Escola de mutantes

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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 27, 2016 4:40 am

Embora as palavras do estranho fossem extremamente ofensivas, Davina se sentia cada vez menos uma vítima e cada segundo mais furiosa. Seus punhos estavam cerrados e ela podia sentir a pele começar a formigar, um sinal de que seu poder queria começar a se manifestar.

Era um absurdo ouvir tamanhas ofensas e era revoltante que se fosse um homem em seu lugar, ninguém a criticaria pelo seu comportamento. E era ainda mais revoltante que o cara estivesse se vangloriando tanto. Embora já se sentisse enjoada com as próprias escolhas erradas, sabia que a noite ao lado daquele estranho não havia sido nem a metade do que ele estava contando. Ela sequer se lembrava do rosto dele até minutos antes e definitivamente não havia sido nada tão maravilhoso e marcante.

A fúria de Davina só se dissipou quando Kevin iniciou a briga. Seus olhos se arregalaram de tal forma que pareciam que iriam saltar de seu rosto a qualquer instante. O queixo dela despencou quando o homem cambaleou para trás, mas foi preciso tapar a boca com as mãos para abafar um grito quando ele revidou, arrancando sangue de Templeton.

- KEVIN!!!

Davina saltou para frente e segurou o rapaz pelo ombro no mesmo momento em que o segurança se aproximava. Todo o seu corpo tremia e sua mente gritava para se concentrar apenas em Kevin, mas ela ainda teve forças para encarar o segurança e apontar com o indicador para a saída da boate.

- Tira esse imbecil daqui! E se você pensar em pisar aqui de novo, eu vou chamar a polícia!

A fúria em seu olhar se transformou novamente em preocupação quando ela se voltou para Kevin, ignorando os protestos do homem que era arrastado pelo segurança para fora. Alguns rostos curiosos ainda observavam a cena, mas Ackerman não deu atenção para nenhum deles enquanto puxava Kevin pela mão.

Apesar da boate cheia, Davina conseguiu atravessar a multidão com grande habilidade e só parou quando alcançou o banheiro dos funcionários, em um dos cantos mais afastados do estabelecimento. O lugar era tão grande e limpo quanto os demais banheiros da boate, mas estava inteiramente vazio e ela não hesitou em trancar a porta no instante em que pisou em seu interior.

- Você não devia ter feito aquilo. – Ela resmungou, correndo para puxar uma tonelada de toalha de papel.

A pia foi ligada e a ponta dos papéis molhada antes que Davina começasse a limpar o rosto ensanguentado de Kevin.

- Aquele cara é um babaca, um troglodita. Você não merecia ser atacado assim.

Davina soltou um suspiro enquanto estudava o rosto de Templeton, tão próximo do seu. Ela ainda sentia o corpo tremer e a fúria de antes já havia sido substituída por culpa. Era culpa dela que Kevin tivesse se metido em uma briga e estivesse sangrando.

- Eu posso chamar o Andy, ele pode resolver isso em dois minutos. Quer que eu pegue gelo até ele chegar?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Seg Jun 27, 2016 5:00 am

O sorriso relaxado de Andrew desapareceu de seus lábios no instante em que percebeu o tom mais sério de Hyacinth. Ele sentiu imediatamente os músculos dos ombros ficarem mais tensos e instintivamente arqueou as costas alguns centímetros para trás, tendo uma melhor perspectiva do rosto da ruiva.

A última coisa que esperava para aquela noite era conversar sobre a mãe de Hardin, muito menos que aquele delicado assunto fosse tocado exatamente por Westphal. Até mesmo com Davina, Andrew evitava falar sobre a falecida esposa e ele ainda estava se torturando, tentando imaginar como Cinth se portaria diante daquela delicada situação.

Uma sombra passou pelo seu rosto e ele baixou o olhar, parecendo apático por alguns segundos, ignorando o toque gentil de Hyacinth em suas vestes. A lembrança de Molly imediatamente invadiu sua cabeça e uma pontada de culpa se espalhou em seu peito, mas era impossível dizer se Ackerman se sentia culpado em relação a namorada ou a falecida esposa.

Hesitante, Andy ergueu a mão até tocar os dedos de Hyacinth em sua gola, segurando-a delicadamente. Ele forçou um sorriso, mas que parecia uma sombra assustadora quando comparada à emoção sincera de instantes antes.

- Eu não sei o que estava acontecendo lá em cima. Nunca vou conseguir entender esses amigos doidos da Davs.

Uma sobrancelha se ergueu quando ele tentou soar divertido com aquele comentário, incluindo Westphal naquele grupo. Mas apenas um segundo depois, ele desviou o olhar e balançou um ombro.

- Eu não falo da Molly há anos. E como você nunca perguntou... bom, eu simplesmente achei que você preferia não saber.

Andy deslizou seu polegar pelos dedos de Hyacinth e levou a mão dela até seus lábios, depositando um beijo carinhoso. Instintivamente, ele queria que a ruiva se sentisse bem e segura em seus braços, temendo que ela fosse sair correndo com a conversa séria que estava acontecendo.

- A gente se conheceu no laboratório. Eu estava arrasado na época, completamente destruído.

Ele balançou a cabeça com a lembrança de seus dias mais sombrios, evitando fitar os olhos azuis e acabar transparecendo a mágoa que havia sentido anos antes.

- A Molly me ajudou a me reerguer. Ela era incrivelmente inteligente e amável, tinha uma paciência incrível.

