Escola de mutantes

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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Ter Jun 07, 2016 3:35 am

A beleza dos brincos deixou Hyacinth sem voz por demorados segundos. O azul cintilante entrava num contraste maravilhoso com a pele pálida de suas mãos e as peças eram tão delicadas que a ruiva tinha medo de que se espatifassem no menor dos toques. Só depois de recuperada daquele impacto inicial, Westphal concluiu que estava com uma pequena fortuna nas mãos.

A garota nunca havia passado nenhum tipo de necessidade e cresceu vendo Bruce Westphal se desdobrar para dar a ela todo o conforto possível. Mas o salário do pai não permitia luxos como aquele, de forma que Hyacinth nunca tivera uma joia tão valiosa. Por isso, embora estivesse profundamente apaixonada pelos brincos, a garota se sentiu desconfortável ao pensar no dinheiro que Andrew havia gastado naquele presente.

- São lindos, Andy. Eles são realmente perfeitos, eu fiquei sem palavras... Mas você não precisava ter feito isso. Eu não sei se posso aceitar.

Se Ackerman fosse apenas um tutor, Hyacinth não tinha dúvidas de que a atitude mais sensata era devolver os brincos. Mas os dois já tinham ultrapassado aquela barreira há muito tempo. Andrew era a pessoa que conhecia todos os seus segredos, que arriscava a própria pele para ajudá-la, que colocava em risco o emprego de seus sonhos apenas para viver aquela história de amor proibida. Westphal estava profundamente apaixonada por ele e não se arrependia de estar vivendo aquela história de amor.

Na situação em que se encontravam, Cinty tinha muito pouco a oferecer a Ackerman. Portanto, parecia injusto ofendê-lo com a devolução daquele presente que o rapaz obviamente comprara com muito carinho, pensando exclusivamente em agradá-la.

- Eu adorei, Andy. Vou aceitar com a única condição de que você pare com essas surpresas. Teremos tempo para muitos presentes no futuro, está bem?

Os brincos foram deixados sobre a mesa enquanto Hyacinth levava as mãos às orelhas. Delicadamente, ela retirou os dois discretos brincos que usava. Tinham sido um presente de Bruce no seu aniversário de quinze anos e eram somente banhados a ouro, mas possuíam um imenso valor sentimental.

Os brincos antigos foram cuidadosamente guardados no saquinho de veludo antes que a ruiva colocasse as novas joias nas orelhas.

Assim como Andrew imaginara, as pedrinhas azuis combinavam com as íris da garota e entravam num agradável contraste com os cabelos ruivos. Não havia nenhum espelho por perto, mas o olhar do tutor dava à Hyacinth a certeza de que os brincos tinham lhe caído bem.

- Obrigada, Andy.

Normalmente os dois eram muito mais discretos e cuidadosos quando estavam num cômodo menos isolado da mansão. Mas Hyacinth teve o cuidado de checar se a porta continuava fechada antes de usar a sua intangibilidade para atravessar a mesa e inclinar-se na direção de Ackerman.

Os cabelos ruivos caíram como uma cascata ao redor do rosto dele quando Westphal tomou os lábios do tutor num beijo. A carícia começou sutil, mas não demorou dois segundos para que eles estivessem mergulhados num beijo intenso.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Ter Jun 07, 2016 3:38 am

A chuva que Davina provocara no início da tarde se prolongou durante o restante o dia e mesmo quando a noite chegou, ainda era possível ouvir as grossas gotas se chocando contra a janela.

Ackerman sequer pensou em tentar dissipar as nuvens grossas. Ela sabia que apenas se sentiria desgastada e não teria o resultado esperado. No fundo, tinha esperança que o vento levasse a chuva para longe, naturalmente.

Durante todo o dia, a menina havia se contorcido em seu quarto, revivendo com embrulhos no estômago a imagem de Kevin e Aphrodite juntos. Antes da chegada o rapaz ao jantar, os amigos ainda tentavam insistir que Templeton fizera um sacrifício em prol do grupo, mas era extremamente difícil que Davina aceitasse aquilo.

Seu lado racional sabia que ela havia concordado com aquela loucura e que era tão responsável quanto qualquer um dos presentes naquela mesa. Não era justo cobrar de Kevin aquela culpa, mas também era extremamente difícil não se deixar abalar sabendo o que havia acontecido.

O estômago de Davina estava tão embrulhado que ela não havia conseguido comer nenhuma garfada de sua lasanha. Cada vez que pensava em se esforçar, a garganta fechava e o corpo se recusava a aceitar.

Ackerman não se lembrava de ter se sentido daquela forma antes. Nem mesmo quando Derek terminara o namoro, deixando a mansão e ela para trás. Arrasada talvez fosse a palavra mais apropriada. Era impossível imaginar que Kevin tivesse passado toda a tarde com Willis sem achar, no mínimo, divertido.

A naturalidade que Templeton demonstrava ao se juntar aos amigos só reforçava a teoria de Davina. Enquanto ela se sentia devastada, o namorado agia como se fosse perfeitamente normal estar aos beijos com outra garota.

Durante todo o discurso do rapaz sobre o que descobrira de Willis, Ackerman permaneceu encarando o próprio prato. O garfo estava firme em seus dedos, mas ela era capaz apenas de cutucar o queijo derretido, desinteressadamente.

Com um suspiro frustrado, Davina olhou por cima do ombro, alheia a briga entre Kevin e Hugo sobre sua sobremesa, até focar o rosto de Aphrodite do outro lado do salão. A loira sorria exuberante, balançando seus cabelos loiros e molhados, que assim como Templeton, indicavam que ela havia saído do banho recentemente.

O estômago de Davina se contraiu e ela empurrou a bandeja alguns centímetros para longe, dando por encerrado o jantar intocado.

- Pode ficar com o pudim, Hugo.

- A-rá! – Hugo sorriu vitorioso e se esticou rapidamente para pegar a sobremesa de Ackerman, temendo que Kevin fosse mais rápido.

Sua vontade pelo pudim era tão grande que ele provavelmente foi o último da mesa ao notar o olhar sem brilho de Ackerman. Sentindo o clima pesado da mesa, Theo pigarreou, repousando seus talheres sobre sua lasanha pela metade.

- Bom, agora que a Aphrodite não é mais um obstáculo, só o que precisamos fazer é manter o segredo da ruiva. A gente pode fazer uma lista dos poderes de todos que estavam na sala de mídia naquela noite... Assim a Cinty já consegue ter uma ideia do que pode se manifestar e evitar qualquer desastre.

- Você pode começar fazendo essa chuva parar. – Hugo resmungou, enfiando metade do pudim na boca. Ao perceber o que havia acabado de falar, ele encolheu os ombros, acrescentando apressadamente. – Qualquer uma de vocês duas. Eu tenho um jogo de basquete amanhã e não tô afim de pegar um resfriado.

Os olhos esverdeados de Hugo passaram por Davina e Hyacinth, mas Ackerman já se sentia tão mal que o comentário não fez efeito algum.

- Eu não estou me sentindo muito bem, acho melhor ir deitar.

O olhar de pânico que passou pelos rostos do colega fez com que Davina sentisse uma pontada de culpa e ela se apressou em explicar.

- Estou só com sono, relaxa tá? Gosto de dormir quando está chovendo, então tenho certeza que vou acordar melhor.

A menina levantou da mesa, mas ao invés de se despedir de Kevin, como era habital, ela se limitou a lançar um olhar para Hyacinth.

- Vou deixar um abajur acesso, assim você não chuta a minha cama igual da outra vez.

Não era exatamente uma repreensão e Davina até forçou um sorriso na direção da colega de quarto, mas estava se sentindo exausta demais para tentar manter uma conversa. Sem ousar olhar para a direção de Aphrodite uma segunda vez, Ackerman se apressou em deixar o refeitório.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Ter Jun 07, 2016 4:05 am

Andrew chegou a abrir a boca e demonstrou sua decepção com o olhar caído quando Hyacinth cogitou não aceitar o presente. Os Ackerman sempre foram capazes de rodear os filhos com conforto e luxo, de modo que o professor não via nenhum exagero em seu presente.

Ele apenas havia tentado pensar em uma forma de agradar a ruiva e poder lhe surpreender com um mimo.

- Vou ficar ofendido se não aceitar, Cinty. Eu comprei com tanto carinho...

A tristeza de Ackerman foi rapidamente substituída e seu olhar cabisbaixo foi substituído por um sorriso quando Westphal concordou em aceitar o presente, colocando as delicadas joias em suas orelhas.

Pela segunda vez, Andrew mordeu o lábio inferior enquanto admirava a beleza da ruiva. Ele sabia que os brincos combinariam com a beleza exótica de Hyacinth, mas a imagem era capaz de lhe tirar o fôlego momentaneamente.

- Está perfeito.

O tutor estava tão hipnotizado que sequer pensou que estavam em plena luz do dia, dentro da mansão, com alunos passando pelo corredor do outro lado da porta de madeira. Ele podia sentir o ritmo acelerado de seu coração pulsando em sua garganta quando Hyacinth se aproximou e iniciou o beijo.

Sem pensar duas vezes, Ackerman rodeou a cintura da ruiva com seus braços. O movimento das línguas e o sabor dos lábios de Hyacinth eram capazes de fazer com que ele esquecesse todos os problemas e se concentrasse apenas nas sensações que ela lhe provocava.

Com um movimento repentino, Andrew apoiou suas mãos no quadril de Westphal e a ergueu até que ela estivesse sentada sobre o tampo de mármore da mesa. Seus dedos ágeis deslizaram sobre as coxas da menina, pressionando-as levemente, sentindo os músculos torneados sob o tecido da calça.

Como já havia se tornado hábito, a temperatura de Ackerman começou a se elevar, atiçando ainda mais os seus carinhos e o obrigando a intensificar o beijo, ditando o ritmo que as bocas se mexiam.

Uma das mãos de Andy foi erguida até pousar na nuca de Hyacinth, os dedos massageando a pele macia por baixo dos fios ruivos. Ele ainda conseguia sentir o brinco gelado roçando em seu punho, contrastando com a própria pele quente.

Com a outra mão, ele a puxou mais para beirada da mesa, colando os dois corpos, e permitiu que seus dedos deslizassem pela perna dela.

Quando os pulmões já protestavam pela falta de oxigênio, Andrew afastou os lábios apenas para permitir a respiração, mas se manteve inteiramente colado a Hyacinth.

- Eu estou com saudades. – Ele sussurrou, sua testa colada na dela. – Passa no meu quarto hoje? Por favor?

O peito de Andrew subia e descia com sua respiração ofegante, mas os olhos castanhos brilhavam com tanta intensidade que ele parecia ainda mais atraente e sexy.

- Preciso de você, Cinth.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Ter Jun 07, 2016 4:06 am

- Ela ficou chateada?

A pergunta soou antes mesmo que Davina alcançasse a porta do refeitório. Kevin ainda estava com a boca cheia de lasanha, mas a sua fome feroz perdia a força agora que ele finalmente percebia que as coisas não estavam bem entre ele e a namorada.

- Você ainda tem alguma dúvida? – Theodore girou os olhos para o melhor amigo – Mais claro do que isso só se a Davs tatuasse um “Estou puta com você” na testa.

- Mas ela concordou! – os talheres foram deixados de lado e Templeton novamente olhou na direção da namorada a tempo de ver os fios cor de mel desaparecendo pela porta – Eu só aceitei esse papel ridículo porque a Davs concordou com o plano!

- Sim, mas acho que ela não calculou bem o quanto ficaria abalada com a imagem. – Hugo ergueu as sobrancelhas – E pareceu que você estava se divertindo bastante, Kev. Se foi mesmo só um sacrifício, você agiu como um excelente ator.

Os olhos de Kevin se estreitaram para o comentário do amigo. Embora soubesse que merecia aquelas desconfianças depois de ter construído toda aquela fama, Templeton se irritava em ter que provar repetidamente que estava mudado.

- Muito obrigado por terem me defendido. – o rapaz ergueu o polegar de forma irônica para os colegas – Vocês são excelentes amigos.

- A gente bem que tentou, mas a Davs estava bolada demais. – Hugo indicou a janela mais próxima com um movimento de cabeça, referindo-se aos pingos de chuva que se acumulavam no vidro – Está chovendo até agora.

- Foi ela???

Em meio à insatisfação, Templeton abriu um pequeno sorriso de admiração ao saber que a namorada havia sido capaz de projetar uma chuva daquela intensidade. Ali estava a prova de que Ackerman só precisava se esforçar mais para ultrapassar as barreiras que criara contra as próprias habilidades.

Já sem o apetite voraz que o levara até o refeitório naquela noite, Templeton deixou o seu jantar para trás e seguiu os passos de Davina até o segundo andar. Ele se sentia calmo e estava com a consciência tranquila quando bateu na porta do quarto da namorada. A última coisa que Kevin queria era brigar com a garota.

- Davs...?

Enquanto esperava que a porta fosse aberta, Kevin encostou a testa na superfície de madeira. Como todos os alunos estavam no refeitório, o casal tinha total privacidade e mais ninguém acompanhava as palavras de Templeton no corredor.

- Abre a porta, vamos conversar... – como o andar estava silencioso, Kevin não precisou erguer muito a voz para que a garota o ouvisse de dentro do quarto – Eu já percebi que você ficou chateada e eu sinto muito por isso. Só concordei com o plano porque achei que estava tudo bem pra você.

Uma das mãos de Kevin foi apoiada na maçaneta, mas o rapaz não tentou girá-la. Por mais que quisesse acertar as coisas com a namorada, Templeton não pretendia impor a sua presença se Davina não quisesse vê-lo.

- Acabou, Davs. Eu já consegui a resposta que precisávamos e nunca mais terei que fazer nada parecido. O que você quer que eu faça? Quer que eu diga que não significou nada, que é com você que eu quero ficar...? Posso passar a noite toda repetindo isso, mas achei que você já soubesse.

Embora não fosse o melhor momento para brincadeiras, Kevin achou que poderia suavizar o clima com uma piadinha.

- Eu acho que estamos quites. Dar o seu pudim para o Hugo foi uma "quase" traição também, sabia?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Ter Jun 07, 2016 4:35 am

Davina se esforçava ao máximo para ser racional, para assumir sua parcela de culpa naquela história, mas cada vez que se lembrava da cena de Kevin e Aphrodite juntos na piscina, seu estômago se revirava e ela se sentia sendo puxada novamente para um ciúme dolorido.

