Escola de mutantes

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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Jun 23, 2016 1:15 am

Cada toque e cada sensação davam a Kevin a certeza de que Davina nunca fora uma página virada em sua vida. Dez anos tinham se passado, Templeton havia mudado radicalmente os rumos da própria vida e agora se tornara um homem centrado, responsável e honesto. Mas seu coração ainda batia por Ackerman como se os dois fossem adolescentes apaixonados.

Por vários minutos, Kevin não conseguiu raciocinar e deixou que os instintos guiassem seus movimentos. Ter Davina novamente em seus braços era como um sonho, que se tornava ainda mais especial naquela versão mais madura do amor dos dois. Ainda havia paixão, mas era evidente que eles agora eram adultos que sabiam muito bem o que queriam um do outro.

Templeton desejava profundamente a bela mulher que Davina tinha se tornado, mas o seu olhar intenso e apaixonado mostrava que aquilo ia muito além de uma simples atração física. A ex-namorada foi a única garota que Kevin verdadeiramente amou e ele tinha certeza de que os dois teriam sido muito felizes se Davina não tivesse colocado um fim no relacionamento.

E foi esta a lembrança que fez Templeton interromper o beijo intenso que os dois protagonizavam no sofá.

A blusa de Davina e a camisa de Kevin já estavam emboladas no chão do estúdio e faltava muito pouco para que eles levassem aquela loucura às últimas consequências. O velho Kevin Templeton certamente iria adiante sem pensar na consequência dos seus atos, mas aquela atitude não combinava em nada com a postura do homem que ele havia se tornado.

Por mais que o seu corpo implorasse por Davina e se revoltasse com aquela decisão, Kevin conseguiu obedecer aos comandos da parte racional do próprio cérebro. Suas mãos seguraram os braços de Ackerman e a afastaram lentamente, rompendo o contato dos lábios e colocando um fim no beijo.

- Eu não posso.

A voz rouca indicava que não era por falta de desejo que Kevin se afastava. Todo o seu corpo parecia berrar de desespero com aquela determinação e os olhos escuros do rapaz revelavam toda a sua infelicidade quando buscaram pelo rosto da ex-namorada.

- Não dá, Davs. Não é certo. Não é justo conosco, nem com ela...

A culpa era tão grande que Templeton não conseguiu pronunciar o nome de Caroline, mas era óbvio que ele estava se referindo à noiva. O Kevin do passado não pensaria duas vezes antes de abandonar aquele relacionamento vazio para mergulhar de cabeça no amor que sentia por Davina, mas Templeton havia se tornado um homem honrado. Mais do que isso, ele agora se importava com o sofrimento que causaria à noiva. Carol já tinha chorado demais por ele na adolescência, não era justo colocar uma aliança no dedo dela e fazê-la enfrentar novamente a mesma tortura.

- Eu amo você. – a declaração soou num sussurro sofrido – Nunca te esqueci, nunca deixei de pensar que poderíamos ter sido felizes juntos. Mas as nossas vidas seguiram rumos diferentes. Foi muito difícil pra mim, Davs, mas ao menos serviu para que eu decidisse mudar. E isso...

O gesto de Templeton se referia aos dois no sofá e ao erro que estavam prestes a cometer naquela tarde.

- Isso não se encaixa na vida que eu quero ter. Eu me comprometi com outra pessoa, eu dei a minha palavra de que seria fiel, de que seria digno da confiança dela. Eu sinto muito, mas eu não posso fazer isso.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Qui Jun 23, 2016 2:23 am

Um sorriso bobo brincava nos lábios de Andrew enquanto ele dormia, e o gesto continuou quando suas pálpebras se ergueram, confirmando que o sonho maravilhoso que tivera durante toda a noite era realidade e que Hyacinth estava mesmo em seus braços.

O que Ackerman não esperava era ouvir da ex-namorada, nas primeiras palavras daquele novo dia, que ela precisaria ir embora. Racionalmente, ele sabia que a ruiva estava certa, mas não estava preparado para encerrar aquele momento. Talvez nunca estivesse. Naquele dia, Andy trocaria sua mutação tão abençoada se pudesse paralisar o tempo e viver para sempre naquele quarto com Cinth.

Com um suspiro derrotado, o sorriso de Andy finalmente morreu, embora seus olhos castanhos continuassem a exibir um intenso brilho. Ele ergueu a mão e deslizou pelos fios ruivos, colocando uma mecha atrás da orelha de Hyacinth e deslizando o polegar pela bochecha macia.

No fundo, Andy queria voltar a ser o mesmo rapaz irresponsável que cedia suas tentações para dormir com uma aluna, quebrando todas as regras. Mas ele não podia mais se dar ao luxo de não pensar nas consequências. Há poucos metros, separados apenas por um corredor, o pequeno Hardin dormia, e dependia inteiramente das decisões razoáveis de seu pai.

- Eu sei.... – Andy concordou, a voz rouca pelo sono interrompido. – Se quer saber a verdade, não seria só a cabeça dele que estaria confusa.

Como se temesse que Hyacinth fosse sair correndo a qualquer instante, Andrew deslizou a mão pelas costas nua dela, a puxando contra seu peito. Seu coração já começava a se apertar com a ideia de ver a ruiva saindo pela porta do apartamento. Algo em sua mente lhe dizia que ele já havia presenciado Westphal se despedir mais vezes do que era tolerável.

Um pequeno arrepio percorreu sua espinha ao pensar que a ex-namorada pudesse desaparecer novamente, e querendo garantir que aquilo não aconteceria, ele buscou o olhar dela, sem sucesso ao tentar camuflar sua ansiedade.

- Dana marcou uma nova reunião. Você vai, não vai?

A mão que ainda tocava os fios ruivos deslizou até segurar o delicado queixo, mantendo o rosto de Hyacinth virado para o seu, sem dar chance para que ela desviasse o olhar.

- Parece que a fita que o Kevin recuperou tem pistas interessantes. E eu sei o que disse antes, mas estava errado. A gente precisa mesmo de você, Cinth.

Haviam coisas muito mais importantes para serem tratadas naquele momento, questões muito mais relevantes para os dois depois da noite juntos, mas Andrew não sabia o que poderia esperar de Hyacinth e temia que a ruiva quisesse deixar aquele breve momento apenas como um pequeno deslize. Tentando fugir daquela possibilidade, era mais fácil manter um assunto neutro como as missões da velha diretora.

- Eu também preciso de você. – Andrew completou baixinho, se surpreendendo ao perceber que havia dito cada uma das palavras em voz alta.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Jun 23, 2016 2:44 am

- O quê...? Não...

A primeira reação de Kevin para interromper o contato foi recebida com estranheza por Davina. Ela ainda estava completamente envolvida com o momento e protestou tolamente com uma expressão de dor em seu olhar, se inclinando mais uma vez para tentar retomar o beijo.

Ao ouvir a indireta menção à Caroline, Ackerman pareceu finalmente despertar do encanto, sentindo seu corpo esfriar instantaneamente. Ainda no colo de Kevin, ela inclinou o corpo para trás, de modo a conseguir enxergar seu rosto com mais clareza. Uma ruga de frustração surgiu entre suas sobrancelhas enquanto sua mente processava o que estava acontecendo.

A rejeição começava a se espalhar dolorosamente pelo seu corpo, substituindo o êxtase de instantes antes. Nos últimos anos, Davina havia se acostumado a receber atenção de outros homens, e receber um não logo de Kevin se tornava ainda mais amargo. Parecia cruel que o único que ela desejava, não estivesse mais disposto a estar ao seu lado.

Sentindo-se humilhada, ela deslizou para fora do sofá, evitando o contato com os olhos escuros enquanto vestia sua blusa ainda úmida e embolada. Ouvir a declaração de que Kevin a amava foi a única coisa capaz de obriga-la a se virar e encará-lo outra vez. Seu olhar já não tinha mais brilho algum e sua expressão estava fria.

- Não vem falar de amor, Kevin. A gente não estava fazendo nada do que você já não tenha feito sua vida inteira. Algo que você fez comigo, inclusive.

Davina respirou fundo, tentando acabar com a dor e o frio que sentia por dentro, seu corpo ainda protestando pela interrupção abrupta de um momento perfeito. Com um longo suspiro, ela caminhou pelo estúdio e calçou as botas enquanto Templeton ainda tentava se justificar, apenas piorando as coisas a cada palavra.

Quando ela estava inteiramente vestida outra vez, parou diante dele com as mãos na cintura, se esforçando para sorrir e suavizar as palavras duras de antes.

- Acho que eu deveria ficar feliz por você ter finalmente mudado, né? Preciso dar os parabéns para a Carol, ela fez algo que todas nós acreditávamos ser impossível.

Uma pontada de ciúme fazia seu coração se apertar, desejando a todo custo que tivesse sido ela a escolhida de Kevin. Que ela tivesse transformado o rapaz inconsequente no homem a sua frente.

Uma vozinha em sua mente lhe ordenava a contar para Kevin o que sua preciosa noiva andava fazendo enquanto “visitava os pais”, mas se ele havia mudado tanto por Winter, não seria seu papel se intrometer. Se Templeton amava a noiva tanto assim, eles encontrariam um jeito de fazer o relacionamento dar certo, depois de tantos erros.

- Pode ficar tranquilo, Kevin. Fiquei dez anos fora do seu caminho, não vai ser difícil ficar mais dez.

Com um nó se formando em sua garganta, Davina virou as costas para o ex-namorado e deixou o estúdio, desejando desesperadamente que não tivesse experimentado novamente a sensação de estar nos braços de Kevin.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Qui Jun 23, 2016 3:59 am

- Eu não vou a lugar algum, Andy...

A voz suave de Hyacinth mostrava que ela havia notado o temor por trás das palavras de Andrew. E a ruiva fizera isso sem precisar usar o seu poder de telepatia. Os olhos de Ackerman eram reflexos perfeitos de sua alma e a expressão dele dispensava palavras que explicassem seus sentimentos.

É claro que o objetivo do grupo motivava Hyacinth a continuar por perto e a participar ativamente das reuniões agendadas por Dana. Contudo, depois daquela noite, a ruiva estaria mentindo se dissesse que a guerra era a sua única motivação para continuar por perto.

A declaração que Andrew deixara escapar poderia soar superficial aos ouvidos de outra mulher, mas Hyacinth o conhecia bem demais para não valorizar aquele desabafo. Ackerman confessar que precisava dela era quase como ouvi-lo dizer o “eu te amo” que Hyacinth partira sem escutar há dez anos.

- Eu vou entender se você quiser pensar sobre tudo o que aconteceu, ou se preferir ir mais devagar. Eu sei que é complicado, Andy.

Antes que o rapaz pudesse argumentar, Hyacinth encostou o indicador sobre os lábios dele. Não era o momento para decidirem o futuro daquele relacionamento, não com os corpos cansados e as mentes inebriadas pela última noite. Aquela era uma decisão extremamente importante que mudaria não só a vida dos dois, como também a do pequeno Hardin.

- Só o que você precisa saber é que eu não vou a lugar algum. Estarei ao seu alcance caso você decida que nós dois merecemos uma segunda chance.

O rosto de Andrew foi segurado com carinho entre as duas mãos de Westphal e os lábios dos dois se colaram num beijo superficial, mas extremamente doce e carinhoso. Cinth abriu um sorriso terno e deslizou os dedos nos cachos castanhos uma última vez antes de se levantar.

Em poucos minutos, Hyacinth retornava ao quarto já de banho tomado e usando as mesmas roupas da noite anterior, agora bem mais amassadas. A ruiva mostrou que seu retorno ao quarto era uma mera formalidade quando dispensou a companhia de Andrew até a porta do apartamento.

- Hardin pode me ver se eu atravessar o corredor para chegar à sala...

Ao perceber que Andrew não compreendera a insinuação dela, Hyacinth soltou um riso leve e cruzou os braços, erguendo uma das sobrancelhas finas para o ex-namorado.

- Andy, eu estou morando na mansão. A Davina me convidou para fazer esta visita ontem no meio da noite. Como acha que eu chegaria tão rápido se a escola fica há três horas daqui...? – um sorrisinho surgiu nos lábios de Cinth – Portas e paredes nunca foram um problema para mim. Agora as estradas também não são.

A ruiva se inclinou, depositou mais um beijo nos lábios de Andrew antes de se afastar alguns passos. Com um breve aceno e um sorriso carinhoso, Hyacinth se despediu de Ackerman. Sua imagem foi perdendo o foco até que, subitamente, a ruiva desapareceu do quarto. No segundo seguinte, ela já sentia o vento fresco que circulava pela área externa da mansão.

Ainda amanhecia e o céu se abria timidamente, mas para Westphal aquela era uma das mais belas manhãs que ela já presenciara. O sorriso em seus lábios, ausente nos últimos tempos, parecia inabalável naquele dia.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Jun 23, 2016 4:35 am

Dez anos tinham se passado, mas Kevin ainda pagava um preço alto pelo mau comportamento da adolescência. Embora Davina não fosse a única pessoa que lançasse contra ele as incômodas verdades sobre o seu passado desregrado, aquelas acusações pareciam piores vindas dos lábios dela.

Templeton sabia que havia destruído muitos corações e que se comportara como um canalha com muitas garotas que não mereciam aquele tipo de tratamento. Mas as acusações de Ackerman eram como uma potente bofetada que Kevin sabia não merecer. Davina fora a única menina de quem ele realmente gostou, a única com quem Templeton se esforçou para que tudo desse certo. Embora a moça não acreditasse nisso, ela nunca tinha sido traída.

Esta revolta foi o combustível que retirou Kevin da cadeira e o fez seguir os passos da ex-namorada. Sem se preocupar em recolocar a camisa, Templeton saiu do estúdio, alcançou a escadaria e encontrou Davina antes que a moça chegasse ao térreo.

Os dedos dele envolveram um dos punhos de Davina e impediram que a moça continuasse naquela fuga para fora do prédio. Os dois estavam exatamente no meio de um lance de escadas e, por sorte, o prédio estava vazio. Qualquer um que visse a cena notaria pela intensidade do momento que aquela era uma briga de um casal apaixonado.

- Eu não mudei pela Carol. Eu mudei por você.

Apesar da entonação rígida, Templeton não ergueu o volume da voz. Seu timbre estava ligeiramente mais rouco, mas ainda assim as palavras soavam firmes.

- Eu mudei depois que eu me apaixonei por você, Davina. Confesso que tentei voltar para a minha antiga vida depois que você me dispensou, mas nada mais fazia sentido. Se não aconteceu nada lá em cima, foi porque um dia eu me apaixonei por você e te perdi. Ou melhor, você me deixou da forma mais injusta possível. Porque eu não vou aceitar que você me acuse de ter traído você quando isso NUNCA aconteceu.

Ainda era doloroso relembrar aquele passado, mas Kevin sentia que não conseguiria seguir em frente sem dizer as palavras entaladas em sua garganta há dez anos.

- Você me dispensou porque não conseguiu segurar a barra, mesmo sabendo que eu só tinha me aproximado da Aphrodite para ajudar a Hyacinth. E com o SEU consentimento. Eu nunca te enganei, mas você me deixou por causa de meia dúzia de beijos que só aconteceram porque VOCÊ me pediu para ajudar a sua amiga.