Um sorriso nostálgico surgiu em seu rosto, mas ainda era possível ver a tristeza em seus olhos castanhos quando ele reuniu coragem para encarar o rosto de Hyacinth.

- Eu a amei, Cinth. Não vou mentir e espero de verdade que você não se chateie com isso. Mas eu achei que finalmente seria feliz com ela.

Era possível notar a sinceridade em suas palavras, mas também que aquela não era a única verdade. Andrew nunca havia dito aquelas palavras em voz alta, o que pareceu que alguém havia acabado de tirar um enorme peso de seu peito quando ele completou.

- Só que eu nunca fui capaz de amá-la como amava você. Como amo você.

O olhar de Andrew era intenso e o brilho voltava a surgir em suas íris escuras. O ar desapareceu do escritório quando ele compreendeu que havia acabado de dizer para Hyacinth que a amava, pela primeira vez em toda sua vida. Como ele havia demorado tanto tempo para dizer algo tão óbvio?

- Acho que sempre me senti culpado porque sabia que nunca seria capaz de amá-la como ela merecia, como eu amei você desde o primeiro momento que te vi. Ela tinha me tirado de uma depressão terrível e eu nem era capaz de dizer que ela era o amor da minha vida, porque estaria mentindo.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Jun 27, 2016 11:08 pm

Kevin Templeton simplesmente não se lembrava da última vez em que esteve envolvido em uma briga. Nem mesmo na época turbulenta da adolescência o rapaz tinha o costume de protagonizar aquele tipo de confusão. Kevin se recordava de ter recebido no máximo uma bofetada de uma garota mais irritada ou ameaças e olhares estreitados de namorados ciumentos.

Mas parecia óbvio que Davina Ackerman estivesse envolvida naquela cena inédita para Templeton. Como de costume, Davina o obrigava a encarar situações e sentimentos que não faziam parte da vida dele. Ela provavelmente era a única pessoa do universo por quem Kevin compraria uma briga com um brutamontes, mesmo sabendo que não sairia inteiro da confusão.

- Tecnicamente fui eu que ataquei primeiro.

Recostado contra a pia do banheiro dos funcionários, Templeton torceu os traços numa careta de dor quando Davina começou a limpar seu ferimento com o papel toalha. A maior parte do sangue escorria por uma das narinas de Kevin, mas também havia um corte em seu lábio superior que começava a inchar.

- Eu só não calculei bem a força do punho dele. Um erro amador vindo de um idiota inexperiente.

A tentativa de suavizar o clima com um sorriso falhou miseravelmente quando o semblante de Kevin novamente se transformou em uma careta dolorida. Templeton fez uma nota mental para se lembrar que, numa próxima vez, não era uma boa ideia repuxar os lábios inchados num sorriso.

- Dav... está tudo bem, hum? Fique calma.

Era cômico que a pessoa ferida tivesse que consolar e acalmar, mas Kevin assumiu aquele papel ao notar como a mão de Davina tremia. Aliás, todo o corpo da moça tremia quando Templeton ergueu um dos braços e segurou o punho da amiga, interrompendo o trabalho dela com as toalhas de papel.

O sangramento havia parado, mas nem por isso o rosto de Kevin parecia melhor. O nariz dele ainda latejava e o lábio superior estava bastante inchado e avermelhado.

- Eu estou bem. – Kevin se corrigiu – Vai ficar tudo bem. Nem pense em envolver o Andrew nisso. Apesar de tudo, foi uma confusão discreta, quase ninguém percebeu a briga e eu prefiro que ninguém lá em cima saiba o que aconteceu.

De fato, somente as pessoas mais próximas ao bar tinham percebido a troca de socos entre os dois homens. O segurança da boate havia colocado um fim da confusão e Davina tirara Templeton de cena antes mesmo que a notícia se espalhasse pelo estabelecimento. Contudo, parecia impossível esconder a verdade dos amigos. Sem a interferência de Andrew, Kevin continuaria com o rosto machucado e teria que dar explicações no instante em que pisasse novamente na área vip reservada por Davina.

A dona da boate só entenderia qual era a ideia de Templeton quando vislumbrou o familiar brilho das escamas azuladas por baixo da pele do amigo. Graças à mutação, Kevin só precisou de dois segundos para consertar o próprio rosto. O inchaço desapareceu milagrosamente, assim como a vermelhidão e a marca do corte no lábio superior.

O rosto que Davina via diante de si agora estava inteiro e impecável de novo. Parecia uma regeneração bem semelhante às que Andrew fazia com suas mãos milagrosas. Mas a moça logo notaria que o dom do ex-namorado não era igual ao do seu irmão quando, ao tentar sorrir, Templeton repetiu a mesma careta de dor. A mutação dele camuflava o ferimento com perfeição, mas não era capaz de curar a dor daquele golpe.

- Terei que controlar os sorrisos pelo resto da noite. Pelo menos você vai saber que meu semblante sério não significa que eu não esteja curtindo a sua boate.

O comentário bem humorado tentava colocar um fim no clima pesado. Kevin não se arrependia de ter entrado naquela briga para defender a ex-namorada, mas preferia não pensar demais no que tudo aquilo significava. Seria difícil explicar para Caroline que um troglodita arrebentara o seu nariz por causa de Davina Ackerman.

- Davs... – Templeton assumiu um ar mais sério enquanto buscava pelas íris castanhas da amiga – Eu não quero me meter na sua vida, e também tenho certeza de que você não precisava de ajuda para se livrar daquele cara. Ainda assim, eu não consigo simplesmente fingir que isso não aconteceu.