Quando as batidas soaram na porta e a voz de Kevin ecoou do outro lado da madeira, Ackerman soltou um soluço de susto e correu para enxugar as lágrimas que havia permitido derramar sozinha no quarto.

Ela precisava de mais tempo para falar com Templeton. A dor ainda estava forte demais para que ela assumisse o lado lógico da situação e temia do que pudesse falar, se sentindo tão vulnerável.

Nem durante todo o namoro com Derek, Davina se sentira tão fragilizada. Ela se odiava por permitir que Kevin tivesse tanta influência em seu humor, se odiava por ter se tornado mais uma das meninas que chorava por ele.

Davina chegou a abrir a boca para mandar Kevin embora, mas a garganta travada impediu que ela conseguisse gritar qualquer coisa. Secando o rosto, Ackerman finalmente criou coragem para abrir a porta. A princípio foi apenas uma pequena fresta, deixando expor metade do seu rosto. Os olhos ainda estavam avermelhados, assim como a ponta de seu nariz, mas Ackerman se recusava a derramar uma única lagrima diante do rapaz.

- Eu quero ficar sozinha, Kevin.

Ao tentar soltar um suspiro, o vestígio do choro interrompido fez com que a menina soltasse um soluço baixinho. Davina contorceu o rosto em uma careta de insatisfação com aquele deslize e soltou a maçaneta para coçar os olhos que ardiam, evitando que novas lágrimas saíssem. A porta de madeira deslizou mais alguns centímetros, permitindo que Kevin a visse por inteiro.

- Você pode me chamar de maluca amanhã, pode dizer que não vai dar certo porque eu explodo com qualquer coisa, que eu não confio em você... Mas outro dia, está bem?

Davina puxou seu casaco mais junto ao corpo e cruzou os braços contra o peito, apoiando a cabeça no batente da porta, pelo lado interno.

- Não estou com estômago para mais nada hoje.

Para demonstrar que também queria amenizar aquele clima, por mais que ainda se sentisse péssima, ela tentou forçar um sorriso que não alcançava seus olhos castanhos.

- Você fica com a minha sobremesa na próxima vez. Algo me diz que vou continuar sem apetite pelos próximos dias...
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Ter Jun 07, 2016 4:38 am

Desde que iniciara aquele relacionamento com Andrew, a ruiva estava se esforçando muito para conter os próprios instintos e para manter dentro da mansão um comportamento discreto que não colocasse em risco o emprego do professor e a sua permanência ali como aluna.

Mas bastava que Ackerman a conduzisse na direção errada para que Hyacinth se deixasse levar. Em defesa do rapaz, Westphal precisava admitir que muitas vezes era ela mesma que guiava os dois por um caminho perigoso, mas irresistível.

Não foi diferente naquela tarde. Quando se aproximou de Andrew, Hyacinth planejava somente um beijinho rápido e superficial como agradecimento pelo presente. Não demorou um minuto para que ela se visse sentada sobre o tampo da mesa com as pernas enlaçadas em torno da cintura do professor, correspondendo de forma ardente aos beijos e carícias dele.

A pele da ruiva estava quente. Andrew conseguiu arrancar dela um arrepio que percorreu todo o seu corpo com aquele pedido. Os olhos da garota brilhavam vivamente quando ela encarou o tutor e deslizou as mãos no peito dele. Mesmo por cima do tecido da camisa, Hyacinth conseguia sentir os músculos bem definidos do rapaz.

- Eu não sei, Andy...

A resposta insegura de Hyacinth definitivamente não combinava com seu olhar firme e com a expressão decidida. Andrew entenderia o que estava na cabeça de Westphal quando ela encostou os lábios numa das orelhas dele e sussurrou a provocação.

- Eu tenho a ligeira impressão de que você não vai aguentar esperar até que anoiteça. Talvez você precise de uma pequena parcela agora.

A insinuação da garota havia sido bastante clara, mas era uma loucura grande demais. As janelas e as cortinas da sala estavam fechadas, mas vários alunos ainda circulavam pelas áreas interna e externa da mansão. Como se tivesse visto a preocupação refletida nos olhos de Andrew, Hyacinth estendeu uma das mãos na direção da porta fechada. Ela demonstrou um excelente controle da habilidade de Samantha quando fez a chave girar, trancando a fechadura.

Antes que Andrew tivesse tempo de pensar demais e desistir daquela loucura, Hyacinth colocou as mãos por trás da nuca dele e o puxou para mais um beijo. Se fosse um homem mais experiente, talvez Ackerman tivesse se controlado e colocado um fim naquele erro. Mas a tentação era grande demais para um rapaz. Andrew tinha um poder magnífico, era inteligente, esforçado e responsável. Mas ainda era um jovem apaixonado que, naquela tarde, deixou-se levar por um turbilhão de hormônios.

Para compensar o tamanho do risco que estavam correndo, os dois abreviaram aquela loucura com a promessa de que continuariam naquela mesma noite. Em poucos minutos, Hyacinth já estava ajeitando as próprias roupas e depois ocupou as mãos com os cabelos de Andrew.

- Se todos os treinamentos terminassem assim eu não me importaria com os meus horários todos ocupados.

A ruiva brincou antes de se colocar na ponta dos pés e roçar seu nariz no de Andrew. Quando finalmente os cachinhos do tutor estavam mais apresentáveis, Hyacinth terminou de fechar os botões da camisa de Ackerman e cobriu os lábios dele com um beijo mais doce. Ela nunca imaginou que um dia teria um comportamento tão ousado, mas estava tão profundamente apaixonada por Andrew que não via problemas em demonstrar isso de maneira mais intensa.

- Depois do jantar. – a ruiva reforçou o encontro já marcado – Vou inventar alguma desculpa para a Davina para termos mais tempo, está bem?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Ter Jun 07, 2016 5:00 am

Mesmo quando sua camisa já estava abotoada e os cabelos mais apresentáveis, Andrew ainda se sentia ofegante, o peito subindo e descendo, enquanto ele encarava Hyacinth com um sorriso admirado nos lábios inchados.

Uma parte da mente de Ackerman lhe dizia para ser mais cauteloso e responsável, mas todos os seus juízos iam por água abaixo com um simples toque de Westphal. Quando concordou com o papel de tutor, jamais passou pela sua cabeça um envolvimento com uma aluna, mas já era tarde demais para tentar corrigir aquele deslize. Ele sabia que já havia se tornado dependente de Hyacinth.

- Não demore. Diga a Davina que estamos repassando cada um dos poderes, ou não diga nada... Só não me deixe esperando, está bem?

O olhar de Andrew era suplicante enquanto ele acariciava o rosto de Hyacinth com o polegar. Ele se inclinou para frente e depositou um beijo carinhoso sobre a testa da ruiva antes de finalmente quebrar o contato físico.

Ackerman recuou um passo, como se estivesse impondo a si mesmo que aquela loucura chegasse ao fim. Mas seu sorriso bobo continuava preso em seu rosto e ele balançava a cabeça em meio a um risinho.

- Você vai me deixar maluco, ruiva.

***

O jantar de Andrew foi devorado em poucos minutos e, por mais vezes do que seria prudente, ele procurou pela cabeça ruiva de Hyacinth entre as mesas até encontra-la no costumeiro lugar, junto a Davina.

Seu sorriso se alargou ao notar o quanto as duas meninas vinham fortalecendo a amizade com o passar do tempo. Por mais assustador que fosse saber que outras pessoas naquela mansão conheciam o segredo de Westphal, ele sentia uma ponta de felicidade em saber que a menina podia contar com amizades sinceras.

Aquilo chegava a trazer uma certa esperança para Ackerman, que talvez o mundo um dia estivesse preparado para aceitar Westphal.

O prato sujo foi empurrado para trás e Andrew lançou um olhar ansioso para Hyacinth quando deixou o refeitório. Não precisava tentar fazer nenhum sinal ou comunicação para que ela compreendesse sua ansiedade.

Os minutos que levaram até Westphal finalmente surgir em seu corredor pareceram longos demais para Andrew, mas bastou encontrar os olhos azuis para que seu sorriso surgisse mais uma vez, aliviado.

A cabeça de Ackerman escapou para fora do quarto, olhando de um lado ao outro até se certificar de que não havia ninguém olhando. Com um risinho que o fazia lembrar um adolescente, Andrew puxou Hyacinth pelo pulso para o interior.

A porta foi fechada junto com o corpo de Cinth, pressionado contra a madeira. Andrew já havia se trocado e vestia a costumeira calça listrada do pijama. Seus pés estavam descalços sobre o carpete, mas mesmo com as trovoadas do lado de fora e as grossas gotas que caíam no vidro da janela, ele exibia o peito nu.

A camisa branca estava jogada sobre a cadeira da escrivaninha, indicando que Ackerman estava a caminho de vesti-la quando Hyacinth apareceu, desviando por completo sua atenção.

Os dedos apressados de Andrew tocaram a cintura de Westphal e ele chegou a erguê-la alguns centímetros, até que ela ficasse nas pontas dos pés, para aprofundar o beijo. Diferente do encontro na sala, o toque foi mais carinhoso e apaixonado, lento, mostrando que os dois não tinham necessidade de correr.

- Você veio. – Ele murmurou, os lábios pressionados aos dela quando o beijo foi interrompido. – Me fez esperar demais, Cinth. É cruel...

Os lábios do professor se curvaram em um biquinho antes que ele completasse, satisfeito.

- Mas agora que está aqui, não espere que eu te libere tão cedo. Estou com muitas saudades, linda.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Ter Jun 07, 2016 5:08 am

O coração de Kevin se partiu quando ele percebeu que havia feito Davina chorar. Por mais que a garota tentasse esconder, seus olhos vermelhos a denunciavam e o soluço que Ackerman deixou escapar não dava brechas para dúvidas.

Certamente não era a primeira vez que Templeton arrancava lágrimas de uma menina, mas naquele momento ele sentiu que estava pagando uma dívida por todo o choro que já causara. Davina era a última pessoa no mundo que Kevin queria que sofresse por ele.

- Eu não quero brigar com você. Eu só precisava explicar que só fiz tudo isso porque achei que você ficaria bem. Eu jamais teria concordado se imaginasse que você ficaria tão chateada, Davs.

Templeton não pretendia impor a sua presença, tampouco forçaria Davina a aceitar suas carícias mais íntimas naquele momento delicado. Portanto, o rapaz se limitou a erguer um dos braços para acariciar o rosto delicado de Ackerman com as pontas dos dedos.

- Não aconteceu nada demais, está bem? E o mais importante é que não significou nada pra mim. – Templeton ergueu um dos ombros antes de completar – Você ainda está magoada demais para enxergar as coisas por este ângulo, mas tente amadurecer a ideia de que isso foi um teste final. Eu fiz o que fiz e ainda estou aqui, perdidamente apaixonado por você.

Por mais que quisesse colocar um fim naquela crise com um abraço e um beijo intenso, Templeton respeitou o espaço que a namorada lhe pedia. Ele se despediu dela com um carinhoso beijo no topo dos cabelos cor de mel antes de seguir na direção oposta do corredor, onde ficavam os dormitórios dos meninos. Depois de tudo aquilo, Kevin também havia perdido o apetite.

O rapaz ainda mandou uma mensagem de boa noite para o celular de Davina antes de virar para o lado e adormecer. O dia fora bastante tumultuado e, portanto, Kevin não demorou mais que alguns poucos minutos para pegar no sono.

Imerso em sonhos, Templeton nem imaginaria que não fora a única pessoa a mandar uma mensagem para Davina naquela noite.

Quando o celular de Ackerman vibrou pela segunda vez, a mensagem vinha de um número desconhecido e não continha nenhuma palavra. Era apenas uma foto que demorou um pouco a ser carregada graças à chuva forte que deixava a conexão péssima naquele ponto da mansão.

A imagem não poderia ser mais comprometedora e mostrava um momento bem íntimo do encontro de Aphrodite e Kevin. Os dois não estavam mais na piscina, mas a foto só mostrava para Davina que as cenas que ela acompanhara no começo da manhã eram inocentes perto do que acontecera depois.

O cenário era um quarto e, mesmo que nunca tivesse entrado no dormitório de Willis, Davina não teria dificuldade de reconhecer o gosto fútil da colega em cada detalhe da decoração. Os dois jovens estavam na cama e, mesmo que um lençol atrapalhasse a visão, ninguém teria dúvida do que os dois estavam fazendo naquela posição comprometedora.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Ter Jun 07, 2016 11:36 pm

Os olhares ansiosos que Hyacinth e Andrew trocaram durante o jantar não eram fieis ao acordo deles de serem discretos. Por mais que soubesse que alguém poderia perceber que a relação deles já ultrapassara todos os limites da tutoria, Westphal não conseguia mais se controlar. No fim das contas, ela era apenas uma garota perdidamente apaixonada que encontrava em Ackerman o seu porto seguro em meio ao turbilhão que aquela mutação causara em sua vida, outrora tão pacata.

Quando Andrew deixou o refeitório, Hyacinth acompanhou os passos dele com o olhar enquanto o coração já saltava na garganta. Ela ainda não havia chegado à sobremesa, mas seu interesse no jantar se tornou nulo diante da empolgação de saber que o professor já esperava por ela. Depois de inventar uma desculpa qualquer para os amigos, Hyacinth pediu licença e também deixou o refeitório para trás.

A ruiva já esperava por aquilo quando foi puxada para dentro do quarto. Um suspiro escapou de seus lábios quando Andrew pressionou suas costas contra a superfície de madeira. O beijo foi correspondido de forma apaixonada e, no mesmo ritmo dos lábios, as mãos de Westphal também se moveram acariciando o peito despido de Ackerman.

- Não seja exagerado. Eu não te fiz esperar mais que dez minutos, Andy...

Um sorriso iluminou os lábios de Hyacinth e um arrepio perceptível se espalhou em sua pele enquanto Andrew deslizava os lábios por seu rosto e pescoço. As bochechas dela adquiriram uma coloração mais rosada, mas a garota não ofereceu nenhum tipo de resistência quando Ackerman segurou a barra da sua blusa e a puxou até retirar a peça pela cabeça de Cinty. Ao contrário, Hyacinth facilitou o movimento e fez o mesmo quando Andrew retirou a sua saia.

