Escola de mutantes

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Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sex Maio 27, 2016 6:58 pm

Educação Física nunca havia sido a matéria preferida de Hyacinth Westphal, mas naquele dia a aula parecia ainda mais insuportável. A cabeça dela doía. Doía muito. Hyacinth só costumava ter dores de cabeça próximas ao fim do ciclo menstrual, então aquela dorzinha chata não deveria estar ali naquela tarde.

Era outono, então a jovem também não poderia culpar o calor por tamanho mal estar. Apesar do esforço para se manter imóvel enquanto as colegas brigavam para acertar a bola de vôlei, Hyacinth suava mais que todas as garotas juntas. Durante muitos minutos, a ruiva lutou bravamente para se manter ao menos de pé, mas a dor se agravava e todo o seu corpo começou a reclamar. Uma grande gripe parecia estar a caminho.

- CINTY!!!

Ela não sabia explicar como fora parar no chão. Quando abriu os olhos, o professor de Educação Física a erguia nos braços e corria para fora da quadra. Os ouvidos dela capturavam apenas expressões soltas.

- ... ardendo em febre!

- ... convulsões!

- Nunca vi uma febre tão alta!

- ... morrendo???

- Liguem para... ou para o consultório...

- Dentista... pai dela...

Algum tempo se passou depois que os olhos de Hyacinth se fecharam. Ela não saberia dizer se foram alguns minutos, horas ou dias. O fato é que, quando abriu novamente os olhos, ela estava no hospital. Mais especificamente em uma UTI. Estava frio, muito frio. Os fios de vários aparelhos estavam ligados ao corpo frágil e dolorido da garota. Ela ouvia os “bips” tanto dos aparelhos ao seu lado quanto daqueles ligados aos pacientes que, assim como ela, estavam morrendo.

Uma suave carícia em sua mão mostrou a Hyacinth que ela não estava sozinha. Ali estava seu pai, desfigurado como qualquer homem estaria diante da única filha numa cama de UTI. A vida nunca havia sido muito justa com o Sr. Westphal. Seu grande sonho de menino era se tornar um escritor, mas a falta de apoio da família praticamente o obrigou a seguir os passos do pai. Ele era um ótimo dentista, mas sempre carregaria consigo a frustração de nunca ter tentado a sorte na vida literária.

O segundo golpe fora o casamento. Os pais de Hyacinth se amavam com loucura e teriam tido um casamento longo e feliz, se não fosse por um trágico acidente de carro que transformou o Sr. Westphal em um homem viúvo, com uma filha de dois anos para criar.

Hyacinth se tornou a única razão pela qual Bruce Westphal vivia. Ele a amava e tinha um profundo orgulho da filha. Cinty era doce, inteligente, carinhosa e possuía um humor ácido. Era uma cópia perfeita da mãe, que estava ali para não deixar que o pai enlouquecesse de dor e de solidão.

O que Westphal nunca imaginou era que veria a filha, no auge de seus dezesseis anos, entregando a própria vida em uma cama gelada de UTI, sofrendo com uma doença inexplicável. Nenhum dos médicos daquele maldito hospital sabia dizer por que a febre de Hyacinth não abaixava, por que seu corpo todo tremia, por que seus dados vitais no monitor pareciam mais fracos a cada minuto!

- Oi... – Bruce tentou forçar um sorriso, mas o rosto manchado por lágrimas e a voz engasgada traíram o homem – Está tudo bem, querida. Você vai ficar bem.

Foi naquele instante que Hyacinth soube que morreria. Não por causa das dores, nem da febre, tampouco dos aparelhos que apitavam ou por causa do tubo enfiado em sua garganta. Ela soube que estava morrendo porque o pai sempre fora um péssimo mentiroso. As coisas não iam melhorar, nada ia ficar bem.

Embora nunca tivesse feito planos muito elaborados para o futuro, Hyacinth jamais pensou que morreria tão cedo. Era esquisito pensar na morte. Jovem e saudável até aquela fatídica tarde na Educação Física, Cinty Westphal nunca havia parado para pensar em como seriam as coisas após a morte.

Seja qual fosse o segredo da morte, a ruiva achou que estava prestes a descobrir. Mesmo com um tubo atravessando sua garganta, Hyacinth conseguiu gritar quando uma onda forte de dor a atingiu. Seu corpo foi tomado por uma convulsão, os aparelhos começaram a apitar e uma luz vermelha piscou acima de sua cama.

Várias pessoas vestindo capotes e máscaras brancas surgiram. Bruce foi arrancado de perto da filha enquanto médicos e enfermeiros tentavam reanimá-la. A massagem cardíaca parecia ser potencialmente dolorosa, mas Hyacinth era incapaz de dar atenção a qualquer outra dor que não fosse as pontadas insuportáveis em sua cabeça.

Vários membros da equipe médica ficaram chocados ao conferirem o monitor. O coração de Hyacinth batia trezentas vezes por minuto. O oxigênio em seu sangue estava próximo do zero apesar do tubo que levava o ar direto para seus pulmões. E a temperatura da menina chegava próxima aos cinquenta graus. Todos os esforços ainda estavam sendo feitos para estabilizá-la quando a cabeça de Hyacinth tombou para o lado. Seus olhos trêmulos avistaram a lamentável figura parada à porta da cabine de UTI.

Bruce estava de joelhos e tremia quase tanto quanto a filha por causa dos soluços desesperados que escapavam de sua garganta. Pai e filha se encararam por alguns segundos e Bruce foi a última coisa que Hyacinth viu antes que suas pálpebras caíssem. O monitor cardíaco se transformou em uma linha reta e o bip se tornou contínuo e mais grave. Aquele era o ruído da morte.

Os médicos mantiveram os esforços por mais alguns minutos até que desistiram. Uma das enfermeiras retirou o tubo da garganta de Hyacinth com cuidado, como se a garota ainda fosse capaz de sentir dor. Uma segunda enfermeira secou o suor do rosto dela e ajeitou seus cabelos. Os fios foram desconectados e cobriram o corpo com um lençol branco, deixando a cabeça descoberta para que o pai se despedisse de Cinty antes que seu corpo tivesse que ser levado dali.

Bruce foi deixado sozinho para que tivesse privacidade, mas também porque a dor dele era tão grande que sufocava os demais. Hyacinth havia ficado cinco dias internada, mas o pai ainda se lembrava com perfeição da última manhã feliz vivida ao lado dela. A menina acordara atrasada para o colégio e tomou o café da manhã em pé, apoiada no balcão da cozinha.

“Sente-se para comer, Cinty. Senão a comida desce toda para os seus pés. Seus pés ficarão gordos e nenhum sapato te servirá. Terá que sair com chinelos.”
“Estou atrasada!”- a menina engoliu o último pedacinho de pão – “Ou tomo café direito ou escovo os dentes! Como dentista, eu acho que já sei qual seria a sua escolha.”
“A minha escolha seria acordar mais cedo amanhã!” – Bruce gritou enquanto a filha já corria para o banheiro.
“Te amo, pai!”


Bruce não havia respondido naquela manhã porque estava mastigando e porque a filha logo se trancou no banheiro. E como ele se arrependia agora por não ter corrido até a porta do banheiro e gritado um “Eu também te amo, filha!”.

- Eu te amo...

Não era a mesma coisa dizer aquilo para um cadáver. Será que Hyacinth o escutaria de algum lugar ou aquela declaração se perdera?

As mãos trêmulas de Bruce tocaram o corpo da filha. Ela ainda estava quente devido à febre alta, mas era horrível pensar que, em alguns minutos, ela estaria tão gelada quanto aquele ambiente.

- Por que você a tirou de mim...? – a voz de Westphal soava num sussurro dolorido. Ele falava como se tivesse mais alguém naquele lugar – Ela foi só o que me restou depois que você se foi, Rachel. Você não tinha o direito de vir buscá-la agora!

Pela primeira vez, Bruce sentiu um ódio irracional da falecida esposa. Ele não era mais um marido, e agora também deixara de ser um pai. Tornara-se apenas um homem sozinho e fracassado, que seria obrigado a acordar todos os dias e trabalhar numa profissão que ele detestava antes de retornar para uma casa vazia e fria.

A dor era tão grande que Bruce simplesmente não notou que a porta estava fechada e que isso não atrapalhou a entrada daquele homem na cabine da UTI. Aliás, o homem sequer surgira na direção da porta. Ele simplesmente atravessou a parede lateral, que dava para a área externa do hospital.

- Nós precisamos levá-la daqui.

Bruce ergueu a cabeça, estranhando o sotaque esquisito do “enfermeiro”. O homem alongava os “R’s” como se fosse francês. Westphal não havia ouvido aquela voz nos últimos cinco dias que passara ao lado da filha.

- Ainda não terminei de me despedir.

Só então, Bruce notou que não estava diante de um enfermeiro. O homem não usava o capote da UTI, tampouco o uniforme do hospital. Vestia uma calça social preta, uma camisa cinza de mangas compridas e, definitivamente, não parecia fazer parte daquele lugar.

- Quem é você?

- Penso que poderíamos deixar as apresentações para outro momento. Temos pouco tempo.

- Do que está falando???

- Vamos tirá-la daqui.

- Não ouse tocar na minha filha!!!

Bruce chegou a se inclinar na direção do botão de emergência, mas um alarme de incêndio ensurdecedor fez com que o homem parasse no meio do caminho. As luzes do hospital piscaram e gritos ecoaram pelos corredores. Dali, os dois escutaram os geradores de energia sendo ligados. A energia externa havia falhado, mas os geradores conseguiriam manter as máquinas ligadas por algum tempo.

- Vamos, nós só temos alguns minutos!

Bruce ficou sem reação enquanto o estranho arrancava Hyacinth da cama. Sem muitas escolhas, o homem seguiu os dois para fora da UTI.

Todo o hospital estava em pânico com aquela falha de energia e com a ameaça de incêndio. Havia muita gente correndo de um lado para outro no corredor, então ninguém deu muita atenção aos dois homens que passaram carregando uma mocinha.

- QUEM É VOCÊ? – Bruce perdeu a paciência e gritou enquanto corria alguns passos atrás daquele estranho – O que quer com o corpo da minha filha?

Bruce esperava ouvir qualquer coisa, menos aquilo. Aquelas eram as palavras que ele mais queria escutar naquele momento.

- Não quero nada com o “corpo” da sua filha. Ela não está morta! Eu só quero tirá-la daqui antes que os médicos percebam isso!

- Você é louco...? De onde você surgiu???

Os dois foram obrigados a interromper aquela insana corrida pelos corredores quando chegaram a uma porta que dava acesso às escadas dos funcionários. Era uma excelente opção de fuga, mas era o tipo de porta que só podia ser aberta por dentro.

- Está trancada.

- Não está. A maçaneta não tem tranca, está do outro lado.

- Ah, sim. – Bruce ironizou – Quer que eu atravesse a parede e abra a porta pra você?

- Você não conseguiria fazer isso. – o sorriso do homem foi igualmente irônico – Mas eu consigo. Fique aqui.

Hyacinth foi passada para os braços do pai. Bruce teria até tentado fugir dali com a filha, mas ficou completamente sem reação quando o francês cumpriu a promessa. Diante dos olhos de Westphal, o homem simplesmente atravessou a porta fechada como se ela fosse apenas uma cortina de fumaça.

Bruce estava em completo choque quando a porta foi aberta por dentro e o homem fez sinal para que ele o seguisse.

- A propósito, meu nome é Chevalier.

- Você.... VOCÊ ATRAVESSOU A MALDITA PORTA!

- Que tal guardar os escândalos para depois? Só temos alguns minutos até notarem que não há incêndio. Vão religar a energia e as câmeras de segurança, e então será impossível sair do prédio de forma discreta. Eu não farei mal algum a vocês, eu só quero ajudá-la.

Chevalier não deu mais detalhes, mas a intensidade em sua voz foi o bastante para que Bruce acreditasse nas boas intenções dele. Os dois homens seguiram pelas escadas até alcançarem o estacionamento dos funcionários. Uma blazer preta acendeu os faróis e ligou os motores tão logo avistou os três.

Em questão de dois minutos, Bruce se viu no banco traseiro do carro, carregando o corpo sem vida da filha. Chevalier se acomodou no banco da frente e a motorista, uma mulher loira, saiu dali cantando os pneus.

- Vocês demoraram! – a mulher rosnou – Não sei por quanto tempo o Megale conseguiria sustentar a energia do prédio inteiro!

- O pai estava na UTI com a garota, ele criou problemas.

Só então, a loira olhou o espelho central do carro e viu Bruce. Ele abraçava o corpo da filha e parecia absolutamente aterrorizado. A motorista relaxou um pouco quando o carro alcançou a rua e se afastou vários metros do hospital.

- Acalme-se. Está tudo bem. Meu nome é Dana, este é o Chevalier. Estamos aqui para ajudar a Hyacinth.

- Vocês... vocês podem trazê-la de volta à vida?

- Não. – Dana abriu um sorriso doce – Mas isso não será necessário, porque a Hyacinth não está morta.

Tudo aquilo foi demais para Bruce. Mesmo sabendo que estava diante de seres com poderes incalculáveis, o homem explodiu.

- Parem já este carro! Isto é loucura! Minha filha está morta! O coração dela não bate, ela não me escuta, não reage! Eu tenho o direito de me despedir dela de forma decente, tenho o direito de enterrá-la!

- Sr. Westphal, acalme-se...

- Não entendo o que está havendo aqui, mas eu NÃO QUERO FAZER PARTE DESTA LOUCURA!!!

- Sr. Westp...

- EU MANDEI PARAR O CARRO!

- Pai?

Bruce só notou que os olhos de Hyacinth estavam abertos quando ouviu a voz dela. A ruiva estava gelada, pálida, mas seu coração milagrosamente voltara a bater. Cinty estava acordada e encarava o pai com uma nítida confusão. Os olhos dela, que sempre foram castanhos, agora brilhavam com um lindo tom de azul.

- O que está acontecendo?

- Nós vamos explicar tudo, Hyacinth. – Dana soou tranquila e voltou a atenção para o trânsito – Mas não aqui. Vamos te levar para um lugar especial. Um lugar que eu acho que você vai adorar.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Maio 27, 2016 8:35 pm

As grossas gotas de chuva respingavam no vidro, dificultando a visibilidade da área externa da mansão. As montanhas que cercavam seu terreno estavam completamente invisíveis com as nuvens pesadas, o gramado sempre tão verde estava encharcado e começavam a aparecer buracos enlameados em determinados pontos.

Ainda assim, a suntuosa mansão era exibida ao centro como um gigante imóvel e inabalável. Em seu interior, perfeitamente aquecida e seca, Davina Ackerman encarava a janela tediosamente, protegida entre as paredes do seu quarto.

Embora não fosse exatamente a sua casa, o seu canto na escola interna havia se tornado o seu lar nos últimos dois anos, de modo que a menina jamais hesitaria em chamar aquele quarto de seu.

A porta estava aberta, permitindo que a luz amarelada do corretor projetasse sombras em seu carpete, mas ainda assim, Andrew Ackerman anunciou sua chegada batendo os nós dos dedos sobre a madeira, obrigando a irmã caçula a se virar para encará-lo.

- Foi você que fez isso?

Não havia repreensão na voz arrastada do rapaz, mas uma sincera curiosidade quando ele se encostou no batente, cruzando os braços contra o peito.

Davina não precisava de muitos detalhes para entender ao que Andrew se referia. Sempre que o clima mudava repentinamente, era comum que os outros moradores da mansão desconfiassem que ela tinha alguma responsabilidade, porque assim como a menina, cada um dos habitantes também tinha sua particularidade.

Enquanto alguns atravessavam paredes, ou exibiam super-força, ou eram capazes de explodir objetos apenas com o olhar, Davina era capaz de controlar o tempo. Ao menos assim deveria ser, mas contrariando as constantes suspeitas dos demais, Davina ainda não era capaz de causar uma tempestade como aquela.