A mesma mão que tocava o punho de Ackerman subiu até o rosto da moça. As pontas dos dedos compridos de Kevin deslizaram pela pele macia de Davina enquanto seu coração se comprimia com a certeza de que aquela carícia tão superficial era o máximo que ele poderia fazer, mesmo que por dentro quisesse muito mais.

- Você merece muito mais do que isso. Você é maravilhosa, é linda, inteligente, divertida... você consegue um milhão de caras legais com um estalar de dedos. Eu sei que você é livre para fazer o que quiser da sua vida, mas somos amigos e cabe a mim te alertar. Pense bem nas escolhas que está fazendo, ok?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Ter Jun 28, 2016 1:20 am

Um profundo arrependimento se apoderou de Hyacinth quando Andrew confessou o quanto amara a falecida esposa. Embora já imaginasse que Ackerman havia sido feliz ao lado de outra mulher, a ruiva não estava preparada para ouvir aquilo. Por mais nobre que Westphal quisesse ser, era impossível não sentir um gosto amargo na boca ao ouvir Andy dirigindo à outra mulher a declaração de amor que nunca fizera para ela.

Os olhos azuis imediatamente se desviaram para o chão, incapazes de continuar encarando Andrew naquele momento. A sensação de sufocamento era bem semelhante a uma mão invisível apertando a sua garganta. Hyacinth sentia uma vontade absurda de cair no choro, mas lutou bravamente para não derramar nenhuma lágrima. Afinal, seu choro não mudaria o fato de que Molly merecia a declaração de amor que nunca fora dela.

No passado, a ruiva havia declarado o seu amor algumas vezes. Cinth nunca dissera aquelas palavras esperando ouvi-las de volta, mas estaria mentindo se dissesse que não ficava frustrada em receber somente sorrisos e beijos como resposta. Para amenizar a própria decepção, Hyacinth tentava se convencer de que Ackerman era orgulhoso ou embaraçado demais para abrir o próprio coração, mas agora aquela desculpa perdia o valor. Ele havia acabado de assumir com todas as letras o amor que sentia pela falecida esposa.

Westphal já imaginava que nunca iria se reerguer daquele golpe do destino quando, no momento mais inesperado possível, as palavras que ela sempre desejou ouvir chegaram finalmente aos seus ouvidos.

Os olhos azuis estavam assustados e confusos quando Hyacinth novamente fitou o rosto de Andrew. Por um momento insano, ela se perguntou se ele havia mesmo dito aquilo ou se sua mente machucada fantasiara aquela declaração para amenizar a própria dor. Mas aquela dúvida se dissipou quando Ackerman repetiu a declaração e deixou claro que ela não havia entendido errado.

Desta vez, Hyacinth não conseguiu controlar os sentimentos. As íris azuis foram cobertas por uma cortina de lágrimas cintilantes e ela apertou os lábios com força, mas nem assim evitou que uma gota rolasse por sua bochecha pálida. Seu sorriso emocionado denunciou que aquele não era um choro infeliz e suas mãos tremiam de leve quando ela levou os dedos até o rosto de Andrew.

- Não diga isso, Andy. Você não precisa se sentir culpado.

A voz de Westphal soou num sussurro engasgado, mas a ruiva se obrigou a respirar fundo para conter as lágrimas e recuperar o fôlego. Seus dedos continuaram com aquela carícia no rosto do rapaz, a pele delicada sendo gostosamente espetada pelos fios da barba que Ackerman passara a cultivar.

- Eu sei que você a fez muito feliz. Você a amou, vocês construíram uma família. O Hardin foi o presente mais perfeito que vocês deram um ao outro.

As palavras de Cinth não saíam da boca para fora. A ruiva falava cada frase com a convicção de alguém que sabia que Molly não poderia desejar nada mais perfeito que um marido como Andrew e um filho como Hardin. Uma mulher precisava ter valores muito distorcidos para não valorizar aquela família e isso não se encaixava com a descrição doce que Andy fazia da falecida esposa.

Ainda com um semblante emocionado, Hyacinth eliminou a distância que a separava de Andrew e uniu seus lábios aos dele. Diferente dos beijos sufocantes que os dois protagonizavam quando os amigos chegaram à boate, desta vez a carícia foi mais calma. Os lábios se moveram sem pressa e os corpos se uniram num abraço carinhoso.

Mesmo depois que o fim do fôlego interrompeu o beijo, os dois se mantiveram abraçados. Com os olhos fechados, Hyacinth curvou os lábios num sorriso bonito enquanto encostava sua testa na de Ackerman. Parecia impossível, mas a ruiva conseguia amá-lo ainda mais depois daquela conversa franca e da declaração de amor que Andrew finalmente tivera a coragem de fazer.

- Você também é o amor da minha vida, Andy.

Por mais que os dois quisessem alongar ao máximo aquele momento tão especial, a música animada da boate e o clima formal do escritório de Davina obrigou o casal a retornar para a realidade.

Com as mãos unidas e os dedos entrelaçados carinhosamente, Cinth e Andy retornaram para a área pública do estabelecimento e se espremeram na multidão. Se o local continuasse lotando assim todos os dias, muito em breve Davina recuperaria todo o dinheiro investido naquele negócio.

- Acho que preciso de um pouco de água.

Graças à música alta, as palavras precisaram ser ditas com os lábios de Cinth colados à orelha de Ackerman. A ruiva já estava recomposta depois das emoções intensas vividas no escritório, mas ainda sentia a garganta seca depois do choro. Como os dois estavam há poucos passos do bar e a fila estava pequena, Andy se dispôs a buscar uma garrafinha para a ruiva.