Kevin falava com tanta mágoa e tanta firmeza que fariam com que qualquer júri ficasse comovido com a sua inocência. Mesmo depois de dez anos ele ainda não aceitava que Davina tivesse posto um fim no namoro por causa do plano envolvendo Aphrodite. Templeton realmente acreditava que a história era apenas essa e nunca imaginaria que Ackerman havia recebido uma foto bastante comprometedora na época.

- Você mudou a minha vida, Davs. Eu preferia viver essa nova vida com você, mas foi você mesma que desviou o seu caminho. Agora já é tarde demais. – Kevin sentiu um nó na garganta quando ergueu a mão direita e mostrou a aliança – Você pode falar o que quiser do meu passado, eu sei que mereço todas as críticas. Mas eu não posso admitir que você continue insistindo nessa mentira. Eu nunca traí você. Nunca, Davs.

Era no mínimo estranho que Kevin lutasse tão ferozmente para defender aquela mentira depois de dez anos. Ele parecia disposto a assumir todos os erros, mas não admitia a veracidade da cena registrada pela foto enviada para o celular de Ackerman.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Qui Jun 23, 2016 4:40 am

Andrew vinha de uma família de mutantes e estava perfeitamente acostumado com pessoas fazendo coisas incríveis a sua volta, dia após dia. Mas nem isso foi o bastante para evitar que seu queixo despencasse quando Hyacinth desapareceu diante dos seus olhos.

Ele sabia que o poder de Westphal era ilimitado, e por mais que já estivesse familiarizado em ver a ex-namorada exibindo mais de um poder, ele ainda se surpreendia cada vez que ela demonstrava algo diferente. No fundo de sua mente inquieta, Ackerman se perguntava a infinidade de tantas outras coisas que ele desconhecia em Cinth.

Apesar da surpresa, um sorriso de orgulho apareceu em seu rosto. A ruiva estava perfeitamente acostumada com a própria mutação e parecia dominar com perfeição cada um de seus “talentos”. A adolescente assustada de uma década atrás jamais teria previsto a mulher poderosa que se tornaria.

Quando Andrew finalmente se rendeu à realidade e se arrastou para fora da cama, foi recebido pelo olhar curioso de Davina. A irmã caçula estava em pé diante do balcão da cozinha, e na sua frente, o pequeno Hardin estava sentado em um alto banco. Seus cabelos negros estavam completamente bagunçados e ainda vestia pijamas enquanto comia uma tigela de cereais com leite.

- E então? – Davina tentou esconder um risinho por trás da xícara de café enquanto dava um generoso gole. – Hardin me disse que vocês tiveram visitas ontem a noite.

- Como se você não soubesse nada sobre isso, né Davs? – Andrew girou os olhos enquanto abria a geladeira para pegar uma garrafa de suco.

Embora estivesse tentando ignorar o interrogatório que ele sabia que estava por vir, seu sorriso denunciava que não estava inteiramente irritado com a atitude intrometida da irmã.

Mantendo sua pose inocente, Davina encolheu os ombros e arregalou os olhos.

- Ué, só mandei uma mensagenzinha de nada pra minha velha amiga, dizendo que a gente precisava colocar o papo em dia. Não tenho culpa se o timing dela é péssimo e ela veio logo quando eu não estava em casa.

Em resposta, Andrew ergueu seu corpo, até então enfiado na geladeira a procura da caixa do suco. Em suas mãos, ele sacudiu o recipiente vazio que Davina havia devolvido para as prateleiras. Seu olhar a repreendia pelo comportamento tão relaxado, mas o olhar da caçula estava longe de se abalar diante daquela pequena bronca.

- E então??? Você matou a saudade dela por mim?

Andrew caminhou até a lixeira e pisou em seu pedal antes de jogar a caixa vazia em seu interior. Ele lançou um rápido olhar na direção de Hardin e ficou tenso ao perceber que o menino encarava os dois adultos com atenção. Por mais que ainda fosse uma criança, Andy sabia que o filho era inteligente demais para a idade e poderia entender mais do que o pai e a tia desejavam.

- Podemos falar disso em outra hora? – Ele lançou um olhar ansioso na direção do filho.

- Só me da uma pista, Andy! Total desastre ou inegável paixão?

- Davina! – Andrew arregalou os olhos e seu jeito desesperado arrancou gargalhadas do filho, mostrando duas covinhas em suas bochechas gordinhas.

- Se você não me der uma pista, vou continuar falando... – Davina ameaçou, exibindo um sorriso de orelha a orelha.

E Andrew sabia que ela não estava blefando. Entredentes, falando o mais baixo que conseguia, ele cuspiu as palavras apressadamente.

- Definitivamente não foi um total desastre. Não sei exatamente o que foi... ou como vai ser. Mas foi... bom.

Ao dizer a última palavra, o homem lançou mais uma vez um olhar ao filho, tentando ignorar a sua mente que dizia que “bom” não se encaixava adequadamente para definir o que havia acontecido naquela noite.

Para sua surpresa, Davina soltou um longo suspiro como quem acaba de assistir uma cena incrivelmente romântica em um filme, e apoiou o cotovelo sobre a bancada.

- Se precisarem de uma ajudinha para saber “como vai ser”, podem contar comigo. Estou vendo que tenho mais um grande talento.

***

A sala de reunião estava mais vazia do que a última vez que Andrew pisara na mansão, mas assim como na primeira vez, era Dana quem assumia a responsabilidade de conduzir o assunto.

Chevalier e Megale não ocupavam seus lugares, pois estavam substituindo a diretora na responsabilidade de cuidar das dezenas de adolescentes que ainda viviam na mansão. Dos demais convidados, Andrew ocupava a cadeira mais próxima da diretora, logo na frente de Hugo. Kevin estava ao lado do amigo e Daniel estava logo após, ao lado de Derek. Para alívio de Andy, Hyacinth estava logo ao seu lado, mas a cadeira vazia de Davina não havia passado desapercebida.

Dana havia começado a reunião parabenizando o trabalho de Templeton e da Ackerman caçula, mesmo com a ausência da última. Era impressionante que, mesmo com todos os seus pupilos já adultos e desenvolvidos, a velha diretora ainda tivesse a necessidade de congratula-los por suas vitórias.

Logo em seguida, o pendrive trazido por Kevin foi espetado na grande televisão e colocada diante da mesa para que todos analisassem as imagens. Como não havia estado no prédio da primeira missão, Andrew não reconheceu a arquitetura do lugar, mas logo um trio entrou em foco, passando por diversas pilastras de sustentação.

- O que é isso? – A voz de Derek soou enquanto ele se inclinava para frente, espremendo os olhos.

Andrew fez a mesma coisa. À primeira vista, pareciam apenas dois rapazes e uma moça que caminhavam de costas para a câmera de segurança. Poderiam ser qualquer pessoa, simples humanos até que vissem as cenas seguintes. Mas antes que chegassem na parte mais crucial, uma pequena mancha em cada um dos ombros já chamava a atenção, diferenciando aquelas três figuras de cidadãos comuns.

- É uma tatauagem? – Hugo inclinou a cabeça para o lado, tentando decifrar o borrão da imagem.

- Parece uma marca. – Andrew se inclinou mais sobre a mesa.

Cada um dos ombros exibia um número marcado em preto. “11A” e “25C” estava em cada um dos homens. Na mulher, escapando por baixo de sua regata, um “8Q”.

- Isso tem algum significado? – A pergunta de Derek soou mais uma vez enquanto a imagem do vídeo continuava rodando.

Andy balançou a cabeça, também tentando encaixar as peças daquele quebra-cabeça.

- Não sei. Os ratos que usamos no laboratório recebem marcas como essa... – Uma ruga de confusão havia surgido entre suas sobrancelhas. – Talvez seja alguma marca de uma gangue ou coisa do tipo.

- Uma gangue de mutantes? – Hugo sussurrou enquanto as cenas continuavam a acontecer, provocando um silêncio na sala.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Qui Jun 23, 2016 5:01 am

Davina não esperava que Kevin fosse vir procura-la. Ele estava tão disposto a encerrar o momento entre os dois que acreditou que tudo havia chegado ao fim, mais uma vez, naquele estúdio frio e escuro que vir atrás dela parecia uma grande loucura.

Congelada pela surpresa, Ackerman não se mexeu, não tentou se afastar e não debateu enquanto Templeton revivia o fim de um relacionamento morto há dez anos. Parecia uma grande idiotice desejar Kevin com tanta intensidade e ainda sofrer pelo erro da adolescência, e ainda mais desgastante ter uma briga por algo de um passado tão distante. Ainda assim, era igualmente necessário.

Ela estava tão decidida a terminar o namoro com Kevin anos antes que não se lembrava do dois terem de fato discutido. Davina havia simplesmente imposto que não seria capaz de continuar o relacionamento, tão certa de que estava sendo traída, que aquela era a primeira vez que passava pela sua cabeça uma possível inocência do ex-namorado.

- Mas eu recebi a foto...

Sua voz saiu em um sussurro fraco e ela se sentiu ainda mais idiota ao ouvir as palavras saindo de sua boca. Por tempo demais, Davina havia culpado o fracasso daquele namoro em Kevin. Pensar que o erro havia sido dela por não ter confiado nele, que os dois poderiam estar juntos se não fosse sua enorme insegurança, era sufocante.

A aliança que Kevin exibiu ao erguer a mão foi recebida como um tapa que fazia sua pele arder. Poderia ser ela ali, poderia ser tudo diferente do que estava acontecendo naquele momento. Ela não estaria parada no meio de uma escadaria, com a certeza de que amava um homem que se casaria com outra mulher.

- Eu lembro daquele dia como se fosse ontem, Kevin. Eu me odiei por ter concordado com aquele plano idiota e teria arrancado a cabeça da Aphrodite com as minhas próprias mãos por estar com você. Mas eu ia admitir o meu erro e deixar aquele dia para trás se não fosse a foto.

Davina engoliu em seco e se soltou de Kevin, se recostando na parede, sem forças para gritar ou fugir. Sua mente trabalhava rápido demais enquanto a culpa e o remorso se espalhavam pelo seu peito.

- Eu tinha certeza que você tinha dormido com a Aphrodite naquele dia. Alguém me enviou uma foto de vocês dois juntos, na cama dela. – O queixo de Davian tremeu quando ela tentou sorrir. – Nunca duvidei que tivesse sido a própria vaca que me mandou a foto, mas eu achei...

Com um suspiro, a voz de Davina morreu e ela encarou Kevin. Ela chegou a cogitar em perguntar mais uma vez se Kevin realmente não havia traído sua confiança e o relacionamento dos dois, mas parecia ser ainda mais ridículo achar que Templeton manteria a mentira após tantos anos.

- A culpa foi minha. Eu não achei que você me amasse o bastante, que já estava enjoando, como sempre acontecia com as outras meninas. E eu não queria ser só mais uma que ficava sofrendo por você, Kevin. Eu fui covarde.

O olhar de Davina baixou para focar na aliança de Kevin e ela foi incapaz de encará-lo nos olhos outra vez.

- Eu sei que agora já é tarde demais. Espero que a Carol não seja idiota o bastante para perder você também.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Jun 23, 2016 10:00 pm

- Eu não sei do que você está falando, Davs. Não faço ideia de que foto é essa, mas eu não dormi com a Aphrodite. Não naquele dia. Eu nunca traí você, eu queria muito que tivesse dado certo.

A firmeza na declaração de Templeton não dava brechas para uma mentira. Além disso, dez anos tinham se passado e Kevin havia amadurecido demais. Agora ele se tornara o tipo de homem que jamais negaria os próprios erros e não mentiria sobre os tropeços cometidos no passado.

Mesmo sem maiores explicações era fácil entender o que havia acontecido. Aphrodite certamente se aproveitara da situação para envenenar a cabeça de Davina contra o namorado. Templeton não havia cedido às provocações da colega naquele dia, mas nada impediria Willis de usar uma imagem do passado. E este era um erro que Kevin assumia. Antes de Davina entrar na vida dele, Templeton havia se rendido aos encantos e às habilidades de Aphrodite muitas vezes. Todos temiam o poder da loira, mas Kevin sabia muito bem que ela era capaz usar o seu dom de forma bem “interessante”.

Era ainda mais difícil lidar com a certeza de que o namoro havia chegado ao fim por causa de um mal entendido. O coração de Kevin se comprimia dentro do peito enquanto ele pensava que sua vida poderia ter sido muito diferente.

No fim das contas, ele creditava à Aphrodite a menor parcela de culpa naquela situação. A loira havia aplicado o veneno, mas aquela mentira não teria nenhum valor se Davina confiasse nele, ou se Templeton não tivesse construído uma fama tão ruim que sua palavra tivesse pouco valor naquela época. Willis somente jogou uma semente podre no solo, mas foi o relacionamento frágil de Davina e Kevin que permitiu que aquela praga crescesse.

- Você não confiava em mim. – Templeton mostrou que aquela não era uma simples acusação quando assumiu também a sua parcela de culpa – Mas eu não posso te julgar por isso, eu sei que já tinha cometidos erros demais e não podia exigir a sua confiança plena. Tudo teria sido diferente se tivéssemos tido esta conversa há dez anos, Davs, mas você simplesmente me disse que não queria mais tentar e eu acreditei. Éramos imaturos demais para resolver um problema tão bobo.

Os dois tinham demorado dez anos para esclarecer uma simples mentira da adolescência que poderia ter sido resolvida com cinco minutos de uma conversa franca. E foram esses cinco minutos que levaram os dois em direções tão distintas. Por mais que tudo estivesse esclarecido agora, a aliança no dedo de Templeton mostrava que era tarde demais.

- Eu lamento, Davs. Por nós dois.

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- Eu não acredito que escutei isso. – Kevin chegou a reduzir a velocidade do carro para encarar o amigo ao seu lado – Eu vou fingir que você não disse essa barbaridade, Hugo.

Os dois rapazes mais uma vez seguiam a familiar estrada que os levaria até a mansão. Dana marcara a segunda reunião para aquela tarde e eles assistiriam juntos os vídeos que Templeton e Ackerman haviam conseguido tirar da sala de segurança do estacionamento. A conversa entre os dois amigos começara leve, mas logo o tema “Davina” tornou o clima mais pesado.

- Você a ama. E ela também ama você. Vocês já ficaram separados por dez anos por causa de um mal entendido! E agora estão repetindo o erro!

Já arrependido por ter desabafado com Hugo, Kevin voltou a fixar a sua atenção na estrada. Manter os olhos no asfalto também era uma desculpa excelente para não precisar encarar o amigo naquele momento.

- Não somos mais adolescentes que jogam tudo para o alto porque estão apaixonados. Eu construí uma vida sem a Davina, eu assumi responsabilidades e planejei um futuro no qual ela não se encaixa.

- A Caroline é uma vadia e está traindo você!

Hugo soltou de uma só vez a verdade que vinha segurando há dias. Ele havia prometido a Davina que guardaria aquele segredo até que ela conversasse com Carol, mas era impossível manter a língua quieta quando Kevin estava abrindo mão da própria felicidade para ser honesto com a noiva que o traía.