- Foi. – A menina mentiu, balançando um ombro enquanto deslizava até sua cama. – Não estava com vontade de educação física hoje.

A confissão teve o efeito contrário ao esperado em Andrew. O rapaz baixou os olhos e encarou o carpete, com a certeza absoluta de que a irmã estava mentindo. Ele conhecia Davina o suficiente para saber que ela preferiria mentir sobre aquilo do que admitir que ainda não era forte o bastante.

- Engraçado... Foi exatamente o que os meteorologistas previram também. – Andrew ergueu um jornal dobrado na sessão do tempo, obrigando Davina a revirar os olhos.

- Por que perguntou então, idiota?

A acidez da irmã fez com que Andrew abrisse um sorriso. Por fim, ele entrou no quarto e sentou na cama vazia ao lado da de Davian. O colchão estava exposto, ao contrário dos lençóis azuis que a caçula havia escolhido, e a parede ao seu lado também estava crua, aguardando a decoração de sua próxima moradora.

- Você não deveria falar assim com um professor. Regras da escola.

Uma almofada cortou o ar quando Davina a arremessou em direção ao irmão com uma força além da necessária.

- Você é professor há... o quê? Trinta minutos? Como já pode ser tão babaca?

Andrew ergueu as palmas das mãos para o teto, como se estivesse tentando se defender.

- Você sempre me chamou de babaca. Isso não mudou só porque virei professor.

Uma das sobrancelhas finas de Davina se ergueram e ela pareceu pensativa antes de concordar com um movimento da cabeça.

- Certo, você sempre foi um babaca. Agora é só um professor babaca.

- Embora eu pudesse ficar a tarde inteira aqui escutando você me insultar, Dana está de volta.

Pela primeira vez desde a chegada de Andrew, Davina pareceu mais séria e atenta ao assunto. O retorno de Dana era aguardando com ansiedade por todos, pois sempre que a mulher saía em missões, todos sabiam que era provável que ela retornasse com mais um “humano com particularidades”.

- Ela voltou sozinha? – Davina perguntou, deixando a curiosidade transparecer em seu tom de voz.

- Não. Chevalier disse que trouxe uma menina, mas que está meio mal.

Novas batidas na porta obrigaram os dois a se virarem, desta vez encontrando um dos alunos mais novos.

- Professor Ackerman? – A vozinha tímida do menino de treze anos fez com que Andrew sorrisse, o encorajando a continuar. – A Srta. Dana está chamando o senhor. Disse que precisa de ajuda com a menina nova.

- OK Toby, já estou indo.

Os dois irmãos deixaram o quarto com passos apressados, mas enquanto Davina ficou para trás, no saguão da escola onde os demais alunos começavam a se reunir, Andrew seguiu o corredor até a enfermaria, onde ele sabia ser o único lugar que poderia ajudar naquele momento.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Sex Maio 27, 2016 9:10 pm

- Uma gatinha ruiva. Se parecia tão bonita com aquele olhar assustado e usando uma camisola de hospital, imagino que ficará deslumbrante depois que sair da enfermaria. Com certeza ela alcançará o topo da minha lista!

A descrição nada sutil acerca da novata veio dos lábios de Kevin Templeton. Ao contrário do que seria normal, ninguém se espantou com os comentários fúteis do garoto. Aliás, os colegas se espantariam se uma garota nova entrasse para a escola e não chamasse a atenção de Kevin. O rapaz vivia ali há cerca de um ano e já acumulava várias conquistas.

Várias razões explicavam o sucesso de Templeton com as meninas. Embora fosse um galanteador e um cafajeste declarado, Kevin tinha um inegável charme. Ele era esperto o bastante para dizer as palavras certas para qualquer tipo de garota, possuía um sorrisinho desconcertante e tinha também toda uma aura de mistério que atraía o interesse feminino. Graças ao seu poder de mutação, também era fácil se moldar às preferências de cada uma de suas “vítimas”.

Com exceção de Chevalier e Dana, que haviam recrutado Templeton há pouco mais de um ano, ninguém mais naquela mansão saberia dizer ao certo qual era a real aparência do rapaz. Quando pisou na escola, Kevin já tinha um controle bastante refinado de seus poderes e conseguia mudar com facilidade a cor dos olhos, a textura dos cabelos, os traços e as formas de seu corpo.

Embora geralmente mantivesse o mesmo padrão e só mudasse por completo a fisionomia em raras ocasiões, ninguém poderia dizer se o “verdadeiro” Templeton era mesmo aquele rapaz alto, com cabelos castanhos ondulados, olhos verdes e traços bonitos. E aquele mistério parecia atrair ainda mais garotas, muitas vezes interessadas em uma aventura com um rapaz que poderia assumir qualquer forma que elas desejassem.

No começo, Kevin sentia-se um pouco ofendido com alguns pedidos. Mas ele logo se convenceu que a melhor saída era se divertir com aquele jogo. Enquanto as meninas realizavam o sonho de beijar um astro do cinema ou um cantor famoso, Templeton adicionava mais alguns nomes a sua interminável lista de conquistas.

A última “vítima” do rapaz fora justamente a antiga colega de quarto de Davina Ackerman. Antes de concluir seu preparo e sair da escola, a garota havia mergulhado de cabeça num relacionamento com Kevin e não foram poucas as vezes que chorara no colo da colega de quarto após uma sucessão de decepções. Melhor do que ninguém, Davina sabia que Templeton não merecia a confiança de nenhuma garota.

- Os tutores pareciam preocupados. – uma das garotas mais antigas na escola comentou com uma ruguinha de preocupação entre os olhos – E ela estava pálida como um fantasma. Espero mesmo que ela fique bem...

- Já temos alguma dica sobre o poder dela? – a pergunta veio do mesmo garoto de treze anos que chamara por Andrew no quarto da irmã.

- Nada. – Kevin fez uma pequena careta – Ela passou por aqui caminhando, com a Dana e um outro homem a amparando. Parecia bem fraca e abatida. Provavelmente será mais uma que esquentará os bancos desta escola por muitos anos...

O comentário de Templeton foi maldoso, mas ele não teve a intenção de atingir Davina. Aliás, quando notou que a menina estava por perto, Kevin desviou o olhar com um semblante sem graça depois de ter dado aquele fora.

Não era segredo para ninguém que os alunos evoluíam com velocidades bastante distintas. Enquanto alguns alunos como Templeton já estavam próximos do auge de sua mutação depois de somente um ano de treinamento, outros jovens precisavam de mais tempo.

Os Ackerman eram conhecidos por possuírem poderes grandiosos e por atingirem o auge da mutação em poucos meses. O próprio Andrew só precisou de oito meses naquela mansão até dominar por completo os seus dons. Por isso, era estranho e muito desconfortável que Davina estivesse tão longe de se tornar uma mutante madura.

- E aí, o que está havendo lá dentro? – Kevin se voltou para um colega que vinha desenvolvendo o dom da audição.

- Eu conseguiria ouvir melhor se vocês ficassem quietos.

Logo a curiosidade dos alunos conseguiu fazer com que o saguão da mansão ficasse profundamente silencioso. Com os olhos fechados, o rapaz tentou se concentrar no que acontecia do outro lado da parede, onde ficava a enfermaria. As vozes ainda soavam muito distantes, mas a cada dia a audição dele se tornava mais apurada.

- Ela está com muita dor de cabeça, mal consegue falar. – o colega se virou para Davina – Chamaram o seu irmão para tentar ajudar nisso.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sex Maio 27, 2016 9:43 pm

Quando Andrew Ackerman alcançou a enfermaria da escola, seu coração estava acelerado e ele podia sentir a pulsação no pescoço, mas seu semblante tranquilo era incapaz de transparecer a ansiedade que ele sentia.

Esconder seus medos e sentimentos mais frágeis era uma grande especialidade que vinha junto com o sobrenome Ackerman. Além da habilidade em exibir máscaras de felicidades para quem quer que fosse, como se fossem intocáveis, os Ackerman também passavam o gene da mutação adiante há alguns anos. Andrew e Davina formavam a terceira geração da família com talentos especiais.

Enquanto a irmã caçula ainda aprendia como administrar suas habilidades em controlar o tempo, Andrew havia nascido com o talento que tanto orgulhava a família, representando exatamente a ideia de que eles não poderiam ser tocados. Com seu DNA regenerativo, o pequeno Andy havia mostrado ainda criança o quão promissor seria seu futuro, sempre que um machucado, provocado por uma brincadeira mais travessa, se curava em questão de segundos.

Com o passar dos anos e os treinamentos necessários da escola especial para aqueles que tinham o DNA mutante, Andrew havia se tornado um homem maduro e com perfeito controle sobre suas habilidades.

Seu grande desempenho e talvez com um pouco de influencia da família, Ackerman havia conseguido a confiança necessária para regressar a escola agora com o cargo de professor, com a missão de ajudar as novas gerações a controlarem os mais bizarros talentos que a vida resolvera lhes presentear.

Embora ainda fosse relativamente novo para um cargo tão influente, Andrew tinha certeza que não poderia estar mais satisfeito. Tendo a irmã caçula como modelo, tudo o que ele queria era ser capaz de passar confiança aos mais jovens, para que eles pudessem evoluir com melhor controle o quanto antes.

Por mais fácil que tivesse sido sua trajetória, Davina mostrava que o caminho não era tão simples para todos e que muitos precisariam de ajuda.

Apesar do domínio completo em se curar, Andrew vinha trabalhando arduamente para evoluir ainda mais. Para a família, aquele era mais um motivo de orgulho, como se o primogênito estivesse sendo movido pela ambição de crescer. Mas os reais motivos do rapaz eram mais nobres do que os pais poderiam imaginar.

Era frustrante sair ileso de um corte de faca ou de um tombo da escada, sabendo que muitos outros adoeciam dia após dia, sem que os remédios ou toda a medicina avançada pudesse evitar o fim inevitável. Andrew só queria ser capaz de poder minimizar aquele lado tão triste do mundo, e foi com este incentivo que ele passou a se esforçar em conseguir curar não apenas a si mesmo, mas aos que o rodeavam também.

Por aquele motivo, Andrew se sentia ansioso quando entrou na enfermaria naquela tarde. Aquele era um dos poucos lugares da mansão que ele não havia visitado em seus tempos de aluno, de modo que era sempre assustador ver os equipamentos ou sentir o ar gelado do lugar, como se já estivessem anunciando uma má notícia.

Porém, Andy não precisou perder muito tempo admirando a enfermaria. O cômodo tão branco parecia destacar os cabelos vermelhos da menina pálida sentada diante de Dana. Andrew sentiu o coração falhar uma batida ao perceber o quão abatida a menina trazida pela tutora estava, como se fosse desmaiar a qualquer momento.

Eram figuras como aquela menina que induziam Andrew a se esforçar e melhorar a cada dia.

- Ótimo, Andrew chegou. – Dana sorriu, mantendo a mão da menina segura na sua.

Forçando um sorriso tranquilo, Andrew se aproximou da tutora, passando o olhar pela menina e pela figura do homem atrás dela, que encarava a todos com grandes olhos arregalados.

- Andrew, esta é Hyacinth. – Dana apresentou, chegando para o lado para que o rapaz pudesse examiná-la melhor. – Ela está com uma forte enxaqueca, pensamos que poderia ajuda-la.

Os olhos castanhos de Andrew estavam fixos na ruiva quando ele ergueu a mão e a puxou pelo pulso, examinando rapidamente o ritmo dos seus batimentos. A pele fria de Hyacinth era mais um sinal de que seu sintoma não era uma simples enxaqueca.

- Hyacinth? – Andrew repetiu, tentando trazer a atenção da menina para si, para que ela pudesse tentar esquecer as dores. – É um nome bem difícil de se pronunciar.

- Nós a chamamos de Cinty. – O homem atrás dela se adiantou em dizer, atento aos menores movimentos de Andrew em sua filha.

- Cinty. Ótimo. Acho que assim você não vai precisar me corrigir a todo momento. – Andrew sorriu, erguendo a mão para tocar a têmpora úmida da ruiva.

Um dos sinais de que sua mutação ainda estava evoluindo, era exatamente a sensação de formigamento em seus dedos sempre que tocava a área ferida de alguém que tentava curar, como se seu corpo estivesse denunciando que era exatamente aquele ponto que precisava ser tratado.

Diferente das outras vezes, Andrew sentiu mais do que um formigamento. A sensação era idêntica a de pequenas agulhas sendo enfiadas sob suas unhas, mas ele não soube dizer se seria mais uma evolução ou se a dor de Hyacinth era tão intensa que se tornava mais sensível ao seu toque.

- Está bastante dolorida, não é? – Andrew soltou a testa da menina enquanto recebia um pequeno kit com luvas e agulhas de Dana. – Nós já vamos terminar logo com isso, está bem?

Sem grandes cerimonias, sem o devido cuidado que teria em um hospital, Andrew não se preocupou em virar as costas e evitar que a paciente e seu pai presenciassem quando ele vestiu as luvas e enfiou a agulha em sua própria veia, enchendo um pequeno tubinho com o próprio sangue.

Andrew esperava pelo dia que aquilo não fosse ser necessário, mas enquanto seu sangue era a única saída, ele não hesitaria em sentir uma pontada de dor, desde que tivesse resultados. Quando o tubo já estava cheio, a agulha deslizou para fora da pele do homem, e ele a ergueu na direção do pescoço da ruiva.

- O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO??? – O Sr. Westphal bradou, evitando que Andrew seguisse em frente.

- Estou tentando curar a sua filha. – Andrew respondeu sem se alterar, buscando os olhos profundamente verdes de Cinty.

Mesmo com a dor que a menina ainda sentia, Andrew pôde perceber que ela compreendia o que acontecia a sua volta. Ele se esforçou para sorrir docemente, tentando transparecer toda confiança possível.

- Isso vai fazer sua dor passar. Eu prometo. Posso?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sex Maio 27, 2016 10:21 pm

Parecia um grande e interminável pesadelo. As cenas se sucediam mais rápido do que o raciocínio de Hyacinth conseguia acompanhar, pessoas estranhas surgiam de todos os lados e, para seu grande espanto, coisas extraordinárias começaram a acontecer. Os olhos, antes castanhos e agora azuis, quase saltaram para fora do rosto da menina quando um braço simplesmente atravessou o banco para tocar o rosto dela.

- Ainda está febril. – Chevalier comentou com Dana, que ainda dirigia a blazer em uma estrada pouco movimentada que os levaria até uma mansão escondida pelas montanhas – Não acha que está demorando muito?

- Cada um tem seu tempo. – a voz de Dana soou com maturidade e serenidade – O que está sentindo, querida?

- Dor.

E aquela era a única coisa que convencia Hyacinth de que tudo aquilo não era apenas um pesadelo. A dor era intensa demais, ultrapassava qualquer limite que a ruiva conhecia. Era como se alguém estivesse enfiando dezenas de pregos em sua cabeça.

- Eu sei que é terrível, mas logo vai passar. – os olhos bondosos de Dana fitaram Hyacinth através do espelho central do carro – É a reação normal do corpo que sofre uma mutação. Logo todas as suas células vão incorporar o novo DNA e a dor vai melhorar. O exemplo é pobre, mas é como se fosse um vírus, um DNA diferente do seu que precisa invadir todas as suas células para comandar o seu corpo.

Aquilo não fazia o menor sentido e os olhos da menina refletiam uma profunda confusão quando ela encarou Bruce. O pai ainda a mantinha num abraço sufocante, como se tivesse medo de perder novamente a sua menina. Embora não estivesse entendendo nada, o Sr. Westphal não questionava mais. Tudo o que importava para ele era que Hyacinth estava ali novamente.

- Eu sou... como ele? – Hyacinth dirigiu os olhos para Chevalier, cujo braço ainda atravessava o estofado do banco.