Para evitar aquela aglomeração, Hyacinth se colocou num canto menos tumultuado da boate enquanto esperava que Andrew voltasse com a sua água. A ruiva estava distraída com a música e as luzes coloridas que brilhavam na pista de dança quando foi surpreendida por uma voz grave soando às costas dela.

- Hyacinth?

Depois de mais de dez anos longe de Seattle, Westphal imaginava que eram nulas as chances de encontrar um conhecido casualmente pela cidade. Além dos colegas e dos mutantes que Cinth conhecera na escola, ela podia contar nos dedos das mãos os nomes das outras pessoas que cruzaram seu caminho.

Quando se virou na direção daquela voz, Hyacinth se surpreendeu ao encontrar um rosto conhecido. Era mesmo uma enorme coincidência que eles estivessem no mesmo ambiente naquela noite.

- Edwin! Oi!

Westphal havia sido apresentada a Edwin Vougan há cerca de duas semanas. Dana fora a responsável pela apresentação e também tivera um papel fundamental para convencer Vougan a contratar uma funcionária sem nenhuma experiência na área da gastronomia. É claro que Edwin havia feito aquilo como um favor à antiga tutora, mas ele fora extremamente gentil com Hyacinth durante a breve entrevista.

- Eu não achei que você gostasse desse tipo de badalação.

O homem brincou enquanto os dois se cumprimentavam com um abraço. Cinth não viu maldade no gesto quando Edwin completou o cumprimento com um beijo na bochecha dela. Era o tipo de saudação amigável que ela aceitaria de Kevin, Hugo ou Theodore.

- Não é exatamente a minha melhor definição de diversão. Estou aqui mais para prestigiar uma amiga.

- É mesmo? – as sobrancelhas de Vougan se ergueram – Não me diga que está falando de Davina Ackerman!?

- Conhece a Davina? – Hyacinth ficou sinceramente surpresa – Fomos colegas de quarto na mansão!

- Mas é claro que conheço! – Edwin soltou uma risada melodiosa – Nossas famílias tem parceria em alguns negócios e Davina e eu compartilhamos alguns meses em comum na escola, certamente antes da sua chegada.

Vougan teve a delicadeza de não comentar que, como passara muitos anos na escola de preparação de mutantes, Davina havia sido colega de muitas gerações de jovens. Edwin havia saído da mansão alguns meses antes da chegada de Hyacinth, o que explicava o fato dos dois só terem se conhecido agora.

Como a música estava bem alta naquele ponto do salão, Edwin usou isso como desculpa para se manter bem próximo a Hyacinth durante aquela conversa. De longe, qualquer um diria que eles formavam um belo casal.

Vougan era alguns poucos centímetros mais baixo que Andrew, mas compensava isso exibindo um físico mais forte. A pele pálida entrava num contraste interessante com os olhos azuis claros e com o cabelo castanho-avermelhado. O tom ligeiramente ruivo dos cabelos poderia até passar despercebido num ambiente pouco iluminado se não fosse pela barba. Edwin tinha uma barba arruivada mais cheia que a de Ackerman e a usava em forma de um cavanhaque impecavelmente desenhado. Naquela noite, o chef estava bastante elegante com um conjunto de calça e paletó cinza-chumbo, a ausência de uma gravata dando o ar menos formal exigido para a ocasião.

- Animada para começar a trabalhar?

- O que? – Hyacinth franziu as sobrancelhas quando uma nota mais alta da música impediu que ela escutasse a pergunta do futuro patrão.

Edwin deu mais um passo na direção dela, ficando ainda mais próximo. O rapaz se inclinou para repetir a pergunta mais perto do ouvido de Cinth e se aproveitou de tal proximidade para apoiar uma das mãos nas costas da moça. O gesto já era bastante íntimo, mas se tornava ainda mais inadequado graças ao decote que Westphal usava naquela noite. Sem nenhum tecido como barreira, Edwin apoiou a mão diretamente na pele nua das costas da moça.

- Perguntei se está animada para o trabalho!

- Ah, sim! – Cinth confirmou com a cabeça enquanto abria um sorriso gentil, ainda alheia às segundas intenções do rapaz – Estarei lá na segunda-feira! Muito obrigada pela chance, eu não vou decepcioná-lo.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Ter Jun 28, 2016 4:03 am

Era impressionante como um simples toque de Kevin era o bastante para fazer toda a tensão e angustia de Davina desaparecer, dando lugar a uma corrente elétrica que percorria pelas suas veias, elevando a temperatura de sua pele instantaneamente.

Os elogios de Templeton foram recebidos com surpresa por Ackerman e ela não conseguia nem mesmo piscar enquanto encarava o rosto já sem hematomas à sua frente. Ela estava se sentindo tão mal com as próprias escolhas que era reconfortante saber que alguém ainda a enxergava da melhor forma possível.

Por um segundo, Davina permitiu que suas pálpebras escondessem as íris castanhas e inclinou o rosto para receber a carícia de Kevin. Só quando ela voltou a encarar o homem a sua frente, percebeu que havia praticamente exterminado a distância entre os dois, se acomodando entre seus braços e apoiando as próprias mãos sobre o peito dele.

- Eu já pensei nas minhas escolhas, Kev. Aquele cara foi só um tropeço, uma pedra do passado.

Os dedos de Davina brincavam com a gola da camisa de Kevin, roçando vez ou outra a pele de seu pescoço. Seu corpo inteiro já estava recostado ao dele, em um gesto íntimo demais para dois meros amigos.

