela finalmente se deu por vencida e quebrou o contato dos lábios.

Ao abrir os olhos, as íris castanhas estavam com um intenso brilho. O peito de Ackerman subia e descia rapidamente, junto com sua respiração ofegante, mas ela não ousou se afastar de Kevin, mantendo o abraço.

Seu olhar passeava pelo rosto de Templeton e a mente de Davina rodopiava, tentando organizar os próprios pensamentos. Quando ela finalmente conseguiu elaborar as primeiras palavras, sabia que não fazia mais sentido negar seus sentimentos.

- Ninguém pode saber. Por favor, Kevin. Pelo menos não até a gente entender o que é isso.

Por um lado, Davina tinha receio de ser mais uma vez humilhada diante de toda a escola se acabasse tendo o mesmo destino de tantas outras namoradas de Templeton. Mas além do medo, ela acreditava que se fosse ter alguma chance naquele relacionamento, era melhor que os dois entendessem o que realmente aquilo significava antes de expor ao mundo.

- Não me entenda mal. Sabe-se lá porque motivo, mas eu gosto de verdade de você, Kevin Templeton. – Davina girou os olhos antes de continuar. – Mas esses são meus termos. É pegar ou largar.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sab Jun 04, 2016 2:57 am

Mesmo que a noite não estivesse tão quente, Hyacinth fez questão de abrir o vidro da janela do carro de Ackerman. O vento fresco soprava seus cabelos para trás e já deixava a pontinha de seu nariz dormente, mas ao mesmo tempo lhe dava uma sensação incomparável de liberdade. Ela era como um pássaro que finalmente se via longe das grades de sua gaiola naquela noite.

Apesar de se sentir sufocada, Westphal gostava da mansão e nem pensava na possibilidade de deixar a escola. Os últimos dias tinham sido bastante complicados, mas a ruiva sabia que estava segura tendo Dana e Andrew a seu lado. Provavelmente nenhum outro lugar lhe ofereceria a mesma segurança naquele momento tão delicado de sua vida.

- Tanto faz... eu só queria sair um pouco.

A resposta foi dada enquanto a atenção de Hyacinth se mantinha fixa na estrada. Ao contrário de Andrew, contudo, a ruiva não se preocupava com a pista ou com os outros veículos. Sua concentração estava voltada para a paisagem bonita das montanhas e da mata que acompanhava o acostamento.

Quando Andrew confessou as suas travessuras de adolescente, Westphal voltou as íris azuis para ele. Com um semblante divertido, Hyacinth encarou o professor e tentou enxergar nele o garoto que fugia da escola para quebrar as regras de Dana.

- Foi você mesmo que me disse que é praticamente impossível ter segredos na escola. O que te faz pensar que a Dana não sabe a verdade sobre as suas escapadas?

Um dos ombros de Hyacinth se ergueu e ela voltou a olhar a vista da janela aberta. Não era possível enxergar muitos detalhes àquela hora da noite, mas o vento fresco das montanhas e o cheio da vegetação tornavam as particularidades desnecessárias.

- Talvez a Dana entenda a importância de fugir de tudo isso de vez em quando. Por isso ela manteve o seu fígado intacto. Bom, talvez nem tão intacto assim. Sabe-se lá quantas cervejas você tomava naquela época... Pode ter ultrapassado o seu poder de regeneração!

O comentário bem humorado mostrava que a mágoa de Hyacinth havia ficado para trás. A ruiva ficara muito chateada com o comportamento de Ackerman após o beijo, mas não havia como negar que Andrew já tinha se redimido. Era notável que o tutor estava se esforçando muito para ajudá-la com a mutação.

- Que tal uma lanchonete? Ou melhor, um drive-thru! Podemos comprar os lanches e comer no carro, eu me sentiria mais tranquila sem ninguém por perto. – Cinty suspirou antes de confessar – Não podemos garantir que as pessoas ao redor são todos humanos. Eu acidentalmente poderia esbarrar em algum mutante e a tortura recomeçaria.

Mais uma vez, Hyacinth se voltou para Andrew e admirou o perfil do rapaz. Ackerman conseguia ficar ainda mais bonito com aquela expressão concentrada e com os olhos atentos à direção.

- Desculpe, mas não haverá cervejas hoje. Eu não arriscaria a minha pele por cerveja, mas faria isso por comida sem pensar duas vezes.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Jun 04, 2016 3:20 am

Os ombros de Kevin só relaxaram no instante em que Davina correspondeu ao beijo. Até então ele ainda temia que a colega interrompesse a carícia para reforçar que não haveria nada além de amizade entre eles.

A insegurança era um sentimento inédito para Templeton, mas o rapaz já havia entendido que Davina estava ali para fazê-lo experimentar emoções únicas.

Enquanto os lábios e as línguas se moviam de forma harmoniosa, Kevin permitiu que suas mãos se acomodassem na cintura de Ackerman. Sem interromper o ritmo do beijo, Templeton puxou a garota para mais perto, acomodando-a junto ao seu peito.

As experiências de Kevin com as garotas eram numerosas e variadas, mas nada poderia ser comparado ao beijo de Davina. A garota não chegava perto de ser a mais ousada que já passara pelos braços de Templeton, tampouco era a mais vaidosa ou a mais popular. Mas Davina conseguia provocar arrepios inéditos no colega e fazia com que Kevin desejasse que aquele beijo fosse eterno.

O beijo só foi interrompido porque os dois precisavam respirar. Os lábios já estavam um pouco inchados e avermelhados quando se afastaram. Quando ergueu as pálpebras, Kevin exibia um brilho que jamais estivera em seu olhar. As íris coloridas não estavam mais lá, mas os olhos negros originais brilhavam como se tivessem vida própria.

- Como assim, você não sabe o motivo para gostar de mim...? – Templeton amenizou o pedido sério da menina com uma brincadeira – Eu sou perfeito. Sou lindo, inteligente, beijo muito bem, tenho um poder foda e posso ser quem você quiser.

Antes que Davina pudesse se zangar com aquela brincadeira pretenciosa, Kevin se inclinou para sussurrar as palavras seguintes com os lábios colados na orelha dela.

- E, o mais importante, eu estou louco por você, Davs. Completamente louco.