- Sim. Assim que seu corpo aceitar a mutação, descobriremos do que você é capaz. – a loira abriu um sorriso para Hyacinth – Só sugiro que não fique tão impressionada com o professor Chevalier. Atravessar paredes está longe de ser a melhor das habilidades.

- Sinto uma pontada de inveja em suas palavras. – Chevalier zombou da colega – Qualquer um adoraria atravessar paredes de vez em quando.

- O que você faz? – a pergunta veio de Bruce e os olhos dele estavam fixos na motorista – Qual a sua habilidade?

Antes que Dana pudesse explicar o seu dom, a voz de Chevalier respondeu por ela de forma divertida.

- Ela tem a incrível habilidade de continuar atraente aos oitenta e oito anos de idade.

- Oitenta e sete. Agradeço o elogio, mas não é nada gentil aumentar a idade de uma dama, Chevalier. Aguente firme, Cinty. Nós já estamos chegando...

Definitivamente, Dana não aparentava ser uma senhora de oitenta e sete anos. Se Bruce fosse obrigado a chutar uma idade para a loira, certamente não ultrapassaria os trinta e cinco anos. Dana tinha traços maduros, mas a pele lisa, sem nenhuma marca de expressão. Talvez a única coisa que declarasse a real idade da mulher era a serenidade de seus gestos e o olhar bondoso e sábio que ela dirigia a Hyacinth.

Somente Bruce notou os detalhes da mansão enorme e suntuosa quando a blaser finalmente foi estacionada diante da escadaria principal. A tempestade que caía na região e a dor profunda da ruiva impediam que Hyacinth se concentrasse em qualquer outra coisa. Com a ajuda de Dana e de Bruce, a menina foi conduzida ao interior da mansão e levada imediatamente para a enfermaria.

As fincadas na cabeça ameaçavam levar Hyacinth novamente para os terrenos da inconsciência quando surgiu um salvador. O simples toque de Andrew Ackerman em sua têmpora aliviou assombrosamente a dor que a ruiva sentia e permitiu que, pela primeira vez, ela focasse os olhos no rapaz a sua frente.

Quando Bruce tentou impedir que Andrew concluísse o tratamento, Hyacinth interferiu. Uma das mãos dela agarrou o punho do jovem professor, como se ela estivesse com medo que Andrew se afastasse e desistisse de ajudá-la.

- Por favor. Faça isso parar!

Diante da súplica engasgada da filha, o Sr. Westphal não teve alternativa senão assistir enquanto uma agulha levava o sangue de Andrew Ackerman para dentro das veias de Hyacinth. E o resultado foi imediato. Em menos de um segundo, a garota soltou um suspiro aliviado quando sua cabeça finalmente parou de doer. Os olhos azuis deslizaram por todos os presentes e Hyacinth finalmente conseguiu reparar melhor os rostos das pessoas que a resgataram do hospital.

Dana era uma mulher linda. Alta, com curvas nos lugares certos, cabelos loiros sedosos presos num rabo de cavalo e olhos cor de mel. O sorriso bondoso dela parecia ser contagioso e fez com que Hyacinth também sorrisse. Chevalier era um homem por volta de seus quarenta anos de idade, cabelos escuros salpicados com fios grisalhos, um cavanhaque muito bem aparado e roupas elegantes. O sorriso chamativo dele combinava perfeitamente com seu sotaque francês. E Andrew Ackerman destoava dos outros dois por sua juventude. Ele parecia imaturo demais para ser um tutor, mas Hyacinth jamais questionaria o poder do rapaz que a salvara daquela dor sufocante.

Em meio aos rostos desconhecidos, a ruiva finalmente voltou os olhos para o pai. A última imagem que ela guardava de Bruce era do pai de joelhos enquanto ela “morria”. Somente os dois eram capazes de calcular a dor que aquela trágica separação causaria.

- E a dor...? – a voz de Bruce soou aflita enquanto ele tocava o rosto ainda pálido e molhado de suor gelado da filha.

- Que dor...? – a resposta bem humorada de Hyacinth fez o pai sorrir.

- Então? – o Sr. Westphal manteve a filha em seus braços enquanto fitava os três professores – Como isso funciona? Que poder ela tem? Ela já está fora de perigo?

Era nítido que Bruce estava muito mais preocupado com a saúde da filha do que assustado em ser pai de uma moça incomum. Aquilo era um ótimo sinal. Muitos jovens, além de lidarem com aquela grande mudança, ainda se viam afastado das famílias que começavam a temer tais poderes.

- Só o tempo nos dirá. É normal que os dons fiquem adormecidos nos primeiros dias após a mutação, mas logo a Cinty começará a demonstrar seus poderes. Esta é uma escola que a ajudará a lidar com isso, Sr. Westphal. Recebemos aqui jovens que, como a sua filha, são especiais e portanto precisam de um treinamento diferenciado. Seja qual for o poder da Cinty, nós a ensinaremos a controlá-lo de maneira segura e a viver bem nestas novas condições.

- É um colégio interno. – Chevalier concluiu as explicações – Hyacinth ficará conosco até que esteja segura e preparada para enfrentar novamente o mundo lá fora. Mas o senhor poderá vir visitá-la quando quiser. Não há nenhuma restrição contra telefonemas, mensagens ou e-mails. Pelo contrário, é importante para os jovens saberem que possuem o apoio de suas famílias.

Não era confortável para Bruce a ideia de se separar da única filha. Mas diante de todos os acontecimentos, explicações e ponderações, Westphal estava convencido de que aquela escola seria a salvação de Hyacinth. Se ela possuía mesmo um gene mutante e teria um dom tão grandioso quanto os três tutores a sua frente, era sensato desejar que a ruiva soubesse controlar tamanho poder.

- O que acha...? – a voz de Bruce foi sussurrada para a filha.

- Acho que eu preciso de um banho e de roupas dignas. Tenho a ligeira impressão de que desfilei pela minha nova escola usando uma camisola de hospital.

- Eu lamento por isso. – Dana estendeu a mão e sorriu quando Hyacinth se ergueu com firmeza da maca, apoiando-se nela – Vou te ajudar a ficar mais apresentável. Diga aos seus colegas para conterem a curiosidade, Hugo. O nome dela é Hyacinth Westphal e ela vai se juntar a vocês daqui a alguns minutos.

- Hugo...? – os olhos da ruiva procuraram por mais alguém na enfermaria.

- Lá fora. Você logo vai aprender que é difícil ter privacidade aqui com professores atravessando paredes e colegas que escutam os burburinhos do seu estômago. – Dana ergueu um dos ombros – Mas é um lar. Você vai gostar daqui, Cinty.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Sex Maio 27, 2016 10:42 pm

Foi inevitável sentir alguns pares de olhos sobre si após o comentário de Kevin, mas a curiosidade sobre a novata era grande o bastante para fazer com que os colegas se esquecessem de seu fracasso para se focarem no que estava acontecendo por trás da porta da enfermaria.

Com o peito estufado de orgulho pela menção a Andrew, Davina se permitiu sorrir e cruzou os braços, recostando seu corpo no corrimão da larga escada que dava acesso ao andar superior.

- Ótimo. Andy vai resolver isso em dois minutos. Vamos ter tempo de sobra antes do jantar.

- Já falaram qual o poder dela? – Theodore Lawrence, um dos mais recém chegados e colega de quarto de Kevin, se dirigiu ao rapaz que ouvia tudo que acontecia na enfermaria.

- Ainda não. – O menino balançou a cabeça, em negação. – Ackerman está oferecendo para curá-la.

- Eu aposto que ela consegue ler mentes. – Theodore sorriu, obrigando Davina a revirar os olhos.

A habilidade de ler mentes era rara, mas Davina se sentia imensamente satisfeita em não conhecer ninguém com aquela capacidade. Já era extremamente desconfortável saber que havia pessoas naquela casa que poderiam entrar em seu quarto, mesmo com a porta trancada, e ouvir qualquer coisa que ela sussurrasse, mesmo estando do outro lado do corredor. Ter a própria mente invadida era assustador.

- Se vocês calarem a boca, eu posso tentar descobrir!

Quando o silencio caiu mais uma vez no saguão, o jovem arregalou os olhos e suas orelhas ficaram repentinamente vermelhas. O sorriso de Davina se alargou ao interpretar a reação do colega.

- Te pegaram no flagra, não foi?

Parecendo extremamente constrangido, o menino coçou as orelhas quentes e se virou para os demais antes de fixar o olhar em Davina.

- Dana pediu para você emprestar umas roupas para a novata. E disse que se a gente não sumir daqui em três minutos, vamos ficar sem televisão e internet pela próxima semana.

Não foi preciso repetir a ameaça de Dana para que os alunos começassem a se dissipar, deixando o saguão completamente livre em questão de segundos. Sem mais ninguém em seu caminho, Davina rapidamente fez o caminho até o quarto e retornou a enfermaria trazendo consigo um conjunto de suas roupas.

A porta da enfermaria foi aberta por Andrew, e Davina imediatamente ficou nas pontas dos pés, tentando enxergar seu interior.

- Obrigada, irmãzinha. Pode voltar agora. – O sorriso superior de Andrew fez com que Davina fechasse o rosto em uma careta.

- Qual é, Andy! Posso pelo menos ver para quem estou dando as minhas roupas???

- Agora sou Andy? Achei que fosse um imbecil. – Andrew apoiava o braço no batente da porta, tentando ao máximo tampar a visão da enfermaria.

- Você é Andy, o imbecil. Vai me deixar passar ou não?

- Não. – Andrew puxou as roupas de Davina, ainda com uma atitude superior. – Dana disse que ela será apresentada devidamente depois. Qual é, você queria ser apresentada vestindo uma camisola horrorosa?

Enquanto Davina parou um instante para refletir nas palavras do irmão, Andrew se aproveitou para fechar a porta, ainda em tempo de ver a caçula lhe mostrar a língua em uma careta insatisfeita.

- Idiota. – Davina resmungou contra a parede fechada, se voltando para retornar até as escadas.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Sab Maio 28, 2016 9:47 pm

A enorme mansão onde funcionava o centro de treinamento para jovens mutantes ficava localizada numa área ligeiramente afastada da cidade mais próxima. Era preciso dirigir por uma hora na estrada central e depois por mais quarenta minutos em uma pequena estrada lateral que levava direto para uma formação montanhosa, atrás da qual se escondia a construção.

Pouquíssimas pessoas conheciam a existência e a localização daquela escola e somente os familiares dos alunos tinham acesso ao local. A intenção nunca fora isolar aqueles jovens do convívio com a sociedade, mas era uma questão de segurança, tanto para eles quanto para as outras pessoas. Muitas daquelas crianças e daqueles adolescentes possuíam poderes grandiosos e pouco lapidados e não era nada desprezível o risco de tais dons serem usados indevidamente.

Embora os alunos eventualmente se sentissem um pouco frustrados com o isolamento, nenhum deles jamais ousaria reclamar da estrutura da mansão. Ali, eles tinham tudo o que precisavam para enfrentar aquele complicado período de mutação. Mutantes experientes exerciam os papeis de tutores e professores, cada um dos jovens recebia um treinamento personalizado e voltado para o seu tipo de poder. A convivência era pacífica, como se todos fizessem parte de uma grande e bizarra família.

A mansão tinha todo o conforto necessário para acomodar tantas pessoas. A construção ficava localizada em um grande campo aberto, rodeado e protegido por montanhas. Além dos três andares, a casa ainda possuía um enorme porão.

No primeiro andar, ficavam as salas de aula, o saguão de entrada, um grande refeitório, a cozinha e uma enorme sala de estar e multimídia que acomodava facilmente todos os moradores da casa. No segundo andar ficavam os dormitórios e banheiros, a ala leste para os meninos e a ala oeste para as garotas. Cada quarto era ocupado por dois alunos enquanto os cômodos destinados aos professores eram individuais. A biblioteca ficava no terceiro andar, assim como mais algumas salas de reunião e um salão de festas. O porão fora reformado e agora era o palco de uma academia bastante moderna, onde vários dos alunos com poderes físicos podiam praticar suas habilidades.

Na área externa, havia um estacionamento, uma quadra coberta e um campo de futebol, rodeado por uma pequena pista de corrida. A piscina com dimensões olímpicas ficava nos fundos da construção. Diante da casa, um belo jardim florido dava as boas vindas aos visitantes. Era difícil sentir-se um prisioneiro rodeado por tanto conforto e por aquela bela paisagem montanhosa.

Kevin Templeton ainda se lembrava perfeitamente do dia em que os tutores o levaram para conhecer a estrutura da escola. O rapaz ainda estava assustado com a própria mutação, visto que em toda a sua família havia somente um primo distante com o mesmo “problema”. Mas bastou uma breve conversa e uma volta pela propriedade para que Kevin se sentisse acolhido naquele novo lar.

O transmorfismo parecia uma maldição no começo. Embora hoje em dia Templeton adorasse os próprios poderes, não fora fácil aceitar aquela habilidade quando os dons começaram a surgir. Kevin era jovem demais e uma crise de identidade foi inevitável. Se não fosse pelo centro de treinamento, certamente Templeton não teria seguido um caminho certo na vida.

Agora, um ano após pisar naquela escola pela primeira vez, Kevin já temia pelo dia em que teria que sair. Seus poderes estavam a cada dia mais consolidados e em breve o rapaz alcançaria o auge da mutação e não faria mais sentido ocupar um lugar naquela mansão. Sempre que pensava nisso, Templeton sentia uma pontinha de inveja de alunos como Davina, cujos poderes se desenvolviam em uma velocidade mais lenta e alongavam o tempo de permanência na escola.

- Eu adoro a comida daqui. Mas sinto saudades de um bom McDonald’s.

O comentário veio enquanto Kevin acomodava-se perto dos colegas no refeitório. Na bandeja dele havia um farto prato com salada, arroz com legumes e uma generosa fatia de carne com molho. O copo de limonada já estava pela metade. O cardápio da noite ainda contava com um potinho de pudim com calda como sobremesa.

- Eu mataria por uma latinha de Coca-Cola. – Hugo completou com bom humor.

- A Dana ficaria horrorizada se escutasse esta conversa. – Templeton fez uma pausa para tomar um gole da limonada e quando voltou a falar imitava com perfeição a voz da tutora – A alimentação de vocês precisa ser balanceada. Temos que garantir que vocês estejam saudáveis, vocês estão enfrentando uma fase muito delicada da mutação.

Os colegas riram, mas era óbvio que não havia raiva ou deboche. Todos adoravam Dana, mesmo quando a chefe dos tutores confiscava doces e refrigerantes. Ninguém ali jamais questionaria os esforços de Dana para que seus jovens ficassem saudáveis e fortes o bastante para suportarem a mutação.

Era raro que aquele assunto fosse mencionado dentro do colégio, mas a maioria dos alunos sabia que as coisas não eram tão fáceis fora da escola. Aqueles jovens que não eram localizados pelos tutores ou que se recusavam a participar do treinamento enfrentavam enormes dificuldades durante o período de mutação. Infelizmente não era raro que seus corpos frágeis sucumbissem à morte antes do término da transformação.

E era esse tipo de tragédia que os tutores tentavam evitar. O centro de treinamento já existia há quase um século e somente duas mortes inevitáveis manchavam a história da escola. Dana já fazia parte do grupo de tutores nas duas tristes ocasiões, e por isso era declaradamente radical naquele assunto. Ela sabia melhor do que ninguém o tamanho da dor em perder uma daquelas jovens e valiosas vidas.

- E a novata? – Theodore olhou ao redor, encontrando apenas os rostos já conhecidos – Como é mesmo o nome, Hugo?

- Hyacinth Westphal.

- É um nome muito complicado. – Kevin abriu um sorrisinho galanteador – Prefiro chamá-la de “minha ruiva”.

- Isso é injusto. – os olhos de Hugo se estreitaram e o rapaz cruzou os braços – Os caras “normais” desta escola nunca terão chance com nenhuma menina enquanto o Kevin estiver aqui.