Desta vez, Kevin não só diminuiu a velocidade como chegou a parar o carro. Por sorte, a estrada que levava à escola era praticamente deserta e aquela parada não comprometeria o trânsito. Quando encarou Hugo, os olhos de Templeton estavam cobertos por uma sombra e ele exibia uma expressão profundamente decepcionada e magoada.

- Eu sei que você quer que a Davina e eu nos acertemos, mas esta é uma jogada baixa demais, Hugo. A Carol não merece este sofrimento e muito menos esse tipo de insinuação. Estamos juntos há quatro anos, vamos nos casar e confiamos um no outro.

- Eu escutei uma ligação dela com um tal de Noah. – Hugo estava sério enquanto explicava – Os dois estavam marcando um encontro.

- Noah Sullivan. Um dos editores da revista, casado, pai de duas meninas. É claro que eles se encontram com frequência, Hugo, os dois trabalham juntos!

- Eu não sou idiota e nem faria uma acusação grave como esta se não tivesse certeza, Kev. Não era uma conversa entre bons colegas, não era um encontro de negócios!

- Já chega. – a voz de Templeton se ergueu e sua entonação era definitiva – Eu confio na Carol, nós dois construímos algo legal juntos e eu vou me casar com ela. Eu sei que você não pode evitar de ouvir as nossas conversas, mas pare de fantasiar em cima disso, Hugo.

O carro de Kevin continuou seu caminho na direção da mansão, desta vez num silêncio pesado no interior do veículo. Como sabia que o amigo jamais acreditaria naquela traição sem provas concretas, Hugo só viu uma alternativa. Com o celular nas mãos, ele digitou uma mensagem para o número de Davina.

“Não consegui segurar e contei pro Kev. Ele não acreditou e ficou furioso comigo. Precisamos de provas. Ele não pode se casar com aquela vaca.”
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Qui Jun 23, 2016 10:03 pm

A decepção de Hugo foi indisfarçável quando, na segunda reunião agendada por Dana, Hyacinth entrou na sala e ocupou a cadeira ao lado de Andrew. Não foi preciso que eles perdessem tempo com qualquer tipo de explicação. Depois da reação pouco amigável de Ackerman há alguns dias, o fato dos dois se sentarem lado a lado era uma prova concreta de que o antigo casal de namorados estava se entendendo novamente.

É claro que Hugo não tinha nenhum problema pessoal com Andrew e admitia que o antigo tutor fazia um belo par com Hyacinth. Mas ele estaria mentindo se dissesse que não torcia pelo fim definitivo daquele relacionamento. Seria a única maneira de ter uma chance real com Westphal.

Com o semblante ligeiramente amarrado, Hugo tentou se concentrar nos objetivos daquela reunião. Era uma tolice tipicamente adolescente ficar amargurado por ciúmes, ainda mais por uma garota que nunca dera esperanças a ele. Não foi difícil afastar aquele problema da mente quando as imagens do dia do atentado surgiram na tela da televisão.

Assim como Hugo, todos os presentes na reunião pareciam intrigados com o trio de desconhecidos que cruzavam o caminho que separava o estacionamento do prédio vizinho. A atitude dos três já era suficientemente suspeita e a situação se tornava ainda mais intrigante por causa das marcas que eles carregavam nos ombros. Hyacinth nunca havia visto nada parecido, mas até mesmo Dana encarava a tela com um olhar confuso que mostrava que, nem mesmo com toda a sua experiência, ela sabia explicar o que significava tudo aquilo.

- Eu não sei como funcionam essas coisas, mas imagino que se fosse simplesmente a marca de uma gangue as tatuagens seriam todas iguais, não? – a ruiva fez uma breve pausa antes de completar – Letras e números diferentes me fazem pensar num esquema de identificação mais individual e complexo.

- Por mais bizarro que pareça, eu acho que o Andrew pode ter levantado uma questão pertinente...

A voz sensata de Kevin atraiu para ele todas as atenções. Embora não soubesse ao certo o que estava havendo, Templeton tentou explicar a ideia que começava a brotar em sua cabeça.

- Esse tipo de identificação parece com as siglas usadas para separar diferentes grupos de uma pesquisa. Por exemplo... – Kevin indicou a tela, que Dana havia pausado em foco na tatuagem do ombro da única mulher do trio – Indivíduo oito do subgrupo Q.

- O Andrew mencionou experimentos com ratos! – Derek parecia horrorizado com aquela ideia – Não acho que sirva como comparação.

- Eu acho que faz sentido. – uma ruguinha surgiu entre os olhos de Hugo – Geralmente os experimentos de novas drogas começam com animais e, só depois de resultados seguros e aprovados, passam para a fase com humanos como cobaias. Imagino que, assim como os ratos são identificados por códigos, as pessoas também seriam para evitar qualquer tipo de influência ou viés nas pesquisas.

- Sim, eu concordo. – Derek ainda não estava pronto para aceitar aquela ideia – Mas se estamos falando de uma pesquisa responsável, imagino que as “cobaias” não seriam literalmente marcadas com códigos como gado!

- Bom, um prédio caiu e tivemos dezenas de mortos e feridos. – Hyacinth completou de forma mais sombria – Para mim não resta dúvida de que não estamos lidando com gente “responsável”.

Westphal era vista por praticamente todos como a mutante mais forte de todo o grupo. De fato, suas várias habilidades contribuíam para que Hyacinth conseguisse se virar sozinha em variados tipos de problemas que pudessem surgir com aquela guerra. Mas isso não significava que a ruiva fosse imbatível, muito menos que ela fosse imune ao medo que assombrava a todos.

Além de temer por si, agora Cinth também pensava nos amigos. Qualquer perda naquele grupo seria dolorosa e a sua frustração era grande diante da certeza de que ela não conseguiria defender todos os colegas. Mas nenhuma angústia era maior do que pensar que algo poderia acontecer com Andrew. Mesmo antes da recaída no apartamento dos Ackerman, Cinth já perdia noites de sono com a possibilidade de perder o ex-namorado. Agora, portanto, essa era uma ideia insuportável.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Jun 24, 2016 4:11 am

Um pesado suspiro escapou pelos lábios de Davina quando ela terminou de ler a mensagem de Hugo. Seu estômago estava embrulhado, mas ela sabia que não era consequência apenas das palavras do amigo na tela do seu celular.

É lógico que Kevin iria acreditar em sua noiva. Era o que ela deveria ter feito, dez anos antes. Se tivesse tido fé no próprio relacionamento e confiado no namorado, os dois estariam em situações completamente diferentes agora. Mas por culpa dos próprios erros, Davina estava sozinha e Templeton disposto a seguir com a própria vida ao lado de Caroline.

- Urrrrgh...

Davina se contorceu ao lembrar da voz doce de Carol enquanto falava com outro homem no telefone. Pensar que a antiga colega de quarto estava realmente traindo Kevin era extremamente indigesto, inaceitável. Templeton poderia ter errado muito, mas havia se tornado um homem que não merecia tal traição.

Uma pontada em seu peito lhe dizia que era a responsável por Kevin estar em um relacionamento cheio de mentiras, mas o lado racional lhe ordenava que ficasse fora da vida do ex-namorado. O peso da culpa pelo fim do namoro estaria sempre em seus ombros, mas isso não lhe dava o direito de se meter na vida dele. Kevin precisaria enfrentar sozinho os próprios problemas.

Embora estivesse decidida a não voltar no assunto “Kevin Templeton”, a mensagem de Hugo serviu como motivação para que ela seguisse o caminho até a mansão naquele dia. Quando Davina finalmente entrou na sala de reunião, o assunto discutido parecia extremamente delicado. A imagem congelada da TV mostrava que eles já haviam iniciado a assistir o vídeo recuperado por Kevin e suas expressões tensas denunciavam que as notícias não eram boas.

Davina ainda carregava em seu rosto os óculos escuros. Seus cabelos cor de mel estavam soltos e brilhosos como sempre, mas ligeiramente desalinhados. Sua roupa estava amarrotada e embora não usasse saltos tão altos, as pernas não estavam tão firmes no curto caminho até a cadeira ao lado de Hyacinth.

Ela poderia jurar que se sentia ótima, mas o olhar de Andrew, que a acompanhou desde o primeiro instante, denunciava que sua aparência desleixada estava lhe entregando.

- Davs? – Andy se inclinou sobre Hyacinth para sussurrar para a irmã, que tentava sorrir para os demais presentes. – Você está de ressaca?

Os lábios de Davina se entreabriram enquanto ela tentava pensar. O raciocínio surpreendentemente lento fez com que vários segundos se passassem enquanto ela refletia a pergunta do irmão. Por fim, ela também se inclinou sobre Hyacinth para se aproximar do irmão, sem se importar se estava deixando a ruiva desconfortável.

- Bom... considerando que tomei meu último shot de tequila há quarenta minutos, eu ainda estou bêbada, e não de ressaca.

- Mas ainda é meio dia! – Andrew arregalou os olhos, aproveitando enquanto Dana e Derek discutiam teorias para ralhar com a irmã em sussurros pouco exaltados.

Em resposta, Davina girou os olhos e voltou a se inclinar para trás. Ela abriu um sorriso bobo na direção de Westphal e ergueu uma das mãos até os fios vermelhos, brincando com um cachinho.

- Cunhadinha, será que você pode pedir pro meu irmão parar de ser tão irritante?

Um pigarro do outro lado da mesa obrigou Davina a girar as íris castanhas até se focar em Hugo, lutando com todas as suas forças para ignorar a presença de Kevin, logo ao lado. O sorriso de Davina se alargou diante do amigo, mas era fácil notar pelos seus gestos mais lentos que ela estava afetada pela bebida.

- Precisa de uma pastilha pra garganta, Hugo?

Dana, que até então estava se esforçando para ignorar o comportamento de Davina, finalmente se virou em sua direção com uma expressão fechada. A diretora vinha se orgulhando em ver seus pupilos tão desenvolvidos, mas se mostrava inteiramente decepcionava com a atitude da Ackerman caçula.

- Achei que não fosse se juntar a nós hoje, Davina.

Ackerman piscou várias vezes por trás das lentes escuras dos óculos antes de erguer o polegar para a diretora.

- Eu também!

Apesar da ousadia de Davina, a mulher mais velha não se deixou abalar. Ela estava mais do que acostumada com os temperamentos difíceis dos adolescentes da mansão, e naquela tarde, a sua antiga pupila se comportava exatamente como uma menina rebelde de quinze anos.

- Então, já que mudou de ideia, quer se juntar para nos ajudar nas teorias?

Davina balançou os ombros enquanto finalmente se acomodava quieta na cadeira. Ao perceber que a menina não voltaria a atrapalhar, Dana soltou um suspiro e voltou seu olhar para Derek.

- Eu só acho que talvez o problema seja mais simples do que estamos acreditando. – Derek continuou, gesticulando sobre a grande mesa de madeira.

- Na verdade você está torcendo para que seja mais simples. – Hugo ponderou, assumindo uma postura mais séria que não combinava com seu temperamento leve. – Acho que deveríamos pelo menos descartar a pior possibilidade.

- Qual seria essa possibilidade, exatamente? – Derek estava disposto a não acreditar naquela teoria absurda. – Experimentos humanos? Vocês andam assistindo muito SyFy.

Davina não tinha certeza se o assunto tratado era realmente complicado, se ela havia perdido a introdução das teorias ou se seu raciocínio estava prejudicado pela grande ingestão de álcool, mas ela não estava conseguindo acompanhar o diálogo a sua frente.

Andrew se remexeu desconfortável em seu lugar e se inclinou para frente, unindo as mãos sobre o tampo de madeira.

- Eu trabalho no principal laboratório de Seattle. Se alguém anda fazendo experimentos por aí, alguma coisa tem que passar por lá. Todo controle de produtos químicos que entra e sai é distribuído por lá. Pode ser um tiro no escuro, mas é algum lugar por onde começar.

Davina continuava sem compreender o que estava sendo discutido ali, mas seus lábios se curvaram novamente em um sorriso abobado enquanto ela apontava para Andrew com o polegar.

- Meu irmão é um gênio.

Ignorando o comentário da caçula, Andrew continuou com o tom sério adotado por todos os presentes, exceto da mais recém-chegada.

- Eu posso tentar vasculhar o prédio, tentar achar alguma coisa. – Andy sempre dava ênfase no “alguma coisa”, querendo reforçar para todos que era uma tentativa distante, procurando uma agulha no palheiro e com poucas chances de sucesso.

- Nós podemos começar por aí. – Dana concordou, inclinando a cabeça. – Mas você nunca vai encontrar nada em tão fácil alcance. Vai precisar procurar nos cantos mais obscuros, Andrew.

A perna de Andrew balançava inquieta sobre a mesa enquanto seu pensamento veloz trabalhava.

- Tem uma área restrita no subsolo. Pouquíssimas pessoas têm acesso. Se tiver alguma coisa, provavelmente está lá.

- Andy vai sair numa missão! – Davina continuava sendo a única sorrindo de forma relaxada, ignorando a tensão de todos. – Acho que ele precisa de uma parceira. Eu, eu, eu!

Ela ergueu a mão no ar, se candidatando para mais uma missão em um comportamento tão infantil que logo descartou sua chance.

- Nós não sabemos o que vamos enfrentar, Andrew. – A diretora estava obviamente ignorando Davina. – Sequer temos um plano traçado e não podemos colocar seu emprego ou o seu pescoço em perigo. Hyacinth é quem está mais bem preparada para enfrentar situações diversas. Ela vai te acompanhar.

O braço de Davina foi recolhido, mas seu sorriso não foi abalado enquanto ela piscava de forma nada discreta para Westphal.

- Primeiro minha mensagem marcando nosso encontro, agora isso... Você sabe o que tá acontecendo aqui, cunhadinha?

***

Provavelmente como efeito da bebida, Davina ainda se sentia extremamente devagar enquanto as pessoas deixavam a sala de reunião e ela ficava para trás, acompanhada apenas de Hugo. Ela só percebeu a presença do amigo quando ele surgiu na sua frente, bloqueando sua saída da sala já deserta.

- Você viu minha mensagem?

Davina ergueu uma sobrancelha, se surpreendendo com o mal humor do velho amigo. Mais uma vez, seu raciocínio lento lhe fez ficar em silêncio por alguns segundos antes de conseguir elaborar uma resposta.

- Aquela que você chamava a Carol de vaca? Vi sim. Mas eu gosto das vacas, então acho que o termo mais apropriado para a futura Sra. Templeton é vadia.

Hugo revirou os olhos, impaciente, mas se manteve bloqueando o caminho da amiga.

- Davs, a gente precisa fazer alguma coisa! Tá na cara que vocês dois estão sofrendo por não estarem juntos e ele ta arruinando tudo por uma vac... dia.

- O Kevin confia na noiva dele, Hugo. E eu não confiei no Kevin. Simples assim. Toca a marca nupcial, cabô.

Ela cambaleou para trás até se recostas na borda da mesa, cruzando os braços contra o peito com ar de quem encerra o assunto.

- Davs. – Hugo respirou fundo e se aproximou dela, mantendo as mãos erguidas no espaço entre os dois, como quem pede calma. – Você vai simplesmente desistir do Kev assim?

- Desistir do que, Hugo? – A sensação provocava pela bebida começava a se dissipar, mas Davina queria se agarrar a embriaguez para não pensar na frustração de não ter mais Kevin por sua imaturidade do passado. – Não tem nada pra desistir. A gente terminou faz tempo...