Os dedos compridos de Templeton acariciaram o rosto da menina e, numa imitação perfeita das memórias de Aphrodite, Kevin colocou uma mecha dos cabelos cor de mel atrás da orelha de Davina.

Quando retomou o discurso, Kevin estava um pouco mais sério, mas mantinha uma expressão serena e não conseguia se livrar do brilho que iluminava os olhos negros.

- Será como você quiser. Vamos manter isso como segredo por enquanto. Eu juro que não contarei nem para o Theo ou para o Hugo.

Para Kevin, não havia nenhum motivo para esconder aquele relacionamento. Ele realmente gostava de Davina e estava disposto a assumir seus sentimentos por ela. Mas se aquela era a única condição que Ackerman impunha para lhe dar uma chance, é claro que Templeton agarraria a oportunidade com as duas mãos.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sab Jun 04, 2016 3:45 am

A proposta de Cinty era extremamente humilde, mas foi recebida por Andrew com um sorriso de satisfação. A ideia de fazer um lanche poderia ser simples aos olhos de qualquer um, mas o momento se tornava único ao lado de Westphal.

- Eu acho que conheço um lugar que você vai gostar.

Como a mansão era afastada de qualquer movimentação das cidades, Andrew dirigiu por um tempo considerável, deixando apenas que a música baixa e as conversas aleatórias ocupassem o interior do carro. Para seu alívio, o objetivo de distrair Hyacinth parecia estar funcionando.

Em uma determinada altura da estrada, eles passaram pelo posto de gasolina comentado por Andrew, e o rapaz apontou com o indicador como se estivesse orgulhoso de seus deslizes do passado. Depois daquele ponto, o caminho até a pequena cidade mais próxima passou rápido, e mostrando que conhecia cada pedaço daquele lugar, Ackerman conduziu o carro com naturalidade, sem pensar duas vezes se aquele seria o caminho certo.

Exatamente como sugerido por Westphal, o lanche foi pedido em um drive-thru e quando os hambúrgueres e fritas já estavam devidamente seguros em uma sacola de papel engordurado no colo dela, Andrew pegou novamente a estrada.

Desta vez, a viagem foi mais curta e logo Ackerman estava estacionando o sedan. O freio de mão foi puxado e os faróis apagados, só então permitindo que a luz natural do luar iluminasse o local.

A janela aberta de Hyacinth permitia que o som das árvores balançando se sobressaísse. Não havia som de outros carros, nem de movimentação de pessoas. A curta distância da cidade era suficiente para deixá-los completamente apartados da civilização.

O mais impressionante era a paisagem diante do mirante. A escuridão da noite provocava um mar negro ao redor do carro, mas ainda era possível ver as sombras das montanhas que rodeavam a cidade lá em baixo, assim como as infinitas luzinhas das casas que, daquela altura, pareciam pontinhos.

Andrew já havia visitado o lugar algumas vezes com os colegas, mas era uma sensação completamente diferente estar com Hyacinth. Como se buscasse pela aprovação dela, os olhos castanhos se voltaram para o seu rosto pouco iluminado com uma certa ansiedade.

- Aqui é mais impressionante durante o dia. Mas garanto que não terá nenhum mutante ou humano para atrapalhar.

Durante alguns segundos, Ackerman permaneceu em silêncio até finalmente soltar o cinto de segurança e se mexer no banco, inclinando o máximo possível na direção de Hyacinth. Sua perna direita ficou ligeiramente dobrada sobre o banco e o braço foi apoiado no encosto da cabeça dela.

- Você sabe que vamos encontrar uma solução, não sabe? Dana e eu vamos fazer de tudo para que você desenvolva da melhor forma possível, Cinty.

Aproveitando a proximidade da sua mão nos fios ruivos, Andrew permitiu que seu polegar brincasse com algumas mexas enquanto ele falava. O gesto era discreto demais, mas era o mínimo que ele podia dar a sua necessidade de tocá-la.

- Eu tenho certeza que nossa ligação não é à toa. Nós vamos dar um jeito e logo logo vai ser a sua vez de fugir para tomar cervejas. – Um sorriso brincou em seus lábios e ele encolheu os ombros antes de completar. – Ou hambúrgueres, como preferir.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Sab Jun 04, 2016 4:39 am

Quando Davina fechou os olhos para dormir naquela noite, ela não conseguia acreditar em sua falta de capacidade de deixar de sorrir. Era fisicamente impossível tirar o sorriso dos lábios cada vez que se lembrava do beijo de Kevin e principalmente de suas palavras.

Ela duvidava que aquela fosse a intenção de Aphrodite quando implantou as memórias em sua cabeça, mas a loira não fazia ideia do quanto a realidade era imensamente melhor do que lembranças falsas. Parecia simplesmente bom demais para acreditar.

O dia amanheceu e trouxe junto uma pontada de insegurança para Ackerman. Apenas uma noite separava as declarações de Templeton, mas uma pontada de medo surgiu no instante em que Davina acordou, se perguntando se seria tempo suficiente para que Kevin desistisse daquela baboseira e voltasse a ser o mesmo de sempre.

Pela primeira vez desde que pisara na mansão, Davina perdeu um pouco mais de tempo diante do espelho antes de sair para as aulas. Seus cabelos cor de mel estavam soltos e caíam ondulados emoldurando seu rosto delicado. Uma camada de brilho havia sido passada sobre seus lábios bem desenhados e discretos brincos brilhavam em suas orelhas com os seus movimentos.

Nem mesmo no tempo em que namorava Derek, Ackerman se preocupou tanto com o que um rapaz pensaria da sua aparência. O ex-namorado era mais velho, extremamente forte e bonito e possuía uma experiência que ela até então não tinha, mas ainda assim, Hale lhe passava segurança e estabilidade que estava longe do que Davina esperava de Kevin.

Apesar daquele conflito, bastou que Davina entrasse na primeira aula e encontrasse o rosto de Templeton para que sua insegurança desaparecesse. O sorriso trocado foi extremamente discreto, mas o suficiente para que Ackerman tivesse a confirmação que precisava.

Naquela manhã, Megale direcionou como tarefa que os alunos se separassem em duplas e apresentassem na semana seguinte teorias de como poderiam combinar seus poderes de forma positiva. O professor ficou responsável por separar quem seriam os pares a trabalharem juntos e propositalmente selecionou que Aphrodite ficasse de “fora” da brincadeira, com o trabalho de combinar o seu poder junto ao do próprio professor.