- Não existem caras “normais” nesta escola, Hugo. – o comentário de Kevin arrancou mais algumas risadas – Você gostou dela? Em nome da nossa amizade, vou deixar que fiquem juntos. Mas só depois que eu me cansar da ruivinha.

Hugo ergueu o dedo do meio para o amigo, mas rapidamente escondeu a mão quando a porta do refeitório se abriu. Dana foi a primeira a entrar e saudou os alunos com um de seus sorrisos meigos. Logo atrás dela vinham Chevalier, Andrew e Megale.

O terceiro tutor que participara do resgate de Hyacinth era uma figura única. Kevin agora ria de si mesmo quando se lembrava de como o seu coração falhara uma batida no dia em que conhecera Megale. O professor ultrapassava facilmente os dois metros de altura e pesava por volta de centro e trinta quilos, todos convertidos em músculos. A pele negra, os cabelos compridos e as roupas chamativas contribuíam para a aparência exótica do homem, assim como o seu incomum controle sobre a eletricidade. Mas bastava conviver com Megale por um minuto para que qualquer receio se desfizesse. O tutor era doce e gentil, sua simpatia o transformava em uma das figuras preferidas daquele colégio. Qualquer aluno com um mínimo de juízo teria mais medo do rostinho delicado de Dana do que do enorme Megale.

Somente quando aquela “montanha” abriu espaço pelo refeitório e saiu do rumo da porta, os colegas puderam ver que a aluna novata acompanhava o grupo. Tal como Kevin dissera mais cedo, a garota tinha os cabelos ruivos e um olhar visivelmente assustado. Hyacinth parecia menos frágil agora que tomara um banho e trocara a camisola do hospital pelas roupas de Davina, mas ainda era óbvio que estava abatida. O começo da transformação não costumava ser agradável para ninguém.

- Como vocês todos já sabem, graças ao Hugo... – Dana pousou o olhar no rapaz, cujas orelhas novamente ficaram vermelhas – Nós temos uma nova moradora nesta casa. Esta é a Hyacinth Westphal. Eu espero que vocês a recebam tão bem quanto foram recebidos.

Antes que os colegas assolassem a novata com milhões de perguntas, Dana explicou pacientemente.

- Hyacinth é a primeira de sua linhagem, portanto ainda não sabemos que tipo de poder virá dela. Só o tempo dirá, então não a pressionem...

Ser o “primeiro da linhagem” era uma outra forma de dizer que não havia nenhum outro mutante na família Westphal. Geralmente os filhos ou netos de mutantes costumavam desenvolver habilidades parecidas com as de seus ancestrais, portanto era impossível prever qualquer coisa para Hyacinth.

- Físico. – Kevin sussurrou para os amigos enquanto analisava a novata.

- De jeito nenhum. Psíquico. – Hugo respondeu na mesma entonação.

- Elementar. – Theodore entrou na brincadeira – Cem dólares.

Os três rapazes selaram aquela aposta com apertos de mãos sob a mesa. Sempre que surgia um aluno novato como primeiro de sua linhagem era comum que os colegas tentassem adivinhar o tipo de poder que se manifestaria nos dias seguintes.

- Idiotas. – uma das garotas girou os olhos ao perceber a aposta selada sob a mesa, depois se voltou para Davina – Sua nova colega de quarto parece um bichinho assustado. Sugiro que você usufrua de sua superioridade nos próximos dias, Davina. Logo até mesmo essa tolinha vai te ultrapassar. Quantas colegas de quarto você já teve mesmo? Cinco, seis...? Deve ser frustrante ver tantas pessoas entrando e saindo enquanto você continua no mesmo lugar.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Sab Maio 28, 2016 10:59 pm

O coração de Hyacinth se comprimiu dentro do peito ao fim daquele abraço de despedida. Mesmo sabendo que Bruce voltaria no dia seguinte com suas malas, era difícil se separar do pai. Desde que a garota se entendia por gente, os dois sempre estavam juntos. Não seria fácil morar em outra casa e não ver mais o Sr. Westphal todos os dias.

- Você entende que isso é necessário, não entende?

Dana se colocou diante da novata depois que Bruce sumiu de vista e colocou uma mecha dos cabelos ruivos atrás da orelha dela. Mesmo com os olhos cintilando de lágrimas, Hyacinth concordou firmemente com um movimento de cabeça. Embora ainda não soubesse que tipo de poder mutante seu corpo desenvolveria, a ruiva entendia que Bruce não estava seguro perto dela. Hyacinth jamais machucaria o pai propositalmente, mas não se perdoaria se qualquer tipo de acidente acontecesse.

- Eu tenho certeza de que ele virá visitá-la com frequência. E vocês poderão conversar todos os dias pelo telefone, pela internet. Você não está presa aqui, Cinty. Não queremos que se sinta isolada, mas sim protegida.

- Eu sei. Obrigada. – Hyacinth buscou pelos olhos da professora – Obrigada por tudo que estão fazendo por mim. Eu espero não decepcionar vocês...

Desde que descobrira a existência daquele novo mundo, Hyacinth se questionava se fazia mesmo parte de tudo aquilo. Era difícil para a ruiva acreditar que um dia teria os superpoderes mutantes que presenciara nas últimas horas. Westphal estava acostumada a uma vida pacata e normal. Era uma boa aluna, mas nunca a melhor da classe. Tinha traços bonitos, mas estava longe de ser a mais popular do seu antigo colégio. Não era fácil aceitar a ideia de que, pela primeira vez, ela era “especial”.

Portanto, Hyacinth se sentiu ainda mais diminuída quando finalmente chegou o momento da apresentação. Diante de um refeitório lotado de jovens como ela, a ruiva teve certeza de que jamais se destacaria. Seus ombros se encolheram e, pela maneira maternal como Dana a envolveu com um dos braços, ficou claro que a tutora notara a insegurança da novata.

- Você deve estar faminta, não é? Foi um dia tão cheio, você nem teve tempo para pensar em comer. Pegue uma bandeja, sirva-se. – Dana sussurrou ao ouvido da ruiva de maneira bem humorada – Pode se sentar com os seus colegas, eles não mordem. – a loira se corrigiu – A maioria deles não morde.

A piadinha sussurrada pela tutora fez com que Hugo risse. Os demais alunos o encararam sem entender nada, obrigando o rapaz a sacudir a mão num gesto de impaciência.

- Esqueçam. Tenho pena de vocês, vocês perdem as melhores piadas.

Sentindo o peso de dezenas de olhos sobre si, Hyacinth acatou a sugestão da tutora e pegou uma bandeja. Embora o jantar parecesse bastante apetitoso, a ruiva ainda não tinha muita certeza se conseguiria engolir alguma coisa com aquela sensação de uma mão apertando a sua garganta.

Westphal se serviu sem pressa, como se quisesse adiar o momento em que teria que se sentar com os outros jovens. Quando finalmente chegou a hora, a ruiva respirou fundo e vasculhou rapidamente as mesas até encontrar um lugar vago. Sem ter noção do tamanho da coincidência, Hyacinth acabou se sentando exatamente ao lado da dona da calça e da blusa que ela usava naquela noite.

As duas tinham o corpo bem parecido, então as roupas de Davina serviram perfeitamente na novata. A blusa branca parecia realçar ainda mais o tom alaranjado dos cabelos de Hyacinth, os fios ondulados alcançavam facilmente a cintura da ruiva. A pele de Hyacinth era naturalmente pálida, mas parecia ainda mais clara depois das emoções daquele dia tumultuado. Discretas sardas se espalhavam pelo nariz e bochechas da garota e ela ainda precisaria de algum tempo para se acostumar com os olhos azuis. Era chocante se olhar no espelho e não ver mais as íris castanhas de sempre.

- Oi. – o cumprimento soou tímido e inseguro – Posso me sentar com vocês?

- É claro. Eu sou Aphrodite, muito prazer.

A mesma garota que provocara Davina há alguns minutos estendeu a mão na direção de Hyacinth. Seria um gesto amigável e simpático, se não fosse pelo sorrisinho maldoso que surgiu no canto dos lábios da loira. Inocentemente, a ruiva esticou o braço para aceitar aquele cumprimento e se assustou quando um rapaz se esticou acima da mesa e puxou a mão dela, impedindo que Aphrodite a tocasse.

- Primeira lição do dia, ruiva. Não confie na Aphrodite e se mantenha longe das mãozinhas dela – Kevin lançou um olhar pouco amigável para a loira – Ela acabou de chegar, não seja tão... você.

O poder de Aphrodite era um dos mais temidos dentro daquele colégio. A loira só precisava de um simples toque para manipular as memórias e os pensamentos de outras pessoas. Por sorte a garota não conseguia ler mentes, mas sua habilidade já causava bastante estrago. Aphrodite tinha um prazer especial em usar o seu dom para torturar os colegas e implantar memórias falsas em suas mentes.

- Eu só estava dando as boas vindas, Kev.

- Sei. Eu sei bem como são as suas boas vindas. – Templeton girou os olhos e voltou a atenção para a novata – Vou resumir a situação para você, ruiva. Tirando a Aphrodite, todos aqui são muito legais. Você deu sorte, vai dividir o quarto com a Davina. – o rapaz apontou a moça sentada ao lado de Hyacinth – Pode ficar tranquila, ela é ótima e não vai te fazer nenhum mal.

- Ela não faria mesmo se quisesse. – o comentário ácido veio mais uma vez dos lábios de Aphrodite – Talvez daqui a uns dez ou vinte anos, quando ela finalmente conseguir desenvolver os próprios poderes...
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Sab Maio 28, 2016 11:37 pm

O comentário maldoso de Afrodite foi acompanhado junto com um forte clarão de um relâmpago, iluminando momentaneamente o refeitório com seu brilho azulado, para que instantes depois o trovão se anunciasse, estremecendo as janelas de vidro.

Antes que Davina tivesse a oportunidade de se defender, uma sombra se projetou sobre a mesa quando a figura de Andrew Ackerman surgiu, passeando os olhos castanhos por cada um dos rostos perfeitamente conhecidos.

- Está tudo bem por aqui? – Por fim, o homem fixou sua atenção na novata, estudando seus traços abatidos, mas muito mais recuperado do que o primeiro encontro na enfermaria.

- Quando as coisas estão bem com a Aphrodite por perto? – Davina resmungou, abrindo a garrafa de água em sua bandeja.

O olhar de Andrew voltou para a loira, cruzando os braços contra o peito enquanto estudava as feições nada inocentes dela. Aprhodite havia entrado na escola de mutantes nos últimos meses de Andrew, de modo que eles haviam tido pouco contato, mas tanto as histórias que a caçula lhe contava como as opiniões dos professores mostravam que era uma das alunas que mais merecia atenção, ainda precisando compreender que seus poderes não deveriam ser usados levianamente.

- Onde estão as suas luvas, Aprhodite? Achei que Dana tivesse sido clara da última vez...

Uma das medidas de contingência havia sido imposta por Dana, obrigando a loira a usar luvas sempre que estivesse na presença de outra pessoa. A loira, entretanto, tinha o costume de “esquecer” os acessórios com mais frequência do que seria apropriado.

- Não consigo cortar o meu bife usando luvas, Andy.

- Andrew. – O rapaz corrigiu, como se tentasse impor alguma autoridade que não era compatível com sua aparência ainda tão jovem.

Embora tivesse a diferença de quase oito anos com a maioria dos alunos, Andrew poderia facilmente se passar por mais um dos adolescentes. Aquele havia sido um dos fatores que levara o homem de vinte e quatro anos quase recusar a oferta de tutor, sentindo-se inseguro com o tipo de imagem que passaria aos mais novos.

Por sorte, Dana conseguira lhe fazer enxergar que sua maturidade e principalmente sua experiência valiam muito mais e faria a diferença na vida de cada um dos alunos.

Como se não tivesse escutado a correção do mais velho, Aphrodite apoiou o cotovelo sobre a mesa e o queixo sobre a mão, enrugando a testa ao encarar Ackerman.

- Hugo disse que você foi chamado para ajudar a novata... Você não fez aquilo, fez? – Aphrodite sussurrou as últimas palavras, como se estivesse mencionando algo extremamente indecente. – Quer dizer, eu ouvi boatos de que você consegue curar as pessoas com o seu sangue, mas como os tutores permitem isso??? É extremamente nojento.

- Querida, você já se olhou no espelho? – Davina se inclinou sobre a mesa, estreitando os olhos na direção da colega. – Mais nojento do que ver a sua fuça todos os dias, impossível.

- Qual é, Davina! – Aphrodite empurrou sua bandeja alguns centímetros para poder gesticular com mais ferocidade. – Você não pode dizer que acha isso normal!

- De novo, não tem nada de normal aqui. – Hugo resmungou, se sentindo incomodado com o rumo da conversa tomado pelas duas meninas.

Ignorando o comentário do rapaz, Aphrodite se voltou mais uma vez para Hyacinth, balançando seus largos cachos loiros com o movimento repentino da cabeça.

- Você não deixou que eles fizessem isso, não é querida? Além do mais, vai que você pega a doença da Davina nessa transfusão de sangue. Você não quer ficar enfiada aqui até o próximo milênio, não é?

Andrew chegou a abrir a boca para repreender a loira, mas sua voz foi abafada quando Davina se ergueu repentinamente, levando sua bandeja para frente até que o jantar de Aphrodite deslizasse para fora da mesa e transbordasse em seu colo, sujando sua roupa com o molho vermelho da carne.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Maio 29, 2016 12:05 am

- SUA IDIOTA!!!

A voz de Aphrodite se fez ouvir por todo o refeitório, obrigando Hugo a se encolher e proteger os ouvidos quando o timbre fino lhe atingiu os tímpanos. Mas todos os demais colegas saíram do foco de Davina quando ela subiu no banco e saltou para cima da mesa, os braços erguidos na direção da loira em gestos enlouquecidos.

- DAVINA! – Andrew gritou, assustado com a reação da irmã, obrigando Hugo a se encolher ainda mais, contorcendo o rosto em uma expressão de dor.

Davina estava acostumada com as piadas maldosas, especialmente vindo de Aphrodite. Assim como os colegas também estavam acostumados com suas explosões um tanto exageradas. Enquanto muitos exibiam seus poderes adquiridos com a mutação, a caçula dos Ackerman demonstrava a habilidade um tanto comum com seus pulsos.

Embora fosse pacífica a maior parte do tempo, sendo sempre uma boa amiga, era fácil tirar Davina do sério se usasse as provocações certas. Naquela noite, já cansada das indiretas sobre sua habilidade tardia, ela havia se esgotado com as insinuações a respeito do poder de Andrew.

Por sorte, antes que Ackerman tocasse Aphrodite, onde certamente ela sairia muito mais prejudicada do que os arranhões que causaria na loira, um braço a rodeou pela cintura, colocando-a com os pés no chão, em uma distância perfeitamente segura.

- ME SOLTA!!!

Sem a menor dificuldade, Megale manteve Davina imóvel, sem sequer franzir a sobrancelha.

- Vou te soltar quando você parar de agir como uma inconsequente, Davina. – A voz de trovão de Megale fez a menina bufar, mas sabendo que era uma guerra perdida.

O rosto delicado de Aphrodite estava vermelho e suas narinas moviam furiosamente junto com sua respiração ruidosa.

- Então prepare-se para criar raízes aí, Megale. Essa daí não vai mudar nunca!

- Já chega, Aphrodite. – A voz de Andrew soou mais imponente. – Por que você não vai se trocar? Aproveite e coloque as luvas dessa vez.

Aphrodite estreitou seus olhos verdes na direção de Andrew, sentindo-se imensamente injustiçada. Mas também não tinha a menor intenção de continuar no refeitório exibindo um pedaço de carne em seu colo, enquanto o molho pegajoso já começava a entrar em contato com a sua pele.