Ela estalou o polegar no dedo do meio para enfatizar o tempo passado, mas Hugo não estava disposto a desistir.

- E a pegação de vocês dois no estúdio? – Ao ver os olhos de Davina se arregalarem, ele se apressou em dizer. – Éééé, eu sei! Kevin me contou o que rolou. Fala sério, Davs! Você vai desistir fácil assim?

Davina bufou enquanto massageava a própria têmpora, tentando evitar a chegada da ressaca. Quando as palavras saíram de sua boca, ela soava inteiramente derrotada.

- Não tem o que desistir, Hugo. O Kevin já deixou claro, tanto para mim quanto para você, que é com a Carol que ele quer ficar. Então eles que resolvam aquela merda toda.

Hugo trincou os dentes e cruzou os braços, encarando Davina por longos segundos.

- Esquece que é o Kevin, Davs. Esquece tudo que aconteceu entre vocês dois. Se fosse comigo, ou com o seu irmão ou até mesmo com o Theo, você ia deixar a gente continuar com uma mulher, sabendo que tava levando chifre?

Os olhos claros de Hugo estudaram a reação de Davina, sabendo que havia tocado no ponto certo. Independentemente de qualquer coisa, Kevin e Davina haviam sido amigos um dia e era para aquele sentimento que ele estava tentando apelar.

- Você não pode deixar um amigo assim, Davs. Preciso da sua ajuda pra desmascarar a vadia da Carol. O que você me diz?

Davina ergueu as duas mãos e massageou os olhos com mais força.

- Eu digo que você tá antecipando a minha ressaca, idiota. – Ela baixou as mãos e encarou Hugo antes de completar. – Mas tá bem, eu tô dentro.

O sorriso de Hugo se alargou e foi impossível esconder sua animação quando ele ergueu o polegar, imitando o gesto de Davina.

- Ótimo! Porque eu já tenho um plano... a Cinth tá devendo um favor pra vocês mesmo.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sex Jun 24, 2016 4:31 am

Andrew sabia, quando entrou na sala de reunião naquele início de tarde, que as coisas não seriam tão simples. Desde o momento que concordara em participar do pequeno e seleto grupo de Dana, tinha certeza que dias intensos estavam por vir. Ele só não esperava que fosse tão cedo.

Quando a reunião foi encerrada, Ackerman permitiu que seus pés o levassem, seguindo os passos de Hyacinth, até que os dois alcançassem a área traseira da mansão. Ele sabia que a escola estava muito bem conservada, mas se surpreendeu ao ver que o jardim estava ainda mais belo. A grama bem cuidada continuava incrivelmente verde e havia uma enorme e velha árvore ao centro. Os grandes eucaliptos ao fundo balançavam suavemente, provocando uma brisa que balançava os cabelos vermelhos da mulher ao seu lado.

Apesar do belo dia e da paisagem tão agradável, Andrew sentia o peito apertado e as preocupações começando a sufoca-lo. As teorias levantadas durante a reunião não eram apenas absurdas, como assustadoras. Era ruim o bastante acreditar que estavam lidando com um grupo normal de mutantes. Cogitar que aquilo era, na verdade, fruto de humanos que brincavam de deuses tornava a situação horripilante.

O comportamento de Davina se somava na sua lista de preocupações. Andy sabia que a irmã havia mudado nos últimos anos e que era comum frequentar dezenas de festas, chegar em casa pela manhã e passar o dia reclamando de alguma ressaca. Mas ele sabia que, por mais que aquele fosse seu mundo agora, ela jamais chegaria a uma reunião tão importante cheirando a álcool, muito menos que tivesse um comportamento tão inapropriado.

Andrew ainda não sabia o que havia acontecido, mas tinha certeza que algo havia deixado a caçula abalada.

Para piorar o seu dia, ele não só havia se oferecido em uma missão sem pé nem cabeça, como havia arrastado Hyacinth para junto daquele perigo. Andrew sabia que, em uma situação de risco, Westphal tinha chances muito maiores de sucesso do que ele, mas era impossível olhar para os olhos azuis ao seu lado e não se lembrar da menininha ruiva que dependia do seu toque para acalmar suas dores.

Os dois andavam lado a lado por tempo demais, mas Andrew sequer havia notado o silêncio que se instalara entre eles, tão mergulhado estava em suas preocupações. Quando o reflexo do sol nos fios vermelhos chamou sua atenção, ele ergueu o rosto, franzindo a testa para a claridade antes de focar o olhar em Hyacinth.

- Você não precisa ir comigo, se não quiser.

Ele arriscou dizer, embora soubesse que Westphal não se esquivaria daquela missão.

- Você não deveria, na verdade. Ninguém vai tentar nada no laboratório, aposto que você vai ficar entediada.

Andrew arriscou um sorriso enquanto seu olhar passava pela mansão. Alguns adolescentes estavam espalhados, concentrados em suas próprias atividades, e ele se lembrou de seu próprio tempo esparramado naqueles gramados.

- Ainda está morando aqui? – Ele perguntou repentinamente, enfiando as mãos nos bolsos. – Eu sei que era algo provisório, mas não acha que está se alongando por tempo demais? Não quero me intrometer na sua vida, Cinth...

Andy deu um passo na direção da ruiva, mas ainda mantendo uma distancia segura e respeitosa aos olhos de qualquer um que passasse.

- Mas não é meio chato viver no meio desses adolescentes?

Procurando desesperadamente suavizar o clima pesado daquele dia, Ackerman se esforçou para dar um sorriso, ignorando o frio gostoso em seu estômago.

- Além do mais, eu não consigo me teletransportar, sabe? Pegar o carro e dirigir por três horas sempre que quiser ver você é um pouco cansativo. Não que eu não faria, mas você poderia facilitar a vida desse mero mutante de um único poder. A não ser que seja seu objetivo se esconder aqui... nesse caso, você está fazendo um ótimo trabalho.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Dom Jun 26, 2016 3:43 am

O comportamento de Davina durante a reunião deixou Hyacinth completamente sem reação. A antiga colega de quarto nunca havia sido uma garota extremamente séria, mas Davs sabia exatamente quando era a hora de parar com as brincadeiras. Naquela tarde, contudo, as doses de tequila pareciam ter reduzido bastante a capacidade de julgamento da Ackerman caçula.

Assim como Dana, Westphal tentou ignorar Davina e se concentrar na reunião. O assunto era sério demais para ser tratado de forma displicente, e se tornou ainda mais delicado quando Andrew se ofereceu para participar da missão. Por mais que soubesse que Andy era um mutante capacitado, Hyacinth sentiu o estômago afundar.

O receio de que Ackerman se machucasse naquela missão fez com que Hyacinth não pensasse duas vezes antes de aceitar ser a parceira de Andrew naquele plano arriscado. Ela certamente ficaria mais tranquila se estivesse ao lado do rapaz para ajudá-lo em qualquer problema que porventura surgisse.

- Do que você está falando...?

Apesar da escolha de palavras, Hyacinth usava uma entonação leve. Quando parou de andar e se virou para Andrew, a ruiva exibia um sorriso tranquilo nos lábios. O vento fresco que se espalhava pela área externa da mansão soprava os fios ruivos quando Westphal cruzou os braços e ergueu uma das sobrancelhas finas para Ackerman.

- Nem pense em me afastar desta missão, Andy. Eu não aguento mais ficar parada. Eu voltei exatamente porque queria me sentir útil de novo!

A ruiva deu um passo à frente e levou as mãos até a camisa de Andrew. Com gestos delicados, Hyacinth ajeitou a gola que estava ligeiramente revirada, depois deslizou os dedos carinhosamente pelo peito dele, por cima do tecido da camisa.

- Eu sei, Andy. Eu também tenho medo que algo aconteça com você. Exatamente por isso eu acho que temos que ir juntos. Formamos uma boa dupla e temos mais chances de sair de lá com respostas.

Quando Andrew começou a falar sobre a mansão, Hyacinth virou o rosto na direção da construção e curvou os lábios num sorriso saudoso. Embora tivesse passado pouco tempo na escola durante a adolescência, a ruiva guardava excelentes lembranças. Era como estar de volta ao lar, mas Ackerman tinha razão em seus questionamentos sobre a permanência dela ali.

- Você era um adulto que não achava chato conviver com os adolescentes.

A provocação foi seguida por um risinho divertido que deixava claro que Hyacinth não pretendia se envolver com nenhum dos jovens que viviam na mansão.

- Era para ser provisório, Andy, mas a minha vida ainda estava uma bagunça. – as mãos de Westphal novamente foram até a gola da camisa de Andrew, desta vez apoiando-se na nuca dele – Você vai gostar de saber que eu não estarei há três horas de distância por muito tempo. A Dana me indicou para um velho amigo de Seattle, ele me ofereceu um emprego. É claro que ele não sabe a verdade sobre as minhas habilidades, Dana disse que sou apenas uma intangível.

A verdade é que, possuindo todas as habilidades que acumulara ao longo dos anos, Hyacinth não precisava de um emprego tradicional. A ruiva conseguiria sobreviver de modo confortável sem trabalhar, assim como Rachel fizera por décadas. Mas Westphal já havia deixado claro que desejava seguir por um caminho diferente do da mãe. E uma vida em sociedade exigia que Hyacinth fosse mais discreta e que tivesse uma vida e uma rotina mais tradicionais.

- O nome dele é Edwin Vougan, ele é chef num restaurante renomado. – Hyacinth ergueu um dos ombros – Minhas habilidades não vão muito além do prato que fiz para o Hardin naquela noite, mas tenho certeza de que vou aprender rápido. É um emprego seguro, e no momento isso é tudo o que importa. É um passo importante que preciso dar para ter uma vida normal.

A ruiva mordiscou o lábio inferior enquanto seus olhos buscavam pelas íris castanhas de Ackerman.

- Quer dizer que você não se importaria em dirigir três horas para me ver? É uma declaração muito fofa, Andy. – a ruiva se colocou na ponta dos pés para sussurrar com os lábios colados na orelha de Ackerman – Mas eu vou para Seattle o quanto antes porque eu não aguentaria esperar três horas pelas suas visitas. O teletransporte me deixou muito mal acostumada e eu quero você ao alcance das minhas mãos.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Jun 26, 2016 4:48 am

O queixo de Kevin caiu enquanto ele assistia ao bizarro comportamento de Davina durante a reunião. Não demorou para que todos notassem que a filha caçula dos Ackerman já havia abusado bastante da bebida, mesmo ainda sendo tão cedo. Embora Davina tivesse mudado muito nos últimos dez anos, Templeton não esperava por aquela postura irresponsável.

Era como olhar para si mesmo. Não para o Kevin que ele se tornara, mas para o adolescente egoísta que dava pouca importância para as regras e só pensava em si mesmo e nas suas conquistas. O problema é que agora todos eram adultos e o comportamento de Davina não se encaixava no clima de preocupação que todos demonstravam com aqueles ataques.

Era incômodo para Templeton concluir que os papéis tinham se invertido. Ele estava habituado a ser a pessoa que recebia críticas e conselhos. Não era fácil ser o dono da razão no julgamento feito contra Davina Ackerman. E era ainda mais complicado pensar que a ex-namorada estava agindo daquela maneira por causa da forma como os dois tinham se despedido no último encontro.

O relacionamento havia chegado ao fim há dez anos, mas foi no último encontro há poucos dias que Kevin deixou claro que não havia mais nenhuma chance para os dois. O velho Kevin Templeton jamais descartaria nenhuma garota de sua vida, mas o homem responsável que ele havia se tornado tinha uma noiva e estava disposto a honrar o compromisso selado com Caroline Winter.

Ao fim da reunião, Kevin foi um dos primeiros a se levantar. Não era exatamente uma fuga, mas o comportamento de Davina era tão incômodo e constrangedor que Templeton preferia não assistir mais a tanta bizarrice.

Quando chegou ao corredor e tirou o celular do bolso, a voz de Hugo ecoou na mente do amigo. A insinuação sobre a traição de Carol parecia mais uma das bobagens de Hugo para tentar unir Templeton e Davina, mas uma parte da mente de Kevin não conseguia descartar por completo aquela possibilidade.

Caroline havia se tornado uma mulher bonita, simpática e bem sucedida profissionalmente. Ela não teria a menor dificuldade em colecionar conquistas, mas nunca havia dado nenhum motivo para desconfianças. Por outro lado, era uma acusação séria demais e Kevin duvidava que Hugo inventaria uma mentira sem qualquer embasamento.

Esta pequena sombra de dúvida era responsável pelo tom mais sério que Templeton usou quando a noite atendeu o celular naquela tarde.

- Oi, amor! – a voz de Carol soou doce como de costume – Pode falar rapidinho? Eu estou um pouco ocupada.

- Achei que ficaria em casa hoje.

- Pois é, eu também! – a moça bufou – Mas me ligaram e eu tive que resolver uma pendência da próxima publicação.

- Quem te ligou? O Noah?

A menção direta ao nome do amante fez Caroline ficar sem palavras por um tempo maior que o normal. Quando respondeu, a voz de Carol soou mais séria ao telefone, mas firme o bastante para não se denunciar.

- Foi. Você sabe, o Sullivan é perfeccionista demais. Uma vírgula no lugar errado e ele manda a gente reescrever tudo.

Aquela pausa prolongada da loira fez com que Kevin ficasse ainda mais incomodado, mas ainda não era o bastante para sustentar a acusação de Hugo. Templeton não pretendia ofender a noiva com uma suspeita tão grave sem ter uma prova sólida daquela traição.

- Vamos sair pra jantar hoje?

Mais uma vez, Caroline fez uma pausa longa demais antes de responder com uma entonação animada.

- É claro, amor. Eu vou correr para terminar tudo por aqui. Você me pega às oito?

Os dois demoraram menos de um minuto para acertarem os detalhes do jantar e se despedirem. Carol desligou o celular e soltou um suspiro pesado antes de deslizar para fora da cama. Encostado na porta do banheiro daquela luxuosa suíte de hotel, Noah cruzou os braços com uma expressão insatisfeita.

- Eu entendi bem? Vai sair com ele hoje? Achei que tínhamos combinado de tirar o dia para nós dois.

- Eu sei! – os olhos de Carol giraram enquanto ela recolocava a lingerie – Ele tinha uma maldita reunião em outra cidade, achei que voltaria exausto! E espero ter sido só uma impressão equivocada, mas ele parecia meio desconfiado quando citou o seu nome. Achei melhor concordar com o jantar e tirar qualquer bobagem que esteja começando a brotar na cabeça dele.

Winter tinha um sorriso malicioso nos lábios quando caminhou até o amante e passou os braços pelo pescoço dele. Suas palavras foram sussurradas de forma provocante no ouvido de Noah.

- Mas ainda temos algumas horas só para nós dois. Eu juro que vou te recompensar tão bem que você nem vai se importar com o término precoce do nosso dia.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Jun 26, 2016 7:53 pm

- Hugo, ele vai saber! – Davina protestou enquanto apressava seus passos para acompanhar o ritmo do amigo que andava confiante pela calçada movimentada de uma das ruas principais em Seattle.