Quando Megale estava montando o seu par, Davina chegou a se revirar em seu lugar e buscar Templeton com o olhar, mas escutou o nome de Theodore em seu lugar. As íris castanhas imediatamente deslizaram para o rapaz ao lado de Kevin e ela forçou um sorriso, tentando esconder a pontada de decepção.

Como a aula estava no final, os últimos minutos foram usados apenas para que as duplas combinassem como trabalhariam durante a próxima semana. Theodore foi o primeiro a sugerir que usassem o tempo livre do fim das aulas para que começar a elaborar as teorias, e mais uma vez, com uma pontada de decepção, Davina concordou.

Quando o dia chegou ao fim, Davina se encaminhou até o dormitório masculino, como havia combinado com Theodore. O quarto dividido com Kevin era ocupado apenas por Theo naquela noite, e intimamente Ackerman se questionou onde o rapaz estaria.

Para evitar que sua mente começasse a vagar por caminhos perigosos, Ackerman se esforçou para se concentrar na tarefa e, para seu alívio, foi questão de tempo até que os cadernos estivessem espalhados pelo quarto e ela e Theo estivessem debatendo teorias.

O rapaz havia assumido seu lugar na escrivaninha, enquanto Davina havia se acomodado no centro de uma das camas de solteiro, rodeada de anotações e alguns livros. Algumas folhas já haviam sido amassadas e começavam a se acumular pelo chão do quarto, quando o rosto de Theodore se iluminou.

- Eu acho que o Hugo tem um livro perfeito para nos ajudar...

A menção ao amigo fez com que Davina franzisse as sobrancelhas, parecendo só agora ter notado a ausência do rapaz na aula.

- O Hugo está doente? Não lembro de ter visto a cara dele na aula do Meg.

Parecendo incomodado com aquela pergunta, Theodore coçou a nuca enquanto se encaminhava para a porta do quarto.

- Bom... Ele anda tentando evitar a Cinty. Parece que ela foi extremamente rude com ele no outro dia...

Davina jogou os cabelos cor de mel por cima dos ombros enquanto seu rosto se contorcia em surpresa. Ela vinha se tornando amiga de Hyacinth a cada dia que passava e embora a menina estivesse se excluindo sempre que possível, a ideia de vê-la sendo rude com alguém ainda era incompatível com a imagem da ruiva.

- A Cinty? Tem certeza?

Theodore encolheu os ombros, já com a porta entreaberta.

- Foi o que o Hugo contou. Ele anda bem mal com essa história. Talvez tivesse sido melhor que o Kevin tivesse entrado no circuito e poupado o coitado dessa decepção.

O olhar de Davina pareceu sair de foco enquanto ela pensava em como as coisas teriam acontecido se Kevin tivesse tentado investir em Hyacinth, como ele havia mencionado no dia da chegada da ruiva. Ela sequer ouviu o “já volto” quando Theo deixou o quarto.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sab Jun 04, 2016 4:26 pm

Quando recebeu o lanche em suas mãos, o sorriso de Hyacinth se alargou como se aquele fosse o melhor dos presentes. Embora gostasse da vida da mansão e não tivesse nada contra a comida balanceada do refeitório, Westphal sentia falta de comer bobagens. Principalmente nos últimos dias complicados, em que seu humor parecia implorar por alimentos menos saudáveis.

- Oh, céus... – a ruiva suspirou depois de tomar um gole do milk-shake de chocolate – Um brinde ao ser humano abençoado que colocou esta porção de felicidade num copo!

Enquanto Ackerman dirigia, Hyacinth não resistiu à tentação de iniciar seu lanche antes dele. A fome nem era tão grande assim, mas os sabores acordavam as suas papilas adormecidas depois de tantos dias sem experimentar nada tão doce e calórico.

Aproveitando-se de uma reta mais prolongada da estrada, a garota pegou uma das batatinhas e a levou até os lábios de Andrew, empurrando-a para a boca do professor.

- Experimente, está maravilhoso! E eu não sei se vai sobrar para você se não chegarmos logo ao lugar que você quer.

Por sorte, não demorou para que Ackerman estacionasse o carro e garantisse o próprio lanche. A paisagem do mirante era tão perfeita que conseguiu desviar a atenção de Hyacinth para longe da comida. O queixo dela caiu em admiração enquanto os olhos azuis deslizavam pelo ambiente iluminado pela luz prateada do luar. As montanhas os cercavam por todos os lados. Na escuridão da noite, as luzes acesas das casinhas lá embaixo pareciam estrelas cintilantes. Era como se existissem dois céus, um acima e outro abaixo deles.

- É... – a admiração era tão grande que Cinty demorou um pouco a encontrar uma palavra que fosse fiel ao seu sentimento naquele momento - ...extraordinário, Andrew.

Não era preciso perguntar se o tutor já estivera ali outras vezes, já que Ackerman chegara com imensa facilidade ao local, mesmo na escuridão da noite. Era um lugar tão perfeito e romântico que Hyacinth sentiu um ligeiro incômodo ao imaginar quantas garotas Andrew levara a aquele lugar no seu tempo como aluno.

A pitada de ciúmes ainda deixava Westphal desconfortável quando Andrew se voltou para ela. A ruiva repetiu o gesto dele, soltou o cinto e virou o corpo na direção do professor. Mesmo na penumbra do carro, Hyacinth enxergou com perfeição o brilho dos olhos castanhos que vinham atormentando sua memória há alguns dias.

- Eu não sou idiota, Andrew. Você e a Dana não me enganam com a tranquilidade que tentam demonstrar. – apesar da escolha das palavras, Cinty parecia tranquila – Eu já entendi que isso é sério. O meu poder é uma ameaça para mim, mas também para os outros. É por isso que estamos mantendo segredo.

Nenhuma das frases de Hyacinth tinha uma entonação interrogativa, o que mostrava que a ruiva estava afirmando o seu raciocínio sobre a própria mutação.

- Eu não quero fazer mal a ninguém. Muito antes de saber sobre a minha habilidade, eu te disse que queria desenvolver um poder que ajudasse as pessoas. Eu ainda penso assim. Portanto, vocês não precisam ter medo, eu não vou pirar com tudo isso. Eu só preciso sobreviver a esta loucura e aprender a me controlar.