Os dois não tiveram pressa naquela noite. As carícias se sucederam e se tornaram mais quentes e mais íntimas a cada minuto. A pele de Hyacinth já estava fervendo quando eles abandonaram as preliminares e decidiram saciar aquela vontade primitiva. Embora cada gesto e cada movimento estivessem carregados de desejo, também era evidente que havia um enorme carinho. Eles não eram apenas jovens seguindo seus instintos, era óbvio que também estavam construindo ali um sentimento sólido.

O quarto de Ackerman já estava imerso em penumbras quando os dois se deram por satisfeitos naquela madrugada. Hyacinth estava ofegante e exausta, mas o seu corpo experimentava uma sensação tão gostosa de relaxamento que nada mais poderia incomodá-la. A boca da ruiva estava entreaberta enquanto ela tentava ajustar o ritmo da própria respiração e Andrew se aproveitou disso para capturar os lábios dela em mais um beijo. Westphal sorria quando o tutor afastou o rosto para encará-la.

Com os olhos já acostumados à escuridão do cômodo, Hyacinth enxergava com perfeição os traços de Ackerman quando tocou o rosto dele, sentindo-o ainda quente e salpicado de suor. Com um abraço, a ruiva o trouxe para mais perto e deixou escapar um suspiro quando Andrew a enlaçou firmemente, acomodando-a com perfeição junto ao corpo dele. Os dedos delicados de Hyacinth deslizaram sobre os músculos fortes dos braços enlaçados em torno de sua cintura e ela virou o rosto apenas o bastante para encará-lo.

- Eu amo você, Andy...

Podia ser cedo demais para uma declaração de amor, mas a verdade é que tudo acontecia de maneira muito precoce no relacionamento dos dois. A entonação sussurrada de Hyacinth, embora refletisse um pouco do seu lado de menina, também soou muito segura. A ruiva não esperava receber outra declaração como resposta. Ela só precisava ter certeza de que Ackerman sabia que, para ela, aquilo não era só uma brincadeira.

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Foi ao fim da primeira aula da manhã seguinte que Toby apareceu na sala de Andrew para levar um recado de Dana. Segundo o garoto, a diretora esperava por Ackerman na sala dela e pedia que o tutor não demorasse muito a aparecer.

Quando chegou à sala de Dana, Andrew veria que a loira não estava sozinha. Atrás de sua grande mesa de mármore, a diretora bebericava uma xícara de chá. Diante dela, um homem de meia idade balançava um copo de bebida com uma das mãos, parecendo distraído com o ruído que o gelo fazia ao se chocar contra a superfície de vidro. As roupas elegantes já indicavam que se tratava de um homem rico e influente, assim como o pesado relógio de ouro que brilhava em seu pulso.

- Andrew. – o homem abriu um largo sorriso para o rapaz, sem conseguir esconder o próprio orgulho – Como é bom ver você, filho.

O Sr. Ackerman era um homem extremamente ocupado e que raramente tinha tempo para aparecer na escola dos filhos. Geralmente era a esposa que participava das reuniões e que aparecia quando um dos filhos arrumava algum problema. Aliás, nem Andrew e nem Davina tinham sérios problemas de comportamento. A maior parte das visitas da Sra. Ackerman era para tratar da lentidão dos poderes da caçula. Se o pai estava ali, certamente o assunto era mais sério que o normal.

- Bom, o Andrew chegou. – o Sr. Ackerman se voltou para Dana – Podemos começar a tal reunião? Eu tenho um encontro de negócios em duas horas. – um suspiro impaciente escapou dos lábios do homem – O que a Davina fez desta vez, Dana? Ou melhor, no caso dela, devo perguntar o que a Davina não fez...

A crítica à caçula fez com que Dana se sentisse desconfortável e chateada. Era exatamente aquele tipo de comentário depreciativo que puxava Davina para baixo e fazia com que a menina criasse obstáculos contra os próprios poderes.

- Eu não o chamei aqui para falar da Davina, Phillip. Aliás, caso seja de seu interesse, saiba que ela tem feito enormes progressos nos últimos dias. Eu estou bastante otimista.

- Bom, pelo menos alguém ainda tem esperanças. – Ackerman se recostou na cadeira, sério – Se não é sobre a Davina, por que me chamou aqui?

- É sobre o Andrew.

O homem não conseguiu esconder a surpresa ao encarar o filho. Durante o tempo em que morou na mansão como aluno, Andrew jamais havia feito nada que obrigasse o pai a comparecer para uma reunião. Era bizarro que aquilo acontecesse agora, que o primogênito já era um homem feito e estava na mansão no papel de professor.

- Sério, Dana? – Phillip estava visivelmente desconfortável quando encarou a diretora – Meu filho já é um homem. Não faz o menor sentido você me chamar aqui. Se você tem algum problema com o Andrew, deveria ter resolvido diretamente com ele.

- Eu o chamei aqui porque te conheço, Phil. Fui a sua tutora e sei exatamente como funciona a sua cabeça. Você teria aparecido aqui ainda hoje, então eu quis poupar o tempo de todos e te chamei para que você soubesse da minha decisão em primeira mão.

A mão de Dana tocou uma folha de papel apoiada sobre a superfície de mármore e a empurrou lentamente na direção de Andrew. Diante do olhar confuso dos Ackerman, a loira explicou.

- É um pedido de afastamento das suas funções. Eu sugiro que assine, Andrew. É a forma mais digna de sair daqui, nem mesmo o sobrenome dos Ackerman faria com que você conseguisse outro bom emprego se eu acrescentasse ao seu currículo uma demissão por justa causa.

- O que...? – Phillip puxou a folha antes mesmo que o filho pudesse reagir – O que significa isso, Dana? Você o contratou!

- E posso dispensá-lo. – a diretora pousou um olhar firme no Sr. Ackerman – Em respeito à nossa velha amizade, eu estou dando ao seu filho a chance de pedir demissão. Não farei nenhuma carta de recomendação, mas ao menos o currículo dele não sairá daqui manchado.

- Você não pode dispensá-lo! – Phillip rosnou, amassando o papel entre seus dedos – Foi um favor que fez a mim!

- Não. – Dana respondeu com firmeza – Embora eu aprecie a nossa amizade, eu não contratei o Andrew por sua causa, Phillip. Eu o trouxe para cá porque imaginei que ele seria um bom professor, que teria muito a acrescentar à formação desses jovens. Mas você me causou uma decepção profunda, Andrew. – a loira se voltou para o rapaz com o semblante extremamente sério – Você não era digno da confiança que depositei em você. O que você fez é inacreditável, é imperdoável. Não fere somente as regras da escola, como também ultrapassa qualquer barreira ética. Ela é uma criança!

- Ela...? – Ackerman olhou de Dana para o filho – Do que é que vocês estão falando, afinal?

- O seu filho sabe por que está sendo dispensado, Phil. – a diretora indicou o papel nas mãos de Phillip – Eu peço que assine e que esvazie os seus aposentos até o fim da tarde, Andrew.

Não era uma decisão fácil, mas Dana não encontrava nenhuma outra saída. Desde que percebera que a relação entre Andrew e Hyacinth já havia ultrapassado todos os limites, a diretora sofria pela obrigação de despedir um dos tutores. Em todos os seus anos à frente daquela mansão, Dana jamais tivera um problema tão sério envolvendo um dos professores.

O fato de Andrew ser um Ackerman só tornava a situação mais delicada, mas isso parecia uma piada sem importância perto do maior problema que estava por vir. Dana sabia que Hyacinth não reagiria bem à novidade e, definitivamente, a diretora não estava certa de que conseguiria conter uma aluna tão poderosa quanto a ruiva.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Qua Jun 08, 2016 3:17 am

Se Davina ainda tinha alguma dúvida que seu poder era influenciado pelo seu humor, naquela noite ela teve a prova final.

Quando a foto anônima foi carregada por completo na tela do seu celular, o coração de Ackerman falhou uma batida e ela sentiu um soco na boca do estômago. Se ela acreditava estar arrasada até então, nada se comparava com a sensação que sentia agora.

Sem fechar os olhos durante toda a noite, Davina permaneceu no quarto escuro e vazio, encarando o teto e escutando a tempestade seguida de dezenas de trovoadas. Mesmo quando Hyacinth entrou, tentando fazer o menor ruído possível, Ackerman continuou com os olhos abertos, sem se manifestar. Ela nem mesmo tinha condições de questionar onde a colega estivera durante toda a noite.

O relógio de Davina despertou na manhã seguinte e ela o desativou nos primeiros segundos. As trovoadas finalmente haviam cessado, assim como a intensidade da chuva, embora ainda caíssem grossas gotas das nuvens escuras. Ainda havia tempo de sobra até as primeiras aulas, o que a motivou a enviar uma mensagem para Kevin, pedindo que a encontrasse.

A saleta que dava acesso aos fundos da mansão era enorme e com as paredes de vidro, permitindo que mesmo ainda em seu interior, fosse possível enxergar uma boa parte dos terrenos. A piscina já havia transbordado com a chuva e o gramado mais distante estava começando a ficar esburacado.

Mesmo sendo as primeiras horas da manhã, as nuvens negras davam a sensação de que o dia já havia chegado ao fim. As paredes de vidro estavam encharcadas, mas Davina as encarava quase fixamente. Ela sabia que era a responsável pela tempestade que começara na tarde do dia anterior, mas sua falta de controle para fazer as nuvens desaparecerem a frustrava, impedindo que ela comemorasse ter iniciado.

Ackerman estava sentada em um banco de pedra, o olhar preso na chuva do lado de fora, quando Kevin surgiu. Sua expressão não se alterou, permanecendo com o olhar vago e sem emoção.

- Oi... – Ela se colocou de pé, ajeitando a mochila em um dos ombros para cruzar os braços em seguida, em uma postura defensiva.

Ver o rosto de Templeton e se lembrar da foto fazia seu estômago se contorcer. Ela queria a qualquer custo poder voltar no tempo e enxergar o rapaz novamente como o namorado que a fazia sorrir e a deixava mais apaixonada a cada dia.

Saber que tudo havia sido uma farsa e que Kevin nunca deixara de ser o mesmo conquistador barato de sempre lhe provocava dor e principalmente raiva por ter acreditado em suas palavras doces.

- Eu não vou demorar, Dana me chamou para conversar. Provavelmente quer reclamar sobre a chuva.

Davina revirou os olhos, impaciente, enquanto tentava ao máximo manter o controle sobre sua voz. Com um suspiro, ela se obrigou a encarar novamente as íris esverdeadas de Templeton.

- Eu queria me desculpar por ontem. Não devia ter chorado feito uma criança, foi patético.

Era fácil começar aquele discurso quando ao menos aquela parte era sincera. Ackerman se apressou em continuar, sem permitir que o rapaz a interrompesse.

- Sinto muito, Kevin. – Por um instante, Davina precisou trincar os dentes.

Era revoltante pedir desculpas quando sabia que Kevin não era merecedor daquelas palavras. Mas ela havia convencido a si mesma que não mencionaria a foto reveladora. Só o que precisava era terminar logo com aquela história absurda que um dia achou que pudesse dar certo, não precisava dar o gostinho de Templeton e Willis de humilhá-la ainda mais.

Em um de seus momentos mais angustiantes durante a noite, Davina chegou a pensar se Kevin e Aphrodite seriam capazes de armar até as memórias falsas que a loira havia lhe provocado, mas também afastou aquele pensamento. Não fazia mais sentido continuar se torturando. Ela havia sido uma tola e só o que conseguia fazer para corrigir era pôr um fim o quanto antes naquele namoro.

- Eu pensei a noite toda e isso nunca vai dar certo. Talvez o que aconteceu ontem serviu só para me mostrar que eu nunca vou ser capaz de confiar em você e eu não quero ficar em um relacionamento assim, não é saudável e não é justo com nenhum de nós dois.

Por dentro, Ackerman tinha vontade de explodir e gritar as piores ofensas a Templeton, mas ela não sairia dali como a namorada maluca e traída. Seu olhar era frio e o rosto não demonstrava um terço das emoções que sentia.

- Eu não quero continuar tentando. – Davina tentou ser mais direta. – Não quero mais ficar com você, sinto muito por ter achado que conseguiria, mas somos diferentes demais.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Qua Jun 08, 2016 4:12 am

Mesmo que Hyacinth tivesse deixado sua cama no meio da madrugada, Andrew ainda levantou na manhã seguinte com um grande sorriso nos lábios, a voz doce dela ecoando em sua mente ao lhe dizer “eu te amo”.

Embora não tivesse verbalizado a resposta para a ruiva, Andrew acreditava que o beijo apaixonado que lhe deu era suficiente para que Westphal soubesse. Ele não tinha dúvida alguma do que sentia por Hyacinth, mas também não conseguia se lembrar de quando havia dito aquelas palavras em voz alta para alguém.

Sua garganta travava e ele se sentia extremamente envergonhado em dizer como se sentia, com todas as letras, mas tinha certeza que Hyacinth não tinha dúvidas de seus sentimentos cada vez que lhe lançava um olhar apaixonado ou que tirasse os fios vermelhos de seu rosto.

Andrew ainda se sentia nas nuvens quando entrou na sala de Dana, na manhã seguinte. Seu sorriso apenas vacilou quando reconheceu o rosto de Phillip. O relacionamento do primogênito com o Sr. Ackerman nunca havia sido ruim, mas era uma imensa surpresa ver o pai dentro da mansão em um dia comum.

Sem hesitar, Andy retribuiu o aperto firme da mão de seu pai antes de assumir o lugar ao seu lado, curioso com o assunto que tiraria Phillip Ackerman de seus afazeres produtivos. Seu primeiro palpite foi igual ao do pai.

Em sua cabeça livre de culpa, Andrew acreditava que Davina seria o único motivador para fazer Dana marcar aquela reunião. A tempestade que caía lá fora era motivo suficiente para fazer a loira se preocupar com sua pupila. Mas bastou que a mulher descartasse a irmã caçula para que o rapaz sentisse seus ombros ficarem tensos.