Soltando um grunhido, a loira se ergueu, ignorando os olhares de todos os presentes voltados para a sua mesa, e deixou o refeitório para trás. Consequentemente, a respiração de Davina começou a se acalmar, e quando teve certeza que não havia mais perigo, Megale finalmente a soltou.

Davina estava com o rosto quente e ajeitou as vestes amassadas quando voltou a se sentar, se esforçando a agir como se nada tivesse acontecido. Ela finalmente deu um gole na garrafa de água mineral em sua bandeja e secou os lábios com os dedos antes de erguer os olhos para Hyacinth.

- Respingou um pouco de molho no suéter. – Ela apontou para algumas gotinhas vermelhas no tecido branco que vestia a ruiva. – Não se preocupe, não era a minha roupa preferida mesmo.

Ainda massageando os ouvidos, Hugo se inclinou na direção da ruiva, o rosto contorcido em dor.

- Dana tentou avisar que nem todos mordem, mas quer uma dica, ruiva? Só tem doido aqui!
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Maio 29, 2016 12:29 am

Embora adorasse a popularidade que possuía dentro dos limites daquele colégio, Templeton não fazia a menor questão de ser educado com Aphrodite Willis. A colega era assombrosamente bonita e certamente já fizera parte da “lista” de conquistas de Kevin, mas isso fora antes do rapaz perceber que estava lidando com uma mente poderosa e sem escrúpulos.

Aphrodite não era a única aluna que possuía um dom perigoso, mas certamente era uma das maiores preocupações dos tutores. A garota nunca havia cometido nenhuma falta absurdamente grave, mas os pequenos delitos eram numerosos e recorrentes. A capacidade de modificar as lembranças com um simples toque transformava Willis em uma excelente manipuladora. Até mesmo os tutores redobravam a sua atenção quando a loira estava por perto.

Tão desastroso quanto o poder da mente de Aphrodite era o estrago que ela conseguia gerar com sua língua venenosa. A garota parecia conhecer as fraquezas de cada um e, portanto, tinha uma imensa facilidade em atingir as feridas mais dolorosas de cada colega. Os comentários ácidos sobre a situação de Davina eram a maior prova disso. Todos sabiam como Davina se sentia infeliz e frustrada, mas somente Aphrodite tinha coragem de mencionar a vergonha que a caçula causava aos Ackerman.

- Ela é uma imbecil da pior espécie. – Kevin resmungou, encarando a loira que se afastava com um semblante de poucos amigos – O que ela ganha com esta língua tão venenosa?

- Se ela fosse venenosa você já estaria morto. – uma das sobrancelhas de Theodore se ergueu de forma debochada – Não foram poucas as vezes que a língua da Aphrodite passeou pela sua garganta. Aliás, você nunca reclamou, muito pelo contrário...

- Sabe-se lá que tipo de coisa a Aphrodite enfiou na minha cabeça para me convencer de que era uma boa ideia ficar com ela...

- Ora, Kevin, você acha mesmo que ela gastaria a energia dela com isso? Você é fácil e se acha demais. Eu aposto que sem o transmorfismo você é tão feio que não conseguiria ficar com nenhuma garota.

O dedo do meio de Templeton se ergueu na direção do colega, mas Kevin logo interrompeu o gesto em respeito a Andrew. Ainda era difícil se comportar bem diante de Ackerman, mas ao contrário de Aphrodite os demais alunos vinham se esforçando para enxergar nele a figura de um tutor.

É claro que depois de toda aquela cena, Hyacinth se sentia ainda mais assustada do que antes. Não era nada confortável descobrir que ela teria que conviver com colegas que só precisavam de um toque para bagunçar todas as suas lembranças e pensamentos. Seu único consolo era saber que dividiria o quarto com Davina. Apesar da explosão da menina, Hyacinth havia gostado dela. Ninguém precisaria de muitas informações para definir quem era a pessoa mais errada na discussão entre Davina e Aphrodite.

- Eu lamento pela mancha. – a ruiva fez uma careta ao ver as gotículas de molho no suéter branco – Meu pai voltará amanhã com as minhas roupas, prometo que te devolverei tudo limpinho. Obrigada, você me salvou de passar mais algumas horas dentro daquela camisola ridícula!

- Você estava uma gracinha naquela camisola. – era como se Kevin não conseguisse se controlar quando uma garota estava por perto.

Geralmente as garotas se derretiam por Templeton mesmo diante dos galanteios mais tolos. Ele era um rapaz bonito, tinha um sorriso atraente e aquele ar de mistério que as meninas adoravam. Quando Hyacinth o encarou, Kevin já imaginava que tinha ganhado mais uma fã. Portanto, foi frustrante ver a ruiva girando os olhos azulados.

- Sério? Você realmente se dá bem com as meninas daqui usando esse tipo de cantada? Que coisa patética...

Até mesmo Megale se juntou ao coro de risadas da mesa. Os olhos de Kevin se estreitaram e ele cruzou os braços num gesto contrariado. Theodore já estava rouco de rir quando deu duas palmadinhas no ombro do amigo.

- Pode tirar esta da sua lista, Kev. Ainda não sabemos o dom dela, mas já deu pra sacar que ela tem o poder de não cair na sua lábia.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Dom Maio 29, 2016 12:54 am

Embora cada aluno necessitasse de uma atenção particular, se enquadrando nos detalhes de suas mutações ou bagagem pessoal que influenciavam diretamente em suas evoluções, a escola ainda conseguia apresentar um belo quadro de aulas comuns a todos.

Andrew Ackerman se sentia imensamente sortudo por poder lecionar uma dessas disciplinas e era com orgulho que ele apresentava as aulas de genética. Após carregar consigo um diploma de umas das universidades mais renomadas com especialidade em genética, ele foi capaz de adaptar os assuntos mais importantes para um mutante, para que os mais jovens pudessem compreender o que realmente acontecia com seus corpos para resultar em uma mudança tão radical e que os tornava tão especiais.

O primeiro horário da manhã raramente era dedicado as sessões particulares que os tutores tinham com seus pupilos, de modo que as aulas comuns ocupavam todas as salas do primeiro andar.

A chuva havia finalmente cessado durante a madrugada, permitindo que as janelas laterais da sala de Andrew exibissem a bela vista do gramado verde e encharcado. A claridade do sol banhava as carteiras mais próximas das janelas e refletia nos cabelos escuros do professor, recostado sobre a mesa.

Embora o assunto fosse complexo, a paixão com que Andrew abordava cada um dos temas era motivador e envolvia cada um dos alunos. Alguns faziam anotações ávidas, rabiscando o papel apressadamente, com receio de deixar passar alguma informação importante. Outros simplesmente se fixavam em Ackerman, completamente mergulhados em suas narrações e exemplos que tornava tudo mais prático.

Andrew estava finalmente encerrando o tópico do dia quando a porta da sala foi aberta, revelando a figura de Hyacinth. As vestes trocadas indicavam que o Sr. Westphal já havia feito sua visita, trazendo para a filha seus pertences.

Ao perceber o olhar ainda receoso da ruiva diante da turma cheia de estranhos, Andrew abriu um largo sorriso em uma tentativa de encorajá-la.

- Já estamos encerrando por hoje, Srta. Westphal.

Como se estivessem seguindo uma ordem do tutor, os alunos começaram a recolher seus materiais enquanto se enfileiravam para deixar a sala. Andrew deu a volta na mesa e empilhou seus próprios livros e anotações antes de se voltar para a novata.

- Espero que esteja se sentindo melhor. Davina se comportou? Ela consegue ser extremamente rude quando quer, mas posso garantir que a minha irmã não voaria em seu pescoço sem motivo algum.

Ao perceber o deslize que havia cometido em defender a irmã, que deveria ser apenas mais uma aluna envolvida em uma briga inaceitável, Andrew coçou a nuca e bagunçou os cabelos ondulados como uma criança pega no flagra.

- Eu ficaria agradecido se esse comentário fosse um segredo nosso.

Ele ergueu o livro de genética que usava como base para as aulas, exibindo a capa azul com o título em branco “Mutações Genéticas – Como estamos evoluindo” como se fosse um grande tesouro.

- Compro o seu silêncio com um exemplar desses. Parece tedioso, mas lhe garanto que vai lhe entreter por horas.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Maio 29, 2016 1:22 am

Apesar das provocações de Aphrodite, Davina se sentia feliz com a nova colega de quarto. Hyacinth havia lhe conquistado no instante em que rejeitou a cantada de Kevin, mas a ruiva se mostrou ainda mais simpática e agradável quando elas puderam conversar com calma no dormitório.

Era verdade que Ackerman havia tido uma longa lista de colegas de quarto antes, mas nunca havia se dado mal com nenhuma delas. Caroline Winter havia sido a última e que demorara mais tempo, se tornando uma grande amiga de Davina, perdendo várias noites chorando pelo relacionamento complicado com Kevin Templeton.

Talvez Caroline fosse a culpada por Davina sentir uma parcela de antipatia por Kevin. Embora não chegasse a odiar o colega, como era o caso de Aphrodite, Davina havia aprendido a criar uma barreira que a impedia de se derreter pelo rapaz, ao contrário de mais da metade das meninas da mansão, e muitas vezes se sentindo incomodada com o seu galanteio constante.

Naquela manhã em que as nuvens carregadas finalmente haviam se dissipado, permitindo que um céu claro cobrisse a mansão, Davina deixou as primeiras aulas para seguir até os fundos dos terrenos, onde meia dúzia de alunos se preparavam para a natação.

Embora os alunos com habilidades físicas tivessem um currículo muito mais intenso com aquele tipo de atividade, Dana ainda obrigava que todos praticassem algum esporte duas vezes por semana.

Era a velha tutora que estava presente naquela manhã, quando Davina se aproximou, prendendo os cabelos claros em um coque firme no topo da cabeça. Antes que os alunos começassem a se enfileirar para dar início a aula, a voz de Theodore a chamou, obrigando-a a caminhar até o grupo formado por ele, Kevin e Hugo.

- Talvez a Davina consiga nos ajudar... – Theo deslizou o braço pelos ombros da colega, como costumava fazer quando queria pedir alguma coisa.

A menina cruzou os braços contra o peito coberto pelo maiô azul da escola e girou os olhos para encarar o rapaz.

- O que você quer?

- Nosso querido Kev aqui teve a brilhante ideia de fazer uma festa para dar as boas-vindas à ruiva.

- Não que a sua recepção de ontem não tenha sido, boa Davina. – Hugo ergueu o polegar em aprovação.

- É só que a gente queria algo mais... feliz? – Theodore encarou os amigos, esperando uma definição melhor para o objetivo da festa, mas antes que Hugo ou Kevin pudesse completar, a menina respondeu.

- Kevin quer uma desculpa para tentar agarrar a Cinty. – Ela concluiu, balançando os ombros. – Bom, no que depender de mim, a novata estará bem longe das suas garras, Templeton. Mas eu gosto da ideia de uma festa. O que querem que eu faça?

O sorriso de Theodore se alargou e os olhos brilharam por um segundo.

- Os tutores sempre trancam a sala de jogos e multimídia. Mas o seu irmão é um tutor agora. Você só precisa pegar a chave e a gente se encarrega do resto.

Davina refletiu por um segundo. Não parecia justo com Andrew aquele abuso de confiança, mas a ideia de ter uma festa era tentadora demais para que ela se apegasse às regras.

- Está bem. Eu pego a chave durante o jantar de hoje, sem problemas.

- Essa é a minha garota! – Theodore aplaudiu.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Dom Maio 29, 2016 1:29 am

Por mais que as roupas de Davina tivessem servido perfeitamente na ruiva, foi um grande alívio para Hyacinth receber as malas lotadas com as suas coisas. Além das roupas e calçados, o Sr. Westphal tivera a delicadeza de separar alguns perfumes e cremes para a filha, assim como um frasco do seu shampoo preferido. O auge da doçura do pai foi colocar no meio das coisas de Hyacinth o gatinho de pelúcia que ela conservava desde a infância. Como o maior dos troféus, a ruiva colocou o gatinho sobre a cama do dormitório que dividiria com Davina Ackerman.

A visita de Bruce foi bastante breve, visto que ele tinha as suas obrigações no consultório, mas o pai partiu com a promessa de retornar no fim de semana para uma visita mais demorada. Hyacinth garantiu que mandaria mensagens diariamente e que o pai seria informado tão logo seu poder se manifestasse. Embora ainda estivesse receoso com todas aquelas novidades, Bruce sentia uma grande curiosidade e estava ansioso para saber o que a filha seria capaz de fazer.

Como tudo ainda era muito recente e confuso para Hyacinth, Dana permitiu que ela tirasse aquele primeiro dia de folga para organizar o quarto e a sua planilha de horários. Westphal de fato gastou um generoso tempo desfazendo as malas e ocupando a sua metade do armário que dividiria com Davina, mas ao fim da manhã foi obrigada a sair do quarto.

O motivo que a levou até a sala de Andrew Ackerman infelizmente não era reconfortante. Diante da oferta do livro, Westphal forçou um sorriso gentil que só reforçou que algo estava errado. Embora não parecesse mais tão abatida quanto no dia anterior, a declaração de Hyacinth era muito preocupante.

- Aquela dor está voltando. Será que você pode me ajudar de novo, professor?

Quando Hyacinth levou uma das mãos à cabeça, ficou claro que a ruiva estava se referindo à enxaqueca insuportável que tivera no dia anterior. Não era incomum que os jovens se sentissem fracos ou indispostos nos primeiros dias da mutação, mas a dor descrita por Hyacinth era anormalmente intensa. Dana evitava ao máximo mencionar as duas mortes trágicas ocorridas no colégio, mas todos sabiam que dores fortes costumavam ser parte dos sintomas de um corpo que rejeita a mutação.

- Isso é normal? – a ruiva se encostou na mesa do tutor, massageando as têmporas doloridas – Quer dizer, eu já percebi que nada aqui é normal... Mas essas dores fazem parte do processo?

Embora Andrew fosse bastante jovem, Hyacinth demonstrava um grande respeito pela figura dele. Já estava claro para a ruiva que Ackerman não teria chegado ao cargo de tutor se não merecesse ocupar aquela vaga. Além disso, ele era o único ali que tinha o poder de aliviar a dor sufocante que começava a se espalhar pela cabeça dela.

- Não se preocupe, eu não vou comentar com ninguém sobre a Davina. – mesmo em meio à dor, Hyacinth conseguiu sorrir – E serei cuidadosa para que ela nunca tenha motivos para voar no meu pescoço.

Naquela manhã, Hyacinth usava um suéter azul com detalhes em xadrez e uma saia preta que atingia os seus joelhos. As sapatilhas baixas também eram pretas, assim como a faixa que enfeitava os cabelos ruivos. Os fios soltos chegavam à cintura de Westphal e estavam um pouco atrapalhados na região onde a menina massageava as têmporas. Os olhos azuis se focaram na imagem de Andrew enquanto a garota murmurava.

- Eu não ligo para o que aquela garota disse, não acho nada nojento... Você tem um dom muito especial. Eu também gostaria de desenvolver alguma habilidade que ajudasse as outras pessoas.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Maio 29, 2016 2:48 am

Os novatos sempre eram muito bem recebidos na mansão. Os tutores ficavam responsáveis por explicar as regras da escola e faziam isso com uma paciência incomparável. Eles conheciam muito bem as dificuldades que os jovens enfrentavam naquele período inicial de transformação e faziam o possível para que o processo não fosse mais complicado do que o inevitável.

Os colegas, com raras exceções, sempre se mostravam muito abertos a acolher mais um membro naquela grande família. Todos estavam satisfeitos com a presença da novata, mas é claro que a festa de boas-vindas para Hyacinth também era uma excelente desculpa para escapar das regras rígidas e conseguir um pouco de diversão.

Não coincidentemente, a sugestão de quebrar regras vinha do trio composto por Hugo, Theodore e Kevin. Sempre que os três se uniam, as ideias erradas brotavam com uma facilidade preocupante. Os tutores obviamente já haviam repreendido os rapazes por diversas vezes, mas a grande verdade é que o comportamento deles não preocupava demais os professores. Eles eram somente adolescentes e agiam como tal.