Uma das mãos de Hyacinth se ergueu e tocou os dedos que brincava com suas mechas avermelhadas. A mão de Andrew foi retirada de seus cabelos, mas Westphal entrelaçou os dedos aos dele e não permitiu que o professor recuasse o braço.

- Você não será o meu tutor para sempre.

A insinuação não foi nada discreta e a expressão de Hyacinth também não escondia as ideias que passavam pela cabeça dela. Embora nunca tivesse se comportado daquela maneira ousada, a garota parecia segura quando se remexeu no banco do carro até conseguir passar os braços pelo pescoço de Andrew. Ela nunca gostara de ninguém da forma como gostava de Ackerman, ele inspirava nela uma confiança plena e um desejo de jamais sair de perto dele. O clima romântico do mirante era o tempero final que motivava Hyacinth naquela iniciativa.

- E eu não quero que seja o meu tutor neste momento. Eu não fugiria da escola por cervejas ou hambúrgueres, mas por isso sim...

O coração de Westphal saltava na garganta quando ela desfez o pequeno espaço que a separava de Andrew e colou os lábios nos dele. Mesmo sabendo que Ackerman poderia surtar ou novamente se arrepender daquela loucura, a ruiva ainda achava que valia a pena arriscar. Tudo o que ela precisava naquele momento era deixar os problemas para trás, esvaziar a cabeça e alimentar a felicidade necessária para mantê-la firme nos dias difíceis que estavam por vir.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Jun 04, 2016 5:28 pm

Embora seus sentimentos por Davina fossem verdadeiros, Kevin também se sentia um pouco inseguro quando retornou para o dormitório naquela noite. Era uma loucura, mas Templeton tinha medo de si mesmo. O receio do rapaz era acordar na manhã seguinte e estragar tudo. Ele estava bastante acostumado a perder todo o interesse em uma garota depois de tê-la conquistado e de ter experimentado o seu beijo.

Contudo, quando seu caminho se cruzou com o de Davina na manhã seguinte, Kevin se viu invadido por um grande alívio. Seu coração ainda saltitava por ela e o rapaz ainda cobiçava os lábios de Ackerman mesmo depois de ter provado o gosto deles. Apesar do entusiasmo, Templeton conseguiu se conter e manteve o segredo. Foi de maneira extremamente discreta que ele sorriu para Davina e piscou um dos olhos antes de seguir seu caminho até a bancada que dividia com Theodore.

Não foi fácil para Kevin esconder a decepção quando Megale apontou para Theo, indicando o amigo para fazer par com Davina naquele trabalho. Templeton não tinha a mais remota ideia de como poderia combinar a sua habilidade com a de Ackerman, mas teria adorado uma desculpa para passar mais tempo ao lado dela.

Depois que Aphrodite foi delicadamente excluída da brincadeira e que Davina já tinha outro par, para Kevin não fazia muita diferença quem seria o seu companheiro naquela tarefa. O nome dele foi um dos últimos a ser mencionado por Megale e o professor o uniu a uma das meninas da sala.

Samantha Richards era uma das alunas mais bem evoluídas da mansão. Dana, que também era a tutora da menina, planejava liberá-la da escola nos próximos meses. A habilidade de Samantha em criar campos magnéticos era extremamente útil, já que permitia que a menina tivesse pleno controle sobre qualquer objeto de metal. Richards estava na mansão há apenas cinco meses e já estava próxima ao auge da mutação, o que a colocava numa situação exatamente oposta a de Davina.

Embora fosse extremamente poderosa, bonita e acima da média, Samantha nunca se esforçara para ser popular. Ela se negou a entrar para o grupinho seleto de amigas de Aphrodite e preferia gastar seu tempo na biblioteca. Por seu comportamento mais reservado, Sam nunca havia entrado para a “lista” de Templeton.

Se Kevin ainda fosse o “velho” Kevin, ele certamente se aproveitaria daquela situação para acrescentar o nome de Richards a sua lista antes que Samantha deixasse a escola. Mas agora, com Davina em sua vida, aquele seria só mais uma tarefa que Templeton se esforçaria para cumprir apenas para agradar Megale.

E de fato o encontro dele com Samantha no fim daquela tarde foi puramente voltado para o trabalho. Os dois passaram algumas horas ao redor da piscina, ocupando espreguiçadeiras vizinhas enquanto tentavam elaborar teorias sobre seus poderes. Já havia anoitecido e a baixa iluminação dificultava o trabalho quando os jovens decidiram retornar para a mansão. Sam levou consigo as anotações feitas pelos dois e o acordo era um novo encontro na biblioteca na tarde seguinte, quando eles tentariam esquematizar o trabalho de forma mais concreta.

A surpresa de Kevin foi grande quando o rapaz empurrou a porta do quarto e encontrou Davina sentada em sua cama. Os lábios dele se curvaram num sorriso incontrolável e, para alívio de Templeton, a garota estava sozinha no cômodo. Seria impossível explicar aquele sorriso se Theo ou Hugo estivessem por perto.

- E aquela parte do acordo sobre sermos discretos? Se enfiar na minha cama não me parece uma atitude muito sutil, Davs.

A brincadeira foi seguida por um beijo que infelizmente não pôde se prolongar tanto quanto Kevin desejava. Logo que escutou passos se aproximando, o rapaz se afastou e estava numa distância respeitável quando Theodore abriu a porta.

- Achei o livro. – Theo sacudiu o exemplar em suas mãos – Já estamos acabando, Kev. Desculpe a bagunça na sua cama, nós vamos arrumar tudo.

- Relaxa. Nunca chegará o dia em que eu reclamarei por encontrar uma garota na minha cama.

A provocação fazia parte da tentativa de Kevin em manter o relacionamento com Davina em segredo. Theodore era o melhor amigo de Templeton e certamente perceberia que algo estava errado se o colega parasse subitamente de se comportar como um galanteador barato.

- Os seus hormônios precisam ser estudados, Kevin, deve ter alguma coisa muito errada aí dentro. Como você ainda tem fôlego para isso depois de ter se divertido a tarde toda?