O olhar decepcionado de Dana só confirmava a certeza de Andrew enquanto o pânico se espalhava pelo seu corpo. Ele lembrou da própria voz, contando em uma risada divertida para Hyacinth, que ninguém guardava segredos naquela mansão. Com um gosto amargo na boca, o destino lhe confirmava de forma bastante cruel que estava certo.

Andrew não pensou rebater, tentar se defender ou se negar a assinar sua demissão. Como um adolescente pego no meio de uma travessura, Ackerman baixou o olhar enquanto sentia o peso do mundo surgindo em seu peito.

Seu envolvimento com Hyacinth havia lhe cegado de tal forma que Andrew não conseguia enxergar nada de errado em ter a ruiva em seus braços. Quando Dana falava, ele se sentia sujo e imoral, como se de alguma forma tivesse prejudicado Westphal.

O olhar assustado de Phillip só piorava a situação. Em toda sua vida, Andrew não conseguia se lembrar de uma única vez que tivesse decepcionado os pais. Por mais que amasse a irmã, estava perfeitamente confortável no papel do filho perfeito enquanto Davina era soterrada de reclamações.

O olhar de Andrew apenas se ergueu quando o Sr. Ackerman se impôs, exigindo sua permanência. O rapaz se sentiu ofendido em ouvir que ocupava aquele cargo na mansão como um favor de Dana à Phillip. Era humilhante ouvir aquilo, quando ele sempre fora um aluno esforçado e dotado de uma invejável inteligência.

Andrew trincou o maxilar, tentando ignorar a presença do pai por um instante. Seu coração estava acelerado e não havia para onde escapar. Seu segredo havia sido descoberto e ele só tinha o direito de se sentir agradecido por Dana permitir que ele saísse de cabeça erguida.

Parecia uma grande injustiça que seu amor por Hyacinth fosse visto de forma tão equivocada, mas sendo racional, Andrew sabia que havia ido longe demais e que sua punição era leve quando comparada ao seu deslize.

Sem ousar olhar para Phillip novamente, ele se inclinou para frente e pegou a caneta oferecida por Dana. O Sr. Ackerman arregalou os olhos, horrorizado.

- O que está fazendo, Andrew??? Defenda-se! Seja homem!

- O que você quer que eu faça? – O olhar gelado que ele lançou ao pai fez com que o homem arqueasse as sobrancelhas grisalhas, surpreso.

A caneta encostou a linha pontilhada indicada por Dana, mas os dois Ackerman se encaravam fixamente e nada além de um pontinho preto foi rabiscado na folha de papel.

- O que está dizendo, Andrew? Eu exijo que alguém me explique o que está acontecendo aqui!

Andrew respirou fundo, espremendo a caneta em seus dedos e suas narinas dilatando. Sua vergonha de segundos antes começava a se transformar em fúria enquanto ele começava a compreender que ficaria afastado de Hyacinth.

- O que ela está dizendo é que eu dormi com uma aluna. – A voz de Andrew soou tão pausada que as palavras bizarras não pareciam se encaixar.

Phillip recuou alguns centímetros, encarando o filho como se estivesse enxergando pela primeira vez em toda vida. Sentindo o sangue ferver, Andrew rabiscou sua assinatura antes de jogar a caneta sobre a mesa de Dana.

- Andrew Jhon Ackerman... – Phillip começou, fazendo Andrew bufar.

Ele se ergueu de sua cadeira abruptamente, dando as costas para Dana e o pai.

- Não me vem com essa, eu não sou mais criança.

- Não, não é! – Phillip esbravejou. – É um homem completamente irresponsável. O que você tinha na cabeça???

Andrew precisou ter todo o autocontrole do mundo para encarar Dana, tentando ignorar o pai. Ele não tinha o direito de se revoltar com a professora, que só tinha o melhor interesse para seus alunos. Sabia que Dana estava lhe dando a oportunidade de não sair dali completamente destruído, mas mesmo assim, Andrew se sentia acabado.

Aquele emprego era uma oportunidade única e ele fazia algo que realmente gostava. Além de deixar para trás uma carreira que somente lhe fazia bem, Andrew sentia o coração apertar em pensar em Hyacinth.

- Eu vou embora hoje mesmo, Dana. Sinto muito, mesmo que você não acredite. – Os olhos castanhos estavam fixos na mulher e, quando assumia seus atos daquela forma, Andrew mostrava o homem adulto que estava se tornando. – Só me prometa uma coisa.

Dana chegou a abrir a boca, mas Ackerman a impediu de falar, atropelando suas palavras. Ele não tinha condições de exigir nada, mas ainda assim, a necessidade de falar era mais forte.

- Você precisa cuidar dela, Dana. Ela não vai conseguir sem ajuda, você sabe.

Phillip permaneceu sentado, encarando horrorizado o filho que ele não conseguia mais reconhecer. Embora as palavras se encaixassem para Davina, algo dizia ao Sr. Ackerman que não era de sua filha caçula que estavam falando.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Qua Jun 08, 2016 10:32 pm

A tempestade que caiu durante toda a madrugada já não era um bom sinal. Templeton tentou se convencer de que era apenas uma infeliz coincidência, mas ele sabia perfeitamente bem que aquela chuva não era esperada para aquela época do ano. A cada vez que uma trovoada interrompia o seu sono, uma parcela da esperança de Kevin evaporava.

Quando recebeu a mensagem de Davina logo nas primeiras horas da manhã, o rapaz já previa uma conversa difícil. O namoro com Ackerman nunca havia sido exatamente fácil, sempre rodeado por desconfiança e pelos fantasmas do passado. Mas, quando foi ao encontro da garota naquela manhã, Kevin realmente achava que eles poderiam contornar mais aquela crise.

Templeton apareceu pontualmente na saleta que dava acesso aos fundos da mansão. Naquela manhã, ele usava um jeans mais surrado, uma camisa de botões com um tom azul idêntico às íris escolhidas para aquele dia. Os cabelos estavam curtos o bastante para impedir a formação de seus característicos cachos. Num dos ombros, Kevin carregava a mochila que levava para as aulas. Como havia uma atividade externa em sua planilha de horários naquela tarde, Templeton optara por coturnos numa tentativa de minimizar a sujeira provocada pela lama gerada pela chuva.

Foi impossível conter um sorriso quando Davina iniciou a conversa pedindo desculpas. Um profundo alívio se espalhou pelo peito do rapaz com a certeza de que os dois se entenderiam e que aquela seria mais uma crise que deixariam para trás.

Mas a felicidade de Templeton não durou mais que alguns poucos segundos. Quando Davina mudou a entonação e inverteu o rumo da conversa, Kevin já sabia como tudo terminaria. Ele próprio já havia usado aquele discurso várias vezes e, portanto, sabia reconhecer perfeitamente o momento em que alguém tenta colocar um ponto final num relacionamento amoroso.

Com um gosto amargo na garganta, Kevin percebeu o quanto era horrível estar do outro lado daquele diálogo. Depois de dispensar tantas garotas, era a vez dele experimentar a sensação de estar profundamente apaixonado por alguém que não o queria mais.

- Não é justo.

Ao escutar a própria voz engasgada, Kevin fez uma pausa para recuperar o fôlego. Por maior que fosse o seu desespero, o orgulho ainda era grande demais para permitir que o rapaz chegasse às lágrimas diante de uma garota.

- Não é justo que você termine tudo porque eu fiz algo com a sua autorização! O Theo me pressionou, você concordou! Eu jamais teria participado desse plano idiota se soubesse que você não ia segurar a barra! Eu só fiz isso porque a Westphal é SUA amiga. Eu fiz por você, não por ela. Por mim, que ela se exploda! Aliás, tem uma grande chance disso acontecer, não é?

Como de costume, Templeton perdia por completo o controle da própria língua quando estava exaltado. Intimamente ele não desejava nenhum mal a Hyacinth e sentia uma sincera simpatia por ela, mas toda a raiva e a frustração com o fim daquele namoro foram facilmente transferidos para a conta da ruiva.

- Sabe qual é o seu problema, Davina? Você não assume as consequências das suas escolhas. Você desiste e recua diante das dificuldades. O medo de fracassar faz você abandonar qualquer tentativa de sair da sua zona de conforto. É por isso que o nosso namoro não deu certo. E é por isso que você está criando raízes nesta escola.

Não era a primeira vez que Davina ouvia aquele tipo de argumento. Embora usasse palavras mais amenas, Dana já havia dito diversas vezes para a sua pupila que o maior obstáculo de Davina era a barreira que ela construía ao redor de si mesma. Os Ackerman esperavam tanto da caçula que a garota preferia não tentar evoluir do que dar aos pais a certeza de que ela não seria tudo aquilo que eles desejavam.

- Se você não quer mais, não há nada que eu possa fazer. Eu só lamento muito porque, se dependesse só de mim, teria dado certo.

O fim daquele namoro era extremamente frustrante para Templeton. Por Davina, ele havia mudado radicalmente o seu comportamento e a sua maneira de enxergar a vida. Ser dispensado daquela forma injusta parecia uma resposta irônica do destino, mostrando ao rapaz que ele nunca ganharia nada abrindo o coração para uma garota. Na época em que o objetivo de vida de Kevin era acrescentar mais nomes à famosa lista de conquistas, ele ao menos não se sentia tão frustrado e infeliz.

- Eu achei que você seria a minha salvação. – os lábios de Kevin se curvaram num sorriso sem emoção – Mas eu estava enganado. Você foi o pior erro que eu já cometi na minha vida, Davina. Tudo era muito mais fácil antes de você e é para este ponto que eu pretendo voltar.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Qua Jun 08, 2016 11:12 pm

A situação de Hyacinth estava atrapalhando as noites de sono de Dana. Por sorte, sua mutação não permitia que rugas que preocupação surgissem, mas a diretora já era capaz de reconhecer o olhar exausto e angustiado sempre que se olhava no espelho.

Pela primeira vez em toda a sua longa vida, Dana não fazia a menor ideia do que fazer com um aluno. A mutação de Westphal era um grande ponto de interrogação e nem mesmo uma mutante experiente como Dana saberia dizer qual seria o futuro da garota.

Em toda a história, só houvera registros extraoficiais de um “Incarna”, e todos os relatos eram envoltos em tantos mitos que não era possível saber de onde ele surgira, quais eram seus reais poderes, se existiam limitações e qual fora o seu destino. Aliás, Dana só acreditava que o “Incarna” do passado não era apenas uma lenda porque Westphal estava ali para provar a existência daquele raro poder.

Sem dúvida, Hyacinth era o caso mais desafiante que Dana já levara para a mansão. Portanto, a última coisa que a diretora precisava eram mais problemas com a estadia de Westphal na escola. Exatamente por isso a loira estava tão chateada com Andrew. Hyacinth era uma bomba relógio e o tutor colocara um isqueiro aceso nas mãos dela ao seduzi-la.

Aos olhos de Dana, não havia nenhuma outra interpretação. Ela olhava para Hyacinth e enxergava uma criança assustada com um poder grandioso que poderia torná-la invencível, mas que também poderia ser a sua perdição. E Andrew era um adulto irresponsável que se aproveitara da situação em benefício próprio.

Apenas o pedido de Ackerman foi capaz de mudar um pouco a maneira como Dana enxergava aquele cenário. A preocupação de Andrew era sincera demais para ser forjada, assim como o seu sofrimento por ser obrigado a se afastar de Westphal. Dana ainda não estava pronta para perdoar Andrew por aquele erro, mas seu semblante se suavizou quando a reação do rapaz deixou claro que ele gostava de Hyacinth.

- Ela vai reagir muito mal quando souber da sua partida.

A argumentação de Dana deixava claro que a diretora já havia feito todas aquelas ponderações antes da decisão de dispensar Andrew.

- É claro que eu vou oferecer todo o apoio que ela precisa e vou me esforçar muito para que ela conclua a mutação da melhor maneira possível. Mas você, melhor do que ninguém, sabe que não podemos obrigá-la a nada.

A presença de Phillip não permitia que Dana falasse abertamente sobre a situação e sobre os poderes de Hyacinth. O Sr. Ackerman era o tipo de pessoa que não guardaria um segredo como aquele e deixaria Hyacinth exposta ao medo e à curiosidade do resto do mundo.

- Eu não conseguiria prendê-la aqui nem se esta fosse uma das opções. Tampouco posso obrigá-la a cooperar. Mas talvez você possa...

Um pesado suspiro escapou dos lábios de Dana antes que ela concluísse o seu raciocínio.

- Não há nenhuma maneira de consertar a ruína que você causou, Andrew. Mas você pode tentar minimizar os estragos. Antes de partir, fale com ela e tente convencê-la de que o lugar dela é aqui e que ela precisa colaborar conosco. Nós dois sabemos que tipo de destino aguarda por ela lá fora.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Qui Jun 09, 2016 2:53 am

Davina escutou cada uma das duras palavras de Kevin sem se pronunciar. Seus dentes trincados e a garganta que queimava imperia que ela falasse qualquer coisa, mas no fundo, ela sabia que era melhor daquela forma. Até mesmo para não piscar, Ackerman estava fazendo um esforço sobrenatural, temendo que alguma lágrima lhe traísse se as pálpebras se fechassem.

Ao escutar que ela era a responsável pelo fim daquele relacionamento, a menina chegou a soltar um risinho debochado e desviou o olhar. Era muita cara de pau de Templeton lhe acusar de qualquer coisa enquanto ele havia jogado tudo pela janela ao se deitar com Willis.

Apenas porque queria que aquela conversa chegasse logo ao fim, Davina permaneceu calada durante todo o discurso de Kevin. Era melhor parecer que ela estava desistindo daquele relacionamento do que sair como uma namorada traída e boba, que chegou a acreditar em um futuro ao seu lado.

- Bom, pelo menos nós dois estamos colocando um fim nesse erro. Pode ficar à vontade para voltar para a sua vida antiga, não vou mais ficar no seu caminho.

Ajeitando a mochila sobre um dos ombros, Davina cruzou os braços contra o peito e passou por Templeton, sem coragem de encará-lo uma última vez.

Não importava se seu período da tarde estivesse completamente lotado das tarefas que ela havia planejado para a semana. Davina sabia que seria incapaz de se concentrar em qualquer assunto. Sua cabeça começava a latejar e parecia haver um buraco em seu peito dolorido, dificultando até mesmo a respiração.