A lembrança da rejeição de Kevin ainda estava fresca em sua memória, assim como o sabor do seu beijo ou o arrepio gostoso provocado pela voz rouca lhe dizendo que ainda a amava. A aliança dourada no dedo de Templeton mostrava que nada havia mudado desde o último encontro e a presença de Carol há alguns metros de distância apenas reforçava a loucura daquela aproximação, mas Ackerman se via incapaz de se afastar.

- Já que estamos sendo sinceros e alertando um ao outro... Você sabe que precisamos falar sobre a Caroline.

Um pesado suspiro escapou pelos lábios de Davina e ela se apressou em dizer, antes que Kevin tivesse a chance de fugir do seu contato.

- Qual é, Kev... Você não pode mesmo estar achando que o Hugo inventaria tudo, não é? Ele é seu amigo há anos. Além do mais, eu também escutei. Escutei a Carol falando com um tal de Noah, só pra dizer pra você, um minuto depois, que estava falando com a mãe. Ou você acha que eu inventaria isso também, só porque quero ficar com você?

Davina se assustou com as palavras atropeladas que saíam de sua boca. Ela não queria ser tão direta com Kevin. Hugo já havia cometido aquele erro e o tiro havia saído pela culatra. Era óbvio que precisavam de uma abordagem diferente, mas Ackerman se sentia desesperada em ver Templeton ao lado de Winter, fazendo planos para o futuro enquanto estava sendo enganado.

Ela ergueu uma mão e tocou o queixo de Kevin, o obrigando a encará-la. Sua testa estava franzida, mas seu olhar era carinhoso.

- Você é adulto e capaz de fazer as próprias escolhas. Mas eu não consigo acreditar que você esteja disposto a enfrentar um relacionamento que é uma mentira. Diz que você não me ama mais, que a Carol é o amor da sua vida e que você quer passar o resto da sua vida com ela... Se você disser, eu prometo nunca mais me meter na sua vida.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Ter Jun 28, 2016 10:00 pm

Por mais que quisesse confiar na noiva, Templeton conhecia os amigos o suficiente para saber que Hugo jamais mentiria sobre algo tão sério. Mesmo que não quisesse ver Kevin casado com Caroline, Hugo nunca inventaria uma história tão sórdida para prejudicar a moça. E agora Davina se juntava à voz do amigo e reforçava a história na qual Templeton não queria acreditar.

Os olhos escuros se desviaram para longe do rosto dela, mas Kevin não se afastou da amiga. Aquela proximidade era perigosa e Templeton sabia que, por maior que fosse a sua força de vontade, eram enormes as chances de uma nova recaída com Ackerman. Ainda assim, era impossível dar um passo para trás e romper por completo o contato com a ex-namorada.

- Noah é um colega de trabalho dela. Eu o conheço. Ele é casado, tem filhos e é muito respeitado dentro da revista. Eu não sei exatamente o que você e o Hugo ouviram, mas estou certo de que foi um mal entendido. Ele e a Carol trabalham juntos, é normal que eles se falem com frequência e que se encontrem para resolver pendências.

Embora ainda usasse um discurso de defesa, a entonação de Kevin não soava mais tão firme. Era evidente que o rapaz começava a se questionar sobre a possibilidade daquelas acusações serem verdadeiras.

A proximidade de Davina e a lembrança vívida da paixão que os dois compartilharam no estúdio há alguns dias deixavam claro que a moça não era imparcial naquela história. Se uma traição de Caroline fosse revelada e o noivado chegasse ao fim, Ackerman possivelmente seria a pessoa que mais lucraria com aquela virada de mesa.

Mas Davina era honesta demais para se meter naquele jogo pensando somente nos interesses pessoais. Intimamente, Templeton sabia que a ex-namorada nunca faria nenhuma injustiça para tirar Caroline da jogada.

- Davs...

Era difícil se concentrar tendo Ackerman tão perto. Ela estava tão próxima que Kevin conseguia sentir o calor que emanava da pele dela e o delicioso perfume dos cabelos cor de mel o deixava meio inebriado. As mãos dele pareciam ter vida própria quando se apoiaram na cintura dela, sentindo a delicadeza da pele e a firmeza das curvas sob o tecido fino da blusa.

- Você sabe que eu não posso dizer isso.

Os olhos escuros fitaram novamente o rosto de Davina. A voz de Templeton soava firme, mas em entonação baixa. Não era necessário usar um volume mais elevado quando os dois estavam próximos o bastante para sentir o hálito um do outro.

- Melhor do que ninguém, você sabe que a Carol não é o amor da minha vida. Você sabe que eu não te esqueci, que não deixei de te amar.

Todo o esforço de Kevin para ser uma pessoa melhor e um homem honesto caíam por terra quando Davina estava tão perto. Seu coração ainda saltitava por ela de tal maneira que a parte racional de seu cérebro perdia por completo o controle das ações do rapaz. Um arrepio intenso se espalhou pela pele de Templeton quando seus dedos ousaram ainda mais e levaram o toque para baixo da blusa de Ackerman, tocando diretamente a pele macia e quente da moça.

- Eu vou esclarecer esta situação. Eu me sinto péssimo em desconfiar da Carol, mas realmente não posso mais viver com esta dúvida que vocês plantaram na minha cabeça.

Kevin parecia lutar uma sangrenta batalha interna quando verbalizou aquela decisão tão difícil.