O sorriso de Kevin morreu com o comentário do amigo e ele voltou um olhar confuso para Theodore. O colega riu e, sem imaginar o tamanho do problema que causaria a Templeton, puxou do casaco dele um enorme fio de cabelo loiro que certamente havia ficado preso ali no instante em que Samantha esbarrara nele ao entrar na mansão.

- Aphrodite de novo? Achei que já tivesse superado isso, cara!

- Que??? – os olhos de Kevin quase saltaram para fora e ele falou sem pensar na interpretação que Davina poderia dar às palavras – Claro que não! Deve ser da Samantha!

- Nãããããão! – Theodore forçou uma surpresa dramática e continuou no clima da brincadeira, ainda sem notar que o desespero do amigo era real – Não creio! Eu juro que achei que a Richards sairia da escola sem o “carimbo” Templeton! Você se superou, Kev!
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sab Jun 04, 2016 6:27 pm

Andrew sabia que Hyacinth era inteligente o bastante para saber os perigos de sua habilidade. Ele só não tinha coragem de verbalizar o seu medo diante dos olhos azuis, principalmente quando ainda parecia existir esperança no rosto bonito da ruiva.

O tutor já não se preocupava tanto com a evolução ou com os danos que sua mutação poderia trazer para a própria saúde, mas seu medo ia em algo muito além, que estava completamente fora do seu controle. Ele sentia calafrios cada vez que pensava em como o mundo receberia o poder de Westphal e em todo o preconceito e medo que passariam a fazer parte do dia-a-dia na vida dela.

Ainda assim, todos os receios e preocupações foram varridos da mente de Ackerman quando os dedos de Hyacinth tocaram sua pele. Seu coração deu um salto quando ele percebeu o rumo que a conversa estava tomando.

Desde o primeiro beijo, Andrew havia decidido que manteria o controle diante de Westphal. Embora não passasse um único dia sem que a ruiva surgisse em seus pensamentos, ele não queria trazer mais aquela complicação para a vida já tumultuada de descobertas. A última coisa que Hyacinth precisava era mais uma preocupação em sua lista, e se envolver com um professor só traria mais um motivo para perder o sono à noite.

Além das preocupações com Westphal, Andrew não queria parecer um canalha que se aproveitava do elo óbvio que existia entre os dois. Ele deveria abraçar o seu papel de tutor e procurar ao máximo que Hyacinth evoluísse sem maiores problemas, mas bastava que ela lhe tocasse para que a figura do homem mais velho desaparecesse e ele se transformasse apenas em um rapaz que estava se apaixonando por uma menina linda.

O coração de Andrew deu um salto, mas ele nem cogitou se afastar do beijo. Uma das mãos foi erguida e com os dedos compridos, ele afagou os fios ruivos enquanto mergulhava na sensação de ter Hyacinth mais uma vez.

Diferente do primeiro contato, o beijo parecia ainda mais certo. Não era um deslize, nem um impulso. Era uma necessidade que os dois sentiam de ter um ao outro. Andrew desceu sua mão até a cintura de Hyacinth, a puxando alguns centímetros mais para perto.

A posição dos bancos não permitia que eles se unissem por completo, mas não impedia que o beijo se tornasse cada vez mais intenso e apaixonado. O sabor dos lábios de Westphal era algo único que Andrew jamais havia experimentado, e agora mais do que nunca ele tinha certeza que seria difícil se afastar.

Quando o beijo chegou ao fim, Andrew manteve seu rosto muito próximo, a testa colada a de Hyacinth. Uma de suas mãos ainda afagava os cabelos vermelhos e a outra acariciava a cintura de Cinty, sentindo a textura do tecido de sua roupa. Diferente da primeira vez, Ackerman se permitiu sorrir, ainda de olhos fechados.

- Definitivamente, muito melhor do que fugir por cervejas.

As pálpebras de Andy se ergueram preguiçosamente, revelando as íris castanhas com um intenso brilho. Ainda mantendo a proximidade, ele mordeu o lábio inferior, refletindo se deveria dizer aquelas palavras em voz alta ou não. Mesmo com o receio de estragar o momento como havia feito na primeira vez, ele suspirou e abriu a boca.

- Eu não quero que você pense o pior de mim, Cinty. Dana surtaria se descobrisse o que estamos fazendo e eu não quero nem pensar no que a Davina falaria... Mas é com o que você pensa que eu realmente me preocupo.

Uma mecha vermelha foi colocada atrás da orelha de Hyacinth e os dedos de Andrew continuaram ali, brincando com a pontinha do seu lóbulo.

- Eu não consigo tirar você da minha cabeça, desde que te vi pela primeira vez. Você é a menina mais linda que eu já vi, Hyacinth. E eu estou disposto a ser o que você quiser. Se você exigir que eu seja apenas o seu tutor, está bem. Mas se você sente alguma coisa por mim também, e estiver disposta a mergulhar de cabeça nessa loucura...

Andrew se remexeu em seu banco, a ansiedade o fazendo respirar fundo com aquela possibilidade.

- Eu prometo que vou me esforçar para dar o meu melhor em tudo que você precisar.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sab Jun 04, 2016 7:00 pm

Ao contrário do que acontecera após o primeiro beijo, o comportamento e as palavras de Andrew arrancaram um sorriso doce de Hyacinth. Os olhos dela brilhavam ainda mais que o normal quando a ruiva roçou a ponta do seu nariz no dele, numa carícia delicada e divertida. Por mais que soubesse que tudo aquilo era uma loucura, Westphal se sentia pronta para encarar mais aquele problema em sua vida.

- Eu não acho que isso seja errado, nem penso qualquer coisa negativa ao seu respeito, Andy. Na primeira vez em que te vi eu não estava em condições de tirar nenhum tipo de conclusão, mas não precisei de muito tempo para perceber que gosto de você.

Aproveitando-se daquela proximidade, Hyacinth mordiscou o lábio inferior do rapaz. Nenhum dos dois parecia ter mais fôlego para iniciar um novo beijo, mas era impossível afastar os corpos.

- Eu não quero causar problemas para você na escola, sei o quanto este emprego é importante para você. Por isso, não me importo se mantivermos isso em segredo. Quando eu estiver pronta para sair da mansão, não precisaremos mais nos esconder. Isso se ainda quisermos ficar juntos, é claro...