- Não vai, não. Pelo menos não se a gente agir como se fosse uma grande coincidência. – Hugo argumentou sem olhar para trás, passando os olhos pelos letreiros dos estabelecimentos que passavam.

- O Kevin não é idiota. Ele vai saber que não é coincidência alguma entrar no mesmo restaurante que ele, assim, de repente. – Davina revirou os olhos, sentindo o estômago se revirar com a possibilidade de encontrar Kevin e Carol em um jantar romântico.

- Que ele saiba, então. – Hugo deu de ombros, finalmente parando em frente a uma pequena cantina italiana. – Não vou ficar de braços cruzados enquanto meu amigo é feito de idiota, Davs. E você disse que ia ajudar.

Davina enfiou as mãos na jaqueta e respirou fundo ao observar o interior do restaurante pela grande janela de vidro. O toldo era listrado de verde e vermelho, assim como as delicadas cortinas que cobriam os cantos da janela. Era possível observar os diversos casais que jantavam em seu interior e ela se sentiu aliviada por não encontrar Carol e Kevin em seu campo de visão.

- Eu ainda estava bêbada quando concordei com a sua ideia maluca.

- Não, você estava de ressaca. – Hugo lançou um sorrisinho irritante na direção da amiga enquanto entrava no restaurante.

Eles logo foram recebidos por uma jovem bem vestida e sorridente, perguntando se desejavam uma mesa para dois. Enquanto Hugo confirmava, ele esticava o pescoço para enxergar atrás da recepcionista, buscando pelo rosto conhecido de Templeton. Quando Davina começava a acreditar que havia se livrado daquele constrangimento, o sorriso de Hugo se iluminou e ele passou direto pela atendente até a mesa do casal.

- Keeeeev!

Davina xingou baixinho quando se apressou para seguir Hugo, girando os olhos para a cara de pau do amigo. Quando ela finalmente parou ao seu lado, havia também assumido a mesma expressão de coincidência adotada pelo rapaz, sorrindo como se aquele encontro do “acaso” tivesse mesmo sido obra do destino.

Apesar de ser um bom ator, quando Hugo se virou para encarar Carol, seu desagrado não passou desapercebido e ele franziu o nariz, completando com um entusiasmo muito menor.

- E aí, Carol.

Se Caroline percebeu qualquer coisa por trás dos olhos castanhos claros de Hugo, ela era tão boa atriz quanto os dois invasores, pois sorriu com simpatia enquanto deslizava a mão por cima do colo coberto pelo guardanapo de tecido.

- Hugo! Davs! Que coincidência, o que vocês estão fazendo aqui?

Winter franziu a testa enquanto olhava ao redor, indicando o restaurante ocupado apenas por casais em jantares românticos, em uma inquisição muda de como os dois amigos se encaixavam naquele cenário.

- Não me diga que vocês...? – Ela deixou a pergunta morrer no ar enquanto apontava com o indicador do rapaz até a menina, fazendo Ackerman arregalar os olhos.

- O quê??? Nós dois? Não, não mesmo! – Por um instante, Davina até se esqueceu de manter o disfarce daquele encontro e recebeu em resposta um olhar estreito de Hugo.

- Outch. Valeu mesmo, Davs. Não precisava me descartar assim com tanta facilidade. Da próxima vez pelo menos tenta disfarçar essa cara de quem está prestes a vomitar.

Apesar das palavras, Ackerman conhecia Hugo o bastante para reconhecer o tom brincalhão em sua voz. O amigo era bonito e charmoso, além de estar quase sempre de bom humor e com certeza teria capacidade de conquistar uma garota incrível. Mas Davina estava acostumada demais a vê-lo como um grande amigo, ainda mais após o reencontro, e a ideia de um encontro romântico era bizarra.

- Não faz drama, você sabe que prefere as ruivas. – Davina girou os olhos novamente, mas sorrindo com o mesmo tom brincalhão.

Em resposta, Hugo encolheu os ombros e concordou após um segundo de reflexão. Ao se virar novamente para o casal, ele puxou uma das cadeiras vazias e se sentou, sem pedir permissão, fazendo com que Carol arregalasse os olhos em surpresa.

- A gente só veio forrar o estômago antes de ir pra balada. – Ele se esticou sobre a mesa e pegou um dos palitinhos temperados que estava em uma cestinha de pães, mordendo com um ruído audível para todos os presentes. – Sabia que a Davs comprou uma boate há dois quarteirões daqui?

Davina estava se esforçando para manter a pose casual daquele encontro, mas a menção do seu mais recente negócio fez com que ela mordesse o lábio inferior. A compra recente da boate ainda não havia sido anunciada a todos e apenas Andrew e Hugo sabiam, ela não esperava que o rapaz fosse compartilhar aquela novidade.

- A Verdant. – Hugo continuou. – A gente tá indo pra lá daqui a pouco. O Andy e a ruiva vão também. Já sei! Por que vocês não vão também???

Ackerman ainda estava de pé e estreiou os olhos para a nuca de Hugo, tentando descobrir o que ele estava fazendo. A ideia era aparecer naquele jantar e atrapalhar o momento do casal, depois Davina acompanharia Carol até o banheiro e a pressionaria para contar a verdade para Kevin. Mas estava parecendo que Hugo tinha outros planos que não havia se lembrado de compartilhar com sua parceira de crime.

- Hugo, eu acho que a gente deve tá atrapalhando alguma coisa. – Davina forçou um sorriso, evitando a todo custo olhar na direção de Kevin.

Se Hugo não estava disposto a compartilhar todo o seu plano, então Ackerman também não estava disposta a continuar ali, seguindo a ideia original. O ideal seria acabar logo com aquela tortura e sair de perto de Kevin e Caroline o quanto antes. Era indigesto demais ver um momento mais íntimo do casal. Independente dos erros da noiva, Templeton estava ali tentando salvar aquele relacionamento e Davina não queria assistir a cena.

- Na verdade, estávamos discutindo as datas para o casamento. – Carol sorriu e Davina se perguntou como era possível que ela parecesse tão doce e simpática enquanto tinha coragem de trair o futuro marido.

A notícia foi recebida como um soco no estômago de Ackerman e instintivamente ela procurou o rosto de Templeton com o olhar. Ela já havia compreendido que a história dos dois havia chegado ao fim, mas não doía menos ver que ele realmente estava seguindo com a própria vida.

- Uau! – A fachada de Hugo vacilou por um segundo e ele também lançou um olhar na direção de Kevin, cheio de significados. Em seguida, seu sorriso estava tão largo que até Davina chegou a acreditar que ele estava feliz com aquela novidade. – Isso é motivo para comemorar! Vocês definitivamente precisam ir para a Verdant com a gente! A Davs descola a área vip e um balde de champanhe para comemorarmos. Certo, Davs?

Ignorando a avalanche de emoções que faziam seu estômago se contorcer, ela concordou com um movimento da cabeça, sorrindo o máximo que conseguia.

- Com certeza. Por conta da casa.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Dom Jun 26, 2016 8:22 pm

Sem se importar se ainda estavam nos terrenos da mansão, a vista de qualquer um dos adolescentes, Andrew deslizou as mãos pela cintura de Hyacinth, a envolvendo em um abraço carinhoso enquanto inclinava o corpo para roçar seus lábios na orelha dela.

- Fofo? – Ele perguntou em um tom divertido, enrugando o nariz. – Esse não é exatamente o adjetivo que eu estava esperando ouvir. Incrível, irresistível, gostoso talvez... Mas não fofo.

A cada palavra, Andrew se sentia sendo transportado novamente para o passado, quando toda intimidade com Hyacinth fazia parte de sua rotina e que nada parecia mais certo do que ter a ruiva em seus braços.

Os dois não haviam discutido nada sobre o futuro desde a noite que passaram juntos em Seattle, mas cada gesto e cada palavra de Westphal dava a confiança para Ackerman de que eles não precisariam ter nenhuma conversa. Era óbvio que ainda se amavam e queriam ficar juntos, e Andy estava disposto a esquecer as mágoas do passado para ter a ruiva novamente para si.

Saber que Hyacinth começaria em um emprego e se mudaria para o centro de Seattle era reconfortante, como se ela estivesse lhe provando que não tinha intenção de ir a lugar algum, de que agora sua vida ficaria ali. Sem a sombra de seu cargo como tutor, sem o medo de sua mutação imprevisível, sem mais precisar fugir do mundo. Eles finalmente poderiam construir uma vida juntos.

***

Andrew soltou um suspiro pesado e passou as mãos pelos cabelos já bagunçados pelo vento da noite. Seus olhos passaram rapidamente pela longa fila na porta da boate até pousar no letreiro brilhante e azulado escrito “Verdant”, com o grande “V” em destaque.

A entrara era escura e iluminada basicamente pelo letreiro, mas a grande quantidade de pessoas que aguardava para entrar mostrava que sua fachada não precisava ser chamativa para despertar o interesse. O lugar obviamente era badalado e Andrew não sabia se decidir se conseguia sentir orgulho ou preocupação com aquele investimento da irmã caçula.

O lugar parecia ser incrivelmente lucrativo, mas Andrew ainda tentava interpretar aquela escolha de Davina. Talvez a irmã finalmente estivesse procurando algo sério para se ocupar, ou talvez aquela fosse apenas uma extensão de sua necessidade de estar sempre em festas.

- Ackerman. – Andrew disse ao leão de chácaras quando ele cortou a grande fila, mantendo a mão de Hyacinth junto da sua, com uma pontada de constrangimento. – Andrew Ackerman.

O nome de Andy provavelmente estava no topo da lista, porque o grande homem engravatado não demorou para chegar para o lado e abrir a passagem, liberando a cordinha que antes bloqueava a entrada.

Andrew soltou um novo suspiro quando eles finalmente entraram na boate. O lugar estava ainda mais cheio em seu interior. O lugar era escuro, mas com dezenas de luzes coloridas que piscavam e rodavam em meio a uma névoa esfumaçada. Um canto mais aglomerado rodeava o DJ que agitava os braços de forma animada.

Alguns bancos e mesas rodeavam a pista de dança e eles eram iluminados com o mesmo azul do letreiro. Instintivamente, Andrew puxou Hyacinth mais para perto quando um rapaz passou olhando a ruiva de cima a baixo.

- Eu não sei onde estava com a cabeça quando concordei em vir aqui. – Ele resmungou próximo ao ouvido de Cinth. – Nunca gostei desses lugares. Podemos voltar, se você quiser. Tenho certeza que a babá do Hardin vai ficar feliz em voltar pra casa mais cedo.

O olhar suplicante que Ackerman lançou para Hyacinth era um pedido mudo para que ela também desejasse ir embora. Andrew poderia ser um rapaz ainda jovem, mas o peso de sempre ser o adulto responsável da casa, além de seu papel como pai de Hardin o faziam se sentir alguns anos mais velho e sem se encaixar de forma alguma em um lugar como aquele.

Antes que Westphal pudesse concordar, uma mulher com um vestido curto e também iluminado surgiu diante deles, indicando o caminho até a área vip. Andrew passou a mão pela nuca enquanto subia uma escada de ferro na lateral.

O lugar reservado para os amigos de Davina ainda estava vazio quando Andy e Cinth entraram, mas o rapaz se sentiu aliviado ao notar que era muito mais silencioso e sem a incômoda fumaça da pista de dança.

Diferente das mesas iluminadas do andar inferior, a mesa da área vip parecia uma pedra única e enorme, rodeada por um confortável sofá. Em seu centro, um balde cheio de gelo exibia algumas garrafas de champanhe e água.

Enquanto Andy e Cinth se acomodavam, um garçom apareceu trazendo uma bandeja com petiscos e logo saiu para deixar o casal. Quando se viu mais uma vez sozinho, Andrew puxou a mão da ruiva para a sua, sem precisar se inclinar em seu ouvido para ser ouvido desta vez.

- É sério, não precisamos demorar aqui. Podemos esperar a Davs e sair logo depois. Tenho certeza que ainda vamos ter tempo de pedir uma pizza.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Jun 26, 2016 10:28 pm

No instante em que colocou os olhos em Caroline naquela noite, Kevin foi tomado por um insuportável sentimento de culpa. A noiva estava linda e era notável que havia se esforçado muito para se arrumar para aquele jantar. O vestido claro realçava cada uma das curvas de Carol, os sapatos de salto lhe davam uma postura elegante e os cabelos loiros presos num coque certamente tinham exigido muito tempo de Winter. O sorriso e a animação que ela demonstrou no trajeto do apartamento até o restaurante também serviram para reforçar a ideia de que Carol estava muito contente com o programa daquela noite. Definitivamente, ela não merecia a desconfiança que Hugo cultivara na cabeça do amigo.

Disposto a não pensar mais naquela hipótese, Templeton entrou na cantina italiana de mãos dadas com a noiva e os dois foram acomodados em uma das mesinhas. Não era um restaurante extremamente caro e luxuoso, mas o clima íntimo e romântico parecia perfeito para um casal.

Depois que os dois fizeram seus pedidos, Kevin deslizou uma das mãos sobre a toalha quadriculada e entrelaçou seus dedos aos de Caroline. O clima romântico e a tentativa de se redimir da culpa que sentia motivaram Templeton a tocar no assunto que ele geralmente evitava quando vinha à tona.

- Precisamos conversar sobre a data.

- Sim! – Caroline ficou agradavelmente surpresa ao ver o noivo mencionar o assunto – Você está me enrolando, amor!

O bom humor nas palavras de Winter indicava que a ruiva estava brincando. O brilho no olhar deixava claro que, embora não estivesse tão perdidamente apaixonada por ele, Caroline não pretendia se esquivar daquele casamento. Na visão dela, o relacionamento com Templeton e o caso com Noah poderiam coexistir sem o menor problema. Kevin seria o marido responsável que lhe daria um sobrenome e sustentaria a casa enquanto Noah Sullivan era uma deliciosa aventura.

- De quanto tempo você precisa? – os dedos de Kevin acariciaram a mãozinha da loira – Imagino que com dois meses nós conseguiremos dar entrada nos papéis e preparar todos os detalhes da cerimônia e de uma festa para os amigos. Mas eu sei que as noivas se preocupam com detalhes demais e precisam de muito mais tempo.

- Talvez uns cinco meses, amor. Terei que escolher um vestido, encomendar um buquê e as flores da decoração. Tenho alguns parentes mais distantes, vou enviar o convite com mais antecedência para que eles se programem para comparecer...

- Cinco meses, então?

Caroline sorriu em concordância, mas antes que pudesse responder ao noivo a conversa dos dois foi interrompida por Hugo e Davina.

Para Kevin foi impossível disfarçar a surpresa ao encontrar os dois amigos ali. Com tantos restaurantes em Seattle, era muito difícil acreditar na coincidência daquele encontro. Templeton não havia dito a ninguém que estaria ali com Carol naquela noite, mas ele sabia melhor do que ninguém que a habilidade de Hugo levava o rapaz a ter acesso a várias informações que não deveriam ser do conhecimento dele.

Os olhos escuros se estreitaram. Embora Kevin não verbalizasse sua irritação, a expressão dele deixava claro que ele não estava feliz com aquela interrupção. A insinuação sobre Hugo e Davina também estarem ali em busca de um jantar romântico só serviu para estragar ainda mais o humor de Templeton. A última coisa que ele precisava no momento era imaginar aqueles dois juntos.