A situação era bem diferente da preocupação que os tutores sentiam com Aphrodite. A loira também adorava quebrar regras, mas era nítido que não fazia isso somente pela irresponsabilidade típica da juventude. As atitudes de Aphrodite eram muito bem calculadas e Dana sentia uma grande insegurança ao pensar no futuro da aluna. Mesmo recebendo as melhores orientações, eram grandes as chances de Aphrodite Willis seguir por um caminho pouco louvável.

- Em primeiro lugar, eu não preciso de uma “desculpa” para tentar agarrar a novata.

A entonação de Kevin mostrava que o rapaz havia ficado ofendido com as insinuações da colega. Como estava vindo de um treino, Templeton ainda usava o uniforme de basquete. O short preto e a camiseta cavada exibiam alguns músculos bem definidos. Naquela manhã, os cabelos do garoto estavam curtos e bem mais escuros que o normal e ele optara por um par de olhos profundamente verdes.

- Eu conheço bem esse tipo de garota que tenta se fazer de difícil. Gostei da personalidade da ruivinha, mas ela não me assusta. Quando domadas, essas garotas bravas ficam mais dóceis que as bobinhas.

- Você é tão experiente com garotas... – Theo zombou do amigo.

- Bom, sou mais experiente que você. Que os dois juntos, aliás.

- Me deixem fora disso. – os olhos de Hugo giraram e ele voltou a atenção para a colega – Podemos contar com você, então? A gente vai dar um jeito em tudo, mas contamos com você para abrir a sala, Davina.

- Alguma chance de não convidarmos a Aphrodite? – Kevin bufou com a lembrança da colega – Ela consegue estragar qualquer clima de festa.

- Se não a convidarmos, ela vai contar tudo para a Dana antes mesmo que a gente termine de organizar as coisas. – Hugo parecia derrotado quando completou – Teremos que fazer este sacrifício se quisermos mesmo uma festa.

Era bem nítido que os demais alunos se sentiam receosos com a presença da colega. O poder de Aphrodite já era ameaçador por si só, e a loira já havia deixado claro que não tinha o menor pudor de usar seus dons para prejudicar as outras pessoas. O comentário de Kevin foi um desabafo inocente, e só quando ouviu as próprias palavras o rapaz se deu conta de que não deveria ter dito aquilo em voz alta.

- É tão injusto que uma vaca como a Aphrodite seja tão poderosa enquanto a Davina que é uma garota legal...

Templeton se calou antes de concluir o raciocínio, mas já era tarde demais. Ele já havia deixado claro que sentia pena de Davina pela menina ainda ter pouco controle sobre seus poderes. Hugo e Theo encararam o amigo com idênticos semblantes de desgosto, mas Kevin já havia falado demais.

- Foi mal, Davs. Eu acho super maneira a sua habilidade de controlar o tempo. O que eu quis dizer é que acho injusto que a idiota da Willis evolua mais rápido que você. Para mim não faz o menor sentido, a Aphrodite deve ter um cérebro deste tamanho...

Kevin aproximou o polegar do indicador. O estrago já estava feito, mas Theodore ainda tentou interferir para reduzir o fora do amigo.

- Se isso for verdade, ela ainda tem um cérebro maior que o seu, idiota! – Theo deu um tapa na nuca de Kevin antes de se voltar para Davina – O que o Kevin quis dizer com tantas besteiras é que todos nós somos reféns da Aphrodite. Eu também acho injusto que uma víbora como ela tenha tanto poder. Não é só você que está longe de alcançá-la, Davs. Ela é mais poderosa que todos nós. Nem mesmo os tutores gostam de ficar muito perto dela, vocês já perceberam?

- Enfim, nós temos que chamá-la. – Hugo manteve o mesmo tom de derrota – Tente se controlar, Davina. Concentre-se na ideia de que cada arranhão que você fizer na cara dela vai se transformar em alguma merda que a Aphrodite vai enfiar na sua cabecinha. Você se lembra do que aconteceu com a Sarah, não é?

A garota citada havia abandonado a escola antes mesmo de concluir sua transformação graças a uma briga com Aphrodite. As duas meninas tinham se estranhado durante uma aula de ginástica e, “acidentalmente”, Willis esbarrou no ombro de Sarah no meio da confusão. Por mais de duas semanas, Sarah permaneceu internada na enfermaria, torturada com alucinações terríveis que a faziam gritar e chorar o tempo inteiro. Quando finalmente o efeito do poder de Aphrodite se dissipou, Sarah implorou para sair do colégio, foi levada de volta para casa e nunca mais deu notícias aos amigos.

- Como você teve coragem de ficar com essa doida? – Theodore fez uma careta para Kevin.

Um dos ombros de Templeton se ergueu e ele fez uma pausa antes de explicar, com um sorrisinho que oscilava entre constrangido e convencido.

- Digamos que nem sempre a Aphrodite usa os poderes dela para o mal. Ela também cria uns pensamentos bem... – Kevin tentou buscar por uma palavra mais sutil – ...interessantes.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Dom Maio 29, 2016 3:15 am

O livro de capa azul foi devolvido à mesa e o rosto de Andrew se tornou mais sério enquanto ele estudava o semblante de dor de Hyacinth. A bibliografia escolhida para aquela disciplina tinha como autoria o avô de Andrew e Davina, que havia se aprofundado e contribuído ao mundo da ciência sobre a mutação.

O pequeno Andy havia crescido escutando os pais discutirem sobre a evolução do DNA humano e fazia refeições assistindo teorias complexas no lugar das conversas banais de família. Ele não só aprendera a admirar o assunto, como dominava diversos capítulos do livro do avô antes mesmo de entrar na faculdade.

Por ser praticamente um especialista no assunto, Andrew sabia que os sintomas de Hyacinth não eram um bom sinal. As dores deveriam estar diminuindo, especialmente depois da dose do seu sangue, e os primeiros vestígios do poder da ruiva já deveriam ter começado a aparecer.

Embora não tivesse presenciado nenhuma das mortes dos mutantes na escola, Andy já havia lido sobre cada alteração e reação do corpo de alguém que rejeitava aquela transformação e sabia que não havia nada de agradável pelo caminho.

Com a testa franzida, ele ergueu as mãos e tocou as laterais da têmpora de Hyacinth, massageando a pele com o polegar suavemente. Ainda era cedo para que ele conseguisse controlar as dores de outra pessoa, mas Andy usou toda sua concentração na tentativa de aliviar a enxaqueca da ruiva, sentindo as pontas de seus dedos formigarem.

- Sua habilidade vai ser incrível... – Andrew sussurrou enquanto os olhos castanhos passeavam pelo rosto de Cinth, focado em tranquiliza-la. – Cada um recebe um tom muito especial, Hyacinth. Nós vamos te ajudar com o seu também.

Graças a proximidade, Andrew conseguia enxergar de perto o profundo tom de azul nos olhos da ruiva. Suas íris pareciam formadas por minúsculos cristais extremamente brilhantes que contrastavam com perfeição com os cílios avermelhados e as sobrancelhas finas.

Talvez Andrew não tivesse tido a oportunidade de notar antes, mas a jovem Westphal era assombrosamente bonita. Seus cabelos ruivos e exóticos emolduravam com perfeição o rosto delicado e os lábios eram perfeitamente desenhados, curvados em um pequeno sorriso que conseguia surgir mesmo em meio a dor.

Era terrível pensar que Hyacinth poderia estar caminhando para um destino assustador e que seu corpo poderia estar recusando a mutação. Parecia imensamente injusto que tantos jovens adquirissem habilidades incríveis e que a menina poderia jamais presenciar seu dom.

- Está melhor? – Andrew sussurrou, mantendo a leve massagem na testa de Cinth. – Eu não posso te dar outra dose do meu sangue tão cedo, o seu corpo precisa aprender a brigar sozinho por isso.

Qualquer um poderia interpretar mal a proximidade com que o tutor estava da ruiva. Enquanto Cinth estava recostada na mesa, quase cercada por Andrew, ele estava há poucos centímetros de distância, seus dedos a tocando diretamente, a ponto de sentir a respiração quente dela se chocando contra o seu pescoço.

Porém, quem conhecia Andrew Westphal sabia que o rapaz era dono de uma excelente conduta e sempre buscava o melhor ao próximo. Ninguém jamais conseguiria imaginar que, naquele momento, Andy estava mais concentrado no tom azulado dos olhos de Cinth ou em seus lábios naturalmente rosados.

- Me prometa que vai me procurar se você piorar? Existem um milhão de outras formas que podemos te ajudar, Cinth.

Uma das mãos de Andrew deslizou pelo rosto de Westphal em uma carícia até que ele quebrou o contato por completo, recuando as mãos para trás das costas.

- Você não precisa enfrentar isso sozinha.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Maio 29, 2016 3:58 am

Kevin nunca tentava ser discreto quando queria falar de suas conquistas, e o fato de Aphrodite ser odiada ou temida por mais da metade da escola não parecia inibir o rapaz de se vangloriar de seu passado um tanto manchado.

Apesar de todos os defeitos, Aphrodite era uma menina linda e havia chamado a atenção de diversos rapazes antes de começar a destilar seu veneno. Não era nenhuma surpresa para Davina que os dois tivessem ficado juntos, principalmente levando em consideração o baixo critério de aceitação que o rapaz tinha em suas conquistas.

A menina fez uma careta de nojo, como se estivesse prestes a vomitar, após o comentário de Kevin sobre a habilidade da loira. A cada dia que passava, ela se perguntava como Caroline havia conseguido se apaixonar por Templeton. Bastava dois minutos de conversa para entender o tipo de homem que ele era e saber que não havia como esperar nada sério vindo dele.

Era um alívio saber que Hyacinth era inteligente o bastante para estar fora do alcance de Kevin. Seria um pesadelo ter mais uma colega de quarto inundando o travesseiro com lágrimas, noite após noite, após colecionar decepções do rapaz.

- Me poupe dos detalhes, já tenho pesadelos suficientes desde que flagrei você e a Carol no meu quarto, Kevin.

A voz de Dana soou alertando aos alunos que deveriam se aproximar, obrigando Davina a se apressar.

- Eu pego a chave. Vocês cuidem do resto.

A menina girou sobre os calcanhares e deu os primeiros passos para voltar para perto da piscina, mas antes de se afastar completamente, ainda se virou para Kevin, precisando falar mais alto para que ele escutasse.

- Hey Kev, tente não pegar nenhuma DST até lá, está bem?

***

Davina Ackerman não era exatamente vaidosa, mas vindo de uma família rica, ela possuía um guarda-roupa que causaria inveja a qualquer menina. Seus cabides exibiam uma grande fileira de vestidos, dezenas de blusas e uma quantidade relativamente grande de calçados. Algumas das roupas estavam reviradas enquanto ela se equilibrava para calçar uma sandália.

Sua cama também estava bagunçada com algumas peças de roupas experimentadas e descartadas em seguida. Por fim, a menina havia se decidido por uma saia dourada que ia até a metade de suas coxas e uma blusa branca, sem manga. Como joia, ela exibia apenas um par de brincos delicados, que ficavam parcialmente escondidos pelos cabelos cor de mel.

Davina era sem dúvida uma menina atraente, mas ninguém ousava se aproximar da caçula dos Ackerman. Durante um período longo demais, Davina havia namorado com Derek Hale, que já havia deixado a escola há meses. Apesar de nunca mais ter dado notícias e do rompimento nada amigável, a sombra de Hale parecia ainda se projetar sobre a ex-namorada, intimidando qualquer novo pretendente que pudesse surgir.

Derek, além de mais velho, tinha como habilidade uma força extrema. Ele havia demorado a dominar por completo e a saber medir seus gestos sem que acabasse machucando alguém ou quebrando alguma coisa. Talvez, o tempo prolongado que Hale havia ficado na escola tivesse facilitado a proximidade dele e de Davina, mas ninguém podia negar que os dois eram felizes juntos.

Ao contrário das constantes provocações que Ackerman enfrentava, ninguém jamais ousaria implicar com Hale pelo seu aprendizado demorado. Não era engraçado fazer piadas quando ele tentava abrir a porta e arrancava a maçaneta, ou que apoiasse os cotovelos sobre a mesa e destruísse toda a madeira. Mas com o tempo Derek havia aprendido a medir cada centímetro da sua força, e para grande decepção de Davina, ele deixou a escola sem pensar duas vezes.

Desde a partida de Derek, Davina foi incapaz de permitir qualquer um de se aproximar. Após a mágoa provocada pelo ex-namorado e por assistir Caroline se despedaçar por Kevin, ela tinha certeza que nada de bom poderia vir dos relacionamentos amorosos.

- Eles já devem estar nos esperando. – Davina se levantou, deslizando os dedos pelos fios claros para ajeitá-lo.

Ela se esticou até pegar a chave furtada de Andrew, largada sobre a mesinha de cabeceira, antes de se voltar para Hyacinth. Era compreensível se a menina quisesse recusar aquela festa, já que não conhecia nem a metade das pessoas que estariam presentes, além de não querer criar problemas em um lugar que havia acabado de chegar.

Mas Davina sabia o quanto a transformação poderia ser exaustiva, e achava de verdade que a festa poderia melhorar o humor da colega.

- Você não precisa ir, se não quiser... – Ela começou, tentando estudar o rosto da ruiva. – Mas eu prometo que será divertido. E prometo não atacar ninguém dessa vez.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Dom Maio 29, 2016 4:15 am

O simples contato com as mãos de Andrew Ackerman fazia com que Hyacinth mergulhasse em uma paz profunda. Sua pele formigava sob os dedos do professor e, embora Andrew ainda não fosse capaz de exterminar toda a dor com apenas um toque, aquele alívio parcial já enchia a ruiva de gratidão.

A redução da intensidade da dor fez com que Hyacinth fechasse os olhos por um momento, seu rosto adquirindo uma expressão mais suave. As pálpebras abaixadas não permitiram que Westphal notasse que o tutor a fitava com um interesse que ia muito além de uma preocupação com a saúde dela.

Quando Hyacinth reabriu os olhos, Andrew já estava muito próximo. Mas nem mesmo tamanha proximidade fez com que a ruiva se sentisse desconfortável. A presença de Ackerman lhe trazia uma paz tão profunda que era impossível enxergar qualquer maldade nas atitudes do tutor.

- Aliviou bastante. Ainda sinto uma dorzinha, mas não incomoda tanto.

Um pequeno suspiro escapou dos lábios da ruiva e, graças à proximidade dos dois, a respiração quente dela se chocou contra o pescoço de Andrew.

- Eu espero que isso melhore logo. Eu sempre fui resistente a dores, mas esta é impossível ignorar.

Quando Andrew afastou as mãos, Hyacinth sentiu um frio repentino se apoderar dela, juntamente com uma discreta piora na intensidade da dor de cabeça. A insatisfação da ruiva não foi verbalizada, somente a perda do brilho nas íris azuladas denunciou que a garota não havia gostado da interrupção daquele contato. Mas ela sabia que era irracional o seu desejo de ter as mãos milagrosas de Ackerman em tempo integral.

- Obrigada, professor.

-----

A ideia de uma festa clandestina não soou exatamente como uma boa notícia para Hyacinth. Embora estivesse gostando dos novos colegas, não parecia certo quebrar uma das regras da escola logo nos primeiros dias como moradora da mansão. Mas Hugo, Theo e Kevin foram especialmente insistentes e, apenas para não frustrar os amigos, a ruiva concordou em participar da comemoração.

No fim das contas, a festa também seria uma boa oportunidade para conhecer todos os alunos. Hyacinth conversara muito com Davina e com os três rapazes, mas não tivera a oportunidade de falar com os outros. Se Aphrodite era a única colega que ela deveria evitar, havia ainda muitos que valia a pena conhecer.