A maturidade de Hyacinth não parecia compatível com a idade dela. Embora gostasse muito de Andrew, a ruiva não pretendia transformar aquela aproximação num relacionamento infantil, cheio de cobranças e regras. Ela se sentia pronta para assumir aquela relação complicada com um rapaz mais velho. É claro que Westphal queria que desse certo e se esforçaria para isso, mas ela também estava disposta a manter os pés no chão.

- Eu me sinto bem perto de você, confio totalmente em você, sei que você gosta de mim e me respeita. Então, não faz sentido fugirmos do que está acontecendo, Andy. Os dias que está por vir serão ainda mais complicados se eu tiver que fingir para mim mesma que você é apenas o meu tutor.

O saco com o restante dos lanches foi deixado de lado enquanto Hyacinth se movimentava. O espaço restrito obrigou a ruiva a ser cuidadosa enquanto deslizava por cima do câmbio até se acomodar no colo do tutor. Cada um dos joelhos de Westphal foi apoiado em um dos lados da cintura de Andrew e ela novamente passou os braços pelo pescoço dele.

- Eu quero que você seja o meu tutor e que continue me ajudando com toda essa loucura. Mas, longe dos olhos e dos ouvidos da Dana, eu definitivamente não quero você no papel de um professor. Você acha que consegue contornar esta situação, Andy?

Sem esperar por uma resposta, Hyacinth soltou um risinho divertido antes de se inclinar na direção de Ackerman. Os fios ruivos tombaram na direção dele como uma cortina enquanto os lábios e as línguas mergulhavam em mais um beijo intenso e apaixonado.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Sab Jun 04, 2016 7:10 pm

Davina sabia que tentar levar aquele relacionamento em segredo não seria uma tarefa fácil, principalmente com a fama de Kevin por toda a escola. Por isso ela se esforçou para manter um sorriso debochado nos lábios enquanto Theodore provocava o amigo. Ela mesma havia cansado de fazer comentários maliciosos a respeito do comportamento de Templeton e seria estranho que aquilo mudasse repentinamente.

Porém, nem mesmo com todo esforço do mundo, Ackerman conseguiu continuar sorrindo quando o próprio Templeton citou o nome de Samantha Richards. Por ser uma das poucas meninas que não se jogavam aos pés de Kevin, Davina sempre havia sentido uma grande simpatia pela colega. Sua personalidade discreta e o foco nos estudos mostravam que ela destoava das meninas como Aphrodite e era motivo suficiente para conquistar seu carinho.

Nunca havia passado pela cabeça de Ackerman que ela sentiria ciúmes de Kevin Templeton, mas foi impossível disfarçar diante daquela situação tão comprometedora. Sentindo-se desconfortável, Davina corrigiu a postura relaxada e esticou a coluna, sentando-se de forma impecável. Discretamente, ela começou a juntar seus papéis e cadernos espalhados, empilhando-os rapidamente.

- Acho que já evoluímos bastante, Theo. Vamos encerrar por hoje.

Evitando olhar para Kevin, Davina deslizou para fora da cama, mantendo a pequena pilha de cadernos em seus braços. Ela se manteve de costas para ele quando se voltou para Theodore.

- Mesmo horário amanhã? Podemos estudar no meu quarto, desta vez. A Cinty vive enfurnada com o meu irmão e assim damos total liberdade para que o Kevin traga quem ele quiser para a cama.

Davina finalmente se virou para encarar Templeton. O momento de surpresa havia passado e ela havia conseguido reunir forças suficientes para voltar a exibir o sorriso debochado de sempre. Seus cabelos cor de mel estavam com ondas perfeitas que balançavam ao menor dos movimentos, mostrando que Ackerman havia se esforçado um pouco mais em sua aparência naquele dia.

- Bom saber que andou evoluindo, Kev. Beijar Aphrodite deve ser algo realmente nojento.

Um risinho por trás do ombro lembrou que Theodore continuava presente e completamente alheio ao estrago que havia causado naquela noite.

- Nunca vi o Kev reclamar...

Os olhos castanhos estavam fixos em Templeton, mas Davina não parecia furiosa, ou magoada e muito menos decepcionada. Era como se ela já tivesse certeza que aquilo aconteceria e não tinha ninguém para culpar.

- Desculpe pela bagunça na cama, Kevin. Não vai acontecer de novo. Mas talvez você possa contar o seu segredo para a gente. Como foi que você e a Richards conseguiram combinar os poderes tão rapidamente?

Mais uma vez, foi a risada de Theodore que ecoou pelo quarto.

- Confie em mim, Davs, você não vai querer usar o mesmo método.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sab Jun 04, 2016 7:32 pm

Os olhos castanhos se arregalaram ligeiramente diante da surpresa pela atitude ousada de Hyacinth, mas logo os lábios de Andrew se curvaram em um sorriso de aprovação e ele recebeu a ruiva em seu colo, rodeando a cintura fina com seus braços.

Seus dedos massageavam a cintura dela com calma, procurando uma brecha na borda de sua blusa para sentir o contato direto com a pele macia e aquecida. Quando as mãos já estavam completamente protegidas pelas vestes de Hyacinty, Andrew permitiu que seus dedos deslizassem pelas costas dela enquanto aprofundava o beijo apaixonado.

Todo o seu corpo respondia aos carinhos de Westphal, seu coração saltava forte contra o peito e a temperatura no interior do carro começava a subir consideravelmente. A jaqueta de Cinty foi facilmente descartada e jogada sobre o banco lateral, tornando ainda mais fácil o movimento dos seus dedos.

Andy mexia os lábios, impondo os movimentos do beijo, mas a sintonia com que Cinty respondia mostrava que a ligação entre os dois ia além das necessidades de um tutor e sua pupila.

O peito de Ackerman subia e descia quando os lábios finalmente se separaram, os lábios vermelhos e ligeiramente inchados pelos beijos trocados, mas ainda assim curvados em um largo sorriso de felicidade. Ele levou uma das mãos até os cabelos macios de Hyacinth, apenas para que seu rosto delicado ficasse exposto e os pares de olhos castanhos pudessem encarar as íris azuis.

- Se contornar a situação significa que vamos fazer isso com mais frequência, eu tenho um bom incentivo para conseguir.