Ackerman foi incapaz de aparecer em qualquer uma das refeições do dia e se enfurnou em um canto da biblioteca, se esforçando para ler qualquer assunto relacionado ao seu poder. A chuva continuava intensa do lado de fora e era difícil passar por alguém no corredor sem escutar reclamando do tempo.

Para piorar o humor de Davina, quando ela finalmente pensou em descer para se juntar aos colegas na hora do jantar, Aphrodite cruzou o seu caminho. A loira não precisava dizer nada, mas o sorriso vitorioso que exibia não deixava dúvidas de que havia sido ela mesma a enviar aquela foto.

Por mais que odiasse Willis, Ackerman sabia que o maior culpado daquela história era Kevin. As intenções de Aphrodite poderiam ter sido as piores, puramente com a intenção de magoá-la, mas era Templeton quem lhe devia fidelidade.

Sentindo o estômago embrulhado e com a certeza de que acabaria pulando mais uma refeição, Davina estava quase refazendo seu caminho até o dormitório quando Theodore apareceu do lado oposto ao corredor, que dava acesso aos quartos dos rapazes.

- Davs! – Theo gritou assim que viu a colega, derrubando qualquer vontade que ela tivesse de fugir.

Theodore apressou seus passos para alcançar a menina e os dois se encontraram no topo da escada que levava ao lobby. Davina forçou um sorriso, mas a expressão do rapaz deixava claro que ele já sabia da novidade.

- Davs, o que houve? Kevin me contou... Você não pode tá falando sério.

A testa enrugada e o olhar de preocupação do rapaz mostrava que ele se sentia responsável pelo rompimento do relacionamento dos amigos, mas Davina não tinha a menor intenção de compartilhar a foto comprometedora de Kevin, nem que fosse para aliviar a consciência de Theodore.

- Eu realmente não quero falar sobre isso, Theo.

- Qual é, Davs... O cara é louco por você! Ele fez o que fez...

Davina respirou fundo e interrompeu o amigo. Já havia ficado calada diante de Kevin, fazendo de conta que havia sido o beijo com Aphrodite que havia arruinado tudo, mas estava cansada de levar a culpa.

- Ele fez o que fez porque é o Kevin, Theo. E isso nunca vai mudar. Nós dois somos incompatíveis e todo mundo sabia que não ia durar.

Tentando colocar um fim naquela conversa, Davina começou a descer os primeiros degraus, mas Theodore logo se apressou em segui-la.

- Não acho que você esteja sendo justa.

As íris castanhas giraram em impaciência e Davina parou no meio da escada para encarar Theo.

- Não vem você também com esse papo de justiça. Será que é tão difícil assim entender que eu simplesmente não quero continuar em um relacionamento que não me faz feliz? É tão difícil para vocês entenderem que uma garota deu o fora no seu amiguinho galinha?

- Golpe baixo, Davina. – A expressão preocupada de Theodore foi rapidamente substituída por um olhar repreensivo, e Ackerman teve certeza que não teria o apoio dele naquela decisão.

- Estou realmente cansada desse assunto, Theo...

Mais uma vez, Ackerman se voltou para a escada, mas antes que ela desse o primeiro passo e descesse mais um degrau, ela sentiu seu corpo gelar e travar, incapaz de se mexer. Sua cabeça de já dolorida pareceu girar antes de volta ao foco e seus olhos estavam fixos nas grandes portas duplas da entrada da mansão.

Uma corrente de ar havia passado por ela, mas a porta já estava novamente fechada quando seu olhar parou sobre o rosto de Derek Hale. Com a chuva forte que ainda caía lá fora, o rapaz estava com os cabelos molhados, deslizando os dedos pelos fios negros curtos e espetados, fazendo respingar gotículas ao seu redor.

A jaqueta preta era impermeável e brilhava com a água que havia acumulado. A jaqueta jeans era um pouco surrada e estava molhada, assim como os coturnos. Mesmo tentando se livrar de toda aquela umidade, Derek Hale era um rapaz atraente.

Apesar de ter a mesma idade que Andrew Ackerman, enquanto o professor aparentava ser mais jovem, Derek fazia questão de mostrar que havia se tornado um homem bonito. Seu nariz era reto e combinava perfeitamente com os lábios bem desenhados. A barba por fazer só acrescentava seu charme e os olhos eram castanhos, sob grossas sobrancelhas negras.

Derek ainda deslizava a mão sobre os cabelos molhados quando seu olhar se encontrou com o de Davina. Ele também pareceu travar por um segundo antes de abrir um sorriso.

Como se aquilo fosse suficiente para lhe trazer de volta a realidade, Davina finalmente sentiu suas pernas voltarem a vida e desceu os últimos degraus antes de saltar nos braços de Hale, em um abraço apertado.

Os braços firmes de Derek imediatamente a ampararam, erguendo seu corpo magro alguns centímetros do chão, sem a menor dificuldade. Embora parecesse apenas um rapaz de músculos bem definidos, sem exageros, Davina ainda conseguia sentir a força diferenciada de Derek com um único toque.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Jun 09, 2016 3:32 am

O queixo de Theodore caiu quando, no topo da escadaria, ele avistou o recém chegado. A simples presença de Derek Hale na mansão naquele momento já era surpreendente e um pouco suspeita, mas a reação de Davina ao rever o ex-namorado conseguiu ser ainda mais comprometedora. Até mesmo Theo, que costumava encarar a vida com bastante tranquilidade, franziu as sobrancelhas antes de fechar um pouco o semblante. A conclusão mais óbvia diante daquela cena era que Davina já sabia que Derek retornaria quando decidiu dispensar Kevin naquela manhã.

Por mais que gostasse da amiga, Theodore encarou aquilo como uma grande traição. Templeton tinha os seus defeitos e ninguém jamais questionaria o quanto o passado dele era sujo. Mas Kevin gostava mesmo de Davina e estava se esforçando demais nas últimas semanas para que aquele namoro prosperasse. Era imperdoável que Davina simplesmente o dispensasse por causa de Hale. E era ainda mais ultrajante que a garota sequer esperasse alguns dias antes de se jogar nos braços de outro rapaz.

Pensando em poupar o melhor amigo daquela imensa decepção, Theodore retornou para o dormitório decidido a não contar nada para Kevin. Contudo, depois de pensar um pouco mais no assunto, Theo mudou de ideia. Provavelmente Templeton ficaria ainda mais abalado se chegasse ao refeitório na manhã seguinte e se deparasse com aquela desagradável surpresa.

Diante da novidade, o queixo de Kevin caiu e ele ficou totalmente imóvel por vários segundos, sem nenhum tipo de reação. Theodore só teve certeza de que o amigo havia entendido suas palavras quando o semblante de Kevin se tornou mais carregado. Inconscientemente, o rapaz fechou os punhos com tanta força que os nós dos seus dedos adquiriram uma coloração mais esbranquiçada.

Era mesmo uma vingança do destino. Depois de ter iludido e traído tantas meninas, agora Kevin experimentava o outro lado daquela moeda. Assim como as garotas que Templeton vitimara, ele agora se sentia um tolo, um objeto descartável e facilmente substituível. Davina havia ganhado o seu coração apenas para despedaçá-lo sem nenhuma piedade.

No auge daquele sofrimento, Kevin chegou a cogitar a hipótese de tudo aquilo ter sido cuidadosamente planejado por Davina. A garota sempre se mostrou indignada com o comportamento de Templeton dentro da mansão e o desprezava por ter feito várias de suas colegas sofrerem. Seria um plano de vingança malignamente perfeito fazê-lo se apaixonar por ela apenas para descartá-lo logo em seguida.

- Não faça nenhuma bobagem... – uma ruguinha de preocupação surgiu entre os olhos de Theo – O cara é enorme e já seria suficientemente amedrontador sem a tal super força. Ele te partiria ao meio usando só um dos polegares.

As intenções de Theodore eram as melhores, mas aquele comentário conseguiu irritar ainda mais o amigo. Kevin já se sentia bastante humilhado e rejeitado. A última coisa que ele precisava ouvir eram relatos sobre as qualidades de Derek. A frustração de Templeton só aumentava com a certeza de que ele jamais conseguiria vencer uma briga com o rival.

- Ela armou tudo isso.

As palavras não foram ditas com uma entonação interrogativa. Quanto mais pensava sobre o assunto, maior era a certeza de Kevin de que Davina havia planejado cada passo apenas para se vingar dele. O beijo com Aphrodite era a desculpa perfeita para que Ackerman não saísse daquela história tão suja e também explicava porque a menina concordara inicialmente com o plano de Theodore.

- Eu não sei. – Theo ergueu um dos ombros, sinceramente chateado com os rumos daquela história – Vocês dois pareciam tão bem juntos, Kev. Eu não sei se a Davs seria capaz de um golpe tão baixo.

- Ela foi capaz. E eu fui um grande idiota de acreditar nela. – os lábios de Templeton se curvaram num sorriso sarcástico e sem emoção – Ao menos me serviu como lição. Eu nunca mais vou deixar que nenhuma garota me engane assim.

Se antes Theodore estava feliz pelo amigo e satisfeito com o visível amadurecimento de Kevin, agora ele via Templeton recuar de seus progressos até chegar ao mesmo ponto em que estava antes de se envolver com Davina.

- O que vai fazer...? – Theo acompanhou os movimentos do colega com preocupação enquanto assistia Kevin se esticar sobre a cama para pegar o celular sobre o criado-mudo.

- Não vou ficar no quarto me lamentando enquanto a Davina se diverte com essa vitória.

O indicador de Templeton deslizou pela tela do celular enquanto ele acessava a agenda. O contato que ele queria era um dos primeiros da lista. Theodore encarou o amigo com uma expressão incrédula e chateada diante da certeza de que o velho Kevin estava de volta.

- Aphrodite... – Kevin fez uma pausa antes de forçar uma entonação mais animada – Quanto tempo você precisa para se livrar da sua colega de quarto?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Qui Jun 09, 2016 3:41 am

Mesmo que ele estivesse magoado com Dana ou lhe odiasse por obriga-lo a se afastar de Hyacinth, Andrew sabia que jamais seria capaz de recusar seu pedido, principalmente porque ele concordava com a mulher de que aquela escola ainda era a melhor coisa que poderia acontecer para a ruiva.

Como vivia ali há alguns meses, guardar suas roupas e livros em uma mala não levou mais de algumas horas. Era estranho ver o quarto que já lhe deixava tão à vontade e que havia servido como cenário para noites de amor ao lado de Westphal agora tão vazio e impessoal.

Andrew sentia sua garganta queimar e o peito espremido por ter que deixar a mansão. Ele temia que fofocas pudessem surgir quando não estivesse mais por perto, e sentia calafrios só em pensar que mais alguém descobrisse de seu relacionamento com Hyacinth, dificultando ainda mais a vida da ruiva. Era apavorante pensar que alguma coisa pudesse acontecer com a ruiva sem que ele estivesse por perto para protege-la.

Sabendo que não poderia adiar aquele momento para sempre, Andrew deixou a mala em um canto do próprio quarto antes de seguir o caminho até os dormitórios femininos. Aquela era sua primeira parada a procura da ruiva e ninguém estranharia a presença de Ackerman ali, quando sua irmã caçula ocupava uma das camas daquele quarto.

Foi um alívio quando o rosto de Hyacinth surgiu do outro lado da porta, o poupando de continuar procurando pela mansão.

A expressão em seu rosto era de pura derrota, tão diferente do brilho em seu olhar naquela manhã. Andrew sentia que aquele dia não chegaria ao fim. Algumas horas antes, ele ouvia a voz gostosa de Westphal lhe dizer que o amava e agora estava se despedindo dela.

Sem dar explicações, Andrew entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. Com os ombros curvados, ele se arrastou até a beirada da cama que sabia ser da ruiva, fazendo o colchão afundar ao se sentar.

Diferente das camisas sociais que Ackerman costumava usar, ele optara por um moletom cinza de capuz e uma calça jeans clara, que o deixava com uma aparência ainda mais jovial do que a que o professor tentava passar até então. Tirando uma das mãos do bolso frontal do moletom, Andy deu dois tapinhas no espaço ao seu lado, convidando Hyacinth para se sentar ao seu lado.

Ele esperou que o colchão se mexesse para puxar a mão da ruiva para si, entrelaçando os dedos.

Só quando o silêncio do quarto pesou sobre seus ombros, Andrew percebeu que não sabia como dar aquela notícia para Hyacinth. Assim como Dana, ele temia como a menina poderia reagir. Sua boca abriu e fechou algumas vezes até que algum som finalmente saísse pelos seus lábios.

- Eu... Eu vou precisar me afastar por uns dias, Cinth. – Ele sentiu o nó em sua garganta aumentar quando sua mente lhe implorou para não mentir. Com um suspiro, continuou. – Na verdade, eu não sei quando volto.

Andrew sabia que Hyacinth não era idiota e entenderia o que ele estava falando, mas dizer com todas as letras que não continuaria mais na mansão era ainda mais difícil do que ele imaginara.

Além da saudade que sentiria da ruiva, Ackerman se sentia arrasado por se afastar de seu trabalho.

- Não se preocupe, não é nada do que você está pensando. – Ele tentou forçar um sorriso. – Meu pai me chamou para passar uns meses fora, fazer uma especialização na Alemanha. É uma oportunidade única, Cinth.

Seu peito se espremia com aquela mentira, mas Andrew não achava justo que Hyacinth se culpasse pelo seu afastamento. Ela não precisava saber que era aquele relacionamento inapropriado que culminara sua demissão. Em sua cabeça, ele sabia que jamais se afastaria por vontade própria de Westphal, mas ainda era melhor que ela acreditasse naquela fantasia do que se descobrisse a verdade e se culpasse.

- Eu quero que você se cuide, ruiva... – Com os dedos trêmulos, Ackerman ergueu sua mão e a deslizou entre os fios vermelhos. – Promete pra mim que você vai se cuidar? Quanto antes você sair daqui, mais cedo vamos ficar juntos.

Desta vez, o sorriso de Andrew soou mais sincero e um rápido brilho passou pelo seu olhar. Ao menos aquela parte do seu discurso era verdadeira. Ele ainda tinha esperanças de que em um futuro próximo pudesse ter a ruiva ao seu lado sem que pensassem que ele era um aproveitador.