Mesmo que a dor de cabeça ainda a incomodasse, Hyacinth se arrumou para a festa. Segundo os rapazes, a comemoração começaria tarde para evitar que os tutores pegassem qualquer aluno fora da cama, então os ponteiros do relógio de pulso de Westphal já marcavam onze e meia da noite quando ela terminou de prender a última mecha dos cabelos ruivos.

O vestido escolhido para a noite era feito com um tecido aveludado num tom escuro de vermelho, quase alcançando o vinho. A saia era justa ao corpo e chegava até pouco acima dos joelhos de Hyacinth. Como habilidade não era uma das maiores qualidades da ruiva, o armário de Westphal não tinha saltos e ela optara por uma sapatilha baixinha e confortável. A cabeça dela já incomodava o bastante, não fazia sentido deixar os pés igualmente doloridos naquela noite.

Duas mechas dos cabelos ruivos tinham sido puxadas para trás e presas com uma delicada presilha. Além do relógio de pulso dourado, Hyacinth usava apenas um par de brincos delicados, só visíveis porque a menina puxara as mechas do cabelo para trás.

- Se não fosse a certeza de que você seria a mais prejudicada, eu até te incentivaria a acertar a cara daquela garota. Não preciso conhecê-la para não gostar dela.

Hyacinth lançou um sorriso cúmplice para a sua nova amiga antes de se olhar uma última vez no espelho que as duas compartilhavam no quarto.

- Estou pronta, podemos ir. Mas eu já te aviso que não pretendo ficar por muito tempo, ainda estou cansada e amanhã já tenho uma planilha de horários para cumprir. Caso você não me veja na festa é porque já voltei para cá e estou dormindo, ok?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Dom Maio 29, 2016 4:49 am

- Você não acha isso preocupante? – A voz de Andrew foi sussurrada, mas não havia necessidade de falar alto, quando Dana estava sentada logo ao seu lado, bebericando uma xícara de chá.

- Talvez seja muito cedo para sermos tão pessimistas... – O sotaque francês de Chevalier se fez ouvir enquanto o homem encarava os outros dois tutores com a testa franzida. – Ela acabou de chegar, precisa se adaptar. A dor pode nem ser da mutação!

- Acho que já seria otimismo demais, meu querido. – Dana ensaio um fraco sorriso enquanto aquecia suas mãos na porcelana. Por fim, ela ergueu os olhos para Andrew, deixando transparecer em suas íris tão sábias a batalha interna que era travada. – Vamos ficar de olho por mais alguns dias. A menina claramente tem confiança em você, Andrew. Faça o que estiver em seu alcance para ajudá-la.

Ackerman se recostou em sua poltrona e encarou a mulher por longos segundos. Por mais que Dana não fosse admitir em voz alta, ela também sentia os mesmos receios por Hyacinth. O olhar perdido da mulher demonstrava a dor que ela sentia com as lembranças que aquilo lhe trazia, mas ela também não estava disposta a declarar derrota tão precocemente.

- Acha prudente deixar Ackerman responsável pela menina, Dana? – A voz de trovão de Megale soou enquanto ele encolhia os ombros para o mais novo. – Sem ofensas, é claro. Mas se a menina precisa de mais atenção, não seria prudente deixar alguém mais experiente responsável por ela?

Andrew não podia discordar do raciocínio de Megale. Ele sabia que poderia dominar os assuntos de genética, mas iniciar como tutor logo de um caso mais complicado era um desafio. Hyacinth precisava de alguém que lhe ajudasse a aflorar a mutação antes que fosse tarde demais, e aquilo poderia ser não apenas difícil, como doloroso. Ackerman se sentiria um fracasso por qualquer falha da ruiva.

- Hyacinth procurou Andrew em sua primeira necessidade, Gale. O melhor tutor é aquele com quem seu pupilo demonstra afinidade, que tenha confiança. Andrew já ajudou uma vez e ela sabe que pode contar com ele.

Os lábios úmidos pelo chá de Dana se curvaram em um sorriso encorajador.

- Fique com os olhos abertos, Andrew.

Ackerman confirmou com um movimento da cabeça. Quando morava ali como aluno, ele jamais teria coragem de discordar de Dana. Era incrível como nada havia mudado com o passar dos anos.

A voz de trovão de Megale soou mais uma vez quando ele inclinou a cabeça para a porta.

- Os fedelhos estão dando uma festa. O que vamos fazer?

O sorriso de Dana se alargou, se tornando mais suave e sincero, sem as preocupações de antes.

- Deixe eles pensarem que nos enganaram por hoje. Acho que todos nós merecemos a noite de folga.

Em uma pontada de inveja, Andrew queria poder voltar no tempo e se juntar aos adolescentes naquela festa clandestina. Desenvolver sua mutação poderia ser exaustivo, mas ele se lembrava com carinho do tempo em que viveu na mansão e nos amigos que havia feito.

Era frustrante não poder se juntar à irmã naquela pequena aventura, mas dando-se por vencido, Andy se arrastou até o próprio quarto. O lugar era tão espaçoso quanto o quarto dos alunos, com a diferença que ele não precisava incluir mais uma cama e dividir o aposento com outra pessoa.

A roupa do professor logo foi trocada pela calça listrada do pijama e uma camisa branca de algodão. Ainda se sentindo agitado demais para dormir, Andrew se focou na única coisa que conseguiria pensar naquela noite. Pegando o livro da capa azul, ele tentou encontrar nas linhas já decoradas alguma resposta que pudesse ajudar Hyacinth.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Maio 29, 2016 5:32 am

- Quando você vai me mostrar como você é de verdade...?

Theodore resmungou enquanto assistia o melhor amigo vestir um paletó acinzentado por cima da camisa social preta. Os dois já eram colegas de quarto há seis meses e este prazo tinha sido o bastante para que estruturassem uma amizade sincera. Kevin não tinha a menor dúvida de que Theo e Hugo eram amigos que ele levaria consigo pelo resto da vida.

Ainda assim, mesmo com uma amizade tão solidificada, Templeton nunca revelara ao colega qual era a sua verdadeira forma física. Theodore já tinha visto uma infinidade de traços no rosto do amigo sem nunca ter a certeza se uma daquelas faces era a verdadeira aparência de Kevin.

- Por que é tão difícil acreditar que este sou eu de verdade? – Kevin abriu os braços e girou o corpo – Acredite, Theo. Eu sou naturalmente perfeito. Meu poder só permite que eu faça singelos ajustes para atingir um grau de excelência ainda maior.

- Vai se ferrar, Kevin.

Uma risada gostosa escapou pela garganta do rapaz antes que ele e Theodore saíssem do quarto com passos silenciosos. Uma pequena aglomeração já esperava nos arredores da sala de multimídia quando Davina chegou com a chave furtada dos aposentos do irmão mais velho.

Conforme o prometido, os três rapazes tinham cuidado de todos os detalhes da festa. Hugo apareceu com várias garrafas de suco e, para comoção geral, com algumas latinhas de refrigerante que ele certamente se mataria antes de confessar que roubara do frigobar pessoal de Chevalier. Theo e Kevin, depois de uma passada rápida na cozinha vazia, também apareceram com alguns sanduíches e salgadinhos. Mas, sem dúvida, a estrela da noite era uma garrafa de vodca que, sabe-se lá como, um dos rapazes mais antigos do colégio havia levado para a comemoração. Richard certamente usara de sua super velocidade para levar aquele “pecado” para dentro da mansão.

- Deus do céu. – o queixo de Hugo caiu enquanto ele via a garrafa de bebida passando de mão em mão – A Dana vai nos matar.

- Só se ela descobrir. – Kevin riu para o amigo antes de batizar o próprio suco com uma dose pequena de vodca – Não seja tão careta, Hugo. Por sua causa não podemos ligar o som alto, então também não nos prive desta diversão!

- Por minha causa ou porque o som alto atrairia a atenção dos tutores e terminaríamos a noite sendo massacrados por uma lição de moral da Dana?

- Blá-blá-blá... – Templeton girou os olhos, acinzentados naquela noite – Pare de se preocupar tanto e divirta-se. – o sorriso do rapaz se tornou mais malicioso – Sou um bom amigo e já saquei que você gostou da novata. Vou deixar o caminho livre, Hugo.

As orelhas do rapaz esquentaram e ele não conseguiu negar que gostara de Hyacinth. É claro que Hugo jamais brigaria pela atenção de uma menina tendo Kevin como concorrente, então era animador ouvir que o amigo não incluiria Westphal em sua lista de conquistas.

- Sério?

- Aham. Ela é muito gata, mas você é um grande amigo.

- Own... – Theodore zombou – Isso seria tão lindo se não fosse uma mentira. O Kev só está saindo da disputa porque já sacou que a Cinty não vai cair fácil nas garras dele.

A risada de Templeton não deixava claro se Theo tinha razão ou se Kevin realmente estava sendo legal com Hugo. A conversa dos três rapazes prosseguiu enquanto os demais alunos se espalhavam pela sala. Alguém ligou o som num volume muito baixo, mas logo a música animada se espalhava pelo cômodo.

Nem mesmo a presença de Aphrodite foi capaz de estragar o clima da festa. A loira chegou acompanhada pela colega de quarto, que parecia ser a única pessoa da mansão que a suportava. Para alívio de todos, Willis usava um par de luvas de couro, que combinava com suas botas de cano alto feitas com o mesmo material. O vestido preto colado ao corpo não escondia as formas bonitas de Aphrodite e atraiu a atenção dos rapazes. Como típicos adolescentes, era fácil se deixar levar por aquela imagem tentadora e se esquecer do que Aphrodite era capaz de fazer.

- Não nego que seja algo bonito de se ver... – Theodore comentou enquanto bebericava seu suco e sentia o distante sabor da vodca.

- Ela só precisa de um dedo para ferrar a sua cabeça toda. – Hugo alertou o amigo.

- Cara, ela está ferrando mais do que a minha cabeça neste exato momento, e sem nem encostar em mim.

Os três rapazes riram daquele comentário maldoso, mas mudaram o rumo da conversa quando Davina passou por eles. Kevin puxou a colega com um dos braços, arrastando-a para perto do trio. Mesmo depois que Ackerman já estava na rodinha deles, Templeton manteve um dos braços apoiado na cintura da garota. Era o tipo de atitude galanteadora que ele tinha com qualquer menina, mas não costumava agir assim com Davina. Além das lembranças do ex-namorado brutamontes da colega, a presença do irmão da menina como tutor costumava frear os galanteios de Kevin.

Naquela noite, contudo, uma dose de bebida fora o bastante para que Templeton perdesse aquele filtro e enxergasse Davina como uma garota bonita que ainda não estava na sua lista de conquistas.

- Nada disso estaria acontecendo se não fosse por você, Davs. Você é a estrela da noite!

Kevin exibia os mesmos traços familiares de sempre. A diferença estava na cor acinzentadas das íris e nos cabelos castanhos cacheados. O mesmo sorriso galanteador que ele distribuía para as outras garotas desta vez foi dirigido para Davina. Hugo e Theo somente trocaram um olhar debochado e esperaram ansiosos pelo momento em que o irresistível Kevin Templeton seria posto em seu devido lugar por Davina Ackerman.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Dom Maio 29, 2016 6:26 am

Não havia como negar que a festa estava muito divertida. Logo Hyacinth descobriu que os rapazes tinham razão e que, com raras exceções, todos os alunos daquele centro de treinamento eram extremamente gentis e amigáveis. É lógico que todos ainda encaravam Westphal com uma incômoda curiosidade, mas a ruiva se sentiu extremamente acolhida enquanto caminhava pela festa e se apresentava para os novos amigos.

No copo de Hyacinth havia apenas suco. A dor de cabeça ainda latejava em suas têmporas e a garota não queria correr o risco de agravar aquele incômodo com álcool. Contudo, nem mesmo este cuidado evitou que um profundo mal estar começasse a se apoderar da ruiva nos minutos seguintes.

Hyacinth forçava sorrisos, conversava com todas as pessoas que se aproximavam dela e tentava se enturmar, mas a cada minuto ficava mais difícil ignorar a enxaqueca. A dor não estava tão insuportável quanto no momento em que Westphal pisara na mansão pela primeira vez, mas já começava a embaçar a sua visão e a dificultar o seu raciocínio.

Por longos e torturantes minutos, Hyacinth tentou enfrentar aquilo sozinha. O suco não ajudou a aliviar a dor, assim como foi fracassada a ideia de tomar um pouco de ar fresco através de uma das janelas. A ruiva já se sentia inquieta como um animal ferido quando, aproveitando-se que todos já estavam extremamente animados e distraídos, esgueirou-se pelos cantos do salão e saiu do ambiente da festa.

A ideia inicial era voltar para o dormitório, tomar um analgésico qualquer e repousar a cabeça dolorida num travesseiro macio. Mas a dor já estava intensa a ponto de prejudicar o raciocínio de Hyacinth. Inquieta e um pouco desorientada, a garota entrou pelo primeiro corredor que encontrou e se viu perdida numa ala da casa que ainda não conhecia.

Todas as portas estavam fechadas e o silêncio reinava. Hyacinth comprimiu os lábios com uma das mãos para evitar que o barulho de sua respiração ruidosa chamasse a atenção. Um arrepio gelado se espalhou pela espinha da ruiva quando ela viu o nome de Dana em uma das portas. Acidentalmente, Cinty havia entrado na ala onde ficavam os dormitórios dos professores.

Um sentimento de urgência apressou os passos de Hyacinth na direção do fim do corredor, mas seus pés se estancaram no chão quando os olhos azuis avistaram o nome Ackerman na última porta. A guerra interna era violenta. Por um lado, Westphal estava desesperada pelo alívio que encontrava apenas nas mãos de Andrew. Por outro lado, pedir a ajuda dele naquele momento era o mesmo que denunciar a festinha clandestina para um dos tutores.

Por quase um minuto inteiro, Hyacinth ficou parada diante da porta fechada, sem saber o que fazer. Era extremamente arriscado ficar ali, mas a dor intensa que a torturava não tornava fácil a decisão de ir embora e enfrentar aquele problema sozinha. Por fim, a garota cedeu. Quando deu duas batidas leves na porta de Andrew, Westphal desejava desesperadamente que o professor não tomasse nenhum tipo de providência contra a festinha. Talvez Andrew poupasse os alunos ao saber que Davina era uma das “organizadoras” e que roubara a chave dele.

- Me ajude.

A súplica soou numa entonação frágil tão logo Andrew abriu a porta. Hyacinth já era naturalmente branquinha, mas estava pálida como um fantasma naquela noite. O rosto salpicado com gotículas de suor frio denunciava o mal estar da menina, assim como a temperatura gelada dos dedos que agarraram o punho de Ackerman.

A consciência de Hyacinth vacilou por um breve momento, mas foi o bastante para fazer seus joelhos se dobrarem. Os reflexos rápidos de Andrew impediram que a aluna caísse e, quando recuperou o controle, Westphal já se viu deitada numa poltrona confortável. Mesmo sofrendo com aquela dor insuportável, a primeira preocupação da ruiva foi dirigida aos colegas.

- Está acontecendo uma festa. – não tinha como esconder isso com o vestido, o penteado e a maquiagem leve – Mas eu tive que sair de lá porque está insuportável de novo...

Com um gesto, Hyacinth indicou a cabeça, referindo-se à dor que Andrew já conhecia.

- Não conte aos outros professores sobre a festa, por favor. Eu vou me sentir péssima, todos vão pensar que eu sou uma traidora. Ninguém vai entender que eu tinha que vir aqui. – um gemido escapou dos lábios da ruiva – Por favor, Andrew...

Hyacinth não estava raciocinando quando agarrou a mão de Ackerman e a levou até a sua testa. A familiar sensação de formigamento fez com que a garota fechasse os olhos e relaxasse. Um sorriso começou a brotar nos lábios da ruiva e o alívio foi tão profundo que Westphal se deixou levar por uma onda de energia que, até então, ela desconhecia.