Aproveitando sua mão que tocava o rosto de Westphal, Andrew puxou a menina pela nuca para iniciar mais um beijo intenso. As línguas se movimentavam com perfeição e Andrew se sentia inebriado com o perfume suave que vinha dos cabelos vermelhos.

O gosto do beijo de Hyacinth era a melhor coisa que Andrew já havia experimentado e ele poderia permanecer a noite toda ali, sem que sua mente o obrigasse a se preocupar com os inúmeros problemas da vida real.

O corpo delicado da ruiva tão unido ao seu era tentador, e mesmo no espaço restrito, eles pareciam se encaixar com perfeição.

- O mais difícil vai ser não poder fazer isso todo o tempo. – Andy sussurrou, os lábios ainda roçando os de Cinty. – Você conseguiu virar meu mundo de cabeça para baixo, ruiva.

Esticando o braço, Ackerman aumentou o volume do rádio até alcançar um tom audível e agradável. A música ecoava baixinho, mas apenas contribuía para o clima romântico no mirante.

Sem querer se preocupar com todos os problemas que o aguardavam de volta à mansão, Andrew iniciou um novo beijo, mergulhado nas sensações que apenas Hyacinth era capaz de lhe despertar.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Jun 04, 2016 7:39 pm

Kevin manteve um olhar profundamente sério em Davina enquanto a menina soltava aquelas alfinetadas e provocações. Os dois já sabiam que não seria fácil iniciarem um relacionamento, mas Templeton se sentia ofendido pela falta de confiança que Ackerman demonstrava logo na primeira dificuldade que eles enfrentavam.

- Assim como vocês dois, eu só estava com a Samantha porque temos um trabalho para entregar ao Megale semana que vem. Aliás, ao contrário de vocês dois, eu estava com ela num ambiente público e não trancado dentro de um dormitório.

É claro que Templeton sabia que não tinha acontecido nada demais entre Davina e Theodore, mas foi impossível conter aquela insinuação. Graças a Ackerman, Kevin também estava experimentando pela primeira vez na vida o gostinho amargo dos ciúmes.

- O que está rolando? – Theodore finalmente notou o clima diferente entre os colegas – Vocês dois...? Sério? Eu achei que aquela foto fosse só uma brincadeira!

- Bom, a ideia inicial era tentarmos alguma coisa. – mais uma vez, Kevin dirigiu um olhar sério para Davina – Mas isso não vai dar certo se você surtar sempre que um retardado fizer insinuações sobre mim.

- O retardado sou eu? – Theodore piscou com uma nítida confusão, sem saber se deveria ficar ofendido.

Os olhos de Kevin, esverdeados naquela noite, giraram com impaciência e ele ignorou as intromissões do colega de quarto. Ignorando também a expressão pouco amigável de Davina, Templeton deu alguns passos na direção da menina e a encarou com intensidade.

- Não aconteceu nada além de algumas horas de conversa e algumas anotações num caderninho. A Samantha nunca me deu mole e eu também nunca forcei a barra para ficar com ela. Por que raios eu faria isso logo agora que estamos juntos, e bem debaixo do seu nariz? Você não está duvidando apenas da minha honestidade, está duvidando da minha inteligência também, Davs.

Sem se importar com Theo no papel de espectador, Kevin levou as mãos até o rosto de Davina e o segurou delicadamente. Os olhos que buscaram pelos dela refletiam uma sinceridade e uma intensidade que seria muito difícil fingir.

- Eu gosto de você, Davs. Eu estou totalmente apaixonado por você e, acredite, eu me sinto tão surpreso quanto qualquer um ficaria. Esta é a verdade e não pretendo fugir dela. Mas eu não quero batalhar pela sua confiança dia após dia. Eu não quero explicar cada um dos meus passos como se eu fosse um criminoso em condicional. Você me deu uma chance, achei que tivesse incluído nisso um voto de confiança.

O queixo de Theodore quase batia no peito diante daquela declaração. O rapaz já havia visto Kevin “em ação” muitas vezes e estava cansado de ouvir as mentiras e as baboseiras que Templeton dizia para conquistar as meninas. Contudo, era a primeira vez que as palavras soavam sinceras e que os olhos de Kevin brilhavam daquela forma.

- Se você realmente não confia em mim, ao menos seja racional. Agora o Theo sabe e eu nunca conseguiria esconder uma garota do cara que divide o quarto comigo. É só você encurralá-lo pelos corredores se estiver desconfiada de alguma coisa.

- Heeeeey! – os olhos do rapaz se estreitaram – Não precisa chegar a tanto, Davs. Eu prometo que serei o primeiro a arrebentar o Kev se ele te magoar. Ainda preciso de um tempo para acreditar nisso, mas olha... – o rapaz sorriu e ergueu o polegar - ...eu serei eternamente grato a você por colocar rédeas no Kev.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sab Jun 04, 2016 8:20 pm

A verdade é que Hyacinth nunca havia perdido muito tempo pensando naquilo ou planejando aquele momento. Contudo, nem se tivesse gastado todo o seu tempo e a sua imaginação, a ruiva diria que a sua primeira vez aconteceria naquelas circunstâncias.

Não parecia nada romântico se entregar dentro de um carro, para um rapaz mais velho que não era oficialmente o seu namorado e nem pretendia assumir o relacionamento nos próximos dias. Mas só Hyacinth e Andrew eram capazes de entender como aquele momento era único e especial.

Tudo estava acontecendo rápido demais, mas isso só refletia a necessidade que Westphal sentia de encontrar algum tipo de consolo e felicidade em meio ao mundo que desmoronava ao redor dela. Por mais que Dana e Andrew estivessem se esforçando para poupar a ruiva das preocupações, Cinty era inteligente o bastante para entender que seu futuro era incerto. Isso dava a ela uma urgência em aproveitar o presente e as oportunidades que surgiam antes que todos lhe virassem as costas.

E, sem dúvida, Andrew era a melhor coisa que acontecera na vida da ruiva nos últimos dias. O papel dele ia muito além do comportamento de um simples namorado. Ackerman era a pessoa em quem Hyacinth mais confiava, era alguém que estava arriscando tudo por ela, era um amigo com quem Westphal podia desabafar.