- Promete pra mim, Cinth. – Ele se sentia desesperado com a reação de Hyacinth, mas precisava garantir que ela continuasse em segurança. – Promete que vai se esforçar todos os dias, que vai tomar cuidado com o seu segredo e que vai sair logo daqui pra gente ficar junto?

A mão de Hyacinth foi apertada levemente em um gesto desesperado e Andrew se inclinou para beijá-la na ponta do nariz, carinhosamente.

- Eu vou estar esperando por você, ruiva... Mas preciso que você fique bem até lá. Consegue fazer isso por mim?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Qui Jun 09, 2016 4:19 am

Desde que saíra do quarto de Ackerman naquela madrugada, Hyacinth não conseguia tirar o sorriso do rosto. Enquanto transitava pela mansão durante o dia, a garota se sentia tão leve e tão feliz que era como se estivesse pisando em nuvens.

As preocupações com a sua mutação ainda existiam, mas agora estavam soterradas debaixo de infinitas lembranças positivas. O relacionamento com Andrew dava à garota toda a tranquilidade que Hyacinth precisava para encarar aquele momento tão tumultuado da sua vida. Sempre que estava com o tutor, Westphal tinha a certeza de que tudo daria certo porque Andrew a ajudaria.

Naquela tarde, enquanto folheava um livro, era o rosto de Andrew que se fazia presente na concentração da garota. Por isso, o sorriso dela se iluminou com a surpresa de encontrar o professor no corredor. Sem pensar duas vezes, Hyacinth permitiu que ele entrasse em seu dormitório. Só depois de passada a empolgação inicial, a ruiva percebeu pelo semblante de Ackerman que havia algo errado.

Um sexto sentido incontrolável fez com que um desconfortável calafrio se espalhasse pelo corpo de Hyacinth enquanto ela se sentava ao lado do tutor. Os olhos azuis o fitaram com ansiedade e as primeiras palavras de Andrew a atingiram como um golpe poderoso e doloroso.

Enquanto Ackerman falava e tentava explicar aquela decisão inesperada, Westphal o encarava como se o rapaz estivesse falando em outro idioma. Era difícil demais entender e aceitar que aquilo era uma despedida, que Andrew havia feito uma escolha que separaria os dois por um tempo indeterminado. Depois da última noite de amor, Hyacinth se sentia usada e traída.

- Como assim?

Hyacinth odiou ouvir a própria voz engasgada. Seu orgulho implorava que ela não se rebaixasse tanto, mas o coração ferido exigia respostas. Ela simplesmente não conseguia aceitar que as coisas terminariam assim, que Andrew dava tão pouca importância a ela a ponto de trocá-la por uma especialização na Alemanha e deixá-la sozinha no momento mais delicado da sua vida.

- Você não pode ir. – os olhos azuis o encararam com ansiedade e de forma suplicante – Eu preciso de você, Andy!

Estava claro que Hyacinth não se referia apenas à companhia dele durante os momentos proibidos de intimidade. A ruiva também precisava do treinamento de um tutor e não havia nenhuma outra pessoa em quem confiasse tanto além de Ackerman. Ele conhecia o seu segredo e não a julgava mal por seus poderes. Andrew era a única pessoa que dava a Westphal a esperança de que ela conseguiria sobreviver à mutação e conviver bem com aquele poder tão raro.

- Você não pode fazer esta tal especialização depois? Andy, eu não vou conseguir sem você!

As últimas palavras saíram entrecortadas por soluços. Normalmente Hyacinth sentiria vergonha do próprio comportamento, mas o desespero de perder Andrew fizera a ruiva atirar seu orgulho pela janela. Lágrimas quentes já escorriam pelo rosto pálido da garota quando ela levou as mãos trêmulas até o rosto de Ackerman, buscando desesperadamente pelos olhos castanhos.

- Por que está fazendo isso comigo? O que eu fiz de errado?

Até então, Westphal vinha encarando aquele relacionamento de forma bastante madura. Mas a iminência de perder Andrew era o bastante para transformá-la numa menina insegura e desesperada com o fim de um namoro. Na noite anterior, Hyacinth não tinha se importado em receber apenas um beijo como resposta a sua declaração de amor, mas agora aquilo lhe soava como mais uma prova de que Ackerman nunca estivera tão envolvido quanto ela.

- Andy...

Mais uma série de soluços impediu que Hyacinth continuasse o seu discurso e foi neste momento que ela se deu conta de que não precisava dizer mais nada. Tudo estava bastante claro e a decisão de Ackerman já estava tomada. A insistência de Westphal só faria com que ela se sentisse mais rejeitada e mais humilhada.

As lágrimas ainda rolavam os olhos dela, mas a expressão dolorida de Hyacinth foi dando lugar a um semblante fechado. A garota afastou as mãos subitamente do rosto de Andrew e recuou para longe dos braços dele. O rosto da ruiva estava avermelhado quando ela deslizou os dedos nas bochechas, tentando se livrar das marcas daquele choro vergonhoso.

- Você não tem o direito de me pedir nada depois disso. Como ousa me cobrar promessas?

Hyacinth estava de costas para a porta do quarto, mas não precisou nem olhar na direção da maçaneta para fazê-la girar. A porta se abriu fazendo com que um rangido ecoasse pelo dormitório silencioso.

- Saia daqui agora. Eu agradeceria se nunca mais aparecesse na minha frente, Ackerman.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Qui Jun 09, 2016 4:22 am

Se as pessoas acreditavam que Davina Ackerman estava criando raízes naquela mansão, elas não teriam a coragem de repetir as mesmas insinuações para Derek Hale. Além de estar normalmente carrancudo, Derek era dono de uma força excepcional e seus anos a mais na escola haviam servido para que ele conseguisse controlar os menores dos gestos para que não espatifasse tudo com algo que deveria ser um movimento natural.

Foi a frustração com o controle dos próprios poderes que acabou aproximando Davina e Derek. O rapaz havia sido o primeiro namorado de Ackerman e foi ao seu lado que ela aprendeu diversas experiências. A saída dele da mansão lhe deixou arrasada, mas levou algum tempo até que ela entendesse que a sua maior frustração era por ter ficado para trás e não a falta que Hale fazia em sua vida.

Com a aproximação de Kevin, Davina teve ainda mais certeza que nunca amara o ex-namorado de verdade, embora sempre fosse sentir por ele um grande carinho. Era aquele carinho que motivara a menina a se jogar em seus braços naquela noite.

Depois de ter uma noite péssima e um dia que não chegava ao fim, a presença de Derek lhe trazia um conforto necessário, como se ela finalmente pudesse contar com uma amizade, principalmente com os olhares de críticas que vinha recebendo dos amigos com o fim do relacionamento com Templeton.

- O que você está fazendo aqui? – O sorriso nos lábios de Davina era sincero quando seus pés tocaram o chão novamente, sem se importar com as roupas molhadas de Hale.

- Dana não contou? – Derek tinha a testa franzida em surpresa, mas também exibia um largo sorriso. – Ela me pediu para passar uns dias aqui, para dar uma forcinha...

Ele apontou o indicador para o teto antes de acrescentar.

- E a julgar pela tempestade lá fora, está mesmo precisando.

Ignorando o comentário sobre o tempo, Ackerman ergueu uma sobrancelha, confusa.

- O que quer dizer com isso? Você vai ser tutor?

Derek deu uma gargalhada, fazendo Davina se lembrar de tantos momentos divertidos que tivera ao seu lado.

- Claro que não, pequena... Acha mesmo que eu tenho cara de tutor?

Ele ergueu os braços, fazendo com que a jaqueta se abrisse um pouco e revelasse a camisa preta de algodão que vestia por baixo. Não, Derek Hale estava longe de parecer um tutor como Dana ou Andrew.

- Então não entendi, com o que veio ajudar?

Pela primeira vez desde que viu Davina, o sorriso de Derek morreu. Ele não esperava tocar naquele assunto tão repentinamente, sem ao menos ter a chance de se secar, mas também conhecia a ex-namorada o suficiente para saber que ela não se calaria até descobrir.

- Dana acha que você precisa de... bom, de um empurrãozinho.

Os olhos de Ackerman se arregalaram e ela sentiu o rosto corar. Era patético ser o caso de caridade de Derek e ainda mais patético que Dana achasse que precisava de ajuda de alguém em seu desenvolvimento.

- Não comece com bicos. – Derek se abaixou para pegar a mala aos seus pés e só então Davina se deu conta que ele carregava uma bolsa de viagem. – Meu carro atolou há alguns quilômetros daqui e a julgar pela chuva, você precisa mesmo de ajuda, pequena.

- Não preciso, não.

- Tá bem. Então faz a chuva parar.

O rosto de Davina esquentou ainda mais, mas ela assumiu a mesma postura que tinha com o irmão.

- Não tô afim. Pelo menos assim posso pular a educação física.

- Dav, se você fizer parar de chover, eu vou conseguir desatolar o meu carro. E com o meu carro livre, posso te levar até a cidade. Tem certeza que não tá afim?

A menina estreitou os olhos antes de dar as costas para Derek. Ela não precisava dizer nada, o rapaz sabia que estava mentindo. Mas sem se importar, ele apressou seus passos para alcança-la.

- Relaxa, pequena... Pelo menos por esta noite. Amanhã vamos começar o treino.

***

Apesar do cansaço acumulado, Davina passou boa parte da noite se concentrando na tempestade que acontecia lá fora, usando toda sua concentração para dissipar as nuvens. Cada vez que tentava, o rosto de Derek ou as palavras de Kevin surgiam em sua mente, roubando sua concentração.

Foi uma grande vitória quando Ackerman finalmente escutou o barulho das grossas gotas diminuindo até cessar por completo, permitindo que a manhã seguinte chegasse com um céu limpo e ensolarado, apesar do grande estrago por todo gramado da mansão.

Ainda se sentindo abalada com o rompimento do namoro com Kevin e com o estômago embrulhando cada vez que pensava nele ou em Aphrodite, ou pior, nos dois juntos, Davina se esforçou para assistir as aulas naquele dia.

Ela estava com os cabelos presos em um rabo de cavalo e vestia uma calça de montaria junto com um cardigã vermelho. As botas haviam sido escolhidas para enfrentar o gramado enlameado quando Derek lhe contou os planos do treinamento na parte mais afastada dos terrenos da mansão, no início de um pequeno bosque que rodeava a área onde normalmente acontecia a educação física.

Apenas por pensar no esforço que teria durante aquele treino, Davina se obrigou a aparecer no café da manhã. Seu olhar passou rapidamente pelo refeitório e ela respirou fundo antes de assumir o costumeiro lugar na mesa com os amigos, embora ainda se sentisse julgada com cada olhar que recebia.

- Derek voltou??? – Hugo parecia horrorizado e levou uma cotovelada nas costelas quando Theodore percebeu que Davina havia se aproximado.

Sem se importar com aquela indiscrição, o rapaz virou com os olhos arregalados para Ackerman.

- É sério, Davs? O incrível Hulk tá de volta?

Davina girou os olhos diante daquele apelido infantil, mas confirmou com um movimento da cabeça.

- Eu descobri ontem... Parece que a Dana precisa de um reforço. – Era humilhante dizer que o reforço era basicamente para lhe ajudar a evoluir, de modo que Ackerman ocultou aquele detalhe da história.

- O quê?! Ele vai ser tutor???

- Não, não tutor. – Ela se lembrou da risada de Derek na noite anterior. – Não sei por quanto tempo vai ficar, também. Não tivemos tempo para conversar ainda.

A expressão fechada de Theodore só aumentava o desconforto de Davina, mas sem se importar com aquilo, o rapaz ainda ousou perguntar:

- Vocês voltaram?

A xícara de café que Davina levava aos lábios tremeu e um pouco do líquido quente escorreu pelos seus dedos, fazendo-a soltar um xingamento baixinho.

- O quê???

Embora estivesse feliz em rever Hale, a ideia de reatar aquele namoro, principalmente depois da avalanche de sentimentos provocada por Templeton, era absurda demais.

- Lógico que não, Theo. Que merda de pergunta é essa?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Qui Jun 09, 2016 4:49 am

Andrew jamais esperou que aquela fosse ser uma conversa fácil, mas ver que estava partindo o coração de Hyacinth era ainda pior do que havia imaginado. Ele sentia a pulsação forte em sua garganta e sua temperatura começava a subir conforme o sangue corria veloz em suas veias com o desespero e a adrenalina.

- Não diz isso, Cinth.

Sua voz e seu olhar estavam carregados de emoção. Ackerman se sentia angustiado, queria a qualquer custo acabar com a dor que estava provocando em Westphal, queria fazer a ruiva enxergar que ela era tudo para ele, que ele queria a qualquer custo que eles tivessem uma chance no futuro.

Saber que ele era o responsável pelas lágrimas que manchavam o rosto bonito era a pior das penitencias. Suas intenções ao se aproximar de Hyacinth poderiam não ser tão sujas quanto Dana havia desconfiado, mas Andrew sentia que estava sendo penalizado pelo universo por aquele erro.

- Você não vê que eu só quero o melhor para você? Eu preciso que você se cuide, Cinth.

Os lábios secos de Ackerman se entreabriram quando Hyacinth se afastou bruscamente, o convidando a se retirar do quarto. Havia um grito preso em sua garganta e seu instinto lhe dizia para bater a porta, pressionar a ruiva contra a madeira e lhe beijar até que ela fosse capaz de enxergar o quanto ele a amava e como era difícil se afastar.

O medo de que algum aluno passasse pelo corredor e presenciasse a cena, tornando sua situação ainda pior sob aquele teto e correndo o risco de expor Hyacinth foi suficiente para lhe conter.

Andrew deslizou as mãos pelo rosto, esfregando a própria pele de forma ansiosa, até os dedos deslizarem pelos cabelos ondulados, bagunçando-os ligeiramente. Ele se sentia sufocado, desesperado em fazer Cinth enxergar, ao mesmo tempo que parecia que lhe arrancavam um braço fora.

Mesmo em tão pouco tempo, ele já havia se acostumado com a presença de Hyacinth. Em como seu sorriso surgia instantaneamente quando os cabelos ruivos entravam no cômodo, em como seu perfume delicado lhe provocava arrepios e em sua voz doce lhe provocando com palavras insinuantes.

Perder tudo aquilo era dilacerante, de uma dor que Andrew não se lembrava jamais ter experimentado antes.