Andrew foi o primeiro a presenciar o poder mutante de Hyacinth. A mão que tocava a testa da ruiva subitamente perdeu o contato com uma superfície sólida e atravessou a imagem da garota. Ao notar o que havia acabado de acontecer, os olhos de Hyacinth se arregalaram e ela parecia tão surpresa quanto o professor.

- O que foi isso???

Com a mão trêmula, Hyacinth se aproximou do braço de Andrew e abriu um largo sorriso quando seus dedos ultrapassaram o professor. Assim como Chevalier, Hyacinth tinha o poder da intangibilidade.

- Uau. – Cinty lançou um riso cúmplice a Andrew – Não conte pra Davina. Vou treinar um pouco mais e quero ver a cara dela quando eu entrar no nosso quarto pela parede.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lucinda Clearwater em Dom Maio 29, 2016 10:40 pm

As sobrancelhas finas de Davina se arquearam por um breve segundo de surpresa quando ela identificou o sorriso galanteador que Kevin exibia para praticamente todo o público feminino da mansão.

Era fácil compreender o sucesso de Templeton com suas conquistas. Independente se aquela era sua forma natural ou não, o rapaz era atraente e dono de um sorriso capaz de derreter até os corações mais gelados. Bastava meia dúzia de palavras para que as meninas estivessem completamente entregues aos seus braços.

O que não fazia sentido para Ackerman era como nenhuma delas conseguia enxergar a falsidade por trás daqueles gestos. Eram sempre os mesmos, previsíveis e repetitivos. Seria muita tolice acreditar que finalmente Kevin acordaria um belo dia satisfeito com a garota que estivesse ao seu lado.

Templeton poderia não ser uma pessoa má, mas estava longe de ser o par ideal para assumir um relacionamento. Para aceitar qualquer envolvimento com o rapaz, a menina precisaria ter total compreensão de que seriam apenas algumas horas de diversão e nada mais.

Se deixando levar pelo braço em sua cintura, Davina deslizou uma das mãos pelo peito de Kevin enquanto se acolhia em seu braço, exibindo um risinho fino.

- Você acha mesmo, Kev? Vou ter algum tratamento especial em agradecimento?

Hugo e Theo se entreolharam mais uma vez, mas Davina fez questão de manter toda sua atenção voltada a Kevin enquanto o rodeava pelo pescoço com os dois braços. Graças a diferença de altura, a menina precisava inclinar o rosto para cima para encarar os olhos cinzentos, mantendo um sorriso galanteador nos lábios rosados.

- Sabe o que me deixaria imensamente feliz?

Davina estreitou o abraço e aproximou seus lábios aos de Kevin, mas antes que o rapaz pudesse acabar com todo o espaço e iniciar um beijo, o copo que a menina segurava foi inclinado até que o suco com vodka começasse a escorrer pela cabeça e costas do rapaz.

Quando Templeton se afastou, motivado pelo susto, Davina apoiou as mãos na cintura, mantendo o copo vazio em seus dedos, e sorriu mais largamente, sem mais nenhum vestígio do jogo de conquista de segundos antes.

- Que você parasse de agir como um completo imbecil e com essas conversinhas vazias. É patético!

Davina ergueu o indicador contra o peito de Kevin antes de completar.

- Você e eu, queridinho? Não vai rolar!
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Damien Scott em Dom Maio 29, 2016 11:05 pm

A aparição repentina de Hyacinth, por si só, já era uma imensa surpresa. Já vestido de pijamas, Andrew estava pronto para uma noite pacata enquanto invejava internamente a diversão dos mais novos em sua festa clandestina. A última coisa que ele esperava ver naquela noite era a imagem produzida de Westphal.

A ruiva conseguia ficar ainda mais bonita quando os fios ruivos estavam bem penteados, a leve maquiagem realçava os pontos certos de seu rosto e destacava os olhos azuis. O vestido aveludado marcava cada curva da jovem, deixando-a com uma aparência ainda mais madura do que as vestes usadas durante o dia.

Apesar de poder se perder durante longos minutos apreciando a figura atraente de Westphal, o foco de Andrew logo se voltou para a dor que a menina sentia. Enquanto se esforçava para tentar aliviar o mal-estar da ruiva, Ackerman sentia o coração acelerar, sentindo a insegurança começar a surgir.

Megale soou novamente em sua cabeça, com sua voz de trovão, questionando a maturidade do jovem tutor para assumir uma responsabilidade como Westphal. Talvez Dana estivesse confiando demais em sua capacidade, talvez fosse mesmo um grande erro deixar Hyacinth em seus cuidados.

Andrew estava tão concentrado naquela batalha interna, entre vencer sua insegurança e fazer o possível para que Hyacinth melhorasse, que quando sua mão atravessou a têmpora que tentava curar, seus olhos castanhos se arregalaram e Ackerman ficou tão branco quanto um fantasma.

Embora tivesse crescido em uma família de mutantes, que estivesse cercado por pessoas com talentos especiais desde sempre, Andrew não esperava que o poder de Hyacinth fosse se manifestar naquele momento.

Passado o primeiro segundo de surpresa, os lábios entreabertos de Andrew finalmente se curvaram em um sorriso e ele soltou uma risada gostosa, em uma mescla de admiração e alívio.

- Isso é incrível, Cinty! Isso é... uau! – Andrew ergueu a mão para tocar sua palma na de Hyacinth, experimentando mais uma vez a sensação de ter seus dedos atravessados no que deveria ser a solidez de sua pele.

Uma nova risada ecoou pelo quarto quando a mão de Westphal se tornou sólida outra vez. Andrew manteve seus dedos segurando carinhosamente a mão da ruiva enquanto seu semblante se tornava mais orgulhoso com o tempo.

- É uma ótima notícia, Cinty. Isso quer dizer que as dores vão diminuir cada vez mais. Seu corpo está finalmente aceitando a mutação.

Agora que não havia mais o pânico de que Hyacinth fosse desmaiar a qualquer instante, Andrew conseguia se sentir mais relaxado. Esquecendo o seu papel de tutor, ele ergueu a mão livre até tocar uma mexa de fios ruivos, colocando-a atrás da orelha delicada da menina. O brinco discreto logo se tornou visível com um pequeno brilho, em mais uma harmonia perfeita com a aparência da jovem.

Westphal era de longe uma das meninas mais bonitas que já havia passado pela mansão. Mais do que seus cabelos exóticos e os olhos incrivelmente azuis, ela conseguia ser perfeita em cada detalhe. Era difícil ser um homem completamente indiferente diante de Hyacinth e Andrew já havia se esquecido qualquer racionalidade que o pudesse se manter afastado.

Era como se ele estivesse na mansão, mais uma vez, como um dos alunos que buscavam aprender a controlar seus poderes e que não houvesse nada de errado em se encantar pela novata.

- Eu não preciso contar a ninguém sobre a festa, Cinty. Dana já sabia do que ia acontecer antes mesmo de você escolher esse lindo vestido. É difícil manter segredos por aqui, você vai ver.

A cabeça de Andrew foi inclinada na direção do pequeno frigobar sob a sua escrivaninha antes de ele completar, com um largo sorriso que já havia feito algumas antigas alunas se derreterem.

- Já que você deixou a sua festa para trás, acho que poderíamos comemorar essa nova descoberta. Coca-cola?
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Lukas Krauss em Dom Maio 29, 2016 11:22 pm

O líquido gelado que escorreu pela sua cabeça até pingar nas pontas dos cabelos cacheados foi mais do que o suficiente para trazer Kevin de volta à realidade. Ao som das risadas histéricas de Theodore e Hugo, Templeton praguejou enquanto passava as mãos na cabeça e nos ombros encharcados, numa tola tentativa de reduzir o estrago causado por Davina.

- Eu só estava brincando, sua maluca! O que pensou? É tão ÓBVIO que eu não quero ficar com você!

A verdade é que as coisas não pareciam tão óbvias assim. Embora ele nunca tivesse investido num relacionamento com Davina antes, Kevin certamente não recuaria naquela noite se a colega demonstrasse qualquer fraqueza diante de seu charme. Mas era muito mais fácil fingir que os galanteios eram uma brincadeira do que aceitar que existia uma menina sob o teto daquela mansão que resistia facilmente às investidas dele.

- Por que eu iria querer você?

Exatamente por não estar acostumado com negativas, Templeton era o tipo de rapaz que não sabia aceitar uma recusa. Seu ego inflado era um de seus maiores trunfos e Davina havia acabado de atingir seriamente o seu orgulho. Kevin não tinha uma mente naturalmente cruel e ardilosa como a de Aphrodite, mas em seus momentos de raiva mostrava uma face sombria e uma língua venenosa.

- Você está longe de ser a garota mais bonita da mansão. Posso enumerar pelo menos cinco ou sete muito mais atraentes e que cairiam aos meus pés num estalar de dedos. Você não é anormalmente bonita, nem assombrosamente inteligente ou espirituosa. Isso sem mencionar o fiasco que você chama de poder... Então, coloque-se no seu lugar.

- Coloque-se você no seu lugar, Kevin.

Hugo estava sério quando se meteu na conversa em defesa da amiga. Por mais que gostasse de Templeton e o considerasse um grande amigo, Hugo não estava pronto para vê-lo maltratar Davina somente porque a menina não se derretia por ele.

- Esfrie a cabeça e pare de falar tanta merda. E acho que já chega de vodca por hoje, está bem claro que você não tem maturidade para isso.

O copo de suco foi retirado das mãos de Templeton, mas nem mesmo as palavras do amigo fizeram com que Kevin controlasse a própria língua. Ele estava olhando para Davina quando apontou na direção de Hugo.

- Não se sinta lisonjeada e nem pense que ele está fazendo isso por você. O Hugo quer pegar a sua amiguinha. Ele é um excelente aluno, eu mesmo ensinei a ele que é preciso conquistar a confiança das amigas antes de atacar a presa. É isso que você é... Apenas um degrau que ele precisa escalar para chegar na Hyacinth.

A única maneira de ter a última palavra naquela discussão era se afastar do grupo, então foi isso que Kevin fez. Hugo sacudiu a cabeça enquanto assistia o amigo marchando para o outro lado do salão.

- Desculpe, Davs. – Theodore respirou fundo e soltou o ar ruidosamente pelos lábios – Você não pegou o Kev num bom dia. Eu sei que nada justifica esta cena, mas ele teve mais uma daquelas discussões com o Megale ontem.

Megale era o tutor responsável por Templeton. Os dois se davam muito bem na maior parte do tempo e Kevin confiava no professor e admirava toda a sabedoria e a serenidade do mais velho. Contudo, não era raro que eles se desentendessem, e as brigas geralmente eram motivadas pelo mesmo assunto. Megale insistia que Kevin precisava assumir a própria identidade e parar de usar aquela máscara de sedutor. O que mais irritava Templeton era saber que o tutor não se referia ao seu poder de transmorfismo, mas sim ao comportamento forçado que ele tinha no colégio.

Do outro lado do salão, Aphrodite acompanhou os movimentos do colega com os lábios repuxados num sorrisinho malicioso. Quando Kevin passou por ela, a voz suave soou sem nenhuma inocência.

- Problemas, Kev...? Eu posso fazer você se esquecer deles em um segundo.

A maneira como Aphrodite colocava a declaração deixava claro que ela dava mais de uma interpretação à frase e que, não necessariamente, usaria seus poderes para afastar a mente de Templeton dos problemas.

- Quer mesmo me ajudar? – Kevin parou diante da colega com uma expressão sombria – Que tal ficar bem longe de mim? Você é nojenta.

- Como preferir, querido.

O sorriso de Aphrodite não se abalou e ela apenas seguiu Kevin com um olhar astuto enquanto o rapaz se afastava. Willis também não era o tipo de pessoa que gostava de ser rejeitada, mas ao contrário de Kevin a moça sabia que explosões de raiva não a levariam a lugar algum. As melhores retaliações eram aquelas cuidadosamente planejadas e Davina Ackerman era o nome no topo da lista de vingança de Aphrodite naquele exato momento.

Talvez ela pudesse unir Davina e Kevin no mesmo plano de vingança. Seria extremamente prático acertar as contas com os dois colegas de uma só vez.
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Re: Escola de mutantes

Mensagem por Hyacinth Westphal em Seg Maio 30, 2016 12:03 am

Quando a dor finalmente cessou e permitiu que Hyacinth raciocinasse, o rosto dela se ruborizou diante do professor usando pijamas. Já era indelicadamente tarde para uma visita aos aposentos dele, mas o desespero que levara a ruiva a bater na porta de Ackerman não permitiu que ela enxergasse o quanto tudo aquilo era inadequado.

- Céus, eu te acordei? Eu lamento muito! Confesso que estava tão desorientada que entrei no corredor errado. Estava doendo tanto que não pensei muito antes de bater na sua porta...

O comportamento de Andrew era um fator atenuante para o constrangimento de Hyacinth. O professor não parecia envergonhado, impaciente ou chateado com a presença inoportuna dela. Ao contrário, Ackerman a tratava com uma gentileza inquestionável. Talvez fosse exatamente por isso que Hyacinth se sentia tão ligada a ele. Isso e o fato das mãos milagrosas de Andrew abrandarem a sua dor de cabeça.

Em nenhum momento, Westphal se mostrou desconfortável com a proximidade do professor. Pelo contrário, todos os gestos de Andrew pareciam tão naturais que a ruiva jamais o julgaria mal pelos toques carinhosos ou pela maneira informal com que ele a tratava.

Embora tivesse conhecido Ackerman há pouco mais de um dia, Hyacinth sentia que podia confiar nele. Era o tipo de sentimento que deveria existir entre um tutor e seu pupilo, mas talvez Dana não tivesse calculado os riscos daquela decisão. Andrew podia ser maduro o bastante para guiar uma transformação complicada como a de Hyacinth, mas talvez lhe faltasse a prudência de enxergá-la apenas como uma aluna.

- Achei que refrigerantes fossem proibidos aqui dentro. A Dana também pode repreender os professores?

O comentário soou baixinho e num tom irônico enquanto Hyacinth aceitava uma latinha de Coca-Cola. Os dois brindaram simbolicamente antes de tomarem o primeiro gole. Já recuperada da dor, Westphal agora estava sentada na ponta da poltrona, de onde tinha uma visão bastante privilegiada do quarto do professor. Era um cômodo amplo e muito bem organizado. O livro de capa azul estava jogado sobre os cobertores, denunciando que Ackerman estava imerso nas páginas quando ouviu as batidas na porta.

- É um poder legal, não é?

A ruiva manteve a latinha de refrigerante em uma das mãos enquanto, com a mão livre, brincava de atravessar a superfície macia da poltrona. Era impressionante que Hyacinth já demonstrasse um controle tão fino de sua habilidade. A maioria dos alunos demorava semanas até conseguir usar seu poder de forma intencional.

- Ainda acho o seu poder muito mais útil, mas não posso me queixar. Aliás, não posso MESMO me queixar. Agora as dores vão parar, não vão?

Os olhos azuis se voltaram para o professor com alguma ansiedade, mas Hyacinth não conseguiu esperar pela resposta dele. Uma risadinha anasalada escapou dos lábios da ruiva e ela bem que tentou se conter, mas a tentação foi maior. Num impulso, Westphal levou a mão livre aos cabelos de Andrew. Os dedos, agora perfeitamente sólidos, mergulharam nos fios castanhos em uma tentativa de ajeitar o penteado.

- Desculpe mesmo por ter te tirado da cama. Seu cabelo está todo atrapalhado! Como você os usa mesmo...?

Hyacinth se arrastou no sofá, ficando alguns centímetros mais próxima de Ackerman. A memória dela só precisou de dois segundos para relembrar a imagem do professor. Os dedos delicados pentearam os fios de Andrew para a direita, ajeitando os cachinhos sem nenhuma pressa.

- Assim?
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