Qualquer um diria que os dois tinham sido inconsequentes naquela noite, mas Hyacinth não se sentia nem meramente arrependida quando avistou as luzes da mansão ao fim da estrada. Os cabelos ruivos tinham sido presos num rabo de cavalo para tentar disfarçar os nós e o suor. As roupas também estavam bastante amassadas, mas tudo o que a garota precisava era chegar ao banheiro feminino sem cruzar o caminho de ninguém. Westphal já estava se tornando uma especialista na arte de evitar os colegas e, como já estava bem tarde, provavelmente os corredores da escola estariam desertos.

O sedan estacionou silenciosamente na garagem do subsolo e, se aproveitando daqueles últimos minutos de privacidade, Hyacinth soltou o cinto e puxou Andrew para mais um beijo. Antes que eles se deixassem levar pelo desejo novamente, a ruiva interrompeu a carícia. Ela se afastou apenas o bastante para encarar o tutor e riu antes de levar os dedos aos cabelos dele.

- Eu preciso perder a mania de bagunçar os seus cabelos. Você vai ter dificuldade para explicar porque seus fios estão apontando em todas as direções.

A última coisa que Hyacinth queria era se afastar de Ackerman naquela noite. Mas o retorno à escola os obrigava a encarar o mundo real. Embora para eles aquele relacionamento fosse certo e absurdamente sincero e intenso, os demais não pensariam da mesma maneira. Dana surtaria, provavelmente designaria Chevalier como tutor de Westphal e afastaria Andrew da mansão. Isso sem mencionar os colegas, que reagiriam mal diante daquela fofoca. Davina também teria dificuldade para aceitar a atitude do irmão e da amiga e isso poderia se refletir negativamente na evolução já tão complicada da caçula dos Ackerman. Por mais difícil que fosse, o mais sensato era transformar aquela noite em mais um segredo a ser escondido dentro daquela mansão.

- Vejo você na aula amanhã... – a ruiva se despediu com um beijinho breve e carinhoso, depois deslizou a pontinha do nariz pelo pescoço de Ackerman - Obrigada pelo passeio, Andy. Era tudo o que eu precisava.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Sab Jun 04, 2016 8:45 pm

- Eu não estou surtando.

Davina girou os olhos com nítida impaciência, embora começasse a relaxar diante das palavras de Kevin. Ela sabia que havia se precipitado em assumir o pior diante daquela situação comprometedora e que Templeton merecia ao menos um voto de confiança.

Era sempre mais fácil esperar o pior, quando o rapaz tinha um histórico tão manchado. Mas ao mesmo tempo, ele vinha demonstrado que realmente queria dar uma chance naquele relacionamento inesperado.

- Eu não pretendo encurralar o Theo cada vez que me sentir insegura, Kevin. Definitivamente não vou ser o tipo de garota que vai controlar cada um dos seus passos.

Respirando fundo, Davina jogou os cabelos cor de mel para trás do ombro e ergueu o rosto, tentando reassumir o orgulho ferido.

- Vamos fazer o seguinte? Sempre que eu desconfiar de qualquer deslize seu, vou perguntar diretamente para você. E você tem a obrigação de me dizer a verdade, então vou ter que acreditar no que você disser.

- Oooown, olhem só para vocês dois!

O falsete na voz de Theodore fez com que o clima tenso da conversa do casal desaparecesse. Davina olhou por cima dos ombros e soltou uma risada enquanto girava os olhos com falsa impaciência.

- Tão bonitinhos, tão maduros!

- Cala a boca, Theo.

Voltando o olhar para Kevin, Davina assumiu um semblante mais suave e permitiu que o espaço entre eles diminuísse quando deu alguns passos em sua direção. Sem se importar com a presença de Theodore, Ackerman ficou nas pontas dos pés e cobriu os lábios de Templeton em um beijo suave e rápido.

Aproveitando da proximidade, ela permitiu que as palavras saíssem em um sussurro, com os lábios roçando a orelha dele.

- Aliás, eu também estou totalmente apaixonada por você. Me desculpe.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sab Jun 04, 2016 8:58 pm

O sorriso que Hyacinth arrancava de Andrew era largo e sincero, deixando o professor com uma aparência ainda mais jovem e leve, como se ele tivesse voltado a ser um adolescente livre de preocupações e problemas, apenas enxergando o lado bom da vida.

Como se temesse que Cinty fosse fugir a qualquer minuto, Andrew permaneceu com a mão apoiada na coxa dela, seus dedos acariciando suavemente o tecido grosso da calça jeans. Ele fechou os olhos quando os dedos delicados se perderam em seus cachos, soltando um risinho com o comentário de Westphal.

- Eu não me importo, eu adoro quando você bagunça os meus cabelos. Você já bagunçou a minha vida inteira, ruiva.

A aparência de cansaço que Ackerman tinha no começo da noite já havia desaparecido e embora suas roupas estivessem ainda mais amarrotadas que antes, o brilho em seu olhar mostrava que o passeio também havia lhe feito muito bem.

Com um sorriso orgulhoso, ele meneou a cabeça enquanto puxava a mão de Westphal até seus lábios, depositando um beijo carinhoso em seus dedos. A fugida daquela noite tinha como intenção fazer com que Hyacinth pudesse relaxar e esquecer um pouco dos problemas, que ela pudesse ao menos respirar um ar longe de outros mutantes.

Andrew jamais imaginou que o momento fosse se tornar tão mágico e especial. Ele tinha certeza que se lembraria com cada detalhe a noite única ao lado de Hyacinth, agora com ainda mais certeza que seria capaz de enfrentar qualquer coisa ao seu lado.

- Tente descansar, está bem? Não pense que por causa de hoje, eu vou pegar leve nos próximos dias.

Após um beijo suave e rápido, Andrew finalmente se soltou de Hyacinth, permitindo que ela saísse do quarto primeiro. Já era madrugada, mas o mais seguro era que eles seguissem separados os caminhos até os dormitórios. Andrew esperou apenas alguns minutos antes de se aventurar pelos corredores desertos e silenciosos, sendo incapaz de tirar o sorriso dos lábios.

Pela primeira vez desde que a ruiva chegara na mansão, Ackerman encontrou uma noite inteira de sono tranquilo, sem pesadelos ou insônias, sentindo o corpo inteiro agradecendo pelas escolhas daquela noite.
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