Ignorando a nítida insatisfação do melhor amigo, Hugo puxou uma cadeira e se sentou com eles. Embora Carol e Kevin já fossem um casal há vários anos, era evidente que aquela era uma noite especial em que eles queriam ficar sozinhos. Templeton teria descartado a presença dos amigos sem pensar duas vezes, mas Hugo foi mais ágil ao fazer aquele convite.

A novidade sobre o novo investimento de Davina foi tão surpreendente que Kevin não conseguiu reagir rápido. Ele ainda tentava entender se Ackerman estava tomando juízo ou somente comprara uma boate particular para badalar quando Carol apertou de leve a sua mão.

- Vamos, amor? – a loira parecia sinceramente animada – Eu sei que você está cansado, mas não precisamos ficar muito tempo. O Hugo tem razão, temos que comemorar!

A última coisa que Templeton planejara para aquela noite era uma boate barulhenta, mas Caroline parecia tão animada que o rapaz não conseguiu se esquivar. Também era verdade que ele queria ver pessoalmente o novo investimento de Davina para tirar as suas próprias conclusões.

Kevin olhou dos dois amigos para Winter e tentou conter um suspiro pesado antes de concordar.

- Está bem. Nós vamos terminar o jantar e depois passaremos lá. – ao ver que Hugo continuava imóvel na cadeira, Kevin completou com uma entonação cortante – É um jantar a dois, Hugo.

- Tá certo, tá certo! – Hugo ergueu as mãos em rendição antes de sair da mesa – Davs e eu vamos sentar logo ali, faremos o nosso pedido e esperaremos por vocês. – o rapaz ergueu o polegar antes de se afastar do casal – Vai ser ótimo!
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Dom Jun 26, 2016 11:01 pm

Desde que descobriu que a sua mutação tinha uma relação direta e perigosa com contatos físicos, Hyacinth desenvolvera uma grande aversão às multidões. Sempre que possível, a ruiva evitava qualquer tipo de aglomeração, mesmo em ambientes frequentados somente por humanos comuns.

Mesmo depois de dez anos e de dominar com tranquilidade o seu complexo poder, Westphal ainda não se sentia à vontade com a ideia de passar a noite em uma boate lotada, onde seria impossível evitar que várias pessoas se encostassem nela na pista de dança ou no apertado caminho até o banheiro ou até o bar. Se Cinth estava ali naquela noite, era apenas para prestigiar a amiga e para fazer companhia a Andrew. Até porque algo dizia à ruiva que Andy não teria dado três passos naquela boate se estivesse sozinho naquela noite.

- Relaxa, Andy. – Westphal precisou colar os lábios à orelha dele para ser ouvida em meio à música alta da pista de dança – Vamos ficar um pouco para apoiar a Davina, hm?

Mesmo sendo absurdamente cuidadosa e recebendo a proteção dos braços de Ackerman, Hyacinth sentiu quando vários ombros, braços e costas se roçaram no corpo dela enquanto os dois tentavam atravessar o salão lotado para chegar às escadas que levavam à área vip.

Antes que Cinth pirasse e desistisse daquele programa, os dois chegaram à área reservada aos amigos de Davina e a ruiva conseguiu respirar aliviada. O local estava mais vazio e muito menos ruidoso. Diferente do clima na pista de dança lotada de luzes e fumaça, ali o ambiente mais tranquilo era bem mais agradável e não seria mais uma tortura ficar algumas horas naquela boate.

- Você parece um senhor de sessenta anos de idade. – a ruiva provocou Andrew ao ver que o rapaz ainda estava disposto a fugir para casa – Concordo que o clima lá embaixo estava sufocante, mas aqui está legal, Andy. Vamos dar uma chance pra Dav, ok? E para nós dois também. Por mais que eu goste da ideia de me enfiar debaixo dos cobertores com você para comer pizza, não dá para ignorar que somos jovens. Vamos tentar nos divertir, combinado?

O clima lá fora estava fresco, razão pela qual Hyacinth escolhera um sobretudo preto para se proteger do vento naquela noite. No interior da boate, por outro lado, a temperatura estava agradável. O local estava lotado, mas o sistema de ar condicionado era suficiente para deixar o clima bastante confortável.

Como não havia mais necessidade de usar o sobretudo, Cinth abriu os botões e retirou a peça. Por baixo do tecido pesado, a ruiva usava um vestido preto de veludo. Tinha tudo para ser uma peça básica do guarda-roupa de qualquer mulher se não fosse pelo decote aprofundado, que exibia as costas de Westphal até a linha da cintura dela. O vestido era curto e mais justo no quadril de Hyacinth, não escondendo nenhuma das curvas dela.

Os sapatos eram fechados e com um salto grande o bastante para trazer Cinth a uma altura bem próxima a de Ackerman. A maquiagem da ruiva não estava pesada, mas ela havia reforçado o formato felino dos olhos com lápis e com uma sombra mais escura. Os cabelos cacheados estavam soltos, exceto por duas mechas que Hyacinth puxara para trás e prendera atrás da nuca com um prendedor prateado.

- O que foi...?

Westphal ergueu uma das sobrancelhas finas quando notou o olhar meio abobado de Andrew. Seus lábios se curvaram num pequeno sorriso e ela pendurou o sobretudo numa das cadeiras antes de se virar na direção de Ackerman.

- Você parece estar com dificuldades com as palavras neste momento, Andy. Será que eu posso te ajudar?

Graças aos saltos, Cinth não precisou erguer os olhos quando se colocou em frente a Ackerman. As mãos dela foram cruzadas atrás da nuca de Andrew e as unhas pintadas de vermelho-escuro arranharam a pele dele de forma provocante enquanto as palavras eram sussurradas próximas à orelha do rapaz.

- Que tal incrível? – Hyacinth provocou com a mesma brincadeira feita por Andy há alguns dias – Irresistível... – a voz da ruiva se tornou ainda mais baixa quando ela completou – Gostosa, talvez...
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 27, 2016 12:10 am

- Você não vai comer isso?

A voz de Hugo soou abafada enquanto suas bochechas estavam estufadas, claramente ainda cheias da própria lasanha enquanto estudava o prato quase intocado de Davina. Seu estômago simplesmente não aceitaria outra garfada e sua garganta parecia estar fechada, dificultando até mesmo a respiração.

Ackerman não se sentia tão arrasada desde que vira Kevin desfilar com Aphrodite pela escola logo após o rompimento do namoro dos dois. Era impossível controlar o ciúme cada vez que um movimento da mesa próxima chamava sua atenção e ela assistia a alguma carícia trocada entre Caroline e seu noivo.

Ninguém seria capaz de dizer que a loira que sorria encantadora para o seu acompanhante tinha um caso. Até mesmo Davina seria incapaz de acreditar naquela loucura se ela mesma não tivesse escutado Winter ao telefone com o amante.

Era impossível dizer o que a incomodava mais, saber que Kevin estava sendo enganado e querer protege-lo ou assisti-lo desejando um futuro ao lado de outra mulher.

- Não. Talvez eu devesse ter pedido uma salada...

Uma pontada da antiga insegurança brotou no rosto de Davina enquanto ela olhava o prato vazio de Carol e então seu corpo perfeito. Enquanto tantas meninas passavam tanto tempo preocupadas com a alimentação, exercícios e a aparência, Ackerman nunca havia se importado com dietas ou maquiagens. Vaidade estava longe de ser uma de suas características, mas nem por isso ela deixava de atrair os olhares masculinos.

- Pra quê você iria pedir mato com esse delicioso espaguete aí? – Hugo franziu a testa e engoliu sua lasanha antes de se inclinar sobre a mesa e enrolar uma quantidade do espaguete de Davina em seu próprio garfo. – Hmmm, delicioso!

Ao notar o olhar cabisbaixo de Davina, reconhecendo a sombra do passado, Hugo limpou os lábios com o guardanapo e soltou um suspiro, assumindo um semblante mais sério.

- Qual é, Davs. Nem pense em seguir por esse caminho... Você é incrível, sempre foi. Não precisa dessas baboseiras de menininha.

Um discreto sorriso surgiu nos lábios de Davina quando ela concordou com um movimento da cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos perigosos. Ela não ia permitir que o reaparecimento de Templeton trouxesse de volta sua velha insegurança. Tempo demais havia se passado, mas a menininha incapaz de controlar o próprio poder não existia mais. Agora ela era uma mulher incrível, com uma habilidade invejável e com um próspero negócio nas mãos.

Quando Hugo terminou de comer, Kevin e Carol já estavam aguardando na entrada do restaurante e os quatro caminharam pela calçada até alcançar a grande fila de espera da boate. Sem o menor constrangimento, Davina passou por todos e, sem ao menos parar para dizer seu nome, o segurança destravou o caminho.

Tomando o devido cuidado para se manter alguns passos à frente do casal, Davina os guiou até alcançarem a área vip, mas se arrependeu no instante em que jogou as cortinas para o lado. Ela congelou no mesmo lugar quando viu que o grande sofá já estava sendo ocupado por Andrew e Hyacinth.

Os dois estavam envolvidos em um beijo intenso e a mão de Andrew descia de forma ousada pelas curvas sob o vestido preto. Com os olhos arregalados, Davina pigarreou para chamar a atenção e sentiu o constrangimento dando lugar a uma risada maliciosa ao perceber o irmão saltando alguns centímetros para longe de Westphal.

- Eu posso conseguir outra sala, se vocês quiserem continuar a sós...

Contradizendo suas palavras, Davina deslizou pelo sofá, se sentando do lado oposto ao irmão, fazendo de conta que não havia notado o rubor em seu rosto.

Como se não tivesse sido flagrado em um momento íntimo, Andrew pigarreou para recuperar a voz e se ergueu quando Hugo e o casal se aproximou, esticando a mão na direção dos rapazes para um rápido aperto de mão.

- Você não precisa ser tão formal, Andy.

- Estou sendo educado, Davina. É diferente. Você deveria tentar, qualquer dia desses. – Andrew estreitou o olhar na direção da irmã e voltou a se acomodar no sofá.

Um sorriso mais suave tomou conta dos lábios da Ackerman caçula quando ela acompanhou com o olhar o braço de Andrew deslizando pelos ombros de Hyacinth. Apesar de ainda não ter conversado com o irmão para entender o que estava acontecendo, qualquer cego notaria o envolvimento dos dois.

- Andy, você se lembra da Carol? – Davina forçou um sorriso quando a loira se sentou ao lado do noivo.

Por um instante, ela se odiou por estar com roupas tão casuais. Hyacinth estava exuberante e Carol não ficava para trás. Diferente das duas mulheres, Ackerman vestia uma calça jeans justa e uma blusa de renda preta, colada ao corpo. Apesar das peças simples, elas permitiam realçar cada uma das curvas de Davina. A blusa era ligeiramente curta e quando ela se mexia, permitia aparecer um pedaço da pele clara de sua barriga reta. Diversas pedrinhas brilhavam nas alças finas e um decote exagerado foi revelado quando a jaqueta foi jogada para o lado.

- Caroline Winter? – Andrew sorriu educadamente, mas lançando um olhar surpreso ao notar que ela acompanhava Templeton.

Em silêncio, ele voltou a encarar a irmã, pedindo uma explicação com o olhar que foi devidamente ignorada por Davina.

- A Carol foi minha colega de quarto antes de você, Cinth. – Davina explicou, se esforçando para não olhar para o casal separado apenas por Hugo, ao seu lado. – Ela e o Kevin vão se casar.

- Em cinco meses. – Caroline sorria ainda mais, olhando tudo ao redor. – Esse lugar é incrível, Davs!

O estômago de Davina se contorceu mais uma vez e ela forçou um sorriso falso enquanto puxava a garrafa de champanhe do balde de gelo.

- Cinco meses? Uau... Você não está grávida, está?

Do outro lado da mesa, Andrew teve um acesso de tosse que foi completamente ignorado pela irmã que distribuía o champanhe nas taças. Apesar da pergunta nada discreta, Carol soltou um riso divertido, mostrando que não havia se incomodado. Em resposta, ela se inclinou para frente e pegou uma das taças cheias.

- Você já sabe o que eu penso sobre filhos, Davs.

Davina ergueu o olhar sombrio por um instante. Ela quase havia se esquecido da conversa desastrosa na casa de Theodore. Em seu pequeno momento de distração, todas as taças da mesa já haviam sido recolhidas, mas aquele pequeno detalhe não pareceu abalar a dona da boate.

- Então, um brinde ao casório! – Uma pequena frasqueira foi puxada do bolso da jaqueta jogada ao seu lado e Davina a ergueu junto com as demais taças.

- Não vai beber champanhe para comemorar, Davs? – Hugo a encarava com seriedade, claramente em desaprovação.

Ackerman só não sabia dizer se o que estava desagradando ao amigo era seu comportamento com Carol e a novidade do casamento ou simplesmente o fato de ela estar bebendo outra vez.

- Champanhe é coisa de menininha. – Davina piscou o olho antes de dar um gole no whisky de sua frasqueira.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Seg Jun 27, 2016 12:37 am

O sorriso bobo de Andrew foi abafado pelos lábios de Hyacinth quando a ruiva se aproximou. Aquele pequeno gesto foi suficiente para fazer seu corpo inteiro responder com eletricidade, o coração saltitando contra o peito.

Ele sempre soube o quanto Westphal era linda e já havia visto nua diversas vezes, mas ainda assim ela era capaz de surpreendê-lo. Naquela noite em particular, Cinth estava absurdamente sexy, de uma forma que Ackerman não se lembrava de já ter presenciado antes.

A roupa, a maquiagem, a delicadeza com que os fios vermelhos emolduravam seu rosto. Cada pequeno detalhe era crucial e de tirar o fôlego. Cinth estava ainda mais linda depois de dez anos, e agora tinha todo o ar de uma mulher adulta e confiante.

Se esquecendo completamente que, embora sozinhos, ainda estavam em um lugar publico, Andrew permitiu que o momento tomasse conta e se deixou levar pelos desejos do próprio corpo. Seus lábios se moviam com necessidade, mas ao mesmo tempo com calma e delicadeza para apreciar o sabor único de Hyacinth.

- Hmmm... Definitivamente incrível. E irresistível. E muito, muito gostosa.

Suas palavras soaram abafadas quando ele não afastou seus lábios dos dela, iniciando outro beijo em seguida. Andrew já sentia a temperatura do corpo se elevar e permitiu que sua mão passeasse pela lateral do corpo de Hyacinth. Com o braço que a rodeava, ele sentiu o contato direto com a pele macia e lisa de suas costas, graças ao grande decote.

Andy desceu seus dedos até tocarem a coxa exposta da ruiva e começava a subir sua mão, os dedos se enfiando sob o tecido escuro, quando os dois foram interrompidos pela voz de Davina.

Como se um balde de água fria tivesse caído sobre sua cabeça, Andrew deu um salto para trás, quebrando por completo seu contato de Hyacinth. Ele estava tão acostumado a ser o adulto responsável diante da irmã que de repente se sentiu novamente o tutor que quebrava as regras da escola para se envolver com uma aluna.