- Se você e o Hugo estiverem certos, eu serei eternamente grato. Mas, se estiverem errados e a Carol me perdoar por esta falta de confiança, eu vou seguir adiante com os planos que fiz com ela. E nós dois não poderemos mais nos ver, Davs.

As mãos de Templeton se afastaram e ele deixou escapar um suspiro pesado.

- Será melhor assim. Está claro que eu não conseguirei ser fiel a ela e aos meus princípios se você continuar por perto.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Qua Jun 29, 2016 3:24 am

Andrew se sentia impaciente na fila do bar. Se havia uma coisa irritante em programas badalados como aquele, era aquela atitude patética de precisar chamar a atenção desesperadamente do atendente para um pedido tão simples. Por um segundo, Andy até desejou usar o peso do seu sobrenome para um atendimento privilegiado, mas para sua sorte, o rapaz do outro lado do balcão finalmente se virou para atende-lo com um sorriso simpático.

A garrafa de água surgiu em um tempo muito menor do que Ackerman havia perdido para ser notado e ele se sentiu grato quando se enfiou novamente entre a multidão para procurar Hyacinth.

Algo estranho havia acabado de acontecer e ele se sentia leve. Andrew até tentou buscar em sua memória alguma vez que tivesse se sentido daquela forma, mas se aquele sentimento não era inédito, com certeza já havia sido esquecido nos anos de tristeza de sua vida.

Agora que finalmente havia se declarado para Westphal, Andy se perguntava como nunca havia sido capaz de dizer aquelas palavras em voz alta antes. Para ele, o sentimento era tão óbvio que foi uma enorme surpresa ver a emoção nos olhos azuis diante daquela confissão. Era tão maravilhoso ver como Cinth havia reagido, que Andrew se arrependia de não ter feito aquilo antes.

Mesmo que racionalmente Ackerman achasse que havia sido um gesto simples demais, de alguma forma ele se sentia ainda mais ligado a ela, como se um elo invisível agora os unisse.

Um sorriso ainda brincava nos lábios de Andy enquanto ele atravessava a boate, quando o reflexo dos cabelos ruivos voltou a entrar em seu campo de visão. Por um instante, seu coração saltitou enquanto ele contemplava Hyacinth por inteiro. Ela havia se tornado uma mulher tão linda e perfeita, que era mesmo uma imensa surpresa que ainda o amasse, mesmo depois de tantos anos.

Por estar tão encantado com Hyacinth, Andrew levou um tempo considerável para enxergar o homem ao seu lado, e só quando já estava perto o bastante, ele finalmente compreendeu que aquele homem estava próximo demais da ruiva.

Andrew já havia experimentado o gostinho do ciúme antes, mas talvez fosse a forma com que o estranho tocava Cinth ou como ela ria em resposta, que seu estômago se contorceu de uma forma inédita. O brilho em seu olhar desapareceu e o sorriso encantado de seus lábios se tornou um movimento mecânico.

- Aqui, amor... sua água.

O sorriso doce era tão forçado quanto suas palavras. Andrew era carinhoso e não poupava demonstrar o seu amor em gestos e carícias, mas não se recordava de já ter chamado Hyacinth de “amor” antes, de forma tão íntima. Soava quase falso em seus lábios, quase formal demais.

A garrafa molhada e gelada foi direcionada para Hyacinth enquanto Ackerman estudava o homem da cabeça aos pés. Seus ombros estavam tensos enquanto ele tentava entender o que havia passado na cabeça de Westphal para permitir tanta intimidade com um cara qualquer em uma boate.

Não foi difícil deduzir que a ruiva não havia conhecido o cara há poucos minutos, o que permitiu que Andrew esticasse sua mão ainda gelada pela garrafinha d’água e apertasse os dedos do homem com firmeza.

- Oi, como vai?

Para sua surpresa, o homem estreitou os olhos e abriu um sorriso abobado, deixando sua mão suspensa no ar.

- Andrew? Andrew Ackerman? – Ele soltou uma gostosa gargalhada, fazendo Andy arquear as sobrancelhas em confusão. – Reconheci você pelas fotos da Davina. Quer dizer, você tá um pouco diferente...

Ele apontou para o próprio rosto, indicando que a barba de Andy não era compatível com a imagem que conhecia. O gesto fez a confusão de Andrew aumentar, tentando encontrar aquele rosto em algum canto de sua memória. O homem parecia conhecer Davina e Hyacinth, mas Ackerman podia jurar que nunca havia cruzado seu caminho antes.

- Edwin Vougan. – O homem finalmente esclareceu, trazendo alguma clareza para a mente de Andrew.

Ele conhecia o sobrenome dos Vougan e imediatamente ligou Edwin não só aos negócios da família, como também ao novo chefe de Hyacinth. Apesar de finalmente saber de onde os dois se conheciam, algo dentro de Andrew ligou um alarme.

- Edwin? – O sorriso de Andrew era mecânico, mas ainda assim parecia muito adequado para aquele encontro social. – O tal do restaurante renomado?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qua Jun 29, 2016 3:55 am

Davina sabia que Kevin havia mudado, que estava longe de ser o mesmo adolescente que exibia uma longa lista de pretendentes e que se divertia em colecionar corações partidos. Ele já havia mostrado que se tornara um homem maduro e responsável, mas ainda assim, era surpreendente vê-lo tão firme daquela decisão, que nem por um decreto teria acontecido se ainda existisse algum vestígio do seu passado.

Por mais que soubesse que não era a intenção do ex-namorado, Ackerman sentiu uma pontada de mágoa ao escutar aquela confissão. Era como se o destino estivesse esfregando na sua cara, mais uma vez, que tudo havia se perdido porque ela não havia confiado em Kevin. Ele estava ali, disposto a abrir mão do amor dos dois, para confiar na noiva. Um gesto que deveria ter sido dela, dez anos atrás.