Seu egoísmo implorava que ele explicasse tudo a Hyacinth, que lhe contasse que estava sendo afastado contra vontade. Mas o medo do que a culpa poderia causar com Westphal lhe obrigava a manter os pés no chão.

Com o mundo completamente destruído, Andrew finalmente se levantou, parando há poucos passos de Hyacinth. Ele chegou a erguer a mão na direção dos fios vermelhos e engoliu em seco quando ela se afastou do toque. Para tentar se controlar, Ackerman voltou a enfiar as mãos nos bolsos frontais do moletom, forçando um sorriso triste.

- Dana vai cuidar de você. E você precisa contar com os seus amigos também. Davina gosta mesmo de você...

”E eu te amo” uma vozinha soou no fundo da sua mente, mas Andrew foi incapaz de verbalizar.

- Sei que você não está falando sério, então quero que me procure se precisar de alguma coisa. Qualquer coisa. Se cuida, ruiva.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Qui Jun 09, 2016 4:59 am

- Não me parece uma pergunta tão absurda assim depois da cena que eu vi ontem...

Normalmente, Theodore era o membro do grupo que fazia o impossível para evitar discussões e colocar panos quentes em brigas dos amigos. Naquele dia, contudo, o rapaz não parecia nada disposto a aliviar a conversa com Davina. Embora gostasse da menina, Kevin era o melhor amigo de Theo e o rapaz não conseguia perdoar o estrago que Ackerman fizera no coração dele.

- Pega leve, Theo. – Hugo se viu obrigado a assumir aquela função ao perceber o tom áspero de Theodore – É claro que a gente estava torcendo pras coisas darem certo entre você e o Kev, mas não queremos que a nossa amizade se abale porque vocês terminaram.

Hugo falava no plural, mas o silêncio de Theodore e seu semblante fechado mostravam que o colega não estava tão disposto a reforçar aquela amizade. Para ele era ainda mais difícil porque Theo fora o portador da má notícia que deixara Templeton tão arrasado na noite anterior.

- Eu não pude deixar de notar que parou de chover... – a voz de Theo soou com uma ironia palpável – Pelo menos alguém ficou feliz nesta história, não é?

- Theeeeeeo... – Hugo resmungou, tentando colocar freios na língua do amigo.

- Eu achei que o Kevin tinha surtado, mas agora, pensando bem, acho que ele tem razão. A hipótese dele me parece bem plausível. Você planejou cada detalhe, não foi, Davina? Eu achei super estranho quando você se aproximou do Kev, mas agora tudo faz sentido. Foi um dos golpes mais baixos da história da humanidade. Você é nojenta.

- Chega! – o semblante de Hugo também se fechou e sua voz se tornou mais firme – Você tem todo o direito de ficar do lado do Kevin, mas eu não vou deixar que ofenda a Davs. Ela sempre foi nossa amiga e não merece ser tratada assim. Além do mais, eu não entendo por que você está comprando esta briga, Theo. Você está mais ofendido que o próprio Kevin. Aliás, ele não me pareceu nem um pouco abalado esta manhã.

Ao notar que estava falando demais, Hugo apertou os lábios e desviou os olhos para a sua bandeja. Antes que Davina pudesse pressioná-lo por um esclarecimento, a explicação adentrou o refeitório. Hugo deixou escapar um pesado suspiro diante daquela cena, que praticamente inviabilizava qualquer chance de ainda restar alguma amizade entre Kevin e Davina depois do fim do namoro.

Não era segredo para ninguém que Templeton e Aphrodite tinham um passado bem tumultuado em comum. Logo que Kevin entrara na mansão, era comum vê-lo se agarrando com Willis nas salas vazias ou em algum corredor pouco movimentado. Mas geralmente a relação não ultrapassava os limites impostos pelos hormônios. Naquele dia, era a primeira vez que os dois transitavam pela escola de mãos dadas.

Sem qualquer constrangimento e com um sorrisinho tranquilo nos lábios, Kevin se aproximou da mesa ocupada pelos amigos. Aphrodite era exibida como uma saborosa vitória e, apesar de todos os defeitos da loira, visualmente ela parecia mesmo um troféu. A minissaia reforçava um corpo com curvas impecáveis. Os cabelos claros estavam soltos e as pontas cacheadas alcançavam a cintura da garota. Quem não a conhecia poderia se deixar enganar pelos traços perfeitos e pelo sorriso angelical que ela dirigiu aos amigos de Templeton.

- E aí? O que temos pra hoje? – Kevin se inclinou para espiar as travessas como se não estivesse acontecendo nada demais.

- Almôndegas. – Hugo estava mortalmente sério – Guardamos uma porção para você, mas não sabíamos que viria acompanhado.

Willis soltou um risinho anasalado enquanto se sentava ao lado de Templeton, bem em frente a Davina.

- Me internem e solicitem tratamento a base de choque no dia em que eu comer almôndegas. – Aphrodite puxou apenas a travessa de salada para perto do seu prato.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Qui Jun 09, 2016 7:57 pm

- Eu nunca falei tão sério em toda a minha vida.

O rosto de Hyacinth ainda estava avermelhado e manchado por lágrimas, mas a expressão dura em seu olhar e as suas palavras ásperas indicavam que a garota não pretendia mais insistir naquilo. Por maior que fosse o seu amor por Andrew, Cinth não pretendia se humilhar por alguém que definitivamente não a amava. Se Ackerman dava as costas a ela com tanta facilidade e a abandonava depois de tudo o que viveram juntos era porque nunca valorizou o relacionamento que os unia.

- Eu nunca cobrei nada. Eu nunca exigi que você assumisse esse relacionamento, não te obriguei a sacrificar nada por mim, concordei em manter segredo... Nem mesma a Davina desconfia de tudo o que aconteceu entre nós. Mas isso é demais, Andrew. Você não pode simplesmente ir embora, me deixar sozinha no pior momento da minha vida e achar que estará tudo bem quando você voltar.

Com as costas das mãos, Westphal limpou as lágrimas que ainda marcavam as suas bochechas pálidas. A moça fungou antes de recuperar o fôlego para terminar o seu desabafo.

- Você era a pessoa em quem eu mais confiava. Agora, acabou de se tornar a última pessoa do universo que eu procuraria se precisasse de ajuda.

Como a porta continuava entreaberta, a pessoa que passava do outro lado do corredor não se preocupou em bater. A mão foi apoiada sobre a superfície de madeira e empurrou a porta mais alguns centímetros, o suficiente para que uma cabeça surgisse no interior do dormitório.

Derek Hale não foi capaz de disfarçar o constrangimento quando percebeu que Davina não estava no quarto. Ao invés da ex-namorada, Derek encontrou Andrew Ackerman de pé diante de uma menina que até então ele desconhecia. O que deixou o recém chegado mais sem graça foi a certeza de que estava interrompendo um momento delicado. Hyacinth não chorava mais, mas o rosto vermelho e inchado não deixava dúvidas de que a conversa não estava sendo fácil.

- Desculpem! – Derek fez uma breve careta quando Andrew e a ruiva notaram a sua presença – Eu só queria falar com a Davina, ela deve estar no refeitório... Oi, Andrew. Imagino que a Dana tenha mencionado a minha estadia aqui nas próximas semanas.

Hale inclinou-se apenas o bastante para apertar a mão de Ackerman num cumprimento mais formal. Embora os dois estivessem na mesma faixa de idade e tivessem vivido na mansão como estudantes praticamente na mesma époica, Derek e Andrew não eram amigos tão próximos. Os dois se davam bem como colegas, mas não haviam levado a convivência adiante depois que saíram da escola.

- Bom, eu vou procurar a Davina. Desculpem a interrupção.

Para não prolongar o constrangimento, Derek apenas meneou a cabeça num cumprimento rápido dirigido a Hyacinth. Certamente não era o melhor momento para conhecer a ruiva e Hale era discreto o bastante para não questionar os motivos do choro dela.

Por isso, a surpresa dele foi grande quando a garota se ergueu da cama com um sorriso simpático e deu dois passos na direção dele.

- Oi. Ainda não nos conhecemos. Eu sou a Hyacinth, colega de quarto da Davina. Imagino que você seja o Derek. A Dav me contou que você estava de volta à escola.

- Sim, sim. Derek Hale. A Dav também me falou de você, é um prazer conhecê-la, Hyacinth.

- O prazer é todo meu, Derek. Seja bem vindo de volta.

Os olhos azuis fitaram Andrew por um milésimo de segundo antes que Hyacinth estendesse a mão na direção de Hale, numa clara indicação de que a ruiva estava fazendo aquilo propositalmente para provocar o ex-tutor. Era um sinal bem claro de que Westphal pretendia ignorar o pedido de Ackerman para que ela se cuidasse e fosse responsável com a própria evolução.

Aos olhos de Derek, fora apenas um gesto educado e absolutamente normal. Quando estendeu o braço e apertou a mão da ruiva, Hale jamais imaginaria que estava transferindo as suas habilidades para Hyacinth naquele exato momento.

- A Dav me contou sobre os seus poderes. – Westphal abriu um meio sorriso enquanto soltava vagarosamente a mão de Derek – Deve ser o máximo ser assim tão forte.

- Bom, é bem útil depois que você aprende a se controlar e não arrebenta mais as coisas involuntariamente. No começo foi bem complicado. O Andrew precisou consertar alguns dedos que eu quebrei ao cumprimentar as pessoas por aqui. Mas isso ficou no passado.

Hyacinth certamente estava aliviada por si mesma, já que estava provado que ela herdava os poderes na intensidade em que seus respectivos donos o controlavam. A regeneração, o poder magnético e a intangibilidade não eram problemas para a ruiva, visto que Andrew, Samantha e Chevalier eram mutantes maduros com pleno domínio de suas habilidades. A capacidade dela em controlar o fogo era tão irregular quanto a de Theodore e sua maior dificuldade, assim como a de Davina, era influenciar o clima.

- É bom saber que você já tem total controle de suas habilidades agora. – a expressão de Hyacinth se tornou mais sombria, mas ela comentou como se estivesse apenas brincando – Agora você só quebra ossos propositalmente. Sem dúvida, é um dom bem útil.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Michaela Moccia em Sex Jun 10, 2016 3:22 am

O queixo de Davina caiu quando Theo compartilhou a teoria de Kevin, de que desde o início daquele relacionamento, ela tivesse planejado cada movimento apenas com o único objetivo de ferir o rapaz.

Sua mão se fechou ao redor do garfo, os nós dos dedos esbranquiçando, enquanto a vontade de gritar subia pelo seu peito. Quem Templeton achava que era para falar tantas asneiras? Theodore tinha que ser mesmo muito idiota para acreditar naquela ideia maluca do amigo. Nem em um milhão de anos ela seria capaz de fazer algo tão cruel a alguém.

Era frustrante que Kevin tivesse destruído o relacionamento dos dois, mas que ela saísse como a errada da história. Ao mesmo tempo que Ackerman queria desmascarar Templeton, ela se sentia humilhada com a ideia de mais alguém sabendo daquela traição.

Toda a fúria de Davina foi imediatamente substituída por uma dor no estômago quando Kevin e Aphrodite surgiram de mãos dadas. A surpresa foi tão grande que os olhos castanhos ficaram fixos em seus dedos entrelaçados por um tempo longo demais. Quando o casal assumiu seus lugares à mesa, o rosto de Ackerman estava vermelho e ela já havia perdido o apetite completamente.

O mais patético de toda aquela história era ainda ser apaixonada por Kevin. O rapaz estava longe de merecer seu amor, provavelmente saía com outras meninas durante todo o tempo de namoro e não havia perdido tempo algum com o rompimento oficial para desfilar pelos corredores com outra.

Aquela era a refeição mais indigesta da sua vida. Hyacinth não dera notícia durante todo o dia e o único naquela mesa que parecia aceitar sua companhia era Hugo. Quando Davina começava a se arrepender da decisão de ter continuado junto aos amigos, fazendo uma nota mental de que não cometeria o mesmo erro na próxima refeição, seu estômago afundou de vez ao ver Willis se inclinar para beijar os lábios de Kevin.

A foto ainda armazenada em seu celular assombrava suas noites, assim como sua imaginação fértil, sempre pensando em Kevin com outra menina em seus braços. Mas ver aquilo pessoalmente era muito pior.

- Você devia tentar, Davina...

A voz fina de Willis obrigou Ackerman a voltar a realidade, piscando algumas vezes.

- O quê? – Ela perguntou, claramente confusa com o assunto.

- Abandonar essas almondegas gordurosas. Talvez consiga perder esses seus quilinhos a mais.

O sorriso maldoso de Aphrodite era largo enquanto ela mordiscava um pequeno tomate entre seus dentes perfeitos. O olhar de Willis desceu até o prato intocado de Ackerman e inclinou o rosto para o lado, fazendo seus longos fios loiros roçarem o ombro de Kevin.

- Acho que a Davs está ótima. – O olhar severo de Hugo mostrava que ele não compactuaria com aquele pequeno complô para fazer Ackerman se sentir mal, o que arrancou um discreto sorriso dos lábios dela.

- Obrigada, Hugo. Mas você não precisa me bajular para ficar com a minha sobremesa... – Com um olhar doce, Davina retirou de sua bandeja o potinho de pudim e se esticou até colocar diante do rapaz.

- Definitivamente, meu bem... Se você quer continuar usando essa calça, eu iria sugerir para você nunca mais comer a sobremesa. Tipo, pro resto da vida.

Willis soltou mais um de seus risinhos que começavam a irritar Davina profundamente. Qualquer um poderia sentir o clima pesado da mesa, mas Ackerman só conseguia manter seu olhar sobre a menina que acariciava a coxa de Kevin sob a mesa.

- Você acha mesmo, Aphrodite? Estranho... – Com uma voz calma que não combinava com as batidas aceleradas de seu coração, Davina abriu uma garrafinha de água e abriu um sorriso tão frio quanto o de Willis. – Kevin sempre me elogiou com essa calça. Como era que você dizia mesmo, Kev...? Gostosa de enlouquecer?

O vocabulário maus chulo de Davina não combinava em nada com a sua personalidade, mas seu sangue fervia cada vez que os lábios de Aphrodite se curvavam em um sorriso. A loira chegou a jogar a cabeça para trás e dar uma gargalhada.