Ackerman precisou de alguns segundos para se lembrar que não havia mais nada que o impedisse de se envolver com Westphal. Os dois eram adultos e apaixonados, de forma que ninguém poderia julgá-lo por estar completamente maluco pela linda mulher ao seu lado.

Após o breve brinde e uma taça de champanhe a menos, Andrew conseguiu se sentir um pouco mais relaxado. Ele não conseguia se lembrar quando havia sido a última vez que saíra para se divertir com outras pessoas.

Seus programas basicamente se resumiam ao laboratório, ao canal infantil da TV a cabo ou aos passeios escolhidos para agradar Hardin. O filho era a coisa mais importante em sua vida e Andrew não se arrependia de nenhum minuto passado ao seu lado, mas precisava admitir que era agradável poder ver um pouco do mundo fora dos ombros de um pai solteiro.

- Parabéns pelo casamento, Kevin. – Andy ergueu uma segunda taça de champanhe na direção do rapaz, enquanto sua mente começava a ligar aquela novidade com o recente comportamento estranho de Davina.

A irmã e Templeton não se viam há anos, mas Andrew sabia como ninguém como reencontrar o amor da vida poderia ser intenso e despertar sentimentos que se jurava não existir mais. Instintivamente, ele puxou a mão de Hyacinth e entrelaçou seus dedos aos dela, lhe lançando um olhar agradecido. Westphal poderia não saber naquele momento, mas Andy se sentia imensamente grato por, mesmo depois de uma década, a ruiva ainda deseja-lo da mesma forma.

- É um acontecimento incrível, mas se quer o meu conselho, você deve aproveitar cada momento. A festa passa rápido demais e quando você perceber, vai estar diante de um salão vazio, com fome e com sede, sem sequer ter piscado.

Era fácil notar a experiência de Andrew em suas palavras e ele se arrependeu daquela confissão no instante em que terminou de dizer. Não era constrangimento algum relembrar seu próprio casamento. Molly nunca foi o seu grande amor, mas era adorável, doce e havia conquistado Ackerman o suficiente para tirá-lo das trevas que vivia desde a partida de Hyacinth.

Ele só não havia pensado que até o momento não havia discutido tudo que acontecera em seus dez anos com Hyacinth e não saberia dizer como a ruiva se sentiria em descobrir aquele assunto diante de todos.

- Ah, vocês dois são casados? – O sorriso de Carol se iluminou e ela imediatamente se inclinou para frente, buscando o brilho comum de alianças nas mãos do casal.

Andrew se remexeu desconfortável, mas também sorriu para Winter. Ela não tinha culpa de deduzir o óbvio, o que tornou ainda mais constrangedor quando ele negou com um movimento da cabeça.

- Minha esposa faleceu pouco depois que nos casamos.

O sorriso de Carol morreu e ela se recostou no banco com um “oh” de surpresa.

- Sinto muito.

Andy poderia dizer que não havia problema. Que ele não deveria ter tocado naquele assunto e que ela jamais poderia ter adivinhado. Mas um nó se formou em sua garganta e tudo que foi capaz de fazer foi menear a cabeça e puxar a mão de Hyacinth para perto outra vez, deslizando o polegar sobre sua pele.

Para seu alívio, o clima tenso foi quebrado quando um garçom surgiu, parando diante da mesa.

- Sra. Ackerman...

Davina deu um salto de seu lugar e imediatamente olhou por cima do ombro, procurando por alguém. Meio segundo depois, finalmente compreendeu que o garçom estava se dirigindo a ela e arregalou os olhos.

- Cara, que susto! Achei que minha mãe tava aqui. – Ela sacudiu a cabeça, fazendo os cabelos cor de mel balançarem, e ergueu as duas mãos para mostrar os dedos livres de aliança. – Não tem senhora aqui, não. Pode me chamar de Davina.

Claramente desconfortável com aquela intimidade diante da sua chefe, o jovem garçom corou e concordou com a cabeça.

- Davina, estamos com um pequeno problema no bar. O fornecedor trouxe a remessa errada. De novo.

Girando os olhos, ela se ergueu do sofá e precisou se espremer um pouco entre os demais convidados para conseguir sair da mesa.

- Dá licença, gente. Trabalho a fazer. O Mark vai continuar trazendo o que vocês precisarem. – Ela deu um tapinha no ombro do garçom que voltou a corar. – Por conta da casa, tá Mark?

- Sim, senh.... Davina.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Jun 27, 2016 12:59 am

Embora aquele não fosse exatamente o tipo de ambiente que Templeton gostava de frequentar, o rapaz precisava admitir que Davina havia feito um excelente investimento. A boate ficava muito bem localizada e já possuía uma clientela fiel. O espaço físico era excelente, o local já contava com uma decoração sofisticada e acomodações confortáveis. Se a caçula dos Ackerman tivesse um pingo de juízo e não tratasse aquele negócio como mais uma diversão, ela poderia tirar muitos lucros dali.

Foi um alívio para Kevin saber que eles ficariam numa área vip e não no meio da multidão. Mais uma vez, ele mostrava que não era mais o mesmo adolescente do passado. Templeton jamais trocaria uma conversa tranquila com os amigos por uma badalação na pista de dança.

Os lábios de Kevin se comprimiram para conter a risada quando o grupo chegou na área vip e interrompeu o momento íntimo de Hyacinth e Andrew. A ruiva reagiu com mais naturalidade, mas o irmão mais velho de Davina não conseguiu disfarçar o constrangimento. Era como se Andy ainda fosse um tutor sendo pego no flagra pelos alunos.

Os rapazes se cumprimentaram antes que todos se acomodassem ao redor da mesa. Quando Caroline foi apresentada como sua noiva, Kevin percebeu uma discreta troca de olhares entre Andrew e Hyacinth. Era óbvio que os dois estavam confusos com o fato de Davina ter sido namorada de Templeton e uma das melhores amigas de Winter nos tempos de escola.

- Muito prazer. – apesar da surpresa, Hyacinth cumprimentou a loira com um sorriso simpático – A Dav me falou muito de você naquela época.

- Falou bem ou mal? – a pergunta soou divertida, mas com algumas gotas de veneno.

- Muito bem. – Cinth respondeu com a verdade – Só ouvi elogios naquela época.

- Sim. Naquela época. – Hugo repetiu baixinho, mas não baixo o bastante para evitar que Kevin ouvisse.

Sentado ao lado do amigo, Templeton dirigiu um olhar extremamente sério a ele. Os lábios de Kevin se mexeram e a voz soou tão baixa que, mesmo com a sua super audição, Hugo teve alguma dificuldade para compreender as sílabas.

- Já chega. Mais uma insinuação dessa e a nossa amizade chegará ao fim.

O semblante fechado de Hugo mostrava toda a sua contrariedade. Era uma ofensa que Templeton colocasse em jogo uma amizade de décadas por causa de uma mulher que sequer era honesta com ele. Tudo o que Hugo queria era esclarecer as coisas para poupar o amigo de uma vida infeliz ao lado de uma mulher que Kevin não amava e que não merecia o respeito que ele tinha por ela.

Quando Davina saiu da mesa para resolver as pendências do estabelecimento, ficou bem claro para todos que a moça estava levando aquele negócio a sério. Embora quisesse manter uma distância da ex-namorada para evitar uma nova recaída, Templeton ficou satisfeito em saber que Ackerman estava dando um passo importante em sua vida profissional. Por mais rica que já fosse, Davina era uma mulher independente demais para viver apenas de uma herança.

- Aqui é ótimo, não é? – Hugo puxou uma conversa amena para quebrar o silêncio que se seguiu à partida de Davina – A Davs acertou em cheio, eu tenho certeza queeeeeAAAAAAAH!

Hugo literalmente saltou para fora da cadeira e levou as duas mãos à cabeça. O olhar aterrorizado dele preocupou Kevin a ponto de fazer com que o rapaz também se levantasse. Templeton apoiou as duas mãos nos ombros de Hugo e buscou pelos olhos dele, totalmente preocupado.

- O que foi isso???

- NADA! – Hugo arregalou os olhos e forçou um riso nervoso – Música alta. Uma das notas ecoou lá dentro da minha cabeça DA FORMA MAIS BIZARRA E INESPERADA POSSÍVEL! ISSO NÃO É AGRADÁVEL, SABIA? É COMO SE EU ESTIVESSE POSSUÍDO POR UM DEMÔNIO QUE FICA SUSSURRANDO NO MEU CÉREBRO.

- Hugo...? Você tá legal?

Kevin manteve os olhos arregalados, como se Hugo estivesse enlouquecendo diante de todos. No passado, era comum que Hugo surtasse com ruídos altos, mas o rapaz já havia superado aquele problema há muitos anos. Alguma coisa estava muito errada naquela história, mas Templeton não tinha a mais remota ideia do que realmente estava acontecendo dentro da cabeça do amigo.

- Tô jóia. – Hugo se largou novamente na cadeira e fixou um olhar sério na direção de Andrew e Hyacinth – Talvez meu coração pare nos próximos minutos, mas tá beleza.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Seg Jun 27, 2016 1:28 am

Só quando Andrew começou a falar sobre o seu passado, Hyacinth se deu conta de que sabia muito pouco sobre o que tinha acontecido com o ex-namorado na última década. Os encontros dos dois eram sempre breves demais para toda a paixão acumulada ao longo dos anos, mas agora Westphal se sentia culpada por nunca ter perguntado nada sobre a mãe de Hardin.

Mesmo sem nenhuma informação concreta, a principal hipótese de Cinth era que a mãe de Hardin havia falecido. Em nenhum momento Andrew mencionou uma ex-mulher, tampouco o garotinho fez qualquer comentário sobre a mãe ou sobre passar algum tempo em outra casa. O que Westphal nunca imaginou era que Andrew havia tido um casamento tradicional e que a felicidade lhe fora tirada de forma trágica quando a esposa faleceu.

Aquele assunto deixou Hyacinth claramente desconfortável e a pergunta de Caroline, embora inocente, só contribuiu para que a ruiva se sentisse ainda mais miserável. Mas não era exatamente a lembrança da falecida esposa de Andrew que deixava Cinth infeliz. É claro que uma gotinha de ciúme a assombrava com a certeza de que Ackerman havia sido feliz com outra mulher, que havia construído uma família sem ela. Mas era o fato de não saber a verdade sobre o passado dele que deixava a ruiva arrasada.

Por que Andrew nunca lhe contara? Será que ainda doía tanto assim ou ele simplesmente não achava que aquele novo relacionamento era sério o bastante? As duas hipóteses eram terríveis e fizeram com que Hyacinth perdesse um pouco do brilho nos olhos azuis.

Mas antes que qualquer um notasse o desconforto dela, Cinth foi salva pelo funcionário que se aproximou para chamar por Davina. A cada minuto aquela situação se tornava mais confusa para a ruiva e, embora sentisse o clima pesado ao redor da mesa, Hyacinth não tinha ideia do que estava acontecendo.

A presença de Caroline parecia ser o centro daquele furacão. Westphal entendia o descontentamento de Davina, visto que conhecia o passado entre a amiga e Templeton. Mas o comportamento hostil de Hugo era completamente inesperado.

Cinth poderia encontrar todas as respostas na cabeça do amigo sem que Hugo sequer notasse que seus pensamentos estavam sendo vasculhados, mas a ruiva realmente detestava abusar daquele dom. Foi por isso que ela tentou obter uma resposta de forma mais sutil. Os olhos azuis se fixaram em Hugo enquanto Hyacinth se concentrava. Em dois segundos, a voz da ruiva soou dentro da cabeça do amigo.

“O que está havendo, Hugo? Qual o problema com essa tal de Carol?”

Exatamente por Hugo estar habituado a ouvir coisas que mais ninguém ouvia, Hyacinth nunca imaginou que o amigo surtaria com aquela manifestação de telepatia. Os olhos dela se arregalaram com o escândalo protagonizado por Hugo e Cinth sacudiu a cabeça em reprovação. Definitivamente, Hugo não era uma pessoa discreta.

“Você é tão sutil, Hugo.” – a voz da ruiva novamente soou na cabeça do rapaz depois que ele se sentou.

“Alô? Testando. Eu só preciso pensar? É assim que funciona? Está me ouvindo? Câmbio.”

“Idiota.”

“Desculpe. É a primeira vez que a minha mente é estuprada. Eu me assustei.”

“E então...?”

“A vadia está traindo o Kev. Davs e eu sabemos, mas precisamos de provas. E agora precisamos com certa urgência, o idiota não acredita na gente e quer marcar o casamento. Precisamos de ajuda.”

Hyacinth respirou fundo e soltou o ar demoradamente antes de voltar um olhar para Caroline. Ela parecia ser uma boa moça, era gentil e simpática. Mas Cinth sabia que Davina e Hugo jamais inventariam uma mentira tão grave contra ela se não tivessem certeza. Westphal nunca fora uma amiga tão próxima de Kevin, mas nem por isso desejava que o antigo colega vivesse numa mentira.

E, claro, Hyacinth estava disposta a ajudar porque agora começava a entender o comportamento de Davina nos últimos dias. Era óbvio que a amiga sofria porque ainda gostava de Templeton.

“Podem contar comigo.”
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Seg Jun 27, 2016 2:17 am

- Não, cara! Isso é inadmissível. Não foi isso que eu pedi.

Davina cruzou os braços em frente ao peito, o que de alguma forma tornava o seu decote ainda mais chamativo. Apesar daquele pequeno desvio de atenção, seu semblante estava sério e impossibilitava o homem de pensar em sua aparência.

- Não pode simplesmente relevar desta vez? Se eu voltar com isso para o estoque, o meu chefe vai me matar!

Embora uma pontada de pena tivesse surgido, Ackerman não suavizou sua expressão e negou com a cabeça mais uma vez.

- Eu não sirvo essa cerveja aqui, desculpa cara. Pode levar de volta e trazer a certa ainda hoje.

O rapaz passou as mãos pelos cabelos, soltando um suspiro derrotado enquanto recolhia a papelada das mãos de Davina e deixava os fundos do bar para pegar a saída de funcionários. Ackerman sabia que cuidar de uma boate não seria só diversão e não se arrependia por precisar lidar com aqueles problemas pontuais. Contanto que continuasse tendo pulso firme, ela poderia dar conta do que viesse.

Com as mãos enfiadas nos bolsos traseiros da calça justa, Davina voltou para a boate, passando por dentro do bar. Antes de seguir o caminho de volta para a área vip, ela se sentou no banco mais afastado e observou a movimentação por um instante. No fundo, ela sabia que estava apenas evitando o momento de precisar encarar Kevin e Carol outra vez, mas Hugo poderia dar conta sozinho por mais alguns minutos.

- Então, o que você está bebendo? – Um homem alto e com uma camiseta preta justa se sentou ao seu lado, lançando um sorriso sedutor.

Em resposta, Davina ergueu a própria frasqueira e deu um generoso gole, se sentindo sem paciência para aquele tipo de homem, especialmente naquela noite. Eles poderiam ter sido uma boa distração por um longo tempo, mas começavam a cansar.

- Ah, qual é... Deixa eu pagar uma dose pra você, gatinha. – O homem se virou para o barman e indicou dois dedos no ar. – Whisky duplo, amigão.

O barman, que havia acabado de servir uma bebida para um grupo de amigos do outro lado do balcão, olhou hesitante na direção de Davina, mas a mulher apenas balançou a cabeça, rindo por trás da frasqueira.