Apesar do discurso de derrota, Davina se manteve colada ao corpo de Kevin e o segurou pelo queixo mais uma vez, obrigando os olhos escuros a encará-la.

- Eu sei o que eu ouvi. E se você não está disposto a acreditar, não importa o que ela vai dizer. Você já fez a sua escolha, Kevin.

O olhar de Ackerman percorreu o rosto de Templeton por longos segundos antes que ela se inclinasse para frente. Seus movimentos eram lentos e, da mesma forma, ela cobriu os lábios de Kevin com os seus, em um beijo suave no canto da boca, tomando o devido cuidado de evitar a área que ela sabia estar machucada, mesmo diante da aparência perfeita.

O gesto foi suave e quase tímido, mas era impossível negar que havia um gosto de despedida. Davina não iria insistir naquela história. Kevin já sabia o suficiente e se mesmo assim ainda preferia continuar em um relacionamento cheio de mentiras e vazio de sentimentos, não havia mais nada a ser feito.

Ela sabia que Hugo não desistiria de desmascarar Winter com tanta facilidade, mas Kevin era adulto e sabia perfeitamente onde estava se metendo. Davina havia passado dez anos sem ele e era doloroso demais seguir em frente, agora que tinha certeza que seria incapaz de amar outra pessoa. Mas também não estava disposta a se envolver em todo o drama de Carol e Kevin, adotando o papel de uma ponta solta e insignificante na história dos dois.

Quando o contato dos lábios foi interrompido, Davina se inclinou para trás e finalmente se afastou do corpo de Kevin. Um frio imediatamente se espalhou pelo seu corpo, mas ela se obrigou a manter a cabeça erguida.

- Pode deixar que eu vou ficar fora do seu caminho, seus princípios e seu relacionamento estarão intactos. Pelo menos em mim você não vai precisar pôr a culpa.

Um sorriso derrotado brincou nos lábios de Davina enquanto ela se encaminhava para a porta do banheiro, destrancando com um virar da chave. Sua mão ainda parou na maçaneta e ela se virou para Kevin uma última vez.

- Eu não tô no clima de voltar lá pra cima. Pode dizer que acabei me enrolando com as coisas do trabalho? – Ela balançou um dos ombros antes de completar. – Acho que eu tenho mesmo algumas coisas para resolver. De qualquer forma, vai ser melhor do que ver você brincando de casinha com a Carol. Como você disse, será melhor assim, pra todo mundo, né?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Qua Jun 29, 2016 10:29 pm

Embora Andrew tivesse feito uma linda declaração de amor há poucos minutos, Hyacinth não enxergou sinceridade no rapaz quando ouviu aquele tratamento íntimo. O “amor” naquela entonação formal não soou carinhoso e até mesmo para um estranho era fácil perceber que Ackerman só havia selecionado aquela palavra para marcar o próprio território.

Diante daquele comportamento inesperado, Westphal lançou um olhar surpreso para Andrew. Ao invés de se sentir lisonjeada pelos ciúmes dele, Hyacinth se mostrou ofendida. Como Andy poderia se sentir ameaçado depois do momento tão especial que os dois tinham vivido há poucos minutos? Era inadmissível que Ackerman fizesse uma ceninha como aquela, ainda mais diante de Edwin Vougan. Cinth devia um enorme favor ao futuro patrão e a última coisa que queria era que um namorado enciumado estragasse suas chances naquele novo emprego.

Ainda com um semblante fechado, Hyacinth pegou a garrafinha de água e murmurou um agradecimento. A embalagem gelada umedeceu as mãos dela e a ruiva tomou um gole enquanto os dois rapazes se cumprimentavam.

Por um momento, Westphal pensou que Andy mudaria o comportamento hostil quando finalmente entendesse quem era o rapaz a sua frente. Mas, mesmo depois que Edwin mencionou o próprio nome, Ackerman manteve aquela postura tensa e pouco amigável. Chamá-lo de “o tal do restaurante renomado” foi uma indelicadeza tão grande que Hyacinth se viu obrigada a interferir.

A telepatia era um dom útil, mas Cinth raramente fazia uso daquela habilidade em respeito à privacidade das pessoas. Naquela noite, contudo, a voz irada dela soou firme dentro da cabeça de Ackerman.

“O que está fazendo, Andrew? Pare já com esta ceninha, você vai me prejudicar no trabalho!”

Em oposição à entonação irritada que Cinth usou para se dirigir a Andrew, o sorriso que ela lançou na direção de Edwin foi gentil. Para seu alívio, o patrão mantinha um semblante tranquilo e não parecia ofendido com o comportamento de Ackerman.

- Você está sozinho...? – Cinth completou antes que Vougan respondesse – A Davina reservou uma área pra gente lá em cima. Se quiser se juntar a nós...

O convite educado de Hyacinth tinha como único objetivo amenizar a cena de Andrew. Ela não via problema algum em levar Edwin para a área reservada, já que ele também era um antigo colega de Davina e provavelmente conhecia os demais amigos da dona da boate.

- Eu vim com alguns amigos... – os olhos azuis do homem deslizaram pelo ambiente ao seu redor - ...que provavelmente estão se divertindo em algum canto por aí. Agradeço muito pelo convite, mas eu já estou de saída. Quem sabe numa próxima oportunidade, hum?