- Querida, você definitivamente não pode usar o Kev como parâmetro. Se passar um poste na frente dele, de mini-saia, ele vai olhar. – Willis girou a cabeça para encarar Kevin. – Mas não se preocupe, já estamos trabalhando para melhorar esse seu gosto para mulher, que andava bem caído...

- O que andava caído?

A voz rouca de Derek fez Davina dar um pequeno pulinho em seu lugar, se virando imediatamente para encontrar o ex-namorado em pé, diante de todos. Exatamente como na noite anterior, Hale usava seus cabelos negros e curtos espetados para cima e vestia uma camisa preta. A ausência da jaqueta permitia que seus músculos ficassem expostos, assim como um pedaço de uma tatuagem negra que escapava por baixo da manga.

- Ora, ora... Derek Hale. Não estava acreditando quando falaram que você estava de volta. O que houve, Hale? Levou tantos anos para evoluir e acabou descobrindo que ainda é um fracassado?

Ao contrário de Davina que sempre se abalava com aqueles comentários, Derek permitiu que os lábios curvassem em um sorriso e cruzou os braços contra o peito, seus músculos se mexendo ao menor dos movimentos.

- Willis... – Derek se aproximou mais da mesa e apoiou um dos braços sobre o tampo de madeira.

Sua intenção era apenas estar mais perto do grupo para sussurrar, mas Davina teve a impressão de que aquele gesto havia sido calculado para que ele ficasse perto demais dela, quando seus ombros se roçaram.

- Você está com alface entre os dentes. – Ele franziu o nariz e sorriu vitorioso quando a loira finalmente fechou a boca, um rubor se espalhando pelo seu rosto. Ainda sem se afastar, Derek virou seu rosto para o lado, ainda mais perto de Davina. – Estava procurando você. Vamos?

Por um lado, Davina se sentia constrangida com a proximidade de Derek. Os dois não haviam conversado sobre o relacionamento que ficara no passado e Ackerman não sabia o que ele pensava que poderia acontecer agora que estava de volta. Mas ao mesmo tempo era maravilhoso que Derek estivesse novamente ao seu lado, disposto a lhe defender. Era um pensamento egoísta, mas Ackerman estava feliz em ter pelo menos um amigo de volta.

- Vamos. – Davina confirmou com um aceno da cabeça, sentindo os olhares de todos sobre si.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sex Jun 10, 2016 4:00 am

Os olhos de Andrew se arregalaram e ele chegou a dar um passo na direção de Derek e Hyacinth. Foi por muito pouco que ele não esticou o braço e impediu o toque da ruiva no rapaz, em uma cena que certamente seria muito mal interpretada pelo recém chegado.

Era ruim o bastante ser flagrado no quarto de Hyacinth e Davina, a sós com a ruiva e com o rosto choroso dela, que indicava claramente que algo muito sério estava acontecendo ali. Hale certamente interpretaria seu gesto como um ataque louco de ciúmes, sem desconfiar que seu real motivador era o medo do que aquilo poderia provocar em Westphal.

Ninguém ainda tinha certeza de quantos poderes Hyacinth conseguiria absorver e de como seu corpo reagiria com tantas mutações, o que tornava aquela atitude impensada e provocativa completamente irresponsável.

Embora absorvesse a mutação no mesmo nível que seu original dono, o poder próprio de Hyacinth ainda era muito recente e tinha o que evoluir, de modo que era uma grande dúvida até onde seu corpo aguentaria, aumentando o risco de rejeitar aquela mutação.

Era uma grande surpresa rever o ex-namorado de Davina depois de tanto tempo e ao contrário do que Hale desconfiava, Dana não havia compartilhado aquela novidade prematuramente. A tutora provavelmente já estivesse se decidindo em afastar Ackerman e achava desnecessário lhe contar seus planos para o futuro.

Apesar da surpresa, toda a tenção de Andy estava voltada para Hyacinth. Era a primeira vez que ele via aquele olhar desafiador nas íris azuis, e embora achasse que a ruiva ficava deslumbrante com aquela atitude, ele se sentia imensamente incomodado que ele fosse o desafiado.

Andrew sentia vontade de puxar Hyacinth pelo braço, obriga-la a se sentar e escutar um discurso sobre irresponsabilidades por horas a fio, mas a presença de Derek o impedia de qualquer atitude mais íntima.

- Achei que seu maior sonho era ter um poder que pudesse ajudar as pessoas. – Uma das sobrancelhas grossas de Ackerman foi erguida, entrando naquele desafio. – Já está pensando em quebrar ossos? Você está aqui para evoluir, Srta. Westphal, e não o contrário.

Andrew não se lembrava de ter chamado Hyacinth por “senhorita” em nenhum momento desde a chegada da ruiva, mas o comportamento infantil dela lhe obrigava a assumir uma postura mais fria.

Antes que aquela discussão pudesse se prolongar, Andrew desviou o olhar para Derek, tentando minimizar o estrago daquele flagrante.

- Também vim procurar a Davina, mas a Srta. Westphal disse que ela já desceu.

O olhar de Derek, passeando entre o casal, demonstrava que ele não acreditava naquela versão da história, mas que também não tinha a menor intenção de se intrometer em assuntos que não lhe diziam respeito.

- De qualquer forma, se você a encontrar antes de mim, peça para me procurar. Preciso me despedir dela antes de ir.

Pela primeira vez desde que surgiu naquele quarto, Hale não conseguiu refrear sua curiosidade, enrugando a testa.

- Se despedir? Onde você vai?

Um sorriso triste surgiu nos lábios de Andrew quando ele enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans. O contraste de seu moletom cinza com as roupas pretas de Derek formava uma visão curiosa.

- Vou passar um tempo fora. Uma especialização na Alemanha.

- Achei que você tivesse começado aqui há pouco tempo.

Andrew concordou com um movimento da cabeça, mas acrescentou, lançando um rápido olhar na direção de Hyacinth.

- Acho que percebi que não tenho talento para ser tutor. Essas crianças são irresponsáveis demais e acham que tudo isso é uma grande brincadeira.

Mais uma vez, Hale pousou o olhar brevemente em Hyacinth e de volta a Andrew, sabendo que estava acontecendo mais coisa ali do que ele era capaz de enxergar. Como não pretendia piorar a situação, ele apenas meneou a cabeça em concordância.

- Fiquei sabendo da menina que não resistiu a mutação. Isso deveria ser estímulo o bastante para que todos levassem bem a sério a evolução.

- É, deveria. – Andrew se limitou a dizer, o olhar duro preso em Hyacinth.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Sex Jun 10, 2016 4:09 am

Há alguns meses, Kevin Templeton era capaz de se divertir com o comportamento de Aphrodite. Era muito fácil rir das alfinetadas ácidas da loira e se distrair com os decotes dela e com suas saias assombrosamente curtas. Willis era a personificação da garota perfeita para Kevin. Era linda, usava roupas que realçavam suas curvas, não impunha limites para as mãos dele e não exigia um relacionamento sério.

Agora, contudo, era muito difícil conter as caretas diante da lamentável exibição protagonizada por Aphrodite no refeitório. Tudo o que Templeton via quando encarava a garota a seu lado era uma pessoa fútil, superficial e cruel. Nem mesmo a inegável beleza de Willis conseguia compensar a podridão do seu comportamento.

Depois do fim traumático do namoro com Davina, Kevin queria desesperadamente voltar a ser o velho Templeton do passado. Ele era um excelente ator e conseguia convencer a todos ao seu redor de que estava feliz com os rumos tomados pela sua vida, mas era tolice tentar enganar a si mesmo. Por dentro, Kevin se sentia completamente arrasado.

O sentimento que ainda nutria por Ackerman havia mudado suas estruturas de forma definitiva. Por mais que Templeton se esforçasse para retomar o comportamento que tinha no passado, ele jamais conseguiria ficar feliz e satisfeito com aquele estilo de vida. O velho Kevin havia morrido depois que Davina entrara no coração dele.

Como se o destino quisesse zombar de Templeton e lembrar a ele os motivos pelos quais Aphrodite estava a seu lado, Derek Hale surgiu na mesa. Nem mesmo todo o esforço do mundo faria com que Kevin mantivesse o sorriso tranquilo que vinha forçando durante todo aquele dia. Uma sombra cobriu seus olhos enquanto o rapaz encarava o rival.

Não havia como negar que Hale tinha as suas qualidades. Sua aparência era agradável, os músculos certamente atraíam a atenção das meninas. O fato de ser mais velho também lhe dava um ar de maturidade que nem mesmo o transmorfismo daria a Templeton. A habilidade de Derek podia não ser uma das mais raras ou sofisticadas, mas era inegavelmente útil.

Contudo, o que mais incomodava Kevin era o passado que unia Derek e Davina. Templeton nunca havia questionado Davina sobre o ex-namorado, mas agora lhe parecia óbvio demais concluir que Ackerman nunca o esquecera. Os dois tinham muito em comum e haviam enfrentado muitas dificuldades juntos. O monstro do ciúme crescia dentro do peito de Templeton sempre que o rapaz deixava a imaginação fluir e tentava prever tudo o que Davina havia vivido ao lado do ex-namorado.

O retorno de Derek só provava que o relacionamento deles não havia ficado no passado. E era doloroso pensar no quanto eles pareciam perfeitos juntos. Hale poderia oferecer à garota toda a estabilidade e a confiança que ela nunca sentiu por Templeton.

- Vocês são perfeitos um para o outro...

A voz de Aphrodite verbalizou a verdade que torturava a mente de Kevin diante daquela cena. A entonação usada pela loira, carregada de ironia, deixava bastante claro que a declaração não era um elogio amigável.

- Ainda acho que você merecia algo um pouquinho melhor, Hale. Mas, no fundo, vocês combinam. Espero que você consiga ajudá-la com essa mutaçãozinha medíocre dela. A última coisa que esta escola precisa é de mais uma aluna se desmanchando em sangue. – Willis ergueu um dos ombros antes de pousar um olhar frio em Davina – Eu gostava da Sam, mas não sei se sujaria as minhas mãos de sangue por você.

Aquilo foi demais até mesmo para Kevin. Todos lançaram olhares assombrados para Willis, sem acreditar no que ela estava dizendo. Sua atitude nobre com Samantha Richards havia surpreendido os colegas, mas Aphrodite mostrava que ainda era a mesma pessoa cruel de sempre ao insinuar que não moveria um dedo para amenizar a dor da caçula dos Ackerman caso Davina tivesse o mesmo destino infeliz de Sam.

Hugo se ergueu junto com Davina e puxou a sua bandeja. O olhar duro dele foi pousado em Kevin antes que o rapaz murmurasse.

- Enquanto “ela” estiver aqui, eu não vou comer mais com vocês.

Depois de indicar Aphrodite com um movimento de cabeça, Hugo levou a sua bandeja até o outro lado do refeitório e sentou-se com outro grupo de colegas, embora o seu apetite tivesse se dissipado por completo depois daquela conversa indigesta.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sex Jun 10, 2016 4:39 am

Quando Andrew se referiu aos alunos da mansão como “crianças” e dirigiu aquele olhar desafiador para Hyacinth, os olhos da ruiva se estreitaram. Inconscientemente, ela fechou os punhos com tanta força que suas unhas afundaram a pele de suas mãos, fazendo ali várias marquinhas em formato de meia-lua.

O maior desejo de Hyacinth era absorver logo toda a força de Derek para usá-la contra Andrew. Por dentro, a ruiva explodia com o desabafo preso em sua garganta. O que Westphal mais queria era questionar se Ackerman achava que ela era uma criança quando a arrastara para a cama dele na noite anterior.

A presença de Derek impossibilitava aquela explosão da garota, mas o olhar gelado que ela lançou ao antigo tutor falava por ela. Era impressionante como Andrew havia conseguido destruir em poucos minutos todo o amor, a admiração e a confiança que Hyacinth nutria por ele.

- A Samantha era fraca.

A declaração firme de Westphal não condizia com a imagem que Richards deixara na mansão. Aos olhos de todos, Samantha sempre fora uma aluna exemplar, com um poder evoluído e com um destino brilhante pela frente. Hyacinth havia convivido pouquíssimo tempo com a colega, mas parecia bastante certa do que falava quando completou.

- De nada adianta uma mutação forte em uma mente frágil. Ela sucumbiu porque não era forte o bastante. Mas a morte dela ao menos nos serviu como lição. Eu não serei fraca como ela. Samantha é a prova de que nem mesmo o melhor tutor desta escola é capaz de salvar ninguém. Tudo isso é uma grande farsa.

Quando seus lábios articularam as palavras “tudo isso”, os olhos azuis deslizaram pelo ambiente ao seu redor. Era óbvio que Hyacinth estava se referindo à mansão como um todo e à proposta dos tutores em ajudar os jovens a sobreviverem às mutações. Intimamente Westphal não acreditava nas palavras que saíam de sua garganta, mas ela sentia uma necessidade desesperada de atingir Ackerman e de mostrar ao rapaz que ela não cumpriria a promessa de ser responsável com a própria evolução.

Ao notar que o clima entre os dois estava mais pesado a cada segundo, Derek logo se despediu e saiu do dormitório das meninas, deixando a porta entreaberta, exatamente como ele a encontrara.

Sem dizer mais nenhuma palavra, Hyacinth deu as costas a Andrew e caminhou até a penteadeira colocada no espaço que dividia as duas camas. De dentro de uma caixinha de música, a ruiva retirou o par de brincos que ganhara de Andrew. Seus olhos azuis se refletiram nas safiras por alguns poucos segundos antes que a garota desviasse o olhar e voltasse para perto de Ackerman.

- Acho que será mais útil para você. Talvez você consiga impressionar alguma alemã tola com seus presentes caros e suas palavras falsas.

Sem dar a Andrew a chance de se recusar a pegar as joias, Hyacinth se aproximou apenas o bastante para enfiar os brincos em um dos bolsos do moletom dele.

- Eu não quero mais nada que venha de você, Ackerman. Infelizmente não consigo devolver o seu poder, mas posso prometer que nunca mais irei usá-lo. – os lábios da ruiva se curvaram num sorriso sem emoção – Eu mudei de ideia quanto a usar os meus poderes para ajudar as outras pessoas. Era só um sonho de “criança”.
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Re: Escola de mutantes

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