- Gatinho, eu posso ter a bebida que eu quiser, tá legal? Hoje não vai rolar.

O homem estreitou os olhos, seu sorriso vacilando. Ele cruzou os braços e os apoiou sobre o balcão gelado, estudando Davina. Por um segundo, seu rosto se tornou familiar, mas ela logo deduziu que estava apenas confundindo aquele cara com tantos outros que já haviam passado pela sua vida.

- Hoje não?. Você estava bastante animadinha na outra noite, já mudou de ideia tão cedo?

Davina estava dando mais um gole em sua frasqueira quando as palavras do desconhecido a atingiram. Ela estudou seu rosto com mais atenção e ergueu as sobrancelhas quando se lembrou de onde ele era familiar. Os dois já haviam ficado juntos e Ackerman se sentiu enjoada ao perceber que sequer lembrava o nome do sujeito. O que diabos ela estava fazendo com a própria vida?

- Olha, amigo, a outra noite foi divertida, tá legal? Mas eu estou com meus amigos hoje, desculpa, tá? – Ela deslizou para fora do banco, se esforçando para soar educada e minimizar a sensação ruim que se espalhava em seu peito.

Qualquer vestígio de pena ou náusea rapidamente desapareceu quando ela deu um passo para se afastar do bar e sentiu os dedos ásperos a segurarem pelo braço. Ao invés de recuar, Davina parou de andar e olhou para os dedos que pressionavam sua pele com força.

Enquanto muitas moças se sentiriam amedrontadas, Ackerman abriu um sorriso. Ela poderia estar fazendo uma grande besteira se envolvendo com caras daquela forma, mas aquilo também não dava direito para o imbecil agarrá-la como um brutamontes. Ele com certeza não sabia que aquela moça de cabelos cor de mel poderia derrubá-lo com uma carga de choque em um estalar de dedos.

- Amigo, você não vai querer criar confusão. Não hoje.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Seg Jun 27, 2016 2:39 am

O pequeno escândalo de Hugo fez com que Andrew se sobressaltasse exatamente como os demais presentes, mas bastou que ele olhasse para Hyacinth com mais atenção para perceber que algo estava acontecendo bem diante dos seus olhos, sem que mais ninguém desconfiasse.

Andrew não fazia ideia da imensidão de poderes que Westphal carregava agora em seu DNA, mas ele se lembrava das teorias de que Incarna havia conversado com ela por telepatia, dez anos atrás. Era fácil deduzir que Hyacinth agora possuía o mesmo dom e era uma possibilidade que estivesse fazendo usufruindo dele exatamente naquele momento.

Para Ackerman, ele não conseguia imaginar que tipo de assunto poderia ter entre Hyacinth e Hugo. De forma irracional, uma pontada de ciúme se espalhou pelo seu peito. Ele se lembrava com perfeição de quando os dois eram adolescentes e o rapaz não se cansava das investidas frustradas em Westphal.

A ruiva nunca havia dado esperanças a Hugo e Andrew duvidava que aquilo tivesse mudado. Mas ainda assim, ele se sentia incomodado em saber que os dois compartilhavam segredos fora do seu alcance.

Sentindo-se ligeiramente desconfortável com o silêncio que se instalara sobre a mesa, Andy levou mais uma taça de champanhe até os lábios, as bolinhas do espumante fazendo seu nariz coçar de forma engraçada.

A palma da mão estava suada e Ackerman deslizou sobre o tecido da calça preta, alisando a própria cocha enquanto sorria de forma constrangida para os amigos de Davina. Era estranho que ele já tivesse lecionado para praticamente todos os presentes e de repente Andrew se sentiu ainda mais velho e deslocado, o que era extremamente ridículo. Qualquer um que visse a roda de amigos veria o Ackerman mais velho apenas como mais um rapaz jovem.

Sua camisa era de um tom vinho. As mangas estavam arregaçadas até a altura dos cotovelos e a barra estava jogada por cima da calça de forma despojada. Os cabelos estavam com um pouco de gel e mais comportados naquela noite, e até mesmo a barba contribuía para seu ar relaxado.

Seu bolso vibrou de repente e o celular foi puxado ainda com a tela acessa, mostrando uma chamada perdida de um número conhecido. Andrew quase deu graças a Deus quando se inclinou para o lado e sussurrou ao ouvido de Hyacinth, se deliciando com o perfume dos cabelos vermelhos.

- É a babá do Hardin. Eu vou dar um pulo lá fora para tentar falar com ela.

Andrew chegou a deslizar pelo sofá quando seu olhar pousou em Hugo, novamente sentindo o ciúme irracional. Ele se voltou para Hyacinth e buscou sua orelha novamente.

- Quer vir comigo? O clima parece meio tenso aqui...

Seu sorriso se alargou quando Westphal também deslizou para fora do sofá e ele quase encarou Hugo com um ar vitorioso.

- Nós já voltamos.

Assim como havia feito quando chegaram na boate, Andrew tentou ao máximo proteger Hyacinth do contato com outras pessoas no caminho até o escritório de Davina, o que era uma tarefa impossível em um lugar tão tumultuado.

Quando ele finalmente alcançou a sala vazia e protegida de todo o ruído, a ligação foi feita e ele se sentiu aliviado ao descobrir que a menina que cuidava de Hardin queria apenas confirmar se ele poderia comer uma porção extra de chocolate, já que o menino estava insistindo muito. Querendo evitar qualquer estresse desnecessário, ele concordou antes de encerrar a ligação.

O celular foi novamente enfiado no bolso quando Andrew se deu conta que estava novamente sozinho com Hyacinth. Encostado na mesa de madeira, ele cruzou os braços contra o peito e estudou a ruiva da cabeça aos pés.

Ele ainda não conseguia compreender como aquela mulher maravilhosa ainda gostava dele, mesmo depois de uma década inteira. Seu coração saltava e todo o seu corpo ficava elétrico apenas em ver a perfeição de seus traços e suas curvas.

- Eu já disse antes o quanto você está incrível, irresistível e gostosa?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Seg Jun 27, 2016 3:29 am

- Eu já disse que tô legal.

- Sim, eu escutei. Mas a sua palidez fantasmagórica te denuncia. Eu já volto, Hugo. Carol, fica de olho nele, ok?

- Ok, amor.

Logo depois que Andrew e Hyacinth saíram da mesa, Templeton decidiu que também enfrentaria a pequena multidão aglomerada no caminho até o bar. O garçom que deveria servi-los não estava à vista e Hugo precisava de um pouco de água. Embora não entendesse o que estava havendo com o melhor amigo, Kevin não pensava em negar ajuda a Hugo naquele momento.

Caroline não imaginava o quanto Hugo desejava estrangulá-la quando ficou a sós com ele e lhe lançou um daqueles sorrisos docemente forçados. O rapaz não retribuiu à gentileza e cruzou os braços, ainda sentindo as batidas aceleradas do próprio coração. A voz de Hyacinth soando dentro da cabeça dele quase matara Hugo de susto.

Como sabia que o clima entre Carol e Hugo não seria dos melhores, Kevin acelerou seus passos na direção do bar. A ideia era comprar uma garrafinha de água e retornar para a área vip antes que o amigo tivesse a chance de falar qualquer besteira para Winter. Contudo, Templeton logo perceberia que aquela missão não era tão simples quanto parecia.

A boate estava lotada. Para alcançar o bar, Kevin teve que se espremer no meio de vários grupinhos que conversavam, dançavam ou tiravam fotos juntos. A fila de pessoas que esperavam por uma bebida também não era pequena, mesmo que vários atendentes estivessem trabalhando incansavelmente para atender a todos os pedidos.

Por estar tão concentrado na fila, Templeton demorou a perceber uma movimentação suspeita do outro lado da ilha onde funcionava o bar. Assim que reconheceu os fios cor de mel no meio da confusão, Kevin saiu da fila e marchou com passos firmes na direção de Davina.

Foi um gesto totalmente inconsciente. Racionalmente, Templeton sabia que a ex-namorada era capaz de se livrar daquele homem inconveniente sozinha. Davina havia se tornado uma mulher forte, decidida e independente o bastante para não se sentir intimidada por nenhum brutamontes.

Mas aquele instinto era mais forte que Kevin. Ele jamais cruzaria os braços e assistiria Davina enfrentar uma situação adversa sozinha, por mais que confiasse na capacidade dela. E também havia a necessidade de poupar Ackerman de uma exposição desnecessária. Se ela tivesse que usar seus poderes no meio de uma multidão, talvez fosse obrigada a abandonar aquele negócio que parecia tão promissor.

- Ela disse não, cara.

A voz de Kevin soou atrás de Davina, mas o amigo logo se colocou ao lado dela numa postura protetora. É claro que Templeton não pretendia protagonizar uma briga no meio de uma boate, mas sua expressão firme deixava claro que aquela não era uma conversa amigável e que ele não fugiria se o outro sujeito insistisse em causar confusão.

- Ah, foi mal. – o outro rapaz abriu um sorriso debochado, mas acabou soltando o braço de Davina – Eu não sabia que ela estava acompanhada hoje.

Antes que Ackerman achasse que o problema havia terminado ali, o rapaz acrescentou com uma entonação maldosa enquanto a olhava de cima a baixo.

- Quer um conselho, amigo? Aproveite esta noite. Eu não sou o tipo de cara que repete cardápio, mas te digo que comeria esta vadia de novo com gosto. Ela é do tipo que não nega nada. Eu fiz o que quis com ela da última vez. É uma vadia das boas.

A cabeça de Kevin simplesmente parou de funcionar. Quando ele recuperou algum controle das próprias ações, suas mãos já seguravam com firmeza a gola da camisa do outro rapaz. Os dois tinham a mesma altura, mas os músculos do desconhecido eram bem maiores que os de Kevin. A mutação de Templeton não evitaria que ele levasse uma surra se as coisas continuassem evoluindo tão mal.

- Retire o que disse. Agora.

As palavras saíram baixas e entrecortadas pela garganta de Kevin. Os olhos dele pareciam ainda mais escuros quando encaravam o semblante debochado do rapaz a sua frente.

- Não vejo motivos para retirar nada. Eu não disse nenhuma mentira. Diz pra ele, gatinha. – o rapaz moveu a cabeça, focando sua atenção em Davina – Conta pra ele que eu te comi a noite toda com você gemendo e implorando por mais...

As últimas palavras do rapaz foram abafadas quando o punho de Kevin acertou em cheio o rosto dele. Mesmo sendo mais forte, o homem foi pego de surpresa e cambaleou para trás com a intensidade do golpe. Algumas pessoas mais próximas se afastaram da confusão e, do outro lado do salão, um segurança percebeu a briga e começou a abrir caminho até o bar.

No fundo, Templeton sabia que havia uma boa dose de verdade nas ofensas dirigidas contra Davina. Mas, mesmo que Ackerman já tivesse dormido com aquele sujeito, nada dava a ele o direito de se dirigir a ela com tamanho desrespeito, muito menos de forçar uma segunda noite.

O segurança já estava a caminho e certamente colocaria um fim naquela briga, mas o homem não chegou a tempo de evitar que Kevin recebesse o troco pelo soco aplicado. O punho do rapaz acertou o nariz de Templeton e, quase que imediatamente, Kevin sentiu as gotas de sangue quente escorrendo pelo seu rosto e pingando pelo queixo.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Seg Jun 27, 2016 4:02 am

O alívio ficou estampado no semblante de Westphal quando ela percebeu que não havia nenhum problema com Hardin. A entonação calma de Andrew e as palavras usadas por ele no celular fizeram com que um sorriso brotasse nos lábios de Hyacinth. Era apenas mais uma travessura do menino, nada que estragasse a noite dos adultos.

Qualquer um perceberia que Cinth sentia um carinho sincero por Hardin. Sua preocupação não era forçada e ela não fingia gostar do garotinho apenas para agradar o pai do menino. A relação entre Hyacinth e Hardin era tão fácil e natural que descartava qualquer chance da ruiva estar dissimulando tamanho carinho.

Como alguém que amava Andrew poderia não se apaixonar pela miniatura de Ackerman? Hardin se parecia muito com o pai e era uma criança doce, comportada e carinhosa. Por mais que ele simbolizasse a vida que Andy construíra sem Hyacinth, a ruiva nunca conseguiria transferir para o garotinho nenhum sentimento negativo.

- Não brigue com ele. Uma dose extra de chocolate me parece justo. Ele tem se comportado muito bem, Andy.

Quando Ackerman levou a conversa naquela outra direção, Hyacinth sentiu um arrepio se espalhar por todo o seu corpo. Era impressionante como Andrew conseguia elevar a sua temperatura com apenas um olhar intenso.

- Na verdade fui eu que disse isso. Você apenas concordou e repetiu as minhas palavras.

Uma das sobrancelhas finas de Westphal se arqueou enquanto seus lábios se curvavam num sorriso. Por mais que suas pernas estivessem trêmulas, a ruiva se obrigou a pisar no freio. Era exatamente pelos dois sempre se deixarem levar por aquele desejo que os diálogos nunca aconteciam.

- Andy... – Cinth estava séria quando se aproximou da mesa e deslizou as mãos no tecido cor de vinho, ajeitando a camisa de Andrew – Eu sinto muito. Deve ter sido muito difícil para você, para o Hardin... E eu também sinto muito por nunca ter perguntado nada.

Um suspirou escapou dos lábios da ruiva enquanto as íris azuis buscavam pelo par de olhos castanhos de Ackerman.

- No começo eu só não queria ser inconveniente e depois não consegui encaixar as perguntas em nenhum contexto. Enfim... eu realmente lamento muito.

Mais uma vez, as palavras de Hyacinth soavam sinceras. Por mais que ela soubesse que não estaria nos braços de Andrew se a esposa dele ainda fosse viva, Cinth não era egoísta o bastante para colocar seus interesses acima da importância que a mãe teria na vida do pequeno Hardin.

Mesmo na penumbra, era possível notar que o escritório particular de Davina era amplo e muito bem decorado. A música alta da boate obviamente chegava até aquele ponto, mas numa intensidade bem distante que não atrapalhava a conversa séria que o casal protagonizava ali.

- Quer me falar um pouco mais dela...?

Por mais que tivesse medo das palavras e dos sentimentos que pudessem brotar daquela conversa, Cinth sabia que era um passo muito importante no atual relacionamento de Andrew. E Westphal queria mostrar que estava ao lado dele não apenas nos momentos quentes e apaixonados, mas que também queria dividir com Andy os problemas e as lembranças que o rapaz guardava para si.

- Podemos conversar o quanto você quiser. Eu não tenho a menor pressa de voltar para a mesa. – Cinth brincou para suavizar um pouco o clima – Aliás, você também teve a impressão de que havia uma bomba prestes a explodir naquele lugar?

A revelação sobre a traição de Caroline chegou na ponta da língua de Hyacinth, mas ela conteve as palavras. Se aquilo fosse mesmo verdade, Kevin se sentiria péssimo em ser o último a saber. Westphal ainda não sabia como Hugo e Davina pretendiam resolver aquele problema, mas a ruiva achou mais sensato não espalhar ainda mais a fofoca.
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Re: Escola de mutantes

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