- Está certo. – o sorriso de Hyacinth se alargou enquanto a ruiva se inclinava para despedir-se de Edwin com um abraço – Foi uma coincidência ótima te encontrar aqui. Nós nos vemos na segunda.

- Estarei te esperando. – Edwin se virou para Andrew e repetiu o aperto de mãos, numa despedida mais formal – Bom te ver também, Ackerman. Diga para a Davina que eu adorei a casa e pretendo voltar mais vezes.

Hyacinth ainda acenou uma última vez na direção de Edwin antes de se afastar. Como era impossível iniciar uma conversa enquanto atravessavam a agitada pista de dança, a ruiva só se virou para Ackerman quando os dois alcançaram a escada que os levaria até a área reservada da boate. A música não estava tão alta ali, o que permitiu que Cinth usasse uma entonação mais contida.

- O que deu em você, Andy? Por sorte ele não pareceu ter notado, mas eu te conheço o bastante para saber que estava sendo indelicado! Não sei que tipo de problema há entre vocês, mas ele foi o cara que me ofereceu um emprego fantástico mesmo sabendo que não tenho nenhuma experiência na área!
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Jun 29, 2016 11:26 pm

Mais uma vez, Kevin não conseguiu resistir à tentação e não foi capaz de se esquivar quando a ex-namorada se curvou em sua direção. O beijo suave de Davina foi retribuído da mesma forma doce e era evidente que, para Templeton, aquela carícia também tinha um gosto de despedida. Por mais que amasse Ackerman, ele estava disposto a se sacrificar para cumprir as promessas feitas à noiva.

- Será melhor assim... – a entonação frágil de Kevin deixava claro que nem ele acreditava nas próprias palavras.

Quando Davina se afastou, Kevin sentiu um frio repentino se espalhar pela sua pele. Era impressionante como a simples presença de Davina tinha o poder de aquecer seu corpo e acalmar seu coração. Era muito injusto que os dois não pudessem ficar juntos, mas Templeton sabia que também seria errado colocar um fim no noivado depois de ter feito tantos planos e tantas promessas a Caroline.

Uma parte da mente de Kevin torcia para que as acusações de Hugo e Davina fossem verdadeiras. Era bizarro que Templeton desejasse o papel de homem traído, mas a verdade é que aquela humilhação daria a Kevin a liberdade que seus princípios não permitiam que ele buscasse.

Exatamente por este raciocínio, Templeton estava disposto a colocar a noiva em prova. A parte racional de sua mente exigia que ele confiasse em Carol, mas a semente plantada por Hugo e reforçada por Davina já havia germinado e não deixaria que Kevin tivesse paz enquanto aquela história não fosse esclarecida.

Ao contrário do que Ackerman imaginava, Templeton não estava planejando uma conversa franca com a noiva. Se Caroline realmente era desonesta o bastante para trair o futuro marido, era óbvio para Kevin que ela não teria nenhum problema em mentir caso fosse questionada sobre aquelas acusações.

Embora não tivesse o costume de usar a sua mutação para assumir a identidade de outras pessoas, Templeton estava disposto a abrir uma exceção daquela vez. Suas habilidades davam a ele o poder de obter aquela resposta de forma fácil. Nem mesmo Hugo teria o que questionar se Caroline passasse no teste diante do próprio “Noah”.

- Você demorou...

Caroline fez um biquinho quando o noivo se sentou ao lado dela. Os olhos da loira buscaram pelas mãos vazias de Templeton e sua expressão se contraiu em confusão.

- Você não tinha ido buscar água pro Hugo?

- Desisti, a fila do bar estava quilométrica. A situação está meio caótica lá embaixo. – Kevin lançou um olhar de desculpas ao amigo – Mas eu peço a sua água assim que um atendente passar por aqui.

- Eu tô legal, relaxa. – Hugo manteve um olhar desconfiado no melhor amigo – A Davs também foi e ficou. Você a viu lá embaixo?

Caroline não percebeu que a intenção de Hugo era perguntar se o amigo estivera com Davina, mas o semblante fechado de Kevin indicava que ele havia compreendido as insinuações do amigo.

- Ela deve estar ocupada. – a resposta vaga de Templeton mostrava que ele não pretendia se alongar naquele assunto – A boate está realmente lotada.

Quando achou que estava livre das insinuações de Hugo, Kevin foi surpreendido por Carol se levantando da mesa. A loira explicou que precisava ir ao banheiro e despediu-se de Templeton com um beijinho nos lábios. Como não sabia que o noivo havia acabado de levar um soco, Winter encostou justamente na área dolorida. Foi com muito esforço que Kevin disfarçou a careta de dor com um sorriso.

- Kev... – Hugo começou logo que Carol sumiu de vista.

- Vocês venceram. – Templeton interrompeu o amigo com um semblante fechado – Eu não vou conseguir seguir em frente depois que você enfiou esse veneno na minha cabeça. Eu vou esclarecer as coisas, Hugo.

- É claro que ela vai mentir para você, Kev. Ela vai negar até a morte!

- Eu não vou falar com ela. – Kevin fez uma pausa antes de completar num sussurro que Hugo não teve dificuldade para ouvir mesmo com a música alta da boate – O Noah vai.

Só depois de alguns segundos, Hugo entendeu o que o amigo estava insinuando. Os lábios dele se curvaram num sorriso e foi impossível disfarçar a satisfação em saber sobre aquele plano. Caroline negaria qualquer acusação que o noivo ou os amigos lhe lançassem, mas certamente cairia na armadilha se achasse que estava diante do amante.
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